Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,906)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,204)
- Terceira Câmara (67,876)
- Segunda Câmara (56,644)
- Primeira Câmara (20,756)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,726)
- Segunda Seção de Julgamen (115,215)
- Primeira Seção de Julgame (77,084)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,518)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,625)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,707)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10980.900028/2012-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 14/11/2002
BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
Numero da decisão: 9303-008.973
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Acordam, ainda, (i) por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Midori Migiyama, vencida, também, a conselheira Érika Costa Camargos Autran e (ii) por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento suscitada pelo conselheiro Demes Brito, vencidas, também, as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 14/11/2002 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10980.900028/2012-58
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6051715
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.973
nome_arquivo_s : Decisao_10980900028201258.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10980900028201258_6051715.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Acordam, ainda, (i) por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Midori Migiyama, vencida, também, a conselheira Érika Costa Camargos Autran e (ii) por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento suscitada pelo conselheiro Demes Brito, vencidas, também, as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7869323
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300660965376
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-21T11:56:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-21T11:56:03Z; Last-Modified: 2019-08-21T11:56:03Z; dcterms:modified: 2019-08-21T11:56:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-21T11:56:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-21T11:56:03Z; meta:save-date: 2019-08-21T11:56:03Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-21T11:56:03Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-21T11:56:03Z; created: 2019-08-21T11:56:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2019-08-21T11:56:03Z; pdf:charsPerPage: 2086; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-21T11:56:03Z | Conteúdo => CSRF-T3 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10980.900028/2012-58 Recurso Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303-008.973 – CSRF / 3ª Turma Sessão de 17 de julho de 2019 Recorrente BEBIDAS NOVA GERACAO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 14/11/2002 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Acordam, ainda, (i) por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Midori Migiyama, vencida, também, a conselheira Érika Costa Camargos Autran e (ii) por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento suscitada pelo conselheiro Demes Brito, vencidas, também, as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de pedido eletrônico de restituição de pagamento indevido ou a maior, relativo a créditos originários de pagamento COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 00 28 /2 01 2- 58 Fl. 101DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.973 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900028/2012-58 A DRF de origem emitiu despacho decisório eletrônico no qual informava que o valor pago no DARF encontrava-se integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, por isso não homologou a referida compensação. O sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, afirmando em resumo que os valores contabilizados como ICMS não comporiam o faturamento para fins de base de cálculo de PIS/Cofins. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, ao considerar inexistente o direito creditório pois seria incabível a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Confins. Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, tendo como principal argumento da defesa a afirmação de que o ICMS não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a base de cálculo das contribuições. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3302-003.569, que lhe negou provimento. Recurso especial da contribuinte Cientificada do acórdão, a contribuinte interpôs recurso especial de divergência na qual afirma haver dissídio em face do acórdão paradigma nº 3201-004.124, fundamentando que o STF, em sede de repercussão geral, decidiu que o ICMS não compõe a base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins . O Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, analisou o recurso especial de divergência da contribuinte e, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015, deu-lhe seguimento. Contrarrazões da Fazenda Cientificada do despacho de admissibilidade do recurso especial a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-008.956, de 17 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.900011/2012-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-008.956): Fl. 102DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.973 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900028/2012-58 “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e dele conheço. Mérito Inicialmente, afasto a possibilidade de sobrestamento aventada no recurso voluntário, por falta de previsão regimental, pois entendo que a revogação da previsão de sobrestamento impede sua realização. Em seguida, entendo não ser vinculante a decisão do STF esgrimida pela recorrente, por não ter ocorrido trânsito em julgado formal, haja vista estar-se ainda aguardando apreciação de embargos de declaração no RE 574.706/PR. Assim, busco a aplicação da legislação conforme às razões de decidir da decisão a quo, que, por sua vez, adotou o entendimento do voto do relator do acórdão nº 3302- 003.520. No que tange à exclusão do ICMS devido nas operações de venda, na condição de contribuinte, o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 estabeleceu as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluem-se da receita bruta: I - as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II - as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) III - os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.991-18, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Verifica-se no inciso I, que o ICMS incidente nas operações na condição de contribuinte (próprio) não foi elencado como parcela a ser excluída da base de cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita bruta, sempre indicando que os impostos incidentes sobre a venda a compunham. Assim, citam-se o artigo 12 do Decreto-lei nº 1.598/1977, o artigo 187 da Lei nº 6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978: Decreto-lei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I - o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II - o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Fl. 103DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.973 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900028/2012-58 III - o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV - as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1º A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I - devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II - descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III - tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV - valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I - a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II - a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; IN SRF nº 51/1978: 1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens, nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). 2. Na receita bruta não se incluem os impostos não-cumulativos cobrados do comprador ou contratante impostos não-cumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. 3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matérias-primas os impostos mencionados no item anterior, que devam ser recuperados. 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, Fl. 104DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-008.973 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900028/2012-58 mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem: Súmula n. 68 : "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no conceito de receita bruta, excluindo-o apenas do conceito de receita líquida. Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, como o AgRg no REsp 1576424 / RS, de 10/03/2016, cuja ementa transcreve-se: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. ARTS. 7º e 8º DA LEI Nº 12.546/2011. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO, MUTATIS MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº 1.330.737/SP, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RELATIVA À INCLUSÃO DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. 1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo recolhido a título próprio foi pacificada, por maioria, pela Primeira Seção desta Corte em 10.6.2015, quando da conclusão do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.330.737/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. 2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo de controvérsia se aplicam, mutatis mutandis, à inclusão das parcelas relativas ao ICMS na base de cálculo da12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015. 3. A contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011, da mesma forma que as contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS na sistemática não cumulativa previstas nas Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, adotou conceito amplo de receita bruta, o que afasta a aplicação ao caso em tela do precedente firmado no RE n. 240.785/MG (STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08.10.2014), eis que o referido julgado da Suprema Corte tratou das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS regidas pela Lei n. 9.718/98, sob a sistemática cumulativa que adotou, à época, um conceito restrito de faturamento. Precedente. 4. Agravo regimental não provido. Ressalta-se que a inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições foi considerada legítima e julgada sob a sistemática de recursos repetitivos no REsp 1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN. 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543C do CPC, e levando em consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça, firmase compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele Fl. 105DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-008.973 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900028/2012-58 incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidouse no sentido de que "o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). 3. Nas atividades de prestação de serviço, o conceito de receita e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve levar em consideração o valor auferido pelo prestador do serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma razão muito simples: o consumidor (beneficiário do serviço) não é contribuinte do ISSQN. 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não torna o consumidor contribuinte desse tributo a ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que transita em sua contabilidade sem representar, entretanto, acréscimo patrimonial. 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor como sujeito passivo de direito do tributo (contribuinte de direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma simples espécie de "substituto tributário", cuja responsabilidade consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídico- tributária). 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão de uma política do sistema tributário nacional que permite a repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação jurídico-tributária como sujeito passivo de direito. 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em que determinada entidade, por força de lei, figura no polo passivo de uma relação jurídico-tributária obrigacional, cuja prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo substituído para, posteriormente, repassar a quantia correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese (substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não integraria o conceito de faturamento. No mesmo sentido se o ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor do serviço. Nesse caso, não haveria dúvida de que o valor referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do serviço. 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo do PIS e da Fl. 106DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-008.973 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900028/2012-58 COFINS não desnatura a definição de receita ou faturamento para fins de incidência de referidas contribuições. 9. Recurso especial a que se nega provimento. De fato, as mesmas razões utilizadas no repetitivo acima são aplicáveis na análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, o que restou configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática de recursos repetitivos, embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF, pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor: AUTUAÇÃO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE : HUBNER COMPONENTES E SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA ADVOGADOS : ANETE MAIR MACIEL MEDEIROS HENRIQUE GAEDE E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário Base de Cálculo CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Relator e Regina Helena Costa, negou provimento ao recurso especial da empresa recorrente, nos termos do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, que lavrará o acórdão." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins. Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo no STF, uma vez que o RE 574.906 RG/PR, sob repercussão geral, ainda não foi julgado. Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral, deve-se prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias como componente do preço de venda. Neste mesmo sentido, é a posição pacífica deste Conselho, como decidido no Acórdão nº 9303-003549, de 17/03/2016, cuja ementa transcreve-se: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. Fl. 107DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-008.973 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900028/2012-58 Dessarte, considero improcedente o recurso especial de divergência da contribuinte, para manter a decisão recorrida. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial de divergência do sujeito passivo.” (...) 1 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso especial de divergência do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas 1 Deixou-se de transcrever a Declaração de Voto por não representar o entendimento que prevaleceu no julgamento. Íntegra desta declaração pode ser obtida junto ao processo paradigma. Fl. 108DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-008.973 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900028/2012-58 Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720987/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2009
GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. PENSÃO ALIMENTÍCIA. VALORES NÃO ARROLADOS ORIGINALMENTE NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. LIMITES DO LITÍGIO INSTAURADO COM A IMPUGNAÇÃO.
A impugnação apresentada em face da notificação de lançamento decorrente de infração à legislação tributária verificada no procedimento interno de revisão de Declaração de Ajuste Anual está adstrita às alterações promovidas pela autoridade lançadora na declaração entregue pelo contribuinte.
Escapam ao litígio instaurado com a impugnação, não constituindo matéria cognoscível pelo órgão julgador administrativo, as questões específicas suscitadas pelo contribuinte, após o início do procedimento de ofício, referentes a valores de deduções de despesas com pensão alimentícia que não foram arroladas por ocasião da confecção da declaração de rendimentos.
Numero da decisão: 2401-006.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2009 GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. PENSÃO ALIMENTÍCIA. VALORES NÃO ARROLADOS ORIGINALMENTE NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. LIMITES DO LITÍGIO INSTAURADO COM A IMPUGNAÇÃO. A impugnação apresentada em face da notificação de lançamento decorrente de infração à legislação tributária verificada no procedimento interno de revisão de Declaração de Ajuste Anual está adstrita às alterações promovidas pela autoridade lançadora na declaração entregue pelo contribuinte. Escapam ao litígio instaurado com a impugnação, não constituindo matéria cognoscível pelo órgão julgador administrativo, as questões específicas suscitadas pelo contribuinte, após o início do procedimento de ofício, referentes a valores de deduções de despesas com pensão alimentícia que não foram arroladas por ocasião da confecção da declaração de rendimentos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10166.720987/2011-12
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6044020
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-006.744
nome_arquivo_s : Decisao_10166720987201112.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MATHEUS SOARES LEITE
nome_arquivo_pdf_s : 10166720987201112_6044020.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
id : 7847223
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:50:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300664111104
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-30T21:06:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-30T21:06:21Z; Last-Modified: 2019-07-30T21:06:21Z; dcterms:modified: 2019-07-30T21:06:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-30T21:06:21Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-30T21:06:21Z; meta:save-date: 2019-07-30T21:06:21Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-30T21:06:21Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-30T21:06:21Z; created: 2019-07-30T21:06:21Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-07-30T21:06:21Z; pdf:charsPerPage: 1886; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-30T21:06:21Z | Conteúdo => S2-C 4T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10166.720987/2011-12 Recurso Voluntário Acórdão nº 2401-006.744 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2019 Recorrente RICARDO DE ALMEIDA COLLAR Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2009 GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. PENSÃO ALIMENTÍCIA. VALORES NÃO ARROLADOS ORIGINALMENTE NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. LIMITES DO LITÍGIO INSTAURADO COM A IMPUGNAÇÃO. A impugnação apresentada em face da notificação de lançamento decorrente de infração à legislação tributária verificada no procedimento interno de revisão de Declaração de Ajuste Anual está adstrita às alterações promovidas pela autoridade lançadora na declaração entregue pelo contribuinte. Escapam ao litígio instaurado com a impugnação, não constituindo matéria cognoscível pelo órgão julgador administrativo, as questões específicas suscitadas pelo contribuinte, após o início do procedimento de ofício, referentes a valores de deduções de despesas com pensão alimentícia que não foram arroladas por ocasião da confecção da declaração de rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 09 87 /2 01 1- 12 Fl. 70DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.744 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.720987/2011-12 A bem da celeridade, peço licença para aproveitar boa parte do relatório já elaborado em ocasião anterior e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementá-lo (fls. 35/37). Pois bem. De acordo com a Notificação de Lançamento, Demonstrativos e Descrição dos Fatos, de fls. 14/18, a autoridade lançadora ao revisar a Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física – DIRPF/2009, constatou dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$18.920,00, por falta de comprovação, referente a Residencial Geriátrico Santa Edwiges Ltda – CNPJ 09.194.733/0001-05. Esclarece a fiscalização que o contribuinte não apresentou comprovantes, nem a dedutibilidade da despesa médica do Residencial Geriátrico Santa Edwiges Ltda. Está sendo exigido imposto de renda, código 2904, no valor de R$5.203,00, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O contribuinte foi cientificado da notificação em 23/3/11, conforme tela de fls. 26 e apresentou impugnação em 18/4/11, fls. 2, trazendo, em síntese, as seguintes alegações: (a) Questiona parcialmente a infração, no valor de R$ 6.913,82. Alega que cometeu erro no preenchimento da declaração. Informou a despesa médica (R$ 18.920,00) apenas para constar a informação do pagamento feito em benefício de seu pai, sem pleitear a dedução. (b) Pretende seja acertado o valor da pensão alimentícia paga e lançada no campo “Pagamento e Doações Efetuados”, com o código 30, que não se somou ao total das deduções, fato que quis corrigir no atendimento ao Termo de Intimação Fiscal em 19/10/10. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por meio do Acórdão nº 02-56.434 (fls. 35/37), cujo dispositivo considerou a impugnação improcedente, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2009 DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se como não-impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou sobre a qual não se manifesta expressamente. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. PROVA AUSENTE. Valor pago a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente são dedutíveis, desde que comprovada a efetividade do pagamento. Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos, o ônus probatório da regularidade das deduções pleiteadas em sua declaração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou, em síntese, os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: 1. Em relação à glosa de despesa médica paga à Residencial Geriátrico Santa Edwiges - CNPJ 09.194.833/0001-05, o contribuinte declarou R$ Fl. 71DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.744 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.720987/2011-12 18.920,00, conforme Dirpf fls. 19/24. No entanto, o contribuinte não contesta a despesa médica glosada, alegando tão-somente que o valor foi informado somente para constar o pagamento realizado em benefício de seu pai. Portanto, tal matéria configura-se não litigiosa (Decreto 70.235/1972, art. 17) e precluso o direito de o interessado discuti-la em momento posterior. Registre-se que o valor do imposto não litigioso (R$ 3.301,70) foi transferido para o processo nº 10166-720.971/2012-82, fls. 28/29, cujo crédito encontra-se extinto pelo pagamento. 2. Questiona o valor de R$ 6.913,82 e pede para acertar o valor informado como pago a título de pensão alimentícia (R$ 7.500,00), código 30, no campo “Pagamentos e Doações Efetuados”. 3. O contribuinte declarou pagamento de pensão alimentícia à Elizabeth Helena Coimbra Matheus (CPF xxx), conforme Dirpf fls. 19/24. O comprovante de rendimentos, fls. 6, consta pensão alimentícia de R$ 7.500,00 (6.913,82 + 586,38), cujo beneficiário é Guilherme Matheus Collar, CPF xxx, data de nascimento 06/06/1984. A Dirf de fls. 34 consta dedução de pensão alimentícia no valor de R$6.913,82, sobre os rendimentos da fonte pagadora Presidência da República. 4. O direito à dedução da pensão alimentícia está sempre vinculado à comprovação do efetivo pagamento por parte do contribuinte, nos termos do que foi homologado judicialmente ou por escritura pública. 5. Nenhum documento judicial, ou escritura pública, foi juntado aos autos para demonstrar que o contribuinte estava obrigado ao pagamento de pensão alimentícia, até quando estava obrigado, em quais termos, qual valor e quem seria o beneficiário da pensão. 6. Portanto, não se pode acolher a pretensão do contribuinte por ausência de documentos hábeis a comprovar a obrigatoriedade de pagamento de pensão alimentícia. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 50/53), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: a. Considerando que a questão cinge-se a comprovação documental de que os pagamentos de pensão alimentícia foram efetuados e que tais créditos tem origem judicial, passo a esclarecer: b. O crédito de alimentos é oriundo de processo judicial muito antigo, tramitado junto a Comarca de Porto Alegre, sob o n° 001/1.052391241-6, cuja decisão judicial fora promulgada em 21 de dezembro de 2005. c. Em que pese ser dado público tive muita dificuldade para angariar a dita documentação comprobatória satisfazendo a orientação da Receita. d. Assim, passo a juntar, por meio deste recurso voluntário, todos os documentos hábeis que comprovam a obrigatoriedade de pagamento de pensão alimentícia. Fl. 72DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.744 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.720987/2011-12 e. Enquanto fundamento repriso a Lei n° 9.250/95, em seu artigo 8°, II, “f”, o Dec. 3000/99, art. 73, ambos supra transcritos, nos quais, ao que importa, dá-se direito ao contribuinte de juntar comprovação acerca do enquadramento do caso a típica hipótese normativa. f. Conforme dito, a decisão judicial é de 21 de dezembro de 2005, dada na Comarca de Porto Alegre – no Processo n° 001/1.052391241-6 – no qual se homologou o Termo de Audiência que estou juntando agora (Anexo – 01). g. É importante relatar que na época da decisão judicial, eu pagava pensão alimentícia para dois filhos (Janaína Matheus Collar e Guilherme Matheus Collar). A decisão judicial de 21 de dezembro de 2005 determina que: “o encargo alimentar desde logo reduzido para o percentual de 8,5% para cada um dos alimentandos. Vencidos dezoito meses contados dessa data estará o requerente exonerado da obrigação do que tange a requerida Janaína. No que concerne ao requerido remanescente (Guilherme Matheus Collar), estará o autor exonerado do encargo em dezembro de 2010. h. Neste período eu trabalhava no Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – MDS, o que foi logo oficiado, conforme registra o Termo de Audiência (Anexo – 01). i. Ademais, estou anexando os contra-cheques da Presidência da República (Anexos – 02 a 13), os quais indicam que nesse novo local, logo em seguida em que passei a trabalhar na época, o desconto em folha de pagamento seguiu sendo processado, conforme pode ser constatado, referente ao ano de 2008, exatamente o ano da declaração de renda que esta em discussão. j. Note que os descontos em folha de pagamento da pensão alimentícia seguiram sendo processados, cumprindo a exigência legal e normativa de comprovar que os pagamentos foram efetivamente realizados e estão conforme o que fora na ocasião da declaração informados à Receita. k. Neste momento, estou anexando os contra-cheque referentes ao ano da declaração que ora peço sua consideração, ou seja declaração de 2009 referente ao ano de 2008. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Mérito. Fl. 73DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.744 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.720987/2011-12 A acusação fiscal, consiste na dedução indevida de despesas médicas, por falta de comprovação, no valor de R$18.920,00, referente a Residencial Geriátrico Santa Edwiges Ltda – CNPJ 09.194.733/0001-05. Conforme pontuado pela decisão de piso, em relação à glosa de despesa médica paga à Residencial Geriátrico Santa Edwiges, o contribuinte declarou R$ 18.920,00, conforme Dirpf fls. 19/24, no entanto, não contestou a despesa médica glosada, alegando tão-somente que o valor foi informado somente para constar o pagamento realizado em benefício de seu pai. O valor da referida parcela, não litigiosa (R$ 3.301,70), foi transferido para o processo nº 10166- 720.971/2012-82, fls. 28/29, cujo crédito encontra-se extinto pelo pagamento. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte pleiteia que seja acertado o valor da pensão alimentícia paga e lançada no campo “Pagamento e Doações Efetuados”, com o código 30, que não se somou ao total das deduções, fato que pretendeu corrigir no atendimento ao Termo de Intimação Fiscal em 19/10/10. Nesse sentido, questiona o valor de R$ 6.913,82 e solicita o ajuste no valor informado como pago a título de pensão alimentícia (R$ 7.500,00), código 30, no campo “Pagamentos e Doações Efetuados”. Contudo, entendo que o pleito do contribuinte escapa ao contencioso tributário. Isso porque, no caso em apreço, a exigência fiscal diz respeito ao procedimento interno de revisão da DAA/2009, ano-calendário 2008, que resultou na emissão da Notificação de Lançamento nº 2009/077011718321599, uma vez que constatada infração à legislação tributária relacionada à dedução indevida de despesas médicas na aludida Declaração de Ajuste. Dessa forma, a discussão, neste contencioso administrativo, está adstrita às alterações promovidas pela fiscalização na DAA/2009, ano-calendário 2008, sendo que, a pretensão do contribuinte, de rever o valor mencionado a título de pensão alimentícia é questão alheia à exigência fiscal, constituindo, em verdade, num pedido de restituição complementar, motivo pelo qual, não há litígio a ser examinado nesta instância. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13956.000093/2009-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2006
ITR - ISENÇÃO - ÁREA DE RESERVA LEGAL - AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Para que determinada área se enquadre como Área de Reserva Legal (ARL), é imprescindível sua averbação na matrícula do imóvel, vez que requisito previsto na legislação vigente.
ITR - ISENÇÃO - ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ADA
Para fins de isenção do ITR, deve-se levar em consideração a Área de Preservação Permanente (APP) constante no ADA.
