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Numero do processo: 13851.901910/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.859
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre pedido de ressarcimento e declaração de compensação relativos a crédito de PIS/COFINS não cumulativa. A DRF de origem exarou o despacho decisório, reconhecendo em parte o direito creditório e homologando as compensações objeto da Dcomp analisada, até o limite do direito creditório remanescente após o procedimento especial de ressarcimento de que trata a Portaria MF 348/2010. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, mediante a qual manifestou concordância com a fiscalização em relação aos itens: “6.3. Despesas com alugueis de prédios locados”, “6.4.2. Partes e peças importadas utilizadas na manutenção de máquinas e equipamentos diretamente aplicados na produção” e “6.6. Receita na venda de sucatas”; e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 01 91 0/ 20 11 -0 1 Fl. 382DF CARF MF Processo nº 13851.901910/201101 Resolução nº 3402001.859 S3C4T2 Fl. 3 2 sustentou a legitimidade dos demais créditos, em linhas gerais, sob o conceito de insumo delimitado pelo critério da necessidade/essencialidade dos gastos com bens ou serviços utilizados pela empresa em sua atividade. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da manifestante, entendendo que nenhum dos itens glosados contestados poderia ser gerador de crédito, conforme ementa abaixo: (...) NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. SERVIÇOS DE TRANSPORTE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. As despesas com serviço de transporte contratado para movimentação interna de produtos não gera direito a crédito a ser descontado no regime nãocumulativo da COFINS, por não se enquadrar no conceito de insumos nem se caracterizar como frete nas operações de venda. INSUMOS. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins nãocumulativa as despesas com a aquisição de partes e peças de reposição utilizadas em máquinas e equipamentos que atuem diretamente no processo de fabricação ou produção dos bens destinados à venda, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado da empresa. (...) Cientificada dessa decisão em, a contribuinte apresentou recurso voluntário, sustentando o seu direito creditório sob os seguintes tópicos: II 1. Da Legitimidade da Apropriação dos Créditos de COFINS Oriundos dos Serviços Prestados pelas Empresas SERVISYSTEM e TRANSPORTADORA TRANSCARGA (itens 7.2 e 7.5 do Termo de Verificação Fiscal) Essencialidade dos Serviços na Atividade Produtiva da Recorrente. II. 1.2. Sobre os serviços de condução de veículos industriais prestados pela SERVISYSTEM II. 1.3. Serviços de Administração de Almoxarifado. II. 1.4. Ad Argumentandum Tantum Necessidade de manutenção dos créditos de COFINS ao menos em relação ao fornecimento dos veículos industriais pela Servisystem II.2. Do Direito ao Crédito de PIS Decorrente da Aquisição de Partes. Pecas. Lubrificantes, Graxas e Serviços de Manutenção de Máquinas Pertencentes à Recorrente Atuação Direta desse Maquinário no Processo de Fabricação ou Produção (Itens 7.4.1 e 7.4.2 do Relatório de Atividade Fiscal) II.2. a. Nulidade do Acórdão Recorrido Falha da Fiscalização Necessidade de Verificação, In loco, da Utilização dos Insumos e das Máquinas no Processo Produtivo da Recorrente Conversão do Julgamento deste Recurso em Diligência II.2.b. Do Direito da Recorrente aos Créditos de COFINS sobre instintos e serviços essenciais à sua linha de produção e aplicados no maquinário que não entram diretamente em contato com o produto final produzido pela Recorrente. II.2.a. Da Efetiva Participação das Máquinas e Insumos no Processo de Produção da Recorrente. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 13851.901910/201101 Resolução nº 3402001.859 S3C4T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Resolução nº 3402 001.855, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13851.721690/2011 26. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela resolução (Resolução nº 3402001.855): "Do conceito de insumo para o PIS e a Cofins não cumulativos O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu no sentido de que o conceito de insumo deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou relevância para o processo produtivo da contribuinte, bem como que há ilegalidade no conceito de insumo previsto nas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004. A Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, com a aprovação da dispensa de contestação e recursos sobre o tema, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, o que vincula a Receita Federal nos atos de sua competência. O conceito de insumo delimitado no REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150) não diverge muito do entendimento que já vinha sendo adotado predominantemente neste CARF sobre a matéria, a qual reclama há muito tempo uniformização na jurisprudência em homenagem à segurança jurídica, razões pelas quais se adota desde já o entendimento do STJ veiculado no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150), cuja ementa consta abaixo: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, Fl. 384DF CARF MF Processo nº 13851.901910/201101 Resolução nº 3402001.859 S3C4T2 Fl. 5 4 efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3º, II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço –para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Os critérios da essencialidade e relevância considerados são aqueles delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa, conforme observação que constou na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN MF: 35. O STJ, seguindo o voto da Ministra Regina Helena Costa adotou a posição intermediária quanto ao conceito de insumo, ao adotar os critérios de relevância e essencialidade – também adotadas no CARF – e afastando o conceito de insumo da legislação do IPI e IRPJ. De acordo com o voto da Ministra Regina Helena estabeleceuse o critério de relevância – mais abrangente que o de pertinência adotado pelo Ministro Mauro Campbell Marques. Os Ministros Mauro Campbell Marques e Napoleão Nunes Maia Filho realinharam os seus votos para acompanhar Ministra Regina Helena Costa. (...) Observação 1. Observase que o STJ adotou a interpretação intermediária acerca da definição de insumo, considerando que seu conceito deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância. Vale destacar que os critérios de essencialidade e relevância estão esclarecidos no voto da Ministra Regina Helena Costa, de maneira que se entende como critério da essencialidade aquele que “diz com o item do qual dependa, intrínseca e Fl. 385DF CARF MF Processo nº 13851.901910/201101 Resolução nº 3402001.859 S3C4T2 Fl. 6 5 fundamentalmente, o produto ou serviço”, a)”constituindo elemento essencial e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço” ou “b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”. Por outro lado, o critério de relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja: a) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva” b) seja “por imposição legal.” Vale aqui também fazer as ressalvas efetuadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF no sentido de que foi estabelecido no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR somente um conceito abstrato de insumo, cabendo ao julgador ou aplicador da norma avaliar, em cada caso concreto, se o insumo em questão enquadrase ou não nesse conceito, ou mesmo, se não se trata de hipótese de vedação ao creditamento ou de outras previsões específicas constantes nas Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2005. A Receita Federal, por sua vez, trouxe outros delineamentos para a interpretação do conceito abstrato de insumo trazido pelo STJ mediante o PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018, cujo entendimento também vincula a fiscalização em seus atos. Observase, no entanto, que, para verificar o enquadramento do caso concreto ao referido conceito abstrato de insumo, algumas questões ainda precisam ser esclarecidas pela fiscalização e pela recorrente. II1. Da Apropriação dos Créditos de Cofins relativos aos serviços prestados pelas Empresas SERVISYSTEM e TRANSPORTADORA TRANSCARGA (itens 7.2 e 7.5 do Termo de Verificação Fiscal) Um dos contratos celebrados em 2010 com a empresa SERVISYSTEM tem o seguinte objeto: “O objeto da presente contratação é a prestação de serviços, pela CONTRATADA, de administração de almoxarifados e serviços administrativos, no Projeto denominado “deficientes” nas dependências indicadas pela CONTRATANTE. Também faz parte da presente contratação, a utilização de mão de obra por parte da CONTRATANTE, no que ser refere ao setor de Análise e Estatística da Qualidade, cujos serviços dizem respeito a desmontagem de produtos avariados.” (...) Embora haja nos autos alguma descrição do que seria a administração de almoxarifados, falta um melhor detalhamento acerca do serviço relacionado ao "setor de Análise e Estatística da Qualidade", bem como quanto aos demais "serviços administrativos" ou ao Projeto denominado “deficientes”. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 13851.901910/201101 Resolução nº 3402001.859 S3C4T2 Fl. 7 6 Dessa forma, é conveniente que se solicite à recorrente um laudo técnico com descrição detalhada dos serviços relativos ao Contrato celebrado em 2010 com a empresa SERVISYSTEM que tem como objeto prestação de serviços "de administração de almoxarifados e serviços administrativos", em especial, o eventual enquadramento desses serviços no conceito abstrato de insumo delimitado acima e/ou no entendimento veiculado pelo PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018. Caso seja possível, solicitase a segregação das remunerações dos serviços do contrato, diante da possibilidade de se manter algumas glosas de serviços e reverter outras do mesmo contrato. De outra parte, para uma maior segurança no julgamento pelo Colegiado seria também de grande utilidade um laudo técnico nesses termos relativamente aos demais contratos celebrados com a SERVISYSTEM ou com a TRANSCARGA. II.2. Da Aquisição de Partes, Peças, Lubrificantes, Graxas e Serviços de Manutenção de Máquinas pertencentes à Recorrente Relativamente a este tópico, as glosas foram efetuadas em relação às aquisições diretamente encaminhadas aos centros de custos que não estavam diretamente relacionados ao processo produtivo conforme entendimento da fiscalização (item 7.4.1 do Relatório Fiscal). Os centros de custos foram assim descritos pela fiscalização: Com relação aos centros de custos de "Engenharia de Produtos" e "Desenvolvimento de Novos produtos", relativos ao desenvolvimento de novos processos de fabricação de compressores, haveria a possibilidade de creditamento caso os itens adquiridos para estes centros (partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços) atendessem aos Fl. 387DF CARF MF Processo nº 13851.901910/201101 Resolução nº 3402001.859 S3C4T2 Fl. 8 7 requisitos constantes no item 8.1 ("Pesquisa e Desenvolvimento") do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. Relativamente aos centros de custos de manutenção, quais sejam, Construção e Reforma de Máquinas; Ferramentaria; Fábrica geral; Funilaria e Manutenção Industrial; há, em tese, a possibilidade de creditamento como insumos somente para os bens e serviços que não devam ser objeto de ativação (creditamento por encargos de depreciação). Essa matéria também foi tratada no Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018 no item 7.1 ("Manutenção periódica e substituição de partes de ativos imobilizados"). Assim, a recorrente deve ser intimada para que apresente Laudo Técnico acerca da análise da essencialidade/relevância ao processo produtivo das partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços aplicados nos centros de produção de manutenção ou de pesquisa e desenvolvimento, em especial, se atendem aos requisitos de creditamento nos termos dos itens 7.1 ou 8.1 do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. Nessa esteira, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, voto no sentido de determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: a) Intime a recorrente a, dentro de prazo razoável, apresentar Laudo Técnico com os seguintes quesitos: a.1) Descrição detalhada dos serviços relativos ao Contrato celebrado em 2010 com a empresa SERVISYSTEM que tem como objeto prestação de serviços "de administração de almoxarifados e serviços administrativos", em especial, o eventual enquadramento desses serviços no conceito abstrato de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa no REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018. Caso seja possível, solicitase a segregação das remunerações dos serviços do contrato, diante da eventual possibilidade de o Colegiado manter algumas glosas de serviços e reverter outras do mesmo contrato. a.2) Descrição detalhada dos serviços relativos aos demais contratos celebrados com a SERVISYSTEM ou com a TRANSCARGA e do seu eventual enquadramento no conceito de insumo e segregação da remuneração, conforme delineado no item precedente. a.3) Análise da essencialidade/relevância ao processo produtivo das partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços aplicados nos centros de produção de manutenção e de pesquisa e desenvolvimento, em especial, se atendem aos requisitos de creditamento nos termos dos itens 7.1 ou 8.1 do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nos itens acima, manifestandose acerca dos fatos e fundamentos apresentados pela recorrente, inclusive, sobre o eventual enquadramento dos itens glosados contestados no conceito de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no Fl. 388DF CARF MF Processo nº 13851.901910/201101 Resolução nº 3402001.859 S3C4T2 Fl. 9 8 REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018, ambos de aplicação obrigatória no âmbito da RFB. 3. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, devolva o processo a este Colegiado para prosseguimento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: a) Intime a recorrente a, dentro de prazo razoável, apresentar Laudo Técnico com os seguintes quesitos: a.1) Descrição detalhada dos serviços relativos ao Contrato celebrado em 2010 com a empresa SERVISYSTEM que tem como objeto prestação de serviços "de administração de almoxarifados e serviços administrativos", em especial, o eventual enquadramento desses serviços no conceito abstrato de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa no REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018. Caso seja possível, solicitase a segregação das remunerações dos serviços do contrato, diante da eventual possibilidade de o Colegiado manter algumas glosas de serviços e reverter outras do mesmo contrato. a.2) Descrição detalhada dos serviços relativos aos demais contratos celebrados com a SERVISYSTEM ou com a TRANSCARGA e do seu eventual enquadramento no conceito de insumo e segregação da remuneração, conforme delineado no item precedente. a.3) Análise da essencialidade/relevância ao processo produtivo das partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços aplicados nos centros de produção de manutenção e de pesquisa e desenvolvimento, em especial, se atendem aos requisitos de creditamento nos termos dos itens 7.1 ou 8.1 do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nos itens acima, manifestandose acerca dos fatos e fundamentos apresentados pela recorrente, inclusive, sobre o eventual enquadramento dos itens glosados contestados no conceito de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018, ambos de aplicação obrigatória no âmbito da RFB. 3. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, devolva o processo a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 389DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.722407/2017-52
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2016
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência.
Numero da decisão: 2002-000.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2016 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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DEDUÇÃO. Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 24 07 /2 01 7- 52 Fl. 91DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 56/61) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2016, onde se apurou a Dedução Indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 20.725,15 referente à Amil Assistência Médica Internacional. A contribuinte apresentou Impugnação (efls. 02/04), cujas alegações foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (efls. 68): b Funcionária de autarquia pública, a Universidade de São Paulo, não oferece plano de saúde em rede hospitalar privada a seus professores. Como os planos de saúde individual no Brasil estão em extinção (vide matéria do IDEC em anexo) vime, inclusive na qualidade de idosa, na eminência de atender às exigências da operadora de ingressar em um plano coletivo para pessoas físicas; c A titular da empresa (ÉTHOS) deste plano coletivo para pessoa física passou a ser a sra. Ana Maria Vicentini Ferreira de Azevedo (ficha cadastral simplificada em anexo), pessoa com a qual mantenho união estável (certidão expedida em cartório anexa); d Segundo a notificação de lançamento, não haveria provas de que tenha sido eu a pessoa que fez o pagamento do plano de saúde. Contesto a afirmação apresentado em seis pontos centrais: A declaração firmada de Ana Maria Vicentini Ferreira de Azevedo de que fui eu a pagadora do montante que me cabia e destinado às mensalidades do plano de saúde da carteira da ETHOS (declaração em anexo); Movimentação bancária que comprova transferências mensais a Ana Maria Ferreira de Azevedo para o pagamento de minha parcela do plano de saúde e que inclui até um pagamento do Simples da empresa ETHOS (em anexo); Os reembolsos do plano de saúde foram feitos em meu nome e não em nome de Ana Maria, conforme anexo, onde consta Elizabeth Cancelli, titular do Contrato; Ana Maria não solicitou reembolso destas despesas nem ao plano de saúde e nem à Receita Federal, o que poderia ter feito, caso fosse ela a pagadora; A empresa em questão apresentou faturamento zero; Meu vínculo com a empresa ETHOS é meramente para fins de viabilizar o acesso ao plano de saúde. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13896.722407/201752 Acórdão n.º 2002000.961 S2C0T2 Fl. 92 3 A Impugnação foi julgada improcedente pela 6ª Turma da DRJ/CTA (efls. 67/72). Cientificada do acórdão de primeira instância em 21/03/2018 (efls. 86), a interessada ingressou com Recurso Voluntário em 19/04/2018 (efls. 78/84) com os argumentos a seguir sintetizados. Aduz que o relator utilizouse inapropriadamente de verbos no condicional para desqualificar as provas apresentadas. Afirma que a empresa Ethos está em nome de Ana Maria Vicentini Ferreira de Azevedo e que foram feitos pagamentos à pessoa jurídica. Sustenta ainda que possui união estável com Ana Maria conforme documentação registrada em Cartório. Alega que a declaração apresentada por Ana Maria preenche todos os requisitos de veracidade a que se refere o art. 219 do Código Civil e possui relação direta com a legitimidade das partes. Assevera que existe prova nessa declaração enunciativa, pois está relacionada ao fato de que a Ethos possui faturamento zero e não possui conta de empresa em qualquer banco que possa ter viabilizado o pagamento do plano de saúde de qualquer pessoa. Defende que não há qualquer embasamento legal para que o relator duvide da autenticidade ou da boa fé dos documentos apresentados, razão pela qual ele não pode desconsiderálos em seu parecer. Relaciona as mensalidades do plano e os depósitos efetuados na conta de Ana Maria e apresenta justificativas para as diferenças existentes no confronto dos valores mensais. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do exame da Notificação de Lançamento verificase que a autoridade fiscal glosou integralmente o pagamento declarado para a Amil Assistência Médica Internacional por ser o estipulante do plano de saúde a pessoa jurídica Ethos e não ter a contribuinte comprovado que o ônus financeiro foi da pessoa física (efls. 58/59). O julgamento de primeira instância manteve a infração apurada por entender que os documentos acostados à Impugnação não demonstram que a interessada arcou pessoalmente com a despesa (efls. 67/72). Em seu Recurso Voluntário a contribuinte defende que a declaração de sua companheira Ana Maria Vicentini e os comprovantes de transferência bancária de sua conta para a dela (efls. 11, 16, 22/34) são hábeis para a finalidade pretendida, não havendo motivo para não terem sido acatados na decisão de piso. Fl. 93DF CARF MF 4 Cumpre esclarecer, inicialmente, que o relator do acórdão recorrido não desqualificou as provas e justificativas apresentadas pela recorrente ou duvidou de sua autenticidade e boafé, mas apenas as considerou insuficientes para comprovar que esta arcou, de fato, com o ônus da despesa. Vale lembrar que a autoridade julgadora de primeira instância é livre para formar sua convicção na apreciação de provas, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72, não havendo reparos a serem feitos nesse ponto. No caso em tela os Demonstrativos Analíticos juntados aos autos (efls. 43/54) confirmam tratarse de plano de saúde empresarial onde a pessoa jurídica Ethos é a contratante, não sendo possível constatar do exame dos documentos trazidos aos autos que as mensalidades foram pagas por seus beneficiários e não pela empresa. Ainda que a companheira da recorrente seja sócia da Ethos, esta só poderia deduzir o valor correspondente a seu plano de saúde se restasse comprovado, através de documentação hábil e idônea, que o ônus dessa despesa recaiu efetivamente sobre a pessoa física e não sobre a pessoa jurídica, o que não ocorreu no presente caso. Cabe ressaltar que, de acordo com o Princípio da Entidade, a pessoa jurídica tem personalidade própria, completamente distinta da pessoa de cada um de seus sócios, e o patrimônio daquela não se confunde com o patrimônio destes. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.016386/2004-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. CUMPRIMENTO EXTEMPORÂNEO. PENALIDADE.
