Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,906)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,204)
- Terceira Câmara (67,876)
- Segunda Câmara (56,644)
- Primeira Câmara (20,756)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,726)
- Segunda Seção de Julgamen (115,215)
- Primeira Seção de Julgame (77,084)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,518)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,625)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,707)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16327.720338/2017-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2009
DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. ATIVIDADE VINCULADA.
O dispositivo da sentença é o ato que realiza a coisa julgada, não havendo imposição temporal ao reconhecimento judicial, reconhece que os efeitos serão terão validade até que novo fato jurídico o modifique.
Aplicabilidade do art. 62§2º do Regimento Interno do CARF.
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período: 01/08/2014 a 31/08/2009
DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. ATIVIDADE VINCULADA.
O dispositivo da sentença é o ato que realiza a coisa julgada, não havendo imposição temporal ao reconhecimento judicial, reconhece que os efeitos serão terão validade até que novo fato jurídico o modifique.
Aplicabilidade do art. 62§2º do Regimento Interno do CARF.
REPERCUSSÃO GERAL. ART. 62, §2º, DO RICARF.
RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.(RE 585235 QO-RG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-227 DIVULG 27-11-2008 PUBLIC 28-11-2008 EMENT VOL-02343-10 PP-02009 RTJ VOL-00208-02 PP-0087
Numero da decisão: 3201-004.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria concernente à recomposição da base de cálculo do IRPJ e da CSLL e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao Recurso, para que a unidade preparadora, superada a questão preliminar (limitação temporal da decisão judicial), aprecie o mérito do litígio.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (presidente da turma), Laércio Cruz Uliana Junior, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Marcelo Giovani Vieira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, ausente justificadamente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2009 DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. ATIVIDADE VINCULADA. O dispositivo da sentença é o ato que realiza a coisa julgada, não havendo imposição temporal ao reconhecimento judicial, reconhece que os efeitos serão terão validade até que novo fato jurídico o modifique. Aplicabilidade do art. 62§2º do Regimento Interno do CARF. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período: 01/08/2014 a 31/08/2009 DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. ATIVIDADE VINCULADA. O dispositivo da sentença é o ato que realiza a coisa julgada, não havendo imposição temporal ao reconhecimento judicial, reconhece que os efeitos serão terão validade até que novo fato jurídico o modifique. Aplicabilidade do art. 62§2º do Regimento Interno do CARF. REPERCUSSÃO GERAL. ART. 62, §2º, DO RICARF. RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.(RE 585235 QO-RG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-227 DIVULG 27-11-2008 PUBLIC 28-11-2008 EMENT VOL-02343-10 PP-02009 RTJ VOL-00208-02 PP-0087
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.720338/2017-95
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5923843
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-004.177
nome_arquivo_s : Decisao_16327720338201795.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 16327720338201795_5923843.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria concernente à recomposição da base de cálculo do IRPJ e da CSLL e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao Recurso, para que a unidade preparadora, superada a questão preliminar (limitação temporal da decisão judicial), aprecie o mérito do litígio. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. (assinado digitalmente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (presidente da turma), Laércio Cruz Uliana Junior, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Marcelo Giovani Vieira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, ausente justificadamente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7499410
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051147697127424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1994; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 154 1 153 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720338/201795 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.177 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de agosto de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO Recorrente BANCO CETELEM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2009 DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. ATIVIDADE VINCULADA. O dispositivo da sentença é o ato que realiza a coisa julgada, não havendo imposição temporal ao reconhecimento judicial, reconhece que os efeitos serão terão validade até que novo fato jurídico o modifique. Aplicabilidade do art. 62§2º do Regimento Interno do CARF. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período: 01/08/2014 a 31/08/2009 DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. ATIVIDADE VINCULADA. O dispositivo da sentença é o ato que realiza a coisa julgada, não havendo imposição temporal ao reconhecimento judicial, reconhece que os efeitos serão terão validade até que novo fato jurídico o modifique. Aplicabilidade do art. 62§2º do Regimento Interno do CARF. REPERCUSSÃO GERAL. ART. 62, §2º, DO RICARF. “RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.(RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 03 38 /2 01 7- 95Fl. 1126DF CARF MF 2 REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL00208 02 PP0087 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria concernente à recomposição da base de cálculo do IRPJ e da CSLL e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao Recurso, para que a unidade preparadora, superada a questão preliminar (limitação temporal da decisão judicial), aprecie o mérito do litígio. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinado digitalmente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (presidente da turma), Laércio Cruz Uliana Junior, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Marcelo Giovani Vieira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, ausente justificadamente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do Acórdão proferido pela DRJ, que assim relatou o feito: Tratase de pedidos de compensação alinhados à fl. 164. Vinculamse a direito creditório cujo demonstrativo fazse presente no PER/Dcomp n. 04921.99745.300715.1.7.579908. Precitado crédito, alegadamente oriundo de decisão judicial, somaria R$ 239.059.508,12. Ao homologar parcialmente mencionadas compensações, consignam as autoridades fiscais, através do despacho decisório de fls. 163/200, que a decisão judicial transitada em julgado ensejante do direito creditório reconheceria o direito à compensação relativamente ao quinquênio anterior à propositura da ação. Não aos 10 (dez) anos anteriores ao referido ajuizamento, como também não quanto a períodos posteriores ao mesmo. No tocante à base de cálculo, relatam que a decisão determinaria que os recolhimentos a título de Pis e de Cofins deveriam ter por base o faturamento decorrente da prestação de serviços bancários. Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 16327.720338/201795 Acórdão n.º 3201004.177 S3C2T1 Fl. 155 3 Reconheceuse, no lugar de R$ 239.059.508,12, crédito passível de compensação no valor de R$ 99.950.740,92. Como consequência, as compensações restaram homologadas somente até o limite do crédito reconhecido, ensejando: homologação integral das compensações declaradas por intermédio das declarações indicadas no item 22.B; homologação parcial da compensação declarada através da declaração apontada no item 22.C; e não homologação das compensações declaradas por meio das declarações indicadas no item 22.D (fl. 199). Inconformado, apresenta o contribuinte manifestação de inconformidade (fls. 223/238), onde, em síntese, requer: sejam integralmente homologadas as declarações de compensação apresentadas; alternativamente, seja recalculado o valor dos créditos reconhecidos pela autoridade fiscal, tendo em vista que teria restado aplicada a taxa Selic em 0,04 pontos percentuais inferiores ao devido e não se teria considerado os créditos constantes das declarações de compensação; em nome do princípio da eventualidade, sejam recompostas as bases tributáveis do IRPJ e da CSLL, excluindose o montante de R$ 139.108.767,20, equivalente ao somatório de créditos submetidos à tributação dos precitados tributos por ocasião do reconhecimento de tais créditos; pleiteia; por fim, seja reconhecida a suspensão da exigibilidade dos débitos até o encerramento da discussão administrativa, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional e legislação correlata. Assevera que a possibilidade de compensação de créditos posteriores à propositura do mandado de segurança seria decorrência lógica e imediata do reconhecimento de que seriam indevidos os pagamentos levados a efeito com base no art. 3o, §1o, da Lei n. 9.718, de 1998, declarado inconstitucional. Defende que a decisão judicial em momento nenhum impediria a mencionada compensação, mesmo porque tal discussão somente faria sentido quanto a períodos pretéritos, cujos créditos seriam passíveis de decadência. Aduz que a decisão judicial, transitada em julgado em 5 de abril de 2014, teria consolidado a declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pelo art. 3o, §1o, da Lei n. 9.718, de 1998, bem assim reconhecido o PA BELEM DRJ Fl. 1044 Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0818.11343.AU1Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo 16327.720338/201795 Acórdão n.º 0134.779 DRJ/BEL Fls. 4 4 direito à compensação dos respectivos valores indevidamente recolhidos nos cinco anos anteriores ao ajuizamento do Fl. 1128DF CARF MF 4 mandado de segurança, devidamente atualizados pela taxa Selic, não limitados aos documentos de arrecadação apresentados nos autos da ação. Sustenta que o entendimento esposado no despacho decisório ofenderia a coisa julgada (art. 5o, XXXV, da Constituição da República; arts. 502, 503 e 507 do Código de Processo Civil), como também o direito à compensação de créditos com débitos próprios relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996). Entende que a decisão declarante de indébito pode, observadas as opções previstas em lei, ser utilizada da forma que melhor convier ao contribuinte, consoante jurisprudência colacionada. Posteriormente, seguindo a marcha processual normal foi proferido o Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2009 DECISÃO JUDICIAL. ALCANCE. DIREITO CREDITÓRIO. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. ATIVIDADE VINCULADA. O dispositivo da sentença constitui o comando que exprime a solução conferida pelo juiz às questões principais a ele submetidas. Evidencia, portanto, o imperativo da decisão, traduzindo a aplicação jurisdicional da norma ao caso concreto e fazendo a coisa julgada. Percebida a ocorrência de obscuridade, contradição, omissão ou mesmo erro material, abrese espaço à interposição de embargos declaratórios. Na falta destes, diante da coisa soberanamente julgada que não determina expressamente a compensação em face de direito creditório proveniente de recolhimentos eventualmente levados a efeito após a prolação da sentença, vêse a autoridade fiscal impedida de fazêlo. Uma vez vinculada e obrigatória a atividade administrativa, inexiste alternativa ao agente fazendário, limitado que se encontra, consoante parágrafo único ao art. 142 do CTN, ao estrito cumprimento da legislação tributária, expressão que compreende leis, tratados, convenções internacionais, decretos e normas complementares. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2009 DECISÃO JUDICIAL. ALCANCE. DIREITO CREDITÓRIO. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. ATIVIDADE VINCULADA. Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 16327.720338/201795 Acórdão n.º 3201004.177 S3C2T1 Fl. 156 5 O dispositivo da sentença constitui o comando que exprime a solução conferida pelo juiz às questões principais a ele submetidas. Evidencia, portanto, o imperativo da decisão, traduzindo a aplicação jurisdicional da norma ao caso concreto e fazendo a coisa julgada. Percebida a ocorrência de obscuridade, contradição, omissão ou mesmo erro material, abrese espaço à interposição de embargos declaratórios. Na falta destes, diante da coisa soberanamente julgada que não determina expressamente a compensação em face de direito creditório proveniente de recolhimentos eventualmente levados a efeito após a prolação da sentença, vêse a autoridade fiscal impedida de fazêlo. Uma vez vinculada e obrigatória a atividade administrativa, inexiste alternativa ao agente fazendário, limitado que se encontra, consoante parágrafo único ao art. 142 do CTN, ao estrito cumprimento da legislação tributária, expressão que compreende leis, tratados, convenções internacionais, decretos e normas complementares. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a r. decisão, o contribuinte apresentou Recuso Voluntário, repisando os mesmo argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade para DRJ, buscando reforma para não se limite o reconhecimento do crédito até o trânsito em julgado da decisão judicial e devendo reconhecer o valor integral pleiteado do crédito; recalculo dos valores para correta aplicação da taxa SELIC; e ad argumentandum homologação das bases de cálculo do IRPJ e CSL; É o relatório. Voto Conselheiro Relator Laércio Cruz Uliana Junior O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Para melhor compreensão do caso se faz necessário compreender o que foi ficado no Processo Judicial, inicialmente a sentença foi parcialmente procedente fixando: I determinar que os recolhimentos do PIS e da COFINS deverão ter por base de cálculo o faturamento decorrente da prestação de serviços bancários (Leis Complementares nrs. 07/70 e 70/91); II após o trânsito em julgado da presente Ação (art. 170A11 do CTN, com redação dada pela LC 104/2001), reconhecer o direito creditório da Impetrante efetuar a compensação de parcelas vencidas do PIS e da COFINS com parcelas vincendas e vencidas de tributos e contribuições federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, desde que sejam próprios, com o cumprimento das diretivas do art. 74 da Lei n° 9430/9612,mediante a chancela do Fisco Federal, que poderá Fl. 1130DF CARF MF 6 exercer o poder de fiscalização na empresa a fim de averiguar a regularidade dos recolhimentos dos valores recolhidos indevidamente demonstrados às fls. 45/356; III) aplicar ao crédito apurado, correção monetária e juros de mora pela taxa SELIC até a publicação da Lei n° 11.960/29.06.2009, e, a partir de 30.06.2009 (data da publicação da indicada lei), haverá a incidência, uma única vez até a efetiva compensação, dos índices oficiais de remuneração básica e juros aplicados à caderneta de poupança Diante de tal fato, a Fazenda Nacional e o Contribuinte apresentaram Recurso de Apelação perante ao TRF5, que julgou: Ademais, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 357.950, sob a relatoria do Ministro Marco Aurélio, entendeu pela constitucionalidade do então impugnado art. 80 da Lei no 9.718/98 (majoração da alíquota da contribuição de 2% para 3%), bem assim pela desnecessidade de edição de lei complementar para a majoração de contribuição cuja instituição se deu com base no art. 195, I, da Constituição Federal. É de se registrar ainda que, diante do caráter declaratório do direito à compensação ora assegurado, bem como a limitação temporal decorrente da prescrição qüinqüenal, entendo que se deva afastar a restrição imposta pela sentença de a compensação se limiar ao que demonstrado através dos DARF's de fls. 45/356, haja vista que a efetiva comprovação do montante a compensar deve se dar na própria esfera administrativa, a partir do reconhecimento do direito a compensar. Quanto à correção monetária e juros de mora do indébito tributário, entendo inaplicável o disposto no art. 10F da Lei n. 9.494, sendo o caso de incidência dos índices da Taxa Selic, conforme reiterada jurisprudência. Ante o exposto, nego provimento à apelação do autor e dou provimento ao apelo da União para declarar prescritos todos os valores que antecedem o qüinqü.nio anterior ao ajuizamento da ação, de modo que somente podem ser objeto de compensação aqueles concernentes ao qüinqü.nio que antecede a propositura da demanda. Apelação do particular parcialmente provida para afastando a limitação imposta na sentença relativa aos DARF's de fls. 45/356, reconhecer que os juros de mora e correção monetária do indébito tributário se dão pelos índices da Taxa Selic. Nessa esteira, foi apontada algumas falhas pela Fazenda Nacional e o Contribuinte em Relação ao Acórdão proferido, que foram devidamente sanados pelo Relator, vejamos: Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 16327.720338/201795 Acórdão n.º 3201004.177 S3C2T1 Fl. 157 7 Onde se lê (fl. 610) "Ante o exposto, nego provimento à apelação do autor e dou provimento ao apelo da União para declarar prescritos todos os valores que antecedem o qüinqü.nio anterior ao ajuizamento da ação, de modo que somente podem ser objeto de compensação aqueles concernentes ao qüinqü.nio que antecede a propositura da demanda.", leiase "Ante o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO À REMESSA OFICIAL E DOU PROVIMENTO AO APELO DA UNIÃO para declarar prescritos todos os valores que antecedem o qüinqü.nio anterior ao ajuizamento da ação, de modo que somente podem ser objeto de compensação aqueles concernentes ao qüinqü.nio que antecede a propositura da demanda.". Onde se lê (fl. 615) "Apelação da União provida para declarar prescritos todos os valores que antecedem o qüinqü.nio anterior ao ajuizamento da ação, de modo que somente podem ser objeto e compensação aqueles concernentes ao quïnqü.nio que antecede a propositura da demanda.", leiase "REMESSA OFICIAI PARCIALMENTE PROVIDA E APELAÇÃO DA UNIÃO PROVIDA para declarar prescritos todos os valores que antecedem o qüinqü.nio anterior ao ajuizamento da ação, de modo que somente podem ser objeto de compensação aqueles concernentes ao qüinqü.nio que antecede a propositura da demanda.". Onde se lê (616) "Decide a. Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 5a Região, por 'unanimidade, dar provimento à apelação da União e dar parcial provimento à apelação do particular, nos termos do voto do Relator, na forma do relatório e notas taquigráficas que passam a integrar o presente julgado.", leiase "(...) DAR PARCIAL PROVIMENTO À REMESSA OFICIAL, DAR PROVIMENTO À APELAÇÃO DA UNIÃO E DAR PARCIAL PROVIMENTO À APELAÇÃO DO PARTICULAR (...).". Diante do exposto, dou parcial provimento aos embargos declaratórios para corrigir omissão no relatório e para excluir do voto parte do texto que discorre sobre a Lei 10.637/02 e a Lei 10.833/03 e para, de ofício, incluir no julgado anterior o parcial provimento à remessa oficial. Seguindo a marcha processual normal, ocorreu o trânsito em julgado, ficando fixada a seguinte tese: I. declarou a inconstitucionalidade do § 1°, do art. 3", da Lei n° 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS; (sentença) II. que somente após o trânsito em julgado em reconhecer o direito do Contribuinte realizar compensações; Fl. 1132DF CARF MF 8 III. o Fisco poderá realizar fiscalização para verificar as regularidades dos recolhimentos; (sentença) IV. correção monetária pela taxa SELIC (acórdão) V. que encontrase prescritos os valores que antecedem o quinquênio anterior ao ajuizamento do Mandado de Segurança; VI. que deve ser comprovado na própria esfera Administrativa o direito de compensar; (Acórdão) Com isso o Contribuinte se insurge em razão da decisão da DRJ que limitou o direito dos créditos até o trânsito em julgado. Ocorre, que compulsando os autos, notase, que na peça exordial do Mandado de Segurança foi requerido que fosse realizada a declaração de inconstitucionalidade do § 1°, do art. 3º., da Lei n° 9.718/98, mantendo os efeitos para o futuro e não se limitando apenas aos créditos gerados até o trânsito em julgado. Pois bem! É claro que quando proferida decisão judicial à Administração Pública vinculase a tal ato, não podendo Administrativamente extrapolar os limites que foram estabelecidos na decisão Judicial. Ademais, se atendo detalhadamente as decisões judicias proferidas, conclui que não foi limitado qual o período que cessaria os efeitos da decisão judicial, ou seja, pode se compreender que tratase de período indeterminado. É de ressaltar se fosse o caso de à sentença ter limitado o período da eficácia da sentença, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, encontrase vinculado nos termos do art. 62, §1º., II, b, do Regimento Interno, devendo observar os julgamentos em Repercussão Geral no Supremo Tribunal Federal, nesse sentido: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL02343 10 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Ainda corroborando, notase que § 1º. foi revogado em 2009, pela Lei 11.941. Concluise, pelo não conhecimento sobre à recomposição da base de cálculo do IRPJ e da CSLL e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao Recurso, para que a Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 16327.720338/201795 Acórdão n.º 3201004.177 S3C2T1 Fl. 158 9 unidade preparadora, superada a questão preliminar (limitação temporal da decisão judicial), aprecie o mérito do litígio. Ante o exposto, VOTO POR DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator (assinado digitalmente) Fl. 1134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10508.000152/97-89
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
Havendo Pedido de Ressarcimento complementar e havendo resistência por parte do fisco a correção dos valores deve ocorrer a partir da data na qual se informa o crédito, ou seja, da data de protocolização do respectivo pedido e a partir das datas de protocolização dos pedidos complementares com relação
aos valores acrescidos ao montante original.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-000.962
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Sidney Eduardo Stahl
