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Numero do processo: 10925.905116/2012-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2005
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2005 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 51 16 /2 01 2- 19 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905116/201219 Acórdão n.º 3801002.898 S3TE01 Fl. 58 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905116/201219 Acórdão n.º 3801002.898 S3TE01 Fl. 59 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905116/201219 Acórdão n.º 3801002.898 S3TE01 Fl. 60 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905116/201219 Acórdão n.º 3801002.898 S3TE01 Fl. 61 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905116/201219 Acórdão n.º 3801002.898 S3TE01 Fl. 62 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905116/201219 Acórdão n.º 3801002.898 S3TE01 Fl. 63 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10283.010262/2001-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS- IPI
Ano-calendário: 1999
ISENÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. O Processo Produtivo Básico induz que todas as etapas devem ser realizadas pelo estabelecimento beneficiário da isenção, em face do que somente se admitem as exceções expressamente permitidas em norma específica.
RECURSO ESPECIAL PROVIDO.
Numero da decisão: 9303-001.669
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann (Relatora), que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS- IPI Ano-calendário: 1999 ISENÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. O Processo Produtivo Básico induz que todas as etapas devem ser realizadas pelo estabelecimento beneficiário da isenção, em face do que somente se admitem as exceções expressamente permitidas em norma específica. RECURSO ESPECIAL PROVIDO.
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ZONA FRANCA DE MANAUS. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. O Processo Produtivo Básico induz que todas as etapas devem ser realizadas pelo estabelecimento beneficiário da isenção, em face do que somente se admitem as exceções expressamente permitidas em norma específica. RECURSO ESPECIAL PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann (Relatora), que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Fl. 25DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 2 2 Susy Gomes Hoffmann Relatora (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto, Otacílio Dantas Cartaxo e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com base em divergência jurisprudencial. Conforme o Relatório Anexo ao Auto de Infração, presente às fls. 08/12, tem se que: “1.RESUMO DOS FATOS 1.1 A empresa tem projeto aprovado pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, através da Resolução n° 113/93 do CAS Suframa, para a produção, dentre outros produtos, de Disco Laser (Compact Disc), com atualização prevista na Portaria n° 071/94 e ampliação pela Portaria 277/94, ambas do Superintendente da Suframa, com benefícios fiscais deferidos a projetos considerados de interesse para o desenvolvimento regional, nos termos da legislação específica. 1.2 A empresa, dentre outros incentivos, goza da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, sujeitandose, portanto, à regra jurídica estabelecida pelo Art. 9°., Parágrafo 1°, do DecretoLei n° 288/67, com nova redação dada pela Lei n° 8387/91, que estabelece: “A isenção de que trata este artigo, no que respeita aos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus que devam ser internadas em outras regiões do País, ficará condicionada à observância dos requisitos estabelecidos no art. 7°., deste DecretoLei.” 1.3 De acordo com o art. 7°., caput, do DecretoLei 288/67 é condição essencial para gozo do benefício da redução do Fl. 26DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 3 3 Imposto de Importação na internação, os produtos que atendam nível de industrialização local compatível com processo produtivo básico e define, no Parágrafo 8° do mesmo artigo, o que são produtos industrializados na ZFM, estabelecendo, ainda, que Processo Produtivo Básico é o conjunto mínimo de operações no estabelecimento fabril do beneficiário. 1.4 Nesse contexto, passamos a analisar o desenvolvimento do projeto da empresa em consonância com a legislação tributária federal. (...) 2.2 Processo produtivo constatado pela auditoria Após visita às instalações fabris da empresa e análise documental, constatamos a seguinte situação: a) O processo de industrialização é desenvolvido da seguinte maneira: a empresa terceiriza as etapas de “a” a “f”, através da empresa SONOPRESSRIMO IND. E COM. FONOGRÁFICA LTDA., instalada em São Paulo e realiza as fases “g” e “i” no seu estabelecimento fabril. b) A empresa, no período analisado, não realizou a etapa “h” (injeção do estojo plástico), pois adquiriu esse componente já pronto da empresa VATVIDEO AUDIO TAPE DA AMAZÔNIA, instalada na ZFM, o que contraria o disposto na citada portaria, que determina que essa fase seja realizada no estabelecimento fabril da beneficiária dos incentivos. c) Concluímos, pois, que ao descumprir a legislação tributária federal mediante o procedimento utilizado, (descumprimento da etapa “h” do seu processo produtivo básico), a empresa perdeu o direito a permanecer no regime do DecretoLei n° 288/67, em relação aos Compact Disc (Disco Laser) cujos estojos foram adquiridos na situação supra mencionda.” O contribuinte apresentou impugnação às fls. 88/100 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, às fls. 314/334 dos autos, julgou procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 1999 Ementa: ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO CONDICIONADA A CUMPRIMENTO DE PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. DESCUMPRIMENTO. EXIGÊNCIA DO IPI POR BENEFÍCIO INDEVIDO DA ISENÇÃO. A isenção do IPI para produtos industrializados na Zona Franca de Manaus está condicionada ao cumprimento de processo produtivo básico, estabelecido em Portaria Interministerial para o produto. Impõese o lançamento do imposto, pelo gozo Fl. 27DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 4 4 indevido da isenção, quando constatado o descumprimento da condição. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Assunto: Normas de Administração Tributária. Anocalendário: 1999 Ementa: FISCALIZAÇÃO DO IPI. COMPETÊNCIA. A fiscalização externa do IPI compete aos AuditoresFiscais da Receita Federal e será exercida sobre todas as pessoas que estiverem obrigadas ao cumprimento de disposições da legislação do imposto, bem como as que gozarem de imunidade condicionada ou de isenção. Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Anocalendário: 1999 Ementa: ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. JULGAMENTO DE 1° INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SUSTENTAÇÃO ORAL DE REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Indeferese, por falta de previsão legal, o pedido para sustentação oral por parte de representante da contribuinte no âmbito de 1° instância do contencioso administrativo fiscal. Lançamento Procedente. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 339/369). A antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 499/506) deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte: ZONA FRANCA DE MANAUS, ISENÇÃO DE IPI. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO PPB. INTERPRETAÇÃO DA NORMA. Caso o órgão técnico responsável pretendesse restringir a possibilidade de se terceirizar uma etapa do processo do produção, essa proibição deveria estar expressa na norma, eis que, em se tratando de norma restritiva, fazse necessário que suas determinações sejam expressas. Fl. 28DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 5 5 Ademais, no caso em tela, a própria SUFRAMA, órgão técnico especializado, reconheceu a possibilidade de terceirização da etapa em questão. RECURSO PROVIDO. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial, com base em divergência jurisprudencial (fls. 509/518). Alegou que a resolução do caso depende da interpretação que se dá ao artigo 1°, parágrafo único, da Portaria Interministerial n° 185/93. Salientou que, para o gozo do benefício, o contribuinte deveria implementar um processo produtivo básico, constituído, com base no artigo 7° do DL n° 288/67, por um determinado elenco mínimo de etapas produtivas dentro do estabelecimento fabril da empresa. Segundo a recorrente, para a produção do disco digital a laser para áudio, a referida Portaria estabeleceu o rol mínimo de etapas, ressalvando que aquelas consistentes em “recebimento de moldematriz, tratamento da resina de policarbonato, moldagem do disco por injeção, metalização da fase do disco, laqueação do disco e impressão do rótulo”, podem ser realizadas em qualquer parte do território nacional, por terceiros, preferencialmente os instalados na Zona Franca de Manaus. Desta forma, a recorrente enfatizou que os demais processos, necessariamente, deveriam ser executados no estabelecimento fabril do contribuinte, localizado em Manaus. Alegou, também, que: “In casu, foi constatado que a empresa recorrida compra o DISCO DIGITAL, sem a embalagem, da empresa SONOPRESS RIMO IND. COM. FONOGRÁFICA LTDA, instalada em São Paulo, com as etapas “a” a “f”, já realizadas. Até esse ponto, está correta a beneficiária, pois a portaria lhe faculta este comportamento. Mas, no que se refere à etapa “h”, esta, que deveria ter sido realizada dentro do estabelecimento da beneficiária, foi terceirizada à empresa VAT VÍDEO ÁUDIO TAPE DA AMAZÔNIA. Aí é que reside o problema.” Argumentou, ainda, que: “Outrossim, agiu com evidente contradição o voto condutor no momento em que, a despeito de ter afastado a preliminar de ilegitimidade, considerando que a receita e só ela poderia analisar se o contribuinte adimplia o estabelecido na Portaria Interministerial n° 185/93 (vide f. 502, in fine), acatou a informação prestada pela SUFRAMA de que a etapa “h” poderia ser terceirizada. Ora, se a análise do preenchimento dos requisitos para gozo de isenção fiscal evidentemente cabe à receita, não pode uma carta da SUFRAMA estabelecer uma faculdade que não está prevista na lei, e, assim, impedir o órgão fiscalizatório de verificar, na Fl. 29DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 6 6 situação concreta, se a empresa atendeu às exigências legais, mais especificamente, se cumpriu o processo produtivo básico”. O contribuinte apresentou contrarazões às fls. 571/591 dos autos. Sustentou que o recurso especial da Fazenda não deve ser conhecido, tendo em vista que não comprovou divergência jurisprudencial apta a ensejar a análise do seu mérito. Segundo o contribuinte, o acórdão apresentado como paradigma enfrentou a legislação, entendendo que o contribuinte, por não possuir autorização legal, nos termos do DecretoLei n° 288/67, não poderia gozar da isenção. Por sua vez, a decisão recorrida não apreciou a questão da legalidade da terceirização; apenas interpretou o alcance da portaria interministerial, norma infralegal, para fins de cumprimento do PPB. Voto Vencido Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisito de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. O acórdão recorrido tem a seguinte ementa: ZONA FRANCA DE MANAUS, ISENÇÃO DE IPI. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO PPB. INTERPRETAÇÃO DA NORMA. Caso o órgão técnico responsável pretendesse restringir a possibilidade de se terceirizar uma etapa do processo do produção, essa proibição deveria estar expressa na norma, eis que, em se tratando de norma restritiva, fazse necessário que suas determinações sejam expressas. Ademais, no caso em tela, a própria SUFRAMA, órgão técnico especializado, reconheceu a possibilidade de terceirização da etapa em questão. RECURSO PROVIDO. O julgado apresentado como paradigma, por sua vez, está ementado da seguinte forma: PRELIMINAR DE NULIDADE. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO Fl. 30DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 7 7 JURÍDICO. LANÇAMENTO. Interpretação divergente de norma legal por parte do sujeito passivo e ativo da relação tributária não enseja nulidade processual.A fundamentação legal adotada pela fiscalização legitima a exação, nos termos do DL n°288/67, Lei n°8.387/91, Dec. n°s 61.244/67 e Portaria Interministerial n° 185/93, não restando caracterizada a alegada modificação de critério jurídico na motivação do lançamento, mesmo quando a autoridade julgadora a quo lhe acrescenta fundamento decorrente de sua interpretação da lei aplicável. PRELIMINAR DE NULIDADE DE INCOMPETÊNCIA. A legislação de regência, inclusive subsidiária, que instituiu, dispôs e regulamentou o funcionamento da Superintendência da Zona Franca de Manaus — SUFRAMA confere competência legal a Secretaria da Receita Federal para realizar a fiscalização aduaneira (arts. 12 e 13, Decreto n°61.244/67). A interpretação da legislação tributaria federal compete, privativamente, a Secretaria da Receita Federal através das suas instancias próprias e ao Conselho de Contribuintes, na fase contenciosa em grau de recurso. 'PI. ISENÇÃO. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. DESCUMPRIMENTO DE ETAPAS DE PRODUÇÃO. PERDA DO BENEFÍCIO FISCAL. O descumprimento do processo produtivo básico, em razão da terceirização de etapa ou operação não legalmente autorizada, contratada com empresa sediada em qualquer parte do território nacional, implica a perda do beneficio fiscal concedido. RECURSO DESPROVIDO Os acórdãos cotejados divergem relativamente à possibilidade, ou não, de terceirização da etapa constante de letra “h” do artigo 1° da Portaria Interministerial n° 185/93, que dispõe no seguinte sentido: "Art. 1° Estabelecer para o produto DISCO DIGITAL A LASER PARA ÁUDIO, industrializado na Zona Franca de Manaus, o seguinte processo produtivo básico: a. recebimento do moldematriz; b. tratamento da resina de policarbonato; c. moldagem do disco por injeção; d. metalização da fase do disco; c. laqueação do disco; f. impressão do ártulo; g. teste de áudio; h. injeção do estojo plástico; e i. colocação do disco e do material gráfico no estojo e embalagem final Fl. 31DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 8 8 Parágrafo Único. Para o cumprimento do disposto neste artigo, será admitida a realização de qualquer das etapas constantes das letras "a" a "f" em qualquer parte do Território Nacional, por terceiros preferencialmente na Zona Franca de Manaus” A celeuma advém do disposto no parágrafo único acima transcrito, que possibilita a realização de qualquer das etapas constantes das letras “a” a “f” em qualquer parte do território nacional. A letra “h”, destarte, não se encontra no rol permissivo. No acórdão recorrido, entendeuse que o posicionamento da fiscalização no sentido de que o parágrafo único do artigo 1° proíbe a terceirização da etapa “h” é indevido. Eis, em síntese, o respectivo fundamento: “O dispositivo em questão autoriza as etapas de “a” a “f” serem realizadas em qualquer parte do Território Nacional, caso sejam produzidas pela própria empresa, e, preferencialmente, na ZFM, se realizadas por terceiros. Ressaltese que, em relação às demais etapas, o dispositivo nada fala. Vale dizer que a dinâmica de benefícios fiscais é instituída em favor da ZFM e não das empresas. Disso decorre que se deve interpretar a norma de forma a preservar o fim para o qual se destina, isto é, se determinada etapa do produto foi, ou não, produzida na ZFM, deixando de atentarse para considerações sobre a possibilidade de se terceirizar uma etapa sequer mencionada pela norma em debate”. O acórdão apresentado como paradigma, por sua vez, estabeleceu a seguinte interpretação: “Em conclusão, a recorrente, nos termos da Portaria Interministerial n° 185/83, recebeu autorização legal somente para terceirizar com empresas localizadas em qualquer parte do território nacional as etapas ou operações de "a" a "f" que compõem o processo produtivo básico, restando para execução de seu estabelecimento fabril, localizado em Manaus, apenas três etapas: teste de audio, injeção do estojo de plástico e colocação do disco e do material gráfico no estojo e embalagem final, relacionados, respectivamente, nas letras “g”, “h” e “i”. Em síntese, quando a portaria interministerial mencionada facultou aos produtores de disco digital a laser para audio a terceirização das etapas relacionadas nas letras "a" a "f', não significa que as três restantes pudessem ser terceirizadas sob qualquer pretexto. No presente caso, a recorrente realizou a operação de uma simples embaladora do produto acabado, isto é, a colocação do disco digital a laser para audio no seu estojo, pois o disco foi integralmente produzido por seu estabelecimento localizado em São Paulo e o estojo de plástico, por uma empresa terceirizada, sediada na Zona Franca de Manaus, como poderia ter sido com qualquer outra empresa fora da Zona Franca de Manaus se por acaso, a Portaria Interministerial tivesse autorizado a terceirização.” Diante disso, caracterizada está a divergência jurisprudencial. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 9 9 No mérito, já me manifestei sobre a matéria, inclusive na declaração de voto vencido, por mim perpetrada juntamente com o nobre Cons. Luiz Roberto Domingo, na ocasião do julgamento do acórdão paradigma. Valhome dos fundamentos lá externados, no ponto em debate: O Projeto Produtivo Básico PPB estabelecido para a autuada encontrase descrito no art. 1° da Portaria Interministerial n° 185/93, DOU de 02/08/93, adiante transcrito: "Art. 1° Estabelecer para o produto DISCO DIGITAL A LASER PARA ÁUDIO, industrializado na Zona Franca de Manaus, o seguinte processo produtivo básico: a) recebimento do moldematriz; b) tratamento da resina de policarbonato; c) moldagem do disco por injeção; d) metalização da fase do disco; e) laqueação do disco; f) impressão do rótulo; g) teste de auclib; h) injeção do estojo plástico; e i) colocação do disco e do material gráfico no estojo e embalagem final Parágrafo único — Para o cumprimento do disposto neste artigo, será admitida a realização de qualquer das etapas constantes das letras 'a' a f' em qualquer parte do Território Nacional, por terceiros, preferencialmente os instalados na Zona Franca de Manaus." (...) É questão de mérito, de interpretação e validade normativa, em que se discute a possibilidade de terceirização de etapas distintas do processo produtivo básico — PPB, nos termos do artigo 1°, parágrafo único, da Portaria Ministerial 185/93. Tal questão recai sobre a Portaria Interministerial n° 185/93, que, recapitulando, estabelece Processo Produtivo Básico — PPB, em relação à fabricação de disco digital a laser para áudio, nos seguintes termos: (...) Notadamente, da leitura do supracitado parágrafo único, do artigo 1°, da PI n° 185/93, extraise que a terceirização é possível, e mais, quanto ás etapas constantes das letras "a" a f", é possível a terceirização em qualquer parte do território nacional. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 10 10 Desta feita, resta saber, especificamente, quanto a possibilidade de terceirização das letras "g" a “i", se é possível ou não, a transferência destas etapas de produção para outras empresas. Como exaustivamente defendido acima, em matéria de competência, o órgão responsável por esta interpretação, neste caso, é a Superintendência da Zona Franca de Manaus — SUFRAMA, juntamente com seu Conselho de Administração (cf. artigo 4° do Regimento Interno), que aprovou o projeto industrial de implantação e deliberou favoravelmente ao Contribuinte/Recorrente, em Parecer, entendendo o seguinte: "Em momento algum em todo o conteúdo da referida Portaria Interministerial é textualmente proibida a terceirização de qualquer das etapas por empresas estabelecidas na ZFM. Entendemos sim, que as etapas constantes das alíneas g, h e i, obrigatoriamente deverão ser realizadas dentro da ZFM, por empresas cujo projeto tenha sido aprovado pela SUFRAMA e que cumpra o processo produtivo básico estabelecido pelo Decreto n° 783/93, no seu Anexo VII, tendo em vista a clareza do texto legal nesse particular". (grifo nosso) Realmente, é de se grifar o Parecer acima transcrito, posto que é de nítida clareza, ao interpretar a norma e dar uma solução equilibrada ao sistema de isenção tributária, por quem tem competência e conhecimento sobre a matéria, nos limites da ZFM. Levase em conta inclusive, para se chegar a este posicionamento, questões políticas, sociais, ligadas ao desenvolvimento social, ao desenvolvimento da própria Zona Franca de Manaus, que goza de regime tributário especialissimo. Desta forma definida: "A Zona Franca de Manaus (ZFM) é um modelo de desenvolvimento econômico implantado pelo governo brasileiro objetivando viabilizar uma base econômica na Amazônia Ocidental, promover a melhor integração produtiva e social dessa região ao país, garantindo a soberania nacional sobre suas fronteiras. A mais bemsucedida estratégia de desenvolvimento regional, o modelo leva à região de sua abrangência (estados da Amazônia Ocidental: Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima e as cidades de Macapá e Santana, no Amapá) desenvolvimento econômico aliado à proteção ambiental, proporcionando melhor qualidade de vida às suas populações. A ZFM compreende três pólos econômicos: comercial, industrial e agropecuário. O primeiro teve maior ascensão até o final da década de 80, quando o Brasil adotava o regime de economia fechada. O industrial é considerado a base de sustentação da ZFM. O Pólo Industrial de Manaus possui mais de 450 indústrias de alta tecnologia gerando mais de meio milhão de empregos, diretos e indiretos. O Pólo Agropecuário abriga projetos voltados à atividades de produção de alimentos, agroindústria, piscicultura, turismo, beneficiamento de madeira, entre outras." Fl. 34DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 11 11 Houve ainda auditorias, por empresas credenciadas na SUFRAMA, que também atestaram a conformidade de todas as etapas do PPB, inclusive, dos discos digitais a laser para áudio, sendo plenamente favorável a descentralização de todas as etapas do processo produtivo, diferenciandose somente aquelas que poderiam ser efetivadas em qualquer parte do território nacional. Cabe, neste momento, aprofundarse no mérito, de modo mais detalhado, em busca de saber se a terceirização foi tamanha a ponto de restar tãosomente o processo de acondicionamento, que, nos termos do respeitável voto vencedor, não possibilita a isenção de IPI. Segue o posicionamento majoritariamente acolhido: a) a isenção do IPI para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus está condicionada ao cumprimento do processo produtivo básico, estabelecido em Portaria Interministerial para o produto; b) o processo industrial de acondicionamento não está beneficiado com isenção de IPI, ex vi art. 7°, § 8°, do DL n° 288/68 cabendo o lançamento do imposto pelo gozo indevido de beneficio fiscal em tais operações. (...) E mais, a terceirização da alínea "h", também se encontra no mesmo processo produtivo básico, que foi objeto de consulta a SUFRAMA, que aprovou a terceirização, nos termos da Resolução n° 158/97. O Superintendente Adjunto de Planejamento da SUFRAMA, após realização de análise técnica e jurídica, foi taxativo em aprovar a terceirização da etapa "h", nos termos do ofício n°4472/97. Em suma e respeitado melhor juízo, comprovado que a operação realizada pela empresa enquadrase no regime isencional, tendo cumprido o processo produtivo estabelecido, atestado pela SUFRAMA, é de se reconhecer a isenção do DL 288/67. Assim, já se manifestou este Conselho de Contribuintes, nos termos dos Acórdãos n° 30328717 e 20212763: 1 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO ZONA FRANCA DE MANAUS. A importação para a ZFM com os benefícios fiscais do DL 288/67, fica condicionada a anuência prévia da SUFRAMA sem a qual cabe o lançamento dos impostos exigíveis, bem como da multa do art. 4o., inciso I, da Lei 8.218/91, sendo devida, também, pelas empresas estatais, nos termos dos parágrafos 1o. e 2o. do art. 173 da Constituição Federal. Recurso improvido. 2 ZONA FRANCA DE MANAUS ISENÇÃO – O Laudo Técnico de Produto (LTP), conforme definido e disciplinado pela SUFRAMA , é instrumento hábil para comprovar se as condições Fl. 35DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 12 12 de fabricação dos produtos aprovados, para efeito do gozo dos incentivos fiscais administrados pela SUFRAMA, estão de acordo com os processos produtivos básicos, conforme preceitua a Lei n° 8.387, de 30 de dezembro de 1992, regulamentada pelo Decreto n° 783, de 25.03.93, e seus anexos e portarias interministeriais complementares” Diante disso, meu entendimento é no sentido de que a terceirização da etapa expressa na letra “h” do artigo 1° da Portaria Interministerial em questão, para empresa situada na ZFM não afasta o gozo da isenção do IPI por parte do contribuinte. Com efeito, é de se ressaltar o que dispõe o artigo 1°, parágrafo único, da Portaria Interministerial n° 185/1993: Parágrafo único — Para o cumprimento do disposto neste artigo, será admitida a realização de qualquer das etapas constantes das letras 'a' a f' em qualquer parte do Território Nacional, por terceiros, preferencialmente os instalados na Zona Franca de Manaus. Dissecandose tal dispositivo legal, temse por expresso que: a) as etapas referentes às letras “a” a “f” poderão ser terceirizadas para qualquer parte do território nacional; b) a terceirização das etapas acima deve ocorrer, preferencialmente, na Zona Franca de Manaus. Não menciona, destarte, o parágrafo único, as hipóteses previstas nas letras “g”, “h”, “i”. A questão é: perpetrandose uma interpretação literal do dispositivo em tela (como pretende a recorrente) podese depreender, necessariamente (conforme enfatizado pela recorrente), a proibição de terceirização das etapas concernentes a estas letras (“g”, “h” e “i”) dentro da Zona Franca de Manaus? A resposta há de ser negativa. Com efeito, a interpretação literal é aquela que recai sobre o texto normativo, pretendendo darlhe concreção na exata medida do seu teor. É o método hermenêutico, confundindose com o gramatical, dos mais pobres, porque, em princípio, exclui a possibilidade de coexistirem ou emanarem, no/de um texto normativo, ou mesmo no/de um texto qualquer, mais de um sentido. Na verdade, não exclui tal possibilidade. Apenas preceitua que se feche os olhos a ela. Hugo de Brito Machado, tratando do tema, expõe que: “O elemento literal é de pobreza franciscana, e utilizado isoladamente pode levar a verdadeiros absurdos, de sorte que o hermeneuta pode e deve utilizar todos os elementos da interpretação, especialmente o elemento sistemático, absolutamente indispensável em qualquer trabalho sério de Fl. 36DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 13 13 interpretação, e ainda o elemento teleológico, de notável valia na determinação do significado das normas jurídicas. Há quem afirme que a interpretação literal deve ser entendida como interpretação restritiva. Isto é um equívoco. Quem interpreta literalmente, por certo não amplia o alcance do texto, mas com certeza também não o restringe. Fica no exato alcance que a expressão literal da norma permite. Nem mais, nem menos. Tanto é incorreto a ampliação do alcance como sua restrição”. 1 A interpretação literal do texto da norma não dispensa, pois que impraticável, a análise do seu contexto, do sistema em que introduzido. Aliás, a recorrente, mesmo, assim procede, ao deduzir que, da ausência de menção excepcional, no parágrafo único do artigo 1° da Portaria Interministerial, às etapas previstas nas letras “g”, “h” e “i”, estas não podem, de todo, ser objeto de terceirização, ainda que dentro da Zona Franca de Manaus. A solução interpretativa postulada pela recorrente, contudo, não se revela a mais correta. De fato, o artigo 1° da Portaria Interministerial em análise cuida do processo produtivo básico do produto Disco Digital a Laser para Áudio, listando todas as etapas correspondentes. Dentre as etapas elencadas, o parágrafo único possibilita a terceirização em qualquer parte do território nacional daquelas previstas nas letras “a” a “f”. Não descuida de estabelecer, contudo, que, em se podendo, se dê preferência à terceirização dentro da própria Zona Franca de Manaus. Pois bem, a questão do local da terceirização tem uma razão de ser. A Zona Franca de Manaus foi criada, na Amazônia Ocidental, com o objetivo de desenvolvimento econômico dessa região. O foco central dos benefícios fiscais lá instaurados não foi, destarte, as pessoas beneficiadas, mas sim o desenvolvimento da própria região. As pessoas beneficiadas assim acabam sendo de forma, por assim dizer, indireta. Neste sentido, no sitio da Suframa, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, assim se dispõe sobre a Zona Franca de Manaus: “A Zona Franca de Manaus (ZFM) é um modelo de desenvolvimento econômico implantado pelo governo brasileiro objetivando viabilizar uma base econômica na Amazônia Ocidental, promover a melhor integração produtiva e social dessa região ao país, garantindo a soberania nacional sobre suas fronteiras. A mais bemsucedida estratégia de desenvolvimento regional, o modelo leva à região de sua abrangência (estados da Amazônia Ocidental: Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima e as cidades de Macapá e Santana, no Amapá) desenvolvimento econômico aliado à proteção ambiental, proporcionando melhor qualidade de vida às suas populações. 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 29° edição. São Paulo: Malheiros, 2008.p.114. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 14 14 A ZFM compreende três pólos econômicos: comercial, industrial e agropecuário. O primeiro teve maior ascensão até o final da década de 80, quando o Brasil adotava o regime de economia fechada. O industrial é considerado a base de sustentação da ZFM. O pólo Industrial de Manaus possui mais de 450 indústrias de alta tecnologia gerando mais de meio milhão de empregos, diretos e indiretos. O pólo Agropecuário abriga projetos voltados à atividades de produção de alimentos, agroindústria, piscicultura, turismo, beneficiamento de madeira, entre outras.” O tema, nesta esteira, relativo à possibilidade de terceirização das etapas do processo produtivo básico tem que ver com a finalidade da norma, qual seja, o desenvolvimento econômico da Zona Franca de Manaus. Daí que as hipóteses excepcionais, no que concerne à possibilidade de terceirização, referemse à ocorrência desta em outras localidades do território nacional. Tanto é que a própria norma (parágrafo único do artigo 1° da Portaria Interministerial n° 185/93), ao estabelecer as exceções, ainda faz a ressalva de que, sendo possível, a terceirização deve darse dentro da Zona Franca de Manaus. A análise deve ter como pano de fundo, assim, a Zona Franca de Manaus, e os motivos da sua criação. De modo que as exceções relativamente à terceirização do processo produtivo devem ser encaradas tãosomente em vista da relação Zona Franca de Manaus e território remanescente brasileiro. Dentro do território da Zona Franca de Manaus, a terceirização é de se reputar possível, uma vez que, neste caso, a finalidade da isenção do IPI continuará a ser observada: que o desenvolvimento da ZFM. A interpretação inversa, no sentido de que as etapas previstas nas letras “g”, “h” e “i”, não podem ser de qualquer forma terceirizada vai, inequivocamente, de encontro ao escopo da isenção em questão. Não se pode olvidar que a isenção consubstancia instrumento jurídico com escopo e fundamento eminentemente extrafiscal. É dizer, a isenção é voltada sempre a um fim, de sorte que as respectivas normas devem ser interpretadas sempre em consonância com o fim que ensejou o seu surgimento, sob pena de violar a própria norma de isenção. No caso, a norma que prevê a isenção do IPI tem como escopo a implementação do desenvolvimento da Zona Franca de Manaus. Qualquer interpretação que se choque com este fim também se chocará com aquela. Veja o que diz a respeito o ilustre professor Paulo de Barros Carvalho: “O mecanismo das isenções é um forte instrumento de extrafiscalidade. Dosando equilibradamente a carga tributária, a autoridade legislativa enfrenta as situações mais agudas, em que vicissitudes da natureza ou problemas econômicos e sociais fizeram quase desaparecer a capacidade contributiva de certo segmento geográfico ou social. A par disso, fomenta as grandes iniciativas de interesse público e incrementa a produção, o comércio e o consumo, manejando de modo adequado o recurso jurídico das isenções. São problemas alheios à especulação jurídica, é verdade, mas formam um substrato axiológico que, por tão próximo, não se pode ignorar. A contingência de não Fl. 38DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 15 15 leválos em linha de conta, para a montagem do raciocínio jurídico, não deve conduzirnos ao absurdo de negálos, mesmo porque penetram a disciplina normativa e ficam depositados nos textos do direito posto. O intérprete do produto legislado, ao arrostar as tormentosas questões semânticas que o conhecimento da lei propicia, fatalmente irá depararse com resquícios dessa intencionalidade que presidiu a elaboração legal”. 2 Neste passo, a ausência de referência acerca da possibilidade de terceirização, dentro da ZFM, das etapas previstas nas letras “g”, “h” e “i”, não pode conduzir, em se cuidando de uma interpretação teleológica e sistemática, à conclusão de que tal se encontra proibida, e por duas razões, conforme o que até agora vem sendo exposto: a) as exceções expressas referemse à possibilidade de terceirização fora da ZFM; b) o objetivo da norma é o desenvolvimento da ZFM, de modo que a terceirização dentro da ZFM não a contraria. Desta forma, é de se reconhecer: a terceirização das etapas não mencionadas no parágrafo único do artigo 1° da Portaria Interministerial, se feita dentro da Zona Franca de Manaus, no lugar de violar o referido dispositivo, dálhe efetiva concreção, por harmonizarse com o seu espírito. Notese, ademais, que tal proceder interpretativo não implica qualquer afronta ao artigo 111, inciso II, do CTN, que prescreve a interpretação literal da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. O sentido desta prescrição é o de evitar que se dê, a uma norma de isenção, interpretação que amplie os seus lindes, interpretação extensiva. Neste sentido o seguinte julgado do STJ: EMENTA: TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO DO IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CÂMBIO NAS IMPORTAÇÕES. DECRETO LEI 2.434, DE 19 DE MAIO DE 1988, ARTIGO. A isenção tributária, como o poder de tributar, decorre do jus imperii estatal. Desde que observadas as regras pertinentes da Constituição Federal, pode a lei estabelecer critérios para o auferimento da isenção, como no caso in judicio. O real escopo do artigo 111 do CTN não é o de impor a interpretação apenas literal a rigor impossível mas evitar que a intepretação extensiva ou outro qualquer princípio de hermenêutica amplie o alcance da norma isentiva . Recurso provido, por unanimidade. (Resp 14.400/SP, 1°T., rel. Min. Demócrito Reinaldo, j. 20.11.1991). Trago, aqui, também, mais uma vez lição de Paulo de Barros Carvalho: “Na análise literal prepondera a investigação sintática, ficando impedido o intérprete de aprofundarse nos planos semânticos e pragmáticos. Certificamonos, com ela, se as palavras da oração prescritiva da lei estão bem colocadas, cumprindo os 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2011. 23° edição.p. 576. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 16 16 substantivos, adjetivos, verbos, advérbios e conectivos suas específicas funções na composição frásica, segundo os cânones da gramática da língua portuguesa. (...) Transportando o raciocínio para a linguagem jurídica, veremos que o estudo desenvolvido no nível sintático por mais importante que seja, é insuficiente para cobrir toda a dimensão dos enunciados prescritivos que, vertidos em linguagem, suscitam, obrigatoriamente, além do exame sintático, investigações nos planos semântico e pragmático. E o método literal se demora na sintaxe, deixando quase intacta a verificação das significações dos vocábulos jurídicos, bem como a forma que os utentes dessa linguagem os utilizam na comunidade. Quer na linguagem em geral, quer na jurídica em particular as palavras ostentam uma significação de base e uma significação contextual. O conteúdo semântico dos vocábulos, tomandose somente a significação de base é insuficiente para a compreensão da mensagem, que requer empenho mais elaborado, muitas vezes trabalhoso, de vagar pela integridade textual à procura de uma acepção mais adequada ao pensamento que nele se exprime. Prisioneiro do significado básico dos signos jurídicos, o intérprete da formulação literal dificilmente alcançará a plenitude do comando legislado, exatamente porque se vê tolhido de buscar a significação contextual e não há texto sem contexto”. 3 Aliás, sob uma perspectiva constitucional, a interpretação que ora se estabelece, no sentido da possibilidade de terceirização da etapa “h” do processo produtivo básico em questão, dentro da Zona Franca de Manaus, encontrase respaldada por diversos dispositivos constitucionais, os quais, se outro fosse o entendimento aqui adotado, restariam inobservados. Com efeito, em primeiro lugar, o artigo 3°, inciso III, da Carta Magna, elenca, dentre os objetivos fundamentais do Estado brasileiro, a redução das desigualdades regionais. Veja o seu teor: Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: III erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; Por outro lado, a Constituição, no seu artigo 43, ao tratar das regiões, prescreve como um dos incentivos regionais concretizadores da erradicação das desigualdades regionais, a instituição de isenções de tributos federais devidos por pessoas físicas ou jurídicas: Art. 43. Para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação em um mesmo complexo geoeconômico e social, 3 Idem.p.140 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 17 17 visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais. § 1º Lei complementar disporá sobre: I as condições para integração de regiões em desenvolvimento; II a composição dos organismos regionais que executarão, na forma da lei, os planos regionais, integrantes dos planos nacionais de desenvolvimento econômico e social, aprovados juntamente com estes. § 2º Os incentivos regionais compreenderão, além de outros, na forma da lei: III isenções, reduções ou diferimento temporário de tributos federais devidos por pessoas físicas ou jurídicas; Finalmente, como princípio da ordem econômica e financeira, a Constituição volta a tratar, em seu artigo 170, inciso VII, da redução das desigualdades regionais e sociais. Todos estes dispositivos constitucionais, como se vê, revelamse presentes, ao menos no seu espírito, na gênese da criação da Zona Franca de Manaus, de modo que não é possível ao intérprete deixar de leválos em consideração na aplicação das normas respectivas. Fixada, portanto, a interpretação que se reputa correta do artigo 1°, parágrafo único, da Portaria Interministerial n° 185/93, cumpre terse em conta, por outro lado, que neste mesmo sentido foi estabelecido o entendimento da SUFRAMA, órgão responsável pela aprovação dos processos produtivos básicos. Com efeito, constatase a existência, nos autos, de diversos documentos em que se aprova o processo produtivo perpetrado pelo contribuinte, tais como o documento presente às fls. 226/227 (resolução n° 49, de 12 de julho de 2000), e o Laudo Técnico de Produto (fls. 297/298), que é expresso no seguinte sentido: “De acordo com a Resolução N° 517/93 C.A.S., ficou constatado “IN LOCO” pela equipe técnica desta Superintendência, que as condições iniciais de fabricação do produto em análise, observadas no ato da visita, descrito a seguir, estão condizentes com o processo produtivo estabelecido na Portaria Interministerial n° 185/93, de 28/07/93”. Por outro lado, temse, às fls. 139/140 dos autos, o Parecer Técnico n° 005/93, aprovado pelo superintendente da Suframa. Tratase de “consulta a respeito da interpretação do disposto no item ‘h’ injeção do estojo plástico constante do art. 1° da Portaria Interministerial n° 185, de 28.07.93”. Neste parecer, conforme já reproduzidos por diversas vezes nestes autos, externouse o seguinte entendimento: “Entendemos sim, que as etapas constantes das alíneas ‘g’, ‘h’, e ‘i’, obrigatoriamente deverão ser realizados dentro da ZFM, por empresas cujo projeto tenha sido aprovado pela SUFRAMA e que cumpra o processo produtivo básico estabelecido pelo Decreto n° 783/93, no seu Anexo VII, tendo em vista a clareza do texto legal nesse particular. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 18 18 Desta forma, concluindo, ressaltamos que a SUFRAMA jamais poderá, em tempo algum, ir de encontro a um processo de modernização industrial, com a terceirização, que a cada dia cresce em todos os países desenvolvidos e em desenvolvimento, em razão da diminuição de custos e melhoria de qualidade, fatores essenciais para a competitividade no mercado. Pelo contrário, a SUFRAMA procura, através da especialização do seu corpo técnico, ir ao encontro de todas aquelas tecnologias de produto e de produção que tragam o desenvolvimento da região na qual atua”. Ora, diante disso, até mesmo independentemente da discussão referente à competência da Receita Federal para a fiscalização tributária e aduaneira, constituise em fator de grande importância a chancela, por parte do órgão responsável pela aprovação do processo produtivo básico (Suframa), do processo produtivo realizado pelo contribuinte, o qual se constitui em condição ao gozo da isenção. Este fato, com efeito, revestese da mais alta relevância, na medida em que torna patente a boafé existente na conduta do contribuinte, o qual se pautou, na implementação do processo produtivo básico, na manifestação do Estado, especificamente da autarquia (Suframa) que, conforme lembrado pela própria recorrente, tem como incumbência a “aprovação dos processos produtivos básicos e administrar incentivos fiscais, reconhecendo os na forma da lei”. Aquiescer com a tese de que o contribuinte não implementou as condições necessárias ao gozo do benefício fiscal em tela implicaria em relegálo a um inadmissível estado de insegurança jurídica, pois que ele se veria prejudicado por um comportamento contraditório do próprio Estado, sem que de sua parte houvesse qualquer fator desencadeador de um tal comportamento. Incorreria, de fato, o Estado, em um comportamento contraditório que, por tudo, fere a boafé objetiva e o princípio da confiança, o que é vedado pelo ordenamento jurídico. Neste sentido, é de se ter que a proibição do venire contra factum proprium também é de ser estendida na relação particular x Estado. Veja o seguinte entendimento do STJ: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PAES. PARCELAMENTO ESPECIAL. DESISTÊNCIA INTEMPESTIVA DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA X PAGAMENTO TEMPESTIVO DAS PRESTAÇÕES MENSAIS ESTABELECIDAS POR MAIS DE QUATRO ANOS SEM OPOSIÇÃO DO FISCO. DEFERIMENTO TÁCITO DO PEDIDO DE ADESÃO. EXCLUSÃO DO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. PROIBIÇÃO DO COMPORTAMENTO CONTRADITÓRIO (NEMO POTEST VENIRE CONTRA FACTUM PROPRIUM). 