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Numero do processo: 13609.721302/2011-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CARACTERIZAÇÃO.
Caracterizada a existência do acórdão embargado sobre ponto que o colegiado devia se pronunciar, esta deve ser suprida.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS NÃO OPERACIONAIS. LIMITES LEGAIS. DECADÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
O Fisco tem o direito de exigir do contribuinte a comprovação da existência de prejuízos acumulados disponíveis para a compensação, independente do tempo transcorrido entre a apuração desse prejuízo e data da compensação e constitui ônus do contribuinte manter as demonstrações e livros contábeis e fiscais de forma a comprovar a apuração e disponibilidade (para compensação) dos prejuízos informados na sua DIPJ. Os prejuízos não operacionais somente podem ser compensados com resultados positivos da mesma natureza, cabendo ao contribuinte comprovar sua correta utilização. Não há que se falar em decadência se o Fisco não modifica as bases apuradas pelo contribuinte e tão somente examina a compensação por ele declaradas. O marco temporal do prazo decadencial para o Fisco examinar a compensação se inicia a partir da sua realização pelo sujeito passivo, não havendo óbice para a fiscalização exigir do contribuinte a composição e comprovação do saldo de prejuízos por ele compensados, ainda que abranja períodos de apuração anteriores ao do ano da compensação.
Numero da decisão: 1302-002.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir a omissão apontada, com efeitos modificativos, e re-ratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Souza e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Embargante VOTORANTIM METAIS ZINCO S.A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CARACTERIZAÇÃO. Caracterizada a existência do acórdão embargado sobre ponto que o colegiado devia se pronunciar, esta deve ser suprida. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS NÃO OPERACIONAIS. LIMITES LEGAIS. DECADÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O Fisco tem o direito de exigir do contribuinte a comprovação da existência de prejuízos acumulados disponíveis para a compensação, independente do tempo transcorrido entre a apuração desse prejuízo e data da compensação e constitui ônus do contribuinte manter as demonstrações e livros contábeis e fiscais de forma a comprovar a apuração e disponibilidade (para compensação) dos prejuízos informados na sua DIPJ. Os prejuízos não operacionais somente podem ser compensados com resultados positivos da mesma natureza, cabendo ao contribuinte comprovar sua correta utilização. Não há que se falar em decadência se o Fisco não modifica as bases apuradas pelo contribuinte e tão somente examina a compensação por ele declaradas. O marco temporal do prazo decadencial para o Fisco examinar a compensação se inicia a partir da sua realização pelo sujeito passivo, não havendo óbice para a fiscalização exigir do contribuinte a composição e comprovação do saldo de prejuízos por ele compensados, ainda que abranja períodos de apuração anteriores ao do ano da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir a omissão apontada, com efeitos modificativos, e re ratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 13 02 /2 01 1- 89 Fl. 567DF CARF MF Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302002.118 S1C3T2 Fl. 568 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Souza e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302002.118 S1C3T2 Fl. 569 3 Relatório Tratase de embargos de declaração interposto por VOTORANTIM METAIS ZINCO S.A em face do Acórdão nº 1302001.851, de 04/05/2016, mediante o qual o colegiado decidiu "por unanimidade de votos, em rejeitar a alegação de nulidade do lançamento e em negar provimento ao recurso de ofício; e, por maioria de votos, em acolher a arguição de decadência", conforme restou sintetizado na ementa, verbis: NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Restando explicitado no lançamento sua fundamentação e os critério utilizados na apuração das glosas de prejuízos fiscais, não há que se falar em nulidade. Eventuais erros cometidos na apuração da base de cálculo não tem o condão de invalidar o lançamento, devendo ser apreciados em seu mérito. DECADÊNCIA. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. O Fisco tem o direito de exigir do contribuinte a comprovação da existência de prejuízos acumulados disponíveis para a compensação, independente do tempo transcorrido entre a apuração desse prejuízo e data da compensação e constitui ônus do contribuinte manter as demonstrações e livros contábeis e fiscais de forma a comprovar a apuração e disponibilidade (para compensação) dos prejuízos informados na sua DIPJ. No entanto, ultrapassado o prazo quinquenal da ocorrência do fato gerador, previsto no art. 150, § 4º, ou o prazo do art. 173, I do CTN, (aplicável conforme o caso), esta verificação está limitada à comprovação e demonstração do prejuízo apurado, não podendo o Fisco proceder a qualquer alteração desta base, pois os fatos apurados já estão alcançados pela decadência. Cientificada em 14/07/2016, a recorrente apresentou embargos de declaração em 19/07/2016, aduzindo, verbis: Em vista dos recursos interpostos, em 4.5.2016, esta C. Turma houve por bem, por unanimidade de votos, rejeitar a alegação de nulidade e negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário interposto, para declarar a decadência das parcelas remanescentes do crédito tributário, conforme ementa e dispositivo do acórdão n. 1302001.851, abaixo transcritos: [...] Nos mesmos termos, restou consignado nas conclusões do voto condutor do acórdão: "Conclusão Fl. 569DF CARF MF Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302002.118 S1C3T2 Fl. 570 4 Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência parcial do lançamento e cancelar as glosas de prejuizos ê da base de cálculo negativa da CSLL que remanescerem após a decisão de primeiro grau." (grifos da embargante) Em que pese o brilhantismo da decisão proferida, o v. acórdão restou omisso em sua fundamentação acerca do cancelamento das glosas de prejuízos relativos aos anoscalendário de 1996, 1997 (que não decorre da cisão realizada) e de 2003, mantidas pela r. decisão de primeiro grau. Restou consignado na fundamentação do acórdão embargado: "Pelo exposto, voto no sentido de reconhecer a decadência do lançamento em face das glosas de prejuízos de R$ 9.735.680,42, relativo ano calendário 1995, na base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL no montante de R$ 4.119.993,32. O mesmo se aplica ao saldo de glosas dos anos calendário 1997 e 1998, que subsistiram em face da cisão ocorrida em 1997." De fato, conforme se verifica pela análise da planilha abaixo, após a decisão da proferida em primeira instância, as glosas realizadas pela fiscalização foram ajustadas, Nos seguintes termos: [...] Assim, não obstante conste na ementa e na parte dispositiva do acórdão embargado o cancelamento integral das glosas realizadas, em sua fundamentação restou expressamente cancelada a glosa relativa ao ano calendário de 1995 item (i), bem como a glosa relativa aos anos de 1997 e 1998, que subsistiram em face da cisão ocorrida em 1997. É certo que a conclusão trazida no dispositivo do v. acórdão abrange as glosas relativas aos períodos referidos, sendolhes plenamente aplicáveis as razões adotadas para o cancelamento das exigências relativas às demais glosas realizadas, visto que, igualmente, atingidas pela decadência. De toda forma, por máxima cautela, requer a embargante sejam os presentes embargos de declaração conhecidos e providos, para que seja sanada a omissão apontada, com o fim de que reste consignado o cancelamento integral do crédito tributário discutido nos presentes autos, eis que fulminado pela decadência, nos termos do art. 156, inciso V, do Código Tributário Nacional. No Despacho de embargos de fls. 564/566, o presidente desta 2ª Turma admitiu os embargos, nos seguintes termos: Examinando o acórdão recorrido e as matérias remanescentes em discussão no recurso voluntário, verificase de fato que este deixou de se pronunciar sobre as glosas de compensações de prejuízos fiscais relacionadas aos anoscalendário 1996 e 1997 (não abrangido pela cisão realizada e ao anocalendário de 2003, restando configurada a omissão alegada pela embargante. É o relatório. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302002.118 S1C3T2 Fl. 571 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Os embargos de declaração interpostos são tempestivos e foram regularmente admitidos. Assim, deles conheço. A embargante reclama a existência de omissão no julgado quanto às glosas de prejuízos fiscais, que subsistiram após a decisão de primeiro grau, relativas aos anos calendário 1996, 1997 (que não decorreu da cisão realizada) e 2003. O colegiado decidiu, com relação ao recuso voluntário, por maioria, acolher a arguição de decadência do lançamento, reconhecendose a impossibilidade da autoridade fiscal proceder à qualquer alteração do saldo de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL apurada pela interessada em 31/12/1995 e, aplicando o mesmo efeito ao saldo de glosas dos anoscalendário 1997 e 1998, que subsistiram em face da cisão ocorrida em 1997. Examinando o acórdão recorrido, verificase que, de fato este restou omisso em apreciar especificamente as glosas de prejuízos dos anoscalendário 1996, 1997 (não decorrente da cisão realizada) e 2003, bem como se o reconhecimento da decadência a eles se aplica. Reexaminando o acórdão recorrido e os demais elementos dos autos, verifica se que as diferenças apuradas nestes períodos decorrem essencialmente de ajustes na compensação de prejuízos não operacionais realizados pela contribuinte num dado momento e que foram glosados pela autoridade fiscal naquele período, porém compensados em períodos seguintes, praticamente anulando o efeito da glosa no período examinado. A decisão de primeiro grau analisou com detalhes estas glosas, de sorte que julgo oportuno transcrever os excertos do voto que clareiam a matéria, verbis: Quanto ao anocalendário de 1996, o autuante reduziu em R$1.480.329,26 o saldo do prejuízo fiscal informado pela autuada, sob a justificativa de que esse montante corresponde ao prejuízo fiscal não operacional. A respeito desse assunto, o RIR 1999 dispõe: [...] De acordo com as normas transcritas acima, do prejuízo fiscal apurado em determinado período, o contribuinte deve apartar o montante correspondente ao resultado não operacional, definido este como a diferença, positiva ou negativa entre valor pelo qual o bem ou direito houver sido alienado e o seu valor contábil. Esse prejuízo não operacional somente poderá ser compensado com lucro da mesma natureza. O § 10 do artigo 36 da Instrução Normativa SRF nº 11, de 1996, esclarece que ainda que no períodobase em que for apurado resultado não operacional positivo, todo o seu valor poderá ser utilizado para compensar os prejuízos fiscais não operacionais de períodos anteriores, ainda que a parcela do lucro real admitida para compensação não seja suficiente ou que tenha sido apurado prejuízo fiscal. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302002.118 S1C3T2 Fl. 572 6 Observase que, em relação ao anocalendário de 1996, embora a autuada tenha apurado prejuízo não operacional no montante de R$1.480.329,26, no demonstrativo por ela apresentado à fiscalização nenhum valor a esse título foi subtraído do resultado negativo total do período. Por conseguinte, ao contrário da objeção da impugnante, a glosa relativa a 1996 está precisamente explicada no relatório de auditoria fiscal e demonstrada pela documentação presente nos autos. Em conseqüência, é procedente a glosa fiscal em questão e deve ser mantida integralmente. Ressalvese, porém, que essa glosa referente a prejuízo não operacional, vai acabar sendo quase integralmente revertida nos ajustes subseqüentes que o autuante efetua ao apurar o saldo de prejuízo fiscal que considera compensável ao final do anocalendário de 2006. Com isso é próximo de zero o efeito líquido dessas glosas relacionadas à apuração de prejuízo não operacional sobre o saldo que se considera compensável ao final de 2006. Ocorre que entre 1996 e 2003, confrontandose os dados do Sapli com os do demonstrativo apresentado pela autuada, observase que, ao fim desse intervalo de tempo, houve apenas uma defasagem entre o reconhecimento da existência do prejuízo não operacional e sua reversão subseqüente em virtude da obtenção de resultado não operacional positivo. A tabela seguinte demonstra as divergências entre o Sapli e o demonstrativo da autuada. Os valores entre parênteses correspondem às reversões do prejuízo fiscal não operacional para o prejuízo considerado operacional. A tabela demonstra que, além de em 1996, houve divergência também em 1997, 1998, 2000, 2001, 2002 e 2003, ora o contribuinte reconhecendo menos, ora mais que o Sapli em se tratando de prejuízo não operacional. O balanço dessas diferenças resulta no montante de apenas R$ 1.519,57, que corresponde, ao cabo, a diferença que foi efetivamente glosada a título de falta de subtração do prejuízo não operacional. Essa cifra, por sua vez, se explica pela cisão parcial ocorrida em 1998. A autuada, após a cisão, permaneceu com 99,9% do patrimônio existente antes do evento societário. Em conseqüência, seus saldos de prejuízos deviam ser reduzidos na mesma proporção. Pois esses R$ 1.519,57 que foram efetivamente glosados correspondem exatamente a 0,1% do saldo do prejuízo fiscal não operacional existente na data do evento. A tabela precedente também explica o equívoco cometido pela impugnante ao apontar suposto erro da fiscalização no concernente à glosa relativa ao anoalendário de 2003, no montante de R$ 4.729.893,00. De acordo com o Sapli, a autuada obteve prejuízos não operacionais em 1996, 1997, 1998 e 1999, que perfizeram ao final deste último anocalendário R$ 6.205.942,60 (aí já computada a parcela que se deve subtrair em virtude da cisão parcial ocorrida em 1998, conforme demonstrado no parágrafo anterior). Já a autuada reconheceu ter apurado no mesmo intervalo de tempo um prejuízo não operacional de apenas R$ 4.729.893,00. De acordo com o Fl. 572DF CARF MF Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302002.118 S1C3T2 Fl. 573 7 Sapli, a partir de 2000, esses prejuízos não operacionais puderam ser aos poucos reincorporados ao saldo de prejuízos operacionais em virtude da obtenção nos períodos subseqüentes de lucro não operacional. Assim, foram revertidos R$34.779,31, R$69.418,34 e R$ 6.101.744,95, respectivamente em 2000, 2001 e 2002, com o que se esgotou completamente o saldo de prejuízo não operacional. Já no demonstrativo da autuada somente haveria reversão em 2003, um ano depois, e no montante de R$ 4.729.893,00, igual ao que ela havia reconhecido de prejuízo não operacional. Como a reversão da autuada se fez em 2003, um ano depois do que se fez no Sapli, a fiscalização efetuou a glosa desse valor. Contudo, levandose em conta todos os ajustes relacionados ao assunto, não houve prejuízo efetivo para a autuada, visto que em 2000, 2001 e 2002 houve ajustes favoráveis à autuada em montante igual a todas as glosas efetuadas em virtude da apuração de resultado não operacional, exceto pela diferença de R$ 1.519,57. Essa diferença, porém, conforme já demonstrado anteriormente, é plenamente justificada, porque decorre da cisão parcial ocorrida em 1998. O Sapli calcula o prejuízo não operacional com base nas informações prestadas pela própria pessoa jurídica em campos específicos de sua declaração de rendimentos (DIPJ). No caso do anocalendário de 1996, por exemplo, a autuada informou na linha 22 da ficha 6 que não obteve nenhuma receita com alienação de bens e direitos do ativo permanente, enquanto na linha 24 da mesma ficha fez constar que o valor contábil dos bens e direitos alienados atingiu R$1.480.329,26. Logo, houve um prejuízo não operacional igual a essa mesma soma. No ano calendário de 1997, essas informações foram indicadas nas mesmas linhas e, segundo a DIPJ entregue pela autuada, houve uma receita de R$ 1.514,68, que, se confrontada com um custo contábil de R$ 40.751,36, resulta num prejuízo não operacional de 39.236,68. Na declaração entregue em 1998 relativa à cisão parcial ocorrida em abril de 1998, não houve indicação de nenhum ganho nem perda não operacional. Na declaração seguinte, relativa ao encerramento do anocalendário de 1998, esses mesmos dados passam a figurar na ficha 7, linhas 38 e 40. Observase que, no período, as receitas com a alienação de bens foram de R$ 110.885,00, ao passo que como valor contábil desses bens consta a soma de R$ 1.199.861,20, do que resulta um prejuízo não operacional de R$ 1.088.976,20. Já na DIPJ relativa ao anocalendário de 1999, as receitas e os custos dessa natureza (indicadas nas linhas 40 e 42 da ficha 7A) somaram respectivamente R$ 636.799,28 e R$ 4.235.719,31, do que se obtém um prejuízo não operacional de R$ 3.598.920,03. Nas declarações dos três anos subseqüentes, em vez de perdas, a autuada viria a informar ganhos não operacionais, visto que as receitas com a alienação de bens e direitos sistematicamente superaram os custos desses mesmos bens. Isso permitiu que os prejuízos não operacionais que haviam sido subtraídos do saldo de prejuízos compensáveis com qualquer resultado negativo fossem a eles reincorporados. A cópia dos extratos das declarações referidas é juntada aos autos e comprova que os números constantes do Sapli não foram obtidos arbitrariamente, antes correspondem exatamente ao que a autuada havia informado em suas DIPJ. Quanto ao anocalendário de 1997, a glosa fiscal é de R$ 1.143.060,73, que o autuante justifica pela divergência entre o prejuízo fiscal informado no demonstrativo apresentado pela autuada, igual a R$ 17.251.144,77, e o prejuízo constante do Sapli, igual a R$16.108.084,04. Em parte essa diferença decorre de a autuada ter informado que, nesse período, reconheceu como prejuízo fiscal não operacional a soma de R$ 24.515,54, enquanto o Sapli apurou um prejuízo dessa natureza de R$ 39.236,68, o que resulta numa divergência de R$14.721,14. Tal divergência se acha plenamente justificada pela fiscalização, uma vez que no relatório de auditoria fiscal se faz referência ao prejuízo fiscal não operacional apurado no Sapli. Recordese também que esses mesmos R$ 39.236,68 viriam a ser Fl. 573DF CARF MF Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302002.118 S1C3T2 Fl. 574 8 mais tarde reincorporados ao saldo compensável de prejuízos fiscais operacionais, conforme explanado nos parágrafos precedentes. Assim, não acatar essa glosa seria beneficiar indevidamente a autuada. pelo sujeito passivo. Uma vez que, não havendo fundamento jurídico nem prova material sólida o bastante para os desconsiderar, os dados da DIPJ devem prevalecer. Assim, cumpre julgar parte da glosa fiscal relativa a 1997 improcedente, reduzindo o seu valor a R$ 14.721,14. [...] [...]. Quanto ao anocalendário de 2002, houve também um ajuste favorável à autuada, pois se acrescentou ao seu saldo acumulado de prejuízos fiscais o montante de R$ 6.101.744,95. Todos esses três ajustes decorreram de reversão de prejuízos fiscais não operacionais, em virtude de apuração posterior de lucro não operacional, assunto que já foi extensivamente explanado em parágrafos precedentes, de modo que se torna ocioso a ele retornar. Ainda relacionado a essa mesma questão (reverão de prejuízos não operacionais) é a glosa fiscal relativa ao anocalendário de 2003, no valor de R$ 4.729.893,00. Conforme já demonstrado, essa glosa é devida e deve ser mantida porque a autuada reverteu tardiamente em 2003 o saldo total de prejuízo fiscal não operacional ao seu saldo de prejuízos compensáveis. Na verdade, essa reversão já havia sido feita no anocalendário de 2002 pelo Sapli e no levantamento fiscal e está incluída no montante de R$ 6.101.744,95 que foi acrescentado ao saldo de prejuízos da autuada em seu favor. Admitir que em 2003 fossem deduzidos novamente aqueles R$ 4.729.893,00 equivaleria a permitir que a autuada se beneficiasse duas vezes do mesmo valor. Como bem demonstra o acórdão de primeiro grau, aqui não se trata de modificação no saldo de prejuízos fiscais compensáveis declarados pelo sujeito passivo, mas tão somente de ajustes feitos, com base nas normas de compensação de prejuízos não operacionais que impunham a sua compensação exclusivamente com resultados da mesma natureza. Restou claro, também, que os valores das compensações declaradas pela contribuinte a título de prejuízos não operacionais, que não foram reconhecidos pelo Fisco, num dado momento, em face da ausência de resultados não operacionais para compensação, foram devidamente considerados e absorvidos na compensação de resultados não operacionais apurados em exercícios seguintes, compreendidos no levantamento realizado pela fiscalização até o anocalendário de 2006, de sorte que sua glosa, neste caso deve ser mantida, sob pena de aproveitamento em dobro por parte do sujeito passivo. Neste ponto, não há como considerar decadente o direito do Fisco de examinar a correção dos procedimentos de compensação realizados pelo sujeito passivo, com base nos saldos por ele mesmo informados em suas DIPJ e consolidados no sistema SAPLI. O marco temporal do prazo decadencial para o Fisco examinar a compensação se inicia a partir da sua realização pelo sujeito passivo, não havendo óbice para a fiscalização exigir do contribuinte a composição do saldo de prejuízos por ele compensados, ainda que abranja períodos de apuração anteriores ao do ano da compensação. Assim, deve ser sanada a omissão do acórdão embargado, para analisar o das glosas referidas e, no mérito, manter as glosas de compensações de prejuízos fiscais Fl. 574DF CARF MF Processo nº 13609.721302/201189 Acórdão n.º 1302002.118 S1C3T2 Fl. 575 9 relacionadas aos anoscalendário 1996 (R$ 1.480.329,26), 1997 (R$ 14.721,14) e 2003 (R$ 4.729.893,00), e ratificar os demais termos do acórdão embargado. Por todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração para suprir a omissão apontada, com efeitos modificativos, e reratificar o acórdão embargado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 575DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.729624/2013-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 15/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE.
