Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,201)
- Segunda Câmara (27,794)
- Primeira Câmara (25,082)
- Segunda Turma Ordinária d (17,233)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,968)
- Primeira Turma Ordinária (15,789)
- Primeira Turma Ordinária (15,783)
- Primeira Turma Ordinária (15,648)
- Segunda Turma Ordinária d (15,642)
- Segunda Turma Ordinária d (14,158)
- Primeira Turma Ordinária (12,925)
- Primeira Turma Ordinária (12,220)
- Segunda Turma Ordinária d (12,207)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,261)
- Quarta Câmara (83,619)
- Terceira Câmara (65,613)
- Segunda Câmara (54,228)
- Primeira Câmara (18,731)
- 3ª SEÇÃO (15,968)
- 2ª SEÇÃO (11,233)
- 1ª SEÇÃO (6,766)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (121,300)
- Segunda Seção de Julgamen (112,263)
- Primeira Seção de Julgame (74,680)
- Primeiro Conselho de Cont (49,048)
- Segundo Conselho de Contr (48,895)
- Câmara Superior de Recurs (37,563)
- Terceiro Conselho de Cont (25,949)
- IPI- processos NT - ressa (5,000)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,055)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,859)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,239)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,705)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,167)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,573)
- HELCIO LAFETA REIS (3,497)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,196)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,885)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- WILDERSON BOTTO (2,573)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,524)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,956)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,463)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (18,861)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,076)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,747)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,856)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10880.949197/2008-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.165
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para que os autos retornem à unidade de origem, a fim de que a fiscalização avalie os documentos juntados nos autos e verifique se existem créditos de PIS e Cofins recolhidos sobre o regime não cumulativo, inclusive nos obrigatórios (Art. 62 do RICARF) moldes estabelecidos no julgamento do REsp 1.221.170 STJ, em sede de recurso repetitivo, que determinou a relação de relevância e essencialidade dos dispêndios sobre os insumos com as atividades da empresa, podendo solicitar mais documentos ao contribuinte, se necessário. Vencido o conselheiro Hélcio Lafetá Reis, que não conhecia do Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.949197/2008-38
anomes_publicacao_s : 201909
conteudo_id_s : 6061852
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-002.165
nome_arquivo_s : Decisao_10880949197200838.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10880949197200838_6061852.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para que os autos retornem à unidade de origem, a fim de que a fiscalização avalie os documentos juntados nos autos e verifique se existem créditos de PIS e Cofins recolhidos sobre o regime não cumulativo, inclusive nos obrigatórios (Art. 62 do RICARF) moldes estabelecidos no julgamento do REsp 1.221.170 STJ, em sede de recurso repetitivo, que determinou a relação de relevância e essencialidade dos dispêndios sobre os insumos com as atividades da empresa, podendo solicitar mais documentos ao contribuinte, se necessário. Vencido o conselheiro Hélcio Lafetá Reis, que não conhecia do Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7900476
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:52:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300888506368
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-09-12T14:27:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-09-12T14:27:56Z; Last-Modified: 2019-09-12T14:27:56Z; dcterms:modified: 2019-09-12T14:27:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-09-12T14:27:56Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-09-12T14:27:56Z; meta:save-date: 2019-09-12T14:27:56Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-09-12T14:27:56Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-09-12T14:27:56Z; created: 2019-09-12T14:27:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-09-12T14:27:56Z; pdf:charsPerPage: 1515; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-09-12T14:27:56Z | Conteúdo => 0 S3-C 2T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10880.949197/2008-38 Recurso Voluntário Resolução nº 3201-002.165 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2019 Assunto RESSARCIMENTO Recorrente KNORR BREMSE SISTEMAS PARA VEICULOS FERR Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para que os autos retornem à unidade de origem, a fim de que a fiscalização avalie os documentos juntados nos autos e verifique se existem créditos de PIS e Cofins recolhidos sobre o regime não cumulativo, inclusive nos obrigatórios (Art. 62 do RICARF) moldes estabelecidos no julgamento do REsp 1.221.170 STJ, em sede de recurso repetitivo, que determinou a relação de relevância e essencialidade dos dispêndios sobre os insumos com as atividades da empresa, podendo solicitar mais documentos ao contribuinte, se necessário. Vencido o conselheiro Hélcio Lafetá Reis, que não conhecia do Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 49 19 7/ 20 08 -3 8 Fl. 179DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3201-002.165 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.949197/2008-38 Relatório O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s) com crédito oriundo de pagamento a maior de contribuição não-cumulativa. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual não homologa integralmente a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação de débito da empresa, não restando saldo creditório suficiente. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que: - O valor do crédito compensado existe, é legítimo e válido, uma vez que deriva de apuração constante no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). -. Ademais, informa que, por lapso, deixou de apresentar a devida retificação da DCTF respectiva. -. Diante do quanto alegado, no intuito de regularizar o crédito defendido, comprometese a retificar a DCTF em questão requerendo, para tanto, o prazo de 45 dias úteis. O colegiado a quo julgou improcedente o pedido, nos termos do Acórdão nº 16- 035.273. Em recurso voluntário o contribuinte reforçou as argumentações da manifestação de inconformidade e também apontou que seus créditos possuem origem no recolhimento do Pis e da Cofins no regime não cumulativo. Relatado o caso. Voto. Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido na Resolução nº 3201- 002.164, de 23 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.949196/2008-93, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201-002.164): “Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos Fl. 180DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3201-002.165 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.949197/2008-38 trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se esta Resolução. A primeira análise do crédito foi apresentada no Despacho Decisório Eletrônico de fls. 2, que não reconheceu os créditos, em razão da insuficiência de crédito para a homologação integral da compensação. Em manifestação de inconformidade de fls. 11 o contribuinte, de forma mais genérica, alega que seus créditos possuem origem no recolhimento do Pis e Cofins no regime não cumulativo: Após a decisão de primeira instância, que entendeu não estar comprovada a origem, certeza e liquidez dos créditos no processo, o contribuinte explica com mais detalhes a origem de seus créditos sobre o regime não cumulativo, conforme trechos selecionados a seguir: Fl. 181DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3201-002.165 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.949197/2008-38 ... ... ... Fl. 182DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3201-002.165 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.949197/2008-38 Foram anexados diversos documentos em sede de recurso voluntário que não foram apreciados pela autoridade de origem e que necessitam de tal apreciação, sob a pena de restar configurado o cerceamento de defesa, garantia valiosa no processo administrativo tributário. É igualmente importante registrar que não houve preclusão, uma vez que o contribuinte não alterou e não inovou em suas alegações ao longo do processo, simplesmente abordou com mais detalhes a origem de seu crédito. A verdade material dos autos foi construída ao longo de seu desenrolar, como acontece costumeiramente nos casos que possuem origem em despacho decisório eletrônico. Entre outros dispositivos legais, o Art. 16.º, §6.º e o Art. 29.º do Decreto 70.235/72, Art. 2.º caput, inciso XII e Art. 38.º e 64.º da Lei 9.784/99 e Art. 112.º, 113.º, 142.º e 149.º do CTN permitem a busca da verdade material no processo administrativo fiscal. Em face do exposto, com fundamento na regra administrativa fiscal da busca da verdade material, vota-se para que os autos sejam convertido em diligência para que: - os autos retornem à unidade de origem a fim de que a fiscalização avalie os documentos juntados nos autos e verifique se existem créditos de PIS e Cofins recolhidos sobre o regime não cumulativo, inclusive nos obrigatórios (Art. 62 do RICARF) moldes estabelecidos no julgamento do REsp 1.221.170 STJ, em sede de recurso repetitivo, que determinou a relação de relevância e essencialidade dos dispêndios sobre os insumos com as atividades da empresa, podendo solicitar mais documentos ao contribuinte, se necessário. Após, abram vistas para que a recorrente se pronuncie. Concluída a diligência, retornem os autos ao CARF para julgamento.” Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que - os autos retornem à unidade de origem a fim de que a fiscalização avalie os documentos juntados nos autos e verifique se existem créditos de PIS e Cofins Fl. 183DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3201-002.165 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.949197/2008-38 recolhidos sobre o regime não cumulativo, inclusive nos obrigatórios (Art. 62 do RICARF) moldes estabelecidos no julgamento do REsp 1.221.170 STJ, em sede de recurso repetitivo, que determinou a relação de relevância e essencialidade dos dispêndios sobre os insumos com as atividades da empresa, podendo solicitar mais documentos ao contribuinte, se necessário. Após, abram vistas para que a recorrente se pronuncie. Concluída a diligência, retornem os autos ao CARF para julgamento (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.003418/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2007
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA APLICADA MANTIDA. CFL 34. FALTA DE LANÇAMENTO MENSAL DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE.
Mantém-se o lançamento de multa com código de fundamentação legal CFL 34 devidamente fundamentada quando não descaracterizada a infração por meio de elementos probatórios pertinentes. Constitui infração a obrigação acessória deixar a empresa lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Em se tratando de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, não há que se falar em recolhimento antecipado, devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. CÁLCULO DO VALOR DA INFRAÇÃO. APRECIAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA NOS TERMOS DA SÚMULA CARF 119. NÃO CABIMENTO.
Auto de infração foi lavrado por deixar o contribuinte de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Não é cabível a redução benigna da multa nos termos da Lei 11.941/2009 e Sumula CARF 119 no caso desta multa específica.
APRESENTAÇÃO DE MOTIVOS E PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO DO DIREITO.
Os motivos argumentativos e as provas que os sustentam devem ser apresentados na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
Numero da decisão: 2202-005.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. O conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles declarou-se suspeito, sendo substituído pela Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente convocada). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2007 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA APLICADA MANTIDA. CFL 34. FALTA DE LANÇAMENTO MENSAL DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. Mantém-se o lançamento de multa com código de fundamentação legal CFL 34 devidamente fundamentada quando não descaracterizada a infração por meio de elementos probatórios pertinentes. Constitui infração a obrigação acessória deixar a empresa lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Em se tratando de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, não há que se falar em recolhimento antecipado, devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. CÁLCULO DO VALOR DA INFRAÇÃO. APRECIAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA NOS TERMOS DA SÚMULA CARF 119. NÃO CABIMENTO. Auto de infração foi lavrado por deixar o contribuinte de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Não é cabível a redução benigna da multa nos termos da Lei 11.941/2009 e Sumula CARF 119 no caso desta multa específica. APRESENTAÇÃO DE MOTIVOS E PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO DO DIREITO. Os motivos argumentativos e as provas que os sustentam devem ser apresentados na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10530.003418/2007-19
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6044084
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2202-005.293
nome_arquivo_s : Decisao_10530003418200719.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 10530003418200719_6044084.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. O conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles declarou-se suspeito, sendo substituído pela Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente convocada). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
id : 7847783
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:50:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300892700672
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-16T22:22:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-16T22:22:17Z; Last-Modified: 2019-07-16T22:22:17Z; dcterms:modified: 2019-07-16T22:22:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-16T22:22:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-16T22:22:17Z; meta:save-date: 2019-07-16T22:22:17Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-16T22:22:17Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-16T22:22:17Z; created: 2019-07-16T22:22:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2019-07-16T22:22:17Z; pdf:charsPerPage: 2165; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-16T22:22:17Z | Conteúdo => S2-C 2T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10530.003418/2007-19 Recurso Voluntário Acórdão nº 2202-005.293 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de julho de 2019 Recorrente CEREALISTA CASTRO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2007 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA APLICADA MANTIDA. CFL 34. FALTA DE LANÇAMENTO MENSAL DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. Mantém-se o lançamento de multa com código de fundamentação legal CFL 34 devidamente fundamentada quando não descaracterizada a infração por meio de elementos probatórios pertinentes. Constitui infração a obrigação acessória deixar a empresa lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Em se tratando de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, não há que se falar em recolhimento antecipado, devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. CÁLCULO DO VALOR DA INFRAÇÃO. APRECIAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA NOS TERMOS DA SÚMULA CARF 119. NÃO CABIMENTO. Auto de infração foi lavrado por deixar o contribuinte de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Não é cabível a redução benigna da multa nos termos da Lei 11.941/2009 e Sumula CARF 119 no caso desta multa específica. APRESENTAÇÃO DE MOTIVOS E PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO DO DIREITO. Os motivos argumentativos e as provas que os sustentam devem ser apresentados na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 34 18 /2 00 7- 19 Fl. 152DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.293 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.003418/2007-19 A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. O conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles declarou-se suspeito, sendo substituído pela Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente convocada). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Trata-se de recurso voluntário (e-fls. 122/136), interposto contra o Acórdão n o. 15- 20.341 da 7 a. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA – DRJ/SDR (e-fls. 109/116), que por unanimidade de votos considerou improcedente impugnação interposta contra Auto de Infração com código de fundamentação legal - CFL 34, lavrado pelo fato da empresa deixar lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, referentes ao período de 01/1999 a 02/2007, no valor de R$ 35.853,63. 2. Adoto o Relatório do referido Acórdão da DRJ/SDR, transcrito em sua essência, por bem esclarecer os fatos ocorridos: Relatório: DO LANÇAMENTO. O presente Auto de Infração foi lavrado em razão da empresa CEREALISTA CASTRO LTDA E OUTROS ter deixado de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, referentes ao período de 01/1999 a 02/2007, infringindo, assim, o art. 32, inciso II, da Lei n° 8.212/91. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração às fls. 07/11, a empresa contabilizou: - serviços realizados por pessoas físicas incorretamente em Serviços prestados por Pessoa Jurídica; - rescisões contratuais, rubricas saldo de salários e aviso prévio indenizado em uma mesma conta contábil: Rescisões Trabalhistas; - pagamento de despesa com faculdade relativa a filho de sócio, representando pró- labore indireto, escriturado irregularmente como suprimento de caixa; Fl. 153DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.293 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.003418/2007-19 - despesa com refeição foi contabilizada a débito na conta de Serviços prestados por Pessoa Jurídica; - pagamentos efetuados pela Cerealista Castro Ltda a empregados da Distribuidora Barreiras de Alimentos Ltda, escriturados irregularmente como suprimento de caixa no Livro Diário; - e, no livro diário n° 20, relativo ao ano de 2007, à folha 202, a rubrica saldo de salários e aviso prévio indenizado pagos em rescisão contratual na mesma conta 53009 — Rescisões Trabalhistas. Tendo em vista que o aviso prévio indenizado não constitui fato gerador de contribuição previdenciária, deveria ter sido registrado em conta individualizada, conforme previsto no art. 225, § 13, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Em decorrência da infração praticada, foi aplicada a multa prevista no art.283, inciso II, alínea "a" do Decreto 3.048/99, no montante de R$ 35.853,63 (trinta e cinco mil, oitocentos e cinquenta e três reais e sessenta e três centavos), considerando o valor de R$ 11.951,21 (onze mil novecentos e cinquenta e um reais e vinte e um centavos), reajustado pela Portaria MPS n° 142, de 11 de abril de 2007, multiplicado por três vezes em razão de reincidência específica, relativa ao Auto de Infração n° 35.608.670-4, código de fundamentação legal 34 (deixar a empresa de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias), lavrado em 12/06/2006, na ação fiscal n° 09299425-00, encaminhado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). (...) A empresa Distribuidora Barreiras de Alimentos Ltda foi cientificada do presente lançamento, em razão de pertencer a grupo econômico de fato com a empresa Cerealista Castro Ltda, em 29/10/2007, conforme AR à fl. 62. A empresa Nova Colina Administrações de Bens Patrimoniais Ltda foi cientificada via Edital, à fl. 63, em razão de pertencer a grupo econômico de fato com as empresas Distribuidora Barreiras de Alimentos Ltda e Cerealista Castro Ltda. A empresa Cerealista Castro Ltda foi cientificada do presente lançamento em 15/10/2007, conforme AR à fl. 42, tendo sido cientificada novamente em 29/10/2007, conforme AR à fl. 61, onde consta a informação de que ela pertence a grupo econômico de fato. DA IMPUGNAÇÃO DA EMPRESA CEREALISTA CASTRO LTDA. (...) PRELIMINAR: DA PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA. Entende a Impugnante que os supostos créditos levantados pela fiscalização, anteriores a outubro de 2002 , não podem ser constituídos, uma vez que fulminados pelo instituto jurídico da decadência. As contribuições previdenciárias correspondem à modalidade de lançamento por homologação, não se aplicando o art. 45 da Lei 8.212/91, incidindo o §4°, do art. 150, do CTN. O art. 45 da Lei 8.212/91 6 inconstitucional. DO EXCESSO NA IMPUTAÇÃO DA MULTA. As multas decorrentes de tal abuso apresentam valores nitidamente confiscatórios, uma vez que são plenamente sanáveis onde não configuram em prejuízos ao erário. É facultado ao julgador o poder, diante do fato concreto, de reduzir a multa excessiva aplicada pelo Fisco. (...) 3. O Voto da 7 a. Turma, no sentido de improcedência da Impugnação, é transcrito a seguir, também em sua essência: Fl. 154DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.293 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.003418/2007-19 Voto: (...). DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. (...) Destarte, aplicam-se às contribuições sociais as regras de decadência e prescrição da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), recepcionado pela Constituição Federal com força de lei complementar. As contribuições sociais previdenciárias são lançadas por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. (...) Assim, a depender do pagamento ou não pelo contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de ofício de contribuições sociais é de 5 (cinco) anos, contados nos termos do artigo 150, §4°, ou do artigo 173, do Código Tributário Nacional (CTN). (...) deve ser aplicado o art. 173, I, do CTN, para fins de contagem do prazo de decadência em relação às obrigações acessórias. O presente Auto de Infração (AI) foi lavrado em 09/10/2007, tendo sido dada ciência ao contribuinte em 15/10/2007 (fl. 38), e se refere ao período de 01/1999 a 02/2007, estando, portanto, parcialmente fulminado pela decadência, já que transcorreram mais de cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado em relação ao período de 01/1999 a 12/2001. Entretanto, não ocorreu a decadência em relação ao período 01/2002 a 02/2007. Assim, o valor da multa aplicada no presente auto de infração não será alterado, já que se trata de multa única, que independente da quantidade de lançamentos, referentes às contribuições previdenciárias, não escriturados em títulos próprios da contabilidade. A legislação previdenciária é clara ao exigir que a empresa lance em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Basta um lançamento referente às contribuições previdenciárias sem respeitar essa regra para já ser configurada a infração à lei. Assim, persiste a seguinte infração descrita no Relatório Fiscal: a empresa contabilizou, no livro diário n° 20, relativo ao ano de 2007, à folha 202, a rubrica saldo de salários e aviso prévio indenizado pagos em rescisão contratual na mesma conta 53009 — Rescisões Trabalhistas. Tendo em vista que o aviso prévio indenizado não constitui fato gerador de contribuição previdenciária, deveria ter sido registrado em conta individualizada, conforme previsto no art. 225, § 13, inciso Il, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Nesse sentido, cabe a aplicação da multa em questão, permanecendo o presente auto de infração procedente.. CONFISCO. Quanto à alegação do caráter confiscatório da multa aplicada, cumpre registrar que esta multa foi aplicada de acordo com o artigo 283, inciso II, alínea "a", do Decreto 3.048/99.A auditora fiscal autuante apenas seguiu a determinação da legislação previdenciária, não tendo havido nenhum excesso. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. (...). Ademais, a alegação de confisco é matéria impertinente na via administrativa, (...)cabe ao Auditor Fiscal cumpri-Ia, já que exerce atividade administrativa plenamente vinculada. Fl. 155DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-005.293 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.003418/2007-19 ILEGITIMIDADE DE PARTE - GRUPO ECONÔMICO. Apesar de não haver defesas nestes autos das empresas Distribuidora Barreiras de Alimentos Ltda (DIBAL) e Nova Colina Administradora de Bens Patrimoniais Ltda, e não ter sido alegado pela empresa Cerealista Castro Ltda, por dever de ofício, deve ser analisada a legalidade da configuração do grupo econômico de fato neste lançamento. Com efeito, não pode haver responsabilidade solidária de grupo econômico em créditos decorrentes de descumprimento de obrigação acessória (Auto de Infração de Obrigação Acessória). Respalda este entendimento o Código Tributário Nacional (art. 122) e a Instrução Normativa MPS/SRP n° 03/2005 (art. 179). (...) Assim, com fulcro no ato normativo acima referido, depreende-se que o responsável solidário, integrante de grupo econômico, responderia somente pelas obrigações previdenciárias principais. As obrigações previdenciárias acessórias não estariam acolhidas por tal fundamentação. Por conseguinte, deverá ser afastada a responsabilidade solidária das empresas Distribuidora Barreiras de Alimentos Ltda (DIBAL) e Nova Colina Administradora de Bens Patrimoniais Ltda por ilegitimidade de parte, devendo ser desconsideradas as remessas postais feitas das Informações Fiscais — Ciência Débito — Grupo Econômico de Fato e ainda que seja considerada como não escrita a expressão "E OUTROS" constante da folha de rosto deste Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA). Registre-se que tal exclusão não afeta a exigibilidade da autuação em relação à empresa Cerealista Castro Ltda. Em face das razões expendidas e à luz da legislação previdenciária, rejeito as alegações suscitadas na peça de Impugnação, votando no sentido da PROCEDÊNCIA do presente crédito tributário em relação à empresa Cerealista Castro Ltda., consubstanciado no AI n° 37.124.773-0, devendo ser excluídas do pólo passivo as empresas Distribuidora Barreiras de Alimentos Ltda (DIBAL) e Nova Colina Administradora de Bens Patrimoniais Ltda. Recurso Voluntário 4. Inconformada após cientificada da decisão a quo, a ora Recorrente apresentou seu recurso, trazendo novos argumentos e repisando os já apresentados na Manifestação de Inconformidade, os quais são extraídos e, em síntese, apresentados a seguir. - apresenta apertada síntese dos fatos ocorridos; - insiste na decadência dos valores lavrados relativos ao período anterior a outubro de 2002, com base na Súmula Vinculante n o 08 do STF e no artigo 150, § 4 do Código Tributário Nacional - CTN, e na alegação de ter efetuado pagamentos antecipados; - inova em fase recursal sustentando que, sobre a única infração remanescente descrita no relatório fiscal, relativa ao ano de 2007, a penalidade diria respeito à omissão, mas teria sim havido o lançamento, apenas na rubrica incorreta, e com a constatação de incorreções, deveria ter sido intimada a prestar esclarecimentos, podendo demonstrar que o erro na rubrica não tinha o condão de trazer qualquer tipo de prejuízo ao erário; - inova também com a apresentação de argumentos contra a reincidência, por entender que auto de infração o qual o auditor se pautou para aplicar a reincidência estaria prescrito e careceria de lógica a verificação de livros fiscais relativos a período em que as contribuições previdenciárias não poderiam ser lançadas; - diante do fato, protesta a recorrente pelo cancelamento da multa por entender pela decadência do período de 01/1999 a 10/2002; Fl. 156DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-005.293 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.003418/2007-19 - repisa ainda que a multa e seu agravamento apresentam valores confiscatórios, devendo ser aplicada a relativa vedação constitucional prevista no inciso IV do art. 150; - inova ainda defendendo a aplicação da legislação mais benéfica, com base na inclusão do art. 32 A, inciso I, da Lei n°. 8.212/91, pela Lei 11.941/2009, e no artigo 106 do CTN; e - apresenta extensa jurisprudência e doutrina para fundamentar seus argumentos. 5. Seu pedido final é para que o auto de infração seja julgado improcedente por decadência e por falta de prejuízo ao erário, ou que seja revista a aplicação da multa com exclusão do período decadente e com a aplicação da citada legislação mais benéfica. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, Relator. 7. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresenta-se tempestivo. Portanto dele conheço. 8. Quanto à jurisprudência trazida aos autos, é de se observar o disposto no artigo 506 da Lei 13.105/2015, o novo Código de Processo Civil, o qual estabelece que a “sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros". Não sendo parte nos litígios objetos dos acórdãos, o interessado não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatadas, posto que os efeitos são "inter partes” e não "erga omnes ”. 9. Com isso, fica claro que as decisões administrativas e judiciais, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelo CARF. E mais, as decisões administrativas e as notáveis citações doutrinárias levantadas pelo recorrente não são normas complementares, como as tratadas pelo art. 100 do CTN, motivo pelo qual não vinculam as decisões das instâncias julgadoras administrativas. 10. Para compreensão dos fatos ensejadores da lavratura do presente Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, será de valia o destaque dos seguintes parágrafos do relatório fiscal de e-fls 08/14. 1.1.1. Este auto de infração decorre da constatação de que a empresa, no período de 0111999 a 0212007, descumpriu a legislação previdenciária abaixo mencionada, ao deixar de escriturar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, clara e precisa, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, infringindo a Lei n° 8.212, de 24.07.91, art. 32, inc. II, combinado com o art. 225, II, e §§13 a 17 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99, o qual dispõe: Lei 8.212 - Art. 32 - A empresa é também obrigada a: Fl. 157DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-005.293 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.003418/2007-19 II - lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. (...) 1.3.7. E, no livro diário n°. 20, relativo ao ano de 2007, à folha 202, verificamos que a rubrica saldo de salários e aviso prévio indenizado pagos em rescisão contratual é contabilizada a débito na mesma conta: 53009 - Rescisões Trabalhistas. Tendo em vista que o aviso prévio indenizado não constitui fato gerador de contribuição previdenciária, deveria ter sido registrado em conta individualizada, conforme previsto no art. 225, §13, inciso II do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, anteriormente transcrito. (...) 1.3.8. As relações de segurados empregados e contribuintes individuais, cujas contribuições previdenciárias não foram devidamente contabilizadas em títulos próprios, é parte integrante das Notificações Fiscais de Lançamento de Débito - NFLD n 37.124.769-1, 37.124.768-3, 37.124.770-5 e 37.124.771-3 lavradas em razão de tais pagamentos serem caracterizados como fatos geradores de contribuições previdenciárias. 0 relatório fiscal anexo às NFLD descreve, de forma pormenorizada, as circunstâncias que ensejaram o lançamento. (...) 11. Portanto, destaquem-se os pormenores essenciais de cada NFLD referenciada, sendo que apenas as duas primeiras possuem interposição de impugnação e recurso e estão em processos digitais. 12. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD n° 37.124.768-3 está presente no Processo Administrativo 10530.003398/2007-86, onde foi exarado o Acórdão de Recurso Voluntário 2803-002.722, de 18/09/2013, o qual negou provimento ao recurso interposto contra decisão de DRJ. Esta última manteve a notificação fiscal lavrada, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos a segurados declarados em GFIP (SAT e salário família) e que concluiu pela procedência parcial da impugnação apresentada, retificando a notificação em razão da decadência parcial reconhecida para o período 01/1999 a 13/2003. 13. Já a NFLD 37.124.769-1 consta no processo 10530.003643/2007-55, onde encontra-se o Acórdão 2803-002.861, de 20/11/2013, o qual negou provimento ao recurso contra a Decisão da DRJ que foi pela procedência parcial do lançamento, em razão da decadência das competências 01/1999 a 10/2002. O lançamento referiu-se a contribuições sociais previdenciárias dos segurados e contribuições patronais, incidentes sobre as remunerações dos empregados que trabalharam sem o devido registro tempestivo. 14. Por fim, as NFLD 37.124.770-5 e 37.124.771-3, não contestadas, presentes em processos meio papel, foram baixadas por liquidação respectivamente em 23/10/2009 e 06/10/2009. Não se encontram em processos digitalizados e controlados pelo sistema e- processo. Ou seja, todas as NFLD referenciadas no Relatório Fiscal ou foram liquidadas pela contribuinte, ou mantidas por Decisão Colegiada de Segunda Instância. 15. Embora a interessada persista no argumento de que as competências lançadas deveriam respeitar o legislado no artigo 150, §4º, do CTN, o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória - AIOA, justamente por tratar-se de multa por descumprimento de obrigação acessória, tem sua decadência regida pela regra geral que encontra-se no artigo 173, I do mesmo diploma legal, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 158DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-005.293 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.003418/2007-19 I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...] 16. No caso de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Assim, para fins de contagem do prazo decadencial, há que se aplicar a regra geral contida no acima citado art. 173, inciso I do CTN, ou seja, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. 17. Perfeitas as razões de decidir da DRJ/SDR em relação à decadência, que colaciono abaixo: (...) O presente Auto de Infração (AI) foi lavrado em 09/10/2007, tendo sido dada ciência ao contribuinte em 15/10/2007 (fl. 38), e se refere ao período de 01/1999 a 02/2007, estando, portanto, parcialmente fulminado pela decadência, já que transcorreram mais de cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado em relação ao período de 01/1999 a 12/2001. Entretanto, não ocorreu a decadência em relação ao período 01/2002 a 02/2007. Assim, o valor da multa aplicada no presente auto de infração não será alterado, já que se trata de multa única, que independente da quantidade de lançamentos, referentes às contribuições previdenciárias, não escriturados em títulos próprios da contabilidade. A legislação previdenciária é clara ao exigir que a empresa lance em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Basta um lançamento referente às contribuições previdenciárias sem respeitar essa regra para já ser configurada a infração à lei. Assim, persiste a seguinte infração descrita no Relatório Fiscal: a empresa contabilizou, no livro diário n° 20, relativo ao ano de 2007, à folha 202, a rubrica saldo de salários e aviso prévio indenizado pagos em rescisão contratual na mesma conta 53009 — Rescisões Trabalhistas. Tendo em vista que o aviso prévio indenizado não constitui fato gerador de contribuição previdenciária, deveria ter sido registrado em conta individualizada, conforme previsto no art. 225, § 13, inciso Il, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. (...) 18. Afastados portanto os argumentos de decadência apresentados pela contribuinte. 19. Quanto às suas alegações de que teria sim efetuado o lançamento contábil apontado, apenas na rubrica incorreta, de que deveria ter sido intimada a prestar esclarecimentos, podendo demonstrar que o erro na rubrica não tinha o condão de trazer qualquer tipo de prejuízo ao erário, ou ainda argumentos contra a reincidência, supostamente afastada por prescrição, não há que serem analisados, por conta da constatação do instituto da preclusão. Tais argumentos não estão presentes em sede impugnatória. 20. Destaque-se então que argumentos aduzidos tão somente em sede de recurso voluntário não devem ser conhecidos, em respeito às normas que regem o processo administrativo fiscal, primordialmente o artigo 16 do Processo Administrativo Fiscal, Decreto nº 70.235/1972, abaixo destacado Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Fl. 159DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-005.293 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.003418/2007-19 (...) 21. Note-se também que o recorrente não pode modificar o pedido ou invocar outra causa de pedir nesta fase do contencioso, sob pena de violação dos princípios da congruência, estabilização da demanda e do duplo grau de jurisdição administrativa, em ofensa aos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72 , bem como aos arts. 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil (CPC), ainda mais quando não se vislumbram motivos para só agora aduzir os questionamentos referidos. 22. Quanto à sua pretensão de aplicação de legislação mais benéfica no cálculo da multa devida, destaque-se, para prosseguimento, a Súmula Vinculante 119 deste Conselho: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. 23. Atente a interessada que a aplicação da nova sistemática de cálculo das multas, nos termos da Lei n° 11.941/2009, que introduziu o inciso I do artigo 32-A, da Lei 8.212/91,e que envolve retroatividade benigna, conforme art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), não se aplica no presente caso, pois a autuação não é relativa a informações incorretas ou omitidas em GFIP, como quer pretender. 24. Afasta-se também então a pretensão à retroatividade benigna, uma vez que o presente auto de infração foi lavrado, na verdade, por deixar a interessada de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto no art. 32, II da Lei n. 8.212/91, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do RPS, Decreto n. 3.048/99. O citado art. 32, inciso II, da Lei n. 8.212/91, não sofreu alterações com o advento da Lei n° 11.941/2009, mantendo, na verdade, sua redação original. 25. Já quanto ao caráter confiscatório da multa aplicada, a Recorrente alega que haveria desproporcionalidade, que a mesma seria confiscatória e inconstitucional. Mas tal alegação não compete a este foro discutir, uma vez que a Administração Pública é compelida a aplicar a penalidade nos moldes fixados na legislação de regência, o que foi observado no caso ora analisado pela Auditora autuante, já que a mesma foi aplicada de acordo com o artigo 284, inciso II, do Decreto 3.048/99, apenas seguindo a determinação da legislação previdenciária, não tendo havido nenhum excesso. 26. Não pode a autoridade administrativa recusar-se a cumprir norma cuja constitucionalidade, ou ilegalidade, possam ser questionadas, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei n° 8.212/1991 e demais disposições da legislação vigente aplicadas ao lançamento fiscal ora analisado. 27. Toda lei presume-se constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art. 52, X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitá-la. 28. Ademais, a vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Uma vez positivada a norma, é dever da Fl. 160DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-005.293 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.003418/2007-19 autoridade fiscal aplicá-la, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. A alegação de confisco é portanto matéria impertinente na via administrativa. 29. Uma vez que não ocorreu decadência da autuação e que não cabe no caso a aplicação do artigo 32 A, I, da Lei 8.212/91 e que não está caracterizado o confisco, não vislumbro razões para reforma do Acórdão da DRJ, devendo permanecer subsistente o Auto de Infração lavrado. Conclusão 30. Isso posto, voto por conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13629.000776/2007-79
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003
PAF. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. RECURSO VOLUNTÁRIO ADSTRITO À ANÁLISE DA INTEMPESTIVIDADE. PRECLUSÃO
A apresentação intempestiva da impugnação impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, razão pela qual o conhecimento do recurso voluntário estará adstrito apenas à análise da tempestividade quando questionada.
