Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,201)
- Segunda Câmara (27,794)
- Primeira Câmara (25,082)
- Segunda Turma Ordinária d (17,233)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,968)
- Primeira Turma Ordinária (15,789)
- Primeira Turma Ordinária (15,783)
- Primeira Turma Ordinária (15,648)
- Segunda Turma Ordinária d (15,642)
- Segunda Turma Ordinária d (14,158)
- Primeira Turma Ordinária (12,925)
- Primeira Turma Ordinária (12,220)
- Segunda Turma Ordinária d (12,207)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,261)
- Quarta Câmara (83,619)
- Terceira Câmara (65,613)
- Segunda Câmara (54,228)
- Primeira Câmara (18,731)
- 3ª SEÇÃO (15,968)
- 2ª SEÇÃO (11,233)
- 1ª SEÇÃO (6,766)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (121,300)
- Segunda Seção de Julgamen (112,263)
- Primeira Seção de Julgame (74,680)
- Primeiro Conselho de Cont (49,048)
- Segundo Conselho de Contr (48,895)
- Câmara Superior de Recurs (37,563)
- Terceiro Conselho de Cont (25,949)
- IPI- processos NT - ressa (5,000)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,055)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,859)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,239)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,705)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,167)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,573)
- HELCIO LAFETA REIS (3,497)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,196)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,885)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- WILDERSON BOTTO (2,573)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,524)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,956)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,463)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (18,861)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,076)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,747)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,856)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 16095.000351/2008-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/2007-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16095.000351/2008-12
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5805770
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-006.123
nome_arquivo_s : Decisao_16095000351200812.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 16095000351200812_5805770.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/2007-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
dt_sessao_tdt : Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
id : 7052448
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737354018816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2064; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16095.000351/200812 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.123 – 2ª Turma Sessão de 25 de outubro de 2017 Matéria CSP RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ROLL FOR ARTEFATOS METALICOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 03 51 /2 00 8- 12 Fl. 801DF CARF MF Processo nº 16095.000351/200812 Acórdão n.º 9202006.123 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10552.000174/200764. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.065, de 25/10/2017, proferido no julgamento do processo 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.065): Quanto ao conhecimento Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito O presente tema, objeto do presente julgamento repetitivo de recursos, tem entendimento já pacificado no âmbito desta Turma da CSRF, o qual é brilhantemente delineado pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no âmbito do Acórdão 920205.782, de 26 de setembro de 2017, e, assim, adotase Fl. 802DF CARF MF Processo nº 16095.000351/200812 Acórdão n.º 9202006.123 CSRFT2 Fl. 4 3 excerto do teor do voto condutor daquele Acórdão, a seguir transcrito, como razões de decidir, verbis: (...) Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 803DF CARF MF Processo nº 16095.000351/200812 Acórdão n.º 9202006.123 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): "Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Fl. 804DF CARF MF Processo nº 16095.000351/200812 Acórdão n.º 9202006.123 CSRFT2 Fl. 6 5 Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 805DF CARF MF Processo nº 16095.000351/200812 Acórdão n.º 9202006.123 CSRFT2 Fl. 7 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada Fl. 806DF CARF MF Processo nº 16095.000351/200812 Acórdão n.º 9202006.123 CSRFT2 Fl. 8 7 competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor da multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente."(grifos não presentes no original) Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: (...) Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. (grifos não presentes no original). (...)" Fl. 807DF CARF MF Processo nº 16095.000351/200812 Acórdão n.º 9202006.123 CSRFT2 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Em face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 808DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.721332/2012-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/05/2009 a 31/08/2009
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Conhece-se do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedou-se preclusa.
DILIGÊNCIA. REQUISITOS LEGAIS.
A solicitação de perícia e diligência deve atender aos os requisitos do art. 16, IV do Decreto 70.235/72. Considera-se não formulado o pedido de perícia ou diligência em desacordo com as exigências legais.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. LEI 10.256/2001.
É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. (STF, Tese de Repercussão Geral 669.)
Numero da decisão: 2301-005.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, considerar não formulado o pedido de diligência, desconhecer o recurso quanto à matéria estranha à lide e, na matéria conhecida, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 31/05/2009 a 31/08/2009 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Conhece-se do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedou-se preclusa. DILIGÊNCIA. REQUISITOS LEGAIS. A solicitação de perícia e diligência deve atender aos os requisitos do art. 16, IV do Decreto 70.235/72. Considera-se não formulado o pedido de perícia ou diligência em desacordo com as exigências legais. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. LEI 10.256/2001. É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. (STF, Tese de Repercussão Geral 669.)
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10410.721332/2012-03
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5805311
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2301-005.153
nome_arquivo_s : Decisao_10410721332201203.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JOAO MAURICIO VITAL
nome_arquivo_pdf_s : 10410721332201203_5805311.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, considerar não formulado o pedido de diligência, desconhecer o recurso quanto à matéria estranha à lide e, na matéria conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
id : 7045075
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737374990336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2.487 1 2.486 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.721332/201203 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.153 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de outubro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DE AGROINDÚSTRIA Recorrente PARAPUÃ AGROINDUSTRIAL S/A EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 31/05/2009 a 31/08/2009 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Conhecese do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedouse preclusa. DILIGÊNCIA. REQUISITOS LEGAIS. A solicitação de perícia e diligência deve atender aos os requisitos do art. 16, IV do Decreto 70.235/72. Considerase não formulado o pedido de perícia ou diligência em desacordo com as exigências legais. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. LEI 10.256/2001. É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. (STF, Tese de Repercussão Geral 669.) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, considerar não formulado o pedido de diligência, desconhecer o recurso quanto à matéria estranha à lide e, na matéria conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 13 32 /2 01 2- 03 Fl. 2487DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior. Relatório Tratase de lançamento de ofício, Debcad nº 51.020.2896, para a exigência das contribuições do empregador produtor rural pessoa física previstas no art. 25 da Lei nº 8.212, 24 de julho de 1991, e devidas, nos termos do inc. IV do art. 30 da mesma lei, por sub rogação, sobre produtos adquiridos daqueles produtores. No caso destes autos, consta do Relatório Fiscal (efl. 2364 e seguintes) que o sujeito passivo não recolheu e nem declarou em Gfip os débitos de contribuição previdenciária incidentes sobre aquisições, de pessoas físicas, de canadeaçúcar nos períodos de 5/2009 a 8/2009 e 10/2009 a 12/2009. Os valores devidos foram apurados com base em notas fiscais de entrada e nos registros contábeis fornecidos à Autoridade Fiscal pelo contribuinte. Na impugnação, a Recorrente sustentou que a exação seria inconstitucional, que a contribuição ao Senar seria indevida e que não incidiria taxa Selic sobre a multa de ofício. Solicitou, ainda, que o julgamento dos autos ocorresse em conjunto com os demais processos decorrentes da mesma fiscalização. A DRJ/Recife, unanimemente, deu por improcedente a impugnação pelos seguintes motivos: a) não consta, dos autos, nenhum lançamento relativo a contribuições ao Senar, razão pela qual não apreciou a impugnação nesse ponto; b) na inexistência de decisão judicial hábil a afastar a constitucionalidade da aplicação da norma tributária ao caso, prevalece o disposto no parágrafo único do art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN); c) a impugnante não tem interesse de agir no que se refere à incidência de juros, à taxa Selic, sobre a multa de ofício porque não consta dos autos essa incidência, e d) inexiste mandamento legal que determine o julgamento simultâneo de distintos processos administrativos fiscais. É o relatório essencial. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator. O recurso (efls. 2473 a 2481) é tempestivo. Fl. 2488DF CARF MF Processo nº 10410.721332/201203 Acórdão n.º 2301005.153 S2C3T1 Fl. 2.488 3 A Recorrente apelou em relação à inconstitucionalidade da contribuição lançada, mas inovou no recurso voluntário ao adicionar a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991, porquanto essa matéria não havia sido impugnada. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. É a impugnação, ao instaurar a fase litigiosa, que delimita a lide. Não questionada a matéria na fase própria, precluso estará o direito de fazêlo em outro momento processual. Nesse sentido, há vários precedentes no Carf (por exemplo, os acórdãos 3302004.356, 3402 004.318, 2402005.903, 2402005.808), dentre os quais invoco o Acórdão nº 9101002.719, da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Carf, cuja ementa é: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1990, 1991, 1992 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não se conhece de matéria recursal não trazida com a impugnação. Portanto, não conheço da matéria relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da exação por ser estranha à lide. Conheço, outrossim, do apelo somente quanto à inconstitucionalidade da contribuição lançada. Preliminar Do pedido de diligência Solicitou, a Recorrente, a realização de diligência no caso de o colegiado entender pela necessidade de provas adicionais para dar provimento ao recurso. Quanto a isso, como bem asseverou a Recorrente, somente teria fundamento se o julgador entendesse serem necessárias novas provas, o que não é, absolutamente, o caso. Além disso, a solicitação não observou o disposto no inc. IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, e, portanto, considero não formulado o pedido, nos termos do § 1º do art. 16 daquele regulamento. Mérito Inconstitucionalidade da contribuição prevista no art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991 Neste ponto, a Recorrente invocou o RE nº 363.852/MG para alegar a inconstitucionalidade dos incs. I e II do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991. Sustenta, ainda, que o STF teria reiterado a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992, que, no RE nº 596.177/RS, sob o rito da repercussão geral, que deu nova redação aos incs. I e II do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991. Argumenta, também, que a lei superveniente acerca da matéria, Lei nº 10.256, de 9 de julho de 2001, também tem sido declarada inconstitucional por decisões monocráticas dos Ministros do STF e ilustra citando o RE nº 591.392 e o RE nº 613.433. Fl. 2489DF CARF MF 4 Pretende, a Recorrente, que os efeitos da inconstitucionalidade declarada, pelo pleno do STF, nos autos do RE nº 363.852/MG se estenda a outros dispositivos legais. Por pertinente, convém se reproduzir parte daquela decisão, de 3/2/2010: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação (sic) sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. O Egrégio Supremo afastou, por inconstitucionalidade, o art. 1º da Lei nº 8.540, de 1992, em razão da ausência de lei complementar. Admitiu, entretanto, o STF, que a inconstitucionalidade persistiria até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, viesse a instituir a contribuição. A matéria apreciada pelo STF pode ser assim sintetizada: a Lei nº 8.540, de 1992, instituiu a contribuição previdenciária sobre a receita, enquanto que o art. 195, inc. I, da Constituição Federal apenas previa, como bases imponíveis daquela exação, a folha de salários, o faturamento e o lucro. Porém, com o advento da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, o novo panorama constitucional passou a permitir a tributação sobre a receita e, nesse novo contexto, foi editada a Lei nº 10.256, de 2001, que deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991. Por fim, o STF firmou tese de repercussão geral com o seguinte teor: É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. Nos termos do § 2º do art. 62 do Ricarf, a tese é de observância obrigatória nos julgamentos do Carf. Portanto, não há como atribuir razão à Recorrente nesta matéria. Conclusões Voto, pois, por: considerar não formulado o pedido de diligência, desconhecer do recurso quanto à matéria estranha à lide e, na matéria conhecida, negarlhe provimento. Conselheiro João Maurício Vital Relator Fl. 2490DF CARF MF Processo nº 10410.721332/201203 Acórdão n.º 2301005.153 S2C3T1 Fl. 2.489 5 Fl. 2491DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.010452/94-54
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 1999
Ementa: Propositura de ação Judicial — A interposição de ação Judicial
implica na renúncia às instâncias administrativas, quanto a matéria
impugnada.
Numero da decisão: 301-28.980
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Moacyr Eloy de Medeiros
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 199904
ementa_s : Propositura de ação Judicial — A interposição de ação Judicial implica na renúncia às instâncias administrativas, quanto a matéria impugnada.
turma_s : Primeira Câmara
numero_processo_s : 11080.010452/94-54
conteudo_id_s : 5793448
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 301-28.980
nome_arquivo_s : Decisao_110800104529454.pdf
nome_relator_s : Moacyr Eloy de Medeiros
nome_arquivo_pdf_s : 110800104529454_5793448.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 14 00:00:00 UTC 1999
id : 6992486
ano_sessao_s : 1999
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737400156160
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-12T15:52:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-12T15:52:56Z; Last-Modified: 2009-08-12T15:52:56Z; dcterms:modified: 2009-08-12T15:52:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-12T15:52:56Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-12T15:52:56Z; meta:save-date: 2009-08-12T15:52:56Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-12T15:52:56Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-12T15:52:56Z; created: 2009-08-12T15:52:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2009-08-12T15:52:56Z; pdf:charsPerPage: 1178; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-12T15:52:56Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA• TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA PROCESSO N° : 11080.010452/94-54 SESSÃO DE : 14 de abril de 1999 ACÓRDÃO N° : 301-28.980 RECURSO N° : 119.835 RECORRENTE : RÁDIO GUA113A S/A RECORRIDA : DREPORTO ALEGRE/RS Propositura de ação Judicial — A interposição de ação Judicial implica na renúncia às instâncias administrativas, quanto a matéria impugnada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na 411 forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 14 de abril de 1999 MOACYR ELOY DE MEDEIROS Presidente e Relator PROCURADORIA.GMAL DA 'inani - A ce• 'At Coordefteçao-Gera l repregen cçto twucqudIcItal ta Fazenda 'acionai • 4 02, o S" 9 LUCIANA CON1EZ RORIZ PONTES Plocuredoc a da Fazenda Nacional Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros- LEDA RUIZ DAMASCENO, CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO, PAULO LUCENA DE MENEZES e LUIZ SÉRGIO FONSECA SOARES. Ausentes os Conselheiros FAUSTO DE FRETAS E CASTRO NETO e MÁRCIA REGINA MACHADO MELARE 'Inc MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.835 ACÓRDÃO N' : 301-28.980 RECORRENTE : RÁDIO GUAÍBA S/A RECORRIDA : DRJ/PORTO ALEGRE/RS RELATOR(A) : MOACYR ELOY DE MEDEIROS RELATÓRIO Recorre a empresa em tela, da Decisão n° 04/048/98, da DREPORTO ALEGRE, que manteve AI lavrado pela IRF Porto Alegre, e que leio em sessão: • Em sua defesa, argumenta, em síntese a recorrente: Em Preliminar — Nulidade do AI, por serem objetos distintos os discutidos na autuação e no Mandato de Segurança. No Mérito — Merece ser reformada a R. decisão proferida pelo órgão administrativo de primeira instância, tendo em vista que o manejo da via judicial para proteger direito de lesão ou ameaça de lesão, inciso XXXV do Art. 50 da Lei Maior, não subtrai da Recorrente a garantia constitucional da Ampla Defesa e do Contraditório, inciso LV do referido artigo. Além disso, equivocada a r. decisão ao não reconhecer à Recorrente o direito de aliquota de 0% quanto ao Imposto de Importação de não similares no pais, eis que mediante aplicação do Princípio Constitucional da Isonomia deve ser alcançada a esta o respectivo beneficio oportunamente concedido pelo Fisco, conforme se passa a demonstrar. • É o relatório. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.835 ACÓRDÃO N° : 301-28.980 VOTO Com relação à preliminar de nulidade rejeito a mesma, uma vez que as razões apresentadas não se enquadram nas hipóteses previstas nos incisos I e II do Art. 59 do Decreto n° 70.285/72. No mérito - entendo absolutamente correta a Decisão da DRJ/Porto Alegre, que decidiu quanto ao Imposto de Importação, que não se tome conhecimento da impugnação de fl. 495 a 514 e que seja declarada definitiva, na esfera • administrativa, a exigência discutida, em face do previsto no ADN CST n° 03/96, e que seja julgada parcialmente procedente a ação fiscal, para manter essas exigências, apenas com a ressalva de que deve ser cancelada a exigência de juros de mora, equivalentes à TRD acumulada no período compreendido entre 4/2 e 29/07/91. Nego provimento ao Recurso. Sala das Sessões, em 14 de abril de 1999 MOACYR ELOY DE MEDEIROS - Relator • 3 Page 1 _0021700.PDF Page 1 _0021800.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000438/2007-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: MPF CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS.