O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/10/2008
INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.048
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 15/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 15/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 96 24 /2 01 3- 15 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11128.729624/201315 Acórdão n.º 3302004.048 S3C3T2 Fl. 3 2 O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nos termos do relatado no acórdão recorrido, de acordo com a descrição dos fatos constante no Auto de Infração, a autuada concluiu a destempo a desconsolidação das cargas relativas ao conhecimento eletrônico (CE) genérico ali identificado (MasterHouse Bill of LadingMHBL), em razão de ter informado com atraso o CE agregado (House Bill of LadingHBL) especificado. Para demonstrar a irregularidade apurada, a autoridade lançadora também apresentou dados referentes à embarcação, viagem, escala, data da atracação, manifesto eletrônico relativos à carga cujo atraso na informação deu ensejo ao lançamento. Na sequência a fiscalização discorreu sobre o Siscomex Carga e sua norma regente, a IN RFB nº 800/2007, destacando a abrangência do termo transportador nela utilizado, e os prazos estabelecidos para prestar as informações exigidas (arts. 22 e 50 da referida IN, e art. 64 do ADE Corep nº 3/2008). Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11128.729624/201315 Acórdão n.º 3302004.048 S3C3T2 Fl. 4 3 Em seguida, falou da responsabilidade legal do transportador e da penalidade aplicável em caso de descumprimento da obrigação em foco (arts. 37 e 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966), enfatizando a natureza objetiva dessa responsabilidade, que independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 94 do DL 37/1966). A autoridade lançadora prosseguiu seu relato explanando acerca da motivação da obrigação imposta, destacando sua importância na definição prévia de procedimentos a serem aplicados, objetivando proporcionar maior segurança e racionalidade ao controle aduaneiro de cargas. Foi descrita a nova sistemática de controle implementada a partir de 2002, quando a fiscalização aduaneira passou a ter foco mais abrangente, de forma a alcançar não apenas os importadores e exportadores, mas todos os intervenientes envolvidos nas operações de comércio exterior. Dando seguimento, a fiscalização comentou sobre a interpretação da norma que prescreve a multa imposta. Foi considerado que, com base no art. 112 do CTN, deve ser considerada a conclusão veiculada na Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2008, relativamente à quantidade de multas a serem aplicadas. No tópico seguinte, intitulado “DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE IMPOSTA”, foi feita detalhada abordagem a respeito da denúncia espontânea e chegada à conclusão que, apesar de sua aplicabilidade ter sido estendida às penalidades de natureza administrativa (Lei nº 12.350/2010), não foram atendidos os requisitos próprios desse instituto. Para reforçar seu entendimento, a autoridade lançadora recorreu à doutrina e também à jurisprudência administrativa e judicial. Na sequência a fiscalização falou sobre a materialidade da infração, que considerou devidamente caracterizada, e sobre os intervenientes aduaneiros designados pela legislação, tendo em vista o disposto no art. 76, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 e nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. Concluiu que, com base na documentação juntada aos autos, era a autuada, na condição de consignatária do citado CE genérico, a responsável por prestar as informações relativas aos correspondentes CEs agregados incluídos com atraso. A penalidade foi formalizada no Auto de Infração em debate. Cientificado da exação, o sujeito passivo, apresentou impugnação alegando, em síntese: a) Ilegitimidade passiva. O prazo estabelecido pela IN RFB n° 800/2007 não se aplica à impugnante, que na condição de agente de carga, não se confunde com a atividade do transportador, que é o sujeito das obrigações instituídas pela referida Norma. A classificação da impugnante como tal distorce conceito de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria impugnante, antes do início de fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11128.729624/201315 Acórdão n.º 3302004.048 S3C3T2 Fl. 5 4 c) Inaplicabilidade de multa no período de contingência do Siscomex Carga. As operações objeto da autuação ocorreram no chamado “período de contingência”, em que o cumprimento dos prazos da IN RFB nº 800/2007 não era exigido, já que o Siscarga não estava integralmente disponível para utilização pelos agentes e desconsolidadores. Dessa forma, evidenciado que a impugnante não poderia agir de outra forma, a aplicação de multa no presente caso afronta, além do princípio da inexigibilidade de conduta diversa, o da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. Ao final a impugnante pedia o cancelamento do lançamento. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, os integrantes do Colegiado de primeiro grau rejeitaram a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, julgaram a impugnação improcedente e mantiveram integralmente a exigência fiscal, nos termos do Acórdão 0833.492. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a autuada protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou que o acórdão recorrido não dera aos fatos em análise a correta interpretação, aplicando equivocadamente a legislação vigente; e que os argumentos expostos na impugnação foram refutados por simples negativa, sem que se levantassem razões jurídicas hábeis a infirmálos. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.022, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.730402/201345, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.022): O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese aos seguintes pontos: a) ilegitimidade passiva da recorrente; b) impossibilidade de aplicação da multa durante o período de contingência do Siscomex Carga; e c) excludente de responsabilidade por denúncia espontânea da infração. Previamente a análise controvérsia, cabe destacar que a aplicação da penalidade em apreço foi motivada pela prática da infração tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11128.729624/201315 Acórdão n.º 3302004.048 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; (...) E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 01/05), a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos ao conhecimento eletrônico (HBL) CE 150805190343826, vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL) CE 150805184751721, conforme explicitado no trecho que segue transcrito: O Agente de Carga CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA, CNPJ 03.229.138/000406, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Sub Master (MHBL) CE 150805184751721 a destempo às 09h52min do dia 09/10/2008, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, para o seu conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150805190343826. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada nos Containers NYKU7940080, NYKU7104578 e NYKU7149079, pelo Navio M/V CAPE CHARLES, em sua viagem 101W, no dia 07/10/2008, com atracação registrada às 18h26min. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são Escala 08000222050, Manifesto Eletrônico 1508501842589, Conhecimento Eletrônico Master MBL 150805183878000, Conhecimento Eletrônico SubMaster MHBL 150805184751721 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL 150805190343826. Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no art. 22, “d”, III, e art. 50, parágrafo único, da Instrução Normativa RFB 800/2007, que seguem transcritos. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11128.729624/201315 Acórdão n.º 3302004.048 S3C3T2 Fl. 7 6 [...] III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) No caso, como as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu antes de 1º de abril de 2009, a recorrente estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido no norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 destacado. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas somente às 09h52min do dia 9/10/2008 (data/hora da inclusão no Siscomex Carga do conhecimento eletrônico agregado HBL 150805190343826), portanto, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ocorrida no dia 07/10/2008, às 18h26min. Logo, fica claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Além disso, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pela recorrente subsumese perfeitamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da mencionada infração inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passase a analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente. Da ilegitimidade passiva A recorrente alegou que, na condição de agente de carga, no período compreendido entre a data da vigência da Instrução Normativa RFB 800/2007 até 1º de abril de 2009, ela não estava obrigada a respeitar o prazo estabelecido no art. 22 da citada IN, nem o prazo estabelecido no inciso II do parágrafo único do art. 50 do citado ato, sob o argumento de que este último preceito normativo aplicavase apenas ao transportador. A alegação da recorrente não procede, porque, embora o disposto no parágrafo único do art. 50 da referida IN tenha se referido apenas ao Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11128.729624/201315 Acórdão n.º 3302004.048 S3C3T2 Fl. 8 7 transportador, não se pode olvidar que, para fins de cumprimento de obrigação acessória perante o Siscomex Carga, o termo transportador compreende o agente de carga e demais pessoas jurídicas que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga, discriminadas no inciso IV do § 1º do art. 2º da Instrução Normativa RFB 800/2007, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: [...] V transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: [...] IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; [...] Além disso, há expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, que o agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a carga fora do prazo estabelecido. No caso em tela, é fato incontroverso que, em relação às operações de desconsolidação que executou, a recorrente atuou como representante do transportador estrangeiro, no País. Logo, dada essa condição, era dela a responsabilidade de proceder o registro tempestivo, no Siscomex Carga, dos dados sobre as operações que executou em nome da empresa de navegação representada. Dessa forma, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática da questionada infração, induvidosamente, ela deve responder pela correspondente Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11128.729624/201315 Acórdão n.º 3302004.048 S3C3T2 Fl. 9 8 penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]. Assim, na condição de agente e, portanto, mandatário do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex Carga sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter cumprido a destempo a dita obrigação, a autuada foi quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, deve responder pela infração em apreço. Por fim, cabe ainda ressaltar que, os termos do caput do art. 94 do Decreto lei 37/1966, no âmbito da legislação aduaneira, constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá los”. Com base nessas consideração, resta demonstrado que a recorrente deve ser mantida polo passivo da autuação, porque há expressa previsão legal que nesse sentido. Da inaplicabilidade da multa na fase de contingência do Siscomex Carga. Em relação a esse ponto, a recorrente alegou que não havia que se falar em aplicação ou descumprimento dos prazos estabelecidos pela “IN RFB 800/2007, vez que ao operador não restava qualquer alternativa para a imputação das informações no sistema”. Segundo a recorrente, a exigência do cumprimento de uma obrigação sem que lhe fosse oferecidos os meios indispensáveis para tanto feriria o princípio da razoabilidade e o instituto da inexigibilidade de conduta diversa. Este Relator está de pleno acordo com a recorrente de que imputar infração ao usuário do Sistema por descumprimento de obrigação que ele não cumpriu ou não poderia cumprir por falhas operacionais ou ausência de meios necessários, revelase, nitidamente, irrazoável e desproporcional, conforme alegado. Porém, como se trata de alegação que envolve situação de natureza fática, a recorrente tinha o dever de comprovála, o que não ocorreu no caso em tela. E na distribuição do ônus prova, prevista o art. 373, II, da Lei 13.105/2015, que instituiu o vigente Código de Processo Civil (CPC), que corresponde ao art. 333, II, do CPC anterior, por ser fato relevante para isentar a recorrente da exigência, não era suficiente a simples alegação de que não havia meios para prestar informações sobre a carga. Dada a alegada impossibilidade, cabia a recorrente o dever prová la, o que não ocorreu. Neste sentido, prevendo a possibilidade de falhas de funcionamento, na fase inicial de implantação do sistema, foram fixados os procedimentos a serem adotados pelos usuários, nos termos dos arts. 1º, 2º e 4º, III da IN RFB 835/2008, a seguir transcritos: Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11128.729624/201315 Acórdão n.º 3302004.048 S3C3T2 Fl. 10 9 Art. 1º Na impossibilidade de acesso ao Siscomex Carga, por mais de duas horas consecutivas, em virtude de problemas de ordem técnica do sistema, ou na ocorrência de fatores operacionais que prejudiquem o fluxo de comércio exterior, as operações relativas ao controle de embarcações e cargas em portos alfandegados, conforme estabelecido na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, observarão os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. Art. 2º Compete ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no âmbito de sua jurisdição, reconhecer a impossibilidade de acesso ao sistema, por razões de ordem técnica, e autorizar a adoção dos procedimentos de contingência. Parágrafo único. A data e a hora da restauração do acesso ao sistema deverá ser registrada nos documentos de autorização, para fins de auditoria e controle. Art. 4º Na hipótese do art. 2º, restaurado o acesso ao sistema: [...] III relativamente à informação dos manifestos, conhecimento eletrônico (CE) e itens, o transportador deverá informar todos os manifestos, CE e itens no sistema, relacionálos e solicitar à RFB a baixa dos bloqueios decorrentes da informação após o prazo estabelecido. [...] (grifos não originais) Assim, como a recorrente não trouxe aos autos nenhum elemento de prova, em que demonstrado a impossibilidade de acesso ao Sistema, conforme procedimentos disciplinados nos referidos preceitos normativos, a alegação suscitada não tem qualquer relevância. A recorrente alegou ainda que era descabida a exigência de prova da indisponibilidade do Sistema, porque a própria edição da IN RFB 835/2008 já constituía prova de que o Sistema não funcionava adequadamente. Essa alegação também não procede, porque não é verdade que a referida IN reconheceu a impossibilidade de funcionamento do Sistema, mas, na possibilidade dessa situação vir a ocorrer e, caso ocorresse, o usuário deveria adotar os procedimentos nela estabelecidos com vistas a resguardálo da imposição de qualquer sanção. Da denúncia espontânea da infração. A recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a multa que lhe fora aplicada, sob o argumento de que as informações foram prestadas antes de qualquer ato da fiscalização, portanto, em conformidade com o previsto no art. 102, § 2º, do Decretolei 37/1966, com redação dada pela Lei 12.350/2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11128.729624/201315 Acórdão n.º 3302004.048 S3C3T2 Fl. 11 10 a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) A alegação da recorrente não procede, porque a denúncia da infração, no caso em tela, não restou configurada, haja vista que, embora realizada antes do “início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração” (CTN, art. 138, parágrafo único), no caso em tela, as informações foram prestadas após a “entrada do veículo procedente do exterior”, o que afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade, segundo preceitua o art. 683, § 3º, do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 RA/2009), que tem o mesmo teor do art. 612, § 3º, do Decreto 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro (RA/2002) anterior, vigente à época dos fatos, in verbis: Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. (grifos não originais) Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria a recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea, pela razões aduzidas no voto da lavra deste Conselheiro que serviu de fundamento da decisão consignada no Acórdão nº 3102002.187, de 26 março de 2014, cujos excertos relevantes, que aqui adotase como fundamento de decidir, seguem transcritos: Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11128.729624/201315 Acórdão n.º 3302004.048 S3C3T2 Fl. 12 11 imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11128.729624/201315 Acórdão n.º 3302004.048 S3C3T2 Fl. 13 12 têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11128.729624/201315 Acórdão n.º 3302004.048 S3C3T2 Fl. 14 13 [...].1 (destaques do original) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. 2 No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIAESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966.2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. 1 BRASIL. CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3102002.187, de 26/03/2014, rel. José Fernandes do Nascimento. 2 BRASIL. CARF, CSRF, 3ª Turma, Ac. 9303003.552, de26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11128.729624/201315 Acórdão n.º 3302004.048 S3C3T2 Fl. 15 14 [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]3. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. 4 Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo: a) a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos a conhecimento eletrônico (HBL), vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL), Conhecimentos Eletrônicos cujos números constam da descrição dos fatos do Auto de Infração deste; b) as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreram antes de 1º de abril de 2009, o que sujeita a recorrente a cumprir o prazo estabelecido na norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 da Instrução Normativa RFB 800/2007; 3 BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013. 4 BRASIL. STJ. REsp 1613696/SC. Rel. Min. Herman Benjamim. Decisão Monocrática de 2/9/2016. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11128.729624/201315 Acórdão n.º 3302004.048 S3C3T2 Fl. 16 15 c) os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão da referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ficando claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Desta forma, os fundamentos adotados para manter exigência da penalidade no caso do paradigma, também justificam sua manutenção nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.006139/2010-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. DECADÊNCIA.
Existindo recolhimento antecipado sobre os fatos geradores, a decadência deve ser aplicada a luz do art. 150, §4o. do CTN. Para fins de caracterização de existência ou não de recolhimento antecipado, deve-se considerar o total da remuneração dos empregados, considerando-se, assim, como antecipação os recolhimentos efetuados para os segurados cujo vínculo empregatício já havia sido reconhecido pela autuada. Precedente da CSRF - Acórdão 9202-005.222.
DESCARACTERIZAÇÃO DO VINCULO PACTUADO. RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL SOBRE A FORMA.Presentes os pressupostos da relação de emprego entre a empresa contratante e a pessoa física prestadora de serviços, dissimulada como pessoa jurídica, deve ser considerado o vínculo laboral do obreiro com o tomador dos serviços.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência relativa às competências 01/2005, 02/2005 e 03/2005, e, no mérito, negar provimento ao recurso. Declarou-se impedida de votar a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. DECADÊNCIA. Existindo recolhimento antecipado sobre os fatos geradores, a decadência deve ser aplicada a luz do art. 150, §4o. do CTN. Para fins de caracterização de existência ou não de recolhimento antecipado, devese considerar o total da remuneração dos empregados, considerandose, assim, como antecipação os recolhimentos efetuados para os segurados cujo vínculo empregatício já havia sido reconhecido pela autuada. Precedente da CSRF Acórdão 9202 005.222. DESCARACTERIZAÇÃO DO VINCULO PACTUADO. RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL SOBRE A FORMA.Presentes os pressupostos da relação de emprego entre a empresa contratante e a pessoa física prestadora de serviços, dissimulada como pessoa jurídica, deve ser considerado o vínculo laboral do obreiro com o tomador dos serviços. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência relativa às competências 01/2005, 02/2005 e 03/2005, e, no mérito, negar provimento ao recurso. Declarouse impedida de votar a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 61 39 /2 01 0- 43 Fl. 614DF CARF MF Processo nº 15504.006139/201043 Acórdão n.º 2202003.901 S2C2T2 Fl. 611 2 (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Em desfavor do contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração DEBCAD 37.237.9974, que referese às Contribuições devidas à Seguridade Social pela autuada, correspondentes à parte dos segurados, no valor de R$ 141.172,32, acrescido de multa e juros de mora, consolidandose o valor de R$ 256.156,35, em 14/04/2010, com ciência ao sujeito passivo em 16/04/2010, conforme fl. 03. Os fatos geradores do lançamento compreendem o período de 01/2005 a 12/2005, conforme Relatório na fl. 10/11. No Relatório Fiscal de fl. 102 e ss., em suma o Auditor Fiscal descreve que constatou o seguinte: 1 A Ocorrência do Fato Gerador de Contribuições Sociais se deu quando foram devidos, creditados ou pagos valores a Sócios de Pessoas Jurídicas caracterizados como segurados empregados e valores de Processo Trabalhista (Processo da Justiça do Trabalho N°: 01188200200203000, tendo como Reclamante: Wilson Batista de Souza e Reclamados: Natron Engenharia + 2). 2 No período compreendido por esta auditoria (01/2005 a 12/2005), o Objetivo Social da autuada é: "Prestação de serviços técnicos de consultoria e de engenharia de projetos, abrangendo a execução de projetos conceituais e básicos, detalhamento civil, elétrico e mecânico, serviços técnicos de engenharia de gerenciamento na atividade de planejamento e fiscalização de obras civis montagens industriais." 3 Analisando as Notas Fiscais de Prestação de Serviços, os Contratos e Documentos referentes à prestação de serviços, destacando que verificou exfuncionários da empresa SEI Consultoria de Projetos, que prestaram serviços para a autuada e que posteriormente passaram a prestar serviços, através de pagamentos realizados com a emissão de notas fiscais de prestação de serviços, analisando ainda o controle de horas trabalhadas e de atividades desenvolvidas, o reembolso de despesas relativas aos serviços executados, concluiu estarem presentes os elementos caracterizadores da relação empregatícia com pessoas físicas: pessoalidade, onerosidade, não eventualidade e subordinação. 4 Em relação à reclamatória trabalhista já mencionada, efetuou pesquisa no Sistema de Arrecadação DATAPREV e não encontrou recolhimentos para o CNPJ da SEI CONSULTORIA nas datas especificadas, quando deveria haver o recolhimento de contribuições relativas àquele processo nem em outras datas. Informou que não consta cópia do "INSS Recolhido" de R$ 336,88 nem do "INSS PAGO RECDO" no valor de R$ 27.587,50. 5 Efetuou ainda considerações e cálculos demonstrativos para aplicação da multa, à luz da dinâmica legislação de regência (comparativo de multas). Fl. 615DF CARF MF Processo nº 15504.006139/201043 Acórdão n.º 2202003.901 S2C2T2 Fl. 612 3 O contribuinte apresentou impugnação (fl. 381), que foi analisada pela DRJ no Rio de Janeiro/RJ1, que assim dispôs em resumo (fl. 480): a) em relação à questão da reclamatória trabalhista Apesar de ter mencionado no relatório ausência de comprovação da contribuição previdenciária no valor de R$ 27.587,50, a fiscalização não a incluiu no presente lançamento, porque diz respeito à contribuição a cargo da empresa, como se pode verificar no relatório de fls. 12. Portanto, a discussão referese somente à contribuição a cargo dos segurados no valor de R$ 336,80. Apesar de haver informação nos autos do processo judicial de que os débitos foram recolhidos pela impugnante, não havia cópia dos comprovantes e os referidos recolhimentos não constam do sistema de arrecadação da RFB. A homologação do recolhimento na sentença ou no acordo, bem como o trânsito em julgado da ação trabalhista não implicam a extinção do crédito tributário decorrente da reclamatória, sendo lícito ao fisco lançar eventual omissão ou diferença apurada. Entendeu que agiu corretamente a fiscalização em realizar o lançamento da contribuição de R$ 336,80. b) em relação à questão da caracterização de segurados empregados A fiscalização verificou que empregados e exempregados da Impugnante revestiramse de pessoa jurídica para prestarem serviços, antes realizados por empregados constantes da sua folha de pagamentos e que correspondem ao objeto social da empresa contratante. A fiscalização apontou os empregados que, concomitantemente, figuravam na folha de pagamentos e celebraram contratos como pessoa jurídica. a fiscalização buscou e conseguiu demonstrar a presença dos requisitos da relação de emprego nos contratos celebrados por empregados e exempregados, a partir de documentos e da análise dos mecanismos e sistemas de controle da Impugnante. c) com relação à alíquota SAT, a fiscalização utilizou o percentual de 2%, correspondente ao código CNAE 74209 – Serviços de Arquitetura e Engenharia e de Assessoramento Técnico Especializado, conforme tabela V do RPS, em vigor na época da ocorrência dos fatos geradores. d) no que se refere à multa, a fiscalização observou a prescrição legal contida no artigo 35 da Lei 8.212/91, após realizar a comparação com o novo regramento introduzido pela MP nº 449/08, por resultar mais benéfica ao contribuinte, conforme exposto às fls. 274/276. 28. Quanto à alegação de afronta ao princípio do nãoconfisco, não cabe apreciação, haja vista o disposto no artigo 26A do Decreto nº 70.235/72. Assim, negouse provimento à Impugnação. Cientificada dessa decisão em 03 de dezembro de 2014, quando obteve cópia do processo, por Procurador autorizado, conforme Termo que consta da fl. 489, a contribuinte, ainda inconformada, apresentou recurso voluntário em 30 de dezembro de 2014, conforme protocolo na folha 496. Em sede de recurso, aduz, em suma, o seguinte: a) haveria necessidade de aguardar o julgamento do processo principal, de nº 15504.006138/201007, "no qual foram constituídas as contribuições patronais supostamente devidas e não declaradas". Fl. 616DF CARF MF Processo nº 15504.006139/201043 Acórdão n.