O cumprimento da obrigação acessória, apresentação de declaração, fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator às penalidades legais.
Numero da decisão: 1302-003.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, substituído pelo conselheiro Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, substituído pelo conselheiro Marcelo José Luz de Macedo.
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APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. CUMPRIMENTO EXTEMPORÂNEO. PENALIDADE. O cumprimento da obrigação acessória, apresentação de declaração, fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator às penalidades legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, substituído pelo conselheiro Marcelo José Luz de Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 63 86 /2 00 4- 69 Fl. 42DF CARF MF Processo nº 19679.016386/200469 Acórdão n.º 1302003.566 S1C3T2 Fl. 43 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em relação ao Acórdão nº 1611.739, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (fls. 17 a 19), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "Assunto: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória apresentação de declarações (DCTF) fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais." O presente processo decorre de Auto de Infração relativo a multa por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referentes aos quatro trimestres do anocalendário de 2001 (fl. 4). O sujeito passivo, por meio do documento de fl. 2, sustenta que: (i) não causou nenhum "dolo ou prejuízo" à Receita Federal; (ii) entregou as declarações espontaneamente; (iii) efetuou o recolhimento de todos os tributos confessados nas DCTFs. A decisão de primeira instância registrou a vinculação à lei da atividade da autoridade administrativa tributária, de modo que, descumprida a obrigação acessória, fica o sujeito passivo sujeito à penalidade prevista na legislação e a autoridade tributária no dever de aplicála. Esclareceu que a obrigação acessória de que tratam os autos não se limita à apresentação das declarações, mas em fazêlo dentro do prazo fixado na legislação. Desta forma, o fato de haver apresentado as DCTFs espontaneamente e de haver recolhido os tributos nelas confessados, não exime o sujeito passivo da obrigação decorrente da entrega intempestiva. Após a ciência, o sujeito passivo principal apresentou o Recurso Voluntário de fls. 25 e 26, reiterando, basicamente, as alegações trazidas na Impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator Fl. 43DF CARF MF Processo nº 19679.016386/200469 Acórdão n.º 1302003.566 S1C3T2 Fl. 44 3 I. Da admissibilidade do Recurso O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 13 de dezembro de 2007 (fl. 22), tendo apresentado Recurso Voluntário em 26 de dezembro do mesmo ano, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído à fl 27. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso VI, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, pelo que deve ser conhecido. II. Do mérito Como visto, o sujeito passivo não contesta o fato de que apresentou em atraso as DCTFs relativas aos quatro trimestres do anocalendário de 2001. Apenas, busca se eximir da penalidade a ele imposta, pelo fato de haver apresentado as referidas declarações espontaneamente, recolhido os tributos nelas confessados e não haver causado qualquer prejuízo. A penalidade pelo descumprimento de obrigações acessórias, contudo, como bem decidido pelo Acórdão recorrido, não pode ser afastada pelas razões suscitadas. Em primeiro lugar, cabe lembrar o teor do art. 136 do CTN: "Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato." Neste sentido, é irrelevante para a aplicação da penalidade o fato de o cumprimento extemporâneo da obrigação acessória ter ocasionado, ou não, prejuízos ao Fisco. Tratase de obrigação meramente formal, de forma que o seu descumprimento, ou seja, a não apresentação da DCTF no prazo fixado na legislação impõe a aplicação da penalidade. Do mesmo modo, como bem apontado na decisão de primeira instância, o fato de o sujeito passivo haver apresentado as declarações, antes de qualquer procedimento por parte da autoridade fiscal, também não o exime da multa, uma vez que a obrigação a ele imposta não é a apresentação da DCTF, mas a sua apresentação no prazo determinado pela Administração Tributária. A par disso, o recolhimento dos tributos confessados nas DCTFs em questão consiste no cumprimento de obrigação diversa e apenas livra o Recorrente da penalidade a que estaria sujeito, no caso do não pagamento (multa de ofício) ou do pagamento extemporâneo (multa de mora). Nenhuma relação, porém, com a sanção imposta neste processo. Fl. 44DF CARF MF Processo nº 19679.016386/200469 Acórdão n.º 1302003.566 S1C3T2 Fl. 45 4 Finalmente, o pedido subsidiário apresentado pelo Recorrente, para que a penalidade imposta seja reduzida em 50%, não encontra amparo legal. A redução em questão seria possível, como consignado no Auto de Infração de fl. 4, caso o sujeito passivo houvesse efetuado o recolhimento da multa, no prazo fixado no documento de lançamento. De outra parte, para os 2º e 3º trimestres, as multas já foram aplicadas com a redução prevista no §2º do art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, e, para os 1º e 4º trimestres, já foram impostas no valor mínimo fixado pela legislação, não havendo mais o que ser reduzido: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: Ià metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; IIa setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) IR$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. " (Destacouse) Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 45DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.721922/2011-49
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006
JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício (Súmula CARF nº 108).
Numero da decisão: 9303-008.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Tatiana Midori Migiyama, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Ausente, momentaneamente, ao conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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INCIDÊNCIA. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício (Súmula CARF nº 108). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Tatiana Midori Migiyama, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Ausente, momentaneamente, ao conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 19 22 /2 01 1- 49 Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10860.721922/201149 Acórdão n.º 9303008.251 CSRFT3 Fl. 466 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3401003.873, de 25 de julho de 2017 (fls. 345 a 382 do processo eletrônico), proferido pela Primeira Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para reconhecer a decadência em relação aos créditos tributários cujo fato gerador ocorreu antes de 30/09/2006 e para manter a multa de ofício em relação ao lançamento remanescente; (b) por maioria de votos, para: (b1) afastar o lançamento em relação a remessas para exposição em feiras de amostras e promoções semelhantes, à exceção dos referentes às notas fiscais de nº 164.581, 172.281, 168.009 e 176.766; (b2) excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício; e (c) por voto de qualidade, afastar a autuação em relação ao valor tributável mínimo e a multa de ofício a ele correspondente, por carência de fundamento da autuação em relação a este item. A discussão dos presentes autos tem origem no auto de infração lavrado contra o Contribuinte em 30/09/2011, para exigência de crédito tributário no valor de R$384.960,57, a título de multa de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) não lançado com cobertura de crédito, prevista no artigo 80, inciso I, da Lei nº 4.502/1964, com redação dada pelo artigo 45 da Lei nº 9.430/1996, referente a períodos de apuração entre 31/07/2006 e 31/12/2006. Inconformado com a autuação, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) preliminarmente, quanto à decadência, o Fisco somente poderia ter reclamado algum valor a partir de 30/09/2006 (sendo a data de ciência da peça fiscal, 30/09/2011), sob pena de o lançamento ser tacitamente homologado. Não há que se alegar que a falta de recolhimento do IPI, em virtude da apresentação de saldo credor pela impugnante, ocasionaria deslocamento da regra de decadência para o art. 173, I, do CTN, pois isso somente ocorreria se houvesse efetiva comprovação do evidente intuito de dolo, Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10860.721922/201149 Acórdão n.º 9303008.251 CSRFT3 Fl. 467 3 fraude ou simulação, conforme precedentes do antigo Conselho de Contribuintes. Ainda, no caso concreto, o tributo devido foi efetivamente satisfeito/quitado por meio da compensação; b) no tocante às remessas de brindes, com alegada suspensão indevida, os respectivos valores cobrados estão abrangidos pela decadência; no mérito, quanto às saídas para feiras e exposições (as notas fiscais apresentadas à fiscalização ostentam o RIPI/2010 como base legal para a suspensão, em virtude da atualização do sistema de informática), não há limitação na legislação para a suspensão em questão, os produtos foram efetivamente enviados a locais com estrutura para a realização de feiras e exposições (hotéis e outros locais de eventos), e, sobretudo, houve o retorno dos produtos; inexiste previsão legal quanto a “recintos especializados”, no caso das remessas para promoção dos produtos; as remessas de mercadorias para feiras de amostra e promoções semelhantes foram feitas de acordo com a legislação, sendo legítimas, conforme documentação anexada; c) o valor tributável mínimo é inaplicável nas vendas realizadas a clientes, na medida em que a base de cálculo do IPI, salvo disposição em contrário, é o valor de saída da mercadoria, tanto no caso de produtos importados como para produtos de fabricação própria. O legislador delimitou a hipóteses bastante específicas a fixação de bases de cálculo para o imposto em montantes diferentes do valor da operação declarado pelo contribuinte. Porém, a autoridade fiscal afirmou que nas operações com clientes, em que não se verifica qualquer relação de interdependência, também seria aplicável um valor tributável mínimo, invocando a IN SRF nº 82/2001, a qual representa, contudo, instrumento inconstitucional e ilegal para tal desiderato; d) a impugnante está sendo acusada de realizar habitualmente saídas tributadas com valor muito abaixo do seu custo de produção. No entanto, o valor dos produtos eletroeletrônicos oscila significativamente mesmo durante curtos períodos de tempo e, em decorrência da livre iniciativa, é permitido que os preços praticados pelas empresas flutuem de acordo com as negociações realizadas. Além disso, por vezes, dá saída a produtos recondicionados (resultantes de devoluções de mercadorias) cujo preço, na venda subsequente, possui um preço bastante inferior ao do produto original. Há ainda, a fabricação ou importação de produtos que, em razão do acelerado desenvolvimento tecnológico inerente ao setor, perdem o seu valor com bastante rapidez. É da própria natureza do mercado de Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10860.721922/201149 Acórdão n.º 9303008.251 CSRFT3 Fl. 468 4 eletroeletrônicos a adoção de estratégias de vendas bastante agressivas, a fim de garantir suas fatias de mercado; e) não é aplicável a multa de 75% em caso de existência de saldo credor de IPI, por se tratar de sanção sem causa; f) é ilegal a incidência de juros Selic sobre a multa lançada de ofício. Por derradeiro, requereu, preliminarmente, o reconhecimento da decadência quanto aos fatos geradores ocorridos até 29/09/2006 e, no mérito, a improcedência do auto de infração tendo em vista a ausência de irregularidades cometidas; não sendo concedidos os pedidos anteriores, que seja pelo menos excluída a imposição da taxa de juros (SELIC) sobre os valores de multa; outrossim, protesta pela juntada posterior de provas documentais, se necessário. A DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por deu provimento parcial ao recurso, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para reconhecer a decadência em relação aos créditos tributários cujo fato gerador ocorreu antes de 30/09/2006 e para manter a multa de ofício em relação ao lançamento remanescente; (b) por maioria de votos, para: (b1) afastar o lançamento em relação a remessas para exposição em feiras de amostras e promoções semelhantes, à exceção dos referentes às notas fiscais de nº 164.581, 172.281, 168.009 e 176.766; (b2) excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício; e (c) por voto de qualidade, afastar a autuação em relação ao valor tributável mínimo e a multa de ofício a ele correspondente, por carência de fundamento da autuação em relação a este item. Conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006 Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10860.721922/201149 Acórdão n.º 9303008.251 CSRFT3 Fl. 469 5 DECADÊNCIA. PRAZO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS E DÉBITOS DE IPI NA ESCRITA FISCAL. EQUIVALE A PAGAMENTO. ARTIGOS 150, PARÁGRAFO 4º E ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. ARTIGO 124, INCISO III, DO DECRETO Nº 4.544/2002 (RIPI/2002). Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve ser aplicado o prazo do artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, quando o contribuinte efetua algum pagamento, e o prazo previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, na inexistência de pagamento ou na hipótese de dolo, fraude ou simulação. Para fins de IPI, ganha destaque o artigo 124, inciso III, do RIPI/2002, pelo qual considerase pagamento a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher, hipótese que atrai a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006 IPI. OPERAÇÕES DE REMESSA COM SUSPENSÃO DE PRODUTOS PARA EXPOSIÇÃO EM FEIRAS DE AMOSTRAS E PROMOÇÕES SEMELHANTES. ARTIGO 11 DO DECRETOLEI Nº 400/1968. ARTIGO 42 DO RIPI/2002. PARECER NORMATIVO Nº 242/1972. PARECER NORMATIVO CST Nº 78/1973. DISTINÇÃO ENTRE REMESSA PARA EXPOSIÇÃO E REMESSA PARA DEMONSTRAÇÃO. DESTINO DA REMESSA. O industrial poderá remeter, com suspensão de IPI, produtos diretamente a exposição em feiras de amostras e promoções semelhantes, não podendo ser afastada a aplicação da suspensão do IPI (i) na hipótese de o destinatário não se dedicar exclusivamente ou for recinto especializado na atividade de exposição e (ii) quando o remetente indicar ele próprio como destinatário. Para fins do IPI, as operações de remessa para exposição e remessa para demonstração têm tratamento distinto, sendo importante a verificação do estabelecimento destinatário do produto. Enquanto a Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10860.721922/201149 Acórdão n.º 9303008.251 CSRFT3 Fl. 470 6 remessa para exposição tem suspensão do IPI, a remessa para demonstração em estabelecimento comprador é normalmente tributada. Não há vedação à realização de demonstração do produto no local da exposição, nas feiras de amostra ou promoção semelhante, hipótese em que a remessa continuará a fruir da suspensão. INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 82/2001. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO ("VTM") DE IPI. ARTIGO 142 DO CTN. A incongruência entre os elementos e a motivação apresentados pela fiscalização, de um lado, e o fundamento legal indicado, de outro, ensejam o reconhecimento de carência de fundamentação e improcedência da autuação, por força no disposto no artigo 142, do CTN. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 384 a 392) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito à questão da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o acórdão de n.º 130100.974. A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópia de inteiro teor do acórdão paradigma – documento de fls. 393 a 404. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 407 a 409, sob o argumento que no acórdão recorrido o colegiado, decidiu que a multa de ofício não poderia sofrer a incidência de juros de mora. Enquanto no acórdão paradigma indicado ficou decidido de forma diametralmente oposto, considerando que os mesmos dispositivos legais amparam a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O Contribuinte opôs embargos de declaração às fls. 418 a 422, sendo que estes foram rejeitados, conforme despacho de fls. 447 a 451. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10860.721922/201149 Acórdão n.º 9303008.251 CSRFT3 Fl. 471 7 O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 433 a 445, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e que seja mantido v. acórdão em relação à exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício exigida. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora DO VOTO VENCIDO QUANTO AO CONHECIMENTO Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisar o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015. O Acordão Recorrido reconheceu a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, baseandose em dois fundamentos autônomos, acórdão recorrido excluiu essa exigência, não só em razão da falta de previsão legal, mas também em razão da própria natureza compensatória dos juros. Senão vejamos: (...) Além das razões expostas no julgado em questão, acrescento que a ausência de previsão legal de aplicação de juros de mora sobre multa de ofício decorre da própria natureza desses encargos. Enquanto a multa de ofício constitui uma sanção que tem por finalidade penalizar o devedor pelo inadimplemento da obrigação de pagar o tributo, os juros de mora têm por objetivo indenizar o credor pelo atraso no cumprimento da obrigação de pagar o tributo por devido dentro do prazo estabelecido por Lei. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10860.721922/201149 Acórdão n.º 9303008.251 CSRFT3 Fl. 472 8 Dessa maneira, tendo os juros de mora e a multa de ofício naturezas distintas, não cabe aplicar juros de mora sobre a multa de ofício, sob pena de se atribuir à multa de ofício um caráter indenizatório que a mesma não possui. O valor da multa de ofício não serve para indenizar o Estado credor pelo atraso na prestação do tributo, serve para penalizar o contribuinte que deixou de pagar tributo. Com isso, o valor da multa de ofício não pode ser majorado em função do tempo que perdurar a mora do contribuinte devedor, com juros compensatórios da mora, por ausência de previsão e em razão da sua própria natureza. (negritos não originais)” A Fazenda Nacional trouxe acórdão paradigma n.º 130100.794 com o intuito de afastar apenas o primeiro fundamento autônomo de decidir do acórdão recorrido, qual seja, a ausência de previsão legal para suportar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. “JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, deve incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 130100.794)” Para comprovar o acima exposto, basta verificar os seguintes trechos do Recurso Especial da PGFN: Para comprovar o acima exposto, basta verificar os seguintes trechos do Recurso Especial da PGFN: Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10860.721922/201149 Acórdão n.