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Numero do processo: 15578.000273/2009-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DO NEGÓCIO SIMULADO. POSSIBILIDADE.
Uma vez comprovada a existência da fraude nas operações de aquisição de café in natura realizadas de pessoas jurídicas inexistentes de fato (pseudoatacadistas), com o fim exclusivo de se apropriar do valor integral do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, desconsidera-se operação de compra simulada, mas mantém-se a operação de compra dissimulada, por ser válida na substância e na forma.
REGIME NÃO CUMULATIVO. REAL AQUISIÇÃO DE CAFÉ EM GRÃO DE PESSOA FÍSICA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOA JURÍDICA. SIMULAÇÃO DA OPERAÇÃO DE INTERMEDIAÇÃO COMPROVADA. GLOSA DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Comprovada que o negócio jurídico efetivo de aquisição do café em grão foi celebrado com produtor rural, pessoa física, e que as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas apontavam para uma intermediação simulada com a finalidade exclusiva de gerar crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, incabível o direito de apropriação do valor integral do crédito incidente sobre o valor da operação, cabendo apenas o crédito presumido previsto para a aquisição de pessoas físicas.
AQUISIÇÃO DE COOPERATIVA DE PRODUÇÃO. OPERAÇÃO COM TRIBUTAÇÃO NORMAL COMPROVADA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL. POSSIBILIDADE.
É passível de crédito integral as aquisições de café de cooperativas de produção agropecuária, sujeitas ao regime de tributação normal, quando tais operações foram submetidas, comprovadamente, ao exercício cumulativo das atividades de (i) padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou (ii) separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM SERVIÇOS DE CORRETAGEM NECESSÁRIOS À COMPRA DE MATÉRIA-PRIMA. VALOR INTEGRANTE DO INSUMO APLICADO NA PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO. DIREITO À DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
No regime não cumulativo, integram a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep os valores das despesas com os serviços de corretagem na compra do café em grão, submetido a processo industrial e posteriormente pelo adquirente.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-002.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para restabelecer o direito ao crédito correspondente ao valor da corretagem de compra e admitir a utilização do crédito presumido para compensação com outros tributos e contribuições e/ou ressarcimento em dinheiro; por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário em relação ao pedido de revisão de apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL; pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa dos créditos integrais relativas às aquisições das empresas denominadas pseudoatacadistas. Vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama, que davam provimento; e por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para restabelecer o direito ao crédito integral na aquisição das cooperativas. Vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e José Paulo Puiatti, que negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Redator ad hoc
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Nanci Gama e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DO NEGÓCIO SIMULADO. POSSIBILIDADE. Uma vez comprovada a existência da fraude nas operações de aquisição de café in natura realizadas de pessoas jurídicas inexistentes de fato (“pseudoatacadistas”), com o fim exclusivo de se apropriar do valor integral do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, desconsiderase operação de compra simulada, mas mantémse a operação de compra dissimulada, por ser válida na substância e na forma. REGIME NÃO CUMULATIVO. REAL AQUISIÇÃO DE CAFÉ EM GRÃO DE PESSOA FÍSICA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOA JURÍDICA. SIMULAÇÃO DA OPERAÇÃO DE INTERMEDIAÇÃO COMPROVADA. GLOSA DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Comprovada que o negócio jurídico efetivo de aquisição do café em grão foi celebrado com produtor rural, pessoa física, e que as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas apontavam para uma intermediação simulada com a finalidade exclusiva de gerar crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, incabível o direito de apropriação do valor integral do crédito incidente sobre o valor da operação, cabendo apenas o crédito presumido previsto para a aquisição de pessoas físicas. AQUISIÇÃO DE COOPERATIVA DE PRODUÇÃO. OPERAÇÃO COM TRIBUTAÇÃO NORMAL COMPROVADA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL. POSSIBILIDADE. É passível de crédito integral as aquisições de café de cooperativas de produção agropecuária, sujeitas ao regime de tributação normal, quando tais operações foram submetidas, comprovadamente, ao exercício cumulativo das atividades de (i) padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 02 73 /2 00 9- 33 Fl. 19500DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.501 2 definição de aroma e sabor (blend) ou (ii) separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM SERVIÇOS DE CORRETAGEM NECESSÁRIOS À COMPRA DE MATÉRIAPRIMA. VALOR INTEGRANTE DO INSUMO APLICADO NA PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO. DIREITO À DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No regime não cumulativo, integram a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep os valores das despesas com os serviços de corretagem na compra do café em grão, submetido a processo industrial e posteriormente pelo adquirente. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para restabelecer o direito ao crédito correspondente ao valor da corretagem de compra e admitir a utilização do crédito presumido para compensação com outros tributos e contribuições e/ou ressarcimento em dinheiro; por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário em relação ao pedido de revisão de apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL; pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa dos créditos integrais relativas às aquisições das empresas denominadas pseudoatacadistas. Vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama, que davam provimento; e por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para restabelecer o direito ao crédito integral na aquisição das cooperativas. Vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e José Paulo Puiatti, que negavam provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Redator ad hoc (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Nanci Gama e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório encartado na decisão de primeira grau, que segue transcrito: Trata o presente processo de Declarações de Compensação (Dcomp) de crédito relativo ao PIS nãocumulativo associado a Fl. 19501DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.502 3 operações de exportação, referente aos quatro trimestres de 2006. A DRF/Vitória exarou o despacho decisório de fls. 514/515, com base no Parecer SEORT/DRF/VIT nº 1686, de 22/06/2010 em fls. 189/202 e 510/514, decidindo reconhecer em parte o direito creditório pleiteado e, em decorrência, homologar parcialmente as compensações declaradas. No referido Parecer consta consignado, em resumo, que: • O contribuinte efetuou compras junto ao Ministério da Agricultura e do Meio Ambiente, no período de fevereiro a junho, novembro e dezembro de 2006. Tais operações de venda não são tributadas e, portanto, não há que se falar em creditamento do PIS pelas aquisições efetuadas pela Unicafé. Tampouco há previsão para crédito presumido nesta situação; • O contribuinte ora apura crédito presumido sobre as aquisições realizadas junto a cooperativas, ora apura crédito integral. A falta do registro na nota fiscal emitida pela cooperativa de que a saída é com suspensão não autoriza ao adquirente aproveitarse do crédito integral; • Foi glosado o crédito integral sobre a parcela de aquisições de café junto a cooperativas, adicionandose em seu lugar, o crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925/2004; • Para efeito de análise dos fornecedores, optouse por uma amostragem que representa mais de 80% das aquisições de café de pessoa jurídica no ano de 2006; • Verificouse irregularidades na grande maioria dos fornecedores (omissos, inativos, receita declarada nula ou incompatível com as vendas realizadas); • 14 dos 51 fornecedores listados se encontram com o CNPJ suspenso ou na situação de inaptidão, caracterizadas como inexistentes de fato ou omissa não localizada; • Não há questionamento quanto à aquisição dos produtos. O que se conclui é que as aquisições não foram realizadas das empresas que forneceram as notas fiscais, mas de pessoas físicas não contribuintes do PIS e da COFINS; • É identificado um processo artificial de majoração dos créditos da nãocumulatividade, transformando créditos presumidos das aquisições de produtores rurais, pessoas físicas, em créditos integrais das aquisições de pessoas jurídicas. Tal afirmativa encontra respaldo, a título exemplificativo, nas documentações extraídas dos processos de declaração de inaptidão juntados no anexo, em Fl. 19502DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.503 4 decorrência da operação denominada “Tempo de Colheita”, onde se concluiu que o adquirente conhecia e se valia da existência de empresas de fachada com o único objetivo de obter créditos indevidos, restando comprovada a máfé das empresas adquirentes, dentre elas a própria Unicafé; • O esquema envolvendo as operações de café foi corroborado pela “Operação Broca” realizado pela Receita Federal; • Não se pode questionar que houve a aquisição de café, porém, de pessoas físicas, produtores rurais. Nesta senda, reconhecese o crédito presumido em detrimento das supostas aquisições de pessoas jurídicas como pretendeu a Unicafé; • Os fornecedores que se encontram nesta situação foram relacionados na tabela de fl 182/183 e foi promovida a glosa pertinente e a adição do crédito presumido. Seguindo o disposto no art. 8o, § 3o, II da IN/SRF 660/2006, que disciplinou a Lei 10.925/2004, tal crédito não pode ser objeto de compensação com tributos diversos nem pedido de ressarcimento; • Foi elaborado o “demonstrativo de apuração das contribuições nãocumulativas” com os ajustes procedidos na base de cálculo dos créditos. O crédito presumido foi somado ao crédito decorrente do mercado interno; • Foram desconsideradas as despesas de corretagem, visto que estes serviços não se enquadram na definição de insumos delineada pela legislação no tocante à apuração de créditos a descontar; • Foi apurado direito creditório relativo à nãocumulatividade do PIS decorrente de operações de exportação nos 4 trimestres de 2006 no valor de R$ 2.500.418,81. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório em 04/04/2011 (fl. 558) e apresentou Manifestação de Inconformidade em 29/04/2011 (fls. 561/633), alegando, em síntese que: • O insumo “café em grão cru” destinado à revenda é considerado uma semente beneficiada, conforme Resolução CNNPA nº 12/1978. A Recorrente revende o insumo no mercado externo e, em alguns casos, também realiza o processo de rebeneficiamento. A atividade de revenda é preponderante; • Em se tratando de compras para posterior revenda, a Recorrente apurou créditos integrais do PIS (art. 3o, I e II da Lei 10.637/02); Fl. 19503DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.504 5 • O fiscal entendeu que a tributação do PIS na saída do “café cru em grão” das cooperativas fornecedoras deveria ser obrigatoriamente suspensa, alegando que a Recorrente exerce atividade agroindustrial; • Nas receitas decorrentes de atos nãocooperativos, há contribuição ao PIS a recolher, motivo pelo qual o adquirente da sociedade cooperativa tem direito ao aproveitamento do crédito integral; • Mesmo quando se trata de ato cooperativo em que se tem o “adequado tratamento tributário” na incidência do PIS, o adquirente tem direito ao crédito integral; • Nas aquisições de café cru em grão pela recorrente não há a suspensão obrigatória do PIS, visto que as sociedades cooperativas de produção agropecuária, fornecedoras, exerceram atividade agroindustrial, na forma do § 6o do art. 8o da Lei 10.925/2004 e, portanto, estas é que possuem o direito ao crédito presumido, relativo à compra de café in natura; • As vendas de produtos in natura pelas cerealistas e pelas cooperativas de produção agropecuária saem com suspensão do PIS. As cooperativas de produção agropecuária, inclusive agroindustrial, adquirentes do café in natura: apuram IR com base no lucro real; exercem atividade agroindustrial; utilizam os mesmos como insumos na produção de mercadoria classificada no capítulo 9 da NCM (ou seja, o café deixa de ser in natura); • As cooperativas de produção agropecuária, inclusive agroindustrial, fornecedoras, aproveitam o crédito presumido do PIS, visto que exercem cumulativamente as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café, transformando o café in natura adquirido de pessoas físicas e jurídicas em “café cru em grão”; • Não havendo suspensão, a receita bruta da venda de “café cru em grão” pelas cooperativas de produção agropecuária, quando decorrente de ato nãocooperativo ou ato cooperativo, é tributada à alíquota geral do PIS e da Cofins. Nesse caso, a Recorrente, adquirente, tem direito ao aproveitamento do crédito integral; • A cooperativa de produção agropecuária, quando comercializa o “café cru em grão” no mercado interno para a Recorrente, transfere na nota fiscal o total do crédito fiscal do PIS que não foi possível compensar ou ressarcir em espécie nesta etapa da cadeia produtiva, em atendimento ao princípio constitucional da nãocumulatividade; Fl. 19504DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.505 6 • Não se pode admitir a hipótese de aproveitamento do crédito presumido do PIS em duas etapas da cadeia produtiva do café; • O regime de suspensão do PIS nas vendas efetuadas por cooperativas passou a vigorar a partir na publicação da IN SRF 636/2006, revogada pela IN SRF 660/2006, que estabelece as regras a serem observadas; • Se o produto adquirido como insumo de pessoa jurídica não teve sua receita favorecida pela suspensão do PIS e da Cofins, mostrase lógico inferir que o aproveitamento do crédito pelo adquirente observará as regras gerais; • As informações do Parecer, no que se refere a aquisições de pessoas jurídicas omissas ou inaptas, não são de conhecimento da Requerente, já que não foi convocada a participar do procedimento administrativo a elas alusivo; • Houve ofensa ao direito ao contraditório e a ampla defesa, sendo necessário afastar os efeitos dos fundamentos expostos no Parecer e no Anexo 1, Vols. I e II, eis que produzidos sem a participação da empresa Recorrente; • Diferentemente do IPI, no caso da nãocumulatividade do PIS, não há o que falar se, na etapa anterior houve recolhimento ou não das contribuições. Esse entendimento já foi manifestado pela DRJ/RJO II em caso semelhante; • No método subtrativo direto, aplicado ao PIS, o próprio contribuinte deve apurar o valor a ser abatido da aplicação da alíquota sobre o montante das vendas ou das prestações de serviços; • A Recorrente agiu de boafé, tendo, pois, o direito ao aproveitamento do crédito integral nas aquisições de pessoas jurídicas posteriormente declaradas inativas, omissas e com receita nula; • Segundo o art. 82 da Lei 9.430/96, as empresas que comprovarem a efetivação do pagamento do preço e o recebimento das mercadorias não poderão ter seus créditos glosados. Tal preceito é reproduzido no art. 217 do RIR/99; • A Recorrente teve o zelo de fazer consultas ao SINTEGRA, banco de dados da RFB. Ainda que as empresas fornecedoras estivessem inativas no momento da realização das operações, o que não é verdade, a Recorrente jamais poderia ser prejudicada por fatos que não causou; Fl. 19505DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.506 7 • Nenhum dos acionistas da empresa Recorrente foi denunciado pelo Ministério Público Federal, não respondendo a quaisquer dos crimes que foi objeto da operação denominada “Broca”, conforme certidão em anexo; • Várias das empresas arroladas ainda apresentam situação cadastral “ativa” de seus CNPJ’s; • Seguem os comprovantes de ingresso das mercadorias e de seus respectivos pagamentos, acompanhados da consulta ao SINTEGRA; • A fiscalização cometeu alguns erros na apuração da base de cálculo da contribuição: valor do débito informado no mês de maio de 2006; deixou de incluir despesas relativas a materiais, insumos e serviços do ano de 2006; incluiu compras junto à Cooperativa de Cafeicultores da Média Sorocabana Ltda., no mês de abril, como se fossem aquisições junto à CONAB; • O autor do procedimento fiscal desconsiderou a realidade dos fatos amparada nos lançamentos contábeis. A contabilidade é meio de prova hábil e idôneo, não sendo possível desconsiderála em razão da supressão da essência em relação à exigência de formalidades; • Trechos extraídos de inquéritos policiais, ou mesmo a existência de referidos procedimentos, não representam prova de suposta obtenção fraudulenta de créditos; • Somente seria possível considerar existente a alegada fraude na eventualidade de vigorar uma sentença penal condenatória com trânsito em julgado; • A atividade de corretagem de café é essencial ao comércio atacadista de café, devendo os desembolsos decorrentes do pagamento de corretagem serem considerados como insumos à atividade da Recorrente; • O conceito de insumos dado pela IN SRF 404/2004 é equivocado, o que permite concluir que o legislador administrativo extrapolou sua função regulamentar; • Requer a reforma do Parecer SEORT, o restabelecimento do crédito integral do PIS e que seja reconhecida a posição da Recorrente como preponderantemente exportadora, nos termos da IN RFB 1060/2010 (ressarcimento acelerado), em relação aos futuros pedidos. Por fim, protesta pela juntada posterior de quaisquer documentos que se fizerem necessários. Fl. 19506DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.507 8 Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 19262/19289), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada procedente em parte, para reconhecer o direito creditório, no valor de R$ 55.744,93, referente à Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, vinculada às operações de exportação, acumulado no período de janeiro a dezembro de 2006, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 NULIDADE. Não padece de nulidade o auto de infração, lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos Fl. 19507DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.508 9 decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos. A autuada foi cientificada da decisão de primeira instância em 21/9/2012 (fl. 19294). Em 17/10/2012, protocolou o recurso voluntário de fls. 19295/19380, em que reafirmou as razões de defesa apresentadas na peça impugnatória, concernentes à glosa integrais dos créditos oriundos da aquisição (i) de cooperativas, (ii) de pessoas jurídicas inativas, omissas ou sem receita declarada e (iii) das despesas de corretagem. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator (quanto ao restabelecimento do direito ao crédito integral na aquisição das cooperativas) Conforme delineado no relatório precedente, o cerne da controvérsia cingese (i) a glosa parcial dos créditos calculados sobre a aquisição de café cru em grão de cooperativas de produção e de pessoas jurídicas irregulares (inativas, omissas ou sem receita declarada), e (ii) a glosa integral dos créditos calculados sobre o valor das despesas de corretagem na compra do café em grão. I Da Glosa Parcial de Créditos Referentes às Aquisições de Cooperativas de Produção Agropecuária De acordo com o Parecer que serviu de fundamento para o questionado Despacho Decisório (fls. 514/515), a autoridade fiscal glosou os créditos integrais, apurados pela recorrente, calculados sobre os valores das aquisições de “café cru em grão” ou “café beneficiado” realizadas de cooperativas de produção agropecuária, mas, em compensação, calculou e reconheceu em seu favor o valor do crédito presumido, previsto no art. 8º da Lei 10.925/2004. As razões da glosa parcial, apresentada no citado Parecer (fls. 189/201 e 510/514), em síntese, foram as seguintes: a) as cooperativas de produção agropecuária encontravamse obrigadas a dar saídas do café em grão com suspensão da exigibilidade das contribuições, por força do disposto no art. 9o da Lei 10.925/2004; b) como a interessada apurava o imposto de renda com base no lucro real e exercia atividade agroindustrial, definida no art. 6º da Instrução Normativa SRF 660/2006, tinha o direito de apropriar apenas o crédito presumido sobre as aquisições das cooperativas de produção agropecuária; c) o não cumprimento pela cooperativa agropecuária de produção da obrigação acessória de registrar na nota fiscal a observação de que a saída era com suspensão não permitia ao adquirente aproveitarse do crédito integral; d) as receitas das cooperativas agropecuárias de produção, decorrentes da comercialização da produção dos cooperados, não integravam a base de Fl. 19508DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.509 10 cálculo da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001, por conseguinte, quando tais cooperativas não davam saída com suspensão não recolhiam os tributos sobre estas receitas, daí o motivo pelo qual a lei previa apenas o crédito presumido ao adquirente das citadas cooperativas; e e) a parcela das aquisições de café efetuadas de cooperativas agropecuárias de produção com crédito integral foram glosadas, mantendose, em seu lugar, o crédito presumido previsto no art. 8o da Lei 10.925/2004. A Turma de Julgamento de primeiro grau ratificou a glosa parcial determinada pela autoridade fiscal da unidade da Receita Federal de origem, sob o argumento de que as compras foram realizadas com suspensão da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e a recorrente não comprovara que o produto fora destinado à revenda. As razões de decidir apresentadas no voto condutor do julgado recorrido, em síntese, foram baseado nos seguintes argumentos: a) o produto adquirido pela recorrente estava descrito nas notas fiscais de venda como “café cru em grão” ou “café beneficiado”, o que evidenciava uma venda de produto não submetido a processo industrial; b) o “café cru” era a semente beneficiada, mas, para efeito da aplicação da obrigatória suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep, em relação às vendas efetuadas por cooperativa agropecuária de produção, era irrelevante o fato de a referida sociedade cooperativa realizar a atividade de beneficiamento, pois, somente o exercício cumulativo das atividades descritas no do art. 8o, § 6o, da Lei 10.925/2004 e no art. 6º, II, da Instrução Normativa SRF 660/2006, caracterizava tal atividade como agroindustrial, o que não ocorrera com o produto adquirido pela recorrente; c) o processo de beneficiamento do café, executado de forma isolada pela cooperativa, não a descaracterizava como cooperativa de produção agropecuária, consequentemente, não lhe era permitida a apropriação do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, previsto no art. 8º da Lei 10.925/2004; d) a recorrente atendia, cumulativamente, os três requisitos estabelecidos no art. 4º da Instrução Normativa 660/2006, para que a venda fosselhe realizada com suspensão da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep; e e) tratandose de aquisições de cooperativa de produção agropecuária, a recorrente não provara que o produto adquirido fora destinado à revenda, hipótese em que o produtos não era obrigado a sair com suspensão do estabelecimento da cooperativa de produção agropecuária. Ainda segundo a recorrente, no mercado interno, o ciclo de produção e comercialização do “café cru em grão” por ela exportado era realizado em três etapas, a saber: a) 1ª etapa, aquisição do café in natura de pessoa jurídica (cerealista) e de pessoa física (produtor rural) pela sociedade cooperativa que exercia atividade industrial; b) 2ª etapa, o processo de industrialização do café in natura pela cooperativa industrial; e c) 3ª etapa, venda para o exterior do “café cru em grão” pela recorrente com manutenção dos créditos integrais das contribuições. Fl. 19509DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.510 11 Após detalhada descrição de cada uma das etapas, a recorrente chegou a conclusão que a Turma de Julgamento de primeiro grau havia desconsiderado a existência da 2ª etapa do descrito ciclo de produção/comercialização. Sem razão a recorrente. Diferentemente do alegado, o citado órgão de julgamento não desconsiderou a existência da referida etapa, mas sim a não comprovação de que ela tenha sido realizada pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária fornecedoras do produto à recorrente, o que é diferente. Aliás, esse também é o entendimento aqui explicitado, baseado na ausência de provas de que as ditas cooperativas fornecedoras do “café cru em grão” ou “café beneficiado”, adquirido pela recorrente, tenha realizado o exercício cumulativo das atividades discriminadas no art. 8º, 6º, da Lei 10.925/2004. A recorrente alegou ainda a impossibilidade jurídica de aproveitamento, em duplicidade, do crédito presumido previsto no art. 8º, § 1º, II, da Lei 10.925/2004, sob o argumento de que tal crédito já havia sido utilizado pelas supostas cooperativas industriais fornecedoras do “café cru em grão” por ela exportado. Mais uma vez, não assiste razão à recorrente. Primeiro, não há provas nos autos que as cooperativas de produção agropecuária fornecedoras do produto tenha utilizado o mencionado crédito presumido. Segundo, se utilizou, foi indevidamente, pois, o referido produto não fora submetido a processo produção agroindustrial, conforme anteriormente demonstrado. Cabe ressaltar novamente, que, de acordo com os preceitos normativos anteriormente analisados, o crédito presumido em comento não pode ser utilizado em duplicidade em relação ao mesmo produto, mas apenas uma única vez e pelo estabelecimento industrial que realizar, em primeiro lugar, o exercício cumulativo das citadas atividades agroindustriais. E no caso em tela, ficou comprovado que foi a própria recorrente quem realizou tais atividades, portanto, corretamente a autoridade reconheceulhe o citado crédito presumido. Há provas nos autos que somente a recorrente comprovou ter os equipamentos e a estrutura industrial adequada e suficiente, para a realização das citadas atividades cumulativas de beneficiamento exigidas no citado preceito legal, conforme resposta prestada a fiscalização, em atendimento aos pedido de esclarecimentos formulados no Termo de Intimação Fiscal nº 1, explicitada nos trechos extraídos no item 6 da dita resposta (fls. 75/76), que seguem transcritos: A natureza da atividade econômica exercida pela Unicafé Cia. de Comércio Exterior é o comércio atacadista de café em grãos cru. A empresa realiza por conta própria e de terceiros as operações descritas no art. 8o, § 6o da Lei 10.925/04 [...]. Por fim, complementando a resposta de forma mais abrangente e detalhada a empresa executa diversas operações da seguinte forma: A Unicafé adquire cafés de diversos tipos e de variados fornecedores, pessoas físicas e jurídicas. Ao ingressar esses produtos em suas dependências, acondicionados em sacas Big Bags, o café é pesado. As sacas são furadas para retirada de amostras dos lotes/pilhas. As amostras são numeradas. Em ato Fl. 19510DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.511 12 subseqüente seguem para o escritório para prova e identificação de tipo, bebida e conferência da mercadoria comprada. Depois o café é submetido a um processo de rebeneficiamento para retirada de impurezas e grãos com defeitos. Posteriormente o café é separado por peneiras e tipos o que permite a seleção dos grãos por tamanho. Em ato contínuo, os produtos são levados para ventilação, aqui ocorre a separação dos cafés mais leves chamados escolhas (brocados, malgranados e conchas). Por último, cada tipo de café é separado por cor, realizada por processamento eletrônico, por meio de células fotoelétricas, permitindo a retirada dos grãos verdes, pretos, dentre outros. Após todo o processamento acima realizado, a empresa separa os cafés em lotes (tipo, peneira, bebida, etc.) através de pilhas de serviço que fica a disposição do setor comercial para utilizálos na formação de diferentes “blends” para atendimento de nossos clientes no mercado interno e externo. (grifos não originais) Com base nessas considerações, fica demonstrada a improcedência das alegações suscitadas pela recorrente e uma vez demonstrado que o produto “café cru em grão” ou “café beneficiado” não fora submetido ao exercício cumulativo das atividades agroindustriais discriminadas no art. 8º, 6º, da Lei 10.925/2004, pelas cooperativas agropecuárias de produção fornecedoras, deve ser mantida a glosa parcial dos créditos, nos termos determinados no Parecer e Despacho Decisório integrante dos autos (fls. 189/201 e 510/515). II Da Glosa Parcial dos Créditos Referentes às Aquisições de Pessoas Jurídicas Irregulares A autoridade fiscal da unidade da Receita Federal de origem procedera a glosa parcial do crédito calculados sobre o valor da aquisição de pessoas jurídicas em situação irregular (omissas, inativas, inaptas ou com receita incompatível), sob o argumento de que houve fraude na operação de compra do café em grão, caracterizada pela interposição fraudulenta de “empresas de fachada ou laranja”. Segundo a citada autoridade fiscal, a real operação de compra e venda do produto fora realizada diretamente entre o produtor rural, pessoa física, e a recorrente, o que lhe assegurava somente o direito ao crédito presumido, no montante equivalente a 35% (trinta e cinco por cento) daquele previsto no art. 2o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, conforme estabelecido no art. 8°, § 3º, III, da Lei 10.925/2004. Por sua vez, a recorrente, em síntese, alegou que: a) era adquirente de boafé; b) as presunções e provas produzidas no âmbito da “Operação Broca” e “Operação Tempo de Colheita” não poderia ser utilizadas no caso em tela; c) não foram observados os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa; e d) a inadequada utilização de depoimentos como único meio de prova. Do contexto legal da origem à glosa realizada. Sob o aspecto legal, com a introdução do regime não cumulativo, por intermédio das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, os contribuintes, sujeito ao citado regime, adquirentes de bens de pessoas jurídicas passaram a gozar do direito de crédito sobre o valor das compras, no valor equivalente a 9,25% da operação de aquisição. O referido percentual Fl. 19511DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.512 13 corresponde ao somatório das alíquotas normais fixadas para o cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep (1,65%) e Cofins (7,6%), incidentes sobre o valor da receita bruta mensal. No caso do mercado de café em grão, uma particularidade deve ser ressaltada: se a empresa comprar o produto diretamente do produtor rural, pessoa física, desde que atendido os requisitos legais, a ela é assegurado o direito de apropriarse de um valor de crédito presumido equivalente a 35% (trinta e cinco por cento) daquele referente a uma compra de um produtor ou atacadista, pessoa jurídica. Essa permissão de creditamento entrou em vigor a partir 1/2/2004, na forma e nos termos do art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: [...] III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Renumerado pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) [...] (grifos não originais). Antes da vigência do citado preceito legal, prevalecia a regra geral, que vedava o creditamento resultante de compras de pessoa física, na forma do § 3º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, a seguir reproduzido: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: Fl. 19512DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.513 14 I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; [...] (grifos não originais) Dado esse contexto legal, fica evidenciado que, para os contribuintes, submetidos ao regime não cumulativo das citadas contribuições, sob o ponto de vista tributário, passou a ser vantajoso adquirir o café em grão diretamente de pessoa jurídica, ao invés do produtor rural, pessoa física, pois a aquisição direta de pessoa jurídica asseguravalhes o valor integral do crédito calculado sobre valor da operação compra e não equivalente a 35% (trinta e cinco por cento), título de crédito presumido. Da fraude praticada contra a Fazenda Nacional. Previamente, cabe esclarecer que a glosa parcial dos créditos em apreço foi motivada pela apuração de fraude fiscal nas aquisições do café em grão, realizada pela recorrente, mediante a utilização de interpostas pessoas jurídicas de “fachada ou laranja”. A apuração da referida fraude foi feita no âmbito das operações denominadas “Tempo de Colheita” e “Broca”. Segundo Nota Conjunta da Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público Federal, colacionadas aos autos (fl. 19261), as firmas de exportação e torrefação envolvidas na citada fraude utilizavam empresas “laranjas”, que, mediante venda de notas fiscais, atuavam como intermediárias fictícias nas operações de compra e de venda de café em grão entre os produtores rurais e as empresas exportadoras e industriais, com a finalidade de gerar indevidamente créditos integrais da Contribuição para o PIS/Pasep. De acordo com citada Nota, a prática criminosa vinha ocorrendo desde 2003, causando prejuízo de bilhões de reais aos cofres públicos federais. No caso em tela, há provas nos autos que comprovam que a maior parte dos fornecedores da recorrente foram constituídos a partir do ano de 2002, conforme exposto no quadro de fls. 19276/19277, e que, geralmente, estiveram em situação irregular no período em que foram fiscalizadas, seja por omissão em relação as suas obrigações acessórias, seja em relação ao pagamento de tributos. Com base no quadro de fls. 196/198, que integra o citado Parecer que serviu de fundamento para o questionado Despacho Decisório, extraise que grande parte dos fornecedores da recorrente encontravamse em situação irregular no período de apuração dos créditos. Ademais, por ocasião da edição do citado Despacho Decisório, 14 fornecedores já haviam sido declarados inaptos ou se encontravam com o CNPJ suspenso. No conjunto, as empresas supostas fornecedoras da recorrente movimentaram no ano de 2008 (considerando apenas as operações envolvendo a recorrente) cerca de R$ 197.187.539,74, mas praticamente nada recolheram, no período, a título de Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, e sequer apresentaram declaração informando os valores das receitas auferidas e os valores dos débitos apurados e a recolher. A este quadro de graves irregularidades, somase ainda o fato, constatado pela fiscalização em várias diligências, que nenhuma das empresas diligenciadas possuíam Fl. 19513DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.514 15 armazéns ou depósitos nem funcionário contratados, o que, em condições normais de operação, contrariava as tradicionais empresas atacadistas de café estabelecidas na região, detentoras de grande estrutura operacional e administrativa necessária para armazenar, beneficiar e movimentar o grande volume de café transacionado. Assim, sem a existência de depósitos, funcionários, maquinário e qualquer logística, fica cabalmente evidenciado que tais empresas não tinham a menor condição de transacionar tão grande quantidade de café em grão. Com tal estrutura, a única atividade que era passível de ser realizada pelas pessoas jurídicas investigadas, certamente, era a venda e emissão de notas fiscais inidôneas, conforme sobejamente comprovado no curso do processo investigativo efetivado no âmbito das citadas operações. No caso, as provas coligidas aos autos, extraídas dos processos de representação fiscal para fins de inaptidão das pessoas jurídicas de “fachada ou laranja” (Anexo I – fls. 204/457), evidenciam que as denominadas “pseudoatacadistas” eram empresas de “fachada ou laranja”, utilizadas apenas para simular operações fictícias de compra e venda de café em grão com os produtores rurais e empresas exportadoras e industriais. Em outras palavras, as empresas denominadas “pseudoatacadistas” simulavam, simultaneamente, uma operação de compra dos produtores rurais, pessoas físicas, e outra de venda para as empresas exportadoras e industriais, dentre as quais a recorrente foi uma das principais beneficiárias desse esquema fraudulento, haja vista a grande quantidade de notas fiscais compradas das citadas empresas, que se encontram colacionadas aos autos (fls. 860 e ss.). As informações fiscais, prestadas com base em documentos obtidos e apreendidos durante as citadas operações, e os depoimentos de representantes de direito (“laranjas”), procuradores e de pessoas ligadas às empresas “pseudofornecedoras” (fls. 204 e ss.), colhidos durante a operação “Tempo de Colheita”, confirmam a participação dos compradores na fraude, dentre os quais a Unicafé. Além dos trechos de depoimentos reproduzidos no Parecer, que integra o questionado Despacho Decisório, merecem destaque alguns fatos apurados através de depoimentos nos diversos processos que foram abertos contra as pessoas jurídicas fornecedoras de notas fiscais, que participaram da fraude. No voto condutor do julgado recorrido, de forma criteriosa e didática, o nobre Relator selecionou, dentre as várias declarações prestadas pelos envolvidos no esquema, aqueles mais relevantes, que, de forma congruente e uníssona, confirmam o modus operandi, os mentores, os executores e os reais beneficiários da gigantesca fraude praticada contra Fazenda Nacional. Em face da relevância de tais informações para compreensão da fraude em comento e o deslinde da controvérsia, pedese licença para transcrever a seguir os excertos mais relevantes extraídos do citado voto: Em resposta à intimação da autoridade fiscal, as empresas Cafeeira Arruda, Colúmbia, Do Grão e L&L confirmam os indícios, inclusive o de participação dos compradores na fraude, ao afirmarem que em alguns casos, nem mesmo procuravam o vendedor/produtor, pois “o comprador (seja indústria, exportador ou corretora), depois de fazer a negociação direta com o produtor ou com a corretora de mercado futuro”, apenas informava a Depoente que iria “precisar de seus serviços, quais sejam receber a Nota do Produtor, receber o dinheiro, pagar o produtor e emitir Nota Fiscal de Venda/Viagem”. Afirmaram também que os recursos transitados pela conta da Depoente são Fl. 19514DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.515 16 dos compradores do café, sejam estes corretores futuros, indústrias torrefadores, atacadistas ou exportadores (fl. 232, 274, 315). Afirmam que não são atacadistas de café, mas simples corretores que se transformaram em agentes por imposição dos compradores (fl. 212, 232, 274, 315). A Cafeeira Arruda, em seu depoimento, confirma os mesmos fatos e afirma que forneceu nota fiscal para a Unicafé (fl. 213). No mesmo sentido é o depoimento do sócio da Agrosanto (fls. 420/423). Em outros depoimentos, prestados por diversos produtores rurais e/ou maquinistas, estes confirmam que o café sai da propriedade rural/armazém do maquinista e é guiado em nome das empresas de “fachada” (Colúmbia, Do Grão, Enseada, L & L, etc) e que após efetuada a troca da nota do produtor por nota fiscal emitida por estas empresas (troca esta efetuada por um motoboy em locais determinados), o café é descarregado diretamente nos armazéns das reais compradoras, dentre as quais, é citada a Unicafé (fls. 237, 238, 278, 279, 319). Os declarantes afirmam, ainda, que não conhecem e nunca negociaram com sócio ou representante das empresas “intermediárias”. Há também depoimentos que revelam a “resistência” por parte das reais empresas compradoras de café (atacadistas, exportadores e indústrias) em adquirir café diretamente do produtor rural e que afirmam “ter conhecimento da existência de mercado de fornecimento de nota fiscal por empresas laranjas com a finalidade de guiar café do produtor rural para as grandes empresas exportadoras para obtenção de crédito do PIS/COFINS” (fl. 303, 397). Os depoimentos denunciam a fraude, confirmam seu modus operandi, e, ainda, demonstram a participação efetiva das empresas adquirentes do café. O citado esquema de fraude também foi amplamente divulgada na grande imprensa do Estado do Espírito Santo, conforme se verifica nas reportagens que se encontram colacionadas aos autos (fls. 450/457). Em consulta as referidas reportagens, chamou a atenção deste Relator a reportagem que foi publicada no Jornal “A Gazeta Vitória”, edição de 3 de junho de 2010, noticia que, entre os milhares de materiais apreendidos no curso da denominada “Operação Broca”, constava o manual da fraude, que consistia num “manual completo de como burlar a fiscalização”. Apresentado o contexto legal e o modus operandi do esquema de fraude para apropriação ilícita de créditos das referidas contribuições, passase a analisar as alegações da recorrente. Da condição de adquirente de boafé. Na peça recursal em apreço, a recorrente alegou que não procedia a glosa parcial realizada pela fiscalização, sob o argumento de que era compradora de boafé, pois, havia comprovado a “efetivação do pagamento do preço e o recebimento das mercadorias”, em conformidade com disposto no art. 82 da Lei 9.430/1996, a seguir transcrito: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos Fl. 19515DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.516 17 tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Segundo a recorrente, há uma “amazônica quantidade de documentos acostada aos autos” que comprovam a efetivação do pagamento do preço e o recebimento do café cru em grão por ela adquirido, que atende o disposto no citado preceito legal. Acontece que, no caso em tela, não há controvérsia em relação ao recebimento e pagamento das mercadorias. Aliás, a própria autoridade fiscal da unidade da Receita Federal de origem, no referenciado Parecer, asseverou que não havia “questionamento quanto à aquisição das mercadorias”, visto que havia “registro das saídas equivalentes”, e, em face dessa constatação, reconheceu, em favor da recorrente, o valor do crédito presumido calculado sobre as respectivas aquisições. Assim, para fiscalização, a real operação de compra e venda foi a realizada entre o produtor rural, pessoa física, e a recorrente, dissimulada com a intermediação das interpostas “pseudoatacadistas”. Também cabe ressaltar o correto procedimento adotado pela fiscalização ao desconsiderar a operação simulada (aparente) e reconhecer a existência da operação dissimulada (camuflada), o que está em perfeita consonância com a orientação geral presente no ordenamento jurídico do País, no sentido de que reputase “nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma”, conforme expresso no art. 167 do Código Civil, a seguir transcrito: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. § 2º Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. (grifos não originais) Portanto, fica evidenciado que o cerne da controvérsia consiste em saber se as supostas operações de compra e venda realizadas pela recorrente com as empresas “pseudoatacadistas” foram reais ou uma mera simulação para acobertar a efetiva operação de compra do café em grão, com a finalidade de apropriarse de parcela indevida de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Fl. 19516DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.517 18 Dessa forma, no que tange à questão em apreço, os fartos elementos probatórios existentes nos autos conduz a conclusão que o cerne da controvérsia consiste em saber de quem foi, realmente, comprada o café em grão adquirido pela recorrente e a quem foi feito o pagamento real da operação. Em outras palavras, os documentos colacionados aos autos pela recorrente representam a efetiva operação de compra e venda ou se trata de mera dissimulação da real operação? Ademais, os documentos relativos aos pagamentos comprovar que foram realizados a quem efetivamente vendeu o café (o produtor rural) ou foram realizados à interpostas pessoas (as pseudoatacadista)? Assim, para um justo deslinde da controvérsia, certamente, tais questões precisam ser respondidas, em respeito ao princípio da verdade real, que rege o processo administrativo fiscal. Em nome da verdade material, o que deve ser analisado é se a “amazônica quantidade de documentos” colacionados aos autos pela recorrente representam a real operação de compra e venda realizada pela recorrente e se tais pagamentos foram efetivamente feitos aos reais vendedores do produto, ou apenas serviram para dissimular as operações em que reais vendedores eram os produtores rurais (pessoas físicas) e os pagamentos eram realizados a empresas “pseudoatacadistas”, para dissimular a real operação de compra e venda realizada entre o produtor rural (pessoa física) e a recorrente. Os documentos colacionados aos autos pela recorrente, para comprovar o recebimento das mercadorias e efetivação do pagamento do preço do produto adquirido, constam das fls. 860 e ss. Da análise dos referidos documentos, feita por amostragem, verifica se um procedimento padrão, qual seja, para cada uma das milhares de compras realizadas perante as 42 “pseudoatacadistas” (fls. 184/185), para cada uma delas, no início, consta uma planilha com os dados consolidados das supostas compras, seguida das notas fiscais de cada uma das compras, acompanhadas de cópias de (i) extratos de consulta ao CNPJ e SINTEGRA, realizada na mesma ou em data próxima a da compra, (ii) de fichas de compra e nota de cálculo e liquidação da operação, (iii) romaneio da carga; e (iv) aviso de débito em conta corrente ou cheque nominal em nome da emitente da nota fiscal. Previamente, cabe esclarecer que, nos presentes autos, não há dissenso sobre os documentos fiscais colacionados aos autos pela recorrente, mas sobre o que eles não contêm. Não se pode olvidar que as notas fiscais coligidas aos autos representam a verdade formal da operação de venda (a mera existência do documento). Do mesmo modo, a consulta aos cadastros do CNPJ e SINTEGRA prova apenas que a empresa estava cadastrada. Sabidamente, a inscrição regular em tais cadastro prova apenas a existência formal da pessoa jurídica. Em relação a tais provas, cabe as seguintes indagações: no exercício da atividade de compra e venda de café é prática normal que, em cada operação de compra, a compradora realize uma consulta prévia sobre a situação dos vendedores nos citados cadastros? Ademais, porque a recorrente somente muniuse das provas formais, que, aparentemente, comprovavam apenas a regularidade formal das supostas empresas fornecedoras perante os citados cadastros? No caso, embora tenha se revelado diligente com a obtenção de documentos que certificavam a regularidade formal da existência dos seus fornecedores, a mesma diligência não foi direcionada para fim de verificação da existência de fato, da idoneidade empresarial, da capacidade operacional e patrimonial das denominadas “pseudoatacadistas”. Fl. 19517DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.518 19 Nesse sentido, se a recorrente tivesse solicitado cópia dos contratos de constituição dos referidos fornecedores, prática normal no meio comercial quando há transações envolvendo altas cifras, induvidosamente, teria verificado que os sócios dos seus maiores fornecedores eram pessoas humildes, sem instrução, sem patrimônio e sem condições financeiras e conhecimento técnico para dirigir uma empresa atacadistas de café que transacionou centenas de milhões de reais do produto. Pela mesma razão, se tivesse tido a precaução de pedir cópia dos demonstrativos contábeis dos referidos fornecedores, certamente teria constatado que todas elas não tinham patrimônio, funcionários e o mínimo de estrutura operacional para vender uma quantidade tão grande de café. Enfim, se tivesse solicitado as cópias da DIPJ dos seus grandes fornecedores também teria confirmado que eles não tinham idoneidade fiscal para atuar no mercado atacadista do café e não passava de meras empresas de “fachada ou laranja”. Entretanto, nada disso foi feito pela recorrente, que se contentou com a mera confirmação de que tais fornecedores tinham inscrição ativa no CNPJ e no SINTEGRA. E a obtenção de tais informações revelavamse por demais necessárias, dada a circunstância de que, em 22/10/2007, data anterior ao período de apuração dos créditos glosados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória (DRF/VIT), havia dado início a denominada “Operação Tempo de Colheita”, para averiguar se as supostas pessoas jurídicas arroladas no processo investigatório atuavam efetivamente como empresas comerciais atacadistas de café. E o resultado final das investigações foi a descoberta de um grandioso esquema de venda de notas fiscais criado para possibilitar o creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, no montante de 9,25% sobre o valor indicado nas notas fiscais. Ora se tal fato fora amplamente noticiado na imprensa local e teve ampla repercussão perante o setor cafeeiro onde atuava a recorrente, revelase de todo impensável que tal fato não tenha chegado ao conhecimento da recorrente, que, mesmo diante da gravidade de tais ilícitos, fez ouvidos de mercador e continuou praticando as mesmas condutas fraudulentas apuradas na “Operação Tempo de Colheita”, porém, para se precaver de futura fiscalização, muniuse de documentos que, aparentemente, conferiam roupagem de legalidade e realidade às operações simuladas. Para comprovar que tais operações registradas nas citadas notas fiscais não passavam de mera simulação, a fiscalização colacionou aos autos (fls. 204 e ss.) fartas provas documentais e informações colhidas em depoimentos prestados por produtores rurais, corretores de café, representante legais (formais) das “pseudoatacadistas”, participantes do esquema de fraude, que demonstram que as aquisições do café não foram realizadas das denominadas “pseudoatacadistas”. Na verdade, tais empresas apenas forneciam as notas fiscais, para simular uma operação de compra e venda que, de fato, foi realizada entre os produtores rurais, pessoas físicas, não contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, com o único e intencional propósito de gerar crédito integral das referidas contribuições em favor da recorrente. Além disso, a partir da leitura dos diversos depoimentos prestados pelos representante legais (formais) das “pseudoatacadistas” extraise que a recorrente não só sabia da fraude em comento, com se revela uma das beneficiárias do esquema, pois, segundo os citados depoimentos, condicionava a compra do café a intermediação e emissão das notas fiscais pelas “pseudoatacadistas”, o que deu origem a um mercado paralelo de venda de notas fiscais, em que era negociada ao preço variável de R$ 0,15 a R$ 0,30. Fl. 19518DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.519 20 Assim, fica demonstrada a improcedência da alegação da recorrente que não havia nos autos, absolutamente, nenhuma prova robusta e idônea no sentido da participação da recorrente na suposta fraude. Com efeito, as provas coligidas aos autos pela fiscalização (fls. 204 e ss.) não só provam que a recorrente participou do esquema como ela fora beneficiada com o esquema fraudulento, haja vista que as “pseudoatacadistas” emitiram seu nome inúmeras notas fiscais de venda. A título ilustrativo, cabe citar o depoimento do Sr. Fernando Tadeu Tozzi dos Santos, sócio da Cafeeira Arruda Ltda., que faz expressa citação de que à recorrente foram fornecidas notas fiscais para “guiar o café do produtor rural para as empresas exportadoras e industriais” e que as contas correntes da referida empresa serviam “apenas para receber recursos das empresas exportadoras e indústrias e repassar aos produtores.” Dado esse contexto e tendo em conta que as provas coligidas aos autos pela recorrente (fls. 647 e ss.) apenas retratam as operações simuladas noticiada nos autos, chegase a conclusão que a recorrente não agiu como compradora de boafé, como alegara. Ao contrário, os fatos relatados nos autos, respaldados por prova idôneas, demonstram que a recorrente não só contribuiu para existência do citado esquema de fraude, como ainda dele tentou se beneficiar, apropriandose indevidamente de créditos integrais da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre aquisições simuladas das “pseudoatacadistas” de café. Da utilização de presunções e provas produzidas no âmbito das operações “Tempo de Colheita” e “Broca”. A recorrente alegou que a fiscalização se contentara com meros indícios, fluidas presunções para negar o direito subjetivo da contribuinte ao direito creditório da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep. Sem a razão a recorrente. A glosa realizada pela fiscalização foi baseada no fundamento de que a recorrente não provou o direito creditório pleiteado, pois, as notas fiscais apresentadas representavam mera dissimulação da real aquisição do café em grão adquirido de produtores rurais, pessoas físicas, não contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e que faz jus apenas a parcela do crédito presumido por força do disposto no art. 8º da Lei 10.925/2004. Diferentemente do alegou a recorrente, há sim provas robustas e idôneas colacionadas aos autos que comprovam que as notas ficais por elas apresentadas para comprovar do aquisição do café em grão diretamente de empresas atacadistas, na verdade, foram compradas no mercado negro de venda de notas, criado a partir do ano de 2002, com o único propósito de gerar crédito das citadas contribuições e fraudar o pagamento do Funrural. Também não procede a alegação da recorrente de que não há nos autos nenhuma prova idônea da sua participação no esquema de fraude em referência, pois, as próprias notas fiscais por ela colacionadas aos autos representam a prova cabal da sua participação no esquema e que poderia ser uma das principais beneficiárias, se não fosse revelada e comprovada a fraude. Por todas essas razões, rejeitase as referidas alegações. Da inobservância dos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. A recorrente alegou violação aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa e afronta ao disposto nos arts. 2º, X, 3º e 38 da Lei 9.784/1999. Fl. 19519DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.520 21 Sem razão a recorrente. Por força do disposto no art. 74, § 11, da Lei 9.430/1996, a norma que rege o processo administrativo de compensação e ressarcimento, é o Decreto 70.235/1972, com as alterações posteriores, doravante denominado de PAF. E a Lei 9.784/1999 (Lei Geral do Processo Administrativo Federal), nos termos do seu art. 691, somente, de forma subsidiária, aplicase ao citado processo, isto é, somente quando a matéria não for especificamente abordada no PAF é que o aplicador da norma poderá recorrer ao ditames da referida lei. Dessa forma, tendo conta que o direito ao contraditório e ao exercício do direito de defesa, no âmbito do processo administrativo fiscal, são matérias que se encontram disciplinados no PAF (arts. 14, 15, 33 e 37), em face do princípio da primazia da norma específica sob a genérica e tendo em conta determinação expressa do art. 69 da Lei 9.784/1999, no caso em tela, não houve a alegada agressão aos citados preceitos da Lei 9.784/1999. No caso processo de ressarcimento/compensação, a fase contenciosa, inicia se com a apresentação da manifestação de inconformidade do contribuinte e se encerra com a prolação da decisão definitiva, nos termos do art. 42 do PAF. No caso em tela, as disposições dos referidos preceitos legais encontramse plenamente satisfeitas, pois, após proferido o contestado Despacho Decisório, a recorrente fora intimada da decisão proferida e teve acesso a todos os elementos que serviram de fundamento das glosas realizadas, inclusive apresentou robusta peça defensiva e uma “amazônica quantidade de documentos”. Portanto, não a alegada contradição aos citados princípios e tampouco aos citados preceitos da Lei 9.784/1999 Também não procede a alegação da recorrente de que em momento algum foralhe outorgado o direito de participar da coleta de depoimentos prestados pelos supostos profissionais do mercado de café, pois, se os referidos depoimentos foram colhidos no âmbito dos processos de declaração de inaptidão do CNPJ das “pseudoatacadistas”, formalizados em decorrência da operação das infrações apuradas no âmbito da denominada operação “Tempo de Colheita”, por não ser parte nos citados processo, obviamente, não havia razão para que a recorrente participasse da colheita dos questionados depoimentos. Com essas considerações, fica demonstrado que, diferentemente do alegado pela recorrente, o devido processo legal foi obedecido, haja vista que o contraditório foi regularmente instaurado e a recorrente exerceu o seu direito de defesa em toda sua plenitude, conforme determina os preceitos do PAF, em decorrência, rejeitase a presente alegação. Dos depoimentos como único meio de prova. A recorrente alegou que não era admitido tão somente a prova testemunhal nas obrigações cujo valor exceda o décuplo do salário mínimo, nos termos do art. 401 do CPC, a seguir transcrito: Art. 401. A prova exclusivamente testemunhal só se admite nos contratos cujo valor não exceda o décuplo do maior salário mínimo vigente no país, ao tempo em que foram celebrados. (grifos não originais) 1 O citado preceito legal tem o seguinte teor: "Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei." Fl. 19520DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.521 22 Mais uma vez sem razão a recorrente. Tal regra, sabidamente, não se aplica ao processo administrativo fiscal, que traa de relação jurídica estabelecida em lei, ao passo que o citado preceito legal trata de relação jurídica que tem origem em contrato, matéria estranha aos autos. Além disso, as provas testemunhais colhidas durante os vários depoimentos dos integrantes do multicitado esquema de fraude, prestados no âmbito das Operações “Tempo de Colheita” e “Broca”, apenas complementam e ratificam as várias provas documentais coligidas obtidas no curso das investigações realizados, dentre os quais podem os documentos sobre a constituição das “pseudoatacadistas”, a movimentação financeira incompatível, a falta de cumprimento das obrigações acessórias, inexistência de livros contábeis e fiscais, ausência de pagamento de tributos, sócios sem condições financeiras e técnicas de gerenciar as empresas (“sócios laranjas”), procurações em nome de pessoas com amplos poderes para gerenciar as contas correntes bancários das “pseudoatacadistas” etc. Também não procede a alegação da recorrente de que as provas coligidas aos autos eram ilícitas, porque obtidas por meio inadequado. A uma, porque todas as provas coligidas aos autos são lícitas e foram obtidas por meio adequado. A duas, porque a recorrente não apresentou qual foi meio ilícito adotado pela fiscalização para obtenção das referidas provas. Por todas essas razões, rejeitase as citadas alegações. Do Direito à Utilização do Crédito Presumido Sem Restrição A recorrente alegou que, caso não fosse acatado o direito ao crédito integral, o que admitia apenas para fins argumentação (princípio da eventualidade), fosselhe assegurado o direito de utilizar os créditos presumidos, reconhecidos pelo Despacho Decisório, sem qualquer restrição, inclusive por meio de ressarcimento em dinheiro e compensação com outros tributos federais. De acordo com o item 397 e 402 do citado Parecer, a autoridade fiscal informou que, por força do disposto no art. 8º, § 3º, I e II, da Instrução Normativa SRF 660/2006, os créditos presumidos reconhecidos à recorrente, com base no art. 8º, § 3º, I e III, da Lei 10.925/2004, somente poderia ser utilizado para dedução dos débitos das respectivas contribuições, sendo vedada a utilização para fins de compensação e ressarcimento. Acontece que, após exarado o referido Parecer, em 26/6/2014, foi publicada a Lei 12.995/2014, que, no seu art. 23, acrescentou o art. 7ºA à Lei 12.599/2012. O novo preceito legal ampliou as possibilidades de aproveitamento do referido crédito presumido, apurado em relação à aquisição de café in natura, que passou a poder ser utilizado, observado a legislação específica aplicável à matéria, para fins de compensação e ressarcimento, conforme se infere do texto a seguir transcrito: Art. 23. A Lei no12.599, de 23 de março de 2012, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 7oA: “Art. 7oA. O saldo do crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei no10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1º de janeiro de 2012 em relação à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: Fl. 19521DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.522 23 I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos.” (grifos não originais) Diante da mencionada previsão legal e tendo em conta que os créditos presumidos reconhecidos no citado Despacho Decisório referemse ao período de julho de 2009 a dezembro de 2010, obviamente, tais créditos enquadramse nas condições fixadas no novel comando legal, logo reconhecese em favor da recorrente o direito de utilizar tais créditos compensação ou ressarcimento, em conformidade com o citado comando legal. III Da Glosa Integral dos Créditos Calculados Sobre as Despesas de Corretagem De acordo com o Parecer, que serviu de fundamento para o vergastado Despacho Decisório, a glosa dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, calculados sobre os valores das despesas com os serviços de corretagem na compra do café em grão, foi realizada sob argumento de que tais sérvios não se enquadravam conceito de insumo, definido no art. art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, uma vez que eram destinados à área de comercialização dos produtos e não à área de produção. No mesmo sentido, a Turma de Julgamento de primeiro grau manteve a glosa determinada no Despacho Decisório de origem, sob o argumento de que, embora necessária à atividade da recorrente, tais despesas não geravam créditos a descontar da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, porque os respectivos serviços eram aplicados na etapa anterior do processo produtivo, logo eram efetivamente “aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto” do café beneficiado e exportado pela recorrente, consequentemente, não se enquadrava na definição legal de insumo prevista no art. 8º, § 4º, I, “b”, da Instrução Normativa SRF 404/2004. Por sua vez, a recorrente alegou que a não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep devia ter como referencial o processo que culmina com a obtenção da receita (fato gerador das contribuições), incluindo todos os elementos (físicos e funcionais) relevantes, e não apenas aqueles físicos ou diretamente aplicados ou consumidos na produção de bens ou na prestação de serviços. No entender da recorrente, o termo insumo compreendia todos os gastos com bens e serviços necessários ao processo produtivo, devendo ser excluídos apenas os dispêndios que configurassem mera conveniência ou que não interferissem no funcionamento, continuidade, manutenção ou melhoria do processo de produção ou de prestação realizado pelo contribuinte. Para a recorrente, os serviços de corretagem eram essenciais para que a recorrente auferisse as receitas com a venda do café exportado, portanto, enquadravase na definição de insumo. Com base nos citados argumentos, fica evidenciado que a controvérsia gira em torno do significado e alcance da norma veiculada no inciso art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, que permite a dedução de créditos calculados sobre a aquisição de insumos, nos termos a seguir reproduzidos: Fl. 19522DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.523 24 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, [...] ;(Redação dada pela Lei nº. 10.865, de 2004) [...] (grifos não originais) Em assentadas anteriores, este Conselheiro já teve a oportunidade de manifestar sobre o assunto e, em tais oportunidades, foi rejeitado tanto o conceito restrito de insumo da legislação do IPI, adotado pela fiscalização e pela Turma de Julgamento de primeiro grau, que se encontra definido no art. 8º, § 4º, I, “b”, da Instrução Normativa SRF 404/2004, quanto o conceito abrangente de insumo defendido por parte não expressiva da doutrina, que inclui todas as despesas necessárias à “realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa”, conforme definido no art. 2992, § 1º, do Decreto 3.000/1999 (RIR/1999). Ente este Relator, com a devida vênia aos que entendem de forma distinta, que a definição que melhor reflete o conceito de insumo de produção, definido no art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, é aquele veiculado no art. 290 do RIR/1999, que estabelece os elementos que integram o custo de produção, nos termos a seguir transcrito: Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. 2 O citado preceito legal tem o seguinte teor: "Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n º 4.506, de 1964, art. 47). § 1 º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n º 4.506, de 1964, art. 47, § 1 º ). § 2 º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n º 4.506, de 1964, art. 47, § 2 º ). § 3 º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem." Fl. 19523DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.524 25 Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 2º). (grifos não originais) Logo, excluídos os custos com (i) mãodeobra paga a pessoa física e (ii) as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, expressamente vedado no art. 3º, § 2º, da Lei 10.833/2003, todos os demais custos com bens e serviços aplicados na produção integram o conceito de insumo para fins de apropriação do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, independentemente se tal custo apresentase de forma autônomo (por exemplo, locação, manutenção e reparo de bens aplicados na produção) ou se integrado ao custo do bem aplicado na produção. No caso em tela, as despesas com serviços de corretagem pagas ou incorridas na compra do café em grão, certamente, integram o custo de aquisição do principal bem utilizado como insumo na atividade de fabril da recorrente, portanto, deve integrar a base de cálculo do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep. Com base nessas considerações, fica demonstrada a improcedência a glosa dos créditos calculados sobre os valores das despesas incorridas com os serviços de corretagem na compra do café em grão, devendo ser restabelecido o direito da recorrente à dedução dos respectivos créditos. IV Da Conclusão Por todo o exposto, votase pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para restabelecer o direito de dedução dos valores dos créditos calculados sobre os valores das despesas com os serviços de corretagem na compra do café em grão. José Fernandes do Nascimento Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Redator ad hoc Em que se pese as profundas análises efetuadas pelo i.Relator, ouso discordar de suas conclusões exclusivamente quanto ao restabelecimento do direito ao crédito integral na aquisição das cooperativas. A questão foi analisada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que publicou a Solução de Consulta COSIT nº 65, de 10/03/2014, cuja ementa abaixo reproduzimos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, não está Fl. 19524DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.525 26 impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições previstos na legislação. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, art3 º ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa da Cofins, não está impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições previstos na legislação. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, art. 3º. Transcrevemos também o excerto dos fundamentos da referida Solução de Consulta, para melhor elucidação da questão: “11. Até o anocalendário de 2011, enquanto vigiam para o café os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004, os exportadores de café não podiam descontar créditos em relação às aquisições do produto com as suspensões previstas nos incisos I e III do art.9º. [...]. Por outro lado, havia direito ao creditamento nas aquisições de café já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, tendo em vista que sobre a receita de venda do café submetido a esta operação não se aplicava a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art.9º, §1º, II, da Lei nº10.925, de 2004).” O ponto fundamental para a solução da lide é a configuração da aquisição de café de cooperativa, já submetida ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Nesses casos, sobre a receita de venda do café submetido a esta operação, não se aplicava a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Portanto, importanos avaliar se a operação anterior, realizada pela cooperativa, estava submetida ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Caso positivo, seria reconhecido o direito ao creditamento nas aquisições de café. Caso negativo, não seria possível o direito ao crédito, sendo aplicável a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art.9º da Lei nº10.925/2004. O i.Relator, entendeu que, embora exista nos autos fartos argumentos no sentido de justificar que as cooperativas fornecedoras do “café cru em grão” exerciam a atividade agroindustrial definida no preceito legal em destaque, a recorrente não teria trazido aos autos elementos de prova adequados e suficientes que confirmassem que as cooperativas vendedoras exerciam a atividade agroindustrial definida no citado preceito legal. Não é o nosso entendimento. Fl. 19525DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15578.000273/200933 Acórdão n.º 3102002.341 S3C1T2 Fl. 19.526 27 Foram colacionadas aos autos, pela recorrente, ainda que por amostragem, notas fiscais de aquisição do produto “café em grão cru” ou “café beneficiado”, com a indicação da incidência da contribuição para o PIS e a COFINS. Segundo o entendimento da recorrente, a incidência das contribuições teria sido obrigatória, devido a submissão dos cafés adquiridos pelas cooperativas ao processo produtivo previsto no §6º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, fato esse impeditivo para a saída posterior suspensa na forma do art. 9º do inciso II da mesma lei. Entendo que o registro das referidas expressões nas notas fiscais, informando que operação estava sujeita a tributação normal das citadas contribuições, traz uma presunção de licitude das operações de aquisição de café de cooperativa, sujeitas ao recolhimento regular das contribuições. Afirmar que a operação devidamente escriturada teria, na verdade, forma diversa daquela exposta nos registros fiscais, conferindo efeito diverso daquele indicado, demandaria uma prova oposta por parte do fisco, inexistente no presente processo. A comprovação do fato jurídico tributário depende, em regra geral, de que o administrado apresente os documentos que a legislação fiscal o obriga a produzir e manter sob guarda, ou declare sua ocorrência em declaração prestada à autoridade pública. Uma vez que essa particularidade seja compreendida, há que se sublinhar que nada dispensa a Administração de laborar em busca das provas de que o fato ocorreu e de instruir o processo administrativo com elas. Como consta, a desconsideração das provas se deu porque, no entendimento do Fisco, a interessada limitouse a apresentar as notas fiscais de aquisição das mercadorias. Peço vênia para discordar dessas conclusões. Não me parece que a acusação de que a operação praticada pela recorrente não foi aquela por ela declarada e escriturada. Ainda que passível de dúvidas acerca da veracidade das operações, tais dúvidas deveriam ter sido esclarecidas durante o procedimento fiscal, de forma a contraproduzir elementos probantes para desconsiderar aquelas notas fiscais apresentada. Nada disso ocorreu. A comprovação de que as operações foram tributadas, ensejando o crédito à adquirente, foi feita pela recorrente. Caberia ao fisco comprovar que tais cooperativas não exerciam a atividade agroindustrial, o que não foi feito. Em suma, mediante as provas que constam nos autos, concluise que o “café cru em grão” ou “café beneficiado” foram adquiridos de cooperativa agropecuária de produção, e que a sociedade cooperativa vendedora realizou as operações descritas no do art. 8o, § 6o, da Lei 10.925/2004. Dessa forma, a recorrente fazia jus ao crédito integral relativo às aquisições. É como voto Ricardo Paulo Rosa Fl. 19526DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13227.720910/2013-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
"PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. COMPROVAÇÃO DO FATO. ÔNUS DO AUDITOR FISCAL.