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 Havendo Pedido de Ressarcimento complementar e havendo resistência por parte do fisco a correção dos valores deve ocorrer a partir da data na qual se informa o crédito, ou seja, da data de protocolização do respectivo pedido e a partir das datas de protocolização dos pedidos complementares com relação aos valores acrescidos ao montante original. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 10508.000152/97-89
conteudo_id_s : 6056900
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3801-000.962
nome_arquivo_s : 380100962_105080001529789_201111.pdf
nome_relator_s : Sidney Eduardo Stahl
nome_arquivo_pdf_s : 105080001529789_6056900.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
id : 7543619
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051147700273152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1624; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 407 1 406 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10508.000152/9789 Recurso nº 215.974 Voluntário Acórdão nº 380100.962 – 1ª Turma Especial Sessão de 7 de novembro de 2011 Matéria Crédito Presumido Recorrente CARGILL AGRÍCOLA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 Havendo Pedido de Ressarcimento complementar e havendo resistência por parte do fisco a correção dos valores deve ocorrer a partir da data na qual se informa o crédito, ou seja, da data de protocolização do respectivo pedido e a partir das datas de protocolização dos pedidos complementares com relação aos valores acrescidos ao montante original. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 22/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, Daniela Ribeiro de Gusmão, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e José Luiz Bordignon. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 2 Relatório Tratao presente processo administrativo de pedido de ressarcimento de valores de crédito presumido de IPI, parcialmente deferido, tendo originado posteriores compensações pela contribuinte, das quais, igualmente, apenas concedeuse parcial homologação. Com o fito de dar efetividade à decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, transitado em julgado em 2007 e que manteve o parcial deferimento do pedido de ressarcimento efetuado, foram realizadas pela contribuinte duas compensações considerando os créditos apurados com débitos de CSSL e COFINS, nos valores de R$ 308.795,07 e R$ 129.895,83, referentes, respectivamente, aos fatos geradores ocorridos em 02/2008 e 04/2008. As compensações foram homologadas em parte por despacho decisório da DRF de origem (fls. 354/357), confirmado por acórdão de fls. 381/383 da DRJ, tendo sido, contra este último acórdão, interposto o recurso voluntário que pende de análise por este Conselho, onde, em síntese, discutese o termo a quo de aplicação da taxa SELIC para a correção dos valores ressarcidos, e, por conseguinte, a homologação dos valores compensados. Para o entendimento global da questão em discussão atualmente nesses autos, e a correta análise das compensações ora discutidas, cumpre a demonstração das decisões e acórdãos proferidos ao longo do presente processo administrativo, até a decisão definitiva proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais que culminou nas compensações em evidência. O pedido inicial de ressarcimento de credito presumido de IPI foi realizado no valor de R$ 131.141,40 (fls. 01, em 06/1997), e posteriormente foi retificado pela contribuinte considerando novo valor de R$ 256.317,14 (fls. 75, em 01/1999), tendo sido justificado pelo fato de que a contribuinte “procedeu os cálculos indevidos em relação aos custos, no campo dos custos foi digitado os valores de aquisições, enquanto o correto era consumo” (fls. 74). Nesse passo, com o fito de realizar as “verificações fiscais pertinentes ao pedido de ressarcimento do IPI” foi lavrado “Relatório de Verificação Fiscal” por Auditor da SRF na origem às fls. 78/79, e através do mesmo, opinouse pelo deferimento parcial da restituição almejada no montante total de R$ 145.172,85, considerando a exclusão da base de cálculo do benefício de valores à título de energia elétrica, combustíveis, água, matéria prima adquirida de pessoa física não contribuinte do PIS/COFINS, cooperativas e lenha (combustível sólido). O despacho decisório da DRF de origem acatou o “Relatório de Verificação Fiscal” e deferiu parcialmente o ressarcimento, no montante de R$ 145.172,85 (fls. 90/92). Contra o despacho decisório acima foi apresentada manifestação de inconformidade pela contribuinte (fls. 95/100), tendo sido exarado acórdão pela DRJ de Salvador – BA (fls. 118/124) que houve por considerar improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, velando pela manutenção das aludidas exclusões da base de cálculo do credito presumido. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10508.000152/9789 Acórdão n.º 380100.962 S3TE01 Fl. 408 3 Inconformada, foi interposto recurso voluntário pela contribuinte às fls. 133/137, através do qual sustentou possuir o direito ao ressarcimento do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, incluindose no cálculo do beneficio fiscal os valores relativos as matérias primas adquiridas de produtores rurais, pessoas físicas e sociedades cooperativas, bem como considerando “produtos intermediários” a energia elétrica, os combustíveis, a lenha e a água que foram excluídos do cálculo do beneficio pela fiscalização. O recurso foi distribuído ao extinto Segundo Conselho de Contribuintes, que deu parcial provimento ao mesmo (fls. 142/152) “unicamente para admitir nos cálculos a inclusão das aquisições de pessoas físicas, cooperativas e MICT, na base de cálculo do crédito presumido, nos termos do art. 2° da Lei n° 9.363/96, negando em relação aos demais Itens.” Contra o acórdão acima foram interpostos recursos especiais de divergência por ambas as partes perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, que ao apreciar os aludidos recursos, proferiu acórdão às fls. 235/255, julgando parcialmente procedente o recurso da contribuinte (fls. 185/204) (para reconhecer como devida a incidência da SELIC) e improcedente o da Fazenda Nacional (fls. 154/165), conforme a ementa abaixo: PIS E COFINS — INCENTIVO FISCAL — RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI — BASE DE CALCULO — AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES E DE ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas e órgãos governamentais) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. A forma de cálculo prevista na norma legal estabelece uma ficção legal, aplicável a todas as situações, independentemente da efetiva incidência das contribuições na aquisição das mercadorias ou nas operações anteriores. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS Não podem ser incluídos, na base de cálculo do incentivo de que trata a Lei n° 9.363/96, os valores de energia elétrica e combustíveis. TAXA SELIC Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, § 4° da Lei n° 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recurso Fiscais no Acórdão CSRF/020.708, de 04.06.98, alem do que, tendo o Decreto n° 2.138/97 tratado restituição e ressarcimento da mesma maneira, a referida Taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. Recurso especial da Fazenda Nacional negado, Recurso especial do contribuinte provido parcialmente Transitado em julgado o acórdão acima, verificase às fls. 262/263 despacho exarado pela Inspetoria da Receita Federal em Ilhéus – BA demonstrando o valor total a ressarcir à contribuinte com relação ao crédito presumido do IPI, já considerando as inclusões dos elementos a que fez jus a contribuinte através das decisões proferidas, a correção com a taxa SELIC a partir de 01/1999 e demonstrando que o contribuinte já havia utilizado o crédito inicialmente deferido no valor de R$ 145.172,85 por meio de compensação (fls. 261). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 4 Tal despacho foi complementado pelo despacho de fls. 273, onde se verificou o montante total a ser ressarcido de R$ 262.807,23 (planilha contendo os valores atualizados a serem ressarcidos), utilizandose a correção da taxa Selic acumulada de 01/1999 a 11/2007. Às fls. 276 consta petição da contribuinte Cargill Agrícola S/A datada de 22 de abril de 2008, informando que os créditos reconhecidos nesses autos foram compensados, tendo sido anexada “Declaração de Compensação” (fls. 281), de onde se verifica a utilização de crédito no valor de R$ 308.795,07, com a data de 26/03/2008, que gerou o processo administrativo de compensação de nº 11610.004229/200817. Adiante, às fls. 316, verificase nova petição da contribuinte Cargill Agrícola S/A datada de 25/07/2008, informando novamente que os créditos reconhecidos nesses autos foram compensados, tendo sido anexada a declaração de compensação acima mencionada (fls. 281), e também nova “Declaração de Compensação” (fls. 323), de onde se verifica a utilização de crédito no valor de R$ 129.895,83, com a data de 15/05/2008, que gerou o presente processo administrativo de compensação de nº 11610.006382/200889. Deuse a anexação aos presentes autos dos processos de compensação nº 11610.004229/200817 e 11610.006382/200889 (fls. 296). Contemplando as duas declarações de compensação acima mencionadas e os despachos de fls. 262/263 e 273, que demonstram o cálculo da SRF referente ao valor a ser ressarcido de onde se depreende a utilização do crédito inicialmente deferido, foi proferido às fls. 354/357 despacho decisório pela Inspetoria da Receita Federal em Ilhéus – BA, homologando parcialmente as compensações declaradas, resultando, portanto, saldo devedor em desfavor da contribuinte. Do despacho decisório de fls. 354/357 em evidência, cumpre destacar os seguintes pontos: “Em 28/0312008, foi protocolada Declaração de Compensação, gerando, a partir dela, o processo n° 11610.004229/200817, o qual foi juntado por anexação a este (fls. 297 a 325), na qual foi indicado para ser compensado contra o referido crédito, o débito oriundo da CSLL, no valor de R$ 308.795,07, apurado no mês de fevereiro de 2008, com data de vencimento em 31/03/2008. Em 16/05/2008, foi protocolada outra Declaração de Compensação, gerando, a partir dela, o processo n° 11610.006382/200889, o qual foi também juntado por anexação a este (fls. 326 a 342), na qual foi indicado para ser compensado o débito oriundo da Cofins, no valor de R$ 129.895,83, apurado no mês de abril de 2008, com data de vencimento em 20/05/2008. Os débitos acima mencionados totalizam, em seus valores originais, R$ 438.690,90, e encontramse cadastrados no PROFISC, conforme atestam os extratos impressos nas folhas n° 348 e 349, como também confessados em DCTF, como atestam os extratos impressos nas folhas n° 350 e 351. Ao se aplicar a taxa Selic e atualizar o valor do credito reconhecido para o mês de março de 2008, mês em que foi apresentada a primeira Declaração de Compensação, apurouse o valor atualizado de R$ 266.401,43, conforme se demonstra na planilha impressa na folha n° 352. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10508.000152/9789 Acórdão n.º 380100.962 S3TE01 Fl. 409 5 Ao se simular as compensações dos débitos indicados pelo Contribuinte contra o credito, devidamente atualizado pela Selic até o mês de março de 2008, apurouse, ao final, o saldo devedor de R$ 172.289,47, conforme se encontra demonstrado no Anexo Único deste Despacho Decisório. Em vista da decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e da disposição normativa acima mencionada, o pleito do requerente pode ser atendido em parte, ou seja, que dos dois débitos indicados para serem compensados contra o crédito reconhecido seja apenas compensado parcialmente o primeiro débito indicado, até o valor de R$ R$ 266.401,43, que é o valor do crédito reconhecido pela CSRF, devidamente atualizado pela taxa Selic, até o mês de março de 2008.” Cientificada do despacho decisório acima em 18/01/2010 (fls. 364), apresentou a contribuinte manifestação de inconformidade às fls. 365/376, através da qual alega a procedência das homologações apresentadas sob a seguinte argumentação: “(...) do valor inicialmente liberado pela fiscalização (R$ 145.172,85), referente ao crédito presumido de IPI incidente sobre os insumos adquiridos de pessoas jurídicas, a Recorrente aplicou a Taxa Selic desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento, em 06/1997, e efetuou a compensação com débitos próprios, deduzindo do valor principal apenas o montante de R$ 101.095,30, restando um saldo a compensar, após atualização pela Selic até a data da sua efetiva compensação, no valor de R$ 44.077,31, “Junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em 21/06/2001, a Recorrente obteve o reconhecimento do seu direito atinente não apenas ao crédito presumido de IPI relativo às aquisições de cooperativas e pessoas físicas, no valor original de R$ 105.405,38, como também ao acréscimo de juros Selic, desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento, em 10/06/1997.” “Em 28/03/2008 e 16/05/2008, a Recorrente efetuou o protocolo das declarações de compensação objeto dos processos administrativo n° 11610.004229/200817 e n° 11610.006382/200889, nas quais foram indicados débitos de CSLL e COFINS, nos valores de R$ 308.795,07 e R$ 129.895,83, referentes, respectivamente, aos fatos geradores ocorridos em 02/2008 e 04/2008.” “Notese que para as compensações acima narradas, a Recorrente utilizouse do crédito relativo a aquisições de pessoas físicas, como reconhecido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no valor original de R$ 105.405,38, e do saldo remanescente do crédito presumido de IPI relativo as aquisições de pessoas jurídicas reconhecido pela fiscalização, no total de R$ 44.077,31. Tais valores, acrescidos de juros SELIC, desde a data do protocolo do presente pedido de ressarcimento em 10/06/1997, totalizaram as compensações efetuadas (...)” Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 6 “Ocorre que a Delegacia da Receita Federal em Ilhéus, ao analisar as declarações de compensação acima, considerou somente a aplicação da taxa Selic sobre o valor reconhecido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (créditos de pessoa física), deixando, porem, de aplicar tal correção sobre o montante de crédito presumido de IPI deferido pela fiscalização no montante de R$ 145.172,61 (créditos de pessoa jurídica), o que afronta o principio da isonomia e da razoabilidade, conforme adiante se demonstrará.” “Além disto, a fiscalização calculou os juros Selic a partir do mês de janeiro de 1999, quando deveria ter efetuado o cálculo dos juros a partir da data do pedido de ressarcimento em junho de 1997, contrariando, assim, a decisão proferida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.” “Acertadamente, sobre a parcela de créditos de pessoas físicas e cooperativas, reconhecida pelo CARF, foram aceitos os juros Selic desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento até a data da compensação, o que, inclusive não foi respeitado pela fiscalização no presente caso, pois os juros foram calculados a partir de janeiro de 1999, na forma da lei. No entanto, o mesmo não ocorreu em relação a parcela dos créditos oriundos de aquisições de pessoas jurídicas, já que sobre ela não foi aceita qualquer espécie de correção monetária.” E requer, por fim, seja acolhida a manifestação de inconformidade: “ (...) mediante o reconhecimento da aplicação dos juros Selic sobre a parcela do crédito presumido de IPI reconhecida pela fiscalização em 08/03/1999, referente às aquisições de insumos efetuadas diretamente de pessoas jurídicas, e também o reconhecimento do direito da Recorrente efetuar a atualização do presente crédito, em relação A parcela adquirida de pessoas físicas e cooperativas, desde a data de protocolo do presente pedido de ressarcimento em 10/06/1997, conforme decidido pelo CARF, homologando, por conseqüência, as declarações de compensação apensas ao presente processo.” A DRJ em Salvador – BA, através do acórdão de fls. 381/383 considerou a manifestação de inconformidade acima mencionada procedente em parte, como se afere da seguinte dos termos finais do voto vencedor proferido: “Ante o exposto, voto pela procedência em parte da manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito a atualização pela taxa de juros SELIC sobre a totalidade do crédito reconhecido, tendo contudo, por termo inicial, para fins de valoração a data da transmissão da PER/DCOMP original até o limite do crédito neste informado, e a data da retificadora da PERD/COMP, para os novos créditos informados, ressaltando que o termo final será a data da transmissão de cada DCOMP, cuja homologação dos débitos deverá estar limitada ao crédito reconhecido.” A contribuinte teve ciência do acórdão da DRJ em 24/06/2010 (fls. 393) e interpôs recurso voluntário às fls. 394/401, através do qual, basicamente, reitera os termos da manifestação de inconformidade de fls. 365/376 e consolida seu pedido da seguinte forma: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10508.000152/9789 Acórdão n.º 380100.962 S3TE01 Fl. 410 7 “Diante de todo o exposto, é a presente para requerer a reforma do acórdão 1522.872, acolhendose o presente Recurso Voluntário para que reste amplamente deferido o pleito da Recorrente, mediante o reconhecimento da aplicação dos juros Selic, a partir da data do pedido de ressarcimento em 10/06/1997, sobre o montante de R$ 119.436,83 correspondente à diferença entre o valor do crédito retificado e reconhecido, e o valor inicialmente pedido, conforme decidido pelo CARF, homologando, por conseqüência, as declarações de compensação apensas ao presente processo.” É o relatório Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Conforme pode ser visto no relatório acima, a Recorrente discute a data de início da correção dos valores levados a compensação. No entendimento da Recorrente todos os valores pleiteados devem ser corrigidos desde a data do primeiro protocolo do pedido de Ressarcimento, ou seja, junho de 1997, entendendo que os valores deveriam ser calculados da seguinte forma: “(...) do valor inicialmente liberado pela fiscalização (R$ 145.172,85), referente ao crédito presumido de IPI incidente sobre os insumos adquiridos de pessoas jurídicas, a Recorrente aplicou a Taxa Selic desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento, em 06/1997, e efetuou a compensação com débitos próprios, deduzindo do valor principal apenas o montante de R$ 101.095,30, restando um saldo a compensar, após atualização pela Selic até a data da sua efetiva compensação, no valor de R$ 44.077,31. (…) Notese que para as compensações acima narradas, a Recorrente utilizouse do crédito relativo a aquisições de pessoas físicas, como reconhecido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no valor original de R$ 105.405,38, e do saldo remanescente do crédito presumido de IPI relativo as aquisições de pessoas jurídicas reconhecido pela fiscalização, no total de R$ 44.077,31. Tais valores, acrescidos de juros SELIC, desde a data do protocolo do presente pedido de ressarcimento em 10/06/1997, totalizaram as compensações efetuadas (...)” A Recorrente substância o seu entendimento conforme o seguinte motivo: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 8 A efetivação do pedido de ressarcimento ocorre com o seu protocolo e não se confunde com sua retificação. Esta, é mera correção do valor informado. Seus efeitos retroagem ao momento do pedido originário pelo simples fato de declarar direito já existente A. época do pedido inicial, mas expresso de forma equivocada, pois, caso contrário, a retificação do pedido equivaleria a um novo pedido, entendimento que não pode ser aceito. Ao limitar a aplicação da Taxa SELIC, a partir da data da retificação do pedido, sobre a diferença entre o valor retificado e homologado no montante de R$ 250.578,23, e o valor de R$ 131.141,40, pedido inicialmente, a 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento descumpre a ordem expressa proferida no Acórdão CSFR/0201.950, pois equipara a retificação do pedido a um pedido novo. Desta forma, em atenção ao principio da isonomia e da razoabilidade, nada mais justo do que ter recomposto integralmente o seu direito com o acréscimo da taxa Selic sobre os valores que foram, extemporaneamente, reconhecidos pela fiscalização. A DRJ entendeu que tendo em vista a existência de um pedido complementar de crédito que a correção deveria ser aplicada da seguinte forma (fls. 383): Assim, conforme determinação expressa contida no Acórdão CSRF/0201.950, é de se reconhecer a aplicação da taxa SELIC sobre o valor total reconhecido de R$250.578,23, ressaltando que a data de valoração sobre o valor de R$131.141,40 será desde 10/06/1997 (f1.01), cabendo a atualização do valor total de R$ 119.436,83, a partir de 08/01/1999 (fl.75), tendo por termo final a data de apresentação das Declarações de Compensação… Nesse sentido, vale comparar o acima expresso com a parte final da decisão da CSRF, cujo voto vencedor é assim expresso (fls. 255): Por todos os motivos expostos, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, provendo em parte o recurso do contribuinte, para reconhecer como devida a incidência da denominada Taxa SELIC a partir da efetivação do pedido de ressarcimento. Certo é que o pedido de restituição feito pela parte o foi em duas etapas, um pedido de R$ 131.141,40, em 06/1997 e outro, complementar de R$ 256.317,14, em 01/1999, posteriormente reconhecido em R$ 250.578,23 compreendendo uma diferença de R$ 119.436,83. Tenho que todos os montantes devem ser corrigidos desde o momento do pedido de Ressarcimento, cada qual pelo seu valor, nos termos decididos pela CSRF desse Conselho, ou seja, o primeiro a partir de 06/1997 e o segundo, pela diferença acrescida, a partir de 01/1999, fazendo os abatimentos das referidas compensações. É importante ressaltar que o entendimento do STJ acerca do tema autoriza a aplicação da Taxa SELIC na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10508.000152/9789 Acórdão n.º 380100.962 S3TE01 Fl. 411 9 em 20.04.2010, DJe 03.05.2010) e, evidentemente, qualquer óbice somente poderia ocorrer após o devido pedido de ressarcimento. Desse modo, entendo correta a decisão da DRJ em aplicar a correção pela SELIC sobre o valor de R$ 131.141,40 desde 10/06/1997 (f1.01) e sobre o valor de R$ 119.436,83, a partir de 08/01/1999 (fl.75), fazendose os devidos abatimentos quando das referidas compensações. Desse modo, voto por julgar improcedente o presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001361/2008-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RECEITAS. APURAÇÃO.