1. A exclusão do contribuinte do programa de parcelamento (PAES), em virtude da extemporaneidade do cumprimento do requisito formal da desistência de impugnação administrativa, Fl. 42DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 19 19 afigurase ilegítima na hipótese em que tácito o deferimento da adesão (à luz do artigo 11, § 4º, da Lei 10.522/2002, c/c o artigo 4º, III, da Lei 10.684/2003) e adimplidas as prestações mensais estabelecidas por mais de quatro anos e sem qualquer oposição do Fisco. 2. A Lei 10.684, de 30 de maio de 2003 (em que convertida a Medida Provisória 107, de 10 de fevereiro de 2003), autorizou o parcelamento (conhecido por PAES), em até 180 (cento e oitenta) prestações mensais e sucessivas, dos débitos (constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa, ainda que em fase de execução fiscal) que os contribuintes tivessem junto à Secretaria da Receita Federal ou à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional com vencimento até 28.02.2003 (artigo 1º). 3. O aludido diploma legal, no inciso II do artigo 4º, estabeleceu que: "Art. 4o O parcelamento a que se refere o art. 1o: (...) II – somente alcançará débitos que se encontrarem com exigibilidade suspensa por força dos incisos III a V do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, no caso de o sujeito passivo desistir expressamente e de forma irrevogável da impugnação ou do recurso interposto, ou da ação judicial proposta, e renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os referidos processos administrativos e ações judiciais, relativamente à matéria cujo respectivo débito queira parcelar; (....)" 4. Destarte, o parcelamento tributário previsto na Lei 10.684/03 somente poderia alcançar débitos cuja exigibilidade estivesse suspensa por força de pendência de recurso administrativo (artigo 151, III, do CTN) ou de deferimento de liminar ou tutela antecipatória (artigo 151, incisos IV e V, do CTN), desde que o sujeito passivo desistisse expressamente e de forma irrevogável da impugnação ou recurso administrativos ou da ação judicial proposta, renunciando a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundassem as demandas intentadas. 5. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e a Secretaria da Receita Federal expediram portarias conjuntas a fim de definir o dies ad quem para que os contribuintes (interessados em aderir ao parcelamento e enquadrados no artigo 4º, II, da Lei 10.684/03) desistissem das demandas (judiciais ou administrativas) porventura intentadas, bem como renunciassem ao direito material respectivo. 6. A Portaria Conjunta PGFN/SRF 1/2003, inicialmente, fixou o dia 29.08.2003 como termo final para desistência e renúncia, prazo que foi prorrogado para 30.09.2003 (Portaria Conjunta PGFN/SRF 2/2003) e, por fim, passou a ser 28.11.2003 (Portaria Conjunta PGFN/SRF 5/2003). 7. Nada obstante, o § 4º, do artigo 11, da Lei 10.522/2002 (parágrafo revogado pela Medida Provisória 449, de 3 de dezembro de 2008, em que foi convertida a Lei 11.941, de 27 de maio de 2009), aplicável à espécie por força do princípio tempus regit actum e do artigo 4º, III, da Lei 10.684/03, determinava que: "Art. 11. Ao formular o pedido de parcelamento, o devedor Fl. 43DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 20 20 deverá comprovar o recolhimento de valor correspondente à primeira parcela, conforme o montante do débito e o prazo solicitado. (...) § 4º Considerarseá automaticamente deferido o parcelamento, em caso de não manifestação da autoridade fazendária no prazo de 90 (noventa) dias, contado da data da protocolização do pedido. (...)" 8. Conseqüentemente, o § 4º, da aludida norma, erigiu hipótese de deferimento tácito do pedido de adesão ao parcelamento formulado pelo contribuinte, uma vez decorrido o prazo de 90 (noventa) dias (contados da protocolização do pedido) sem manifestação da autoridade fazendária, desde que efetuado o recolhimento das parcelas estabelecidas. 9. In casu, consoante relatado na origem: "... o impetrante apresentou, em janeiro de 2001, impugnação em relação ao lançamento fiscal referente ao processo administrativo nº 11020.002544/0031 (fls. 179 e ss.), tendo posteriormente efetuado pedido de inclusão de tal débito no PAES, em agosto de 2003 (fl. 08), com o recolhimento da primeira parcela em 2808 2003 (fl. 25), mantendose em dia com os pagamentos subseqüentes até a impetração do presente mandamus, em outubro de 2007 (fls. 25/41 e 236). Ocorre que, em julho de 2007, a Secretaria da Receita Federal notificou o requerente de que haveria a compensação de ofício dos valores a serem restituídos a título de Imposto de Renda com o aludido débito (fl. 42), informando que o contribuinte não teria desistido da impugnação administrativa antes referida (fl. 03). Buscando solucionar o impasse, formulou pedido de desistência e requereu a manutenção do parcelamento, ao que obteve resposta negativa, sob a justificativa da ausência de manifestação abdicativa no prazo previsto no art. 1º da Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 05, de 23102003 (fl. 43). (...) Não obstante tenha o impetrante, por lapso, desrespeitado tal prazo, postulou a inclusão do débito impugnado no PAES e efetuou o pagamento de todas as prestações mensais no momento oportuno, por mais de quatro anos, de 28082003 (fl. 25) a 31102007 (fl. 236), formulando, posteriormente, pleito de desistência (fl. 43), todas atitudes que demonstram a sua boafé e a intenção de solver a dívida, depreendendose ter se resignado, de forma implícita e desde o início do parcelamento, em relação à discussão travada no processo administrativo nº 11020.002544/0031. Além disso, salientese que a Administração Fazendária recebeu o pedido de homologação da opção pelo parcelamento em agosto de 2003 (fl. 08) e sobre ele não se manifestou no prazo legal, de 90 dias, a teor do art. 4º, inciso III, da Lei nº 10.684/03, c/c art. 11, § 4º, da Lei nº 10.522/02, o que implica considerar automaticamente deferido o parcelamento. Frisese, ainda, que recebeu prestações mensais por mais de quatro anos, sem Fl. 44DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 21 21 qualquer insurgência, além de ter deixado de dar o devido seguimento ao processo administrativo nº 11020.002544/00 31.(...)" 10. A ratio essendi do parcelamento fiscal consiste em: (i) proporcionar aos contribuintes inadimplentes forma menos onerosa de quitação dos débitos tributários, para que passem a gozar de regularidade fiscal e dos benefícios daí advindos; e (ii) viabilizar ao Fisco a arrecadação de créditos tributários de difícil ou incerto resgate, mediante renúncia parcial ao total do débito e a fixação de prestações mensais contínuas. 11. Destarte, a existência de interesse do próprio Estado no parcelamento fiscal (conteúdo teleológico da aludida causa suspensiva de exigibilidade do crédito tributário) acrescida da boafé do contribuinte que, malgrado a intempestividade da desistência da impugnação administrativa, efetuou, oportunamente, o pagamento de todas as prestações mensais estabelecidas, por mais de quatro anos (de 28.08.2003 a 31.10.2007), sem qualquer oposição do Fisco, caracteriza comportamento contraditório perpetrado pela Fazenda Pública, o que conspira contra o princípio da razoabilidade, máxime em virtude da ausência de prejuízo aos cofres públicos. 12. Deveras, o princípio da confiança decorre da cláusula geral de boafé objetiva, dever geral de lealdade e confiança recíproca entre as partes, sendo certo que o ordenamento jurídico prevê, implicitamente, deveres de conduta a serem obrigatoriamente observados por ambas as partes da relação obrigacional, os quais se traduzem na ordem genérica de cooperação, proteção e informação mútuos, tutelandose a dignidade do devedor e o crédito do titular ativo, sem prejuízo da solidariedade que deve existir entre ambos. 13. Assim é que o titular do direito subjetivo que se desvia do sentido teleológico (finalidade ou função social) da norma que lhe ampara (excedendo aos limites do razoável) e, após ter produzido em outrem uma determinada expectativa, contradiz seu próprio comportamento, incorre em abuso de direito encartado na máxima nemo potest venire contra factum proprium. 14. Outrossim, a falta de desistência do recurso administrativo, conquanto possa impedir o deferimento do programa de parcelamento, acaso ultrapassada a aludida fase, não serve para motivar a exclusão do parcelamento, por não se enquadrar nas hipóteses previstas nos artigos 7º e 8º da Lei 10.684/2003 (inadimplência por três meses consecutivos ou seis alternados; e não informação, pela pessoa jurídica beneficiada pela redução do valor da prestação mínima mensal por manter parcelamentos de débitos tributários e previdenciários, da liquidação, rescisão ou extinção de um dos parcelamentos) (Precedentes do STJ: REsp 958.585/PR, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 17.09.2007; e REsp 1.038.724/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 17.02.2009, DJe 25.03.2009). Fl. 45DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 22 22 15. Conseqüentemente, revelase escorreito o acórdão regional que determinou que a autoridade coatora mantivesse o impetrante no PAES e considerou suspensa a exigibilidade do crédito tributário objeto do parcelamento. 16. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1143216/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 09/04/2010) Por todo o exposto, tendo em vista a interpretação que se deve dar ao artigo 1°, parágrafo único, da Portaria Interministerial n° 185/93, e todos os demais elementos dos autos a corroborar a correção de tal entendimento, não há de prosperar o pleito recursal da Fazenda. Aliás, no sentido do até aqui exposto, cito voto da lavra do ilustre Conselheiro Júlio César Alves Ramos, no âmbito do processo n° 10283.009636/200131, acórdão n° 20403.030, Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: “Tratase de Auto de infração de IPI lavrado contra uma empresa instalada na Zona Franca de Manaus (ZFM), com projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência daquela região de incentivos fiscais (SUFRAMA) para a produção de discos compactos a laser (CD) em atendimento a processo produtivo básico (PPB) (...) O descumprimento teria se dado porque a empresa não teria desenvolvido o processo produtivo básico para a industrialização de CD, que foi estabelecido pela Portaria Interministerial n° 185/93 (...) No dizer da fiscalização, a citada portaria interministerial estabeleceu nove etapas para o processo produtivo, permitindo a terceirização, inclusive fora da ZFM, das seis primeiras, mas exigindo que as três últimas fossem necessariamente desenvolvidas no estabelecimento beneficiário da isenção. No entanto, ao longo do último semestre do ano de 1998, a empresa teria terceirizado também uma das três últimas etapas, qual seja, a “injeção do estojo plástico”, de modo que, em seu estabelecimento “produtivo”, apenas teria executado o “teste de áudio” (sétima etapa) e ‘a colocação do disco e do material gráfico no estojo e embalagem final’ (última etapa). No curso da fiscalização, e em resposta a intimação do fisco, a empresa alegou estar amparada por Parecer da Suframa que entendeu possível a terceirização desde que realizada dentro da própria ZFM (...) Nesse sentido, afronta a lógica pretender que dadas operações constantes do processo produtivo básico possam ser realizadas fora da ZFM ou por outros estabelecimentos, ainda que situados naquela região. Isso é o mesmo que dizer que a Fl. 46DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 23 23 ‘industrialização’ que produz os efeitos fiscais da redução e da isenção se realize, ao menos em parte, fora da ZFM. Ora, não se pode olvidar o comando legal definidor da isenção: ela é concedida aos produtos industrializados na ZFM. Ela não é concedida a produtos industrializados fora da ZFM e lá embalados (...) Como se viu, na subdelegação, o decreto excluiu o Ministro da Fazenda e incluiu o da Integração Regional. Com base nela, os Ministros da Integração Regional, Indústria e Comércio e Ciência e Tecnologia baixaram a Portaria Interministerial n° 185/93 definindo o PPB dos discos a laser (...) Ao analisar as etapas autorizadas, vêse que conformam o núcleo mesmo da fabricação do CD: “recebimento do molde matriz, tratamento da resina de policarbonato, moldagem do disco por injeção, metalizada da fase (sic) do disco, laqueação do disco e impressão do rótulo”. Afora elas, resta tãosomente o teste dos discos já fabricados, a fabricação do seu estojo plástico e a colocação nele do CD fabricado (...) Nem é preciso completar que considero a Portaria contrária à Lei. (...) Cabe, portanto, cumprila. E se a Portaria já era largamente questionável, ainda mais longe foi a Resolução Suframa n° 159/1997 que reconheceu os incentivos fiscais à Novodisc. Por meio dela, validouse a esdrúxula interpretação de que nem mesmo a fabricação do estojo plástico (única etapa realmente produtiva que restara) precisava ser feita no estabelecimento beneficiário. Bastaria que fosse feito na ZFM, ainda que por outro estabelecimento (...) ‘Utilizandose da prerrogativa estabelecida no Parágrafo único do Art. 1° da Supracitada Portaria, a empresa irá terceirizar, no centrosul do país, as etapas grifadas. A etapa de injeção do estojo plástico (CD Box) também será terceirizada, desta feita na Zona Franca de Manaus, sob controle da SUFRAMA. Essas operações, de acordo com o projeto poderão ser eventualmente realizadas pela empresa, para as quais projetou investimento em bensdecapital. A análise do processo produtivo conjuntamente com a análise da lista de materiais nos permitem afirmar que a proposta de fabricação do produto atende o suprecitado PPB’. Não é dada qualquer fundamentação pela conclusão negritada. Ela é, porém, encontrável, a partir dos documentos ofertados pelo recorrente, no Parecer n° 005 elaborado quatro anos antes, em 1993, pela DIPI/DEPRO/SAP da Suframa, devidamente aprovado pelo seu Superintendente, que concluiu não afrontar o Fl. 47DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 24 24 PPB previsto na Portaria interministerial a terceirização mencionada, desde que realizada na ZFM. É certo, pois, que a Resolução autorizou (ainda que não expressamente) as duas ‘terceirizações’ conjuntamente. Nem é preciso repetir que tampouco com essa interpretação concordamos. Isso não obstante, caso tenha sido ela expedida regularmente, valem as conclusões já acima enunciadas com respeito à Portaria, e é imperiosa sua observância pela SRF (...) Destarte, o Conselho de Administração da Suframa é o órgão integrante da Administração Federal deidamente investido, por decreto regularmente expedido pelo Poder Executivo, nos Poderes para fixar os critérios a serem observados pelos empreendimentos postulantes aos incentivos fiscais deferidos à ZFM. E tendo a Resolução n° 159/1997, por ele expedida, validado a conclusão do Relatório Técnico expressamente mencionada no Parecer Técnico SAP/DEPRO/DIPI que a embasou, entendo inconcebível que outro órgão integrante da estrutura da Administração Federal simplesmente a desconsidere, sem que tenha sido ela, antes, afastada por decisão judicial ou anulada administrativamente”. Desta forma, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 04de outubro de 2011 04 de outubro de 2011 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Redator designado Como o devido respeito, ouso discordar do voto da relatora. Creio que houve o descumprimento do processo produtivo básico, nos termos do voto a seguir. Antes de entrar no mérito vamos fazer uma breve explanação que visa à delimitação da lide. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 25 25 Tratase o presente caso de uma discussão meramente jurídica já que os fatos já estão todos elucidados. Somente a parte de embalagem, ou seja, os estojos que serão usados no acondicionamento dos CD’s é que vai cingir a presente lide. A própria empresa admite que terceirizou a produção dos estojos dentro da ZFM em outra empresa também cumpridora do PPB. A fiscalização desconsiderou a isenção condicionada por considerar não cumprida uma das etapas do PPB. O Sujeito Passivo, por sua vez, amparandose em um parecer da Suframa, alegas que não descumpriu as condições previstas na legislação. Assim o que será debatido por esse plenário é se houve ou não descumprimento das condições impostas pela legislação para a fruição do benefício, como alega a Contribuinte e atesta o Parecer da Suframa ou se houve o descumprimento das condições, acarretando a desconsideração da isenção, com a respectiva lavratura do Auto de Infração correspondente. Analisadas as condições de admissibilidade e delimitação da lide, passemos ao mérito. Como a DRJ já fez uma boa e resumida exposição da legislação aplicada ao caso, vamos transcrever esta parte do voto da autoridade julgadora de primeira instância. A isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados produzido na Zona Franca de Manaus foi estatuída através do DecretoLei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967, com a redação dada pela Lei n° 8.387, de 30 de dezembro de 1991 : “(...) Art. 9° Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do Território Nacional. § 1° A isenção de que trata este artigo, no que respeita aos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus que devam ser internados em outras regiões do País, ficará condicionada à observância dos requisitos estabelecidos no art. 7° deste decretolei. (...)”(g.n.) O art. 7° daquele diploma legal estabelece, como requisitos, a aprovação de projeto pela SUFRAMA e a fabricação dos produtos de acordo com Processo Produtivo Básico: “Art. 7° Os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, salvo (...), quando dela saírem para qualquer ponto do Território Nacional, estarão sujeitos à exigibilidade do Imposto sobre Importação relativo a matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira neles empregados, calculado o tributo mediante coeficiente de redução de sua alíquota ad valorem , na conformidade do § 1° deste artigo, desde que atendam nível de industrialização local compatível Fl. 49DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 26 26 com processo produtivo básico para produtos compreendidos na mesma posição e subposição da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB). (...) § 7° A redução do Imposto sobre Importação, de que trata este artigo, somente será deferida a produtos industrializados previstos em projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Suframa que: I se atenha aos limites anuais de importação de matérias primas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, constantes da respectiva resolução aprobatória do projeto e suas alterações; II objetive: a) o incremento de oferta de emprego na região; b) a concessão de benefícios sociais aos trabalhadores; c) a incorporação de tecnologias de produtos e de processos de produção compatíveis com o estado da arte e da técnica; d) níveis crescentes de produtividade e de competitividade; e) reinvestimento de lucros na região; e f) investimento na formação e capacitação de recursos humanos para o desenvolvimento científico e tecnológico. § 8° Para os efeitos deste artigo, consideramse: (...) b) processo produtivo básico é o conjunto mínimo de operações, no estabelecimento fabril, que caracteriza a efetiva industrialização de determinado produto. (...)"