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Numero do processo: 16000.000445/2008-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/1988 a 30/09/1995
COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Constatado que o crédito não é suficiente para compensar integralmente o débito, a compensação deve ser homologada parcialmente.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-003.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Maria Eduarda Alencar Camara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Constatado que o crédito não é suficiente para compensar integralmente o débito, a compensação deve ser homologada parcialmente. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Maria Eduarda Alencar Camara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 0. 00 04 45 /2 00 8- 95 Fl. 692DF CARF MF Processo nº 16000.000445/200895 Acórdão n.º 3301003.625 S3C3T1 Fl. 693 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Trata o presente processo de compensações efetuadas pelo interessado com crédito proveniente de pagamento a maior de PIS/Pasep reconhecido judicialmente na ação judicial nº 2005.03.99.0275895. O Despacho Decisório de folhas 384/389 reconheceu o valor total de R$ 396.398,31, corrigido até o dia 31/12/1995, conforme Demonstrativo de Apuração do Crédito que apurou o Saldo a Restituir (fl. 382/383). O contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que o Despacho Decisório contém um erro material no que concerne ao montante apurado de R$ 396.398,31, sendo que o correto seria R$ 762.821,80, conforme determinado na sentença judicial e respectivos acórdãos, e de acordo com a planilha que anexa às folhas 531/532. É o relatório do necessário." A manifestação de inconformidade foi julgada integralmente improcedente pela DRJ em Juiz de Fora (MG) e o Acórdão n° 0957.275 foi assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1988 a 30/09/1995 COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Constatada a insuficiência de crédito, a compensação deve ser homologada parcialmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O contribuinte interpôs recurso voluntário, contestando mais uma vez os cálculos do Fisco e, especificamente, o apresentado pela DRJ, a título exemplificativo. Ademais, acostou laudo técnico, que confirma o valor do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 693DF CARF MF Processo nº 16000.000445/200895 Acórdão n.º 3301003.625 S3C3T1 Fl. 694 3 Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preencheu os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A Recorrente apresentou Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado (fls. 132 a 136). Tratavase de créditos de PIS, derivados de recolhimentos efetuados nos anos de 1991 a 1995, com base nos DecretosLeis n° 2.445/88 e 2.449/88, considerados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e excluídos do ordenamento jurídico pela Resolução do Senado n° 49/95. O pedido foi deferido, sujeito a ulterior homologação. O contribuinte utilizou os créditos para liquidar débitos, por meio de compensações. Conforme Despacho Decisório (fls. 385 a 390), houve reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado, no montante de R$ 396.398,3, atualizado até 31/12/95. As compensações foram homologadas na mesma proporção. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando que os cálculos da fiscalização estavam incorretos e que, em 31/12/95, o valor total do crédito era de R$ 762.821,80. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Apresentou, a título exemplificativo, o cálculo do crédito relativo ao fato gerador de junho de 1993. No recurso voluntário, a Recorrente alega, mais uma vez, que os cálculos da fiscalização estavam errados e, em especial, o exposto pela DRJ, referente ao mês de junho de 1993. Entretanto, desta feita, alegou que o total do crédito montava a R$ 795.304,72, do qual deviam ser descontadas as compensações até então efetuadas, de R$ 62.854,47, e que assim, restava um saldo a compensar de R$ 732.450,25. Não assiste razão à Recorrente. Realizei alguns exames no laudo técnico apresentado pelo contribuinte e identifiquei o seguinte: a) Relativamente ao período de janeiro de 1992 a outubro de 1993, foram adotados critérios de cálculo divergentes do previsto na legislação de regência. Abaixo, descrevo a divergência, utilizando o mês de junho de 1993, oferecido como exemplo pela DRJ e contestado pela Recorrente. b) Pagamento a maior computado pela fiscalização, referente ao mês de novembro de 1991, porém não incluído pela Recorrente. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 16000.000445/200895 Acórdão n.º 3301003.625 S3C3T1 Fl. 695 4 c) A Recorrente computou como pagamento a maior de dezembro de 1993 valor menor do que o da fiscalização. d) Pagamentos a maior considerados pela Recorrente e não pela fiscalização, relativos aos meses de junho de 1994, e janeiro, fevereiro e abril a junho de 1995. Contudo, não foram apresentadas as correspondentes guias de pagamento, comprovando que a fiscalização cometera erro em seus cálculos. Sobre o cálculo do mês de junho de 1993, a decisão judicial determinou a adoção dos critérios previstos no Provimento n° 24/97, da Corregedoria Geral da Justiça Federal (fls. 317 a 321), que por sua vez remetese à Lei n° 8.383/91. Ambas, Recorrente e DRJ, partem dos mesmos montantes de PIS devido (LC n° 7/70), em moeda e em UFIR, respectivamente, Cr$ 409.859.724,05 e 12.514,92 UFIR. Também consideraram o mesmo valor em moeda como o efetivamente pago, Cr$ 646.685.680,00. Contudo, divergiram quanto ao valor da UFIR a ser adotado para nesta unidade converter os Cr$ 646.685.680,00. A fiscalização e a DRJ converteram, tendo como base no valor da UFIR na data em que foi efetuado o pagamento a maior, isto é, 15/07/93 (fl. 297), a qual era de R$ 36.897,72. Encontraram 17.526,44 UFIR. Em seguida, ao comparar o valor pago (17.526,44 UFIR) com o devido (12.514,92 UFIR), concluíram que o crédito era de 5.011,52 UFIR. A Recorrente, por seu turno, converteu em UFIR o valor efetivamente pago (Cr$ 646.685.680,00) pelo valor desta no dia 01/07/93 (também adotado como valor da UFIR do mês de julho de 1993), de R$ 32.749,68. Com isto, naturalmente, encontrou um montante efetivamente pago, em UFIR, maior do que o da fiscalização, qual seja, de 19.746,32. E, com isto, um valor pago a maior de 7.231,40, enquanto que a fiscalização, como vimos, de 5.011,52. De acordo com o inciso IV do art. 52 e inciso IV do caput e § 2° do art. 53 da Lei n° 8.383/91, com as redações à época vigentes, o valor a recolher do PIS era assim calculado: a) aplicação da alíquota em vigor sobre a base de cálculo expressa em moeda; b) conversão em UFIR do valor em moeda apurado nos termos do item anterior, com base no valor daquela unidade vigente no mês seguinte ao de competência (UFIR do mês seguinte, que era, na verdade, a do primeiro dia daquele mês); e c) apuração do valor a recolher, convertendo em moeda aquela quantidade de UFIR pelo valor desta no dia do pagamento. Da leitura das regras acima descritas, verificase que a fiscalização calculou corretamente o valor do crédito em UFIR. Fl. 695DF CARF MF Processo nº 16000.000445/200895 Acórdão n.º 3301003.625 S3C3T1 Fl. 696 5 Por outro lado, a Recorrente não cumpriu o disposto nos citados dispositivos legais. Converteu o valor efetivamente pago pela UFIR do mês seguinte, que era a do primeiro dia de julho de 1993 (Cr$ 32.749,68), e não pela UFIR do dia 15/07/93 (Cr$ 36.897,72), data em que ocorreu o pagamento. Desta forma, encontrou um montante de crédito significativamente maior do que o correto. As regras do inciso IV do art. 52 e inciso IV do caput e § 2° do art. 53 da Lei n° 8.383/91 vigeram de janeiro de 1992 a outubro de 1993. E, do exame da planilha constante do laudo técnico apresentado pela Recorrente, constatase que o erro cometido no mês de junho de 1993 também o foi nos demais. Diante dos equívocos cometidos nos cálculos dos créditos e ausência de comprovação dos pagamentos a maior que alegou não terem sido computados pela fiscalização, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 696DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720053/2013-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 31/01/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009
CIDE. BASE DE CÁLCULO.
A contribuição incide sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações contraídas, sendo considerada líquida a quantia enviada ao exterior.
Sujeita-se, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, a qual que conceitua o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, razão pela qual, na apuração da CIDE deve-se considerar o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue.
Numero da decisão: 9303-005.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer De Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Data do fato gerador: 31/01/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 CIDE. BASE DE CÁLCULO. A contribuição incide sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações contraídas, sendo considerada líquida a quantia enviada ao exterior. Sujeita-se, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, a qual que conceitua o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, razão pela qual, na apuração da CIDE deve-se considerar o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer De Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1896; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 5.659 1 5.658 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.720053/201300 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.195 – 3ª Turma Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria CIDE REMESSAS PARA O EXTERIOR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado NEXTEL TELECOMUNICAÇÕES LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 31/01/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 CIDE. BASE DE CÁLCULO. A contribuição incide sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações contraídas, sendo considerada líquida a quantia enviada ao exterior. Sujeitase, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, a qual que conceitua o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, razão pela qual, na apuração da CIDE devese considerar o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 53 /2 01 3- 00 Fl. 5659DF CARF MF Processo nº 19515.720053/201300 Acórdão n.º 9303005.195 CSRFT3 Fl. 5.660 2 (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer De Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra ao acórdão nº 3403003.029 , proferido pela 4º Câmara/3º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar o reajustamento da base de cálculo da CIDE. Reproduzo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "NEXTEL TELECOMUNICAÇÕES LTDA teve contra si lavrado o Auto de Infração de fls. 2.224 a 2.226 e anexos, para determinação e exigência de crédito tributário relativo à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE (Remessas ao Exterior), no valor total de R$ 11.205.770,26, em decorrência da constatação de insuficiência de recolhimento da contribuição referente a fatos geradores ocorridos nos anos de 2008 a 2009. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 2.233 a 2.247 constam os demonstrativos da base de cálculo apurada (fls. 2.243 e 2.244) e de seu reajuste pela inclusão do IRRF incidente nas respectivas remessas (fl. 2.247). Sobreveio impugnação, fls. 5.043 a 5.058. Sinteticamente, combate a exigência da contribuição sobre as remessas para pagamento de licenças de uso de software (beneficiários Actix, Motorola Inc., Ditech e Movius) e para pagamento de serviços técnicos, administrativos e semelhantes, pelo fato de não ter ocorrido transferência de tecnologia, elemento constante do aspecto material da hipótese de incidência da CIDE, por força dos artigos 20 e 21 da Lei nº 11.452, de 27 de fevereiro 2007, que alterou o artigo 2 da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000. O acórdão da decisão recorrida, restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 31/01/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 Fl. 5660DF CARF MF Processo nº 19515.720053/201300 Acórdão n.º 9303005.195 CSRFT3 Fl. 5.661 3 HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA. A incidência da Contribuição, na contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior, prescinde da ocorrência de transferência de tecnologia. BASE DE CÁLCULO PESSOA JURÍDICA BRASILEIRA. ASSUNÇÃO DO ÔNUS DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RECOMPOSIÇÃO. O valor do IRRF incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da Contribuição, independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus imposto do IRRF. Recurso Voluntário Provido em Parte Recurso de Ofício Não Conhecido Crédito Tributário Mantido em Parte Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, requerendo que seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido de forma a manter o auto de infração da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE (Remessas ao Exterior), com o reajustamento da base de cálculo efetuada pela Fiscalização pela inclusão do IRRF incidente nas respectivas remessas. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigma o Acórdão nº 3301001.683, de 29/11/2012. Em seguida, o recurso teve seguimento, nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls, 5637/5638. A Contribuinte apresentou contrarrazões ao Recurso da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 5661DF CARF MF Processo nº 19515.720053/201300 Acórdão n.º 9303005.195 CSRFT3 Fl. 5.662 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito ao reajustamento ou não, pela inclusão do IRRF devido na base de cálculo de CIDE sobre contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior. Com efeito, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº9303004.142, julgado em 09/06/2016, de minha relatoria, versando sobre a mesma matéria, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: "A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito ao reajustamento ou não, pela inclusão do IRRF devido na base de cálculo de CIDE sobre contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior. Com efeito, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº9303004.142, julgado em 09/06/2016, de minha relatoria, versando sobre a mesma matéria, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: Superada questões amiúdes, passase adiante na análise da divergência posta a esta Câmara Superior, observando que o cerne do litígio consiste na correta determinação da base de cálculo da CIDE Remessa incidente sobre os pagamentos efetuados a domiciliados no exterior, quando a fonte pagadora assume o ônus do pagamento do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. Para melhor nitidez, convém transcrever o art. 2° da Lei n.° 10.168, de 29/12/2000, com a redação dada pelo art. 6º da Lei n.° 10.332/01: Art. 2. Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1° Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1A. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei n" 11.452, de 2007) § 2° A partir de 1° de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o capul deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias Fl. 5662DF CARF MF Processo nº 19515.720053/201300 Acórdão n.º 9303005.195 CSRFT3 Fl. 5.663 5 de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem,creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, q/quaiqyer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação dada pela Lei n° 10.332, de 19.12.2001) (...) Nos termos do §3o do artigo acima transcrito, a base de cálculo da contribuição é o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido ao residente no exterior em virtude das obrigações decorrentes de contratos que tenham por objeto, dentre outros, a prestação de serviços técnicos e a assistência administrativa. O ponto é, o que vem a ser realmente esse valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido ao exterior, nos casos em que o ônus do IRRF é assumido pela fonte pagadora? Para dirimir a essa questão, se faz necessário analisar a natureza da despesa representada pelo IRRF assumido pela fonte pagadora dos rendimentos, a qual é trazida pelo art. 344, § 3o , do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 (Decreto 3000/1999; Texto Republicado no D.O.U. de 17.6.99), aplicado subsidiariamente a CIDE. Vejamos: Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei n 8.981, de 1995, art. 41). (...) § 3 A dedutibilidade, como custo ou despesa, de rendimentos pagos ou creditados a terceiros abrange o imposto sobre os rendimentos que o contribuinte, como fonte pagadora, tiver o dever legal de reter e recolher, ainda que assuma o ônus do imposto (Lei n 8.981, de 1995, art. 41, § 3). (...) Com efeito, o referido dispositivo, indica quando a fonte pagadora dos rendimentos assume o ônus do imposto de renda na fonte, a legislação considera tal parcela parte integrante do rendimento pago ou creditado. Ou seja, se o contribuinte do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ paga remuneração, por exemplo, por serviços técnicos prestados e toma para si o ônus do imposto de renda na fonte, o valor deste passa a integrar aquela remuneração, tanto que a fonte pagadora pode deduzilo na apuração do seu próprio Imposto de Renda. Destarte, uma vez que a legislação considera o imposto assumido pela fonte pagadora como despesa de mesma natureza dos rendimentos efetivamente pagos ou creditados, no caso, remetidos ao exterior, temse que a base de cálculo dá ÇIDI rendimento enviado ao exterior considerado líquido acrescido do imposto de renda na fonte assumido pela fonte pagadora. Fl. 5663DF CARF MF Processo nº 19515.720053/201300 Acórdão n.º 9303005.195 CSRFT3 Fl. 5.664 6 E não poderia ser diferente, pois o IRRF nasce do rendimento, tratase o IRRF de um imposto sobre a renda. Portanto, o valor correspondente ao IRRF está entranhado no rendimento total e dele faz parte. O artigo 725 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, leva a conclusão, quando a fonte pagadora toma para si o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue é considerada líquida. Vejamos: "Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei n° 4.154, de 1962, art. 5o, e Lei n°8.981, de 1995, art. 63, § 2o). " Os dispositivos estabelecem que a importância remetida ao exterior é considerada líquida, enquanto o rendimento total, ou seja, o valor da operação, o valor do contrato de prestação de serviços, por exemplo, que será contabilizado como despesa dedutível pelo contribuinte, será o valor remetido ao exterior mais o imposto retido na fonte, fazendose necessário, pois, o reajustamento do rendimento. Logo, a inclusão no montante tributado pela CIDE dos valores retidos a título de imposto de renda é conseqüência da base de cálculo prevista no art. 2o , § 3o , da Lei n.° 10.168/2000. Tal assertiva é convalidada pelo art. 3o da mesma Lei n.° 10.168/2000: Art. 3 Compete à Secretaria da Receita Federal a administração e a fiscalização da contribuição de que trata esta Lei. Parágrafo único. A contribuição de que trata esta Lei sujeitase às normas relativas ao processo administrativo fiscal de determinação e exigência de créditos tributários federais, previstas no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores, bem como, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, especialmente quanto a penalidades e demais acréscimos aplicáveis. Sem embargo, a contribuição (CIDE) sujeitase, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, a qual que conceitua o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, razão pela qual, mais uma vez na apuração da CIDE igualmente devese considerar o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue. Como a Contribuinte guerreia que se mantenha a decisão da turma baixa pelo reajustamento da base de cálculo da CIDE, convém verificar mais didaticamente se de fato há esse reajustamento. Para tanto, trago a declaração de voto do Ilustre Ex. CONSELHEIRO DOS CONTRIBUINTES Luiz Rogério Sawaya Batista, que discorda de todos os fundamentos utilizados pelos Relator do presente processo. Destaco: Fl. 5664DF CARF MF Processo nº 19515.720053/201300 Acórdão n.