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Numero do processo: 13896.000688/00-24
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/07/1990 a 31/12/1991 FINSOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o FINSOCIAL de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 24/08/2000, antes de ser aplicada a Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, restou-se prescrito o pedido de restituição/compensação apenas dos valores de Finsocial relativos ao período de junho e julho de 1990, mantendo-se o direito de o contribuinte pleitear restituição/compensação dos valores relativos ao período de agosto de 1990 a dezembro de 1991. Recurso Extraordinário Provido em Parte.
Numero da decisão: 9900-000.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Nanci Gama - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano D’Amorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: NANCI GAMA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     2   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso extraordinário.    Otacílio Dantas Cartaxo ­ Presidente    Nanci Gama ­ Relatora    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Otacílio  Dantas  Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz  que  substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de  Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de  Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir  Sandri,  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos,  Elias  Sampaio  Freire,  Gonçalo  Bonet  Allage,  Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta  Cardozo,  Rycardo  Henrique  Magalhães  de  Oliveira,  Henrique  Pinheiro  Torres,  Francisco  Maurício  Rabelo  de  Albuquerque  Silva,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Maria  Teresa  Martínez  López,  Nanci  Gama,  Rodrigo  Cardozo  Miranda,  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Mércia  Helena  Trajano D’Amorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.    Relatório  Trata­se de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional em face  do acórdão de nº 03­05.635, proferido pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos  Fiscais,  que,  por  maioria  de  votos,  negou  provimento  ao  recurso  especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional  para  reconhecer  o  direito  de  o  contribuinte  pleitear,  em  24/08/2000,  restituição/compensação  de  valores  de  FINSOCIAL  cujos  fatos  geradores  ocorreram  entre  junho de 1990 e dezembro de 1991.  Para  tanto,  a  Terceira  Turma  considerou  que  o  prazo  para  o  contribuinte  pleitear  restituição/compensação  de  valores  de  FINSOCIAL  nos  presentes  autos  seria  de  5  (cinco) anos contados a partir da publicação da MP 1.110/95, conforme ementa a seguir:  “FINSOCIAL.PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO­O  direito  de  se  pleitear  o  reconhecimento  de  crédito  com  o  consequente  pedido  de  restituição/compensação,  perante  a  autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que  tenha  sido  declarada  inconstitucional,  somente  surge  com  a  declaração  de  inconstitucionalidade  pelo  STF,  em  ação  direta,  ou  com  a  suspensão,  pelo  Senado  Federal,  da  lei  declarada  inconstitucional,  na  via  indireta.  Por  esta  via,  o  termo  a  quo  para  o  pedido  de  restituição  começa  a  contar  da  data  da  publicação da MP nº 1.110 em 31/08/95 – p. 013397, posto que  foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o  caráter  indevido  do  recolhimento  do  Finsocial  à  alíquota  Fl. 533DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13896.000688/00­24  Acórdão n.º 9900­000.749  CSRF­PL  Fl. 251          3 superior  a  0,5%.  PRECEDENTES:  AC.  CSRF/03­04.227,  301­ 31.406, 301­31.404 e 301­31.321.  Recurso especial negado.”  Inconformada,  a  Fazenda  Nacional,  com  fulcro  nos  artigos  9º  e  43  do  Regimento  Interno  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  147/2007,  interpôs  recurso  extraordinário  com  base  no  acórdão  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  utilizado  como paradigma,  qual  seja,  o  de  nº  04­00.810,  para  aduzir  que  o  prazo para pleitear  restituição/compensação  é de 5  (cinco)  anos  contados  a partir  da data de  extinção do crédito tributário conforme previsão dos artigos 165 e 168, I, do CTN. O acórdão  paradigma restou­se assim ementado:  “PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO  –  ILL  –  O  direito  de  pleitear  restituição  de  tributo  indevido,  pago  espontaneamente,  perece  com  o  decurso  do  prazo  de  cinco  anos,  contados  da  data  de  extinção do crédito  tributário,  sendo  irrelevante que o  indébito  tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art.  165,  incisos  I  e  II,  e  168,  inciso  I,  do CTN,  e  entendimento  do  Superior Tribunal de Justiça).  Recurso Especial do Procurador Provido.”  A  Recorrente  complementa,  ainda,  que  o  advento  da  Lei  Complementar  118/2005 teria encerrado definitivamente a controvérsia sobre o tema, tendo em vista que o seu  artigo 3º prevê que “para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25  de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no  caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado  de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei”. E, entendendo que aludido dispositivo deteria  caráter  interpretativo,  a  Fazenda  Nacional  alega  que  caberia  a  sua  aplicação  retroativa  nos  presentes autos, conforme previsão do artigo 106, I, do CTN.  A Recorrente  alega,  também,  a  necessidade  de  observância  ao  disposto  no  Ato Declaratório SRF nº 96, de 1999, o qual considera que “o prazo para que o contribuinte  possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior  que  o  devido,  inclusive  na  hipótese  de  o  pagamento  ter  sido  efetuado  com  base  em  lei  posteriormente  declarada  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  em  ação  declaratória  ou  em  recurso  extraordinário,  extingue­se  após  o  transcurso  do  prazo  de  5  (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário”.  O  i.  Presidente Substituto  do Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  reconheceu o dissídio jurisprudencial e deu seguimento ao recurso extraordinário.  É o relatório.  Fl. 534DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     4   Voto             Conselheira Nanci Gama, Relatora  O recurso extraordinário é tempestivo, razão pela qual passo a analisar seus  pressupostos  de  admissibilidade  em  conformidade  ao  Regimento  Interno  aprovado  pela  Portaria MF nº 147/2007.  Primeiramente,  quanto  à  divergência  entre  acórdãos  recorrido  e  paradigma,  entendo  ter  a  mesma  sido  devidamente  demonstrada.  Isso  porquê  ao  passo  que  o  acórdão  recorrido  respaldou  o  entendimento  de  que  o  prazo  de  5  (cinco)  anos,  para  o  contribuinte  pleitear  restituição/compensação  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação  (FINSOCIAL), se inicia a partir da edição do ato normativo que dispensa o pagamento desse  tributo, o acórdão paradigma respaldou entendimento de que o prazo de 5 (cinco) anos, para o  contribuinte pleitear restituição/compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação  (ILL),  se  inicia  a  partir  da  data  da  extinção  do  crédito  tributário  “sendo  irrelevante  que  o  indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro”.  Quanto aos demais pressupostos de admissibilidade previstos nos artigos 9º e  43º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF  nº 147/20071, o qual é aplicado por força do artigo 4º do atual Regimento Interno do Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 256/20092, também entendo  terem  os  mesmos  sido  devidamente  demonstrados,  razão  pela  qual  conheço  do  recurso  extraordinário interposto pela Fazenda Nacional.  A  controvérsia  aduzida  nos  presentes  autos  cinge­se,  basicamente,  em  determinar  o  prazo  para  o  contribuinte  pleitear  restituição  dos  valores  de  FINSOCIAL  recolhidos com base nas alíquotas instituídas pelas Leis nºs 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90.  Conforme  se  infere do  relatório,  o  acórdão  recorrido  entendeu  que  o  prazo  para pleitear restituição deve ser de 5 (cinco) anos contados a partir da data da publicação da  MP  1.110/95,  a  qual,  em  seu  artigo  17  previu  que  estariam  os  contribuintes  dispensados  de  recolher a contribuição para o FINSOCIAL com base nas alíquotas  instituídas pelas Leis nºs  7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90, ou seja, a partir de 31/08/1995.  Em  contrapartida,  a  Fazenda  Nacional  entende  que  o  prazo  para  pleitear  restituição  é  de  5  (cinco)  anos  contados  a  partir  das  datas  de  extinção  do  crédito  tributário,  ocorridas entre junho de 1990 e dezembro de 1991, e que, portanto, o pedido de restituição,  protocolado em 24/08/2000, já estaria prescrito.                                                              1  “Art.  9º  Compete  ao  Pleno  julgar  recurso  extraordinário  de  decisão  de  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais que der à  lei  tributária  interpretação divergente da que  lhe  tenha dado outra Turma ou o  Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais.”  2 “Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara  Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra  os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta  Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos artigos 15 e 16, no art. 18 e nos artigos 43 e 44  daquele Regimento. (Redação dada pela Portaria MF nº 446, de 27 de agosto de 2009).”  Fl. 535DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13896.000688/00­24  Acórdão n.º 9900­000.749  CSRF­PL  Fl. 252          5 Considerando que o artigo 62­A3 do atual Regimento Interno do CARF, qual  seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vincula os Conselheiros do CARF às decisões  definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em sede de  recurso  especial  repetitivo,  cabe  a  esta Relatora  aplicar  ao  presente  caso  o  entendimento  do  STF  consubstanciado  no  julgamento  do  RE  nº  566.621,  bem  como  o  entendimento  do  STJ  objeto do julgamento do REsp nº 1.002.932.   De acordo  com  referida  jurisprudência,  o prazo  para o  contribuinte pleitear  restituição/compensação  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  será,  para  os  pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118 ocorrida em  09/06/2005, o de 10 (dez) anos, ou seja, 5  (cinco) anos para homologar  (artigo 150, § 4º, do  CTN) mais 5 (cinco) anos, a partir dessa homologação, para pleitear restituição (artigo 168, I,  do CTN).  E,  em  se  tratando  a  contribuição  para  o  FINSOCIAL  de  tributo  sujeito  a  lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação  ter  sido  protocolado  antes  do  dia  09/06/2005  (vigência da LC 118/05),  plenamente  aplicável  ao  presente caso a tese dos 5 (cinco) anos mais 5 (cinco) anos objeto do REsp nº 1.002.932, por  força da decisão do STF objeto do RE nº 566.621.  O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado:  “DIREITO  TRIBUTÁRIO  –  LEI  INTERPRETATIVA  –  APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº  118/2005  – DESCABIMENTO  –  VIOLAÇÃO À  SEGURANÇA  JURÍDICA  –  NECESSIDADE  DE  OBSERVÂNCIA  DA  VACACIO  LEGIS  –  APLICAÇÃO  DO  PRAZO  REDUZIDO  PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS  PROCESSOS  AJUIZADOS  A  PARTIR  DE  9  DE  JUNHO  DE  2005.  Quando  do  advento  da  LC  118/05,  estava  consolidada  a  orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para  os  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  o  prazo  para  repetição  ou  compensação  de  indébito  era  de  10  anos  contados  do  seu  fato  gerador,  tendo  em  conta  a  aplicação  combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.  A LC 118/05, embora tenha se auto­proclamado interpretativa,  implicou  inovação  normativa,  tendo  reduzido  o  prazo  de  10  anos  contados  do  fato  gerador  para  5  anos  contados  do  pagamento indevido.  Lei  supostamente  interpretativa  que,  em  verdade,  inova  no  mundo jurídico deve ser considerada como lei nova.  Inocorrência  de  violação  à  autonomia  e  independência  dos  Poderes,  porquanto  a  lei  expressamente  interpretativa  também                                                              3 “Art. 62­A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior  Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­C da  Lei  nº  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.”  Fl. 536DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     6 se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à  sua natureza, validade e aplicação.  A  aplicação  retroativa  de  novo  e  reduzido  prazo  para  a  repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por  lei  nova,  fulminando,  de  imediato,  pretensões  deduzidas  tempestivamente  à  luz  do  prazo  então  aplicável,  bem  como  a  aplicação  imediata  às  pretensões  pendentes  de  ajuizamento  quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra  de  transição,  implicam  ofensa  ao  princípio  da  segurança  jurídica  em  seus  conteúdos  de  proteção  da  confiança  e  de  garantia do acesso à Justiça.  Afastando­se as aplicações inconstitucionais e resguardando­se,  no mais,  a  eficácia da norma, permite­se a aplicação do prazo  reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis,  conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado  445 da Súmula do Tribunal.  O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes  não  apenas  que  tomassem  ciência do  novo  prazo, mas  também  que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos.  Inaplicabilidade  do  art.  2.028  do  Código  Civil,  pois,  não  havendo  lacuna  na  LC  118/05,  que  pretendeu  a  aplicação  do  novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação  por  analogia.  Além  disso,  não  se  trata  de  lei  geral,  tampouco  impede iniciativa legislativa em contrário.  Reconhecida  a  inconstitucionalidade  do  art.  4º,  segunda  parte,  da  LC  118/05,  considerando­se  válida  a  aplicação  do  novo  prazo de 5 anos tão­somente às ações ajuizadas após o decurso  da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de  2005.  Aplicação do art. 543­B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados.  Recurso extraordinário desprovido.”  Em  face  do  exposto,  conheço  do  recurso  extraordinário  interposto  pela  Fazenda Nacional e, no mérito, voto no sentido de lhe dar parcial provimento para reconhecer a  prescrição  do  pedido  de  restituição/compensação  dos  valores  de  FINSOCIAL  relativos  aos  fatos geradores ocorridos entre junho e julho de 1990.    Nanci Gama                              Fl. 537DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO

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4980001 #
Numero do processo: 10735.901064/2011-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 20/07/2007 NORMAS PROCESSUAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. O despacho que indeferir pedido de compensação/ressarcimento deve ser motivado. A falta da motivação ou fundamentação implica em preterição do direito de defesa do contribuinte. Os princípios do contraditório e da ampla defesa se traduzem, por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal. É invalido o despacho decisório proferido em desobediência ao ditame constitucional do contraditório e da ampla defesa. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO. PROVAS. NECESSIDADE. No sistema do livre convencimento motivado, adotado em nosso ordenamento jurídico, inclusive nos processos administrativos (art. 29 do Decreto n° 70.235/1972), o julgador forma livremente o seu convencimento, porém dentro de critérios racionais que devem ser indicados. Trata-se de um sistema misto no qual o órgão julgador não fica adstrito a critérios valorativos prefixados em lei, antes, tem liberdade para aceitar e valorar a prova, desde que, ao final, fundamente sua convicção. E mais, a fundamentação deve ser clara o suficiente para que não seja cerceado o direito de defesa do contribuinte. Processo Anulado.
Numero da decisão: 3202-000.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, anular o processo a partir do despacho decisório da DRF, inclusive. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente. Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, anular o processo a partir do despacho decisório da DRF, inclusive. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente. Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2196; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T2  Fl. 95          1 94  S3­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10735.901064/2011­50  Recurso nº       Voluntário  Acórdão nº  3202­000.799  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de junho de 2013  Matéria  COFINS. COMPENSAÇÃO  Recorrente  ABOLIÇÃO CAMINHÕES E ÔNIBUS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Data do fato gerador: 20/07/2007  NORMAS PROCESSUAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.  NULIDADE.  O  despacho  que  indeferir  pedido  de  compensação/ressarcimento  deve  ser  motivado. A falta da motivação ou fundamentação implica em preterição do  direito de defesa do contribuinte.  Os princípios do contraditório e da ampla defesa se  traduzem, por um lado,  pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo  às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe  forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal.  É  invalido  o  despacho  decisório  proferido  em  desobediência  ao  ditame  constitucional do contraditório e da ampla defesa.  MOTIVAÇÃO DA DECISÃO. PROVAS. NECESSIDADE.  No  sistema  do  livre  convencimento  motivado,  adotado  em  nosso  ordenamento  jurídico,  inclusive  nos  processos  administrativos  (art.  29  do  Decreto n° 70.235/1972), o julgador forma livremente o seu convencimento,  porém dentro de critérios racionais que devem ser indicados.  Trata­se  de  um  sistema misto  no  qual  o  órgão  julgador  não  fica  adstrito  a  critérios  valorativos  prefixados  em  lei,  antes,  tem  liberdade  para  aceitar  e  valorar  a  prova,  desde  que,  ao  final,  fundamente  sua  convicção.  E mais,  a  fundamentação  deve  ser  clara  o  suficiente  para  que  não  seja  cerceado  o  direito de defesa do contribuinte.  Processo Anulado.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 10 64 /2 01 1- 50 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10735.901064/2011­50  Acórdão n.º 3202­000.799  S3­C2T2  Fl. 96          2     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado,  anular o processo a partir do despacho  decisório da DRF, inclusive.     Irene Souza da Trindade Torres – Presidente.    Gilberto de Castro Moreira Junior ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Irene  Souza  da  Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles  Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.   Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  decisão  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  no  Rio  de  Janeiro  (DRJ/RJ  II),  que  julgou  improcedente a impugnação da Recorrente.    Para  descrever  os  fatos,  e  também  por  economia  processual,  transcrevo  o  relatório constante do acórdão da DRJ/RJ II, verbis:    Trata­se de Declaração de Compensação Eletrônica – nãohomologada de  débito  de  IRPJ  (cód.  2362­01),  relativo  ao  período  de  apuração  de  jul/07,  com crédito oriundo de pagamento considerado indevido, a título de Cofins  (cód.  5856),  recepcionada  pela  RFB  em  31/08/2007,  tudo  conforme  se  verifica na cópia da PerdComp constante dos autos.  A  autoridade  fiscal  decidiu  não  homologar  a  compensação  efetuada,  pois  entendeu inexistir o direito creditório declarado (fl. 16).  Cientificada  da  decisão,  a  contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade (fls. 02/04), alegando em resumo que:  1.  constatou  ter  efetuado  pagamento  a maior  de PIS/Cofins  no  período  de  apuração de junho de 2005;  2.  mas,  nem  retificou  sua  Dacon,  nem  apresentou  DCTF  retificadora,  gerando inexistência de crédito e a não homologação da  compensação declarada;  3. apresenta em anexo a DCTF e a Dacon retificadoras.  A  contribuinte  requer  o  reconhecimento  do  direito  creditório  e  a  homologação da compensação declarada.    Fl. 96DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10735.901064/2011­50  Acórdão n.º 3202­000.799  S3­C2T2  Fl. 97          3 Em  sua  decisão,  a  DRJ/RJ  II,  por  unanimidade,  houve  por  bem  julgar  improcedente a  impugnação, mantendo o crédito  tributário exigido. A ementa do acórdão  foi  assim formulada:    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 20/07/2007  Prova. Momento. Preclusão.  A  prova  do  crédito,  que  suporta  Declaração  de  Compensação,  cabe  à  contribuinte,  devendo  ser  apresentada  até  o  momento  da Manifestação  de  Inconformidade,  sob  pena  de  preclusão,  salvo  em  casos  excepcionais  legalmente previstos.    Inconformada com a decisão da DRJ/RPO, a Recorrente interpôs o presente  recurso voluntário, onde alega em síntese:    (a)  Ter apresentado DACON e DCTF retificadoras, ainda que após a ciência  do despacho decisório;   (b)  A existência de seu crédito; e  (c)  A necessidade de diligência para a comprovação do seu crédito;    Junta  a  Recorrente  ao  recurso  voluntário  cópias  do  Livro  Razão  demonstrando os créditos por ela aproveitados, bem como de contrato de locação e nota fiscal  de compra de energia elétrica.    É o relatório.  Voto             Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator.  O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em  lei, razão pela qual dele se conhece.  Entendo que o Despacho Decisório eletrônico que  indeferiu a compensação  realizada pela Recorrente não traz qualquer fundamentação para o seu indeferimento.  Ressalte­se  que  não  se  está  aqui  afirmando  que  o  Recorrente  tem  ou  não  direito à compensação, mas sim que não está plenamente fundamentado o despacho eletrônico  da DRF que denegou o pedido do contribuinte.  Está, portanto, plenamente caracterizado o cerceamento do direito de defesa  do  contribuinte,  o  que  implica  na  nulidade  do  Despacho  Decisório,  nos  termos  do  que  prescreve o inciso II do artigo 59 do Decreto 70.235/72, verbis:  Fl. 97DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10735.901064/2011­50  Acórdão n.º 3202­000.799  S3­C2T2  Fl. 98          4 Art. 59 ­ São nulos:  I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  –  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente e ou com preterição do direito de defesa.  O contribuinte tem o direito constitucional (art. 5º, LV, CF/88) de saber qual  o  motivo  do  indeferimento  de  seu  pedido,  até  mesmo  para  poder  elaborar  sua  defesa  e  apresentar sua versão dos fatos, contradizendo as alegações do Fisco.  Adoto a fundamentação do conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, a  seguir descrita.  O  direito  ao  contraditório  é  o  exercício  da  dialética  processual,  implica  no  direito  que  tem  as  partes  de  serem ouvidas  nos  autos,  devendo o  processo  ser marcado pela  bilateralidade  da  manifestação  dos  litigantes.  Seu  desígnio  é  oportunizar  direito  à  parte  demandada de ser informada a respeito do que está sendo alegado pelo demandante, a fim de  que  possa  produzir  defesa  de  qualidade  e  indicar  prova  necessária,  lícita  e  suficiente  para  alicerçar  sua  peça  contestatória.  A  ampla  defesa  também  está  intimamente  ligada  a  outro  princípio constitucional mais abrangente, qual seja o devido processo legal, pois é inegável que  o direito a defender­se amplamente implica consequentemente na observância de providência  que assegure legalmente essa garantia.  Com o objeto de dar cumprimento ao princípio do devido processo legal, do  contraditório e da ampla defesa, o Despacho Decisório deveria ter demonstrado como chegou à  conclusão apontada em seu  texto, ou seja, deveria explicitar a motivação da decisão  tomada,  pois  assim  não  fazendo,  corre­se  o  risco  do  arbítrio,  do  subjetivismo,  o  que  não  se  pode  permitir.  Conhecendo­se  a  motivação  da  decisão  proferida,  podem  todos  dela  tomar  conhecimento  e  concluir  ter  sido  proferida  em  conformidade  com  a  lei  e  as  provas,  concordando com ela, ou em caso contrário, apresentar suas razões de discordância.   O  Despacho  Decisório,  ao  não  explicitar  o  motivo  pelo  qual  indeferiu  o  pedido  de  ressarcimento  do  contribuinte,  é  nulo  por  preterição  do  direito  de  defesa  do  contribuinte.  O  Despacho  Decisório  (emitido  eletronicamente,  portanto,  sem  maiores  verificações dos fatos alegados) resignou­se, apenas, não homologar a compensação declarada,  e mais nada! Não apontou elementos de prova para corroborar esta afirmação.   As  provas  são  dirigidas  ao  julgador que  formará  livremente  sua  convicção.  Cabe  às  partes  em  litígio,  Fisco  e  contribuinte,  ao  fazerem  suas  alegações  e  afirmações  apresentarem  as provas que  as  estribam. Devem demonstrar os  fatos que alegam de  forma  a  esclarecer o julgador, proporcionando­lhe o conhecimento dos mesmos.  A  aplicação  do  direito  ao  caso  concreto,  para  a  solução  do  litígio,  será  efetuada a partir do conhecimento que se tem sobre os fatos ocorridos, que devem ser trazidos  ao processo por meio das provas.   Fl. 98DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10735.901064/2011­50  Acórdão n.º 3202­000.799  S3­C2T2  Fl. 99          5 Em vista  de  tudo  o  que  foi  exposto,  e  diante  do  cerceamento  do  direito  de  defesa  por  falta  de  fundamentação  do  Despacho  Decisório  da  DRF,  voto  por  declarar  a  nulidade do processo a partir do Despacho Decisório eletrônico, inclusive.   O processo deverá retornar a DRF competente para que seja proferido novo  Despacho Decisório.  É como voto.    Gilberto de Castro Moreira Junior                                Fl. 99DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES

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4917756 #
Numero do processo: 13710.002123/2001-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto de Renda Pessoa Física Exercício: 1999 PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO REJEITADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS NÃO COMPROVADA. RATEIO ENTRE OS PENSIONISTA COMPROVADO. O contribuinte comprovou que não houve omissão na declaração de rendimentos, na medida em que o valor da pensão, após o rateio, foi declarado por todos os pensionistas. Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-000.897
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: EWAN TELES AGUIAR

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1614; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C1T2  Fl. 1          1             S2­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13710.002123/2001­18  Recurso nº  161.710   Voluntário  Acórdão nº  2102­00.897  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de setembro de 2010  Matéria  IRPF  Recorrente  HELENA ZYBERBERG  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Assunto: Imposto de Renda Pessoa Física  Exercício: 1999  PRELIMINAR  DE  PRESCRIÇÃO  REJEITADA.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  NÃO  COMPROVADA.  RATEIO  ENTRE  OS  PENSIONISTA COMPROVADO.  O  contribuinte  comprovou  que  não  houve  omissão  na  declaração  de  rendimentos,  na  medida  em  que  o  valor  da  pensão,  após  o  rateio,  foi  declarado por todos os pensionistas.  Recurso provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.   Assinado digitalmente  GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS – Presidente  Assinado digitalmente  EWAN TELES AGUIAR ­ Relator.    EDITADO EM: 12.03.2013  Presentes  os  Conselheiros  Núbia  de  Matos  Moura,  Rubens  Maurício  Carvalho,  Acácia  Sayuri  Wakasugi,  Carlos  André  Rodrigues  Pereira  de  Lima,  Giovanni  Christian Nunes Campos e Ewan Teles Aguiar.     Fl. 151DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por EWAN TELES AGUIAR     2 Relatório  Trata  de  lançamento  de  oficio  de  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Física  (IRPF), referente ao ano­calendário de 1998, consubstanciado no Auto de Inflação às fls. 33 a  38, que apurou imposto suplementar de R$ 1.291,46, alcançando um total de R$ 2.742,02 com  a multa de oficio e  acréscimos moratórios,  em face de omissão de  rendimentos  recebidos de  pessoa jurídica.  Após cientificada do Auto de Infração em referência, em 06/08/01 (fl. 40), a  interessada  apresentou  a  impugnação  de  fl.  01,  alegando  que:  não  foi  chamada  para  prestar  esclarecimentos,  nem  cientificada  sobre  possíveis  irregularidades;  quanto  ao  rendimento  considerado omitido, foi declarado da seguinte forma: metade dos rendimentos e do IRRF em  nome  da  impugnante  e  metade  dividida  pelos  três  filhos;  em  novembro  de  1998  os  filhos  passaram a receber contracheque próprio; a quantia, constante no comprovante de rendimentos  de cada filho (nov. e dez /98) foi somada à parte da pensão que lhe fora destinada; não teria  ocorrido omissão de rendimentos.  A 2ª Turma de Julgamento da DRJ­Rio de Janeiro, por unanimidade de votos,  julgou procedente o lançamento em Decisão de fls. 74­77, consubstanciada no Acórdão n° 13­ 15.939, de 07 de maio de 2007, por entender que:  ­ a impugnante teve ciência do Auto de Infração, que foi lavrado por Auditor Fiscal da Receita  Federal,  em  cumprimento  ao  disposto  no  art.  142  do  CTN,  sendo  concedido  à  contribuinte  prazo regulamentar para apresentação do contraditório, o que ensejou a oportunidade de defesa,  exercida por meio da impugnação de fl. 01.  ­  restou  comprovado  que  somente  a  partir  do  mês  de  novembro  de  1998  os  filhos  da  impugnante passaram a receber rendimentos próprios, conforme fls. 69 a 71.  ­ a interessada não juntou aos autos nenhum documento capaz de demonstrar que os seus filhos  já teriam o direito a receber a pensão nos meses de janeiro a outubro de 1998.  ­ a Fiscalização, ao elaborar o Auto de Infração, considerou o rendimento constante na DIRF,  ou  seja, R$  73.634,76,  resultando  numa  omissão  de  rendimentos  no  valor  de R$  35.281,76,  tendo em vista que a contribuinte apenas declarou a quantia de R$ 38.353,00 do  Instituto de  Previdência do Estado do Rio de Janeiro, conforme declaração de ajuste anual de fls. 26 e 39.  A intimação da decisão a quo ocorreu em 05/07/2007 (fl. 78). A contribuinte  interpôs recurso voluntário em 02/08/2007 (fl. 79), alegando:  ­ preliminar de prescrição. A Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 1999, ano­ calendário de 1998, sofreu revisão que resultou no Auto de Infração  lavrado em 09/04/2001,  tendo tomado ciência em 23 de agosto de 2001, quando começou a fluir o prazo prescricional.  ­ o direito da Fazenda Nacional constituir crédito tributário se extingue após 05 (cinco) anos, já  estando,  dessa  forma  prescrito  o  crédito  tributário  desde  07  de maio  de  2007. A Recorrente  ofereceu a impugnação ao Auto de Infração, em 23 de agosto de 2001, na forma do art. 173 do  CTN,  sendo  esse  o  último  ato  praticado  pela  Delegacia  da  Receita.  Não  houve,  durante  5  (cinco)  anos  e  9  (nove)  meses,  qualquer  ato  praticado  pela  Administração  que  viesse  a  interromper o período prescricional.  Fl. 152DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por EWAN TELES AGUIAR Processo nº 13710.002123/2001­18  Acórdão n.º 2102­00.897  S2­C1T2  Fl. 2          3 ­  não  houve  omissão  de  receita  nos  rendimentos  declarados  pela  interessada.  A  Repartição  lançadora partiu do falso pressuposto de que a tributação incidiria sobre a totalidade da pensão,  cujos rendimentos pagos no ano base de 1998 foram de R$ 76.706,00 e a retenção na fonte de  R$15.266,00.   ­  o  Instituto  de  Previdência  do  Estado  do  Rio  de  Janeiro,  ao  deferir  o  direito  à  pensão  de  Hercberg Zylberberg, falecido em 11 de dezembro de 1992, dividiu a pensão em duas partes:  50%  para  a  esposa  (R$  38.353,00),  e  os  outros  50%,  no  valor  de  R$  38.353,00  foram  partilhados  entre  seus  três  filhos  menores  à  época  que,  separadamente,  têm  apresentado  a  Declaração  de  Ajuste  Anual  Simplificada,  declarando  cada  um  de  per  si  a  parte  que  lhe  corresponde do beneficio paterno, conforme lhes faculta a lei e por ser mais conveniente.  ­ as cópias das Declarações apresentadas por seus filhos são comprobatórias de que não houve  omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (R$ 76.706,00 divididos por 2 é igual a  R$  38.353,00)  e  de  que  o  Auto  de  Infração  para  exigir  um  Imposto  Suplementar  partiu  de  simples presunção, não autorizada em lei.  ­  o  Auditor  Fiscal  foi  induzido  a  erro,  face  ao  comprovante  de  rendimentos  fornecido  pelo  Instituto de Previdência do Estado do Rio de Janeiro (fl. 9).  ­  o  desmembramento  da  pensão  só  foi  deferido  em  outubro  de  1998,  quando  seus  filhos  passaram  a  receber  os  Contra­cheques  próprios.  Porém,  esse  fato  não  alterou  o  valor  dos  rendimentos, vez que o beneficio era dividido na proporção  legal de 50% para a esposa e os  outros 50% para os filhos e assim declarados ao Fisco.  ­ a Recorrente  foi orientada no sentido da apresentação das Declarações de Ajuste Anual em  separado, já que os filhos estavam inscritos no CPF.  ­  não houve omissão de  rendimentos  e o Regulamento do  Imposto de Renda não pode  criar  penas novas nem estender sua aplicação às hipóteses não previstas em lei. Ou o Regulamento  se  coaduna  com  a  lei  e  é  válido  ou  contraria  as  medidas  nele  contidas  e  passa  a  ser  inconstitucional, não podendo ser aplicado.    Voto             Conselheiro Ewan Teles Aguiar  O  presente  recurso  é  tempestivo  e  atende  os  requisitos  de  admissibilidade  previstos no Decreto 70.235 de 6 de março de 1972, sendo assim, dele conheço.  Em relação à preliminar de prescrição, esta não pode ser  reconhecida posto  que de acordo com a Súmula 11 do CARF, não se aplica a prescrição intercorrente no processo  administrativo fiscal.  No  mérito,  assiste  razão  a  ora  recorrente,  devendo  ser  provido  o  presente  recurso.  Fl. 153DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por EWAN TELES AGUIAR     4 Isto  porque  a  situação  de  pensionista  dos  três  filhos  foi  comprovada  pelos  títulos emitidos em 03.03.1993 juntados às fls. 03 a 105. A declaração individual de cada filho  também  foi  comprovada  às  fls.93  a  97,  onde  informou­se  como  ocupação  principal  “pensionista”.  Assim,  ao  contrário  do  que  decidiu  a  DRJ,  entendo  que  a  contribuinte  comprovou que não houve omissão na declaração de rendimentos, na medida em que o valor  da pensão, após o rateio, foi declarado por todos os pensionistas.  Registre­se que a contribuinte juntou cópia de orientações da Receita Federal  para  preenchimento  da Declaração  de  Imposto  de Renda  em que  consta que  os  rendimentos  recebidos do menor deveriam ser declarados em separado, fls.99 a 101.  Assim, por tudo que consta nos autos, voto no sentido de reformar a Decisão  recorrida DANDO PROVIMENTO ao recurso voluntário.    Ewan Teles Aguiar ­ Relator                              Fl. 154DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por EWAN TELES AGUIAR