º 9303008.251 CSRFT3 Fl. 473 9 4. DIVERGINDO deste entendimento, temos que o PARADIGMA oriundo da Colenda 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF assentou que devem incidir juros moratórios sobre a multa de ofício, verbis: JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, deve incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 130100.794, doc.1) 5. Uma vez evidenciada a divergência jurisprudencial, passemos a demonstrar a razão pela qual merece ser reformado em parte o v. acórdão ora recorrido, a fim de restaurar a incidência de juros de mora sobre as multas de ofício. O Recurso Especial não foi claro ao fazer o cotejo analítico e demonstrar que o acórdão paradigma decidiu de forma contrária ao decidido no acórdão recorrido em relação aos dois fundamentos autônomos utilizados para afastar os juros de mora sobre a multa de ofício. Em outras palavras, o acórdão paradigma não teceu uma linha sequer sobre a natureza dos juros moratórios e da multa de ofício, limitandose a demonstrar a suposta incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício à luz do dos artigos 1393, 161, § 1º4, 1135 do Código Tributário Nacional e artigo 61, §§6 e 437 da Lei nº 9.430/1996. Importante ressaltar que o próprio exame de admissibilidade do Recurso Especial reconhece a independência e a autonomia dos dois fundamentos de decidir do v. acórdão recorrido quando menciona que “relativamente à questão da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, verificase que o acórdão recorrido excluiu essa exigência, não só Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10860.721922/201149 Acórdão n.º 9303008.251 CSRFT3 Fl. 474 10 em razão da falta de previsão legal, mas também em razão da própria natureza compensatória dos juros”. Diante de todo o exposto, resta demonstrado que o acórdão indicado como paradigma pela Fazenda Nacional não pode ser assim admitido, uma vez que sequer enfrentou fundamento reconhecidamente autônomo que suportou o entendimento vencedor do v. acórdão recorrido. Em vista de todo o exposto, voto por não conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda. É como voto. (Assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran VOTO VENCEDOR QUANTO AO MÉRITO No mérito, a controvérsia gravita em torno da possibilidade de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, matéria submetida a julgamento do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, em sessão realizada no dia 03 de outubro de 2018, resultando na edição da Súmula CARF n.º 108: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Acórdãos Precedentes: CSRF/0400.651, de 18/09/2007; 10322.290, de 23/02/2006; 10323.290, de 05/12/2007; 10515.211, de 07/07/2005; 10616.949, de 25/06/2008; 303 35.361, de 21/05/2018; 140100.323, de 01/09/2010; 910100.539, de 11/03/2010; 910101.191, de 17/10/2011; 920201.806, de 24/10/2011; Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10860.721922/201149 Acórdão n.º 9303008.251 CSRFT3 Fl. 475 11 920201.991, de 16/02/2012; 1402002.816, de 24/01/2018; 2202003.644, de 09/02/2017; 2301005.109, de 09/08/2017; 3302001.840, de 23/08/2012; 3401004.403, de 28/02/2018; 3402004.899, de 01/02/2018; 9101001.350, de 15/05/2012; 9101001.474, de 14/08/2012; 9101001.863, de 30/01/2014; 9101002.209, de 03/02/2016; 9101003.009, de 08/08/2017; 9101003.053, de 10/08/2017; 9101003.137 de 04/10/2017; 9101003.199 de 07/11/2017; 9101003.371, de 19/01/2018; 9101003.374, de 19/01/2018; 9101003.376, de 05/02/2018; 9202003.150, de 27/03/2014; 9202004.250, de 23/06/2016; 9202004.345, de 24/08/2016; 9202005.470, de 24/05/2017; 9202005.577, de 28/06/2017; 9202006.473, de 30/01/2018; 9303002.400, de 15/08/2013; 9303003.385, de 25/01/2016; 9303005.293, de 22/06/2017; 9303005.435, de 25/07/2017; 9303005.436, de 25/07/2017; 9303005.843, de 17/10/2017. Nos termos do art. 45, inciso VI do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria CARF n.º 343/2015, o enunciado de súmula do CARF é de observância obrigatória pelos seus conselheiros, razão pela qual, com ressalva ao entendimento pessoal desta Relatora (acórdão n.º 9303004.403), é de ser reconhecida a incidência de juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10860.721922/201149 Acórdão n.º 9303008.251 CSRFT3 Fl. 476 12 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, divirjo de seu entendimento quanto ao conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional. Como bem relatado a matéria divergente trazida pela Fazenda Nacional referese à possibilidade de incidência de aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício. A relatora propõe o não conhecimento do recurso, fundado na premissa de que a decisão, pelo afastamento dos juros, na decisão recorrida, teria sido tomada com base em dois fundamentos autônomos e independentes, qualquer um deles suficiente por si só para manutenção da decisão, sendo que a Fazenda Nacional teria apresentado o recurso especial contestando somente um dos fundamentos. De acordo com a relatora, o acórdão recorrido excluiu essa exigência, não só em razão da falta de previsão legal, mas também em razão da própria natureza compensatória dos juros. Com o devido respeito, mas não concordo que se tratam de dois fundamentos autônomos. Ambos argumentos, e não fundamentos, são utilizados para se chegar à mesma premissa: inexistência de previsão legal para aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício. De uma leitura muito simples, o acórdão paradigma chegou a uma conclusão oposta, qual seja, os juros de mora sobre a multa de ofício são devidos e, portanto, entendeu que tem previsão legal para a sua aplicação. Portanto, perfeitamente caracterizado o dissídio jurisprudencial quanto à interpretação do art. 61 da Lei nº 9.430/96 e do art. 161 do CTN, pois enquanto no Acórdão recorrido o colegiado, decidiu que a multa de ofício não pode sofrer a incidência de juros de mora; o paradigma indicado decidiu de forma diametralmente oposta, considerando que os mesmos dispositivos legais amparam a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10860.721922/201149 Acórdão n.º 9303008.251 CSRFT3 Fl. 477 13 Diante do exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 477DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.724543/2016-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
CONCESSIONÁRIA DISTRIBUIDORA DE ENERGIA ELÉTRICA. AJUSTES DECORRENTE DE VALORES REGISTRADOS NA "CVA". NÃO INCIDÊNCIA.
Os ajustes contábeis positivos decorrentes de registros na Conta de Compensação de Variação de Valores de Itens da Parcela A (CVA) possuem efeitos fiscais somente a partir de 30/11/2014, quando passaram a existir garantias reais de indenizações às concessionárias.
Antes dessa data havia incerteza quanto ao recebimento dos valores referentes aos ativos regulatórios, o que afasta o seu enquadramento enquanto receita tributável, na linha do que dispõem o artigo 43 do CTN e o princípio da competência.
Numero da decisão: 1201-002.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento ao recurso, por unanimidade.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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AJUSTES DECORRENTE DE VALORES REGISTRADOS NA "CVA". NÃO INCIDÊNCIA. Os ajustes contábeis positivos decorrentes de registros na Conta de Compensação de Variação de Valores de Itens da “Parcela A” (CVA) possuem efeitos fiscais somente a partir de 30/11/2014, quando passaram a existir garantias reais de indenizações às concessionárias. Antes dessa data havia incerteza quanto ao recebimento dos valores referentes aos ativos regulatórios, o que afasta o seu enquadramento enquanto receita tributável, na linha do que dispõem o artigo 43 do CTN e o princípio da competência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento ao recurso, por unanimidade. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 45 43 /2 01 6- 22 Fl. 637DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração (fls. 2/13) que exigem de IRPJ e CSLL, referentes ao anocalendário de 2012, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros Selic. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 416/417): O contribuinte informou em suas Demonstrações Financeiras (anexo 2, fl. 106) relativas ao anocalendário de 2012 que, em razão da adoção das normas internacionais de contabilidade e das normas contábeis adotadas no Brasil, reverteu integralmente os saldos dos ativos e passivos regulatórios, em valor equivalente a R$ 35,8 milhões, através de ajuste do RTT. Desse modo, o contribuinte foi intimado, através do Termo de Intimação Fiscal n° 1, a justificar, com apresentação de documentação hábil e idônea, a razão pela qual o valor de R$ 35.817.384,78 foi excluído do lucro tributável, através de ajuste do RTT. Em resposta, o contribuinte informa que "a exclusão do montante de R$ 35.817.384,78 relativa à "Baixa Ativos/Passivos Regulatórios ANEEL" por meio de ajuste de RTT, no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, apenas neutralizou o saldo positivo decorrente das adições e exclusões registradas em função do reconhecimento de ativos e passivos regulatórios efetuado no próprio LALUR." Prosseguindo, o contribuinte afirma que procedeu os seguintes lançamentos no LALUR: i) adicionou R$ 75.617.258,68 e excluiu R$ 39.799.873,86. E que do cotejo desses valores, chegou a um saldo positivo de R$ 35.817.384,82. Sendo esse o valor excluído, resultando em um efeito fiscalmente neutro dos ativos e passivos regulatórios. Observase que segundo o manual de contabilidade do setor elétrico, as contas de ativo e passivo regulatórios são destinadas a registrar as variações positivas e negativas dos itens da Parcela A e da Parcela B, bem como os valores relativos à variação cambial e os decorrentes de variação da base do preço, em contrapartida das contas de receita de constituição desse ativo ou passivo regulatório. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10320.724543/201622 Acórdão n.º 1201002.937 S1C2T1 Fl. 3 3 Quando de sua constituição, esses ajustes ou provisões não são tributadas e, portanto, quando de sua baixa (amortização ou realização) as mesmas devem ser tributadas. Por isso, não se justifica a sua exclusão via RTT. No Razão das contas contábeis que registram as baixas efetuadas, constatase que as contas foram lançadas a crédito e débito do encerramento do exercício, impactando positivamente o lucro. Portanto, sem previsão legal, não cabe ao contribuinte, através de ajuste no RTT, reverter tais lançamentos. Dessa forma, efetuamos o lançamento de ofício do IRPJ e, por reflexo, da CSLL, incidentes sobre o total do ajuste indevido realizado no RTT, no valor de R$ 35.817.384,78, conforme apurado na análise das Demonstrações Financeira, da DIPJ, do LALUR, da ECD e do FCONT apresentados ao SPED, em anexo. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 426/453). De início, alega que o ajuste foi promovido no contexto do Regime Tributário de Transição e que buscou apenas tornarem neutros os lançamentos referentes aos ativos e passivos regulatórios, não produzindo efeitos fiscais. Em suas palavras: [...] como forma de neutralizar os lançamentos de receitas e despesas vinculados aos ativos e passivos regulatórios, a IMPUGNANTE, por meio do Livro de Apuração do Lucro Real ("LALUR"), efetuou adições referentes aos ativos e passivos regulatórios no montante de R$75.617.258,68 e exclusões no valor de R$39.799.873,86. De forma a manter a neutralidade desses ajustes, o saldo de R$35.817.384,82 foi também excluído da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL. 3.19. A baixa dos ativos e passivos regulatórios referentes ao anocalendário 2012, sob a nova sistemática contábil, como processada pela IMPUGNANTE, decorre justamente da incerteza em relação à sua efetiva realização, que dependeria da venda futura de energia elétrica que permitisse o repasse da variação, positiva ou negativa, dos custos incorridos pelas concessionárias, conforme reconhecido pela OCPC n° 08/14. 3.20. Assim, a reversão dos valores referentes aos ativos e passivos regulatórios decorreu justamente do fato de que não havia, anteriormente à revisão ou reajuste tarifário e emissão da fatura, certeza ou garantia de que a IMPUGNANTE teria de fato direito a tais valores, assim como não havia, naquele momento, definição a respeito de quem seriam os devedores correspondentes. Fl. 639DF CARF MF 4 3.21. Como a reversão dos valores referentes aos ativos e passivos regulatórios decorreu das modificações introduzidas pela Lei n° 11.638/07 nos critérios de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na apuração do lucro líquido, a IMPUGNANTE efetuou a exclusão do saldo de R$35.817.384,82 por meio de um ajuste do Regime Tributário de Transição, conforme art. 16 da Lei n° 11.941, de 27.05.2009, de forma a tornar neutros os lançamentos referentes aos ativos e passivos regulatórios: [...] Em seguida, sustenta o contribuinte que os valores referentes aos ativos e passivos regulatórios definitivamente não devem impactar a apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL por não representarem acréscimo patrimonial. Aduz, nesse sentido, que independentemente da forma do registro contábil adotada, os valores decorrentes de ativos regulatórios somente devem ser oferecidos à tributação no momento do faturamento da energia elétrica entregue aos consumidores, quando tais valores passarão a integrar de fato o patrimônio das concessionárias. Conclusão diversa acarretaria o absurdo de oferecer o valor referente aos ativos regulatórios à tributação duas vezes: uma no momento do reconhecimento dos ativos regulatórios e outra no momento da emissão da fatura de energia elétrica, já que não há regra que autorize a exclusão da receita referente aos ativos regulatórios no momento da emissão da fatura de energia elétrica. Esclarece, assim, que: [...] o direito ao recebimento ou a obrigação de repassar ao consumidor os valores referentes aos ativos e passivos regulatórios somente surge após o procedimento de revisão/reajuste tarifário, com o faturamento da energia elétrica entregue aos consumidores, de forma que é apenas nesse momento que o patrimônio das distribuidoras de energia elétrica será impactado. Ademais, no anocalendário de 2012, a que se referem os AUTOS, não havia qualquer garantia de que as distribuidoras de energia elétrica teriam direito ao recebimento dos valores dos ativos financeiros, nem de quem seria a contraparte dessa obrigação. 3.30. Nesse cenário, a alegação do TVI, de que "quando de sua constituição, esses ajustes ou provisões não são tributadas e, portanto, quando de sua baixa (amortização ou realização) as mesmas devem ser tributadas" não se justifica. 3.31. Ao contrário, a tributação dos valores referentes aos ativos regulatórios deve ocorrer somente no momento em que as concessionárias de fato tiverem direito à sua realização, após os procedimentos de revisão/reajuste tarifário e da entrega da energia elétrica aos consumidores. 3.32. Esse foi o entendimento a que chegou a própria Receita Federal do Brasil, por meio do Parecer COSIT n° 26, de 26.09.2002, que analisou a questão de ativos regulatórios decorrentes da Medida Provisória n° 2.198, de 24.08.2001, que criou o Programa Emergencial de Redução de Consumo de Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10320.724543/201622 Acórdão n.º 1201002.937 S1C2T1 Fl. 4 5 Energia Elétrica, o qual reduziu as margens de lucros das concessionárias de energia elétrica e provocou um procedimento de recomposição tarifária extraordinária, determinado pela Medida Provisória n° 14, de 21.12.2001. Subsidiariamente, sustenta a empresa que os lançamentos contém erros materiais, quais sejam: (i) a não compensação de saldo de prejuízo fiscal de que dispunha; e (ii) a não observância do direito à redução de 75% do IRPJ e adicionais, em função do benefício fiscal previsto no artigo 1o da Medida Provisória 2.19914, de 24/08/2001. Além disso, pleiteia o contribuinte pela exclusão da multa de ofício e dos juros de mora, nos termos do artigo 100, I, do CTN, bem como pela impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Em Sessão de 04 de agosto de 2017, a DRJ/FNS julgou a impugnação improcedente, por meio de Acórdão (fls. 500/517) que restou assim ementado: CONCESSIONÁRIA DISTRIBUIDORA DE ENÉRGIA ELÉTRICA. VALORES REGISTRADOS NA CONTA CVA. TRIBUTAÇÃO. As receitas reconhecidas em contrapartida aos valores registrados na Conta de Compensação de Variação de Valores de Itens da “Parcela A” (CVA) integram a base de cálculo dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e devem ser oferecidas à tributação no período de apuração em que forem verificadas as diferenças positivas e registradas na escrituração contábil da concessionária. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES. AUSÊNCIA DE COMPENSAÇÃO NA DIPJ. IMPOSSIBILIDADE. Incabível qualquer compensação do valor apurado de ofício com prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL de períodos anteriores, quando a contribuinte, tendo apurado resultados positivos no período autuado, abstevese de proceder tais compensações na DIPJ correspondente. REDUÇÃO/SUDENE. OMISSÃO DE RECEITAS. DEVER DE ESCRITURAÇÃO. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO REAL. Os valores adicionados ao lucro líquido, na determinação do lucro real, apurados mediante procedimento de ofício, não influenciam o lucro da exploração, base de cálculo do benefício da redução/SUDENE, vez que inexiste previsão legal que autorize qualquer recomposição neste sentido. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Fl. 641DF CARF MF 6 Argüição não conhecida, posto que no demonstrativo consolidado do crédito tributário não consta exigência de juros de mora sobre a multa exigida. Cientificada da decisão de primeira instância em 10/08/2017 (fl. 523), a empresa, em 11/09/2017 (fl. 526), interpôs recurso voluntário (fls. 528/562), por meio do qual reitera os argumentos de defesa e rebate determinados pontos da decisão da DRJ, notadamente quanto à discordância da aplicação da Solução de Consulta COSIT no 101/16 ao caso concreto, a qual, sob alegação de vincular à DRJ, foi utilizada como único fundamento de mérito para a manutenção das exigências. Nos dizeres da Recorrente: [...] o único fundamento utilizado pela DECISÃO para manter, no mérito, os AUTOS foi a Solução de Consulta COSIT n.