º 9303005.195 CSRFT3 Fl. 5.665 7 DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, "Ouso discordar do Emitente Relator. E o faço utilizando simples raciocínio matemático e lógico, com todo o respeito ao voto lançado. Isso porque, objetivamente, não há que se falar em aplicação cronológica da Lei no tempo, mas sim de se analisar com vagar como se dá a tributação do Imposto de Renda na Fonte e da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico. Primeiro que tudo, há que se fixar a premissa singela de que o Imposto de Renda, como o seu próprio nome está a dizer, incide sobre a renda, o rendimento e/ou o provento de qualquer natureza. O Imposto sobre a Renda na Fonte incide, pois, no presente caso, sobre a renda percebida pelo não residente. Portanto, o contribuinte do Imposto de Renda na Fonte é o não residente, que aufere rendimento/renda decorrente de fonte pagadora situada no País (e, conforme a corrente adotada, que tenha fonte de produção no País, discussão esta que não pertence à presente Declaração de Voto). Pois bem, a legislação, ciente da dificuldade prática de se cobrar o Imposto de Renda do não residente, contribuinte deste Imposto, ressalto, previu o Imposto de Renda na Fonte, determinando que a fonte pagadora seja a responsável, na imensa maioria dos casos, pela retenção e pelo pagamento do Imposto ao Erário. Ora, e qual a noção mais básica acerca do responsável tributário. Sim. O Responsável tributário, designado como tal expressamente pela Lei, não sobre o ônus econômico do tributo, cabendolhe apenas a responsabilidade legal de reter, quando do pagamento, crédito, entrega, remessa ou emprego, do valor a pagar ao não residente, contribuinte, o Imposto de Renda na Fonte incidente e recolhêlo ao Fisco. Num exemplo matemático, assumindose uma alíquota de 15% do Imposto de Renda na Fonte e um contrato entre fonte pagadora brasileira e o não residente com valor de serviço de R$ 10.000,00, temse, pois, que o Imposto de Renda na Fonte a ser retido e recolhido pela fonte será de R$ 1.500,00, ao passo que o contribuinte, que auferiu renda de R$ 10.000,00, irá receber a quantia líquida de R$ 8.500,00. E qual seria o valor suportado pelo responsável tributário. Nenhum! O responsável tributário não sofre o ônus econômico do Imposto.Nesse patamar, fazse necessário apenas um parêntese para observar que com a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico a situação é completamente distinta, pois ainda que seu fato gerador, na realidade, seu aspecto temporal, seja idêntico ao Imposto de Renda na Fonte — pagamento, remessa, crédito, entrega e/ou emprego — nos Fl. 5665DF CARF MF Processo nº 19515.720053/201300 Acórdão n.º 9303005.195 CSRFT3 Fl. 5.666 8 contratos por ela abrangidos, o contribuinte, aquele que sofre o ônus econômico do tributo, é a pessoa jurídica brasileira, não guardando o não residente nenhuma relação com o Erário brasileiro. Dessa forma, no exemplo acima, tendo em vista que o valor contratado, a remuneração estabelecida entre as partes era de R$ 10.000,00, tendo em vista a aplicação da alíquota de 10% da CIDE, o valor a ser recolhido pela pessoa jurídica brasileira, contribuinte, é de exatamente R$ 1.000,00 aos cofres públicos. Verificase, pois, que são dois tributos totalmente distintos, com contribuintes diferentes, que possuem em comum apenas o aspecto temporal, pois tanto a CIDE como o IR Fonte devem ser pagos no momento do pagamento, remessa, crédito, entrega e/ou emprego, conforme estabelecem as respectivas legislações. Por vezes, dependendo da negociação entre o contratante brasileiro e o não residente, por exigência comercia expressa do não residente, as partes estabelecem que o encargo econômico do Imposto de Renda na Fonte será totalmente suportado pela pessoa jurídica brasileira. A legislação do Imposto de Renda na Fonte prevê tal possibilidade, inclusive na hipótese em que a fonte pagadora falhar em não reter e recolher o tributo, sendo relevante mencionar que tal convenção privada não tem o condão de alterar a natureza do tributo nem seus elementos essenciais, o que significa dizer, em outras palavras, que o contribuinte do Imposto de Renda na Fonte continuará sendo o não residente. Porém, nesse caso, obviamente, há uma alteração na condição comercial da negociação, pois uma vez que o não residente exige receber a quantia o preço contratado livre do Imposto de Renda na Fonte, significa, utilizando o exemplo acima, que ele não deseja receber R$ 8.500,00 líquido, mas sim R$ 10.000,00, livre de Imposto. Ora, não há mágica e sequer aplicação cronológica da Lei, mera neblina diante de situação tão clara, pois nesse caso, na realidade, a pessoa jurídica brasileira concordou, ao aceitar a referida cláusula, em pagar não R$ 10.000,00 ao não residente, mas sim R$ 11.764,71, que é justamente o valor com o denominado cálculo por dentro do Imposto de Renda na Fonte, também denominado “gross up”. Ou seja, a empresa brasileira toma os R$ 10.000,00 e divide a referida quantia por 85% (ou por 0,85) — que é justamente 100% 15% ou 1 – 0,85 — para incluir o Imposto de Renda na Fonte no preço, de modo que quando ela multiplicar os R$ 11.764,71 por 15%, a quantia resultante de R$ 1.764,71, após subtraída, seja exatamente os R$ 10.000,00 líquidos a serem recebidos pelo não residente. Portanto, a pessoa jurídica brasileira concordou em pagar R$ 11.764,71 na contratação ao assumir o encargo econômico do Imposto, que é simplesmente incluído no preço, não alterando o fato de que o não Fl. 5666DF CARF MF Processo nº 19515.720053/201300 Acórdão n.º 9303005.195 CSRFT3 Fl. 5.667 9 residente continua sendo o contribuinte do Imposto, podendo, inclusive, se aproveitar, caso haja Tratado para Evitar a Dupla Tributação de seu país com o Brasil, se aproveitar dos R$ 1.764,71 pago por ele aqui no Brasil a título de Imposto de Renda na Fonte. E sobre essa nova quantia de R$ 11.764,71, que é justamente o valor do contrato entre as partes, que irá incidir a CIDE, pois assim como na contratação de R$ 10.000,00, essa é a base de cálculo estipulada pelas partes. Dessa forma, por essas razões não tenho como concordar com o Relator, motivo pelo qual nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luiz Rogério Sawaya Batista" Com isso, não há dúvidas da incidência do IRRF nas remessas em questão e, por conseqüência, também não há que ser discutir a inclusão do valor daquele imposto da base de cálculo da CIDE". Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 5667DF CARF MF Processo nº 19515.720053/201300 Acórdão n.º 9303005.195 CSRFT3 Fl. 5.668 10 Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama No que tange à base de cálculo da CIDE quando há assunção do ônus do IRF pelo tomador do serviço de residente ou domiciliado no exterior, peço vênia ao ilustre Conselheiro Demes para manifestar meu entendimento. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre a base de cálculo da CIDE. Importante trazer, a priori, que a CIDE é uma contribuição que tem como sujeito passivo o tomador do serviço, e não o prestador de serviço residente no exterior, conforme os seguintes dispositivos da Lei 10.168/00 (Grifos meus): “ Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Decreto nº 6.233, de 2007) (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) § 1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) § 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência Fl. 5668DF CARF MF Processo nº 19515.720053/201300 Acórdão n.º 9303005.195 CSRFT3 Fl. 5.669 11 administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) [...]” Ou seja, é diferente do IRF incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior, pois, nesse caso (CIDE), o contribuinte é o próprio prestador do serviço não residente. Ora, o próprio beneficiário da importância a ser recebida é o sujeito passivo. Tanto é assim que, em geral, após a recepção da “Invoice” pelo tomador do serviço, o tomador quando da liquidação do câmbio para pagamento ao não residente pela prestação de serviço, deve apresentar DARF à Instituição Financeira autorizada a fechar o câmbio comprovando que reteve e recolheu 15% de IRRF sobre tal remessa direcionado ao prestador. Não obstante às situações corriqueiras, vêse que, eventualmente, por questões comerciais e, por conseguinte, contratuais, pode ser firmado “Agreement" entre o tomador do serviço e prestador de serviço não residente, prevendo a assunção do ônus do IRF devido pelo prestador ao tomador. Mas, em ambos os casos, o sujeito passivo continua claramente sendo o não residente. Tanto é assim, que na DIRF do tomador do serviço, deve constar o CNPJ e a NIF – Número de Identificação Fiscal do prestador de serviço não residente. Eis a IN SRF 1587/2015, que dispõe sobre a DIRF: “ Art. 22. Na hipótese prevista no § 2º do art. 2º, a Dirf 2016 deverá conter as seguintes informações sobre os beneficiários residentes e domiciliados no exterior: I Número de Identificação Fiscal (NIF) fornecido pelo órgão de administração tributária no exterior; II indicador de pessoa física ou jurídica; III número de inscrição no CPF ou no CNPJ, quando houver; IV nome da pessoa física ou nome empresarial da pessoa jurídica beneficiária do rendimento; Fl. 5669DF CARF MF Processo nº 19515.720053/201300 Acórdão n.º 9303005.195 CSRFT3 Fl. 5.670 12 V endereço completo (rua, avenida, número, complemento, bairro, cidade, região administrativa, estado, província etc); VI país de residência fiscal; VII natureza da relação entre a fonte pagadora no País e o beneficiário no exterior, conforme Tabela constante do Anexo II desta Instrução Normativa; VIII relativamente aos rendimentos: a) código de receita; b) data de pagamento, remessa, crédito, emprego ou entrega; [...] Parágrafo único. O NIF será dispensado nos casos em que o país do beneficiário residente ou domiciliado no exterior não o exija ou nos casos em que, de acordo com as regras do órgão de administração tributária no exterior, o beneficiário do rendimento, remessa, pagamento, crédito, ou outras receitas, estiver dispensado desse número.” Continuando, temse que, quando, por questões comerciais, o tomador, responsável tributário por reter e recolher o IRF, assume o ônus do IRF DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO, deve observar para o cálculo do IRF, a base de cálculo descrita no art. 725 do RIR/99, in verbis (Grifos Meus): “ Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei nº 4.154, de 1962, art. 5º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 63, § 2º).” Sendo assim, caso haja previsão contratual de assunção do ônus do IRF DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO, o tomador deve “grossapar” o IRF – com o intuito de o beneficiário efetivamente receber o valor contratado sem os efeitos fiscais impostos pela autoridade fazendária do país do tomador. Não é demais ressaltar que o art. 725 do RIR/99 é plenamente aplicável para a hipótese de o tomador do serviço assumir o ônus do IRRF DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO, Fl. 5670DF CARF MF Processo nº 19515.720053/201300 Acórdão n.º 9303005.195 CSRFT3 Fl. 5.671 13 pois, por óbvio, abarcou essa hipótese ao expressar literalmente o termo “ônus do imposto DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO”. No que tange à CIDE, nos termos da Lei 10.168/00, vêse que o contribuinte/sujeito passivo não é o prestador de serviço não residente, mas sim o tomador do serviço. O que faz todo o sentido ser assim, vez que essa contribuição foi instituída com a pretensão de se estimular o desenvolvimento tecnológico e produtivo brasileiro. E para que haja tal estímulo deverseia imputar um “ônus financeiro” às pessoas jurídicas residentes no país que deixassem de contratar um residente para tomar serviço de um não residente, vez que, agindo dessa forma, desestimularia o setor produtivo no país desviando o “investimento” (recurso) ao exterior. Sendo assim, resta claro que o sujeito passivo da contribuição é o tomador de serviço – ou seja, que A CONTRIBUIÇÃO É DEVIDA PELO TOMADOR, e não pelo beneficiário do recurso (remuneração pela prestação do serviço), tal como ocorre com o IRRF. O que, a rigor, é de se afastar a aplicação do art. 725 do RIR/99 no cálculo de apuração da CIDE. Notase que faz todo o sentido aplicar o art. 725 do RIR/99 para a base de cálculo do IRRF, tendo em vista que se trata de tributo sujeito a retenção na fonte devido pelo beneficiário do recurso objeto da incidência desse imposto. E que, portanto, seria passível, por questões comerciais, de ter o ônus financeiro do imposto assumido pelo despendedor do referido recurso a ser remetido. O que, aplicar tal dispositivo à CIDE, extrapolaria matematicamente, economicamente, contabilmente e juridicamente a base de cálculo dessa contribuição, vez ser uma contribuição devida efetivamente pelo tomador do serviço prestado. E não se trata de contribuição a ser retida na fonte. A Cide não oneraria o prestador – o que, por óbvio, não há que se falar em assunção desse ônus, pois não é devido pelo beneficiário da remuneração, mas sim por seu despendedor. Para melhor elucidar, importante trazer ainda à baila o art. 2º, § 3º, da Lei 10.168/00, in verbis (Grifos meus): “ Art. 2º................................................... [...] Fl. 5671DF CARF MF Processo nº 19515.720053/201300 Acórdão n.º 9303005.195 CSRFT3 Fl. 5.672 14 § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. [...]” Nos termos do dispositivo, vêse claro que a base de cálculo da CIDE é a remuneração dos serviços prestados – remuneração essa prevista no contrato. Ora, quando é firmado um “Agreement" entre o tomador e prestador, há uma clausula específica de remuneração – que traz um valor mensurável de remuneração e outra cláusula, no caso de se optar pelo “grossup”, de “disposições gerais” que traz expressamente a assunção pelo tomador do serviço do IRF DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO da remuneração. Sendo assim, ainda que haja previsão contratual determinado o “grossup” do IRF devido pelo beneficiário, a remuneração não se altera com tal disposição e, por conseguinte, a BASE DE CÁLCULO da contribuição. Não se altera a remuneração, em respeito à literalidade da Lei e aos termos contratuais (declaração de vontade das partes). A base de cálculo da CIDE não deve ser “reajustado”, pois sua base de cálculo é simplesmente a remuneração do prestador. Ora, reajustar a base de cálculo da CIDE, seria extrapolar as normas que regem sua instituição. E nem há previsão legal para tanto. E caso, por equívoco, se pretenda aplicar o art. 725 do RIR/99 por analogia, importante trazer os dizeres do art. 97 do CTN, in verbis (Grifos meus): “ Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; Fl. 5672DF CARF MF Processo nº 19515.720053/201300 Acórdão n.º 9303005.195 CSRFT3 Fl. 5.673 15 IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo.” Considerando o enunciado, temse que aplicar por analogia o art. 725 do RIR/99 feriria gravemente o art. 97 do CTN, vez que aumentaria o valor da contribuição, bem como extrapolaria a base de cálculo definida pela própria Lei 10.168/00 – que DEFINIU A BASE DE CÁLCULO COMO SENDO A REMUNERAÇÃO PELA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. E, ainda, caso se entenda que a legislação pertinente ao IR poderia ser aplicada subsidiariamente à CIDE, invocando o art. 3º, parágrafo único da Lei 10.168/01, in verbis: “ Art. 3º Compete à Secretaria da Receita Federal a administração e a fiscalização da contribuição de que trata esta Lei. Parágrafo único. A contribuição de que trata esta Lei sujeitase às normas relativas ao processo administrativo fiscal de determinação e exigência de créditos tributários federais, previstas no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores, bem como, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, especialmente quanto a penalidades e demais acréscimos aplicáveis.” Fl. 5673DF CARF MF Processo nº 19515.720053/201300 Acórdão n.º 9303005.195 CSRFT3 Fl. 5.674 16 Não há que se aplicar ainda assim o art. 725 do RIR/99, pois o parágrafo único do art. 3º traz sua aplicação da legislação do IR apenas quanto a penalidades e demais acréscimos aplicáveis. Em respeito à ciência do direito, a aplicação subsidiaria “no que couber” só pode dar em matéria na qual a Lei 10.168/00 for omissa, o que não ocorre quanto à base de cálculo da CIDE, fixada no § 3º do art. 2º dessa lei. A omissão existe quando houver apenas lacunas normativas – o que não ocorreu na legislação da CIDE, pois o legislador quando da feitura da Lei 10.168/00 trouxe claramente que a base de cálculo da CIDE é a remuneração pela prestação do serviço. Em vista de todo o exposto, entendo que não há que se falar em “grossapar” o IRRF na base de cálculo da CIDE. O que, por conseguinte, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 5674DF CARF MF
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Numero do processo: 19991.000081/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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(SPRESS CAFÉ IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. RELATÓRIO Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de PIS/Pasep nãocumulativos do 1º trimestre de 2006, vinculados às receitas de exportação. As glosas empreendidas pela fiscalização foram relativas a aquisições de bens para revenda de pessoas jurídicas declaradas inaptas pela RFB, de acordo com os artigos 39 e 45 da IN RFB nº 1.005/2010 e de crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, em razão de não ter sido considerada produtora de café, nos termos do §6º do referido artigo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 99 91 .0 00 08 1/ 20 10 -3 1 Fl. 351DF CARF MF Processo nº 19991.000081/201031 Resolução nº 3302000.594 S3C3T2 Fl. 352 2 Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que efetuou os pagamentos aos fornecedores declarados inaptos, que as mercadorias compuseram seu estoque, mediante notas fiscais de remessa para armazém geral e nota fiscal de retorno, que as mercadorias foram exportadas conforme notas fiscais informadas. Em relação aos fornecedores EXPORT DO BRASIL LTDA e J.B. BARONI, reitera que efetuou as operações com referidos fornecedores e que eventual descumprimento de obrigações fiscais por parte dos mesmos não pode servir de fundamento à glosa das operações com a recorrente. Complementa, alegando equivocado o entendimento da fiscalização em vincular a possibilidade de crédito à existência efetiva de pagamento das contribuições pelos fornecedores. Concernente à glosa por não ter sido considerada produtora, a recorrente alegou que é produtora de acordo com o artigo 4º do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002), ainda que industrialize por encomenda de terceiros, por ser equipada a industrial pela legislação do IPI. A DRJ, por seu turno, proferiu o Acórdão nº 0937.100, considerando a manifestação procedente em parte, nos termos da seguinte ementa: PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório é ônus do qual deve se desincumbir. CRÉDITO DE BENS PARA REVENDA, ADQUIRIDOS DE INAPTAS E OMISSAS CONTUMAZES. Na qualidade de terceiro interessado, há que se reconhecer tão somente o direito credit6rio dos valores de Pis/Cofins não cumulativos relativos ante os quais a contribuinte comprovou o pagamento do prep respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias, de sorte a que se visse livre da inidoneidade das respectivas notas fiscais de aquisição. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIA Para fazer jus ao crédito presumido agroindústria, na espécie, mister que a pessoa jurídica produza o café que revende, considerandose como produção o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Em recurso voluntário, a recorrente reiterou a efetividade das operações ocorridas com os fornecedores CERRADO EXPORT DO BRASIL LTDA e J.B.BARONI, únicos fornecedores inaptos cujas glosas de aquisições foram mantidas pela DRJ, afirmando que a declaração de inaptidão da CERRADO ocorreu apenas em 01/03/2010, mais de quatro anos após as operações e que a J.B.BARONI possui cadastro ativo e nunca foi declarada inapta, Fl. 352DF CARF MF Processo nº 19991.000081/201031 Resolução nº 3302000.594 S3C3T2 Fl. 353 3 conforme tela do CNPJ juntada. Concernente ao crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, reprisou as alegações realizadas na manifestação de inconformidade. Na sessão de 29/01/2014, o julgamento foi convertido em diligência, para que a recorrente pudesse comprovar seu processo produtivo, elucidando como é realizado este processo produtivo, definindo as fases (recebimento do café/moagem/torra/etc) e todo o procedimento ao qual se submete o grão de café; quem é que faz este processo produtivo, clareando a informação do que é feito em seus próprios estabelecimentos e o que é terceirizado, apresentado, se o caso, provas deste procedimento de industrialização em seus estabelecimentos; comprovar documentalmente o procedimento de envio para industrialização por encomenda, bem como que realiza a venda de produto industrializado. Em resposta, a autoridade fiscal concluiu que a o processo produtivo previsto no §6º do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004 foi cumprido, mas por outra pessoa jurídica, a saber um armazém geral local e não pela recorrente, que apenas efetuou a encomenda da industrialização. Em manifestação, a recorrente reiterou que todas as atividades previstas no §6º do artigo 8º ad Lei nº 10.925/2004 ocorreram, ainda que parte por encomenda, o que não retira a condição de produtora da recorrente, de acordo com a legislação do IPI. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Destacase, inicialmente, que, embora a fiscalização tenha abrangido os pedidos de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins, do 1º ao 4º trimestres de 2006, este processo trata apenas do pedido de ressarcimento de PIS/Pasep referente ao 1º trimestre de 2006. A primeira questão diz respeito às glosas sobre aquisições de café dos fornecedores CERRADO EXPORT e JB BARONI, considerados inidôneos pela fiscalização, que afirmou estar a CERRADO inapta por se tratar de empresa omissa contumaz desde 01/07/2004, enquanto a J B BARONI foi considerada omissa contumaz desde 16/12/2004, data de abertura da empresa. Ocorre que este processo não abrange o período de junho/2006, mês em que foi glosada a nota fiscal emitida por J B BARONI, razão pela qual não serão conhecidas as alegações tanto do despacho decisório quanto da peça recursal em relação a esta glosa. A declaração de inaptidão torna presumida a inidoneidade dos documentos emitidos pela empresa assim considerada e não produzirá efeitos tributários perante terceiros, os quais assumem o ônus de provar o efetivo pagamento do preço respectivo e o efetivo recebimento dos bens ou da prestação de serviços, conforme disposto no artigo 82 da Lei nº 9.430/1996, a seguir: Fl. 353DF CARF MF Processo nº 19991.000081/201031 Resolução nº 3302000.594 S3C3T2 Fl. 354 4 Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. A regulamentação coube à RFB que dispôs sobre o assunto nas instruções normativas que tratam do CNPJ, sendo que as declarações de inaptidão foram efetuadas com base na in IN RFB nº 748/2007, conforme informado no despacho decisório: IN RFB nº 748/2007: Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: I omissa contumaz: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar, por cinco ou mais exercícios consecutivos, DIPJ, DSPJ Inativa ou DSPJ Simples, e, intimada, não tenha regularizado sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II omissa e não localizada: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar as declarações referidas no inciso I, em um ou mais exercícios e, cumulativamente, não tenha sido localizada no endereço informado à RFB; III inexistente de fato; ou IV que não efetue a comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, na forma prevista em lei; Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à pessoa jurídica domiciliada no exterior. [...]Art. 41. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica que: I não disponha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, inclusive a que não comprovar o capital social integralizado; II não for localizada no endereço informado à RFB, bem como não forem localizados os integrantes de seu QSA, o responsável perante o CNPJ e seu preposto; III se encontre com as atividades paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem os incisos I, II e V do caput do art. 33. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, o procedimento administrativo de declaração de inaptidão será iniciado por representação formulada por AFRFB, consubstanciada com elementos que evidenciem qualquer das pendências ou situações referidas. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 19991.000081/201031 Resolução nº 3302000.594 S3C3T2 Fl. 355 5 [...]Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: [...]III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; e § 2º Considerase terceiro interessado, para os fins deste artigo, a pessoa física ou entidade beneficiária do documento. § 3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: I a partir da data da publicação do ADE a que se refere: a) o art. 37, no caso de pessoa jurídica omissa contumaz; b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica omissa e não localizada; II na hipótese do art. 41, desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade; e III na hipótese de pessoa jurídica com irregularidade em operações de comércio exterior, desde a data de ocorrência do fato. [...]§ 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. Art. 49. A pessoa jurídica com inscrição declarada inapta que regularizar sua situação perante a RFB terá sua inscrição enquadrada na condição de ativa. Inferese que a declaração de inaptidão torna presumida a inidoneidade dos documentos emitidos após a data de publicação do ADE ou após a data de ocorrência do fato, conforme o motivo que gerou a declaração, de acordo com o artigo 48 da IN RFB nº 748/2007, mas que tal presunção é relativa e comporta prova em contrário pelo beneficiário dos documentos, do efetivo pagamento do preço e do efetivo recebimento das mercadorias. Além disso, a empresa declarada inapta poderia regularizar sua situação e voltar à condição de ativa. Salientase que há algumas inconsistências fáticas no caso em concreto. A fiscalização afirmou que a CERRADO foi declarada inapta por ser omissa contumaz, de acordo com o artigo 48 da IN RFB 748/2007, com efeito a partir de 1º/07/2004. Porém, §3º do artigo 48 da IN dispunha que a inidoneidade de aplicaria aos documentos emitidos após a data de publicação do ADE, o que ocorreu após os fatos geradores (2006), uma vez que com base na IN RFB 748/2007. Além desta inconsistência, o próprio motivo da inaptidão está em desacordo com a informação constante no recurso voluntário, o qual mostra uma tela com inaptidão por inexistência de fato, diferentemente da informação constante no despacho decisório. Em consulta ao sítio da RFB, verificase que a CERRADO está declarada inapta desde 01/03/2010, por inexistência de fato. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 19991.000081/201031 Resolução nº 3302000.594 S3C3T2 Fl. 356 6 Em relação à J B BARONI, a inconsistência é similar, pois a acusação foi de ser omissa contumaz, com efeitos a partir de 16/12/2004, o que se mostra incompatível com o §3º do artigo 48 da IN RFB 748/2007, o qual determinava que os efeitos seriam a partir da data de publicação do ADE no caso de omissa contumaz. E tal ADE foi publicado posterior a 2006, pois com base na IN RFB 748/2007, como já se viu. Ainda no recurso voluntário, a J B BARONI se encontra como ativa em 20/12/2011, o que também não comprova a afirmação da recorrente de que a empresa nunca fora declarada inapta, pois pode ocorrer a declaração e posterior reativação como explicita o artigo 49 da referida instrução. Atualmente, esta empresa encontrase baixada por omissão contumaz, conforme tela do comprovante de inscrição extraída em 09/05/2017. Porém, frisese que não foram localizados os referidos ADEs nos autos para se confirmar o motivo e a data de publicação dos referidos. Assim, entendo necessária a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem junte os ADEs de declaração de inaptidão mencionados no despacho decisório, identificando o motivo da declaração e a data de produção de efeitos, nos termos da IN RFB nº 748/2007. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 356DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.004758/2007-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. SONEGAÇÃO.
Caracteriza o dolo da contribuinte em tentar impedir que o Fisco tome conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação principal e, portanto, enseja a aplicação da multa qualificada (150%), a não apresentação reiterada de DCTF ou DIPJ, ao longo de vários anos-calendários consecutivos, aliada ao pagamento dos tributos e contribuições federais em valores muitíssimos inferiores aos efetivamente devidos
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. AFERIÇÃO INDIVIDUALIZADA DOS REQUISITOS LEGAIS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Hipótese em que restou prejudicada a análise pela Turma Ordinária dos requisitos para a imputação de responsabilidade tributária. Com a reforma da questão prejudicial pela CSRF, os autos devem retornar à Turma Ordinária para o julgamento da responsabilidade tributária individualizada das pessoas físicas relacionadas.
Numero da decisão: 9101-002.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. No mérito, (i) quanto à qualificação da multa, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Luis Flavio Neto (relator), que lhe negou provimento; (ii) quanto à decadência, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento; e (iii) quanto à responsabilidade solidária, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para análise da responsabilidade solidária individualizada de cada uma das pessoas físicas relacionadas no recurso, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rego e Carlos Alberto Freitas Barreto, que afastaram a responsabilidade solidária de uma das pessoas relacionadas e mantiveram as demais. Designada para redigir o voto vencedor, quanto à qualificação da multa, a conselheira Adriana Gomes Rego.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VIDROLAR LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. SONEGAÇÃO. Caracteriza o dolo da contribuinte em tentar impedir que o Fisco tome conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação principal e, portanto, enseja a aplicação da multa qualificada (150%), a não apresentação reiterada de DCTF ou DIPJ, ao longo de vários anoscalendários consecutivos, aliada ao pagamento dos tributos e contribuições federais em valores muitíssimos inferiores aos efetivamente devidos RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. AFERIÇÃO INDIVIDUALIZADA DOS REQUISITOS LEGAIS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Hipótese em que restou prejudicada a análise pela Turma Ordinária dos requisitos para a imputação de responsabilidade tributária. Com a reforma da questão prejudicial pela CSRF, os autos devem retornar à Turma Ordinária para o julgamento da responsabilidade tributária individualizada das pessoas físicas relacionadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. No mérito, (i) quanto à qualificação da multa, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencido o conselheiro Luis Flavio Neto (relator), que lhe negou provimento; (ii) quanto à decadência, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento; e (iii) quanto à responsabilidade solidária, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para análise da responsabilidade solidária individualizada de cada uma das pessoas físicas relacionadas no recurso, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rego e Carlos Alberto Freitas Barreto, que afastaram a responsabilidade solidária de uma das pessoas relacionadas e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 47 58 /2 00 7- 10 Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 10640.004758/200710 Acórdão n.º 9101002.726 CSRFT1 Fl. 1.089 2 mantiveram as demais. Designada para redigir o voto vencedor, quanto à qualificação da multa, a conselheira Adriana Gomes Rego. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em que é recorrida VIDROLAR LTDA (doravante “contribuinte” ou “recorrida”) e outros, em face do acórdão n. 1201000.768 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 1a Turma Ordinária da 2a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O recurso especial versa sobre a possibilidade de aplicação da multa de ofício qualificada, então prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96, pela prática reiterada do contribuinte não prestar declarações fiscais que lhe seriam obrigatórias. Como decorrência, estão presentes ainda os temas da aplicação do art. 173 para a contagem do prazo decadencial e da atribuição de responsabilidade tributárias a pessoas físicas. Em breve síntese, foi imputada à recorrida a prática de “sonegação”, tipificada no art. 71, I, da Lei n. 4.502/64, com a aplicação de multa qualificada (150%), com a consequente contagem do prazo decadencial conforme o art. 173 do CTN e, ainda, a responsabilidade solidária dos sócios. Como prova da suposta sonegação, a fiscalização verificou que o contribuinte deixou de entregar DIPJ e DCTF relativas aos anos de 2002, 2003, 2004 e 2005. As referidas declarações fiscais apenas foram formalizadas após intimações do processo fiscalizatório em curso. Conforme se colhe do acórdão recorrido, esses são os fatos presentes no caso (efls. 880 e seg.): “Consta do Auto de Infraca̧õ de (fls. 06/66) que em razão do procedimento de verificaçaõ fiscal realizado junto ao contribuinte apurouse a existen̂cia de Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10640.004758/200710 Acórdão n.º 9101002.726 CSRFT1 Fl. 1.090 3 receita da atividade escriturada e não declarada nos anos calendário de 2002 a 2005. Consta, ainda, que foi aplicada a multa de ofício no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), com fundamento no artigo 44, II, da Lei 9430/96. Do Relatório do Trabalho Fiscal (fls. 67/81) extraise que: (i) o contribuinte omitiu informações obrigatórias devidas à Fazenda Nacional ao não entregar as Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e Declarações de Débitos e Créditos Federais (DCTF) relativas aos anoscalendários de 2002 e 2003, razão pela qual foi intimado a apresentar livros e documentos de sua escrita comercial e fiscal; (ii) o contribuinte apresentou os documentos de fls. 108/115, entre eles as declaracõ̧es DIPJ e DCTF relativas ao período de janeiro de 2002 a dezembro de 2003, por meio dos quais constatou – se: a) que com exceção do ano calendário de 1991, a empresa, desde o início de suas atividades em 1989, vem optando pela apuração de lucro presumido; b) que as receitas mensais auferidas nos anos de 2002 e 2003 foram devidamente escrituradas nos respectivos livros Razão, conforme constante dos livros comerciais e fiscais, e levadas aos balancetes e demonstrativos anuais, os quais foram transcritos nos livros Diário; c) que somandose as receitas constantes dos referidos demonstrativos anuais com as receitas da filial de Vitória da Conquista/BA (receitas estas que não constavam dos livros contábeis apresentados), chegase ao total que foi informado pela fiscalizada nas DIPJ extemporaneamente entregues; d) e que os valores do IRPJ e das contribuições devidos no período de 2002 a 2003 foram devidamente informados nas Declaracõ̧es de Débitos e Créditos Tributários Federias – DCTF, também extemporaneamente apresentadas; (iii) houve extensão quanto ao período fiscalizado, isto porque, em relação aos anos de 2004 e 2005 o contribuinte manteve movimentação financeira similar à havida no ano de 2003 e não tomou a iniciativa de sanar as irregularidades verificadas nos anos de 2002 e 2003; (iv) em razão da extensão do período fiscalizado, o contribuinte foi intimado a apresentar documentos referentes à sua escrita comercial e fiscal relativos aos períodos de 2004 e 2005, entretanto, apresentou apenas parte dos documentos (fls. 128), quais sejam: livros Registro de Saídas e apuraca̧õ do ICMS da matriz, planilhas de apuração mensal de cálculo de tributos e declaracõ̧es DCTF e DIPJ. Nesse contexto informou que deixou de apresentar os livros Diário e Razão ou Caixa relativos aos anos de 2004 e 2005 por não têlos escriturado (fl. 128); (v) diante dos documentos apresentados, a fiscalização concluiu pela aplicação do artigo 530, III, do Decreto 3.000/99, ou seja, pela apuração do IRPJ e das contribuições com base no lucro arbitrado; (vi) as conclusões da fiscalização foram no seguinte sentido: quanto a apuração do IRPJ e das contribuicõ̧es, foram adotados os procedimentos a seguir descritos. Nos anos calendário de 2002 e 2003: apuração pelo lucro presumido, utilizando como base de cálculo as receitas mensais informadas em suas DIPJ (fls. 309/375), correspondentes ao somatório das verificadas em seus livros comerciais e fiscais; Nos anos calendário de 2004 e 2005: apuraçaõ pelo lucro arbitrado, por não preencher os requisitos para a opca̧õ, utilizouse como base de cálculo a receita mensal conhecida, confessada pelo próprio contribuinte nas DIPJ (fls. 376/421), combinadas com as planilhas de fls. 422 e 423; Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 10640.004758/200710 Acórdão n.º 9101002.726 CSRFT1 Fl. 1.091 4 E os lanca̧mentos via DCTF foram rejeitados, pois as declarações foram apresentadas no curso do procedimento fiscal, oportunidade em que é cabível o lanca̧mento de ofício. quanto à multa qualificada, consignouse que o contribuinte utilizouse do artifício de efetuar pagamentos simbólicos, inferiores ao efetivamente devido e com plena consciência do fato, uma vez que os corretos valores de suas bases de cálculo encontravamse em seus livros fiscais ou foram informados nas declaracõ̧es DIPJ e DCTF apresentadas após intimações fiscais. Nesse passo, a fiscalização entendeu que “a conduta do contribuinte foi dolosa e aliada à não apresentaçaõ das declarações DIPJ e DCTF, a que estava obrigado, e que permitiria ao fisco identificar os débitos, visava, única e exclusivamente, evitar que se tomasse conhecimento da ocorren̂cia dos fatos geradores da obrigação tributária, inclusive a sua natureza e circunstâncias materiais, enquadrando a conduta na hipótese prevista no artigo 71, I, da Lei 4.502/64: sonegaca̧õ. Identicamente, à título das contribuições para o PIS e a COFINS foram efetuados pagamentos simbólicos, também em percentuais variáveis, o que permite reafirmar a conduta dolosa.” A 2ª Turma da DRJ/JFA, por meio do acórdão n. 0918.649, julgou a impugnação administrativa improcedente, mantendo o lançamento em sua integralidade (efls. 726 e seg.). A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 MULTA QUALIFICADA A não apresentação, antes de iniciado o procedimento fiscal, de uma única DCTF ou DIPJ relativas ao período de 2002 a 2005, aliada ao pagamento dos tributos e contribuições federias em valores muitíssimo inferiores aos efetivamente devidos, caracteriza o dolo da contribuinte em tentar impedir que o Fisco tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação principal e, portanto, enseja a aplicação da multa qualificada (150%). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 RESPONSABILIDADE São tributariamente responsáveis pelo crédito tributário devido pela contribuinte os seus efetivos administradores, ainda que não constem formalmente do quadro social da empresa. São também responsáveis os mandatários, prepostos ou empregados que dolosamente contribuíram para a prática do ilícito tributário. Nesse seguir, foi interposto recurso voluntário pelo contribuinte (efls. 784 e seg.). Além dele, recorreram da decisão as demais pessoas arroladas como responsáveis tributárias. A decisão recorrida, por considerar ausente no caso concreto a comprovação de dolo, desqualificou a multa de ofício para o percentual de 75%, declarou extinto por decadência o lançamento referente ao período de janeiro e novembro de 2002, aplicando a contagem do prazo decadencial com base no art. 150 do CTN, bem como afastou a responsabilidade tributária dos sócios pessoas físicas, mantendose em relação às sócias pessoas jurídicas (efls. 878 e seg.). Destacase o seguinte trecho do voto do i. Conselheiro Relator, que restou vencedor em relação a essa matéria, in verbis (efls. 8923 e seg.): “Ora, sendo a sonegação ato doloso cuja finalidade é impedir ou retardar o Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10640.004758/200710 Acórdão n.