Numero da decisão: 2003-000.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso, apenas em relação à preliminar de tempestividade suscitada, para rejeitá-la e, no mérito, negar-lhe provimento.
Francisco Ibiapino Luz - Presidente.
Wilderson Botto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003 PAF. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. RECURSO VOLUNTÁRIO ADSTRITO À ANÁLISE DA INTEMPESTIVIDADE. PRECLUSÃO A apresentação intempestiva da impugnação impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, razão pela qual o conhecimento do recurso voluntário estará adstrito apenas à análise da tempestividade quando questionada.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13629.000776/2007-79
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6048162
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2003-000.170
nome_arquivo_s : Decisao_13629000776200779.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WILDERSON BOTTO
nome_arquivo_pdf_s : 13629000776200779_6048162.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso, apenas em relação à preliminar de tempestividade suscitada, para rejeitá-la e, no mérito, negar-lhe provimento. Francisco Ibiapino Luz - Presidente. Wilderson Botto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7858182
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:50:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300900040704
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-08T02:40:34Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-08-08T02:40:34Z; Last-Modified: 2019-08-08T02:40:34Z; dcterms:modified: 2019-08-08T02:40:34Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-08T02:40:34Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-08T02:40:34Z; meta:save-date: 2019-08-08T02:40:34Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-08T02:40:34Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-08-08T02:40:34Z; created: 2019-08-08T02:40:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-08-08T02:40:34Z; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-08T02:40:34Z | Conteúdo => SS22--TTEE0033 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCOONNSSEELLHHOO AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS PPrroocceessssoo nnºº 13629.000776/2007-79 RReeccuurrssoo nnºº Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 2003-000.170 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária SSeessssããoo ddee 24 de julho de 2019 RReeccoorrrreennttee ELIZETE MARIA DE SOUSA IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003 PAF. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. RECURSO VOLUNTÁRIO ADSTRITO À ANÁLISE DA INTEMPESTIVIDADE. PRECLUSÃO A apresentação intempestiva da impugnação impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, razão pela qual o conhecimento do recurso voluntário estará adstrito apenas à análise da tempestividade quando questionada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso, apenas em relação à preliminar de tempestividade suscitada, para rejeitá-la e, no mérito, negar-lhe provimento. Francisco Ibiapino Luz - Presidente. Wilderson Botto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto. Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de IRPF apurada no ano calendário de 2003, exercício de 2004, no valor de R$ 6.948,94, já acrescido de multa de ofício e juros de mora, conforme se depreende na notificação de lançamento constante dos autos, em razão da dedução indevida de despesas médicas, no valor glosado de R$ 17.500,00, por falta de comprovação ou previsão legal para dedução das aludidas despesas realizadas (fls. 6/10). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 07 76 /2 00 7- 79 Fl. 90DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.170 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13629.000776/2007-79 Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 09-25.770, proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora - DRJ/JFA (fls. 70/74), transcrito a seguir: Em nome do contribuinte acima identificada foi lavrada em 26/03/2007, a Notificação de Lançamento de fls. 03/05v, relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física- IRPF, exercício 2004, ano-calendário 2003, que resultou em crédito total apurado de R$ 6.948,94, assim discriminado: R$ 3.160,48 de IRPF-Suplementar, R$ 2.370,36 de multa de oficio (passível de redução) e R$ 1.418,10 de juros de mora (calculados até 30/03/2007). Motivou o lançamento de ofício (fls. 05/05v), a dedução indevida a título de despesas médicas, no valor total de R$ 17.500,00, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução. Esclarece a autoridade lançadora que, intimada, a contribuinte apresentou parcialmente a documentação solicitada e deixou de comprovar os efetivos pagamentos das despesas médicas. Cientificada do lançamento em 03/04/2007 (fls. 52), a contribuinte apresentou em 10/05/2007, a impugnação de fls. 01/02, na qual, em síntese e entre outros aspectos alega que: - comprovou as despesas médicas com a apresentação dos originais dos recibos apresentados quando intimada; - o profissional Fábio Naomi Taniguchi emitiu os recibos apresentados e os informou em sua declaração de renda; - que houve um equívoco por parte da autoridade lançadora, visto que os profissionais Letícia Diniz de Souza Campos, Victor Diniz de Souza Campos e Elizete Maria de Souza, nominados no lançamento, são seus filhos menores de idade e a própria contribuinte; - acrescenta que todos os pagamentos foram feitos em moeda corrente e parceladamente e que em caso de dúvida sejam notificados os emitentes para esclarecimentos; - os profissionais lançaram em seus livros Caixa os valores recebidos e declararam estas receitas e em caso de inadimplência, deve o valor ser apurado individualmente para cada emitente; - requer que sejam ouvidos os profissionais e/ou devolvidos os documentos originais para as medidas de praxe; - requer a liberação imediata da restituição do imposto retido, na forma declarada, por tratar-se de verba de natureza alimentar. Em 26/06/2007, a DRF Coronel Fabriciano lavrou o Termo de Revelia de fls.53 e em 03/08/2007, conforme Comunicação NURAC n° 193/2007 (fls.55/57), informou ao sujeito passivo que a sua impugnação foi considerada intempestiva e o intimou para e efetuasse o recolhimento do crédito tributário. No despacho de fls.59, datado de 25/09/2007, o Núcleo de Arrecadação e Cobrança-Nurac da DRF Coronel Fabriciano alegando haver indícios no processo de que o contribuinte tivesse comparecido ao CAC e sido informado que o vencimento da Notificação se daria em 10/05/2007, encaminhou o processo para a Delegacia de Julgamento. Fl. 91DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.170 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13629.000776/2007-79 Em 28/09/2007, o contribuinte protocolou o aditamento a defesa de fls. 61/62, onde em síntese argui a tempestividade da impugnação apresentada em 10/05/2007 e ratifica os esclarecimentos prestados anteriormente, abrindo se necessário, o seu sigilo fiscal para solução de quaisquer dúvidas. Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/JFA, por unanimidade de votos, não conheceu a impugnação apresentada por intempestiva, mantendo-se incólume o crédito tributário lançado. Recurso Voluntário Cientificada da decisão em 16/09/2009 (fls. 78), a contribuinte interpôs, em 16/10/2009, recurso voluntário (fls. 79), suscitando exclusivamente a tempestividade da peça impugnatória pois a mesma foi apresentada dentro do prazo informado no demonstrativo de débito enviado junto com a Comunicação de Cobrança (fls. 64), ficando claro que realmente não houve intempestividade no processo, levando-se em conta que o CAC da DRF em Coronel Fabriciano-MG lhe induziu a considerar o prazo final estendido para o dia 10/05/2007. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que conheço e passo à sua análise. Centraliza-se a discussão recursal à análise da tempestividade da impugnação, haja vista que, uma vez ultrapassada, deverão ser apreciadas as questões de mérito, sobretudo em relação a incorreção da glosa das despesas médicas declaradas pela Recorrente, no valor de R$ 17.500,00, e que gerou o imposto suplementar no valor de R$ 6.948,94. Pois bem. A notificação de lançamento para cobrança do imposto suplementar foi encaminhada para o domicílio tributário da Recorrente, sendo ali recepcionada no dia 03/04/2007 (terça-feira), conforme AR juntado aos autos (fls. 56/57). Logo, a contagem de prazo para apresentação de impugnação iniciou, impreterivelmente, no dia 04/04/2007 (quarta-feira) se encerrando no dia 03/05/2007 (quinta-feira). Assim, a impugnação apresentada em 10/05/2007 (vide carimbo de protocolo - fls. 4) é intempestiva. Nada obstante, no que pertine ao prazo para a apresentação de impugnação urge transcrever os arts. 14, 15 e 23 do Decreto nº 70.235/72: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 23. Far-se-á a intimação: Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13629.000776/2007-79 Acórdão n.º 2003-000.170 S2-TE03 Fl. 2,5 (...) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Vale destacar, outrossim, que a Recorrente em nenhum momento se insurge contra o efetivo recebimento da intimação (AR - fls. 56/57) pelo contrário, somente alega que foi informada pelo “CAC” da DRF em Coronel Fabriciano-MG, que o vencimento da notificação de lançamento se daria somente no dia 10/05/2007, data esta constante do relatório da multa lançada anexa à Comunicação de Cobrança expedida (fls. 60/64). Ocorre, todavia, que inexiste previsão legal ou normativa que estabeleça prazos alternativos para apresentação de impugnação ao lançamento fiscal. O processo tributário encontra-se regulado pelo Decreto n° 70.235/72 que, com status de lei, estabelece os prazos processuais afins. E, o prazo de impugnação, de trinta dias da ciência, é aquele expressamente mencionado na “intimação” que consta da notificação de lançamento (fls. 6). Como se percebe, em momento algum a norma legal, ou mesmo a notificação de lançamento, cogitou a existência de prazo diferenciado, passível de livre opção pela contribuinte. Nesse contexto, estando legalmente determinado, o prazo não se encontra sob o poder discricionário da repartição preparadora, do “setor de atendimento” ou mesmo desta instância de julgamento, devendo ser observada a norma disciplinar que faculta o direito à apresentação de impugnação dentro de trinta dias contados da ciência do lançamento. Portanto, é irrelevante eventual pronunciamento do “CAC”, uma vez que não é suficiente para modificar o prazo legal de que disporia a contribuinte para impugnar a exigência fiscal autuada, sobretudo diante do fato de que a DRF não possui competência institucional para ampliar os prazos processuais regulamentares norteadores do processo administrativo fiscal, então regido pelo Decreto nº 70.235/72, sem que isso importe em violação ao dever funcional, além de depor, dentre outros, contra os princípios constitucionais da legalidade, moralidade e eficiência administrativa, segundo o art. 37 da CF/88. Diante dos fatos, e norteado pelos dispositivos legais aplicáveis ao processo administrativo fiscal, uma vez ocorrido em 03/04/2007, a ciência regular e válida da notificação de lançamento lavrada (AR de fls. 56/57), deve-se contar a partir dessa data o prazo para impugnar o débito, trintídio este encerrado no dia 03/05/2007. Portanto, não há como considerar tempestiva a peça impugnatória apresentada em 10/05/2007, razão pela qual mantenho a decisão recorrida. Conclusão Em razão do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso, somente em relação à preliminar de tempestividade suscitada, para rejeitá-la e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO nos termos do voto em epígrafe, em razão da intempestividade da impugnação apresentada. É como voto. (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720731/2007-68
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
PAF. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO ARTIGO 150, §4º, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, não restando demonstrada a ocorrência de pagamento antecipado, afasta-se a aplicação da decadência nos termos do artigo 150, §4º, do CTN, em consonância com decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC.
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). ISENÇÃO. ADA. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA. OBRIGATORIEDADE.
O benefício da redução da base de cálculo do ITR em face da APP está condicionado à apresentação tempestiva do ADA.
Ausente apresentação tempestiva do ADA, há de se manter as supostas áreas de preservação permanente (APP) incluídas na base de cálculo do ITR, nos exatos termos da decisão de origem.
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. OBRIGATORIEDADE.
O benefício da redução da base de cálculo do ITR em face da ARL está condicionado à comprovação da averbação de referida área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, sendo dispensável a apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental ADA.
Ausente a averbação da reserva legal no registro de imóveis competente, há de se manter a ARL incluídas na base de cálculo do ITR, nos exatos termos da decisão de origem.
PAF. ART. 111 DO CTN. OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. INTERPRETAÇÃO LITERAL. OBRIGATORIEDADE.
Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa de cumprimento das obrigações tributárias acessórias.
PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
As decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do CTN, razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho (Portaria MF nº343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF).
Numero da decisão: 2003-000.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
Francisco Ibiapino Luz - Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic.
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 PAF. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO ARTIGO 150, §4º, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, não restando demonstrada a ocorrência de pagamento antecipado, afasta-se a aplicação da decadência nos termos do artigo 150, §4º, do CTN, em consonância com decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). ISENÇÃO. ADA. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA. OBRIGATORIEDADE. O benefício da redução da base de cálculo do ITR em face da APP está condicionado à apresentação tempestiva do ADA. Ausente apresentação tempestiva do ADA, há de se manter as supostas áreas de preservação permanente (APP) incluídas na base de cálculo do ITR, nos exatos termos da decisão de origem. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. OBRIGATORIEDADE. O benefício da redução da base de cálculo do ITR em face da ARL está condicionado à comprovação da averbação de referida área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, sendo dispensável a apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental ADA. Ausente a averbação da reserva legal no registro de imóveis competente, há de se manter a ARL incluídas na base de cálculo do ITR, nos exatos termos da decisão de origem. PAF. ART. 111 DO CTN. OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. INTERPRETAÇÃO LITERAL. OBRIGATORIEDADE. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa de cumprimento das obrigações tributárias acessórias. PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. As decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do CTN, razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho (Portaria MF nº343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF).