(g.n.) O Decreto n° 783, de 25 de março de 1993, em seu art. 5°, adiante reproduzido, estabeleceu que os processos produtivos básicos, para os produtos nele não incluídos, seriam fixados por meio de portaria interministerial: “Art. 5º Os Ministros de Estado da Integração Regional, da Indústria, do Comércio e do Turismo, e da Ciência e Tecnologia, fixarão, por portaria interministerial, os processos produtivos básicos para os produtos fabricados na Zona Franca de Manaus, não incluídos nos Anexos de I a XV deste decreto.” O Processo Produtivo Básico para o produto DISCO DIGITAL A LASER foi estabelecido pela Portaria Interministerial n° 185, de 28 de julho de 1993, cujo art. 1° se traslada: Fl. 50DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 27 27 “Art. 1° Estabelecer para o produto DISCO DIGITAL A LASER PARA ÁUDIO, industrializado na Zona Franca de Manaus, o seguinte processo produtivo básico: a. recebimento do moldematriz; b. tratamento da resina de policarbonato; c. moldagem do disco por injeção; d. metalização da fase do disco; e. laqueação do disco; f. impressão do rótulo; g. teste de áudio; h. injeção do estojo plástico; e i. colocação do disco e do material gráfico no estojo e embalagem final. Parágrafo Único. Para o cumprimento do disposto neste artigo, será admitida a realização de qualquer das etapas constantes das letras "a" a "f" em qualquer parte do Território Nacional, por terceiros preferencialmente os instalados na Zona Franca de Manaus. (...)” Também não será necessária uma exposição acerca das teorias sobre isenção, pois vimos que a lide tratase única e exclusivamente na determinação se houve ou não o descumprimento das condições para a fruição do benefício. Cabe ao intérprete dar a melhor solução para a correta aplicação do texto legal ao caso in concreto. Essa é a nobre função dos nossos tribunais administrativos e judiciais. Devemos responder a seguinte pergunta: O parágrafo único da Portaria Interministerial n° 185, de 28 de julho de 1993, transcrito acima permite a terceirização da etapa “h”? O CTN dispõe textualmente que: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 28 28 Essa interpretação gramatical ou literal também é avocada por ambas as partes da contenda para comprovar, ou não, a cumprimento do PPB, in concreto.Como se vê, tratandose de uma renúncia fiscal, o controle tem que ser rígido e, ao contribuinte cabe atender expressamente o disposto na legislação de regência. Pose observar claramente que a fiscalização entende que a regra geral é a fabricação pela própria empresa beneficiária da isenção, sendo a terceirização uma exceção a ser literalmente consignada na legislação. Desta forma, se a portaria interministerial não tivesse o preceito de exceção contido no supratranscrito parágrafo único, nenhuma etapa poderia ser terceirizada, nem mesmo com empresas instaladas na ZFM, pois todas as etapas teriam que ser executadas pela empresa beneficiária da isenção. O Sujeito Passivo, diferentemente, traz em seus argumentos a tese de que a regra geral é a fabricação por empresa instalada na Zona Franca de Manaus, não necessariamente o estabelecimento beneficiário da isenção, sendo a exceção a faculdade de terceirizar parte do processo com empresas não instaladas na ZFM. De inferir, por conseguinte, que a interpretação da contribuinte é no sentido de que, se não houvesse a excepcionalidade veiculada naquele parágrafo único, quaisquer etapas poderiam ser terceirizadas, desde que por empresas instaladas na ZFM. A Contribuinte, ora recorrida, também baliza os seus argumentos no Parecer Técnico nº 005/93, produzido em resposta a uma consulta feita pela empresa Objetiva S/C Ltda, para um caso similar. Como o documento foi produzido pelo órgão concedente dos incentivos, a empresa o usa em sua defesa. E o Parecer é bastante claro quando infere que “em momento algum em todo o conteúdo da referida Portaria Interministerial é textualmente proibida a terceirização de qualquer da etapa por empresas estabelecidas na ZFM.” Porém se a RFB, em ação fiscal, colher elementos de comprovem o não cumprimento do processo, poderá desconstituir a outorga de isensão. Até porque o parecer apresentado se trata de um caso similar e de outra empresa. Ele pode balizar o presente caso, em uma integração legislativa por analogia, caso se considere que a norma é omissa, ou seja, lacunosa. Em não havendo como interpretar o texto legal por falta de texto legal que se enquadre ao caso, poderseia cogitar do uso da analogia. Porém entendemos que não há omissão legislativa e nem tampouco a RFB seria obrigada a seguir pareceres que, mesmo se se referisse ao presente caso, estivesse eivado de ilegalidade. O levantamento e os relatórios produzidos pela autoridade fiscal estão perfeitos. Trazem uma explanação detalhada e correta dos fatos e das normas aplicáveis. Eis que a norma geral contida no DecretoLei nº 288, de 1967, prevê a produção no estabelecimento beneficiário da isenção. Pois, aqui me socorrendo novamente do voto proferido pela DRJ, norma diz no estabelecimento fabril, e não em estabelecimento fabril, nada havendo de pleonasmo no comando, como brande a contribuinte em sua defesa. Redundante seria o legislador se houvesse dito que a fabricação deveria se dar em estabelecimento fabril. Mas, ao especificar que a fabricação deveria ocorrer no estabelecimento fabril, tratou o legislador de individualizar o estabelecimento a quem caberia cumprir o PPB, vale dizer, o estabelecimento pretendente do benefício. Estatui o dispositivo, portanto, que o PPB é o Fl. 52DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.010262/200104 Acórdão n.º 9303001669 CSRFT3 Fl. 29 29 conjunto mínimo de operações realizadas pelo estabelecimento, e não por estabelecimento fabril, para que se caracterize a efetiva industrialização do produto. E, perscrutese uma vez mais, a qual estabelecimento reportase a norma? É óbvio que é ao estabelecimento que pleiteia o incentivo da isenção, pois é especificamente para ele que se dirige o legislador ao estabelecer os requisitos para a concessão do benefício, entre os quais se inclui a aprovação de projeto pela SUFRAMA. Podemos concluir a correta interpretação e a única possível para o presente caso é que para o perfeito cumprimento de um Processo Produtivo Básico induz que todas as etapas devem ser realizadas pelo estabelecimento beneficiário da isenção, em face do que somente se admitem as exceções expressamente permitidas em norma específica. Se, porventura, dúvidas ainda remanescem a tal conclusão, serão elas dissipadas com o exame da questão sistemática, averiguandose a compatibilidade do discutido preceito dentro de um todo estrutural. É o que os juristas chamam de silêncio eloqüente da norma. Somente nesses termos, podemos dar a correta interpretação ao parágrafo único da Portaria Interministerial 185/93. Voto pelo provimento do Recurso Especial interposto pela PGFN. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 53DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 16624.004267/2008-34
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2005,2006,2007
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL
Em se tratando de exigência de multa referente a obrigação acessória, o prazo decadencial se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXCLUSÃO SIMPLES. CONCOMITÂNCIA POSSÍVEL JURIDICAMENTE.
A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
Numero da decisão: 1801-001.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL Em se tratando de exigência de multa referente a obrigação acessória, o prazo decadencial se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXCLUSÃO SIMPLES. CONCOMITÂNCIA POSSÍVEL JURIDICAMENTE. A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 62 4. 00 42 67 /2 00 8- 34 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16624.004267/200834 Acórdão n.º 1801001.923 S1TE01 Fl. 124 2 (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Exclusão do Simples A Recorrente suscita que foi incluída em 01.01.2007 no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e excluída em 30.06.2007, em conformidade com as informações constantes nos sistemas internos da RFB, fl. 99. Cabe ressaltar que essa matéria não é objeto do lançamento nos presentes autos. Autos de Infração de DCTF Contra a Recorrente acima identificada foram lavrados os Auto de Infração às fls. 0722, com a exigência dos créditos tributários nos valores de R$500,00, de R$500,00, de R$500,00, de R$500,00, de R$500,00, e de R$500,00 a título de multas de ofício isoladas por falta na entrega de acordo com a intimação em 02.09.2008 da entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF): do primeiro e segundo trimestres do anocalendário de 2004, cujos prazos finais eram, respectivamente, 14.05.2004 e 13.08.2004; do primeiro e segundo semestres do anocalendário de 2005, cujos prazos finais eram, respectivamente, 07.10.2005 e 07.04.2006. do primeiro e segundo semestres do anocalendário de 2006, cujos prazos finais eram, respectivamente, 06.10.2006 e 09.04.2007. Para tanto, foi tem cabimento o seguinte enquadramento legal: art. 113, art. 115 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº Fl. 124DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16624.004267/200834 Acórdão n.º 1801001.923 S1TE01 Fl. 125 3 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, bem como art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 e art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0305, com as alegações a seguir transcritas: I DOS FATOS A empresa possui processos em andamento, como o processo supracitado tratando do pedido de enquadramento com data retroativa no Simples Nacional e é injusto este procedimento adotado pela receita federal contra as microempresas e empresas de pequeno porte, o de cancelar as declarações com data retroativa ou obrigar uma empresa optante pelo regime de tributações simplificadas a entregar declarações que não lhe são devidas como aquelas que foram mencionadas no Auto de Infração acima, prejudicando e muito o contribuinte com a exigência de que ele deve entregar tais declarações, gerando débitos e consequentemente forçando os empresários confessarem uma divida que eles não possuem, porque já cumpriram as suas obrigações no período oportuno. II – O DIREITO I. 1 PRELIMINAR Pedimos o cancelamento da ação fiscal que se pretendia fazer através do Auto de infração VI Multa números de rastreamento 803932498, 803932507, 803932515, 803932524, 803932538, 803932541, 809392555, 803932569, todos se referindo ao mesmo assunto, ou seja, ao mesmo tipo de declarações (DCTF), atualmente a situação do contribuinte de optante pelo Simples Nacional a partir de 01/01/2008 e também desde a sua constituição em 06/07/1990 de acordo com a lei Simples Federal (Lei 9.317/1996), que foi revogado a partir daquela data 01.07.2007, então por esse motivo fica desobrigada de entregar DCTF, seja de que período for. II. 2 MÉRITO (inciso III e IV do art. 16 do Dec.70.235/72) Art. 5° e art. 2° da Instrução Normativa RFB n° 786, de 19 de novembro de 2007 Estão dispensadas da apresentação da DCTF: I as microempresas e as empresas de pequeno porte enquadradas no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuig6es devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), instituído pela Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, relativamente aos períodos abrangidos por esse sistema; Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Impugnação: a) Auto de infração que penaliza a empresa injustamente; b) Processo de inclusão com data retroativa não foi julgado portanto a empresa não de sofrer ações fiscais; c) Situação atual da empresa optante pelo Simples Nacional a partir de 01/01/2008; Fl. 125DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16624.004267/200834 Acórdão n.º 1801001.923 S1TE01 Fl. 126 4 d) Cancelamento da ação fiscal. III. 2 A CONCLUSÃO À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose a ação ora reclamada. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/CPS/SP nº 0537.023, de 27.02.2012, fls. 101103: Impugnação Improcedente. Consta no Voto condutor: Não merece razão o Impugnante. Deixar de apresentar Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal é infração descrita no art. 7° da Lei n° 10.426/2002, punível com as multas ai definidas. Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004.) Os atos normativos expedidos pela Receita Federal dispensam as empresas optantes pelo SIMPLES da entrega da DCTF, relativamente ao período abrangido por esse sistema. Invalidada a situação de dispensa da declaração, a legislação especifica que as obrigações passam a ser devidas, inclusive as vencidas, que dão azo à multa prevista pela impontualidade de seu cumprimento. O documento de fls. 50 noticia a inclusão no Simples Federal em 01/01/2007 e sua exclusão em 30/06/2007, de forma a não restar abrangido o período objeto das autuações. Aliás, não há elementos nos autos que comprovem as alegações do Impugnante. Isso posto, ante a ausência de elementos comprovadores da alegação de defesa, VOTO pela improcedência da impugnação e manutenção das multas aplicadas. Restou ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DCTF. SIMPLES. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16624.004267/200834 Acórdão n.º 1801001.923 S1TE01 Fl. 127 5 Não comprovada a inserção no sistema simplificado de tributação, é devida multa pela não entrega da declaração ao seu tempo, no prazo fixado para a obrigação. Notificada em 09.03.2012, fl. 111, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 25.05.2012, fls. 114115, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que vem: pedir a impugnação referente à cobrança de DCTF anos calendário 2004, 2005 e 2006 pois a empresa se encontra optante do simples na época em questão e foi excluída pela previdência sem prévio aviso em carta AR. A exclusão se deve por uma retenção indevida de INSS sendo assim, o mesmo pediu a exclusão do simples alegando locação de mãodeobra, sendo que, minha empresa não emite notas fiscais de serviços e sim conhecimento de transporte (CTRC), ou seja, esta retenção foi feita de forma errada e eu entrei com processo na previdência para pedir a restituição deste valor, me acarretando todo este transtorno, lembrando que só incide retenção em notas fiscais de serviço. Também para poder gerar as multas, as declarações teriam que estar entregues e não estão, pois eu estava com recurso e o prazo de entrega da DCTF’s dos anos de 2004, 2005 e 2006 já prescreveram. Peço encarecidamente que leve em consideração meu pleito, pois acredito ser uma cobrança indevida. Sem mais, peço deferimento. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente diz que foi incluída em 01.01.2007 no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e excluída em 30.06.2007, em conformidade com as informações constantes nos sistemas internos da RFB, fl. 99. Cabe ressaltar que essa matéria não é objeto do lançamento nos presentes autos e ainda não foram produzidos nos autos um conjunto probatório de que no Fl. 127DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16624.004267/200834 Acórdão n.º 1801001.923 S1TE01 Fl. 128 6 período objeto da ação fiscal que a Recorrente estivesse definitivamente amparada pela sistemática do Simples, um vez que o ônus da prova a ela incumbe. A Recorrente diz que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, o Auto de Infração pode ser lavrado sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente argui que a exigência de multa referente a obrigações acessórias foi alcançado pela decadência. Compete analisar a objeção de decadência por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento.Este instituto pode ser definido como a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, tendo em vista decurso do lapso temporal de cinco anos previsto em lei. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16624.004267/200834 Acórdão n.º 1801001.923 S1TE01 Fl. 129 7 a fluir da ocorrência do fato gerador. Por seu turno, comprovada a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude ou pela simulação, bem como se verificada a inexistência do pagamento antecipado, o prazo de cinco anos se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 973.733/SC2, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.10.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Estas são regras aplicáveis a tributo sujeito a lançamento por homologação3. No presente caso, tratandose de exigência de multa referente a obrigação acessória, o termo de início da contagem do prazo decadencial em exame se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A intimação da exigência referente à entrega das DCTF dos anoscalendário de 2004, 2005, e 2006 foram efetivadas em 02.09.2008. fls. 0722, e os Autos de Infração foram notificados à Recorrente em 17.11.2008, fls. 6191 . Desse modo não se verificou o transcurso do prazo legal de caducidade. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. Recorrente traz para os presentes autos argumentos pertinentes a uma possível exclusão do Simples e por essa razão os lançamentos não poderiam ter sido formalizados sem prévia intimação. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador4. Os Autos de Infração foram lavrados com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante das multas de ofício isolada devida e identificação do sujeito passivo e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 46, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. 2 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 973733/SC. Ministro Relator: Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 12 de agosto de 2009. Dsponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=901905&sReg=200701769940&sData=2009 0918&formato=PDF> .Acesso em: 26 ago. 2011. 3 Fundamentação legal: § 4° do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 269 do Código de Processo Civil. 4 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16624.004267/200834 Acórdão n.º 1801001.923 S1TE01 Fl. 130 8 Vale esclarecer ainda que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos5. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente alega era optante pelo Simples no anocalendário de 2007 e por essa razão não estaria obrigada à entrega de DCTF. Cabe ressaltar que essa matéria não é objeto dos presentes autos. Ademias, o enunciado da Súmula CARF nº 77 determina que “a possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão”. Além disso o art. 16 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, determina expressamente que “ a pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Por essas razões não cabem reparos às exigências referentes às multas de ofício isoladas por falta na entrega de acordo com a intimação em 02.09.2008 da entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF): do primeiro e segundo trimestres do anocalendário de 2004, cujos prazos finais eram, respectivamente, 14.05.2004 e 13.08.2004; do primeiro e segundo semestres do anocalendário de 2005, cujos prazos finais eram, respectivamente, 07.10.2005 e 07.04.2006. do primeiro e segundo semestres do anocalendário de 2006, cujos prazos finais eram, respectivamente, 06.10.2006 e 09.04.2007. Ainda mais, conjugandose ao conjunto probatório produzidos nos autos inferese que a Recorrente foi incluída em 01.01.2007 no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e excluída em 30.06.2007, em conformidade com as informações constantes nos sistemas internos da RFB, fl. 99. Tais datas não são coincidentes que aquelas objeto do lançamento, repitase da falta de apresentação, após intimada da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF): 5 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16624.004267/200834 Acórdão n.º 1801001.923 S1TE01 Fl. 131 9 do primeiro e segundo trimestres do anocalendário de 2004, cujos prazos finais eram, respectivamente, 14.05.2004 e 13.08.2004; do primeiro e segundo semestres do anocalendário de 2005, cujos prazos finais eram, respectivamente, 07.10.2005 e 07.04.2006. do primeiro e segundo semestres do anocalendário de 2006, cujos prazos finais eram, respectivamente, 06.10.2006 e 09.04.2007. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Além disso, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O adimplemento das obrigações tributárias principais confessadas em DCTF não tem força normativa para afastar a penalidade pecuniária decorrente da entrega em atraso ou a falta de apresentação da mesma DCTF. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). A tipicidade se encontra expressa na legislação de regência da matéria e por essa razão a autoridade fiscal não pode deixar de cumprir as estritas determinações legais literalmente, não podendo alterar a penalidade pecuniária. Desse modo, o sujeito passivo que Fl. 131DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16624.004267/200834 Acórdão n.º 1801001.923 S1TE01 Fl. 132 10 deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do Auto de Infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos6. Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores7. 6 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16624.004267/200834 Acórdão n.º 1801001.923 S1TE01 Fl. 133 11 Cabe esclarecer que o obrigação acessória é desvinculada da obrigação principal no sentido de que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária8. As obrigações acessórias decorrem diretamente da lei, no interesse da administração tributária. É autônoma e sua observância independe da existência de obrigação principal correlata. Os deveres instrumentais previstos na legislação tributária ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam inclusive as pessoas jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal. 9 Por essa razão o pagamento dos tributos devidos não têm força normativa de afastar a multa de ofício isolada aplicada em função da falta ou atraso na entrega de declaração. Consta nas Descrições dos Fatos, fls. 0722, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: A falta de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF enseja a aplicação de multa no valor de R$500,00. Foi considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da lavratura deste Auto de Infração. No presente caso, restou comprovado que houve a exigência das multas de ofício isoladas por falta na entrega de acordo com a intimação em 02.09.2008 da entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF): do primeiro e segundo trimestres do anocalendário de 2004, cujos prazos finais eram, respectivamente, 14.05.2004 e 13.08.2004; do primeiro e segundo semestres do anocalendário de 2005, cujos prazos finais eram, respectivamente, 07.10.2005 e 07.04.2006. do primeiro e segundo semestres do anocalendário de 2006, cujos prazos finais eram, respectivamente, 06.10.2006 e 09.04.2007. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. 7 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 8 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional. 9 Fundamentação legal: art. 175 e art. 194 do Código Tributário Nacional. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16624.004267/200834 Acórdão n.º 1801001.923 S1TE01 Fl. 134 12 Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 134DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13851.001584/2002-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 31/07/1999
Revisão dos Pressupostos de Fato. Consequências.
