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Numero do processo: 11080.000237/2006-68
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS
Não havendo omissão os embargos devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 1103-000.690
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, rejeitar os embargos por
unanimidade.
Nome do relator: MÁRIO SÉRGIO FERNANDES BARROSO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1382; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 1 1 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.000237/200668 Recurso nº 166.835 Embargos Acórdão nº 110300.690 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2012 Matéria Compensação Embargante MIRIAM FERREIRA SIQUEIRA & CIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 EMBARGOS Não havendo omissão os embargos devem ser rejeitados. ACORDAM os membros do colegiado, rejeitar os embargos por unanimidade. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Trata o presente processo de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO da Miriam Ferreira Siqueira & Cia LTDA. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 A interessada apresentou PER/DCOMP, em 26/11/2004 (11/33). O crédito o pleiteado pela contribuinte tem natureza não tributária (CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS S/A). A DRF de origem indeferiu o pleito, sob argumento de não existir previsão legal para extinção de créditos tributários mediante compensação com títulos públicos emitidos pela ELETROBRÁS. Devido ao tipo de crédito houve lançamento de multa de ofício isolada de 75% com base no art. 18 da Lei n.º 9.430/1996, formalizado no processo n.º 11080.002174/200684, autos de infração fl. 14/18 e 168/172 que estão apensos no presente processo. Da manifestação de inconformidade temos (resumo): A compensação não foi realizada com créditos de terceiros, pois a sociedade Miriam Siqueira e Cia. LTDA foi incorporada na data de 12/12/2003 pela PJ Édison Freitas de Siqueira Advogados; Estes créditos são equiparados à decisão definitiva transitada em julgado; A União Federal é devedora solidária na qualidade de garantidora do pagamento das obrigações contraídas por sociedade da qual é sócia; Tratase de obrigações ao portador e não Títulos da Dívida Pública; A Medida Provisória 2.18145/2001, que dispõe sobre as operações financeiras realizadas pelo Tesouro Nacional, possibilita à União receber em dação em pagamento dos seus créditos as obrigações da Eletrobrás; Contesta a aplicação da multa de ofício e dos juros de mora, alega que percentual acima de 20% é confisco. A DRJ de Porto Alegre decidiu (ementa): “EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO.OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. RESTITUIÇÃO. Súmula 3.ºCC n.º 6 – Não compete à Secretaria da Receita Federal promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. NATUREZA JURÍDICA DOS TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA (OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS). As Obrigações ao Portador da Eletrobrás – Centrais Elétricas Brasileiras S.A. – São créditos de natureza financeira. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA.CABIMENTO. A multa isolada, de que trata o art. 18 da Lei n.º 10.833/2003, é aplicável aos casos de compensação indevida com crédito de natureza não tributária. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA.CONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar a argüição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei, pois essa competência foi atribuída, Fl. 12DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 11080.000237/200668 Acórdão n.º 110300.690 S1C1T3 Fl. 2 3 em caráter privativo, ao Poder Judiciário, pela Constituição Federal, art. 102.” A contribuinte, ora recorrente, alega: DA TEMPESTIVIDADE Teria tomado ciência nos dias 04 de janeiro de 2008, e de acordo com a Portaria n.º 855, de 26 de dezembro de 2007, nos dias 04 e 05 de fevereiro, não houve expediente (carnaval). Assim, dia 06, data da apresentação do recurso, seria o termo final. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS SUPOSTOS DÉBITOS OBJETO DE RECURSO ADMINISTRATIVO Instaurado o procedimento administrativo e manifestada defesa por parte do contribuinte, temse que os débitos discutidos estão com a sua exigibilidade suspensa. DO PROCESSO DE REVISÃO DOS DÉBITOS PENDENTE DE DECISÃO JUNTO A DRF/POA FALTA DE MATERIALIDADE PARA A COBRANÇA – INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS A empresa verificando equívocos nos seus lançamentos contábeis proporcionou retificadoras de DCTF e DIPJ de todo o período correspondente. Até o presente momento não há conclusão quanto ao pedido de revisão dos débitos nos PAF 11080.008383/200216, 11080.006508/200699, e 11080.517910/200602. DA PROVA DO TRÂMITE DOS PROCESSOS RETIFICATIVOS – TOTAL INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO, INEXISTINDO, POIS, MATERIALIDADE QUANTO A COMPENSAÇÃO AUTUADA E ORA IMPUGNADA O Delegado da SRF/ POA admite que os processos administrados de pedido de revisão de débitos ainda estão pendentes de julgamento. Estaria a recorrente a sofrer cobrança em duplicidade, pois, os débitos estão em revisão. Assim, a carta cobrança que embasa o presente processo administrativo está incorreta um vez que os débitos ainda estão em trâmite no pedido de revisão antes referido. MÉRITO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO DE CRÉDITO EM FACE DA EXECUÇÃO AJUIZADA As debêntures são títulos equiparados a Sentença Judicial Transitada em Julgado, exigível, pois, através de Execução Judicial Forçada. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 As Debêntures da Eletrobrás, ao lado da sentença transitada em julgado, são representativos de créditos líquidos, certos e exigíveis. Anexo entendimento do STJ de que as Debêntures da Eletrobrás são bens penhoráveis, assim, as Debêntures emitidas pela Eletrobrás pode ser utilizada como garantia de execução fiscal. Sendo assim, demonstrada a legalidade, viabilidade e possibilidade de compensação dos tributos via PERD/COMP com as debêntures da ELETROBRÁS, há que ser desconsiderada a decisão ora hostilizada. DO PERCENTUAL CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA E PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA Pede: Seja determinada a suspensão da exigibilidade do débito até o julgamento final deste recurso; Seja declarada a inexistência de materialidade dos supostos débitos cobrados; A 3ª Turma ordinária por meio do acórdão 110300.296, de 01 de setembro de 2010 decidiu: “OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS Não compete à Secretaria da Receita Federal promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. MULTA DE OFÍCIO É devida a multa isolada quando se tenta compensar crédito de natureza não tributária.” A contribuinte embargou o acórdão supra com a seguinte fundamentação (resumo): DAS OMISSÕES O acórdão teria se omitido quanto a não ter débitos para a recorrente no presente processo administrativo, em face das diversas duplicidades de cobranças apontadas. Também haveria omissão quanto a duplicidade dos débitos que objetam do presente processo com os processos administrativos 11080.008383/200216, 11080.006508/200699, e 11080.517910/200602, Que se encontram em processo de revisão na SRF/POA; A decisão foi omissa ao desconsiderar o fato de que não havendo débitos pendentes não há o que se compensar via DCOMP, operandose a perda do objeto; Fl. 14DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 11080.000237/200668 Acórdão n.º 110300.690 S1C1T3 Fl. 3 5 O acórdão teria sido omisso eis que demonstrado o efetivo direito de crédito da empresa, bem como diante do fato de que o pedido de compensação via DCOMP foi totalmente inócuo para fins a que se propunha, ante ao fato de que os débitos que foram objeto do pedido de compensação encontrar em discussão nos processos administrativos citados. No fim de março de 2012 retornaram para mim os autos deste processo. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator Os embargos preenchem os requisitos de admissibilidade, assim, dele conheço. A embargante alega algumas omissões, contudo, estas não existem, pois, o processo em questão trata de admitir se há ou não há créditos, e isto foi feito, pois os créditos de natureza não tributária não podem ser homologados. Quanto aos débitos, estes estão confessados e estão vinculados aos processos referidos no acórdão atacado conforme decisum transcrito a seguir: “Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso, para não homologar a compensação pleiteada. Atentar para os débitos deste processo a vinculação aos PAF 11080.008383/200216, 11080.006508/200699, e 11080.517910/200602.” Alegações outras como perda do objeto, pois, os débitos estariam em outro processo, não são objeto do pedido, contudo, conforme transcrito acima, foi informado a vinculação dos débitos com aos processos acima. De todo o exposto, conheço dos embargos para rejeitálos. Sala das Sessões, em 09 de maio de 2012 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 15DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 6 Fl. 16DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
score : 1.0
Numero do processo: 13896.721289/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/05/2008
DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS PARA SUSPENSÃO.
Dispondo a legislação do IPI que somente será permitida a saída ou o desembaraço de produtos com suspensão do imposto quando observadas as normas estabelecidas, deve-se entender que qualquer falta implicará na exigência do imposto incidente sobre a referida operação.
DECLARAÇÃO DO ESTABELECIMENTO ADQUIRENTE AO VENDEDOR. ATENDIMENTO AOS REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DA SUSPENSÃO DO IPI. § 7º DO ART. 29 DA LEI Nº 10.637/2002. SUFICIÊNCIA.
A declaração expressa do estabelecimento adquirente ao estabelecimento vendedor de que cumpre os requisitos para a fruição da suspensão do IPI esgota o dever de diligência do vendedor. Inteligência que deflui do § 7º do art. 29 da Lei nº 10.637/2002 e do art. 21 da Instrução Normativa RFB nº 948/2009.
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 173, I CTN.
Na definição do termo inicial do prazo de decadência nos lançamentos por homologação, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de antecipar-se à atuação da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, interpretando a legislação aplicável para apurar o montante e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente. Na inexistência de antecipações aplica-se a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN.
Numero da decisão: 3401-005.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/05/2008 DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS PARA SUSPENSÃO. Dispondo a legislação do IPI que somente será permitida a saída ou o desembaraço de produtos com suspensão do imposto quando observadas as normas estabelecidas, deve-se entender que qualquer falta implicará na exigência do imposto incidente sobre a referida operação. DECLARAÇÃO DO ESTABELECIMENTO ADQUIRENTE AO VENDEDOR. ATENDIMENTO AOS REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DA SUSPENSÃO DO IPI. § 7º DO ART. 29 DA LEI Nº 10.637/2002. SUFICIÊNCIA. A declaração expressa do estabelecimento adquirente ao estabelecimento vendedor de que cumpre os requisitos para a fruição da suspensão do IPI esgota o dever de diligência do vendedor. Inteligência que deflui do § 7º do art. 29 da Lei nº 10.637/2002 e do art. 21 da Instrução Normativa RFB nº 948/2009. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 173, I CTN. Na definição do termo inicial do prazo de decadência nos lançamentos por homologação, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de antecipar-se à atuação da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, interpretando a legislação aplicável para apurar o montante e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente. Na inexistência de antecipações aplica-se a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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Dispondo a legislação do IPI que somente será permitida a saída ou o desembaraço de produtos com suspensão do imposto quando observadas as normas estabelecidas, devese entender que qualquer falta implicará na exigência do imposto incidente sobre a referida operação. DECLARAÇÃO DO ESTABELECIMENTO ADQUIRENTE AO VENDEDOR. ATENDIMENTO AOS REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DA SUSPENSÃO DO IPI. § 7º DO ART. 29 DA LEI Nº 10.637/2002. SUFICIÊNCIA. A declaração expressa do estabelecimento adquirente ao estabelecimento vendedor de que cumpre os requisitos para a fruição da suspensão do IPI esgota o dever de diligência do vendedor. Inteligência que deflui do § 7º do art. 29 da Lei nº 10.637/2002 e do art. 21 da Instrução Normativa RFB nº 948/2009. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 173, I CTN. Na definição do termo inicial do prazo de decadência nos lançamentos por homologação, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de anteciparse à atuação da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, interpretando a legislação aplicável para apurar o montante e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente. Na inexistência de antecipações aplicase a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 12 89 /2 01 2- 51 Fl. 2643DF CARF MF Processo nº 13896.721289/201251 Acórdão n.º 3401005.674 S3C4T1 Fl. 2.644 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório 1. Tratase de auto de infração, lavrado com o objetivo de formalizar a cobrança de Imposto sobre Produtos Industrializados, referente ao período de apuração compreendido entre 01/01/2007 e 31/05/2008, acrescido de multa de ofício de 75% e juros, totalizando, assim, o valor histórico de R$ 2.999.040,52, além de multa isolada relativa aos débitos com cobertura de créditos no valor histórico de R$ 359.750,49. 2. Segundo se depreende do termo de constatação, situado às fls. 1476 a 1484, narra a autoridade fiscal que o procedimento apurou as seguintes infrações: (i) glosa de créditos referentes aos CFOP 1949, 2949, 2912 e 2922, nos valores de R$ 91,80 (jan/07), R$ 1.725,05 (fev/07), R$ 335,19 (mar/07) e R$ 13,20 (jun/07); (ii) falta da declaração prevista no § 7º do art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, referente à empresa Bébere, destinatária de produtos remetidos com suspensão, tendo sido lançado o IPI não destacado nas referidas notas, nos seguintes valores: R$ 75.398,40 (jun/07), R$ 61.741,01 (jul/07), R$ 23.599,56 (ago/07) e R$ 4.197,79 (set/07); (iii) ausência de informação referente ao dispositivo legal de suspensão em diversas notas destinadas à empresa Bunge, tendo sido lançado o IPI não destacado nas referidas notas, conforme tabela das fls. 1481/1482 (item 3.2 do Termo de Constatação); (iv) refeita a escrita fiscal conforme fl. 1483, com a inclusão dos débitos apurados e a glosa dos créditos, foram lançados créditos tributários nos períodos de apuração correspondentes. 3. A contribuinte apresentou impugnação, na qual argumentou, em síntese: (i) decadência dos créditos tributários referentes aos PA janeiro a abril de 2007; (ii) “no caso da Bébere Indústria, Comércio de Alimentos e Exportação, conforme se verifica pela declaração anexa (Doc. 05), esta atestou à Impugnante, que atendia todos os requisitos exigidos pela legislação para aquisições de mercadorias com suspensão do IPI nos termos do art. 29 da Lei n° 10.637/02”; (iii) “com relação às vendas com suspensão realizadas pela Impugnante para a cliente Bunge Alimentos S/A, as justificativas apresentadas pela fiscalização também não merecem prosperar, pois: (i) as operações em questão gozam de suspensão do IPI nos termos do art. 29 da Lei n° 10.637/02; (ii) os requisitos exigidos pela legislação foram cumpridos pela Impugnante.”; (iv) “Com efeito, além da própria declaração entregue pelo Fl. 2644DF CARF MF Processo nº 13896.721289/201251 Acórdão n.º 3401005.674 S3C4T1 Fl. 2.645 3 cliente Bunge Alimentos S/A à época (Doc. 06), nos termos do art. 29 da Lei n° 10.637/02, as notas fiscais emitidas pela Impugnante, relacionadas pela fiscalização, foram objeto de posteriores Cartas de Correção, conforme comprovam os documentos anexos (Doc. 07). Tais correções decorreram de recomendação da auditoria externa da Impugnante (Doc. 08), em que pese tal formalidade, sob hipótese alguma, tivesse o condão de mitigar ou cancelar direito material da Impugnante.”; (v) “Assim, ainda que a Impugnante entenda que a ausência de menção expressa, na nota fiscal, da base legal da suspensão não deve comprometer a fruição desse benefício, por se tratar de uma mera formalidade, a vasta documentação anexa comprova, de forma inequívoca, o cumprimento inclusive de tal exigência e formalidade.”; e (vi) “No caso, tais saídas promovidas pela Impugnante estavam devidamente enquadradas na hipótese legal prevista no art. 29 da Lei n° 10.637/02, considerando que envolvem materiais de embalagem (código 39.23) vendidos a estabelecimentos que se dedicam às atividades relacionadas nesse dispositivo legal (conforme Declaração dada pelo cliente Bunge Alimentos S/A Doc. 06)”. 4. Em 03/03/2015 a 03ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belém (PA) proferiu o Acórdão DRJ nº 0131.560, situado às fls. 2.564 a 2.570, de relatoria do AuditorFiscal Nelson Klautau Guerreiro da Silva, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, cancelando o crédito no valor de R$ 284.441,53 e mantendo o restante crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/05/2008 DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS PARA SUSPENSÃO. Dispondo a legislação do IPI que somente será permitida a saída ou o desembaraço de produtos com suspensão do imposto quando observadas as normas estabelecidas, devese entender que qualquer falta implicará na exigência do imposto incidente sobre a referida operação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2012 DECADÊNCIA. Na definição do termo inicial do prazo de decadência nos lançamentos por homologação, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de anteciparse à atuação da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, interpretando a legislação aplicável para apurar o montante e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente. Na inexistência de antecipações aplicase a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 2645DF CARF MF Processo nº 13896.721289/201251 Acórdão n.º 3401005.674 S3C4T1 Fl. 2.646 4 5. A contribuinte foi intimada via edital, em conformidade com o documento situado à fl. 2.582 e, em 03/08/2015, interpôs recurso voluntário, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 7. Quanto à alegação de decadência, não assiste razão à contribuinte 6. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre as hipóteses de extinção do crédito tributário, previstas no seu art. 156, cuida, no Capítulo IV, Seção IV, das modalidades de extinção diversas do pagamento, contemplando o instituto da decadência com as disposições contidas no, a seguir transcrito, art. 173 (...). 