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10218.720731/2007-68
anomes_publicacao_s : 201909
conteudo_id_s : 6057364
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2003-000.147
nome_arquivo_s : Decisao_10218720731200768.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FRANCISCO IBIAPINO LUZ
nome_arquivo_pdf_s : 10218720731200768_6057364.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. Francisco Ibiapino Luz - Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7883749
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300912623616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 35; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1914; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T3 Fl. 168 1 167 S2C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10218.720731/200768 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2003000.147 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 23 de julho de 2019 Matéria ITR APP ADA ARL AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL Recorrente NASSANDRO FERREIRA GARCIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 PAF. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO ARTIGO 150, §4º, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, não restando demonstrada a ocorrência de pagamento antecipado, afastase a aplicação da decadência nos termos do artigo 150, §4º, do CTN, em consonância com decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). ISENÇÃO. ADA. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA. OBRIGATORIEDADE. O benefício da redução da base de cálculo do ITR em face da APP está condicionado à apresentação tempestiva do ADA. Ausente apresentação tempestiva do ADA, há de se manter as supostas áreas de preservação permanente (APP) incluídas na base de cálculo do ITR, nos exatos termos da decisão de origem. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. OBRIGATORIEDADE. O benefício da redução da base de cálculo do ITR em face da ARL está condicionado à comprovação da averbação de referida área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, sendo dispensável a apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental ADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 07 31 /2 00 7- 68 Fl. 168DF CARF MF 2 Ausente a averbação da reserva legal no registro de imóveis competente, há de se manter a ARL incluídas na base de cálculo do ITR, nos exatos termos da decisão de origem. PAF. ART. 111 DO CTN. OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. INTERPRETAÇÃO LITERAL. OBRIGATORIEDADE. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa de cumprimento das obrigações tributárias acessórias. PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. As decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do CTN, razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho (Portaria MF nº343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, negarlhe provimento. Francisco Ibiapino Luz Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ 26.571,49, referente a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR do exercício de 2003, apurado em Notificação de Lançamento, decorrente da falta de comprovação da área de utilização limitada e do valor da terra nua declarados (fls. 02/06). Impugnação Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 0346.449, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília DRJ/BSB (fls. 118/131), transcrito a seguir: Cientificado do lançamento em 03/01/2008 (fls. 04), o Impugnante, por meio de procurador legalmente constituído, fls. 66, protocolou em 06/02/2008, fls. 40, a impugnação de fls. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10218.720731/200768 Acórdão n.º 2003000.147 S2C0T3 Fl. 169 3 40/65, lida nesta Sessão e instruída com os documentos de fls. 67/95. Em síntese, alegou e requereu o seguinte: • mostra a tempestividade da presente Impugnação e apresenta um resumo dos fatos da Notificação de Lançamento e conclui que o procedimento da RFB não está em consonância com aquilo que representa a realidade fática, não podendo, assim, prosperar; • nada mais real que a demonstração feita por imagem de satélite relativa a toda a área do imóvel. Na imagem se pode ver claramente que a área em questão encontrase com sua cobertura florística intacta. Neste sentido, inegável a existência fática de Reserva Legal RLF; • a área do imóvel possui 4.093,059 ha de área coberta por vegetação primaria – mata nativa – o que corresponde a 93,96% do total da área do imóvel e 262,94 ha de APP ao longo dos rios e cursos d’agua, totalizando 100%; • mostra o que o laudo técnico informa a respeito do VTN e conclui que tanto as imagens de satélite quanto o laudo demonstram que existimos 100% de floresta nativa na área em questão; • o que se pode admitir é a discussão jurídica acerca da inexistência de previa averbação da área de reserva legal junto à matricula do imóvel, bem como a falta de apresentação do ato declaratório ambiental; • transcreve ensinamentos do jurista Paulo de Bessa Antunes para mostrar que não é necessária a previa averbação da área de reserva legal junto à matricula do imóvel, tampouco a apresentação do ato declaratório ambiental, para fins de isenção de ITR; • transcreve o art. 2º da Lei nº 4.771/65 e conclui que “considerase de preservação permanente só pelo efeito desta lei”; • não é necessário nenhum ato administrativo ou privado para que possa existir a Área de Preservação Permanente, basta que a Lei o diga e pronto, temse as APPs; • igual sorte merece a Área de Reserva Legal, a qual está descrita no Art. 16 e o Transcreve; • em nenhum momento a legislação condiciona a existência da área de Reserva legal à existência de qualquer outro ato administrativo, pelo contrário, tanto a área de Reserva Legal Fl. 170DF CARF MF 4 quanto a de Preservação Permanente são decorrências da lei e existem independentemente de qualquer coisa, variando apenas o seu percentual (no caso da RLF), dependendo da região onde se encontre; • o imóvel rústico objeto da presente discussão está situado na Amazônia, o que determina a área de Reserva Legal em um percentual de 80%; • o que se depreende da legislação é que, quando esta quer estipular condições para a constituição de determinada restrição, o faz expressamente, conforme se pode ver no artigo 3º do mesmo diploma legal e o transcreve; • da mesma maneira podese observar dos dispositivos da Lei nº 9.393/96 e transcreve o seu art 10, concluindo que é de uma clareza impressionante a vontade do legislador graficamente representada nas alíneas do inciso II deste artigo; • basta observar que nas alíneas "b" e "c", o legislador fez questão de destacar que o reconhecimento das áreas, para fins de exclusão de tributação, deverão vir, necessariamente, acompanhadas de ato do poder público que as reconheça, conforme ficou destacado; • em relação à alínea "a" (que se refere às APPS e Reserva Legal), não houve essa mesma preocupação, obviamente porque para o reconhecimento das APPs e Reserva Legal não se necessita de nenhum ato público administrativo que os reconheça, pelo contrário, diz apenas que elas já estão expressamente reconhecidas no Código Florestal; • o raciocínio é simples e bastante lógico. Basta que se responda a simples pergunta: qual o objetivo da lei ao criar a Reserva legal Florestal? Obviamente a resposta é uma só e não poderia ser diferente. O objetivo da lei foi proteger o meio ambiente mantendo, em pé, significativa parte da floresta, visando coibir a degradação total desta e, conseqüentemente, trazer sérios prejuízos à vida humana; • neste raciocínio, uma outra pergunta devese fazer. O que efetivamente atende aos objetivos da lei? A mera formalidade de averbação da Reserva Legal junto à matrícula do imóvel ou a efetiva preservação através da manutenção da florestal em seu estado original? Ora, é lógico que uma mera formalidade não tem o condão de negar juridicidade à situação fática inegável de respeito à Reserva Legal, como ocorre neste caso; • isto vem corroborar o que já fora dito acerca do tema, ou seja, quando há a exigência de qualquer ato para reconhecimento de restrição administrativa a lei o faz expressamente. No caso da Reserva legal e das áreas de Preservação Permanente não há essa exigência, isto porque referidas áreas são decorrências naturais da legislação e Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10218.720731/200768 Acórdão n.º 2003000.147 S2C0T3 Fl. 170 5 existem independentemente de qualquer outro ato, até mesmo de averbação junto à matrícula do imóvel; • a discussão toma ares jurídicos inconfundíveis: procedimentos que se traduzem em meras formalidades, como é o caso da averbação da Reserva legal junto à matrícula do imóvel não podem se sobrepor à verdade real dos fatos, isto é, a existência fática indiscutível de cobertura florística e, consequentemente, o integral respeito à Reserva Legal da área em questão; • não há como a Receita Federal deixar de reconhecer a existência da Reserva Legal no prédio rústico objeto da presente, para, assim, imputar ao autuado gravame insuportável, além do que a própria legislação já o imprime, uma vez que restringe sobremaneira o direito de propriedade ao vedar a exploração, a corte raso de 80% destaquese: oitenta por cento da propriedade; • melhor sorte não assiste à exigência de Ato declaratório ambiental ADA, para que efetivamente se comprove a existência de Reserva Legal e sua conseqüente isenção do pagamento de ITR; • é bem verdade que a legislação infralegal ligada ao tema realmente condiciona o reconhecimento de área de Reserva Legal à averbação e apresentação do ADA e transcreve o art. 10 do Decreto nº 4.382/2002; • mostra farta jurisprudências do Poder Judiciário que considera ilegais as exigências do decreto acima declinado, bem como, decisões do próprio Conselho de Contribuintes; • a própria legislação que rege a matéria prevê expressamente a dispensa de apresentação do ADA para fins de comprovação existência de Reserva Legal e APPs nos prédios rústicos objeto de declaração, ressalvando apenas a cobrança de imposto suplementar, caso a declaração não seja verdadeira, o que obviamente não é o caso, já que está provado que a área em questão tem sua cobertura florística absolutamente intacta e transcreve o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 e nesse sentido, mostra ensinamentos de Djalma Sigwalt; • a Secretária da Receita Federal não poderia condicionar a aceitação do Laudo de Avaliação do Imóvel ao enquadramento deste no Grau de Precisão e Fundamentação II da ABNT NBR 146533 e transcreve os fundamentos que embasam tal assertiva; • neste sentido, irretocáveis as razões levantadas pelo Engenheiro Agrônomo elaborador do laudo avaliativo; Fl. 172DF CARF MF 6 • observese que ele foi muito preciso ao descrever as razões pelas quais avaliou o imóvel em cerca de R$ 30,00 (trinta reais) por hectare, para o ano de 2003; • ao se proceder à avaliação de um imóvel não se pode deixar de considerar fatores externos que tem influência direta no valor final do bem; • nada mais justo do que enfatizar que o prédio rústico em questão sofre fatores depreciativos bastantes significativos. Basta observar o laudo avaliativo e se percebe que esses fatores são preponderantes ao valor do imóvel e os cita; • o procedimento da Receita Federal, este sim, está à revelia da realidade,já que se baseia por tabelas, as quais, por óbvio, não levam em consideração os fatores acima declinados, mas, tão somente, a localização do imóvel; • não é necessário que se diga que a utilização dessas tabelas fere um princípio fundamental da Constituição Federal, que é a isonomia, cujo princípio significa não apenas tratamento igualitário a todos, porém o tratamento desigual para os desiguais. Nesse sentido, é impossível achar que outras propriedades regionais, submetidas a situações fáticas diferentes devem ser valoradas da mesma maneira; • sobre o assunto, mostra manifestação apresentada pelo Engenheiro Avaliador subscritor do trabalho de avaliação apresentado pelo contribuinte e insisti que o laudo de avaliação do profissional responsável pelo mesmo corresponde à realidade; • corroborando esses valores, no ano de 2005 a Prefeitura Municipal de São Félix do Xingu, através de Engenheiros agrônomos avaliadores, estipulou que o valor do imóvel denominado "Fazenda Araguaína" é de R$ 194.760,00 (cento e noventa e quatro mil, setecentos e sessenta reais), isto para o ano de 2005. Portanto, referido laudo vem apenas demonstrar que a avaliação procedida pelo profissional Marlon da Silva Ferreira é verdadeiro e está em consonância com os preços praticados para aquela região; • sintetizando tudo o que ficou cabalmente demonstrado, mostra quadro que apura o imposto devido a ser cobrado; • finalmente, requer: • • o recebimento da presente impugnação, bem como seja determinado o seu processamento e conseqüente conhecimento de toda a matéria nele declinada; • • o reconhecimento cabal de existência de área de Reserva Legal e áreas de Preservação Permanente no prédio rústico em Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10218.720731/200768 Acórdão n.º 2003000.147 S2C0T3 Fl. 171 7 questão, hábeis a dar suporte à isenção de cobrança de ITR para o ano de 2003; • • o reconhecimento e aceitação dos valores estipulados no laudo de avaliação confeccionado pelo Engº Agrônomo Marlon da Silva Ferreira; e • • como medida de justiça, aceitase a cobrança de valores remanescentes relativos ao ITR 2003 na área em questão, porém nos valores declinados na tabela já referida. Julgamento de Primeira Instância A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, por unanimidade, julgou improcedente a contestação do impugnante, mantendo o crédito tributário consubstanciado na Notificação de Lançamento, nos termos do relatório e voto ali registrados (fls. 118/131). Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o sujeito passivo interpôs Recurso voluntário, argumentando o que já fora questionado por ocasião da impugnação, acrescentando, após o requerimento final, o que segue sintetizado (fls: 135/162): 1. discorre sobre o fato da decisão de origem não ter admitido os argumentos fundamentados na doutrina e na jurisprudência, acerca da exigência de averbação na matrícula do imóvel e protocolização tempestiva do ADA para fins do gozo da isenção atinente à ARL e APP respectivamente; 2. embora não alegado na impugnação, suscita na fase recursal que o fato gerador do período submetido a julgamento ocorreu em 01/01/2003 (art. 1º da Lei nº 9.393. de 1996), cujo prazo decadencial se expirou em 31/12/2007, e a ciência da Notificação de Lançamento ocorreu, extemporaneamente, somente em 03/01/2008. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 26/08/2013 (fls. 165), e a Peça recursal foi recebida em 18/09/2013 (fls. 135), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, dele tomo conhecimento. Preliminares Fl. 174DF CARF MF 8 O recorrente se insurge contra a autuação na fase recursal, sob o fundamento de que o fato gerador do período submetido a julgamento ocorreu em 01/01/2003 (art. 1º da Lei nº 9.393. de 1996), cujo prazo decadencial se expirou em 31/12/2007, e a ciência da Notificação de Lançamento ocorreu, extemporaneamente, somente em 03/01/2008 (fls. 07/08). Por se tratar de matéria de ordem pública, referida preliminar há de ser enfrentada, mesmo que suscitada somente na seara recursal. Assim sendo, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento do tributo, o CTN em seu art. 173, inciso I: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...] Noutro sentido, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, ocorrendo pagamento antecipado, ainda que inferior ao efetivamente devido, afastadas as situações de fraude, dolo ou simulação, vale o mandamento visto no § 4º do artigo 150 do mesmo Diploma legal. Confirase: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A propósito, nos termos do art. 10, caput, da Lei nº 9.393, de 1996, a apuração do ITR devido se dará por meio de lançamento por homologação. Confirase: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Nessa perspectiva, o início da contagem do prazo decadencial do referido Imposto, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, será determinado se levanto em conta a existência ou não de pagamento antecipado, conforme CTN, arts. 150, § 4º ou 173, inciso I, respectivamente. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10218.720731/200768 Acórdão n.º 2003000.147 S2C0T3 Fl. 172 9 A propósito, vale consignar que os julgadores deste Colegiado estão vinculados à decisão do STJ, tomadas por recursos repetitivos, adotando a tese de que a aplicação do dispositivo legal acima transcrito, depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento (Resp n° 973.733/SC). Confirase a ementa: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, Fl. 176DF CARF MF 10 págs.91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Nesse cenário, considerando que não consta antecipação de pagamento do ITR nos documentos acostados aos autos, não procede a alegação do recorrente de que o direito da Fazenda pública constituir citada autuação se expirou em 31/21/2007, pois, ao caso, aplica se a regra decadencial vista no CTN, art. 173, inciso I, e não aquela mais favorecida presente em seu art. 150, § 4º. Assim entendido, há de se reproduzir o mandamento do STJ visto anteriormente, segundo o qual, na falta de pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial do tributo lançado por homologação se inicia no primeiro dia do ano seguinte ao da ocorrência do respectivo fato gerador. Logo, como visto, a ciência do reportado lançamento ocorreu em 03/01/2008, antes da decadência suscitada, a qual viria se operar no último dia do dito ano (2008). Isto posto, rejeitase reportada alegação de decadência. Delimitação da lide Consoante visto no Relatório, a autoridade autuante já havia reconhecido e acatado o VTN estipulado no laudo de avaliação confeccionado pelo Engº Agrônomo Marlon da Silva Ferreira, que o recorrente apresentou por ocasião do procedimento fiscal, conforme se observa na fls. 04 (área tributável: 4.356,0 ha x R$ 30,00/ha = R$ 130.680,00). Logo, a lide estabelecida se refere à exclusão da APP e da ARL da incidência do ITR, por falta de apresentação tempestiva do ADA, assim como do registro da reserva legal à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. A cronologia metodológica do trabalho Dentro do espaço delimitado pela controvérsia instaurada, o escopo do presente estudo está a compreender aquilo que efetivamente diz a norma tributária, como se passa o que alí está dito e de que modo a situação fática a ela se subsume. Assim sendo, buscando facilitar a compreensão dos fatos, a presente abordagem se desdobrará em 04 (quatro) eixos, cujas abordagens se complementam nos respectivos tópicos, quais sejam: 1. APP nessa perspectiva, a problemática tida pela apresentação tempestiva do ADA será debatida na seguinte ordem cronológica de tópicos: Contextualização do imóvel rural no ordenamento constitucional brasileiro, ITR Aspectos constitucionais, ITR Aspectos legais, Hipóteses de incidência, base de cálculo e contribuinte, Norma legal vigente, Base de Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10218.720731/200768 Acórdão n.º 2003000.147 S2C0T3 Fl. 173 11 cálculo VTN tributável, Isenções exclusões da base de cálculo, Caracterização do ADA, A imprescindibilidade da apresentação tempestiva do ADA, A natureza acessória da obrigação, A legalidade do estabelecimento de prazo para a apresentação do ADA e Cronologia referente ao prazo de apresentação do ADA; 2. ARL aí, se discorrerá acerca de sua averbação, onde serão tratados os tópicos referentes à exigência em si, como também ao prazo para sua efetivação; 3. a seguir, discorreremos sobre o reflexos das isenções concedidas na apuração do tributo, conforme tópicos a seguir: Progressividade de alíquota, Grau de utilização do imóvel rural GU, Área aproveitável do imóvel rural e Área efetivamente utilizada na atividade rural; 4. por fim, traremos abordagens fundamentando o entendimento obtido durante a presente análise, tais como: A dispensa da prévia comprovação de área isenta, Princípio da estrita legalidade tributária, Interpretação literal da legislação que concede isenção, A apresentação tempestiva do ADA, A averbação da reserva legal no prazo estipulado pela legislação e A Jurisprudência administrativa e judicial. Mérito Área de Preservação Permanente Conforme se verá na sequência, citada isenção tributária está condicionada à apresentação tempestiva do correspondente Ato Declaratório Ambiental (ADA). Assim sendo, o enfrentamento da querela fica facilitado quando explorado o aspecto da extrafiscalidade do ITR, o que se buscou privilegiar no presente estudo. Superada essa questão, passaremos à análise propriamente do mencionado Imposto por meio da subsunção dos fatos apresentados nos autos aos preceitos estabelecidos pela legislação que trata do assunto. Contextualização do imóvel rural no ordenamento constitucional brasileiro A Constituição Federal, de 1988, buscou assegurar o necessário equilíbrio entre a garantia individual da propriedade privada e sua função social como princípio da ordem econômica. Assim entendido, a primeira se apresenta atrelada à segunda tanto no capítulo dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos art. 5º, XXII e XXIII como naquele dos Princípios Gerais da Atividade Econômica art. 170, II e III nestes termos: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, [...], à propriedade, nos termos seguintes: [...] XXII é garantido o direito de propriedade; XXIII a propriedade atenderá a sua função social; Art. 170. A ordem econômica, [...], conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: [...] II propriedade privada; Fl. 178DF CARF MF 12 III função social da propriedade. Refinando o raciocínio, vêse que a Carta Magna, pontual e especificamente, traz estímulos especificamente voltados ao cumprimento da função social do imóvel rural, seja estabelecendo os critérios de seu respectivo atingimento art. 186, I e II seja restringindo em si o próprio direito fundamental de propriedade arts. 184, caput, e 185, II e § único in verbis: Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social [...]; Art. 185. São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária: [...] II a propriedade produtiva. Parágrafo único. A lei garantirá tratamento especial à propriedade produtiva e fixará normas para o cumprimento dos requisitos relativos a sua função social; Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: I aproveitamento racional e adequado; II utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; Nessa perspectiva, sopesando os comandos constitucionais vistos nos arts. 186 e 184 acima, inferese que, numa suposta relação hipotética, o primeiro pode se apresentar como antecedente e o segundo como consequente, ou seja, em situação extremada, o descaso com a função social do imóvel rural poderá implicar sua desapropriação por interesse social. Assim entendido, é imprescindível a conciliação entre os interesses individuais decorrentes do direito de propriedade e os coletivos advindos com a justa solidariedade social, razão por que, quanto a isso, o comando constitucional sinaliza as potenciais hipóteses: 1. os legisladores deverão estimular referido equilíbrio, mediante normas incentivadoras de condutas salutares tanto do ponto de vista individual quanto coletivo; 2. os governos deverão promover políticas públicas direcionadas a tais finalidades; 3. os operadores do direito deverão orientar suas decisões com vistas ao atendimento dos preceitos ora discorridos; 4. à sociedade organizada, sem desrespeitar a propriedade privada, deverá exigir o cumprimento da função social da terra; 5. o proprietário individual do imóvel rural deverá conduzir seus propósitos pessoais com apreço aos interesses da coletividade. Descendo a pirâmide, passaremos a analisar o delineamento do aludido tributo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10218.720731/200768 Acórdão n.º 2003000.147 S2C0T3 Fl. 174 13 ITR Aspectos constitucionais Tratase de imposto de competência da União CF, de 1988, art. 153, VI de função eminentemente extrafiscal, cujos contornos são desenhados para estimular o cumprimento da função social do imóvel rural considerado, possibilitando benefícios à sociedade, sem prejuízo do exercício do direito de propriedade pelo seu titular. Confirmase: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: [...] VI propriedade territorial rural; [...] § 4º O imposto previsto no inciso VI do caput: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) I será progressivo e terá suas alíquotas fixadas de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas; II não incidirá sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel; A citada progressividade fiscal se traduz em instrumento de intervenção na propriedade privada com vistas a inibir a manutenção de imóvel rural improdutivo, em atendimento à função social que a Constituição determinou fosse observada, conforme já se transcreveu no tópico anterior (arts. 5º, XXIII, e 170, II). Ainda no mesmo sentido, na forma também já vista precedentemente, o mandamento Constitucional, por um lado, declarou a propriedade produtiva insuscetível de desapropriação para reforma agrária (art. 185, II); por outro, delineou a função social que o imóvel há de cumprir, estabelecendo os critérios do aproveitamento racional da terra, como também a utilização adequada dos recursos disponíveis e a preservação do meio ambiente (art. 186, I e II). Na mesma esteira do cumprimento da função social do imóvel rural, diretamente, a Matriz Constitucional traz a imunidade do ITR atinente à pequena gleba rural quando atendidas as circunstâncias ali delineadas (art. 153, § 4º, II). Não de modo diferente, embora indiretamente, podese compreender que o cumprimento da função social do imóvel rural também foi privilegiado, na medida em que a Carta sinaliza imunidade dos imóveis pertencentes à União, Estados, Distrito Federal, Municípios, autarquias e fundações públicas, instituições de educação e assistência social nos termos por ela estabelecidos (art. 150, VI, alíneas "a" e "c", §§ 2º a 4º). Por fim, a Carta Constitucional define que as normas gerais em matéria tributária serão estabelecidas por meio de lei complementar, nos seguintes termos: Art. 146. Cabe à lei complementar: [...] III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos Fl. 180DF CARF MF 14 respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; (grifo nosso) ITR Aspectos legais Hipóteses de incidência, base de cálculo e contribuinte No atendimento do comando constitucional acima transcrito (art. 146, III, alínea "a"), dispondo sobre o aspecto material da incidência de referido Tributo, o Código Tributário Nacional (CTN) recepcionado com força de lei complementar pela CF, de 1988 em seus arts. 29 a 31, definiu que o ITR tem por fato gerador a propriedade, o domínio útil, ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município; por base de cálculo o seu valor fundiário e como contribuinte o proprietário, titular do domínio útil ou possuidor a qualquer título, nestes termos: Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município. Art. 30. A base do cálculo do imposto é o valor fundiário; Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Norma legal vigente Nessa esteira, em consonância com as disposições contidas nas normas gerais transcritas acima, a Lei Federal nº 9.393, de 1996, delimita os contornos do fato gerador (art. 1º); do contribuinte (art. 4º) e da base de cálculo (arts. 8º) do reportado Imposto, nestes termos: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. [...] Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. Base de cálculo VTN tributável Até então, relativamente à presente abordagem, adequado consignar que referida Lei referenciou a base de cálculo do ITR a partir do preço de mercado da terra nua Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10218.720731/200768 Acórdão n.º 2003000.147 S2C0T3 Fl. 175 15 tributável na data de ocorrência do respectivo fato gerador (VTNt), o que se dará em 1º de janeiro de cada ano. Nessa perspectiva, orientando o estudo ao propósito que se pretende atingir, que é o enfrentamento da lide em debate, é apropriado se discorrer acerca da apuração da dita base tributável, conforme dispõe reportado mandamento legal, com a redação vigente à época do fato gerador, nestes termos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente (APP) e de reserva legal (ARL)...[...] b) de interesse ecológico (AIE) para. [...] c) comprovadamente imprestáveis (ACI) para [...] d) sob regime de servidão florestal (ARSF); e) cobertas por florestas nativas (ACFN), primárias [...] f) alagadas (AA) para fins de constituição de reservatório [...] (grifo nosso) Importante salientar que a legislação tributária acompanha o entendimento dado à terra nua pelo Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002, art. 79), definindoa como sendo o imóvel rural por natureza ou acessão natural, compreendendo o solo com a sua superfície e respectiva mata nativa, floresta nativa ou pastagem natural. Isto está posto na IN RFB nº 256, de 2002, art. 32, caput. Confirase: Art. 32. Valor da Terra Nua (VTN) é o valor de mercado do solo com sua superfície, bem assim das florestas naturais, das matas nativas e das pastagens naturais que integram o imóvel rural. Nesse cenário, o já transcrito § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, por meio do seu inciso III, assevera que o valor da terra nua tributável (VTNt) efetiva base de cálculo do tributo em destaque equivale ao valor da terra nua (VTN) correspondente à área tributável. Portanto, representado pelo produto da multiplicação do VTN pelo quociente da divisão entre a área tributável e a extensão total do respectivo imóvel rural. Confirase: Fl. 182DF CARF MF 16 Art. 10. [...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] III VTNt, o valor da terra nua tributável, obtido pela multiplicação do VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total; (grifo nosso) Isenções exclusões da base de cálculo A propósito, por ser proveitoso para a construção dos fundamentos a se hipotecar nesta análise, conveniente registrar que, como visto, exceto quanto às imunidades voltadas ao cumprimento da função social referenciada anteriormente (CF, de 1988, arts. 153, § 4º, II, e 150, VI, alíneas "a" e "c", §§ 2º a 4º), o ITR incide sobre a totalidade remanescente dos imóveis rurais, nos termos apontados pelo CTN. Logo, as exclusões redução da base de cálculo estabelecidas na legislação supratranscrita (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, incisos I e II) traduzem notórias isenções tributárias, como tais, carregadas de especificidades próprias, conforme se verá adiante. No contexto, releva retomar que tais isenções retratam a dimensão extrafiscal do mencionado Imposto, pois pretendem estimular o cumprimento da função social do imóvel rural por meio da utilização adequada dos recursos disponíveis e da preservação do meio ambiente. Assim entendido, quando da apuração da reportada base de cálculo, a Lei exclui, por um lado, os custos diretos a que se referem as aplicações dispostas nas alíneas "a" a "d" do seu art. 10, § 1º, inciso I (valor das benfeitorias, culturas, pastagens e reflorestamento); por outro, no cálculo da área tributável, elide a tributação atinente às áreas utilizadas na forma vista nas alíneas "a" a "f" constantes no inciso II do mesmo parágrafo e artigo (APP, ARL, AIE, ACI, ARSF, ACFN e AA). Nesse pressuposto, anunciada isenção tributária está condicionada ao cumprimento de requisito obrigatório, previsto na Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, que lhe alterou o mandamento do § 1º do art. 17O, qual seja: a existência de ADA ou do protocolo de seu requerimento perante o IBAMA ou órgão ambiental com ele conveniado. Enfim, tratase de exigência genérica indispensável para a supressão de qualquer área da incidência do referido tributo. Confirase: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) [...] § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Caracterização do ADA O ADA é o instrumento que possibilita a alimentação do cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA, destacando aquelas frações de interesse ambiental, as quais, se atendidos os preceitos legais, são excluídas da base de cálculo do ITR. Tratase, portanto, de obrigação imposta ao detentor do reportado benefício fiscal, cuja pretensão é estimular o já Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10218.720731/200768 Acórdão n.º 2003000.147 S2C0T3 Fl. 176 17 discutido cumprimento da função social do imóvel rural, na medida em que incentiva a preservação do meio ambiente, contribuindo para a conservação da natureza e melhor qualidade de vida. Mais objetivamente, atendida a condição imposta, o proprietário rural vê seu tributo reduzido quando protege suas florestas ou vegetações naturais, assim como em virtude do incremento na produtividade da respectiva terra. A imprescindibilidade da apresentação tempestiva do ADA Nos termos vistos no § 4º do art. 10 do Decreto nº 4.382, de 2002, o ADA é um documento por meio do qual o contribuinte declara ao IBAMA as áreas excluídas da base de cálculo do ITR nos termos previstos na legislação. Assim entendido, por meio dele o Órgão fiscalizador ambiental recebe informações relativas à preservação e conservação ambientais de propriedades rurais, realiza auditoria com vistas a averiguar a veracidade das informações ali constantes e, quando for o caso, lavrará, de ofício, novo ADA, corrigindo as supostas distorções verificadas, o qual será encaminhado à RFB, a quem compete efetivar a autuação correspondente. Confirmase: Decreto nº 4.382, de 2002: Art. 10. [...]. § 4º O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3º e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 Como visto precedentemente, há de se entender que a isenção pretendida pelo sujeito passivo traz duas vertentes distintas, mas complementares, quais sejam: por um lado, o aspecto formal da existência ou não do ADA, que é fiscalizado pela RFB; por outro, o aspecto material, caracterizado pelo levantamento técnico da conformidade entre o registro documental e a existência real das áreas tidas por preservadas. Mais precisamente, tratase de dever legal visando a uma razoável praticabilidade da norma isencional tributária, na medida em que a exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR permite uma efetiva fiscalização da preservação da área de interesse ambiental por parte do IBAMA. Nesse sentido, conforme visto, vale dizer que o atendimento de mencionada obrigação potencializa o cumprimento da função social do imóvel rural pretendido pela Constituição Federal. A natureza acessória da obrigação Nessa perspectiva, conforme a Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), art. 113, §§ 1º, 2º e 3º, somente há duas espécies de obrigações tributárias impostas ao contribuinte, a principal e a acessória. A primeira, trata do pagamento de tributo ou penalidade; a segunda, diz respeito a todas as imposições feitas ao sujeito passivo no interesse da arrecadação ou da fiscalização Fl. 184DF CARF MF 18 dos tributos. Ademais, esta última se transforma em principal no tocante ao pagamento de penalidade pecuniária, quando e somente se, legalmente prevista. Confirase: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A propósito, não se imagina razoável descaracterizar a natureza de uma obrigação acessória supostamente porque inexistente a penalidade pecuniária pelo seu descumprimento, pois a legislação tributária prevê inúmeras situações onde não há reportada sanção. Quanto a isso, especialmente nos casos de benefícios fiscais, a lei optou por vincular referido gozo ao cumprimento das prestações positivas ou negativas nela impostas. A exemplo, transcrevemos excerto do Decreto nº 3.000, de 1999, arts. 516, 518, 527, inciso I, parágrafo único, e 530, inciso III, e 532 (vigente até 22/11/2018, quando foi revogado pelo Decreto nº 9.580, de 2018): Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). [...] Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7o do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). [...] Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; [...] Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10218.720731/200768 Acórdão n.º 2003000.147 S2C0T3 Fl. 177 19 movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). [...]. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (grifo nosso) [...] III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (grifo nosso) [...} Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). No caso, a forma de apuração do Imposto por meio de regime privilegiado (lucro presumido), caracterizado pela redução da base de cálculo do montante apurado e, especialmente, pela dispensa de escrituração contábil nos termos exigidos pela legislação comercial, fica afastada quando o beneficiário descumprir a obrigação acessória de apresentação do livro caixa escriturado (art. 530, III). Assim entendido, tal como a apresentação do ADA, inferese que a ausência de penalidade pecuniária pelo descumprimento da respectiva obrigação acessória não a descaracteriza, já que isso supostamente refletirá na perda do benefício pretendido (aumento da base de cálculo correspondente ao acréscimo de 20% do coeficiente de cálculo art. 532). Dá forma já posta, em síntese, o dever instrumental da apresentação do ADA consiste na prestação positiva no interesse da arrecadação e fiscalização do ITR, uma vez se traduzir em expediente que possibilita o acompanhamento do cumprimento da obrigação principal de pagar mencionado tributo, a partir das informações ali declaradas. Portanto, entendo que citada imposição se apresenta carregada de todos os requisitos próprios das obrigações acessórias tributárias, como o são os deveres de escriturar livros, expedir notas fiscais, manter cadastros perante o fisco, etc. Afinal, dito Instrumento; por um lado, está legalmente vinculado à apuração do ITR (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º); por outro, compreenderá o suporte fático da autuação decorrente das divergências levantadas pelo IBAMA e enviadas à Repartição Fiscal competente (Decreto nº 4.382, de 2002, art. 10, § 4º). Olhando em dita perspectiva, já que caracterizada a natureza acessória do dispositivo, vale delimitar o seu fato gerador, segundo o art. 115 do CTN: "Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal." (grifo nosso) Do até então exposto, temse que as obrigações acessórias podem decorrer da legislação tributária, por força dos arts. 113, § 2º, e 115 do CTN já transcritos, esta última Fl. 186DF CARF MF 20 compreendendo as normas complementares, dentre as quais os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, como se vê nos arts. 96 e 100, I, do CTN. Confirase: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. [...] Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; [...] A legalidade do estabelecimento de prazo para a apresentação do ADA Avançando no raciocínio, é relevante se identificar o momento de ocorrência das circunstâncias materiais caracterizadoras do descumprimento do citado dever instrumental, cujos efeitos implicam a glosa do benefício fiscal que o recorrente almejou usufruir. Por conseguinte, estabelecendo as condições necessárias ao fiel cumprimento da Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º, sob o manto Regulamentar e legal, a RFB e o IBAMA expedem atos administrativos complementando o detalhando do mandamento que a norma legal exigiu fosse cumprido. Nesse manto, conforme o já referenciado art. 96 do CTN, o decreto é ato normativo proveniente do Chefe do Poder Executivo, que integra a legislação tributária, e tem por incumbência essencial a regulamentação do conteúdo das leis, conforme art. 84, inciso IV, da CF, de 1988. Confirase: CF, de 1988: Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: [...] IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; CTN, de 1966: . Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende [...]. A tal respeito, dentro do liame permitido no escopo Constitucional, o Decreto nº 4.382, de 2002, art. 10, § 3º, inciso I, remete a definição do prazo de apresentação do ADA para ato normativo infralegal. Confirase: Decreto nº 4.382, de 2002: Art. 10. [...]. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10218.720731/200768 Acórdão n.º 2003000.147 S2C0T3 Fl. 178 21 I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e Não bastasse referida previsão infralegal da definição dos prazos e condições para a apresentação do ADA mediante atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, a Lei nº 9.779, de 1999, art. 16, traz comando funcional específico para a RFB estabelecer obrigações acessórias relativas aos tributos por ela administrados, aí se incluindo os prazos e condições para o cumprimento. Confirase: Lei nº 9.779, de 1999: Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável (grifo nosso). Cronologia referente ao prazo de apresentação do ADA Estritamente dentro dos limites legais supracitados, a RFB e o IBAMA estabeleceram a obrigatoriedade da protocolização no IBAMA de requerimento do ADA em dois períodos distintos, que têm por marco o exercício de 2007. Nesse pressuposto, citado protocolo deveria se dar em até seis meses contados do termo final para a entrega da respectiva DITR e de 1° de janeiro a 30 de setembro do correspondente exercício, conforme se trate de declaração referente a exercício anterior ao limítrofe e dali em diante respectivamente. Confirase: 1. para os exercícios anteriores a 2007, reportado protocolo deveria ocorrer em até seis meses contados do termo final para a entrega da respectiva DITR, nos termos da IN SRF nº 43, de 1997, art. 10, § 4º, inciso II, com a redação dada pela IN SRF nº 67, de 1997, art. 1º. Confirase: IN SRF nº 43, de 1997: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 67, de 01 de setembro de 1997) [...] § 4o As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 67, de 01 de setembro de 1997) [...] Fl. 188DF CARF MF 22 II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 67, de 01 de setembro de 1997) (grifo nosso) Oportuno registrar que, no lapso temporal retrocitado, os atos normativos que trataram do assunto em debate, embora passando por uma sequência de revogações, mantiveram inalterado o interregno de seis meses contados da data final para a apresentação da respectiva Declaração. Nessa perspectiva, a IN SRF nº 43, de 1997 foi revogada pela IN SRF nº 73, de 2000, a qual também foi objeto de revogação pela IN SRF nº 60, de 2001, também fulminada pela IN SRF nº 256 de 2002. Confirase: IN SRF nº 73, de 2000 (revoga a IN SRF nº 43, de 1997): Art. 17. Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental de preservação permanente ou de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato do IBAMA, ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: [...] II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; e (grifo nosso) IN SRF nº 60, de 2001 (revoga a IN SRF nº 73, de 2000) Art. 17. Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental, de preservação permanente ou de utilização limitada, serão reconhecidas mediante ato do Ibama ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: [...] II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao Ibama; (grifo nosso) IN SRF nº 256, de 2002 (revoga a IN SRF nº 60, de 2001): Art. 9º Área tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: [...] § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR 2. a partir do exercício de 2007, a RFB estabeleceu a obrigatoriedade da protocolização no IBAMA de requerimento do ADA, não mais em seis meses, contados da data final para a entrega da DITR do correspondente exercício, e sim no prazo estipulado na Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10218.720731/200768 Acórdão n.º 2003000.147 S2C0T3 Fl. 179 23 legislação ambiental, conforme a IN SRF nº 256, de 2002, art. 9º, § 3º, inciso I, com a alteração implementada pela IN RFB nº 861, de 2008, c/c a IN RFB nº 746, de 2007, art. 10. Confirase: IN SRF nº 256, de 2002 (alterada pela IN RFB nº 861, de 2008): Art. 9º [...] § 3º [...[ I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), observada a legislação pertinente (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 861, de 17 de julho de 2008) (grifo nosso) IN RFB nº 746, de 2007: Art. 10. Para fins de apuração do ITR, o contribuinte deve apresentar ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o Ato Declaratório Ambiental (ADA) a que se refere o art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, observada a legislação pertinente. (grifo nosso) Nessa nova configuração, o IBAMA determinou que o ADA deve ser declarado anualmente de 1° de janeiro a 30 de setembro, conforme IN IBAMA nº 76, de 2005, art. 9º; IN IBAMA nº 96, de 2006, art. 9º, e arts. 6º, § 3º, e 7º da IN IBAMA n° 5, de 2009. Confirase: IN IBAMA nº 76, de 2005: Art 9º O prazo de entrega do ADA será de 1º de janeiro a 31 de setembro do ano em exercício. (grifo nosso) Parágrafo único. Excepcionalmente, o prazo de entrega do ADA relativo a DITR2005 será até 31 de março de 2006 e para a DITR 2006 o prazo será de 1º de abril a 30 de setembro de 2006. (grifo nosso) IN IBAMA nº 96 de 2006: Art 9º As pessoas físicas e jurídicas que desenvolvem atividades classificadas como agrícolas ou pecuárias, incluídas na Categoria de Uso de Recursos Naturais constantes no Anexo II, deverão apresentar anualmente o Ato Declaratório Ambiental. IN IBAMA nº 05, de 2009: Art. 6º O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). Fl. 190DF CARF MF 24 [...] § 3º O ADA deverá ser entregue de 1º de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado.(grifo nosso) Art. 7º. As pessoas físicas e jurídicas cadastradas no Cadastro Técnico Federal, obrigadas à apresentação do ADA, deverão fazêla anualmente. Área de reserva legal exigência legal do registro à margem da inscrição de matrícula do imóvel Inicialmente, todo imóvel rural deve manter uma área com cobertura de vegetação nativa, a título de Reserva Legal, conforme Lei nº 4.771, de 1965, art. 1º, § 2º, inciso III, nestes termos: Art. 1º [...] § 2º [...] III Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Vale consignar que a isenção da área de reserva legal da base de cálculo do ITR carece da certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel comprovando formalmente a sua averbação como de interesse ambiental antes da ocorrência do fato gerador. Assim sendo, quanto a isso, não basta a apresentação tempestiva do ADA, pois tal ato tem efeito meramente declaratório, e não constitutivo, como o é o citado registro, condicionante do direito ao referido benefício fiscal. Por oportuno, supracitada isenção está posta na já transcrita Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, alínea "a", a qual se reporta expressamente às disposições da Lei nº 4.771, de 1965, que traz a condição imposta para o gozo de citada isenção em seu art. 16, § 8º, verbis: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (...) § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Igualmente ao que se viu quanto à exigência da apresentação do ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, em essência, a Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10218.720731/200768 Acórdão n.º 2003000.147 S2C0T3 Fl. 180 25 condição caracterizada pelo registro em destaque visa tão somente potencializar o cumprimento da função social do imóvel rural pretendido pela Constituição Federal. Prazo para averbação da ARL Antes de adentrarmos no prazo para o sujeito passivo gravar reportada ARL mediante sua averbação à margem do registro de imóvel competente, ressaltase que se aproveita ao caso os pressupostos atinentes à "A natureza acessória da obrigação" e "A legalidade do estabelecimento de prazo para a apresentação do ADA", razão por que evitaremos repetir o que ali já está posto. Mais especificamente, aqui se encaixa o poder regulamentar proveniente do Chefe do Poder Executivo (CF, de 1988, art. 84), como também os atos normativos da RFB (Lei nº 9.779, de 1999, art. 16), ambos compreendidos na legislação tributária (CTN, 1966, art. 96). Afinal, citada averbação se traduz em obrigação acessória, como tal, devendo a RFB definir prazos e condições de apresentação. Em tal ótica, a RFB, estritamente dentro dos limites legais já debatidos, estabeleceu que citado procedimento deveria se dar antes da ocorrência do fato gerador atinentes ao exercício declarado. Logo, na forma vista a seguir, a ARL somente será excluída de tributação, se sua averbação à margem da matrícula do imóvel se der até de 01 de janeiro do correspondente exercício. Confirase: IN SRF nº 43, de 1997: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: [...] § 7º Para fins de exclusão do ITR, a área de reserva legal deverá estar averbada à margem da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis competente, ficando vedada a alteração de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento da área conforme artigo 16, § 2º, da Lei nº 4.771, de 1965, com a redação da Lei nº 7.803, de 1989. (grifo nosso) IN SRF nº 73, de 2000 (revoga a IN SRF nº 43, de 1997): Art. 17. Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental de preservação permanente ou de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato do IBAMA, ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: I as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei No 4.771, de 1965; (grifo nosso) IN SRF nº 60, de 2001 (revoga a IN SRF nº 73, de 2000) Art. 17. Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental, de preservação permanente ou de utilização limitada, Fl. 192DF CARF MF 26 serão reconhecidas mediante ato do Ibama ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: [...] I as áreas de reserva legal e de servidão florestal, para fins de obtenção do ato declaratório do Ibama, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei no 4.771, de 1965; (grifo nosso) Mais precisamente, o § 1º do art. 12 do Decreto nº 4.382, de 2002, é cristalino ao ratificar a condição, bem como asseverar que citada averbação deverá ocorrer até a ocorrência do fato gerador do imposto. Confirmase: Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. (grifo nosso) Acrescentase que, ainda no mesmo ano, a RFB ratificou referido entendimento, mediante atualização da legislação até então vigente. Confirmase: IN SRF nº 256, de 2002 (revoga a IN SRF nº 60, de 2001): 13/12/2002 Art. 11. São áreas de reserva legal aquelas cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos. § 1º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas a que se refere o caput devem estar averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, na data de ocorrência do respectivo fato gerador. (Grifo nosso) Fundamentase o acima entendido, interpretandose, sistematicamente, a legislação tributária com os preceitos legais vistos na Lei nº 9.393, de 1996, art. 1º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 144. A primeira, definindo que o fato gerador do ITR ocorre em 01 de janeiro de cada ano; a segunda, firmando que o lançamento se reporta à data do respectivo fato gerador. Confirase: Lei nº 9.393, de 1996: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Lei nº 5.172, de 1966: Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10218.720731/200768 Acórdão n.º 2003000.147 S2C0T3 Fl. 181 27 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada Nesse contexto, conforme visto no tópico "A imprescindibilidade da apresentação tempestiva do ADA", é no ADA que o sujeito passivo declara as áreas excluídas da base de cálculo do ITR, o que se reporta à data do fato gerador. Portanto, a ela se referia os atos normativos editados antes do Decreto n° 4.382, de 2002, embora se apropriando de expressões indiretas, quais sejam: "Para fins de exclusão do ITR" (IN SRF nº 43, de 1997) e"para fins de obtenção do ato declaratório..." (IN SRF nº 73, de 2000 e IN SRF nº 60, de 2001). Progressividade de alíquota Além das isenções apontadas, como se há verificar, especificado mandamento legal privilegia a progressividade fiscal de citado tributo, na medida em que se propõe inibir a manutenção de imóvel rural improdutivo, estabelecendo critérios de aproveitamento racional da terra, a partir da determinação de alíquotas em percentuais inversamente proporcionais ao grau de utilização do correspondente imóvel rural. Nessa perspectiva, conforme art. 11 da Lei nº 9.393, de 1996, dentro das respectivas faixas de tributação existentes, que são estabelecidas em razão da área total do imóvel rural, a alíquota aplicável será tanto menor quanto maior for o grau de utilização da propriedade. Confirase: Art. 11. O valor do imposto será apurado aplicandose sobre o Valor da Terra Nua Tributável VTNt a alíquota correspondente, prevista no Anexo desta Lei, considerados a área total do imóvel e o Grau de Utilização GU. Mais especificamente, o Anexo a que se refere a transcrição posta traz a seguinte tabela de alíquotas aplicáveis na apuração do ITR devido. Confirase: Grau de utilização GU (%) Área total do imóvel (extensão ha) Maior que 80 Maior que 65 até 80 Maior que 50 até 65 Maior que 30 até 50 Até 30 Até 50 0,03 0,20 0,40 0,70 1,00 Maior que 50 até 200 0,07 0,40 0,80 1,40 2,00 Maior que 200 até 500 0,10 0,60 1,30 2,30 3,30 Maior que 500 até 1.000 0,15 0,85 1,90 3,30 4,70 Maior que 1.000 até 5.000 0,30 1,60 3,40 6,00 8,60 Acima de 5.000 0,45 3,00 6,40 12,00 20,00 Considerando que as isenções apontadas refletem não somente na base de cálculo do ITR matéria vista precedentemente mas também na alíquota aplicável em sua apuração, na sequência, é plausível se contextualizar o grau de utilização do imóvel rural, como também suas áreas aproveitável e de efetiva utilização na mencionada atividade, que Fl. 194DF CARF MF 28 lastreiam a extrafiscalidade do citado tributo, determinada pela progressividade de suas alíquotas. Grau de utilização do imóvel rural GU É a relação percentual estabelecida entre a área efetivamente utilizada pela atividade rural e a totalidade aproveitável do respectivo imóvel, o qual, conforme visto no tópico precedente, juntamente com a extensão do imóvel, traduzse em critério determinante para a progressividade das alíquotas aplicáveis na apuração do ITR devido (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, VI; Decreto nº 4.382, de 2002, art. 31, e IN SRF nº 256, de 2002, art. 31). Confirase: Art. 10. [...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] VI Grau de Utilização GU, a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. Assim entendido, convém ressaltar que, conforme se discorrerá na sequência, as áreas aproveitável e efetivamente utilizada na atividade rural base para o cálculo do reportado grau de utilização (GU) consideram as isenções retrocitadas (Lei nº 9.393, de 2002, art. 10, § 1º, incisos I e II). Ademais, levam em consideração os fatos ocorridos entre 01 de janeiro e 31 de dezembro do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador. Área aproveitável do imóvel rural Tratase de área retratada no Quadro 10 do Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT "Distribuição da Área do Imóvel Rural”, a qual está apontada no Campo 10 e se caracteriza pela diferença entre a área total do imóvel (campo 01) e as isenções previstas no art. 10, § 1º, incisos I, alínea "a", e II, alíneas "a" a "f" da Lei retrocitada (campos 02 a 09). Confirase: Art. 10. [...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; b) de que tratam as alíneas do inciso II deste parágrafo; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) Área efetivamente utilizada na atividade rural Visto o comando legal abaixo transcrito (Lei nº 9.393, de 2002), cumpre destacar que, no Campo 18 do Quadro 11 do Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT "Distribuição da Área Utilizada na Atividade Rural” consta a área efetivamente utilizada na atividade rural. Esta, por sua vez, referese à porção da área aproveitável que, no ano anterior ao da ocorrência do fato gerador, tenha sido empregada para produtos vegetais, Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10218.720731/200768 Acórdão n.º 2003000.147 S2C0T3 Fl. 182 29 pastagens, exploração extrativa, criações diversas, projetos técnicos e pesquisa, como também quando situada em área de calamidade pública. Confirmase: Art. 10. [...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] V área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: a) sido plantada com produtos vegetais; b) servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária; c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; d) servido para exploração de atividades granjeira e aqüícola; e) sido o objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do art. 7º da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993; [...] § 6º Será considerada como efetivamente utilizada a área dos imóveis rurais que, no ano anterior, estejam: I comprovadamente situados em área de ocorrência de calamidade pública decretada pelo Poder Público, de que resulte frustração de safras ou destruição de pastagens; II oficialmente destinados à execução de atividades de pesquisa e experimentação que objetivem o avanço tecnológico da agricultura. A dispensa da prévia comprovação de área isenta Oportuno registrar que o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, vigente entre 25/08/2001 e 25/05/2012, não trouxe inovação no ordenamento jurídico tributário, pois apenas reforçou que o lançamento do citado Imposto se dará por homologação, conforme dispositivo constante no caput, c/c o art. 150 da Lei nº 5.172, de 1966. Logo, tratase da dispensa prévia de apresentação de documentos no momento da entrega da DITR, o que é próprio da referida modalidade de lançamento, o que é respeitado pela Receita Federal do Brasil. Confirase: Art. 10.[...] § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Fl. 196DF CARF MF 30 Provisória nº 2.16667, de 2001) (Revogada pela Lei nº 12.651, de 2012) Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] Assim sendo, quando questionado pelo Fisco, o contribuinte mantém a obrigação de comprovar o cumprimento tempestivo das condições impostas pela legislação para o gozo da isenção pretendida, mesmo se tratando de APP e ARL (alínea "a") ou de . área sob regime de servidão florestal (línea "d"). Ademais, tampouco há de se cogitar no afastamento da atribuição dada à fiscalização para verificar se os dados declarados correspondem à situação existente no correspondente imóvel na data do fato gerador do ITR, procedendo ao lançamento de ofício quando o sujeito passivo não lograr comprovar a regularidade dos dados informados na respectiva declaração. A propósito, em se tratando de tema complexo, entendo pertinente refinar a análise considerando dois pressupostos que refletem os comandos normativos da matéria em debate, quais sejam: (i) o da reserva legal visto no art. 97 do CTN e (ii) o da interpretação literal presente no art. 111 do mesmo Código. O primeiro, referindose à estrita legalidade própria dos elementos basilares da relação jurídico tributária (fato gerador da obrigação principal, base de cálculo, alíquota, etc.); o segundo, impondo limites atinentes à interpretação a ser dada aos dispositivos tributários que tratem da concessão de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigação tributária acessória. Princípio da estrita legalidade tributária A reserva legal tributária prevista no art. 150, inciso I, da CF, de 1988, impõe que a própria lei desenhe a regramatriz de incidência tributária a ser adotada pelos sujeitos da relação jurídicotributária. Nesse bojo, o art. 97 do CTN é preciso ao esclarecer e delimitar tais preceitos, mediante o estabelecimento de normas gerais tributárias. Confirmase: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10218.720731/200768 Acórdão n.º 2003000.147 S2C0T3 Fl. 183 31 § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. De pronto, examinando mais detalhadamente os arts. 96, 97 e 98 do CTN este último tratando dos tratados e convenções internacionais e os dois primeiros da legislação tributária e da reserva legal respectivamente notase que não há matéria relativa a prazos sujeita à reserva legal (arts. 97 e 98). Consequentemente, inferese que o ali não contido, referese a obrigações acessórias, como tais, podendo ser disciplinadas por meio da legislação tributária compreendida nos termos do art. 96 do citado Código. Interpretação literal da legislação que concede isenção Considerando que a tributação é a regra no exercício da competência tributária, as hipóteses de outorga de isenção e de dispensa do cumprimento de obrigação acessória devem ser interpretadas literalmente, por traduzirem exceções no ordenamento jurídico. Nessa ótica, conforme o art. 111 do CTN, o entendimento acerca da imprescindibilidade da apresentação tempestiva do ADA para o gozo da isenção pretendida pelo contribuinte deve ser restritivo, ficando afastada qualquer hipótese de dispensa ou substituição por outros documentos. Confirase: Lei nº 5.172, de 1966: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Por oportuno, o art. 175, parágrafo único, do CTN ratifica mencionada perspectiva restritiva, pois mantém a exigência de referida interpretação literal para a dispensa do cumprimento de obrigação acessória, ainda que haja outorga de isenção do suposto crédito tributário a ela vinculada. Confirase: Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; [...] Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente. Sumarizando o raciocínio teorizado nos últimos tópicos (progressividade de alíquota, grau de utilização, área aproveitável, área efetivamente utilizada, dispensa de comprovação prévia, estrita legalidade e interpretação literal), depreendese que os benefícios Fl. 198DF CARF MF 32 fiscais patrocinados pela supracitada Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, º 1º, incisos I e II, refletem redução do imposto devido, em face dos encolhimentos tanto da base de cálculo como da alíquota aplicável, decorrentes da isenção e da progressividade resultantes respectivamente. A apresentação tempestiva do ADA e da averbação da reserva legal Neste cenário, tendo em vista o que está posto no art. 175, inciso I, e parágrafo único do CTN, inferese que o incisos II do art. 111 de igual Código trata de matéria redundante, porquanto já inserida no inciso I de tal artigo. Afinal, a outorga de isenção se traduz modalidade de exclusão do crédito tributário. Logo, admitir a manutenção dos benefícios fiscais em controvérsia sem o cumprimento tempestivo das formalidades legais exigidas APP (apresentação do ADA) e reserva legal (averbação no registro de imóveis), implicará ofensa a todos aqueles incisos dispostos no art. 111 do CTN, já abordados precedentemente. Mais precisamente, restariam concedidas outorga de isenção e, de igual modo, dispensa do cumprimento de obrigação tributária acessória mediante forma de interpretação da legislação tributária divergente da literal, o que, como se conheceu, é vedado expressamente pelos arts. 111, incisos I, II e III, e 175 do CTN. Ademais, o art. 141 do mesmo Código é muito preciso ao ratificar citada proibição. Nestes termos: Art. 141. O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. Por todo o exposto, nos termo já vastamente debatidos, podese sintetizar o que segue: 1. o gozo do referido benefício fiscal está legalmente condicionado à protocolização tempestiva do ADA no IBAMA ou órgão conveniado, como também da averbação da reserva legal na forma já amplamente discutidos (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17 O, § 1º, e Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, § 8º); 2. citadas imposições se apresenta carregadas de todos os requisitos próprios das obrigações acessórias tributárias, pois realizadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização do tributo, como o são os deveres de escriturar livros, expedir notas fiscais, manter cadastros perante o fisco, etc. (CTN, art. 113, § 2º); 3. não há matéria relativa a prazos sujeita à reserva legal, razão por que o período e condições para apresentação do ADA podem ser disciplinados por meio da legislação tributária (CTN, arts. 96, 97 e 98); 4. há comando legal específico para a RFB estabelecer obrigações acessórias relativas aos tributos por ela administrados, aí se incluindo os prazos e condições para o respectivo cumprimento (Lei nº 9.779, de 1999, art. 16); 5. dentro do liame permitido no escopo Constitucional, o RITR remete a definição do prazo de apresentação do ADA para ato normativo infralegal (Decreto nº 4.382, de 2002, art. 10, § 3º, inciso I); 6. sob o manto legal (item 4) e Regulamentar (item 5), a RFB e o IBAMA expedem atos administrativos estabelecendo condições e prazos de apresentação do ADA; Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10218.720731/200768 Acórdão n.º 2003000.147 S2C0T3 Fl. 184 33 7. por fim, as hipóteses de outorga de isenção e de dispensa do cumprimento de obrigação acessória objetos do presente julgamento devem ser interpretadas literalmente, por traduzirem exceções no ordenamento jurídico vigente (CTN, arts. 111 e 175). Isto posto, com todas as vênias que me possam conceder os nobres julgadores que vêem de forma diferente, entendo haver, sim, mandamento legal autorizando o estabelecimento do prazo e das condições para a apresentação do ADA, como também para a averbação da ARL por meio de ato administrativo de autoridade competente, aí se incluindo o Chefe do Executivo Federal, mediante o poder regulamentar (CF, de 1988, art. 84), e as autoridades constituídas da RFB (lei nº 7.779, de 1999, art.16). Ademais, ainda que isso inexistente fosse, interpreto que os dirigentes da RFB e do IBAMA detêm mencionado poder em suas atribuições regimentais, nos termos do art. 100, inciso I, do CTN. Afinal, tratase do regramento de obrigação acessória, matéria não vinculada à reserva legal tributária. Jurisprudência administrativa e judicial Como se há verificar, a análise da jurisprudência que o recorrente trouxe no Recurso deve ser contida pelo disposto nos arts. 506 da Lei nº 13.105, de 2015, e 472 do Código de Processo Civil, os quais estabelecem que a sentença não reflete em terceiro estranho ao respectivo processo. Logo, por não ser parte no litígio ali estabelecido, o recorrente dela não pode se aproveitar. Confirmase: Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil: Art. 472. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros. Lei nº 13.105, de 2015 novo Código de Processo Civil: Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. Mais precisamente, as decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do CTN, razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho, conforme Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF. Confirmase: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 200DF CARF MF 34 a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 152, de 03 de maio de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 152, de 03 de maio de 2016) Superada a patenteada acepção conceitual retrocitada, passaremos ao enfrentamento da controvérsia propriamente. Exercício de 2003 prazo de apresentação do ADA Consoante se discorreu precedentemente, tratandose de declaração referente a exercício anterior ao de 2007, o termo final para a protocolização no IBAMA de requerimento do ADA correspondente ao citado exercício se deu em até 31 de março de 2004, seis meses contados do termo final para a entrega da respectiva DITR/2003, que sobreveio em 30 de setembro de 2003. É o que se abstrai da IN SRF nº 344, de 2003, arts. 3º e 13, incisos I e II. Confirmase: IN SRF nº 344, de 2003: Art. 3º A DITR deverá ser apresentada no período de 11 de agosto a 30 de setembro de 2003: [...] Art. 13. O contribuinte deverá protocolizar o Ato Declaratório Ambiental (ADA) a que se refere o art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10218.720731/200768 Acórdão n.º 2003000.147 S2C0T3 Fl. 185 35 prazo de seis meses, contado do término do prazo fixado para a entrega da DITR, estabelecido no art. 3º, se: I o imóvel rural teve alterada a área de interesse ambiental em relação à área declarada no ano anterior; II o imóvel rural estiver sendo declarado pela primeira vez. Por oportuno, vale registrar que não consta nos autos que o sujeito passivo tenha providenciado protocolização do citado ADA no IBAMA. Exercício de 2003 prazo para averbação da ARL Conforme já vastamente fundamento na discussão precedente, a reportada ARL deveria ter sido averbada até 01 de janeiro de 2003. Contudo, isso não consta nos autos. Do que se expôs, não procede a argumentação do sujeito passivo tutelando que a inexistência da apresentação tempestiva do ADA, como também da averbação da ARL até a data da ocorrência do respectivo fato gerador (01/01/2003), por si sós, são incapazes de afastar o benefício pretendido. Afinal, para o gozo de mencionado benefício fiscal, não basta somente o aspecto material da preservação em si, mas, também, o cumprimento das formalidades legalmente previstas. Assim sendo, ausente o cumprimento das condições imposta para o gozo das isenções atinentes à APP (apresentação tempestiva do ADA) e à reserva legal (averbação no registro de imóveis) na apuração do ITR, fica afastado o atendimento da pretensão do recorrente, mantendo as supostas áreas de preservação permanente e de reserva legal incluídas na base de cálculo do ITR, nos exatos termos da decisão de origem. Conclusão Ante o exposto, conheço do presente Recurso, rejeito a preliminar nele suscitada e, no mérito, NEGOLHE provimento. É como voto. Francisco Ibiapino Luz Fl. 202DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.902651/2008-63
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Não colacionado aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, para fins de comprovação do direito creditório, fica prejudicada a liquidez e certeza do crédito vindicado.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. NÃO CONFIGURADA. MULTA DE MORA DEVIDA.