O lançamento com base em presunção legal requer que o auditor fiscal comprove o fato eleito pelo legislador que permita presumir que houve omissão de receitas. Se isto não ocorrer, o lançamento deve ser cancelado.
Nego provimento ao Recurso de Ofício.
Credito tributário exonerado."
Numero da decisão: 1402-002.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1931; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 4.761 1 4.760 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13227.720910/201322 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1402002.126 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 2 de março de 2016 Matéria IRPJ Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado IRMÃOS RUSSI LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 "PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. COMPROVAÇÃO DO FATO. ÔNUS DO AUDITOR FISCAL. O lançamento com base em presunção legal requer que o auditor fiscal comprove o fato eleito pelo legislador que permita presumir que houve omissão de receitas. Se isto não ocorrer, o lançamento deve ser cancelado. Nego provimento ao Recurso de Ofício. Credito tributário exonerado." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 09 10 /2 01 3- 22 Fl. 3908DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALV ES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/03/201 6 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13227.720910/201322 Acórdão n.º 1402002.126 S1C4T2 Fl. 4.762 2 Relatório Trata o presente de Recurso de Ofício (fl.3890) interposto face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro DRJRIO (fls.3890/3898) que decidiu cancelar totalmente o Auto de Infração de fls.3466/3495. Por oportuno, reproduzo o relatório então adotado, complementandoo ao final. "Trata o processo de auto de infração para lançamento de IRPJ no valor de R$ 26.387.230,87 e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no valor de R$ 9.508.043,12, com multa de ofício de 75% e juros de mora, relativos ao anocalendário de 2009. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 3456/3465, verificouse que valores lançados contabilmente como depósitos na conta Banco, com histórico “Vlr. Depósito efetuado cfe extrato”, não foram esclarecidos, tratandose de omissão de receitas. Segundo o Relatório Fiscal, constatouse que: 1) Durante a ação fiscal, a autuada foi intimada a apresentar Notas Fiscais ou cupons fiscais equivalentes aos pagamentos e aos valores depositados em contas correntes, referente a conta contábil “01.01.01.01 – Caixa”, com histórico “Vlr. Depósito efetuado cfe extrato”. A planilha se encontra às fls. 106/516. 2) A autuada explicou que, no que diz respeito aos cheques emitidos como troco, uma vez que foram feitos todos os lançamentos via “Caixa”, os valores referentes aos mesmos retornaram ao banco em forma de depósitos, para cobrir a diferença entre o valor da receita auferida e o valor do troco efetuado em relação à carta frete, este último também lançado na conta “Caixa”. Estes lançamentos se devem ao fato de que o valor da carta frete é superior ao valor recebido. 3) No entanto, depois de uma análise na contabilidade, ficou claro que “o contribuinte emite o cheque, lança a débito na conta “Caixa”, e depois lança a crédito na conta “Caixa”, e a débito na conta “Banco” como “Vlr. Depósito efetuado cfe extrato”. Ou seja, o sujeito passivo informa que todos os cheques emitidos por ele para pagamento de carta frete foram depositados em sua própria conta corrente.” 4) O auditor fiscal ainda esclareceu que “a empresa emite os cheques, contabilizaos a crédito na conta “Banco”, e a débito na conta “Caixa”. Esse é o momento em que a empresa passa os cheques a terceiros. Em seguida, o contribuinte contabiliza na conta “Caixa” como crédito, como “Vlr. Depósito efetuado cfe extrato”, sendo que estes depósitos só entram na conta “Banco” como débito. Em análise da conta “Banco” (ANEXO VI), os mesmos cheques já foram depositados por terceiros antes mesmo de passar pela conta “Caixa”.” 5) Concluiu que, se a empresa não depositou os cheques em sua conta conforme extratos bancários, os depósitos efetuados pela mesma configuramse como “Omissão de Receitas”. 6) O auditor fiscal destaca que “o próprio contribuinte fez e apresentou fechamento dos dias 07/04/2009 e 29/06/2009, em que demonstra que todos os cheques emitidos mais a receita da empresa praticamente zeram com as despesas mais os depósitos, ou seja, se os cheques Fl. 3909DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALV ES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/03/201 6 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13227.720910/201322 Acórdão n.º 1402002.126 S1C4T2 Fl. 4.763 3 emitidos por ele foram repassados a terceiros, como consta no extrato de conta corrente, fato que corrobora ainda mais a “Omissão de Receita”. 7) A autuada apresentou relatório com todos os cheques emitido que totalizam R$ 9.209.969,74, valor muito inferior aos valores depositados sem explicação. A comparação dos valores evidencia a discrepância entre o que embolsou e a receita que informou, cabendo ao contribuinte explicar a origem dos recursos. 8) Tratandose de presunção júris tantum, ou seja, está prevista em lei, mas admite prova em contrário, cabendo à interessada comprovar sua improcedência, mediante provas. Enquadramento Legal: artigos 247, 248, 251 e § único, 277, 278, 279 e 280, todos do RIR/99. A ciência da autuação ocorreu em 18/11/2013, conforme AR de fls. 3454. Inconformada, apresentou impugnação em 16/12/2013, fls. 3498/3538, com as seguintes alegações: a omissão de receita foi em razão de montantes superiores de depósitos bancários efetuados na conta “Caixa”, comparativamente ao contabilizado na conta “Receita”. o auto de infração é infundado e insubsistente, pois ocorreu erro no Relatório Customizado, fornecido e acessível aos clientes em geral, o qual é homologado pelas Secretarias Estaduais. todas as operações estão documentadas e lançadas, entretanto, no instante que foi emitido pela impugnante o Relatório Customizado, este apresentou um erro de informação no que diz respeito aos cálculos, o que levou a uma compreensão equivocada por parte do Fisco vindo a lavrar, errônea e equivocadamente, o presente auto de infração. como exemplo de uma operação, explica que, conforme Cupom de nº 10100, de 06/04/2009, vende óleo diesel por R$ 1.681,96, sendo que o cliente paga com Adiantamento de Frete (AF), emitido pela Bunge Alimento no valor de R$ 2.910,00, e com Carta Frete (CF) no valor de R$ 1.324,22, o que totaliza R$ 4.234,22, gerando um troco de R$ 2.552,25. como forma de troco, emitiu 3 (três) Cheques troco no valor de R$ 700,00 cada, além de R$ 452,62 em dinheiro. o Relatório Customizado não demonstrou toda a operação realizada, apenas demonstrando a Carta Frete trocada, sem fins de cálculos contábeis, conforme abaixo: o fiscal verificou que o valor dado em troco estava acima do valor pago pelo cliente à impugnante, mas devido ao erro do relatório. a receita consiste na emissão do cupom fiscal, e não do recebimento da Carta Frete. com relação aos cheques emitidos como troco, foram efetivados lançamentos via Caixa, onde os valores referentes aos mesmos, retornaram ao Banco em forma de depósito efetuado por terceiros na conta corrente da impugnante para cobrir a diferença entre o valor da Fl. 3910DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALV ES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/03/201 6 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13227.720910/201322 Acórdão n.º 1402002.126 S1C4T2 Fl. 4.764 4 receita auferida e o valor do troco efetuada em relação à Carta Frete, restando assim demonstrado a falha da Rezende Sistema em não fazer constar toda a operação, ocorrendo um equívoco na explicação do contador da impugnante a respeito do cheque troco ao auditor fiscal no instante em que este solicitou os documentos. quanto à loja de conveniência, as receitas na venda são lançadas conforme Cupom Fiscal, e não do recebimento da Carta Frete. assim, restou comprovado que não há montantes superiores de depósitos efetuados, já que todas as operações foram faturadas e os pagamentos devidamente depositados na conta bancária. devido ao equívoco que afeta a base de cálculo, o auto de infração deve ser julgado insubsistente, já que a impugnante não cometeu qualquer ilícito. inexiste dano ao erário, conforme restou comprovada que não houve irregularidades cometidas tendente a iludir o Fisco no pagamento dos tributos. se não houve prejuízo, não é razoável e proporcional que a impugnante seja penalizada. não agiu de dolo ou máfé, motivo pelo qual não há que se falar em aplicação de multa. a multa de ofício tem efeito confiscatório, demonstrando ilegalidade, devendo ser garantido o contraditório e a ampla defesa, só a partir de então podendo se falar em aplicação de penalidade. manter a penalidade fere princípios constitucionais. na remota hipótese de manter o lançamento, deverão ser garantidos os descontos proporcionados. A autuada apresentou as mesmas alegações para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, fls. 3541/3581." Em seguida, após a análise dos fatos e documentos acostados aos autos, foi proferido v. acórdão cancelando o Auto de Infração, com a seguinte ementa e conclusão: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. COMPROVAÇÃO DO FATO. ÔNUS DO AUDITOR FISCAL. O lançamento com base em presunção legal requer que o auditor fiscal comprove o fato eleito pelo legislador que permita presumir que houve omissão de receitas. Se isto não ocorrer, o lançamento deve ser cancelado. Impugnação procedente. Credito tributário exonerado." A decisão foi fundamentada da seguinte forma: Feitas estas premissas, passo a análise do presente caso. Fl. 3911DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALV ES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/03/201 6 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13227.720910/201322 Acórdão n.º 1402002.126 S1C4T2 Fl. 4.765 5 Primeiramente, verifico que os artigos utilizados pelo auditor fiscal para fundamentar o auto de infração não tratam de presunção legal de omissão de receita. Os artigos 247, 248, 251 e § único, 277, 278, 279 e 280, todos do RIR/99 tratam de omissão de receitas e seu tratamento, forma de tributação e outros elementos, mas de forma genérica, sem se referir a qualquer hipótese de presunção legal de omissão de receita. Logo, devemos nos ater aos fatos para verificar qual hipótese o auditor fiscal se refere para motivar o auto de infração. De acordo com Relatório Fiscal, o fato que daria suporte ao presente lançamento em função de presunção legal de omissão receita seria a constatação de valores lançados contabilmente como depósitos na conta Banco, com histórico “Vlr. Depósito efetuado cfe extrato”, que não foram esclarecidos. Ocorre que, tendo como base a legislação tributária, não há dispositivo legal que suporte este lançamento, como veremos a seguir. Como já dito, as presunções legais de omissão de receita estão previstas em lei. No presente caso, a base de cálculo dos tributos tem origem na Conta Caixa, de onde foram extraídos os lançamentos a crédito com histórico “Vlr. Depósito efetuado cfe extrato”. Estes lançamentos teriam como contrapartida a conta Banco, registrados a débito. Considerando estes elementos, poderíamos enquadrar o lançamento nas seguintes situações de presunção de omissão de receita: 1) Saldo Credor de Caixa, previsto no artigo 281 do RIR/99, que assim determina: [...] Relativo a esta presunção legal de omissão de receita, caberia ao auditor fiscal constatar saídas da Conta Caixa mantidas à margem da contabilidade e que, se escrituradas, ensejariam o chamado “estouro de Caixa”. Da mesma forma, se constatado lançamento contábil a débito indevido no Caixa, o mesmo deveria ser excluído para verificar se ocorre o saldo credor. Em resumo, caberia ao auditor fiscal reconstituir a movimentação na Conta Caixa, incluindo ou excluindo os lançamentos contábeis indevidos, para verificar a ocorrência do saldo credor, e, então, presumir a omissão de receita. Voltando ao caso em análise, o auditor fiscal verificou que houve lançamento a crédito e a débito na conta Caixa dos cheques que foram emitidos pela autuada. Logo, como um lançamento anula o efeito do outro, não há que se falar em saldo credor de caixa. 2) Depósitos Bancários, previsto no artigo 287 do RIR/99, que assim determina: [...] Tratase de uma presunção legal de que os valores depositados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, cuja origem dos recursos não for comprovada com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. No presente caso, os valores foram lançados a débito na conta contábil Banco, como se tivessem sido depositados. No entanto, para utilização da presunção legal prevista no artigo 287 do RIR/99, o auditor fiscal deve partir dos valores depositados nas contas correntes mantidas junto à instituição financeira. Não foi o que ocorreu neste caso. O próprio auditor fiscal afirmou que os valores foram depositados por terceiros. Ou seja, foram excluídos da conta corrente. Logo, não há como manter este lançamento sob o fundamento do artigo 287 do RIR/99. CONCLUSÃO Verifico que os fatos apontados não são suficientes para concluir que restou configurada qualquer uma das hipóteses eleitas pelo legislador para presumir a omissão de receitas. Fl. 3912DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALV ES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/03/201 6 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13227.720910/201322 Acórdão n.º 1402002.126 S1C4T2 Fl. 4.766 6 Tampouco restou comprovado, de forma direta, a omissão de receita. O fato de lançar a débito na conta Banco um valor que deveria ser lançado a crédito pode significar erro nos procedimentos contábeis. Mas este procedimento não nos leva a concluir que houve omissão de receitas. Poderia ser um indício que deveria ser investigado pelo auditor fiscal, para comprovar que houve apuração de receitas mantidas a margem da escrituração. Deixo de apreciar as demais questões trazidas na defesa por ser desnecessárias. De todo exposto, meu voto é por dar provimento à impugnação, considerando improcedentes os lançamentos." A D. Procuradoria e a Recorrida não se manifestaram nos autos acerca do Recurso de Oficio o qual passo a votar. É o relatório. Fl. 3913DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALV ES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/03/201 6 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13227.720910/201322 Acórdão n.º 1402002.126 S1C4T2 Fl. 4.767 7 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Auto de Infração foi fundamentado na presunção de omissão de receita devido à constatação de valores lançados na contabilidade pela Recorrida como depósitos na conta Banco, registrados a débito e crédito, com histórico “Vlr. Depósito efetuado cfe extrato”, que não foram esclarecidos segundo o Agente Fiscal. Devido a tal fato, a infração foi capitulada com base nos artigos 247,248, 251 e § único, 277, 278, 279 e 280, todos do RIR/99. Apos analisar os fatos e documentos dos autos, entendo que realmente errou o Agente Fiscal, pois além de se equivocar na capitulação da infração, deveria ter se socorrido de outros elementos que confirmassem a omissão de receita. As provas constantes nos autos, não são suficientes para comprovarem a infração apontada no Auto de Infração, pois as inconsistências contidas nos documentos contábeis podem ser, por exemplo, meros erros de escrituração, como inclusive alega a Recorrida em sua impugnação. Assim, em minha opinião, não restou comprovada a infração de omissão de receita, pois o Agente Fiscal utilizou apenas documentos contábeis fornecidos pela própria Recorrida sem confrontálos com outros elementos que confirmassem os valores relativos a omissão de receita. Desta forma, como o próprio Agente Fiscal descreveu no Relatório Fiscal, que em relação a omissão de receita, existem casos previstos em lei " para os quais o legislador elege um fato conhecido e provado, e inferese, como conclusão lógica, a existência de um outro que, nestes termos, resta indiretamente provado. Assim, cumpre ao auditor fiscal comprovar o fato definido em lei, para então presumir que houve omissão de receita. São presunções relativas, pois admitem produção de prova em sentido contrário, cujo ônus compete ao contribuinte, com base no artigo 333 do CPC. Se o fato eleito pelo legislador não for verificado, é ônus do auditor fiscal comprovar que os valores que deram base para o lançamento têm origem em receita omitida." Ademais, como muito bem fundamentado pelo v. acórdão "a quo", a descrição da infração no Relatório Fiscal nos leva a entender que a capitulação deveria ser nos termos dos artigos 281 e 287 ambos do RIR/99, vejamos. "De acordo com Relatório Fiscal, o fato que daria suporte ao presente lançamento em função de presunção legal de omissão receita seria a constatação de valores lançados contabilmente como depósitos na conta Banco, com histórico “Vlr. Depósito efetuado cfe extrato”, que não foram esclarecidos. Ocorre que, tendo como base a legislação tributária, não há dispositivo legal que suporte este lançamento, como veremos a seguir. Como já dito, as presunções legais de omissão de receita estão previstas em lei. No presente caso, a base de cálculo dos tributos tem origem na Conta Caixa, de onde foram extraídos os lançamentos a crédito com histórico “Vlr. Depósito efetuado cfe extrato”. Fl. 3914DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALV ES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/03/201 6 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13227.720910/201322 Acórdão n.º 1402002.126 S1C4T2 Fl. 4.768 8 Estes lançamentos teriam como contrapartida a conta Banco, registrados a débito. Considerando estes elementos, poderíamos enquadrar o lançamento nas seguintes situações de presunção de omissão de receita: 1) Saldo Credor de Caixa, previsto no artigo 281 do RIR/99, que assim determina: Relativo a esta presunção legal de omissão de receita, caberia ao auditor fiscal constatar saídas da Conta Caixa mantidas à margem da contabilidade e que, se escrituradas, ensejariam o chamado “estouro de Caixa”. Da mesma forma, se constatado lançamento contábil a débito indevido no Caixa, o mesmo deveria ser excluído para verificar se ocorre o saldo credor. Em resumo, caberia ao auditor fiscal reconstituir a movimentação na Conta Caixa, incluindo ou excluindo os lançamentos contábeis indevidos, para verificar a ocorrência do saldo credor, e, então, presumir a omissão de receita. Voltando ao caso em análise, o auditor fiscal verificou que houve lançamento a crédito e a débito na conta Caixa dos cheques que foram emitidos pela autuada. Logo, como um lançamento anula o efeito do outro, não há que se falar em saldo credor de caixa. 2) Depósitos Bancários, previsto no artigo 287 do RIR/99, que assim determina: Tratase de uma presunção legal de que os valores depositados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, cuja origem dos recursos não for comprovada com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. No presente caso, os valores foram lançados a débito na conta contábil Banco, como se tivessem sido depositados. No entanto, para utilização da presunção legal prevista no artigo 287 do RIR/99, o auditor fiscal deve partir dos valores depositados nas contas correntes mantidas junto à instituição financeira. Não foi o que ocorreu neste caso. O próprio auditor fiscal afirmou que os valores foram depositados por terceiros. Ou seja, foram excluídos da conta corrente. Logo, não há como manter este lançamento sob o fundamento do artigo 287 do RIR/99." Sendo assim, não há dispositivo legal na legislação tributária que suporte este lançamento nos termos como foi produzido, devendo então ser cancelado totalmente o Auto de Infração em epígrafe. Ante o exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso de Oficio e voto no sentido de negar provimento, mantendo a decisão “a quo” em seus termos. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Fl. 3915DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALV ES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/03/201 6 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13227.720910/201322 Acórdão n.º 1402002.126 S1C4T2 Fl. 4.769 9 Declaração de Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone. CONSIDERAÇÕES INICIAIS Como sabido pelos que militam na seara tributária, “Receita”, cuja definição, pela melhor doutrina contábil, corresponde à “entrada de ativos, sob forma de dinheiro ou direitos a receber, correspondentes, normalmente, à venda de mercadorias, de produtos ou à prestação de serviços, podendo também derivar de juros sobre depósitos bancários ou títulos e de outros ganhos eventuais”1, é conceito largamente adotado pelo legislador tributário para fins de apurar os valores de diversos tributos, como o ICMS, o ISS e, no âmbito federal, o IRPJ, a CSLL, o PIS e a COFINS, mormente porque, no caso destes últimos, é a variável primeira a se considerar para fins de mensuração do “lucro”, base imponível do IRPJ em quaisquer de seus regimes de tributação (real, presumido ou arbitrado), assim como em relação à CSLL; já para o PIS e a COFINS, representa praticamente a solitária baliza que define o montante tributável de ambas as contribuições. Assim, a identificação2 e mensuração da “receita”3, sua adequada escrituração4 e submissão às normas tributárias5 é fator primordial para a correta apuração dos tributos federais acima elencados, tanto que, havendo supressão, redução, ou subtração da receita e seu oferecimento à tributação, os contribuintes estarão sujeitos a lançamentos de ofício pelo Fisco e às penalizações presentes na legislação tributária, dentro daquilo que o legislador definiu como “omissão de receita”. Neste eito, o tema “omissão de receitas” surge em diversos dispositivos legais que atribuem ao Fisco a possibilidade de identificála mediante a chamada “prova direta” ou através das “presunções legais”, aqui em forma de “prova indireta”. 1 Sérgio de Iudícibus, José Carlos Marion e Elias Pereira, na obra DICIONÁRIO DE TERMOS DE CONTABILIDADE (Ed. Atlas, 2ª Edição, disponível na Rede Mundial de Computadores) 2 Consoante Resolução do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) nº 1.412/2012, que deu nova redação à NBC TG 30, “Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários”. 3 Para a Resolução CFC nº 1.374/2011: “A definição de receita abrange tanto receitas propriamente ditas quanto ganhos. A receita surge no curso das atividades usuais da entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos, royalties, aluguéis”. 4 RIR/1999 Dever de Escriturar Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). 5 RIR/1999 Disposições Gerais sobre Receitas Receita Bruta Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Fl. 3916DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALV ES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/03/201 6 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13227.720910/201322 Acórdão n.º 1402002.126 S1C4T2 Fl. 4.770 10 São exemplo do primeiro patamar, situações em que o contribuinte emite o documento fiscal corretamente, mas não o escritura nos seus livros ou o faz de modo reduzido; ou, escritura corretamente, mas declara e paga sobre valor menor. Ou informa um valor ao Fisco Estadual e outro ao Federal. Nestes casos, basta a simples constatação da diferença pelo Fisco para se estar diante de omissão de receita por prova direta, daí advindo o lançamento de ofício, após os procedimentos de praxe. Na outra ponta, figura a omissão de receita por “prova indireta”, aquela que se exterioriza por meio de “indícios” e que leva às presunções legais inseridas na legislação tributária. No dizer de Edmar Oliveira Andrade Filho6, “omitir receita é deixar de computar acréscimos tributáveis no resultado do período, ou seja, é omitirse em contabilizar receita ganha, isto é, obtida de modo definitivo e incondicional. A omissão pode decorrer de comportamento intencional ou não: assim, o sujeito passivo pode agir com dolo ou com simples erro, e os meios de prova fornecerão, em cada caso, os indícios de ter ou não havido intenção de subtrair receitas da tributação”. Neste cenário, são consideradas omissões de receitas por “presunções legais”, dentre outras, a existência de passivo fictício7, o saldo credor de caixa8, ou valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas pelo contribuinte junto a instituições financeiras em relação aos quais o sujeito passivo, devidamente intimado, não consiga comprovar a origem dos recursos9. Também se considera omissão de receita por presunção, as diferenças apuradas nos chamados “levantamentos de estoque”, previsão inserida no artigo 286, do RIR/1999. Seja como for, em quaisquer das hipóteses elencadas pela norma substantiva estáse diante de uma “presunção legal”, situação que leva a um descompasso com a regra jurídica geral (que impõe ao acusador o ônus de provar o que afirma – Código de Processo Civil, art. 333, I), deslocando para o acusado a obrigação de demonstrar a correção de seu procedimento, sob pena de ver aquilo que era “presumido”, se tornar real e definitivo, caso não contrapostas provas robustas que infirmem tal presunção (CPC, art. 333, II). Em outras palavras, presente a “presunção”, ao Fisco só cabe trazer os indícios que a expõe ao mundo jurídico, momento em que o onus probandi se reverte em desfavor do sujeito passivo, que dele deverá se safar com os meios legais e documentais possíveis, sob pena de ver aflorar o fato gerador que estava latente, surgir a obrigação tributária respectiva e a subseqüente constituição do crédito tributário, via lançamento. É dizer, mediante um fato conhecido, reconhecer a existência ou os efeitos de um fato desconhecido. Na lição sempre atual de Antonio Dellepiane10, “indício é todo rastro, vestígio, pegada, circunstância e, em geral, todo fato conhecido, ou melhor dito, devidamente 6 Imposto de Renda das Empresas – Atlas/SP – 10ª Ed. – 2013 fls. 183. 7 RIR/1999 – art. 281, III 8 RIR/1999 – ibidem – inciso I 9 RIR/1999 – art. 287 10 Antonio Dellepiane – in Nova teoria da prova – 2ª Ed. Rio Janeiro: José Konfino – 1958 – fls. 67. Fl. 3917DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALV ES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/03/201 6 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13227.720910/201322 Acórdão n.º 1402002.126 S1C4T2 Fl. 4.771 11 comprovado, suscetível de levarnos, por via de inferência, ao conhecimento de outros fatos desconhecidos”. Assim, não sendo admissível prejuízo à incidência tributária pela impossibilidade de se produzir a prova direta da infração, a presunção de omissão de receita, construída a partir de indícios, é suficiente para validar a exigência imposta. Precedentes desta Corte Administrativa mostram que a chamada prova indiciária é pacificamente admitida em nosso direito, como ferramenta necessária para apurar eventos que não se mostram explícitos. Exemplificativamente: ASSUNTO: PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em uma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes. (Processo nº 15586.000098/200713 – 1ª TO/4ª Câmara/1ª SEJUL – Sessão de 25/01/2011 – Rel. ANTONIO BEZERRA NETO) Feitas estas ponderações conceituais preliminares, passase à análise do caso concreto. DO CASO CONCRETO A leitura dos documentos presentes nos autos e dos diversos Termos emitidos pelo Fisco mostra que a acusação fiscal teria sido de “omissão de receitas”, por presunção legal, como se deflui dos seguintes excertos do TVF: “Importante observar que todos os pagamentos saem da conta “Caixa” (...) o que significa que os cheques deveriam também sair de “Caixa”, e não serem depositados na conta do próprio sujeito passivo. Além disso, a empresa não comprova as emissões de outros cheques, já que a mesma contabiliza que os primeiros cheques foram depositados em sua própria conta. Ou seja, se a empresa não depositou os cheques em sua conta, conforme extratos bancários, os depósitos efetuados pela mesmo configuramse como “Omissão de Receita”. (...) O próprio contribuinte fez e apresentou fechamento dos dias 07/04/2009 e 29/06/2009, em que demonstra que todos os cheques emitidos mais a receita da empresa praticamente zeram com as despesas mais os depósitos, ou seja, se os cheques emitidos por ele foram repassados a terceiros, como consta no extrato de conta corrente, fato que corrobora ainda mais a “Omissão de Receita”. Fl. 3918DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALV ES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/03/201 6 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13227.720910/201322 Acórdão n.º 1402002.126 S1C4T2 Fl. 4.772 12 Nas razões expostas no TVF pelo condutor do feito para sustentar a imputação de “omissão de receita” estampase claramente sua posição: “Ocorre, no presente caso, a presunção legal sobre a qual se aduz a seguinte explanação: via de regra, a autoridade deve estar munida de provas para alegar a ocorrência de fato gerador; contudo, nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador – as chamadas presunções legais – a produção de tais provas é dispensada, e cabe ao contribuinte apresentar provas que ilidam a presunção de omissão resultante”. Definido, pois, que a acusação fiscal teria se sustentado em um dos itens de presunção legal de omissão de receitas previstos no ordenamento jurídico, cabe verificar se foi seguido o rito previsto para esta imputação e em qual dispositivo a Fiscalização teria se apoiado. O primeiro tópico a ser analisado seria a tipificação legal adotada nos lançamentos e que permitiria, sem maior dificuldade, verificar o dispositivo legal assumido para o lançamento da “omissão”. Conforme TVF, a tipificação legal foi a seguinte: Artigos 247, 248, 251 e § único, 277, 278, 279 e 280, todos do RIR/99 De plano já aflora uma clara divergência, posto que nenhum destes artículos trata da figura de “omissão de receitas” por presunção legal. Aliás, como bem alertado pela decisão de 1º Piso, “os artigos utilizados pelo auditor fiscal para fundamentar o auto de infração não tratam de presunção legal de omissão de receita. Os artigos 247, 248, 251 e § único, 277, 278, 279 e 280, todos do RIR/99 tratam de omissão de receitas e seu tratamento, forma de tributação e outros elementos, mas de forma genérica, sem se referir a qualquer hipótese de presunção legal de omissão de receita. Logo, devemos nos ater aos fatos para verificar qual hipótese o auditor fiscal se refere para motivar o auto de infração” (destacouse). Nesta linha, poderia ser questionada a validade do lançamento por não haver, entre o fato narrado e imputado e o enquadramento da infração, a sintonia necessária. Todavia, em que pese tal premissa, não é menos certo que, no processo administrativo tributário, o sujeito passivo (contribuinte ou responsável solidário) defendese dos fatos que lhe são imputados, e não necessariamente da capitulação legal da infração. Se os fatos imputados estiverem devidamente narrados ou descritos nos autos de infração e no Termo de Verificação Fiscal, de modo a permitir que o interessado deles se defenda plenamente, eventual capitulação legal equivocada, insuficiente ou deficiente, não tem o condão de inquinar o feito fiscal. Nesse sentido, até mesmo em relação ao ato de lançamento, é a posição do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF: Fl. 3919DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALV ES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/03/201 6 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13227.720910/201322 Acórdão n.º 1402002.126 S1C4T2 Fl. 4.773 13 “ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL NULIDADE O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa.” (Acórdão nº 10312.119/92, Primeiro Conselho de Contribuintes). AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA – O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa (Acórdão nº 10313.567, DOU de 28/05/1995); NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA – IRF – Anos 1991 a 1993 – O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa (Acórdão nº 10417.364, de 22/02/2001, 1º CC). Na mesma linha, o entendimento jurisprudencial da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/0103.264, de 19/03/2001, publicado no DOU em 24/09/2001), verbis: A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Superada esta questão, impõese verificar se a descrição e narrativa dos fatos têm comunhão com a imputação feita ao sujeito passivo. Neste espaço, versando a acusação fiscal sobre “omissão de receitas por presunção” (como literalmente consta do TVF), necessária a presença de pelo menos uma das hipóteses legais previstas na legislação (RIR/1999), quais sejam: Fl. 3920DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALV ES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/03/201 6 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13227.720910/201322 Acórdão n.º 1402002.126 S1C4T2 Fl. 4.774 14 Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. (...) Art. 286. A omissão de receita poderá, também, ser determinada a partir de levantamento por espécie de quantidade de matériasprimas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41). § 1º Para os fins deste artigo, apurarseá a diferença, positiva ou negativa, entre a soma das quantidades de produtos em estoque no início do período com a quantidade de produtos fabricados com as matériasprimas e produtos intermediários utilizados e a soma das quantidades de produtos cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do Livro de Inventário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41, § 1º). § 2º Considerase receita omitida, nesse caso, o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidade de produtos ou de matériasprimas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41, § 2º). § 3º Os critérios de apuração de receita omitida de que trata este artigo aplicamse, também, às empresas comerciais, relativamente às mercadorias adquiridas para revenda (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41, § 3º). (...) Depósitos Bancários Art. 287. Caracterizamse também como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 1º). Fl. 3921DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALV ES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/03/201 6 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13227.720910/201322 Acórdão n.