º 2202003.901 S2C2T2 Fl. 613 4 b) Não existe vínculo de emprego entre a recorrente e os prestadores de serviço. Ausente qualquer um dos requisitos estabelecidos na legislação de regência (pessoalidade, subordinação, nãoeventualidade e onerosidade) é expressamente afastada a caracterização de vínculo de emprego. Cita jurisprudência do CARF. b.1 ressalta que a fiscalização desconsiderou os contratos de prestação de serviços, incluindo contratos "tipicamente terceirizados", tais como "serviços de digitalização e processamento de documentos, serviços contábeis, administrativos e financeiros", configurandose uma "falta de critério". Cita como exemplo que foi descaracterizado o contrato de prestação de serviços com a empresa F&E Consultoria e Serviços Ltda, para considerar o sócio Fernando Procópio Lage contador, como empregado da Recorrente "com base exclusivamente em um contrato e duas Notas Fiscais". b.2 não há pessoalidade na prestação dos serviços porque: em muitos casos havia mais de um sócio, podendo o serviço ser prestado por qualquer deles; em muitos casos os endereços não eram residenciais e sim comerciais; o Livro Razão demonstra que as Notas às vezes eram seqüenciais mas às vezes não. b.3 os serviços eram prestados com eventualidade porque "o arcabouço fático" demonstra que eram relações comerciais e não de vínculo empregatício. Cita decisões da JT em que foi demandada e não se reconheceu vínculo. b.4 não havia subordinação porque: o "relatório de atividades não é um controle de horas ..., mas um documento que especifica os trabalhos realizados naquele mês..."; citando mais uma vez a JT, defende que pode existir certa dose de subordinação nos contratos autônomos, com o estabelecimento de metas, zonas de atuação, estímulos à produção e formas de atualização técnica. As obrigações das empresas contratadas limitavamse a observar diretrizes para a execução dos serviços. c) fala do princípio da verdade material para concluir que "a fiscalização não logrou êxito em comprovar a existência dos pressupostos da relação de emprego" e, portanto, há de ser considerado insubsistente o lançamento realizado. PEDE que se aguarde o julgamento do processo correlato e o cancelamento integral do lançamento. Foram anexadas peças de processos trabalhistas e cópias do Livro Razão Analítico (fls. 542 e ss.). Foi efetuado o Despacho de fl. 603, onde se disse que: Recebi por sorteio, no lote 17 2ª TO 2ª Câmara, distribuído em 18 de agosto de 2016, o processo nº 15504.006142/201067, de interesse do contribuinte SEI CONSULTORIA DE PROJETOS LTDA, CNPJ 65.135.956/000146. (...) Os DEBCAD citados pela DRJ em seu Acórdão, aqui recorrido, são AI nº 37.237.9940, 37.237.9974 e 37.237.9982, que estão formalizados nos processos nº 15504.006138/201007, Fl. 617DF CARF MF Processo nº 15504.006139/201043 Acórdão n.º 2202003.901 S2C2T2 Fl. 614 5 15504.006139/201043 e 15504.006141/201012, respectivamente. Em pesquisa no sistema eprocesso (data de 10/01/2017), verifiquei que todos três encontramse na Equipe SEDIS CEGAPCARFCA67, na atividade distribuir/preparar/sortear. (...) ... o artigo 6º do Anexo II do RICARF, a vinculação de processos pode ocorrer entre processos reflexos, quando constatado que são formalizados com base em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova. Após a devida consideração pelas autoridades competentes, decidiuse distribuir este processo a este Relator (fl. 607): De acordo, defiro o pedido de conexão, distribuase conforme o Regimento Interno do CARF. Encaminhese à Secretaria de Câmara para cumprimento. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro é a existente no processo digital, após a transformação em arquivo magnético (eprocesso). Conforme destacado no relatório, tratamos aqui de duas infrações, com fundamentos completamente distintos. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. CONTRIBUIÇÃO. Primeiro, verificouse que a Recorrente foi parte em um processo na Justiça do Trabalho, N°: 01188200200203000, tendo como Reclamante Wilson Batista de Souza e Reclamados: Natron Engenharia e mais dois. A DRJ esclareceu que: Apesar de ter mencionado no relatório ausência de comprovação da contribuição previdenciária no valor de R$ 27.587,50, a fiscalização não a incluiu no presente lançamento, porque diz respeito à contribuição a cargo da empresa, como se pode verificar no relatório de fls. 12. Portanto, a discussão referese somente à contribuição a cargo dos segurados no valor de R$ 336,80. No recurso, o contribuinte não se manifesta contra essa exigência. Entretanto, essa infração referese à competência 03/2005 e, pelo raciocínio a seguir, também estaria alcançada pela decadência. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 15504.006139/201043 Acórdão n.º 2202003.901 S2C2T2 Fl. 615 6 DECADÊNCIA. Conforme disposto no relatório, o período em questão estendese de 01/2005 a 12/2005 e o Auto de Infração foi lavrado em 14/04/2010, com ciência ao sujeito passivo em 16/04/2010, conforme fl. 03. Na autuação, a fiscalização buscou caracterizar como segurados empregados diversos prestadores de serviços, que prestaram serviços através de pessoas jurídicas das quais eram sócios. Mas registrou o Auditor Fiscal, que havia outros empregados na empresa, para os quais, inferese, houve recolhimento das contribuições previdenciárias, uma vez que não houve exigência de ofício. Vejamos: As bases de Cálculo que compõem a remuneração do trabalhador estão relacionadas no Anexo 2, denominado: Demonstrativo Prestadores Serviços com Período Concomitante de Segurados Empregados, parte integrante deste Relatório Fiscal. (fl. 118) (...) A titulo de exemplificação, temos na relação a seguir os Cargos e respectivas Lotações de funcionários da empresa SEI, constantes da folha de pagamento, obtidas através de arquivos magnéticos fornecidas à fiscalização, relativos às competências 01/2005; 07/2005 e 12/2005.(fl. 120) Assim, aplicase o entendimento do Acórdão 9202005.222, de 21 de fevereiro de 2017: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1995 a 30/04/2000 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. DECADÊNCIA. Existindo recolhimento antecipado sobre os fatos geradores, a decadência deve ser aplicada a luz do art. 150, §4o. do CTN. Para fins de caracterização de existência ou não de recolhimento antecipado, devese considerar o total da remuneração dos empregados, considerandose, assim, como antecipação os recolhimentos efetuados para os segurados cujo vínculo empregatício já havia sido reconhecido pela autuada.(destaquei) Considerando, portanto, que a ciência do Auto de Infração deuse em 04/2010, estariam alcançados pela decadência os períodos anteriores a 04/2005, ou seja, 01, 02 e 03 de 2005. MÉRITO DA CARACTERIZAÇÃO DOS SEGURADOS COMO EMPREGADOS A Fiscalização entendeu por caracterizar a prestação de serviços por terceiros "tidos como empresários" como "autênticos empregados da empresa, tendo em vista que os Fl. 619DF CARF MF Processo nº 15504.006139/201043 Acórdão n.º 2202003.901 S2C2T2 Fl. 616 7 serviços são prestados por pessoas físicas com pessoalidade, remuneração, de forma não eventual e com subordinação". Um dos argumentos do recurso é sobre "verdade material", de que o arcabouço fático não espelha o resultado da fiscalização. Nestes autos, as provas e os fatos estão muito bem postos. Chamo a atenção de que o Auditor Fiscal realizou seu trabalho nas dependências da empresa, com entrevista e contato pessoal com os responsáveis (fl. 150): Este trabalho interno, realizado dentro das dependências da empresa fiscalizada foi constatado pessoalmente pela fiscalização, ao ser atendida pelo Sr. Fernando Procópio Lage, atualmente Assessor da Gerencia e a Sr' Ofélia Viana Bossi, Diretora e Procuradora, da empresa fiscalizada, respectivamente prestadores de serviços das empresas F & E Consultoria e Serviços Ltda e DIGEF Digitação e Serviços Econômicos e Financeiros Ltda. Existem centenas de cópias de documentos e livros (processo 15504.006138/201007) e foram elaboradas várias planilhas discriminando as informações coletadas. Assim, é de se decidir se com base em tudo isso, esteve caracterizado o vínculo empregatício entre a recorrente e as pessoas físicas apontadas ou não. Mas dizer que a autuação não se baseou em fatos, provas e documentos, pugnando por "verdade material", pareceme impróprio. A verdade material está posta, resta resolver se ela caracteriza a relação que enseja o pagamento da contribuição previdenciária, como entendeu o Auditor Fiscal, ou não, como requer o Contribuinte. Bem, a finalidade social da empresa era a prestação de serviços técnicos de consultoria e de engenharia de projetos, serviços técnicos de gerenciamento, planejamento e fiscalização de obras civis e montagens industriais. Os cargos e lotações que constam de sua folha de pagamento, por exemplo, são: desenhista, engenheiro, projetista, técnico de elétrica, dentre vários outros. Mas conforme o relatório fiscal (anexo Levantamento CS Caracterização do Segurado Empregado, fl. 166 e ss.), "terceirizava" essas mesmas funções, contratando empresas para "elaboração de desenhos" (Alvimar Francisco da Silva ME); "elaboração de projeto civil" (Joaquim Fábio Pereira Malta), "prestação de serviços técnicos em engenharia" (José Eduardo Vieira de Souza), "supervisão técnica de obras" (Celde Janice Alves Silva), ou seja, "terceirizava" suas atividadesfim. O Tribunal Superior do Trabalho tem limitado a terceirização de vários segmentos sob o argumento da invalidade da contratação de serviços relacionados às atividades inerentes do contratante. Nesse sentido, a Súmula 331 do TST: CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE. (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). Fl. 620DF CARF MF Processo nº 15504.006139/201043 Acórdão n.º 2202003.901 S2C2T2 Fl. 617 8 No recurso há a alegação de que a fiscalização desconsiderou mesmo atividades "tipicamente terceirizadas". Mas primeiro não se apontou, especificamente, quais seriam esses contratos, que estariam "fora de critério", na lista de 26 laudas que listou um a um o contrato, a empresa, o prestador do serviço, o tipo de serviço prestado, a conta registro do pagamento a nota fiscal, a data e o valor, que consta da fl. 166 e seguintes, a partir da qual foi apurada a base de cálculo do tributo. Segundo, observo, por exemplo, que mesmo quando se tratava de um serviço de contador ou administrativo/financeiro, foram apontados outros vícios pela Fiscalização. Vejamos, à guisa de exemplo: fl. 184 maio/2005 DIGEF DIGITAÇÃO E SERVIÇOS CNPJ 05.971.909/000100 prestação serviços em digitação e econômicos financeiros Ofélia Viana Bossi processamento de documentos 10/05/2005 8.200,00 A fiscalização, entretanto, anotou sobre a Sra. Ofélia Viana Bossi: Este trabalho interno, realizado dentro das dependências da empresa fiscalizada foi constatado pessoalmente pela fiscalização, ao ser atendida pelo Sr. Fernando Procópio Lage, atualmente Assessor da Gerencia e a Sr' Ofélia Viana Bossi, Diretora e Procuradora, da empresa fiscalizada, respectivamente prestadores de serviços das empresas F & E Consultoria e Serviços Ltda e DIGEF Digitação e Serviços Econômicos e Financeiros Ltda.(destaquei) A pessoa terceirizada, então, era Diretora e Procuradora de empresa mas, pelo contrato, prestava serviço mediante uma PJ em "digitação e econômico financeiros". A fiscalização aponta ainda que diversos desses prestadores de serviços eram exfuncionários da própria empresa e prestadores de serviço que concomitantemente estavam registrados como empregados: No período (01/2005 a 08/2005), a pessoa fisica que prestou os serviços discriminados na nota fiscal foi o segurado Daniel Peixoto Ribeiro, funcionário da empresa SEI, que de acordo com o verificado nos arquivos magnéticos disponibilizados para a fiscalização, o código do trabalhador é: 186, número de Inscrição do Trabalhador — NIT —17043254025, Cargo de Projetista I, Código de Lotação: 102002001001, Desc da Lotação: FT"— DEMAG S/A. (...) Outros exemplos que podem ser citados, são de exfuncionários da empresa SEI — Consultoria de Projetos, que prestaram serviços para a autuada e que posteriormente passaram a prestar serviços, através de pagamentos realizados com a emissão de notas fiscais de prestação de serviços, que a seguir exemplificamos: (listagem na fl. 120) Então a questão não reside apenas no tipo de atividade, para se dizer que quando se tratava de atividade não ligada à finalidade social da empresa, haveria uma "falta de critério". Fl. 621DF CARF MF Processo nº 15504.006139/201043 Acórdão n.º 2202003.901 S2C2T2 Fl. 618 9 Além disso, foram transcritos trechos dos contratos, para demonstrar que haveria subordinação e hierarquia entre as pessoas físicas, dentro da empresa, além do aceitável, e que as pessoas físicas trabalhavam com "dedicação integral a empresa". Vejamos (fl. 132): Analisando estes controles de horas dos serviços prestados, temos a comprovação de Horas efetivamente Trabalhadas pelas pessoas fisicas que prestam serviços A SEI Consultoria de Projetos ltda, tornandose desta forma uma exclusividade de prestação de serviços à contratada, uma vez que o total de horas lançadas nestas apropriações de horas absolve completamente o tempo disponível de cada trabalhador durante um mês de trabalho... Não bastante, de acordo com os contratos, haveria ressarcimento de despesas com serviços realizados, mediante a apresentação de comprovantes, para a execução de ordens de serviço emitidas pela contratante: Ficou comprovado pelos documentos verificados por este AFRFB, durante a fiscalização, que as despesas realizadas pelos prestadores de serviços são comprovadas através de documentos que indicam terem sido realizados durante o período que os segurados ficaram à disposição da Contratada, e, para a execução das tarefas determinadas nas Ordens de Serviços emitidas pela Contratante. Para devida comprovação, está sendo anexada na primeira via deste Auto de Infração, cópias de Relatório de Despesas de Viagens e comprovante de despesas de viagens, dos prestadores de serviços listados a seguir:(...)(destaquei) Existe ainda a questão das notas fiscais seqüenciais, demonstrando que havia prestadores que no período fiscalizado emitiram apenas doze notas fiscais mensais, de prestação de serviços, à SEI. O recurso anexa cópias do Livro Razão, para contradizer esse argumento, sustentando que "alguns casos" não foram assim. Mas tanto essa seqüência de notas, que foi feita de forma exemplificativa, não seria suficiente, por si só, para caracterizar o vínculo, quanto o fato de haver algumas exceções não é suficiente para descaracterizálo. Digo exceções porque pelo que se observa das cópias anexadas pelo contribuinte, nas fls. 571 e seguintes, a regra era a emissão de notas seqüenciais, com algumas exceções. O mesmo há de ser dito em relação a haver endereços das empresas contratadas que seriam residências e não comércio. O fato isolado não configura a questão, por outro lado, haver alguns endereços que eram comerciais ou o município não vedar que empresas funcionem em endereços residenciais, também não é suficiente para tirar a substância do trabalho fiscal. Enfim, são constatações que subsidiam as conclusões de estarem presentes as características do vínculo empregatício. Verificouse que mesmo quando a PJ tinha mais de um sócio, cada um possuía projetos e responsabilidades próprias, independentes. As ordens de serviço eram assinadas separadamente e os serviços prestados em locais diferentes. E o trabalho era remunerado por "horas trabalhadas", que perfaziam o total de horas/mês, demonstrando Fl. 622DF CARF MF Processo nº 15504.006139/201043 Acórdão n.º 2202003.901 S2C2T2 Fl. 619 10 exclusividade no serviço. Constatouse que o preço do projeto contratado era equivalente à soma das horas trabalhadas diariamente. Todos os serviços eram remunerados, como contraprestação por cada profissional. Existe ainda a constatação de que as supostas pessoas jurídicas prestam todos os seus serviços ao recorrente somente através dos sócios gerentes, de forma pessoal, sem dispor de um quadro de empregados próprios. Também há a questão, aqui já tratada, de contratação de empresas com profissionais para realizar a atividadefim da SEI. Essa prestação era contínua, ao longo do ano. Em relação à ingerência da empresa SEI na condução dos trabalhos, temos que, na forma do contrato: Os serviços serão executados, de acordo com a programação de trabalho que for estabelecida pela SEI h qual deverão / Ser diretamente apresentadas os resultados correspondentes. E registrou o Auditor que: A inserção do trabalhador na estrutura da empresa fiscalizada é de tal forma contundente que toda a organização do trabalho é determinada pela SEI, através de acompanhamento diário do andamento dos trabalhos, a aprovação técnica pela SEI e pelos clientes desta, e a prestação de contas à SEI, consiste na apresentação do Relatório de Atividades, necessário para a aprovação dos pagamentos pelos serviços prestados. Na prática, este relatório de atividades, é o Controle de Horas, calendário de trabalhos executados pelos trabalhadores em que há a designação dos projetos. De ressaltar que o trabalhador deve registrar todas as atividades realizadas nos clientes da SEI. Estes preenchimento é feito pela Intranet da empresa fiscalizada, utilizando o sistema SAF — Sistema de Apropriação de Faturamento, que para comprovação estão sendo anexadas cópias fornecidas pela empresa, já discriminadas no item 7.2.3, deste Relatório Fiscal. (...) Os profissionais, organizados em projeto, devem aplicar unicamente as técnicas preconizadas pela SEI, as ferramentas de' gestão os métodos e formas de trabalho, tudo isso "vendido" como produto da SEI, não dos prestadores de serviços. Quando à possibilidade do Auditor desconsiderar o vínculo pactuado, para fins de exigência da contribuição previdenciária, existe regra específica, como já se registrou no Acórdão 2301004.925, de 08 de fevereiro de 2017: E de fato existe regra de competência nesse sentido prevista no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, com nova redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 29 de novembro de 1999, que assim dispõe: Fl. 623DF CARF MF Processo nº 15504.006139/201043 Acórdão n.º 2202003.901 S2C2T2 Fl. 620 11 art. 229 (...) §2° Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9°, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Durante o julgamento, em sede de sustentação oral, o patrono levantou a alegação de que o lançamento não observara o teto da contribuição parte segurados. Manifestome que houve a preclusão em relação a essa alegação, uma vez que não se trata de matéria de ordem pública, não foi suscitada na impugnação (artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972) e não poderia ser de "rápido e fácil" convencimento do julgador, situações em que a preclusão tem sido suavizada neste Carf, e caso fosse acatada, deveria retornar para que todo o cálculo da fiscalização fosse refeito. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO por reconhecer a decadência do lançamento nos períodos 01, 02 e 03/2005, inclusive a questão que se refere à contribuição a cargo dos segurados no valor de R$ 336,80, e, no mérito, por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 624DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.909401/2011-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. APLICAÇÃO DO PARECER NORMATIVO COSIT N.2, DE 28 DE AGOSTO DE 2015
Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração.
De acordo com o Parecer Normativo COSIT n.2, de 28 de agosto de 2015, é possível a retificação da DCTF depois da transmissão do PERDCOMP para fins de formalização do indébito objeto da compensação, desde que coerentes com as demais provas produzidas nos autos.
Numero da decisão: 1302-002.082
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. APLICAÇÃO DO PARECER NORMATIVO COSIT N.2, DE 28 DE AGOSTO DE 2015 Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. De acordo com o Parecer Normativo COSIT n.2, de 28 de agosto de 2015, é possível a retificação da DCTF depois da transmissão do PERDCOMP para fins de formalização do indébito objeto da compensação, desde que coerentes com as demais provas produzidas nos autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 94 01 /2 01 1- 45 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 16327.909401/201145 Acórdão n.º 1302002.082 S1C3T2 Fl. 183 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem sintetizar o processo, adoto o relatório da 3ª Turma da DRJ/REC, à seguir reproduzido (efls. 94/99): A empresa acima qualificada, por meio dos PER/DCOMP nº 21410.83732.270407.1.3.031603 identificou pretenso crédito de saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, apurado no anocalendário de 2006, o qual pretende compensar, através dos PER/DCOMP nº 25293.48092.300707.1.3.031060 e 07915.81701.300807.1.3.032403, com débitos próprios que enumera. DESPACHO DECISÓRIO Através de despacho emitido eletronicamente nº 013603384, em 02/12/2011, a Delegacia da Receita Federal em São Paulo – DEINF SÃO PAULO reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado no PER/DCOMP nº 21410.83732.270407.1.3.031603 (R$ 3.003.223,86), insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, em face do que: a) Homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 25293.48092.300707.1.3.03 1060; e b) Não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 07915.81701.300807.1.3.032403. Das parcelas que compõe o crédito (saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2006), informados no PER/DCOMP nº 21410.83732.270407.1.3.031603, foram confirmados os seguintes valores: Fl. 183DF CARF MF Processo nº 16327.909401/201145 Acórdão n.º 1302002.082 S1C3T2 Fl. 184 3 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, quanto as compensações de estimativas não confirmadas, que as referidas parcelas de estimativas não confirmadas foram inicialmente compensadas através das DCOMPs mencionadas no Despacho, e que os mencionados pedidos foram cancelados. Em função do cancelamento dos referidos PER/DCOMPs, efetuou o pagamento dos débitos de estimativas de CSLL de 2006 com benefícios de anistia fiscal da Lei nº 11.941/2009 (DARFs anexados – doc. 07). Por fim, requer que seja reconhecido integralmente o crédito com a consequente homologação das compensações, o cancelamento da cobrança e protesta pela juntada dos documentos anexos. A DRJ ao apreciar a Manifestação de Inconformidade perpetrada pelo contribuinte, julgoa improcedente, por entender, em resumo, o que segue: O fundamentos para o reconhecimento parcial do crédito foi Estimativas de JUL/2006, AGO/2006 e NOV/2006, totalizando R$ 1.020.975,13, pleiteadas compensações através de DCOMP´s, cujas as mesmas não foram confirmadas (encontradas) na base de dados da Receita Federal. A própria manifestante informa e reitera o fundamento do Despacho Decisório para a não confirmação das compensações informadas no PER/DCOMP para a formalização do crédito e o consequente não reconhecimento do mesmo: As compensações das estimativas não mais existem, pois os PER/DCOMPs foram cancelados e substituídos por pagamento dos referidos débitos de estimativas com benefícios de anistia (DARFs anexados – doc. 07). Ressaltese que, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez)2, o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro Fl. 184DF CARF MF Processo nº 16327.909401/201145 Acórdão n.º 1302002.082 S1C3T2 Fl. 185 4 lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado, o que se confirma com a manifestação apresentada que indica a verdadeira intenção da peticionante de compensar os débitos de estimativa com crédito oriundo de benefícios de anistia. A julgar sua real intenção, resulta na apreciação do pleito em novas bases (novos fundamentos materiais do crédito), equivalendose a um novo pedido, o que, como restará comprovado pelo exame da legislação a seguir transcrita, não é competência dessa delegacia, devendo a análise do direito material do contribuinte ser enfrentada na primeira instância decisória competente (DRF do domicílio da contribuinte): (...) Logo, temse que, de acordo com o Regimento Interno da Receita Federal, a competência original para conhecer do pedido de compensação é da Delegacia da Receita Federal em São Paulo – DEINF São Paulo, unidade que jurisdiciona o domicílio da interessada. Assim, do exame dos autos, resta patente que, tal como apresentada a Declaração de Compensação à época do despacho, mostrase correta a decisão exarada pela DEINF São Paulo, não merecendo reparo a decisão prolatada, que não poderia nortear o exame do crédito suplicado senão a partir dos elementos consignados pelo sujeito passivo em suas declarações (DCOMPs). Por outro lado, não pode este colegiado acatar o pleito, nos moldes em que se apresenta (novos fundamentos para o crédito), sob pena de incorrerse em supressão de instância e em invasão de competência administrativa. Inconformada com o decisium, a recorrente apresentou Recurso Voluntário suscitando os mesmos argumentos colacionados junto a sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Conforme relatado, a recorrente por meio dos PER/DCOMP nº 21410.83732.270407.1.3.031603 identificou pretenso crédito do saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, apurado no anocalendário de 2006, o qual pretende compensar, através dos PER/DCOMP nº 25293.48092.300707.1.3.031060 e 07915.81701.300807.1.3.032403, com débitos próprios que enumera. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 16327.909401/201145 Acórdão n.º 1302002.082 S1C3T2 Fl. 186 5 Ao apreciar as compensações realizadas pela recorrente a Receita Federal em São Paulo – DEINF SÃO PAULO, reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado no PER/DCOMP nº 21410.83732.270407.1.3.031603 (R$ 3.003.223,86), insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, em face do que: a) Homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 25293.48092.300707.1.3.03 1060; e b) Não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 07915.81701.300807.1.3.032403. Das parcelas que compõe o crédito (saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2006), informados no PER/DCOMP nº 21410.83732.270407.1.3.031603, foram confirmados os seguintes valores: O próprio contribuinte relata tanto em sua Manifestação de Inconformidade como no seu Recurso Voluntário que em relação as compensações de estimativas não confirmadas (R$ 1.020.975,13), que as referidas parcelas de estimativas foram inicialmente compensadas através das DCOMP´s mencionadas no Despacho Decisório, e que os mencionados pedidos foram cancelados. Em função do cancelamento dos referidos PERDCOMP´s, efetuou o pagamento dos débitos de estimativas de CSLL de 2006 com benefícios de anistia fiscal da Lei nº 11.941/2009 (vide fls. 159 a 161). Ressaltese que em nenhum momento foi noticiado a questão do alegado equívoco no preenchimento dos PER/DECOMPs. A recorrente noticiou apenas que encaminhou DCTF´s retificadoras em função do pagamento das estimativas acima mencionadas (vide fls. 162 a 177). Observase que na presente discussão, a homologação parcial das compensações foi a consequência lógica do cancelamento dos PERDCOMP´s sem a devida retificação da PERDCOMP originária do direito creditório da recorrente. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Contudo, não estamos diante de uma inovação do pedido do direito creditório do contribuinte, pois o saldo negativo da CSLL referente ao ano de 2006 continua o mesmo valor, o que restou alterado diz respeito somente a forma de quitação das estimativas que compôs a aludida base de cálculo negativa, isto é, ao invés das estimativas de julho, agosto e novembro de 2006 terem sido quitadas por meio de compensações perpetradas pelo Fl. 186DF CARF MF Processo nº 16327.909401/201145 Acórdão n.º 1302002.082 S1C3T2 Fl. 187 6 contribuinte, passaram a condição de quitadas em virtude do pagamento realizado pelo contribuinte. Cabe destacar que referidos recolhimentos foram realizados em novembro de 2009, acrescidos de multa e juros de mora reduzidos, em virtude dos benefícios para pagamento a vista previstos na Lei n. 11.941/2009. Posteriormente, em janeiro de 2010, a recorrente efetuou a retificação de suas DCTF´s, alterando a forma de quitação dos débitos das estimativas dos meses de julho, agosto e novembro de 2006. Cabe destacar que aludidas retificações foram realizadas antes do despacho decisório exarado pela DEINFSP, em 02 de dezembro de 2011, de forma que já era possível àquela delegacia especializada identificar a forma de quitação das estimativas. Assim, ainda que o PERDCOMP tenha sido remetido anteriormente à retificação das DCTF´s, tal fato não pode ser entendido como prejudicial à análise do crédito do contribuinte, eis que, naquele momento, já existiam outros elementos que comprovariam a quitação das estimativas da CSLL. Ademais, de acordo com o Parecer Normativo COSIT n.2, de 28 de agosto de 2015, é possível a retificação da DCTF depois da transmissão do PERDCOMP para fins de formalização do indébito objeto da compensação, desde que coerentes com as demais provas produzidas nos autos. Vejamos: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Por todo o exposto, DOU provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório do contribuinte e homologo as compensações até o limite do direito creditório ora reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 187DF CARF MF Processo nº 16327.909401/201145 Acórdão n.º 1302002.082 S1C3T2 Fl. 188 7 Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13877.000017/2001-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. APLICAÇÃO DA SELIC.
De acordo com precedente do E. STJ submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 62A, do RICARF (REsp no. 1.035.847), o ressarcimento de créditos de IPI está sujeito a acréscimo da Taxa SELIC entre as datas do protocolo do pedido e aquela em que o postulante fruir efetivamente o direito.