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Numero do processo: 15504.012252/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LOCAÇÃO PELA EMPREGADORA DE VEÍCULOS DE PROPRIEDADE DOS EMPREGADOS DA EMPRESA. SALÁRIO UTILIDADE. NECESSIDADE DA LOCAÇÃO PARA A PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONTRATADOS. AUSÊNCIA DE RECIBOS DE DESPESAS INCORRIDAS COM O USO DO VEÍCULO. DESNECESSIDADE EM FACE DO CARACTERIZADO REEMBOLSO DE DESPESAS INCORRIDAS. NÃO INCIDÊNCIA. A locação de veículos dos empregados da empresa, quando demonstrada a necessidade de tal providência para que os serviços venham a ser prestados pelo contratado enseja o entendimento de que os valores pagos, a princípio o são em decorrência da natureza do serviços prestado, e não como retribuição pelo serviço prestado. Não obstante, o fato de não haverem sido carreados aos autos recibos ou comprovantes das despesas incorridas na utilização do veículo para fins de reconhecimento da isenção preconizada pelo art. art. 28, § 9o, alínea “s”, da Lei 8.212/91, fica elidido em razão de que, no presente caso, é o empregado quem fica responsável e assume o risco pelas despesas de combustível, manutenção, taxas, pedágios, dentre outras, inerentes e notórias ao uso do veículo para a prestação dos serviços contratados antes de receber os valores da locação. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Julio César Vieira Gomes - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Tiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2188; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 427          1 426  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15504.012252/2008­43  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­003.320  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de janeiro de 2013  Matéria  SALÁRIO INDIRETO: VEÍCULO  Recorrente  PROLOGI CONS LOGISTICA EMPRESARIAL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  LOCAÇÃO  PELA  EMPREGADORA  DE  VEÍCULOS  DE  PROPRIEDADE  DOS  EMPREGADOS DA EMPRESA. SALÁRIO UTILIDADE. NECESSIDADE  DA  LOCAÇÃO  PARA  A  PRESTAÇÃO  DOS  SERVIÇOS  CONTRATADOS.  AUSÊNCIA  DE  RECIBOS  DE  DESPESAS  INCORRIDAS  COM  O  USO  DO  VEÍCULO.  DESNECESSIDADE  EM  FACE  DO  CARACTERIZADO  REEMBOLSO  DE  DESPESAS  INCORRIDAS. NÃO INCIDÊNCIA. A locação de veículos dos empregados  da empresa, quando demonstrada a necessidade de  tal providência para que  os serviços venham a ser prestados pelo contratado enseja o entendimento de  que  os  valores  pagos,  a  princípio  o  são  em  decorrência  da  natureza  do  serviços  prestado,  e  não  como  retribuição  pelo  serviço  prestado.  Não  obstante,  o  fato  de  não  haverem  sido  carreados  aos  autos  recibos  ou  comprovantes  das  despesas  incorridas  na  utilização  do  veículo  para  fins  de  reconhecimento da isenção preconizada pelo art. art. 28, § 9o, alínea “s”, da  Lei 8.212/91, fica elidido em razão de que, no presente caso, é o empregado  quem  fica  responsável  e  assume  o  risco  pelas  despesas  de  combustível,  manutenção,  taxas,  pedágios,  dentre  outras,  inerentes  e  notórias  ao  uso  do  veículo para a prestação dos serviços contratados antes de receber os valores  da locação.  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 22 52 /2 00 8- 43 Fl. 613DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso.    Julio César Vieira Gomes ­ Presidente    Lourenço Ferreira do Prado ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Júlio  César  Vieira  Gomes,  Ana  Maria  Bandeira,  Nereu  Miguel  Ribeiro  Domingues,  Tiago  Taborda  Simões,  Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.  Fl. 614DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.012252/2008­43  Acórdão n.º 2402­003.320  S2­C4T2  Fl. 428          3   Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto por PROLOGI CONSULTORIA E  LOGÍSTICA LTDA, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n.  37.157.055­7,  lavrado  para  a  cobrança  de  contribuições  sociais  previdenciárias  parte  dos  segurados,  incidentes  sobre  os  valores  pagos  aos  seus  empregados  a  título  de  locação  de  veículos.  Consta do relatório fiscal que foi apurada a existência de conta denominada  LOCAÇÃO  DE  VEÍCULOS  na  contabilidade.  Diante  de  tal  fato,  requeridos  os  esclarecimentos sobre os pagamentos efetuados, a recorrente apresentou à fiscalização extratos  bancários e contratos de locação de veículos firmados com os seus segurados empregados.  Ao  que  se  depreende  das  ponderações  do  fiscal  autuante  os  segurados  empregados, proprietários dos veículos, eram os locadores dos veículos à recorrente, tida como  locatária.  Sobre a natureza dos contratos de locação, assim constou do relatório fiscal  da infração:  [..]Foi  constatado  que,  apesar  de  o  veiculo  ficar  em  poder  do  empregado da empresa, não foi apresentada documentação que  comprove uma prestação de contas, um controle da quantidade  de  quilômetros  rodados  por  cada  veiculo.  A  inexistência  de  documentação  que  discrimine  as  despesas  realizadas  pelos  empregados com os veículos locados faz concluir que a auditada  não  tem  controle  sobre  o  uso  da  coisa  por  ela  locada.  Pode  o  empregado utilizar­se do veiculo do modo que lhe convier, tanto  para a execução do trabalho como para o seu uso pessoal.  9.  0  valor  mensal  acordado  pela  locação  entre  a  auditada  (locatária) e o empregado, na condição de suposto locador, 6, em  média,  equivalente  a  59%  do  valor  do  salário  mensal  do  trabalhador.  [...]  11. Deve­se ressaltar que a utilização de contratos de locação de  veículos não aconteceu de forma esporádica e nem tampouco em  casos  isolados.  Ao  longo  do  ano  de  2004,  a  auditada  firmou  contratos de locação de veículos com 53 de seus 140 empregados  (média  do  ano),  contratos  esses  que  chegaram  a  um montante  total de R$ 183.480,13 (cento e oitenta e três mil, quatrocentos e  oitenta reais e treze centavos) no ano de 2004.  12. Vale mencionar que a periodicidade inicial de cada contrato  de  locação era de um ano,  ficando comprovado, dessa  forma, a  habitualidade dos  ganhos  por  parte  do  empregado,  e  que  esses  contratos  poderiam  ser  renovados  sistematicamente  enquanto  durasse o contrato de trabalho do empregado.  Fl. 615DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4  13. Ressaltamos que, o fato de a empresa denominar as parcelas  pagas  como  parcelas  do  contrato  de  locação  não modifica  sua  natureza jurídica de remuneração, visto que tal valor acresceu o  patrimônio  do  empregado,  tendo  sido  concedido como  um plus  na sua remuneração em decorrência do vinculo laboral.  [...]  18. Para que o ressarcimento de despesas pelo uso do veiculo se  exclua  do campo de  incidência  da  contribuição  previdenciária,  faz­se necessário que haja a comprovação de que o pagamento  não  se  reverteu  em  prol  do  empregado,  mas  que  representou  apenas  o  reembolso  de  uma  despesa  tida  como  condição  imprescindível  para  a  execução  do  serviço.  Caso  contrário,  o  pagamento se situa no caso geral estabelecido pelo artigo 28, I  da Lei n° 8.212/91.  O  lançamento  compreende  o  período  de  01/2004  a  12/2004,  tendo  sido  o  contribuinte cientificado em 22/07/2008 (fls. 01).  Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 594/599), a  recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta:  1.  que  executa  a  prestação  dos  serviços  em  diversos  entes  de  nossa  Federação,  necessitando  que  seus  empregados  realizassem deslocamentos  constantes  aos  locais  efetivos da  execução  dos  serviços  contratados,  motivo  pelo  qual  necessitavam  ter  à  sua  disposição  veículos  a  fim  de  executarem os serviços prestados pela recorrente;  2.   que  tal  fato,  contudo,  não  era,  e  nunca  foi  impeditivo  à  contratação  dos  empregados.  Mas,  com  fim  de  cumprir  a  prestação  dos  serviços,  sempre  foi  imprescindível  a  utilização  de  automóveis  (próprios  ou  não)  pelos  seus  colaboradores;  3.  que  no  período  auditado  (janeiro  de  2004  a  dezembro  de  2004),  conforme  contratos  juntados,  não  havia  uma  única  modalidade de locação de yeículos, mas, no mínimo três. 1)  locação  de  empresas  especializadas;  2)  locação  de  terceiros  pessoas físicas e 3) locação dos próprios funcionários;  4.  que  nos  contratos  com  empresas  especializadas  em  locação  de veículos, os valores praticados eram muito maiores do que  os acordados com os empregados que locavam seus veículos  à empresa;  5.  que  na  segunda  modalidade  de  locação  (terceiros)  o  pagamento  da  verba  relativa  ao  aluguel  era  repassada  a  terceiros,  e  não  aos  seus  segurados  empregados,  o  que  não  permite a sua caracterização como salário;  6.  que caso os empregados não possuíssem veículo próprio e o  quisessem locar à recorrente, esta disponibilizava ao mesmo  outros  veículos  (  locados  de  empresas  especializadas  ou  Fl. 616DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.012252/2008­43  Acórdão n.º 2402­003.320  S2­C4T2  Fl. 429          5 terceiros pessoas físicas) para que então pudesse exercer suas  atividades;  7.  que  a  locação  de  veículos  de  empregados  era  prática  excepcional  e  foi  elevada  no  ano  de  2004  em  razão  das  necessidade dos clientes da recorrente;  8.  que  muitos  dos  funcionários  que  constaram  no  anexo  do  Auto  de  Infração  não  laboraram  durante  todo  o  ano  na  empresa, tendo sido rescindidos os seus contratos de locação;  9.  que  havia,  em  alguns  contratos,  o  adicional  por  quilometro  rodado,  vez  que,  existiam  funcionários  que  realizavam  um  percurso mais extenso para exercer suas atividades  laborais.  Tal medida  se  tornava necessária,  com  o  fim  de  ressarcir  o  desgaste  e  a  depreciação  extra  que  o  veiculo  sofria.  Este  Complemento,  por  assim  dizer,  foi  estipulado  quando  o  deslocamento superasse os 2.000 km/mês, o que demonstra a  preocupação  da Recorrente  em  apenas  ressarcir  as  despesas  em virtude de maior desgaste do automóvel utilizado;  10.  que  os  valores  pagos  eram  efetivamente  indenizatórios  das  despesas incorridas com os veículos, não podendo, portanto,  estarem  sujeitos  à  incidência  de  contribuições  previdenciárias;  11.  que  a  cláusula  3.2  dos  contratos  previam  que  o  valor  da  locação  determinava  estarem  nele  englobados  todas  as  despesas  de  pedágios,  combustível,  impostos,  licenciamentos,  manutenção  preventiva,  estacionamentos,  multas, etc.;  12.  cita doutrina e jurisprudência no sentido de que o aluguel de  veículos  de  empregados  não  pode  ser  considerado  como  salário de contribuição;  Processado  o  recurso  sem  contrarrazões  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho.  É o relatório.  Fl. 617DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     6    Voto             Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator  CONHECIMENTO  Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade,  dele conheço.  Sem preliminares.  MÉRITO  Conforme já relatado, cumpre­nos saber se os valores da locação de veículos  dos  empregados  da  recorrente  pode  ou  não  ser  considerada  como  base  de  cálculo  das  contribuições previdenciárias lançadas.  Da análise do relatório fiscal percebe­se que a recorrente efetuava a locação  de veículos de seus empregados, mediante contrato de locação, para que estes pudessem vir a  exercer  suas  funções,  que  exigiam  deslocamento  a  outras  unidades  da  federação,  além  dos  deslocamentos dentro da própria unidade.  A  fiscalização,  ao  analisar  os  contratos,  percebeu  que  estes  deveriam  ser  considerados  como  efetivo  salário  uma vez  que  a  recorrente  não  demonstrou  que  os  valores  pagos  eram  decorrentes  de  ressarcimento  de  despesas  incorridas  com  os  veículos  locados,  motivo pelo qual estaria descumprido aquilo o que preconizado pelo art. 28, § 9o, alínea “s”, da  Lei 8.212/91, a seguir:  "  §  9°  Não  integram  o  salário­de­contribuição  para  os  fins  desta  Lei,  exclusivamente:  s)  o  ressarcimento  de  despesas  pelo  uso  de  veiculo  do  empregado  e  o  reembolso  creche  pago  em  conformidade  com  a  legislação  trabalhista,  observado  o  limite máximo  de  seis  anos  de  idade,  quando  devidamente  comprovadas as despesas realizadas; " (grifei)  Este  foi o  fundamento da autuação  levada a efeito, qual  seja,  a ausência de  discriminação das despesas incorridas com o veículo.  Ressalte­se  que  em momento  algum  a  fiscalização  defendeu  que  o  veículo  locado não era utilizado pelos empregados para o trabalho, mas apenas que também poderia ser  utilizado de forma pessoal, situação, a meu ver, absolutamente normal e lógica, uma vez que o  mesmo é o proprietário do veículo.  Por sua vez, os contratos de locação foram entabulados consideradas, dentre  outras algumas cláusulas que devem ser consideradas para o desate da demanda, que a seguir  trasncrevo:  OBJETO   0  presente  contrato  tem  por  objeto  a  locação  do  veiculo  FIAT  UNO  MILLE, 1991 placa KNF­5734, que  será utilizado por Adão Diniz Alves  Fl. 618DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.012252/2008­43  Acórdão n.º 2402­003.320  S2­C4T2  Fl. 430          7 Madruga,  para  transporte  de  pessoas  e  materiais  necessários  aos  serviços da LOCATÁRIA.  VALOR  2.1. 0 valor completo da locação é de R$ 550,00 (quinhentos e cinquenta  reais) por mês de uso efetivo do veiculo;  2.2. Este valor engloba  todas as despesas com  impostos,  licenciamento,  seguros,  manutenções  preventivas  ou  corretivas  e  abastecimento  do  veiculo,  bem  como  toda  e  qualquer  outra  despesa  oriunda  do  uso  do  veiculo, tais como estacionamentos, pedágios, multas, etc.;  2.3. Quando ocorrer do veiculo ficar parado para manutenção, reparo ou  qualquer outro motivo não  imputável à LOCATÁRIA, os dias relativos a  este  período  serão  descontados  proporcionalmente  no  valor  mensal  da  locação;  PAGAMENTOS   3.1.  Os  pagamentos  serão  efetuados  até  o  quinto  dia  útil  do  mês  subseqüente ao do aluguel, segundo dados apurados no Relatório Mensal  de  Veículos  de  que  trata  o  item  7.4.  0  atraso  na  entrega  do  relatório  acarretará atraso no pagamento na mesma quantidade de dias.  6. DAS OBRIGAÇÕES DO LOCADOR.  6.2. Responsabilizar­se inteiramente pela manutenção dos veículos objeto  da  locação,  arcando  com  as  despesas  de  combustíveis,  lubrificantes,  pneus,  seguros,  licenciamentos,  estacionamentos,  pedágios,  etc.,  assumindo  também,  todo  o  Onus  por  quaisquer  danos  por  eles  provocados,  inclusive  a  terceiros,  durante  o  período  de  locação,  responsabilizando­se,  ainda,  por  todos  os  impostos  e  taxas  correspondentes;  6.3.  Afixar  nas  portas  dos  veículos  objeto  da  locação  os  adesivos  fornecidos pela LOCATÁRIA;  6.4.  Preencher  mensalmente  o  Relatório  Mensal  de  Veículos,  encaminhando­o  ao  gerente  deste  contrato,  definido  no  item  5,  no  máximo até o primeiro dia útil do mês subseqüente ao da locação;  Pois bem, o contrato em conjunto com o objeto social da recorrente de fato  retrata que os veículos locados eram necessários para a execução de serviços habituais.  Além  disso,  verifica­se  que  o  valor  da  locação  fixado  entre  as  partes  já  englobava  todas  as  despesas  de  manutenção,  gastos  com  combustível  dentre  outros,  sendo  pagos no mês subseqüente ao do aluguel  incorrido. Ou seja, desta  forma,  independentemente  do valor das despesas  relativas ao veículo  incorridas no mês de maio, por exemplo, somente  em  junho  é  que  o  empregado,  no  caso  locador,  as  recebia,  no  limite máximo  de R$  550,00  (quinhentos e cinqüenta reais) por mês. Logo, em sendo recebidas somente no mês posterior ao  aluguel dos veículos, não hã de se falar em qualquer adiantamento de valores pagos.  Todavia, o mesmo raciocínio pode ser levado a efeito no caso do empregado  ter  incorrido em poucas despesas num mês, que nem mesmo alcancem o valor de R$ 550,00  (quinhentos e cinqüenta reais).  Fl. 619DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     8  O  ponto  interessante  a  ser  considerado  é  o  de  que  o  empregado  parece  assumir um risco de incorrer em mais ou menos despesas do que aquelas que efetivamente pré­ determinou com a empresa locatária, pois, em momento algum, o relatório  fiscal da  infração  apontou  que  em  caso  de  haverem  despesas  superiores  ao  valor  da  locação  estas  seriam  reembolsadas ao locador (empregado).  Além disso, o contrato firmado entre as partes determina expressamente que  o  veículo  locado  deve  ser mantido  à  disposição  da Locatária,  quem  pode,  inclusive,  levar  a  efeito vistorias e reprovar o uso do veículo, rescindindo a locação. Exige, ainda, do locador, o  preenchimento de um relatório mensal de veículos, que fez juntar ao presente processo, no qual  se verifica que são registrados horários de saída do veículo, chegada, destino e quilometragem  rodada.  Tais  elementos,  a  meu  ver  demonstram  que  ao  contrário  do  que  apurou  a  fiscalização, que a recorrente fiscalizava a execução do contrato, logo, a coisa por ela locada.  Ainda entendo que a locação de um veículo, por si só, já enseja uma série de  despesas,  relativas  a manutenção  do  veículo,  em  especial  as  relativas  ao  combustível  gasto.  Ora, para que o veículo seja utilizado, o combustível será obrigatoriamente gasto, não há outra  saída. E se de fato é o locador (empregado) que vai ter que desembolsar referida quantia para  locomover­se durante um mês e recebê­lo no mês seguinte, é obvio que está sendo ressarcido  de referido valor, pois foi obrigado a ter diminuição patrimonial prévia.  O  contrato  é  claro  em  determinar  ao  empregado  (locador)  a  assunção  das  despesas com combustível, por exemplo, situação que a meu ver desobrigaria a necessidade da  apresentação da comprovação de gastos, pois estes são obviamente inerentes ao uso da coisa.  Ademais, não existem nos autos, elementos que me conduzam à conclusão de  se trate no presente caso de uma vantagem concedida pela empresa ao seu empregado, locador  do  veículo,  com  o  intuito  de  disfarçar  verba  salarial  concedida,  mas  sim  que  se  trata  efetivamente  de  um  contrato  de  locação  de  veículo  necessário  à  execução  dos  serviços  prestados  pela  recorrente.  Ademais,  constam  dos  autos,  contrato  de  locação  de  veículos  também com empresas especializadas no assunto, o que efetivamente reforça a necessidade de  que tal providência é efetivamente necessária.  Não vejo que os valores pagos a título de aluguel, no presente caso, possam  ser considerados  como  forma de  remuneração do empregado, ou mesmo que  a utilização do  veículo  pelo  mesmo,  de  forma,  pessoal,  também  possa  refletir  referida  conclusão.  O  que  exsurge da situação, a meu ver, é situação totalmente diferente, que diante das provas carreadas  aos autos enseja uma típica  relação de  locação e não de concessão de benefício em favor do  empregado ou mesmo de situação que necessite da comprovação de gastos  incorridos com o  veículo, para que tal não se caracterize como salário.   Não se trata de caso em que o empregado exerce suas funções em seu veículo  e depois vai requerer o ressarcimento da recorrente, mas sim de situação em que o empregado  já  colocou  à  disposição  da  empresa  o  seu  veículo  (bem),  via  contrato  de  locação,  para  que  possam ser exercidas as atividades da recorrente.  Ao perceber uma contraprestação  futura por  tal  situação, assumindo o  risco  de efetivamente ter que despender gastos maiores do que o valor que receberia pela  locação,  não vejo como entender que referida relação possa ser caracterizada como uma contraprestação  relativa ao serviços por si prestados.  Fl. 620DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.012252/2008­43  Acórdão n.º 2402­003.320  S2­C4T2  Fl. 431          9 Por fim, cumpre asseverar que a mesma matéria ora sob análise já foi objeto  de  julgamento  por  esta  Eg.  Turma,  quando  da  análise  dos  processos  administrativos  n.  15504.012255/2008­87  e  15504.012253/2008­98,  da  mesma  recorrente,  os  quais  restaram  assim ementados, com textos idênticos:  “CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  LOCAÇÃO  PELA  EMPREGADORA  DE  VEÍCULOS  DE  PROPRIEDADE  DOS  EMPREGADOS  DA  EMPRESA.  SALÁRIO  UTILIDADE.  NECESSIDADE  DA  LOCAÇÃO  PARA  A  PRESTAÇÃO  DOS  SERVIÇOS  CONTRATADOS.  AUSÊNCIA  DE  RECIBOS  DE  DESPESAS  INCORRIDAS  COM  O  USO  DO  VEÍCULO.  DESNECESSIDADE  EM  FACE  DO  CARACTERIZADO  REEMBOLSO DE DESPESAS  INCORRIDAS. NÃO INCIDÊNCIA. A  locação  de  veículos  dos  empregados  da  empresa,  quando  demonstrada  a  necessidade  de  tal  providência  para  que  os  serviços  venham a ser prestados pelo contratado enseja o entendimento de que  os  valores  pagos,  a  princípio  o  são  em  decorrência  da  natureza  do  serviços prestado, e não como retribuição pelo serviço prestado. Não  obstante, o fato de não haverem sido carreados aos autos recibos ou  comprovantes das despesas  incorridas na utilização do veículo para  fins de reconhecimento da isenção preconizada pelo art. art. 28, § 9o,  alínea “s”, da Lei 8.212/91, fica elidido em razão de que, no presente  caso,  é  o  empregado  quem  fica  responsável  e  assume  o  risco  pelas  despesas de combustível, manutenção, taxas, pedágios, dentre outras,  inerentes e notórias ao uso do veículo para a prestação dos serviços  contratados antes de receber os valores da locação.  Recurso Voluntário Provido”.  Ante  todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário.  É como voto.    Lourenço Ferreira do Prado.                              Fl. 621DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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Numero do processo: 10580.004496/2007-45
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1993 a 01/06/2003 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. COOPERATIVAS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. TEMPESTIVIDADE. RECONHECIDA. DEPÓSITO RECURSAL. INEXIGIBILIDADE. RECURSO ADMITIDO. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. VIOLAÇÃO. INEXISTÊNCIA. BASES DE CÁLCULO QUE ATENDEM AS NORMA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE COOPERATIVA. PREVISÃO LEGAL. ADEQUADA. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-001.443
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1661; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE03  Fl. 191          1 190  S2­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10580.004496/2007­45  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2803­01.443  –  3ª Turma Especial   Sessão de  13 de março de 2012  Matéria  CP: COOPERATIVA DE TRABALHO.  Recorrente  TENACE ENGENHARIA E CONSULTORIA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL.     ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/1993 a 01/06/2003  NOTIFICAÇÃO  FISCAL  DE  LANÇAMENTO  DE  DÉBITO  ­  NFLD.  COOPERATIVAS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.  TEMPESTIVIDADE.  RECONHECIDA.  DEPÓSITO  RECURSAL.  INEXIGIBILIDADE.  RECURSO  ADMITIDO.  AMPLA  DEFESA  E  CONTRADITÓRIO.  VIOLAÇÃO.  INEXISTÊNCIA.  BASES  DE  CÁLCULO  QUE  ATENDEM  AS  NORMA.  CONTRIBUIÇÃO  SOBRE  COOPERATIVA. PREVISÃO LEGAL. ADEQUADA.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar  provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).  (Assinado digitalmente).  Helton Carlos Praia de Lima. ­Presidente  (Assinado digitalmente).  Eduardo de Oliveira. ­ Relator  Participaram, ainda, do presente  julgamento, os Conselheiros Helton Carlos  Praia  de  Lima,  Eduardo  de Oliveira, Oséas Coimbra  Júnior, Amílcar  Barca Teixeira  Júnior,  Gustavo Vettorato.     Fl. 225DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004496/2007­45  Acórdão n.º 2803­01.443  S2­TE03  Fl. 192          2 . Relatório  A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ­ NFLD ­ DEBCAD  35.690.746­5, objetiva o  lançamento das contribuições  sociais previdenciárias decorrentes da  remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores cooperados que prestaram serviços a  empresa  tomadora  por  intermédio  da  contratação  de  cooperativa  de  trabalho,  destinadas  à  Previdência Social, conforme Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito  – REFISC, de fls. 48 e 50, com período de apuração de 01/1993 a 05/2003, conforme Mandado  de Procedimento Fiscal ­ MPF, de fls. 35 a 37.   A NFLD é composta de um levantamento denominado COO ­ Cooperativas  Trab. Transp. S/rec., conforme Relatório Discriminativo Analítico de Débito – DAD, de fls. 04  a 07.   O  sujeito  passivo  foi  cientificado  da  autuação,  em  30/07/2004,  Folha  de  Rosto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ­ NFLD, de fls. 01.  O  contribuinte  apresentou  sua  defesa/impugnação,  as  fls.  53  a  62,  sendo  acompanhada dos documentos, de fls. 63 a 104.  A defesa foi considerada tempestiva, fls. 52; 106 e 107.  O Serviço de Análise Defesas e Recursos ­ ADREC, as  fls. fls. 108, baixou  os autos em diligência.  A diligência foi atendida, as fls. 112 a 133, sendo o contribuinte cientificado  desta pelo AR, de fls. 134, tendo este se manifestado, as fls. 136 a 145.  O  órgão  julgador  de  primeiro  grau  emitiu  o  Acórdão  Nº  15­13.391  ­  6ª,  Turma, em 08/08/2007, fls. 152 a 161. No qual o lançamento foi considerado procedente.  O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 09/12/2008, AR, de  fls. 166.  Irresignado  o  contribuinte  impetrou  o  Recurso  Voluntário,  petição  de  interposição e  razões recursais, as  fls. 168 a 176, em 27/12/2008,  fls. 168, acompanhado dos  documentos, de fls. 177 a 188, onde alega em síntese.  Requisito de Admissibilidade.  •  Que o recurso é tempestivo, pois manejado dentro do prazo do artigo  33, caput do Decreto 70.235/72, como atesta o carimbo da RFB;  •  Que  o  depósito  prévio  recursal  é  desnecessário  em  razão  da  MP  413/2008 convertida na Lei 11.727/2008;  Preliminar.  Fl. 226DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004496/2007­45  Acórdão n.º 2803­01.443  S2­TE03  Fl. 193          3 •  Que  o  débito  é  nulo  por  falta  de  fundamentação  e  cerceamento  de  defesa, pois a aferição indireta esta lastreada na IN 100/2003, que não  se presta a aplicação retroativa e nem é meio adequado para introduzir  norma  tributária,  artigo  100  CTN  e  Luciano  Amaro,  sendo  que  a  aferição deve ser utilizado em situação excepcional e  fundamentada,  que  a  falta  desta  configura  violação  ao  exercício  da  ampla  defesa  e  contraditório, o que viola a Lei 9.784/99;   •  Que  o  fisco  utilizou  da  aferição  indireta,  pois  nem  todos  os  documentos  solicitados  foram  fornecidos  ante  a  sua  quantidade  é  prazo  exíguo  para  o  fornecimento,  utilizando­se  o  fisco  apenas  do  livro diário/razão para os seus levantamentos;  •  Que  várias  cooperativa  estão  nesta  notificação,  mas  que  o  fiscal  deixou de observar questões importantes, como não aplicação da base  de cálculo reduzida em razão do fornecimento de materiais, artigo 201  c/c o 219, §§ 7º  e 8º do RPS, pois  fornecido material  com previsão  contratual;  Mérito.  •  Que  o  fiscal  lançou  diversas  valores  sobre  taxista,  ainda,  que  com  redução  da  base,  mas  de  forma  equivocada,  pois  estes  não  se  enquadram no artigo 31, § 7º da Lei 8.212/91, pois  tais serviços são  eventuais e contratados junto a cooperativas, não configurando cessão  de  mão  de  obra,  transcreve  jurisprudência  da  2ª  CaJ  do  CRPS,  padecendo o lançamento de previsão legal;  •  Que as cooperativas são empresas nos termos do artigo 15, parágrafo  único da Lei 8.212/91, sendo assim ilegal a exigência de contribuição  por  contratação  de  pessoa  jurídica  por  pessoa  jurídica,  devendo  ser  mantido a sistema anterior da retenção de 11%, sendo absurdo atribuir  100% da nota para o cálculo da contribuição, devendo a contribuição  incidir só sobre a remuneração, artigo 195, I, “a” da CF/88;  •  Que  tal  contribuição  foi  instituída  pela  LC  84/96  e  depois  a  Lei  9.876/99  inovou, pois criou nova contribuição, o que só pode se dar  por lei complementar, como já se pronunciou o STJ, sendo que o STF  vem suspendendo em RE a exigibilidade da exação até o julgamento  da  ADI  2594,  com  parecer  da  PGFN  pela  inconstitucionalidade  da  norma;  •  Finalizando pede: a) reforma da decisão a quo;com o reconhecimento  da improcedência do lançamento.  A  autoridade  preparadora  não  se  manifestou  quanto  a  tempestividade  do  Recurso Voluntário, limitando­se a dizer a data de recebimento da decisão de primeiro grau e a  de impetração, fls. 189.  Os autos subiram ao CARF, fls. 189.   Fl. 227DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004496/2007­45  Acórdão n.º 2803­01.443  S2­TE03  Fl. 194          4 É o Relatório.  Fl. 228DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004496/2007­45  Acórdão n.º 2803­01.443  S2­TE03  Fl. 195          5   Voto             Conselheiro Eduardo de Oliveira.  O  recurso  foi  interposto  tempestivamente,  conforme  se  pode  verificar,  as  fls.166, AR, recebido, em 09/12/2008, e petição recursal, fls. 168, recebida, em 27/12/2008.  Inicialmente,  cumpre  informar  que  o  julgamento  do  presente  Recurso  Voluntário  ficou  suspenso  entre  a  edição  da  PT  MF  586/2010  até  a  edição  da  PT  CARF  01/2012  que  disciplinaram  o  sobrestamento  de  processos  no  âmbito  do CARF  em  razão  do  reconhecimento  da  repercussão  geral  com  sobrestamento  de  matéria  tributária  no  Supremo  Tribunal Federal – STF.  A autoridade preparadora não reconheceu a tempestividade do recurso, mas a  indicou, fls. 189.  Registre­se, ainda, por oportuno que o depósito recursal foi extinto pelo MP  413/2008 convertida na Lei 11.727/2008.  Superado os pressupostos de admissibilidade passo ao recurso.  Preliminares e Mérito.  O  presente  crédito  como  esclarecido  no  Acórdão  a  quo  não  se  funda  em  aferição  indireta, uma vez que o agente  fiscal utilizou os valores constantes da contabilidade  conta  3.2  3  1.001­  4  (serviços  prestados)  e  tal  conta  deve  espelhar  com  fidedignidade  os  valores  da  notas  fiscais  e  faturas  de  prestação  de  serviços  como  prescrito  pelas  Normas  Brasileira de Contabilidade – NBC e pela Resolução CFC 750/93, bem como pelo artigo 1.179  da Lei 10.406/2002 ou ainda nos termos do artigo 10 a 20 da Lei 556/1850.  Assim sendo, o agente fiscal apenas fez dar efetividade ao que determinado  no artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99, ou seja, utilizou os valores das  notas e faturas, porém registrados na contabilidade.  O  fato  de  não  ter  sido  apresentado  pela  empresa  todos  os  documentos  exigidos  pelo  agente  fiscal,  o  que  a  recorrente  admite  em peça  recursal  justificaria  o  uso  da  aferição  indireta,  nos  termos  do  artigo  33,  parágrafo  3º  da  Lei  8.212/91,  o  que  citado  pelo  agente  fiscal  no  Relatório  Fiscal  Complementar,  de  fls.  112  a  114,  item  2.1,  contudo  tal  justificativa era desnecessária, pois o lançamento foi direito, afastando com isso a alegação de  cerceamento à ampla defesa e ao contraditório.  No  Relatório  de  Lançamentos  –  RL,  de  fls.  11  a  21,  verifica­se  que  as  cooperativas da tabela abaixo estão incluídas no levantamento.  •  COOPENINF;  •  COONPETRO;  Fl. 229DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004496/2007­45  Acórdão n.º 2803­01.443  S2­TE03  Fl. 196          6 •  COOPTRAN;  •  COOP. COND. R. TÁXIS;  •  COOP. PROPRIETÁRIOS VEÍCULOS;  •  COOP. MOT. AUTÔNOMO.  Observa­se,  também, que as duas primeiras  tiveram base de cálculo de cem  por cento (100%), nos termos do artigo 22, IV da Lei 8.212/91, uma vez que a recorrente não  forneceu os contratos de prestação de serviços como informa o fiscal.   No  entanto,  as  quatro  últimas  por  serem  empresa  de  transportes  de  passageiros tiveram a sua base de cálculo reduzida para vinte por cento (20%) nos termos do  artigo 201, III c/c o 219, § 8º do Regulamento da Previdência Social – RPS, apenso ao Decreto  3.048/99  c/c  o  artigo  298  da  IN/INSS/DC  100/2003,  o  que  parece  atender  aos  reclamos  da  recorrente, sendo por esta admitida a redução da base para os taxistas.  A  decisão  a  quo  delineou  que  a  recorrente  confunde  retenção  de  11%  em  razão da cessão de mão de obra, artigo 31 da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.711/98 com a  contribuição de 15% do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99, tal situação  torna a ocorrer na peça recursal.   A cessão de mão de obra ocorre quando pessoa jurídica contratada coloca à  disposição  da  contratante  empregos  seus.  No  caso  de  cooperativas  os  cooperados  não  são  empregados desta e não prestam serviços a ela.  Neste  caso,  ocorre  o  contrário  a  cooperativa  é  quem  presta  serviços  aos  cooperados, agenciando as atividades destes, nos termos da Lei 5.764/71.  Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e  natureza  jurídica  próprias,  de  natureza  civil,  não  sujeitas  a  falência,  constituídas  para  prestar  serviços  aos  associados,  distinguindo­se  das  demais  sociedades  pelas  seguintes  características:  Art.  90. Qualquer  que  seja  o  tipo  de  cooperativa,  não  existe  vínculo  empregatício  entre  ela  e  seus  associados.  (grifos  meus).  Desta forma, não cabe a aplicação da retenção, pois ausente a cessão de mão  de obra.  O artigo 195, I, “a” da CRFB/88 é claro ao prever a hipótese de incidência da  contribuição social previdenciária na redação da EC 20/98.  Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:   Fl. 230DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004496/2007­45  Acórdão n.º 2803­01.443  S2­TE03  Fl. 197          7 I ­ do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada  na  forma da  lei,  incidentes sobre:  (Redação dada pela Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)  a) a  folha de  salários  e demais  rendimentos do  trabalho pagos  ou  creditados,  a  qualquer  título,  à  pessoa  física  que  lhe  preste  serviço,  mesmo  sem  vínculo  empregatício;  (Incluído  pela  Emenda Constitucional nº 20, de 1998)  Neste  diapasão  não  há  dúvidas  de  que  a  recorrente  é  empresa  e  toma  os  serviços  dos  cooperados,  estando,  assim,  ligada  ao  fato  gerador. Os  cooperados  são  pessoas  físicas que lhe prestam serviços e a empresa tomadora destes serviços os remunera, logo todos  os requisitos da norma constitucional estão presentes, o que faz nascer a exação, a questão da  base de cálculo já foi desmistificada em passagem supra.  Ficou  claro  acima  que  lei  poderia  fazer  o  que  fez,  pois  autorizada  pela  CRFB/88, pós EC 20/98.  O fato do STF estar concedendo liminar em MC para suspender a exação no  curso  da  ADI  2594,  é  irrelevante  e  não  significa  que  tal  exação  será  considerada  inconstitucional. A  citada ADI  foi  proposta  em  2002  e  até  hoje  o  STF  não  analisou  nem  o  pedido cautelar da ADI, segundo pesquisa em seu site.  A contribuição exigida das empresas tomadoras dos serviços de cooperativas  de trabalho preenche os  requisitos do artigo 195, I, “a”, “b” e “c” da CRFB/88, uma vez que  instituída  pela  Lei  9.876/99  que  passou  pelo  processo  legislativo  descrito  na  Carta  Magna  artigo 59 e ss, obtendo sanção presidencial.  Até, onde, sabemos o parecer é do PGR até porque a PGFN é subordinada ao  AGU e este tem o dever de defender a norma na ADI não seria razoável que a PGFN agisse ao  contrário, mas tal questão, também, é irrelevante para o deslinde da questão.  Desta forma, a lei é vigente, válida e eficaz e assim nos termos do artigo 37,  caput da CRFB/88 c/c o artigo 142 e seu parágrafo único da Lei 5.172/66 deve ser observada e  cumprida  pela  Administração  Tributária.  Aliás,  o  judiciário  federal,  também,  reconhece  a  validade da exação.  TRIBUTÁRIO  ­  PROCESSUAL  CIVIL  ­  MANDADO  DE  SEGURANÇA  ­  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  PATRONAL  (TOMADORA  DE  SERVIÇOS  PRESTADOS  POR  ASSOCIADOS  A  COOPERATIVA  DE  TRABALHO)  ­  LEI  Nº  8.212/91 (ART. 22, IV) C/C LEI N. 9.876/99. 1 ­ Consoante o art.  22,  IV,  da  Lei  nº  8.212/91  (Lei  nº  9.876/9),  a  contribuição  previdenciária  patronal  a  cargo  da  empresa  tomadora  dos  serviços  prestados  via  intermediação  de  cooperativas  de  trabalho, é de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal  ou  fatura  de  prestação  de  serviços.  2  ­  A  7ª  Turma  do  TRF1  orienta que o cooperado é autônomo (Decreto nº 3.048/99, art.  9º,  §  15,  IV)  e  que,  cotejando a EC nº  20/98  e  a LC nº  84/96,  legítima a exação prevista no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91. 3 ­  O  STF  tem  abonado  a  exigência  (AgR­AC  nº  694/SP)  na  pendência  da  ADI  nº2.594/DF.  4  ­  Apelação  não  provida.  5  ­  Peças  liberadas  pelo  Relator,  em  26/01/2010,  para  publicação  Fl. 231DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.004496/2007­45  Acórdão n.º 2803­01.443  S2­TE03  Fl. 198          8 do  acórdão.(AMS  200038000070435,  DESEMBARGADOR  FEDERAL LUCIANO TOLENTINO AMARAL, TRF1 ­ SÉTIMA  TURMA, 05/02/2010)  PROCESSUAL  CIVIL.  AGRAVO.  ARTIGO  557,  §  1º,  DO  CÓDIGO  DE  PROCESSO  CIVIL.  CONSTITUCIONAL  E  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  DO  EMPREGADOR.  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIÇOS PRESTADOS  POR  ASSOCIADOS  DE  COOPERATIVAS  DE  TRABALHO.  ART. 22,  INCISO IV, DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO  PELA LEI Nº 9.876/99. 1. A alteração dada pela Lei n° 9.876/99  não  criou  nova  fonte  de  custeio,  não  sendo  necessária  Lei  Complementar  para  veicular  seus  dispositivos  (CF,  art.  195  §  4º). A hipótese em tela subsume­se ao determinado pelo art. 195,  I,  "a",  da  Carta  Magna,  tendo  em  vista  após  a  ampliação  da  base  de  cálculo  das  contribuições  sociais  pela  Emenda  Constitucional 20/98, incluindo na contribuição da empresa, os  "demais  rendimentos  do  trabalho  pagos  ou  creditados,  a  qualquer  título,  à  pessoa  física  que  lhe  preste  serviço,  mesmo  sem vínculo empregatício". 2. Para o cálculo da contribuição de  que trata o inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/91, na redação dada  pela Lei 9.876/99,  incide a alíquota de 15%  (quinze por cento)  sobre  o  valor  bruto  da  nota  fiscal  ou  fatura  de  prestação  de  serviços,  relativamente  a  serviços  que  lhe  são  prestados  por  cooperados  por  intermédio  de  cooperativas  de  trabalho,  tendo  como base de cálculo a prestação direta ao tomador do serviço,  remunerado indiretamente via cooperativa, o que se encontra em  harmonia  com  a  norma  constitucional  (art.  195,  I,  "a").  3­  Agravo  a  que  se  nega  provimento.(AMS  200561000057410,  JUIZ HENRIQUE HERKENHOFF, TRF3 ­ SEGUNDA TURMA,  10/12/2009)  Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações em preliminar e  em mérito, suscitadas pela recorrente, não havendo razão para atender aos pleitos desta.  CONCLUSÃO:  Pelo  exposto  voto  por  conhecer  do  recurso,  para  no  mérito  negar­lhe  provimento, tendo em vista a falta de lastro fático e jurídico das alegações da recorrente.  (Assinado digitalmente).  Eduardo de Oliveira.                              Fl. 232DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA

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Numero do processo: 19515.000534/2010-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005 ILEGITIMIDADE PASSIVA. INCORPORAÇÃO. Em face da aplicação das disposições do art. 132 do CTN, a empresa incorporadora é sim, de fato e de direito, responsável pelos tributos devidos pela empresa incorporada até a data da incorporação, o que atrai, por conseqüência, a legitimidade plena da contribuinte sobre os créditos discutidos nestes autos. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO. As disposições do Art. 150, parágrafo 4o não são aplicáveis quando apontada a possibilidade de configuração de dolo, fraude ou simulação. Havendo, nos fundamentos da autuação apresentada, a indicação de hipótese de simulação, aplicam-se as disposições do Art. 173, afastando-se, assim - ao menos a princípio -, a preliminar de mérito de decadência apontada. EMPRESA VEÍCULO. ALTERAÇÃO SOCIETÁRIA REALIZADA SEM NENHUM OBJETIVO NEGOCIAL. Verificando-se na especifica situação apresentada nos autos que a constituição da apontada empresa veículo não tivera qualquer outro fundamento, senão apenas garantir a efetivação da economia tributária, inválida se apresenta a operação, sendo legítima, portanto, a glosa efetivada. MULTA QUALIFICADA. Restando, pois, caracterizada a utilização de artifícios societários com o único fim de gerar economia tributária, verificando-se, no caso, indicada a invalidade das operações praticadas, entendo devida a aplicação da multa qualificada, nos termos em que efetivados. MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Não há de se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência quando resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas. Inexiste na norma de sanção qualquer limitação temporal para aplicação da penalidade, motivo pelo qual ela subsiste ainda que lançada após o término do período de apuração.