Verificado, pelo Fisco, que a empresa deixou de oferecer à tributação parcelas de suas receitas, cabível o lançamento de ofício dos valoresdevidamente comprovados.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Presume-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados
nestas operações.
MULTA CONFISCATÓRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA ANÁLISE DA MATÉRIA. SÚMULA CARF Nº 02.
Súmula CARF nº 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1201-000.849
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. APURAÇÃO. Verificado, pelo Fisco, que a empresa deixou de oferecer à tributação parcelas de suas receitas, cabível o lançamento de ofício dos valoresdevidamente comprovados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Presume-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. MULTA CONFISCATÓRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA ANÁLISE DA MATÉRIA. SÚMULA CARF Nº 02. Súmula CARF nº 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 19515.001361/2008-67
conteudo_id_s : 6058244
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1201-000.849
nome_arquivo_s : 1201000849_19515001361200867_201308.pdf
nome_relator_s : JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 19515001361200867_6058244.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
id : 7538193
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051147703418880
conteudo_txt : Metadados => date: 2014-01-02T19:08:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-01-02T19:08:03Z; Last-Modified: 2014-01-02T19:08:03Z; dcterms:modified: 2014-01-02T19:08:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:2601856f-1a75-4875-bafa-e27fed481b98; Last-Save-Date: 2014-01-02T19:08:03Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-01-02T19:08:03Z; meta:save-date: 2014-01-02T19:08:03Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-01-02T19:08:03Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-01-02T19:08:03Z; created: 2014-01-02T19:08:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2014-01-02T19:08:03Z; pdf:charsPerPage: 1726; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2014-01-02T19:08:03Z | Conteúdo => S1‐C2T1 Fl. 557 1 556 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001361/200867 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201000.849 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de agosto de 2013 Matéria Omissão de receita Recorrente AC COM CONF E SERVS PROD P/DANCA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. APURAÇÃO. Verificado, pelo Fisco, que a empresa deixou de oferecer à tributação parcelas de suas receitas, cabível o lançamento de ofício dos valores devidamente comprovados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Presumese omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. MULTA CONFISCATÓRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA ANÁLISE DA MATÉRIA. SÚMULA CARF Nº 02. Súmula CARF nº 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 61 /2 00 8- 67 Fl. 557DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 1/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR Processo nº 19515.001361/200867 Acórdão n.º 1201000.849 S1‐C2T1 Fl. 558 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Presidente. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (Suplente convocado), Rafael Correia Fuso e João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 289/365) lavrado para constituição de crédito tributário relativo ao IRPJ – SIMPLES, PIS SIMPLES, CSLL – SIMPLES e COFINS SIMPLES, devido à apuração das seguintes irregularidades: (i) omissão de receitas (receitas não escrituradas), (ii) omissão de receitas (depósitos bancários não escriturados) com fundamento no artigo 42 da lei 9430/96 e (iii) Insuficiência de recolhimento (insuficiência de valor recolhido apurada por reenquadramento de alíquotas do simples). A ação fiscal teve início em 12/04/2007, com a lavratura do Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 06), com ciência pessoal de representante legal do contribuinte, onde foram solicitados documentos fiscais, contábeis e extratos bancários de todas as contascorrentes, bem como comprovantes de depósitos, para apresentação no prazo de 20 dias. Em 14/05/2007 foi lavrado o Termo de Reintimação e encaminhado ao contribuinte através de Aviso de Recebimento — AR — com ciência em 22/05/2007 (fls. 08). Após várias outras solicitações da autoridade fiscal, para as quais o contribuinte solicitou prorrogação do prazo para apresentação, foram apresentados extratos bancários de contascorrentes mantidas nas instituições financeiras: Banco Itaú S/A, Banco Bradesco S/A, Banco Safra S/A, Banco do Brasil S/A, Caixa Econômica Federal, Banco Banespa e Banco Sofisa S/A (Anexo I —Volume I — de fls. 01 a 199; Volume II — de fls. 202 a 399; Volume III — de fls. 402 a 599 e Volume IV — de fls. 602 a 733). De posse desses elementos, a autoridade fiscal individualizou todos os créditos ocorridos nas referidas contas correntes, identificando valores típicos de operações mercantis, pois decorrentes de operações de vendas, tais como cobrança de títulos, “redeshop”, recebimento de cartões de crédito (visa, redecard), etc, e os demais sem essa característica, elaborando uma relação (fls. 67/322 — Volume 1 e 2), por instituição financeira. Nesse Fl. 558DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 1/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR Processo nº 19515.001361/200867 Acórdão n.º 1201000.849 S1‐C2T1 Fl. 559 3 contexto, apurou o valor total cuja origem deveria ser justificada de R$ 13.943.300,14 (R$1.896.651,88 – créditos decorrentes de operações mercantis e R$ 12.046.648,26 – outros créditos). Cientificou o contribuinte para que comprovasse a origem dos valores creditados/depositados. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal (fls. 65/66), o contribuinte declarou, conforme documento firmado pelo representante legal da empresa (fls. 323), que as movimentações financeiras ocorridas naquelas instituições "foram informadas na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — PJSI2004". A autoridade fiscal verificou a Declaração Anual Simplificada (fls. 28/45), entregue pelo contribuinte, especificamente os valores informados como Receita Bruta da Prestação de Serviços, anocalendário de 2003. Assim, em relação aos créditos efetuados em conta corrente, decorrentes de atividade mercantil, a autoridade fiscal procedeu à exclusão dos valores já declarados, conforme Declaração Anual Simplificada – ano calendário 2003 (R$ 221.682,26), alcançando o montante R$ 1.674.969,62, que foi caracterizado como receita omitida. A diferença entre o valor apurado e o declarado foi considerada como provenientes de operações de vendas realizadas. E, quanto aos demais valores (R$ 12.046.648,26), a autoridade fiscal entendeu que a origem não restou comprovada, presumindo, portanto, a omissão de receita. O contribuinte apresentou impugnação, por meio da qual alegou, em síntese, que a autoridade fiscal não logrou demonstrar a omissão de receita no anocalendário de 2003, "pois a simples elaboração de fluxo financeiro mensal não é suficiente para atender as exigências dispostas na legislação vigente, não restando apontado o acréscimo patrimonial percebido e, consequentemente, a ocorrência do fato gerador do tributo em questão". Fundamentou seu argumento no art. 43 do CTN. Afirmou que no caso, as únicas provas apresentadas pela autoridade fiscal para demonstrar a omissão de receitas, residem em documentos parciais, consubstanciados na análise de extratos bancários, dos quais se depreende a receita auferida, fato este que revela a fragilidade das alegações suscitadas pela d. Autoridade Fiscal. Argumentou, ainda, que a multa aplicada é confiscatória. Por fim, pugnou pela total improcedência do lançamento. A DRJ manteve o lançamento em sua integralidade. Primeiramente, esclareceu que o contribuinte é optante do regime simplificado de tributação e, por isso, o lucro decorrente de sua atividade não se constitui em fato gerador do IRPJ, como nas demais pessoas jurídicas, sujeitandose a um único recolhimento mensal, mediante percentual aplicado sobre a receita bruta apurada em cada mês, fixado de acordo a atividade desenvolvida. Esclarece que o Decreto 3000/99 atribui ao optante do SIMPLES as mesmas presunções legais de omissão de receitas existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições, das demais pessoas jurídicas. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 1/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR Processo nº 19515.001361/200867 Acórdão n.º 1201000.849 S1‐C2T1 Fl. 560 4 Nesse contexto, ressaltou que os depósitos bancários estão entre as presunções legais de omissão de receitas conforme estabelecido no artigo 287 do referido RIR/99. Concluiu que a falta de apresentação dos livros e documentos, solicitados através de intimação fiscal, bem como a não justificativa, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos valores depositados/creditados em contascorrentes, justificaram a autuação. Quanto à multa de ofício consignou que não compete à autoridade administrativa declarar, reconhecer ou apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou ilegalidade. O acórdão proferido foi assim ementado: “DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos bancários ocorridos em contascorrente mantidas por empresa, em instituições financeiras, sem a devida comprovação de sua origem, pressupõem disponibilidade econômica. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA DE OFÍCIO Não compete à autoridade administrativa declarar, reconhecer ou apreciar a arguição de inconstitucionalidade, ilegalidade e outros juízos de valor, pois essa competência foi atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário, pela CF. Lançamento Procedente.” Foi apresentado Recurso Voluntário, por meio do qual o contribuinte reiterou as razões sustentadas em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Relator. O Recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. Tratase de Auto de Infração lavrado para constituição de crédito tributário devido à apuração das seguintes irregularidades: (i) omissão de receitas (receitas não escrituradas), (ii) omissão de receitas (depósitos bancários não escriturados) com fundamento Fl. 560DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 1/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR Processo nº 19515.001361/200867 Acórdão n.º 1201000.849 S1‐C2T1 Fl. 561 5 no artigo 42 da lei 9430/96 e (iii) insuficiência de recolhimento (insuficiência de valor recolhido apurada por reenquadramento de alíquotas do simples). Quanto à omissão de receita, constatouse durante a fiscalização créditos efetuados em contas bancárias no montante de R$ 13.943.300,14, sendo parte, no montante de R$ 1.896.651,88, decorrente de operações características de vendas, tais como cobrança de títulos, “redeshop”, recebimento de cartões de crédito (visa, Redecard), etc. Comprovada a receita decorrente de operações de venda, bem como demonstrado que apenas parte dessa receita, no montante de R$ 221.682,26, foi declarada pelo contribuinte na Declaração Anual Simplificada – ano calendário 2003, correto o lançamento para constituição de crédito em razão da infração de omissão de receita no montante de R$ 1.674.969,62. Em relação ao outro montante movimentado (R$ 12.046.648,26) , que não decorreu de operações características de vendas, verificase que não houve comprnão houve comprovação de sua origem após intimação do contribuinte para tanto. Desse modo, o item 02 do auto de infração teve como fundamento o art. 42, caput, da Lei 9430/96, que dispõe: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Diante da expressa disposição legal, a autoridade fiscal está autorizada a presumir a ocorrência de omissão de receitas quando o titular de conta de depósito ou de investimento, apesar de regularmente intimado, não consegue comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, mediante documentação hábil e idônea. Assim, passa a ser do sujeito passivo o ônus de provar que os valores depositados/creditados nas contas correntes não são receitas ou que foram devidamente oferecidos à tributação. Não foi o que ocorreu no presente caso. A fiscalização constatou, a partir do exame dos extratos bancários apresentados pelo contribuinte, a existência de valores creditados em suas contas correntes, os quais deveriam ter a origem justificada, conforme termo de intimação fiscal nº 005 (fl.69/70). Devidamente intimado a apresentar esclarecimentos relativos à origem dos recursos financeiros que transitaram em contas bancárias de sua titularidade, o contribuinte apenas informou que as movimentações financeiras ocorridas naquelas instituições "foram informadas na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — PJSI2004", conforme fl. 324. Em sede de impugnação, bem como no Recurso Voluntário, o contribuinte não apresentou qualquer documento capaz de afastar a presunção da omissão de receita. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 1/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR Processo nº 19515.001361/200867 Acórdão n.º 1201000.849 S1‐C2T1 Fl. 562 6 Portanto, da análise dos autos temse que o contribuinte não trouxe documentação hábil e idônea a desconstituir a presunção tomada a partir das movimentações bancárias. Assim, as alegações do contribuinte não devem prevalecer, pois a lei admite a presunção de omissão de receita, cabendo ao contribuinte comprovar a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias, o que não ocorreu no caso dos autos, devendo, portanto, ser mantida a imputação de omissão de receitas caracterizada por movimentação bancária não justificada. Por fim, quanto à alegação de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, não compete a este Conselho, em razão do disposto na súmula CARF nº 02, a análise de tal questão, já que a multa aplicada está prevista em lei . Dispõe a súmula CARF nº 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Por todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (Assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 1/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910634/2015-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 25/04/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.910634/2015-17
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5940384
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-005.294
nome_arquivo_s : Decisao_10680910634201517.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10680910634201517_5940384.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7551337
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051147732779008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1538; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.910634/201517 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.294 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente MRV ENGENHARIA E PARTICIPACOES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/04/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 06 34 /2 01 5- 17 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910634/201517 Acórdão n.º 3301005.294 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.516. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910634/201517 Acórdão n.º 3301005.294 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.910634/201517 Acórdão n.º 3301005.294 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.910634/201517 Acórdão n.º 3301005.294 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10680.910634/201517 Acórdão n.º 3301005.294 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10680.910634/201517 Acórdão n.º 3301005.294 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.903062/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2003
COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02.
Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor.
REMISSÃO DE DÉBITOS
Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos.
Numero da decisão: 3302-005.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.903059/2011-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/01/2003 COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02. Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor. REMISSÃO DE DÉBITOS Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.903062/2011-21
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5924663
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.944
nome_arquivo_s : Decisao_10880903062201121.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10880903062201121_5924663.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.903059/2011-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad
dt_sessao_tdt : Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7504500
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051147749556224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1652; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.903062/201121 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.944 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2018 Matéria COFINS Recorrente CENTRO DE PREVENÇÃO DE ODONTOLOGIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2003 COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02. Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor. REMISSÃO DE DÉBITOS Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.903059/201116, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 30 62 /2 01 1- 21 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.903062/201121 Acórdão n.º 3302005.944 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada ante a ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública, uma vez que o pagamento indicado foi encontrado, encontrandose, todavia, totalmente alocado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Sinteticamente, sustenta a inconstitucionalidade da COFINS recolhida em razão de no período estar em vigor a Súmula STJ n. 276 e entender que a exigência da contribuição sobre sociedades uniprofissionais seria indevida até 17 de setembro de 2008, quando admite que tributo finalmente teve sua constitucionalidade declarada pelo STF, quando do julgamento da ADI 4071. Sobreveio então o julgamento da DRJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16038.292. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, por meio do qual suscitou os argumentos já submetidos à DRJ, enfatizando a inconstitucionalidade da exação bem como a existência de remissão promovida pela lei 11.941/2009. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.903062/201121 Acórdão n.º 3302005.944 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.932, de 26 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.903059/201116, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.932): "O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual o admito. Não tendo sido arguidas preliminares, é de se passar à análise do mérito. O cerne da controvérsia é deveras interessante, não é de competência deste colegiado, mas sim do Poder Judiciário, contudo merece ser mencionada para a devida contextualização da matéria em discussão: Tratase da à possibilidade ou não de uma lei formalmente complementar, contudo materialmente ordinária, ser revogada por uma lei ordinária. Da solução desta polêmica decorre a tributação, ou não, das sociedades uniprofissionais, isentadas da COFINS pela Lei Complementar n. 70/91, mas que a referida isenção foi revogada pela Lei Ordinária n. 9.430/96. Na tentativa de pacificar a matéria, no dia 14.05.2003 o STJ editou a Súmula n. 276 que dispunha que "As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas de COFINS, irrelevante o regime tributário adotado". Contudo, no julgamento do RE 377.457/PR e RE 381.964/MG o STF admitiu a constitucionalidade da revogação da Lei Complementar (materialmente ordinária) pela Lei Ordinária e a Súmula STJ 276, o que na prática chancelou a tributação das sociedades uniprofissionais pela COFINS desde a entrada em vigor da Lei Ordinária n. 9.430/96. Em que pese o fato da enorme insegurança jurídica promovida pela alteração jurisprudencial, por força da SÚMULA CARF N. 02 a este Colegiado é vedado apreciar eventual inconstitucionalidade de norma jurídica em vigor. Em relação à exigência da COFINS sobre as sociedades uniprofissionais, este Colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que deve ser reconhecida a isenção para sociedade civil prestadora de serviços profissionais em período anterior à publicação da Lei 9.430/96, sendo irrelevante o regime tributário que esta adote para fins do Imposto de Renda, conforme prevê a Súmula 276 do STJ, como se aduz do Acórdão n. 9303 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.903062/201121 Acórdão n.º 3302005.944 S3C3T2 Fl. 5 4 002.036 proferido no Recurso Especial n. 15374.002049/0063, de relatoria da Ilma. Conselheira Nanci Gama, julgado em 10 de julho de 2012. Contudo, os valores tratados nos presentes autos dizem respeito a período posterior, no qual encontrase em vigor legislação que determina a tributação das sociedades uniprofissionais pela COFINS, cuja constitucionalidade foi reconhecida pelo Pretório Excelso. Neste sentido vale destacar que a declaração da constitucionalidade da revogação pelo STF, por ter natureza declaratória, possui efeitos ex tunc, ou seja, retroagido à data da entrada em vigor da norma revogante. Estando a atividade da Recorrente na região de incidência de norma fiscal impositiva, não há de se reformar a decisão atacada, que nega direito ao crédito tributário pretendido pela Recorrente. Em relação ao argumento da existência de remissão promovida pela lei 11.941/2009, também é certo que a concessão ou o reconhecimento da remissão não é matéria de competência da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, razão pela qual deve ser mantida a r. decisão atacada. Pelos motivos já expostos é de se negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.720197/2009-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
Ementa:
MULTAS REGULATÓRIAS. INDEDUTIBILIDADE.