Numero da decisão: 9303-005.102
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. APLICAÇÃO DA SELIC. De acordo com precedente do E. STJ submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 62A, do RICARF (REsp no. 1.035.847), o ressarcimento de créditos de IPI está sujeito a acréscimo da Taxa SELIC entre as datas do protocolo do pedido e aquela em que o postulante fruir efetivamente o direito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
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CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. APLICAÇÃO DA SELIC. De acordo com precedente do E. STJ submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 62A, do RICARF (REsp no. 1.035.847), o ressarcimento de créditos de IPI está sujeito a acréscimo da Taxa SELIC entre as datas do protocolo do pedido e aquela em que o postulante fruir efetivamente o direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 7. 00 00 17 /2 00 1- 99 Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 13877.000017/200199 Acórdão n.º 9303005.102 CSRFT3 Fl. 1.183 2 Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3403003.468, de 11 de dezembro de 2014 (fls. 1122 a 1132 do processo eletrônico), proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por maioria de votos, deu provimento ao recurso para reconhecer ao contribuinte o direito: a) de incluir na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de pessoas físicas e cooperativas; b) de apurar o coeficiente de exportação considerando a receita operacional bruta dos estabelecimentos produtores exportadores e; c) de atualização do crédito pela aplicação da taxa SELIC entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e o seu efetivo aproveitamento, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. SÚMULA DO STJ. De acordo com a Súmula 494, do Superior Tribunal de Justiça, "o benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP." RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. COMBUSTÍVEIS. LUBRIFICANTES. ENERGIA ELÉTRICA E ÁGUA. SÚMULA N 19 DO CARF. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Súmula CARF nº 19, "não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário." O mesmo raciocínio deve ser aplicado à água, pois não se enquadra como matériaprima nem como produto intermediário. Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 13877.000017/200199 Acórdão n.º 9303005.102 CSRFT3 Fl. 1.184 3 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. CÁLCULO PERCENTUAL ENTRE RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA OPERACIONAL BRUTA. APURAÇÃO CENTRALIZADA. Não é o fato da apuração ser centralizada ou não que altera o valor do crédito presumido, eis que deve ser levado em conta apenas as receitas de exportação afetadas pelo crédito presumido, que sejam decorrentes de operação de industrialização e a receita operacional bruta dos estabelecimentos produtos exportadores, sob pena de completa distorção do cálculo e distanciamento do próprio benefício. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. APLICAÇÃO OU NÃO DA SELIC. O Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial n 1.035.847/RS, relatado pelo então Ministro Luiz Fux, submetido ao rito dos Recursos Repetitivos (Código de Processo Civil, artigo 543C), firmou o entendimento de que é devida a atualização pela SELIC dos créditos objeto de pedido de ressarcimento por resistência ilegítima da Administração, ainda que seja decorrente da simples demora na análise do respectivo processo administrativo. Recurso Voluntário Provido em Parte A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI relativo ao 3º trimestre do ano de 2000, que contou com despacho decisório que o deferiu parcialmente e homologou as compensações até o limite de crédito apurado. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 1143 a 1164) em face do acordão recorrido que deu provimento ao recurso do contribuinte, a divergência suscitada da Fazenda Nacional diz respeito à aplicabilidade do art. 62A do RICARF/2009 e a atualização monetária do ressarcimento pretendido. Ainda, sustenta a Fazenda Nacional que o REsp 1.035.847/RS, não respaldaria a decisão de admitir a atualização monetária dos créditos reconhecidos, pois a exegese lá externada não alcançaria os créditos incentivados, como é o caso dos créditos presumidos de IPI, mas exclusivamente os créditos escriturais. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os acórdãos CSRF/0203.718 e 930300.720, para atualização monetária do crédito, e Acórdãos 310200.914 e 3201001.765, quanto ao termo inicial para fluência da correção monetária. Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 13877.000017/200199 Acórdão n.º 9303005.102 CSRFT3 Fl. 1.185 4 A comprovação dos julgados firmouse pela transcrição integral das ementas no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido parcialmente, conforme despacho de fls. 1166 a 1169, sob o argumento que somente ficou comprovada a divergência jurisprudencial no que se refere a correção monetária do crédito. No reexame de admissibilidade (fls. 1170 a 1171) ficou mantida a decisão que deu seguimento parcial, rejeitando à divergência relativa à aplicação do art. 62 A do RICARF/2009, sob o argumento que o acórdão recorrido acolheu a pretensão do sujeito passivo com amparo implícito em decisão do Superior Tribunal de Justiça, tomada em sede de recurso repetitivo, art. 543C do CPC, com fulcro no art. 62A do regimento interno vigente, cujos suportes fáticos emolduramse perfeitamente à decisão consubstanciada no REsp 993.164/MG. O Contribuinte foi cientificado para apresentar contrarrazões, conforme se verifica às fls. 1177 a 1180 e não se manifestou. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso interposto pela Fazenda Nacional. Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI relativo ao 3º trimestre de 2000, que contou com despacho decisório que o deferiu parcialmente e homologou as compensações até o limite de crédito apurado. Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 13877.000017/200199 Acórdão n.º 9303005.102 CSRFT3 Fl. 1.186 5 Sendo esse o contexto, e em conformidade com o entendimento aqui adotado, concluímos haver o direito à incidência da taxa Selic sobre os valores ressarcidos desde o protocolo de pedido. Verificase que tendo sido constatado que houve resistência ao efetivo ressarcimento dos créditos pleiteados, há que se aplicar o RICARF, em seu art. 62A. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] II que fundamente crédito tributário objeto de: [...] b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O art. 62A ao Regimento Interno do Carf, preceitua que as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Com relação à atualização do ressarcimento de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, pela taxa Selic, o Superior Tribunal de Justiça posicionouse no sentido de ser cabível a correção monetária, por meio do julgamento do recurso especial nº 1035847/RS, pela sistemática dos recursos repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil), que recebeu a seguinte ementa: Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 13877.000017/200199 Acórdão n.º 9303005.102 CSRFT3 Fl. 1.187 6 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro oLUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifouse) Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 13877.000017/200199 Acórdão n.º 9303005.102 CSRFT3 Fl. 1.188 7 O caso julgado em sede de recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça aplicase ao presente processo administrativo, uma vez que também tratou de pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96, decorrente de impedimento interposto por atos normativos infralegais para aproveitamento do benefício, pois traziam vedação à inclusão na base de cálculo do incentivo das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Portanto haverá a incidência da Selic, desde o protocolo do pedido. Vale ressaltar que a demora no aproveitamento do crédito de IPI deuse a partir do momento em que veiculado o pedido de ressarcimento, quando optou a contribuinte por exercer o seu direito e restou caracterizada a mora do Fisco. Ademais, esta CSRF tem aplicado referida decisão nas situações em que as Delegacias da Receita Federal indeferem o ressarcimento por alguma razão de direito que posteriormente venha a ser modificada no decorrer do trâmite do processo administrativo fiscal. Diante disto, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda, mantendo a decisão a quo, que concedeu a incidência da Selic. E como voto (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 1189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010587/2005-45
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/05/2003, 30/06/2003, 31/01/2004, 28/02/2004, 31/05/2004, 30/06/2004
NORMAS PROCESSUAIS. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA. TERMO INICIAL.
Nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96, c/c arts. 113 e 161 do CTN, são devidos juros sobre a multa de ofício a partir de trinta dias da data de ciência do lançamento. Decidido, porém, pela instância recorrida, que o seu termo inicial ocorre " decorridos 30 (trinta) dias da decisão administrativa definitiva desfavorável ao contribuinte", assim deve ser mantida a decisão, dado que o recurso é do sujeito passivo .
Numero da decisão: 9303-005.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/05/2003, 30/06/2003, 31/01/2004, 28/02/2004, 31/05/2004, 30/06/2004 NORMAS PROCESSUAIS. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA. TERMO INICIAL. Nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96, c/c arts. 113 e 161 do CTN, são devidos juros sobre a multa de ofício a partir de trinta dias da data de ciência do lançamento. Decidido, porém, pela instância recorrida, que o seu termo inicial ocorre " decorridos 30 (trinta) dias da decisão administrativa definitiva desfavorável ao contribuinte", assim deve ser mantida a decisão, dado que o recurso é do sujeito passivo .
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/05/2003, 30/06/2003, 31/01/2004, 28/02/2004, 31/05/2004, 30/06/2004 NORMAS PROCESSUAIS. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA. TERMO INICIAL. Nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96, c/c arts. 113 e 161 do CTN, são devidos juros sobre a multa de ofício a partir de trinta dias da data de ciência do lançamento. Decidido, porém, pela instância recorrida, que o seu termo inicial ocorre " decorridos 30 (trinta) dias da decisão administrativa definitiva desfavorável ao contribuinte", assim deve ser mantida a decisão, dado que o recurso é do sujeito passivo . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 05 87 /2 00 5- 45 Fl. 1439DF CARF MF Processo nº 10980.010587/200545 Acórdão n.º 9303005.188 CSRFT3 Fl. 1.440 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 330100.774, de 09 de dezembro de 2010 (fls. 1256 a 1263 do processo eletrônico), proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, rejeitou o pedido de diligência, não conheceu da matéria preclusa e, no mérito, deu provimento parcial ao recurso voluntário, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2003, 30/06/2003, 31/01/2004, 28/02/2004, 31/05/2004,30/06/2004 DIFERENÇAS. VALORES DECLARADOS. VALORES DEVIDOS As diferenças apuradas entre os valores da contribuição declarados e/ ou pagos e os efetivamente devidos apurados com base no faturamento mensal estão sujeitas a lançamento de ofício, acrescidas das cominações legais. CIDECOMBUSTÍVEIS. DEDUÇÃO DA COFINS. A CIDE paga sobre diesel importado pode ser deduzida da Cofins incidente sobre a sua venda no mercado interno, até o limite legalmente estabelecido, nas operações efetuadas no mesmo período de competência, inexistindo amparo para o aproveitamento do saldo devedor da CIDE apurado no mês com deduções futuras. Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 10980.010587/200545 Acórdão n.º 9303005.188 CSRFT3 Fl. 1.441 3 EQUÍVOCOS NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NOTAS FISCAIS. COMPROVAÇÃO Comprovado equívoco na apuração de parcela do crédito tributário lançado e exigido, retificase o valor da parcela calculada equivocadamente. TRANSIÇÃO TRIBUTÁRIA. PRECLUSÃO Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada em primeira instância, exceto quando devam ser reconhecidas de ofício. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. A exigência de juros de mora sobre a multa de ofício somente é cabível se aquela não for paga depois de decorridos 30 (trinta) dias da ciência do sujeito passivo da decisão administrativa definitiva que julgou procedente o crédito tributário. DILIGÊNCIA Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a realização da diligência solicitada, rejeitase o pedido da recorrente. Recurso Voluntário Provido Parcialmente. A discussão dos presentes autos tem origem no auto de infração decorrente da insuficiência de declaração/pagamento da Cofins, referente aos meses de competência de maio e junho de 2003, janeiro, fevereiro, maio e junho de 2004. O Contribuinte apresentou impugnação ao auto de infração, argumentando em síntese, o direito de dedução do valor da CIDE, pago na importação ou na comercialização, dos valores da COFINS devidos relativos a um mesmo período de apuração ou posteriores, conforme determina o §1° do art. 8° da Lei n° 10.336/2001. Diz que o Decreto nº 4.524/2002 manteve o disposto no art. 8º da Lei n° 10.336/2001. Neste sentido, alega ser pacífica a legislação/e a jurisprudência, citando, inclusive a Solução de Consulta/SRRF/7aRF n° 342/2004. Ainda, discorre sobre interpretação da legislação tributária, sobre o princípio da isonomia, aplicação da analogia e da equidade. A DRJ em Curitiba/PR julgou improcedente o lançamento. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o colegiado entendeu em dar provimento parcial ao recurso Fl. 1441DF CARF MF Processo nº 10980.010587/200545 Acórdão n.º 9303005.188 CSRFT3 Fl. 1.442 4 voluntário apenas e tão somente para que o valor da parcela da Cofins lançada e exigida para o mês de competência de janeiro de 2004 seja recalculado. O Contribuinte opôs embargos de declaração às fls. 1276 a 1282, sendo que foram rejeitados, conforme despacho às fls. 1299 e 1300. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 1306 a 1329) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso voluntário, as divergências suscitadas foram quanto às seguintes matérias: 1 – Quanto à omissão do julgado em apreciar questionamentos feitos pelo sujeito passivo; 2 – Quanto à aplicação do princípio da verdade material, ao revés da preclusão de matéria não impugnada; 3 – Quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Quanto à omissão do julgado em apreciar questionamentos feitos pelo contribuinte, este trouxe inúmeros argumentos a fim de que sejam declarados nulos o acórdão recorrido e o despacho que rejeitou os embargos, por omissão em apreciar diversos assuntos. Todavia, tais alegações não são cabíveis em sede de recurso especial. Quanto à aplicação do princípio da verdade material, ao revés da preclusão de matéria não impugnada, para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma, o Acórdão nº 10514.469, conforme se depreende das cópias de inteiro teor juntadas às fls. 1333 a 1353. Quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, para comprovar o dissenso foram colacionados, como paradigmas, os acórdãos nº 10196.008 e 20216.397, conforme se depreende das cópias de inteiro teor juntadas às fls. 1355 a 1417. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de fls. 1421 a 1425, sob o argumento da divergência jurisprudencial ter sido comprovada em parte, apenas em relação à matéria 3 Quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 10980.010587/200545 Acórdão n.º 9303005.188 CSRFT3 Fl. 1.443 5 No reexame de admissibilidade do Recurso Especial (fls. 1426), a decisão que deu seguimento parcial ao recurso foi mantida. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 1429 a 1438), manifestando pelo não seguimento do recurso especial do contribuinte e que seja mantido o v.acórdão. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso interposto pelo sujeito passivo. Aqui iremos somente tratar da incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício, pois, as demais matérias foram suscitadas não foram admitidas. Já tenho apresentado manifestação favorável à questão principal. Assim, expresso que, relativamente a esse tema, entendo que a autoridade fazendária não poderá exigir juros de mora sobre o valor da multa de oficio. Para melhor elucidar meu entendimento, trago parte do Voto de minha ilustre colega Tatiana Midori Migiyama proferido em Acórdão 9303¬003.853 (Grifos meus): “Ora, a Lei nº 9.430/96 prevê expressamente no art. 61 que os débitos de tributos e contribuições serão acrescidos de multa de mora e que, sobre aqueles débitos, incidirão juros de mora: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 1443DF CARF MF Processo nº 10980.010587/200545 Acórdão n.º 9303005.188 CSRFT3 Fl. 1.444 6 § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998)” Nesse ínterim, somente considerando esse dispositivo, vêse claro que somente os débitos de tributos e contribuições – valor principal se sujeitam aos juros de mora, e não os decorrentes de multa de mora. Nessa senda, se os juros de mora não incidem sobre a multa de mora, tornase claro que também não cabe impor tais juros sobre a multa de ofício. Ademais, importante trazer que não há como se entender que o débito tributário seja composto por juros de mora e outras penalidades tributárias, vez que a legislação vigente, em respeito à natureza jurídica de cada evento, demonstra a segregação de cada débito, quer seja, de débito tributário, débito decorrente de encargos moratórios e débito relativo à penalidade administrativa. Essa distinção é demonstrada expressamente no artigo 161, caput, do CTN, in verbis: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” Tal dispositivo traz que o crédito tributário deve ser acrescido dos juros de mora e das penalidades cabíveis – segregando o crédito tributário dos juros de mora e das penalidades assecuratórias. Ademais, temse ainda que, caso ignorássemos tais dispositivos e forçosamente invocássemos o art. 113 do CTN para entender que há incidência de juros sobre a multa de ofício, in verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Vêse que, mais uma vez, não há como se interpretar que seria cabível a aplicação dos juros sobre a multa de ofício, eis que o art. 113, § 1º, do CTN traz que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador. Ora, e qual débito surge com o fato gerador do tributo? O débito que surge com o fato gerador do tributo é o próprio “valor principal” – valor do Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 10980.010587/200545 Acórdão n.º 9303005.188 CSRFT3 Fl. 1.445 7 tributo apurado nos termos da legislação vigente. Entender que a multa de ofício surge com o fato gerador do tributo seria extrapolar a natureza dessa multa, vez que tal multa somente passa a existir com o lançamento de ofício. A motivação de sua existência não é a ocorrência do fato gerador do tributo, mas sim o lançamento de ofício. Sendo assim, tornase equivocado defender ser aplicável os juros sobre a multa de ofício, invocando o art. 113 e o art. 139 do CTN, sob a alegação de que: O crédito tributário decorre da obrigação principal, nos termos do art. 139 do CTN; ∙ A obrigação principal abrange o valor principal do tributo e as penalidades pecuniárias, nos termos do art. 113, inciso I, do CTN; ∙ Então, o crédito tributário é composto pelo valor principal e multa de ofício; e ∙ Sendo assim, seria aplicável os juros de mora sobre a multa de ofício, por compor o débito tributário a multa de ofício, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96. Proveitoso também trazer que não há como se invocar o art. 113. § 2º, do CTN para se defender que a obrigação acessória convertese em obrigação principal, vez que a obrigação principal somente ocorre com a ocorrência do fato gerador. O que não é o caso da multa de ofício Sendo assim, a interpretação equivocada não merece prosperar. Vejamos: 1. Traz o art. 139 do CTN (Grifos meus): “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” 2. O art. 139, assim, considera que o crédito tributário surge com a obrigação principal; 3. Traz o art. 113, § 1º, do CTN: “[...] § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue se juntamente com o crédito dela decorrente.” 4. O art. 113, § 1º c/c o art. 139, do CTN, portanto, diz que o crédito tributário decorre com a obrigação principal que, por sua vez, surge com a ocorrência do fato gerador do tributo; 5. O que se conclui que o crédito tributário não poderia ser composto pelo valor da multa de ofício, eis que tal multa não surge com o fato gerador do tributo, mas com o lançamento de ofício; 6. Por conseguinte, não há que se falar em aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96 e do art. 161 do CTN, vez que tais juros somente incidem sobre o crédito tributário. Em vista de todo o exposto, entendo que não são aplicáveis juros sobre a multa de ofício. Frisese tal entendimento o Acórdão nº 9101000.722 da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (já sob a estrutura do CARF): Fl. 1445DF CARF MF Processo nº 10980.010587/200545 Acórdão n.º 9303005.188 CSRFT3 Fl. 1.446 8 “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE – Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada”. (grifos nossos) Ademais, tornase impossível também ignorar os entendimentos proferidos no mesmo sentido da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF ao julgar recurso especial nº 202131.351 (Acórdão CSRF/0203.133), bem como da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF (Acórdão nº 140100.027), da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos autos do processo nº 10680.011107/200629 (Acórdão nº 220100.126). Aproveito ainda trazer que não há como se invocar equivocadamente o art. 30 da Lei 10.522/02 para se aplicar os juros sobre a multa de ofício. Eis a redação do art. 30 da Lei 10.522/02 (Grifos Meus): Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. E o art. 29 referendado no dispositivo (Grifos meus): “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido ate 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. [...] Ora, os débitos “de qualquer natureza” tratados no art. 30, caput, da Lei, são específicos – ou seja, somente são aqueles decorrentes de fatos geradores ocorridos até 31.12.94, nos termos do art. 29 da Lei 10.522/02. Sendo assim, apenas trago que não há também como se aplicar os juros sobre a multa de ofício, invocando tais dispositivos e cegandose a literalidade da norma.” Em vista de todo o exposto, conheço e dou provimento ao Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte. É como voto. Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 10980.010587/200545 Acórdão n.º 9303005.188 CSRFT3 Fl. 1.447 9 (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos Redator designado Designoume a Presidência para elaboração do acórdão e começoo registrando que a decisão recorrida já acolhera em parte a pretensão do sujeito passivo relativamente à incidência de juros sobre a multa de ofício. Com efeito, consta da decisão: (...) Finalmente, quanto aos juros de mora sobre a multa de ofício, sua incidência somente tem cabimento depois de decorrido o prazo de 30 (trinta) dias concedidos ao sujeito passivo para pagamento do crédito tributário julgado e mantido por decisão administrativa definitiva. Caso o crédito tributário tornese líquido e certo, ou seja, com decisão definitiva contrária ao contribuinte, não seja pago dentro daquele prazo, a penalidade (multa de ofício) convertese em débito fiscal, passando então a incidir juros moratórios sobre ela nos termos da Lei n° 9.430, de 27/12/1991, (sic) art. 61, § 3o, quando do seu pagamento intempestivo. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, rejeito o pedido de diligência, não conheço da matéria preclusa (transição tributária) e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso voluntário apenas e tão somente para que o valor da parcela da Cofins lançada e exigida para o mês de competência de janeiro de 2004 seja Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 10980.010587/200545 Acórdão n.º 9303005.188 CSRFT3 Fl. 1.448 10 recalculado, levandose em conta que naquele mês foi comercializada a quantidade de 10.071.000,0 (dez milhões e setenta e um mil) litros de diesel e não os 6.571.000,0 (seis milhões quinhentos e setenta e um mil) litros considerados pelo autuante, apurandose novo valor para aquele mês e, conseqüentemente, novo valor total da contribuição devida e respectivas cominações ilegais, multa de ofício e juros de mora e, ainda, para reconhecer que a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício somente é cabível depois de decorridos 30 (trinta) dias da decisão administrativa definitiva desfavorável ao contribuinte. (grifouse) Como se vê, a decisão não manteve, na integralidade os juros sobre a multa. É que, cediço, eles integram a exigência desde o lançamento. Mais precisamente, eles incidem sobre o valor do tributo desde o mês seguinte ao do fato gerador e passam a alcançar também a multa a partir da exigência desta, isto é, quando concluído o lançamento tributário. Este colegiado tem posição firme, ainda que não unânime, no sentido de que tal exigência está plenamente embasada na legislação tributária, especialmente no art. 61 da Lei 9.430/96, combinada com os artigos 113 e 161 do CTN mencionados pela dra. Érika em sentido contrário. A divergência principal diz respeito a que o parágrafo 1º do art. 113 do CTN, por ela citado, não fala em fato gerador de tributo, apenas em fato gerador genérico. Sua conclusão, pois, de que não se pode confundir o fato gerador do tributo com o da multa, embora correta em tese, não se aplica aqui, pois não se pretende fazer incidir os juros sobre a multa desde o fato gerador do tributo. No entanto, a partir do lançamento, configurada a infração, passa a existir a multa, cujo "fato gerador" é, precisamente, a infração constatada. Integra ela, a partir daí, o crédito tributário sobre o qual são devidos os juros, a partir do mês seguinte ao da constituição do crédito, por força do art. 61 da Lei 9.430. Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 10980.010587/200545 Acórdão n.º 9303005.188 CSRFT3 Fl. 1.449 11 Com considerações semelhantes é que se tem mantido a exigência, desde o lançamento. Como se disse, no presente caso já decidiu o colegiado restringir sua exigibilidade a partir de data futura, tese com a qual não concordamos, pois, como já registrado, o fato gerador da multa é a constatação de infração à legislação tributária em ato de ofício. A manutenção do lançamento em decisão definitiva, pois, com as devidas vênias, não demarca sua incidência. No entanto, sobre tal conclusão da decisão recorrida não houve recurso da Fazenda Nacional. Cabe, portanto, em respeito ao princípio do non reformatio in pejus, apenas manter a decisão nos seus próprios termos. Essa a decisão que tomou o colegiado, esse o acórdão que me coube redigir. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Fl. 1449DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.721982/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO NA ANÁLISE DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. EFEITOS INFRINGENTES.
Havendo lapso manifesto na análise da tempestividade, acolhe-se os embargos inominados com efeitos infringentes para anular o Acórdão cujo recurso foi indevidamente não conhecido.
CONTAGEM DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE.
A interposição do recurso voluntário pode acontecer por meio dos Correios, hipótese em que o dies ad quo será a data de sua postagem na agência da Empresa de Correios eTelégrafos.
DILIGÊNCIA. NÃO COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
A diligência pleiteada pela defendente deve ser indeferida quando a análise das matérias controvertidas prescinde de produção de provas além das constantes dos autos.
PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE
Recurso voluntário sem apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro a decisão proferida a Recorrente não apresenta qualquer indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada, ferindo o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional.
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.
Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Nos lançamentos por homologação, havendo pagamento antecipado do imposto, ou da contribuição, e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realiza-se a contagem do prazo decadencial pelo disposto no §4° do art. 150 do CTN. De outra forma, aplica-se a regra ordinária da decadência estampada no art. 173, inciso I, do CTN.
ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO.
Apresentada a pretensão fiscal munida de provas, cumpre ao contribuinte indicar fatos que desconstitua o lançamento mediante elementos que militem em seu favor. Deve o interessado contestar a autuação com meios de prova eficazes, apresentando fatos impeditivos, modificativos ou extintivos em relação ao crédito tributário.
JUROS. TAXA SELIC.
Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar arguição de sua ilegalidade/inconstitucionalidade.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
Aplica-se às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une.