Não há irregularidade no ato de intimar o contribuinte simultaneamente do MPF e do auto de infração. A oportunidade de exercitar o direito ao contraditório e à ampla defesa se abre a partir da ciência do auto de infração, com a possibilidade de apresentação de impugnação ao lançamento. Até então, a ação fiscal é procedimento inquisitório. A possibilidade de
compensar prejuízos fiscais relativos a períodos de apuração anteriores é favor fiscal que pode ser limitado pelo legislador. Não há que se falar, neste
caso, em ofensa ao conceito de renda ou a direito adquirido.
OMISSÃO DE RECEITAS
Não obstante o ordenante da referida remessa de valores possuir o mesmo
nome da Recorrente, tal argumento não pode, por si só, justificar a conclusão
de que a beneficiária da referida remessa foi A Recorrente.
É de se reconhecer que, o simples fato de constar o nome do contribuinte, seu
endereço ou qualquer outra informação relativa a este nas ordens de
transferências não é suficiente para a atribuição da responsabilidade
tributária.
MULTA QUALIFICADA
a mera omissão de rendimento, não acompanhada de outras condutas
gravosas que descrevam o evidente intuito de fraude, devem ser apenada com
a multa de 75%, somente vindo a ser qualificada quando identificada aquela
situação específica.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 1401-000.294
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos , dar parcial provimento ao Recurso para cancelar a autuação de IRPJ,CSLL, IRPF,PIS E COFINS no tocante à omissão de receitas e para desqualificar a multa de oficio referente à inobservância do
limite de 30% do prejuízo fiscal, reduzindo-a para 75%, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Maurício Pereira Faro
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201008
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : MPF CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Não há irregularidade no ato de intimar o contribuinte simultaneamente do MPF e do auto de infração. A oportunidade de exercitar o direito ao contraditório e à ampla defesa se abre a partir da ciência do auto de infração, com a possibilidade de apresentação de impugnação ao lançamento. Até então, a ação fiscal é procedimento inquisitório. A possibilidade de compensar prejuízos fiscais relativos a períodos de apuração anteriores é favor fiscal que pode ser limitado pelo legislador. Não há que se falar, neste caso, em ofensa ao conceito de renda ou a direito adquirido. OMISSÃO DE RECEITAS Não obstante o ordenante da referida remessa de valores possuir o mesmo nome da Recorrente, tal argumento não pode, por si só, justificar a conclusão de que a beneficiária da referida remessa foi A Recorrente. É de se reconhecer que, o simples fato de constar o nome do contribuinte, seu endereço ou qualquer outra informação relativa a este nas ordens de transferências não é suficiente para a atribuição da responsabilidade tributária. MULTA QUALIFICADA a mera omissão de rendimento, não acompanhada de outras condutas gravosas que descrevam o evidente intuito de fraude, devem ser apenada com a multa de 75%, somente vindo a ser qualificada quando identificada aquela situação específica. Recurso provido em parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 15889.000438/2007-00
conteudo_id_s : 5813161
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-000.294
nome_arquivo_s : Decisao_15889000438200700.pdf
nome_relator_s : Maurício Pereira Faro
nome_arquivo_pdf_s : 15889000438200700_5813161.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos , dar parcial provimento ao Recurso para cancelar a autuação de IRPJ,CSLL, IRPF,PIS E COFINS no tocante à omissão de receitas e para desqualificar a multa de oficio referente à inobservância do limite de 30% do prejuízo fiscal, reduzindo-a para 75%, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 04 00:00:00 UTC 2010
id : 7074803
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737420079104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2146; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15889.000438/200700 Recurso nº 166.183 Voluntário Acórdão nº 140100.294 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04.08.2010 Matéria IRPJ, CSL, PIS, COFINS E IRPF Recorrente STAROUP S.A INDÚSTRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL MPF CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Não há irregularidade no ato de intimar o contribuinte simultaneamente do MPF e do auto de infração. A oportunidade de exercitar o direito ao contraditório e à ampla defesa se abre a partir da ciência do auto de infração, com a possibilidade de apresentação de impugnação ao lançamento. Até então, a ação fiscal é procedimento inquisitório. A possibilidade de compensar prejuízos fiscais relativos a períodos de apuração anteriores é favor fiscal que pode ser limitado pelo legislador. Não há que se falar, neste caso, em ofensa ao conceito de renda ou a direito adquirido. OMISSÃO DE RECEITAS Não obstante o ordenante da referida remessa de valores possuir o mesmo nome da Recorrente, tal argumento não pode, por si só, justificar a conclusão de que a beneficiária da referida remessa foi A Recorrente. É de se reconhecer que, o simples fato de constar o nome do contribuinte, seu endereço ou qualquer outra informação relativa a este nas ordens de transferências não é suficiente para a atribuição da responsabilidade tributária. MULTA QUALIFICADA a mera omissão de rendimento, não acompanhada de outras condutas gravosas que descrevam o evidente intuito de fraude, devem ser apenada com a multa de 75%, somente vindo a ser qualificada quando identificada aquela situação específica. Recurso provido em parte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos , dar parcial provimento ao Recurso para cancelar a autuação de IRPJ,CSLL, IRPF,PIS E COFINS no Fl. 369DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 16/05/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 03/05/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15889.000438/200700 Acórdão n.º 140100.294 S1C4T1 Fl. 2 2 tocante à omissão de receitas e para desqualificar a multa de oficio referente à inobservância do limite de 30% do prejuízo fiscal, reduzindoa para 75%, nos termos do voto do Relator. . Assinado digitalmente Viviane Vidal Wagner Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator Participaram do julgamento os conselheiros Viviane Vidal Wagner (Presidente), Karem Jureidini Dias (VicePresidente) Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1418.067, da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal São Paulo ISP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado foi apurada omissão de receitas caracterizada pela não escrituração de pagamentos efetuados. O contribuinte figura como ordenante de movimentação de divisas em 06/09/2002, no montante de US$ 61.190,00, equivalentes a R$ 221.605,70, através de contas/subcontas mantidas/administradas no Banco JP Morgan Ouse de Nova Iorque, por Beacon Hill Service Corporation (doravante apenas "BHSC"). Apurouse, ademais, inobservância do limite de 30% do lucro liquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, para a compensação de prejuízos fiscais. Em conseqüência, foi lavrado o auto de infração de IRPJ (fls. 08 10), no qual, para o fato gerador de 31/12/2002, foi constituídos o crédito tributário decorrente da omissão de receitas apurada, e, para os fatos geradores de 31/12/2003 e de 31/12/2004, foram Fl. 370DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 16/05/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 03/05/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15889.000438/200700 Acórdão n.º 140100.294 S1C4T1 Fl. 3 3 constituídos os créditos tributários decorrentes das indevidas compensações de prejuízos fiscais. Sobre todos os valores lançados foi imposta multa qualificada (150%), em razão da constatação de evidente intuito de fraude. Sobre a omissão de receitas apurada foram lançados, ainda, o PIS (fls. 1516), a COFINS (fls. 1920) e a CSLL (fls. 2325), sendo que esta contribuição também foi lançada para os fatos geradores de 31/12/2003 e de 31/12/2004 em virtude da constatação de que houve compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores, por falta de observância do limite de 30% do lucro liquido antes da CSLL, ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação. Finalmente, foi lavrado auto de infração de IRRF (fls. 3032), para constituir o imposto incidente sobre pagamentos sem causa, já que o contribuinte não identificou a causa da remessa de recursos a terceiros no exterior. Sobre todos os créditos tributários foi aplicada multa qualificada (150%), em virtude da constatação de evidente intuito de fraude. Conforme descrito pela autoridade autuante, no Termo de Verificação e de Constatação Fiscal" de fls. 3550, em investigações realizadas pela Policia Federal, devidamente autorizadas por decisão da 2' Vara Criminal da Justiça Federal em Curitiba, apurouse que o contribuinte figura como ordenante de transferência para o exterior, em 06/09/2002, do montante de US$ 61.190,00, conforme extrato da Conta Tarry Town, n° 530098245, administrada/mantida, no banco JP Morgan Chase de Nova Iorque, pela BHSC. O contribuinte foi intimado a apresentar documentação, hábil e idônea, comprovando a escrituração da referida transferência de divisas, bem como o beneficiário no exterior e a respectiva destinação. Como prova da operação mencionada, foi anexado aos autos "Laudo de Exame EconômicoFinanceiro" (fls. 7079), lavrado por peritos criminais para o Instituto Nacional de Criminalistiea, do Departamento de Policia Federal (Laudo n° 1075/04INC), relação (fl. 69) das operações em que o contribuinte aparece como ordenante de divisas e cópia (fl. 83) de ordens de pagamentos efetuadas pela Staroup Confecções — Rua do Hipódromo, 629 São Paulo/SP. Em sua resposta, o contribuinte limitouse a afirmar que não teve conhecimento prévio da investigação criminal em curso e que não localizou em seus livros e documentos qualquer referência à operação mencionada, desconhecendo a origem e a destinação da remessa que supostamente teria sido ordenada. Além disso, afirmou desconhecer as empresas e as contas a quem supostamente se destinavam as remessas, supostos beneficiários dos valores, inexistindo em seus registros qualquer indicio de relacionamento que pudesse justificar as alegadas remessas realizadas em seu nome. Assevera a autoridade autuante que as provas da remessa de divisas constantes dos autos são conclusivas e que não houve escrituração da operação. Assim, a falta de escrituração de pagamentos efetuados pelo contribuinte Fl. 371DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 16/05/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 03/05/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15889.000438/200700 Acórdão n.º 140100.294 S1C4T1 Fl. 4 4 caracteriza omissão de receitas, nos termos do art. 40 da Lei 9430/96. Concluiu, ademais, que restou caracterizado evidente intuito de fraude, já que se trata de operação de remessa de recursos ao exterior, propositadamente ocultada, mediante a utilização de contas de interpostas pessoas, em Foz do Iguaçu, na agência do Banestado em Nova Iorque e nas contas correntes de BHSC, mantidas no JP Morgan Chase em Nova Iorque, de modo que sobre os créditos tributários lançados com base na omissão de receitas apurada, foi aplicada multa qualificada (150%). Além disso, foi também lançado IRRF sobre os valores dos valores remetidos a terceiros no exterior, já que, a despeito da identificação destes terceiros (fl. 83), o contribuinte não indicou e comprovou a causa da operação. Pelas mesmas razões, foi aplicada multa qualificada sobre o crédito tributário lançado. A autoridade autuante constatou, ainda, que o contribuinte excluiu a totalidade do lucro liquido ajustado do anocalendário 2003, no valor de R$ 947.491,40, quando o limite permitido pelo art. 58 da Lei 8.981/95, c/c o art. 16 da Lei 9.065/95, é de 30% deste lucro. Para lograr este resultado, indicou a compensação indevida na forma de "Outras Exclusões" na DIPJ/2004. Valeu se do mesmo artifício, neste mesmo anocalendário, para compensar além do limite legal os valores devidos a titulo de CSLL. Também para o anocalendário 2004 o contribuinte utilizou o mesmo "modus operandi" para compensar de maneira descabida os valores devidos a titulo de IRPJ e de CSLL O contribuinte, ao fazer uso da rubrica "Outras Exclusões", para burlar o limite legal à compensação, estipulado em 30% do lucro liquido ajustado, tanto na Demonstração do Lucro Real como na Demonstração da Base de Cálculo da CSLL, visando à sua compensação integral, ao arrepio da lei, com os prejuízos fiscais, bem como com as bases de cálculo negativas da CSLL, visivelmente demonstra com essa atitude o evidente intuito de fraude, de modo que sobre os créditos tributários lançados foi aplicada multa qualificada. Inconformado com a autuação, da qual foi devidamente cientificado em 17/10/2007 O contribuinte apresentou, em 19/11/2007, a impugnação de fls. 269285, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: Deve o julgador administrativo, quando for o caso, declarar a inconstitucionalidade do lançamento fiscal, sob pena de violação dos princípios constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa. O art. 45, I, da Lei 8212/91, que prescreve prazo decadencial de dez anos para o lançamento das contribuições à seguridade social, é inconstitucional, por violar o art. 146, III, da Lei Maior, que reservou esta matéria a lei complementar. Tendo em vista o caráter tributário das contribuições sociais, seu prazo decadencial é regulado pelo art. 173 do CTN. Portanto, à data da ciência do auto de infração já se encontravam decaídos os Fl. 372DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 16/05/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 03/05/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15889.000438/200700 Acórdão n.º 140100.294 S1C4T1 Fl. 5 5 créditos tributários anteriores a 04/10/2005, razão pela qual devem ser julgados extintos, nos termos do art. 156, V, do CTN, os valores lançados a titulo de PIS para o fato gerador de 30/09/2002, de COF1NS para o fato gerador de 30/09/2002 e de IRRF para o fato gerador de 26/09/2002. Nos termos do art. 10 da Portaria RFB n° 4.066/2007, alterada pelas Portarias RFB n° 10.382/2007 e 11.161/2007, sempre que houver alteração no Mandado de Procedimento Fiscal será dada ciência ao sujeito passivo. Na hipótese dos autos, a ciência da alteração do Mandado de Procedimento Fiscal ocorreu no mesmo dia em que houve a ciência dos autos de infração lavrados, ou seja, em 17/10/2007. A norma mencionada só tem sentido se a ciência do MPF for dada com antecipação, para que o contribuinte possa eventualmente prestar esclarecimentos. Portanto, houve violação à disposição invocada, razão pela qual deve ser decretada a nulidade dos lançamentos. A conclusão de que houve omissão de receitas teve por base o laudo elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalistica do Departamento de Policia Federal, segundo o qual foram realizadas operações nas quais o impugnante figuraria como ordenante da remessa de valores, no total de US$ 61.190,00. Ocorre que a ciência da existência de tal laudo só ocorreu em razão da ação fiscal, de modo que não pode o Fisco utilizálo como prova sem garantia do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não foram encontradas nos livros contábeis informações acerca das operações imputadas ao impugnante, de modo que é impossível a suposta omissão de receitas. Pela mesma razão é descabido o lançamento de créditos tributários de IRRF com base nos mesmos documentos. O aspecto material da hipótese de incidência do IRPJ e da CSLL é o lucro das empresas, assim entendido o acréscimo patrimonial que possa ser consumido sem reduzir ou fazer desaparecer o patrimônio que o produziu. O art. 153, III, da Constituição Federal utiliza o vocábulo renda, bem como o art. 189 da Lei 6.404/71. O CTN, em seu art. 110, determina que a lei tributária não pode alterar o conteúdo e o alcance dos institutos, conceitos e formas do direito privado utilizados pela Constituição. Os arts. 42 da Lei 8.981/95 e 15 da Lei 9.065/95, relativamente ao IRPJ, bem como os arts. 58 da Lei 8.981/95 e 16 da Lei 9.065/95, relativamente à CSLL, são inconstitucionais ao estabelecerem limites à compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas, pois ferem o conceito de renda. Além disso, anteriormente à introdução destas normas, a compensação de prejuízos fiscais e de saldos negativos não era limitada a 30% do lucro liquido ajustado, de modo que deve ser admitida a compensação integral de prejuízos fiscais e saldos negativos apurados em períodosbase anteriores, sob pena de violação aos princípios constitucionais da anterioridade, do direito adquirido e do ato jurídico perfeito. Fl. 373DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 16/05/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 03/05/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15889.000438/200700 Acórdão n.º 140100.294 S1C4T1 Fl. 6 6 Na hipótese ventilada nos autos não houve nenhuma atividade do contribuinte que revelasse dolo para a realização de expedientes enganosos, de modo que não há que se falar em fraude, e, como conseqüência, deve ser afastada a multa de 150% imposta. Ademais, a multa não pode ultrapassar o limiar do ressarcimento, para tomarse um acréscimo de receita. A multa de 150% aplicada fere os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, razão pela qual deve ser afastada. Caso assim não se entenda, a jurisprudência admite a redução do percentual da multa. Por fim, pede o impugnante que seja reconhecida a decadência argüida, que seja decretada a nulidade dos Mandados de Procedimento Fiscais, que sejam anulados os lançamentos lavrados em decorrência de suposta omissão de receitas, por falta de comprovação do ilícito, e que seja desconstituído o auto de infração com relação à glosa das compensações de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas, respectivamente, para o IRPJ e a CSLL. Quanto ás multas aplicadas, requer que sejam afastadas por serem abusivas e por não estar caracterizada fraude ou sonegação fiscal, ou caso assim não se entenda, pede sua redução, por apresentarse como confiscatória. Analisando a impugnação apresentada entendeu a 1ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, por maioria, por maioria de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2002, 31/12/2003, 31/12/2004 INCONSTITUCIONALIDADE MPF CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA COMPENSAÇÃO DE PREJU1ZOS FISCAIS MULTA QUALIFICADA. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucionalidade. Não há irregularidade no ato de intimar o contribuinte simultaneamente do MPF e do auto de infração. A oportunidade de exercitar o direito ao contraditório e à ampla defesa se abre a partir da ciência do auto de infração, com a possibilidade de apresentação de impugnação ao lançamento. Até então, a ação fiscal é procedimento inquisitório. A possibilidade de compensar prejuízos fiscais relativos a períodos de apuração anteriores é favor fiscal que pode ser limitado pelo legislador. Não há que se falar, neste caso, em ofensa ao conceito de renda ou a direito adquirido. Havendo prova do evidente intuito de fraude, é cabível a aplicação de multa qualificada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Fl. 374DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 16/05/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 03/05/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15889.000438/200700 Acórdão n.º 140100.294 S1C4T1 Fl. 7 7 Data do fato gerador: 31/12/2002, 31/12/2003, 31/12/2004 INCONSTITUCIONALIDADE MPF CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA COMPENSAÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS MULTA QUALIFICADA. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucionalidade. Não há irregularidade no ato de intimar o contribuinte simultaneamente do MPF e do auto de infração. A oportunidade de exercitar o direito ao contraditório e à ampla defesa se abre a partir da ciência do auto de infração, com a possibilidade de apresentação de impugnação ao lançamento. Até então a ação fiscal é procedimento inquisitório. A possibilidade de compensar saldos negativos relativos a períodos de apuração anteriores é favor fiscal que pode ser limitado pelo legislador. Não há que se falar, neste caso, em ofensa ao conceito de renda ou a direito adquirido. Havendo prova do evidente intuito de fraude, é cabível a aplicação de multa qualificada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2002 INCONSTITUCIONALIDADE DECADÊNCIA MPF CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA MULTA QUALIFICADA Falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucionalidade. O prazo decadencial para lançar o PIS é de dez anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 45, I, da Lei 8.212/91. Não há irregularidade no ato de intimar o contribuinte simultaneamente do MPF e do auto de infração. A oportunidade de exercitar o direito ao contraditório e à ampla defesa se abre a partir da ciência do auto de infração, com a possibilidade de apresentação de impugnação ao lançamento. Até então, a ação fiscal é procedimento inquisitório. Havendo prova do evidente intuito de fraude, é cabível a aplicação de multa qualificada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2002 INCONSTITUCIONALIDADE DECADÊNCIA MPF CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA MULTA QUALIFICADA Falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucionalidade. O prazo decadencial para lançar a COFINS é de dez anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 45, I, da Lei n° 8.212/91. Não há irregularidade no ato de intimar o contribuinte simultaneamente do MPF e do auto de infração. A oportunidade de exercitar o direito ao contraditório e à ampla defesa se abre a partir da ciência do auto de infração, com a possibilidade de apresentação de impugnação ao lançamento. Até então, a ação fiscal é procedimento inquisitório. Havendo Fl. 375DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 16/05/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 03/05/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15889.000438/200700 Acórdão n.º 140100.294 S1C4T1 Fl. 8 8 prova do evidente intuito de fraude, é cabível a aplicação de multa qualificada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 26/09/2002 INCONSTITUCIONALIDADE DECADÊNCIA MPF CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA MULTA QUALIFICADA. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucionalidade. O prazo decadencial para lançar o IRRF, nas hipóteses em que for constatada fraude, é de cinco anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. Não há irregularidade no ato de intimar o contribuinte simultaneamente do MPF e do auto de infração. A oportunidade de exercitar o direito ao contraditório e à ampla defesa se abre a partir da ciência do auto de infração, com a possibilidade de apresentação de impugnação ao lançamento. Até então, a ação fiscal é procedimento inquisitório. Havendo prova do evidente intuito de fraude, é cabível a aplicação de multa qualificada. Lançamento Procedente Inconformada, a Recorrente apresentou o presente recurso voluntário, alegando, em suma, os mesmos argumentos deduzidos na sede impugnatória. É o relatório. Voto Conheço do presente Recurso Voluntário, visto que atende aos pressupostos de admissibilidade. Preliminar: Cerceamento de Defesa Sustenta a Recorrente que, no mesmo dia em que tomou ciência do Mandado de Procedimento Fiscal, foi intimada do auto de infração ora discutido, afirmando, ainda que tal fato ensejou prejuízo ao exercício de sua ampla defesa. Todavia, entendo que não há que prevalecer tal argumento na medida em que a oportunidade de se defender das imputações feitas no autos de infração lavrado é garantida precisamente pela possibilidade de apresentar impugnação ao lançamento. Fl. 376DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 16/05/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 03/05/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15889.000438/200700 Acórdão n.º 140100.294 S1C4T1 Fl. 9 9 Conforme ensina Alberto Xavier1, “a ação fiscal, até a lavratura do auto de infração, é procedimento inquisitório, razão pela qual não há que se falar em direito de defesa antes da lavratura do auto de infração”. Dessa forma, afasto a alegação de cerceamento de defesa manejada pela Recorrente. Preliminar: Decadência – aplicação do art. 150 do CTN Alega a Recorrente a ocorrência da decadência em relação aos lançamentos PIS, COFINS, E IRRF referente aos fatos geradores ocorridos em 09/2002, tendo em vista que o lançamento ocorreu em 17/10/2007. A presente preliminar só poderá ser apreciada após a análise de mérito, uma vez que, para o deslinde da presente questão – aplicabilidade do art. 150, §4° do CTN , fazse mister determinar se ocorrera fraude ou dolo nos atos praticados pela ora Recorrente. Nesse contexto, a apreciação desta preliminar fica submetida à análise do mérito. Mérito Limitação da Compensação de Prejuízo Fiscal e da redução da base de CSL Sustenta a Recorrente a possibilidade de discussão, na esfera administrativa, sobre a constitucionalidade de normas vigentes, argumentando que a não apreciação de eventuais inconstitucionalidades ventiladas na defesa infringe os princípios constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa, que asseguram o julgamento de todos os argumentos levados a conhecimento na defesa, sob pena de nulidade da decisão que não os tenha apreciado. Lastreada nessa premissa, sustenta a Recorrente que a limitacão à compensação dos prejuízos fiscais em 30% (trinta por cento) determinada pelos artigos 42 da Lei n°. 8.981/1995 e artigo 15 da Lei nº 9.065/1995, bem como, a limitação da redução da base de cálculo de CSL pelos artigos 58 da Lei n°. 8.981/1995 e artigo 16 da Lei n°. 9.065/1995 é inconstitucional e ilegal. Todavia, não obstante a irresignação da Recorrente, tal argumento não merece prosperar haja vista o que, conforme estabelece a Súmula CARF nº 2 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Dessa forma, nego provimento ao Recurso, no que tange ao IRPJ referente aos fatos geradores de 31/12/2003 e de 31/12/2004 que foram constituídos em razão das indevidas compensações de prejuízos fiscais, bem como para a CSLL referente aos fatos geradores de 31/12/2003 e de 31/12/2004 em virtude da constatação de que houve 1 Alberto Xavier. Princípios do Processo Administrativo e Judicial Tributário. Rio de Janeiro: Forense, 2005, Pg. 89 Fl. 377DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 16/05/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 03/05/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15889.000438/200700 Acórdão n.º 140100.294 S1C4T1 Fl. 10 10 compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores, por falta de observância do limite de 30% . Da Omissão de Receitas Sustenta Recorrente que não praticou omissão de receitas e que a referida conclusão de que houve omissão de receitas teve por base o laudo elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalistica do Departamento de Policia Federal, segundo o qual foram realizadas operações nas quais a Recorrente figuraria como ordenante da remessa de valores, no total de US$ 61.190,00 e de que não foram encontradas nos livros contábeis informações acerca das operações imputadas à Recorrente de modo que é impossível a suposta omissão de receitas. Pela mesma razão é descabido o lançamento de créditos tributários de IRPJ, CSLL, IRRF, PIS e COFINS com base nos mesmos documentos. De fato, não obstante o ordenante da referida remessa de valores possuir o mesmo nome da Recorrente, tal argumento não pode, por si só, justificar a conclusão de que a beneficiária da referida remessa foi A Recorrente. É de se reconhecer que, o simples fato de constar o nome do contribuinte, seu endereço ou qualquer outra informação relativa a este nas ordens de transferências não é suficiente para a atribuição da responsabilidade tributária. Isso ocorre pois vigora no Direito Tributário o princípio da interpretação benigna, estabelecido no art. 112 do Código Tributário Nacional: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Ou seja, quando houver dúvidas sobre a autoria da infração tributária aplica se, à semelhança do Direito Penal, o princípio do in dúbio pro reo. Por seu turno, nao obstante o acórdão recorrido limitouse a atestar que as provas da remessa de divisas constantes dos autos são conclusivas e que não houve escrituração da operação. Assim, a falta de escrituração de pagamentos efetuados pelo contribuinte caracteriza omissão de receitas, nos termos do art. 40 da Lei 9430/96. Ante o exposto e considerando a ausência de maiores indícios capazes de comprovar a efetiva participação e benefício da Recorrente na referida remessa de valores, dou provimento ao Recurso para anular o auto de infração no que tange ao IRPJ, IRRF, PIS e COFINS exigidos em razão da omissão de receitas, em razão da interpretação benigna do art. 112 do Código Tributário Nacional. Fl. 378DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 16/05/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 03/05/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15889.000438/200700 Acórdão n.º 140100.294 S1C4T1 Fl. 11 11 Da Multa Qualificada Com relação à qualificação da multa, possuo o entendimento de que a mera omissão de rendimento, não acompanhada de outras condutas gravosas que descrevam o evidente intuito de fraude, devem ser apenada com a multa de 75%, somente vindo a ser qualificada quando identificada aquela situação específica. Isso porque, a multa de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei n°. 9.430/96, já tem como pressuposto lógico a omissão de rendimento por parte do contribuinte que não o entrega à tributação. Percebese, imediatamente que a essência da sonegação é a tentativa de impedir o retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, de algum de seus elementos ou de condições pessoais do contribuinte que o afetem. Ou seja, a tentativa de ocultar da autoridade fazendária algum elemento ou a ocorrência do fato gerador. Por seu turno, não vislumbro a presença de tais requisitos no presente caso, haja vista que a inobservância do limite de 30% do prejuízo fiscal não me parece suficiente para demonstrar o referido dolo. Dessa forma, dou provimento ao recurso para anular a multa qualificada. Dispositivo Ante todo o exposto, afasto a preliminar argüida e dou provimento ao recurso voluntário da contribuinte para anular o auto de infração no que tange ao IRPJ, CSL, IRPF, PIS e COFINS exigidos em razão da omissão de receitas e para anular a multa qualificada. (assinado digitalmente) Maurício Pereira Faro Fl. 379DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 16/05/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 03/05/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO
score : 1.0
Numero do processo: 10480.905175/2010-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção, pela compensação, dos débitos para com a Fazenda Pública.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.692
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção, pela compensação, dos débitos para com a Fazenda Pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10480.905175/2010-93
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5805243
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.692
nome_arquivo_s : Decisao_10480905175201093.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10480905175201093_5805243.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
id : 7042946
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737449439232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10480.905175/201093 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.692 – 3ª Turma Sessão de 19 de setembro de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO ALEGADO. Recorrente ENGEFIELDS EMPREENDIMENTOS E SERVICOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção, pela compensação, dos débitos para com a Fazenda Pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 51 75 /2 01 0- 93 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10480.905175/201093 Acórdão n.º 9303005.692 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802001.352, de 23/10/2012, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido de que a apresentação de informações da DIPJ poderiam ser confirmadas em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal e que seriam suficientes para comprovar o direito creditório. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 110100.517. O recurso foi admitido por intermédio de despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.684, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 10480.906054/201069, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10480.905175/201093 Acórdão n.º 9303005.692 CSRFT3 Fl. 4 3 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.684): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Conforme assentado no exame de sua admissibilidade, o acórdão recorrido entendeu que a Recorrente não juntou ao processo, que versa sobre a restituição da Cofins cumulada com a compensação de débito próprio, a documentação contábil ou fiscal capaz de confirmar o direito vindicado, mas apenas as DACON original e retificadora e a ficha 25 da DIPJ, informações que a Câmara baixa considerou insuficientes para a sua comprovação (afirmouse que deveriam ter sido apresentados os Livros Razão e Diário, nos quais estariam os lançamentos que alicerçavam as correções propostas e, portanto, embasariam o pedido). Já no acórdão paradigma, em situação semelhante (tratouse de pedido de restituição de IRPJ, para o qual retificada a DIPJ, mas não retificada a DCTF correspondente), outra Turma da Primeira Seção entendeu que a autoridade administrativa não podia ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na PER/DCOMP, considerandose, especialmente, a apresentação de DIPJ retificadora, na qual constaria não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Como se vê, a divergência é manifesta. E, a nosso juízo, deve ser solucionada em desfavor da tese encartada no recurso especial. Em casos semelhantes, esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Todavia, no caso em exame, em vez de acostar aos autos, na manifestação de inconformidade ou no recurso voluntário, os livros fiscais e contábeis que comprovassem o direito à restituição, a Recorrente permaneceu insistindo na mesma tese: a de que bastaria à sua comprovação a retificação da DIPJ e as informações já registradas nos sistemas da RFB. Percebase que aqui não se está afastando a possibilidade de a Recorrente, inaugurado o Contencioso Administrativo, vir a apresentálos, mas apenas ressaltando a sua insistência em não apresentálos, quando não era dela, a Recorrente, a competência para decidir o pedido, mas era dela, sim, a de comprovar o seu direito. Se os tivesse apresentado e estes não fossem considerados na decisão recorrida, a solução aqui poderia ser outra, a depender, evidentemente, do motivo levantado para a desconsideração dos livros e documentos na solução do litígio. Não é caso, porém. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10480.905175/201093 Acórdão n.º 9303005.692 CSRFT3 Fl. 5 4 Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a Contribuinte também não juntou aos autos, "na manifestação de inconformidade ou no recurso voluntário, os livros fiscais e contábeis que comprovassem o direito à restituição". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001896/2007-43
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO.
As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento.
CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA.