Restando demonstrado que os pressupostos autuação não se confirmaram, conforme atestado pelo órgão preparador, forçoso é reconhecer a improcedência da exigência fiscal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-001.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Helder Massaaki Kanamaru e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/07/1999 Revisão dos Pressupostos de Fato. Consequências. Restando demonstrado que os pressupostos autuação não se confirmaram, conforme atestado pelo órgão preparador, forçoso é reconhecer a improcedência da exigência fiscal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Helder Massaaki Kanamaru e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Tratase de retorno de diligência determinada por meio da Resolução 204 00.118. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 15 84 /2 00 2- 31 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: 1. Contra o estabelecimento em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls.07/10, por ter indevidamente compensado o IPI com créditos que não eram nem líquidos, nem certos, da empresa Indústria e Comércio de Café Irmãos Júlio Ltda., conforme consta do processo nº 13851.000848/9946 a este juntado. Embora a fiscalizada tivesse ingressado na 7ª Vara da Justiça Federal em Brasília/DF com a Ação Declaratória nº 2002.34000030371, dela desistiu e o processo foi encerrado sem julgamento de mérito. 2. Conseqüentemente, o contribuinte não estaria amparado por qualquer ato administrativo ou judicial, nem estaria o crédito tributário com a exigibilidade suspensa, foi efetuado o lançamento de ofício, no montante de R$ 987.793,80, inclusos juros de mora e multa de ofício, sob a capitulação legal de fl. 08. 3. Cientificado em 20/09/2002, o sujeito passivo apresentou, em 21/10/2002, a tempestiva impugnação de fls. 77/85, acompanhada dos documentos de fls. 86/111, alegando, em síntese, que: 3.1 Por ter interposto manifestação de inconformidade contra o indeferimento do Pedido de Restituição da empresa detentora do crédito, atualmente em trâmite no Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes, aduz que o débito em comento não poderia ser exigido, porquanto estar com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151, inciso III, do CTN, entendimento este corroborado pelo art. 1º da IN SRF nº 15/2000. 3.2 Manifesta, ainda o entendimento de que não se aplicaria o disposto na NOTA COSAR 109/2001, pois isto estaria reservado aos casos que já tivessem obtido decisão definitiva no âmbito administrativo. Também, analisando os artigos 2º, 12 e 15 da IN SRF nº 21/97, conclui que as reclamações e os recursos interpostos contra o indeferimento do Pedido de Restituição possuem o condão de suspender a exigibilidade dos débitos utilizados no procedimento compensatório, inclusive de terceiros, por força do 151, inciso III, do CTN e conforme se depreenderia do artigo 10 da IN SRF 21/97. 3.3 Ademais, argúi que antes de esgotado aquele procedimento administrativo, a exigência o débito em questão, fere os princípios da ampla defesa e do contraditório, além disso, considerandose as disposições da IN SRF nº 15/2000, não há sentido no lançamento, nem mesmo para se evitar a decadência, pois, no caso de indeferimento, tal débito seria diretamente encaminhado à Dívida Ativa, razão pela qual tanto a imputação da multa de ofício como a própria atuação em si afiguramse completamente descabidas. Nesse sentido reforça seus argumentos com citação do STJ, no sentido de que, antes de dirimida a controvérsia administrativa, sobre o direito do contribuinte à compensação, não se poderia falar em constituição definitiva do débito. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13851.001584/200231 Acórdão n.º 3102001.930 S3C1T2 Fl. 269 3 4. Encerrou, requerendo a nulidade do lançamento, ou caso este não seja o entendimento do julgador, que o presente lançamento fique sobrestado até o julgamento final do pedido de restituição versado no processo administrativo nº 13674.000107/9990. 5. Considerando a possibilidade do caso enquadrarse na hipótese prevista no ADN COSIT nº 03/1996, o presente foi baixado em diligência para que fosse juntada cópia da petição inicial do processo judicial nº 2002.34000030371, entretanto, embora intimado a apresentála, o contribuinte nada respondeu. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 31/07/1999 Ementa: COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Será objeto de lançamento de ofício a diferença apurada, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrente de compensação indevida. Lançamento Procedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Julgando que não se encontravam presentes os elementos necessários ao julgamento do recurso, a extinta Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes converteu o julgamento do recurso em diligência a fim de que o processo permanecesse na origem até o julgamento definitivo do recurso em que se discutia a origem dos créditos cujo não reconhecimento provocou o lançamento litigioso.(fl. 235 a 238, numeração digital) Em cumprimento, foi exarado o despacho às fls. 253 e 254 (numeração digital), do qual extraise o seguinte excerto: A decisão definitiva administrativa foi no sentido de reconhecer à interessada o direito de atualizar os seus créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado pelos expurgos inflacionários, nos termos do acórdão CSRF/0304.462, da 3ªa Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e pela taxa Selic, a partir de 01/01/1996, nos termos do acórdão n° 301¬ 30.458, da 3a Câmara do então 3o Conselho de Contribuintes, tendo esta decisão colegiada concedido ainda, em decisão extra petita, a aplicação de juros de 1% ao mês do período de 02/01/1992 a 31/12/1995. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Efetuado por esta unidade o encontro de contas entre o crédito apurado, nos termos das decisões administrativas e os débitos, próprios e de terceiros, já compensados pela interessada, restou demonstrada a extinção de todos os débitos, inclusive o abaixo descrito, que é objeto do auto de infração a que se refere o presente processo: Por meio de sorteio realizado em 25/04/2013, foram os autos redistribuídos a este Conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Após os esclarecimentos prestados pelo órgão preparador, resta pouco a acrescer. O fundamento para a autuação, relembrese, foi a ausência de créditos suficientes para extinguir os débitos. Superado tal fundamento, em face da decisão administrativa favorável à autuada que, diferentemente do aduzido na autuação, deteria créditos suficientes para extinguir os débitos para os quais pleiteou compensação, deixa de existir o suporte para a exigência fiscal. Ante ao exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 23 de julho de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 271DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 19647.001360/2007-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 25/09/2000 a 29/12/2012
MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA, PREVISTA NO §3º, DO ART.23, IV DO DECRETO-LEI N. 1455/76, COM AS ALTERAÇÕES DO ART.59 DA LEI N. 10.637/2002. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO.
O §3º, do art.23, IV do Decreto-lei n. 1455/76 expressamente exclui do campo de incidência da denúncia espontânea, penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento.
Numero da decisão: 3201-001.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 25/09/2000 a 29/12/2012 MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA, PREVISTA NO §3º, DO ART.23, IV DO DECRETOLEI N. 1455/76, COM AS ALTERAÇÕES DO ART.59 DA LEI N. 10.637/2002. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. O §3º, do art.23, IV do Decretolei n. 1455/76 expressamente exclui do campo de incidência da denúncia espontânea, penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 13 60 /2 00 7- 36 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Relatório Referese o presente processo a auto de infração para a conversão de pena de perdimento em multa, em virtude da não localização da mercadoria. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: O presente processo versa sobre Auto de Infração (AI), lavrado por Auditor da IRF – Inspetoria da Receita Federal em Recife PE, em 13/Fevereiro/2007, em face do subfaturamento praticado mediante a falsificação, tanto ideológica quanto material, dos documentos utilizados para instruir as Declarações de Importação de artigos de tapeçaria estrangeira, registradas na Alfândega do Porto de Suape (PE), no período de 25/Setembro/2000 a 29/12/2005, pela empresa impugnante Adroaldo Tapetes do Mundo LTDA, inscrita no CNPJ/MF sob o n° 08.106.064/000183. Tratase, na espécie, de infração punível com a pena de perdimento de mercadorias. Aplicação, in casu, de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias sujeitas à pena de perdimento – conversão autorizada em lei quando as mercadorias tenham sido consumidas ou não localizadas pelo que restou apurado um crédito tributário total de R$ 942.447,75 (Novecentos e Quarenta e Dois Mil, Quatrocentos e Quarenta e Sete Reais e Setenta e Cinco Centavos). Sucedeu que em 01 de agosto de 2006, a Alfândega do Porto de Suape protocolizou o processo 11968.000753/200615, tratando de Representação Fiscal — Assuntos Tributários Diversos, encaminhado à IRF Recife, no sentido de que fosse efetivada a Revisão Aduaneira das importações realizadas pela empresa Adroaldo Tapetes do Mundo Ltda. A partir daquela Representação, a Inspetoria da Receita Federal em Recife deu continuidade aos procedimentos de fiscalização através do Mandado de Procedimento Fiscal n° 04.1.51.002006001664 e Termo de Inicio de Fiscalização dos quais o contribuinte tomou ciência pessoalmente em 26 de setembro de 2006. Anteriormente, porém, a Alfândega do Porto de Suape, com base em indícios de subfaturamento dos valores das mercadorias referenciadas na Declaração de Importação n° 06/02999841 (3.480,65 m2 de tapetes de lã, manufaturados, tingidos, de origem indiana pesando 13.923 quilos), registradas pela impugnante naquela unidade alfandegária, em 15 de Março de 2006, instaurou o Procedimento Especial de Controle Aduaneiro previsto na Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal (IN SRF) n° 206/2002, que tem como previsão legal o art. 68 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001, regulamentado pelo art. 705 e parágrafo único do Decreto n° 4.543/02, com alterações do Decreto n° 4.765/03, de 24/06/2003 (Regulamento Aduaneiro). A fatura comercial que instruiu aquela DI apresentou como preço total FOB (custo das mercadorias no porto de embarque) Fl. 387DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19647.001360/200736 Acórdão n.º 3201001.557 S3C2T1 Fl. 94 3 a quantia de US$ 16.458,33 (dezesseis mil quatrocentos e cinquenta e oito dólares e trinta e três centavos). O valor total CFR (custo das mercadorias mais frete internacional até o porto de destino) destacado foi de US$ 18.964,53 (dezoito mil e novecentos e sessenta e quatro dólares e cinquenta e três centavos). Verificouse, portanto, que o preço FOB declarado foi de apenas US$ 4,73 (quatro dólares e setenta e três centavos) por m2, ou US$ 1,18 (um dólar e dezoito centavos) por quilo. Mediante consulta à base de dados dos sistemas aduaneiros informatizados da RFB acerca dos preços declarados nas importações brasileiras de fios de lã (insumo básico para a produção de tapetes), constatouse que o preço declarado para o quilo dos tapetes importados pelo interessado representava um valor em torno de 17,42% do preço do quilo de fio de lã importado mais barato. Partindo daqueles indícios de subfaturamento do valor aduaneiro declarado, a Alfândega do Porto de Suape solicitou à Superintendência Regional da Receita Federal 4ª Região Fiscal (SRRF04), que autorizasse a realização de procedimento fiscal de diligência para a coleta de provas junto à empresa autuada e no escritório de seu despachante aduaneiro. Tendo sido autorizadas, as diligências foram realizadas no dia 24/03/06, quando equipes de Auditores Fiscais da Receita Federal compareceram, simultaneamente, aos citados estabelecimentos. Um grande número de documentos de interesse fiscal foi encontrado no escritório da empresa Adroaldo Tapetes do Mundo LTDA e, conforme previsão legal no art. 99 da Lei n° 4.502/64, no art. 35 da Lei n° 9.430/96 e no art. 444 do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto n° 4.544/02, esses documentos foram lacrados e retidos para posterior análise fora do estabelecimento do contribuinte. Segundo consta no processo de Representação Fiscal, a análise do material retido em ambas as diligências trouxe à tona a existência de documentos que comprovaram a prática sistemática de subfaturamento mediante a falsificação, tanto ideológica quanto material, dos documentos utilizados para instruir as Declarações de Importação de artigos de tapeçaria estrangeira. Impende destacar, nesse ponto, que os documentos coletados não referenciam apenas a importação objeto do procedimento especial realizado, mas abrangem, também operações de comércio exterior realizadas desde o ano de 1997 – inclusive as importações abrangidas pelo AI em causa. Além da infração de subfaturamento, constatouse a contrafação sistemática de documentos comerciais e fiscais “paralelos” que ensejaram remessas ilegais de divisas para o exterior, conforme identificado pelas autoridades fiscais que a realizaram. Os documentos originais verdadeiros apresentavam valores muito mais elevados, além de uma gama maior de informações e layouts completamente diferentes e melhor elaborados do que os documentos falsos empregados no subfaturamento, Fl. 388DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 demonstrando que houve a falsificação da forma e do conteúdo dos referidos documentos. A autoridade fiscal concluiu que o objetivo da falsificação dos documentos foi, mediante o subfaturamento do preço real da transação, promover a sonegação dos tributos devidos na importação das mercadorias. Ato contínuo, a impugnante protocolizou, na Alfandega do Porto de Suape, em 14/07/06, o processo n° 11968.000652/200636, solicitando a retificação da referida DI nº 06/02999841, alterando os preços das mercadorias importadas para exatamente aqueles preços contidos na fatura verdadeira que foi retida durante a diligência realizada em seu estabelecimento. Alegou como motivo, em tal processo de Retificação da DI n° 06/02999841, "regularizar a importação em tela, tendo em vista diferenças apuradas por esta empresa após contato com funcionários desse órgão" e concluiu "haver readquirido a espontaneidade nos termos do art. 7º, inciso II, § 2°, do Decreto n° 70.235/72". Posteriormente, outros 15 (quinze) processos foram protocolizados pelo autuado em 19/09/2006, com pedidos de retificação de outras 15 (quinze) Declarações de Importação que também tiveram os documentos originais verdadeiros retidos no curso das diligências realizadas. A IRF Recife, pela sua Seção de Fiscalização Aduaneira (SEFIA), deu seguimento ao processo de Representação Fiscal n° 11968.000753/200615 protocolizado em 01/08/2006 pela Alfândega de Suape (PE), focando na análise de 10 (dez) conjuntos de documentos, retidos durante as diligências realizadas, que comprovaram um subfaturamento de 67,32% do valor aduaneiro total das mercadorias importadas, variando entre 51,62% a 84,37% por DI. Em suma, partindo da análise do material coletado, tanto no estabelecimento do contribuinte, como no estabelecimento do despachante aduaneiro (Cargo Express), o Fisco Federal identificou que todas as Declarações de Importação (incluindo aquelas 15 para as quais a recorrente registrou pedido de retificação) estavam comprovadamente subfaturadas, evidenciando ainda a prática sistemática de envio ilegal de remessas cambiais ao exterior. A fraude empregada para promover a sonegação fiscal mediante subfaturamento das importações, conforme restou demonstrado, consistiu na apresentação de documentação falsificada tanto ideológica — quando seu conteúdo referese a um fato não verdadeiro —, quanto materialmente — quando aspectos exteriores da sua formação estão viciados — ocasionando dano ao Erário, nos termos do art. 23, inciso IV, do DecretoLei 1455/1976. Encerrando o procedimento fiscal, a SEFIA da IRF Recife, considerando ter restado devidamente configurado, in casu, a infração capitulada como dano ao Erário, punível com a pena de perdimento de mercadorias, lavrou o AI em comento, lançando a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias em causa Fl. 389DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19647.001360/200736 Acórdão n.º 3201001.557 S3C2T1 Fl. 95 5 que foram consumidas ou que não foram encontradas, considerando para efeito de cálculo tributário os valores confessados nas retificações requeridas pela impugnante, ajustados ao conceito legal de seu valor aduaneiro, considerando a condição de venda (INCOTERM), valores proporcionais de frete, seguro e demais despesas aduaneiras indicados nas DI’s. A autoridade lançadora desconsiderou as alegações de espontaneidade aduzidas pela impugnante, contrapondo argumentos como a ausência de boa fé do contribuinte, a natureza não tributária da pena de perdimento, assim como a falta de recolhimento integral dos tributos devidos, vez que requereu o parcelamento daquelas diferenças, dentre outros fatores. De outra parte, contraditando o AI em causa, os pontos principais das alegações da impugnante no seu articulado podem ser sinteticamente assim descritas: (A) Que reconheceu o delito praticado, estando consignado no relatório de fiscalização que a autuada, em 18 de setembro de 2006, antes, portanto do início da fiscalização, solicitara a impugnado. Logo, deveria gozar dos benefícios da espontaneidade prevista no CTN. (B) Que os citados pedidos de retificação foram precedidos de opção pelo Parcelamento Especial PAEX instituído pela Medida Provisória no. 303, de 29 de junho de 2006. O procedimento fiscal da SEFIA da IRF Recife teve inicio em 26 de setembro de 2006, data em que a empresa já teria tomado todas as providências para sanar as irregularidades cometidas, com o exercício do seu direito de opção pelo Regime Especial de Parcelamento PAEX, em 14 de agosto de 2006 seguido do pedido de retificação das citadas 15 (quinze) Declarações de Importação. (C) Que a espontaneidade de conduta em situações da espécie é admitida de forma reiterada por inúmeros julgados proferidos pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário, colacionando alguns exemplos nesse sentido: Ementa: ESPONTANEIDADE REAQUISIÇÃO Iniciado formalmente o procedimento fiscal a espontaneidade é readquirida pelo contribuinte após o transcurso do prazo de 60 (sessenta) dias sem que seja cientificado por qualquer ato escrito do prosseguimento dos trabalhos. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Improcedente o lançamento que exige débitos tributários incluídos espontaneamente, com os respectivos acréscimos legais, no Programa de Recuperação Fiscal — REFIS. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 Recurso de oficio negado. (Conselho de Contribuintes, Rec. nº 147189, 2a CÂMARA, Proc. 10735.004117/200111, Sessão de 07/12/2005, Rel. José Oleskovicz, Acórdão 10247253, NPU – negado provimento por unanimidade). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ESPONTANEIDADE. REAQUISIÇÃO. EFEITOS. LIMITES OBJETIVOS – Dizemse espontâneos, em relação ao Fisco, os atos de sujeito passivo que versem sobre obrigação principal ou acessória. O ato administrativo que marca o início do procedimento de fiscalização tem como eficácia a perda da espontaneidade do sujeito passivo limitada à matéria fiscalizada em relação às obrigações, principais ou acessórias, que foram ou deveriam ter sido cumpridas (Decreto no 70.235/72, art. 70, § 1°). Readquirir significa tornar a obter algo que se possuía. São efeitos da reaquisição da espontaneidade, por exemplo, permitir que o sujeito passivo providencie, se for o caso, o pagamento dos tributos devidos e não declarados, acrescidos de multa e juros moratórios, eximindose, assim, da imposição de multa no lançamento de oficio. A eficácia dos atos administrativos que fazem cessar a espontaneidade do sujeito passivo como uma nova intimação para esclarecimentos ou a formalização de lançamento não distingue se esta é originária ou foi readquirida. (Conselho de Contribuintes, 3a câmara, proc.13964.000274/9901, rec. 131865, sessão de 12/06/2003, Rel. João Bellini Junior, Acórdão 10321269)grifos da Agravante. Ementa AÇÃO CAUTELAR. LIBERAÇÃO DE MERCADORIAS. SUBFATURAMENTO. PENA DE PERDIMENTO. HONORÁRIOS. 