Numero da decisão: 1301-001.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, quanto à ilegitimidade passiva da recorrente, iliquidez e incerteza do crédito constituído, decadência e quanto à validade das operações decorrentes das alterações societárias, nos termos do voto do Relator; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, quanto à não incidência, pela SELIC, e juros de mora sobre a multa de oficio. Vencido nesse ponto o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, que entendeu incidir juros de mora sobre a multa de oficio à taxa de 1%; por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, quanto a não incidência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier, Edwal Casoni de Paula Fernades Junior e Valmir Sandri. Designado para redigir o voto vencedor desse ponto o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Fez sustentação oral o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB/SP n° 83.755 pela recorrente e o Dr. Miquerlam Chaves Cavalcante, pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier - Relator. (Assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson Da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/2010­44  Acórdão n.º 1301­001.113  S1­C3T1  Fl. 3          2 Não  há  de  se  falar  em  aplicação  concomitante  sobre  a  mesma  base  de  incidência quando resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem  do mesmo  preceptivo  legal,  decorrem  de  obrigações  de  naturezas  distintas.  Inexiste na norma de sanção qualquer  limitação  temporal para  aplicação da  penalidade, motivo pelo qual ela subsiste ainda que  lançada após o  término  do período de apuração.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao  recurso,  quanto à  ilegitimidade passiva da  recorrente,  iliquidez e  incerteza do  crédito  constituído, decadência  e quanto  à validade das operações decorrentes das  alterações  societárias,  nos  termos  do  voto  do  Relator;  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso, quanto à não incidência, pela SELIC, e juros de mora sobre a multa de oficio. Vencido  nesse ponto o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, que entendeu  incidir  juros de mora  sobre a multa de oficio à taxa de 1%; por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso,  quanto  a  não  incidência  da  multa  isolada.  Vencidos  os  Conselheiros  Carlos  Augusto  de  Andrade  Jenier,  Edwal  Casoni  de  Paula  Fernades  Junior  e  Valmir  Sandri.  Designado  para  redigir o voto vencedor desse ponto o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.  Fez  sustentação  oral  o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB/SP  n°  83.755  pela recorrente e o Dr. Miquerlam Chaves Cavalcante, pela Procuradoria da Fazenda Nacional.     (Assinado digitalmente)  Plínio Rodrigues Lima ­ Presidente.    (Assinado digitalmente)  Carlos Augusto de Andrade Jenier ­ Relator.    (Assinado digitalmente)   Wilson Fernandes Guimarães ­ Redator designado.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Plínio Rodrigues Lima,  Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson Da Silva Lucas, Edwal Casoni de  Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.  Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/2010­44  Acórdão n.º 1301­001.113  S1­C3T1  Fl. 4          3 Relatório  Adotando o relatório trazido pela decisão recorrida, destaco:   Em  cumprimento  ao  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  ­  MPF  n°  08.1.90.00­2007­ 02364­1  e  prorrogações  (fls.03  a  06)  a  Fiscalização  da  Delegacia  de  Fiscalização  ­  DEFIS,  apurou,  no  domicílio  fiscal  da  contribuinte  acima  identificada,  os  seguintes  fatos, conforme o Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 311a 372):   2 A Companhia União dos Refinadores Açúcar e Café (Cia União), antiga denominação  da Arrepar Participações, vendeu "Ativos e Direitos", inclusive as marcas União, Neve,  Doçula, Cristalçucar, dentre outras de seu ativo permanente , à empresa Nova América,  S. A.  ­ Alimentos  ­ CNPJ 62.092.739/0001­28  (Nova América),  atual Nova América  Agronegócios  ,  sem apuração e o  recolhimento do  Imposto de Renda Pessoa Jurídica  (IRPJ)  e  da  Contribuição  Social  Sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL)  sobre  o  ganho  de  capital auferido na venda.  3  O  auditor  fiscal  detalha  os  valores  tributados  e  passa  a  relatar  a  ocorrência  cronológica  da  serie  de  operações  que  culminaram  com  a  passagem  do  controle  de  ativos e marcas comerciais de propriedade da Cia União para a empresa Nova América,  com ágio de R$ 74.832.153,21, que se traduz no ganho de capital tributado no presente  procedimento fiscal.   3.1 Em 14/12/2004,  a empresa Copersucar Cooperativa,  (holding)  faz  reunião onde  é  autorizado o planejamento  tributário  a  ser  efetuado,  sendo a Cia União  a  responsável  pela execução geral.  3.2 Em 06/01/2005,  é  constituída  a  empresa Açúcar União S.A  (AUSA)  tendo  como  controladoras  as  empresas  Cia  União  e  a  Adapse  Participações  S.  A.,  CNPJ  07.054.698/0001­77,  empresa  criada em 2004 e  controlada pela  empresa Cia União  e  Refinaria Piedade S.A., CNPJ 33.067.034/0001­52.  3.3 Em 28/01/2005 a Cia União realiza reunião de diretoria, onde são transferidos para  a empresa AUSA para aumento de capital social, bens e equipamentos e marcas da Cia  União,  da  Refinaria  Piedade  S.A.  e  da  Copersucar,  totalizando  em  valor  R$  7.746.438,00. (Anexo I fls. 29 e 30).  3.4  Nessa  mesma  data  é  assinado  Instrumento  Particular  de  Compromisso  de  Subscrição de Ações e outras Avencas entre a Cia União e a Nova América (Anexo I,  fls. 31a 80) onde e detalhada a operação a ser feita para a passagem das marcas e bens  da Cia União para a empresa Nova América, através da utilização das empresas AUSA  e Adapse.   3.5  Em  15/02/2005,  aumento  de  capital  na  empresa  Adapse,  por  conferência  de  7.846.337 ações da AUSA, pelo valor contábil de R$ 7.846.337,00.   Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/2010­44  Acórdão n.º 1301­001.113  S1­C3T1  Fl. 5          4 3.6  Em  15/02//2005  laudo  de  avaliação  da  AUSA  feito  pelo  banco  Itaú  S.A.,  com  fundamento na expectativa de rentabilidade futura.  3.7 Em 01/02/2005 em reunião da Cia União, são tomadas as seguintes deliberações: a)  aumento do capital da Adapse em R$ 82.200.000,00, subscrito integralmente pela Nova  América S.A., em moeda nacional; b) cisão parcial da Adapse com conseqüente  trans  de parcela de patrimônio para a empresa Nova América onde, de um lado a Adapse fica  o capital integralizado pela Nova América e, de outro, a Nova América passa a controle  acionário da AUSA, de valor de R$ 7.367.846,73.  3.8  Em  02/03/2005,  a  Nova  América  toma  as  mesmas  medidas  efetuadas  pela  Cia  União.   3.9 Em 02/03/2005,  a empresa Adapse  resultante da cisão detém o patrimônio de R$  82.878.490,21  e  a  Nova  América,  com  o  controle  da  AUSA,  passa  a  ser  dona  das  marcas e bens controlados pela AUSA.  4 O auditor fiscal faz então um apanhado geral da elisão fiscal e dos atos simulados  ,  expondo a teoria e a opinião de juristas.  5  Em  seguida  discorre  sobre  o  ilícito  fiscal  cometido  pela  fiscalizada  e  detalha  as  operações  que  envolveram  a  criação  de  empresas  efêmeras  cujo  único  propósito  de  ocultar a aquisição de marcas e bens pela empresa Nova América, que gerou ganho de  capital à fiscalizada, através da sua controlada e que não foi oferecido à tributação nem  pela empresa Adapse, nem pela sua controladora CIA União, atual Arrepar.   6 O auditor fiscal detalha  toda a operação novamente para demonstrar a dissimulação  da venda de bens e marcas para companhia Nova América, escondida por uma serie de  atos praticados em seqüência pela fiscalizada com fito único de evadir­se da tributação  de  IRPJ  e  CSLL  incidentes  sobre  o  ganho  de  capital  resultante  da  venda  de  bens  e  marcas.   7 O auditor fiscal cita a base  legal, empregada para descaracterizar os atos praticados  pela contribuinte com o fito de dissimular a ocorrência do fato gerador de IRPJ e CSLL,  no caso , o ganho de capital decorrente de venda de ativos.   8 Desse modo, em 14/05/2010, foram efetuados os seguintes lançamentos:   ­ Imposto de Renda Pessoa Jurídica­ IRPJ (fls. 376 a 379): Total do crédito tributário,  R$ 65.101.178,35,  incluídos o tributo, multa de oficio, multa  isolada e  juros de mora,  calculados até 30/04/2010. Fundamento legal: Embasamento legal:, arts. 3o , §2°, inciso  IV, da Lei n° 9.718/1998, arts. 105, 116 e 149 do CTN, art. 51 da Lei n° 7.450/1985,  arts. 247, 248, 251 e parágrafo único, 418 e 421 do RIR/99 e Parecer Normativo CST  n°46/1987.  ­ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL (fls. 382 a 384): Total do crédito  tributário,  R$  20.066.614,01,  incluídos  o  tributo,  multa  de  ofício  e  juros  de  mora,  calculados  até  30/04/2010.  Fundamento  legal:  artigo  2o  ,  e  §§,  da  Lei  n°  7.689/88,  artigo  I  o  da  Lei  n°  9.316/96;  artigo  28  da  Lei  n°  9.430/96;  e  artigo  37  da  Lein0  10.637/2002.  Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/2010­44  Acórdão n.º 1301­001.113  S1­C3T1  Fl. 6          5 ­ Multa exigida isoladamente por falta de recolhimento de estimativa de CSLL (fls 387  a 389). Total do crédito : R$ 3.367.446,56. Fundamento Legal  :Artigos. 222 e 843 do  RIR/99, c/c com artigo. 44, § Io , inciso IV, da Lei n° 9.430/1996 alterado pelo artigo  14 da Lei n° 11.488/2007c/c artigo 106, inciso II, alínea "c" da Lein0 5.172/1966.  9 Inconformada com o lançamento do qual foi cientificada em 14/05/: próprio auto de  infração (fls. 377 e 383), a contribuinte protocolizou em impugnação (fls. 399 a 451),  relativa ao lançamento fiscal,apresentando suas razões apertada síntese, a seguir:  9.1 Faz breve relato dos fatos e da seqüência de operações, justificando os motivos que  levaram a fiscalizada a praticar os atos descritos.  9.2  Alega  que  o  agente  fiscal  relatou  as  operações  sem  questionar  os  motivos  que  levaram a impugnante a realizar  tais operações o que, em sua opinião, demonstraria o  propósito negocial no presente caso.  9.3  Descreve  o  planejamento  estratégico  utilizado  que  culminou  com  negociação  ocorrida em 2004 e alienação ocorrida em 2005 do segmento de açúcar no varejo, com  a  alienação  de  diversos  ativos  e  marcas  que  se  encontravam  sob  a  titularidade  da  empresa Açúcar UniãoS/A.  Ilegitimidade das Partes  9.4 Alega ilegitimidade passiva da fiscalizada, argumentando que quem teria praticado  os  atos,  objeto  do  lançamento  fiscal,  teria  sido  a  empresa  Adapse,  controladora  da  empresa AUSA, e não a fiscalizada.   9.5 Alega que, desse modo, a contribuinte de fato e de direito seria a empresa Adapse  Participações e cita o art. 418 do RIR/99 para embasar o que alega.   9.6  Alega  que  ilegitimidade  passiva  constituiria  nulidade  absoluta  do  lançamento,  citando os arts. 245 e 267, inciso VI e § 3 o do Código de Processo Civil e acórdãos do  antigo  Conselho  de  Contribuintes  para  reforçar  seus  argumentos  e  requerendo  o  cancelamento do lançamento efetuado.  Iliquidez e incerteza das Autuações Fiscais  9.7 Alega erro de apuração por parte do  auditor  fiscal  que  teria  tributado o ganho de  capital  no  valor  de  R$  74.353.562,00  na  fiscalizada,  quando  essa  já  havia  declarado  esse  mesmo  valor  como  resultado  de  equivalência  patrimonial  em  31/12/2005,  decorrente do aumento de investimento referente à participação na empresa Adapse.  9.8 Alega que assim verifica­se a inconsistência na apuração de valores para a base de  cálculo  e  da  própria  ocorrência  do  fato  gerador  que  acabariam  por  macular  o  lançamento com vícios que comprometem sua liquidez e certeza.   9.9 Alega que ainda que se pudesse tributar o ganho de capital na figura da fiscalizada,  o procedimento fiscal estaria incorreto pois deveriam ter sido recompostas as bases de  cálculo desses tributos e não simplesmente calcular o IRPJ e a CSLL, diretamente sobre  o resultado da equivalência patrimonial.  Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/2010­44  Acórdão n.º 1301­001.113  S1­C3T1  Fl. 7          6 9.10 Discorre sobre o que entende ser a liquidez e certeza do lançamento fiscal, citando  autores tributaristas e acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes, para concluir que  o lançamento deve ser cancelado também por esse motivo.   Legalidade da Reestruturação Societária e efeitos tributários pretendidos   9.11 Alega  ser  importante  ressaltar  o  contexto  histórico  e  as motivações  econômicas  levaram, o Grupo Copersucar a  realizar a operação de reestruturação societária objeto  do questionamento.  9.12  Alega  que,  por  decisão  estratégica  dos  administradores  do  Grupo  Copersucar,  deliberou­se pela  alienação das participações  societárias detidas pela  empresa Adapse  Participações na empresa AUSA.   9.13 Alega que a estrutura implementada e seus reflexos contábeis e  tributários foram  analisadas  e  comprovadas  sob  seu  aspecto  de  segurança  jurídica  e  licitude,  e  que  foi  evitada a  adoção de quaisquer práticas negociais em descompasso  com a  legislação e  jurisprudência  administrativa  e  judicial  vigentes  à  época  em  que  a  operação  foi  realizada.  Para  tanto,  consultou  uma  das  principais  bancas  de  advogados  da  capital  paulista, que lhe sugeriu a implementação de uma operação lícita com vistas a atingir o  objetivo econômico pretendido, realizando a melhor eficiência tributária.  9.14  Esclarece  que  a  alienação  das  participações  societárias  foi  feita  por  meio  da  conhecida e bastante utilizada operação que consiste na aceitação de um novo acionista  ao  capital  de  uma  sociedade  holding,  o  qual,  após  integralizar  sua  participação  societária  com  ágio,  retira­se  da  sociedade,  remanescendo  com  as  participações  societárias objeto de alienação.  9.15 Afirma que os atos societários que o Fisco  reputa simulados  foram efetivamente  praticados  e  as  declarações  neles  contidas  refletem  as  deliberações  de  vontade  emanadas  por  cada  parte,  tanto  que  tais  documentos  foram  registrados  na  Junta  Comercial,  que  verificou  o  conteúdo  e  as  formalidades  aplicáveis,  conferindo­os  verdadeiros e passíveis de oposição a terceiros.  9.16  Alega  que  não  há  qualquer  indício  ou  comprovação  de  que  os  atos  foram  realizados  de  modo  a  encobrir,  enganar  ou  impedir  o  conhecimento  do  Fisco,  de  credores ou de  terceiros de qualquer operação e  tampouco a operação que  teve como  conseqüência a transferência de sua participação societária no capital social da empresa  em comento.  9.17 Conclui que, por  todo exposto, a  fiscalizada  teria  agido de  acordo com  todos os  dispositivos  legais  sob  o  aspecto  formal  e  que  existia  à  época  decisões  favoráveis  proferidas  pelo  Órgão  de  Julgamento  do  Ministério  da  Fazenda  a  planejamentos  tributários semelhantes ao analisado nos presentes autos.   Inexistência de simulação  9.18  Alega  que  sua  intenção  ao  realizar  as  operações  sempre  foi  a  de  reestruturar  adequadamente  a  companhia  e  que  os  atos  societários  realizados  pela  impugnante  condisseram  com  a  vontade  de  cada  uma  das  partes  envolvidas,  e  estariam  à  luz  do  ordenamento jurídico vigente à época das operações.   Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/2010­44  Acórdão n.º 1301­001.113  S1­C3T1  Fl. 8          7 9.19  Alega  demonstrar  a  inexistência  de  simulação,  argumentando  que,  além  de  as  operações  pactuadas  entre  as  partes  não  aparentarem  direito  diverso  daquele  que  foi  realmente contratado, também não contêm declarações ou cláusulas não verdadeiras, e  que, tampouco, foi realizada qualquer operação com o intuito de prejudicar terceiros e  muito  menos  o  Fisco,  não  se  subsumindo,  portanto,  às  disposições  do  art.  167  do  Código Civil.   9.20 Afirma que simulação ocorreria  sempre que um ato apresentar vontade diferente  daquela manifestada, o que não teria ocorrido na situação presente e que simulação não  se presumiria e não se provaria por meio de indícios.  9.21  Alega  que  o  que  ocorreu  foi  um  negócio  jurídico  indireto.  No  propósito  de  ressaltar  a  nítida  segregação  entre  a  realização  de  negócio  jurídico  indireto  e  a  ocorrência de simulação, cita vários acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes, para  tentar demonstrar a tese da elisão fiscal, para alegar que as operações efetuadas foram  todas lícitas e permitidas legalmente.  Negócio jurídico indireto  9.22 Alega que praticou um negócio jurídico indireto, e não ato simulado. No propósito  de  ressaltar  a  nítida  segregação  entre  a  realização  de  negócio  jurídico  indireto  e  a  ocorrência  de  simulação,  transcreve  ensinamento  de  Marco  Aurélio  Greco  para  demonstrar que, na reestruturação societária realizada, se encontram os três elementos  caracterizadores  do  negócio  jurídico  indireto:  (i)  ocorrência  de  apenas  um  negócio  jurídico; (ii) tratar­se de negócio jurídico típico; e (iii) ausência de fraude à lei.   Ocorrência de apenas um negocio jurídico  9.23  Alega  que  praticou  apenas  um  negócio  jurídico,  qual  seja  a  alienação  da  participação societária em comento por meio da referida reorganização da empresa.  9.24 Argumenta que a Administração Tributária não comprovou de forma cabal que a  reestruturação societária realizada pelo grupo Copersucar não poderia ter sido realizada.  9.25  Alega  que,  no  ordenamento  jurídico  vigente  à  época  da  operação  não  havia  qualquer norma  individual e concreta ou geral e abstrata que obstasse a  realização do  planejamento tributário levado a efeito.  Negócio jurídico típico  9.26 Alega que cumpriu os requisitos para a realização de atos societários que geraram  efeitos  no mundo  jurídico  e  estavam  em  conformidade  com  o  conteúdo  exigido  pela  Lei, caracterizando negócio jurídico típico.  Ausência de fraude a lei  9.27 Alega mais uma vez a existência de qualquer norma que impedisse a fiscalizada de  realizar as operações ora em análise e portanto não haveria o que se falar em ilegalidade  e muito mesmo simulação de quaisquer atos societários realizados pela impugnante.  Evolução da Interpretação de planejamentos tributários  Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/2010­44  Acórdão n.º 1301­001.113  S1­C3T1  Fl. 9          8 9.28 Alega que  tanto  a  doutrina  como a  jurisprudência,  em especial  a  administrativa,  evoluíram  no  sentido  de  que  os  planejamentos  tributários  devem  sempre  guardar  determinado  conteúdo  econômico,  e  que  a  existência  de  substrato  econômico  na  realização das operações passou a ser verdadeiro requisito de validade à realização dos  atos  e  negócios  jurídicos  praticados  pelos  contribuintes  com  vistas  a  economizar  tributos.   9.29 Adiciona que a verificação da brevidade não usual na prática de atos ou/negócios  jurídicos  passou  a  ser  encarado  pela  doutrina  e  jurisprudência  como  verdadeira  patologia  planejamentos  tributários.  Diante  desse  panorama,  conclui  que  o  entendimento  do  que  se  tem  por  planejamento  tributário  ou  elisão  fiscal  vem  se  modificando  gradualmente,  conforme  se  comprova  pela  análise  das  decisões  que  envolveram  os  últimos  casos  de  planejamento  tributário  levados  à  verificação  no  Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda.  9.30 Alega  que,  no  ano­calendário  de  2004,  quando  se  iniciaram  os  trabalhos  para  a  realização da reestruturação societária aqui referida, o que se entendia como lícito em  planejamentos  tributários  no  âmbito  do  Conselho  de  Contribuintes  era  totalmente  diverso  do  que  se  tem  hoje,  e  que  naquela  época  se  consideravam  lícitos  os  planejamentos  em  que  os  contribuintes  conferiam  a  devida  formalidade  aos  atos  praticados;  que  as  decisões  estavam  calcadas  frente  à  observância  do  princípio  da  legalidade, sem a análise da simulação da vontade. Ressalta que foi nesse contexto que,  juntamente  com  seus  advogados,  auditores  e  jurídico  interno,  entendeu  por  lícitas  e  plenamente  em  conformidade  com  o  ordenamento  jurídico  vigente,  as  operações  praticadas;  9.31 Alega que, diante do exposto, não haveria como se manter o entendimento de que  os  atos praticados pela  impugnante  teriam sido  simulados, motivo pelo qual  requer  o  cancelamento dos autos de infração lavrados.   Multa agravada  9.32  Investe  contra  a  imposição  da  multa  de  ofício  qualificada,  alegando  que  esta  somente  poderia  ser  lançada  se  demonstrada,  por  provas  diretas,  o  evidente  intuito  doloso, conforme definido no art. 44, § I o da Lei n° 9.430/1996.  9.33 Alega que o dolo não pode  ser presumido,  precisa  ser provado,  e que,  para que  tivesse  sido  caracterizada  a  fraude,  em  que  o  dolo  é  elemento  essencial,  sua  conduta  deveria  ter  sido  caracterizada  pela  manifesta  intenção  do  agente  de  omitir  dados,  informações  ou  fatos  que  resultariam  na  diminuição  ou  retardamento  do  dever  tributário.  9.34  Cita  ainda  doutrinadores  e  acórdãos  do  antigo  Conselho  de  Contribuintes  para  reforçar o que alega.  9.35  Alega  que  quem  age  com  fraude  realiza  sempre  operações  proibidas  pela  lei,  adultera  documentos,  falsifica,  se  utiliza  de  pessoas  inexistentes  ou  "laranjas",  para  então  argumentar  que  todas  as  operações  praticadas  atenderam  todos  os  requisitos  legais e fiscais e portanto a multa agravada não pode ser mantida.  Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/2010­44  Acórdão n.º 1301­001.113  S1­C3T1  Fl. 10          9 9.36 Em seguida, em dois tópicos distintos, discorre longamente sobre a inexistência de  fraude  em  seus  atos,  alegando  ao  final  tratar­se  de  no máximo  erro  de  interpretação  acerca  da  ilicitude  das  operações  societárias  por  ela  praticados,  o  que  afastaria  por  conseqüência,  o  dolo  e  a  má­fé  que  seriam  requisitos  necessários  à  configuração  de  simulação.  Multa isolada  9.37  Alega,  em  dois  tópicos  distintos,  que  a  exigência  da  multa  de  ofício  lançada  isoladamente não pode ser aplicada.   9.38 Alega ser  ilegal sua exigência cumulada com a multa de ofício  relativa a  tributo  lançado. Exterioriza o entendimento de que a multa isolada só pode ser exigida caso se  verifique a falta ou  insuficiência de recolhimentos de estimativas antes do  término do  ano­base.  Após o  encerramento deste,  somente  seria  cabível  a multa de ofício proporcional  aos  tributos não recolhidos.  Juros sobre a multa  9.39 — Investe contra a cobrança dos juros moratórios sobre o valor da multa aplicada  e discorre longamente a respeito para requerer o cancelamento da exigência de juros de  mora, calculados com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício  lançada no presente  auto de infração.  Pedido  9.40  Por  fim  requer  a  improcedência  total  do  auto  de  infração,  protestando  pela  apresentação de  todos os meios de prova em direito admitidas para provar o alegado.  Acrescenta ainda que caso não seja esse o entendimento, requer a exoneração da multa  agravada , da multa isolada e a exclusão dos juros moratórios incidentes sobre a multa  de oficio.  A partir da análise dos elementos contidos nos autos, a douta autoridade de  primeira  instância,  analisando  os  argumentos  apresentados,  conclui  pela  improcedência  da  impugnação, em acórdão assim então ementado:   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A R E N D A DE PESSOA JURÍDICA ­ I R P J  Data do fato gerador: 31/12/2005  VENDA DE AÇÕES­ GANHO DE CAPITAL  É devido o tributo por ganho de capital em operações de vendas efetuadas através de  sociedade que existe apenas para servir de veiculo entre a entrega de ações por parte  da empresa vendedora e o pagamento efetuado pela empresa compradora. Operação  descaracterizada  gera  apuração  de  ganho  de  capital  com  tributação  de  Imposto  de  renda.  VALIDADE DOS ATOS PRATICADOS ­ Não são válidos por  si mesmos os negócios  formalizados a título de "planejamento fiscal" ou "negócio jurídico indireto", devendo  Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/2010­44  Acórdão n.º 1301­001.113  S1­C3T1  Fl. 11          10 sua  validade  ser  verificada  à  luz  da  teoria  dos  fatos  jurídicos;  devem  ser  desconsiderados  se  constatada,  à  luz  dessa  teoria,  a  presença  de  simulação,  configurada pela divergência entre a vontade manifestada e a vontade real.  MULTA QUALIFICADA. DOLO. SIMULAÇÃO.  O dolo  é  intrínseco à  conduta das  partes que  contratam a alienação de determinada  coisa  por  inteiro  (controle  acionário  da  sociedade  X)  com  a  finalidade  de  evitar  o  recolhimento  de  tributo  devido,  se  obrigam  a  formalizar  um  conjunto  de  operações  destinadas a simular que o preço foi pago por uma pequena participação no capital de  outra  empresa  veiculo  para  a  qual  a  coisa  alienada  foi  transferida.  Tal  conduta  evidencia  intenção  inequívoca  de  fraudar  o  credor  (Fisco)  e  enseja  a  imposição  da  multa de ofício qualificada.  DECORRÊNCIA.  Versando  ambos  sobre  a  mesma  ocorrência  fática,  aplica­se  ao  lançamento  reflexo  (CSLL), no que couber, o que restar decidido para o lançamento matriz (IRPJ).  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Regularmente intimada a contribuinte do inteiro teor da decisão apontada em  25/05/2011, é então  interposto, em 20/06/2011, o competente  recurso voluntário, destacando,  em suas razões, os seguintes argumentos:   ­  A  impossibilidade  de  interpretação  isolada  dos  atos  praticados,  devendo  ser  interpretados  todo  o  conjunto  de  operações  societárias  praticadas,  na  história  da  atividade desenvolvida pelo Grupo Copersucar.  ­  A  ilegitimidade  passiva  da  recorrente,  tendo  em  vista  que  os  lançamentos  foram  efetivados  tomando  por  base  a  operação  de  alienação  das  participações  acionárias  mantidas pela empresa ADAPSE e não aquelas a ela diretamente relacionados.  ­  Iliquidez  e  incerteza  das  autuações  efetivadas,  tendo  em  vista  que  os  montantes  apontados  como  sendo  de  suposto  ganho  de  capital  não  tributado,  na  verdade,  corresponderiam  ao  resultado  da  operação  de  equivalência  patrimonial  e  não  ao  suposto ganho de capital experimentado pela empresa ADEPSE.  ­ A ocorrência de decadência sobre os fatos tributários apontados.  ­ A impossibilidade de sucessão da multa de ofício.  ­  No  mérito,  a  existência  de  propósito  negocial  para  as  operações  apontadas;  a  inexistência  de  simulação nas  operações  aventadas;  a  existência  de  negócio  jurídico  indireto; A ausência de fraude à lei.  ­  Em  seguida,  apresenta  estudo  a  respeito  da  evolução  do  estudo  do  planejamento  tributário no Brasil;   ­ A inaplicabilidade da multa agravada;  Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/2010­44  Acórdão n.º 1301­001.113  S1­C3T1  Fl. 12          11 ­  O  regular  registro  de  todos  os  atos  praticados  nas  respectivas  repartições  de  controle;  ­ A título argumentativo, destaca ainda a recorrente que, mantendo­se o entendimento  da  corte  de  primeira  instância,  cumpre  ressaltar  a  completa  impossibilidade  de  caracterização de dolo nas operações apontadas, havendo, quando muito, apenas e tão  somente  um  suposto  erro  na  interpretação  da  legislação  aplicável,  o  que,  acredita,  afastaria a possibilidade de aplicação da penalidade agravada.  ­  Além  dessas  considerações,  destaca  ainda  a  recorrente  a  impossibilidade  de  cobrança de multa  isolada em decorrência da  falta de recolhimento de IRPJ e CSLL  por estimativa, em razão i) do encerramento do ano­base quando da lavratura do auto  de  infração;  ii)  a  impossibilidade  de  cumulação  entre  a multa  isolada  e  a  multa  de  ofício; iii) a ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa.   Em contra­razões, aponta a FAZENDA NACIONAL, por sua procuradoria, a  impossibilidade  de  admissão  do  recurso  interposto,  destacando  a  caracterização  de  efetiva  operação Casa/Separa  –  Empresa  Veículo  –  Ausência  de  propósito  negocial  nas  alterações  societárias  apontadas,  destacando,  inclusive,  a  esse  respeito,  o  entendimento  do  CARF  em  relação a operações análogas à presente, onde a pretensão das partes é, única e exclusivamente,  elidir a incidência da tributação sobre o inequívoco ganho de capital experimentado.   É o relatório.   Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/2010­44  Acórdão n.º 1301­001.113  S1­C3T1  Fl. 13          12     Voto Vencido  Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER  Sento tempestivo o recurso voluntário interposto, dele conheço.   A questão central discutida nos autos  refere­se,  especificamente, à análise a  respeito  da  validade  do  planejamento  tributário  implementado  na  composição  societária  do  grupo  de  que  participa  a  recorrente,  destacando,  nesse  caso,  a  configuração  (ou  não)  de  simulação para o afastamento da obrigatoriedade de apuração do ganho de capital decorrente  das alienações efetivadas.   Passo então à análise dos elementos do recurso:   Do apontamento sobre a ilegitimidade passiva da recorrente  A  primeira  e  relevante  questão  trazida  pela  recorrente  refere­se,  especificamente,  à  ausência  de  legitimidade  da  empresa  autuada  (ARREPAR  PARTICIPAÇÕES  S/A  ­  atual  denominação  de  Companhia  União  dos  Refinadores)  em  relação ao apontado inadimplemento do crédito tributário de que tratam os autos.   O argumento apresentado pela recorrente decorre do fato de que os apontados  e supostos ganhos de capital experimentados, e não levados à tributação, teriam sido relativos á  alienação de ativos da empresa ADAPSE PARTICIPAÇÕES S/A, sendo assim então inválida a  imposição a ela de qualquer responsabilidade pelos supostos tributos inadimplidos na espécie.   A discussão em torno da legitimidade, no presente caso, guarda sim, de fato,  estreita  relação com o mérito da demanda, uma vez que, conforme se verifica nos  termos da  decisão  recorrida,  tratando­se a  empresa ADAPSE de mera  empresa veículo  (EMPRESA DE  PAPEL), à época da lavratura do auto de infração, esta já havia sido integralmente incorporada  pela contribuinte, que, então, assumira a responsabilidade pelas obrigações fiscais a ela então  relacionadas.   A teor do que expressamente apontam as disposições do art. 132 do CTN a  empresa  incorporadora  é  sim,  de  fato  e  de  direito,  responsável  pelos  tributos  devidos  pela  empresa incorporada até a data da incorporação, o que atrai, por conseqüência, a legitimidade  plena da contribuinte sobre os créditos discutidos nestes autos, não se havendo falar, assim, em  qualquer possibilidade de configuração da apontada nulidade.   Da apontada iliquidez e incerteza do crédito constituído  A  recorrente  aponta  a  iliquidez  e  incerteza  dos  créditos  constantes  do  lançamento efetivado, tendo em vista a suposta divergência entre os valores ali considerados.   Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/2010­44  Acórdão n.º 1301­001.113  S1­C3T1  Fl. 14          13 A respeito desse ponto,  especificamente,  destaco o  apontamento  contido na  decisão  recorrida,  que,  sobre  o  assunto,  afasta  quaisquer  dúvidas  eventualmente  existentes  a  respeito da apresentação dos valores respectivos:   25 O ganho de capital como a própria contribuinte alega ocorreu na empresa Adapse,  empresa de papel que foi incorporada pela fiscalizada em 2008 e que, portanto, já não  existia quando foi feito o lançamento fiscal em 2010.  26  Esse  lançamento  de  IRPJ  e  CSLL  incidente  sobre  ganho  de  capital  na  empresa  Adapse, não se confunde com o resultado da equivalência patrimonial já declarado na  empresa Arrepar, mas o Fisco Federal  tributa a Arrepar,  incorporadora da empresa  Adapse, os tributos que deixaram de ser recolhidos pela incorporada.   27 Assim, na prática, a empresa Arrepar ofereceu o resultado positivo da equivalência  patrimonial em investimento em controladas, no valor de R$ 74.832.145,73 e sobre a  tributação de IRPJ e CSLL sobre ganho de capital, no valor de R$ 74.353.562,00 por  alienação  de  bens  na  controlada  incorporada,  não  havendo  qualquer  incerteza  ou  iliquidez do crédito tributário apurado.   Diante  dessas  considerações,  entendo  não  haver  qualquer  possibilidade  de  configuração  da  apontada  iliquidez  e  incerteza,  estando,  assim,  perfeitamente  destacados  os  respectivos valores apontados.   Da alegada decadência  Especificamente  no  que  se  refere  à  alegação  de  decadência  do  lançamento  contido no  recurso voluntário apreciado,  importante de faz o destaque de que a pretensão da  recorrente  ao  argüir  a  aplicação  das  disposições  do  mencionado  Art.  150,  par.  4o  do  CTN,  importam  em  pretender  consideração  a  contagem  do  referido  prazo  decadencial  a  partir  da  ocorrência  da  operação  societária  apontada,  o  que,  a  partir  das  datas  apontadas,  teria  então  sofrido a incidência da decadência, restando impossibilitado o lançamento efetuado.  Ocorre  que,  conforme  se  verifica,  no  mérito  do  lançamento  se  destaca  a  verificação  da  ocorrência  de  simulação,  o  que,  a  partir  do  que  expressamente  destacam  as  próprias disposições do alegado Art. 150, par. 4o do CTN, afastam a aplicação da contagem de  prazo  ali  apontado,  atraindo,  a  partir  do  amplo  e  pacífico  entendimento  doutrinário  e  jurisprudencial, a aplicação das disposições do Art. 173, I daquele mesmo diploma.  Diante dessas razões, entendo não configurada a decadência ventilada.  Da análise a respeito das alterações societárias apontadas  A par de tudo o que dos autos consta, insta destacar que, tratando a matéria  aqui  apresentada  relativa  à  discussão  em  torno  da  validade  das  alienações  societárias  destacadas, é importante salientar que, em que pese todo o esforço argumentativo apresentado  pela recorrente, a adequada análise dos fatos apontados não subsume as conclusões pretendidas  no recurso analisado.   No mérito do recurso interposto, essencial se verifica a análise a respeito da  validade  das  alterações  societárias  apontadas,  sendo  certo  e  inequívoco  nos  autos  de  que  a  Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/2010­44  Acórdão n.º 1301­001.113  S1­C3T1  Fl. 15          14 participação da empresa ADAPSE PARTICIPAÇÕES teria como objetivo único e exclusivo, a  atuação como efetiva empresa veículo, possibilitando, assim, a economia tributária aventada.  Nesses  termos,  irretocáveis,  entendo,  são  as  razões  trazidas pela decisão  de  origem, que, sobre o assunto, assim, inclusive, especificamente destaca:   150 Em tópicos específicos (fls. 429 a 432), a autuada sustenta que ocorreu apenas um  negócio jurídico, que se trata de negócio jurídico típico e argúi a ausência de fraude à  lei.   151 A abordagem é extremamente oportuna. Ressalte­se, aliás, que tanto a contribuinte  quanto o Fisco concordam quanto a esse aspecto: ocorreu apenas um negócio jurídico,  posto que apenas uma vez as partes, dispondo da mais ampla liberdade para negociar ­  ou  deixar  de  fazê­lo  ­,  deliberaram  e  ajustaram  o  negócio  jurídico  pelo  qual  mutuamente se transferiram direitos.  152  Ao  enfatizar  a  ocorrência  de  apenas  um  negócio  jurídico,  a  impugnante  está  reconhecendo  que  um  ato  apenas  alterou  a  realidade  fenomênica,  surtiu  efeitos  jurídicos  entre  as  partes  e,  por  conseqüência,  deve  prevalecer  também  em  face  do  Fisco. A impugnante está, de forma indireta, repudiando a idéia de que, em um mesmo  negócio jurídico, uma versão possa prevalecer entre as partes, de forma a obrigá­los  de  forma  irretratável e  irreversível,  c uma outra versão,  fantasiosa, possa prevalecer  para fins  fiscais. Repita­se, a  impugnante está ­ diretamente ­ afirmando que ocorreu  "um único" negócio  jurídico que  lhe propiciou o ganho de capital,  e,  implicitamente,  reconhecendo  que  somente  esse  negócio  jurídico  deve  prevalecer  para  todos  os  fins,  inclusive os fiscais.  153 Voltando o  foco para o  lançamento aqui apreciado, constata­se que os membros  do Grupo Copersucar, considerados em sua totalidade, até um determinado momento  eram proprietários  de  um conjunto marcas  comerciais  e  bens  que  figuravam em seu  patrimônio  pelo montante  de R$  7.846.337,00.  Em  um momento  subseqüente,  aquele  conjunto  bens  deixou  de  lhes  pertencer. Em  compensação,  tornaram­se proprietários  de R$ 74.832.145,73.  154  Ocorreu,  portanto,  um  incremento  em  seu  patrimônio  no  exato  importe  de  R$  74.832.145,73. A existência do ganho  ­ e de apenas um ganho  ­ é, portanto, um  fato  incontroverso. O único ponto suscetível de controvérsia reside na qualificação que, de  um o Fisco, e de outro lado os impugnantes, atribuem a esse ganho. Essa qualificação  é  porque  o  Fisco  entende  que  esse  ganho  é  resultado  de  uma  espécie  de  negócio  jurídico enquanto os impugnantes afirmam que é resultado de espécie distinta.  155 Para o Fisco, trata­se de simples ganho de capital na alienação do lote de ações  da AUSA,  sujeito a  tributação. Para os  impugnantes,  entretanto, o ganho ocorreu no  momento  em  que  o  patrimônio  líquido  da  empresa  controlada  Adapse  foi  majorado  pela  subscrição  e  integralização  de  ações  com  ágio,  de  sorte  que,  ao  avaliar  seu  investimento pelo método da equivalência patrimonial, auferiu o ganho que, à  luz da  legislação, não é tributável.  156 Existem, portanto, duas versões para o mesmo negócio. A primeira versão consiste  no contrato de compromisso de fls 31 a 81. A segunda versão consiste nos instrumentos  de alterações promovidas na empresa Adapse. Por conseqüência, o deslinde da questão  Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/2010­44  Acórdão n.º 1301­001.113  S1­C3T1  Fl. 16          15 posta nestes autos tramita, necessariamente, pelo identificação de qual dessas versões  tem o condão de refletir, de forma idônea, o verdadeiro e único negócio que propiciou  o auferimento de ganho de capital para o Grupo Copersucar, através da Arrepar.   157  Tendo  em  vista  que  a  regra  geral  é  a  incidência  tributária  sobre  os  ganhos  de  capital,  tese defendida pelo Fisco, o que deve ser questionado é se ocorreu ou não a  hipótese excepcional que livraria o ganho da incidência tributária, tese defendida pelos  impugnantes.  Essa  tese  está  fulcrada  na  assertiva  de  que  ocorreu  emissão  de  ações  com ágio.  158  Na  versão  que  o  Grupo  Copersucar  atribui  aos  fatos,  seu  ganho  provém  de  valorização  do  patrimônio  líquido  de  empresa  controlada.  Em  um momento,  ele  era  proprietário de 100% das ações de uma empresa, Adapse, cujo único bem era o lote de  ações que asseguravam o controle acionário da empresa AUSA (detentora das marcas  comerciais e bens relativos a produção de açúcar em varejo), que para ela havia sido  transferido  recentemente.  Em  outras  palavras,  a  Adapse  e  a  AUSA  eram  a  mesma  coisa.   159 No momento seguinte, teria ocorrido o fato que lhe propiciou o ganho. Trata­se da  emissão, pela Adapse, de ações com ágio que foram subscritas por Nova América.   160 Como  se  vê,  o  ganho  do Grupo Copersucar,  através  da Arrepar,  teria  ocorrido  porque a nova sócia Nova América teria consentido em entregar a vultosa importância  de R$ 82.200.000,00,  em  troca de uma participação de menos de 10% do capital  da  Adapse. Esse, portanto, é o ágio que teria sido pago pela Nova América.  161  Em  números,  tem­se  que,  no  momento  anterior,  o  Grupo  Copersucar  era  proprietário de 100% (cem por cento) do patrimônio líquido da Adapse (AUSA). Como  esse  patrimônio  líquido  correspondia  a  R$  7.846.337,00,  esse  era  o  valor  de  sua  riqueza,  para  os  fins  aqui  considerados. No momento  seguinte,  com  a  subscrição  de  ações pela Nova América, e o ingresso de novos recursos na Adapse, teriam ocorrido  dois fenômenos distintos:  1)  o  patrimônio  líquido  da Adapse  teria  sido  aumentado de R$ R$ 7.846.337,00  para R$ 90.046.337,00; e   2)  agora  a  participação  do Grupo OESP  fora  reduzida,  cm  termos  percentuais,  para pouco mais de 90% mas fora majorada, em sua expressão monetária, para  aproximadamente 82.800,000,00.  162 O instrumento particular de compromisso (fls 31 a 81 do Anexo I) é inequívoco: as  partes negociaram a  transferência do controle acionário da AUSA para qual haviam  sido  transferidos  os  bens  e  as  marcas  que  a  Nova  América  tinha  interesse  e,  na  pretensão  de  regular  a  transferência  do  controle  acionário  da  AUSA  pelo  Grupo  Copersucar  ,  acordaram celebrar  um compromisso  cujo objeto  era a aquisição, pela  Nova  América,  do  controle  acionar  Ad  AUSA.  Esse,  portanto,  é  o  único  negócio  jurídico verdadeiro, resultante do concerto de vontades de Nova América e do Grupo  Copersucar, através das empresas Arrepar e Adapse, e pelo qual foi pago o preço de  82.878.490,21.   Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/2010­44  Acórdão n.º 1301­001.113  S1­C3T1  Fl. 17          16 163  Tendo  as  partes  destacado  literalmente  que  o  instrumento  de  compromisso  é  o  único  documento  que  constitui  o  acordo  integral  entre  elas,  e  que  reflete  fielmente  todas  as  negociações  anteriormente  feitas  e  as  suas  intenções  quanto  às  referidas  negociações,  e  que  somente  o  compromisso  regeria  o  seu  relacionamento,  é  de  se  entender que nenhum outro documento, nenhuma outra versão pode refletir, de forma  idônea, o verdadeiro negócio jurídico pactuado.  164 Sendo assim, houve  realmente a ocorrência de um negocio  jurídico: a  venda do  controle acionário da AUSA para a empresa Nova América, pelo grupo Copersucar.   165 Quanto à alegação de que ocorreu um negócio jurídico típico, desmerece maiores  comentários.  Com  efeito,  está  plenamente  documentado  que  o  negócio  jurídico  efetivamente realizado entre as partes, ou seja, a alienação que ensejou o pagamento  do preço de mais de 82 milhões de reais, teve por objeto o lote de ações que asseguram  o controle acionário da AUSA. Nenhuma dúvida existe a esse respeito.   166  E  já  que  um  negocio  jurídico  típico,  segundo  a  fiscalizada,  deve  representar  a  vontade  das  partes,  qual  teria  sido  a  vontade  da  empresa  Nova  América  em  integralizar o capital de uma empresa (Adapse) para no mesmo dia sair dessa mesma  empresa  ?  Que  outro  propósito  poderia  ter  a  não  ser  participar  de  uma  venda  dissimulada,  cuidadosamente  orquestrada  pelos  advogados  do  grupo Copersucar?  E  que propósito seria esse: A resposta e óbvia, evadir o recolhimento de tributos devidos  pela alienação com ágio de ativos.   167  Dessa  forma  desconsidera­se  a  alegação  de  negócio  típico,  lembrando  ainda  à  douta impugnante que o fato de todos os atos estarem registrados na Junta Comercial,  não  os  elide  de  serem passíveis  de  desconsideração  pelo Fisco Federal  sempre  que,  como ocorre no presente caso, demonstra­se que toda a seqüência de atos societários  praticados pela contribuinte visou unicamente encobrir a venda do controle acionário  da empresa AUSA para a empresa Nova América e, nesse caso não se pode falar em  negócio  jurídico  típico  que,  além  disso,  não  teve  qualquer  propósito  negociai,  pois  nenhuma empresa entraria de sócia em uma empresa para no mesmo dia sair, ato que  a fiscalizada tem a candura de achar perfeitamente normal e típico.       Com esses  fundamentos,  portanto,  forçosa  se  faz,  na  espécie,  a  verificação  de  invalidade  do  negócio  empreendido,  tendo  em  vista  que,  inequivocamente,  a  utilização  da  empresa ADAPSE  teria  sido  efetivamente materializada  com  o  único  e  exclusivo  intento  de  garantir  a  “economia”  do  tributo  devido,  o  que,  há  tempos,  é  já  apontado  como  elemento  suficiente para  a  invalidação dos  acertos  apontados,  importando,  assim,  na  caracterização de  simulação e, por conseqüência, na impossibilidade de admissão dos argumentos apresentados.        Diante  dessas  razões,  entendo  como  devidamente  apontada  e  comprovada  a  invalidade das operações realizadas, sendo, assim, inafastável o argumento sobre a invalidade  das operações, devendo, destarte, ser mantida a decisão em relação aos fundamentos apontados  e às conclusões atingidas.   Das multas qualificada e isolada   No que tange ao agravamento da multa, tomando­se como base os elementos  utilizados  para  a  descaracterização  das  operações  efetivadas  com  supedâneo  na  inafastável  verificação  de  simulação  nas  operações  adotadas  pelas  empresas  apontadas,  forçosa  se  faz  a  Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/2010­44  Acórdão n.º 1301­001.113  S1­C3T1  Fl. 18          17 conclusão  pela  regularidade  da  aplicação  da  multa  qualificada,  nos  termos  ali,  inclusive,  especificamente apontados.  Quanto  ao  apontamento  da  exigência  da  multa  isolada,  relevante  se  faz  o  destaque às expressas disposições do Art. 44 da Lei 9.430/96, quando destaca:   "Art.  44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes  multas,  calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição:   I  ­  de  setenta  e  cinco  por  cento,  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  pagamento  ou  recolhimento  após  o  vencimento  do  prazo,  sem  o  acréscimo  de multa  moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do  inciso seguinte;  II ­ cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos  arts. 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964,  independentemente de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.   § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas:  I  ­  juntamente  com  o  tributo  ou  a  contribuição,  quando  não  houverem  sido  anteriormente pagos;   II  ­  isoladamente,  quando  o  tributo  ou  a  contribuição  houver  sido  pago  após  o  vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora;   III  ­  isoladamente, no caso de pessoa  física  sujeita ao pagamento mensal do  imposto  (carnê­leão)  na  forma  do  art.  8°  da  Lei  n°  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  fazê­lo,  ainda  que  não  tenha  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste;  IV  ­  isoladamente,  no  caso  de  pessoa  jurídica  sujeita  ao  pagamento  do  imposto  de  renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2° que deixar de  fazê­lo,  ainda  que  tenha  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa  para  a  contribuição social sobre o lucro líquido, no ano­calendário correspondente; ".   A multa isolada imposta, conforme se verifica, decorre da falta de pagamento  das estimativas respectivas, o que, a teor do que aponta a recorrente, bem como na linha hoje  assentada  por  este Conselho,  somente  se  verifica  devido  em  relação  a  lançamento  efetivado  ainda no andamento do ano­calendário, sendo certo e inolvidável no presente caso que, tendo  sido o lançamento efetivado após o encerramento do ano­calendário, efetivamente indevida se  apresenta a imputação da referida penalidade.        Em  face  dessas  considerações,  entendendo  indevido  o  lançamento  relativo  á  apontada multa  isolada por não pagamento de estimativas após o encerramento do respectivo  ano­calendário, devendo, assim, ser efetivamente reformada a decisão nesse ponto.       Tendo em vista o afastamento da apontada multa  isolada na presente vertente,  entendo superada, assim, a questão relativa á apontada impossibilidade de cumulação de ambas  as penalidades.   Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/2010­44  Acórdão n.º 1301­001.113  S1­C3T1  Fl. 19          18 Dos juros sobre a multa  De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação  principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, no crédito tributário estão compreendidos o  valor do tributo e o valor da multa.  O Decreto­lei nº 1.736/79, dispôs sobre os acréscimos moratórios incidentes  sobre os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, destacando:  Art  3º  ­  Entende­se  por  valor  originário  o  que  corresponda  ao  débito,  excluídas  as  parcelas relativas à correção monetária,  juros de mora, multa de mora e ao encargo  previsto no artigo 1º do Decreto­lei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação  dada  pelos  Decretos­leis  nº  1.569,  de  8  de  agosto  de  1977,  e  nº  1.645,  de  11  de  dezembro de 1978.  Ou seja, o valor originário do débito, sobre o qual incidem os juros de mora,  não exclui a multa de ofício.  De acordo com o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, sobre os débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  (ou  seja,  débitos  de  natureza  tributária),  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1°  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  incidirão  juros de mora calculados à  taxa a que se  refere o §3° do art. 5°  (Selic),  a partir do  primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e  de um por cento no mês de pagamento.  Em  face  dessas  considerações,  entendo,  no  caso,  pela  perfeita  validade  da  incidência dos  juros SELIC  sobre  as multas  aplicadas,  nos  termos  e  condições  estabelecidos  pelo ordenamento jurídico pátrio.     Conclusão   Diante de todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar PARCIAL  PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, apenas no sentido de afastar a aplicação da  multa isolada apontada, mantendo, assim, em tudo o mais, os termos da r. decisão recorrida.  É como voto.   (Assinado digitalmente)  Carlos Augusto de Andrade Jenier ­ Relator  Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/2010­44  Acórdão n.º 1301­001.113  S1­C3T1  Fl. 20          19   Voto Vencedor  Não  obstantes  as  valiosas  considerações  do  Ilustre  Conselheiro  Relator,  o  Colegiado divergiu do entendimento acerca da incidência da multa isolada sobre as estimativas  não recolhidas.  A  irresignação da Recorrente  repousou,  fundamentalmente,  nos  argumentos  de que a exigência da multa isolada concomitante com a multa proporcional de ofício é vedada  e que tal sanção só pode ser aplicada se for exigida antes do término do período­base.  A  Turma  Julgadora,  entretanto,  filiou­se  ao  entendimento  de  que,  no  caso,  inexiste duplicidade de incidência sobre um mesmo fato, pois, na situação sob análise, se está  diante  de  duas  infrações  distintas,  quais  sejam:  a)  falta  de  recolhimento  do  imposto  e  da  contribuição  social  sobre  o  ganho  de  capital  apurado;  e  b)  falta  de  recolhimento  das  antecipações obrigatórias (estimativas), devidas a partir da recomposição das correspondentes  bases de cálculo.   Predominou, no  julgamento,  o  entendimento de que a norma  legal  aplicada  (art.  44  da  Lei  nº  9.430/96)  revela  obrigações  distintas  que,  uma  vez  inobservadas,  podem  ensejar  a  aplicação  da  sanção.  A  primeira,  consubstanciada  no  dever  de  recolher  imposto  e  contribuição com base em estimativa a que se submetem as pessoas jurídicas que, por opção,  apuram o resultado tributável anualmente. A segunda, decorrente da opção em questão, surge  em consequência da eventual apuração de saldo positivo no resultado tributável anual.  Acresceu­se,  ainda,  que  o  simples  fato  de  as  infrações  terem  sido  apuradas  por  meio  de  um  mesmo  procedimento  revela,  apenas,  concomitância  de  verificação  das  irregularidades, não constituindo, contudo, causa capaz de  fazer desaparecer  a  infração antes  cometida.  Destacou­se, também, que a variação do aspecto temporal da apuração reflete  a evidência de que, no caso, estamos diante de duas infrações absolutamente distintas. Nessa  linha,  tomou­se  por  exemplo  a  situação  em  que,  no  curso  do  período­base  de  incidência,  apurou­se  ausência  de  tributação  sobre  determinado  ganho  de  capital  e,  em  razão  disso,  aplicou­se a multa isolada em virtude da insuficiência de recolhimento das estimativas devidas.  Noutro  momento,  restou  verificado  que  o  mesmo  ganho  de  capital,  antes  não  tributado,  também não  foi  considerado nas bases de cálculo do  tributo  e da  contribuição devidos.  Fica  claro  que,  nessa  circunstância,  o  tributo,  assim  como  a  contribuição,  serão  lançados  com  a  multa  de  ofício  correspondente,  não  havendo  que  se  falar,  nesse  caso,  em  duplicidade  de  sanção sobre o mesmo fato.   Não mereceu  guarida,  também, o  argumento de que  a  sanção combatida  só  pode ser aplicada se tivesse sido exigida antes do término do período­base, eis que inexiste na  norma tributária penal qualquer alusão a esse fato.      Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000534/2010­44  Acórdão n.º 1301­001.113  S1­C3T1  Fl. 21          20  Mantida, assim, as multas isoladas decorrentes da falta de recolhimento das  estimativas devidas.   (Assinado digitalmente)   Wilson Fernandes Guimarães – Redator Designado                        Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 13/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA

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Numero do processo: 10875.905248/2009-70
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-001.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. EDITADO EM: 10/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: SOLON SEHN

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2139; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 103          1 102  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10875.905248/2009­70  Recurso nº  942.029   Voluntário  Acórdão nº  3802­001.336  –  2ª Turma Especial   Sessão de  27 de setembro de 2012  Matéria  COFINS­COMPENSAÇÃO  Recorrente  4A COMERCIAL ELÉTRICA LTDA.F  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002  REPERCUSSÃO  GERAL.  JUÍZO  PRÉVIO  DE  ADMISSIBILIDADE.  MATÉRIA NÃO CONHECIDA.  INAPLICABILIDADE DO ART. 62­A, §  1º, DO REGIMENTO INTERNO.   O  exame do  sobrestamento pressupõe  o  prévio  juízo  de  admissibilidade do  recurso.  Do  contrário,  até  mesmo  recursos  intempestivos  deveriam  ficar  sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O  §  1º  do  art.  62­A,  ademais,  deve  ser  interpretado  à  luz  do  princípio  da  lealdade  e  boa­fé,  de  modo  a  evitar  que  a  alegação  de  matéria  sob  repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de  recursos manifestamente incabíveis.   PER/DCOMP.  NÃO  IDENTIFICAÇÃO  DO  CRÉDITO  COMPENSADO.  NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO.  A  declaração  do  sujeito  passivo  ­  denominada  PER/Dcomp  ­  veicula  a  formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do  débito  da  Fazenda  Nacional.  Sem  a  identificação  do  crédito  e  dos  débitos  compensados,  não  se  aperfeiçoa  o  encontro  de  contas  entre  as  relações  jurídicas obrigacionais.  Recurso Voluntário Negado  Direito Creditório Não Reconhecido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 52 48 /2 00 9- 70 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA     2 (assinado digitalmente)  REGIS XAVIER HOLANDA ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  SOLON SEHN ­ Relator.  EDITADO EM: 10/10/2012  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda  (presidente  da  turma),  Francisco  José  Barroso  Rios,  Solon  Sehn,  José  Fernandes  do  Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro ,  Bruno Maurício Macedo Curi.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Campinas/SP,  que  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  Recorrente,  assentada  nos  fundamentos  resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 55):  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002  COMPENSAÇÃO  NÃO  HOMOLOGADA.  CERTEZA.  LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO.  A  compensação  de  indébito  fiscal  com  créditos  tributários  vencidos  e/ou  vincendos,  está  condicionada  à  comprovação  da  certeza e liquidez do respectivo indébito.  Somente  podem  ser  objeto  de  compensação  créditos  líquidos  e  certos,  cuja  comprovação  deve  ser  efetuada  pelo  contribuinte,  sob pena de não ter seu crédito reconhecido.  INTIMAÇÃO VIA POSTAL.  É  válida  a  ciência  do  lançamento  de  ofício  quando  entregue,  pelos Correios, no domicílio eleito pela contribuinte.  INCONSTITUCIONALIDADE  E  ILEGALIDADE  DE  LEI  OU  ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO.  A  instância  administrativa  é  incompetente  para  se  manifestar  sobre  inconstitucionalidade  ou  ilegalidade  de  lei  ou  ato  normativo.  SUSPENSÃO  DA  EXIGIBILIDADE  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  Permanecerá  suspensa  a  exigibilidade  dos  débitos  declarados  em  DCOMP  enquanto  estiver  presente  qualquer  das  hipóteses  previstas no artigo 151 do Código Tributário Nacional – CTN.  Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.905248/2009­70  Acórdão n.º 3802­001.336  S3­TE02  Fl. 104          3 Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  O  Recorrente,  nas  razões  recursais  de  fls.  74­90,  alega  ter  formalizado  o  pedido de compensação com fundamento na inconstitucionalidade da inclusão do Icms da base  de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Aduz que a certeza do direito à compensação advém do  art. 195 da Constituição e que recolheu os Darfs sem subtrair as parcelas do Icms.  É o Relatório.    Voto             Conselheiro Solon Sehn  A  ciência  da  decisão  se  deu  no  dia  23/02/2012  (fls.  67)  e  o  protocolo  do  recurso,  em 09/03/2012  (fls.72  e 74). Trata­se,  portanto,  de  recurso  tempestivo que pode  ser  conhecido,  uma  vez  que  versa  sobre matéria  da  competência  da  Terceira  Seção  e  reúne  os  demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972.  Embora o sujeito passivo alegue que o direito creditório seria decorrente da  inconstitucionalidade  da  inclusão  do  Icms  na  base  de  cálculo  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins  –  matéria que, como se sabe, teve repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal  no  âmbito  do  Recurso  Extraordinário  (RE)  nº  574.706/PR1  ­  entende­se  que  não  cabe  o  sobrestamento do feito mediante aplicação do art. 62­A, § 1º, do Regimento Interno2.  O  exame do  sobrestamento pressupõe  o  prévio  juízo  de  admissibilidade do  recurso.  Do  contrário,  até  mesmo  recursos  intempestivos  deveriam  ficar  sobrestados  aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62­A, ademais,  deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa­fé, de modo a evitar que a alegação  de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de  recursos manifestamente incabíveis.   No caso dos autos, nota­se que a  inconstitucionalidade da  inclusão do  Icms  na  base  de  cálculo  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins  sequer  foi  ventilada  na  manifestação  de  inconformidade. O sujeito passivo, naquela etapa processual, fundamentou a origem do direito  creditório apenas na inconstitucionalidade do aumento da alíquota da Cofins de 2% para 3%,  sem apresentar qualquer alegação relacionada à matéria sob repercussão geral.  A  rigor,  portanto,  a  alegação  sequer  poderia  ser  conhecida,  consoante  reconhece a remansosa jurisprudência do Carf:  [...]                                                              1 “Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da  COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso  Extraordinário n. 240.785.” (DJe­088, de 16/05/2008).  2  ""Art.  62­A.  [...]  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543­ B."  Fl. 105DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA     4 PRECLUSÃO.  MATÉRIA  NÃO  IMPUGNADA.  CONHECIMENTO NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE.  Em conformidade com o princípio da preclusão processual, se o  sujeito  passivo  não  contestou  a  matéria,  no  todo  ou  em  parte,  perante  a  autoridade  julgadora  de  primeiro  grau,  não  poderá  mais fazê­lo perante a instância superior, sob pena de inovação  do  feito e supressão de instância. (Acórdão 3802­000.585. 3a S.  2a C. 2a TE. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S.  de 05/07/2011).  “PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  PRECLUSÃO  TEMPORAL.  Questão não provocada a debate em primeira instância, quando  se  instaura  a  fase  litigiosa  do  procedimento  administrativo,  e  somente  demandada  em  grau  de  recurso,  constitui  matéria  preclusa.  Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão 3101­00.409. 3a. S. 1a C.  1a  TO.  Rel.  Conselheiro  Tarásio  Campelo  Borges.  S.  de  29/04/2010).  [...]  NORMAS  PROCESSUAIS.  MATÉRIA  NÃO  ABORDADA  NA  INSTÂNCIA ANTERIOR. PRECLUSÃO. EXCLUSÕES DE BASE  DE CÁLCULO. ALARGAMENTO.  Considera­se preclusa matéria que não foi objeto de impugnação  e  que,  por  conseguinte,  não  foi  objeto  da  decisão  recorrida.”  (Acórdão 3401­00.169. 3a S. 4a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Odassi  Guerzoni Filho. S. de 13/08/2009).  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  IMPUGNAÇÃO  E  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  PRECLUSÃO.  ART.  17  DO  DECRETO 70.235/72.  O  recurso  voluntário  é  cabível  contra  a  decisão  de  primeira  instância,  de modo  que  o  âmbito  válido  de  sua  fundamentação  naturalmente se circunscreve aos temas tratados no  julgamento  que  pretende  reformar. O  recurso  voluntário  não  pode  inovar,  veiculando  novos  argumentos  de  defesa  que  não  foram  apresentados  na  impugnação  nem  debatidos  em  primeira  instância.  Exceção  feita  apenas  quanto  a  temas  reconhecidamente  de  ordem  pública,  como  é  o  caso  da  decadência e da prescrição.” (Acórdão 3403­00.385. 3a S. 4a C.  3a TO. Rel. Conselheiro Ivan Allegretti. S. de 25/05/2010).  Assim, se a matéria sob repercussão geral não pode ser conhecida, por não ter  sido ventilada na instância a quo, é igualmente descabido o sobrestamento do feito, inclusive  porque, a rigor, no presente caso concreto a não homologação ocorreu devido à utilização do  Darf para a quitação de outros débitos declarados pelo contribuinte (fls. 63).   Tal situação se deu porque o Recorrente, ao apresentar a PER/Dcomp, deixou  de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), o que fez com que  o  pagamento  continuasse  atrelado  à  quitação  do  débito  originário,  inviabilizando  a  homologação da compensação (fls. 30).  Fl. 106DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.905248/2009­70  Acórdão n.º 3802­001.336  S3­TE02  Fl. 105          5 Em circunstâncias dessa natureza,  a Turma  tem admitido  a homologação da  compensação,  desde  que  retificada  a  Dctf  e,  principalmente,  demonstrada  a  existência  do  direito creditório. Nesse sentido, cumpre destacar o julgado a seguir, de nossa relatoria:  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins  Data do fato gerador: 31/05/2005  PER/DCOMP.  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF.  PROLAÇÃO  DO  DESPACHO  DECISÓRIO.  APRESENTAÇÃO  DA  PROVA  DO  CRÉDITO  APÓS  DECISÃO  DA  DRJ.  HIPÓTESE  PREVISTA  NO  ART.  16,  §  4º,  “C”,  DO  DECRETO  Nº  70.235/1972.  PRINCÍPIO  DA  VERDADE  MATERIAL.  COMPENSAÇÃO.  POSSIBILIDADE.  A  prova  do  crédito  tributário  indébito,  quando  destinada  a  contrapor  razões  posteriormente  trazidas  aos  autos,  pode  ser  apresentada após a decisão da DRJ, por  força do princípio da  verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto  nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve  ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf.  Recurso Voluntário Provido.  Direito Creditório Reconhecido.  (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº  3802­01.007. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 22/05/2012)  O Recorrente,  além  de  não  apresentar  qualquer  prova  do  direito  creditório,  sequer retificou a Dctf, razão pela qual não cabe a compensação.  O  sujeito  passivo,  na  verdade,  se  limitou  a  afirmar  que  não  tem  como  esclarecer a origem do crédito apurado e compensado (fls. 76).  O  Recurso,  destarte,  além  de  inovar  indevidamente  na  suposta  origem  do  direito creditório, mostra­se manifestamente  improcedente. Afinal, deve­se ter presente que a  Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime  de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a  condicionada  ao  deferimento  de  pedido  administrativo.  Todas  essas  modalidades  foram  substituídas pela autocompensação, que ­ ressaltadas as contribuições para a seguridade social  compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) ­ é  aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal.  No  regime  da  autocompensação,  como  se  sabe,  a  extinção  do  crédito  tributário  ocorre  por  iniciativa  do  sujeito  passivo, mediante  entrega  de  declaração  contendo  informações  relativas  aos  créditos  e  débitos  compensados,  que,  por  sua  vez,  fica  sujeita  à  posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos:  Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  Fl. 107DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA     6 contribuições  administrados  por  aquele Órgão.  (Redação  dada  pela Lei nº 10.637, de 2002).  § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante  a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão  informações  relativas  aos  créditos  utilizados  e  aos  respectivos  débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)  § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória  de  sua  ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)  A  declaração  do  sujeito  passivo  ­  denominada  PER/Dcomp  ­  reveste­se  de  especial  importância  no mundo  jurídico,  porquanto  representa  a  formalização  em  linguagem  competente  da  extinção  do  crédito  tributário  e  do  débito  da  Fazenda  Nacional.  Trata­se,  consoante  destaca  Paulo  de  Barros  Carvalho,  do  veículo  introdutor  da  norma  individual  e  concreta que positiva o fato jurídico extintivo:  “O  fato  extintivo  da  compensação  será  positivado  por  norma  individual  e  concreta  que  promova  o  encontro  das  relações,  extinguindo­as  no  quantum  em que  se  equivalerem. Os  sujeitos  habilitados  a  expedir  a  norma  individual  e  concreta  da  compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’,  são  a  autoridade  administrativa  e  a  autoridade  judiciária.  Há  hipóteses  em  que  a  lei  autoriza  ao  próprio  particular  a  efetivação da compensação  tributária. Esta,  todavia,  somente  é  utilizada  quando  o  ato  do  particular  for  homologado  pela  Administração, de maneira tácita ou expressa.  Dito de outro modo, o aplicar­se da norma de compensação gera  a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para  que  esta  se  concretize,  necessário  o  relato  em  linguagem  competente não apenas das relações que se pretende compensar,  mas  também  do  fato  da  compensação.  Apenas  se  descrito  no  antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos  previstos  no  consequente  normativo,  operando­se  extinção  dos  vínculos obrigacionais.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito  tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008,  p. 480­481).  Em  razão  disso,  para  produzir  os  seus  efeitos  jurídicos  próprios,  a  PER/Dcomp  pressupõe  a  correta  identificação  do  crédito  e  dos  respectivos  débitos  compensados. Do  contrário,  não  há  como  se  aperfeiçoar  juridicamente  o  encontro  de  contas  entre as relações jurídicas obrigacionais.  No  presente  feito,  diante  da  não  identificação  da  origem  do  crédito  compensado,  não  há  como  se  proceder  à  homologação  da  compensação,  devido  ao  não  aperfeiçoamento jurídico do encontro de contas pretendido pelo Recorrente.  Vota­se, portanto, pelo conhecimento do recurso e pelo desprovimento, com  a consequente manutenção do acórdão recorrido.  (assinado digitalmente)  Solon Sehn ­ Relator  Fl. 108DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.905248/2009­70  Acórdão n.º 3802­001.336  S3­TE02  Fl. 106          7                               Fl. 109DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA

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Numero do processo: 11020.004842/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. In casu, há pagamentos nos períodos que interessam para a discussão do dies a quo da decadência, o que resulta na aplicação do art. 150, §4º do CTN. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-002.633
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os demais conselheiros presentes acompanharam a votação por suas conclusões.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Mauro Jose Silva

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VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA     2 (assinado digitalmente)  Mauro José Silva ­ Relator.  Participaram,  do  presente  julgamento,  a  Conselheira  Bernadete  de  Oliveira  Barros,  bem  como  os  Conselheiros  Leonardo  Henrique  Pires  Lopes,  Damião  Cordeiro  de  Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.      Fl. 153DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.004842/2007­01  Acórdão n.º 2301­02.633  S2­C3T1  Fl. 152          3 Relatório  Trata­se  da  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito  (NFLD)  nº   37.122.602­3  ,  lavrada  em  24/10/2007,  que  constituiu  crédito  tributário  relativo  a  salário­ educação,  no  período  de  01/06/1997  a  31/12/2001  ,  tendo  resultado  na  constituição  do  crédito  tributário de R$ 12.971,20 , fls. 01.  Após  tomar  ciência postal da  autuação em 10/12/2007,  fls. 44, a  recorrente  apresentou impugnação, fls. 46/53, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do  recurso voluntário.   A  8ª  Turma  da  DRJ/Porto  Alegre,  no  Acórdão  de  fls.  124/127,  julgou  o  lançamento procedente,  tendo a  recorrente  sido  cientificada do decisório  em 08/04/2008,  fls.  130.  O  recurso  voluntário,  apresentado  em  28/04/2008,  fls.  132/144,  apresentou  argumentos conforme a seguir resumimos.  Pleiteia  a  exclusão  do  lançamento  de  fatos  geradores  atingidos  pela  decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN.  Não  há  divergências  de  pagamento,  podendo  existir  algum  erro  na  declaração.  É o relatório.    Fl. 154DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA     4 Voto             Conselheiro Mauro José Silva    Reconhecemos  a  tempestividade  do  recurso  apresentado  e  dele  tomamos  conhecimento.  Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art.  150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733­SC.  A  aplicação  da  decadência  suscita  o  esclarecimento  de  duas  questões  essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início.  O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade  social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 –  dez anos ­ ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo  Tribunal Federal (STF).  Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por  unanimidade,  declarou  inconstitucionais  os  artigos  45  e  46  da  Lei  n°  8.212,  de  24/07/91  e  editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições:  Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar  Mendes, Relator:  Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº  8.212/91  e  o  parágrafo  único  do  art.5º  do  Decreto­lei  n°  1.569/77,  que  versando  sobre  normas  gerais  de  Direito  Tributário,  invadiram  conteúdo  material  sob  a  reserva  constitucional de lei complementar.  Sendo  inconstitucionais  os  dispositivos,  mantém­se  hígida  a  legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e  decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de  suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo  das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que,  como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social  sujeitam­se,  entre  outros,  aos  artigos  150,  §  4º,  173  e  174  do  CTN.  Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes  nego  provimento,  para  confirmar  a  proclamada  inconstitucionalidade  dos  arts.  45  e  46  da  Lei  8.212/91,  por  violação  do  art.  146,  III,  b,  da  Constituição,  e  do  parágrafo  único do art. 5º do Decreto­lei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art.  18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda  Constitucional 01/69.  É como voto.  Súmula Vinculante n° 08:  Fl. 155DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.004842/2007­01  Acórdão n.º 2301­02.633  S2­C3T1  Fl. 153          5 “São  inconstitucionais  o  parágrafo  único  do  artigo  5º  do  Decreto­lei  1569/77  e  os  artigos  45  e  46  da  Lei  8.212/91,  que  tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.  Os  efeitos  da  Súmula  Vinculante  são  previstos  no  artigo  103­A  da  Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis:  Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus  membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial,  terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do  Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas  esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua  revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído  pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004).  Lei n° 11.417, de 19/12/2006:  Regulamenta o art. 103­A da Constituição Federal e altera a Lei  no  9.784,  de  29  de  janeiro  de  1999,  disciplinando  a  edição,  a  revisão  e  o  cancelamento  de  enunciado  de  súmula  vinculante  pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências.  ...  Art.  2o  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  após  reiteradas  decisões  sobre  matéria  constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua  publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação  aos  demais  órgãos  do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas  esferas  federal,  estadual  e  municipal, bem como proceder à  sua  revisão ou cancelamento,  na forma prevista nesta Lei.  §  1o  O  enunciado  da  súmula  terá  por  objeto  a  validade,  a  interpretação e a  eficácia de normas  determinadas, acerca das  quais  haja,  entre  órgãos  judiciários  ou  entre  esses  e  a  administração  pública,  controvérsia  atual  que  acarrete  grave  insegurança  jurídica  e  relevante  multiplicação  de  processos  sobre idêntica questão.  Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos  judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08.  Temos,  então,  que  a  partir  da  edição  da  Súmula Vinculante  nº  08  o  prazo  decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco  anos.  Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo.  Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no  que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto  no CTN  ­,  deixando o dies  a  quo  do  prazo  decadencial  para  ser  definido  segundo  as  regras  constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN.  Fl. 156DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA     6 A  regra  geral  para  aplicação  dos  termos  iniciais  da  decadência  encontra­se  disciplinada no art. 173 CTN:   “Art. 173 ­ O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.   Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue­ se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento.”  Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que  antecipassem  seus  pagamentos,  cumprindo  suas  obrigações  tributárias  corretamente  junto  a  Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra  geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis :  "Art.  150. O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  §  1º  O  pagamento  antecipado  pelo  obrigado  nos  termos  deste  artigo  extingue  o  crédito,  sob  condição  resolutória  da  ulterior  homologação do lançamento.  (...).  § 4º Se a  lei  não fixar prazo à homologação,  será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.”  Observe­se, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência,  há  de  se  considerar  o  cumprimento  pelo  sujeito  passivo  do  dever  de  interpretar  a  legislação  aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou  contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários.  Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias:   Misabel  Abreu  Machado  Derzi,  Comentários  ao  Código  Tributário  Nacional,  coordenado  por  Carlos  Valder  do  Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404:   “A  inexistência  do  pagamento  devido  ou  a  eventual  discordância  da  Administração  com  as  operações  realizadas  pelo  sujeito  passivo,  nos  tributos  lançados  por  homologação,  darão  ensejo  ao  lançamento  de  ofício,  na  forma  disciplinada  Fl. 157DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.004842/2007­01  Acórdão n.º 2301­02.633  S2­C3T1  Fl. 154          7 pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de  infração).  “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco  anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da  obrigação.  Portanto  a  forma  de  contagem  é  diferente  daquela  estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos,  inerentes ao  lançamento  com base  em declaração ou de ofício.  Trata­se de prazo mais curto, menos favorável a Administração,  em  razão  de  ter  o  contribuinte  cumprido  com  seu  dever  tributário e realizado o pagamento do tributo.”.  Luciano Amaro  , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a  Ed., 1999, pág. 352:   “Se  porém  o  devedor  se  omite  no  cumprimento  do  dever  de  recolher  o  tributo,  ou  efetua  recolhimento  incorreto,  cabe  a  autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em  substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em  razão  da  omissão  do  devedor),  para  que  possa  exigir  o  pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”.  Sob  o  mesmo  enfoque,  no  Acórdão  CSRF/01­01.994,  manifestou­se  o  Relator:   “O  lançamento  por  homologação  pressupõe  o  pagamento  do  crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer  exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do  Código  Tributário  Nacional,  o  direito  de  homologar  o  pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência  do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação,  situações previstas no § 4º do referido artigo 150.  O  que  se  homologa  é  o  pagamento  efetuado  pelo  contribuinte,  consoante  dessume­se  do  referido  dispositivo  legal. O  que  não  foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado.  Se  o  contribuinte  nada  recolheu,  se  houve  insuficiência  de  recolhimento  e  estas  situações  são  identificadas  pelo  Fisco,  estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício.   Trata­se  de  lançamento  ex  officio  cujo  termo  inicial  da  contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo  173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido  efetuado.” (negrito da transcrição).  O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado  pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173,  inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em  outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto,  conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  Fl. 158DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA     8 CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da Primeira  Seção: Resp  766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadência  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  Extrai­se do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação  cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência  nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do  fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos,  deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I.  Fl. 159DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.004842/2007­01  Acórdão n.º 2301­02.633  S2­C3T1  Fl. 155          9 Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não  eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa  no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao  período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art.  150, § 4º?  Nossa  resposta  é:  não.  O  pagamento  antecipado  realizado  só  desloca  a  aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados  pelo  contribuinte  para  efetuar  o  cálculo  do montante  a  ser  pago  antecipadamente.  Fatos  não  considerados  no  cálculo,  seja  por  omissão  dolosa  ou  culposa,  se  identificados  pelo  fisco  durante  procedimento  fiscal  que  antecede  o  lançamento,  permanecem  com  o  dies  a  quo  do  prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial  do  art.  150,  §4º  refere­se  aos  aspectos  materiais  dos  fatos  geradores  já  admitidos  pelo  contribuinte.  Afinal,  não  se  homologa,  não  se  confirma  o  que  não  existiu.  Assim,  mesmo  estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração  do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a  esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à  abrangência do pagamento antecipado.   Definida  a  aplicação  da  regra  decadencial  do  art.  173,  inciso  I,  precisamos  tomar seu conteúdo para prosseguirmos:    “Art. 173 ­ O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;”  Da  leitura  do  dispositivo,  extraímos  que  este  define  o  dies  a  quo  do  prazo  decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia  ter  sido  efetuado”. Mas  ainda  precisamos  definir  a  partir  de  quando  o  lançamento  pode  ser  efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente,  ao primeiro dia do  exercício  seguinte à ocorrência do  fato  imponível”.  ,Se  considerássemos  isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da  decadência  para  aplicação  do  art.  173,  inciso  I  do  CTN  seria  o  primeiro  dia  do  exercício  seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como  dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que  levaria o  fim do prazo de caducidade  para 31/12/20(X+5).  Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um  fato  gerador  que  se  constata  ocorrido  em  31/12/20XX  só  poderá  ser  lançado  a  partir  de  01/01/20(X+1),  dada  a  cristalina  premissa  de  que  só  existe  obrigação  tributária  após  a  ocorrência do  fato gerador. Se  só poderia  ser  lançado em 01/01/20(X+1)  , o primeiro dia do  exercício seguinte àquele em que o  lançamento poderia  ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o  que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6).  Ainda  sobre  o  assunto,  estamos  cientes  que  após  o  trânsito  em  julgado  do  Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir  que os  fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só  tem seu dies a quo  em relação à  decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir:  Fl. 160DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA     10 EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 ­  PR (2004/0109978­2) Julgado em 09/02/2010.  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.  RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS.  ART.  173,  I,  DO  CTN.  DECADÊNCIA.  ERRO  MATERIAL.  OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS.  EXCEPCIONALIDADE.  1.  Trata­se  de  embargos  de  declaração  opostos  pela  Fazenda  Nacional  objetivando  afastar  a  decadência  de  créditos  tributários  referentes a  fatos geradores ocorridos em dezembro  de 1993.  2.  Na  espécie,  os  fatos  geradores  do  tributo  em  questão  são  relativos  ao  período  de  1º  a  31.12.1993,  ou  seja,  a  exação  só  poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo  assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve  início somente em 1º.1.1995, expirando­se em 1º.1.2000.   Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999,  tem­se por não consumada a decadência, in casu.  3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos,  para dar parcial provimento ao recurso especial.    Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma  de  suas Turmas,  que  a  afirmação  categórica  do  item  3  do Resp  973.733  serviu  apenas  para  afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal.  Ademais,  ao  adotarmos  a  interpretação mais  formalista  do  item  3  do Resp  973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a  obrigatoriedade  de  os  conselheiros  seguirem  as  decisões  do  STJ  tomadas  em  Recursos  Repetitivos.  O  art.  62­A  do  RICARF  tem  nítida  finalidade  de  evitar  que  o  CARF  continue  emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o  princípio  da  eficiência,  da  moralidade  administrativa  e  acarretaria  despesas  para  o  Erário  Público  na  forma  de  ônus  de  sucumbência.  Como  o  próprio  STJ  já  vem  adotando  uma  interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma  interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental.  Resulta,  então,  em  síntese,  que  para  fatos  geradores  ocorridos  em  31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o  fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I  do CTN.  Assim,  para  o  lançamento  do  crédito  tributário  de  contribuições  sociais  especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não  pagamento da obrigação principal,  o prazo decadencial  é de  cinco anos  contados  a partir do  primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso  dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em  atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação  aos  aspectos  materiais  dos  fatos  geradores  relacionados  a  pagamentos  efetuados  pelo  contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies  Fl. 161DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.004842/2007­01  Acórdão n.º 2301­02.633  S2­C3T1  Fl. 156          11 a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º  do CTN.   Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto  do referido dispositivo:  § 4º Se a  lei  não fixar prazo a homologação,  será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  Notamos que o  texto  legal  refere­se a uma homologação  tácita por parte da  Fazenda Pública – “considera­se homologado” é a expressão utilizada ­ no caso de expirado o  prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação  mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser  entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência  do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a  uma  interpretação  inequívoca  de  que  equivale  a  homologação  expressa  ou  lançamento  de  ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis,  entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública  inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no  sentido  de  que  irá  realizar  a  atividade  prevista  no  art.  142  do CTN. Caso  o  §4º  do  art.  150  quisesse  exigir  a  homologação  expressa  e  não  um  simples  pronunciamento,  teria  feito  referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas  preferiu  a  expressão  ”pronunciado”.  Com  esse  entendimento  concluímos  que,  iniciada  a  fiscalização,  a  decadência  em  relação  a  todos  os  fatos  geradores  ainda  não  atingidos  pela  homologação  tácita,  passa  a  ser  submetida  à  regra geral  de  tal  instituto,  ou  seja,  passa  a  ser  regida  pelo  art.  173,  inciso  I.  Ressaltamos  que  não  se  trata  de  interrupção  ou  suspensão  do  prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável.   Vejamos  um  exemplo.  Considerando  que  uma  fiscalização  tenha  sido  iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade  dele  exigida  pela  lei,  ou  seja,  o  sujeito  passivo  realizou  sua  escrituração,  prestou  as  informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a  homologação  tácita  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos  até  05/20(XX­5).  Os  fatos  geradores ocorridos depois de 05/20(XX­5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido,  desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art.  173, inciso I.   Feitas  tais  considerações  jurídicas  gerais  sobre  a  decadência,  passamos  a  analisar o caso concreto.  Tendo  em  conta  que  o  lançamento  foi  motivado  por  glosa  de  salário­ educação,  há  pagamentos  nos  períodos  que  interessam  para  a  discussão  da  decadência.  Portanto,  em  consonância  com  nossa  posição  acima  apresentada,  adotamos  o  dies  a  quo  da  decadência  aquele  do  art.  150,  §4º  do CTN até o momento  no  qual  o  fisco  se  pronuncia  no  sentido de fazer verificações e realizar a homologação expressa ou o lançamento de ofício com  o  início  da  fiscalização.  Logo,  tendo  a  fiscalização  sido  iniciada  em  08/2007,  fls.  estariam  Fl. 162DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA     12 atingidos pela decadência os fatos geradores até 07/2002, o que atinge todos os fatos geradores  lançados.  Por  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  CONHECER  e  DAR  PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO.  (assinado digitalmente)  Mauro José Silva ­ Relator                                Fl. 163DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA

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Numero do processo: 13888.004959/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE Não há nulidade no lançamento em razão do fato da autuação fiscal considerar o planejamento tributário para agravar a multa em 150%, não se confundindo com a exigência fiscal que se pautou na compensação acima dos 30% quanto à base negativa (CSLL) e prejuízo fiscal (IRPJ). PRELIMINAR DE ERRO QUANTO AO SUJEITO PASSIVO Não há erro no lançamento quanto ao sujeito passivo, visto que a empresa autuada foi a incorporadora, que à época do lançamento assumiu todos os ativos e passivos da incorporada. PRELIMINAR DE ERRO QUANTO AO CRITÉRIO TEMPORAL Não há erro quanto ao critério temporal do lançamento, pois em 31 de dezembro de 2005 e 2007 a empresa extinta não mais existia, sendo que os fatos geradores ocorreram quando da incorporação, momento esse em que houve a compensação da base negativa da CSLL e do prejuízo fiscal quanto ao IRPJ acima dos 30%. PRELIMINAR DE ERRO QUANTO AO CRITÉRIO QUANTITATIVO Não se pode falar em erro quanto ao critério quantitativo, pois as operações autuadas se basearam em operações da empresa extinta, e não na incorporadora, não podendo misturar apuração da sucedida com apuração de base de cálculo da sucessora, pois a autuação se deu sob fatos e operações da sucedida. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO TRIBUTO. Aplica-se a tese da postergação quanto ao pagamento de tributo apenas no caso da compensação ter sido realizada pela incorporadora, e não pela incorporada, em razão da sua inexistência após a incorporação. DECADÊNCIA Reconhece-se a decadência quanto ao fato gerador de julho de 2005, considerando a aplicação da tese do STJ quanto à decadência (RESP 973.733) e o disposto no artigo 62-A do RICARF. Aplicação do artigo 150, § 4°, do CTN. INDENIZAÇÃO RECEBIDA ATRAVÉS DE PRECATÓRIO. Origem em ação judicial indenizatória quanto ao IAA. Coisa julgada a favor da contribuinte que reconheceu a natureza da indenização como dano emergente. Natureza jurídica que não permite tributação, a despeito do erro do contribuinte em declarar e tributar os valores como receita não operacional. Erro reconhecido e escusável. MULTA DE 150%. INEXISTÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. O planejamento tributário usado pelo contribuinte foi embasado em jurisprudência do CARF sobre a matéria, não existindo dolo, fraude ou simulação, visto que a jurisprudência da corte mantinha à época entendimento favorável aos contribuintes sobre a compensação acima da trava dos 30% pela empresa extinta. CSSL. BASE NEGATIVA. Aplicam-se os mesmos fundamentos trazidos na presente decisão quanto à base negativa da CSLL. Recurso conhecido e provido.