Numero da decisão: 2002-001.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, considerando os outros 26,1 ha dos 42,4 totais, vez que a DRJ já havia considerado 16,3 ha de Área de Preservação Permanente (APP), vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2006 ITR - ISENÇÃO - ÁREA DE RESERVA LEGAL - AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Para que determinada área se enquadre como Área de Reserva Legal (ARL), é imprescindível sua averbação na matrícula do imóvel, vez que requisito previsto na legislação vigente. ITR - ISENÇÃO - ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ADA Para fins de isenção do ITR, deve-se levar em consideração a Área de Preservação Permanente (APP) constante no ADA.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13956.000093/2009-71
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6044028
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-001.238
nome_arquivo_s : Decisao_13956000093200971.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : THIAGO DUCA AMONI
nome_arquivo_pdf_s : 13956000093200971_6044028.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, considerando os outros 26,1 ha dos 42,4 totais, vez que a DRJ já havia considerado 16,3 ha de Área de Preservação Permanente (APP), vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
id : 7847463
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:50:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300667256832
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-01T13:24:35Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-01T13:24:35Z; Last-Modified: 2019-08-01T13:24:35Z; dcterms:modified: 2019-08-01T13:24:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-01T13:24:35Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-01T13:24:35Z; meta:save-date: 2019-08-01T13:24:35Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-01T13:24:35Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-01T13:24:35Z; created: 2019-08-01T13:24:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2019-08-01T13:24:35Z; pdf:charsPerPage: 1642; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-01T13:24:35Z | Conteúdo => S2-TE02 Ministério da Economia CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13956.000093/2009-71 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002-001.238 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 19 de junho de 2019 Recorrente WILSON RODRIGUES MOREIRA JUNIOR Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2006 ITR - ISENÇÃO - ÁREA DE RESERVA LEGAL - AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Para que determinada área se enquadre como Área de Reserva Legal (ARL), é imprescindível sua averbação na matrícula do imóvel, vez que requisito previsto na legislação vigente. ITR - ISENÇÃO - ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ADA Para fins de isenção do ITR, deve-se levar em consideração a Área de Preservação Permanente (APP) constante no ADA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, considerando os outros 26,1 ha dos 42,4 totais, vez que a DRJ já havia considerado 16,3 ha de Área de Preservação Permanente (APP), vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 6. 00 00 93 /2 00 9- 71 Fl. 142DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.238 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13956.000093/2009-71 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (e-fls. 47 a 58), relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, pela qual se procedeu autuação sob os seguintes fundamentos, constantes às e-fls. 49: Área de Preservação Permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área __ declarada a titulo de preservação permanente no imovel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontram-se .V no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido. em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC II E AL "A" L 9393/96 Área de Reserva Legal não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de reserva legal no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontram-se 'no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folna anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC II E AL "A" L 9393/96 Complemento da Descrição dos Fatos: O Edital para ciência do Termo de Intimação Fiscal 0910200/00011/2008-ITR, após improfícuas tentativas de notificação, foi afixado na Delegacia da Receita Federal em Maringá em 17/10/2008 e desaflxado em 03/ll/2008.Também foi afixado na Agencia da Receita Federal em Umuarama em 21/10/2008 e desafixado em04/ll/2008. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 49.099,98, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às e-fls. 02 a 46, apresentada pelo contribuinte, que conforme decisão da DRJ, alega: 4. Foi apresentada impugnação em 22/12/2008, fls. 13 a 33, na qual, após explicar, preliminarmente, que, por se tratar da mesma matéria de fato e de direito e ã mesma área, a peça impugnatória é relativa às NL dos três exercícios fiscalizados, o interessado apresentou seus argumentos de discordância alegando, em resumo, o seguinte: Fl. 143DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.238 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13956.000093/2009-71 4.1. Em Dos fatos disse estranhar que foi regularmente notificado para realizar o pagamento de diferença de imposto lançado no exato endereço onde havia restado improfícuas as tentativas de intimação e que, tendo em vista a irregular notificação, não pôde exercer seu direito de ampla defesa e apresentar documentos a autoridade tributária comprovando as APP e ARL, isentas de tributação. 4.2. Em Das Notificações de Lançamento mencionou das diferenças de imposto apuradas e reproduziu parte descrição dos fatos e enquadramentos legais constantes das NL. 4.3. Dos pontos de discordância. Concluiu que o ponto central de discordância consiste na exclusão das APP e ARL e que, conforme mencionado, não teve oportunidade de demonstrar a existência das mesmas, bem como deixou de apresentar o ADA ao Fisco porque não sabia do procedimento. 4.4. Explanou a respeito das duas matrículas do imóvel (n° 9.202 e 9.203 do 2° Registro de Imóveis de Astrorga, com áreas de 215,5ha e 135,3ha, respectivamente) nas quais há averbações de 20,0% de ARL implementadas a partir de termos de compromissos de conservação de reserva florestal legal do Sistema de Manutenção, Recuperação e Proteção da Reserva Legal- SISLEG. 4.5. Além dos 20,0% a propriedade possui excedente de matas nativas que seria, como de fato foi, emprestado a outros imóveis (averbações de números 6 a 17 da matrícula n° 9.203). 4.6. Reproduzindo pareceres doutrinários, jurisprudência e dispositivos legais atinentes, entre outros, tratou dos seguintes assuntos: Da entrega do ADA da área total referente às duas matrículas ~ Das Áreas de Reserva Legal; Das areas de Preservação Permanente; do Termo de Compromisso de Conservação Florestal Legal - SISLEG; Da exclusão da APP e ARL do ITR; Da interpretação da lei e os princípíos jurídicos; O princípio da legalidade; O enquadramento legal adotado nas NL; A lei rt” 9.393/1996; Da questão ambiental e; A tabela de alíquotas pune as propriedades com cobertura florestal. 4.7. Entre os diversos questionamentos e argumentações constantes desses assuntos, inclusive reproduzindo jurisprudência do Conselho de Contribuintes, o impugnante afirmou que para se operar a isenção da APP e ARL bastaria a comprovação da existência, sendo dispensável a averbação, ADA, etc. 4.8. Disse que a Administração Pública deve guiar-se pelo princípio da razoabilidade, não sendo isso o que se verifica no presente caso. 4.9. Dos requerimentos. Diante de todo 0 exposto pediu: a) Que seja julgado improcedente o lançamento suplementar do ITR/2004, 2005 e 2006, conforme documentação em anexo. b) Subsidiariamente, caso haja algum lançamento suplementar, que seja considerado o mapa de uso dos solos, ADA, SISLEG, matrículas imobiliárias, excluindo da tributação as APP e ARL, nos termos da legislação vigente e jurisprudência colacionada na impugnação. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/REC que, por unanimidade, em 14/05/2010, no acórdão 04-20.442, às e-fls. 111 a 120, julgou a impugnação parcialmente procedente. Fl. 144DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.238 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13956.000093/2009-71 Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 08/07/2010 às e-fls. 125 a 140 no qual alega, em síntese que: a decisão a quo afastou a isenção da Área de Reserva Legal (ARL), pois o contribuinte apenas averbou tal condição no registro de imóveis no ano de 2008; há dois croquis anexados informando que as Áreas de Proteção Permanente (APP) somam 42,5 hectares; cita princípios jurídicos e legislação que rege a matéria. Ainda colaciona vasta jurisprudência. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni - Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 14/06/2010, e-fls. 124, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 08/07/2010, e-fls. 125, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Trata o presente processo de notificação de lançamento - NL (e-fls. 47 a 58), relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, que não considerou Área de Reserva Legal (ARL) e Área de Proteção Permanente (APP) informada pelo contribuinte como isentas do imposto, vez que ausente o ADA. A DRJ julgou a impugnação parcialmente procedente, sob os seguintes fundamentos: 27. Passando-se à situação concreta em análise, dos documentos apresentados pelo impugnante os mais importantes para o processo em pauta são: a comprovação de existência da APP, através da Planta Planimétrica; matrículas do imóvel contendo averbaçoes da ARL e; o ADA, protocolado no IBAMA tempestivamente para os exercícios em foco. 28. Com esses documentos, entretanto, apenas parcialmente se comprovam a existência e regularização das áreas para os exercícios fiscalizados. Embora conste do ADA as dimensões informadas nas DITR, 42,4ha de APP e 161,7ha de ARL, a Planta Planimétrica atesta 16,3ha de APP e as averbações de ARL nas matrículas até a data de ocorrência do fato gerador totalizam 70,1ha, pois, as Av-3, das matrículas n° 9.202 e 9.203, com 43,1154ha e 27,064ha, respectivamente, foram providenciadas em Fl. 145DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.238 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13956.000093/2009-71 19/08/2002 e as demais, Av-6 a Av-17 da segunda matrícula, em 16/01/2008, intempestivamente, portanto, para os exercícios em foco. 29. Dessa análise se conclui que é possível reverter a glosa em parte, para aceitar as dimensões de 16,3ha de APP e 70,1ha de ARL. O ITR está previsto no artigo 153, VI da Constituição Federal de 1988 e no artigo 29 do Código Tributário Nacional (CTN), tendo como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana de município, em 1º de janeiro de cada ano. Abaixo o teor dos artigos supra mencionados: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) VI - propriedade territorial rural; Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora da zona urbana do Município. Conforme art. 11 da Lei nº 9.393/96, o valor do ITR será apurado aplicando-se sobre o VTN a alíquota correspondente ao anexo da Lei, considerados a área total do imóvel e o Grau de Utilização, conforme se vê: Art. 11. O valor do imposto será apurado aplicando-se sobre o Valor da Terra Nua Tributável - VTNt a alíquota correspondente, prevista no Anexo desta Lei, considerados a área total do imóvel e o Grau de Utilização - GU. § 1º Na hipótese de inexistir área aproveitável após efetuadas as exclusões previstas no art. 10, § 1º, inciso IV, serão aplicadas as alíquotas, correspondentes aos imóveis com grau de utilização superior a 80% (oitenta por cento), observada a área total do imóvel. § 2º Em nenhuma hipótese o valor do imposto devido será inferior a R$ 10,00 (dez reais). Comprovada a utilização da área com produção vegetal e atividades pecuárias por meio de prova hábil e idônea, deve ser aplicada a alíquota correspondente ao grau de utilização verificado. Contudo, a legislação excluiu as áreas de preservação permanente e áreas de reserva legal da base de cálculo do imposto, vez que imprestáveis às atividades produção vegetal e pecuária. Passa-se a uma breve análise da natureza jurídica da área de Reserva Legal (ARL) e Área de Preservação Permanente (APP). A caracterização da Área de Preservação Permanente e da Área de Reserva Legal estavam discriminadas, respectivamente no artigo 2º (com redação dada pela Lei nº 7.803/89) e artigo16 (com redação dada pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) do Código Florestal de 1965: Fl. 146DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-001.238 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13956.000093/2009-71 Art. 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 - de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 - de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 - de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 - de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 - de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. i) nas áreas metropolitanas definidas em lei. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervar-se-á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. (...) Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) (Regulamento) I-oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) II-trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na Fl. 147DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2002-001.238 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13956.000093/2009-71 forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7 o deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) III-vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) IV-vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) §1 o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) §2 o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3 o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) §3 o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) §4 o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) I-o plano de bacia hidrográfica; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) II-o plano diretor municipal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) III-o zoneamento ecológico-econômico; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) IV-outras categorias de zoneamento ambiental; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) V-a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) §5 o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico-ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) I-reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) Fl. 148DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2002-001.238 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13956.000093/2009-71 II-ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166- 67, de 2001) §6 o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) I-oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) II-cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) III-vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2 o do art. 1 o . (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) §7 o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6 o . (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) §8 o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) §9 o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) §10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicando-se, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) §11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) A APP, excetuando-se as hipóteses previstas no artigo 3º da Lei nº 4.771/65 que dependem de declaração do Poder Público para sua afetação, nos demais casos, estando a área pleiteada localizada nos espaços selecionados pela legislação, resta configurada como tal, por efeitos legais, sem necessidade de cumprimento de qualquer outro requisito. Logo, a meu sentir, desde que o contribuinte comprove, mediante laudo técnico, que determinada área caracteriza-se APP, não é necessário apresentação de ADA ou de averbação junto ao registro de imóveis. Fl. 149DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2002-001.238 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13956.000093/2009-71 Já nos casos de ARL, soma-se aos requisitos ecológicos, a i) aprovação prévia do Poder Público e ii) que a área definida fosse devidamente averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, averbação essa que era substituída por Termo de Ajustamento de Conduta nos casos em que o Contribuinte fosse apenas possuidor do bem. Tais requisitos estão previstos nos §§4º e 8º do artigo 16, acima transcrito. Assim, para que reste configurada ARL, necessário de faz, vez que requisito legal, que haja averbação da área junto à matrícula do imóvel, no cartório de imóveis da circunscrição. Isto pois, pela a redação da Lei nº 4.771/65, o ato de averbação não é requisito essencial para a constituição de uma área de preservação permanente, já que pode ser comprovada mediante qualquer outro meio de prova capaz de demonstrar que determinado imóvel está localizado em áreas com função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas. Lado outro, a averbação das áreas de Reserva Legal é requisito fundamental disposto na Lei nº 4.771/65, motivo pelo qual, entendo que a averbação é requisito de constitutivo da ARL, mas não há necessidade de apresentação de ADA. Complementando tal entendimento, o artigo 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96, que vigia até 1º de janeiro de 2013, elencava os requisitos legais para que o contribuinte se valesse da exclusão das áreas denominadas de Reserva Legal, da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Conforme texto legal: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (...) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) A Conselheira deste CARF, doutora Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, relatora do acórdão nº 9202006.045, de 28 de setembro de 2017, assim analisa: Analisando as característica da base de cálculo eleita pelo legislador conjuntamente com o teor do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir - fato que coaduna com a característica extrafiscal do ITR, que somente há interesse da União que sejam Fl. 150DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2002-001.238 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13956.000093/2009-71 tributadas áreas tidas como produtivas/aproveitáveis, havendo ainda uma preocupação em se favorecer aqueles que um vez tolhidos do exercício pleno de sua propriedade sejam ainda mais onerados pela incidência de um tributo. As áreas caracterizadas como de preservação permanente e de reserva legal diante das limitações que lhe são impostas, por expressa determinação legal são excluídas do cômputo do VTN – Valor da Terra Nua, montante utilizado para a obtenção da base de cálculo do ITR. Por essa razão, no entendimento desta Relatora, o inciso II acima citado ao conceituar “área tributável” não prevê uma isenção, ele nos traz na verdade uma hipótese de não-incidência do ITR. Entretanto, para que a propriedade, o domínio útil ou a posse dessas áreas não caracterize fato gerador do imposto é necessário que o imóvel rural preencha as condições, no presente caso, previstas na então vigente Lei nº 4.771/65. No supracitado voto, a Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri atesta: A averbação, precedida da outra exigência legal de ser a área reconhecida pelo poder público, é condição imprescindível para a existência da Área de Reserva Legal, sendo que tal fato nos leva a conclusão lógica de que para fins de cálculo do ITR tal averbação deve ser anterior ao fato gerador. O Superior Tribunal de Justiça já pacificou o citado entendimento, valendo citar parte do voto proferido pelo Ministro Benedito Gonçalves, no RESP nº 1.125.632-PR: Ao contrário da área de preservação permanente, para as áreas de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal. Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8º, do Código Florestal (...) Assim, considerado que a norma de apuração do ITR prevista no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96 a qual nos remete aos conceitos e requisitos da então nº Lei nº 4.771/65 podemos afirmar que para fim de não incidência do ITR a averbação da área delimitada pelo Poder Público no registro do imóvel em data anterior a ocorrência do fato gerador é requisito aplicável apenas à Área de Reserva Legal. (grifos nossos) Por fim, necessária se faz fundamentar o entendimento da dispensabilidade do ADA para configuração de determinada área enquanto áreas de Preservação Permanente e também Reserva Legal, vide a polêmica que ronda o temário, já que trata-se de exigência prevista por meio da Instrução Normativa IN SRF nº 67/97. Observa-se que nem a Lei nº 9.393/96, tampouco Lei nº 4.771/65 faziam exigência do documento. A Conselheira citada assim destaca o histórico acerca da obrigatoriedade do ADA: Fl. 151DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2002-001.238 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13956.000093/2009-71 Por tal razão, após amplo debate conclui-se que para os fatos geradores ocorridos até o ano de 2000, era dispensável a apresentação do ADA, conclusão que pode ser ilustrada pela seguinte ementa do STJ : PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA CONTIDA NA IN SRF Nº 67/97. IMPOSSIBILIDADE. (...) 2. De acordo com a jurisprudência do STJ, é prescindível a apresentação do ADA - Ato Declaratório Ambiental para que se reconheça o direito à isenção do ITR, mormente quando essa exigência estava prevista apenas em instrução normativa da Receita Federal (IN nº 67/97). Ato normativo infralegal não é capaz de restringir o direito à isenção do ITR, disciplinada nos termos da Lei nº 9.393/96 e da Lei 4.771/65. 3. Na hipótese, discute-se a exigibilidade de tributo declarado em 1997, isto é, antes da entrada em vigor da Lei 10.165/00, que acrescentou o § 1º ao art. 17-O da Lei 6.938/81. Logo, é evidente que esse dispositivo não incide na espécie, assim como também não há necessidade de se examinar a aplicabilidade do art. 106, I, do CTN, em virtude da nova redação atribuída ao § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 pela MP nº 2.166-67/01. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1.283.326/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 8/11/2011, DJe 22/11/2011.) Tal entendimento fundamenta-se na regra de que a norma jurídica que regulamenta o conteúdo de uma lei é veículo secundário e infralegal e, portanto, seu conteúdo e alcance deve se restringir aos comando impostos pela lei em função da qual foi expedida. Neste sentido uma instrução normativa não poderia prever condição não exigida pela norma originária, mormente quando tal condição depende de manifestação de órgão cuja atuação não se vincula com o objetivo da norma - desoneração tributária. Tal discussão assume um novo viés com a criação do art. 17-O da Lei nº 6.938/81. Em 29.01.2000 foi editada a Lei nº 9.960/00 que acrescentou o citado art. 17-O à Lei nº 6.938/81, nesta oportunidade, por meio do §1º, o legislador expressamente previu que a utilização do ADA para efeito de redução do valor do ITR era opcional. Ocorre que tal previsão não produziu efeitos, pois antes mesmo da ocorrência de um novo fato gerador do ITR o referido artigo foi radicalmente modificado pela Lei nº 10.165, publicada em 27 de dezembro de 2000, a qual tornou o ADA instrumento obrigatório para fins de ITR: Art. 17-O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n o 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1 o -A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1 o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 2 o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do Fl. 152DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2002-001.238 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13956.000093/2009-71 ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 3 o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 4 o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1 o -A e 1 o , todos do art. 17-H desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 5 o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Diante desta alteração normativa discute-se agora se lei posterior teria o condão de condicionar a aplicação de norma específica de não incidência tributária à realização de dever extra fiscal. Se diz extra fiscal porque como conceituado pelo próprio órgão o ADA nada mais é que um documento de cadastro das áreas do imóvel junto ao IBAMA. (grifos nossos) Como bem exposto, a finalidade precípua do ADA é informar ao IBAMA que aquela determinada área é de interesse ambiental, sendo, como dito, documento meramente informativo, motivo pelo qual entendo que sua essencialidade não é requisito para constituição de APP ou ARL, corroborando com as palavras da Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri: É por essa razão que compartilho do entendimento de que o ADA não tem reflexos sobre a regra matriz de incidência do ITR, a ausência de documento informativo ou sua apresentação intempestiva não pode gerar como efeito a desconsideração de área reconhecidamente classificada como não tributada pelo legislador. Assim, é notável o conflito existente entre o art. 10, §1º, II da Lei nº 9.393/96 e o art. 17-O da Lei nº 6.938/81, antinomia que deve ser solucionada pela aplicação do critério da especialidade, devendo prevalecer neste sentido a norma que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, qual a Lei nº 9.393/96. Destaco que, embora essa Relatora tenha o entendimento isolado de que o ADA é requisito dispensável para fins de desoneração do ITR em qualquer circunstância, o entendimento da maioria deste Colegiado é no sentido de se reconhecer ao Contribuinte o direito a isenção nos casos em que existir averbação da ARL à margem do registro do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, para a maioria o cumprimento deste requisito formal supre a necessidade de apresentação do ADA. Por fim, embora utilizando-se de outros fundamentos, é importante mencionar que o Poder Judiciário, por meio do Superior Tribunal de Justiça tem firmado jurisprudência no sentido de que o ADA nunca foi, mesmo com a criação do art. 17-O, requisito para desoneração do ITR, desoneração essa entendida pelos Ministros como isenção. Essa orientação do STJ foi recentemente reconhecida pela própria Fazenda Nacional por meio do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1329/2016 que atualizou o Item 1.25 da Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer prevista no art.2º, V, VII e §§ 3º a 8º, da Portaria PGFN Nº 502/2016. Pela relevância, peço vênia para transcreve parte do parecer: a) Área de reserva legal e área de preservação permanente (NOVO) * Data da alteração da redação do resumo e da Observação 1, bem como da inclusão da Observação 2: 05/09/2016 Fl. 153DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2002-001.238 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13956.000093/2009-71 Precedentes: AgRg no Ag 1360788/MG, REsp 1027051/SC, REsp 1060886/PR, REsp 1125632/PR, REsp 969091/SC, REsp 665123/PR e AgRg no REsp 753469/SP. Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensa-se a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensa-se também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. OBSERVAÇÃO: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, deve-se continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei nº 12.651, de 2012 (novo Código Florestal). PARECER PGFN/CRJ/No 1329/2016 Documento público. Averbação e prova da Área de Reserva Legal e da Área de Preservação Permanente. Natureza jurídica do registro. Ato Declaratório Ambiental. Isenção do Imposto Territorial Rural. Item 1.25, “a”, da Lista de dispensa de contestar e recorrer. Art. 10, II, “a”, e § 7º da Lei nº 9.393, de 1996. Lei nº 12.651, de 2012. Lei 10.165, de 2000. (...) II.1 Exame da jurisprudência sobre o questionamento feito à luz da legislação anterior à Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000 - que deu nova redação ao art. 17-O da Lei nº 6.938, de 27 de dezembro de 2000 - e à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 - Novo Código Florestal (...) 12. Após as considerações acima, restam incontroversas, no âmbito da Corte de Justiça, à luz da legislação aplicável ao questionamento, as posições abaixo: (i) é indispensável a preexistência de averbação da reserva legal no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, tendo aquela, para fins tributários, eficácia constitutiva; (ii) a prova da averbação da reserva legal não é condição para a concessão da isenção do ITR, por se tratar de tributo sujeito à lançamento por homologação, sendo, portanto, dispensada no momento de entrega de declaração, bastando apenas que o contribuinte informe a área de reserva legal; (iii) é desnecessária a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, pois tal área se localiza a olho nu; e Fl. 154DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2002-001.238 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13956.000093/2009-71 (iv) é desnecessária a apresentação do ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR. (...) II.2 Considerações relacionadas ao questionamento à luz da legislação anterior à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 - Novo Código Florestal. (...) 21. Em que pese tal possibilidade de interpretação, o STJ utilizou-se do teor do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, para reforçar a tese de que o ADA é inexigível, tendo, ao que tudo indica, desprezado o conteúdo do art. 17-O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 2000, pois não foram encontradas decisões enfrentando esse regramento. Além disso, registrou que, como o dispositivo é norma interpretativa mais benéfica ao contribuinte, deveria retroagir. 22. Essa argumentação consta no inteiro teor dos acórdãos vencedores que trataram do tema, bem como na ementa do REsp nº 587.429/AL, senão vejamos: - Trecho do voto da Ministra Eliana Calmon, Relatora do REsp nº 665.123/PR: Como reforço do meu argumento, destaco que a Medida Provisória 2.166-67, de 24/08/2001, ainda vigente, mas não prequestionada no caso dos autos, fez inserir o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 para deslindar finalmente a controvérsia, dispensando o Ato Declaratório Ambiental nas hipótese de áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de cálculo do ITR [...] - Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.112.283/PB: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.166-67, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõe-se a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. - Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.108.019/SP: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.166-67, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõe-se a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP.2.166-67/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106, DO CTN. RETROOPERÂNCIA DA LEX MITIOR. 1. Recorrente autuada pelo fato objetivo de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente, sem prévio ato declaratório do IBAMA, consoante autorização da norma interpretativa de eficácia ex tunc consistente na Lei 9.393/96. 2. A MP 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, ao inserir § 7º ao art.10, da lei 9.393/96, dispensando a apresentação, pelo contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, é de cunho interpretativo, podendo, de acordo com o permissivo do art. 106, I, do CTN, aplicar-se a fator pretéritos, pelo que indevido o lançamento complementar, ressalvada a possibilidade da Administração demonstrar a falta de veracidade da declaração contribuinte. Fl. 155DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2002-001.238 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13956.000093/2009-71 3. Consectariamente, forçoso concluir que a MP 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante § 7º, do art. 10, da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art.106, do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior. 4. Recurso especial improvido." (REsp 587.429/AL, Rel. Ministro Luiz Fux, PRIMEIRA TURMA, DJe de 2/8/2004) 23. A partir das colocações postas, conclui-se que, mesmo com a vigência do art. 17-O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, até a entrada em vigor da Lei nº 12.651, de 2012, o STJ continuou a rechaçar a exigência do ADA com base no teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. 24. Consequentemente, caso a ação envolva fato gerador de ITR, ocorrido antes da vigência da Lei nº 12.651, de 2012, não há motivo para discutir em juízo a obrigação de o contribuinte apresentar o ADA para o gozo de isenção do ITR, diante da pacificação da jurisprudência. (...) A prescindibilidade do ADA para caracterização de ARL ou APP, de fato, é entendimento minoritário neste CARF. A Câmara Superior da 2ª Seção de Julgamento vem decidindo pelo reconhecimento da isenção nos casos em que haja averbação da ARL à margem do registro de imóvel antes da ocorrência do fato gerador, vez que este requisito o cumprimento deste requisito cumpre a necessidade de apresentação do ADA. Como mencionado, em que pese a prescindibilidade do ADA, o contribuinte apresenta o documento referente ao ano de 2003 às e-fls. 63, informando como APP 42,4 hectares e ARL 161,7 hectares. Contudo, como reiteradamente exposto, para fins de afetação de determinada área como ARL, é requisito fundamental a averbação desta no registro do imóvel da circunscrição, de forma que na matrícula anexada aos autos consta 70,1 hectares de ARL. Há vasta jurisprudência deste CARF neste sentido: ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NECESSIDADE. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DE ADA. DISPENSÁVEL. Para ser possível a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, basta sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, sendo dispensável a apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental - ADA. No caso, a averbação ocorreu antes da ocorrência do fato gerador, assim, não é de se manter a glosa. Acórdão nº 9202-003.624 - 04 de março de 2015 ÁREA DE RESERVA LEGAL. A AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SUPRE A NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DE ADA. Para ser possível a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, é requerida a apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental -ADA. Porém a averbação da área, à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de Fl. 156DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2002-001.238 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13956.000093/2009-71 imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, supre a necessidade de apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental - ADA. Hipótese em que a averbação ocorreu antes da ocorrência do fato gerador. Acórdão nº 9202-003.631 - Sessão de 04 de março de 2015 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO VIA LAUDO PERICIAL, AVERBAÇÃO TEMPESTIVA E RELATÓRIO VISTORIA IBAMA. AUSÊNCIA ADA. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente Laudo Pericial, Relatório Vistoria do IBAMA e Averbação (Reserva Legal) à margem da matrícula do imóvel, formalizada antes da ocorrência do fato gerador, ainda que não apresentado Ato Declaratório Ambiental - ADA, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. Acórdão nº 9202- 003.564 – Sessão de 28 de janeiro de 2015 Quanto a Área de Proteção Permanente (APP), como o registro na matrícula do imóvel não é requisito legal, deve-se levar em conta a área constante no ADA de e-fls. 64, no total de 42,4 hectares. Diante do exposto, conheço do Presente Recurso voluntário para, no mérito dar-lhe parcial provimento, considerando os outros 26,1 ha dos 42,4 totais, vez que a DRJ já havia considerado 16,3 ha de Área de Preservação Permanente (APP). (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10814.724609/2014-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 26/10/2010
CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. EXTRAVIO. INSUFICIÊNCIA DE PROVA.
O fato de a carga não ter sido objeto de armazenamento não autoriza presumir o extravio da mesma em relação aos registros constantes no manifesto de carga, tampouco imputar responsabilidade ao transportador, por ausência de previsão legal para tanto.
A falta de armazenamento de carga não se confunde com a conferência final de manifesto de carga e também não a substitui para efeitos de constatar extravio de mercadoria que se encontra registrada no manifesto de carga.
Ausentes os registros de descarga e os manifestos de carga para confronto, mostra-se a prova insuficiente para sustentação dos lançamentos.
Numero da decisão: 3201-005.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício.
(documento assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente
(documento assinado digitalmente)
LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. EXTRAVIO. INSUFICIÊNCIA DE PROVA. O fato de a carga não ter sido objeto de armazenamento não autoriza presumir o extravio da mesma em relação aos registros constantes no manifesto de carga, tampouco imputar responsabilidade ao transportador, por ausência de previsão legal para tanto. A falta de armazenamento de carga não se confunde com a conferência final de manifesto de carga e também não a substitui para efeitos de constatar extravio de mercadoria que se encontra registrada no manifesto de carga. Ausentes os registros de descarga e os manifestos de carga para confronto, mostra-se a prova insuficiente para sustentação dos lançamentos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10814.724609/2014-61
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6046606
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-005.531
nome_arquivo_s : Decisao_10814724609201461.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
nome_arquivo_pdf_s : 10814724609201461_6046606.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. (documento assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente (documento assinado digitalmente) LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7855253
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:50:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300672499712
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-07T00:15:09Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-07T00:15:09Z; Last-Modified: 2019-08-07T00:15:09Z; dcterms:modified: 2019-08-07T00:15:09Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-07T00:15:09Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-07T00:15:09Z; meta:save-date: 2019-08-07T00:15:09Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-07T00:15:09Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-07T00:15:09Z; created: 2019-08-07T00:15:09Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-08-07T00:15:09Z; pdf:charsPerPage: 1738; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-07T00:15:09Z | Conteúdo => S3-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10814.724609/2014-61 Recurso De Ofício Acórdão nº 3201-005.531 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2019 Recorrente TAM LINHAS AÉREAS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. EXTRAVIO. INSUFICIÊNCIA DE PROVA. O fato de a carga não ter sido objeto de armazenamento não autoriza presumir o extravio da mesma em relação aos registros constantes no manifesto de carga, tampouco imputar responsabilidade ao transportador, por ausência de previsão legal para tanto. A falta de armazenamento de carga não se confunde com a conferência final de manifesto de carga e também não a substitui para efeitos de constatar extravio de mercadoria que se encontra registrada no manifesto de carga. Ausentes os registros de descarga e os manifestos de carga para confronto, mostra-se a prova insuficiente para sustentação dos lançamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. (documento assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente (documento assinado digitalmente) LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 72 46 09 /2 01 4- 61 Fl. 146DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.531 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10814.724609/2014-61 Trata-se de Recurso de Ofício em face de decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 07-35.841 - 2ª Turma da DRJ/FNS, e-fls. 128/134, que julgou procedente a impugnação, cancelando o crédito tributário exigido. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcreve-se a seguir o referido relatório: Trata o presente processo de lançamento decorrente de suposto extravio apurado em conferência final de manifesto da carga referente ao MAWB 957 8494 2723, que chegou ao Brasil no vôo BLC8083 no dia 26 de outubro de 2010. Segue quadro demonstrativo dos lançamentos: A mercadoria objeto da autuação estava consignada a Brazilian Post Office, mas em consulta ao sistema MANTRA (fl. 63), a autoridade lançadora verificou que a carga não foi armazenada. A companhia aérea respondeu a intimação enviada pelo Fisco, “(...) mas não entregou cópia do conhecimento aéreo de cargas e nem da fatura comercial (INVOICE), não justificando por escrito o ocorrido, nem tampouco mencionando a carga ora em questão” (fl. 7). Foi, também, expedido ofício (fl. 62) a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, que respondeu que as cargas a ela destinada não sofrem atracação no MANTRA, sendo destinadas e armazenadas em terminal de carga próprio. Ainda, alegou “(...) não ter tido a posse das remessas, cujos volumes não nos foram entregues (...)” (fl. 61), não podendo, portanto, se manifestar acerca. Em sede de impugnação, a Tam Linhas Aéreas S/A, ora impugnante, alegou que “(...) a autoridade fiscal concluiu pelo extravio da mercadoria simplesmente em razão do não armazenamento deste no Terminal de Importação da Infraero, sem considerar, contudo, que se trata de carga consignada aos Correios, cuja destinação não se sujeita ao armazenamento no TECA público (...)” (fl. 76). Prosseguiu, alegando “(...) que a legislação em vigor proíbe a presunção de entrada no território nacional para as cargas consignadas aos Correios, não havendo, portanto, que se falar em extravio ou cobrança de qualquer tributo incidente na importação. Além desse fato, a fiscalização não Fl. 147DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.531 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10814.724609/2014-61 realizou o confronto do manifesto com o registro de descarga, chamando indevidamente de ‘conferência final de manifesto’ a simples verificação do não armazenamento da mercadoria no TECA público da Infraero” (fl. 76). Argumenta que o extravio deveria ter sido apurado mediante realização de vistoria aduaneira, a partir da qual estariam preservados os princípios do contraditório e da ampla defesa. Outro argumento lançado pela defesa é de “(...) que não há na legislação mencionada pelo Ilmo. Fiscal qualquer hipótese de responsabilização do transportador pelo pagamento do PI no caso de extravio de mercadoria” (fl. 99). É o relatório. A Ementa do Acórdão de primeira instância administrativa fiscal proferido pela DRJ, foi assim publicada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. EXTRAVIO. INSUFICIÊNCIA DE PROVA. O fato de a carga não ter sido objeto de armazenamento não autoriza presumir o extravio da mesma em relação aos registros constantes no manifesto de carga, tampouco imputar responsabilidade ao transportador, por ausência de previsão legal para tanto. A falta de armazenamento de carga não se confunde com a conferência final de manifesto de carga e também não a substitui para efeitos de constatar extravio de mercadoria que se encontra registrada no manifesto de carga. Ausentes os registros de descarga e os manifestos de carga para confronto, mostra-se a prova insuficiente para sustentação dos lançamentos. Em conjunto com a decisão de primeira instância a DRJ recorreu de ofício e após isto, os autos foram distribuídos e pautados para julgamento nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO, Relator. O Recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso de Ofício. O cerne da questão consiste na suposição por parte da fiscalização de carga extraviada em razão do não armazenamento no Terminal de Importação da Infraero. Em sua defesa, a autuada alegou que a legislação em vigor proíbe a presunção de entrada no território nacional para as cargas consignadas aos Correios. Prosseguiu, alegando “(...) que a legislação em vigor proíbe a presunção de entrada no território nacional para as cargas consignadas aos Correios, não havendo, portanto, que se falar em extravio ou cobrança de qualquer tributo incidente na importação. Além desse fato, a fiscalização não realizou o confronto do manifesto com o registro de descarga, chamando indevidamente de ‘conferência final de manifesto’ a simples verificação do não armazenamento da mercadoria no TECA público da Infraero” (fl. 76). Argumenta que o extravio deveria ter sido apurado mediante realização de vistoria Fl. 148DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.531 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10814.724609/2014-61 aduaneira, a partir da qual estariam preservados os princípios do contraditório e da ampla defesa. Outro argumento lançado pela defesa é de “(...) que não há na legislação mencionada pelo Ilmo. Fiscal qualquer hipótese de responsabilização do transportador pelo pagamento do PI no caso de extravio de mercadoria” (fl. 99). (e-fls. 130 e 131) A decisão de primeira instância deu provimento a impugnação considerando insubsistente o auto de infração por falta de provas, tendo em vista que nem o manifesto de carga nem os registros de descarga com o trabalho de conferência foram acostados aos autos. A autuação tomou por base exclusivamente a falta de registro no sistema MANTRA. O lançamento de crédito tributário deve ser acompanhado pelas provas respectivas. In casu, levando em consideração que o fundamento foi a realização de suposta conferência final de manifesto, presume-se que os documentos que amparam o confronto do manifesto de carga e dos registros de descarga estejam acostados aos autos do processo. Entretanto, nem os manifestos nem os registros de descarga podem ser encontrados no caderno processual. Presumo, então, que os lançamentos foram unicamente fundamentados na constatação de ausência de armazenamento do MANTRA. Registros de descarga e de armazenamento representam momentos diferentes e podem acarretar a atribuição de responsabilidade a sujeitos diversos. Extravio verificado na descarga, em tese, remete sua responsabilidade ao transportador. Entretanto, caso confirmada a descarga e não o armazenamento (em caso de remessas postais a carga não sofre atracação no MANTRA e não é enviada ao TECA, mas sim ao depósito dos Correios), fica o transportador isento. Os registros de descarga deveriam ter sido solicitados ao operador aeroportuário para instrução dos autos. (e-fl. 132) Verifica-se, portanto, que a infração objeto do lançamento não foi corretamente apurada por parte da fiscalização. Para tanto seria necessário que a fiscalização tivesse realizado a conferência final de manifesto confrontando o do manifesto de carga com os respectivos registros. Em resumo, a simples falta de armazenamento não faz prova suficiente para a manutenção da autuação. O CARF possui jurisprudência no sentido de que a comprovação do extravio seria a falta de descarga da mercadoria e não a falta de armazenamento. IMPORTAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO. CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA. EXTRAVIO. As presunções legais sobre o extravio de mercadorias são juris tantum. Trata-se de operações amplamente documentadas, cabendo a cada declarante fazer prova de que aquilo que está a declarar não corresponde à realidade. Comprova o extravio de mercadoria manifestada os registros do Sistema MANTRA que indicam sua falta na descarga e não armazenamento. Na falta de prova em sentido contrário pelo Contribuinte, prevalece a presunção legal de extravio das mercadorias. (Acórdão nº 3402-006.145 do Processo 10880.720552/2007-16 de 25/02/2019) Diante de tais considerações considero correta a decisão de primeira instância que declarou a insubsistência do auto de infração, por insuficiência de provas. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício para que a decisão de primeira instância seja integralmente mantida, nos mesmos moldes e fundamentos. (documento assinado digitalmente) LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO Fl. 149DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-005.531 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10814.724609/2014-61 Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10245.720602/2014-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA. PROCESSOS APENSADOS. JULGAMENTO CONJUNTO. ART. 116 DECRETO N° 7.574/2011. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
O julgamento conjunto e simultâneo de processos de análise de declaração de compensação e de lançamento da multa isolada correspondente que tramitam apensados, ainda que com o proferimento de dois acórdãos, não configura hipótese de nulidade por violação do art. 116 do Decreto n° 7.574/2011.