º 9101002.726 CSRFT1 Fl. 1.092 5 conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, é certo que este ato será decorrente da adoção dos mais variados artifícios por parte do sonegador. Nesse contexto, a constatação da sonegação dependerá de trabalho minucioso e detalhado da fiscalização e, isto porque, aquele que frauda ou sonega “camufla” a prática dos ilícitos de maneira planejada tornandoos imperceptíveis. Não foi o que ocorreu no caso dos autos, pois deixar de apresentar as declarações necessárias ao Fisco é convidálo a exercer a função fiscalizatória. Assim, no caso, a ausência do cumprimento da obrigação acessória relacionada às declarações (DIPJ e DCTF) não caracteriza sequer indício de alguma das condutas dolosas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da lei 4502/64. Ademais, inexiste nos autos comprovação de que o Recorrente agiu dolosamente alterando ou ocultando informações com o intuito de impedir ou retardar a tributação e, ressaltese, a sonegação, ou seja, o ato doloso, não deve ser presumido e sim provado.” O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 MULTA QUALIFICADA. Não é possível aplicação de multa qualificada, quando a autuação deriva de presunção. Nem tão pouco cabe multa qualificada de débito escriturado e não declarado, pois tal infração já é prevista no artigo 44, I, da Lei 9.430/96. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO PAGAMENTO. Nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, inexistindo dolo do contribuinte e havendo pagamento, deve ser aplicado o prazo decadencial inserto no artigo 150, § 4° do CTN. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. VALIDADE FORMAL. Conforme estabelecido no art. 142 do CTN, compete à autoridade admininstrativa, no exercício da atividade do lançamento, identificar o sujeito passivo da obrigação tributária. Por outro lado, segundo o art. 121 do mesmo diploma legal, o sujeito passivo pode ser qualificado como contribuinte ou como responsável. Nesse sentido, é formalmente válida a lavratura de termo de sujeição passiva, pois, é por meio dele que o auditor identifica a pessoa que, a seu juízo, mesmo sem revestir a condição de contribuinte, é responsável pelo cumprimeito da obrigação tributária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 ESPONTANEIDADE INEXISTÊNCIA SÚMULA CARF nº 33 Súmula CARF nº 33: “A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.” Com fundamento no art. 65, §1º, do RICARF da época (Portaria MF 256/09), o i. Conselheiro Marcelo Cuba Netto opôs embargos de declaração em face do referido acórdão, para que fossem apreciadas as razões de mérito suscitadas pelos sujeitos que contestavam a sua responsabilização pelo crédito tributário (efls. 907 e seg.). Os embargos foram acolhidos para fins de sanar a omissão (efls. 911 e seg.), sendo prolatada decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 10640.004758/200710 Acórdão n.º 9101002.726 CSRFT1 Fl. 1.093 6 “RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE TERCEIROS. Conforme assentado em jurisprudência pacífica, a responsabilidade tributária dos sócios por atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos somente lhes é atribuída quando for provado que sua conduta foi dolosa. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONFUSÃO PATRIMONIAL. Comprovada a confusão patrimonial entre a contribuinte e outras pessoas jurídicas pertencentes ao mesmo grupo econômico, a estas pode ser validamente atribuída responsabilidade pelos créditos tributários daquela.” Cientificada das aludidas decisões, a PFN tempestivamente interpôs recurso especial, arguindo divergência de interpretação quanto a qualificação da multa de ofício (e fls. 928 e seg.), requerendo a reforma do acórdão quanto ao tema e, por consequência, o afastamento da decadência pela atração do art. 173 do CTN e, ainda, a responsabilidade tributária das pessoas físicas elencadas. Em 02/07/2015, foi proferido o despacho admitindo integralmente o recurso especial interposto pela PFN (efls. 942 e seg.). Em breve síntese, a PFN alega em seu recurso que: o acórdão recorrido “considerou irrelevante para fins de aplicação da multa qualificada o fato de o contribuinte ter deixado de entregar consecutivamente nada menos do que quatro DIPJs e de quatorze DCTFs relativas aos tributos devidos no período de 2002 a 2005.” E, ao assim decidir, a Turma a quo teria divergido dos acórdãos paradigmas supramencionados, uma vez que nestes a conduta reiterada teria servido como circunstância suficiente à qualificação da multa. a conduta dolosa do contribuinte estaria evidenciada pelo fato de que “sabendo do seu dever de apresentar anualmente declaração de rendimentos e bens à Receita Federal, deixou de entregar a referida declaração durante mais de 4 (quatro) anos, com omissão TOTAL de rendimentos e bens, tudo no intuito de impedir e retardar o conhecimento por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador do tributo.” O que tornaria plenamente aplicável a multa qualificada prevista no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96; uma vez comprovado o dolo e a fraude, deveria ser alterado o entendimento acerca do termo inicial da contagem do prazo decadencial, conforme o acórdão nº 10248520, cuja ementa, por ele colacionada, registra o entendimento da 2ª Câmara do 1º Conselho de que “Configurado o dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial do IRPF é realizada nos termos do art. Art. 173, inciso I, do CTN”; que, a Turma a quo teria excluído a responsabilidade dos sócios como decorrência lógica da desqualificação da multa de ofício, e, em sendo assim, caso seja dado provimento ao recurso especial, para restabelecer a qualificação, também, por decorrência lógica, deveria ser restabelecida a responsabilização de todos os sócios e administradores. Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 10640.004758/200710 Acórdão n.º 9101002.726 CSRFT1 Fl. 1.094 7 Cientificados também os responsáveis solidários, a Sra. Roberta Maria Andrade de Melo Franco apresentou contrarrazões, arguindo, em síntese (efls. 1.057 e seg.): a impossibilidade de aplicação da multa no percentual de 150%, em face da ausência de quaisquer indícios de que o contribuinte teria praticado fraude contra a Fazenda Pública; que o simples inadimplemento do tributo “que foram gerados pela pessoa jurídica em suas operações regulares e legais” não tem o condão de ensejar a responsabilidade pessoal dos sócios, com base nos artigos 134 e 135 do CTN, devendo, por isso, ser mantida a decisão da Turma a quo em afastar a responsabilidade da ora recorrida. Não foram apresentadas contrarrazões pelo contribuinte ou pelos demais sujeitos passivos, conforme certificado nestes autos (efls. 1.087 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. O recurso especial de divergência interposto pela PFN é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de forma que deve ser conhecido. A divergência trazida pela recorrente versa sobre a possibilidade de qualificação da multa de ofício pela falta de declaração reiterada, em DIPJ e DCTF, de tributos devidos pelo contribuinte. A fiscalização, ao constatar a ausência da entrega tempestiva das declarações de DIPJ e DCTF, entendeu que o contribuinte havia praticado a conduta dolosa de sonegar tributos, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502/64, aplicandose o percentual de multa de ofício previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Por consequência, realizouse a contagem do prazo decadencial conforme o art. 173 do CTN. Atribuiuse, ainda, a responsabilidade aos sócios da pessoa jurídica supostamente sonegadora. O aludido artigo 44, da Lei 9.430/1996, apresentava a seguinte redação à época dos fatos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.o 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) A matriz legal prescrita pelo legislador ordinário prevê penalidades diferentes para hipóteses factuais distintas: Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 10640.004758/200710 Acórdão n.º 9101002.726 CSRFT1 Fl. 1.095 8 multa de ofício de 75%(Lei n. 9.430/96, art. 44, I): cabível quando o sujeito passivo tributário deixar de pagar ou recolher, declarar ou apresentar declaração inexata do tributo devido multa de ofício de 150% (Lei n. 9.430/96, art. 44, II): cabível quando o contribuinte além de deixar de pagar ou recolher, declarar ou apresentar declaração inexata do tributo devido, o faz mediante conduta que deixa evidentea prática das infrações previstas nos art. 71 a73 da Lei n.4.502/64, notadamente fraude, sonegação ou conluio. O artigo 71 da Lei n. 4.502/64 prescreve a delimitação legal de “sonegação” a que a Lei n. 9.430/96 faz remissão, nos seguintes termos: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. É da essência da sonegação o propósito de ocultar, de impedir ou retardar o conhecimento da autoridade administrativa a respeito da ocorrência do fato jurídico, de algum de seus elementos ou de condições pessoais do contribuinte que lhe digam respeito. Nesse conceito, há um binômio de requisitos essenciais e suficientes para que a situação seja sancionável com multa qualificada de 150% sobre o valor do tributo, conforme a legislação federal vigente. Os dois elementos desse binômio são: 1) que, mediante fiscalização, constatese que o contribuinte tenha omitido total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador do tributo; 2) que tal omissão seja dolosa, com o intuito de impedir ou mesmo retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a ocorrência do referido fato gerador. No caso sob análise, essa majoração da multa apenas será cabível caso o intuito de fraude se mostrar “evidente”, em face da redação do art. 44, II, da Lei n. 9.430/96, vigente à época dos fatos. O contribuinte, apesar de não haver apresentado as DIPJs e DCTFs, registrou em seus livros contábeis, nos anos de 2002 e 2003, as receitas que serviram de base ao presente lanca̧mento de ofício. Quanto aos anos 2004 e 2005, apesar da não entrega dos livros Diário e Razão ou Caixa, a contribuinte apresentou os livros Registro de Saídas e Apuração do ICMS, onde estavam escrituradas as mesmas receitas que serviram de base ao lançamento. Concordo com a decisão a quo, quando atribui relevo à manutenção de escrita fiscal que, colocada à disposição da fiscalização, foi suficiente para a lavratura do lançamento fiscal. Ocorre que, mesmo que se compreenda que a reiterada ausência de informações completas nas respectivas declarações fiscais possa corroborar para a compreensão de que o contribuinte procurou omitir do fisco a ocorrência do fato gerador, não se mostra “evidente” tal intuito quando o contribuinte mantém o registro de suas receitas em livros comerciais e no livro de apuração do ICMS, colocados à disposição da administração fiscal federal, notadamente quando tais escritas são suficientes para servir de base para o lançamento fiscal. Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 10640.004758/200710 Acórdão n.º 9101002.726 CSRFT1 Fl. 1.096 9 Quanto ao tema da qualificação da multa, portanto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial. Contudo, por restar vencido quanto à manutenção do acórdão recorrido em relação à qualificação da multa, passo à análise das questões pertinentes à decadência e à responsabilidade dos sócios. Compreendo que, ao decidir o Colegiado que há dolo para evasão de tributos, por consequência, devese afastar a decadência do crédito tributário declarada pela Turma a quo. Ocorre que, com o pressuposto da existência de dolo e sonegação, deve ser aplicado o prazo decadencial previsto pelo art. 173 do CTN. Essa é a regra explicitada pela Súmula CARF n. 72: "Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN." Voto, portanto, por DAR PROVIMENTO ao recurso especial quanto ao tema da decadência. Por sua vez, a Turma a quo julgou prejudicada a análise da participação individual de cada uma das pessoas físicas no cometimento de algum ilícito, justamente por compreender que nenhum ilícito havia sido praticado. Contudo, com a decisão deste Colegiado da CSRF quanto à caracterização dos elemento doloso necessário à qualificação da multa, passa a ser necessário verificar a legalidade da responsabilidade tributária atribuída a tais pessoas físicas. Compreendo não ser possível atribuir a responsabilidade tributária como decorrência imediata do restabelecimento da qualificação da multa (por atração). Ocorre que, em matéria de responsabilidade tributária, é necessário aferir a participação individual de cada uma dessas pessoas físicas na prática dos atos que ensejam a referida imputação, nos estritos termos do CTN. A referida aferição fática, contudo, não pode ser realizada de forma inaugural por esta CSRF, sob pena de supressão de instância e prejuízo ao contraditório e à ampla defesa que regem o processo tributário. É preciso que a questão seja decidida por acórdão fundamentado da Turma Ordinária. Caso tal decisão divirja de outra enunciada por Turma diversa deste Tribunal, assegurase o direito da parte à interposição de recurso especial devidamente fundamentado, bem como o direito à apresentação de contrarrazões à outra parte. Portanto, quanto a este tópico, voto para que os presentes autos retornem à Turma a quo para a análise da caracterização dos requisitos necessários para a responsabilidade das pessoas físicas relacionadas. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial quanto tema da qualificação da multa de ofício. Por restar vencido quanto a este tema, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial quanto ao tema da decadência e DAR PARCIAL PROVIMENTO quanto ao tema da responsabilidade tributária, com o retorno dos autos à Turma a quo. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 10640.004758/200710 Acórdão n.º 9101002.726 CSRFT1 Fl. 1.097 10 Voto Vencedor Conselheira Adriana Gomes Rêgo Redatora Designada Em que pese o muito bem fundamentado voto proferido pelo ilustre Conselheiro Relator, este colegiado divergiu de sua conclusão quanto à qualificação da multa de ofício. A discussão cingese à procedência ou não da imposição de multa de ofício qualificada em 150% pela falta de declaração reiterada, em DIPJ e DCTF, de tributos devidos pelo contribuinte. Em seu voto, o ilustre relator entendeu que a reiterada ausência de DIPJ e DCTF não revela "evidente" intuito do contribuinte em "omitir do fisco a ocorrência do fato gerador", uma vez que manteve "o registro de suas receitas em livros comerciais e no livro de apuração do ICMS", "suficientes para servir de base para o lançamento fiscal". Entretanto, este colegiado entende que a conduta da contribuinte configura evidente intuito de fraude, necessário à aplicação da multa de 150%, prevista, ao tempo dos fatos, no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado o dolo em sonegar (art. 71, I, da Lei nº 4.502/64) tributos e contribuições federais. O Relatório do Trabalho Fiscal (efls. 67 a 97) elaborado pela Fiscalização, ao fundamentar a aplicação da multa qualificada, descreve o seguinte: 4.2. DA MULTA QUALIFICADA No presente caso, o fiscalizado utilizouse do artifício de efetuar pagamentos simbólicos, muitíssimo inferiores aos efetivamente devidos, e com plena consciência do fato, uma vez que os corretos valores de suas bases de cálculo (receitas mensais de vendas) encontravamse em seus livros fiscais, ou vieram, posteriormente, após intimação, a ser informados em suas DIPJ e DCTF (extratos às fls. 424 a 447 ). À partir da apuração feita no curso dos trabalhos desta auditoria, que confirma os valores declarados pelo fiscalizado, e os dados dos pagamentos constantes do sistema SINAL06, elaborouse os quadros a seguir, demonstrando a divergência entre os pagamentos efetuados e os valores devidos a título de IRPJ e CSLL. Como pode ser observado, os pagamentos representam percentuais aleatórios, variando de 1,6 % (um vírgula seis porcento) a 9,25 % (nove vírgula vinte e cinco porcento) dos efetivamente devidos pelo IRPJ e de 1,8 % (um vírgula oito porcento) a 13,9 % (treze vírgula nove porcento) dos devidos pela CSLL. Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10640.004758/200710 Acórdão n.º 9101002.726 CSRFT1 Fl. 1.098 11 A conduta descrita, por si só, já é claramente dolosa; aliada à não apresentação das DIPJ e DCTF, a que estava obrigado, e que permitiria ao fisco identificar os débitos, visava, única e exclusivamente, evitar que se tomasse conhecimento da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária, inclusive a sua natureza e circunstâncias materiais, enquadrando, em tese, na hipótese prevista no inciso I do art. 71 da Lei no 4.502/64: SONEGAÇÃO. (...) Destarte, restando caracterizado, em tese, o dolo dos agentes e a ocorrência de sonegação e conluio, o lançamento deve ser efetuado com aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) nos termos do disposto no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto no 3.000/99 (...).(Grifei) Ao contrário do que afirma o ilustre Relator, a partir do que consta nos autos, está evidente o intuito de fraude da contribuinte, bem como o dolo em sonegar tributos e contribuições federais, especialmente diante da omissão reiterada da apresentação de declarações e dos valores vultosos omitidos. A primeira evidência do dolo está no fato de a contribuinte ter deixado de apresentar todas as declarações de DCTF e DIPJ relativas aos anoscalendários de 2002 a 2005. Tratase de omissão reiterada da contribuinte e não simplesmente de omissão eventual, revelando uma clara intenção de impedir ou retardar o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência dos fatos geradores. A única justificava para a omissão reiterada da contribuinte é a intenção de sonegar os tributos devidos ao Fisco, uma vez que possuía todas as informações necessárias para apresentar as declarações. Isso porque, apesar de ter se omitido em relação às suas obrigações acessórias junto ao Fisco federal, a contribuinte apresentou ao Fisco estadual informações relativas às receitas anuais auferidas, compatíveis com a sua movimentação financeira. Além disso, as respectivas receitas foram registradas em seus livros contábeis e fiscais, tendo servido de base para o lançamento de ofício. Com a devida vênia, o que para o ilustre Relator descaracteriza o intuito de omitir do fisco a ocorrência do fato gerador, entendo evidenciar tal intuito, a medida que se o contribuinte possuía todas as informações necessárias, o que o impediu de entregar as declarações ao longo de quatro anos consecutivos? A apresentação de DIPJ e DCTF consiste em obrigação acessória, prevista "no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos", conforme preceitua o art. 113, §2º, do Código Tributário Nacional. O não cumprimento dessa obrigação acessória evidentemente retardou o conhecimento do Fisco federal da ocorrência do fato gerador, sendo acompanhada do não cumprimento da obrigação principal, conforme apontado pela Fiscalização: A contribuinte encontravase em plena atividade na realização de seu objeto social. No entanto, para com a Fazenda Nacional, omitia, sistematicamente, as informações obrigatórias devidas com a apresentação da DIPJ e as para fins de lançamento, via Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 10640.004758/200710 Acórdão n.º 9101002.726 CSRFT1 Fl. 1.099 12 apresentação das DCTF. 0 comportamento omissivo das obrigações acessórias fezse acompanhar da falta de cumprimento da obrigação principal, na expectativa de que, em falta de ação do fisco ou na sua demora, viesse a operar a decadência. Outro aspecto que chama a atenção nesse caso, evidenciando o dolo, é o fato de serem devidos valores vultosos de tributos pela contribuinte ao longo dos anos de 2002 a 2005, somado ao fato de ter efetuado "pagamentos simbólicos, muitíssimos inferiores aos efetivamente devidos". Apesar disso, os valores devidos eram conhecidos pela contribuinte, tendo sido registrados em seus livros fiscais e contábeis e informados nas declarações apresentadas após intimação. A Fiscalização, em seu Relatório do Trabalho Fiscal, apresenta a movimentação financeira da empresa e destaca que foram os "valores altamente significativos" apresentados ao fisco estadual que levaram à instauração da ação fiscal. Traça, ainda, comparação entre o valor devido ao Fisco federal e o efetivamente pago, em relação ao IRPJ e à CSLL. Para fins de demonstração, aqui destacarei a comparação realizada quanto ao IRPJ. Vejamos: A ação fiscal foi instaurada uma vez ter sido detectado, a partir de informações internas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que a contribuinte, estando omissa na entrega da Declaração de Informações da Pessoa JurídicaDIPJ e Declaração de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF relativas aos anoscalendários de 2002 e 2003, efetuara movimentação financeira e declarara receita para o fisco federal em valores altamente significativos, conforme discriminado a seguir. Anos Movimentação Financeira Receita declarada ao fisco estadual 2002 26.135.394,75 13.119.055,49 2003 31.192.289,40 19.384.958,95 (...) No presente caso, o fiscalizado utilizouse do artifício de efetuar pagamentos simbólicos, muitíssimo inferiores aos efetivamente devidos, e com plena consciência do fato, uma vez que os corretos valores de suas bases de cálculo (receitas mensais de vendas) encontravamse em seus livros fiscais, ou vieram, posteriormente, após intimação, a ser informados em suas DIPJ e DCTF (extratos às fls. 424 a 447 ). À partir da apuração feita no curso dos trabalhos desta auditoria, que confirma os valores declarados pelo fiscalizado, e os dados dos pagamentos constantes do sistema SINAL06, elaborouse os quadros a seguir, demonstrando a divergência entre os pagamentos efetuados e os valores devidos a título de IRPJ e CSLL. Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10640.004758/200710 Acórdão n.º 9101002.726 CSRFT1 Fl. 1.100 13 Como pode ser observado, os pagamentos representam percentuais aleatórios, variando de 1,6 % (um vírgula seis 10 porcento) a 9,25 % (nove vírgula vinte e cinco porcento) dos efetivamente devidos pelo IRPJ e de 1,8 % (um vírgula oito porcento) a 13,9 % (treze vírgula nove porcento) dos devidos pela CSLL. (...) O fato de a empresa ter omitido valores vultosos em tributos reforça o dolo necessário à sonegação, uma vez que não se pode considerar ser fruto de mera negligência ou esquecimento do sujeito passivo omitir a existência de tais valores no cumprimento de suas obrigações para com o Estado ao longo de quatro anos consecutivos, deixando de declarálos e pagálos. Logo, a vultuosidade dos valores omitidos do Fisco, o pagamento de valores irrisórios e a reiterada omissão na entrega das declarações comprovam o evidente intuito de fraude, materializado na sonegação de tributos. Verificase, portanto, o dolo a partir do momento em que o sujeito passivo delibera por todo esse arranjo que não se mostra justificável, senão pelo intuito de não pagar tributos. Nesse sentido, também manifestouse a Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora, às efls. 690 a 705 (Volume 3): Ao contrário do que afirma a defendente, há provas mais do que suficientes para poder se afirmar o seu dolo. Senão vejamos: (i) nos anos de 2002, 2003, 2004 e 2005 a movimentação financeira da empresa alcançou montantes expressivos; (ii) nesse mesmo período a empresa informou ao Fisco estadual haver auferido receitas anuais em montante compatível como a sua movimentação financeira; (iii) apesar disso, ainda em relação Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10640.004758/200710 Acórdão n.º 9101002.726 CSRFT1 Fl. 1.101 14 ao mesmo período, a contribuinte não informou ao Fisco federal a ocorrência dos fatos geradores dos tributos e contribuições a este devidos, na medida em que não lhe apresentou espontaneamente sequer uma única DCTF ou DIPJ ao longo daqueles quatro anos; (iv) por fim, recolheu os mencionados tributos e contribuições federais em valores muito inferiores ao efetivamente devido. Todos esses fatos, os quais, é bom destacar, não foram contestados pela impugnante, apontam para uma única conclusão possível: o dolo da contribuinte em sonegar (art. 71, I, da Lei n° 4.502/64) os referidos tributos e contribuições federais. Não há outra explicação razoável para este conjunto de fatos. Uma vez demonstrado o dolo nas condutas comissivas e omissivas empreendidas, resta configurada a sonegação, definida na legislação tributária (art. 71, da Lei nº 4.502/1964) nos seguintes termos: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. É importante destacar ainda que ao presente caso não há que se falar em afastar a qualificação da multa com base na aplicação da Súmula CARF nº 14, que preceitua que "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". O que deu ensejo à qualificação da multa de ofício pela Fiscalização não foi a apuração da omissão de receitas, que implicou o lançamento de ofício dos tributos devidos, mas sim os elementos já expostos que evidenciaram o intuito de fraude da contribuinte. No que se refere à alegação apresentada em sede de contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de que a imposição da multa qualificada de 150% caracteriza confisco, cumpre esclarecer que a penalidade está prevista na legislação, de forma que impende aplicar a Súmula nº 2 deste CARF, que assim enuncia: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O fato é que, configurada a sonegação, conforme evidenciado pela Fiscalização, impõese a qualificação da multa de 150%, conforme art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96 (na redação aplicável à época dos fatos): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10640.004758/200710 Acórdão n.º 9101002.726 CSRFT1 Fl. 1.102 15 (...) II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por todos estes fundamentos, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para reformar a decisão do colegiado a quo, e manter a qualificação da multa em 150%. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 1102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.901083/2009-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2006
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.650
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 10 83 /2 00 9- 48 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13558.901083/200948 Acórdão n.º 3201002.650 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.412. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13558.901083/200948 Acórdão n.º 3201002.650 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13558.901083/200948 Acórdão n.º 3201002.650 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.905002/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.558
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 50 02 /2 01 2- 12 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10865.905002/201212 Acórdão n.º 3301003.558 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.463. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10865.905002/201212 Acórdão n.º 3301003.558 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10865.905002/201212 Acórdão n.º 3301003.558 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10865.905002/201212 Acórdão n.º 3301003.558 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10865.905002/201212 Acórdão n.º 3301003.558 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10865.905002/201212 Acórdão n.º 3301003.558 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.004063/2010-97
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
O prazo decadencial relativamente à glosa de despesas de amortização de ágio inicia-se com a dedução de tais despesas pela contribuinte, sendo irrelevante para seu cômputo o momento em que ocorridas operações societárias que originaram o ágio.
ÁGIO INTERNO. IMPOSSIBILIDADE DE AMORTIZAÇÃO.
Inadmissível a formação de ágio por meio de operações realizadas dentro do grupo econômico.
Numero da decisão: 9101-002.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, acordam, (i) quanto à decadência, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento e (ii) quanto ao ágio, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto, que lhe deu provimento. O conselheiro Gerson acompanhou a relatora pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O prazo decadencial relativamente à glosa de despesas de amortização de ágio inicia-se com a dedução de tais despesas pela contribuinte, sendo irrelevante para seu cômputo o momento em que ocorridas operações societárias que originaram o ágio. ÁGIO INTERNO. IMPOSSIBILIDADE DE AMORTIZAÇÃO. Inadmissível a formação de ágio por meio de operações realizadas dentro do grupo econômico.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, acordam, (i) quanto à decadência, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento e (ii) quanto ao ágio, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto, que lhe deu provimento. O conselheiro Gerson acompanhou a relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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INOCORRÊNCIA. O prazo decadencial relativamente à glosa de despesas de amortização de ágio iniciase com a dedução de tais despesas pela contribuinte, sendo irrelevante para seu cômputo o momento em que ocorridas operações societárias que originaram o ágio. ÁGIO INTERNO. IMPOSSIBILIDADE DE AMORTIZAÇÃO. Inadmissível a formação de ágio por meio de operações realizadas dentro do grupo econômico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, acordam, (i) quanto à decadência, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento e (ii) quanto ao ágio, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto, que lhe deu provimento. O conselheiro Gerson acompanhou a relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 40 63 /2 01 0- 97 Fl. 1114DF CARF MF 2 Cristiane Silva Costa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de processo originado por Autos de Infração de IRPJ e CSLL, quanto aos anoscalendário de 2005 a 2008, sendo aplicada multa de 75% (fls. 309/325). Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 294/308) Neste momento é importante recapitularmos, resumidamente, as modificações societárias sofridas por TS Administração e Participações Ltda: Ø 12/12/2002 Constituída empresa TS Administração e Participações Ltda., capital R$ 500,00. Sócios: TUPER S/A (99,99%) e Frank Bollmann (0,01%); Ø 28/11/2003 Tuper S/A retirase da sociedade, transferindo suas quotas a Frank Bollmann e aos novos sócios, fls. 74 a 85. Tuper Administração e Serviços Ltda também ingressa na sociedade integralizando a importância de R$ 155.009.000,00, oriundos da incorporação de 189.740 ações nominais de emissão de Tuper S/A; Ø 20/02/2004 Tuper S/A incorpora TS Administração e Participações Ltda., e daí passa a amortizar o ágio. Em verdade, Tuper S/A incorporou a empresa TS cujo capital era constituído em sua totalidade por ações da própria Tuper S/A., registra o ágio que estava contabilizado na TS em conta de ativo diferido em contrapartida de reserva de ágio. A este procedimento é dado o nome de incorporação às avessas, porquanto o caminho natural seria a controladora incorporar a controlada. (...) Do conceito acima descrito, destacase que os pressupostos o ágio são a aquisição de participação societária e que o ágio tenha fundamento econômico. (...) Tuper S/A não recebeu qualquer participação societária. As próprias quotas do capital não são participações societárias, pois nenhuma empresa participa de si mesma. Portanto, o primeiro pressuposto do ágio (participação societária) não foi atendido. Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 10920.004063/201097 Acórdão n.º 9101002.804 CSRFT1 Fl. 1.115 3 O motivo que justificou a contabilização do ágio na TS foi a nova avaliação econômicafinanceira da Tuper S/A, fls. 101 a 203, este motivo não prevalece na incorporação,. pois tratase de pessoas jurídicas sob o mesmo controle acionário. Portanto, ausente também o segundo pressuposto do ágio, o fundamento econômico, podemos concluir, então, que não há ágio. (...) Em razão disso as despesas relacionadas ao ágio foram glosadas, repercutindo na apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. A contribuinte apresentou Impugnação Administrativa, decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis pela manutenção dos lançamentos (598/620): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 Fatos passados. Repercussão em Exercícios Futuros. Fiscalização. Possibilidade. Escrituração. Documentos. Guarda. Prazo. O contribuinte está sujeito à fiscalização de fatos ocorridos em períodos passados, ainda que não seja mais possível efetuar exigência tributária, em face da decadência, quando eles repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, devendo conservar os documentos de sua escrituração até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Decadência. Amortização de Ágio; Fatos Geradores Distintos. O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário, pelo que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente da redução indevida do resultado do exercício iniciase a cada amortização anual, e não com o seu registro original. Ágio Constituído Sobre as Quotas da Própria Empresa e Decorrente de Transação Entre Empresas Ligadas. Indedutibilidade. IRPJ. CSLL. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza (ágio) em decorrência de uma transação dos sócios com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável, do ponto de vista econômico, tais transações não se revestem de substância e da indispensável independência entre as partes para merecer registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade e, consequentemente, o ágio delas decorrente não se enquadra na hipótese de dedutibilidade prevista nos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97. Deve ser glosada eventual despesa lançada em função de ágio constituído nessas condições, Fl. 1116DF CARF MF 4 mormente se reduziu o resultado da própria sociedade sobre a qual o ágio foi constituído (ágio de si mesmo). Ágio de Si Mesmo. Custo. Fundamentos Contábeis. Inconsistência. O ágio somente é admitido pela teoria contábil quando surgido em transações envolvendo partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de transações entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, configurando geração artificial de resultado cujo registro contábil é inadmissível. (...) Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. A contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 705), que foi rejeitado pela 2 Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho, conforme acórdão do qual se extrai a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ÁGIO. DEDUÇÃO. REQUISITOS FORMAIS APARENTEMENTE PREENCHIDOS. NECESSIDADE DE AVALIAR A MATERIALIDADE DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DO ÁGIO. O ágio se caracteriza pela diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição (art. 20, II, do DL 1.598, de 1.977). A transferência de ações da empresa investidora para a empresa investida e posterior incorporação desta pela primeira, sem que a incorporadora nada tenha desembolsado, não materializa pagamento a maior, que é elemento essencial à caracterização do ágio. Para dedução do ágio como despesa em empresa que adquire participação societária, são necessários mais do que registros contábeis e atos contratuais formalmente perfeitos. É imprescindível a materialidade do ágio, isto é, um desembolso por quem adquire. Não se concebe como despesa dedutível o ágio decorrente de atos societários ou reorganizações empresariais onde quem se beneficia nada desembolsou, quer seja em espécie quer seja em bens representativos de valor econômico. No caso concreto, quer nas empresas incorporadas, quer na empresa incorporadora, não houve pagamento pela aquisição. Assim, descaracterizada a materialidade do ágio. Recurso Voluntário Negado. Em 03/06/2013, a contribuinte foi intimada quanto ao acórdão recorrido (fls. 813), apresentando embargos de declaração em 07/06/2013, no qual alega contradições e Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 10920.004063/201097 Acórdão n.º 9101002.804 CSRFT1 Fl. 1.116 5 omissões (fls. 814). Estes embargos foram rejeitados, com a intimação da contribuinte em 28/11/2013 (fls. 850). A contribuinte, assim, interpôs recurso especial em 09/12/2013 (fls. 851/895). O recurso especial está fundado em divergência na interpretação da lei tributária a respeito dos seguintes temas: (i) Decadência, na forma tratada pelos artigos 173 e 150, §4º, do Código Tributário Nacional, sendo indicados como paradigmas os acórdãos: (i.a) 10707819, no qual se decidiu que "glosar no presente os efeitos decorrentes de valores formados no passado só é possível se a objeção do fisco não comportar juízo de valor quanto ao fato verificado em período já atingido pela decadência" e (i.b) 10197.084, do qual se extrai: "Uma vez expirado o prazo previsto no art 150, §4º a fiscalização não está autorizada a promover revisão dos fatos ocorridos e registrados anteriormente, pois que alcançados pelo instituto da decadência." (ii) Amortização de ágio interno, na forma do artigo 20, do DecretoLei nº 1.598/77 e artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1977 e artigo 36 da Lei nº 10.637/2002, apontandose como paradigmas os acórdãos: (ii.a) 1101 000.708, constando desta decisão que "A circunstância da operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vínculo, não é relevante para fins fiscais" e (ii.b) 1301001.224, verbis: "O 'abuso de direito' pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros, não podendo ser invocada se a utilização da empresa veículo, exposta e aprovada pelo órgão regulador, teve por objetivo proteger direitos (os acionistas minoritários), e não violálos.". O recurso especial foi admitido pelo então Presidente da 4ª Câmara da Primeira Seção do CARF (fls. 1052/1057): A divergência é patente: no acórdão recorrido entendeuse por não reconhecer a nulidade do lançamento em face da decadência arguida pela Recorrente, bem como, desconsiderar dedutibilidade da despesa com amortização de ágio, em face da inexistência de desembolso financeiro na operação de aquisição do investimento Por seu turno, nos paradigmas, as conclusões foram no sentido de considerar vedado ao Fisco a revisão de fatos ocorridos e registrados em períodos já decaídos, e no tocante à dedutibilidade do ágio, estar esta devidamente amparada pela legislação pertinente. Por tais razões, neste juízo de cognição sumária, concluise pela caracterização das divergências de interpretação suscitada. (...) Com fundamento nas razões acima expendidas, nos termos dos art.18, III, c/c art.68, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ADMITO o recurso especial interposto. Fl. 1118DF CARF MF 6 Em 11/09/2014 os autos foram remetidos à Procuradoria para sua intimação (fls. 1058), que apresentou contrarrazões ao recurso especial em 26/09/2016, requerendo seja negado provimento ao recurso especial, pelas razões a seguir sintetizadas: (i) inexistência de nulidade do lançamento, (ii) ser desnecessária perícia pleiteada pela Recorrente; (iii) inocorrência de decadência, pois "o fato gerador deve ser considerado o dia 31 de dezembro de cada ano, haja vista a opção pela apuração anual do imposto" e "o prazo decadencial deve ser contado apenas a partir da data do fato gerador do tributo, e não do simples registro contábil"; (iv) a indedutibilidade do ágio no caso dos autos, notadamente diante da falta de "propósito negocial (aquisição de investimento)" e porque a dedutibilidade dependeria da presença de partes "interdependentes entre si"; (v) seria inaplicável o artigo 36 da Lei nº 10.637/2002, pois ele estaria relacionado "à pessoa jurídica que realizou a subscrição e teve diferido o ganho apurado na operação (no caso, a Tuper Administração e Serviços Ltda, e não a recorrente)" (vi) deveria ser mantida a multa de 75%, prevista legalmente. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Antes de analisar o recurso especial, ressalvo que não tomo conhecimento de matérias alegadas no recurso especial e contrarrazões, sem que tenha sido demonstrada divergência na interpretação da lei tributária, quais sejam: (i) nulidade do lançamento, (ii) falta de provas pelo lançamento e necessidade de perícia, (iii) afastamento da multa de ofício. O recurso especial é tempestivo, tendo sido demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária pela Recorrente, razão pela qual tomo conhecimento das razões quanto à decadência e amortização do ágio interno. Decadência: A contribuinte alega decadência do crédito tributário, eis que nos anos de 2003 e 2004 ocorreram operações societárias que originaram o ágio em discussão no processo. É o teor do seu recurso especial: Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 10920.004063/201097 Acórdão n.