Pagamento e compensação são modalidades de extinção do crédito tributário distintas, não apenas pela doutrina mas pelo próprio texto legal. A denúncia espontânea, para que se configure, requer o pagamento do tributo. Assim, no caso em que o contribuinte promove a extinção do débito pela via da compensação, a denúncia espontânea não resta caracterizada, e a multa moratória é devida, nos termos da lei, estando o débito em atraso na data da compensação.
Numero da decisão: 1001-001.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Severo Chaves - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), André Severo Chaves, Andréa Machado Millan e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ANDRE SEVERO CHAVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201908
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS. Não colacionado aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, para fins de comprovação do direito creditório, fica prejudicada a liquidez e certeza do crédito vindicado. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. NÃO CONFIGURADA. MULTA DE MORA DEVIDA. Pagamento e compensação são modalidades de extinção do crédito tributário distintas, não apenas pela doutrina mas pelo próprio texto legal. A denúncia espontânea, para que se configure, requer o pagamento do tributo. Assim, no caso em que o contribuinte promove a extinção do débito pela via da compensação, a denúncia espontânea não resta caracterizada, e a multa moratória é devida, nos termos da lei, estando o débito em atraso na data da compensação.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10840.902651/2008-63
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6055646
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1001-001.356
nome_arquivo_s : Decisao_10840902651200863.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANDRE SEVERO CHAVES
nome_arquivo_pdf_s : 10840902651200863_6055646.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), André Severo Chaves, Andréa Machado Millan e José Roberto Adelino da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
id : 7876988
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300933595136
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-27T13:35:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-27T13:35:08Z; Last-Modified: 2019-08-27T13:35:08Z; dcterms:modified: 2019-08-27T13:35:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-27T13:35:08Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-27T13:35:08Z; meta:save-date: 2019-08-27T13:35:08Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-27T13:35:08Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-27T13:35:08Z; created: 2019-08-27T13:35:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2019-08-27T13:35:08Z; pdf:charsPerPage: 1730; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-27T13:35:08Z | Conteúdo => S1-TE01 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10840.902651/2008-63 Recurso Voluntário Acórdão nº 1001-001.356 – 1ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 06 de agosto de 2019 Recorrente AUTOVIAS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS. Não colacionado aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, para fins de comprovação do direito creditório, fica prejudicada a liquidez e certeza do crédito vindicado. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. NÃO CONFIGURADA. MULTA DE MORA DEVIDA. Pagamento e compensação são modalidades de extinção do crédito tributário distintas, não apenas pela doutrina mas pelo próprio texto legal. A denúncia espontânea, para que se configure, requer o pagamento do tributo. Assim, no caso em que o contribuinte promove a extinção do débito pela via da compensação, a denúncia espontânea não resta caracterizada, e a multa moratória é devida, nos termos da lei, estando o débito em atraso na data da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), André Severo Chaves, Andréa Machado Millan e José Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 26 51 /2 00 8- 63 Fl. 209DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-001.356 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.902651/2008-63 Trata-se, o presente processo, de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão de nº 12-47.653, da 2ª Turma da DRJ/RJ1, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, apresentada pela ora Recorrente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Transcreve-se, portanto, o relatório da supracitada DRJ, que resume de forma satisfatória o presente litígio: “O presente processo trata do PER/DCOMP 32098.01221.170308.1.7.02 2202, transmitido em 17/03/2008, pelo qual o Interessado pretende aproveitar um crédito de saldo negativo de IRPJ, relativo ao 4° trimestre de 2003, no valor original de R$ 93.734,16, na data de transmissão. 2. O Despacho Decisório da fl. 7 não homologou a compensação porque o valor informado na DIPJ (saldo negativo de R$ 92.669,76) não correspondia ao valor do saldo negativo declarado no PER/DCOMP, R$ 93.734,16. Contudo, o Acórdão 12-30.634 da 2ª Turma da DRJ/RJ1 decretou a nulidade daquele despacho, por falta de motivação suficiente para negar a homologação. I - REANÁLISE DO CRÉDITO 3. O direito creditório pleiteado foi reanalisado pelo Seort da DRF Ribeirão Preto na Informação de fls. 69/71, da qual consta que: 3.1 "Da DIPJ relativa ao quarto trimestre de 2003 consta um saldo de declaração de IRPJ de R$ 92.669,76. Tal informação pode ser constatada no item 19 (Imposto de Renda a Pagar) da ficha 12A da Declaração (folha 52), consoante resumo a seguir: FICHA 12A - CALCULO DO IR SOBRE O LUCRO REAL - PJ EM GERAL 4° TRIMESTRE VALOR IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01.A ALÍQUOTA DE 15% 1.108,75 DEDUÇÕES 05.(-)PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR 44,35 13.(-)IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE 93.734,16 19.IMPOSTO DE RENDA A PAGAR -92.669,76" 3.2 "Em relação aos R$ 93.734,16 inseridos a título de IRRF no item 13 da ficha 12A da Declaração, cabem alguns comentários: 3.3 a) conforme esclareceu a contribuinte à folha 11, o IRRF alegado monta apenas R$ 92.669,76. A diferença de R$ 1.064,40 se refere a um DARF pago sob o código de receita 0220 e relativo ao IRPJ apurado no quarto trimestre de 2003 (folha 27); Fl. 210DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-001.356 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.902651/2008-63 3.4 b) o supostamente indevido pagamento de R$ 1.064,40 é objeto da Declaração de Compensação transmitida por meio do Per/Dcomp n° 30467.52311.050908.1.3.04-9173 (folhas 59 a 63). Assim, esse suposto crédito de R$ 1.064,40 não deve e nem pode integrar o saldo negativo de IRPJ referente ao quarto trimestre de 2003, devendo ser analisado separadamente e oportunamente; 3.5 c) consultando as DIRF das fontes pagadoras (folhas 54 a 58), concluímos que houve R$ 77.541,99 de IRRF (sob os códigos de receita 3426 e 6800, ambos referentes a rendimentos de renda fixa) e R$ 387.710,13 de rendimentos de aplicação financeira de renda fixa, conforme quadro a seguir (em reais): CNPJ Fonte Pagadora IRRF Rendimento IRRF/Rendimento 58.616.418/0001-08 5.744,35 28.721,76 20% 2.135,87 10.679,37 20% 60.701.190/0001-04 5.634,06 28.170,30 20% 3.417,09 17.085,49 20% 59.588.111/0001-03 8.462,08 42.310,42 20% 33.700.394/0001-40 841,76 4.208,80 20% 17.925,8 8 89.629,37 20% 17.219,5 5 86.097,89 20% 16.161,3 5 80.806,73 20% TOTAL 77.541,9 9 387.710,13 20% 3.6 d) as receitas financeiras inseridas pela contribuinte no item 24 da ficha 06A da DIPJ (folha 48) montam R$ 361.160,40. Tendo em vista que o IRRF corresponde a 20% das receitas financeiras de renda fixa, somente é permitido à contribuinte deduzir o valor de R$ 72.232,08 sob a dedução listada no item 13 da ficha 12A". 3.7 "Assim, no quarto trimestre de 2003, o saldo negativo de IRPJ monta R$ 71.167,68, conforme demonstrativo a seguir: FICHA 12A - CALCULO DO IR SOBRE O LUCRO REAL - PJ EM GERAL 4° TRIMESTRE VALOR IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01.A ALÍQUOTA DE 15% 1.108,75 Fl. 211DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-001.356 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.902651/2008-63 DEDUÇÕES 05.(-)PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR 44,35 13.(-)IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE 72.232,08 19.IMPOSTO DE RENDA A PAGAR -71.167,68" 4. Com base na reanálise, o Despacho Decisório da fl. 72 homologou parcialmente a compensação declarada, até o limite de R$ 71.167,68. II. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 5. O Interessado tomou ciência da nova decisão em 17/10/2011 (fl. 75), e, em 16/11/2011, apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 76/81, alegando, em síntese, que: EXTINÇÃO DO PROCESSO 5.1 Como o processo originou-se do Despacho Decisório, a declaração de nulidade deste implica a extinção daquele. PRESCRIÇÃO 5.2 "O Imposto de Renda Retido na fonte declarado dentro do prazo legal na DIPJ DO EX: 2004/2003, informado no campo 13 da ficha 12 A - 4.trimestre de 2003 no valor de R$93.734,16, caracterizando por LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, não sofreu qualquer NOTIFICAÇÃO dentro do PRAZO PRESCRICIONAL instituído no CTN". DESCONSIDERAÇÃO DAS RETENÇÕES INFORMADAS EM DIRF 5.3 "No próprio item ( c ) descrito no relatório do auditor fiscal, e comprovado pelos informes do 4° trimestre de 2003 o valor de IRRF de R$77.541.99. 5.4 Logo abaixo no item (D) com base em suposição que as OUTRAS RECEITAS FINANCEIRAS da ficha 06 A da DIPJ 2004/2003, mostrariam apenas os rendimentos das aplicações e assim reduzindo o valor do IRRF para R$72.232.08 5.5 E na intimação foi HOMOLOGADO um valor estranho ao relatório de R$62.559,08 de IRRF , contra os R$93.734,16 declarado na DIPJ" ALTERAÇÃO DE POSIÇÃO 5.6 "Fica claro nos autos do processo que em primeiro momento até a publicação do ACÓRDÃO, os auditores da RECEITA FEDERAL DE RIBEIRÃO PRETO/SP, validavam o IRRF declarado na DIPJ 2004/2003 de R$93.734,16, NÃO HOMOLOGANDO a compensação ocorrida pela diferença Fl. 212DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-001.356 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.902651/2008-63 existente entre o PER/DCOMP de R$93.734,16 com a DIPJ 2004/2003 que tinha o valor de R$92.669,76. Conforme constatamos no DESPACHO DECISÓRIO n° 783786445. 5.7 Após o fracasso dessa tese, a RECEITA FEDERAL DE RIBEIRÃO PRETO/SP passa a discutir na intimação referida o IRRF de R$93.734,16 declarado na DIPJ 2004/2003". 6. A competência para julgamento deste processo foi transferida pela Portaria Sutri n° 1.036/2010, DOU 07/05/2010, para a DRJ Rio de Janeiro I. 7. É o relatório.” Entretanto, a DRJ/RJ1, julgou totalmente improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório. No voto proferido pela DRJ/RJ1, esta destacou: “III - EXTINÇÃO DO PROCESSO - DESNECESSIDADE 8. Conforme o Acórdão 12-30.634 da 2ª Turma de DRJ/RJ1, com a decretação da nulidade do Despacho Decisório da fl. 7, nova decisão deveria ser proferida para homologar ou não a compensação declarada. É este o sentido das expressões 'Aguardando nova decisão' e 'elaborando novo despacho, na boa e devida forma' (fl. 47). 9. O vício que existia foi sanado decretando-se a nulidade do 1° Despacho Decisório e, a partir daí, o processo seguiu seu curso regular, com a reanálise das informações, prolação de nova decisão e reabertura do prazo para Manifestação de Inconformidade. Preservaram-se assim os direitos constitucionais do Interessado à ampla defesa e ao contraditório, não havendo, portanto, motivo para extinção do processo. (...) V - PRESCRIÇÃO - INOCORRÊNCIA 11. O trecho da Impugnação que avoca a prescrição é de árdua interpretação, entretanto, se tivemos sucesso em extrair-lhe o significado, o Interessado nele argumenta que o valor de IRRF declarado na DIPJ 2004, R$ 93.734,16, não pode ser alterado, para apuração do direito creditório, porque a respectiva ação de cobrança estaria prescrita. Fl. 213DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1001-001.356 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.902651/2008-63 12. Inicialmente cabe salientar que a prescrição não torna inalterável qualquer valor declarado, mas, em vez disso, extingue o crédito tributário, conforme art. 156, V, do CTN. O instituto que tem efeito semelhante ao mencionado é a homologação tácita da compensação, disciplinada pelo art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430/1996, in verbis: Art. 74. Omissis. § 5°. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) 13. Entretanto, como o PER/DCOMP em tela foi transmitido em 17/03/2008, e o Interessado tomou ciência do 2° Despacho Decisório em 17/10/2011 (fl. 75), não houve homologação tácita, e, consequentemente, a autoridade a quo ainda podia desconsiderar o valor não confirmado de IRRF compensado. VI - DESCONSIDERAÇÃO DAS RETENÇÕES INFORMADAS EM DIRF 14. O art. 2°, § 4°, III, da Lei n° 9.430/1996 dispõe que: Art. 2º Omissis. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: III - do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; 15. Portanto, do total retido na fonte, só é dedutível do imposto devido a parcela incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. 16. Na reanálise do direito creditório, se constatou que houve a retenção de R$ 77.541,99, correspondentes a R$ 387.710,13 em rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa. Contudo, na ficha 6A, linha 24, da DIPJ 2004 (fl. 49) o Interessado declarou R$ 361.160,40 em receitas financeiras, ou seja, parte dos rendimentos de aplicações financeiras não foi computada na determinação do lucro real. Como a alíquota do IR fonte para esses rendimentos é de 20%, a retenção dedutível é de R$ 72.232,08 (=R$ 361.160,40 x 20%), conforme se considerou na reanálise de crédito. 17. Se está errada a suposição de que na ficha 6A, linha 24, foram declarados apenas os rendimentos das aplicações, conforme sugere o Interessado, Fl. 214DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1001-001.356 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.902651/2008-63 caber-lhe-ia o ônus de informar e provar de que forma a diferença de receita foi computada na determinação do lucro real. 18. Conforme demonstrativo abaixo, o crédito reconhecido de R$ 71.167,68 foi corrigido pela taxa Selic, para R$ 78.042,48 em 24/08/2004, data de transmissão do PER/DCOMP original. O tributo confessado sofreu acréscimos de multa e juros de mora, resultando num valor consolidado de R$ 116.933,36, no momento da compensação. O crédito era menor que o débito, de modo que apenas 66,74% deste foram extintos na compensação, ou seja, R$ 62.559,08. Daí porque o crédito de R$ 71.167,68 extinguiu R$ 62.559,08 do débito, restando um tributo a pagar de R$ 31.175,08, sobre os quais incidem os encargos moratórios de multa e juros. PER/DCOMP original: 25815.20480.240804.1.3.02-3320 Data de transmissão: 24/08/2004 A. Crédito reconhecido, valorado em 31/12/2003 71.167,68 B. Juros Selic acumulados de janeiro a julho de 2004 mais 1% 9,66% C. Crédito reconhecido, valorado em 24/08/2004 (A x (1 + B)) 78.042,48 D. Tributo confessado, vencido em 30/04/2004 93.734,16 E. Multa de mora (D x 20%) 18.746,83 F. Juros Selic acumulados de maio a julho de 2004 mais 1% 4,75% G. Juros de mora (D x F) 4.452,37 H. Débito consolidado em 24/08/2004 (D + E + G) 116.933,36 I. Porcentagem do débito compensada com o crédito (C/H) 66,74% J. Tributo compensado (D x I) 62.559,08 K. Tributo não compensado (D - J) 31.175,08 Demonstrativo do tributo não compensado. VII - ALTERAÇÃO DE POSIÇÃO 19. Ao contrário do que se afirma na Impugnação, o Despacho Decisório original não 'validou' o IRRF declarado na DIPJ 2004, no valor de R$ 93.734,16. Na verdade, aquela decisão nem sequer se referiu ao IRRF declarado, mas apenas mencionou que o saldo negativo de R$ 93.734,16 informado no PER/DCOMP divergia dos R$ 92.669,76 declarados na DIPJ 2004. 20. Na reanálise da compensação, foi verificada, como não poderia deixar de ser, a dedutibilidade dos R$ 93.734,16 em IRRF, posto que se tratava de uma Fl. 215DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1001-001.356 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.902651/2008-63 das parcelas de composição do crédito. Portanto, além de não ser irregular, o procedimento era absolutamente necessário para a apuração do direito creditório.” Cientificado da decisão de primeira instância em 05/07/2012 (Aviso de Recebimento à e-Fl. 141), inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 03/08/2012 (e-Fls. 144 a 206). Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente além de reiterar os argumentos da Manifestação de Inconformidade, aborda outros pontos que serão tratados a seguir no voto. É o relatório. Voto Conselheiro André Severo Chaves, Relator. Inicialmente, ao compulsar os autos, verifico que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, e atende aos requisitos de admissibilidade do Processo Administrativo Fiscal, previstos no Decreto nº 70.235/72. Razão, pela qual, dele conheço. Concerne, a presente controvérsia, a verificar o direito creditório informado em PER/DCOMP como decorrente de saldo negativo de IRPJ, relativo ao 4º Trimestre de 2003, no valor originário de R$ 93.734,76. Fora proferido um segundo Despacho Decisório (e-Fls. 69 a 71), ante à declaração de nulidade do primeiro (e-Fl. 7) pelo Acórdão da DRJ/RJ1 (e-Fls.47 a 48), em que fora homologado parcialmente o crédito de R$ 71.167,88. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente apresentou questões preliminares que serão enfrentadas inicialmente, antes de adentrar-se ao mérito. Algumas da questões levantadas em sede preliminar pelo contribuinte, confundem-se com o mérito, e serão apreciadas dentro deste. I – Preliminares. Fl. 216DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1001-001.356 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.902651/2008-63 1.1 - Da alegação de extinção do processo nº 10840.902651/2008-63 pelo Acórdão 12-30.634 da 2ª Turma da DRJ/RJ1. Equivocadamente a Recorrente alega que a Declaração de Nulidade do Despacho Decisório, proferida no Acórdão 12-30.634 da 2ª Turma da DRJ/RJ1, acarretaria a extinção do presente processo administrativo. Entretanto, a nulidade no processo administrativo tem o efeito apenas de anular o ato praticado, bem como os atos posteriores. No presente caso, o vício fora devidamente sanado, com a reanálise do direito creditório, e o processo retornou ao seu trâmite legal, tendo sido oportunizado novamente o contraditório, com a abertura de novo prazo para apresentação de Manifestação de Inconformidade. Pelo exposto, afasto a preliminar levantada. 1.2 – Da alegação de Juízo Prevento para exame de Despacho Decisório. A Recorrente alega, em sede recursal, que a 2ª Turma da DRJ/RJ1 teria preferência no julgamento do novo Despacho Decisório, vez que decisão anterior fora considerada nula. Ocorre que tal alegação não merece guarida, vez que não existe qualquer previsão legal, dentro do Processo Administrativo Fiscal, para que vincule o exame do novo Despacho Decisório à DRJ que proferiu o 1ª Despacho Decisório. Pelo exposto, afasto a preliminar levantada. II- Do Mérito. 1.1 - Da Análise do Direito Creditório. O art. 170 do Código Tributário Nacional - CTN estabelece que a lei pode, nas condições e garantias que especifica, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Em consonância com o art. 170 do Código Tributário Nacional - CTN, o art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e respectivas alterações, estabelece que a compensação deve ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração em que constem informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos compensados. O mencionado Fl. 217DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1001-001.356 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.902651/2008-63 dispositivo estabelece, ainda, que a compensação declarada à Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Faz-se necessário, portanto, que o crédito fiscal do sujeito passivo seja líquido e certo para que possa ser compensado (art. 170 CTN c/c art. 74, §1º da Lei 9.430/96). No presente caso, verifica-se que a DRJ decidiu acertadamente ao manter o crédito parcialmente homologado pela Seort da DRF de Ribeirão Preto. Isto porque, a DRF fez uma análise criteriosa e devida do crédito, com base nas informações contidas nas DIRF das fontes pagadoras (e-Fls. 56 a 60), e nas informações constantes na DIPJ (e-Fl. 49), concluindo pela homologação do crédito parcial de R$ 71.167,68. De contraponto, o contribuinte alega que realiza os ajuste pelo Regime de Competência, e que as receitas financeiras trazem variações nos períodos trimestrais. Entretanto, não se desincumbe do ônus de comprovar, de forma clara e precisa, quais rendimentos financeiros entraram para o cálculo do montante apurado de IRRF no valor de R$ 92.669,76. Ademais, nos termos do art. 373 da Lei 13.105, de 2015 - CPC/2015, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O que significa dizer, regra geral, que cabe a quem pleiteia, provar os fatos alegados, garantindo-se à outra parte infirmar tal pretensão com outros elementos probatórios. Nessa esteira, para fins de comprovação do direito creditório, cabe ao contribuinte provar o direito alegado. Em razão do exposto, entendo pela manutenção do crédito homologado. 1.2 - Da Alegação de Erro de Fato na Glosa e da Não Aplicação de Multa de Mora. Da alegação de Denúncia Espontânea. Verifica-se, ainda, que a Recorrente contesta erro da fato no cálculo da Glosa no valor de R$ 31.175,08, apresentando um cálculo simplificado, chegando a quantia de R$ 21.501.98, bem como pugna pela não aplicação da multa de mora. Pois bem. Fl. 218DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1001-001.356 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.902651/2008-63 Analisando-se o Despacho Decisório (e-Fls. 69 a 74), verifica-se que a DRF não apresentou um detalhamento de como chegou ao cálculo de um valor não homologado de R$ 31.175,08. Entretanto, a DRJ apresenta em seu Acórdão um demonstrativo detalhado do cálculo (e-Fls. 134 e 135) do valor supracitado, já com a incidência de encargos legais e multa de mora, conforme planilha abaixo: PER/DCOMP original: 25815.20480.240804.1.3.02-3320 Data de transmissão: 24/08/2004 A. Crédito reconhecido, valorado em 31/12/2003 71.167,68 B. Juros Selic acumulados de janeiro a julho de 2004 mais 1% 9,66% C. Crédito reconhecido, valorado em 24/08/2004 (A x (1 + B)) 78.042,48 D. Tributo confessado, vencido em 30/04/2004 93.734,16 E. Multa de mora (D x 20%) 18.746,83 F. Juros Selic acumulados de maio a julho de 2004 mais 1% 4,75% G. Juros de mora (D x F) 4.452,37 H. Débito consolidado em 24/08/2004 (D + E + G) 116.933,36 I. Porcentagem do débito compensada com o crédito (C/H) 66,74% J. Tributo compensado (D x I) 62.559,08 K. Tributo não compensado (D - J) 31.175,08 Analisando-se a planilha supra, verifica-se que o valor da glosa fora devidamente apurado. Isto porque, tal procedimento era previsto nas normas que regiam a compensação há época da apresentação da declaração, conforme se observa no Arts. 27 e 28, da IN/SRF nº 210/2002, a seguir transcritos: “Art. 27. Na compensação a unidade da SRF adotará os seguintes procedimentos I - debitar o valor bruto da restituição, acrescido de juros, se cabíveis, ou do ressarcimento, à conta do tributo ou da contribuição respectiva; II - creditar o montante utilizado para a quitação dos débitos à conta do respectivo tributo ou contribuição e dos respectivos acréscimos legais, quando devidos; Fl. 219DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1001-001.356 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.902651/2008-63 III - registrar a compensação nos sistemas de informação da SRF que contenham informações relativas a pagamentos e compensações. Parágrafo único. Na hipótese de compensação de ofício, a unidade da SRF deverá: I - certificar: a) no pedido de restituição ou de ressarcimento, qual o valor utilizado na quitação de débitos e, se for o caso, o saldo a ser restituído ou ressarcido; b) no processo de cobrança, qual o montante do crédito tributário extinto pela compensação e, sendo o caso, o saldo remanescente do débito; II - expedir ordem bancária, na hipótese de saldo a restituir ou a ressarcir, ou aviso de cobrança, na hipótese de saldo remanescente de débito.” “Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 323, de 24 de abril de 2003)” O Superior Tribunal de Justiça STJ já decidiu que não se aplica à compensação tributária as normas de imputação de pagamento previstas no Código Civil, sendo válidas as normas estipuladas pela administração tributária, por delegação legal, conforme se observa no enunciado da Súmula nº 464: “A regra de imputação de pagamentos estabelecida no art. 354 do Código Civil não se aplica às hipóteses de compensação tributária.” A recorrente alega, ainda, que não há que se falar em aplicação de Multa de Mora, já que realizou a compensação, anteriormente ao início de qualquer procedimento fiscal (art. 138 do CTN). A questão a ser dirimida é se a quitação do tributo por meio de compensação se adequa ao cumprimento da norma que disciplina o instituto no CTN, verbis: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Fl. 220DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1001-001.356 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.902651/2008-63 Como se vê, a norma exige duas condições para o beneplácito: a denúncia (declaração) espontânea do débito, antes de qualquer procedimento fiscal, e o seu pagamento acrescido dos juros de mora. Nota-se, inicialmente, que a norma fixa expressamente o "pagamento" do tributo devido, como uma das condições. Não se refere à quitação ou extinção do débito. A compensação tributária é uma das formas de extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, II do CTN, mas não se configura em pagamento, na medida em que está sujeita a posterior homologação, sob condição resolutória. Ou seja, poderá não ser confirmada a quitação do tributo se a compensação não for homologada. Nesse sentido, o STJ vem decidindo por não equiparar a compensação de tributo com o pagamento, para fins de aplicabilidade da Denúncia Espontânea. “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplica-se, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento.” Importante colacionar, ainda, alguns julgados do CARF, que corroboram com este posicionamento: Acórdão 1302001.237, de 06/11/2013: Fl. 221DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1001-001.356 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.902651/2008-63 Acórdão nº 1302001.736, de 10/12/2015: Acórdão nº 1301001.511, de 07/05/2014: Acórdão nº 1301001.991, de 03/05/2016 Desta feita, entendo correto o cálculo apurado do crédito tributário não compensado. Ainda, entendo não caracterizada a alegada Denúncia Espontânea, razão pela qual mantenho a aplicação da multa de mora. Conclusão Fl. 222DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1001-001.356 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.902651/2008-63 Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário, rejeitando as preliminares suscitadas, e no mérito, negar-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves Fl. 223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.917589/2011-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA.