° 101, de 30.06.2016, que, além de expressamente não tratar do período objeto do presente processo (anocalendário 2012), reconhece que, ao menos até 25.11.2014, data em que foram celebrados determinados aditivos contratuais para regulamentar a matéria, as concessionárias de distribuição de energia elétrica não tinham "direito à efetiva percepção" da receita vinculada aos ativos e passivos regulatórios. Os autos, então, foram encaminhados ao CARF e a mim distribuídos para julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço e passo a apreciálo. Conforme visto, a controvérsia instaurada diz respeito ao tratamento fiscal da diferença positiva decorrente das provisões contábeis de ativos e passivos regulatórios, notadamente da CVA, por empresa concessionária de distribuição de energia elétrica, caso da Recorrente, no anocalendário de 2012. Aos olhos da fiscalização, referido ajuste equivaleria a uma reversão que deve ser tributada, uma vez que, quando da constituição das provisões, os ajustes não teriam sido incluídos no lucro real, não se justificando a sua exclusão via RTT por falta de previsão legal. Já o contribuinte advoga no sentido de que a exclusão realizada foi correta, pois teve a finalidade de tornar neutros os lançamentos referentes aos ativos e passivos Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10320.724543/201622 Acórdão n.º 1201002.937 S1C2T1 Fl. 5 7 regulatórios, os quais não deveriam impactar a apuração do lucro real e a base de cálculo da CSLL, nos termos do art. 16 da Lei n.° 11.941, de 27.05.2009. E ainda que a neutralidade pudesse ser desconsiderada, aduz que os valores referentes aos ativos e passivos regulatórios, ao contrário do que afirma a DRJ com base na referida Solução de Consulta, não constituem acréscimo patrimonial apto a gerar a incidência do IRPJ e da CSLL. Pois bem. Apesar do tema parecer um tanto complexo, a DRJ, em poucas palavras, muito bem resumiu o litígio: Versa o presente processo, basicamente, sobre os efeitos do reconhecimento das diferenças positivas registradas na conta CVA e sua variação monetária, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL das concessionárias de distribuição de energia elétrica. Considerando, porém, a peculiaridade da atividade em questão, é necessário, antes de enfrentar o mérito da questão, tecer considerações gerais sobre a origem, natureza e orientações normativas aplicáveis ao ajuste decorrente da contabilização das mencionadas provisões de caráter regulatório. De acordo com a Solução de Consulta no 101/2016, reproduzida na íntegra pela DRJ, e esclarecimentos prestados pela Recorrente, notase que a atividade de distribuição de energia elétrica, explorada sob a forma de concessão da União, é regulada e fiscalizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que, dentre outras competências, define a tarifa a ser cobrada dos consumidores residenciais e comerciais. Essa tarifa deve gerar uma receita capaz de garantir o equilíbrio econômicofinanceiro da concessão, sofrendo reajustes periódicos para a sua manutenção. Mais precisamente, a fatura emitida pelas distribuidoras de energia elétrica (tarifa), é composta por duas parcelas: (i) Parcela A, que abrange os custos não gerenciáveis pela concessionária e que são integralmente repassados aos consumidores; e (ii) Parcela B, que abrange os custos gerenciáveis (isto é, sujeitos a controles), mas que nem sempre são repassados aos usuários. Tanto o valor da Parcela A quanto o valor da Parcela B da fatura de energia elétrica são sujeitos a mecanismos de verificação e reajuste, quais sejam, o Reajuste Tarifário Anual e a Revisão Tarifária Periódica, realizada, em princípio, a cada quatro anos. Especificamente com relação aos custos vinculados à Parcela A, os quais são estimados para fins de definição da tarifa válida em determinado período, pode ocorrer o surgimento de diferenças positivas entre o valor efetivamente incorrido no período e aquele previsto, diferenças estas que podem ser recuperadas pelas concessionárias por intermédio de recomposição tarifária regulada pela ANEEL e que passaram a ser reconhecidas com o surgimento da denominada Conta de Compensação de Variação de Valores de Itens da Parcela A ("CVA"). Fl. 643DF CARF MF 8 A CVA foi criada através da Portaria Interministerial MF/MME nº 296, de 25 de outubro de 2001, visando estabelecer um procedimento de reajuste tarifário para fins de manutenção do equilíbrio econômico e financeiro do contrato de concessão, nos seguintes termos: Art. 1º Criar, para efeito de cálculo do reajuste da tarifa de fornecimento de energia elétrica, a Conta de Compensação de Variação de Valores de Itens da "Parcela A" – CVA destinada a registrar as variações, ocorridas no período entre reajustes tarifários, dos valores dos seguintes itens de custo da "Parcela A", de que tratam os contratos de concessão de distribuição de energia elétrica: (Redação dada pela Portaria Interministerial MF/MME nº 361, de 26 de novembro de 2004) [...] Art. 2º O saldo da CVA é definido como o somatório das diferenças, positivas ou negativas, entre o valor do item na data do último reajuste tarifário da concessionária de distribuição de energia elétrica e o valor do referido item na data de pagamento, acrescida da respectiva remuneração financeira. § 1º A concessionária de distribuição de energia elétrica deverá contabilizar o saldo relativo a cada item da CVA mencionado no art. 1o em conta específica para efeito de compensação no índice de reajuste tarifário subseqüente. § 2º A remuneração financeira de que trata o caput incidirá sobre o saldo da CVA de cada item da "Parcela A" mencionado no art 1o desde a data da ocorrência de diferença no valor do item até a data de reajuste tarifário contratual subseqüente e será calculada com base na taxa de juros SELIC em igual período. (...) Art. 3º O saldo da CVA deverá ser compensado nas tarifas de fornecimento de energia elétrica da concessionária nos 12 (doze) meses subseqüentes à data de reajuste tarifário anual, sendo eventual diferença considerada no cálculo do reajuste tarifário seguinte. Nesse contexto, é importante observar que, no item "fundamento" da referida Solução de Consulta, há registro expresso no seguinte sentido: 29. A adoção pelas concessionárias das normas contábeis internacionais a partir de 2010, em cumprimento ao Despacho SFF/Aneel nº 4.722, de 18 de dezembro de 2009, implicou o fim do reconhecimento, na escrituração contábil elaborada para fins societários, dos valores registrados na conta CVA, entre outras razões, sob o argumento de que haveria diversas incertezas quanto a seu efetivo recebimento. Esse Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10320.724543/201622 Acórdão n.º 1201002.937 S1C2T1 Fl. 6 9 reconhecimento, contudo, permaneceu nas demonstrações contábeis para fins regulatórios, exigidas pela Aneel. (Grifei) Em seguida, e não obstante essa ressalva de incerteza de recebimento e daí a dispensa de registro contábil para fins societário, essa mesma Solução de Consulta passa a apresentar a motivação de sua conclusão favorável à tributação dos ajustes positivos decorrentes das contas patrimoniais regulatórias, especialmente a CVA, mas apenas para o período posterior a 25/11/2014. Veja: 30. Em 25 de novembro de 2014, conforme a Ata da 13ª Reunião Pública Extraordinária da Diretoria da Aneel, foi aprovado o aditamento dos contratos de concessão, de modo a identificar o Poder Concedente como a contraparte responsável pela liquidação dos saldos remanescentes dos ativos regulatórios, e determinar que os valores registrados na conta contábil CVA fossem incluídos na base da indenização devida na extinção da concessão por qualquer motivo. 31. Após a aprovação desses aditivos contratuais, o CPC emitiu a Orientação Técnica OCPC nº 08, aprovada em 28 de novembro de 2014, e divulgada em 9 de dezembro de 2014, a qual reconheceu “não mais haver incerteza significativa que seja impeditiva para o reconhecimento dos ativos e passivos decorrentes da metodologia de definição da tarifa de distribuição de energia elétrica nos relatórios contábil financeiros de propósito geral dessas entidades”, e definiu de que forma se daria o registro contábil dos valores registrados na conta CVA (destacouse): 11. O aditamento dos contratos de concessão e permissão, nos termos tratados nesta Orientação, representa um elemento novo que assegura, a partir da data de sua assinatura, o direito ou impõe a obrigação de o concessionário receber ou pagar os ativos e passivos junto à contraparte – Poder Concedente. Esse novo evento altera, a partir dessa data, o ambiente e as condições contratuais anteriormente existentes e extingue as incertezas quanto à capacidade de realização do ativo ou exigibilidade do passivo. São condições, assim, que diferem em essência das que ocorriam anteriormente. 12. Os efeitos do aditamento dos contratos de concessão e permissão não têm natureza de mudança de política contábil, mas, sim, a de uma nova situação e, consequentemente, sua aplicação deve ser prospectiva. 13. Considerando que o dispositivo aditado aos contratos de concessão e de permissão trata de saldos remanescentes apurados de itens da Parcela A e outros componentes financeiros que ainda não tenham sido recuperados e, portanto, demanda a implementação dessa prática contábil de aplicação prospectiva, o ajuste a ser efetuado deve ser reconhecido em contas de ativo ou passivo financeiro, conforme o caso, em contrapartida ao Fl. 645DF CARF MF 10 resultado do exercício (receita de venda de bens e serviços) em que ocorrer a modificação contratual. Mensuração subsequente 14. Posteriormente ao reconhecimento inicial, os ativos e/ou passivos financeiros originados das diferenças apuradas de itens da Parcela A e outros componentes financeiros em cada período contábil devem ter como contrapartida a adequada rubrica de receita de venda de bens e serviços, no resultado do período. 32. Uma vez definido pela OCPC nº 08, de 2014, que, a partir da celebração dos termos aditivos aos contratos de concessão, os ativos regulatórios constituídos pela variação positiva dos custos da Parcela A passam a ser contabilmente reconhecidos, tendo como contrapartida uma conta contábil representativa de receita da venda de serviços, resta verificar em que momento essa receita deverá ser oferecida à tributação do IRPJ, da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep. [...] 38. No caso em tela, resta evidenciado o acréscimo patrimonial obtido pelas concessionárias, mediante a aquisição da disponibilidade jurídica dos valores resultantes das diferenças positivas registradas na conta CVA. As concessionárias, após a celebração do Termo Aditivo ao Contrato de Concessão, passaram a ter assegurado o direito à efetiva percepção desses valores, já que foram eliminadas as incertezas que cercavam o recebimento, além de ficar estabelecido em contrato que o poder público concedente será o devedor e garantidor desses valores. Esse direito líquido e certo, após a apuração da diferença entre o valor incorrido e o previsto dos custos da Parcela A, e seu reconhecimento contábil em conta específica, passa a integrar o patrimônio da concessionária, consubstanciando uma nova receita auferida com a consecução de seu objeto social, devendo, desta forma, sofrer a incidência do imposto de renda, independentemente do efetivo recebimento que se dará em momento futuro. 39. No sentido de reforçar a conclusão acima, cabe trazer à baila o Princípio da Competência, o qual determina que a receita deve ser incluída no resultado do período em que ocorreu, independentemente de seu recebimento, e pressupõe a simultaneidade da confrontação de receitas e despesas correlatas. Importante lembrar que esse princípio contábil, conceituado pela Resolução CFC nº 750, de 29 de dezembro de 1993, com a redação dada pela Resolução CFC nº 1.282, de 28 de maio de 2010, é adotado pela legislação comercial e tributária, conforme os dispositivos abaixo transcritos (destacouse): Lei nº 6.404, de 1976 Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10320.724543/201622 Acórdão n.º 1201002.937 S1C2T1 Fl. 7 11 (...) Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; (...) § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. DecretoLei nº 1.598, de 1977 Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (...) § 4º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). (…) Art. 274. Ao fim de cada período de incidência do imposto, o contribuinte deverá apurar o lucro líquido mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do período de apuração e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. (Decreto Lei nº 1.598, e 1977, art. 7º, § 4º, e Lei nº 7.450, de 1985, art. 18). § 1º O lucro líquido do período deverá ser apurado com observância das disposições da Lei nº 6.404, de 1976 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 67, inciso XI, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 5º). (...) 40. O Pronunciamento Técnico do Comitê de Pronunciamento Contábeis (CPC) nº 30, aprovado em 19 de outubro de 2012, apresenta a definição do que deve ser contabilmente considerado como receita: Fl. 647DF CARF MF 12 Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento de seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. 41. Esse mesmo Pronunciamento também estabelece diversos requisitos para o reconhecimento das receitas na escrituração contábil da entidade, entre os quais a mensuração confiável de seu valor, e a probabilidade da efetiva fruição dos benefícios econômicos associados à transação para a entidade. Assim, o reconhecimento da receita se dá, via de regra, quando a transação está juridicamente formalizada, independentemente de seu efetivo recebimento. 42. Desta forma, em observância ao princípio da competência, o reconhecimento contábil e tributário da receita registrada na conta CVA deve ocorrer no exercício em que foram incorridos os custos da Parcela A. 43. Com relação à CSLL, sua base de cálculo também se baseia no resultado contábil, aplicandose o mesmo entendimento exposto em relação ao IRPJ. No que compete à Cofins e à Contribuição para o PIS/Pasep, essas contribuições têm como fato gerador o auferimento da receita, nos termos do art. 1º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 1º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o que leva ao mesmo entendimento aplicável ao IRPJ e à CSLL. 44. Importante destacar que, no momento em que houver o efetivo recebimento dos valores registrados na conta CVA, através da cobrança do consumo de energia elétrica mediante a tarifa reajustada, não ocorrerá o bis in idem (a bitributação de um mesmo valor), já que esses valores recebidos, apurados à medida de seu faturamento, devem ser contabilmente registrados a título de amortização do ativo regulatório, tendo o condão de reduzir o montante total faturado pela concessionária com a distribuição da energia elétrica, e, consequentemente, a base de cálculo dos tributos. Cabe destacar também que, a contrario sensu, a amortização de passivo regulatório acarretará no aumento do faturamento da concessionária e da base de cálculo dos tributos. 45. Desta forma, tendo a concessionária reconhecido a diferença positiva de custo e registrado o valor na conta específica CVA em contrapartida a conta contábil de receita da venda de bens e serviços na escrituração contábil para fins societários, essa diferença deverá ser computada na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep. O momento da ocorrência do fato gerador é aquele em que se materializa o acréscimo patrimonial, ou seja, no período de apuração em que foi verificada e reconhecida contabilmente esta diferença positiva, independentemente do efetivo recebimento que se dará em momento futuro. Como se percebe, essa orientação fiscal manifestouse favorável à tributação por ocasião do registro contábil positivo na CVA apenas em momento posterior a 25/11/2014, Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10320.724543/201622 Acórdão n.º 1201002.937 S1C2T1 Fl. 8 13 quando a receita passou a ter um grau elevado de certeza de recebimento, visto a obrigação de indenização pela ANEEL às concessionárias. Em outras palavras, da leitura da Solução de Consulta em comento, a qual, repitase, foi transcrita na íntegra e utilizada como única razão de decidir da DRJ, verificase claramente que a própria Receita Federal reconhece que antes da celebração do termo aditivo ao contrato de concessão mencionado nos itens 30 e 31 que apenas ocorreu em 25/11/2014 , havia incertezas quanto ao recebimento dos valores registrados na CVA pelas concessionárias, fato este que inclusive dispensou, para fins societários, o próprio reconhecimento contábil da receita (e despesa) provenientes dos ajustes na CVA. Esse fato, em consonância com o descrito pela Orientação Técnica do Comitê de Pronunciamentos Contábeis ("OCPC") n° 08, de 28.11.2014 que foi emitida justamente para tratar dos efeitos da deliberação tomada pela ANEEL e que abaixo transcrevo parcialmente foi o que gerou a exclusão fiscal ora glosada. IN7. Quando da adoção das normas internacionais de contabilidade – IFRS – no Brasil, a partir de 2010, os relatórios contábilfinanceiros de propósito geral dessas concessionárias passaram a não mais contemplar o reconhecimento desses ativos e/ou passivos com base no entendimento de que esses direitos e obrigações não atendem plenamente às definições de ativo e passivo contidas na Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil Financeiro. Tal entendimento decorre de que (i) sua realização ou exigibilidade dependeriam de evento futuro não totalmente controlável pela entidade – a entrega futura de energia elétrica; e (ii) não é praticável saber, no momento do surgimento desses direitos ou obrigações, se e quais os efetivos compradores dessa energia no futuro que pagariam essas diferenças ou as teriam devolvidas em suas contas de energia elétrica. IN8. Adicionalmente, não havia consenso quanto e se a legislação em vigor garantia, de forma objetiva, o direito ao completo recebimento nos casos em que o mecanismo de tarifa não fosse suficiente para realizar o direito ou, ainda, nos casos em que a concessão cessasse por qualquer motivo. Da mesma forma, não havia consenso quanto à provável saída de recursos econômicos da entidade, nos casos em que o mecanismo de tarifa não fosse capaz de devolver aos consumidores a totalidade dos recursos ou, ainda, nos casos em que a concessão cessasse por qualquer motivo. Tais aspectos davam, no entendimento predominante até então, um caráter contingente a tais direitos e obrigações. IN9. Foi com base nesse cenário que, a partir da adoção das IFRS, esses ativos e passivos passaram a ser reconhecidos exclusivamente nas demonstrações contábeis para fins regulatórios exigidos pela ANEEL, e não mais nos relatórios contábilfinanceiros de propósito geral formalmente emitidos e aprovados pelos órgãos de administração, auditados e divulgados a todos os interessados. IN10. Para reduzir incertezas relevantes quanto ao reconhecimento e à realização ou liquidação dos ativos e/ou passivos regulatórios e, consequentemente, qualificálos como passíveis de reconhecimento nos relatórios contábilfinanceiros de propósito geral das concessionárias de distribuição de energia elétrica brasileiras, a ANEEL decidiu, em 25 de novembro de 2014, e com a plena aceitação posterior de cada Fl. 649DF CARF MF 14 empresa concessionária e permissionária que quiser a isso aderir, aditar os contratos de concessão das companhias de distribuição de energia elétrica brasileiras. Nesse ponto, não se pode perder de vista que, no AC de 2012, vigorava a regra do RTT, prevista na Lei n. 11.941/2009, a qual, como se sabe, determina a neutralidade fiscal dos ajustes decorrentes das modificações dos critérios contábeis introduzidas pela Lei n° 11.638/2007, regra esta que não poderia ter sido ignorada pela fiscalização. Dessa forma, em sentido contrário à premissa adotada pela DRJ, o RTT e a própria SC n° 101/16, na verdade, corroboram o entendimento da Recorrente segundo o qual até o momento da celebração do termo aditivo ao contrato de concessão (isto é, anteriormente a 25/11/2014), as concessionárias de distribuição de energia elétrica não tinham assegurado o direito à efetiva percepção dos valores decorrentes dos ativos regulatórios, bem como não havia definição a respeito de quem seria o devedor e garantidor de tais valores. Vale dizer, não houve, em 2012, a entrada ou ingresso de direito ou moeda que se integraram definitivamente ao patrimônio da Recorrente, que apenas reverteu contabilmente lançamentos para melhor refletir economicamente seu patrimônio. Registrase, aqui, que o próprio princípio da competência, nos dizeres de Eliseu Martins1, exige o cumprimento de todas as condicionantes que a teoria contábil nos impõe, e, entre elas, a do alto grau de certeza de recebimento. Ora, é justamente a incerteza quanto ao recebimento do reajuste da tarifa o fator que impede qualificar o ajuste contábil positivo na CVA de 2012 como receita tributável. Faltalhe, a toda evidência, a incorporação do direito ao recebimento dessa pretensa receita ao patrimônio do contribuinte. O lançamento contábil que gerou a presente autuação, ademais, deve ser interpretado à luz do artigo 43 do CTN, dispositivo este que, como se sabe, prescreve como condição necessária e suficiente para ocorrência do fato gerador do IRPJ e CSLL a disponibilidade ou realização da renda, que somente ocorre após 30/11/2014, quando passaram a existir garantias reais ao recebimento do reajuste feito por meio da CVA às concessionárias, conforme visto. Antes disso, referido ajuste, quando muito, correspondia a mera expectativa de recebimento, sem efeitos fiscais, portanto. Pelo exposto, DOU PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli 1 "Regime de Competência nas Receitas das Instituições Financeiras". In: "Boletim Temática Contábil da IOB Informações Objetivas n° 36/90". Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10320.724543/201622 Acórdão n.º 1201002.937 S1C2T1 Fl. 9 15 Fl. 651DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.907604/2009-50
