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Numero do processo: 10980.905729/2008-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
Ementa:
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-005.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 29 /2 00 8- 05 Fl. 771DF CARF MF 2 Relatório 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados emprego como meu o Relatório desenvolvido por este Tribunal administrativo quando da resolução n. 3402000431 (fls. 149/151), da lavra do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, o qual adoto como meu nos termos abaixo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que a origem de seus créditos tem amparo na Lei 10.485/2002, por se tratar de produtos monofásicos que teriam sido incluídos indevidamente nas bases de cálculo do PIS e da Cofins. A DRJ em Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que as alegações trazidas pela interessada constituem fatos que não foram apreciados pela autoridade originalmente competente, posto que resultam de retificação de DCTF feita somente após a ciência do despacho decisório, além de não ter sido trazida aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado de forma genérica na manifestação de inconformidade. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade, ressaltando que os fundamentos jurídicos que sustentam seu pleito derivam de sua atividade societária, comerciante de autopeças, cuja Lei nº 10.485/2002 reduziu a zero a alíquota a ser aplicada na receita bruta auferida na venda destes produtos. O Recurso Voluntário foi analisado e foi proposta uma resolução para fins de identificar o objeto da sociedade, o valor da receita auferida com a comercialização de produtos relacionados nos anexos I e II da Lei nº 10.485/2002, o valor da base de cálculo tributável e o valor dos recolhimentos efetuados pelo recorrente. O processo retornou da origem acompanhado por várias planilhas, além do contrato social. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba não produziu o termo final de diligência analisando os dados constantes nos documentos acostados aos autos pelo recorrente. (...). 2. Diante deste quadro, o processo foi novamente baixado em diligência por intermédio da resolução acima mencionada, determinado que a unidade preparadora Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10980.905729/200805 Acórdão n.º 3402005.349 S3C4T2 Fl. 772 3 formulasse relatório fiscal com base nos documentos fiscais apresentados pelo contribuinte e, nesse sentido, indicasse a existência ou não de crédito a ser compensado. 3. Referida diligência foi cumprida, gerando o relatório fiscal de fls. 720/726, a respeito do qual o contribuinte apresentou manifestação de fls.731/732. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O Recurso voluntário é intempestivo, o que impede o seu conhecimento. 6. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 7. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 8. Pois bem. No presente caso o Recorrente foi cientificado via postal da decisão guerreada, sendo o correspondente aviso de recebimento recebido em 20 (vinte) de abril de 2011 (quartafeira) (fl. 34). Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal ocorreu em 21 (vinte e um) de abril de 2011 (quintafeira), vencendo, por sua vez, no dia 20 (vinte) de maio de 2011 (sexta feira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto em 24 (vinte e quatro) de abril de 2011 (fl. 35), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 9. Patente está, portanto, a intempestividade do Recurso Voluntário em análise. 10. O fato desta questão ter passada desapercebida por este Tribunal quando da elaboração das resoluções indicadas no relatório do presente voto não impede que este Colegiado, neste momento processual, reconheça tal mácula, uma vez que a intempestividade é vício insanável e que impede a própria admissibilidade recursal por se tratar de pressuposto de validade. Dispositivo 11. Diante do exposto, deixo de conhecer o Recurso Voluntário interposto haja vista a sua intempestividade. 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 773DF CARF MF 4 12. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 774DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11075.001568/2004-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2004
COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO. AÇÃO JUDICIAL. EXIGÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO.
A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, sendo vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial (arts. 170 e 170-A, do CTN).
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2004
COMPENSAÇÃO OBJETO DE DECLARAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO JUDICIAL. NÃO HOMOLOGADA, ATÉ 29/12/2004. NÃO DECLARADA, APÓS ESTA DATA.
Antes da vigência da Lei nº 11.051/2004 (30/12/2004), seriam não homologadas as compensações objeto de Declarações de Compensação com créditos lastreados em decisão judicial não transitada em julgado até a sua apresentação. A partir daquela data, elas, nestas condições, passaram a ser consideradas não declaradas (alínea d do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96).
COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO.
Será exigida multa isolada, no percentual básico de 75 %, sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada, pois decorrente de decisão judicial não transitada em julgado (Lei 10.833/2003, art. 18, § 4º, e IN/RFB nº 1.717/2017, art. 75, inciso IV, e § 1º, inciso I).
Numero da decisão: 9303-006.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Julgamento iniciado na reunião de 05/2018.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO. AÇÃO JUDICIAL. EXIGÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, sendo vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial (arts. 170 e 170-A, do CTN). Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO OBJETO DE DECLARAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO JUDICIAL. NÃO HOMOLOGADA, ATÉ 29/12/2004. NÃO DECLARADA, APÓS ESTA DATA. Antes da vigência da Lei nº 11.051/2004 (30/12/2004), seriam não homologadas as compensações objeto de Declarações de Compensação com créditos lastreados em decisão judicial não transitada em julgado até a sua apresentação. A partir daquela data, elas, nestas condições, passaram a ser consideradas não declaradas (alínea d do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96). COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Será exigida multa isolada, no percentual básico de 75 %, sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada, pois decorrente de decisão judicial não transitada em julgado (Lei 10.833/2003, art. 18, § 4º, e IN/RFB nº 1.717/2017, art. 75, inciso IV, e § 1º, inciso I).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Julgamento iniciado na reunião de 05/2018. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO. AÇÃO JUDICIAL. EXIGÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, sendo vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial (arts. 170 e 170A, do CTN). ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO OBJETO DE DECLARAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO JUDICIAL. NÃO HOMOLOGADA, ATÉ 29/12/2004. NÃO DECLARADA, APÓS ESTA DATA. Antes da vigência da Lei nº 11.051/2004 (30/12/2004), seriam não homologadas as compensações objeto de Declarações de Compensação com créditos lastreados em decisão judicial não transitada em julgado até a sua apresentação. A partir daquela data, elas, nestas condições, passaram a ser consideradas não declaradas (alínea “d” do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96). COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Será exigida multa isolada, no percentual básico de 75 %, sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada, pois decorrente de decisão judicial não transitada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 15 68 /2 00 4- 22 Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 11075.001568/200422 Acórdão n.º 9303006.862 CSRFT3 Fl. 1.660 2 em julgado (Lei 10.833/2003, art. 18, § 4º, e IN/RFB nº 1.717/2017, art. 75, inciso IV, e § 1º, inciso I). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Julgamento iniciado na reunião de 05/2018. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência, interpostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (fls. 1.464 a 1.472) e pelo contribuinte (fls. 1.605 a 1.621), contra o Acórdão 380301.811, proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Sejul do CARF (fls. 1.451 a 1.459), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. A compensação de débitos com créditos oriundos de decisão judicial somente se encontra autorizada quando estes se revestirem do caráter de certeza e liquidez que apenas o trânsito em julgado lhes confere. Em matéria de compensação de tributos, aplicase a legislação vigente à época da formalização do pedido. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2004 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. Há previsão legal para a exigência de multa isolada nos casos em que a compensação pleiteada pelo contribuinte for considerada como não declarada, nos termos da legislação de regência. Fl. 1660DF CARF MF Processo nº 11075.001568/200422 Acórdão n.º 9303006.862 CSRFT3 Fl. 1.661 3 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CANCELAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A norma penal mais benéfica retroage para alcançar os fatos anteriores regidos pela norma penal revogada. Para bem situar esta Turma sobre a matéria que está em julgamento, há primeiro que se colocar alguns pontos que só se observam mediante uma análise mais aprofundada, baseada no voto condutor do acórdão recorrido, e até mesmo compulsando os autos, para buscar a origem e o fundamento da exigência (tudo aliado ao estudo das alterações legislativas, de forma detalhada). A este processo foram juntados dois outros, abarcando o conjunto quatro Declarações de Compensação entregues em 20/08/2004 (fls. 003, 006, 009 e 011 – na numeração eletrônica), uma em 20/10/2004 (fl. 139) e uma em 27/01/2005 (fl. 487). As compensações foram decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior, lastreados na Ação Ordinária nº 98.13013087, JF/RS (petição inicial às fls. 185 a 203), cujo trânsito em julgado deuse somente em 12/09/2005 (fl. 1.419). Em 08/06/2005 foi feita, pela Unidade de Origem (DRF Uruguaiana), a Representação DRF/URA/Seort nº 001 (fls. 828 a 833), determinando a cobrança dos débitos e remetendo a outro Setor para que lançasse de ofício a multa isolada de 75 %, nos seguintes termos: “14. Portanto, diante de uma compensação considerada não declarada, devese lançar multa isolada sobre o valor total dos débitos indevidamente incluídos naquela, tendo como alíquotas as previstas nos incisos I ou II ou §2° do caput do art. 44 da Lei 9.430/96. 15. Observese ainda que o contribuinte já foi cientificado do Parecer DRF/URA/Seort n° 007, de 02 de março de 2005 e, considerando a interposição de manifestação de inconformidade do contribuinte, o processo será encaminhado à DRJ/Santa Maria para prosseguimento. 16. Diante do exposto, proponho que seja encaminhada esta representação para o SAPAC/DRF/URA, para providências quanto ao lançamento da multa isolada.” Com base nisso, foi lançada, em 09/06/2005, a multa isolada sobre todas as compensações, via Auto de Infração (fls. 858 a 869), no percentual de 75%, com o seguinte enquadramento legal: “Art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835/01; Art. 18 da Lei n° 10.833/03; Art. 18 da Lei n° 10.833/03 c/ a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051/2004. Art. 44, inciso I da Lei n° 9.430/96. Art. 31, § 1º , inciso II, alínea "d" e § 50 da IN SRF n° 460/04.” Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 11075.001568/200422 Acórdão n.º 9303006.862 CSRFT3 Fl. 1.662 4 Vejamos agora excertos do voto condutor do acórdão recorrido: I. Compensação. Direito líquido e certo. O instituto da compensação, enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, encontrase previsto no Código Tributário Nacional (CTN) nos seguintes termos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) À época da entrega das declarações de compensação sob análise, já constava do CTN o novo art. 170A, introduzido pela Lei Complementar nº 104/2001, que tornou a exigência ainda mais clara ao explicitar a vedação, mediante compensação, de aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (...) Quanto à questão relativa à compensação considerada não declarada, devese salientar que os artigos 4º e 25 da Lei nº 11.051/2004, que alteraram as Leis nº 9.430/1996 e 10.833/2003, somente entraram em vigor a partir de 30 de dezembro de 2004, nos termos do art. 34, III, do mesmo diploma legal, em razão do que as Declarações de Compensação protocolizadas em 20 de agosto de 2004 (fls. 1 a 9) e 20 de outubro de 2004 (fls. 135 a 136) não poderiam se submeter a uma regra de compensação introduzida posteriormente à sua formalização. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem decidido, inclusive no âmbito da regra dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), que, em matéria relativa à compensação de tributos, devese observar o princípio da irretroatividade da lei. Logo, as alterações legislativas que introduziram a regra da compensação considerada não declarada somente se aplicam aos casos posteriores à sua vigência. No presente processo, somente a Declaração de Compensação entregue em 27/01/2005 (fls. 239 a 240) deve se submeter à referida regra e apenas em relação a ela restará a decisão nos termos apontados, qual seja, compensação considerada não declarada. Quanto às demais, dado que protocolizadas em datas anteriores à vigência da Lei nº 11.051/2004, deverseia aplicarlhes a regra então em vigor, não as homologando por se referirem a créditos decorrentes de ação judicial não transitada em julgado, nos termos dos artigos 170 e 170A do CTN. II. Auto de Infração. Multa isolada. O auto de infração referente à multa isolada foi lavrado em razão de compensações pleiteadas pelo contribuinte, mas consideradas não declaradas pela Administração tributária, tendo sido fundamentado, conforme consta da informação presente à fl. 432, no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, combinado com o art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.051/2004. (...) Fl. 1662DF CARF MF Processo nº 11075.001568/200422 Acórdão n.º 9303006.862 CSRFT3 Fl. 1.663 5 A Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, em sua redação original, restringiu o lançamento de ofício previsto na Medida Provisória n° 2.15835/2001 à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida, e apenas nas hipóteses ali especificadas, in verbis: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Posteriormente, tal dispositivo veio a sofrer sucessivas alterações, conforme se depreende das transcrições a seguir: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) (...) § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) O § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pela Lei nº 11.051/2004, referenciado na previsão normativa de lançamento de ofício nos casos de compensação considerada não declarada, assim dispõe: § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) Conforme acima demonstrado, com a edição da Lei n° 11.051/2004, a multa isolada, que substituiu a multa proporcional originalmente prevista, constituiuse em penalidade nova, aplicável apenas para a nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficasse caracterizada a prática Fl. 1663DF CARF MF Processo nº 11075.001568/200422 Acórdão n.º 9303006.862 CSRFT3 Fl. 1.664 6 das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964 (fraude, conluio e sonegação). Nos casos em que a compensação fosse considerada não declarada, aplicarseia o disposto no § 4º do mesmo art. 18, com redação dada pela mesma Lei nº 11.051/2004, que, conforme consta do excerto supra, teve seu teor mantido pelas diferentes redações dadas pelas leis subseqüentes. Em consonância com o já apontado, a autoridade fiscal, ao proceder ao lançamento de ofício da multa isolada, fundamentou o auto de infração no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pela Lei nº 11.051/2004, quando já existia a previsão legal para a exigência de multa isolada nos casos de compensação considerada não declarada, exigência essa que restou mantida pelas alterações legais supervenientes. Contudo, conforme apontado no item anterior, a regra introduzida pela Lei nº 11.051/2004 – compensação considerada não declarada – somente alcança a Declaração de Compensação entregue em 27 de janeiro de 2005 (fls. 239 a 240), sendo relevante neste momento destacar que existe regra de estatura constitucional que impede a aplicação retroativa de norma jurídica que cria penalidades. Dessa forma, devese manter o lançamento de ofício da multa isolada apenas em relação à Declaração de Compensação entregue em 27/01/2005, uma vez que, em relação as demais, ora consideradas não homologadas, devese aplicar o princípio da retroatividade da lei penal mais benéfica (art. 106, II, “c”, do CTN), dado que a multa isolada aplicável nos casos da espécie – compensação não homologada –, originariamente prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, passou, após a alteração procedida pela Lei nº 11.051/2004, a se restringir aos casos de fraude, conluio ou sonegação. III. Conclusão Diante do exposto, voto por PROVER PARCIALMENTE o recurso voluntário, cancelandose a multa isolada na parte referida às Declarações de Compensação entregues em datas anteriores à vigência da Lei nº 11.051/2004. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 1.593 e 1.594), a PGFN defende que, já na sua redação original, o art. 18 de Lei nº 10.833/2003 previa que seria aplicada a multa isolada (no caso, de 75%) para os casos de débitos não passíveis de compensação por expressa disposição legal, nos quais se enquadravam os decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado, a teor do previsto no art. 170A do CTN. Assim, a figura da compensação “não declarada”, introduzida pela Lei nº 11.051/2004 (que passou a vigorar em 30/12 daquele ano), que tinha como uma das hipóteses a decorrente de decisão judicial não transitada em julgado, em nada inovou, não havendo, então, que se falar em “retroatividade benigna”. Já o contribuinte, em seu Recurso Especial, ao qual também foi dado seguimento (fls. 1.648 a 1.650), além de invocar o art. 66 da Lei nº 8.383/91, que não exigia que fosse declarada ao Fisco a compensação de tributos de mesma espécie, defende que o disposto no art. 170A, introduzido pela Lei Complementar nº 104/2001, só se aplicaria a pagamentos feitos após a sua vigência (11/01/2001). A PGFN, em suas Contrarrazões (fls. 1.652 a 1.657), ataca mais especificamente a alegação de que o contribuinte não teria que declarar ao Fisco a compensação de tributos da mesma espécie, dizendo, ao final, o seguinte: Fl. 1664DF CARF MF Processo nº 11075.001568/200422 Acórdão n.º 9303006.862 CSRFT3 Fl. 1.665 7 “Deve, portanto, ser mantido o entendimento exarado na decisão recorrida, por estar em conformidade com a legislação de regência, que, ao tratar da matéria discutida, embora não exija requerimento nos casos de tributos da mesma espécie, em nenhum momento dispensa a declaração da compensação efetuada pelo contribuinte cuja obrigação de comunicála ao Fisco se revela patente, pelos próprios efeitos produzidos tanto na esfera do devedor, quanto na do credor. cuja obrigação de comunicála ao Fisco se revela patente, pelos próprios efeitos produzidos tanto na esfera do devedor, quanto na do credor. Uma vez não realizada na forma legal, a compensação não tem o condão de extinguir o tributo apurado e regularmente constituído pela autoridade autuante.” É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir os Recursos Especiais foram todos cumpridos e respeitadas as formalidades previstas no RICARF, pelo que deles conheço. Na detalhada abordagem do transcorrer das fases do processo, em resumo, vimos que: Das seis Declarações de Compensação apresentadas, cinco foram de 20/08 a 20/10/2004; A vigência da Lei nº 11.051/2004, a qual criou a figura da compensação “não declarada”, só se deu em 30/12/2004, atingindo portanto, somente a última Declaração de Compensação, entregue em 27/01/2005; Uma das hipóteses de não declaração seria a compensação antes do trânsito em julgado de ação judicial que lhe desse suporte; A mesma lei trouxe a imposição de multa isolada, no percentual básico de 75 %, para compensações consideradas não declaradas; A lavratura do Auto de Infração da multa isolada teve, por base legal, a Lei nº 11.051/2004, para todas as compensações. Eu teria ainda a acrescentar o seguinte: Todas as Declarações de Compensação já foram apresentadas sobre a égide da Lei nº 10.637/2002, que alterou o art. 74 da Lei nº 9.430/96 (que já tinha permitido a compensação com tributos de espécies diferentes, só que mediante requerimento), exigindo, para todos os casos (inclusive compensações com tributos da mesma espécie), que a Fl. 1665DF CARF MF Processo nº 11075.001568/200422 Acórdão n.º 9303006.862 CSRFT3 Fl. 1.666 8 compensação fosse declarada ao Fisco, extinguindo o crédito, sob condição resolutória de sua ulterior homologação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Assim sendo, entendo que não há qualquer reparo a se fazer no acórdão recorrido, pelo seguinte: 1) A compensação tributária exige direito líquido e certo, o que, no caso de crédito com fulcro em ação judicial, só se dá com o seu trânsito em julgado, a teor dos art. 170 e 170A do CTN, sendo irrelevante a data do pagamento indevido, pois válida a legislação à época da compensação; 2) Absolutamente não se cogita aqui em suscitar o art. 66 da Lei nº 8.383/91 (compensação entre tributos de mesma espécie, sem declaração), pois completamente superada, à época de interesse; 3) Repisando, a legislação aplicável à época das compensações é a vigente na data da apresentação das mesmas, sendo que, por terem como sustentáculo ação judicial ainda não transitada em julgado, há que serem não homologadas, até a vigência da Lei nº 11.051/2004, e consideradas nãodeclaradas, a partir de 30/12/2004; 4) Às penalidades aplicase a retroatividade benigna, portanto, tendo o Auto de Infração da multa isolada sido lavrado com base na Lei nº 11.051/2004 (que, repito, criou a figura da compensação não declarada e instituiu a multa do § 4º do art. 18 da Lei nº 10.833/2003), para todas as compensações, ela somente é aplicável à última Declaração, apresentada em 27/01/2005. E, ratificando que permanece aplicável a multa isolada de 75% sobre compensações consideradas não declaradas, transcrevo os dispositivos de interesse da IN/RFB nº 1.717/2017: Art. 75. É vedada e será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito: (...) Fl. 1666DF CARF MF Processo nº 11075.001568/200422 Acórdão n.º 9303006.862 CSRFT3 Fl. 1.667 9 IV seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; (...) § 1º Será exigida multa isolada sobre o valor total do débito cuja compensação for considerada não declarada nas hipóteses previstas neste artigo, aplicandose o percentual de: I 75% (setenta e cinco por cento); ou II 150% (cento e cinqüenta por cento), quando ficar comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. À vista do exposto, voto por negar provimento aos Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1667DF CARF MF
