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Numero do processo: 13855.000791/2010-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005, 2006
RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. A concomitância de discussão administrativa e judicial de mesma matéria importa em renúncia à esfera administrativa. Súmula 01 do CARF.
REQUISITO FORMAL DO LANÇAMENTO. HORA DA LAVRATURA.
A ausência da hora da lavratura do auto de infração não implica a nulidade do lançamento, sendo indispensável nos casos em que seja essencial para a caracterização do aspecto temporal do fato gerador ou traga prejuízo ao direito da ampla defesa ou do contraditório do contribuinte.
Numero da decisão: 3101-001.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Luiz Roberto Domingo - Relator.
EDITADO EM: 07/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, (Suplente), (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2005, 2006 RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. A concomitância de discussão administrativa e judicial de mesma matéria importa em renúncia à esfera administrativa. Súmula 01 do CARF. REQUISITO FORMAL DO LANÇAMENTO. HORA DA LAVRATURA. A ausência da hora da lavratura do auto de infração não implica a nulidade do lançamento, sendo indispensável nos casos em que seja essencial para a caracterização do aspecto temporal do fato gerador ou traga prejuízo ao direito da ampla defesa ou do contraditório do contribuinte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005, 2006 RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. A concomitância de discussão administrativa e judicial de mesma matéria importa em renúncia à esfera administrativa. Súmula 01 do CARF. REQUISITO FORMAL DO LANÇAMENTO. HORA DA LAVRATURA. A ausência da hora da lavratura do auto de infração não implica a nulidade do lançamento, sendo indispensável nos casos em que seja essencial para a caracterização do aspecto temporal do fato gerador ou traga prejuízo ao direito da ampla defesa ou do contraditório do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Luiz Roberto Domingo Relator. EDITADO EM: 07/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, (Suplente), (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 07 91 /2 01 0- 49 Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ de Ribeirão Preto que, “por unanimidade, não conhecer da impugnação na parte objeto da ação judicial e julgar improcedente a impugnação na parte diversa, mantendo o crédito tributário exigido, conforme fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura de ação judicial contra a Fazenda, antes ou depois da autuação e com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. HORA DA LAVRATURA. A hora da lavratura do auto de infração só é indispensável nos casos em que seja essencial para a caracterização do aspecto temporal do fato gerador. Impugnação Improcedente O resultado do julgamento decorreu da análise dos fatos que foram assim descritos pela decisão recorrida: Contra a empresa qualificada em epígrafe foram lavrados autos de infração de fls. 2/31, em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins dos períodos de janeiro de 2005 a dezembro de 2006, exigindo selhe o crédito tributário... A diferença seria decorrente do fato da interessada ter apurado as contribuições com base nas alíquotas de 0,65%, para a Contribuição para o PIS/Pasep, e 3%, para a Cofins, quando, em fimção dos produtos fabricados (autopeças), estaria sujeita às alíquotas diferenciadas de 1,65% e 2,3%, e 7,6% e 10,8%, respectivamente. O enquadramento legal encontrase a fls. 7 e 16, 22 e 31. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 532/541, na qual sustentou que, por se tratar de empresa optante pelo lucro presumido, estaria sujeita às alíquotas aplicáveis a essas empresas, de 0,65% para a Contribuição para o PIS/Pasep e 3% para a Cofins. Suscitou ainda nulidades do lançamento, em função da falta de horário da lavratura do auto de infração, bem como falta de fundamentação legal, “ou seja, a ausência de dispositivo legal correspondente à infração e penalidade aplicável (art. 10, IV)”, referindose aos requisitos previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Pela petição de fl. 565, a interessada deu a conhecer a impetração de ação judicial (cópia da inicial às fls. 566/583), na qual pretendeu ver reconhecido o direito ao recolhimento das contribuições às alíquotas de 0,65% e 3% (Contribuição para o Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13855.000791/201049 Acórdão n.º 3101001.750 S3C1T1 Fl. 1.067 3 PIS/Pasep e Cofins), sem se submeter às alíquotas diferenciadas previstas no auto de infração. Por meio do memorando de fl. 586, a unidade de origem informou o indeferimento da liminar pleiteada, conforme documentos de fls. 587/609. No memorando de fl. 613, comunicou a denegação da segurança pela sentença de fls. 614/621. Cientificada da decisão de primeiro grau, em 26/07/2010, a Recorrente interpôs recurso, no qual aduz que: a) A decisão recorrida é nula por não ter apreciado todos os argumentos da impugnação; entende que não poderia ser aplicada a renúncia à discussão administrativa pois, isso só ocorre quando a ação judicial tem o mesmo objeto, e não quando se busca diferentes objetivos, ou seja, nestes autos discutise a validade da autuação e no mandado de segurança a recorrente busca o reconhecimento do direito de continuar a recolher o PIS/Pasep e a Cofins com base nas alíquotas de 0,65% e 3%, de forma cumulativa; b) quanto ao mérito, ratifica os argumentos trazidos na impugnação e discutidos também no Poder Judiciário, Mandado Segurança n° 0001687 358.2010.403.6113, junto à 2a Vara Federal de Franca – SP, qual seja de que por ser empresa sujeita ao regime de apuração do IRPJ pelo lucro presumido não está sujeita à majoração de alíquota do PIS/Pasep e da Cofins, a partir de 01/08/2004, por conta do art. 3º da Lei 10.485/2002, com a redação dada pelo art. 36 da Lei 10.865/2004; c) nulidade do lançamento por não atendimento do art. 10 do Decreto 70.235/72 (hora da lavratura do lançamento). É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Conheço do recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. Quanto à nulidade do lançamento, por conta da ausência da hora da lavratura do auto de infração, entendo não assistir razão à Recorrente, uma vez que tal ausência não trouxe qualquer prejuízo à validade do lançamento ou à discussão do mérito da demanda. É de argumentarse que, até por economia processual, a considerar o direito de o Fisco constituir novamente o crédito tributário em nova prazo de cinco anos, à luz do art. 173, II, do CTN, o acolhimento o alegado vício formal não traria qualquer benefício às partes ou à solução da lide, o que comprova inocuidade da pretendida anulação. Por conta disso, ratifico “in totum” o entendimento da decisão recorrida. Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Quanto à nulidade da decisão recorrida, entendo que o fato de não ter apreciado o argumento de mérito trazido pela Recorrente, por conta de reconhecer a renúncia à esfera administrativa pela opção da Recorrente em discutir o mérito em ação judicial, é de se ressaltar que o objeto da decisão judicial contem o cerne da presente lide. É de notarse que a medida judicial tem como pedidos a suspensão dos efeitos da autuação fiscal e a manutenção das alíquotas de 0,65% para o PIS/Pasep e 3% para a COFINS, ou seja, o pronunciamento judicial favorável à contribuinte afetará direta e inexoravelmente o crédito tributário objeto da presente lide. Caso o pronunciamento judicial seja desfavorável à contribuinte ratificando a majoração legal das alíquotas para as contribuições, haverá, da mesma forma direta e inexorável, a manutenção do lançamento e da exigibilidade. Assim, não há como dizer que as demandas são distintas e que não haveria qualquer correlação ou nexo de causalidade entre ela, uma vez que é inegável a coincidência dos pedidos no que tange à relação jurídica de direito tributário que a Recorrente pretende ver reconhecida no processo judicial e neste feito. Desta forma, não há qualquer nulidade na decisão recorrida por reconhecer a renúncia à esfera administrativa por conta do ingresso do Writ para discutir a mesma matéria junto ao Poder Judiciária, cuja decisão deverá prevalecer quando do seu trânsito em julgado, repercutindo seus efeito sobre o crédito tributário aqui discutido: ratificandoo ou excluindoo. Portanto, no que tange à matéria recursal coincidente com o objeto do writ, aplicase a Súmula CARF 01: SÚMULA Nº 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13786.720056/2011-05
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE.
A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave somente abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão e deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Não preenchidos cumulativamente os requisitos exigidos pela lei, os rendimentos devem ser oferecidos à tributação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave somente abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão e deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Não preenchidos cumulativamente os requisitos exigidos pela lei, os rendimentos devem ser oferecidos à tributação. Recurso Voluntário Negado
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A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave somente abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão e deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Não preenchidos cumulativamente os requisitos exigidos pela lei, os rendimentos devem ser oferecidos à tributação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 6. 72 00 56 /2 01 1- 05 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720056/201105 Acórdão n.º 2801003.900 S2TE01 Fl. 53 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 2a Turma da DRJ/RJ2 (Fls. 22), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Versa o presente processo sobre a Notificação de Lançamento de fls.10/14, relativo ao anocalendário 2008, para cobrança do crédito tributário de R$ 15.023,83. * omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$48.031,71 da fonte pagadora Miracema Câmara Municipal. O enquadramento legal encontrase às fls.12 e 14. Inconformado o interessado ingressou com a impugnação de fls.02/03, alegando que: 1. foi acometido de cardiopatia grave (CID X I20.0), conforme declaração de avaliação médicopericial, realizada na Unidade Executiva de Perícia Médica de Miracema – RJ, em 14/09/2006, cuja cópia segue em anexo; 2. para corroborar seu argumento , está juntando à presente peça defensória, o Relatório Cirúrgico expedido pelo Hospital de Clínicas de Niterói, onde estão relatados os procedimentos realizados; 3. a partir de setembro de 2006, passou a ser beneficiado pelo art. 6º, inciso XIV, da Lei nº7.713, de 22 de dezembro de 1988, referendada pela Lei nº9.250, de 26 de dezembro de 1995, artigo 30, parágrafo 2º, por ser portador de moléstia grave e porque seus rendimentos de aposentadoria, recebidos do INSS e da Câmara Municipal de Miracema, passaram a ser isentos e não tributáveis; 4. acredita que a Câmara Municipal de Miracema tenha apresentado a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) de forma incorreta; 5. para comprovar que não houve informação indevida em sua declaração de ajuste/2009, apresentada em 22/04/2009, está acostando ao presente os comprovantes de rendimentos recebidos pelo INSS (R$ 15.810,37) e pela Câmara Municipal de Miracema ( R$ 48.031,71); 6. diante do exposto, não concorda com a Notificação de Lançamento. Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/RJ2 entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: Fl. 53DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720056/201105 Acórdão n.º 2801003.900 S2TE01 Fl. 54 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência. Cientificado em 27/02/2012 (Fls. 30), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 28/03/2012 (fls. 31 a 35), argumentando em síntese: (...) Ao examinar na Agencia local do INSS o processo de n°. 420802956629, constatou que houve falha técnica, não na expressão física da pericia, mas, na citação do código relativo à doença que provocou o pedido de Isenção; Assim é que, o médico que atestou o estado de saúde do paciente/contribuinte, mesmo afirmando que seu paciente WILLER ROQUE MONTEIRO, era portador de CARDIOPATIA GRAVE (DOENÇA CORONARIANA), naturalmente, por descuido, codificou de forma inadequada a doença que constatara, pois, a codificou com o CID 1.20.0, quando deveria apontar o CID 1.25.5; O código CID 1.20.0 referese à enfermidade Angina Instável, o que não fora anotado nem falado na ocasião do pedido e nem acontece agora; Seguindo o atestado de seu colega, o perito médico do INSS, incorreu no mesmo erro técnico, pois, enquadrou o paciente que examinava na Lei n°. 7.713, de 22/09/1988, em seu artigo 6o, Inciso XIV referendado pela Lei n°. 9.250, de 26/12/1995, Artigo 30, parágrafo 2, mas ele, o Perito, copiando do medico assistente, também codificou a doença com o CID 1.20.0, Código inadequado, face à doença sofrida pelo paciente contribuinte (CARDIOPATIA GRAVE); Contudo, a enfermidade sofrida pelo paciente/contribuinte era mesmo aquela afirmada pelo médico JOSE DE ALENCAR BARROS HIGINO CRMRJ 52277/69 CARDIOPATIA GRAVE, tanto que a cirurgia recomendada foi realizada e o médico cirurgião especializado, Dr. Mário Ricardo Amar, CRM 52457114, em seu relatório cirúrgico, afirmou, em duas oportunidades, a existência de LESÃO GRAVE OSTIAL; Alem do mais, nos exames a que fora submetido, (comprovantes em anexo), inclusive o Laudo da Cirurgia, foi constatado no paciente a situação de CARDIOPATIA GRAVE, e, nesta situação, ele vive ainda hoje sob efeitos de medicamentos especiais, realização de exercícios físicos e dieta alimentar. Não pode subir escadas, rampas ou morros, porque se atrapalha com Fl. 54DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720056/201105 Acórdão n.º 2801003.900 S2TE01 Fl. 55 4 dificuldades na respiração, passa por disritmia cardíaca e descontrole da pressão arterial; Não pode, pois, o paciente/contribuinte ser penalizado, agora, porque dois médicos o que o assiste e o Perito da Previdência Social, concluíram e escreveram certo seus respectivos trabalhos, mas, INADVERTIDAMENTE anotaram, de forma inadequada, a codificação completamente diferente do que constataram, quando anotaram o CID 1.20.0, onde deveriam ter apontado o CID 1.25.5; Escreveram Cardiopatia Grave e anotaram o Código de Angina Instável; Agora, o médico assistente JOSE DE ALENCAR BARROS HIGINO CREMERJ 52.277691 corrigiu o engano cometido no Atestado apresentado ao Setor de Pericia do INSS em 08/09/2006: (...) O médico assistente reconheceu o engano e apresentou em manuscrito a sua posição no caso, face ao ocorrido; Quanto ao médico perito, este não se pronunciou ainda, embora o segurado/contribuinte, fazendo valer o seu direito de justiça, após vários contatos diretos, pediu uma solução, apresentando, agora ao Setor de Pericia Médica do INSS, um requerimento formal apelando por um esclarecimento (cópia anexa); É de todo lamentável o descuido do médico assistente e do Médico Perito, e não será o paciente/contribuinte que pagará pelo mal feito, para cuja ocorrência não contribuiu ou não teve participação; Urge, pois, uma correção para o código CID 1.25.5 (CARDIOPATIA GRAVE); No tocante à exigência do Artigo 30 da Lei n° . 9.250, de 26/12/1995, deve ser entendido que o paciente/contribuinte foi isentado do Imposto de Renda, mediante Laudo Pericial emitido por serviço medico oficial da União (Pericia Médica do INSS) e aceita por parecer emitido pela Procuradora da Câmara Municipal de Miracema, cujo parecer acompanha este recurso; (...) Sabese que o Imposto sobre a renda é um imposto justo, mas não é justo, Ilustríssimos Senhores Julgadores, deixarem de corrigir um erro técnico do médico assistente e do Perito, justificando para tanto, as recomendações constantes do Código Tributário Nacional que segundo a Ilustre relatora proibe interpretações de modo diferente do que está escrito; (...) Anexa em conjunto: Fl. 55DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720056/201105 Acórdão n.º 2801003.900 S2TE01 Fl. 56 5 • CÓPIA DA INTIMAÇÃO; • CÓPIA DA IDENTIDADE E CPF; • CÓPIA DO LAUDO DE PROCEDIMENTO HEMODINAMICO DO HOSPITAL SÃO JOSE DO AVAI; • CÓPIA DO ATESTADO MEDICO EMITIDO EM 08/09/2006; • CÓPIA DA SOLICITAÇÃO DA CIRURGIA; • CÓPIA DO RELATÓRIO CIRÚRGICO; • CÓPIA DO ATESTADO DE RETIFICAÇÃO DO CID, EMITIDO PELO MÉDICO ASSISTENTE; • CÓPIA DO PARECER JURÍDICO DA CAMARA MUNICIPAL (05 FLS.); • CÓPIA DO REQUERIMENTO PARA PERÍCIA MEDICA, COM PEDIDO DE REVISÃO NO LAUDO MEDICO EXPEDIDO EM 14/09/2006. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início verifico que a matéria em litígio restringese aos rendimentos pagos pela Câmara Municipal de Miracema ao longo do anocalendário de 2008, exercício 2009. Sustenta o contribuinte que faria jus a concessão de isenção por ser aposentado e portador de cardiopatia grave. Como bem descrito no Acórdão recorrido, a isenção por moléstia grave encontrase regulamentada pela Lei n° 7.713/1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI, com a redação dada pela Lei n° 11.052, de 29 de dezembro de 2004, nos termos abaixo: "Art. 6° XIV — os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da Fl. 56DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720056/201105 Acórdão n.º 2801003.900 S2TE01 Fl. 57 6 imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma” Acerca do tema, o Decreto nº 3.000/99 (RIR), em seu artigo 39, inciso XXXIII, bem como o §4º do mesmo artigo, assim dispõe: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); A partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei n° 9.250, de 26/12/1995, in verbis: Art. 30 — A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6" da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios."(g.n) De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, ou reforma, ou pensão, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal, atestada por laudo de serviço médico oficial. Após a análise dos documentos apresentados não restam dúvidas de que os proventos recebidos eram de aposentadoria(fls. 8 e 9). Resta então analisar se, à época dos fatos, o contribuinte era portador de moléstia grave tipificada no texto legal, atestada por laudo médico oficial. Neste ponto o voto do relator do acórdão recorrido estabeleceu que; in verbis: “Ab initio”, cabe esclarecer que o interessado acostou aos autos o laudo pericial de fl. 05, exarado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (Gerenciamento de Benefício por Incapacidade – Campos dos Goytacazes/RJ), que assevera que o autuado apresenta a moléstia discriminada na Classificação Estatística Fl. 57DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720056/201105 Acórdão n.º 2801003.900 S2TE01 Fl. 58 7 Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde ( CID X I20.0), que corresponde à moléstia “ angina instável”. Frisese, no entanto, que a supracitada moléstia não se encontra discriminada entre aquelas discriminadas no artigo 6º, incisos XIV e XXI , da Lei nº 7.713/1988, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004. Cabe ressaltar que, de acordo com o estabelecido na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), a interpretação da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser literal. Não há como interpretar de modo diferente o assunto. É que a isenção deve ser tida como regra de direito excepcional, sendo vedado ao intérprete a utilização de interpretação extensiva ou de integração analógica, em se tratando de favorecimento tributário. Verificase que por ocasião de seu recurso o contribuinte, na tentativa de fazer prova da moléstia grave tipificada em texto legal anexa às fls. 40 declaração assinada por José de Alencar Barros Higino – CRM. 32.27769, onde referido médico ratifica o código da CID utilizado em laudo anterior; modificandoa de CID I.20.0 para CID I.25.5, sendo este relativo a cardiopatia grave, a qual seria hábil para gerar a isenção pretendida. Ocorre que, o referido documento foi emitido por médico particular e não pertencente ao mesmo médico que lavrou o laudo oficial proveniente do INSS e como tal não se mostra hábil a comprovar o suposto equívoco na capitulação da CID. É forçoso reconhecer que a declaração apresentada não pode ser entendida como um laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Desta feita o recorrente não anexou laudo médico oficial, no qual se vislumbre que o mesmo à época do fato gerador já era portador de moléstia cardiopatia grave, presente entre aquelas discriminadas no artigo 6º, incisos XIV e XXI , da Lei nº 7.713/1988, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004. Deste modo, entendo que o recorrente não logrou êxito em provar que, no ano base de 2008, era portador de cardiopatia grave que desse direito a isenção. Não tendo, portanto, direito à mesma. Ante tudo acima exposto, e o que consta nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 58DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720056/201105 Acórdão n.º 2801003.900 S2TE01 Fl. 59 8 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 15983.720124/2011-27
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS
A apresentação de documento que não atenda às formalidades legais exigidas caracteriza infração ao artigo 33 , §§2º e 3º da Lei 8.212/91.
