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Numero do processo: 15586.000020/2011-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. SERVIÇOS DE CORRETAGEM NA AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA.
Os serviços de corretagem, na aquisição de matéria-prima, não se subsumem no conceito de insumos de forma autônoma. O seu crédito somente é permitido quando agregam valores ao custo de aquisição dos insumos. Esse crédito somente pode ser apropriado na mesma proporção do crédito previsto para os insumos.
Numero da decisão: 9303-008.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer parcialmente as glosas relativas aos serviços de corretagem, concedendo-lhe o crédito na mesma proporção dos créditos gerados pelos insumos, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Vencido também o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. SERVIÇOS DE CORRETAGEM NA AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA. Os serviços de corretagem, na aquisição de matériaprima, não se subsumem no conceito de insumos de forma autônoma. O seu crédito somente é permitido quando agregam valores ao custo de aquisição dos insumos. Esse crédito somente pode ser apropriado na mesma proporção do crédito previsto para os insumos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer parcialmente as glosas relativas aos serviços de corretagem, concedendolhe o crédito na mesma proporção dos créditos gerados pelos insumos, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Vencido também o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 00 20 /2 01 1- 85 Fl. 2952DF CARF MF Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 9303008.336 CSRFT3 Fl. 3 2 Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3802002.117, de 22 de outubro de 2013 (fls. 2724 a 2757 do processo eletrônico), proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de ressarcimento protocolado pelo Contribuinte, em que os créditos reclamados correspondem ao PIS/Pasep não cumulativo exportação do quarto trimestre de 2006, no valor de R$ 649.277,63. Nos termos do despacho decisório exarado, foi concedido em parte o direito creditório, no montante de R$ 175.959,07. Inconformado, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que : na impugnação apresentada no processo administrativo nº 15586.000089/201117, foram refutadas individualmente todos os argumentos da Autoridade Fazendária, visto que não há prova alguma que sustente a máfé da recorrente; a fiscalização tenta provar que a recorrente tinha pleno conhecimento de um esquema em que várias empresas fictícias eram interpostas entre ela e os produtores rurais, para que pudesse auferir créditos integrais de PIS e COFINS, em compensações ou ressarcimentos; em nenhum momento restou comprovado que a Custódia Forzza deu início a empresas laranjas, ou sabia que elas não recolhiam seus impostos; Fl. 2953DF CARF MF Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 9303008.336 CSRFT3 Fl. 4 3 as provas carreadas naquele processo administrativo são nulas ou anuláveis, pois a Constituição Federal veda a utilização de provas ilícitas; ademais, as provas ilícitas contaminam tudo aquilo que tocam, ou seja, geram nulidade por derivação daquelas provas que delas decorreram; logo no início do processo administrativo nº 15586.000089/201117, a Fiscalização demonstra o porquê de suas conclusões equivocadas: foram ludibriados pelos criadores e gestores das empresas atacadistas e por seus colaboradores, alguns corretores de café do interior ; que as empresas Colúmbia Comércio de Café, Acádia Comércio Exportação, Do Grão, L & L e R. Araújo – Cafecol Mercantil responderam às perguntas do mesmo modo, através de petições modelo, usando da mesma letra, mesma diagramação, mesmo palavreado; para que não haja repetição, na impugnação apresentada ao processo nº 15586.000089/201117, foram refutadas todas as supostas provas, com documentos hábeis e idôneos, em que o auditor tenta usar para excluir a boa fé da recorrente; as provas válidas presentes nos autos levam a conclusão apenas de que a recorrente sabia da procedência do café (questões de qualidade) e preferia que tais produtos fossem adquiridos de pessoas jurídicas (geração integral de PIS e COFINS); infelizmente, a Receita Federal se esforça para glosar ao máximo os créditos requeridos, com base em quaisquer argumentos, desconsiderando a necessidade de tal creditamento para a sobrevivência de todo o sistema produtivo; apesar de trazer diversas provas quanto a algumas atacadistas (a respeito da maioria prova alguma há nos autos), nenhuma delas foi suficiente para demonstrar que a recorrente, por seus gestores, pretendia lesar a arrecadação de tributos; que as conclusões da fiscalização estão associadas a presunções de máfé, ou seja, neste caso específico, de que a recorrente sabia da existência das práticas ilícitas de todas as atacadistas e dos corretores de café, e foi omissa para se beneficiar dos créditos integrais de PIS e COFINS, jamais foi provado ou mencionado pelos produtores rurais que os gestores da recorrente participaram ativamente desse suposto esquema; foram excluídos créditos lançados sobre aquisições de bens e pessoas jurídicas inativas, baixadas, omissas ou com receita declarada incompatível com as vendas realizadas, essas glosas são equivocadas, já que todos os documentos fiscais atendem os Fl. 2954DF CARF MF Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 9303008.336 CSRFT3 Fl. 5 4 padrões legais, tendo a recorrente, inclusive, consultado o CNPJ e SINTEGRA das emitentes das citadas Notas Fiscais; a recorrente reafirma a licitude dos créditos, oriundos de documentos hábeis e idôneos, todas as notas fiscais foram escrituradas, registradas e contabilizadas dentro dos padrões contábeis; o artigo 3º da Lei nº 10.637/2002, ao instituir as hipóteses que conferem direito a descontar créditos em relação a bens adquiridos para revenda, não condiciona à requerente, a obrigação de exigir a regularidade fiscal dos fornecedores de mercadorias (café); também não procedem as glosas de créditos realizados sobre os gastos com armazenagem, frete, comissões pagas a pessoas jurídicas e combustíveis utilizados nos transportes das mercadorias; a requerente busca guardar seu direito a recalcular e pedir a restituição do IRPJ e da CSLL, calculados sobre os créditos de PIS e COFINS lançados como receitas, não homologados, uma vez que tais importâncias integraram à base de cálculo de ambos os tributos; caso a decisão de não homologar tais créditos for mantida, o IR e a CSLL compensados com estes mesmos créditos terão que ser restituídos. A DRJ no Rio de Janeiro/RJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado assim decidiu: a) preliminarmente, por unanimidade de votos, não acolheu as arguições de nulidade aduzidas pelo sujeito passivo e, por maioria, rejeitou o pedido de juntada dos demais processos da empresa que dizem respeito à mesma matéria; b) no mérito, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso no sentido de reconhecer o direito creditório unicamente quanto aos gastos com serviços de corretagem. Conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 MATÉRIA NÃO CONHECIDA Fl. 2955DF CARF MF Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 9303008.336 CSRFT3 Fl. 6 5 Não se conhece de argumento que não guarda relação com o objeto da contenda. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. SUPOSTA OFENSA AO DIREITO AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. Assim, a nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Não há nulidade quando a recorrente tem pleno conhecimento dos atos processuais objeto do processo e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados, retratado nas robustas alegações aduzidas em sua peça recursal. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. EXAME ADSTRITO ÀS CONDIÇÕES DA AÇÃO E ÀS CONDIÇÕES DE PROCEDIBILIDADE. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE A INEXISTÊNCIA MATERIAL DO FATO. COISA JULGADA QUANTO AOS FATOS NARRADOS PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. INOCORRÊNCIA. A sentença penal não faz coisa julgada quanto à materialidade dos fatos se estes não são objeto de apreciação e, portanto, não fundamentam o trancamento da ação penal, restrito à análise das condições da ação e de sua procedibilidade. Realidade em que a extinção da ação penal inaugurada pelo Ministério Público Federal não foi motivada por eventual pronunciamento jurígeno excludente do envolvimento da recorrente com os fatos narrados na denúncia, mas em vista da impossibilidade de tipificação das condutas em crime contra a ordem tributária (Lei nº 8.137/90) antes do lançamento definitivo do tributo (Súmula Vinculante do STF nº 24). PROVA. DEPOIMENTOS E MENSAGENS COM TRATATIVAS DE NEGOCIAÇÕES COMERCIAIS DA EMPRESA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE EVENTUAL ELEMENTO QUE PUDESSE VIR A CARACTERIZAR A ILEGALIDADE DA PROVA. VIOLAÇÃO AO SIGILO DE DADOS DA EMPRESA PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE NULIDADE. Fl. 2956DF CARF MF Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 9303008.336 CSRFT3 Fl. 7 6 Os depoimentos constituem importante elemento probatório e não podem ser invalidados por simples alegações, sem prova, de eventual suspeição ou vício de consentimento. A legislação tributária federal garante à Administração Tributária pleno acesso a documentos, inclusive magnéticos, fiscais e não fiscais, do contribuinte, bem como a depoimentos de terceiros, ressalvadas as vedações legais, como forma de averiguar o fiel cumprimento das obrigações tributárias, não podendo a garantia constitucional à privacidade revestirse de instrumento à salvaguarda de práticas ilícitas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DE BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS E COM BASE EM CUSTOS E DESPESAS LEGALMENTE AUTORIZADOS. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis no 10.637 de 2002 e 10.833/2003 autorizam o desconto de créditos calculados com base em bens e serviços utilizados como insumos diretamente relacionados à atividade da empresa, bem como apurados a partir de custos e despesas passíveis de creditamento/desconto da contribuição, desde que satisfeitas as condições legais impostas pela norma em evidência. No referido regime não há previsão legal que legitime creditamento do PIS ou da COFINS pelo pagamento, a pessoas jurídicas, de serviços de assessoria. Todavia, por serem considerados insumos, os gastos com serviços de corretagem na compra de matériaprima utilizada na fabricação de produtos destinados à venda integram a base de cálculo do crédito da referida Contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO INTEGRALMENTE DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. Fl. 2957DF CARF MF Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 9303008.336 CSRFT3 Fl. 8 7 A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso ao qual se dá parcial provimento A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 2759 a 2769) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito à posição adotada no acórdão recorrido de considerar como insumo, no cálculo das contribuições não cumulativas, os gastos com serviços de corretagem na compra de matériaprima. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o acórdão de nº 380303.416. A comprovação do julgado firmouse transcrição de inteiro teor da ementa do acórdão paradigma na peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 2771 a 2773 sob o argumento que acórdão recorrido decidiu por incluir no conceito de insumo os gastos com corretagem na aquisição de matériaprima. Por sua vez, o acórdão paradigma decidiu em sentido oposto, de excluir do conceito de insumo os gastos com corretagem. Com essas considerações, concluiuse que a divergência jurisprudencial foi comprovada. O Contribuinte opôs embargos de declaração às fls.2779 a 2796, sendo que estes foram rejeitados, nos termos do despacho de fls. 2811 a 2822. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 2800 a 2808, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Fl. 2958DF CARF MF Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 9303008.336 CSRFT3 Fl. 9 8 O Contribuinte também interpôs Recurso Especial de Divergência (fls.2829 a 2869), que teve seu seguimento negado, conforme despacho de fls. 2910 a 2915. Inconformado com a decisão, o Contribuinte interpôs agravo (fls. 2921 a 2929), que foi rejeitado, nos termos do despacho de fls. 22932 a 2936. O Contribuinte apresentou petição de desistência do recurso interposto às fls. 2939. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento, conforme despacho de fls. 2771 a 2773. Verificase que o acordão recorrido dispõe que: Todavia, por serem considerados insumos, os gastos com serviços de corretagem na compra de matériaprima utilizada na fabricação de produtos destinados à venda integram a base de cálculo do crédito da referida Contribuição. Por sua vez, acordão paradigma nº 380303.416, de 21 de agosto de 2013 (não foi reformado) dispõe: Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade Fl. 2959DF CARF MF Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 9303008.336 CSRFT3 Fl. 10 9 empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. E ao final diz: Os serviços de corretagem não se subsume no conceito de insumo para fim de creditamento, pois não guarda relação de pertinência, nem de essencialidade, com o processo produtivo de café solúvel. Assim, entendo que ficou comprovada a divergência jurisprudencial. Diante do exposto conheço o Recurso Especial da Fazenda Nacional. Do Mérito No mérito, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito ao conceito de insumo para fins de reconhecimento do direito a créditos do PIS e da Cofins não cumulativos. Inicialmente, destaco que sempre tive o entendimento que é necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. E que diante disto, sempre entendi não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Essa discussão acerca da conceituação do termo “insumos” têm tomado tempo e espaço da doutrina e da jurisprudência administrativa, até que sobreveio a decisão do STJ, no REsp 1.221.170, em sede de recurso repetitivo, que definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, devendo observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Fl. 2960DF CARF MF Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 9303008.336 CSRFT3 Fl. 11 10 Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. Diante desta decisão a Procuradoria da Fazenda Nacional, através da Nota SEI n.º 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, traz que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Ademais, ainda reflete sobre o “teste de subtração” que deve ser feito para fins de se entender que determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Para melhor elucidar, transcrevo trechos da Nota PGFN: “15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. Fl. 2961DF CARF MF Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 9303008.336 CSRFT3 Fl. 12 11 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Fl. 2962DF CARF MF Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 9303008.336 CSRFT3 Fl. 13 12 Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis n.sº 10.637/02 e 10.833/03. O Acordão recorrido entendeu que: Houve também glosas em relação a todos os meses dos anos de 2005 a 2009 concernente à parte do crédito calculada sobre comissões de corretagem e de assessoria pagas a pessoas jurídicas, informadas na linha 3 do DACON como serviços utilizados como insumos (ver fls. 4027 – relatório fiscal). Segundo o relatório da fiscalização, “os valores constam da planilha apresentada pela empresa sob o título de ‘OUTROS CRÉDITOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA – APROPRIAÇÃO INTEGRAL DOS CRÉDITOS’ (fls. 3.392/3.521)”. O motivo da glosa foi a falta de previsão legal. Relativamente às comissões de corretagem, adoto o precedente desta Turma, nos autos do processo nº 16366.000228/200937 (acórdão nº 3802001.418, de 25/10/2012), da relatoria do i. conselheiro José Fernandes do Nascimento, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM SERVIÇOS DE CORRETAGEM NECESSÁRIOS À COMPRA DE MATÉRIAPRIMA. INSUMO APLICADO NA PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À VENDA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep, por serem considerados insumos, os gastos com serviços de corretagem de compra de matéria prima, utilizada na fabricação de produtos destinados à venda, integram a base de cálculo do crédito da referida Contribuição, nos termos do art. 3º, § 1º, I da Lei nº 10.637, de 2002. [...] Fl. 2963DF CARF MF Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 9303008.336 CSRFT3 Fl. 14 13 Logo, deverá ser reconhecido o direito creditório calculado sobre os gastos com serviços de corretagem. Ventiladas tais considerações, recordo que essa matéria já é conhecida por esse Colegiado – nessa seara, faço meus os argumentos do ilustre Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos que em seu voto condutor no acórdão n.º 9303007.291, analisou a mesma matéria, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (relator), e por isso peço vênia para abaixo reproduzilo. A ementa restou assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. CORRETAGEM Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. No caso, os gastos com corretagem referem se À operação essencial para a atividade realizada, de revenda de café de diversas variedades e procedências. Eis parte de seu voto: Em resumo, entendo que, para reconhecimento do crédito, são necessárias as seguintes características (cumulativamente): (a) ser gasto necessário ao processo, (b) estar diretamente relacionado ao produto vendido e (c) não ser classificável como ativo imobilizado. A Procuradoria da Fazenda Nacional afirma que a corretagem não integra as atividades de beneficiamento, rebeneficiamento, comercialização interna e Fl. 2964DF CARF MF Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 9303008.336 CSRFT3 Fl. 15 14 exportação de café, sendo ela apenas uma forma de intermediação, concedendo uma comodidade aos agentes econômicos ao facilitar a o fechamento de negócios; não seria essencial à operação, apenas conveniente. Contudo, há que se apreciar a atividade econômica cafeeira dentro de sua própria lógica de mercado. Nesse mercado, o negócio sem a corretagem seria o mesmo que realizar a operação de compra e venda de insumos sem a participação de interveniente responsável pelo frete do insumo até o estabelecimento do comprador: possível, mas economicamente incerta. Se há necessidade de operação eficaz na atividade, a atuação dos corretores passa a ser essencial, sob pena de haver demora ou dificuldades tais que inviabilizem a operação economicamente falando. Observese a atividade da empresa, conforme resposta ao termo de intimação Fiscal nº 001 (efl. 194, item I, 6), oferecida no documento de efls. 205 e 206: A natureza da atividade econômica exercida pela Unicafé Cia de Comércio Exterior é o comércio atacadista de café em grãos cru. A empresa realiza por conta própria e de terceiros as operações descritas no art. 8o, § 6o da Lei 10.925/04, vejamos o mencionado dispositivo legal: Art. 8º (...) § 6° Para os efeitos do caput deste artigo, considerasse produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor fblendt ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (sublinhas do original) Fl. 2965DF CARF MF Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 9303008.336 CSRFT3 Fl. 16 15 Por fim, completando a resposta de forma mais abrangente e detalhada a empresa executa diversas operações da seguinte forma: A Unicafé adquire cafés de diversos tipos e de variados fornecedores, pessoas físicas e jurídicas. Ao ingressar esses produtos em suas dependências, acondicionados em sacas ou Big Bags, o café é pesado. As sacas são furadas para retirada de amostras dos lotes/pilhas. As amostras são numeradas. Em ato subseqüente seguem para o escritório para prova e identificação de tipo, bebida e conferência da mercadoria comprada. Depois o café é submetido a um processo de rebenefiamento para retirada de impurezas e grãos com defeitos. Posteriormente o café é separado por peneiras e tipos o que permite a seleção dos grãos por tamanho. Em ato contínuo, os levados para ventilação, aqui ocorre a separação dos cafés mais leves chamados escolhas (brocados, malgranados e conchas). Por último, cada tipo de café é separado por cor, realizada por processamento eletrônico, por meio de células fotoelétricas, retirada dos grãos verdes, pretos, dentre outros, permitindo a retirada dos grãos verdes, pretos, dentre outros. (Negritei.) Penso que a busca de diversos tipos de cafés entre produtores, pessoas físicas, jurídicas e cooperativas, poderia ser realizada pela empresa, assim como a realização do frete do café até seu estabelecimento, mas, pelo próprio histórico da atividade de exportação de café nunca o é. Esse mercado se estabeleceu com base na atuação dos corretores que são conhecedores das distintas espécies de grãos e de quem são os produtores destes. Esse tipo de atuação é essencial à atividade da contribuinte. Caso não houvesse a participação desses corretores a própria empresa teria que obter pessoal especializado para essa atividade e, em se tratando de operação de revenda, os custos correspondentes teriam a mesma natureza do frete nesse tipo de operação, conforme inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833 de 29/12/2003. Ou seja, a identificação dos fornecedores de cada tipo de grão, associado às características físicas destes, tais como aroma e sabor são essenciais a formação dos lotes de venda e mesmo dos blends destinados ao beneficiamento e à revenda. Fl. 2966DF CARF MF Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 9303008.336 CSRFT3 Fl. 17 16 A atividade do corretor na busca do produto com as características necessárias ao produto a ser adquirido para revenda é análoga a do corretor de imóveis que sabe as características do imóvel que seu cliente busca e sabe onde se encontram esses produtos. Prosseguindo essa analogia, não admitir que se deduza a despesa de corretagem na apuração do ganho de capital quando da venda do imóvel com sua participação, sob a alegação de que essa venda poderia ser realizada sem qualquer intermediário, não afasta a essencialidade da atividade para o bom resultado do negócio. Entendase aqui "bom resultado", como encontrar a mercadoria na qualidade e no tempo adequado à realização dos negócios. Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda. É como voto. (Assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 2967DF CARF MF Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 9303008.336 CSRFT3 Fl. 18 17 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado Com o devido respeito ao voto da ilustre relatora, não concordo com suas conclusões a respeito do mérito do recurso especial. A controvérsia trazida pela Fazenda Nacional referese à possibilidade de tomada de créditos da nãocumulatividade do PIS nas aquisições de serviços de corretagem para a compra de matériasprimas a serem utilizadas no processo produtivo. Antes de adentrar ao mérito específico da discussão, importante destacar o conceito de insumos, que entendo deva ser aplicado, para fins de apuração de créditos de PIS e de Cofins, no regime nãocumulativo de que tratam as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Conceito de insumos Importante esclarecer, que parte desse colegiado, nas sessões de julgamento precedentes, inclusive eu, não compartilhava do entendimento de que a legislação da não cumulatividade do PIS e da Cofins dava margem para compreender o conceito de insumos no sentido de sua relevância e essencialidade às atividades da empresa como um todo. No nosso entender a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Embora não aplicável a legislação restritiva do IPI, o insumo era restrito ao item aplicado e consumido diretamente no processo produtivo, não se admitindo bens ou serviços que, embora relevantes, fossem aplicados nas etapas préindustriais ou pósindustriais, a exemplo dos conhecidos insumos de insumos, como é o caso do adubo utilizado na plantação da canadeaçúcar, quando o produto final colocado à venda é o açúcar ou o álcool. Fl. 2968DF CARF MF Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 9303008.336 CSRFT3 Fl. 19 18 Porém, o STJ, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que tratam os arts. 1036 e seguintes do NCPC, trouxe um novo delineamento ao trazer a interpretação do conceito de insumos que entende deve ser dada pela leitura do inciso II dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Sobre o assunto, a Fazenda Nacional editou a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, na qual traz que o STJ em referido julgamento teria assentado as seguintes teses: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Portanto, por força do efeito vinculante da citada decisão do STJ, esse conselheiro passará a adotar o entendimento muito bem explanado na citada nota da PGFN. Para que o conceito doravante adotado seja bem esclarecido, transcrevo abaixo excertos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, os quais considero esclarecedores dos critérios a serem adotados. (...) 