º 9101002.804 CSRFT1 Fl. 1.117 7 A contagem do prazo decadencial tem que ser realizado necessariamente no anocalendário de 2004, uma vez que o ágio reconhecido pela TS Administração e Participações Ltda. Ocorreu em 28 de novembro de 2003. Em 27 de fevereiro de 2004 houve a incorporação da sociedade TS Administração e Participações Ltda pela requerente, quando passou a existir o direito de amortizar o ativo diferido gerado na operação. Desta forma, como o ágio foi gerado em novembro de 2003 e o ativo diferido em fevereiro de 2004, esses seriam os momentos corretos para início da contagem do prazo decadencial e não a sua amortização nos anoscalendários de 2005 a 2008. A Recorrente pede, assim, seja reconhecida a decadência do direito de análise desta formação do ágio quanto aos débitos em discussão no processo administrativo, relacionados aos anoscalendário de 2005 a 2008. A alegação da contribuinte quanto à decadência foi rejeitada pela Turma Ordinária pelos seguintes fundamentos: As operações societárias que resultaram na formação do ágio deduzido se efetivaram no ano de 2004. A alegação da recorrente é que, se houve infração isto ocorreu no mês de dezembro de 2004, razão pela qual, quando do lançamento, já tendo decorridos mais de cinco anos, a autoridade fiscal não mais poderia imputar como desnecessárias as despesas verificadas em 2004. O argumento da autuada é relevante. Praticada uma infração há que se identificar até quando a autoridade competente pode investigála para aplicar sanções. Neste sentido, tenho que devem ser analisados os efeitos da infração, quais sejam: a) imediatos ou; b) prospectivos. Nos casos em que a infração produz efeitos imediatos o marco inicial do prazo decadencial, ou prescricional quando for o caso, começa a fluir na data em que se efetivar a irregularidade ou quando o prejudicado desta tomar conhecimento. Nas situações em que os efeitos da infração ocorrem no futuro ou se perduram no tempo, o prazo decadencial ou prescricional, conforme se trate de uma ou de outra situação, tem seu marco inicial na data em que se efetivar o efeito. Exemplo conhecido de todos nós são os casos de revisão da renda mensal inicial da aposentadoria. Sabidamente, as pretensões desta natureza prescrevem em 5 (cinco) anos. No passado a Previdência utilizou critérios inapropriados para calcular o valor do saláriodebenefício. Este erro passou a produzir efeitos futuros em relação aos valores mensalmente recebidos pelas pessoas aposentadas. Decorridos mais de 5 anos o credor só faz jus à diferença devida em razão do último quinquidio. Contudo, nada Fl. 1120DF CARF MF 8 lhe impede que retorne ao momento original para apurar a situação que gerou o erro no critério adotado. Nesta linha de raciocínio, como fundamentos de decidir, destaco os seguintes precedentes: (...) Em síntese, no ano de 2010 a autoridade fiscal não poderia retroagir ao ano de 2004 para apurar receitas omitidas ou aspectos correlatos para aumentar a exigência de tributo devido naquele ano. Contudo, em se tratando de amortização do ágio na proporção de 1/60, conforme determina a lei, a autoridade fiscal pode retornar ao passado para verificar se a despesa que está sendo deduzida, no presente, efetivamente se efetivou no passado. Só é possível deduzir no presente a despesa efetivamente incorrida no passado. Esta Turma da CSRF é atualmente uníssona para afastar a alegação de decadência em casos como o presente. Nesse sentido, é o acórdão nº 9101002.387 (Processo Administrativo nº 10970.720271/201211), do qual se destaca: ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração para a glosa de despesas de amortização de ágio tem início com a efetiva dedução de tais despesas pelo contribuinte. Não ocorrência de decadência no caso concreto. Adoto as razões de decidir da Turma Ordinária, para negar provimento ao recurso especial a respeito da decadência, considerando que os fatos geradores ocorreram em 2005 a 2008, sem notícia de pagamento de tributo, com a lavratura de Auto de Infração em 2010, intimandose a contribuinte quanto a este lançamento em 21/10/2010. Ágio Interno: O DecretoLei nº 1.598/1977 delimitava o ágio por expectativa de rentabilidade futura, da forma seguinte ao tempo dos fatos tratados nestes autos: Art. 20 – O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I – valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 10920.004063/201097 Acórdão n.º 9101002.804 CSRFT1 Fl. 1.118 9 § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Consta do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) reprodução da disposição legal em seu artigo 385, verbis: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). A aquisição da participação societária também é referida pelo artigo 7º, caput, da Lei nº 9.532/1997 em redação vigente ao tempo dos fatos dispunha: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado Fl. 1122DF CARF MF 10 segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) (...) § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 10920.004063/201097 Acórdão n.º 9101002.804 CSRFT1 Fl. 1.119 11 Os dispositivos (artigo 20, do Decreto 1598/77 e 7º, da Lei nº 9.532/1997, reproduzidos no RIR/99) são claros em exigir: aquisição de participação societária (caput). Pois bem. A aquisição podese dar em contrato de compra e venda, definido da forma seguinte pelo renomado civilista Orlando Gomes: A compra e venda é contrato bilateral, simplesmente consensual, oneroso, comutativo, ou aleatório, de execução instantânea, ou diferida. Sua bilateralidade não comporta dúvida. Do acordo de vontades nascem obrigações recíprocas: para o vendedor, fundamentalmente, obrigação de entregar a coisa com o ânimo de transferirlhe a propriedade; para o comprador, a de pagar o preço. A dependência recíproca dessas obrigações e de outras estipuladas em complementação, configura o sinalagma característico dos contratos bilaterais perfeitos. (Contratos, Rio de Janeiro, Forense, 2009, f. 266, Coordenador Edvaldo Brito, atualizadores Antonio Junqueira de Azevedo e Francisco Paulo de Crescenzo Marino) É fundamental ao contrato de compra e venda, conforme lições de Orlando Gomes, a existência de um obrigação de entregar a coisa com ânimo de transferência da sua propriedade e o pagamento do preço. E a vontade pelas partes – explicitada por indícios tratados no processo deve ser o de pagamento de preço e entrega da coisa para a operação se amoldar ao arquétipo da compra e venda, pois este sinalagma é “característico dos contratos bilaterais perfeitos”. No caso destes autos, não me parece que a vontade das partes fosse a de transferência de propriedade da TS Adm. Com efeito, a Turma a quo manteve a glosa de despesas com ágio, pelas razões a seguir colacionadas: Para dedução do ágio como despesa em empresa que adquire participação societária, são necessários mais do que registros contábeis e atos contratuais formalmente perfeitos. É imprescindível a materialidade do ágio, isto é, um desembolso por quem adquire. Não se concebe como despesa dedutível o ágio decorrente de atos societários ou reorganizações empresariais onde quem se beneficia nada desembolsou, quer seja em espécie quer seja em bens representativos de valor econômico. No caso concreto não houve pagamento pela aquisição das quotas sociais. Assim, descaracterizada a materialidade do ágio. Na interpretação teleológica que tem por critério a finalidade da norma, a alegação de que o valor decorrente da reavaliação societária (art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002) se constitui receita, com tributação diferida, e que era possível a dedução do ágio antes da tributação da referida receita, não se mostra como argumento jurídico suficiente para acolher a tese da recorrente. Fl. 1124DF CARF MF 12 Contudo, em face do que tem sido sustentado da tribuna onde as partes argumentam que não se pode glosar o ágio e manter o valor respectivo valor na contabilidade da empresa investida como sendo receita diferida, o entendimento do Colegiado é no sentido de que se a receita não serve para caracterizar o ágio deve ser desconsiderada para efeitos de tributação. O que não se pode é dizer que a receita decorrente da reavaliação é apta a ensejar a tributação e inapta para efeitos de caracterização do ágio. Se não há pagamento pela aquisição das quotas sociais, não há operação legítima de compra e venda, simulação devidamente identificada pelo Termo de Verificação Fiscal e acórdão recorrido. Destaco, ainda, demonstração esquemática da estrutura constante do acórdão recorrido, que reforça a ocorrência de simulação: Em 20 de outubro de 2003 foi constituída a empresa Tuper Administração e Serviços, com capital integralizado pelos sócios de 100% das ações da Tuper S/A, de suas propriedades, assim ilustrada. Em 28 de novembro de 2003, a empresa Tuper S/A sai do quadro social da empresa TS Administração e entra a empresa Tuper Adminstração e Serviços que integraliza capital social mediante a incorporação de 189.740 ações ordinárias nominativas da Tuper S/A, elevando o capital social da TS Administração para R$ 155.009.000,00. Nesta operação, após a aplicação do método da equivalência patrimonial, a TS Administração registrou um ágio de R$ 124.995.339,10, referente à diferença entre o valor integralizado, suportado por laudo de avaliação (R$ 155.009.000,00) e o valor do patrimônio líquido da Tuper S/A (R$ 30.013.660,90), conforme quadros que seguem: Cessão de quotas Tuper Adm. Serv. Ltda. Tuper S/A Frank Bollmann TS Adm. E Partic. Ltda. Tuper Adm. Serv. Ltda. Tuper S/A Frank Bollmann Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 10920.004063/201097 Acórdão n.º 9101002.804 CSRFT1 Fl. 1.120 13 Aumento de capital Em 27/02/2004 a TUPER S/A incorpora a empresa TS Administradora e passa a deduzir o ágio contabilizado na empresa incorporada. Aumento de capital Incorporação Consta às fls. 16 dos autos que a Tuper Administração e Serviços Ltda. E a Tuper Adminsitração tem sócios em comum, verbis: “Considerando que os sócios minoritários da Incorporada são sócios da Tuper Administração e Serviços Ltda...”. Mas este não é o maior problema na operação. Como relatado pelo acórdão recorrido, de fato consta às fls. 84 alteração societária da TS Administração e Participações datada de 28 de novembro de 2003, na qual deliberado a cessão de quotas pela Tuper S.A. e, no mesmo ato, o aumento de capital desta pessoa jurídica, subscrito por Tuper Administração e Serviços Ltda., destacandose: TS Adm. E Partic. Ltda. Tuper Adm. Serv. Ltda. Frank Bollmann TS Adm. E Partic. Ltda. Tuper Adm. Serv. Ltda. Frank Bollmann TS Adm. E Partic. Ltda. Tuper S/A Fl. 1126DF CARF MF 14 1. TUPER S/A (...), representada neste ato por seus Diretores Srs. FFRANK BOLLMAN (...) e JULIAN FRANCISCO MARTINES MARTINES (...) 2. FRANK BOLLMANN (...) Únicos sócios da Sociedade Empresária Limitada denominada TS Administração e Participações Ltda. (...) e ainda, 10. TUPER ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS LTDA. (...), neste ato representada pelo seu Administrador, Sr. FRANK BOLLMANN (...) Tem justo e contratado: a) A saída e entrada de sócios. A sócia Tuper S/A (a “Cedente” cede e transfere a totalidade das suas quotas na Sociedade aos seguintes sócios ingressantes e ao sócio remanescente, Frank Bollmann (os “Cessionários”) (...) b) Aumento de capital. O capital é aumentado em R$ 155.009.000,00 (cento e cinquenta e cinco milhões e nove mil reais), com a correspondente emissão de novas quotas no valor de R$ 1,00 (um real) cada uma, importância totalmente subscrita e integralizada pela sócia ingressante Tuper Administração e Serviços Ltda., mediante a incorporação de 189.740 (cento e oitenta e nove mil setecentas e quarenta) ações ordinárias nominativas escriturais sem valor nominal emitidas da Tuper S/A anteriormente qualificada, conforme laudo de avaliação anexo. O relato do acórdão recorrido, confirmado pelos documentos acima reproduzidos, demonstra que inocorreu pagamento, como também evidencia que a operação que gerou o ágio foi dentro do Grupo, isto é, pela saída da Tuper S.A e capitalização pela Tuper Administração, pessoas jurídicas que tem sócios em comum. Acrescento que é incontroverso nestes autos que a tributação é de ágio “interno”, isto é, originado dentro do grupo econômico. Tanto assim que a própria Recorrente traz em suas razões recursais alegações de que seria legítimo o ágio interno. Nesse sentido, a Recorrente sustenta que “não há qualquer distinção na legislação tributária e societária entre a aquisição por terceiros estranhos e por empresas do mesmo grupo através de integralização de ações de outra empresa avaliadas por rentabilidade futura”. E ainda que “o fato da operação ser entre empresas do mesmo grupo não altera a mais valia das ações negociadas”. (trechos do recurso especial) A respeito do ágio interno, destaco considerações de Luis Eduardo Schoueri: O que se condena é a simulação, a mentira, a operação que não existiu na realidade: assim, se não houve preço em uma relação entre partes relacionadas na qual se registrou ágio, tal operação deverá ser desconsiderada. Resta evidente, aí, que não houve uma compra e venda, uma aquisição de participação societária na qual poderia haver o pagamento do ágio. Comprovada a simulação, plenamente justificável e autorizada a desconsideração do planejamento realizado. (Ágio em Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 10920.004063/201097 Acórdão n.º 9101002.804 CSRFT1 Fl. 1.121 15 Reorganizações Societárias – Aspectos Tributários, Dialética, 2012, fl. 112) Pondero que o renomado professor entende que “em princípio, não há, na legislação tributária, qualquer dispositivo que impeça o reconhecimento e a utilização do ágio gerado internamente, entre partes relacionadas”. Não compartilho de tal entendimento, eis que, na maioria das situações – se não em todas , é artificial o ágio gerado intragrupo, vislumbrandose simulação pelas partes contraentes. De toda forma, na presença de simulação – como é o caso destes autos – há fundamento para desconsideração da operação até no entendimento do professor Luis Eduardo Schoueri. A jurisprudência desta Turma da CSRF, por maioria à qual me filio, adota entendimento pela impossibilidade de dedução de ágio produzido dentro do grupo econômico, em face de sua artificialidade. De fato, a ausência de partes independentes e desembolso por quem adquire impede a dedutibilidade do ágio. A esse respeito, são os acórdãos nº 9101002.550 e 9101002.487, proferidos por esta Turma e nos quais acompanhei os relatores a respeito do ágio interno: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. Deve ser mantida a glosa da despesa de amortização de ágio que foi gerado internamente ao grupo econômico, sem qualquer dispêndio, e transferido à pessoa jurídica que foi incorporada. (Acórdão 9101002.550) Diante disso, voto por negar provimento ao recurso especial da contribuinte, mantendo o acórdão recorrido pelos seus fundamentos. Conclusão Por tais razões, voto por conhecer e negar provimento ao recurso especial da contribuinte, mantendo integralmente o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 1128DF CARF MF 16 Fl. 1129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.904340/2012-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão.
Recurso Especial do Procurador negado.
Numero da decisão: 9303-004.747
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. DCOMP. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Recurso Especial do Procurador negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 43 40 /2 01 2- 16 Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10280.904340/201216 Acórdão n.º 9303004.747 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3402002.642, de 24/02/2015, proferido pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, do qual se reproduz apenas a parte da ementa que interessa ao presente julgamento: (...) ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúric e calcário AL 200 Carbomil, nos termos do voto do Relator. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgiuse contra a concessão de crédito oriundo das aquisições de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, que, no seu entender, não geram direito a crédito. Alega divergência de interpretação em relação aos paradigmas apontados, cujas ementas foram transcritas no recurso. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Fazenda Nacional. A contribuinte apresentou contrarrazões ao especial Fazendário. Também interpôs recurso especial, o qual, todavia, não foi admitido. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10280.904340/201216 Acórdão n.º 9303004.747 CSRFT3 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.731, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.902051/201274, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.731): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no seu exame, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão paradigma adotou a tese mais restritiva para o conceito de insumos, de forma a guardar correspondência com o obtido da legislação do IPI, o acórdão recorrido consubstanciou entendimento mais amplo, de sorte a incluir, no mesmo conceito, os produtos e serviços necessários ao processo produtivo da contribuinte. Conhecido, entendemos não assistir razão à douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Depois de longos debates, passamos a adotar o entendimento majoritário que, justo, encontrase encartado no acórdão recorrido. Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com o que exposto no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), passamos a adotálas, também aqui, como razão de decidir. Eilas: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matéria prima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10280.904340/201216 Acórdão n.º 9303004.747 CSRFT3 Fl. 5 4 produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontram se reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Passemos ao caso concreto. A Recorrente contesta a concessão de crédito oriundo das aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Antes de concluirmos o voto em relação a cada item e os motivos que sustentam o nosso convencimento, reputamos imprescindível fazer a seguinte observação: em julgamentos recentes envolvendo a mesma contribuinte e, grosso modo, os mesmos produtos e serviços, esta mesma CSRF chegou a conclusões divergentes das que aqui serão adotadas. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10280.904340/201216 Acórdão n.º 9303004.747 CSRFT3 Fl. 6 5 Nestes julgamentos, acompanhamos o voto do relator, porque nos pareceu que os motivos por ele adotados encontravamse plenamente compatíveis com a tese majoritária. Referimonos aos Acórdãos CSRF/3ª Turma nº 9303004.378, 9303004.379 e 9303004.380, todos de 09/11/2016. Aqui, contudo, na condição de relator, ao analisarmos com maior detença os itens cujo creditamento a Recorrente pretende afastar, formamos a convicção de que andou bem a Câmara baixa ao reconhecer os créditos. Com relação aos produtos citados, consignou: No contexto do Processo Bayer, a recorrente explica que o ácido sulfúrico é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. O calcário (produto AL 200 – Carbomil) é empregado durante o processo de combustão nas caldeiras a carvão para absorção do enxofre, que é formado durante o processo de queima do carvão mineral. O inibidor de corrosão, por sua vez, é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. Entendo que o recorrente demonstrou de maneira satisfatória, por meio de sua explicação, a relação de pertinência e essencialidade destes três bens para com o processo produtivo, nos termos do conceito de insumo que se adota neste voto, devendose reverter as respectivas glosas. Sendo claramente necessário ao processo produtivo, na linha do que vem sendo aqui mesmo decidido, reajustamos o nosso voto para acompanhar o entendimento adotado no acórdão recorrido, negando, no ponto, provimento ao recurso especial. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento." No caso deste processo o litígio abrange, tão somente, o direito de crédito sobre as aquisições de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil. Como na decisão do paradigma o direito de crédito sobre esses dois insumos foi reconhecido, no presente processo também deve ser negado provimento (total) ao especial da Fazenda. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 695DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.008656/2008-64
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
PIS/ CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE/,MPRESA COMERCIAL,XPORTADORA APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS/ IMPOSSIBILIDADE
A empresa comercial exportadora não tem o direito de descontar créditos em relação às mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação para o exterior.