1. Em que pese a legislação aduaneira preveja a aplicação da pena de perdimento para os casos de falsificação de documento necessário ao embarque ou desembaraço (art. 514 do RA), havendo retificação da DI e constatado, mediante a valoração aduaneira do Fisco e do importador que a divergência é mínima, por força do principio da razoabilidade, pelo qual deve pautar se não só os atos administrativos, como os judiciais, no caso, a aplicação da pena de perdimento afigurase sanção demasiadamente onerosa, pelo que resta afastada. 2. Nos termos do art. 20, § 4o, do CPC, quando vencida a fazenda pública os honorários são fixados consoante apreciação equitativa do juiz, não ficando ele adstrito ao valor atribuído à causa. (TRF 4a REGIÃO, AC, Proc. 200171010013590, UF: RS, PRIMEIRA TURMA, DJU DATA:06/07/2005 p. 439, Rel. MARIA LUCIA LUZ LEIRIA, Decisão A TURMA, it UNANIMIDADE, NEGOU PROVIMENTO AOS APELOS E A REMESSA OFICIAL). Fl. 391DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19647.001360/200736 Acórdão n.º 3201001.557 S3C2T1 Fl. 96 7 Ementa TRIBUTÁRIO. IMPORTAÇÃO. RECLASSIFICAÇÃO DE PREÇO UNITÁRIO. FRAUDE. PENA DE PERDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A simples retificação de preço, embora feita irregularmente no País, desde que reconhecida e confirmada pelo exportador e acompanhada do recolhimento de todos os tributos devidos, não constitui a forma de falsificação ou adulteração exigida pelo art. 618, inciso VI, do Regulamento Aduaneiro (Decreto n.4.543/02) para aplicação da pena de perdimento, porque não provoca dano ao Erário. (TRF 4ª REGIÃO, AC, Proc. 200170000207282, UF: PR, SEGUNDA TURMA, DJU DATA: 18/05/2005 p. 615, Rel. DIRCEU DE ALMEIDA SOARES, Decisão A TURMA, A UNANIMIDADE, NEGOU PROVIMENTO AO APELO E A REMESSA OFICIAL). TRIBUTÁRIO. pena de perdimento. Bem adquirido na ZONA FRANCA DE MANAUS. Internação para o restante do País. alienação. Pagamento dos tributos e acessórios. Inexistência de dano ao Erário. 1. A pena de perdimento de mercadoria internada no restante do país através da ZONA FRANCA DE MANAUS somente se justifica se houver dano ao Erário. 2. In casu, o contribuinte formalizou denuncia espontânea antes da autuação do órgão fazendário, objetivando recolher todos os tributos e acréscimos legais, para regularizar a situação do bem, que é de internação permitida. (parecer do procurador da republica Rodrigo Janot Monteiro de Barros). 3. Apelação e remessa improvidas. (TRF 1ª REGIÃO, AMS n° 9001183727, UF: DF, TERCEIRA TURMA, DJU DATA: 10/06/2001, p. 13178, Rel. Juiz Tourinho Neto, Decisão por unanimidade, negar provimento a apelação e a remessa). (D) Que não pretendeu fugir ao pagamento de multas porventura devidas sobre diferenças de imposto. Pretendeu, sim, reconhecendo a prática da infração, corrigi la,antes de qualquer procedimento fiscal que lhe retirasse a espontaneidade, tendo exercido seu direito de opção pelo parcelamento especial. (E) Que não se pode aceitar a alegação de que a pena de perdimento de mercadorias não tem natureza tributária, vez que está prevista na lei tributária do país. (F) Que não ficou demonstrado o “dano ao Erário”, por não se ter comprovado o prejuízo financeiro para a Fazenda Nacional. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 8 Que as medidas corretivas que adotou afastariam sua caracterização, in casu. Colacionou alguns julgados proferidos no sentido de não se reconhecer o dano ao Erário mesmo diante da adulteração de documentos. EMENTA AÇÃO CAUTELAR. LIBERAÇÃO DE MERCADORIAS. SUBFATURAMENTO. PENA DE PERDIMENTO. HONORÁRIOS. 1. Em que pese a legislação aduaneira preveja a aplicação da pena de perdimento para os casos de falsificação de documento necessário ao embarque ou desembaraço (art. 514 do RA), HAVENDO RETIFICAÇÃO DA DI e constatado, mediante a valoração aduaneira do fisco e do importador que a divergência é mínima, por força do principio da razoabilidade, pelo qual deve pautarse não só os atos administrativos, como os judiciais, no caso, a aplicação da pena de perdimento afigurase sanção DEMASIADAMENTE ONEROSA pelo que resta afastada. 2. Nos termos do art. 20, § 40 , do CPC, quando vencida a Fazenda Pública os honorários são fixados consoante apreciação equitativa do juiz, não ficando ele adstrito ao valor atribuído à causa. (TRF 4a REGIÃO, AC, Proc. 200171010013590, UF: RS, PRIMEIRA TURMA, DJU DATA: 06/07/2005, P. 439 , Rel. Maria Lúcia Luz Leiria, Decisão: a turma, por unanimidade, negou provimento aos apelos e à remessa Oficial.) Ementa TRIBUTÁRIO. IMPORTAÇÃO. RECLASSIFICAÇÃO DE PREÇO UNITÁRIO. FRAUDE. PENA DE PERDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A simples retificação de preço, embora feita irregularmente no Pais, desde que reconhecida e confirmada pelo exportador e acompanhada do recolhimento de todos os tributos devidos, não constitui a forma de falsificação ou adulteração exigida pelo art. 618, inciso VI, do Regulamento Aduaneiro (Decreto n 4.543/02) para aplicação da pena de perdimento, porque NAO PROVOCA DANO AO ERARIO. Decisão A TURMA, POR UNANIMIDADE, NEGOU PROVIMENTO AO APELO E A REMESSA OFICIAL, NOS TERMOS DO VOTO DO(A) JUIZ(A) RELATOR(A). (TRIBUNAL QUARTA REGIÃO, AC – APELAÇÃO CIVEL, Proc. 200170000207282, UF: PR, órgão Julgador: SEGUNDA TURMA, Data da decisão: 19/04/2005, Documento: TRF400106596, Fonte DJU DATA:18/05/2005 PAGINA: 615, Relator(a) DIRCEU DE ALMEIDA SOARES). Ementa MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. PERDIMENTO. ADULTERAÇÃO DE DOCUMENTO INDISPENSÁVEL AO DESEMBARAÇO. APRESENTAÇÃO DE FATURAS EM DUPLICIDADE. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19647.001360/200736 Acórdão n.º 3201001.557 S3C2T1 Fl. 97 9 1. O perdimento foi aplicado com base no art. 514, VI, do Regulamento Aduaneiro, por ter a fiscalização constatado que a empresa importadora apresentou duas faturas comerciais para a mesma operação, com o mesmo número, mas com valores diferentes, entendendo que houve falsificação de documento necessário ao desembaraço. 2. O perdimento, penalidade mais grave aplicável às infrações da legislação aduaneira, visa resguardar não apenas o interesse financeiro do Fisco, mas também regular as relações de comércio exterior e proteger a indústria nacional. Se o perdimento não prescinde da demonstração do dano para sua aplicação, não é menos verdade que, por vezes, o dano está caracterizado, não pelo prejuízo financeiro ao Fisco, mas pela dificuldade imposta pela conduta do importador à fiscalização aduaneira. 3. No auto de infração resta demonstrada qualquer prejuízo, seja atividade fiscalizatória, seja ao erário, haja vista a Impetrante, ao registrar a Declaração de Importação, ter apresentado nova fatura com os valores corrigidos a maior,recolhendo todos os tributos devidos com base nos novos valores, demonstrando com isso, sua intenção de permanecer regular perante o fisco, acabou por auxiliar ao controle aduaneiro. 4. Diante da inexistência de dano, a penalidade se mostra desarrazoada, pelo que deve ser AFASTADA. (TRIBUNAL QUARTA REGIÃO, AC – APELAÇÃO CIVEL EM MS, Proc. 200170030011900, UF: PR, Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA, Data da decisão: 10/06/2003, Fonte DJU DATA:02/07/2003 PAGINA: 571, Relator(a) DIRCEU DE ALMEIDA SOARES). Ementa:administrativo pena de perdimento art. 23 do decretolei 1455/76 dano ao erário inexistente principio da proporcionalidade. A jurisprudência desta Eg. Segunda Turma firmou o entendimento de que se deve flexibilizar a pena de perdimento de bens, quando ausente o elemento danoso. Recurso especial conhecido, mas improvido. (STJ, Recurso Especial n.o. 331548, Proc. 200100933870, UF: PR, Segunda Turma Data da publicação: 04/05/2006 p.154, Rel. Francisco Peçanha Martins). Ementa: PENA DE PERDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE DISSOCIAR O ATO DE SUA SANÇÃO. NULIDADE. Impossibilidade de se aplicar multa, tendo em vista que, à época dos fatos, a norma aplicável não previa essa penalidade para a conduta praticada pela Recorrente. MÉRITO. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 10 Se a fatura que espelha o valor real da operação não se encontra maculada, isto é, não contém vícios, não há razão para não se deferir a retificação pretendida. Ademais, há que se frisar que o ato inquinado de ilegal não acarretou prejuízo à Fazenda Pública, sendo certo que os impostos foram recolhidos sobre base de cálculo superior ao valor da transação. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (3° Conselho de Contribuintes, Recurso Voluntário: 130186, TERCEIRA CAMARA, Proc:10921.000041/200238, Matéria: MULTA DECORRENTE DE PENA DE PERDIMENTO, recorrida: DRJ FLORIANOPOLIS/ SC, Data da Sessão: 01/12/2004 14:00:00, Relator: NANCI GAMA, Decisão: Acórdão 30331740, Resultado: DPU DADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE, Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, afastouse a prejudicial de decadência e deuse provimento ao recurso voluntário.). Ementa: Tributário. Pena de perdimento de bens. Dano ao erário. Decreto 91.030/85, art. 501, parágrafo único. 1. Em consonância com o parágrafo único do art. 501, a pena de Perdimento requer, para sua aplicação, a prática de infração Considerada dano ao erário. 2. Inexistência, na espécie, de dano ao erário, em face de não tributação da operação autuada. 3. Apelo e remessa oficial improvidos. Data publicação 20/08/1999 (TRF la REGIÃO, AC APELAÇÃO EM MS, Proc. 9401374368, UF: BA, órgão Julgador: QUARTA TURMA, DJU DATA: 20/8/1999 PAGINA: 340, Relator(a) Juiz Hilton Queiroz, Decisão: negar provimento ao apelo e à remessa oficial, A unanimidade.) (G) Que é incabível a multa lançada em relação à D.I. 00/09117436, datada do ano de 2000, na medida em que a referida penalidade somente veio a ser instituída no ano de 2002 pela Lei no. 10.637, que com seu art. 59, alterou a redação do art. 23 do Decretolei no. 1.455. A Delegacia de Julgamento julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 25/09/2000 a 29/12/2005 PERDIMENTO DE MERCADORIAS MULTA PROPORCIONAL/EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA QUE FOI CONSUMIDA OU NÃO ENCONTRADA. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19647.001360/200736 Acórdão n.º 3201001.557 S3C2T1 Fl. 98 11 A pena de perdimento convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Inteligência dos seguintes dispositivos legais: Decretolei n° 1.455, de 1976, art. 23, IV e § 3°, com a redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002,art. 59 e no art. 618, § 1°, do Decreto n° 4.543, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento Aduaneiro (RA), com redação dada pelo Decreto n°4.765, de 24/Junho/2003. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Na decisão ora recorrida entendeuse, em síntese, que, contribuinte praticou sonegação fiscal sistemática, utilizandose dolosamente do fraudulento artifício de falsificação de faturas comerciais e outros documentos necessários ao despacho aduaneiro de importação para reduzir ilegalmente a base de cálculo dos tributos aduaneiros devidos, consubstanciando se a prática do subfaturamento foi a falsificação, tanto ideológica quanto material, dos documentos utilizados para instruir as Declarações de Importação, ocasionando dano ao Erário, nos termos do art. 23, inciso IV, do DecretoLei 1455/1976. Assim, descabida a alegação de denúncia espontânea, pois a conduta reiteradamente fraudulenta da Recorrente, afastaria qualquer presunção de boa fé, a espontaneidade pressupõe adimplemento integral do montante dos tributos e juros moratórios devidos (o que não ocorreu, pois houve parcelamento), além da natureza extratributária da pena de perdimento. Ademais, os procedimentos e diligências realizados no estabelecimento da Recorrente e de seu despachante aduaneiro iniciaramse em 24/03/2006, anteriormente à opção pelo parcelamento, considerandose que todas seções administrativas são componentes de um mesmo órgão integrante da Fazenda Pública Nacional, qual seja a Receita Federal do Brasil, consoante os preceitos de seu Regimento Interno que disciplina a repartição de trabalho entre as divisões, setores e seções integrantes de seu organograma administrativo. Não teria ocorrido a reaquisição de espontaneidade, após o transcurso do prazo de 60 (sessenta) dias, pois a sequência dos trabalhos oficiais foi contínua, vez que embora tenham sido realizados continuadamente por mais de uma repartição administrativa, referemse a fatos apurados sobre uma mesma base probatória, relativos a uma mesma prática criminosa, colhida, tratada e examinada por divisões administrativas pertencentes ao mesmo órgão fiscalizador. Afirmouse que, a matriz legal da pena de perdimento de mercadorias no direito pátrio está prevista no art. 5º, XLVI, da Constituição Federal, tendo natureza administrativa, atingindo o próprio bem objeto da conduta dolosa, fraudulentamente praticada pelo agente, cujas conseqüências atingem o Estado e a sociedade em geral. Logo, não tem natureza meramente pecuniária ou tributária, não se resolvendo com o simples pagamento de pecúnia ou prestações sucedâneas. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 12 Ainda, o “dano ao erário” decorre de lei, tipificando delitos gravíssimos que afrontam o Estado e a sociedade de modo geral, vez que empregam artifícios torpes para fraudar o cumprimento da lei tributária do país, gerando concorrência desleal e afetando o consumo do país. Acolheuse, finalmente, o argumento de inaplicabilidade da multa lançada em relação à D.I. 00/09117436, datada do ano de 2000, posto que a referida penalidade somente veio a ser instituída no ano de 2002 pela Lei n. 10.637, que com seu art. 59, alterou a redação do art. 23 do Decretolei n. 1.455. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da impugnação, inclusive no que tange à aplicação do Princípio da irretroatividade, para a D.I. 00/09117436, já julgado procedente pela Delegacia de Julgamento . É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. De acordo com o relatado, a ora Recorrente não se insurge contra o mérito na aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, prevista no §3º, do art.23, IV do Decretolei n. 1455/76, com as alterações do art.59 da Lei n. 10.637. É dizer, não há insurgência contra a conduta que lhe foi imputada, de subfaturamento praticado mediante a falsificação, tanto ideológica quanto material, dos documentos utilizados para instruir as Declarações de Importação de artigos de tapeçaria estrangeira. A insurgência fundamentase na alegação de que deveria ter sido beneficiada pelo instituto da denúncia espontânea, nos moldes do art. 138 do CTN, uma vez que 18/09/2006, antes do início da fiscalização, em 26/09/2006, já teria tomado as providências para ingressar com pedidos de retificação das declarações de importação, que, por sua vez, foram precedidos de opção pelo Parcelamento Especial (PAEX). Contudo, de acordo com o regime jurídico específico aplicável à espécie, não cabe a denúncia espontânea, nessas hipóteses, conforme determinado do art.102, §2o, do Decreto –lei n. 37/66, com a redação vigente à época, in verbis: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária. Assim, o Decretolei n. 37/66, de mesma hierarquia normativa que o Código Tributário Nacional, que disciplina as obrigações no âmbito do comércio exterior e delimita o Fl. 397DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19647.001360/200736 Acórdão n.º 3201001.557 S3C2T1 Fl. 99 13 alcance da denúncia espontânea nesse ambiente, deixa assente de dúvidas que a sanção do §3º, do art.23, IV do Decretolei n. 1455/76, não está abrangido, considerandose que essa penalidade tem natureza administrativa e é substitutiva àquela que originalmente incidiria, caso ainda fosse possível encontrar a mercadoria. Embora a Recorrente alegue que não há dano ao erário no caso em tela, pois realizou os parcelamentos, que têm sido pontualmente cumpridos, fato é que a legislação aduaneira ao longo dos tempos, tem caminhado para a ampliação do alcance semântico da locução “dano ao erário”, para desvinculála à lesão aos cofres públicos em sentido estrito, ampliando para outras situações, como na hipótese de interposição fraudulenta, o que tem sido corroborado por muitos julgados deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Portanto, estando excluída do âmbito de aplicação da denúncia espontânea, por expressa disposição de lei, não cabe, no âmbito do contencioso administrativo fiscal quaisquer ilações acerca do termo do início da fiscalização, boafé, pagamento. Qualquer discussão nessa direção esbarraria na Súmula CARF nº 2 que prescreve que este órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 398DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 13702.000430/2001-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Em 31/7/2001, o contribuinte apresentou pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2000 (fls. 4 e 5), cumulado como pedido de compensação de débitos de CSLL (fl. 2, 50, 52, 54, 55). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 02 .0 00 43 0/ 20 01 -5 5 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13702.000430/200155 Resolução nº 1102000.201 S1C1T2 Fl. 479 2 O Despacho Decisório de fls. 91 a 93, de 14/7/2006, não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações pleiteadas, pois o contribuinte não atendeu às intimações para comprovar seu direito. IMPUGNAÇÃO Cientificada dessa decisão em 26/7/2006 (fl. 96), a incorporadora do contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 104 a 111). Alegou, conforme o relatório do acórdão de primeira instância (fl. 286), que: 4 o crédito de IRPJ utilizado pelo interessado para a compensação pleiteada, no valor de R$ 2.977.517,95, advém de três fontes distintas: 5 i) concessão de isenção pela SUDENE de 100% do Imposto de Renda incidente sobre o lucro da exploração da atividade de fabricação de artefatos de alumínio. Em razão do benefício fiscal o IRPJ efetivamente devido foi de R$ 943.785,85. Tendo em vista os pagamentos de estimativas mensais no montante de $ 3.046.767,94, o interessado tornase credor de IRPJ no valor de R$ 2.102.982,09; 6 ii) IRRF incidente sobre a receita de aplicações financeiras. Os informes bancários anexos comprovam o crédito auferido decorrente de IRRF no montante de R$ 829.880,14; 7 iii) incentivo fiscal decorrente do Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT). Tendo em vista que o benefício fiscal foi alterado, passando de 75% para 100% (isenção total) do IRPJ, o interessado teria direito a utilizarse, em exercícios posteriores, o referido benefício fiscal não gozado, em razão da não consideração da isenção sobre os 25% restantes. 8 Junta aos autos documentos às fls. 93/239. 9 Encerra solicitando a homologação de todos os pedidos de compensação pleiteados e a improcedência do Parecer Conclusivo n° 107/2006. 10 Pleiteia ainda a juntada dos demonstrativos de IRRF faltantes, tão logo seja possível. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) indeferiu a solicitação, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 285 a 289): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000 Ementa: APRESENTAÇÃO DE PROVAS. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13702.000430/200155 Resolução nº 1102000.201 S1C1T2 Fl. 480 3 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório se não comprovado o direito creditório. Solicitação Indeferida Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) indeferiuse o pedido de juntada posterior de novas provas; b) verificouse que o saldo negativo que se pretendia utilizar como crédito era formado por três fontes distintas: redução/isenção da SUDENE de 100%, IRRF sobre aplicações financeiras e Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT); c) considerouse não comprovada a redução/isenção da SUDENE de 100% do Imposto de Renda incidente sobre o lucro da exploração da atividade de fabricação de artefatos de alumínio, pois não se trouxe documentação contábil que permitisse verificar a proporção de receita da atividade isenta e das demais atividades, impossibilitando a conferência do cálculo do imposto efetivamente devido; d) não se admitiu a dedução do IRRF incidente sobre a receita de aplicações financeiras, pois foram apenas apresentados informes bancários com as retenções, quando deveriam ter sido trazidos os registros contábeis a fim de se comprovar a escrituração dos rendimentos que ocasionaram as retenções na fonte, bem como sua inserção na base de cálculo do Imposto de Renda que o interessado pede restituição. Acrescentouse, ainda, que os valores de IRRF informados no pedido de restituição, os declarados na DIPJ, os incluídos no demonstrativo de rendimento, e os indicados na manifestação de inconformidade eram divergentes entre si; e) também não se admitiu a dedução do Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT), pelo contribuinte não ter conseguido explicar a origem do montante de R$ 48.914,52. RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada da decisão de primeira instância em 26/1/2007 (fl. 291), a incorporadora do contribuinte apresentou, em 16/2/2013, o recurso de fls. 292 a 306. A resolução da 2a Turma Ordinária da 1a Câmara descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 379 a 380): Que a recorrente recebeu da Sudene o benefício de isenção do Imposto de Renda incidente sobre o lucro de exploração da atividade de fabricação de artefatos de alumínio de 1998 a 2007. Em razão da isenção o IRPJ/2000 devido foi de R$ 943.785,85. As estimativas foram de R$ 3.046.767,94, assim, a recorrente seria credora Fl. 485DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13702.000430/200155 Resolução nº 1102000.201 S1C1T2 Fl. 481 4 de R$ 2.102.982,09. Toda a atividade da empresa seria referente a fabricação de artefatos de alumínio. Traz DIPJ (DOC 3), e o Balanço Patrimonial. Traz cópia autenticada do ato que lhe concede o benefício fiscal; Quanto aos créditos das aplicações financeiras decorrente de IRRF, conforme informes bancários no valor de R$ 829.880,14, foram declarados na DIPJ (ficha 43) DOC. 3 o que demonstra ter composto a base de cálculo do IRPJ. Traz, também, (DOC.8 e 9) balancete analítico por conta, no qual são abertos todos os lançamentos contábeis efetuados em sua conta de resultado, demonstrandose o resultado de juros de aplicação financeira auferidos pela recorrente e o total de receita oferecida à tributação. Quanto ao valor de crédito de PAT apurado no ano de 2000 quando a recorrente deixou de deduzir de sua apuração de IRPJ devido o valor do benefício do PAT, passando a ajustar o crédito de seu lucro de exploração e a recalcular o imposto devido, deduzindo, agora, tal incentivo. DOC. 5 memórias de cálculo do IRPJ e do lucro de exploração e DOC 3 , pagina 13 da ficha 12 A da DIPJ. Além do DOC. 8. PEDIDO DE DILIGÊNCIA DA 2a TO/ 1a CÂMARA A Resolução n° 110200.002, da 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento, prolatada na sessão de 29 de setembro de 2009, apreciou o recurso voluntário (fls. 378 a 382). O voto vencido achou por bem negar provimento ao recurso pelos seguintes fundamentos: a) a documentação acostada ainda não era suficiente para comprovar a redução/isenção da SUDENE, porque o estatuto social informava que o recorrente, ao contrário de que afirmou no recurso, exercia ou podia exercer várias atividades, como por exemplo importar e exportar bens, produtos ou equipamentos, compra, venda, beneficiamento e transformação em semimanufaturados de metais ferrosos ou não ferroso etc. Como na DIPJ os valores estavam discriminados, eles fariam prova em favor da contribuinte se acompanhados de documentação comprobatória; b) o indeferimento dessa parcela já tornava o pedido total indeferido, em vista que o saldo do IRPJ já resultava positivo, não tendo nada a restituir; c) quanto ao IRRF, o contribuinte havia comprovado seu direito; d) quanto ao PAT, não havia documentação que comprovasse a despesa. Contudo, o entendimento que prevaleceu, naquela ocasião, foi o de converter o julgamento em diligência para que o contribuinte fosse intimado a demonstrar e comprovar o lucro da exploração de atividade de fabricação de artefatos de alumínio, bem como comprovar as despesas com o Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT). Isso porque, diante dos documentos apresentados, percebeuse que havia indícios de que o sujeito passivo realmente possuía o direito pleiteado, devendose privilegiar o princípio da verdade real que norteia o processo administrativo tributário. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13702.000430/200155 Resolução nº 1102000.201 S1C1T2 Fl. 482 5 DILIGÊNCIA FISCAL E SEU RESULTADO Em cumprimento da diligência determinada, a autoridade fiscal intimou o contribuinte a demonstrar e comprovar o lucro da exploração da atividade de fabricação de artefatos de alumínio, referente ao exercício 2001, anocalendário 2000, e a comprovar as despesas com o Programa de Alimentação ao Trabalhador, no mesmo exercício (fl. 391). Em resposta, foram apresentados os seguintes documentos: a) planilha com o conteúdo da conta “Reserva para Investimentos IR – 243013004” dos livros Razão dos anocalendário 2000 e 2001 (fls. 451 a 452); b) planilhas com o cálculo do Lucro de Exploração do anocalendário 2000 (fls. 454 a 459); d) planilha com o cálculo da apuração do IRPJ após ajustes do anocalendário 2000 (fls. 461 a 462); e) extrato do conteúdo da conta 421091002, com os lançamentos com a descrição “PAT”, do livro Razão do anocalendário 2000 (fls. 465 a 471). O despacho de fls. 473 a 474 encaminha os documentos para o CARF sem análise de seu conteúdo, apenas com a seguinte observação: Observase que parte destes documentos já havia sido apresentados às fls. 297, 298, 300 e 302, quando do recurso voluntário, ocasião em que o contribuinte também informara, no item 5.6. do recurso, fl. 259, que o benefício de exercer a atividade de fabricação de artefatos de alumínio com isenção do imposto de renda, conforme concedido pela Portaria DAI/ITE n° 0032/2001, abrangia a totalidade da atividade da empresa, visto ela fabricar única e exclusivamente produtos deste material, não possuindo receita advinda de outra atividade. Não consta nos autos a informação de que o contribuinte tenha sido cientificado do resultado da diligência. Como o relator original do processo, o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, não mais compunha o colegiado, os autos foram encaminhados para novo sorteio. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em junho de 2013, numerado digitalmente até a fl. 477. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13702.000430/200155 Resolução nº 1102000.201 S1C1T2 Fl. 483 6 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. De início, saliento que considero importante que se dê ciência do resultado de diligência ao contribuinte, com oportunidade de sobre ele se manifestar, antes do retorno dos autos ao CARF, procedimento não tomado neste caso. Contudo, como a autoridade preparadora limitouse a encaminhar os documentos apresentados pelo sujeito passivo, penso que tal omissão não traz prejuízos à defesa que recomendem a devolução dos autos para se efetivar a ciência. De qualquer forma, como a proposta desse voto é pela determinação de novas diligências, o contribuinte terá a oportunidade de se manifestar dos novos resultados. Dessa forma, prossigo com o julgamento. Trata o processo de restituição de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2000, cumulado com pedido de compensação de débitos de CSLL. A discussão se centra na existência do crédito pleiteado. Não é à toa que ainda não se tenha chegado à solução da lide, pois o processo está composto por pedidos divergentes e mal instruídos, dificultando em muito a compreensão do feito. Observese que o pedido de restituição original (fls. 4 e 5) informa um saldo a compensar de R$2.237.882,87, assim composto: IR devido 14.011.261,83 IRRF sobre aplicação financeira (1.186.971,54) Pat (48.914,52) *Redução ou isenção 100% (13.257.410,62) Estimativas (1.755.848,02) Saldo a compensar (2.237.882,87) Observese que o valor das estimativas indicado, de R$ 1.755.848,02, corresponde às estimativas efetivamente pagas, conforme DARFs de fls. 237 a 245. Na impugnação, o contribuinte inicia afirmando que o seu crédito é de R$ 2.977.517,95, conforme apurado na DIPJ (fl. 107). Esse valor se encontra demonstrado na “Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real” da Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2000 (fl. 324) da seguinte maneira: Fl. 488DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13702.000430/200155 Resolução nº 1102000.201 S1C1T2 Fl. 484 7 IR devido 14.011.261,83 IRRF (739.635,08) Pat (48.914,52) *Redução ou isenção 100% (13.257.410,62) Estimativas (2.942.819,56) Saldo a compensar (2.977.517,95) Contudo, mais adiante na mesma peça recursal, ao tentar explicar as três fontes que originaram esse crédito, o recurso afirma (fls. 109 e 110): a) que o IRPJ/2000 efetivamente devido pela empresa foi de R$ 943.785,85, que o total de antecipações mensais foi de R$ 3.046.767,94, tendo se tornado credora de R$ 2.102.982,09; b) que o IRRF sobre aplicações financeiras é de R$ 829.880,14; c) que tem direito a um beneficio do PAT não gozado, sem especificar o valor. Notese que, ao se justificar o valor do item “a”, apontase para a tabela DOC 6. Entretanto, ao se conferir o conteúdo desse documento (fl. 256), verificase que se apurou um valor pago a maior de apenas R$2.688.193,99, apontandose uma diferença de R$289.323,98 para o total indicado no recurso (R$ 2.977.517,95). Nesse cálculo, foi deduzido o valor de R$ 2.753.185,18, correspondente às estimativas efetivamente pagas e compensadas, conforme DARFs e declarações de compensação de fls. 237 a 252. Observese, ainda, que o IRPJ de R$ 943.785,85 se encontra apurado na planilha de fl. 256, e corresponde àquele constante da na Ficha 11 da DIPJ 2000, relativo ao cálculo do imposto de renda mensal por estimativa, que se deu com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução (fls. 320 a 324). A mesma planilha especifica que o IRRF de R$ 829.880,14 corresponde à soma do IRRF deduzido no cálculo das estimativas (R$ 60.095,79 em maio e R$ 30.149,27 em junho de 2001 – fl. 321) com o IRRF informado na Ficha 12A da DIPJ 2000 (fl. 324), de R$ 739.635,08. No voluntário, repetemse os termos e valores da impugnação. Contudo, a planilha que calcula o valor a compensar (fl. 337) traz números um pouco diferentes, e chega a um saldo a compensar de R$ 3.081.466,13, assim formado: IR devido 14.011.261,83 Pat (48.914,52) *Redução ou isenção 100% (13.257.410,62) IRRF não utilizado (739.635,08) Estimativas (3.046.767,74) Saldo a compensar (3.081.466,13) Fl. 489DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13702.000430/200155 Resolução nº 1102000.201 S1C1T2 Fl. 485 8 No retorno da diligência, vieram os mesmos números, agora constantes da planilha de fl. 462. Desta forma, vêse que foi o contribuinte o responsável pela confusão processual, apurando, a cada oportunidade, um saldo credor de IRPJ a restituir em valores diferentes, como base em métodos de apuração diversos. De qualquer modo, a Turma Julgadora que apreciou previamente o recurso voluntário entendeu que se deveria privilegiar a verdade material, diante de indícios da existência do direito a partir das provas apresentadas naquele momento. E, nesse aspecto, a autoridade fiscal que efetuou a diligência em nada colaborou com a solução da lide, pois não efetuou qualquer análise complementar dos documentos trazidos a partir do recurso voluntário. Concordo que há indícios de existência de saldo credor a restituir, pois, caso o imposto devido realmente seja de R$ 943.785,85, como demonstrado na DIPJ e nas planilhas apresentadas, existem provas nos autos de estimativas recolhidas de R$ 1.755.848,02, e o valor aumenta para R$ 2.753.185,18, caso se admitam as estimativas compensadas. Além disso, já decaiu o direito de o contribuinte efetuar novo pedido de restituição, sendo em tudo recomendável a continuação da discussão nestes autos. Para se prosseguir com a análise, há que se fixar o que se analisa, haja vista a discrepância entre os diversos pedidos constantes dos autos. Dessa forma, considerase como valor do indébito a ser repetido o saldo credor indicado tanto no corpo da impugnação quanto no texto do voluntário, no total de R$ 2.977.517,95. Contudo, devese buscar a composição do saldo na planilha de fl. 462 (idêntica àquela do recurso voluntário – fl. 337), a última apresentada na diligência, que, apesar de indicar um saldo credor de R$ 3.081.466,13, restará limitado ao valor expressamente indicado nos recursos. Repetese a composição do saldo credor de IRPJ a ser analisado: IR devido 14.011.261,83 Pat (48.914,52) *Redução ou isenção 100% (13.257.410,62) IRRF não utilizado (739.635,08) Estimativas (3.046.767,74) Saldo a compensar (3.081.466,13) De imediato, há que se informar ser impossível se decidir o pleito neste momento, porque uma grande parte do saldo credor é formada por estimativas que foram compensadas sem processo, algumas inclusive com créditos de terceiros (fl. 236), e sua procedência somente poderá ser auferida mediante análise específica da autoridade fiscal. Dessa forma, deve também a autoridade analisar a documentação acostada aos autos para as outras rubricas, dando a oportunidade para o contribuinte complementála, caso entenda necessário. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13702.000430/200155 Resolução nº 1102000.201 S1C1T2 Fl. 486 9 A primeira rubrica a ser analisada é o IR devido de R$ 14.011.261,83. Ele se encontra devidamente discriminado, na planilha de fl. 462, nos balancetes de suspensão e redução do ano de 2000, sendo os valores compatíveis com os informados nas fichas 11 e 12A da DIPJ, com os balancetes analíticos por conta de fls. 351 a 366, e com os valores constantes da demonstração do resultado publicado no Diário Oficial do Estado de Pernambuco (fl. 334). A segunda rubrica a ser analisada é a dedução de despesas com o Programa de Alimentação ao Trabalhador – PAT de R$ 48.914,52. Esse valor está informado na ficha 12A da DIPJ (fl. 324) e a única prova trazida foi o extrato da conta 421091002 do livro Razão, com os lançamentos com a descrição “PAT” (fls. 465 a 471). A terceira rubrica a ser analisada é a redução do imposto de renda com base no lucro da exploração de R$ 13.257.410,62. A grande divergência na análise, até esse momento processual, derivava das informações das fichas 8 e 10 da DIPJ (fls. 317 e 319), onde o contribuinte informava ter auferido tanto receitas isentas quanto não isentas. Intimado a comprovar essas receitas, o recorrente sempre insistiu que todas os seus rendimentos eram isentos, sem trazer comprovação de sua escrituração que demonstrasse o erro de declaração. Contudo, apesar dos termos do recurso, as planilhas de fls. 455 a 459 trazem o cálculo do lucro da exploração dividindo as receitas auferidas entre aquelas beneficiadas com a redução de 100% (latas), as que gozam da redução de 75% (tampas lanea) e as que não possuem qualquer redução (sucata + serviços + outras), e demonstram as diferenças entre os cálculos quando se atribui o percentual de 100% para as tampas, sendo os valores semelhantes aos informados na DIPJ. Complementam a prova do direito: o extrato com a contabilização das reduções no percentual de 75% (fl. 452); as portarias da SUDENE (fls. 343 a 349); e o balancete analítico das contas de receitas (fls. 351 a 353). A próxima rubrica é a de IRRF não utilizado de R$ 739.635,08. Como já explicado, o recorrente afirma que o IRRF a que faz jus é de R$ 829.880,14, que corresponde à soma do IRRF deduzido no cálculo das estimativas (R$ 60.095,79 em maio e R$ 30.149,27 em junho de 2001 – fl. 321) com o IRRF informado na Ficha 12A da DIPJ 2000 (fl. 324), de R$ 739.635,08. Esse valor se encontra demonstrado na conta “IRRF SOBRE APLICAÇÃO FINANCEIRA CTA116011002”, cujo extrato se encontra na fl. 368. A última rubrica deduzida são as estimativas, que a planilha de fl. 462 totaliza em R$ 3.046.767,74. Como já mencionado, os DARFs e declarações de fls. 237 a 252 comprovam recolhimentos de R$ 1.755.848,02 e compensações sem processo de R$ 997.337,16. Deve o contribuinte entender que essa será sua derradeira oportunidade de complementar a prova do seu direito. Relembro ser de quem pleiteia o ônus de comprovar seu direito, não bastando apenas se apresentar planilhas e declarações de rendimentos, em especial quando elas se mostraram tão divergentes entre si. E é a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais que faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela Fl. 491DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 13702.000430/200155 Resolução nº 1102000.201 S1C1T2 Fl. 487 10 registrados nos termos do art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda/1999 (matriz legal Decretolei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9°, § 1°). Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal: a) analise a documentação trazida aos autos e conclua quais as rubricas estão comprovadas; b) para as rubricas não comprovadas, bem como para as compensações sem processo, intime o contribuinte a apresentar a documentação necessária a comprovar seu direito, especificando criteriosamente quais as provas que devem ser trazidas, concedendo o prazo mínimo de 30 (trinta) dias para tanto; c) elabore relatório de diligência circunstanciado, especificando qual o crédito de saldo credor de IRPJ do exercício 2000 a que o sujeito passivo tem direito; d) dê ciência desse relatório ao contribuinte para sobre ele se manifestar, caso deseje, no prazo de 30 (trinta) dias, retornandose os autos a este Colegiado para ulterior julgamento. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 492DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
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Numero do processo: 10920.001908/2006-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do relatório e voto do Relator,
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do relatório e voto do Relator, (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório O estabelecimento industrial de Whirlpool SA foi autuado pela Fiscalização do IPI, para exigir imposto não recolhido, relativo aos períodos de apuração compreendidos entre 21/03/2002 a 10/09/2004, no valor de R$ 81.724.109,77, com a multa de 75%, capitulada no art. 80 inciso I da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação do art. 45 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, perfazendo a soma de R$ 175.755.902,85, conforme Auto de Infração, de fls. 340 a 344, e anexos. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, de fls. 316 a 327, o estabelecimento autuado teria cometido infrações à legislação do IPI, como se relata na continuação abaixo. a) Aproveitamento indevido, na sua escrita fiscal, de crédito do imposto na aquisição de matériaprima (insumo) de alíquota RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 01 90 8/ 20 06 -1 4 Fl. 709DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10920.001908/200614 Resolução nº 3403000.534 S3C4T3 Fl. 710 2 zero, somando R$ 45.345.925,05, conforme demonstrativo da fl. 316, glosado no procedimento fiscal; b) Aproveitamento, no terceiro decêndio de março de 2002, de crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996 – CPIPI, mediante a inclusão indevida, na receita de exportação, das vendas para a Zona Franca de Manaus ZFM, nos valores de R$ 329.857,58, em 2000, e R$ 491.919,51, em 2001, somando R$ 811.777,09, conforme demonstrativo de cálculo da fl. 317, créditos esses glosados no procedimento fiscal; c) Alteração indevida da sistemática de apuração do CPIPI no curso do anocalendário, com recálculo do benefício, no 3° período de setembro/2003, no valor de R$ 10.294.421,09, e no 2o período de apuração de dezembro de 2003, no valor de R$ 25.271.986,54, somando R$ 35.566.407,63 (fl.321); intimado a explicar as razões do recálculo, a empresa informou, pela correspondência de fls. 22/23, que em 2003 os valores foram revistos pela implementação do cálculo alternativo, previsto na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, que melhor reflete as suas operações. Por fim, reconstituiuse a escrita fiscal do contribuinte, às fls. 300 a 303, e lançaramse os valores dos saldos devedores do imposto, com multa e juros de mora, nos valores do Auto de Infração das fls. 340 a 344, com ciência do contribuinte em 25/07/2006. As irregularidades autuadas foram capituladas nos arts. 34, II, 122, 124, 125, III, 127, 130, 181 e §§, 199, 200, todos do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/02), art. 42 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e art. 1° da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001. O contribuinte, discordando do lançamento, apresentou a impugnação de fls. 346 a 393, e anexos, no devido prazo, subscrita por seus procuradores substabelecidos, mandatos às fls. 398 a 402, expondo as suas razões que serão relatadas, resumidamente, na continuação. Inicialmente, a defesa reproduz o Termo de Verificação Fiscal, fechando com breve elogio do trabalho da Fiscalização, passando ao exame do mérito, na parte relativa à apropriação de créditos pela aquisição de insumos de alíquota zero. No exame destes créditos, a defesa envereda para o art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, transcrito em nota de rodapé, dizendo que "parte dos créditos apropriados pela Impugnante, no ano de 2003, refere se a operações de aquisição de insumos ocorridas anteriormente a janeiro de 1999. Ou seja, são anteriores à data de vigência da Lei nº 9.779/99 que, por meio de seu art. 11, expressamente autorizou a manutenção de créditos relacionados a insumos tributados com posterior saída sujeita a alíquota 0%." E adiante, acrescenta que os fornecedores da impugnante estornaram os créditos relacionados aos respectivos insumos porque adquiridos antes de 1999, não havia