O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido.
Numero da decisão: 9303-008.850
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA. O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10480.917589/2011-46
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6051621
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.850
nome_arquivo_s : Decisao_10480917589201146.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10480917589201146_6051621.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
id : 7868931
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300948275200
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-21T13:30:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-21T13:30:07Z; Last-Modified: 2019-08-21T13:30:07Z; dcterms:modified: 2019-08-21T13:30:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-21T13:30:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-21T13:30:07Z; meta:save-date: 2019-08-21T13:30:07Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-21T13:30:07Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-21T13:30:07Z; created: 2019-08-21T13:30:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-08-21T13:30:07Z; pdf:charsPerPage: 1836; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-21T13:30:07Z | Conteúdo => CSRF-T3 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10480.917589/2011-46 Recurso Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303-008.850 – CSRF / 3ª Turma Sessão de 16 de julho de 2019 Recorrente DELTA VEICULOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA. O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de pedido eletrônico de restituição de créditos originários de pagamento indevido ou a maior de PIS. A DRF de origem emitiu o despacho decisório eletrônico, no qual informava que os valores constantes do DARF discriminado no PER/DCOMP encontravam-se utilizados para quitação de débitos da contribuinte, sem disponibilidade para restituição. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ competente. Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, argumentando, em apertada síntese: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 75 89 /2 01 1- 46 Fl. 189DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.850 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10480.917589/2011-46 - alega falta de aprofundamento da investigação dos fatos, por parte da autoridade administrativa; - discorda do entendimento da decisão recorrida de que as provas juntadas seriam insuficientes para comprovação do direito creditório pleiteado; - defende a inocorrência da preclusão de apresentação de provas, referida pela decisão recorrida, fazendo alusão ao princípio da verdade material; - afirma que seu pleito estaria fundamentado na inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição (§ 1º do art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998), declarada pelo Supremo Tribunal Federal - STF; - ao final, pede que seja reconhecida a integralidade do crédito pleiteado. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinaria da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3201-003.602, que negou provimento ao pleito. Recurso especial da contribuinte Cientificada do acórdão a contribuinte interpôs recurso especial, afirmando haver divergência com relação a possibilidade de valoração das provas por ela apresentadas, competindo à autoridade administrativa, com base na documentação apresentada - balancete e livro razão - efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório, com base nos acórdãos paradigmas nº 3801-003.586 e nº 3801-003.577, em franca oposição ao acórdão recorrido, que afirma ser dela o ônus probatório. O Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte, e, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256 de 22/06/2009, deu-lhe seguimento. Contrarrazões da Fazenda Cientificada do despacho de admissibilidade do recurso especial a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-008.828, de 16 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10480.900123/2012-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-008.828): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais, por isso dele conheço. Fl. 190DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.850 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10480.917589/2011-46 No mérito, desde logo saliento que, nos casos de pedido de restituição ou ressarcimento, me alinho com os que entendem ser o ônus probatório do contribuinte, o qual deve demonstrar a certeza e liquidez do direito creditório por ele pleiteado. Invocar a utilização de créditos para compensação apenas com um pedido, desguarnecido das provas necessárias, provas essas que em regra são de posse do requerente, me parece um exagero em afronta à legislação aplicável, iniciando-se com o CTN (art. 170), o Decreto nº 70.235/1972 - PAF (art. 16, § 4º), pela Lei nº 9.784/1999 (art. 36) , a Lei nº 9.430/1996 (art. 74) e chegando ao até ao CPC/2015 (art. 373). Da mesma forma que voto condutor do acórdão recorrido, entendo suficientes as razões de decidir do voto do relator da decisão de piso da DRJ/REC, pois lá se afirmava (e-fls. 61 e 62): 44.( ...) consigno que, para evidenciar o seu direito à restituição, a contribuinte se limitou a apresentar planilha em que lista diversas rubricas que entende escapariam do conceito de receita de vendas de mercadorias e/ou de prestação de serviços e, além disto, cópia de Balancete Mensal em que constam registros de diversas receitas, mas não comprovou que, efetivamente, incluiu, na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep recolhida de acordo com o valor confessado em DCTF, as receitas por ele indicadas na Manifestação de Inconformidade. 45. Para fazer jus à repetição do indébito, a recorrente, além de ter comprovado que auferiu as outras receitas por ela apontada no recurso, deveria ter apresentado demonstrativo, acompanhado dos correspondentes documentos contábeis fiscais/contábeis comprobatórios de sua exatidão, da apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, devida à alíquota de 0,65%, sobre as receitas de venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, o que aqui é indispensável, pois, diante da atividade exercida pela recorrente, é evidente que ela também comercializa produtos (tais como veículos) cujas receitas sofre a incidência desta contribuição à alíquota zero, pois o produto, a depender do período de apuração, foi submetido em etapa anterior à tributação por substituição tributária ou de forma concentrada5. 46. Ressalto, por oportuno, que as provas de que dispõe a recorrente devem ser apresentadas, sob pena de preclusão ressalvadas as exceções legalmente previstas, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade. É o que preceitua o art. 16, caput, III e §4º, do Decreto 70.235/72. 47. Quanto às provas, convém elucidar, por oportuno, que a faculdade da autoridade julgadora em determinar, ex offício, a realização de diligência ou perícia (art. 18, do Decreto nº 70.235/72) não substitui o ônus processual da parte a quem compete – no caso, o sujeito passivo, que melhor do que ninguém detém amplas condições para promover a comprovação de suas alegações com amparo em documentos hábeis – de trazer aos autos as provas de que dispõe. Nesta vereda, reproduz-se o entendimento de Paulo Celso Bonilha, in “Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997, pp. 77/78 : “(...) o poder instrutório das autoridades de julgamento, deve-se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos e não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições. Inclusive a probatória não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear ao processo." (g.n.) 48. Em análoga diretriz o posicionamento de Humberto Theodoro Júnior (in “Curso de Direito Processual Civil”, Rio de Janeiro, Forense, 1996, pp.417): “(...) Se o direito material é disponível e a parte não cuidou de trazer a prova necessária para demonstrá-lo ou exercê-lo, a presunção lógica é que abriu mão dele. Assim, não seria correto que o juiz viesse sobrepor a essa verdade, passando a advogar a causa da parte.” (g.n.) (Destaques do original) Fl. 191DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.850 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10480.917589/2011-46 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto pela improcedência do recurso especial de divergência do sujeito passivo.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso especial de divergência e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 192DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.909338/2009-08
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 20/02/2009
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar o crédito. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 20/02/2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar o crédito. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10283.909338/2009-08
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6056585
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3002-000.788
nome_arquivo_s : Decisao_10283909338200908.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
nome_arquivo_pdf_s : 10283909338200908_6056585.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
dt_sessao_tdt : Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
id : 7879501
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300953518080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1490; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 135 1 134 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.909338/200908 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.788 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 16 de julho de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente ORIENT RELÓGIOS DA AMAZÔNIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/02/2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar o crédito. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 93 38 /2 00 9- 08 Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10283.909338/200908 Acórdão n.º 3002000.788 S3C0T2 Fl. 136 2 Relatório O processo administrativo ora em análise trata do PER/DCOMP 38620.15058.250809.l.3.047369, transmitido em 25/08/2009, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 7), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Após ser intimada da decisão em 09/11/2009, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade em 02/12/2009 (fl. 12), na qual informou que deixou de incluir créditos a seu favor, competência de janeiro/2009, na DACON originalmente transmitida e que retificou essas declarações posteriormente. Para comprovar o seu suposto crédito, a recorrente juntou apenas cópias da DCTF e da DACON, originais e retificadoras, à sua Manifestação de Inconformidade. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (DRJ/BEL) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTR1BU1ÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2009 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 114), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando que retificou novamente a DCTF. Juntou tal declaração. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10283.909338/200908 Acórdão n.º 3002000.788 S3C0T2 Fl. 137 3 É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. Assim, desde logo, refuto os argumentos jurídicos apresentados pela recorrente. O art. 373 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10283.909338/200908 Acórdão n.º 3002000.788 S3C0T2 Fl. 138 4 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito e, para comproválo, limitouse a juntar cópia da declarações originais e retificadoras. Dessa forma, forçoso é admitir que a recorrente não se desincumbiu do ônus de comprovar o seu suposto direito creditório, seja por seus erros anteriores ao Despacho Decisório, seja pela ausência da apresentação de provas robustas da sua liquidez e certeza, tanto na instância a quo, como nesta Corte. Por isso, entendo que a decisão atacada foi correta. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10283.909338/200908 Acórdão n.º 3002000.788 S3C0T2 Fl. 139 5 (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 272DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.941807/2011-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Numero da decisão: 3301-006.427
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 12448.941807/2011-95
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6042495
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-006.427
nome_arquivo_s : Decisao_12448941807201195.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 12448941807201195_6042495.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
id : 7843330
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:50:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300965052416
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-30T18:34:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-30T18:34:23Z; Last-Modified: 2019-07-30T18:34:23Z; dcterms:modified: 2019-07-30T18:34:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-30T18:34:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-30T18:34:23Z; meta:save-date: 2019-07-30T18:34:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-30T18:34:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-30T18:34:23Z; created: 2019-07-30T18:34:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-07-30T18:34:23Z; pdf:charsPerPage: 1904; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-30T18:34:23Z | Conteúdo => S3-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 12448.941807/2011-95 Recurso Voluntário Acórdão nº 3301-006.427 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2019 Recorrente INSTITUTO BRASILEIRO DE PETROLEO, GAS E BIOCOMBUSTIVEIS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata-se de pedido de formalizado por meio de PER/DCOMP, visando a compensar o valor do seu pretenso crédito de COFINS com outros débitos do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 94 18 07 /2 01 1- 95 Fl. 130DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.427 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.941807/2011-95 A DCOMP foi analisada eletronicamente pelos sistemas de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, que emitiu Despacho Decisório, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada. O Despacho Decisório atesta que o a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual, de maneira repetitiva e mencionando diversas informações alheias ao presente processo administrativo, discorda do despacho decisório, alegando, em apertada síntese, que: 1. As receitas relativas às atividades próprias das instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, civis que prestem os serviços para os quais foram instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, são isentas da COFINS; 2. Alega que é uma associação civil sem fim lucrativo e portanto, é isenta da COFINS; 3. Atividades próprias das associações seriam aquelas para as quais elas tenham sido criadas, ou seja, aquelas previstas em seu estatuto social, cita o parecer normativo CST nº 162/74; 4. As atividades exercidas são aquelas que constam do Estatuto Social; 5. Tentou retificar sua DCTF e não conseguiu; 6. Caberia a autoridade administrativa ter diligenciado no sentido de analisar os documentos e escritas fiscais do Manifestante a fim de averiguar a proveniência de tais créditos. Encerra a manifestação, requerendo seu provimento, para reformar a decisão a quo e deferir a restituição. Acrescenta que não sendo este o entendimento, requer seja o julgamento convertido em diligência a fim de que a autoridade fiscal apure o montante das receitas próprias indevidamente incluídas na base de cálculo da COFINS. Por seu turno, a DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, com base no entendimento de que a compensação de indébito fiscal com crédito tributário vencido e/ou vincendo está condicionada à comprovação, pelo contribuinte, da certeza e liquidez do mesmo, sendo insuficiente para reformar decisão não homologatória de compensação a mera alegação do direito creditório, desacompanhada de elementos probantes. Na decisão, foi ainda registrado que qualquer retificação posterior da DCTF deve- se fundar em documentação idônea, em especial a escrituração contábil, que justifique as alterações realizadas no valor dos tributos devidos. Quanto ao pedido de perícia e diligência, o Colegiado entendeu que estes se reservam à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, onde repisa as alegações manejadas na Manifestação de Inconformidade. Fl. 131DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.427 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.941807/2011-95 É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301-006. 396, de 19 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 12448.941709/2011-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.396): O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A Recorrente quando da apresentação da sua manifestação de inconformidade afirmou que estaria isenta da COFINS, em razão da suas receitas estarem vinculadas a receitas próprias de sua atividade de associação civil sem fins lucrativos, nos termos do inciso X do art. 14 da MP 2.158-35/2001. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a restituição do indébito. Autorizar a restituição de créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A comprovação dos créditos pleiteados necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte alega que suas receitas estariam isentas por tratar-se de associação civil sem fins lucrativos. Cabe ressaltar que a decisão da primeira instância negou provimento ao recurso da Recorrente, não por questões da existência da isenção para sociedade civis, mas, por questões fáticas, haja vista, que a Recorrente não apresentou documentos que pudessem confirmar que as suas receitas estariam vinculadas a atividades isentas, conforme consta do trecho abaixo, extraído da decisão recorrida. Inicialmente deve-se deixar claro que não há controvérsia em relação à questão da isenção da COFINS sobre as receitas derivadas das atividades próprias de associações civis definidas no art. 15 da Lei 9.532/97. O não reconhecimento do direito creditório se deu em virtude do crédito pleiteado pela impugnante ter sido integralmente utilizado para quitar débitos informados em sua DCTF. Contudo, apenas as receitas derivadas das atividades próprias não estão sujeitas a incidência da COFINS. Para que se possa afirmar que um determinado pagamento tenha sido efetuado a maior, é imprescindível que fique demonstrada e comprovada não só a efetivação do recolhimento, mas a base de cálculo correta e a contribuição efetivamente devida, permitindo a apuração de eventuais diferenças, a maior ou a menor. No presente caso, verifica-se que o interessado não retificou a Dctf do período correspondente. Por outro lado, limitou-se a juntar aos autos seus estatutos sociais, alegando que, devido a sua natureza jurídica, não estaria sujeito à incidência da contribuição. Não há, ademais, qualquer prova da liquidez e da certeza do direito creditório nem mesmo a demonstração de que houve o pagamento gerador do indébito que se pretende repetir por meio da compensação.(grifo nosso) A Recorrente interpôs recurso voluntário sem apresentar documentos que pudessem comprovar o crédito pleiteado, sob o argumento que caberia a autoridade fiscal buscar Fl. 132DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.427 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.941807/2011-95 os documentos necessários. O trecho abaixo extraído do Recurso voluntário detalha os argumentos apresentados para não trazer os elementos comprobatórios. 3.6. Assim é que caberia à autoridade administrativa ter observado o Princípio da Verdade Real, bem como diligenciado nas dependências (escritório) do Recorrente no sentido de analisar a vultosa documentação contratual, escritas fiscais e contábeis, a fim de averiguar a proveniência de tal crédito, e não simplesmente abster-se de deferir o pedido de compensação, porque aparentemente o Recorrente não teria direito ao aludido crédito, sem qualquer fundamentação plausível para tanto. 3.7. Diz-se vultosa documentação, porque é inviável e também pouco prático e econômico anexar aos presentes autos cópias (que devem ser autenticadas, sob pena de não serem aceitas) de todos os contratos e comprovantes de pagamentos efetuados a favor do Recorrente, a fim de demonstrar que as receitas pertinentes sejam próprias do Instituto, bem como o reflexo disto tudo nos registros contábeis. Por isso, que uma diligência/perícia in loco é o meio mais prático e eficaz de esclarecer eventual dúvida da autoridade administrativa no que concerne a não só a esta DCOMP objeto do presente processo, mas a todas as demais que não foram homologadas em conjunto, em cujos processos também estão sendo apresentados os respectivos recursos voluntários. Entendo não assistir razão à Recorrente. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por falta de comprovação do crédito alegado pela Recorrente. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 O Recurso traz o pedido para que sejam determinadas diligências para buscar as provas necessárias a alegação da Recorrente de possuir receitas isentas. Entendo não ser aplicável ao caso em tela a realização da diligência. A diligência tem como pressuposto a busca de esclarecimentos para subsidiar o julgador na sua decisão, não se prestando a produção de provas, que devem ser apresentadas em sede de manifestação de inconformidade. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 133DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.427 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.941807/2011-95 Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13933.000349/2008-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
FGTS. DECISÃO JUDICIAL TRABALHISTA. ISENÇÃO.
Os juros e à correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do FGTS são isentos do imposto de renda, nos termos do inciso V, do art. 6º da Lei 7.713/88.
JUROS DE MORA. DECISÃO JUDICIAL EM AÇÃO DE NATUREZA TRABALHISTA. RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. ISENÇÃO. RECURSO REPETITIVO.
Os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88. REsp nº 1.227.133/RS, submetido à sistemática dos recursos repetitivos.
MULTA CONVENCIONAL. DECISÃO JUDICIAL TRABALHISTA.
A multa convencional prevista em acordo ou convenção coletiva homologada pela Justiça do Trabalho, recebida em ação judicial trabalhista versando sobre rescisão de contrato de trabalho, é isenta do imposto de renda.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ANO-CALENDÁRIO 2005. APLICAÇÃO DO § 5º, DO ART. 3º, DA LEI 10.101/00, COM A REDAÇÃO VIGENTE NO MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL SUJEITO A RETENÇÃO NA FONTE COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO NO AJUSTE ANUAL.
Aplica-se ao lançamento a lei vigente na ocorrência do fato gerador, que, in casu, deu-se no ano-calendário 2005. Nos termos do § 5º, do art. 3º, da Lei 10.101/00, com a redação então vigente, as participações dos empregados nos lucros ou resultados sujeitam-se à tributação na fonte como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, caracterizando-se, portanto, como rendimentos tributáveis no ajuste anual.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FGTS. MULTA CONVENCIONAL E JUROS DE MORA. RENDIMENTOS ISENTOS INCLUÍDOS NA BASE DE CÁLCULO. DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA. COMPROVAÇÃO QUE AFASTA OS ÓBICES OPOSTOS EM PRIMEIRA INSTÂNCIA.
Deve-se excluir da base de cálculo lançada os rendimentos que comprovadamente possuem natureza isenta ou não tributável, mas que compuseram o lançamento como rendimentos tributáveis.
