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Numero do processo: 13116.001219/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2009
NÃO CUMULATIVIDADE PIS E COFINS. CRÉDITOS DE INSUMOS. ESSENCIALIDADE DO CUSTO OU DESPESA AO PROCESSO PRODUTIVO. CONTATO FÍSICO IRRELEVANTE.
Devem ser revertidas as glosas de créditos das contribuições uma vez comprovadas a essencialidade dos gastos ao processo produtivo da pessoa jurídica. Não é necessário o desgaste ou dano do insumo em razão de seu contato físico ou utilização direta no produto. Ilegalidade das Instruções normativas SRF 247/2002 e 404/2004 já declaradas pelo STJ em sede de recursos repetitivos.
SERVIÇOS TOMADOS. CRÉDITO. Há possibilidade de créditos de PIS e COFINS sobre os serviços tomados de pessoas jurídicas uma vez demonstrada a essencialidade de tais serviços para seu processo produtivo, sem os quais, nem poderiam ser iniciados.
ATIVO IMOBILIZADO. IMPOSSIBILIDADE
Não é possível a escrituração do crédito das contribuições os custos das aquisições de ativos caso não seja demonstrada sua utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.
DESPESAS COM SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Possibilidade de crédito de COFINS e PIS para serviços de manutenção periódica dos caminhões da pessoa jurídica, desde que demonstrada a utilização de tais veículo no processo produtivo e desde que esta manutenção não necessite ser ativado, caso em que o crédito se faz de outra forma.
ALUGUEL. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS.
Possibilidade de crédito das despesa de aluguel de máquinas e equipamentos utilizadas pela pessoa jurídica para o desenvolvimento de sua atividade econômica.
FRETE DE PRODUTOS ACABADOS. TRANSPORTADOR COOPERATIVA.
As transportadoras cooperativas podem deduzir da base de cálculo das contribuições os valores repassados aos cooperados a título de ato cooperativo. IN SRF 635/2006. De modo que tais valores devem ser excluídos da base de cálculo dos créditos das contribuições, pois, sobre estas parcelas, não houve incidência do PIS e COFINS no serviço de frete.
ENERGIA ELÉTRICA. FORNECEDOR LOCALIZADO EM OUTRO ESTADO DA FEDERAÇÃO. ICMS-ST. IMPOSSIBILIDADE DO CRÉDITO.
Quando a energia elétrica é adquirida para consumo da indústria, mas o fornecedor está localizado em outro estado da federação, a Constituição Federal estabelece imunidade de ICMS próprio na venda da energia. No entanto, há incidência de ICMS-ST na entrada da energia no estado de destino, cujo contribuinte é o próprio adquirente. O fornecedor é obrigado a recolher em nome deste contribuinte, por substituição tributária, o ICMS devido na operação. Este ICMS-ST destacado no documento fiscal não integrou o preço da energia elétrica e, portanto, sobre este montante não houve incidência do PIS e da COFINS. A parcela referente ao ICMS-ST deve ser excluída da base de cálculo dos créditos das contribuições nos termos do art. 3º, § 2º, I da Lei nº 9.718/1998.
Numero da decisão: 3301-005.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar as glosas referentes às despesas de materiais utilizados como insumos no processo produtivo, explosivos, detonadores, óleo diesel, reagentes e cal hidratado; despesas de serviços utilizados como insumos de sua produção, especificamente, e tão somente, os serviços de desmonte de rochas; despesas com locação de máquinas e equipamentos e locação de perfuratrizes.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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CRÉDITOS DE INSUMOS. ESSENCIALIDADE DO CUSTO OU DESPESA AO PROCESSO PRODUTIVO. CONTATO FÍSICO IRRELEVANTE. Devem ser revertidas as glosas de créditos das contribuições uma vez comprovadas a essencialidade dos gastos ao processo produtivo da pessoa jurídica. Não é necessário o desgaste ou dano do insumo em razão de seu contato físico ou utilização direta no produto. Ilegalidade das Instruções normativas SRF 247/2002 e 404/2004 já declaradas pelo STJ em sede de recursos repetitivos. SERVIÇOS TOMADOS. CRÉDITO. Há possibilidade de créditos de PIS e COFINS sobre os serviços tomados de pessoas jurídicas uma vez demonstrada a essencialidade de tais serviços para seu processo produtivo, sem os quais, nem poderiam ser iniciados. ATIVO IMOBILIZADO. IMPOSSIBILIDADE Não é possível a escrituração do crédito das contribuições os custos das aquisições de ativos caso não seja demonstrada sua utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. DESPESAS COM SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Possibilidade de crédito de COFINS e PIS para serviços de manutenção periódica dos caminhões da pessoa jurídica, desde que demonstrada a utilização de tais veículo no processo produtivo e desde que esta manutenção não necessite ser ativado, caso em que o crédito se faz de outra forma. ALUGUEL. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 12 19 /2 00 9- 17 Fl. 220DF CARF MF 2 Possibilidade de crédito das despesa de aluguel de máquinas e equipamentos utilizadas pela pessoa jurídica para o desenvolvimento de sua atividade econômica. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS. TRANSPORTADOR COOPERATIVA. As transportadoras cooperativas podem deduzir da base de cálculo das contribuições os valores repassados aos cooperados a título de ato cooperativo. IN SRF 635/2006. De modo que tais valores devem ser excluídos da base de cálculo dos créditos das contribuições, pois, sobre estas parcelas, não houve incidência do PIS e COFINS no serviço de frete. ENERGIA ELÉTRICA. FORNECEDOR LOCALIZADO EM OUTRO ESTADO DA FEDERAÇÃO. ICMSST. IMPOSSIBILIDADE DO CRÉDITO. Quando a energia elétrica é adquirida para consumo da indústria, mas o fornecedor está localizado em outro estado da federação, a Constituição Federal estabelece imunidade de ICMS próprio na venda da energia. No entanto, há incidência de ICMSST na entrada da energia no estado de destino, cujo contribuinte é o próprio adquirente. O fornecedor é obrigado a recolher em nome deste contribuinte, por substituição tributária, o ICMS devido na operação. Este ICMSST destacado no documento fiscal não integrou o preço da energia elétrica e, portanto, sobre este montante não houve incidência do PIS e da COFINS. A parcela referente ao ICMSST deve ser excluída da base de cálculo dos créditos das contribuições nos termos do art. 3º, § 2º, I da Lei nº 9.718/1998. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar as glosas referentes às despesas de materiais utilizados como insumos no processo produtivo, explosivos, detonadores, óleo diesel, reagentes e cal hidratado; despesas de serviços utilizados como insumos de sua produção, especificamente, e tão somente, os serviços de desmonte de rochas; despesas com locação de máquinas e equipamentos e locação de perfuratrizes. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13116.001219/200917 Acórdão n.º 3301005.719 S3C3T1 Fl. 221 3 Tratase de duas declarações de compensação realizadas pela contribuinte nos PER/DCOMPs 20882.58212.281108.1.3.089115, 42488.27425.281108.1.3.100232 (fls. 08 19), informando um crédito de COFINS decorrente de exportação na monta de R$ 845.890,08 (oitocentos e quarenta e cinco mil, novecentos e noventa reais e oito centavos), correspondente ao período terceiro trimestre de 2008. Para utilizar este suposto crédito, a Recorrente então transmitiu as DCOMPs acima mencionadas, informando a compensação com débitos de IRPJ estimativa e CSLL para os períodos de setembro e outubro de 2008. Para tratamento da compensação, a Secretaria da Receita Federal intimou a contribuinte (fls. 3940) para que apresentasse a composição mensal dos bens e serviços utilizados como insumos como todos os dados das notas fiscais; a composição mensal das despesas de armazenagem e fretes nas operações de venda; a composição mensal dos encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado, como os dados fiscais da compra; documentos para comprovação dos valores informados nos DACONs de 2008 a título de energia elétrica; a composição mensal das receitas do mercado interna e as decorrentes de exportação. Como resposta da intimação (fls. 4647) a contribuinte descreveu as etapas de seu processo produtivo, desde a lavra e extração do minério até sua industrialização para venda (lavra, britagem, moagem, flotação, e desaguamento de concentrado e filtragem), afirmando que seu produto final é o concentrado de cobre, e, para as operações relativas ao terceiro trimestre/2008, juntou: os registros de exportação (fls. 5960); relação de notas fiscais correspondente às vendas no mercado interno (fls. 6163); relação de notas fiscais de exportação (fls. 6466); relação de notas fiscais insumos (explosivos, óleo diesel, cal hidratado, reagentes) (fls. 6772); relação de notas fiscais de serviços (desmonte de rocha, manutenção dos RK, serviços de locação de equipamentos, manutenção dos RKs, obras civis, remoção de estéril) (fls. 7375); notas fiscais aquisição de imobilizado (fls. 7678) (máquinas e outros equipamentos, transformador, leitores, impressora, balança, rádio portátil, palm top); notas fiscais de energia elétrica. fls. 7981; Dacon e carta com informações sobre a não incidência das contribuições sobre o frete prestado por CTAH — Cooperativa de Transporte de Cargas de Alto Horizonte (fls. 8287). Sobreveio, em 06/04/2010, o Despacho Decisório nº 103 (fls 8899), homologando parcialmente as compensações efetuadas: Fl. 222DF CARF MF 4 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 Ementa: Declaração de Compensação. Na produção de bens destinados à venda, somente os insumos que exercem ação direta sobre o produto em fabricação dão direito ao crédito na apuração do PIS NãoCumulativo. Só as máquinas, os equipamentos e os outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, dão direito ao crédito na apuração do PIS NãoCumulativo. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos A. aliquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Compensação Homologada em Parte Quanto à glosa de créditos relacionadas ao insumo, afirmou a fiscalização que somente dão direito ao crédito as despesas com materiais utilizados na produção que sofrem desgaste, dano ou perda de propriedades físicas decorrentes da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, nos termos da instrução normativa SRF nº 247/2002. Como os explosivos, reagentes, óleo combustível e etc. são utilizados na etapa de extração do minério e não propriamente na produção, sobre tais despesas não podem ser apurados créditos de PIS e COFINS, já que não exercem ação direta sobre o produto em fabricação (sulfeto de cobre). Em relação aos serviços utilizados como insumos, também glosou os créditos fundamentandose na IN SRF nº 247/2002, afirmando que não fazem parte da etapa de produção do concentrado de cobre, propriamente dita, como o desmonte de rochas, manutenção de caminhões (RK), manutenção da frota, locação de perfuratrizes, e remoção de estéril. São serviços que estão relacionados com a atividade de lavra. Quanto à glosa de créditos decorrentes das aquisições de ativo imobilizado, negou a possibilidade de crédito, pois a listagem das notas fiscais de aquisição de imobilizado (fls. 7678) (máquinas e outros equipamentos, transformador, leitores, impressora, balança, rádio portátil, palm top), referemse à ativos que não são utilizados na atividade de produção do concentrado de cobre. Ainda, afirmou que a interessada é beneficiária do Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras (Recap), desde 17/04/2007, sendo assim, mesmo que os itens do ativo fixo fossem utilizados na atividade de formação do concentrado de cobre, o PIS e COFINS nestas compras estão suspensos, não sendo possível apurar crédito. Em relação às despesas de energia elétrica, negou parte do crédito sob o fundamento de que o contribuinte lançou o valor inteiro da nota fiscal, e deixou de retirar o ICMS Substituição Tributária (recolhido pelo fornecedor), parcela esta que está fora da base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13116.001219/200917 Acórdão n.º 3301005.719 S3C3T1 Fl. 222 5 Quanto às glosas sobre despesas de frete de produto acabado, fundamentou que parte destes serviços foram prestados por cooperativa que não recolheu as contribuições pela prestação destes serviços em razão do art. 16 da IN SRF 635/2006. Neste caso específico não há incidência de PIS e COFINS sobre os valores repassados aos associados pelos serviços prestados, devendo ser excluídos da base de cálculo das contribuições. Como não houve incidência sobre esta parcela, não é possível apurar crédito de PIS e COFINS. Ao final, reconheceu o crédito de R$ 87.776,33, em vez do montante de R$ 845.890,08 pleiteado pela interessada, homologando parcialmente a compensação. Inconformada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 104119), apresentando as seguintes razões, em síntese: a atividade da contribuinte é apenas uma. Há o processo de lavra ou extração mineração e suas atividades correlatas, mas integram de forma cíclica a atividade de produção mineral, já que todo o minério é extraído e processado exclusivamente pela contribuinte; a extração mineral é parte integrante de todo o processo produtivo. Caso a matériaprima fosse adquirida de terceiro, ela seria insumo. Não faz sentido não considerar esta mesma matéria prima como insumo apenas porque é a própria contribuinte quem faz a extração da rocha. discute o conceito de insumos, afirmando que não há uma definição na lei do PIS e da COFINS, nem mesmo em referência subsidiária da legislação do IPI; insumo deve ser entendido no sentido comum deste vocábulo na linguagem e representa cada um dos elementos, diretos e indiretos, necessários à produção de produtos e serviços, como, por exemplo, matériasprimas, máquinas, equipamentos, capital, mãodeobra, energia elétrica etc; defende a ilegalidade das Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, em razão de terem extrapolado os limites de sua competência ao fixar uma interpretação restritiva ao termo "insumos"; as referidas instruções normativas interpretaram o termo "insumos" em sentido estrito, amoldandoo a forma prevista no Regulamento do IPI, o que as torna viciadas de ilegalidade; em relação ao PIS e à COFINS, o conceito de "insumos" se relaciona com a totalidade das receitas auferidas (faturamento) pelo contribuinte, as quais, para serem obtidas, exigem que o contribuinte incorra em custos e despesas (arts. 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda); cita soluções de consulta para afirmar que a própria RFB tem conceito abrangente de insumo ao permitir que serviço e aquisição de partes e peças de reposição e manutenção de máquinas utilizadas na produção dão direito a crédito; sobre as compras de ativo e sobre o RECAP, afirmou que a fiscalização não demonstrou quais os itens do ativo imobilizado foram objeto do RECAP para serem excluídos. Ao contrário, excluiu todos os ativos sem qualquer cuidado, gerando enormes prejuízos a Fl. 224DF CARF MF 6 contribuinte na apuração do seus créditos de COFINS, o que implica em cerceamento do direito de defesa da contribuinte; afirma também que, mesmo que seus ativos tenham sido adquiridos pelo RECAP, regime em que o PIS e a COFINS estão suspensos, a negativa de crédito sobre estes custos prevista na Lei nº 10.865/2004 fere a técnica da apuração não cumulativa das contribuições, erigida a dispositivo constitucional; caso não se permita a apuração destes crédito, mesmo que sem incidência nas aquisições, haverá apenas um diferimento do tributo, haja vista que a tributação será recuperada pela próxima etapa da cadeia produtiva, em ofensa à não cumulatividade, conforme já decidiu o STF em essência, o crédito calculado desses tributos é inegavelmente um direito de natureza presumida, já que os créditos são apurados sobre a base de cálculo; Em 02 de agosto de 2012, a 4ª Turma da DRJ/BSB proferiu o despacho nº 177, ordenando a devolução dos autos para a origem para realização de diligência para fins de identificar quais foram os ativos adquiridos sob o regime RECAP, nos seguintes termos (fls. 136137): (1) Examinar a alegação da contribuinte quanto aos itens do Ativo que não são objeto de Recap e, se for o caso, rever o Despacho Decisório; ou então (2) Fazer relatório circunstanciado do resultado da diligência, examinando as razões trazidas à colação; e (3) Em seguida, retornese o processo a esta instância de julgamento, abrindose prazo à defesa para fazer aditamento à Manifestação de Inconformidade, se for o caso, conforme parágrafo único do art. 35 do Decreto 7.574/2011. A Secretaria da Receita Federal intimou a contribuinte (fl. 138) para especificar quais bens foram adquiridos em 2007 e 2008 e que tenham sido beneficiados pelo RECAP, exigindo ainda a apresentação em arquivo magnético das notas fiscais de aquisição. A contribuinte apresentou resposta em fls. 140, informando que não existem notas fiscais de aquisição de bens do ativo imobilizado a ser apresentadas, considerando que para o período informado todas as aquisições realizadas foram objeto de incidência do PIS e da COFINS, o que gera direito ao desconto do crédito ora pleiteado. Como conclusão da diligência, fl. 165, a unidade de origem ratificou a informação de que todas as notas fiscais de aquisição de ativos não foram beneficiadas pelo RECAP: Anteriormente, já havíamos intimado a empresa a apresentar, por amostragem, notas fiscais referentes a compras de bens para o ativo imobilizado nos anos de 2007 e 2008. Verificamos que, realmente, não há informação em nenhuma delas de que a pessoa jurídica vendedora tivesse feito constar, na nota fiscal de venda, a expressão “venda efetuada com suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS”, obrigatoriedade contida no art. 13, §1º, inciso II, da mencionada Instrução Normativa. Juntamos ao processo algumas das notas fiscais de 2008, fls. 141 a 153. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13116.001219/200917 Acórdão n.