º 1402002.126 S1C4T2 Fl. 4.775 15 § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo do imposto a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 2º). § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados os decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa jurídica (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 3º, inciso I). De plano, sem necessidade de maiores digressões, resta claro que, da hipótese presente no artigo 286 não se trata, pelo que eliminada. Já as condições estampadas nos incisos II e III, do artigo 281, igualmente são eliminadas, por impertinentes ao caso, restando, portanto, aprofundar o estudo se estariam exteriorizados os efeitos da presunção trazida no inciso I, do indigitado dispositivo (a indicação na escrituração de saldo credor de caixa). A respeito, por bem resumir o tema e com ele concordar, transcrevo o voto da I. Relatoria de 1º Piso, aqui adotado como fundamentação: “Relativo a esta presunção legal de omissão de receita, caberia ao auditor fiscal constatar saídas da Conta Caixa mantidas à margem da contabilidade e que, se escrituradas, ensejariam o chamado “estouro de Caixa”. Da mesma forma, se constatado lançamento contábil a débito indevido no Caixa, o mesmo deveria ser excluído para verificar se ocorre o saldo credor. Em resumo, caberia ao auditor fiscal reconstituir a movimentação na Conta Caixa, incluindo ou excluindo os lançamentos contábeis indevidos, para verificar a ocorrência do saldo credor, e, então, presumir a omissão de receita. Voltando ao caso em análise, o auditor fiscal verificou que houve lançamento a crédito e a débito na conta Caixa dos cheques que foram emitidos pela autuada. Logo, como um lançamento anula o efeito do outro, não há que se falar em saldo credor de Caixa”. Em outras palavras, a presunção prevista neste inciso exige a recomposição da conta “Caixa” e, como é rotina nas auditorias da Receita Federal nestes casos, devese tomar o maior saldo credor apurado no período para fins de consecução do lançamento, valor este que se constituirá na “omissão de receitas” e sobre ele incidirão as exigências pertinentes. Não foi o que fez a Autoridade Fiscal, que em momento algum apontou ter havido “saldo credor de caixa”, o que impõe descartar também esta linha de presunção. Por fim, cabe ver o lançamento à luz da presunção legal do artigo 42, da Lei nº 9.430/19096, consolidado no artigo 287, do RIR/1999 (depósitos bancários de origem incomprovada). Fl. 3922DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALV ES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/03/201 6 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13227.720910/201322 Acórdão n.º 1402002.126 S1C4T2 Fl. 4.776 16 Para que esta presunção se consolide, mister que o Fisco intime o fiscalizado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. E intimar baseado em quê? Evidentemente, em documento emitido pela instituição financeira (extrato) e no qual constem todas as operações, especialmente aquelas havidas a crédito da conta do contribuinte, dandolhe oportunidade para que se safe de uma possível autuação, desde que comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não foi o procedimento assumido pelo Fisco. Ao contrário, seu trabalho fincouse sobre os livros da autuada e não sobre os valores lançados a crédito de suas contas bancárias, presentes nos extratos, e que permitiria levar à presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42, da Lei nº 9.430/1996. A propósito, o TVF: “O contribuinte apresentou Livro Diário, Livro Razão, extratos de contas correntes e notas fiscais, em meio magnético, referentes ao período de janeiro a dezembro de 2009. Frisese que a fiscalização apurou o débito conforme a contabilidade da empresa”. Mais: “Após análise, ficou constatado que todos os lançamentos contábeis passam pela conta “Caixa”. Também foi observado que essa conta possui vários lançamentos de cheques emitidos pelo próprio contribuinte. Por outro lado, há montantes bem superiores de depósitos efetuados na conta “Caixa”, comparativamente ao contabilizado na conta “Receita”. Ainda mais: “Conclusão: os valores depositados com o histórico “Vlr. Depósito cfe. extrato”, conforme disponível na planilha do ANEXO I, não foram esclarecidos, tratase de “Omissão de Receita”. Importante observar, neste momento, dois aspectos: i) que, ao fazer referência ao histórico “Vlr. Depósito cfe. extrato”, restou confirmado que os dados foram retirados do Diário ou do Razão autuada; e, ii) que os dados constantes no nominado ANEXO I reportamse exatamente ao “Livro Razão”, conta “Caixa” do contribuinte, com planilhamento diário e mensal e cujo resultado, no último dia de cada um dos meses, foi assumido como “omissão de receitas”. Vejase, a título exemplificativo (fls. 106/516 dos autos – numeração digital): Fl. 3923DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALV ES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/03/201 6 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13227.720910/201322 Acórdão n.º 1402002.126 S1C4T2 Fl. 4.777 17 Tais dados foram resumidos na nominada “Tabela I” de lavra do Fisco, que alimentou o auto de infração (dados extraídos do TVF – pgs. 4/5): Fl. 3924DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALV ES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/03/201 6 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13227.720910/201322 Acórdão n.º 1402002.126 S1C4T2 Fl. 4.778 18 Em suma, mesmo estando de posse dos extratos bancários, a Fiscalização optou por seguir outra linha de investigação e não imputou a omissão de receitas por presunção legal baseada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Ao revés, o procedimento fiscal mostra opção pela chamada prova direta, mediante apuração de valores inseridos na contabilidade da empresa (“por outro lado, há montantes bem superiores de depósitos efetuados na conta “Caixa”, comparativamente ao contabilizado na conta “Receita”) ou (“os valores depositados com o histórico “Vlr. Depósito cfe. extrato”, conforme disponível na planilha do ANEXO I, não foram esclarecidos, tratase de “Omissão de Receita”). Posição que se confirma pela identificação da infração no TVF: E se ratifica no auto de infração: Neste novo cenário, voltando ao início deste voto, a tipificação legal passa a ter substancial relevância na medida em que, além de não estar consentânea com a imputação de “omissão de receitas por presunção”, encontrase desconforme com os próprios procedimentos levados a efeito e com a narrativa dos fatos. Fl. 3925DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALV ES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/03/201 6 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13227.720910/201322 Acórdão n.º 1402002.126 S1C4T2 Fl. 4.779 19 Melhor exprimindo, o Fisco assenta que o lançamento fezse sobre omissão de receitas por presunção legal (TVF – fls. 8 – “ocorre, no presente caso, a presunção legal ...”), entretanto a narrativa de procedimento de fiscalização mostra que o lançamento baseouse na escrituração da empresa (TVF – fls. 4 “frisese que a fiscalização apurou o débito conforme a contabilidade da empresa”), portanto, prova direta, e os dispositivos legais assumidos cuidam de omissão de receitas de forma genérica (artigos 247, 248, 251 e § único, 277, 278, 279 e 280, todos do RIR/99), enquanto as presunções legais possuem artigos explícitos e específicos no RIR/1999 (arts. 281, 286, 287 – RIR/1999), estampandose, pois, a incongruência. Pensamento na mesma linha da decisão recorrida: “Tratase de uma presunção legal de que os valores depositados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, cuja origem dos recursos não for comprovada com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. No presente caso, os valores foram lançados a débito na conta contábil Banco, como se tivessem sido depositados. No entanto, para utilização da presunção legal prevista no artigo 287 do RIR/99, o auditor fiscal deve partir dos valores depositados nas contas correntes mantidas junto à instituição financeira. Não foi o que ocorreu neste caso”. Deveras, ao abandonar claramente a linha de “presunção legal” (embora tenha afirmado no TVF têla adotado, o que por si só já fragiliza o lançamento), o Fisco trouxe para si a necessidade de apresentar provas robustas sobre a natureza das receitas possivelmente omitidas. Na situação concreta, a diferença apontada na planilha antes reproduzida (Tabela I) exigiria maior aprofundamento da Fiscalização de modo a mostrar, inequivocamente, a omissão atribuída, encargo do qual, no meu entender, não se safou. De outro giro, pareceme plausível, diante dos documentos presentes nos autos, que a autuada possa, mesmo, ter praticado omissão de receitas (até pela forma inusual e confusa de sua escrituração contábil), porém só isso, sem mais comprovação, não permite imputar uma acusação desse porte. Também penso que as alegações da autuada de que emitiria cheques como “troco”, contra cartas de fretes de valor maior que receberia em seu estabelecimento, têm todo o sentido, visto não ser incomum, neste segmento negocial (posto de combustíveis), a ocorrência desta situação concreta, de modo que, também neste aspecto, haveria necessidade de maior aprofundamento na questão pela Autoridade Fiscal. Por tudo o que se expôs e o que consta nos autos, entendo enfraquecido o trabalho fiscal. Fl. 3926DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALV ES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/03/201 6 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 13227.720910/201322 Acórdão n.º 1402002.126 S1C4T2 Fl. 4.780 20 Com estas considerações adicionais e tendo em conta que o crédito tributário não pode comportar incertezas, acompanho o I. Relator em seu preciso voto e NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício. É como voto. Brasília (DF), Sala das Sessões, em 02 de março de 2016. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE Fl. 3927DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALV ES, Assinado digitalmente em 17/03/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 17/03/201 6 por PAULO MATEUS CICCONE
score : 1.0
Numero do processo: 10183.004152/2003-95
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. NULIDADE. ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA.
Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência do processo judicial indicado pelo contribuinte na DCTF (proc jud de outro CNPJ), e o contribuinte demonstra a existência desse processo, deve-se reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles especificamente indicados no lançamento. Teoria dos motivos determinantes.
Numero da decisão: 3803-000.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Alexandre Kern (Presidente), Daniel Maurício Fedato (Relator), Belchior Melo de Sousa (Redator designado), Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc) e Rangel Perrucci Fiorin .
Nome do relator: DANIEL MAURÍCIO FEDATO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. NULIDADE. ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA. Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência do processo judicial indicado pelo contribuinte na DCTF (proc jud de outro CNPJ), e o contribuinte demonstra a existência desse processo, devese reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles especificamente indicados no lançamento. Teoria dos motivos determinantes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente da 3ª Câmara. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Alexandre Kern (Presidente), Daniel Maurício Fedato (Relator), Belchior Melo de Sousa (Redator designado), Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc) e Rangel Perrucci Fiorin . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 41 52 /2 00 3- 95 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10183.004152/200395 Acórdão n.º 3803000.332 S3TE03 Fl. 145 2 Relatório Tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pelo relator original, transcrevo o voto vencido e, posteriormente, adoto o voto vencedor redigido pelo redator designado, bem como a ementa, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento. Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0412.281, lavrado em 20 de julho de 2007 pela 2ª turma da DRJ Campo Grande/MS, onde não se reconheceu o pleito almejado pelo contribuinte, ementado da seguinte forma: FALTA DE RECOLHIMENTO DO PIS Em decorrência de auditoria interna nas DCTF, cabe à autoridade administrativa constituir o crédito tributário, nos termos do art. 142 do CTN quando houver falta ou insuficiência de recolhimentos, mas ele é incabível quando provado que já foi totalmente pago, mesmo quando constatadas outra diferenças. CONCOMITÂNCIA ENTRE O PROCESSO ADMINISTRATIVO E O JUDICIAL A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois da autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Ocorre que anteriormente, em 16.06.2003, foi lavrado um Auto de Infração (nº 0002111) contra a empresa num total de R$ 8.643,37, fruto da constatação da falta de recolhimento ou pagamento do principal (declaração inexata) relativo ao primeiro, segundo e quarto trimestre de 1998. No entanto, a interessada ingressou também pela via judicial (Ação Ordinária nº 97.00068544), onde, em 24.06.1999, o Juiz Federal da 1ª Vara apresentou a seguinte decisão: Em conclusão, à vista de todo o exposto, tenho que os créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior do PIS somente podem ser compensados com débitos decorrentes do próprio PIS. Por isso, julgo procedente a ação para assegurar à autora o direito à compensação dos créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior do PIS, corrigidos monetariamente, desde as datas dos recolhimentos indevidos, acrescidos de juros de mora de 1% ao mês a partir do trânsito em julgado, com débitos decorrentes do próprio PIS. (grifo meu) Inconformada, em sede de recurso voluntário, a Recorrente aguarda “restauro do procedimento compensatório levado a efeito, via DCTF, com o encontro dos débitos relativos ao PIS e dos créditos originários dos pagamentos a maior e indevidos da mesma Fl. 145DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10183.004152/200395 Acórdão n.º 3803000.332 S3TE03 Fl. 146 3 exação, processandose a subseqüente extinção do crédito tributário pertinente à primeira contribuição.” Em síntese é o relatório. Voto Vencido Conselheiro Daniel Maurício Fedato, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende às demais exigências legais, razão pela qual dele conheço. A questão cingese basicamente na Ação Ordinária nº 97.0006844. À vista dos fatos lavrados nos autos, diante da notícia de que a autuada ingressou com ação judicial visando obter o direito de compensar valores indevidamente recolhidos ao PIS em razão da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLei nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, esclarecendo ainda de que a última mensagem que há é a de fl. 85, recurso recebido com duplo efeito em out/99, entendo necessário converter o processo em diligência junto a Procuradoria da Fazenda Nacional para esclarecer o andamento do Processo nº 97.00068544, especialmente no que concerne ao desfecho final da Ação Judicial. É como voto. Daniel Maurício Fedato Relator Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Conforme consta do relatório supra, tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, adoto o voto vencedor redigido pelo redator designado, bem como a ementa, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento. O recurso é tempestivo e atende os demais requisito para sua admissibilidade. O auto de infração eletrônico referese à Contribuição ao PIS dos períodos de apuração de 02/1998, 04/1998 a 06/1998, 10/1998 a 12/1998, em relação aos quais a Contribuinte declarou em DCTF a vinculação de pagamento para o primeiro período e do processo judicial nº 976.8544 para os demais períodos, conforme consta no Demonstrativo de Créditos Vinculados e Não Confirmados integrante do Auto de Infração, fl. 19/21. Destaquese que o pagamento relativo ao PA 02/1998 veio a ser localizado pela Unidade de origem, que considerou ter havido liquidação total deste crédito tributário, que deixou de compor a lide. No Auto de Infração, a Descrição dos Fatos é feita de forma genérica, indicando apenas e exclusivamente a ocorrência “Proc Jud de Outro CNPJ”. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10183.004152/200395 Acórdão n.º 3803000.332 S3TE03 Fl. 147 4 Em sua impugnação a Contribuinte demonstrou à fl. 36, ser a Autora do processo judicial que indicara na DCTF, tendo anexado suas peças processuais, cuja sentença nele proferida deulhe o provimento desejado, tendolhe sido reconhecido o direito de compensar débitos de PIS a vencer. A sentença foi confirmada pelo TRF da 3ª Região. O auto de infração é de julho de 2003. Em junho de 2007, a Autoridade preparadora anexou cópia de Parecer e Despacho Decisório em processo administrativo de compensação desta pessoa jurídica decerto relativo aos débitos objeto deste Auto de Infração , por meio dos quais não foram homologadas as compensações. Em ato processual seguinte, anexando ainda informação do Setor SubJúdice, colige todos estes elementos para encaminhar o processo à DRJ/Campo Grande, para julgamento. Em julgamento da lide, a DRJ não conheceu da impugnação por reconhecer a concomitância da matéria, em face da sua apreciação pelo Poder Judiciário. Assim, temse nos autos que o processo judicial existia e tinha a Contribuinte como Autora, configurandose a falsidade do pressuposto de fato que dá suporte ao Auto de Infração. Ante tal circunstância, careciam os autos de saneamento do presente feito, com ciência à Contribuinte das novas razões que deveriam sustentar o lançamento, devolvendolhe o prazo para defesa. Providência olvidada. Concebo que fazer novas considerações no âmbito do processo e manter o lançamento sob pressuposto outro que sequer foram, ou puderam ser, cogitados no momento da autuação, corresponde a inovação no que concerne à valoração jurídica dos fatos, num tempo em que não cabe à Autoridade Preparadora, nem ao órgão julgador, proceder ao agravamento da exigência, por força do que determina o § 3º do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993, vulnerando o contraditório e o direito à ampla defesa, verbis: “§ 3º. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizadas no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.” Sintoniza com o que determina a disposição legal acima também a doutrina jurídica, que na exegese de MARCOS VINICIUS NEDER e MARIA TERESA MARTINEZ LOPES (in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Dialética, 2002, p.184) leciona: Assim, constatadas pela autoridade julgadora inexatidões na verificação do fato gerador, relacionadas com o mesmo ilícito descrito no lançamento original, o saneamento do processo fiscal será promovido pela feitura de Auto de Infração Complementar. Esta peça, sob pena de nulidade, deverá descrever os motivos que fundamentam a alteração do lançamento original, indicando o fato ou circunstância Fl. 147DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10183.004152/200395 Acórdão n.º 3803000.332 S3TE03 Fl. 148 5 que ele pretende aditar ou retificar, demonstrando o crédito tributário unificado, de modo a permitir ao contribuinte o pleno conhecimento da alteração. No caso em tela, o Auto de Infração é eletrônico, lavrado mediante simples cruzamento de dados entre o que é informado pelo contribuinte e os demais registros contidos no sistema informatizado da Receita Federal. Não obstante a sua validade, visto que autorizado por autoridade competente, fundamentase apenas no estreito limite desse cruzamento de informações. A descrição do fato, requisito de validade do Auto de Infração e elemento essencial ao exercício do direito à ampla defesa do sujeito passivo, encontrase no âmbito de competência da autoridade lançadora. Não é obra que possa ser suprida por autoridade preparadora ou por órgão judicante. Noutro dizer, isto implica em que o Fisco não pode, durante o procedimento, descrever um fato imponível genérico, impreciso, abarcante, para dar suporte à autuação, e a autoridade preparadora, bem assim o órgão julgador, promover a atividade de fiscalização que não fora executada, detectando o suporte concreto que deveria ter sido apurado e indicado pela autoridade lançadora, e pretender enquadrálos na descrição genérica de “Falta de Recolhimento” ou "Declaração Inexata". Esse proceder repercute em subtrair ao Impugnante o direito de opor contra razões, do que resulta a preterição do direito de defesa do contribuinte autuado. No presente caso, esta consequência fica mais evidente quando a decisão de primeira instância não enfrentou o mérito, seja sobre o fato original, seja sobre o novo motivo, ficando a Contribuinte sem balizas para se defender do que veio a ser cogitado pelas Seções (Saort e Secat) da Unidade local, após a impugnação. O Auto de Infração, sustentase, simplesmente, na existência do processo judicial indicado na DCTF da Contribuinte como sendo de outro CNPJ. Depois, demonstrada a existência do processo, a Autoridade Preparadora arvorouse em perscrutar os detalhes do indigitado processo, elegendo outro motivo de fato para PROPOR a manutenção da exigência, quando do julgamento de primeira instância. De acordo com a teoria dos motivos determinantes, o ato administrativo está forçosamente vinculado aos fatos concretos apurados e aos fundamentos legais que lhe dão suporte. Esta a razão pela qual, não promovido o aludido saneamento processual e ante a insubsistência do fato que ensejou a lavratura do auto de infração em exame, visto que agora é outro o pressuposto que o ensejariam, divirjo do n. Relator. Devese, pois, reconhecer a nulidade do lançamento por erro e falta de amparo fático. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso, para anular o auto de infração. (assinado digitalmente) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10183.004152/200395 Acórdão n.º 3803000.332 S3TE03 Fl. 149 6 Hélcio Lafetá Reis – Relator ad hoc Fl. 149DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 11817.000213/2004-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 303-01.382
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros Nanci Gama, Marciel Eder Costa e Anelise Daudt Prieto votaram pela conclusão.
Nome do relator: ZENALDO LOIBMAN
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Numero do processo: 11065.100329/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
Ementa:
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria.
INCONSTITUCIONALIDADE E O CARÁTER ARRECADATÓRIO DA MULTA. MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF No- 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1201-001.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2004 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria. INCONSTITUCIONALIDADE E O CARÁTER ARRECADATÓRIO DA MULTA. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF No- 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.
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A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria. INCONSTITUCIONALIDADE E O CARÁTER ARRECADATÓRIO DA MULTA. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 03 29 /2 01 0- 11 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11065.100329/201011 Acórdão n.º 1201001.367 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, João Otávio Oppermann Thome, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida. Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida que a seguir transcrevo: # DA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o auto de infração, em vista de atraso na entrega da Declaração de Informações de Pessoa Jurídica – DIPJ/2005 (A.C.2004), entregue em 02/09/2008, enquanto o prazo findou em 30/06/2005. O enquadramento legal e a demonstração do crédito tributário estão consignados nas Notificações. # DA IMPUGNAÇÃO A contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que a declaração de rendimentos foi entregue no prazo e que a autuação recaiu indevidamente sobre a declaração retificadora entregue como original, em 02/09/2008. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife/PE julgou improcedente a impugnação, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1142.306, de 29 de agosto de 2013. O Acórdão está assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2004 LUCRO PRESUMIDO. OPÇÃO. A opção pela apuração com base no Lucro Presumido será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário e será definitiva em relação a todo o ano calendário. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário:2004 DIRPJ RETIFICADORA. MUDANÇA DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11065.100329/201011 Acórdão n.º 1201001.367 S1C2T1 Fl. 4 3 Não será admitida declaração retificadora que tenha como objetivo mudança no regime de tributação a que está submetido o contribuinte por força de disposição legal ou de opção anteriormente formalizada. A autuada foi cientificada da mencionada decisão em 03/12/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR e, protocolizou recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 23/12/2013. A Recorrente alega que a simples existência de dispositivo legal prescrevendo a multa pelo atraso na entrega de DCTF (sic), calculada com base em percentual do tributo informado em declaração, não é suficiente para que sua exigência seja válida, isto porque o ato administrativo de constituição da multa deverá observar os ditames legais e princípios constitucionais (não escritos) da razoabilidade e da proporcionalidade. A Recorrente discorre acerca dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e afirma que a multa aplicada não é nem razoável nem proporcional. Aduz que a entrega da DIPJ só tem serventia para que o Fisco possa verificar a apuração dos resultados da empresa, de modo a permitirlhe aferir o recolhimento ou não do tributo apurado, ou, ainda, a regularidade da apuração feita pelo contribuinte. Nessa hipótese, temse que não houve falta de recolhimento de tributo, na medida em que todos os tributos informados na declaração foram pagos dentro do vencimento. Diz que, considerandose a função precípua da obrigação acessória cumprida com atraso pelo contribuinte (fornecer os elementos para a apuração de eventual tributo devido), e o dano decorrente do ilícito praticado (que é nenhum, pois não houve fraude e o tributo foi regularmente recolhido), claro está que a multa aplicada não é razoável. Assim, não há nada que justifique a aplicação da multa nesses valores, pois não há nenhuma proporção entre o dano sofrido pelo Fisco em razão da conduta da empresa e o valor exigido a título de multa. A Recorrente conclui que a multa aplicada pelo atraso na entrega da DCTF (sic), ainda que seja aplicada em percentual aparentemente legítimo, representa efetiva violação ao princípio da proporcionalidade. E que, há nítido desvirtuamento da função da multa, pois, ao invés de sanção, sua finalidade é claramente arrecadatória. Cita jurisprudência. Finalmente, requer seja provido o Recurso Voluntário para o fim de reduzir a referida multa a patamares razoáveis, em homenagem ao postulado normativo aplicativo da proporcionalidade. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Fl. 63DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11065.100329/201011 Acórdão n.º 1201001.367 S1C2T1 Fl. 5 4 O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O litígio cingese ao lançamento referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Informações DIPJ 1375545, relativa ao ano calendário de 2004, em que se exige o crédito tributário no valor de R$ 62.788,37. Consta do Auto de Infração (fl.03) que a DIPJ apresentada com base no Lucro Presumido tinha como prazo final para a entrega 30/06/2005, e somente fora entregue à Receita Federal em 02/09/2008. A Recorrente alega que a simples existência de dispositivo legal prescrevendo a multa pelo atraso na entrega de DCTF (sic), calculada com base em percentual do tributo informado em declaração, não é suficiente para que sua exigência seja válida, isto porque o ato administrativo de constituição da multa deverá observar os ditames legais e princípios constitucionais (não escritos) da razoabilidade e da proporcionalidade. A Recorrente discorre acerca dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e afirma que a multa aplicada não é nem razoável nem proporcional. Aduz que a entrega da DIPJ só tem serventia para que o Fisco possa verificar a apuração dos resultados da empresa, de modo a permitirlhe aferir o recolhimento ou não do tributo apurado, ou, ainda, a regularidade da apuração feita pelo contribuinte. Nessa hipótese, temse que não houve falta de recolhimento de tributo, na medida em que todos os tributos informados na declaração foram pagos dentro do vencimento. Diz que, considerandose, então, a função precípua da obrigação acessória cumprida com atraso pelo contribuinte (fornecer os elementos para a apuração de eventual tributo devido), e o dano decorrente do ilícito praticado (que é nenhum, pois não houve fraude e o tributo foi regularmente recolhido), claro está que a multa aplicada não é razoável. Assim, não há nada que justifique a aplicação da multa nesses valores, pois não há nenhuma proporção entre o dano sofrido pelo Fisco em razão da conduta da empresa e o valor exigido a título de multa. A Recorrente conclui que a multa aplicada pelo atraso na entrega da DCTF (sic), ainda que seja aplicada em percentual aparentemente legítimo, representa efetiva violação ao princípio da proporcionalidade. E que, há nítido desvirtuamento da função da multa, pois, ao invés de sanção, sua finalidade é claramente arrecadatória. Finalmente, requer seja reduzida a referida multa a patamares razoáveis, em homenagem ao postulado normativo aplicativo da proporcionalidade. Apesar de a Recorrente em algum momento reportarse à "DCTF" entendese que pretende referirse à DIPJ, já que o assunto em comento é a multa por atraso na entrega da DIPJ/2005 e por assim passamos a considerar como equívoco da Recorrente. Como se vê, a Recorrente não discute o atraso na entrega da Declaração da DIPJ e sim o valor da multa aplicada por considerála não razoável e desproporcional, na medida em que não houve fraude nem falta de recolhimento de tributo e que não houve dano ao Fisco. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11065.100329/201011 Acórdão n.º 1201001.367 S1C2T1 Fl. 6 5 Em que pesem os argumentos da Recorrente, cumpre à autoridade administrativa aplicar a multa prevista pela inobservância do prazo legal prescrito para o cumprimento da obrigação acessória. Com efeito, a multa aplicada pelo atraso na entrega da DIPJ, baseiase na legislação que rege a matéria, discriminada no Auto de Infração, fl.03, em especial a Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 7°, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004, que assim dispõe: (...) Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o tarmontante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 65DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11065.100329/201011 Acórdão n.º 1201001.367 S1C2T1 Fl. 7 6 § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) IR$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. §4º Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. §5º Na hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1ºa 3º. ... (Grifei) O inciso I do artigo 7° da Lei n° 10.426, de 2002, não deixa margem a qualquer discricionariedade, pois, prescreve que o sujeito passivo que deixar de apresentar ou apresentar em atraso a DIPJ se sujeitará a multa de valor igual de dois por cento ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, “ainda que integralmente pago”, respeitado o limite máximo e mínimo. Como visto acima, no caso da espontaneidade do contribuinte, a lei prevê a redução da penalidade mas não a exclui. E, o pagamento dos tributos devidos não afastam a obrigatoriedade da entrega da DIPJ. Desse modo, admitida a espontaneidade do contribuinte, restou aplicada a redução à metade da penalidade, nos termos do inciso I, § 2º do artigo 7º acima transcrito (sublinhado). Efetuado o lançamento tributário, de ofício, ou seja, constituído o crédito tributário a sua substância é o pagamento da penalidade pecuniária aplicada pelo descumprimento da norma legal. Estando o crédito tributário legitimamente constituído, somente havendo legislação autorizando a dispensa deste, poderseia afastar ou reduzir a obrigação imposta. No que diz respeito ao alegado desrespeito aos princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade e o caráter arrecadatório da multa, cumpre ressaltar que a multa lançada de ofício pelo descumprimento da obrigação tributária, conforme previsto no artigo 7º da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, decorre de expressa disposição legal, não Fl. 66DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11065.100329/201011 Acórdão n.º 1201001.367 S1C2T1 Fl. 8 7 cabendo aos órgãos do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 02 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Convém registrar que a jurisprudência citada pela Requerente em sua defesa serve apenas como forma de ilustrar e reforçar sua argumentação, não vinculando a administração àquela interpretação, isto porque não têm eficácia normativa. Da mesma forma, se utilizadas neste voto, as citações e transcrições jurisprudenciais, terão como objetivo ilustrar e reforçar o posicionamento desta relatora. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10315.900427/2011-81
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado.
Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa.
Decisão de primeira instância anulada.
Numero da decisão: 3802-004.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, para que nova seja proferida saneando o vício cometido.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco José Barros Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado. Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Decisão de primeira instância anulada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, para que nova seja proferida saneando o vício cometido. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco José Barros Rios e Solon Sehn.