PREVIDENCIÁRIO. EMPRESAS NÃO INCLUÍDAS NO SIMPLES NACIONAL. CONTRIBUIÇÕES SOBRE A FOLHA DE PAGAMENTO. RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO.
As pessoas jurídicas não optantes pelo SIMPLES Nacional sujeitam-se às contribuições previdenciárias devidas pelas empresas em geral, incidentes sobre a folha de pagamento dos trabalhadores a seu serviço.
Numero da decisão: 2403-002.259
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS A apresentação de documento que não atenda às formalidades legais exigidas caracteriza infração ao artigo 33 , §§2º e 3º da Lei 8.212/91. PREVIDENCIÁRIO. EMPRESAS NÃO INCLUÍDAS NO SIMPLES NACIONAL. CONTRIBUIÇÕES SOBRE A FOLHA DE PAGAMENTO. RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO. As pessoas jurídicas não optantes pelo SIMPLES Nacional sujeitam-se às contribuições previdenciárias devidas pelas empresas em geral, incidentes sobre a folha de pagamento dos trabalhadores a seu serviço.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS A apresentação de documento que não atenda às formalidades legais exigidas caracteriza infração ao artigo 33 , §§2º e 3º da Lei 8.212/91. PREVIDENCIÁRIO. EMPRESAS NÃO INCLUÍDAS NO “SIMPLES NACIONAL”. CONTRIBUIÇÕES SOBRE A FOLHA DE PAGAMENTO. RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO. As pessoas jurídicas não optantes pelo “SIMPLES Nacional” sujeitamse às contribuições previdenciárias devidas pelas empresas em geral, incidentes sobre a folha de pagamento dos trabalhadores a seu serviço. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 01 24 /2 01 1- 27 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.720124/201127 Acórdão n.º 2403002.259 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, Acórdão 0539.002 da 6 ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Dos autos de infração Consoante o relatório fiscal de fls. 30 a 36, o processo acima identificado referese ao lançamento de contribuições sociais devidas pela empresa à Seguridade Social e a outras entidades e fundos (SalárioEducação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), incidentes sobre remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço no período de janeiro a dezembro de 2009. Ainda nos termos do mencionado relatório: 1º) A empresa foi excluída do Simples Nacional, no período de 01/07/2007 a 31/12/2008, por Ato Administrativo praticado pela Receita Federal do Brasil, razão pela qual os levantamentos foram considerados como NÃO declarados em GFIP – Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social; 2º) Uma vez excluída do SIMPLES, a empresa devia ter refeito suas GFIP, preenchendo no campo próprio o código “01”, que significa empresa não optante pela referida sistemática, a fim de que restassem informadas as contribuições previdenciárias patronais e as devidas a terceiros; 3º) Não tendo procedido conforme o item anterior – ou seja, tendo a autuada mantido nas GFIP o código “02”, relativo a empresa optante pelo SIMPLES, as contribuições patronais previdenciárias e as destinadas a terceiros restaram não declaradas, o que caracteriza, em tese, crime de sonegação fiscal previdenciária (art. 337A do Código Penal brasileiro), a ser objeto de comunicação ao Ministério Público Federal; 4º) Este levantamento enquadrase, para efeito de recolhimento da parte patronal, nos seguintes parâmetros: ▫ CNAEFiscal 85937/ 00 ▫ Código FPAS 5150 (contribuição ao GIILRAT à alíquota de 1%) ▫ Código de natureza jurídica 2062 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 ▫ Código de Terceiros 0115 (alíquota de 5,8%) 5º) Considerando as informações constantes dos sistemas informatizados da RFB, a documentação apresentada à fiscalização e a legislação aplicada, foram apurados os fatos geradores de contribuição previdenciária abaixo discriminados: ▫ Prestação de Serviços Remunerados por segurados empregados; ▫ Prestação de Serviços Remunerados pelos sóciosadministradores como contribuintes individuais; ▫ Serviços que lhes foram prestados por Contribuinte Individual. 6º) As bases de cálculo (salário de contribuição), relativas aos fatos geradores apurados, foram lançadas com códigos de levantamento, a seguir: ▫ PL PRO LABORE Código utilizado para o lançamento de contribuição previdenciária, relativo ao desconto de 11% (onze por cento) sobre a remuneração paga a contribuinte individual (sócio), verificado no Livro Diário sob a denominação de "contacorrente sócios transferência para Alexandre", fls. 02, 04, 08, 09 e Contribuição Patronal (20%), compreendido entre o período de 01 a 12/2009. Aplicada multa de mora de 75%. ▫ CI Contribuinte Individual, Código utilizado para o lançamento de contribuição previdenciária, relativo ao desconto de 11% (onze por cento) sobre a remuneração paga a contribuinte individual (prestador de serviço), sob a denominação de "Gil gesso" e Contribuirão Patronal (20%), verificada nas competências 11 e 12/2009, constatada no Livro Diário de 2009.Aplicada multa de mora de 75%. ▫ RE Remuneração Folha de Pagamento Código utilizado para o lançamento de contribuição previdenciária, relativo a Contribuição Patronal (20%), GILRAT (1%) e Terceiros (5,8%) sobre os valores da remuneração constante das Folhas de Pagamento Mensais pagas ao segurados empregados, levantamento considerado para as competências 01 a 13/2009. Aplicada multa de mora de 75%. ▫ AL Alimentação Código utilizado para o lançamento de contribuição previdenciária, relativo a Contribuição dos Segurados (8%) descontada da remuneração paga aos segurados empregados c a Contribuição Patronal (20%), GILRAT (1%) e Terceiros (5,8%) sobre os valores pagos à título de alimentação verificada nos Livro Diário aos segurados empregados, levantamento considerado para o período de 01 a 05 e 07 a 11/2009. Nota: O levantamento "AL", referese a importâncias pagas pela empresa aos segurados empregados, relativas a alimentação, verificadas no Livro Diário 2009, uma vez que a empresa não é inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT do Ministério do Trabalho. Esse programa beneficia as empresas inscritas com a não Fl. 269DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.720124/201127 Acórdão n.º 2403002.259 S2C4T3 Fl. 4 5 incidência de contribuição previdenciária. Dessa forma, como a empresa não é inscrita no PAT, incide contribuição previdenciária sobre a remuneração paga a título de alimentação. 7º) Em decorrência deste procedimento fiscal, foram lavrados os seguintes Autos de Infração: ▫ DEBCAD 37.318.4131, referente às Contribuições devidas sobre remuneração paga aos segurados empregados (alimentação), contribuinte individual (prestador de serviço gesseiro) e contribuintes individuais (sócios), originadas dos valores que compõem lançamentos no Livro Diário, lançadas no levantamento "AL, PL, Cl" . ▫ DEBCAD 37.318.4107, referente às Contribuições (alíquota = 5,8%) relativas às entidades denominadas terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), originadas dos valores verificados no Livro Diário lançadas no levantamento "RE, AL" . ▫ DEBCAD 37.346.7869, referente às Contribuições Patronais (alíquota = 20%) lançadas no levantamento no Livro Diário "AL, PL, Cl, RE" c as correspondentes ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade Infração laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalhoGILRAT (1%) , originadas dos valores que compõem as folhas' de pagamento e Livro Diário, lançadas no levantamento "AL, RE"; e ▫ DEBCAD 37.318.4123 Código de Fundamento Legal – CFL 38, conforme a seguir discriminado: Descrição sumária da Infração: Deixar a empresa, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou o administrador judicial ou o seu representante, o comissário ou o liquidante da empresa em liquidação judicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Situação Fática: A empresa não apresentou Livro Diário de 2009 autenticado e registrado no órgão competente, bem como os Livros de Registro de Empregados da matriz CNPJ 03.468.901/000109 e da filial CNPJ 03.468.901/000443. Não foram observadas circunstâncias agravantes. Dispositivo Legal Infringido: Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33 parágrafos 2o e 3, com redação da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27.05.2009, combinado com os arts 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999 . Fl. 270DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Capitulação da multa aplicada: Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102, Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, Alínea " j " e art. 373. Valor da Multa: R$ 15.235,55 (quinze mil, duzentos e trinta e cinco reais e cinqüenta e cinco centavos), conforme Portaria Interministerial MPS/MF n° 568, de 31.12.2010 (DOU 03.01.2011, retificado em 04.01.2011). Da impugnação Inconformada com os lançamentos retro citados, a empresa impugnouos por meio do expediente anexado às fls. 116 a 120, em que postula o cancelamento dos autos de infração nº 37.318.4107, 37.318.4123, 37.318.4131 e 37.346.7869, mediante as seguintes alegações, em síntese: ▫ Quanto à sua situação em relação ao “Simples” 1º) Ao retomar as suas atividades em janeiro de 2009, constatou que seu pedido, formulado em 28/01/2009, de opção pelo SIMPLES NACIONAL não fora aceito sob o argumento de que havia pendências; 2º) Tais pendências foram integralmente regularizadas, conforme comprovam os DARF's anexos, espelhos das consultas das Inscrições em Divida Ativa; 3º) Em 20/03/2009, através do Processo Administrativo nº 10845.000503/200943 (cópia em anexo), a IMPUGNANTE solicitou sua reinclusão no SIMPLES retroativamente a 01/01/2009 e continuou pagando seus tributos na forma da referida sistemática simplificada; 4º) Até a presente data, o Processo Administrativo nº 10845.000503/200943 não foi julgado, não tendo a IMPUGNANTE notícia sobre seu deferimento ou indeferimento; 5º) Com os pagamentos dos DAS Documento de Arrecadação do Simples efetuados normalmente, em 27/03/2009 foi fornecido à IMPUGNANTE CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS RELATIVOS ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E ÀS DE TERCEIROS Certidão ns 001932009¬21200901 (doc. anexo); 6º) Ainda, em 31/08/2009, nova certidão foi emitida: "CERTIDÃO CONJUNTA POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA DE DÉBITOS RELATIVOS A TRIBUTOS FEDERAIS E À DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO; 7º) Com a emissão das mencionadas certidões, caracterizouse o foro de veracidade de que a opção ao SISTEMA SIMPLES NACIONAL estava cabalmente satisfeita. Desta forma a IMPUGNANTE continuou a efetuar seus pagamentos nesse Regime Tributário, razão pela qual não foram declarados na GFIP, por ser desnecessário seu preenchimento com relação às Contribuições Patronais de INSS e de Terceiros, utilizandose, destarte, o código referente ao Simples. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.720124/201127 Acórdão n.º 2403002.259 S2C4T3 Fl. 5 7 ▫ Quanto ao Auto de Infração nº 37.318.4107 Deve ser tornado sem feito, uma vez que a IMPUGNANTE não estava obrigada aos recolhimentos das contribuições destinadas a terceiros (Sal. Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), bem como os acréscimos legais e demais combinações dessas contribuições, em virtude da sua inscrição no Regime Tributário do Simples Nacional. ▫ Quanto ao Auto de Infração nº 37.318.4123 Deve ser considerado improcedente, uma vez que todos os documentos solicitados pela fiscalização foram tempestivamente entregues, a saber: • Em 15/06/2011, conforme PROTOCOLO DE ENTREGA DE DOCUMENTOS (anexo), assinado por MÁRCIA DE CARVALHO LOPES MOROZETI, e • Em 20/05/2011, entregue diretamente nesta autarquia, conforme PROTOCOLO assinado por ANA MARIA (matricula ns 0598390). ▫ Quanto ao Auto de Infração nº 37.318.4131 Deve ser tornado sem efeito, uma vez que A IMPUGNANTE, em virtude da sua inscrição no Regime Tributário do Simples Nacional, não estava obrigada ao pagamento dessas contribuições. ▫ Quanto ao Auto de Infração nº 37.346.7869 Deve ser tornado sem efeito, uma vez que se refere a contribuições previdenciárias combinadas com acréscimos legais das empresas não contempladas com o Regime Tributário do Simples Nacional. 8º) Imperioso evidenciar que não houve qualquer omissão ou sonegação, por parte da IMPUGNANTE, não estando desta forma incurso no Crime de Sonegação Fiscal Previdenciária, mesmo porque caracterizada está a sua boafé. Isto posto, vêm os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega/questiona, em síntese: · Ao Autos de Infração 37.318.4107; 37.318.4131 e 37.346.7869 estão associados à não inscrição no SIMPLES Nacional. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 · O Auto de Infração 37.318.4123 referese a descumprimento de obrigação acessória: deixar de entregar o Livro Diário de 2009 e o Livro Registro de Empregados da matriz e filial. · Cumpriu todas as regras para seu reingresso no SIMPLES Nacional e os Autos de Infração 37.318.4107; 37.318.4131 e 37.346.7869 devem ser cancelados. · Não pode ser punida pela demora do fisco que não julgou ainda o processo 10845.000503/200943 – Reingresso no SIMPLES Nacional. · Obteve CND. · Conforme protocolo, entregou todos documentos solicitados. · Empresa optante pelo SIMPLES Nacional estão desobrigadas do livro Diário. É o relatório Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Para a solução do litígio temos 2 pontos a analisar: a questão do SIMPLES Nacional e a questão da obrigação acessória. SIMPLES NACIONAL Conforme apresentado acima, a empresa foi excluída do SIMPLES Nacional por Ato Administrativo praticado pela Receita Federal do Brasil. Não consta contencioso acerca do processo de exclusão. O que temos é um processo onde a recorrente requereu a “inclusão com data retroativa” no Simples Nacional, teve indeferido seu requerimento e manifestou inconformidade. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.720124/201127 Acórdão n.º 2403002.259 S2C4T3 Fl. 6 9 Consultando no COMPROT, no dia 29/08/2013, verifiquei que o processo ainda não foi julgado pela DRJ Campinas. Dados do Processo Número :10845.000503/200943 Datade Protocolo :20/03/2009 Documento de Origem :SIMPLES Procedência : Assunto:INCLUSAO COM DATA RETROATIVA IMPOSTO SIMPLES Nome do Interessado:DUARTE PIRES LTDAME CNPJ :03.468.901/000109 Tipo:Digital Sistemas Profisc:NãoEProcesso :SimSIEF:Controlado pelo SIEF Localização Atual Órgão Origem:SERVICO CONTROLE JULGAMENTODRJCPS SP Órgão:SERV ORIENT ANALISE TRIBUTDRFSTSSP Movimentado em:27/09/2012 Sequencia :0010 RM :12186 Situação:EM ANDAMENTO UF:SP A recorrente, neste processo, alega que as pendências que impediam sua permanência no Simples Nacional no ano de 2009 foram integralmente regularizadas, que até a presente data, não houve julgamento do Processo Administrativo nº 10845.000503/200943, relativo à manifestação de inconformidade com o indeferimento do seu pedido de permanência no referido sistema simplificado e que por lhe terem sido fornecidas diversas certidões negativas de débito relativas a contribuições previdenciárias e contribuições destinadas a terceiros, caracterizouse que a opção ao “Simples Nacional” estava satisfeita. Não concordo com a recorrente. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Entendo que quando do lançamento, a empresa não era optante pelo SIMPLES Nacional e tinha como obrigação o recolhimento e declaração das contribuições previdenciárias patronais e para terceiros. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA O fisco lançou o Auto de Infração DEBCAD 37.318.4123, por a empresa não ter apresentado o Livro Diário de 2009 autenticado e registrado no órgão competente, bem como os Livros de Registro de Empregados da matriz CNPJ 03.468.901/000109 e da filial CNPJ 03.468.901/000443. O dispositivo legal infringido, a capitulação e a valoração de multa estão bem descritos. A recorrente informa que entregou todos documentos solicitados e apresenta protocolos de entrega, folhas 173 e 174. Afirma também que por ser optante pelo SIMPLES Nacional estava desobrigada de apresentar o Livro Diário. Por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, recebido pela empresa via postal em 21/01/2011 (v. AR à fl. 42), a empresa foi intimada a apresentar, dentre outros, os seguintes documentos: · Livro Caixa e Registro de Inventário · Livro Diário · Livro Razão · Registro de empregados O mencionado “Protocolo de Entrega de Documentos”, folha 173, contém registro do Diário e também dos Registro de Empregados, porém, que o recebeu registrou que recebeu documentos “sem conferência”. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15983.720124/201127 Acórdão n.º 2403002.259 S2C4T3 Fl. 7 11 Outro ponto, que entendo decisivo, é que, quanto ao Livro Diário (considero já resolvida a questão do SIMPLES Nacional), a autuação deuse por não ter apresentado o Livro Diário de 2009 autenticado e registrado no órgão competente, formalidades legais imprescindíveis. Nada foi dito no recurso quanto às formalidades. Entendo que o documento apresentado não atendia às formalidades legais exigidas, o que caracteriza infração ao artigo 33 , §§2º e 3º da Lei 8.212/91. Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo Fl. 276DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 277DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10380.003028/2003-86
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - RECURSO ESPECIAL - NÃO CARACTERIZADA A DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL - SITUAÇÕES FÁTICAS DIVERSAS.