7. De disposição expressa de lei decorre, portanto, o estabelecimento do termo inicial para a contagem do prazo decadencial tributário, que, como regra geral, está bem definido no inciso I do transcrito artigo 173. 8. Todavia, considerando que, a despeito do que determina o art. 142 do CTN, grande parte dos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil condicionase a sistemática de pagamento em que o sujeito passivo está obrigado a satisfazer os respectivos créditos sem prévio exame da autoridade administrativa, temse por imprescindível à definição dos termos iniciais para a contagem do prazo decadencial de cada tributo ou contribuição as disposições contidas no art. 150 desse Código, em especial, o seu § 4º 9. Observese pois que, na definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de anteciparse à atuação da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, interpretando a legislação aplicável para apurar o montante e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente. Fl. 2646DF CARF MF Processo nº 13896.721289/201251 Acórdão n.º 3401005.674 S3C4T1 Fl. 2.647 5 10. No caso presente verificase, através dos levantamentos feitos nos sistemas de pagamentos da Receita Federal, a inexistência de antecipações em qualquer dos períodos lançados, fato que conduz a contagem do prazo decadencial para a regra geral do art. 173 do CTN. 11. Assim, sendo o mais antigo período lançado o mês de janeiro de 2007, a contagem do prazo decadencial iniciouse em 01.01.2008, encerrando em 31.12.2012. Tendo sido cientificado o contribuinte em 13.06.2012, não há que se falar em decadência para nenhum dos períodos. 8. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário interposto neste particular. 9. Discutese o lançamento de IPI na saída de materiais de embalagem fabricados e vendidos pela recorrente com suspensão do imposto com o fundamento de que teriam sido destinados a estabelecimentos comerciais e estabelecimentos rurais, em que pese a disposição do art. 29 da Lei nº 10.637/2002 consignar que o benefício da suspensão se aplica unicamente às saídas de estabelecimento industrial destinadas aos estabelecimentos que se dediquem, preponderantemente, à elaboração dos produtos referidos pelo dispositivo e, assim: "(...) somente as saídas destinadas a estabelecimentos industriais estão abrangidas pela Lei nº 10.637/2002, não estando abrangidas as empresas comerciais e pessoas físicas": Lei nº 10.637/2002 Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. § 1o O disposto neste artigo aplicase, também, às saídas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, quando adquiridos por: I estabelecimentos industriais fabricantes, preponderantemente, de: a) componentes, chassis, carroçarias, partes e peças dos produtos a que se refere o art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002; b) partes e peças destinadas a estabelecimento industrial fabricante de produto classificado no Capítulo 88 da Tipi; Fl. 2647DF CARF MF Processo nº 13896.721289/201251 Acórdão n.º 3401005.674 S3C4T1 Fl. 2.648 6 c) bens de que trata o § 1oC do art. 4o da Lei no 8.248, de 23 de outubro de 1991, que gozem do benefício referido no caput do mencionado artigo; (Incluído pela Lei nº 11.908, de 2009). II pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras. § 2o O disposto no caput e no inciso I do § 1o aplicase ao estabelecimento industrial cuja receita bruta decorrente dos produtos ali referidos, no anocalendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido superior a 60% (sessenta por cento) de sua receita bruta total no mesmo período (seleção e grifos nossos). 10. Entende a contribuinte, por outro lado, que, apesar de ter partido da premissa correta de aplicar à espécie o art. 29 da Lei nº 10.637/2002, a autoridade fiscal concluiu de maneira equivocada ao cogitar a exigência de que o estabelecimento de destino fosse industrial. Limitase, na verdade, a norma em apreço, a exigir que o destinatário seja um "estabelecimento", qualquer que seja, que elabore preponderantemente os produtos da TIPI ora discriminados. Tal argumento é refutado pela decisão recorrida nos seguintes termos, ora transcritos de maneira integral: "O art. 29 da Lei n° 10.637, de 2002, não caracteriza os "adquirentes" apenas como "estabelecimento". Não especifica, no caput, que é "estabelecimento industrial", mas especifica que se deva tratar de estabelecimento que elabore produtos classificados na TIPI em determinadas posições ou subposições, "inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados)". Portanto, o uso do verbo "elaborar", a menção de produtos classificados na TIPI, ainda que NT, certamente sugere que deva tratarse de estabelecimento industrial, o que poderia ser considerado excepcionado pela menção aos produtos "não tributados", à vista da disposição do art. 8º do Regulamento. Entretanto, o § 2º do art. 29 claramente restringe a definição do estabelecimento adquirente mencionado no caput, para efeito de caracterização da atividade preponderante, "ao estabelecimento industrial cuja receita bruta decorrente dos produtos ali referidos, no anocalendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido superior a 60% (sessenta por cento) de sua receita bruta total no mesmo período". Portanto, se o caput não deixa claro que se trata de saída a estabelecimento industrial, o § 2º encerra a discussão, deixando expressa a definição: as saídas com suspensão são aquelas efetuadas, repitase, a "estabelecimento industrial cuja receita bruta decorrente dos produtos ali referidos, no anocalendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido superior a 60% (sessenta por cento) de sua receita bruta total no mesmo período". Como a preponderância aplicase, inequivocamente, a todos os adquirentes Fl. 2648DF CARF MF Processo nº 13896.721289/201251 Acórdão n.º 3401005.674 S3C4T1 Fl. 2.649 7 mencionados no caput, não há argumento que justifique a redação adotada pelo parágrafo" (seleção e grifos nossos). 11. Acrescese à argumentação de decisão de primeiro piso ser esta aposição da Receita Federal do Brasil externada pela Solução de Consulta COSIT nº 68, de 21/03/2014, no seguinte sentido: "Não fazem jus à suspensão do IPI de que trata o art. 46, inciso I, do RIPI/2010, as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem realizadas por estabelecimento que não for caracterizado como estabelecimento industrial (contribuinte do IPI), pela legislação do imposto. A suspensão do imposto só é aplicável quando o adquirente das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem for um estabelecimento industrial (contribuinte do IPI) e dedicado preponderantemente à elaboração dos produtos relacionados no mencionado inciso I" (seleção e grifos nossos). 12. Tal posição, ademais, acaba de ser reafirmada pela Solução de Consulta Disit/SRRF10 nº 10007, de 30/03/2017, com a seguinte ementa: "ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI EMENTA: AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA PARA A FABRICAÇÃO DE PARTES OU PEÇAS DE VEÍCULOS. DIREITO À SUSPENSÃO DO IPI. Enquadramse na hipótese de suspensão do IPI de que trata o art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, as aquisições de matérias primas ou de produtos intermediários (bobinas de aço fabricadas especificamente para a industrialização de partes, peças e componentes de veículos) feitas de estabelecimento industrial, quando tais matériasprimas ou produtos intermediários forem utilizados no processo produtivo do estabelecimento adquirente que fabrique, preponderantemente, componentes, chassis, carroçarias, partes e peças empregados na industrialização dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5 e 87.01 a 87.06 da TIPI. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 143, DE 17 DE FEVEREIRO DE 2017. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.637, de 2002, art. 29, § 1º, I, “a”; Instrução Normativa RFB nº 948, de 2009; Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 12, de 2014; Parecer Normativo Cosit nº 19, de 2013" (seleção e grifos nossos). Fl. 2649DF CARF MF Processo nº 13896.721289/201251 Acórdão n.º 3401005.674 S3C4T1 Fl. 2.650 8 13. Transcrevese, abaixo, o trecho pertinente da decisão a quo respeitante à questão de fundo: Matéria não impugnada. Glosas 12. A impugnante não se manifestou acerca das glosas descritas no item 2 “a” do Relatório acima, motivo pelo qual considerase não impugnada essa parte do lançamento. Suspensão. Requisitos formais 13. Com relação à ausência de informação referente ao dispositivo legal de suspensão em diversas notas destinadas à empresa Bunge, o Regulamento do IPI de 2002, vigente na época (...) 14. Observase que o dispositivo é claro ao somente permitir a saída com suspensão do imposto quando observadas as normas do Regulamento e as medidas de controle expedidas pela SRF. Dessa forma, sendo a informação uma exigência prescrita no Ripi/2002, as saídas em questão ocorreram irregularmente, sendo exigível o IPI não destacado. (...) 16. No que se refere aos formulários apresentados como sendo as cartas de correção das notas fiscais, vê que os mesmos são cópias simples, sem data de emissão ou ainda sem comprovação do envio e recebimento pelo destinatário, de modo a demonstrar que a providência teria sido adotada antes do início da ação fiscal. Dessa forma, não podem ser aceitos como prova da correção da nota emitida. Declaração da empresa Bébere 17. Com relação às vendas para a empresa Bébere, diante da confirmação da validade da declaração apresentada na impugnação, deverá ser revista essa parte do lançamento (...) 18. Diante do exposto, votase pela procedência parcial da impugnação, devendo ser cancelado o crédito no valor total de R$ 284.441,53, conforme item 18 acima. 14. Não tendo as partes apresentado novos argumentos ou razões de defesa perante esta segunda instância administrativa, propõese a confirmação e adoção da decisão recorrida, nos termos da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), com a alteração da Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, que acrescentou o § 3º ao art. 57 da norma regimental. Fl. 2650DF CARF MF Processo nº 13896.721289/201251 Acórdão n.º 3401005.674 S3C4T1 Fl. 2.651 9 15. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 2651DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.720621/2017-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013
BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO NA DISCUSSÃO SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. AUSÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA NA ORIGEM.
A base de cálculo da COFINS em relação às instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2º e 3º, caput, da Lei nº 9.718/1998, consideradas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5º e 6º do referido art. 3º. A discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência da COFINS, não se confunde com o debate envolvendo a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, como já reconheceu o STF.
FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL.
Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013
BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO NA DISCUSSÃO SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998.
A base de cálculo Contribuição para o PIS/PASEP em relação às instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2º e 3º, caput, da Lei nº 9.718/1998, consideradas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5º e 6º do referido art. 3º. A discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência do PIS/PASEP, não se confunde com o debate envolvendo a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, como já reconheceu o STF.
FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL.
Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS/PASEP, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO NA DISCUSSÃO SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. AUSÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA NA ORIGEM. A base de cálculo da COFINS em relação às instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2º e 3º, caput, da Lei nº 9.718/1998, consideradas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5º e 6º do referido art. 3º. A discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência da COFINS, não se confunde com o debate envolvendo a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, como já reconheceu o STF. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO NA DISCUSSÃO SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. A base de cálculo Contribuição para o PIS/PASEP em relação às instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2º e 3º, caput, da Lei nº 9.718/1998, consideradas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5º e 6º do referido art. 3º. A discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência do PIS/PASEP, não se confunde com o debate envolvendo a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, como já reconheceu o STF. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS/PASEP, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
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E INVEST. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO NA DISCUSSÃO SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. AUSÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA NA ORIGEM. A base de cálculo da COFINS em relação às instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2º e 3º, caput, da Lei nº 9.718/1998, consideradas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5º e 6º do referido art. 3º. A discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência da COFINS, não se confunde com o debate envolvendo a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, como já reconheceu o STF. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO NA DISCUSSÃO SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. A base de cálculo Contribuição para o PIS/PASEP em relação às instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2º e 3º, caput, da Lei nº 9.718/1998, consideradas as exclusões e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 06 21 /2 01 7- 66 Fl. 2021DF CARF MF Processo nº 15504.720621/201766 Acórdão n.º 3301005.532 S3C3T1 Fl. 2.022 2 deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5º e 6º do referido art. 3º. A discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência do PIS/PASEP, não se confunde com o debate envolvendo a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, como já reconheceu o STF. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS/PASEP, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ/BEL, que julgou procedente o lançamento de PIS e COFINS da instituição financeira, tendo como base de cálculo das contribuições a totalidade das atividades desenvolvidas em torno de seu objeto social. Insurgese a Recorrente contra a pretensão fiscal, por entender que a questão já fora dirimida nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.00.0040950 e da Ação Rescisória n° 2007.01.000007962, ações nas quais foi determinado o não recolhimento das contribuições do PIS e da COFINS, nos termos do §1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98. A controvérsia reside na seguinte questão: se as receitas provenientes da atividade estatutária da Recorrente sofrem incidência de PIS e COFINS. E se a tributação das receitas financeiras foi submetida à apreciação do Poder Judiciário. Fl. 2022DF CARF MF Processo nº 15504.720621/201766 Acórdão n.º 3301005.532 S3C3T1 Fl. 2.023 3 A fiscalização aponta que no período autuado a Recorrente recolheu o PIS e a COFINS somente sobre as receitas de prestação de serviços escrituradas na conta Cosif 7.1.7.00.00.9, motivo pelo qual lançou de ofício os créditos tributários relativos às demais receitas operacionais excluídas da base de cálculo. Sustentando entendimento contrário ao do fisco, garante a Recorrente que as receitas provenientes da atividade financeira não se classificam como receitas a fazer incidir as contribuições sociais, em virtude da declaração de inconstitucionalidade da expansão da base de cálculo prevista pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. Transcrevo o relatório da decisão recorrida, para outros detalhes do litígio: Contra o contribuinte foram lavrados os autos de infração de fls. 2/33, correspondentes à Contribuição para o Pis e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos respectivos montantes de R$ 2.732.298,05 e de R$ 16.814.144,38, incluídos multa proporcional e juros de mora, relativamente ao interregno de janeiro de 2012 a dezembro de 2013. Essencialmente, consigna a autoridade fiscal que o contribuinte, no que pertine aos aludidos lançamentos fiscais, figuraria como autor de duas ações judiciais potencialmente relevantes quanto à tributação pelas contribuições em questão. No tocante ao Mandado de Segurança (MS) n. 2000.38.00.0040950, cujo respectivo Recurso Extraordinário (RE), interposto contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, recebeu o n. 409860, teria restado afastada, relativamente à Contribuição ao Pis, a aplicação ao §1° ao art. 3° da Lei n. 9.718, de 1998, decisão alcançada pelo manto da coisa julgada em 09 de dezembro de 2005. Em se cuidando da Ação Rescisória (AR) n. 2007.01.00000796 2, proposta visando à rescisão de acórdão do TRF da 1ª Região, teria o pedido rescisório sido julgado procedente, fins de prevalecer, para efeito de determinação da base de cálculo da Cofins, o definido pela Lei Complementar n. 70, de 1991, considerandose faturamento a receita bruta provenientes da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, em vista da declaração de inconstitucionalidade do §1° ao art. 3° da Lei n. 9.718, de 1998. Ressalva a autoridade fazendária que o decidido no âmbito das mencionadas ações não afastaria, contudo, a tributação objeto das autuações, porquanto inexistente óbice relacionado às receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras, sejam as obtidas nas chamadas operações ativas, sejam na prestação de serviços propriamente dita, enquanto referentes a atividades típicas das referidas instituições. Tal conclusão encontraria respaldo no Parecer PGFN/CAT n. 2.773, de 2007. Sustenta que, uma vez não declarada inconstitucional a cabeça do art. 3° da Lei n. 9.718, de 1998, permaneceria vigorando a Fl. 2023DF CARF MF Processo nº 15504.720621/201766 Acórdão n.