Numero da decisão: 1201-000.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares argüidas. No mérito, por maioria de votos (vencido o conselheiro Marcelo Cuba Netto), deram provimento ao recurso, por considerarem não tributável, pela sua natureza indenizatória, o valor recebido mediante precatórios. Apreciaram e decidiram, ainda por unanimidade de votos, a desqualificação da multa de ofício e, por conseqüência, a decadência dos lançamentos de ofício efetuados sobre fato gerador que teria ocorrido no ano-calendário de 2005. Também foi enfrentada a questão da quebra da trava de 30% na compensação de prejuízo e da base negativa da CSLL, no caso de extinção por incorporação, e decidiram, pelo voto de qualidade, mantê-la (vencidos o relator e os Conselheiros André Almeida Blanco e Meigan Sack Rodrigues). Declarou-se impedido o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, que foi substituído pela Conselheira Meigan Sack Rodrigues. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco e Meigan Sack Rodrigues.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO

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camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE Não há nulidade no lançamento em razão do fato da autuação fiscal considerar o planejamento tributário para agravar a multa em 150%, não se confundindo com a exigência fiscal que se pautou na compensação acima dos 30% quanto à base negativa (CSLL) e prejuízo fiscal (IRPJ). PRELIMINAR DE ERRO QUANTO AO SUJEITO PASSIVO Não há erro no lançamento quanto ao sujeito passivo, visto que a empresa autuada foi a incorporadora, que à época do lançamento assumiu todos os ativos e passivos da incorporada. PRELIMINAR DE ERRO QUANTO AO CRITÉRIO TEMPORAL Não há erro quanto ao critério temporal do lançamento, pois em 31 de dezembro de 2005 e 2007 a empresa extinta não mais existia, sendo que os fatos geradores ocorreram quando da incorporação, momento esse em que houve a compensação da base negativa da CSLL e do prejuízo fiscal quanto ao IRPJ acima dos 30%. PRELIMINAR DE ERRO QUANTO AO CRITÉRIO QUANTITATIVO Não se pode falar em erro quanto ao critério quantitativo, pois as operações autuadas se basearam em operações da empresa extinta, e não na incorporadora, não podendo misturar apuração da sucedida com apuração de base de cálculo da sucessora, pois a autuação se deu sob fatos e operações da sucedida. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO TRIBUTO. Aplica-se a tese da postergação quanto ao pagamento de tributo apenas no caso da compensação ter sido realizada pela incorporadora, e não pela incorporada, em razão da sua inexistência após a incorporação. DECADÊNCIA Reconhece-se a decadência quanto ao fato gerador de julho de 2005, considerando a aplicação da tese do STJ quanto à decadência (RESP 973.733) e o disposto no artigo 62-A do RICARF. Aplicação do artigo 150, § 4°, do CTN. INDENIZAÇÃO RECEBIDA ATRAVÉS DE PRECATÓRIO. Origem em ação judicial indenizatória quanto ao IAA. Coisa julgada a favor da contribuinte que reconheceu a natureza da indenização como dano emergente. Natureza jurídica que não permite tributação, a despeito do erro do contribuinte em declarar e tributar os valores como receita não operacional. Erro reconhecido e escusável. MULTA DE 150%. INEXISTÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. O planejamento tributário usado pelo contribuinte foi embasado em jurisprudência do CARF sobre a matéria, não existindo dolo, fraude ou simulação, visto que a jurisprudência da corte mantinha à época entendimento favorável aos contribuintes sobre a compensação acima da trava dos 30% pela empresa extinta. CSSL. BASE NEGATIVA. Aplicam-se os mesmos fundamentos trazidos na presente decisão quanto à base negativa da CSLL. Recurso conhecido e provido.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares argüidas. No mérito, por maioria de votos (vencido o conselheiro Marcelo Cuba Netto), deram provimento ao recurso, por considerarem não tributável, pela sua natureza indenizatória, o valor recebido mediante precatórios. Apreciaram e decidiram, ainda por unanimidade de votos, a desqualificação da multa de ofício e, por conseqüência, a decadência dos lançamentos de ofício efetuados sobre fato gerador que teria ocorrido no ano-calendário de 2005. Também foi enfrentada a questão da quebra da trava de 30% na compensação de prejuízo e da base negativa da CSLL, no caso de extinção por incorporação, e decidiram, pelo voto de qualidade, mantê-la (vencidos o relator e os Conselheiros André Almeida Blanco e Meigan Sack Rodrigues). Declarou-se impedido o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, que foi substituído pela Conselheira Meigan Sack Rodrigues. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco e Meigan Sack Rodrigues.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2357; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 2          1 1  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13888.004959/2010­16  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1201­000.800  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  7 de maio de 2013  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO ­ IRPJ E CSLL  Recorrente  RIO DAS PEDRAS PARTICIPAÇÕES S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005, 2007  PRELIMINAR DE NULIDADE  Não  há  nulidade  no  lançamento  em  razão  do  fato  da  autuação  fiscal  considerar o planejamento  tributário para agravar a multa em 150%, não se  confundindo com a exigência fiscal que se pautou na compensação acima dos  30% quanto à base negativa (CSLL) e prejuízo fiscal (IRPJ).  PRELIMINAR DE ERRO QUANTO AO SUJEITO PASSIVO  Não há  erro  no  lançamento  quanto  ao  sujeito  passivo,  visto  que  a  empresa  autuada  foi  a  incorporadora,  que  à  época  do  lançamento  assumiu  todos  os  ativos e passivos da incorporada.  PRELIMINAR DE ERRO QUANTO AO CRITÉRIO TEMPORAL  Não  há  erro  quanto  ao  critério  temporal  do  lançamento,  pois  em  31  de  dezembro de 2005 e 2007 a empresa extinta não mais existia, sendo que os  fatos  geradores  ocorreram  quando  da  incorporação,  momento  esse  em  que  houve a compensação da base negativa da CSLL e do prejuízo fiscal quanto  ao IRPJ acima dos 30%.  PRELIMINAR DE ERRO QUANTO AO CRITÉRIO QUANTITATIVO  Não se pode falar em erro quanto ao critério quantitativo, pois as operações  autuadas  se  basearam  em  operações  da  empresa  extinta,  e  não  na  incorporadora, não podendo misturar apuração da sucedida com apuração de  base de cálculo da sucessora, pois a autuação se deu sob fatos e operações da  sucedida.  POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO TRIBUTO.  Aplica­se  a  tese  da  postergação  quanto  ao  pagamento  de  tributo  apenas  no  caso  da  compensação  ter  sido  realizada  pela  incorporadora,  e  não  pela  incorporada, em razão da sua inexistência após a incorporação.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 49 59 /2 01 0- 16 Fl. 886DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO     2 DECADÊNCIA  Reconhece­se  a  decadência  quanto  ao  fato  gerador  de  julho  de  2005,  considerando  a  aplicação  da  tese  do  STJ  quanto  à  decadência  (RESP  973.733) e o disposto no artigo 62­A do RICARF. Aplicação do artigo 150, §  4°, do CTN.   INDENIZAÇÃO RECEBIDA ATRAVÉS DE PRECATÓRIO.   Origem em ação judicial indenizatória quanto ao IAA. Coisa julgada a favor  da  contribuinte  que  reconheceu  a  natureza  da  indenização  como  dano  emergente. Natureza jurídica que não permite tributação, a despeito do erro  do  contribuinte  em  declarar  e  tributar  os  valores  como  receita  não  operacional. Erro reconhecido e escusável.  MULTA  DE  150%.  INEXISTÊNCIA  DE  FRAUDE,  DOLO  OU  SIMULAÇÃO.  O  planejamento  tributário  usado  pelo  contribuinte  foi  embasado  em  jurisprudência  do  CARF  sobre  a  matéria,  não  existindo  dolo,  fraude  ou  simulação,  visto  que  a  jurisprudência  da  corte  mantinha  à  época  entendimento  favorável  aos  contribuintes  sobre  a  compensação  acima  da  trava dos 30% pela empresa extinta.  CSSL. BASE NEGATIVA.   Aplicam­se  os mesmos  fundamentos  trazidos  na  presente  decisão  quanto  à  base negativa da CSLL.  Recurso conhecido e provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as  preliminares argüidas. No mérito, por maioria de votos (vencido o conselheiro Marcelo Cuba  Netto),  deram  provimento  ao  recurso,  por  considerarem  não  tributável,  pela  sua  natureza  indenizatória,  o  valor  recebido  mediante  precatórios.  Apreciaram  e  decidiram,  ainda  por  unanimidade de votos, a desqualificação da multa de ofício e, por conseqüência, a decadência  dos lançamentos de ofício efetuados sobre fato gerador que teria ocorrido no ano­calendário de  2005.  Também  foi  enfrentada  a  questão  da  quebra  da  trava  de  30%  na  compensação  de  prejuízo e da base negativa da CSLL, no caso de extinção por incorporação, e decidiram, pelo  voto  de  qualidade, mantê­la  (vencidos  o  relator  e  os  Conselheiros André Almeida Blanco  e  Meigan  Sack Rodrigues). Declarou­se  impedido  o Conselheiro  João Carlos  de  Lima  Junior,  que foi substituído pela Conselheira Meigan Sack Rodrigues.  (documento assinado digitalmente)  Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz ­ Presidente.   (documento assinado digitalmente)  Rafael Correia Fuso ­ Relator.    Fl. 887DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/2010­16  Acórdão n.º 1201­000.800  S1­C2T1  Fl. 3          3 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Francisco  de  Sales  Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz  de Almeida, André Almeida Blanco e Meigan Sack Rodrigues.    Relatório  Trata­se de Auto de Infração lavrado pela fiscalização federal, que cobra da  empresa  contribuinte  IRPJ  e  CSLL  dos  anos  calendários  de  2005  e  2007,  decorrentes  de  compensação de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL de anos anteriores, sem a trava dos  30%, ou seja, a empresa extinta que incorporada compensou  todo o valor do prejuízo e base  negativa quando da sua extinção.  Vejamos as descrições do Relatório Fiscal:  INTRODUÇÃO  A  legislação  fiscal  brasileira  faculta  às  pessoas  jurídicas  optantes  pelo  Lucro  Real,  a  utilização  do  benefício1  da  compensação  dos  saldos  de  exercícios  anteriores  de  prejuízos  fiscais e da base negativa da CSLL com o Lucro Real e Base de  Cálculo positiva da CSLL em determinado exercício.  Tal  compensação é  limitada a 30% do Lucro Real e da BC da  CSLL após as adições e exclusões determinadas pela legislação.  No entanto, nos casos de encerramento de uma empresa extinta  por  sucessão,  alguns  contribuintes  passaram  a  não  obedecer  a  limitação  imposta pela  legislação,  sob o pretexto de  tratar  ­  se  do  último  período  da  empresa,  o  que  possibilitaria  a  ela  o  aproveitamento integral do saldo restante.  Esse  entendimento,  nunca  aceito  pela  Fiscalização  da  Receita  Federal,  porém,  aceito  por  algumas  câmaras  do  Conselho  de  Contribuintes e referendado pela Câmara Superior de Recursos  Fiscais  (atualmente  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF),  acabou  por  incentivar  a  conduta  de  alguns  contribuintes  a  utilizar  um  mecanismo  abusivo  por  meio  da  incorporação,  caracterizando­se  num  falso  planejamento  tributário.  (...)  Como  se  verifica,  esse  pretenso  Planejamento  Tributário  caracteriza  ­  se  como  uma  verdadeira  Evasão  Fiscal,  com  prejuízos à Fazenda Nacional.  Vale  frisar  que,  a  legislação  fiscal  que  rege  a  matéria  nunca  mencionou que, em virtude do desaparecimento da empresa em  decorrência  de  reorganização  societária,  se  procedesse  à  compensação  de  prejuízos  fiscais  e  base  negativa  da  CSLL  de  períodos anteriores sem observância do limite de 30% a que se  reporta os artigos 15 e 16 da Lei n° 9.065, de 1995.  Fl. 888DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO     4 No  entendimento  atual  do  CARF  aplica­se  o  limite  de  30%,  mesmo nos casos de extinção de empresas por incorporação.  O  próprio  Supremo  Tribunal  Federal,  no  RE  344.994­0,  em  março de 2009, firmou entendimento de que a compensação de  prejuízos  fiscais  de  períodos  anteriores  é  espécie  de  benefício  fiscal.  O  silêncio  da  lei  não  pode  ser  preenchido  pelo  seu  intérprete,  mormente em se tratando de benefício fiscal.  No  exercício  das  funções de Auditor­Fiscal da Receita Federal  do Brasil e, em atendimento ao MPF n° 0812500/00578­2/2010,  efetuamos  as  verificações  fiscais  relativas  às  operações  de  sucessivas  reorganizações  societárias,  cujo  objetivo  da  contribuinte  acima  referenciada  foi  o  de  compensar  integralmente os saldos de prejuízos fiscais acumulados ­ IRPJ e  os saldos de base de cálculo negativa da CSLL, sem respeitar o  limite de compensação equivalente a 30%, a que se reportam os  artigos n° 15 e 16 da Lei n° 9065, de 1995.  Para tanto, a contribuinte procedeu da seguinte forma:  AGROPECUÁRIA ITAPERU S/A., CNPJ n° 15.546.880/0001­73,  uma  empresa  que  apresentava,  em  28/07/2005,  os  seguintes  dados fiscais e cadastrais:  (...)  Utilizando­se  de  um  pretenso  planejamento  tributário,  esta  empresa  foi  incorporada por outra,  em 28/07/2005 e,  portanto,  sendo  o  seu  último  período  de  operação,  ela  compensou  integralmente os saldos de prejuízos fiscais e da base de cálculo  negativa  da  CSLL,  sem  a  trava  dos  30%,  com  respaldo  em  algumas  decisões  favoráveis  do  Conselho  de  Contribuintes,  referendadas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais.  Veja  fichas  9A  e  17,  da  DIPJ  de  evento  especial,  AC  2005,  relativas  à  Demonstração  do  Lucro  Real  e  Demonstração  da  Base de Cálculo da CSLL:  (...)  Observação:  a  alteração  da  razão  social  de  AIRAM  ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA. para AIRAM  ADMINISTRAÇÃO  E  PARTICIPAÇÕES  S/A.,  se  deu  em  30/06/2005,  continuando o mesmo CNPJ n°  07.362.805/0001­ 24.  Na  mesma  Assembléia  Geral  Extraordinária,  realizada  em  28/07/2005,  a  qual  deliberou  e  aprovou  a  incorporação  da  AGROPECUÁRIA ITAPERU S/A., CNPJ n° 15.546.880/0001­24  pela  AIRAM ADMINISTRAÇÃO E  PARTICIPAÇÕES CNPJ  n°  07.362.805/0001­24,  foi  aprovada,  também,  a  adoção  pela  sociedade incorporadora, da denominação e do objeto social da  incorporada,  ou  seja,  a  incorporadora  passou  a  se  chamar  AGROPECUÁRIA  ITAPERU  S/Á.,  agora  com  o  CNPJ  n°  07.362.805/000l­24.  Fl. 889DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/2010­16  Acórdão n.º 1201­000.800  S1­C2T1  Fl. 4          5 A contribuinte usou um meio atípico, ou seja, criou uma pseudo­ situação  para  evitar  um  fato  gerador  que  seria  o  normal  (compensar  o  prejuízo  respeitando  a  trava),  para  submetê­lo  a  um mandamento tributário menos oneroso.  Lembrete: A compensação de prejuízos fiscais e da BC negativa  da CSLL está limitada a 30% do lucro real e da BC positiva da  CSLL, independentemente da extinção ou não da empresa.  Esta evasão fiscal resultou num prejuízo à Fazenda Nacional, no  valor  de  R$  2.542.159,40  a  título  de  IRPJ  e  R$  784.252,64  a  título de CSLL, assim demonstrados:  IRRJ  Lucro Real antes da compensação de prejuízos R$ 17.392.159,77  Compensação  permitida  pela  legislação =  30% do  Lucro Real  R$ 5.217.647,93  Compensação  efetuada  pela  empresa  "incorporada"  R$  15.386.285,56  Compensação"Excedente (Indevida) R$ 10.168.637,63  IRPJ que deixou de ser recolhido R$ 2.542.159,40  R$  10.168.637,63  x  15%  +  10%  x  R$  10.168.637,63  =  R$  2.542.159,40  CSLL  Base de cálculo da CSLL antes da compensação de prejuízos R$  17.392.159,77  Compensação permitida pela legislação = 30% da BC da CSLL  R$ 5.217.647,93  Compensação  efetuada  pela  empresa  "incorporada"  R$  13.931.566,19  Compensação Excedente (Indevida) R$ 8.713.918,26  CSLL que deixou de ser recolhida R$ 784.252,64  R$ 8.713.918,26x9% = R$784.252,64  CONTINUANDO A AUDITORIA FISCAL  Finalizado  o  ano  de  2005,  a  Airam,  agora  AGROPECUÁRIA  ITAPERU S/A, com o CNPJ n° 07.362.805/0001­24, apresenta a  DIPJ, na forma de tributação do Lucro Real.  Para o ano ­ calendário de 2006, apresenta a DIPJ na forma de  tributação do Lucro Presumido.  Em 31/07/2007, a empresa AGROPECUÁRIA ITAPERU S/A foi  incorporada pela empresa Rio das Pedras Participações S/A.  Fl. 890DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO     6 Em  virtude  da  incorporação,  a  Agropecuária  Itaperu  S/A,  apresenta  a  DIPJ  de  evento  especial,  relativo  ao  período  de  01/01/2007 a 31/12/2007, apresentando Lucro real e BC positiva  da CSLL, no valor de R$ 11.309.062,07.  A  incorporadora  RIO  DAS  PEDRAS  PARTICIPAÇÕES  S/A,  é  uma  holding,  controladora  de  participações  societárias,  cujos  acionistas são Rubens Ometto Silveira Mello e Mônica Maria M.  Silveira Mello.  Essa empresa foi constituída em 1992.  Para  o  ano  calendário  de  2006,  ela  apresentou  sua  DIPJ  na  forma de  tributação do Lucro Real,  demonstrando um prejuízo  fiscal e uma base de cálculo negativa da CSLL, no valor de R$  52.238.016,82.  Somado ao saldo já existente, referente aos períodos anteriores,  os  saldos  acumulados  de  prejuízo  fiscal  e  base  de  cálculo  negativa  da  CSLL  atingiram  o montante  de  R$  57.907.121,42,  conforme seu livro do Lalur.  Cenário perfeito para mais um "planejamento tributário", isto é,  fazer  com  que  a  Rio  das  Pedras  Participações  S/A.  seja  incorporada por alguma "outra empresa" e, sob o argumento de  que  se  trata  do  último  exercício(extinção  por  incorporação),  compensa  o  prejuízo  fiscal  no montante  do  lucro  real  e  da BC  negativa da CSLL. Nesse caso compensa R$ 56.137.062,03.  E assim foi feito.  Novamente, as mesmas pessoas jurídica e físicas, que lá em 2005  já  tinham  usado  procedimento  semelhante,  apresentam  a  empresa  Noiva  da Colina Administração  e  Participações  Ltda,  CNPJ  n°  09.012.684/0001­16,  como  incorporadora  da  Rio  das  Pedras Participações S/A, CNPJ n° 69.037.034/0001­57.  A  Noiva  da  Colina  tem  como  sócias  a  empresa  belga  Empreendimentos e Rubens Ometto e Mônica Maria.  Em 31/10/2007, a Noiva da Colina é transformada de Ltda. para  S/A e incorpora a Rio das Pedras...  A ORIGEM DO PREJUÍZO FISCAL DE R$ 56.137.062,03  Em  agosto/2006,  a  contribuinte  (Rio  das  Pedras  Participações  S/A,  CNPJ  n°  69.037.034/0001­57)  adquiriu  860  ações  da  empresa  Belga  Empreendimentos  e  Participações  Ltda.,  CNPJ  n° 04.964.222/0001­85, com um ágio de R$ 135.624.749,12.  Em  outubro/2006,  a  contribuinte  incorporou  a  parcela  cindida  da  Belga,  equivalente  àquelas  860  ações,  recebendo  em  troca  3.154.896 ações da Cosan S/A.  Indústria e Comércio, CNPJ n°  50.746.577/0001­15.  Em dezembro/2006, a contribuinte vendeu as 3.154.896 ações da  Cosan  para  a  Lewington,  por  R$  104.111.568,00  (informação  corroborada pelo próprio contribuinte).  Fl. 891DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/2010­16  Acórdão n.º 1201­000.800  S1­C2T1  Fl. 5          7 A contribuinte, na sua DIPJ relativa ao ano­calendário de 2006,  procedeu da seguinte forma:  ­  Lançou  o  valor  do  ágio,  de  R$  135.624.749,12,  na  linha  20  (encargos  de  depreciação  e  amortização),  da  ficha  05  A­  Despesas Operacionais, da DIPJ relativa ao ano­calendário de  2006.  ­ Conseqüentemente, esse valor foi transportado para a linha 28  – Despesas Operacionais, da ficha 06 A.  Ao  proceder  desta  formar,  a  contribuinte  fez,  na  DIPJ,  um  prejuízo  não  operacional  transformar­se  em  um  prejuízo  operacional.  Como é sabido, a legislação fiscal não permite que prejuízos não  operacionais  de  exercícios  anteriores  sejam  compensados  com  lucros operacionais, conforme previsto no RIR/99:  Art. 511. Os prejuízos não operacionais, apurados pelas pessoas  jurídicas, a partir de 1° de janeiro de 1996, somente poderão ser  compensados com lucros da mesma natureza, observado o limite  previsto no caput do art. 510 (Lei 9.249, de 1995, art. 31).  § 1° Consideram­se não operacionais os resultados decorrentes  da alienação de bens ou direitos do ativo permanente.  O valor de R$ 135.624.749,12 deveria ser lançado na linha 41­ Valor  contábil  dos  bens  e  direitos  alienados,  da  ficha  06  A.,  parte  integrante do resultado não operacional, o que resultaria  num prejuízo não operacional.  Veja  que  a  própria  legislação  do  imposto  de  renda  assim  estabelece:  Art. 426, do RIR/99. O valor contábil para efeito de determinar o  ganho  ou  perda  de  capital  na  alienação  ou  liquidação  de  investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de  patrimônio  líquido  (art.  384),  será  a  soma  algébrica  dos  seguintes  valores  (Decreto­Lei  ns  1.598,  de  1977,  art.  33,  e  Decreto­Lei n° 1.730, de 1979, art. 1°, inciso V):  I  ­ valor de patrimônio  líquido pelo qual o investimento estiver  registrado na contabilidade do contribuinte;  II  ­  ágio  ou  deságio  na  aquisição  do  investimento,  ainda  que  tenha  sido  amortizado  na  escrituração  comercial  do  contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros  de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; .  ///  ­  provisão  para  perdas  que  tiver  sido  computada,  como  dedução,  na  determinação  do  lucro  real,  observado o  disposto  no parágrafo único do artigo anterior.  (..)  Fl. 892DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO     8 Como vimos, estamos diante de uma transação não operacional,  que  juntamente  com  outras  transações  da  mesma  natureza,  redunda  num  resultado  não  operacional. No  caso,  um  prejuízo  fiscal não operacional.  Assim, em 31/10/2007, data da "incorporação" da contribuinte,  os  saldos  corretos  de  prejuízos  fiscais,  relativos  a  períodos  anteriores, são os seguintes:  Prejuízos Fiscais Operacionais R$ 5.669.104,60  Prejuízos Fiscais não Operacionais ­ R$s52.238.016,82  Saldo  de  prejuízos  fiscais  considerados  operacionais  pela  contribuinte,  conforme  o  seu  LALUR,  no  qual  está  incluso  o  prejuízo relativo ao AC de 2006 = R$ 57.907.121,42  (­)  Prejuízo  fiscal  não  operacional  relativo  ao AC 2006 =  (R$  52.238.016.82)  Saldo de prejuízo fiscal operacional = R$ 5.669.104,60  Na DIPJ de evento especial (incorporação), em 31/10/2007, são  apresentados, pela contribuinte, um lucro não operacional de R$  3.281.077,63 e um lucro real de R$ 56.137.062,03.  Por  permissão  legal,  a  pessoa  jurídica  pode,  nesta  situação,  compensar  integralmente  o  lucro  não  operacional  utilizando  o  seu saldo de prejuízos não operacionais de períodos anteriores.  No período­base em que for apurado resultado não operacional  positivo,  todo o  seu  valor poderá ser utilizado para compensar  os  prejuízos  fiscais  não  operacionais  de  períodos  anteriores,  ainda que a  parcela  do  lucro  real  admitida  para  compensação  não seja suficiente ou que tenha sido apurado prejuízo fiscal.  Como  a  contribuinte  apurou  um  lucro  não  operacional  de  R$  3.281.077,63,  ele  será  compensado  integralmente,  por  esta  Fiscalização,  com  parte  do  saldo  de  prejuízos  fiscais  não  operacionais,  em  atendimento  ao  mandamento  legal  acima  transcrito.  A situação correta passa a ser a seguinte:  Lucro  real  antes  da  compensação  de  prejuízos  ­  R$56:137;062,03'  Prejuízo fiscal não operacional compensado R$ 3.281.077,63  Prejuízo fiscal operacional compensável R$ 5.669.104,60  Lucro real após a compensação de prejuízos R$ 47.186.879,80  Na realidade, o valor de R$ 47.186.879,80, é o saldo de prejuízo  fiscal  não  operacional  que  a  contribuinte  compensou  indevidamente com lucros operacionais, na data do evento,  isto  é, 31/10/2007.  Frise­se  que  mesmo  que  o  prejuízo  fiscal  fosse  operacional,  a  contribuinte incorreria em infração, pois também desrespeitou a  trava dos 30% do lucro real.  Fl. 893DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/2010­16  Acórdão n.º 1201­000.800  S1­C2T1  Fl. 6          9 Esta  nova  evasão  fiscal,  resultou  num  prejuízo  à  Fazenda  Nacional,  no  valor  de R$ 11.776.719,95  a  título  de  IRPJ  e R$  3.536.634,90 a título de CSLL,  Em  20/06/2008,  a  Noiva  da  Colina  Administração  e  Participações S/A altera a razão social para RIO DAS PEDRAS  PARTICIPAÇÕES S/A.  A  JUSTIFICATIVA3  DA  CONTRIBUINTE  PARA  OS  DOIS  EVENTOS DE REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA, OU SEJA, AS  INCORPORAÇÕES DA AGROPECUÁRIA ITAPERU S/A E DA  RIO DAS PEDRAS PARTICIPAÇÕES S/A.  "A  operação  justifica­se  tendo  em  vista  as  vantagens  obtidas  pelas  sociedades  envolvidas,  consistentes  na  redução  de  custos  operacionais  e  administrativos  em  face  da  unificação  dos  esforços  gerenciais  e  do  redimensionamento  da  estrutura  operacional."  A contribuinte foi intimada a ratificar ou não tal justificativa e,  caso ratificasse, deveria demonstrar as vantagens obtidas pelas  sociedades  envolvidas,  bem  como,  a  redução  dos  custos  operacionais, valorando as reduções de cada um desses custos.  Vejamos a resposta à intimação:  "Com relação a  seu questionamento acerca da  justificação das  incorporações  ocorridas,  temos  a  apresentar  que  para  ambas,  ratificamos nossas justificativas e podemos até complementá­las.  Com relação à redução dos custos objetivados, os mesmo dizem  respeito  a:  i)  eliminações  de  publicações  de  editais  de  convocação,  extrato  de  atas  e  balanços  ii)  custos  com  preparação de obrigações acessórias, como dctf, dacon, dirf; iii)  custos com preparação de atas iv) contabilidade v) etc.  Ademais,  para  toda  e  qualquer  operação,  sob  a  ótica  do  acionista,  há  a  presunção  de  que  o  gestor  analisou  e  implementou  a  operação  que  melhor  conviesse  a  empresa.  Também  merece  comentar  o  fato  que  estas  empresas  estão  inseridas  num  conglomerado  de  empresas  que  detém  diversos  investimentos e cujo principal deles está no setor sucroalcooleiro  através  da  controlada  a  Cosan  S.A.  indústria  e  Comércio,  empresa  que  nos  últimos  anos  vem  apresentando  vigoroso  crescimento. Uma  das  principais  características  dos  executivos  destas  empresas,  e  que  se  traduz  no  funcionamento  delas,  é  a  combinação da experiência profissional com o dinamismo. Este  comentário se faz necessário para lumiar a operação em análise,  dando a ela o caráter empresarial que ela merece, uma vez que  não  se  trata  de  uma  operação  isolada,  mas  de  uma  operação  inserida  num  Grupo  Empresarial  onde,  por  vezes,  os  gestores  antecipando  uma  negociação,  constituem  empresas  para  serem  empregadas  em  negócios  que  ainda  estão  em  análises,  que  podem ou  não  sair, mas  como dever  de  oficio,  devem deixar  a  estrutura da negociação pronta para sua realização. No entanto,  por  muitas  outras  vezes,  os  negócios  não  saem  como  Fl. 894DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO     10 originalmente  pretendido  ou  simplesmente  não  acontecem  e  a  constituição  de  empresas  se  mostram  inúteis.  De  tempos  em  tempos  os  gestores  revisam  a  estrutura  societária,  visando  sempre mantê­las transparente e eficiente aos olhos do mercado  financeiro e acionário. "  Da leitura dessa resposta, pode­se depreender o seguinte:  Em  relação  à  Airam  Administração  e  Participações,  para  reduzir tais custos era só baixá­la, ou então nem constituí­la.  Alie­se  ao  fato  de  que  era  uma  Ltda.  até  28  dias  antes  de  ela  incorporar a Itaperu, não se aplicando, portanto, para esse tipo  de  sociedade,  procedimentos  como  publicação  de  editais  de  convocação, extratos de atas e balanços, etc.  Em  relação  à  Noiva  da  Colina  Administração  e  Participações  aplicam­se as mesmas considerações, ou seja, era Ltda. até o dia  em  que  ela  incorporou  a  Rio  das  Pedras,  não  se  aplicando  também  as  obrigatoriedades  citadas,  típicas  de  sociedades  anônimas.  Para  reduzir  custos  era  só  baixá­la,  ou  então  nem  constituí­la,  uma  vez  que,  alguns  meses  depois  do  evento  teve  sua  razão  social alterada para Rio das Pedras Participações S/A.  A  citação  uma  vez  que  não  se  trata  de  uma  operação  isolada,  mas  de  uma  operação  inserida  num Grupo  Empresarial  onde,  por vezes, os gestores antecipando uma negociação, constituem  empresas para serem empregadas em negócios que ainda estão  em análises, que podem ou não sair, mas como dever de ofício,  devem  deixar  a  estrutura  da  negociação  pronta  para  sua  realização. No entanto, por mintas outras vezes, os negócios não  saem  como  originalmente  pretendido  ou  simplesmente  não  acontecem e a constituição de empresas se mostram inúteis. De  tempos  em  tempos  os  gestores  revisam  a  estrutura  societária,  visando sempre mantê­las  transparente e eficiente aos olhos do  mercado financeiro e acionário. "   Ora,  se  os  negócios  não  saem  como  originalmente  pretendidos  ou simplesmente não acontecem e a constituição de empresas se  mostram inúteis, elas devem ser baixadas e não serem utilizadas  para pretensos planejamentos tributários.  Como se observa, nos casos citados nesta autuação, não há um  propósito  negocial  nessas  "reorganizações  societárias",  a  não  ser  única  e  exclusivamente  a  redução  ou  a  eliminação  do  montante de tributos a pagar.  A conduta da contribuinte foi a de criar pseudo­situações a fim  de se enquadrar em algumas decisões administrativas passadas  do  Conselho  de  Contribuintes  (atual  CARF),  buscando  desta  forma  evitar  a  subsunção  do  negócio  praticado  ao  fato  imponível, objetivando suprimir ou reduzir o IRPJ/CSLL.  Pretendeu,  por  meio  de  um  planejamento  tributário  abusivo,  realizar  "incorporações"  para  que  as  ditas  "incorporadas"  pudessem  compensar  os  prejuízos  fiscais  e  a  base  de  cálculo  negativa da CSLL sem o limite de 30%.  Fl. 895DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/2010­16  Acórdão n.º 1201­000.800  S1­C2T1  Fl. 7          11 Os  procedimentos  da  contribuinte  enquadram­se,  destarte,  no  disposto no § 1° do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro  de  1996,  que  em  sua  redação  original,  e  na  atual,  limita­se  a  remeter,  dentre  outros,  ao  art.  72  da  Lei  n°  4.502,  de  30  de  novembro de 1964, e que têm a seguinte redação:  Art.  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.  A AUTUAÇÃO  Diante de tudo o que foi exposto, lavramos os Autos de Infração  (Processo n° 13888.004959/2010­16) conforme demonstrados a  seguir,  cujos  montantes  incluem  os  juros  calculados  até  29/10/2010, e multa qualificada:  • Imposto de Renda ­ PJ R$ 40.833.066,82  • Contribuição Social sobre o Lucro Líquido R$ 12.327.039,79  Total R$53.160.106,61  A  contribuinte  interpôs  impugnação  administrativa,  em  17  de  dezembro  de  2010, alegando em síntese que:  •  Nos  termos  do  art.  150,  §  4o  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN), ocorreu a decadência do direito de o Fisco exigir o IRPJ  e CSLL, relativos ao mês de julho de 2005. Não deveria sequer  ser  cogitada  a  ocorrência de  fraude,  dolo  ou  simulação,  razão  pela qual o prazo decadencial não poderá seguir a regra contida  no art. 173,1, do citado Código;  •  O  art.  153,  III,  da  Constituição  Federal  (CF)  autoriza  a  tributação da "renda e proventos de qualquer natureza" e o art.  43,  I,  do CTN  qualifica  renda  como  o  "produto  do  capital,  do  trabalho  ou  da  combinação  de  ambos",  sendo  que  o  inciso  II  define  "proventos  de  qualquer  natureza"  como  "acréscimos  patrimoniais  não  compreendidos  no  inciso  anterior".  Por  sua  vez, o art. 44 do CTN define que a base de cálculo é o montante  real, arbitrado ou presumido da renda ou proventos tributáveis.  Seguindo as disposições dos arts. 43 e 44 do CTN, o art. 250 do  RIR,  de  1999,  determina,  na  apuração  do  lucro  real,  a  compensação  dos  prejuízos  fiscais  de  períodos  anteriores,  que,  para as empresas em funcionamento, é limitada a 30% do lucro  líquido ajustado;  • Ocorre que, nas hipóteses de extinção da empresa, dentre elas  a  incorporação  (Lei  n°  6.404,  de  1976,  art.  227,  §  3),  não  é  possível  aplicar  a  limitação  de  30%  na  declaração  final  da  empresa  incorporada,  levando­se  em  consideração  que,  nos  termos do art. 514 do RIR, de 1999, "a pessoa jurídica sucessora  por  incorporação,  fusão  ou  cisão  não  poderá  compensar  prejuízos  fiscais  da  sucedida".  Nesse  contexto,  diante  da  sua  Fl. 896DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO     12 extinção, não haverá meios de a  incorporada utilizar os  saldos  de  prejuízos  fiscais e  de base  de  cálculo  negativa  de CSLL  em  anos subseqüentes, como prevê a  legislação. Portanto, verifica­ se  que  a  limitação  de 30% para  a  utilização  do  prejuízo  fiscal  pressupõe a continuidade das atividades da empresa;  •  Diante  da  vedação  da  possibilidade  da  incorporadora  compensar  o  saldo  de  prejuízos  fiscais  que  anteriormente  pertencia  à  sociedade  incorporada,  por  óbvio,  qualquer  limitação  ao  aproveitamento  do  referido  saldo  por  parte  da  empresa sucedida  implicará negação do direito à utilização do  saldo  dos  citados  prejuízos  e  tributação  do  patrimônio  da  empresa, em nítida lesão ao art. 153, III, da CF, ao princípio da  capacidade  contributiva  (art.  145,  §  I  ,  da CF),  bem assim aos  arts. 43 e 44 do CTN;  • Com relação à limitação da compensação dos prejuízos fiscais  não operacionais,  por  idênticas  razões,  por  se  tratar da última  declaração de rendimentos da incorporada, não pode prevalecer  mais essa restrição à compensação;  • Quanto às acusações de fraude, diferentemente do que aponta  o Fisco, não há nada de  ilegal ou abusivo na  incorporação da  Agropecuária  Itaperu  S/A  pela  Airam  Administração  e  Participações S/A, ocorrida em 28/07/2005, e da Rio das pedras  Participações S/Apela empresa Noiva da Colina Administração e  Participação S/A, ocorrida em 31/10/2007.  Além  de  fazer  parte  de  renegociações  e  estratégias  societárias  adotadas com o fito de manter e consolidar o controle acionário,  as  incorporações  são  justificadas,  também,  pela  redução  dos  custos operacionais e administrativos, em face da unificação dos  esforços  gerenciais  e  do  redimensionamento  da  estrutura  operacional.  Trata­se  de  real  e  legítima  reorganização  societária,  que  atendeu  todos  os  requisitos  da Lei  n°  6.404,  de  1976,  somada  à  adoção  de  um  legal  e  legítimo  planejamento  tributário;  • Em 01/08/1991 a Destilaria Rio Brilhante S/A ingressou com a  ação  ordinária  n°  91.001.8260­5,  em  face  da  União  Federal,  pleiteando indenização por prejuízos provocados em função de o  Instituto  do  Açúcar  e  Álcool  (IAA)  ter  fixado  os  preços  de  comercialização  dos  produtos  mencionados  em  patamares  inferiores aos custos médios de produção, em desobediência aos  ditames dos arts. 9o e 10 da Lei n° 4.870, de 1965 (doc. anexo).  Ao  receber  as  parcelas  relativas  ao  precatório  oriundo  da  referida  ação  judicial,  em  agosto  de  2005  e  outubro  de  2007,  ofereceu tais valores à tributação do IRPJ e CSLL;  •  Ocorre  que,  na  realidade,  tais  valores  não  refletem  nenhum  "acréscimo  patrimonial",  fato  gerador  do  IRPJ  e  CSLL.  A  indenização foi paga pela União Federal para ressarcir o dano  passado,  com o  objetivo de  recompor  o patrimônio desfalcado.  Nos  termos  das  lições  de  Pontes  de  Miranda,  no  caso  estão  presentes  os  três  requisitos  do  dano  emergente:  a)  prejuízo  sofrido  diretamente  em  consequência  do  eventos,  razão  pela  qual;  b)  sua  indenização  recompõe  perda  ocorrida  no  passado  consistente;  c)  em  concreta  diminuição  no  patrimônio,  Fl. 897DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/2010­16  Acórdão n.º 1201­000.800  S1­C2T1  Fl. 8          13 verificável  quando  há  depreciação  do  ativo  ou  aumento  do  passivo. Nesse contexto, quando se indeniza o dano causado ao  patrimônio  material,  na  verdade,  o  pagamento  em  dinheiro  simplesmente restitui a perda patrimonial ocorrida;  • Mister se faz o afastamento da multa de 150%, tendo em vista  que não houve fraude. As compensações com prejuízos fiscais e  bases  de  cálculo  negativa  de CSLL  foram  efetuadas  de  acordo  com  o  pacífico  entendimento  doutrinário  e  jurisprudencial  que  afastam  a  limitação  de  30%.  Trata­se  de  legítima  e  real  reorganização  societária,  que  atendeu  a  todos  os  requisitos  da  Lei n° 6.404, de 1976, somada à adoção de um igualmente legal  e legítimo planejamento tributário, fundamentado e baseado nos  precedentes jurisprudenciais dos tribunais administrativos;  • A multa de 150% aplicada é ilegal,  tem caráter confiscatório,  afronta  o  art.150,  IV,  da  CF  e  os  princípios  da  proporcionalidade e razoabilidade.  •  Protesta  pela  produção  de  todas  as  provas  em  direito  admitidas,  especialmente  pela  juntada  de  documentos  complementares,  produção  de  diligências  suplementares,  apresentação de memoriais e sustentação oral de seu direito;  • Requer que todas as intimações relativas ao presente processo  sejam realizadas no nome de Elias Marques de Medeiros Neto,  OAB/SP n° 196.655, Marco Antonio Tobaja, OAB/SP n° 54.853  e Heberto Lima Araújo, OAB/SPn° 185.648.  