Não se conhece do Recurso Especial se os acórdãos comparados não tratam da mesma questão fática.
Numero da decisão: 9101-002.101
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado), Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (suplente convocado) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - RECURSO ESPECIAL - NÃO CARACTERIZADA A DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL - SITUAÇÕES FÁTICAS DIVERSAS. Não se conhece do Recurso Especial se os acórdãos comparados não tratam da mesma questão fática.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado), Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (suplente convocado) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-02-05T18:01:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-02-05T18:01:11Z; Last-Modified: 2015-02-05T18:01:11Z; dcterms:modified: 2015-02-05T18:01:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:3a4caa24-e3fc-47dd-b7e0-5f1038a5d806; Last-Save-Date: 2015-02-05T18:01:11Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-02-05T18:01:11Z; meta:save-date: 2015-02-05T18:01:11Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-02-05T18:01:11Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-02-05T18:01:11Z; created: 2015-02-05T18:01:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2015-02-05T18:01:11Z; pdf:charsPerPage: 1697; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-02-05T18:01:11Z | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 712 1 711 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10380.003028/200386 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101002.101 – 1ª Turma Sessão de 21 de janeiro de 2015 Matéria PIS Recorrente ALEXANDRE GONTIJO GUERRA, CELMO ERNANY ARAÚJO e ALBERTO ALVES DE SOUZA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA RECURSO ESPECIAL NÃO CARACTERIZADA A DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL SITUAÇÕES FÁTICAS DIVERSAS. Não se conhece do Recurso Especial se os acórdãos comparados não tratam da mesma questão fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO – Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado), Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 30 28 /2 00 3- 86 Fl. 760DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 2 Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (suplente convocado) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto por ALEXANDRE GONTIJO GUERRA, CELMO ERNANY ARAÚJO e ALBERTO ALVES DE SOUZA, com fundamento nos artigos 64, 67 e 68 do Regimento Interno do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. O presente processo administrativo é decorrente de Autos de Infração lavrados contra a empresa COMETA DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA para a constituição de crédito relativo ao PIS, referente aos exercícios de 1998 a 2002. Foram arrolados os recorrentes como coresponsáveis solidários pelo pagamento do crédito tributário. Insurgiramse os mesmos contra o acórdão nº 10809.479, proferido pelos membros da Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, na parte em que, por maioria de votos, quanto à imputação da responsabilidade tributária, negaram provimento ao recurso voluntário. Cientes formalmente do referido acórdão, os recorrentes interpuseram Embargos de Declaração para que fosse sanada omissão no voto. Alegaram que não haviam sido analisadas as provas que pretendiam indicar que o sócio de direito da autuada exerceu suas funções de gerente da empresa e que a procuração em conjunto para os três recorrentes só aconteceu em momento posterior. Os Embargos opostos foram acolhidos parcialmente para suprir a omissão apontada, sem, contudo, alterar a decisão consubstanciada no referido acórdão, visto que a manutenção da responsabilização tributária dos recorrentes levou em conta um conjunto de fatos que convergiram para uma mesma conclusão. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AnoCalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: CONHECIMENTO DE RECURSO INTERPOSTO POR PESSOAS VINCULADAS. Devese conhecer do recurso interposto por quaisquer pessoas vinculadas ao lançamento regularmente impugnado pelo sujeito passivo. PIS – LANÇAMENTO DECORRENTE – O decidido no julgamento do processo matriz do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada no processo decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Preliminar rejeitada. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 10380.003028/200386 Acórdão n.º 9101002.101 CSRFT1 Fl. 713 3 A decisão recorrida foi proferida no sentido de responsabilizar os recorrentes uma vez que, após a análise de todos os elementos juntados aos autos e do relato do Termo de Apuração da Responsabilidade Solidária, ficou claro que a empresa Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda. operou durante os anos fiscalizados por ordem de terceiros não vinculados ao seu contrato social, deixando de recolher os tributos devidos, sendo administrada de fato pelos mesmos. Os recorrentes, nas razões recursais, argumentaram que, enquanto no acórdão recorrido a decisão se deu no sentido de que respondem pelo crédito tributário os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertadas por terceiras pessoas que apenas emprestam o nome para que eles realizem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contascorrentes bancárias, nos acórdãos paradigmas concluise que fere a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. O procurador de pessoa jurídica, por lhe faltar a condição de sujeito passivo nos atos nos quais intervém, não pode ser caracterizado como responsável solidário. Em sede de exame de admissibilidade, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelos recorrentes responsáveis solidários para que seja reapreciada a discussão sobre a designação responsáveis solidários dos procuradores da pessoa jurídica em detrimento dos sócios da pessoa jurídica. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, alegando, em síntese, que, tendose em vista a responsabilidade solidária por interesse comum, e tendo sido verificado que os sócios de direito eram, na verdade, interpostas pessoas, restou comprovada pela Fiscalização a vinculação da Cometa Distribuidora de Alimentos com os recorrentes, relacionados como sócios de fato, devendo ser mantida, portanto, a decisão recorrida em sua integralidade. É o relatório. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Tratase de Recurso Especial de Divergência apresentado por ALEXANDRE GONTIJO GUERRA, CELMO ERNANY ARAÚJO e ALBERTO ALVES DE SOUZA em face do acórdão nº 10809.479, na parte em que, no tocante à imputação da responsabilidade tributária, negou provimento ao Recurso Voluntário. O presente Recurso Especial é tempestivo, entretanto não preenche os demais requisitos de admissibilidade. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 4 Com efeito, não se caracterizou a divergência jurisprudencial suscitada pelos recorrentes, senão vejamos. No acórdão recorrido restou consignado o entendimento de que respondem pelo crédito tributário os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertadas por terceiras pessoas que apenas emprestam o nome para que eles realizem operações em nome da pessoa jurídica, da qual os sócios de fato tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contascorrentes bancárias. O entendimento proferido no acórdão recorrido foi adotado porque, a partir da análise do conjunto probatório do presente processo, chegouse à conclusão que a empresa Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda. operou durante os anos fiscalizados por ordem de terceiros não vinculados ao seu contrato social, deixando de recolher os tributos devidos, sendo administrada de fato pelos ora recorrentes. No voto do acórdão embargado, a manutenção da responsabilização tributária dos contribuintes levou em conta um conjunto de fatos que convergiram para uma mesma conclusão. Foram analisadas as declarações tomadas a Termo, a diligência realizada, os cartões de assinatura em bancos, a falta de motivação para esses procedimentos e a função de gerente e administrador exercida pelos recorrentes responsabilizados tributariamente, com os sócios de direito figurando apenas como meras pessoas simbólicas. Dispõe da seguinte forma o art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Dessa forma, fica claro que cabe Recurso Especial para analisar interpretação divergente dada à lei, portanto tratase de revisão de matéria de direito. Assim, o Recurso Especial não serve como instrumento para a mera reanálise de provas. Ademais, os cinco acórdãos paradigmas trazidos versam sobre situações fáticas diversas daquela contida no acórdão recorrido, tratando, consequentemente, de conjuntos probatórios distintos do apreciado na decisão recorrida, o que descaracteriza tais acórdãos como paradigmas. Assim é o entendimento adotado por este Conselho, conforme julgados cujas ementas seguem transcritas: RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COTEJADOS. Não se conhece de recurso especial, se os acórdãos comparados não tratam da mesma questão fática. (Acórdão nº 9202001.784, de 28/09/2011) Fl. 763DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 10380.003028/200386 Acórdão n.º 9101002.101 CSRFT1 Fl. 714 5 RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. Não deve ser conhecido o recurso especial, quando não há divergência entre os acórdãos paradigma e recorrido. A única divergência jurisprudencial que desafia recurso especial é aquela cuja solução tenha potencial para reformar o acórdão recorrido. (Acórdão nº 9101001.314, de 24 de abril de 2012) Os acórdãos apresentados chegaram à conclusão diversa da proferida no caso em questão porque em cada um deles há uma situação fática específica, havendo, como decorrência lógica, um conjunto probatório próprio que foi apreciado. Para comprovar isso basta uma breve análise de cada acórdão. Acórdão nº 180100243 PROVA TESTEMUNHAL. VALORAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. As provas testemunhais têm valor probatório restrito em face às provas documentais e servem apenas como subsidiárias para completar aquilo que aquelas são insuficientes a esclarecer, sendo prescindíveis quando os fatos já estão suficientemente provados documentalmente, Irrelevantes para a autuação em apreço, que só pode ser ilidida pela apresentação de prova documental que justifique a origem dos recursos depositados em favor da contribuinte no exterior, Não há cerceamento de defesa em não sendo deferida a sua produção, pela autoridade fiscal ou de julgamento. No primeiro acórdão paradigma, a situação fática diz respeito à comprovação de origem de depósitos bancários, o que diverge, evidentemente, da situação fática do acórdão recorrido. Assim, foi decidido que a prova documental tem valor probatório superior à prova testemunhal devido à análise dos fatos específicos ocorridos, bem como das provas desse caso. Desse modo, no acórdão acima transcrito houve uma valoração das provas com base nos fatos que ocorreram, assim como também houve valoração no caso do acórdão recorrido, a qual levou à responsabilização tributária dos recorrentes. Portanto, com base no conjunto probatório do presente caso, que é distinto do que embasou a decisão acima transcrita, foi decidido que os contribuintes eram os sócios de fato da empresa, o que acarretou a responsabilidade dos mesmos. Dessa forma, diante da existência de situações fáticas distintas, bem como de conjunto probatório distinto dos acórdãos recorrido e paradigma, não restou demonstrada a divergência. Acórdão nº 10196.145 RESPONSABILIDADE PESSOAL – São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes Fl. 764DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 6 ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A dissolução irregular da empresa acarreta a responsabilidade pessoal de que trata o art. 135 do CTN. Respondem pelo crédito tributário os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas (“laranjas”) que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contascorrentes bancárias. Com o segundo acórdão paradigma, os recorrentes pretenderam demonstrar que só é possível a responsabilização de terceiros quando provado que são os verdadeiros sócios, o que, na visão deles, não ocorreu no presente caso. Porém, a partir da análise do conjunto probatório do processo em questão, foi concluído que os mesmos eram os sócios de fato da empresa, o que levou à responsabilização tributária. As situações fáticas de ambos os acórdãos, assim como as provas delas decorrentes, são diversas, sendo tomada cada decisão com base nas provas específicas de cada caso. Contudo, apesar das situações fáticas dos acórdãos paradigma e recorrido serem diferentes, a análise de cada um dos conjuntos probatórios levou a conclusões similares. Acórdão nº 10249.245 SOLIDARIEDADE PASSIVA – INEXISTÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES – LANÇAMENTO CANCELADO – A solidariedade tributária se caracteriza pela existência de interesse jurídico, e não econômico, vinculado a atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. Para que exista solidariedade, em matéria tributária, deve haver, numa mesma relação jurídica, duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, situação em que cada uma delas estará obrigada pelo pagamento integral da dívida. O interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo a ocorrência do fato imponível. Fere a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. O procurador de pessoa jurídica, por lhe faltar a condição de sujeito passivo nos atos com que intervém, não pode ser caracterizado como responsável solidário. No terceiro acórdão paradigma, os fatos referemse à responsabilização do procurador da pessoa jurídica, e, por meio do conjunto probatório nele existente, foi decidido que o mesmo, por lhe faltar a condição de sujeito passivo nos atos que intervém, não pode ser caracterizado como responsável solidário; Já no acórdão recorrido, através das provas produzidas, ficou demonstrado que os recorrentes eram sócios de fato, e não meros procuradores. Assim, em que pese as decisões serem diferentes, as mesmas partiram de situações e provas também diversas, portanto não restou demonstrada a divergência. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 10380.003028/200386 Acórdão n.º 9101002.101 CSRFT1 Fl. 715 7 Acórdão nº 10705.221 IRPJ/IRFONTE – RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS – A transferência da responsabilidade tributária a terceiros, nos termos do artigo 135 do C.T.N., deve estar embasada em documentos de prova que demonstrem claramente a ocorrência dos pressupostos nele previstos. No quarto acórdão paradigma, os recorrentes, assim como ocorreu no segundo acórdão paradigma, tentam demonstrar que somente podem ser responsáveis terceiros quando claramente provada a ocorrência dos pressupostos do art. 135 do CTN. Ocorre que, para que fosse proferida tal decisão, foi analisado o conjunto probatório desse caso, que é diverso daquele do acórdão recorrido, uma vez que as situações fáticas também são distintas, e, através das provas dos autos, para os julgadores ficou evidente que ocorreram os pressupostos previstos no mencionado artigo, devendo, assim, haver a responsabilização dos mesmos pelo crédito tributário. Portanto, para que seja alterada a decisão que responsabilizou os recorrentes, é necessária uma nova análise de todas as provas do processo, e, como explicado anteriormente, não cabe revisão de provas em âmbito de Recurso Especial. Acórdão nº 120200.198 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E PESSOAL DE TERCEIROS, PROCURADORES. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE PROVA DIRETA INDIVIDUALIZADA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NO ILÍCITO PRESUMIDO POR FORÇA DE LEI. Quanto à responsabilidade solidária e pessoal dos terceiros envolvidos, procuradores, não trazendo a fiscalização provas diretas e objetivas a corroborar a dolosa participação na infração de presunção legal de omissão de receitas por falta de comprovação de origem dos depósitos bancários, tal caracterização não pode ser mantida apenas em indício isoladamente, com o que se afasta, por essa razão, a possibilidade de responsabilidade tributária, solidária e pessoal, de terceiros, pelo crédito tributário do sujeito passivo. No quinto e último acórdão paradigma, a situação trazida mais uma vez não se assemelha ao caso do acórdão recorrido, visto que tratase de responsabilidade tributária, solidária e pessoal de terceiros pelo crédito tributário do sujeito passivo quando estes forem procuradores, o que restou comprovado que não é a situação dos recorrentes, uma vez que foi concluído que são sócios de fato. Além disso, mais uma vez, o que possibilitou tanto a decisão do paradigma quanto a decisão recorrida foi a apreciação do conjunto probatório de cada um dos casos, que, por sua vez, são distintos. Além disso, o paradigma versa sobre omissão de receitas por falta de comprovação de origem de depósitos bancários, o que é diferente da situação fática da decisão recorrida. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 8 Ademais, conforme já exposto acima, o art. 67 do Regimento Interno do CARF prevê que “compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF”, entretanto, com o acórdão paradigma em questão, os recorrentes trouxeram aos autos acórdão proferido pela mesma turma que proferiu o acórdão recorrido. Notese que a denominação da turma é diversa em razão da instalação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, senão vejamos a redação dos artigos 1º e 2º, II, da MF 41/2009: Art. 1º Fica instalado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme disposto no art. 44, §1 º da Medida Provisória n º 449/2008. Art. 2º Até a vigência de seu regimento interno, a ser expedido no prazo estabelecido no art. 44, §2 º da Medida Provisória n º 449/2008, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais adotará, no que couber, os regimentos internos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial n º 147, de 28 de junho de 2007, e suas alterações posteriores, observadas as seguintes disposições: II A Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes passa a integrar a Segunda Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e seu colegiado constitui a Segunda Turma Ordinária da referida Câmara; Assim, a Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes passou a ser denominada Segunda Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Note que houve alteração de denominação da câmara e não criação de uma nova. Não há, dessa forma, como se reconhecer por caracterizada a divergência jurisprudencial, requisito de admissibilidade do Recurso Especial. Do exposto, não comprovada a divergência jurisprudencial, por se tratarem os acórdãos recorrido e paradigmas de representantes de situações fáticas diversas, e sendo necessária unicamente a reanálise de provas para a solução da questão suscitada, voto no sentido de não conhecer do Recurso Especial dos contribuintes. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Relator Fl. 767DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 10380.003028/200386 Acórdão n.º 9101002.101 CSRFT1 Fl. 716 9 Fl. 768DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 2/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO
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Numero do processo: 11442.000209/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS incidente sobre a venda de automóveis para o comerciante varejista.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O conselheiro Andrada Canuto Natal votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS incidente sobre a venda de automóveis para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1965; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11442.000209/201071 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.428 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de outubro de 2014 Matéria Incidência Monofásica Recorrente SAMAVE SOCIEDADE ASSISENSE DE MAQUINAS E VEICULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS incidente sobre a venda de automóveis para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O conselheiro Andrada Canuto Natal votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 2. 00 02 09 /2 01 0- 71 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000209/201071 Acórdão n.º 3301002.428 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000209/201071 Acórdão n.º 3301002.428 S3C3T1 Fl. 4 3 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento Eletrônico, por meio do qual a interessada requer o ressarcimento de créditos que julga possuir, oriundo de créditos da COFINS NãoCumulativa. A interessada não transmitiu Declarações de Compensação vinculadas ao Pedido de Ressarcimento acima citado. Intimada a apresentar documentos e informações a contribuinte informou que os supostos créditos pleiteados no PER foram motivados pela comercialização de veículos automotores classificados na Tabela TIPI nas classificações fiscais 87032100, 87043190, 87042190, 8704219001 e 8703231001, pleiteando seus créditos com base no artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004. Indeferido o pedido apresentou Manifestação de Inconformidade solicitando a reforma do Despacho Decisório, com uma rica argumentação onde discorre sobre dois marcos normativos importantes que não teriam sido observados: o art. 17 da Lei 11.033, de 2004 que lhe daria o direito de se creditar da Cofins e do PIS incidente sobre a fase anterior em regime de substituição tributária; e o art. 42 da Lei 11.727, de 2008, que revogou a sistemática de não cumulatividade ainda mantida pelas leis 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002 para alguns casos específicos previstos no inciso IV do § 3º do art. 1º e a alínea a do inciso VII do art. 8º das referidas leis, respectivamente para a Cofins e o PIS, o que teria eliminado qualquer discussão sobre as normas de não cumulatividade que, por princípio, devem permitir o crédito sobre as contribuições que incidiram na fase anterior da cadeia produtiva. A DRJ de Ribeirão Preto/SP julgou improcedente o pedido da contribuinte sendo o acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE AUTOMÓVEIS E PEÇAS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. Em razão da técnica legalmente implementada de tributação concentrada nos fabricantes e importadores de automóveis e peças, as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda desses produtos são submetidas à alíquota zero de PIS e Cofins, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses bens. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 153DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000209/201071 Acórdão n.º 3301002.428 S3C3T1 Fl. 5 4 Inconformada apresenta a recorrente o presente recurso voluntário apontando as mesmas razões apontadas na Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000209/201071 Acórdão n.º 3301002.428 S3C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A Recorrente pleiteou o ressarcimento dos valores atualizados da COFINS incidente sobre aquisição de veículos automotores classificados na Tabela TIPI nas posições 87032100, 87043190, 87042190, 8704219001 e 8703231001. No âmbito do PIS e da COFINS, os veículos automotores, bem como as autopeças mencionadas nos anexos I e II da lei n.° 10.485/2002, estão sujeitos ao regime de tributação monofásica desde o advento desse diploma legal, cujos artigos. 1º e 3º, após as alterações introduzidas pela lei n.º 10.865/2004, trazem a seguinte redação: Art. 1º. As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n.º 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (...) Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, nas vendas para fabricante: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) de veículos e máquinas relacionados no art. 1º desta Lei; ou (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, quando destinadas à fabricação de produtos neles relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 155DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000209/201071 Acórdão n.º 3301002.428 S3C3T1 Fl. 7 6 II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 1º Fica o Poder Executivo autorizado, mediante decreto, a alterar a relação de produtos discriminados nesta Lei, inclusive em decorrência de modificações na codificação da TIPI. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 10.865, de 2004) § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata:(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e II – o caput do art. 1º desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. O sistema de incidência monofásica consiste na concentração de tributação das contribuições do PIS e da COFINS no início da cadeia produtiva, isto é, ocorre a incidência de alíquotas mais elevadas nas etapas de produção e importação, desonerandose as fases seguintes da comercialização, mediante atribuição de alíquota zero. Vale dizer, o fato gerador ocorre uma única vez nas vendas realizadas pelos fabricantes/importadores, não havendo mais incidência dessas contribuições nas vendas realizadas nas etapas seguintes da cadeia econômica. A concentração funciona, assim, como uma antecipação da cobrança do tributo que normalmente seria cobrado nas operações subseqüentes à cadeia inicial. Essa sistemática foi instituída nos termos dos artigos acima apontados que estabeleceu o regime de incidência monofásica, na origem, ou seja, nos fabricantes e importadores, em conformidade com o previsto no art. 149, § 4º, da CF/1988, assim expresso: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. Na incidência monofásica os fabricantes e importadores passaram a efetuar o recolhimento das citadas Contribuições somente na condição de contribuinte (de fato e direito), deixando de ser contribuintes substitutos dos demais intervenientes nas etapas de comercialização seguintes (as distribuidoras e os varejistas). Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000209/201071 Acórdão n.º 3301002.428 S3C3T1 Fl. 8 7 Em decorrência da nova modalidade de incidência, as receitas dos varejistas provenientes das vendas desses produtos ficaram excluídas do pagamento das referidas Contribuições, com base no regime da alíquota zero, conforme § 2º do artigo 3º, supra citado. Não é demais ressaltar que, a partir da nova forma de incidência a tributação dos fabricantes e varejistas passaram a ser realizadas de forma autônoma. Em decorrência, o que for recolhido pelo fabricante não mais significa antecipação do que seria devido nas etapas subseqüentes. Logo, a incidência das mencionadas contribuições sobre os fabricantes ou importadores, assim como os pagamentos por eles realizados são considerados definitivos, independentemente de qual seja o desfecho que venham ter os fatos geradores posteriores à aquisição dos produtos para revenda. Nesse sentido, é pertinente trazer à colação o entendimento dos renomados Professores Sacha Calmon Navarro Coêlho e Misabel Abreu Machado Derzi, externados no excerto extraído da Revista Dialética de Direito Tributário n.º 86, página 113, a seguir transcrito: “... cabe agora dizer que no caso em exame não temos substituição tributária e tampouco nãoincidência (imunidade, isenção ou alíquota zero), mas uma categoria jurídica diferente, a da tributação monofásica”. (grifos do original) Logo, a eficácia das modificações introduzidas pela MP n.º 1.99115, de 2000, no que tange à nova redação do art. 4º da Lei n.º 9.718, de 1998, conforme determinado no seu art. 46, II, verificouse, como já mencionado, desde 01/07/2000, não mais existindo, a partir daí, o regime de substituição tributária. Ressaltese, ainda, que o referido dispositivo constou em todas as reedições posteriores da citada MP, sendo repetido na atual MP n.º 2.158 35, de 24 de agosto de 2001 (art. 92, II), que em face do disposto no art. 2º da EC n.º 32/2001, não carece de reedição. Assim, a MP n.º 1.99115, de 2000, extinguiu o citado regime de substituição tributária aplicável às duas Contribuições, determinando a tributação em uma única fase (monofásica). Por sua vez, a MP 1.99118, de 2000, a Lei n.º 9.990, de 1990 e a Lei n.º 10.865, de 2004, sem alterar o regime jurídico de incidência monofásica, modificaram apenas as alíquotas aplicáveis as operações em análise. Nesse sentido, no regime monofásico de incidência não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez. No presente Recurso, sustentou a interessada que, a despeito da alíquota zero aplicável às operações de venda de veículos, ela teria direito ao crédito relativo às aquisições dos referidos produtos junto ao fabricante, conforme expressamente reconhecido no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004. Não assiste razão a Recorrente. O citado preceito legal, não comporta tal conclusão, conforme observase de sua redação, in verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000209/201071 Acórdão n.º 3301002.428 S3C3T1 Fl. 9 8 Da leitura do transcrito comando legal, resta indubitável que ele se aplica, exclusivamente, a manutenção de créditos, calculados sobre custos, encargos e despesas que tenham antes sofrido a tributação das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, segundo sistemática da nãocumulatividade, ou seja, quando a cadeia de incidência não é a em exame. Além disso, por força do artigo 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei n.º 10.637, de 2002 é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aquisições de veículos objetos da presente discussão. Assim, ao se referir à “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” às operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, o dispositivo em análise, na verdade, está se referindo aos créditos relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos das ditas Contribuições, no âmbito do regime de incidência nãocumulativa, sem contudo alterar a força normativa do inciso alínea “b” do I do art. 3º da Lei n.º 10.637, de 2002, e da Lei n.º 10.833, de 2003, que, de forma expressa, veda a utilização de crédito relativo às aquisições dos produtos revendidos, cuja receita está sujeita aos regimes especiais de tributação, especificamente, o de incidência monofásica em apreço. Ademais, tendo em conta a natureza específica de cada uma das formas de incidência — e não regime de tributação — das citadas Contribuições anteriormente abordadas, não vislumbro qualquer incompatibilidade entre o disposto na alínea “b” do inciso I do art. 3º das Leis n.ºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e o estabelecido no art. 17 da Lei 11.033, de 2004. Na verdade, ambos os preceitos legais tratam de sistemáticas distintas de incidência, não podendo o regramento de uma ser invocado para fins de apuração e cobrança por meio de outra sistemática, sem que haja grave distorção nos regimes de apuração e cobrança das referidas Contribuições. Em consideração ao caso tomo a liberdade de apontar a expressão do parágrafo oito da exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002, a saber (os destaques são nossos): 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária. Esse foi o cuidado tomado pela Lei, explicitar que os regimes são distintos e não intersectáveis e na condição de Conselheiro, ao qual a discussão da óbvia inconstitucionalidade, não é permitida. Até tenho me posicionado que quando a empresa opera com produtos do sistema monofásico e no regime da nãocumulatividade, poderá descontar créditos quanto às máquinas e veículos utilizados como insumo na fabricação ou prestação de serviços, mas não como se pretende no presente caso, porque para a revenda esse aproveitamento é expressamente vedado. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000209/201071 Acórdão n.º 3301002.428 S3C3T1 Fl. 10 9 Assim, os comerciantes distribuidores, atacadistas e varejistas que comercializam mercadorias sujeitas ao regime de incidência monofásica — mecanismo de incidência monofásica, forma de incidência monofásica ou qualquer sinonímia que se queira dar à essa forma de incidir —, mesmo que submetidos ao regime nãocumulativo, são proibidos de descontar créditos em relação à aquisição de tais produtos quando adquiridos para revenda. Essa restrição é específica aos produtos sujeitos à incidência monofásica adquiridos para revenda, portanto, a aquisição de produtos submetidos à incidência monofásica para serem utilizados em processos de industrialização ou prestação de serviços (insumos), não estão abrangidos pela restrição. A título de exemplo, suponhamos que uma fábrica de automóveis adquira filtros de combustíveis, sujeitas à incidência monofásica, para serem empregadas na fabricação daquele produto. Nesta hipótese, a empresa poderá descontar créditos normalmente, sendo que as alíquotas aplicáveis no cálculo dos créditos serão de 1,65% para o PIS/Pasep e 7,60% para a Cofins, ou seja, não serão aplicadas as alíquotas diferenciadas. É verdade que a Presidência da República vem tentando, sistematicamente, restringir através de Medidas Provisórias (MP's), a apropriação dos créditos sobre os custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico, todavia, essa tentativa de restrição não perdurou nas respectivas conversões em Lei. Assim, podemos concluir que é admitido aos atacadistas e varejistas o desconto de créditos em relação aos demais custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico das contribuições, ou seja, a restrição abrange apenas a aquisição dos produtos adquiridos para revenda e não os utilizados como insumo. O referido artigo 17 foi antes da conversão da Lei expresso no artigo16 da MP 206/2004, cuja justificativa na exposição de motivos é simplória expressando que “as disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”, no meu exame, serviu para informar que o crédito das contribuições relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos devem permanecer e que a restrição é com relação aos produtos destinados à revenda. No mais, se serve para esclarecer dúvidas, não serve para inovar, garantindo um direito novo, diferente do ante existente. Cabe destacar ainda que existe uma diferença marcante entre a previsão de alíquota zero apontada no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004, e aquela outra estabelecida no inciso I do artigo 50 da Lei n.º 10.833, de 2003. A primeira visa exonerar determinadas receita de venda da cobrança das citadas Contribuições, ao passo que a segunda tem por objetivo a implementação da técnica de apuração e cobrança de forma concentrada ou monofásica. No caso em tela, caso fosse acatado o entendimento esposado pela Recorrente, o que se admite apenas para fins argumentativos, teria direito ao crédito tanto o comerciante atacadista, quando houver, como, por ex., no caso de distribuidoras de combustíveis, quanto o varejista. Em decorrência, com a fruição dos créditos por ambos os contribuintes, chegarse ia ao absurdo de a Fazenda Nacional recolher um valor para em seguida devolvêlo em dobro. Ante o exposto, fica demonstrado que, seja pelo prisma estritamente jurídico, seja pelo lado racional que norteia a técnica da tributação concentrada, as receitas dos comerciantes atacadistas e varejistas decorrentes das vendas de automóveis estão sujeitas à Fl. 159DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000209/201071 Acórdão n.º 3301002.428 S3C3T1 Fl. 11 10 alíquota zero das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, sendo expressamente vedado, de outra parte, o aproveitamento dos créditos atinentes às aquisições desses bens dos fabricantes e importadores, únicos responsáveis pela apuração e recolhimento das ditas Contribuições incidentes em toda a cadeia de venda. Tenho, por fim, que explicitar que o que existe é um mecanismo de incidência monofásica no qual alguns produtos se submetem à opção do legislador e o regime da nãocumulatividade que permite a apuração de créditos dentro dos limites também delimitados pelo legislador pátrio, estando os produtos sujeitos à incidência monofásica, quando adquiridos para revenda, fora dos permitidos para a apuração dos créditos. Assim, para esses, não há que se cogitar nem de débito nem de crédito das referidas Contribuições, por expressa determinação legal. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 160DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11543.001066/2002-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/1997 a 31/08/2001