Descumprir as normas de natureza não tributárias, regulatórias de setor econômico específico, não pode ser considerado da essência da atividade empresarial, logo, não se pode acatar a idéia de que o pagamento destas sanções se insere no conceito de despesas necessárias à atividade da empresa só pelo fato de que o seu eventual não pagamento desautorizaria a continuidade da prestação do serviço. A dedução das multas administrativas das bases de cálculo dos tributos resultaria em verdadeiro benefício, eis que a empresa repassaria para a Administração Pública, e em maior extensão, para a sociedade brasileira, parte dos custos pela sua desídia, o que ofenderia o sistema jurídico vigente, na medida em que a pena não pode passar da pessoa do infrator.
Numero da decisão: 9101-003.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luis Fabiano Alves Penteado, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 Ementa: MULTAS REGULATÓRIAS. INDEDUTIBILIDADE. Descumprir as normas de natureza não tributárias, regulatórias de setor econômico específico, não pode ser considerado da essência da atividade empresarial, logo, não se pode acatar a idéia de que o pagamento destas sanções se insere no conceito de despesas necessárias à atividade da empresa só pelo fato de que o seu eventual não pagamento desautorizaria a continuidade da prestação do serviço. A dedução das multas administrativas das bases de cálculo dos tributos resultaria em verdadeiro benefício, eis que a empresa repassaria para a Administração Pública, e em maior extensão, para a sociedade brasileira, parte dos custos pela sua desídia, o que ofenderia o sistema jurídico vigente, na medida em que a pena não pode passar da pessoa do infrator.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19740.720197/2009-16
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5930566
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.876
nome_arquivo_s : Decisao_19740720197200916.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANDRE MENDES DE MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 19740720197200916_5930566.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luis Fabiano Alves Penteado, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7530871
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051147751653376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1713; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 311 1 310 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19740.720197/200916 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.876 – 1ª Turma Sessão de 6 de novembro de 2018 Matéria IRPJ DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS Recorrente BANCO INVESTCRED UNIBANCO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 Ementa: MULTAS REGULATÓRIAS. INDEDUTIBILIDADE. Descumprir as normas de natureza não tributárias, regulatórias de setor econômico específico, não pode ser considerado da essência da atividade empresarial, logo, não se pode acatar a idéia de que o pagamento destas sanções se insere no conceito de despesas necessárias à atividade da empresa só pelo fato de que o seu eventual não pagamento desautorizaria a continuidade da prestação do serviço. A dedução das multas administrativas das bases de cálculo dos tributos resultaria em verdadeiro benefício, eis que a empresa repassaria para a Administração Pública, e em maior extensão, para a sociedade brasileira, parte dos custos pela sua desídia, o que ofenderia o sistema jurídico vigente, na medida em que a pena não pode passar da pessoa do infrator. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luis Fabiano Alves Penteado, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 01 97 /2 00 9- 16 Fl. 311DF CARF MF Processo nº 19740.720197/200916 Acórdão n.º 9101003.876 CSRFT1 Fl. 312 2 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial (efls. 240/247) interposto pela BANCO INVESTCRED UNIBANCO S/A ("Contribuinte") em face do Acórdão nº 1803001.784 (efls. 227/230), da sessão de 6 de agosto de 2013, proferido pela 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, que negou provimento ao recurso voluntário. A autuação fiscal relativa a IRPJ e CSLL (efls. 26/34) glosou despesas contabilizadas pela Contribuinte, por considerálas de natureza punitiva e não compensatória, e, por consequência, indedutíveis. Os dispêndios sob discussão correspondem a multa aplicadas pelo Banco Central do Brasil BACEN. Foi apresentada impugnação (efls. 85/90) pela Contribuinte, que foi julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (efls. 169), no Acórdão nº 1230.923. Foi interposto pela Contribuinte recurso voluntário (efls. 179/184), que teve o provimento negado nos termos da ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 MULTAS PUNITIVAS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis do cálculo do lucro real as multas por transgressões a normas de natureza não tributária. A Contribuinte interpôs recurso especial. Faz um breve histórico da autuação, e aduz que as despesas decorrentes de multas regulamentadoras do sistema financeiro aplicadas pelo BACEN são dedutíveis, porque decorreram da atividade empresarial da empresa. Apresenta como paradigma o Acórdão nº 10196.919, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes. No mérito, discorre que as multas tiveram origem em infrações não dolosas Fl. 312DF CARF MF Processo nº 19740.720197/200916 Acórdão n.º 9101003.876 CSRFT1 Fl. 313 3 decorrentes da atividade empresarial, como multa por erro cadastral e inconsistência de informações de cadastro de clientes do sistema financeiro nacional "CSS", ou seja, são penalidades aplicadas em face de erros cometidos no exercício de suas atividades empresariais. Requer pela reforma da decisão recorrida. Despacho de exame de admissibilidade (efls. 296/300) deu seguimento ao recurso especial. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN") apresentou contrarrazões (efls. 302/309). Protesta pelo desprovimento do recurso especial, vez que o fato de a multa regulatória ter sido aplicada em razão de atividades ou operações da empresa não se constitui em fato distintivo para sua dedutibilidade, tanto que a IN SRF nº 390, de 1994, determinou expressamente que as multas impostas por transgressões de leis de natureza não tributária são indedutíveis como custo ou despesas operacionais, assim como o Parecer Normativo CST nº 61, de 1979. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Em relação à admissibilidade, adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efls. 296/300, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 1, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer do recurso especial interposto pela Contribuinte. Passo ao exame do mérito. A matéria devolvida consiste em apreciar se multas regulamentares, de natureza não tributária, aplicada por órgãos reguladores, são dedutíveis ou não da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A Contribuinte, no recurso especial, discorre sobre a natureza das penalidades: 18. Referidas multas tiveram origem em infrações não dolosas decorrentes da atividade empresarial do Recorrente, como por exemplo, multa por erro cadastral e inconsistência de 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 19740.720197/200916 Acórdão n.º 9101003.876 CSRFT1 Fl. 314 4 informações de cadastro de clientes do sistema financeiro nacional "CSS", prevista no artigo 2º, parágrafo 1º, da Resolução 2.901 do CMN. 19. Ou seja, tratase de penalidades aplicadas pelo Bacen em razão de erros operacionais cometidos pelo Recorrente no exercício de suas atividades empresariais, não havendo dúvidas de que tais despesas são dedutíveis, nos termos do artigo 299 do RIR. Por sua vez, a autoridade autuante esclarece: Tratase de instituição financeira autorizada a funcionar pelo BACEN, organizada sob a forma de sociedade anônima, com sede e foro na cidade do Rio de Janeiro, operando nacionalmente, tendo por objeto a prática de operações ativas, passivas e acessórias inerentes às respectivas carteiras autorizadas (comercial, de crédito, financiamento e investimentos), de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor, regulamentadas pelo Banco Central do Brasil (fls. 69 a 82). (...) Em 16/07/2007, o chefe da Sepac desta delegacia, intimou o contribuinte a esclarecer, dentre outras, a justificativa para ter lançado na linha 21 da ficha 05B (multas) das DIPJs dos anos calendário de 2004 e 2005 os valores de R$ 46.905,42 e R$ 123.922,17, respectivamente como despesas dedutíveis (fl. 03). Em sua resposta em 14 de agosto de 2007, o contribuinte afirma que as despesas declaradas foram referentes a Multas pagas ao BACEN e Multas aplicadas pelo recolhimento de obrigações em atraso (fls. 04). Sobre a dedutibilidade de multas de natureza não tributária, transcrevo art. 41, da Lei nº 8.981, de 1995: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. (...) § 5º Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Vale dizer que a redação da norma é a mesma de dispositivos normativos anteriores que tratavam da apuração do lucro real, o § 4º do art. 16 do Decretolei nº 1.598, de 1977 e § 5º do art. 7º da Lei nº 8.541, de 1992. Como se pode observar, o dispositivo prescreve que são indedutíveis multas por infrações fiscais, com as seguintes exceções: aquelas penalidades de natureza compensatória e as impostas por infrações que não resultem falta ou insuficiência de Fl. 314DF CARF MF Processo nº 19740.720197/200916 Acórdão n.º 9101003.876 CSRFT1 Fl. 315 5 pagamento de tributo. Ou seja, a norma autoriza a dedução apenas para as multas por infrações fiscais que sejam de natureza compensatória e para aquelas relativas a infrações que não resultem em falta ou insuficiência de pagamento de tributo. O gráfico ilustra a hipótese em que a dedutibilidade é permitida, estritamente para a hipótese delineada no círculo em destaque (sublinhado): Não encontra previsão, na lei, a dedutibilidade de despesas relativas a infrações de natureza não fiscal. Não por acaso, em relação às multas relativas a natureza não tributária, a Receita Federal se manifestou pela sua não dedutibilidade. O Parecer Normativo CST nº 61, de 23 de outubro de 1979, da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação manifestouse sobre a redação dada pelo § 4º do art. 16 do Decretolei nº 1.598, de 1977 (como já dito, mantido pelas leis posteriores nº 8.541, de 1992 e nº 8.981, de 1995: MULTAS POR INFRAÇÃO DE LEI NÃO TRIBUTÁRIA 6. Multas por infração de lei não tributária 6.1 O § 4º, do art. 16, do DecretoLei nº 1.598/77 diz respeito especificamente às multas impostas pela legislação tributária. A ele são estranhas as multas decorrentes de infração a normas de natureza não tributaria, tais como as leis administrativas (Trânsito, SUNAB, etc.), penais, trabalhistas, etc. 6.2 Por refugirem ao alcance da norma específica, essas multas caem nas malhas do preceito geral inscrito no art. 162 do Regulamento do Imposto de Renda/75, o qual condiciona a dedutibilidade das despesas a que elas sejam necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Ora, é inadmissível entender que se revistam desses Fl. 315DF CARF MF Processo nº 19740.720197/200916 Acórdão n.º 9101003.876 CSRFT1 Fl. 316 6 atributos despesas relativas a atos e omissões, proibidos e punidos por norma de ordem pública. Assim, as multas impostas por transgressões de leis de natureza não tributaria serão indedutíveis. O entendimento encontrase disposto na IN SRF nº 390, de 2004, sendo mantido nas instruções normativas posteriores, inclusive pela vigente IN RFB nº 1.700, de 2017: DA DEDUÇÃO DE TRIBUTOS E MULTAS (...) Art. 132. Não são dedutíveis na apuração do lucro real e do resultado ajustado as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Art. 133. As multas impostas por transgressões de leis de natureza não tributária são indedutíveis como custo ou despesas operacionais. Assim, por não encontrarem amparo em requisito de dedutibilidade específico, as multas de natureza não tributária submetemse à regra geral prevista no art. artigo 47 da Lei 4.506, de 1964 (art. 299 RIR/99): Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da emprêsa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da emprêsa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da emprêsa. Não há como considerar de natureza operacional uma multa aplicada por órgão regulador que vem tutelar precisamente o atendimento de requisitos necessários para uma adequada execução das atividades da empresa. Ora, se a pessoa jurídica não atendeu a requisitos mínimos estabelecidos em legislação específica, cujo atendimento se reveste de essencialidade incontestável, tanto que o descumprimento é penalizado com imposição de multa, não há que se falar que se trata de um mero "descuido", "inerente" ao risco da atividade empresarial. Risco de atividade empresarial diz respeito à adequação ou não do produto ou serviços prestados no mercado, no sentido de que as despesas e custos possam resultar em receitas em montante superior ao valor investido. Risco referese à percepção de lucro ou prejuízo. Na realidade, o órgão regulador, ao dispor sobre atos regulamentares, vem buscar uma prestação de serviços adequada e estabelecer mecanismos de controle visando o Fl. 316DF CARF MF Processo nº 19740.720197/200916 Acórdão n.º 9101003.876 CSRFT1 Fl. 317 7 regular funcionamento da atividade. Não há como se desqualificar exigência do órgão regulador, por mais "formal" que possa parecer. Não se fala em conduta dolosa ou culposa, mas sim em infração com caráter objetivo. Autorizar a dedutibilidade de despesas de tal natureza implicaria em compartilhar com a sociedade a penalidade imposta em razão do não atendimento de norma imposta pelo órgão regulador que visa precisamente preservar a mesma sociedade, no sentido de garantir um serviço ou produto com padrões mínimos de segurança e qualidade. Restaria consumado o paradoxo: a empresa não atende a requisitos mínimos regulatórios que existem justamente para permitir uma adequada entrega de produto e serviços para a sociedade, a empresa dá causa à penalidade, e a penalização pelo descumprimento é dividida por toda a sociedade, que não deu causa à conduta irregular da empresa. Haveria o compartilhamento da penalidade, entre o infrator que deu causa e o cidadão que não deu causa. A discussão já foi enfrentada no Acórdão nº 9101002.1962, no caso em relação ao setor elétrico, com a seguinte ementa: MULTAS ADMINISTRATIVAS. INDEDUTIBILIDADE. Descumprir as normas estabelecidas para o setor elétrico não pode ser considerado da essência da atividade empresarial, logo, não se pode acatar a idéia de que o pagamento destas sanções se insere no conceito de despesas necessárias à atividade da empresa só pelo fato de que o seu eventual não pagamento desautorizará a continuidade da prestação do serviço. A dedução das multas administrativas das bases de cálculo dos tributos resultaria em verdadeiro benefício, eis que a empresa repassaria para a Administração Pública, e maior extensão, para a sociedade brasileira, parte dos custos pela sua desídia, o que ofenderia o sistema jurídico vigente, na medida em que a pena não pode passar da pessoa do infrator. 2 Julgamento realizado pela 1ª Turma da CSRF, em 1º de fevereiro de 2016, com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidas as Conselheiras Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio (Suplente Convocada). (...) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes De Moura, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal De Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Daniele Souto Rodrigues Amadio (Suplente Convocada). Ausente, justificadamente, a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente)." Fl. 317DF CARF MF Processo nº 19740.720197/200916 Acórdão n.º 9101003.876 CSRFT1 Fl. 318 8 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinatura digital) André Mendes de Moura Fl. 318DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.913631/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.913631/2009-18
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5930242
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-000.847
nome_arquivo_s : Decisao_10830913631200918.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10830913631200918_5930242.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7529641
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051147771576320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1463; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.913631/200918 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.847 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 25 de setembro de 2018 Assunto PEDIDO DE DILIGÊNCIA Recorrente COMPANHIA PIRATININGA DE FORÇA E LUZ Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 13 63 1/ 20 09 -1 8 Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10830.913631/200918 Resolução nº 3302000.847 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada, relativa a suposto crédito da Contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos comprobatórios (peças judiciais de mandado de segurança por ele impetrado, partes da DIPJ, DCTF e da Demonstração do Resultado do Exercício) e requereu a reforma da decisão de origem, alegando que o crédito pleiteado era decorrente de receitas financeiras auferidas por empresa sucedida, tendo a incidência da contribuição (PIS/Cofins) se dado sob amparo do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, que promoveu o alargamento de sua base de cálculo, para além das receitas decorrentes das vendas de mercadorias e serviços, alargamento esse declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de demonstração da composição e da existência do crédito e de provas hábeis a comprovar sua liquidez e certeza. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, trouxe aos autos cópias de planilhas identificadas como Balancete, Balanço, Lalur e Razão e requereu o reconhecimento do seu direito, repisando os mesmos argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10830.913631/200918 Resolução nº 3302000.847 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Deroulede, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3302000.833, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10830.913618/200969, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3302000.833 Voto vencedor): Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto ao fato de estar comprovada a certeza e liquidez do direito creditório alegado pela recorrente. Em seu voto, o i. relator entendeu que os documentos acostados aos autos demonstram a existência do crédito pleiteado pela recorrente, possibilitando a compensação requerida. Todavia, não constam, no processo, documentos necessários à demonstração da natureza de algumas receitas no caso, atinentes à participação em outras sociedades , as quais poderiam servir de base de incidência de PIS/COFINS e, assim, influenciar na apuração do crédito alegado pela recorrente. Nesse sentido, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da RFB tome as seguintes providências: 1. Intimar a recorrente para apresentar documentação suficiente e necessária das operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, devendo ser demonstrado, de forma clara e objetiva, o enquadramento ou não de eventuais receitas ligadas àquelas operações ao provimento jurisdicional concedido à recorrente; 2. Analisar os documentos e a resposta apresentada pela recorrente, analisando sua consistência e procedência, elaborando, ao final, relatório com parecer conclusivo, manifestandose, em especial, sobre o enquadramento ou não das receitas ligadas às operações de participação societária acima aludidas ao escopo da decisão judicial em favor da recorrente; 3. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência (item 2), abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10830.913631/200918 Resolução nº 3302000.847 S3C3T2 Fl. 5 4 Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da RFB tome as seguintes providências: 1. Intimar a recorrente para apresentar documentação suficiente e necessária das operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, devendo ser demonstrado, de forma clara e objetiva, o enquadramento ou não de eventuais receitas ligadas àquelas operações ao provimento jurisdicional concedido à recorrente; 2. Analisar os documentos e a resposta apresentada pela recorrente, analisando sua consistência e procedência, elaborando, ao final, relatório com parecer conclusivo, manifestandose, em especial, sobre o enquadramento ou não das receitas ligadas às operações de participação societária acima aludidas ao escopo da decisão judicial em favor da recorrente; 3. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência (item 2), abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 311DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.721536/2014-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.512
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13888.721536/2014-80
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5945074
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-001.512
nome_arquivo_s : Decisao_13888721536201480.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 13888721536201480_5945074.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7561179