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Numero do processo: 13609.002073/2008-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/08/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO - Em se verificando a existência de omissão na decisão colegiada, há de ser acolhido os embargos opostos.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - PAGAMENTO E/OU PARCELAMENTO - RENÚNCIA AO RECURSO ADMINISTRATIVO - Nos termos do artigo 78, § 2º da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, o parcelamento ou pagamento do débito pelo recorrente implica na desistência do Recurso Administrativo.
Embargos de Ofício Conhecido
Numero da decisão: 2301-005.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2301-003.085, de 20/09/2012, não conhecer o recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Júnior - Presidente.
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Andréa Brose Adolfo, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/08/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO - Em se verificando a existência de omissão na decisão colegiada, há de ser acolhido os embargos opostos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - PAGAMENTO E/OU PARCELAMENTO - RENÚNCIA AO RECURSO ADMINISTRATIVO - Nos termos do artigo 78, § 2º da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, o parcelamento ou pagamento do débito pelo recorrente implica na desistência do Recurso Administrativo. Embargos de Ofício Conhecido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1660; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 89 1 88 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13609.002073/200802 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.294 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2018 Matéria EMBARGOS DE OFÍCIO Recorrente VEREDAS SIDERÚRGICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/08/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO Em se verificando a existência de omissão na decisão colegiada, há de ser acolhido os embargos opostos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PAGAMENTO E/OU PARCELAMENTO RENÚNCIA AO RECURSO ADMINISTRATIVO Nos termos do artigo 78, § 2º da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, o parcelamento ou pagamento do débito pelo recorrente implica na desistência do Recurso Administrativo. Embargos de Ofício Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2301003.085, de 20/09/2012, não conhecer o recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Júnior Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Andréa Brose Adolfo, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 20 73 /2 00 8- 02 Fl. 89DF CARF MF 2 Relatório Tratase de auto de infração referente a contribuições destinadas à Seguridade Social declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social (GFIP), destinadas às entidades INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE e ao FNDE incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais:. Após a decisão de primeira instância, a autuada apresentou recurso que foi julgado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção a qual exarou o Acórdão n.º 2301 003.085 em 20/09/2012, dando provimento parcial ao recurso para que fosse aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/08/2007 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. FATOS GERADORES NÃO INFORMADOS EM GFIP. NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. MULTA DE MORA. A empresa fica obrigada a recolher as contribuições sociais devidas pela prestação de serviços remunerados pelo contribuinte individual. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Sete Lagoas/MG opôs embargos de declaração, informando que o crédito tributário foi incluído no parcelamento da Lei n.º 11.841/09 na data de 31/07/2011, ou seja, anterior a data da prolatação do Acórdão. O Ilustre presidente desta 1ª Turma Ordinária não admitiu os embargos em virtude da ilegitimidade verificada, porém, com fulcro no Regimento Interno do CARF, art. 66, apresentou Embargo de Ofício face a existência de inexatidão material devida a lapso manifesto. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13609.002073/200802 Acórdão n.º 2301005.294 S2C3T1 Fl. 90 3 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Em virtude de o Ilustre relator do Acórdão guerreado não mais pertencer aos quadros deste conselho, o processo foi a mim distribuído para análise e decisão acerca dos Embargos opostos. Presentes os pressupostos de admissibilidade dos Embargos, dele conheço. Após a prolação do Acórdão n.º 2301003.085 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, Segunda Seção de Julgamento deste conselho em 20/09/2012, veio a informação de que o crédito tributário ora discutido havia sido incluído em parcelamento na data de 31/07/2011,. Ou seja, antes do julgamento do presente processo administrativo a recorrente optou por aderir ao parcelamento da Lei n.º 11.841/09, sem que este fato tivesse sido informado nestes autos. Logo, quando do julgamento do recurso a recorrente já havia desistido deste por força do contido no art. 78, § 2º da Portaria MF 256/2009 que assim dispõe: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. (grifouse) § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse.” Desta forma, o recurso não deveria ter sido conhecido, encontrandose dentro do prevê o art. 66 do Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Fl. 91DF CARF MF 4 Embora não tenha acolhido os Embargos Opostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Sete Lagoas/MG, corretamente o Ilustre presidente desta colenda turma opôs Embargos de Ofício, amparado no art. 65, § 1º do Ricarf: Os legitimados para opor embargos estão listados no §1º do art. 65: Art. 65. (...)§1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. Ante ao exposto, VOTO no sentido de Conhecer do Embargos COM EFEITOS INFRINGENTES sanando o vício apontado para Não Conhecer do Recurso Voluntário em virtude do parcelamento do débito. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.694107/2009-47
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2005
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
A compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito, cujo ônus é do contribuinte.
Não será homologada a compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar confirmada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência suscitada, vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que votaram pela diligência. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2005 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito, cujo ônus é do contribuinte. Não será homologada a compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar confirmada. Recurso Voluntário Negado.
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CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito, cujo ônus é do contribuinte. Não será homologada a compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar confirmada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência suscitada, vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que votaram pela diligência. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 41 07 /2 00 9- 47 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.694107/200947 Acórdão n.º 3002000.226 S3C0T2 Fl. 84 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 49/50 dos autos: Trata o presente de PER/DCOMP, cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da Contribuição para a Cofins, referente ao fato gerador de outubro de 2005, e DCOMP nº 29195.92272.130706.1.3.041388, no valor de R$ 466,49. A DERAT/SP, por meio de despacho decisório, indeferiu o pedido porquanto o Darf relativo ao crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado para extinguir o próprio tributo, não restando crédito a restituir. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou manifestação de inconformidade alegando: A Empresa acima identificada fez um pedido de compensação da CSLL competência 2º trimestre/2006, através dos Per/Dcomp nº. 29195.92272.130706.1.3.041388, considerando que a COFINS foi recolhida indevidamente no período de 10/2005, no valor de R$ 615,98 (Seiscentos e quinze reais de noventa e oito centavos). Para maior clareza anexamos a presente manifestação, os documentos abaixo relacionados, para vossa análise; DCTF 1° semestre/2006 (Retificadora); Per/dcomp n° 29195.92272.130706.1.3.041388 Darf de Cofins recolhido em 11/11/2005, no valor de R$ 615,98. Por fim, solicita reconhecimento do crédito tributário e homologação da compensação. Com a sua Manifestação de Inconformidade (fls. 09/10), o contribuinte juntou aos autos: (i) PER/DCOMP nº 29195.92272.130706.1.3.041388 (fls. 02/03 e 22/26)); (ii) despacho decisório (fls. 05/06 e 11/12); (iii) cartão de CNPJ (fl. 14); (iv) atos constitutivos e de representação da empresa (fls. 15/21); (v) DARF (fl. 27); (vi) DCTF retificadora (fls. 28/43). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.694107/200947 Acórdão n.º 3002000.226 S3C0T2 Fl. 85 3 Creditório Não Reconhecido Nesta decisão (fls. 49/51), a primeira instância de julgamento administrativa consignou ter entendido correto o Despacho Decisório em razão de o contribuinte só ter apresentado DCTF retificadora posteriormente à sua emissão. Concluiu não ter sido comprovada, nos autos, a existência de crédito líquido e certo, afirmando não ter sido juntada documentação contábil e fiscal, pelo que entendia não haver reparos a serem feitos no Despacho Decisório. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 09/08/2017 (vide AR à fl. 53 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 06/09/2017 (vide Termo de Análise de Solicitação de Juntada à fl. 55 dos autos) Recurso Voluntário (fls. 56/57). Em seu recurso, quanto ao mérito, limitouse a repisar os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, no intuito de ter reconhecido o crédito pleiteado e autorizada a sua utilização para compensação do débito indicado no pedido de compensação. Ademais, anexou aos autos, nesta oportunidade os seguintes documentos: (i) planilhas com a apuração do PIS e da COFINS referentes aos períodos de 09/2005 e 10/2005 (fls. 58/59); (ii) procuração (fl. 60); (iii) documento de identificação (fl. 61); (iv) cópia das notas fiscais de serviços emitidas em 10/2005 (fls. 62/72); (v) cópia do livro de notas fiscais de serviços prestados de 2005 (fls. 73/74); (vi) livro razão analítico de 09/2005, 10/2005 e 11/2005 (fls. 76/80); (vii) livro diário geral nº 09 de 2005 (fl. 75). Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o breve relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, pretende o contribuinte, através do seu recurso voluntário, ver reformada a decisão recorrida, para fins de reconhecer o seu direito creditório, com a consequente homologação do pedido de compensação apresentado. Em sua manifestação de inconformidade, relatou que a origem do pedido de compensação decorria de pagamento a maior de COFINS realizado no período de 10/2005, tendo anexado aos autos, naquela oportunidade, DCTF retificadora e DARF com o pagamento realizado a maior. De início, é válido observar que, embora a DRJ tenha consignado no início da sua decisão que o contribuinte deveria ter apresentado a DCTF retificadora antes do despacho decisório, não deixou de analisar os fundamentos trazidos pelo Recorrente em seu recurso. Contudo, deixou de deferir o pleito do contribuinte, por entender que este não teria logrado comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário alegado, visto que não teria anexado aos Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.694107/200947 Acórdão n.º 3002000.226 S3C0T2 Fl. 86 4 autos documentação contábil e fiscal apta a validar as informações constantes da sua DCTF retificadora. Em seu Recurso Voluntário, então, no intuito de afastar o argumento da DRJ e comprovar o seu direito creditório, o contribuinte anexou aos autos os seguintes documentos: (i) planilhas com a apuração do PIS e da COFINS referentes aos períodos de 09/2005 e 10/2005 (fls. 58/59); (ii) procuração (fl. 60); (iii) documento de identificação (fl. 61); (iv) cópia das notas fiscais de serviços emitidas em 10/2005 (fls. 62/72); (v) cópia do livro de notas fiscais de serviços prestados de 2005 (fls. 73/74); (vi) livro razão analítico de 09/2005, 10/2005 e 11/2005 (fls. 76/80); (vii) livro diário geral nº 09 de 2005 (fl. 75). À primeira vista, entendo que tais documentos estariam, tem tese, aptos à comprovação do direito creditório pleiteado. Contudo, considerando que, após o envio da DCTF retificadora, a unidade de origem não chegou a apreciar o direito creditório em comento (repisese que a DCTF retificadora foi transmitida após o despacho decisório, o que impossibilitou a análise da DRF acerca da regularidade da correção ali realizada), entendo que os autos deverão ser remetidos à repartição competente, para que esta se manifeste expressamente acerca da certeza e liquidez do crédito tributário em comento. Por oportuno, é válido mencionar que a legislação pátria não impõe qualquer impedimento para que a DCTF seja retificada após a transmissão da DCOMP ou do despacho decisório, nem afasta da DCTF retificadora o seu efeito natural de substituir a DCTF originalmente apresentada. Sobre os efeitos da DCTF retificadora, tragase à colação o art. 18 da MP nº 2.18949/2001, bem como o art. 11 da Instrução Normativa nº 903/2008, in verbis: Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. *** Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. §2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.694107/200947 Acórdão n.º 3002000.226 S3C0T2 Fl. 87 5 I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada do início de procedimento fiscal. Da leitura dos dispositivos acima transcritos, verificase que o caso concreto aqui analisado (procedimento eletrônico de não homologação da compensação pleiteada em razão da não localização de créditos suficientes) não se encontra dentre as hipóteses expressamente previstas na legislação em que a retificadora não surtirá efeitos. Logo, inferese que os efeitos da DCTF retificadora em tal caso, desde que validamente comprovadas as alterações ali inseridas, serão os mesmos da DCTF originalmente transmitida. Consolidando o entendimento acima disposto, oriundo da legislação que rege a matéria, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015 assim dispôs: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.694107/200947 Acórdão n.º 3002000.226 S3C0T2 Fl. 88 6 lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. Do transcrito acima, extraise que a limitação trazida pela legislação para fins de admissão de DCTF retificadora tendente à homologação de pedidos de compensação é de que esta retificadora esteja em linha com o princípio da verdade material, correspondendo aos valores corretamente registrados nos registros contábeis/fiscais da empresa, e que não esteja divergente de outras declarações apresentadas pelo contribuinte, a exemplo da DIPJ e Dacon. Ou seja, mesmo após o despacho decisório, é possível que a DCTF retificadora atinja os seus efeitos de substituir a original, desde que os valores ali retificados correspondam à realidade dos fatos. Em tal caso, é cediço que a comprovação há de ser realizada pelo contribuinte, visto que incumbe a ele o ônus probatório no caso de pedido de compensação. Nos termos do que dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova incumbe ao autor (no caso ora analisado ao contribuinte que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). É o que se infere da transcrição a seguir: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.694107/200947 Acórdão n.º 3002000.226 S3C0T2 Fl. 89 7 II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No caso dos presentes autos, verificase que o contribuinte, observando a sua obrigação processual, trouxe aos autos elementos probatórios que, ao menos à primeira vista, apresentamse aptos a demonstrar o seu direito creditório. Sendo assim, uma vez anexada ao presente processo, tal comprovação há de ser apreciada por este órgão de julgamento, caso contrário, estarseia admitindo enriquecimento indevido por parte da União, em detrimento do princípio da verdade material. Acontece que tal análise não chegou a ser realizada no caso concreto ora apreciado pela unidade de origem, visto que a DCTF retificadora ainda não havia sido transmitida quando do despacho decisório. Sendo assim, entendo que este Conselho deveria baixar o presente processo em diligência, para que a DRF analise e se manifeste acerca da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Porém, apesar de ter trazido aos autos a referida proposta de diligência, conforme razões acima expostas, quando da sessão de julgamento, fiquei vencida neste ponto, visto que os Conselheiros Larissa Nunes Girard e Carlos Alberto da Silva Esteves entenderam que, in casu, teria precluído o direito de o contribuinte trazer aos autos novos elementos de provas, por entenderem que a oportunidade de fazêlo era no momento da apresentação da manifestação de inconformidade. Este entendimento, portanto, restou vencedor, pelo voto de qualidade. Sendo assim, superada a proposta de diligência apresentada, findei por me manifestar no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte neste caso concreto, tendo em vista que, diante da ausência de análise por parte da unidade de origem, não foi possível confirmar a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Da conclusão Diante do acima exposto, uma vez ultrapassada a proposta de diligência inicialmente apresentada, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900626/2012-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido.