º 3301005.532 S3C3T1 Fl. 2.024 4 equivalência estabelecida entre faturamento e receita bruta pelo precitado dispositivo empreendida. Inconformada, em 23 de fevereiro de 2017, apresenta a interessada impugnação (fls. 1.294/1.332), por meio da qual, em síntese, alega que as autuações teriam sido levadas a efeito em desrespeito à eficácia da coisa julgada formada nas ações judiciais pontuadas (MS n. 2000.38.00.0040950 e AR n. 2007.01.000007962). No que toca ao Mandamus, teria culminado em RE no qual definida a base de cálculo da Contribuição ao Pis, em relação ao impugnante, como sendo a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e de serviços ou de serviços de qualquer natureza, com a exclusão de todas as demais receitas que não se enquadrariam nesta compreensão. Não seria diferente do que decidido no âmbito da rescisória, quando se teria estabelecido a base de cálculo voltada à Cofins. Renova que restaria definitivamente resolvida a controvérsia acerca do conceito de faturamento aplicável ao contribuinte, correspondendo à receita bruta decorrente dos serviços prestados, pelo que excluídas as receitas financeiras. Dada a eficácia preclusiva oriunda da coisa julgada formada em benefício do impugnante, seria vedada a reabertura da discussão atinente à base de cálculo das contribuições sociais presentes em face do Banco Mercantil do Brasil S/A, ainda que se entenda, com o que não compactua o impugnante, que a discussão acerca da tributação de receitas oriundas de intermediação financeira não teria sido travada no bojo das ações judiciais elencadas, tendo em conta o previsto no art. 474 do CPC de 1973 (art. 508 do CPC de 2015). Afirma que o raciocínio empreendido pela autoridade fiscal seria pautado por equívocos. Primeiramente porque, ao julgar inconstitucional o §1° ao art. 3° da Lei n. 9.718, de 1998, teria o STF também conferido interpretação conforme a Constituição à locução “receita bruta” estampada na cabeça do precitado dispositivo, fins de que seja tomada como faturamento, ou seja, receita decorrente da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação destas. E tal não se confundiria com a receita operacional da pessoa jurídica, conforme restaria extraído dos julgamentos dos leading cases pela Suprema Corte. Narra que o conceito de faturamento seria uno. Invariável conforme a pessoa que o aufere. Inexistiriam, assim, motivos para a inclusão de receitas operacionais, notadamente as provenientes de intermediação financeira, na base de cálculo das contribuições devidas pelas instituições financeiras. Defende que a alteração promovida pela Medida Provisória n. 627, de 2013 – convertida na Lei n. 12.973, de 2014 –, seria prova cabal de que a receita bruta abrangeria, até então, apenas o faturamento, ou seja, receitas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Referida medida Fl. 2024DF CARF MF Processo nº 15504.720621/201766 Acórdão n.º 3301005.532 S3C3T1 Fl. 2.025 5 teria alterado o conceito de receita bruta previsto no art. 12 do DecretoLei n. 1.598, de 1977, de forma a incluir todas as receitas advindas da atividade principal ou do objeto social da pessoa jurídica. Restaria modificada também a redação da cabeça do art. 3o da Lei n. 9.718, de 1998, prescrevendose que faturamento compreenderia a receita bruta de que trata o precitado art. 12 do DecretoLei n. 1.598, de 1977. Aduz que as conclusões a que teria chegado a autoridade fiscal estariam em desacordo com a Instrução Normativa SRF n. 247, de 2002. Segundo o art. 95, instituições financeiras deveriam apurar a Contribuição ao Pis e a Cofins de acordo com planilha que evidenciaria seriam as rendas de prestação de serviços espécie do gênero receita operacional, assim como rendas de operações de créditos, rendas de aplicações interfinanceiras de liquidez e rendas de títulos e valores mobiliários, igualmente destacadas na mencionada planilha. Tal distinção, quando menos, denotaria alteração de entendimento quanto à matéria por parte da Administração Tributária, inviabilizando a imposição de penalidades e a cobrança de juros de mora. Argumenta que a autoridade fiscal, ao proceder ao cálculo das contribuições tidas por devidas pelo contribuinte, teria considerado, além de receitas provenientes de intermediação financeira, quantias relativas a variações monetárias ativas – a exemplo de juros sobre depósitos judiciais e correção de créditos de tributos a recuperar –, além de receitas financeiras atinentes à aplicação de recursos próprios, entre outros. Tal iria de encontro, inclusive, ao Parecer PGFN/CAT n. 2.773, de 2007, fundamento de validade as autuações. Ao final, requer: o integral cancelamento dos autos de infração; subsidiariamente, o cancelamento parcial destes, fins de que sejam decotados a multa de ofício e os juros de mora, como também sejam excluídas da base de cálculo das contribuições sociais as receitas não correspondentes à intermediação financeira, nos termos expendidos ao longo da peça impugnatória. Carreia aos autos os documentos de fls. 1.334/1.883. A 3ª Turma da DRJ/BEL, acórdão n° 0134.131, julgou procedente o lançamento, com decisão assim ementada: PIS. BASE DE CÁLCULO. INTERMEDIAÇÕES FINANCEIRAS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A atividade de intermediação financeira promovida pelas instituições financeiras, ainda que não submetida ao ato de faturar, enseja receitas que correspondem ao faturamento ou receita bruta a que aludem os arts. 2° e 3°, caput, da Lei 9.718, de 1998, restando tal realidade inabalada pela declaração de inconstitucionalidade do §1° ao art. 3° da Lei n. 9.718, de 1998. A redação do art. 195, I, b, da Carta Política, conferida pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998, serve de fundamento de Fl. 2025DF CARF MF Processo nº 15504.720621/201766 Acórdão n.º 3301005.532 S3C3T1 Fl. 2.026 6 validade aos arts. 2° e 3° da Lei n. 9.718, de 1998, de cuja inconstitucionalidade não se cogita, conformando arcabouço a reclamar a exação tributária referida. Consequentemente, uma vez vinculada e obrigatória a atividade administrativa de lançamento, inexiste alternativa ao agente fazendário, limitado que se encontra, consoante parágrafo único ao art. 142 do CTN, ao estrito cumprimento da legislação tributária, expressão que compreende leis, tratados, convenções internacionais, decretos e normas complementares. No recurso voluntário, a Recorrente discorre sobre o objeto litigioso do Mandado de Segurança e da Ação Rescisória, por entender que a questão central da autuação está assentada na interpretação e abrangência das decisões proferidas. Para a Recorrente, o Judiciário ao afastar a aplicação do §1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, para declarar que o conceito de faturamento “equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não autoriza, em momento algum, a possibilidade de incidência das contribuições sociais sobre a receita operacional da Recorrente ou a decorrente de seu objeto social, ou seja as receitas financeiras. Em síntese, é possível elencar os seguintes elementos principais em discussão: limites da coisa julgada das ações movidas pelo contribuinte; conceito constitucional de faturamento; novo conceito de receita bruta inserido no ordenamento pela MP 627/13 (a prova cabal de que a expressão receita bruta jamais equivaleu às receitas operacionais das pessoas jurídicas); incongruência entre a autuação e o disposto na IN SRF 247/02 e exclusão da base de cálculo dos valores referentes a conta COSIF Variações Monetárias Ativas e das receitas financeiras decorrentes de aplicação de recursos próprios (não de terceiros). Ao final, requer os cancelamentos dos autos de infração diante da coisa julgada formada em suas ações judicias ou, alternativamente, que se exclua as parcelas de multa e juros. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS Quanto aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Pleno do STF (RE n° 357.950, RE n° 390.840, RE n° 358.273 e RE n° 346.084), em relação à base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que pertine às instituições financeiras, temse o quadro a seguir traçado. Fl. 2026DF CARF MF Processo nº 15504.720621/201766 Acórdão n.º 3301005.532 S3C3T1 Fl. 2.027 7 No julgamento do RE n° 390.840/MG, concluise do voto do Ministro relator Marco Aurélio, que se considera receita bruta ou faturamento o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. Por sua vez, no votovista do Ministro Cezar Peluso, depreendese que faturamento ou receita bruta é o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo das contribuições. Concluiu o Ministro em seu voto: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita” (...) Quanto ao caput do art. 3º, julgo constitucional, para lhe dar interpretação conforme a Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de ‘receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços’, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. O Ministro Peluso, em esclarecimentos, enfatizou: Quando me referi ao conceito construído, sobretudo, no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à ideia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento”. Da análise do julgamento do STF, observase que restou, portanto, assentado que faturamento é o produto das atividades típicas, ou seja, os ingressos que decorram da razão social da empresa. Ademais, o alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE n° 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e reafirmouse a jurisprudência consolidada pelo STF nos leading cases: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. Fl. 2027DF CARF MF Processo nº 15504.720621/201766 Acórdão n.º 3301005.532 S3C3T1 Fl. 2.028 8 No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (...) Restou pacificado que a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não afastou a tributação sobre as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Contribuinte Negado. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03/06/2014). Descabida, em vista disso, a alegação da Recorrente que objetivou afastar a exigência do PIS e da COFINS sobre a totalidade das suas receitas (tal como estatuído no inconstitucional 1º do art. 3º de Lei 9.718/98), e, com isso, recolher tais contribuições apenas sobre o seu faturamento, assim definido pelo STF1 como sendo a receita bruta advinda exclusivamente da venda de mercadorias e/ou prestação de serviço. 1 No julgamento dos Res n. 346.084/PR; n. 357.950/PR; n. 358.273/RS e n. 390.840/MG. Fl. 2028DF CARF MF Processo nº 15504.720621/201766 Acórdão n.º 3301005.532 S3C3T1 Fl. 2.029 9 Isso porque, as receitas decorrentes das atividades do setor financeiro estão sujeitas à incidência das contribuições do PIS e da COFINS, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§ 5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, considerado inconstitucional pelo STF. DELIMITAÇÃO DOS OBJETOS DO MANDADO DE SEGURANÇA N° 2000.38.00.0040950 E DA AÇÃO RESCISÓRIA N° 2007.01.000007962 A Ação Rescisória nº 2007.01.000007962 teve o objetivo de rescindir o acórdão proferido na AMS n° 1999.38.00.0171247/MG que julgou improcedente o pedido da Financeira, apenas na parte que considerou constitucional a Lei n° 9.718/98, seja porque as contribuições sociais nela previstas não ferem o art. 195, I, da CF, seja porque as expressões receita bruta e faturamento, em matéria tributária, se equivalem. Confirase a norma individual e concreta: TRIBUTÁRIO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. I – A equiparação dos conceitos de receita bruta e faturamento a que se refere o art. 3º da Lei n. 9.718/98 não se contrapõe à disciplina do art. 195 da Constituição Federal na redação anterior à Emenda n. 20/98 (Precedente do STF). II – A contribuições previstas no art. 195 da Constituição Federal podem ser instituídas por lei ordinária. (Precedentes do STF). III – Custas ex lege. IV – Sem honorários, por força da Súmula 512 do STF. V – Apelação da impetrante improvida. VI– Apelação da União provida. VII – Remessa oficial prejudicada. Conforme certidão de inteiro teor anexada ao processo, o acórdão foi rescindido na parte que considerou constitucional o art. 3º, § 1º, da Lei n° 9.718/98. Na ementa do acórdão da ação rescisória consta: TRIBUTÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. LEI 9.718/98. ART. 3º, § 1º. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. I. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar vários Recursos Extraordinários, dentre eles os RREEs ns. 357.950/RS, 358.273/RS, 346.084/PR e 390.840/MG, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que dava novo conceito ao termo faturamento, ampliando indevidamente a base de cálculo da COFINS, abrangendo a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil porventura adotada para as receitas. II. Prevalece, portanto, para fins de determinação da base de cálculo da Fl. 2029DF CARF MF Processo nº 15504.720621/201766 Acórdão n.º 3301005.532 S3C3T1 Fl. 2.030 10 COFINS, o definido na LC n. 70/91, que considera faturamento somente a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. III. Pedido rescisório que se julga procedente. IV. Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial, na ação principal não provida. ACÓRDÃO. Decide a Seção, por unanimidade, julgar procedente o pedido rescisório, para negar provimento à apelação da Fazenda Nacional e à remessa oficial. 4ª Seção do TRF da 1ª Região 29/07/2009. As razões do voto condutor são as seguintes: Entretanto, tal questão, hoje, encontrase pacificada na jurisprudência pátria, pois o STF definiu ser inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, a qual era entendida como a proveniente das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. No mais, prevalece, para fins de determinação da base de cálculo da COFINS, o definido na Lei Complementar n. 70/91, que considerou faturamento somente a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Oportuno frisar, ainda, a posição do eminente Ministro Gilmar Mendes no sentido de que, “sem adentrar em qualquer outra consideração em torno das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, pode se seguramente afirmar, pela data de sua edição já na vigência da EC nº 20/98 , que a elas não se aplicam os mesmos fundamentos de inconstitucionalidade afirmados pela Corte em torno do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98”. (REED 379.243/PR, DJ de 09/06/2006, p. 039). Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE o pedido rescisório formulado pela autora para desconstituir o acórdão proferido na AMS n. 1999.38.00.0171247/MG (fls. 305/312), tão só no que diz respeito ao art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98. A Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração com a alegação de que houve omissão no acórdão embargado em relação à natureza jurídica da autora e da repercussão dessa questão no decisum. Isso porque haveria omissão no julgado em relação ao tratamento a ser dado às receitas financeiras da Mercantil Financeira, visto que, ao se fundamentar na declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF em relação ao § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, ou seja, limitandose as contribuições às vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, não se pronunciou sobre o fato de ser a autora uma sociedade de crédito, financiamento e investimento, com receitas advindas de aplicações financeiras. Extraise do voto do relator dos Embargos da Fazenda Nacional (efl. 1.440): A despeito dos argumentos expendidos pela embargante, não vislumbro nenhum vício a autorizar o provimento desses Fl. 2030DF CARF MF Processo nº 15504.720621/201766 Acórdão n.º 3301005.532 S3C3T1 Fl. 2.031 11 embargos, tendo em vista que o julgado bem fundamentou o seu entendimento sobre a matéria, manifestandose, contudo, em sentido contrário à pretensão da embargante. Anotese, ademais, que não está o julgador obrigado a analisar todos os argumentos apresentados pelas partes, devendo, porém, expor os fundamentos de seu convencimento, o que foi feito nos autos, conforme se pode inferir da simples leitura do voto condutor do v. acórdão embargado. Se não fosse o bastante, observo que a questão relativa à natureza jurídica da autora e da repercussão dessa questão no decisum, não foi objeto de questionamento pela Fazenda Nacional nos presentes autos, nem mesmo em sua contestação (fls. 1.175/1.184), o que afasta à alegação de omissão do julgado e comprova a pretensão da embargante de ver alterado o decisum em seu mérito, o que é incabível nesta via de declaratórios. Eventual reforma do decisum deve ser buscada pela via recursal própria. De qualquer forma, declarada pelo STF a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo STF, até mesmo as instituições financeiras dela se beneficiam, pois, embora se sujeitando às disposições contidas nos §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei 9.718/98, as receitas financeiras inerentes às suas atividades intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros (art. 17, Lei 4595/64) se enquadram no conceito de faturamento e como tal definidas na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido vejase o seguinte julgado: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. COFINS. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. CONCEITO DE FATURAMENTO. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 557, PARÁGRAFO 1ºA, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INOCORRÊNCIA. 1. Investindo o recurso contra jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, tem incidência o disposto no artigo 557 do Código de Processo Civil a determinar o julgamento monocrático do recurso especial. 2. A base de cálculo da COFINS é a determinada pela Lei Complementar nº 70/91 (artigo 2º), equivalendo o conceito de faturamento ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, incluidamente os das instituições financeiras. 3. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1101985/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/11/2009, DJe 01/12/2009) Ressaltese, por fim, que, mesmo nas hipóteses de prequestionamento, os embargos devem obedecer aos ditames do Fl. 2031DF CARF MF Processo nº 15504.720621/201766 Acórdão n.º 3301005.532 S3C3T1 Fl. 2.032 12 art. 535 do CPC. Sem omissão, contradição ou obscuridade, os embargos de declaração são via imprópria para o rejulgamento da causa. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. Posteriormente, a própria Mercantil Financeira interpôs embargos de declaração, sustentando que, ao acrescentar novos fundamentos ao julgado recorrido, por ocasião do julgamento dos embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, citando o entendimento do STJ sobre a matéria tratada nestes autos, o acórdão teria sido obscuro. Dessa forma, seria necessário o esclarecimento acerca do conceito de faturamento para as instituições financeiras, no sentido de que abrange, apenas, as receitas decorrentes da venda de mercadorias e/ou serviços, excluídas, as receitas financeiras. A decisão dos Embargos da Financeira foi no seguinte sentido: Em que pesem os fundamentos deduzidos pela embargante, não se vislumbra, no Acórdão embargado, qualquer contradição, omissão e/ou obscuridade, a autorizar a veiculação dos embargos de declaração em referência. Com efeito, da simples leitura do voto condutor do julgado impugnado, verificase que a Seção julgadora, embora tenha acrescentado fundamentos novos ao decisum embargado, não alterou o resultado do julgamento, que julgou procedente a presente ação rescisória e, reexaminando o recurso voluntário e a remessa oficial interpostos nos autos de origem, negoulhes provimento, mantendose, por conseguinte, a sentença monocrática, nos termos em que foi proferida. Já no Mandado de Segurança n° 2000.38.00.0040950, foi negado provimento à apelação do contribuinte pela Quarta Turma do TRF da 1ª Região, em face da improcedência dos pedidos e consequente denegação da segurança. Após, interposto RE, no voto do Ministro Gilmar Mendes consta (efl. 1.635): Tratase de recurso extraordinário interposto com fundamento no art. 102, III, “a”, da Constituição Federal, contra acórdão no qual ficou assentada a constitucionalidade do §1° do artigo 3° da Lei nº 9.718, de 1998, em face do disposto no art. 195, I, da carta Magna, com a redação anterior à Emenda Constitucional nº 20, de 16 de dezembro de 1998. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 357.950, Rel. Marco Aurélio, sessão de 09 de novembro de 2005, decidiu em sentido contrário. Assim, conheço e dou provimento ao recurso (art. 557, §1oA, do CPC), para afastar a aplicação do §1° do artigo 3° da Lei nº 9.718, de 1998. Sem honorários (Súmula nº 512/STF). A certidão de objeto e pé apontou: CERTIFICA, a requerimento de parte interessada, que, revendo os registros nesta Secretaria, verificou constar a tramitação do MANDADO DE SEGURANÇA, processo n° Fl. 2032DF CARF MF Processo nº 15504.720621/201766 Acórdão n.º 3301005.532 S3C3T1 Fl. 2.033 13 2000.38.00.0040950, impetrado pelo BANCO MERCANTIL DO BRASIL S/A E OUTROS contra ato do DELEGADO DA RECEITA FEDERAL EM BELO HORIZONTE/MG, distribuído em 15/02/2000, em que as impetrantes, instituições financeiras, pleiteiam que lhes seja garantido o direito ao não recolhimento da contribuição do PIS, conforme o disposto no artigo 3º da Lei n° 9.718/98, sendo autorizadas a efetuarem o recolhimento da referida contribuição à alíquota de 0,65%, conforme artigo 1º da MP 1.99114, sobre o efetivo faturamento das impetrantes, que abrange a receita decorrente de prestação de serviços a seus clientes, ou, subsidiariamente, que possam recolher o PIS, a partir de 01/01/2000, nos termos do art. 3º, § 2º, da Lei Complementar7/70, isto é, o equivalente a 5% do imposto de rendo devido (PISRepique). Certifica também que, em 15/12/2000, foi proferida sentença julgando improcedentes os pedidos e denegando a segurança, da qual foi interposto recurso de apelação pela impetrante, ao qual foi negado provimento. Certifica, finalmente que, a Impetrante interpôs recurso especial, que foi inadmitido; recurso extraordinário, que foi admitido e provido para afastar a aplicação do §1º do artigo 3º da Lei n° 9.718/98; que a decisão transitou em julgado em 09/12/2005, que os autos retornaram a esta Instância e foram recebidos em 01/02/2006. O referido é verdade e dá fé. DADA E PASSADA nesta cidade de Belo Horizonte, aos 08 dias do mês de fevereiro de 2006. Logo, ao contrário do alegado, a Recorrente não questionou explicitamente no mencionado Mandado de Segurança quais das suas receitas decorrentes de sua atividade típica comporiam, ou não, o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições. O pedido formulado no mandado de segurança foi: "direito de recolherem a contribuição ao PIS a partir de 01/01/2000 à alíquota de 0,65% (art. 1° da Medida Provisória n° 1.99114) sobre o efetivo faturamento das Impetrantes (art. 195, I, da Constituição tal como redigido à época da promulgação da Lei n° 9.718/98), que engloba a receita decorrente de prestação de serviços a seus clientes, reconhecendo incidentalmente a inconstitucionalidade do art. 3° da Lei n° 9.718/98 (instituição de nova contribuição social ao arrepio da regulamentação constitucional do exercício da competência residual da União), aplicandose tal diploma no que tange ao restante de suas disposições.” Assim, observase que o STF apenas apreciou a questão da constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, não entrando no mérito da composição da base de cálculo, ou seja, tal como na ação rescisória, a decisão transitada em julgado apenas afastou o alargamento da base de cálculo do PIS, não tratando especificamente de quais receitas compõem o conceito de receita bruta/faturamento previsto no caput do mesmo artigo, para as instituições financeiras. Por outro lado, a autuação se deu por motivos diversos, conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal (efls. 2334): Além disso, a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, proferida pelo STF, não modificou o fato de que a referida base de cálculo, para as instituições financeiras, é a receita bruta da pessoa jurídica, excluídas as Fl. 2033DF CARF MF Processo nº 15504.720621/201766 Acórdão n.º 3301005.532 S3C3T1 Fl. 2.034 14 receitas não operacionais, com as exclusões contidas nos §§ 5º e 6º do mesmo art. 3º. (...) Isto posto, tendo em vista que o contribuinte ofereceu à tributação do PIS e da COFINS apenas parte de suas receitas, ou seja, as receitas operacionais de prestação de serviços por ele auferidas, procedeuse à apuração das bases de cálculo mensais do PIS e da COFINS nos anoscalendário de 2012 e 2013, sendo consideradas na composição das referidas bases todas as receitas operacionais auferidas (de prestação de serviços e de intermediação financeira), com as exclusões e deduções legais previstas na Lei nº 9.718/98, conforme o disposto na Instrução Normativa SRF nº 247, de 21/11/2002, e sua redação vigente no período fiscalizado, sendo observado ainda o disposto na Nota Técnica COSIT/SRF nº 21, de 28/08/2006, e o Parecer PGFN/CAT nº 2.773, de 13/12/2007, anteriormente citados. Por conseguinte, as receitas não operacionais, auferidas pelo contribuinte nos anoscalendário de 2012 e 2013, não integraram as bases de cálculo do PIS e da COFINS apuradas nesta ação fiscal. Com efeito, as decisões restringiramse a afastar a incidência do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, com fundamento na ocorrência de vício de inconstitucionalidade, o que, todavia, não autoriza inferir a impossibilidade de as receitas financeiras da Recorrente submeteremse à incidência de PIS e COFINS, na linha do pronunciamento do STF. Consoante a dicção do caput do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, a base de cálculo das contribuições de PIS e COFINS é o faturamento, equivalente à receita bruta, que corresponde à receita decorrente das atividades típicas, próprias da pessoa jurídica em cada ramo de atividade econômica, não se limitando à venda de mercadorias e prestação de serviços. A noção de faturamento está intrinsecamente relacionada ao resultado financeiro decorrente do exercício das atividades principais das empresas, ou seja, aquelas vinculadas ao seu objeto e que se referem, em regra, à maior parcela do ingresso de valores da pessoa jurídica, em respeito aos princípios da isonomia, capacidade contributiva e, também, aos princípios que regem a seguridade social: universalidade, solidariedade e equidade na forma de participação do custeio. No caso em comento, tendo em vista que as receitas financeiras resultam de operações desenvolvidas pela Recorrente em sua atividade empresarial típica, de rigor a incidência do PIS e da COFINS sobre tais receitas. A autuação fiscal não teve como fundamento o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas sim decorre da tributação das receitas operacionais da Recorrente, de acordo com o objeto definido no seu estatuto social, as quais foram consideradas faturamento para fins de incidência das referidas contribuições. Fl. 2034DF CARF MF Processo nº 15504.720621/201766 Acórdão n.º 3301005.532 S3C3T1 Fl. 2.035 15 A declaração de inconstitucionalidade do §1° do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo pleno do STF nos RE n° 357.950, RE n° 390.840, RE n° 358.273 e RE n° 346.0842 não implica que as receitas financeiras, bem como as rendas de operações de crédito com empréstimos, financiamentos e de aplicação de depósitos interfinanceiros das instituições financeiras não estejam sujeitas ao PIS e à COFINS, devendo essas serem tributadas já que compreendidas no conceito de faturamento. Por conseguinte, entendo que as ações judiciais não têm o mesmo objeto do presente processo administrativo. É de se concluir, que, não houve afronta à coisa julgada: (a) os provimentos judiciais obtidos silenciaram em relação à abrangência do que seriam receitas de prestação de serviços e venda de mercadorias das instituições financeiras (e, por exclusão, do que seriam “receitas financeiras” de instituições financeiras) para fins de tributação pelas contribuições; e (b) a discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência das contribuições não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, como já reconheceu o STF. Quanto ao argumento de que apenas a partir do advento da Lei nº 12.973/2014 é que se tem normativamente incluído no conceito de receita bruta "as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica, não compreendidas nos inciso I e III", sustenta a Financeira que a inclusão de forma expressa deste inciso indica que antes não havia a possibilidade de tributação das receitas financeiras pelo PIS e pela COFINS. Discordo do inconformismo, já que a incidência do PIS e da COFINS sobre o “faturamento” tem previsão legal anterior a entrada em vigor da Lei nº 12.973/2014. Inclusive, o próprio STF interpretou o conceito de faturamento antes da edição dessa lei. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO E DOS JUROS Como dito acima, entendo que os comandos judiciais não foram violados pela lavratura do auto de infração, portanto, a questão da inclusão ou não das receitas decorrentes da atividade empresarial típica da instituição financeira no conceito de faturamento não foi objeto de pronunciamento judicial. 2 “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” Fl. 2035DF CARF MF Processo nº 15504.720621/201766 Acórdão n.º 3301005.532 S3C3T1 Fl. 2.036 16 Mais uma vez, o lançamento não teve como fundamento o §1º do art. 3º da Lei n° 9.718/1998. E, as receitas decorrentes das atividades do setor financeiro estão sujeitas à incidência das contribuições do PIS e da COFINS, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§ 5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao disposto no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, considerado inconstitucional pelo STF. Com isso, não há que se falar em suspensão da exigibilidade e cancelamento da multa de ofício. Reitero, não houve aplicação do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718/1998 no auto de infração. Diante da sentença de procedência, na origem, a autoridade fiscal estava sim autorizada a cobrar da Recorrente o PIS e a COFINS sobre a totalidade de sua receita típica/operacional. Não há falarse em lavratura do auto de infração com exigibilidade suspensa, por isso resta afastada a prescrição do art. 63 da Lei nº 9.430/96: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Na origem, o crédito não estava com exigibilidade suspensa no momento da constituição, o contribuinte estava sim na data do início da fiscalização obrigada ao recolhimento das contribuições como exigido pela autoridade fiscal. Logo, é devida a cobrança de multa de ofício. Quanto à alegação de incongruência entre a autuação e o disposto na IN SRF n° 247/02, adoto as razões do acórdão n° 3301002.841, processo n° 15504.722261/201494, proferido por esta 1ª Turma (Recorrente Banco Mercantil do Brasil S/A): O Recorrente requer, subsidiariamente, que seja afastada a imposição de juros e de multa neste caso concreto. Fundamenta o seu pleito no fato de a equiparação do conceito de faturamento à receita bruta operacional esbarrar na orientação disposta na Instrução Normativa nº 247/02, que não coloca as "rendas de operações de crédito", as "rendas de aplicações interfinanceiras de liquidez" e as "rendas de títulos e valores mobiliários" no Grupo de Contas 7.1.7, que corresponde a "Rendas de prestação de serviços". Fl. 2036DF CARF MF Processo nº 15504.720621/201766 Acórdão n.º 3301005.532 S3C3T1 Fl. 2.037 17 Alega, então, que a imposição de multa e juros no presente caso iria de encontro ao disposto no parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Também neste ponto entendo que não assiste razão ao contribuinte. Isso porque, apesar de a mencionada Instrução Normativa não ter enquadrado as "rendas de operações de crédito", as "rendas de aplicações interfinanceiras de liquidez" e as "rendas de títulos e valores mobiliários" no Grupo de Contas 7.1.7, correspondente a "Rendas de prestação de serviços", não possui o condão de acobertar a interpretação realizada pelo contribuinte no sentido de excluir tais rendas da base de cálculo do PIS e da COFINS. Até porque, conforme constou da decisão recorrida, percebase que o Anexo I da IN 247/2002, apesar de não incluir ditas rendas no grupo de contas relativa à rendas de prestação de serviços, "incluía todas as demais receitas operacionais na composição da base de cálculo do PIS e da COFINS, demonstrando que para o órgão tributário a receita de prestação de serviços deve ser aquela auferida no seu sentido econômico".´ Nesse diapasão, caso estivesse de fato seguindo os ditames da referida Instrução Normativa, para que pudesse pretender a aplicação do parágrafo único do art. 100 do CTN, deveria incluir na base de cálculo do PIS e da COFINS todos os itens ali listados, e não apenas os indicados no Grupo de Contas 7.1.7. Com base em tais fundamentos, entendo pela manutenção da decisão de primeira instância administrativa quanto ao presente ponto, mantendo a imposição dos juros e da multa aplicados, visto que foram aplicados em consonância com os ditames legais, ao passo que inexiste fundamento jurídico apto a ensejar o seu afastamento. Quanto à exclusão de juros, tal pleito deve ser indeferido, face à Súmula CARF n° 4: Fl. 2037DF CARF MF Processo nº 15504.720621/201766 Acórdão n.º 3301005.532 S3C3T1 Fl. 2.038 18 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em decorrência, deve ser mantida a aplicação de multas e juros. ALEGAÇÃO DE ERROS NO CÁLCULO DO AUTO DE INFRAÇÃO A Recorrente é pessoa jurídica de direito privado, constituída sob a forma de sociedade por ações e autorizada pela CartaPatente nº 94, de 17/08/1960, do Banco Central do Brasil, a funcionar como instituição financeira – sociedade de crédito, financiamento e investimento. Seu objeto social está descrito no artigo 3º do Estatuto Social nesses termos: Art. 3º A Sociedade tem por objeto a prática das operações previstas para as sociedades da espécie nas disposições legais e regulamentares. A fiscalização apurou o conjunto das receitas operacionais contabilizadas pelo contribuinte, nos anoscalendário de 2012 e 2013, nos seguintes grupos contábeis do Plano de Contas COSIF: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais A Recorrente requer a exclusão da base de cálculo dos valores referentes a conta COSIF Variações Monetárias Ativas e das receitas financeiras decorrentes de aplicação de recursos próprios (não de terceiros). Ao contrário do que defende, essas rubricas contêm receitas que são tributáveis, porquanto registram as receitas operacionais, que são atividades típicas, regulares e habituais da Financeira. Adoto mais uma vez as razões do acórdão n° 3301002.841, proferido no processo n° 15504.722261/201494: Quanto à conta 7.1.9.99.00.9.1 Outras Rendas Operacionais, que o Recorrente alega corresponder às variações monetárias ativas que referemse a juros sobre depósitos judiciais fiscais cíveis e trabalhistas e correção de créditos de tributos a recuperar, dentre outras, entendo correta a conclusão obtida Fl. 2038DF CARF MF Processo nº 15504.720621/201766 Acórdão n.º 3301005.532 S3C3T1 Fl. 2.039 19 pela decisão recorrida. Isso porque, com base no que determina o art. 9º da Lei nº 9.718/98, as variações monetárias, para efeitos da legislação do PIS e da COFINS, serão consideradas como receitas ou despesas financeiras, in verbis: Art. 9° As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso. E como no caso dos bancos a receita financeira, via de regra, compõe o conceito de faturamento para fins de tributação de PIS e COFINS, por fazer parte de atividade típica descrita no objeto social da instituição financeira, a presunção legal é de que as variações cambiais devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Ou seja, uma vez que a legislação equipara tais variações a receitas financeiras, e que uma instituição financeira poderá auferir renda de variações monetárias que representem a sua atividade principal, seria imprescindível que o contribuinte comprovasse neste caso concreto que tais variações decorrem de atividades não enquadradas como atividade típica do banco, o que não ocorreu. Por fim, quanto às receitas oriundas de aplicação de recursos próprios, entendo que tampouco assiste razão ao Recorrente. Como bem asseverou o julgador da DRJ/SPO, "as instituições financeiras também têm como atividade principal, ligada ao seu objeto social, a aplicação de recursos próprios, de modo que a renda destas aplicações devem compor o faturamento e consequentemente serem tributadas pelo PIS e pela COFINS". O Recorrente alega que tais receitas não poderiam ser consideradas como receitas financeiras auferidas pelo Recorrente em razão do exercício do seu objeto social, por não serem receitas de intermediação financeira, decorrente da captação de recursos de terceiros no mercado para posterior aplicação. Acontece que, da simples leitura do objeto social da Recorrente, constante de fl. 161 dos autos, verificase que o objeto social da empresa é: "a realização de operações bancárias em geral, podendo, inclusive, com as competentes autorizações previstas em Lei, operar em câmbio, em compra e venda de títulos públicos e participar de outras sociedades". Ou seja, o objeto social não restringe a atividade principal da empresa à operações bancárias de recursos de terceiros. Ao contrário, dispõe ser objeto da empresa a realização de operações bancárias em geral. Até porque são as receitas decorrentes do exercício das atividades empresariais do Recorrente que deve compor a sua Fl. 2039DF CARF MF Processo nº 15504.720621/201766 Acórdão n.º 3301005.532 S3C3T1 Fl. 2.040 20 base de cálculo de PIS e da COFINS, incluindose nestas, por se tratar de instituição financeira, as receitas da intermediação financeira, porém, não se limitando a tais receitas. Outras também poderão ser incluídas desde que representem a realização de atividade típica da empresa, conforme descrito no seu contrato social. De acordo com o objeto social da Recorrente, as receitas financeiras constituemse como receitas operacionais, as quais se enquadram no conceito de faturamento para fins de cálculo de PIS/COFINS, portanto, deve ser mantida a decisão administrativa de primeira instância em sua integralidade. CONCLUSÃO Por conseguinte, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 2040DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000151/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador:06/03/2007
RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE.
Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-006.223
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 01 51 /2 01 1- 17 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11128.000151/201117 Acórdão n.º 3302006.223 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento da restituição relativa a PIS/Pasep importação e Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação posteriormente retificada, por falta de apresentação de documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro recolhido indevidamente, consoante o art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Segundo a Fiscalização, o referido crédito tributário recolhido quando do registro da DI poderia ter sido compensado pelo importador, nos termos da legislação de regência, independentemente de autorização da Receita Federal RFB. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou que o crédito apurado não podia ser objeto de compensação por ser devido no registro de Declaração de Importação, conforme o artigo 74, § 3º, II, da Lei nº 9.430/1996, tratandose de uma exceção legal que não proporcionava segurança jurídica para se requerer a compensação sem prévia concordância do Fisco, tendo em vista o entendimento da Fiscalização quanto à necessidade de comprovação da assunção econômica do encargo. Segundo o então Manifestante, não havendo previsão legal de transferência do encargo financeiro, bem como existindo lei que previa o importador como contribuinte, não era cabível a alegação do Auditor Fiscal de que seria devida a comprovação de assunção do encargo financeiro do tributo recolhido. Ainda segundo ele, mesmo que se entendesse válida a discussão acerca da assunção do encargo financeiro, essa só se justificaria em relação ao montante pago referente à mercadoria desembaraçada, inexistindo fato gerador de PIS/Pasep e Cofins relativos a uma importação não ocorrida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 07033.712, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, fundamentandose também na necessidade de prova de assunção do encargo financeiro dos tributos, com apresentação de documentos, informações e lançamentos contábeis que demonstrassem de forma inequívoca o efetivo suporte desse encargo. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, reproduzindo seus argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11128.000151/201117 Acórdão n.º 3302006.223 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.205, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 11128.000042/201191, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.205): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente é imperioso destacar que a solução do litígio envolve apenas a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, inexistindo discussão sobre as fatos que geraram o pagamento indevido ou a maior, é o que se extrai do despacho decisório de fls. 5153 e da decisão recorrida, a saber: Despacho decisório Os pleitos referemse a importação de mercadoria a granel onde foi constatada falta em relação às quantidades manifestadas, conforme os Laudos Periciais em anexo aos processos supracitados. Todas as DIs foram objeto de retificação após o desembaraço. Cópias dos respectivos pedidos de retificação (PCI) estão anexadas aos processos. As retificações acima referidas, tendo em vista apuração de falta de mercadoria, demonstram que houve pagamento a maior dos tributos em questão, conforme valores discriminados na relação acima. Ocorre que não foi acostada aos processos acima relacionados documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, consoante o Art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Por outro lado, o crédito tributário referente ao PIS e COFINS recolhido quando do registro da DI poderá ser utilizado pelo importador, conforme a legislação que rege os tributos em questão. Este procedimento independe de autorização da RFB. Tendo em vista o acima exposto, proponho o indeferimento dos pedidos de restituição do PIS e COFINS referentes aos processos acima discriminados. Decisão recorrida Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11128.000151/201117 Acórdão n.º 3302006.223 S3C3T2 Fl. 5 4 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. E o ônus dessa demonstração não cabe ao Fisco. Os sistemas contábeis e respectivos planos de contas são de livre escolha das empresas e, no caso de pedido que envolva a prova prevista no artigo 166 do CTN, devem os requerentes fazer as devidas e satisfatórias demonstrações à vista de suas opções contábeis. E tais demonstrações, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas. Se a interessada, em sua escrituração fiscal, utilizou, em seu favor, de crédito correspondente ao valor de que agora pretende verse ressarcida, referente a PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação, resta impossibilitado o deferimento de seu pedido, em decorrência do duplo aproveitamento de um só crédito de tributo. No presente caso, não há comprovação de que o requisito da norma esteja perfeitamente atendido. Ou seja, não se discute a ocorrência de fatos que ensejaram o pagamento indevido ou maior, mas tão e somente a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, previsto no artigo 166, do CTN, outrora utilizado pela fiscalização para indeferir o pedido de Restituição da Recorrente. A respeito disso, verificase que a decisão recorrida manteve o despacho decisório nos seguintes termos: Em primeiro lugar, cumpre mencionar que a restrição legal imposta à solicitação de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos decorrentes de pagamento indevido ou maior que o devido de tributos, cujo encargo financeiro tenha sido suportado por outro, encontrase prevista no art. 166 do Código Tributário Nacional CTN, nos seguintes termos: “Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” No mesmo sentido dispõe a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, em seu art. 6º, nos seguintes termos: Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11128.000151/201117 Acórdão n.º 3302006.223 S3C3T2 Fl. 6 5 “Art. 6º A restituição de quantia recolhida a título de tributo administrado pela RFB que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” Das disposições legais transcritas surge o entendimento de que essas alcançam apenas aqueles tributos que comportam a transferência de seu ônus financeiro a terceiros, mediante o registro contábil em conta corrente de débitos e créditos; aqueles cujo contribuinte de fato é o consumidor final, jamais o contribuinte de direito que, embora onerado pelo dever de pagar, não pode, pela própria concepção jurídica desses tributos, suportar economicamente seus encargos. É entendimento que somente os indébitos tributários relacionados a tributos indiretos é que são alcançados pelas disposições contidas no art. 166 do CTN. Assim, o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação são regidos pela nãocumulatividade, estando incluídos no rol dos tributos indiretos, conforme dispõe o art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. Estas contribuições possuem natureza jurídica que comporta a transferência do respectivo encargo financeiro. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. ( Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005 ) 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11128.000151/201117 Acórdão n.º 3302006.223 S3C3T2 Fl. 7 6 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. Contudo, entendo que a decisão recorrida merece reforma, posto que os tributos incidentes da importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro, sendo que o sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Essa questão inclusive foi analisada nos autos do PA nº 10909.005708/200842 (acórdão nº 3302004.439), que contou com a participação deste relator, a saber: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 02/09/2005 a 06/09/2005 RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO E COFINS IMPORTAÇÃO. PERDIMENTO DA MERCADORIA IMPORTADA POR CONTA E ORDEM ANTES DO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. RESTITUIÇÃO DO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES INDEVIDAS. LEGITIMIDADE ATIVA DO IMPORTADOR. POSSIBILIDADE. Por não comportar a transferência do encargo financeiro, o importador tem legitimidade ativa para pleitear a restituição dos valores indevidos da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da CofinsImportação pagos no âmbito da operação de importação por conta e ordem simulada, em que as mercadorias importadas foram objeto de pena de perdimento antes do desembarco aduaneiro e da transferência ao real adquirente. Embargos Rejeitados. Direito Creditório Reconhecido. Neste cenário, deve ser reconhecido o crédito apurado pela Recorrente referente ao PIS/Pasepimportação e a Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação objeto dos autos, posteriormente retificada. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11128.000151/201117 Acórdão n.º 3302006.223 S3C3T2 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recuso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito apurado referente ao PIS/Pasep importação e à Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação objeto dos autos, posteriormente retificada. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.002227/2004-62
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-000.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1364; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10320.002227/200462 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.968 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 4 de dezembro de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL Recorrente TCM TRANSPORTES COLETIVOS MARANHENSE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO ANOCALENDÁRIO 1998. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública que pretenda compensar com débitos apurados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 08 23.191 1ª Turma da DRJ/FOR, que considerou improcedente a manifestação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 22 27 /2 00 4- 62 Fl. 427DF CARF MF 2 inconformidade contra o Despacho Decisório que negou a compensação pleiteada pela recorrente. Reproduzo, a seguir, o relatório resumidamente: Relatório O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em 15.12.2004 (fls. 22 E 23), alegando que: a) na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa ao 4º trimestre de 2000, entregue tempestivamente em 15.2.2001, constou a compensação do débito de CSLL (12/2000) em duas parcelas: a primeira compensação, sem DARF, no valor de R$ 6.648,76, com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ (processo administrativo nº 10320.001295/0091), e a segunda, sem processo, no valor de R$ 1.284,32, com saldo negativo de CSLL; b) a informação acima conteria um erro de fato, que foi corrigido por uma DCTF retificadora, apresentada em 10.12.2004, onde foram alteradas as parcelas de compensação do débito de CSLL, P.A. 12/2000, no valor total de R$ 7.933,08, para: a)primeira parcela, compensação com saldo negativo de CSLL anocalendário 1998, no valor de R$ 6.704,07, e b) segunda parcela, compensada com saldo negativo de IRPJ anocalendário 1998, no valor de R$ 1.229,01. Para comprovar anexou cópia da DIPJ (anocalendário 1998) entregue em 15.10.1999. Ao final, pleiteou que a autoridade julgadora tomasse conhecimento da impugnação, deferindo o requerimento de extinção do crédito tributário, declarando a insubsistência do Despacho Decisório e arquivando o processo. Em seguida o processo foi alvo de duas diligências, que resultaram nos relatórios de fls. 312 a 316 (primeira diligência) e de fls. 359 a 366 (segunda diligência), seguidas de nova manifestação da defesa, às fls. 354/355. Essas peças processuais serão analisadas no voto que logo se inicia. Cientificada em 27/04/2012 (fl. 381), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 28/05/2012 (fl. 384). Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente alega, basicamente, que: · a Recorrente considerou na Declaração de Compensação de Débitos e Créditos Tributários Federais, 4a Trimestre de 2000, página 16, entregue tempestivamente em 15.02.2001, tendo constado a compensação sem DARF no valor de: R$6.648,76 (IRPJ) e R$1.284,32 (CSLL); · Com relação ao segundo valor, a Recorrente teria incorrido em erro de fato, sendo certo que buscou retificar oportunamente com a entrega da DCTF e, 10.12.2004, sendo que na página 15, em outras compensações, indicouse o valor de R$7.933,08, que seria o crédito Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10320.002227/200462 Acórdão n.º 1001000.968 S1C0T1 Fl. 3 3 de R$6.704,07 e o de R$1.229,01, como saldo negativo de IRPJ de 31.12.1998. · Tanto que para comprovar diligenciou a Recorrente no sentido de exibir a DIPJ do no calendário de 1998 entregue em 15.10.1999. No mesmo sentido, acudindo às intimações da fase de diligências, a Recorrente procurou esclarecer, em atendimento à intimação quanto aos termos da verificação por parte da SAORT, os termos da manifestação já protocolizada às fls. 18 e ss. · A propósito, esclareçase que a RFB incorreu equivoco a respeito dos valores informados. Isso porque, a ora Recorrente, como dito anteriormente, promoveu a retificação da DCTF ref. 4o trimestre de 2000, entregue em 15.02.2001 pela DCTF retificadora entregue em 10.12.2004, onde na página 15, passou a constar outras compensações pelo valor de R$7.933,08 o crédito de R$6.704,77 (e não R$6.648,76) como saldo negativo do CSLL de 31.12.1998 e R$1.229,01 (e não 1.284,32) como saldo negativo de IRPJ de 31.12.1998. · A propósito, é o que consta da DIPJ do anocalendário de 1998, entregue em 15.10.1999 e demonstrativos às fls. 27/28. Aliás, tais informações podem e devem ser confirmadas a partir das verificações em torno do Livro Razão n. 17, folhas 205206, assim como pelo Diário n. 17, folha 448. A recorrente discorre sobre a legislação que rege a matéria e um acórdão dessa CARF (Acórdão l402000.388), cuja ementa reproduzo (decisão por maioria de votos): COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS E DÉBITOS APURADOS NA DIPJ E DECLARADOS EM DCTF. ASPECTOS MATERIAIS QUE DEVEM PREVALECER SOBRE OS REQUISITOS PROCEDIMENTAIS. Do seu lado, é notório o esforço da autoridade em buscar a verdade material, tanto que diligenciou duas vezes. Proferiu o acórdão (fl s 369 a 376), ao qual peço a devida venia para reproduzilo (parcialmente), por concordar com os argumentos: Por outro lado, não posso acolher o argumento, exposto na manifestação de inconformidade, de que o débito de CSLL, dez/2000, teria sido compensado em duas parcelas, conforme demonstrado nas planilhas de fls. 31 e 32 e na DCTF retificadora, uma com crédito anterior de IRPJ (no valor de R$ 1.229,01) e a outra, que nos interessa, com crédito anterior de CSLL (no valor de R$ 6.704,07, e não de R$ 6.648,76). Não posso admitir essa informação, porque diferentemente do que assegura a defesa, às fls. 205/206 do Livro Razão nº 17 (fls. 328/329 do processo) e às fls. 448 do Livro Diário nº 17 (fls. 332 do processo) está registrada – como ficou elucidado pela autoridade responsável pela diligência – a compensação do débito total de CSLL, dez/2000, no valor de R$ 7.933,08, em duas parcelas, a primeira baseada em crédito de saldo negativo de IRPJ na importância de R$ 6.648,76, enquanto a segunda amparada em crédito de saldo negativo de CSLL na quantia de R$ 1.284,32. Fl. 429DF CARF MF 4 Portanto, antes da apresentação da DCOMP não havia ocorrido a liquidação do débito, entre tributos da mesma espécie (CSLL X CSLL), na forma prevista no art. 14 da IN SRF nº 21, de 10 de março de 1997. Os demonstrativos apresentados pela manifestante, às fls. 31 e 32, não estão em sintonia com a contabilidade da empresa, de modo que a recorrente não logrou comprovar os argumentos de defesa, nas duas oportunidades que lhe foram proporcionadas. E não se trata de mera formalidade, pois se o Contribuinte não comprovou que o débito de CSLL, dez/2002, no valor de R$ 6.648,76 (confessado na DCOMP) foi compensado na contabilidade com saldo anterior de CSLL, significa dizer que referido crédito (saldo credor de CSLL, anocalendário 1998), materialmente reconhecido pela unidade de origem na última diligência, permaneceu disponível na conta 1.1.2.04.01 Contrib. Social – Exerc. Anteriores, para utilização em outros eventos. Vale mencionar que os registros contábeis expostos nos autos limitamse ao anocalendário 2000. Também, não entrevi no processo sinais de que tenha ocorrido um mero equívoco na contabilidade, pois as informações apostas na DCTF retificadora, entregue após o despacho de não homologação da DCOMP, e defendidas na manifestação de inconformidade estão em discordância com a escrituração comercial e não foram corroboradas por outros elementos que indiquem a possibilidade do engano. Além disso, o Contribuinte mantém conta própria para registrar os créditos de IRPJ, relativos a exercícios anteriores, não havendo, na contabilidade anexada aos autos, indícios de que possa ter ocorrido uma mistura desses valores. Quanto à possibilidade da extinção do débito com suporte em crédito oriundo de saldo credor de IRPJ, hipótese relegada pela defesa e não passível de apuração com base nos elementos contidos nos autos, vale destacar que a informação da DCTF original foi mantida pela empresa até a ciência do ato que não homologou a presente DCOMP, ao mesmo tempo, relembrese que o débito objeto da discussão não figura no processo administrativo informado naquela DCTF, como se vê no extrato de fls. 368. Ciente de ter realizado uma incessante busca em torno da verdade material, estou convencido de que a empresa não logrou comprovar o quanto alegado em prol do seu interesse, isto é, não demonstrou que o débito informado na DCOMP já havia sido anteriormente quitado, por meio de compensação regularmente realizada na metodologia vigente antes de instituída a nova sistemática pela Medida Provisória nº 66, de 2002, publicada no DOU de 30.8.2008, que alterou o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Portanto, entendo que a recorrente teve várias oportunidades para provar o seu ponto de vista, mas, não logrou êxito. Reitero que o fato de a autoridade fiscal ter diligenciado por duas vezes demonstra a sua vontade de buscar a verdade material, tal como citado no acórdão do CARF. Assim, voto por manter a decisão da DRJ e negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10320.002227/200462 Acórdão n.º 1001000.968 S1C0T1 Fl. 4 5 Fl. 431DF CARF MF