COFINS. PIS/PASEP. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. CARÁTER INTERPRETATIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O instituto da importação por conta e ordem de terceiros somente foi introduzido no universo jurídico pátrio com a publicação da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, por intermédio de seus arts. 77 a 81, normatizada pela Instrução Normativa nº 75/2001, cujos textos, em momento algum, prevêem expressamente tratar-se de normas interpretativas, como exige o art. 106, I do Código Tributário Nacional, razão pela qual sua eficácia é exclusivamente prospectiva, não podendo retroagir para alcançar fatos jurídicos que lhe são anteriores.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça e Bernardo. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl. Fez sustentação oral pela recorrente drª Gabriela Pimenta.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Jean Cleuter Simões Mendonça Relator
Robson José Bayerl Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA
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PIS/PASEP. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. CARÁTER INTERPRETATIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O instituto da “importação por conta e ordem de terceiros” somente foi introduzido no universo jurídico pátrio com a publicação da Medida Provisória nº 2.15835/2001, por intermédio de seus arts. 77 a 81, normatizada pela Instrução Normativa nº 75/2001, cujos textos, em momento algum, prevêem expressamente tratarse de normas interpretativas, como exige o art. 106, I do Código Tributário Nacional, razão pela qual sua eficácia é exclusivamente prospectiva, não podendo retroagir para alcançar fatos jurídicos que lhe são anteriores. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça e Bernardo. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl. Fez sustentação oral pela recorrente drª Gabriela Pimenta. Júlio César Alves Ramos – Presidente Jean Cleuter Simões Mendonça – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 10 66 /2 00 2- 76 Fl. 2946DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Robson José Bayerl – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição do PIS e da COFINS no valor de R$ 8.016.504.12 (oito milhões, dezesseis mil, quinhentos e quatro reais e doze centavos), supostamente recolhido de modo indevido em operações de importações por conta e ordem de terceiros, nos anos de 1998 a 2001, conforme pedido protocolado em 05/03/2002 (fls.01/10). As fls.2.161 às fls.2.320 contêm vários PER/DCOMPs, cujo objetivo é o aproveitamento do crédito para compensar os débitos do IPI, do PIS e da COFINS de diversos períodos. A Delegacia de origem entendeu que o PIS e a COFINS eram devidos e não reconheceu o direito creditório (fls.1.979/1.985). Irresignada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls/ 1.987/1.997), mas DRJ Rio de Janeiro II/RJ manteve o indeferimento ao prolatar acórdão (fls.2.391/2.416) com a seguinte ementa: “COFINS/PIS BASE DE CÁLCULO – EMPRESA IMPORTADORA Compõem a base de cálculo das contribuições devidas pelo importador as receitas decorrentes da venda de mercadorias importadas, concretizada com a emissão da respectiva nota fiscal de venda, ainda que haja prévia definição do adquirente, observado, a partir de setembro. de 2001, o disposto no art. 81 da MP n° 2.15835/2001, atendidos, cumulativamente, os requisitos fixados pelas IN/SRF n's 75/2001 e 98/2001. PIS/COFINS APURAÇÃO – RETROATIVIDADE DA NORMA APLICÁVEL Somente retroagem as normas meramente interpretativas, não possuindo tal característica a norma de caráter material, que estabelece sistemática nova de apuração da contribuição, não prevista até então. PIS/COFINS APURAÇÃO PREVISÃO LEGAL A apuração da contribuição está vinculada ao disposto na norma legal que a rege ao tempo do fato gerador, ainda que haja manifestações infralegais, não vinculantes, em sentido diverso. Fl. 2947DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11543.001066/200276 Acórdão n.º 3401002.814 S3C4T1 Fl. 2.363 3 ATOS ADMINISTRATIVOS – EFEITO VINCULANTE Somente possuem efeito vinculante os atos administrativos expedidos pela SRF com força normativa, ou, ainda, as manifestações de outros órgãos, ratificadas pelo Ministro da Fazenda”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 19/02/2008 (fl. 2.443) e interpôs Recurso Voluntário em 19/03/2008 (fls. 2.464/2.487), com as alegações resumidas abaixo: 1 A Contribuinte apenas realizou o serviço de nacionalização de mercadoria. A compra foi realizada diretamente da origem ao destinatário, sem que a Contribuinte participasse da cotação de preço. Por isso, não há venda de mercadoria; 2 É inscrita no FUNDAP – Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias, que se trata de um programa criado pelo Estado do Espírito Santo, cujo objetivo é o desenvolvimento das exportações e importações pelo Porto de Vitória/ES; 3 Pela Nota COSIT nº 163, de 11 de junho de 2001, e pelo Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional CAT nº 1.316, de 09 de julho de 2001, as empresas inscritas no FUNDAP não vendem mercadoria, mas apenas prestam serviços. Como a citada Nota e o Parecer são interpretativos, eles retroagem, sendo aplicável ao presente caso; 4 Os valores referentes às mercadorias não configuram receita, mas mero ingresso. Sua receita é constituída somente pelo serviço prestado; Ao fim, a Recorrente pediu o provimento do Recurso Voluntário, a fim de que seja reformado o acórdão da DRJ, reconhecido o direito creditório e homologadas as compensações. O processo foi apreciado pela primeira vez por este Conselho em 27/09/2012, ocasião na qual o julgamento foi sobrestado com base no §1º, do art. 62A, do RICARF, em razão do Recurso Extraordinário nº 635.443, reconhecido como representativo de controvérsia pelo STF, que trata da mesma matéria deste processo (fls.2.362/2.364). Não obstante, com a revogação da norma que ordenava o sobrestamento, os autos retornaram para apreciação do mérito, mesmo sem a decisão definitiva da Suprema Corte. É o Relatório. Voto Vencido Fl. 2948DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 4 Conselheiro JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente faz importação por conta e ordem de terceiro e recolheu, nos anos de 1998 a 2001, o PIS e a COFINS sobre o valor do serviço de importação e sobre o valor da mercadoria. Agora, busca a restituição das contribuições recolhidas sobre os valores das mercadorias, sob a alegação de que o PIS e a COFINS não incidem sobre essa parcela. Portanto, o cerne da questão consiste em saber se o PIS e a COFINS incidem sobre o valor total, isto é, serviço e mercadoria; ou somente sobre o valor do serviço. Como é cediço, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, com Repercussão Geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, regulados pela Lei nº 9.718/98. A partir desse julgamento, ficou pacificado que o PIS e a COFINS incidem somente sobre o valor da venda e/ou da prestação de serviço. A partir dessa consideração, cabe saber se a Recorrente efetua venda ou apenas presta serviço. Caso efetue venda de produto importado, o PIS e COFINS incidirão sobre o valor total, mas se apenas faz o serviço de intermediação e a nacionalização da mercadoria, o PIS e a COFINS incidirão somente sobre o valor do serviço. Nessa linha, cabe destacar a definição de importador por conta e ordem de terceiro, disposto no inciso I, §1o, do art. 12, da Instrução Normativa nº 247, de 21 de novembro de 2002, o qual assim dispõe: “I– entendese por importador por conta e ordem de terceiros a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial”. Muito embora essa norma seja de 2002, portanto posterior aos fatos geradores tratados no processo, ela serve como base para o entendimento da importação por conta e ordem de terceiro, haja vista dar uma definição de uma figura que já existia antes de sua vigência. E, pelo texto, percebese que a importação por conta e ordem de terceiro configurase prestação de serviço e não de venda de mercadoria, pois no momento da importação a mercadoria já está adquirida por outrem, de modo que não há a revenda, mas apenas a intermediação entre o comprador e vendedor e os serviços de desembaraço aduaneiro. A definição dada pela Receita Federal do Brasil, em sua página, não deixa dúvida de que a importação por conta e ordem de terceiro configura prestação de serviço, senão, vejamos: Fl. 2949DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11543.001066/200276 Acórdão n.º 3401002.814 S3C4T1 Fl. 2.364 5 “A importação por conta e ordem de terceiro é um serviço prestado por uma empresa – a importadora –, a qual promove, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadorias adquiridas por outra empresa – a adquirente –, em razão de contrato previamente firmado, que pode compreender ainda a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial (art. 1º da IN SRF nº 225/02 e art. 12, § 1°, I, da IN SRF nº 247/02). Assim, na importação por conta e ordem, embora a atuação da empresa importadora possa abranger desde a simples execução do despacho de importação até a intermediação da negociação no exterior, contratação do transporte, seguro, entre outros, o importador de fato é a adquirente, a mandante da importação, aquela que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional; embora, nesse caso, o faça por via de interposta pessoa – a importadora por conta e ordem –, que é uma mera mandatária da adquirente. Em última análise, é a adquirente que pactua a compra internacional e dispõe de capacidade econômica para o pagamento, pela via cambial, da importação. Entretanto, diferentemente do que ocorre na importação por encomenda, a operação cambial para pagamento de uma importação por conta e ordem pode ser realizada em nome da importadora ou da adquirente, conforme estabelece o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI – Título 1, Capítulo 12, Seção 2) do Banco Central do Brasil (Bacen). Dessa forma, mesmo que a importadora por conta e ordem efetue os pagamentos ao fornecedor estrangeiro, antecipados ou não, não se caracteriza uma operação por sua conta própria, mas, sim, entre o exportador estrangeiro e a empresa adquirente, pois dela se originam os recursos financeiros. (disponível em http://www.receita.fazenda.gov.br/TextConcat/Default.asp?Pos= 2&Div=Aduana/ContaOrdemEncomenda/ContaOrdem/ )(grifos nosso) Logo, como a importação por conta e ordem de terceiro é apenas prestação de serviço, o faturamento do importador por conta e ordem de terceiro é o valor apenas da prestação de serviço e não o valor total da mercadoria, de modo que o PIS e a COFINS incidem somente sobre o valor recebido a título da prestação de serviço. Portanto, é indevido o recolhimento do PIS e da COFINS sobre o valor total da mercadoria, de forma que a Recorrente tem direito ao ressarcimento. Ocorre que no caso concreto não há como analisar se a Recorrente tem direito ao ressarcimento, pois, conforme informação constante na fl.1.983 (vol. IX), a delegacia de origem indeferiu o ressarcimento com base em matéria de direito, sem analisar os documentos apresentados pela Contribuinte. Por essa razão, não há como saber se todas as operações no Fl. 2950DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 6 período foram importação por conta e ordem de terceiro, se houve alguma revenda e se , de fato, houve o recolhimento do PIS e da COFINS no montante alegado. Diante dessas informações, é o caso de converter o julgamento em diligência, para que os autos retornem à delegacia de origem, a fim de que sejam respondidos os seguintes questionamentos: 1 No período cuja Recorrente pede o ressarcimento, ela efetuou alguma importação por conta própria e depois revendeu a mercadoria? Quais? 2 Qual o valor do PIS e da COFINS incidentes sobre o valor das mercadorias foram recolhido no período compreendido no pedido de ressarcimento? 3 Diante das considerações feitas pelo ora Relator, qual o valor do PIS e da COFINS recolhido indevidamente no período inscrito no pedido de ressarcimento? Após a conclusão da diligência e elaboração de relatório com a resposta dos quesitos acima, devese intimar a Recorrente para que ela se manifeste acerca do resultado da diligência, no prazo de 30 (trinta) dias. Vencido esse prazo, os autos devem retornar a este Conselho, ainda que a Recorrente não tenha se manifestado. Ex positis, converto o julgamento em diligência nos termos propostos acima. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado Com todo respeito ao entendimento do eminente Conselheiro Relator, entendo dispensável a realização da diligência proposta, haja vista a improcedência prima facie do direito vindicado. Como relatado, a pretensão do recorrente seria reaver o que supostamente recolheu de forma indevida, a título de PIS/PASEP e COFINS, por entender que as disposições dos arts. 77 a 81 da MP 2.15835/2001 aplicarseiam retroativamente, por força do art. 106, I do Código Tributário Nacional. Para melhor balizar a situação, reproduzo o teor daqueles dispositivos, em sua redação original, verbis: Fl. 2951DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11543.001066/200276 Acórdão n.º 3401002.814 S3C4T1 Fl. 2.365 7 “Art. 77. O parágrafo único do art. 32 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 32. ................................................... Parágrafo único. É responsável solidário: I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II o representante, no País, do transportador estrangeiro; III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." (NR) Art. 78. O art. 95 do DecretoLei nº 37, de 1966, passa a vigorar acrescido do inciso V, com a seguinte redação: "V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." (NR) Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Art. 81. Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador.” Já o art. 106, I do CTN prevê que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados. Como se observa, para que determinada norma legal possa ser qualificada como interpretativa há necessidade expressa de previsão desta eficácia. No caso vertente, em momento algum a Medida Provisória nº 2.15835/2001 ressaltou esta situação jurídica. Fl. 2952DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 8 As normas, de maneira geral, produzem efeitos prospectivos, alcançando apenas os fatos jurídicos ocorridos após sua introdução no sistema legal, sendo a retroatividade exceção a esta regra, razão porque exige estipulação específica de sua ocorrência. O caráter interpretativo de determinada lei tributária, à luz do Código Tributário Nacional, não pode ser presumido, como parece sustentar o recorrente, mas sim, deve ser claro e, principalmente, textual. Demais disso, os preceptivos em comento somente foram regulados pela Secretaria da Receita Federal com a edição da Instrução Normativa nº 75, de 13/09/2001, que trouxe os requisitos e condições para realização de importação por conta e ordem de terceiros, que, por seu turno, não estendeu a sua incidência e aplicação às importações anteriormente realizadas. O próprio art. 80 da MP 2.15835/2001 delegou competência à SRF para “estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro”, o que foi corporificado pelo art. 2º da IN SRF 75/2001. Em minha opinião, a previsão de requisitos e condições para exercício de um direito não se compagina com o caráter interpretativo de uma norma legal, pois não vejo como um comando de lei possa retroagir, como efeito da interpretação, para impor a observância de determinada regra, forma ou modelo. Então, o simples estabelecimento de requisitos e condições para exercício de um direito qualquer afasta por completo a possibilidade de se tratar de “lei interpretativa”. Como decorrência lógica desse raciocínio, a figura da “importação por conta e ordem de terceiros” somente ganhou existência jurídica, no âmbito tributário, com a publicação da MP 2.15835/2001 e a IN SRF 75/2001, não havendo qualquer regulamentação anterior a respaldar a forma de tributação pretendida pelo recorrente. No mais, a questão foi muito bem enfrentada e decidida pela decisão recorrida, motivo pelo qual remeto, como razão de decidir, à fundamentação lá deduzida. Respeitante às colocações acerca da conceituação de receita e sua diferenciação de “mero ingresso” para definir a amplitude do conceito de faturamento, tratase de matéria preclusa, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 (“considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”), porquanto não deduzida em manifestação de inconformidade. Em face de todo o acima exposto, considerando que o período a que se refere o pretenso indébito (01/03/1997 a 31/08/2001) é anterior à eficácia do art. 81 da MP 2.158 35/2001, voto por negar provimento ao recurso interposto. Robson José Bayerl Fl. 2953DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11543.001066/200276 Acórdão n.º 3401002.814 S3C4T1 Fl. 2.366 9 Fl. 2954DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 19311.000021/2010-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Os embargos de declaração se prestam à complementação da decisão embargada, mas não alteram o seu resultado quando mantidos os fundamentos originalmente adotados como razão de decidir.