Numero da decisão: 1402-003.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido.
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RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 06 26 /2 01 2- 35 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10882.900626/201235 Acórdão n.º 1402003.143 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu compensação. O PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de IRPJ, decorrente de recolhimento com Darf. Constatouse, no Despacho Decisório, que, na data de transmissão do documento em análise, já estava extinto o direito de utilização do crédito, por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF e a data de transmissão do PER/DCOMP. Diante do exposto, a compensação declarada NÃO foi HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o DCOMP original com demonstrativo de crédito foi transmitido dentro do prazo de cinco anos para recuperação de pagamentos indevidos. Alegou, ainda, que, uma vez feita a declaração do crédito dentro do prazo legal, não se há de mencionar a extinção do direito de sua utilização. A decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Extraise do voto: A existência de DCOMP transmitida antes da extinção do direito de pleitear restituição de determinado pagamento não legitima compensações com ele efetuadas depois da extinção. A declaração de compensação não interrompe a contagem do prazo para extinção do direito de pedir restituição. O art. 42 da IN RFB n.º 1.300, de 2012, dispõe que o crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da “Declaração de Compensação” somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido mediante “Pedido de Restituição” ou “Pedido de Ressarcimento” formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional (idêntica disposição se encontra no art. 27 da IN SRF n.º 460, de 2004, no art. 27 da IN SRF n.º 600, de 2006, e no art. 35 da IN RFB n.º 900, de 2008). Portanto, o fato de o crédito ser superior ao débito não altera a natureza da “Declaração de Compensação”, que não supre a falta do “Pedido de Restituição” do saldo remanescente. A legislação de regência, ao detalhar o direito de restituição de pagamentos indevidos ou maior que o devido, garantido pelo CTN, dentro do prazo de cinco anos contados do pagamento em questão (art. 168, I), no caso, o art. 42 da IN RFB 1300, de 2012 e, anteriormente, o art. 35 da IN RFB 900, de 2008, trazem a regra. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10882.900626/201235 Acórdão n.º 1402003.143 S1C4T2 Fl. 4 3 Vejase: Art. 35. O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº20.910, de 6 de janeiro de 1932. Art. 42. O crédito do sujeito passivo, para com a Fazenda Nacional, que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº20.910, de 6 de janeiro de 1932. Inconformado, o autuado interpôs Recurso Voluntário a esta Colenda Turma, requerendo:sejam acolhidas todas as razões de fato e de direito expendidas na peça recursal, homologandose, por decorrência, a compensação objeto da Declaração de Compensação que instrui o presente contencioso administrativo fiscal. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10882.900626/201235 Acórdão n.º 1402003.143 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.141, de 16/05/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10882.903770/200928, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 23/03/2000, por meio de DCOMP transmitida em 07/10/2005, para compensação de débitos próprios. No presente processo o contribuinte requer a compensação de débitos com a utilização de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 30/05/2003, por meio de DCOMP transmitida em 23/10/2009. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.141): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Consignase, ainda, que o Recurso Voluntário em questão é representativo de controvérsia e, desta forma, foi designado para ser julgado sob o regime de recursos repetitivos. Em síntese, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP no qual pretendia compensar recolhimento indevido e/ou maior que o devido, feito em DARF, com débitos de PIS e COFINS. A DRF de origem, em despacho decisório, não reconheceu o direito creditório, uma vez que havia transcorrido prazo maior do que 5 (cinco) anos entre a data de pagamento do DARF e a data de transmissão da PER/DCOMP. Apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ competente consignou no v. acórdão recorrido que o contribuinte não tinha apresentado, antes do escoamento do prazo de 5 (cinco) anos contados do pagamento do DARF, pedido de restituição ou de ressarcimento de seus créditos. A transmissão de declaração de compensação, antes do final do prazo de 5 (cinco) anos da data de pagamento do DARF não tem o mesmo efeito de pedido de ressarcimento ou restituição, ou seja, não interrompe a contagem do prazo para extinção do direito de pedir a restituição. Em recurso voluntário, o contribuinte reitera que transmitiu PER/DCOMP antes de esgotado o prazo de 5 (cinco) anos para a utilização do pagamento indevido ou maior que o devido feito Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10882.900626/201235 Acórdão n.º 1402003.143 S1C4T2 Fl. 6 5 com DARF; que retificou essa PER/DCOMP original posteriormente ao prazo, bem como transmitiu outras PER/DCOMP, após o prazo de cinco anos, mas referentes ao crédito original, vinculado à primeira PER/DCOMP transmitida antes do decurso do prazo de cinco anos. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Ressaltase, inicialmente, que não há questionamentos quanto ao DARF que originou o crédito utilizado para fins de compensação. A data de seu pagamento é o termo a quo para a contagem do prazo decadencial de cinco anos para que o contribuinte exerça o seu direito à restituição do pagamento indevido ou maior do que o devido, nos termos do art. 168, I, do CTN. Antes de transcorrido o prazo decadencial de cinco anos, o contribuinte transmitiu uma DCOMP informando o seu crédito, bem como declarando a compensação com débitos próprios. Vejase cópia do documento originário de toda a controvérsia, em que se pode observar o "tipo do documento": [...] Adiante vejase o registro do crédito (R$ 17.604,89): [...] Agora vejase as mesmas telas, que o contribuinte chama de PER/DCOMP retificadora: [...] Finalmente, a tela relativa ao crédito informado: [...] Contudo, transcorrido o prazo de cinco anos da data do pagamento do DARF objeto dos créditos do contribuinte, este não fez, conforme relatado anteriormente, "pedido de restituição" do saldo restante de seus créditos. Em verdade, apresentou, posteriormente ao prazo, outras DCOMP, sendo que uma delas retificava a original e outras utilizavam o saldo do crédito em novas compensações declaradas. A questão controvertida a ser decidida, em sede de recurso repetitivo, é se as demais DCOMP, transmitidas após o prazo de cinco anos contados do pagamento indevido ou maior que o devido, sem prévio "pedido de restituição" dentro do prazo de cinco anos, seriam meios hábeis a permitir o exercício do direito de restituição garantido ao contribuinte pelo art. 168, I, do CTN, tomando por origem a DCOMP original, transmitida dentro do prazo decadencial. Vejase que as normas complementares não trazem a possibilidade de uma declaração de compensação ser utilizada para o exercício do direito de restituição nos moldes do art. 168, I, do CTN, demonstrando que, no caso concreto, a DCOMP Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10882.900626/201235 Acórdão n.º 1402003.143 S1C4T2 Fl. 7 6 transmitida antes do encerramento do prazo decadencial de cinco anos não garantiu ao contribuinte o direito de, posteriormente, utilizarse dos créditos remanescentes daquela primeira compensação, os quais restaram fulminados pela decadência. Desta forma, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, reconhecendo que a transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a um pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido. É o voto" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.722736/2014-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010, 2011
OMISSÃO DE RECEITAS. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONJUNTO PROBATÓRIO HÁBIL. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA.
Diante da legítima constatação de omissão de receitas tributáveis, cabe ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil para elidir a acusação fiscal, contando com documentos idôneos, juridicamente válidos e diretamente relacionados aos créditos constituídos.
OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES DE ITENS FORNECIDOS PELO CONTRATANTE E ABATIDOS DO PAGAMENTO LÍQUIDO EFETUADO AO CONTRIBUINTE. TRANSPORTE. SUBCONTRATAÇÃO. VALE COMBUSTÍVEL. ALUGUEL DE EQUIPAMENTO. PEÇAS E OUTROS. RECEITA BRUTA.
Constatado que a contratante fornecia diversos itens e demais elementos necessários e utilizados na prestação dos serviços de transporte pelo contribuinte, efetuando o desconto dos valores correspondentes antes de proceder ao pagamento líquido, não podem ser tais montantes, previamente compensados entre as partes do negócio, excluídos da base de cálculo dos tributos apurados e devidos pelo SIMPLES Nacional.
O conceito de receita bruta veiculado pelo §1º do art. 3º da Lei Complementar nº 123/2006 não contempla a dedução de custos e despesas percebidas pelo contribuinte.
CONFISCATORIEDADE DA MULTA. ARGUMENTOS EXCLUSIVAMENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.