Posteriormente,  em  01/04/2011,  a  contribuinte  apresentou  o  documento  de  fls.  351  a  357,  repetindo  as  alegações  feitas  na  impugnação  e  fazendo  novas  alegações,  de  que  as  receitas  declaradas como operacionais, no ano­calendário de 2007, são,  na verdade, não operacionais, tendo em vista que houve a cessão  dos  direitos  de  crédito  relativo  ao  processo  judicial  anteriormente  citado.  Acrescenta  que  o  acréscimo  obtido  com  essa  cessão  de  crédito  qualifica­se,  nos  termos  do  art.  418  do  RIR,  de  1999,  como  "ganho  de  capital",  classificando­se  como  resultado não operacional. Dessa  forma, o ganho de capital de  R$  60.587.403,80  deve  ser  contraposto  aos  prejuízos/base  negativa acumulados de R$ 52.238.016,82.  Aduz  que,  como  a  fiscalização  afirma  que  para  fins  fiscais  é  como  se  a  incorporação  não  tivesse  ocorrido  e  a  sociedade  incorporada  continuasse  a  existir,  deveria  ter  dado  ao  caso  tratamento  semelhante  ao  de  postergação  no  recolhimento  de  IRPJ e CSLL,  seguindo a  jurisprudência do Carf ao analisar a  compensação acima do limite de 30%.  Anexou ao processo os documentos de fls. 358 a 511.  A  DRJ  manteve  integralmente  o  lançamento  fiscal,  conforme  voto  abaixo  colacionado:  Novas Alegações Apresentadas a Destempo.  Fl. 898DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO     14 A  contribuinte  apresenta,  em  01/04/2011,  novas  alegações  de  que  as  receitas  declaradas  como  operacionais,  no  ano­ calendário de 2007,  são, na verdade, não operacionais e que à  compensação acima do limite de 30% deve ser dado tratamento  de postergação no recolhimento de IRPJ e CSLL.  Deve­se  esclarecer  que  o  prazo  de  30  dias  para  impugnação  decorre de expressa previsão contida no art. 15 do PAF:  (...)  E o art. 16, § 4o , do mesmo Decreto dispõe:  (...)  Levando­se  em  consideração  que  tais  ocorrências  não  ficaram  provadas  no  presente  processo,  não  serão  analisadas  as  novas  alegações  apresentadas  intempestivamente  (em  01/04/2011),  assim como os documentos a elas correspondentes.  Decadência.  A  impugnante  argúi  a  decadência  do  direito  de  a  Fazenda  Publica  efetuar  o  lançamento  de  ofício  em  relação  ao  fato  gerador ocorrido em julho de 2005.  A esse respeito, há que se asseverar, de plano, que se está diante  do lançamento dito por homologação, nos termos do art. 150 do  Código Tributário Nacional (CTN), uma vez que a lei atribuiu à  pessoa jurídica o dever de antecipar o pagamento do imposto de  renda  sem  prévio  exame  da  autoridade  tributária,  apurando  e  recolhendo  o  quantum  devido,  antecipando­se  a  qualquer  procedimento da repartição fiscal.  Tal  modalidade  de  lançamento  opera­se  pelo  ato  em  que  a  autoridade  administrativa,  tomando  conhecimento  da  atividade  de  pagamento  exercida  pelo  sujeito  passivo,  expressamente  a  homologa.  Nesse  caso,  segundo  disposição  do  §  4  do  mesmo  artigo,  a  decadência  opera­se  em  cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência do fato gerador, se a autoridade administrativa não  homologar o lançamento antes de decorrido o qüinqüênio, salvo  se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.  Por conseguinte, efetuado o pagamento antecipado do imposto a  que se refere o art. 150 do CTN, sem dolo, fraude ou simulação,  e a Fazenda Pública não vier, dentro do prazo de 5 (cinco) anos  contados  da  ocorrência  do  fato  gerador,  expressamente  homologar  o  lançamento,  este  será  considerado  tacitamente  homologado, e definitivo e bom o pagamento antecipado.  Há que se observar, entretanto, que o prazo à homologação, de 5  (cinco)  anos  contados  da  ocorrência  do  fato  gerador,  não  se  aplica,  de  qualquer  forma,  à  espécie  dos  autos,  em  face  da  ressalva constante ao final de seu texto, por estar caracterizada  a ocorrência de fraude, como ficará demonstrado mais adiante,  na  análise  da multa  qualificada,  o  que  desloca  a  contagem do  prazo  decadencial  para  o  art.  173,1,  do  CTN,  iniciando  a  sua  contagem no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  lançamento poderia ter sido efetuado.  Fl. 899DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/2010­16  Acórdão n.º 1201­000.800  S1­C2T1  Fl. 9          15 Com  efeito,  para  o  fato  gerador  ocorrido  em  julho  de  2005,  o  prazo  decadencial  iniciou­se  em  01/01/2006  e  teve  seu  termo  final  em  31/12/2010.  Tendo  a  ciência  do  auto  de  infração  ocorrido  em  17/11/2010,  deve  ser  afastada  a  preliminar  de  decadência do direito de lançar os tributos ora exigidos.  Compensação  de  Prejuízos  Fiscais  e  Bases  de  Cálculo  Negativas de CSLL de Anos Anteriores.  Trata­se  de  analisar  lançamento  relativo  ao  IRPJ  (ano­ calendário 2005) e CSLL (anos­calendário de 2005 e 2007), em  que houve  compensação de prejuízos  fiscais  e bases de  cálculo  negativa da CSLL superior ao limite de 30% do lucro real antes  das  compensações.  Apurou­se,  ainda,  no  ano­calendário  de  2007, compensação indevida de prejuízo  fiscal não operacional  com lucros operacionais.  A  contribuinte  alega  que  nos  casos  de  incorporação  (Lei  n°  6.404, de 1976, art. 227, § 3o) não é possível aplicar a limitação  de 30% na declaração final da empresa incorporada, levando­se  em consideração que, nos termos do art. 514 do RIR, de 1999, "a  pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não  poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida".  Inicialmente,  cabe  ressaltar  que  à  Administração  não  compete  afastar  a  aplicação  de  norma  legitimamente  inserida  no  ordenamento  jurídico  sem  lei  que  assim  regulamente,  uma  vez  que  a  atividade  do  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória,  nos  termos dos artigos 141 e 142 do CTN.  Sobre a compensação de prejuízos fiscais, o art. 514 do RIR, de  1999, dispõe:  Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou  cisão  não  poderá  compensar  prejuízos  fiscais  da  sucedida  (Decreto­Lei n" 2.341, de 1987, art. 33).  O  citado  Decreto­lei  é  claro  ao  proibir  a  compensação  de  prejuízos fiscais da sucedida pela pessoa jurídica sucessora.  A  partir  de  1995,  o  legislador  ordinário,  por  meio  da  Lei  n.°  8.981, de 20 de janeiro de 1995, arts.42 e 58 e arts. 15 e 16 da  Lei n.° 9.065, de 20 de junho de 1995. fixou o limite máximo de  30% para a compensação de prejuízos fiscais e não contemplou  a possibilidade de sua compensação integral quando realizados  os eventos de incorporação, fusão ou cisão.  Verifica­se que as leis acima citadas ao fixarem o limite máximo  de  30%,  estipularam,  de  fato,  tributação  mínima  de  70%  do  lucro real do ano e da base de cálculo da CSLL, assegurando a  observância  do  princípio  da  autonomia  dos  exercícios  financeiros  para  a  apuração  e  tributação  daqueles  resultados.  Cabe  ressaltar  que  referido  lucro  real  e  base  de  cálculo  da  CSLL, não se compõe, por definição, com o eventual prejuízo e  base  de  cálculo  negativa  de  ano  anterior.  A  cada  período  corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e  Fl. 900DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO     16 independentes.  Os  prejuízos  remanescentes  de  outros  períodos,  que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases  de  cálculo,  não  são  elementos  inerentes  da  base  de  cálculo  do  imposto de renda e da CSLL do período em apuração.  O  fato de  ter havido prejuízo em período de apuração anterior  não  tem  implicação  sobre  a  definição  de  renda  do  período  seguinte.  Tanto  é  assim  que  se  fala  em  prejuízo  do  ano­ calendário  de  2006,  por  exemplo,  porque  em  tal  período  a  empresa  teve  despesas  superiores  a  receitas  na  apuração  do  resultado.  O  prejuízo  de  um  ano­calendário  é  somente  a  ele  relativo,  não  se  comunicando,  para  efeito  de  definição  do  conceito de renda, com o lucro dos períodos subseqüentes.  Tem­se,  assim,  que  essa  nova  sistemática  de  redução  do  lucro  líquido ajustado, em razão do aproveitamento de prejuízos e de  bases  de  cálculo  negativas  acumulados  limitado  a  30%,  não  significa que a empresa tenha qualquer crédito contra a Fazenda  Nacional,  constituindo  a  compensação  apenas  um  benefício  tributário concedido.  Nesses  termos,  sendo  a  compensação  de  prejuízos  fiscais  e  de  bases  de  cálculo  negativas  acumulados  em  períodos  anteriores  um benefício  fiscal,  deve­se  observar o  que  foi  estabelecido  na  lei, afastando­se a interpretação extensiva.  A  esse  respeito  já  se  pronunciou  o  Supremo  Tribunal  Federal  (STF):  (...)  No  presente  caso,  foi  apurado,  no  ano­calendário  de  2006,  prejuízo  fiscal não operacional de R$ 52.238.016,82 e, no ano­ calendário de 2007,  lucro não operacional de R$ 3.281.077,63,  que  foi  integralmente  compensado  com  parte  do  saldo  de  prejuízos  fiscais  não  operacionais  de  2006,  tendo  sido  compensado R$ 5.669.104,60 (fls. 197 e 199) relativo a prejuízo  fiscal de anos anteriores.  Assim, não há que se  falar em limite de 30%, pois o  lucro não  operacional  apurado  no  ano­calendário  de  2007  foi  integralmente compensado com o prejuízo operacional existente  em  31/10/2007  e  foi  tributado  o  saldo  de  prejuízo  fiscal  não  operacional (R$ 47.186.879,80) compensado indevidamente com  lucros operacionais.  Portanto,  nessa  parte  não  cabe  qualquer  alteração  do  lançamento.  Indenização Recebida.  Quanto  à  indenização  recebida,  verifica­se  que.  ela  não  foi  objeto do lançamento. Na impugnação, a contribuinte afirma que  o  valor  recebido  a  esse  título  é  não  tributável  e  que  foi  indevidamente  incluído  como  receita  operacional  nos  anos­ calendário de 2005 e 2007.  Tem­se  que  indenização  é  a  prestação  destinada  a  reparar  ou  recompensar o dano causado a um bem jurídico, que pode ser de  Fl. 901DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/2010­16  Acórdão n.º 1201­000.800  S1­C2T1  Fl. 10          17 natureza  patrimonial  (integrantes  do  patrimônio  material)  ou  não­patrimonial (integrantes do patrimônio imaterial ou moral).  Segundo o professor Fernando Noronha, na obra DIREITO DAS  OBRIGAÇÕES  ­  Fundamentos  do  Direito  das  Obrigações  Introdução à Responsabilidade Civil  ­  Volume  I  ­  Editora  Saraiva  (2003),  "Existe  uma  subclassificação muito importante dos danos patrimoniais, que é  tradicional  e  privativa  deles:  os  danos  emergentes  e  os  lucros  cessantes.  A  distinção  é  feita  no  art.  402,  a  propósito  das  obrigações  negociais.  O  dano  emergente  traduz­se  em  efetiva  diminuição  do  patrimônio  do  lesado;  o  lucro  cessante  consiste  na  frustração de um ganho que era esperado, de um acréscimo  patrimonial que o lesado teria, se não houvesse ocorrido o fato  danoso".(ressaltei).  E  o  citado  art.  402  do  Código  Civil  (Lei  n°  10.406,  de  10  de  janeiro de 2002) dispõe:  Verifica­se, na petição inicial da ação ordinária n° 91.0018260­ 5,  que  a  contribuinte  pleiteia  uma  recomposição  patrimonial  consistente  no  pagamento  de  um  valor  correspondente  à  diferença entre os preços autorizados pelo  IAA, para a cana, o  açúcar  e  o  álcool,  e  aqueles  fixados  em  consonância  com  os  critérios  legais.  Solicita  indenização  pela  perda  em  seu  faturamento,  tendo  em  vista  que  deixou  de  ter  uma  maior  margem de lucro.  Trata­se,  portanto,  não  de  uma  compensação  de  danos  efetivamente  experimentados,  mas  de  pagamento  de  um  acréscimo patrimonial  correspondente  ao  ganho que  deixou  de  ser auferido (lucro cessante).  Dessa forma, a referida indenização está no campo de incidência  do  imposto  de  renda,  nos  termos  do  art.  43  do  CTN,  sendo  improcedente a alegação feita pela contribuinte.  Inconstitucionalidade.  Quanto  às  alegações  de  inconstitucionalidade,  cabe  esclarecer  que  a  autoridade  administrativa  não  tem  competência  para  analisar  tais  questões,  sendo  esta  competência  atribuída  em  caráter privativo ao Poder Judiciário pela CF, no art. 102.  A doutrina escreve que toda atividade da Administração Pública  se  passa  na  esfera  infralegal  e  as  normas  jurídicas,  quando  emanadas  do  órgão  competente,  gozam  de  uma  presunção  de  constitucionalidade, bastando sua mera existência para inferir a  sua validade.  Inovado o  sistema  jurídico  com uma norma emanada do órgão  competente,  ela  passa  a  pertencer  ao  sistema,  cabendo  à  autoridade  administrativa  tão­somente  velar  pelo  seu  fiel  cumprimento até que seja expungida do mundo jurídico por uma  outra  superveniente ou por  resolução do Senado da República,  Fl. 902DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO     18 publicada  posteriormente  à  declaração  de  sua  inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal.  Uma  vez  positivada  a  norma,  é  dever  da  autoridade  fiscal  aplicá­la sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos  que gerou, pois o lançamento é uma atividade vinculada.  Esta  questão,  ademais,  encontra­se  agora  expressamente  disciplinada em  lei  ordinária,  conforme prescrito no art.  25 da  Lei  n°  11.941,  de  2009,  que  inseriu  o  art.  26­A  no Decreto  n°  70.235, de 1972, nos seguintes termos:  Não  se  enquadrando  a  matéria  impugnada  em  qualquer  das  exceções  prescritas  no  §  6,  recém­transcrito,  não  há  como  afastar  a  exigência  combatida  a  pretexto  de  alegada  inconstitucionalidade da norma em que a fundamentou.  Assim  sendo,  resta  à  impugnante  levar  suas  considerações  ao  Poder  Judiciário,  que  detém  o  "monopólio"  da  análise  de  alegadas  ilegalidades  e/ou  inconstitucionalidades  do  direito  positivado. Enfim, os óbices por ela apontados, neste ponto, são  impertinentes à seara administrativa.  Multa de 150%  A  contribuinte  alega  que  não  houve  fraude  nas  incorporações  efetuadas,  tratando­se  de  legítima  e  real  reorganização  societária  e  planejamento  tributário  fundamentado  nos  precedentes jurisprudenciais dos tribunais administrativos.  O  autuante  fundamentou  a  exigência  da  multa  qualificada  de  150% no art. 44,1, § I  , da Lei n° 9.430, de 1996 (com redação  dada  pelo  art.  14  da  Lei  n°  11.488,  de  15  de  junho  de  2007),  configurando  os  procedimentos  da  contribuinte  como  fraude  (art. 72 da Lei n° 4.502,de 1964). Considerou que a "conduta da  contribuinte  foi  a  de  criar  pseudo­situações  a  fim  de  se  enquadrar  em  algumas  decisões  administrativas  passadas  do  Conselho  de Contribuinte  (atual CARF),  buscando desta  forma  evitar  a  subsunção  do  negócio  praticado  ao  fato  imponível,  objetivando suprimir ou reduzir o IRPJ/CSLL."  A  contribuinte  tentou  justificar  as  incorporações  da  Agropecuária Itaperu S/A e da Rio das Pedras Participações S/A  alegando  obtenção  de  vantagens  consistentes  na  redução  de  custos operacionais e administrativos, além de que não se trata  de  uma  operação  isolada, mas  de  uma  operação  inserida  num  Grupo  Empresarial,  onde.  por  vezes,  os  gestores  constituem  empresas que por muitas outras vezes se mostram inúteis.  Tais  justificativas  não  foram  aceitas  pelo  autuante  e  foram  invalidadas tendo em vista que, por se tratar de sociedade Ltda.,  os  custos  citados  pela  contribuinte  (eliminação  de  publicações  de  editais  de  convocação,  extrato  de  atas  e  balanços)  não  existiam, além de que  tais  fatos poderiam ser  resolvidos  com a  baixa das empresas e não com a sua incorporação.  Além disso, apesar de terem sido  incorporadas, a denominação  social  e,  no  caso  da  Agropecuária  Itaperu  S/A,  o  endereço  da  sede  que  permaneceu  foi  o  da  incorporada  e  não  da  Fl. 903DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/2010­16  Acórdão n.º 1201­000.800  S1­C2T1  Fl. 11          19 incorporadora, que ficou totalmente descaracterizada no evento.  Acrescente­se  que  todas  as  empresas  envolvidas  nesse  planejamento  tributário  permaneceram  com  os  mesmos  acionistas.  Todos  esses  fatos  evidenciam  que  não  houve  substância econômica do negócio, mas tão somente, a criação de  artifício  visando  evitar  o  pagamento  do  tributo,  por  meio  da  compensação  dos  prejuízos  de  IRPJ  e  dos  saldos  negativos  de  CSLL.  Não  se  vislumbra,  assim,  nessa  "reorganização  societária"  nenhum  propósito  negocial,  mas  apenas  a  finalidade  única  de  compensar  integralmente os  prejuízos  fiscais  e  base de  cálculo  negativa da CSLL, sem observar o limite de 30%.  Solicitação de diligência.  Quanto  ao  pedido  de  produção  de  diligência  formulado  pela  impugnante, o PAF, arts. 18 e 28, estabelece:  No  caso  em  exame,  considera­se  desnecessária  a  diligência  proposta pela requerente por estarem presentes nos autos todos  os  elementos  de  convicção  necessários  à  adequada  solução  da  lide.  Defesa Oral  Quanto à solicitação para assistir à sessão de julgamento e fazer  sustentação  oral,  cumpre  esclarecer  que  não  existe,  no  âmbito  da  legislação  processual  tributária,  previsão  para  a  apresentação  de  defesa  oral  em  julgamento  de  primeira  instância. A manifestação do interessado se dá, tão somente, por  escrito, nos termos do art. 15 do Decreto n° 70.235, de 1972, a  saber:  Indefere­se, pois, o pedido, por falta de previsão legal a respeito  do assunto.  Intimação. Endereçamento.  Quanto  à  solicitação  de  que  as  intimações  sejam  feitas  aos  advogados  Elias  Marques  de  Medeiros  Neto,  OAB/SP  n°  196.655, Marco Antonio  Tobaja, OAB/SP  n°  54.853  e Heberto  Lima  Araújo,  OAB/SP  n°  185.648,  deve  ser  rejeitada.  Estas  devem ser  feitas em nome do sujeito passivo e dirigidas ao seu  domicílio  fiscal,  conforme reza o CTN. no art.  127, que dispõe  sobre  a  existência  do  domicílio  tributário,  e  o  art.  art.  23  do  Decreto  n°  70.235,  de  1972,  havendo,  portanto,  previsão  legal  para  o  endereçamento  dos  atos  processuais.  Assim,  feita  a  eleição  pelo  sujeito  passivo,  não  é  possível  a  admissão  de  domicílio especial para o processo administrativo fiscal.  Conclusão.  Diante  de  todo  o  exposto,  voto  por  considerar  improcedente  a  impugnação, mantendo o crédito tributário tal como lançado.  Fl. 904DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO     20 A  contribuinte  foi  intimada  da  decisão  da  DRJ  em  18/08/2011.  Inconformada,  protocolou  Recurso  Voluntário  em  19/09/2011,  repisando  os  mesmos  fundamentos  trazidos  em  sua  impugnação  quanto  ao mérito,  e  incluiu  preliminares  a  seguir  descritas:  a)  nulidade  do  Auto  de  Infração  por  cerceamento  do  direito  de  defesa  quanto  à  acusação fiscal, sendo difícil para ela entender por quais motivos a mesma foi autuada, se por  planejamento tributário abusivo ou compensação de base negativa da CSLL e do prejuízo fiscal  acima dos 30%; b) erro na sujeição passiva; c) erro quanto ao critério temporal da regra matriz;  d) erro quanto ao critério quantitativa da hipótese da regra matriz; a questão da postergação do  pagamento do tributo; e) a questão da multa qualificada de 150%; e f) a questão da decadência,  todas enfrentadas no voto abaixo colacionado.  Este é o relatório!    Voto             Conselheiro Rafael Correia Fuso  O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço.  Passemos ao enfrentamento das preliminares alegadas pela recorrente:  PRELIMINARES  A)  ENTENDIMENTO  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO  E  NULIDADE  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA:  Quanto  ao  entendimento  do Auto  de  Infração,  a  contribuinte  questiona  em  seu petitório  se  a  empresa  foi  autuada por pseudo “planejamento  tributário  abusivo” ou pela  compensação sem a observância do limite de 30%, mesmo aceitando as  incorporações e pela  compensação de prejuízos fiscais não operacionais com lucros operacionais.  Como se pode observar do relatório fiscal, transcrito pela própria contribuinte  em seu Recurso, a empresa foi atuada por ambos os fundamentos, com imputação secundária e  pretérita  a  questão  da  fraude  para  qualificar  a multa  em  razão  de  planejamento  tributário,  e  como questão principal, visto que a materialização dos tributos e a fundamentação utilizada no  auto de infração, a trava dos 30% na incorporação societária. Vejamos:  Utilizando­se  de  um  pretenso  planejamento  tributário,  esta  empresa  foi  incorporada por outra,  em 28/07/2005 e,  portanto,  sendo  o  seu  último  período  de  operação,  ela  compensou  integralmente os saldos de prejuízos fiscais e da base de cálculo  negativa  da  CSLL,  sem  a  trava  dos  30%,  com  respaldo  em  algumas  decisões  favoráveis  do  Conselho  de  Contribuintes,  referendadas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais.  (..)  A contribuinte usou um meio atípico, ou seja, criou uma pseudo­ situação  para  evitar  um  fato  gerador  que  seria  o  normal  (compensar o prejuízo respeitando a  trava), para submetê­lo a  um mandamento tributário menos oneroso.  Fl. 905DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/2010­16  Acórdão n.º 1201­000.800  S1­C2T1  Fl. 12          21 Lembrete: A compensação de prejuízos fiscais e da BC negativa  da CSLL está limitada a 30% do lucro real e da BC positiva da  CSLL, independentemente da extinção ou não da empresa.  Esta  evasão  fiscal  resultou num prejuízo  à Fazenda Nacional,  no valor de R$ 2.542.159,40 a título de IRPJ e R$ 784.252,64 a  título de CSLL, assim demonstrados:  (...)  A conduta da contribuinte foi a de criar pseudo­situações a fim  de se enquadrar em algumas decisões administrativas passadas  do  Conselho  de  Contribuintes  (atual  CARF),  buscando  desta  forma  evitar  a  subsunção  do  negócio  praticado  ao  fato  imponível, objetivando suprimir ou reduzir o IRPJ/CSLL.  Pretendeu,  por  meio  de  um  planejamento  tributário  abusivo,  realizar  "incorporações"  para  que  as  ditas  "incorporadas"  pudessem  compensar  os  prejuízos  fiscais  e  a  base  de  cálculo  negativa da CSLL sem o limite de 30%.  Os  procedimentos  da  contribuinte  enquadram­se,  destarte,  no  disposto no § 1° do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro  de  1996,  que  em  sua  redação  original,  e  na  atual,  limita­se  a  remeter,  dentre  outros,  ao  art.  72  da  Lei  n°  4.502,  de  30  de  novembro de 1964, e que têm a seguinte redação:  Art.  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir  o  montante  do  imposto  devido  a  evitar  ou  diferir  o  seu  pagamento.  Com isso, ao analisarmos o Recurso da contribuinte, observa­se que a mesma  se defende de forma contundente de ambas as  imputações, o que denota que se houve algum  prejuízo,  o  que  eu  não  acredito,  o  mesmo  foi  devidamente  superado,  não  existindo  efetivo  prejuízo  nos  autos,  pois  a  defesa  da  contribuinte  foi  muito  bem  elaborada,  não  havendo  cerceamento do direito de defesa.  Já  em  relação  à  questão  da  nulidade  do  lançamento,  em  que  se  discute  eventual  confusão e  antagonismo no  lançamento  fiscal,  sob o  fundamento da necessidade de  desconsiderar todas as operações efetuadas, recompor as bases de cálculo dos tributos e autuar  as empresas incorporadas nas sucessivas operações societárias, entendo que a argumentação da  recorrente não se sustenta.  A questão  do  planejamento  tributário  ilícito,  a despeito  de  ser  causa  e  fato  pretérito da questão da compensação, buscou considerar a operação como fraude, de forma que  pudesse qualificar a multa em 150%.  O cerne da autuação é a compensação acima dos 30% e não há dúvidas disso,  haja vista os fundamentos legais e descrição dos fatos trazidos no lançamento.  Fl. 906DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO     22 Portanto,  as  incorporações  e  sucessões  não  foram  desconstituídas,  mas  o  resultado  disso  tudo  serviu,  segundo  a  fiscalização,  para  exigir  tributos  em  razão  da  compensação, fundado em multa qualificada em razão da suposta existência de fraude.  Desta  forma,  a  regra  de  incidência  da  multa  qualificada,  que  tem  como  precedente  o  suposto  planejamento  tributário  ilícito,  teve  como  conseqüente  a  fraude,  aplicando­se uma pena de 150%.   Essa  regra  é  distinta  da  regra  de  incidência  do  tributo,  que  teve  como  antecedente a compensação acima de 30%, e como conseqüente a exigência dos tributos.   Nesse  caso,  é  possível  a  convivência  das  duas  regras  de  incidência,  uma  quanto  à  multa,  e  outra  quanto  ao  tributo,  pois  a  imputação  em  relação  ao  planejamento  tributário supostamente  ilícito só serviu para considerar a operação sob o manto da fraude, e  nunca desconsiderar  a  operação  societária.  Se  a  fiscalização  não  fizesse  a  construção  de  seu  Termo de Verificação Fiscal dessa forma, não conseguiria justificar a  imputação da multa de  150%.  Isso não quer dizer que concordamos com a multa qualificada e que a mesma  se sustenta nos presentes autos.  Desta feita, não vislumbro nulidade no lançamento fiscal quanto a esse ponto.  B) ERRO NO SUJEITO PASSIVO  Quanto  à  sujeição  passiva,  basta  olharmos  para  o  histórico  societário,  que  conseguiremos entender o caminho trilhado pela fiscalização para autuar a Rio das Pedras:  ­ Em 28/07/2005 a Agropecuária  Itapirú S/A, CNPJ n° 15.546.880/0001­73  incorporou a empresa AIRAM Administração e Participações, CNPJ n° 07.362.805/0001­24, a  operação  ocorreu  e  houve  a  compensação  integral  do  prejuízo  fiscal  e  da  base  negativa  da  CSLL;  ­ Em 31/07/2007 a Agropecuária Itapirú S/A, CNPJ n° 07.362.805/0001­24, a  mesma empresa que incorporou a AIRAM, foi  incorporada pela Rio das Pedras Participações  S/A, CNPJ n° 69.037.034/0001­57;  ­  Em  31/10/2007  a  empresa  Rio  das  Pedras  Participações  S/A,  CNPJ  n°  69.037.034/0001­57,  que  incorporou  a  Agropecuária  Itapirú,  foi  incorporada  pela  empresa  Noiva da Colina Administrações e Participações Ltda., CNPJ n° 09.012.684/0001­16, que por  sua vez, em 20.06.2008, antes da autuação fiscal, alterou sua razão social para Rio das Pedras  Participações S/A.  Assim, note­se que a sujeição passiva do lançamento se deu em face da Rio  das  Pedras,  CNPJ  n°  09.012.684/0001­16,  utilizando  a  fiscalização  do  quadro  societário  existente no momento do lançamento, fulcrado nas regras fiscais que tratam da sucessão, não  podendo o fisco lavrar auto de infração em face de empresas extintas.  Esse inclusive é o entendimento da jurisprudência do CARF:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.  Ano­calendário: 2004  Fl. 907DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/2010­16  Acórdão n.º 1201­000.800  S1­C2T1  Fl. 13          23 NULIDADE  CONFIGURADA  POR  ERRO  NA  IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PESSOA JURÍDICA  EXTINTA  POR  INCORPORAÇÃO.  SUCESSÃO  TRIBUTÁRIA  PELA INCORPORADORA.  Extinguindo­se  a  incorporada,  responde  a  incorporadora,  na  qualidade  de  sucessora,  pelos  tributos  devidos  pela  sucedida,  fato que impõe seja aquela identificada como sujeito passivo na  condição de responsável tributário.  Portanto, é  inadmissível a lavratura de auto de infração contra  pessoa jurídica regularmente extinta por incorporação à data da  ciência do lançamento.  Nulidade reconhecida.  (Processo nº 17883.000355/2008­79, Acórdão nº 1401­00.359)    IRPJ ­ ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO ­  INSUBSISTÊNCIA  DO  LANÇAMENTO  ­  Reputa­se  insubsistente  o  lançamento  que  nomeia  como  sujeito  passivo  empresa  extinta  por  incorporação,  porquanto  a  incorporadora,  na  qualidade  de  sucessora,  é  quem  responde  pelos  tributos  devidos pela incorporada, tendo em vista a sua extinção em data  anterior à lavratura do auto de infração.  Recurso voluntário provido e recurso de ofício improvido.  (Processo  n°  :  10840.00001312002­11,  Acórdão  n°  :  105­ 15.922)  E mais,  adotar  o  argumento  de  que  a  contribuinte  foi  autuada  por  suposto  planejamento  tributário,  com  vistas  a  desconsiderar  as  operações  societárias  e  impor  o  erro  quanto  ao  sujeito  passivo,  sob  a  necessidade  de  autuar  as  empresas  incorporadas  (extintas),  como demonstrado anterior, não foi essa a intenção do agente fiscal, visto que apenas tratou do  planejamento tributário com vistas a qualificar a multa, e não com o objetivo de desconsiderar  os atos sob o pretexto de exigência do imposto.  Portanto,  correta  a  autuação  fiscal  quanto  ao  sujeito  passivo  da  relação  jurídico­tributária.  C) ERRO NA DETERMINAÇÃO DOS CRITÉRIOS TEMPORAL   Quanto ao erro de determinação do critério temporal, em razão de considerar  como fato gerador  (melhor dito:  fato  jurídico  tributário) os eventos societários  (28/05/2005 e  31/10/2007), entendo que não há nulidade no lançamento.  Na  data  da  incorporação  há  obrigações  fiscais  a  serem  consideradas  pela  empresa incorporada, como o levantamento do balanço e a entrega da DIPJ.  Fl. 908DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO     24 Se  não  há  continuidade  da  empresa,  não  há  que  se  falar  em  fato  jurídico  tributário  em  31  de  dezembro  na  empresa  extinta,  ainda  mais  quando  o  fato  jurídico  que  resultou na tributação se deu com a compensação nas datas das extinções das sociedades.  Se a compensação acima dos 30% tivesse ocorrido na empresa incorporadora,  aí sim poderíamos falar em fato jurídico tributário em 31 de dezembro de 2005 e 2007, pois a  empresa incorporadora encontrava­se existente nos dias 31 de dezembro dos referidos anos.  É claro que o momento da compensação não se confunde com a data do fato  gerador do Imposto sobre a Renda. Contudo, na extinção de sociedade por incorporação, com a  entrega da DIPJ em 31/08/2005 e 31/10/2007, e com o encerramento da empresa na data da  extinção,  considerar  como  fato  gerador  a  data  de  31  de  dezembro  do  ano  não  teria  amparo  legal, pois a sociedade incorporada não existiria mais nessa data.  Nestes termos, rejeito a preliminar quanto ao erro na determinação do critério  material.   D) DA QUESTÃO DO ERRO QUANTO AO CRITÉRIO QUANTITATIVO  Quanto  ao  erro  do  critério  quantitativo  do  lançamento,  a  retórica  da  Recorrente nesse  tópico  se deu quanto  à necessidade de  se desconsiderar as  incorporações  e  apurar  os  valores  de  forma  segregados  quanto  à  Rio  das  Pedras  (incorporadora)  e  a  Itapirú  (incorporada),  questão  essa  já  enfrenta  nessa  decisão,  não  existindo  razões  para  a  desconsideração, visto que a incorporação se deu de forma regular e com os devidos registros  nos órgãos competentes, sendo que os fundamentos e imputações usadas pela fiscalização para  considerar o planejamento  tributário objetivou a aplicação da penalidade qualificada, e não a  exigência  do  tributo  por  conta  disso.  A  exigência  do  IRPJ  e  da  CSLL  se  deu  quanto  à  compensação acima de 30%.  Neste aspecto, rejeito a preliminar quanto ao erro no critério quantitativo no  lançamento.  E) DA POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DE TRIBUTOS  Por fim, outro ponto que merece análise é quanto à alegação da necessidade  da  fiscalização  olhar  a  postergação  do  tributo,  especificamente  quanto  à  tributação  em  momentos posterior pela empresa sucessora (incorporadora).  Destaca­se,  a  respeito  do  assunto,  que  a  autuação  não  se  deu  quanto  à  compensação de base negativa da CSLL e prejuízo fiscal pela empresa incorporadora.  Somente  seria o  caso de olhar  a postergação  se  a operação  fosse outra. No  caso de aproveitamento e compensação pela empresa extinta, não há como olhar a questão da  postergação  em  relação  à  empresa  incorporadora,  pois  essa  não  realizou  a  compensação.  O  tributo pago em momento posterior decorre dela mesmo, e não da empresa incorporada, nesses  casos.  Na  extinção  da  sociedade,  o  prejuízo  ou  base  negativa  acima  dos  30%  da  incorporada,  segundo  a  fiscalização,  se  extinguiria,  ou  seja,  não  seria  aproveitável  pela  incorporadora.  Ademais,  a  Súmula  n°  36  do  CARF  mencionada  pela  recorrente  não  é  aplicada em casos da extinção da sociedade. Como a empresa extinta vai pagar tributos se foi  Fl. 909DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/2010­16  Acórdão n.º 1201­000.800  S1­C2T1  Fl. 14          25 incorporada? Trata­se de uma questão lógica de não aplicação dos fundamentos trazidos pelo  contribuinte.  Nesse aspecto, rejeito a questão da aplicação da postergação.    F) DA MULTA QUALIFICADA DE 150%  Quanto à multa qualificada de 150%, entendo que a mesma deve ser afastada.   Isso porque, a reestruturação societária, a despeito de se tratar de empresas do  mesmo grupo e com composição societária comum entre as empresas, não se dá sob manto da  fraude.  A  elisão  fiscal,  em  que  se  busca  economizar  tributos  fundado  em  jurisprudência do CARF não é ato ilícito e não de ser confundido com a evasão fiscal. Tanto  não é ilícito que há jurisprudência da Corte Maior administrativa permitindo a compensação de  prejuízo fiscal e base negativa pela empresa extinta na incorporação.  O  fundamento,  conforme  será melhor  analisado  a  seguir,  vem  ao  encontro  daquilo  que  a  norma  não  vedou,  não  restringiu,  fulcrada  num  histórico  legislativo  e  com  premissas firmes na melhor doutrina e jurisprudência dessa Corte.  Buscar a economia de tributos não é ato desabonador ao ponto de considerar  como um crime.   Nesse  sentido,  considerando  que  o  contribuinte  realizou  os  registros  das  operações  societárias  e  atendeu  amplamente  a  fiscalização,  municiando  de  todas  as  informações  pertinentes  às  operações  e  compensações,  entendo  pela  aplicação  da  jurisprudência abaixo transcrita dessa Corte:  ACÓRDÃO  103­21047/  TERCEIRA  CÂMARA/  PRIMEIRO  CONSELHO, EM 16/10/2002  (...)  EVIDENTE  INTUITO DE FRAUDE  ­  A  evidência  da  intenção  dolosa, exigida na lei para agravamento da penalidade aplicada,  há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e  demonstrada de forma cabal.  O atendimento a todas as solicitações do Fisco e observância da  legislação  societária,  com  a  divulgação  e  registro  nos  órgãos  públicos  competentes,  inclusive  com  o  cumprimento  das  formalidades  devidas  junto  à  Receita  Federal,  ensejam  a  intenção  de  obter  economia  de  impostos,  por  meios  supostamente  elisivos, mas  não  evidenciam má­fé,  inerente  à  prática de atos fraudulentos.    ACÓRDÃO  101­95537/  PRIMEIRA  CÂMARA/  PRIMEIRO  CONSELHO, EM 24/05/2006  Fl. 910DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO     26 PENALIDADE  QUALIFICADA  —  INOCORRÊNCIA  DE  VERDADEIRO  INTUITO  DE  FRAUDE  —  ERRO  DE  PROIBIÇÃO  —  ARTIGO  112  DO  CTN  —  SIMULAÇÃO  RELATIVA  ­  FRAUDE  À  LEI  —  Independentemente  da  patologia  presente  no  negócio  jurídico  analisado  em  um  planejamento tributário, se simulação relativa ou fraude à lei, a  existência  de  conflitantes  e  respeitáveis  correntes  doutrinárias,  bem  como  de  precedentes  jurisprudenciais  contrários  à  nova  interpretação dos fatos pelo seu verdadeiro conteúdo, e não pelo  aspecto  meramente  formal,  implica  em  escusável  desconhecimento  da  ilicitude  do  conjunto  de  atos  praticados,  ocorrendo na espécie o erro de proibição. Pelo mesmo motivo,  bem  como  por  ter  o  contribuinte  registrado  todos  os  atos  formais  em  sua  escrituração,  cumprindo  todas  as  obrigações  acessórias cabíveis,  inclusive a entrega de declarações quando  da  cisão,  e  assim  permitindo  ao  fisco  plena  possibilidade  de  fiscalização  e  qualificação  dos  fatos,  aplicáveis  as  determinações  do  artigo  112  do  CTN.  Fraude  à  lei  não  se  confunde com fraude criminal.  Recurso provido parcialmente.  ACORDAM,  os  Membros  da  Primeira  Câmara  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  por  maioria  de  votos,  DAR  provimento PARCIAL ao recurso, para reduzir o percentual da  multa  de  ofício para  75%, nos  termos  do  relatório  e  voto  que  passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros  Sandra  Maria  Faroni  (Relatora),  Caio  Marcos  Cândido  e  Manoel  Antonio  Gadelha  Dias  que  negaram  provimento  ao  recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro  Mário Junqueira Franco Júnior.  Com isso, a multa qualificada deve ser afastada, visto que está fundada sob  premissa  equivocada,  qual  seja  planejamento  tributário  fundado  em  premissa  de  fraudar  o  fisco, o que não ficou provado nos autos, pois a contribuinte  realizou compensações de base  negativa  de  CSLL  e  de  prejuízo  fiscal  (IRPJ)  fundada  à  época  em  jurisprudência  firme  do  CARF sobre a matéria, que orientou e orienta ainda hoje as práticas de muitos contribuintes.  G) DA DECADÊNCIA  Em  conseqüência  da  exclusão  da  fraude,  há  de  reconhecer  a  decadência  quanto ao fato jurídico tributário de 2005, visto a aplicação do artigo 150, § 4°, do CTN.  