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051147773673472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1614; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.721536/201480 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.512 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de outubro de 2018 Assunto RESTITUIÇÃO DE DÉBITO INDEVIDAMENTE COMPENSADO. RECOF. SUSPENSÃO DO PIS/COFINS. Recorrente WIPRO DO BRASIL INDUSTRIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). RELATÓRIO Por bem descrever os fatos do presente processo, reproduzo fragmentos do relatório da DRJ: Tratase de Pedido de Restituição de suposto pagamento indevido ou a maior formalizado em papel. Na apreciação do Pedido de Restituição, por meio do Despacho Decisório (...), a autoridade fiscal disse que, na inicial, a contribuinte destacou que um de seus principais clientes é a empresa Caterpillar Brasil Ltda, a qual, consoante Ato Declaratório Executivo ADE SRF nº 8, de 18/03/2004, é pessoa jurídica homologada no RECOF –Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .7 21 53 6/ 20 14 -8 0 Fl. 346DF CARF MF Processo nº 13888.721536/201480 Resolução nº 3201001.512 S3C2T1 Fl. 3 2 Explicou que, a Caterpillar, por ser homologada no RECOF, seu cliente usufrui, além da não incidência do IPI e ICMS, da suspensão do PIS e COFINS e ainda, informou que a peticionante, como fornecedor da Caterpillar, não aplicou a suspensão prevista em relação ao PIS e COFINS, apurando tais tributos a maior e os extinguindo por meio de compensação (Declaração de Compensação – DCOMP) com saldo de crédito proveniente de ressarcimento de IPI. O Auditorfiscal observou que no presente processo a interessada não pagou ou recolheu qualquer débito por meio de DARF ou GPS, mas, sim, realizou a declaração de compensação de débito de COFINS com crédito de ressarcimento de IPI, por meio de apresentação de DCOMP com crédito de ressarcimento de IPI e ainda: Embora tanto o pagamento como a compensação sejam modalidades de extinção do crédito tributário – conforme incisos I e II, do artigo 156 do CTN –, tais modalidades possuem institutos jurídicos distintos, não sendo possível a aplicação de um em outro. Tanto é assim que a compensação tem seu regramento fundamentado nos artigos 170 e 170A, os quais estão disciplinados, na esfera federal, no artigo 74 da Lei 9.430/96. Quanto ao pagamento, o regramento está disciplinado nos artigos 157 a 164 do CTN, e a restituição de eventual pagamento indevido encontrase nos artigos 165 a 169 do aludido diploma legal. A autoridade administrativa explicou que o crédito utilizado na compensação de débitos não se originou de pagamento indevido ou a maior, mas, sim, de ressarcimento de IPI e que ressarcimento não é sinônimo de restituição, uma vez que o ressarcimento tem natureza de beneficio fiscal, o qual decorre de política estatal, não havendo um prévio pagamento indevido ou a maior. Já a restituição pressupõe a existência de um prévio pagamento indevido, que foi, de fato, recolhido pelo contribuinte e completou: Portanto, além de a pretensão do contribuinte não se tratar de restituição de pagamento indevido ou a maior, tampouco a DCOMP, declarada pelo contribuinte, estava amparada em crédito de pagamento indevido ou a maior. Observou, também, que embora a contribuinte tenha solicitado a restituição do crédito (ressarcimento) informado sem amparo legal, não caberia atualização por falta de previsão legal. Situação diferente de quando o crédito é originado de pagamento indevido ou a maior, hipótese em que há previsão legal de atualização. O Auditorfiscal entendeu que outro óbice ao pedido seria o pedido ter sido protocolizado após a homologação da DComp pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, fato jurídico que não permitiria a retificação da DComp e a consequente redução do valor do débito, isto porque, a compensação declarada só poderá ser retificada na hipótese de a mesma se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. (...) Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade (...), tecendo seus argumentos conforme segue: Inicialmente informa que a RKM Equipamentos Hidráulicos S/A passou a se denominar WIPRO DO BRASIL INDUSTRIAL S/A. Após narrar os fatos contidos no processo, faz a abertura de sua argumentação em fase preliminar: Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13888.721536/201480 Resolução nº 3201001.512 S3C2T1 Fl. 4 3 Da possibilidade de deferimento do pedido de restituição no formato realizado 1) Quitação dos tributos por meio de compensação de crédito de ressarcimento de IPI – crédito oriundo do princípio da nãocumulatividade que pressupõe o pagamento antecipado pelo contribuinte 2) Artigo 165 do CTN que não contempla a restrição proposta – 3) Prevalência do direito material sobre o rigor formal – 4) Violação dos princípios que regem a Administração Pública (artigo 2º e seguintes da Lei nº 9.784/99) Explica que a negativa preliminar proposta pela autoridade fiscal se pauta no sentido da impossibilidade de deferimento do pedido de restituição formulado, uma vez que o indébito sustentado decorreu de uma compensação a maior realizada com crédito de ressarcimento de IPI e não por meio de recolhimento em DARF ou GPS. Para basear sua tese, sustenta que a IN RFB nº 1300/2012 apenas permite a restituição de valores pagos pelos contribuintes por meio de DARF ou GPS. Ainda, que a liquidação por meio de compensação de crédito de ressarcimento de IPI não permitiria aludido pleito, uma vez que o ressarcimento teria natureza de benefício fiscal decorrente de política estatal, enquanto que a restituição pressupõe um prévio pagamento indevido, seu cliente (Caterpillar) está habilitado no regime do RECOF, ele, como fornecedor, deveria ter efetuado a venda com suspensão do PIS e COFINS. (...). Entende que os créditos originados dos pedidos de ressarcimento de IPI não decorrem de benefício fiscal, mas sim do estrito atendimento ao princípio da nãocumulatividade previsto na Constituição Federal, que visa evitar o efeito cascata da incidência tributária e não possui qualquer caráter de benesse estatal. Argúi que o caso em comento não guarda qualquer relação com o processo de ressarcimento de IPI, mas com pedido de restituição da COFINS que foi quitada por meio de PER/DCOMP com origem no ressarcimento de IPI. Sob essa premissa, o que foi pugnado junto à União Federal é a devolução de valor efetivamente quitado da COFINS, cujo montante restou reduzido após a recomposição de sua base de cálculo. Discorda do contido no Despacho Decisório, pois o Código Tributário Nacional não impõe qualquer restrição e/ou formato de quitação do tributo objeto do indébito: E nem se alegue que a limitação ao pleito se baseia exclusivamente no disposto pela IN RFB nº 1300/2012. Isto porque, é insuscetível a aplicação isolada de ato administrativo em desacordo com o contido no Código Tributário Nacional. Extraise do texto da lei, que de forma ampla estabeleceu regra geral quanto à possibilidade de restituição, não destacando nenhuma hipótese de exceção e/ou restrição, concernente ao formato de pagamento. Esposa o entendimento de que se o Código Tributário Nacional não pretendeu restringir os direitos dos contribuintes no exercício do direito de restituição dos valores indevidamente recolhidos aos cofres públicos, não poderia a Receita Federal, por meio de interpretação isolada em Instrução Normativa, sob o pretexto de regulamentação, impor limites à previsão legal e: O objetivo da lei sempre foi fornecer aos contribuintes mecanismos de reaver os valores indevidamente cobrados pela administração pública ou objeto de equívoco por parte dos sujeitos passivos. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 13888.721536/201480 Resolução nº 3201001.512 S3C2T1 Fl. 5 4 Importante salientar, que na hipótese em comento, conforme já consignado no pleito de restituição, a única forma da Manifestante reaver o que lhe é de direito consistia no deferimento do pedido de restituição, sob pena de esvaziamento do direito legalmente assegurado. Isto porque, uma vez homologada a compensação que liquidou o débito a maior da COFINS, insuscetível de qualquer retificação/cancelamento, sendo de rigor o único formato adotado pela Manifestante, que, inclusive, se baseou em orientação verbal da própria Receita Federal em atendimento no plantão fiscal. Cita a os princípios constitucionais (artigo 37, da CF) que regem a relação entre fisco e contribuintes e a Lei nº 9.784/99, afirmando que tais comandos devem ser seguidos, pois são os pilares do ordenamento jurídico. Entende que em nenhum momento o texto da lei estabelece que somente será passível de restituição os valores pagos em DARF ou GPS, tal como fez crer a autoridade fiscal em seus fundamentos e também: Na hipótese tratada, a violação ao princípio da legalidade potencializase na medida em que o pedido de restituição era a única forma da Manifestante buscar seu direito em face da União Federal, uma vez não previsto na legislação qualquer outro formato para as circunstâncias narradas. Entende cabíveis os princípios da proporcionalidade, razoabilidade, oficialidade e da verdade material e que não podem ser mitigados pelo formalismo: Para que o formalismo não se torne um instrumento que restringe a observância da forma e distancia a verdade material, deve a administração alcançar a função social do processo para que haja a prevalência da justiça sobre a forma, uma vez que está submissa ao princípio da legalidade, sendolhe imposto, inclusive, para o alcance da norma, o poderdever de revisão de ofício seus próprios atos. Em outras palavras, não deve o formalismo se sobrepor à matéria e à verdade dos fatos e a autoridade tem o dever de buscar a verdade material, não devendo se satisfazer com as informações trazidas pelas partes. Cita doutrina e jurisprudência que entende aplicáveis ao caso e conclui: Diante dos argumentos traçados, com amparo na melhor doutrina e jurisprudência pátrias, inconteste a possibilidade da administração pública analisar os pleitos dos contribuintes evitandose o formalismo excessivo e considerando a boafé das relações, tudo em busca ao alcance da verdade material e respeito aos preceitos estampados no artigo 37, da Constituição Federal e artigo 2º, da Lei nº 9.784/99. Após ou argumentos preliminares, a interessada continua sua defesa com o título "Do direito": Do efetivo amparo legal para suspensão de PIS e COFINS objeto de venda realizada à empresa habilitada no RECOF – Inexistência de obrigatoriedade de cohabilitação para fornecimento – Benefícios legais destinados à compradora que produzem efeitos automáticos – Direito material que pode ser aferido com base nos elementos probatórios ainda que existente erro formal no preenchimento das Notas Fiscais. Inicialmente a interessada explica que no exercício de suas atividades dentro dos períodos de 2007 a 2011, a Manifestante realizou diversas vendas em favor da Caterpillar Brasil Ltda, inscrita no CNPJ sob nº. 61.064.911/000177, que, por sua vez, consoante Ato Declaratório Executivo SRF nº 8, de 18 de março de Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13888.721536/201480 Resolução nº 3201001.512 S3C2T1 Fl. 6 5 2004 e Ato Declaratório Executivo SRF nº 53, de 24 de julho de 2006 é homologada no RECOF (Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado) (doc. anexo aos autos) instituído através do Decreto n° 2.412 de 3 de Dezembro de 1997. Expõe sua compreensão do funcionamento do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Aduaneiro Informatizado (RECOF), o qual permite à empresa beneficiária importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão do pagamento de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados à exportação ou mercado interno. É também permitido que Parte da mercadoria admitida no regime, no estado em que foi importada ou depois de submetida a processo de industrialização, seja despachada para consumo. A mercadoria, no estado em que foi importada, poderá também ser exportada, reexportada ou destruída. Desta feita, informa os benefícios: Na época dos fatos em exame, o RECOF era regulamentado pela Instrução Normativa SRF 757/2007, que, além de estabelecer todos os requisitos impostos às empresas habilitadas, dentre vários benefícios oferecidos pelo regime é de que a empresa homologada goza da permissão de importar todos os insumos com suspensão de II, IPI e PIS/COFINS, bem como efetuar compras nacionais com a suspensão do IPI e PIS/COFINS, conforme estabelecido em seu artigo 28. Diante dos benefícios contidos nas normas citadas, a interessada defende que em que pese ter fornecido para empresa homologada no RECOF – Caterpillar do Brasil Ltda, não excluiu de sua base de cálculo tributável a suspensão de PIS e COFINS previstas na legislação, mas sim, equivocadamente, apurou e recolheu A MAIOR os citados tributos. Em outras palavras, ao constituir sua base de cálculo de PIS e do COFINS não desconsiderou as vendas para a Caterpillar Brasil Ltda, portanto, a empresa recolheu mais do que deveria. É certo, que os valores das vendas com suspensão de PIS e COFINS não podem contemplar a base de cálculo para fins de tributação dessas contribuições, sob pena de esvaziamento da benesse legal/normativa do RECOF. A interessada cita a SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 28 de 26 de Setembro de 2007 ASSUNTO: Regimes Aduaneiros EMENTA: Regime Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado Recof. Somente as mercadorias de origem nacional remetidas às empresas autorizadas a operar o regime Recof poderão sair do estabelecimento do fornecedor nacional com suspensão do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. A venda de mercadorias de origem nacional à empresas que estão no regime Recof, com suspensão do IPI e das Contribuição para o PIS/Pasep e da cofins, não geram direito à manutenção dos créditos. E conclui que diante do equívoco no cômputo na base de cálculo das contribuições das vendas a Caterpillar com suspensão de PIS e COFINS, a Manifestante reconstituiu sua escrita suprimindo essas operações da base tributável, o que motivou a redução dos valores devidos na competência objeto dos presentes autos. Informa que retificou a Dacon e a DCTF do período e ainda que: Fl. 350DF CARF MF Processo nº 13888.721536/201480 Resolução nº 3201001.512 S3C2T1 Fl. 7 6 Por outro lado, a fim de complementar as informações e documentos anexados aos autos, que por si só comprovariam o direito sustentado, a Manifestante apresenta “Laudo Técnico Contábil”, assinado por profissional devidamente habilitado no Conselho Regional de Contabilidade – CRC/SP, contratado para fins de corroborar as questões trazidas à julgamento, que, além das informações constantes do seu corpo, contempla documentação anexa que permite essa conclusão, com o fito de exaustivamente comprovar a origem e procedência do direito creditório. Entende que os fornecedores de mercadorias às empresas habilitadas no RECOF não necessitam de cohabilitação no regime, uma vez que nessa hipótese os únicos beneficiados da operação são as adquirentes dos bens: A cohabilitação prevista pelos artigos 8º e seguintes, da IN RFB nº 757/2007, além de facultativa, permite aos fornecedores industriais das empresas habilitadas se beneficiarem conjuntamente dos benefícios do regime do RECOF, com a aquisição/importação de partes, peças e componentes necessários à produção dos bens que industrializar também com suspensão tributária prevista na legislação. (...) A interpretação contida no despacho decisório impugnado é deveras equivocada, uma vez ausente a imposição de cohabilitação em toda a legislação do RECOF para os casos de simples fornecimento às empresas habilitadas. Até porque, caso a legislação exigisse a cohabilitação de todos os fornecedores das empresas habilitadas, o RECOF não sairia do papel, uma vez que dificilmente as empresas de porte inferior que fornecem os bens contemplariam todos os requisitos impostos pelos artigos 4º e 5º, da IN RFB 757/2007. Argumenta que a falta de registro nas notas fiscais de saída dos produtos com suspensão das referidas contribuições, seria somente formalidade, confirase: Por sua vez, é sabido que também existe a exigência do artigo 28, do mesmo texto normativo, que indica as informações a serem imprimidas nas Notas Fiscais de saída dos fornecedores (“Saída com suspensão do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, para estabelecimento habilitado ao Recof ADE SRRF nº xxx, de xx/xx/xxxx"), as quais de fato não compuseram as notas emitidas pela Manifestante. Porém, consoante já sustentado nesta peça, a formalidade de informação em Nota Fiscal não pode se sobrepor ao direito material decorrente do RECOF, haja vista inequívoca comprovação de que a destinação das mercadorias objeto de análise foram à empresa devidamente habilitada no regime (Caterpillar), a qual é a efetiva destinatária da norma e não pode ser prejudicada por eventual lapso de informação na Nota Fiscal de compra. É certo, portanto, que eventual equívoco formal não deve prevalecer sobre a verdade material consubstanciada nos demais meios probatórios existentes no processo administrativo fiscal, sobretudo quando não há prejuízo a fazenda nacional. Cita jurisprudência administrativa na qual consta que demonstrados nos autos os erros nos procedimentos adotados pelo contribuinte, há que ser reapreciado o pleito desconsiderandose tais equívocos, haja vista inexistir prejuízo à fazenda nacional e conclui: Fl. 351DF CARF MF Processo nº 13888.721536/201480 Resolução nº 3201001.512 S3C2T1 Fl. 8 7 Nesse sentido, em que pese as Notas Fiscais emitidas à Caterpillar não terem feito menção à saída com suspensão de PIS e COFINS, restando comprovada a destinação das mercadorias no formato da legislação à empresa habilitada no RECOF, é de rigor seja admitido o lançamento da suspensão prevista na legislação, que, conforme parágrafo único, do artigo 27, da IN RFB 757/2007 se consuma automaticamente. Por fim, solicita: Preliminarmente: 1) Considerando todas as premissas adotadas, com convicção acerca da possibilidade de análise material do direito de restituição pleiteado pela Manifestante, ainda que sob outra roupagem ou mesmo sobre o formato de revisão da compensação que liquidou a maior o valor objeto do pedido, em como a busca pela verdade material e formalismo moderado, é de rigor seja admitida a aferição material do pleito realizado. No mérito: 1) Diante da inexistência de obrigatoriedade da Manifestante se cohabilitar no regime do RECOF para fornecimento à empresa habilitada, sem prejuízo da insofismável viabilidade de mitigação de erro formal no preenchimento das Notas Fiscais de saída, prestigiandose a verdade material, necessário se faz o reconhecimento do direito creditório sustentado, com o consequente deferimento da restituição pleiteada. Seguindo a marcha processual normal, irresignado com r. decisão proferida pela DRJ/Ribeirão Preto, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário repisando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, requerendo total reforma do julgado. VOTO Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.492, de 24/10/2018, proferida no processo 13888.721005/201497, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.492): "O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. No caso em tela reclama o Contribuinte que efetuava venda de produtos para empresa Caterpillar Brasil, qual era detentora do RECOF. Que a Caterpillar como adquirente de produtos da Contribuinte, a saída dos produtos teria isenção tributária. Em caso idêntico, o assunto foi enfrentado por esse CARF no acórdão no. 3401001.275, com o seguinte fundamento: Fl. 352DF CARF MF Processo nº 13888.721536/201480 Resolução nº 3201001.512 S3C2T1 Fl. 9 8 "(...) observo que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria a demonstração cabal dos argumentos deduzidos, através de documentação hábil suficiente a amparálos. Todavia, entendo draconiano impor ao sujeito passivo a intuição de qual acervo probatório deveria dispor para atender suficientemente as expectativas do julgador administrativo. É inconteste que, tratandose de restituição de tributos, é do contribuinte o encargo de provar o direito vindicado, ex vi do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art. 373, I, do novo Código de Processo Civil, de tal sorte que deveria haver uma prova mínima das razões aventadas, não sendo suficiente a tal desiderato a mera juntada de declarações retificadoras, pois, como adrede exposto, não amparam direito à restituição de tributo pago indevidamente. No caso vertente, entretanto, constam dos elementos coligidos aos autos, ainda na manifestação de inconformidade, cópias das notas fiscais de venda à CATERPILLAR, empresa beneficiária do RECOF e, por conseqüência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins em suas aquisições no mercado interno, com discriminação dos documentos e a pretensa demonstração que essas faturas compuseram a base de cálculo daquelas exações. Como pontuado alhures, não é possível exigir que o sujeito passivo traga, de imediato, toda a documentação, que reputa o julgador necessária à demonstração do indébito, em um extremado exercício de predição. Nessa toada, à luz dos termos do despacho decisório eletrônico, parecialhe suficiente a justificativa da retificação, a demonstração dos cálculos e as notas fiscais respectivas, agregandose, após decisão de primeiro grau administrativo, o extrato do livro Registro de Saídas. Poderseia indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental complementar, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, como fez a decisão recorrida, contudo, não se pode olvidar que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, pois validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que, em situações como a deste processo, onde há um robusto princípio de prova, formado não apenas por declarações ou debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito postulado. (...) Com isso, adoto nos exatos termos como fundamento os argumentos exteriorizado pelo Conselheiro Robson José Bayerl, para converter o feito em diligência para a unidade preparadora realize: Fl. 353DF CARF MF Processo nº 13888.721536/201480 Resolução nº 3201001.512 S3C2T1 Fl. 10 9 Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Após, vista ao contribuinte se manifestar pelo prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos a este Conselho." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem realize: a) aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, d) elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas; e) após, vista ao contribuinte para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. Cumprida a diligência, os autos devem retornar a este Conselho para julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 354DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.922721/2009-08
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE.