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Numero do processo: 13827.000240/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o presente processo administrativo até que se verifique o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 0004232-59.2011.4.03.6108. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13827.000253/2010-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone- Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Rogerio Borges, Caio César Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o presente processo administrativo até que se verifique o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 000423259.2011.4.03.6108. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13827.000253/201091, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Rogerio Borges, Caio César Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 27 .0 00 24 0/ 20 10 -1 2 Fl. 260DF CARF MF Processo nº 13827.000240/201012 Resolução nº 1402000.772 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face da r. decisão proferida pela 5' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Adoto o relatório empreendido pela DRJ em sua integralidade complementando o ao final no que necessário: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior a título de Parcelamento da Lei nº 10.684/2003, Código Receita 7122, no período de apuração 30/06/2005, no valor de R$ 618.018,64, apresentado em formulário impresso, protocolizado em 30/03/2010. No formulário, o interessado alegou que o pedido teria por objeto “a restituição da parcela do PAES Parcelamento Especial de que trata a Lei 10.648/2003 10.684/2003, não utilizadas pela RFB na amortização da dívida consolidada no âmbito do PAES, por terem sido recolhidas após a data dos efeitos da exclusão do referido programa, conforme dispõe o § 1º do art. 12 da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 3/2004”. O despacho decisório proferido pela Auditora Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru/SP não reconheceu o direito creditório, pois verificou que o referido pagamento teria sido utilizado para quitar débito do contribuinte inscrito em dívida ativa. No despacho, a autoridade ponderou que a exclusão do PAES teria ocorrido com efeitos a partir de 12/03/2005, mas a Fazenda Nacional teria ajuizado processo de execução fiscal nº 2005.61.09.0031397, no qual teria sido determinado que fossem feitos Redarfs dos recolhimentos referentes ao PAES para que fossem aproveitados na quitação de débitos inscritos em Dívida da União. Assim, em cumprimento à decisão judicial, foram feitos os Redarfs, alterando o Código Receita dos pagamentos para 4493 – Dívida Ativa Cofins. Como o pedido de restituição tratava de tributos e contribuições administrados pela Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados a ela, para que se manifestasse sobre a procedência do pedido do contribuinte. Em resposta, a PFN se manifestou pelo não reconhecimento do direito creditório, já que o pagamento teria sido imputado ao débito inscrito nas CDAs nº 80.6.05.04289770. Cientificado do despacho, o recorrente apresentou manifestação de inconformidade para alegar que teria sido excluído do Paes indevidamente, pois teria compensado algumas parcelas com crédito prêmio do IPI, mas que teria autorização judicial Fl. 261DF CARF MF Processo nº 13827.000240/201012 Resolução nº 1402000.772 S1C4T2 Fl. 4 3 para tal procedimento e que também teria ação judicial para ser reincluído no parcelamento (processo nº 2008.61.00.0218613). Defendeu que antes mesmo de ser proferida decisão definitiva judicial, teriam entrado em vigor as Medidas Provisórias nº 449/2008 e 470/2009, as quais teriam permitido o parcelamento de débitos compensados com créditoprêmio de IPI. O interessado afirmou que teria optado por reparcelar os débitos, através da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, mas que teria sido obrigado a desistir e renunciar às ações judiciais para ser incluído em tal parcelamento. Alegou que o montante pago durante sua adesão ao Paes e os débitos consolidados deveriam ter sido aproveitados no novo parcelamento, conforme inc. II, art. 3º da Lei nº 11.941/2009, mas que isso não teria ocorrido. O contribuinte discordou do procedimento da Procuradoria da Fazenda Nacional, por ter imputado os pagamentos sem antes consultálo, alegando ofensa ao contraditório, por não ter sido aberto prazo para impugnação. Atribuiu que teria ocorrido compensação de ofício, conforme o § 2º do art.49 da IN RFB nº 900/2008, nas imputações de pagamentos levadas a efeito pela Procuradoria da Fazenda Nacional, mas que não teria sido concedido o prazo de quinze (15) dias para o contribuinte se manifestar. Afirmou que teria impetrado mandado de segurança, processo nº 0004232 59.2011.4.03.6108, para pleitear a nulidade da imputação dos pagamentos ocorridas nas execuções fiscais processo nº 2005.61.09.0031397, 2007.61.09.0060357, 2007.61.09.002017 7 e 2005.61.09.0039128. Alegou que os débitos executados estariam sendo discutidos judicialmente, garantidos por penhora e que não se poderia compensar de ofício débitos do sujeito passivo com a exigibilidade suspensa. Citou o art. 369 do Código Civil, dizendo ser indispensável para a compensação de ofício que o crédito estivesse vencido e fosse exigível. Defendeu que a imputação de débitos não seria permitida nos casos em que houvesse penhora e discussão em embargos à execução, pois haveria o risco da União receber o crédito duas vezes, pela via administrativa (compensação de ofício) e pela via judicial (execução fiscal). Por outro lado, afirmou que na manifestação de inconformidade visava o reconhecimento do crédito, que não deveria ser analisado pela óptica da execução fiscal, mas como crédito originário das parcelas do Paes. O interessado aduziu que o inc. II, do art. 3º, da Lei nº 11.941/2009, deveria prevalecer sobre a IN RFB nº 900/2008, pela princípio da hierarquia das leis, de modo que o reparcelamento do débito pela Lei nº 11.941/2009 faria com que o as parcelas pagas durante sua opção pelo Paes fossem computadas para amortizar os débitos do novo parcelamento. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 13827.000240/201012 Resolução nº 1402000.772 S1C4T2 Fl. 5 4 Concluiu, para requerer a reforma da decisão e o reconhecimento integral do direito creditório. A r. DRJ de Ribeirão Preto proferiu decisão que restou assim ementada: "ASSUNTO : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2005 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. A existência de ação judicial com o mesmo objeto da lide importa em renúncia à apreciação da matéria na esfera administrativa. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido " A Recorrente apresentou este Recurso Voluntário em que sustenta que embora haja uma relação de prejudicialidade entre este processo administrativo e o Mandado de Segurança em que discute a legalidade da imputação dos créditos a diversas CDAs, não é possível vislumbrar uma relação de concomitância (e muito menos renúncia à esfera administrativa). Defende que embora o provimento do Mandado de Segurança culmine na liberação do crédito ora pleiteado, uma vez que cancelará a compensação de ofício realizada, a medida judicial não propiciará a restituição do montante à Recorrente. Além disso, caso remanesça o indeferimento neste processo administrativo, restará definitivamente obstado o direito da Recorrente reaver os valores do pagamento indevido, uma vez que já terá transcorrido o prazo prescricional para pleitear a devolução, restando a Recorrente impossibilitada de apresentar um novo pedido de restituição. Aponta jurisprudência do CARF em que se suspendeu o processo administrativo até o advento final do processo judicial. Requer, por fim, que os Conselheiros se posicionem quanto ao meio adequado à restituição do montante caso o MS culmine no cancelamento das compensações de ofício, uma vez que já terá transcorrido o prazo quinquenal para pleitear a restituição do crédito. É o relatório. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13827.000240/201012 Resolução nº 1402000.772 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.771, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13827.000253 /2010 91, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.771): 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. MÉRITO: Havendo contencioso judicial para discutir a validade ou não da compensação de ofício ordenada por juízo de Execução Fiscal, não cabe a esta e. Câmara se manifestar quanto a contenda. Embora evidente a relação de prejudicialidade entre os dois processos, resta evidenciar se há concomitância para fins de aplicação da Súmula 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O presente processo administrativo tem por objeto a verificação da existência de crédito decorrentes de pagamentos indevidos de parcelas do Parcelamento da Lei 10.684/03 (PAES), realizados após a exclusão indevida da Recorrente por meio de DARFs com o código 7122, cujo valor originário é de R$ 668.663,70. Enquanto o processo judicial in casu busca afastar imputação do referido crédito para pagamento dos débitos constantes das CDAs 80.6.05.04289770 e 80.2.07.00846342, cobradas na Execução Fiscal nº 2005.61.09.0031397, conforme decisão exarada naquele processo. Resta evidente que não há coincidência de objetos, mas uma clara relação de prejudicialidade entre os processos. Pois, caso liberado o crédito na decisão judicia, o presente processo administrativo deverá ser julgado procedente,. Temos julgado pelo sobrestamento em casos de prejudicialidade, como a ilustra a ementa da decisão proferida no Processo Administrativo nº 13603.902729/201217, acórdão nº 1402 Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13827.000240/201012 Resolução nº 1402000.772 S1C4T2 Fl. 7 6 003.351, relatoria do Conselheiro LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 SOBRESTAMENTO Existindo discussão em outros processos administrativos sobre a compensação de estimativas que compõe o saldo negativo de IRPJ que se pretende compensar nos autos deste processo em epígrafe, resta caracterizada a prejudicialidade do pedido de compensação, devendo sobrestar o julgamento do recurso até que seja proferida decisão administrativo definitiva nos processos que tratam das compensações das estimativas. Isto posto, encaminho voto no sentido de sobrestarmos o presente processo administrativo até que se verifique o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 000423259.2011.4.03.6108. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de sobrestar o julgamento do presente processo até que se verifique o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 000423259.2011.4.03.6108. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 265DF CARF MF
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Numero do processo: 11330.001125/2007-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998
DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI N 8.212/91. SUMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
Consideram-se decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/9l, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos ` da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008.
AUTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. REGIME DO ART. 173, I, DO CTN.
A multa por descumprimento da obrigação acessória submete-se a lançamento de ofício, sendo-lhe aplicável o regime decadencial do art. 173, I do CTN.
Numero da decisão: 2401-005.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a decadência.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI N” 8.212/91. SUMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Consideramse decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/9l, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos ` da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. AUTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. REGIME DO ART. 173, I, DO CTN. A multa por descumprimento da obrigação acessória submetese a lançamento de ofício, sendolhe aplicável o regime decadencial do art. 173, I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a decadência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 11 25 /2 00 7- 16 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11330.001125/200716 Acórdão n.º 2401005.972 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório MERIDIONAL CARGAS LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 13a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, Acórdão nº 1216.493/2007, às efls. 59/69, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, decorrente do descumprimento da obrigação acessória por ter apresentado as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP, em desacordo com os padrões e normas estabelecidas, conforme previsto na Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso I, em relação ao período de 01/1997 a 31/1998, conforme Relatório Fiscal, às fls. 24/25 e demais documentos que instruem o processo. Conforme Relatório Fiscal, a ora autuada não informou nas folhas de pagamento os autônomos que lhe prestaram serviços no período de 01/1997 a 12/1998, fato apurado em sua escrituração contábil, especificamente nas seguintes contas: “42103002 Serviços de Terceiros PF”; “41104001 Serviços de Terceiros PF ”; “42508003 Serviços 'de Terceiros PF”; “42802999 Despesas Diversas” e “41104003 Fretes e Carretos PF". A penalidade imposta foi calculada de acordo com o disposto no art. 283, I, “a” c/c art. 292, IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, e atua1izad:a pela Portaria MPS n° 142, de 11.04.2007, no importe de R$ 3.585,39, uma vez caracterizada a ocorrência de reincidência específica (circunstância agravante), fato que eleva em três vezes o seu valorbase. Não foram constatadas circunstâncias atenuantes. A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11330.001125/200716 Acórdão n.º 2401005.972 S2C4T1 Fl. 4 3 Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ entendeu por bem julgar procedente em parte o lançamento, afastando a agravante, conforme relato acima. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 77/85, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as razões da impugnação, preliminarmente pugnando pela decretação da decadência (prescrição como narra a recorrente) nos termos do artigo 173 do CTN. No mérito, afirma que não houve violação alguma, sendo prestadas todas os esclarecimentos e explicitações a autoridade fazendária. Alega que toda a documentação exigida foi apresentada, devendo ser afastada a multa por descumprimento de obrigação acessória. Alfim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DA DECADÊNCIA A recorrente pugna pela decretação da decadência (prescrição como narra a recorrente) nos termos do artigo 173 do CTN. Primeiramente cabe esclarecer que pretende o sujeito passivo discutir a decadência do direito de constituir o crédito tributário, e não propriamente a prescrição, que sequer teve início. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11330.001125/200716 Acórdão n.º 2401005.972 S2C4T1 Fl. 5 4 Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...] Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...] Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11330.001125/200716 Acórdão n.º 2401005.972 S2C4T1 Fl. 6 5 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11330.001125/200716 Acórdão n.º 2401005.972 S2C4T1 Fl. 7 6 onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11330.001125/200716 Acórdão n.º 2401005.972 S2C4T1 Fl. 8 7 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11330.001125/200716 Acórdão n.º 2401005.972 S2C4T1 Fl. 9 8 de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento no Imposto de Renda Pessoa Física, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. Na hipótese dos autos, o que torna digno de realce é que a presente autuação decorre do descumprimento de obrigações acessórias, caracterizando, portanto, lançamento de ofício, não se cogitando em antecipação de pagamentos, o que faz florescer, via de regra, a adoção do prazo decadencial inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN, na linha inclusive que a jurisprudência dominante no Judiciário e neste Colegiado vem firmando entendimento. Ou seja, o simples fato de se tratar de auto de infração por descumprimento de obrigações acessórias, na maioria absoluta dos casos, impede a aplicação do prazo decadencial contemplado no artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, uma vez não haver se falar em lançamento por homologação, inexistindo, em verdade, qualquer atividade do contribuinte a ser homologada, razão do próprio lançamento. Corroborando o acima exposto, a Nota Técnica da PGFN/CAT n° 856/2008, que, no tocante às obrigações acessórias, complementa o disposto no Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008, entende: 1) o prazo de decadência para constituir os créditos referentes às obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cinco anos; e 2) o prazo deve ser contado nos termos do art. 173, I, dado que o descumprimento de obrigação acessória não é instância procedimental que se equipare à antecipação do pagamento. Assim, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 03/07/2007 com a devida ciência da contribuinte, verificase que as multas relativas às competências 01/1997 a 12/1998 encontramse extintas pela decadência, pois poderiam ter sido lançadas até 31/11/2001, nos termos do art. 173, I, do CTN. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine dissonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11330.001125/200716 Acórdão n.º 2401005.972 S2C4T1 Fl. 10 9 DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.013921/2002-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. VIA ADMINISTRATIVA. COMPENSAÇÃO.