Mantém-se a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.828
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO. As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA. Mantém-se a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 22 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10950.001896/2007-43
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5810735
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 22 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.828
nome_arquivo_s : Decisao_10950001896200743.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10950001896200743_5810735.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
id : 7072081
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737453633536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1957; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10950.001896/200743 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.828 – 3ª Turma Sessão de 17 de outubro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO A CRÉDITOS. Recorrente FERTIMOURAO AGRICOLA EIRELI EM RECUPERACAO JUDICIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO. As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA. Mantémse a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 18 96 /2 00 7- 43 Fl. 766DF CARF MF Processo nº 10950.001896/200743 Acórdão n.º 9303005.828 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3801004.389, da 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que negou provimento ao recurso, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RESSARCIMENTO. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade das contribuições sociais, excluise da proporção as receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação. VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. A determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplicase somente aos custos, despesas e encargos que sejam vinculados às receitas de mercado interno e exportação. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. COMPROVAÇÃO. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não cumulativa, todavia o reconhecimento dos créditos está condicionado a efetiva comprovação de que as aquisições de combustíveis são utilizadas efetivamente no processo produtivo. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. VEDAÇÃO. Fl. 767DF CARF MF Processo nº 10950.001896/200743 Acórdão n.º 9303005.828 CSRFT3 Fl. 4 3 Há vedação legal ao aproveitamento do crédito presumido para as cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal. VENDAS COM SUSPENSÃO. VIGÊNCIA. DO ART. 9º DA LEI Nº 10.925, DE 2004. O art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004 teve eficácia a partir de 4 de abril de 2006, data prevista na norma regulamentadora, in casu, a Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006. RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. VEDAÇÃO EXPRESSA. É incabível, por expressa vedação legal, a incidência de atualização monetária pela taxa Selic sobre o ressarcimento de créditos de contribuição não cumulativa. Recurso Voluntário Negado. ” Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração, alegando que a decisão prolatada incorreu em contradição entre a decisão e seus fundamentos. Todavia, os embargos foram rejeitados. O sujeito passivo interpôs, então, Recurso Especial suscitando divergência em relação às seguintes matérias: · Rateio dos créditos apurados; · Glosa das aquisições de combustíveis; · Aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial; · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido; · Vendas efetuadas com suspensão; e · Atualização monetária. Mediante Despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento parcial ao recurso. Foram admitidas as matérias “rateio dos créditos apurados”, “glosa das aquisições de combustíveis”, “aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial”, “possibilidade de ressarcimento do crédito”, e “atualização monetária (SELIC)”. Apenas a matéria “vendas efetuadas com suspensão – eficácia do art. 9º da Lei 10.925/04” teve o seguimento negado. Contrarrazões ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Fl. 768DF CARF MF Processo nº 10950.001896/200743 Acórdão n.º 9303005.828 CSRFT3 Fl. 5 4 Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303 005.815, de 17/10/2017, proferido no julgamento do processo 10950.001882/200720, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.815): Da Admissibilidade "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, na parte admitida em Despacho, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. Ora, em relação à discussão acerca: · Do rateio dos créditos apurados, foi comprovada a divergência, vez que a decisão recorrida entendeu pela exclusão das receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação do cálculo do rateio proporcional e o acórdão indicado como paradigma de nº 3202001.618 concluiu pela não exclusão dos valores de receita que se originaram de operações com o fim específico de exportação; · Das aquisições de combustíveis, foi comprovada a divergência, eis que enquanto o aresto recorrido adotou um conceito restritivo de insumo e o indicado como paradigma de nº 203.12.896 reconheceu o direito de aproveitar créditos decorrentes de aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo e nas operações de vendas e entrega direta da produção; · Do crédito presumido da atividade agroindustrial, foi comprovada a divergência, vez que o aresto recorrido entendeu pela vedação legal ao aproveitamento do crédito presumido por enquadrar o sujeito passivo como cerealista que exerce cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal e o acórdão indicado como paradigma de nº 3202001.618 divergiu da interpretação relativa ao processo produtivo de grão e o conceito de agroindústria, sem a restrição ao direito creditório; · Da possibilidade de ressarcimento do crédito presumido, também foi comprovada a divergência, eis que o aresto recorrido não conheceu das alegações em relação à forma de utilização do crédito presumido, divergindo, assim, da interpretação adotada no acórdão paradigma de nº 3803002.336 que, por sua vez não aplicou a restrição prevista na IN SRF 660/06 quanto ao direito a compensação e/ou ressarcimento do Crédito Presumido de PIS e COFINS; · Da atualização monetária, foi comprovada a divergência, vez que o aresto recorrido entendeu não ser cabível a aplicação de correção Fl. 769DF CARF MF Processo nº 10950.001896/200743 Acórdão n.º 9303005.828 CSRFT3 Fl. 6 5 monetária, com base na taxa Selic, nos casos de pedidos de ressarcimento de contribuição nãocumulativa, por expressa vedação legal, enquanto que o acórdão paradigma de nº 3802001.418 entendeu pela possibilidade de atualização do crédito pela taxa Selic. Em vista do exposto, entendo que devo conhecer o recurso especial em relação às matérias admitidas em Despacho de Exame de Admissibilidade – ou seja, sobre as seguintes matérias: · Rateio dos créditos apurados; · Glosa das aquisições de combustíveis; · Aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial; · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido; · Atualização monetária. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas." Do Mérito "Antes de se adentrar a cada matéria, importante trazer breve histórico do caso vertente: · O sujeito passivo desenvolve atividades agroindustriais e produz as mercadorias de NCM dos capítulos 8 a 12 referidas no art. 8º da Lei 10.925/074, realizando operações no mercado interno e exportações diretas e indiretas; · Observa a sistemática não cumulativa das contribuições, nos termos da Lei 10.833/03 e da Lei 10.637/02, sendo que para a sua atividade, adquire de fornecedores pessoas físicas residentes no país e jurídicas situadas no mercado interno, bens e serviços – insumos – para a produção de mercadorias; · Tendo acumulado créditos por aquisições – custos, despesas e demais encargos, protocolou pedido de ressarcimento do saldo de crédito. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer a priori sobre o critério de rateio dos créditos apurados e em seguida sobre as demais matérias conhecidas." (...)1 "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. A discussão gira em torno das seguintes matérias: i) rateio das receitas de exportação; ii) glosa de créditos sobre combustíveis; iii) aproveitamento do crédito presumido da agroindústria; iv) ressarcimento/compensação do crédito presumido da agroindústria; e, v) atualização monetária do ressarcimento do saldo credor. i) rateio das receitas de exportação 1 Deixouse de transcrever, do voto do paradigma, a parte na qual a relatora enfrentou as questões admitidas no recurso, pois todos os entendimentos foram vencidos na votação, não se aplicando, portanto, na solução do presente litígio (íntegra do voto no acórdão do processo paradigma). Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10950.001896/200743 Acórdão n.º 9303005.828 CSRFT3 Fl. 7 6 O contribuinte questionou o critério utilizado pela autoridade administrativa para o rateio das receitas, utilizado para apuração dos créditos da Cofins, passiveis de desconto e/ ou ressarcimento. Conforme demonstrado nos autos e não impugnado pelo contribuinte, as receitas de exportação decorrem de vendas de mercadorias próprias e de mercadorias adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação. A Lei nº 10.833, de 29/12/2003, assim dispõe sobre os créditos da Cofins não cumulativa, vinculados às exportações: "Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...). III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3o. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação."(destaque não original). Ora, nos termos deste dispositivo, é vedado o aproveitamento (desconto) de créditos vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, por da parte da exportadora (comercial/trading). Assim, se tais receitas não geram créditos para a exportadora, obviamente, que não podem integrar as receitas de exportação, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado para a apuração dos créditos da contribuição a que o contribuinte faz jus. No mês de outubro de 2006, as receitas de exportação do contribuinte decorreram integralmente da exportação de mercadorias adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação. Portanto, neste mês, o índice apurado foi de zero, caso contrário, estaria permitindo o aproveitamento com base num índice de 100,0%, em total desacordo com o § 4º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, citado e transcrito anteriormente. ii) glosa de créditos sobre combustíveis. A Lei nº 10.833, de 2003, prevê o aproveitamento de créditos sobre custos com combustíveis, desde que utilizados na produção ou fabricação dos bens vendidos, conforme estabelece o art. 3º, inciso II, literalmente: Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10950.001896/200743 Acórdão n.º 9303005.828 CSRFT3 Fl. 8 7 "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; " (...)." No presente caso, conforme demonstrado nos autos e não impugnado pelo contribuinte as glosas foram efetuadas sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados/consumidos no processo de produção ou fabricação dos produtos vendidos e sim em outros setores da empresa. Comprova esta afirmativa excertos transcritos do relatório produzido pela fiscalização, abaixo transcrito: iii) aproveitamento do crédito presumido da agroindústria O contribuinte pleiteia créditos presumidos da Cofins sobre as aquisições de produtos agrícolas (soja e milho) adquiridos de produtores rurais pessoas físicas, beneficiados e vendidos por ele. No entanto, somente faz jus a esse crédito as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal e vegetal, conforme estabelece a Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004, que assim dispõe: "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10950.001896/200743 Acórdão n.º 9303005.828 CSRFT3 Fl. 9 8 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (...); III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...). § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; (destaques não originais) (...)." No presente caso, do exame da Trigésima Quarta Alteração do Contrato Social às fls. 129/138, constatase que o contribuinte exerce, dentre outras, as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, bem como a atividade agrícola, o que o enquadra no § 4º, inciso I, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, que veda o aproveitamento de crédito presumido da agroindústria para tais atividades. Além disto, segundo o disposto no art. 8º, citado e transcrito anteriormente, a pessoa jurídica para ter direito ao crédito presumido da agroindústria deve produzir mercadorias classificadas nos capítulos e códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul elencados no caput do artigo; as mercadorias devem ser destinadas à alimentação humana ou animal; e as pessoas jurídicas produtoras devem adquirir os insumos (conforme alusão ao inciso II do art. 3o da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e ao inciso II do art. 3o da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003) de pessoas físicas, de cerealista ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, o que não é o caso em discussão. iv) ressarcimento/compensação do crédito presumido da agroindústria. Embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar os créditos presumidos da agroindústria, ora reclamados, demonstrase, a seguir, a falta de amparo para o ressarcimento/compensação de tais créditos. Fl. 773DF CARF MF Processo nº 10950.001896/200743 Acórdão n.º 9303005.828 CSRFT3 Fl. 10 9 O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10950.001896/200743 Acórdão n.º 9303005.828 CSRFT3 Fl. 11 10 transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. v) atualização monetária do ressarcimento do saldo credor. A atualização monetária do ressarcimento de saldo credor da Cofins não cumulativa, calculados à taxa Selic, é expressamente vedado pela própria Lei nº 10.833, de 2003, que instituiu o regime nãocumulativo, assim dispondo: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.” Contra disposição expressa da lei não é cabível aplicar analogias com decisões judiciais não aplicáveis ao caso concreto, como pretende a relatora. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 775DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722154/2010-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
ADMISSIBILIDADE. ART. 67 DO ANEXO II DO RICARF. DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso especial interposto para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, para ser conhecido, deve demonstrar a divergência de interpretação da legislação tributária entre a decisão recorrida e a paradigma, que pode ter sido proferida por outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Contudo, a demonstração resta prejudicada quando se constata que decisão recorrida e paradigmas possuem suportes fáticos que não se comunicam. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 9101-003.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201711
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 ADMISSIBILIDADE. ART. 67 DO ANEXO II DO RICARF. DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. NÃO CONHECIMENTO. O recurso especial interposto para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, para ser conhecido, deve demonstrar a divergência de interpretação da legislação tributária entre a decisão recorrida e a paradigma, que pode ter sido proferida por outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Contudo, a demonstração resta prejudicada quando se constata que decisão recorrida e paradigmas possuem suportes fáticos que não se comunicam. Recurso não conhecido.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10280.722154/2010-91
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5805142
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-003.219
nome_arquivo_s : Decisao_10280722154201091.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDRE MENDES DE MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 10280722154201091_5805142.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
id : 7038481
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737473556480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1399; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1.540 1 1.539 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10280.722154/201091 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.219 – 1ª Turma Sessão de 8 de novembro de 2017 Matéria IRPJ GLOSA DE DESPESAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONDOMÍNIO VOLUNTÁRIO PÁTIO BELÉM ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 ADMISSIBILIDADE. ART. 67 DO ANEXO II DO RICARF. DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. NÃO CONHECIMENTO. O recurso especial interposto para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, para ser conhecido, deve demonstrar a divergência de interpretação da legislação tributária entre a decisão recorrida e a paradigma, que pode ter sido proferida por outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Contudo, a demonstração resta prejudicada quando se constata que decisão recorrida e paradigmas possuem suportes fáticos que não se comunicam. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 21 54 /2 01 0- 91 Fl. 1540DF CARF MF Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 9101003.219 CSRFT1 Fl. 1.541 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial (efls. 1414/1421) interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face da decisão proferida no Acórdão nº 1302 001.060 (efls. 1395/1412), pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 09/04/2013, no qual foi dado provimento parcial ao recurso voluntário interposto por CONDOMÍNIO VOLUNTÁRIO PÁTIO BELÉM ("Contribuinte"). Resumo Processual A autuação fiscal (efls. 213/267), relativa aos anoscalendário de 2005 e 2006, tratou de verificar a natureza de despesas contabilizadas pela Contribuinte, condomínio em shopping center, sob a alegação de que seriam aluguéis de lojas cujos valores foram repassados para os locatários. Concluiu a autoridade autuante que era exercida atividade comercial típica e por isso as receitas de aluguéis seriam tributáveis e não poderiam ter sido excluídas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Para o PIS e a Cofins, entendeu que tais receitas incluemse no conceito de faturamento. Foram lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. A Contribuinte apresentou impugnação (efls. 269/403), que foi julgada improcedente (efls. 1335/1353) pela primeira instância (DRJ). Irresignada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 1360/1393). A segunda instância (Turma Ordinária do CARF) deu provimento parcial ao recurso (efls. 1395/1412), para considerar como dispêndios os valores de aluguéis recebidos pelos proprietários (condôminos), e por consequência, determinar sua exclusão da base de cálculo do IRPJ e CSLL, e sua inclusão para fins de apuração dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos. Foi interposto pela PGFN recurso especial (efls. 1414/1421), que foi admitido por despacho de exame de admissibilidade de efl. 1423/1426. Foram apresentadas contrarrazões pela Contribuinte às efls. 1446/1481. A seguir, maiores detalhes sobre a fase contenciosa. Da Fase Contenciosa. A contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente pela 1ª Turma da DRJ/Belém, nos termos do Acórdão nº 0124.604, da sessão de 29/03/2012, conforme ementa a seguir. Fl. 1541DF CARF MF Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 9101003.219 CSRFT1 Fl. 1.542 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, com efeito inter partes, não podem ser aplicadas a outros casos. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONDOMÍNIO. PRÁTICA DE ATOS DE COMÉRCIO. RECEITAS DE ATIVIDADES EMPRESARIAIS. O condomínio que, exercendo atividade comercial típica, aufere receitas de aluguéis e outras decorrentes do exercício de atividades manifestamente empresariais, equiparase à pessoa jurídica contribuinte do IRPJ relativamente a tais atividades, sujeitandose à incidência tributária respectiva. CONDOMÍNIO CIVIL. RECEITAS DE ATIVIDADES EMPRESARIAIS TÍPICAS. BITRIBUTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Na hipótese do desempenho de atividades comerciais típicas, a receita decorrente integra o resultado tributável, base de cálculo do IRPJ devido pelo condomínio, sem prejuízo da eventual incidência do referido imposto sobre o ulterior lucro auferido pelos condôminos, não havendo que se falar em bitributação, haja vista tratarse de pessoas jurídicas e receitas absolutamente distintas e independentes. LUCRO PRESUMIDO. OPÇÃO. O meio hábil de opção pelo Lucro Presumido é o pagamento da primeira ou única quota do IRPJ devido no primeiro período de apuração de cada ano calendário CONTRIBUIÇÕES REFLEXAS. Aplicase à CSLL, ao PIS, e a COFINS, o que foi decidido para o IRPJ, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Foi interposto recurso voluntário pela Contribuinte. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 09/04/2013, decidiu no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, por meio do Acórdão nº 1302001.060, para considerar como dispêndios os valores de aluguéis recebidos pelos proprietários (condôminos), e por consequência, determinar sua exclusão da base de cálculo do IRPJ e CSLL, e sua inclusão para fins de apuração dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos, nos termos da ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 LUCRO REAL. BASE DE CÁLCULO. DESPESAS. O AFRFB, quando optar e apurar o IRPJ e CSLL da contribuinte pela sistemática do lucro real, deve observar as regras previstas neste regime para a formação da base de cálculo. O Imposto de Renda deve tributar o conceito previsto no art. 43 do CTN e não pode deixar de considerar as despesas do contribuinte na sua apuração. Fl. 1542DF CARF MF Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 9101003.219 CSRFT1 Fl. 1.543 4 PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. O AFRFB deve observar todas as regras previstas nas leis 10.637 e 10.833 quando opta e apura o PIS e a COFINS pela sistemática da não cumulatividade, devendo observar todas as despesas que geram créditos para o contribuinte. MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício é acessória ao crédito tributário lançado, sendo assim, em caso de mudança na base de cálculo do PIS e da COFINS a multa de ofício deve ser ajustada à nova base de cálculo estipulada. Foi interposto pela PGFN recurso especial, apresentando como paradigma o acórdão nº 320100.720. Aduz que se configura ato de comércio o recebimento de valores em decorrência da exploração de locais em shopping center. Discorre que é o próprio Contribuinte que contrata, aufere e escritura em nome próprio das receitas de aluguéis e demais valores previstos nos contratos, juntamente com as correspondentes despesas. Ademais, a receita total (bruta) auferida pelo condomínio seria significativamente superior aos valores repassados aos condôminos a título de "remessa de aluguel", ou seja, a receita auferida seria diversa daquela que fariam jus os condôminos. Requer pela reforma da decisão recorrida. O recurso foi admitido por despacho de exame de admissibilidade. A Contribuinte apresentou contrarrazões. Protesta que o recurso não poderia ser conhecido, por se tratar de tese já superada e por falta de indicação analítica da divergência na interpretação da legislação tributária. Quanto ao mérito, aduz que não seria proprietária das áreas relativas à cobrança dos aluguéis, que o condomínio não seria o destinatário das receitas e por isso não poderia ter percebido qualquer acréscimo patrimonial ou faturamento, e que a simples constatação de que os valores pagos pelos locatários ingressaram temporariamente na sua posse não seria suficiente para aperfeiçoar o fato gerados dos tributos. Discorre que o produto da atividade é transferido mensalmente às pessoas jurídicas que figuram como condôminos, que perceberam os valores proporcionalmente rateados e promoveram o recolhimento dos correspondentes tributos. Menciona jurisprudência do Tribunal Federal Regional da 4ª Região no sentido de que a tributação de imóvel condominial deve ocorrer individualmente sobre cada um dos condôminos. Aduz que condomínio não pode ser eleito como sujeito passivo porque não é sujeito de direito, e que a manutenção do lançamento incorreria em bitributação, vez que os tributos já foram recolhidos pelos condôminos. Requer pelo não conhecimento do recurso e, caso admitido, pelo seu não provimento. É o relatório. Fl. 1543DF CARF MF Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 9101003.219 CSRFT1 Fl. 1.544 5 Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Há que se apreciar, inicialmente, a admissibilidade do recurso especial. Os requisitos formais de tempestividade e legitimidade encontramse cumpridos. Contudo, no que se refere à demonstração de divergência na interpretação da legislação tributária, requisito previsto no art. 67, Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), não há que se conhecer do recurso. Isso porque o acórdão paradigma trata, exclusivamente, da tributação sobre o PIS. O fato de os presentes autos tratarem de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins não seria um óbice caso a matéria devolvida fosse sobre normas gerais de direito tributário, como a decadência. Contudo, nos presentes autos, discutese, para o IRPJ e CSLL, para Contribuinte optante do Lucro Real, se as receitas recebidas a título de aluguéis e posteriormente repassadas aos condôminos (proprietários) seriam valores dedutíveis. E, para o PIS e a Cofins, se as mesmas receitas poderiam ser incluídas na base de cálculo de créditos do regime não cumulativo. Transcrevo excerto da decisão recorrida sobre o IRPJ e a CSLL: Como ficou demonstrado no processo, a recorrente (condomínio) não é proprietária, de direito e de fato, dos imóveis. Logo, os aluguéis, que são recebidos e repassados aos proprietários (condôminos) configuramse como custo (locação igual a custo, e sublocação igual a receita), e, como tal, são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quanto ao PIS e COFINS a regra é semelhante, pois por serem os proprietários dos imóveis, pessoas jurídicas são geradores de créditos do PIS e da COFINS. De acordo com a linha de raciocínio constante no auto de infração, o procedimento correto a ser utilizado pelo AFRFB seria subtrair os valores dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e CSLL da receita da recorrente, até porque se apuraram os tributos pela modalidade de lucro real. (...) A forma de apuração pela sistemática do lucro real consiste basicamente em: apurar através da contabilidade e do Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, o resultado das receitas auferidas pela contribuinte, deduzindo do montante encontrado os valores gastos (os custos, as despesas) pela contribuinte para se chegar a estas receitas. Fl. 1544DF CARF MF Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 9101003.219 CSRFT1 Fl. 1.545 6 (...) Porém o AFRFB, ao descaracterizar o condomínio e ao tributá lo como uma pessoa jurídica com fins lucrativos e, ainda, ao optar pela apuração com base no Lucro Real (metodologia), deveria inserir também na base de cálculo todos os custos e despesas necessárias para que as receitas tenham ocorrido, mesmo que estas estejam dispostas no balanço ou nos documentos contábeis sob outras rubricas, no caso “valores a distribuir aos empreendedores” (Grifos originais). Sobre o PIS e a Cofins, assim se manifestou a decisão recorrida: No entanto, com base no trecho do relatório fiscal transcrito acima, verificase que a base de cálculo tributável no auto de infração em relação ao PIS e a COFINS incorreu em flagrante afronta a legislação que rege a cobrança do PIS e da COFINS, uma vez que o AFRFB ao optar pela apuração do PIS e da COFINS pela sistemática da não cumulatividade, deveria realizar o levantamento de todos os créditos que se pode auferir na modalidade não cumulativa (art. 3º, Inc. IV, Lei 10.833/03; art. 3º, inc. IV, Lei n. 10.637/02) e considerálos para então definir a base de cálculo. Entretanto, o AFRFB somente considerou como base de cálculo dos créditos as despesas estatutárias, sem observar que os imóveis não eram de propriedade da recorrente, mas de terceiros constituídos por pessoas jurídicas, o que claramente incluiria os valores a eles repassados na base de cálculo dos créditos do PIS e da COFINS. Por sua vez, a decisão paradigma tratou, exclusivamente, de discorrer sobre o conceito de receita bruta do PIS, ampliado em razão da Lei nº 10.637, de 2002. Vale transcrever excerto do acórdão: A base de cálculo do PIS está bem descrita na Lei n.º 10.637/2002: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. §2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...) Na medida em que a recorrente aufere receita decorrente da prestação de serviços de estacionamento, deve ser tributada pelo PIS. Fl. 1545DF CARF MF Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 9101003.219 CSRFT1 Fl. 1.546 7 Como se pode observar, em nenhum momento discutese, para fins de PIS, sobre a inclusão das receitas na base de cálculo dos créditos não cumulativos. E não é preciso nenhum esforço para constatar que a decisão paradigma não guarda nenhuma repercussão para o IRPJ e CSLL, submetidos a regras próprias de regime de tributação específico, lucro real, conceito completamente diferente de receita bruta. Impossível aplicar, portanto, o decidido pelo paradigma ao acórdão recorrido, por completa ausência de similitude fática e jurídica. Tal aspecto ponto, por si só, já se mostra suficiente para a não admissibilidade do recurso especial. Também cabe registro no sentido de que a decisão paradigma discorre apenas sobre receitas de estacionamento, enquanto que o acórdão recorrido trata de receitas de aluguel. Transcrevo excertos do paradigma: Na medida em que a recorrente aufere receita decorrente da prestação de serviços de estacionamento, deve ser tributada pelo PIS. (...) Ademais, a recorrente é uma unidade econômica, na medida em que presta serviço, aufere receita e contabilizaa. Lembremos, ainda, que, diferentemente do que aduz a recorrente, ela aufere sim toda a receita da prestação de serviço de estacionamento, repassando apenas parte desta para os condôminos fls. 930: Ora, nos presentes autos discutese a natureza de despesas contabilizadas pela Contribuinte, condomínio de shopping center, sob a alegação de que se tratavam de valores a título de aluguéis de lojas cujos valores eram repassados para os locatários (proprietários dos imóveis), e, por isso, não aperfeiçoariam o fato gerador do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Ainda que as relações jurídicas estabelecidas contratualmente para dispor sobre as receitas de estacionamento e de aluguéis pudessem, em tese, ser equiparadas para fins de incidência dos tributos em discussão, tal semelhança deveria estar demonstrada pela recorrente, e não simplesmente inferida, como foi o caso. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 9101003.219 CSRFT1 Fl. 1.547 8 Fl. 1547DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.002435/2003-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
SERVIÇOS HOSPITALARES. ATIVIDADE HEMOTERÁPICA. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%.
A contribuinte que executa serviços de hemoterapia, exames laboratoriais, e transfusão de sangue em procedimentos ambulatoriais, conforme restou comprovado em diligência, está sujeita ao coeficiente de 8% para a determinação do lucro presumido, mesmo antes da vigência da Lei 11.727/2008. Aplicação do entendimento exarado no RESp nº 1.116.399-BA, conforme art. 62-A do RICARF-Anexo II.
Numero da decisão: 9101-003.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201711
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 SERVIÇOS HOSPITALARES. ATIVIDADE HEMOTERÁPICA. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. A contribuinte que executa serviços de hemoterapia, exames laboratoriais, e transfusão de sangue em procedimentos ambulatoriais, conforme restou comprovado em diligência, está sujeita ao coeficiente de 8% para a determinação do lucro presumido, mesmo antes da vigência da Lei 11.727/2008. Aplicação do entendimento exarado no RESp nº 1.116.399-BA, conforme art. 62-A do RICARF-Anexo II.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10530.002435/2003-13
anomes_publicacao_s : 201801
conteudo_id_s : 5818966
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.202
nome_arquivo_s : Decisao_10530002435200313.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10530002435200313_5818966.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
id : 7085825
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737476702208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1757; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10530.002435/200313 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.202 – 1ª Turma Sessão de 7 de novembro de 2017 Matéria LUCRO PRESUMIDO SERVIÇO HOSPITALAR Recorrente HEMOFEIRA SERVIÇO DE HEMATOLOGIA HEMOTERAPIA E ONCOLOGIA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 SERVIÇOS HOSPITALARES. ATIVIDADE HEMOTERÁPICA. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. A contribuinte que executa serviços de hemoterapia, exames laboratoriais, e transfusão de sangue em procedimentos ambulatoriais, conforme restou comprovado em diligência, está sujeita ao coeficiente de 8% para a determinação do lucro presumido, mesmo antes da vigência da Lei 11.727/2008. Aplicação do entendimento exarado no RESp nº 1.116.399BA, conforme art. 62A do RICARFAnexo II. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 24 35 /2 00 3- 13 Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto à definição do coeficiente de apuração do lucro presumido. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 180100.643, de 01/08/2011, por meio do qual a 1ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, entre outras questões que apreciou, entendeu que a atividade hemoterápica, por falta de previsão legal específica, deveria ser considerada prestação de serviço em geral para fins de fixação do coeficiente de apuração do lucro presumido até 01/01/2009. O acórdão recorrido contém a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999,2000,2001,2002,2003,2004 NULIDADE. O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. ATIVIDADE HEMOTERÁPICA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. LUCRO PRESUMIDO. A prestação de serviços médicos, por si só, sem estar acompanhada dos elementos que caracterizam a prestação do serviço efetivamente hospitalar, mormente quando praticada fora do hospital, consiste em atividade de prestação de serviços gerais e não justifica a aplicação do coeficiente de 8%, próprio para a prestação de serviços hospitalares. A atividade hemoterápica, por falta de previsão legal específica, é considerada prestação de serviço em geral para fins de fixação do coeficiente incidente sobre a receita bruta para apuração do lucro presumido até 01/01/2009. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Ao confrontar o acórdão recorrido com os paradigmas de divergência, o presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso, com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 4 3 Tratase de mesma matéria analisada no acórdão paradigma e no acórdão recorrido, com conclusões distintas. A conclusão dos acórdãos paradigmas é a de que a atividade de prestação de serviços de hemoterapia se equipara à atividade de serviços hospitalares, para fins de fixação do percentual de apuração do lucro presumido. O acórdão recorrido, por sua vez estabelece que, por falta de previsão legal especifica, a atividade em questão deve ser considerada como prestação de serviços em geral para a fixação do percentual do lucro presumido até a edição da Lei nº 11.727/2008, que alterou tal definição. Releva observar que todos os acórdãos examinados tratam da prestação de serviços de hemoterapia antes da edição da Lei nº 11.727/2008. Assim, entendo estar presente a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. Ante ao exposto, e tendo em vista que a uniformização da jurisprudência administrativa é o escopo do recurso especial, opino no sentido de que se DÊ SEGUIMENTO ao presente recurso especial. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE Para o processamento do recurso especial, a contribuinte desenvolve os argumentos descritos abaixo: DAS RAZÕES DE REFORMA DA DECISÃO RECORRIDA o acórdão ora impugnado deve ser reformado por julgar indevido o enquadramento da hematologia como serviço hospitalar sob o fundamento exclusivo de ausência de previsão legal; os serviços de natureza hospitalar receberam tratamento tributário diferenciado pelo legislador ordinário, que estabeleceu alíquotas diminutas para o recolhimento do IRPJ permitindo o acesso da população a uma maior gama de especialidades médicas e efetivando, em concreto, o direito fundamental à saúde; como bem salientou o Sr. Ministro do Superior Tribunal de Justiça Castro Meira ao analisar a matéria no bojo do Recurso Especial 951251, "a redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal"; neste sentido, a redação original da lei 9.249/1995, então vigente à época dos fatos, determinava que os serviços desta natureza seriam tributados à razão de 8% do lucro presumido para o IRPJ e 12% para a CSLL. Havia apenas uma previsão genérica de redução de alíquota sem a preocupação de definir quais espécies de atividades poderiam se enquadrar neste conceito e gozar do benefício instituído; o benefício fiscal em comento, portanto, foi concedido de modo objetivo, pois levou em consideração o serviço prestado e não a natureza ou estrutura do prestador. A alíquota reduzida beneficiava todos os prestadores de serviços tipicamente hospitalares que Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 5 4 eram aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde , independentemente da complexidade ou da estrutura para internação de pacientes; esta conclusão se extrai diretamente dos objetivos sociais da norma, e, por este motivo, a utilização de conceitos abertos pelo legislador ordinário e a falta de regulamentação da matéria nunca constituíram, ao contrário do que frisa o acórdão recorrido, empecilho para a fruição do favor legal; com efeito, a jurisprudência dos tribunais superiores, notadamente a do Superior Tribunal de Justiça, já havia consolidado o conceito de serviço hospitalar enquanto toda atividade voltada para a promoção e atenção à saúde humana, destacandose na delimitação conceitual a finalidade do serviço de forma objetiva e não o local de sua prestação; releva trazer à tona, neste sentindo, o voto do Sr. Ministro Luiz Fux no julgamento do Recurso Especial 673.033, DJU de 12/09/2005: [...]; na mesma linha de raciocínio, nos reportamos mais uma vez ao entendimento do Sr. Ministro Castro Meira, no julgamento do Recurso Especial 951251, DJE 03/06/2009: [...]; estes dois julgados acima transcritos foram proferidos anteriormente à entrada em vigor da Lei 11.727/2008 e bem ilustram que para o STJ a ausência de norma específica nunca significou obstáculo para que uma atividade médica fosse equiparada a serviço hospitalar e pudesse, desta forma, se beneficiar da redução de alíquota do Imposto de Renda; especificamente no que se refere aos serviços de hematologia, a jurisprudência do STJ sempre foi uníssona em garantir o benefício fiscal aos contribuintes que exercem estas atividades, como pode ser verificado no julgamento do Recurso Especial 939678, que também é anterior à vigência da legislação retromencionada e é trazido à colação: [...]; neste aspecto, a entrada em vigor da Lei 11.727/2008 não trouxe nenhuma mudança significativa no tratamento da matéria. Tratouse, em verdade, de uma norma de natureza interpretativa, cuja maior consequência foi a de encampar o entendimento já predominante nos tribunais e instâncias administrativas e tornálo direito positivo; assim, a alteração introduzida pela legislação supra referida não criou para os contribuintes que desempenham as atividades por ela relacionadas o direito de recolher o IRPJ sob a alíquota de 8%. Este direito já existia desde a entrada em vigor da Lei 9.245/99 em sua redação originária, pois a mens legis da norma em debate busca, através de um objetivo extrafiscal, minorar os custos tributários de serviços que são essenciais à população; o próprio Conselho de