º 3301005.719 S3C3T1 Fl. 223 7 Do exposto, verificase que o contribuinte, de fato, não fizera uso do benefício instituído pela IN SRF 605/2006, tendo em vista a declaração prestada em resposta à intimação recebida, bem assim pelo fato de os fornecedores não terem feito constar, nas notas fiscais de vendas, apresentadas por amostragem, a expressão "venda efetuada com suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS". (grifei) A DRJ, em 29/02/2016, proferiu novo despacho ordenando nova diligência (fls. 166167): Às folhas 165, Informação Fiscal SAORT/DRF/Anápolis, reconhece que a contribuinte não fez uso do benefício instituído pela IN SRF 605/2006, entretanto não especifica o quantum de crédito tem direito a contribuinte, bem como não abre prazo para a defesa aditar sua manifestação de inconformidade. Assim, considerando que cabe ao Delegado reconhecer o direito de crédito e homologar a compensação, em primeira mão, conforme prevê a Instrução Normativa de regência, proponho seja encaminhado o processo à DRF/Anápolis, "ex vi" do art. 35 do Decreto 7.574/2011, para: (1) Determinar o montante de crédito tem direito a interessada relativamente ao benefício instituído pela IN SRF 605/2006; (2) Abrir prazo à defesa para fazer aditamento à Manifestação de Inconformidade; (3) Em seguida, retornese o processo a esta instância de julgamento, para que seja dado prosseguimento ao julgamento. (grifei) A unidade de origem então apresentou Informação fiscal (fl. 168) para dizer que constatou a inexistência de aquisições de ativo fixo com suspensão do PIS/COFINS, afirmando que tal fato daria direito à contribuinte de manter os créditos destes PIS e COFINS, caso fosse considerado apenas este aspecto do RECAP para a negativa dos créditos. Concluindo, diante das análises realizadas, verificamos que não há montante de crédito a ser determinado, com base na IN SRF 605/2006, haja vista que o contribuinte NÃO efetuou aquisições de ativo fixo amparadas na referida Instrução Normativa, restando comprovado que NÃO foram feitas glosas de créditos dos referidos tributos por meio do Despacho Decisório nº 108 – DRF/ANAGO, de 06/04/2010, fls. 88 a 99, o que dá direito à empresa, levandose em consideração apenas a abordagem deste tema, à manutenção dos créditos de PIS/COFINS, razão pela qual, novamente, não abriremos prazo para sua defesa, uma vez que o resultado desta diligência é favorável ao sujeito passivo. (grifei) Em 28 de setembro de 2017 a 4ª Turma da DRJ/BSB proferiu o Acórdão 03 077.064 (fls. 169178) julgando improcedente a manifestação de inconformidade: Assunto: Normas de Administração Tributária Fl. 226DF CARF MF 8 Anocalendário: 2008 PIS E COFINS NÃOCUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS APLICADOS OU CONSUMIDOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO DO BEM FABRICADO/PRODUZIDO. Geram crédito de PIS e Cofins, descontáveis do valor devido da contribuição e compensáveis, as aquisições de qualquer bem que sofra alteração, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. No que se refere às despesas com serviços, o termo “insumo” também não pode ser interpretado como todo e qualquer serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas tãosomente aqueles que efetivamente se aplicaram ou consumiram diretamente na produção dos bens fabricados/produzidos pelo interessado, ou, ainda, que se aplicaram ou consumiram nos serviços prestados pela empresa. CRÉDITOS REFERENTES AO ATIVO IMOBILIZADO Só as máquinas, os equipamentos e os outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, dão direito a crédito. ENERGIA ELÉTRICA – ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA Excluise da base de cálculo para apuração de crédito do PIS e Cofins referente aos gastos com Energia Elétrica o valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. FRETES REALIZADOS POR COOPERATIVA Quando não há incidência do PIS/COFINS nos fretes realizados por Cooperativa de Transporte de Cargas, o valor dos serviços não compõe a base de cálculo dos créditos de PIS e Cofins. REGIME ESPECIAL DE AQUISIÇÃO DE BENS DE CAPITAL PARA EMPRESAS EXPORTADORAS – RECAP As aquisições efetuadas ao longo dos anos de 2007/2008 não foram objeto de RECAP, portanto, não há geração de crédito de PIS/Cofins a este título. DECISÕES DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. EFEITOS. As Decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF são normas complementares das leis quando a lei atribui eficácia normativa e as decisões judiciais, no caso, só tem efeito inter partes e não erga omnes. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13116.001219/200917 Acórdão n.º 3301005.719 S3C3T1 Fl. 224 9 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da r. decisão em 10/10/2017, fl. 182. a contribuinte apresentou, no prazo, seu recurso voluntário (fls. 185200)repetindo os argumentos de sua manifestação de inconformidade e para acrescentar o que segue: Quanto aos insumos o recente entendimento adotado pelo CARF é de que insumo é toda despesa necessária ao processo produtivo e obtenção de receita tributável pelo contribuinte; geram direito ao crédito de COFINS, na qualidade de insumo, todo bem adquirido que seja indispensável à obtenção de receita tributável; que adquire uma elevada quantidade de bens para a exploração e a comercialização de minérios, sem os quais é impossível se obter o produto final por ela elaborado, qual seja o concentrado de cobre; cita como exemplo os explosivos, os detonadores, o biodiesel (combustível), as esferas de moinho, bem como as partes e peças de reposição do britador (NF nº 1270); se o minério está aglutinado à rocha, como se poderia promover a extrusão do mesmo sem a utilização de explosivos e detonadores?; em relação ao combustível (biodiesel), tratase de bem destinado à manutenção e ao abastecimento das máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo propriamente dito, diretamente envolvidos nas fases de lavra, britagem e moagem. no que diz respeito às esferas de moinho, são equipamentos destinados a esmagar e triturar o minério extraído da rocha; Quanto aos ativos afirmou que todos os ativos relacionados destinamse ao uso na fabricação do Concentrado de Cobre na mina localizada em Alto Horizonte – GO, não sendo possível o seu uso em lugar diverso, haja vista sua aquisição sob encomenda, dadas as especificidades decorrentes das propriedades físico químicas do minério localizado naquela região; Quanto ao RECAP reafirmou o que disse em manifestação, acerca da falta de discriminação, pela fiscalização, sobre quais são os ativos adquiridos sob este regime; restou comprovado, inclusive confirmado em diligência, que não houve aquisições de ativos contempladas pelos benefícios instituídos pelo RECAP. Quanto às despesas de energia elétrica a substituição tributária que ocorre com a energia elétrica, apenas e tão somente, atribui a responsabilidade ao gerador ou distribuidor, localizado em outra UF, pelo recolhimento do imposto devido por ele próprio; Fl. 228DF CARF MF 10 a energia elétrica adquirida não é destinada à comercialização, aplicandose o Convênio ICMS 83/2000 o qual prevê esta modalidade de substituição; o gerador ou distribuidor de outro Estado é o responsável pelo recolhimento do ICMS incidente na energia elétrica devida ao Estado de destino e consumida pelo contratante, não destinada a comercialização ou industrialização, por dedução lógica, a norma referese ao imposto devido pelo próprio gerador ou distribuidor, ou seja, o ICMS normal, que foi tratado como substituição tributária, pelo simples fato do estabelecimento fornecedor, não estar localizado na mesma UF de consumo; não se trata da mesma substituição tributária de ICMS aplicável para operações subsequentes com mercadorias, pelo simples fato de que a empresa adquirente da energia elétrica ser o consumidor final do produto em si; dessa forma, enseja o mesmo direito ao crédito de PIS/COFINS, sem a dedução do ICMS destacado no documento fiscal a título de substituição tributária; tratase do imposto estadual incidente pelas operações próprias, perfazendo o custo final do produto. Quanto ao frete contratado da CTAH — Cooperativa de Transporte de Cargas de Alto Horizonte, reiterou os argumentos de sua manifestação de inconformidade pugna pela verdade material; Este é o breve relato. Voto Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior Inicialmente, o presente recurso voluntário merece ser conhecido, pois interposto no prazo legal e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Outrossim, é importante destacar que o presente processo decorre de 03 PER/DCOMPs para declaração de compensação por haver um suposto crédito de COFINS acumulado em razão de receitas de exportação (20882.58212.281108.1.3.089115, 42488.27425.281108.1.3.100232). A compensação declarada nestas PER/DCOMPs foi analisada neste processo e a Secretaria da Receita Federal homologou parcialmente por entender que alguns créditos apurados pela Recorrente eram indevidos. A fiscalização partiu dos créditos informados nas DACONs e, realizando intimação para esclarecimentos e apresentação de documentos, atendida pela Recorrente, não concordou com a natureza ou com a comprovação dos créditos e efetuou as glosas. Assim, apenas para fixar os pontos controvertidos, houve glosa de créditos dos seguintes pontos: 1. créditos de insumos por decorrerem de despesas não relacionadas ao processo produtivo, com fulcro na Instrução Normativa SRF nº 247/2002; 2. créditos de serviços tomados, mas não relacionados com o processo produtivo, Instrução Normativa SRF nº 247/2002; Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13116.001219/200917 Acórdão n.º 3301005.719 S3C3T1 Fl. 225 11 3. créditos decorrentes das aquisições de ativo imobilizado não utilizado na produção atividade da empresa; 4. exclusão da parcela da substituição tributária do ICMS destacada nas notas fiscais de aquisição de energia elétrica; 5. exclusão da parcela repassada aos cooperados prestadores de serviços de frete de produto acabado, pois sobre esta parcela não incide PIS e COFINS. Ressaltese, ainda, por tudo derivar de declaração de compensação, era dever da Recorrente apresentar em sua defesa o cotejo e explicação acerca da pertinência das notas fiscais de despesas carreadas aos autos com seu processo produtivo, relacionando e explicitando a essencialidade da despesa com cada etapa de seu processo produtivo. Não basta um acervo probatório, é preciso explicitálo para desvendar sua relação com o processo produtivo. PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) Em alguns aspectos da defesa, o argumento pela pertinência do crédito foi genérico, sem demonstrar como utilizada uma dada despesa e sua pertinência ao processo produtivo, em outros momentos a defesa foi específica e, por fim, em outros momentos, a defesa foi de direito, invocando uma concepção mais ampla do termo "insumos" ou mesmo do principio da não cumulatividade. Fixadas estas premissas, passase a analisar o mérito da demanda e evidenciar estes pontos, separadamente, por glosa realizada conforme relatório adrede. 1. créditos de insumos por decorrerem de despesas não relacionadas ao processo produtivo. Inicialmente, destaquese que as glosas basearamse na Instrução Normativa SRF nº 247/2002 que estabelecia um conceito restrito de insumo, inspirado no IPI, para permitir créditos de PIS e COFINS apenas para despesas de matérias primas e produtos intermediários que se integrassem ao produto final, ou que sofressem desgaste pela ação direta no produção deste produto. Fl. 230DF CARF MF 12 No entanto, tal entendimento sofreu alterações ao longo do tem e após muito debate o conceito de insumos para fins de PIS e COFINS foi formatado pela jurisprudência deste Egrégio Conselho de Contribuintes: construindose um conceito próprio de insumos para fins de PIS e COFINS, fundado na essencialidade ou imprescindibilidade do insumo para a a produção ou prestação de serviço da pessoa jurídica, nos termos do art. 3º, II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Como este dispositivo legal se refere à insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, insumo então deve ter uma consideração relacional, devendo manter pertinência com o processo produtivo (inerência do bem ou serviço ao processo produtivo) e contribuir para o processo produtivo, como se pode verificado, à exemplo, do Acórdão nº 3403003.378, em que restou consignada "a necessidade de se analisar a adequação ao conceito de insumo das rubricas questionadas no presente contencioso, já destacando que não se identifica com a legislação do IPI nem com o a do IR" O Egrégio Superior Tribunal de Justiça, influenciado pela jurisprudência do CARF, julgou, em sede de recursos repetitivos, que insumos, para fins de PIS e COFINS, deve ter um conceito próprio, no sentido da essencialidade para a produção ou para a prestação de serviços, julgando ilegais as Instruções normativas SRF nº 247/2002 e nº 404/2004, verbis: O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. (...) 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; (...). (STJ. Resp nº 1.221.170/PR. Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho (grifei) Em informações prestadas pela Recorrente ainda em fase de fiscalização, informações estas utilizadas pela fiscalização para realização da glosa dos insumos, a Recorrente afirmou (fls. 4647) que seu processo produtivo é um todo unitário, complexo, envolvendo várias etapas, tais como a lavra e extração do minério, britagem, moagem, flotação, e desaguamento de concentrado e filtragem, não se resumindo apenas à fase de produção do concentrado de cobre, produto final de sua produção. Conforme relação de notas fiscais de fls. 6772, os insumos foram explosivos, detonadores, óleo diesel, reagentes e cal hidratado. Em sua peça recursal a Recorrente apresentou a descrição de utilização destes explosivos e detonadores, essenciais para a lavra e extração do minério da rocha, bem como em relação ao combustível (biodiesel), utilizado na manutenção e abastecimento das máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo propriamente dito, diretamente envolvidos nas fases de lavra, britagem e moagem. Com isto, uma vez evidenciada a essencialidade destas despesas ao seu processo produtivo, é de se reconhecer que são insumos para o desenvolvimento de sua atividade produtiva, que não se resume à sua etapa final de produção de concentrado de cobre, como entendido pela fiscalização. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13116.001219/200917 Acórdão n.º 3301005.719 S3C3T1 Fl. 226 13 Devese reverter as glosas neste ponto. 2. créditos de serviços tomados, mas não relacionados com o processo produtivo A glosa destes serviços também foi fundada na IN 247/2002, já declarada ilegal pelo STJ conforme comentado acima. O agente fiscal, quando da atividade de fiscalização para apuração destes crédito, afirmou, expressamente, que sobre todas as despesas de serviços relacionados nas notas fiscais de fls. 7375 não poderia ser apurados créditos de PIS e COFINS, pois todos os serviços não estão relacionados com a etapa de produção do cobre, mas sim com a fase de lavra dos minérios, verbis: Na linha "Serviços Utilizados Como Insumos", o contribuinte agrupou notas fiscais de serviços que não fazem parte da etapa de produção do concentrado de cobre, propriamente dita (fls. 7274), como o desmonte de rochas, manutenção de caminhões (RK), manutenção da frota, locação de perfuratrizes, e remoção de estéril. Tudo diz respeito à atividade de lavra, logo não há como admitir a geração de créditos de serviços. Importante notar que as glosas relacionadas com os serviços de locação de máquinas e equipamentos e perfuratrizes, por si só, já devem ser revertidas, haja vista haver tratamento específico na Lei 10.833/2003 e na Lei 10.637/2002, permitindo a apuração de crédito sobre a locação de máquinas e equipamentos utilizadas na atividade da empresa, independentemente se pode ser considerado um insumo da produção: Art. 3º. IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Em relação aos serviços propriamente dito, no entanto, a Recorrente não descreveu a essencialidade dos serviços tomados para seu processo produtivo, com exceção dos serviços de desmontagem de rocha, afirmado pela própria fiscalização, como uma despesa relacionada com o processo de extração e lavra do minério de ferro. Já em relação aos demais serviços, como construção civil e serviços de manutenção de frota e de caminhões RK, não há nenhuma informação, nem mesmo descrição pela Recorrente, sobre sua relação com seu processo produtivo. Ademais, não é possível saber, até em razão do valor destes serviços, se estamos diante de uma despesa que deveria ser ativada, razão pela qual mantenho a glosa. Assim, ainda mais por se tratar de um caso de declaração de compensação, caberia à Recorrente demonstrar a essencialidade destes serviços ao seu processo produtivo. Desta feita, devem ser revertidas as glosas relacionadas aos serviços de desmontagem de rochas e sobre as despesas de locação de máquinas e equipamentos e as perfuratrizes. 3. créditos decorrentes das aquisições de ativo imobilizado e o RECAP Conforme notas fiscais de aquisição de ativos relacionadas no processo de fiscalização (fls. 7678), tais ativos se tratam, por exemplo, de máquinas e outros equipamentos, medidores, transformadores, leitores, impressora, balança, rádio portátil, palm top. Fl. 232DF CARF MF 14 A fiscalização negou aproveitamento de crédito sobre o custo destes ativos sob o argumento de que não estariam relacionados ao seu processo produto. Por mais que possa fazer parte de seu processo produtivo, a Recorrente não apresentou nenhum tipo de prova, nem em manifestação de inconformidade, nem em Recurso voluntário, sobre a utilização de tais equipamentos em seu processo produtivo. A Recorrente, frisese, não informou em qual etapa de sua produção estes equipamentos utilizados, seja qual for, lavra, filtragem ou moagem. Ao invés disso, a Recorrente apenas discutiu sobre se estas aquisições estavam beneficiadas pelo RECAP. Isso porque a fiscalização afirmou que, mesmo se fossem estes equipamentos considerados como utilizados na produção da empresa, tais custos não poderiam dar direito ao crédito das contribuições na medida em que tais aquisições estavam com suspensão do PIS e da COFINS, pois beneficiadas pelo RECAP. A DRJ baixou os autos em diligência para o tratamento deste ponto, a fim de verificar se estas aquisições estavam mesmo beneficiadas pelo RECAP ou não. O resultado da diligência foi de que tais equipamentos não foram adquiridos sob este regime, havendo, portanto, incidência das contribuições e esta conclusão foi feita pela própria unidade de origem. No entanto, a questão do RECAP foi um argumento secundário da fiscalização, já que o argumento principal foi pela premissa de que tais ativos não estavam relacionados com o processo produtivo. Desta feita, por mais que rádios portáteis e palm tops possam ter alguma relação com o processo produtivo da Recorrente, não houve provas, nem mesmo informações, sobre se realmente tinham tal destinação. Com isso, devem ser mantidas as glosas dos créditos apuradas sobre os ativos relacionados em fls. 7678. 