É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1402-003.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos não conhecer do recurso voluntário em relação às matérias constitucionais, divergindo o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que o conhecia e, no mérito, por unanimidade, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2010, 2011 OMISSÃO DE RECEITAS. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONJUNTO PROBATÓRIO HÁBIL. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA. Diante da legítima constatação de omissão de receitas tributáveis, cabe ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil para elidir a acusação fiscal, contando com documentos idôneos, juridicamente válidos e diretamente relacionados aos créditos constituídos. OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES DE ITENS FORNECIDOS PELO CONTRATANTE E ABATIDOS DO PAGAMENTO LÍQUIDO EFETUADO AO CONTRIBUINTE. TRANSPORTE. SUBCONTRATAÇÃO. VALE COMBUSTÍVEL. ALUGUEL DE EQUIPAMENTO. PEÇAS E OUTROS. RECEITA BRUTA. Constatado que a contratante fornecia diversos itens e demais elementos necessários e utilizados na prestação dos serviços de transporte pelo contribuinte, efetuando o desconto dos valores correspondentes antes de proceder ao pagamento líquido, não podem ser tais montantes, previamente compensados entre as partes do negócio, excluídos da base de cálculo dos tributos apurados e devidos pelo SIMPLES Nacional. O conceito de receita bruta veiculado pelo §1º do art. 3º da Lei Complementar nº 123/2006 não contempla a dedução de custos e despesas percebidas pelo contribuinte. CONFISCATORIEDADE DA MULTA. ARGUMENTOS EXCLUSIVAMENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos não conhecer do recurso voluntário em relação às matérias constitucionais, divergindo o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que o conhecia e, no mérito, por unanimidade, negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
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ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONJUNTO PROBATÓRIO HÁBIL. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA. Diante da legítima constatação de omissão de receitas tributáveis, cabe ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil para elidir a acusação fiscal, contando com documentos idôneos, juridicamente válidos e diretamente relacionados aos créditos constituídos. OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES DE ITENS FORNECIDOS PELO CONTRATANTE E ABATIDOS DO PAGAMENTO LÍQUIDO EFETUADO AO CONTRIBUINTE. TRANSPORTE. SUBCONTRATAÇÃO. VALE COMBUSTÍVEL. ALUGUEL DE EQUIPAMENTO. PEÇAS E OUTROS. RECEITA BRUTA. Constatado que a contratante fornecia diversos itens e demais elementos necessários e utilizados na prestação dos serviços de transporte pelo contribuinte, efetuando o desconto dos valores correspondentes antes de proceder ao pagamento líquido, não podem ser tais montantes, previamente compensados entre as partes do negócio, excluídos da base de cálculo dos tributos apurados e devidos pelo SIMPLES Nacional. O conceito de receita bruta veiculado pelo §1º do art. 3º da Lei Complementar nº 123/2006 não contempla a dedução de custos e despesas percebidas pelo contribuinte. CONFISCATORIEDADE DA MULTA. ARGUMENTOS EXCLUSIVAMENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 27 36 /2 01 4- 26 Fl. 2251DF CARF MF 2 matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos não conhecer do recurso voluntário em relação às matérias constitucionais, divergindo o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que o conhecia e, no mérito, por unanimidade, negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 2252DF CARF MF Processo nº 10660.722736/201426 Acórdão n.º 1402003.249 S1C4T2 Fl. 2.252 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 2203 a 2230) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre/RS (fls. 2179 a 2190) que negou provimento à Impugnação apresentada (fls. 2051 a 2145), mantendo integralmente as Autuações sofridas pela Recorrente (fls. 02 a 229). A Contribuinte era optante pelo SIMPLES Nacional, exigindose no presente feito créditos de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e Contribuição Patronal Previdenciária, referentes ao anoscalendário de 2010 e 2011, acrescidos de multa de ofício na monta de 75%, sob a acusação fiscal de omissão de receitas em face da constatação da ausência de declaração e não oferecimento a tributação de parte de valores referentes à subcontratação de serviços de transporte de carga (valores de alugueis de equipamentos, seguro, peças, uniforme, vale combustível, etc). Por bem resumir a contenda, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: A matéria sob litígio tem origem em 14/02/2014, na fiscalização inaugurada com a emissão do Mandado de Procedimen Fiscal nº 06.1.06.002014000586, que culminou com a formalização de lançamento de ofício, para fatos geradores ocorridos em 2010 e 2011, na modalidade do Simples Nacional, assim como na Representação Fiscal para Fins Penais, processo administrativo nº 10660.722719/201499, apensado ao presente em 22/10/2014. Consta do Termo de Verificação Fiscal, fls. 152/175, que a fiscalização obteve junto a empresa “Expresso Nepomuceno S/A” informações relativas a diversas pessoas jurídicas subcontratadas pela mesma para o serviço de transporte de cargas, dentre as quais a “MBM – Transportes & Serviços Ltda”. Em consulta às Declarações Anuais do Simples Nacional – DASNs, transmitidas pela empresa “MBM – Transportes & Serviços Ltda”, doravante denominada “MBM” foi verificado que os valores constantes destas eram muito inferiores àqueles que constavam como pagamentos efetuados para ela, pelo “Expresso Nepomuceno”, a título de serviços de transporte de cargas subcontratadas. O sujeito passivo foi intimado a apresentar, entre outros, seus livros fiscais, informar o regime de reconhecimento da receita utilizado nos anos calendário de 2010 e 2011, apresentar planilha analítica contendo informações relativas à receita bruta decorrente da prestação de serviços de transporte de cargas, apresentar planilha discriminando a composição da receita Fl. 2253DF CARF MF 4 oferecida à tributação relativa ao Simples Nacional, tudo relativo aos anoscalendário de 2010 e 2011. Em resposta, a “MBM” esclarece que prestou serviços em favor da empresa “Expresso Nepomuceno S/A”, ressaltando que os valores apresentados pela contratante não condizem com a realidade, que todos os valores recebidos da “Expresso Nepomuceno S/A” eram exclusivamente os destacados em cor amarela nos extratos bancários que também faz entrega à fiscalização, que as informações contidas nos RPA(s) jamais foram recebidos em sua totalidade e este documento não estava assinado pelo representante da empresa. Consta do Termo de Verificação Fiscal que a empresa “Expresso Nepomuceno S/A” encaminhou documentação hábil e idônea que comprova a contratação de serviços junto à fiscalizada, bem como o efetivo pagamento dos mesmos. Analisando esta documentação entregue, inferiu a fiscalização que os valores em relação aos quais a “MBM” alega não ter recebido eram relativos a aluguel de carreta, seguro e outros, descontados pela empresa contratante do valor contratado a título de prestação de serviço, assim como valores referentes à vale abastecimento, disponibilizados pela contratante e descontados do valor contratado a título de prestação de serviço. A fiscalização conclui que o sujeito passivo almejava ser tributado pelos valores líquidos recebidos, o que não se coaduna com a sistemática do Simples Nacional, que autoriza para fins de receita bruta somente a exclusão das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. Nos Contratos de Transporte Rodoviário de Bens consta discriminado o valor do frete, o valor do pedágio, o total de adiantamento e o líquido a receber, valor este que o sujeito passivo declarou. Ressalta a fiscalização que não foram considerados na base de cálculo (receita bruta) do Simples Nacional os valores dos pedágios, conforme se depreende do art. 2º da Lei nº 10.209/2001. Cotejando as receitas auferidas pelo sujeito passivo junto a “Expresso Nepomuceno S/A” e os valores de receita bruta declarados a título de Simples Nacional, concluiu a fiscalização que o sujeito passivo declarou valores a menor dos que efetivamente percebeu a título de prestação de serviços, ensejando a lavratura dos autos de infração. O lançamento de ofício está consubstanciado nos autos de infração: Imposto de Renda Pessoa Jurídica no valor de R$ 14.966,66, Contribuição Social s/Lucro Líquido no valor de R$ 14.571,03, Contribuição para o PIS/Pasep no valor de R$ 10.132,01, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social no valor de R$ 47.028,08, e Contribuição Patronal Previdenciária no valor de R$ 114.090,97, apurando o crédito tributário total no valor de R$ 200.788,75 (duzentos mil, setecentos e oitenta e oito reais e setenta e cinco centavos), aí incluído o principal, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 09/2014 (fls. 02). Fl. 2254DF CARF MF Processo nº 10660.722736/201426 Acórdão n.º 1402003.249 S1C4T2 Fl. 2.253 5 Consta também do Termo de Verificação Fiscal que foi feita a Representação Fiscal para Fins Penais, processo administrativo nº 10660.722719/201499, apensado ao presente em 22/10/2014, considerando que a conduta do sujeito passivo de não oferecer à tributação os valores de receitas efetivamente percebidos, configura, em tese, crime previsto nos incisos I, II e V do art. 1º da Lei nº 8.137/1990 e art. 2º, inciso I, do mesmo diploma legal. Da Impugnação A ciência dos Autos de Infração, Termo de Verificação Fiscal e Anexos deuse em 03/10/2014, via postal (fls. 2046) e, em 03/11/2014 o contribuinte apresenta sua impugnação ( fls. 2055/2093) alegando, em síntese, que: 1 Não há nos autos quaisquer provas de recebimento dos serviços prestados além daqueles especificados nos extratos bancários apresentados, espontaneamente, durante a ação fiscal. Não se pode imputar a uma empresa eventuais receitas das quais não há provas de sua efetiva realização, além daquelas cujos créditos estão estampados nos extratos bancários citados, porém descartados pela fiscalização; 2 Os Recibos de Pagamento de Autônomo RPAs apresentados não são documentos próprios para apuração da suposta omissão de receitas imputadas nos autos, pois neles não são identificadas quaisquer assinaturas dos representantes legais do impugnante ou de quaisquer de seus funcionários. Além disso, o RPA é um documento emitido pelo próprio prestador do serviço e no caso dos autos foi emitido, impropriamente, pela “Expresso Nepomuceno S/A” que pode incluir ao seu bel prazer todas as informações e valores sem qualquer comprometimento com a verdade dos fatos. Os RPAs demonstram um aumento de valores a título de pagamento de fretes acima dos valores efetivamente recebidos, para reduzir o lucro contábil e, via de conseqüência, reduzir o lucro real da empresa “Expresso Nepomuceno S/A”; 3 A verdade real da suposta omissão de receitas é em 2010 no valor de R$ 296.388,83 (não deduzidas as receitas já declaradas) e em 2011 o valor de R$ 170.685,76 (também não deduzidas as receitas já declaradas); 4 Quanto aos diversos adiantamentos transcritos em todas RPAs, tratamse de valores quase todos fabricados pela “Expresso Nepomuceno S/A” e nunca foram recebidos, não existindo uma prova concreta acostada aos autos, haja vista que o fiscal não tomou conhecimento dos extratos bancários ofertados; 5 Quanto ao recebimento dos vales combustíveis, os mesmos não representam receitas da “MBM”, pois o abastecimento é realizado em postos prédeterminados pela “Expresso Nepomuceno S/A” e os valores são contabilizados como despesa pela contratante, ou seja, esta empresa utilizase da redução do vale abastecimento pela segunda vez. Assim como o vale pedágio não integrou a suposta receita omitida pela “MBM”, por força Fl. 2255DF CARF MF 6 de Lei, o vale abastecimento também não poderá integrála pelo exposto neste item; 6 Mesmo que a empresa fosse optante pela sistemática do Lucro Real, ainda assim não teria condições de abater, ou deduzir, estas despesas de combustíveis consumidas em sua frota pela simples razão de que estes abastecimentos em postos credenciados pelo Expresso Nepomuceno são faturados contra esta; 7 O fiscal, no termo de Verificação Fiscal, referese a 54 documentos, entre eles TED(s) e cheques, vinculandoos aos RPA(s), com informações inidôneas e não comprovadas, documentos esses que não foram acostados aos autos. Descreve as especificações de alguns deles; 8 Faz questionamento sobre alguns valores de receitas omitidas levantadas pelo Fisco; 9 Disponibilizou para a fiscalização, em resposta à intimação a ela enviada por AR (fiscalização por correspondência), algumas informações extraídas dos RPAs, cujo direito autoral de sua confecção pertence exclusivamente ao Expresso Nepomuceno; 10 As supostas receitas omitidas de janeiro de 2010 a dezembro de 2011 não expressam a realidade dos fatos, porque não há nos autos quaisquer provas documentais produzidos pela fiscalização da RFB que possam atribuir quaisquer valores como eventuais bases de cálculo tributáveis omitidas; 11 Jamais foi admitida pela “MBM” a informação contida no Termo de Verificação Fiscal sobre receitas de aluguel de carretas, seguros e outros e de vales abastecimento, informações estas de exclusiva responsabilidade da autoridade fiscal, que foi buscála junto a “Expresso Nepomuceno”, abandonando por completo as informações contidas nos extratos bancários, sem ao menos analisálas; 12 Nos autos de infração de IRPJ, CSLL, COFINS, PIS e CPP não foi identificada a citação ao art. 42 da Lei nº 9.430/1996, que seria o embasamento legal próprio para essa modalidade de infração de supostas presunções de omissões de receitas com base em créditos/depósitos bancários não ofertados à tributação; 13 A “MBM” é subcontratada para prestar serviços de frete para a “Expresso Nepomuceno”, disponibilizando os “caminhões cavalos mecânicos” que, juntamente com os reboques de propriedade da contratante, faz a prestação desses serviços de fretes; 14 Agindo desta forma, a “Expresso Nepomuceno” fabrica despesas através dos fajutos documentos cognominados de RPAs, como por exemplo, carretas, seguros e outros; 15 No preço dos fretes pactuados entre “MBM” e “Expresso Nepomuceno” não está incluído o consumo de combustível, pelo fato de que o faturamento é feito diretamente pelos postos Fl. 2256DF CARF MF Processo nº 10660.722736/201426 Acórdão n.º 1402003.249 S1C4T2 Fl. 2.254 7 credenciados contra a “Expresso Nepomuceno”, que assume este ônus; 16 Nos Contratos de Transporte Rodoviário de Bens realmente consta a assinatura do proprietário da “MBM”, mas não há provas de que os vales abastecimento listados neste contrato estejam embutidos no preço do frete subcontratado; 17 Para a autoridade autuante pouco importa se a “MBM” recebeu ou não os valores dos adiantamentos consignados pela “Expresso Nepomuceno”, se houve ou não faturamento, imputando na base de cálculo do Simples Nacional todos os adiantamentos recebidos por serviços prestados e também aqueles adiantamentos fabricados pelo Expresso Nepomuceno; 18 Refere que o Relatório Analítico encaminhado em anexo ao Termo de Fiscalização (Anexo II) é documento totalmente ilegível e fere os princípios do contraditório e da ampla defesa; 19 A autoridade autuante salienta, no Termo de Verificação Fiscal, que a fiscalização se deu por amostragem, o que não pode ser admitido no feito administrativo; 20 Não existe nos autos quaisquer provas de crimes contra a ordem tributária nacional praticados pelo Impugnante para a lavratura do Termo de Representação Fiscal para Fins Penais, tanto que as multas de ofício imputadas não foram qualificadas; 21 Alega o caráter confiscatório da multa de ofício aplicada e discorre sobre o assunto; 22 Ao final requer (a) a nulidade do crédito tributário por ter sido o mesmo baseado no sistema de amostragem; (b) o integral cancelamento dos créditos tributários constituídos; (c) o cancelamento da multa de ofício, com fulcro no art. 179 da Constituição Federal. Em razão da alegação do contribuinte de que o relatório Analítico encaminhado em anexo ao Termo de Fiscalização (Anexo II) estava totalmente ilegível, o processo retornou à DRF de origem para que juntasse aos autos e encaminhasse ao contribuinte uma cópia legível do Anexo II, fls. 180/229. A DRF/Varginha/MG, em atendimento à proposta de diligência, encaminhou em CD uma cópia, em excel e PDF, do referido Anexo II ao contribuinte. Em 14/05/2015 o Sr. Beltrando S. Rezende, representante legal da empresa, tomou ciência do Relatório Analítico e apresenta novo recurso às fls. 2169/2173. Seus argumentos, em síntese, são: 1 inaplicável a citação para o caso em questão da aplicabilidade do parágrafo 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, citado no pedido de diligência; 2 para que se pudessem aplicar as disposições do parágrafo 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, no mínimo a autoridade lançadora deveria ter intimado o impugnante a também realizar Fl. 2257DF CARF MF 8 o exame requerido, cabendo a ambos (perito da União e perito do Impugnante) apresentar os respectivos laudos ou conclusões conforme determinações expressas no parágrafo 1º do mesmo artigo; 3 em vista dos fatos expostos, resta claro que as planilhas gravadas no CD foram atingidas pela preclusão, pela simples razão de que não há garantias de quaisquer outras provas de que essas planilhas acostadas aos autos completamente inelegíveis de fls. 180 a 229 são as mesmas que se encontram gravadas nesse CD; 4 existe, portanto, um claro e inegável cerceamento ao direito de defesa; e 5 mesmo que pudesse admitir a veracidade das planilhas gravadas no CD, considera os documentos emprestados pela empresa Nepomuceno apócrifos ou inautênticos, que não expressam a realidade e a verdade dos fatos. Levanta novamente a tese do planejamento tributário da empresa Expresso Nepomuceno, que contabilizou e deduziu duplamente na apuração pelo Lucro real, as despesas de gastos com combustíveis. Processada a Defesa, foi proferido pela 6ª Turma da DRJ do Porto Alegre o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo integralmente o lançamento de ofício procedido: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 OMISSÃO DE RECEITAS. VERIFICAÇÃO POR AMOSTRAGEM. VALIDADE. A escolha do modo de proceder a investigação fiscal situa se na competência da autoridade administrativa, respeitados os princípios da legalidade e da proporcionalidade. No caso concreto, a amostragem utilizada é mais do que suficiente para corroborar juízo de valor acerca da ocorrência de omissão de receitas, não implicando em nulidade ou cancelamento do lançamento dele originado. TRANSPORTE DE CARGA. BASE DE CÁLCULO. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES IRPJ PIS COFINS CSLL CPP. A receita bruta para apuração dos tributos do Simples Nacional é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas Fl. 2258DF CARF MF Processo nº 10660.722736/201426 Acórdão n.º 1402003.249 S1C4T2 Fl. 2.255 9 somente as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A autoridade fiscal, por dever funcional, deve formalizar Representação Fiscal para Fins Penais sempre que, no exercício de suas atribuições, identificar atos ou fatos que, em tese, configurem crime contra a ordem tributária. Não cabe à autoridade julgadora em sede de contencioso administrativo manifestarse acerca do cabimento, ou não, de Representação Fiscal para Fins Penais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Diante de tal revés, foi oposto o Recurso Voluntário, trazendo as mesmas alegações de Impugnação, repisando as supostas nulidades no lançamento, bem como as razões de improcedência das exações. Igualmente, não são acostados documentos. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 2259DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Como relatado, a Contribuinte prestou serviços de transporte como subcontratada da companhia Expresso Nepomuceno S/A, supostamente apenas declarando e ofertando a tributação montantes líquidos recebidos por tais contratos, depositados em sua conta corrente, após o desconto do valor de inúmeros elementos conferido pela própria contratante (como os de aluguel de equipamentos, seguro, peças, uniforme e vale combustível e abatimento de adiantamentos), previamente cedidos. Os valores colhidos como omissão de receitas são exclusivamente referentes a tais subtrações. Ressaltese que a própria Contribuinte esclareceu que não emitiu notas fiscais de tais serviços e nem Conhecimento de Transporte Rodoviário de Carga – CTRC. Analisando as extensas razões da Contribuinte em Recurso Voluntário, que basicamente repetem a matéria arguida em Impugnação, temos que os temas referentes a suposta anulabilidade do lançamento de ofício (como mencionado) misturamse e confundem se com parte das alegações meritórias, referentes à abrangência da receita tributável efetivamente percebida. Organizouse as alegações nos seguintes tópicos: 1) Do ato administrativo do lançamento anulável por vício substancial. Da ausência de provas. Da exclusão de provas. Da supressão dos princípios do contraditório e da ampla defesa. Da utilização de meio não previsto em lei e da inobservância da legalidade ao qual está adstrita a administração pública. 2) Da Falta de Provas. 3) Dos Excessos Cometidos pela Autoridade Coatora 4) Da utilização de meio não previsto em lei e da inobservância da legalidade ao qual está adstrita a administração pública. Da Nulidade do Auto de Infração Amostragem. 4) Do Caráter Confiscatório da Multa de Ofício Imputada nos Autos Fl. 2260DF CARF MF Processo nº 10660.722736/201426 Acórdão n.º 1402003.249 S1C4T2 Fl. 2.256 11 Posto isso, para uma melhor compreensão dos temas trazidos à baila, organização da sua análise e julgamento, primeiro será analisada a validade do lançamento de ofício, de modo a enfrentar, conjuntamente, os supostos motivos de sua nulidade (ou anulabilidade). A alegação de nulidade mais objetiva da Recorrente decorre da utilização de técnica de amostragem pela Fiscalização. Esclarecendo, a Autoridade Fiscal acostou aos milhares de documentos aos auto antes da lavratura das Autuações (fls. 179 a 2041), incluindo Contratos de Transporte Rodoviário de Bens, inúmeros RPAs (Recibos de Pagamento de Autônomos), além de planilhas e extratos fornecidos pela Expresso Nepomuceno S/A, respaldados em seus registros, que a Autoridade Fiscal declarou serem idôneos, descrevendo e individualizando os valores dos serviços prestados e suas características. Com base na documentação obtida durante a ação de fiscalização, tanto perante a empresa contratante, como junto à Contribuinte, elaborouse inúmeras planilhas e demonstrativos que instruem o TVF, ilustrando também a forma como foram obtidos. A Fiscalização considerou os cálculos apresentados pela própria Contribuinte, seus lançamentos contábeis e extratos bancários ainda que tenha concluído que estes não expressavam a totalidade da receita bruta tributável auferida. Apenas ao final do TVF, a Autoridade Fiscal consigna o seguinte: ressaltese, por oportuno, que a fiscalização se deu POR AMOSTRAGEM ficando assegurado à Fazenda Nacional o direito de constituir eventual crédito tributário, relativo aos tributos e períodos de apuração supracitados, em virtude de infrações à legislação tributária que porventura venham a ser apuradas. Ao seu turno, alega a Recorrente, genericamente, que a infração de omissão de receitas deve apresentar lastro probatório individualizado, cada qual correspondente à infração que se pretende imputar à fiscalizada, não podendo, em hipótese alguma, em respeito aos princípios constitucionais, ser realizada pro amostragem, como admitiu a autoridade atuante têlo feito, Acrescenta que a técnica da amostragem, supostamente empregada, viola os princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Fl. 2261DF CARF MF 12 Pois bem, não obstante a Recorrente fundar suas alegações somente em princípios, temos que o TVF elaborado é longo, preciso e deveras analítico em relação à averiguação de provas e esclarecimento dos valores colhidos como omissão de receitas. Como já mencionado, apenas procedese a uma ressalva abstrata no tópico final de encerramento de que teria se valido de amostragem. Mais do que isso, as Autuações estão devidamente instruídas com demonstrativos que individualizam os valores colhidos, indicando e remetendo à documentação que deu base para a obtenção de tal monta, além de milhares de documentos referentes à prestação dos serviços de transporte (contratos, RPA, relatórios de pagamento, etc). Confirase, a título exemplificativo, um dos demonstrativos de valores apurados (fls. 178): Diante disso, não há aqui como de falar em violação ao direito de defesa da contribuinte ou em carência nas investigações que precederam a lavratura do lançamento de ofício, restando clara e fundamentada a identificação da matéria tributável e sua quantificação, nos termos do art. 142 do CTN, bem como presentes todos os elementos necessários para a Contribuinte exercer, plenamente, o contraditório e a ampla defesa. Quanto à técnica de amostragem, supostamente adotada pela Fiscalização, tal manobra, per si, não é fruto de vícios e nulidade, podendo ser adotada pelo Fisco. Contudo, tal método deverá ser considerado na defesa do contribuinte (e na medida de seu ônus probatório), na apreciação das provas produzidas e no próprio julgamento, podendo ser objeto de contestação direta, por meio de provas que atestam que este não refletiu a realidade ou mesmo de que teria havido falha na forma como executado. In casu, a Contribuinte sequer demonstra como foi aplicada, no presente caso, tal metodologia e, muito menos, apresentada um lapso objetivo e concreto na apuração Fl. 2262DF CARF MF Processo nº 10660.722736/201426 Acórdão n.º 1402003.249 S1C4T2 Fl. 2.257 13 dos valores, valendose apenas de arguições abstratas e genéricas, não fundamentadas em provas. E frisese que diante de alegação de que o Anexo II do TVF seria ilegível, antes mesmo da prolatação do v. Acórdão da DRJ, foi determinada diligência (fls. 2163 e 2164) para substituir tal documento, sendo o mesmo entregue para a Recorrente e conferido prazo de 30 dias para sua manifestação, garantindo mais uma vez o exercício do contraditório e da ampla defesa nos autos. Por fim, as demais alegações de nulidade dãose em torno da suposta carência de provas da Autuação, da impropriedade do uso de RPAs e outros documentos fornecidos pela Expresso Nepomuceno S/A, que teriam sido fabricados, dentro de planejamento desta outra contribuinte que visaria apenas reduzir seu lucro tributável incluídas partes de tais alegações no tópico de Excessos Cometidos pela Autoridade Coatora. Ora, como já analisado, o lançamento de ofício procedido foi fruto de sólido trabalho de fiscalização, bem como de instrução do feito e apresentação das informações obtidas de forma claríssima e hígida (existem quase dois mil documentos arrimando as Autuações procedidas), procedendo ao devido enquadramento legal da infração. Inclusive o valor de pedágio adiantado à Recorrente foi devidamente excluído da base de cálculo, de ofício. Houve, assim, o integral e exemplar atendimento a todos os requisitos do art. 142 do CTN e do Decreto nº 70.235/72. Ainda que tenha o Fisco se valido de Contratos de Transporte, extratos e RPAs obtidos junto à Expresso Nepomuceno S/A, tais documentos são hábeis e bastam para construir a acusação fiscal sólida de omissão de receitas. E todos esses elementos foram devidamente apresentados para a Contribuinte durante a fiscalização, conferindolhe toda possibilidade, em diversas oportunidades, de contrapor e invalidar as informações contidas em tal documentação, antes mesmo da confecção da Autuação. E registrese que não há qualquer prova ou mesmo indício de que houve fabricação de provas contra a Contribuinte pela Expresso Nepomuceno S/A ou de qualquer elemento que desconstitua sua idoneidade atestada pela Autoridade Fiscal. Posto isso, constatase não só a ausência de nulidades no lançamento de ofício, bem como a inocorrência de quaisquer excessos por parte da Fiscalização. Fl. 2263DF CARF MF 14 No que tange ao mérito, a matéria resumese à apuração de valores além daqueles líquidos, recebidos em conta corrente pela Recorrente, após o desconto de valores de aluguel de equipamento automobilístico, seguro, peças, vale combustível e uniformes. Nesse sentido, é certo que, dentro na sistemática de apuração do SIMPLES Nacional, à qual estava sujeita a Contribuinte, a base cálculo legalmente eleita é a receita bruta auferida pelo contribuinte, nos termos dos art. 3º e art. 18 da Lei Complementar nº 123/2006. Não há dúvidas que os valores de tais itens apontados, listados e individualmente quantificados pela Fiscalização como omissão de receita (com base em Contratos, RPAs, extratos e demonstrativos) compunham os recebimentos da Recorrente por seus serviços, ainda que fornecidos diretamente pela contratante, sendo empregados e consumidos no desempenho individual dos serviços prestados. Confirase trecho elucidativo da do v. Acordão a quo sobre a matéria: Segundo o próprio impugnante, no período sob fiscalização (anoscalendário de 2010 e 2011), utilizavase, para execução dos serviços contratados, de veículos próprios, sendo que a carreta era do Contratante. Como vimos, era do conhecimento do sujeito passivo o valor do aluguel da carreta e do adiantamento de combustíveis, que por sua vez era uma despesa da empresa “MBM”. Sabemos que é prática no mercado as empresas transportadoras subcontratarem outras para prestarem serviços de frete. As subcontratadas disponibilizam os “caminhões cavalos mecânicos” que, juntamente com os reboques de propriedade da Contratante, realizam a prestação desses serviços de fretes. Normalmente o locatário do reboque, neste caso a “MBM”, tem descontado o valor relativo a este aluguel, quando do recebimento dos fretes. Há também um outro aspecto importante à compreensão do caso e que repercute diretamente na receita bruta da empresa: trata se do vale abastecimento, que é um documento emitido pela transportadora (contratante) e entregue ao caminhoneiro, no momento da contratação do transporte, a título de adiantamento do pagamento, e que tem a natureza de uma carta de crédito a ser apresentada nos diversos postos de combustível conveniados para realizar o abastecimento do caminhão. O posto de combustível, por sua vez, informa à empresa transportadora todos os vales que foram apresentadas no estabelecimento, fazendo a cobrança respectiva, com a contrapartida de um único depósito bancário da empresa transportadora ao posto de combustível. Este é um procedimento usual e esta é uma despesa Fl. 2264DF CARF MF Processo nº 10660.722736/201426 Acórdão n.º 1402003.249 S1C4T2 Fl. 2.258 15 necessária para a consecução do objeto da empresa fiscalizada, razão de ser somada ao valor do frete. No que diz respeito ao pedágio, somente através da Lei n° 10.209/2001 é que essa rubrica passou a ser de responsabilidade do dono da mercadoria (art. 1º, § 1º). Contudo, é importante frisar que o pedágio não integra o valor do frete, nem é considerado receita operacional ou rendimento tributável. (fls. 2186) Aceitar a exclusão desses valores da base tributável do SIMPLES Nacional seria permitir que a Recorrente deduzisse seus custo e despesas, de forma semelhante à apuração do Lucro Real, contrariando frontalmente o conceito de receita bruta adotado no § 1º do art. 3 da Lei nº 123/2006. Mesmo que fosse apenas depositado o remanescente líquido da contraprestação pelos serviços prestados na conta corrente da Recorrente, tal dinâmica de compensação, inclusive autorizada pelo art. 368 do Código Civil de 2002, é muito comum e não tem o condão de afetar a monta da receita bruta efetivamente auferida pela Contribuinte. Em relação às alegações de que tais valores não condizem com a realidade, para que estas revelemse procedentes, é necessária prova hábil para desconstituir a apuração promovida pelo Fisco e sua devida quantificação. Verificase nas defesas dos autos mera argumentação postulatória especulativa, restando ausentes provas e argumentos técnicos sobre equívoco na quantificação da exação. Frisese que a Recorrente sequer possui notas fiscais correspondentes aos serviços prestados que poderiam apresentar outros valores. Diante de tal cenário, a omissão de receita constatada mostrase procedente, devendo ser mantidos os Autos de Infração lavrados contra a Contribuinte. Em relação à alegação de caráter confiscatório da multa de ofício de 75% aplicada contra a Recorrente, notase que, além de precedentes do E. Supremo Tribunal Federal, a única fundamentação legal de seu argumento é o art. 150, inciso IV, da Constituição da República de 1988, sob a qual visa afastar a penalidade. Fl. 2265DF CARF MF 16 É incidente aqui o disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, bem como a Súmula nº 2 deste E. CARF, não se podendo conhecer das alegações exclusivamente fundamentadas em dispositivos constitucionais. Diante do exposto, voto por não conhecer da matéria constitucional alegada e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose integralmente o v. Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 2266DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.925293/2009-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/08/2004
PAF. DISCUSSÃO ACERCA DE PEDIDO DE CANCELAMENTO DE DÉBITO. COMPETÊNCIA DO CARF. RECURSO VOLUNTÁRIO CONHECIDO NULIDADE DECRETADA DE OFÍCIO. REENVIO PARA APRECIAÇÃO DA DRJ.
É cabível a interposição de recurso voluntário contra acórdão da DRJ, no qual se reconhece a nulidade de ofício, e determinando o reenvio dos autos para sua devida apreciação.