Numero da decisão: 2202-005.420
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os rendimentos tributáveis no montante de R$ 96.811,29, relativos a FGTS, juros moratórios e multa convencional.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201908
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 FGTS. DECISÃO JUDICIAL TRABALHISTA. ISENÇÃO. Os juros e à correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do FGTS são isentos do imposto de renda, nos termos do inciso V, do art. 6º da Lei 7.713/88. JUROS DE MORA. DECISÃO JUDICIAL EM AÇÃO DE NATUREZA TRABALHISTA. RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. ISENÇÃO. RECURSO REPETITIVO. Os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88. REsp nº 1.227.133/RS, submetido à sistemática dos recursos repetitivos. MULTA CONVENCIONAL. DECISÃO JUDICIAL TRABALHISTA. A multa convencional prevista em acordo ou convenção coletiva homologada pela Justiça do Trabalho, recebida em ação judicial trabalhista versando sobre rescisão de contrato de trabalho, é isenta do imposto de renda. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ANO-CALENDÁRIO 2005. APLICAÇÃO DO § 5º, DO ART. 3º, DA LEI 10.101/00, COM A REDAÇÃO VIGENTE NO MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL SUJEITO A RETENÇÃO NA FONTE COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. Aplica-se ao lançamento a lei vigente na ocorrência do fato gerador, que, in casu, deu-se no ano-calendário 2005. Nos termos do § 5º, do art. 3º, da Lei 10.101/00, com a redação então vigente, as participações dos empregados nos lucros ou resultados sujeitam-se à tributação na fonte como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, caracterizando-se, portanto, como rendimentos tributáveis no ajuste anual. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FGTS. MULTA CONVENCIONAL E JUROS DE MORA. RENDIMENTOS ISENTOS INCLUÍDOS NA BASE DE CÁLCULO. DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA. COMPROVAÇÃO QUE AFASTA OS ÓBICES OPOSTOS EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. Deve-se excluir da base de cálculo lançada os rendimentos que comprovadamente possuem natureza isenta ou não tributável, mas que compuseram o lançamento como rendimentos tributáveis.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13933.000349/2008-28
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6050107
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2202-005.420
nome_arquivo_s : Decisao_13933000349200828.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 13933000349200828_6050107.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os rendimentos tributáveis no montante de R$ 96.811,29, relativos a FGTS, juros moratórios e multa convencional. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), e Ronnie Soares Anderson.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
id : 7862888
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300971343872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2083; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 447 1 446 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13933.000349/200828 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202005.420 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de agosto de 2019 Matéria OMISSÃO DE RENDIMENTOS Recorrente PEDRO NOVINSKI FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 FGTS. DECISÃO JUDICIAL TRABALHISTA. ISENÇÃO. Os juros e à correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do FGTS são isentos do imposto de renda, nos termos do inciso V, do art. 6º da Lei 7.713/88. JUROS DE MORA. DECISÃO JUDICIAL EM AÇÃO DE NATUREZA TRABALHISTA. RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. ISENÇÃO. RECURSO REPETITIVO. Os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88. REsp nº 1.227.133/RS, submetido à sistemática dos recursos repetitivos. MULTA CONVENCIONAL. DECISÃO JUDICIAL TRABALHISTA. A multa convencional prevista em acordo ou convenção coletiva homologada pela Justiça do Trabalho, recebida em ação judicial trabalhista versando sobre rescisão de contrato de trabalho, é isenta do imposto de renda. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ANO CALENDÁRIO 2005. APLICAÇÃO DO § 5º, DO ART. 3º, DA LEI 10.101/00, COM A REDAÇÃO VIGENTE NO MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL SUJEITO A RETENÇÃO NA FONTE COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. Aplicase ao lançamento a lei vigente na ocorrência do fato gerador, que, in casu, deuse no anocalendário 2005. Nos termos do § 5º, do art. 3º, da Lei 10.101/00, com a redação então vigente, as participações dos empregados nos lucros ou resultados sujeitamse à tributação na fonte como antecipação do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 93 3. 00 03 49 /2 00 8- 28 Fl. 447DF CARF MF 2 imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, caracterizandose, portanto, como rendimentos tributáveis no ajuste anual. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FGTS. MULTA CONVENCIONAL E JUROS DE MORA. RENDIMENTOS ISENTOS INCLUÍDOS NA BASE DE CÁLCULO. DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA. COMPROVAÇÃO QUE AFASTA OS ÓBICES OPOSTOS EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. Devese excluir da base de cálculo lançada os rendimentos que comprovadamente possuem natureza isenta ou não tributável, mas que compuseram o lançamento como rendimentos tributáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os rendimentos tributáveis no montante de R$ 96.811,29, relativos a FGTS, juros moratórios e multa convencional. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), e Ronnie Soares Anderson. Relatório Inicialmente, registrese que, adicionalmente aos objetivos de praxe, este julgamento visa cumprir a decisão liminar proferida pelo Juízo da 2ª Vara Federal de Curitiba, no mandado de segurança autuado sob nº 502003478.2018.4.04000/PR, cuja parte dispositiva transcrevese abaixo: "... DEFIRO A LIMINAR para determinar aos impetrados a conclusão do Recurso Voluntário no PAD 13.933.000349/2008.28, no prazo de trinta dias, tal como requerido em inicial". Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA, que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo, mantendo a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF n° 2006/609450385704038, de fls. 13/17, referente ao exercício 2006, anocalendário 2005, que ajustou o saldo do imposto a restituir para R$17.984,58. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 13933.000349/200828 Acórdão n.º 2202005.420 S2C2T2 Fl. 448 3 Passo a transcrever, em sua essência, o resumo efetuado pela instância de piso: 1. Trata o processo de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF n° 2006/609450385704038, de fls. 13/17, resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA correspondente ao exercício de 2006, anocalendário de 2005, ajustando o saldo do imposto a restituir para R$ 17.984,58, em razão de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica em ação trabalhista. 2. Cientificada do lançamento em 22/08/2008 (fl. 37), a interessada apresentou a impugnação de fls. 03/10 em 18/09/2008 (fl. 02), acolhida como tempestiva pelo órgão preparador (fl. 39), instruída com documentos de fls. 11/26, alegando, em síntese, que: a) Ao se apurar o imposto supostamente devido, não foram consideradas informações prestadas pelo contribuinte, deixando se de se excluir valores não tributáveis, o que a onerou e resultou na restituição a menor do Imposto de Renda devido. b) O lançamento pressupõe omissão de rendimentos tributáveis de R$ 156.123,92, valor retido na fonte no momento do pagamento das verbas decorrente do processo judicial trabalhista. c) Devem prevalecer os valores constantes de Informe de Rendimentos fornecido pelo Banco Itaú e apresentado pelo contribuinte, nos seguintes moldes: Auditor Contribuinte 1 Total dos Rendimentos Tributáveis Declarados 375.751,86 589.344,65 2 Omissão de Rendimentos Apurada 156.130,93 0,00 Total dos Rendimentos Tributáveis a serem Declarados 531.882,78 589.344,65 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE AÇÃO TRABALHISTA DEDUTÍVEL informada na DIRPF 199.849,84 Total de Rendimentos Tributáveis a serem Declarados 531.882,78 389.494,81 3 Total das Deduções Declaradas 8.622,77 10.210,82 4 Glosa de Deduções Indevidas 0,00 0,00 5 Prev. Oficial sobre Rendimento Omitido 0,00 0,00 6 Base de Cálculo Apurada (1+23+ 45) 523.260,01 379.283,99 Fl. 449DF CARF MF 4 7 Imposto Apurado Após Alterações (Tabela Progressiva Anual) 138.312,30 98.718,89 8 Dedução de Incentivo Declarada 0,00 0,00 9 Glosa de Deduções de Incentivo 0,00 0,00 10 Total de Imposto Pago Declarado 156.293,88 156.296,88 11 Glosa de Imposto Pago 0,00 0,00 12 IRRF sobre infração e/ou CarnêLeão Pago 0,00 0,00 13 Imposto a Restituir após Alterações (78+910+11+12) 17.984,58 57.577,99 14 Imposto a Restituir Declarado 60.920,59 0,00 15 Imposto já Restituído 0,00 0,00 16 Saldo do Imposto a Restituir Ajustado 0,00 17 Imposto Restituído 17.984,58 18 Diferença a ser restituída (13 17) 39,593,41 d) Portanto, o impugnante faz jus a Restituição de R$ 39.593,41. 3. Diante das divergências entre os valores de rendimentos tributáveis informados por fonte pagadora, os considerados pela fiscalização e os pretendidos pelo contribuinte, determinouse (fls. 41/42) diligência para que fossem carreados aos autos os documentos apresentados durante a fiscalização referentes à Ação Trabalhista, bem como esclarecimentos a respeito do cálculo efetuado. 3.1. Carreando aos autos os documentos de fls. 46/166, a fiscalização informou (fls. 44/45) que os rendimentos percebidos na ação trabalhista totalizam R$ 713.384,358, sendo 557.260,66 retirado pelo autor em 31/03/2005, com recolhimento de R$ 156.123,92 de imposto de renda retido na fonte e dedução de honorários advocatícios no valor de R$ 199.842,84, ensejando um rendimento tributável de R$ 513.541,74. 4. Cientificado em 19/08/20011 (fl. 45), o contribuinte apresentou a manifestação de fls. 174/177, sustentando, em síntese, que: a) a fiscalização apurou o montante tributável de R$ 513.541,74, contudo o valor de R$ 143.969,02 referese a rendimentos isentos e não tributáveis, conforme Informe de Rendimentos apresentado pela Fonte pagadora (fl. 176), devendo prevalecer o disposto na seguinte tabela: Contribuinte Isentos Auditor Fl. 450DF CARF MF Processo nº 13933.000349/200828 Acórdão n.º 2202005.420 S2C2T2 Fl. 449 5 Total de Rendimentos Retirados pelo Autor 571.003,61 143.696,02 714.972,63 Dedução INSS 1.588,05 1.588,05 TOTAL DA CAUSA 569.415,56 713.384,58 Total das Deduções 199.842,84 199.842,84 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS 369.572,72 513.541,74 Imposto de Renda na Fonte 156.123,84 156.123,84 b) Portanto, o auditorfiscal não excluiu do total da causa (R$ 713.384,58) os rendimentos isentos (R$ 143.969,02), conforme informe de rendimentos, restando a base de cálculo de R$ 369.572,72, uma vez deduzidos os honorários advocatícios (R$ 199.842,84) dos rendimentos tributáveis (R$ 569.415,56), e não o valor tributado de R$ 513.341,74 considerado pela fiscalização. 5. Considerandose o princípio da razoável duração do processo (Constituição da República, art. 5°, LXXVIII), redistribuise o presente processo administrativo fiscal em razão de nova prorrogação da licença para tratamento de saúde da relatora Elza Maria Riehs Suzuki (fl. 170). 6. É o relatório. A impugnação foi indeferida pelos fundamentos abaixo reproduzidos: 7. A fiscalização efetuou o lançamento com base nos documentos extraídos da ação trabalhista. Reconhecendo um imposto a restituir de R$ 57.577,99 (correspondente a um rendimento tributável decorrente da ação trabalhista de R$ 371.153,77), o impugnante sustenta que devem prevalecer os valores constantes do “Informe de Rendimentos” (fls. 26 e 176) fornecido pela fonte pagadora. Posteriormente, ao se manifestar sobre o resultado da diligência, reconhece um rendimento tributável decorrente da ação trabalhista de R$ 371.160,77 (369.572,72 + 1.588,05). 8. O Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte invocado pelo contribuinte (fls. 26 e 176) não se constitui em Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte válido, eis que não contém todas as informações previstas no modelo aprovado pela Instrução Normativa SRF n° 120, de 2000, não indicando o responsável pelas informações. 9. Por outro lado, os valores constantes do Comprovante não correspondem aos emergentes dos documentos apresentados perante a fiscalização relativos à ação trabalhista, além desses documentos não possibilitarem a apuração das eventuais parcelas isentas ou não tributáveis ou do valor da contribuição do segurado, uma vez que os cálculos homologados pelo juízo trabalhista, constantes das fls. 1103/1137 do processo judicial não foram apresentados. Constam dos autos apenas cópias (fls. 130/166), sem autenticação da Justiça do Trabalho, de cálculos Fl. 451DF CARF MF 6 que estariam nas fls. 872/907 (ou 1723/1758 há duas numerações além da numeração do presente processo administrativo). 10. Nesse contexto, diante dos elementos constantes dos autos, prevalece a análise dos fatos, tal como empreendida pela fiscalização. Cientificada da decisão em 13/08/2012 (fls. 184), o sujeito passivo interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 186 a 194, em 11/09/2012, acompanhado dos documentos de fls. 195 a 424, alegando, em síntese: conseguiu ter acesso a documentos e informações, os quais acompanham este recurso, os quais demonstram inexistir as irregularidades apontadas pelo AuditorFiscal; não se poderia desconsiderar o comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, em prejuízo do contribuinte, pois as exigências da IN SRF 120/00, são impostas à fonte pagadora, não ao contribuinte; além disso, as informações contidas em tais comprovantes estão disponíveis na base de dados da RFB, de forma que a autoridade julgadora pode acessálas e fazer o confronto com o informe de rendimentos, em homenagem aos princípios da razoabilidade e da economia processual; caso a Turma Julgadora entenda que os documentos apresentados são insuficientes, requer, desde logo, a expedição de ofício à fonte pagadora para que esta junte cópia da DIRF correspondente; é incontroverso que as Guias de Retirada e documentos (fls. 1793 a 1794) comprovam o recebimento de R$714.972,63 em decorrência de ação judicial, valores que estão de acordo com o informe de rendimentos fornecido pelo Banco Itaú; e a controvérsia resumese às verbas isentas e não tributáveis, o que é sanado com a apresentação do cálculo pericial de fls. 1.103/1.137 (do processo trabalhista), onde se comprova que o valor recebido no processo trabalhista inclui verbas isentas ou não tributáveis no valor de R$103.623,72, constituído por FGTS, participação nos lucros, multas contratuais e juros moratórios. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A autoridade fiscal apurou que o contribuinte recebeu R$ 513.541,74 de ação trabalhista, porém o valor total dos rendimentos tributáveis declarados foi de R$ 375.751,86, o que motivou o lançamento de omissão de rendimentos tributáveis na quantia de R$ 156.130,92. Na apuração do imposto devido, a autoridade fiscal efetivou a dedução do IRRF sobre os rendimentos omitidos no importe de R$ 156.123,92 (fls. 16/17). Fl. 452DF CARF MF Processo nº 13933.000349/200828 Acórdão n.º 2202005.420 S2C2T2 Fl. 450 7 Consequentemente, o imposto a restituir declarado foi reduzido para R$ 17.984,58. O objetivo final pretendido pelo sujeito passivo é ver reconhecido seu direito à restituição no valor declarado, qual seja R$ 60.920,59. A análise da Declaração de Ajuste Anual acostada às fls. 20 não deixa dúvida de que o valor de rendimentos declarados é exatamente o que foi considerado pela fiscalização. O passo seguinte é averiguar o valor dos rendimentos tributáveis recebidos na ação trabalhista em questão. Para chegar ao valor de R$ 513.541,74, a autoridade fiscal fez o seguinte cálculo (fls. 44/45): Total dos rendimentos percebidos na ação trabalhista R$ 713.384,58 () Honorários advocatícios no valor de R$ 199.842,84 = Rendimento tributável de R$ 513.541,74. Citando as Guias de Retirada e documentos (fls. 1793 a 1794), o recorrente admite o recebimento de R$ 714.972,63, o que aponta como algo incontroverso. A quantia reconhecida pelo recorrente (fls. 190) é superior à levada em conta no lançamento. Não obstante, verificase que a diferença a maior reconhecida pelo contribuinte corresponde ao valor do INSS, que o recorrente discriminou às fls. 190. Assim, passase a tomar como incontroverso o valor que a autoridade fiscal imputou no lançamento (o que já subtraiu o valor de INSS). O valor que a autoridade fiscal considerou no lançamento a título de IRRF (R$ 156.123,92) é quase idêntico ao afirmado pelo sujeito passivo (fls. 45). Há uma diferença de alguns centavos e o valor de IRRF aproveitado no lançamento é favorável ao contribuinte, de modo que esse é outro ponto que se toma por incontroverso. Percebese que a autoridade fiscal considerou como tributáveis a totalidade dos rendimentos (já deduzidos os tributos e os honorários de advogado), ao passo que o sujeito passivo sustenta que há algumas verbas isentas ou não tributáveis. O litígio gira em torno da comprovação da natureza isenta ou não tributável de valores recebidos no bojo de ação trabalhista (RT 366/2001), que estariam incluídos na base de cálculo. A decisão hostilizada indeferiu a impugnação sob fundamentação de que o Comprovante de Rendimento não indicava o responsável pelas informações e que estas discrepavam do que se apurou nos documentos apresentados à Fiscalização, além de os cálculos homologados pelo juízo trabalhista não terem sido apresentados, não se prestando a tal finalidade cópias sem autenticação da Justiça do Trabalho. Fl. 453DF CARF MF 8 O recorrente junta aos autos o cálculo pericial (fls. 390 e ss) e alega que o valor recebido incluiu R$ 103.623,72, representado pelas seguintes verbas: FGTS; multas contratuais; participação nos lucros; juros moratórios. A utilidade de aferir a comprovação de que as verbas acima compuseram o valor recebido na ação trabalhista pressupõe reconhecer se tais verbas, de fato, são ou não são isentas ou não tributáveis como alega o recorrente. Do FGTS O FGTS é isento nos termos do inciso V, do art. 6º, da Lei nº 7.713/88, abaixo transcrito: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) V a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido por lei, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores, ou respectivos beneficiários, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; Da multa convencional Analisandose as peças do processo trabalhista verificase que as denominadas multas contratuais, são as multas convencionais reconhecidas pelo juiz trabalhista por descumprimento de norma convencional da categoria, e que foram elas pagas em decorrência de ação versando sobre rescisão do contrato de trabalho. Sob a guarida do então vigente RIR/99, o STJ proferiu entendimento de que, na seara trabalhista, "as fontes normativas não são apenas as leis em sentido estrito, mas também as convenções e os acordos coletivos, cuja força impositiva está prevista na própria Constituição" (REsp nº 860.774). Ainda que a redação do art. 38 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), vigente à época dos fatos, não fosse clara a respeito da inclusão das verbas em apreço no âmbito das indenizações excluídas da base de cálculo do imposto, a novel redação adotada pelo RIR/18, aprovado pelo Decreto nº 9.580/18, explicita que indenizações (e assemelhados) pagos por rescisão de contrato de trabalho, quer seja em decorrência de lei, dissídio coletivo ou convenção coletiva não estão sujeitos à tributação pelo imposto de renda. Confirase: Art. 35. São isentos ou não tributáveis: III os seguintes rendimentos de indenizações e assemelhados: (...) Fl. 454DF CARF MF Processo nº 13933.000349/200828 Acórdão n.º 2202005.420 S2C2T2 Fl. 451 9 c) a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou por rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido pela lei trabalhista ou pelo dissídio coletivo e pelas convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho, e o montante recebido pelos empregados e pelos diretores e pelos seus dependentes ou sucessores, referente aos depósitos, aos juros e à correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º,caput, inciso V; e Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, art. 28); (grifei) Assim, valores relativos ao FGTS e à multa convencional – esta quando paga no contexto de rescisão do contrato de trabalho, observese não devem ser considerados rendimentos tributáveis, sendo cabível avaliar se houve comprovação da existência dessas espécies de verbas na ação trabalhista. Da Participação nos lucros ou resultados anocalendário 2005 A tributação dos valores recebidos a título de participação nos lucros e resultados é tema regrado pelo § 5º do art. 3º da Lei 10.101/00, que passou por diversas alterações. Em se tratando de valor recebido no anocalendário 2005, tomase por base a redação então vigente: §5oAs participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. (grifei) Ressaltase que as regras ora vigentes acerca de isenção e de tributação exclusivamente na fonte não se aplicam ao anocalendário 2005, como preceitua o art. 144 do CTN. Assim, eventual comprovação do recebimento de valores dessa espécie não implicaria excluir tais valores do lançamento, o que torna desnecessário examinar a documentação alusiva a essa espécie de verba. Dos juros moratórios A quarta e última das verbas analisadas são os juros moratórios incidentes sobre as verbas trabalhistas. Sabese que sobre os procedimentos da RFB versando sobre exigência de IRPF sobre juros moratórios paira decisão monocrática do Ministro Dias Toffoli, no RE nº 855.901/RS, que determinou o sobrestamento de todos os procedimentos administrativos tributários que tratem do tema 808 de Repercussão Geral. Vejase: 2) determino, de ofício, nos termos do art. 1.035, § 5º, do CPC, a suspensão do processamento de todos os processos judiciais pendentes, individuais ou coletivos, que tramitem no território nacional e versem sobre a incidência, ou não, de imposto de renda sobre os juros moratórios recebidos por pessoa física Fl. 455DF CARF MF 10 (tema 808 da Gestão por Temas da Repercussão Geral do Poder do STF na internet); 3) defiro, com base no poder geral de cautela, o pedido formulado na petição nº 53.053/18, a fim de também suspender o processamento de todos os procedimentos administrativos tributários da Secretaria Receita Federal do Brasil pendentes que tramitem no território nacional e versem sobre a mesma matéria indicada no item 2) desta decisão, até ulterior ordem; Em 06/09/2018, em uma segunda decisão monocrática no citado RE, o Ministro Toffoli complementou que a suspensão em comento referese tão somente aos processos administrativos que tenham controvérsia instaurada acerca da incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios recebidos por pessoas físicas, objeto do Tema 808 da repercussão geral. Confirase: Em aditamento ao item 3 da decisão proferida em 20/8/18, relativamente a suspensão do processamento de todos os procedimentos administrativos tributários da Secretaria Receita Federal do Brasil pendentes que tramitem no território nacional e versem sobre a matéria vinculada ao tema 808 da repercussão, consigno: A) A suspensão dos procedimentos administrativos pendentes no âmbito da Receita Federal do Brasil, referese tão somente aos processos administrativos que tenham controvérsia instaurada acerca da incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios recebidos por pessoas físicas, objeto do Tema 808 da repercussão geral. Aqui cabe destacar que, no caso dos autos, cuidase de cumprimento de decisão judicial exarada pelo Juízo da 2ª Vara Federal de Curitiba, no mandado de segurança nº 502003478.2018.4.04000/PR, na qual foi determinada "a conclusão do Recurso Voluntário no PAD 13.933.000349/2008.28, no prazo de trinta dias". Essa decisão judicial é específica para este processo e posterior à decisão do STF antes referida. De outro giro, ressaltase que não há neste processo uma controvérsia, propriamente dita, sobre a natureza tributável dos juros de mora recebidos na ação trabalhista. Com efeito, nem a autoridade fiscal, nem a DRJ consideraram os juros de mora tributáveis, a controvérsia limitouse à falta de comprovação sobre as espécies de verbas contidas na ação trabalhista e correspondentes valores. Nesse contexto, o aparente conflito entre a decisão monocrática no RE nº 855.901/RS e a decisão judicial no MS 502003478.2018.4.04000/PR solucionase com a prevalência da decisão (específica e posterior) proferida no mandamus, o que implica o julgamento deste processo, não seu sobrestamento. Quando recebidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, os juros moratórios alusivos às verbas trabalhistas estão fora da incidência do imposto de renda, nos termos entendimento firmado no Resp nº 1.227.133/RS, julgado no rito do art. 543C do CPC/73, de reprodução obrigatória pelo CARF (§ 2º, do art. 62 do Anexo II do RICARF) À luz das peças da ação trabalhista é possível constatar que se tratou de rescisão de contrato de trabalho. Exemplificativamente: a sentença (fls. 72) referese ao desligamento do empregado e às fls. 311 é feita referência ao Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 13933.000349/200828 Acórdão n.º 2202005.420 S2C2T2 Fl. 452 11 Nessas circunstâncias, os juros moratórios não devem ser tributados. Resta aferir a comprovação dos valores recebidos a esse título. Do exame documental Assim, cabe perscrutar se o valor recebido pelo recorrente, no bojo da ação trabalhista, incluiu FGTS, multa convencional e juros moratórios. Salientase que a DRJ requereu diligência para esclarecimentos e juntada dos documentos que a autoridade fiscal usou para efetuar o lançamento. Ao cumprir a diligência, a autoridade fiscal juntou peças da ação trabalhista, entre as quais os quadros demonstrativos do cálculo pericial e a homologação dos cálculos. Ocorre que, na homologação dos cálculos, o juiz referiuse às fls. 1.103/1.137 do processo judicial (item 1 do despacho judicial de fl. 48), mas os quadros de cálculo pericial analisados pela DRJ correspondem a folhas com numeração diversa. Foi nesse contexto de ausência das folhas com a mesma numeração mencionada pelo juiz que a DRJ considerou relevante a falta de autenticação da Justiça do Trabalho e, dada a divergência entre os valores dos documentos do processo judicial e os informados nos comprovante de rendimentos, desconsiderou estes últimos por falta da identificação do signatário. O recorrente juntou documentos que representam um esforço em contrapor fatos ou razões apontadas no acórdão de primeira instância. Somese a isso o prestígio que o processo administrativo tributário rende ao princípio da verdade material. Dessarte, conheço de tais documentos e passo a analisálos. Esses documentos são peças da ação trabalhista (RT 366/2001), com destaque para as planilhas do cálculo elaborado pelo perito da causa, o que inclui as fls. 1.103 a 1.137 do processo judicial. Não custa frisar que a ausência de tais folhas do processo trabalhista foi decisivo para a decisão de primeira instância. Analisandose as planilhas de cálculo, verificase que, para cada rubrica, há um quadro demonstrativo. O Quadro 17 (fls. 419/420) corresponde à apuração do FGTS que compôs a base de cálculo dos juros de mora e comprova que o valor pago na ação trabalhista incluiu R$ 49.125,12 de FGTS, tal como alegado pelo recorrente. O Quadro 12 (fls. 411) referese à apuração das multas convencionais e comprova o recebimento de R$ 58,96 a título de multas convencionais, tal como sustentou o recorrente. O Quadro 19 (fls. 423/424) trata dos juros de mora vencidos e vincendos. Novamente confirmase o alegado pelo recorrente: o recebimento de R$ 47.627,21 a título de juros moratórios. Essas verbas somam R$ 96.811,29 de rendimentos isentos ou não tributáveis. Fl. 457DF CARF MF 12 À vista de tais documentos e do fato de o contribuinte alegar que o valores dos rendimentos isentos é diferente do constante no Comprovante de Rendimentos, é irrelevante analisar o empecilho de ordem formal apontada na decisão de piso, bem como desnecessário o requerimento de informações à fonte pagadora feito pelo recorrente de forma subsidiária pois tal documento não será acatado como prova, e sim as cópias das peças judiciais. De outro giro, destacase que a autoridade fiscal baseouse nas peças judiciais para fazer o lançamento, sem exigir a autenticação. Usando a mesma medida, não caberia exigir a autenticação dos mesmos documentos para excluir as verbas isentas. Além disso, não há qualquer indício que pudesse desabonar a validade de tais documentos como prova (Decreto nº 9.094/17, com a redação dada pelo Decreto nº 9.723/19). Quanto ao fato de a numeração das folhas analisadas pela DRJ, contendo as planilhas de cálculos periciais, não coincidirem com a numeração 1.103 a 1.117 do processo trabalhista, constatase que, por mais de uma vez planilhas de cálculos periciais foram juntadas aos autos, visto que houve embargos à execução opostos pelos reclamados e impugnação à sentença por parte do reclamante. Os embargos foram rejeitados, já a citada impugnação foi acolhida (fls. 267) por decisão judicial expedida em 07/03/2003, de forma que não há razão para cogitar que as verbas isentas pudessem vir a ser de valor inferior às que homologadas inicialmente pelo juiz e comprovadas pelos documentos de fls. 1.103 a 1.137 do processo trabalhista. Ademais, o despacho judicial (fls. 48) é de 2005 e não deixa dúvidas que prevaleceram os cálculos que no processo trabalhista receberam numeração de 1.103 a 1.137. Em suma, o recorrente não tem razão em pleitear a exclusão do lançamento da parcela relativa à participação nos lucros ou resultados (R$ 6.812,43), mas tem no tocante ao FGTS, multas contratuais (convencionais) e juros moratórios, que juntos somam R$ 96.811,29, que, por serem rendimentos isentos ou não tributáveis, não devem compor a base de cálculo do lançamento. O recálculo do imposto a restituir requerido pelo sujeito passivo será mera consequência da execução deste acórdão. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os rendimentos tributáveis no montante de R$ 96.811,29, relativos a FGTS, juros moratórios e multa convencional. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 458DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.000894/2004-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/08/1999
FALTA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF.
Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/08/1999
CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98.
A declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, não afasta a incidência da COFINS em relação às receitas operacionais decorrentes das atividades empresariais. A noção de faturamento do RE 585.235/MG deve ser compreendida no sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, consoante interpretação iniciada pelo RE 609.096/RS, submetidos à repercussão geral. Em consequência, inclui-se no conceito de faturamento, previsto na Lei 9.718/98, todos aqueles valores que são cobrados dos consorciados por determinação contratual, ainda que contabilmente registrados como "recuperação de despesas".
Numero da decisão: 3402-006.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir as parcelas nos termos da diligência fiscal. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz acompanharam o relator pelas conclusões e davam provimento em maior extensão para afastar a exigência referente às contas 7193000601 ("Ressarcimento venda de cotas"), 7193000602 (Ressarcimento desp. legais judiciais), 7193000604 (Ressarcimento despesas de aluguéis), 7193000605 (Recuperação de despesas), 7193000606 (Recuperação de multa), 7193000607 (Aluguéis e luvas term. de cargas) e 7193000608 (Receita de aluguéis). A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne manifestou interesse em apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/1999 a 31/08/1999 FALTA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/1999 a 31/08/1999 CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. A declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, não afasta a incidência da COFINS em relação às receitas operacionais decorrentes das atividades empresariais. A noção de faturamento do RE 585.235/MG deve ser compreendida no sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, consoante interpretação iniciada pelo RE 609.096/RS, submetidos à repercussão geral. Em consequência, inclui-se no conceito de faturamento, previsto na Lei 9.718/98, todos aqueles valores que são cobrados dos consorciados por determinação contratual, ainda que contabilmente registrados como "recuperação de despesas".