PIS/COFINS. REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO. ART. 52 DA LEI Nº 10.833/2003. CRÉDITO EMBALAGEM. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS FEDERAIS. IMPOSSIBILIDADE.
Os créditos-embalagem apurados pelas pessoas jurídicas fabricantes de bebidas do capítulo 22 da TIPI optantes pelo regime especial de apuração previsto no art. 52 da Lei n° 10.833/2003 não podem ser objeto de compensação com outros tributos e contribuições da empresa como ocorre com as empresas comerciais nos termos do §4° do art. 51 da mesma lei.
MULTA ISOLADA. ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. CARÊNCIA PROBATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA.
A qualificação da multa isolada aplicada por compensação indevida somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal provar de modo inconteste o dolo por parte da contribuinte, condição imposta pela lei. Não estando comprovado com elementos contundentes o intuito de fraude, deve ser afastada a aplicação da multa qualificada.
Numero da decisão: 3401-006.627
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para excluir a imposição da multa isolada.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA. PROCESSOS APENSADOS. JULGAMENTO CONJUNTO. ART. 116 DECRETO N° 7.574/2011. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O julgamento conjunto e simultâneo de processos de análise de declaração de compensação e de lançamento da multa isolada correspondente que tramitam apensados, ainda que com o proferimento de dois acórdãos, não configura hipótese de nulidade por violação do art. 116 do Decreto n° 7.574/2011. PIS/COFINS. REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO. ART. 52 DA LEI Nº 10.833/2003. CRÉDITO EMBALAGEM. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS FEDERAIS. IMPOSSIBILIDADE. Os créditos-embalagem apurados pelas pessoas jurídicas fabricantes de bebidas do capítulo 22 da TIPI optantes pelo regime especial de apuração previsto no art. 52 da Lei n° 10.833/2003 não podem ser objeto de compensação com outros tributos e contribuições da empresa como ocorre com as empresas comerciais nos termos do §4° do art. 51 da mesma lei. MULTA ISOLADA. ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. CARÊNCIA PROBATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA. A qualificação da multa isolada aplicada por compensação indevida somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal provar de modo inconteste o dolo por parte da contribuinte, condição imposta pela lei. Não estando comprovado com elementos contundentes o intuito de fraude, deve ser afastada a aplicação da multa qualificada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10245.720602/2014-71
anomes_publicacao_s : 201909
conteudo_id_s : 6059494
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-006.627
nome_arquivo_s : Decisao_10245720602201471.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10245720602201471_6059494.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para excluir a imposição da multa isolada. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7893144
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:52:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300695568384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2078; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10245.720602/201471 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401006.627 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2019 Matéria MULTA ISOLADA COMPENSAÇÃO Recorrente BEBIDAS MONTE RORAIMA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA. PROCESSOS APENSADOS. JULGAMENTO CONJUNTO. ART. 116 DECRETO N° 7.574/2011. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O julgamento conjunto e simultâneo de processos de análise de declaração de compensação e de lançamento da multa isolada correspondente que tramitam apensados, ainda que com o proferimento de dois acórdãos, não configura hipótese de nulidade por violação do art. 116 do Decreto n° 7.574/2011. PIS/COFINS. REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO. ART. 52 DA LEI Nº 10.833/2003. CRÉDITO EMBALAGEM. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS FEDERAIS. IMPOSSIBILIDADE. Os créditosembalagem apurados pelas pessoas jurídicas fabricantes de bebidas do capítulo 22 da TIPI optantes pelo regime especial de apuração previsto no art. 52 da Lei n° 10.833/2003 não podem ser objeto de compensação com outros tributos e contribuições da empresa como ocorre com as empresas comerciais nos termos do §4° do art. 51 da mesma lei. MULTA ISOLADA. ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. CARÊNCIA PROBATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA. A qualificação da multa isolada aplicada por compensação indevida somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal provar de modo inconteste o dolo por parte da contribuinte, condição imposta pela lei. Não estando comprovado com elementos contundentes o intuito de fraude, deve ser afastada a aplicação da multa qualificada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para excluir a imposição da multa isolada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 72 06 02 /2 01 4- 71 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10245.720602/201471 Acórdão n.º 3401006.627 S3C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório Tratase de Recursos Voluntários contra Acórdãos da DRJ, que decidiram pela improcedência da Manifestação de Inconformidade e da Impugnação apresentadas, conforme ementas respectivamente abaixo transcritas: CRÉDITOS. EMBALAGENS. APROVEITAMENTO. É vedada a utilização do créditoembalagem por parte da empresas fabricantes de bebidas do capítulo 22 da Tipi, em declarações de compensação com outros tributos e contribuições da empresa, diferente do que ocorre com as empresas comerciais, para as quais há a previsão legal. (...) MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO. Enseja o lançamento da multa isolada de ofício quando a compensação for considerada não homologada. Sendo apurada falsidade nas informações a multa será aplicada no percentual de 150%. Cientificada das referidas decisões, a empresa interpôs os respectivos Recursos Voluntários em que reproduziu os mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade e da Impugnação, conforme segue. "a) Informa ter por objetivo social a fabricação de refrigerantes e o engarrafamento de água mineral, enquadrados no código 22.02 da TIPI, sendo que em 20.05.2004 efetuou a opção pelo regime especial de tributação de que trata o § 1º do art. 52 da Lei nº 10.833, de 2003, passando a sujeitarse às regras específicas desse sistema de tributação que, em linhas gerais, prevê o crédito de determinado valor, estipulado para cada unidade de embalagem adquirida e o débito pelo valor fixado no inciso I do art. 52, por litro de produto vendido; b) Cita soluções de consulta de regionais da Receita Federal, entendendo inexistirem dúvidas quanto ao seu direito; c) Defende a possibilidade legal da utilização dos créditos em compensações, julgando que a legislação colocou as indústrias de Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10245.720602/201471 Acórdão n.º 3401006.627 S3C4T1 Fl. 4 3 refrigerantes que optaram pelo Regime Especial da Lei 10.833/2003 na mesma condição das empresas que comercializam as embalagens, isto é, com a permissão do crédito pelas embalagens que adquirir; d) Quanto ao fato de estar situada em área de livre comércio, informa possuir projeto aprovado pela Suframa, o que lhe confere tratamento tributário diferenciado. Cita novas soluções de consulta; e) Acrescenta: “A produção da requerente é comercializada na Área de Livre Comércio de Boa Vista, na Zona Franca de Manaus e na República da Guiana. Nessa condição, temse uma significativa proporção de vendas equiparadas a exportação, com total isenção do PIS e da Cofins. As vendas dentro da Área de Livre Comércio, caso não prevaleça o regime especial (REFRI) PRATICADO, DEVEM RECEBER o tratamento incentivado assegurado no marco regulatório da Suframa, com a ressalva de que a responsabilidade do recolhimento dos tributos é do fornecedor, quando da venda para empresa estabelecida na ALC (Sol. De Consulta nº 414). Temse, assim que, na impensável hipótese de não aplicação do regime especial pelo qual optou a requerente (REFRI), não se poderá exigir tributo integral, como pretende a fiscalização, que negou a homologação pretendida. Há que ser procedido criterioso levantamento e consideradas as isenções, a alíquota zero ou as alíquotas incentivadas garantidas por lei, na conformidade do entendimento administrativo exposto nas Soluções de Consulta acima transcritas.” f) Em seguida, referese ao lançamento da multa isolada objeto do processo apensado, entendendo serem incabíveis por haver o mesmo agido de acordo com as normas e a interpretação da Receita Federal; g) Cita os princípios da igualdade (equiparação entre comerciantes e industriais) e boafé, para reforço do seu entendimento; h) Afirma que a segurança jurídica que deve nortear as relações entre a administração e os administrados também recomenda que as decisões definitivas proferidas no contencioso administrativo fiscal, especialmente as que se tornam reiteradas, sirvam de orientação a ser respeitada pelo contribuinte e pelo próprio fisco, o que não se vê neste caso; i) Transcreve jurisprudência que entende ir ao encontro do seu juízo; j) Aduz que na dúvida deverá ser aplicado o art. 112 do CTN; k) Ao final, requer a revisão dos atos administrativos." É o relatório. Voto Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10245.720602/201471 Acórdão n.º 3401006.627 S3C4T1 Fl. 5 4 Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.621, de 23 de julho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10245.720443/201413. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.621): "Da preliminar A Recorrente se socorre do art. 116 do Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União, para pugnar pela nulidade absoluta dos julgados recorridos, sob a alegação de descumprimento da norma nele contida quanto ao necessário julgamento conjunto dos processos de homologação de compensação e de lançamento de multas àqueles correlatas, uma vez que a DRJ/BEL proferiu dois acórdãos, um no processo de nº 10245.720443/201413, referente à análise das declarações de compensação, e outro no processo de nº 10245.721222/201454, em que foi formalizado auto de infração para lançamento da multa isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003. Para análise da matéria, vejase o disposto no art. 116 do Decreto nº 7.574/2011, que se refere especificamente aos processos de compensação: Art. 116. Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere o Erro! A referência de hyperlink não é válida.as peças serão reunidas em um único processo, devendo as decisões respectivas às matérias litigadas serem objeto de um único acórdão ( Erro! A referência de hyperlink não é válida.). (grifo nosso) O dispositivo transcrito, como ele mesmo indica, reproduz a norma contida no §3° do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, in verbis: §3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. (grifo nosso) Vejase ainda o disposto no art. 12 do mesmo decreto, que reproduz o art. 59 e ss. do Decreto nº 70.235/1972, dispondo sobre as hipóteses de nulidade no processo administrativo fiscal: Art. 12. São nulos ( Erro! A referência de hyperlink não é válida.): I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10245.720602/201471 Acórdão n.º 3401006.627 S3C4T1 Fl. 6 5 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Art. 13. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 12 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio ( Erro! A referência de hyperlink não é válida.). (grifo nosso) Do cotejamento das normas acima transcritas, podese verificar que a arguição de nulidade formulada pelo Recorrente não merece prosperar, senão vejamos. Não se vislumbra outra mens legis para o §3° do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, ao determinar que as peças de defesa devam ser decididas simultaneamente, que não a preocupação em se evitar julgamentos contraditórios em relação à matérias intrinsicamente correlatas, em prejuízo à segurança jurídica. O art. 116 do Decreto nº 7.574/2011 certamente foi além do texto legal e, para assegurar tal desiderato, previu o proferimento da decisão mediante um acórdão apenas. Os processos em que o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra o despacho decisório que não homologou a compensação declarada e impugnou o auto de infração da multa correlata foram reunidos mediante apensação e tramitaram conjuntamente até o presente momento, inclusive por ocasião da decisão de primeira instância. Apegase o Recorrente ao fato de terem sido proferidos dois acórdãos, um em cada processo, mas releva o fato de terem tramitado em conjunto, de terem sido distribuídos ao mesmo relator e de terem sido submetidos a julgamento conjunto na mesma sessão de 02 de junho de 2016. O relatório de ambos os acórdãos, salvaguardadas pequenas particularidades, guarda inexorável identidade, revelando a análise conjunta da matéria. Tal contexto revela que houve análise e decisão simultâneas das peças apresentadas, como prevê a lei, ainda que formalmente constantes de dois acórdãos distintos, assegurandose o não proferimento de decisões contraditórias ou que, de algum modo, pusessem em risco a segurança jurídica da Recorrente. Ademais, não há que se cogitar de hipótese de prejuízo ao direito de defesa da Recorrente, posto que não lhe faltaram o pleno Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10245.720602/201471 Acórdão n.º 3401006.627 S3C4T1 Fl. 7 6 conhecimento das razões de decidir e a oportunidade de recorrer das decisões proferidas. Assim, à luz do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não se verifica hipótese prevista de nulidade no processo administrativo fiscal, nem mesmo de irregularidade que importe prejuízo ao sujeito passivo, mas apego da Recorrente ao formalismo na tentativa de desconstituir as decisões contra as quais se insurge. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade. Do mérito Anotase, de início, que aqui não se discute o direito creditório da Recorrente, posto que reconhecido, mas tão somente a possibilidade de vinculação dos seus créditos à declarações de compensação. A controvérsia posta nos autos reside, portanto, em se aferir a possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS/PASEPembalagens previstos no §1º do art. 52 da Lei nº 10.833/2003 apurados no 3º trimestre de 2006 para compensação com débitos de outros tributos federais. A Recorrente é empresa que industrializa bebidas constantes do art. 49 da Lei nº 10.833/2003 e, para isto, adquire embalagens para seu envasamento. Como consta dos autos, a mesma era optante do regime especial de apuração e pagamento da contribuição para o PIS/PASEP previsto no art. 52 da Lei nº 10.833/2003, no qual os valores das contribuições são fixados por unidade de litro do produto, desde 20 de maio de 2004. O regime permitia, nos termos do § 1o do mesmo art. 52, que a pessoa jurídica industrial optante poderia se creditar dos valores das contribuições estabelecidos nos incisos I a III do art. 51, referentes às embalagens que adquirisse, no período de apuração de registro do respectivo documento fiscal de aquisição. Vejamse os dispositivos correspondentes vigentes à época: Art. 49. A contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização dos produtos classificados nas posições 22.01, 22.02, 22.03 (cerveja de malte) e no código 2106.90.10 Ex 02 (preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebida refrigerante), todos da TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, serão calculadas sobre a receita bruta decorrente da venda desses produtos, respectivamente, com a aplicação das alíquotas de 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) e 11,9% (onze inteiros e nove décimos por cento). (...) Art. 51. As receitas decorrentes da venda e da produção sob encomenda de embalagens, pelas pessoas jurídicas industriais ou comerciais e pelos importadores, destinadas ao envasamento dos produtos relacionados no art. 49 desta Lei, ficam sujeitas ao Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10245.720602/201471 Acórdão n.º 3401006.627 S3C4T1 Fl. 8 7 recolhimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fixadas por unidade de produto, respectivamente, em: I lata de alumínio, classificada no código 7612.90.19 da Erro! A referência de hyperlink não é válida. e lata de aço, classificada no código 7310.21.10 da Erro! A referência de hyperlink não é válida., por litro de capacidade nominal de envasamento: a) para água e refrigerantes classificados nos códigos 22.01 e 22.02 da Erro! A referência de hyperlink não é válida., R$ 0,0170 (dezessete milésimos do real) e R$ 0,0784 (setecentos e oitenta e quatro décimos de milésimo do real); e b) para bebidas classificadas no código 2203 da Erro! A referência de hyperlink não é válida., R$ 0,0294 (duzentos e noventa e quatro décimos de milésimo do real) e R$ 0,1360 (cento e trinta e seis milésimos do real); II embalagens para água e refrigerantes classificados nos códigos 22.01 e 22.02 da Erro! A referência de hyperlink não é válida.: a) classificadas no código Erro! A referência de hyperlink não é válida. 3923.30.00: R$ 0,0170 (dezessete milésimos do real) e R$ 0,0784 (setecentos e oitenta e quatro décimos de milésimo do real), por litro de capacidade nominal de envasamento da embalagem final; b) préformas classificadas no Ex 01 do código de que trata a alínea a deste inciso, com faixa de gramatura: 1 até 30g (trinta gramas): R$ 0,0102 (cento e dois décimos de milésimo do real) e R$ 0,0470 (quarenta e sete milésimos do real; 2 acima de 30g (trinta gramas) até 42g (quarenta e dois gramas): R$ 0,0255 (duzentos e cinqüenta e cinco décimos de milésimo do real) e R$ 0,1176 (um mil e cento e setenta e seis décimos de milésimo do real); 3 acima de 42g (quarenta e dois gramas): R$ 0,0425 (quatrocentos e vinte e cinco décimos de milésimo do real) e R$ 0,1960 (cento e noventa e seis milésimos do real); III embalagens de vidro não retornáveis classificadas no código 7010.90.21 da Erro! A referência de hyperlink não é válida., para refrigerantes ou cervejas: R$ 0,0294 (duzentos e noventa e quatro décimos de milésimo do real) e R$ 0,1360 (cento e trinta e seis milésimos do real), por litro de capacidade nominal de envasamento da embalagem final; (...) §2° As receitas decorrentes da venda a pessoas jurídicas comerciais das embalagens referidas neste artigo ficam sujeitas ao recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10245.720602/201471 Acórdão n.º 3401006.627 S3C4T1 Fl. 9 8 na forma aqui disciplinada, independentemente da destinação das embalagens §3° A pessoa jurídica comercial que adquirir para revenda as embalagens referidas no § 2° deste artigo poderá se creditar dos valores das contribuições estabelecidas neste artigo referentes às embalagens que adquirir, no período de apuração em que registrar o respectivo documento fiscal de aquisição. § 4° Na hipótese de a pessoa jurídica comercial não conseguir utilizar o crédito referido no § 3o deste artigo até o final de cada trimestre do ano civil, poderá compensálo com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) Art. 52. A pessoa jurídica industrial dos produtos referidos no art. 49 poderá optar por regime especial de apuração e pagamento das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no qual os valores das contribuições são fixados por unidade de litro do produto, respectivamente, em: (...) § 1o A pessoa jurídica industrial que optar pelo regime de apuração previsto neste artigo poderá creditarse dos valores das contribuições estabelecidos nos incisos I a III do art. 51, referentes às embalagens que adquirir, no período de apuração em que registrar o respectivo documento fiscal de aquisição. (grifo nosso) A decisão recorrida entendeu, a meu ver acertadamente, pela impossibilidade de utilização dos créditos previstos no art. 52 (atribuível às empresas industriais que utilizam as embalagens referidas no art. 51, I a III como insumo) em compensações por ausência de previsão legal, o que restaria demonstrado pela autorização expressa concedida especificamente às empresas comerciais pelo §4º do art. 51. Confirase: 20. Entretanto, a legislação de regência não previa a possibilidade de utilização dos “créditosembalagens” em declarações de compensação, diferente do que ocorria com as empresas comerciais tratadas no citado art. 51 da mesma Lei 10.833, de 2003, para as quais havia essa previsão legal, abaixo transcrita: (...) 21. Tais créditos somente poderiam ser aproveitados no abatimento da contribuição devida pela empresa. Por esse motivo é que o programa Per/Dcomp somente permitia a utilização do “créditoembalagem” em compensações nos casos de empresas comerciais, tendo a manifestante a assim se Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10245.720602/201471 Acórdão n.º 3401006.627 S3C4T1 Fl. 10 9 declarado quando da transmissão das declarações de compensação. A possibilidade de aproveitamento dos créditos de PIS/PASEP embalagens para fins de compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal foi inserida pela Lei Erro! A referência de hyperlink não é válida. na Lei n° 10.833/2003, consubstanciandose no §4º do seu art. 51, norma que faz referência expressa às pessoas jurídicas comerciais que apurem créditos quando da aquisição de embalagens para fins de revenda. No regime especial de apuração e pagamento da contribuição para PIS/PASEP previsto no art. 52, por outro lado, não se permitiu às pessoas jurídicas industriais que apurassem crédito por ocasião da aquisição de embalagens para fins de envasamento da produção que o utilizassem para outros fins que não o abatimento dos débitos da própria contribuição, razão por que o programa gerador do PER/DCOMP não possuía campo em que se enquadrasse a situação jurídica da Recorrente, levandoa ao preenchimento do campo relativo às empresas comerciais quando assim não o era. Ante o exposto, voto por manter o indeferimento da compensação. Da multa aplicada A Recorrente foi autuada para exigência da multa isolada prevista no art. 18 da Lei n° 10.833/2003 no patamar de 150% porque, no entender da autoridade fiscal, teria prestado informação falsa na declaração de compensação ao selecionar a opção de fundamento legal do crédito, única disponível no programa gerador de PER/DCOMP, referente ao §4º do art. 51 da Lei n° 10.833/2003, referente às empresas comerciais de embalagens, o que destoa de sua realidade fática. Foi ainda arrolado como responsável solidário o sócioadministrador nos termos do art. 135, III do CTN. Em sua defesa, a Recorrente concentra esforços na demonstração da possibilidade de apurar os créditos utilizados, o que aqui não se discute, pois a controvérsia repousa apenas sobre a possibilidade de compensação dos créditos apurados. Entretanto, à vista de tudo o que consta dos autos quanto às regras aplicáveis ao regime especial de apuração da contribuição para o PIS/PASEP pelo qual optou a Recorrente, entendo que a mera indicação do fundamento legal do crédito como sendo o §4º do art. 51 da Lei n° 10.833/2003 no programa gerador PER/DCOMP, quando esta era a única opção disponibilizada pelo mesmo em relação ao regime especial, por si só, não se revela suficiente demonstração do intuito fraudulento. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10245.720602/201471 Acórdão n.º 3401006.627 S3C4T1 Fl. 11 10 A impossibilidade de compensação na hipótese em tela decorre da ausência de previsão legal. Não há norma que possa ser apontada de plano como aquela que a Recorrente teria pretendido especificamente burlar ou fraudar mediante prestação de falsa declaração com o fim de extinguir indevidamente crédito tributário. Tampouco se está diante do aproveitamento de créditos inexistentes, ao contrário. E mais, a impossibilidade de compensação não é a regra geral para as hipóteses de incidência nãocumulativa das contribuições em tela. Neste cenário, não reputo implementada a condição legal para a imposição da multa isolada prevista no art. 18 da Lei n° 10.833/2003, que é a comprovação cabal do intuito fraudulento, pois a autuação carece de elementos robustos neste sentido, limitandose a narrar os fatos e as prescrições legais pertinentes. Ante o exposto, voto pela improcedência do auto de infração. Da conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos Recursos Voluntários e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO aos mesmos para excluir a imposição da multa isolada." Importa registrar que nos autos ora em apreço, de igual maneira ao ocorrido no processo paradigma, o julgamento do processo principal (compensação) e do respectivo apenso (multa) ocorreu simultaneamente, de tal sorte que se aplica a este, a decisão proferida naquele. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER dos Recursos Voluntários e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO aos mesmos para excluir a imposição da multa isolada. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10245.720602/201471 Acórdão n.º 3401006.627 S3C4T1 Fl. 12 11 Fl. 173DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.003630/2001-45
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 18/08/2001
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CONHECIDO.
Não deve ser conhecido o recurso especial quando não comprovada a divergência jurisprudencial, pois fundada a insurgência em argumento diverso daquele utilizado pela decisão pretendida reformar para dar provimento à pretensão do contribuinte. Não cumprido o requisito da divergência, não deve ter prosseguimento a insurgência.