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques. Fl. 2969DF CARF MF Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 9303008.336 CSRFT3 Fl. 20 19 18. (...) Destarte, entendeu o STJ que o conceito de insumos, para fins da não cumulatividade aplicável às referidas contribuições, não corresponde exatamente aos conceitos de “custos e despesas operacionais” utilizados na legislação do Imposto de Renda. (...) 36. Com a edição das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o legislador infraconstitucional elencou vários elementos que como regra integram cadeias produtivas, considerandoos, de forma expressa, como ensejadores de créditos de PIS e COFINS, dentro da sistemática da nãocumulatividade. Há, pois, itens dentro do processo produtivo cuja indispensabilidade material os faz essenciais ou relevantes, de forma que a atividadefim da empresa não é possível de ser mantida sem a presença deles, existindo outros cuja essencialidade decorre por imposição legal, não se podendo conceber a realização da atividade produtiva em descumprimento do comando legal. São itens que, se hipoteticamente subtraídos, não obstante não impeçam a consecução dos objetivos da empresa, são exigidos pela lei, devendo, assim, ser considerados insumos. (...) 38. Não devem ser consideradas insumos as despesas com as quais a empresa precisa arcar para o exercício das suas atividades que não estejam intrinsicamente relacionadas ao exercício de sua atividadefim e que seriam mero custo operacional. Isso porque há bens e serviços que possuem papel importante para as atividades da empresa, inclusive para obtenção de vantagem concorrencial, mas cujo nexo de causalidade não está atrelado à sua atividade precípua, ou seja, ao processo produtivo relacionado ao produto ou serviço. 39. Vale dizer que embora a decisão do STJ não tenha discutido especificamente sobre as atividades realizadas pela empresa que ensejariam a existência de insumos para fins de creditamento, na medida em que a tese firmada referese apenas à atividade econômica do contribuinte, é certo, a partir dos fundamentos constantes no Acórdão, que somente haveria insumos nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Desse modo, é inegável que inexistem insumos em atividades administrativas, jurídicas, contábeis, comerciais, ainda que realizadas pelo contribuinte, se tais atividades não configurarem a sua atividadefim. (...) 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindo se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. (...) 50. Outro aspecto que pode ser destacado na decisão do STJ é que, ao entender que insumo é um conceito jurídico indeterminado, permitiuse uma conceituação diferenciada, de modo que é possível que seja adotada definição Fl. 2970DF CARF MF Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 9303008.336 CSRFT3 Fl. 21 20 diferente a depender da situação, o que não configuraria confusão, diferentemente do que alegava o contribuinte no Recurso Especial. 51. O STJ entendeu que deve ser analisado, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vale ressaltar que o STJ não adentrou em tal análise casuística já que seria incompatível com a via especial. 52. Determinouse, pois, o retorno dos autos, para que observadas as balizas estabelecidas no julgado, fosse apreciada a possibilidade de dedução dos créditos relativos aos custos e despesas pleiteados pelo contribuinte à luz do objeto social daquela empresa, ressaltandose as limitações do exame na via mandamental, considerando as restrições atinentes aos aspectos probatórios. (...) Analisando o caso concreto apreciado pelo STJ no RESP 1.221.170/PR, observase que estava em discussão os seguintes itens que a recorrente, uma empresa do ramo de alimentos, mais especificamente, avicultura, pleiteava: " 'Custos Gerais de Fabricação' (água, combustíveis, gastos com veículos, materiais de exames laboratoriais, materiais de proteção EPI, materiais de limpeza, ferramentas, seguros, viagens e conduções) e 'Despesas Gerais Comerciais' (combustíveis, comissão de vendas a representantes, gastos com veículos, viagens e conduções, fretes, prestação de serviços PJ, promoções e propagandas, seguros, telefone, comissões)". Ressaltese que referido acórdão reconheceu a possibilidade de ser possível o creditamento somente em relação aos seguintes itens: água, combustíveis e lubrificantes, materiais de exames laboratoriais, materiais de proteção EPI e materiais de limpeza. De plano percebese que o acórdão, apesar de aparentemente ter reconhecido um conceito de insumos bastante amplo ao adotar termos não muito objetivos, como essencialidade ou relevância, afastou a possibilidade de creditamento de todas as despesas gerais comerciais, aí incluídas despesas de frete e outras que se poderiam acreditar relevantes ou essenciais. Anote ainda que, mesmo para os itens teoricamente aceitos, devolveuse para que o Tribunal recorrido avaliasse a sua essencialidade ou relevância, à luz da atividade produtiva exercida pelo recorrente. Assim, uma conclusão inequívoca que penso poder ser aplicada é que não é cabível o entendimento muito aventado pelos contribuintes e por alguns doutrinadores, de que todos os custos e despesas operacionais seriam possíveis de creditamento. Fl. 2971DF CARF MF Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 9303008.336 CSRFT3 Fl. 22 21 De forma, que doravante, à luz do que foi decidido pelo STJ no RESP 1.221.170/PR, adotarei o critério da relevância e da essencialidade sempre indagando a aplicação do insumo ao processo de produção de bens ou de prestação de serviços. Por exemplo, por mais relevantes que possam ser na atividade econômica do contribuinte, as despesas de cunho nitidamente administrativo e/ou comercial não perfazem o conceito de insumos definidos pelo STJ. Da mesma forma, demais despesas relevantes consumidas antes de iniciado ou após encerrado o ciclo de produção ou da prestação de serviços. A legislação do PIS e da Cofins, no regime nãocumulativo, prevê os seguintes tipos de créditos que podem ser aqui aplicados: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) Com o conceito de insumos acima delineado, passemos a analisar o caso concreto em discussão. Créditos de PIS com aquisição de serviços de corretagem De início, cabe afastar um dos principais argumentos da recorrente que defende a aplicação restrita das IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Como vimos mais acima, o STJ afastou definitivamente os conceitos exageradamente restritivos que constavam das referidas instruções normativas. Porém a recorrente defende também que os serviços de corretagem não são insumos no processo produtivo da recorrente, que seria, de acordo com o seu objeto social: "o beneficiamento, o rebeneficiamento, a comercialização interna e a Fl. 2972DF CARF MF Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 9303008.336 CSRFT3 Fl. 23 22 exportação de produtos agrícolas in natura, notadamente o café em grão (CNAE 46.214/00) e o cacau em bagas (CNAE 46.231/05)". Antes de analisar o mérito, importante destacar alguns aspectos fáticos do presente processo. Este processo é decorrente das conhecidas operações "Tempo de Colheita" e "Broca", deflagradas pela Receita Federal. Constatouse que os principais beneficiadores e exportadores de café, entre eles a contribuinte, adquiriam sua matériaprima, no caso o café in natura, de pseudoatacadistas pessoas jurídicas inexistentes que emitiam as notas fiscais de café com o fim de se apropriar integralmente de créditos de PIS e Cofins, apurados no regime não cumulativo. Transcrevo trechos do relatório fiscal: Notese que a autoridade fiscal recalculou os créditos de PIS para as aquisições de café, estornando os créditos integrais apropriados e reconhecendo somente a apropriação de créditos presumidos nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Portanto, para as matériasprimas adquiridas reconheceuse créditos presumidos na apuração de valores a serem ressarcidos de PIS. Ressaltado esse importante contexto fático, voltemos à questão dos créditos nas despesas com serviços de corretagem para aquisição da matériaprima, no caso café in natura. Esse colegiado, inclusive com o voto favorável deste relator, proferiu o acórdão nº 9303007291, em sessão de 15/08/2018, com voto vencedor do ilustre conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, dando entendimento favorável de que os gastos com corretagem se consubstanciavam em insumos, de forma bem sintética, por serem essenciais ao Fl. 2973DF CARF MF Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 9303008.336 CSRFT3 Fl. 24 23 processo produtivo específico do contribuinte em questão, que por coincidência, era a mesma atividade exercida pelo contribuinte do presente processo. Salvo algum engano, foi a primeira vez em que a CSRF decidiu neste sentido. Inclusive, como visto, a relatora utilizou este voto como razões de decidir. Esta matéria retornando agora, resolvi estudar mais detidamente o assunto e não acompanho mais aquelas conclusões constantes daquele acórdão. Nesse sentido, peço obséquio de utilizar das conclusões constantes do Parecer Normativo RFB nº 5, de 17/12/2018, das quais concordo, com destaques apostos por mim, em relação aos itens a e b: (...) 19. Prosseguindo, verificase que a tese acordada pela maioria dos Ministros foi aquela apresentada inicialmente pela Ministra Regina Helena Costa, segundo a qual o conceito de insumos na legislação das contribuições deve ser identificado "segundo os critérios da essencialidade ou relevância", explanados da seguinte maneira por ela própria (conforme transcrito acima): a) o "critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço": a.1) "constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço"; a.2) "ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência"; b) já o critério da relevância "é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja": b.1) "pelas singularidades de cada cadeia produtiva"; b.2) "por imposição legal". 20. Portanto, a tese acordada afirma que são insumos bens e serviços que compõem o processo de produção de bem destinado à venda ou de prestação de serviço a terceiros, tanto os que são essenciais a tais atividades (elementos estruturais e inseparáveis do processo) quanto os que, mesmo não sendo essenciais, integram o processo por singularidades da cadeia ou por imposição legal. (...) Concordo com a análise, e não consigo enxergar as despesas com corretagem para aquisição da matériaprima como item que se encaixe nem na alínea "a" e nem na "b". Em relação ao critério da essencialidade, alínea "a", a corretagem nem é elemento estrutural e inseparável do processo produtivo e nem a sua ausência prive a produção quanto aos aspectos Fl. 2974DF CARF MF Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 9303008.336 CSRFT3 Fl. 25 24 da qualidade, quantidade e/ou suficiência. Eis que algumas empresas do ramo utilizam os próprios funcionários para essa tarefa. Muito menos em relação à relevância, alínea "b", pois a corretagem não integra o processo de produção, nem pela singularidade de sua cadeia produtiva e nem por imposição legal. De fato, não há como concordar que os serviços de corretagem constituemse em insumos da cadeia produtiva do café, nos termos exercidos pelo contribuinte. Lembrese que o próprio STJ, conforme antes delineado, deixou expressamente fora do conceito de insumos, meras despesas de cunho administrativo ou comercial. Entendo que deve se dar aos serviços de corretagem, tratamento análogo ao dado aos serviços de fretes pagos na aquisição dos insumos. Da mesma forma que a corretagem, os fretes nas aquisições de insumos também não são insumos do processo industrial, porém o seu creditamento é admissível ao integrar o custo dos insumos e o seu crédito apropriado diretamente por meio dos insumos, caso estes gerem direito ao crédito. Se o insumo dá direito ao crédito, os serviços de fretes e corretagem, ao integrarem o custo de aquisição dos insumos, também dá direito ao crédito na mesma proporção. Neste sentido, também extraio os seguintes ensinamentos do Parecer Normativo RFB nº 5, de 17/12/2018: (...) 160. A uma, devese salientar que o crédito é apurado em relação ao item adquirido, tendo como valorbase para cálculo de seu montante o custo de aquisição do item. Daí resulta que o primeiro e inafastável requisito é verificar se o bem adquirido se enquadra como insumo gerador de crédito das contribuições, e que: a) se for permitido o creditamento em relação ao bem adquirido, os itens integrantes de seu custo de aquisição poderão ser incluídos no valorbase para cálculo do montante do crédito, salvo se houver alguma vedação à inclusão; b) ao revés, se não for permitido o creditamento em relação ao bem adquirido, os itens integrantes de seu custo de aquisição também não permitirão a apuração de créditos, sequer indiretamente. (...) Com base nesses fundamentos, concluo que os serviços de corretagem adquiridos de pessoas jurídicas e utilizados diretamente na aquisição de insumos do processo produtivo, geram créditos da nãocumulatividade quando integram o custo de aquisição dos insumos e não na condição autônoma de insumo. No caso dos presentes autos, esses serviços geram o mesmo crédito presumido atribuível à aquisição da matériaprima, no caso o café in Fl. 2975DF CARF MF Processo nº 15586.000020/201185 Acórdão n.º 9303008.336 CSRFT3 Fl. 26 25 natura. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer as glosas relativas aos serviços de corretagem, reconhecendolhe o direito ao crédito da nãocumulatividade, somente quando gerarem custos na aquisição dos próprios insumos. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 2976DF CARF MF
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Numero do processo: 13807.000831/2003-07
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
SALDO NEGATIVO DO IRPJ. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DE SUA DISPONIBILIDADE.
A informação prestada em DCTF, no caso das compensações sem processo (a chamada auto-compensação), tinha o efeito de consolidar um encontro de contas, de fazer um vínculo entre créditos e débitos, de forma semelhante ao efeito que produzem os atuais PER/DCOMP. Não há como alterar em 2008 os encontros de contas que foram informados ao Fisco em 2000/2001/2002, com a alegação de que eles foram feitos com equívocos, no intuito de redisponibilizar o saldo negativo de 1999 para aproveitamento no presente processo.
Numero da decisão: 9101-004.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DE SUA DISPONIBILIDADE. A informação prestada em DCTF, no caso das compensações sem processo (a chamada autocompensação), tinha o efeito de consolidar um encontro de contas, de fazer um vínculo entre créditos e débitos, de forma semelhante ao efeito que produzem os atuais PER/DCOMP. Não há como alterar em 2008 os encontros de contas que foram informados ao Fisco em 2000/2001/2002, com a alegação de que eles foram feitos com equívocos, no intuito de redisponibilizar o saldo negativo de 1999 para aproveitamento no presente processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 08 31 /2 00 3- 07 Fl. 922DF CARF MF Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 9101004.133 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto às seguintes matérias: 1 aplicabilidade do instituto da decadência no exame do direito creditório por parte da Fazenda Nacional; 2 possibilidade de retificação das declarações DIPJ/DCTF após o exame do pedido de compensação e, por conseguinte, da devida produção dos seus efeitos; e 3 possibilidade da apresentação de provas/documentos na fase recursal, em razão das disposições legais aplicáveis e em prestígio ao princípio da verdade material, que norteia o Processo Administrativo Fiscal. No exame de admissibilidade, foi dado seguimento ao recurso apenas em relação às matérias constantes dos itens "2" e "3" acima indicados. Houve negativa de seguimento em relação à matéria tratada no item "1", conforme o despacho por mim proferido em 02/07/2015, na condição de Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. E a negativa de seguimento de parte do recurso foi confirmada pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caráter definitivo, conforme o despacho de reexame de admissibilidade exarado em 06/07/2015. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1202000.699, de 18/01/2012, por meio do qual a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, entre outras questões, manter a negativa da parcela do direito creditório em litígio no presente processo. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 1999 Ementa: EXAME DO DIREITO CREDITÓRIO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. O instituto da decadência é aplicável apenas aos casos de lançamento ou constituição do crédito tributário. Inexiste previsão legal estipulando prazo para o fisco proceder ao exame da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Fl. 923DF CARF MF Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 9101004.133 CSRFT1 Fl. 4 3 DECLARAÇÃO DIPJ/DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS EXAME DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Não produzem nenhum efeito as declarações DIPJ/DCTFs retificadoras entregues após o exame do pedido de restituição feito pela autoridade administrativa, que foi analisado adequadamente com a situação fática que se apresentava no momento desse exame. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. MOMENTO. PRECLUSÃO. Não demonstrada a ocorrência de alguma das hipóteses previstas no §4° do art. 16, do Decreto 70.235, de 1972 e alterações, não há como se examinar os documentos trazidos na fase recursal, face à ocorrência da preclusão. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. IRRF. RENDIMENTOS CORRESPONDENTES. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. A parcela do IRRF que compõe o saldo negativo do IRPJ apurado na declaração DIPJ, por expressa disposição legal, somente pode ser aproveitada no montante consignado pelos comprovantes de retenção emitidos em nome do beneficiário pelas fontes pagadoras. O valor do IRRF somente poderá ser aproveitado na declaração DIPJ se os respectivos rendimentos forem, comprovadamente, oferecidos à tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas. Quanto às matérias admitidas do recurso, a contribuinte desenvolve os argumentos apresentados a seguir: DO ACÓRDÃO RECORRIDO E DAS DECISÕES DIVERGENTES "DECLARAÇÃO DIPJ/DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS EXAME DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Não produzem nenhum efeito as declarações DIPJ/DCTFs retificadoras entregues após o exame do pedido de restituição feito pela autoridade administrativa, que foi analisado adequadamente com a situação fática que se apresentava no momento do exame." a segunda divergência em que incidiu o r. Acórdão, ora recorrido, referese à possibilidade de retificação das declarações DIPJ/DCTF após o exame do pedido de compensação e, por conseguinte, da devida produção dos seus efeitos; Fl. 924DF CARF MF Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 9101004.133 CSRFT1 Fl. 5 4 em seu voto vencedor, o ilustre Conselheiro Relator negou provimento ao Recurso Voluntário, nesta matéria, sob os seguintes argumentos e justificativas (fls. 633 e 634), em síntese: "O despacho decisório foi exarado com as informações/documentos constantes dos autos na época do exame do direito creditório, sem a retificação da DIPJ providenciada a posteriori pelo recorrente. Não há como alterar o despacho decisório baseado em erros reconhecidos pela própria defesa. Por fim, reforço a posição do ilustre relator deste acórdão que não acolheu a pretensão da recorrente em considerar os valores de declarações retificadoras DCTFs, que também foram entregues após a ciência do despacho decisório, a justificar a alegada compensação de créditos do IRPJ efetuada em duplicidade." contrariamente aos argumentos, justificativas e voto vencedor, as declarações retificadoras das DIPJ/DCTF, mesmo após o exame da autoridade administrativa, produzem efeitos quando têm como objetivo a retificação de erro material de preenchimento, em conformidade com o Princípio da Verdade Material; pois é exatamente nesse ponto que reside a segunda divergência, na medida em que a jurisprudência desse Egrégio Conselho, seguindo fielmente a legislação de regência e do Princípio da Verdade Material, dita que: "ERRO COMETIDO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS Uma vez comprovado que ocorreu erro no preenchimento/processamento da declaração de rendimentos, detectado após notificação e impugnação do sujeito passivo, cabe a retificação dessa declaração, nos termos do art. 1451, do CTN." (Acórdão 1º. CC n°. 101 93.198, de 15/09/2000) "DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material." (Acórdão CARF, Primeira Seção de Julgamento, n°. 130201.015, de 08/11/2012). por todo o exposto, e tendo restado cabalmente demonstrado e comprovado o dissídio jurisprudencial em relação ao tema, através do inteiro teor dos Acórdãos n° 101 93.198, de15/09/2000 (Anexos IV 1/5, à 5/5) e n° 130201.015, de 08/11/2012 (Anexos V 1/8 à 8/8), a Recorrente requer, espera e confia que Vossa Excelência admita o presente Recurso Especial, nesta matéria, promovendo o seu seguimento à Câmara Superior de Recursos Fiscais, da Primeira Seção, a fim de que aquela Egrégia Corte reforme o acórdão recorrido e determine a admissibilidade das declarações DIPJ e DCTF retificadoras, no que concerne a retificação dos erros materiais de preenchimento, bem como a produção dos seus respectivos efeitos, na forma da legislação de regência e da jurisprudência do CARF; Fl. 925DF CARF MF Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 9101004.133 CSRFT1 Fl. 6 5 "APRESENTAÇÃO DE PROVAS. MOMENTO. PRECLUSÃO. Não demonstrada a ocorrência de alguma das hipóteses previstas no parágrafo 4° do art. 16, do Decreto 70.235, de 1972, e alterações, não há como se examinar os documentos trazidos na fase recursal, face à ocorrência dá preclusão." a terceira divergência em que incidiu o r. Acórdão, ora recorrido, referese à possibilidade da apresentação de provas/documentos na fase recursal, em razão das disposições legais aplicáveis e em prestígio ao princípio da verdade material, que norteia o Processo Administrativo Fiscal; em seu voto vencedor, o ilustre Conselheiro Relator negou provimento ao Recurso Voluntário, nesta matéria, sob os seguintes argumentos e justificativas (fl. 634), em síntese: "Assim, não demonstrado a ocorrência de alguma das hipóteses previstas no parágrafo 4º, do art. 16, do Decreto 70.235, de 1972, e alterações, não há como se examinar os documentos trazidos na fase recursal (livro Diário) devendose, também por esse motivo (preclusão), serem rejeitadas as razões trazidas pela recorrente sobre essa matéria." . contrariamente aos argumentos, justificativas e voto vencedor, a Recorrente demonstrou no seu Recurso Voluntário, no Capítulo IV Da Juntada de Documentos, a ocorrência das hipóteses previstas no Parágrafo 4º, do Artigo 16, do Decreto n° 70.235, de 1972, quais sejam, motivo de força maior (alínea "a") e fato superveniente (alínea "b"); além disso, a Lei n° 9.784 de 1999 determina no seu artigo 3º o que segue: "Art. 3º. O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; (o grifo não é do original)" além disso, a jurisprudência do CARF que observa e aplica o Princípio da Verdade Material, admite nos seus julgamentos a juntada de provas na fase recursal, inclusive sem a ocorrência das hipóteses previstas no Parágrafo 4°, do Artigo 16, do Decreto n° 70.235, de 1972; pois é exatamente nesse ponto que reside a terceira divergência, na medida em que a jurisprudência desse Egrégio Conselho, seguindo fielmente a legislação de regência e o Princípio da Verdade Material, dita que: "VERDADE MATERIAL COMPROVAÇÃO DE CRÉDITO Ainda que não sejam provadas nos autos as hipóteses previstas no parágrafo 4°., do art. 16, do Decreto 70.235/72, que justificariam a juntada tardia de documentos, é possível admitir referida juntada tardia em vista da necessidade de busca da verdade material. Por outro lado, é crucial que seja demonstrada e comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado para que o mesmo seja reconhecido pela autoridade julgadora." (Acórdão CARF, Primeira Seção de Julgamento, n°. 