previsão legal para a manutenção, significa dizer que o IPI incidente nos insumos que adquiriu tornouse custo e foi incluído no preço destes produtos. Cita e transcreve parte de decisão do STF, invoca a Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999, que manda Fl. 710DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10920.001908/200614 Resolução nº 3403000.534 S3C4T3 Fl. 711 3 a administração pública observar os mandamentos da Lei e do Direito, mencionando Acórdãos do 2° Conselho de Contribuintes neste sentido, dizendo, finalmente, que os créditos em questão foram apropriados com expresso respaldo no entendimento da Suprema Corte, que transcreve. Com relação ao Crédito Presumido de IPI nas vendas para a Zona Franca de Manaus, transcreve parte do Relatório Fiscal relativo a este item, dizendo que a exclusão decorreu do fato de que a remessa de produtos para a ZFM não estaria isenta da Cofins; que a Fiscalização desenvolveu um curioso raciocínio, segundo o qual o crédito presumido teria a natureza jurídica de uma isenção; e sendo assim, não estaria prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, disso decorrendo a nulidade do lançamento, nesta parte, porque a motivação não se coaduna com os preceitos do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, que tem natureza de incentivo fiscal, segundo o Parecer PFGN/CAT nº 3092/2002, defendendo sua aplicação vinculada, uma vez aprovado pelo Ministro da Fazenda; que a Fiscalização teria firmado orientação contrária ao entendimento do citado Parecer. Continua a defesa, alegando que as receitas oriundas de remessa de produtos para ZFM, por expressa determinação legal, estão abrangidas no conceito de Receita de Exportação REx, de acordo com o art. 2° da Lei nº 9.363, de 1996, e art. 4 o do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, daí evoluindo para o inciso I do § 2° do art. 149 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 – CRFB/88, para concluir que o tratamento das receitas de exportação é o da imunidade e o tratamento de isenção é impertinente e despropositado, pois este critério é irrelevante para a composição da base de cálculo, voltando a reafirmar que as operações de remessa para a ZFM qualificamse como REx. Quanto à apropriação do Crédito Presumido de IPI, discorre sobre a finalidade do benefício, insistindo na sua natureza de incentivo fiscal à exportação, valendose da palavra do Min. Relator do REsp. 813.280 (fl.364), repisando o cálculo do benefício, pela citada Lei nº 9.363, de 1996, para em seguida derivar para a Lei nº 10.276, de 2001, examinando e confrontando com a sistemática de cálculo da Lei nº 9.363, dizendo que a Lei nº 10.276, de 2001, não instituiu um novo benefício, o que se pode verificar pela exposição de motivos da MP nº 2.202, de 28/6/2001; que, embora o crédito presumido continue em vigor pelas duas leis, mas não é aplicável para as empresas que calculam o Imposto de Renda pelo lucro real, como é o seu caso. Na continuação, a defesa fala em "Erro relativo ao cálculo do crédito presumido segregação dos períodos das Leis nºs. 9.363/96 e 10.276/01". Transcreve os valores e os períodos em que lhe foi imputada a infração e se propõe a demonstrar que os valores lançados na sua escrita estão totalmente de acordo com as leis e atos normativos que regulam o crédito presumido de IPI. Diz que, no período entre setembro e dezembro de 2003, efetuou novo cálculo do crédito presumido de IPI, que tinha lançado em sua escrita fiscal desde dezembro de 1998, porque constatou que havia deixado de incluir custos e de excluir receitas na base de cálculo do benefício; que não condiz com a realidade dos fatos a alegação da Fiscalização de que a autuada teria utilizado os critérios da Lei nº 10.276, de 2001, porque não existia esta norma em período anterior a outubro de 2001, e que a impugnante teria aplicado retroativamente o critério alternativo do cálculo desde outubro 1998, ou seja, durante período em que a mesma não existia; que o recálculo foi dividido em duas partes, uma de 1998 a 2001, até setembro, quando utilizou o percentual de 5,37% no cálculo do crédito presumido, provando assim que não aplicou retroativamente o fator de cálculo da Lei nº 10.276, de 2001, conforme planilha que juntou; para o período posterior a setembro de 2001, confessa que efetivamente aplicou a Lei nº 10.276, de 2001, com isso resta nula a discussão, visto o total Fl. 711DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10920.001908/200614 Resolução nº 3403000.534 S3C4T3 Fl. 712 4 equívoco da Fiscalização ao lançar os valores do crédito presumido de IPI como se o recálculo tivesse incluído todo o período pelos critérios da citada Lei nº 10.276, de 2001. Quanto a erro relativo ao cálculo do valor dos insumos, a defesa começa por transcrever o art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 419, de 10 de maio de 2004, e prossegue defendendo a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de outros componentes do custo dos produtos, também onerados pelas contribuições do PIS e da Cofins, tais como o ICMS, o valor do frete e seguros, componentes estes que incluiu no recálculo relativo ao período entre outubro de 1998 e setembro 2001, dizendo assim ter procedido de acordo com instruções da Secretaria da Receita Federal e invocando o art. 2° da Lei nº. 9.363, de 1996, e transcrevendo o art. 18 da Instrução Normativa SRF nº 315, de 3 de abril de 2003, que regulamentou a Lei nº 10.276, de 2001, afirma que a glosa pela Fiscalização destes itens, significa negar a autorização da lei e das instruções normativas baixadas pela Receita Federal. Volta a referir e transcrever o art. 18 da INSRF nº 315 de 2003, agora incluído na redação da Instrução Normativa SRF nº 420, de 10 de maio de 2004, que a revogou, cujo teor vale transcrever: Art. 18. Para efeito do cálculo do crédito presumido, o ICMS não será excluído dos custos de MP, de PI, de ME, energia elétrica e dos combustíveis, bem assim os valores do frete e seguro, desde que cobrados ao adquirente. Diz que, ao detectar que não tinha levado em consideração o valor das parcelas relativas ao ICMS, fretes e energia elétrica, refez seus cálculos para inclusão das aludidas parcelas, o que foi questionado pela Fiscalização. Sobre o cálculo do índice Receita de Exportação REx/Receita Operacional Bruta/ROB, valendose do art. 17 da INSRF nº 419, de 2004, assevera que devem ser excluídas as receitas de revendas de mercadorias, receitas de serviços, as devoluções de vendas e outras, enquanto que a REx deve incluir somente os produtos que foram produzidos pela sociedade exportadora, reconhecendo que, no seu cálculo inicial, teria incluído a receita de revenda de mercadorias, receita de serviços e valores relativos a devoluções de mercadorias (no cálculo da receita operacional bruta), fato que teria reduzido a relação REx/ROB e em conseqüência, o valor do crédito presumido, tendo agora, no recálculo, excluído referidos valores da ROB. Dizendo que foi justa e consistente nos seus procedimentos, refez novos cálculos, com a redução da ROB e da REx. A defesa transcreve o art. 21 da INSRF nº 420, de 2004, que define a ROB e a REx, falando que, nos novos cálculos do crédito presumido de IPI, adotou idêntico procedimento, ou seja, não computou as revendas e as devoluções de mercadorias e os serviços na determinação da ROB, como também não incluiu na REx as revendas de mercadorias para o exterior. Acusa a Fiscalização de desconsiderar valores legítimos na apuração dos insumos, bem como de considerar na ROB e na REx montantes que de fato não possuem tal qualificação, para fins do ressarcimento de que tratam as Leis 9.363 e 10.276, o que leva à nulidade do valor do recálculo do crédito tributário autuado, por atentar contra o art. 142 do CTN, mencionando ainda Acórdãos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais/CSRF a favor de sua pretensão. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10920.001908/200614 Resolução nº 3403000.534 S3C4T3 Fl. 713 5 A defesa ainda reproduz e critica os itens do Relatório Fiscal que tratam da Reconstituição da Escrita Fiscal, dizendo que a Fiscalização reconstituiu apenas os valores dos créditos apropriados pelo contribuinte e indaga se não deveria também refazer os valores pertinentes aos débitos? Porque refazer apenas a parte relativa à glosa de créditos? Se o objetivo foi reconstituir a escrita porque não quantificar outros valores que interferem diretamente na apuração do IPI exigido? Menciona o Parecer Normativo CST nº 23, de 28/03/78 e o Acórdão nº 1.867, de 12/12/2002, da 3ª Turma da DRJ/POA, bem como o Acórdão nº 20216.322, do 2° Conselho de Contribuintes, transcrevendo as respectivas ementas, que falam da reconstituição de escrita, mas sem conter informações que sirvam para interferir no presente caso; alega que o valor dos fretes registrado nos seus livros foram indevidamente mantidos na reconstituição da escrita e apuração do IPI; acrescenta que o STF decidiu (transcreve a ementa) que o frete não pode ser incluído na base de cálculo do IPI, a despeito do art. 15 da Lei nº 7.798, 10 de julho de 1989, que manda incluílo, devendo a Fiscalização observar a decisão do STF, já consolidada, de acordo com o art. 1º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de1997, e procedimento adotado pelo 3° Conselho de Contribuintes na sua decisão (Acórdão nº 30329.433), entendendo que, como a Fiscalização não retirou o valor de fretes na reconstituição da escrita, ocorreu a nulidade da autuação; reclama também que a Fiscalização não incluiu no cálculo dos insumos o valor pertinente à variação da taxa Selic, porque este é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão cuja ementa transcreve. Discorda da Fiscalização que, louvandose em mandamento da Instrução Normativa SRF n° 420, de 2004, não acolheu a retificação da opção de cálculo do crédito presumido de IPI; ou seja, se o contribuinte informar sua opção pela Lei nº 9.363, de 1996, não poderá alterar esta opção durante o anocalendário optado, investindo contra a natureza das Instruções Normativas, com argumento do STF quando do julgamento da ADIn 536/DF, defendendo o direito de alterar os cálculos do crédito presumido, para a sistemática da Lei nº 10.276, de 2001, não obstante tenha adotado o regime da Lei nº 9.363, de 1996, transcrevendo o §4° do art. 1° da Lei nº 10.276, de 2001, que dispõe expressamente contra o seu procedimento; tece outras considerações sobre os regimes de cálculo das citadas leis, concluindo que a alternância no cálculo do benefício não implica definitividade no exercício da opção, mas apenas a vedação da cumulatividade de benefícios. Por fim, a defesa faz um resumo de todos os itens atacados e pede a nulidade do lançamento tendo em vista os erros na base de cálculo do crédito tributário e pela inconsistência da motivação adotada pela Fiscalização ou a decretação da improcedência da exigência. O lançamento foi julgado procedente pela 3ª Turma da DRJ/POA. O Acórdão nº 109.959, de 28 de setembro de 2006, fls. 427 a 455, teve ementa avzada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 31/03/2002 a 10/09/2004 Ementa: A aquisição de insumos de alíquota zero ou isentos não proporciona crédito de IPI na escrita fiscal do adquirente. As vendas para a Zona Franca de Manaus/ZFM, ainda que equiparadas à exportação, não autoriza a sua inclusão na receita de exportação, para fins de cálculo do crédito presumido de IPI. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10920.001908/200614 Resolução nº 3403000.534 S3C4T3 Fl. 714 6 A opção do contribuinte para o cálculo do crédito presumido de IPI, pela sistemática da Lei n° 9.363, de 1996, é irreversível e não comporta modificação ou alteração, no anocalendário da opção, para outro sistema de cálculo. Lançamento Procedente Irresignado com a decisão de Primeira Instância, o autuado interpôs Recurso Voluntário, fls. 462 a 519, reiterando os termos de sua peça impugnatória. Em 19/09/2007, o interessado formula petição, requerendo a juntada de parecer jurídico, fls. 518 a 580. A 4ª Câmara do antigo 2º Conselho de Contribuintes, em sessão de 20 de novembro de 2007, resolveu converter o julgamento do recurso em diligência, para que a autoridade lançadora esclarecesse a motivação do lançamento, isto é, se houve efetivamente mudança da sistemática de cálculo do CPIPI da original para a alternativa, ou se houve apenas recálculo do benefício com base nas instruções normativas da própria SRF, tudo nos termos da Resolução nº 20400.503, fls. 584 a 592. A diligência requerida foi satisfeita pela DRF/JoinvilleSC, nos termos da informação das fls. 600, que transcreveu respostada dada pelo próprio autuado, que ora transcrevo para maior clareza: "2. Quanto aos itens "2" e "3" do referido termo, no que diz respeito às razões de recálculo do crédito presumido, a Requerente informa que de 2001 a 2003 os créditos presumidos foram escriturados, nos termos da lei n° 9.363/96, o que foi devidamente declarado em DCTF/DCP, sendo que, em 2003, tais valores foram revistos através de cálculo alternativo previsto pela lei n° 10.276/01, forma de cálculo que melhor reflete as operações da Requerente. 3. (...)” Em 08/12/2009, o autuado vem novamente aos autos, desta feita requerendo desistência parcial do recurso, fls. 609 a 610, para viabilizar sua adesão a programa de parcelamento, alcançando os períodos de apuração abaixo listados: PERÍODO DE APURAÇÃO VALOR DO CRÉDITO GLOSADO (R$) 30/03/2003 2.957.432,66 30/04/2003 3.590.972,76 30/05/2003 2.877.780,10 30/06/2003 3.377.993,99 30/07/2003 705.167,34 30/08/2003 2.723.326,42 20/11/2003 1.580.237,74 30/11/2003 4.802.058,84 10/12/2003 948.815,21 20/12/2003 1.890.990,86 30/04/2004 19.891.149,13 A DERAT/SP elabora então o demonstrativo AUTO DE INFRAÇÃO IPI FALTA DE RECOLHIMENTO DO IPI COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS E CRÉDITOS DE MATÉRIAPRIMA DE ALÍQUOTA ZERO APURAÇÃO DO DÉBITO DEFINITIVAMENTE CONSTITUÍDO DESISTÊNCIA PARCIAL AO RV MP 449/2008, Fl. 714DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10920.001908/200614 Resolução nº 3403000.534 S3C4T3 Fl. 715 7 de fls. 632 e 633, que instruiu representação para apartamento do crédito tributável passível de cobrança imediata, autuada no processo 16151.001231/201027 (fls. 635). Depois disso, em 29/07/2010, o autuado, ora recorrente, protocolou a petição de fls. 640 e 641, pleiteado a quitação dos débitos de IPI decorrentes do creditamento do imposto por entradas de insumos tributados com alíquota zero (0%) pela via de sua compensação com os montantes de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, informados às fls. 649 e 650. Ainda, em 19/11/2010, requereu alteração no Pedido de Parcelamento (Anexo I da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 09, de 2009) e, por consequência, nos valores da desistência parcial ao recurso, fls. 673 a 678. A EQPAC/DICAT/DIRATSP procedeu à alteração dos valores do pedido de parcelamento, cfe. despacho de fls. 707, de 21/06/2011. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Constato liminarmente que o autuado não foi intimado a se manifestar a respeito das conclusões da diligência fiscal. A propósito, a providência requerida pelo relator original, Conselheiro Odassi Guerzoni Fº, teve como objetivo o esclarecimento da aparente contradição entre a declaração prestada pelo contribuinte, no curso da ação fiscal, de que teria alterado a sistemática de apuração e recalculado os valores do CPIPI para os trimestres dos anoscalendário de 2001 a 20031 e as alegações de impugnação, no sentido de que, relativamente ao período entre outubro de 1998 e setembro 2001, o recálculo do benefício não se tratou de mudança de sistemática, que continuou sendo aquela prevista pela Lei nº 9.363, de 1996, mas apenas de cômputo, na base de cálculo, de outros componentes do custo dos produtos, também onerados pelas contribuições do PIS e da Cofins, tais como o ICMS, o valor do frete e seguros, componentes estes que não havia incluído na apuração retificada. O ajuste procedido também teria alcançado a relação percentual REx/ROB . Na impugnação, o autuado salienta que, para esses períodos, utilizou o percentual de 5,37% no cálculo do crédito presumido, o que atestaria que não houve mudança de sistemática. As alegações são ilustradas com os demonstrativos COMPOSIÇÃO MENSAL DO CRÉDITO FISCAL Lei 9.363/96 Crédito Presumido de IPI – 1998, 1999, 2000 e 2001, fls. 407 a 410. Infelizmente, a Autoridade Diligenciante não se debruçou sobre essa questão, atendose aos termos da declaração de fls. 22 e 23. A dúvida, portanto, permanece e seu esclarecimento é imprescindível para o deslinde da controvérsia. 1 Expediente protocolado em 07/07/2006, fls. 22 e 23, subscrito por Renilda Clea Gobbi, CPF nº 312.303.50934, procuradora da pessoa jurídica, instrumento de mandato na fl. 21. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10920.001908/200614 Resolução nº 3403000.534 S3C4T3 Fl. 716 8 Conforme relatado, o autuadorecorrente formulou pedido de desistência parcial do recurso de fls. 462 a 519. Compulsandose o demonstrativo de fls. 632 e 633, extraise que remanescem litigiosos os períodos de apuração de 309/2003 (todo o valor do lançamento) e de 212/2003 (em R$ 25.271.986,54). Posteriormente ao pedido de desistência, em 29/07/2010 e em 19/11/2010, o contribuinte formulou novos requerimentos (de extinção de crédito tributário e de retificação do pedido de parcelamento) com prováveis efeitos sobre o crédito tributário que remanesce litigioso. Esses efeitos, no entanto, não estão claros de modo a permitir o conhecimento das parcelas pertinentes do recurso voluntário. Por todo o exposto, voto por, novamente, converter o julgamento do recurso em diligência, baixandose o processo à autoridade preparadora para: a) que a DRF/JoinvilleSC analise o recálculo feito pelo autuado para os períodos de apuração do benefício compreendidos entre 01/01/1998 e 30/09/2001, ateste sua conformidade para com as normas que regem o CPIPI, na sua sistemática de apuração original – Lei nº 9.363, de 1996 – e, eventualmente, repercuta na reconstituição da escrita fiscal os efeitos que as suas conclusões possam provocar, em parecer circunstanciado; b) que se intime o interessado a respeito das conclusões da diligência, realizada nos termos acima expostos, abrindose lhe o prazo regulamentar para manifestação, e; c) que informe quais são os períodos de apuração que remanescem litigiosos, em que valor de principal e, se possível, por qual(is) infração (ões). Sala de sessões, em 26 de fevereiro de 2014. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10925.905111/2012-88
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2005
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 51 11 /2 01 2- 88 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905111/201288 Acórdão n.º 3801002.893 S3TE01 Fl. 58 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905111/201288 Acórdão n.º 3801002.893 S3TE01 Fl. 59 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905111/201288 Acórdão n.º 3801002.893 S3TE01 Fl. 60 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905111/201288 Acórdão n.º 3801002.893 S3TE01 Fl. 61 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905111/201288 Acórdão n.º 3801002.893 S3TE01 Fl. 62 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905111/201288 Acórdão n.º 3801002.893 S3TE01 Fl. 63 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10925.905085/2012-98
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2004
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 50 85 /2 01 2- 98 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905085/201298 Acórdão n.º 3801002.867 S3TE01 Fl. 58 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905085/201298 Acórdão n.º 3801002.867 S3TE01 Fl. 59 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905085/201298 Acórdão n.º 3801002.867 S3TE01 Fl. 60 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905085/201298 Acórdão n.º 3801002.867 S3TE01 Fl. 61 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905085/201298 Acórdão n.º 3801002.867 S3TE01 Fl. 62 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905085/201298 Acórdão n.º 3801002.867 S3TE01 Fl. 63 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10935.904614/2012-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/05/2005
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 46 14 /2 01 2- 17 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904614/201217 Acórdão n.º 3801002.396 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904614/201217 Acórdão n.º 3801002.396 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904614/201217 Acórdão n.º 3801002.396 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904614/201217 Acórdão n.º 3801002.396 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
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