4. exclusão da parcela da substituição tributária do ICMS destacada nas notas fiscais de aquisição de energia elétrica Quanto à energia elétrica, notas fiscais em fls. 7981, afirma a Recorrente que a substituição tributária aplicada nas aquisições de energia elétrica, referese à atribuição da responsabilidade tributária ao gerador ou distribuidor, localizado em outra unidade da federação, pelo recolhimento do imposto devido por ele próprio. Argumentou, por fim, que este ICMS denominado de ST é o próprio ICMS normal, que foi tratado como substituição tributária, pelo simples fato do estabelecimento fornecedor, não estar localizado na mesma UF de consumo. Neste ponto, equivocase a Recorrente. Isso porque a responsabilidade tributária para substituição tributária não faz sentido nenhum se o gerador ou distribuidor de energia localizado em outra unidade da federação é o próprio contribuinte. É justamente o contrário, o fornecedor da energia elétrica em operações interestaduais não é o contribuinte, mas sujeito passivo por substituição, recolhendo o ICMS em nome do contribuinte que é justamente o adquirente da energia, o importador interestadual, justamente por estar em outro estado da federação, no caso, a Recorrente. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13116.001219/200917 Acórdão n.º 3301005.719 S3C3T1 Fl. 227 15 Isso porque não há incidência de ICMS sobre a venda de energia elétrica nas operações interestaduais por determinação da própria Constituição da República, daí porque da atribuição da responsabilidade tributária ao fornecedor. Incide o imposto, todavia, na entrada da energia no Estado de destino, no caso Goiás, para utilização pelo consumidor final, a Recorrente. Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: X não incidirá: (...) b) sobre operações que destinem a outros Estados petróleo, inclusive lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e energia elétrica; Assim, o fornecedor de energia elétrica localizado em outra unidade da federação não é contribuinte, já que não há fato gerador na operação interestadual com energia elétrica. O fato gerador é a entrada no Estado de destino quando o adquirente for consumidor final. Como o fornecedor não é contribuinte, o Convênio nº 83/2000 apenas autorizou que cada Estado da Federação atribuísse ao estabelecimento gerador ou distribuidor situados em outras unidades federadas, a condição de substitutos tributários, relativamente ao ICMS incidente sobre a entrada, em seus territórios, de energia elétrica não destinada à comercialização ou à industrialização, conforme cláusula primeira do referido Convênio. Esta substituição tributária de ICMS, portanto, é atribuída por lei de cada unidade da federação, estabelecendo a sujeição passiva por substituição do fornecedor localizado em outro Estado, conforme autorizado por convênio. Lei Estado de Goiás 11.651/1991 Art. 11 O imposto incide sobre: I operações relativas à circulação de mercadorias; III a entrada, no território goiano, decorrente de operação interestadual, dos seguintes produtos, quando não destinados à comercialização ou à industrialização: b) energia elétrica; Art. 44 (...) Fl. 234DF CARF MF 16 § 1º É, também, contribuinte a pessoa natural ou jurídica que, mesmo sem habitualidade ou intuito comercial: IV adquira lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou industrialização. (grifei) Veja que o ICMS sobre a energia elétrica recolhido pela fornecedora localizada em outro unidade da federação nada mais é do que o imposto recolhido pelo remetente à título de responsabilidade por substituição em nome da Recorrente. Sendo assim, sobre o preço da energia em si não há ICMS, já que a Constituição veda a incidência do ICMS sobre a operação própria, havendo um outro ICMS, devido pela Recorrente, quando da entrada no território do Estado de destino. Com isso, constatase que o PIS e COFINS incidiu sobre a receita de venda de energia, mas na parcela do ICMSST destacado no documento fiscal não há PIS e COFINS, já que é um ICMS devido apenas pela Recorrente/consumidora. É justamente em razão disso que a Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I, estabelece que não se inclui na receita bruta o ICMS quando cobrado pelo vendedor na condição de substituto tributário: § 2º. Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Desta feita, da parcela destacada à título de ICMS substituição tributária não deve ser excluída da apuração dos créditos destas contribuições, pois se trata de parcela que não está no preço da energia, já que devida em razão da entrada da energia no Estado de Goiás para o consumo da Recorrente, a verdadeira contribuinte do imposto. Com isso, podese apurar créditos de PIS e COFINS apenas sobre o preço da energia elétrica, excluindose a parcela referente ao ICMSST, merecendo a manutenção da glosa. 5. exclusão da parcela repassada aos cooperados prestadores de serviços de frete de produto acabado, pois sobre esta parcela não incide PIS e COFINS. Sob este ponto, assiste razão à fiscalização, devendo ser mantidas as glosas. Isso porque tanto a Lei 10.833/2003 quanto a Lei 10637/2002 prevêem a hipótese de impossibilidade de apuração de créditos de PIS e COFINS em casos de não incidência das contribuições nos custos e despesas da contribuinte. Art. 3º (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13116.001219/200917 Acórdão n.º 3301005.719 S3C3T1 Fl. 228 17 serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição A Recorrente tomou serviços de transporte prestado por, dentre outras, CTAH — Cooperativa de Transporte de Cargas de Alto Horizonte. Durante o procedimento de fiscalização, o agente fiscal questionou a transportadora para prestar esclarecimentos sobre a falta de incidência do PIS e da COFINS sobre o serviço prestado, conforme DACON de fls. 8285. Em resposta, fls. 8687, a transportadora afirmou que não recolheu as contribuições pela prestação destes serviços em razão do art. 16 da IN SRF 635/2006. Neste caso específico não há incidência de PIS e COFINS sobre os valores repassados aos associados pelos serviços prestados, devendo ser excluídos da base de cálculo das contribuições. Como não houve incidência sobre esta parcela, não é possível apurar crédito de PIS e COFINS. Assim, dos serviços de transporte prestados pela cooperativa eram excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS os ingressos decorrentes de ato cooperativo, assim entendido como a parcela da receita repassada ao associado, quando decorrente de serviços de transporte rodoviário de cargas por este prestado à cooperativa, nos termos no § 2º do art. 16 da IN SRF 635/2006. Com isso, sobre esta parcela correspondente ao ato cooperativo, por ter sido excluída da base de cálculo das contribuições devidas pela transportadora, não é possível a apuração de créditos de PIS e COFINS pela Recorrente. Isto posto, o presente recurso voluntário é conhecido, porém parcialmente provido, revertendose as glosas para permitir a apuração de créditos sobre: i) despesas de materiais utilizados como insumos no processo produtivo, explosivos, detonadores, óleo diesel, reagentes e cal hidratado; ii) despesas de serviços utilizados como insumos de sua produção, especificamente, e tão somente, os serviços de desmonte de rochas; iii) despesas com locação de máquinas e equipamentos e locação de perfuratrizes. Salvador Cândido Brandão Junior Relator Fl. 236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720959/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/09/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Havendo omissão, contradição ou obscuridade, os embargos de declaração devem ser acolhidos. Fundamento no Art. 65 do Ricarf.
Numero da decisão: 3201-004.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, com efeitos infringentes, para esclarecer que, por unanimidade, os sócios Daniela Aparecida das Dores e Marcus Richetti foram excluídos do pólo passivo, conforme o voto do relator do acórdão embargado.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, com efeitos infringentes, para esclarecer que, por unanimidade, os sócios Daniela Aparecida das Dores e Marcus Richetti foram excluídos do pólo passivo, conforme o voto do relator do acórdão embargado. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2007 a 30/09/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo omissão, contradição ou obscuridade, os embargos de declaração devem ser acolhidos. Fundamento no Art. 65 do Ricarf. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, com efeitos infringentes, para esclarecer que, por unanimidade, os sócios Daniela Aparecida das Dores e Marcus Richetti foram excluídos do pólo passivo, conforme o voto do relator do acórdão embargado. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 09 59 /2 01 3- 16 Fl. 1135DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Receita Federal em fls. 1126, em face do Acórdão desta Turma de Julgamento de fls. 1105, em razão de omissão e contradição. O Presidente desta Turma de julgamento admitiu os Embargos, conforme Despacho de Admissibilidade fls. 1130, transcrito a seguir: "Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária – DERAT/São PauloSP, unidade da Administração Tributária encarregada da execução, por intermédio de petição fundamentada de seu Titular ao amparo do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Os Embargos forma opostos em face do Acórdão nº 3201 003.686 (doc. fls. 1105 a 1121)1, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, proferido em sessão de 22/05/2018, cuja Ementa abaixo se transcreve em sua integralidade. “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. Diante da inexistência de comprovação dos créditos escriturados, deverá ser mantida a glosa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 MPF. FALHAS PROCEDIMENTAIS. VÍCIO. INOCORRÊNCIA. Eventual desrespeito às regras relativas ao MPF não implica a nulidade dos atos administrativos posteriores, haja vista seu caráter subsidiário. CONSTITUCIONALIDADE. Escapa à competência da autoridade administrativa a apreciação de argüições relativas à constitucionalidade de leis. MULTA QUALIFICADA. Caracterizado elemento doloso, conforme provas dos autos, aplicase a multa duplicada, nos termos do artigo 80, §6º, e artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. MULTA MAJORADA A majoração da multa em 50%, prevista no art. 80, §7º da Lei 4.502/64, decorre do descumprimento de intimação do Fisco, para apresentação de elemento obrigatório, com eventual prejuízo à apuração correta dos tributos. Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 19515.720959/201316 Acórdão n.º 3201004.919 S3C2T1 Fl. 1.136 3 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GESTÃO COM INFRAÇÃO À LEI A gestão empresarial com infração à lei enseja a responsabilidade tributária dos sócios administradores, nos termos do artigo 135, III, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.” A Decisão foi assim registrada. "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, apenas para reconhecer a decadência em relação aos períodos de janeiro a novembro de 2007. Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima (relator), que lhe deu provimento parcial em maior extensão, para também reduzir a multa de ofício aplicada para o percentual de 112,5% e excluir a responsabilidade solidária dos sócios da pessoa jurídica autuada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira." São estes os fatos. Passo ao exame dos pressupostos formais e materiais para a admissibilidade do presente remédio processual. PRESSUPOSTOS PRELIMINARES Os Embargos foram formalizados pelo Titular da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária – DERAT/São PauloSP, Autoridade Administrativa incumbida da execução do Acórdão, legitimado a opor esse tipo de recurso, conforme o que estabelece o § 1o do art. 65 do Anexo II, do RICARF, de sorte que podem ser conhecidos. EXAME DO VÍCIO APONTADO Nos termos do art. 65 do RICARF, cabem Embargos de Declaração quando o Acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, podendo ser interpostos, mediante petição fundamentada, no prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão. Nos Embargos de Declaração (Doc. fls. 443 a 448), a Embargante alega a ocorrência do vício de contradição no Acórdão embargado. Para tanto, aduz, em síntese, que: a) na parte dispositiva do Acórdão consta que foi excluída “a responsabilidade solidária dos sócios da pessoa jurídica autuada”; b) no voto vencido consta que “havendo uma mera indicação de responsabilidade dos sócios por parte da fiscalização, não há como manter suas responsabilidades neste caso, não devendo prosperar os Termos de Sujeição Passiva Solidária”; e c) os solidários, consoante os Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 843, 880 e 917, são três: Daniela Aparecida das Dores, Marcus Richetti e Moracy Oswaldo das Dores. Fl. 1137DF CARF MF 4 Contudo, sustenta a embargante que o voto vencedor trata somente da responsabilidade solidária de um dos sócios, onde consta que “o Sr. Moracy Oswaldo das Dores era sócio administrador (Diretor Presidente) da empresa, conforme se constata nas Atas das assembléias, fls. 72/73, 82/83, durante grande parte do período fiscalizado, cf. fl. 86”, tendo concluído o Relator por manter “a responsabilidade solidária do Sr. Moracy, no período em que foi administrador da empresa”. Diante do exposto, a unidade executora aduz que (fls. 1127): “Da parte dispositiva do acórdão, inferese que não houve provimento ao recurso voluntário para excluir a responsabilidade solidária dos sócios da empresa autuada. Todavia, da leitura do voto vencedor, depreendese que foi mantida a solidariedade apenas do Sr. Moracy Oswaldo das Dores”. Assim, a unidade “requer que os presentes embargos sejam admitidos e providos para que o colegiado se pronuncie quanto à contradição aqui apontada, a fim de possibilitar a correta execução e cumprimento do julgado”. Confrontando o alegado pela unidade executora, verifico que a razão pode estar com a embargante, como se extrai dos excertos transcritos (os destaques são nossos): “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, apenas para reconhecer a decadência em relação aos períodos de janeiro a novembro de 2007. Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima (relator), que lhe deu provimento parcial em maior extensão, para também reduzir a multa de ofício aplicada para o percentual de 112,5% e excluir a responsabilidade solidária dos sócios da pessoa jurídica autuada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira.” (fls. 1126); Novamente verificase que os autos não foram suficientemente instruídos, visto que não há no Auto de Infração (fls. 741) e não há no Termo de Verificação Fiscal (fls. 516), nenhuma descrição individualizada a respeito da responsabilidade dos demais sócios ou pessoas físicas e as possíveis práticas de atos com excessos de poder. Diante de casos como este, é possível aplicar o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal, em Repercussão Geral, no Acórdão do RE 562.276, reforçado por recente decisão proferida no âmbito do STJ no RESP 1.656.723/SP, reproduzida a seguir: (...) Desse modo, havendo uma mera indicação de responsabilidade dos sócios por parte da fiscalização, não há como manter suas responsabilidades neste caso, não devendo prosperar os Termos de Sujeição Passiva Solidária” (fls. 1116 e 1117); e Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 19515.720959/201316 Acórdão n.º 3201004.919 S3C2T1 Fl. 1.137 5 “Responsabilidade solidária de Moracy Oswaldo das Dores Caracterizadas as infrações dolosas, os sócios administradores da empresadevem ser responsabilizados por gestão fraudulenta, nos termos do artigo 135, III do CTN. O Sr. Moracy Oswaldo das Dores era sócio administrador (Diretor Presidente) da empresa, conforme se constata nas Atas das assembléias, fls. 72/73, 82/83, durante grande parte do período fiscalizado, cf. fl. 86. Portanto, mantenho a responsabilidade solidária do Sr. Moracy, no período em que foi administrador da empresa” (fls. 1120). A meu pensar, a omissão alegada reclama a apreciação da Turma Julgadora, a quem caberá decidir quanto à necessidade de saneamento. Apresentase possível a ocorrência de vício passível de saneamento pelo colegiado, lastreada em argumentação específica e suficiente para a admissibilidade dos Embargos. Convém notar que o presente despacho não determina se efetivamente ocorreram os vícios. Nesse sentido, o exame de admissibilidade não se confunde com a apreciação do mérito dos embargos, que é tarefa a ser empreendida subsequentemente pelo Colegiado. CONCLUSÃO Diante do exposto, constatase a presença de elementos indiciários suficientes para a admissão dos aclaratórios. Entendo que essas inconsistências devem ser examinadas e esclarecidas pelo colegiado, a fim de possibilitar a plena execução do aresto. Com essas considerações, para os fins previstos no § 7o do art. 65 do RICARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, DOU SEGUIMENTO aos embargos interpostos. Encaminhese o presente processo ao i. Relator, Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, para inclusão em pauta." Após, os autos foram pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Fl. 1139DF CARF MF 6 Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o Despacho de Admissibilidade, os tempestivos Embargos de Declaração devem ser conhecidos. Considerando o sério e preciso trabalho exposto nos Embargos de Declaração, verificase que as alegações de omissão e contradição procedem. Isto porque não ficou claro no Acórdão embargado o resultado do julgamento, com relação à responsabilidade dos sócios da empresa contribuinte, Sra. Daniela Aparecida das Dores e Sr. Marcus Richetti. Sendo este o momento oportuno para tal esclarecimento, é importante registrar que o voto vencido, como deve constar nas minutas dos Acórdãos deste Conselho, é na verdade um voto "parcialmente" vencido, na medida em que a decadência proposta pelo voto vencido foi acatada pela Turma de julgamento, conforme segue: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, apenas para reconhecer a decadência em relação aos períodos de janeiro a novembro de 2007. Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima (relator), que lhe deu provimento parcial em maior extensão, para também reduzir a multa de ofício aplicada para o percentual de 112,5% e excluir a responsabilidade solidária dos sócios da pessoa jurídica autuada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira." Pela leitura do resultado registrado acima e registrado no Acórdão embargado, é possível concluir que o provimento parcial foi reconhecido somente para a decadência e, mas não foi isto que ocorreu. Em discussão da Turma durante o julgamento, conforme recordação de todos, a proposta de exclusão da responsabilidade dos sócios Sra. Daniela Aparecida das Dores e Sr. Marcus Richetti foi acatada pela Turma de julgamento, razão pela qual basta adicionar ao resultado do julgamento tal posição. Por fim, verificase que, para reforçar a responsabilidade somente do Sr. Moracy Oswaldo das Dores, que era sócio administrador (Diretor Presidente) da empresa, verificase que o voto vencedor incluiu na Ementa do Acórdão embargado o seguinte trecho a respeito da responsabilidade dos sócios: "RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GESTÃO COM INFRAÇÃO À LEI A gestão empresarial com infração à lei enseja a responsabilidade tributária dos sócios administradores, nos termos do artigo 135, III, do CTN." Diante de todo o exposto, votase para que os Embargos Declaratórios, com fundamento no Art 65 do Ricarf, SEJAM ACOLHIDOS, com efeitos infringentes, para esclarecer que as pessoas físicas Sra. Daniela Aparecida das Dores e Sr. Marcus Richetti foram excluídos do pólo passivo conforme voto do relator. Em conseqüência, o dispositivo do acórdão deve ser corrigido e passará a ter a seguinte redação: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência em relação aos períodos de janeiro a novembro de Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 19515.720959/201316 Acórdão n.º 3201004.919 S3C2T1 Fl. 1.138 7 2007 e, por unanimidade de votos, em excluir a responsabilidade das pessoas físicas Sra. Daniela Aparecida das Dores e Sr. Marcus Richetti. Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima (relator), que lhe deu provimento parcial em maior extensão, para também reduzir a multa de ofício aplicada para o percentual de 112,5% e excluir a responsabilidade solidária do sócio Moracy Oswaldo das Dores. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira." Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 1141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.720195/2012-38
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-001.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1509; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 158 1 157 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10725.720195/201238 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001001.208 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FABIANE SIMOES RODRIGUES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 01 95 /2 01 2- 38 Fl. 158DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente em parte a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas informadas na DAA. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 6.722,23, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2007. A fundamentação do Lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura o fato de não ter sido apresentado parte da comprovação das despesas deduzidas do imposto e falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na falta de comprovação parcial do efetivo pagamento dos serviços prestados, mediante critério adotado na análise fiscal realizada pela autoridade tributante, como segue: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida por AuditorFiscal da DRF/Campos dos Goytacazes/RJ, notificação de lançamento referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2008, anocalendário 2007. Foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 6.722,23, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O direito à dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está previsto no art. 80 do Decreto nº 3.000, de 1999 Regulamento do Imposto de Renda/99 (RIR/99), que assim dispõe: (...) Do exposto, constatase que, para que as despesas médicas constituam dedução, fazse necessária a comprovação mediante documentação hábil e idônea da prestação dos serviços e da efetividade das despesas, limitandose a pagamentos especificados e comprovados. Para tanto, é necessário que o documento comprobatório da despesa contenha a indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de seu emitente, bem como a pessoa beneficiária e a discriminação do tipo de serviço prestado. Cabe ressaltar que é necessária a identificação dos beneficiários das despesas médicas, visto que somente são dedutíveis as despesas médicas próprias e dos dependentes. Ademais, somente podem ser deduzidas despesas médicas com os profissionais elencados no caput do art. 80, anteriormente transcrito, razão pela qual o documento probatório deve apresentar o número do registro profissional de quem o emitiu. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10725.720195/201238 Acórdão n.º 2001001.208 S2C0T1 Fl. 159 3 1 Unimed Norte Fluminense falta de discriminação dos beneficiários A interessada argumenta que é a única beneficiária do plano de saúde e para comprovar o que alega junta aos autos Comprovante Anual Pagamentos Plano Saúde/Pessoa Física/Ano Base 2007 tendo como usuária a impugnante (fl. 17). Sanado o motivo da glosa, restabelecese a despesa médica no valor de R$ 3.444,48. 2 falta de comprovação do efetivo pagamento Marcelo Citelli da Fonseca R$ 3.300,00; Priscilla Soares de Andrade R$ 7.700,00; Marcella Azeredo Rocha Picanço R$ 10.000,00 Normalmente, o recibo é o documento hábil para comprovar a dedução da despesa médica. Entretanto, é facultado ao Auditor Fiscal nos casos em considerar necessários, solicitar ao contribuinte provas adicionais relativas às deduções informadas na Declaração de Ajuste Anual, fundamentado no art. 73 combinado com o art. 80 do Decreto nº 3.000/99. A contribuinte argumenta que possui rendimentos e meios compatíveis para efetuar as despesas. Esclarecese que, muito embora a questão de possuir rendimentos compatíveis seja considerada na análise fiscal, a disponibilidade financeira, por si só, não comprova que o ônus das despesas médicas foi do interessado. Dos extratos bancários emitidos pelo Banco do Brasil (fls. 33/46), os saques efetuados nos dias 06/02 (R$ 310,00), 18/07 (R$ 300,00), 03/10 (R$ 500,00) e 05/10 (R$ 170,00) comprovam o efetivo pagamento das despesas incorridas com o prestador de serviços Marcelo Citelli da Fonseca nos dias 06/02/2007 no valor de R$ 206,25 e no dia 21/07/2007 no valor de R$ 275,00 e com a prestadora de serviço Priscilla Soares de Andrade no dia 06/10/2007 no valor de R$ 640,00, totalizando R$ 1.121,25, valor de despesa médica a ser restabelecido. Foi adotado o critério de saques com até três dias antes da data de emissão desses recibos em valores suficientes para quitálos, tendo sido esse o critério adotado para a verificação do efetivo pagamento. Registrese que o critério adotado é mais benéfico ao contribuinte, pois émais flexível do que a exigência de que a data do saque coincida exatamente com a data do pagamento da despesa (ou com a data do recibo). Assim, restabelecemse as despesas médicas no valor de R$ 4.565,73. Diante do exposto, voto pela PROCEDÊNCIA EM PARTE da impugnação, para restabelecer as despesas médicas no valor de R$ 4.565,73, o que resulta em saldo de imposto a pagar de R$ 5.466,66, a ser acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, de acordo com a legislação vigente. Fl. 160DF CARF MF 4 Assim, conclui o Acórdão da DRJ pela procedência parcial da impugnação para manter a exigência do Lançamento no valor de R$ 5.466,66, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: Tendo sido intimada através do termo nº 2008/234047530317818 em 28/08/2011, prontamente atendeu conforme protocolo de 04/10/2011, no qual apresentou toda a documentação exigida por V.Sª. Em 01/11/2011 foi emitida pela Receita uma nova solicitação (em anexo) para apresentação dos documentos já apresentados em 04/10/2011, o qual foi prontamente atendido, encaminhado à Receita conforme protocolo em 16/11/2011 e novamente em 20/11/2011. Esperando ter sanado as dúvidas existentes, foi com surpresa que ao receber a notificação na DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL estava “Regularmente intimado, o contribuinte deixou de apresentar documentos solicitados que comprovem o efetivo desembolso para pagamento das despesas médicas referente a:” A contribuinte já havia emitido por duas vezes tais documentos para verificação. Quanto ao desembolso, esclareceu que foi em espécie, tendo inclusive apresentado seus extratos bancários, que a seu ver é sigiloso, mas mesmo assim enviou, para não haver dúvidas e também por entender que pode efetuar o pagamento como preferir, já que é muito atarefada, saca o dinheiro para ir efetuando os pagamentos já previstos e marcados com antecedência, esclarecendo que também possui prólabore de um salário mínimo que recebe mensalmente em espécie da empresa da qual é sócia. A contribuinte possui os recibos médicos, assinados, carimbados, com identificação dos prestadores dos serviços, bem como a declaração de ratificação e complementação de dados para comprovação hábil e idônea da veracidade dos mesmos. Certamente os profissionais envolvidos declararam que receberam tais quantias em seus atendimentos e pagaram os impostos devidos sem suas declarações. A responsabilidade de emitir recibos completos com endereço e todos os dados é do profissional que os emite e o paciente tendo pago a consulta e de posse do recibo em seu nome, lhe é permitido utilizálo como abatimento em sua declaração, como é previsto na legislação. Quanto ao pagamento, é um critério particular da contribuinte efetuar como melhor lhe convir. Se a Receita aceita pagamento ao profissional em cheque nominal, porque esse questionamento radical quanto ao pagamento em espécie? Não há lei que proíba alguém de se utilizar desse meio para tal finalidade. Enfim, para sanar completamente as dúvidas ainda existentes, torna a enviar toda a documentação existente, a seguir relacionada: (...) Uma vez totalmente comprovada de forma indubitável todas as despesas aludidas na declaração exercício 2008, ano base 2007, entende ter caído por terra o mérito deste acórdão, ficando claramente demonstrada através dos recibos e declarações, a Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10725.720195/201238 Acórdão n.º 2001001.208 S2C0T1 Fl. 160 5 veracidade e especificidade das despesas alegadas, estando os profissionais envolvidos dispostos a responder por estes documentos, se solicitados para o bem da verdade. À vista de todo exposto, demonstrada a inconsistência e improcedência da ação fiscal, bem como a inexistência do mérito, espera e requer a impugnante, seja de imediato acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose este débito fiscal reclamado e sem procedência, evitandose transtornos desnecessários e dispendiosos para se provar uma verdade óbvia e claramente elucidada. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A decisão do Acórdão da DRJ contempla parcialmente a demanda da Contribuinte e reduz o crédito tributário lançado de R$ 6.722,23 para R$ 5.466,66, em razão da aceitação dos comprovantes do Plano de Saúde e aceitação de parte dos recibos, pela comparação de periodicidade com dos saques das disponibilidades bancárias em que ficou constatada a proximidade entre as retiradas e a data dos recibos, motivo da aceitação pelo critério de análise adotado pelo Relator do Acórdão vergastado. DESPESAS MÉDICAS A divergência no que ser refere à despesa médica é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Fl. 162DF CARF MF 6 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10725.720195/201238 Acórdão n.º 2001001.208 S2C0T1 Fl. 161 7 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) Fl. 164DF CARF MF 8 A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Longe de se contestar legalidade ou constitucionalidade, o que não cabe na competência desta instância administrativa, até mesmo por orientação sumulada do CARF, o que aqui se faz na verdade é a divergência da larga literalidade na interpretação e aplicação do art. 73, pelo ente tributante. O Novo Código de Processo Civil pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. No presente caso, a questão esgotase na apresentação da comprovação das despesas médicas para efeito de dedução do imposto, concluindo pelo entendimento de que o recibo idôneo é documento hábil para satisfação dos requisitos legais pertinentes, restando aqui o exame da questão fática dos documentos apresentados pela Recorrente. Deve ser acolhido todo o elemento de prova durante o processo administrativo fiscal visando o aclaramento da verdade material, o direito do contraditório e da ampla defesa para o atingimento de justa decisão da causa. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10725.720195/201238 Acórdão n.º 2001001.208 S2C0T1 Fl. 162 9 No que se refere à observação constante no voto da DRJ quanto ao dever de constar no “documento comprobatório da despesa que contenha a indicação de nome endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de seu emitente...”, constatase pelas provas acostadas aos autos que está demanda legal/fiscal foi atendida desde a fase de revisão fiscal, conforme fls. 17/29, em sede de impugnação conforme relatado no instrumento de defesa fls. 67/68, com declaração dos profissionais ratificando o recebimento dos valores referentes às prestações de serviços, bem como na por ocasião deste Recurso Voluntário, fls. 107/138. Quanto à observação constante do voto da DRJ de que deve constar nos documentos comprobatórios da despesa “o nome da pessoa beneficiária”, é oportuno dizer que o recibo é dado ao ContribuintePaciente e somente deve ser especificado outro nome de paciente no documento quando é o caso de atendimento a dependentes, o que é destacado na INRFB nº 1.500/2014, art. 97, inciso II, como se vê: Art. 97. A dedução a título de despesas médicas limitase a pagamentos especificados e comprovados mediante documento fiscal ou outra documentação hábil e idônea que contenha, no mínimo: II a identificação do responsável pelo pagamento, bem como a do beneficiário caso seja pessoa diversa daquela; grifei A decisão do Acórdão da DRJ contestada na defesa do Recorrente aceita parte dos comprovantes emitidos pelos profissionais, pela adoção de critério subjetivo que considera válidos os recibos com data de emissão com até três dias depois de algum saque bancário, argumentando que este “critério é mais benéfico ao contribuinte, pois é mais flexível do que a exigência de que a data do saque coincida exatamente com a data do pagamento da despesa (ou com a data do recibo)”. Destaquese que o critério mais benéfico ao contribuinte é aquele disposto em lei e a obrigação de os saques bancários coincidirem com a data da emissão do recibo não está respaldado na legislação. Além disso, a data da emissão do recibo não garante que o pagamento tenha ocorrido naquele exato momento. Por isso, o critério adotado é subjetivo e inconsistente pelos motivos expostos. No que se refere aos recibos fornecidos pelos profissionais Marcelo Citelli da Fonseca, Priscilla Soares de Andrade e Marcella Azeredo Rocha, constatase serem documentos hábeis para comprovação até mesmo porque a decisão da DRJ aceita como prova alguns dos recibos dos mesmos profissionais, a seu critério de compatibilidade de datas de recibos com saques bancários. Se alguns dos recibos preenchem aos requisitos legais quanto à formalidade e veracidade então todos estão aptos a serem recepcionados como bons. Ressalte se que o critério adotado de compatibilizar datas de recibos com saques bancários não tem lastro legal, além do que os valores podem ter outra origem como a existência de numerários em caixa e recebimentos em espécie de outras pessoas físicas ou jurídicas. Assim, considerando que a Contribuinte apresentou os recibos e documentos, prova exigida legalmente e ainda disponibilizou extratos bancários de forma a verificação de sua capacidade financeira de pagamento, podendo fazêlo em espécie, fica constatada a providência de atendimento da exigência legal e da validade dos comprovantes apresentados, legitimando a dedução do imposto na DAA. Fl. 166DF CARF MF 10 No caso, constatase que os serviços prestados correspondem à especialidade técnica de profissional habilitado na área e de acordo com as necessidades especificas do beneficiário, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados, mediante recibos assinados. Portanto, legítima a dedução a título de despesas pela apresentação de recibos e declarações, assinados por profissionais habilitados, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirmam o seu pagamento. Excluída, portanto, a glosa total objeto do Lançamento. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas no valor de R$ 24.444,48, razão pela qual se faz imperioso o cancelamento integral do crédito tributário. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.900006/2010-80
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO.