Numero da decisão: 1401-001.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e REJEITAR os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. .Ausente justificadamente, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta, que foi substituído pelo Conselheiro Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração se prestam à complementação da decisão embargada, mas não alteram o seu resultado quando mantidos os fundamentos originalmente adotados como razão de decidir.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e REJEITAR os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. .Ausente justificadamente, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta, que foi substituído pelo Conselheiro Henrique Heiji Erbano.
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score : 1.0
Numero do processo: 19515.003225/2005-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Rodrigo Leporace Farret, OAB/DF 13841.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
EDITADO EM: 26/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Rodrigo Leporace Farret, OAB/DF 13841. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO - Relator. EDITADO EM: 26/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Rodrigo Leporace Farret, OAB/DF 13841. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. EDITADO EM: 26/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 22 5/ 20 05 -6 9 Fl. 2171DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Adotase o relatório do Acórdão recorrido. “Trata o presente feito de auto de infração de COFINS, relativo aos anos calendário de 2000 a 2003 (fls. 66/68). De acordo com o Termo de Verificação (fls. 56/57), foi constatada diferença entre o valor devido e o declarado em DCTF. As disposições legais que embasaram o lançamento encontramse descritas nos referidos termo e auto de infração. Em 30/11/2005, a interessada tomou ciência dos autos de infração (fl. 66) e, em 29/12/2005, apresentou defesa (fls. 71/84), resumidamente, nos seguintes termos: que a Cofins apurada em junho de 2003 havia sido compensada com créditos de PIS decorrentes de pagamentos a maior nos meses de janeiro a abril de 2003, conforme demonstrado à fl. 73. quanto ao mês de outubro de 2003, constatouse que houve recolhimento a menor e procedeuse ao pagamento da diferença devidamente atualizada, consoante quadro de fl. 74. que a multa de ofício não pode prosperar, pois se configura abusiva e viola os princípios da capacidade contributiva e do não confisco. no que se refere aos demais valores, que a fiscalização não demonstrou a origem dos mesmos para que a impugnante pudesse aferir a procedência dos referidos valores. Em 29/07/2009, a Votorantim Celulose e Papel S/A, CNPJ 60.643.228/000121, e a Suzano Papel e Celulose S/A, CNPJ 16.404.287/000155, apresentaram petição de fls. 127/128, em que alegam serem as sucessoras da impugnante e solicitando a retificação do processo para constarem como partes interessadas na lide.” Os membros da 6ª Turma de Julgamento da DRJ, por unanimidade de votos, consideraram procedente, em parte, a impugnação para manter parcialmente o crédito tributário. Intimada em 06/01/2010, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 05/02/2010 no qual repisa os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 2172DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19515.003225/200569 Resolução nº 3302000.136 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e, portanto, dele se conhece. Da Extinção dos Débitos da COFINS das Competências de 01/2001, 02/2001, 02/2003, 04/2003 e 05/2003 Alega a Recorrente que os valores referentes aos períodos de 01/2001, 02/2001, 02/2003, 04/2003 e 05/2003, diziam respeito à majoração da base de cálculo da COFINS levada a cabo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Alega que tais valores estavam com exigibilidade suspensa em face da interposição de Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0173237, o qual teve decisão favorável ao contribuinte, proferida pela 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, em 04 de abril de 2006, Recurso Especial nº 692.983/SP, sendo tais débitos extintos definitivamente. Outrossim, alega a Recorrente que os valores supostamente devidos, estão sendo cobrados em duplicidade, uma vez que a Recorrente incorporou a empresas: Cia. Santista de Papel e a Limeira Indústria de Papel de Cartolina. Alega que as divergências da COFINS da extinta Cia. Santista de Papel e Celulose, é objeto do processo administrativo nº 19515.003120/200518, como a suposta divergência de COFINS da extinta Limeira S. Indústria de Papel e Cartolina é objeto do processo nº 19515.003119/200585, sendo que todos os processos inclusive o presente, foram originados do Mandado de Procedimento Fiscal nº 0819000/00958/05. Na condução do processo há que se ter em conta o processo de fixação formal da prova, no qual o julgador se atém à análise dos meios de prova definidos em lei, à valoração e admissibilidade das provas apresentadas, para formar o seu livre convencimento para decidir. Todavia, dos documentos acostados aos autos não há como aferir se os valores discutidos no presente processo, referemse aos mesmos valores discutidos nos demais processos administrativos supracitados, bem como se tais valores estão abrangidos pelo Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0173237. Isto posto, proponho converter o julgamento em diligência, para que sejanos informado se os valores objeto dos seguintes processos referemse efetivamente a valores lançados em duplicidade, ou cujas bases de cálculo desses lançamentos, posteriores, incluiram os mesmos valores lançados, decorrentes de eventual consolidação dessas contas decorrentes da incorporação das companhias acima mencionadas, e que resultaram nesses dois processos adicionais, de nºs: 19515.003120/200518 e 19515.003119/200585. Fl. 2173DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19515.003225/200569 Resolução nº 3302000.136 S3C3T2 Fl. 5 4 Da Exigência Fiscal referente à Competência de 06/2003. Por fim, alega a Recorrente que a exigência fiscal, especificamente em relação à competência de 06/2003, corresponde à parcela de débito de Cofins, que foi extinta por meio de três Declarações de Compensação – DCOMP´s transmitidas pela Recorrente. Nos termos do artigo 170 do CTN: “A lei, pode nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública”. Posteriormente, sobreveio o artigo 74, da Lei nº 9.430/96 que autorizou a compensação para quitação de quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Em conformidade com os artigos supracitados, foi editada a Instrução Normativa nº 21/97, posteriormente revogada pela Instrução Normativa nº 210/2002, que passou a disciplinar acerca da compensação administrativa, nos seguintes termos: “Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da "Declaração de Compensação". § 2o A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento.” Além disso, a Instrução Normativa SRF n° 014, de 14/02/2000), vigente à época dos fatos, dispunha que, somente a DCTF se caracterizava como instrumento de comunicação dos débitos dessa natureza, que não tenham sido pagos, à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição em Dívida Ativa da União. No caso concreto, vêse que a Per/Dcomp n° 33477.30003.150703.1.3.041380 (fls. 109/115 e 170), por ter sido formalizada antes da data da publicação da MP nº 135/2003, não constitui confissão de dívida. Assim, dada a ausência de declaração constitutiva do crédito tributário, correta a sua formalização por meio do lançamento de ofício, circunstância na qual a Lei n° 9.430/1996 determina a aplicação de multa no percentual de 75%, exigida juntamente com o tributo não recolhido. Outrossim, cumpre esclarecer que muito embora não haja previsão, nos artigos supra, acerca do lapso temporal para a homologação do pedido de compensação, aplicase no caso o artigo 150, §4º do CTN que prevê o prazo de cinco anos para que a Fazenda Pública se pronuncie acerca homologação do lançamento efetuado pela Recorrente. Fl. 2174DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19515.003225/200569 Resolução nº 3302000.136 S3C3T2 Fl. 6 5 Assim, no presente caso a autoridade fazendária teria o prazo de 5 (cinco) anos para homologar expressamente o pedido de compensação, contados a partir da entrega do referido pedido de compensação, prazo este que ainda não se encerrou, uma vez que Per/Dcomp n° 33477.30003.150703.1.3.041380, foi transmitida em 15/07/2003. Nesse particular, tendo em vista não conter os autos qualquer informação acerca da referida homologação voto no sentido de encaminhar a presente lide à diligência, para que seja informado pela Autoridade Fazendária, quanto à homologação ou não da Per/Dcomp n° 33477.30003.150703.1.3.041380. Conclusão. Por todo exposto, conheço do recurso e proponho a conversão do julgamento em diligência para que sejam esclarecidos i) a partir da análise dos processos relativos às empresas incorporadas se os lançamentos adotaram separadamente as bases de cálculo de cada uma das empresas separadamente ou se os lançamentos consideraram em momentos distintos as bases de cálculo na recorrente após a consolidação de suas contas contábeis pós incorporação; e ii) se a compensação decorrente da Per/Dcomp no. 33477.30003.150703.1.3.041380 fora homologada e consequentemente seus valores deveriam ou não terem sido considerados para fins de apuração das bases de cálculo adotadas para o lançamento. Sala das Sessões, em 07 de julho de 2011. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. Fl. 2175DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.007407/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS DESCONSTITUTIVAS DA PRESUNÇÃO.
Tendo o Contribuinte comprovado satisfatoriamente a regularidade da sua evolução patrimonial e financeira, descaracterizando acréscimo patrimonial a descoberto, deve ser afastada a exigência de IRPF por suposição de omissão de rendimentos.
Recurso de Ofício Negado.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2101-002.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 16/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, ANTONIO CESAR BUENO FERREIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS DESCONSTITUTIVAS DA PRESUNÇÃO. Tendo o Contribuinte comprovado satisfatoriamente a regularidade da sua evolução patrimonial e financeira, descaracterizando acréscimo patrimonial a descoberto, deve ser afastada a exigência de IRPF por suposição de omissão de rendimentos. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Exonerado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator. EDITADO EM: 16/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, ANTONIO CESAR BUENO FERREIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS DESCONSTITUTIVAS DA PRESUNÇÃO. Tendo o Contribuinte comprovado satisfatoriamente a regularidade da sua evolução patrimonial e financeira, descaracterizando acréscimo patrimonial a descoberto, deve ser afastada a exigência de IRPF por suposição de omissão de rendimentos. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. EDITADO EM: 16/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, ANTONIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 74 07 /2 00 8- 51 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 CESAR BUENO FERREIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso de Ofício em face do Acórdão de nº 1747.416 da 4ª Turma da DRJ/SP2 (fls. 304/314), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a Impugnação apresentada pela Contribuinte, exonerando o crédito tributário impugnado. No caso, consta nos autos que, após ser intimado inicialmente, o sujeito passivo não teria apresentado provas e esclarecimentos suficientes que justificassem a evolução patrimonial e financeira do anocalendário 2003. Assim, confrontando as disponibilidades financeiras do fiscalizado com as aquisições de patrimônio, observando os dispêndios efetuados e outras aplicações de recursos, a Fiscalização terminou emitindo Auto de Infração contra o Interessado/Contribuinte, por meio da qual se exigiu o pagamento do IRPF do Exercício 2004, acrescido de juros moratório e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 3.045.026,95. Na Impugnação, a Contribuinte juntou documentos e apresentou seus argumentos de defesa, que foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “(...) Preliminarmente, o impugnante apresenta as guias de recolhimento do imposto de renda, juros de mora e multa relativos aos rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas, no importe de R$ 16.091,74, relacionados no item 001 do Auto de Infração (fl. 283). Por outro lado, contesta totalmente o impugnante o imposto de renda pretendido no auto de Infração referente ao suposto acréscimo patrimonial a descoberto, o qual não existe, conforme se demonstrará a seguir. Janeiro 2003 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.007407/200851 Acórdão n.