180300.765, de 26/01/2011) Fl. 926DF CARF MF Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 9101004.133 CSRFT1 Fl. 7 6 "COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. CRÉDITO COMPROVADO. DOCUMENTOS JUNTADOS EM FASE RECURSAL, DEFERIMENTO. Os documentos juntados na fase recursal que demonstram cabalmente a existência do crédito tributário devem ser admitidos em face do princípio da verdade material. Comprovada a certeza e liquidez da base de cálculo negativa através de documentos fiscais e contábeis, é de se reconhecer o crédito, tributário." (Acórdão CARF, Primeira Seção de Julgamento, n°. 1802001.679, de 11/06/2013) por todo o exposto, e tendo restado cabalmente demonstrado e comprovado o dissídio jurisprudencial em relação ao tema, através do inteiro teor dos Acórdãos n° 1803 00.765, de 26/01/2011 (Anexos VI 1/9 à 9/9) e n° 1802001.679, de 11/06/2013 (Anexos VII 1/6 à 6/6), a Recorrente requer, espera e confia que Vossa Excelência admita o presente Recurso Especial, nesta matéria, promovendo o seu seguimento à. Câmara Superior de Recursos Fiscais, da Primeira Seção, a fim de que aquela Egrégia Corte reforme o acórdão recorrido e determine o cancelamento das exigências fiscais, na forma da legislação de regência e da jurisprudência do CARF. As duas divergências acima referidas foram admitidas com base na seguinte análise: RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES DIPJ/DCTF APÓS O EXAME DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Em relação à possibilidade de retificação das declarações DIPJ/DCTF após o exame do pedido de compensação, foram indicados os acórdãos de nºs 10193.198 e 1302 01.015 como paradigmas de divergência, cujas ementas estão transcritas abaixo: [...] Foram juntadas aos autos cópias de inteiro teor dos acórdãos acima referidos. Compulsando o conteúdo dos votos que orientaram os acórdãos paradigmas, vêse que eles levaram em conta as declarações que foram retificadas após a fase de impugnação (1º paradigma), ou após o despacho decisório que indeferiu a compensação (2º paradigma), enquanto que o acórdão recorrido sustentou o entendimento de que as declarações DIPJ/DCTF retificadoras, apresentadas após o despacho decisório, não poderiam produzir nenhum efeito, conforme evidencia a própria ementa do acórdão recorrido, transcrita anteriormente, e também o seguinte trecho do voto que orientou essa decisão: [...]; Nesse contexto, está caracterizada a divergência em relação à possibilidade de retificação de declarações após o primeiro exame da declaração de compensação, devendose dar seguimento ao recurso especial. PRECLUSÃO PROCESSUAL Quanto à terceira divergência, relacionada à preclusão processual, a contribuinte indica os acórdãos de nºs 180300.765 e 1802001.679 como paradigmas de divergência, com as seguintes ementas: Fl. 927DF CARF MF Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 9101004.133 CSRFT1 Fl. 8 7 [...] Foram juntadas aos autos cópias de inteiro teor dos acórdãos acima referidos. Esse tópico guarda relação com o anterior, porque abrange a apreciação de documentos que visavam a comprovação das informações que foram retificadas na DIPJ. O próprio conteúdo das ementas evidencia a presença de divergência em relação à preclusão processual, e o voto que orientou o acórdão recorrido também deixa isso bem evidente: [...]; Vêse que os acórdãos paradigmas admitiram o exame de documentos apresentados na fase recursal, enquanto que o acórdão recorrido não admitiu. Caracterizada a divergência, também deve ser admitido o processamento do recurso especial em relação à preclusão. Em 03/08/2015, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e em 10/08/2015, o referido órgão apresentou tempestivamente suas contrarrazões, com os seguintes argumentos: o contribuinte defende tese que não espelha a melhor exegese sobre a questão. Com efeito, a demonstração da existência de crédito líquido e certo deve ser feita desde o momento da apresentação da declaração de compensação, sob pena de desrespeito à própria natureza do instituto da compensação; não se pode admitir que um suposto crédito, não informado à Administração Tributária até a ciência do despacho decisório que negou a homologação das compensações, seja admitido em momento tão tardio do processo, sem que tal tema tenha sido objeto de apreciação pela autoridade fiscal responsável pela análise do pleito; os diplomas normativos regentes da matéria, quais sejam art. 74 da Lei nº 9.430/96 e art. 170 do CTN deixam clara a necessidade da existência de créditos líquidos e certos no momento da declaração de compensação, hipótese em que o crédito tributário encontrarseia extinto sob condição resolutória, o que não ocorreu no caso dos autos; os referidos dispositivos afirmam que os créditos a serem compensados devem ser líquidos e certos e devem ser minuciosamente informados na declaração de compensação quando de sua apresentação, sob pena de invalidação do procedimento; assim, a declaração de compensação apresentada sem que o respectivo crédito que a lastreie seja comprovado desde logo, vindo apenas a ocorrer após a ciência do despacho decisório, não pode ser aceita uma vez que constitui inovação à lide, sendo situação nova que não estava em discussão quando da análise inicial da existência do crédito; desta forma, é de se concluir que a Egrégia Turma decidiu corretamente sobre as compensações realizadas de acordo com os elementos de que dispunha. A pretensão de retificação da DCTF/DIPJ para fins de constar crédito diverso do originalmente apontado, por seu turno, apenas foi trazida em momento tardio, constituindo verdadeira inovação à matéria tratada nos autos, não podendo ser objeto de análise neste processo; Fl. 928DF CARF MF Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 9101004.133 CSRFT1 Fl. 9 8 a apreciação da compensação em sede estranha aos procedimentos que lhe são pertinentes não pode ser admitida. De tal sorte, qualquer discussão sobre a compensação, inclusive sobre erro no preenchimento do pedido correspondente, deve ser feita em sede própria; concluise, portanto, que o órgão julgador deve levar em consideração os dados informados na declaração de compensação apresentada pelo contribuinte para justificar a extinção do crédito tributário. Se considerar crédito diverso do apontado pelo contribuinte na via compensatória, a decisão conflita com o próprio procedimento de compensação, em que se analisa o crédito nela indicado e não outro diverso; em relação à possibilidade de juntada de provas na instância recursal, é de concluir que houve preclusão; com efeito, a preclusão conceituase como a perda de uma faculdade processual, caracterizada pela dinâmica da superação das fases procedimentais, em homenagem ao princípio da segurança, imanente tanto ao contencioso judicial quanto ao administrativo; no caso presente, verificase a configuração inarredável do fenômeno da preclusão temporal, posto que já há muito ultrapassado, in casu, o momento adequado para a apresentação da prova documental, qual seja, a fase da impugnação ao auto de infração; registrese, ademais, não ter o contribuinte comprovado, ou sequer aduzido, a impossibilidade de apresentação oportuna da documentação ora acostada, o que impede seu conhecimento, a teor do disposto no art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, verbis: [...]; a apresentação de novos documentos e novos argumentos pelo sujeito passivo em sede recursal, sem amparo na legislação processual administrativa, implica em supressão de instância. Nenhum dos motivos excepcionais previstos nas alíneas foi invocado pelo contribuinte para justificar a juntada de documentos após a fase impugnatória inicial. Portanto, incabível a juntada posterior de documentos; registrese que essa juntada termina por contrariar o princípio do efeito devolutivo dos recursos, vez que esses documentos não foram objeto de apreciação pela autoridade de primeira instância e, logicamente, também não poderiam ser apreciados pela autoridade de segunda instância; esse entendimento, inclusive, foi referendado no Acórdão nº 20177.370, verbis: “PROCESSO ADMINISTRATIVA FISCAL. PRECLUSÃO. A instrução processual é concentrada no momento da impugnação. Considerase precluso o direito de juntar documentos quando o sujeito passivo não requerer em primeira instância a juntada posterior e nem apresentar uma das justificativas legais para tanto”. portanto, é de rigor negarse provimento ao recurso especial; Fl. 929DF CARF MF Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 9101004.133 CSRFT1 Fl. 10 9 ante o exposto, nos termos da fundamentação supra, requer a Fazenda Nacional seja negado provimento ao recurso especial do contribuinte, mantendose o acórdão atacado pelos seus próprios fundamentos, bem como pelas razões acima apresentadas. É o relatório. Fl. 930DF CARF MF Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 9101004.133 CSRFT1 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, porque ele preenche os requisitos de admissibilidade. As divergências jurisprudenciais admitidas dizem respeito à possibilidade de retificação das declarações DIPJ/DCTF após o exame do pedido de compensação, e à possibilidade da apresentação de provas/documentos na fase recursal. Não penso que haja uma impossibilidade absoluta quanto à retificação de declarações ou à apresentação de provas/documentos no curso do processo administrativo. Ao examinar processos de compensação, tenho sempre ressaltado a dinâmica própria que os processos de restituição/compensação (iniciados pelos próprios contribuintes) apresentam em relação à produção de prova. Neste tipo de processo, não é incomum que o debate em torno do direito creditório vá adquirindo corpo diante de um conjunto de razões que vão se apresentando ao longo do contencioso. E o Decreto nº 70.235/1972 traz regra muito aplicável para esses casos, que afasta a preclusão da prova quando ela se destina a "contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos" (art. 16, §4º). Registro ainda que sempre tenho tratado da questão sobre a possibilidade de retificação de declarações nessa mesma perspectiva, ou seja, da dinâmica na produção da prova demandada pelo Fisco. Em vários casos que surge esse tipo de debate, tenho destacado que uma coisa é a retificação de declarações que guardam relação com a formação do direito creditório reivindicado (DIPJ, DCTF, etc.), visando a sua comprovação; e que outra coisa bem distinta é a tentativa de retificação indireta do próprio PER/DCOMP que vem sendo analisado no curso do processo, no intuito de alterar o direito creditório pleiteado (p/ ex., mudança de período, de tributo, do próprio sujeito passivo que gerou o crédito, etc.), o que não pode mesmo ser admitido. Enfim, são essas as considerações gerais que tenho a fazer no âmbito do julgamento deste recurso especial. Não menos importante é verificar qual a repercussão dos aspectos formais em relação ao que está sendo decidido, e analisar em que medida um determinado ponto atua com os outros também envolvidos, verificando se isoladamente ele pode sustentar um determinado efeito, ou se tem que se somar a outros aspectos para tanto. Fl. 931DF CARF MF Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 9101004.133 CSRFT1 Fl. 12 11 Na maioria das vezes, o sopesamento entre o princípio da verdade material e a necessidade de observância de requisitos e formalidades legais deve ser feito diante das circunstâncias de cada caso concreto. Vamos a isso, então. O presente processo trata de Declarações de Compensação em que a contribuinte utilizou direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, no valor de R$ 5.728.796,10. A Delegacia de origem reconheceu um saldo negativo de R$ 5.194.257,91. A parte não reconhecida do saldo negativo está relacionada a glosas de valores de IRfonte. Apurouse uma diferença de IRfonte de R$ 197.524,42, os quais não foram confirmados pelas DIRF entregues pelas fontes pagadoras; e também foram glosados R$ 337.013,72 de IRfonte sobre rendimentos oriundos de operações de Swap, porque esses rendimentos não teriam sido incluídos na base de cálculo do Imposto de Renda, uma vez que a linha 21 da Ficha 07A da DIPJ não foi preenchida. Além disso, a Delegacia de origem constatou outras compensações compensações sem processo, informadas em DCTF, em que esse mesmo crédito já tinha sido utilizado. Assim, após a convalidação dessas outras compensações, o valor remanescente de Saldo Negativo de IRPJ apurado em 1999 que a Delegacia de origem levou em conta para a homologação das compensações objeto do presente processo foi de R$ 1.059.843,23. A decisão de primeira instância administrativa manteve o que havia sido decidido pela Delegacia de origem. E a decisão de segunda instância, acórdão ora recorrido, seguiu esse mesmo caminho. Vale só observar que o voto de qualidade abrangeu apenas a questão da decadência em relação às glosas do IRfonte. Quanto à parte referente às compensações sem processo, a negativa do recurso voluntário foi por unanimidade. Desde o início, a controvérsia em torno da redução do direito creditório reivindicado abrange três pontos que podem ser assim resumidos: 1 não comprovação do total do IRfonte informado na DIPJ as DIRF das fontes pagadoras indicavam valor menor que o declarado pela contribuinte a esse título; e não houve apresentação dos comprovantes das retenções; 2 não tributação dos rendimentos oriundos de operações de Swap, o que justificou a glosa do IRfonte correspondente a esses rendimentos; e 3 uso anterior de grande parte do saldo negativo de 1999 em compensações sem processo, informadas em DCTF, para quitar estimativas em 2000 e 2001. Escopo/Delimitação Toda a controvérsia em relação à primeira parte da glosa do IRfonte (item 1 acima) ficou adstrita às questões sobre decadência, e o entendimento do acórdão recorrido foi Fl. 932DF CARF MF Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 9101004.133 CSRFT1 Fl. 13 12 no sentido de que "inexiste previsão legal estipulando prazo para o fisco proceder ao exame da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pelo contribuinte". Como a divergência sobre decadência não foi admitida, nada há para se examinar em relação a essa parte da controvérsia, uma vez que ela não sofre nenhuma repercussão das divergências admitidas. Vale aqui reproduzir as considerações contidas no voto que orientou o acórdão recorrido, logo após afastar a alegação de decadência: A defesa não trouxe aos autos os documentos comprobatórios da integralidade do IRRF retido informado na respectiva DIPJ (comprovantes de retenção emitidos em seu nome pelas fontes pagadoras), como exige o art. 55 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985. A insuficiência de IRRF nos comprovantes de retenção foi inclusive admitida pela própria recorrente, fls. 383, fato que evidencia a correção da glosa perpetrada pela autoridade fiscal. Diante desse contexto, as divergências admitidas realmente não produzem nenhum efeito contra essa parte do acórdão recorrido, de modo que ela deve ser mantida. Demais pontos Quanto à segunda parte da glosa do IRfonte (rendimentos de swap), a decisão de primeira instância administrativa diz que, embora a contribuinte alegue que os referidos rendimentos estariam informados em outra linha/campo da DIPJ, ela não traz aos autos qualquer documentação capaz de comprovar sua alegação: Apesar de a requerente alegar que o valor das operações de SWAP, no montante de R$ 1.685.070,92, foi oferecido à tributação na Ficha 07 A, Linha 24 da DIPJ/2000, a título de "outras receitas financeiras", não traz aos autos qualquer documentação capaz de comprovar o fato aventado tais como a escrituração da referida operação, demonstrativo de composição das receitas tributadas. Tendo em vista que a interessada não comprovou direito ao crédito líquido e certo nos moldes do art.170 do CTN, prevalece o apurado pela autoridade fiscal. No recurso voluntário, a contribuinte alega que para corrigir erro material de preenchimento da DIPJ, procedeu, na data de 06/05/2008, A retificação da DIPJ/2000, ano calendário de 1999, demonstrando o registro dos rendimentos oriundos de operações de "swap" na Ficha 07A, Linha 21, ao invés da Ficha 07A, Linha 24. Apesar da alegada retificação, a contribuinte continuou sem apresentar os elementos de prova demandados na fase anterior, especialmente a escrituração dos respectivos rendimentos. O acórdão recorrido reitera as razões da primeira instância, mas adiciona o argumento de que não há como se examinar os documentos trazidos na fase recursal (livro Diário) devendose, também por esse motivo (preclusão), serem rejeitadas as razões trazidas pela recorrente sobre essa matéria. Ocorre que a contribuinte trouxe o livro Diário apenas para comprovar suas alegações em relação ao item 3 acima (compensações sem processo). Fl. 933DF CARF MF Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 9101004.133 CSRFT1 Fl. 14 13 Desse modo, ainda que se superasse o argumento adicional apresentado pelo acórdão recorrido (impossibilidade de apreciar provas apresentadas no recurso voluntário), nada mudaria na decisão, porque não havia nenhuma prova a ser examinada para esse matéria. A única providência da contribuinte foi retificar em 06/05/2008 a DIPJ do anocalendário 1999, mas isso não resolve o problema apontado na fase anterior, da falta de comprovação de que o valor das operações de Swap, no montante de R$ 1.685.070,92, estava mesmo incluído nos valores da Ficha 07 A, Linha 24 da DIPJ/2000, a título de "outras receitas financeiras". A mera retificação da DIPJ, mesmo que aceita, não é medida suficiente para alterar o que foi decidido no acórdão recorrido, de modo que ele também deve ser mantido nessa parte. Quanto às compensações sem processo, informadas em DCTF, que representou o terceiro ponto para a redução do saldo negativo a ser aproveitado no presente processo, a decisão de primeira instância apresentou a seguinte manifestação: Quanto à glosa de compensação efetuada em duplicidade, a requerente admite erro no preenchimento das DCTF em relação às datas de apuração dos débitos, no entanto, mais uma vez não traz aos autos qualquer documentação que comprove os referidos equívocos cometidos em sua declaração. No recurso voluntário, a contribuinte reitera a alegação de que cometera erros quando informou como origem dos créditos o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999, ao invés da origem correta de tais créditos, qual seja, saldo negativo de IRPJ dos anos calendário de 1997 e 1998. Ela apresenta folhas do livro Diário para tentar demonstrar que essas compensações sem processo, para quitar débitos de 2000, 2001 e 2002, foram feitas com os saldos negativos de 1997 e 1998, e não com o saldo negativo de 1999, que está sendo reivindicado no presente processo. Esclarece ainda que procedeu em 06/05/2008 a retificação das DCTF dos anoscalendário de 2000 e 2001, informando as datas corretas de apuração dos créditos oriundos do saldo negativo do IRPJ dos anoscalendário de 1997 e 1998, alegando que, assim, careceria de sustentação legal a glosa das compensações realizadas no anocalendário de 2003, relativa ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 (compensações que são objeto do presente processo). O voto do relator do acórdão recorrido (que não foi vencido nessa parte) aponta o problema de a retificação das DCTF ter ocorrido somente após a prolação da decisão de primeira instância, e registra ainda outro problema para a consideração dessas novas declarações, de ordem temporal, porque elas somente foram retificadas após cinco anos de sua apresentação. Já o voto vencedor do acórdão recorrido (vencedor quanto à decadência), em reforço ao voto do relator, acrescenta que a contribuinte quer trazer pretensos créditos do IRPJ (anoscalendário de 1997 e 1998) que sequer foram examinados pela autoridade fiscal, fora dos limites da lide, o que definitivamente não pode ser admitido; e que uma vez efetuado o pedido de restituição, com a informação da origem do crédito e, comprovado que esse crédito não Fl. 934DF CARF MF Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 9101004.133 CSRFT1 Fl. 15 14 existe, não se poderia agora, após o exame da autoridade administrativa, querer modificar o pedido original, já que as informações contidas da Declaração de Compensação foram corretamente analisadas pelo Despacho Decisório. A contribuinte não está pretendendo modificar o crédito utilizado nos PER/DCOMP em questão. O que ela pretende é demonstrar que as compensações sem processo, informadas em DCTF, é que utilizaram direito creditório diferente do que nelas havia sido informado (saldos negativos de 1997 e 1998, e não saldo negativo de 1999). Mesmo assim, concordo com o acórdão recorrido que as DCTF retificadoras configuram uma tentativa de mudança nos aspectos fundamentais de compensações já consolidadas no tempo. O que a contribuinte pretende é inovar nas compensações informadas em DCTF, desvinculandoas do saldo negativo de 1999, passando a vinculálas aos saldos de 1997 e 1998. A questão é que a compensação sem processo, realizada nos termos do art. 66 da Lei 8.383/1991, não exigia maiores formalidades que seu registro em DCTF. Nesse sentido, a retificação das DCTF não tem o efeito de simplesmente corrigir um erro no seu preenchimento, de simplesmente recompor a realidade fática da época em que elas foram originariamente enviadas ao Fisco. A informação prestada em DCTF, no caso das compensações sem processo (a chamada autocompensação) tinha sim o efeito de consolidar um encontro de contas, de fazer um vínculo entre créditos e débitos, de forma semelhante ao efeito que produzem os atuais PER/DCOMP. E nesse passo não há mesmo como alterar em 2008 os encontros de contas que foram informados ao Fisco em 2000/2001/2002, com a alegação de que eles foram feitos com equívocos, no intuito de redisponibilizar o saldo negativo de 1999 para aproveitamento no presente processo. Correto, portanto, o posicionamento adotado pelo acórdão recorrido. Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte. Em síntese, voto por CONHECER do recurso e NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 935DF CARF MF Processo nº 13807.000831/200307 Acórdão n.º 9101004.133 CSRFT1 Fl. 16 15 Fl. 936DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12181.000012/2009-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo
contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Para fazer prova das despesas
médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os
documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física.
Na hipótese, a contribuinte não logrou comprovar as despesas declaradas.