Numero da decisão: 3001-000.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário, vencido o conselheiro Orlando Rutigliani Berri, que não o conheceu. Também, por maioria de votos, em decretar a nulidade da decisão recorrida, vencido o conselheiro Cleber Magalhães, que deu provimento parcial para que o processo retornasse para a DRF de origem, a fim de que fosse analisado o pedido de cancelamento dos valores levados a débito, com base no PER/DCOMP. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (presidente da turma),Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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DISCUSSÃO ACERCA DE PEDIDO DE CANCELAMENTO DE DÉBITO. COMPETÊNCIA DO CARF. RECURSO VOLUNTÁRIO CONHECIDO NULIDADE DECRETADA DE OFÍCIO. REENVIO PARA APRECIAÇÃO DA DRJ. É cabível a interposição de recurso voluntário contra acórdão da DRJ, no qual se reconhece a nulidade de ofício, e determinando o reenvio dos autos para sua devida apreciação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário, vencido o conselheiro Orlando Rutigliani Berri, que não o conheceu. Também, por maioria de votos, em decretar a nulidade da decisão recorrida, vencido o conselheiro Cleber Magalhães, que deu provimento parcial para que o processo retornasse para a DRF de origem, a fim de que fosse analisado o pedido de cancelamento dos valores levados a débito, com base no PER/DCOMP. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 52 93 /2 00 9- 71 Fl. 73DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (presidente da turma),Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Despacho Decisório A Recorrente buscou aproveitar crédito seu, mediante compensação, através do envio de DComp, em razão de pagamento indevido ou a maior. Ao ser submetido aos controles eletrônicos da RFB, constatouse que, a partir das características do DARF mencionado, foram localizados pagamentos que foram integralmente utilizados na quitação de débitos, não restando crédito disponível para sua utilização conforme solicitado, motivo pelo qual não se homologou a compensação declarada. Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO deste despacho e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciéncia deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7° e 9° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Manifestação de Inconformidade a recorrente apresentou sua iresignação em face do despacho decisório prolatado, argumentando, em síntese, que o PER/DCOMP transmitido tem seu débito comprovado mediante o lançamento em DIPJ, sendo que o valor constante em DARF foi totalmente utilizado para sua quitação. Para tanto, retificou sua DCTF. Ante ao cenário descrito, a recorrente afirma que não deveria haver o mencionado Per/Dcomp, havendo plena concordância na negativa de homologação da compensação. Contudo, insurgese em face da exigência de débito, uma vez tratarse de débito não existente, em decorrência da utilização de créditos/retenções, conforme pretensa comprovação através da DIPJ e DCTF retificadora. Por fim, requer o cancelamento dos valores levados a débito, relativamente ao PER/DCOMP em comento, pois, segundo a recorrente, encontramse quitados. DRJ/SP1 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.925293/200971 Acórdão n.º 3001000.396 S3C0T1 Fl. 74 3 A manifestação de inconformidade foi apreciada pela delegacia de julgamento competente recebendo a seguinte ementa: Acórdão 1642.538 12 ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/08/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. O despacho decisório eletrônico fundase nas informações prestadas pela interessada nas declarações apresentadas à Administração Tributária. A inexistência do crédito informado nas declarações justifica a nãohomologação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CONFISSÃO DE DÍVIDA. CANCELAMENTO E RETIFICAÇÃO. A Declaração de Compensação (DCOMP) constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito indevidamente compensado. O procedimento de cancelamento ou retificação da DCOMP somente é admitido com observância das condicionantes legais estabelecidas pela norma de regência, bem como desde que requeridos antes da prolação de decisão administrativa pela autoridade administrativa competente. O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar os fatos, merecem ser transcritos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP nº 11026.99464.180605.1.7.040900, fls. 02/04, através da qual o interessado pretende compensar crédito no montante de R$ 12.219,63 (crédito original na data da transmissão), decorrente de pagamento indevido ou maior de COFINS, código 5856, recolhido através de DARF em 13/08/2004, referente ao período de apuração 31/07/2004, com débito no valor (principal) de R$ 748,50, de 11/2004, e de R$ 12.170,00, de 12/2004, da própria COFINS – código 585601. Em 25/03/09, após analise da DCOMP de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil – RFB, foi emitido despacho decisório de nãohomologação da compensação, uma vez que embora localizado o pagamento do DARF indicado no PER/DCOMP, os créditos foram integralmente utilizados para quitação de débitos do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 75DF CARF MF 4 Cientificado do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade às fls. 09/10, acompanhada de cópias da alteração do Contrato Social, de Procuração, de documentos pessoais do sócio, do Despacho Decisório, da DIPJ 2005, Ano calendário 2004, transmitida em 30/06/2005( doc.5 e 7), da DCTF retificadora do 3º trimestre/2004, transmitida em 02/06/2006, da DCTF retificadora do 4º trimestre/2004, transmitida em 27/05/2006(doc.6 e 8) e de DARFs ( doc. 09 e 10), às fls. 11/39, alegando, em síntese, que: O referido PER/DCOMP relativo ao DARF pago em 13/08/2004, no valor total de R$ 35.564,13 (Doc. 2), transmitido em 18/06/2005, foi comprovada a existência do débito através da DIPJ/2005 Ano Base 2004, entregue em 30/06/2005 (Doc. 3), sendo que este valor foi TOTALMENTE utilizado para o pagamento deste, conforme DCTF retificadora entregue em 02/06/2006 (Doc. 4). Conseqüentemente, não deveria nem haver este PER/DCOMP, sendo que a empresa concorda com a NÃO HOMOLOGAÇÃO citada no despacho decisório acima. Entretanto, o que não procede é o lançamento dos "DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS", quais sejam: a) COFINS de 11/2004, no valor original de R$ 748,50 e b) COFINS de 12/2004, no valor original de R$ 12.170,00. O débito listado no item a acima inexiste, face a utilização de créditos/retenções do imposto, fazendo com que o valor a pagar seja ZERO, conforme comprovado através da DIPJ /2005Ano Base 2004, entregue em 30/06/2005 (Doc. 5) e DCTF retificadora entregue em 27/05/2006 (Doc. 6), onde consta no recibo do trimestre apenas o valor do COFINS devido em 12/2004. O débito listado no item b acima é da ordem de R$ 23.856,37 (Vinte e Três Mil, Oitocentos e Cinqüenta e Seis Reais e Trinta e Sete Centavos), conforme comprovado através da DIPJ 2005Ano Base 2004, entregue em 30/06/2005 (Doc. 7) e DCTF retificadora entregue em 27/05/2006 (Doc. 8), quitado através dos DARF'S anexos da ordem de R$ 3.011,17 (Três Mil e Onze Reais e Dezessete Centavos) (Doc. 9), e de R$ 20.987,21 (Vinte Mil, Novecentos e Oitenta e Sete Reais e Vinte e Um Centavos) (Doc. 10). Portanto, requer a Manifestante que seja CANCELADO os valores levados a débito, com base neste PER/DCOMP, pois os mesmos ENCONTRAMSE TOTALMENTE QUITADOS. Os trechos a seguir, extraídos ao longo do voto, demonstram claramente o objeto em discussão, qual seja, a possibilidade de a recorrente arguir, perante a DRJ, o cancelamento de valores levados a débito com base na PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a empresa concorda com o despacho decisório no que se refere à inexistência do Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.925293/200971 Acórdão n.º 3001000.396 S3C0T1 Fl. 75 5 direito creditório, e ressalta que, conseqüentemente, não deveria nem haver este PER/DCOMP. Afirma, contudo que, não procede o lançamento dos "DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS", relativos a COFINS de 11/2004, no valor original de R$ 748,50, pois, face a utilização de créditos/retenções do imposto, o valor a pagar é ZERO, e a COFINS de 12/2004, no valor original de R$ 12.170,00, quitado através de Darf’s, conforme exposto no relato acima. Assim, requer a Manifestante que seja cancelado os valores levados a débito com base neste PER/DCOMP, pois os mesmos encontramse totalmente quitados. Conclui que: Este conflito, contudo, escapa da competência desta DRJ, pois, na forma do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB cabe à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária Derat, pronunciarse em relação ao inconformismo da contribuinte, no que concerne a questões relativas à cobrança de débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 226 do atual Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. Outrossim, e dentre outras atribuições, compete a esta DRJ/SPO o julgamento de contenciosos fiscais, originados de requerimentos de reconhecimento de direito creditório, constantes de processos administrativos de restituição/compensação, no termos do art. 233, deste mesmo Regimento, A Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que disciplina a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em seu artigo 66, determina que compete à Delegacia de Julgamento apenas a análise de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra o não reconhecimento de direito creditório ou a nãohomologação da compensação: Em suma, no que tange ao julgamento de contenciosos administrativos de restituição/compensação, cabe às Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ´s) a apreciação da manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento de direito creditório e/ou a não homologação da compensação declarada, objeto de análise do processo em tela. Em relação ao pedido para que seja cancelado os valores levados a débito, com base neste PER/DCOMP, conforme Fl. 77DF CARF MF 6 exposto, compete à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária – Derat apreciálo, devendo o contribuinte apresentálo no respectivo processo de cobrança/débito. Recurso Voluntário Após resumir os fatos ocorridos, buscou a recorrente legitimar seus argumentos iniciando pela busca da verdade material. Sobre os fatos, relata tratarse de Dcomp, com o objetivo de compensar débito relativo à Cofins. O despacho decisório, entendeu por não homologar a compensação, ante a inexistência de créditos. Em relação à manifestação apresentada, pôs em evidência, a inexistência do crédito, e, também, sua iresignação ao prosseguimento da cobrança do débito informado em DCOMP. Em sede da decisão de primeiro, relata a decisão sobre a inexistência de direito creditório, e, também, sobre a negativa da Relatora do caso em pronunciarse incompetente para a análise do tema posto em relevo. Como razão para a reforma da decisão que indeferiu o requerimento de cancelamento do débito informado, indica seu entendimento que tal matéria poderia ser analisada em Recurso Voluntário, conforme o artigo 33 do Decreto n.º 70.235/702. Apoiado, ainda, no princípio da instrumentalidade das formas, apresentou seu raciocínio para acolhimento do pedido de cancelamento de valores levados a débito. Em seu entendimento, a autoridade administrativa deixou de analisar os documentos comprobatórios da quitação do débito. Busca comprovar a inexistência do débito mediante a juntada da DIPJ, alengando ainda que a autoridade administrativa tem total acesso aos conteúdos declarados na DCTF e DIPJ, meios pelos quais, poderia constatar a quitação do débito; atentando, assim, contra a moralidade administrativa constante nos artigo 37 da CFB e artigo 2.º da Lei 9.784/99. Expôs, ao final seu requerimento no sentido de ser conhecido e recebido o Recurso Voluntário, sendo solicitado, também, a remessa destes autos à Delegacia da Receita Federal para proceder ao cancelamento da cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.925293/200971 Acórdão n.º 3001000.396 S3C0T1 Fl. 76 7 O presente recurso insurgese contra a decisão de primeira instância administrativa cujo teor negou provimento à manifestação de inconformidade que pugnava pela ilegitimidade de manter a existência do débito informado em DCOMP. Insta transcrever os seguintes trechos do voto condutor: Cabe ressaltar, por fim, que nos termos do artigo 74, parágrafo 6º, da Lei n.º 9.430, de 1996, com a redação do artigo 17 da Medida Provisória n.º 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, todas as declarações de compensação apresentadas a partir de 31/10/2003 possuem caráter de confissão de dívida, revestindose de instrumentos hábeis e suficientes para a cobrança dos débitos dela constantes: Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário A recorrente expressamente opôs sua iresignação ao prosseguimento da cobrança do débito informado em DCOMP consoante detalhado acima. Ao contrário, indica seu entendimento que tal matéria deve ser analisada em Recurso Voluntário a fim de possam ser cancelados os valores levados a débito: ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Existe, sobre o tema, certa celeuma a respeito da conhecimento, ou não, do recurso voluntário cujo objeto seja o debate sobre o pedido de cancelamento de débito declarado em Dcomp, a exemplo do caso constantes nos presentes autos. Importa salientar, que os fundamentos apontados no voto condutor do acórdão guerreado, a seguir transcritos, tornam evidente os motivos e a fundamentação da negativa por parte da autoridade julgadora de primeira instância. Atribuiu à impossibilidade da DRJ em manifestarse sobre o cancelamento de débito informado em DCOMP. Este conflito, contudo, escapa da competência desta DRJ, pois, na forma do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB cabe à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária Derat, pronunciarse em relação ao inconformismo da contribuinte, no que concerne a questões relativas à cobrança de débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 226 do atual Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. A análise de eventual equívoco de PER/DCOMP é da competência da DRF somente até a prolação do despacho decisório. Depois do despacho decisório, essa ou outras matérias, veiculadas pela contribuinte na manifestação de inconformidade, devem ser apreciadas e julgadas pela DRJ. No entender deste conselheiro, a decisão não deve prosperar. Existem julgados das turmas extraordinárias, inclusive algumas das quais, participei da composição do colegiado, cujo Conhecimento ao recurso voluntário foi negado. Vejase: Fl. 79DF CARF MF 8 Acórdão:3001000.165 DCOMP. CANCELAMENTO. COBRANÇA DE DÉBITOS. COMPETÊNCIA. As instâncias de julgamento administrativo (DRJ e CARF) não possuem competência para apreciação de questões relacionadas ao cancelamento de declaração de compensação ou à cobrança dos respectivos débitos. PER/DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE DÉBITO INEXISTENTE. ERRO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PEDIDO DE REVISÃO DE OFÍCIO. CONVERSÃO. Se o contribuinte apresenta pedido de cancelamento do PER/DCOMP manejando manifestação de inconformidade, ao argumento de que inexiste o débito declarado, por erro, a autoridade fiscal deve receber a manifestação deinconformidade como pedido de revisão de ofício. Ao final, conlcuiu: Do exposto, com base nos fundamentos acima expendidos, voto por não conhecer do recurso voluntário, haja vista não comportar sua admissibilidade por este CARF, por anular a decisão recorrida e, por fim, encaminhar o processo à unidade de origem DRF/ Taubaté, para que receba a manifestação de inconformidade como pedido de revisão de ofício, na forma do inciso I do artigo 302 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF 203 de 14.05/2012, vigente à época da edição do PN Cosit 8/2014. É na Declaração de Voto do conselheiro Cléber, no Acórdão 3001.000.165, que busco os fundamentos para rever meu entendimento, a respeito do conhecimento deste tipo de recurso: Entendo que quando se decide pelo não conhecimento de um recurso, o processo finda para o tribunal que deu essa decisão. Não há que se analisar os procedimentos anteriormente realizados no processo. Não se pode determinar a anulação da decisão do tribunal a quo, como proposto no caso em tela. Ao se fazer isso, estamos decidindo sobre um processo que já está terminado para a Turma Extraordinária do CARF. As únicas opções de O motivo da Declaração de Voto, referese à discordância no encaminhamento do resultado do julgamento, já que, em que pese o não conhecimento do recurso, foi decretada a nulidade da decisão recorrida, e a conversão da Manifestação de inconformidade em pedido de revisão de ofício, o que será tratado em tópico a seguir. Compulsando o repertório jurisprudencial deste Conselho de julgamento, passo a aceitar a competência do CARF, para julgar pedidos de cancelamento de débito em Dcomp. 3202001.154 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.925293/200971 Acórdão n.