O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação.
Numero da decisão: 1003-000.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1625; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.900006/201080 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.541 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 13 de março de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Recorrente TQI TECNOLOGIA E QUALIDADE EM INFORMÁTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 00 06 /2 01 0- 80 Fl. 158DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0943.751, proferido pela 2ª Turma da DRJ/JFA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não homologando a compensação declarada, por não reconhecer, integralmente, o direito creditório informado em Declarações de Compensação Eletrônica – Dcomp. Fazendo um breve relatório do processo, verificase que a Recorrente transmitiu referidas declarações (Declaração Eletrônica de Compensação – PER/DCOMP, 00737.40849.311006.1.3.020052 e 39184.63498.311006.1.3.026968,) em 31/10/2006, compensação de débitos diversos em seu nome, com crédito de saldo negativo de IRPJ AC 2001, no valor original de R$ 66.438,01. Ocorre que a compensação em questão não foi homologada, integralmente, pela DRF/UBERLÂNDIA/MG, no seguintes termos: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do credito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 66.438,01 Valor na DIPJ: R$ 66.438,01 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 72.234,96 IRPJ devido: R$ 5.796,95 Valor original do crédito utilizado em compensações anteriores à transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 21.954,53 Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) (Utilizações em Compensações anteriores) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 39.094,06 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10675.900006/201080 Acórdão n.º 1003000.541 S1C0T3 Fl. 3 3 00737.40849.311006.1.3.020052 NãO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP:39184.63498.311006.1.3.026968 Inconformada, a Recorrente apresentou a competente Manifestação de Inconformidade e requereu a reforma da decisão, que homologou apenas parcialmente a compensação efetuada, aduzindo, dentre outros argumentos, que “o despacho decisório ora contestado apresenta irregularidades uma vez que não promoveu a confirmação dos créditos existentes de saldos negativos de exercícios anteriores bem como as retenções realizadas pelos tomadores do contribuinte, conforme demonstrado a seguir bem como os débitos apurados no mesmo.” Por sua vez, a 2ª Turma da DRJ/JFA julgou o pedido improcedente e manteve o entendimento de que o valor das retenções (crédito) informadas no PERD/COMP foi maior do que aquele efetivamente confirmado Fisco. A ementa da dita decisão segue abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2001 SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Para utilização do imposto retido na fonte como dedução na apuração do IRPJ ao final do período, fazse necessário que, além da tributação dos correspondentes rendimentos, seja comprovada a efetividade das retenções mediante apresentação dos respectivos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, o que pode ser suprido pela confirmação da retenção em DIRF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada, a Recorrente, discordando no acórdão de piso, interpôs o Recurso Voluntário, ora analisado, requerendo a reforma da decisão atacada e a homologação integral das compensações efetuadas, e. para tanto, alegou, em síntese, que: Fl. 160DF CARF MF 4 (...) (...) É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que o recurso voluntário é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Como visto no Relatório, o presente processo diz respeito à declaração de compensação não homologada, integralmente, devido a não apresentação de documentação Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10675.900006/201080 Acórdão n.º 1003000.541 S1C0T3 Fl. 4 5 comprobatória suficiente para lastrear o crédito de IRRF que compôs o valor do saldo negado do IRPJ compensado. Assim, a homologação parcial da compensação declarada na DCOMP 00737.40849.311006.1.3.020052 e a não homologação da compensação declarada na DCOMP 39184.63498.311006.1.3.026968, se deu em conseqüência da não comprovação de valores de IRRF informados no referido PER/DCOMP, ou de comprovações apenas parciais, conforme quadro “Parcelas Confirmadas Parcialmente ou não Confirmadas” constante no acórdão de piso e na Informação da Análise do Crédito, à disposição no sítio da Receita Federal e ora transcrito: Depreendese da tabela acima reproduzida, que o Despacho Decisório, confirmado pelo acórdão recorrido, foi exarado tendo em vista os valores comprovados em Declaração constante de DIRFs entregues pelos referidos “clientes” da Manifestante, vez que acerca das diferenças apontadas não houve apresentação de informes de rendimentos. Registrese que a referida análise restringiuse aos valores de IRRF determinados pela Recorrente em sua DCOMP, como componentes do saldo negativo do período. Portanto, ao contrário do que afirma a manifestante, para a DCOMP em análise, NÃO HÁ créditos originados de saldos negativos de exercícios anteriores. E, possuindo a Recorrente saldo negativo composto exclusivamente de antecipações a título de IRRF, a verificação da ocorrência de sua efetiva retenção somente se mostrou possível através da análise dos valores declarados em DIRF. Restam cristalinas, portanto, as razões que motivaram a glosa dos valores de IRRF, não considerados na formação do saldo negativo do anocalendário 2001. Em suas razões recursais, a Recorrente, basicamente, reproduziu os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, todavia, por ocasião da apresentação do recurso voluntário, houve a juntada de cópias todas as notas fiscais emitidas no ano de 2001, na tentativa comprovar o suposto direito creditório. Fl. 162DF CARF MF 6 Ocorre que as notas fiscais acostadas aos autos, em que constam as retenções do IRRF, ressaltese, sem assinatura de recebimento do serviço, não constituem prova suficiente para concretizar o crédito e permitirlhe a compensação, conforme dispõe o artigo 55 da Lei n°7.450/85 (art. 943, do Decreto n° 3.000/99): "Art. 55. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos". Assim, a legislação, nos casos como o ora analisado, condiciona a possibilidade do IRRF ser objeto de compensação (ou deduzido) com valor do Imposto de Renda a ser pago, à exibição do informe de rendimentos expedido pelo tomador do serviço ou da declaração de informações de retenções – DIRF. Neste sentido, é o entendimento deste colegiado: RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido. A apresentação de planilha não constitui documento hábil para comprovar a efetividade das retenções sofridas. RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação. (Acórdão nº 1801001.507, Sessão de 09 de julho de 2013) Ademais, a exigência do informe de rendimentos anual por parte do beneficiário é condição sine qua non para proceder à própria contabilização dos valores retidos e que consistirão em eventuais créditos. Observese, ainda, que a obrigatoriedade de exigir o referido informe é da Recorrente. Assim dispõe o Regulamento do Imposto de Renda vigente à época (Decreto nº 3.000/99 – RIR/99), que consolidava a legislação tributária sobre a matéria: Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do ano calendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86) formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10675.900006/201080 Acórdão n.º 1003000.541 S1C0T3 Fl. 5 7 § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). (grifos não pertencem ao original) Nesse sentido também dispõe o Decreto nº 9.580, de 22 de novembro de 2018, cuja base legal vigora desde a ocorrência do fato gerador: Art. 987. As pessoas físicas ou jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto sobre a renda na fonte deverão fornecer a pessoa física ou jurídica beneficiária, na forma e nas condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda, documento comprobatório, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto sobre a renda retido no anocalendário anterior, quando for o caso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86, caput; e Lei nº 9.779, de 1999, art. 16). Parágrafo único. O órgão gestor de mão de obra fica responsável por fornecer aos trabalhadores portuários avulsos, inclusive àqueles pertencentes à categoria dos arrumadores, o comprovante de rendimentos de que trata o caput (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 65, caput e § 2º). Art. 988. O imposto sobre a renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos § 1º e § 2º do art. 6º e no parágrafo único do art. 7º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). Em tempo, o pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais1. Cabe, pois, à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. 1 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 164DF CARF MF 8 E, como o documento hábil para comprovar a retenção efetuada pelas fontes pagadoras, qual seja, o informe de rendimentos por aquelas fornecidos e que faria prova definitiva do direito creditório em discussão, , não foi apresentado pela Recorrente, entendo, que, de fato, a decisão da DRJ não merece ser reformada. Logo, por serem irretocáveis as considerações aduzidas no acórdão de piso, colaciono aqui parte do seu texto, como fundamento deste voto: "(...) Restam cristalinas, portanto, as razões que motivaram a glosa dos valores de IRRF, não considerados na formação do saldo negativo do anocalendário 2001. Nesse diapasão, cumpre também esclarecer à Contribuinte que apesar de por ela anexado o “Livro de Registro de Serviços Prestados”, este não comprova as retenções efetuadas pelo tomador dos serviços e segundo determinação da Lei n.º 7.450, de 23 de dezembro de 1985, que disciplina a compensação do IRRF incidente sobre rendimentos computados na declaração, verificase que esta foi condicionada à apresentação dos respectivos comprovantes de retenção: “Art. 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos”. Vejase o que prevê o RIR/99, Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, a respeito do assunto: "Art. 942– As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei Nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único – O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do anocalendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86).” Como se vê, é obrigação da fonte pagadora o fornecimento do documento anual comprobatório da retenção do imposto de renda na fonte, competindo aos beneficiários a sua guarda e contabilização. De outro giro, o Código Tributário Nacional – CTN, aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, prescreveu a observância da guarda dos documentos que acobertam a escrituração, nos seguintes termos: “Art. 195 – (omissis) Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10675.900006/201080 Acórdão n.º 1003000.541 S1C0T3 Fl. 6 9 Parágrafo único – os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.” Nesse mesmo sentido são as disposições constantes do art. 264, do RIR/1999 (Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1.999), a saber: “Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei n.º 486, de 1969, art. 4º).” Portanto, a existência dos comprovantes de retenção, cuja guarda é obrigatória à pessoa jurídica, é condição sine qua non para a dedutibilidade do imposto retido incidente sobre rendimentos computados na declaração, sendo, entretanto, suprida tal exigência caso a referida retenção seja confirmada através da DIRF apresentada pela respectiva Fonte Pagadora. Assim, vinculandose a Declaração de Compensação a um direito alegado pelo sujeito passivo, este deve estar fundamentado e acompanhado de documentação comprobatória da existência do crédito junto à Fazenda Pública para aferição da autoridade administrativa quanto a sua consistência. (...) Decorre daí que os pedidos, solicitações e declarações envolvendo reivindicação de direito creditório junto à Fazenda Nacional devem estar, necessariamente, instruídos com as provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento, configurandose imprescindível, no caso de saldo negativo ou saldo credor de IRPJ, que seja comprovada a regular apuração do tributo devido no período, bem como as deduções efetivadas a título de antecipações, tais como a efetiva retenção de IRPJ. Por conseguinte, o indébito não se constitui automaticamente do saldo negativo apontado nas declarações entregues à Receita Federal, tendo em conta que o resultado declarado pelos contribuintes deve obrigatoriamente refletir a apuração corretamente escriturada, sujeitandose, assim, à comprovação documental para aferição da certeza do crédito pleiteado. Em face do princípio da supremacia do interesse público e da indisponibilidade do crédito tributário, é dever da Administração analisar a correta composição e procedência do direito creditório invocado pelo sujeito passivo em Declarações de Compensação, o que pode levar à verificação da efetiva retenção efetuada. Fl. 166DF CARF MF 10 (...) Assim, restou demonstrado que a documentação ofertada pela Recorrente, conforme legislação anteriormente citada e aplicada à matéria, não é hábil e suficiente para comprovar o IRRF. A efetividade da retenção de IRPJ, incidente sobre os rendimentos de prestação de serviços incluídos na base de cálculo tributável do anocalendário, é comprovada pelos informes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras (exigência que suprida pelas informações constantes da DIRF. .Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.906167/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
EXCLUSÃO- COMPENSAÇÃO
Após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos do computado pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 1402-003.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10840.906164/2011-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
assinado digitalmente
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10840.906164/2011-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. assinado digitalmente Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10840.906164/2011 75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. assinado digitalmente Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 61 67 /2 01 1- 17 Fl. 153DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente feito de retorno de diligência dos autos do processo administrativo em epígrafe. Na sessão ocorrida em 26 de janeiro deste ano, esta turma deliberou e decidiu por converter o feito em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Adoto o relatório encartado naquele voto como ponto de referência, complementandoo ao final: Tratase o presente processo de Pedido de Compensação (PER/DCOMP), com base em créditos do SIMPLES e débitos apurados pela sistemática do Lucro Presumido (COFINS). O Despacho Decisório não homologou a pretensa compensação sob a justificativa da ausente apresentação de Declaração (obrigação acessória) relativa ao período correspondente ao crédito original informado na DCOMP, o que impossibilitou a confirmação sobre a existência do crédito pleiteado. Inconformada com a decisão acima resumida, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, apenas alegando que efetuou os pagamentos de tributos em 2003 e 2004 ainda como optante do SIMPLES, mas que efetuou a entrega de suas obrigações acessórias (DIPJ), pela apuração do Lucro Presumido. Em primeira instância o pedido da contribuinte foi julgado totalmente improcedente sob a fundamentação de não ter restado comprovado suficientemente nos autos a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Irresignada com tal decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, repisando seus argumentos, mas também trazendo algumas inovações em suas alegações, as quais resumo a seguir: a) Explica que sua exclusão do SIMPLES ocorreu por ato de ofício, qual seja: Ato Declaratório Executivo nº 76, de 29/11/2005; b) Afirma que foi comunicada do supracitado ato por edital SACAT/DRF/POR nº 01/2006 em 02 de janeiro de 2006 e que os efeitos de tal exclusão retroagiram a 2002; c) Acrescenta que não pode juntar cópia de tal ato aos autos pelo fato de a comunicação ter ocorrido por edital; d) Alega que só entregou a DIPJ em momento posterior, devido a equívoco da contabilidade da empresa e que tal declaração possui os valores pelo presumido; Por fim, registrese, ainda, que junto de seu Recurso Voluntário a Recorrente anexa novos documentos: Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10840.906167/201117 Acórdão n.º 1402003.633 S1C4T2 Fl. 3 3 a) parte de um Termo de Encerramento de Ação Fiscal de outro processo que está registrado sob o MPF nº 08.1.09.002006009198 (efls 9097); b) mais especificamente, cabe ainda relatar que no retromencionado Termo de Encerramento de Ação Fiscal, consta que no início da fiscalização a Recorrente não se encontrava no domicílio fiscal por ela indicado. Confirmam os auditores fiscais que no local operava a empresa Organização Educacional Barão de Mauá, CNPJ 56.001.480/000836. Além disso, os funcionários do local afirmaram desconhecer a empresa Liceu Leonardo da Vinci LTDA e, menos ainda, o representante desta, o Sr. João Ângelo Everaldo Mucke. Os auditores localizaram, então, o endereço do escritório de contabilidade da fiscalizada. Lá, foram atendidos pelo Sr. Newton Figueira de Mello, proprietário da empresa, que entrou em contato com os sócios da fiscalizada, que compareceram no local tomando ciência do Termo de Início de Fiscalização e respectivo MPFF. c) apresenta um Demonstrativo de receitas elaborado pela fiscalização, cujos valores foram extraídos das notas fiscais de prestação de serviços do contribuinte; d) sob MPF nº 0810900/00910/06, há Autos de Infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP, apurados pela sistemática do Lucro Arbitrado, haja vista a fiscalização ter considerado a escrituração da autuada como imprestável e ter entendido como configurada a infração de omissão de receita. Tal glosa pertencente ao processo administrativo sob o nº 15956.000077/200742, cujo acórdão de impugnação a Recorrente anexa logo em seguida, o que se deduz pela correlação evidente entre os fatos narrados em tal acórdão e os dados presentes em tais autos de infração. Na sessão de 21 de janeiro de 2018, baixaramse os autos em diligência para: a) a autoridade preparadora, considerando que os pagamentos realizados a titulo de Simples são incontroversos neste processo, depure tais recolhimentos de acordo com a legislação do Simples vigente a época dos pagamentos informados, especificando quais os tributos e respectivos valores compõem cada recolhimento realizado pelo contribuinte, ou seja, depure cada um dos tributos e contribuições sociais que compõe o valor recolhido (IRPJ, PIS, INSS, ISS, etc). b) uma vez depurados, que seja apresentado em tabela, onde se possa identificálos por competência. c) uma vez identificados, elabore um ultimo demonstrativo apenas com os valores dos tributos federais compensáveis, ou seja, IRPJ, CSLL, PIS E COFINS, excluindose portanto eventuais recolhimentos a titulo de Contribuições Previdenciárias INSS ou tributos não federais (ISS, p. ex.). Ao Fl. 155DF CARF MF 4 final, que tais valores compensáveis sejam somados e o valor resultante seja destacado ao final do demonstrativo. d) Observase que as efolhas onde se encontram os valores apontados não estão sendo aqui especificados pois este julgamento segue o sistema de julgamento de recursos repetitivos. e) ao contribuinte seja dada a oportunidade de, cientificado da diligência, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias (parágrafo único, do art. 35, do Decreto 7.574/2011) sobre o resultado da mesma. Foi então proferido o despacho de diligência de fls.140/145, em que o AFRFB responsável elaborou tabela constante dos autos apenas com os valores dos tributos federais compensáveis, ou seja, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, para a competência discutida nos presentes autos. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.630, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.906164/2011 75, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.630): 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. MÉRITO: A exclusão do sujeito passível, por meio da ADE n.76, DE 29/11/2005, da sistemática do simples torna indevidos os recolhimentos naquela sistemática, contudo, a compensação por meio de DCOMP exlcui as contribuições previdenciárias Aplicase ao caso o entendimento de que após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos da resolução transcrita no relatório da presente decisão. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10840.906167/201117 Acórdão n.º 1402003.633 S1C4T2 Fl. 4 5 Depurados os recolhimentos realizados na sistemática do Simples pela Receita Federal, sem contestação do contribuinte, este deve ser o valor compensável nos termos do apurado em sede do relatório da diligência fiscal. Diante do exposto voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36624.000242/2006-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-007.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 02 42 /2 00 6- 15 Fl. 2959DF CARF MF Processo nº 36624.000242/200615 Acórdão n.º 2402007.028 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/2010 41, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava, à época da prolação da Decisão de Primeira Instância Administrativa, o valor limite de alçada estipulado na legislação então vigente. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento nesta Corte, tão somente, o Recurso de Oficio ora em debate. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/201041, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo ilustre Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019: Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso de Ofício interposto pela DRJ tem amparo no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e Fl. 2960DF CARF MF Processo nº 36624.000242/200615 Acórdão n.º 2402007.028 S2C4T2 Fl. 4 3 decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) [...](grifei) Insta salientar que a autoridade julgadora de primeira instância observou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício fixado na legislação vigente na ocasião do julgamento da Impugnação Administrativa em face do vertente lançamento. Ocorre que, em conformidade com o Enunciado nº 103 de Súmula CARF, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância: Súmula CARF nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Destarte, impõese aplicar, no caso em apreço, a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, que estabelece o limite para interposição de recurso de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00, bem assim quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário, nos termos do seu art. 1°, §§ 1° e 2°, verbis: Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. [...](grifei) Na espécie, resta comprovado nos autos que a decisão de piso exonerou o sujeito passivo de crédito tributário em montante inferior ao piso estabelecido na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, do que decorre o não conhecimento do Recurso de Ofício em apreço. Ante o exposto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. Fl. 2961DF CARF MF Processo nº 36624.000242/200615 Acórdão n.º 2402007.028 S2C4T2 Fl. 5 4 (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 2962DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.962326/2008-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1999
REMESSA GRATUITA. COFINS CUMULATIVA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
As remessas gratuitas de mercadorias, constantes das Notas Fiscais de Saída, devem ser excluídas da base de cálculo da COFINS apurada pelo remetente, por não representarem ingresso de faturamento.
DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA
O postulante de direito creditório deve apresentar as provas inerentes ao crédito alegado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO
Em nome do princípio da verdade material, foi atendido o pleito da Recorrente. Procedendo-se à análise dos documentos e comprovado documentalmente se impõe o reconhecimento parcial do direito postulado.
Numero da decisão: 3201-004.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar a exclusão, da base de cálculo da Cofins, daquelas notas fiscais apresentadas pelo contribuinte que se refiram a saída gratuita do estabelecimento autuado, bem como aquelas de simples remessa, nos termos do Relatório Fiscal.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1999 REMESSA GRATUITA. COFINS CUMULATIVA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. As remessas gratuitas de mercadorias, constantes das Notas Fiscais de Saída, devem ser excluídas da base de cálculo da COFINS apurada pelo remetente, por não representarem ingresso de faturamento. DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA O postulante de direito creditório deve apresentar as provas inerentes ao crédito alegado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO Em nome do princípio da verdade material, foi atendido o pleito da Recorrente. Procedendo-se à análise dos documentos e comprovado documentalmente se impõe o reconhecimento parcial do direito postulado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1760; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 267 1 266 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.962326/200883 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.760 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO DIREITO CREDITÓRIO Recorrente ARNO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999 REMESSA GRATUITA. COFINS CUMULATIVA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. As remessas gratuitas de mercadorias, constantes das Notas Fiscais de Saída, devem ser excluídas da base de cálculo da COFINS apurada pelo remetente, por não representarem ingresso de faturamento. DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA O postulante de direito creditório deve apresentar as provas inerentes ao crédito alegado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO Em nome do princípio da verdade material, foi atendido o pleito da Recorrente. Procedendose à análise dos documentos e comprovado documentalmente se impõe o reconhecimento parcial do direito postulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar a exclusão, da base de cálculo da Cofins, daquelas notas fiscais apresentadas pelo contribuinte que se refiram a saída gratuita do estabelecimento autuado, bem como aquelas de simples remessa, nos termos do Relatório Fiscal. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 23 26 /2 00 8- 83 Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10880.962326/200883 Acórdão n.º 3201004.760 S3C2T1 Fl. 268 2 (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em sede de Manifestação de Inconformidade, o qual está consignado nos seguintes termos: "1. A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação nº 35099.76713.151004.1.3.044413 em 15/11/04 (fls. 06/10), pleiteando a compensação de débitos de COFINS, com créditos de COFINS, decorrentes de suposto pagamento a maior ou indevido efetuado em 12/11/99. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 01, emitido em 11/12/08, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 3. Cientificado da decisão em 05/01/09 (fls. 04/05), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/14) alegando, em síntese, que: 3.1 Como se pode observar no demonstrativo da composição das bases de cálculo, o crédito de COFINS utilizado para sua compensação referese à parcela da contribuição indevidamente paga sobre valores relativos às saídas gratuitas ("brindes") de seus produtos. 3.2 Se a base de cálculo tanto do PIS quanto da COFINS é constituída pela receita ou pelo faturamento, não há que se falar em ocorrência do fato gerador sobre o valor de notas fiscais de saída de mercadorias, sem que haja de fato ou de direito a correspondente receita ou faturamento. 3.3 Ao compor a base de cálculo das contribuições, cometeu equívoco de incluir valores que não constituíam sua receita ou faturamento, e deveria ter apresentado retificações de suas declarações para excluir destas bases de cálculos do PIS e da COFINS estes valores. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10880.962326/200883 Acórdão n.º 3201004.760 S3C2T1 Fl. 269 3 3.4 Em determinados casos, suas declarações não foram retificadas, e assim, cometeu erro de fato no procedimento tendente à apresentação desta PER/DCOMP. 3.5 Tal equívoco não macula seu direito à obtenção dos créditos, de fácil apuração, caso a autoridade administrativa competente tivesse cumprido sua obrigação legal e diligenciado ao estabelecimento da ora requerente, como determina o artigo 24 da IN SRF nº 600/2005. 3.6 Não procedendo assim, o despacho decisório representa ofensa aos princípios da moralidade administrativa, da razoabilidade, da finalidade e da oficialidade, além de ensejar o enriquecimento sem causa da União, ferindo o caput do artigo 37 da Carta Magna, e os artigos 2º, 3º, inciso I e 50, inciso I da Lei 9.784/99. 3.7 Requer a reforma do Despacho Decisório, reconhecendo seu direito creditório na sua totalidade e homologando a compensação do PER/DCOMP." A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente e a decisão apresenta a seguinte ementa: O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10880.962326/200883 Acórdão n.º 3201004.760 S3C2T1 Fl. 270 4 (i) efetuou o recolhimento a maior da COFINS, em razão de indevida inclusão na base de cálculo do valor de mercadorias que saíram de seu estabelecimento a título gratuito; (ii) compensou o crédito decorrente do mencionado recolhimento a maior com débitos de tributos federais; (iii) não está em discussão nos autos a impossibilidade de incidência da COFINS sobre o valor de mercadorias que deixam o estabelecimento a título gratuito, sendo que a decisão recorrida apenas entendeu não terem sido apresentados documentos que comprovam a liquidez e certeza dos créditos compensados; (iv) o despacho decisório é nulo, pois foi indeferida a compensação com base em suposta inexistência do crédito, sem que a Recorrente tivesse sido intimada para apresentar documentos comprobatórios dos créditos alegado na DCOMP, ou determinar a realização de diligências em seu estabelecimento; (v) o deslinde dessa questão passa pela análise e correta interpretação do art. 4º da Instrução Normativa nº 600/2005, cuja correta interpretação implica na intimação do contribuinte para apresentação de documentos para comprovar o seu direito e, se for o caso, realizar diligências em seu estabelecimento; (vi) a interpretação conferida pela decisão recorrida não pode prevalecer, eis que afronta os princípios da moralidade administrativa, bem como legalidade, finalidade, impessoalidade e eficiência; (vii) é idônea a documentação acostada com a Manifestação de Inconformidade, consistente em (a) demonstrativo de composição da base de cálculo da COFINS e (b) balancetes de verificação nos quais indicou claramente o valor das mercadorias que saíram do estabelecimento a título gratuito e que, portanto, não deveriam ter integrado a base de cálculo; (viii) apresenta documentos adicionais com a peça recursal no propósito de corroborar as provas apresentadas com a Manifestação de Inconformidade, constituídos por (a) Demonstrativo de composição da base de cálculo da COFINS e balancetes idênticos aos juntados à Manifestação de Inconformidade, mas contendo os elementos que a decisão recorrida reputou essenciais, a saber: nome e assinatura do contabilista responsável, sua categoria profissional e registro no CRC; (b) Demonstrativo das Notas Fiscais que não deveriam ter sido inclupidas na base de cálculo da COFINS, com indicação de seus respectivos valores contábeis e códigos fiscais de operação (CFOP) e (c) cópia do Termo de Abertura, do Termo de Encerramento e das páginas do Livro Registro de Saídas em que as referidas Notas Fiscais foram lançadas. O processo foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para julgamento e convertido em diligência através da Resolução nº 3201 000.428, de 25/09/2013, para que a Delegacia da Receita Federal analisasse documentos apresentados e trazidos em sede de recurso voluntário (documentos intitulados 03/04 , as Notas Fiscais referidas nos docs. 05, bem como Livro Registro de Saídas das respectivas Notas Fiscais (docs. 06)). Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10880.962326/200883 Acórdão n.º 3201004.760 S3C2T1 Fl. 271 5 A Informação Fiscal datada de 15/03/2018 produzida pela Delegacia da Receita Federal em São Bernardo do Campo SP, atestou que: "Informamos que os documentos intitulados 03/04 (demonstrativo de composição da base de cálculo da COFINS/balancetes), fls. 66 a 69, contém os mesmos dados dos documentos apresentados anteriormente, porém agora assinado pelo contador “Mauro Santiago”, CRC nº 1SP15187601, CPF 003.955.09823. O valor apurado do débito de COFINS para o P.A 10/1999 constante do demonstrativo de composição da B.C da COFINS está em conformidade com a ficha 33ACALCULO DA COFINS PJEMGERAL da DIPJ da empresa incorporada ARNO S/A (61.064.978/000101) e foi declarado em DCTF e o valor devido foi recolhido extinguindo o crédito tributário. O pedido de compensação se baseia em crédito de COFINS calculado sobre saídas intituladas pela contribuinte como saídas grátis eletrodomésticos, saídas grátis assistência técnica, saídas grátis importados e saídas grátis diversas/diversos, lançadas com os CFOP´s 5.99, 6.99 e 7.99. O relatório de notas fiscais saídas de outubro de 1999, fls. 70 a 89, apresenta relação de notas fiscais dos estabelecimentos matriz (000101) e das filiais (000454 e 001507) emitidas com os CFOP´s 5.99, 6.99 e 7.99, totalizando saídas no valor de R$ 192.627,51, valor este em consonância com as saídas grátis informadas no demonstrativo de composição da base de cálculo da COFINS do mês de 10/1999. Considerando que somente com as informações constantes do relatório de notas fiscais de saídas e do livro de registro de saídas são insuficientes para formar convicção da não incidência e portanto da sua exclusão na base de cálculo da COFINS, foi aberto o procedimento fiscal de diligência nº 08119.00.2017.001424, na qual intimamos a contribuinte a apresentar 194 cópias de notas fiscais relativas aos P.A out/99, nov/99, fev/00, mar/00, mai/00, jun/00 e jul/00, a fim de formar convicção e prestar informações nos 07 processos administrativos constante da presente diligência, a saber: 10880.962326/200887, 10880.962328/200872, 10880.962334/200820, 10880.962336/200819, 10880.962340/200887, 10880.962342/200876 e 10880.962344/200865. Das 194 notas fiscais solicitadas a contribuinte apresentou somente 105 notas fiscais, sendo 75 notas fiscais pertencente ao estabelecimento conforme intimação, 30 de outro estabelecimento diferente do intimado e deixou de fornecer 119 notas fiscais. Juntamos às fls. 239 a 242 o “Demonstrativo das Notas Fiscais Solicitadas em Diligência” que contém os principais dados constantes do corpo das notas fiscais. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10880.962326/200883 Acórdão n.º 3201004.760 S3C2T1 Fl. 272 6 Verificamos que quase a totalidade das notas fiscais apresentadas foram escrituradas no livro de registro de saídas, a exceção das notas fiscais nº 263978 e 263979 do estabelecimento 001507, que não foram localizadas, haja vista a informação de que estariam escrituradas ás páginas 185/186 do livro de registro de saídas nº 24, porém não foram localizadas nestas páginas e pela numeração das notas e suas datas de emissão a página provável seria a de nº 179 do livro 24 que não foi apresentada. Uma análise mais detalhada das 75 notas fiscais fornecidas corretamente, verificamos que no campo “Natureza da Operação” constam somente duas natureza a saber: “Remessa Grátis” e “Reposição Estoq. Garantia” e no campo “Tipo Condição Pagto”, última coluna do demonstrativo, identificamos várias notas fiscais emitidas para grandes lojistas e supermercados tais como: Carrefour, Lojas Renner, Martins Com. Serv. Distr. S/A, Wall Mart, Yamada S/A em quantidade elevada e com o tipo de condição de pagamento como “PROMOÇÃO”. Chama a atenção também o quantitativo de itens enviados as empresas que prestam serviço de assistência técnica a marca, são centenas e milhares de partes e peças enviadas em reposição. Identificamos as notas fiscais nºs 230769, 233194, 237620, 255776, 254253, 262183, 270632 e 277812 que tem como destinatário outro estabelecimento da contribuinte, porém no campo “Tipo Cond. Pagto” foram enquadradas como “Markerting” e “Gratis Industrial”, que ao nosso ver se tratam de transferências entre unidades “Simples Remessa” e portanto as únicas que não deveriam ser tributadas. Conforme estipula o § 2º do art. 3º da |Lei 9.718/98 que define as exclusões da base de cálculo do PIS/COFINS faturamento, verificamos que não existe previsão legal para a exclusão da base de cálculo destas contribuições às vendas realizadas a título gratuito, seja ela por mera liberalidade da empresa ou por motivos promocionais." A Recorrente manifestouse sobre a Informação Fiscal, aduzindo: (i) desde o início do pedido de compensação em discussão, jamais houve qualquer pedido de apresentação das notas fiscais. Em razão disso, e pela atividade desenvolvida pela Recorrente, é fácil concluir pela existência de uma grande quantidade de notas fiscais emitidas diariamente, que atualmente encontramse em arquivo externo, não tendo sido possível (em tempo hábil) localizar todos os documentos solicitados; (ii) no Recurso Voluntário foram anexados a relação de todas as notas fiscais e o respectivo Livro Registro de Saídas (LRS) onde foram escrituradas, não havendo dúvidas acerca da sua efetiva emissão e escrituração. Nesse sentido a própria Delegacia da Receita Federal afirmou que “... quase a totalidade das notas fiscais apresentadas foram escrituradas no livro de registro de saídas, a exceção das notas fiscais nº 263978 e 263979 do estabelecimento 001507 ...”; Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10880.962326/200883 Acórdão n.º 3201004.760 S3C2T1 Fl. 273 7 (iii) com exceção de apenas 02 notas fiscais (de um total de 194), todas as notas fiscais estão devidamente escrituradas no Livro Registro de Saídas, o que caracteriza a sua efetiva emissão (vejase, inclusive, que na planilha elaborada pela fiscalização, relativamente às notas fiscais em questão, claramente consta a informação de que se tratam de “remessa grátis”, havendo a informação de que se tratam de brindes e promoção); (iv) uma vez comprovada a sua existência e escrituração, fica totalmente caracterizada a operação realizada, além do pagamento indevido da COFINS relativamente a saída gratuita de produtos da Recorrente pelos demais documentos acostados aos autos; (v) o próprio auditor fiscal em sua manifestação deixou claro que o valor apurado do débito da COFINS, constante no demonstrativo de composição da base de cálculo dessa contribuição, está em conformidade com a ficha 33A – CÁLCULO DA COFINS PJ EMGERAL da DIPJ, foi declarado em DCTF e foi recolhido aos cofres públicos; (vi) que o valor das saídas grátis está em consonância com as informadas no demonstrativo de composição da base de cálculo da COFINS; (vii) não procede o entendimento fiscal que somente as notas fiscais nºs 230769, 233194, 237620, 255776, 254253, 262183, 270632 e 277812 que não deveriam ser tributadas. Todas as notas fiscais citadas no processo, são referentes a saídas gratuitas, tendo ocorrido o indevido pagamento da COFINS, a ensejar o direito ao ressarcimento por meio de compensação. A própria planilha elaborada pela Delegacia da Receita Federal deixa claro as operações realizadas, que por serem gratuitas, não deveriam compor a base de cálculo da COFINS; (viii) não existem dúvidas acerca da emissão das notas fiscais, a remessa gratuita e o pagamento indevido da COFINS; e (ix) não se pode pretender que a simples ausência da apresentação de algumas notas fiscais (inclusive pelo tempo decorrido e a dificuldade em serem encontradas) seja suficiente para descaracterizar todas as demais informações fiscais que foram prestadas pela Recorrente e reconhecidas como corretas pela Delegacia da Receita Federal. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, apresentou petição na qual alega: (i) não há como ser permitida a juntada serôdia de documentos. Com efeito, a verdade material não pode ser elevada a tal patamar que anule por completo as regras para o correto desenvolvimento do processo administrativo, erigindo à condição de “letra morta” a norma jurídica estabelecida nos §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972; (ii) a manutenção da decisão de primeira instância; e (iii) o acolhimento de todas as ponderações acima expostas, em especial as ponderações trazidas pela SEORT, no sentido de que o pleito da recorrente não merece acolhimento por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que “conforme estipula o § 2º do art. 3º da |Lei 9.718/98 que define as exclusões da base de cálculo do PIS/COFINS faturamento, verificamos que não existe previsão legal para a exclusão da base de cálculo destas contribuições às vendas realizadas a título gratuito, seja ela por mera liberalidade da empresa ou por motivos promocionais”. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10880.962326/200883 Acórdão n.º 3201004.760 S3C2T1 Fl. 274 8 É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Preliminarmente, com relação à alegação de nulidade produzida pela Recorrente, com a realização da diligência fiscal, conforme Resolução nº 3201000.428, de 25/09/2013, entendo que está superada, pois eventual prejuízo à Recorrente restou sanado. Do mesmo modo, entendo improcedente a irresignação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional quando pugna pela não aceitação dos documentos apresentados em sede de diligência, em razão de concordar com os termos da Resolução anteriormente referida, pois buscou apurar a verdade material existente. O direito está ao lado da Recorrente. A Solução de Consulta DISIT/SRRF08 nº 130, de 3 de maio de 2012, está ementada nos seguintes termos: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas à operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas á operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10880.962326/200883 Acórdão n.º 3201004.760 S3C2T1 Fl. 275 9 será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas á operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas á operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Cofins. BASE DE CÁLCULO . BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA.. A base de cálculo da Cofins é definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuitade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Cofins. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.833, de 2003 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982." O CARF assim já se posicionou: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/09/2000 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃO INCIDÊNCIA. PROVA. As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10880.962326/200883 Acórdão n.º 3201004.760 S3C2T1 Fl. 276 10 quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte." (Processo nº 10865.900772/200892; Acórdão nº 3802003.548; Relator Conselheiro Solon Sehn; sessão de 20/08/2014. Com relação a existência de prova da liquidez e certeza do direito creditório invocado pela Recorrente, perfilho o entendimento de que assiste parcial razão ao seu pleito, devendo o direito creditório ser reconhecido de modo parcial, levandose em consideração as provas produzidas nos autos. A Informação Fiscal datada de 15/03/2018 produzida pela Delegacia da Receita Federal em São Bernardo do Campo SP consignou que das 194 notas fiscais solicitadas a contribuinte apresentou somente 105 notas fiscais, sendo 75 notas fiscais pertencentes ao estabelecimento conforme intimação, 30 de outro estabelecimento diferente do intimado e deixou de fornecer 119 notas fiscais. É de se consignar, ainda, que a Informação Fiscal pontua que: "Verificamos que quase a totalidade das notas fiscais apresentadas foram escrituradas no livro de registro de saídas, a exceção das notas fiscais nº 263978 e 263979 do estabelecimento 001507, que não foram localizadas, haja vista a informação de que estariam escrituradas ás páginas 185/186 do livro de registro de saídas nº 24, porém não foram localizadas nestas páginas e pela numeração das notas e suas datas de emissão a página provável seria a de nº 179 do livro 24 que não foi apresentada." Ora, com o reconhecimento por parte das autoridades fazendárias que das 194 (centos e noventa e quatro) notas fiscais solicitadas, 75 (setenta e cinco) notas fiscais foram apresentadas corretamente, sendo que apenas 2 (duas) não foram escrituradas, é de se reconhecer o direito da Recorrente em relação às notas fiscais apresentadas. Da Informação Fiscal, extraise, também: Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10880.962326/200883 Acórdão n.º 3201004.760 S3C2T1 Fl. 277 11 "Uma análise mais detalhada das 75 notas fiscais fornecidas corretamente, verificamos que no campo “Natureza da Operação” constam somente duas natureza a saber: “Remessa Grátis” e “Reposição Estoq. Garantia”" Como visto, efetivamente tratamse de fornecimento de mercadorias a título gratuito (remessa grátis e reposição estoque garantia) e a autoridade fazendária consigna "75 notas fiscais fornecidas corretamente", o que faz concluir que tais operações efetivamente foram concretizadas pela Recorrente. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para determinar a exclusão, da base de cálculo da COFINS, daquelas Notas Fiscais apresentadas pelo contribuinte que se refiram a saída gratuita do estabelecimento autuado, bem como aquelas de simples remessa, nos termos do Relatório Fiscal. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 277DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.903160/2009-62
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE.
Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação.
Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
Numero da decisão: 1002-000.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ângelo Abrantes Nunes.
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CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 31 60 /2 00 9- 62 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13888.903160/200962 Acórdão n.º 1002000.605 S1C0T2 Fl. 173 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RPO: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face de Despacho Decisório em que foi apreciada a PER/DCOMP de nº 36063.08591.080508.1.7.048825, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 2362) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 2362). Por intermédio do despacho decisório, cópia legível ora anexada, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado “por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.02/03, na qual alega, em síntese, que: DOS FATOS A empresa no ano base de 2005, apurou Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ, facultandolhe o direito de compensar este valor conforme Instrução Normativa n° 460, artigo 10. A DIPJ/2006 no 23.33.22.30.3914, transmitida em 30/06/2006, onde na ficha 11 no mês de dezembro/05 na linha 12, o valor Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13888.903160/200962 Acórdão n.º 1002000.605 S1C0T2 Fl. 174 3 devido referente o IRPJ Estimativa competência 12/2005, tendo o mesmo valor sido declarado na DCTF do período. Assim a PER/DCOMP Retificadora n° 36063.08591.080508.1.7.048825 entregue em 08/05/2008, apresentou a compensação do Pagamento Indevido a Maior detectada na DIPJ/2006 (ano base 2005). A empresa foi notificada pela SRFB através do Despacho Decisório rastreamento n° 825079670 conforme Processo de Crédito n° 13888903.160/200962, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil. DO DIREITO A Perdcomp a qual se refere o Despacho Decisório n° 825079670 está correta baseada na IN 460, artigo 10 que segue: "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrada que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Fonte: http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Ins/2004/in460200 4.htm Valor IRPJ devido na DIPJ — R$ 161.270,34 Valor do débito na DCTF 12/2005 — R$ 161.270,34 Valor pago — R$ 166.504,82 Saldo credor — R$ 5.234,48 em 31/12/2005 Podese observar claramente o valor do crédito utilizado na Perdcomp. Débito compensado parcialmente: IRPJ estimativa mês 02/2006. DO MÉRITO Segue cópias dos documentos a seguir: DIPJ/2006, ano calendário 2005 entregue em 30/06/2006 conforme recibo n° 23.33.22.303914. DCTF mensal referente 12/2005, retificadora entregue em 05/05/2008 conforme recibo n° 10.63.98.83.0687. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13888.903160/200962 Acórdão n.º 1002000.605 S1C0T2 Fl. 175 4 PERDCOMP versão 3.3 entregue em 08/05/2008, retificadora n° 36063.08591.080508.1.7.048825. Despacho Decisório n°825079670 conforme Processo n° 13888903.160/200962. DA CONCLUSÃO A vista de todo exposto, solicitamos a aceitação da PERDCOMP declarandose a improcedência e a insubsistência do despacho decisório ora contestado, homologandose em definitivo a compensação levada a efeito pela contribuinte. Certo em contar com as devidas providências, colocome a disposição. P. Deferimento A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/RPO, conforme acórdão n. 1440.920, de 25 de março de 2013 (efl. 87), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 08/05/2008 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Irresignada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 106), no qual, oferece os argumentos abaixo sintetizados (grifos do original). Registra que " ...é pessoa jurídica de direito privado que apura e recolhe o IRPJ e a CSSL com base no Lucro Real, adotando o regime de Estimativa Mensal, com apresentação de balancetes mensais de suspensão...". Diz que "No mês de dezembro de 2005, a Recorrente apurou, por estimativa, um débito de IRPJ no montante de R$ 166.504,82 (cento e sessenta e seis mil quinhentos e quatro reais e oitenta e dois centavos), tendo promovido o regular recolhimento do tributo em questão conforme faz prova o comprovante de arrecadação expedido pela própria Receita Federal do Brasil...". Aduz "....que o tributo efetivamente devido no mês de dezembro de 2005 redundou ser de R$ 161.270,34 (cento e sessenta e um mil duzentos e setenta reais e trinta e Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13888.903160/200962 Acórdão n.º 1002000.605 S1C0T2 Fl. 176 5 quatro centavos), conforme claramente se verifica pelo balancete do referido mês/ano, pela DIPJ e pela DCTF...". Conclui que "...é credora do Fisco em R$ 5.234,48 (cinco mil duzentos e trinta e quatro reais e quarenta e oito centavos), o qual, corrigido, montava em R$ 5.347,02 (cinco mil trezentos e quarenta e sete reais e dois centavos), tendo utilizado referido crédito em duas Per/Dcomp, nos valores respectivamente de R$ 5.234,48(cinco mil duzentos e trinta e quatro reais e quarenta e oito centavos) e R$ 110,17 (cento e de reais e dezessete centavos)". Ao final, requer o integral provimento do recurso para o fim de homologar a compensação levada a efeito pelo contribuinte. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B do Regimento Interno do CARF, com redação dada pela Portaria MF n.º 329. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Quanto ao mérito, constato que o ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP nº 36063.08591.080508.1.7.048825 transmitido em 08/05/2008, sob a alegação de que o crédito original de R$ 5.234,48 nele informado já havia sido utilizado integralmente no pagamento de outro débito, conforme mostra o excerto do Despacho Decisório Eletrônico abaixo: Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13888.903160/200962 Acórdão n.º 1002000.605 S1C0T2 Fl. 177 6 Como se observa, o suposto crédito informado no PER/DCOMP nº 36063.08591.080508.1.7.048825 decorre de pagamento indevido ou a maior, e a circunstância fática que motivou seu indeferimento está inequivocamente registrada no Despacho Decisório Eletrônico, qual seja: a utilização anterior do crédito pleiteado no pagamento de tributo de código 2362 (IRPJ PJ obrigadas ao Lucro Real Entidades Não Financeiras Estimativa Mensal), do período de apuração de 31/12/2006. Em suas razões de defesa, o Recorrente afirma que apura e recolhe o IRPJ e a CSLL com base no Lucro Real, adotando o regime de Estimativa mensal, com a apresentação de balancetes mensais de suspensão ou redução dos tributos, e que no mês de dezembro de 2005 apurou um saldo credor correspondente a R$ 5.234,48 (cinco mil duzentos e trinta e quatro reais e quarenta e oito centavos). Vejo que o Recorrente não trouxe provas suficientes ou fundamentos de fato e de direito tendentes a infirmar a decisão de indeferimento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação do PER/DCOMP proferida pela instância de origem. Por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o então manifestante apresentou, tão somente, DCTF mensal retificadora do mês de dezembro/2005 e DIPJ/2006, desacompanhadas de provas documentais provenientes de sua escrituração contábilfiscal; agora, no Recurso Voluntário, limitouse a apresentar fichas de DRE, de Balanço patrimonial encerrado em 31/12/2005, e de balancete analítico do mês 12/2005 emitidas em 08/08/2013 (efls. 127), data posterior à de ciência do despacho decisório, ocorrida em 01/04/2009 (efls 83). Além disso, o Recorrente ignorou por completo o registro do voto condutor do acórdão recorrido alertando para a necessidade de apresentação de outros documentos e Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13888.903160/200962 Acórdão n.º 1002000.605 S1C0T2 Fl. 178 7 livros contábeis/fiscais do períodobase examinado para a comprovação do suposto crédito, tais como: Livro Diário e Lalur. Este arcabouço probatório seria imprescindível ao batimento dos dados constantes das declarações com os da escrituração do contribuinte, para efeito de comprovar a regular transcrição, idoneidade e identidade dos registros e atestar o oferecimento à tributação de receitas que ensejaram retenções legais do período, de modo a permitir, assim, a formação de juízo conclusivo quanto ao reconhecimento do direito creditório postulado. Concluo, portanto, não haver reparos a fazer na decisão recorrida, motivo porque reproduzo, na sequência, os trechos principais dela extraídos, adotandoos como razões de decidir, de acordo com o §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57, do RICARF (grifos do original): (...) Assim, admitido o recolhimento a maior de estimativa como pagamento indevido ou a maior de tributo, esta Turma de Julgamento tem consignado que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Diante disso, caberia a recorrente trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis que identificassem, inequivocamente, a base de cálculo do IRPJ do mês de dezembro de 2005, o IRPJ devido em meses anteriores (até novembro/2005) e os recolhimentos que deram origem ao indébito pretendido. Ainda mais, quando a contribuinte é pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real que, nos termos do artigo 7º do Decretolei nº 1.598, de 1977, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. Nesse contexto, indispensáveis, portanto, os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos no livro “Diário”, a demonstração do resultado do exercício, etc, além dos registros pertinentes do livro “LALUR”, principalmente porque, para se antecipar ao ajuste anual (tributação pelo lucro real anual) e não ter que recolher tributo a maior durante o ano, a contribuinte levantou balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução. (...) No caso presente, a recorrente, com o recurso a esta instância julgadora, não apresentou qualquer elemento contábil que comprovasse o indébito pleiteado. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13888.903160/200962 Acórdão n.º 1002000.605 S1C0T2 Fl. 179 8 Por tais razões, quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Ora, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de nº 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn) A análise acima descrita reflete o posicionamento deste julgador quanto ao tema ora examinado e seus fundamentos estão em perfeita consonância com a legislação regente da matéria. Acrescento que os requisitos de liquidez e certeza do crédito são exigências legais para deferimento da homologação da compensação, a teor do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13888.903160/200962 Acórdão n.º 1002000.605 S1C0T2 Fl. 180 9 É de se ressaltar, ainda, que não compete a este relator sanar possíveis erros de preenchimento de PER/DCOMP ou demonstrar que a não homologação da compensação foi equivocada, a uma, porque há comprovação evidente e insofismável nos autos de que o suposto crédito foi alocado a outro débito e, a duas, porque o ônus probatório do direito vindicado é do Recorrente, conforme prevê a legislação1 e de acordo com forte corrente jurisprudencial deste CARF, da qual colaciono, como exemplos, os Acórdãos 3201002.303 e 3001000.312: ACÓRDÃO 3201002.303 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. (...) Recurso Voluntário Negado Acórdão n.º 3001000.312 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. À vista do exposto, o improvimento do recurso impõese. 1 Lei nº 9.784/99: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13888.903160/200962 Acórdão n.º 1002000.605 S1C0T2 Fl. 181 10 Dispositivo Considerando que o artigo 170 do CTN só autoriza a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública; que o suposto crédito de R$ 5.234,48 constante do PER/DCOMP de nº 36063.08591.080508.1.7.04 8825 fora integralmente utilizado na quitação de débitos de tributo do código 2362 de período de apuração de 13/12/2005; e, ainda, que o Recorrente não traz elemento de prova capaz de infirmar os fatos aqui narrados, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 181DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.727814/2011-85
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
Proventos de aposentadoria são isentos quando acompanhados de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV.