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10850.000894/2004-12
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6055643
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.728
nome_arquivo_s : Decisao_10850000894200412.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO MINEIRO FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10850000894200412_6055643.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir as parcelas nos termos da diligência fiscal. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz acompanharam o relator pelas conclusões e davam provimento em maior extensão para afastar a exigência referente às contas 7193000601 ("Ressarcimento venda de cotas"), 7193000602 (Ressarcimento desp. legais judiciais), 7193000604 (Ressarcimento despesas de aluguéis), 7193000605 (Recuperação de despesas), 7193000606 (Recuperação de multa), 7193000607 (Aluguéis e luvas term. de cargas) e 7193000608 (Receita de aluguéis). A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz
dt_sessao_tdt : Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7876435
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300988121088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1904; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 995 1 994 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.000894/200412 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402006.728 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2019 Matéria PERDCOMPRESTITUIÇÃO DE CRÉDITOS Recorrente RODOBENS ADMINISTRADORA DE CONSORCIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/1999 a 31/08/1999 FALTA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/08/1999 CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. A declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, não afasta a incidência da COFINS em relação às receitas operacionais decorrentes das atividades empresariais. A noção de faturamento do RE 585.235/MG deve ser compreendida no sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, consoante interpretação iniciada pelo RE 609.096/RS, submetidos à repercussão geral. Em consequência, incluise no conceito de faturamento, previsto na Lei 9.718/98, todos aqueles valores que são cobrados dos consorciados por determinação contratual, ainda que contabilmente registrados como "recuperação de despesas". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 08 94 /2 00 4- 12 Fl. 995DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir as parcelas nos termos da diligência fiscal. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz acompanharam o relator pelas conclusões e davam provimento em maior extensão para afastar a exigência referente às contas 7193000601 ("Ressarcimento venda de cotas"), 7193000602 (“Ressarcimento desp. legais judiciais”), 7193000604 (“Ressarcimento despesas de aluguéis”), 7193000605 (“Recuperação de despesas”), 7193000606 (“Recuperação de multa”), 7193000607 (“Aluguéis e luvas term. de cargas”) e 7193000608 (“Receita de aluguéis”). A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: Trata o presente de pedido de restituição (fl. 1) de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), advindos de compensação a maior com créditos do Finsocial, referente ao período de abril a agosto de 1999. Posteriormente, foram apresentadas Declarações de Compensação (DComp) aproveitando o mesmo crédito. A DRF/São José do Rio Preto, por meio do despacho decisório de fls.77/85, indeferiu o pedido de restituição e deixou de homologar as compensações, por inexistência de crédito. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 97/106, alegando, em resumo, que a ampliação da base de cálculo da contribuição, prevista no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 390840/MG e que o art. 26A do Processo Administrativo Fiscal (PAF) determina que nos casos em que a lei tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, os órgãos de julgamento da Administração Federal devem afastar sua Fl. 996DF CARF MF Processo nº 10850.000894/200412 Acórdão n.º 3402006.728 S3C4T2 Fl. 996 3 aplicação. Assim, requer a restituição da parcela da contribuição apurada sobre as receitas que não compõem o faturamento. A 1ª Turma de Julgamento desta Delegacia de Julgamento, conforme resolução de fls. 709/714, por entender que, em tese, a contribuinte teria direito à restituição de valores da contribuição calculados sobre receitas diferentes do faturamento, determinou o retorno do presente à unidade de origem para que a interessada fosse intimada a apresentar cópias de sua escrituração contábil de modo a demonstrar a liquidez e certeza do crédito requerido. Após ser intimada, a contribuinte apresentou os documentos de fls.719/768. Como o relator da referida resolução teve a sua lotação transferida para outra unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), o processo retornou a esta 4ª Turma de Julgamento, para prosseguimento. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), em sessão de 23 de maio de 2013 (Acórdão 1442.109 às fls. 786 a 808), julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1999 a 31/08/1999 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM CONTROLE DIFUSO. EFEITOS. A competência para suspender a execução de uma lei declarada inconstitucional incidentalmente, em controle difuso, é privativa do Senado Federal e gera sempre efeitos ex nunc. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. REDUÇÃO DE BASE DE CÁLCULO SEM LEI ESPECÍFICA. VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL. Permanecendo válida a lei com todos os seus efeitos, enquanto não retirada do mundo jurídico, a Constituição Federal veda expressamente a redução de base de cálculo de impostos, taxas ou contribuições sem uma lei específica que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 997DF CARF MF 4 Regularmente cientificada, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, pleiteando a reforma da decisão a quo e o deferimento de seu direito creditório, com as seguintes alegações, em síntese: − que o crédito pleiteado se refere à inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição Cofins, de receitas estranhas ao conceito de faturamento dada a inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n. 9.718/98; − que, após ser intimada, apresentou os documentos de fls.719/768, juntando toda a documentação necessária para comprovar o direito creditório; − que a retificação de declarações não se configura legitima como condição para repetição do indébito; − que essa discussão se encontra totalmente superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do art. 3º da Lei n. 9.718/98, bem como em recurso em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria; − que a jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação, pelo fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do art. 3º, da Lei 9.718/98, com fulcro no inciso I, do parágrafo 6º, do art. 26A, incluído no Decreto nº70.235/72, pela Lei nº 11.941/2009 e também no Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), no seu art. 62, parágrafo 1º, inciso I, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. A antiga 1ªTurma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em sessão realizado no dia 13 de novembro de 2014 (Resolução 3801000.860 às fls. 923 a 930), resolveu converter o julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: (a) apure a composição da base de cálculo da Contribuição COFINS com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; (b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Cumprida a solicitação do Colegiado, o processo foi a mim distribuído por sorteio, para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Fl. 998DF CARF MF Processo nº 10850.000894/200412 Acórdão n.º 3402006.728 S3C4T2 Fl. 997 5 Conforme relatado, tratase de análise de alegados créditos advindos de compensação a maior de COFINS em virtude da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A antiga 1ªTurma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em sessão realizado no dia 13 de novembro de 2014 (Resolução 3801000.860 às fls. 923 a 930), resolveu converter o julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: (a) apure a composição da base de cálculo da Contribuição COFINS com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; (b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. A DRF de origem, em atendimento ao disposto na Resolução 3801000.860, elaborou sua Informação Fiscal (fls.964 a 971), na qual relata a análise fiscal de cada rubrica contábil reivindicada pela Recorrente, que supostamente não comporia a base de cálculo das contribuições por força da declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98. Em suma, concluiu o Auditor Fiscal que o contribuinte concorda que devem ser incluídas na base de cálculo da COFINS e do PIS as receitas referentes ao recebimento das taxas de inscrição e taxas de administração; também, segundo entendimento fiscal, devem ser incluídas no conceito de faturamento, para efeito de incidência das referidas contribuições, as receitas referentes as contas contábeis abaixo indicadas, com as devidas explicações do sujeito passivo: Fl. 999DF CARF MF 6 Em seguida, foram refeitos os cálculos do período em análise com base no demonstrativo e registros contábeis que lhes foram apresentados, incluindo na base de cálculo todas as receitas operacionais e excluindo aquelas receitas financeiras e estranhas ao conceito de faturamento, onde se apurou a Cofins a pagar apurada na diligência do período de apuração de abril de 1999 a agosto de 1999 em confronto com os pagamentos dos períodos informados nas Perdcomp, obtendose os valores recolhidos a maior ou a menor. Por fim, apurouse os valores dos créditos reconhecidos em cada Perdcomp, limitandose o reconhecimento do crédito até o valor pedido. Transcrevo, a seguir, os quadros com a apuração dos valores efetuados pela unidade de origem: Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 10850.000894/200412 Acórdão n.º 3402006.728 S3C4T2 Fl. 998 7 22. Comparando a COFINS apurada na diligência com o valor compensado e/ou pago da Cofins no período em análise, concluímos que houve pagamento a maior nos valores demonstrados a seguir. 23. O contribuinte pleiteia, tanto no pedido de restituição inicial quanto nas Dcomps entregues posteriormente, atreladas ao pedido de restituição, os seguintes créditos: 24 O reconhecimento do crédito em análise se limita ao valor pedido pelo contribuinte. Pelo exposto, concluo pelo RECONHECIMENTO PARCIAL do direito creditório referente a COFINS dos períodos de apuração de abril/1999 a agosto/1999, nos valores a seguir: Portanto, ao fim da referida diligência, de um montante total pleiteado de R$113.441,80, a fiscalização reconheceu o montante de R$ 100.779,23. Quanto aos valores não reconhecidos na diligência, passo à análise de sua inclusão no conceito de faturamento para fins de incidência das contribuições na sistemática cumulativa: A fiscalização incluiu na base de cálculo da COFINS os valores registrados nas contas contábeis 7173500501 – “Taxa de Administração”; 7173500502 – “Taxa de Inscrição”; 7193000601 – “Ressarcimento venda de cotas”; 7193000602 – “Ressarcimento desp. legais judiciais”; 7193000604 – “Ressarcimento despesas de alugueis”; 7193000605 – “Recuperação de despesas”; 7193000606 – “Recuperação de multa”; 7193000607 – “Alugueis e luvas term. de cargas”; 7193000608 “Receita de alugueis” e 7199900912 “Receitas diversas”. A questão foi enfrentada recentemente por esta turma julgadora no Acórdão 3402006.692 de 18/06/2019, da lavra do i. Conselheiro Pedro Bispo, que reproduzo nos termos do artigo 50, § 1o da lei n. 9.784/99, cujos fundamentos adoto parcialmente como minhas razões de decidir: “Preliminarmente, cabe esclarecer que, não obstante a Recorrente não ter retificado a DCTF relativamente ao débito que originaria o alegado pagamento indevido, as turmas colegiadas do CARF têm expressado o seguinte entendimento Fl. 1001DF CARF MF 8 sobre essa questão, ao qual concordo: Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado (Acórdão nº 3301005.595, de 13 de dezembro de 2018, Rel. Salvador Cândido Brandão Junior). Temse que o alcance do termo faturamento ou receita bruta é como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, consoante assentado no RE nº 585.2351/MG, no qual reconheceuse a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e reafirmouse a jurisprudência consolidada pela Corte Suprema nos leading cases. Transcrevese a ementa: "EMENTA. RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade, em resolver questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Brasília, 10 de setembro de 2008 Ministro Cezar Peluso, Relator" No voto, o Ministro Cezar Peluso deixou consignado que: “1. O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 10850.000894/200412 Acórdão n.º 3402006.728 S3C4T2 Fl. 999 9 serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais....” (negrito nosso) Nesse passo, cabe a este Colegiado decidir se as rubricas contábeis citadas guardam identidade com o conceito de faturamento, entendido este como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, em sintonia com o assentado no RE nº 585.2351/MG. Inicialmente, oportuno fazer algumas considerações sobre a natureza jurídica das recuperações de despesas/custos, pois a Recorrente argui que essas rubricas contábeis sequer possuem natureza de receitas. Entendo que o conceito mais adequado para receita é como o ingresso econômico representado por um aumento de ativo ou diminuição de passivo que resultam em aumentos de patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. Nesse sentido, diversamente ao argumentado pela Recorrente, entendo que as recuperações de custos/despesas são conceitualmente receitas, devendo compor o faturamento ou receita bruta, e sua exclusão da base de cálculo da base de cálculo das contribuições deveria ser veiculada em lei, o que não se identifica na legislação vigente. Confirmando esta natureza, transcrevose o artigo 44 da Lei nº 4.506/1964: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. (negrito nosso) Dessa forma, no caso ora analisado, o fato da Recorrente aduzir que algumas das rubricas contábeis consideradas pela Fiscalização têm natureza de redução de custos/despesa, isso não afasta a sua natureza de receita, conforme expressamente dispõe o inciso III do artigo 44 da Lei nº 4.506/1964. Nesse mesmo sentido, há decisão do CARF caracterizando como receita a recuperação de despesas/custo, a teor do Acórdão nº 3302003.653, cuja ementa transcrevese a seguir: BASE DE CÁLCULO. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. As receitas decorrentes de recuperação de despesas não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições PIS/Cofins, por falta de previsão legal. (Acórdão nº 3302003.653 de 22 de fevereiro de 2017 da Terceira Câmara, Segunda Turma, da Terceira Seção) Fl. 1003DF CARF MF 10 No presente caso, observase que todos os valores recebidos à título de recuperação de custos/despesas estão acordados em contrato padrão, abaixo reproduzido, e integram os valores pagos habitualmente à Recorrente pelos consorciados. Além disso, como bem pontuado pela Autoridade Fiscal, as administradoras de consórcios tem como receita principal a taxa de administração, mas podem também receber outros valores, desde que previstos nos contratos de adesão, inclusive recuperação de custos/despesas, multas e juros moratórios pagos pelos consorciados no caso de atraso nos pagamentos das parcelas contratadas. Em conseqüência, tais valores devem ser considerados receitas operacionais pois são habituais e típicos do negócio desenvolvido pela empresa. Abaixo, transcrevese cláusula do contrato social do contribuinte, que denota o seu objeto social, bem como o contrato padrão utilizado nos negócios do contribuinte no período analisado: Contrato Social Contrato Padrão de Negócios Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 10850.000894/200412 Acórdão n.º 3402006.728 S3C4T2 Fl. 1000 11 Mesmo afastando o § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, julgado inconstitucional na sistemática dos repetitivos no RE nº 585.2351/MG, ainda assim os valores registrados nas rubricas contábeis aqui discutidas integram o faturamento da empresa, entendido este como "a soma das receitas provenientes das atividades empresariais". Quanto à recuperação de despesas, também adoto os fundamentos do Acórdão 3402006.692, nos termos do artigo 50, § 1o da lei n. 9.784/99: “Ademais, para aqueles que entendem, em tese, que recuperação de custos/despesas não têm natureza jurídica de receita, oportuno aqui esclarecer que nos autos não restou comprovada esta natureza (recuperação custo/despesa) dos valores ora discutidos. O Contribuinte não demonstrou, por meio de documentos, a existência de correspondência direta entre os custos/despesas de incorridos e os reembolsos recebidos pela Empresa. Assim, as argumentações teóricas sobre o tema expostas pela Recorrente não vieram lastreadas por documentos comprobatórios suficientes, tais como as planilhas de custos/despesas incorridos em correspondência com os valores recebidos. Como se sabe, o momento adequado para apresentação da prova documental pela empresa é na impugnação, precluindo o direito da Recorrente fazêlo em outro momento processual, a menos em caso de impossibilidade de apresentação por motivo de força maior, ou se refira a direito ou fato superveniente, ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos (§4° do art. 16 do Decreto n.° 70.235/72, inserido pela Lei n.° 9.532/97) , situações essas que não foram identificadas no presente processo. No que tange às contas contábeis 7199900905 / 7399900705 – “Outros Resultados Financeiros”, nas quais a Recorrente informa que foram incluídas receitas financeiras, entendo que os valores registrados não tem essa natureza, pois é considerada receita financeira aquela remuneração pelo uso do capital financeiro que pode derivar de uma aplicação de um fundo de investimento, um empréstimo (mútuo) ou de um pagamento antecipado (descontos financeiros), normalmente, aquele decorrente da antecipação do pagamento de duplicata. Segundo admite a Recorrente, os valores ali registrados são concernentes às taxas de manutenção dos consorciados. Por conseqüência, as rubricas aqui analisadas, portanto, não guardam qualquer correspondência com receitas financeiras, mas sim receitas operacionais relacionadas com a atividade empresarial típica da empresa, devendo, por isso, compor o seu faturamento.” Quanto aos valores de receita de aluguéis de imóvel próprio, confirmo o entendimento manifestado na Informação Fiscal em questão, no sentido que estas compõem o faturamento e sofrem a incidência da contribuição mesmo quando a atividade de locação não consta do objeto social da pessoa jurídica, por serem regulares. Neste sentido, destacase o REsp 1.592.696RS (DJe em 02/06/2016): RECURSO ESPECIAL Nº 1.592.696 RS (2016/00890812) RELATOR: MINISTRO HERMAN BENJAMIN (...) DECISÃO Tratase de Recurso Especial interposto, com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição da República, contra acórdão assim ementado: Fl. 1005DF CARF MF 12 TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/1998. ALUGUEL DE IMÓVEIS PRÓPRIOS, OBJETO SOCIAL DA EMPRESA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. As recorrentes alegam violação dos arts. 109 e 110 do CTN e do art. 2º da Lei Complementar 70/1991. (...) É o relatório. Decido. (...) No mérito, o Tribunal de origem decidiu de acordo com o entendimento do STJ, isto é, de que as receitas decorrentes de locação de imóveis próprios integram a base de cálculo das exações, mesmo antes da entrada em vigor da Lei 12.973/2014, por se encontrarem incluídas no conceito de faturamento. Nesse sentido: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS. COFINS. RECEITAS AUFERIDAS, PELA PESSOA JURÍDICA, COM A LOCAÇÃO OU O ARRENDAMENTO DE IMÓVEIS PRÓPRIOS. INCIDÊNCIA DAS REFERIDAS CONTRIBUIÇÕES, AINDA QUE TAL ATIVIDADE NÃO SEJA O OBJETO DE SEU CONTRATO SOCIAL. MULTIFÁRIOS PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. I. Nos termos da jurisprudência, "mesmo antes da alteração legislativa da Lei nº 9.718/98 perpetrada pela MP nº 627/13, convertida na Lei nº 12.973/14, o Superior Tribunal de Justiça já havia assentado que as receitas auferidas com a locação de imóveis próprios das pessoas jurídicas integram o conceito de faturamento como base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS, ainda que tal atividade não constitua o objeto social da empresa, tendo em vista que o sentido de faturamento acolhido pela lei e pelo Supremo Tribunal Federal não foi o estritamente comercial. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.515.172/PR, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 23/04/2015; e AgRg no REsp 1086962/RJ, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 23/02/2015. EREsp 727.245/PE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, DJ 06/08/2007, p. 452; EREsp 662.978/PE, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Seção, DJ 05/03/2007, p. 255; AgRg no REsp 1164449/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 04/02/2011; REsp 1101974/RJ, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 19/05/2009; REsp 748.256/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 16/09/2008; e REsp 693.175/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ 03/10/2005, p. 138" (STJ, AgRg no REsp 1.558.934/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 19/11/2015). II. Agravo Regimental improvido (AgRg no REsp 1532592/PR, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, DJe 14/3/2016). Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 10850.000894/200412 Acórdão n.º 3402006.728 S3C4T2 Fl. 1001 13 Diante do exposto, nos termos do art. 557, caput, do CPC/1973, nego seguimento ao Recurso Especial. (...) Dessa feita, deve ser reconhecida a existência parcial de direito creditório da Recorrente na forma indicada pela Diligência Fiscal no DEMOSNTRATIVO DE APURAÇÃO DA COFINS e do valor do CRÉDITO PASSÍVEL DE RECONHECIMENTO elaborada pela Fiscalização, constante da Informação Fiscal (fls. 964 a 971), devendo compor a base de cálculo da contribuição as contas abaixo relacionadas: 7173500501 – “Taxa de Administração” 7173500502 – “Taxa de Inscrição” 7193000601 – “Ressarcimento venda de cotas” 7193000602 – “Ressarcimento desp. legais judiciais” 7193000604 – “Ressarcimento despesas de aluguéis” 7193000605 – “Recuperação de despesas” 7193000606 – “Recuperação de multa” 7193000607 – “Aluguéis e luvas term. de cargas” 7193000608 “Receita de aluguéis” 7199900912 “Receitas diversas” Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir as parcelas estranhas ao conceito de receita bruta, nos termos da diligência fiscal. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator Declaração de Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Em sessão, manifestei interesse em apresentar declaração de voto para elucidar as questões pelas quais entendo que o provimento parcial do recurso voluntário deveria ser concedido em maior extensão, para abranger as parcelas que não se enquadram no conceito de faturamento. Fl. 1007DF CARF MF 14 Não obstante o I. Relator tenha buscado diferenciar os conceitos de receita e faturamento, entendo que estes conceitos ficaram mesclados em seu voto, com todo respeito. Importante, com isso, traçar uma distinção entre os conceitos de receita e faturamento.1 Como é assente, com a edição da Lei 9.718/98 e a indicação pelo legislador ordinário de que o faturamento ou receita bruta da pessoa jurídica corresponderia à “totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica” (art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98), foi instaurada uma extensa discussão na doutrina e na jurisprudência quanto ao conceito de faturamento indicado, à época, no art. 195, I, da CF/88, em sua redação originária, como materialidade suscetível de tributação pelas contribuições securitárias. Essa discussão ganhou ainda maior relevância com a publicação, em dezembro de 1998, da EC 20/98, pela qual foi alterada a redação do art. 195, I, CF/88 para indicar, além do faturamento, o termo receita como uma materialidade suscetível de tributação pelas contribuições securitárias no art. 195, I, ‘b’, CF/88. O conceito constitucional de faturamento incorporado pelo texto constitucional, depreendido do DecretoLei 2.397/87 ao definir a base de cálculo do extinto FINSOCIAL é o produto da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços auferidos pelas pessoas jurídicas. 2 Esse foi o entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal no RE 346.084, um dos primeiros precedentes quanto à inconstitucionalidade do mencionado § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, segundo o qual o conceito de faturamento, sinônimo de receita bruta, não pode ser considerado como todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica referindo se, apenas, “à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços”3. Posteriormente, especialmente em função da discussão envolvendo o faturamento das instituições financeiras, a expressão “totalidade das receitas auferidas com a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços” passou a ser indicada na jurisprudência como “a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”4, ou seja, aquelas auferidas exclusivamente no exercício de seu objeto social. Vejase que, ao contrário do que pretende aduzir o relator em seu voto, o exercício da atividade empresarial deve guardar relevância com o objeto social da pessoa jurídica para se enquadrar no conceito de faturamento. Essa necessária correspondência com o exercício da atividade social da pessoa jurídica é depreendida, inclusive, do conceito legislativo de receita bruta introduzido pela Lei n.º 12.973/2014 que alterou o art. 12 do DecretoLei no 1.598/19775, indicando que a receita bruta é aquela auferia pela pessoa jurídica no exercício do 1 Para maiores considerações, na seara doutrinária, vide: DELIGNE, Maysa de Sá Pittondo. Receita como elemento de incidência do PIS e da COFINS: conceito jurídico x conceito contábil. In: MURICI, Gustavo Lanna; CARDOSO, Oscar Valente; RODRIGUES, Raphael Silva. (Org.). Estudos de direito processual e tributário em homenagem ao Ministro Teori Zavascki. Belo Horizonte: D'Plácido, 2018, p. 841861. 2 Conforme: LEÃO, Martha Toribio. A incidência das contribuições sociais sobre as receitas financeiras das instituições financeiras e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 214, p. 97, jul. 2013. ÁVILA, Humberto. Contribuição social sobre o faturamento. Cofins. Base de cálculo. Distinção entre receita e faturamento. Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 107, p. 104, ago. 2004. 3 BRASIL. STF. RE 346084, Relator Ministro Ilmar Galvão, Relator para o acórdão Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, publicado em 01/09/2006. 4 BRASIL. STF. Agravo Regimental no RE 371258, Relator Min. Cezar Peluso, Segunda Turma, julgado em 03/10/2006, DJ 27/10/2006. E ainda, BRASIL, STF. Agravo Regimental no RE 816363, Relator Ministro Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, julgado em 05/08/2014, Pulicado em 15/08/2014. 5 “Art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 10850.000894/200412 Acórdão n.º 3402006.728 S3C4T2 Fl. 1002 15 objeto social principal, dentre as quais aquelas auferidas com a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, bem como as receitas auferidas em função da realização de operações de conta alheia.6 As polêmicas em torno do conceito de faturamento foram igualmente relevantes para sedimentar o conceito de receita indicado no texto constitucional, tomado como o gênero no qual se inclui o faturamento, abrangendo todos os valores recebidos, a qualquer título, pela pessoa jurídica7. Assim, os conceitos de receita e faturamento não se confundem. A manifestação de José Souto Maior Borges traz uma clara distinção entre os dois conceitos: “Faturamento e receita são pois conceitos inconfundíveis. O faturamento é um mero instrumento formal de segurança nas relações jurídicomercantis (atesta uma compra e venda ou serviço prestado). Mas a receita (totalidade dos ingressos) pode decorrer de operações não faturáveis pela empresa [...]. Tratase, pois da relação de implicação dogmática entre o gênero (todas as receitas da empresa) e a espécie (o faturamento). Faturáveis são apenas os ingressos vinculados a compra e venda mercantil e serviços prestados pelas empresas”8. Uma vez que o presente processo se refere à análise da Lei n. 9.718/98, necessário avaliar se as parcelas discutidas pelo sujeito passivo se enquadram no conceito de faturamento, e não de receita. Atentandose para as parcelas em discussão relacionadas ao ressarcimento de custos e despesas incorridas com terceiros junto aos consorciados ("Ressarcimento venda de cotas”, “Ressarcimento desp. legais judiciais”, “Ressarcimento despesas de aluguéis”, “Recuperação de despesas”), elas igualmente não se enquadram no conceito de faturamento, não decorrendo do exercício do objeto social da pessoa jurídica. Como elucidado na diligência fiscal realizada, esses valores se apresentam como verdadeiros reembolsos arcados pela pessoa jurídica, não configurando como receita própria de sua atividade. Tratamse de valores de titularidade de terceiro, arcada pela pessoa jurídica para repassar integralmente aos seus consorciados. Não se tratando de receita própria, essas contas contábeis não representam seja faturamento seja receita da pessoa jurídica. Não correspondem, por conseguinte, à “aquisição de direito novo”, como evidenciado no acórdão 3802001.868, de 23/07/2013: “Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III.” 6 Sem adentrar nos pormenores desta inovação legislativa, o conceito constitucional de faturamento, vigente à época da promulgação da Constituição, não pode ser alterado por legislação infraconstitucional, qual seja, a soma das receitas auferidas com a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Dentre outros, é criticável a previsão do art. 12, §5º, DecretoLei no 1.598/1977, que extrapolou o conceito constitucional de receita ao exigir a inclusão dos tributos sobre ela incidentes. Sobre o tema vide SANTOS, Ramon Tomazela. Notas sobre a ampliação do conceito de receita bruta pela Lei n.º 12.973/2014 e as receitas financeiras das instituições financeiras e sociedades seguradoras. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 228, p. 136154, set. 2014. 7 BRASIL, STF. RE 474132, Relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 12/08/2010, publicado em 30/11/2010. 8 BORGES, José Souto Maior. As contribuições sociais (PIS/Cofins) e a jurisprudência do STF. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 118, p. 80, jul. 2005. Fl. 1009DF CARF MF 16 Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representando receita. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. NÃO INCIDÊNCIA. Os ingressos que a pessoa jurídica perceba a título de efetiva recuperação de custos e despesas não constituem receita para fins de tributação por meio da COFINS, notadamente por significarem mero estorno daqueles dispêndios anteriormente incorridos e não, como seria indispensável, aquisição de direito novo. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” (grifei) Da mesma forma, a conta relacionada à “Recuperação de multas” igualmente não refletem o exercício da atividade principal da pessoa jurídica, tratandose de receita de natureza financeira aferida em razão do descumprimento dos contratos. O objetivo social do Consórcio é remunerado pela taxa de administração, sendo que o recebimento de multas pelo descumprimento do contrato não é um objetivo por ela vislumbrado. Nesse mesmo raciocínio estão às contas de alugueis de bens móveis e imóveis (“Aluguéis e luvas term. de cargas” e “Receita de aluguéis”) que, como consignado pela própria fiscalização na diligência realizada nos presentes autos, igualmente não constam do objeto social da pessoa jurídica. Como expressamente indicado pela fiscalização na informação fiscal, “a atividade de locação não consta do objeto social da pessoa jurídica.” Por fim, insta frisar que acompanho o relator quanto às contas contábeis “7173500501 Taxa de Administração” e “7173500502 Taxa de Inscrição”, por se referirem à atividade principal da pessoa jurídica, e à conta “7199900912 Receitas diversas” em razão da ausência de provas para confirmar a natureza das receitas aferidas. Diante do exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário em maior extensão, ultrapassando os valores reconhecidos na diligência fiscal para garantir o direito de crédito igualmente quanto às parcelas relacionadas às contas 7193000601 ("Ressarcimento venda de cotas"), 7193000602 (“Ressarcimento desp. legais judiciais”), 7193000604 (“Ressarcimento despesas de aluguéis”), 7193000605 (“Recuperação de despesas”), 7193000606 (“Recuperação de multa”), 7193000607 (“Aluguéis e luvas term. de cargas”) e 7193000608 (“Receita de aluguéis”). É como declaro meu voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Fl. 1010DF CARF MF
score : 1.0