A compensação é a única via de execução administrativa de indébito reconhecido judicialmente, nos termos da Súmula STJ 461.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-004.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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VIA ADMINISTRATIVA. COMPENSAÇÃO. A compensação é a única via de execução administrativa de indébito reconhecido judicialmente, nos termos da Súmula STJ 461. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 39 21 /2 00 2- 54 Fl. 954DF CARF MF 2 Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Tratase de pedido de restituição de valores recolhidos ao PIS com base nos DL 2.445/88 e 2.449/88, no período compreendido entre 08/1989 e 10/1995. Nas fls. 07/08 a Interessada fez anexar demonstrativos de atualização do indébito pretendido. O direito creditório vindicado originase da Ação Ordinária c/ Pedido de Tutela Antecipada nº 1997.38.00.0127614, distribuída junto à 3ª Vara da Seção Judiciária de Belo Horizonte/MG, com o objetivo de ver autorizada a compensação dos valores indevidamente recolhidos na forma dos DDLL 2.445/88 e 2.449/88, corrigidos monetariamente por índices reais da inflação, com débitos vencidos e vincendos da mesma exação. O inteiro teor do processo judicial consta das cópias acostadas nas fls. 14/894. A tutela antecipada foi indeferida, ante a ausência dos pressupostos inscritos no art. 273, inc, I e II do CPC (fl. 645). A decisão de primeira instância julgou procedente o pedido (fls. 706/714), nos seguintes termos: Ante o exposto, julgo procedente o pedido formulado por Nacional Comércio e Empreendimentos Ltda – Matriz, Nacional Comércio e Empreendimentos Ltda – Filial 07 e Nacional Comércio e Empreendimentos Ltda – Filial 08 para declarar o direito das Autoras de compensarem os valores recolhidos a maior a título de PIS, efetuados nos termos dos Decretosleis nº s 2.445/88 e 2.449/88, com parcelas vincendas do próprio PIS, somente quanto aos meses de competência cujos comprovantes de recolhimento estejam juntados aos presentes autos, com correção monetária apurada de acordo com o IPC e juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, a partir do trânsito em julgado desta sentença. (Destaques do Original) A apelação interposta pela Fazenda Nacional foi recebida em seus efeitos devolutivo e suspensivo, conforme despacho publicado em 17 de março de 1998, no Boletim da Justiça Federal (fl. 722). O Tribunal Regional da Primeira Região negou provimento à apelação interposta pela Fazenda Nacional, mediante acórdão assim ementado (fls. 735/745): TRIBUTÁRIO. P.I.S. RECOLHIMENTO NOS TERMOS DOS DL'S 2.445 E 2.449/88. PRESCRIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA . I.P.C. 1. A extinção do direito de pleitear a restituição ocorrerá após 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais 05 (cinco) anos, contados da homologação tácita. Fl. 955DF CARF MF Processo nº 10680.013921/200254 Acórdão n.º 3201004.852 S3C2T1 Fl. 3 3 2. A compensação, segundo entendimento da Corte Especial do S.T.J., é forma de extinção da obrigação tributária examinável na esfera administrativa, ao Judiciário compete declarar o direito de compensar crédito discutido. 3. O índice de correção monetária a ser utilizado é o I.P.C. 4. Apelo da UNIÃO e remessa improvidos. O Recurso Especial interposto pela União, contra a decisão acima transcrita, não foi admitido pelo TRF1 (fl. 773). Interposto Agravo de Instrumento pela Fazenda Nacional, o mesmo teve provimento negado pelo STJ (fls. 859/861). Em 19/02/2001 decorreu o prazo recursal (fl. 863). Consta dos autos judiciais que o procurador da Autora promoveu apenas a execução dos honorários advocatícios (fl. 882). Ao analisar o pleito repetitório, a autoridade jurisdicionante emitiu, em 20 de fevereiro de 2015, o Despacho Decisório nº 304 – DRF/BHE (fls. 897/900), de cujo teor extraise as seguintes informações/conclusões: 1) Em 30/09/1998, a Interessada protocolou o processo nº 10680.000725/9881, por meio do qual solicitou a compensação de créditos relativos ao PIS, mas sem indicar o valor do crédito pretendido e sem apontar os débitos a serem compensados. O pedido manejado naquele processo administrativo foi indeferido, conforme Despacho Decisório nº 303DRF/BHE/Seort, de 20/02/2015. 2) As informações constantes das DCTF entregues pela Contribuinte não denotam que o mesmo tenha utilizado o crédito reconhecido na ação nº 1997.38.00.0127614 em compensações espontâneas, com débitos do próprio Pis (Lei nº 8.383/1991). 3) Também restou constatado que a Contribuinte não transmitira declarações de compensação, em formulário papel (neste feito administrativo, ou no de nº 10680.000725/9881) ou eletrônicas, para se utilizar do crédito reconhecido judicialmente, dentro do prazo legal, encerrado em 16/05/2006. 4) Os débitos apurados do Pis, no período de 1999 a 2003, declarados em DIPJ, coincidem com aqueles informados nas DCTF dos mesmos períodos, sem informação de vinculações com o crédito do Pis reconhecido judicialmente. 5) A ação nº 1997.38.00.0127614 tem por objeto a compensação do indébito de Pis e, tendo transitado em julgado favoravelmente à Contribuinte em 16/05/2001, este teria o prazo de 05 (cinco) anos contados desta data, para ingressar com declarações de compensação (em papel, até Maio/2003 e, após, em meio eletrônico, via PGD/PerDcomp). Fl. 956DF CARF MF 4 6) Como não se trata de ação de repetição de indébito, na qual tenha sido autorizada judicialmente a restituição do suposto crédito, mas tão somente a compensação, não há possibilidade de se restituir administrativamente o quantum pretendido. 7) Nos termos da decisão passada em julgado, a Autora somente poderia compensar o direito creditório reconhecido judicialmente e, ressaltese, dentro do prazo de 05 (cinco) anos, contado do trânsito em julgado da ação. 6) Ao fim, conclui pelo indeferimento do pedido de restituição formulado pela Requerente. Cientificada do Despacho Decisório nº 304 – DRF/BHE em 06/03/2015 (fls. 902/903), a Interessada apresentou, em 06/04/2015 manifestação de inconformidade para alegar o que se segue (fls. 909 e seguintes): Inicialmente argúi a tempestividade do recurso apresentado. Afirma que o presente processo tem a mesma causa de pedir do processo nº 10680.000725/9881 e requer a análise conjunta dos feitos. Após o decurso de quase 13 (treze) anos (contados da formalização do presente processo) a autoridade administrativa proferiu o despacho decisório (datado de 20/02/2015) para indeferir o pleito e, dessa decisão, a Contribuinte foi cientificada em 06/03/2015. O despacho decisório recorrido não aplica corretamente o direito à espécie, pois desconsidera que, anteriormente ao pedido de que trata este processo, havia um pedido de compensação (fulcrado no direito reconhecido nos autos da ação nº 1997.38.00.0127614) pendente de apreciação administrativa. Tal pedido diz respeito ao processo nº 10680.000725/9881, formalizado muitos anos antes do protocolo do presente processo (mais de 50 meses) e, portanto, sujeito à legislação totalmente diversa. De forma que, transcorridos quase 04 anos e meio do pedido inicial (formulado no processo nº 10680.000725/9881), sem que houvesse manifestação da unidade jurisdicionante, a Contribuinte houve por bem apresentar pedido de restituição do indébito reconhecido judicialmente. O que fundamenta uma ação de repetição de indébito é o princípio da legalidade tributária: tudo o que foi pago além dos limites da lei há de ser repetido, assim como o que foi pago aquém dos limites legais há de ser pago, com as devidas correções e com acréscimo de multa e juros. Com a extirpação dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, do ordenamento jurídico (Resolução Senatorial nº 49/1995), surgiu para os contribuintes o direito de repetir os valores pagos indevidamente. O pedido manejado no processo nº 1997.38.00.0127614 requeria, alternativamente: o reconhecimento do seu direito à Fl. 957DF CARF MF Processo nº 10680.013921/200254 Acórdão n.º 3201004.852 S3C2T1 Fl. 4 5 repetição do indébito de Pis, recolhido no período de 07/89 a 09/95, mediante compensação com parcelas vincendas do mesmo tributo, ou restituição. Assim, não procede o argumento aduzido no despacho decisório, de que a referida ação visava somente à compensação, tendo em vista que a pretensão da Autora era a repetição do indébito, por qualquer das vias: compensação ou restituição O trânsito em julgado do processo se deu em 16/05/2001, quando já havia pedido de compensação pendente de análise administrativa. Este pedido administrativo de restituição fora apresentado em 27/09/2002, portanto, dentro do prazo de cinco anos do trânsito em julgado. Ao fim requer o acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada e o reconhecimento do direito à restituição. Alternativamente, pede a aplicação do Parecer COSIT nº 11/2014, para que seja reconhecida a suspensão do prazo prescricional para repetição do indébito, durante o período em que tramitou o presente feito. A 1ª Turma da DRJ/Belo Horizonte/MG, por meio do Acórdão 0272.350,de 23/03/2017, decidiu pela improcedência da Impugnação.Transcrevo a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 AÇÃO JUDICIAL. DIREITO À COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Decisão judicial transitada em julgado, cujo teor restringe o pleito repetitório à compensação, não pode ser invocada para fundamentar um Pedido Administrativo de Restituição. No Recurso Voluntário, a empresa reforça os argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator Fl. 958DF CARF MF 6 O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. O Fisco sustenta a negativa de provimento por entender que a repetição de indébito somente pode ser exercida, administrativamente, por via da compensação. Tal decisão converge com a Súmula 461 do Superior Tribunal de Justiça: Súmula 461 O contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado. (Súmula 461, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 08/09/2010) Copio, também, os precedentes que originaram a súmula. "'A sentença declaratória que, para fins de compensação tributária, certifica o direito de crédito do contribuinte que recolheu indevidamente o tributo, contém juízo de certeza e de definição exaustiva a respeito de todos os elementos da relação jurídica questionada e, como tal, é título executivo para a ação visando à satisfação, em dinheiro, do valor devido' (REsp n. 614.577/SC, Ministro Teori Albino Zavascki). 2. A opção entre a compensação e o recebimento do crédito por precatório ou requisição de pequeno valor cabe ao contribuinte credor pelo indébito tributário, haja vista que constituem, todas as modalidades, formas de execução do julgado colocadas à disposição da parte quando procedente a ação que teve a eficácia de declarar o indébito." (REsp 1114404 MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/02/2010, DJe 01/03/2010) "Consoante reiterada jurisprudência deste STJ, pode o contribuinte manifestar a opção de receber o indébito tributário, certificado por sentença declaratória transitada em julgado, por meio de precatório ou por compensação, já que ambos constituem formas de execução da decisão judicial." (REsp 891758 SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/06/2008, DJe 13/08/2008) "A jurisprudência desta Corte vem admitindo ao contribuinte a faculdade de optar pela forma de receber valores recolhidos indevidamente pelo Fisco, seja pela compensação ou repetição do indébito (por meio de precatório), ainda que transitada em julgado a decisão que declarou o direito a uma ou outra forma de aproveitamento, haja vista que constituem, ambas as modalidades, formas de execução do julgado colocadas à disposição da parte quando procedente a ação." (Resp 798166 RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 11/09/2007, DJ 22/10/2007). "No caso dos autos, conforme reconhecido, a sentença declaratória contém juízo de certeza e de definição exaustiva a respeito de todos os elementos da relação jurídica questionada, reconhecendo em favor do contribuinte o direito de haver a repetição (e, portanto, o dever da Fazenda de pagar) de valor indevidamente recolhido, prestação essa que atende até mesmo as condições para ser compensada com outra dívida fiscal. Submeter o contribuinte a nova ação cognitiva como condição Fl. 959DF CARF MF Processo nº 10680.013921/200254 Acórdão n.º 3201004.852 S3C2T1 Fl. 5 7 para receber o pagamento significaria, conforme sustentado, atividade jurisdicional desnecessária e inútil, incompatível com o princípio constitucional da coisa julgada e com a própria razão de ser da função jurisdicional." (EREsp 609266 RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/08/2006, DJ 11/09/2006, p. 223) "'Ocorrido o trânsito em julgado da decisão que determinou a repetição do indébito, é facultado ao contribuinte manifestar a opção de receber o respectivo crédito por meio de precatório regular ou mediante compensação, uma vez que constituem, ambas as modalidades, formas de execução do julgado colocadas à disposição da parte quando procedente a ação' (REsp n. 653181 RS, deste relator)." (EREsp 502618/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/06/2005, DJ 01/07/2005, p. 359) "Na hipótese de obtenção de decisão judicial favorável, proferida em ação condenatória, abrese ao contribuinte a possibilidade de executar o título judicial em repetição de indébito com posterior emissão de precatório, o direito à compensação tributária, utilizandose, para tanto, da eficácia declaratória da sentença de condenação." (Resp 526655 SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2004, DJ 14/03/2005, p. 200) "Esta Corte de Justiça, por diversas vezes, manifestou o entendimento segundo o qual, operado o trânsito em julgado do acórdão que declarou o direito à repetição do indébito, é facultado ao contribuinte manifestar a opção de receber o respectivo crédito por meio de precatório regular ou compensação, eis que constituem, ambas as modalidades, formas de execução do julgado colocadas à disposição da parte quando procedente a ação." (REsp 551184 PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/10/2003, DJ 01/12/2003, p. 341) A finalidade de tal regra é impedir a violação da ordem de pagamentos de precatórios, cf. art. 100 da Constituição Federal. Portanto, ainda que existente o direito ao indébito, na via administrativa somente pode ser utilizado para compensação, e não para restituição. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assiantura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 960DF CARF MF 8 Fl. 961DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.721484/2014-18
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 06/05/2009
PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES INTEMPESTIVA NO SISCOMEX.
É devida a multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
PRELIMINAR. DECISÃO JUDICIAL QUE IMPEDE A UNIÃO DE APLICAR MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO SE APLICA.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
TIPIFICAÇÃO. CONDUTA PREVISTA NA LEI.
A conduta do agente é prevista na lei e tem indicação de penalidade pela não observação. Multa corretamente aplicada.
Numero da decisão: 3003-000.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator) Marcos Antonio Borges, Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinícius Guimarães.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 06/05/2009 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES INTEMPESTIVA NO SISCOMEX. É devida a multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. PRELIMINAR. DECISÃO JUDICIAL QUE IMPEDE A UNIÃO DE APLICAR MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO SE APLICA. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. TIPIFICAÇÃO. CONDUTA PREVISTA NA LEI. A conduta do agente é prevista na lei e tem indicação de penalidade pela não observação. Multa corretamente aplicada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente. Márcio Robson Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator) Marcos Antonio Borges, Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinícius Guimarães.