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1002-000.688
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 76 04 /2 00 9- 50 Fl. 147DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 120 à 124) interposto contra o Acórdão n° 0121.930, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (efls. 113 à 116), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo não homologação da compensação pretendida. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: Tratase de declaração de compensação transmitida em 23/03/2007 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 12.991,58, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2484, do período de apuração de 11/2003, no valor originário de R$ 12.991,58. A Delegacia de origem, em análise datada de 07/10/2009 (fl. 6), asseverou que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou, em 19/11/2009 manifestação de inconformidade (fls. 10/11) na qual alega, em síntese, que: a) Conforme DIPJ/2004 referente ano calendário de 2003, ficou isenta do pagamento da CSLL por ter neste período apurado um prejuízo fiscal durante todo o ano calendário, conforme consta nas paginas 14 a 18 da DIPJ/2004; b) Conforme DCTF do período de 2003, consta declarado o valor da CSLL do período de apuração 31.11.2003 e seu respectivo pagamento (pagina 04 da DCTF), conforme DARF citado acima, porém, este débito não existe, pois conforme item anterior, a empresa estava isenta do pagamento das antecipações mensais, devido ao prejuízo fiscal apurado no período; Ao final, requer o deferimento da PERD/COMP citada no processo, para que seja efetivada a compensação dos tributos nela declarados. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10283.907604/200950 Acórdão n.º 1002000.688 S1C0T2 Fl. 148 3 A DRJ, por sua vez, entendeu por não comprovada a existência do crédito apontado como compensável, o que tornou inviável o pleito do Contribuinte, nos termos da legislação específica atinente ao tema. Em virtude do poder de síntese manifestado em Recurso Voluntário, transcrevo suas razões de mérito: 2 Mérito: 2.1 Da Declaração de Compensação: Nobres julgadores verificase claramente no voto do r. Relator algumas obscuridades, bem como inúmeras divergências, conforme abaixo será demonstrado sistematicamente: É mencionado que em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil, constatouse que o referido DARF encontrase inteiramente alocado a débito informado pela própria Recorrente, não existindo crédito a compensar. Todavia, não foi demonstrado cabalmente, a qual débito teria sido efetuada a alocação, não sendo mencionando, por exemplo, o número da PERD/COMP, o valor já compensado, a data ou qualquer outra informação que demonstrasse que a compensação relativamente ao presente processo estaria a maior. Já com relação à confissão de dívida declarada pela Recorrente, da forma equivocadamente aludida pelo Relator, cabe consignar que parece sem sentido admitir que a própria contribuinte tome a iniciativa de confessar a existência de uma obrigação que primordialmente é decorrente da lei, bastando para que ela nasça a simples ocorrência do fato gerador. Repisese que o quantum declarado em DCTF não é confissão de dívida, mas apenas um instrumento para formalizar o recolhimento do tributo. A Administração Pública, em qualquer dos seus âmbitos, deve observar em seus atos, a aplicabilidade dos princípios básicos constantes no artigo 37, da Constituição Federal, destacando especialmente o da legalidade, motivação e segurança jurídica, bem como a atuação de acordo com a lei e o direito, devendo ser observadas as formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados. Desta feita, o ato administrativo deve ser vinculado, principalmente quando se trata de ato administrativo tributário e não pautada em uma suposta faculdade totalmente deturpada. Na sequência é mencionado pelo nobre Relator que "(...) deve restar provada a existência do direito creditório invocado. (...) Assinalese que a DCTF, por si só, não exprime nem materialize o indébito fiscal." Apontase, neste trecho da decisão a maior divergência encontrada, já que inicialmente fora narrado pelo próprio Relator que foi constatado nos próprios sistemas da SRFB a Fl. 149DF CARF MF 4 alocação do DARF, no importe de R$ 12.991,58 (doze mil, novecentos e noventa e um reais e cinquenta e oito centavos). Assim, a menção de que apenas a DCTF não constitui o direito ao indébito é inquestionavelmente incongruente, pois num primeiro plano é afirmado que existe um DARF e posteriormente alegado que apenas a DCTF não é prova do direito constitutivo do indébito fiscal. Ressaltese que de fato, no ano calendário de 2003, conforme o informado na DIPJ/2004 foi apurada base negativa, havendo o recolhimento antecipado, por estimativa, a titulo de CSLL (período de apuração 11/2003), o que fora devidamente lançado em DCTF, estando, portanto, a Recorrente apta a repetir as antecipações mensais, devido ao prejuízo fiscal apurado durante todo o ano calendário de 2003. Deste modo, fica claramente provada pela Recorrente a existência de um crédito a seu favor, lhe sendo inerente a faculdade de compensálo com quaisquer outros débitos que por ventura viessem a existir. De fato, o que ocorreu foi uma compensação efetuada com base no recolhimento antecipado por estimativa da CSLL, sendo apurado, posteriormente, base negativa, ensejando a repetição, devidamente comprovada pelo DARF, DCTF e DIPJ. Os documentos compensatórios foram juntados às fls. do PTA, em especial o DARF e DIPJ. Concluise que a não homologação da PER/DCOMP, objeto desta discussão, consequentemente, com o não reconhecimento de seu direito creditório é um verdadeiro atentado ao direito cristalino da Recorrente em ter efetuada a referida compensação, já que, repisese, demonstrado o seu direito constitutivo por meio do DARF, juntado às fls. do PTA, comprovado e informado o prejuízo no ano calendário de 2003 através da DIPJ/2004, bem como declarada a compensação através de DCTF. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos e intrínsecos. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23 B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, opino por seu conhecimento. Da impugnação ao crédito Quanto à compensação pretendida, não assiste razão ao Recorrente. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10283.907604/200950 Acórdão n.º 1002000.688 S1C0T2 Fl. 149 5 Alega o Contribuinte possuir crédito contra a Administração Tributária, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal, para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico compensatório tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN), dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o aludido instituto foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação, é necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) seja líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual aquela não pode ocorrer. O ônus probatório do crédito alegado pelo Contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. No entanto, o Recorrente não adimpliu tal mister documental. Deveria o Contribuinte ter apresentado coletânea probatória apta a confirmar seu pleito ou rechaçar os aspectos abordados na decisão de piso; contudo, não o fez. Nessa senda, tornase imperativo ressaltar que a autoridade preparadora identificou o aproveitamento do crédito já em outra circunstância, o que acaba por esvaziar a correção da DCOMP ora sob exame. Portanto, assiste razão o Acórdão a quo, o qual analisou com louvável detalhamento o pleito do Recorrente, pelo que transcrevo suas passagens relevantes, utilizando destas como fundamento para a presente decisão, em homenagem ao §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF: No caso presente, ao efetivar sua compensação, por intermédio de DCOMP, a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo à receita de código 2484, do período de apuração de 11/2003. Ocorre que, em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil, constatouse que o referido DARF encontravase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito passivo, não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. Neste ponto, vale referir que o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado à divida ativa da União sem que se faça necessário o lançamento de ofício. O valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. Fl. 151DF CARF MF 6 Assim, é condição necessária – embora não suficiente – a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. Esclareça se, ainda em relação ao tema, que a desconstituição do crédito tributário formalizado pelo pagamento e confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTFRetificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. Ou seja, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário vinculado ao pagamento antecipado (lançamento por homologação1), não se mostra suficiente que o contribuinte promova a redução do débito confessado em DCTF, fazendose necessário, notadamente, que demonstre, por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o pagamento foi realmente indevido. Repisese que em hipótese tal qual a dos autos, deve restar provada a existência do direito creditório invocado, mediante demonstração inequívoca da base de cálculo e do tributo apurado no período. Logo, a certeza e liquidez do crédito reclamado, para fins de repetição tributária, não se apura em razão do quantum do tributo declarado à Receita Federal do Brasil, mas sim em relação ao quantum demonstrado, analiticamente, pela documentação contábil e fiscal. Assinalese que a DCTF, por si só, não exprime nem materializa o indébito fiscal. Neste passo, observese que em se tratando de pedido de restituição o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. Acrescendo a tudo o que se afirmou até aqui, o Decreto nº 70.235, de 1972, assim dispõe: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifou se) Constatase, pois, que figura como ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, já com sua manifestação de inconformidade, as provas cuja produção encontrese em sua esfera de responsabilidade. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10283.907604/200950 Acórdão n.º 1002000.688 S1C0T2 Fl. 150 7 Toda declaração de compensação depende da existência de um crédito. Como o contribuinte não teve reconhecido seu hipotético direito creditório, em sede de manifestação de inconformidade, a declaração de compensação não homologada pela unidade de origem permanece nessa mesma situação (não homologada). Quanto ao mais, a alegação do Recorrente no sentido da DCTF não representar natureza de confissão de dívida, ressalto que a jurisprudência do CARF é pacífica em sentido oposto. Para ilustrar tal fato, transcrevo ementa do Acórdão nº 3301004.663, de 22 de maio de 2018, da lavra da i. Conselheira Semíramis de Oliveira Duro: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. DCTF TEM NATUREZA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. Apurada a falta de recolhimento do IPI não declarado em DCTF, ou cuja declaração foi entregue após o início da ação fiscal, devese constituir o crédito tributário como encargos legais correspondentes. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CABIMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. Tratandose de lançamento de ofício, decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular de ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. Recurso Voluntário Negado. Por fim, esta Turma Extraordinária já firmou entendimento que não cumpre ao Julgador proceder com uma análise contábil ou de auditoria nos pleitos efetuados pelo Recorrente, de modo que este deve apresentar seu direito de forma clara, objetiva e precisa. Para tanto, cito o precedente o i. Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, no Acórdão n° 1002000.405, de 13/09/2018: O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, vale dizer, por não reconhecer o crédito. Para a análise que foi efetivada não se comprovou crédito líquido e certo, incontroverso, inclusive sendo apontada a alocação do DARF para extinção de débitos próprios do sujeito passivo. Fl. 153DF CARF MF 8 Logo, se havia alocação do DARF, assistiu razão ao conteúdo do despacho decisório, pelo que, quando a DRJ atestou correção naquele ato administrativo, agiu corretamente a primeira instância ao efetivar o controle de legalidade, não havendo razões para reformar o decisum vergastado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito vindicado com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da sua efetiva alocação, de modo a não restar saldo residual como pretendido para restituição. Por isso, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. A despeito das alegações do contribuinte quanto a retificação e a alegada surgência do crédito a partir da retificadora, ao meu ver não se desincumbiu o sujeito passivo de demonstrar a contento o referido crédito, isto porque, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez ao apontado crédito. Não houve a demonstração cabal de elementos documentais, de prova da escrita contábil e fiscal, que possibilitem efetivar de forma inconteste e transparente a respectiva comprovação, inclusive para justificar e validar a retificação invocada. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventuais provas documentais não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. Ressaltese, neste aspecto, que existindo controvérsia quanto ao crédito a demonstração de sua efetiva existência, inclusive com a prova da escrituração contábil e fiscal, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte. Dessa forma, não cumpre ao presente Relator, sequer a este Colegiado, na condição de instância recursal, suprir o ônus do contribuinte, realizando uma verdadeira auditoria nos livros contábeis, que sequer foram apresentados, para, em substituição ao seu ônus, comprovar a certeza de liquidez do crédito perseguido no seu exclusivo interesse. Nesse sentido: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Saliente se que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10283.907604/200950 Acórdão n.º 1002000.688 S1C0T2 Fl. 151 9 menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, voto para conhecer do Recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.900261/2008-41
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
DENUNCIA ESPONTÂNEA. ART 138 DO CTN. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
Para fins de denúncia espontânea, nos termos do art. 138, do CTN, a compensação tributária, sujeita a posterior homologação, não equivale a pagamento, não se aplicando, por conseguinte, o afastamento da multa moratória decorrente pelo adimplemento a destempo.
JULGAMENTO EXTRA PETITA. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência da denúncia espontânea inserta no art. 138, do CTN, para justificar o pretendido afastamento da multa de mora sobre os débitos vencidos que se pretendia compensar só com o pagamento do principal e juros. Em não o fazendo, conforme juízo do Colegiado a quo, não se verifica julgamento extra petita ou preterição do direito de defesa por inovação no julgado.
Numero da decisão: 9101-004.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, (i) quanto à decisão extra petita e à preterição do direito de defesa por inovação no julgado, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso, vencida a conselheira Lívia De Carli Germano, que lhe deu provimento e (ii) quanto à exclusão da multa pela denúncia espontânea, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Luis Fabiano Alves Penteado e Lívia de Carli Germano, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, momentaneamente, quanto ao item (i), o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 DENUNCIA ESPONTÂNEA. ART 138 DO CTN. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Para fins de denúncia espontânea, nos termos do art. 138, do CTN, a compensação tributária, sujeita a posterior homologação, não equivale a pagamento, não se aplicando, por conseguinte, o afastamento da multa moratória decorrente pelo adimplemento a destempo. JULGAMENTO EXTRA PETITA. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência da denúncia espontânea inserta no art. 138, do CTN, para justificar o pretendido afastamento da multa de mora sobre os débitos vencidos que se pretendia compensar só com o pagamento do principal e juros. Em não o fazendo, conforme juízo do Colegiado a quo, não se verifica julgamento extra petita ou preterição do direito de defesa por inovação no julgado.