Numero da decisão: 9303-005.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 86 56 /2 00 8- 64 Fl. 733DF CARF MF Processo nº 19515.008656/200864 Acórdão n.º 9303005.027 CSRFT3 Fl. 733 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67, e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 3801001.828, proferido pela extinta 1º Turma Especial da 3ª Seção de julgamento, que decidiu por unanimidade de votos negar provimento ao Recurso, por entender que a exigência do PIS não cumulativo exigido em razão de glosas de créditos oriundos de aquisições de mercadorias com a finalidade de exportação não podem ser utilizados pela empresa adquirente (comercial exportadora), por força do art. 5º, § 1º, Lei nº.10.637/02. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: no mês 12/03, o contribuinte apurou PIS incidência não cumulativa, no valor de R$ 228.322,68, porém nada restou a título de PIS a pagar tendo em vista a existência de créditos do PIS. Este fato pode ser observado na DIPJ/04, ficha 21 (fl. 45) e DACON (fl. 477/478); a fiscalização apurou no Livro Razão da empresa que neste mês o valor devido a título de PIS seria menor, ou seja, R$ 224.772,73 (fl. 396), ao invés do montante informado em DIPJ e DACON (R$ 228.322,68); a autoridade fiscal também constatou que a liquidez e certeza do crédito de PIS utilizado no mês 12/03 não foram comprovadas fato que ensejou o lançamento do tributo não recolhido acompanhado da multa de ofício. Em razão da irregularidade apurada, foi lavrado o seguinte auto de infração: Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 399/401): Total do crédito tributário, R$ 545.096,34, contemplando o tributo, multa de ofício e juros de mora, calculados até 28/11/08. A DRJ em São Paulo (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: CRÉDITO PIS NÃO CUMULATIVO. Empresa comercial exportadora não faz jus à apuração de crédito de PIS oriundo da aquisição de produto destinado à exportação. O Acórdão da decisão recorrida, restou assim ementado: Fl. 734DF CARF MF Processo nº 19515.008656/200864 Acórdão n.º 9303005.027 CSRFT3 Fl. 734 3 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Estando presentes os requisitos formais previstos nos arts. 9 e 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa, que somente se aplica aos despachos e decisões. PIS. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A empresa comercial exportadora não tem o direito de descontar créditos em relação às mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação para o exterior. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa de 75% sobre o valor do tributo está prevista em lei vigente e a autoridade julgadora não pode afastar a aplicação de normas jurídicas, além de que a limitação constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco não se refere às penalidades. Recurso Voluntário Negado. Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso, sustentando que: "Entende restar comprovado a regularidade da apropriação de créditos de PIS em relação às aquisições realizadas no mercado interno com o fim específico de exportação antes da edição da lei n° 10.865/04, conforme também reconhecido por este E. CARF e atestado na divergência jurisprudencial analiticamente demonstrada Sucessivamente, na hipótese do pedido deduzido acima não ser acolhido e provido, a Recorrente requer ao menos seja reconhecida a manifesta improcedência da multa de ofício de 75% devido ao seu caráter confiscatório". Para comprovar o dissenso jurisprudencial, a Contribuinte suscitou divergência quanto à aplicação da legislação tributária, colacionando como paradigma o acórdão nº 20313236. O recurso teve seguimento nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls. 718/719, sob o fundamento de que: "O acórdão recorrido decidiu que, em razão do art. 5º, § 1º, da Lei nº. 10.637/02, ficou expressamente enunciada a impossibilidade de a empresa comercial exportadora, adquirente de mercadorias com finalidade de Fl. 735DF CARF MF Processo nº 19515.008656/200864 Acórdão n.º 9303005.027 CSRFT3 Fl. 735 4 exportação, aproveitar créditos nessas aquisições.O direito de aproveitar os créditos alcançariam tão somente a pessoa jurídica vendedora. Por sua vez, no acórdão paradigma o órgão julgador entendeu que a vedação para a empresa comercial exportadora apurar créditos pelos produtos adquiridos com o intuito de exportação surgiu apenas com o advento da Lei nº. 10.865/04. Segundo o paradigma, a vedação do § 4º, do art. 6º, da Lei 10.833, só teria aplicação para o PIS com a inserção do art. 15 pela Lei nº. 10.865/04, publicada em 30/04/2004". Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. fls.721/725, sustentando o seguinte: "O conceito de empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exportação, foi estabelecido através do Decretolei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972 que, em seu artigo 2°, relacionou os requisitos mínimos que devem ser satisfeitos para que uma empresa seja considerada empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação. São eles: a) Registro especial na Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) e na Secretaria da Receita Federal, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda; b) Constituição sob a forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; c) Capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. Assim sendo, somente são passíveis de compensação as exportações diretas e aquelas efetuadas através de empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exportação, nos termos fixados no referido Decretolei. Diante do exposto, conclui‐se que o acórdão recorrido não merece reparos". É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Com efeito, a discussão posta a esta E. Câmara Superior, diz respeito exclusivamente ao direito de aproveitamento de créditos de PIS, utilizado por empresa Comercial Exportadora de Mercadorias decorrente de compras efetuadas com fim especifico para exportação, cujas operações pressupõem não incluírem os valores da contribuição ao PIS em seus preços, tendo em vista a isenção da contribuição, concedida para as vendas de mercadorias efetuadas para empresas comerciais exportadoras, anterior a vigência da lei Fl. 736DF CARF MF Processo nº 19515.008656/200864 Acórdão n.º 9303005.027 CSRFT3 Fl. 736 5 10.865/04, a qual inseriu no ordenamento jurídico o parágrafo 2º, II, do artigo 3º da lei nº 10.637/02. Sem embargo, a decisão recorrida entendeu que o art. 5º, § 1º, da Lei nº. 10.637/02, ficou expressamente enunciada a impossibilidade de empresa comercial exportadora, adquirente de mercadorias com finalidade de exportação, aproveitar créditos nessas aquisições. O direito de aproveitar os créditos alcançariam tão somente a pessoa jurídica vendedora. Registrese que, no presente caso não houve discussão acerca do conceito de insumos utilizados para fins de creditamento do PIS, a discussão cingese exclusivamente á época da lavratura do Auto de Infração, a qual não havia dispositivo legal que limitava a manutenção ao direito de crédito nas operações de compra de produtos não sujeitos a tributação, inexistindo vedação para apropriarse de tais créditos. Neste sentido, nem o acórdão da DRJ, fls. 585/596, tão pouco a decisão recorrida tratou de insumos de modo pormenorizado. Para melhor compreensão dos fatos, verifico junto ao Estatuto Social da Contribuinte que tratase de pessoa jurídica dedicada: i) comércio no mercado interno e externo (importação e exportação) de produtos agrícolas, especialmente grãos vegetais e seus derivados, de fertilizantes, suas matériasprimas e seus subprodutos e de defensivos agrícolas; ii) exploração de serviços auxiliares aos transportes aquavidrios; iii) serviços auxiliares ao transporte rodoviário de cargas em geral; iv) serviços auxiliares ao transporte de cargas em geral (logística de transporte ou agente transportadoras); v) agenciamento marítimo e operador portuário; vi) serviços de depósito; vii) logística de depósito; viii) consultoria de transportes em geral, ix) constituir ou participar, sob qualquer modalidade, de outras sociedades, consórcios ou entidades, cujos objetos sociais sejam direta ou indiretamente, vinculados, acessórios ou instrumentais ao objeto da Sociedade; x) industrialização e beneficiamento, por conta própria ou de terceiros, de produtos agrícolas e seus subprodutos, de fertilizantes e seus derivados, de matérias primas em geral e de defensivos agrícolas e xi) administração de bens próprios. Após esse breve esclarecimento quanto atividade da Contribuinte, se faz necessário delimitar o regime jurídico das empresas Comerciais Exportadoras, para fins de incidência do PIS. Destarte, as empresas comerciais são empresas que têm por objeto social a comercialização de mercadorias, podendo comprar produtos fabricados por terceiros para revender no mercado interno ou destinálos à exportação, bem como importar mercadorias e efetuar sua comercialização no mercado doméstico. Ou seja, exercem atividades típicas de uma empresa comercial. A expressão “trading company” não é utilizada na legislação brasileira, e na doutrina há confusão entre as definições de “empresa comercial exportadora” e “trading company”. A distinção se faz entre as empresas comerciais exportadoras (ECE) que possuem o Certificado de Registro Especial e as que não o possuem. Deste modo, as empresas comerciais exportadoras são reconhecidas no Brasil pelo DecretoLei nº 1.248, de 1972, que dispõe sobre o tratamento tributário das operações de compra de mercadorias no mercado interno, para o fim específico de exportação. Essa norma Fl. 737DF CARF MF Processo nº 19515.008656/200864 Acórdão n.º 9303005.027 CSRFT3 Fl. 737 6 assegura, tanto ao produtor vendedor quanto à ECE, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação. Conforme preconiza o DecretoLei nº 1.248, de 1972, apenas as empresas comerciais exportadoras que obtivessem o Certificado de Registro Especial seriam beneficiadas com os incentivos fiscais à exportação. Contudo, a legislação atual não faz essa distinção. De acordo com a legislação tributária atual, existem duas espécies de Empresas Comerciais Exportadoras (ECE): i) as que possuem o Certificado de Registro Especial e ii) as que não o possuem. Entretanto, os benefícios fiscais quanto ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), às Contribuições Sociais (PIS/PASEP e COFINS) e ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) aplicamse, atualmente, às duas espécies, sem distinção alguma. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) expressa esse entendimento, por meio da Solução de Consulta nº 40, de 4 de maio de 2012, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 7 de maio de 2012 O legislador vedou a manutenção de créditos de PIS na aquisição de produtos não sujeitos ao recolhimento da contribuição, por meio da lei nº 10.865/04, a qual deu nova redação ao artigo 3º, parágrafo 2º da lei nº10.637/071.: “A não incidência do PIS/Pasep e Cofins e a suspensão do IPI aplicamse a todas as empresas comerciais exportadoras que adquirirem produtos com o fim específico de exportação. Duas são as espécies de empresas comerciais exportadoras: a constituída nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e a simplesmente registrada na Secretaria de Comércio Exterior.” Portanto, atualmente, há duas categorias de Empresas Comerciais Exportadoras (ECE), sem diferenciação com relação aos incentivos fiscais. Essencialmente, as comerciais exportadoras são classificadas em dois grupos: i) as que possuem o Certificado de Registro Especial, denominadas “trading companies”, regulamentadas pelo DecretoLei nº 1.248, de 1972, recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com status de lei ordinária; constituição societária da Contribuinte, e, ii) as comerciais exportadoras que não possuem o Certificado de Registro Especial e são constituídas de acordo com Código Civil Brasileiro. Pela análise dos autos, evidenciase que as operações de vendas da Contribuinte destinavase a exportação. Consta, ainda, que a própria Contribuinte, apresentou à fiscalização uma relação completa de documentos, o que de uma análise mais detida, comprovase as referidas exportações. Superado o objeto das atividades da Contribuinte, passo a analisar a aplicação das regras do PIS não cumulativo no que tange às empresas comerciais exportadoras. Com efeito, o PIS é uma contribuição que encontra previsão no artigo 195, I, "b" da Constituição Federal de 1998, tem como hipótese de incidência o faturamento da pessoa jurídica. Referida contribuição foi instituída pela Lei Complementar nº 7/70, inicialmente, tinha como hipótese de incidência o faturamento com alíquota de 0,65% ( regime cumulativo). Neste modelo, não era permitido o abatimento de custos financeiros, aquisição de bens e serviços utilizados no processo produtivo. 1 Extraído do Portal do Ministério da Indústria, Comércio e Serviço. Acessado em 17/03/2017. http://www.mdic.gov.br/comercioexterior/empresacomercialexportadoratradingcompany Fl. 738DF CARF MF Processo nº 19515.008656/200864 Acórdão n.º 9303005.027 CSRFT3 Fl. 738 7 Nada obstante, com objetivo de desonerar a cadeia produtiva, a técnica cumulativa foi alterada por meio da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na lei nº 10.637/02, a qual instituiu o novo modelo não cumulativo do PIS. A novel legislação á época, determinava que sobre a base de cálculo apurada nos termos da lei (faturamento) incidirá a alíquota de 1, 65%, maior do que aplicada na técnica cumulativa, contudo, a nova legislação permitia a manutenção dos créditos calculados á alíquota de 1,65% sobre valores referentes aos custos e despesas na aquisição de serviços, sendo abatidos do valor apurado de PIS devido no fim do período de apuração. Vejamos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação ás mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º. § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Neste sentido, a época dos fatos (Auto de Infração lavrado referente ao período de apuração de 01/12/2003 a 31/12/2003) estava em vigor a lei nº 10.627/02, a qual em seu inciso I, determinava que o montante a ser pago á título de PIS não cumulativo poderia ser descontados créditos calculados sobre bens adquiridos para revenda, exceto em relação ás mercadorias ou produtos sujeitos ao regime monofásico. Fl. 739DF CARF MF Processo nº 19515.008656/200864 Acórdão n.º 9303005.027 CSRFT3 Fl. 739 8 Portanto, á época da lavratura do Auto de Infração não havia dispositivo legal que limitava a manutenção ao direito de crédito nas operações de compra de produtos não sujeitos a tributação, inexistindo vedação para apropriarse de tais créditos. Contudo, o legislador vedou a manutenção de créditos de PIS na aquisição de produtos não sujeitos ao recolhimento da contribuição, por meio da lei nº 10.865/04, a qual deu nova redação ao artigo 3º, parágrafo 2º da lei nº10.637/07. No caso em espécie, mesmo considerando o artigo 6, parágrafo 4º, da lei nº 10.833/03, também aplicável ao PIS em razão do artigo 15, inciso III, do mesmo diploma, a vedação a manutenção ao direito de crédito de PIS não poderia ser aplicada, pois os créditos guerreados dizem respeito ao período de apuração de 01/12/2003 a 31/12/2003. Deste modo, observo que o Acórdão recorrido nada falou sobre o interregno da lei nº 10.637/02, inciso I, vigente a época dos fatos, bem como da alteração do artigo 3º, parágrafo 2º, promovido com a edição da lei nº10.865/04. Considerando a vigência das alterações trazidas pelas leis nºs 10.637/02 ,10.865/04 e 10.833/02. Para reforçar meu entendimento de que á época dos fatos não havia dispositivo legal que vedasse o direito a manutenção de créditos de PIS não cumulativos, utilizo como fundamento em minhas razões de decidir, o acórdão paradigma nº 20313236, da lavra do Ilustre Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: "A nãocumulatividade do PIS e da Cofins, sem restrições ao direito de se apropriar créditos, foi elevada à categoria de principio constitucional em 01/01/2004, com a inclusão do parágrafo 12 no art. 195 da CF/88, por meio da Emenda n° 42/03. Implementar efetivamente a nãocumulatividade para essas contribuições implica tributar apenas o valor que é agregado ao longo de uma cadeia produçãoconsumo. Dentre os diversos métodos de tributação do valor agregado existentes, o Poder Executivo elegeu o método indireto subtrativo na própria exposição de motivos que acompanhou a proposta que resultou na edição da MP n° 135/03, eleição essa avalizada mais tarde pelo Poder Legislativo ao convertêla na Lei n° 10.833/03. Indireto subtrativo é o método segundo o qual o valor do tributo devido é resultado da diferença entre o valor apurado pela alíquota aplicada sobre as vendas e o valor apurado pela alíquota aplicada sobre as compras. Em um primeiro momento, foi criada a Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, mediante a edição da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, a qual veio a ser convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Atendida a anterioridade mitigada (90 dias), a nova forma de incidência passou a ser aplicada para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/12/2002. Fl. 740DF CARF MF Processo nº 19515.008656/200864 Acórdão n.º 9303005.027 CSRFT3 Fl. 740 9 Posteriormente, estendeuse a nãocumulatividade para a Cofins, por meio da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, que veio a ser convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Considerandose a anterioridade nonagesimal, a Cofins nãocumulativa passou a ser aplicada para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/02/2004. As Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 instituidoras da cobrança não cumulativa do PIS e da Cofins , ambas no art. 3 0, prevêem a possibilidade de o contribuinte calcular créditos em relação ao valor da aquisição de insumos, valendose das mesmas alíquotas aplicáveis na determinação dos débitos sobre o valor do faturamento. Como dito alhures, a sistemática de apuração das contribuições no regime nãocumulativo consiste em permitir ao sujeito passivo descontar, da contribuição apurada, créditos referentes à aquisição de mercadorias e/ou insumos e outros encargos e despesas, previstos em lei, relacionados às atividades desenvolvidas pela Pessoa Jurídica. Ressaltese que as operações praticadas pela pessoa jurídica que permitem a constituição de créditos da nãocumulatividade são apenas as que estão estritamente especificadas na legislação tributária, não sendo permitido o creditamento sobre aquisição de bens ou serviços que não tenha previsão legal, mesmo havendo incidência tributária de PIS e Cofins quando de sua aquisição. Até 31/07/04, era irrelevante saber se o valor dos insumos adquiridos estava ou não sujeito às incidências desses tributos, na hipótese de aquisição de pessoas jurídicas domiciliadas no Pais. Entretanto, a contar de 01/08/04, a Lei n° 10.865/04, alterando substancialmente o § 2° do art 3° das Leis n's 10.637/02 e 10.833/03, vedou o aproveitamento de créditos em relação ao valor de aquisição de bens e serviços não sujeitos ao pagamento de PIS e Cofins, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumos em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou nãotributados. Com efeito, essa vedação atingiu, indistintamente, os insumos não tributados e os sujeitos à alíquota zero e, parcialmente, os isentos. alíquotas aplicáveis na determinação dos débitos sobre o valor do faturamento. Após essa breve digressão, retornando aos autos, o primeiro ponto a ser analisado diz respeito às atividades da recorrente. O fisco entende que são típicas de "empresas comerciais exportadoras", no entanto, a contribuinte não se considera como tal. A meu sentir é se suma importância conhecermos o que vem a ser uma empresa comercial exportadora". As micro e pequenas empresas brasileiras nos últimos anos vem obtendo um aumento em suas exportações que, mesmo sendo em termos absolutos ainda pequeno, já demonstra uma maior vontade por parte de seus empresários a aumentar suas vendas com o mercado externo. Muito se deve às atitudes Fl. 741DF CARF MF Processo nº 19515.008656/200864 Acórdão n.