A apreciação de inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO.
Tendo o Relator consignado na decisão de segunda instância que as partes não apresentaram, relativamente à matéria conhecida, novas razões de mérito perante o Carf, propondo, por consequência, a adoção da decisão recorrida como fundamento para decidir a controvérsia apresentada, é suficiente a transcrição dos termos da decisão da primeira instância.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. LIMITE DO CRÉDITO EXISTENTE.
É de se efetuar a compensação do débito tributário, a restituição e o ressarcimento do indébito até no limite do crédito existente, dado que destas hipóteses pressupõe-se a existência de créditos para o encontro de contas débitos versus créditos.
RESSARCIMENTO. INSUMOS. DIREITO CREDITÓRIO.
Apenas os créditos oriundos das aquisições de insumos compreendidos nos conceitos estabelecidos pela legislação do IPI como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem são passíveis de ressarcimento.
Numero da decisão: 3001-000.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. Tendo o Relator consignado na decisão de segunda instância que as partes não apresentaram, relativamente à matéria conhecida, novas razões de mérito perante o Carf, propondo, por consequência, a adoção da decisão recorrida como fundamento para decidir a controvérsia apresentada, é suficiente a transcrição dos termos da decisão da primeira instância. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. LIMITE DO CRÉDITO EXISTENTE. É de se efetuar a compensação do débito tributário, a restituição e o ressarcimento do indébito até no limite do crédito existente, dado que destas hipóteses pressupõe-se a existência de créditos para o encontro de contas débitos versus créditos. RESSARCIMENTO. INSUMOS. DIREITO CREDITÓRIO. Apenas os créditos oriundos das aquisições de insumos compreendidos nos conceitos estabelecidos pela legislação do IPI como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem são passíveis de ressarcimento.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.922721/2009-08
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5930637
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3001-000.587
nome_arquivo_s : Decisao_10830922721200908.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
nome_arquivo_pdf_s : 10830922721200908_5930637.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7532300
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051147779964928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1781; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 377 1 376 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.922721/200908 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.587 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 21 de novembro de 2018 Matéria DCOMP IPI DIREITO CREDITÓRIO INSUMOS Recorrente ALUJET INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. Tendo o Relator consignado na decisão de segunda instância que as partes não apresentaram, relativamente à matéria conhecida, novas razões de mérito perante o Carf, propondo, por consequência, a adoção da decisão recorrida como fundamento para decidir a controvérsia apresentada, é suficiente a transcrição dos termos da decisão da primeira instância. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. LIMITE DO CRÉDITO EXISTENTE. É de se efetuar a compensação do débito tributário, a restituição e o ressarcimento do indébito até no limite do crédito existente, dado que destas hipóteses pressupõese a existência de créditos para o encontro de contas débitos versus créditos. RESSARCIMENTO. INSUMOS. DIREITO CREDITÓRIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 92 27 21 /2 00 9- 08 Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10830.922721/200908 Acórdão n.º 3001000.587 S3C0T1 Fl. 378 2 Apenas os créditos oriundos das aquisições de insumos compreendidos nos conceitos estabelecidos pela legislação do IPI como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem são passíveis de ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 326 a 346) interposto contra a decisão consubstanciada no Acórdão 1141.327, da 2ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE DRJ/REC, referente ao julgamento realizado em 31.05.2013 (efls. 308 a 320). Da decisão de 1ª instância O acórdão recorrido julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa transcrevese, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 RESSARCIMENTO. INSUMOS. DIREITO CREDITÓRIO. Apenas os créditos oriundos das aquisições de insumos compreendidos nos conceitos estabelecidos pela legislação do IPI como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem são passíveis de ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Estando o ato administrativo revestido de suas formalidades essenciais e não tendo restado comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa ou de qualquer outra hipótese de nulidade prevista na legislação, não há que se decretála. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10830.922721/200908 Acórdão n.º 3001000.587 S3C0T1 Fl. 379 3 Considerase como não contestada a matéria que não tenha sido expressamente questionada pelo contribuinte. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. PROVA TESTEMUNHAL. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. PRECLUSÃO. PEDIDO DE PERÍCIA. DESATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. Nos termos da legislação do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), além de não haver previsão para produção de prova testemunhal, toda prova documental deve ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão, salvo exceções previstas, e os pedidos de perícia sem indicação de perito e quesitos são considerados como não formulados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da síntese dos fatos Com a devida vênia, adoto o relatório da decisão recorrida, por entender suficiente à elucidação dos fatos que importam para a solução do presente litígio, que reproduzo, verbis: Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor de R$ 278.392,18, referente ao 2º trimestre de 2006, cumulado com pleito compensatório de débitos próprios, formulado por meio dos PER/DCOMP anexados às fls. 04 a 130, todos baixados em papel para tratamento manual. Às fls. 235 a 245, encontrase anexada Informação Fiscal, concebida em face das verificações necessárias à apreciação do requerimento apresentado, na qual o Auditorfiscal responsável pelos exames expõe os fatos e o direito aplicável à espécie e informa que foram glosados os valores de aquisição de itens (ferramental/matriz/molde e o aço utilizado em sua produção) que não se enquadram no conceito de insumos para industrialização, conforme estabelecido na legislação do IPI e, em especial, no Parecer Normativo CST nº 65/79. Por meio do Despacho Decisório de fls. 257/258, a unidade jurisdicionante, em consonância com a Informação Fiscal supra referida, deferiu em parte o pleito requerido, considerando homologado apenas o valor equivalente ao quantum reconhecido Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10830.922721/200908 Acórdão n.º 3001000.587 S3C0T1 Fl. 380 4 (R$ 277.219,10) e não homologando as demais compensações formuladas. Devidamente cientificado, o interessado apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade (fls. 262/297) onde formulou, em síntese, as seguintes razões de defesa: a) Com base em preceitos constitucionais e doutrinários, alega, por meio de preliminar, não ter tido total compreensão dos elementos que nortearam as conclusões da fiscalização, especialmente no que concerne à motivação do ato administrativo perpetrado. Pugna pela nulidade da decisão exarada. b) Argumenta que a glosa efetivada pela fiscalização, de valores referentes a aquisições de itens que seriam insumos, é ilegal e ofende ao princípio da nãocumulatividade (§ 3º do art. 153 da CF). c) Menciona os produtos Broca, Pastilha, Rotor, Tela Galvanizada, Tubo de Alimentação e Tubo de Ferro, descrevendo como se daria a participação e o desgaste de cada um deles ao longo do seu processo produtivo, conforme a seguir sintetizado: (...) d) Cita o produto materiais refratários, além de cadinhos, lixas, feltros e matrizes para fundição, defendendo haver posicionamento jurisprudencial no sentido de considerálos insumos para fins de crédito do ICMS. A respeito do tema, apresenta excertos de Decisões Judiciais. e) Diz ser inaceitável que se tenha presumido a insuficiência de crédito, por força de mera informação incompleta estampada em um de seus documentos fiscais. f) Transcrevendo fragmentos doutrinários, aduz ter havido ofensa aos princípios da verdade material e da inquisitoriedade, porquanto o crédito reivindicado efetivamente existiria, conforme atestariam os documentos comprobatórios colacionados aos autos. g) Valendose novamente de entendimentos doutrinários, sustenta que o direito à manutenção do crédito advindo da aquisição de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagens, que se consomem durante o processo produtivo, reconhecido que foi pelo Governo quando da edição da Lei nº 9.779/99, tem seu fundamento de validade na Constituição Federal e negálo configuraria afronta aos princípios da seletividade, nãocumulatividade e proibição de tributo com efeito confiscatório. h) Questiona a correção dos débitos pela Selic, aduzindo que sua aplicação afrontaria diversos princípios constitucionais, em especial o da legalidade tributária (art. 150, I, da CF) e Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10830.922721/200908 Acórdão n.º 3001000.587 S3C0T1 Fl. 381 5 padeceria de vícios insanáveis. Afirma que somente seria permitido à lei ordinária fixar o percentual de juros em patamar igual ou inferior ao estabelecido no CTN (art. 161, § 1º), que é de 1% (um por cento) ao mês. Quanto à questão, transcreve excertos doutrinários e jurisprudenciais. i) Contesta a multa moratória imputada, alegando que a referida seria inconstitucional e confiscatória, posto que seu percentual máximo não poderia ultrapassar 2%, conforme previsto no § 1º do art. 52 da Lei nº 9.298/96, aplicável ao caso por analogia. Mais uma vez, faz uso de posicionamentos doutrinários e jurisprudenciais. Por fim, noutros termos, requer a reforma da decisão combatida, no sentido de que seja reconhecido integralmente o direito creditório pleiteado e homologadas as compensações a ele vinculadas, ao tempo em que protesta por todas as formas de prova em direito admissíveis, entre as quais a testemunhal, a documental e a pericial. É o que importa relatar. Do recurso voluntário Irresignado com a decisão recorrida, o contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 326 a 346) para, tão somente e de maneira mais sintética, repetir os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, notadamente para aduzir sobre (i) a matriz constitucional do IPI e os princípios que o regulam, notadamente quanto aos primados da seletividade e da nãocumulatividade; (ii) o conceito de insumo para a legislação do IPI, com ênfase ao direito ao aproveitamento do crédito requisitos básicos; (iii) da taxa Selic; (iv) o caráter confiscatório da multa aplicada aos débitos cuja compensação não foi homologada. Para, ao final, requerer o provimento do pedido, reformando a decisão recorrida, para declarar a homologação das compensações apresentadas, por entender legítimo e adequado o respectivo crédito utilizado. Do encaminhamento O presente processo digital foi encaminhado, em 02.12.2013, para ser analisado por este Carf (efl. 374), sendo, posteriormente, distribuído para este relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10830.922721/200908 Acórdão n.º 3001000.587 S3C0T1 Fl. 382 6 Observo, de plano, que a teor do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017, este Colegiado é competente para julgar o presente feito. Da tempestividade Consta dos autos a "INTIMAÇÃO 10.830/SEORT/DRF/CPS/989/2013", de 08.10.2013 (efl. 348), emitido com o objetivo de cientificar o interessado do acórdão recorrido. Consta também a cópia do Aviso de Recebimento AR, entregue em 15.10.2013. No mesmo documento consta a informação da ECT confirmando a entrega no endereço do destinatário em 17.10.2013, conforme extraise do carimbo e assinatura do preposto dos Correios (efls. 349/350). Do "TERMO DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA" extraise o registro, em 22.08.2013, da solicitação de juntada do Recurso Voluntário (efls. 347). O artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 06.03.1972, que trata do prazo da interposição de recurso voluntário contra decisão de primeira instância, dispõe, verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Dessa feita, considerando que, no caso sob exame, a juntada do presente Recurso Voluntário ocorreu em 22 de agosto de 2013, ou seja, antes mesmo do início do trintídio legal, uma vez que o recorrente só foi formalmente cientificado da decisão recorrida em 17 de outubro de 2013, operouse, em verdade, uma apresentação espontânea de recurso, à qual, embora não seja uma prática recorrente, inexiste impedimento legal para assim proceder. Portanto, quanto aos pressupostos de admissibilidade, o recurso voluntário merece apreciação por este Colegiado. Do mérito Da permissão da adoção da decisão recorrida Dispõe o artigo 57 da Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, que aprovou o Ricarf, verbis: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10830.922721/200908 Acórdão n.º 3001000.587 S3C0T1 Fl. 383 7 § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (grifei) Da fundamentação adotada Verificandose que o recorrente reitera perante este colegiado os mesmos argumentos já apresentados em sede de manifestação de inconformidade, ao amparo do permissivo regimental estatuído no artigo 57 da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, acima reproduzido, e também em respeito aos ditames da praticidade, economicidade e coerência, os quais devem nortear os feitos da Administração Pública, e, por óbvio, por concordar plenamente com os argumentos condutores do acórdão recorrido, da lavra do Relator Nelson Barbosa Caldas Júnior, peço vênia para incluílos em meu voto e fazêlos minhas razões de decidir, que transcrevo, verbis: Voto (...) Dos créditos glosados Traz o interessado argumentos no sentido de invalidar as glosas impostas pela fiscalização, de valores referentes a aquisições de itens que, no seu entendimento, se configurariam como insumos propiciadores de crédito do imposto. Quanto ao tema, vale articular algumas considerações, sendo conveniente destacar, primeiramente, que nos termos do art. 21, § 3º, da Constituição Federal anterior à vigente, havia a seguinte disposição: “Art. 21 (...) § 3º O imposto sobre produtos industrializados será seletivo em função da essencialidade dos produtos, e não cumulativo abatendose, em cada operação, o montante cobrado nas anteriores.” Por sua vez, o Código Tributário Nacional (CTN) Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, em seu artigo 49, assim dispõe sobre a nãocumulatividade do IPI, in verbis: Art. 49 O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10830.922721/200908 Acórdão n.º 3001000.587 S3C0T1 Fl. 384 8 Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes. Do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23 de dezembro de 1982 RIPI/1982, artigo 81 (correspondente ao art. 146 do RIPI/98 e ao art. 163 RIPI/2002), se extrai o seguinte preceito: “Art. 81 A nãocumulatividade do imposto é exercida pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste capítulo.” Esse artigo 81 integra o Capítulo VII do RIPI/82, que disciplina o sistema de crédito do imposto, inclusive sua utilização, conforme art. 103: “Art. 103 Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos. § 1º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte. § 2º O direito à utilização do crédito está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração, neste Regulamento.” Já a CF/88 assim dispõe a respeito do tema em apreço: “Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) IV produtos industrializados; (...) § 3º O imposto previsto no inciso IV: I (...) II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores.” Como se observa, evidenciase a existência de toda uma legislação relativa ao IPI, que cuida do tratamento a ser dispensado aos créditos (básicos) desse tributo escriturados pelo contribuinte em seus livros fiscais, no que concerne à sua apuração, aproveitamento e utilização. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10830.922721/200908 Acórdão n.º 3001000.587 S3C0T1 Fl. 385 9 Configurase assim o princípio da nãocumulatividade, previsto no texto constitucional e exercido por meio de uma sistemática denominada “sistema de créditos”, o qual objetiva evitar que o ônus do imposto vá se acumulando em cada operação, eliminandose, dessa forma, a dupla incidência ou tributação “em cascata”. Já o art. 11 da Lei nº 9.779/1999, que serviu de fundamento ao pleito apresentado, inovou o ordenamento jurídico vigente e assim estabeleceu: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda.” Como se observa, com o advento do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, passou a ser possível o aproveitamento, na forma de ressarcimento ou compensação conforme estabelecido nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 , do saldo credor do IPI, oriundo da aquisição de insumos aplicados na industrialização de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, que não pôde ser compensado com o IPI devido na saída de outros produtos (sistema de créditos). Como se sabe, em situações especiais, como forma de incentivar investimentos em alguns setores da economia ou regiões do país, consideravamse créditos incentivados, antes da edição da Lei nº 9.779/99, aqueles decorrentes da utilização de insumos que foram onerados pelo IPI e aplicados em determinados produtos beneficiados com isenção ou redução a zero de suas alíquotas. Nessas circunstâncias, faziase mister que a legislação concessiva do favor fiscal expressamente mencionasse a possibilidade de manutenção e aproveitamento dos créditos (incentivados) relativos aos insumos empregados na industrialização dos referidos produtos. A citada norma legal, por meio do dispositivo contido no seu art. 11, apenas ampliou o direito ao crédito, criando uma nova sistemática jurídicotributária na qual se deixou de fazer diferenciação entre crédito básico e crédito incentivado e permitiuse, então, que créditos excedentes do imposto por insuficiência de débito (com exceção dos créditos relativos a insumos empregados na fabricação de produtos não tributados), acumulados em cada trimestre calendário, pudessem ser aproveitados para ressarcimento e compensação. Ocorre que os materiais adquiridos e empregados na industrialização de produtos isentos ou tributados à alíquota Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10830.922721/200908 Acórdão n.º 3001000.587 S3C0T1 Fl. 386 10 zero têm, necessariamente, que se amoldar ao conceito de insumos estabelecido pela legislação para estarem aptos a propiciar direito ao crédito do imposto. No caso em análise, conforme restará adiante evidenciado, os supostos créditos reclamados pelo defendente foram glosados exatamente por não se enquadrarem os produtos adquiridos, nos termos da legislação regente, como insumos propiciadores de direito creditório. No que concerne a tal aspecto, cumpre salientar que de modo geral o contribuinte procura sustentar em sua impugnação que o conceito de produtos intermediários, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da nãocumulatividade, deveria merecer interpretação ampla, de forma a contemplar todos os insumos consumidos no processo de industrialização. A respeito do assunto, o RIPI/2002, no inciso I do seu art. 164 (art. 25 da Lei nº 4.502, de 1964), repetindo dispositivo já contemplado nas edições anteriores do regulamento do IPI, esclarece que se incluem no conceito de matériaprima e produto intermediário os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Vejase o que estabelece o referido preceito legal, in verbis: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Oportuno trazer à baila também o Parecer Normativo CST nº 65, de 1979 DOU de 06 de novembro de 1979, que elucida a correta interpretação do inciso I do art. 66 do RIPI/79, o qual corresponde ao supra transcrito inciso I do art. 164 do RIPI/2002: “Em estudo o inciso I do artigo 66 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto nº 83.263, de 9 de março de 1979 (RIPI/79). 2 O artigo 25 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pela alteração 8ª do artigo 2º do Decretolei nº 34, de 18 de novembro de 1966, repetida “ipsis verbis” pelo artigo 1º do Decretolei nº 1.136, de 7 de setembro de 1970, dispõe: Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10830.922721/200908 Acórdão n.º 3001000.587 S3C0T1 Fl. 387 11 “Art. 25 A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuindo do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer”. Como se vê, tratase de norma não autoaplicável, de vez que ficou atribuído ao regulamento especificar os produtos entrados que geram o direito à subtração do montante de IPI a recolher. 