Esse  acolhimento  decorre  da  aplicação  do  disposto  no  artigo  62­A  do  Regimento  Interno  do  CARF,  diante  da  prolação  de  decisão  do  STJ  em  sede  de  recurso  especial com efeito repetitivo, nos termos abaixo transcritos:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  Fl. 911DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/2010­16  Acórdão n.º 1201­000.800  S1­C2T1  Fl. 15          27 1.  O  prazo  decadencial  quinquenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  quinquenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs..  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs..  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  quinquenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  Fl. 912DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO     28 7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  (RESP 973.733/SC, Min. Luiz Fux, S1 – Primeira Seção, Julgado  em 12/08/2009, Dje de 18/09/2009)    Considerando que um dos fatos jurídico tributário ocorreu em 28/07/2005, e  o lançamento fiscal se deu em 17/11/2010, e considerando que houve pagamento a menor de  tributos,  bem como em  razão da natureza do  tributo,  qual  seja CSLL  e  IRPJ,  então houve a  decadência quanto  ao  referido  fato  gerador,  não  cabendo mais discussão nesse processo, por  conta da jurisprudência sedimentada do STJ quanto à matéria.  DO MÉRITO  I – DO VALOR RECEBIDO A TÍTULO DE INDENIZAÇÃO  Primeiramente, cumpre deixar muito claro e consignado nesse processo que o  lucro que  foi  considerado nesse processo para  fins de  tributação  teve origem em  receita não  operacional decorrente de  recebimento de precatórios pela  empresa  extinta quanto  ao  IAA –  Contribuição ao Instituto do Açúcar e do Álcool, na qual a empresa extinta saiu vitoriosa em  ação judicial, conforme cópia trazidas nos autos.  Portanto, antes de adentrarmos na compensação do saldo negativo de CSLL e  prejuízo fiscal quanto ao IRPJ e a trava dos 30%, há uma questão pretérita, que no meu modo  de ver encerra a discussão do processo, qual seja a natureza jurídica dos valores recebidos pela  Recorrente a  título de indenização em ação  judicial, que teve trânsito em julgado e o STF já  encerrou a discussão,  como bem constatado na ação  judicial patrocinada pela Recorrente, de  que  a  natureza  jurídica  da  indenização  é  de  reparação  de  prejuízo,  e  não  quanto  a  lucros  cessantes, pondo o fim na discussão ventilada pela DRJ.  A  despeito  da  contribuinte  ter  errado  e  reconhecido  tal  erro  em  relação  ao  registro  de  valor  recebido  a  título  de  indenização  como  receita  não  operacional,  inclusive  realizando  a  escrituração,  apontando  a  informação  na  DIPJ  de  31/10/2007  e  oferecendo  tal  valor  à  tributação,  tal  erro,  em  razão  da  natureza,  não  pode  ser  objeto  de  fato  gerador  de  tributo, pois falta a esse valor as características jurídicas de receita tributada.  Como  visto  na  decisão  judicial  trazida  nos  autos,  nomeado  expressamente  nos  enunciados  do  acórdão  do Tribunal Regional  Federal  que  transitou  em  julgado,  estamos  diante  de  uma  indenização  por  danos  emergentes,  pois  os  valores  praticados  e  tabelados  na  produção e comercialização do álcool sequer dava para cobrir os custos, não se tratando, com  isso de lucros cessantes, pois a natureza jurídica do valor recebido buscou recompor uma perda  existente na empresa, e não algo que a empresa deixou de ganhar.  O que não podemos aceitar é a irresponsabilidade em interpretar as decisões  judiciais de acordo com a conveniência e oportunidade do intérprete.  No acórdão transitado em julgado a favor da Recorrente está dito com todas  as letras se tratar de INDENIZAÇÃO em razão de danos emergentes. Vejamos:  Ressalte­se, ainda, ter concluído o laudo pericial pela existência  de  prejuízo  causado  pela  defasagem  de  preço,  que,  segundo  a  resposta  ao  quesito  11°  (fls.414),  causa  dano  direto  pois  a  autora  recebeu  menos  dinheiro  do  que  deveria  receber,  tendo  Fl. 913DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/2010­16  Acórdão n.º 1201­000.800  S1­C2T1  Fl. 16          29 aviltada sua receita bruta. Esse dano, afirma o perito, "reduz o  desempenho econômico da empresa em razão do menor ingresso  de recursos."  De conseqüência, entendo existentes danos experimentados pelas  autorais,  danos  esses decorrentes  da  atuação da UNIÃO,  dado  que esta fixou os preços dos produtos discutidos abaixo de seus  custos,  desprezando  a  apuração  realizada  pela  Fundação  Getúlio Vargas, encomendada pelo próprio I.A.A. para efeito de  observância das diretrizes estabelecidas pela Lei 4.870/65.  O  verdadeiro  "quantum"  desses  danos  ou  prejuízos  será,  no  entanto, melhor alcançado quando da liquidação deste julgado.  Com  isso,  não  tenho  dúvida  de  que  a  decisão  da DRJ  deve  ser  reformada  nessa parte, fazendo apontamentos e interpretações sob premissas equivocadas.  Por  conta  disso,  não  existe  sobre  o  valor  recebido  a  título  indenização  incidência tributária quanto a IRPJ e CSLL, não configurando, portanto, receita, e muito menos  tributável, conforme farta jurisprudência colacionada pela Recorrente em seu petitório.  O STF já pacificou o assunto considerando inclusive que a natureza jurídica  da  indenização  é  de  reparação  civil  objetiva  do  Estado,  e  como  sabido,  essa modalidade  no  direito civil só atende aos danos emergentes, jamais aos lucros cessantes. Vejamos decisões  da Suprema Corte brasileira:  Ementa:  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  ADMINISTRATIVO.  INTERVENÇÃO  DO  ESTADO  NO  DOMÍNIO  ECONÔMICO.  RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO ESTADO.  FIXAÇÃO  PELO PODER EXECUTIVO DOS PREÇOS DOS PRODUTOS  DERIVADOS DA CANA­DE­AÇÚCAR ABAIXO DO PREÇO DE  CUSTO.  DANO  MATERIAL.  INDENIZAÇÃO  CABÍVEL.  1.  A  intervenção estatal na economia como instrumento de regulação  dos  setores  econômicos  é  consagrada  pela  Carta  Magna  de  1988. 2. Deveras, a intervenção deve ser exercida com respeito  aos  princípios  e  fundamentos  da  ordem  econômica,  cuja  previsão resta plasmada no art. 170 da Constituição Federal, de  modo  a  não  malferir  o  princípio  da  livre  iniciativa,  um  dos  pilares da república (art. 1º da CF/1988). Nesse sentido, confira­ se  abalizada  doutrina:  As  atividades  econômicas  surgem  e  se  desenvolvem por força de suas próprias leis, decorrentes da livre  empresa,  da  livre  concorrência  e  do  livre  jogo  dos  mercados.  Essa  ordem,  no  entanto,  pode  ser  quebrada  ou  distorcida  em  razão  de  monopólios,  oligopólios,  cartéis,  trustes  e  outras  deformações  que  caracterizam  a  concentração  do  poder  econômico nas mãos de um ou de poucos. Essas deformações da  ordem econômica  acabam,  de  um  lado,  por  aniquilar  qualquer  iniciativa,  sufocar  toda  a  concorrência  e  por  dominar,  em  conseqüência,  os  mercados  e,  de  outro,  por  desestimular  a  produção, a pesquisa e o aperfeiçoamento. Em suma, desafiam o  próprio  Estado,  que  se  vê  obrigado  a  intervir  para  proteger  aqueles valores, consubstanciados nos regimes da livre empresa,  da  livre  concorrência  e  do  livre  embate  dos  mercados,  e  para  Fl. 914DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO     30 manter constante a compatibilização, característica da economia  atual,  da  liberdade  de  iniciativa  e  do  ganho  ou  lucro  com  o  interesse  social.  A  intervenção  está,  substancialmente,  consagrada na Constituição Federal nos arts. 173 e 174. Nesse  sentido ensina Duciran Van Marsen Farena (RPGE, 32:71) que  "O instituto da intervenção, em todas suas modalidades encontra  previsão  abstrata  nos  artigos  173  e  174,  da  Lei  Maior.  O  primeiro  desses  dispositivos  permite  ao  Estado  explorar  diretamente  a  atividade  econômica  quando  necessária  aos  imperativos  da  segurança  nacional  ou  a  relevante  interesse  coletivo,  conforme  definidos  em  lei.  O  segundo  outorga  ao  Estado,  como  agente  normativo  e  regulador  da  atividade  econômica. o poder para exercer, na forma da lei as funções de  fiscalização,  incentivo e planejamento, sendo esse determinante  para  o  setor  público  e  indicativo  para  o  privado".  Pela  intervenção  o  Estado,  com  o  fito  de  assegurar  a  todos  uma  existência digna, de acordo com os ditames da justiça social (art.  170 da CF),  pode  restringir,  condicionar  ou mesmo suprimir a  iniciativa  privada  em  certa  área  da  atividade  econômica.  Não  obstante,  os  atos  e medidas  que  consubstanciam  a  intervenção  hão de respeitar os princípios constitucionais que a conformam  com  o  Estado  Democrático  de  Direito,  consignado  expressamente em nossa Lei Maior, como é o princípio da livre  iniciativa. Lúcia Valle Figueiredo, sempre precisa, alerta a esse  respeito que "As balizas da intervenção serão, sempre e sempre,  ditadas  pela  principiologia  constitucional,  pela  declaração  expressa  dos  fundamentos  do  Estado  Democrático  de  Direito,  dentre  eles  a  cidadania,  a  dignidade  da  pessoa  humana,  os  valores  sociais  do  trabalho  e  da  livre  iniciativa"  (DIÓGENES  GASPARINI, in Curso de Direito Administrativo, 8ª Edição, Ed.  Saraiva,  págs.  629/630,  cit.,  p.  64).  3.  O  Supremo  Tribunal  Federal  firmou  a  orientação  no  sentido  de  que  “a  desobediência  aos  próprios  termos  da  política  econômica  estadual desenvolvida, gerando danos patrimoniais aos agentes  econômicos envolvidos, são fatores que acarretam insegurança  e  instabilidade,  desfavoráveis  à  coletividade  e,  em  última  análise, ao próprio consumidor.” (RE 422.941, Rel. Min. Carlos  Velloso,  2ª  Turma,  DJ  de  24/03/2006).  4.  In  casu,  o  acórdão  recorrido  assentou:  ADMINISTRATIVO.  LEI  4.870/1965.  SETOR SUCROALCOOLEIRO.  FIXAÇÃO DE PREÇOS PELO  INSTITUTO  DO  AÇÚCAR  E  DO  ÁLCOOL  –  IAA.  LEVANTAMENTO  DE  CUSTOS,  CONSIDERANDO­SE  A  PRODUTIVIDADE  MÍNIMA.  PARECER  DA  FUNDAÇÃO  GETÚLIO  VARGAS  –  FGV.  DIFERENÇA  ENTRE PREÇOS  E  CUSTOS.  1. Ressalvado o  entendimento  deste Relator  sobre  a  matéria,  a  jurisprudência do STJ  se  firmou no  sentido  de  ser  devida  a  indenização,  pelo  Estado,  decorrente  de  intervenção  nos preços praticados pelas empresas do setor sucroalcooleiro.  2. Recurso Especial provido. 5. Agravo regimental a que se nega  provimento.  RE  632644  AgR  /  DF  ­  DISTRITO  FEDERAL  ,AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO, Relator(a): Min.  LUIZ FUX, Julgamento: 10/04/2012   Órgão Julgador: Primeira  Turma.    EMENTA:  CONSTITUCIONAL.  ECONÔMICO.  INTERVENÇÃO  ESTATAL  NA  ECONOMIA:  Fl. 915DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/2010­16  Acórdão n.º 1201­000.800  S1­C2T1  Fl. 17          31 REGULAMENTAÇÃO  E  REGULAÇÃO  DE  SETORES  ECONÔMICOS:  NORMAS  DE  INTERVENÇÃO.  LIBERDADE  DE INICIATIVA. CF, art. 1º, IV; art. 170. CF, art. 37, § 6º. I. ­ A  intervenção  estatal  na  economia,  mediante  regulamentação  e  regulação  de  setores  econômicos,  faz­se  com  respeito  aos  princípios e fundamentos da Ordem Econômica. CF, art. 170. O  princípio  da  livre  iniciativa  é  fundamento  da  República  e  da  Ordem  econômica:  CF,  art.  1º,  IV;  art.  170.  II.  ­  Fixação  de  preços  em  valores  abaixo  da  realidade  e  em  desconformidade  com a legislação aplicável ao setor: empecilho ao livre exercício  da  atividade  econômica,  com  desrespeito  ao  princípio  da  livre  iniciativa. III. ­ Contrato celebrado com instituição privada para  o  estabelecimento  de  levantamentos  que  serviriam  de  embasamento  para  a  fixação  dos  preços,  nos  termos  da  lei.  Todavia,  a  fixação  dos  preços  acabou  realizada  em  valores  inferiores.  Essa  conduta  gerou  danos  patrimoniais  ao  agente  econômico, vale dizer, à recorrente: obrigação de indenizar por  parte  do  poder  público.  CF,  art.  37,  §  6º.  IV.  ­  Prejuízos  apurados  na  instância  ordinária,  inclusive  mediante  perícia  técnica.  V.  ­  RE  conhecido  e  provido.(RE  422941  /  DF  ­  DISTRITO  FEDERAL  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO,  Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO,  Julgamento:  06/12/2005,  Órgão Julgador: Segunda Turma)    Esse inclusive é o entendimento da jurisprudência dessa Corte:  NULIDADE  DO  PROCESSO  FISCAL  ­  O  Auto  de  Infração  e  demais  termos  do  processo  fiscal  só  são  nulos  nos  casos  previstos no artigo 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972 (Processo  Administrativo Fiscal). NULIDADE POR CERCEAMENTO DO  DIREITO DE DEFESA  ­ Não  se  verificando na  formulação da  exigência a hipótese alegada pela defesa, não há que se falar em  nulidade  por  cerceamento  do  direito  de  defesa.  IMPOSTO DE  RENDA  NA  FONTE  ­  FALTA  DE  RETENÇÃO  ­  OBRIGATORIEDADE  DE  INCLUSÃO  DOS  RENDIMENTOS  NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL  ­ A  falta de  retenção  do  imposto  de  renda  pela  fonte  pagadora  não  exonera  o  beneficiário  dos  rendimentos  da  obrigação  de  incluí­los,  para  tributação, na declaração de rendimentos,  já que se a previsão  da tributação na fonte se dá por antecipação do imposto devido  na declaração de ajuste anual e se a ação fiscal ocorrer após o  ano­calendário  da  ocorrência  do  fato  gerador,  incabível  a  constituição  de  crédito  tributário  através  do  lançamento  de  imposto  de  renda  na  fonte  na  pessoa  jurídica  pagadora  dos  rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda, se for  o  caso,  deverá  ser  efetuado  em  nome  do  contribuinte,  beneficiário  do  rendimento,  exceto  no  regime  de  exclusividade  do  imposto  na  fonte.  DECISÃO  JUDICIAL  ­  INDENIZAÇÕES  POR  LUCROS  CESSANTES  ­TRIBUTAÇÃO  ­  Os  valores  recebidos  em  decorrência  de  decisão  judicial  em  ação  de  cobrança de lucros cessantes, caracteriza hipótese de incidência  do  imposto  de  renda.  Assim,  o  valor  principal  e  os  juros  recebidos devem ser declarados como rendimentos tributáveis na  Fl. 916DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO     32 declaração  de  ajuste  anual.  DECISÃO  JUDICIAL  ­  INDENIZAÇÕES  POR  DANOS  EMERGENTES  ­  NÃO­ INCIDÊNCIA ­ Os valores que visam exclusivamente a repor o  bem  destruído,  reparar  o  bem  danificado  ou  repor  a  perda  sofrida, até o limite fixado em condenação judicial, não sofrem  incidência  do  imposto  de  renda.  A  incidência  do  imposto,  na  espécie,  acarretaria  redução  indevida  no  valor  recebido,  ferindo  o  princípio  constitucional  da  justa  indenização.  ESPÓLIO ­ RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA ­ MULTA DE  LANÇAMENTO DE OFÍCIO ­ O sucessor a qualquer título e o  cônjuge meeiro são responsáveis pelos  tributos devidos pelo de  cujus  até  a  data  da  partilha,  limitada  a  responsabilidade  ao  montante  do  quinhão  ou  da  meação.  Entretanto,  nestes  casos,  não  cabe  o  lançamento  de multa  de  ofício,  sendo  os  herdeiros  responsáveis  apenas  pelo  imposto  apurado,  com  a  devida  correção  monetária,  quando  for  o  caso,  e  dos  juros  de  mora,  descabida  a  aplicação  de  penalidade.  Preliminar  rejeitada.  Recurso  parcialmente  provido.  (Número  do  Processo  n°  10930.001122/2002­46, Acórdão n°104­20072)  Evidente,  portanto,  que  o  equívoco cometido pela Recorrente  ao oferecer o  valor à tributação não deve implicar em nascimento de obrigação tributária.  Diante do exposto, acolho os fundamentos trazidos pela Recorrente quanto à  não  tributação  dos  valores  relativos  à  indenização  recebida  por  danos  emergentes  em  ação  judicial  mencionada  nos  autos,  destacando  que  devemos  cumprir  a  decisão  judicial  transitada  em  julgado,  pois  faz  coisa  julgada  a  favor  da  recorrente,  em  aplicar  que  a  natureza  jurídica do valor recebido e oferecido à  tributação é de  indenização por dano  emergente, que não é fato gerador de tributo.  II – HISTÓRICO LEGISLATIVO DA COMPENSAÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL  Quanto  à  compensação  acima  dos  30%,  a  despeito  da  questão  anterior  encerrar  a discussão desse processo  e  colocar um  fim a  favor do  contribuinte,  cumpre  ainda  enfrentar a polêmica matéria nesse Tribunal.  O direito à dedução dos prejuízos  fiscais  acumulados e das bases negativas  acumuladas  com  os  resultados  positivos  apurados  nos  exercícios  posteriores  passou  a  ser  reconhecido pelo direito brasileiro em 1947, pela Lei nº 154, em seu artigo 10, limitado o seu  exercício a 3 (três) anos:  Art.  10.  O  prejuízo  verificado  num  exercício,  pelas  pessoas  jurídicas,  poderá  ser  deduzido,  para  compensação  total  ou  parcial, no caso de  inexistência de  fundos de  reserva ou  lucros  suspensos, dos  lucros reais apurados dentro dos três exercícios  subseqüentes.   Parágrafo  Único.  Decorridos  os  três  exercícios,  não  será  permitida a dedução nos  seguintes,  do prejuízo porventura não  compensado.  Por  sua vez, o Decreto­Lei nº 1.598/77 alterou  a compensação de prejuízos  fiscais, em seu artigo 64 e parágrafos, no tocante ao prazo decadencial, aumentando de 3 (três)  anos para 4 (quatro) anos:  Fl. 917DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/2010­16  Acórdão n.º 1201­000.800  S1­C2T1  Fl. 18          33 Art. 64. A pessoa jurídica poderá compensar o prejuízo apurado  em  um  período­base  com o  lucro  real  determinado  nos  quatro  períodos­base subseqüentes.   § 1º ­ O prejuízo compensável e o apurado na demonstração do  lucro real e registrado no livro de que trata o item I do art. 8º,  corrigido monetariamente até o balanço do período­base em que  ocorrer a compensação.   §  2º  ­  Dentro  do  prazo  previsto  neste  artigo  a  compensação  poderá  ser  total  ou  parcial,  em  um  ou  mais  períodos­base,  a  vontade do contribuinte.  Posteriormente, a Lei nº 8.383/91, nos arts. 38, parágrafo 7º e 44, parágrafo  único, reconheceu o direito à dedução dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da  contribuição  social  com  os  resultados  positivos  apurados  nos  períodos  subseqüentes,  sem  qualquer limitação percentual ou temporal:  Art. 38..................  Parágrafo  7º  ­  O  prejuízo  apurado  na  demonstração  do  lucro  real  em  um mês  poderá  ser  compensado  com o  lucro  real  dos  meses subseqüentes.  Art. 44..............  Parágrafo  único:  Tratando­se  da  base  de  cálculo  da  contribuição social (Lei nº 7.689, de 1988) e quando ela resultar  negativa  em  um  mês,  esse  valor,  corrigido  monetariamente,  poderá ser deduzido da base de cálculo de mês subseqüente, no  caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real. (Artigo  revogado pela Lei nº 8.981, de 20.01.95).   Já  o  artigo  12,  da  Lei  nº  8.541/92,  quanto  ao  imposto  sobre  a  renda,  determinou que os prejuízos fiscais, apurados a partir de 1º de janeiro de 1993, poderiam ser  deduzidos  do  lucro  real  apurado  em  até  4  (quatro)  anos­calendários  subseqüentes  ao  ano  de  apuração:  Art. 12. Os prejuízos fiscais apurados a partir de 1º de janeiro de  1993  poderão  ser  compensados,  corrigidos,  monetariamente,  com  o  lucro  real  apurado  em  até  quatro  anos­calendários,  subseqüentes ao ano da apuração. (Artigo revogado pela Lei nº  8.981, de 20.01.95)   Como se pode observar, não existia limite quanto ao aspecto material para a  compensação do prejuízo  fiscal, podendo ser  feito em sua  integralidade pela pessoa  jurídica,  porém existia limite temporal, devendo ser feito em até 4 anos.  Esse  elemento  temporal  seria  inaplicável  nos  casos  de  aproveitamento  do  prejuízo  ou  da  base  negativa  da  CSLL  no  caso  da  extinção  da  pessoa  jurídica,  o  que  lhe  permitira a compensação integral.  Quanto  à  restrição,  a  Lei  nº  8.981/95,  em  seus  arts.  42  e  58,  alterando  o  critério temporal limitador do direito em questão, determinou que, a partir de janeiro de 1995, o  Fl. 918DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO     34 lucro líquido ajustado somente poderia ser reduzido por dedução da base de cálculo negativa  ou prejuízos fiscais apurados em períodos anteriores em, no máximo, 30% (trinta por cento).  Art.  42.  A  partir  de  1º  de  janeiro  de  1995,  para  efeito  de  determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e  exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de  Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento.   Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31  de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no  caput  deste  artigo  poderá  ser  utilizada  nos  anos­calendário  subseqüentes.  Art.  58.  Para  efeito  de  determinação  da  base  de  cálculo  da  contribuição  social  sobre  o  lucro,  o  lucro  líquido  ajustado  poderá  ser  reduzido  por  compensação  da  base  de  cálculo  negativa, apurada em períodos­base anteriores em, no máximo,  trinta por cento.  Da mesma forma, com a edição do artigo 15 da Lei nº 9.065/95, a restrição  foi consolidada:  Art. 15. O prejuízo  fiscal apurado a partir do encerramento do  ano­calendário  de  1995,  poderá  ser  compensado,  cumulativamente  com  os  prejuízos  fiscais  apurados  até  31  de  dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e  exclusões  previstas  na  legislação  do  imposto  de  renda,  observado o  limite máximo, para a  compensação, de  trinta por  cento do referido lucro líquido ajustado.  Parágrafo  único. O  disposto  neste  artigo  somente  se  aplica  às  pessoas  jurídicas  que  mantiverem  os  livros  e  documentos,  exigidos pela  legislação  fiscal, comprobatórios do montante do  prejuízo fiscal utilizado para a compensação.  Observe que o texto acima prescrito é claro e não traz dúvidas quanto à sua  validade, vigência e eficácia. Destaca­se ainda que não há exceção no texto para as operações  de incorporação.    III – DA JURISPRUDÊNCIA SOBRE A MATÉRIA    Em investigação sobre a constitucionalidade da limitação da compensação do  prejuízo fiscal em 30%, o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu que o texto legal acima  transcrito refere­se a um benefício fiscal concedido pelo legislador:  EMENTA:  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS.  LIMITAÇÕES.  ARTIGO  42  E  58  DA  LEI  Nº  8.981/95.  CONSTITUCIONALIDADE.  AUSÊNCIA  DE  VIOLAÇÃO  DO  DISPOSTO NOS ARTIGOS  150,  INCISO  III,  ALÍNEAS  “A” E  “B”, E 5º, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL.  1. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em  exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do  contribuinte.  Instrumento  de  política  tributária  que  pode  ser  revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido.  Fl. 919DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/2010­16  Acórdão n.º 1201­000.800  S1­C2T1  Fl. 19          35 2. A Lei nº 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos  anteriores e não afetam fato gerador nenhum.  Recurso extraordinário a que se nega provimento.1  Destaco  que  o  acórdão  do  STF  não  trata  da  matéria  no  contexto  do  aproveitamento  do  prejuízo  fiscal  quando  da  extinção  da  empresa.  Julgados  vem  sendo  proferido por essa corte, aplicando a decisão do STF de forma indiscriminada, o que não está  correto,  pois  o  contexto  quando  envolve  o  aproveitamento  integral  por  empresa  extinta  em  incorporação é outro!  Portanto,  a  questão  que  se  põe  em  discussão  é  se  existe  ou  não  regras  e  princípios (que são valores) que vedam os contribuintes a realizar a compensação integral do  prejuízo  fiscal,  sem  a  limitação  dos  30%,  quando  ocorre  a  extinção  da  sociedade  por  incorporação, observando que o aproveitamento se dá dentro da pessoa jurídica extinta.   No  meu  entender  essas  regras  não  existem,  sendo  incorreta  aplicar  a  tese  indiscriminada de que a regra geral aplicada por alguns julgados do CARF quanto ao artigo 15  da Lei nº 9.065/95  faria  esse papel de vedação  em qualquer hipótese, melhor vislumbrado a  seguir.  Outra questão que se explora de forma incorreta está no disposto no artigo 32  do  Decreto­Lei  nº  2.341/87,  que  deu  redação  ao  artigo  513  do  Decreto  nº  3.000/99  (Regulamento do Imposto de Renda):  Art. 513. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios  prejuízos fiscais se entre a data da apuração e da compensação  houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle  societário e do ramo de atividade  (Decreto­Lei nº 2.341, de 29  de junho de 1987, art. 32).  Contudo, observa­se que  a  legislação acima citada não  trata da extinção da  sociedade,  o  que  não  implicaria  em  nenhuma  vedação  no  aproveitamento  do  prejuízo  pela  Recorrente.  O  artigo  514  do  Decreto  nº  3.000/99,  que  reproduz  o  texto  do  artigo  33,  parágrafo único do Decreto­Lei nº 2.341/87, prescreve a vedação da compensação do prejuízo  fiscal pela empresa sucedida, mas também não faz nenhuma menção ou imposição de restrição  quanto ao aproveitamento pela empresa extinta.  Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou  cisão  não  poderá  compensar  prejuízos  fiscais  da  sucedida  (Decreto­Lei nº 2.341, de 1987, art. 33).  Parágrafo  único.  No  caso  de  cisão  parcial,  a  pessoa  jurídica  cindida  poderá  compensar  os  seus  próprios  prejuízos,  proporcionalmente  à  parcela  remanescente  do  patrimônio  líquido (Decreto­Lei nº 2.341, de 1987, art. 33, parágrafo único).  IV – FUNDAMENTOS PARA A AFASTABILIDADE DA LIMITAÇÃO DOS 30% NA  INCORPORAÇÃO                                                              1 Supremo Tribunal Federal, Recurso Extraordinário nº 344.994­0/PR, Ministro Relator para o Voto Eros Grau,  Tribunal Pleno, Julgado em 25/03/2009. Endereço eletrônico: www.stf.jus.br.   Fl. 920DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO     36   Partindo logo para o problema do estudo do histórico legislativo, vislumbra­ se que antes da Lei nº 9.065/95, era facultado aos contribuintes promover compensação integral  do prejuízo fiscal, e conjuntamente havia um prazo legal para o seu exercício – quatro anos ­, o  qual poderia, no caso de contínuos prejuízos apurados pelo contribuinte, levar a perda integral  do direito.  Com  a  modificação  da  legislação  que  inseriu  no  ordenamento  jurídico  a  denominada  trava  dos  30%,  os  contribuintes  adquiriram  um  efetivo  ganho,  pois,  uma  vez  extinto o prazo para o exercício do direito, não mais há o risco dele perecer com o tempo.  Por outro lado, o artigo 15 da Lei nº 9.065/95 impôs um limite de 30% sobre  o lucro do período em que se pretende exercer a compensação. Esse limite percentual não se  refere  ao  prejuízo  acumulado, mas  se  refere  ao  lucro  líquido  do  ano  da  compensação. Com  isso, o prejuízo acumulado continua autorizado à compensação integral.  Desta  feita,  cabe  transcrever  as  lições  do  ex­Conselheiro  do  CARF,  Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, que tratou da matéria com propriedade:  Em síntese, a antiga legislação não estabelecia limites materiais,  mas  sim  temporais;  a  atual  estabelece  materiais,  mas  não  temporais. Na combinação dos dois tipos de limites, a legislação  atual  é  mais  vantajosa  aos  contribuintes  por  extinguir  a  possibilidade de perecimento do exercício de direitos.2  Nas  lições  acima  transcritas,  extraídas  de  um  julgado  do  CARF,  não  há  exigência de regra de exceção, não há inconstitucionalidade de enunciados, não há investigação  sobre a violação ao conceito de renda trazido no artigo 43 do Código Tributário Nacional3; a  tese sustentada em não se aplicar a trava dos 30% sobre o prejuízo é que a mesma não se refere  ao  prejuízo,  mas  ao  lucro  líquido,  sob  o  ponto  de  vista  da  materialidade,  e  não  da  temporariedade extintiva.  Esse é um entendimento respeitável nesse Tribunal, que merece compreensão  e reflexão dos julgadores.  O que vem somar a  esse entendimento e que faz parte da  identificação dos  anseios do legislador (atos de enunciação) é a exposição de motivos da Medida Provisória nº  998/95,  reedição  das  Medidas  Provisórias  947/95  e  972/95,  editada  no  Diário  Oficial  do  Congresso Nacional de 14 de junho de 1995, fls. 3270, que traz o seguinte excerto:  Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para  restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com  as  limitações  impostas  pela  Medida  Provisória  nº  812/94  (Lei  8.981/95).  Ocorre  hoje  vacatio  legis  em  relação  à  matéria.  A  limitação  de  30%  garante  uma  parcela  expressiva  da  arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar,                                                              2  Processo  Administrativo  nº  16327.000481/2008­76.  Acórdão  nº  1201­00.108.Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais. 1ª Seção, 2ª Câmara, 1ª Turma. Julgado em 18 de junho de 2009. Relator para voto Conselheiro  Guilherme Adolfo dos Santos Mendes.  3 "Art.43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza,  tem como fato  gerador a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica:   I ­ de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos;   II ­ de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso  anterior. (...)”  Fl. 921DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/2010­16  Acórdão n.º 1201­000.800  S1­C2T1  Fl. 20          37 até  integralmente,  num  mesmo  ano,  se  essa  compensação  não  ultrapassar o valor do resultado positivo.  Note­se que diante da presença da expressão  “sem  retirar do  contribuinte o  direito  de  compensar”  o  entendimento  de  que  na  declaração  de  encerramento  cabe  integral  compensação das bases  negativas  acumuladas  é  evidente,  sendo  inaplicável  a  trava dos 30%  para a empresa extinta.  O  autor  da  norma  acima  mencionada,  ex­Conselheiro  deste  E.  Tribunal,  Edson  Vianna  de  Brito,  quando  ocupava  importante  cargo  nos  quadros  da  Receita  Federal,  tratou do assunto em seu livro sobre o imposto sobre a renda, afirmando4:  “Este dispositivo  estabelece uma base de cálculo mínima, para  efeito da determinação do  imposto de  renda devido, através da  fixação de um limite máximo de redução – por compensação de  prejuízos  fiscais  –  do  lucro  tributável  apurado  em  cada  ano­ calendário.  Em  outras  palavras,  as  pessoas  jurídicas  que  detenham  estoque  de  prejuízos  fiscais  apurados  em  anos  anteriores passam a sujeitar­se a um imposto de renda mínimo,  uma  vez  que  o  lucro  tributável  só  poderá  ser  reduzido  em  no  máximo trinta por cento.  Note­se,  preliminarmente,  que  em  nenhum  momento,  o  texto  integral  cerceou  o  direito  do  contribuinte  de  compensar  os  prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994 com lucro  real obtido a partir de 1º de janeiro de 1995. Pelo contrário, ao  fixar  um  limite  máximo  para  compensação  em  cada  ano­ calendário, o dispositivo legal, em seu parágrafo único, faculta a  compensação da parcela que seria compensável se não houvesse  a limitação com o lucro real de anos­calendários subsequentes.”  Somente  há  razoabilidade  e  coerência  se  tal  aplicação  limitativa  fosse  insurgida em face de uma empresa que possui no tempo o exercício de sua atividade nos anos  anteriores, o que não é o caso dos autos em razão da sua extinção.  E  no  caso  de  extinção  da  pessoa  jurídica,  como  ela  não  mais  terá  oportunidade de aproveitar os resultados negativos em períodos futuros, não se aplica a "trava",  sob  pena  de  perder  o  direito  à  compensação  de  prejuízos,  posição  adotada  nos  acórdãos  CSRF/01­04258,  de  2.12.2002,  e  CSRF/01­05100,  de  19.10.2004,  ambos  da1ª  Turma  da  Câmara Superior, mencionados pelo contribuinte em seu Recurso.  Em  brilhante  voto  proferido  pelo Conselheiro Valmir  Sandri,  nos  autos  do  Processo Administrativo n° 13807.003133/2004­36, Acórdão n° 9101­00.401, de 2 de outubro  de 2009, a matéria foi enfrentada com profundidade sob uma outra óptica, mas que acrescenta  e contribui para a desqualificação da imputação fiscal:  Na verdade, a  compensação de prejuízos  fiscais  entre períodos  visa contribuir para a consolidação da empresa. Por esta razão  é  que  em  alguns  países,  a  compensação  se  dá  através  do  transporte  de  prejuízos  para  exercícios  anteriores  e  para  exercícios  posteriores.  Na  ordem  jurídica  brasileira  essa  compensação se impõe, mesmo se vedada ou de qualquer forma                                                              4 Brito, Edson Vianna de. Imposto de Renda das Pessoas Físicas. Editora Frase: São Paulo, p. 161 e seguintes.  Fl. 922DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO     38 limitada pela  lei ordinária,  tendo em vista que os prejuízos são  partes  indissociáveis  do  conceito  de  acréscimo  patrimonial  positivado na Constituição Federal.  No livro "Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas ­ Integração  entre  sociedade  e  sócios"  (Atlas,  1985,  p.  125­126),  Henry  Tilbery,  afirma  que  o  fundamento  para  que  se  permita  a  compensação  de  prejuízos  entre  períodos,  decorre  da  necessidade de  se  considerar a  realidade das  empresas, que  se  organizam  para  funcionar  continuamente  e  permitir  que  a  tributação  se  faça  a  partir  de  um  nivelamento  dos  resultados.  Escreve o jurista: "a compensação dos prejuízos entre períodos  representa um reconhecimento do.fato de ser a vida da empresa  contínua e é um procedimento que, na realidade,  faz o  imposto  incidir sobre um resultado nivelado através de maior número de  anos.  Isto é importante, quando o sistema de  tributação  trata o  período­base como unidade estanque (self­contained period)"  O fato é que, o direito à compensação existe sempre, até porque,  se negado, estar­se­á a  tributar um não acréscimo patrimonial,  uma  não  renda,  mas  sim  o  patrimônio  do  contribuinte  que  já  suportou tal tributação.  Assim,  a  compensação  pelo  contribuinte  do  prejuízo  fiscal  por  ele  suportado,  não  se  trata,  como  entende  alguns,  de  uma  benesse  e/ou  favor  concedida  pelo  poder  público,  mas  sim  de  uma regra para evitar que se tribute uma não renda, ou seja, o  próprio patrimônio do contribuinte.  Da leitura do voto que trata da matéria ora em questão, a Nobre  Relatora  sugere  uma  interpretação  do  conteúdo  semântico  do  art.  15  da  Lei  9065/1995.  Para  tal,  parte,  a meu  ver,  da  falsa  premissa  de  que  a  autorização  da  compensação  de  prejuízos  fiscais  é  um  beneficio  fiscal,  em  linha  com  o  entendimento  do  Supremo Tribunal Federal (RE 344.994).  Em decorrência, entende que o preceito deve ser interpretado de  forma  restritiva  à  luz  do  que  dispõe  o  art.  111  do  Código  Tributário Nacional, para concluir que a limitação de 30% deve  ser  aplicada  também na  hipótese  de  compensação de  prejuízos  acumulados na extinção da empresa por incorporação ou outra  operação societária.  Argumenta  que  a  interpretação  fundada  em  argumentos  finalísticos  serve  de  auxílio  à  interpretação, mas  não  pode  ser  fundamento  para  negar  validade  à  interpretação  jurídica  consagrada aos conceitos tributários.  E, por fim, afirma que, diferentemente da pretensão exarada na  tese  até  então  vigente  neste  Conselho,  há  vedação  legal  ao  aproveitamento dos prejuízos nos casos de incorporação, como  se veria na leitura dos arts. 32 e 33 do Decreto­lei 2.341/1987.  Entretanto,  divirjo  do  seu  entendimento  quanto  à  natureza  jurídica da compensação dos prejuízos acumulados, eis que não  considero  se  tratar  o  mesmo  de  um  beneficio  fiscal,  mas  de  elemento  inerente  à  apuração  da  própria  base  de  cálculo  do  tributo,  no  caso,  daquilo  que  é  renda,  pois,  se  não  for  assim,  estará  se  tributando  uma  não  renda,  um  não  um  acréscimo  Fl. 923DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/2010­16  Acórdão n.º 1201­000.800  S1­C2T1  Fl. 21          39 patrimonial, afastando­se, portanto do conceito constitucional de  "renda"  e  "proventos  de  qualquer  natureza"  extraída  da Carta  Maior.  Os  conceitos  de  lucro  e  prejuízo  são  fornecidos  pelo  direito  societário  e  decorrem  de  um  corte  temporal  determinado  pela  legislação societária e pela contabilidade necessária à apuração  do  resultado  de  um  exercício.  A  empresa,  tanto  no  direito  societário  quanto  na  contabilidade,  é  constituída  para  operar,  exercendo  seu  objeto  social,  indefinidamente  no  tempo,  daí  o  princípio  da  continuidade  Contudo,  para  diversos  fins  são  necessárias  apurações  periódicas  de  seu  resultado,  onde  é  verificado  lucro,  que  impacta  positivamente  seu  patrimônio  líquido,  ou  prejuízo  que  repercute  negativamente  sobre  o  patrimônio líquido.  Em razão da continuidade e para que seja apresentada a atual  situação patrimonial, é que, no balanço, os resultados negativos  (prejuízos) devem ser deduzidos do resultado do exercício, como  determina a Lei n. 6.404, em seu art. 189 que dispõe:  "Art.  189. Do  resultado  do  exercício  serão  deduzidos,  antes  de  qualquer  participação,  os  prejuízos  acumulados  e  a  provisão  para o Imposto sobre a Renda  Parágrafo único: o prejuízo do exercício será obrigatoriamente  absorvido  pelos  lucros  acumulados,  pelas  reservas  de  lucros  e  pela reserva legal, nessa ordem".  