Numero da decisão: 2101-001.662
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física. Na hipótese, a contribuinte não logrou comprovar as despesas declaradas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Fl. 89DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra a contribuinte em epígrafe, na qual foi feita glosa de deduções com despesas médicas. Segundo relato da Fiscalização (fls. 10), a contribuinte, intimada, não comprovou, o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas no montante de R$ 12.400,00. Em 6.1.2009, a contribuinte impugnou o lançamento (fls. 1 a 8), alegando, em síntese, que a legislação citada na Notificação não a obriga a comprovar a forma de pagamento, não a obriga a manter em seu poder cópias de cheques, canhotos etc e que o contribuinte pode se apropriar de despesas feitas por ele próprio e seus dependentes. Anexa declarações dos profissionais emitentes dos recibos às fls. 13 a 15. A 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 0935.265, de 27 de maio de 2011, mediante a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de simples recibos, sem vinculálos ao pagamento realizado, mormente quanto tal aspecto foi objeto de intimação por parte da autoridade lançadora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 66 a 70, no qual reitera as razões de impugnação, repisando que as despesas estão comprovadas e confirmadas por meio de relatórios médicos e declarações e não está obrigada, pela legislação que fundamenta a Notificação, a “ter cópias e ou forma de apresentar o dispêndio financeiro”. Pede seja cancelado o lançamento. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy Fl. 90DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 12181.000012/200989 Acórdão n.º 210101.662 S2C1T1 Fl. 90 3 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O lançamento constante deste processo originouse de procedimento de revisão de declaração, previsto no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda. Tal dispositivo prevê, in verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74). § 1° A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74, § 1°). § 3° Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n° 3.470, de 1958, art. 19). § 4° O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, §3°, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso III)." Os dispositivos acima transcritos autorizam a autoridade fiscalizadora a exigir esclarecimentos sobre o conteúdo da declaração de ajuste do contribuinte. Além disso, mais especificamente, o artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999, que tem por matriz legal o artigo 11 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943, autorizaa a exigir comprovação ou justificação de todas as deduções pleiteadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste, nos seguintes termos: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). [...]). Sobre a forma como devem ser comprovadas as deduções utilizadas, na declaração de imposto sobre a renda de pessoa física de ajuste, com despesas médicas, vejamos o que diz o artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: [...] II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...]. Durante o procedimento fiscal, a contribuinte foi intimada a apresentar documentos comprobatórios do efetivo pagamento das despesas médicas deduzidas em sua declaração anual de ajuste correspondente ao anocalendário de 2004, tais como cópias de cheques, ordens de pagamentos, transferências ou outros documentos aptos a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas deduzidas. No entanto, limitouse a apresentar recibos e declarações e relatórios das profissionais, sustentando não ser obrigada a guardar cópias de cheques ou canhotos. Alega, em sua defesa, que a fundamentação utilizada na Notificação de Lançamento não a obriga a comprovar a forma do dispêndio. Como visto, o artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999, cuja matriz legal é o artigo 74 do DecretoLei n.° 5.844, de 1943, autoriza a autoridade fiscal a exigir a comprovação das despesas deduzidas, e o artigo 8.° da Lei n.° 9.250, de 1995, limita a dedução de despesas médicas aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, sendo que os pagamentos devem ser especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu. No presente caso, a contribuinte deduziu, a título de despesas com psicólogas e fisioterapeuta, o valor de R$ 12.400,00, montante representativo de mais de 40% de sua renda anual disponível, anexando declarações das profissionais em duas das quais se declara recebimento “em espécie”. Feitas essas considerações gerais, passo a analisar cada uma das glosas feitas pela Fiscalização e mantidas na decisão a quo, em confronto com as provas juntadas aos autos, ante a legislação que rege a matéria: a) Vânia de Lemos Paiva, fisioterapeuta (R$ 7.000,00) Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 12181.000012/200989 Acórdão n.º 210101.662 S2C1T1 Fl. 91 5 A fim de comprovar a despesa, a contribuinte anexou recibos (fls. 35 e 36) e declaração da profissional (fls. 13). Esclareceu que os pagamentos correspondentes foram feitos em dinheiro. De acordo com a declaração da fisioterapeuta, foram prestados à recorrente serviços domiciliares consistentes em sessões de alongamento e reeducação postural global (RPG) durante todo o anocalendário de 2004 e, em contrapartida aos serviços prestados, recebeu o valor de R$ 7.000,00 em duas parcelas de R$ 3.500,00, uma em 30 de junho e outra em 30 de dezembro daquele ano. Em primeiro lugar, não me parece razoável que a contribuinte, tendo declarado, no anocalendário, renda disponível de cerca de R$ 2.500,00 mensais, fosse desembolsar duas parcelas de R$ 3.500,00 em dinheiro. De qualquer forma, teria sido benéfico comprovar o pagamento da despesa por meio de cópia de cheque, comprovante de transferência bancária, cópias de extratos bancários ou outro documento hábil e idôneo. Salientase que, para que possam ser feitas deduções da base de cálculo do imposto sobre a renda em decorrência de pagamento de despesas médicas do próprio contribuinte ou de seus dependentes, a lei exige que as provas da efetiva prestação do serviço médico sejam específicas. Nos casos em que o contribuinte alega ter feito pagamento “em espécie”, o tratamento é prolongado e seu custo expressivo frente à renda disponível declarada, as provas da efetiva prestação do serviço de saúde devem ser robustas, a fim de convencer o julgador que tal serviço foi prestado e que o contribuinte efetivamente suportou a despesa. Sendo assim, em seu próprio benefício, o contribuinte deve exibir documentação que comprove a efetiva prestação dos serviços e seu pagamento, tais como exames, fichas clínicas, declarações dos profissionais nas quais conste descrição específica da doença e seu tratamento, e ainda cópias de cheques, extratos bancários nos quais se verifiquem saques em valores compatíveis com as despesas declaradas, no caso de pagamento em dinheiro, comprovantes de transferências bancárias etc. Observase, que, no caso das despesas deduzidas com a profissional de fisioterapia em epígrafe, o conjunto probatório não atende sequer aos requisitos mínimos exigidos pelo artigo 8.° da Lei n.° 9.250, de 1995, razão pela qual sou por manter a glosa. b) Gisela Maria Rezende Isidoro Silva (R$ 2.600,00) e Simone Nogueira Raimundo (R$ 2.800,00), psicólogas A recorrente acosta aos autos recibos (fls. 32 e 33) e Declaração de Atendimento Clínico (fls. 14), emitidos por Gisela Maria Rezende Isidoro Silva, e recibos (fls. 33 a 35) e Relatório de Atendimento (fls. 15) emitidos por Simone Nogueira Raimundo. As profissionais esclarecem que os pagamentos correspondentes aos serviços prestados foram feitos “em espécie”. Ambas as profissionais declaram que a contribuinte, durante o anocalendário de 2004, esteve em tratamento em virtude de quadro depressivo com crises de ansiedade. Não se explica, todavia, a necessidade de um tratamento simultâneo com duas profissionais da mesma especialidade, para o mesmo fim. Ressalto que este não é um fator que determine, sozinho, a posição ao final exarada, mas uma consideração que deve ser levada em conta juntamente com as demais provas dos autos. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Como dito anteriormente, a comprovação das despesas médicas, para justificar deduções da base de cálculo do imposto sobre a renda, devem ser específicas, a fim de convencer o julgador que tal serviço foi prestado e que o contribuinte suportou a despesa. Nas hipóteses em que o contribuinte alega ter feito pagamento “em espécie”, o tratamento é prolongado e seu custo expressivo frente à sua renda disponível, principalmente quando existe tratamento concomitante com duas profissionais da mesma especialidade, para o mesmo fim, as provas da efetiva prestação do serviço de saúde devem ser robustas. Em benefício do próprio contribuinte, os autos devem ser instruídos com documentação que comprove a efetiva prestação dos serviços de saúde e seu pagamento, tais como exames, fichas clínicas, além de declarações dos profissionais nas quais conste descrição específica da doença e seu tratamento, e também extratos bancários nos quais se verifiquem saques em valores e datas compatíveis com as despesas declaradas. Neste caso, a contribuinte recusase a apresentar comprovação do efetivo pagamento das despesas declaradas, e as provas apresentadas, consistentes em recibos e declarações das profissionais, não se revestem da força necessária para justificar a dedução da despesa da base de cálculo do imposto sobre a renda, ante o valor significativo da despesa ante a renda disponível declarada. Por esse motivo, devese manter a glosa. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 05/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904472/2008-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 13/01/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 2201-004.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 13/01/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
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NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 44 72 /2 00 8- 56 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 16327.904472/200856 Acórdão n.º 2201004.895 S2C2T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.880, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904487/200814, paradigma deste julgamento. "Acórdão nº 2201004.880 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF sobre operações de ganho de capital em operação de compra e venda em bolsa de valores pois considerou diversas empresas investidoras não residentes e situadas em países com tributação favorecida (paraíso fiscal). Aduz que houve erro, pois de acordo com a IN 188/02 as empresas situadas em Luxemburgo que não sejam constituídas na forma de Holding Company não estão sujeitas a retenção do IRRF e, portanto o pagamento do tributo foi compensado. A Delegacia da Receita de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte sob o fundamento em síntese de falta de comprovação dos documentos societários constitutivos da empresa investidora para não ter o tratamento de holding company na forma da legislação luxemburguesa, sendo que considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para este Conselheiro. É o que havia para ser relatado." Fl. 150DF CARF MF Processo nº 16327.904472/200856 Acórdão n.º 2201004.895 S2C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.880, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904487/200814, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.880, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: "Acórdão nº 2201004.880 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, o conheço. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. No presente recurso o contribuinte questiona além do fato de existir provas de que a empresa investidora não era à época dos fatos holding company para se inserir na regra de retenção do IRRF, argumenta também sobre a existência de erro de fato. Contudo não foi enfrentada no acórdão da decisão da DRJ e não dedicada nem uma só linha sequer sobre o assunto do erro de fato muito embora seja ela essencial ao deslinde desta lide administrativa e tenha constado na manifestação de inconformidade do contribuinte. O contribuinte destaca em seu recurso e na manifestação de inconformidade tanto o tema quanto a ocorrência de erro de fato quanto a questão da comprovação da natureza societária em Luxemburgo da empresa investidora. Contudo, pela análise da decisão de piso, verifico que apenas a questão sobre a natureza societária da empresa investidora, no caso a comprovação se era a época dos fatos, holding company, foi objeto de decisão de primeiro grau, deixando a C. Turma do colegiado a quo de se manifestar em relação a questão do erro de fato, que foi objeto de capítulo exclusivo na manifestação de inconformidade do contribuinte. Portanto, nesse caso, de ofício e de forma preliminar entendo que para evitar supressão de instância devido ao fato da DRJ não ter analisado essa questão quanto ao erro de fato, levantada pelo contribuinte desde a manifestação de inconformidade e também em recurso voluntário, entendo que houve preterição ao direito de defesa de acordo com art. 59, II do Decreto 70.235/72 devendo ser anulada a r. decisão recorrida para que a DRJ a analise, ressalvado ao Fl. 151DF CARF MF Processo nº 16327.904472/200856 Acórdão n.º 2201004.895 S2C2T1 Fl. 5 4 contribuinte, posteriormente o recurso em relação aos demais itens não abordados nessa decisão. Com efeito, os demais argumentos trazidos no recurso ficam prejudicados quanto a sua análise em vista das razões acima, sendo que ficam ressalvados em caso de necessidade de posterior análise após nova decisão da DRJ. Conclusão Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo." Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002015/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Correta a decisão de 1ª instância que cancela exigência sob o fundamento de que tratando-se de IRPJ apurado na modalidade de lucro real trimestral e existindo o recolhimento do imposto apurado, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário se extingue no prazo de cinco anos, contado do último dia do trimestre respectivo, data em que se aperfeiçoa o fato gerador da obrigação tributária, estendendo esta interpretação à CSLL
porque afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o
lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do lapso decadencial rege-se pelo disposto no Código Tributário Nacional, art. 150, § 4º, nos mesmos moldes do imposto de renda pessoa jurídica.
GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. Mantém-se parcialmente a exigência se a contribuinte logra demonstrar, em sede de diligência, a regularidade de parte dos valores questionados no lançamento.
Já a glosa de custos/despesas vinculados a notas fiscais emitidas por pessoa jurídica declarada inapta deve subsistir se o sujeito passivo não demonstra o recebimento das mercadorias.
Numero da decisão: 1402-003.863
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA -Redatora ad hoc
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Correta a decisão de 1ª instância que cancela exigência sob o fundamento de que tratando-se de IRPJ apurado na modalidade de lucro real trimestral e existindo o recolhimento do imposto apurado, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário se extingue no prazo de cinco anos, contado do último dia do trimestre respectivo, data em que se aperfeiçoa o fato gerador da obrigação tributária, estendendo esta interpretação à CSLL porque afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do lapso decadencial rege-se pelo disposto no Código Tributário Nacional, art. 150, § 4º, nos mesmos moldes do imposto de renda pessoa jurídica. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. Mantém-se parcialmente a exigência se a contribuinte logra demonstrar, em sede de diligência, a regularidade de parte dos valores questionados no lançamento. Já a glosa de custos/despesas vinculados a notas fiscais emitidas por pessoa jurídica declarada inapta deve subsistir se o sujeito passivo não demonstra o recebimento das mercadorias.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Correta a decisão de 1ª instância que cancela exigência sob o fundamento de que tratando-se de IRPJ apurado na modalidade de lucro real trimestral e existindo o recolhimento do imposto apurado, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário se extingue no prazo de cinco anos, contado do último dia do trimestre respectivo, data em que se aperfeiçoa o fato gerador da obrigação tributária, estendendo esta interpretação à CSLL porque afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do lapso decadencial rege-se pelo disposto no Código Tributário Nacional, art. 150, § 4º, nos mesmos moldes do imposto de renda pessoa jurídica. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. Mantém-se parcialmente a exigência se a contribuinte logra demonstrar, em sede de diligência, a regularidade de parte dos valores questionados no lançamento. Já a glosa de custos/despesas vinculados a notas fiscais emitidas por pessoa jurídica declarada inapta deve subsistir se o sujeito passivo não demonstra o recebimento das mercadorias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Redatora ad hoc A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 08 82 .0 02 01 5/ 20 08 -4 3 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS De Ofício e Voluntário 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária IRPJ/CSLL - Glosa de despesas IRPJ/CSLL - Glosa de despesas LOPESCO INDUSTRIA DE SUBPRODUTOS ANIMAIS LTDA LOPESCO INDUSTRIA DE SUBPRODUTOS ANIMAIS LTDA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 2598DF CARF MF Processo nº 10882.002015/2008-43 Acórdão n.º 1402-003.863 S1-C4T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Relatório (Na condição de redatora hoc, designada na forma do art. 17, inciso III do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, reproduzo o relatório apresentado na sessão de julgamento de 16 de abril de 2019 pelo Relator original, Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, dispensado do mandato de Conselheiro junto a este Colegiado por meio da Portaria ME/SE nº 713, publicada no Diário Oficial da União de 29 de abril de 2019). Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face da r. decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas que decidiu por unanimidade de votos, julgar parcialmente procedente a impugnação apresentada, no qual reconheceu o transcurso do prazo decadencial dos fatos geradores ocorridos anteriormente à 02/07/2003 e, de outro lado, pela manutenção do lançamento relativo aos fatos geradores posteriores. Dessa forma, a decisão também foi submetida ao reexame necessário. Os autos de infração se originam de suposta glosa de despesas decorrentes da ausência de comprovação do pagamento e da realização das operações relativas a determinadas notas fiscais. Este processo foi submetido à apreciação da 2ª Turma Ordinária da 1 Câmara desta 1º Seção que prolatou a Resolução 1102-0062, convertendo o julgamento para: Fl. 2599DF CARF MF Processo nº 10882.002015/2008-43 Acórdão n.º 1402-003.863 S1-C4T2 Fl. 4 3 Em 24 de janeiro de 2017, esta e. Turma reapreciou o processo em epigrafe, oportunidade em que votamos por reconverter o julgamento em diligência para que a Resolução anterior fosse devidamente cumprida pela fiscalização. Em resposta a Resolução 1402-000.408, a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo apresentou o Relatório Fiscal de fls., em que apresentou as seguintes conclusões: 1) DO SISTEMA DE ANTECIPAÇÃO DE VALORES: No transcorrer desta diligencia fiscal, a empresa apresentou os aging- list do seu sistema de pagamentos, suportado pela razão contábil analítico, conciliando este sistema com notas fiscais das EPPs prestadoras de serviços. Foram, então, confirmados nos Sistemas da RFB a natureza, existência e operação de fato das empresas prestadoras Os relativos pagamentos/quitações foram comprovados como os adiantamentos, sendo concomitantemente conciliadas as provas efetivas dos pagamentos das notas fiscais correspondentes. A LOPESCO detalhou, durante a reunião de 09/10/2017, verbalmente o fluxo de produção em plantas externas que demandam tal serviços e, sua metodologia de contratação para operação fora de sua planta bem como, apresentou os documentos que suportaram tal explicação (Fotos, composição dos produtos, transferências, cheques, comprovantes de deposito). Após este novo processo de análise, com apresentação da documentação supracitada, ficou confirmado para o fisco a existência do sistema de adiantamentos como comprovação de que as compras efetivamente ocorreram, efetivamente atestadas pelo pagamento e uso no processo fabril. 2) DA DISTRIBUIDORA DE CARNES SÃO PAULO; CNPJ: 68.195.072/0001-75. No transcorrer da presente ação fiscal, a LOPESCO foi intimada, como comprova a transcrição acima, a apresentar provas da real compra, uso, fretes e pagamento de produtos efetivamente provenientes da distribuidora acima. Em todos atendimentos e respostas ao fisco não conseguiu provar os efetivos frete/transporte dos produtos supostamente comprados deste CNPJ inapto, o que comprovaria o real recebimento destas mercadorias deste fornecedor. Na reunião para apresentação da resposta a intimação nada foi adicionado sobre esta empresa a demonstrar o recebimento das mercadorias a que se referem as notas fiscais emitidas, sua revenda ou registro no estoque. Novamente foram acessados todos os sistemas de informação disponíveis na receita Federal que consideram esta empresa como INAPTA por INEXISTENCIA DE FATO. Este pretenso fornecedor nunca existiu, como frigorifico de fato. O CNPJ em questão estava cadastrado com endereço em área urbana, mais precisamente na Rua. Siqueira Campos, 2257 - Parque Industrial, São José do Rio em prédio que não comporta tal atividade e onde funciona uma pizzaria , cuja foto segue: Fl. 2600DF CARF MF Processo nº 10882.002015/2008-43 Acórdão n.º 1402-003.863 S1-C4T2 Fl. 5 4 Confirmo que a DISTRIBUIDORA DE CARNES SÃO PAULO tratava –se de empresa para simples movimentação financeira irregular, que na época não apresentava quadro empregados suficientes para atividade, dispor de patrimônio, capacidade operacional e instalações necessários à realização destas vendas. Sua inaptidão se deu de maneira retroativa a seu ano de criação 1999, por inexistência de fato, jamais os produtos utilizados pela LOPESCO poderiam proceder desta empresa. No processo PROC. 10820002518200410, protocolado em 2004, caracteriza minunciosamente a condição de INEXISTENCIA DE FATO e culminou com o Ato Declaratório 53. DOU 15/05/2008 que considerou os efeitos da inaptidão a partir de 01/01/1999 Acrescento que esta empresa foi considerada inapta, também pelo fisco estadual no Processo 1000326-358725/2007, de onde extraio o seguinte cadastro. “Cadastro de Contribuintes de ICMS Cadesp Data Início de Inatividade: 05/10/2006 Situação Cadastral: Inapto Data da Situação Cadastral:05/10/2006 Ocorrência Fiscal: Cassada por prática de ato ilícito que tenha repercussão no âmbito tributário Adicionalmente, transcrevo agora o processo do fisco estadual de São Paulo, objeto do AIIM Nº 3.107.154-“ 5, que apresenta a DISTRIBUIDORA DE CARNES SÃO PAULO como inidônea perante o fisco Estadual: Fl. 2601DF CARF MF Processo nº 10882.002015/2008-43 Acórdão n.º 1402-003.863 S1-C4T2 Fl. 6 5 “ A emissão dessas notas é atribuída à empresa DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO LTDA ME - I.E. 647.032.660.118 e CNPJ: 68.195.072/0001-75, que teve a eficácia da Inscrição Estadual CASSADA, em 31/08/2007 (Processo GDOC n.º 1000326-358725/2007), conforme documentos comprobatórios juntados, por ter participado de organização constituída para a prática de fraude fiscal estruturada, resultante da implementação de esquema de evasão fiscal mediante artifícios envolvendo dissimulação de atos, negócios e pessoas, nos termos do art. 20, Inc. II e § 2º, item 1, da Lei nº 6.374/1989. A empresa DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO LTDA ME, foi constituída por meio de interposição de pessoas em seu quadro societário “laranjas”. Sua participação na organização consistia em fornecer documentos fiscais necessários para acobertar transporte de carnes e de subprodutos do abate de gado e, ainda, em suportar o registro das respectivas operações, de modo a satisfazer formalmente as obrigações requeridas pela legislação tributária. Tais operações, no entanto, jamais ocorreram de fato, eis que viciadas pela simulação, implementada com o único propósito de propiciar vantagens indevidas ao contribuinte e a terceiros, conforme apurações pelo Fisco Estadual, Fisco e Policia Federal na deflagração da Operação Grandes Lagos.” Após este novo processo de análise, onde a empresa somente optou pela reapresentação/citação da documentação anterior referente a empresa INAPTA, não ficou provado para o fisco a existência do efetivo transporte do produto para a LOPESCO, proveniente desta Distribuidora, afirmo que o pedido de conciliação das notas com frete efetuado, através das intimações fiscais, não foi atendido. A presente ação fiscal confirma o posicionamento do Auto de Infração, considerando que a parte impetrante não trouxe aos presentes autos elementos aptos a alterar as conclusões consistentes extraídas pela autoridade fiscal a partir dos fatos apurados É o relatório. Fl. 2602DF CARF MF Processo nº 10882.002015/2008-43 Acórdão n.