º 2101002.601 S2C1T1 Fl. 3 3 O auto de infração aponta um acréscimo patrimonial a descoberto no importe de R$ 2.435.188.07. Entretanto, houve equívoco, uma vez que menciona a Sra. Auditorafiscal que os resgates de aplicações financeiras levadas a efeito naquele mês teriam sido de R$ 13.365,78, quando efetivamente tais resgates foram no montante de R$ 2.469.286,95 (fls. 284 a 287). No que se refere a gastos com benfeitorias, a Sra. AuditoraFiscal chegou ao valor de R$ 2.916.114,08, quando efetivamente tais gastos foram no montante de R$ 2.479.924,34 (fls. 288 e 289). Computandose os valores reais acima referidos, chegase à conclusão de que no mês de janeiro não houve a variação patrimonial a descoberto apontada pela Sra. Auditora, mas, sim, um saldo credor de R$ 456.922,84. Para facilitar o entendimento do que acima se falou, vide o demonstrativo mensal da evolução patrimonial e financeira elaborada pelo impugnante, às fls. 290 e 291. Fevereiro 2003 O auto de infração aponta um acréscimo patrimonial a descoberto no importe de R$ 373.181,67. Entretanto, houve equívoco, uma vez que menciona a Sra. AuditoraFiscal que os resgates de aplicações financeiras levadas a efeito naquele mês teriam sido de R$ 5.145.678.83, quando efetivamente tais resgates foram no montante de R$ 6.648.015,16 (fls. 292 e 293). Computandose os valores reais acima referidos, chegase à conclusão de que no mês de fevereiro não houve a variação patrimonial a descoberto apontada pela Sra. Auditora, mas, sim, um saldo credor de R$ 86.077,50. Para facilitar o entendimento do que acima se falou, vide o demonstrativo mensal da evolução patrimonial e financeira elaborada pelo impugnante, às fls. 290 e 291. Dezembro 2003 O auto de infração aponta um acréscimo patrimonial a descoberto no importe de R$ 1.816.363.65. Entretanto, houve equívoco, uma vez que menciona a Sra. AuditoraFiscal que os resgates de aplicações financeiras levadas a efeito naquele mês teriam sido de R$ 2.974.441,87, quando efetivamente tais resgates foram no montante de R$ 6.174.441,87 (fls. 294 e 295). Fl. 341DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Computandose os valores reais acima referidos, chegase à conclusão de que no mês de dezembro não houve a variação patrimonial a descoberto apontada pela Sra. Auditora, mas, sim, um saldo credor de R$ 470.428,15. Para facilitar o entendimento do que acima se falou, vide o demonstrativo mensal da evolução patrimonial e financeira elaborada pelo impugnante, às fls. 290 e 291. Da prova pericial Protesta o impugnante pela produção de prova pericial contábil, bem como pela juntada de novos documentos, se não forem acatados os argumentos expendidos e as provas acostadas na impugnação. (...)” (fls. 306/307). A decisão proferida pela da 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em São Paulo II (SP), restou assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS E ROYALTIES RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Considerase não impugnada e definitivamente consolidada na esfera administrativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Tendo ficado comprovado que, corrigidos os erros e omissões no demonstrativo mensal da evolução patrimonial e financeira elaborado pela fiscalização, não houve em nenhum mês acréscimo patrimonial a descoberto, é de se afastar a correspondente imputação de omissão de rendimentos. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado” (fls. 304) Consubstanciada nas provas juntadas aos autos que afastavam a presunção de omissão de rendimentos pela inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, o Colegiado de Primeira Instância encerrou a discussão sobre a parte do débito admitido e quitado pelo contribuinte, e julgou procedente a Impugnação quanto ao restante, desconstituindo o crédito tributário lançado. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.007407/200851 Acórdão n.º 2101002.601 S2C1T1 Fl. 4 5 Desta feita, apenas em face de Recurso Oficial o procedimento foi submetido à apreciação deste Colendo Conselho, tendo sido distribuído para nossa relatoria, razão pela qual coloco o feito em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O Recurso de Ofício preenche os requisitos de admissibilidade. Diante dos elementos de prova acostados aos autos, o Órgão Julgador Colegiado de primeira instância entendeu que não ocorreu acréscimo patrimonial a descoberto do Interessado/Contribuinte, razão pela qual afastou a presunção de omissão de rendimentos sobre os quais incidiria IRPF. Em princípio deve ser ressaltado que a tributação do acréscimo patrimonial a descoberto está fundada nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, in verbis: “Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) Fl. 343DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.” (grifamos) Por sua vez, o Regulamento do Imposto de Renda disposto no Decreto nº 3.000/1999, prevê expressamente: “Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I ): (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; (...) Fl. 344DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.007407/200851 Acórdão n.º 2101002.601 S2C1T1 Fl. 5 7 Parágrafo único. Na hipótese do inciso XIII, o valor apurado será acrescido ao valor dos rendimentos tributáveis na declaração de rendimentos, submetendose à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva de que trata o art. 86.” Avulta das normas transcritas que o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, incidirá sobre o acréscimo patrimonial, compreendido como rendimento bruto do Contribuinte, que não corresponda ao seu rendimento declarado. E como disposto na Decisão em análise, a presunção legal da omissão de rendimentos representada pelo acréscimo patrimonial a descoberto, decorre da constatação lógica de que ninguém aumenta seu patrimônio sem a obtenção dos recursos para isso necessários. Neste sentido, para que seja desconstituída a presunção fiscal, cabe ao Contribuinte/Fiscalizado justificar o acréscimo patrimonial com provas e/ou documentos satisfatórios, que apontem a disponibilidade financeira por meio de rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis ou, ainda, tributáveis exclusivamente na fonte. De fato, como o ônus da prova é do Contribuinte – conforme sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, no seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária –, eis que deverá apresentar elementos de convicção suficientes quanto à inocorrência de fato gerador do imposto. Destarte, verificase que, no caso, o Interessado carreou aos autos diversos extratos bancários informando valores de resgates de aplicações financeiras não considerados pela fiscalização na autuação. Diante de tal providência, o Relator do feito em primeira instância terminou efetivando uma cuidadosa análise de todos os documentos e provas presentes nos autos, confrontando com as Planilhas de Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial e Financeira do Contribuinte, elaboradas pela fiscalização no lançamento fiscal. Restando didática e plenamente inteligível, passamos a transcrever os bem lançados fundamentos da avaliação trazidos na Decisão de primeira instância: Fl. 345DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 “No presente caso, verificase que a fiscalização procedeu à elaboração dos demonstrativos mensais de origens e aplicações de recursos, em que à entrada líquida de recursos de cada mês somase o saldo da disponibilidade de recursos, conforme planilhas de fls. 231 e 232. [] Resta agora, portanto, analisar se os documentos e informações apresentados pelo impugnante em sua defesa são suficientes para infirmar as conclusões da fiscalização. É o que faremos a seguir. Janeiro 2003 O impugnante afirma que, no mês de janeiro de 2003, o valor dos resgates de aplicações financeiras é igual a R$ 2.469.286,95, e não a R$ 13.365,78, como foi considerado pela fiscalização. Para comprovar sua alegação, apresentou os extratos de fls. 284 a 287. [] De fato, os extratos apresentados demonstram a ocorrência dos seguintes resgates, no mês de janeiro de 2003, num total de R$ 2.469.286,95, tal como afirma o impugnante. Verificase, assim, que a fiscalização considerou, no Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial e Financeira (fls. 231/232) [], apenas os resgates efetuados no Banco Safra, deixando de considerar os resgates no valor de R$ 2.455.921,17, realizados no Unibanco. O impugnante afirma também que, nesse mesmo mês, o valor correto dos gastos com benfeitorias é de R$ 2.479.924,34, e não de R$ 2.916.114,08, como foi considerado pela fiscalização. Para comprovar essa alegação, apresenta o demonstrativo de fls. 288 e 289. [] Os valores mensais dos gastos com benfeitorias em imóveis, discriminados por item da Declaração de Bens e Direitos da DIRPF 2004, são apresentados pela fiscalização na planilha de fl. 227. Tais valores foram obtidos a partir das planilhas de fls. 181 a 205 [], preenchidas pelo contribuinte, a partir das quais constatei que foram os seguintes os gastos com benfeitorias no mês de janeiro de 2003: Fl. 346DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.007407/200851 Acórdão n.º 2101002.601 S2C1T1 Fl. 6 9 O valor assim apurado coincide com o aquele que o contribuinte afirma ser o correto em sua impugnação. O confronto do quadro acima com a planilha de fl. 227 [], elaborada pela fiscalização, mostranos que a divergência se encontra apenas no item 29. O valor correto relativo a esse item é R$ 18.280,19, e não R$ 454.469,93, como considerou a fiscalização. Com o fim de verificar de onde a fiscalização obteve esse valor, consolidei, mês a mês, a partir das planilhas de fls. 181 a 205 [], os gastos relativos ao item 29. O resultado é apresentado no quadro abaixo: Observase, assim, que o valor de R$ 454.469,93, considerado pela fiscalização no mês de janeiro, corresponde, na verdade ao gasto do mês de outubro. É evidente, portanto, o erro no preenchimento da planilha de fl. 227 [] e, consequentemente, da planilha de fl. 231 []. Na verdade, no que se refere a esse item, a fiscalização preencheu erroneamente não só os dados do mês de janeiro, mas também dos meses de março, agosto e outubro. Fevereiro 2003 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 O impugnante afirma que, no mês de fevereiro de 2003, o valor dos resgates de aplicações financeiras é igual a R$ 6.648.015,16, e não a R$ 5.145.678,83, como foi considerado pela fiscalização. Para comprovar sua alegação, apresentou os extratos de fls. 292 e 293. [] Os extratos apresentados demonstram a ocorrência dos seguintes resgates, no mês de fevereiro de 2003, num total de R$ 6.648.015,16, tal como afirma o impugnante. Constatase, portanto, que a fiscalização considerou, no Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial e Financeira (fls. 231/232) [], apenas os resgates efetuados no Banco Safra, deixando de considerar os resgates no valor de R$ 1.502.336,33, realizados no Unibanco. A análise dos extratos apresentados mostranos ainda que, também com relação às aplicações, a fiscalização considerou apenas o valor referente ao Banco Safra, ou seja, R$ 2.574.290,22 (feita em 13/02/2003 fl. 293) [], não tendo relacionado o valor referente ao Unibanco: R$ 1.500.000,00 (feita em 18/02/2003 fl. 292) []. Assim, o valor total das aplicações do mês foi R$ 4.074.290,22, tal como considerado pelo impugnante no Demonstrativo de fl. 290. [] Junho 2003 Verificase, no demonstrativo de fls. 290/291 [], apresentado pelo impugnante, que ele incluiu o valor de R$ 2.000.000,00 na rubrica “B DISPÊNDIOS/APLICAÇÕES: 9 Total de aplicações do mês". Essa rubrica reproduz o valor total das aplicações financeiras realizadas no mês. A fiscalização havia considerado esse valor igual a zero, no mês de junho (fl. 231) []. Observo, a esse respeito, que não localizei no processo o extrato bancário com essa informação. Considerando, contudo, que o processo não foi instruído com todas as folhas dos extratos bancários, e que essa informação foi apresentada pelo próprio contribuinte, apesar de lhe ser desfavorável, decido por mantêla na análise do presente caso. Novembro 2003 Ao analisarmos o demonstrativo de fls. 290/291 [], apresentado pelo impugnante, verificase que no mês de novembro, ele incluiu o valor de R$ Fl. 348DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.007407/200851 Acórdão n.º 2101002.601 S2C1T1 Fl. 7 11 1.000.000,00 na rubrica "A) RECURSOS/ORIGENS: 8 Total de Resgates no mês". De fato, esse valor, não levado em consideração pela fiscalização, consta no extrato de fl. 143 [] (do Unibanco), tendo o resgate ocorrido no dia 21/11/2003. Dezembro 2003 Alega o impugnante, com base nos extratos de fls. 294 e 295 [], que, no mês de dezembro de 2003, o valor dos resgates de aplicações financeiras é igual a R$ 6.174.441,87, e não a R$ 2.974.441,87, como foi considerado pela fiscalização. Os extratos apresentados demonstram a ocorrência dos seguintes resgates, no mês de dezembro de 2003, num total de R$ 6.174.441,87, tal como afirma o impugnante. A fiscalização considerou apenas os resgates dos dias 19 e 30 de dezembro, no valor total de R$ 2.974.441,87, cuja análise se baseou no extrato de fl. 144, que claramente abrange apenas parte do mês de dezembro. Em sua defesa, o impugnante apresentou a folha do extrato que faltava (fl. 294) [], demonstrando ter havido nesse mês outros três resgates, no valor total de R$ 3.200.000,00, não considerados pela fiscalização. Dos ajustes a serem feitos e do resultado da análise Diante da análise acima efetuada, fazse necessário proceder aos seguintes ajustes no Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial e Financeira elaborado pela fiscalização: I) No mês de janeiro: a) considerar os resgates na conta do Unibanco, no valor total de R$ 2.455.921.17; e b) corrigir os gastos com benfeitorias: de R$ 454.469,93 para R$ 18.280,19. II) No mês de fevereiro: a) adicionar o valor de R$ 1.502.336,33 aos resgates de aplicações financeiras; e b) adicionar o valor de R$ 1.500.000,00 a título de aplicações financeiras. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 III) No mês de março: adicionar o valor de R$ 10.395,09 aos gastos com benfeitorias. IV) No mês de junho: adicionar o valor de R$ 2.000.000,00 a título de aplicações financeiras. V) No mês de agosto: adicionar o valor de R$ 1.349,40 aos gastos com benfeitorias. VI) No mês de outubro: adicionar o valor de R$ 454.469,93 aos gastos com benfeitorias. VII) No mês de novembro: adicionar o valor de R$ 1.000.000,00 aos resgates de aplicações financeiras. VIII) No mês de dezembro: adicionar o valor de R$ 3.200.000,00 aos resgates de aplicações financeiras. IX) Em todos os meses do ano: proceder às demais alterações decorrentes dos ajustes a que se referem os itens I a VIII acima. Tendo procedido a tais ajustes, juntei às fls. 299 e 300 [] o documento intitulado "Ajuste do Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial e Financeira", no qual se verifica não ter ocorrido acréscimo patrimonial a descoberto em nenhum dos meses do anocalendário 2003.” (fls. 310/314). Não havendo qualquer reparo a fazer na conclusão ofertada, deve ser mantida a Decisão por seus lúcidos e jurídicos fundamentos. Ante todo o exposto e o que mais constam nos autos, voto no sentindo de negar provimento ao recurso de oficio. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 350DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.007407/200851 Acórdão n.º 2101002.601 S2C1T1 Fl. 8 13 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10384.002557/2007-56
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
Ementa:
PAGAMENTOS SEM CAUSA - Estão sujeitos à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todos os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pelas pessoas jurídicas a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
Numero da decisão: 9101-001.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, sendo substituído pela Conselheira Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada).