Numero da decisão: 1401-001.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte os segundos embargos recebidos como inominados e, dando-lhes efeitos infringentes para anular o Acórdão nª 1401-001.348, de 26 de novembro de 2014, conhecer do recurso voluntário, por tempestivo, para então rejeitar as preliminares de nulidade, afastar a decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, José Roberto Adelino da Silva e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO NA ANÁLISE DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. EFEITOS INFRINGENTES. Havendo lapso manifesto na análise da tempestividade, acolhe-se os embargos inominados com efeitos infringentes para anular o Acórdão cujo recurso foi indevidamente não conhecido. CONTAGEM DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. A interposição do recurso voluntário pode acontecer por meio dos Correios, hipótese em que o dies ad quo será a data de sua postagem na agência da Empresa de Correios eTelégrafos. DILIGÊNCIA. NÃO COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência pleiteada pela defendente deve ser indeferida quando a análise das matérias controvertidas prescinde de produção de provas além das constantes dos autos. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE Recurso voluntário sem apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro a decisão proferida a Recorrente não apresenta qualquer indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada, ferindo o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos lançamentos por homologação, havendo pagamento antecipado do imposto, ou da contribuição, e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realiza-se a contagem do prazo decadencial pelo disposto no §4° do art. 150 do CTN. De outra forma, aplica-se a regra ordinária da decadência estampada no art. 173, inciso I, do CTN. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. Apresentada a pretensão fiscal munida de provas, cumpre ao contribuinte indicar fatos que desconstitua o lançamento mediante elementos que militem em seu favor. Deve o interessado contestar a autuação com meios de prova eficazes, apresentando fatos impeditivos, modificativos ou extintivos em relação ao crédito tributário. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar arguição de sua ilegalidade/inconstitucionalidade. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplica-se às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte os segundos embargos recebidos como inominados e, dando-lhes efeitos infringentes para anular o Acórdão nª 1401-001.348, de 26 de novembro de 2014, conhecer do recurso voluntário, por tempestivo, para então rejeitar as preliminares de nulidade, afastar a decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, José Roberto Adelino da Silva e Antonio Bezerra Neto.
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LAPSO NA ANÁLISE DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. EFEITOS INFRINGENTES. Havendo lapso manifesto na análise da tempestividade, acolhese os embargos inominados com efeitos infringentes para anular o Acórdão cujo recurso foi indevidamente não conhecido. CONTAGEM DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. A interposição do recurso voluntário pode acontecer por meio dos Correios, hipótese em que o dies ad quo será a data de sua postagem na agência da Empresa de Correios eTelégrafos. DILIGÊNCIA. NÃO COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência pleiteada pela defendente deve ser indeferida quando a análise das matérias controvertidas prescinde de produção de provas além das constantes dos autos. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE Recurso voluntário sem apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro a decisão proferida a Recorrente não apresenta qualquer indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada, ferindo o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 19 82 /2 00 9- 78 Fl. 1354DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.307 2 São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos lançamentos por homologação, havendo pagamento antecipado do imposto, ou da contribuição, e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realiza se a contagem do prazo decadencial pelo disposto no §4° do art. 150 do CTN. De outra forma, aplicase a regra ordinária da decadência estampada no art. 173, inciso I, do CTN. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. Apresentada a pretensão fiscal munida de provas, cumpre ao contribuinte indicar fatos que desconstitua o lançamento mediante elementos que militem em seu favor. Deve o interessado contestar a autuação com meios de prova eficazes, apresentando fatos impeditivos, modificativos ou extintivos em relação ao crédito tributário. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar arguição de sua ilegalidade/inconstitucionalidade. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte os segundos embargos recebidos como inominados e, dandolhes efeitos infringentes para anular o Acórdão nª 1401001.348, de 26 de novembro de 2014, conhecer do recurso voluntário, por tempestivo, para então rejeitar as preliminares de nulidade, afastar a decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator e Presidente Fl. 1355DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.308 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, José Roberto Adelino da Silva e Antonio Bezerra Neto. Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.309 4 Relatório Tratase de segundos embargos interpostos por ELITE SERVIÇOS DE SEGURANÇA LTDA contra a decisão proferida nos primeiros embargos. Os primeiros embargos, por sua vez, contestaram a decisão do Acórdão n° 1401001.348, de 26 de novembro de 2014, que, por unanimidade de votos, NÃO CONHECEU do recurso voluntário, por intempestivo, nos seguintes termos: Conforme atesta o Aviso de Recebimento de fl. 1.250 referente à Intimação de fls.1.227 como consignado expressamente nele , a ciência ocorreu em 01/07/2013 e o Recurso somente foi protocolizado em 08/08/2013, conforme o carimbo de protocolo às fls. 1552, superando em oito dias o prazo regulamentar de 30(trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Os primeiros embargos também foram considerados intempestivos, nos seguintes termos: A pessoa jurídica foi cientificada da decisão deste Colegiado no dia 05 de março de 2015 (quintafeira), conforme Aviso de Recebimento (fl. 1320 do e processo), iniciandose a contagem do prazo recursal em 06 de março de 2015, sextafeira, e terminando no dia 10 de março (terçafeira), 5 (cinco) dias corridos. A contribuinte, por sua vez, interpôs os presentes embargos em 19 de março de 2015, conforme carimbo constante dos seus embargos (fls.1.321 do eprocesso), portanto, bem após o prazo de cinco dias, contados da ciência do resultado do julgamento desta Turma, conforme disciplina o artigo 65, § 1°, do Anexo II, do RICARF. Porém nos segundos embargos trouxe provas de que os primeiros embargos estariam tempestivos uma vez que foram feitos via correio na data da postagem (10 de março fls.1.347) e que a jurisprudência seria uníssima em considerar esse marco para efeito de contagem do prazo. Foi verificado também que naqueles primeiros embargos trouxe também prova do mesmo quilate justamente provando ter ocorrido com o recurso a mesma situação de não se considerar a data da postagem (fls. 1349). Em função da necessidade de possivelmente se analisar o mérito do recurso voluntário, transcrevese abaixo o relatório completo da decisão de piso, para compor em parte este relatório: Relatório I DO LANÇAMENTO Tratase de auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, e da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, referente ao anocalendário de 2004, com os lançamentos discriminados no quadro 1 a seguir (principal, multa e juros, calculados até 05.2009) Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.310 5 TRIBUTO IMPOSTO RS JUROS DE MORA RS MULTA RS TOTAL RS IRPJ 412.693,70 238.825,84 464.280,41 1.115.799,95 CSLL 157.209,73 90.977,27 176.860,94 425.047,94 TOTAL 1.540.847,89 A impugnante tomou ciência do auto de Infração em 03/07/09(fls. 877). II DAS INFRAÇÕES LANÇADAS 2. A Empresa foi autuada pelas seguintes infrações à legislação tributária, a saber: 001 CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS 1.1 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS Os valores que constam na planilha anexada ao termo de início e para os quais a empresa não comprovou documentalmente os destinatários das importâncias são considerados fatos geradores do tributo fiscalizado, configurandose, nos termos da legislação vigente, montantes pagos, devidos ou creditados a beneficiários não identificados, de acordo com art. 674 do RIR99. . a empresa não justifica de forma alguma as despesas para as quais foi intimada, sendo inadmissível aceitar como comprovados os destinatários dos registros verificados na contabilidade. Dessa forma, os valores elencados e para os quais não houve justificativa que elida a presunção de valores pagos a beneficiário não identificados, são fatos geradores dos tributos fiscalizados, ao mesmo tempo as despesas são glosadas na apuração do lucro líquido do exercício, haja vista tratarse de empresa tributada sobre o lucro real e esses valores são artifícios utilizados para reduzir o lucro do exercício a que se refere este auto de infração, ano calendário 2004. Os valores que constam na planilha anexada a este auto de infração são considerados não dedutíveis, a luz do Art 304 do RIR99. 1.3 DO AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO A penalidade aplicada foi agravada pela falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização, nos termo de Lei 9430/96, resultando em multa de ofício de 112,5%. III DA IMPUGNAÇÃO 3 Em 31/07/2009, a Empresa apresentou impugnação ao Auto de infração (fls. 1.218), e alega em síntese: 1 DAS PRELIMINARES 1.1 NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA DEVIDO PROCESSO LEGAL Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.311 6 Inicialmente a Impugnada alega ser frágil a presunção, para se chegar a ilação no sentido de que existiram omissões de receitas. Posteriormente, tece um estudo doutrinário acerca dos princípios constitucionais do devido processo legal, e da ampla defesa, citando grandes autores renomados da área. E conclui: No presente caso, há cerceamento de defesa da impugnante, com conseqüente violação ao devido processo legal administrativo, uma vez que o auto de infração foi lavrado com fundamento em depósitos bancários. Ocorre, no entanto, que não houve juntamente com o auto de infração e termo de verificação fiscal, a apresentação de uma planilha com as contas correntes e os depósitos bancários um a um que foram utilizados como omissão de receitas e aplicada a presunção. Não houve o encaminhamento desta descrição, razão pela qual há cerceamento ao pleno exercício do direito de defesa da impugnante. Sem a explicitação de todos os elementos que serviram de fundamento, em especial, a demonstração, um a um, do porquê glosou as despesas e, principalmente, a ausência de comprovação, impossível se torna a efetiva defesa.(grifamos). 1.2 DA DECADÊNCIA Com fundamento no § 4° do art. 150 do CTN a impugnante alega: No caso em tela, o período entre janeiro e junho de 2004 foi atingido pela decadência, vez que a autuação somente foi deflagrada em 03 de julho de 2009; ou seja, após ter fluído mais de cinco anos da ocorrência dos fatos geradores, sendo certo ainda que as contribuições previdenciárias estão sujeitas a modalidade de lançamento por homologação. 2 DO MÉRITO ELEMENTOS DE PROVA Nulidade do arbitramento das bases de cálculo Além de não ter observado o devido processo legal e o princípio da razoabilidade, é certo também que a autuação e, principalmente, o relatório fiscal padece de evidente contradição, o que provoca a nulidade do auto de infração. Observe, Emérito Julgador, que a prova colhida dos autos é emprestada da lavratura de autos de infração para apuração de contribuições previdenciárias, sendo que consta da conclusão do Sr. Auditor Fiscal naqueles a autos. Analisandose esse trecho, a contradição mencionada resta evidente, pois , utilizamse os valores escriturados pela Impugnante para aferição, indireta das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, mas logo após afirmase que a contabilidade não possui credibilidade e deve ser desconsiderada. Desse modo, a nulidade do presente auto de infração é notória, de forma que merece ser reconhecida, mesmo porque, a presunção, em matéria tributária não é um Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.312 7 campo aberto sem qualquer tipo de limitação. Devem existir critérios legais, válidos e coerentes para estipulação da base de cálculo, sob pena de violação ao princípio da estrita legalidade e da tipicidade cerrada. No caso em tela, a aferição indireta que serviu de suporte para a presente autuação não está pautada em critério válido, vez que, como já afirmado, a fiscalização desconsiderou 'a contabilidade da empresa, e, ao mesmo tempo, utilizou dos dados escriturados nos Livros Diário e Razão para arbitrar as bases de cálculo. (grifamos). Nulidade do arbitramento das despesas Conforme exaustivamente debatido nos autos, inclusive quando, da fiscalização, a impugnante procurou demonstrar de todas as formas que os valores identificados às fls. do auto de infração, são despesas justificáveis, sendo, via de conseqüência, inaplicáveis as glosas efetuadas. Isto porque, basta uma análise perfunctória dos documentos anexados às fls, 0378 e seguintes que acompanham o auto de infração (novamente anexadas) para se confirmar que grande parte dos valores apontados pela fiscalização foram perfeitamente identificados ou são identificáveis. Somase a isso o fato de que a impugnante forneceu inclusive o número e a identificação dos cheques para que a autoridade administrativa (agente fiscal) pudesse fazer o seu trabalho, nos exatos limites do artigo 142 do CTN. Aliás, em momento algum o D. Agente Fiscal questiona a efetiva existência das despesas, limitandose a questionar a forma como as mesmas foram comprovadas. O que se quer dizer com isso é que, uma vez analisada a contabilidade da empresa (livros diário e razão) e identificados os pagamentos a beneficiários diversos, com os respectivos comprovantes de pagamentos, frisase novamente anexados aos autos (fls. 378 e seguintes), caberia ao agente fiscal diligenciar, mediante a expedição de ofício ao BACEN, acesso à movimentação bancária, etc, para fins de comprovar que todos os lançamentos contáveis são imprestáveis. (grifamos) Já assertiva possui maior valor se considerarmos que a"postura do agente fiscal foi feita através da contabilidade da própria empresa, ou seja, a contabilidade serviu de parâmetro para malsinada autuação, não sendo a mesma desconsiderada. Finalmente, para sepultar a pretensão fiscal, a exigência contida [no auto de infração somente teria validade se: i) houvesse a comprovação da efetiva entrega dós recursos aos citados beneficiários não identificados e; ii) a efetiva comprovação de que hão houve a operação que motivou o pagamento. PRIMEIRO: AS NOTAS FISCAIS, RECIBOS, NÚMEROS. DE CHEQUES, E DEMAIS DOCUMENTOS COMPROVAM A LEGITIMIDADE DAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA EMPRESA E, EM DECORRÊNCIA DESSE FATO D. AGENTE FISCAL QUEDOUSE INERTE EM COMPROVAR A ENTREGA DOS RECURSOS AOS SUPOSTOS BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. Mais que isso, quando do lançamento tributário, era ônus da fiscalização elencar todos os elementos de prova aptos a demonstrar a ocorrência do fato gerador, nos exatos termos do artigo 142 do CTN. Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.313 8 Conceito constitucional de renda e lucro. A glosa de despesas Portanto, somente ocorrerá o fato gerador do Imposto sobre a renda quando houver um plus ao patrimônio daquele que está a receber a renda ou os proventos de qualquer natureza. 'Assim, toda a despesa deve ser abatida para cômputo da renda e do lucro, sob pena desacordo com o disposto no artigo 153, inciso III, da Constituição Federal, bem como com o disposto rio artigo 43 do Código Tributário Nacional. Em tais condições, forçosa a insubsistência do auto de infração lavrado, sendo, de conseguinte, nula a autuação, por ofensa ao artigo 153, inciso III, 195,1, "c", da Constituição Federal, bem como ao artigo 43 do Código Tributário Nacional. Da Presunção de Omissão de Receitas, ônus da prova. O auto de infração impugnado, em verdade, encontra fundamento em mera, presunção, eis que, utilizase de indício de que inexistem comprovações, quando em verdade tudo foi devidamente escriturado pela legislação vigente, tendose, ainda, respaldo em documentação idônea, apresentada na presente fiscalização, bem como naquela de contribuições previdenciárias, amplamente citada no relatório fiscal. Ocorre, porém, que, no presente caso, a autoridade administrativa lavrou auto de infração tendo, exclusivamente, por supedáneo, a mera presunção, sem demonstrar, cabalmente, como era de sua competência, os elementos que compõem o fato jurídico tributário. Destarte, não basta a simples presunção levantada pela autoridade administrativa de que houve omissão de receitas, com base em análise perfunctória de extratos bancários. (grifamos) É preciso que a fiscalização apresente ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS SEGUROS da suposta omissão de receitas, o que não foi feito. Estamos, indubitavelmente, diante de um caso em que as autoridades fiscalizadoras buscaram recurso na presunção para fundamentar a autuação imposta à Impugnante, que é arbitrário, inadmissível e ilegal. (grifamos) Comprovação das despesas Ao contrário, do exposto no relatório fiscal, desde a fiscalização de contribuições previdenciárias, eis que os valores foram devidamente escriturados e comprovados. Sem embargo disso, para demonstrar que o equivoco na glosa das despesas dedutíveis de IRPJ e CSII, a Impugnante junta à presente impugnação vários documentos, a saber: a) contratos firmados com clientes e notas fiscais emitidas, para acobertar as respectivas prestações de serviço; b) notas fiscais e recibos demonstrando a realização de despesas para o _ exercício das atividades empresariais. De fato, esses documentos comprovem amplamente que a alegada ausência de demonstração de despesas realizada pelo Fisco não procede. Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.314 9 Isso porque a escrituração lançada na contabilidade está amparada em documentos fiscais idôneos (notas e recibos), de forma que, se não fosse concedido uni prazo muito exíguo para apresentação dos mesmos, é certo que a autuação nem teria sido levada a efeito. Como ficou demonstrada a origem das despesas lançadas na contabilidade mediante a juntada dos inclusos documentos, fica afastada a presunção iurís tantum do Fisco de que inexistem comprovações, cabendo a este o ônus de afastar uma a uma as documentações apresentadas e escrituradas, sob pena de se reconhecer a improcedência do lançamento. Em tais condições, è de se cancelar o Auto de Infração porque os inclusos documentos demonstram as despesas indicadas pelo Fisco (total ou parcialmente), impondo, assim, o afastamento da glosa realizada. 3 DOS JUROS SELIC APLICADOS os juros moratórios constantes do auto de infração também possuem caráter de indenização, tendo por pressuposto amora, ou seja, agem como complemento indenizatório da obrigação principal, destinandose a apenar a mora. a sua adoção como supostos juros "moratórios" (sic) é expediente ilegal e inconstitucional, pois desnatura por completo o pressuposto e à finalidade desta espécie de juros; a TAXA SELIC, da forma como existente e calculada hoje, não guarda qualquer correlação lógica com a recomposição do patrimônio lesado, pela falta do tributo não pago, como se busca nos juros moratórios.(grifamos) 4 DAS MULTAS APLICADAS DA RAZOABILIDADE DA PROPORCIONALIDADE DO CONFISCO. Por outra banda, as multas aplicadas, no auto de infração, ofendem aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (art. 5°, inciso LIV) e da proibição do confisco (àrt. 150, inciso IV), previstos na Constituição Federal.(grifamos). Isto porque, o valor da multa de 112% é de evidente irrazoabilidade e confisco. Ao menos, há de se reduzir a multa de 112,5% para 75%, uma vez que não se justifica a aplicação de multa qualificada por força de eventual glosa das despesas contabilizadas. Em momento algum há de se entender que o simples fato de não se conseguir comprovar parte das despesas é fraude capaz de conduzir a multa superior ao percentual de 75%. Por outro lado, não houve qualquer descrição no relatório fiscal do imposto sobre a renda e da contribuição social sobre o lucro da conduta realizada pela impugnante que seria dolosa e tipificaria alguns dos tipos previstos na Lei n. 4.502/62. bem como no Art 44 da Lei n. 9.430/96. O relatório fiscal somente cita o trecho dá lei, sem justificar claramente o comportamento causador da majoração da multa. (grifamos) 5 DO PEDIDO Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.315 10 Em face do exposto, requer seja acolhida a presente Impugnação, especialmente, julgando improcedente o lançamento tributário, tendo em vista qual insubsistência, como medida de legalidade. Acaso não se acolha o entendimento pela impossibilidade de presunção, pelo princípio da verdade material, requer a baixa dos autos para diligência. Informa, finalmente que o instrumento procuratório já fora juntado quando do procedimento fiscalizatório. 6 DAS DECISÕES ADMINITRATIVAS E JUDICIÁRIAS MENCIONADAS Para consubstanciar as suas argumentações a Impugnante mencionou julgados administrativos e judiciais. 7 DAS DOCUMENTAÇÕES ANEXADAS À IMPUGNAÇÃO Cópias de cheques; Recibos de aluguel; Notas de restaurantes; Cupons Fiscais; Notas Fiscais de supermercados; Notas Fiscais de prestação de serviços Hotel; Notas Fiscais de Auto peças; Recibos diversos; Tikets de passagens; Conhecimentos de fretes; Recibos de Recisão de Contratos; Recibos de pagamentos de custas judiciais; Recibos de pagamentos de patrocínios à atleta; Notas fiscais de Materiais elétricos; Alterações Contratuais. É o relatório. A DRJ MANTEVE EM PARTE os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.316 11 São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, com efeito inter partes, não podem ser aplicadas a outros casos. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos lançamentos por homologação, havendo pagamento antecipado do imposto, ou da contribuição, e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realizase a contagem do prazo decadencial pelo disposto no §4° do art. 150 do CTN. De outra forma, aplicase a regra ordinária da decadência estampada no art. 173, inciso I, do CTN. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. Apresentada a pretensão fiscal munida de provas, cumpre ao contribuinte indicar fatos que desconstitua o lançamento mediante elementos que militem em seu favor. Deve o interessado contestar a autuação com meios de prova eficazes, apresentando fatos impeditivos, modificativos ou extintivos em relação ao crédito tributário. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO Na cabe a marajora da multa de ofício, quando a Auditoria não comprova os pressupostos do § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430/96, para sua efetivação. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar arguição de sua ilegalidade/inconstitucionalidade. DILIGÊNCIA. NÃO COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência pleiteada pela defendente deve ser indeferida quando a análise das matérias controvertidas prescinde de produção de provas além das constantes dos autos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. No caso a DRJ desagravou a multa de ofício. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF de fls. 1.252 a 1.300 Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.317 12 Em juízo prelibatório, o presidente considerou presente os requisitos de admissibilidade e submeteu os referidos embargos, recebidos como inominados o fossem, a teor do art. 66 do RICARF e submeteu à apreciação da Turma. É o relatório. Fl. 1365DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.318 13 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Conheço dos segundos embargos por se tratar de lapso manifesto a teor do art. 66 do RICARf A embargante faz o seguinte relato: 1) Apresentase recurso voluntário que é julgado intempestivo; 2) Apresentase embargos declaratórios, demonstrando que o recurso voluntário anteriormente apresentado é tempestivo; 3) Os embargos declaratórios são julgados intempestivos; e através dos presentes embargos se comprova que o recurso voluntário anteriormente apresentados e os embargos declaratórios não são intempestivos. Nos primeiros embargos, o despacho de admissibilidade não conheceu dos embargos, nos seguintes termos: A pessoa jurídica foi cientificada da decisão deste Colegiado no dia 05 de março de 2015 (quintafeira), conforme Aviso de Recebimento (fl. 1320 do e processo), iniciandose a contagem do prazo recursal em 06 de março de 2015, sextafeira, e terminando no dia 10 de março (terçafeira), 5 (cinco) dias corridos. A contribuinte, por sua vês, interpôs os presentes embargos em 19 de março de 2015, conforme carimbo constante dos seus embargos (fls.1.321 do eprocesso), portanto, bem após o prazo de cinco dias, contados da ciência do resultado do julgamento desta Turma, conforme disciplina o artigo 65, § 1°, do Anexo II, do RICARF. Porém, nos segundos embargos a embargante trouxe provas incontestes (anexos aos segundos embargos) da tempestividade tanto dos primeiros embargos quanto do recurso voluntário. No caso os primeiros embargos foram postados nos correios em 10/03/2015, conforme carimbo do AR em anexo aos segundos embargos. Na cópia (verso) está consignado também o seu conteúdo: Embargos declaratórios no processo nº 10280.721982/200978. Uma vez provado o lapso manifesto da análise dos primeiros embargos, passase a análise do seu conteúdo que aponta a mesma natureza do erro cometido na análise da tempestividade dos primeiros embargos. O despacho que não o admitiu analisou a tempestividade do recurso voluntário nos seguintes termos: (...) Conforme atesta o Aviso de Recebimento de fl. 1.250 referente à Intimação de fls.1.227 como consignado expressamente nele , a ciência ocorreu em 01/07/2013 e o Recurso somente foi protocolizado em 08/08/2013, conforme o carimbo de Fl. 1366DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.319 14 protocolo às fls. 1552, superando em oito dias o prazo regulamentar de 30(trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. (...) Porém, novamente, a embargante trouxe provas incontestes (anexos aos segundos embargos e aos primeiros) da tempestividade do recurso voluntário. No caso, a ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 01/07/2013, mas o Recurso foi protocolizado não em 08/08/2013, como constou no despacho de admissibilidade, mas na data de 29/07/2013, conforme carimbo da data da postagem do AR de fls.1.326 E 1.349, portanto, dentro do prazo de 30 dias da ciência. Outrossim, a jurisprudência do CARF a longo que é uníssima em sustentar o entendimento de que interposição de recursos pode acontecer por meio dos correios, hipótese em que o dies a quo será a data de sua postagem na agência dos correios: 3403002.766 Acórdão Número do Processo: 13204.000065/200442 Data de Publicação: 20/03/2014 Contribuinte: ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A Relator(a): IVAN ALLEGRETTI Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. PROTOCOLO PELOS CORREIOS. POSSIBILIDADE. CONTAGEM DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. ADN 19/1997 C/C ART. 33 DO PAF. A interposição do recurso voluntário pode acontecer por meio dos Correios, hipótese em que o dies ad quo será a data de sua postagem na agência da Empresa de Correios e Telégrafos. No entanto, a postagem, realizada a título de interposição, deve acontecer dentro do prazo de 30 dias, contados da notificação do acórdão. A interposição depois de ultrapassado tal prazo implica na intempestividade do recurso. Diante do exposto, e verificando que houve lapso manifesto na análise da tempestividade dos primeiros embargos, ACOLHO EM PARTE os segundos embargos recebidos como inominados e, dandolhes efeitos infringentes para ANULAR o Acórdão nª 1401001.348, de 26 de novembro de 2014, de forma que agora passo a conhecer do recurso voluntário e analisar o seu mérito. ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 1367DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.320 15 A matéria em debate aqui é apenas a glosa de despesas. Afora em relação ao argumento relacionado à beneficiário não identificado, em que a Recorrente faz um pequeno adendo e que será enfrentado à parte, fazendo ouvido de mercador aos argumentos da DRJ e assim repete literalmente as mesmas razões impugnatórias em sede recursal, contentandose em repetir as mesmas justificativas que foram já reportadas para a DRJ, sem o mínimo cuidado de tentar infirmálas. Vejase o alerta da decisão de piso a respeito do equívoco cometido pela Impugnante, ora Recorrente: Como já mencionamos acima, Impugnante, na maior parte da sua defesa, se defende de lançamento de presunção de omissão de receitas, decorrentes de depósitos bancários não comprovados, o que é um grande equivoco, pois a autuação fundamentouse na glosa de despesas/custos por escrituração de despesas não comprovadas e pagas a beneficiários não identificados. Apesar de alertado repete literalmente os mesmos trechos que denotam esse equívoco. Os princípios da ampla defesa e do contraditório garantem ao defendente o direito de tomar conhecimento de tudo o que consta nos autos e de se manifestar a respeito, trazendo para o processo todos os elementos tendentes a esclarecer a verdade. Apesar desses princípios se caracterizarem como direitos dos contribuintes, estão implícitos nos mesmos, também deveres, de forma a regulamentar o processo para que chegue a um fim. Nesse passo, é inerente ao princípio do contraditório que o processo deva caminhar através de um caráter dialético que perpassa, se for o caso, as duas instâncias do Processo Administrativo Fiscal. Dessa forma, é imperioso, em acontecendo de a lide atingir a segunda instância, que se ofereçam razões ou contraargumentações claras e específicas contra não somente a manutenção do lançamento, mas também levando em consideração, um mínimo que seja, o que ficou dito na decisão de primeira instância, mormente em se tratando de matéria probatória, como é o caso. Isso porque as contradições ou erros ainda por ventura existentes por ocasião da decisão de primeira instância devem ser apontadas especificamente para que a instância ad quem, tome conhecimento, e se for o caso, corrijaos e supereos pela sua atividade sintetizadora de órgão revisor. Dessa forma, em vista das explicações escorreitas da decisão de piso e do que se colocou nos parágrafos anteriores, adoto como parte das razões de decidir os fundamentos utilizados pela decisão de piso, abaixo reproduzidos, uma vez que não foram infirmados em sede recursal: I DAS PRELIMINARES 01 Da Tempestividade e da Admissibilidade O Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, que regulamentou o Processo Administrativo Fiscal, em seu artigo 15, limitou o prazo para apresentação da impugnação em 30 (trinta) dias contados da data de intimação da exigência fiscal. Fl. 1368DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.321 16 Como a impugnação foi apresentada no prazo tempestivo, e preencheu os requisitos de admissibilidade do artigo 16 do Decreto n.° 70.235/1972, dela tomo conhecimento. 02 DAS DECISÕES ADMINSITRATIVAS São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, porque tais decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, eis que somente se aplicam sobre a questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. Neste sentido, o inciso II do artigo 100 do CTN determina que: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: [...]. II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; Vejase também o Parecer Normativo CST n.° 390/1971: Entendase aí que, não se constituindo em norma legal geral a decisão em processo fiscal proferida por Conselho de Contribuintes, não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte no processo de que decorreu a decisão daquele colegiado. Logo, mesmo que o Conselho de Contribuintes, hoje Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tenha decidido reiteradas vezes sobre determinada questão, pode a autoridade administrativa da Delegacia de Julgamento ter outro entendimento, salvo na hipótese de edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do Decreto 70.235/1972, incluído pela Lei n° 11.196/2005. 03 DAS DECISÕES JUDICIAIS As decisões prolatadas em âmbito judicial, quando relacionadas a casos concretos e sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Portanto, vinculam apenas as partes envolvidas no litígio, não sendo possível a extensão de seus efeitos, de forma genérica, a outros casos. Ressalva devese fazer em relação à existência de decisão definitiva pelo Supremo Tribunal Federal (STF) acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em discussão. Como de conhecimento, o Supremo pode decidir tanto em casos abstratos quanto em casos concretos. Se a decisão houver sido prolatada em um caso abstrato, o seu efeito é erga omnes e vincula todo o Poder Executivo. Nesse caso, a decisão em âmbito administrativo estaria vinculada ao entendimento do Supremo. De outra forma, se a decisão houver sido prolatada em um caso concreto, conforme enunciado proposto, esta, em regra, vincula apenas as partes envolvidas no Fl. 1369DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.322 17 litígio. Nessa situação, a principio, as instâncias administrativas de julgamento não estão vinculadas ao entendimento do Pretório Excelso. A vinculação de decisão do STF no controle incidental de constitucionalidade somente ocorrerá nas situações previstas em lei, quais sejam, súmulas vinculantes e Resoluções do Senado Federal. Ressaltase que o entendimento está em harmonia com o previsto no inciso I do §6° do art. 26A do Decreto n° 70.235/72, incluído pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, que fixa o seguinte comando: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009) I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009) Isso porque, ao se aplicar o disposto no art. 26A do Decreto n° 70.235/1972, não se estaria estendendo decisões proferidas em caso concreto a processos em julgamento, mas, sim, afastandose a aplicação de ato normativo considerado inconstitucional. Neste sentido a jurisprudência pacífica do CARF: Acórdão 20403311 (Sessão de 01/07/2008) Trecho de Ementa; APLICAÇÃO IMEDIATA DE DECISÃO DO STF PROFERIDA NO CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONAlIDADE DE NORMA JURÍDICA. As decisões proferidas pelo STF no controle difuso de constitucionalidade de norma jurídica só tem efeito entre as partes, não podendo ser estendida aos demais contribuintes, a não ser que o Legislativo reconheça a inconstitucionalidade da norma por meio de Resolução do Senado Federal. Acórdão 10249018 (Sessão de24/04/2008) Trecho de Ementa: SENTENÇAS JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Mesmo em relação ao entendimento e às súmulas (não vinculantes) dos Tribunais Superiores, data venia sua respeitabilidade, não submete o administrador em seus julgados, já que não faz parte da legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do CTN. Diferentemente seria se tratasse de súmulas vinculantes, mas tais comandos jurisprudenciais não foram trazidos pelo(a) impugnante. Fl. 1370DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.323 18 04 NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA DEVIDO PROCESSO LEGAL Inicialmente a Impugnada alega ser frágil a presunção, para se chegar a ilação no sentido de que existiram omissões de receitas. Posteriormente, tece um estudo doutrinário acerca dos princípios constitucionais do devido processo legal, e da ampla defesa, citando grandes autores renomados da área. E conclui: No presente caso, há cerceamento de defesa da impugnante, com conseqüente violação ao devido processo legal administrativo, uma vez que o auto de infração foi lavrado com fundamento em depósitos bancários. Ocorre, no entanto, que não houve, juntamente com ò auto de infração e termo de verificação fiscal, a apresentação de uma planilha com as contas correntes e os depósitos bancários um a um que foram utilizados como omissão de receitas e aplicada a presunção. Não houve o encaminhamento desta descrição, razão pela qual há cerceamento ao pleno exercício do direito de defesa da impugnante. Sem a explicitação de todos os elementos que serviram de fundamento, em especial, a demonstração, um a um, do porquê glosou as despesas e, principalmente, a ausência de comprovação, impossível se torna a efetiva defesa.(grifamos). Pelas alegações acima, verificase que a Impugnante começa se defendendo de lançamento de presunção de omissão de receitas, decorrentes de depósitos bancários não comprovados, o que é um grande equivoco, pois a autuação originou se de glosa de despesas/custos por escrituração de despesas não comprovadas e pagas a beneficiários não identificados. Em relação à nulidade, há de se constatar que todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados quando da lavratura do auto de infração, a saber: Art.10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.324 19 No tocante aos aspectos relativos a nulidade dos atos que compõem o processo fiscal, destaquese o estabelecido pelo artigo 59, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Verificase, pelo exame do processo, que não ocorreram os pressupostos supracitados, uma vez que o Auto de Infração foi lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal, servidor competente para efetuar o lançamento, perfeitamente identificado pelo nome, matrícula e assinatura em todos os Atos emitidos pelo mesmo, no decorrer do procedimento fiscal. O autuado, por outro lado, teve conhecimento da existência do citado procedimento fiscal, tendo sido concedido aos mesmos o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, já na fase de instrução do processo, em resposta às intimações que receberam argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela fiscalização. Por fim, o contribuinte tomou ciência do mesmo, exercendo amplamente o seu direito de defesa, conforme impugnação recebida e conhecida de fls. 881/925. Do exposto, na ausência de qualquer prejuízo para o sujeito passivo, inclusive para sua defesa, passaremos analisar a decadência e posteriormente as razões de mérito. 05 DA DECADÊNCIA Com fundamento no § 4° do art. 150 do CTN a impugnante alega: No caso em tela, o período entre janeiro e junho de 2004 foi atingido pela decadência, vez que a autuação somente foi deflagrada em 03 de julho de 2009; ou seja, após ter fluído mais de cinco anos da ocorrência dos fatos geradores, sendo certo ainda que as contribuições previdenciárias estão sujeitas a modalidade de lançamento por homologação.(grifamos) Não concordamos com a Impugnante, então vejamos: Legislação Sobre a decadência, assim determina o artigo 150 e 173 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.325 20 §2° Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3° Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A decadência constitui uma das hipóteses de extinção do crédito tributário a que se refere o art. 156 do CTN, cuja regra geral foi definida no art. 173 do CTN. Já nos casos em que o sujeito passivo tem o dever de anteciparse à atuação da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, interpretando a legislação aplicável para apurar o montante e efetuar o recolhimento do tributo ou contribuição devidos, o prazo decadencial foi definido em cinco anos a contar da data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4° do CTN. O professor Alberto Xavier, em seu livro "Do Lançamento: Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário", 2a. Edição, Rio de Janeiro, Forense, afirma à página 93, "... O artigo 150, parágrafo 4°., pressupõe um pagamento prévio e daí que ele estabeleça um prazo mais curto, tendo como dies a quo a data do pagamento, dado que este fornece, por si só, ao Fisco uma informação suficiente para que permita exercer o controle . O artigo 173, ao contrário pressupõe não ter havido pagamento prévio e daí que alongue o prazo para o exercício do poder de controle, tendo como dies a quo não a data da ocorrência do fato gerador, mas o exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado..." Assim, é de suma importância que fique caracterizada a antecipação do pagamento como forma de se ter dado conhecimento à autoridade fiscal da atividade exercida pelo obrigado. A partir daí o Fisco pode exercer o controle sobre os pagamentos feitos pelos contribuintes e apoiado pelas informações gerenciais que devem ser recebidas para subsidiar o trabalho fiscal, identificar eventuais insuficiências nos pagamentos do imposto. Neste sentido, havendo pagamento prévio do imposto, ainda que a menor, aperfeiçoase sob condição resolutória, o lançamento por homologação, nos dizeres Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.326 21 do parágrafo 4°, do artigo 150 do CTN, tendo o Fisco cinco anos a contar do fato gerador para exercer o seu poder de controle. Tanto o IRPJ quanto os demais tributos lançados em decorrência dos fatos apurados na fiscalização do IRPJ, quais sejam, o IRRF, a contribuição para o PIS, a Cofins e a CSLL, são da modalidade por homologação, eis que em relação a todos eles a Lei atribui ao contribuinte o dever de apurar e pagar o tributo antes de qualquer iniciativa da autoridade administrativa. Portanto, se submetem às regras decadenciais previstas no § 4° do art. 150 do CTN. Vê se que o CTN estabeleceu para os tributos lançados por homologação o prazo decadencial de cinco anos a contar do fato gerador, porém ressalvou à lei fixar prazo diverso do que foi estabelecido no § 4° do art. 150. Nesse sentido, apesar de ter sido editada a Lei 8.212, de 24/07/1991, determinando em seu art. 45 o prazo decadencial para as contribuições sociais incidentes sobre o faturamento e o lucro, como é o caso da contribuição para o PIS, da Cofins e da CSLL, componentes do orçamento da seguridade social, como sendo de 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, tal dispositivo foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal STF no julgamento dos Recursos Extraordinários n° 556.664/RS, n° 559.882/RS e n° 560.626/RS, interpostos pela Fazenda Nacional contra acórdãos proferidos pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 4a Região. A manifestação do STF nos mencionados Recursos Extraordinários levou, inclusive, a que fosse aprovada a Súmula Vinculante n° 8, de sugestão do Ministro Cezar Peluso, cujo texto determina, in verbis: São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5° do Decretolei n° 1.569/77 e os arts. 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Assim, tendo em vista que, na forma dos art. 103A da Constituição Federal e art. 2° da Lei n° 11.417, de 19/12/2006, as Súmulas emitidas pelo STF têm efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deixo de aplicar o prazo decadencial de 10 anos previsto no art. 45 da Lei n° 8.212/91 com relação à contribuição para o PIS, a Cofins e a CSLL, para entender que as referidas contribuições também se submetem ao mesmo prazo decadencial aplicável aos demais tributos sujeitos ao lançamento por homologação, que é de 5 anos contados da ocorrência dos respectivos fatos geradores. Pagamento e forma de tributação A interessada optou pelo lucro real anual, cujo fato gerador é anual para IRPJ e CSLL, conforme DIPJ/2005, relativa ao anocalendário de 2004. A contribuinte efetuou alguns recolhimentos de IRPJ e CSLL. Mesmo que utilizássemos a regra estampada no § 4° do art. 150 do CTN, mais benéfica ao Contribuinte, não ocorreu a decadência, pois a interessada optou pelo lucro real anual, cujo fato gerador é anual para IRPJ e CSLL, e o lançamento poderia ter sido efetuado a partir de 01/01/2005, com o termino prazo do qüinqüenal em 31/12/2009. Como o lançamento foi cientificado em 03/07/2009, anterior a esta data, não restando, portanto, caracterizada a ocorrência de extinção do crédito tributário por decadência para o IRPJ e CSLL. Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.327 22 Após esta conclusão passaremos a julgar as questões de mérito. II DO MÉRITO 1 DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS NA IMPUGNAÇÃO Em relação aos pedidos de nulidade já foram analisados no item apropriado acima. Como já mencionamos acima, Impugnante, na maior parte da sua defesa, se defende de lançamento de presunção de omissão de receitas, decorrentes de depósitos bancários não comprovados, o que é um grande equivoco, pois a autuação fundamentouse na glosa de despesas/custos por escrituração de despesas não comprovadas e pagas a beneficiários não identificados. A regra impõe à autoridade fiscal o dever de investigação e de comprovação do ilícito apontado na peça do lançamento, a saber, parte final do art. 9.° do Decreto 70.235/72, com a redação dada pelo art. 1.° da Lei n.° 8.748/1993 ("A exigência do crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de _ prova indispensáveis à comprovação do ilícito."). Destaquei. Como se nota do teor dos termos lavrados pela autoridade tributária no curso da ação fiscal, a investigação recaiu sobre os Livros Razão e Diário escriturados pela própria empresa, onde foram confirmadas escrituração de despesas pagas a beneficiários não identificados. Por ter estas características a Auditoria intimou a Fiscalizada a comprovar estas despesas, o qual não o fez. Na sua peça impugnatória informou que anexou os documentos abaixo citados, e que estes justificariam o equivoco da Fiscalização ao glosar as despesas dedutíveis: a) contratos firmados com clientes e notas fiscais emitidas, para acobertar as respectivas prestações de serviço; b) notas fiscais e recibos demonstrando a realização de despesas para o _ exercício das atividades empresariais. Ao analisarmos os documentos trazidos pela Defendente, verificamos: Que os documentos existentes foram os elencados no III 6 do Relatório parte integrante deste voto; No item a acima a Impugnante menciona documentos firmados com clientes e notas fiscais emitidas. Ora, primeiro não constam estes documentos mencionados, e mesmo que houvesse, dar a impressão que a impugnante está se defendendo de auto de infração originado por omissão de receitas; Em relação à infração apresentada, nos autos, tratarse de glosa de despesas por falta de comprovação, que é de fácil verificação concernente à forma de comprovação, como vejamos: Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.328 23 Por exemplo: Se o Contribuinte escriturou uma despesa de R$ 1.000,00, em sua contabilidade, em uma determinada conta, quando solicitado pelo Fisco a sua comprovação, a Fiscalizada deverá apresentar um ou mais documentos que comprovam a sua existência, trazendo consigo as suas características de acordo com o grupo de contas a que pertecem, e valores coincidentes, é o que chamamos de documentos hábeis e idôneos. Ao contrário do que afirma, na sua impugnação, a Impugnante anexou vários documentos desconexos com os valores informados em sua contabilidade, objeto do lançamento, o que levou a própria Auditoria, na sua análise constante no Relatório Fiscal (fls. 68/69) verificar que documentos apresentados referiamse a outras despesas escrituradas e não as despesas glosadas em litígio. Com muito esforço, não chegamos a nenhuma conclusão de que os documentos acostados na Impugnação dizem respeito aos comprovantes dos valores glosados pela Fiscalização. A empresa não se desincumbiu do ônus de comprovar a ilegitimidade do lançamento efetuado já que poderia ter trazido aos autos documentos hábeis e idôneos que comprovassem as despesas glosadas, como não o fez, concluise pela manutenção dos Autos conforme lavrados. 2 DA TAXA SELIC INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE A recorrente sustenta a inconstitucionalidade da utilização da taxa SELIC, como em síntese abaixo menciona: os juros moratórios constantes do auto de infração também possuem caráter de indenização, tendo por pressuposto amora, ou seja, agem como complemento indenizatório da obrigação principal, destinaridose a apenar a mora. a sua adoção como supostos juros "moratórios" (sic) é expediente ilegal e inconstitucional, pois desnatura por completo o pressuposto e à finalidade desta espécie de juros; a TAXA SELIC, da forma como existente e calculada hoje, não guarda qualquer correlação lógica com a recomposição do patrimônio lesado, pela falta do tributo não pago, como se busca nos juros moratórios.(grifamos) Primeiramente, há de se considerar que o art. 161, § 1°, do CTN ressalvou a possibilidade aplicação da taxa de juros com base em lei ordinária. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. O art. 61 da Lei n° 9430/96, por sua vez, determinou que: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.329 24 específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei n° 9.716, de 1998) O § 3° do art. 5° da Lei n° 9.430/96, por seu turno, dispôs que: §3° As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e CustódiaSELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Nesse sentido, a incidência de juros de mora, sobre débitos de natureza tributária, a partir de 01/01/1997, com base na taxa SELIC, que a impugnante reputa inaplicável, por ofensa a princípios constitucionais, está prevista no § 3° do art. 61 c/c § 3° do art. 5° da Lei n°. 9.430, de 1996, diploma legal fruto da emanação da vontade do Poder Legislativo Nacional, cuja elaboração seguiu o processo legislativo constitucionalmente previsto. Tem, portanto, a seu favor, a presunção de legitimidade que é própria das leis. Acontece que as autoridades administrativas não são competentes para se manifestar a respeito da constitucionalidade das leis, seja porque tal competência é conferida ao Poder Judiciário, seja porque as leis em vigor gozam da presunção de constitucionalidade, restando ao agente da administração pública aplicálas, a menos que estejam incluídas nas hipóteses de que trata o Decreto n°. 2.346, de 1997, ou que haja determinação judicial em sentido contrário beneficiando o contribuinte, o que não é o caso. Ressalto que a autoridade administrativa se encontra totalmente vinculada aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.° 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). A esta autoridade, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia dos preceitos legais considerados, pelo sujeito passivo, como inconstitucionais e/ou ilegais. No mais, a utilização da taxa de juros SELIC, para fim tributário, é definido por lei específica, qual seja a Lei n° 9.430/96, não sendo aplicadas, portanto, as disposições da legislação extravagante. 3 DAS MULTAS APLICADAS DA RAZOABILIDADE DA PROPORCIONALIDADE DO CONFISCO. [DRJ DESAGRAVOU A MULTA] Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.330 25 (...) É inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de ofício. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 145, § 1°, determina que os impostos serão graduados em função da capacidade contributiva do contribuinte. E mais, em seu artigo 150, inciso IV, veda a utilização de tributo com efeito de confisco. Ocorre que tributo não deve ser confundido com penalidade. O princípio que norteia a imputação penal, cujo caráter é agressivo, tem o condão de compelir o contribuinte a se afastar de cometer atos ou atitudes lesivos à coletividade. Nesse linha, temse orientado o Conselho de Contribuintes: "CONFISCO A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal". (Ac. 10242741, sessão de 20/02/1998). "MUITA DE OFICIO A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese ao valor do tributo, não extravasando para o percentual aplicável às multas por infrações à legislação tributária. A multa deve, no entanto, ser reduzida aos limites impostos pela lei n.° 9.430/96, conforme preconiza o art. 112 do CTN". (Ac. 20171102, sessão de 15/10/1997). Outrossim, a aplicação de multa de ofício (regulamentar, qualificada ou agravada) está devidamente fundamentada na legislação tributária (art. 44 da Lei n° 9.430/96). Pelo que, as alegações de ofensa aos princípios da vedação ao confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade não podem ser oponíveis às autoridades administrativas, posto que estas se encontram totalmente vinculadas aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.° 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Em verdade, de acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a autoridade fiscal encontrase limitada ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de ultrapassar tais restrições para examinar questões outras como as suscitadas na impugnação em exame. Cabe ao julgador administrativo simplesmente seguir a lei e obrigar seu cumprimento. Assinalese que tal é a determinação do Parecer Normativo da COSIT/SRF n° 329/1970: Iterativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido de que a arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. Por fim, o art. 7.° da Portaria MF n° 58/2006 determina que a autoridade julgadora administrativa deve observar o conteúdo das disposições legais, bem como o entendimento da Receita Federal expresso em atos tributários. III DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.331 26 A diligência pleiteada pela defendente deve ser indeferida, pois a análise das matérias controvertidas prescinde de produção de provas além das constantes dos autos. Como veremos: Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências e perícias, em conformidade com o artigo 16, inciso IV do Decreto n° 70.235, de 1972, com redação dada pelo artigo 1° da Lei n° 8.748, de 1993, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput , do Decreto n° 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 1993). A realização de diligência e perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado e/ou esclarecimento de fatos considerados obscuros no processo. Todavia, elas não integram o rol dos direitos subjetivos do autuado, podendo o julgador, se justificadamente entendêlas prescindíveis, não acolher o pedido. No presente caso, tais motivos são inexistentes. Desta forma, e em conformidade com o artigo 18, caput, do Decreto n° 70.235, de 1972, indefiro os pedidos de diligência, por considerála prescindível para o julgamento da presente lide. IV DO LANÇAMENTO REFLEXO CSLL DECORRÊNCIA. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e da contribuição social, o que foi decidido em relação àquele, no que couber, é aproveitado no lançamento desta. Como se viu, na impugnação a defesa empenhouse em tentar provar a glosa de despesas com documentação completamente desartiiculada. Em recurso voluntário neste tópico a recorrente centra sua força no fato de que a fiscalização inverteu o ônus da prova. Tratandose de elementos positivos como receita o ônus inicial e a carga de prova é toda do fiscal, mas tratandose de elementos negativos como despesas, o ônus de provar a existência da despesa é do contribuinte. No caso concreto, conforme foi demonstrado pela DRJ, os elementos probantes trazidos em fase impugnatória são desconexos. E como é praxe do colegiado, não se admite prova a simples juntada de provas desconexas e incompletas como fez a defesa. É preciso fazer precisamente a ligação dos elementos que se deseja provar. A prova deve estar perfeitamente articulada com o auto de infração, descortinandose a partir dela de forma sucinta e objetiva todas as conexões existentes com o infração que se deseja infirmar. Esse ônus não é do julgador, nem do autuante, mas sim da recorrente. Nesse contexto, o que a Recorrente denomina de simples presunções, na verdade é efeito de ela própria não desempenhar o seu ônus probante e dessa forma se subsumir à norma da lei. Vejase o argumento abaixo como demonstra claramente o erro de raciocínio e desconsideração de que o ônus nesse caso é da Recorrente: No caso dos autos, estamos diante de simples presunções. Apesar de deter competência para tal mister a prova irrefutável não foi realizada pelo Fisco, no sentido de demonstrar que a movimentação do dinheiro e as supostas remessas ao exterior foram realizadas pela empresa, qual seja, a quebra do sigilo bancário e a expedição de ofícios às instituições financeiras para apuração do ocorrido e o retorno ou não do dinheiro ao Brasil. Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 10280.721982/200978 Acórdão n.º 1401001.871 S1C4T1 Fl. 1.332 27 A Recorrente também parece intencionar defenderse de uma suposta infração relacionada ao pagamento a beneficiários não identificados ou sem causa.Ora a acusação é apenas de glosa de despesas. Referida. O fiscal apenas robusteceu a sua prova relacionada à glosa de despesas com o fato de que nem a prova de que nem a prova do que pagou (causa) ou para quem pagou a recorrente consegue responder, conforme tabela constante do TVF. Diante do exposto, e verificando que houve lapso manifesto na análise da tempestividade dos primeiros embargos, ACOLHO EM PARTE os segundos embargos recebidos como inominados e, dandolhes efeitos infringentes para ANULAR o Acórdão nª 1401001.348, de 26 de novembro de 2014, CONHECER do recurso voluntário para então REJEITAR as preliminares de nulidade, AFASTAR a decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1380DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900786/2012-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 14/06/2006