3 Diante disto, ressaltese serem “ex nunc” os efeitos decorrentes da entrada em vigência do inciso I do artigo 66 do RIPI/79, ou seja, usando da atribuição que lhe foi conferida em lei, o novo Regulamento estabeleceu as normas e especificações que a partir daquela data passaram a reger a matéria, não se tratando, como há quem entenda, de disposição interpretativa e, por via de conseqüência, retroativa, somente sendo, portanto, aplicável a norma em análise, a seguir transcrita, aos fatos ocorridos a partir da vigência do RIPI/79: ‘Art. 66 Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502/64 arts. 25 a 30 e Decretolei nº 3.466, art. 2º, alt. 8ª): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.’ 4 Notese que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindose às matériasprimas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matériasprimas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 Observese, ainda, que enquanto na primeira parte da norma ‘matériasprimas’ e ‘produtos intermediários’ são empregados ‘stricto sensu’, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10830.922721/200908 Acórdão n.º 3001000.587 S3C0T1 Fl. 388 12 que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matériasprimas e produtos intermediários ‘stricto sensu’, ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exigese uma série de considerações. 6.1 Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2 Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente concluise por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. 7 Outrossim, aceita, em que pese a contradição lógico formal, a tese de que para os produtos que não sejam matérias nem produtos intermediários ‘stricto sensu’, vigente o RIPI/79, o direito ou não ao crédito deve ser deduzido exclusivamente em função do critério contábil ali estatuído, estarseia considerando inócuas diversas palavras constantes do texto legal, de vez que bastaria que o referido comando, em sua segunda parte, rezasse “...e os demais produtos que forem consumidos no processo de Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10830.922721/200908 Acórdão n.º 3001000.587 S3C0T1 Fl. 389 13 industrialização, salvo se compreendidos entre os bens ao ativo permanente”, para o mesmo resultado. 7.1 Tal opção, todavia, equivaleria a pôr de lado o princípio geral de direito consoante o qual ‘a lei não deve conter palavras inúteis’, o que só é lícito fazer na hipótese de não se encontrar explicação para as expressões inúteis. 8 No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão ‘incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto forem consumidos no processo de industrialização’ é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do artigo 27 de Decreto 56.791/65, inciso I do artigo 30 do Decreto nº 61.514/67 e inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matériasprimas nem produtos intermediários ‘stricto sensu’, geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1 A norma constante do direito anterior (inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), todavia restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito do crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2 O dispositivo vigente inciso I do artigo 66 do RIPI/79 por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9 Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos ‘que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização’, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10830.922721/200908 Acórdão n.º 3001000.587 S3C0T1 Fl. 390 14 10.2 A expressão ‘consumidos’ sobretudo levandose em conta que as restrições ‘imediata e integralmente’, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo.” (Grifouse) A leitura do Parecer acima reproduzido demonstra seu objetivo de esclarecer a equivocada interpretação de que, desde que não façam parte do ativo permanente, todos os insumos consumidos na industrialização poderiam ser considerados matériasprimas e produtos intermediários com fins de gerar o respectivo direito ao crédito. Esclarece, assim, que, dos insumos consumidos ou utilizados na produção, nem todos são matériasprimas ou produtos intermediários, de acordo com a legislação do IPI. Na mesma linha, já se tinha o Parecer Normativo nº 181, de 1974, que assim dispunha no seu item 13: “13 Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc.” Assim sendo, nos termos dos pareceres acima reproduzidos e em consonância com o inciso I do art. 164 do RIPI/2002, geram direito ao crédito, além das matériasprimas, produtos intermediários strictosensu e material de embalagem que se integram ao produto final, quaisquer outros bens desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente que se consumam por decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, restando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. Tal entendimento, no caso concreto, coadunase em todos os aspectos ao encaminhamento dado pelo Fisco quando desconsiderou como propiciadores de crédito do imposto os Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10830.922721/200908 Acórdão n.º 3001000.587 S3C0T1 Fl. 391 15 produtos relacionados no demonstrativo “Análise de Itens de Entradas” (fls. 227/228). Com efeito, os produtos lá apontados, com exceção do material tela galvanizada, configuramse como sendo ferramentas e peças/partes de máquinas (como é o caso dos seguintes itens expressamente contestados pelo contribuinte, quais sejam: broca, pastilha, rotor e tubos de alimentação e de ferro), que se consomem lentamente durante o processo industrial, o que denota estarem os mesmos submetidos ao desgaste normal, decorrente de uso sucessivo e repetido; materiais auxiliares que não entram em contato com o produto final ou não se desgastam pelo contato direto com este; materiais de manutenção e de laboratório, os quais não participam da operação de industrialização; ou bens pertencentes ao ativo permanente. Quanto à questão em apreço, vale destacar que a fiscalização não presumiu suas conclusões nem se pautou em mera informação, mas, isto sim, em exames efetuados no próprio estabelecimento do interessado e em explicações por este prestadas a respeito da aplicação dos diversos itens relacionados com o seu processo produtivo (vide documentos de fls. 207/212). Tais explicações, digase de passagem, foram fornecidas em sede de ação fiscal tendente a examinar a pertinência do direito creditório reivindicado e evidentemente são de inteira responsabilidade do contribuinte, não podendo ter seu valor probante invalidado sem o devido aprofundamento. Nesse sentido, é oportuno ressaltar que as contestações apresentadas pelo interessado são conduzidas de forma genérica e superficial, sem que tenha sido esboçada preocupação com a indicação de elementos de prova (amostras dos produtos, laudos técnicos, prospectos, etc.) que pudessem embasar as alegações formuladas, dentre as quais, vale mencionar, existem algumas que objetivam sustentar a manutenção do crédito de itens que sequer foram objeto de glosa, como foi o caso dos materiais refratários, cadinhos, lixas e feltros. Assim, a meu ver, não podem prosperar os argumentos apresentados pela defesa, face aos fundamentos legais expostos em relação à matéria. Da Afronta a Princípios Constitucionais Via de regra, princípios constitucionais possuem como destinatário o legislador ordinário, servindo apenas e tão somente de inspiração e orientação para o exercício da competência legislativa no momento da criação das normas jurídicas que regularão o imposto. Somente a lei, elaborada por quem detém a competência legislativa conferida pela Constituição, assim como as normas constitucionais de eficácia plena e aplicabilidade imediata têm o condão de criar relações jurídicas de direito material. Vale dizer que, inovado o sistema jurídico com uma norma emanada do órgão competente, ela passa a pertencer ao sistema, Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10830.922721/200908 Acórdão n.º 3001000.587 S3C0T1 Fl. 392 16 cabendo à autoridade administrativa tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja expungida do mundo jurídico por uma outra superveniente, ou por declaração de inconstitucionalidade exarada pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado de constitucionalidade, ou em controle difuso, neste caso, após a publicação de resolução do Senado Federal. Como, no caso concreto, essas hipóteses não ocorreram, as normas inquinadas de inconstitucionais pelo impugnante continuam válidas, não sendo lícito à autoridade administrativa absterse de cumprilas e nem declarar sua inconstitucionalidade, sob pena de violar o princípio da legalidade, na primeira hipótese, e de invadir seara alheia, na segunda. Não é demais lembrar que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, como órgão de jurisdição administrativa, tem a função, no contexto do sistema de autocontrole da legalidade dos atos administrativos, de examinar os procedimentos fiscais em conformidade com as normas legais vigentes, particularmente o disposto na Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 116, III, (...). Dos Acréscimos Moratórios O contribuinte aduz que a multa de mora aplicada é inconstitucional e confiscatória e que a fixação da taxa Selic como juros de débito de tributos contraria o CTN, devendo ser adotados juros de 1% ao mês. Com relação ao tema, devese consignar primeiramente que os acréscimos moratórios estão previstos na Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.” Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10830.922721/200908 Acórdão n.º 3001000.587 S3C0T1 Fl. 393 17 O § 3º do artigo 5º, acima mencionado, trata da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Desse modo, vêse que a multa de mora e os juros adotados estão previstos na legislação tributária, não incorrendo em nenhuma ilegalidade a autoridade administrativa que promoveu a cobrança dos débitos vencidos e não compensados, acrescidos de multa e juros de mora. No tocante à alegação de que estaria contrariando o Código Tributário Nacional e ferindo direitos previstos na Constituição Federal, cumpre ressaltar, como alhures mencionado, que o questionamento sobre a validade jurídica de qualquer norma em vigor, principalmente quando a controvérsia trata de ilegalidade ou inconstitucionalidade, não deve ser enfrentado na esfera administrativa, uma vez que, por força do próprio texto constitucional (art. 102), o Poder Judiciário é o foro exclusivamente competente para análise desse tipo matéria. (...) Das Decisões Judiciais e da Doutrina No tocante às decisões judiciais de que se socorreu o defendente, impende lembrar que decisões dessa natureza, ainda que versem especificamente sobre a matéria dos autos, produzem efeitos restritos às partes litigantes e com estrita observância do conteúdo dos julgados, somente alcançando terceiros nas hipóteses previstas no Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, o que não se configurou na espécie. Por derradeiro, com relação aos excertos doutrinários trazidos à colação, registrese que, não obstante a manifesta importância da doutrina como fonte secundária do Direito, compete à autoridade administrativa tão somente a aplicação do direito tributário positivo, em face de sua atividade vinculada. Da síntese Enfim, verificase que a Fiscalização procedeu ao exame da escrituração, mediante o confronto dos débitos e créditos, num determinado período de apuração do imposto, apurando crédito de IPI a favor do sujeito passivo em importe inferior ao valor solicitado e como se disse alhures, o contribuinte foi cientificado do procedimento fiscal que apurou corretamente seu crédito e teve oportunidade para se defender da diferença apontada pelo fisco. Daí que, comprovada nos autos a existência de crédito do sujeito passivo para absorver o débito tributário, efetuase a compensação do débito tributário somente até no limite daquele crédito, pois a compensação pressupõe a existência de créditos para o encontro de contas débitos versus créditos. Contrário senso, vejase a legislação de regência artigo 170 do CTN, Lei nº 5.172, de 25.10.1966, onde se confirma, em se tratando de compensação, a necessidade da certeza e liquidez do crédito do sujeito passivo, verbis: Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10830.922721/200908 Acórdão n.º 3001000.587 S3C0T1 Fl. 394 18 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Da conclusão Por todo o exposto, encaminho voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, mantendose a decisão exarada em primeira instância. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 394DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.720752/2017-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUBRROGAÇÃO - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO A TERCEIROS - SENAR
A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção.
A não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97 não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor.
ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02.
Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
Nos termos da Súmula CARF n°4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-004.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUBRROGAÇÃO - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO A TERCEIROS - SENAR A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. A não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97 não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02. Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Nos termos da Súmula CARF n°4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10314.720752/2017-67
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5934376
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.768
nome_arquivo_s : Decisao_10314720752201767.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DANIEL MELO MENDES BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10314720752201767_5934376.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7538423
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051147806179328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2064; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2.598 1 2.597 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.720752/201767 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.768 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de novembro de 2018 Matéria Conribuições Sociais Previdenciárias Recorrente FRIGORIFICO BETTER BEEF LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBRROGAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO A TERCEIROS SENAR A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. A não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97” não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02. Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Nos termos da Súmula CARF n°4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 07 52 /2 01 7- 67 Fl. 2632DF CARF MF Processo nº 10314.720752/201767 Acórdão n.º 2201004.768 S2C2T1 Fl. 2.599 2 da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão nº 0740.896 5a Turma da DRJ/FNS, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo ora recorrente. Adotamos, em parte, o relatório da decisão de primeira instância, por bem sintetizar os fatos: Tratase de ação fiscal desenvolvida na empresa FRIGORÍFICO BETTER BEEF LTDA. (CNPJ 05.826.986/000177) cujo objeto social é abate e frigorificação de bovinos e suínos próprios e para terceiros; industrialização, comercialização, exportação de carnes bovinas, suínas, ovinas, caprinas e seus derivados e subprodutos; ração animal; gordura e óleos animais; embutidos de carnes bovina, suína; e transportes rodoviários de cargas , com base no Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPFF) n° 0816500.2016.00311, cuja ciência pessoal ao sujeito passivo ocorreu através do Termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF em 10/06/2016; nos Termos de Intimação Fiscal TIFs; nos Termos de Ciência e Continuidade do Procedimento Fiscal TCCPF; e no Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Parcial do Procedimento Fiscal TCEPPF, com ciência ao sujeito passivo via postal, no dia 16/05/2017. O presente crédito tributário diz respeito às contribuições sociais destinadas à Previdência Social (parte empresa + GILRAT), no montante de R$ 17.123.711,70 (principal, acrescido de juros e multa de ofício), e as devidas as Outras Fl. 2633DF CARF MF Processo nº 10314.720752/201767 Acórdão n.º 2201004.768 S2C2T1 Fl. 2.600 3 Entidades e Fundos (Senar), no montante de R$ 1.630.829,50 (principal, acrescido de juros e multa de ofício), exigidas, por subrogação, pelos adquirentes de produto rural de produtor rural pessoa física, do período de 01/2013 a 12/2013. Os fatos ocorridos no curso do procedimento fiscal encontram se, pormenorizadamente, descritos no Termo de Verificação Fiscal TVF, de onde se reproduz os seguintes trechos: DA ANÁLISE: (...) lembramos que a subrogação é a situação de responsabilidade tributária por substituição a que se submete, em decorrência da lei, a empresa adquirente consumidora ou consignatária, ou cooperativa, que adquirir produção rural de produtor pessoa física (empregador rural e de segurado especial), independente de as operações terem sido realizadas como produtor ou com intermediário pessoa física. Estas Contribuições devidas à Previdência Social, correspondem à parte da EMPRESA (2%) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho GILRAT (0,1%), devida, por sub rogação, pelos adquirentes de produto rural de produtor rural pessoa física, prevista no art. 25, incisos I e II e § 3°; e art. 30, incisos III e IV, todos da Lei 8.212, de 24/07/91 concomitantemente com fundamento na competência tributária abstratamente prevista nos arts. 149 e 195, I, 'a', da CF/88, voltada a satisfazer outro imperativo constitucional, qual seja o previsto no art. 7°, XXVIII, também da Constituição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, pagas com sub rogação, ocorre nas aquisições, por venda ou consignação, de produtos rurais dos Segurados Especiais ou de Produtores Rurais Pessoas Física. Como lançamento reflexo constituímos, através deste lançamento de ofício, a contribuição devida à Outras Entidades e Fundos, destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR (0,2%), devida, por subrogação, pelos adquirentes de produto rural de produtor rural pessoa física, prevista no artigo 6°, da Lei 9.528/97, com redação dada pela Lei 10.256/2001. De acordo com o Contrato Social do período dos fatos analisados pela fiscalização, o objeto social da empresa era de " Abate e frigorificação de bovinos e suínos próprios e para terceiros; industrialização, comercialização, exportação e importação de carnes bovinas, suínas, ovinas, caprinas e seus derivados, subprodutos, miúdos e couros; ração animal; gordura e óleos animais; embutidos de carne bovina, suína e outros; transporte rodoviário de cargas; comercialização de produtos químicos e combustíveis; curtimento e outras preparações de couros e peles de bovinos, equinos, bubalinos, caprinos, ovinos e Fl. 2634DF CARF MF Processo nº 10314.720752/201767 Acórdão n.º 2201004.768 S2C2T1 Fl. 2.601 4 asininos, com industrialização por terceiros. Comércio atacadista e varejista de carnes bovinas, seus derivados e subprodutos; minimercado; lanchonete e restaurante; ponto de apoio de logística e escritório administrativo. " DA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO: Com base nos dados apresentados pelo sujeito passivo através da planilha "Cópia de relação compras ano base 2013 Better Beef" validamos as informações através da análise e cruzamento das informações das notas fiscais de entrada do ano de 2013 obtidas através do sistema da Receita Federal do Brasil RFB ReceitanetBX. Da análise das informações apresentadas pela empresa verificamos que a empresa adquiriu produto rural de produtor rural pessoa física no montante de R$ 372.374.586,64 (Trezentos e Setenta e Dois Milhões, Trezentos e Setenta e Quatro mil, Quinhentos e Oitenta e Seis Reais e Sessenta e quatro Centavos). Verificamos, ainda, que o principal produto adquirido pela empresa é gado bovino, o qual era utilizado em seu processo de industrialização. Importante destacar que efetuamos pesquisas nos sistemas da Receita Federal do Brasil e constatamos que os fornecedores pessoas físicas, segurados especiais, não tem recolhimentos de Contribuição Previdenciária em razão da apresentação de GFIP "sem movimento" ou "não entregue" conforme telas em anexo no arquivo "PESQUISA GFIP DOS FORNECEDORES PF BETTER". Ainda, analisando a GFIP do estabelecimento CNPJ n° 05.826.986/0002 58, verificamos que o próprio sujeito passivo informou o valor de R$37.587,00 (Trinta e sete mil, quinhentos e oitenta e sete reais) com recolhimentos de GPS, com códigos 2607 e 2615, no valor de R$864,34 (oitocentos e sessenta e quatro reais e trinta e quatro centavos) reconhecendo a obrigatoriedade do recolhimento e voluntariamente informou e recolheu as Contribuições Previdenciárias por subrogação, conforme GFIP em anexo. Assim, com base nas informações trazidas pela própria empresa, por meio de seus arquivos digitais Planilha eletrônica elaboramos os anexos I e II e preparamos o quadro abaixo com a apuração da base de cálculo para o presente Levantamento Fiscal. Competência Compras de PF Devolução de PF Total de compras PF (A) * (B) * C = (A) (B) jan/13 R$ 30.146.699,20 R$ 40.004,00 R$ 30.106.695,20 fev/13 R$ 26.216.535,88 R$ 81.644,00 R$ 26.134.891,88 mar/13 R$ 26.009.484,74 R$ 52.860,00 R$ 25.956.624,74 abr/13 R$ 33.516.740,21 R$ 51.860,00 R$ 33.464.880,21 mai/13 R$ 31.196.321,90 R$ 31.100,00 R$ 31.165.221,90 Fl. 2635DF CARF MF Processo nº 10314.720752/201767 Acórdão n.