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ART 138 DO CTN. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Para fins de denúncia espontânea, nos termos do art. 138, do CTN, a compensação tributária, sujeita a posterior homologação, não equivale a pagamento, não se aplicando, por conseguinte, o afastamento da multa moratória decorrente pelo adimplemento a destempo. JULGAMENTO EXTRA PETITA. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência da denúncia espontânea inserta no art. 138, do CTN, para justificar o pretendido afastamento da multa de mora sobre os débitos vencidos que se pretendia compensar só com o pagamento do principal e juros. Em não o fazendo, conforme juízo do Colegiado a quo, não se verifica julgamento extra petita ou preterição do direito de defesa por inovação no julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, (i) quanto à decisão extra petita e à preterição do direito de defesa por inovação no julgado, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso, vencida a conselheira Lívia De Carli Germano, que lhe deu provimento e (ii) quanto à exclusão da multa pela denúncia espontânea, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Luis Fabiano Alves Penteado e Lívia de Carli Germano, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 02 61 /2 00 8- 41 Fl. 415DF CARF MF 2 Rafael Vidal de Araújo Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, momentaneamente, quanto ao item (i), o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10280.900261/200841 Acórdão n.º 9101004.078 CSRFT1 Fl. 416 3 Relatório Tratase o presente feito, de PER/DCOMP nº 03737.36497.220405.1.2.037222, transmitida em 22.04.2005, através da qual foi solicitada a compensação de CSLL (saldo negativo/ano calendário 2003), no valor original de R$ 222.397,98 (duzentos e vinte e dois mil trezentos e noventa e sete reais e noventa e oito centavos). O Despacho Decisório (efls. 154) não homologou o pedido, asseverando que "não houve apuração de crédito na DIPJ correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP". A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efls. 1 a 18), alegando que optou por apurar IRPJ e CSLL devidos com base no lucro real anual e antecipações mensais calculadas por estimativas e que a antecipação efetuada mensalmente excedeu ao valor da CSLL devida anualmente, resultando em crédito passível de recuperação. A decisão de primeira instância (efls. 168 a 175) deu parcial provimento à manifestação de inconformidade da contribuinte, reconhecendo direito creditório, posto considerar as compensações parcialmente homologadas. Confirase abaixo a ementa do Acórdão nº 0122.780: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 Ementa: SALDO NEGATIVO CSLL. FALTA DE APURAÇÃO. VERDADE MATERIAL. Comprovado o erro de fato no preenchimento da ficha de apuração da CSLL na DIPJ, que olvidou os pagamentos de estimativas mensais já informados em ficha própria, a autoridade administrativa, em nome da verdade material, deve apurar o saldo de imposto a pagar com base nas informações declaradas e comprovadas. Inconformada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (efls. 180 a 220) ao qual foi negado provimento em Acórdão nº 1803001.740, de 13 de junho de 2013 (efls. 253 a 257). Confirase abaixo a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE MORA. Fl. 417DF CARF MF 4 Comporta à empresa recorrente juntar ao feito a DCTF como forma de comprovar, de forma pretérita ao procedimento fiscal, para fazer jus à denúncia espontânea pleiteada. Ato contínuo, opôs a Contribuinte Embargos de Declaração (efls. 262 a 272) requerendo: a) o reconhecimento da decisão extra petita contida no Acórdão Embargado; b) a decorrente omissão pelo Acórdão quanto aos argumentos relativos à espontaneidade no cumprimento da obrigação tributária pelo contribuinte e não avaliados em decorrência dos efeitos da decisão extra petita contida no Acórdão; e c) a omissão quanto a argumentos expendidos pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário e que não guardam relação com a comprovação da espontaneidade no cumprimento da obrigação tributária. O Despacho de Admissibilidade dos Embargos (efls. 302 a 309) não admitiu os embargos. Ainda inconformada, interpôs a autuada, Recurso Especial (efls 320 a 363), alegando divergência de interpretação da legislação tributária em relação às seguintes matérias: a) decisão extra petita; e b) preterição do direito de defesa por inovação no julgado; e c) exclusão da multa pela denúncia espontânea. Apresentou os seguintes Acórdãos paradigmas em relação às matérias dos itens "a" e "b", acima referidos, as quais foram analisadas conjuntamente, devido à relação causal que as une: Acórdão nº 20180.714 (Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, inteiro teor anexado ao recurso): Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. IPI. AUTO DE INFRAÇÃO, DECADÊNCIA E JUROS DE MORA. MATÉRIA NÃO ALEGADA NO RECURSO. JULGAMENTO EXTRAPETITA. A apreciação, no Acórdão embargado, de matérias não alegadas no recurso representa julgamento extrapetita, que deve ser ajustado no âmbito de embargos declaratórios. Embargos acolhidos. Acórdão nº 10322.569 (Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, inteiro teor anexado ao recurso): PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL INOVAÇÃO IMPOSSIBILIDADE O deverpoder de decidir conferido ao Delegado da Receita Federal de Julgamento está adstrito aos termos do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, não lhe sendo permitido aperfeiçoálo ou transformálo de qualquer forma, sob pena de transposição de sua competência legal. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10280.900261/200841 Acórdão n.º 9101004.078 CSRFT1 Fl. 417 5 Recurso Voluntário a que se dá provimento. Em relação à matéria do item "c" (exclusão da multa pela denúncia espontânea), indicou os seguintes paradigmas: Acórdão nº 3403003.628 (3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, inteiro teor anexado ao recurso): DENÚNCIA ESPONTÂNEA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONFISSÃO PREVIA. DIFERENÇA DE VALOR CONFESSADA E PAGA EM MOMENTO SUPERVENIENTE. RECURSO REPETITIVO. ART. 62A DO RICARF. O entendimento do Superior Tribunal de Justiça não é de que a denúncia espontânea seria impossível em tributos sujeitos ao lançamento por homologação, mas de que a denúncia espontânea não se configura se o contribuinte, em razão de tal sistemática de lançamento, faz a prévia confissão do débito e deixa transcorrer o prazo de vencimento, para depois pretender uma falsa espontaneidade (Súmula STJ/360 e Recursos Especiais n°s 886.462 e 962.379 da Primeira Seção do STJ, Dje 28/10/2008). Não se tratando de prévia confissão, mas de diferença de tributos que foi confessada e paga de maneira superveniente, aplicase a denúncia espontânea, afastandose a aplicação de penalidades, em cujo conceito se insere a multa de mora. Entendimento firmado em regime de recurso repetitivo, na forma do art. 543 C do CPC (Recurso Especial n° 1.149.022, da Primeira Seção do STJ, Dje 24/06/2010), que deve ser aplicado no julgamento administrativo por força do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho. Precedentes (acórdão 3403 001.946, j. 19/03.2013; acórdão 3403002.060, j. 24/03/2013). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. São equivalentes o recolhimento por meio de DARF e a compensação por meio de DCOMP para o efeito de configuração da denúncia espontânea, na forma do art. 138 do CTN. Acórdão nº 9303003.365 (3ª Turma da CSRF, inteiro teor anexado ao recurso): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/02/2001 a 31/07/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCABÍVEL. ART. 138 do CTN. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo acrescido dos juros moratórios, antes do início do procedimento de fiscalização, afasta a aplicação de multa, inclusive a de mora. Precedentes jurisprudenciais. Fl. 419DF CARF MF 6 O despacho de admissibilidade (efls. 402 a 406) deu seguimento ao recurso especial interposto, ao entender ter sido demonstrada a divergência jurisprudencial em relação à todas as matérias apresentadas. A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões (efls. 408 a 412), sem questionar a admissibilidade do recurso especial do contribuinte. No mérito, contudo, alega que o colegiado a quo agiu corretamente ao tratar da denúncia espontânea, pois foi a própria contribuinte quem levantou tal questão em seu recurso voluntário e, como o julgador tem o dever de decidir a causa com base nos fatos alegados e provado pelas partes, com base nos artigos 141 e 492 do CPC e nos princípios dispositivo da demanda e da congruência, concluiu que a insurgência da ora recorrente é infundada. É o relatório. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10280.900261/200841 Acórdão n.º 9101004.078 CSRFT1 Fl. 418 7 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Conhecimento Conforme o despacho de admissibilidade atestou (p. 402/406), o recurso especial do contribuinte (p. 320/363) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, não havendo, inclusive, questionamento pela parte recorrida no tocante à admissibilidade do recurso, motivo pelo qual concordo e adoto as razões do i. Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF para conhecimento do Recurso Especial, nos termos do permissivo do art. 50, § 1º, da Lei 9.784/99. Mérito Antes de fixar os pontos controvertidos trazidos a julgamento deste Colegiado em razão da admissibilidade do recurso especial interposto pelo contribuinte, é preciso fazer uma rápida retrospectiva dos fatos ocorridos no decorrer deste processo administrativo, de tal forma a balizar o próprio julgamento. Verificouse, inicialmente, que o Recorrente apresentou um Pedido de Restituição – PER nº 03737.36497.220405.1.2.037222 (p. 25/33), no qual está indicado um saldo negativo de CSLL, AC 2003, no valor de R$ 222.397,98. Tal crédito foi utilizado em duas declarações de compensação (p. 142/149 e p. 150/153), sendo que a DRF de origem, em despacho decisório de p. 34, não reconheceu o crédito pleiteado via PER em razão de que o mesmo não foi devidamente apurado na DIPJ2004: enquanto o PER/DCOMP informa um saldo negativo de R$ 222.397,98, na DIPJ o valor é R$ 0,00. Apresentada a manifestação de inconformidade cabível, a DRJ de origem, através do v. acórdão de p. 168/175, reconheceu a totalidade do direito creditório. Contudo, homologou parcialmente as compensações pleiteadas, uma vez que os débitos trazidos à compensação estavam vencidos por ocasião da transmissão dos PER/DCOMPs, mas não contemplavam a incidência da multa de mora respectiva. Apresentado recurso voluntário cabível, o Colegiado a quo decidiu pela manutenção da decisão recorrida, não reconhecendo a ocorrência da denúncia espontânea, sob o argumento de que “comporta à empresa recorrente juntar ao feito a DCTF como forma de comprovar, de forma pretérita ao procedimento fiscal, para fazer jus á denúncia espontânea pleiteada”. À vista dessa r. decisão, o contribuinte apresentou embargos de declaração (p. 262/280), os quais foram rejeitados (p. 302/309), apresentando, em seguido, o seu recurso especial (p. 320/363). Através do r. despacho de admissibilidade de p. 402/406, o referido recurso especial foi admitido em relação a três temas, abaixo enumerados: Fl. 421DF CARF MF 8 1. Decisão extra petita; 2. Preterição do direito de defesa por inovação no julgado; e, 3. Exclusão da multa pela denúncia espontânea. Os itens 1 e 2 foram tratados em conjunto no despacho de admissibilidade, “devido à relação causal que as une, bem como devido ao fato de a Recorrente ter se utilizado basicamente dos mesmos argumentos para demonstrar a alegada divergência jurisprudencial em relação a ambos”. Assim, em contraposição ao v. acórdão recorrido, foi indicado o v. acórdão 20180.714, que firma posicionamento no sentido de que “a apreciação de matérias não alegadas no recurso representa julgamento extra petita, que deve ser ajustado no âmbito de embargos declaratórios” e, no segundo paradigma (10322.569), firmase entendimento de que “o deverpoder de decidir conferido ao Delegado da Receita Federal de Julgamento está adstrito aos termos do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, não lhe sendo permitido aperfeiçoálo ou transformálo de qualquer forma, sob pena de transposição de sua competência legal”. Para explicitar a divergência, a Recorrente esclareceu, de acordo com o despacho de admissibilidade, que “se nem o despacho decisório nem o acórdão da DRJ sequer mencionam a perda da espontaneidade não há fundamento legal para que se exija da Recorrente que faça prova de que não perdeu aquele benefício” e o i. Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF concluiu que “diante de hipóteses equiparáveis ao recorrido, decidiuse que a apreciação de matéria até então não alegada nas fases processuais pretéritas representaria julgamento extra petita, no primeiro paradigma, e inovação no julgado, com consequente extrapolação dos limites de atuação da autoridade julgadora, no segundo paradigma”. Como se vê, para que seja possível o julgamento em relação aos temas 1 e 2 acima enumerados, era imprescindível fazer uma retrospectiva dos fatos e uma síntese do r. despacho de admissibilidade que determinou o prosseguimento do recurso especial interposto pelo contribuinte. Inicialmente, frisese que o r. Despacho Decisório de p. 34 negou o direito creditório ao contribuinte e que o v. acórdão DRJ de p. 168/175 reconheceu integralmente o direito creditório pleiteado. Ou seja, o problema do contribuinte não estava nos créditos, mas nos débitos trazidos à compensação via DCOMP. A DRJ, ao tratar de tais débitos, no voto vencedor, esclarece no dispositivo de p. 175: “considerar as compensações parcialmente homologadas, nos termos da listagem de débitos/saldos remanescentes e do demonstrativo analítico de compensação, anexos”. A dita listagem não está na sequência do voto, mas o contribuinte, em seu recurso voluntário, a partir da p. 233, apresenta o extrato do processo e, nas p. 291/299 são os mesmos apresentados novamente. Analisando o referido extrato, verificase que a falta de crédito para a compensação dos débitos apresentados pelo contribuinte decorreu do acréscimo da multa de mora aos débitos compensados após o seu vencimento. Desta forma, em recurso voluntário (p. 180/249), o próprio contribuinte trata, pela primeira vez, da ocorrência de denúncia espontânea no caso concreto, a qual justificaria a não consideração de multa de mora na indicação dos débitos a serem compensados, contrapondose, assim, à decisão da DRJ que homologou parcialmente as compensações pleiteadas. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10280.900261/200841 Acórdão n.º 9101004.078 CSRFT1 Fl. 419 9 Sem adentrar à correção, ou não, dos fundamentos do v. acórdão recorrido, verificase que o Colegiado a quo firmou posicionamento de que o contribuinte, ao apresentar seu recurso voluntário, não se desincumbiu da tarefa de comprovar a ocorrência da denúncia espontânea e, desta forma, negou provimento ao recurso voluntário interposto. O equívoco do posicionamento do contribuinte reside na suposição de que o v. acórdão exarado pela DRJ de origem não teria tratado da perda da espontaneidade. A partir do momento que foi homologada parcialmente a compensação e determinada a incidência legal da multa de mora aos débitos vencidos trazidos à compensação, cabia, sim, ao contribuinte comprovar a ocorrência da denúncia espontânea inserta no art. 138, do CTN, para justificar o pretendido afastamento da multa de mora sobre os débitos vencidos que se pretendia compensar só com o pagamento do principal e juros. Em não o fazendo, conforme juízo do Colegiado a quo, que justificou sua decisão para não reconhecer a ocorrência da denúncia espontânea e manter a incidência da multa de mora tendo por parâmetro o recurso voluntário interposto e os documentos que o integram, não se verifica, com a devida vênia, julgamento extra petita ou preterição do direito de defesa por inovação no julgado. Esse entendimento é robustecido pela constatação que o contribuinte sabia, pelos extratos de compensação que anexou ao seu recurso voluntário, que a diferença que justificava a homologação parcial emanada da r. decisão da DRJ decorria da incidência da multa de mora sobre os débitos trazidos à compensação e que a obtenção da homologação total de suas compensações decorria da necessidade de comprovar o atendimento do disposto no art. 138, do CTN. Em relação ao item 3, a questão é mais complexa do quanto decidido pelo Colegiado a quo, pois a simples apresentação da DCTF não faria prova do direito do contribuinte em ter reconhecida a denúncia espontânea e, consequentemente, o afastamento da multa de mora no caso concreto. Explicase. A insuficiência de crédito decorreu de imputação de multa de mora aos débitos de CSLL e IRPJ trazidos à compensação através das DCOMPs de p. 142/149 e p. 150/153, uma vez que a primeira foi transmitida em 04.07.2005 (p. 142) e os débitos são de maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro/2004; e, a segunda, transmitida na mesma data (p. 150), tem débito de IRPJ de janeiro/2005. Ou seja, as compensações deramse após a data de vencimento, mesmo que antes de qualquer procedimento fiscalizatório e, assim, não foi reconhecida a ocorrência de denúncia espontânea, inserta no art. 138, do CTN, para afastar a incidência da referida multa de mora. A Recorrente, em seu recurso especial, defende a ocorrência da denúncia espontânea prevista no art. 138, do CTN e, consequentemente, o afastamento da imputação da multa de mora decorrente do v. acórdão da DRJ e mantido no v. acórdão recorrido. Para tanto, parte da premissa que “são equivalentes o recolhimento por meio de DARF e a compensação por meio de DCOMP para o efeito de configuração da denúncia espontânea, na forma do art. 138, do CTN (3403003.628) e que “a denúncia espontânea da infração, acompanhada do pagamento do tributo acrescido dos juros moratórios, antes do início do procedimento de fiscalização, afasta a aplicação de multa, inclusive a de mora (9303 003.365)”. Fl. 423DF CARF MF 10 Expõe que “a não homologação de 100% da compensação e a decorrente extinção da totalidade do crédito tributário vinculado nas Declarações de Compensação corresponde ao lançamento da multa – ainda que de forma camuflada – já que o julgador originário rateou e redistribuiu a compensação