Contribuintes já se manifestava neste sentido, encontrandose, da mesma maneira, instrumentos normativos oriundos que conferiam ao diploma legal em comento a mesma interpretação, a exemplo da IN SRF n° 306, de 12 de março de 2003, art. 23, inciso V; nesta linha de intelecção, a decisão do STJ utilizada na fundamentação da decisão combatida foi interpretada de forma equivocada pelo julgador de segunda instância, Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 6 5 pois não houve restrição à percepção do benefício. Nela, a Corte Especial simplesmente seguiu a linha de seus pronunciamentos anteriores, sedimentando a sua jurisprudência com a finalidade única de evitar interpretações dissonantes, sobretudo em função da edição de sucessivos atos normativos cujo conteúdo excedia ao arquétipo definido em lei; compulsandose os seus fundamentos, observase que não houve alteração do conceito de serviços hospitalares, que continuou sendo interpretado em função da natureza das atividades desenvolvidas pelo contribuinte, com foco na redução das despesas de custeio e no escopo de melhor possibilitar o acesso destes serviços à população; em verdade, o STJ promoveu uma ampliação do benefício, uma vez que ressalvou da possibilidade de fruição apenas as consultas prestadas no âmbito dos consultórios. A partir de então, todo e qualquer serviço médico pode recolher o IRPJ sob uma alíquota diferenciada, mas isto não significa a anulação de toda uma construção jurisprudencial anterior que já concedia o benefício a um rol de atividades específicas em função de sua natureza e dos altos custos que lhe são associados; neste sentido, os serviços de imagenologia, análises clínicas, hematologia, radiologia, dentre outros, nos quais as instâncias administrativas e o próprio STJ já haviam reconhecido o direito à fruição do favor legal, permanecem se beneficiando normalmente. Os efeitos prospectivos desta decisão só atingem, portanto, aqueles contribuintes cuja situação não havia sido reconhecida, sob pena do pronunciamento jurisdicional, que em sua natureza é ampliativo, se mostrar mais gravoso do que o entendimento que já havia sido adotado pela própria Administração Fiscal; por tudo o quanto exposto, o presente Recurso Especial deve ser conhecido e provido para reformar a decisão de segundo grau e julgar improcedente o lançamento fiscal. CONTRARRAZÕES DA PGFN Em 15/04/2013, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e em 29/04/2013 o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: DAS RAZÕES PARA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO o acórdão recorrido manifestou o entendimento no sentido de que a prestação de serviços médicos, por si só, sem estar acompanhada dos elementos que caracterizam a prestação do serviço efetivamente hospitalar, mormente quando praticada fora do hospital, consiste em atividade de prestação de serviços gerais e não justifica a aplicação do coeficiente de 8%, próprio para a prestação de serviços hospitalares; com efeito, a atividade hemoterápica, por falta de previsão legal específica, é considerada prestação de serviço em geral para fins de fixação do coeficiente incidente sobre a receita bruta para apuração do lucro presumido até 01/01/2009; avaliando especificamente a atividade hemoterápica, a Lei nº 10.205, de 21 de março de 2001, determina: Art. 3º São atividades hemoterápicas, para os fins desta Lei, todo conjunto de ações referentes ao exercício das especialidades previstas em Normas Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 7 6 Técnicas ou regulamentos do Ministério da Saúde, além da proteção específica ao doador, ao receptor e aos profissionais envolvidos, compreendendo: I captação, triagem clínica, laboratorial, sorológica, imunoematológica e demais exames laboratoriais do doador e do receptor, coleta, identificação, processamento, estocagem, distribuição, orientação e transfusão de sangue, componentes e hemoderivados, com finalidade terapêutica ou de pesquisa; II orientação, supervisão e indicação da transfusão do sangue, seus componentes e hemoderivados; III procedimentos hemoterápicos especiais, como aféreses, transfusões autólogas, de substituição e intrauterina, criobiologia e outros que advenham de desenvolvimento científico e tecnológico, desde que validados pelas Normas Técnicas ou regulamentos do Ministério da Saúde; IV controle e garantia de qualidade dos procedimentos, equipamentos reagentes e correlatos; V prevenção, diagnóstico e atendimento imediato das reações transfusionais e adversas; VI prevenção, triagem, diagnóstico e aconselhamento das doenças hemotransmissíveis; VII proteção e orientação do doador inapto e seu encaminhamento às unidades que promovam sua reabilitação ou promovam o suporte clínico, terapêutico e laboratorial necessário ao seu bemestar físico e emocional. § 1º A hemoterapia é uma especialidade médica, estruturada e subsidiária de diversas ações médicosanitárias corretivas e preventivas de agravo ao bem estar individual e coletivo, integrando, indissoluvelmente, o processo de assistência à saúde; § 2º Os órgãos e entidades que executam ou venham a executar atividades hemoterápicas estão sujeitos, obrigatoriamente, a autorização anual concedida, em cada nível de governo, pelo Órgão de Vigilância Sanitária, obedecidas as normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde; Art. 4º Integram o conjunto referido no caput do art. 2º desta Lei os reagentes e insumos para diagnóstico que são produtos e subprodutos de uso laboratorial oriundos do sangue total e de outras fontes; Art. 5º O Ministério da Saúde, por intermédio do órgão definido no regulamento, elaborará as Normas Técnicas e demais atos regulamentares que disciplinarão as atividades hemoterápicas conforme disposições desta Lei; Art. 6º Todos os materiais e substâncias ou correlatos que entrem diretamente em contato com o sangue coletado para fins transfusionais, bem Fl. 736DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 8 7 como os reagentes e insumos para laboratório utilizados para o cumprimento das Normas Técnicas devem ser registrados ou autorizados pelo Órgão de Vigilância Sanitária competente do Ministério da Saúde. Art. 7º As atividades hemoterápicas devem estar sob responsabilidade de um médico hemoterapeuta ou hematologista, admitindose, entretanto, nos locais onde não haja esses especialistas, sua substituição por outro médico devidamente treinado para bem desempenhar suas responsabilidades, em hemocentros ou outros estabelecimentos devidamente credenciados pelo Ministério da Saúde. examinando o texto legal, não se pode inferir que a atividade hemoterápica seja exclusivamente desempenhada em estabelecimentos hospitalares, nem equiparada a serviço hospitalar. Diferentemente, esta atividade pode ser exercida por órgão ou entidade, desde que autorizada por Órgão de Vigilância Sanitária, obedecidas as normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde; para fins de aplicação do coeficiente para apuração do lucro presumido, há uma clara distinção entre a prestação de serviços médicos e a prestação de serviços hospitalares; como bem observou o acórdão recorrido, analisando a situação fática e os documentos juntados ao Termo de Diligência Fiscal, fls. 172/550, temse que: · no Contrato Social consta como objeto Serviços Hospitalares (Hospital dia) de Quimioterapia para Câncer, Hematologia e Transfusão de Sangue (Hemoterapia), fls. 163/164; · nas notas fiscais de prestação de serviços estão registrados, dentre outros, serviços de hemoterapia, consulta médica e honorários médicos, fls. 175/184; · há cadastro de doadores de sangue e exames laboratoriais, fls. 204/254 e 426/549; · há relação detalhada dos pacientes que receberam transfusão de sangue em procedimentos ambulatoriais, fls. 256/422. em conformidade com a legislação transcrita e em relação à época objeto da ação fiscal, no presente caso deve ser utilizado o coeficiente 32% sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido para determinação do IRPJ. A atividade hemoterápica, por falta de previsão legal específica, é considerada prestação de serviço em geral para fins de fixação do coeficiente incidente sobre a receita bruta para apuração do lucro presumido até 01/01/2009. Não é equiparada a serviço hospitalar, já que não suporta custos relevantes próprios da atividade hospitalar que compreende tanto a parte médica especializada, quanto os serviços de hotelaria e fornecimento de produtos; a aplicação do percentual de 8% apenas se justifica quando presentes fatores de custos relevantes, como os que ocorrem em um hospital, tais como: hotelaria, alimentação, médicos plantonistas nas 24 horas do dia, serviço ininterrupto, serviço de enfermagem permanente, dentre outros. Analisando os demonstrativos do Auto de Infração, fls. 04/20, Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 9 8 verificase que foi adotado o coeficiente previsto na norma tributária. Logo, não cabem reparos ao lançamento; por todas essas razões, é imperiosa a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 738DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Em sede de contrarrazões, a PGFN não questionou a admissibilidade do recurso especial da contribuinte, e também não cabe nenhum reparo de ofício por parte deste colegiado ao despacho monocrático que deu seguimento à peça recursal. O recurso especial realmente preenche os requisitos de admissibilidade, de modo que deve ser conhecido. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ apurado com base no lucro presumido, relativamente ao 4º trimestre do anocalendário de 1998, aos quatro trimestres dos anoscalendário de 1999, 2000, 2001 e 2002, e aos primeiro e segundo trimestres do anocalendário de 2003. De acordo com a peça fiscal, o lançamento se fundamenta na aplicação do coeficiente incorreto de 8% em vez de 32% incidente sobre a receita bruta na apuração do lucro presumido, uma vez que, no período objeto da ação fiscal, a Recorrente não se dedicou à prestação de serviços hospitalares. O litígio dos presentes autos, portanto, diz respeito à definição do coeficiente de apuração do lucro presumido. O acórdão recorrido confirmou o lançamento, entendendo que a atividade hemoterápica (desenvolvida pela contribuinte), por falta de previsão legal específica, deveria ser considerada prestação de serviço em geral para fins de fixação do coeficiente de apuração do lucro presumido no percentual de 32%, isso até 01/01/2009, quando entrou em vigor a Lei nº 11.727/2008. Em seu recurso especial, a contribuinte alega, em síntese: que especificamente em relação aos serviços de hematologia, a jurisprudência do STJ sempre foi uníssona em garantir o benefício fiscal aos contribuintes que exercem essas atividades; que a entrada em vigor da Lei 11.727/2008 não trouxe nenhuma mudança significativa no tratamento da matéria; que os serviços de imagenologia, análises clínicas, hematologia, radiologia, dentre outros, já eram tributados com o coeficiente de 8% mesmo antes da referida lei, conforme reconheciam as instâncias administrativas e o próprio STJ. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 739DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 11 10 § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/00064810) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação Fl. 740DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 12 11 anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifo acrescido) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no julgamento do RESP 951.251PR, conforme o destaque feito na transcrição acima. Também é interessante transcrever a ementa dessa decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) Fl. 741DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 13 12 EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃOOBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃOPROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que Fl. 742DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 14 13 executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Deve se, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. (grifos acrescidos) Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 15 14 (todos os grifos acrescidos) Retomando o conteúdo destes autos, vêse que o próprio acórdão recorrido, e também as contrarrazões da PGFN, trazem informações evidenciando que a atividade da contribuinte não consiste em simples prestação de consultas médicas. Nesse sentido, destaco que a Lei 10.205/2001, quando descreve o que são "atividades hemoterápicas", elenca uma série de atividades que vão muito além da prestação de consultas médicas. No Contrato Social, consta como objeto Serviços Hospitalares (Hospital dia) de Quimioterapia para Câncer, Hematologia e Transfusão de Sangue (Hemoterapia). E os documentos coletados em diligência fiscal, que foi realizada ainda na primeira instância administrativa, fazem referência a serviços de hemoterapia, exames laboratoriais, e transfusão de sangue em procedimentos ambulatoriais. Oportuno registrar que a decisão do STJ em sede de recurso repetitivo tratou de contribuinte que prestava serviços médicos laboratoriais. Percebese que tanto o acórdão recorrido, quanto as contrarrazões da PGFN, ao defenderem que "a aplicação do percentual de 8% apenas se justifica quando presentes fatores de custos relevantes, como os que ocorrem em um hospital, tais como: hotelaria, alimentação, médicos plantonistas nas 24 horas do dia, serviço ininterrupto, serviço de enfermagem permanente, dentre outros", tentam restabelecer uma antiga interpretação que não se coaduna com o posicionamento adotado pelo STJ. Os destaques feitos nas transcrições acima demonstram isso. Também não há como sustentar, como indicado no acórdão recorrido, que a atividade da recorrente só poderia ser equiparada a serviço hospitalar a partir de 01/01/2009, quando entrou em vigor a Lei nº 11.727/2008. Aliás, esta Câmara Superior de Recursos Fiscais já se posicionou em outras oportunidades sobre situações semelhantes à destes autos, reconhecendo a aplicação do coeficiente de 8% para entidades que também não são hospitais, mas que se encaixam na referida interpretação do STJ manifestada em sede de recursos repetitivos, e que foi considerada pela CSRF como de observância obrigatória, em razão do art. 62A do RICARF Anexo II: Acórdão nº 9101001.870 Sessão de 30 de janeiro de 2014 Recorrente: LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS DE SOROCABA LTDA Interessado: FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício:1999,2000,2001,2002 Ementa: LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. SERVIÇOS HOSPITALARES. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI N° 11.727/08. COEFICIENTES DISTINTOS PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 16 15 As empresas laboratoriais de análises clínicas que optaram pelo Lucro Presumido, antes da vigência da Lei n° 11.727/08, devem utilizar o coeficiente de 8% para determinar o referido lucro. Aplicação do entendimento exarado no RESp nº 1.116.399BA, conforme art. 62A do RICARFAnexo II. [...] Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão O recurso preenche os pressupostos e dele conheço. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior referese ao enquadramento de prestadora de serviços de análises clinicas na mesma categoria das atividades de serviços hospitalares, para efeito de tributação pelo lucro presumido. Os outros temas levantados no especial do Contribuinte não foram admitidos. O recurso especial foi apresentado pelo Contribuinte em 30 de junho de 2009 (fls. 366), ocorre que em 08/11/2010, transitou em julgado o RESp nº 1.116.399BA, Primeira Seção, Rel. Min. Benedito Gonçalves (decidido em 28 de outubro de 2009), objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça, pelo regime instituído no art. 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), em que foi negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Isto posto, conheço do recurso especial. O RESp nº 1.116.399BA tem a seguinte ementa: [...] A ementa do julgado evidencia que estão excluídas do conceito tributário de atividades hospitalares as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. E, decidindo especificamente a matéria tratada nestes autos, o Superior Tribunal de Justiça estabeleceu que o coeficiente de presunção de lucros estabelecido na Lei nº 9.249/95 deve ser de 8%, para fins de apuração do IRPJ, e de 12%, para fins de apuração da CSLL, relativamente à parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, naquele caso também empresa prestadora de serviços médicos laboratoriais, atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas. Vejase que o julgado afastou qualquer aplicação retroativa da Lei nº 11.727/2008, e fixou a interpretação em referência para os fatos geradores anteriores à sua edição, ou seja, anteriormente ao anocalendário 2008 (caso dos presentes autos). Assim, há que se aplicar ao caso o art. 62A do RICARFAnexo II, devendo se observada mandatoriamente a decisão do STJ acima mencionada. Neste sentido, há que se dar provimento parcial ao recurso especial (que pede a nulidade do auto de infração), apenas para submeter a receita bruta ao coeficiente de 8% para o cálculo do IRPJ, e não para afastar integralmente a exigência. Isto porque as receitas não operacionais devem Fl. 745DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 17 16 ser adicionadas ao lucro presumido e não se submetem à aplicação do coeficiente de presunção, como fez o Contribuinte. Em conclusão, voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso especial do Contribuinte. Acórdão nº 9101001.559 Sessão de 23 de janeiro de 2013 Recorrente: FAZENDA NACIONAL Interessado: CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEMMEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). [...] Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. [...] Quanto ao mérito, a discussão gravita em torno do percentual aplicado na apuração do lucro presumido às sociedades prestadoras de serviços médicos na área de medicina nuclear nos anos calendários de 1998, 1999 e 2000, dependendo do conceito de serviços hospitalares. Sobre a legislação aplicável ao assunto, diz a Lei n° 9.249/95, em sua redação original: [...] Com o advento da Lei n° 11.277/2008, não restam dúvidas, que, a partir de janeiro de 2009, os serviços prestados pela interessada enquadramse no conceito de serviços hospitalares, desde que cumpridos os requisitos a seguir dispostos: [...] Fl. 746DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 18 17 Antes da vigência da Lei n° 11.727/2008, em caso semelhante, a 1ª Turma da CSRF, entendera que serviços médicos e ambulatoriais enquadramse na categoria de serviços gerais em acórdão assim ementado: [...] Porém, em 28/10/2009, o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n° 1.116.399 – BA, relator Ministro Benedito Gonçalves, proferiu decisão na mesma linha de raciocínio da decisão do acórdão ora recorrido: [...] Referido julgado enquadrouse na sistemática dos recursos especiais repetitivos a que se refere o art. 543–C do Código de Processo Civil (CPC). Devese, em decorrência, aplicar a Portaria MF n° 586, de 22 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com a seguinte redação: [...] Portanto, devemse considerar os serviços específicos prestados pela interessada como enquadrados no conceito de serviços hospitalares, cuja receita bruta auferida recebe o percentual de 8% na apuração do IRPJ pelo lucro presumido. Em relação à contribuinte autuada no presente processo, que executa serviços de hemoterapia, exames laboratoriais, e transfusão de sangue em procedimentos ambulatoriais (conforme restou comprovado em diligência), não é correto exigir, nos termos da referida decisão do STJ em sede de recursos repetitivos, que ela apresente "fatores de custos relevantes, como os que ocorrem em um hospital, tais como: hotelaria, alimentação, médicos plantonistas nas 24 horas do dia, serviço ininterrupto, serviço de enfermagem permanente, dentre outros". Cabe aqui adotar o mesmo posicionamento das referidas decisões desta 1ª Turma da CSRF (acima transcritas). Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 747DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002575/2010-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2005
IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO.