º 2201004.768 S2C2T1 Fl. 2.602 5 jun/13 R$ 26.744.522,52 R$ 38.480,00 R$ 26.706.042,52 jul/13 R$ 31.133.559,26 R$ 11.260,00 R$ 31.122.299,26 aRo/13 R$ 29.255.015,39 R$ 20.426,00 R$ 29.234.589,39 set/13 R$ 32.327.333,70 R$ 22.137,00 R$ 32.305.196,70 out/13 R$ 34.156.954,09 R$ 17.400,00 R$ 34.139.554,09 nov/13 R$ 33.903.425,98 R$ 20.073,00 R$ 33.883.352,98 dez/13 R$ 38.204.561,77 R$ 49.324,00 R$ 38.155.237,77 R$ 372.811.154,64 R$ 436.568,00 R$ 372.374.586,64 DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos autos, a FRIGORÍFICO BETTER BEEF LTDA., ora Autuada, apresenta impugnação para o processo em litígio, por meio de procurador legalmente constituído, fundamentando se nas razões de fato e de direito a seguir sintetizadas. A Interessada inicia a sua defesa fazendo um breve relado dos fatos que ensejaram a autuação e prossegue apresentando seus argumentos, pelo que trago à colação alguns trechos: DO MÉRITO DA INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 25 DA LEI 8.212/91 CONTRIBUIÇÃO AO FUNRURAL AQUISIÇÃO PRÓPRIA DE PRODUÇÃO RURAL PESSOA FÍSICA E, por entender que referida contribuição é inconstitucional a Impugnante não realizou o desconto de referidas contribuições ao adquirir bovinos dos produtores rurais e, por conseguinte, não as repassou ao agente arrecadador. Vale ressaltar, Nobre Julgador, a existência de decisão proferida por nossa Corte Superior sobre o tema, eis que por votação unânime no RE/363852, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou, em 03 de fevereiro de 2010, a inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei 8.540/92, que previa o recolhimento de contribuição para o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural) sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais. Corroborando, o Ministro Marco Aurélio em seu voto no RE/363852 reconheceu a desobrigação da retenção e do recolhimento da contribuição social ou seu recolhimento por subrogação sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovino para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei 8.540/1992, que deu nova redação aos artigo 12, incisos V e VII, artigo 25, incisos I e II e artigo 30, inciso IV, da Lei 8212/91, com redação atualizada até que a legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98... Outrossim, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral na discussão sobre a constitucionalidade da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa Fl. 2636DF CARF MF Processo nº 10314.720752/201767 Acórdão n.º 2201004.768 S2C2T1 Fl. 2.603 6 física, prevista no art. 25 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 10.256/2001, conforme publicação em 11/09/2013 do acórdão no RE n° 718.874/RS. [...] 34. Ademais, insta destacar que a Autuada por unanimidade de votos, conseguiu em julgamento realizado no CARF em que deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo Frigorífico Better Beef para afastar a tributação do Funrural parte empresa e parte terceiros SENAR... DA ESTIPULAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NÃO PREVISTA NO TEXTO CONSTITUCIONAL NECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR. Destarte, sob qualquer ângulo que se examine a matéria, concluise que a base de cálculo da contribuição incidente sobre o empregador rural pessoa física receita bruta proveniente da comercialização de sua produção não estava prevista na redação original do artigo 195, I, da Constituição. Portanto, resta claro que a exação em tela constitui nova fonte de custeio para a seguridade social e somente poderia ter sido instituída por meio de lei complementar, nos termos dos artigos 195, § 4°, c/c 154, I, ambos da CF/88. [...] DA AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL DO FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Assim, a norma de incidência tributária em questão possui apenas os aspectos pessoal e quantitativo, nada dispondo com relação aos outros aspectos que lhe seriam essenciais. Ou seja, o dispositivo em comento não especifica o fato gerador da contribuição, tampouco o momento ou o local em que o mesmo se considera consumado. O fato gerador da contribuição em tela e o momento de sua ocorrência estão especificados, nos artigos 65 e 241, respectivamente, da Instrução Normativa MPS/SRP n° 3/2005 . Ocorre, contudo, que em matéria tributária vige o princípio da legalidade estrita, segundo o qual somente à lei (em sentido formal e material) é dado instituir tributos, sendo que essa instituição deve se dar mediante descrição precisa de todos os aspectos da hipótese de incidência. Ou seja, é terminantemente vedada a delegação, ao Poder Executivo, da prerrogativa de se definir os elementos da norma de incidência tributária. 69. Por fim, devese salientar que nos autos do RE 363.852, no qual a contribuição em tela está sendo discutida, o STF vem reconhecendo a ofensa ao princípio da legalidade, ... Fl. 2637DF CARF MF Processo nº 10314.720752/201767 Acórdão n.º 2201004.768 S2C2T1 Fl. 2.604 7 DA OFENSA AO PRINCÍPIO DA IGUALDADE DO TRATAMENTO DIFERENCIADO PARA CONTRIBUINTES EM MESMA SITUAÇÃO. 73. Com efeito, não há nenhuma razão que justifique o tratamento diferenciado dispensado aos empregadores rurais pessoas físicas, até porque a CF/88 pôs fim à distinção que havia entre o regime de previdência urbana e o rural, unidos em um só. Confirase o disposto no artigo 194, parágrafo único, II, da CF/88 ... [...] Por fim, destacase que também a jurisprudência reconhece que a diferenciação entre contribuintes rurais e urbanos ofende o princípio da isonomia. Confirase, mais uma vez, o entendimento da Des. Federal Suzana Camargo, do TRF3 DA COMPROVAÇÃO QUE O PRODUTOR RURAL É EMPREGADOR DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS RAIS OBRIGAÇÃO DO FISCO Consta no auto que a Impugnante não apresentou documentos que comprovem que os produtores rurais alienantes dos produtos rurais adquiridos pela empresa são empregadores. Todavia, Nobres Julgadores, com referência ao acima mencionado, insta destacar que a competência para verificar e comprovar que os produtores rurais alienantes dos produtos rurais adquiridos pela empresa são empregadores é do Fisco e não da empresa, haja vista ser imprescindível a demonstração de ser o contribuinte empregador rural pessoa física, pode ser feita entre outros documentos por meio de comprovantes de entrega de RAIS e relatórios detalhados, folha de pagamento emitida de acordo com as informações apostas na RAIS, CTPS dos empregados, declaração fornecida pelo sindicato rural patronal da localidade etc, conforme consta no acórdão da Apelação n° 2008.70.16.0004446/PR em anexo. Outrossim, conforme já exposto, em relação à contribuição social devida pelos produtores rurais empregadores pessoas físicas, o egrégio STF, ao julgar o RE n° 362.852/MG, declarou a inconstitucionalidade do art. 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação ao art. 12, V; art. 25, I e II, e 30, IV, da Lei n° 8212/91. [...] DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS SENAR 89. O Supremo Tribunal Federal (STF), por decisão unânime, julgou no dia 03 de fevereiro de 2010, ser inconstitucional a contribuição previdenciária paga pelo empregador rural, pessoa física, para o INSS, antigo Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL), incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, como prevista no artigo 1° da Lei 8.540/92. Fl. 2638DF CARF MF Processo nº 10314.720752/201767 Acórdão n.º 2201004.768 S2C2T1 Fl. 2.605 8 DA MULTA QUALIFICADA 94. Superadas essas questões, fundamental ressaltarse que a multa aplicada de ofício de 75%, nos moldes do artigo 35A da Lei 8212/91 é confiscatória e atenta contra o direito de propriedade garantido no art. 5°, inciso XXII, da CF/88. [...] Assim, caso os ilustres julgadores venham a entender que é devido o débito tributário pela Impugnante, esta se sujeitará apenas à cobrança acrescida com os acréscimos legais de 2% de multa e juros de 1% ao mês conforme previsto no artigo 406 do Código Civil Brasileiro. In casu, controvertese acerca do percentual de multa moratória aplicável ao lançamento de ofício após a alteração do art. 35 da Lei n. 8.212/91 pela Lei n. 11.941/09 que, ao incluir o art. 35 A naquele diploma normativo, determinou a observância do parâmetro mais gravoso do art. 44 da Lei n. 9.430/96, qual seja, de 75% (setenta e cinco por cento). DOS PEDIDOS Diante de todo o exposto, temse por comprovado que jamais ocorreu omissão de receita por parte da Impugnante, demonstrando a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requerse digne a Vossa Senhoria, julgar improcedente o presente Auto de Infração, tendo em vista as razões legais que demonstram e comprovam a lisura dos procedimentos adotados e ainda por ser da mais lídima Justiça. Outrossim, considerando a inconstitucionalidade do tributo (FUNRURAL) e que a multa é acessória ao tributo principal, requerse a inaplicabilidade da multa de ofício nos termos do artigo 35A da Lei n° 8.212/91. Por fim, requerse a juntada de procuração e contrato social, bem como que todas as intimações e notificações do presente feito sejam realizadas em nome do advogado marco antonio goulart, oab/sp 179.755, com escritório profissional na Rua Doutor Gurgel, 839, Centro, na cidade de Presidente Prudente SP, CEP 19015140 A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo (fls. 2507/2526): AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PRODUTOR PESSOA FÍSICA. ADQUIRENTE. RECOLHIMENTO POR SUB ROGAÇÃO. É obrigação da empresa adquirente de produto rural de pessoa física efetuar o recolhimento, por subrogação, da contribuição social previdenciária e contribuição ao Senar. Fl. 2639DF CARF MF Processo nº 10314.720752/201767 Acórdão n.º 2201004.768 S2C2T1 Fl. 2.606 9 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. VINCULAÇÃO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS OU ATOS NORMATIVOS. Este órgão de julgamento administrativo não é competente para apreciar alegações de inconstitucionalidade/ilegalidade de leis ou atos normativos. ENDEREÇO PARA CIÊNCIA POSTAL. PREVISÃO LEGAL. A legislação vigente determina que as intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. Inexiste previsão legal para envio ao endereço do procurador. Cientificado do inteiro teor da decisão em 09/11/2017 (fl. 2537), o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, tempestivamente, em 11/12/2017 (fls. 2542/2592). Posteriormente, protocolizou petição requerendo a desistência parcial do recurso, que ora restringese à alegação de não cabimento da contribuição devida ao SENAR. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da contribuição ao SENAR Sustenta a recorrente que, embora as contribuições para o SENAR não tenham sido objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852, face serem eram recolhidas pelo substituto tributário e não pelos produtores rurais; devese destacar que transferência da responsabilidade para os substitutos está prevista no art. 94 da Lei n 8.212, art. 3º da Medida Provisória nº 222 de 2004, combinado com o art. 30, inciso IV da Lei n 8.212 de 1991. Uma vez reconhecido que o art. 30, inciso IV é inconstitucional em função da decisão plenária do STF, não cabe exigir do responsável tributário a contribuição destinada ao SENAR. Fl. 2640DF CARF MF Processo nº 10314.720752/201767 Acórdão n.º 2201004.768 S2C2T1 Fl. 2.607 10 Todavia, entendo que não há a alegada declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF, em relação ao art. 30, inciso IV da Lei n 8.212 de 1991, como quer fazer crer a recorrente, consoante explico a seguir. A matriz legal da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física é o art. 25 da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Tendo sido criada antes da edição da Emenda Constitucional (EC) 20/98 por lei ordinária, tal exação teve sua constitucionalidade questionada no Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que, originalmente, a Carta Magna não previa a receita como fato gerador da contribuição previdenciária a ser criada por lei ordinária. Somente poderia ter sido instituída por Lei Complementar para incidir sobre fato gerador não enumerado no art. 195 da Constituição Federal. No RE 363.852/MG, julgado em 03/02/2010 e transitado em julgado em 08/06/2011, o plenário do STF enfrentou a questão, tendo concluído o julgamento com as seguintes ementa e decisão: Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) Fl. 2641DF CARF MF Processo nº 10314.720752/201767 Acórdão n.º 2201004.768 S2C2T1 Fl. 2.608 11 Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010. De fato, até a edição da EC 20/98, a exação em comento não poderia ter sido criada por lei ordinária para incidir sobre fato gerador não previsto até então no art. 195 da CF. Nesse aspecto, seguimos a decisão do RE 363.852 para concluir que o art. 25 da Lei nº 8.212/91 não pode ser aplicado até que lei nova, fundada na EC 20/98, tenha instituído validamente a contribuição. De nossa parte, entendemos que isso ocorreu com a edição da Lei nº 10.256/2001 que deu nova redação ao caput do art. 25 da Lei nº 8.212/91 em seu art. 1º. Ainda que a nova lei não tenha repetido ou reeditado os incisos e parágrafos do art. 25 da Lei nº 8.212/91 de modo a afastar qualquer dúvida sobre a constitucionalidade do dispositivo alterado, se assumíssemos que os incisos e parágrafos restaram excluídos do ordenamento jurídico estaríamos adotando interpretação por demais formalista e que resultaria em prejuízo para o financiamento solidário da seguridade social previsto no caput do art. 195 da CF. Logo, após a entrada em vigor da Lei nº 10.256/2001, respeitada anterioridade nonagesimal, o art. 25 da Lei nº 8.212/91 passa a estar em harmonia com a EC 20/98. Assim, a partir de 11/2001 a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física pode ser exigida. Eventuais lançamentos anteriores a tal data não podem prevalecer por falta de previsão legal. Contudo, a recorrente argumenta que mesmo com a promulgação da EC 20/98, o art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, seria inconstitucional. Não obstante a vedação legal desse Conselho em pronunciarse sobre questões afetas à inconstitucionalidade de normas vigentes, é imperioso destacar que a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação trazida pela Lei nº 10.256/2001, já foi aprecida pelo STF, através do julgamento do Recurso Extraordinário 718.874/RS, nos termos seguintes: TRIBUTÁRIO. EC 20/98. NOVA REDAÇÃO AO ARTIGO 195, I DA CF. POSSIBILIDADE DE EDIÇÃO DE LEI ORDINÁRIA PARA INSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO DE EMPREGADORES RURAIS PESSOAS FÍSICAS INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 10.256/2001. 1.A declaração incidental de inconstitucionalidade no julgamento do RE 596.177 aplicase, por força do regime de repercussão geral, a todos os casos idênticos para aquela determinada situação, não retirando do ordenamento jurídico, entretanto, o texto legal do artigo 25, que, manteve vigência e eficácia para as demais hipóteses. 2.A Lei 10.256, de 9 de julho de 2001 alterou o artigo Fl. 2642DF CARF MF Processo nº 10314.720752/201767 Acórdão n.º 2201004.768 S2C2T1 Fl. 2.609 12 25 da Lei 8.212/91, reintroduziu o empregador rural como sujeito passivo da contribuição, com a alíquota de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; espécie da base de cálculo receita, autorizada pelo novo texto da EC 20/98. 3. Recurso extraordinário provido, com afirmação de tese segundo a qual É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. Portanto, extraise da supra transcrita ementa que: é constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. O art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91, que trata da subrogação na aquisição de produtores rurais pessoas naturais não foi objeto da declaração de inconstitucionalidade no RE 363.852/MG, permanecendo hígido para os fatos geradores a partir de 11/2001. Os fatos geradores objeto do presente lançamento correspondem ao período de 01/2013 a 12/2014. Assim, não há que se falar em aplicação ao decidido no RE 363.852/MG, porquanto a inconstitucionalidade ali declarada diz respeito à ordem jurídica anterior a entrada em vigor da Lei nº 10.256/2001, ou seja, fatos geradores anteriores a 11/2001. Diferentemente do argumento recursal, a publicação da Resolução nº 15/2017, do Senado Federal, em nada altera o presente lançamento. Dispõe a mencionada Resolução: “Art. 1º É suspensa, nos termos do artigo 52, inciso X, da Constituição Federal, a execução do inciso VII do artigo 12 da Leiº 8.212, de 24 de julho de 1991, e a execução do art. 1º da Leiº 8.540, de 22 de dezembro de 1992, que deu nova redação ao artigo 12, inciso V, ao art. 25, incisos I e II, e ao artigo 30, inciso IV, da Leiº 8.212, de 24 de julho de 1991, todos com a redação atualizada até a Leiº 9.528, de 10 de dezembro de 1997, declarados inconstitucionais por decisão definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 363.852.” Por esta resolução, portanto, há suspensão da execução do inciso VII do artigo 12, da Lei 8.212/1991, bem como artigo 1º, Lei 8.540/92, que deu nova redação ao artigo 12, V, 25, incisos I e II, artigo 30, IV, da Lei 8.212/1991, com a redação atualizada até a Lei 9.528/97, por força decisão definitiva pelo pleno do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário 363.852 (“caso Mataboi”). Como não poderia deixar de ser, a multicitada resolução senatorial tem por escopo conceder efeitos “erga omnes” a todas as situações jurídicas anteriores à promulgação da EC 20/98, não produzindo qualquer efeito em relação a fatos geradores ocorridos a partir de 11/2001, como é o caso dos autos. É certo que, após a edição da Resolução nº 15, do Senado Federal, foi criada uma expectativa para se saber o posicionamento do STF em relação ao tema, já que o acórdão do julgamento do RE 718.874/RS é anterior à aludida resolução. Todavia, o Pretório Excelso já Fl. 2643DF CARF MF Processo nº 10314.720752/201767 Acórdão n.º 2201004.768 S2C2T1 Fl. 2.610 13 teve a oportunidade de se pronunciar acerca do tema no julgamento de Embargos de Declação, em 23/05/2018, o que fez nos termos seguintes: EMENTA : PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU OMISSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO DE QUESTÕES DECIDIDAS PARA OBTENÇÃO DE CARÁTER INFRINGENTE. INAPLICABILIDADE DA RESOLUÇÃO 15/2017 DO SENADO FEDERAL QUE NÃO TRATA DA LEI 10.256/2001. NÃO CABIMENTO DE MODULAÇÃO DE EFEITOS PELA AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Não existentes obscuridades, omissões ou contradições, são incabíveis Embargos de Declaração com a finalidade específica de obtenção de efeitos modificativos do julgamento. 2. A inexistência de qualquer declaração de inconstitucionalidade incidental pelo Supremo Tribunal Federal no presente julgamento não autoriza a aplicação do artigo 52, X da Constituição Federal pelo Senado Federal. 3. A Resolução do Senado Federal 15/2017 não se aplica a Lei nº 10.256/2001 e não produz qualquer efeito em relação ao decidido no RE 718.874/RS. 4. A inexistência de alteração de jurisprudência dominante torna incabível a modulação de efeitos do julgamento. Precedentes. 5. Embargos de Declaração rejeitados. Destarte, o entendimento do STF é expresso no sentido que: a Resolução do Senado Federal 15/2017 não se aplica a Lei nº 10.256/2001 e não produz qualquer efeito em relação ao decidido no RE 718.874/RS. Assim, o ato senatorial, vinculado por natureza às declarações de inconstitucionalidade a que se refere, somente atinge a contribuição do empregador rural pessoa física no período anterior à Lei nº 10.256/01. Portanto, o art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91, permanece hígido para regular as relações constantes da constituição do presente crédito tributário, estando a empresa recorrente subrogada na obrigação de reter e recolher a contribuição do produtor rural pessoa física incidente sobre a receita da comercialização de sua produção rural. Assim sendo, considero como devidas as contribuições destinadas ao SENAR, não merecendo provimento o recurso voluntário. Feitas essas necessárias ponderações, entendo que, no mais, não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Fl. 2644DF CARF MF Processo nº 10314.720752/201767 Acórdão n.º 2201004.768 S2C2T1 Fl. 2.611 14 Por seu turno, a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Dos Juros Taxa Selic A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4 A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Assim sendo, improcede a insurgência da recorrente. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 2645DF CARF MF
score : 1.0