Numero da decisão: 9303-008.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello Relator (a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 18/08/2001 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CONHECIDO. Não deve ser conhecido o recurso especial quando não comprovada a divergência jurisprudencial, pois fundada a insurgência em argumento diverso daquele utilizado pela decisão pretendida reformar para dar provimento à pretensão do contribuinte. Não cumprido o requisito da divergência, não deve ter prosseguimento a insurgência.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10314.003630/2001-45
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6047754
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.804
nome_arquivo_s : Decisao_10314003630200145.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : VANESSA MARINI CECCONELLO
nome_arquivo_pdf_s : 10314003630200145_6047754.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relator (a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
dt_sessao_tdt : Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2019
id : 7856940
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:50:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300702908416
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-30T11:02:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-30T11:02:12Z; Last-Modified: 2019-07-30T11:02:12Z; dcterms:modified: 2019-07-30T11:02:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-30T11:02:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-30T11:02:12Z; meta:save-date: 2019-07-30T11:02:12Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-30T11:02:12Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-30T11:02:12Z; created: 2019-07-30T11:02:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-07-30T11:02:12Z; pdf:charsPerPage: 1451; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-30T11:02:12Z | Conteúdo => CSRF-T3 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10314.003630/2001-45 Recurso Especial do Procurador Acórdão nº 9303-008.804 – CSRF / 3ª Turma Sessão de 14 de junho de 2019 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JOSAFA PENHA DOS SANTOS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 18/08/2001 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CONHECIDO. Não deve ser conhecido o recurso especial quando não comprovada a divergência jurisprudencial, pois fundada a insurgência em argumento diverso daquele utilizado pela decisão pretendida reformar para dar provimento à pretensão do contribuinte. Não cumprido o requisito da divergência, não deve ter prosseguimento a insurgência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello – Relator (a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 36 30 /2 00 1- 45 Fl. 256DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.804 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.003630/2001-45 Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (e-fls. 176 a 181) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, vigente à época, buscando a reforma do Acórdão nº 3802-003.339 (e-fls. 169 a 174) proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 23/07/2014, no sentido de dar provimento o recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 18/08/2001 IPI - MULTA REGULAMENTAR - CONSUM1R OU DAR A CONSUMO PRODUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGE1RA INTRODUZIDO CLANDESTINAMENTE NO PAÍS, OU IMPORTADO FRAUDULENTAMENTE. A multa calculada sobre o valor da mercadoria, prevista no artigo 463, inciso I do RIPI/98, aprovado pelo Decreto n° 2.637/98, requer a indicação da data em que a mercadoria estrangeira, ingressada no território nacional de forma clandestina, irregular ou fraudulenta, foi destinada a consumo. A ausência de menção precisa à data da ocorrência do fato torna ilíquido o crédito constituído. Não resignada com o julgado, a FAZENDA NACIONAL interpôs recurso especial (e-fls. 176 a 181) suscitando divergência jurisprudencial com relação aos efeitos da decisão judicial em relação à decadência. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos n.º 107-09.274 e CSRF/0105.680. . O recurso especial foi admitido, nos termos do despacho s/nº (e-fls. 233 a 237), de 03 de agosto de 2015, proferido pelo Ilustre Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por ter sido devidamente comprovada a divergência jurisprudencial. O Contribuinte, por sua vez, devidamente intimado, não apresentou contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais - 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. É o Relatório. Fl. 257DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.804 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.003630/2001-45 Voto Conselheiro (a) Vanessa Marini Cecconello, Relator (a). O recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL é tempestivo, restando analisar-se o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. No acórdão recorrido, foi dado provimento ao recurso voluntário da Contribuinte para afastar o lançamento efetuado pela Autoridade Fiscal, para exigência da multa prevista no art. 463, inciso I do RIPI/98, aprovado pelo Decreto n° 2.637/98, pois não houve indicação precisa da data da alienação do veículo introduzido clandestinamente em território nacional. A ementa do julgado recorrido é bastante elucidativa nesse sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 18/08/2001 IPI - MULTA REGULAMENTAR CONSUM1R - OU DAR A CONSUMO PRODUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGE1RA INTRODUZIDO CLANDESTINAMENTE NO PAÍS, OU IMPORTADO FRAUDULENTAMENTE. A multa calculada sobre o valor da mercadoria, prevista no artigo 463, inciso I do RIPI/98, aprovado pelo Decreto n° 2.637/98, requer a indicação da data em que a mercadoria estrangeira, ingressada no território nacional de forma clandestina, irregular ou fraudulenta, foi destinada a consumo. A ausência de menção precisa à data da ocorrência do fato torna ilíquido o crédito constituído. Extrai-se, ainda, da fundamentação do julgado, ter sido considerado pelo Colegiado a quo como ônus da Autoridade Fazendária indicar a data da ocorrência da alienação do veículo automotor, mesmo tendo o Contribuinte informado não ter lembrança da data da operação de venda, in verbis: [...] A imposição de multa isolada não escapa das condições gerais de validade do ato administrativo de lançamento. Como tal, deve conter expressa menção aos fatos (com precisa indicação, ao menos, dos critérios material, espacial e temporal da sua ocorrência), à norma jurídica infringida e aos motivos pelo qual a conduta se subsume a regra punitiva. Ademais, na ausência de presunção legal, o ônus probatório quanto aos fatos é do fisco, ao qual cabe apontar e provar todos os contornos do fato punível. Fl. 258DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.804 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.003630/2001-45 Existe, ainda, um prazo – que é decadencial, eis que versa sobre a possibilidade de constituir direitos – para que a Fazenda Pública possa infligir a penalidade, o qual está prescrito no art. 78 da Lei n° 4.502/64, verbis: Art. 78 O direito de impor penalidade extingue-se em cinco anos, contados da data da infração. § 1° O prazo estabelecido neste artigo interrompe-se por qualquer notificação ou exigência administrativa feita ao sujeito passivo, com referência ao imposto que tenha deixado de pagar ou à infração que haja cometido, recomeçando a correr a partir da data em que este procedimento se tenha verificado. § 2° Não corre o prazo enquanto o processo de cobrança estiver pendente de decisão, inclusive nos casos de processos fiscais instaurados, ainda em fase de preparo ou de julgamento. § 3° A interrupção do prazo mencionado no parágrafo primeiro só poderá ocorrer uma vez. Resta claro que o aspecto temporal – o momento da ocorrência do fato – da norma punitiva em questão recai na data em que o sujeito se desfaz do bem irregularmente introduzido no território nacional. E é precisamente na indicação do momento da ocorrência do fato (alienação do bem) que a autuação falhou. E falhou porque deixou de indicar, com precisão, a data em que a recorrente promoveu a venda do veículo. Embora a recorrente tenha se negado a esclarecer a data exata da venda do veiculo (fls. 94) – alegando não se lembrar da data em que o vendeu, nem possuir qualquer documento comprobatório de tal venda (fls. 98/99) – deveria o Fisco, por ser teu ônus probatório, provar a data do fato de alguma outra forma. [...] A Fazenda Nacional, por sua vez, pretende ver reformada a decisão com base em paradigmas que tratam dos efeitos de decisões judiciais com relação à contagem do prazo decadencial, conforme ementas dos Acórdãos 107-09.274, de 23/01/2008 e CSRF/0105.680, de 11/07/2007: Acórdão 107-09.274: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1996 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NOVO LANÇAMENTO. Tendo a fiscalização se aproveitado de documentos do processo anterior para explicar a infração relativa ao novo lançamento e tendo a contribuinte recebido cópia desse processo, não está caracterizado o cerceamento do direito de defesa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1996 Fl. 259DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-008.804 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.003630/2001-45 CSLL - DECADÊNCIA - VEDAÇÃO A LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. Tendo a contribuinte impetrado ação anulatória de débito fiscal, e tendo o auto de infração sido declarado nulo, em razão da decisão de que emitida ordem judicial suspensiva não é lícito à Administração Tributária proceder a qualquer atividade que afronte o comando judicial, há nessa situação, a suspensão da possibilidade do fisco realizar novo lançamento, até o trânsito em julgado da decisão. Rejeita-se a preliminar de decadência. MATÉRIA CONCOMITANTE COM AÇÃO JUDICIAL - SÚMULA 1º CC Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial, conforme Súmula nº 1 do Primeiro Conselho de Contribuintes. Recurso voluntário negado Acórdão CSRF/0105.680: IRPJ — DECADÊNCIA — VEDAÇÃO A LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO - a decisão judicial concessiva de tutela antecipada com a finalidade de proteger a contribuinte para que não sofra autuação do fisco, introduz norma jurídica concreta e geral no sistema jurídico que atribui direitos ao contribuinte e deve ser respeitada por todos. Essa norma deve ser considerada na construção da norma de competência administrativa que autoriza a lavratura do auto de infração. Quando a autoridade judicial veda a possibilidade da lavratura do auto de infração pelos agentes fiscais diante de situação concreta prevista na norma geral e abstrata, há suspensão da possibilidade de o Fisco realizar o lançamento. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. No despacho de exame de admissibilidade, restou consignado que: "Entende a recorrente que a divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas reside nos efeitos da decisão judicial em relação à decadência. Ou melhor, no acórdão recorrido, a decisão judicial não impedia a constituição de ofício do crédito tributário, logo, continuava a fluir o prazo decadencial. Por sua vez, os paradigmas entendem que havendo ordem judicial que, de qualquer forma, obstaculize a atuação do Fisco resta impedido de fluir o prazo de decadência". No entanto, entende-se não restar comprovada a divergência jurisprudencial, porque o fundamento principal da decisão recorrida para o provimento do recurso voluntário foi a ausência de indicação da data da ocorrência da alienação do bem, tornando ilíquido o crédito tributário lançado. Embora também exista nos presentes autos a decisão judicial liminar que, quando vigente, impedia o lançamento, esse não foi o motivo utilizado pela decisão recorrida para prover o recurso voluntário. Portanto, a Fazenda Nacional, em seu recurso especial, ataca fundamento diverso daquele que embasou o julgado pretendido reformar, não se verificando, assim, a necessária divergência jurisprudencial a autorizar o prosseguimento do apelo. Fl. 260DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-008.804 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.003630/2001-45 Diante do exposto, não se conhece do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É o voto. (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 261DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12266.720853/2015-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013
LEGILITIMIDADE NVOCC. REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR MARÍTIMO.
O NVOCC que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informações de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE.
Súmula CARF nº 11 - Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
MULTA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO NO PRAZO DE 48 HORAS.
A prestação de informação sobre conhecimento de carga em prazo inferior às 48 horas que antecedem a atracação do navio configura hipótese para a aplicação da multa por não prestar informação em prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal.
PRAZO ART. 50, IN 800/07
O parecer Cosit no. 2/16, compreende que deve ser aplicada as multas diante da ausência de informação.
Numero da decisão: 3201-005.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Laércio Cruz Uliana Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Laércio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), ausente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, substituída pelo Conselheiro Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013 LEGILITIMIDADE NVOCC. REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR MARÍTIMO. O NVOCC que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informações de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. Súmula CARF nº 11 - Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. MULTA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO NO PRAZO DE 48 HORAS. A prestação de informação sobre conhecimento de carga em prazo inferior às 48 horas que antecedem a atracação do navio configura hipótese para a aplicação da multa por não prestar informação em prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal. PRAZO ART. 50, IN 800/07 O parecer Cosit no. 2/16, compreende que deve ser aplicada as multas diante da ausência de informação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 12266.720853/2015-14
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6050596
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-005.460
nome_arquivo_s : Decisao_12266720853201514.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 12266720853201514_6050596.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (documento assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Laércio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), ausente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, substituída pelo Conselheiro Rodolfo Tsuboi.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
id : 7864232
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300710248448
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-12T20:04:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-12T20:04:44Z; Last-Modified: 2019-08-12T20:04:44Z; dcterms:modified: 2019-08-12T20:04:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-12T20:04:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-12T20:04:44Z; meta:save-date: 2019-08-12T20:04:44Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-12T20:04:44Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-12T20:04:44Z; created: 2019-08-12T20:04:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-08-12T20:04:44Z; pdf:charsPerPage: 1646; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-12T20:04:44Z | Conteúdo => S3-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12266.720853/2015-14 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201-005.460 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2019 Recorrente ALLINK TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013 LEGILITIMIDADE NVOCC. REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR MARÍTIMO. O NVOCC que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informações de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. Súmula CARF nº 11 - Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. MULTA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO NO PRAZO DE 48 HORAS. A prestação de informação sobre conhecimento de carga em prazo inferior às 48 horas que antecedem a atracação do navio configura hipótese para a aplicação da multa por não prestar informação em prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal. PRAZO ART. 50, IN 800/07 O parecer Cosit no. 2/16, compreende que deve ser aplicada as multas diante da ausência de informação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (documento assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 08 53 /2 01 5- 14 Fl. 593DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.460 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720853/2015-14 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Laércio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), ausente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, substituída pelo Conselheiro Rodolfo Tsuboi. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário apresentado pela Contribuinte em face do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que assim relatou o feito: 1. Trata-se de aplicação de multa pelo cometimento da infração prevista no art. 107, IV, “e”, do Dec.-lei 37/66, com a redação da Lei 10.833/03 (deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela RFB). 2. Segundo a autoridade autuante, o interessado, no papel de desconsolidador de carga marítima procedente do exterior, registrou intempestivamente no sistema SISCOMEX- CARGA as informações cujo registro seria de sua responsabilidade nos termos da IN RFB 800/07 (que dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos aldandegados). Seguindo a marcha processual normal, assim ficou consignado foi julgada improcedente a defesa apresentada por entender que a contribuinte apresentou informações fora do prazo e devendo incidir o prazo da IN 800/07; que tinha legitimidade para atuar; não ocorreu o prazo prescrição intercorrente. Inconformada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário aduzindo em síntese: a) Prescrição intercorrente de 3 (três) anos; b) Impossibilidade de autuação pelo mesmo veículo; c) Irretroatividade da IN 800/07 e aplicação de prazo de 30 (trinta) dias; d) Denúncia espontânea; e) Ausência de responsabilidade pelo mandato; Ainda, colaciona petição invocando questão de ordem pública pela irretroatividade diante da IN 1.473/14. É o relatório. Voto Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior - Relator PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE DE 3 (TRÊS) ANOS Requer a contribuinte a aplicabilidade da prescrição intercorrente de 3 (três) anos com fulcro no §1ºdoart.1ºdaLeino9.873/99, não merece prosperar tal pleito. Fl. 594DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.460 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720853/2015-14 Os prazos decadenciais e prescricionais em matéria tributária, conforme descrito no artigo 146 , inciso III, alínea "b", da Carta da República, devem ser regulados por meio de Lei Complementar. "Art.146.Cabeàleicomplementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b)obrigação,lançamento,crédito,prescriçãoedecadênciatributários". O Código Tributário Nacional, recepcionado pela ordem constitucional vigentecomstatusdeleicomplementar,dispôssobreosprazosdecadencialdeconstituiçãodo crédito tributário e prescricional de cobrança do crédito tributário após a sua regular constituição nos artigos 173 e 174. Estabeleceu ainda que a apresentação de reclamações e recursos suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. Ademais, nos termos da súmula 11 CARF: Súmula CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Não merece prosperar tal pleito. ILEGITIMIDADE Afirma a recorrente que a figura do agente de carga não se confunde com o transportador e que não poderia ser responsabilizada por infrações atribuídas ao transportador. Improcedentes suas alegações. A norma de regência estabelece que o agente de carga se equipara a transportador nos fins a que se destina IN/SRF no 800/07, como dispõe o art. 2º, §1º, IV, “e” da citada IN: Portanto, improcedentes os argumentos da recorrente neste particular. INAPLICABILIDADE DA MULTA O auto de infração encontra-se fundamentado pela ausência de prestação de informação nos termos da alínea ‘e’ do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei nº 37, de 1966. Argumenta a contribuinte que a aplicabilidade da multa teve inicio teve seu inicio em 1º. De abril de 2009, conforme disposto no art. 50 da IN 800/07, vejamos: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. Ainda sustenta que prestou as informações no prazo devido, deixando apenas de correção do conhecimento de embarque Em sentido oposto a Solução de Consulta no. 2/16 – COSIT, vejamos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 595DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.460 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720853/2015-14 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do Decreto- Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Assim é correta a aplicação da multa, uma vez, que prestou a informação em destempo. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Nos termos da súmula no. 49 não é aplicável denúncia espontânea no presente caso, vejamos: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conformePortaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Nego provimento nesse tópico. REVOGAÇÃO DOS ARTS. 45 a 48 da INSRF no 800/2007 Entendo que da IN/SRF 800/07 que apesar ter havido revogação do prazo citado pela IN 1.473/14, não teve o condão de eximir que a contribuinte tivesse realizado em prazo adequado a prestação de informações. A recorrente afirma que se deve aplicarao presentecaso o estabelecidonoart.106,II,adoCTN,contudo,nãoháquesefalaremextinçãodapenalidade. O que ocorreu com a edição da IN SRF no 1.473 foi a flexibilização dos controles aduaneiros legalmente estabelecidos e delegados à Secretaria da Receita Federal conforme determinado na própria alínea“e”doincisoIVdoart.107 Conclusão Diante do exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior - Conselheiro Fl. 596DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-005.460 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720853/2015-14 Fl. 597DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.009541/2006-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Quando não houver violação aos requisitos do artigo 59 do Decreto 70.235/72, não ocorre nulidade do lançamento.
PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. NÃO SE APLICA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO.
A perícia, pelo seu caráter excepcional, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela juntada de documentos e apresentação de dados. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. ILEGALIDADE. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2.
Não cabe à esfera administrativa conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de legislação tributária, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário.
"O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária."
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N.108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE.
O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. REITERADAS. SEM AMPARO LEGAL. NÃO VINCULAM JULGAMENTO.
As decisões administrativas que não estão amparadas por lei para se tornar normas complementares, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante.
JURISPRUDÊNCIAS. TRÂNSITO EM JULGADO. DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. VINCULAM O JULGAMENTO.
O julgamento na esfera administrativa vincula-se à jurisprudência referente a decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, após o trânsito em julgado do recurso afetado para julgamento como representativo da controvérsia.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. LEGALIDADE.
A multa de ofício é aplicável no lançamento do tributo que deixou de ser recolhido e no percentual determinado por lei. Não pode a autoridade fiscal aplicar percentual diferente do qual foi estabelecido na referida norma, nem fazer diferenciação sobre a aplicação ou não da norma.
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. RFB. LEGALIDADE. SIGILO BANCÁRIO PROTEGIDO.
A requisição de informação bancária, no interesse do Fisco, não ofende o direito ao sigilo bancário, pois houve transferência de sigilo da órbita bancaria para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros.
DEPÓSITO BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Quando a origem dos valores depositados em instituições financeiras não for comprovada com documentação hábil e idônea, presume-se tais valores como omissão de rendimentos.
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. OMISSÃO. LANÇAMENTO.TRIBUTAÇÃO.
Constatado que houve omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, cabe a Autoridade Fiscal realizar o devido lançamento do crédito incidente sobre os valores omitidos.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CONDUTA DOLOSA. OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. APLICA. PERCENTUAL 150%.
Quando verificado no lançamento tributário a ocorrência de elementos caracterizadores, demonstrando que o sujeito passivo adotou uma conduta dolosa com o objetivo de impedir ou retardar a ocorrência dos fatos geradores do tributo exigido, a multa qualificada deve ser aplicada no percentual de 150%.
Numero da decisão: 2202-005.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento os valores discriminados na "Tabela 06", constante da fundamentação do voto do relator, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Leonam Rocha de Medeiros, que deram provimento parcial em maior extensão.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Rorildo Barbosa Correia - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201908
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Quando não houver violação aos requisitos do artigo 59 do Decreto 70.235/72, não ocorre nulidade do lançamento. PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. NÃO SE APLICA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. A perícia, pelo seu caráter excepcional, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela juntada de documentos e apresentação de dados. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. ILEGALIDADE. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2. Não cabe à esfera administrativa conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de legislação tributária, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N.108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. REITERADAS. SEM AMPARO LEGAL. NÃO VINCULAM JULGAMENTO. As decisões administrativas que não estão amparadas por lei para se tornar normas complementares, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante. JURISPRUDÊNCIAS. TRÂNSITO EM JULGADO. DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. VINCULAM O JULGAMENTO. O julgamento na esfera administrativa vincula-se à jurisprudência referente a decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, após o trânsito em julgado do recurso afetado para julgamento como representativo da controvérsia. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. LEGALIDADE. A multa de ofício é aplicável no lançamento do tributo que deixou de ser recolhido e no percentual determinado por lei. Não pode a autoridade fiscal aplicar percentual diferente do qual foi estabelecido na referida norma, nem fazer diferenciação sobre a aplicação ou não da norma. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. RFB. LEGALIDADE. SIGILO BANCÁRIO PROTEGIDO. A requisição de informação bancária, no interesse do Fisco, não ofende o direito ao sigilo bancário, pois houve transferência de sigilo da órbita bancaria para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. DEPÓSITO BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando a origem dos valores depositados em instituições financeiras não for comprovada com documentação hábil e idônea, presume-se tais valores como omissão de rendimentos. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. OMISSÃO. LANÇAMENTO.TRIBUTAÇÃO. Constatado que houve omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, cabe a Autoridade Fiscal realizar o devido lançamento do crédito incidente sobre os valores omitidos. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CONDUTA DOLOSA. OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. APLICA. PERCENTUAL 150%. Quando verificado no lançamento tributário a ocorrência de elementos caracterizadores, demonstrando que o sujeito passivo adotou uma conduta dolosa com o objetivo de impedir ou retardar a ocorrência dos fatos geradores do tributo exigido, a multa qualificada deve ser aplicada no percentual de 150%.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10680.009541/2006-49
anomes_publicacao_s : 201909
conteudo_id_s : 6060323
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2202-005.383
nome_arquivo_s : Decisao_10680009541200649.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RORILDO BARBOSA CORREIA
nome_arquivo_pdf_s : 10680009541200649_6060323.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento os valores discriminados na "Tabela 06", constante da fundamentação do voto do relator, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Leonam Rocha de Medeiros, que deram provimento parcial em maior extensão. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
id : 7895452