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PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado. Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Decisão de primeira instância anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, para que nova seja proferida saneando o vício cometido. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 90 04 27 /2 01 1- 81 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco José Barros Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 346), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. O contribuinte SÃO GERALDO ÁGUAS MINERAIS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1442.418, proferido em primeira instância pela 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP, que não acolheu sua Manifestação de Inconformidade, na qual afirma ter direito a ressarcimento de IPI nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999. Por bem explicitar as questões de fato pertinentes ao caso, adotase o quanto consta da Informação Fiscal apresentada pela SARAC de Fortaleza/CE (fls. 4/16): (...) 2 – DO OBJETO SOCIAL No ato constitutivo original da São Geraldo Águas Minerais Ltda, datado de 13/01/1995, consta como objetivo social a extração, beneficiamento e comercialização de bens minerais. Através do 6.° Aditivo contratual datado de 01/06/2009, o objeto social foi alterado para: Extração, Engarrafamento e Gaseificação de Águas Minerais. 3 – DOS PRODUTOS FABRICADOS No item 2 da Descrição do Processo Produtivo apresentado a fiscalização, a São Geraldo Águas Minerais Ltda indica a fabricação dos seguintes produtos:ProdutoRegistro MS Código de Barra Garrafão 20L6.0980.000200137898193940202 Garrafão 10L6.0980.000200137898193940103 Garrafas 500 ML6.0980.000200137898193940226 Garrafas 1.500 ML 6.0980.000200137898193940219 No subitem 2.1, a fiscalizada enquadra os produtos por ela fabricados no Código NCM 2201.10.00 EX 01 e EX 02, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI. Os rótulos dos produtos fabricados pela São Geraldo Águas Minerais Ltda, as cópias das Notas Fiscais de Vendas mais relevantes dos meses de outubro, novembro e dezembro do ano de 2006, bem como as informações colhidas nos livros fiscais e nos arquivos digitais de notas fiscais (Convênio 57/95 – SINTEGRA) apresentados mediante autenticação através do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, referentes aos anos de 2007, 2008, 2009, demonstram que a citada empresa atua na fabricação e comercialização de ÁGUA Fl. 348DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10315.900427/201181 Acórdão n.º 3802004.083 S3TE02 Fl. 348 3 MINERAL NATURAL (SEM GÁS), conforme definido no item 2.1 do Anexo do Regulamento Técnico para Águas Envasadas e Gelo, aprovado pela Resolução RDC N.° 274, de 22 de setembro de 2005, da ANVISA. (...)Temos, portanto, que a São Geraldo Águas Minerais Ltda não pode se creditar do IPI referente a aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem empregados na industrialização de ÁGUA MINERAL NATURAL (SEM GÁS), tendo em vista que tal produto além de ser classificado como nãotributável (NT) impede o enquadramento da fiscalizada como “estabelecimento industrial” para estas operações, ficando impossibilitada de utilizar eventual saldo credor do IPI nas formas previstas no Art.73 e Art.74 da Lei N.° 9.430/96. (...) (grifo nosso). Referida Informação Fiscal embasou o Despacho Decisório, nos termos abaixo (fls. 252/253): "(...) 1. Em ação fiscal realizada em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n.° 03.1.02.002011003620, deuse reclassificação e glosa de diversos créditos apresentados para ressarcimento, tendo como fundamento a utilização de matéria prima. Produto intermediário e material de embalagem, que geraram os supostos créditos de IPI, na fabricação de produtos não tributáveis. 2. Como os produtos classificados como nãotributáveis (NT) não podem gerar créditos do IPI, por força do Art.164, inciso I e Art.190, § 1.° do Decreto n.° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 e do Art.226, inciso I e Art.251, § 1.° do Decreto n.° 7.212, de 15 de junho de 2010, a fabricação de ÁGUA MINERAL NATURAL (SEM GÁS) impede a utilização de eventual saldo credor do IPI nas formas previstas no Art.73 e Art.74 da Lei N.° 9.430/96, conforme Art.2.°, inciso I do Ato Dec laratório Interpretativo SRF N.° 5, de 17 de abril de 2006. 3. Verificouse também que os insumos adquiridos e os produtos fabricados são os mesmos durante os anos de 2006, 2007, 2008 e 2009, conforme Livro de Registro de Inventário, cópias das Notas Fiscais e planilhas, ANEXO I E ANEXO II, confeccionadas com base nos Arquivos Digitais de Notas Fiscais(Convênio 57/95 – SINTEGRA). 4. Assim, lavrouse representação propondo o não reconhecimento da legitimidade dos créditos básicos de IPI e a nãohomologação das compensações realizadas com respaldo nestes créditos. 5. Em face do exposto, proponho seja indeferido o pedido de ressarcimento 01344.65038.230110.1.1.018396 e considerada nãohomologada a compensação declarada no documento 10098.46788.230110.1.3.017700.. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da ementa que segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias nãotributadas (N/T) pelo imposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto – DRJ/RPO, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual requer (i) o processamento do recurso sem efetivação de depósito recursal ou arrolamento de bens; (ii) da adequada interpretação ao art. 11, da Lei nº 9.779/99, diante do princípio da não cumulatividade do IPI; (iii) da contrariedade da dita norma regulamentar aos princípios da isonomia e da seletividade; ilegalidade e inconstitucionalidade do art. 254 do RIPI/2.010, da IN SRF 33/99 e do ADI 05/2006; e, por fim, (iv) o consequente reconhecimento do direito creditório pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 346), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa mesma situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise de apenas parte das razões recursais. De início friso que o relatório da DRJ contém erro quanto às premissas fáticas, pois aduz serem os produtos finais do Recorrente tratarse de livros. Segue transcrito abaixo o sucinto relatório: "(...) O interessado em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado no período em destaque, para ser utilizado na compensação dos débitos que declarou. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10315.900427/201181 Acórdão n.º 3802004.083 S3TE02 Fl. 349 5 A autoridade competente indeferiu o pedido em razão dos produtos, que a empresa produz e comercializa, serem livros classificados como NT (não tributado) na TIPI. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual alegou, em suma, que tem direito ao ressarcimento por força do princípio da nãocumulatividade previsto no artigo 153,§3º, II, da Constituição Federal e que o direito pleiteado encontra amparo na Lei nº 9.779, de 1999, art. 11, conforme doutrina e julgados que cita. (grifei) O Recurso Voluntário não suscita esse vício, e a rigor a questão de mérito poderia ser facilmente resolvível ante a Súmula CARF nº 20. Veja se: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Contudo, como se trata de questão de fato, a premissa inicial da DRJ pode ser considerada como tendente a promover cerceamento de defesa – causa de nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Esse vício pode levar, portanto, a uma anulação de todo o processo administrativo, desde o julgamento pela DRJ, estendendose todos os demais atos posteriores. E tal pode ser suscitado inclusive judicialmente, nada obstante a conclusão me parecer ser a mesma – pois tanto o livro quanto a água mineral são considerados produtos NT pela legislação. Conclusão Dessa forma, para assegurar a higidez processual e, em última análise, o próprio crédito tributário em si, conheço do Recurso Voluntário e, de ofício, voto pela anulação da decisão recorrida, a fim de que profira novo julgamento considerando o efetivo produto final do Recorrente – água mineral natural (sem gás). Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720008/2004-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1988, 1989, 1990, 1991
TAXA DE LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO - CRÉDITO NÃO ADMINSITRADO PELA RECEITA FEDERAL - COMPENSAÇÃO - DESCABIMENTO. IMPEDIMENTO LEGAL.
Compensação e restituição são institutos distintos, com normas, regras e formas próprias.
O direito à restituição de Taxa de Licenciamento de Importação, ainda que reconhecido judicialmente, não é suficiente para que se autorize a compensação do crédito na forma disposta no art. 74 da Lei nº 9.430/96, pois trata-se de crédito não administrado pela Receita Federal do Brasil.
O disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/96 estabelece que para a compensação de tributos é necessário que o crédito apurado pelo contribuinte seja administrado pela Receita Federal do Brasil, bem assim que referido crédito seja passível de restituição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO do Recurso Voluntário, na forma do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que dava provimento ao pedido de compensação.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO do Recurso Voluntário, na forma do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que dava provimento ao pedido de compensação. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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IMPEDIMENTO LEGAL. Compensação e restituição são institutos distintos, com normas, regras e formas próprias. O direito à restituição de Taxa de Licenciamento de Importação, ainda que reconhecido judicialmente, não é suficiente para que se autorize a compensação do crédito na forma disposta no art. 74 da Lei nº 9.430/96, pois tratase de crédito não administrado pela Receita Federal do Brasil. O disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/96 estabelece que para a compensação de tributos é necessário que o crédito apurado pelo contribuinte seja administrado pela Receita Federal do Brasil, bem assim que referido crédito seja passível de restituição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO do Recurso Voluntário, na forma do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que dava provimento ao pedido de compensação. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 00 08 /2 00 4- 15 Fl. 577DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 26/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 2 (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório exarado na decisão de primeiro grau, que segue transcrito: Tratam os autos de análise manual de diversos PER/DCOMP apresentados pela EMEGE no intuito de compensar créditos de relativos a Taxa de Licenciamento de Importação, com débitos de PIS e de Cofins referentes a 2004. Os PER/DCOMP originais e retificadores estão listados às fl. 234/235, tendo sido juntadas cópias às fl. 01/08, 14, 50/57 e 225/229. A empresa referida buscou pronunciamento judicial no sentido de serem reconhecidos como indevidos os recolhimentos efetuados a título de Taxa de Licenciamento de Importação prevista no art. 10, caput, da Lei n° 2.145/53, com redação dada pela Lei n° 7.690/88, alegando inconstitucionalidade da exigência. Tal taxa teria sido recolhida por ocasião da emissão de diversas Guias de Importação em período compreendido entre 18/07/1988 e 28/10/1991. A pretensão foi deduzida nos autos da Ação Ordinária de Repetição de Indébito sob n° 93.00010980, na r Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária do Estado de Goiás (fl. 81/143). O pleito foi julgado procedente no Tribunal Regional Federal, tendo transitado em julgado em 02/03/2000(fl. 192). Após petição para executar a sentença, a interessada requereu desistência da ação com a finalidade de compensar administrativamente o crédito reconhecido judicialmente (fl. 39/40). A desistência foi homologada em 27/09/2004, conforme sentença à fl. 41. Com os PER/DCOMP a empresa solicitou a compensação de um crédito de R$ 1.107.993,27 (fl. 75/78 e fl. 02, 51 e 55) com os seguintes débitos: Código Tributo Per. Apuração Vencimento Débito 5856 Cofins 08/2004 15/09/2004 157.806,08 5856 Cofins 09/2004 15/10/2004 388.585,90 5856 Cofins 10/2004 12/11/2004 248.645,23 6912 PIS 08/2004 15/09/2004 65.864,86 Fl. 578DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 26/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10120.720008/200415 Acórdão n.º 3301002.719 S3C3T1 Fl. 10 3 6912 PIS 09/2004 15/10/2004 90.969,01 6912 PIS 10/2004 12/11/2004 60.587,16 6912 PIS 12/2004 14/01/2004 27.974,12 Após análise dos PER/DCOMP apresentados, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Goiânia GO proferiu o Despacho Decisório n° 07, em 25/01/2006, às fl. 234/240, decidindo por indeferir a restituição e não homologar as compensações efetuadas. Sinteticamente fez as seguintes considerações: • Com exceção do PER/DCOMP n° 04216.94768A30105.1.3.570464, de 13/01/2005, às fl. 225/229; os demais foram apresentados dentro do prazo decadencial, considerandose que a repetição do indébito deveria ser efetuada em até cinco anos contados da data do trânsito em julgado da ação judicial que reconheceu seu direito à restituição; • A Taxa de Licenciamento de Importação pertence ao gênero tributo, mas não é administrada pela Receita Federal, condição do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelo art. 49 da Lei n° 10.637/2002. É taxa administrada pela Cacex/Decex; • O recolhimento da taxa foi feito por crédito em conta, conforme comprovantes às fl. 91, 93, 104, 106, 109, 115, 117, 119, 121, 123, 129, 131, 133, 136, 139 e 141), não se aplicando o disposto no art. 2°, parágrafo único, da IN SRF n°210. A interessada foi cientificada da decisão pelo Oficio n° 00364/2006 SRF/DRFGOI/Saort à fl. 2244, em 04/05/2006, consoante Aviso de Recebimento à fl. 253. Inconformada com a decisão, apresentou manifestação de inconformidade às fl. 254/262 em 02/06/2006, instruída com os documentos às fl. 263/516 (cópia integral deste processo até sua fl. 248). Em síntese, o teor de sua defesa foi o seguinte: • Utilizou do instituto da Compensação frente ao crédito obtido com êxito na Ação Ordinária n° 93.00010980, baseandose no art, 74 da Lei n° 9.430/96 e alterações posteriores, norma que viabiliza a compensação de créditos decorrentes de pagamentos a maior ou indevidos perante a RFB para a quitação de quaisquer tributos ou contribuições sob sua administração, não sendo necessário que tais tributos sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional; • Manifestou a desistência da execução do título judicial que possuía com o objetivo de compensar os valores via administrativa, conforme procedimentos fixados na IN SRF n° 210/2002, com alteração da IN SRF n° 323/2003, tendo entregue Declaração de Compensação; • O Delegado da Receita Federal indeferiu a restituição e considerou não homologada a compensação fundamentado no art, 4° da IN SRF n° 360/2003, não especificando, contudo, qual item que embasou sua decisão; Fl. 579DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 26/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 4 • Configurada qualquer das hipóteses do art. 165 do CTN, o contribuinte pode pleitear a repetição da importância paga indevidamente ou a maior. Tal pleito deve ocorrer dentro do prazo fixado no art. 168 do mesmo diploma legal; • Quanto ao fato de que o Delegado considerou prescrito um dos PER/DCOMP, tendo em vista o disposto no art. 165, I do CTN e no Ato Declaratório SRF n° 96/99, esclarece que: o Embora o CTN, em seu art. 165, não traga dispositivo expresso pertinente à situação de norma tributária declarada inconstitucional pelo STF, como no presente caso, esta situação é correlata à descrita no inciso III do referido artigo, visto que o pagamento considerase devido no momento em que é efetuado, mas, posteriormente, e por evento futuro, passa a ser considerado como indevido; o O art. 168, II do CTN estabeleceu que, em havendo direito à restituição por força de fato superveniente ao pagamento, o prazo decadencial para o contribuinte requerer repetição do indébito tributário contase a partir do evento posterior que tornou o pagamento indevido, e não da data do efetivo recolhimento. Portanto, o direito de pleitear a restituição ou compensação em virtude de lei que se tenha por inconstitucional somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF em ação direta, ou, em caso de controle difuso, quando da promulgação de Resolução do Senado Federal, aplicandose, então, extensivamente, o disposto nos art. 165, III e 168, II do CTN; • Quanto à natureza do crédito tributário, ou seja, à alegação do delegado de que o tributo não é administrado pela Receita Federal, mas sim pela Cacex/Decex, e, por isso, não caberia restituição ou compensação de tal tributo: o Com a declaração de inconstitucionalidade da cobrança da Taxa de Licenciamento de Importação, adveio a Resolução n° 11/2005, pela qual o Senado Federal suspendeu a execução do art. 10 da Lei Federal n° 2.145/53, com redação da Lei n° 84307/91 3 que tratava exatamente da matéria objeto da ação de repetição de indébito, excluindo a incidência deste imposto; o Em vista da inconstitucionalidade, tanto a Cacex, quanto a Decex não possuem qualquer atribuição em relação a este tributo. Em contrapartida, a Receita Federal tem órgão, que lhe é vinculado, com atribuição de regular as operações de comércio exterior, mas não tem competência ou atribuição para arrecadar tais tributos; • Quanto à violação do art. 2°, § único da IN SRF n" 210/2002: o O tributo foi recolhido em favor do Tesouro Nacional, figurando como parte integrante deste, não podendo a exacerbada burocracia obstaculizar o ressarcimento ou a compensação legalmente devida. • Requer a homologação de todas as compensações efetuadas. Na seqüência foi exarado o Acórdão 0331.764, de 2019, da 2ª Turma da DRJ/BSB, fls. 1446/1453, ora recorrido, onde os membros daquela Turma de Julgamento, por Fl. 580DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 26/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10120.720008/200415 Acórdão n.º 3301002.719 S3C3T1 Fl. 11 5 unanimidade de votos, acordaram por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1988, 1989, 1990, 1991 CRÉDITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE NÃO ADMINISTRADO PELA RECEITA FEDERAL. COMPENSAÇÃO. IMPEDIMENTO LEGAL. Consoante o art. 74 da Lei n° 9.430/96, somente pode ser compensado pelo sujeito passivo crédito relativo a tributo administrado pela Receita Federal, ainda que o crédito tenha sido reconhecido judicialmente com trânsito em julgado. Solicitação Indeferida. Irresignado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 1471/1486, repisando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, acrescentado, em síntese: · É pacífico que a taxa de licenciamento de importação tem natureza jurídica de tributo, sujeitandose ao lançamento por homologação, conquanto o contribuinte, apesar de apresentar declaração, paga antecipadamente o tributo divido, sujeito a posterior homologação da autoridade competente. · Somente a autoridade fazendária é que pode fazer o lançamento por homologação. · O Banco do Brasil, por meio da CACEX, não detém legitimidade para discutir a legalidade ou a constitucionalidade da exação, e menos ainda para responder a pedido de compensação tributária. · Traz decisões da DRJ/BelémPA e do TRF/5ª Região onde ficaram entendidos, naquelas instâncias, a possibilidade de compensação de outros créditos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Inicialmente distribuído à Conselheiro da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho, foi declinado competência em prol da Terceira Seção, por despacho de fls 1720/1721. Por sorteio, foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri Fl. 581DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 26/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 6 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. As indicações de folhas no presente voto, não havendo informação contrária, referemse à numeração constante no eprocesso. Conforme relatado, tratase de Declaração de Compensação de créditos referentes à Taxa de Licenciamento de Importação , prevista no artigo 10, caput, da Lei nº 2.145/53, de 29/12/1953, com a redação dada pela Lei nº 7.690/88 de 15/12/1988, pretensamente compensadas com débitos de Cofins e PIS. A empresa buscou pronunciamento judicial no sentido de serem reconhecidos como indevidos, por inconstitucionalidade, os recolhimentos por ela efetuados a titulo de Taxa de Licenciamento de Importação. A pretensão da autora foi deduzida nos autos da Ação Ordinária de Repetição de indébito, protocolada sob nº 93.00010980, na 2ª Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária do Estado de Goiás, na qual objetiva a restituição de valores pagos a título de Taxa de Licenciamento de Importação. O pleito da autora foi julgado procedente pelo Tribunal Regional Federal, tendo o acórdão transitado em julgado aos 22/11/2000, eis os termos da decisão judicial: Pelos fundamentos expostos, DEFIRO o pedido, condenando a União a restituir à Autora as importâncias que recolheu a seus cofres a título de Taxa de Guia de Importação, com correção monetária desde os recolhimentos e juros, de 12% ao ano, a partir do trânsito em julgado desta decisão Depreendese, que o contribuinte foi beneficiado por sentença prolatada na ação acima referida, em que o pedido foi deferido para condenar à União a restituir ao contribuinte as importâncias pagas a título de Taxa de Guia de Importação. É de se trazer à tona a manifestação do julgador, no voto condutor do Acórdão recorrido, quanto ao descabimento, no presente caso, inclusive do direito à restituição, por ausência de recolhimento via DARF, com base nas IN SRF nº 210/2002 e 460/2002. Mesmo que o contribuinte tivesse formulado apenas pedido de restituição do crédito reconhecido judicialmente, sem solicitar, portanto, a sua compensação com outros tributos, O QUE NÃO É O CASO, ainda assim a Receita Federal não poderia promover a restituição. [...]. Nesse pormenor, divirjo do nobre julgador. Entretanto, entendo que essa discussão, no presente caso, é estéril, a uma por não ser assunto em litígio nos autos, a duas por se tratar de decisão judicial em que a restituição já fora reconhecida. Portanto, não cabe, no presente processo, manifestação acerca do cabimento, ou não, da restituição requerida em juízo. Há decisão judicial, transitada em julgado, concedendo o direito. Entretanto, frisese, o direito à restituição não é tema dos autos. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 26/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10120.720008/200415 Acórdão n.º 3301002.719 S3C3T1 Fl. 12 7 A celeuma instituída cingese a determinar se há previsão legal para que a Receita Federal do Brasil (RFB) processe a compensação de valores recolhidos a título da Taxa de Guia de importação, declarada Inconstitucional, cuja restituição fora autorizada judicialmente. Penso que não. Vejamos. A ordem judicial é cristalina ao determinar que a União restitua os valores recebidos a título de Taxa de Licenciamento de Importação. Ressaltese que restituição e compensação são institutos distintos, com normas, regras e formas próprias. Portanto, o pedido de compensação, propriamente dito, não encontra respaldo na decisão judicial. Sujeitandose ao regramento administrativo, dispensado à espécie. Nesse mister, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 74, estabeleceu as condições e requisitos relativos ao instituto da compensação. Lei 9.430/96 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Vislumbrase do dispositivo acima transcrito que para a compensação de tributos é necessário, porém não suficiente, que o crédito apurado pelo contribuinte seja passível de restituição. Há ainda condição expressa de que referido crédito seja administrado pela RFB. A obtenção de mando judicial para a restituição dos valores pagos a titulo de taxa de licenciamento de importação não permite interpretações dilativas do “que decidido” para incluir, no permissivo judicial, o instituto da compensação. Este requer a estrita observância de preceitos legais específicos. Foi feliz o julgador a quo, nesse pormenor: Então, tendo em vista que a taxa aqui tratada não era tributo administrado pela Receita Federal, a EMEGE não poderia tê la utilizado para compensar débitos de PIS e Cofins, conforme preceito do art. 74 da Lei n° 9.430/96 antes transcrito. Acertada, pois, a decisão do Delegado da DRF/GOI/GO ao_não_homologar as_compensações efetuadas. Aliás, a própria recorrente, em sua peça recursal, traz a lume disposições da IN SRF nº 210, de 2002, dos seguintes excertos, que convergem no mesmo sentido: Fl. 583DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 26/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 8 Art. 1º A restituição e a compensação de quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a titulo de tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal (SRF), a restituição de outras receitas da União arrecadadas mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) e o ressarcimento e a compensação de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) serão efetuados conforme o disposto nesta Instrução Normativa. Art. 2º Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: [...] Parágrafo único. A SRF poderá promover a restituição de receitas arrecadadas mediante Darf que não estejam sob sua administração desde que o direito creditório tenha sido previamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita. Já no art. 1ª, cristalizase a separação entre os institutos da restituição e da compensação. Vejamos: A ( i ) restituição e a compensação de quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a titulo de tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal (SRF), a ( ii ) restituição de outras receitas da União arrecadadas mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) e o (iii ) ressarcimento e a compensação de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) serão efetuados conforme o disposto nesta Instrução Normativa. Na primeira (i) e terceira (iii) partes cuidamse de restituição, compensação e ressarcimento, relativos à tributo ou contribuição administrado pela SRF: (i) A restituição e a compensação de quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a titulo de tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal (SRF) (iii) Ressarcimento e a compensação de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) Na segunda parte do artigo há nítido isolamento do instituto da restituição em relação à outras receitas da União, não se incluindo, nesses casos, previsão para a compensação: (ii) A restituição de outras receitas da União arrecadadas mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) Por derradeiro, o art. 2º da IN dedicouse exclusivamente às hipóteses de restituição, reservando o parágrafo único para os casos de restituição de outras receitas que não estejam sob administração da RFB. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 26/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10120.720008/200415 Acórdão n.º 3301002.719 S3C3T1 Fl. 13 9 Art. 2º Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: [...] Parágrafo único. A SRF poderá promover a restituição de receitas arrecadadas mediante Darf que não estejam sob sua administração desde que o direito creditório tenha sido previamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita. Portanto, na interpretação dada pela RFB, da qual comungo integralmente, o art. 74 da Lei nº 9430/96 não contempla o instituto da compensação para o crédito do contribuinte quando oriundo de receitas administradas por outros órgãos, como o caso da taxa de licenciamento de importação, cabendo, nesses casos, apenas a restituição. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 585DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 26/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 10980.720422/2008-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. JUSTIÇA FEDERAL. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62, § 2º.