º 1402-003.863 S1-C4T2 Fl. 7 6 Voto (Na condição de redatora hoc, designada na forma do art. 17, inciso III do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, reproduzo o voto apresentado na sessão de julgamento de 16 de abril de 2019 pelo Relator original, Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, dispensado do mandato de Conselheiro junto a este Colegiado por meio da Portaria ME/SE nº 713, publicada no Diário Oficial da União de 29 de abril de 2019.) 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. DO RECURSO DE OFÍCIO O acórdão recorrido foi submetido a Recurso de Ofício em decorrência do cancelamento de parte do lançamento por transcurso do prazo decadencial. Entendo que a decisão da DRJ no que concerne à decadência é irretocável adotando-a como razões de decidir ao que peço vênia aos colegas para transcrevera parte do r. acórdão recorrido em que se tratou da matéria: Em 18/08/2008, despacho do Ministro da Fazenda aprovou o Parecer PGFN/CAT N° 1617/2008, que estabeleceu as orientações a serem observadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, em face da edição pelo Supremo Tribunal Federal da Súmula Vinculante n° 8. A citada Súmula consolidou a posição do Poder Judiciário acerca da inconstitucionalidade das normas contidas nos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 1991, que estabeleciam o prazo de dez anos para a decadência das contribuições para a Seguridade Social. Afastado por força de decisão judicial o prazo de dez anos tratado nos art. 45 e 46 da Lei n° 8212, de 1991, assim orientou a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional a respeito da fixação do dies a quo na contagem do prazo decadencial nesse novo contexto jurídico: d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplica-se a regra do art. 173, inc. I do CT1V, pouco importando se houve ou não declaração, contando-se o prazo do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplica-se a regra do § 4° do art. 150 do CTN (.) Embora tendo por objetivo especifico orientar os procedimentos a serem adotados pela administração tributária diante do afastamento do prazo decadencial de dez anos para as contribuições sociais, o entendimento acerca do estabelecimento do marco inicial para a contagem do prazo de decadência expresso naquele Parecer é perfeitamente aplicável ao caso em análise. Dizem os artigos 150 e 173 do Código Tributário Nacional: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Fl. 2603DF CARF MF Processo nº 10882.002015/2008-43 Acórdão n.º 1402-003.863 S1-C4T2 Fl. 8 7 § 2° Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3° Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifos acrescidos) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Retornando ao presente processo, a cópia da declaração de rendimentos DIPJ/2004, ano-calendário 2003, às fls. 12/108, demonstra que a tributação do lucro real foi trimestral. Sendo assim, objeto dos feitos fiscais são os fatos geradores do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL apurados ocorridos em 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003 e 31/12/2003. Havendo o pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, tal exigência se insere no rol dos tributos lançados por homologação. Tal sistemática, como se sabe, encontra-se regulada no Código Tributário Nacional — CTN, art. 150, § 4°, que é taxativo no sentido de fixar o prazo de 5 (cinco) anos para o exame da autoridade administrativa, com vistas à homologação ali referida, com ressalva prévia de seu caput: "se a lei lido fixar prazo homologação". O relatório de fls. 1907/1911, extraído do sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, que controla a arrecadação federal, comprova que a contribuinte efetuou os recolhimentos de IRPJ e CSLL, informados na declaração de imposto de renda pessoa jurídica, ou seja, efetuou as antecipações necessárias à aplicação do disposto artigo 150, § 4º , do CTN . A contribuinte foi cientificada dos autos de infração em 02/07/2008 (fls. 405, 413), portanto, quando já havia exaurido o prazo qüinqüenal decadencial, à luz do dispositivo legal invocado, para os fatos geradores de IRPJ e CSLL ocorridos anteriores a 02/07/2003. Nessas condições, tem razão a contribuinte em sua argumentação sobre a decadência. Portanto, os lançamentos de IRPJ e CSLL constantes dos autos de infração, referentes aos fatos geradores dos 1º e 2° trimestres do ano-calendário 2003, devem ser cancelados, porque decaído o direito de o Fisco promover a sua efetivação. Com base nesses fundamentos, voto pelo improvimento do recurso de ofício. 3 – RECURSO VOLUNTÁRIO a) Glosa de custos e despesas operacionais — falta de comprovação de pagamento de custos/despesas: segundo o Fisco, intimada em 12.05.2008 e reintimada em 09.06.2008 a comprovar o efetivo pagamento das notas fiscais relacionadas na Tabela I do TVF (fls. 391 a 393), a empresa não apresentou a comprovação necessária, razão pela qual foi efetuada a glosa dos custos/despesas correspondentes; Em relação ao item I da acusação fiscal, o resultado da diligência demonstra que os relativos pagamentos/quitações foram comprovados como os adiantamentos, sendo concomitantemente conciliadas as provas efetivas dos pagamentos das notas fiscais correspondentes. A LOPESCO detalhou, durante a reunião de 09/10/2017, verbalmente o Fl. 2604DF CARF MF Processo nº 10882.002015/2008-43 Acórdão n.º 1402-003.863 S1-C4T2 Fl. 9 8 fluxo de produção em plantas externas que demandam tal serviços e, sua metodologia de contratação para operação fora de sua planta bem como, apresentou os documentos que suportaram tal explicação (Fotos, composição dos produtos, transferências, cheques, comprovantes de deposito). b) Notas fiscais emitidas por empresa inapta: em face da publicação, no DOU, seção 1, do dia 15.05.2008, do Ato Declaratório Executivo n° 53/2008, declarando inapta a inscrição no CNPJ da empresa Distribuidora de Carnes Sao Paulo Ltda. ME e considerando inidôneos todos os documentos emitidos pela empresa, com efeitos retroativos a 01.01.1999, foi efetuada a glosa de todos os custos/despesas suportados por notas fiscais da mencionada empresa, conforme Tabela II do TVF (fls. 394/395). O Relatório Fiscal demonstra ainda que a empresa Distribuidora de Carnes Sao Paulo Ltda. ME foi declarada inapta e não apresentava condições para a prestação de serviços a que se propunha, principalmente tendo sido alvo de operação pela Polícia Federal. Nessa senda, embora a inaptidão por si só não seria elemento para justificar a glosa de despesas, quando o contribuinte consegue demonstrar que houve o pagamento e que recebeu as mercadorias ou serviços adquiridos, nessa linha os seguintes precedentes deste e. CARF: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 EMPRESA INAPTA. CUSTOS OU DESPESAS. GLOSA. PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. Cabível o lançamento decorrente da glosa de documentos representativos de custos ou despesas, emitidos por empresa inaptas por inexistência de fato, quando restar comprovado que o adquirente não efetuou o pagamento a tais fornecedores, tampouco e recebeu os respectivos bens. MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual (mesma base). Recurso Voluntário Provido em Parte. Processo Administrativo nº 15940.000109/2008-60, acórdão nº 1402-001.199, relator Antonio José Praga de Souza, j. 02/10/2012. No caso concreto se verifica que a Recorrente não foi capaz de se livrar desse ônus. Embora tenha demonstrado o pagamento, não foi capaz de demonstrar o recebimento das mercadorias cujas notas foram glosadas, motivo pelo qual entenda deva ser mantido o lançamento nesse ponto. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento as glosas relativas às notas fiscais relacionadas na Tabela I do TVF (fls. 391 a 393). É como voto. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Redatora ad hoc Fl. 2605DF CARF MF
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Numero do processo: 13051.720137/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (relator), Corintho Oliveira Machado e Jorge Lima Abud, que lhe negavam provimento. Designado o Conselheiro Raphael Madeira Abad para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède. Presidente
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relator
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad. Redator designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosemburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
RELATÓRIO
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (relator), Corintho Oliveira Machado e Jorge Lima Abud, que lhe negavam provimento. Designado o Conselheiro Raphael Madeira Abad para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède. Presidente (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relator (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad. Redator designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosemburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). RELATÓRIO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (relator), Corintho Oliveira Machado e Jorge Lima Abud, que lhe negavam provimento. Designado o Conselheiro Raphael Madeira Abad para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède. Presidente (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relator (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad. Redator designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosemburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). RELATÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 51 .7 20 13 7/ 20 11 -9 1 Fl. 294DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata o processo de contestação contra o Despacho Decisório de Indeferimento de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) nº de rastreamento 931265166, de 10/05/2011 (fl. 2), que indeferiu o Pedido de Ressarcimento de créditos de Cofins Não Cumulativa – Mercado Interno, de que trata o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, pleiteado pela empresa em epígrafe por meio do PER nº 20432.67773.270409.1.1.11 1894, onde requereu o ressarcimento de créditos complementares que diz terem sido obtidos no 2º Trimestre de 2006, no valor de R$ 175.265,67. Não há informação de compensações declaradas com referência no crédito. Do Despacho Decisório O Despacho Decisório de Indeferimento de PER nº de rastreamento 931265166, de 10/05/2011 (fl. 2), fundamenta a decisão nestes termos: Indefiro o pedido de ressarcimento apresentado no PER/DCOMP acima identificado, uma vez que se trata de pedido em duplicidade. Período de apuração do crédito: 2º Trimestre de 2006 PER/DCOMP com pedido de ressarcimento do mesmo crédito: 02927.65081.251006.1.1.113372 Base legal: Parágrafo 7º do Art. 21 e Parágrafo 2º do art. 28 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. A contribuinte foi cientificado da decisão em 19/05/2011, através de correspondência, conforme aviso de recebimento acostado à fl. 193. Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com a decisão proferida, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade em 20/06/2011 (fls. 03 a 24). Preliminar Da falta de fundamentação motivacional da decisão De início, aponta que o Despacho Decisório ora combatido não veio acompanhado da devida fundamentação motivacional, apenas aponta as supostas infrações cometidas pela Manifestante. Aduz que faltaram os elementos de convicção da decisão, os elementos fáticos ocorridos e o motivo da inexistência de crédito, retirando, por conseqüência, a segurança jurídica da Manifestante. Então, houve cerceamento do seu direito de defesa, já que não foram respeitados os princípios da ampla defesa e do contraditório. Traz doutrina que subsume a sua linha de argumentação. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 13051.720137/201191 Resolução nº 3302001.028 S3C3T2 Fl. 4 3 Pugna pela nulidade do Despacho Decisório, já que eivado de vício formal insanável. Da nulidade por erro na capitulação legal Faz um arrazoado sobre a validade do ato processual administrativo tributário, defendendo que o Despacho Decisório, para ser válido e eficaz, deve conter os requisitos fundamentais: agente capaz, forma prescrita ou não defesa em lei e objeto lícito. Aponta equívoco "quando da tipificação do "enquadramento legal", ao apontar o parágrafo 7o do Art. 21 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, o qual trata sobre créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, que em nada se relaciona com a suposta exigência descumprida". Aduz que, pelo erro cometido pela autoridade tributária omissão da legislação que substanciaria a suposta irregularidade cometida no PER com a indicação de dispositivos imprecisos , há carência de elementos capazes e suficientes para precisar a real motivação da suposta duplicidade do pedido de ressarcimento em questão, dificultando o exercício de seu direito de defesa, importando em vício que acarreta a nulidade do Despacho Decisório. Argumenta que a capitulação legal é elemento essencial para a validade do Despacho Decisório, sob pena de cercear o direito de defesa do contribuinte. Traz julgados do Egrégio Conselho de Contribuintes que coadunam com suas alegações. Pugna pela nulidade, já que o procedimento fiscal não foi revestido de todas as formalidades legais. Mérito Inicialmente, destaca a correção do Pedido de Ressarcimento complementar de créditos: A uma, porque apesar de serem referentes ao mesmo período, tratase de pedidos diferentes; a duas, porque no procedimento administrativo inexiste a figura da coisa julgada; e por fim, porque enquanto não transcorrido o prazo prescricional para requerer créditos decorrentes da atividade da empresa, não estaria ela ofuscada pela decisão administrativa do pedido anterior. Relata que a apuração dos créditos no pedido original foi feita com a utilização do método "Base na Proporção da Receita Bruta Auferida", com base nos artigos 3º, § 7º e § 8º das Leis n.° 10.833/03 e 10.637/02, conforme se depreende do DACON. No entanto, narra que efetuou um trabalho de revisão fiscal com recálculo dos créditos de Cofins NãoCumulativa – Mercado Interno 2º Trimestre de 2006, referente ao rateio proporcional da receita bruta auferida pela Manifestante, alterando os percentuais dos créditos passíveis de ressarcimento, mas que não foram alvos do outro pedido. Alega que havia inserido "receitas" das vendas, oriundas da comercialização de bens e mercadorias referente a atos cooperados, no primeiro pedido de ressarcimento de Cofins NãoCumulativa. Então, Fl. 296DF CARF MF Processo nº 13051.720137/201191 Resolução nº 3302001.028 S3C3T2 Fl. 5 4 ao recalcular a totalidade das receitas, desconsiderando as vendas referentes aos atos cooperados, conforme previsto em lei, chegouse a um novo percentual de receitas para o mercado interno e exportação. Demonstra o recálculo por meio de um exemplo prático. Argumenta que, constatado o erro no percentual outrora empregado, verificouse, por conseguinte, que a empresa havia requerido valor a menor, razão pela qual, dentro do prazo prescricional, fez pedido referente apenas à parcela que ficou de fora do outro pedido, por ser a única forma de haver ressarcido os valores decorrentes de tais créditos apurados após o trabalho de revisão fiscal, já que entende que as operações com cooperados não configuram receitas. Traz acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Assevera que a IN RFB 900/08, em seu art. 77, não permite que o contribuinte efetue a retificação do pedido de ressarcimento após a decisão administrativa. Então, como possui valores passíveis de ressarcimento que foram levantados no recálculo, apresentou novo pedido, já que não havia outra forma de pleitear a diferença. Por fim, destaca que referido pedido "complementar" não se trata de aumento de crédito, mas de realocação do rateio proporcional dos créditos passíveis de ressarcimento e que acarretaram no pedido "complementar". Da correção monetária ao pedido de ressarcimento Defende que a demora no reconhecimento do crédito implica que se proceda à devida correção pela Selic desde a data do protocolo do pedido a fim de reparar a mora e o poder aquisitivo do crédito. Pugna pela devida correção dos créditos pela taxa SELIC, desde a data dos seus protocolos, em conformidade com o art. 39, § 4.° da Lei n° 9.250/95 e com a Súmula n° 411 do STJ. Do Pedido Requer, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório face às irregularidades apontadas e, no caso de não acolhimento do pedido anterior, no mérito, a reforma do Despacho Decisório uma vez que o PER analisado tratase de pedido complementar de crédito, cujo crédito deve ser acrescido da devida correção monetária pela taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento/compensação. A 7ª Turma da DRJ Porto Alegre (RS) julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 1060.655, de 11 de outubro de 2017. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade. É o breve relatório. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 13051.720137/201191 Resolução nº 3302001.028 S3C3T2 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. Nulidade do despacho decisório. O recorrente reproduziu a preliminar apresentada na manifestação de inconformidade, alegando vícios no despacho decisório capazes de macular sua existência e determinar sua nulidade. Como não há elemento novo sobre a nulidade apontada no recurso voluntário, e entendo correta a decisão a quo, tendo por base o § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, peço vênia para utilizar a ratio decidendi da DRJ como se minha fosse, verbis: Preliminar Da falta de fundamentação motivacional da decisão e da nulidade por erro na capitulação legal Cabe salientar que o ato administrativo consubstanciado no Despacho Decisório de Indeferimento de PER nº de rastreamento 931265166, de 10/05/2011 (fl. 2) que integra o presente processo possui motivo legal, tendo sido praticado em conformidade ao legalmente estipulado, bem como motivo de fato, tendo havido a verificação concreta da situação fática para a qual a lei previu o cabimento do ato, e estando os fatos imponíveis discriminados no item 3 Fundamentação, Decisão e Enquadramento Legal do referido Despacho Decisório. Enfatizese que tal documento, que foi entregue ao contribuinte, propiciou o pleno exercício do direito do contraditório e da ampla defesa constitucionalmente assegurado aos litigantes em processo administrativo. Ademais, a manifestação de inconformidade reafirma os fatos que deram causa ao indeferimento do pedido de ressarcimento e tece vasta gama de argumentos defendendo a legalidade do procedimento da contribuinte, restando afastada a alegação de cerceamento do direito de defesa e confirmase a validade da decisão. É de se destacar que o Despacho Decisório em tela se encontra revestido das formalidades legais, tendo sido formulado de modo que o contribuinte tivesse pleno conhecimento de seu conteúdo, observados os princípios da motivação e da legalidade dos atos administrativos. Ressaltese, então, que o referido Despacho Decisório, cuja finalidade foi indeferir o crédito pleiteado, foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, e formulado de modo que a Manifestante tivesse pleno conhecimento de seu conteúdo, para que pudesse exercer seu direito à ampla defesa, tendo a autoridade fiscal demonstrado, de forma clara e objetiva, a origem e os motivos da lavratura, descrevendo os documentos e critérios utilizados, e tendo sido observados, no caso, todos os princípios que regem o Fl. 298DF CARF MF Processo nº 13051.720137/201191 Resolução nº 3302001.028 S3C3T2 Fl. 7 6 processo administrativo fiscal, como o da legalidade, cabendo observar, ainda, que ele foi regularmente cientificado ao sujeito passivo, tendolhe sido concedido prazo para que apresentasse manifestação de inconformidade, não havendo que se falar, no caso, em nulidade da autuação. Por conseguinte, não prospera as alegações de nulidade do Despacho Decisório, já que os pressupostos legais para a sua validade são determinados pelo artigo 10, do Decreto nº 70.235, de 1972. O mesmo Decreto nº 70.235 dispõe sobre a nulidade no processo administrativo nos seguintes termos: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa". O Despacho Decisório inserese na categoria prevista no acima transcrito inciso I, do art. 59, do Decreto 70.235/1972 (atos e termos), sendo nulo, portanto, quando lavrado por pessoa incompetente. Havendo irregularidades, incorreções ou omissões diferentes das previstas no artigo 59 do Decreto nº. 70.235, essas não implicarão em nulidade e poderão ser sanadas se o sujeito passivo restar prejudicado, como determina o artigo 60 do mesmo Decreto: "Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio". A decisão em exame foi exarada por AuditorFiscal em pleno exercício de suas funções, competente, pois, para tal, e contém os requisitos indispensáveis para a sua validade, mencionados no artigo 10 do Decreto n.º 70.235/1972, apresentando, portanto, os elementos imprescindíveis para o pleno exercício do direito da ampla defesa pelo contribuinte. Ademais, o Despacho Decisório é claro ao informar que o ressarcimento foi indeferido porque havia duplicidade de pedido, sendo que a interessada já havia pleiteado os créditos relativos ao trimestre em pedido transmitido anteriormente. Assim, a interessada teve pleno conhecimento dos fundamentos para indeferimento do pedido do ressarcimento e pode exercer, sem qualquer restrição, seu direito de defesa, o que se constata, facilmente, pelo arrazoado apresentado. Respeitados pela autoridade fiscal os princípios da legalidade, da motivação e do devido processo legal, portanto, improcedente é a alegação de nulidade do feito fiscal. Forte nestes argumentos, afasto a preliminar de nulidade suscitada pelo recorrente. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 13051.720137/201191 Resolução nº 3302001.028 S3C3T2 Fl. 8 7 Mérito O sujeito passivo descreve que efetuou revisão nos critérios adotados para apuração da Cofins e constatou que inseriu receitas de vendas oriundas da comercialização de bens e mercadorias referentes a atos cooperados no pedido original de ressarcimento. Diante disso, efetuou o recálculo dos créditos referentes ao rateio proporcional da receita bruta auferida, aumentando o crédito passível de ressarcimento. Como essa diferença não foi alvo do pedido inicial, emitiu um novo pedido de ressarcimento eletrônico objetivando o reconhecimento dos créditos recalculados. Acontece que o pedido de ressarcimento dos créditos oriundos da não cumulatividade das contribuições está ligado ao trimestrecalendário de apuração e ao saldo credor nele apurado. Portanto, para obter valor adicional de crédito em período que já tenha sido objeto de ressarcimento, deverá ser refeita uma nova apuração daquele período, repercutindo em novo saldo credor. Por esse motivo, não se pode dizer que pedido adicional é novo pedido, que não guarda correlação com o anteriormente feito, mas, a contrario sensu, representa alteração do valor do saldo credor originalmente apurado Sendo assim, um novo pedido de ressarcimento, cujo objeto trata do mesmo trimestre da contribuição do pedido anterior, não possui caráter autônomo, devendo ser caracterizado como um pedido de retificação do pedido original. A norma que regulamenta o pedido de ressarcimento só permite sua retificação antes de qualquer decisão administrativa, nos termos do art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, vigente na época dos fatos. IN RFB nº 900/2008 Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Art. 78. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 79. Art. 79. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel não será admitida quando tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à RFB. § 1º Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à RFB nova Declaração de Compensação. § 2º Para verificação de inclusão de novo débito ou aumento do valor do débito compensado, as informações da Declaração de Compensação retificadora serão comparadas com as informações prestadas na Declaração de Compensação original. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13051.720137/201191 Resolução nº 3302001.028 S3C3T2 Fl. 9 8 § 3º As restrições previstas no caput não se aplicam nas hipóteses em que a Declaração de Compensação retificadora for apresentada à RFB: I no mesmo dia da apresentação da Declaração de Compensação original; ou II até a data de vencimento do débito informado na declaração retificadora, desde que o período de apuração do débito esteja encerrado na data de apresentação da declaração original. Art. 80. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 37 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. Art. 81. A retificação da Declaração de Compensação não altera a data de valoração prevista no art. 36, que permanecerá sendo a data da apresentação da Declaração de Compensação original. Pelos elementos constantes nos autos, na data de transmissão do PER nº 20432.67773.270409.1.1.111894, objeto deste processo, já havia sido analisado o PER nº 02927.65081.251006.1.1.113372, que tratava do mesmo trimestre do tributo, conforme atesta o próprio recorrente em seu recurso voluntário, verbis: "É certo que, no primeiro PER/DCOMP, a ora Recorrente protocolizou pedido de ressarcimento de COFINS não cumulativa mercado interno do 2° trimestre de 2006, referente a COFINS não tributada. Também é verdade que tal pedido foi reconhecido e ressarcido em sua integralidade. Ocorre que, naquela oportunidade, a ora Recorrente havia levantado os valores passíveis de ressarcimento de COFINS nãocumulativa, sendo que para apurar os créditos relativos às vendas de exportação, mercado interno e mercado interno não tributado, utilizou o método “Base na Proporção da Receita Bruta Auferida”, com base nos artigos 3º, § 7º e § 8º das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02, conforme se depreende da DACON já anexada ao processo". Pelas assertivas feitas, já havia decisão administrativa sobre o pedido de ressarcimento original, quando do protocolo do pedido de retificação. Portanto, afluem razões jurídicas para negar a retificação do PER original por força do impeditivo normativo já mencionado. Correção Monetária do pedido de ressarcimento. O recorrente pretende que seja determinada a aplicação da taxa Selic entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento até a data da completa satisfação do crédito. Quanto à possibilidade de aplicação de juros compensatórios sobre o ressarcimento de créditos fiscais referentes ao PIS e a Cofins nãocumulativos, entendo que não há amparo legal, muito pelo contrário, a Lei nº 10.833/2003 veda expressamente a aplicação de juros compensatórios sobre o ressarcimento de créditos fiscais nela previstos, assim dispondo: Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13051.720137/201191 Resolução nº 3302001.028 S3C3T2 Fl. 10 9 Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4° do art 3°, do art. 4° e dos §§ 1° e 2° do art. 6°, bem como do § 2° e inciso II do § 4° e §5° do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 15. Aplicase à contribuição para o P1S/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto nos incisos I e lido § 3° do art. 1°, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1°, incisos II e III, 10 e 11 do art. 3°, nos §§ 3° e 4° do art. 6°, e nos arts. 7º, 8°, 10, incisos XI a XIV, e 13. Portanto, pela regra acima reproduzida, é vedada a aplicação da taxa Selic ao valor do crédito de PIS e de Cofins não cumulativos. Por todo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Voto Vencedor Com as vênias de praxe, dissinto do entendimento do eminente Relator no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Entende o relator que o PER 20432.67773.270409.1.1.111894 objeto dos autos deve ser caracterizado como um pedido de retificação do pedido original nº 02927.65081.251006.1.1.113372, que trata do mesmo trimestre do tributo, sendo que a norma que regulamenta o pedido de ressarcimento só permite sua retificação antes de qualquer decisão administrativa, nos termos do art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, vigente na época dos fatos. Entende, ainda, que como já havia decisão administrativa sobre o pedido de ressarcimento original, quando do protocolo do pedido de retificação, que a retificação do PER original por força do impeditivo normativo não deve surtir efeitos. Entretanto, respeitosamente não concordo com as assertivas explicitadas pela i. relator, na medida em que inexiste no ordenamento jurídico pátrio qualquer restrição ao direito contribuinte de efetuar novo pedido de ressarcimento que tenha por objeto o mesmo trimestre de tributo já pedido anteriormente, desde que não haja similitude de créditos e que seja respeito o prazo prescricional para o exercício do direito de ressarcimento. Ora, entendo ser totalmente aceitável que ao contribuinte seja concedido o direito de rever seus lançamentos e, ultrapassado o prazo de retificar o pedido original previsto na IN 900/2008, realize novo de pedido de ressarcimento. No caso dos autos, a Recorrente afirmou tratarse de pedidos de ressarcimento diferentes, decorrente de recálculo dos créditos de PIS/COFINS não cumulativo que modificou o percentual de rateio do mercado interno nãotributado e mercado de exportação. Ou seja, o Fl. 302DF CARF MF Processo nº 13051.720137/201191 Resolução nº 3302001.028 S3C3T2 Fl. 11 10 primeiro pedido foi realizado em valor ao menor do que aquele efetivamente devido, fato este que motivou a apresentação de pedido complementar. Ao que parece estamos diante de dois pedidos distintos, o original e o complementar, que tem em comum o fato de se referirem ao mesmo trimestre do tributo. E, em se tratando de pedidos distintos, o limite para o exercício do direito ao pedido complementar é o prazo prescricional para o exercício do direito ao ressarcimento e, não do prazo de retificação previsto na IN 900/2008. Contudo, não obstante a Recorrente tenha carreado documentos para comprovar suas alegações, faz necessário que a fiscalização apure se há similitude dos créditos apresentados nos PER nº s 20432.67773.270409.1.1.111894 e 02927.65081.251006.1.1.11 3372, intimando, para tanto, à Recorrente para apresentar documentos que entender necessário à conclusão da diligência. O fundamento para o indeferimento foi por duplicidade de pedido, aparentemente, calcado na identidade do trimestre, do tributo e do tipo de crédito "Cofins Não Cumulativa" Mercado Interno. A base legal foram os artigos 21, §7º e 28, §2º da IN RFB nº 900/2008, a saber: Art. 21. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. [...]§ 7º Cada pedido de ressarcimento deverá: I referirse a um único trimestrecalendário; e II ser efetuado pelo saldo credor passível de ressarcimento remanescente no trimestre calendário, após efetuadas as deduções na escrituração fiscal. Art. 28. O pedido de ressarcimento a que se refere o art. 27 será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração em meio papel acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. [...]§ 2º Cada pedido de ressarcimento deverá: I referirse a um único trimestrecalendário; e II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestrecalendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação De início, entendo que o requisito de que cada pedido corresponda a um trimestre não implica a consequência contrária, ou seja, que cada trimestre corresponda a um único pedido. Esta possibilidade, inclusive está expressa no artigo 22 da referida instrução normativa, ao permitir a existência de pedido de ressarcimento residual relativo a créditos objeto de pedidos anteriores. Art. 22. O saldo credor passível de ressarcimento relativo a períodos encerrados até 31 de dezembro de 2006, remanescente de utilizações em pedido de ressarcimento ou Declaração de Compensação apresentados à RFB até 31 de março de 2007, bem como os relativos a trimestres encerrados após 31 de dezembro de 2006, remanescente de utilizações em pedidos de ressarcimento ou Declaração de Fl. 303DF CARF MF Processo nº 13051.720137/201191 Resolução nº 3302001.028 S3C3T2 Fl. 12 11 Compensação formalizados mediante a apresentação de petição/ declaração em meio papel entregues à RFB a partir de 1º de abril de 2007, somente poderá ser ressarcido ou utilizado para compensação após apresentação de pedido de ressarcimento do valor residual. Assim, admito não haver incompatibilidade inerente entre a possibilidade de apresentar um pedido de ressarcimento relativo a um mesmo período e da mesma natureza já pedidos. Porém, é necessário entender que a instituição de sistemas eletrônicos e travas operacionais são plausíveis, de modo a possibilitar análises céleres e identificação de possíveis situações caracterizadoras de pedidos de ressarcimentos indevidos. Inclusive a regra de impossibilidade de retificação de PER após o despacho decisório é plausível, pois não faria sentido retroagir processualmente para inovar um pedido para o qual já houvesse decisão administrativa, com litígio eventual já delimitado. Todavia, ao interpretar que a instrução normativa, concluindo pela impossibilidade de PER complementar, estarseia implementando um novo prazo prescricional, qual seja, a emissão de despacho decisório. Sabese que tal prescrição está contida no Decreto 20.910/32, cujo artigo 1º dispõe: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Contudo, ao admitir que cada trimestre seja realizado por apenas um pedido, sem possibilidade de complementação, acaba por resultar em estabelecimento de novo prazo prescricional para que o contribuinte exerça o direito ao ressarcimento de créditos. Assim, ainda que o contribuinte dispusesse de anos para pedir o ressarcimento, após a emissão do despacho decisório, qualquer valor ainda não pedido, seja por qualquer motivo, tornarseia prescrito, já que impossível qualquer retificação ou apresentação de PER complementar. Como ficaria o direito do contribuinte se eventuais créditos somente fossem reconhecidos em ato normativo emitido pela própria RFB posterior a pedidos já decididos, mas antes de escoado o prazo do Decreto nº 20.910/32, tal qual o Parecer Normativo Cosit nº 5/2018, que estabeleceu novo conceito de insumos para efeito da nãocumulatividade das contribuições? Entendo que a IN não pretendeu a alteração deste prazo. Conforme já exposto, a retificação de PER é vedada após a emissão de despacho decisório e nesta vedação residem motivos de ordem processual e mesmo de eficiência da análise eletrônica de PER/DCOMPS. Todavia, o contribuinte não apresentou uma retificadora, mas um novo PER do mesmo período, tributo e tipo de crédito, que o sistema presumiu como duplicidade dos pedidos. Porém, tal presunção de indeferimento não se verifica, pois o pedido, em princípio, não está em duplicidade, em vista das alegações e documentos apresentados. A presunção de duplicidade ocorreu em função apenas do período, tributo e da natureza do crédito, mas não dos valores pleiteados, o revela um critério da Administração para o tratamento eletrônico, mas que pode não corresponder à verdade material dos pedidos, nem pode servir para a configuração de novo prazo prescricional. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 13051.720137/201191 Resolução nº 3302001.028 S3C3T2 Fl. 13 12 Assim, voto no sentido de afastar presunção de duplicidade reconhecida eletronicamente, para que tal duplicidade seja aferida pela análise dos valores efetivamente pleiteados pela unidade de origem. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 305DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.690841/2009-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 23/06/2003
MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA PELO ART. 8º DA LEI 9.718/98. CONSTITUCIONALIDADE.
As turmas do Carf não têm competência para afastar dispositivo legal por inconstitucionalidade, salvo exceções previstas, que não se caracterizam para o art. 8º da Lei 9.718/98. O STF já declarou, em rito de repercussão geral, a desnecessidade de Lei complementar para majorar as alíquotas de Pis e Cofins, RE 527602.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/06/2003
INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Aplicação da súmula Carf nº 9.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 23/06/2003
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Recurso Voluntário Conhecido em Parte, e Negado.
Numero da decisão: 3201-005.190
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria relativa à prescrição e, na parte conhecida, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 23/06/2003 MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA PELO ART. 8º DA LEI 9.718/98. CONSTITUCIONALIDADE. As turmas do Carf não têm competência para afastar dispositivo legal por inconstitucionalidade, salvo exceções previstas, que não se caracterizam para o art. 8º da Lei 9.718/98. O STF já declarou, em rito de repercussão geral, a desnecessidade de Lei complementar para majorar as alíquotas de Pis e Cofins, RE 527602. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 23/06/2003 INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Aplicação da súmula Carf nº 9. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 23/06/2003 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurso Voluntário Conhecido em Parte, e Negado.
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CONSTITUCIONALIDADE. As turmas do Carf não têm competência para afastar dispositivo legal por inconstitucionalidade, salvo exceções previstas, que não se caracterizam para o art. 8º da Lei 9.718/98. O STF já declarou, em rito de repercussão geral, a desnecessidade de Lei complementar para majorar as alíquotas de Pis e Cofins, RE 527602. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/06/2003 INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Aplicação da súmula Carf nº 9. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 23/06/2003 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurso Voluntário Conhecido em Parte, e Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 08 41 /2 00 9- 37 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.690841/200937 Acórdão n.º 3201005.190 S3C2T1 Fl. 0 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria relativa à prescrição e, na parte conhecida, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada pelo Contribuinte em meio, pela qual pretendeu quitar os débitos próprio, com supostos créditos decorrentes de recolhimento indevido de Cofins. Apreciando o pedido formulado, a unidade de origem emitiu Despacho Decisório, no qual se pronunciou pela NÃO HOMOLOGAÇÃO, por inexistência de crédito da compensação declarada. Cientificada da solução dada à declaração de compensação apresentada, a insurgente, por intermédio de representante constituído, interpôs a Manifestação de Inconformidade, apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: Inicialmente, com base no art. 151, III, do CTN, assevera que o débito constante da não homologação da compensação está suspenso. Preliminarmente, alega que o despacho decisório foi recebido e assinado, via postal, por pessoa não credenciada e não habilitada (balconista) para receber qualquer correspondência da Insurgente. Ademais, articula que somente o representante legal, sócio gerente, poderia ter recebido tal correspondência, ainda mais por tratarse de intimação para pagamento. Corrobora seu entendimento citando o art. 215 do CPC e jurisprudência. Ademais, entendendo que a ciência do DD em tela assemelhase à intimação processual, e que a partir desta é que resta possibilitado o exercício do contraditório, não observados os lindes estabelecidos para tal ato foi cerceada a defesa da Manifestante e, assim, seria nulo o ato processual praticado. Tratando dos fatos, após longo relato acerca das normas e normativos envolvidos com o PER/DCOMP, ataca o mecanismo eletrônico denominado PER/DCOMP que sustenta ser verdadeiro empecilho para o fim de aproveitamento de crédito tributário decorrente de discussão judicial. Quanto à matéria de direito, aduz que a majoração de alíquota da COFINS decorrente Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.690841/200937 Acórdão n.º 3201005.190 S3C2T1 Fl. 0 3 da Lei nº 9.718/98 é manifestamente inconstitucional e ilegal, contrariando, inclusive, princípios assegurados em sede constitucional, decorrendo de tal vício o crédito ora pleiteado pela Insurgente. Em complemento, sustenta que a Emenda Constitucional nº 20/98, posterior à supracitada lei, não teve o condão de validar os dispositivos desta que, ao tempo de sua entrada em vigor, eram desconformes à Constituição. De outra banda, escorandose na tese dos “cinco mais cinco”, sustenta que a Manifestante efetuou a repetição do indébito da COFINS dentro do prazo prescricional, atacando, pois, a interpretação introduzida pela Lei Complementar nº 118/05. Ante o que expõe, requer o provimento da Manifestação intentada para o fim de reformar o DD. Requer, por fim, observância da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, consoante previsto no art. 151, III, do CTN. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 16035.677. No Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da Manifestação de Inconformidade. Acrescenta: que o crédito é liquído e certo, pela inconstitucionalidade dos dispositivos legais apontados; que o prazo para o pedido de restituição não teria sido ultrapassado, considerandose 5 anos para homologação, mais 5 anos para a prescrição do pedido. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.184, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.690838/200913, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.184): "O recurso é tempestivo, cf envelope de postagem à fl. 56, e atende aos requisitos de admissibilidade. 1 Delimitação do litígio Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.690841/200937 Acórdão n.º 3201005.190 S3C2T1 Fl. 0 4 O fundamento do Despacho Decisório foi a ausência de disponibilidade do Darf apontado pelo contribuinte como crédito. Não se aplicou a prescrição do pedido, e portanto, não há interesse de agir nesta matéria. Embora a decisão recorrida tenha discorrido sobre a questão, também não a utilizou como fundamento, conforme o seguinte excerto (fl. 46): 5.3. Com isso, ainda que desimportante para o caso sub examine, tendo em vista que o presente PER/DCOMP foi apresentado dentro do prazo legal, tal entendimento não pode prosperar vez que, hodiernamente, revelase cabalmente superado. Assim, não conheço da matéria. 2 – Preliminar Ciência a pessoa não sócia A recorrente pede a nulidade da ciência do Despacho Decisório, por ter sido feita a balconista da empresa, e não a seus sócios. Tal matéria já se encontra sumulada no Carf: Súmula CARF nº 9 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. As Turmas do Carf devem acompanhar as súmulas, cf. art. 72 do regimento interno. Desse modo, o pedido deve ser negado. 3 – Inconstitucionalidade da legislação pertinente O alegado crédito da recorrente teria duas origens: a a inconstitucionalidade da majoração de alíquota da Cofins, de 2% para 3% (art. 8º da Lei 9.718/98), por necessidade de Lei Complementar, e a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, cf. §1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. É consabido que a ampliação da base de cálculo, no §1º do art. 3º, foi efetivamente afastada do arcabouço legal brasileiro, por decisão do Supremo Tributnal Federal (RE 346.084 e outros), por resolução do Senado, e revogada pela Lei 11.941/2009. A majoração das alíquotas, por outro lado, não foi considerada inconstitucional. As turmas do Carf não podem afastar previsão legal por inconstitucionalidade, cf. súmula: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.690841/200937 Acórdão n.º 3201005.190 S3C2T1 Fl. 0 5 As exceções são previstas no artigo 62, as quais não se configuram para esta matéria. Pelo contrário, a majoração da alíquota foi considerada constitucional pelo STFno RE 527602, julgado no regime de repercussão geral (art. 543B do CPC/73). Copio a parte da ementa que é pertinenbte: PIS E COFINS – LEI Nº 9.718/98 – ENQUADRAMENTO NO INCISO I DO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, NA REDAÇÃO PRIMITIVA. Enquadrado o tributo no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal, é dispensável a disciplina mediante lei complementar. Portanto, não assiste razão à recorrente neste ponto. 4 – Certeza e liquidez do crédito A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. A DCTF retificadora apresentada antes de qualquer procedimento de ofício tem o mesmo valor da original, e a substitui integralmente, porque a motivação da alteração é espontânea. Todavia, após qualquer procedimento de ofício, a retificação da DCTF incide em ausência de espontaneidade, caracterizando vício de motivação, e por isso, exige comprovação material. Confirase a Instrução Normativa RFB 786/2007: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo a integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Instruções Normativas posteriores mantém o mesmo teor. Assim, estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se possa retificálo, após os procedimentos de ofício, é necessária prova de sua inexatidão. É preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. A escrituração contábil/fiscal difere de meras planilhas quanto à confiabilidade, posto que possuem requisitos de registros e temporalidade. Além disso, a própria contabilidade Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.690841/200937 Acórdão n.º 3201005.190 S3C2T1 Fl. 0 6 não prescinde de ser lastreada em documentos do relacionamento da empresa com terceiros, tais como notas fiscais e contratos, a conferir veracidade ao registro. Esses aspectos da força probante dos documentos são tratados nos artigos 219 e 226 do Código Civil: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. (...) Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. A obrigação de conservar os registros até que prescrevam os direitos reclamados com base neles, consta do Código Tributário Nacional, §único do artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Temse ainda o DecretoLei 486/69, art. 4º: Art 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Fechando o arcabouço legal pertinente, temse ainda que, em se tratando de pedido de restituição e consequente Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.690841/200937 Acórdão n.º 3201005.190 S3C2T1 Fl. 0 7 compensação, o ônus da prova é do contribuinte, conforme art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2. No presente caso, não houve retificação da DCTF, mas a recorrente invoca a certeza do crédito apenas brandindo as alegadas inconstitucionalidades. A recorrente não apresenta nenhuma comprovação material do crédito, mesmo depois de cientificada dessa exigência pela decisão recorrida. Desse modo, não há materialidade para o crédito, ainda que a tese da ampliação da base de cálculo, perpetrada pelo §1º do art. 3º da Lei 9.718/98, seja inaplicável. Portanto, ausente a certeza e liquidez do crédito, conforme exigível pelo artigo 170 do CTN, o pedido deve ser negado. 5 Conclusão Pelo exposto, voto por não conhecer da matéria relativa à prescrição, e da parte conhecida, por negar provimento ao recurso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer da matéria relativa à prescrição e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.690841/200937 Acórdão n.º 3201005.190 S3C2T1 Fl. 0 8 Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13002.001667/2008-17
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
PROVENTOS DE APOSENTADORIA E PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇAO.
Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecida por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial, sendo que, nos termos do inciso III, do § 2º, do art. 5º da IN SRF nº 15/2001, a isenção se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial.
Restando comprovado o atendimento às exigências legais, impõe-se o reconhecimento do direito à isenção do imposto sobre a renda no caso concreto.
Numero da decisão: 2003-000.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente
(assinado digitalmente)
Wilderson Botto Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 PROVENTOS DE APOSENTADORIA E PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇAO. Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecida por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial, sendo que, nos termos do inciso III, do § 2º, do art. 5º da IN SRF nº 15/2001, a isenção se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Restando comprovado o atendimento às exigências legais, impõe-se o reconhecimento do direito à isenção do imposto sobre a renda no caso concreto.