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:52:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300722831360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1767; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1.944 1 1.943 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.009541/200649 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202005.383 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de agosto de 2019 Matéria IRPF Recorrente WALTER SANTOS NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Quando não houver violação aos requisitos do artigo 59 do Decreto 70.235/72, não ocorre nulidade do lançamento. PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. NÃO SE APLICA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. A perícia, pelo seu caráter excepcional, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela juntada de documentos e apresentação de dados. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. ILEGALIDADE. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2. Não cabe à esfera administrativa conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de legislação tributária, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N.108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 95 41 /2 00 6- 49 Fl. 1944DF CARF MF 2 O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. REITERADAS. SEM AMPARO LEGAL. NÃO VINCULAM JULGAMENTO. As decisões administrativas que não estão amparadas por lei para se tornar normas complementares, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante. JURISPRUDÊNCIAS. TRÂNSITO EM JULGADO. DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. VINCULAM O JULGAMENTO. O julgamento na esfera administrativa vinculase à jurisprudência referente a decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, após o trânsito em julgado do recurso afetado para julgamento como representativo da controvérsia. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. LEGALIDADE. A multa de ofício é aplicável no lançamento do tributo que deixou de ser recolhido e no percentual determinado por lei. Não pode a autoridade fiscal aplicar percentual diferente do qual foi estabelecido na referida norma, nem fazer diferenciação sobre a aplicação ou não da norma. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. RFB. LEGALIDADE. SIGILO BANCÁRIO PROTEGIDO. A requisição de informação bancária, no interesse do Fisco, não ofende o direito ao sigilo bancário, pois houve transferência de sigilo da órbita bancaria para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. DEPÓSITO BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando a origem dos valores depositados em instituições financeiras não for comprovada com documentação hábil e idônea, presumese tais valores como omissão de rendimentos. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. OMISSÃO. LANÇAMENTO.TRIBUTAÇÃO. Constatado que houve omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, cabe a Autoridade Fiscal realizar o devido lançamento do crédito incidente sobre os valores omitidos. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CONDUTA DOLOSA. OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. APLICA. PERCENTUAL 150%. Quando verificado no lançamento tributário a ocorrência de elementos caracterizadores, demonstrando que o sujeito passivo adotou uma conduta dolosa com o objetivo de impedir ou retardar a ocorrência dos fatos geradores do tributo exigido, a multa qualificada deve ser aplicada no percentual de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento os valores discriminados na "Tabela 06", constante da fundamentação do voto do relator, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Leonam Rocha de Medeiros, que deram provimento parcial em maior extensão. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente Fl. 1945DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.945 3 (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 1213.461 proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG DRJ/BHE, a qual julgou o lançamento parcialmente procedente (fls. 393/413 e 417/477). Lançamento Tributário De acordo com o relatório que acompanha a decisão da DRJ/BHE (fl. 394), o lançamento tributário foi realizado nos seguintes termos: Contra o contribuinte precitado foi lavrado o Auto de Infração às fls. 8 a 19, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2001 a 2005, anoscalendário 2000 a 2004, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 1.173.539,50, acrescido de multa de ofício e juros de mora calculados até julho de 2006. Regularmente intimado do Auto de Infração, o Contribuinte apresentou impugnação, em 26/10/2006 (fls. 273), questionando o lançamento, como bem relatado pela 5ª Turma da DRJ/BHE (fls. 395/398). Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a DRJ/BHE apreciou o lançamento e proferiu o acórdão nos seguintes termos (fls. 394): "Acordam os membros da 5a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em considerar parcialmente procedente o lançamento, nos termos do relatório e voto do relator, que integram o presente julgado." A DRJ/BHE julgou o lançamento parcialmente procedente, conforme ementas a seguir transcritas (fls. 393/394): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003,2004,2005 Ementa: DECADÊNCIA No caso de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, com pagamento de imposto, o prazo decadencial começa a correr em 31 de dezembro (art. 150, § 4°, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de Fl. 1946DF CARF MF 4 1966 Código Tributário Nacional CTN) e, sem pagamento de imposto, iniciase a contagem no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I, do CTN). ESPONTANEIDADE. PERDA. Consoante § 1° do art. 7° do Decreto n° 70.235, de 1972, o início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS NO EXTERIOR ART. 42 DA LEI N° 9.430, de 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no 'art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada peio sujeito passivo, que não comprova sua saída definitiva do País no ano calendário objeto do lançamento. EMPRÉSTIMOS A alegação da existência de empréstimo realizado com terceiro, pessoa física ou jurídica, deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva ocorrência da operação, mediante a sua informação tempestiva na Declaração de Ajuste Anual, além da comprovação da transferência de numerário envolvida. Lançamento Procedente em Parte Recurso Voluntário O contribuinte Walter Santos Neto, devidamente intimado da decisão da DRJ/BHE, em 20/04/2007, conforme aviso de recebimento AR (fl. 416) apresentou, em 22/05/2007, recurso voluntário (fls. 417/477). Em sede de recurso voluntário, o recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ/BHE, alegando que: a) a decisão da proferida pela 5ª Turma da DRJ/BHE deve ser anulada, porque a perícia foi indeferida (fls. 418/423). b) houve decadência parcial em relação aos créditos lançados com fatos geradores ocorridos antes de 26/09/2001 (fls. 423/424). c) não omitiu receitas e nem atuou com dolo, fraude, simulação, máfé, falsidade ideológica, ocultação de beneficiários e ou dissimulação, nega toda e qualquer acusação contida nas peças de lançamento, quem acusa deve fazer prova do teor da acusação e que a presunção não pode tomar lugar de investigação séria, profunda conforme o CTN, art. 142 e que nas fls. 957 a 961 dos autos do PAF 10680.008638/200634, restou decidido, contra o Fisco, aplicando ao lançamento atacado (fls. 424/428). Fl. 1947DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.946 5 d) é vedado o lançamento baseado em presunção e que não pode subsistir, por ofensa aos princípios de legalidade, moralidade e tipicidade Constituição Federal (fls. 428/433). e) houve prova ilícita, pois a Fiscalização violou o sigilo bancário, quando solicitou a requisição de movimentação financeira, sem autorização judicial (fl. 433). f) os depósitos bancários não geram presunção de renda e nem podem ser motivos para o lançamento, porque se baseia apenas em extratos de saques, transferências e depósitos bancários. O lançamento atacado se baseia, apenas, em extratos transferências e depósitos bancários; a União tributa o que supõe renda presumida com base em movimentação bancária (fls. 434/442). g) os depósitos não equivalem a receitas tributáveis omitidas. O Fisco presume que valores de depósitos bancários não contabilizados, cuja origem esteja ou não esteja comprovada, sejam receitas omitidas. Presume que valores de depósitos bancários cuja origem não coincida, em data ou valor, com valores sacados de outras contas sejam receitas omitidas (fls. 442/443). h) Os julgadores devem atentar para o fato de que vários depósitos em dinheiro decorreram de cheques sacados (transformados em dinheiro) de MM Consultoria Ltda. e de S. Santos Assessoria Ltda., que tinham conta no mesmo banco (Bradesco) em que mantida conta do recorrente. (fls. 442/443). i) houve duplicidade de tributação da sociedade e dos sócios e que muito dos valores que aparecem em contas do recorrente já foram tributados nas duas sociedades (MM e S. Santos) mediante lançamento de ofício, até mesmo, a título de "pagamentos sem causa" são, agora, tributados na pessoa do recorrente (fls. 443/444). j) as transferências realizadas para o requerente não significa pagamentos, podem ser empréstimos, doações e nem toda transferência de numerário corresponde a pagamento, cabe ao Fisco fazer prova de sua acusação. Cheques da sociedade ao sócio, até prova em contrário, indicam lucros distribuídos ou adiantados (fls. 444/446). l) o Fisco tenta desqualificar a retificação de declarações feita pelo recorrente, pelas sociedades de que faz parte e de seu cônjuge, justificando "intempestividade" e "perda da espontaneidade", embora a retificação de declaração não constitua denúncia espontânea, na verdade, nem constitui denúncia (fls. 446/447). O Recorrente apresentou explicações a pontos específicos esclarecendo que (fls. 447/454): 11) O subitem 1.10 do TVF aponta, como se receitas fossem, valores referentes a COMARK (VI) e Maurílio de Assis V. Filho (VII). 11.b) No subitem 1.13, o TVF diz que a MM "sempre entregou DIRPJ na condição de INATIVA". Isso era feito por um contador antes contratado, sem a ciência do recorrente. Posteriormente, as declarações de renda foram devidamente retificadas. Fl. 1948DF CARF MF 6 11.c1) Depósitos de origem não comprovada. Empréstimos obtidos de Sâmia Amin Santos. Os lançamentos feitos em 2000 (na MM Consultoria Ltda. e na S. Santos Assessoria Ltda.) não foram analisados na fiscalização, porque atingidos pela decadência. 11.c.2) Foram apresentados ao Fisco vários comprovantes que coincidem com datas e valores de lançamentos, mas eles não foram examinados ou considerados pelo Fisco. 11.c.3) Além disso, houve vários saques realizados por Walter Santos Neto em espécie, conforme documentos entregues à fiscalização. 11.c.4) Também, valores de empréstimos concedidos ao recorrente foram depositados diretamente, em sua conta corrente. 11.c.5) Distribuições de lucro a Sâmia A. Santos, as quais serviram para empréstimo a Walter Santos Neto, cujo depósito foi realizado pelo próprio recorrente (27/10/2000) saques em espécie. 11.c.6) O TVF, na lauda 24, diz que "Nem Walter e nem Sâmia. apesar de exaustivamente intimados apresentaram contrato dos alegados empréstimos": no final da mesma lauda, O TVF diz que "a auditoria de pessoa jurídica não acatou estes débitos como saída de recursos a título de empréstimo para Walter, docs. fls. 127 do anexo 5, pela não comprovação da operação". I) Com efeito, o financiamento do apartamento 1301 do edifício da R. Antônio de Albuquerque, 877 (Belo Horizonte), é um exemplo. Os comprovantes de pagamento das prestações foram extraviados, somente estando em poder do autuado o da parcela vencida em 7/12/2001. Analisando a planilha apresentada por Sâmia Amin Santos e pela MM Consultoria Ltda.,(...). 11.c.7) Empréstimo de Enrico Gianelli. Com relação ao empréstimo de Enrico Gianelli, apesar de não ter sido considerado pela fiscalização da pessoa jurídica o cheque 545, emitido em 27/6/2003, não há como negar que houve uma transferência a Enrico Giannelli, no valor de R$ 205.000,00. 11.c.8) Empréstimo de Maurílio de Assis Vieira. Com relação ao chegue 300, emitido, em 7/1/2003, pela MM, tratase de pagamento de empréstimo a Maurílio de Assis Vieira, devidamente comprovado perante o Fisco (declaração anexa). 11.c.9) Empréstimo a Célio Borges de Amorim. Apesar de o recorrente ter declarado que a TED recebida em 27/3/2003 cuidava de honorários de prestação de serviços, após intimação foi possível identificar o real depositante da quantia e a operação realizada. 11.c.10) Pequeno depósito em dinheiro. É relacionado, como "depósito de origem não comprovada", o valor, em dinheiro, de R$9,41 (nove reais e quarenta e um centavos) depositado em 10/7/2000. Esse valor foi depositado pelo próprio Walter Santos Neto, juntamente com o cheque que obteve de empréstimo com Fl. 1949DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.947 7 Sâmia Amin Santos; tratase de pequeno montante, perfeitamente passível de estar em poder do contribuinte, não representando, depósito de origem não comprovada. 11.c.11) Cheques da MM nominais ao recorrente, coincidentes em data, considerados depósitos de origem não identificada. A auditoria de pessoa jurídica apresentou planilhas que identificam beneficiários, exigindo que a MM confirmasse o beneficiário e a causa de cada "operação". Entre os cerca de 600 (seiscentos) cheques listados nas 11 (onze) planilhas entregues à MM, vários eram nominais ao recorrente: 11.c.12) Exemplos de empréstimos de Sâmia A. Santos ao marido, recorrente. Em 13/1/2003, Sâmia A. Santos empresta a Walter R$24.000,00 através de TED (identificada no extrato do recorrente). 11.c. 13) 28/2/2003. Apesar de a auditoria fiscal da pessoa física vincular o lançamento aos realizados pela auditoria das pessoas jurídicas, não foram considerados R$19.250,00 (28/2/2003), referentes ao pagamento de honorários feito pela Santa Casa de Misericórdia (nota fiscal 214, emitida pela MM Consultoria Ltda.). Tal receita foi devidamente lançada em DIPJ e DCTF da MM Consultoria Ltda. em 1/8/2002, e consta dos livros contábeis da sociedade, sendo que o pagamento dos honorários foi realizado em parcelas. 11.c. 14) 11/03/2003. Naquela data, fezse TED (transferência eletrônica disponível) de R$44.600,26 (comprovante anexo). Apesar de não se tratar de omissão de receita o Fisco, no lançamento, considera haver receita omitida. 11.c. 15) 15/04/2003, 22/05/2003, 29/05/2003. Em tais dias (comprovao o extrato bancário), o valor creditado (R$403,20) consistiu em reembolso da Bradesco Saúde conforme a indicação WB SAÚDE" razão pela qual não representa receita omitida. 11.c. 16) 2/6/2004. Naquele dia, da mesma forma como ocorreu em 11/3/2003, foi expedido alvará a favor do recorrente, que recebeu indenização devida a cliente, conforme documento anexo; novamente, isso não foi considerado pela fiscalização. 11.c.17) 9/3/2004. TED de R$7.632,11. Tratase de devolução de dinheiro ao recorrente, motivada por devolução de vestuário (comprado) feita por ele à loja MOffícer, em São Paulo, conforme comprovante anexo não sendo, portanto, receita. 11.c.18) Depósitos em dinheiro. Em 2004, todos os depósitos feitos em dinheiro na conta do autuado têm origem nas empresas das quais é sócio. Ressaltese que Walter Santos Neto e as sociedades tinham contas no mesmo banco e na mesma agência, sendo habitual o depósito em dinheiro na mesma data ou em data próxima. Fl. 1950DF CARF MF 8 O Recorrente apresentou ainda explicações que Dário Coelho Dutra, Alvalina Rodrigues Coelho Fontoura e José Carlos da Silva eram empregados particulares do Recorrente e também apresentou justificativas para os depósitos considerados sem origem pela Fiscalização (fls. 454/461). O Contribuinte afirmou que as multas foram exacerbadas e não foi comprovado o intuito de fraude (461/473): 12) As questões discutidas neste feito resultam de divergência de interpretação. Logo, não se pode punir o recorrente por dolo, fraude, máfé, simulação etc. Não se trata de declarações falsas. Não houve intenção de ocultação, modificação ou falsificação de dados. Isso não se evidencia nos autos pelo contrário, os autos e esta defesa são bastantes, até, para afastar a hipótese de dolo, evidente intuito de fraude, simulação, falsidade e quejandos. Notese que o recorrente até retificou declarações, elevando o montante de tributos declarados, a pagar. O próprio Fisco chega a dizer, nos processos administrativofiscais instaurados contra MM Consultoria Ltda. e S. Santos Assessoria Ltda., que a contabilidade delas é clara, boa e útil. Isso significa que a multa de 150% não é devida. O Contribuinte afirmou também que a multa é excessiva, tem caráter confiscatório e que houve ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade (465/467): O Contribuinte alegou que o Fisco não deduziu o imposto de renda retido por fontes pagadoras e que os juros da taxa Selic não são lícitos, porque não podem incidir sobre a multa (474/477): Por fim, o contribuinte pede uma nova decisão e requer (fl. 477): 18) O recorrente pede a V. Sas. que anulem (em parte) a decisão recorrida e façam realizar a perícia pedida na impugnação. 19) Ele pede a V. Sas. que, se não anularem a decisão, reformemna em parte, cancelando o lançamento impugnado, bem como o termo de verificação fiscal (TVF) e o auto de infração (AI) que o formalizam para o caso de não cancelálos, o recorrente lhes pede que, ao menos, pelas razões de mérito e pelas provas, reduzam os respectivos valores. O Recorrente, além de citar as normas legais, apresentou decisão administrativa do CARF, jurisprudências do STF, STJ, TRF 1ª Região, TRT 3ª Região, TFR, TJMG, e doutrina de diversos autores. Resolução n° 102.02457 Diligência Sobrestamento do Processo Após analisar os autos, o então Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator, propôs e os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converteram o julgamento em diligência, para sobrestar o processo (fls. 1.929/1.935): Considerando a relação de causa e efeito que une os Processos Administrativos 10680.008638/200634 (MM Consultoria) e 10680.007189/2006 a 10680.007195/2006 (S. Santos Assessoria) Fl. 1951DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.948 9 com o caso do qual ora se cuida, evidenciando verdadeira relação de prejudicialidade entre aqueles e este, tudo recomenda o sobrestamento do presente feito até a final decisão daqueles processos, para que, tão logo terminado o julgamento dos mesmos, sejam trasladadas cópias daqueles autos para o presente, a fim de que esta 2a. Câmara conclua o julgamento do recurso interposto por Walter Santos Neto. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de baixar os autos em diligência, para que, no órgão preparador, aguardese a conclusão do julgamento dos Processos Administrativos 10680.008638/200634' (MM Consultoria) e 10680.007189/2006 a 10680.007195/2006 (S. Santos Assessoria). Tão logo sejam proferidas as decisões finais nos referidos processos administrativos e trasladadas cópias integrais dos mesmos, os autos do processo administrativo instaurado em face de Walter Santos Neto deverão retornar para esta 2ª. Câmara, para conclusão do julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Rorildo Barbosa Correia Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de Nulidade No que diz respeito ao pedido do Recorrente para anular a decisão ad quo, por causa do indeferimento da perícia, não merece ser acolhido, pois a 5ª Turma da DRJ/BHE indeferiu o pedido de realização de perícia porque entendeu desnecessária à produção das provas pretendidas pelo interessado, uma vez que a pretensão do contribuinte poderia ser comprovada por meio de prova documental (fl. 399): Nesse sentido, quanto ao requerimento de diligência e perícia, tendo em vista que o âmago do lançamento corresponde à omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários, o qual, diante de presunção legal, inverte o ônus da prova do fisco para o contribuinte, como adiante se verá, e o exame do mérito delas prescinde, não se cogita a realização de perícia e diligência. No que tange à omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos e pessoa jurídica, no valor de RS 205.840,43, a infração foi devidamente comprovada pelo fisco e o interessado não juntou aos autos nenhum documento capaz de elidir a tributação. Ademais, a prova pericial, além do caráter excepcional, não depende exclusivamente da vontade das partes, mas sim de circunstâncias que justifiquem a necessidade de apreciações técnicas, por especialistas com conhecimento específico em determinadas Fl. 1952DF CARF MF 10 matérias, com o intuito de esclarecer aspectos controvertidos, para quando o julgador, diante de indícios ou elementos incipientes de prova, pudesse melhor elucidar os fatos para formar sua convicção. À vista disso, entendo que seja prescindível a realização da perícia, tendo em vista que a mesma se destinava a suprir prova que poderia ser produzida pela juntada de documentos e apresentação de dados carreados ao processo pelo contribuinte, que tem a obrigação jurídica de manter os meios probatórios de seu interesse. Assim sendo, indefiro o pedido de perícia, por considerálo desnecessário à produção das provas pretendidas pelo contribuinte Walter Santos Neto, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, que permite a autoridade julgadora, na apreciação das provas, formar livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia/diligência que entender desnecessário. Além disso, verificouse que o crédito tributário foi constituído por meio do Auto de Infração acompanhado do Relatório Fiscal, com informações sobre a constituição do crédito e demais elementos que subsidiaram a ação fiscal (fls. 11/60). Verificouse também que o procedimento fiscal adotado foi realizado observando as normas legais pertinentes à matéria e respeitando o direito do contribuinte, como: a devida intimação; o lançamento do crédito por meio de Auto de Infração, acompanhado de anexos explicativos e do relatório fiscal; a apresentação da fundamentação legal do crédito e as informações necessárias para o exercício da defesa. Ou seja, houve, por parte da Autoridade Fiscal, a apresentação das informações necessárias para propiciar ao contribuinte uma análise adequada do crédito, como também exercer o direito à ampla defesa e ao contraditório, como de fato está exercendo no Recurso, como foi exercido na impugnação. Por fim, o Recorrente pode até contestar a interpretação dada aos fatos pela Fiscalização, entretanto, é inegável que para o lançamento do Imposto de Renda foram cumpridos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235 de 06/03/1972, permitindo ao contribuinte o exercício pleno do seu direito à ampla defesa e ao contraditório, bem como não houve violação de algum dos requisitos elencados no artigo 59 do mesmo Decreto. Princípios Constitucionais Com relação as alegações de que houve violação aos princípios do não confisco, da legalidade, da moralidade, da tipicidade, da razoabilidade e da proporcionalidade, cabe esclarecer que tais vedações foram impostas pela Constituição Federal e dirigidas ao legislador ordinário, que deve considerálas quando da elaboração das disposições normativas, e não ao aplicador da lei, o qual deve obediência. Assim, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, considerações sobre ofensa aos Princípios Constitucionais, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa ou julgadora, uma vez que a determinação de lançar o tributo está definida objetivamente pela lei, não dando margem a qualquer entendimento em sentido contrário. Destacandose que o lançamento tributário realizado pela Autoridade Fiscal é uma atividade administrativa, obrigatória e vinculada nos termos do artigo 142 da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (CTN). Neste sentido, cabe registrar que a instância administrativa está adstrita a verificar se o lançamento se aplica ao caso concreto, analisar os argumentos e as provas Fl. 1953DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.949 11 apresentados pelo sujeito passivo, verificar se houve realmente o fato gerador da obrigação tributária e se a lei foi corretamente aplicada ao fato apurado na ação fiscal. Enquanto que por outro lado, fica reservado ao Poder Judiciário declarar qualquer irregularidade, ilegalidade ou inconstitucionalidade existente no ordenamento jurídico. Além disso, ressaltase que não se pode, em sede administrativa, declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de ato normativo em vigor, visto que à Administração Pública cabe tãosomente dar aplicação aos comandos legais e que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme dispõe o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal Federal – PAF. Pelas razões expostas, deixo de examinar as alegações que questionam violação aos princípios constitucionais, por extrapolar os limites da competência do julgador administrativo, observando a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Decadência O fato gerador do Imposto de Renda por se tratar de um tributo complexivo, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário, assim, o prazo decadencial para efeito de exigência do referido Imposto é de 5 anos, contados na forma do art. 150, §4º, do CTN, quando houver recolhimento ou antecipação com retenção na fonte no curso do anocalendário. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Em outro sentido, quando não houver recolhimento ou antecipação com retenção na fonte, o prazo decadencial para efeito de exigência do Imposto Renda é de 5 anos, contados na forma do art. 173, inciso I do CTN. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; No presente caso, em relação ao Imposto de Renda incidente sobre as omissões de rendimentos apuradas para o anocalendário 2000, exercício 2001, para o qual não Fl. 1954DF CARF MF 12 houve recolhimento e nem antecipação de fonte, bem como os valores não foram declarados (fl. 20), a contagem para verificar a decadência iniciouse em 01/01/2002. Portanto, quando da ciência do lançamento em 27 de setembro de 2006 (fls. 268/269), o direito de lançar o crédito decorrente das omissões de rendimentos referentes ao anocalendário 2000 e seguintes não estava extinto, e assim, não ocorreu a decadência reclamada pelo Contribuinte. Jurisprudência e Acórdãos de Decisões Administrativas De acordo com o art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as decisões administrativas, para se tornar normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, necessita de lei que lhe atribua eficácia. No presente caso, as decisões administrativas trazidas aos autos não estão amparadas por lei para se tornar normas complementares, portanto, mesmo que reiteradas, as referidas decisões não têm efeito vinculante. Todavia, no âmbito administrativo, cabe ao Conselheiro do CARF observar, no julgamento dos recursos, as súmulas aprovadas pelas Turmas e pelo Pleno da CSRF. Já em relação a jurisprudência apresentada pelo Contribuinte cabe esclarecer que os efeitos das decisões judiciais, conforme art. 503 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015), somente obrigam as partes envolvidas, uma vez que a sentença judicial tem força de lei nos limites das questões expressamente decididas. Entretanto, cabe ao conselheiro do CARF o dever de observância obrigatória de decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, após o trânsito em julgado do recurso afetado para julgamento como representativo da controvérsia. Isto posto, entendo que a doutrina, as decisões administrativas e a jurisprudência trazidos aos autos pelo recorrente enriquecem o debate, mas não vinculam este julgamento na esfera administrativa. Retificação de Declaração Perda da Espontaneidade O Recorrente alegou que o Fisco tenta desqualificar a retificação de declarações feita pelo recorrente, pelas sociedades de que faz parte e de seu cônjuge, justificando "intempestividade" e "perda da espontaneidade", embora a retificação de declaração não constitua denúncia espontânea, na verdade, nem constitui denúncia (fls. 446/447). Neste caso, observase que o Fisco está simplesmente aplicando o mandamento legal, pois conforme o §1°, art. 7°, do Decreto nº 70.235/72, o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores. Do mesmo modo, o parágrafo único do art. 138, da Lei nº 5.172/66 (CTN) , disciplina que não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Assim, qualquer iniciativa do Contribuinte no sentido de apresentar declaração retificadora após o início da ação fiscal, não será considerada pelo Fisco, por limitação imposta pela legislação tributária que não permite apresentação de forma espontânea ou voluntária. Fl. 1955DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.950 13 Dessa forma, rejeitase o argumento do Recorrente de que a retificação de declaração não se constitui denúncia espontânea. Sigilo Bancário: Requisição de Informação da RFB às Instituições Financeiras Com o julgamento do RE n° 601.314/SP pelo STF, com repercussão geral reconhecida, ficou estabelecido o entendimento de que: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. Assim, prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancaria para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros, pois a transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto, não há ofensa à Constituição Federal. No caso de aplicação da Lei Complementar n° 105, de 2001, cabe observar que o fato gerador da obrigação regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, aplicando a legislação vigente ao tempo do lançamento que tenha instituído novos critérios de apuração ou fiscalização, que amplie os poderes de investigação das autoridades administrativas e ainda que outorgue maiores garantias e privilégios ao crédito tributário, nos termos do art. 144 do CTN: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Empréstimos Com o objetivo de justificar a origem dos recursos, o Recorrente afirmou que muitos dos depósitos realizados na sua conta bancária foram decorrentes de empréstimos contraídos junto a sua esposa, a Sra. Sâmia Amin Santos. Afirmou também que dispensou maiores formalidades por ser empréstimos entre cônjuges e que é irrelevante o fato de não ter declarado a operação tempestivamente, mas que apresentou declarações retificadoras. Afirmou ainda que houve empréstimos concedidos pelos Senhores Enrico Gianelli e Maurílio de Assis Vieira (fls. 54/59 e 442/461). No presente caso, o Recorrente apresentou justificativas de que houve depósitos realizados na sua conta bancária em decorrência de empréstimos, todavia não apresentou documentos contemporâneos para comprovar tais empréstimos bem como não houve prestação de informações nas declarações de ajustes, apenas apresentou declarações simples (fls. 358/361) que poderiam ser confeccionadas a qualquer tempo, não se constituindo elemento de prova, além de não ter declarado estas informações ao Imposto de Renda. Fl. 1956DF CARF MF 14 Além disso, cabe frisar que, em relação aos fatos que ocorreram antes de o Sr. Walter Santos Neto integrar a sociedade S. Santos Assessoria Ltda, diversos valores foram transferidos, por meio de depósitos de cheques nominais ou transferências bancárias, diretamente da conta da empresa S. Santos Assessoria Ltda para conta do Sr. Walter sem passar pela conta da sócia interessada, de forma a atestar que houve transferência de valores, mas não comprovando a natureza das operações (fls. 54/59 e 336/357). Acrescentase ainda que tanto o Recorrente quanto a sua esposa, Sra. Sâmia, não apresentaram tempestivamente as informações sobre os empréstimos nas sua declarações de ajuste e nem apresentaram documentos contemporâneos para comprovar tal operação de empréstimos, como foi verificado pela Auditoria Fiscal que o Recorrente apresentou somente declaração de isento (fl. 33): 1.21. Tendo em vista que o contribuinte WALTER SANTOS NETO apresentou Declarações de Isento de Imposto de Renda de Pessoa Física nos exercícios de 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003, sendo que no exercício inicialmente fiscalizado de 2004, o contribuinte não entregou DIRPF e ainda, que SAMIA AMIN SANTOS não informou em suas DIRPFs (Declarações de Ajuste Anual de Imposto de Renda de Pessoa Física) entregues tempestivamente os empréstimos que teriam sido concedidos a Walter (...). Dessa forma, rejeitase os argumentos apresentados pelo Recorrente para afastar a tributação da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários para os quais alegou que foram provenientes de empréstimos, mas não apresentou documentação hábil e idônea para comprovar a natureza da operação (fls. 54/59, 336/357 e 442/461). Distribuição de Lucros Em relação à distribuição de lucros, a Fiscalização não acatou as justificativas apresentadas pelo Contribuinte (fl. 41/42): "foram considerados, ainda, sem comprovação da origem, os valores que o contribuinte alegou ter recebido a título de lucros distribuídos pela empresa MM Consultoria Ltda e S. Santos Assessoria Ltda, os quais não se comprovou a contabilização dos valores ou a efetiva transferência daquelas contas bancárias das pessoas jurídicas para a conta do contribuinte." No Recurso, o Sr. Walter alegou que da planilha apresentada pelo Fisco com a relação de valores para identificar os beneficiários, vários cheques da empresa MM Consultoria Ltda eram nominais a ele e indicavam distribuição de lucro. Alegou ainda que há cheques emitidos em nome de Dário Coelho Dutra, de Alvalina Rodrigues Coelho Fontoura e de José Carlos da Silva, seus funcionários particulares, para realização de pagamentos de interesse da sociedade ou dos sócios com diversas destinações. Alegou ainda que o Fisco teve acesso aos extratos bancários das empresas MM Consultoria Ltda e S. Santos Assessoria Ltda e que o trânsito do Recurso deve ser averiguado em relação às duas sociedades (fls. 442/443). Neste caso, notase que, além do Recorrente, as empresas MM Consultoria Ltda e S. Santos Assessoria Ltda também foram fiscalizadas e assim, fazse necessário verificar o resultado da auditoria fiscal para observar qual foi o entendimento tributário aplicado sobre os recursos da empresa que podem ser a origem dos depósitos na conta bancária do Recorrente, principalmente no que diz respeito à contabilização dos valores a título de distribuição dos lucros. Fl. 1957DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.951 15 Assim, passouse a consultar o processo n° 10680.008638/200634, que trata do Auto de Infração lavrado contra a empresa MM Consultoria Ltda para constituir o crédito tributário decorrente do lançamento de IRPJ, reflexos e IRRF. O Auto de Infração foi impugnado pela empresa e apreciado pela 2a Turma da DRJ/BHE que proferiu a decisão por meio do Acórdão n° 0212.445 de 17 de novembro de 2006 (fls. 953/990 do processo n° 10680.008638/200634) apresentando o seguinte entendimento quanto a distribuição do lucro para efeito da tributação do IRRF (fls. 979/984 do processo n° 10680.008638/200634): Como se viu, a Fiscalização, com base no art. 674, § 3°, do RIR/1999, somente aceitou a comprovação do beneficiário e da causa se, para cada saída de recurso, por meio de cheque ou transferência eletrônica, a operação fosse identificada na sua totalidade. Entretanto, o referido texto legal não prescreve dessa forma, ou seja, nada há nele que possa corroborar esse tipo de interpretação. Nesse sentido, nada impede que uma determinada saída de recurso possa servir para o pagamento de vários beneficiários com causas diversas. Logo, não há como não aceitar as comprovações parciais feitas na impugnação, o que, obviamente, torna passível de tributação a parte sem causa ou sem identificação do beneficiário. Portanto, à luz do transcrito art. 674, do RIR/1999, o IRRF somente será cabível se restar comprovado, inequivocamente, que o sujeito passivo efetuou pagamento sem causa justificada ou sem identificação do beneficiário. Ao revés, tendo sido comprovada, ainda que de forma parcial, a causa do pagamento e, por conseguinte, identificado o seu beneficiário, por meio de documentação hábil e idônea, não há como subsistir a exigência do imposto sobre a parte em que houver sido feita tal comprovação (de beneficiário e de causa). Em relação aos diversos cheques emitidos e contabilizados como distribuição de lucros ao sócio Walter Santos Neto, é preciso segregálos em dois grupos. O primeiro correspondentemente aos que foram emitidos pela empresa MM Consultoria Ltda, ora Impugnante, de forma nominal, ao sócio referido sócio Walter Santos Neto; o outro, de forma nominal, a funcionários de confiança do aludido sócio. (...). No que se refere aos cheques emitidos nominalmente ao sócio Walter Santos Neto e contabilizados com distribuição de lucros, não se pode desprezar a escrituração do Contribuinte, que agiu consoante os princípios de contabilidade geralmente aceitos. Portanto, os registros contábeis que identificam cheques ou transferências eletrônicas, respectivamente, emitidos ou efetuadas, de forma nominal, a favor de Walter Santos Neto, a título de distribuições de lucros ou de empréstimos, fazem prova a favor do Impugnante, à luz do art. 923, do RIR/1999. Observase que os cheques listados pela defesa, às fls. 768/769, como distribuição de lucros ao sócio Walter Santos Neto, foram assim contabilizados, como atestam as cópias do Razão, documentos de fls. 46, 54, 82, 120, 121, 122, 123, 126,127, 129, Fl. 1958DF CARF MF 16 132, 196 e 197, do Anexo II. Houve, pois, a identificação do beneficiário e a causa dos respectivos pagamentos. Desse modo, fica afastada a tributação de que trata o art. 674, do RIR/1999, em relação aos cheques emitidos nominalmente ao Sr. Walter Santos Neto, devidamente contabilizados com distribuição de lucros, já que restou identificado o beneficiário bem como foi comprovada a causa da operação. Como pode ser observado, a 2a Turma da DRJ/BHE entendeu que os registros contábeis, referentes a transferências eletrônicas e a cheques emitidos nominalmente ao sócio Walter Santos Neto, a título de distribuição de lucro, fazem prova a favor da empresa Impugnante para afastar da tributação do Imposto de Renda Retido na Fonte, os valores identificados. Assim, os valores devidamente comprovados como distribuição de lucros para o sócio Walter Santos Neto foram afastados da tributação do IRRF (fl. 981 do processo n° 10680.008638/200634): Desse modo, fica afastada a tributação de que trata o art. 674, do RIR/1999, em relação aos cheques emitidos nominalmente ao Sr. Walter Santos Neto, devidamente contabilizados com distribuição de lucros, já que restou identificado o beneficiário bem como foi comprovada a causa da operação. (fl. 981). Da mesma forma, a 2a Turma da DRJ/BHE entendeu que devia afastar a tributação do IRRF sobre a parte do recursos que fosse devidamente comprovada, em relação aos casos de valores que serviram para pagamentos de diversos beneficiários, mesmo não havendo a transferência integral dos valores correspondentes à distribuição de lucros para conta bancária do sócio Walter Santos Neto (fl. 979 do processo n° 10680.008638/200634): "saída de recurso possa servir para o pagamento de vários beneficiários com causas diversas. Logo, não há como não aceitar as comprovações parciais feitas na impugnação, o que, obviamente, torna passível de tributação a parte sem causa ou sem identificação do beneficiário." Ressaltase