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.276
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AUTO POSTO IRMÃOS BATISTA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/06/2006 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 07 86 /2 01 2- 04 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13227.900786/201204 Acórdão n.º 3301003.276 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 06048.581, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) – DRJ/CTA – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Por meio do Despacho Decisório, emitido pela DRF JiParaná, o pedido de restituição foi indeferido, uma vez que o crédito informado, correspondente ao pagamento de Data do Fato Gerador: 14/06/2006, já estava integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Cientificada da decisão administrativa, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: é empresa dedicada ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes e a prestação de serviços afins. Assim, por adquirir combustíveis para revenda com incidência monofásica de PIS e Cofins e promover a saída desses combustíveis à alíquota zero, equivocadamente, deixou de constituir os demais créditos das contribuições (demais insumos e produtos/serviços, excluídas as aquisições de combustíveis) que lhe são autorizados conforme determinação do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Diz que refez a apuração do PIS e da Cofins do período, em face da não apropriação de créditos autorizados em lei, e apurou novos valores de débitos, todos demonstrados em Dacon retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os devido. Por fim, solicita a reforma da decisão, para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado e para que seja determinada a suspensão da exigência do crédito tributário, até que seja proferido despacho decisório definitivo. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.268, de 30 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 13227.900788/201295, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.268): Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13227.900786/201204 Acórdão n.º 3301003.276 S3C3T1 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário, de 13 de novembro de 2014, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0648.583, de 27 de agosto de 2014, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/07/2006 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se manter o indeferimento do pedido. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE UTILIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de créditos passíveis de aproveitamento no sistema da não cumulatividade. O presente processo diz respeito ao Despacho Decisório nº de rastreamento 031047802 (fl. 5), de 4 de setembro de 2012, que indeferiu o pedido do Contribuinte de restituição de pagamento de PIS/COFINS (PER nº 41619.73872.130508.1.2.04 3004) no valor de R$ 390,64 por alegada inexistência do referido crédito. Nas razões do Recurso Voluntário o Contribuinte aduz que o Acórdão ora recorrido e o Despacho Decisório não verificaram a origem dos créditos. Cito trecho do recurso em análise para elucidar o caso (fls. 35 e 36): Vale reprisar: a Recorrente refez sua apuração de Pis e Cofins no período em debate em face da não apropriação de créditos autorizados em lei e apurou novos valores de débitos destas contribuições, todo demonstrados em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os efetivamente devidos conforme demonstramos acima. Desta forma, o valor indevido (diferença entre o valor recolhido e o declarado na DCTF e o novo valor demonstrado em DACON) corresponde ao valor objeto de pedido de restituição ora debatido. O crédito utilizado por compensação na Dcomp não homologada pelo Acórdão em debate pode ser confirmado na Dacon retificadora do período em epígrafe, cujo recibo de entrega já integra os autos deste processo, na qual está demonstrada toda a apuração de créditos que resultou em saldo credor a favor da Recorrente. No entanto, de imediato verificase que a análise do pedido da Recorrente foi realizada parcialmente pela Receita Federal, já Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13227.900786/201204 Acórdão n.º 3301003.276 S3C3T1 Fl. 5 4 que aparentemente a Dacon retificadora apresentada não foi analisada. Apenas o Pedido de restituição foi analisado. Sendo assim, ao efetuar o cruzamento de informações entre DACON Retificadora x DCTF x Pedido de Restituição se verificará claramente que o valor ora requerido é exatamente o valor que foi recolhido indevidamente (conforme demonstrado na DACON) e que deve, portanto, ser restituído à Recorrente. De fato a Recorrente não retificou as DCTFs em relação a tais valores mas não o fez por julgar o Dacon o documento demonstrativo suficiente para este fim. Também não o fez por considerar que a DCTF é o documento no qual deve permanecer o pagamento do Darf efetivamente realizado, para que, quando comparado ao valor da contribuição apurada e demonstrada em DACON, a diferença corresponda ao crédito pleiteado. E, de fato, se houvesse ocorrido o cruzamento do Dacon com a DCTF facilmente se verificaria e se confirmaria o crédito da Recorrente. Assim, o crédito existe, foi efetivamente demonstrado e como tal deve ser reconhecido à Recorrente. O fato de ter incorrido em erro por não retificar a DCTF não pode ser motivo de glosa e não reconhecimento de um crédito que está devidamente demonstrado em Dacon, já que neste demonstrativo podese verificar o valor devido no período a título da contribuição em debate, e cujo valor a favor da Recorrente pode ser facilmente confirmado pela análise conjunta dos dados – Dacon x DCTF, do qual se confirmará que o valor pleiteado é apenas a diferença recolhida a maior e, que a Recorrente manteve na DCTF, justamente para que se confirme o pagamento a maior consta da base de dados da Receita Federal. O acórdão ora analisado indeferiu o pedido do Contribuinte por entender que o crédito pleiteado não existia, conforme se verifica no seguinte trecho do voto (fl. 26): Como já dito, o indeferimento do pedido deveuse porque o crédito indicado não existia, ou seja, na data da ciência do despacho decisório, o DARF informado como origem do crédito, estava totalmente utilizado para a quitação de débito da contribuinte que foi validamente declarado em DCTF. Na sequência dos fatos, a interessada diz que procedeu à retificação do Dacon (zerando o valor da contribuição devida ao PIS e à Cofins) e requer, por isso, o deferimento do seu pleito. Nesse contexto, devese observar que, ainda que tivessem sido retificados os valores declarados em DCTF, que, como é sabido, é o instrumento de confissão de dívida e de constituição definitiva do crédito tributário (art. 5.º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF), somente seria possível a admissão da retificação mediante a comprovação do erro em que se funde, justamente, porque visa a reduzir ou excluir tributo, como estabelecido pelo Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13227.900786/201204 Acórdão n.º 3301003.276 S3C3T1 Fl. 6 5 art. 147, § 1º da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. O Dacon, por sua vez, tem o objetivo de refletir os controles feitos pelo sujeito passivo de todas as suas operações capazes de influenciar a apuração das contribuições devidas a título de PIS e Cofins, bem como dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos; mas, apresentado isoladamente, não tem o peso necessário para retificar informações declaradas tempestivamente em DCTF. (grifouse) Cabe salientar que para o ressarcimento e ou compensação tributária exigese do contribuinte a demonstração da liquidez e certeza do crédito pleiteado como dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (grifou se). Neste sentido foi a conclusão do voto do ora recorrido acórdão que assim expôs (fl. 27): Nesse contexto, cabe enfatizar que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição dos interessados, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas, de acordo com a legislação pertinente, e autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (grifou se). Percebese no presente processo que o Contribuinte não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior. Neste sentido, constase que o Contribuinte trouxe, por meio do Recurso Voluntário, os mesmos argumentos trazidos já na fase da Manifestação de inconformidade, com a inclusão de alguns novos argumentos, mas sem apresentar provas que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Sendo assim, tendo em vista os autos do processo e a legislação aplicável, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, mantendo o entendimento do Acórdão ora analisado. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, no presente processo o Contribuinte, da mesma forma que no caso do paradigma, não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior, que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13227.900786/201204 Acórdão n.º 3301003.276 S3C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 48DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.720011/2013-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.834
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente NATAL VEÍCULOS LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 00 11 /2 01 3- 99 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10469.720011/201399 Acórdão n.º 3302003.834 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.617. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10469.720011/201399 Acórdão n.º 3302003.834 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10469.720011/201399 Acórdão n.º 3302003.834 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10469.720011/201399 Acórdão n.º 3302003.834 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10469.720011/201399 Acórdão n.º 3302003.834 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 108DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.005381/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004
PRELIMINAR. CONTRADIÇÃO. NULIDADE. REJEIÇÃO.
A simples argumentação do contribuinte, em seu Recurso Voluntário, sobre possível contradição entre a fundamentação e a ementa do julgado, capaz de ofender aos princípios princípio da segurança jurídica, do contraditório e da ampla defesa não é apta a inquinar de inválida a decisão que julgou integralmente a lide e solucionou, de maneira amplamente fundamentada, a controvérsia, tal como lhe foi apresentada. A eventual inobservância das específicas normas de regência devem ser objetivamente indicadas e comprovadas, sem o que, por certo, apresentam-se como meros argumentos retóricos.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE.
O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.
IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE.
Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnê-leão, quando cumulada com a multa de ofício, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas.
Numero da decisão: 2401-004.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria, nos termos do RICARF, art. 60, parágrafo único, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arraes Egypto, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir também a multa de ofício. Vencidos, em primeira votação, os conselheiros Denny Medeiros da Silveira e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004 PRELIMINAR. CONTRADIÇÃO. NULIDADE. REJEIÇÃO. A simples argumentação do contribuinte, em seu Recurso Voluntário, sobre possível contradição entre a fundamentação e a ementa do julgado, capaz de ofender aos princípios princípio da segurança jurídica, do contraditório e da ampla defesa não é apta a inquinar de inválida a decisão que julgou integralmente a lide e solucionou, de maneira amplamente fundamentada, a controvérsia, tal como lhe foi apresentada. A eventual inobservância das específicas normas de regência devem ser objetivamente indicadas e comprovadas, sem o que, por certo, apresentam-se como meros argumentos retóricos. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnê-leão, quando cumulada com a multa de ofício, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria, nos termos do RICARF, art. 60, parágrafo único, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arraes Egypto, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir também a multa de ofício. Vencidos, em primeira votação, os conselheiros Denny Medeiros da Silveira e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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CONTRADIÇÃO. NULIDADE. REJEIÇÃO. A simples argumentação do contribuinte, em seu Recurso Voluntário, sobre possível contradição entre a fundamentação e a ementa do julgado, capaz de ofender aos princípios princípio da segurança jurídica, do contraditório e da ampla defesa não é apta a inquinar de inválida a decisão que julgou integralmente a lide e solucionou, de maneira amplamente fundamentada, a controvérsia, tal como lhe foi apresentada. A eventual inobservância das específicas normas de regência devem ser objetivamente indicadas e comprovadas, sem o que, por certo, apresentamse como meros argumentos retóricos. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnê leão, quando cumulada com a multa de ofício, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 53 81 /2 00 8- 60 Fl. 292DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria, nos termos do RICARF, art. 60, parágrafo único, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arraes Egypto, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir também a multa de ofício. Vencidos, em primeira votação, os conselheiros Denny Medeiros da Silveira e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10830.005381/200860 Acórdão n.º 2401004.902 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração de fls. 97/101, acompanhado dos demonstrativos de fls. 91/96 e do termo de constatação de fls. 75/80, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física dos anoscalendário de 2003 e 2004, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 315.524,63, composto da seguinte forma: R$ 114.289,91 relativo ao Imposto; R$ 60.699,32 de Juros de mora (calculados até 30/05/2008); R$ 85.717,43 de Multa Proporcional e R$ 54.817,97 de Multa exigida isoladamente. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 99/101, a exigência decorreu das seguintes infrações à legislação tributária: Omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior, conforme Termo de Constatação que faz parte integrante do auto de infração. Fatos Geradores, valores tributáveis e enquadramento legal as fls. 99/100; Multas isoladas decorrentes da falta de recolhimento do imposto de renda de pessoa física, devido a título de carnêleão, conforme Termo de Constatação que faz parte integrante do auto de infração. Datas dos fatos geradores, valores das multas isoladas e enquadramento legal as fls. 100/101. Consta do citado Termo de Constatação de fls. 75/80, dentre outros, que: O contribuinte retificou suas declarações de ajuste anual dos exercícios 2004 e 2005, anoscalendário 2003 e 2004, em 01/02/2008, informando rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física/exterior, de zero para R$ 299.378,63 e de zero para R$ 116.221,05, respectivamente, nos anoscalendário 2003 e 2004, sendo que os valores retificados conferem com os valores das movimentações financeiras; Anteriormente à fiscalização do Senhor José Carlos (iniciada em 11/03/2008, conforme AR de fl. 69), a mesma matéria encontravase sob investigação no Senhor Márcio Orsi da Silva, CPF n.º 272.834.87827, conforme termos lavrados em 13/12/2007, 07/01/2008 e 03/03/2008 (fls. 82/88); Conforme declaração do senhor Márcio, o senhor José Carlos é seu genitor; O senhor José Carlos retificou suas declarações de ajuste anual dos anos calendário 2003 e 2004, em 01/02/2008, incluindo rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas/exterior, os quais conferem com a movimentação financeira no exterior em questão, sendo que efetuou recolhimentos complementares de darfs (código 0246), em 21/01/2008, com multa de mora e juros; Ficou comprovado, dessa forma, que a movimentação financeira em questão é do Senhor José Carlos e não do Senhor Márcio; Fl. 294DF CARF MF 4 Ocorre que o contribuinte encontravase com a sua espontaneidade excluída, na forma do art. 138 da Lei n.º 5.172, de 1966 e do art. 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972; Ou seja, a mesma matéria já encontravase sob investigação no Senhor Márcio (termo de início de fiscalização lavrado em 13/12/2007, data do AR 17/12/2007), portanto, tanto o Senhor Márcio quanto o Senhor José Carlos encontravamse com sua espontaneidade excluída. Tanto as declarações retificadoras do Senhor José Carlos, encaminhadas após 17/12/2007, quanto eventuais recolhimentos com acréscimos de procedimento espontâneo (multa de mora), tornamse ineficazes; O contribuinte, por ter recebido valores como contraprestação por serviços prestados a pessoa física no exterior, conforme sua própria declaração de 15 de maio de 2008, estava sujeito ao recolhimento do carnêleão, na forma do artigo 106 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99 (RIR/99); Estando sob procedimento de ofício, os darfs recolhidos, além de terem sido recolhidos com código de recolhimento incorreto (0246, recolhimento complementar facultativo, art. 113 do RIR/99) e com multa de mora, são considerados ineficazes; Tendo em vista a ineficácia das declarações retificadoras e dos recolhimentos complementares, os rendimentos recebidos de pessoa física no exterior estão sendo lançados de ofício, considerandose as declarações originais. Estão sendo lançadas também as multas isoladas pela falta de recolhimento do carnêleão, na forma do enquadramento legal constante do auto de infração. Devidamente cientificado do lançamento em 11/06/2008 (AR a fl. 104), o contribuinte, apresentou, em 11/07/2008, a impugnação de fls. 107/131, por intermédio de procuradores (procuração a fl. 134), acompanhada dos documentos de fls. 136/221, alegando que: I – Ato administrativo – falta de atributos – o lançamento tributário constitui espécie genuína de ato administrativo, devendo ser dotado, em face disso, daqueles atributos consagrados pelo entendimento doutrinário e pretoriano, dentre eles o da razoabilidade e o da motivação, apanágios estes ausentes, decididamente, do lançamento ora desafiado; Prova disso é que a despeito de o i. Auditor Fiscal ter asseverado que todos os valores exigidos, sem exceção de nenhuns, foram recolhidos pelo impugnante, decidiu ele desconsiderar esses pagamentos sob o fundamento de que foram efetuados com o código errado; A perda da espontaneidade, que teria ocorrido no entendimento do provedor desse lançamento, obstaria, de qualquer forma que esses pagamentos fossem feitos sem a lavratura do lançamento; Perguntase: “É razoável que o Estado, por seus representantes, apene quando pode inocentar? Há motivação que justifique a exigência nos moldes formulados (exigindo de novo o pagamento de tributo já pago), quando o interesse público ficou integralmente preservado com o pagamento do que lhe era devido? O lançamento tributário não pode ser manejado como instrumento para infligir dano ou animado por espírito de emulação; Mais do que isso, erige como razão adicional para essa desconsideração uma suposta perda de espontaneidade, sabendo de antemão, como consta do próprio lançamento, Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10830.005381/200860 Acórdão n.º 2401004.902 S2C4T1 Fl. 4 5 que existe notável redução de multa (de 50%) mesmo para aqueles contribuintes, que sem contar com a espontaneidade, efetuam o pagamento de seus débitos sob a pressão de autos de infração; II – Histórico da autuação – em 11 de março de 2008, o impugnante foi notificado do Termo de Intimação lavrado em 07 de março de 2008, o qual exigia esclarecimentos sobre transações financeiras que teriam sido efetuadas por ele no exterior, nas datas e valores detalhados a fl. 107; Por meio de manifestação apresentada em 31 de março de 2008, o impugnante esclareceu que não havia realizado nenhuma transação no exterior e que os montantes questionados se referiam a valores ingressados no País, recebidos por ele como contraprestação por serviços prestados; Esclareceu ainda que os valores de IRPF devidos em face do recebimento de tais quantias foram espontaneamente recolhidos em 21 de janeiro de 2008, dois meses antes, portanto, juntando, para fazer prova disso, as cópias das guias de recolhimento; Em atendimento à intimação de 28 de abril de 2008, o impugnante reiterou a informação de que os recolhimentos apresentados se referiam a valores ingressados no País, recebidos por ele como contraprestação por serviços prestados a pessoa física no exterior; Não obstante os valores acima narrados, lavrouse o presente auto de infração sobre o fundamento de que: quanto ao valor principal, os recolhimentos não foram considerados, por terem sido efetuados com o código 0246, e não com o código 0190, relativo ao carnêleão; Quanto às multas, alega que o impugnante encontravase com a espontaneidade excluída, nos termos do parágrafo único do art. 138 do CTN e parágrafo 1º do art. 7º do Decreto n.º 70.235/72, considerando que na ocasião do recolhimento do tributo pelo impugnante “a mesma matéria já encontravase sob investigação no Sr. Márcio (...)”; Ao longo de todo o processo ficou demonstrado que o Dr. Márcio, apesar da relação de parentesco, não mantém e nunca manteve nenhuma relação profissional, ainda que remota com o impugnante, sendo inverossímil, em face a isso, que tenha tido ele alguma informação ou proveito acerca dos valores mencionados; mesmo a despeito disso e à míngua de qualquer adminículo de prova ou mesmo indício que possa vincular o Dr. Márcio aos sobreditos rendimentos, decidiu o Auditor Fiscal considerar como proveitosas para o impugnante as intimações anteriormente feitas ao Dr. Márcio, afastando, com base nisso, o caráter de espontaneidade dado pelo impugnante ao pagamento do tributo; III – Razões da impugnação: III. 1 – Da extinção do débito pelo pagamento – o agente fiscal desconsiderou todos os pagamentos de IRPF efetuados pelo impugnante, alegando que “foram recolhidos com código de recolhimento incorreto”. O art. 10 da Instrução Normativa SRF 672/2006, que impõe, em casos como esse de equívoco evidente, que a correção do Darf seja feita pelos Fl. 296DF CARF MF 6 órgãos da administração. A interpretação dada pelo i. Auditor Fiscal para desconsiderar os pagamentos efetuados destoa do princípio da razoabilidade; Tendo sido extinto o crédito tributário pelo pagamento, não poderia a autoridade administrativa desconsiderálo. Sendo vinculada a atividade do lançamento, não poderia o i. Auditor Fiscal promover a mencionada desconsideração doe pagamento, já que tal prática não encontra apoio em nenhuma das hipóteses previstas no art. 149 do CTN; III. 2 Da Denúncia Espontânea – o procedimento do impugnante com a confissão dos débitos de IRPF (valor principal, acrescido de juros) e o seu efetivo recolhimento, ainda que após o prazo de vencimento, porém antes do recebimento do Termo de Intimação Fiscal, subsumese integralmente à hipótese de denúncia espontânea prevista no artigo 138, § único do CTN; Não obstante, o i. Auditor Fiscal decidiu aplicar multa de ofício e multa isolada nesse caso, sob a alegação de o pagamento efetuado pelo impugnante não ter caráter espontâneo, em razão do que está dito no parágrafo 1º do art. 7º do Decreto n.º 70.235/72; Segundo o raciocínio do agente fiscal, a espontaneidade estaria excluída, considerando que na época dos recolhimentos efetuados pelo impugnante, o Dr. Márcio, como anteriormente mencionado, já havia sido intimado para prestar esclarecimentos sobre a mesma matéria objeto deste lançamento; O dispositivo transcrito cria uma espécie de solidariedade entre pessoas, daí o proveito de uma intimação para uns ser estendida para outros. Esse preceito, entretanto, deve ser interpretado com especificidade e com muito cuidado, posto que, de outra forma, estarseá impondo mágoas a direitos assegurados constitucionalmente, fazendo com que a pena de uns espraiem, de forma ilegal, efeitos sobre a situação jurídica de outros; No caso presente, além de inexistir a conexão exigida na lei, há, isto sim, inúmeras manifestações da própria fiscalização que conduzem à inequívoca conclusão da impossibilidade de a hipótese transcrita ser aplicada; Transcreve o artigo 112 do CTN para alegar que o dispositivo transcrito é claríssimo no sentido de que, em casos como o presente, a legislação deve ser interpretada da maneira mais favorável ao contribuinte; Disso resulta que, em casos com o presente, o ato administrativo do lançamento, mais do que nunca, deve ser fundamentado e provado. Cita jurisprudência no sentido de que o lançamento não pode resultar de mera presunção, mas amparado por provas efetivas; Registrese, ainda, a plena aplicação ao processo administrativotributário do Princípio da Verdade Material, segundo o qual a autoridade fiscal deve esgotar os meios em direito permitidos a fim de demonstrar a imputação tributária; Leitura atenta de todo o processo faz despontar, pois, que o i. Auditor Fiscal não tendo conseguido identificar objetivamente nenhuma prova concreta da solidariedade entre o impugnante e seu filho para afastar a espontaneidade, aventurouse, à míngua de provas, a manejar a tese da inaplicabilidade da denúncia espontânea, com base em temerárias presunções; Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10830.005381/200860 Acórdão n.