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MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇAO. Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois prérequisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecida por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial, sendo que, nos termos do inciso III, do § 2º, do art. 5º da IN SRF nº 15/2001, a isenção se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Restando comprovado o atendimento às exigências legais, impõese o reconhecimento do direito à isenção do imposto sobre a renda no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente (assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 00 16 67 /2 00 8- 17 Fl. 106DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 94/104) interposto contra o acórdão nº 10 20.042 da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA (fls. 70/76) – proferido em sede de correção de lapso manifesto na conclusão do anterior acórdão nº 1017.568, de 29/08/2008 (fls. 61/66) – que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela contribuinte (fls. 04/24) em face da lavratura da Notificação de Lançamento IRPF (fls. 5/10) objeto do presente feito. A decisão de primeira instância assim contextualizou a notificação de lançamento e os fatos envolvidos (fls. 71): Mediante Notificação de Lançamento, fls. 02 a 04, exigese da contribuinte acima qualificada a importância de R$ 4.433,19, calculados até 31072008, em virtude da revisão da DIRPF/2006 retificadora, com a constatação de infringência a dispositivos legais, descrita a seguir. 1. A autoridade lançadora detectou rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave. Rendimentos recebidos do IPERS, no valor de R$ 102.731,26, excluindo R$ 15.132,00 da parcela excedente do limite de isenção para declarantes com mais de 65 anos. Enquadramento Legal: arts. 1º a 3°, e parágrafos, 8° e 9° da Lei n° 7.713/1988; arts. 1° a 3° da Lei n° 8.134/1990; arts. 50, 6° e 33 da Lei n° 9.250/1995; arts. 1º e 15 da Lei n° 10.541/2002; arts. 43 a 45, 47, 49 a 53 e 841, inciso II do Decreto n° 3.000/1999 (RIR/99), (fl. 03); 2. Detectou também dedução indevida a título de contribuição à Previdência Oficial, glosando o valor de R$ 7.995,76, por falta de comprovação. Enquadramento Legal: art. 8°, inciso II, alínea "d" da Lei n° 9.250/1995; arts. 73, 83, inciso II, e 841, inciso II, do Decreto n° 3.000/1999 (RIR/99), (fl. 03, verso). A contribuinte apresentou impugnação, fl. 01, à Notificação de Lançamento, fls. 02 a 04, entendendo satisfazer as exigências legais para obter a isenção do IRPF para os rendimentos recebidos, devido â juntada dos diagnósticos e laudos; solicita que seja cancelado o lançamento. A 4 Turma da DRJ/POA exarou o Acórdão n° 1017.568, de 29 102008, fls. 22 a 27, concluindo pela Improcedência do lançamento e zerando o imposto suplementar. Contudo a DRF de Novo Hamburgo identificou eventual lapso manifesto, devolvendo o processo para possível retificação. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13002.001667/200817 Acórdão n.º 2003000.071 S2C0T3 Fl. 107 3 A DRJ/POA, diante do vício detectado, proferiu novo voto corrigindo o lapso manifesto na conclusão do Acórdão nº 1017.568 de 29/10/2008, nos seguintes termos (fls. 75/76): Portanto, no nosso entendimento, está parcialmente correta a exigência fiscal consubstanciada na Notificação de Lançamento, fls. 02 a 04, pois não foram satisfeitos todos os requisitos para o reconhecimento do benefício da Isenção de Imposto de Renda para o ano de 2005; contudo, devendo ser deduzida a parcela de Contribuição ã Previdência Oficial. A seguir será elaborado o Quadro Demonstrativo de Apuração e Cálculo do Imposto de Renda, para as novas condições apresentadas para o Crédito Tributário, conforme os documentos. (...) Chegamos à conclusão que a contribuinte tem imposto de renda pessoa física suplementar a recolher, código 2904, no valor de R$ 0,07. Salientamos que deve ser observado o disposto no artigo 68 da Lei n° 9.430/1996 'para dispensa de recolhimentos em DARF para valores inferiores a R$ 10,00. Diante do exposto e de tudo que do processo consta, voto pela PROCEDÊNCIA PARCIAL do presente lançamento, retificando o Acórdão 43 Turma DRJ/POA n° 1017.568, de 29102008 e o seu respectivo voto. Diante do apurado, após acolher o pleito em relação a parcela alusiva a contribuição à previdência oficial no valor de R$ 7.995,76, promoveu o ajuste do imposto declarado que, diante da glosa operada, ajustou a DAA/2005 cujo resultado importou na alteração de imposto a restituir no valor de R$ 19.604,75 para imposto suplementar de R$ 0,07, salientando a observância ao disposto no art. 68 da Lei n° 9.430/96, que determina a dispensa de recolhimentos em DARF para valores inferiores a R$ 10,00. A contribuinte, intimada pessoalmente decisão retificadora proferida (21/08/2009) (fls. 83), apresentou (em 09/09/2009), Recurso Voluntário (fls. 148/164), insurgindose contra a glosa mantida repisando as alegações da impugnação, e pugnando, ao final, pelo reconhecimento da isenção e a acolhida da sua DAA retificadora, apresentada em 17/03/2008, que lhe gerou um imposto restituir no valor de R$ 19.604,75. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Fl. 108DF CARF MF 4 Conselheiro Wilderson Botto – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. MÉRITO Da moléstia grave: Da análise dos autos, temse que a fiscalização apurou imposto de renda suplementar, em decorrência da constatação da seguinte infração à legislação tributária: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Em decorrência do contribuinte regularmente intimado, não ter atendido a Intimação até a presente data, procedeuse ao lançamento de oficio, conforme a seguir descrito. Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados, com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf, para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ *******102.731,26, conforme relacionado abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ *************0,00. Enquadramento Legal: Arts. 1° a 3° e §§, 8º e 9° da Lei n°7.713/86; arts. 1° a 30 da Lei n°8.134/90; arts. 5.°, 6º e 33 da Lei n° 9.250/95; arts. 1° e 15 da Lei n° 10.451/2002; arts. 43 a 45, 47, 49 a 53 e 841, inciso II do Decreto nº 3.000/99 RIR/1999 Por seu turno, sustenta a Recorrente fazer jus à isenção do imposto de renda, por ser portadora de moléstia grave, atestada por perito oficial, segundo a lei de regência. A DRJ/POA, assim se posicionou sobre a matéria em sua análise (fls. 75): O requisito portador de moléstia grave está caracterizado pelo Laudo Médico Pericial, datado de 04102007 (fls. 10 a 12), conforme exigido pelo artigo 30 da Lei n° 9.250/1995, que atestam ser o contribuinte portador de moléstia especificada no inciso XIV do artigo 6° da Lei nº 7.713/1988, e suas alterações, embora não tenha sido determinada a data de inicio da moléstia, fazendose referência genérica somente há 5 anos. Chegamos à conclusão que somente foram atendidos todos os prérequisitos legais para o reconhecimento do benefício da isenção, a partir de 04102007 (fl. 10 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13002.001667/200817 Acórdão n.º 2003000.071 S2C0T3 Fl. 108 5 data do laudo), conforme o explicitado pelo artigo 5° da Instrução Normativa — SRF n° 15, de 06 de fevereiro de 2001, retrotranscrito. Logo, para o anocalendário de 2005, NÃO foi atendido o prérequisito legal do Laudo Médico Pericial, para o reconhecimento do benefício da isenção aplicado aos proventos recebidos, conforme o explicitado pelo artigo 5° da Instrução Normativa — SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001, retrotranscrito, tendo em vista que os Laudos, data de 0410 2007, não especificam a data que considerase a moléstia definitiva. Em relação ã glosa da Contribuição à Previdência Oficial, entendemos que o documento do IPERS, fl. 08, faz prova de sua retenção, portanto, pode a contribuinte pleitear em sua DIRPF/2006 retificadora. Como se vê, corroborando o entendimento da fiscalização, a DRJ manteve o lançamento fiscal, no particular, sob o fundamento de que os laudos apresentados não especificarem a data precisa e determinada da ocorrência da moléstia grave. Por outro giro, restou reconhecido que a Recorrente faz jus a isenção do imposto de renda por ser portadora de moléstia grave, bem como atesta que a isenção por moléstia grave está regulamentada no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88, com a redação dada pela Lei nº 11.052/04, assim redigido: “Art.6 (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” Salientase, ainda, que a partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei nº 9.250, de 26/12/1995. Vejamos, in verbis, o teor do artigo 30 da referida lei: “Art. 30 – A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, Fl. 110DF CARF MF 6 de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” A Instrução Normativa SRF nº 15, de 06/02/2001, ao normatizar o disposto no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88 e alterações posteriores, assim prevê: “Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...) XII proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia (...) XXXV a quantia recebida a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XII deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional; 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial." § 3° São isentos os rendimentos recebidos acumuladamente por portador de moléstia grave, conforme os incisos XII e XXXV, atestada por laudo médico oficial, desde que correspondam a proventos de aposentadoria ou reforma ou pensão, ainda que se refiram a período anterior à data em que foi contraída a moléstia grave. § 4º E isenta também a complementação de aposentadoria, reforma ou pensão referidas nos incisos XII e XXXV. § 5º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13002.001667/200817 Acórdão n.º 2003000.071 S2C0T3 Fl. 109 7 passíveis de controle, para os efeitos dos incisos XII e XXXV." De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal. No caso vertente, a DRJ/POA diante da ausência de data específica houve por bem reconhecer “a data do Laudo Pericial” especificando a moléstia grave (04/10/2007), como a data do início do benefício da isenção (fls. 75). Entretanto, que pese a razoabilidade do entendimento perfilhado, entendo que, neste ponto, a conclusão alcançada pela DRJ não é a mais correta. Isto porque não se deve ignorar o fato de que o Laudo Pericial (fls. 102) é expresso ao afirmar que a Recorrente é “INVÁLIDA DEFINITIVAMENTE A 5 ANOS” o que, por si só, já se afiguraria o suficiente, no meu entender, para se reconhecer a isenção pleiteada. Não obstante, a contribuinte, com vistas a afastar a premissa adotada pela fiscalização e corroborada pela DRJ, reapresentou, em sede de recurso voluntário, o relatório da cirurgia cardíaca, emitido em 09/05/2001 (fls. 98/100), que é categórico ao afirmar a data pretérita da ocorrência da enfermidade. Não se deve olvidar também que o próprio Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul, no laudo emitido pelo Dr. Ítalo B. Maggiani Filho, em 05/10/2007, reconheceu a incapacidade diante do quadro de isquemia em 2001 (fls. 103). Registrese, outrossim, pela sua importância que o Serviço de Coordenação Médica do IPE – Instituto de Previdência do Rio Grande do Sul, datado de 10/10/2007 é categórico ao concluir (fls. 59): Tendo em vista o disposto nos incisos XIV e XXI do artigo 60 da Lei Federal 1713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo artigo 47 da Lei Federal 8541 de 23 de dezembro de 1992 e o disposto no artigo 30 da Lei Federal n.o 9172 de 20 de Dezembro de 1995 e com base no Laudo Médico Pericial desse processo, concluímos que a beneficiária MARIA ANA PONCE RINLING, é portadora, em caráter definitivo, de patologia que isenta do imposto de Renda os valores recebidos, há 05 (cinco) anos, CID 1694, conforme documentos apresentados. Assim sendo, considerando que nos documentos médicos carreados aos autos, a doença é reconhecida na sua data original, ou seja, no ano de 2001, e o que está em análise a isenção do IR sobre rendimentos recebidos no anocalendário de 2005, é de se concluir que os referidos rendimentos estão isentos do imposto de renda. Fl. 112DF CARF MF 8 CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO do Recurso Voluntário, nos termos do voto em epígrafe, para reconhecer o direito da Recorrente à isenção do imposto de renda sobre os rendimentos de pensão percebidos do Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande Do Sul, no anocalendário 2005, exercício 2006. (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14485.003317/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/12/2007
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS OU APRESENTÁ-LOS SEM ATENDER AS FORMALIDADES LEGAIS.
A omissão e a apresentação deficiente dos Livros Diários constituem infração à legislação, ensejando a imposição de penalidade.
MULTA. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL.
A multa imposta no auto de infração está prevista em lei, artigo 92 da Lei nº 8.212/91.
Numero da decisão: 2301-005.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente), Thiago Duca Amoni (suplente), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Savio Nastureles (Presidente substituto), sendo os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni suplentes convocados, em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 27/12/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS OU APRESENTÁ-LOS SEM ATENDER AS FORMALIDADES LEGAIS. A omissão e a apresentação deficiente dos Livros Diários constituem infração à legislação, ensejando a imposição de penalidade. MULTA. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A multa imposta no auto de infração está prevista em lei, artigo 92 da Lei nº 8.212/91.
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DEIXAR DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS OU APRESENTÁLOS SEM ATENDER AS FORMALIDADES LEGAIS. A omissão e a apresentação deficiente dos Livros Diários constituem infração à legislação, ensejando a imposição de penalidade. MULTA. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A multa imposta no auto de infração está prevista em lei, artigo 92 da Lei nº 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente), Thiago Duca Amoni (suplente), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Savio Nastureles (Presidente substituto), sendo os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni suplentes convocados, em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 33 17 /2 00 7- 91 Fl. 323DF CARF MF 2 Relatório 1. Tratase de julgar recurso voluntário (efls 206/222) interposto em face do Acórdão nº 1622.352 (efls) prolatado pela DRJ São Paulo I, em sessão de julgamento realizada em 06 de agosto de 2009. 2. Fazse a transcrição de parte do relatório contido na decisão recorrida: (início da transcrição do relatório inserto no Acórdão nº 1622.352) 1. Tratase de Auto de Infração (DEBCAD nº 37.118.1542, de 27/12/2007) lavrado em virtude do descumprimento da obrigação acessória prevista por descumprimento ao art. 32, III da Lei 8.212/91 combinado com o art. 225, III e parágrafo 22, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 e alterações posteriores, uma vez que, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fls. 14, a empresa deixou de prestar as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do Fisco, regularmente solicitadas pela fiscalização através de TIAF e TIAD (fls. 07/10), quais sejam: 1.1. informações em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arq. Digitais da SRP, atual ou em vigor a época dos fatos geradores – folha de pagamento PLR – Participação nos Lucros ou Resultados (período 07/2003 a 12/2006); 1.2. documentos relativos a Pesquisa Anual de satisfação do cliente e dos Consumidores, Auditoria de Processos e Produtos que serviram para a apuração do Índice de Saúde e Segurança Alimentar, Avaliação Individual de Desempenho que serviram de base para pagamento da Participação dos Trabalhadores nos Resultados da Empresa (conforme disposto na Cláusula Oitava – Metodologia de Cálculo do PPR); 1.3. orçamento detalhado (Budget) da GR S/A, dos Setores, das Regionais, das Unidades sob a responsabilidade dos Gerentes de Operações, das Unidades de responsabilidade dos Gerentes de Unidades e dos Departamentos das Áreas Corporativas, para aferição do disposto na Cláusula Sétima – Metas Econômicas Chaves – dos Instrumentos de Acordo Coletivo de Participação dos Colaboradores nos Resultados da Empresa; 1.4. Em decorrência do descumprimento da obrigação acessória prevista em lei foi aplicada a multa no montante de R$ 71.707,26 (setenta e um mil, setecentos e sete reais e vinte e seis centavos), prevista no artigo 283, II, alínea “b” do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, tendo o valor mínimo da multa, com valor atualizado pela Portaria MPS no 142/2007 (R$ 11.951,22), sido elevado em seis vezes, dada a ocorrência de uma reincidência genérica, em virtude do AI no 37.044.1540, e de uma reincidência específica, representada pelo AI no 37.118.1500, constituindo circunstâncias agravantes da infração, conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa de fls. 14. A reincidência em infração diferente reincidência genérica eleva a multa em duas vezes e a reincidência no mesmo tipo de infração – reincidência específica eleva a multa em três vezes, consoante art. 290, V combinado com art. 292, IV, do Decreto 3.048/99. DA IMPUGNAÇÃO 2. A Autuada apresentou defesa tempestiva, fls 29/34, acompanhada dos documentos de fls. 40/192 alegando, em síntese: Fl. 324DF CARF MF Processo nº 14485.003317/200791 Acórdão n.º 2301005.920 S2C3T1 Fl. 324 3 2.1. que a autuação não pode prosperar posto que a autuada jamais se negou a colaborar com a atividade de fiscalização, não decorrendo de vontade deliberada da impugnante, mas do curto prazo concedido pela autoridade fiscal para o cumprimento de tal requisição. Esclarece que a empresa é uma das 20 maiores empregadoras do Brasil, com dezenas de unidades e atividades em vários Estados, o que traz dificuldades operacionais de concentração de dados, resultando no não fornecimento da totalidade da documentação requisitada; 2.2. ressalta que os trabalhos foram desenvolvidos em cerca de 35 dias – entre o início e encerramento da ação fiscal prazo exíguo e que dificultou o fornecimento da documentação; 2.3. tece considerações sobre a participação nos lucros ou resultados, sua desvinculação do conceito de remuneração, a implantação do programa através dos Acordos Coletivos de Trabalho que, conforme alega, contêm regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação nos resultados, bem como mecanismos de informações pertinentes ao cumprimento do acordado, a periodicidade de distribuição, o período de vigência e os prazos previstos para revisão dos Acordos; 2.4. indica as metas econômicas que devem ser atingidas para que haja distribuição do PPR (meta 1 – resultado geral da empresa, e, meta 2 – resultado em reais da unidade na qual o colaborador estiver vinculado), bem como os indicadores que explicam a metodologia do cálculo do valor a ser pago a cada empregados (resultado operacional da unidade no respectivo exercício, pesquisa anual de satisfação do cliente e índice de saúde e segurança alimentar); 2.5. alega que, eventuais dificuldades na reunião de toda a documentação, não pode ser confundida com falta de colaboração ou embaraço à atuação do Auditor Fiscal; 2.5. anexa, o CDROM (fls. 27) contendo, conforme alega, as folhas analíticas do período de 2003/2006, arquivos “PPR 0304”, “PPR 0405” e “PPR 0506”, além dos documentos de fls. 55/192, “através das quais é possível identificar o cumprimento das metas econômicas, dos índices de satisfação do cliente e de segurança e saúde alimentar de cada colaborados, com a respectiva composição da sua participação no PPR”, conforme argumenta. 2.6. Em seu pedido, requer seja dado integral provimento à impugnação e julgado improcedente o presente auto de infração. (...) DA DILIGÊNCIA 4. Em decorrência da análise preliminar desta Turma, o presente processo foi encaminhado à fiscalização para cumprimento de diligência (fls. 214/216), tendo em vista a alegação da empresa de que o CDROM de fls. 27 e os documentos de fls. 55/192 contém as informações e esclarecimentos solicitados objeto da presente autuação para verificar e informar se os documentos apresentados comprovam a correção da falta (verificando sua autenticidade e adequação ao quanto solicitado nos TIAF e TIAD), para fins de atenuação da multa aplicada. 4.1. Em atendimento ao referido Despacho nº 93/2008 e após o cumprimento de diligência, o Auditor manifestouse às fls. 220 (termo de encerramento de diligência) e às fls. 221 (relatório fiscal da diligência) concluindo pela total Fl. 325DF CARF MF 4 improcedência das alegações da impugnante e informando que as folhas de pagamento analíticas contidas no CDROM de fls. 27 não constam as informações em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais da SRP, atual ou em vigor à época dos fatos geradores – Folha de Pagamento PLR – Participação nos Lucros ou Resultados (período 07/2003 a 12/2006) e que não constam Avaliação Individual de Desempenho (referenciada no Relatório Fiscal da Infração e constante na cláusula oitava dos Instrumentos de Acordo Coletivo de Participação nos Resultados metodologia de cálculo do PPR) e que, portanto, a falta não foi corrigida e a multa deve ser integralmente mantida. 4.2. O contribuinte foi cientificado do Despacho de fls. 214/216 e da conclusão da Fiscalização, tendo sido aberto prazo para manifestação que de fato foi apresentada tempestivamente às fls. 223/226. 4.3. Na referida manifestação (fls. 223/226) a impugnante afirma que apresentou toda a documentação requerida pela fiscalização conforme consta do relatório fiscal da diligência nos autos do processo DEBCAD nº 37.118.1526; 4.3.1. acrescenta que não apresentou integralmente os documentos solicitados quando da ação fiscal porque o prazo concedido pela fiscalização foi curto tendo em vista dificuldade operacional decorrente de grandeza do contribuinte em centralizar em um único documento analítico suas inúmeras unidades; 4.3.2. também argumenta que a reabertura da instrução processual demonstra o exíguo prazo inicialmente concedido e que o auto não deve ser mantido porque os documentos foram apresentados requerendo, pelo exposto, que o auto de infração seja julgado insubsistente. (final da transcrição do relatório inserto no Acórdão nº 1622.352) 2.1. Ao julgar procedente o lançamento o acórdão recorrido tem a ementa que se segue: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/12/2007 Ementa: Constitui infração a empresa deixar de prestar à Receita todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Art. 32, III da Lei 8.212/91. PEDIDO DE INTIMAÇÃO DIRIGIDA EXCLUSIVAMENTE AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso de seu domicílio fiscal conforme art. 23 do Decreto 70.235/72. Lançamento Procedente 3. Interposto o recurso voluntário (efls 246/260), após tecer breve resumo dos fatos (efls 247/249), diz que teria sido apresentada a documentação requisitada pela fiscalização (efls 251); sustenta a inaplicabilidade da gradação da multa prevista no artigo 290, V combinado com o artigo 292 do RPS (efls 251/254), e assevera o caráter abusivo da multa (efls 254/256), assim como pede a aplicação de uma única multa dado o caráter de infração continuada (efls 257/259). 