ainda que por causa da exoneração fiscal superior ao limite de alçada, houve Recurso de Ofício, e o Acórdão n° 120200.106 de 19 de junho de 2009 2a Câmara / 2a Turma Ordinária/ Primeira Seção de Julgamento (fls. 1.123/1.136 do processo n° 10680.008638/200634) ao apreciálo, manteve a decisão proferida pela 2a Turma da DRJ/BHE , negando provimento ao Recurso de Ofício com a seguinte ementa: RECURSO DE OFÍCIO Decisão de primeira instância pautada dentro das normais legais que regem a matéria e de conformidade com o que consta nos autos não merece qualquer reparo. Recurso de ofício a que se nega provimento. Neste sentido, após verificar o Acórdão proferido pela 2a Turma da DRJ/BHE, que acatou os argumentos para afastar da tributação do IRRF, os valores questionados como distribuição de lucro depois de comprovados o beneficiário e a causa da operação (processo n° 10680.008638/200634), entendo que os valores questionados pelo Recorrente (fls. 444/461) devem ser comparados com os valores acatados pela DRJ/BHE e havendo comprovação de que se trata do mesmo crédito, ou de parcela referente ao crédito, os valores também devem ser afastados da tributação do IRPF. Fl. 1959DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.952 17 Dessa forma, ao comparar os valores considerados lucro distribuído ao sócio Walter Santos Neto no Acórdão proferido pela DRJ/BHE (fls. 981/984 e 991/1.007 do processo n° 10680.008638/200634) com os valores questionados no Recurso destes autos (fls. 444/461), observo que assiste razão ao Recorrente no que diz respeito aos valores relacionados na Tabela 1, os quais devem ser afastados (excluir da base de cálculo) da tributação do Imposto de Renda Pessoa Física. Notase que na Tabela 1, no campo valor consta o crédito ingressado na conta bancária do Contribuinte e no campo origem se refere ao valor do cheque emitido pela empresa como pagamento pela distribuição de lucro. Em algumas oportunidades, o valor da origem é superior ao valor depositado, uma vez que parte do valor do cheque foi utilizado para pagar despesas e a outra parte para depositar na conta do beneficiário. Tabela 1 : Valores Considerados Distribuição de Lucro Data Valor R$ Motivo Origem R$ Comprovação/Processo Localização 27/06/2001 201,60 Distribuição de lucro Ch. 76.600,00 10680.008638/200634 fl. 992 03/09/2001 150,00 Distribuição de lucro Ch. 10.400,00 10680.008638/200634 fl. 993 04/02/2003 980,00 Distribuição de lucro Ch. 101.000,00 10680.008638/200634 fl. 999 28/02/2003 53.800,00 Distribuição de lucro Ch. 86.612,63 10680.008638/200634 fls. 1.000 e 3.637 02/05/2003 46.730,04 Distribuição de lucro Ch. 65.000,00 10680.008638/200634 fls. 1001 e 3.709 27/06/2003 63.000,00 Distribuição de lucro Ch. 64.278,98 10680.008638/200634 fls. 1.001 e 3.757 30/09/2003 62.000,00 Distribuição de lucro Ch. 239.598,86 10680.008638/200634 fl. 1.003 13/11/2003 81.000,00 Distribuição de lucro Ch. 111.189,25 10680.008638/200634 fls. 1.003 e 3.968 19/12/2003 64.000,00 Distribuição de lucro Ch. 128.271,89 10680.008638/200634 fls. 1.003 e 3.995 03/05/2004 28.900,00 Distribuição de lucro Ch. 75.000,00 10680.008638/200634 fls. 1.005 e 4.112 21/06/2004 80.000,00 Distribuição de lucro Ch. 180.000,00 10680.008638/200634 fls. 1.006 e 4.186 14/07/2004 14.130,00 Distribuição de lucro Ch. 53.535,19 10680.008638/200634 fls. 1.006 e 4.211 Fonte: processo n° 10680.008638/200634 fls. 981/984 e 991/1.007 Do mesmo modo, passouse a consultar o processo n° 10680.007189/2006 15, que trata do Auto de Infração lavrado contra a empresa S. Santos Assessoria Ltda para constituir o crédito tributário decorrente do lançamento do IRPJ, IRRF e outros. O Auto de Infração foi impugnado pela empresa e apreciado pela 2a Turma da DRJ/BHE que proferiu decisão por meio Acórdão n° 0212.686 de 12 de dezembro de 2006 (fls. 772/822 do processo n° 10680.007189/200615) apresentando o seguinte entendimento quanto a distribuição do lucro para efeito da tributação do IRRF (fls. 807/809 do processo n° 10680.007189/200615): Primeiramente, se, pelo confronto entre as anotações do Fisco constantes dos seus demonstrativos e as cópias do Livro Razão existentes nos autos, for constatado que o cheque ou a transferência eletrônica foi emitido ou efetuada, tendo sido o respectivo sócio identificado como destinatário da operação, a qual esteja devidamente contabilizada como distribuição de lucros, não se pode desprezar a escrituração da Contribuinte, que, no caso, agiu consoante os princípios de contabilidade geralmente aceitos. Nesse sentido, analisandose os demonstrativos fiscais (fls. 118/126) juntamente com as cópias do Livro Razão (constantes dos autos às fls. 202 e 204, do Anexo III), verificase que existem dois cheques emitidos em 23/07/2004 e 13/09/2004, respectivamente, nos valores de RS 107.754,29 e RS 6.150,00 (cujo destinatário identificado pelo Fisco foi Walter Santos Fl. 1960DF CARF MF 18 Neto), que foram devidamente contabilizados como distribuição de lucros ao referido sócio; e verificase, ainda, uma transferência entre contas (cujo destinatário identificado no demonstrativo fiscal foi Walter Santos), efetuada em 16/09/2004, no valor de RS 85.000,00, que foi devidamente contabilizada com distribuição de lucros ao referido sócio, conforme consta no Livro Razão (cópia constante dos autos às fls. 205, do Anexo III). Portanto, os aludidos registros contábeis fazem prova a favor da Impugnante, ã luz do art. 923, do RIR/1999, devendo, nesses três casos, ser afastada a tributação prevista no art. 674, do RIR/1999, já que houve identificação do beneficiário, estando também comprovada a causa da operação. Contudo, no que refere aos outros cheques emitidos, cujo histórico da operação seja "saque" ou simplesmente "cheque caixa", portanto, sem identificação do destinatário, ou os emitidos nominalmente aos funcionários de confiança do sócio Walter Santos Neto, ainda que estejam contabilizados como distribuição de lucros (como é o caso de alguns pagamentos registrados no Livro Razão, como distribuição de lucros à sócia Sâmia, fls. 71/181, do Anexo III), tais registros contábeis, apenas, não bastam para comprovar os reais beneficiários e respectivas causas desses pagamentos. Portanto, nesses casos, é preciso analisar cada cheque individualmente, somente ficando afastada a tributação prevista no art. 674, do RIR/1999, se, inequivocamente, a defesa, por meio de documentação hábil e idônea, identificar os reais beneficiários e as causas de cada operação. Resumidamente, quando, da comparação da documentação juntada pela defesa correspondentemente a cada um dos pagamentos tributados pelo Fisco, houve coincidências de datas bem como da agência bancária, essa documentação, ainda que parcialmente, serviu de prova suficiente para identificar beneficiários e causas das operações. Sendo assim, restou cabível a tributação prevista no art. 674, do RIR/1999, somente em relação à parte sem identificação de beneficiário c causa, apurada pelas respectivas diferenças entre os valores indicados pela Fiscalização no seu demonstrativo e os comprovados pela defesa. Então, verificando a documentação existente nos autos (notadamente, documentos constantes das fls. 411/415), essa dá suporte para comprovar, ainda que parcialmente, beneficiários e as respectivas causas de alguns desses pagamentos. Sendo assim, o quadro abaixo indica os valores do IRRF a serem alterados, quais sejam, os cheques emitidos em 23/07/2004 e 13/09/2004, respectivamente, nos valores de R$ 107.754,29 e RS 6.150,00, cujo destinatário foi Walter Santos Neto, estando devidamente contabilizados como distribuição de lucros ao referido sócio; a transferência entre contas (cujo destinatário identificado no demonstrativo fiscal foi Walter Santos), efetuada cm 16/09/2004, no valor de R$ 85.000,00, devidamente Fl. 1961DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.953 19 contabilizada com distribuição de lucros ao referido sócio; e os pagamentos comprovados pela defesa (documentação de fls. 411/453). Portanto, apenas nesses casos, o lançamento do IRRF, efetuado à luz do art. 674, do RIR/1999, deve ser alterado, mantendose como procedente o valor indicado na coluna final: "IRRF". Quanto aos demais valores tributados, constantes dos demonstrativos fiscais de fls. 118/126, o lançamento não merece qualquer reparo. Como pode ser observado, a 2a Turma da DRJ/BHE acatou os argumentos para afastar a tributação do IRRF incidente sobre os valores questionados como distribuição de lucro, depois que foram comprovados o beneficiário e a causa da operação. Neste sentido, após verificar o Acórdão proferido pela 2a Turma da DRJ/BHE, que acatou os argumentos para afastar da tributação do IRRF, os valores questionados como distribuição de lucro depois de comprovados o beneficiário e a causa da operação (processo n° 10680.007189/200615), entendo que os valores questionados pelo Recorrente (fls. 444/461) devem ser comparados com os valores acatados pela DRJ/BHE e havendo comprovação de que se trata do mesmo crédito, ou de parcela referente ao crédito, os valores também devem ser afastados da tributação do IRPF. Dessa forma, ao comparar os valores considerados lucro distribuído ao sócio Walter Santos Neto no Acórdão proferido pela 2a Turma da DRJ/BHE (fls. 772/822 e 807/809 do processo n° 10680.007189/200615) com os valores questionados no Recurso destes autos (fls. 444/461), observo que assiste razão ao Recorrente no que diz respeito aos valores relacionados na Tabela 2, os quais devem ser afastados (excluir da base de cálculo) da tributação do Imposto de Renda Pessoa Física. Notase que na Tabela 2, no campo valor, consta o valor do crédito que ingressou na conta do bancária do Contribuinte e no campo origem se refere ao valor do cheque emitido pela empresa como pagamento pela distribuição de lucro. No caso do valor da origem superior ao valor depositado, porque uma parte do valor do cheque foi utilizado para pagar despesas e outra parte para depositar na conta do beneficiário. Tabela 2 Valores Considerados Distribuição de Lucro Data Valor R$ Motivo Origem R$ Comprovação Localização 23/07/2004 40.000,00 Distribuição de Lucro Ch. 107.754,29 10680.007189/200615 fls. 808/809 16/09/2004 80.000,00 Distribuição de Lucro Transferência 10680.007189/200615 fls. 808/809 Fonte: processo n° 10680.007189/200615 fls. 808/809 Em relação ao argumento de que: "o Fisco glosou o cheque 00545, emitido, em 27/6/2003, pela MM no valor de R$516.000,00, porque o total de comprovantes apresentados por ela não corresponde ao valor total do cheque razão pela qual o Fisco considera o valor, no seu todo, destituído de identificação de beneficiário, operação e causa." (fl. 452), também não prospera, pois em consulta ao processo n° 10680.007189/200615 às fls. 3.747/3.751, verifiquei que não consta nenhum comprovante de depósito na conta bancária do Recorrente proveniente deste cheque. Fl. 1962DF CARF MF 20 Em relação as alegações tendo como justificativas o cheque 830, emitido em 16/6/2004, no valor de R$15.000,00; e o cheque 861, emitido em 02/7/2004, no valor de R$ 70.000,00 (fl. 454), entendo que ficaram prejudicadas, pois não houve nenhum lançamento com base em depósito com origem não comprovada para a data e o valor informados, como pode ser verificado na tabela anexa ao Auto de Infração (fls. 59). Duplicidade de Tributação (Das Sociedades e Dos Sócios) O Contribuinte alegou que (item 8, fl. 444) "muitos dos valores que aparecem em contas do recorrente já foram tributados nas duas sociedades (MM e S. Santos) mediante lançamento de ofício até mesmo, a título de "pagamentos sem causa". São, agora, tributados na pessoa do sócio (o recorrente)." O Recorrente fez alegações de duplicidade de tributação de forma genérica "muitos dos valores que aparecem em contas do recorrente já foram tributados nas duas sociedades" sem apontar especificamente quais foram os valores tributados nas empresas e na pessoa física do requerente, sem relacionar um a um para poder identificar e fazer comparação se procede ou não as alegações do Contribuinte. Mesmo assim, foram consultados os processos referentes aos lançamentos tributários das citadas empresas: o processo n° 10680.007189/200615 no qual consta o Auto de Infração lavrado contra a empresa S. Santos Assessoria Ltda e o processo n°10680.008638/200634 no qual consta o Auto de Infração lavrado contra a empresa MM Consultoria Ltda. Dessa consulta, percebeuse que não prospera o argumento do recorrente, no que diz respeito ao lançamento do crédito referente ao anocalendário 2000 (data do fato gerador), uma vez que nos processos n° 10680.007189/200615 (S. Santos Assessoria Ltda) e n°10680.008638/200634 (MM Consultoria Ltda ), os lançamentos dos créditos decorrentes do Imposto de Renda Retido na Fonte se referem ao anocalendário 2001 em diante, portanto, em relação aos créditos do anocalendário 2000, não ha que se cogitar duplicidade de tributação (fls. 68/98 do processo n° 10680.007189/200615 e fls. 70/144 do processo n°10680.008638/200634). No caso do lançamento do IRRF para o anocalendário 2002, contra a empresa MM Consultoria Ltda, que consta no Auto de Infração do processo n°10680.008638/200634, foi constatado que houve duplicidade de tributação em relação ao lançamento com base no valor R$ 11.584,44, considerado depósito sem origem comprovada. Notase que o valor de R$ 11.584,44 faz parte de um cheque no valor total de R$ 72.000,00 que, para efeito de tributação do IRRF, não foi totalmente comprovado e assim houve a tributação de IRRF, conforme pode ser comprovado nas folhas 998 e 3.447 do processo n°10680.008638/200634 (o cheque tem a mesma data do depósito na conta do beneficiário). Assim, como o valor já foi tributado pelo Imposto de Renda Retido na Fonte, fica afastada a tributação deste mesmo valor em relação ao IRPF lançado contra o Contribuinte Walter Santos Neto, conforme o registro da Tabela 3. Tabela 3 : Valor Tributado pelo IRRF Data Valor R$ Motivo Origem R$ Comprovação/Processo Localização 29/11/2002 11.584,44 Tributado na fonte Ch. 72.000,00 10680.008638/200634 fl. 998 e 3.447 Fonte: processo n° 10680.008638/200634 fls. 998 e 3.447 Fl. 1963DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.954 21 No caso dos anoscalendário 2001 e 2002, após consulta ao processo n° 10680.007189/200615 às fls. 920/921 e 970, constatouse que houve lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte contra a empresa S. Santos Assessoria Ltda incidente sobre os mesmos valores exigidos a título de Imposto de Renda Pessoa Física por omissão de rendimentos com depósitos bancários sem origem comprovada contra o Sr. Walter Santos Neto (fls. 55/56), causando possível duplicidade. Os referidos valores estão registrados na Tabela 4. Tabela 4 : Valores Lançados pelo IRRF e IRRF Data Pagamentos BC do IRRF IRRF Eximido 30/01/2001 77.044,37 118.529,80 41.485,43 21/03/2001 102.100,00 157.076,92 54.976,92 14/09/2001 20.000,00 30.769,23 10.769,23 05/10/2001 3.000,00 4.615,38 1.615,38 13/11/2001 8.000,00 12.307,69 4.307,69 29/11/2001 55.000,00 84.615,38 29.615,38 26/12/2001 20.000,00 30.769,23 10.769,23 01/03/2002 30.000,00 46.153,85 16.153,84 03/06/2002 10.000,00 15.384,62 5.384,62 06/06/2002 15.000,00 23.076,92 8.076,92 24/06/2002 1.000,00 1.538,46 538,46 Fonte: Acórdãos do processo n° 10680.007189/200615 (fls. 920/921 e 970) Entretanto, a tributação do IRRF incidente sobre tais valores lançados contra a empresa S. Santos Assessoria Ltda foi afastada, conforme Acórdão n° 10323.295 de 05 de dezembro de 2007 (fls. 906/924 do processo n° 10680.007189/200615) proferido pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, Terceira Câmara, com as inexatidões corrigidas pelo Acórdão n° 1201000.767, de 04 de dezembro de 2012 (fls. 967/970 do processo n° 10680.007189/200615) proferido pela 1a Turma Ordinária da 2a Câmara da Primeira Sessão de Julgamento: Tendo em vista todo o exposto voto por acolher parcialmente os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional para retificar, no acórdão de fl. 920 e ss., o valor dos pagamentos realizados aos sócios Walter Santos Neto e Sâmia Santos que devem ser excluídos da incidência do IRRF, conforme a seguir demonstrado: (fl. 970). Acrescentase ainda que houve Recurso Especial apresentado pela PGFN (fls. 945/958 do processo n° 10680.007189/200615), mas não houve contestação dos valores excluídos da tributação do IRRF. Então, não há que se cogitar duplicidade de tributação em relação os valores registrados na Tabela 4, pois no âmbito do Imposto de Renda Retido na Fonte, a tributação foi afastada. Neste caso, em relação ao Imposto de Renda Pessoa Física exigido sobre a omissão de rendimentos por depósitos bancários sem origem comprovada contra o Sr. Walter Santos Neto, entendo que a exigência tributária deve permanecer pois, além de não ter ocorrido duplicidade de tributação, conforme já relatado, o Recorrente não apresentou documentação hábil e idônea para comprovar a natureza da operação, no tocante a justificativa dos empréstimos. No caso da justificativa pela origem como distribuição de lucro, também não procede, pois o Sr. Walter Santos Neto somente passou a integrar sociedade S. Santos Assessoria Ltda, em 19 de dezembro de 2003, conforme 11a alteração contratual (fls. Fl. 1964DF CARF MF 22 1.846/1856 do processo n° 10680.007189/200615) e portanto não fazia jus a tal distribuição de lucro em data anterior. Diante do exposto, observo que, em relação aos valores registrados na Tabela 4, não ocorreu duplicidade de lançamento questionada pelo Contribuinte. Outros comprovantes/ Plano de Saúde Em relação as justificativas do Contribuinte de que os valores creditados créditos na sua conta bancária de R$ 403,20, no dia 15/04/2003; de R$ 581,60, no dia 22/05/2003 e de R$ 180,00, no dia 29/05/2003 se referem a reembolso do plano de saúde (Bradesco Saúde), observo que procedem os argumentos apresentados pelo Contribuinte, porque verificando os extratos bancários (fls. 929/930), notase que nestas datas, o Recorrente teve como créditos, valores provenientes de plano de saúde, pois na folha do extrato consta a expressão B Saúde e no dia 29/05/2003, conta expressamente Bradesco Saúde. Assim, entendo que deve ser excluído da base de cálculo do IRPF os referidos valores, conforme Registro na Tabela 5. Tabela 5 : Ressarcimento Plano de Saúde Data Valor R$ Motivo Comprovação Localização 15/04/2003 403,20 Ressarcimento plano de saúde Extrato fls. 929/930 22/05/2003 581,60 Ressarcimento plano de saúde Extrato fls. 929/930 29/05/2003 180,00 Ressarcimento plano de saúde Extrato fls. 929/930 Fonte: Extratos bancários fls. 929/930. Outros comprovantes/ Cartão de Crédito No que diz respeito as alegações do Recorrente, em relação aos cartões de crédito (fl. 457), que sempre que podia, antecipava pagamento de seus cartões de crédito e a diferença paga a maior era automaticamente reembolsada pelo sistema do banco, não prosperam, uma vez que o contribuinte apresentou o mesmo argumento já repisado na impugnação, sem trazer nenhum elemento novo que pudesse modificar a decisão do Acórdão nº 1213.461 proferido pela 5ª Turma da DRJ/BHE: Sobre os depósitos indicados como "cartão crédito/débito", argumenta o interessado que sempre que podia antecipava o pagamento de seus cartões de crédito (vide extratos com vencimento em 20/10/2004 e 01/12/2004). Havendo saldo credor pela antecipação de pagamento, este era automaticamente creditado na própria conta do autuado. Examinando os extratos mencionados, fls. 355 e 356, verificase que foram efetuadas antecipações de pagamento. Todavia, os referidos extratos, mesmo com as antecipações, resultaram em valor a cobrar do interessado. Assim, não restou provado que algum dos depósitos que compõem a omissão detectada pela fiscalização decorra de saldo credor de cartões de crédito e cumpre manter a exigência correspondente. Assim, em relação a este ponto, adoto a decisão de primeira instância (fls. 409) como fundamento nas minhas razões de decidir, nos termos do § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, rejeitando as alegações do Recorrente. Fl. 1965DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.955 23 Outros comprovantes/ Alvará Judicial Em relação as alegações de que o alvará judicial foi recebido pelo Recorrente e depois transferido para outras pessoas (fl. 458), não merece acolhimento, pois o contribuinte não comprovou a transferência de recursos de sua conta para conta das pessoas interessadas, uma vez que o comprovante de transferência apresentado (fl. 378) diz respeito a conta bancária do próprio Recorrente. Outros comprovantes / Devolução Quanto a alegação de que o valor de R$7.632,11, tratase de devolução de dinheiro ao Recorrente, motivada por devolução de vestuário, verificase que este ponto já foi apreciado pela DRJ que atendeu ao pedido do Recorrente excluindo da base de cálculo tal valor, nos seguintes termos (fl.410): Também se exclui o depósito em 09/03/2004, no valor de RS 7.632,11, pois a nota fiscal à fl. 358 comprova se tratar de devolução de vestuário (comprado) feita pelo contribuinte à loja M5 Indústria e Comércio Ltda., em São Paulo. Omissão de Rendimentos: Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada No que diz respeito as alegações do Recorrente afirmando que os depósitos bancários não geram presunção de renda e nem podem ser motivos para o lançamento, porque se baseia apenas em extratos de saques, transferências e depósitos bancários e que os depósitos não equivalem a receitas tributáveis omitidas, entendo que tais alegações não podem prosperar, uma vez que o contribuinte não apresentou documentação hábil e idônea, comprovando a origem dos recursos movimentados junto a instituições financeiras que pudessem sustentar seus argumentos. Embora o Recorrente tenha apresentado comprovantes de transferências bancárias e diversos cheques nominais emitidos pela empresa S. Santos Assessoria Ltda, a título de empréstimos realizados pela sua esposa Sâmia Amin Santos com recursos provenientes de distribuição de lucros que ela teria direito, entendo que a apresentação de tais comprovantes e cópias de cheques desacompanhados de documentação hábil e idônea que justifique a motivação da transferência destes recursos da conta da empresa da S. Santos Assessoria Ltda para a conta do Sr. Walter não faz prova do alegado, pois as transferências e os depósitos de cheques, por si só, não comprovam as operações de empréstimos e nem esclarecem a natureza dos rendimentos representadas na disponibilidade destes recursos. Além disso, cabe frisar que, em relação aos fatos que ocorreram antes de 19/12/2003, momento que o Sr. Walter passou a integrar a sociedade, diversos valores foram transferidos, por meio de depósitos de cheques nominais ou transferências bancárias, diretamente da conta da empresa para conta do Sr. Walter sem passar pela conta da sócia interessada, atestando que houve transferência de valores, mas não comprovando a natureza das operações (fls. 336/357). Acrescentase ainda que tanto o Recorrente quanto a sua esposa Sra. Sâmia não apresentaram tempestivamente as informações sobre os empréstimos nas sua declarações de ajuste do Imposto de Renda, inclusive, para o período em referência, o Recorrente nem apresentou declaração de ajuste. Fl. 1966DF CARF MF 24 No caso das alegações de que houve empréstimos concedidos pelos Srs. Enrico Gianelli e Maurílio de Assis Vieira, notase que não foram apresentados documentos contemporâneos comprovando tais empréstimos bem como não houve comprovação de informações nas declarações de ajustes. Ressaltando que as declarações apresentadas às folhas 358/361 poderiam ser confeccionadas a qualquer tempo e não se constitui elemento de prova, além de não ter sido informado na declaração de ajuste do Imposto de Renda. Do mesmo modo, a alegação de que houve pagamento pela realização de empréstimo a Célio Borges de Amorim, também não foi comprovada por meio de documentos contemporâneos, a concessão de tais empréstimos, bem como não houve comprovação de informações nas declarações de ajustes. O Recorrente alegou também que a comprovação da origem de diversos depósitos seria decorrente da distribuição de lucros da empresa MM Consultoria Ltda da qual é sócio, sendo que o montante depositado seria proveniente de uma parte do valor de cheques emitidos pela empresa. Por isso, foi consultado o processo n° 10680.008638/200634 no qual consta o Auto de Infração com o lançamento do IRRF contra a empresa MM Consultoria Ltda e dessa consulta, constatouse que houve créditos considerados como distribuição de lucro ao sócio Walter Santos Neto. Assim, aqueles créditos comprovados no processo n° 10680.008638/200634 como distribuição de lucro, foram comparados com os créditos apurados neste processo, e dessa comparação resultou no afastamento da tributação dos valores correspondentes a distribuição de lucro ao sócio Walter Santos Neto, conforme registros na Tabela 1. Contudo, em relação aos outros créditos referentes à omissão de rendimentos caracterizada por recursos creditados ou depositados na conta bancária do Recorrente, para os quais não foi comprovada a origem e nem foi apresentado documentação hábil e idônea para comprovar a natureza da operação, deve ser mantido o lançamento do crédito tributário. Isto posto, entendo como correto o lançamento incidente sobre os valores correspondentes à omissão de rendimentos tributáveis, no tocante a parte dos créditos, para os quais não houve comprovação da origem por meio de documentação hábil e idônea, pois houve a ocorrência das circunstâncias previstas no artigo 42 da Lei 9.430/1996, que define como omissão de receitas ou rendimentos, o montante dos depósitos bancários ou aplicações junto a instituições financeiras, sem comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados nas operações bancárias. Dessa forma, mantémse o lançamento de ofício do IRPF devido a título de omissão de rendimentos, nos termos do artigo 42 da lei nº 9.430 de 27/12/1996. Omissão de Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoas Jurídicas: No que diz respeito a exigência do Imposto de Renda incidente sobre a omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos e pessoa jurídica, no valor de R$ 205.840,43, o Contribuinte não apresentou nenhum documento que pudesse elidir a tributação. Por outro lado, observase que Fiscalização, conforme análise realizada no Termo de Verificação Fiscal TVF (fl. 51) comprovou tratarse de rendimentos recebidos de Fl. 1967DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.956 25 pessoa jurídica. Assim, entendo como correto o lançamento na forma como exigido na ação fiscal bem como na forma mantida pela decisão da DRJ/BHE. IRRF: Créditos Não Deduzidos O Recorrente alegou que: "o Fisco, ao lançar IRPF, não deduziu o imposto de renda por fontes pagadoras." (fl. 474), entretanto, não apontou quais valores foram lançados pela Fiscalização que tiveram retenção na fonte. Contudo, em consulta aos processos de fiscalização das empresas do qual o Contribuinte participa da sociedade na qualidade de sócio (processos n° 10680.007189/200615 da S. Santos Assessoria Ltda e n°10680.008638/200634 da MM Consultoria Ltda), constatouse que houve o afastamento da tributação em relação a valores decorrentes de distribuição de lucro e também que houve a tributação de determinado valor, neste caso, em relação aos valores comprovados, conforme registros nas Tabelas 01, 02 e 03, afastouse também da tributação do lançamento aqui apreciado. Aplicação da Multa No caso da multa, cabe esclarecer que a norma legal que determina a aplicação da multa de ofício no percentual estabelecido na lei, não permite a autoridade fiscal aplicar percentual diferente do qual foi estabelecido na referida norma, nem fazer diferenciação sobre a aplicação ou não da norma. Portanto, uma vez constatada a infração, a multa de oficio deve ser aplicada, não permitindo a autoridade fiscal fazer juízo de valor sobre ilegalidade ou inconstitucionalidade da norma tributária. Além disso, considerações sobre possíveis violações a princípios constitucionais ou ilegalidade, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa ou julgadora, uma vez que a determinação de lançar o tributo está definida objetivamente pela lei, não dando margem a qualquer entendimento em sentido contrário, porque o lançamento tributário realizado pela Autoridade Fiscal é uma atividade administrativa, obrigatória e vinculada nos termos do artigo 142 da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (CTN). Qualificação da Multa Em consulta ao Termo de Verificação Fiscal (fls. 51/52), percebese que a Autoridade Fiscal qualificou a multa aplicada no percentual de 150% com o seguinte fundamento: Tendo em vista que restou comprovado no curso da fiscalização a presença do evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.°. 4.502 de 1964, efetuamos o lançamento tributário , com multa de ofício majorada prevista no art. 957, inciso II, do RIR/99, art. 44, inciso II, da Lei n° 9430/1996 (...). Observase que a Fiscalização verificou que o Contribuinte adotou uma conduta para impedir ou retardar a ocorrência dos fatos geradores do Imposto de Renda, quando deixou de declarar ao Fisco, de forma reiterada, os seus rendimentos, conforme atestado pela Fiscalização (fl. 33): 1.21. Tendo em vista que o contribuinte WALTER SANTOS NETO apresentou Declarações de Isento de Imposto de Renda de Pessoa Física nos exercícios de 1999, 2000, 2001, 2002 e Fl. 1968DF CARF MF 26 2003, sendo que no exercício inicialmente fiscalizado de 2004, o contribuinte não entregou DIRPF e ainda, que SAM IA AMIN SANTOS não informou em suas DIRPFs (Declarações de Ajuste Anual de Imposto de Renda de Pessoa Física) entregues tempestivamente os empréstimos que teriam sido concedidos/a Walter, emitimos termo de intimação n° 287/2005, docs. fls. 2 a 8 do anexo 4, para que Sâmia esclarecesse os fatos. (...). Além disso, a Fiscalização extraiu do depoimento do Recorrente prestado à Comissão Parlamentar de Inquérito, informações de que o seu patrimônio era colocado em nome de outra pessoa, conforme afirmação: "na minha declaração retificada deve constar apenas dinheiro, porque não tenho patrimônio imobiliário." (fls. 49/50). Acrescentase ainda o depoimento prestado pelo Contribuinte na Décima reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (fls. 1.687/1.848), criada pelo Requerimento n° 245, de 2004, para investigar e apurar a utilização das casas de bingo para a prática de crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, bem como a relação dessas casas e das empresas concessionárias de apostas com o crime organizado (fls. 1.648/1.848). Do mesmo modo, observase que a DRJ/BHE manteve a qualificação, verificando nos autos a ocorrência de elementos caracterizadores da qualificação da multa (fls. 411/412): Tanto para esse ano, 2003, quanto para os demais períodos fiscalizados, anos de 2000, 2001, 2002 e 2004, remanesce, entre outros, o fato de a fiscalização ter apurado omissões vultosas de rendimento pelo autuado, as quais, de forma reiterada, deixaram de ser informadas à Receita Federal (fls. 14 a 18). Salientese que o contribuinte apresentou declarações de isento para todos os períodos objeto do lançamento,com exceção do exercício 2004 (a qual foi apresentada apenas em 28/02/2005 quando o contribuinte já estava sob procedimento fiscal), e que somente retificou as declarações apresentadas após iniciado o procedimento fiscal, o que denota o propósito claro de impedir ou no mínimo retardar o conhecimento dos fatos geradores dos créditos tributários pelo fisco. Dessa forma, os elementos caracterizadores da qualificação da infração estão perfeitamente comprovados nos autos, não havendo necessidade de reparar o lançamento. Portanto, verificase que, com base nos elementos caracterizadores que constam nos autos, o sujeito passivo deixou de cumprir as suas obrigações fiscais, não declarando e nem prestando informações ao Fisco sobre sua movimentação financeira, e somente após o início da ação fiscal, resolveu retificar suas declarações, caracterizando uma conduta dolosa e consciente para este fim. Diante do exposto, entendo que deve ser mantida a qualificação da multa aplicada no percentual de 150%, posto que amparada nos comandos legais aplicáveis e justificada pelo contexto probante que instrui os presentes autos. Juros Sobre a Multa de Ofício Quanto ao questionamento do Recorrente sobre ilegalidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, cabe ressaltar que esta matéria se encontra pacificada no Fl. 1969DF CARF MF Processo nº 10680.009541/200649 Acórdão n.º 2202005.383 S2C2T2 Fl. 1.957 27 âmbito do CARF, com a edição da Súmula Vinculante n° 108, publicada no Diário Oficial da União em 11/09/2018, com a seguinte redação: Súmula CARF n° 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Dessa forma, deve ser mantida a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Valores Excluídos da Base de Cálculo De acordo com os autos e conforme relatado neste voto, percebese que assiste razão ao Recorrente, no que diz respeito a comprovação da origem de valores creditados na sua conta bancária, assim, os valores comprovados e registrados na Tabela 6 devem ser afastados (excluídos da base de cálculo) da tributação do Imposto de Renda Pessoa Física. Tabela 6 Valores excluídos da base de cálculo Data Valor R$ Motivo registro 27/06/2001 201,60 Distribuição de lucro Tabela 1 03/09/2001 150,00 Distribuição de lucro Tabela 1 04/02/2003 980,00 Distribuição de lucro Tabela 1 28/02/2003 53.800,00 Distribuição de lucro Tabela 1 02/05/2003 46.730,04 Distribuição de lucro Tabela 1 27/06/2003 63.000,00 Distribuição de lucro Tabela 1 30/09/2003 62.000,00 Distribuição de lucro Tabela 1 13/11/2003 81.000,00 Distribuição de lucro Tabela 1 19/12/2003 64.000,00 Distribuição de lucro Tabela 1 03/05/2004 28.900,00 Distribuição de lucro Tabela 1 21/06/2004 80.000,00 Distribuição de lucro Tabela 1 14/07/2004 14.130,00 Distribuição de lucro Tabela 1 23/07/2004 40.000,00 Distribuição de Lucro Tabela 2 16/09/2004 80.000,00 Distribuição de Lucro Tabela 2 29/11/2002 11.584,44 Tributado na fonte Tabela 3 15/04/2003 403,20 Ressarcimento plano de saúde Tabela 5 22/05/2003 581,60 Ressarcimento plano de saúde Tabela 5 29/05/2003 180,00 Ressarcimento plano de saúde Tabela 5 Fonte: Tabelas 01 a 03 e 05 deste voto. Decisão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo do lançamento os valores discriminados na Tabela 06. (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Fl. 1970DF CARF MF 28 Fl. 1971DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722101/2011-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Tratando-se de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incabível a discussão acerca da existência ou não de pagamento antecipado, aplicando-se o art. 173, inciso I, do CTN.