º 3001000.396 S3C0T1 Fl. 77 9 DESPACHO DECISÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIDA. RECURSO VOLUNTÁRIO. COMPETÊNCIA. É cabível a interposição de recurso voluntário contra acórdão da DRJ, ainda que esta não tenha conhecido a manifestação de inconformidade, devendo o CARF apreciálo, na forma do art. 1º do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009). Precedente do CARF. A DRJ não pode, com base em interpretação, modificar a natureza do recurso (manifestação de inconformidade), apresentado pelo contribuinte, transformandoo em pedido de retificação a ser apreciado pela DRF, mormente quando o despacho decisório expressamente facultou a interposição do mencionado apelo, com base no art. 74, § 9º, da Lei nº 9.430/1996. A análise de eventual equívoco de PER/DCOMP é da competência da DRF somente até a prolação do despacho decisório. Depois do despacho decisório, essa ou outras matérias, veiculadas pela contribuinte na manifestação de inconformidade, devem ser apreciadas e julgadas pela DRJ. Recurso voluntário provido em parte.O recurso é tempestivo e, a matéria trazida em sede de recurso voluntário é regular. Portanto, dele tomo CONHECIMENTO TOTAL. Da decretação de nulidade Vem sendo aceito, também, tanto pelas turmas ordinárias como extraordinárias, independentemente da celeuma a respeito do Conhecimento, ou não, do recurso voluntário cujo objeto é rebater a existência de débito declarado em Dcomp, com a devida compentência da DRJ para manistestarse sobre o tema. Seguese a decisão em comento, ressaltando as divergências já esposadas a respeito do Conhecimento do recurso: Acórdão 3002000.014 DISCUSSÃO ACERCA DO DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Em decorrência do disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela MP 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, bem como no parágrafo 1º do art. 7º do Anexo II da Portaria nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), há de se concluir que a análise do CARF no que concerne aos pedidos de compensação limitase à existência dos créditos alegados pelo contribuinte. Não há competência, portanto, para análise de pedido de retificação acerca dos débitos declarados. Nas hipóteses em que o contribuinte apresenta pedido de cancelamento de ofício do PER/DCOMP, sob o argumento de que inexiste o débito declarado, a autoridade fiscal deve receber Fl. 81DF CARF MF 10 a manifestação de inconformidade como pedido de revisão de ofício, encaminhandoo para análise da autoridade competente. Decisão recorrida anulada de ofício, nos termos do art. 59, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972.Há, portanto, de ser reconhecida de ofício a nulidade da decisão recorrida, face à incompetência da DRJ para julgar a matéria, conforme determina o art. 59, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Decido Diante do exposto, voto por CONHECER TOTALMENTE do recurso voluntário, decretando a nulidade de ofício, e determinando o envio destes autos à DRJ de origem. (assinado digitialmente) Renato Vieira de Avila Declaração de Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri. No caso em análise, meu entendimento, relativamente à argumentação do recorrente no sentido de apreciar o recurso voluntário para, ao final, ser cancelados os valores levados a débito em sua Per/DComp, diverge em relação à posição adotada pelo restante do Colegiado. É que, a meu ver, a única interpretação possível é a da inadmissibilidade do recurso voluntário. Neste contexto, transcrevo o trecho de autoria de Nelson Nery Júnior, em comentário ao artigo 60 da Lei 9.784 de 29.01.1999, a qual regula, em caráter geral, o Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, cujo delineamento teórico é plenamente aplicável ao recurso administrativo apresentado no âmbito do Processo Administrativo Fiscal PAF, vejamos, verbis: 1. Juízo de admissibilidade. Para ser conhecido, o recurso tem de preencher os pressupostos de admissibilidade. Estes são intrínsecos e extrínsecos à decisão da qual se pretende recorrer. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.925293/200971 Acórdão n.º 3001000.396 S3C0T1 Fl. 78 11 São intrínsecos: a legitimidade para recorrer, o interesse em recorrer (sucumbência ou gravame) e a existência (recorribilidade da decisão) e a adequação do recurso. São extrínsecos: a tempestividade (prazo para recorrer), a regularidade formal (petição, razões do recurso, pedido de nova decisão, documentos), a inexistência de fato extintivo ou impeditivo do poder de recorrer (renúncia, aquiescência e desistência). Caso falte um desses pressupostos, o recurso não pode ser conhecido (juízo de admissibilidade negativo) e o mérito estará prejudicado (...). (Código de Processo Civil Comentado e Legislação Processual Civil Extravagante em Vigor. 6ª edição. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2002. p. 1453) No caso sob exame, entendo que o pedido de cancelamento do PER/DCOMP deve ser entendido como pedido de revisão de ofício do despacho decisório, formulado, notadamente, sob o argumento de que o débito não existe. Em face de o contribuinte alegar que o débito antes confessado em DComp não existe, mormente quando este descobre tal fato no momento de apresentar defesa contra o despacho decisório, tal como o ocorrido, convém salientar que a Instrução Normativa SRF 600 de 28.12.2005 impedia o cancelamento da DCOMP, assim como a Instrução Normativa RFB 1.300 de 20.11.2012, também o impede, que transcrevo em parte, verbis: (...) Art. 78. É definitiva a decisão da autoridade administrativa que indeferir pedido de retificação ou cancelamento de que tratam os arts. 87 a 90 e 93. (...) Art. 93. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O cancelamento do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. (...) Com efeito, do acima reproduzido, com previsão equivalente, por exemplo, na Instrução Normativa SRF 900 de 30.12.2008, a análise do pedido de cancelamento de Per/Dcomp, o qual, vale assinalar, somente poderá ser deferido caso a compensação ainda se ache pendente de decisão administrativa, encontrase disponível no âmbito de competência da Fl. 83DF CARF MF 12 unidade local de jurisdição do sujeito passivo, tratandose, por conseguinte, de matéria que não pode ser conhecida por nenhuma das instâncias de julgamento administrativos DRJ e CARF. Em assim sendo, concluise que as possíveis discussões suscitadas pelo sujeito passivo em seu recurso (relativas ao cancelamento de declaração de compensação e, indiretamente, à cobrança do débito correlato) dizem respeito a matérias que não ingressam na esfera de competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento e, por conseguinte, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Registrese, por oportuno, que as atividades relacionadas à cobrança de créditos tributários, nos termos do artigo 224, caput e inciso IX, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF 203 de 14.05.2012, com redação dada pela Portaria MF 512, de 02.10.2013, encontramse no âmbito da competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil. Tratase, igualmente, de matéria que não pode ser conhecida por este CARF. Ademais, consoante o Parecer Normativo Cosit 8 de 03.09.2014, a Portaria Conjunta SRF/PGFN 1 de 12.05.1999 estabelece que “qualquer débito encaminhado para inscrição em dívida ativa pode ser revisto de ofício pela autoridade administrativa da RFB quando o sujeito passivo apresentar provas inequívocas de cometimento de erro de fato”. Salientese que citado PN Cosit 8/2014 prevê a possibilidade de revisão de ofício de DComp “quando a compensação não é homologada por despacho decisório e, cumulativamente, tal decisão não é reformada em função de contencioso administrativo, seja pelo fato de não se ter instaurado o litígio, seja em virtude de decisão administrativa definitiva, total ou parcialmente, desfavorável a ele”. No caso sob exame, não se observa a existência de litígio quanto ao crédito. Por outro lado, as DRJ e o CARF não são competentes para apreciar reclamações fundadas na inexistência do débito declarado com erro em DComp. Portanto, a decisão administrativa não se tornará definitiva passando por essas instâncias. Assim, pela perspectiva do citado parecer, o Despacho Decisório em questão, emitido pela autoridade competente da DRF de jurisdição constituise a decisão que se tornou definitiva e objeto do pedido de revisão de ofício. Neste sentido, abstenhome de pronunciar quanto à incompetência da autoridade julgadora a quo e do CARF e à conversão da manifestação de inconformidade em pedido de revisão de ofício a ser apreciado pela autoridade administrativa, em conformidade com o Parecer Normativo Cosit 8/2014, incumbindo à unidade de origem analisar os argumentos suscitados pelo contribuinte. Por tais razões, em face de não compartilhar do entendimento do D. Relator, como adrede afirmei, nesta esteira, voto por não conhecer do recurso voluntário, haja vista não comportar sua admissibilidade por este CARF. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 84DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.723279/2011-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. CUSTOS. ABATIMENTOS LEGAIS
Nos termos do § 9ºA do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, nos custos de utilização pelos beneficiários do plano, incluem-se os despendidos com seus próprios beneficiários e com os beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. CUSTOS. ABATIMENTOS LEGAIS
Nos termos do § 9ºA do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, nos custos de utilização pelos beneficiários do plano, incluem-se os despendidos com seus próprios beneficiários e com os beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3402-005.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. CUSTOS. ABATIMENTOS LEGAIS Nos termos do § 9ºA do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, nos custos de utilização pelos beneficiários do plano, incluem-se os despendidos com seus próprios beneficiários e com os beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. CUSTOS. ABATIMENTOS LEGAIS Nos termos do § 9ºA do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, nos custos de utilização pelos beneficiários do plano, incluem-se os despendidos com seus próprios beneficiários e com os beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. CUSTOS. ABATIMENTOS LEGAIS Nos termos do § 9ºA do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, nos custos de utilização pelos beneficiários do plano, incluemse os despendidos com seus próprios beneficiários e com os beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. CUSTOS. ABATIMENTOS LEGAIS Nos termos do § 9ºA do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, nos custos de utilização pelos beneficiários do plano, incluemse os despendidos com seus próprios beneficiários e com os beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 32 79 /2 01 1- 26 Fl. 689DF CARF MF 2 Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Contra a cooperativa antes qualificada foram lavrados dois Autos de Infração, a saber: a) o primeiro formalizou a exigência de PIS cumulativo, com intimação para recolhimento do valor de R$ 113.155,18, referente a fatos geradores entre 31/01/2007 e 31/12/2008. Esse valor (principal) foi acrescido de multa de ofício de 75% e juros moratórios. Constou base legal. Houve ciência em 08/08/2011; b) o segundo formalizou a exigência de COFINS cumulativa, com intimação para recolhimento do valor de R$ 522.254,62, referente a fatos geradores entre 31/01/2007 e 31/12/2008. Esse valor (principal) foi acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Constou fundamentação legal. Houve ciência em 08/08/2011. Foi produzido Relatório do Procedimento Fiscal, onde ficou registrado (excertos): (...) No curso da ação fiscal detectamos irregularidades com repercussão sob o aspecto tributário no que tange à redução dos valores devidos das contribuições em desacordo com as determinações legais. (...) 3. DAS INFRAÇÕES APURADAS 3.1 FALTA DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES Fl. 690DF CARF MF Processo nº 11065.723279/201126 Acórdão n.º 3402005.335 S3C4T2 Fl. 690 3 A contribuinte deduziu da base de calculo das contribuições para o PIS e da COFINS devidas nos anoscalendário de 2007 e 2008 todos os custos relativos aos atendimentos de seus segurados e não somente os custos com outras operadoras de planos de saúde referentes a transferência de responsabilidade, conforme determinação legal que passamos a citar. A Lei n° 9.718, de 1998, com as alterações introduzidas pela Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, disciplina a sistemática de apuração cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, aí enquadradas as operadoras e planos de saúde e as sociedades cooperativas médicas (art. 8o, inciso I, da Lei n° 10.637/2002 e art. 10, inciso I, da Lei n° 10.833/2003). (...) O disposto no mencionado inciso III do § 9º do art. 3º da referida Lei nº 9.718, de 1998, não autoriza as operadoras de planos de assistência à saúde a deduzirem da base de cálculo das citadas contribuições todos os valores dos custos operacionais incorridos (depois de abatidos dos valores das transferências de responsabilidades recebidas) que são próprios do exercício da atividade de prestação de serviços de assistência à saúde aos beneficiários (clientes) dos respectivos planos de saúde. São exemplos desta espécie de serviços: consultas médicas; exames radiológicos e laboratoriais; internação em hospitais e clínicas; terapias e demais despesas afins. Se tal dedução fosse possível, teria o legislador ordinário redigido o aludido dispositivo contemplando explicitamente a dedução de todos os gastos efetivados pelas operadoras com o atendimento médico/odontológico contratado pelos beneficiários (clientes) de seus planos de assistência à saúde, o que não fez. (...) Pela exclusão indevida de tais custos de sua base de cálculo a fiscalizada apurou valores devidos para as contribuições a menor, mensalmente, nos meses sob fiscalização de janeiro de 2007 a dezembro de 2008. Em 08/09/2011 a contribuinte apresentou, através de procurador, arrazoados impugnatórios referentes ao PIS e à COFINS. Em relação ao lançamento da COFINS, referiu: Objeto da autuação · a autuação, embora permita a exclusão dos valores recebidos por atendimento de clientes de outras operadoras, não os exclui da autuação. Da mesma forma, sequer atenta para o fato de que os valores repassados aos médicos associados configuram atos cooperativos típicos, os quais não poderiam ser tributáveis, mormente em função de que a cooperativa mantém ação judicial neste sentido; · estando deficientes a informação e a apuração realizada, a autuação é viciada, pois não abate os valores de PIS e de COFINS alcançados pelas ações judiciais que discutem a questão da tributação dos atos cooperativos. Preliminar de nulidade · o fato, quando não descrito de forma completa, enseja nulidade. No caso, os depósitos carreados aos autos da ação declaratória n° 2001.71.00.0067449 não foram mencionados como existentes e tampouco deduzidos do montante autuado; · a autuação não é clara ao ponto de saber a cooperativa se os valores decorrentes do atendimento de usuários de outras operadoras de planos de saúde (intercâmbio) foram deduzidos dos valores autuados (no entender do autuante essas deduções seriam permitidas); Fl. 691DF CARF MF 4 · a cooperativa postula pela nulidade da autuação, porquanto teve dificultada sua defesa, com violação do princípio da ampla defesa e do contraditório; Mérito · pelo teor do relatório, o objeto da exigência fiscal decorre de ter a cooperativa excluído da base de cálculo da contribuição os eventos ocorridos e efetivamente pagos, na forma da Lei n° 9.718, de 1998, com a redação dada pela MP n° 2.15835, de 2001. Atos cooperativos · por ser uma sociedade cooperativa, os atos cooperativos principais, consubstanciados na arrecadação e repasse de honorários aos médicos sócios da cooperativa (cooperados), não configura receita tributável. Contra o alargamento da base de cálculo do conceito de faturamento, levado a efeito pela MP n° 1.8586, de 1998, a cooperativa ingressou na Justiça (processo n° 2001.71.00.0067449). A questão segue em tramitação, sendo que em relação a este ponto o STF reconheceu a repercussão geral da questão. Assim, o lançamento deveria aguardar o deslinde da matéria no âmbito do Poder Judiciário. Operadora de planos · o ato cooperativo principal, como o ato cooperativo auxiliar, dado que ambos representam eventos, são passíveis de dedução da base de cálculo das contribuições (PIS e COFINS), conforme a previsão legal existente. A partir da vigência da MP nº 2.15835, de 2001, que alterou a Lei n° 9.718, de 1998, a cooperativa, por ser uma operadora de planos de saúde, pode abater da base de cálculo os valores decorrentes dos pagamentos que realiza, por conta da utilização dos planos de saúde pelos usuários. Incluemse aí os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clínicas, etc, todos relacionados com o atendimento coberto pelo contrato de assistência à saúde, independente da nomenclatura (ato cooperativo principal ou auxiliar); · a Fiscalização entendeu que somente poderiam ser deduzidos da base de cálculo das contribuições os valores decorrentes de pagamentos a outros cooperados de outra operadora de planos. No entanto, além de não realizar o abatimento da cobrança que realiza, a postura adotada pelo Fisco é negada pela letra da lei, eis que a norma não restringe a utilização do benefício; · a nomenclatura adotada pelo legislador tributário, no que tange às parcelas que podem ser abatidas da base de cálculo do PIS e da COFINS, pelas operadoras de planos de assistência à saúde, partiu das definições utilizadas nos contratos de seguro. Entendese por coresponsabilidade cedida, expressão utilizada no inciso I, § 9, do art. º da Lei n° 9.718, de 1998, o repasse total ou parcial do risco contratado e da mensalidade do contrato respectivo de uma operadora para outra. O inciso II da norma legal refere que a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas (ou reservas técnicas) podem ser deduzidas da base de cálculo do PIS e da COFINS (Provisão de Risco, Provisão para eventos ocorridos e não avisados); · quanto ao inciso III, motivador da autuação, indenização é o pagamento das despesas decorrentes dos eventos ocorridos. Evento, por sua vez, é sinônimo de sinistro. Sinistro, na linguagem securitária, é a ocorrência do acontecimento previsto no contrato de seguro. Ou seja, evento é todo o procedimento relacionado à assistência à saúde adimplido pela Operadora de Planos de Saúde; · os pagamentos de despesas com prestadores credenciados, como hospitais, laboratórios, clínicas, bem como com médicos, enfim, todas as despesas com o atendimento cuja cobertura contratual esteja prevista, são eventos; · quando a norma tributária diz que pode ser abatido da base de cálculo da COFINS o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades, quer dizer, em Fl. 692DF CARF MF Processo nº 11065.723279/201126 Acórdão n.º 3402005.335 S3C4T2 Fl. 691 5 consonância com o primeiro inciso, que o montante pago em decorrência da utilização do plano pelo usuário (cliente), poderá ser abatido da base de cálculo das referidas contribuições, deduzido do valor eventualmente recebido de outra operadora em decorrência da transferência de responsabilidade pelo atendimento deste beneficiário; · os valores deduzidos são, todos eles, decorrentes dos pagamentos feitos pela cooperativa aos prestadores médicos sócios e credenciados, sempre em decorrência da utilização do plano pelo beneficiário. Receitas não operacionais · pede sejam excluídas do lançamento eventuais receitas não operacionais, face a inconstitucionalidade do § 1° do art . 