No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitando-se, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos Arts. 543 - B e 543 - C do CPC. Art. 62, § 2º do RICARF determinando a reprodução do entendimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, vencidos os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e EDUARDO DE OLIVEIRA que deram provimento parcial ao recurso para serem aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. O Conselheiro PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO deu provimento, pelas conclusões.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2288; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 144 1 143 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.720422/200828 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.046 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de dezembro de 2015 Matéria IRPF Recorrente MARIA AUGUSTA BOLSANELLO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. JUSTIÇA FEDERAL. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62, § 2º. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos Arts. 543 B e 543 C do CPC. Art. 62, § 2º do RICARF determinando a reprodução do entendimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, vencidos os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e EDUARDO DE OLIVEIRA que deram provimento parcial ao recurso para serem aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. O Conselheiro PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO deu provimento, pelas conclusões. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 04 22 /2 00 8- 28 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.720422/200828 Acórdão n.º 2202003.046 S2C2T2 Fl. 145 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância, por bem descrever os fatos (fl. 30), complementandoo ao final: Por meio da notificação de lançamento de fls. 05/08 foi apurado o imposto suplementar de R$ 3.269,77, a multa de ofício de R$ 2.452,32 e acréscimos legais, em decorrência da revisão da declaração de ajuste anual do exercício 2006, ano calendário 2005. O lançamento, conforme descrição dos fatos e enquadramentos legais de fl. 06, apurou omissão de rendimentos tributáveis de R$ 13.346,03, recebidos de pessoa jurídica, com ajuste de imposto de renda retido na fonte de R$ 400,38, referente aos rendimentos omitidos. Regularmente cientificada do lançamento em 14/10/2008 (fl. 20), a interessada apresentou, 05/11/2008, a impugnação de fls. 02/03, instruída com os anexos de fls. 09/11. Alega que os valores considerados omitidos foram declarados, por equívoco, em nome de outra fonte pagadora, sendo isso decorrente do fato de que “geralmente qualquer pagamento externo aos professores é realizado pela Fundação” da Universidade Federal, não tendo atentado à época que a importância, oriunda de “precatórios 3,17%” tinha como fonte pagadora a Caixa Econômica Federal. Ao analisar a manifestação de inconformidade do contribuinte, conforme acima resumido, a DRJ em Curitiba/PR primeiramente esclareceu que havia duas fontes distintas, que a contribuinte estava confundindo, com rendimentos oriundos de distintas razões. Disse que: "...os rendimentos omitidos são oriundos da fonte pagadora Caixa Econômica Federal, CNPJ 00.360.305/000104, e foram objetos de declaração do imposto retido na fonte – DIRF, cujo extrato está à fl. 25, onde se pode constatar que essa pessoa jurídica efetuou pagamento de rendimento de decisão da Justiça Federal, de R$ 13.346,03, com retenção de imposto de renda de R$ 400,38, código de receita 5928, no mês de agosto de 2005." Fl. 145DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.720422/200828 Acórdão n.º 2202003.046 S2C2T2 Fl. 146 3 Ressalvou, entretanto que "é de se reconhecer a dedução dos gastos com advogados e contador", possibilitando a dedução comprovada de honorários advocatícios e contábeis. Assim, decidiuse pela procedência parcial da Impugnação, para deduzir da base de cálculo do imposto as despesas necessárias à percepção dos rendimentos, decorrentes de ação judicial. Cientificada dessa Decisão em 06/09/2011 (AR na folha 35), a Contribuinte, ainda inconformada, apresentou recurso voluntário em 30/09/2011, com protocolo na folha 36. Já esclarecida pela decisão da DRJ, não se manifesta contra a tributação dos rendimentos advindos da ação judicial, mas questiona o montante tributado, entendendo que deveria ser menor. Além disso, pede "uma redução no valor da multa e juros, uma vez que não agiu de máfé". O recurso foi apreciado por este Conselho em Sessão de 16 de julho de 2013, tendo a 1ª Turma Especial da 1ª Câmara decidido pelo sobrestamento do julgamento, uma vez que versa sobre incidência de imposto sobre rendimentos recebidos acumuladamente, matéria então submetida à "repercussão geral" pelo STF, no RE 614.406, e observandose disposição regimental interna então vigente. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Já assentara este Conselho, na Resolução mencionada no Relatório, que (fl. 69): Compulsando os autos, verificase que a Fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, aplicou a Tabela Progressiva Anual sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente. A contribuinte aponta que os rendimentos referemse à implementação da parcela de 3,17% em seus vencimentos, em virtude de ação judicial, o que se comprova pela certidão de folha 38 e outros documentos acostados aos autos. DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REVISÃO/IMPLANTAÇÃO DE CORREÇÃO SALARIAL. Portanto, o lançamento versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pela Contribuinte. Tais rendimentos, que se referem a diversos períodos pretéritos, foram tributados integralmente no mês em que foram recebidos, em agosto de 2005, como se depreende da Notificação de Lançamento e do extrato da DIRF. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.720422/200828 Acórdão n.º 2202003.046 S2C2T2 Fl. 147 4 Observase que a tributação deuse, então, na forma do artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, que determina que, nesses casos, o imposto incide sobre o total dos rendimentos, no mês do recebimento do valor, diminuído das despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento. Apenas para esclarecer à Recorrente, a diferença que ela está encontrando e questionando no recurso é porque os rendimentos não são declarados pelo valor líquido, aquele que foi colocado à sua disposição em conta bancária, mas pelo valor bruto, considerando também a retenção do imposto pela fonte pagadora. Ocorre, entretanto, que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente no mês do recebimento do crédito, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do Código de Processo Civil (CPC), em decisão assim ementada: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Em 23/10/2014, a Suprema Corte assim decidiu, em relação à matéria: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.720422/200828 Acórdão n.º 2202003.046 S2C2T2 Fl. 148 5 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal em negar provimento ao recurso extraordinário, por maioria, vencida a relatora, Ministra Ellen Gracie, em sessão presidida pelo Ministro Ricardo Lewandowski, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Voto. Ministra Ellen Gracie Relatora: O Acórdão recorrido considerou inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/88, que determinou a incidência do imposto por ocasião do recebimento dos valores, sobre a sua totalidade. Entendeu violados os princípios da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, nos termos do que restou sintetizado na ementa do acórdão relativo à argüição de inconstitucionalidade julgada pela Corte Especial daquele Tribunal Regional Federal da 4ª Região: (...) Voto Ministro Marco Aurélio Redator do Acórdão: Não passa pela minha cabeça que o sistema possa apenar o contribuinte duas vezes. Explico melhor: o contribuinte não recebe as parcelas na época devida. É compelido a ingressar em Juízo para ver declarado o direito a essas parcelas e, recebendo as posteriormente, há a junção para efeito de incidência do Imposto de Renda, surgindo, de início, a problemática da alíquota, norteada pelo valor recebido. (...) Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem se o envolvimento da capacidade contributiva... (...) Ou seja, o fato de o direito haver sido resistido e de se ter que acionar garantia inerente à cidadania, que é a do ingresso em Juízo, implicaria a majoração da alíquota. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também já havia se manifestado sobre a matéria, como lembraramse os Ministros do STF, inclusive atribuindo aos recursos a Fl. 148DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.720422/200828 Acórdão n.º 2202003.046 S2C2T2 Fl. 149 6 sistemática dos “repetitivos”, sobre a interpretação a ser dada ao dispositivo da Lei nº 7.713/1988, em comento. Vejamos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. (grifei) 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.(grifei) (REsp 1.118.429 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00557226. Ministro HERMAN BENJAMIN (1132). DJe 14/05/2010) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. (...). ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. TEMAS JÁ JULGADOS PELA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELO ART. 543C DO CPC. 1.... 2. Em relação ao ponto do recurso especial em que a Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art. 12 da Lei n. 7.713/88 e impugna o capítulo do acórdão do Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do imposto de renda", consta da decisão ora agravada que o mencionado recurso não procede porque a decisão proferida pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), cuja ementa assim enuncia: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." 3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do imposto de renda, porém nada diz a respeito das alíquotas aplicáveis a tais rendimentos. Assim, no julgamento do recurso especial, não ocorreu violação do art. 97 da Constituição da República, tampouco contrariedade à Súmula Vinculante n. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.720422/200828 Acórdão n.º 2202003.046 S2C2T2 Fl. 150 7 10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl no REsp 622.724/SC (Rel. Min. Felix Fischer, REVJMG, vol. 174, p. 385), "não há que se falar em violação ao princípio constitucional da reserva de plenário (art. 97 da Lex Fundamentalis) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer lei".(sublinhei) 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PR AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES 2012/0138520 DJe 08/02/2013) Outrossim, diz ALEXANDRE DE MORAES que “assim como podemos afirmar que o STF é o guardião da Constituição, também podemos fazêlo no sentido de ser o STJ o guardião do ordenamento jurídico federal” . Continuando, o autor diz que em relação ao recurso especial, ensinanos o Ministro do STJ Sálvio de Figueiredo Teixeira, tratarse: “de modalidade de recurso extraordinário latu sensu, destinado, por previsão constitucional, a preservar a unidade e autoridade do direito federal, sob inspiração de que nele o interesse público, refletido na correta interpretação da lei, deve prevalecer sobre os interesses das partes...”(MORAES. Alexandre, Direito Constitucional, 15ª ed., São Paulo : Atlas, 2004, p. 496 e 498)(sublinhei) Para REGINA HELENA COSTA, “a aplicação reiterada das normas jurídicas por órgãos do Poder Judiciário constrói pensamento hábil a orientar a conduta dos jurisdicionados, bem como influenciar a atuação dos legisladores e administradores na busca de aperfeiçoamentos e modificações que o ordenamento jurídico requer.”(sublinhei) Assim, conclui a Ministra do STJ e livredocente em Direito Tributário, que: “Nos dias atuais, inegável o papel da jurisprudência como fonte do direito. Conquanto não ostente a mesma importância que apresenta nos países que adotam o sistema da common law, a jurisprudência tem ganho cada vez mais visibilidade, especialmente no campo tributário, à vista do elevado grau de litigiosidade existente nessa seara.” (COSTA. Regina Helena, Curso de Direito Tributário, 2ª ed. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 47)(destaquei) O que os Tribunais Superiores ratificam, na minha modesta leitura, seguindo aliás a melhor doutrina, é que existem, dentre outros, dois aspectos distintos do fato gerador: Aspecto quantitativo do Fato Gerador: neste aspecto, destacam se a base de cálculo e a alíquota. Na operação de lançamento tributário, após a verificação da ocorrência do fato gerador, da identificação do sujeito passivo e da determinação da matéria tributável, há que se calcular o montante do tributo devido aplicandose a alíquota sobre a base de cálculo. Esta é, pois, uma ordem de grandeza própria do aspecto quantitativo do fato gerador. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.720422/200828 Acórdão n.º 2202003.046 S2C2T2 Fl. 151 8 Aspecto temporal do Fato Gerador: é de fundamental importância esse aspecto para definição da lei aplicável, segundo o princípio tempus regit actum. Esse aspecto diz respeito ao momento da consumação ou da ocorrência do fato gerador, ....(HARADA. Kiyoshi. Direito Financeiro e Tributário, 23ª ed, Atlas : São Paulo, 2014, p. 544/545) Observo assim a aplicação do artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF: Artigo 62, § 2º. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Considerando que a jurisprudência do STJ já havia se posicionado pela forma como deveria ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 e, mais recentemente, o STF entendeu pela sua inconstitucionalidade do dispositivo, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da fórmula para apuração do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) e observo a determinação contida no Art. 62, § 2º do Regimento Interno do CARF, como fundamento para decidir. Vinhamse verificando, na jurisprudência deste CARF, decisões no seguinte sentido, no tocante a esta matéria: Acórdão 2201002.387 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente a tabela progressiva vigente à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte, nos termos do voto do relator. Transcrevo e destaco daquele Voto: Releva tratarse de rendimento recebido acumuladamente para incidir na regra do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, pouco importando a espécie ou a natureza do rendimento recebido, se trabalhista, previdenciário ou outro, importa ser rendimento acumulado tributado. Pois bem, a autuação levou em consideração o rendimento total recebido, de forma acumulada, sem separar o período de cada competência. Por essa razão é necessário provimento parcial ao recurso para o recalculo da autuação. Pois bem, como se observa aqui, neste Voto, concordo em parte com o entendimento lá proferido pela Colenda Turma Ordinária, contudo, peço vênia para divergir em relação à parte que entende ser cabível devolver à Receita Federal os autos, para que se faça Fl. 151DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.720422/200828 Acórdão n.º 2202003.046 S2C2T2 Fl. 152 9 novo cálculo do tributo devido, aplicando as tabelas progressivas vigentes à época de cada competência (mês) dos rendimentos recebidos. Isso porque o artigo 142 do CTN dispõe que o ato de lançamento constituise na atividade atinente à autoridade administrativa para: verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável (antecedentes), calcular o montante devido e identificar o sujeito passivo (consequentes). Portanto, esses elementos constituemse em aspectos da hipótese de incidência tributária. Socorrendome mais uma vez na doutrina de REGINA HELENA COSTA: Os aspectos pessoal e quantitativo compõem o chamado "consequente" da hipótese de incidência tributária, isto é, descrita a materialidade e indicadas as coordenadas espacial e temporal do fato no antecedente da norma, exsurge uma relação jurídica mediante a qual um sujeito possui o direito de exigir o tributo e outro sujeito o dever de pagálo (aspecto subjetivo), apontandose o valor da prestação correspondente (aspecto quantitativo).(Op. Cit. p. 205) Ora, se houve equívoco reconhecido na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) o lançamento encontrase viciado e, para sanar o problema, necessário ser feito um novo lançamento. Não é possível, data maxima venia, "corrigir" ou "emendar" um lançamento onde se reconhece que houve erro na apuração do tributo, por aplicação equivocada de alíquotas indevidas sobre bases de cálculo acumuladas. Não entendo que se trate de mero erro de forma, de inobservância de aspectos formais, mas que esteve ferida a própria substância do lançamento, na aferição do montante devido. Porque, observando o processo tributário, forma é aquilo que existe para garantir às partes o exercício de seus direitos, como por exemplo a ampla defesa e o livre acesso ao judiciário. Cito: "... porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1197) E, em ordem prática, suponhase que efetuada nova apuração e encaminhada a cobrança o sujeito passivo dela discorde. Como se darão a impugnação e recurso, nos termos das normas reguladoras do processo administrativo fiscal? Recomeça a fase litigiosa do procedimento? De forma análoga, se o Fisco identifica incorretamente o sujeito passivo, cobrando de Tício quando o contribuinte ou responsável é Mélvio, não se pode simplesmente alterar a ficha de identificação do Auto de Infração e exigir o tributo, agora corretamente, encaminhando a notificação de cobrança, após o julgamento de recurso daquele, a esse. É necessário um novo lançamento, porque se feriram aspectos substanciais da hipótese de incidência tributária. Nesses casos, o novo lançamento só seria possível enquanto Fl. 152DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.720422/200828 Acórdão n.º 2202003.046 S2C2T2 Fl. 153 10 não decaído o direito da Fazenda Pública e observadas todas as normas pertinentes, na legislação tributária. Assim sendo, deixo de tratar aqui sobre a aplicação de multa e juros, questão também levantada pela Recorrente. É que consoante jurisprudência assente nos tribunais superiores, o julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a se manifestar acerca de todos os argumentos presentes na lide, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Pelo exposto, VOTO por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial em face da Universidade Federal do Paraná e pagos pela pessoa jurídica Caixa Econômica Federal, no valor bruto de R$ 13.346,03, consubstanciada na Notificação de Lançamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 153DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 15540.000078/2011-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO.
Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.
NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal.
Numero da decisão: 1402-002.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir o valor tributável referente à glosa de custos por falta de comprovação (item 01 da autuação) de R$ 17.154.656,07 para R$ 12.290.392,49, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade de despesas impõe a prova de sua efetiva ocorrência, normalidade, usualidade e necessidade à atividade da empresa. NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir o valor tributável referente à glosa de custos por falta de comprovação (item 01 da autuação) de R$ 17.154.656,07 para R$ 12.290.392,49, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 00 78 /2 01 1- 55 Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000078/201155 Acórdão n.º 1402002.003 S1C4T2 Fl. 1.720 2 (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000078/201155 Acórdão n.º 1402002.003 S1C4T2 Fl. 1.721 3 Relatório Carta Goiás Indústria e Comércio de Papéis Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 6ª Turma da DRJ Rio de Janeiro 01/RJ, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Trata o presente processo dos autos de infração de fls 05/21 e 115/134, referentes ao Imposto sobre a Renda (IR) e Contribuição Social (CSLL), lavrados pela Delegacia da Receita Federal em Niterói, por meio dos quais foram consubstanciadas as exigências de R$ 4.119.063,82 e R$ 1.491.502,97, respectivamente, multa de 75% e juros de mora. Os fatos e bases de cálculo tributados no auto de infração referente ao IRPJ foram também objeto da autuação reflexa, referente à CSLL. O crédito tributário foi formalizado, segundo relato de fls 21/114, com base em três (03) infrações, todas fundamentadas nos artigos 249, I, 251, parágrafo único, 299 e 300 do RIR/1999. Tais infrações foram assim descritas: 1. Glosa de custos por falta de comprovação 1.1 Intimada (fls 141/142) a comprovar com documentos hábeis custos no valor de R$ 20.556.864,36, lançados na DIPJ 2007 (AC 2006), na ficha 4A, linha 16 “outros custos”, a interessada solicitou dilação de prazo (fls 145); 1.2 reintimada, às fls 153, foi formalizada a resposta de fls 157, com atendimento parcial das solicitações. Nesta ocasião foi feita referência à entrega, a autoridade fiscal, dos seguintes documentos : protocolos de solicitação de extratos bancários, Livros Diário 25 e 27, de 2005, e 31 e 33, de 2006, Livros Razão 20 e 21, de 2005, e 58 e 59, de 2006; 1.3 na ausência de quaisquer esclarecimentos e/ou comprovações acerca do valor de R$ 20.556.864,36, lançado na DIPJ 2007 ( AC 2006), na ficha 4A, linha 16 “outros custos”, mais uma vez a interessada foi instada, às fls 234, a justificálo; 1.4 às fls 235 solicitou nova dilação de prazo e formalizou, ainda, a entrega de 18 caixas contendo Livros Diário e Razão auxiliar de ano 2006 (fls 237). Tendo em vista a não apresentação da escrituração em meio magnético, foi formalizado auto de infração que é objeto do PA 15540.000169/200976; 1.5 em 16/07/2010 foi formalizada a resposta de fls 241/244, na qual a interessada apresentou a composição da ficha 4A, linha 16 “outros custos”. No demonstrativo apresentado foram indicadas rubricas diversas totalizando R$ 3.418.617,39. A diferença (R$ 17.154.656,07) entre este valor e o total informado na DIPJ para o item em apreço (R$ 20.556.864,36) foi assim justificada (fls 243): “A contribuinte aproveita a oportunidade para esclarecer que o valor de R$ 17.154.656,07, por equívoco, foi alocado na linha 16 – outros custos, uma vez que o mesmo corresponde a outras rubricas, como por exemplo a rubrica “ Linha 03 – compra de insumos à prazo”, razão pela qual já providenciou a necessária retificação...” 1.6 conforme fls 594, em 02/09/2010 a interessada foi mais uma vez intimada a comprovar a efetividade e/ou a necessidade de itens específicos, que segundo Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000078/201155 Acórdão n.º 1402002.003 S1C4T2 Fl. 1.722 4 demonstrativos e a contabilidade, estariam englobados da ficha 4A, linha 16 “outros custos” da DIPJ 2007; 1.7 no termo datado de 13/10/2010 (fls 644/646) foram reiteradas as solicitações fiscais anteriores; 1.8 diante da falta de comprovação da efetiva realização de valores contabilizados como custos, objeto das intimações realizadas ao longo da auditoria, foram efetivadas as glosas respectivas. 1.9 O detalhamento dos valores lançados neste item da autuação, totalizados às fls 41/42, consta das tabelas de fls 56 a 115. Tais valores foram assim referidos pelo autuante (fls 42 e seguintes): “1.52 As planilhas I, II, III, V, VII, VIII, IX e X a este termo anexadas demonstram as contas auditadas e os lançamentos relacionados aos custos declarados na Ficha 04A – Linha 16 – outros custos da DIPJ 2007/2006, que foram razão de glosa, por ausência de comprovação através de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores ...” .............................................. 1.54 Também as planilhas XI, XII, XIII e XIV demonstram as contas e respectivos valores que, segundo o contribuinte, foram equivocadamente declarados na Ficha 04 A – linha 16 – outros custos da DIPJ 2007/2006, mas que não foram comprovados por documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, pelo que são objeto de desconsideração pela autoridade fiscal. 1.55 Para melhor compreensão, registrase que as planilhas XI, XII, XIII e XIV guardam relação com as informações contidas na resposta datada de 21/10/2010, estando os seus lançamentos e valores, como pelo contribuinte informado, relacionados à linha 03 compras de insumos a prazo, da Ficha 04A, apesar de terem sido declarados como componentes da Linha 16 – outros custos da DIPJ. 1.56 Já a planilha XV relacionase, conforme informação da fiscalizada, com a linha 08 – Manutenção e reparos de Bens aplicados na produção da Ficha 04A, apesar de terem sido declarados como componentes da linha 16 – outros custos da DIPJ. 1.57 E, ainda, as planilhas XVI, XVII, XVIII, XIX e XX, vinculadas estão, também de acordo com as informações do contribuinte em sua (37.)resposta datada de 21/10/2010, à linha 13 Serviços prestados por pessoa jurídica da Ficha 04 A, apesar de terem sido declarados como componentes da linha 16 “outros custos” (sic) 2. Glosa de despesas por falta de comprovação 2.1 Em 20/05/2009 (fls 176) a interessada foi intimada a apresentar “planilha contendo relação, com a respectiva especificação dos documentos que ancoram os lançamentos realizados constantes da tabela a seguir apresentada, e que foram declaradas na DIPJ 2006 – ficha 05 – pág 04 – linha 31 – outras despesas operacionais” Tabela 01 Conta Descrição Valor 3.3.2.56.003 Locomoção 295.081,38 3.3.2.58.010 Eventos Gerais 19.629,50 3.3.2.59.099 Outras despesas promocionais 640.327,74 3.4.2.58.010 Eventos gerais 176.597,84 3.5.2.56.001 Passagens 308.310,44 Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000078/201155 Acórdão n.º 1402002.003 S1C4T2 Fl. 1.723 5 3.5.2.58.004 Refeições 109.282,67 3.5.2.58.010 Eventos gerais 74.531,82 2.2 após análise da documentação apresentada pela interessada, relata a autoridade autuante em termo datado de 09/08/2010 (fls 245/247) que: 2.2.1 não teriam sido apresentados documentos referentes as seguintes despesas: Tabela 02 Locomoção cta – 3.3.2.56.003 295.081,38 Passagens cta – 3.5.2.56.001 308.310,44 Refeições cta – 3.5.2.58.004 109.282,67 2..2.2 – não teriam sido apresentados comprovantes da realização e nem da essencialidade das seguintes despesas escrituradas à conta 3.4.2.58.010 (eventos gerais): Tabela 03 Data Histórico Valor (R$) 01/01/2006 Verdana Grill 3.300,00 01/01/2006 Churrascaria Querenc 2.800,00 07/11/2006 Sítio Cuca Legal 1.000,00 09/11/2006 Sítio Cuca Legal 15.000,00 11/12/2006 Buffe las Vegas 8.980,00 15/12/2006 Tele Rio 5.164,00 15/12/2006 Tele Rio 4.950,00 2.3 – em virtude do atendimento parcial da intimação, no mesmo termo datado de 09/08/2010 (fls 245/247) o contribuinte foi reintimado a comprovar a realização e a essencialidade dos gastos então especificados. Em resposta, apresentou documentos diversos (fls 248 a 593) não acatados pela fiscalização que assim se justificou: (fls 47) “os documentos apresentados como comprovantes das despesas escrituradas na conta 3.5.2.56.001 – passagens são, em quase sua totalidade, cópias de cheques a determinadas pessoas jurídicas (MML Turismo ou Tour House) juntadas a uma, se assim pode ser chamada, espécie de boleto (???) de controle interno do contribuinte auditado.” 2.4 Prossegue o autuante afirmando que os documentos apresentados não mencionam “ ...o beneficiário dos serviços e, quando o fazem, não há comprovação, mínima, sequer, da relação de tal pessoa com a atividade produtiva ou administrativa da fiscalizada....”. Afirma, ainda, que “Não há um só recibo, uma nota fiscal, nada que vincule a alegada despesa ao contribuinte sob ação fiscal”. 2.5 Pelos motivos expostos, conclui a autoridade administrativa pela glosa da integralidade das despesas referentes a passagens (cta 3.5.2.56.001) e parte das despesas associadas a lanches e refeições (cta 3.5.2.58.004). 2.6 Aduz, ainda, que também foram integralmente glosadas as despesas referentes à cta 3.5.2.56.003 – “Locomoção” e as discriminadas na intitulada “tabela 03” (fls 246) já que para estas não foram apresentados quaisquer comprovantes de sua efetiva realização; 2.7 Os valores das despesas glosadas neste item da autuação foram discriminados por conta e data às fls 94 a 115 e totalizados por mês às fls 52. 3. Glosa de custos/ despesas por falta de comprovação da sua necessidade para o desenvolvimento da atividade operacional da interessada Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000078/201155 Acórdão n.º 1402002.003 S1C4T2 Fl. 1.724 6 3.1 Apesar de intimada (fls 594), em 02/09/2010, e reintimada (fls 644), em 13/10/2010, a comprovar a necessidade dos custos discriminados na intitulada “Tabela A” , anexada às intimações referidas, a interessada não se manifestou, fato este que ensejou a glosa dos respectivos valores; 3.2 Os valores glosados foram totalizados por mês às fls 54, e discriminados, por conta e data, nas tabelas IV e VI (fls 60 e 65/69). De tais tabelas consta a informação de que os valores em referência, escriturados como custo, seriam referentes a “despesas com viagens”, “passagens” e “hospedagem”. Cientificado da autuação em 22/02/2011 (fls 06), foi apresentada a impugnação de fls 954, protocolada em 18/03/2011 na qual a interessada, preliminarmente, requer perícia. Quanto ao mérito, alega a seu favor que: • conforme autuação formalizada no processo 15540.000056/201012, foi rejeitada sua opção pelo lucro real para os anos de 2005 e 2006. Neste processo a autoridade administrativa entendeu que a alteração, em 2005, do lucro presumido para o lucro real somente poderia ocorrer caso, em 2004, houvesse sido ultrapassado o limite estabelecido pelo art 13 da Lei 9.718/98, hipótese esta que foi afastada; • mantido tal posicionamento, o presente lançamento perde seu objeto, já que não há que se falar em glosa de custos/despesas quando adotado o lucro presumido; • prosseguindo a exigência consubstanciada no PA 15540.000056/201012, este lançamento se torna nulo. Deve, portanto, ser sobrestado o julgamento do presente até decisão final daquele processo; • de acordo com a norma contida no art 150, § 4º do CTN, havendo a interessada sido cientificada do lançamento em 22/02/2011, decaiu o direito da Fazenda de constituir créditos relativos a fatos geradores ocorridos em janeiro de 2006; • ao longo da auditoria a interessada esclareceu que o valor de R$ 17.154.656,07 foi equivocadamente lançado na linha Ficha 04 – A, linha 16 – “outros custos”. Tal valor corresponde a rubricas, como, por exemplo, compra de insumos a prazo; • apesar da explicação, a fiscalização optou por desconsiderar os documentos apresentados sob o argumento de que não seriam suficientes; • se apresentadas justificativas e documentos e se ambos foram ignorados, a conclusão é a de que o lançamento foi efetuado com base em uma ilegítima inversão do ônus da prova; • em nenhum momento os documentos e esclarecimentos apresentados foram desqualificados, razão pela qual não poderiam ter sido desconsiderados, conforme determinação do art 845, parágrafo primeiro do RIR/99; • dispõe o art 923 do RIR/1999 que a escrituração faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e o art 924 do mesmo Regulamento determina que cabe a autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos nela registrados; Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000078/201155 Acórdão n.º 1402002.003 S1C4T2 Fl. 1.725 7 • o lançamento foi pautado em indícios e não em provas efetivas; • não foram esclarecidos quais documentos foram rejeitados e nem o motivo da rejeição; • na comprovação dos gastos com prestação de serviços, deve ser levada em conta, pelo fisco, a complexidade das atividades empresariais e a dificuldade da prova. Por este motivo, as investigações devem ser aprofundadas • a documentação comprobatória dos custos glosados foi juntada aos autos às fls 236 e seguintes É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 12 38.381 (fls. 1.0701.086) de 07/07/2011, por maioria de votos, negou provimento à impugnação apresentada. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade de despesas impõe a prova de sua efetiva ocorrência, normalidade, usualidade e necessidade à atividade da empresa. CSLL. DECORRÊNCIA. Julgado procedente o lançamento principal, igual sorte colhe o que tenha sido formalizado por mera decorrência daquele.” Contra a aludida decisão a interessada interpôs recurso voluntário em 19/08/2011 (fls. 1.0931.125) onde repisa os argumentos apresentados em sua Impugnação. Tendo em vista que nos autos não foi encontrado Aviso de Recebimento ou qualquer outro documento que atestasse a data de ciência, por parte da Interessada, da decisão da DRJ de fls. 1.0701.086, esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 1402000.125, de 03/07/2012. Em resposta de fl. 1.232 a DRF/Niterói, com base nos documentos que diligenciou, concluiu que a ciência da decisão de 1a instância pela Interessada se deu em 20/07/2011. É o relatório. Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000078/201155 Acórdão n.º 1402002.003 S1C4T2 Fl. 1.726 8 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Da preliminar de nulidade do lançamento por opção inadequada do regime de tributação Alega a Recorrente que o lançamento em análise tem estreita relação com aquele constante do processo administrativo 15540.000056/201012. Segundo afirma, naquele processo teria sido refutada a opção por ela feita pelo lucro real para os anos de 2005 e 2006, fato que invalidaria o lançamento ora em análise, formalizado com base naquela modalidade de tributação. Com efeito, o processo 15540.000.056/201012 tem como objeto omissão de receitas referente, tão somente, ao ano 2005. Apesar de naquele ano a interessada ter pretendido alterar seu regime de tributação de lucro presumido para lucro real, a alteração não foi acatada, sendo o crédito lançado calculado conforme aquele primeiro regime. Tais fatos constam do relatório que integra o Acórdão DRJ /RJOI nº 32.095, de 08/07/2010, abaixo parcialmente reproduzido: “1. No ano calendário de 2005 a interessada realizou pagamentos diversos referentes a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls 15/18), todos com código de arrecadação que, nos termos do § único do art 26 da Lei 9.430/1996, formalizava a opção pelo lucro presumido; 2. Relativamente ao mesmo ano de 2005, apresentou três declarações de rendimentos. Na declaração original e na primeira retificadora, confirmou a opção já feita pelo lucro presumido, enquanto na segunda retificadora optou pela tributação com base no lucro real. .........................................................................................................; 4. Com base nos fatos acima, foi lançada, sob o fundamento de omissão de receitas, segundo a sistemática do lucro presumido, a diferença entre a receita apurada a partir do Livro Diário e a receita informada na DACON. Os valores tributados foram discriminados na tabela de fls 30; 5. A formalização da exigência mediante a sistemática de apuração do lucro presumido foi fundamentada no art 26 da Lei 9.430/96 e no art 13 da Lei 9.718/98, alterado pela Lei 10.637/2002, dispositivos estes segundo os quais, após a entrega da DIPJ, a opção por aquela modalidade de tributação seria definitiva e relativa a todo o ano calendário; .......................................................................................................... 7. Conforme representação que resultou no processo administrativo 15540.000452/200906 – (cópias às fls 33/37), a RFB cancelou as declarações Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000078/201155 Acórdão n.º 1402002.003 S1C4T2 Fl. 1.727 9 retificadoras entregues para o ano de 2005. Permaneceram ativas, nos arquivos eletrônicos da RFB as seguintes declarações: • as DCTFs entregues em 07/10/2005 (1º sem/2005) e 25/05/2007 ( 2º sem/2005); • A DIPJ nº 1416458, entregue em 07/10/07, lucro presumido. .................................................................................................. Depreendese do acima transcrito que, de fato, naquele procedimento administrativo, objeto do PA 15540.000056/201012, a RFB rejeitou a declaração retificadora entregue para o ano de 2005, elaborada em formulário adequado ao lucro real. Porém, tal procedimento não se estendeu para o anocalendário de 2006, objeto do lançamento ora discutido, onde a Interessada apresentou uma única declaração de rendimentos, na qual, em coerência com os pagamentos que efetuou, formalizou adesão ao lucro real anual. Descabida, assim, a alegação de nulidade pela escolha inadequada, por parte da autoridade administrativa, do regime de tributação segundo o qual foi formalizado o lançamento ora discutido. Da preliminar de nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa Aduz a Recorrente a nulidade da decisão recorrida por ter aquele decisum negado seu pedido de perícia, a seu ver, essencial para o deslinde da questão. Com efeito, entendo não ter havido cerceamento do seu direito de defesa. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu que para formar sua convicção acerca da matéria em discussão os elementos presentes nos autos eram suficientes, a perícia, nesse caso, seria prescindível. Sobre o tema, escreve De Plácido e Silva em seu Vocabulário Jurídico (Rio de Janeiro: Forense, Vol. III, 1993, p. 352): (...) A perícia, segundo princípio da lei processual, é portanto a medida que vem mostrar o fato, quando não haja meio documental para mostrálo, ou quando se quer esclarecer circunstâncias a respeito dos mesmos que não se acham perfeitamente definidas. Quanto à legislação, o inciso IV do art. 16 e o art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972 (com a redação dada pelo art. 1° da Lei n.° 8.748, de 1993), assim dispõe: Art. 16 A impugnação mencionará: [...] IV As diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000078/201155 Acórdão n.º 1402002.003 S1C4T2 Fl. 1.728 10 profissional do seu perito. (Redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 09/12/93). § 1° Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (parágrafo introduzido pelo art. 1 ° da Lei n° 8.748, de 09/12/1993). [...] Art. 18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Assim, tanto a perícia quanto a diligência objetivam a comprovação de elementos ou fatos que o contribuinte não pôde trazer aos autos. O pedido de perícia deve ser expresso, sendo necessário, além da qualificação do perito, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados. A perícia é um meio de prova que apenas deve ser determinado para esclarecer dúvida sobre questão técnica, cuja solução necessite de conhecimentos especializados, não sendo necessária quando o fato probante puder ser demonstrado com a juntada de documentos ou pela realização de diligência. No caso ora examinado, a Recorrente não apresentou qualquer elemento que pusesse em dúvida a correção dos cálculos efetuados pela Fiscalização. Dessa forma, a Recorrente não atacou em sua impugnação direta e frontalmente as informações e elementos que entendeu eivados de vícios, o que, por si, já demonstra a desnecessidade de prova pericial, pois, questões controversas e atinentes aos cálculos podem e devem ser apresentadas pelo contribuinte no momento da apresentação da peça impugnatória, a teor do disposto no art. 16, II, do Decreto n° 70.235/72. Competia, pois, ao contribuinte provar a veracidade do que afirma, nos termos da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 333 da Lei nº 5.869/73 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Corroborando tal tese, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000078/201155 Acórdão n.º 1402002.003 S1C4T2 Fl. 1.729 11 Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus n° 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(Intervenção Federal N°83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA APOSENTADORIA NEGATIVA DE REGISTRO TRIBUNAL DE CONTAS ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS ART. 333, INCISO II, DO CPC PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO IMPOSSIBILIDADE SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. (STJ ROMS 9685 RS 6a T. Rel. Min. Fernando Gonçalves DJU 20.08.2001 p. 00538) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL IMPOSTO DE RENDA VERBAS INDENIZATÓRIAS FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO NÃO INCIDÊNCIA COMPENSAÇÃO AJUSTE ANUAL ÔNUS DA PROVA O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ REsp 229118 DF 1a T. Rel. Min. Garcia Vieira DJU 07.02.2000 p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL EMBARGOS DO DEVEDOR NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO IMPRESCINDIBILIDADE ÔNUS DA PROVA 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ REsp 237.009 (1999/00996607) SP 2a T. Rel. Min. Francisco Peçanha Martins DJU27.05.2002 p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL IRPF REPETIÇÃO DE INDÉBITO VERBAS INDENIZATÓRIAS RETENÇÃO NA FONTE ÔNUS DA PROVA VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000078/201155 Acórdão n.º 1402002.003 S1C4T2 Fl. 1.730 12 fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor Incidência da Súmula 13 STJ Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ RESP 232729 DF 2a T. Rel. Min. Francisco Peçanha Martins DJU 18.02.2002 p. 00294) Ademais, no caso de perícia, a lei determina que devem ser expostos os motivos que justifiquem a perícia, formulados os quesitos e nomeado o perito. Se não atender a todos esses requisitos, considerase como não formulado o pedido de perícia. No caso em tela, a Recorrente não formulou os quesitos referentes aos exames desejados, não atendendo, portanto, os requisitos determinados no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Diante do exposto, além da desnecessária, a decisão recorrida acertadamente considerou como não formulado o pedido de perícia por deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972. Com efeito, entendo não ter havido cerceamento do direito de defesa da defendente, pelo que rejeito a preliminar de nulidade suscitada. Da preliminar de decadência do lançamento No anocalendário de 2006, objeto da autuação, a Interessada optou pelo lucro real anual e, conforme fls 06, a ciência ao procedimento de ofício se deu 22/02/2011, a menos de 05 anos contados do fato gerador, ocorrido em 31/12/2006. Afasto, portanto, com base no art 150 do CTN, a preliminar de decadência suscitada. Do mérito A presente autuação tem como objeto glosa de custos e despesas motivada pela falta de comprovação de sua realização (itens 01 e 02 ) e efetiva necessidade para o desenvolvimento da atividade operacional da pessoa jurídica (item 03). A autuada contesta a autuação, no mérito, alegando que o lançamento foi efetuado com base em ilegítima inversão do ônus da prova e que suas explicações e documentos não foram justificadamente rejeitados. Cita os arts 845, parágrafo primeiro, 923 e 924, todos do RIR/99. Quanto a esse ponto, há que se esclarecer que, sendo os custos/despesas itens redutores da base tributável do período, o atendimento aos requisitos de dedutibilidade exigidos pela legislação tributária devem ser comprovados, cabendo o ônus da prova àquele a quem beneficia a dedução. Nesta linha, se intimada a comprovar o atendimento dos requisitos legais de dedutibilidade de itens determinados de despesas, cabe à fiscalizada atender à solicitação, sob pena de serem estas desconsideradas na apuração do período, conforme autoriza o art 845 do RIR/99, in fine: Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000078/201155 Acórdão n.º 1402002.003 S1C4T2 Fl. 1.731 13 Art 845 – Farseá o lançamento de ofício: I ... II – abandonandose as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios. Equivocase, portanto, a Recorrente, quando afirma que houve uma indevida inversão do ônus da prova. Na defesa de tal tese não a assistem os alegados artigos 923 e 924 do RIR/1999, já que tais dispositivos restringem a credibilidade da escrita contábil a quando esta seja suportada por documentos hábeis, o que, no caso concreto, não se mostrou verdadeiro. É o que a seguir demonstraremos, em análise que individualiza cada um dos itens da autuação e respectivos documentos associados. Da glosa de custos por falta de comprovação Item 01 da autuação A fim de comprovar as despesas que foram objeto do item 01 da autuação, a interessada limitouse a apresentar os extratos bancários, além dos Livros Diário e Razão. Quanto aos extratos, esclareço que o mero registro de trânsito financeiro, por si só, não faz prova da realização de determinada despesa e, em relação aos livros contábeis, reitero que a norma do já mencionado art 923 do RIR/1999 retira o valor de prova da contabilidade quando desprovida de documentação de respaldo. O esclarecimento, prestado pela interessada ao longo da auditoria – (fls 241/244), de que o valor de R$ 17.154.656,07 teria sido equivocadamente incorporado na ficha 4A linha 16 – “outros custos” não é suficiente para legitimar a dedução do referido valor e inclusive reforça a indevida redução do lucro tributável do período. Ressalto que o esclarecimento prestado foi genérico. Informou a interessada, apenas, que o valor questionado (R$ 17.154.656,07) corresponderia a “outras rubricas” por ela não especificadas, dentre as quais inclui o item “compra de insumos a prazo” . Não foram apresentados documentos que pudessem indicar que a dedução auditada , apesar de incorporada em local inadequado da DIPJ, representava redução legítima à tributação. Entretanto, o resultado da diligência consubstanciado no Termo de Verificação e Encerramento de Diligência Fiscal, fls, 1.255/1.301, ao analisar a documentação acostada, assim concluiu: Despesas com energia elétrica, objeto das tabelas I (demanda) e XIII (consumo) do TVF, fls. 56 e 85, respectivamente: Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000078/201155 Acórdão n.º 1402002.003 S1C4T2 Fl. 1.732 14 Restou comprovado R$ 3.066.419,39 do total da glosa para esse item. Despesa com gás, objeto da tabela XII, fl. 84 do TVF: Restou comprovado R$ 1.797.844,19 do total da glosa para esse item. Impõese, portanto, a correção da glosa de custos por falta de comprovação do valor de R$ 17.154.656,07 para o valor de R$ 12.290.392,49 (=17.154.656,07 3.066.419,39 1.797.844,19 ) . Da glosa de despesas por falta de comprovação Item 02 da autuação As despesas glosadas por falta de comprovação, neste tópico, referemse a passagens (cta 3.5.2.56.001), Lanches e refeições (cta 3.5.2.58.004) e locomoção (cta 3.5.2.56.003) . Foram discriminadas às fls 94 a 115. Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000078/201155 Acórdão n.º 1402002.003 S1C4T2 Fl. 1.733 15 Para tais valores, de fato, a interessada apresentou, ao longo da auditoria, documentos diversos. Parte deles foi acatada, conforme registro feito nos itens 2.1 e 2.2 do Relatório que integra o presente acórdão. Relativamente a outra parte, não acatada, a interessada foi reintimada (fls 245/247) apresentando novos documentos acostados às fls 248 a 593. Estes, mais uma vez, foram rejeitados pela autoridade administrativa, porém, ao contrário do que alega a interessada, de forma justificada . Segundo termo que fundamenta a autuação (fls 47/48) os documentos acostados consistiam, na maioria, em cópias de cheques acompanhadas de documentos de emissão própria. Não mencionavam o beneficiário dos serviços, não havendo “... um só recibo, uma nota fiscal, nada que vincule a alegada despesa ao contribuinte sob ação fiscal”. Confirmase a afirmação da autoridade autuante de que a maioria dos documentos acostados pela interessada consiste em cópias de cheques, comprovantes de depósito e documentos de emissão própria. Tais documentos não habilitam a dedutibilidade de despesas para fins fiscais, uma vez que não especificam a que título ocorreu o trânsito financeiro, não indicam sua contrapartida e nem sua vinculação com a atividade operacional da empresa. Além dos documentos anteriormente mencionados, outros que também foram juntados ao longo da auditoria, não acatados pela autoridade administrativa para fins de comprovar a dedutibilidade das despesas glosadas, merecem comentário específico. Pelos motivos abaixo referenciados tais documentos também foram rejeitados no âmbito do presente julgamento. São eles: • Faturas emitidas em nome da autuada a favor de Agências de Turismo e Caio FA Coutinho. (Ex : fls 283, 285, 287, 289, 293, 297 ).Tais documentos não indicam quem realizou a suposta viagem e nem seu vínculo com a pessoa jurídica. Esta também não prestou tais esclarecimentos. • Fatura de cartão de crédito em nome da autuada (fls 316). Tal fatura discrimina gastos com passagens aéreas que, segundo verificações na conta respectiva, mês novembro, não foram glosados nem pelo valor total nem individualmente; • Notas fiscais de fls 509,512,514,519,527,529,576, 324 – não possuem valor e data coincidentes com aqueles que foram objeto da autuação • Fatura emitida em nome da autuada a favor do “ Posto de Gasolina Carvalho e Gomes Ltda”, no valor de R$ 628,07 (fls 329). Não consta, no mês e ano de vencimento da referida fatura (outubro/06), despesa com locomoção de igual valor que tenha sido objeto de glosa. • Faturas emitidas em favor da “Localiza Rent a Car SA” ( Ex fls 338, 340,341,345,347,351,354,357,359,366,368,370, 387 etc) das quais consta Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.000078/201155 Acórdão n.º 1402002.003 S1C4T2 Fl. 1.734 16 como cliente empresa de nome e CNPJ diverso do da autuada (Carta Fabril Adm e Participações Ltda, CNPJ 05.444.756/000143). Tendo em vista a falta de comprovação aos item de despesa auditados, impõese, mais uma vez, a manutenção da glosa. Da glosa de custos/ despesas por falta de comprovação da sua necessidade para o desenvolvimento da atividade operacional da empresa Item 03 da autuação As despesas glosadas por falta de comprovação da respectiva necessidade referemse a despesas com viagens, passagens e hospedagens (Tabelas IV e VI, fls 60 e 65/69). Nos termos da legislação tributária, a dedutibilidade de determinada despesa vai além da mera comprovação formal. Exige também a demonstração de que a contrapartida do dispêndio foi empregada em benefício da atividade empresarial. No caso concreto, não foram atendidas, nem com esclarecimentos, nem com prova documental, as intimações acerca das despesas questionadas, razão pela qual impõese a glosa. Faço registro de que os dispêndios ora questionados, por sua natureza, podem ou não ter sido empregados em prol da empresa. Portanto, uma vez intimada a pessoa jurídica a quem beneficiou as deduções, necessário seria algum esforço probatório, como, por exemplo, a indicação documental de quais pessoas físicas usufruíram dos valores e seus vínculos com a pessoa jurídica. Na ausência de tais informações, impõese a manutenção da glosa. Conclusão Por todo o exposto, Voto por rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado para reduzir a glosa de custos por falta de comprovação, item 01 da autuação, de R$ 17.154.656,07 para R$ 12.290.392,49. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10907.000028/2008-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
O indeferimento fundamentado do pedido de realização de diligência e de perícia não acarreta a nulidade da decisão, pois tais procedimentos somente devem ser autorizados quando forem imprescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo não contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVA DA ORIGEM APRESENTADA DURANTE A FISCALIZAÇÃO.