Numero da decisão: 9202-008.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Maurício Nogueira Righetti, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201908
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Tratando-se de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incabível a discussão acerca da existência ou não de pagamento antecipado, aplicando-se o art. 173, inciso I, do CTN.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 19515.722101/2011-24
anomes_publicacao_s : 201909
conteudo_id_s : 6060240
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-008.128
nome_arquivo_s : Decisao_19515722101201124.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 19515722101201124_6060240.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Maurício Nogueira Righetti, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7894546
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:52:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300733317120
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-09-08T10:51:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-09-08T10:51:24Z; Last-Modified: 2019-09-08T10:51:24Z; dcterms:modified: 2019-09-08T10:51:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-09-08T10:51:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-09-08T10:51:24Z; meta:save-date: 2019-09-08T10:51:24Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-09-08T10:51:24Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-09-08T10:51:24Z; created: 2019-09-08T10:51:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-09-08T10:51:24Z; pdf:charsPerPage: 1998; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-09-08T10:51:24Z | Conteúdo => CSRF-T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 19515.722101/2011-24 Recurso Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202-008.128 – CSRF / 2ª Turma Sessão de 21 de agosto de 2019 Recorrente IMERYS DO BRASIL COMÉRCIO E EXTRAÇÃO DE MINÉRIOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Tratando-se de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incabível a discussão acerca da existência ou não de pagamento antecipado, aplicando-se o art. 173, inciso I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Maurício Nogueira Righetti, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório O presente processo trata do Debcad 51.000.292-7 (AI-22), lavrado em razão de a empresa apresentar folha de pagamento em âmbito digital com omissão ou incorreção, eis que divergente dos fatos geradores confessados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, bem como do Debcad 51.000.293-5 (AI-78), lavrado em razão da apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas, no período de 01/2006 a 12/2006, conforme Relatório Fiscal de fls. 06 a 11. A ciência do lançamento ocorreu em 21/12/2011 (fls. 339). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 21 01 /2 01 1- 24 Fl. 577DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-008.128 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.722101/2011-24 Em sessão plenária de 07/10/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatando- se o Acórdão nº 2402-004.300 (fls. 468 a 475), assim ementado: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/12/2011 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas. INFRAÇÃO. ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO COM OMISSÃO OU INCORREÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária, deixar de apresentar a empresa arquivos e sistemas das informações em meio digital relativos aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal no leiaute exigido. Recurso Voluntário Negado." A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário." Cientificada do acórdão em 02/07/2015 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 485), a Contribuinte interpôs, em 17/07/2015 (carimbo de fls. 487), o Recurso Especial de fls. 487 a 538, com fundamento nos artigos 64, inciso II, e 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir as seguintes matérias: - decadência, relativamente ao Debcad 51.000.292-7 (AI-22); e - nulidade do Debcad 51.000.293-5 (AI-78), por erro no fundamento legal da multa. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, apenas em relação à primeira matéria, conforme despacho de 30/12/2015 (fls. 543 a 548), o que foi mantido pelo Despacho de Reexame de fls. 549 a 551. Em seu apelo, quanto à matéria que obteve seguimento, a Contribuinte alega: Fl. 578DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-008.128 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.722101/2011-24 - ao contrário do que restou consignado no acórdão recorrido, o crédito exigido no Debcad n° 51.000.292-7 é totalmente indevido, em razão da ocorrência do prazo decadencial (art.150, § 4°, do CTN); - isso porque a jurisprudência do CARF vem admitindo que a omissão de informações de segurados na folha de pagamentos constitui infração que ocorre e se concretiza instantaneamente, devendo o prazo decadencial ser verificado a partir desta data; - e ainda que assim não fosse, a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional seria justificada pelo entendimento já manifestado pelo antigo Conselho de Contribuintes, segundo o qual o prazo decadencial da multa, ainda que lançada isoladamente, como no presente caso, deve seguir o prazo de decadência do tributo correspondente. Ao final, a Contribuinte pede que seja conhecido e provido o recurso, afastando-se os Autos de Infração. O processo foi encaminhado à PGFN em 03/01/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 563) e, em 11/01/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 575), foram oferecidas as Contrarrazões de fls. 565 a 574, contendo os seguintes argumentos: - não é difícil concluir que a situação em apreço, no tocante ao curso do prazo decadencial, há de ser disciplinada pelo art. 173, I, do CTN, e não pelo art. 150, § 4º, pela simples razão de que é impossível conceber a existência de pagamento antecipado por parte do Contribuinte em tal caso; - com efeito, se o crédito tributário decorre de penalidade infligida ao sujeito passivo porque descumpriu dever instrumental (fazer ou não-fazer determinada prestação) a que estava obrigado, entremostra-se óbvia a inviabilidade da ocorrência de qualquer pagamento antecipado de sua parte, já que a quantia devida encontra sua origem no ato emanado da autoridade fiscal, em lançamento de ofício; - antes da atividade de lançamento da multa, nada há a recolher, pois até então falta à obrigação acessória “conteúdo dimensível em valores econômicos", como anota Paulo de Barros Carvalho; - demais disso, carece de juridicidade a tese de que a contagem do prazo decadencial referente à multa veiculada em Auto de Infração deve acompanhar a mesma sorte da contagem prevalente para as Contribuições Previdenciárias, em razão de uma suposta relação de causa e efeito; - vale dizer, o pagamento antecipado do tributo emana efeitos tão-somente no que tange à obrigação principal, para permitir a aplicação do art. 150, § 4.º, do CTN, na apuração do quinquênio decadencial; - em relação à penalidade pecuniária decorrente da obrigação acessória, que se encontra em outro plano, nada foi antecipado a título de pagamento, até porque seria impossível, de forma que é inevitável submeter seu regime de decadência às disposições do art. 173, I, do CTN. Fl. 579DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-008.128 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.722101/2011-24 Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado provimento ao recurso. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora O Recurso Especial interposto pela Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Trata-se do Debcad 51.000.292-7 (AI-22), lavrado em razão de a empresa apresentar folha de pagamento em âmbito digital com omissão ou incorreção, eis que divergente dos fatos geradores confessados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, bem como do Debcad 51.000.293-5 (AI-78), lavrado em razão da apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas, no período de 01/2006 a 12/2006, conforme Relatório Fiscal de fls. 06 a 11. A ciência do lançamento ocorreu em 21/12/2011 (fls. 339). A matéria em discussão é a decadência, sendo que o litígio envolve apenas o Debcad 51.000.292-7 (AI-22). Em seu apelo, a Contribuinte pede a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. Entretanto, o presente processo trata de multa por descumprimento de obrigação acessória, cujo lançamento é levado a cabo na modalidade de ofício, e não de homologação, portanto não se harmoniza com a problemática de existência ou não de pagamento antecipado, daí a inaplicabilidade da decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ no Recurso Especial nº 973.733 - SC, submetida à sistemática de recursos repetitivos. Assim, o dispositivo do CTN a ser aplicado é o artigo 173, inciso I, sem possibilidade de deslocamento do dies a quo para a data de ocorrência do fato gerador. Destarte, aplicando-se o art. 173, I, do CTN, considerando-se que os fatos geradores mais antigos ocorreram na competência 01/2006, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 1º/01/2007, findando-se o prazo decadencial em 31/12/2011. Como a Contribuinte foi intimada em 21/12/2011, não há que se falar em decadência. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Contribuinte e, no mérito, nego-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 580DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-008.128 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.722101/2011-24 Fl. 581DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.730981/2013-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011
CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE
Por integrar o valor do estoque de matéria-prima, é possível a apuração de crédito a descontar das contribuições não-cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de matéria-prima entre estabelecimentos da mesma empresa.
FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para formação de lote de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao crédito em relação à contribuição.
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS.
Para o aproveitamento de créditos extemporâneos, não é necessária retificar as DACON´s do período em que eles poderiam ter sido lançados, tampouco as respectivas DCTF´s do período de sua apuração.
CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INSUMO. BIODIESEL.
A possibilidade de apuração de crédito presumido a partir da aquisição de "sebo" utilizado na produção de biodiesel, nos termos do art. 47 e 47-B da Lei nº 12.546/2011, de 14 de dezembro de 2011, não produziu efeitos retroativos.
CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INSUMO. PRODUTOS DESTINADOS A ALIMENTAÇÃO.
O crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é apurado somente em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos capítulos e posições da NCM nele previstos.
ESTORNO DE CRÉDITO PRESUMIDO. VENDA COM SUSPENSÃO. FARELO DE SOJA
É vedado o aproveitamento de créditos em relação a receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas sujeitas ao crédito presumido de farelo de soja (NCM 23.04) e de farelo de girassol (NCM 23.06) anteriormente à publicação da Lei nº 12.431/2011 (Publicada em 27.06.2011)
Numero da decisão: 3401-006.119
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para manter a decisão de piso no que se refere a despesas de frete entre estabelecimentos da empresa, relacionadas à formação de lote de exportação, vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado, Rodolfo Tsuboi e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto; e (b) por unanimidade de votos, para (i) reconhecer como possível a apropriação extemporânea de créditos das contribuições, observados os demais requisitos legais para seu creditamento; (ii) admitir os créditos referentes à Nota Fiscal nº 180; (iii) admitir os créditos em relação a aquisições de insumos via industrialização por encomenda; (iv) admitir os créditos referentes a fretes entre estabelecimentos na movimentação de matéria-prima; (v) admitir o crédito presumido em relação a aquisição do sebo com a suspensão de PIS/COFINS, atestada em diligência; e (vi) negar provimento em relação aos demais itens recursais.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto.
Nome do relator: Tiago Guerra Machado
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE Por integrar o valor do estoque de matéria-prima, é possível a apuração de crédito a descontar das contribuições não-cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de matéria-prima entre estabelecimentos da mesma empresa. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para formação de lote de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao crédito em relação à contribuição. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Para o aproveitamento de créditos extemporâneos, não é necessária retificar as DACON´s do período em que eles poderiam ter sido lançados, tampouco as respectivas DCTF´s do período de sua apuração. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INSUMO. BIODIESEL. A possibilidade de apuração de crédito presumido a partir da aquisição de "sebo" utilizado na produção de biodiesel, nos termos do art. 47 e 47-B da Lei nº 12.546/2011, de 14 de dezembro de 2011, não produziu efeitos retroativos. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INSUMO. PRODUTOS DESTINADOS A ALIMENTAÇÃO. O crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é apurado somente em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos capítulos e posições da NCM nele previstos. ESTORNO DE CRÉDITO PRESUMIDO. VENDA COM SUSPENSÃO. FARELO DE SOJA É vedado o aproveitamento de créditos em relação a receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas sujeitas ao crédito presumido de farelo de soja (NCM 23.04) e de farelo de girassol (NCM 23.06) anteriormente à publicação da Lei nº 12.431/2011 (Publicada em 27.06.2011)
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10120.730981/2013-33
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6050814
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-006.119
nome_arquivo_s : Decisao_10120730981201333.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : Tiago Guerra Machado
nome_arquivo_pdf_s : 10120730981201333_6050814.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para manter a decisão de piso no que se refere a despesas de frete entre estabelecimentos da empresa, relacionadas à formação de lote de exportação, vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado, Rodolfo Tsuboi e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto; e (b) por unanimidade de votos, para (i) reconhecer como possível a apropriação extemporânea de créditos das contribuições, observados os demais requisitos legais para seu creditamento; (ii) admitir os créditos referentes à Nota Fiscal nº 180; (iii) admitir os créditos em relação a aquisições de insumos via industrialização por encomenda; (iv) admitir os créditos referentes a fretes entre estabelecimentos na movimentação de matéria-prima; (v) admitir o crédito presumido em relação a aquisição do sebo com a suspensão de PIS/COFINS, atestada em diligência; e (vi) negar provimento em relação aos demais itens recursais. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7866628
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052300741705728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1835; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.730981/201333 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401006.119 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de abril de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente CARAMURU ALIMENTOS S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE Por integrar o valor do estoque de matériaprima, é possível a apuração de crédito a descontar das contribuições nãocumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de matériaprima entre estabelecimentos da mesma empresa. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para “formação de lote” de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao crédito em relação à contribuição. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Para o aproveitamento de créditos extemporâneos, não é necessária retificar as DACON´s do período em que eles poderiam ter sido lançados, tampouco as respectivas DCTF´s do período de sua apuração. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INSUMO. BIODIESEL. A possibilidade de apuração de crédito presumido a partir da aquisição de "sebo" utilizado na produção de biodiesel, nos termos do art. 47 e 47B da Lei nº 12.546/2011, de 14 de dezembro de 2011, não produziu efeitos retroativos. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. INSUMO. PRODUTOS DESTINADOS A ALIMENTAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 73 09 81 /2 01 3- 33 Fl. 6720DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 3 2 O crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é apurado somente em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos capítulos e posições da NCM nele previstos. ESTORNO DE CRÉDITO PRESUMIDO. VENDA COM SUSPENSÃO. FARELO DE SOJA É vedado o aproveitamento de créditos em relação a receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas sujeitas ao crédito presumido de farelo de soja (NCM 23.04) e de farelo de girassol (NCM 23.06) anteriormente à publicação da Lei nº 12.431/2011 (Publicada em 27.06.2011) Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para manter a decisão de piso no que se refere a despesas de frete entre estabelecimentos da empresa, relacionadas à formação de lote de exportação, vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado, Rodolfo Tsuboi e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto; e (b) por unanimidade de votos, para (i) reconhecer como possível a apropriação extemporânea de créditos das contribuições, observados os demais requisitos legais para seu creditamento; (ii) admitir os créditos referentes à Nota Fiscal nº 180; (iii) admitir os créditos em relação a aquisições de insumos via industrialização por encomenda; (iv) admitir os créditos referentes a fretes entre estabelecimentos na movimentação de matéria prima; (v) admitir o crédito presumido em relação a aquisição do sebo com a suspensão de PIS/COFINS, atestada em diligência; e (vi) negar provimento em relação aos demais itens recursais. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Oswaldo Gonçalves de Castro Neto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ/RPO, que manteve o despacho decisório que não homologou créditos relativos ao PIS/COFINS, na modalidade não cumulativa. Diante da decisão de primeiro grau, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a esse Tribunal administrativo, reprisando as seguintes teses da impugnação: (a) Das despesas com fretes entre estabelecimentos Fl. 6721DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 4 3 Informa que as transferências entre estabelecimentos da pessoa jurídica tiveram por escopo o armazenamento das mercadorias com destino certo à exportação e já negociada; que o frete contratado confere à empresa o direito ao aproveitamento do crédito, porque é decorrente de operação de venda para o exterior, onde o transporte é realizado em duas etapas, sendo a primeira até o porto — que corre às expensas do vendedor —; e a outra do porto de origem até o destino final — que é de responsabilidade do comprador. Ressalta que "se é certo que se deve considerar a remessa para exportação "frete na operação de venda", a remessa anterior para a formação de lote deve ser incluída no mesmo conceito, pois este frete nada mais é do que uma primeira etapa do transporte definitivo da mercadoria para o seu destino final". Informa que o seu estabelecimento industrial está situado no centrooeste, distante do embarque dos produtos para o exterior, realizados em Santos/SP e que, antes de chegar no Porto de Santos, os produtos são transportados por via rodoviária ou aquaviária, desde as fábricas localizadas no Estado de Goiás, até as filiais localizadas em Pederneiras/SP ou Anhembi/SP. A partir das filiais, as mercadorias são transportadas até o porto de Santos pela via ferroviária; c. o frete entre estabelecimentos tem por finalidade precípua colocar os produtos vendidos em condições de serem embarcados/vendidos para o exterior. E conclui: (...) Ainda que se entendesse que os fretes contratados pela Impugnante não se encartassem no conceito de "fretes sobre venda", tais gastos encontram amparo no inciso I do art. 3o, das L eis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, por serem gastos necessários à colocação do bem em condições de venda (tem natureza de custo), tal como definido na legislação do Imposto de Renda (art. 289 do RIR/1999); Por fim, reforçar que direito ao crédito é garantido pela leitura do artigo 3º, das Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003, seja como despesa com venda, seja como custo a ser incorporado ao bem em estoque (neste caso se não houvesse contratado previamente a venda); (b) Despesas de armazenagens e fretes extemporâneos A contribuinte diz que o art. 3o, § 4o, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, prescreve, sem fazer qualquer ressalva quanto ao prazo e formalidades para o creditamento e de forma clara e taxativa, que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. No que tange ao crédito presumido extemporâneo, assevera que o § 2º, do art. 8o, da Lei n° 10.925/2004 manda aplicar o § 4o, do art. 3o, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não havendo disposição expressa em sentido contrário. Vejamos: "(...) tendo em conta que inexiste no ordenamento jurídico qualquer previsão legal que vede, de forma expressa, o aproveitamento extemporâneo, é de se concluir, reprisese, que autorizado está o contribuinte à recuperação de créditos que não foram aproveitados no passado". Prossegue afirmando que o § 8o, do art. 3o, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, não fixaram regime de competência para apropriação de créditos do PIS/PASEP e da COFINS, mas tão somente definiram critério de cálculo desses mesmos créditos, sendo Fl. 6722DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 5 4 que o momento da apropriação continua a ser disciplinado pelo § 1° do aludido art. 3o, de sorte que, em não havendo o aproveitamento em tal ocasião, o contribuinte pode fazêlo em período posterior, por força do permissivo contido no § 4o também daquele comando legal. Após citar um trecho do Manual de Preenchimento do DACON que estabelece: "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, sem atualização monetária ou incidência de juros" e dizer que este manual se enquadra na definição de "norma complementar" estabelecida no art. 96 do Código Tributário Nacional CTN, diz que a glosa de créditos extemporâneos se afigura um ato abusivo e ilegal, motivo que desautoriza o lançamento. (c) Das despesas de armazenagem prescritas Quanto à prescrição de parte do crédito relativo às despesas de armazenagens, a recorrente alega que os créditos do PIS e da COFINS não sofre qualquer hipótese de prescrição, mesmo porque as Leis federais 10.637/2002 e 10.833/2003 não preveem qualquer prazo para a fruição dos créditos (d) Aquisição de Bens usados como insumos Sobre as glosas realizadas, o contribuinte juntou documentação suporte para comprovar tais dispêndios, que não teriam sido apresentadas durante o procedimento fiscal. (e) Aquisição de Bens que seriam ativo imobilizado Reproduziu a Resolução CFC nº 1.177/2009 e citar o art. 301 do RIR, que possibilita reconhecer como despesa bem cujo valor unitário se mostre elevado, desde que o prazo de vida útil seja inferior a um ano, e a Solução de Consulta DISIT/SRRF06, de 13 de maio de 2015, diz que a obrigatoriedade de imobilização de gastos realizados em bens do imobilizado é bastante restrita, pois somente se aplica quando o bem beneficiário da reforma alcançar nova vida útil. No caso em tela é diferente, são peças que se desgastam ou deterioram rotineiramente, sem, contudo, elevar a vida útil da máquina ou equipamento, não se mostrando suficiente para concederlhes o tratamento de imobilizado. Arguiu que, caso se admita o enquadramento dos materiais adquiridos como bem do imobilizado, os bens conferem créditos sobre os encargos de depreciação, com observância da metodologia adotada pela Lei nº 11.774/2008. (f) Do direito ao crédito presumido de PIS/PASEP e Cofins nas aquisições de "sebo" para a produção de biodiesel Afirmou que o insumo "sebo" é utilizado unicamente para a produção de biodiesel e que "as aquisições realizadas pela Impugnante do insumo "sebo", destinadas a fabricação de biodiesel, ocorridas anteriormente a 15/12/2011, são abarcadas pelo direito ao crédito presumido de PIS/PASEP e COFINS, por força do que prevê o art. 34 da Lei n° 12.058/2009(...)”. (g) Do direito ao crédito presumido de PIS/PASEP e Cofins nas vendas no mercado interno de "farelo de girassol" Fl. 6723DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 6 5 Ressalva que a fiscalização teria erroneamente desconsiderou os créditos de contribuições relativos à venda no mercado interno de farelo de girassol, haja vista o contido nos arts. 54 e 55, § 5º, inciso II, da Lei nº 12.350/2010. Nesse contexto, assegura que o "farelo de soja" é obtido por meio da industrialização da "semente de girassol" e é vendido com o benefício da suspensão de PIS e Cofins a destinatários que irão utilizálos na alimentação animal; e que “a semente de girassol utilizada para produzir o "farelo de girassol", por ser adquirida das pessoas indicadas no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, garante à impugnante o direito de se apropriar dos créditos presumidos de PIS e Cofins”, e por fim, “o fato de o "farelo de girassol" ser comercializado com o benefício da suspensão de PIS e Cofins, não impõe à contribuinte a obrigação de promover o estorno dos créditos presumidos anteriormente apropriados, pois inexiste na lei nº 10.925/2004 tal previsão; (h) Do estorno do crédito presumido decorrente de venda com suspensão no mercado interno de farelo de soja Quanto ao estorno de créditos presumidos decorrentes de venda de farelo de soja com suspensão de PIS e Cofins no mercado interno, a contribuinte diz que, nos termos da Lei Complementar nº 95/1998, a vigência da lei será sempre indicada de forma expressa e as disposições normativas serão regidas com clareza, precisão e ordem lógica; Conclui que tem direito ao crédito presumido, nos termos do art. 64 da Lei nº 12.350/2010 e art. 22 da Instrução Normativa nº 1.157/2011. (i) Da glosa parcial de crédito presumido da soja adquirida para produção de farelo A contribuinte rejeitou a glosa parcial dos créditos presumidos da soja adquirida, na medida em que afirma que a parcela de soja utilizada na produção de biodiesel não proporciona o direito de a empresa se beneficiar dos créditos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Buscou demonstrar documentalmente que toda a soja fora utilizada na produção de mercadoria destinada à alimentação humana ou animal, “sendo que o óleo resultante do mesmo processo não interferiu na produção do farelo de soja, produto este que faz jus ao crédito.“ Afirmou também que que não há previsão legal que ampare o rateio de crédito empregado pela fiscalização e que a analogia não pode criar restrições, nem resultar em cobrança de tributos não previsto em lei. Por fim, rejeitou a aplicação de juros sobre a multa de ofício durante o curso do processo para atualização do crédito ora constituído, por falta de embasamento legal para aplicação da Taxa SELIC sobre essa parcela. Ainda apresentou documentos adicionais para comprovar suas alegações, em especial sobre os créditos sobre frete entre estabelecimentos e sobre o crédito presumido decorrente de sua atividade agroindustrial, entre outros. É o relatório. Fl. 6724DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.115, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10120.720057/201420. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.115): "Do mérito O Recurso Voluntário se insurge contra o entendimento da decisão de primeiro grau que manteve as glosas de créditos delineadas no MPF nº 0120100201300983 a respeito das seguintes rubricas: (a) Despesas de frete entre estabelecimentos da empresa, relacionados à formação de lote de exportação; (b) Despesas de armazenagens e fretes sobre venda, cujos créditos foram tomados após o período de competência contábil em que foram registradas; (c) Despesas de armazenagem, cujos créditos foram considerados prescritos pois tomados após cinco anos da emissão dos respectivos documentos; (d) Insumos. Falta de comprovação; (f) Despesas relativas a manutenção de máquinas e equipamentos (partes e peças de reposição); (g) Do crédito presumido na aquisição de sebo para produção de biodiesel; (h) Do estorno do crédito presumido decorrente de venda com suspensão no mercado interno de farelo de soja; (i) Crédito presumido nas vendas no mercado interno de "farelo de girassol"; (j) Crédito presumido sobre a soja adquirida para produção de farelo. Passo a expor: Fl. 6725DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 8 7 (a) Despesas de frete entre estabelecimentos da empresa, relacionados à formação de lote de exportação; 1 Já tive a oportunidade de me manifestar sobre o tema quando da prolação do Acórdão no 3403002.681, do qual extraí a ementa proposta ao colegiado: “COFINS. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para “formação de lote” de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao creditamento em relação à contribuição.” (Acórdão n. 3403002.681, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014) O dispositivo legal que rega a matéria nas leis de regência das contribuições (art. 3o das Leis no 10.637/2003 e no 10.833/2003) contempla as operações de venda e as aquisições de insumos. As transferências entre estabelecimentos da empresa de mercadorias acabadas, contudo, não encontram, na legislação de regência, previsão de geração de créditos. Como destacamos no citado acórdão, remetendo a voto do Cons. Marcos Tranchesi Ortiz: “Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode (sic) se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3o, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3o. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido.” (Acórdão n. 