4. Fazse a transcrição do pedido: Fl. 326DF CARF MF Processo nº 14485.003317/200791 Acórdão n.º 2301005.920 S2C3T1 Fl. 325 5 (i) seja dado provimento ao presente recurso, a fim de que seja reformada a r. decisão, julgandose totalmente improcedente o lançamento, cancelandose o Auto de Infração ora combatido em todos os seus efeitos, e, conseqüentemente, extinguindose o presente processo administrativo fiscal ; (ii) se, por absurdo, assim não entender o i. julgador, que seja reduzida a multa aplicada pelo D. Fiscal Autuante, no exorbitante valor de R$ 71.707,26, haja vista os argumentos acima desenvolvido. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 5. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. DDAA MMAATTEERRIIAALLIIDDAADDEE DDAA IINNFFRRAAÇÇÃÃOO 6. A Recorrente sustenta que a documentação requisitada pela fiscalização foi devidamente apresentada (efls 251). Contudo, a argumentação exposta na peça recursal não traz fundamentos e elementos de provas suficientes para afastar a autuação, uma vez que deixou de entregar parte da documentação solicitada; e mesmo em relação às informações prestadas em meio digital, não guardou observância do leiaute estabelecido 6.1. É o que se depreende da leitura do Relatório Fiscal da Infração (efls 17): 1. Em ação fiscal na Empresa, apesar de regular intimação através de Termo de Início da Ação Fiscal TIAF de 23/11/2007 e Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, de 03/12/2007 e 11/12/2007 a empresa não apresentou Informações em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arq. Dig. da SRP atual ou em vigor a época dos fatos geradores Folha de Pagamento PLR Participação nos Lucros ou Resultados (período 07/2003 a 12/2006). 2. Também não apresentou: Documentos relativos a Pesquisa Anual de satisfação do cliente e dos Consumidores, Auditoria de Processos e Produtos que serviram para a apuração do Índice de Saúde e Segurança Alimentar, Avaliação Individual de Desempenho que serviram de base para pagamento da Participação dos Trabalhadores nos Resultados da Empresa (conforme disposto na Clausula Oitava Metodologia de Cálculo do PPR); e Orçamento detalhado (Budget) da GR S/A, dos Setores, das Regionais, das Unidades sob a responsabilidade, dos Gerentes Fl. 327DF CARF MF 6 de Operações, das Unidades de responsabilidade dos Gerentes de Unidades e dos Departamentos das Areas Corporativas, para aferição do disposto na Clausula Sétima Metas Econômicas Chaves dos Instrumentos de Acordo Coletivo de Participação dos Colaboradores nos Resultados da Empresa. Embora tenha sido intimada através do Termo de Intimação para apresentação de Documentos TIAD de 11/12/2007, a empresa não apresentou os documentos acima mencionados, que serviriam para prestar (parte) esclarecimentos quanto aos pagamentos efetuados a título de Participação dos Trabalhadores nos Resultados da Empresa. 3. Com esta prática a Autuada infringiu o artigo 32, inciso III, da Lei n 8.212/91, combinado com o artigo 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999. 4. Consta para a empresa o Auto de Infração lavrado por ocasião da Auditoria Fiscal Previdenciária No. Procedimento Fiscal 09323051, Data de fim 25/10/2006, em decorrência de infração a dispositivo da legislação diverso do que trata a presente autuação: a)Debcad 37.044.1540 (Código Fundamento Legal 91); b)Data da autuação: 25/10/2006; c) Dispositivo da legislação infringido: art. 32, IV, parágrafos 1. e 3. da Lei 8.212, de 24.07.91, combinado com o art. 225, IV, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06.05.99; d)Data da DN redução c/extinção: 12/04/2007, ocorrendo reincidência genérica; 5. Consta também o Auto de Infração lavrado por ocasião da Auditoria Fiscal Previdenciária No. Procedimento Fiscal 09368339, Data de fim 20/09/2007, em decorrência de infração ao mesmo dispositivo da legislação da presente autuação: a) Debcad 37.118.1500 (Código Fundamento Legal 35); b)Data da autuação: 20/09/2007; c)Baixado por Pagto c/red 50 pp: 04/10/2007, ocorrendo reincidência especifica. 6. Não ocorreram circunstancias agravantes. 6.2. E, consoante os termos do Relatório Fiscal de aplicação da multa (efls 18): 1. Diante dos fatos apresentados no Relatório Fiscal da Infração, com a ocorrência de reincidência genérica e reincidência específica, o valor básico da multa para esta infração R$ 11.951,21 será multiplicado por 6 (seis), como estabelece os artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91, combinados com o artigo 373 e 283, inciso II, alínea "b" do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06/05/1999 e atualização pela Portaria MPS n° 142 de 11/04/2007, totalizando R$ 71.707,26 (Setenta e um mil, setecentos e sete reais e vinte e seis centavos). 6.3. Complementase com transcrição da fundamentação da decisão recorrida, por tecer uma análise pormenorizada da materialidade da infração, e que adoto como razões de decidir: Fl. 328DF CARF MF Processo nº 14485.003317/200791 Acórdão n.º 2301005.920 S2C3T1 Fl. 326 7 5.3. A Lei 8.212/91, em seu art. 32, III é clara quanto à obrigação da empresa em prestar informações e esclarecimentos necessários à fiscalização, vide a redação vigente à época do lançamento: “Art. 32. A empresa é também obrigada a:... III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.” (grifamos). 5.4. Observase que a Medida Provisória nº 449 de 03 de Dezembro de 2008, convertida na Lei 11.941 de 27/05/2009modificou a redação do dispositivo acima transcrito, mas o teor da alteração não acarreta mudança para a infração objeto do auto ora em apreço consoante se constata pela leitura da redação atual a seguir transcrita: “Art.32. ... ... IIIprestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização;(grifamos) 5.5. O Decreto 3.048/99, ao regulamentar a Lei 8.212/91, dispõe sobre a multa relativa à infração da obrigação acima descrita descrevendoa no art. 283, II, “b” nos seguintes termos: “Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003)... II ... B )deixar a empresa de apresentar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, ou os esclarecimentos necessários à fiscalização;” (grifamos). 5.6. Tais informações, que não foram apresentadas pela empresa e que foram regularmente solicitadas através dos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, fls. 07/10, eram necessárias ao regular desenvolvimento da fiscalização, sendo que a falta de sua apresentação caracterizou a ocorrência da conduta típica prevista em lei, razão pela qual foi lavrado o presente auto. Fl. 329DF CARF MF 8 5.7. Ressaltese que os dispositivos normativos acima transcritos fundamentam que durante a ação fiscal poderá ser constatado além do descumprimento das contribuições devidas (obrigação principal) também eventuais descumprimentos de obrigações acessórias relacionadas a tais contribuições, que ensejarão a aplicação das penalidades (multas) correspondentes. Desta forma, independentemente da ocorrência ou não de descumprimento de obrigação principal (falta do pagamento das contribuições devidas), na hipótese do descumprimento de obrigação acessória, a lavratura do auto de infração se impõe. 5.8. Cabe salientar que para cada infração cometida, ou seja, para cada descumprimento de obrigação acessória prevista na Lei, a própria legislação prevê uma autuação, com a aplicação da multa (penalidade) correspondente. Assim, como a Impugnante descumpriu a obrigação acessória prevista no art. 32, III, da Lei 8.212/91 foi lavrado o presente Auto de Infração (entre outros, relativos às outras infrações distintas, todos na mesma ação fiscal). 5.9. O presente auto de infração foi lavrado porque a empresa, apesar de devidamente intimada, não apresentou as informações acima reproduzidas e também mencionadas no relatório fiscal da infração durante a ação fiscal. Apesar de suas alegações e documentos juntados, em especial o CDROM (fls. 275), o Auditor Fiscal, em diligência, constatou e afirmou que referido CDROM não atende ao leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais da SRP e que não foi apresentada a Avaliação Individual de Desempenho e que, portanto, a falta não foi corrigida e a multa deve ser integralmente mantida. 5.10. Para que não reste dúvida quanto ao fato de que a falta não foi corrigida destacase da legislação acima transcrita que o contribuinte tem a obrigação de apresentar informações em meio digital segundo leiaute previsto em Manual, bem como todas as informações solicitadas pela Fiscalização. Ou seja, a apresentação parcial, deficiente ou sem atender as formalidades enseja a mesma autuação. 5.11. No presente caso, o contribuinte apresentou o CD e informações em momento que poderia ensejar, no máximo, a atenuação da multa, caso efetivamente tivesse corrigido a falta, razão da diligência, conforme Despacho de fls. 214/216. 5.12. Entretanto, conforme o mesmo Auditor Fiscal que realizou a ação fiscal, ao cumprir a diligência foi constatado que a falta não foi corrigida conforme acima exposto e vide, também, termo de encerramento (fls. 220) e relatório fiscal da diligência (fls. 221). 5.13. Em outro giro, a alegação de que teve dificuldades em reunir toda a documentação e prestar as informações e que este fato não pode ser confundido com falta de colaboração ou embaraço à atuação da fiscalização não acarreta o afastamento da multa aplicada no presente auto de infração, e nem foi este o entendimento do Auditor Fiscal, pois se este tivesse entendido que o Contribuinte teria obstado a ação da fiscalização teria, em acréscimo, enquadrado na circunstância agravante prevista no inciso IV do art. 290 e respectiva gradação, art. 292, III, ambos do Regulamento da Previdência Social. 5.14. Anotese que o argumento de exiguidade de prazo durante a ação fiscal não prospera porque foram observados pelo Auditor Fiscal as disposições e prazos legais que regem a fiscalização, devendo, a empresa manter a documentação e informações de forma a atender às solicitações da Fiscalização, sendo certo que o grande porte da empresa é razão de maior capacidade organizacional. 5.15. Observase que a manifestação do Contribuinte após a diligência (fls. 223/226) em nada acrescenta ou altera o rumo do presente processo. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 14485.003317/200791 Acórdão n.º 2301005.920 S2C3T1 Fl. 327 9 5.16. Ainda quanto à contestação e à pretensão da Impugnante, no sentido de que os documentos foram apresentados e que o auto de infração deve ser julgado insubsistente, não há como serem acatadas, já que, pelo acima exposto, a falta não foi corrigida e a multa deve, via de consequência ser mantida. 5.17. Concluise, portanto, que a autuação é procedente estando o enquadramento legal, a tipicidade e a descrição dos fatos em perfeita consonância com os dispositivos que regem a matéria. MMUULLTTAA.. PPRRIINNCCÍÍPPIIOO DDAA RREESSEERRVVAA LLEEGGAALL 7. Concernente às argumentações relacionadas à a inaplicabilidade da gradação da multa prevista no artigo 290, V combinado com o artigo 292, IV do RPS, incluindo a alegação concernente ao caráter abusivo da multa aplicada, não assiste razão à Recorrente. 7.1. A penalidade aplicável em caso de descumprimento de obrigação acessória prevista na Lei 8.212/912 é a multa abstrata prevista nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91, e regulamentada pelo artigo 283, II, "b", ao prever a multa abstrata da infração sob exame, corrigida nos termos do ato normativo específico (Portaria MPS n° 142 de 11/04/2007), conforme autorizado pelo artigo 102 da Lei 8.212/91. 7.2. A multa foi aplicada em estrita observância da Lei. Quanto ao montante de R$ 71.707,26 (setenta e um mil, setecentos e sete reais e vinte e seis centavos), o mesmo foi estipulado em consonância com a legislação conforme previsto no artigo 283, II, alínea "b” do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, tendo o valor mínimo da multa sido atualizado pela Portaria MPS no 142/2007 (R$ 11.951,22) e elevado em seis vezes, dada a ocorrência de uma reincidência genérica, em virtude do AI no 37.044.1540, e de uma reincidência específica, representada pelo AI no 37.118.1500, constituindo circunstâncias agravantes da infração, conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa ( subitem x.x supra). 7.3. Conforme mencionado no referido relatório, a reincidência em infração diferente reincidência genérica eleva a multa em duas vezes e a reincidência no mesmo tipo de infração – reincidência específica eleva a multa em três vezes, consoante art. 290, V combinado com art. 292, IV, do Decreto 3.048/99. 7.4. Assim, não há nenhum reparo a fazer no que respeita ao montante da penalidade aplicada. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 8. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso; (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 331DF CARF MF 10 Fl. 332DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.908585/2009-15
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CRÉDITO. AQUISIÇÃO PRODUTOS DO ATIVO PERMANENTE. IMPOSSIBILIDADE.
Não se admite o creditamento do IPI pela aquisição de produtos destinados ao ativo permanente da empresa.
CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE INSUMO DE EMPRESA INSCRITA NO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE.
A aquisição de insumo de empresa inscrita no SIMPLES não permite o aproveitamento de crédito de IPI, mesmo que destacado na Nota Fiscal.
CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO. AQUISIÇÃO PRODUTOS DO ATIVO PERMANENTE. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite o creditamento do IPI pela aquisição de produtos destinados ao ativo permanente da empresa. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE INSUMO DE EMPRESA INSCRITA NO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de insumo de empresa inscrita no SIMPLES não permite o aproveitamento de crédito de IPI, mesmo que destacado na Nota Fiscal. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1431; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 295 1 294 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.908585/200915 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.694 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 15 de abril de 2019 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente COMEC CONSTRUÇÕES METÁLICA E CIVIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO. AQUISIÇÃO PRODUTOS DO ATIVO PERMANENTE. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite o creditamento do IPI pela aquisição de produtos destinados ao ativo permanente da empresa. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE INSUMO DE EMPRESA INSCRITA NO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de insumo de empresa inscrita no SIMPLES não permite o aproveitamento de crédito de IPI, mesmo que destacado na Nota Fiscal. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 85 85 /2 00 9- 15 Fl. 295DF CARF MF Processo nº 13603.908585/200915 Acórdão n.º 3002000.694 S3C0T2 Fl. 296 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Adoto o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Em 19/04/2010, foi emitido o Despacho Decisório de fl. 74 que deferiu parcialmente o direito creditório de R$ 69.678,82, e homologou parcialmente as compensações declaradas em PER/DCOMP. O valor do crédito solicitado/utilizado no PER/DCOMP nº 38622.38475.190308.1.1.014172 foi de R$ 75.080,95 referente ao 3º trimestre de 2006. São indicados os seguintes valores no saldo devedor consolidado: principal– R$ 50.826,86, multa – R$ 10.165,37, juros – R$ 11.486,87. Segundo consta no Despacho Decisório e nos detalhamentos da análise do crédito e da compensação e saldo devedor de fls. 75/77, o indeferimento parcial resultou da glosa de créditos não admitidos para o CFOP registrado, de créditos decorrentes de aquisições de fornecedores optantes pelo SIMPLES, e da constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento ao final do trimestre era inferior ao valor pleiteado. A requerente, inconformada com a decisão administrativa, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 81/90, na qual, em síntese, alega que: o CFOP registrado não impede o crédito de IPI, devendo ser observado qual a destinação da mercadoria no processo industrial, como matériaprima, produto intermediário, ou material de embalagem; também não há que se dizer que as empresas emitentes das notas fiscais eram optantes do SIMPLES; as consultas realizadas pela contribuinte junto ao cadastro de contribuintes do CNPJ não identifica que os fornecedores eram optantes do SIMPLES na época que ocorreram as operações; no que tange à verificação dos fatos, o que se verifica é que não houve investigação fiscal (procedimento de ofício) para apurar as supostas ocorrências relacionadas no Despacho Decisório, para indeferir em parte o Pedido de Ressarcimento e a respectiva compensação, configurando mera presunção; Fl. 296DF CARF MF Processo nº 13603.908585/200915 Acórdão n.º 3002000.694 S3C0T2 Fl. 297 3 a atividade administrativa de lançamento é composta de uma sucessão de formalidades atos jurídicos e operações burocráticas, que impõe a investigação de todas as circunstâncias que se constituem na "condição determinante" à cobrança do tributo. Por fim, requereu a improcedência do Despacho Decisório." Em seqüência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO) julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 INSUMOS COM DIREITO AO CRÉDITO DO IPI. Os conceitos de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo as aquisições destinadas ao ativo imobilizado. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES, nos termos de vedação legal expressa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 271/279), no qual repisou fatos e argumentos jurídicos já manifestados anteriormente. Não carreou novas provas aos autos. É o relatório, em síntese. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 13603.908585/200915 Acórdão n.º 3002000.694 S3C0T2 Fl. 298 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. O Despacho Decisório reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado por duas razões: 1) glosou aquisições destinadas ao ativo permanente da empresa e 2) glosou aquisições de empresas optantes do SIMPLES, em ambos os casos tais dispêndios não seriam aptas a gerar créditos na sistemática de apuração do IPI. Em seu Voluntário, a contribuinte apenas repisou os argumentos já apresentados e não carreou aos autos outras provas, assim, não produzindo nenhum novo elemento que pudesse infirmar as conclusões chegadas pela primeira instância julgadora. Dessa forma, a motivação exteriorizada no voto condutor do Acórdão recorrido demonstrase adequada e, indubitavelmente, correta, por isso, reproduzo excerto e adoto como razões de decidir os fundamentos ali lançados: "A fiscalização glosou créditos decorrentes de aquisições relativas aos CFOPs 1.551 e 1.406. Tais aquisições referemse a bens destinados ao ativo imobilizado. A interessada contesta a glosa alegando que os materiais foram aplicados na industrialização. Neste contexto, é preciso esclarecer que, ao contrário do que afirma a manifestante, não se trata o presente de lançamento de ofício com constituição de crédito tributário. Tratase de pedido de ressarcimento e compensação, cujo ônus da prova do direito ao crédito é da interessada. A glosa não foi efetuada com base em mera presunção, mas sim, com base nos livros fiscais da própria contribuinte que registrou as entradas como bens destinados ao ativo imobilizado. Se, de fato, destinou os materiais para o processo produtivo, caberia à interessada fazer prova da irregularidade de sua escrituração. Assim, corretas as glosas efetuadas, já que nos termos do art. 164, inciso I, do RIPI/2002, os estabelecimentos industriais ou equiparados podem creditarse do IPI relativo às matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem empregados na industrialização de produtos tributados, não contemplando os materiais destinados ao ativo permanente. (...) Fl. 298DF CARF MF Processo nº 13603.908585/200915 Acórdão n.º 3002000.694 S3C0T2 Fl. 299 5 Conforme consta no demonstrativo de fls. 75/77, foram glosados créditos de IPI decorrentes de aquisições de materiais de fornecedores optantes pelo SIMPLES. A manifestante defende a legitimidade do crédito alegando que os fornecedores não eram optantes pelo SIMPLES. Em consulta aos sistemas da Receita Federal, constatei que todas as empresas eram optantes do SIMPLES em 2006, conforme transcrições abaixo: (...) Na hipótese de aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem à vista de notas fiscais emitidas por estabelecimentos optantes pelo SIMPLES (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte), não há o direito ao crédito, muito menos o direito ao ressarcimento. Na verdade, em aquisições dessa natureza não deve haver imposto destacado nas notas fiscais, pois, no âmbito do SIMPLES, o IPI é calculado segundo um percentual aplicado sobre o faturamento da empresa: o “crédito” jamais pode transitar pela escrita fiscal, já que se trata de um regime de tributação simplificada, tendo, inclusive, o IPI Simples um código de receita específico. Lembramos que o SIMPLES é uma forma beneficiada e simplificada de tributação, e é de livre escolha da contribuinte. No entanto, quando feita a opção, deve este se sujeitar a todas as normas, restrições e obrigações impostas por lei. Neste sistema, a tributação já é favorecida e não há que se falar em sistemas de débitos e créditos, que só é aplicada na forma normal de tributação. Portanto, não há que se aplicar ao caso em análise o princípio da não cumulatividade, pois a tributação do IPI se faz por outra forma. Ainda que, equivocadamente, haja destaque do IPI na nota fiscal emitida pela empresa optante pelo SIMPLES, não há direito ao crédito, sendo que a referida parcela deve ser agregada ao custo das mercadorias. Deflui da lei a vedação à apropriação pelas empresas industriais adquirentes do IPI calculado conforme a sistemática do SIMPLES – Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002), art. 166, cuja matriz legal é a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 5º, §5º, in verbis : “§ 5° A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS”. Pela leitura do texto legal acima citado, depreendese que, ao optar pelo SIMPLES, a contribuinte fica sujeita à forma diferenciada de tributação, inclusive quanto ao IPI, sendo lhe vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de Fl. 299DF CARF MF Processo nº 13603.908585/200915 Acórdão n.º 3002000.694 S3C0T2 Fl. 300 6 incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos ao IPI." Ademais, o art. 373 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos citados, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13603.908585/200915 Acórdão n.º 3002000.694 S3C0T2 Fl. 301 7 tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Dessarte, forçoso é admitir que a recorrente além de não se desincumbir do ônus de provar o seu suposto direito creditório, também não conseguiu demonstrar cabalmente nenhum erro nas glosas realizadas pela fiscalização, nem mesmo trazendo novos argumentos sobre o assunto em seu Voluntário. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 301DF CARF MF
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