realizado pelo contribuinte que vinculou ao crédito reconhecido para extinção de 100% do principal e juros, enquanto o agente fazendário inovou aquela vinculação redistribuindo o crédito para compensação de parcela do principal, parcela dos juros e parcela de multa, esta indevida”, equiparando tal fato a um “lançamento de multa inexistente”. Defende, ainda, citando jurisprudência do E. STJ, inserta no RESp nº 805.753/RJ, que “a existência de recolhimento a menor (não conjugado de entrega de qualquer declaração ao Fisco), efetuou o pagamento da diferença apurada acrescida de juros legais, acompanhada de confissão do débito tributário, o que, em conformidade com a jurisprudência sedimentada nesta Corte Superior, impõe a aplicação do benefício da denúncia espontânea, com a consequente possibilidade de exclusão da multa moratória”, complementando adiante que “destarte, não se tratando o caso em exame de recolhimento a destempo de tributo já constituído por meio de declaração do contribuinte, mas de confissão do débito com pagamento integral, antes de qualquer procedimento administrativo do Fisco, entendo configurada a denúncia espontânea – Min. Denise Arruda, em voto vista no mesmo recurso especial”. No mesmo sentido: Medida Cautelar 15.678, julgada no STJ. Cita, por fim, o julgamento do Recurso Especial 1.149.022/SP pela 1ª Seção do STJ, representativo de controvérsia (art. 543C, do CPC), no qual restou assentado que “quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN”, afirmando, ao final que o caso ora em discussão é em tudo idêntico àquele. E, para corroborar a sua tese de que a compensação equivale a pagamento, transcreve o art. 156, do CTN, que relaciona as situações jurídicas que extinguem o crédito tributário. A questão controvertida neste processo foi objeto de decisão neste Colegiado recentemente, por ocasião do julgamento do processo administrativo nº 10980.001789/2004 15, no qual, por maioria, foi reconhecida a ocorrência de denúncia espontânea nos casos em que o contribuinte “envia Declaração de Compensação posteriormente ao vencimento do tributo e anteriormente à transmissão da DCTF”, equiparando a Declaração de Compensação a pagamento. Na ocasião, acompanhei o voto vencedor, de lavra do i. Conselheiro Luís Fabiano Alves Penteado, tendo em vista que o mesmo estava amparado em precedentes do E. STJ – REsp 1.122.131/SC, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, 1ª Turma, julgado em 24.05.2016, no qual restou consignado ser “usual tratarse a compensação como uma espécie do gênero pagamento”; EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, 2ª Turma, julgado em 20.08.2015, no qual fixouse entendimento de que “a compensação efetuada possui efeito de pagamento sob condição resolutória, ou seja, a denúncia espontânea será válida e eficaz, saldo se o Fisco, em procedimento homologatório, verificar algum erro na operação de compensação”. No entanto, tendo em mãos o presente caso, aprofundei o estudo acerca do tema e pude constatar que o tema da equivalência de compensação a pagamento, para fins de denúncia espontânea – art. 138, do CTN, não era pacífico naquele E. Tribunal, inexistindo, até o momento, posicionamento em sede de recurso repetitivo (art. 1036, do CPC) no âmbito do E. STJ. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10280.900261/200841 Acórdão n.º 9101004.078 CSRFT1 Fl. 420 11 Apenas para ilustrar, transcrevo decisões do E. STJ, 2ª Turma, em sentido diametralmente oposto à equiparação de compensação e pagamento para fins de reconhecimento da denúncia espontânea: AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/02977680 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. Fl. 425DF CARF MF 12 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, eSTJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido. (grifamos) ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça: ""A Turma, por unanimidade, deu provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)."Os Srs. Ministros Og Fernandes, Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente) e Francisco Falcão votaram com o Sr. Ministro Relator." Havendo, portanto, precedentes em ambos os sentidos, estaria este Colegiado livre para decidir em um ou outro sentido conforme a livre convicção de cada julgador. Contudo, a partir da decisão acima transcrita – Resp 1.657.437/RS, o tema subiu, através de Embargos de Divergência, para julgamento por parte da 1ª Seção do STJ, a qual tem a incumbência de uniformizar os julgamentos exarados pelas 1ª e 2ª Turmas do STJ, competentes para julgamento naquele Tribunal em matéria tributária. Vejase decisão da C. 1ª Seção do E. STJ, exarada em setembro/2018: AgInt nos EDcl nos Embargos de Divergência em REsp. nº 1.657.437/RS (2017/00461010) Relator: Ministro GURGEL DE FARIA Órgão Julgador: PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ Data do Julgamento: 12/09/2018 Data da Publicação: DJe 17/10/2018 EMENTA TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. REQUISITOS. INOCORRÊNCIA. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidouse no sentido de que é incabível a aplicação do benefício da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, aos casos de compensação tributária, justamente porque, nessa hipótese, a extinção do débito estará submetida à ulterior condição resolutória da sua homologação pelo fisco, a qual, caso não ocorra, implicará o não pagamento do crédito tributário, havendo, por consequência, a incidência dos encargos moratórios. Precedentes. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10280.900261/200841 Acórdão n.º 9101004.078 CSRFT1 Fl. 421 13 2. Agravo interno desprovido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Herman Benjamin, Og Fernandes, Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina e Regina Helena Costa votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho. A decisão acima transitou em julgado em 14.12.2018. Desta forma, seguindo a decisão da 1ª Seção do E. STJ, que difere a situação de pagamento e compensação para fins de reconhecimento da denúncia espontânea, mantenho a incidência legal da multa de mora no caso concreto, não reconhecendo a ocorrência da denúncia espontânea. E, uma vez não acolhida a denúncia espontânea, o que se tem é um crédito menor do que o débito declarado/confessado em PER/DCOMP. Por fim, em que pese os argumentos dispendidos pela Recorrente, a imputação proporcional não é ilegal. Não faria o menor sentido quitar integralmente o principal e os juros decorrentes e manter, exclusivamente, a multa de mora. Por ser um consectário legal, na medida em que incide sobre o principal, não poderia a multa de mora remanescer sozinha. Desta forma, a imputação proporcional é uma técnica legal para que todo o valor do crédito do contribuinte seja utilizado e o eventual saldo devedor esteja distribuído de maneira adequada entre principal, juros e multa devidos. Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, reconhecendo que, para fins de denúncia espontânea, nos termos do art. 138, do CTN, compensação tributária, sujeita a posterior homologação, não equivale a pagamento, não se aplicando, por conseguinte, o afastamento da multa moratória decorrente pelo adimplemento a destempo, mediante compensação. É o voto (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 427DF CARF MF 14 Declaração de Voto Conselheira Lívia De Carli Germano Com a devida vênia, no presente caso divergi do Relator por entender que restou configurada a preterição ao direito de defesa do contribuinte. Passo a declarar meu voto. O Decreto 70.235/1972, norma que regula o processo administrativo fiscal, estabelece dentre as hipóteses de nulidade de decisões aquelas proferidas com preterição ao direito de defesa (art. 59, II). Embora se trate de um conceito jurídico indeterminado, um dos exemplos clássicos de preterição ao direito de defesa é aquele em que o juiz decide com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar. É nesse contexto que o atual Código de Processo Civil CPC/15 (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015) aplicável supletiva e subsidiariamente ao processo administrativo fiscal (cf. art. 15 do CPC/15) traz, logo em seus primeiros artigos, no capítulo intitulado "Normas Fundamentais do Processo Civil", os seguintes dispositivos (grifamos): Art. 9o Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica: I à tutela provisória de urgência; II às hipóteses de tutela da evidência previstas no art. 311, incisos II e III; III à decisão prevista no art. 701. Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. Pois bem. Na hipótese dos autos, temos o caso em que o contribuinte apresentou declaração de compensação (PER/Dcomp) visando ao aproveitamento de crédito de saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003, no valor de no valor de R$ 222.397,98. A princípio, a compensação foi negada simplesmente porque, mediante o cruzamento eletrônico de dados, verificouse que o crédito de saldo negativo informado na DIPJ estava zerado. O contribuinte então apresentou manifestação de inconformidade e comprovou que se tratava de mero erro de preenchimento da DIPJ. Neste sentido, o voto vencedor na Delegacia de Julgamento (DRJ) afirmou que "resta claro o equivoco da recorrente no sentido de esquecer de inserir na ficha da apuração da CSLL as estimativas pagas durante o anocalendário 2003". Assim, a DRJ reconheceu a integralidade do direito creditório pleiteado, no valor de R$ 222.397,98, no entanto considerou as compensações apenas parcialmente homologadas, "nos termos da Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes e do Demonstrativo Analítico de Compensação", que trouxe anexos. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10280.900261/200841 Acórdão n.º 9101004.078 CSRFT1 Fl. 422 15 Ou seja, conforme observou o voto do nobre Relator, problema não mais estava nos créditos e passou a ser o montante dos débitos que se pretendeu compensar. Foi apenas após a análise de tal listagem e demonstrativo anexos à decisão da DRJ que o contribuinte percebeu que, muito embora seu crédito tenha sido integralmente reconhecido, sua compensação não foi integralmente homologada porque o voto condutor daquela decisão não reconheceu os efeitos da denúncia espontânea (artigo 138 do CTN1), deixando de exonerálo do pagamento da multa de mora sobre os tributos confessados. De se ressaltar que não há uma linha na decisão da DRJ tratando especificamente do motivo que levou a homologação a ser apenas parcial. Somente por dedução, após a análise dos cálculos anexos ao acórdão da DRJ, é que o contribuinte pode concluir que a DRJ tinha considerado um valor maior de débito, por ter nele incluído a multa de mora, a qual não havia constado do valor originalmente por ele confessado em sua PER/Dcomp. Teria a DRJ incluído a multa de mora em seus cálculos por mero erro ou esquecimento? Seria porque se tratava de declaração de compensação e não de pagamento em espécie? Ou porque não haveria espontaneidade? Enfim, a experiência mostra que de fato há diversos motivos pelos quais as autoridades fiscais podem considerar não aplicável o artigo 138 do CTN às declarações de compensação apresentadas pelos contribuintes, mas não se sabe, no caso em questão, qual deles foi relevante para que a autoridade julgadora de primeira instância não considerasse o artigo 138 do CTN aplicável ao caso. Oportuno notar que a legislação processual prevê expressamente que as decisões, atos administrativos que são, devem ser devidamente fundamentadas, a exemplo do artigo 50 da Lei 9.784/1999 a qual regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal e se aplica subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, nos termos de seu artigo 69. Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V decidam recursos administrativos; VI decorram de reexame de ofício; VII deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. 1 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 429DF CARF MF 16 § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. § 2o Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados. § 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. De qualquer forma, também não há dúvida de que o debate acerca da denúncia espontânea e seus efeitos apenas foi inaugurado após a decisão da DRJ. Nesse passo, foi no recurso voluntário primeira e única oportunidade que teve o contribuinte de se manifestar no processo acerca da denúncia espontânea, e sem saber os motivos que levaram a DRJ a não considerála aplicável que o contribuinte então alegou, de maneira inaugural, em contraposição aos cálculos da DRJ, a aplicação dos efeitos da denúncia espontânea ao caso, bem como a impossibilidade de a DRJ alterar de ofício os valores de débito declarados, eis que isso teria resultado no lançamento de multa por via transversa (isto porque, no seu entender, se o contribuinte declarou na PER/DComp a vinculação da totalidade do crédito pleiteado com a totalidade do principal e juros devidos, a DRJ não poderia alterar tal vinculação, fazendo incidir multa e assim dando origem à parcela da compensação não homologada). Ao analisar o recurso voluntário, o acórdão recorrido, após afirmar que a discussão que remanesceu de fato foi apenas sobre se a multa de mora era ou não devida, simplesmente negou provimento por considerar que o contribuinte não comprovou a sua espontaneidade, por não ter juntado aos autos o documento que provaria que o débito que ele pretendeu confessar não havia sido previamente declarado como devido. A concisão do voto permite a sua reprodução integral, verbis: O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de PER/DCOMP nº 03737.36497.220405.1.2.037222, transmitida em 22.04.2005, através da qual foi solicitada a compensação de CSLL (saldo negativo/ano calendário 2003), no valor original de R$ 222.397,98 (duzentos e vinte e dois mil trezentos e noventa e sete reais e noventa e oito centavos). A decisão proferida em primeira instância não homologou totalmente a compensação, porquanto entender que apenas em parte o crédito havia sido comprovado. Ocorre que o presente feito tratase de erro no preenchimento de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) e não de alteração da origem do crédito pleiteado. Ademais, temse que a própria autoridade de primeira instância reconheceu parte dos valores e a recorrente admite que deveria ter indicado o pagamento de estimativas mensal nas fichas (16 e 17) para as devidas deduções ao final do período de apuração, compondo assim o saldo negativo correspondente. Contudo, o que se tem de fato no presente feito é a discussão quanto aos acréscimos legais, multa de mora, que persiste no feito. Como o a empresa recorrente não juntou ao presente feito a DCTF, com a finalidade de comprovar que a mesma foi realizada de forma pretérita ao procedimento, não faz jus à denúncia espontânea, tal como pleitea. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10280.900261/200841 Acórdão n.º 9101004.078 CSRFT1 Fl. 423 17 Diante do exposto voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. O contribuinte opôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados por despacho. A resumida análise do iter processual acima elaborada foi necessária para demonstrar a preterição ao direito de defesa do contribuinte. Isso porque, mesmo que se coloque em dúvida a efetiva necessidade de fundamentação da decisão da DRJ o que já pode ser considerado uma afronta ao princípio do devido processo legal e à necessidade de fundamentação dos atos administrativos, para dizer o mínimo a decisão recorrida, ao confirmar tal decisão e então, analisando inauguralmente a questão acerca da denúncia espontânea, negar o direito do contribuinte com base em argumento que até então não fazia parte da lide, exigindo dele uma prova que ele nunca havia sido instado a produzir e que sequer estava em debate até então, acabou por confirmar a preterição a seu direito de defesa. Em um cenário em que jamais se questionou a espontaneidade do cumprimento de uma obrigação, a pretensa falta de comprovação da sua ocorrência não poderia servir de argumento e foi o único, no caso para a negativa de provimento ao recurso. Se o julgador, naquela ocasião, ainda tinha dúvidas sobre a prova da espontaneidade do contribuinte, e sendo essa uma questão nova nos autos, que sequer foi cogitada seja pelo despacho decisório seja pela decisão da DRJ, era o caso, se não de discutir a distribuição do ônus da prova, pelo menos de solicitar as diligências necessárias, em homenagem à dialeticidade processual e à busca pela verdade material que orienta o processo administrativo tributário, tudo em conformidade com a legislação aplicável e também o Regimento Interno deste CARF. Lembro, por oportuno, que a Lei 9.784/1999 estabelece que "Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias." (art. 37). Da mesma forma, dispõe o artigo 39 dessa mesma norma: Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Tais dispositivos confirmam que, diferentemente do que ocorre no processo judicial, a busca da verdade material que rege o processo administrativo pode impor ao julgador certos deveres de ação, o que por vezes significa uma verdadeira vedação a que ele decida apenas e exclusivamente com base nos fatos e argumentos trazidos pelas partes. Portanto, seja em razão de a discussão acerca da denúncia espontânea ter surgido apenas após a decisão da DRJ, sem que o contribuinte tivesse conhecimento sequer do motivo pelo qual não foi aceita a quitação dos débitos sem o acréscimo da multa moratória, Fl. 431DF CARF MF 18 seja em virtude de a decisão recorrida ter sido baseada na ausência de juntada aos autos de documento que já era de conhecimento da Administração, compreendo que não era o caso de se negar de pronto o pleito do contribuinte, impondolhe um ônus que, se não era ilegal, foi pelo menos desproporcional se consideradas todas circunstâncias ocorridas nos presentes autos. Em breves linhas, são estas as razões pelas quais, com a devida vênia, compreendo que, no caso dos autos, restou configurado o cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 432DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.689094/2009-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa:
INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018).
Numero da decisão: 1302-003.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10880.935088/2009-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018).