º 9303005.027 CSRFT3 Fl. 741 10 tomadas pelo governo com a criação de meios que facilitam e desburocratizam os processos necessários para tal feito. Não se pode olvidar que essas empresas possuem uma certa dificuldade em atuar no mercado internacional, muitas vezes por não possuírem estrutura logística, departamento capacitado ou até mesmo pela dificuldade ao acesso dos programas de incentivo à exportação do governo e de iniciativas privadas, podendo, portanto contar com o trabalho realizado pelas trading companies e comerciais exportadoras. Como isso funciona? Ao receber um pedido de exportação de mercadorias de sua produção, por muitas vezes a empresa fabricante não está preparada ou não tem condições de exportálo, por qualquer motivo. A empresa produtora poderá optar por não efetuar exportações diretamente, utilizando uma terceira empresa para processar suas vendas ao exterior. A modalidade de exportação através de uma terceira empresa se chama "Exportação Indireta", ou "Exportação, via Interveniente", e tem um tratamento especial, que vamos aqui tratar. A empresa produtora efetua, então, a venda no mercado interno, com o fim específico de exportação, a uma empresa comercial, que se encarregará de exportála, atuando como interveniente na operação. Portanto, a operação de exportação indiretaS consiste na venda de produtos destinados à exportação, os quais saem do estabelecimento industrial ou comercial para empresas comerciais exportadoras, trading companies ou qualquer outra empresa habilitada a operar com o comércio exterior. A exportação indireta via empresas comerciais exportadoras, têm tratamento tributário diferenciado e as vendas realizadas para elas têm caráter de exportação direta. Dessa forma, o produtor/exportador conta com isenção de impostos e deixa de ter qualquer responsabilidade sobre a continuidade da operação. Além desse beneficio, cito as seguintes vantagens: Gasto reduzido na comercialização do produto; b) Eliminação da pesquisa de mercado; c) Eliminação dos procedimentos burocráticos e seus custos, já que a documentação se resume à Nota Fiscal; d) Redução de riscos comerciais e de movimentação da mercadoria no exterior; e) Redução do custo financeiro decorrente das vendas a prazo, já que, via de regra, as comerciais exportadoras compram à vista; e, f) Dedicação exclusiva à produção. Até pouco tempo, a empresa comercial exportadora e a trading companies se confundiam. Com o passar dos tempos, a União Federal permitiu que outras empresas tenham características típicas de comercial exportadora, proporcionando um registro equivalente no momento em que seja realizada a primeira exportação ao exterior. Neste momento, as figuras de comercial exportadora e trading se dissociaram. Uma trading company deve ser constituída com base no DecretoLei n° 1.248/72, devendo obrigatoriamente ser S/A, ter capital social mínimo Fl. 742DF CARF MF Processo nº 19515.008656/200864 Acórdão n.º 9303005.027 CSRFT3 Fl. 742 11 equivalente a 703.380 UFIR e obter registro especial para operar como trading na SECEX/MICT e SRF/MF. Por sua vez, uma empresa comercial exportadora tem sua constituição regida pela mesma legislação utilizada na abertura de qualquer empresa comercial ou industrial para operar no mercado interno, sem nenhuma exigência quanto a sua natureza, capital social ou registro especial. As empresas comerciais exportadoras e as trading companies atuam como intermediárias na representação e comercialização de produtos entre Brasil e outros países. Tem como objetivo social a comercialização, podendo comprar produtos fabricados por terceiros para revender no mercado interno ou destinálos à exportação, assim como importar mercadorias e 1 efetuar sua comercialização no mercado doméstico, ou seja, atividades tipicamente de uma empresa comercial. Essas empresas proporcionam um grande fomento na área de comércio exterior, tanto no que se diz respeito aos trâmites legais de exportação quanto no estudo de mercados, viabilidade econômica e a inserção de produtos de interesse para os mais variados mercados. Com essa pequena noção sobre "empresa comercial exportadora", me atrevo a enfrentar o caso em epígrafe. Pela análise dos autos, em especial o relatório fiscal de fls. 39/48, fica comprovada, por intermédio de circularizações feitas aos fornecedores da recorrente, que as vendas dos produtos a Bianchini S/A tinham o fim específico de exportação. Consta, ainda, que a própria recorrente, após o resultado da circularização, apresentou à fiscalização uma relação completa dos memorandos de exportação emitidos bem como demonstrativo dos valores totais mensais. Ao ensejo da exposição acerca da exportação indireta e seus componentes, calha observar que ao adquirir mercadorias no mercado interno para revenda com o fim específico de exportação, a recorrente está exercendo uma atividade própria/típica de empresa comercial exportadora Superada a classificação das atividades da recorrente, passo a analisar a aplicação das regras do PIS e Cofins não cumulativos no que concerne às empresas comerciais exportadoras. Não se pode olvidar que as receitas referentes às operações de exportação gozam de tratamento privilegiado, sobre as quais não incidem a contribuição para o PIS e a Cofins, em consonância com o disposto no art. 149 da Constituição Federal. A legislação que instituiu o regime de apuração nãocumulativo para o PIS e para a Cofins dispõe e relaciona as receitas não sujeitas à incidência das contribuições, quais sejam: receitas da exportação de mercadorias para o exterior; prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas e Fl. 743DF CARF MF Processo nº 19515.008656/200864 Acórdão n.º 9303005.027 CSRFT3 Fl. 743 12 vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Apesar das pessoas jurídicas que realizam operações de exportação não apurarem contribuições a recolher sobre as respectivas receitas auferidas, a legislação permite que sejam apurados créditos referentes às mercadorias, produtos e insumos adquiridos, bem como em relação às despesas e encargos incorridos para o auferimento da receita da exportação (desde que estas receitas, se auferidas no mercado interno, estivessem sujeitas ao regime nãocumulativo), nas mesmas regras, condições e limites aplicáveis aos créditos apurados sobre as receitas auferidas no mercado interno. Para a empresa comercial exportadora existe vedação legal expressa à apuração dos créditos relativos à Cotins, conforme se verifica na disposição constante do art. 6°, § 40, extensiva à Contribuição para o PIS/Pasep, nos termos do art. 15, inciso III, da Lei n° 10.833,de 2003. Destarte, por força do disposto no § 4° do art. 6° e no inciso III do art. 15 da Lei n° 10.833, de 2003, concluise que não é permitida a utilização de créditos diretos e indiretos da Contribuição para o PIS e para a Cofins, vinculados às despesas efetuadas por pessoa jurídica comercial exportadora. Não obstante, devemos tomar cuidado com as datas de vigência das modificações trazidas pelas Leis n° 10.833/2003 e n° 10.856/2004, pois para a Cofins, a vedação acima retratada vale a partir de 01/02/2004, enquanto para o PIS, vale a partir de 01/05/2004. Mais uma vez socorrome do relatório fiscal de fls. 39/48 para identificar os períodos glosados pela fiscalização. O item 02 do relatório informa que os créditos glosados do PIS, referentes aos custos dos produtos adquiridos com o fim específico de exportação são dos meses de janeiro e 2003 a janeiro de 2004 e agosto de 2004; Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso para afastar a glosa dos créditos do PIS referentes aos custos dos produtos adquiridos com o fim especifico de exportação do período compreendido entre 01/04/2003 e 31/05/2003". Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Contribuinte para cancelar a exigência fiscal. É como voto é como penso. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 744DF CARF MF Processo nº 19515.008656/200864 Acórdão n.º 9303005.027 CSRFT3 Fl. 744 13 Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos Redator Designado Acolheu o relator argumento do recurso da empresa segundo o qual não haveria dispositivo legal que vedasse o aproveitamento de créditos da nãocumulatividade do PIS por empresa comercial exportadora, o que, a contrário senso, os permitiria. O colegiado, no entanto, pelo voto de qualidade, divergiu. Fizemolo, em essência, com as mesmas razões expendidas pela decisão recorrida. De fato, as empresas comerciais exportadoras foram contempladas na legislação da não cumulatividade da referida contribuição na mesma linha do que já eram quanto ao IPI e às contribuições cumulativas com a autorização para que o vendedor dos produtos não se submetesse àquelas exações em tais operações. A essas autorizações, acresceu o legislador, ao instituir a não cumulatividade2, que os remetentes pudessem manter os créditos decorrentes das aquisições dos próprios produtos remetidos à comercial exportadora, ou dos insumos empregados na industrialização daqueles a elas vendidos. E mais, que o seu efetivo aproveitamento se implementaria de todas as formas possíveis, inclusive pelo ressarcimento em dinheiro. Nesses termos, pareceunos, em frontal discrepância com a conclusão do relator, que a ausência de norma expressa vedando às comerciais exportadoras o aproveitamento dos créditos nada implica. Com efeito, se as operações desta última gozam da imunidade prevista na Carta Magna e se seus fornecedores em vendas com o fim específico de exportação não só não sofrem a incidência das contribuições como, ainda mais, mantêm, na integralidade, os créditos a eles relativos, de que créditos se estaria a falar com respeito às comerciais exportadoras? Vejase que sequer se pode pensar em eventual acréscimo de preço praticado pelos que a elas vendem seus produtos para "ressarcirse" de contribuições que deveriam recolher. Nada há a recolher! Destarte, qualquer valor que fosse a elas deferido necessariamente constituiria valor novo, não decorrente da sistemática da nãocumulatividade, e mais se 2 Tratase do art. 5º da Lei 10.637/2002: Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 745DF CARF MF Processo nº 19515.008656/200864 Acórdão n.º 9303005.027 CSRFT3 Fl. 745 14 pareceria a um renovado "crédito prêmio" que incentivasse a já tão incentivada atividade exportadora. Mas para tanto não basta a falta de disposição legal negando, requerse expressa disposição legal concessiva, até por força do art. 150, § 6º da Constituição3. Com essas considerações, entendemos acertada a decisão que negou o direito postulado e negamos provimento ao recurso especial do sujeito passivo. E é esse o acórdão que me coube redigir. (assinado digitalmente) Conselheiro Júlio César Alves Ramos 3 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. Fl. 746DF CARF MF
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Numero do processo: 15889.000301/2010-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. NATUREZA DO VÍCIO.
Não há que se falar em vício material, quando o arbitramento levado a cabo pela fiscalização encontra-se previsto em lei, invertendo-se o ônus da prova quanto aos valores fixados na autuação.
Numero da decisão: 9202-005.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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NULIDADE. NATUREZA DO VÍCIO. Não há que se falar em vício material, quando o arbitramento levado a cabo pela fiscalização encontrase previsto em lei, invertendose o ônus da prova quanto aos valores fixados na autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 03 01 /2 01 0- 42 Fl. 164DF CARF MF 2 Relatório Tratase de ação fiscal que originou cinco procedimentos, a saber: PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 15889.000300/201006 373131291 (Emp. e SAT) Obrig. Principal REsp em pauta 15.889.000301/201042 373131305 (Seg. e C.I.) Obrig. Principal REsp em pauta 15889.000302/201097 373131313 (Terceiros) Obrig. Principal REsp (Sedis) 15889.000303/201031 372979947 (AI38) Obrig. Acessória Dívida Ativa 15889.000304/201086 372979955 (AI68) Obrig. Acessória REsp em pauta No presente processo encontrase em julgamento o Debcad 373131305 (Seg. e C.I.), oriundo de contribuições previdenciárias que deveriam ter sido retidas dos administradores da empresa, valores apurados por aferição indireta com base nos rendimentos tributáveis declarados nas declarações nos IRPF dos respectivos períodos, por não terem os valores de prolabore sido declarados em GFIP e os livros diário e caixa não terem sim apresentados à fiscalização, após ação fiscal iniciada em razão de exclusão dos regimes de apuração Simples e Simples Nacional. Em sessão plenária de 20/02/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2803002.107 (fls. 125 a 131), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, sob pena de nulidade por vício material obedecendo o art. 142 do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado" A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior." O processo foi encaminhado à PGFN em 10/06/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 132). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a ciência presumida do Procurador ocorreu em 10/07/2013 e a Fazenda Nacional poderia interpor Fl. 165DF CARF MF Processo nº 15889.000301/201042 Acórdão n.º 9202005.531 CSRFT2 Fl. 165 3 Recurso Especial até 25/07/2013, o que foi feito em 24/07/2013 (fls. 133 a 140), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 141. O recurso visa rediscutir a declaração de nulidade do lançamento natureza do vício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 20/07/2015 (fls. 148 a 152). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos, em síntese: o Colegiado a quo deu provimento ao recurso voluntário para cancelar o Auto de Infração, em virtude de equívoco no método de apuração do tributo, declarando a nulidade do lançamento, por vício material; rezam os arts. 10 e 11 do Decreto 70.235/72 e 142 do CTN: "Decreto nº 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do notificado; II – o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III – a disposição legal infringida, se for o caso; IV – a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 166DF CARF MF 4 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível” pela leitura desses dispositivos, percebese que os requisitos neles elencados possuem natureza formal, ou seja, determinam como o ato administrativo, in casu, o auto de infração, deve exteriorizase; desse modo, temse que um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; na hipótese em apreço, o equívoco na forma de apuração do imposto é causa de anulação do lançamento por vício formal e não de cancelamento, vez que foi preterido o método estabelecido em lei; a propósito, a jurisprudência do CARF é farta em decisões que anulam o auto de infração por vício de forma, em razão da falta de preenchimento de alguns dos requisitos estipulados no art. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72 e/ou art. 142 do CTN (cita jurisprudência do CARF); não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo; os termos do procedimento fiscal contêm os elementos necessários e suficientes para o atendimento do art. 10 Decreto nº 70.235/72, portanto o exercício amplo e efetivo do direito de defesa foi propiciado à contribuinte, que, inclusive, apresenta detalhado arrazoado, por meio do qual insurgese contra o procedimento de apuração adotado pela fiscalização; por tudo, concluise que o acórdão recorrido mostrase equivocado, pois o vício apontado pelo Relator acarreta a anulação do auto de infração e não o seu cancelamento. Ao final, a Fazenda Nacional requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para que seja anulado por vício formal o Auto de Infração e lavrado um novo, revestido de todas os requisitos legais. Cientificada em 14/09/2015 (AR Aviso de Recebimento de fls. 156 a 157), a Contribuinte quedouse silente, conforme Despacho de Encaminhamento de fls.163. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. De plano, esclareçase que o primeiro paradigma indicado pela Recorrente Acórdão nº 240100.018 tal como o acórdão recorrido, trata de arbitramento, inclusive aborda a questão específica de omissões/incorreções relativas a critérios de apuração do crédito tributário. Confirase a respectiva ementa, com os destaques da Recorrente: Fl. 167DF CARF MF Processo nº 15889.000301/201042 Acórdão n.º 9202005.531 CSRFT2 Fl. 166 5 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1999 a 30/07/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, houve antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que entendem ser determinante à aplicação do instituto. NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VÍCIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito‑ NFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do Débito‑ FLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício formal insanável, nos termos do artigo 37 da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto nº 70.235/72. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. PROCESSO ANULADO. (Grifos nossos)" Assim, ao contrário do que restou consignado no acórdão recorrido, no paradigma considerouse que omissões ou incorreções relativas aos critérios de apuração do crédito tributário acarretariam vício formal e não vício material, o que efetivamente caracteriza a divergência suscitada. Adentrando ao mérito, constatase que a autuação foi assim fundamentada: "3.2 Observese que as remunerações decorrentes de 'pró labore' não foram informadas em GFIP. Certo também, que não houve apresentação de escrituração contábil e/ou Livro Caixa. Assim, forçoso extrairmos os valores das remunerações informadas em Declarações do Imposto de Renda Pessoa Físicas, a rigor dos extratos anexos, eis que se tratam de rendimentos do trabalho. Fl. 168DF CARF MF 6 3.3 Como se vê dos extratos, o Sr. Renato Lucio Belmiro teve rendimentos tributáveis nos anoscalendário de 2007 e 2008, o valor de R$ 6.000,00. Assim, o valor mensal lançado (base de cálculo) foi de R$ 500,00 (R$ 6.000,00 + 12 = R$ 500,00). 3.4 Por sua vez, o sócio Jose Belmiro do Patrocínio, no ano calendário de 2007 teve rendimento de R$ 12.000,00 e em 2008 o valor de R$ 14.400,00. Assim, o valor mensal lançado em 2007 foi de R$ 1.000,00 e em 2008 o valor de R$ 1.200,00 (mesmo critério de divisão da remuneração por doze meses)." Com efeito, o art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, assim estabelece: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 1º É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. § 2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário." Destarte, na ausência de apresentação da documentação que poderia dar suporte ao lançamento, é plenamente aplicável a aferição indireta, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. No presente caso, o arbitramento foi feito com base nas Declarações de Imposto de Renda dos beneficiários do prolabore, cabendo à empresa o ônus de comprovar Fl. 169DF CARF MF Processo nº 15889.000301/201042 Acórdão n.º 9202005.531 CSRFT2 Fl. 167 7 que os valores por ela pagos a esse título não seriam aqueles que foram arbitrados. Entretanto, a Contribuinte limitouse a alegar nulidade, sem trazer qualquer prova em seu favor. Assim, embora no entender desta Conselheira o lançamento não mereça reparos, a admissibilidade do apelo se deu com base em existência de vício formal, de sorte que novo lançamento pode ser efetuado, apenas garantindose à Contribuinte o direito a apresentar provas que infirmem o arbitramento efetuado. Diante do exposto, conheço e dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 170DF CARF MF
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