Os créditos de imposto de renda pagos no exterior, relativos a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão compensados com o imposto devido no Brasil, se referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital forem computados na
base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo anocalendário subseqüente ao de sua apuração.
Numero da decisão: 1401-000.876
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO.
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2005 IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. Os créditos de imposto de renda pagos no exterior, relativos a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão compensados com o imposto devido no Brasil, se referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo anocalendário subseqüente ao de sua apuração.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 19515.002575/2010-75
conteudo_id_s : 5828924
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-000.876
nome_arquivo_s : Decisao_19515002575201075.pdf
nome_relator_s : Antonio Bezerra Neto
nome_arquivo_pdf_s : 19515002575201075_5828924.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
id : 7110480
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737484042240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1707; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 67 1 66 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002575/201075 Recurso nº 999.999 De Ofício Acórdão nº 1401000.876 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de novembro de 2012 Matéria IRPJ/CSLL Recorrente VOTORANTIM CIMENTOS AMERICA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. Os créditos de imposto de renda pagos no exterior, relativos a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão compensados com o imposto devido no Brasil, se referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo anocalendário subseqüente ao de sua apuração Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadaamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 25 75 /2 01 0- 75 Fl. 684DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.09353.J9B6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002575/201075 Acórdão n.º 1401000.876 S1C4T1 Fl. 68 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de São PauloSP. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 08.1.90.00 2008022312 e prorrogações (fls.01) a Delegacia de Fiscalização de São Paulo DEFIS, apurou, no domicílio fiscal da contribuinte acima identificada, os seguintes fatos, conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 77 e 78): A contribuinte detém 100% de participação na empresa St Bárbara Cement Inc, situada nos Estados Unidos da América. Informou na DIPJ/2006, relativo a essa empresa, lucro de R$ 20.560.279,70 , que foi declarado , para efeito de apuração de Lucro Real, na linha 05 da ficha 09A e para efeito de apuração da base de cálculo de CSLL, na linha 05 da ficha 17. O imposto pago no exterior foi compensado na linha 17 da ficha 12 A, no caso do imposto de renda e na linha 52, da ficha 17 no caso da CSLL. O auditor observou preenchimento incorreto das linhas onde a compensação deveria ter sido informada mas esclarece que não foi por esse motivo que a autuação foi lavrada. O auditor apurou que a contribuinte declarou o lucro liquido apurado no exterior deduzido o imposto pago no exterior quando o correto, de acordo com a IN SRF n° 213/2002 determina que o lucro antes da dedução do imposto de renda no exterior e que deveria ser levado para a DIPJ/2006, O auditor aponta também que consta na ficha 35 da DIPJ/2006, valor incorreto do lucro, pois o US.Corporation Income Tax Return (fls. 44) indica lucro de US$ 26.021.992.00, antes de deduzida a tributação incidente, o que daria R$ 60.909.676,67 e não R$ 50.570.823,50 como a fiscalizada declarou. Assim foi tributada a diferença entre R$ 60.909.676,67 e R$ 20.560.279,70, de R$ 40.379.396,97, que deixou de ser computada na linha 05 da ficha 09 A da DIPJ/2006 e apuração da base de cálculo da CSLL. Desse modo, em 24/08/2010, foram lavrados os seguintes Autos de Infração 2.1 Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 81 a 83), no valor de R$ 22.748.742,73, já incluída a multa de ofício e os juros de mora, calculados até 30/07/2010. Embasamento legal artigo 25, e §§ 2° e 3°, da Lei n° 9.249/1995; artigo 16 da Lei n° 9.430/96; artigos 249, incisos II, e 394 do RIR/99; artigo 3° da Lei n° 9.959/2000;; e artigo 1°, §7° da IN SRF n° 213/2002. 2.2 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 86 a 89), no valor de R$ 8.189.547,38, já incluída a multa de ofício e os juros de mora, calculados ate 30/07/2010, Embasamento legal: artigo 2°, e §§, da Lei n° Fl. 685DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.09353.J9B6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002575/201075 Acórdão n.º 1401000.876 S1C4T1 Fl. 69 3 7.689/1988; artigo 1° da Lei n° 9.316/1996; artigo 28 da Lei n° 9.430/1996; artigo 37 da Lei n° 10.637/2002, artigos 21 e 74 da MP n° 2.15835/2001 e artigo 1°,§7° da IN SRF n° 213/2002. Inconformada com a autuação fiscal, da qual foi cientificada em 24/08/2010, conforme ciência nos próprios autos de infração (fls. 82 e 87), a interessada apresentou, em 23/09/2010, competente impugnação (fls. 93 a 115), expondo as razoes, a seguir em apertada síntese: 2.3 Faz primeiramente relato dos fatos. 2.4 Alega a tempestividade da impugnação. 2.5 Alega que tendo apurado resultado negativo de equivalência patrimonial no montante de R$ 71.073.456,20 conforme evidenciariam as fichas 09 A e 52 da DIPJ/2006, em observância ao que dispõe o art. 7° §2 da IN SRF 213/2002, pouco importaria a informação relativa aos lucros disponibilizados das fichas 34 e 35 da DIPJ/2006, porque no seu entender, as disposições legais pertinentes são taxativas ao determinar a tributação do resultado de equivalência patrimonial. 2.6 Alega que se há resultado negativo auferido no exterior, em razão da equivalência patrimonial no montante de R$ 71.073.456,20, não haveria o que se falar em oferecimento de valores à tributação pelo IRPJ e CSLL, razão pela qual acredita que o auto de infração mereceria ser cancelado em sua integralidade. 2.7 Alega que haveria uma ADI pendente de julgamento no STF no qual se reconheceria a necessidade de oferecimento à tributação pelo IRPJ e CSLL dos resultados de equivalência patrimonial. 2.8 Alega que ainda assim não fosse e caso seja entendido que o procedimento do auditor fiscal esteja correto, argumenta que o cálculo utilizado contem erro material que reduzia o valor tributado. 2.9 Alega que não deve ser levada a tributação o valor de US$ 26.021.992,00 porque esse valor se refere , no seu entender ao "taxable income" conforme consta no "US Corporation /Income Tax Return", apurado de acordo com a legislação americana e entende que esse valor equivaleria ao lucro real apurado no Brasil. 2.10 Afirma que o lucro a que se refere o art. 1° da IN SRF n° 213/2002 seria o lucro líquido contábil evidenciado na Demonstração do Resultado do Exercício e cita autores tributaristas que embasariam o que alega. 2.11 Alega que considerar o "lucro real" americano" decorrente de adições e exclusões e outras operações que lhe se apliquem, implicaria considera, em seu entender, equivocadamente a base do tributo que deveria ser oferecida para pagamento dos tributos no Brasil. 2.12 Alega que deveria ser considerado então o valor de US$ 12.834.246,00 (net income lossperbooks) que convertido à taxa de R$ 2,3407 totalizaria R$ 30.041.119,61 e então a base de cálculo para o lançamento seria R$ 9.510.839,91 e não R$ 40.379.396,96 como foi assinalado no Termo de Constatação Fiscal. 2.13 Alega que assim a autuação seria de R$ 3.233.685,57 a titulo de principal de IRPJ e Fl. 686DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.09353.J9B6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002575/201075 Acórdão n.º 1401000.876 S1C4T1 Fl. 70 4 CSLL . 2.14 Alega que ainda que assim não fosse, caberia ao auditor fiscal utilizar o montante informado pela empresa na ficha 35, linha 11, de R$ 50.570.823,50 , argumentando que o próprio auditor fiscal teria vislumbrado esse entendimento antes de adentrar na declaração de rendimentos americana para lá capturar um numero que, quer acreditar, não diz respeito a base de cálculo do imposto brasileiro. 2.15 Alega que ainda que assim não fosse, o auto de infração não poderia prosperar tendo em vista a existência de crédito do pagamento do IR Norte Americano em montante superior ao IRPJ e CSLL efetivamente pagos no anobase de 2005. 2.16 Alega que os pagamentos foram comprovados e que a conversão para a moeda nacional deve ser feita pelo cambio do dia dos pagamentos, a saber, 15/12/2005 e 13/03/2006., resultando em R$ 24.597.311,26 em credito para contribuinte. 2.17 Alega que assim a base tributável que deve ser considerada pela autuação é nula, remanescendo esse crédito para aproveitamento em exercícios subseqüentes na fora da legislação em vigor. 2.18 Alega que, ainda que assim não fosse, a autuação deveria recair sobre a diferença entre o declarado na DIPJ/2006 , ficha 35 , linha 13, no valor de R$ 20.530.279,70 e os valores que declara ( R$ 30.041.119,61 (lucro líquido)) e R$ 50.570.823,50 (constante da DIPJ na ficha 35 linha 11) ou R$ 60.909.676,67 (apurados pelo auditor fiscal)) para argumentar que , por qualquer critério, o valor devido seria inferior ao montante do valor pago no exterior de R$ 24.597.311,26, mesmo que se deduzisse dele o imposto apurado nesse ano no valor de R$ 4.4343.358,73 (ficha 12 A linha 17). 2.19 Alega que a compensação do imposto pago no exterior com o IRPJ e A CSLL devidos no Brasil encontraria respaldo na IN SRF n° 213/2002 em, seu artigo 14 e cita ainda autor tributarista para defender o que alega. 2.20 Discorre sobre os erros materiais contidos na DIPJ/2006 para afirmar que os mesmos não impediriam seu direito e nem poderiam prejudicar a contribuinte. 2.21 Por fim requer o cancelamento do débito tributário pelas varia razões que elenca Ao ser analisados os autos nesta Turma de Julgamento, foi observado que o auditor fiscal realmente não considerou , na autuação, o restante dos valores de tributos pagos no exterior, utilizando tão somente o que a contribuinte já teria declarado na DIPJ/2006 Desse modo, fezse necessário baixar o processo em diligência , em 14/02/2011, para que fosse verificado se a fiscalizada já teria utilizado o valor do tributo pago no exterior em outras compensações. O processo retornou em 05/08/2011, com a informação que a contribuinte não teria aproveitado o restante do imposto pago no exterior nos anoscalendário posteriores e o fato de ter apresentado o lucro no exterior zerado nas DIPJ posteriores deveuse ao fato que o controle da Barbara Cements. Inc, foi transferido para a empresa Votorantin Investimentos Internacional S/A, CNPJ n° 04.480.652/000121 (fls. 553 a 557) Fl. 687DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.09353.J9B6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002575/201075 Acórdão n.º 1401000.876 S1C4T1 Fl. 71 5 A fiscalizada apresentou manifestação ao Termo de Diligência (fls. 558 a 560), alegando mais uma vez que não houve o aproveitamento do saldo do imposto pago no exterior e que se a DRJ deixar de acolher a impossibilidade de lavratura do auto de infração em razão da existência de resultado negativo de equivalência patrimonial, deveria reconhecer o crédito fiscal em favor da VCA em montante superior ao IRPJ e CSLL ao que deveriam ter sido apurados , se o auditor fiscal tivesse, em sua opinião utilizado a base tributária correta. Requer mais uma vez o cancelamento do auto de infração . É o relatório.A DRJ CANCELOU os lançamentos, nos termos da ementa abaixo e RECORREU de ofício: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. CONTROLADAS/ COLIGADAS. A partir da vigência do art.74 da MP 2.15835/2001, para fim da determinação da base de cálculo do Imposto de Renda e da CSLL, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. INVESTIMENTOS NO EXTERIOR. VARIAÇÃO CAMBIAL. Os valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial, não tributados no transcorrer do anocalendário, deverão ser considerados no balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, conforme prevê a Instrução Normativa n° 213/2002, cuja observância se impõe ao julgador administrativo. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. Os créditos de imposto de renda pagos no exterior, relativos a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, somente serão compensados com o imposto devido no Brasil, se referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo ano calendário subseqüente ao de sua apuração. É o relatório. Fl. 688DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.09353.J9B6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002575/201075 Acórdão n.º 1401000.876 S1C4T1 Fl. 72 6 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. RECURSO DE OFÍCIO Cabe inicialmente salientar que a lide não é afetada por eventual discussão da constitucionalidade do referido art. 74 da MP nº 2.15835/2001 no âmbito do STF, uma vez que a matéria em comento se refere à possibilidade de compensação de eventual imposto pago no exterior, exorbitando, portanto, a questão do momento da disponibilização do lucro. No voto condutor do Acórdão, o relator apesar de manter a base de cálculo que estava sendo questionada pelo contribuinte, mas não sob o prisma da MP n.2.158/2001, cancelou a integralidade do lançamento, por outro motivo, qual seja, pela compensação de imposto pago no exterior, nos termos abaixo: (...) Dos pagamentos de tributos no exterior A fiscalizada efetuou, no exterior, relativo ao lucro gerado pela empresa St Barbara, dois recolhimentos de tributos, relativos ao anofiscal de 2005: o primeiro de US$ 9.800.000,00 , de 15/12/2005 e a segunda parcela de US$ 987.607,00 em 15/03/2006, conforme documentos apresentados no curso da diligencia fiscal , com cópias de traduções juramentadas, de fls. 508 a 510, totalizando o valor de US$ 10.789.607,00. Esses dois pagamentos foram certificados pelo Consulado Geral do Brasil em Toronto, Otário , Canadá ( fls. 50 a 55). Tomando apenas o primeiro recolhimento efetuado em 15/12/2005 e convertendo pela taxa de câmbio da data do pagamento ( 2,2949), conforme art. 395, §3° do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, obtémse o seguinte valor: Pagamento no dia 15/12/05 Tx conversão de 15/12/2005 Valor em Reais US$ 9.800.000,00 2,2949 R$ 22.490.020,00 Desse total, a fiscalizada declarou ter utilizado R$ 4.434.358,73, para dedução na DIPJ, relativo ao valor do lucro no exterior declarado ( fls. 42 e 43) e, conforme já visto, não teria utilizado o restante do saldo em compensações posteriores, restando então, o valor de R$ 18.055.661,27. O lançamento fiscal efetuado , apurou R$ 10.094.949,23 de IRPJ e R$ 3.634.145,72 de CSLL, relativo à diferença entre lucro auferido no exterior , na empresa St. Barbara Cements Inc, no anocalendário de 2005 e o que tinha sido oferecido à tributação pela fiscalizada . Fl. 689DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.09353.J9B6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002575/201075 Acórdão n.º 1401000.876 S1C4T1 Fl. 73 7 Uma vez que, tomando apenas o primeiro recolhimento de tributo no exterior, efetuado no dia 15/12/2005, o valor recolhido e não utilizado desse tributo que poderia ser compensado (R$ 18.055.661,27), já era suficiente para compensar a totalidade do imposto devido ( IRPJ+ CSLL = R$ 13.729.094,95), o lançamento é improcedente, pois o auditor fiscal deveria ter considerado os valores do imposto recolhidos no exterior relativos ao lucro tributado, e que não haviam sido utilizados pela contribuinte. Em conclusão, o lançamento de IRPJ e CSLL deve ser desconstituído, pois a diligencia informou que a contribuinte não havia utilizado o saldo de tributo pago no exterior nos anosposteriores e o valor do saldo era mais do que suficiente para compensar o valor dos tributos lançados relativos a diferença do valor do lucro apurado no exterior, pela empresa St Bárbara Cements Inc que deixou de ser oferecida à tributação na DIPJ/2006. Segue abaixo o art. 26 da Lei n°. 9.249/95, que é o preceptivo mais ligado ao caso concreto, permitindo a compensação do imposto incidente no exterior sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital tributados no Brasil, nos seguintes termos: Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. § 3º O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais. No caso que se cuida, com a alegação da Recorrente que pagara mais imposto no exterior do que o que havia originalmente declarado, os autos foram baixados em diligência pela DRJ para confirmar se o montante de imposto pago no exterior não haveria sido utilizado pela Recorrente nas declarações de anos posteriores ou dado outra destinação qualquer. A diligência confirmou esse não aproveitamento e justificou os motivos pelos quais o aproveitamento não foi feito na época oportuna. Os pagamentos referentes aos lucros auferidos no exterior foram certificados pelo Consulado Geral do Brasil em Toronto, Otário , Canadá ( fls. 50 a 55), conforme comanda a legislação de regência (§2° do art. 26 da Lei n°. 9.249/95). Após os acertos nas bases de cálculos do lucro auferido no exterior levado à tributação no Brasil, constante de sua declaração de rendimentos, verificouse, ao fim que o imposto pago no exterior supera o imposto pago Brasil. Fl. 690DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.09353.J9B6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002575/201075 Acórdão n.º 1401000.876 S1C4T1 Fl. 74 8 Portanto, revisados os autos, constato a correção do Acórdão recorrido, adotando as mesmas razões de decidir do voto condutor. Por todo o exposto, NEGO provimento ao RECURSO DE OFÍCIO . (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 691DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.09353.J9B6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ANTONIO BEZERRA NETO em 12/12/2012 10:47:44. Documento autenticado digitalmente por ANTONIO BEZERRA NETO em 12/12/2012. Documento assinado digitalmente por: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA em 12/12/2012 e ANTONIO BEZERRA NETO em 12/12/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/02/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.0218.09353.J9B6 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 6CAC2F11F72B24F459862A0D40128C3A5CEAB295 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 19515.002575/2010-75. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 10835.902657/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente. Se o contribuinte apresenta DCTF contendo tributos a pagar e depois a retifica para indicar valores zerados, a cobrança do tributo apenas pode ocorrer após a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício de tais débitos.
SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. ALÍQUOTAS REDUZIDAS. REPETITIVO STJ TEMA 217.
Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002.
A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009.
Numero da decisão: 1401-002.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, julgar procedente o recurso voluntário, determinando que a DRF analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12% nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente. Se o contribuinte apresenta DCTF contendo tributos a pagar e depois a retifica para indicar valores zerados, a cobrança do tributo apenas pode ocorrer após a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício de tais débitos. SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. ALÍQUOTAS REDUZIDAS. REPETITIVO STJ TEMA 217. Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10835.902657/2009-91
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5800379
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1401-002.138
nome_arquivo_s : Decisao_10835902657200991.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10835902657200991_5800379.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, julgar procedente o recurso voluntário, determinando que a DRF analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12% nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
id : 7017495
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737488236544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2104; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10835.902657/200991 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.138 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de outubro de 2017 Matéria REPETITIVO. SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. Recorrente CENTRO PRUDENTINO DE IMAGEM S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente. Se o contribuinte apresenta DCTF contendo tributos a pagar e depois a retifica para indicar valores zerados, a cobrança do tributo apenas pode ocorrer após a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício de tais débitos. SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. ALÍQUOTAS REDUZIDAS. REPETITIVO STJ TEMA 217. Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 26 57 /2 00 9- 91 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10835.902657/200991 Acórdão n.º 1401002.138 S1C4T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, julgar procedente o recurso voluntário, determinando que a DRF analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12% nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Relatório Tratase PER/DCOMP em que o contribuinte pretende compensar débitos de CSLL, PIS e COFINS com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ. O despacho decisório não homologou a compensação ante a constatação de que o pagamento indicado pelo contribuinte foi integralmente utilizado para quitação de débitos de sua responsabilidade, não restando crédito disponível para compensação. Apresentada manifestação de inconformidade, esta foi assim julgada pela DRJ: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 15/03/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado em 20 de dezembro de 2012 (fl. 95), apresentou recurso voluntário em 21 de janeiro de 2013 (fl. 97), alegando, em síntese: Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10835.902657/200991 Acórdão n.º 1401002.138 S1C4T1 Fl. 4 3 Preliminarmente: que resposta a consulta por ele apresentada lhe confere o direito à utilização dos percentuais de 8% e 12%, respectivamente, para apuração do IRPJ e CSLL, na medida em que se enquadra como empresa prestadora de serviços hospitalares; que demonstrou que o crédito utilizado na compensação é oriundo do pagamento indevido correspondente a quota do IRPJ, cuja declaração foi retificada tendo em vista a resposta da consulta. Nesse sentido, comprovou que o apontamento do débito pela Autoridade Fiscal não levou em consideração a retificação da DIPJ, a qual foi alterada gerando respectivo crédito. que por ocasião da manifestação de inconformidade juntou aos autos cópia do CNPJ, contrato social, solução de consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 466, de 15 de dezembro de 2008; PER/DCOMP; DIPJ; DCTF e os comprovantes de pagamento indevido, e sustenta que tais documentos são hábeis e suficientes para demonstrar que exerce atividade de prestação de serviços de radiologia e radiodiagnósticos, na medida em que (i) o seu objeto social está circunscrito, pura e simplesmente, no exercício das referidas atividades; (ii) no seu CNPJ estão cadastrados os seguintes CNAES: 86.40299 Atividades de serviços de complementação diagnóstica e terapêutica não especificadas anteriormente; 86.40206 Serviços de ressonância magnética; 86.40204 Serviços de tomografia; 86.40 205 Serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante, exceto tomografia; 86.40207 Serviços de diagnóstico por imagem sem uso de radiação ionizante, exceto ressonância magnética; (iii) sua DIPJ revela que toda a receita operacional percebida pela Recorrente tem sua origem única e exclusivamente na prestação de serviços de radiologia e radiodiagnósticos. que, não obstante, a documentação acima foi considerada insuficiente pela DRJ, do que resta configurada a hipótese do artigo 16 do Decreto 70.235/72, que lhe autoriza a juntada de documentação complementar para contrapor os argumentos dessa decisão, qual seja: declaração do contador da empresa de que a Recorrente exerce exclusivamente serviços de radiologia (132); Licença de Funcionamento da Vigilância Sanitária em que se verifica que a atividade de "serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante exceto tomografia" (133). Alega ter juntado ainda cópia da folha do livro razão, mas o documento não se encontra nos autos. afirma, ainda, a necessidade superveniente de realização de diligência, haja vista que "emite, em média, um número muito grande de notas fiscais por mês, o que tornaria inviável carrear aos autos todas as notas fiscais". Discorre sobre a necessidade de a autoridade administrativa na busca de efetividade nas suas decisões perquirir sempre em busca da verdade material, alegando que esta tinha por dever funcional determinar a realização de diligências para se determinar a efetiva natureza da atividade exercida pela empresa. Aponta assistente técnico para tanto. que a DRJ pretende uma prova impossível de ser produzida por meio de documentos contábeis, pois nem mesmo se a recorrente juntasse aos autos todas suas notas fiscais juntamente com todos seus registros contábeis a Autoridade Julgadora não poderia chegar à conclusão pretendida quanto à exclusiva prestação de serviços hospitalares. Sustenta, assim, que cabe à Administração Pública comprovar que a Recorrente não exerce efetivamente as atividades de serviços de radiologia e radiodiagnóstico. reitera o argumento referente à nulidade do despacho decisório pois os dispositivos legais invocados seriam inadequados para a conclusão que o Fisco pretende alcançar, vez que tratam da possibilidade de compensação entre pagamentos indevidos de imposto e débitos de imposto a pagar, em nenhum momento estabelecendo em quais condições Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10835.902657/200991 Acórdão n.º 1401002.138 S1C4T1 Fl. 5 4 uma Declaração de Compensação apresentada por determinado contribuinte pode ser considerada como irregular, e, portanto, nãohomologável. Além disso, foram aplicados correção monetária, juros e multa, sem no entanto se invocar nenhum dispositivo legal que legitimasse tal pretensão. No mérito: afirma que uma das razões para julgar improcedente a manifestação de inconformidade foi o pretenso descumprimento do requisito: “ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil;”. Todavia, o STJ já julgou em sede de recurso repetitivo que "para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão ‘serviços hospitalares’, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde).". Transcreve ementas de julgados do STJ e deste CARF neste sentido. sustenta que ainda que assim não se entenda, é cediço que a natureza empresária da sociedade deve ser analisada mais sob o aspecto material do que sob o aspecto formal, ou seja, é plenamente possível que uma sociedade constituída sob a forma de sociedade simples, mas que ostente todas as características de uma sociedade empresarial, seja assim considerada. por fim, sustenta que na verdade o que ocorreu foi uma presunção por parte das autoridades fiscais sem qualquer respaldo probatório, sendo certo que as provas carreadas aos autos demonstram a efetividade da existência do indébito tributário utilizado na compensação. É o relatório. Voto Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.124, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10835.901284/200931. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.124): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. No mérito, primeiramente vislumbro um equívoco quanto à premissa adotada pelo despacho decisório proferido, já que este indeferiu a compensação sob a alegação de que inexistem créditos de IRPJ em um contexto em que a DIPJ e a DCTF, tais como retificadas (em retificações ocorridas antes do despacho decisório), contemplavam tais valores. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10835.902657/200991 Acórdão n.º 1401002.138 S1C4T1 Fl. 6 5 De fato, o Recorrente transmitiu o PER/DCOMP pleiteando a compensação dos créditos ora em análise e alega, ademais, que o direito creditório a seu favor teria sido gerado por ocasião da retificação da DIPJ e da DCTF, após o que o valor do IRPJ a pagar foi reduzido para zero. O despacho decisório que não homologou a compensação foi emitido meses depois. Assim, à época do despacho decisório, o cenário que a autoridade fiscal tinha era a de que o IRPJ "autolançado" em DCTF pelo ora Recorrente era zero e de que a DIPJ contemplava os créditos pleiteados na DCOMP. De fato, a legislação em vigor prevê que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (art. 19 da MP 1.99026/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001). Assim, em regra, a última declaração apresentada pelo contribuinte é a que prevalece para todos os fins. No caso, se a empresa apresenta DIPJ e DCTFs contendo tributos a pagar e depois as retifica para indicar valores zerados, a cobrança do tributo apenas pode ocorrer após a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício de tais débitos. Isso porque, no mundo jurídico, o débito de IRPJ passou a não mais existir após a transmissão das declarações retificadoras. Assim, se o fisco pretendia cobrar o IRPJ no valor tal como transmitidas a DIPJ e DCTF originais ou seja, se pretendia de alguma forma questionar as retificações deveria ter constituído o crédito tributário por meio do lançamento do tributo. Portanto, da forma como se mostra, o cenário na época da homologação das compensações em questão era de inexistência de débito (lançado ou autolançado) de IRPJ e, por consequência, de aparente existência do crédito pleiteado na compensação tal como declarado na DIPJ retificadora, devendo ser verificada apenas a regularidade de tal crédito ou seja: se os alegados pagamentos efetivamente foram efetuados (e, em se tratando de IRRF, também se os respectivos rendimentos foram oferecidos à tributação). Assim, a DRF deveria ter analisado o crédito pleiteado nas compensações levando em consideração que o débito de IRPJ do anocalendário constante das DIPJ e DCTF retificadoras era zero, conforme declarações retificadoras. Pois bem. Em segundo lugar, noto que a razão para negar a retificação das declarações seria a não concordância com matéria que já foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo. No caso, verificase a existência do Tema no. 217 em sede de Recurso Repetitivo do STJ, que assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10835.902657/200991 Acórdão n.º 1401002.138 S1C4T1 Fl. 7 6 Tema/Repetitivo 217 Situação do Tema Trânsito em Julgado Ramo do Direito DIREITO TRIBUTÁRIO Questão submetida a julgamento Questionase a forma de interpretação e o alcance da expressão serviços hospitalares, prevista no artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei 9.429/95, para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL com base em alíquotas reduzidas. Tese Firmada Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. Anotações Nugep Incide o Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSSL com alíquotas reduzidas, na forma do art. 15, § 1º, III, da Lei 9.249/1995, sobre a receita proveniente da prestação de 'serviços hospitalares' (não receita bruta total da empresa), neles compreendidas as atividades de natureza hospitalar essenciais à população, independente da existência de estrutura para internação, excluídas as consultas realizadas por profissionais liberais em seus consultórios médicos. Informações Complementares "As modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95." Repercussão Geral Tema 353/STF Enquadramento de pessoas jurídicas da área de saúde na qualidade de prestadoras de serviço hospitalar para fins de obtenção do benefício de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro líquido (CSLL) e do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) com base de cálculo reduzida. Observese que o critério apresentado pelo STJ para a interpretação da Lei nº 9.249/1995 é simples e objetivo: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde , independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. Vejase (grifamos): Art. 15 ... Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10835.902657/200991 Acórdão n.º 1401002.138 S1C4T1 Fl. 8 7 III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Observo que tal questão não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o disposto no § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002: Lei nº 10.522/02 Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) ... V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. § 5º As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7º Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) De fato, a matéria está na lista de temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016, publicada pela a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (disponível em http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoe normas/documentosportaria502/listadedispensade contestarerecorrerart2ovviiea7a73oa8odaportaria pgfnno5022016, acesso em 15 de outubro de 2017): "Alíquotas reduzidas Serviços hospitalares REsp 1.116.399/BA (tema nº 217 de recursos repetitivos) Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10835.902657/200991 Acórdão n.º 1401002.138 S1C4T1 Fl. 9 8 Resumo: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Para fins de redução da alíquota, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Ficou consignado que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. OBSERVAÇÃO: O benefício não se aplica às consultas médicas, nem mesmo quando realizadas no interior de hospitais, de modo que só abrange parcela das receitas da sociedade que decorre da prestação de serviços hospitalares propriamente ditos. Ressaltamos que o STF não reconheceu repercussão geral com relação a este tema (AI 803.140). OBSERVAÇÃO 2: Deve ser apresentada contestação e interposto recurso quando se tratar de sociedade simples, tendo se em vista a alteração introduzida pela Lei 11.718/08* no art 15, III, da Lei 9.249/95, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária." *Nota desta Relatora: na verdade tratase da Lei 11.727/08 que estabelece alíquota de 32% para " a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Ante o exposto, voto por julgar procedente o recurso voluntário, determinando que a DRF analise o crédito pleiteado nas Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10835.902657/200991 Acórdão n.º 1401002.138 S1C4T1 Fl. 10 9 compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12% nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário e determino que a DRF analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12%, nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