(documento assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmar Fonsêca de Menezes - Relator
Participaram ainda do presente julgamento: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurelio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: PAGAMENTOS SEM CAUSA Estão sujeitos à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todos os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pelas pessoas jurídicas a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, sendo substituído pela Conselheira Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada). (documento assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (documento assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes Relator Participaram ainda do presente julgamento: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurelio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 25 57 /2 00 7- 56 Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10384.002557/200756 Acórdão n.º 9101001.998 CSRFT1 Fl. 360 2 Trata o presente processo de recurso especial interposto pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional contra decisão que exonerou a contribuinte de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre pagamentos a beneficiários que foram considerados como identificados, pela Câmara Baixa. O recurso está amparado no art. 7o, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que diz que caberá, privativamente ao Procurador da Fazenda Nacional, recurso especial de "decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova". Assim dispôs o relatório da decisão recorrida: “Tratase de autos de infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, Contribuição para o PIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL e Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF, lavrados contra a pessoa jurídica acima identificada, por meio dos quais foram constituídos créditos tributários no montante de R$ 276.894,18. O procedimento fiscal está relacionado com os fatos apurados pela "CPI do Banestado", que identificou o envio e/ou movimentação de divisas ao exterior por parte de pessoas jurídicas situadas no Brasil e pessoas fisicas aqui residentes, que foram realizadas à margem das regras do Sistema Financeiro Nacional. Nesse caso específico, a infração apurada pela fiscalização e que ensejou o lançamento de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, juntamente com todos os fatos e circunstâncias que levaram à sua caracterização, está descrita no corpo do Auto de Infração de IRPJ, às fls. 5 a 9, nos seguintes termos: Autos de Infração "Omissão de receitas da atividade, caracterizada por falta de escrituração de pagamento, indicando manuseio de recursos a margem da contabilidade, conforme previsão legal estabelecida no art. 281, inciso II, c/c art. 288 do Decreto ni° 3.000, de 29/3/1999 (RIR/99 Regulamento do Imposto de Renda). O pagamento foi realizado em 5/9/2002, no valor de US$ 42.316,80 (quarenta e dois mil, trezentos e dezesseis dólares americanos e oitenta cents), tendo como beneficiária a empresa chinesa Shangdong Oriental International Trading Corp. Ltd., com referência a Hangzhou Haijiu Battery Co. Ltd. (REF: PI 2002JM002), e tem como elementos comprobatórios os documentos de fls. 294/296, sendo que o de fl 296 foi enviado pela Procuradoria do Distrito de Nova Iorque, atendendo requisição de autoridade policial brasileira. Apresentamos a seguir síntese do histórico das operações que levaram a identificação do pagamento acima mencionado: Em decorrência dos trabalhos da CPI do Banestado foi identificada a empresa Beacon Hill Service Corporation, sediada em Nova Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10384.002557/200756 Acórdão n.º 9101001.998 CSRFT1 Fl. 361 3 Iorque, Estados Unidos da América, que atuava como preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas ou jurídicas representadas por cidadãos brasileiros, dentre outros, em agência do JP Morgan Chase Bank na cidade deNova Iorque. Em 4/8/2003, o Departamento de Polícia Federal solicitou ao Juízo da 2" Vara Criminal Federal em Curitiba, PR, a quebra, no exterior, do sigilo bancário da empresa acima referida, fls 297/299. Atendendo a essa solicitação, em 14/8/2003, o Juízo da 2" Vara Criminal Federal encarregou a autoridade policial presidente do apresentadas pelo contribuinte e nos dão a convicção de que o fato expresso no documento referido realmente ocorreu. 1) A empresa Ciclo Comércio e Representações Ltda atua como representante de diversas empresas do ramo de peças para bicicletas e motonetas, incluindo entre estas a empresa R. Damásio, CNPJ: 06.845.796/000160, fls. 48/54; 2) O relacionamento comercial da empresa Ciclo Ltda com esta empresa é muito forte, podese dizer que uma é praticamente dependente da outra, tal o grau de participação das receitas auferidas referentes à prestação de serviços às empresas do grupo R. Damásio em relação às receitas totais auferidas pela empresa Ciclo Ltda. No demonstrativo anexo, que é parte integrante deste auto de infração, fica evidenciado esse elevado comprometimento no exercício submetido à fiscalização, bem como nos três exercícios subseqüentes. Consideramos na elaboração do referido demonstrativo as receitas auferidas também em decorrência dos serviços prestados à empresa Moto Bike Peças e Acessórios Ltda, CNPJ: 03.137.769/000144, de propriedade do mesmo proprietário da empresa R. Damásio, fl 337; 3)As empresas Shangdong Oriental International Trading Corp. Ltd. E Hangzhou Haijiu. Battery Co. Ltd., são expressivos fornecedores de produtos importados pela empresa R. Damásio, pois conforme as planilhas de fls. 338/345, no anocalendário de 2002, de um total de 54 (cinqüenta e quatro) Declarações de Importação desembaraçados por essa empresa no Porto de Fortaleza, CE, 32 (trinta e duas) se referiram à aquisições de produtos de uma daquelas duas empresas; 4) A Declaração de Importação n° 0209480348, desembaraçada no Porto de Fortaleza, CE, em 24/10/2002, fls. 162/166, apresentou como valor das mercadorias adquiridas, fornecidas pela empresa Hangzhou Haijiu Battery Co. Ltd., a importância de US$ 42.316,80 (quarenta e dois mil, trezentos e dezesseis dólares americanos e oitenta cents), valor idêntico ao valor pago pela empresa Ciclo, em 5/9/2002, conforme documentação comprobatória já destacada, fl. 296; 5) Atendendo intimações a ela dirigida, a empresa R. Damásio apresentou, para comprovar a regularidade da importação Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10384.002557/200756 Acórdão n.º 9101001.998 CSRFT1 Fl. 362 4 mencionada no item anterior, os seguintes documentos: Contrato de Câmbio, de 17/9/2002, fls. 152/155; "Commercial lnvoice" n° HIGH020801 1, de 20/8/2002, fl. 156; "Bill of Lading" n° IVYKS469302648, de 2/9/2002, fls. 157/160; Declaração de Importação n° 02/09480348, registrada em 24/10/2002, fls. 162/166; Carta de Crédito, emitida pelo Banco Rural S/A em 24/10/2002, fls. 266/267; e Proforma Invoice n° 2002JM002A, de 2/8/2002,17. 274; 6) Com relação aos documentos acima observamos os seguintes detalhes: o campo 46' da Carta de Crédito, fls. 266/267, contém informação de que entre os documentos requeridos deveria constar declaração da empresa Hangzhou Haijiu Battery Co. Ltd. Informando ter enviado cópias de documentos relacionados naquele campo à empresa R. Damásio, via "courrier serviçe". Ocorre que o endereço onde a remessa deveria ser entregue: rua Dês. Freitas, 895, Centro, é o endereço da empresa Ciclo Ltda. Outro detalhe a ser destacado é onúmero do documento que desencadeou todo o processo de importação referenciado pela DI n° 0209480348. Tal documento é a Proforma Invoice n° 2002JM002A, emitida em 2/8/2002, fl 274. O número deste documento é o mesmo da referência que consta no documento comprobatório do pagamento realizado: PI 2002JM002 (PI (P)roforma (l)nvoice); 7)A Sra. Zélia Maria Soares, CPF: 227.613.57353, sócia majoritária da empresa Ciclo Ltda, auxilia a empresa R. Damásio com suas negociações com seus parceiros comerciais com sede no exterior, atuando como tradutora, vertendo correspondências comerciais do português para o inglês e vice e versa, conforme item 6 da resposta apresentada ao Termo de Intimação Fiscal n° 003, fl. 150; 8) Outros dados encontrados em nossas diligências indicam haver interesses da empresa Ciclo Lida na China. Nas contas telefônicas apresentadas junto com a documentação de suporte da escrituração dos Livros Diário e Razão encontramos vários registros de ligações telefônicas para aquele pais, fls. 55/59. Também apontamos como indicador dos interesses da referida empresa com aquele pais os registros de entrada da Sra Zélia Maria Soares em território chinês, conforme suas cadernetas de passaporte, fls. 280/293, em três ocasiões: 2001, 2004 e 2007, sendo que esta última integrando comitiva de empresários que acompanharam o Prefeito Municipal de Teresina em viagem aquele pais, fls. 347/348; 9) Por fim, não obstante as negativas apresentadas pelas empresas Ciclo Ltda, fls. 278/279, e R. Damásio, fls. 271/272, de que a empresa Shangdong Oriental International Trading Corp. Ltd., não tem representação comercial no Estado do Piauí nem em outra área do território brasileiro, informamos que, por ocasião da ciência do Termo de Intimação Fiscal n° 001, a Sra. Zélia Maria Soares afirmou ao AuditorFiscal signatário deste auto de infração que a empresa Ciclo Ltda atuava como representante comercial da referida empresa; Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10384.002557/200756 Acórdão n.º 9101001.998 CSRFT1 Fl. 363 5 O valor da omissão aqui considerado, R$ 133.348,70 (cento e trinta e três mil, trezentos e quarenta e oito reais e setenta centavos), foi obtido multiplicandose o valor do pagamento pelo valor da cotação de venda do dólar americano, R$ 3,1512, estabelecida pelo Banco Central para o dia 5/9/2002, fl. 346, conforme disposto no art. 1° da Instrução Normativa SRF n°41, de 19/4/1999. Uma vez que o fato acima transcrito configura crime contra ordem tributária, conforme descrição estabelecida nos arts. 1° e 2° da Lei 8.137/80, qualificamos a multa de oficio nos termos dispostos no art. 44, II, da Lei 9.430/96, e lavramos a competente Representação Fiscal para Fins Penais de acordo com a exigência prevista no art. 1° da Portaria SRF n°326, de 15/3/2005". Cabe ainda registrar que este pagamento não contabilizado, além de dar ensejo à autuação por omissão de receitas, também foi considerado pela fiscalização como pagamento sem causa, infração essa que resultou na lavratura de Auto de Infração de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, e que se encontra descrita à fl. 37: "Infração caracterizada pela realização de pagamento cuja causa ou motivação não foi revelada pelo contribuinte nem identificada durante o procedimento de fiscalização. O pagamento foi realizado em 5/9/2002, à Shangdong Oriental International Trading Corp. Ltd., referente Hangzhou Haijiu Battery Co. Ltd. (Ref. PI 2002JM 002), no valor de US$ 42.316,80 (quarenta e dois mil, trezentos e dezesseis dólares americanos e oitenta cents), conforme exposto da descrição dos fatos da infração "OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE a partir do AC 93", lançada neste auto de infração. A conversão do valor acima para reais (R$) foi realizada utilizandose a cotação de venda da moeda americana para o dia 5/9/2002, estabelecida pelo Banco Central do Brasil, no valor de R$ 3,1512, fl 346, conforme previsto no art. 1° da Instrução Normativa SRF n°41, de 19/4/1999. O valor em reais resultante da conversão acima totalizou R$ 133.815,30 (cento e trinta e três mil, oitocentos e quinze reais e trinta centavos) e foi considerado como rendimento liquido e utilizado como base para reajustamento do rendimento bruto, considerado como a base de cálculo desta infração, de acordo com a regra estabelecida no art. 61, § 3°, da Lei 8.981/95." (...)” A contribuinte tomou ciência das autuações acima no dia 05/07/2007, e em 17/07/2007 apresentou a impugnação de fls. 386 a 399 (...). A DRJ Fortaleza/CE, em 13/09/2007, por meio do acórdão 0811.560 (fls. 406 a 420), considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões por meio da seguinte ementa: Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10384.002557/200756 Acórdão n.º 9101001.998 CSRFT1 Fl. 364 6 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Omissão de Receita. Pagamento não Contabilizado Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a falta de escrituração de pagamentos efetuados. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRF Anocalendário: 2002 Pagamentos sem Causa Estão sujeitos à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à aliquota de trinta e cinco por cento, todos os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pelas pessoas jurídicas a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 Multa Qualificada. Evidente Intuito de Fraude Nos casos de lançamento de oficio deve ser aplicada a multa qualificada sobre a totalidade ou diferença do tributo devido, quando comprovado o evidente intuito defraude. Configura evidente intuito de fraude o procedimento do sujeito passivo de utilização de falsidades ideológicas em sua contabilidade, deixando de escriturar transações efetuadas com empresas sediadas no exterior, afim de desviar recursos para atividades estranhas à empresa." (...) Desta forma, foram integralmente mantidos os lançamentos. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 28/09/2007, a contribuinte apresentou em 29/10/2007 o recurso voluntário de fls. 428 a 458 (...) ” A Turma recorrida proferiu decisão, dando provimento parcial ao recurso quanto ao Imposto de Renda Retido na Fonte, assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2002 OMISSÃO DE RECEITA PAGAMENTO NÃO CONTABILIZADO Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10384.002557/200756 Acórdão n.º 9101001.998 CSRFT1 Fl. 365 7 Caracteriza omissão de receitas a falta de escrituração de pagamento realizado pela contribuinte, ressalvado o direito à prova da improcedência da presunção. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF ANOCALENDÁRIO: 2002 PAGAMENTO SEM CAUSA Feita a prova de que as receitas consideradas omitidas decorreram de pagamentos não contabilizados, feitos a exportador identificado e a título de importação de mercadorias do exterior, impossível exigirse concomitantemente o imposto de renda na fonte de que trata o artigo 61 da Lei n. 8981, de 1965. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANOCALENDÁRIO: 2002 MULTA QUALIFICADA DE 150% É cabível a qualificação da multa se restar comprovada ação ou omissão dolosa para impedir que a autoridade fazendária tome conhecimento da ocorrência do fato gerador, mesmo nos casos de presunção legal, quando ao fato indiciário juntamse outros elementos agravantes. Recurso provido.” O recurso interposto pela Fazenda Nacional, admitido em despacho constante dos autos, assim se pronuncia: “II— DO PAGAMENTO SEM CAUSA 6 Restou assentado no r. voto condutor que não poderia prevalecer o lançamento de IRF com esteio no § 1o. do art. 61 da Lei 8.981/95 em razão de ter sido identificado o beneficiário do pagamento (empresas chinesas) e a causa da operação (importação de bicicletas e motonetas). 7 Ocorre que o sujeito passivo não pagou às empresas chinesas por obrigação decorrente de aquisição de bicicletas e motonetas. Essa obrigação foi assumida por R. DAMÁSIO, e não pelo sujeito passivo. 8 O sujeito passivo, por mera liberalidade, pagou a obrigação que R. DAMÁSIO assumiu com as empresas chinesas, sem apresentar o motivo pelo qual realizou tal pagamento. 9 Essa situação está prevista no art. 305 do CC: “Art. 305. O terceiro não interessado, que paga a dívida em seu próprio nome, tem direito a reembolsarse do que pagar; mas não se subroga nos direitos do credor.” Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10384.002557/200756 Acórdão n.º 9101001.998 CSRFT1 Fl. 366 8 10 O sujeito passivo não demonstrou qual seria seu interesse jurídico no pagamento realizado a favor de R. DAMÁSIO, também não demonstrou intenção ou ato material de reembolso. 11 Portanto, aplicase perfeitamente à espécie o § 1° do art. 61 da Lei 8.981/95, na medida em que formalmente o pagamento foi feito pelo sujeito passivo a empresas chinesas, mas materialmente o pagamento foi realizado pelo sujeito passivo a R. DAMÁSIO, verdadeiro beneficiário do valor monetário. 12 Demonstrada foi a causa pela qual as empresas chinesas receberam a quantia em dinheiro (venda de bicicletas e motonetas), mas não foi demonstrada a causa pela qual R. DAMÁSIO foi beneficiado. 13 Ausente a causa do pagamento, cujo verdacleir beneficiário é R. DAMÁSIO, presume a lei que este auferiu renda tributável, exigindo da fonte pagadora retenção de imposto de renda. 14 O contribuinte do IRF, no caso em tela, não são as empresas chinesas, mas R. DAMÁSIO, figurando o sujeito passivo como mero responsável tributário. 15 Logo, não esclarecida a causa pela qual R. DAMÁSIO foi beneficiado pela quantia em dinheiro, impõese a cobrança de IRF, devendo prevalecer o voto vencido, o qual vislumbrou claramente o sentido do disposto no § 1° do art. 61 da Lei 8.981/95. III CONCLUSÃO 16 Requer a Fazenda Nacional provimento ao presente recurso, para que seja reformado o rr.acórdão proferido pela e. Câmara a quo, de modo que seja mantido o lançamento em sua integralidade. (...)” È o relatório. Voto Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, Relator. O recurso preenche as condições de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Verifico que a questão suscitada pela Fazenda Nacional, de fato, não foi levada em conta no voto condutor do recurso. A apreciação deste aspecto – pagamento em favor de terceiros – não consta da análise do referido voto, mas somente do voto vencido, com o qual, integralmente, concordo e reproduzo, a seguir, por tratarse matéria simples, não merecendo maiores delongas. Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10384.002557/200756 Acórdão n.º 9101001.998 CSRFT1 Fl. 367 9 “Assim, nessas situações, que é exatamente a aqui tratada, estando o beneficiário identificado, a dúvida sobre a geração ou não de renda a ser tributada, em decorrência do pagamento, bem como sobre a forma de tributação desta renda, passa a assentarse apenas na causa do pagamento. A causa, nestes termos, passa a ser o elemento definidor da ocorrência ou não da tributação pelo IR, bem como do regime desta tributação. Nesse contexto é que o aspecto objetivo do conceito de causa, comentado anteriormente, fica mais evidente. Sendo conhecida a causa (doação, distribuição de lucro, aquisição de mercadorias, contratação de serviços, etc.) aplica se o regime específico a ela (não incidência, isenção, tributação exclusiva na fonte — mas não a do referido art. 61, tributação na fonte a título de antecipação, tributação apenas no beneficiário do pagamento, etc.) Se não for, presumese que o pagamento gerou renda para terceiro, a ser tributada, e aplicase a regra da tributação exclusiva na fonte prevista no art. 61 da Lei 8.981/1995. Traçados então os contornos gerais, cabe verificar se o caso ora analisado subsumese ou não ao dispositivo legal acima mencionado. Notase que em razão de o pagamento não estar contabilizado, e ainda por ter sido realizado da forma como foi, a fiscalização fez muito bem em aprofundar as investigações, para que não restasse dúvidas acerca da autoria do pagamento. Realmente, como dito no início, é certo que o pagamento em questão foi mesmo realizado pela empresa autuada. Todavia, fazendo isso, a fiscalização acabou por identificar também que esse pagamento serviu para quitar uma importação de mercadorias trazidas da China, conforme já relatado. À vista desta informação, poderseia pensar, então, que a causa do pagamento foi revelada, posto que serviu a um fim que se tornou conhecido. Contudo, essa causa não aproveita à autuada, uma vez que a dívida não era dela. Realmente, não foi ela quem realizou a importação das mercadorias. Não se sabe ainda qual a situação jurídica que levou a autuada a quitar uma dívida de terceiro, no caso, da empresa R. Damásio. Registrese que a quitação de dívida de terceiro não gera a presunção de renda apenas para o beneficiário do pagamento, mas também para esse terceiro que teve sua divida quitada por outrem. Fosse o caso de a autuada estar quitando dívida própria, e a título de importação de mercadoria, a situação seria outra, inclusive porque a renda auferida pelo exportador do outro pais Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10384.002557/200756 Acórdão n.º 9101001.998 CSRFT1 Fl. 368 10 não é tributada pelo Brasil (este pagamento não estaria nem mesmo sujeito à retenção específica do IR por remessa de valores ao exterior). Mas não é esse o caso. Remanescem dúvidas se desse pagamento realizado pela autuada decorreu renda a ser tributada no Brasil, senão a renda de seu destinatário último (a empresa chinesa), a renda daquele que teve sua dívida quitada por outrem. (...)” Apenas ressalto, para finalizar, que a Fiscalização motivou o lançamento – conforme transcrito no relatório por “"Infração caracterizada pela realização de pagamento cuja causa ou motivação não foi revelada pelo contribuinte nem identificada durante o procedimento de fiscalização.(...)”. Ou seja, não foi durante o julgamento do recurso voluntário que se identificou o beneficiário do pagamento, como faz crer o voto condutor do acórdão. Desde o nascedouro, o lançamento já o havia feito; apenas o considerava sem motivação ou causa. Diante do exposto, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional. È como voto. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes Relator Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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