º 2401004.902 S2C4T1 Fl. 5 7 Presumir, como se sabe, é consequência extraída de um fato conhecido para um desconhecido. Ora, se o fato tido como conhecido é falso, impõese concluir que a consequência presumida também o seja. Cita doutrina; Concluise, portanto, que não estando o presente processo administrativo devidamente fundamentado, a partir de provas e motivação inteligível, o impugnante não pode ser obrigado a realizar prova de impossível concretização (prova negativa), cabendolhe, tão somente, afirmar que o Dr. Márcio não tem e nunca teve qualquer relação, ainda que indireta, com as indigitadas operações, cabendo à autoridade administrativa o ônus de produzir prova daquilo que alega ter ocorrido. Transcreve jurisprudência; IV – Caráter confiscatório das multas de 75% e 50%. Impossibilidade jurídica. As multas de 75% e 50% aplicadas pelo agente fiscal possuem nítido caráter confiscatório, já que acabam por desapropriar o contribuinte de parcela de seu patrimônio de forma desproporcional à suposta infração eventualmente verificada, procedimento esse expressamente vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Cita jurisprudência; Por fim, requer que o lançamento seja declarado nulo, em razão da insubsistência das razões consideradas pelo d. agente fiscal para a sua lavratura, ou, quando menos, no mérito, seja reconhecida a improcedência do auto de infração impugnado, considerando: Em relação ao valor principal, que o impugnante efetuou o recolhimento integral do débito de IRPF objeto do lançamento, o qual poderá ser alocado a qualquer tempo pela própria Receita Federal; Em relação às penalidades: que se operou a denúncia espontânea dos recolhimentos efetuados pelo impugnante, na forma do art. 138 do CTN, não sendo aplicável o parágrafo 1º do art. 7º do Decreto n.º 70.235/72, já que inexiste a solidariedade entre o impugnante e seu filho, presumida pelo agente fiscal; e mesmo que assim não fosse, por sua natureza confiscatória, sendo desproporcionais à suposta infração cometida; Protestou pela produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente pela juntada de documentos suplementares, apresentação de memoriais e sustentação oral de seu direito, informando, para fins de intimações, o endereço de seus advogados. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP) lavrou o Acórdão nº 1753.183 e manteve procedente o lançamento, nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 NULIDADE. Constatado que o procedimento fiscal foi realizado com estrita observância das normas de regência, tendo sido os atos e termos lavrados por servidor competente e respeitado o direito de Fl. 298DF CARF MF 8 defesa do contribuinte, fica afastada a hipótese de nulidade do lançamento. PAF AÇÃO FISCAL ESPONTANEIDADE. A ação fiscal se desenvolve visando à apuração de fatos, do que se conclui que a quebra da espontaneidade se estende ao verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, ao final apontado, por ter relação pessoal e direta com os fatos investigados. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS E PAGAMENTOS POSTERIORES AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. O início do procedimento de ofício exclui a espontaneidade do contribuinte quanto à matéria e períodos fiscalizados e enseja a cobrança de multa de ofício sobre as infrações apuradas do imposto de renda. Não se consideram espontâneos as declarações retificadoras e os pagamentos efetuados após o início do procedimento fiscal. MULTAS DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EXTENSÃO. As decisões administrativas, inclusive as proferidas pelo Conselho de Contribuintes, e as judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão. DOUTRINA. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. Não tendo o contribuinte cumprido a incumbência de carrear aos autos, tanto na fase de autuação, quanto na fase impugnatória, documentos que tivessem o condão de elidir a tributação em questão, embora tivesse ampla oportunidade de fazêlo, descabe o protesto genérico na peça impugnatória. SUSTENTAÇÃO ORAL. JULGAMENTO. PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Não cabe sustentação oral pelo contribuinte na primeira instância do julgamento administrativo, por falta de previsão legal. Esse instrumento de defesa está previsto na fase recursal, Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10830.005381/200860 Acórdão n.º 2401004.902 S2C4T1 Fl. 6 9 perante o Conselho de Contribuintes, caso o autuado recorra da decisão e proteste por sua produção naquela instância. INTIMAÇÃO AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do advogado/procurador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto Recurso Voluntário (fls. 253/274), no qual o Recorrente, em síntese, alega: II – Preliminarmente II.1 – Nulidade do Decisum. A contradição na decisão proferida, que, em seu fundamento expressamente reconheceu os pagamentos efetuados a título de IRPF pelo Recorrente, contudo na ementa do julgado declara a improcedência da impugnação apresentada e a manutenção integral do crédito tributário, infringem diversos princípios constitucionais, como o princípio da segurança jurídica, do contraditório e da ampla defesa. A Constituição Federal expressamente relaciona, em seu artigo 5º, inciso LV, dentre os direitos fundamentais assegurados a todos indistintamente, o do contraditório e o da ampla defesa, atinentes ao devido processo legal, com os meios e recursos a ela inerentes, inclusive em processos administrativos. Tal direito, se por rematado absurdo vier a ser tido como mero ‘direito de livro’, destituído de préstimo para regular condutas de administradores, espraia conseqüências para todas as esferas dos Poderes do Estado, particularmente para aqueles que têm como finalidade o dever de decidir, seja no âmbito administrativo, seja na esfera judicial (prestação jurisdicional). O art. 458 do Código de Processo Civil, aplicado no âmbito do processo administrativo subsidiariamente, elege como um dos requisitos essenciais da sentença a indicação precisa dos fundamentos sobre os quais o julgador analisará as questões de fato e de direito. Considerando que é defeso ao magistrado proferir sentença fora dos limites do pedido (art. 460 do CPC), seguese que a indispensabilidade da descrição dos fundamentos que orientaram a decisão deve, necessariamente, estar logicamente conectada às razões das partes, e a ementa do julgado deve refletir, de forma fiel, os fundamentos e os termos da decisão proferida, sob pena de nulidade. Dessa forma, deve ser reconhecida a nulidade da decisão a quo, por conter contradição flagrante entre os fundamentos reconhecidos e a ementa do julgado. III – Mérito. Fl. 300DF CARF MF 10 III.1 – Da denuncia espontânea. Em 11 de março de 2008, o Recorrente foi notificado do Termo de Intimação lavrado em 07 de março de 2008, originado do Mandado de Procedimento Fiscal nº 0810400 2008003131, o qual exigia esclarecimentos sobre transações financeiras que teriam sido efetuadas por ele no exterior. Por meio da manifestação apresentada em 31 de março de 2008, o Recorrente esclareceu que não havia realizado nenhuma transação no exterior e que os montantes questionados se referiam a valores ingressados (e não saídos, portanto) no País, recebidos por ele como contraprestação por serviços prestados, e que os valores de IRPF devidos em face do recebimento de tais quantia foram espontaneamente recolhidos em 21 e em 31 de janeiro de 2008, acrescidos de multa e juros, ou seja, dois meses antes, portanto, do recebimento do Termo de Intimação. Em 28 de abril de 2008, o Recorrente foi novamente intimado para apresentar cópia da guia DARF relativa ao recolhimento do valor principal de R$ 7.654,34, realizado em 31 de janeiro de 2008, bem como para esclarecer ‘o tipo da receita’ correspondente à referida guia e os demais comprovantes apresentados em sua manifestação anterior. Em atendimento a esse termo, o Recorrente apresentou manifestação anexando a cópia da guia DARF, mencionada na intimação, bem como reiterando a informação de que tanto este recolhimento como os demais se referiam a valores ingressados no País, recebidos por ele como contraprestação por serviços prestados a pessoa física no exterior. Não obstante os fatos apresentados na impugnação, a exigência da multa foi mantida, sobre o fundamento de que a denúncia espontânea estaria afastada nos termos do parágrafo 1º do art. 7º do Decreto n. 70.235/72, porque, ao contrário do que alega o Recorrente, o início da fiscalização ocorreu em 17/12/2007 através da intimação do filho do Recorrente, o Dr. Márcio Orsi da Silva, para comprovar a origem dos recursos movimentados no exterior. Contudo, cumpre esclarecer que o filho do Recorrente, o Dr. Márcio Orsi da Silva, havia sido instado, em duas oportunidades, pelo mesmo agente fiscal que lavrou o auto de infração, a prestar esclarecimentos sobre as sobreditas operações, tendo ele se manifestado no sentido de que (i) desconhecia essas operações; (ii) delas nunca tinha participado; e (iii) nunca teve ou auferiu nenhum proveito em relação ou como decorrência delas. Ao longo de todo o processo ficou demonstrado que o Dr. Márcio, apesar da relação de parentesco, não mantém e nunca manteve nenhuma relação profissional, ainda que remota, com o Recorrente, sendo inverossímil que tenha tido ele alguma informação ou proveito acerca dos valores mencionados: enquanto o Dr. Márcio é arquiteto e na ocasião daqueles pagamentos morava em Campinas e prestava serviços para a prefeitura de Capivari, o Recorrente, engenheiro de profissão, residia em São Paulo e prestava serviços a empresa particular e a pessoa físicas, na condição de consultor administrativo e operacional. Contudo a multa de ofício e a multa isolada foram mantidas pela decisão administrativa, sob a alegação de o pagamento efetuado pelo Recorrente não ter caráter espontâneo, em razão do que está dito no parágrafo 1º do art. 7º do Decreto n. 70.235/72, o qual dispõe verbis: [...] Pela análise da decisão administrativa, a exemplo do que ocorreu na lavratura do auto de infração, o julgador administrativo entendeu que o dispositivo transcrito possui Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10830.005381/200860 Acórdão n.º 2401004.902 S2C4T1 Fl. 7 11 exótica lateralidade, a qual, todavia, tem limites bem mais modestos, e isto, digase, em razão de direitos fundamentais constitucionalmente assegurados, que vedam, como no passado, que a pessoa, ultrapassando a pessoa do infrator, aflija todos os seus ascendentes e descendentes indiscriminadamente (inciso XXXVIII, letra “a”, art. 5º da CF). O dispositivo transcrito cria uma espécie de solidariedade entre pessoas, daí o proveito de uma intimação para uns ser estendida para outros. Esse preceito, entretanto, deve ser interpretado com especificidade e com muito cuidado, posto que, de outra forma, estarseá impondo mágoas a direitos assegurados constitucionalmente, fazendo com que a pena de uns espraiem, de forma ilegal, efeitos sobre a situação jurídica de outros (inciso XLV, art. 5º da CF). No caso presente, além de inexistir a conexão exigida na lei, há, isto sim, inúmeras manifestações da própria fiscalização que conduzem à inequívoca conclusão da impossibilidade de a hipótese transcrita ser aplicada; Transcreve o artigo 112 do CTN para alegar que o dispositivo transcrito é claríssimo no sentido de que, em casos como o presente, a legislação deve ser interpretada da maneira mais favorável ao contribuinte; Disso resulta que, em casos com o presente, o ato administrativo do lançamento, mais do que nunca, deve ser fundamentado e provado. Cita jurisprudência no sentido de que o lançamento não pode resultar de mera presunção, mas amparado por provas efetivas; Registrese, ainda, a plena aplicação ao processo administrativotributário do Princípio da Verdade Material, segundo o qual a autoridade fiscal deve esgotar os meios em direito permitidos a fim de demonstrar a imputação tributária; Leitura atenta de todo o processo faz despontar, pois, que o i. Auditor Fiscal não tendo conseguido identificar objetivamente nenhuma prova concreta da solidariedade entre o impugnante e seu filho para afastar a espontaneidade, aventurouse, à míngua de provas, a manejar a tese da inaplicabilidade da denúncia espontânea, com base em temerárias presunções; Presumir, como se sabe, é consequência extraída de um fato conhecido para um desconhecido. Ora, se o fato tido como conhecido é falso, impõese concluir que a consequência presumida também o seja. Cita doutrina; Concluise, portanto, que não estando o presente processo administrativo devidamente fundamentado, a partir de provas e motivação inteligível, o Recorrente não pode ser obrigado a realizar prova de impossível concretização (prova negativa), cabendolhe, tão somente, afirmar que o Dr. Márcio não tem e nunca teve qualquer relação, ainda que indireta, com as indigitadas operações, cabendo à autoridade administrativa o ônus de produzir prova daquilo que alega ter ocorrido, o que, até o presente momento não ocorreu! Colaciona jurisprudência; III.2 – Cobrança de penalidade em duplicidade. Multa de 75% X Multa Isolada de 50%. Por fim, a decisão recorrida manteve a insólita cobrança, em duplicidade, de Fl. 302DF CARF MF 12 penalidade sobre as mesmíssimas bases de cálculo. E o efeito disso, como decorrência da interpretação malsã da lei, é simplesmente devastador. Discorre acerca da impossibilidade de manutenção das referidas multas e colaciona jurisprudência para corroborar sua tese. IV – Pedido Diante de todo o exposto, e mais do que nos autos consta, vem o Recorrente, respeitosamente à presença desse E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, reiterando suas razões de impugnação, apresentar o presente RECURSO, que requer seja admitido, e, após o seu devido processamento, seja reconhecida em caráter preliminar a NULIDADE da decisão de 1ª instância administrativa em face da contradição existente entre os fundamentos da decisão e sua ementa. Caso não seja esse o entendimento desse C. Conselho Administrativo, o que se reconhece “ad argumentandum tantum” e em razão do princípio da eventualidade, requerse, no mérito, seja reformada a r. decisão de 1ª instância administrativa, declarandose a IMPROCEDÊNCIA total do lançamento, com o cancelamento da autuação e o arquivamento destes autos, pelas razões expostas no presente recurso. Protesta o Recorrente pela apresentação de memoriais e sustentação oral de seu direito. É o relatório. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10830.005381/200860 Acórdão n.º 2401004.902 S2C4T1 Fl. 8 13 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 04/04/2012, conforme AR às fls. 252, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 03/05/2012 (fls.253/274) Da preliminar de nulidade O Recorrente suscita a nulidade do julgado. Sustenta haver contradição na decisão proferida, que, em seu fundamento expressamente reconheceu os pagamentos efetuados a título de IRPF pelo Recorrente, contudo na ementa do julgado declara a improcedência da impugnação apresentada e a manutenção integral do crédito tributário, o que, segundo ele, infringe diversos princípios constitucionais, como o princípio da segurança jurídica, do contraditório e da ampla defesa. Em que pese todos os esforços retóricos desenvolvidos pelo Recorrente, não identifico na respeitável decisão hostilizada os vícios que poderiam macular o julgado ou que se mostre ofensiva ou contrária a qualquer disposição específica do ordenamento jurídico pátrio, não vislumbrando aqui, portanto, qualquer possibilidade de argüição de quaisquer das preliminares argüidas. No âmbito do processo administrativo fiscal, nunca é demais destacar, que o pronunciamento de nulidades possui específico regramento na legislação de regência, valendo a esse ponto, sempre, o destaque às disposições do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, que assim dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 304DF CARF MF 14 Portanto, não sendo o caso de nenhuma das hipóteses elencadas acima, não vislumbro no presente caso qualquer vício capaz de macular a decisão de primeira instância, razão porque rejeito, de plano, a preliminar de nulidade suscitada pelo recorrente. Do mérito Da denuncia espontânea. Centrase a controvérsia na averiguação da existência de espontaneidade do Sujeito Passivo para afastamento das multas de ofício e isolada. O Recorrente sustenta que em 11 de março de 2008 foi notificado do Termo de Intimação, lavrado em 07 de março de 2008, originado do Mandado de Procedimento Fiscal nº 08104002008003131, o qual lhe exigia esclarecimentos sobre as transações financeiras que teriam sido efetuadas por ele no exterior. Narra que, em 31 de março de 2008, “o Recorrente esclareceu que não havia realizado nenhuma transação no exterior e que os montantes questionados se referiam a valores ingressados (e não saídos, portanto) no País, recebidos por ele como contraprestação por serviços prestados, e que os valores de IRPF devidos em face do recebimento de tais quantia foram espontaneamente recolhidos em 21 e em 31 de janeiro de 2008, acrescidos de multa e juros, ou seja, dois meses antes, portanto, do recebimento do Termo de Intimação”. Em seguida, no dia 28 de abril de 2008, foi novamente intimado para apresentar cópia da DARF relativa ao recolhimento do valor principal de R$ 7.654,34, realizado em 31 de janeiro de 2008, bem como para esclarecer o tipo da receita correspondente à referida guia e os demais comprovantes apresentados em sua manifestação anterior. Esclarece que em atendimento a esse termo, “o Recorrente apresentou manifestação anexando a cópia da guia DARF, mencionada na intimação, bem como reiterando a informação de que tanto este recolhimento como os demais se referiam a valores ingressados no País, recebidos por ele como contraprestação por serviços prestados a pessoa física no exterior”. Argumenta que, “não obstante os fatos apresentados na impugnação, a exigência da multa foi mantida, sobre o fundamento de que a denúncia espontânea estaria afastada nos termos do parágrafo 1º do art. 7º do Decreto n. 70.235/72, porque, ao contrário do que alega o Recorrente, o início da fiscalização ocorreu em 17/12/2007 através da intimação do filho do Recorrente, o Dr. Márcio Orsi da Silva, para comprovar a origem dos recursos movimentados no exterior”. Entretanto esclarece, que o filho do Recorrente, Sr. Márcio Orsi da Silva, foi em duas oportunidades a prestar esclarecimentos sobre as referidas operações, tendo ele se manifestado no sentido de que “(i) desconhecia essas operações; (ii) delas nunca tinha participado; e (iii) nunca teve ou auferiu nenhum proveito em relação ou como decorrência delas”. Afirma que no decorrer do processo restou comprovado que o Sr. Márcio, apesar da relação de parentesco, não mantém e nunca manteve nenhuma relação profissional, ainda que remota, com o Recorrente, sendo inverossímil que tenha tido ele alguma informação ou proveito acerca dos valores mencionados: enquanto o Dr. Márcio é arquiteto e na ocasião daqueles pagamentos morava em Campinas e prestava serviços para a prefeitura de Capivari, o Recorrente, engenheiro de profissão, residia em São Paulo e prestava serviços a empresa particular e a pessoa físicas, na condição de consultor administrativo e operacional. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10830.005381/200860 Acórdão n.º 2401004.902 S2C4T1 Fl. 9 15 Contudo a multa de ofício e a multa isolada foram mantidas pela decisão administrativa, sob a alegação de o pagamento efetuado pelo Recorrente não ter caráter espontâneo, em razão do que está dito no parágrafo 1º do art. 7º do Decreto n. 70.235/72. Em que pese os esforços do Recorrente em seu extenso arrazoado, entendo que a decisão de primeira instância merece ser confirmada nesse particular. Sobre o tema em questão, conforme se observa do Termo de Constatação (fl.78), o Procedimento Fiscal teve início em 13/12/2007 na pessoa do Sr. Márcio Orsi da Silva, CPF 272.834.87824, filho do Recorrente. Por sua vez, o Recorrente retificou suas declarações de ajuste anual dos anos calendário 2003 e 2004, apenas em 01/02/2008, ocasião em que encontravase com sua espontaneidade excluída, na forma da legislação a seguir transcrita: Código Tributário Nacional Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único: Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifei) Decreto n° 70.235 de 06/03/1972 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; [...] § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (grifei) Ou seja, a mesma matéria já encontravase sob investigação no Sr. MÁRCIO (TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO lavrado em 13/12/2007, data do AR 17/12/2007 – fl.82), portanto, tanto o Sr. Márcio, quanto o Recorrente, encontravamse com sua espontaneidade excluída. Ou seja, tanto as declarações retificadoras do sujeito passivo, encaminhadas após 17/12/2007, quanto eventuais recolhimentos com acréscimos de procedimento espontâneo (multa de mora), tornamse ineficazes. Conforme bem anotado pela decisão de piso: Fl. 306DF CARF MF 16 “Cumpre salientar que nos documentos bancários (fls. 14/34) constam o nome de José Carlos Muller da Silva e Márcio Orsi da Silva. Ao retificar as declarações de ajuste anual, o impugnante assumiu que os rendimentos auferidos do exterior lhe pertenciam, mas a intimação formalizada ao seu filho em 17/12/2007, tem o condão de excluir a sua espontaneidade, eis que o § 1º do art. 7º do PAF determina que o início do procedimento exclui a espontaneidade independentemente de intimação dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Das lições de Celso Antônio Bandeira de Mello do seu clássico ‘Curso de Direito Administrativo’, procedimento é uma sucessão itinerária e encadeada de atos administrativos que tendem todos a um resultado final e conclusivo. Ou seja, uma seqüência de atos conectados entre si, isto é, armados em uma ordenada sucessão visando a um ato derradeiro. Ora, quando a ação fiscal foi redirecionada para o impugnante, verdadeira titular da movimentação bancária, o procedimento fiscal não se esgotou, pelo contrário prosseguiu visando ao ‘resultado final conclusivo’ nas palavras do mestre citado. Ademais, a ação fiscal tem por objeto o fato em investigação no caso a conta titularizada pela Lespan, mantida no Citbank (documentos de fls. 14/34) – e não a pessoa fiscalizada, razão pela qual fica afastada qualquer possibilidade de consubstanciação de denúncia espontânea. Pela norma legal, praticado o ato de ofício, no caso consubstanciado pelo lançamento, houve exclusão de espontaneidade do sujeito passivo e, independentemente de intimação, dos demais envolvidos nas infrações verificadas.” Dessa forma, e tendo em vista que o procedimento de retificação alegado pelo Recorrente foram efetuados tão somente após o início da ação fiscal, entendo que a decisão recorrida não merece qualquer reparo nesse particular, razão pela qual nego provimento ao recurso nesse ponto. Da Multa de 75% e Multa Isolada de 50%. Sustenta o recorrente a inaplicabilidade da concomitância da multa isolada e a multa de ofício ao argumento de restar caracterizado verdadeiro bis in iden. Então que razão assiste ao Recorrente nesse particular. Com efeito, a Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou em diversas ocasiões a propósito da matéria, decidindo pela inaplicabilidade da concomitância das multas de ofício e isolada, conforme se extrai dos Acórdãos nº 9202003.163; 9202 003.552; 920200.883, entre outros, e da mesma forma nas Turmas Ordinárias, conforme se extrai do excerto do voto do Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, acolhido de forma unânime, exarado nos autos do Processo nº 10.830.0006853/200630, ao qual me filio e peço vênia para transcrever e adotar como razões de decidir: “[...] Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10830.005381/200860 Acórdão n.º 2401004.902 S2C4T1 Fl. 10 17 Concomitância na aplicação da multa isolada com a multa de ofício Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinadas condutas, tornase importante investigar se a penalidade prevista para punir uma delas pode absorver a outra. No caso em exame, o não recolhimento mensal devido a título de carnêleão pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto ao final do anocalendário. A primeira conduta, é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é, sem dúvida, a efetividade da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do imposto devido a título de carnêleão. Em se tratando de aplicação de penalidades, aplicase, aqui, a lógica do princípio penal da consunção. Pelo critério da consunção, ao se violar uma pluralidade de normas, passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, como sucede no caso em análise, prevalece a norma relativa à penalidade mais grave. Nessa linha de raciocínio, descabe a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnêleão concomitantemente com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior. Cobrase apenas esta última, no percentual de 75% sobre o imposto devido. Acrescento que a cobrança da multa isolada referente aos rendimentos sujeitos ao carnêleão, concomitantemente com a multa de ofício de 75%, penaliza o contribuinte duplamente, em face da identidade das bases de cálculo de ambas. A jurisprudência desse Conselho é pacifica em relação a não imputação de dupla penalidade pecuniária ao contribuinte em decorrência da omissão de rendimentos. Nesse sentido, oportuna é a transcrição de excerto do voto condutor vencedor do Acórdão nº 9202002.073, proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão de 22 de março de 2012, por intermédio do qual se negou provimento ao recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional: ‘O entendimento que tem prevalecido é o de que havendo lançamento de diferença de imposto deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo que se falar na aplicação de multa isolada. Por outro lado, quando o imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual houver sido pago, mas havendo Fl. 308DF CARF MF 18 omissão quanto ao recolhimento do carnêleão, deve ser lançada a multa isolada, e somente ela’. Na mesma linha: Acórdão nº 9202001.976 do CSRF. Em resumo: a denominada ‘multa isolada’ do artigo 44, II, ‘a’ da Lei nº 9.430/1996 apenas deve ser aplicadas aos casos em que não possa ser a multa exigida em conjunto com o tributo devido (Lei nº 9.430/1996, I), não havendo que se cogitar do cabimento concomitante das multas de ofício e isolada”. Assim, em face dos substanciosos fundamentos acima transcritos, impõese afastar a multa isolada por aplicação concomitante com a multa de ofício. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância parcial com as normais legais que regulamentam a matéria, VOTO provimento ao recurso. Conclusão Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância parcial com as normais legais que regulamentam a matéria, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, pelas razões de direito acima expostas. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 309DF CARF MF
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