Assim,  o  lucro  societário  somente  é  verificado  após  a  compensação  dos  prejuízos  dos  exercícios  anteriores.  E,  considerando que o lucro real parte do lucro contábil, o mesmo  é nitidamente afetado pela compensação dos prejuízos.  Por esta razão, a compensação de prejuízos fiscais não deve ser  entendida  como  um  beneficio  fiscal,  mas  um  elemento  para  determinação  do  aspecto  quantitativo  do  imposto  de  renda,  e  sendo assim, eliminá­lo, como visto acima, estar­se­a maculando  os  artigos  43  e  44  do  CTN,  tornando  um  "não  acréscimo  patrimonial"  (a  parcela  de  lucro  não  compensável  do  prejuízo  existente)  tributado  pelo  imposto  de  renda,  em  montante,  portanto, não real.   (...)  No  caso  em  questão  ­  incorporação  ­,  a  situação  da  pessoa  jurídica é excepcional e não está compreendida pela norma. Na  situação normal, uma pessoa  jurídica  em atividade, o  limite de  30%  apresenta  como  resultado  a  postergação  da  sua  compensação  (diferimento),  Na  situação  excepcional,  ora  configurada, a aplicação deste  limite resulta na manutenção de  prejuízo acumulado e na sua perda, pelo fato de existir vedação  expressa  à  compensação  de  prejuízos  da  sucedida  pela  sucessora,  de  modo  a  levar  a  tributação  algo  que  não  se  configura como acréscimo patrimonial.  Fl. 924DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO     40 Assim, se a lei permite a compensação de todo o prejuízo fiscal  distendido no tempo, a conclusão lógica a que se deve ter é, se  não  há  mais  tempo  para  aproveitá­lo,  em  havendo  lucros  na  extinção, a lei permite seu aproveitamento, de uma só vez, para  que não haja tributação sobre um "não acréscimo patrimonial"  vedado pelo CTN (arts. 43 e 44) e pelo artigo 150,  inciso I, da  Lei  Suprema,  que  impõe  o  princípio  da  legalidade  para  a  incidência tributária.  E é com base neste princípio (legalidade), que se impõe para o  caso  esta  inteligência,  eis  que  a  lei  não  cuidou  da  espécie  ­  extinção,  fusão e  incorporação  ­,  que são detentoras do direito  que o CTN lhes outorgou, de não terem que pagar tributos sobre  um  "não  acréscimo  patrimonial",  mas  apenas  aplicável  a  empresas em funcionamento, conforme o espírito da  lei exposto  pelo relatar do projeto de lei, bem como pelo Superior Tribunal  de  Justiça  que  claramente  cuidou  apenas  da  legalidade  da  restrição de 30% de aproveitamento, preservando­lhes, todavia,  o direito de compensarem, no tempo, a totalidade do prejuízo.  Assim,  restringir  o  direito  a  compensação  conforme  posto  no  voto  ora  em  analise,  estar­se­a  solapando  o  direito  do  contribuinte em não ser privado ilegalmente de sua propriedade,  mesmo porque, como visto acima, a  lei  jamais pretendeu negar  esse  direito  ­  o  que  foi  confirmado,  inclusive,  pelo  Superior  Tribunal de Justiça ­, e sendo assim, numa situação limite como  nos casos de extinção, incorporação e fusão, esse direito pode e  deve ser exercido integralmente pelo contribuinte, sob pena de se  ter uma restrição que a lei não impôs.  Por  fim,  há  de  se  registrar  que  a  lei,  na  sua  correta  exegese,  impõe  o  aproveitamento  de  todo  o  prejuízo  fiscal,  em  havendo  lucro,  no  tempo,  tempo  este  que,  conforme  nos  casos  excepcionais  acima  citados  (extinção,  fusão  e  incorporação),  esgota­se  de  imediato,  sendo,  desta  forma,  o  prejuízo  fiscal  compensável, sem qualquer "trava".  Por fim, impende destacar que a incorporação foi realizada de acordo com as  normas que lhe são aplicáveis e cujos objetivos foram puramente negociais, não representando  qualquer  espécie  de  mecanismo  desenvolvido  com  a  finalidade  de  evitar  ou  postergar  o  pagamento  de  tributos,  tanto  é  que  a  fiscalização  sequer  contestou  as  operações  em  seu  relatório.  A  conclusão  que  se  tira  é  que  a  utilização  de  prejuízo  fiscal  e  da  base  negativa da  contribuição  social  sobre o  lucro,  em decorrência da  extinção de  sociedade, não  está sujeita à limitação dos 30% do lucro líquido ajustado.  Por  fim,  destaca­se  ainda  que  o  problema  da  interpretação  da  norma  e  sua  referência, além de ser o ponto principal desse estudo, merece uma articulação sistemática na  extração do conteúdo hermenêutico.  É fato que o texto legal não trouxe exceção à regra da incorporação quanto à  compensação  do  prejuízo,  mas  nem  precisaria,  pois  se  a  trava  dos  30%  se  refere  ao  lucro  líquido e na extinção não há nenhuma restrição ao aproveitamento do prejuízo fiscal ou da base  negativa da CSLL.   Fl. 925DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/2010­16  Acórdão n.º 1201­000.800  S1­C2T1  Fl. 22          41 Diante do exposto, entendo que na declaração de encerramento da sociedade  por  incorporação  cabe  integral  compensação  do  prejuízo  fiscal  e  das  bases  negativas  acumuladas  pela  empresa  extinta,  sendo  inaplicável  a  trava  dos  30%,  destacando  que  os  fundamentos trazidos quanto ao IRPJ são aplicáveis da mesma forma à CSLL.  V  –  COMPENSAÇÃO  DE  PREJUÍZOS  OPERACIONAIS  COM  NÃO  OPERACIONAIS  Com  relação  à  acusação  de  que  a  empresa  efetuou  compensação  de  lucro  operacional  apurado  em  31/07/2007  com  prejuízo  não  operacional  não  pode  prevalecer.  Conforme exposto nessa decisão, os valores recebidos e contabilizados pela empresa relativos  à ação judicial que discutia o IAA decorre de indenização por danos emergentes.  Como o erro da empresa não pode implicar por sua essência em tributação, a  cessão do seu crédito a terceiros, decorrente do precatório indenizatório não tem o condão de  desqualificar sua essência. Portanto, estamos diante de uma receita não operacional, nos termos  das  regras  do  IBRACON  (NPC  n°  14),  e  como  tal  deve  ser  considerada  para  fins  de  compensação com prejuízos não operacionais, nos termos do artigo 511 do RIR/99.  Nestes  termos,  acolho  os  fundamentos  trazidos  pela  recorrente  quanto  à  questão da justificativa do erro.   VI ­ DA INCIDÊNCIA DOS JUROS SOBRE A MULTA  Em relação à incidência dos juros sobre a multa, venho mantendo em meus  julgados  o  entendimento  de  que  a multa  de  ofício  é  penalidade,  portanto,  inaplicável  a  taxa  SELIC sobre esse montante, que não configura “crédito tributário”, nos termos do art. 161 do  CTN.   Isso porque, a multa não decorre do tributo, mas do descumprimento de um  dever  legal  de  pagá­lo,  em  caso  de  entendimento  contrário,  implicaria  concluir  que  sobre  a  multa de oficio incide a multa de mora, o que se trata de um verdadeiro absurdo.  Nesse  sentido,  cumpre  trazer  os  fundamentos  da  ex­Conselheira  Sandra  Faroni  sobre a matéria,  editados no Acórdão 1102­00.060, que  resumem os argumentos pela  não incidência dos juros sobre a multa de ofício:  “A  obrigação  tributária  pode  ser  principal,  consistindo  em  obrigação  de  dar  (pagar  tributo  ou  multa)  e  acessória,  obrigação de fazer (deveres instrumentais).  De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre  da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto,  compreendem­se  no  crédito  tributário  o  valor  do  tributo  e  o  valor da multa.  O Decreto­lei n° 1.736/79 determinou a incidência dos juros de  mora  sobre  o  "valor  originário"  ,  definindo  como  "valor  originário"  o  débito,  excluídas  apenas  as  parcelas  relativas  a  correção monetária, juros de mora, multa de mora e encargo do  DL 1.025/69. Ou seja, não previu a exclusão da multa de oficio.  Fl. 926DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO     42 O art.  161  do CTN  determina  que  o  crédito  não  integralmente  pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o  motivo  determinante  da  falta,  ressalvando  apenas  a  pendência  de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do  crédito. Seu § 1° determina que, se a lei não dispuser de forma  diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento  ao mês.  No caso de multa por lançamento de oficio, seu vencimento é no  prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim,  o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação,  sujeita­se aos juros de mora.  Além dos  artigos  2°  e  3°  do DL  1.736/79,  tratam  dos  juros  de  mora os  seguintes dispositivos de  leis ordinárias: Lei 8.383/91,  art. 59; Lei 8.981/95, art. 13; Lei 9.430/96, art. 5°, § 3°, art. 43,  parágrafo único e art. 61, § 3°, Lei n° 10.522/2002, (cuja origem  foi a MP 1.621­31/98), arts. 29 e 30.  O artigo 61 da Lei 9.430/96 regula a  incidência de acréscimos  moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  01  de  janeiro  de  1997,  não  alcançando,  pois,  a multa  por  lançamento  de  oficio,  uma vez que:  (a) a multa não decorre do  tributo, mas do descumprimento do  dever  legal  de  pagá­lo;  (b)  entendimento  contrário  implicaria  concluir que sobre a multa de oficio incide a multa de mora.  O artigo 30 da Lei 10.522/2002 determina a submissão, a partir  de 10 de janeiro de 1997, a juros de mora calculados segundo a  Selic, dos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31  de  dezembro  de  1994  e  que  não  tenham  sido  objeto  de  parcelamento, e dos créditos inscritos na Dívida Ativa da União.  Em  síntese,  em  se  tratando  de  débitos  de  tributos  cujos  fatos  geradores  ocorreram  a  partir  de  1°  de  janeiro  de  1995  só  há  dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa  SELIC sobre multa no caso de multa lançada isoladamente; não  porém  quando  ocorrer  a  formalização  da  exigência  do  tributo  acrescida da multa proporcional. Nesse caso,  só podem  incidir  juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência  do  auto  de  infração,  conforme previsto  no  §  1°  do  art.  161  do  CTN.”  Diante  do  exposto,  CONHEÇO  do  Recurso  e,  acolho  a  preliminar  de  decadência quanto ao  ano calendário de 2005, e no mérito DOU­LHE PROVIMENTO, para  cancelar o lançamento fiscal em sua integralidade.  (documento assinado digitalmente)  Rafael Correia Fuso ­ Relator                Fl. 927DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/2010­16  Acórdão n.º 1201­000.800  S1­C2T1  Fl. 23          43                   Fl. 928DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO

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Numero do processo: 15374.903201/2008-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000 COFINS. LEI COMPLEMENTAR Nº 70/91. SOCIEDADE CIVIL. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. Em face do entendimento do Supremo Tribunal Federal de que a Lei Complementar n° 70/1991 é materialmente ordinária e por isto pode ser alterada por outra lei da mesma espécie normativa, a isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6°, II, da LC n° 70/1991 foi revogada pelo art. 56 da Lei n° 9.430/1996. MATÉRIA JULGADA SOBRE A SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, ART. 543-C DO CPC. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62-A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. PER/DCOMP. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Recurso voluntário negado. Direito creditório não reconhecido.
Numero da decisão: 3302-001.431
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2129; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 1          1             S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15374.903201/2008­55  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3302­01.431  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de fevereiro de 2012  Matéria  PER/DCOMP ­ COFINS/ISENÇÃO   Recorrente  JOÃO MAURÍCIO DE ARAUJO PINHO CONSULTORES E ADVOGADOS  S/C  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000  COFINS.  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  70/91.  SOCIEDADE  CIVIL.  ISENÇÃO.  REVOGAÇÃO.  Em  face  do  entendimento  do  Supremo  Tribunal  Federal  de  que  a  Lei  Complementar  n°  70/1991  é  materialmente  ordinária  e  por  isto  pode  ser  alterada  por  outra  lei  da  mesma espécie normativa, a  isenção concedida às  sociedades civis de  profissão regulamentada pelo art. 6°, II, da LC n° 70/1991 foi revogada  pelo art. 56 da Lei n° 9.430/1996.  MATÉRIA  JULGADA  SOBRE  A  SISTEMÁTICA  DOS  RECURSOS  REPETITIVOS,  ART.  543­C  DO  CPC.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça  em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B e  543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil,  deverão  ser  reproduzidas pelos  conselheiros no  julgamento dos  recursos no  âmbito do CARF, consoante art. 62­A do seu Regimento Interno, introduzido  pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010.   PER/DCOMP.  PRAZO  PARA  HOMOLOGAÇÃO.  DECADÊNCIA.  INOCORRÊNCIA.  O  prazo  para  homologação  da  compensação  declarada  pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração  de compensação.   Recurso voluntário negado.  Direito creditório não reconhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     Fl. 80DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA     2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.  (assinado digitalmente)  Walber José da Silva ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva,  José Antonio Francisco, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Fabiola Cassiano Keramidas,  Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.    Fl. 81DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA Processo nº 15374.903201/2008­55  Acórdão n.º 3302­01.431  S3­C3T2  Fl. 2          3 Relatório  Trata­se de PER/DCOMP transmitido em 29/01/2004, não homologado pela  DRF/RIO DE  JANEIRO,  consoante Despacho Decisório  de  fls.  08,  decisão  que  foi mantida  pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/RIO DE JANEIRO II, através do Acórdão nº 13­33.436,  de 16/02/2011.  O  pleito  do  ora  recorrente  fora  no  sentido  de  ser­lhe  reconhecido  direito  a  crédito  no  valor  original,  na  data  da  transmissão,  de  R$68.490,16,  referente  a  recolhimento  indevido  efetuado  em  15/06/2000,  através  de  DARF  no  valor  de  R$118.951,20,  para  pagamento da Contribuição Cofins relativa ao período de apuração encerrado em 31/05/2000,  estando em questão, nesta oportunidade, a parte desse crédito utilizado para compensar débitos  do  IRRF  com  vencimento  em  12/11/2003,  no  valor  de  R$1.800,00,  e  com  vencimento  em  19/11/2003,  no  valor  de  R$2.100,00,  totalizando  R$3.900,00,  tendo  esses  valores,  consequentemente, sido considerados devidos pelo questionado Despacho Decisório, acrescido  de multa e de juros de mora.  Insurgindo­se contra o indeferimento do seu pleito, o interessado apresentou  manifestação de inconformidade, cujas alegações foram sintetizadas, na decisão recorrida, nos  termos a seguir (fls. 40­v e 41):  (...).  3.1  O  presente  processo  objetiva  compelir  o  suplicante  ao  pagamento de crédito fiscal já compensado;  3.2  O  despacho  decisório  considera  que  o  pedido  deve  ser  indeferindo diante da existência de crédito;  3.3 O  pagamento  referente  a  este  processo  já  foi  realizado  em  DARF anexo;  3.4 Qualquer impugnação ao crédito conforme art. 150, § 4º do  CTN  só  poderia  ser  realizada  até  2006.  Por  conseguinte,  o  pagamento se tornou definitivo em razão da decadência;  3.5 Como este  foi  o único  fundamento para o  indeferimento do  pedido  de  compensação  e  a  suplicante  junta  em  anexo  o  comprovante  do  DARF  respectivo,  a  decisão  recorrida  tem  de  ser  revista  para  que  se  dê  o  pagamento  como  realizado,  até  porque é  impossível contestá­lo,  quer materialmente em  função  da comprovação do recolhimento, quer juridicamente em função  da decadência;  3.6  O  pagamento  se  refere  à  Cofins.  Segundo  o  enunciado  da  Súmula 276 do STJ, em 14.05.2003:  "As  sociedades  civis de prestação de  serviços profissionais  são  isentas da cobrança para o  financiamento da seguridade social  (Cofins),  independente do regime tributário adotado. Com base  Fl. 82DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA     4 na  súmula  todas  as  sociedades  civis  de  profissões  regulamentadas poderão buscar direito de não pagar a Cofins e  pedir  restituição  ou  compensação  dos  valores  pagos  indevidamente a partir de 1996";  3.7  Como  a  suplicante  se  enquadra  exatamente  nas  condições  referidas na aludida decisão, o pagamento reputa­se indevido e  o crédito apurado pode ser usado para quitação de tributos por  compensação, como ocorreu;  3.8  Ressalta,  porém,  que  este  ponto  não  foi  levantado  para  fundamentar o  indeferimento do pedido de compensação, que é  discutido e aponta apenas a inexistência do pagamento feito;  (...).  A decisão recorrida está assim ementada (fls. 33/34):  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social – COFINS  Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000  SOCIEDADE  CIVIL  DE  PROFISSÃO  REGULAMENTADA.  ISENÇÃO. REVOGAÇÃO.   A  isenção  da  COFINS,  prevista  no  inciso  II  do  art.  6º  da  LC  70/1991, foi revogada pelo art. 56 da Lei 9.430/1996.  RECOLHIMENTO  DEVIDO.  INEXISTÊNCIA  DE  CRÉDITO.  DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.  Tendo sido constatadas a correção do recolhimento efetuado e a  inexistência de crédito em relação a esse pagamento, não há que  se reconhecer o direito da interessada ao pretenso crédito.  INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL.  As  argüições  de  inconstitucionalidade  não  são  oponíveis  na  esfera administrativa,  incumbindo ao Poder Judiciário apreciá­ las.  Cientificado  dessa  decisão  em  07  de  abril  de  2011  (AR  às  fls.  44),  o  interessado interpôs recurso voluntário no dia 18 do mesmo mês, apresentando suas razões de  defesa a seguir sintetizadas:  ­ que  teria decaído o direito ao  lançamento de ofício,  tendo em vista que o  período em que o recolhimento indevido foi efetuado corresponde a 05/2000, enquanto que o  lançamento  somente  fora  efetuado  em  08/2008.  Em  se  tratando  de  lançamento  por  homologação de que trata o art. 150 § 4º o prazo seria de cinco anos;  ­  que  ao  tempo  em  que  foi  efetuado  o  pagamento  indevido  (05/2000)  vigorava  a  Súmula  do  STJ  nº  276,  de  02/06/2003,  segundo  a  qual  as  sociedades  civis  de  prestação  de  serviços  profissionais  seriam  isentas  da COFINS,  a  qual  tem  efeito  vinculante  para o Judiciário e para o Executivo;  Fl. 83DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA Processo nº 15374.903201/2008­55  Acórdão n.º 3302­01.431  S3­C3T2  Fl. 3          5 ­  que de  acordo com o art.  144 do CTN o  lançamento  se  reporta  à data da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  e  rege­se  pela  Lei  então  vigente,  ainda  que  posteriormente modificada ou revogada;  ­  que  o  art.  100  do  CTN  considera  como  normas  complementares  os  atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades  administrativas  e  as  decisões  dos  órgãos  similares  ou  coletivos de jurisdição administrativa a que a Lei atribua eficácia normativa;  ­ que se o comportamento da suplicante ao considerar indevido o recolhimento da  COFINS,  estivesse baseado numa  simples análise  jurisprudencial  seria possível  tomar  em conta  sua  posterior  alteração  em  razão  de  decisões  supervenientes,  entretanto  a  suplicante  adotou  comportamento  que  havia  sido  amparado  em  Súmula  Vinculante  naquela  oportunidade  em  vigor,  havendo,  assim,  a  aplicação  de  uma  norma  complementar  de  direito  tributário  que  não  pode  ser  derrogada por ato administrativo superveniente ao fato gerador mesmo que este ato esteja amparado  numa modificação da jurisprudência que altere o princípio consagrado na Súmula.  É o relatório.  Fl. 84DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA     6 Voto             Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Relator  Cumpre­me levantar preliminar de conhecimento do recurso voluntário, à luz  do art. 2º da Portaria CARF nº 1/2012, em face de a questão envolver matéria que está sob o  regime de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal  ­ STF, porém sem que a Suprema  Corte  tenha determinado seu sobrestamento, quando assim permaneceria  até que viesse a ser  proferida decisão nos termos do art. 543­B do CPC.  Entendo que mesmo diante da repercussão geral da matéria junto ao STF não  há porque sobrestar seu julgamento no âmbito do CARF, porquanto não houve a determinação  para que o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, em tramitação naquela  Corte Constitucional, fosse sobrestado.  Dessa  forma,  considerando  superada  essa  preliminar  prejudicial  de  admissibilidade, conheço do recurso voluntário.   Mais  uma  preliminar  deve  ser  apreciada,  desta  feita  levantada  pelo  recorrente, segundo o qual teria ocorrido a decadência do crédito tributário exigido através do  Despacho Decisório de fls. 08, emitido em 24/04/2008. Aduz o recorrente que se a exação se  refere ao mês de maio de 2000, em agosto de 2008  já  teria  transcorrido mais de cinco anos,  tempo máximo permitido para que o exercício do direito, por parte da autoridade fiscal, fosse  exercido, à luz do que dispõe o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional ­ CTN.  A propósito,  confunde­se  o  recorrente,  pois  o  limite  temporal  imposto  para  análise do direito creditório e homologação da compensação encontra­se disciplinado pelo § 5º  do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, a seguir:  § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo  sujeito  passivo  será  de  5  (cinco)  anos,  contado  da  data  da  entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei  nº 10.833, de 2003)  Vê­se, pois, que o prazo para a homologação do pedido de compensação é de  cinco  anos  a  contar  da  data  da  sua  apresentação  à  repartição  da  Receita  Federal  do  Brasil.  Como  o  PER/DCOMP  foi  transmitido  em  29/01/2004  esse  prazo  qüinqüenal  somente  se  expiraria em 29/01/2009, não estando, assim, alcançado pela decadência.  Ressalte­se, ainda, que a decadência de que trata o mencionado dispositivo do  art. 150, § 4º, assim como do art. 173, ambos do CTN, diz respeito ao direito da autoridade de  fiscalização  constituir  o  crédito  tributário,  não  trazendo  limitação  para  que  se  proceda  à  conferência do crédito consignado na DCOMP, sendo que esse procedimento de apreciação do  crédito declarado, antes de ser um direito, constitui­se em um dever do órgão fazendário.  No mérito, a questão básica que deve ser analisada é quanto à argüida isenção  do  pagamento  da  COFINS  das  sociedades  civis  de  prestação  de  serviços  de  profissão  legalmente regulamentada, consoante disposto no art. 6º, II, da Lei Complementar nº 70/1991,  tendo  essa  pretensa  isenção  originado  o  questionado  indébito  fiscal,  no  valor  originário  de  Fl. 85DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA Processo nº 15374.903201/2008­55  Acórdão n.º 3302­01.431  S3­C3T2  Fl. 4          7 R$118.951,20.  Esse  dispositivo  de  lei  complementar  foi  revogado  pelo  art.  56  da  Lei  nº  9.430/1996, o qual passou a viger no mês de abril de 1997.  Questiona­se,  pois,  se  mesmo  após  a  sua  revogação  a  isenção  continuaria  existindo,  tendo  em vista  que  a  lei  revogadora  era  uma  lei  ordinária que  não  poderia  alterar  dispositivo de lei complementar, de hierarquia superior.  Argúi  o  recorrente  que  as  Turmas  do  STJ  julgaram  reiteradamente  pela  impropriedade  do  dispositivo  de  lei  ordinária,  tendo  sido  editada  a  Súmula  nº  276,  de  02/06/2003, que seria de aplicação obrigatória por parte do Judiciário e também dos órgãos do  Poder Executivo.  Entretanto,  entendo  que  sobre  a matéria  não  cabe mais  questionamento  no  âmbito do contencioso administrativo, em face de o Superior Tribunal de Justiça – STJ haver  proferido decisão definitiva no  julgamento de recurso sujeito ao procedimento do art. 543­C,  do CPC, o que nos leva a aplicar ao caso o art. 62­A do Regimento Interno do CARF, aprovado  pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, cujo dispositivo regimental foi introduzido pela  Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, que assim dispõe:  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.   A seguir transcreve­se a ementa e o voto condutor da decisão do STJ, acima  referida, da relatoria do Exmo. Sr. Ministro Luiz Fux, hoje no STF:  RECURSO ESPECIAL Nº 826.428 ­ MG (2006/0038332­2)   EMENTA   PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO  DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO CPC. TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS. SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE  SERVIÇOS  DE  PROFISSÃO  LEGALMENTE  REGULAMENTADA. ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 6º,  II,  DA  LEI  COMPLEMENTAR  70/91.  REVOGAÇÃO  PELO  ARTIGO 56, DA LEI 9.430/96. CONSTITUCIONALIDADE DA  NORMA  REVOGADORA  RECONHECIDA  PELO  SUPREMO  TRIBUNAL  FEDERAL  (RE  377.457/PR  E  RE  381.964/MG).  REAFIRMAÇÃO  DO  ENTENDIMENTO  EXARADO  NO  ÂMBITO DA ADC 1/DF.  1.  A  isenção  da  COFINS,  prevista  no  artigo  6º,  II,  da  Lei  Complementar  70/91,  restou  validamente  revogada  pelo  artigo  56, da Lei 9.430/96 (Precedentes do Supremo Tribunal Federal  submetidos ao rito do artigo 543­B, do CPC: RE 377.457 e RE  381.964, Rel. Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno,  julgado  em 17.09.2008, Repercussão Geral ­ Mérito, DJe­241 DIVULG  18.12.2008 PUBLIC 19.12.2008).   2. Isto porque:  Fl. 86DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA     8 "... especificamente sobre a COFINS e a sua disciplina  pela Lei Complementar 70, de 1991, a decisão proferida na  ADC  1  (Rel.Moreira  Alves,  DJ  16.06.95),  independentemente  de  qualquer  possível  controvérsia  em  torno  da  aplicação  dos  efeitos  do  §  2º,  do  art.  102  à  totalidade dos  fundamentos determinantes ali  proclamados  ou exclusivamente à sua parte dispositiva (objeto específico  da RCl 2.475, Rel. Min. Carlos Velloso, em curso no Pleno),  foi inequívoca ao reconhecer:  a) de um lado, a prevalência na Corte das duas linhas  jurisprudenciais  anteriormente  referidas  (distinção  constitucional material, e não hierárquica­formal, entre lei  complementar  e  lei  ordinária,  e  inexigibilidade  de  lei  complementar  para  a  disciplina  dos  elementos  próprios  à  hipótese  de  incidência  das  contribuições  desde  logo  previstas no texto constitucional); e   b)  de  outro  lado,  que,  precisamente  pelas  razões  anteriormente  referidas,  a  Lei  Complementar  70/91  é,  materialmente, uma lei ordinária.  Ora, as razões anteriormente expostas são suficientes a  indicar que, contrariamente ao defendido pela recorrente, o  tema do conflito aparente entre o art. 56, da Lei 9.430/96, e  o  art.  6º,  II,  da  LC  70/91,  não  se  resolve  por  critérios  hierárquicos, mas, sim, por critérios constitucionais quanto  à materialidade própria a cada uma destas espécies. Logo,  equacionar  aquele  conflito  é  sim uma questão diretamente  constitucional.  Assim,  verifica­se  que  o  art.  56,  da  Lei  9.430/96,  é  dispositivo  legitimamente  veiculado  por  legislação  ordinária (art. 146, III, 'b', a contrario sensu, e art. 150, §  6º,  ambos  da  CF),  que  importou  na  revogação  de  dispositivo  anteriormente  vigente  (sobre  isenção  da  contribuição  social),  inserto  em  norma  materialmente  ordinária (artigo 6º, II, da LC 70/91).  Conseqüentemente,  não  existe,  na  hipótese,  qualquer  instituição, direta ou indireta, de nova contribuição social,  a  exigir  a  intervenção  de  legislação  complementar,  nos  termos do art. 195, § 4º, da CF." (RE 377.457/PR).  3. Destarte, a Contribuição para Financiamento da Seguridade  Social ­ COFINS incide sobre o faturamento das sociedades civis  de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada,  de que trata o artigo 1º, do Decreto­Lei 2.397/87, tendo em vista  a validade da revogação da isenção prevista no artigo 6º, II, da  Lei  Complementar  70/91  (lei  materialmente  ordinária),  perpetrada pelo artigo 56, da Lei 9.430/96.  4.  Outrossim,  impende  ressaltar  que  o  Plenário  da  Excelsa  Corte,  tendo em vista o disposto no artigo 27, da Lei 9.868/99,  rejeitou o pedido de modulação dos efeitos da decisão proferida  no Recurso Extraordinário 377.457/PR.  5.  Consectariamente,  impõe­se  a  submissão  desta  Corte  ao  julgado  proferido  pelo  plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal  que proclamou a constitucionalidade da norma jurídica em tela  (artigo  56,  da  Lei  9.430/96),  como  técnica  de  uniformização  jurisprudencial,  instrumento  oriundo  do  Sistema  da  Common  Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal  no caso sub examine.  Fl. 87DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA Processo nº 15374.903201/2008­55  Acórdão n.º 3302­01.431  S3­C3T2  Fl. 5          9 6.  Recurso  especial  desprovido,  mantendo­se  a  decisão  recorrida,  por  fundamentos  diversos.  Acórdão  submetido  ao  regime do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.   VOTO  O  EXMO.  SR.  MINISTRO  LUIZ  FUX  (Relator):  Preliminarmente,  revela­se  cognoscível  a  insurgência  especial,  uma vez prequestionada a matéria federal ventilada.   Cinge­se  a  controvérsia  a  subsistência  da  isenção  da COFINS  incidente  sobre  o  faturamento/receita  das  sociedades  civis  prestadoras de serviços de profissão legalmente regulamentada,  prevista no artigo 6º,  II, da Lei Complementar 70/91,  tendo em  vista a revogação perpetrada pelo artigo 56, da Lei 9.430/96.   Com efeito, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no âmbito  de  recurso  extraordinário  submetido ao  regime da  repercussão  geral,  consolidou a  tese de que a  isenção da COFINS, prevista  no artigo 6º, II, da Lei Complementar 70/91, restou validamente  revogada pelo artigo 56, da Lei 9.430/96:  "Contribuição  social  sobre  o  faturamento  ­  COFINS  (CF,  art.  195,  I).  2. Revogação pelo  art.  56  da Lei  9.430/96  da  isenção  concedida  às  sociedades  civis  de  profissão  regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91.  Legitimidade.  3.  Inexistência  de  relação  hierárquica  entre  lei  ordinária  e  lei  complementar.  Questão  exclusivamente  constitucional, relacionada à distribuição material entre as  espécies  legais.  Precedentes.  4.  A  LC  70/91  é  apenas  formalmente  complementar,  mas  materialmente  ordinária,  com  relação  aos  dispositivos  concernentes  à  contribuição  social  por  ela  instituída.  ADC  1,  Rel. Moreira  Alves,  RTJ  156/721.  5. Recurso  extraordinário  conhecido mas negado  provimento."  (RE  377.457,  Rel.  Ministro  Gilmar  Mendes,  Tribunal Pleno, julgado em 17.09.2008, Repercussão Geral  ­  Mérito  DJe­241  DIVULG  18.12.2008  PUBLIC  19.12.2008)  No  voto­condutor  exarado  pelo  e.  Ministro  Gilmar  Mendes,  restou assente que:  "... especificamente sobre a COFINS e a sua disciplina pela  Lei Complementar 70, de 1991, a decisão proferida na ADC  1 (Rel. Moreira Alves, DJ 16.06.95), independentemente de  qualquer  possível  controvérsia  em  torno  da  aplicação  dos  efeitos  do  §  2º,  do  art.  102  à  totalidade  dos  fundamentos  determinantes  ali  proclamados  ou  exclusivamente  à  sua  parte dispositiva (objeto específico da RCl 2.475, Rel. Min.  Carlos  Velloso,  em  curso  no  Pleno),  foi  inequívoca  ao  reconhecer:   a)  de  um  lado,  a  prevalência  na  Corte  das  duas  linhas  jurisprudenciais  anteriormente  referidas  (distinção  constitucional material, e não hierárquica­formal, entre lei  complementar  e  lei  ordinária,  e  inexigibilidade  de  lei  Fl. 88DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA     10 complementar  para  a  disciplina  dos  elementos  próprios  à  hipótese  de  incidência  das  contribuições  desde  logo  previstas no texto constitucional); e  b)  de  outro  lado,  que,  precisamente  pelas  razões  anteriormente  referidas,  a  Lei  Complementar  70/91  é,  materialmente, uma lei ordinária.   Ora,  as  razões  anteriormente  expostas  são  suficientes  a  indicar que, contrariamente ao defendido pela recorrente, o  tema do conflito aparente entre o art. 56, da Lei 9.430/96, e  o  art.  6º,  II,  da  LC  70/91,  não  se  resolve  por  critérios  hierárquicos, mas, sim, por critérios constitucionais quanto  à materialidade própria a cada uma destas espécies. Logo,  equacionar  aquele  conflito  é  sim uma questão diretamente  constitucional.  Assim,  verifica­se  que  o  art.  56,  da  Lei  9.430/96,  é  dispositivo  legitimamente  veiculado  por  legislação  ordinária (art. 146, III, 'b', a contrario sensu, e art. 150, §  6º,  ambos  da  CF),  que  importou  na  revogação  de  dispositivo  anteriormente  vigente  (sobre  isenção  da  contribuição  social),  inserto  em  norma  materialmente  ordinária (artigo 6º, II, da LC 70/91).  Conseqüentemente,  não  existe,  na  hipótese,  qualquer  instituição, direta ou indireta, de nova contribuição social,  a  exigir  a  intervenção  de  legislação  complementar,  nos  termos do art. 195, § 4º, da CF." (RE 377.457/PR).  Destarte,  a  Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social  –  COFINS  incide  sobre  o  faturamento  das  sociedades  civis  de  prestação  de  serviços  de  profissão  legalmente  regulamentada,  de  que  trata  o  artigo  1º,  do  Decreto­Lei  2.397/87,  tendo  em  vista  a  validade  da  revogação  da  isenção  prevista  no  artigo  6º,  II,  da  Lei  Complementar  70/91  (lei  materialmente  ordinária),  perpetrada  pelo  artigo  56,  da  Lei  9.430/96.  Outrossim,  impende ressaltar que o Plenário da Excelsa Corte,  tendo em vista o disposto no artigo 27, da Lei 9.868/99, rejeitou  o  pedido  de  modulação  dos  efeitos  da  decisão  proferida  no  Recurso Extraordinário 377.457/PR.  Consectariamente, impõe­se a submissão desta Corte ao julgado  proferido  pelo  plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal  que  proclamou  a  constitucionalidade  da  norma  jurídica  em  tela  (artigo  56,  da  Lei  9.430/96),  como  técnica  de  uniformização  jurisprudencial,  instrumento  oriundo  do  Sistema  da  Common  Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal  no caso sub examine.  Com essas consideração, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO  ESPECIAL,  mantendo  a  decisão  recorrida,  por  fundamentos  diversos.  Porquanto  tratar­se  de  recurso  representativo  da  controvérsia,  sujeito  ao  procedimento  do  artigo  543­C,  do  CPC,  determino,  após a publicação do acórdão, a comunicação à Presidência do  Fl. 89DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA Processo nº 15374.903201/2008­55  Acórdão n.º 3302­01.431  S3­C3T2  Fl. 6          11 STJ,  aos  Ministros  dessa  Colenda  Primeira  Seção  e  aos  Presidentes  dos  Tribunais  Regionais  Federais,  com  fins  de  cumprimento  do  disposto  no  §  7º,  do  artigo  543­C,  do  CPC  (artigos 5º, II, e 6º, da Resolução STJ 08/2008).  A seguir  transcrevo  ementa  da decisão  proferida  pela  2ª Turma do STJ, na  linha do precedente acima transcrito:  Superior Tribunal de Justiça. 2ª Turma    Data 19/08/2010  AgRG no REsp. 1146389 / SC  TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. AGRAVO  REGIMENTAL.  COFINS.  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  70/91.  SOCIEDADE  CIVIL.  ISENÇÃO.  REVOGAÇÃO.  MATÉRIA  JULGADA  SOBRE  A  SISTEMÁTICA  DOS  RECURSOS  REPETITIVOS,  ART.  543­C  DO  CPC.  1.  O  acórdão  decidiu  contrariamente  ao  recorrente  com  fundamento  no  revolvimento  fático  probatório,  incidência  da  Súmula  7/STJ.  2.  A  Primeira  Seção  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  ao  julgar  o  REsp  826428/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos, art. 543­ C do CPC, de relatoria do Eminente Ministro Luiz Fux, passou a  adotar  o  entendimento  conferido  pelo  Supremo  Tribunal  Federal, que declarou incidentalmente a constitucionalidade da  revogação  da  isenção  da Cofins  concedida  às  sociedades  civis  de  profissão  regulamentada  pela  Lei  Complementar  nº  70/91,  quando do julgamento dos Recursos Extraordinários nºs 377.457  e  381.964  e  rejeitou  o  pedido  de  modulação  dos  efeitos  da  decisão  proferida  no  Recurso  Extraordinário  377.457/PR.  3.  Agravo regimental a que se nega seguimento.  Decisão  Vistos,  relatados  e discutidos  esses autos  em que são partes as  acima  indicadas,  acordam  os Ministros  da  Segunda  Turma  do  Superior Tribunal de  Justiça,  na  conformidade dos  votos  e das  notas  taquigráficas,  o  seguinte  resultado  de  julgamento:  "A  Turma,  por  unanimidade,  negou  seguimento  ao  agravo  regimental,  nos  termos  do  voto  do(a)  Sr(a).  Ministro(a)­ Relator(a)."  Os  Srs.  Ministros  Eliana  Calmon,  Castro  Meira,  Humberto  Martins  (Presidente)  e  Herman  Benjamin  votaram  com o Sr. Ministro Relator.  Por  essas  razões,  superada  a  preliminar  de  admissibilidade  inicialmente  apreciada, conheço do recurso voluntário para negar­lhe provimento.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz    Fl. 90DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA     12                               Fl. 91DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA

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