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ESTIMATIVA. PARADIGMA Recorrente NOVELIS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº10880.935088/200914, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 90 94 /2 00 9- 94 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.689094/200994 Acórdão n.º 1302003.321 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face a acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, registrandose a seguinte ementa: PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR DE ESTIMATIVAS A edição da IN SRE n° 460/2004, publicada em 29/10/2004, determinou em seu art. 10 que os recolhimentos a maior ou indevidos de estimativas de IRPJ e CSLL deveriam ser utilizados na apuração anual dos tributos e apuração do saldo negativo correspondente, sendo vedada sua utilização em compensações como pagamentos a maior ou indevidos. A IN SRF n° 600/2005, publicada em 30/12/2005, reproduziu essa proibição no seu exato teor e no mesmo artigo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente apresentou Declaração de Compensação, indicando como crédito pagamento indevido ou a maior. A fiscalização concluiu pela improcedência do crédito, por tratarse de pagamento de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos, ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. As decisões foram fundamentadas nas disposições das IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005. Apresentouse DARF para demonstrar a origem do crédito. A DCOMP não foi homologada e resultou em lançamento. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, tempestivamente. Defende que, a fiscalização e a DRJ se equivocaram. Pois, o valor compensado no mês subsequente ao do recolhimento, referese a valor que pagou além do valor apurado como sendo o valor devido de estimativa. Alega, assim, que "as antecipações devidas pelo contribuinte e posteriormente transformadas em crédito, por conta do IRPJ e/ou da CSLL apurados a menor, por ocasião do ajuste, somente podem ser compensadas a partir do mês de abril do ano subsequente, ao passo que as antecipações recolhidas indevidamente ou a maior pelo contribuinte, ou seja, aquelas recolhidas em valor maior que o apurado com base na estimativa, como ocorre no presente caso, configurariam créditos que poderiam ser compensados já no mês subsequente ao do recolhimento indevido." Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.689094/200994 Acórdão n.º 1302003.321 S1C3T2 Fl. 4 3 Fundamentou seu entendimento nas disposições dos arts. 2º e 6º, da Lei nº 9.430/96; art. 74 da Lei nº 9.430/96. Também colacionou ementas de julgados do CARF. Sustentou que o regramento contido no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 460/2004, replicado na Instrução Normativa n° 600/2005, tratava apenas do recolhimento do que efetivamente devido a título de antecipação de IRPJ e CSLL, não abrangendo recolhimentos a maior ou indevidos. Do contrário, contrariaria o citado art. 74 da Lei n° 9.430/96. No intuito de demonstrar o valor devido estimado para recolhimento antecipado de IRPJ, a Recorrente apresentou a DCOMP, Darfs, DCTFs retificadoras. Não há informação sobre o motivo pelo qual a Recorrente teria apurado, no primeiro momento, o referido valor devido de IRPJ por estimativa e no momento seguinte retificou DCTF e DIPJ para indicar outro valor como sendo correto. A Recorrente não informou o erro ou o equívoco cometido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.319, de 22/01/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.935088/2009 14, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.319): Conheço do Recurso Voluntário à vista de sua interposição tempestiva e do atendimento ao demais pressupostos de admissibilidade previstos no Dec. nº 70.235/72. A questão, portanto, reside em verificar se a Recorrente teria crédito de IRPJ e CSLL, relativo a pagamento, indevido ou a maior, além da estimativa, e se estaria autorizada a utilizar o suposto crédito, já no mês subsequente. Como visto, o acórdão recorrido ratificou o entendimento da fiscalização, no sentido de que, no caso (empresa optante pelo lucro real e estimativas mensais, com base em balancete de suspensão ou redução) somente no ajuste anual seria possível apurar pagamento de valor indevido ou a maior de estimativa mensal. Antes do ajuste anual, não haveria pagamento indevido ou a maior, nem mesmo a possibilidade de compensação no mês subsequente. Esse foi o entendimento que a fiscalização e a DRJ extraíram da IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005. De outro modo, a Recorrente refuta tal entendimento, colacionando acórdãos do CARF, que concluíram pela possibilidade de se utilizar, para fins de Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10880.689094/200994 Acórdão n.º 1302003.321 S1C3T2 Fl. 5 4 compensação, já no mês subsequente, os recolhimentos realizados em valor superior à quantia regularmente apurada, como sendo a estimativa mensal devida. A controvérsia quanto à possibilidade de compensação de pagamentos indevidos ou a maior de estimativas foi solucionada pela Solução de Consulta Interna da Cosit SCI n° 19, de 05/12/2011, de cuja ementa se extrai: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja ela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF n° 460, de 2004, e IN SRF n° 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1° de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF n° 460, de 2004, e IN SRF n° 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2° e 74; IN SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008. Este entendimento também foi consolidado na jurisprudência deste conselho por meio da Súmula CARF n° 84, verbis: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Nesse ponto específico, portanto, assiste razão à recorrente. Não obstante, quanto ao mérito do reconhecimento do direito creditório pleiteado e da respectiva compensação, não é possível a este colegiado adentrar no seu exame, posto que a autoridade administrativa competente ainda não se pronunciou sobre tal matéria. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.689094/200994 Acórdão n.º 1302003.321 S1C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.729409/2013-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
NULIDADE. INOCORRÊNCIA
Afasta-se a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento quando resta configurado que não houve o alegado cerceamento de defesa e nem vícios durante o procedimento fiscal
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA.
Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
Numero da decisão: 2001-001.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de voto, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 NULIDADE. INOCORRÊNCIA Afasta-se a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento quando resta configurado que não houve o alegado cerceamento de defesa e nem vícios durante o procedimento fiscal OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de voto, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho.
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INOCORRÊNCIA Afastase a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento quando resta configurado que não houve o alegado cerceamento de defesa e nem vícios durante o procedimento fiscal OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de voto, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 94 09 /2 01 3- 12 Fl. 43DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2011, anocalendário de 2010. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada: Omissão de Rendimentos de Aluguéis Recebidos de Pessoa Física DIMOB – no valor de R$ 12.916,14. O contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese, que tratase de equivoco por parte da autoridade fiscal, que o rendimento não foi obtido por ele, que ele teria declarado o total recebido, e que estava diante de ofensa a princípios constitucionais. A DRJ São Paulo, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido a entrega da DAA de forma extemporânea, com vício de ausência de espontaneidade, não se presta para justificar a omissão de rendimentos apontada. Em assim sendo, não haveria porque realizar diligência perante a administradora de imóveis para uma pretensa retificação de Dimob por prescindível que se tornaria tal demanda, pois está claro que o pedido do sujeito passivo visa apenas à procrastinação. Não trouxe o interessado qualquer documentação probante para alicerçar sua tese quanto ao arguido erro daquela que administrou as locações. Não basta para isso citar ou trazer à baila como "paradigmas" Dimob do anocalendário 2009, uma vez que não se vislumbra outros elementos que alicerçassem os mencionados erros para o anocalendário 2010, objeto do lançamento. Em sede de Recurso Voluntário, o Contribuinte repisa os mesmos argumentos e invoca nulidade e ofensas a princípios constitucionais . É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Nulidade Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10580.729409/201312 Acórdão n.º 2001001.259 S2C0T1 Fl. 3 3 No que se refere à busca da contribuinte por argumentos para declaração de nulidade, com a devida vênia, totalmente desprovido de lógica e fundamento essa alegação vazia. No presente processo houve o atendimento integral a todos requisitos específicos da notificação fiscal houve o regular lançamento, procedimento administrativo por meio do qual o órgão que administra o tributo qualificou o sujeito passivo, consignou o valor do crédito tributário devido, o prazo para recolhimento ou apresentação de impugnação ao lançamento, bem como a disposição legal infringida, constando a indicação do cargo e o número de matrícula do chefe do órgão expedidor Verificase, pois, que a nulidade do lançamento somente poderia ser declarada no caso de não constar, ou constar de modo errôneo, a descrição dos fatos ou o enquadramento legal de modo a consubstanciar preterição do direito à defesa. Fato esse que não ocorreu em nenhuma hipótese no processo em análise. A descrição dos fatos é um dos requisitos essenciais à formalização da exigência tributária, mediante o procedimento de lançamento. Por meio da descrição, revelam se os motivos que levaram ao lançamento, estabelecendo a conexão entre os meios de prova coletados e/ou produzidos e a conclusão a que chegou a autoridade fiscal. Seu objetivo é, primeiramente, oportunizar ao sujeito passivo o exercício do seu direito constitucional de ampla defesa e do contraditório, dandolhe pleno conhecimento do desenrolar dos fatos e, após, convencer o julgador da plausibilidade legal da notificação, demonstrando a relação entre a matéria consubstanciada no processo administrativo fiscal com a hipótese descrita na norma jurídica. É necessário, portanto, que o auditorfiscal relate com clareza os fatos ocorridos, as provas e evidencie a relação lógica entre estes elementos de convicção e a conclusão advinda deles. Não é necessário que a descrição seja extensa, bastando que se articule de modo preciso os elementos de fato e de direito que levaram o auditor ao convencimento de que a infração deve ser imputada ao contribuinte. TUDO isto foi devidamente atendido pelas autoridades fiscais. Assim, resta claro que não houve qualquer arbitrariedade ou atitude sorrateira por parte da autoridade fiscal. Pelo contrário. O procedimento fiscal sempre primou pela transparência e oportunidade de colaboração do contribuinte. Ademais, não houve também qualquer ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa (artigo 5º, inciso LV da CF/88). Ao contrário, o recorrente teve resguardado o seu direito à reação contra atos que lhe foram supostamente desfavoráveis, momento esse em que a parte interessada exerceu o direito à ampla defesa, cujo conceito abrange o princípio do contraditório. A observância da ampla defesa ocorre quando é dada ou facultada a oportunidade à parte interessada em ser ouvida e a produzir provas, no seu sentido mais amplo, com vista a demonstrar a sua razão no litígio. Desta forma, quando a Administração Pública antes de decidir sobre o mérito de uma questão administrativa dá à parte contrária à oportunidade de impugnála da forma Fl. 45DF CARF MF 4 mais ampla que entender, o que aconteceu no processo em epígrafe, não está infringindo, nem de longe, os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório Resta muito claro, pois, que o contribuinte teve todos os seus direitos de defesa devidamente reservados e garantidos, o processo fiscal cumpriu todas as suas etapas, a notificação fiscal está completa e clara, e o contribuinte teve acesso a tudo. O seu argumento, aparentemente protelatório, de que deveria ser declarada a nulidade da presente notificação fiscal, é absolutamente vazio Mérito Omissão de rendimentos Aluguel pessoa física O contribuinte alega que os rendimentos de aluguel foram devidamente declarados na DIRF retificadora da sua mãe, IACI PASTORI DE FIGUEIREDO, a qual realizou a entrega de DAA/2011 apenas em 13/12/2013, após, portanto, ao lançamento e, até mesmo, à impugnação (11/10/2013). Pela análise minuciosa das informações apresentadas pelo Recorrente bem como sua alegações desprovidas de qualquer prova documental que as fundamente entendo que não faz qualquer sentido a sua argumentação . Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10580.729409/201312 Acórdão n.º 2001001.259 S2C0T1 Fl. 4 5 Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Como vimos, a sra IACI PASTORI DE FIGUEIREDO, a própria mãe do interessado, realizou a entrega de DAA/2011 inserindo a receita considerada omissa pelo Recorrente apenas em 13/12/2013, após, portanto, ao lançamento e, até mesmo, à impugnação (11/10/2013). Concordo com a DRJ que pelo vínculo existente entre as citadas partes, a entrega da DAA de forma extemporânea, com vício de ausência de espontaneidade, não se presta para justificar a omissão de rendimentos apontada. Assim, também concordo que não haveria porque realizar diligência perante a administradora de imóveis para uma pretensa retificação de Dimob por prescindível que se tornaria tal demanda, pois está claro que o pedido do sujeito passivo visa apenas à procrastinação. Não trouxe o interessado qualquer documentação probante para alicerçar sua tese quanto ao arguido erro daquela que administrou as locações. Por tudo o quanto exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter o lançamento fiscal na sua integralidade. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar suscitada e no mérito NEGAR PROVIMENTO recurso voluntário, conforme acima detalhado. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 47DF CARF MF 6 Fl. 48DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.901564/2009-37
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU
A MAIOR. RETIFICADORA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação retificadora só é admitida caso se encontrem pendentes de decisão administrativa o pedido original à data do envio do documento retificador.
ENCAMINHAMENTO INTIMAÇÕES ENDEREÇO PATRONO DA CAUSA. IMPOSSIBILIDADE
No processo administrativo as comunicações são dirigidas para o domicílio fiscal do contribuinte, não sendo possível ser substituído pelo endereço dos seus advogados.
Numero da decisão: 1003-000.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICADORA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação retificadora só é admitida caso se encontrem pendentes de decisão administrativa o pedido original à data do envio do documento retificador. ENCAMINHAMENTO INTIMAÇÕES ENDEREÇO PATRONO DA CAUSA. IMPOSSIBILIDADE No processo administrativo as comunicações são dirigidas para o domicílio fiscal do contribuinte, não sendo possível ser substituído pelo endereço dos seus advogados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva - Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente)
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICADORA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação retificadora só é admitida caso se encontrem pendentes de decisão administrativa o pedido original à data do envio do documento retificador. ENCAMINHAMENTO INTIMAÇÕES ENDEREÇO PATRONO DA CAUSA. IMPOSSIBILIDADE No processo administrativo as comunicações são dirigidas para o domicílio fiscal do contribuinte, não sendo possível ser substituído pelo endereço dos seus advogados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 15 64 /2 00 9- 37 Fl. 120DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente) Relatório Tratase de recurso voluntário em face do acórdão 12.53.866, de 19 de março de 2013, da 5ª Turma da DRJ/RJ I, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por bem retratar os fatos até o momento processual anterior ao julgamento da Manifestação de Inconformidade e por economia processual, transcrevo e adoto o relatório contido no acórdão a quo: "Tratase de Declaração de Compensação nº 03240.86656.250105.1.3.04 0306, apresentada em 25/01/2005, constante de fls. 73 a 79, para utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido de CSRF (cód. 5987), relativo ao período de apuração de set/2004, no valor total de R$ 9.160,74, com débitos do mesmo tributo, nos valores de R$ 1.046,91, R$ 406, 09, R$ 688,59, R$ 640,30, R$ 1.262,94, e R$ 2.232,49, relativos aos períodos de apuração da 1ª quinzena de outubro a 2ª quinzena de dezembro de 2004. Uma vez que o Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) informado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal, foi emitido o Termo de Intimação por irregularidade no preenchimento de PER/DCOMP, nº de rastreamento 6289334548, de fl. 80, cuja ciência a contribuinte foi dada em 22/09/2006, conforme AR de fl. 81, no qual foi dado prazo de 20 (vinte) dias para a interessada sanar a irregularidade acima mencionada, sob pena de indeferimento/nãohomologação do seu pedido. A interessada quedouse inerte. Assim, conforme Despacho Decisório de fl. 6, foi indeferido o pedido, em virtude da não confirmação da existência do crédito informado, uma vez que o DARF discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificada em 04/03/2009, a contribuinte interpôs em 03/04/2009 manifestação de inconformidade de fls. 2 a 5, acompanhada de documentos de fls. 6 a 58. Alega, preliminarmente, a tempestividade de sua manifestação de inconformidade, e, no mérito, que equivocadamente preencheu a PER/DCOMP informando incorretamente o valor do Darf, cujo montante informado foi de R$ 9.160,74, correspondente à diferença do valor efetivamente pago de R$ 10.325,74 e do valor devido de R$ 1.165,00, relativo ao código 59874, da 1ª quinzena de setembro de 2004, devidamente informado na DCTF do 3º trimestre de 2004. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 15374.901564/200937 Acórdão n.º 1003000.660 S1C0T3 Fl. 121 3 Informa que elaborou e apresentou nova PER/DCOMP nº 38269.9457.020409.1.3.042137, tempestivamente transmitida, informando o pagamento realizado corretamente. Anexou a manifestação de inconformidade o comprovante do pagamento mencionado e a declaração de compensação nº 38269.9457.020409.1.3.042137, com respectivo recibo de entrega em 02/04/2009. A manifestação de inconformidade foi considerada improcedente e o direito creditório pleiteado não foi reconhecido pela DRF/FOR, cujo acórdão foi prolatado com a seguinte ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A não comprovação da existência de direito creditório, decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido, impede a homologação da compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada por meio eletrônico do acórdão em 02/05/2013 (efl. 90), irresignada a Recorrente apresentou recurso voluntário em 28/05/2013 (efls. 9497), no qual alega o seguinte: Que ao contrário do disposto no acórdão recorrido, ainda não houve a análise do PER/DCOMP 38269.9457.020409.1.3.042137, não havendo que se falar em negativa de provimento da manifestação de inconformidade; Que isto teria ocorrido porque a compensação ainda não teria sido analisada na outra PER/DCOMP, como comprovaria informação do sítio da Receita Federal (Doc. 02); Que reitera as informações e alegações prestadas na manifestação de inconformidade. Requer ao final que o Despacho Decisório seja considerado nulo. Pede também que as comunicações sejam em nome dos advogados, nos seus respectivos endereços. É o relatório. Voto Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama Relator O recurso voluntário atende aos requisitos formais de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. Fl. 122DF CARF MF 4 Registrese que na intimação para a contribuinte, ora Recorrente, sanasse a irregularidade consta a seguinte informação (efl. 80): "Se houver qualquer divergência, solicitase transmitir o PER/DCOMP retificador. Caso contrário, compareça à unidade da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição com esta intimação e o(s) DARF original(is), no prazo indicado." (grifei) A Recorrente tomou ciência da intimação em 22/09/2006, conforme AR (efl. 81), no qual foi dado prazo de 20 (vinte) dias para a interessada sanar a irregularidade acima mencionada, Verificase que a Recorrente transmitiu a PER/DCOMP n°38269.9457.020409.1.3.042137 (ORIGINAL) em 02/04/2009. (efl.10), mais de 2 anos depois de intimada a sanar a irregularidade constatada. A Instrução Normativa SRF n° 600, vigente à época, estabelecia a possibilidade de retificação do PER/DCOMP, porém estabelecia algumas vedações. Vejase: Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59.(grifei) Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 59. Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Concluise que a Recorrente não atendeu ao solicitado na intimação para saneamento da irregularidade, ao contrário, além de perder o prazo para o envio da retificadora solicitada, encaminhou uma PER/DCOMP original e não retificadora e depois de emitido o Despacho Decisório. Além dos mais, não apresentou nenhuma justificativa para o encaminhamento extemporâneo da PER/DCOMP retificadora (caso tivesse assinalado como retificadora) e tampouco juntou outros elementos probatórios para justificar o erro do preenchimento (DCTF retificadora , documentos contábeis e fiscais). Por derradeiro, o DARF de origem do crédito questionado está totalmente alocado a débito confessado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais do 3º trimestre de 2004 da Recorrente, no valor total de R$ 15.816,97, relativo à CSLL da 2ª quinzena de setembro de 2004, e dessa forma não há crédito disponível para restituição/compensação. Não consta nos autos o encaminhamento de DCTF retificadora daquela competência. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 15374.901564/200937 Acórdão n.º 1003000.660 S1C0T3 Fl. 122 5 Quanto ao PER/DCOMP n°38269.9457.020409.1.3.042137 é claro que nos sistemas da Receita Federal estaria constando que estaria em análise (foi encaminhado como original). E dessa forma, como ainda não foi levado para o contencioso administrativo, deixo de analisála. Em relação ao pedido para que as comunicações sejam em nome dos advogados, nos seus respectivos endereços, não há como ser atendido, em vista do entendimento deste Colegiado expresso na Súmula Vinculante abaixo transcrita: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019) Por todo o exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Wilson Kazumi Nakayama Fl. 124DF CARF MF
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