Numero da decisão: 2001-001.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. Proventos de aposentadoria são isentos quando acompanhados de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV.
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MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. Proventos de aposentadoria são isentos quando acompanhados de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 78 14 /2 01 1- 85 Fl. 60DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, comprovação de doença grave. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Esses destaques não constam desse relatório, pois estão disponíveis no processo. Tratase de discussão sobre doença grave. A DRJ recusou o laudo fundamentando que o médico não estava bem identificado. Com relação aos rendimentos recebidos do INSS, é de se confirmar que os mesmos se referem a benefício previdenciário em face da documentação acostada ao presente às fls.16/21. Quanto ao outro requisito indispensável à concessão da isenção, é de se informar que, de acordo com os laudos de fls. 11 e 12, a contribuinte é portadora de moléstia discriminada na lei de que trata a isenção ora pleiteada. Não obstante, é de se asseverar que não há como aceitálos porque não identificam a autoridade médica que os emitiu. A DRJ/RJ II, juntou petição em processo de inscrição em dívida, tomados os mesmo argumentos como recurso voluntário do presente processo. Assim se manifestou: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Trata o presente despacho de recurso contra decisão de primeira instância, conforme petição às fls. 03 e 04, protocolada em 03/12/2013 no processo administrativo nº 18470.731980/2013 48 (juntado ao presente feito). O último domicílio declarado pela contribuinte situase na área de atuação da DRF/RJ II. 2. A contribuinte alega ser isenta do recolhimento do IRRF em razão de ser portadora de doença elencada no inciso XIV do art. 6º da Lei 8.112/1988. Alega também que os rendimentos auferidos no anocalendário de 2009 são referentes à pensão e à complementação de pensão recebida em decisão judicial. 3. A pretensão isentiva foi indeferida pelo Acordão 1255.130 da 18ª Turma de DRJ/RJI, sessão de 24/04/2013 (fls. 29/32). O motivo do indeferimento foi: “Quanto ao outro requisito indispensável à concessão da isenção, é de se informar que, de acordo com os laudos de fls. 11 e 12, a contribuinte é portadora discriminada na lei de que trata a isenção ora pleiteada. Não obstante, é de se asseverar que não há como aceitálos porque não identificam a autoridade médica que os emitiu.” 4. No processo administrativo nº 18470.731980/201348 (juntado a este presente processo), a contribuinte, além do recurso contra a decisão de primeira instância, solicita a decorrente revisão do débito inscrito em DAU – inscrição nº 70 1 13 00601208 de 12/09/2013. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 18470.727814/201185 Acórdão n.º 2001001.079 S2C0T1 Fl. 3 3 5. Segundo a petição, os documentos juntados às fls. 12/15 do PA nº 18470.731980/201348, identificariam a médica autora do laudo pericial, exarado pelo Hospital Universitário Pedro Ernesto – serviço médico oficial do Estado do RJ, como sendo DÉBORA FONTENELLE DOS SANTOS, CRM 52499704. Realizouse uma pesquisa ao sítio na internet do Conselho Regional de Medicina, conforme documento juntado à fl. 21 daquele PA. A contribuinte reitera a condição de doente grave, com direito à isenção. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de discussão sobre doença grave. A DRJ recusou o laudo fundamentando que o médico não estava bem identificado. Conforme se verifica no despacho que encaminhou o recurso, a identificação do médico, único fundamento para a recusa do laudo resta suprido. Repetimos o ponto suscitado: 5. Segundo a petição, os documentos juntados às fls. 12/15 do PA nº 18470.731980/201348, identificariam a médica autora do laudo pericial, exarado pelo Hospital Universitário Pedro Ernesto – serviço médico oficial do Estado do RJ, como sendo DÉBORA FONTENELLE DOS SANTOS, CRM 52499704. Realizouse uma pesquisa ao sítio na internet do Conselho Regional de Medicina, conforme documento juntado à fl. 21 daquele PA. Considerando caracterizada a doença prevista, entendemos que faz jus o contribuinte a isenção solicitada, pois o fundamento para a recusa fica superado. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 62DF CARF MF 4 Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.911276/2009-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa quando o procedimento fiscal, mesmo singelo do pronto de vista procedimental, fundamenta corretamente o ato administrativo em matéria de fato e de direito, possibilitando a compreensão do fato apurado e da aplicação da norma.
NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Tendo a instância de piso apreciado a alegação da defesa e exposto na fundamentação do acórdão as razões de fato e de direito que motivaram a decisão, não há lesão ao contraditório ou ao direito de defesa que justifique a nulidade da desta.
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. SUPORTE PROBATÓRIO. NECESSIDADE.
A mera retificação da DCTF após o despacho decisório denegatório, sem a apresentação de escrituração e documentação contábil e fiscal, não é suficiente para comprovar o crédito pleiteado. A DIPJ não se presta a tal comprovação por tratar-se de prestação de informações unilateral, que não está sujeita à revisão da Administração por não constituir débitos ou créditos tributários.
Numero da decisão: 1401-003.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Soares Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando o procedimento fiscal, mesmo singelo do pronto de vista procedimental, fundamenta corretamente o ato administrativo em matéria de fato e de direito, possibilitando a compreensão do fato apurado e da aplicação da norma. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Tendo a instância de piso apreciado a alegação da defesa e exposto na fundamentação do acórdão as razões de fato e de direito que motivaram a decisão, não há lesão ao contraditório ou ao direito de defesa que justifique a nulidade da desta. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. SUPORTE PROBATÓRIO. NECESSIDADE. A mera retificação da DCTF após o despacho decisório denegatório, sem a apresentação de escrituração e documentação contábil e fiscal, não é suficiente para comprovar o crédito pleiteado. A DIPJ não se presta a tal comprovação por tratar-se de prestação de informações unilateral, que não está sujeita à revisão da Administração por não constituir débitos ou créditos tributários.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando o procedimento fiscal, mesmo singelo do pronto de vista procedimental, fundamenta corretamente o ato administrativo em matéria de fato e de direito, possibilitando a compreensão do fato apurado e da aplicação da norma. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Tendo a instância de piso apreciado a alegação da defesa e exposto na fundamentação do acórdão as razões de fato e de direito que motivaram a decisão, não há lesão ao contraditório ou ao direito de defesa que justifique a nulidade da desta. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. SUPORTE PROBATÓRIO. NECESSIDADE. A mera retificação da DCTF após o despacho decisório denegatório, sem a apresentação de escrituração e documentação contábil e fiscal, não é suficiente para comprovar o crédito pleiteado. A DIPJ não se presta a tal comprovação por tratarse de prestação de informações unilateral, que não está sujeita à revisão da Administração por não constituir débitos ou créditos tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 12 76 /2 00 9- 22 Fl. 164DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Trata o presente processo do Despacho Decisório nº 848522232 que negou o pedido de repetição de indébito e não homologou a compensação efetuada pela contribuinte por meio do PER/Dcomp nº 15735.84562.170908.1.3.048209, transmitido em 17/09/2009. Na época dos fatos, a contribuinte apurava o IRPJ na forma do Lucro Real Anual e a repetição de indébito referese a pagamento a maior de IRPJ relativo ao período de apuração encerrado em 31/12/2007, no valor original de R$ 120.656,24. Segundo o PER/Dcomp da contribuinte, o pagamento a maior teria se originado com o recolhimento em DARF da importância de R$ 4.706.653,33 em 31/03/2008, sendo R$ 4.623.431,57 de valor principal e R$ 83.221,76 de juros. No procedimento que redundou no despacho decisório, houve o cotejamento do PER/Dcomp com a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. No procedimento, constatouse que o débito de IRPJ declarado em DCTF era de R$ 4.623.431,57, ou seja, exatamente o valor principal pago. Com o procedimento descrito, não se confirmou o crédito de R$ 120.656,24, pois não teria ocorrido pagamento a maior. O pedido de repetição foi negado e a compensação não foi homologada. A contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório nº 848522232 em 20/10/2009. Em 18/11/2009, retificou a DCTF, reduzindo o débito de IRPJ para R$ 4.502.755,33. Em 19/11/2009, apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que havia cometido um erro na DCTF original e que, diante da retificação do valor do débito, o despacho decisório deveria ser reformado. É de se destacar que o montante do débito de IRPJ declarado na DCTF retificadora é igual ao apurado na DIPJ da contribuinte. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10166.911276/200922 Acórdão n.º 1401003.119 S1C4T1 Fl. 165 3 A manifestação de inconformidade da contribuinte foi julgada improcedente pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília por meio do Acórdão nº 0345.379, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2007 PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não tendo sido trazida na manifestação de inconformidade nenhuma prova documental que dê suporte à alegada ocorrência de pagamento a maior, não há reparos a fazer no despacho decisório recorrido. Resumidamente, a DRJ fundamentou sua decisão em dois pontos, a saber: (i) a retificação da DCTF, para os fins que importam ao processo, deveria ter sido efetuada espontaneamente pela contribuinte antes da ciência do despacho decisório; (ii) uma vez que a retificação foi realizada após a ciência do despacho decisório, a contribuinte deveria ter juntado elementos de prova do direito creditório reivindicado, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. A decisão pela improcedência da manifestação de inconformidade foi baseada no fato da contribuinte não ter juntado nenhum elemento de prova, além da própria DIPJ, para fundamentar a retificação da DCTF e, por consequência, seu pleito repetitório. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário no qual reitera os argumentos da manifestação de inconformidade e alega que teria ocorrido nulidade do processo por cerceamento da defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos legais. Assim, dele tomo conhecimento. Cerceamento de defesa. Preliminarmente, é de se afastar as alegações de cerceamento de defesa. Ao dissertar acerca do amplo direito de defesa constitucionalmente assegurado aos litigantes na ordem jurídica pátria, a contribuinte lança argumentos genéricos e afirma que "não obstante a importância de tais regras, não foi isso, contudo, que se verificou no presente processo administrativo, no qual se decidiu, sem o devido processo legal, pela não compensação do crédito tributário que a recorrente tem". Fl. 166DF CARF MF 4 Embora tenha afirmado que "sem qualquer informação ou oportunidade de reação, a recorrente está sendo cobrada de um débito que deveria ter sido compensado, e não foi por culpa exclusiva da Receita Federal do Brasil", a recorrente não logrou identificar qual(is) o(s) ato(s) que teria(m) maculado seu direito de defesa. Ao revés, vêse que seu direito de defesa foi rigorosamente observado. No procedimento fiscal, embora singelo do ponto de vista procedimental, a descrição dos fatos ocorridos e a aplicação da norma de regência foram claros o suficiente para possibilitar à contribuinte a perfeita compreensão do ato administrativo. Podese constatar pelo simples fato da contribuinte ter sido capaz de identificar que a inconsistência localizavase na contradição entre o pleito repetitório materializado no PER/DComp e o débito declarado em DCTF, que indicava o aproveitamento integral do DARF em questão. Da mesma forma, a decisão da instância de piso enfrentou de maneira suficientemente fundamentada o único argumento trazido pela contribuinte: teria havido um erro na DCTF original e, com a apresentação da declaração retificadora, o despacho decisório deveria ser reformado para reconhecer o direito creditório da contribuinte. A DRJ, diante dos elementos trazidos aos autos, decidiu de forma motivada, aplicando a norma conforme exposto anteriormente. Não se vislumbra no processo qualquer lesão ao contraditório ou prejuízo ao direito de defesa da contribuinte. Portanto, nesse aspecto, voto pela improcedência da alegação de nulidade do processo. Mérito. A questão controvertida é a certeza e liquidez do crédito pedido pela contribuinte e utilizado em compensação, conforme o PER/Dcomp nº 15735.84562.170908.1.3.048209. A contribuinte alega que tem o direito de retificar a DCTF, dentro do prazo decadencial, e que tal retificação, por si só, seria prova suficiente de seu direito creditório, sobretudo neste caso em que o débito declarado na DCTF retificadora equivale ao informado em DIPJ. Entretanto, não lhe assiste razão. Para fundamentar este voto, peço vênia para tomar emprestados os argumentos proferidos pela 2ª Turma da DRJ/Campo Grande, citados na fundamentação do Acórdão nº 1201002.590 da 1ªTO/2ªCâmara/1ª Seção deste Conselho, com relatoria do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado: AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO Postula a interessada direito creditório em tese decorrente de recolhimento indevido ou a maior de estimativa de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. A pretensão não foi acolhida pois, conforme a DCTF apresentada pela empresa, havia correspondência entre o Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10166.911276/200922 Acórdão n.º 1401003.119 S1C4T1 Fl. 166 5 recolhimento e o valor do débito declarado. Por esse viés, inexistiu recolhimento indevido ou a maior. Cientificada do despacho decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, afirmando, em síntese, que o débito não existiria e que apresentou DCTF retificadora. [...] Nenhuma explicação foi apresentada para as retificações e nenhum documento foi trazido para subsidiar as informações prestadas nas declarações, e há evidente contradição entre o conteúdo das declarações retificadoras. Em situações tais como a analisada, o crédito pretendido poderia ser comprovado por meio da escrituração contábil e fiscal, bem como pelos documentos que a respalde. Outrossim, de acordo com o § 11 do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, aplicase ao presente processo o rito estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Esse Decreto, com força de Lei, determina em seu art. 16 que a impugnação (manifestação de inconformidade) “mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”. No mesmo sentido, a Lei n.º 9.784/99, de aplicação subsidiária ao rito processual do Decreto n.º 70.235/72, estabelece, em seu art. 36, que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, em consonância, ainda, com o artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil (CPC), que afirma que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Com efeito, cumpre elucidar ainda que, nos moldes do art. 214, do Código Civil (CC), para a desconsideração da confissão de dívida por erro de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito passivo (assim como ocorre em relação à comprovação do indébito) o encargo probante da circunstância, por aplicação do já comentado art. 333, I, do CPC. E isto deve ser feito por intermédio de documentos robustos, especialmente dos assentamentos contábeis e fiscais do contribuinte, não sendo suficiente, por si só, como prova a mera apresentação de DCTF retificadora, notadamente quando contraditória com outras declarações apresentadas. Nesse sentido tem decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme ementas a seguir transcritas: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Fl. 168DF CARF MF 6 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3201001.713, Rel. Cons. Daniel Mariz Gudiño, 3/1/2015) PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão nº 3802002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes,Sessão de 22/05/2013) Assim, na ausência de comprovação do direito creditório em tela, não merece reforma a decisão combatida. Concluise que incumbe à contribuinte apresentar elementos probatórios que demonstrem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Chama atenção o fato da contribuinte não ter juntado, mesmo após a decisão da DRJ, qualquer elemento probatório. Sua pretensão poderia ser provada pela apuração contábil do lucro líquido, ajustado conforme a escrituração fiscal, com suporte nos documentos que está obrigada a manter e a apresentar à fiscalização enquanto não perecer o direito da Fazenda. Também não é de se acolher a DIPJ como elemento probatório que supra a inércia da contribuinte em apresentar a escrituração contábil e fiscal. A DIPJ nada mais é que uma prestação de informações unilateral que sequer está sujeita à revisão por parte da Administração Tributária, posto que não constitui créditos ou débitos tributários. No mérito, portanto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10166.911276/200922 Acórdão n.º 1401003.119 S1C4T1 Fl. 167 7 Conclusão. Conforme a fundamentação, voto pelo afastamento da preliminar de nulidade por cerceamento de defesa e, no mérito, pela improcedência do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