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É devida a multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. PRELIMINAR. DECISÃO JUDICIAL QUE IMPEDE A UNIÃO DE APLICAR MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO SE APLICA. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. TIPIFICAÇÃO. CONDUTA PREVISTA NA LEI. A conduta do agente é prevista na lei e tem indicação de penalidade pela não observação. Multa corretamente aplicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente. Márcio Robson Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 14 84 /2 01 4- 18 Fl. 307DF CARF MF Processo nº 11128.721484/201418 Acórdão n.º 3003000.012 S3C0T3 Fl. 308 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator) Marcos Antonio Borges, Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinícius Guimarães. Relatório Tratase de Auto de infração lavrado contra a Recorrente, na condição de responsável pela embarcação, para exigir multa regulamentar com fulcro na previsão do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei nº 37/1966, passível de ser aplicada "por deixar de prestar informação tempestiva sobre as cargas descritas, configurando o descumprimento do prazo previsto no artigo 22 da IN RFB N.º 800/2007, conforme ficará demonstrado". Conforme indicado no relatório fiscal da autuação, o fato que ensejou a lavratura do auto de infração foi o atraso no envio das informações sobre veículo ou carga transportada, que competem à transportadora. Relatou a autoridade fiscal que: O Agente de Carga DOUBLE STAR LOGISTICS DO BRASIL LTDA EPP, CNPJ nº 02.660.846/0001 83, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Sub Máster MHBL CE 150905049224068 a destempo às 16h14 do dia 06/05/2009, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, para o seu Conhecimento Eletrônico Agregado HBL CE 150905051212454. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no(s) Container(es) MWCU6097110, pelo Navio M/V "MONTE AZUL", em sua viagem 914W, no dia 07/05/2009, com atracação registrada às 19h52. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são Escala 09000129490, Manifesto Eletrônico 1509500746770, Conhecimento Eletrônico Máster MBL 150905048326525, Conhecimento Eletrônico SubMáster MHBL 150905049224068 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL 150905051212454. Nesse sentido foi lavrado o auto de infração, aplicando multa no valor de R$5.000,00 (cinco mil reais), conforme previsto na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n.º 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n.º 10.833/2003, conforme disposto no artigo 45 da IN/SRF 800/2007. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada integralmente improcedente pelo Acórdão 1295.972 4ª Turma da DRJ/RJO, com a seguinte ementa: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO INTEMPESTIVO DE CARGA. MULTA. O registro intempestivo do conhecimento de carga na chegada de veículo ao território nacional tipifica a multa prevista no art. 107, IV, “e” do Decretolei n° 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 11128.721484/201418 Acórdão n.º 3003000.012 S3C0T3 Fl. 309 3 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Mandado de Segurança. Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. Parecer Normativo COSIT n°7/14. Súmula CARF n° 1. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. A existência de medida judicial suspendendo a exigência de crédito tributário não é incompatível com o lançamento efetuado pela Fazenda Pública para prevenir a decadência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada desta decisão em 16/07/2018 (efls. 140), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 13/08/2018 (efls. 143160) reiterando suas razões de defesa, alegando em síntese: I Preliminar de insubsistência do auto de infração por decisão judicial nos autos do processo nº. 000523886.2015.4.03.6100. II Denúncia espontânea. III Informações efetivamente prestadas. IV Inexistência de tipificação da penalidade. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11128.721484/201418 Acórdão n.º 3003000.012 S3C0T3 Fl. 310 4 Voto Márcio Robson Costa Relator A impugnação é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dela conheço. I – PRELIMINAR INSUBSISTÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO POR DECISÃO JUDICIAL NOS AUTOS DO PROCESSO Nº. 0005238 86.2015.4.03.6100 Inicialmente cumpre consignar que a decisão judicial proferida nos autos do processo n.º 00523886.2015.4.03.6100 e evocada pelo recorrente não se aplica ao caso sob análise. Isso porque, os fatos narrados no auto de infração e não impugnados pelo recorrente, comprovam que o presente caso não se enquadra nos requisitos da denúncia espontânea. Preceitua o Código Tributário Nacional que: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Para melhor análise importa observar os termos da decisão proferida em sede de antecipação de tutela nos autos do processo n.º 00523886.2015.4.03.6100: “Ante ao exposto, defiro parcialmente a antecipação da tutela para determinar que a Ré se abstenha de exigir das associadas da autora as penalidades em discussão nestes autos, independente de depósito judicial, sempre que as empresas tenham prestado ou retificado as informações no exercício de seu legítimo direito de denúncia espontânea, nos termos do artigo 102 do decretolei 37/66. Aqui transcrevo o referido artigo 102 do Decretolei 37/66: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: Fl. 310DF CARF MF Processo nº 11128.721484/201418 Acórdão n.º 3003000.012 S3C0T3 Fl. 311 5 a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Nessa esteira, há de ser verificado que consta no auto de infração que a informação acerca do veículo ou cargas transportadas foram inseridas no sistema após o prazo regulamentar de 48 horas de antecedência, já que é fato incontroverso que a desconsolidação do CE ocorreu no dia 06/05/2009 e a atracação da embarcação ocorreu em 07/05/2009. Conforme se pode notar, os fatos não tratam apenas de informação prestada fora do prazo estipulado em lei, mas também após o início dos procedimentos administrativos fiscalizatórios, o que afasta totalmente a aplicação do instituto da denúncia espontânea. Afastada a possibilidade de se socorrer da denúncia espontânea resta também afastada a aplicação da decisão judicial nos autos do processo n.º 000523886.2015.4.03.6100, posto que, a informação prestada após o prazo estipulado pela IN 800 de 2007 no artigo 22, inciso III1, não pode ser considerada como denúncia espontânea e aquela decisão somente se aplica aos casos de denúncia espontânea. II DENÚNCIA ESPONTÂNEA Conforme já relatado acima, o presente caso não se enquadra nos requisitos da denúncia espontânea e, portanto, não pode ser julgado sob este argumento. O assunto já foi consolidado por meio da súmula Carf n.º 126. Súmula CARF nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Ainda que não fosse esse o entendimento e por uma eventualidade fosse necessário argumentar o objeto do recurso, cumpre ressaltar que já foi motivo de reiteradas decisões o tema por este órgão, afastando a aplicação do instituto no direito aduaneiro. Vejamos: INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILI DADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação d 1 Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11128.721484/201418 Acórdão n.º 3003000.012 S3C0T3 Fl. 312 6 e informação à administração aduaneira relativa a carga importada, transportada por via marítima, desconsolidada no porto de destino, uma vez que tal fa to configura a própria infração. A multa por atraso na prestação de informação no Siscomex Carga, sobre dados da desconsolidação, não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. (Acór dão n.º 3001000.254 – Turma Extraordinária/1ª Turma – sessão de 13 de março de 2018) A recorrente, DOUBLE STAR LOGISTICS DO BRASIL LTDA, realizou o registro das informações no dia 06/05/2009, logo, posterior ao prazo, que deveria ser de 48 horas de antecedência a data da chegada do veículo, que teve formalizada a sua entrada em 07/05/2009. Diante do exposto, não há o que se falar de aplicação do instituto da denúncia espontânea pelos argumentos acima já destacados. III INFORMAÇÕES EFETIVAMENTE PRESTADAS Alega a empresa recorrente, em seu recurso voluntário, que a autuação foi baseada em “não prestação de informações” e que as informações foram prestadas, embora intempestivamente, e que por isso deve ser afastada a penalidade aplicada. Ademais, recorre do fato de que as informações prestadas eram obrigações do armador transportador, na forma do artigo 22 da IN SRF 800/2007. Ocorre que se não fosse a recorrente a responsável pela prestação das informações, não teria sido ela mesma quem efetivamente o teria feito. Nesse sentido, tendo sido a autuada quem prestou as informações fora do prazo evidencia que também cabia a ela ter feito dentro do prazo legal, fato que não ocorreu e é o objeto do debate. Evidente que a aplicação da penalidade de multa não pode ser afastada sob esse argumento, posto que desconfiguraria a intenção do legislador de penalizar aqueles que não atendem a norma no prazo adequado, a ausência de informação correta no momento esperado deve ser visto como não prestação da informação, especialmente em se tratando de multa aduaneira. Andou bem a 4ª turma da DRJ/RJO, quando esclarece que o fornecimento das informações exigidas, no âmbito do transporte internacional de cargas, objetiva proporcionar à Aduana subsídios para a análise de risco dessas operações, a ser realizada previamente ao embarque ou desembarque das mercadorias no País, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Assim, a exigência de prestação de informações dos dados tempestivamente tem seus motivos e finalidades inerentes aos atos da administração pública, nos termos do artigo 2372 da Constituição da República, posto que o foco principal não é a aplicação da multa em si, mas o controle aduaneiro, bem como interessa também à administração tributária. 2 Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11128.721484/201418 Acórdão n.º 3003000.012 S3C0T3 Fl. 313 7 E ainda, a intenção do legislador com a cobrança das informações em seu tempo é evitar infrações e ilegalidades, proteger o mercado nacional e a concorrência desleal. Tratase de um arcabouço legal construído em prol do bom funcionamento do trânsito de mercadorias nos portos nacionais e por essa razão a informação prestada de forma intempestiva deve ser considerada como ausência de informações posto que o embaraço aduaneiro já foi causado. Entendimento diverso estimularia a não observância dos prazos como via de regra, fato que não pode ser contemplado por este julgador. IV DA INEXISTÊNCIA DE TIPIFICAÇÃO DA PENALIDADE. O recorrente reitera seus argumentos de que inexiste tipificação da penalidade amparado no seu conveniente entendimento de que as informações foram devidamente prestada, argumento este que não pode prosperar, conforme acima já relatado. Como se depreende da expressão do art. 107, IV, "e", do Decretolei n.º 37/1966, essa penalidade é aplicada quando as informações relativas ao veículo ou cargas neles transportadas, ou quanto às operações realizadas, deixarem de serem prestadas à Secretaria da Receita Federal na forma e prazo por ela prevista: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e" (grifei) Como indicado no relato fiscal, o prazo estabelecido pela Receita Federal na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n.º 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n.º 10.833/2003, conforme disposto no artigo 453 e 22, inciso III, da IN/SRF 800/2007 é de 48 horas. 3 Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei no 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei no 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. § 1o Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11128.721484/201418 Acórdão n.º 3003000.012 S3C0T3 Fl. 314 8 Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Ademais, preceitua o Artigo 94 do Decretolei 37/66 que: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. Ainda no relato elaborado pela fiscalização com fulcro nas informações obtidas no SISCOMEX (efls 26/34), foi relacionado o dia e a hora das informações inseridas no sistema e do atracamento da embarcação, demonstrando a prestação de informação fora do prazo. Em sua defesa, a Recorrente não refuta esse fato, apenas afirma que prestou a informação principal no tempo correto e realizou as alterações fora do prazo. Desta forma, comprovado que a empresa transportadora prestou as informações a destempo, ou seja, as informações corretas e esperadas pela Receita, deve ser efetivamente aplicada a penalidade. Nesse sentido, inclusive, já se manifestou esta turma, em sua composição anterior, no Acórdão n.º 3402004.149, de 24/05/2017, de relatoria do Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. Acórdão: 3402004.149 Número do Processo: 10715.003902/201085 Data de Publicação: 31/05/2017 Contribuinte: AEROLINEAS ARGENTINAS SA Relator(a): WALDIR NAVARRO BEZERRA Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Receita Federal Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiro Assim, não assiste razão a Recorrente no mérito, devendo ser mantida integralmente a autuação. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 11128.721484/201418 Acórdão n.º 3003000.012 S3C0T3 Fl. 315 9 V DISPOSITIVO Diante do exposto, voto para conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar e no mérito negarlhe provimento com base na fundamentação acima. É o meu entendimento. Márcio Robson Costa Relator Fl. 315DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.002794/2003-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO.
Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015.
Numero da decisão: 9303-007.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Jorge Olmiro Lock Freire, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Jorge Olmiro Lock Freire, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1701; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 376 1 375 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.002794/200354 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.561 – 3ª Turma Sessão de 20 de novembro de 2018 Matéria PIS AI Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BRADESCO BCN LEASING S/A ARRENDAMENTO MERCANTIL (SUCESSORA DE BCN LEASING ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Jorge Olmiro Lock Freire, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 27 94 /2 00 3- 54 Fl. 384DF CARF MF Processo nº 16327.002794/200354 Acórdão n.º 9303007.561 CSRFT3 Fl. 377 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3403002.419, de 21/08/2013, proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. O Colegiado da Câmara Baixa, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos da seguinte ementa: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998 AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO INTERNA DE DCTF. NULIDADE FORMAL. A partir do advento do art. 7º, da Lei nº 10.426/2002, a lavratura do auto de infração com base no art. 90 da MP nº 2.15835/ 2001 deve ser precedida de notificação prévia ao sujeito passivo para prestar esclarecimentos. LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. FALSA CAUSA. Cancelase o auto de infração lastreado em falsa causa.” No recurso especial, a Fazenda Nacional insurge contra o cancelamento do lançamento, alegando, em síntese, (i) a ausência de nulidade por vício formal e (ii) a necessidade de sua manutenção. Quanto à nulidade, alegou que, nos termos do art. 59, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, somente é nulo o lançamento lavrado por pessoa incompetente, o que não é o caso destes autos; e, quanto à necessidade de sua manutenção, que a fundamentação para a constituição do crédito tributário foi a "FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA"; assim, houve motivação para sua realização. Por meio do despacho às fls. 342e/344e, o Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Intimado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho da sua admissibilidade, o contribuinte apresentou contrarrazões, requerendo preliminarmente o seu não conhecimento por falta de similitude entre as matérias decididas pelo Colegiado e as dos acórdãos paradigmas apresentado; e, no mérito, a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. Em síntese, é o relatório. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 16327.002794/200354 Acórdão n.º 9303007.561 CSRFT3 Fl. 378 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, porém não deve ser conhecido por não cumprir com os requisitos essenciais de admissibilidade, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 67. O contribuinte suscitou a preliminar de não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, alegando que os paradigmas apresentados não comprovam as divergências suscitadas por ela. As matérias opostas nesta instância especial são: I) nulidade do lançamento por vício formal; e. II) cancelamento do lançamento por falta de motivação, lastreado em falsa causa, cujo acórdão foi assim ementado: "AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO INTERNA DE DCTF. NULIDADE FORMAL. A partir do advento do art. 7º, da Lei nº 10.426/2002, a lavratura do auto de infração com base no art. 90 da MP nº 2.15835/ 2001 deve ser precedida de notificação prévia ao sujeito passivo para prestar esclarecimentos. LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. FALSA CAUSA. Cancelase o auto de infração lastreado em falsa causa.” Para a primeira divergência, foi apresentado como paradigma o acórdão nº 20402.641, cópia às fls. 293e/316e,; para a segunda, os acórdãos nº 20312.427, cópias às fls. 317e/326e, e o de nº 20310.933, cópias às fls. 327e/334e. Quanto à nulidade, ao contrário do entendimento da Fazenda Nacional, o paradigma apresentado não decidiu sobre nulidade de lançamento (auto de infração) e muito menos sobre nulidade por vício formal, conforme se verifica de suas ementas, reproduzidas, a seguir, na parte indicada e defendida por Ela: "INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A falta de intimação para que a contribuinte se manifeste na fase de constituição do crédito tributário não constitui cerceamento de direito de defesa, uma vez que as fases para que a contribuinte possa se manifestar são a impugnatória e a recursal. " Também, do exame do voto vencedor, verificase que este não tratou de nulidade de auto de infração. Já em relação ao cancelamento do lançamento por falta de motivação, lastreado em falsa causa, os paradigmas apresentados também não decidiram sobre essa matéria, conforme se verifica de suas ementas, reproduzidas, a seguir, na parte indicada e defendida pela Fazenda Nacional: " Acórdão 20312.427: Fl. 386DF CARF MF Processo nº 16327.002794/200354 Acórdão n.º 9303007.561 CSRFT3 Fl. 379 4 COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. PERÍODOS DE APURAÇÃO 08/1997 A 12/1997. VALOR DECLARADO EM DCTF COM COMPENSAÇÃO. SALDO A PAGAR REDUZIDO. CONFISSÃO DE DIVIDA NÃO CARACTERIZADA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. LEI N° 11.051/2004, ART. 25. EXONERAÇÃO DA MULTA DE OFICIO. No período em que a DCTF considera confissão de dívida apenas os saldos a pagar, os valores declarados como compensados devem ser lançados, sendo as multas de oficio respectivas exoneradas em virtude da aplicação retroativa do art. 25 da Lei n° 11.051/2004, que alterou a redação do art. 18 da Lei n° 10.833/2003 de modo a determinar o lançamento da multa isolada apenas nas hipóteses de sonegação, fraude e conluio. Acórdão 20310.933: PIS. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. PERÍODO DE APURAÇÃO 11/1997. VALOR DECLARADO EM DCTF COM COMPENSAÇÃO. SALDO A PAGAR REDUZIDO CONFISSÃO DE DÍVIDA NÃO CARACTERIZADA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. LEI N° 11.051/2004, ART. 25. EXONERAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. No período em que a DCTF considera confissão de dívida apenas os saldos a pagar, os valores declarados como compensados devem ser lançados, sendo as multas respectivas exoneradas em virtude da aplicação retroativa do art. 25 da Lei n° 11.051/2004, que alterou a redação do art. 18 da Lei n° 10.833/2003 de modo a determinar o lançamento da multa isolada apenas nas hipóteses de sonegação, fraude e conluio." No exame dos votos vencedores de ambos os acórdão, verificase que estes também não trataram de cancelamento do lançamento (auto de infração) por falta de motivação, lastreado em falsa causa Assim, demonstrado e comprovado a falta de similitude entre a matéria decididas no acórdão recorrido e as decididas nos acórdãos paradigmas, o recurso especial da Fazenda Nacional não deve ser conhecido, conforme dispõe o art. 67 do RICARF. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 387DF CARF MF Processo nº 16327.002794/200354 Acórdão n.º 9303007.561 CSRFT3 Fl. 380 5 Fl. 388DF CARF MF
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