Apresentadas durante a fiscalização provas da origem dos depósitos bancários, o lançamento não mais poderá ser efetuado com base na legislação que autoriza a presunção de rendimentos omitidos a partir de depósitos de origem não comprovada, mas com base na legislação específica.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracterizam-se como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção regularmente estabelecida.
Numero da decisão: 2201-002.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 239.956,11
Assinado Digitalmente
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente-Substituto.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 21/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente substituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, EDUARDO TADEU FARAH e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Presidente da Turma Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O indeferimento fundamentado do pedido de realização de diligência e de perícia não acarreta a nulidade da decisão, pois tais procedimentos somente devem ser autorizados quando forem imprescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo não contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVA DA ORIGEM APRESENTADA DURANTE A FISCALIZAÇÃO. Apresentadas durante a fiscalização provas da origem dos depósitos bancários, o lançamento não mais poderá ser efetuado com base na legislação que autoriza a presunção de rendimentos omitidos a partir de depósitos de origem não comprovada, mas com base na legislação específica. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção regularmente estabelecida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 00 28 /2 00 8- 52 Fl. 2388DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 239.956,11 Assinado Digitalmente CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI – PresidenteSubstituto. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 21/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente substituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, EDUARDO TADEU FARAH e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Presidente da Turma Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2002, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 1180/1185, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.789.334,86. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada (fls. 1186/1191). Cientificado do lançamento em 20/12/2007 (fl. 1.192), o autuado apresentou Impugnação em 21/01/2008 (fls. 1195/1224), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Preliminarmente, alega a decadência de fatos geradores ocorridos de janeiro a novembro de 2002, com base nos arts. 150, § 4º, e 156, V, do CTN, considerando a tributação mensal, segundo o art. 42, § 4º, da Lei nº 9.430, de 1996. Cita jurisprudência administrativa e suscita, em complemento, erro pela aplicação da tabela anual de incidência, em detrimento da mensal, interpretação que aventa estar em consonância, também, com a alteração do § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, pela Lei nº 10.174, de 2001. Defende, ainda, que a forma de tributação prevista na Lei nº 9.430, de 1996, derrogou a da Lei Fl. 2389DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10907.000028/200852 Acórdão n.º 2201002.720 S2C2T1 Fl. 3 3 nº 8.134, de 1990. Pelo exposto, requer a nulidade do lançamento relativo aos meses de janeiro a novembro de 2002. No mérito, em face da conclusão fiscal, discorre acerca da atividade de despachante aduaneiro, que alega ser sua única fonte de renda, esclarecendo: que elabora planilha de custos estimados para desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por seus clientes, que lhe repassam o respectivo numerário, para pagamento de frete marítimo, despesas portuárias, tributos, etc, inclusive sua comissão; que pela conta do Banco do Brasil só transitam fluxos financeiros com seus clientes (argumenta que dos 274 registros contidos no auto de infração, apenas 4 não são desse banco); que no anocalendário 2002 prestou serviço para apenas dois importadores (razão pela qual não emprega mãodeobra auxiliar, tem baixo custo operacional e não escritura livro caixa); que ao promover os despachos de importação por conta e ordem de seus clientes, os comprovantes de pagamento são emitidos em nome deles, não obstante os valores sejam debitados de sua conta (o que exemplifica com débitos junto ao SISCOMEX); que a utilização de sua conta bancária é inerente ao exercício de sua atividade profissional; que todos os créditos encontrados são de recursos destinados a cobrir custos das importações representadas pelas declarações de importação; que, como age em nome de terceiros, não fica em seu poder todos os comprovantes de pagamentos que faz; que as considerações do auto de infração não refletem a verdadeira praxe na atividade exercida, que tem por objeto contrato de comissão, regulamentado pelos arts. 693 a 709 do Código Civil; que o agente fiscal não diligenciou para esclarecer os fatos, porquanto, não obstante aponte a falta de comprovação de origem dos depósitos em conta corrente, a motivação se refere à falta de discriminação dos créditos por remetente, ausência da razão das remessas, carência do cotejo dos créditos com os débitos e falta de documentos comprobatórios, não rechaçando as informações prestadas pelo contribuinte e nem trazendo prova que ilida sua veracidade; que demonstrou no curso da ação fiscal o nexo causal entre a origem e o emprego dos créditos existentes, o que somente poderia ser desprezado caso comprovado ser imprestável ou inverídico; que, para refutar as informações prestadas, a autoridade fiscal deveria ter diligenciado junto aos dois importadores para os quais prestou serviços; que simples consulta ao sistema SISCOMEX permitiria à fiscalização verificar que não teria condições de pagar os custos inerentes às importações caso os importadores não tivessem suprido os recursos que ingressaram na conta corrente, além de confirmar que não efetuou outros despachos senão para as duas empresas; que sua condição de despachante aduaneiro não foi contestada pela fiscalização, tampouco o fato de sua conta ser utilizada para esse fim; que o lançamento limitouse ao ano de 2002 porque nesse “não estava suficientemente organizado”, tanto que não houve lançamento relativo aos anoscalendário 2003 a 2005; que, admitindo a fiscalização que os recursos tiveram origem nas remessas para cobrir custos relativos às DI’s, é ineficaz o lançamento, por haver desfeito a presunção de omissão de receita caracterizada Fl. 2390DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 por depósitos de origem não comprovada; que a hipótese de “falta de explicitação conclusão da relação entre créditos e débitos” não está prevista como de omissão de receita pelos art. 849 do RIR/1999; que, em face de suas alegações, farseia necessário esclarecer se sua declaração de rendimentos revela acréscimo patrimonial a descoberto e, em caso, positivo, se esse estaria acobertado pela suposta omissão ou justificado por rendimentos declarados; e que o tributo deve ser pago de acordo com a capacidade econômica do contribuinte (art. 145, 1º, Constituição Federal), o que evidencia que a exigência afronta os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. A título de discussão do direito envolvido, alega ficar evidente a improcedência do lançamento quanto cotejado o texto do art. 849 do RIR/1999 – que estabelece ao contribuinte o ônus de provar a origem dos recursos depositados em conta bancária – com o motivo que ensejou a lavratura do auto – falta de discriminação mediante conciliação dos créditos com os respectivos débitos –, suscitando ofensa ao princípio da legalidade e da tipicidade cerrada, citando excerto de voto em julgado administrativo pelo Conselho de Contribuintes. Discorre sobre a questão, alegando que demonstrou a origem dos créditos, estabelecendo o nexo causal com sua atividade profissional, ilidindo a presunção de omissão de receita, pelo que defende que caberia à fiscalização proceder na forma do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, diligenciando junto aos importadores, para a confirmação dos valores. Defende que, demonstrado inequivocamente que os recursos financeiros ingressados nas contas bancárias não lhe pertencem, cujo liame com seus supridores decorre da atividade profissional, incumbiria à fiscalização a comprovação de que os depósitos constituiriam auferimento de rendimento, nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Adicionalmente ao que já expôs, esclarece que durante o processo de nacionalização de mercadorias, recursos suplementares são creditados nas contas, seja porque as remessas não são disponibilizadas integralmente no montante previamente estimado, seja por subestimação de custos. A seguir, em referência ao demonstrativo de depósitos considerados no lançamento, diz serem os “desbloqueios de depósitos” (168 registros) correspondentes a depósitos em cheque efetuados por clientes, como os quais podem ser relacionados, apesar de não estarem identificados; os “depósitos online” (50 registros), depósitos em dinheiro, também sem identificação; os “depósitos cheque liberado” (38 registros), depósitos em cheque liberados independentemente de compensação, que podem ser estornados caso devolvidos por falta de provisão de fundos; e as “transf. em terminal eletr” (23 registros), transferências cujo remetente é identificado, conforme comprovantes que alega anexar. A partir dessa descrição, conclui que os recursos tem origem na atividade de despacho aduaneiro, ficando inequivocamente afastada a presunção de omissão de receita. Argumenta que não basta à fiscalização recusar as justificativas, cabendolhe o ônus de provar que os créditos não provieram das fontes fornecidas, citando o disposto no art. 845, § 1º, do RIR/1999. Fl. 2391DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10907.000028/200852 Acórdão n.º 2201002.720 S2C2T1 Fl. 4 5 De outra parte, refuta a obrigação de pessoas físicas em manter comprovantes de débitos que efetua em suas contas correntes, sobretudo no seu caso, por não poder reter documentos representativos de pagamentos que efetua em nome de terceiros, que irão subsidiar os respectivos lançamentos contábeis. Por não ter efetuado os créditos em sua conta corrente, diz que não dispõe dos comprovantes de depósitos representativos dos 274 registros contidos no demonstrativo do auto de infração, esclarecendo que, em face da dinâmica da atividade aduaneira, os recursos lhe são repassados na medida em que os dispêndios são liquidados, razão pela qual aventa ser difícil demonstrar, com coincidência de datas e valores, a que declarações de importação estão vinculados. Descreve que os importadores lhe remetem recursos, a partir da previsão de custos de cada despacho de importação, à medida em que desenvolve o processo de nacionalização da mercadoria. Aduz que, não obstante, esmerouse em vincular os depósitos às DI’s respectivas, processo que resultou na elaboração das planilhas I a IV, que têm por finalidade: (a) PLANILHA I – excluir cheques devolvidos por falta de provisão de fundos, esclarecendo que em alguns casos há valores em duplicidade por assim terem também sido considerados pela fiscalização no tocante a “dep. cheque liberado” e “desbloqueio de depósito”, que encerrariam operações idênticas (cita exemplos dessa hipótese); (b) PLANILHA II – relacionar depósitos identificados, oriundos de importadores, para os quais promovera os respectivos despachos, e de clientes dos importadores, por conta e ordem desses, a fim de evitar o encargo da CPMF; (c) PLANILHA III – efetuar vinculações de créditos registrados como “desbloqueios de depósito” e “depósitos online” com remessas de numerários para pagamento dos custos do desembaraço aduaneiro da DI’s do importador TRAVIS LTDA (esclarece, em relação aos “desbloqueios de depósito”, que não sabe de quem são os cheques depositados, que podem ser de terceiros, clientes dos importadores, razão pela qual diz juntar a relação de todos os cheques depositados no Banco do Brasil; acrescenta que requereu ao banco a informação, ao menos, acerca da agência em que ocorreram os depósitos; em relação a “depósitos online”, diz serem complementações de custos, que são acumulados ao longo de determinado período e cobrados dois a três meses depois); e (d) PLANILHA IV – efetuar as mesmas vinculações, em relação ao importador ISOMAC – COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE MÁQUINAS LTDA. Em face das planilhas elaboradas, alega afastar a presunção de mais de 80% dos créditos objeto do lançamento; diz comprovar, de imediato, a origem de R$ 2.189.894,94, remanescendo saldo a “ser conciliado com as respectivas DI’s” de R$ 462.364,25, que aventa decorrerem dos “recursos remetidos como suplemento para ressarcir custos não previstos”, excedentes aos valores dos demonstrativos de “Estimativa de desembaraço aduaneiro”, bem como remessas “que não estão individualizadas” (que Fl. 2392DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 englobariam mais de uma DI); suscita, ainda, extravio de algumas planilhas de estimativas, o que sugere poder ser suprido por meio de diligência junto à escrituração contábil dos importadores, procedimento que requer, em atenção ao princípio da verdade material e da ampla defesa. Acrescenta que está providenciando cópia de planilhas de custos que especifica à fl. 1.221; reafirma que os depósitos foram efetuados por terceiros, razão pela qual deixou de apresentar os comprovantes no curso da ação fiscal, requerendo diligência junto aos importadores para o deslinde da questão; e que não dispõe de todas as planilhas de custos de 2002, diferentemente dos anos 2003 a 2005, o que entende que deve ser relevado, por serem idênticas as operações. Alega, ainda, que a exigência é desproporcional ao seu patrimônio, assumindo caráter confiscatório, vedado pela Constituição Federal, a teor do seu art. 150, IV, consentâneo com a garantia do direito de propriedade (art. 5º, LIV) e com o princípio da capacidade contributiva (145, § 1º). Pelo exposto, requer a realização de diligência junto aos importadores, para ratificar os valores que lhe foram remetidos; a extinção do crédito tributário de janeiro a novembro de 2002, em face da decadência; e, no mérito, que seja “negado provimento” ao auto de infração. A 4ª Turma da DRJ em Curitiba/PR julgou procedente em parte a Impugnação, conforme ementas abaixo transcritas: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NÃOOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. RENDIMENTOS SUJEITOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO. DECADÊNCIA. NÃOOCORRÊNCIA. Em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual, o fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física ocorre em 31 de dezembro, não havendo que se falar em decadência no lançamento efetuado dentro do prazo de cinco anos dessa data. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas Fl. 2393DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10907.000028/200852 Acórdão n.º 2201002.720 S2C2T1 Fl. 5 7 vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. BASE DE CÁLCULO. CHEQUES DEVOLVIDOS. EXCLUSÃO. Os valores lançados a débito nas contas bancárias relativos à devolução de cheques depositados, que constituem anulação de créditos anteriores, devem ser excluídos da base de cálculo apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Descabe a realização de diligência que tenha por objetivo produzir provas que competiria ao contribuinte trazer aos autos. Lançamento Procedente em Parte Relativamente à decisão de primeira instância, destacase: Parcela exonerada Em face do reconhecimento da comprovação de origem de depósitos no montante de R$ 414.313,09, o cálculo do ajuste anual, considerando os demais parâmetros de fl. 1.184, fica com a seguinte composição: Base de cálculo declarada (após desconto simplificado) 20.160,00 (+) infrações 2.652.259,19 () exclusão no julgamento 414.313,09 () dedução (complemento do desconto simplificado) 4.360,00 = base de cálculo apurada 2.253.746,10 Imposto devido (tabela progressiva) 614.703,27 () imposto a pagar declarado 1.119,60 = saldo de imposto a pagar 613.583,67 Conclusão Isso posto, voto para que seja indeferido o pedido de diligência, sejam rejeitadas as preliminares argüidas e, no mérito, o lançamento seja julgado procedente em parte, cancelandose a exigência de R$ 113.936,10 de imposto, além da multa de ofício e dos acréscimos legais correspondentes, e mantendose a de R$ 613.583,67 de imposto, além da multa de ofício e dos acréscimos legais correspondentes. Intimado da decisão de primeira instância em 23/06/2009 (fl. 1923), Wilson Junqueira Junior apresenta Recurso Voluntário em 20/07/2009 (fls. 1924/1966), sustentando, em síntese, verbis: (...) Manifesto é assim o cerceamento do direito de defesa do recorrente, visto que sem a realização de diligência para a obtenção dos comprovantes dos depósitos, os quais, frisese, Fl. 2394DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 ficaram em poder dos depositantes, a própria autoridade julgadora de primeira instância inviabilizou a possibilidade de se trazer aos autos os referidos comprovantes, ou seja, os documentos hábeis e idôneos a que faz referência no julgado, fato que implica na nulidade da decisão recorrida. (...) Portanto, nulo, data venia, é o acórdão ora recorrido. Com efeito, ao extrapolar os limites postos no auto de infração, que não faz referência alguma ao § 2° do artigo 42 da lei n° 9.430/1996, a autoridade julgadora de primeira instância incidiu na nulidade advinda de uma decisão extra petita, implicando em ofensa direta aos artigos 128 e 460, ambos do Código de Processo Civil, além de violar os princípios da ampla defesa e da devido processo legal (CF, artigo 5°, LIV, LV). (...) Ademais, ao contrário do que aduz a decisão, caso esta tivesse procedido com maior rigor técnico, seja mediante análise documental, seja consultando o cadastro de contribuintes no CNPJ, ao qual a autoridade julgadora de primeiro grau certamente tem acesso, teria esta constatado que embora as empresas ISOMAC e CIMHSA tenham razão social diferentes, tratamse da mesma pessoa jurídica, inscrita no CNPJ sob n° 00 07294/00123, fato que, inequivocamente, representa verdadeiro cerceamento do direito de defesa, caracterizado pela desconsideração sumária dos comprovantes que juntara ao processo com ambas as denominações jurídicas (fls. 1.919 v.). É de se perguntar, então, para que serve o rigor no preenchimento das FCPJ's nas alterações cadastrais, se seu maior interessado, ou seja, a Fazenda Nacional, não consulta o histórico do CNPJ das pessoas jurídicas? Nula, pois, é a decisão recorrida. (...) Com isso, fica descaracterizado o lançamento efetuado com base no artigo 849, caput, do RIR/99, porque as afirmações de que os depósitos têm origem no envio de recursos por empresas para as quais o autuado presta serviço de despachante aduaneiro é incompatível com a figura tipificada no referido dispositivo legal. (...) Ora, a jurisprudência dominante do E. Primeiro Conselho de Contribuintes tem sido uníssona no sentido de que a demonstração da origem dos recursos creditados em conta bancária é incompatível com o lançamento com base no artigo 849, caput, do RIR/99. (...) Impunhase, assim, ao Fisco fazer a sua parte, isto é, convencido de que os créditos bancários encontrados na conta bancária do recorrente não foram efetuados pelas empresas relacionadas nas planilhas de fls. 1.228 a 1237, incumbialhe proceder na forma determinada pelo § 2° do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, ou seja, Fl. 2395DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10907.000028/200852 Acórdão n.º 2201002.720 S2C2T1 Fl. 6 9 tributálos segundo a natureza de cada um deles, jamais considerálos arbitrariamente como oriundos de omissão de receita na forma como o fez, ou seja, de acordo com o artigo 849 do RIR/99. (...) Pois bem. Diante das provas carreados aos autos e dos precedentes jurisprudenciais acima transcritos, pedese vênia para discordar da decisão proferida, sobretudo dos argumentos esposados às fls. 1918 v., na qual se lê que "...não basta identificar o depositante dos créditos, fato que o impugnante aventa ocorrer também em relação às transferências em terminal eletrônico." Acrescenta, a seguir o acórdão recorrido: "A comprovação da origem aludida pela norma legal é aquela por meio da qual o contribuinte logra afastar a presunção de omissão de rendimentos." Para finalmente concluir: "A simples apresentação de um instrumento de depósito, sem especificação e correspondente comprovação da operação que se encontra por trás desse crédito não é, evidentemente, um meio hábil a desfazer a omissão presumida em lei." De conseguinte, merece reforma a decisão de primeiro grau, sobretudo no tocante à análise da planilha n° II, de fls. 1.228, sob o tópico que denomina Depósitos "identificados", na qual se destaca ser inadmissível acolher como comprovado o depósito de R$ 91.699,70, sem antes indagar o motivo ou a operação que deu origem a transferência de recurso de vultoso valor. (...) Todavia, ao contribuinte incumbe provar a origem do depósito de R$ 91.699,70, e este, ao contrário do que sustenta a decisão, está demonstrado nas planilhas de fls. 1.228 e 1.237, dando conta tratarse de depósito efetuado pela empresa IRMÃOS CASSOL 86 CIA. LTDA., inscrita no CNPJ sob n° 77 102 747/000185, cujo comprovante é anexado à presente, através de segunda via emitida pelo Bco. do Brasil. (...) Identificado o depositante, afastouse, assim, a presunção de que o sobredito depósito de R$ 91.699,70, constitui omissão de receita. Tal entendimento é sufragado por este E. Colegiado no acórdão n° 10422.894, de 06/12/2007, da lavra do ilustre Conselheiro Dr. Gustavo Lian Hadad, cujo voto tivera a acolhida dos seus pares ... Ao recusar a decisão em combate a comprovação de depósitos no montante de R$ 210.454,17, relacionados na planilha II, fls. 1.228, dentre os quais está incluído o referido depósito de R$ 91.699,70, a pretexto de que seus valores não estão relacionados nas Planilhas III e IV (fls. 1229 a 1237), revela seu relator não ter entendido a função de cada uma das planilhas elaboradas pela defendente. Fl. 2396DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Com efeito. Na planilha II, estão relacionados os depósitos cuja identificação o recorrente tem certeza de terem sido efetuados pelas empresas nele mencionadas, como só acontecer com o supracitado depósito de R$ 91.699,70, cujo comprovante é anexado à presente, assim como os depósitos de R$ 26.846,49 (23/05/2002), R$ 23.845,00 (23/05/2002) e R$ 46.655,00 (27/05/2002), perfazendo o total nesse mês de R$ 97.346,49, os dois primeiros efetuados pela empresa Vila Promocional, o último, pela empresa Betica, conforme comprovantes que se juntam à presente. O depósito de R$ 8.000,00 (18/07/2002) foi feito pela empresa Meta, documento anexo, e os de R$ 7.500,00 (04/10/2002) e de R$ 5.907,00 (20/12/2002), tratamse de TED, cujo crédito é feito mediante identificação do depositante e, portanto, fora da presunção de depósito sem comprovação da origem, nos termos do artigo 849 do RIR/99. Nas planilhas III e IV são relacionados os recursos remetidos para pagar os custos representados pelas declarações de importação cujas datas de registro na Alfândega se aproximam das datas dos respectivos depósitos. Assim, a alegada falta de coincidência entre os valores das declarações de importação e os depósitos relacionados nas planilhas III e IV (fls. 1.919 v., último parágrafo), não implica considerálos depósitos de origem não comprovada, sobretudo à vista do acórdão n° 106 16.361, proferido em sessão de 25/04/2007, deste E. Primeiro Conselho de Contribuintes, segundo o qual, sua Relatora, a digna Conselheira Dra. Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, entende despicienda a coincidência entre datas e valores ... Sobreleva assinalar, ainda, no tocante ás planilhas III e IV, (fls. 1229 a 1237), que às fls. 1.919, a decisão divide as vinculações entre as DI's e os depósitos nelas relacionados em três categorias, a saber: a) vinculações cujas DI's foram juntadas por cópias ao processo acompanhadas de planilhas de estimativa de custos de importação; b) vinculações apenas com as cópias das DI's e c) vinculações com as DI's desacompanhadas de cópias ou extratos destas. (...) No tocante ainda à empresa CIMHSA, também não procede alegação de falta de comprovação do depósito de R$ 29.502,92, visto que as DI's 02/04015370 e 02/04015361 (fls. 1415/1.424), foram registradas em nome de ISOMAC, sua sucedida, conforme alteração contratual em anexo, CNPJ de ambas n° 00 708 290/000122. (...) Ainda nesse aspecto, mister esclarecer que, em razão da falta de algumas DI's e respectivas planilhas, por ocasião da apresentação da impugnação, elaborara a recorrente na página 26 da referida defesa, um quadroresumo no qual figurava uma coluna denominada DEPÓSITOS SEM PLANILHA DE CUSTOS, representando o saldo dos créditos sem comprovação da sua destinação. Diante disso, a recorrente junta com a presente as cópias das declarações de importação não localizadas naquela época assim Fl. 2397DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10907.000028/200852 Acórdão n.º 2201002.720 S2C2T1 Fl. 7 11 como as respectivas planilhas de custos em apenso, comprovando, assim a quase totalidade da relação entre os créditos bancários e sua destinação, no quadro a seguir. A rigor, resta não comprovada a origem de depósitos no importe de R$ 46.017,92. Assim, seja pela vinculação do nome do recorrente nas declarações de importação apensadas aos autos, seja pelas entradas e saídas dos recursos em sua conta corrente, cujo saldo representa recursos para cobrir os custos das DI's em andamento, desfaz o impugnante a presunção de que os depósitos relacionados no anexo ao auto de infração constituem omissão de receita. Daí resulta não comprovado o saldo de apenas R$ 46.017,92, que, por ficar abaixo do limite de R$ 80.000,00, estipulado no inciso II do § 2° do artigo 849 do RIR/99, não caracteriza depósito de origem não comprovada, redundando, pois, na insubsistência do auto de infração. Para clarear ainda mais a espécie, impõese destacar que dos 279 registros relacionados no Demonstrativo de Créditos de Origem não Comprovada, anexo ao auto de infração, 71 deles se referem a créditos registrados sob o histórico de DESLOQUEIO DE DESPÓSITOS. Todavia, ao proceder à remessa do adiantamento de numerário ao recorrente e, tendo em vista evitar o pagamento da CPMF que vigeu no ano de 2002, os clientes dos importadores, ou seja, os reais adquirentes das mercadorias, efetuavam o depósito do adiantamento não só em moeda corrente como na maioria das vez em cheques, estes, por sua vez, cheques prédatados recebidos de terceiros, gerando, assim, os inúmeros cheques cuja liberação figuram nos extratos bancários com o histórico de desbloqueio de depósito, quando não sob a denominação de depósito cheque liberado. Diante disso, elaborouse a planilha, em anexo, sob o título, desbloqueio de depósito, contendo os prováveis depositantes dos cheques, os quais poderão ser confrontados mediante diligência realizada na respectiva contabilidade dos importadores, sejam eles a empresa Travis ou Cimhsa, esta, atual denominação de Isomac. Sobreleva notar, ainda, no cotejo dos extratos bancários com o referido Demonstrativo de Créditos de Origem não Comprovada, anexo ao auto de infração, que há 35 registros descritos como DEP. CHEQUE LIBERADO, os quais foram computados em duplicidade, ou seja, uma, a esse titulo e, outra, como desbloqueio de depósito, conforme demonstrado na planilha 1 Cheques Devolvidos (fls. 1.227). Além disso, dos 279 registros encontrados no mencionado Demonstrativo de Créditos Bancários de Origem não Comprovada, anexo ao auto de infração, há 26 que não podem ser assim considerados porque se referem a transferências eletrônicas de numerário sob os históricos TRANSF. EM TERMINAL ELETR, TRANSFERÊNCIA ON LINE e TED, cujos Fl. 2398DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 depositantes são identificados (planilha em anexo), portanto, não sujeitos à norma do artigo 849 do RIR/99. Quanto aos depósitos creditados sob a rubrica DEPÓSITO ON LINE, juntamse os comprovantes em anexo nos quais figuram a identificação dos respectivos depositantes, afastando a presunção prevista no referido artigo 849 do RIR/99. Restaram sem comprovação alguns depósitos sob o histórico DEPÓSITO ON LINE, de pequeno valor, e DEPÓSITO EM DINHEIRO. Estes são em número de três, sendo um, no Banco Itaú (347), no dia 20/03/2002, de R$ 14.000,00, para pagamento de ICMS Importação no Paraná, o ICMS, deve ser recolhido compulsoriamente no Banco Itaú, sucessor do extinto Banestado. Os dois outros depósitos em dinheiro se referem aos créditos de 34.700,00 e de R$ 7.000,00, respectivamente nos dias 10 e 11 de setembro de 2002. Quanto aos 4 depósitos em cheque efetuados no Banco Itaú, de R$ 900,00, R$ 9.675,00, R$ 2.000,00 e de R$ 1.000,00, respectivamente nos dias 19, 26, 29 e 30 de agosto de 2002, certamente tratamse de cheques de clientes que se destinaram ao pagamento de ICMS Importação, que, como dito, deve ser recolhido nesse Banco. Ante todo o exposto, requer o recorrente: 1. Caso não aceitos os esclarecimentos e documentos anexados aos autos, que este E. Colegiado se digne determinar a realização de diligência junto às empresas abaixo relacionadas para confirmarem os depósitos de que trata o demonstrativo de créditos bancários de origem não comprovada, anexo ao auto de infração: CIMHSA Com. Imp. e Exp. de Máquinas Ltda. TRAVIS Ltda. RIBOR Imp. e Exportação Ltda. SODREK Comercial Ltda. Irmãos Cassol S/A 2. A realização de perícia nos cheques cujos extratos se juntam á presente para se apurar, através dos respectivos endossatários seus reais depositantes. O processo em apreço foi julgado em 08 de fevereiro de 2012 e os membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio da Resolução nº 220100.054, decidiram converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: O recorrente, na qualidade de despachante aduaneiro, alega que utilizava sua conta bancária para movimentar recursos da atividade empresarial. A autoridade julgadora de primeira instância em função dos inúmeros documentos carreados aos autos, por ocasião da Impugnação, considerou como comprovado o montante de R$ 414.313,09 (fl. 1920). Fl. 2399DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10907.000028/200852 Acórdão n.