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25.abr.2012) Assim, a transferência a estabelecimento filial para “formação de lote”, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação. 1 Transcritos apenas os entendimentos que prevaleceram na decisão sobre o tema. Deixouse de transcrever o entendimento vencido, que pode ser consultado, na íntegra, no processo paradigma. Fl. 6726DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 9 8 Mais enfático, ainda o Acórdão no 3403003.164, no qual se asseverou o colegiado, também unanimemente, e com minha participação, que: “CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para “formação de lote” de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao creditamento em relação à contribuição.” (Acórdão n. 3403001.556, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) Incumbe registrar que mantenho tal entendimento mesmo após a reversão pontual, por maioria, do resultado de um dos precedentes citados (Acórdão no 3403002.681) na Câmara Superior de Recursos Fiscais, que entendeu ser a “formação de lotes de exportação” uma operação de venda (vencidos, neste tema, os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira santos e Jorge Olmiro Lock Freire). Isso porque a “formação de lotes de exportação” é etapa que antecede uma possível (mas, ainda não efetivada) exportação, e não envolve nem compra nem venda, mas mero acúmulo de mercadorias para venda futura (a menos que se demonstre documentalmente o oposto, o que não ocorre no presente processo). Não vemos, assim, como possa se amoldar a situação ao disposto no art. IX do art. 3o da lei de regência, que trata de frete na operação de “venda”, visto que “venda” não houve, nesta operação de transferência para “formação de lotes de exportação”. (b) Despesas de armazenagens e fretes sobre venda, cujos créditos foram tomados após o período de competência contábil em que foram registradas; O entendimento fazendário, que restou confirmado na decisão recorrida, direcionase no sentido de que os bens e serviços somente poderiam ter seus créditos imputados ao período de competência em que foram adquiridos. Contudo, não comungo do mesmo posicionamento. Primeiramente, vejamos o que diz o citado artigo 3º, em seu caput e no parágrafo quarto: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 6727DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 10 9 § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. Vejam que, em interpretação literal e sistemática, o parágrafo quarto estabeleceu o direito de o contribuinte apropriar crédito que eventualmente não tenha sido utilizado para desconto da base de cálculo em um determinado mês em períodos de apuração subsequentes. Caso o legislador fizesse menção ao excesso de créditos, ou mesmo a expressão “saldo credor” – como o faz em diversos outros normativos relativos às contribuições sociais – ele teria o feito. Desse modo, não caberia restrição ao Poder Executivo restringir esse direito quando estabeleceu normas relativas à gestão da fiscalização e arrecadação desses tributos, como faz crer a decisão ora recorrida. É claro que o direito original aos créditos das contribuições parte do pressuposto de que eles devam ser registrados simultaneamente à escrituração dos documentos que embasam a aquisição de bens e serviços, ou ainda que venha a ser apropriado nos períodos em que determinados custos e despesas forem considerados incorridos. Todavia, o parágrafo quarto acima mencionado possibilitou ao contribuinte vir a registrar extemporaneamente os créditos de PIS e COFINS registrados na sistemática não cumulativa das referidas contribuições, vindo a aproveitálos para desconto das contribuições sociais em períodos de apuração distintos (futuros) dos quais se originaram. Esse entendimento vem sendo unânime nessa turma, que aduziu dessa mesma maneira, no Acórdão 3401004.022, proferido em outubro/2017, de relatoria do Conselheiro Robson Bayerl. Vejamos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/04/2011 a 30/06/2011, 01/08/2011 a 31/08/2011, 01/11/2011 a 30/11/2011 PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo “insumo”, insculpido no art. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não pode ser equiparado restritivamente aos conceitos de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, próprios da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, tal como detalhado no PN CST 65/79, tampouco extenso como os conceitos de custo de produção e despesas operacionais da legislação do IRPJ, arts. 290 e 299 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), consistindo em bens e serviços, inerentes e necessários à atividade da empresa, adquiridos e empregados Fl. 6728DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 11 10 diretamente na área de produção, desde que sofram a incidência das contribuições não cumulativas na etapa anterior da cadeia produtiva. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha a retificação das DACONs para que seja alocado no período de apuração a que se refira o dispêndio. ALUGUÉIS. DIREITO DE CRÉDITO. DELIMITAÇÃO. O direito de crédito relativo aos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na empresa, previsto no art. 3º, IV das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, compreende apenas a retribuição pelo uso e gozo da coisa não fungível, nos contratos de locação, como regulado pelo art. 565 e ss. do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), não englobando as despesas condominiais e demais taxas sob responsabilidade dos locatários, bem assim, as contraprestações financeiras, a cargo dos parceiros públicos, nos contratos administrativos de concessão das parcerias públicoprivadas. BENEFÍCIO FISCAL ESTADUAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCIDÊNCIA. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Afastada a hipótese de caracterização do crédito presumido concedido pelo Estado do Bahia, através do Decreto nº 6.734/97, como subvenção para investimento, inaplicável as disposições do art. 21 da Lei nº 11.941/2009, então vigente, enquadrandose o benefício fiscal em comento no conceito amplo de receita veiculado no art. 1º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, submetendose à incidência das contribuições de que tratam. Recurso voluntário provido em parte. Em seu voto, o Ilustre Conselheiro destaca: Esta interpretação atribuída aos dispositivos é plausível, porém, não é a única aceitável, pois, tanto as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, como as INs RFB 247/02 e 404/04 que as normatizam, não distinguem o crédito, como espécie, do saldo credor, preferindo a adoção do termo “crédito” indistintamente para uma e outra finalidade, razão porque a interpretação do contribuinte é também acertada, mormente pela sua dicção literal, consoante a qual “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. Fl. 6729DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 12 11 Ora, os créditos da não cumulatividade podem ser pleiteados a qualquer tempo, enquanto não decaído o direito ao seu exercício, não havendo norma clara que imponha a retificação das DACONs para inclusão de créditos nos períodos de apuração a que se refiram, de maneira que não haveria obstáculo ao aproveitamento a destempo sem observância estrita do regime de competência, como exigiram a DRF/DRJ, eis que se trataria de situação esporádica, valendo a analogia com o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, onde os créditos alegados extemporaneamente não impõem a reescrituração do livro, bastando sua indicação em campo próprio. Assim, o aproveitamento de créditos fora dos períodos de apuração a que se referem é possível, como defendido pelo contribuinte, cumprindo à fiscalização a verificação se, de fato, este crédito não foi aproveitado anteriormente e observada a delimitação do conceito de insumo formulada no presente acórdão. Entendo não ser possível criar uma vedação, por meio de interpretação, onde a lei, ou mesmo os atos administrativos correlatos, não expressamente o fizeram. Desse modo, deve ser acolhida a pretensão do contribuinte. Diante do exposto, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada para considerar possível a apropriação extemporânea de créditos das contribuições sociais, observados os demais requisitos legais para seu creditamento. (c) Despesas de armazenagem, cujos créditos foram considerados "prescritos" pois tomados após cinco anos da emissão dos respectivos documentos; Nesse item, a Recorrente alega que o Relatório Fiscal que ensejou o lançamento de ofício considerou ter havido dois tipos de "prescrição": (i) dispêndios ocorridos antes de julho de 2006; (ii) dispêndios ocorridos após julho de 2006. Analisando o aludido Relatório, vêse que isso não é exatamente verdade. O que ocorreu é que a fiscalização considerou prescritos os créditos decorrentes de dispêndios realizados após cinco anos contados de cada período de apuração das contribuições sociais, de de maneira que houve glosas "por prescrição" separados mês a mês, sendo certo que o espaço temporal objeto daquele MPF de aproximadamente dois anos. Por outro lado, aduz a Recorrente que não há, na legislação das contribuições, tampouco na legislação complementar (CTN), previsão legal para a decadência do direito de escriturar os créditos extemporâneos em cinco anos, dado que o artigo 168, do CTN trata de crédito tributário e não de créditos escriturais, Fl. 6730DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 13 12 como é o caso da nãocumulatividade do PIS e da COFINS; tampouco restaria aplicável o Decreto 20.910/1932, porque esse estaria tratando de prescrição do direito de ação perante a Fazenda Pública, o que também não seria o caso dos créditos escriturais. Ora, de fato, as Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003 estabelecem a possibilidade de apuração de créditos a serem utilizados para desconto do valor devido ao PIS e à COFINS, calculados na modalidade nãocumulativa, sendo certo que são, indubitavelmente, "direitos creditórios" que reduzem o valor devido a título das contribuições sociais; indo mais além, quando há saldo credor decorrem do "excesso" de créditos em comparação aos respectivos débitos, é possível até o mesmo o seu ressarcimento. É verdade, porém, que houve um silêncio nesses textos normativos quanto ao prazo prescricional para a apropriação dos créditos escriturais, o que não significa dizer, aprioristicamente, que não há um termo inicial ou que não há limite temporal para o exercício dessa faculdade do contribuinte. O ordenamento jurídico deve ser analisado como um sistema entrelaçado de normas, princípios e valores que não permite a aplicação nua e crua de um determinado texto normativo sem avaliar todos os seus aspectos ascendentes e descendentes. O intérprete que assim o fizer colocará em risco toda a efetividade do ordenamento, deixando margem para que a atividade de interpretação deixe de ter sua função de uniformizar igualitariamente os direitos e obrigações entre os membros da sociedade sujeita àquele ordenamento, para ser uma ferramenta de legitimação da imposição individual de vontades. Dito isso, reconheço que há certa concordância na afirmação de que o direito ao aproveitamento desses créditos não pode se confundir com o direito à restituição de tributo pago indevidamente ou a maior, não se ensejando a aplicação do artigo 168, do CTN; contudo, não há como afastar a aplicação subsidiária do Decreto 20.910/1932, plenamente em vigor, cujo artigo 1º afirma: Art. 1º As dividas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Vêse que o espectro alcançado pelo citado artigo é absolutamente amplo, comportando, no trecho grifado, uma gama enorme de "direitos" atribuíveis ao administrado contra a fazenda pública, não havendo qualquer restrição semântica à Fl. 6731DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 14 13 aplicação ao caso dos créditos escriturais decorrentes da não cumulatividade das contribuições sociais. Desse modo, adaptandose ao nosso tema, é imperioso entender que o artigo 1º, do Decreto 20.910/1932, implica na observância do prazo prescricional de cinco anos contado da competência tributária em que aquela crédito poderia ter sido escriturado. Essa discussão não é novidade e já foi objeto de avaliação pela CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT), que entendeu de modo idêntico quando da Solução de Divergência COSIT 21/2011: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EMENTA: EXISTÊNCIA E TERMO DE INÍCIO DO PRAZO PRESCRICIONAL DOS CRÉDITOS REFERIDOS NO ART. 3º DA LEI Nº 10.637, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2001; E NO ART. 3º DA LEI º 10.833, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2003. Os direitos creditórios referidos no art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, estão sujeitos ao prazo prescricional previsto no art. 1º do Decreto nº 20.910, de 06 de janeiro de 1932. Os fatos geradores dos direitos creditórios referidos no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, têm natureza complexiva e aperfeiçoamse no último dia do mês da apuração. O termo de início para contagem do prazo prescricional relativo aos direitos creditórios referidos no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, é o primeiro dia do mês subsequente ao de sua apuração; DISPOSITIVOS LEGAIS: art. 1º do Decreto nº 20.910, de 06 de janeiro de 1932; art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2001; art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Assim, como o direito ao crédito extemporâneo se expira após cinco anos contados do momento da aquisição das mercadorias e/ou serviços (fato gerador dos créditos), não há que se reformar o lançamento de ofício quanto se particular, mantendose a decisão recorrida (d) Insumos. Falta de Comprovação A Recorrente apresenta nos itens 2.5.4 a 2.5.9 do seu Recurso as razões para se reformar a decisão recorrida dado que teria havido um erro material nos demonstrativos de crédito relativos a fornecedor, em decorrência de informação quanto ao CNPJ. Fl. 6732DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 15 14 No caso, foi informado o CNPJ 05.252.578/000159, enquanto o correto seria o CNPJ 88.370.945/000146. Feito esse esclarecimento, e admitindo a regularidades de tais notas fiscais, verificase que se referem à industrialização por encomenda contratada pela Recorrente, relacionadas ao produto “Ácido Graxo Vegetal”, contudo, diante da insuficiência de esclarecimentos quanto ao uso desse item nas atividades desempenhadas pela Recorrente, não é possível admitir a possibilidade de apropriação de créditos . De tal sorte, deve ser mantida a decisão recorrida, por carência probatória da Recorrente fundar seus argumentos, com relação a esses itens. Quanto às glosas impugnadas nos itens 2.5.10 e 2.5.11, sendo juntado o documento fiscal comprobatório da despesa, e esclarecida a natureza do serviço (carga e descarga de mercadorias em transporte multimodal, nas operações de venda) e sua vinculação e essencialidade em relação à atividade desempenhada pela Recorrente, é de se admitir créditos nesse particular, devendo a decisão ser reformada. Quanto às glosas mencionadas nos itens 2.5.12 a 2.5.17 e 2.6.1, a fiscalização efetuou a glosa simplesmente em razão de haverem sido apresentados documentos fiscais comprobatórios, o que foi feito já na impugnação e ignorado pela decisão recorrida. Tratamse de aquisições de insumos via industrialização por encomenda de diversos produtos que são posteriormente revendidos pela Recorrente, como pipoca, farinhas, amendoim, entre outros. Havia, ainda, no Relatório que deu azo ao lançamento, menção a aquisições de insumos de pessoas físicas. Contudo, a Recorrente rebate essa conclusão afirmando que as notas fiscais glosadas eram de pessoas jurídicas, juntandoas desde a impugnação, e que tal equívoco decorreu de o Excel desconsiderar os “zeros” à esquerda do CNPJ 00.048.496/0001 73, fazendoo parecer ser um número de CPF (484.960.00173). Diante desses esclarecimentos, devese reconhecer que as glosas foram indevidas e que, portanto, a decisão também deve ser reformada. (e) Despesas relativas a manutenção de máquinas e equipamentos (partes e peças de reposição); A Recorrente refuta as alegações da fiscalização referentes à glosa de créditos relacionadas à manutenção de máquinas e equipamentos, que foram efetuadas considerando que tais dispêndios deveriam ser registrados como ativo imobilizado (“nãocirculante”), haja vista que os valores adquiridos ou contratados eram superiores ao montante máximo estabelecido à época pela legislação do Imposto de Renda para o registro como despesa dedutível em detrimento do registro como ativo imobilizado (“nãocirculante”) e sujeito, assim, a depreciação/amortização. Fl. 6733DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 16 15 Ora, de fato, o valor do item adquirido ou serviço contratado para realizar a manutenção de bens do seu ativo permanente não é o único elemento a ser considerado para definir se tais dispêndios serão tratados como despesa ou como ativo imobilizado. O conceito de ativo imobilizado encontrase na Lei nº 6.404/1976 (Lei das S.A.), com as alterações promovidas pela Lei nº 11.638/2007, que em seu artigo 179, IV, estabelece que devem ser registrados no ativo imobilizado os “direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens”. Por seu turno, em linha com o que estabelece o Manual de Contabilidade da FIPECAFI2, podemos depreender desta definição legal que devem ser classificados como ativo imobilizado “(...) os bens de permanência duradoura, destinados ao funcionamento normal da sociedade e de seu empreendimento, assim como os direitos exercidos com essa finalidade”. Na prática, as premissas para o registro contábil de um determinado dispêndio como ativo imobilizado sempre foi encontrado na Resolução CFC nº 1.025/20053, até 31.12.2009, e desde então no Pronunciamento nº 27 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC4, aprovado pela Deliberação CVM nº. 583/09 e pela Resolução CFC nº. 1.177/09. O referido CPC nº 27, em seu item 6, define ativo imobilizado conforme abaixo: (...) Ativo imobilizado é o item tangível que: é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços, para aluguel a outros, ou para fins administrativos; e 2 IUDÍCIBUS, Sérgio de, MARTINS, Eliseu e GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, 7ª Ed. São Paulo: Atlas, 2009. p. 190. 3 (...) 19.1.2.4. Ativo imobilizado, objeto desta norma, compreende os ativos tangíveis que: a) são mantidos por uma entidade para uso na produção ou na comercialização de mercadorias ou serviços, para locação, ou para finalidades administrativas; b) têm a expectativa de serem utilizados por mais de doze meses; c) haja a expectativa de auferir benefícios econômicos em decorrência da sua utilização; e d) possa o custo do ativo ser mensurado com segurança. (...) 4 Com a reforma da Lei das S.A. pela Lei nº 11.638/2007, criouse a possibilidade de que a competência para regulação de matéria contábil fosse legalmente delegada ao Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC, órgão que se tornou responsável pela emissão de pronunciamentos que versam sobre princípios, normas e padrões de contabilidade, os quais vêm sendo adotados pela Comissão de Valores Mobiliários CVM. Fl. 6734DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 17 16 se espera utilizar por mais de um período. Mais adiante, o mencionado CPC nº 27 trata das hipóteses em que um bem deve ser reconhecido como um item do ativo imobilizado: 7. O custo de um item de ativo imobilizado deve ser reconhecido como ativo se, e apenas se: (a) for provável que futuros benefícios econômicos associados ao item fluirão para a entidade; e (b) o custo do item puder ser mensurado confiavelmente. 8. Sobressalentes, peças de reposição, ferramentas e equipamentos de uso interno são classificados como ativo imobilizado quando a entidade espera usálos por mais de um período. Da mesma forma, se puderem ser utilizados somente em conexão com itens do ativo imobilizado, também são contabilizados como ativo imobilizado. Ora, consoante a definição acima, para que a fiscalização ousasse desconsiderar os valores registrados na contabilidade como despesas, deveria ter sido feita uma análise pormenorizada de cada item glosado, com o intuito de identificar os casos em que os dispêndios representaram um aumento da vida útil dos equipamentos que foram objeto de manutenção, ou, ainda, que viessem a aumentar a capacidade ou funcionalidade desses equipamentos. Não é o que restou demonstrado no Relatório Fiscal, que, em um parágrafo, justificou sucintamente a glosa, sem muita convicção. Diante disso, carecendo de suporte argumentativo e probatório por parte da fiscalização, não se admite ignorar a escrita contábil da Recorrente, que registrou tais dispêndios como despesas de manutenção de equipamentos industriais, de modo que, mais uma vez, deve ser reformada a decisão, afastandose as glosas de créditos dessa natureza. (f) Da despesa de fretes entre estabelecimentos na movimentação de matériaprima Insurgese a Recorrente contra a glosa efetuada pela fiscalização relativa aos fretes contratados para a movimentação de matériaprima entre seus estabelecimentos, por suposta ausência de permissão legal. Fl. 6735DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 18 17 Todavia, ainda que a legislação da modalidade nãocumulativa das contribuições sociais não tenha previsto a possibilidade de desconto de créditos sobre os serviços de frete decorrentes da movimentação de insumos, tal menção nem fosse necessária. Isso porque, o regime nãocumulativo das contribuições está sensivelmente ligado à dualidade custoreceita; não há a menor dúvida que o frete suportado pelo adquirente na compra de insumos deve ser integrado ao custo de aquisição desses últimos. Vejamos o Pronunciamento Técnico CPC 16, aprovado pelo CFC pela NBC TG 16: 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. Além disso, é possível inferir que tenha havido silêncio eloquente pelas normas que regulam as contribuições, ao não vetar expressamente essa possibilidade, vis a vis ser absolutamente claro que, como regra, os gastos na movimentação de insumos até o seu efetivo consumo serem integrantes do saldo do estoque. Dessa forma, as despesas incorridas na movimentação de matériaprima e outros insumos até sua utilização, por compor o valor do seu estoque, implica no direito ao crédito das contribuições. Nesse sentido, a glosa mencionada no Relatório Fiscal, e que foi confirmada na decisão ora recorrida, deve ser afastada. (g) Do crédito presumido na aquisição de sebo para produção de biodiesel; Com relação aos itens que tratam das hipóteses de apropriação de crédito presumido na atividade agroindustrial, é importante destacar que, nos termos do art. 47 e 47B da Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011, e publicada no DOU de 15.12.2011, c/c o art. 8º da lei nº 10.925/2004, acompanhando integralmente a conclusão do acórdão da DRJ, que não há direito de crédito nas aquisições de sebo para produção de biodiesel. Tal como destacado pela fiscalização no seu Relatório Fiscal, “não obstante o crédito presumido do art 47 da Lei n° 12.546/2010 nunca ter tido eficácia, posto que foi revogado pela Lei n° 12.865/2013 antes que fosse regulamentado pela RFB, conforme determinava seu § 6o, a Lei n° 12.995/2014 introduziu naquela primeira lei o art. 47B, que convalidou os créditos do art. 47 realizados durante sua vigência (caput) e também convalidou os créditos do art. 8o da Lei n° 10.925/2004 (§ 1o) em relação à aquisição de soja in natura por produtores de Fl. 6736DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 19 18 biodiesel, contudo o § 2o do citado art. 47B proibiu o crédito simultâneo do art. 47 da mesma lei e do art. 8o da Lei n° 10.925/2004 em relação à mesma operação”. Assim reproduzo, por entender irretocável, a decisão ora recorrida, vez que não foram trazidos novos elementos no Recurso que pudessem afastar aquela conclusão: Já em relação à alegação da contribuinte que o insumo "sebo" é utilizado unicamente para a produção de biodiesel e que teria direito ao crédito presumido do PIS e da Cofins nas aquisições deste, nos termos do artigo 34 da Lei nº 12.058/2009, e nas redação dada pelas Leis nºs 12.350/2010 e 12.839/2013, fazse necessário, antes de enfrentar o mérito, a reprodução dos arts. 32 e 34 da referida lei: (...) Da leitura dos artigos acima reproduzidos, verificase/concluise que: a) O direito ao crédito presumido somente se aplica à aquisição de sebo com suspensão das contribuições, no mesmo período de apuração, de pessoa jurídica residente ou domiciliada no País. b) A suspensão aludida é obrigatória quando a venda for efetuada por pessoa jurídica que revenda o sebo bovino ou que industrialize os produtos classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02, da NCM, para outra pessoa jurídica, desde que a venda não seja no varejo; c) Sendo o sebo bovino adquirido com a incidência de suspensão do pagamento da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, e utilizado como insumo na industrialização de biodiesel, cabe ao adquirente o direito de apuração dos créditos presumidos tratados no art. 34 da Lei nº 12.058, de 2009. Como dito alhures, a contribuinte para usufruir do direito ao crédito presumido precisa, além ser pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real, demonstrar que a aquisição de sebo foi com suspensão das contribuições e de pessoa jurídica residente ou domiciliada no País. Contudo, na impugnação apresentada, a contribuinte não demonstrou que cumpriu todos os requisitos, principalmente se a aquisição de sebo foi de pessoa jurídica e com suspensão. Assim, cabendo o ônus da prova em contrário à empresa, nos termos dos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/197217; art. 36 da Lei nº 9.784/199918; e art. 373 da Lei nº 13.105/200519, e esta, em sua impugnação, não demonstrando o cumprimento dos demais requisitos para usufruir do direito ao crédito presumido estabelecido pela Lei nº 12.058/2009, não há motivos para rever o lançamento(glosa de crédito) da matéria tratada neste tópico. Fl. 6737DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 20 19 Assim, mantenho a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. (h) Do crédito presumido decorrente de venda com suspensão no mercado interno de “farelo de soja” e de "farelo de girassol" Tampouco merece reforma o entendimento trazido pelo acórdão recorrido concernente à possibilidade de crédito presumido com a venda do produto agroindustrial estava sujeito à suspensão das contribuições. A recorrente pleiteia que sejam considerados, nas apurações de janeiro a junho de 2011, a inclusão de crédito presumido concedido pela Lei Federal 12.431/2011, cuja vigência expressamente se iniciou em 27.06.2011, quando fora publicada no DOU. Ora, não há como conceber a possibilidade de vigência retroativa à lei, sem que essa estabeleça tal aplicação, de modo que deve ser mantida a decisão da DRJ que não considerou tais créditos até a entrada em vigor daquele ato normativo. (i) Crédito presumido sobre a soja adquirida para produção de farelo. Com relação a esse item, por entender ter a decisão a quo escrutinado a questão de maneira definitiva, creio que o acórdão de primeiro grau merece ser mantido na sua integralidade, de forma que acompanho tal entendimento, aproveitando os fundamentos do voto do relator que cito: A fiscalização glosou parcialmente créditos presumidos da soja adquirida, por entender que a parcela de soja utilizada na produção de biodiesel não proporciona o direito de a empresa se beneficiar dos créditos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. O entendimento da fiscalização foi no sentido de que há direito ao crédito apenas quando aplicada à soja na produção de mercadoria de origem animal ou vegetal destinada à alimentação humana ou animal). Em sua impugnação, a fiscalizada contesta a glosa realizada, afirmando que toda soja, sem exceção foi empregada na produção de mercadoria destinada à alimentação humana ou animal, sendo que o óleo resultante do mesmo processo não interferiu na \produção do farelo de soja, produto este que faz jus ao crédito. Afirma que o aproveitamento parcial dos créditos somente seria aplicado se a empresa destinasse uma parte da soja para produção de farelo e a outra para produção de Fl. 6738DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 21 20 biodiesel e que, por se tratar de norma especial, a única exceção (vedação ao aproveitamento do crédito presumido) encontrase taxativamente prevista no §4º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; e não há previsão legal que imponha o aproveitamento proporcional em razão da pluralidade de produtos resultantes do mesmo processo e matériaprima, é de se concluir que a Impugnante tem direito ao crédito presumido integral. Em outras palavras, o que a impugnante defende é que toda a aquisição de soja é para a produção de "farelo de soja", sendo o biodiesel o subproduto. De acordo com o "Memorial Descritivo do Processo de Produtivo Soja decepção / Preparação / Extração / Lecitina" apresentado pela contribuinte, diferentemente do alegado, fica evidente que a soja adquirida é para a produção de óleo/biodiesel/lecitina, sendo o subproduto da industrialização o "farelo de soja". Contudo, não é o fato de o "farelo de soja" ser, ou não, o subproduto do esmagamento da soja que determina a existência do direito ao crédito presumido, mas sim o fato de as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, produzirem (a partir da soja) mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal (art. 8º da Lei nº 10.925/2004). Desse modo, inexistindo o direito ao crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei 10.925/2004 em relação a insumos aplicados na fabricação de biodiesel — produto este não destinado à alimentação humana e animal — há que se excluir/glosar os valores dos insumos a eles aplicados da base de cálculo do crédito presumido informado pela contribuinte em seu Dacon. Quanto ao rateio proporcional dos valores glosados conforme a proporção das receitas da empresa, esta é a forma correta de realizar as glosas, haja vista ter sido este o método adotado na apropriação dos créditos realizada pela interessada em Dacon. Portanto, com base nos dispositivos acima expostos a glosa do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 proporcional à produção de biodiesel, merece ser mantido. Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e doulhe parcial provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do Recurso Voluntário e darlhe parcial provimento. Fl. 6739DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 22 21 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 6740DF CARF MF Processo nº 10120.730981/201333 Acórdão n.º 3401006.119 S3C4T1 Fl. 23 22 Fl. 6741DF CARF MF
score : 1.0