3° da Lei n° 9.718, de 1998, tal como declarado pelo STF nos recursos extraordinários n°s 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840 (sessão plenária de 09/11/2005). Encargos · em razão da utilização da Taxa SELIC, quais os acréscimos como juros e correção monetária devem ser afastados. Diligência · a cooperativa entende que a Fiscalização deve esclarecer se os valores recebidos por atendimento de usuários de outras operadoras foram incluídos na base de cálculo. Da mesma forma, se houve, como parece ter havido, cumulação de correção monetária e juros com a taxa SELIC. Também se quer saber se os depósitos foram abatidos e se há receitas não operacionais incluídas na autuação. Pugna, pois, pela realização de uma diligência. Conclusão e pedidos · a cooperativa postula, em preliminar, pela nulidade da autuação, porquanto ausentes todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972; · requer, também, a procedência de sua defesa, para efeitos de que seja integralmente cancelado o auto de infração lavrado, em face dos argumentos expostos; · pede seja determinada a exclusão dos valores a título de intercâmbio (atendimento de usuários de outras operadoras), bem como dos acréscimos que figuram com a SELIC; · pede a realização de diligência, conforme anteriormente explanado. Por fim, diz ter juntado documentos. Em relação ao auto de infração do PIS, basicamente reprisa os argumentos contrários ao lançamento da COFINS. A repartição preparadora atestou a tempestividade das peças de contestação. Ato contínuo, a DRJPORTO ALEGRE (RS) julgou a Impugnação do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Fl. 693DF CARF MF 6 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do contraditório e da ampla defesa. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. PEDIDO GENÉRICO. Considerase não formulado pedido genérico de diligência, por desatender a dispositivo legal que requer indicação de quesitos sobre matéria objeto de discordância. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES. Conforme disposição legal, as operadoras de planos de assistência à saúde, assim definidas na legislação específica, podem deduzir da base de cálculo da contribuição: I co responsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES. ART. 3º, § 9º DA LEI Nº 9.718, de 1998. Reputase correto o lançamento relativo à COFINS quando inexistente qualquer vínculo entre o feito fiscal e a base de cálculo pretendida em ação judicial. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES. Conforme disposição legal, as operadoras de planos de assistência à saúde, assim definidas na legislação específica, podem deduzir da base de cálculo da contribuição: I co responsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 ACRÉSCIMOS LEGAIS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 11065.723279/201126 Acórdão n.º 3402005.335 S3C4T2 Fl. 692 7 Sobre o crédito tributário não recolhido no vencimento incidem juros cobrados de acordo com a variação da taxa SELIC, na forma das disposições legais. Impugnação Improcedente. Em seguida, devidamente notificado, o Contribuinte interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. O processo fiscal trata de lançamento fiscal de diferença apurada de PIS e da COFINS em cooperativa de trabalho médico decorrente de exclusão a maior na base de cálculo dessas contribuições, concernente "ao valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades", previsto no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, a seguir reproduzido: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (negrito nosso) Preliminarmente, a Recorrente pede a nulidade do auto de infração pois, segundo a sua argumentação, a fundamentação seria deficiente por não descrever corretamente Fl. 695DF CARF MF 8 o fato que levou ao lançamento, o que lhe causou grande dificuldade a defesa, violando, portanto, o princípio da ampla defesa e do contraditório No Relatório Fiscal, integrante do auto de infração, consta no seu item 3.1 Das Infrações ApuradasFalta de Recolhimento das Contribuições, a descrição dos fatos apurados que ensejaram o lançamento fiscal, in verbis: A contribuinte deduziu da base de cálculo das contribuições para o PIS e da COFINS devidos nos anoscalendários de 2007 e 2008 todos os custos relativos aos atendimentos de seus segurados e não somente os custos com outras operadoras de planos de saúde referentes a transferência de responsabilidade, conforme determinação legal que passamos a citar. (...) O disposto no mencionado inciso III do §9º do art.3º da referida Lei nº 9.718/1998, não autoriza as operadoras de planos de assistência à saúde a deduzirem da base de cálculo das citadas contribuições todos os valores dos custos operacionais incorridos (depois de batidos dos valores das transferências de responsabilidades recebidas) que são próprios do exercício da atividade de prestação de serviços de assistência à saúde aos beneficiários (clientes) dos respectivos planos de saúde. São exemplos desta espécie de serviços: consultas médicas, exames radiológicos e laboratoriais, internação em hospitais e clínicas, terapias e demais despesas afins. Se tal dedução fosse possível, teria o legislador ordinário redigido o aludido dispositivo contemplando explicitamente a dedução de todos os gastos efetivados pelas operadoras com o atendimento médico/odontológico contratado pelos beneficiários (cliente) de seus planos de assistência à saúde, o que não fez. (...) Pela exclusão indevida de tais custos de sua base de cálculo, a fiscalizada apurou valores devidos para as contribuições a menor, mensalmente, nos meses sob fiscalização de janeiro de 2007 a dezembro. No demonstrativo apresentado à fiscalização em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal, estão demonstrados que foram deduzidos das receitas auferidas valores correspondentes ao reembolso de despesas com consultas médicas; exames radiológicos e laboratoriais; internação em hospitais e clínicas; terapias, custos com seus ambulatórios próprios e demais despesas afins (fls. 286 a 313). Demonstramos na planilha anexa (composta de 12 folhas) a qual faz parte do presente Relatório os valores deduzidos pela contribuinte em desacordo com o permitido pela legislação vigente, valores estes extraídos do demonstrativo apresentado pela fiscalizada, os quais totalizam mensalmente os valores constantes no quadro a seguir, cujos valores constam dos autos de infração (R$) Observase que a autuação ocorreu porque o Auditor Fiscal entendeu que a empresa teve uma interpretação equivocada do inciso III do § 9º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, fazendo excluir da base de cálculo das contribuições um valor maior do que aquele que teria direito. A origem dos valores apurados na autuação foram fornecidos pela própria empresa, tendo o Auditor elaborado demonstrativos que mostram claramente a matéria lançada com os valares mensais. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 11065.723279/201126 Acórdão n.º 3402005.335 S3C4T2 Fl. 693 9 Assim, restando comprovado no Relatório Fiscal o detalhamento dos fatos apurados e informação sobre a metodologia utilizada para apuração das diferenças de PIS e da COFINS, não se constata qualquer prejuízo à defesa da Recorrente. Rejeito a preliminar de nulidade arguida. O pedido de diligência também deve ser indeferido haja vista que já consta nos autos elementos suficientes a fim de se decidir a questão de mérito posta quanto à procedência da apuração de diferenças de contribuições apuradas pela fiscalização, nos termos do art.18 do Dec. nº70.235/72. Quanto ao mérito, a questão central da lide diz respeito a melhor interpretação a ser dada a exclusão da base de cálculo das contribuições das operadoras de planos de saúde prevista no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, relativa "ao valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades". A Autoridade Tributária afirma que a exclusão em comento limitase aos custos envolvidos com o atendimento de usuários de outras operadoras na sua rede própria ou credenciada, a título de transferência de responsabilidade. A Recorrente, por sua vez, entende que o citado mandamento legal também lhe dá o direito de deduzir os custos envolvidos com os atendimentos de seus próprios usuários. A interpretação do dispositivo legal em comento foi objeto de longas discussões nas turmas deste Colegiado, quanto ao seu alcance para abarcar, ou não, os custos e despesas com os atendimentos médicos realizados por usuários próprios da cooperativa. No entanto, hodiernamente, a discussão encontrase superada desde a edição da MP nº619, de 2013 (convertida na Lei nº12.873/2013) porque acrescentouse no art.3º da Lei nº9.718/1998 o § 9ºA, segundo o qual, para efeito de interpretação, nos custos de utilização pelos beneficiários do plano, incluemse não apenas os despendidos com os beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade, mas também com seus próprios beneficiários, com a seguinte redação: § 9A. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) (negritos nossos) Uma vez que o dispositivo legal acrescentado tem nitidamente um caráter interpretativo, aplicase ao caso ora analisado, nos termos do art.106, I , do Código Tributário Nacional. Dessa forma, a Recorrente faz jus a exclusão nas bases de cálculo do PIS e da COFINS das despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados por usuários próprios e de outras operadoras de assistência à saúde, realizados por meio de prestadores médicos associados ou credenciados, deduzido das importâncias recebidas Fl. 697DF CARF MF 10 a título de transferência de responsabilidade, em conformidade com o dispositivo do art. 3º, § 9ºA da Lei nº 9.718/98, introduzido, em caráter interpretativo, pela Lei nº 12.873/2013. Com relação ao tema suscitado pela Recorrente relativo a exclusão de receitas não operacionais da base de cálculo das contribuições, não deve ser conhecido, pois não guarda qualquer relação com a matéria discutida nos autos. Conforme já demonstrado, a autuação foi focada apenas na correção da exclusão à base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Em nenhum momento é discutida a questão da receita auferida pela cooperativa. Pelos elementos constantes nos autos, percebese que o Auditor se utilizou da apuração das contribuições apresentada pela empresa, mediante intimação, e promoveu alteração somente na referida exclusão da base de cálculo, calculando as contribuições devidas decorrentes da exclusão indevida, sem, no entanto, questionar as demais rubricas constantes nos demonstrativos de apuração. Se constam na apuração do Contribuinte receitas não operacionais, tais valores foram oferecidos a tributação espontaneamente e não são objeto de apreciação por este Colegiado. Quanto a reclamação da Recorrente de não consideração nos autos dos depósitos judiciais referentes a ação declaratória nº2001.71.00.0067449, a discussão sobre essa matéria fica prejudicada, tendo em vista o acolhimento das pretensões do Contribuinte no item anterior. Ademais, a matéria discutida na referida ação judicial não tem relação com a discutida no processo administrativo ora analisado, não sendo caracterizada a cocomitância entre os processos. Enquanto na justiça se discute a tributação dos atos cooperativos, aqui apenas se discute a possibilidade da cooperativa de excluir da base das contribuições os custos e despesas envolvidos nos atendimentos médicos realizados de usuários próprios na sua rede de associados ou de credenciados. Por fim, a discussão suscitada sobre os encargos do auto de infração também fica prejudicada tendo em vista o cancelamento do lançamento pelos motivos anteriormente expostos. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 698DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928616/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO.
Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa.
Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
Numero da decisão: 1401-002.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
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PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatandose que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 86 16 /2 00 9- 67 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11080.928616/200967 Acórdão n.º 1401002.589 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de CSLL devida por estimativa. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiase na retificação dos valores de apuração que, após a retificação das DIPJ e DCTF da empresa, resultaram como pagos a maior. Com base nestes créditos a empresa, por meio do PER/DCOMP objeto deste processo, a empresa realizou a compensação com débito da mesma contribuição de períodos subseqüentes. Quando da análise do PER/DCOMP o sistema informatizado reconheceu a existência do crédito mas, no entanto, considerou improcedente a utilização do crédito posto que o art. 10 da IN RFB nº 600/2005, veda a possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior de estimativa para a quitação dos valores devidos por estimativa de meses subseqüentes. O contribuinte, irresignado apresentou manifestação de inconformidade alegando a existência do crédito. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação, a considerou improcedente. Ainda inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual entende que não é cabível o indeferimento do crédito com base no art. 10, da IN 600/2005, haja vista que, quando da prolação do despacho decisório de nãohomologação referida norma não mais estava em vigor. É o breve relatório. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11080.928616/200967 Acórdão n.º 1401002.589 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.578, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11080.928620/2009 25, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento a maior de CSLL devido por estimativa, relativo ao período de apuração de 30/09/2006, com débitos de mesma natureza de período subsequente. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, do período de apuração de 31/07/2006, com débito de mesma natureza de período subsequente. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.578): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação da possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior da CSLL com débitos da mesma contribuição de períodos subseqüentes e, ainda, a força impeditiva do art. 10, da IN RFB nº 600/2005. A norma questionada impedia a utilização, por parte do contribuinte, dos valores pagos a maior durante o ano calendário com outros débitos com base na justificativa de que os valores pagos a maior por estimativa deveriam ser levados ao ajuste do exercício, como se pagamentos por estimativas fossem, no sentido de que estes pagamentos a maior compusessem o saldo credor a vir ser apurado no exercício. Ocorre, no entanto, que referida norma impeditiva não encontra respaldo nos ditames da Lei nº 9.430/96, no que trata de restituição/compensação. Assim, se um pagamento foi realizado a maior em um determinado período. A existência do crédito relativo a este pagamento a maior exsurge desde a data do referido recolhimento, na forma do art, 170, do CTN, matriz legal de todas as normas de compensação. A limitação realizada pelo art. 10, da IN 600/2005 desborda dos limites impostos pela normas a ela superiores e, por isso, não pode produzir eficácia contra os direitos nestas inseridos. Em conformidade com este entendimento é que o CARF já se posicionou de forma consolidada, emitindo a Súmula nº 84, Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11080.928616/200967 Acórdão n.º 1401002.589 S1C4T1 Fl. 5 4 conforme abaixo transcrita e consoante os acórdão paradigmas precedentes que a justificaram. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. Verificado o teor da Súmula acima apresentada, há de se rever as decisões atacadas pelo recorrente. Assim decorreria este voto, quando da época de sua elaboração. Ocorre, no entanto, que iniciada a sessão de julgamento a representante do contribuinte informou acerca da existência de auto de infração lavrado por meio do processo nº 11080.732426/201161, pela sistemática do lucro arbitrado, no qual os pagamentos a maior de IRPJ e CSLL por estimativa realizados no ano e solicitados pela empresa em PER/DCOMP, para a compensação das estimativas devidas do mês de dezembro/2006. Verificase, pela consulta ao processo de auto de infração que para o ano de 2006 foi desconsiderada a escrituração fiscal da empresa e foi realizado o lançamento pelo lucro arbitrado trimestral. Da realização do lançamento foram utilizados os pagamentos por estimativa que não compuseram os saldos negativos já utilizados pela empresa (fls. 8831/8835 do processo nº 11080.732426/201161). Mais ainda, verificase que, sendo arbitrado o lucro, deixam de ser existentes os débitos por estimativa do ano de 2006, dada a modificação da sistemática de apuração do lucro. Ainda em consulta ao referido auto de infração constatamos que o mesmo já foi julgado em última instância por este CARF e mantido em definitivo os valores lavrados, já estando em fase de execução judicial (fls. 93232/93241 do processo nº 11080.732426/201161). À vista do exposto temos então que o PER/DCOMP objeto do presente processo, no qual são utilizados os pagamentos a maior de estimativas do ano de 2006 para a compensação com débitos de estimativa do mesmo ano, perdeu totalmente seu objeto, tanto pelo desaparecimento dos créditos, quanto dos débitos, em face da lavratura de auto de infração pelo lucro arbitrado já julgado em definitivo na esfera administrativa. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11080.928616/200967 Acórdão n.º 1401002.589 S1C4T1 Fl. 6 5 Por estas razões, deixo de analisar o presente recurso apenas em relação às limitações que levaram ao indeferimento do pedido e, analisando o caso em vista da verdade material, verificandose que deixaram de existir os débitos declarados no PER/DCOMP objeto deste processo, havemos de julgar no sentido de deixar de reconhecer os créditos em face de sua atual inexistência e determinar o cancelamento dos débitos declarados no PER/DCOMP em razão de igualmente não mais existirem, tudo em razão da lavratura do auto de infração pelo lucro arbitrado que modificou integralmente a situação dos débitos e créditos objeto do presente processo. Neste sentido voto por dar provimento ao recurso para: 1) Deixar de analisar os créditos solicitados, relativos aos pagamentos a maior de estimativa em razão de os créditos terem deixado de existir em face da lavratura do auto de infração do mesmo ano, no qual os referidos pagamentos foram utilizados; 2) Determinar o cancelamento dos débitos compensados no presente processo, tendo em vista trataremse de débitos de estimativa do ano de 2006, em face, também, da lavratura de auto de infração que apurou o IRPJ pelo lucro arbitrado e por consequência desfaz qualquer obrigação de recolhimento por estimativa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 110DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.914247/2012-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.867
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 47 /2 01 2- 14 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10980.914247/201214 Acórdão n.º 3201003.867 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 078.437, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10980.914247/201214 Acórdão n.º 3201003.867 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.914247/201214 Acórdão n.º 3201003.867 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.914247/201214 Acórdão n.º 3201003.867 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