º 2201002.720 S2C2T1 Fl. 8 13 Em sua peça recursal junta o recorrente novamente aos autos uma grande quantidade de documentos, especialmente Declarações de Importação, que, segundo argumenta, comprovariam parte dos créditos bancários lançados como omissão de rendimentos. Assim, diante dos documentos apresentados, dos relevantes valores objeto da autuação e da possibilidade de comprovação efetiva da origem dos créditos/depósitos bancários o julgamento do presente feito deve ser convertido em diligência para que a autoridade preparadora providencie: i – análise das cópias juntadas ao recurso com seus originais; ii – cotejamento das Declarações de Importação e planilhas de custos carreadas aos autos às fls. 2174 a 2274, com o respectivo demonstrativo de créditos de origem não comprovada; iii – se há registro de lançamento efetuado em duplicidade a título de DEP. CHEQUE LIBERADO e DESBLOQUEIO DE DEPÓSITO (planilha 1 Cheques Devolvidos fls. 1.227); iv – juntada de todos os autos de infração lavrados em desfavor do contribuinte; v – a luz dos documentos presentes nos autos, relação contendo todos os depósitos identificados constantes do demonstrativo de créditos de origem não comprovada. Finda a diligência, a autoridade deverá elaborar termo final circunstanciado, fornecendo as conclusões de seu trabalho, inclusive dando ciência ao interessado para se manifestar, se assim desejar.. Realizada a diligência, a autoridade fiscal elaborou relatório Fiscal de fls. 2334/2341pdf. O contribuinte foi intimado do resultado da diligência, conforme Edital/Sefis nº 38/2014 (fl. 2376pdf). É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário 2002. Fl. 2400DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar as preliminares suscitadas pela recorrente. Sobre a alegação de cerceamento do seu direito de defesa, em razão do indeferimento do pedido de diligência para a obtenção dos comprovantes dos depósitos, cumpre esclarecer que a norma processual administrativofiscal deixa a cargo do órgão julgador a decisão sobre a produção complementar de provas quando entendêlas necessárias à solução da lide. É o que se extrai do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifei) No presente caso houve a devida apreciação do pedido de diligência pela 4ª Turma da DRJ em Curitiba/PR e foi bem explicitada a razão pela qual foi indeferida. Não se pode perder de vista que o art. 42 da Lei n° 9.430/1996, impõe ao titular da conta bancária a obrigação de comprovar a prova da origem dos recursos aportados em suas contas. Além do mais, a decisão recorrida não se mostrou ultra ou extra petita, já que o art. 849 do RIR/1999, invocado pelo julgador a quo, possui como matriz legal o precitado art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Assim, não se vislumbra nos autos qualquer ofensa aos arts. 128 e 460, ambos do CPC, bem como aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal (CF, art. 5°, LIV, LV). Notese que o julgamento foi convertido em diligência, por esta Segunda Instância, para esclarecer dúvidas técnicas ou fáticas surgidas no exame do litígio e não, para a obtenção dos comprovantes dos depósitos. Com efeito, o livre convencimento é prerrogativa do julgador na apreciação dos fatos e de sua prova, conforme dispõe o art. 131 do CPC e do art. 29 do Decreto n° 70.235/1972. Finalmente, é absolutamente estéril a alegação de que o julgador singular não analisou as provas constantes dos autos, pois, conforme se infere da decisão recorrida, em razão das provas carreadas, houve provimento parcial para excluir da base de cálculo o montante de R$ 414.313,09. Rejeitase, pois, a preliminar. Em outra passagem, alega o suplicante que não foi devidamente cientificado do resultado da diligência, já que reside na cidade de Paranaguá; contudo a diligência e o consequente Edital foram executados na DRF de Curitiba/PR. De pronto, não identifiquei no procedimento da autoridade fiscal qualquer vício que cerceasse o direito do contribuinte. Na verdade, a fiscalização intimou o recorrente, fl. 2375, sem sucesso, seu domicílio eleito (fl. 2344). Ato continuo, elaborou o Edital e fixou na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR. Não obstante o edital ter sido fixado na Delegacia responsável pela diligência, já que a Agência da Receita Federal do Brasil de Paranaguá/PR não dispõe de Auditor Fiscal para realização do citado procedimento, verificase que o contribuinte solicitou, em 03/07/2014 (três meses após a conclusão da diligência), fl. 2385, cópia do processo “... a partir da decisão que determinou sua baixa em diligência”, portanto o recorrente teve acesso a todos os argumentos e/ou documentos que embasaram relatório fiscal. Fl. 2401DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10907.000028/200852 Acórdão n.º 2201002.720 S2C2T1 Fl. 9 15 Nesse passo, a professora Ada Pellegrini Grinover (As Nulidades do Processo Penal, 6° ed., RT, São Paulo, 1997, pp.26/27) leciona sobre o princípio do prejuízo, afirmando que a parte que se sinta lesada efetivamente demonstre o prejuízo causado. (...) princípio do prejuízo constitui, seguramente, a viga mestra do sistema de nulidades e decorre da idéia geral de que as formas processuais representam tão somente um instrumento para correta aplicação do direito. Ressaltese que por falta de previsão legal no processo administrativo fiscal, não há como endereçar as intimações ao escritório do procurador do contribuinte. Dessarte, ausente a demonstração do prejuízo, não há que se falar em nulidade pelos motivos alegados. No mérito, cumpre novamente trazer a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Na presunção legal a lei se encarrega de presumir a ocorrência do fato gerador, razão pela qual há necessidade de se comprovar o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão. Além do mais, a autoridade fiscal não tem que demonstrar renda incompatível e, tampouco, renda consumida, conforme se observa da Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Sobre a argumentação de que os depósitos bancários não conduziriam a presunção de disponibilidade econômica, vale registrar que o fato gerador do Imposto de Renda, conforme art. 43 do Código Tributário Nacional1, alberga tanto as disponibilidades econômicas quanto as disponibilidades jurídicas de renda ou proventos de qualquer natureza. Cumpre esclarecer que a Lei nº 8.021/1990, ora revogada, condicionava a falta de comprovação da origem dos recursos à demonstração dos sinais exteriores de riqueza, 1 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 2402DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 contudo, a presunção da Lei nº 9.430/1996, atualmente em vigor, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos depositados, em nome do fiscalizado, em instituições financeiras. Passando às questões pontuais de mérito alega o recorrente que os valores constantes da planilha de fls. 1228, no total de R$ 210.454,17, tiveram seus depositantes identificados, conforme comprovantes acostados aos autos e, por essa razão, afastouse a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 e, consequentemente, o referido montante deveria ser excluído da tributação, consoante se extrai da ampla jurisprudência carreada ao recurso. De fato, compulsandose os autos, mais especificamente os comprovantes de depósitos de fls. 1703/1708 e 1714, verifico, pois, que, em sua maioria, referese a créditos bancários efetuados por meio de Transferência Financeiras Interbancárias e ligados à atividade exercida pelo recorrente. Com efeito, os comprovantes citados indicam claramente os remetentes dos valores, além da conta corrente de origem e, dessa feita, deveria a fiscalização aprofundar as investigações e confrontar tais dados com outros elementos necessários para caracterizar a irregularidade praticada. Identificada a origem dos valores aportados na conta corrente do suplicante, significa dizer que não se fazia mais necessária a presunção, devendo por expressa determinação do § 2° do art. 42 da Lei n. 9.430/1996, supracitado, ser aplicada a tributação específica, por exemplo, rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Consolidouse, nesse sentido, a jurisprudência deste Órgão, consoante as ementas destacadas: COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DOS DEPOSITANTES PELA FISCALIZAÇÃO NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI N° 9.430/96 Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2°, da Lei n° 9.430/96. Não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96, obrigando o contribuinte a fazer a prova detalhadamente, quando este assevera a impossibilidade do mister. Conhecendo a origem dos depósitos, quedandose inerte a fiscalização, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com Mero no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Recurso voluntário provido. (Acórdão n° 10617.164) OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO Não cabe o lançamento com base no art. 42 da Lei n. 9.430, de 1996, quando identificado o depositante, devendo ser aplicada a tributação especifica prevista para a classe de rendimentos de que se trata. (Acórdão n° 10422.894) Dessa forma, deve ser excluída da base de cálculo da exigência os créditos: R$ 91.699,70 Irmãos Cassol & Cia. Ltda (08/01/2002); R$ 26.846,49 – Vila Promoção (23/05/2002); R$ 23.845,00 Vila Promoção (23/05/2002); e R$ 46.655,00 Betica Com. Imp. e Exp. Ltda (27/05/2002), bem como as TED’s no valor de R$ 8.000,00 Meta Com. de Maquinas e Peças (18/07/2002); R$ 7.500,00 Casa Amaro Ltda (04/10/2002) e de R$ 5.907,00 Casa Amaro Ltda (20/12/2002), totalizando o montante de R$ 210.453,19. Fl. 2403DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10907.000028/200852 Acórdão n.º 2201002.720 S2C2T1 Fl. 10 17 Prossegue o recorrente se desiderato alegando, dessa feita, que “Nas planilhas III e IV são relacionados os recursos remetidos para pagar os custos representados pelas declarações de importação cujas datas de registro na Alfândega se aproximam das datas dos respectivos depósitos. Assim, a alegada falta de coincidência entre os valores das declarações de importação e os depósitos relacionados nas planilhas III e IV (fls. 1.919 v., último parágrafo), não implica considerálos depósitos de origem não comprovada...”. Analisando detidamente as planilhas III e IV, fls. 1229/1234, verificase que o recorrente busca relacionar os depósitos com as declarações de importação; entretanto não é possível identificar, com precisão, quais são os valores procedentes das DI's arroladas. Exemplificando, o recorrente alegou que os depósitos de: R$ 25.806,00, de 01/08/2002; R$ 800,00, de 01/08/2002; R$ 2.243,00 de 02/08/2002 (fl. 1232), referese a DI 02/06913197 de 05/08/2002 do importador Travis Ltda (fl. 1535); contudo, compulsandose a documentação carreada aos autos pelo contribuinte, não é possível comprovar que os valores referemse a DI supra. Relativamente ao cotejamento das demais DI’s e planilhas de custos carreadas aos autos às fls. 2174/2274, com o demonstrativo de créditos de origem não comprovada, cumpre transcrever as observações da autoridade fiscal, após a conclusão da diligência (2334/2341pdf): 1. Documentos das folhas 2174 a 2179 Tratase da mesma DI e planilha de custos já apresentada às folhas 1239 a 1244, sendo que a DRJ já aceitou este documento em comprovação de origem de crédito, conforme página 16 do acórdão da DRJ (folha 1919 do processo). 2. Documentos das folhas 2180 a 2183 Tratase da mesma DI e planilha de custos já apresentada às folhas 1245 a 1248, sendo que a DRJ já aceitou este documento em comprovação de origem de crédito, conforme página 16 do acórdão da DRJ (folha 1919 do processo). 3. Documentos das folhas 2184 a 218 8 Tratase da mesma DI e planilha de custos já apresentada às folhas 1249 a 1253, sendo que a DRJ já aceitou este documento em comprovação de origem de crédito, conforme página 16 do acórdão da DRJ (folha 1919 do processo). 4. Documentos das folhas 2189 a 2193 e 2203 Tratase da mesma DI 02/02987870 e planilha de custos já apresentada às folhas 1370 a 1375. A análise destes documentos será feita no item 12, já que, segundo a planilha presente à folha 1229, esta DI compõe com diversas outras dois depósitos. 5. Documentos das folhas 2194 e 2272 a 2274 Tratase da DI 02/11418441, já apresentada às folhas 1672 a 1674, agora acompanhada por uma estimativa de custos de desembaraço aduaneiro confeccionada pelo contribuinte. A análise destes documentos será feita no item seguinte, já que, Fl. 2404DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 segundo a planilha presente à folha 1229, esta DIl e a seguinte correspondem a um único depósito. 6. Documentos das folhas 2195 a 2198 Tratase da DI 02/11418450, já apresentada às folhas 1669 a 1671, agora acompanhada nor uma estimativa de custos de desembaraço aduaneiro confeccionada pelo contribuinte. A soma da estimativa de custo da DI 02/11418441 (R$ 2.512,11) com a estimativa de custo da DI 02/11418450 (R$ 13.978,71) totaliza R$ 16.490,82, o que não guarda qualquer relação com o depósito de R$ 20.210,00 cuja origem se pretende comprovar, conforme planilha presente à folha 1229. 7. Documento da folha 2199 Tratase da primeira folha da DI 02/10831493, desacompanhada de qualquer planilha de custos. Tal DI sequer está relacionada na planilha de folha 1234, que relaciona os depósitos cuja origem se pretende comprovar com os números das DIs. Ou seja, tal documento é completamente ineficaz para comprovar a origem de algum depósito, uma vez que sequer sabese qual depósito se pretende comprovar a origem. 8. Documento da folha 2202 Tratase de uma estimativa de custos confeccionada pelo contribuinte referente à DI 02/09679292, presente às folhas 1378 a 1381. Segundo a planilha presente à folha 1234, esta estimativa de custos de R$ 37.371,54 deveria servir para comprovar a origem de um depósito bancário de R$ 51.388,60. Sem nem precisar adentrar na discussão acerca da tentativa de comprovação baseada em um documento confeccionado pelo próprio contribuinte, a divergência de valor já impede a comprovação. 9. Documentos das folhas 2204 a 2209 Tratase da mesma DI 02/02987889 e planilha de custos já apresentada às folhas 1376 a 1381. A análise destes documentos será feita no item 12, já que, segundo a planilha presente à folha 1229, esta DI compõe com diversas outras dois depósitos. 10. Documentos das folhas 2210 a 2213 Tratase da mesma DI 02/03296146 e planilha de custos já apresentada às folhas 1382 a 1385. A análise destes documentos será feita no item 12, já que, segundo a planilha presente à folha 1229, esta DI compõe com diversas outras dois depósitos. 11. Documentos das folhas 2214 a 2219 Tratase da mesma DI 02/03322503 e planilha de custos já apresentada às folhas 1386 a 1391. A análise destes documentos será feita no item 12, já que, segundo a planilha presente à folha 1229, esta DI compõe com diversas outras dois depósitos. 12. Documentos das folhas 2220 a 222 Fl. 2405DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10907.000028/200852 Acórdão n.º 2201002.720 S2C2T1 Fl. 11 19 Tratase da DI 02/03322490, já apresentada às folhas 1392 a 1394, agora acompanhada por uma estimativa de custos de desembaraço aduaneiro confeccionada pelo contribuinte. Temos como estimativas de custos confeccionadas pelo contribuinte para as DIs: DI 02/02987870 R$ 22.690,54 DI 02/02987889 R$ 5.991,93 DI 02/03: 96146 R$ 15.876,69 DI 02/3322490 R$ 22.873,50 DI 02/03322503 R$ 17.459,73 Isto totaliza R$ 84.892,39. Segundo a planilha presente à folha 1229, esta estimativa de custos de R$ 84.892,39 deveria servir para comprovar a origem de dois depósitos bancários (R$ 33.978,73 e R$ 52.875,25) que totalizam R$ 86.853,98. Sem nem precisar adentrar na discussão acerca da tentativa de comprovação baseada em um documento confeccionado pelo próprio contribuinte, a divergência de valor já impede a comprovação. 13. Documentos das folhas 2225 a 2229 Tratase da DI 02/04178066 com a respectiva planilha de custos confeccionada pelo próprio contribuinte. Nela o contribuinte informa uma estimativa de custos de R$ 23.593,43, que serviriam para a comprovação de um depósito de R$ 19.816,14, conforme planilha à folha 1229. Sem nem precisar adentrar na discussão acerca da tentativa de comprovação baseada em um documento confeccionado pelo próprio contribuinte, a divergência de valor já impede a comprovação. 14. Documentos das folhas 2230 a 2233 Tratase da DI 02/04528415, já apresentada às folhas 1434 a 1436, agora acompanhada por uma estimativa de custos de desembaraço aduaneiro confeccionada pelo contribuinte. Nela o contribuinte informa uma estimativa de custos de R$ 15.635,45, que serviriam para a comprovação de quatro depósitos (R$ 3.870,00, R$ 2.752,00, R$ 3.600,00 e R$ 5.500,00) totalizando R$ 15.722,00, conforme planilha à folha 1231. Sem nem precisar adentrar na discussão acerca da tentativa de comprovação baseada em um documento confeccionado pelo próprio contribuinte, a divergência de valor e de empresa (na planilha consta que os valores foram enviados por Isomac, enquanto que a DI está registrada em nome de Travis) já impedem a comprovação. 15. Documentos das folhas 2234 a 2242 Tratase da mesma DI e planilha de custos já apresentada às folhas 1425 a 1433, sendo que a DRJ já rejeitou este documento Fl. 2406DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 em comprovação de origem de crédito, conforme página 16 do acórdão da DRJ (folha 1919 do processo). O motivo da rejeição foi a divergência de valores, uma vez que, conforme planilha à folha 1229, o contribuinte pretende comprovar a origem de seis depósitos (R$ 4.000,00, R$ 3.358,50, R$ 1.900,00, R$ 1.200,00, R$ 7.500,00 e R$ 2.799,70) que totalizam R$ 20.758,20 com uma estimativa de custos por ele confeccionada no valor de R$ 19.724,10. 16. Documentos das folhas 2243 a 2248 Tratase da mesma DI e planilha de custos já apresentada às folhas 1441 a 1446, sendo que a DRJ já rejeitou este documento em comprovação de origem de crédito, conforme página 16 do acórdão da DRJ (folha 1919 do processo). O motivo da rejeição foi a divergência de valores, uma vez que, conforme planilha à folha 1229, o seguinte pretende comprovar a origem de dois depósitos (R$ 13.118,75 e R$ 13.792,00) que totalizam R$ 26.910,75 com uma estimativa de custos por ele confeccionada no valor de R$ 26.916,57. 17. Documentos das folhas 2249 a 2252 Tratase da mesma DI e planilha de custos já apresentada às folhas 1447 a 1450, sendo que a DRJ já rejeitou este documento em comprovação de origem de crédito, conforme página 16 do acórdão da DRJ (folha 1919 do processo). O motivo da rejeição foi a divergência de valores, uma vez que, conforme planilha à folha 1229, o contribuinte pretende comprovar a origem de três depósitos (R$ 26.150,50, R$ 2.000,00 e R$ 2.500,00) que totalizam R$ 30.650,50 com uma estimativa de custos por ele confeccionada no valor de R$ 29.972,73. 18. Documentos das folhas 2253 a 2256 Tratase da DI 02/05723785, já apresentada às folhas 1451 a 1453, agora acompanhada por uma estimativa de custos de desembaraço aduaneiro confeccionada pelo contribuinte. Nela o contribuinte informa uma estimativa de custos de R$ 16.192,20, que serviriam para a comprovação de dois depósitos (R$ 9.740,00 e R$ 6.489,12) totalizando R$ 16.229,12, conforme planilha à folha 1229. Sem nem precisar adentrar na discussão acerca da tentativa de comprovação baseada em um documento confeccionado pelo próprio contribuinte, a divergência de valor já impede a comprovação. 19. Documentos das folhas 2257 a 2261 Tratase da mesma DI e planilha de custos já apresentada às folhas 1564 a 1568, sendo que a DRJ já rejeitou este documento em comprovação de origem de crédito, conforme página 16 do acórdão da DRJ (folha 1919 do processo). O motivo da rejeição foi a divergência de valores, uma vez que, conforme planilha à folha 1229, o contribuinte pretende comprovar a origem de cinco depósitos (R$ 6.000,00, R$ 4.644,40, R$ 6.850,00, R$ 845,47 e R$ 19.031,50) que totalizam R$ 37.371,37 com uma estimativa de custos por ele confeccionada no valor de R$ 34.634,34. 20. Documentos das folhas 2262 a 2266 Fl. 2407DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10907.000028/200852 Acórdão n.º 2201002.720 S2C2T1 Fl. 12 21 Tratase da mesma DI 02/09448134 e planilha de custos já apresentada às folhas 1569 a 1573, sendo que a DRJ já rejeitou este documento em comprovação de origem de crédito, conforme página 15 do acórdão da DRJ (folha 1919 do processo). O motivo da rejeição foi a falta de elementos suficientes para estabelecer a vinculação e será abordado no item seguinte, uma vez que é pretendida uma comprovação conjunta de dois valores com duas DIs, conforme planilha à folha 1229. 21. Documentos das folhas 2267 a 2270 Tratase da mesma DI 02/09448142 já apresentada às folhas 1574 a 1577, sendo que a DRJ rejeitou este documento em comprovação de origem de crédito, conforme página 1: do acórdão da DRJ (folha 1919 do processo). O motivo da rejeição foi a falta de elementos suficientes para estabelecer a vinculação, já que se pretendia vinncular os custos relativos a esta DI e a DI presente no item anterior a dois depósitos .ancários de R$ 45.241,40 e R$ 2.000,00, mas não há qualquer demonstrativo de custos para esta DI. 22. Documento da folha 2271 Tratase da mesma estimativa de custos já apresentada à folha 1638, vinculada à DI 02/09911225, sendo que a DRJ já rejeitou este documento em comprovação de origem de crédito, conforme página 16 do acórdão da DRJ (folha 1919 do processo). O motivo da rejeição foi a divergência de valores, uma vez que, conforme planilha à folha 1234, o contribuinte pretende comprovar a origem de dois depósitos (R$ 16.500,00 e R$ 1.394,40) que totalizam R$ 17.894,40 com duas estimativas de custos por ele confeccionada no valor de R$ 13.616,70 (R$ 6.811,38 na folha 1634 e R$ 6.805,32 nesta folha). Do exposto, verificase que o motivo da rejeição dos documentos carreados para fins de comprovação da origem dos depósitos, foi a divergência de valores, fundamentalmente pela falta de elementos suficientes para estabelecer a vinculação. Pelo que se vê, a análise efetuada pela autoridade fiscal foi bastante criteriosa e, nesse sentido, só resta concordar com os argumentos despendidos acrescentando que, não basta apenas ao contribuinte indicar uma fonte genérica da origem do crédito, já que o inciso I do § 3° do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, expressamente dispõe que, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos devem ser analisados separadamente, ou seja, cada um deve ter sua origem comprovada de forma individual, com apresentação de documentos que demonstrem a sua origem, com indicação de datas e valores coincidentes. Contudo, em relação ao depósito de R$ 29.502,92, efetuado em 06/05/2002, pela empresa CIMHSA COM IMP E EXP MAQ (fl. 1.696), verificase que de fato referemse às DI's 02/04015370 e 02/04015361, relativa aos despachos de importação para a empresa ISOMAC — COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE MÁQUINAS LTDA (fl. 1.231), conforme registros de fls. 1415/1424 de 07/05/2002. Ressaltese que de acordo com a alteração contratual carreada a peça recursal, a empresa CIMHSA COM IMP E EXP MAQ sucedeu a empresa ISOMAC — COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE MÁQUINAS LTDA (fls. 1970/1978). Fl. 2408DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 Portanto, o depósito no valor de R$ 29.502,92, efetuado em 06/05/2002, deve ser excluído da exigência. Alega ainda o recorrente que “... dos 279 registros relacionados no Demonstrativo de Créditos de Origem não Comprovada, anexo ao auto de infração, 71 deles se referem a créditos registrados sob o histórico de DESLOQUEIO DE DESPÓSITOS”, ou seja, referese adiantamento cujo valor o adquirente é instruído a depositar uma parte na conta bancária do recorrente que servirá para cobrir os custos da respectiva importação. Diante disso, elaborouse a planilha em anexo, sob o título, desbloqueio de depósito, contendo os prováveis depositantes dos cheques, os quais poderão ser confrontados mediante diligência realizada na respectiva contabilidade dos importadores, sejam eles a empresa Travis ou Cimhsa, esta, atual denominação de Isomac. Pois bem, relativamente à alegação supra, insta novamente transcrever trecho do relatório da diligência (2334/2341pdf): "iii se há registro de lançamento efetuado em duplicidade a título de DEP. CHEQUE LIBERADO e DESBLOQUEIO DE DEPÓSITO (planilha 1 Cheques Devolvidos fls. 1.227);" Não persiste nenhum lançamento em duplicidade, uma vez que os lançamentos presentes à folha 1227 já foram expurgados pela DRJ/Curitiba (folha 1918 página 14 do acórdão). (grifei) De fato, cotejando os extratos bancários com o demonstrativo de créditos de origem não comprovada, não foi constatado qualquer lançamento em duplicidade título de DEP. CHEQUE LIBERADO e DESBLOQUEIO DE DEPÓSITO. Ademais, o recorrente não logrou identificar, objetivamente, quais seriam os supostos depósitos que tiveram seu lançamento efetuado em duplicidade, além de apresentação da documentação comprobatória de sua alegação. Assim, conforme abordado anteriormente, a comprovação da origem deve ser feita pelo contribuinte, em razão da inversão legal do ônus da prova. Incabível, pois, a inversão do ônus da prova. Sobre a alegação de que as entradas e saídas de recursos em sua conta bancária, para cobrir os custos das DI's em andamento, representaram o saldo de R$ 46.017,92, fl. 1961, ou seja, inferior ao limite legal de R$ 80.000,00, verificase que os créditos de origem não comprovada ficaram acima dos limites individuais e globais previstos no inciso II do § 2° do artigo 849 do RIR/1999. Por fim, sobre a alegação de ofensa a princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade, cumpre esclarecer que os referidos princípios dirigemse ao legislador, que deve observálos quando da elaboração das leis tributárias. Portanto, é vedada à Administração declarar a inconstitucionalidade de norma legal, conforme dispõe a Súmula nº 02 do CARF. Essa tarefa é reservada pela Constituição Federal ao poder Judiciário: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo o montante de R$ 239.956,11. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 2409DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10907.000028/200852 Acórdão n.º 2201002.720 S2C2T1 Fl. 13 23 Fl. 2410DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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