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Numero do processo: 37284.000077/2007-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/05/2006
PREVIDENCIÁRIO. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GFIP.
Constitui infração à legislação previdenciária, a apresentação de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
MULTA. RETROATIVIDADE. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL AO CASO CONCRETO. CONGRUÊNCIA DA DECISÃO.
Aos processos de aplicação de multa por omissão de fatos geradores em GFIP, relativos a fatos ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, aplica-se a legislação que resultar na multa mais benéfica.
Os critérios de comparação das multas que levam à definição da legislação mais benéfica aplicável ao caso concreto estão definidos na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, e são aplicados de ofício pelo órgão fazendário, de modo que a apreciação da adequação deste ato normativo ao caso concreto, pelo julgador administrativo, depende de provocação do sujeito passivo, sob pena de invalidade do acórdão, pois não se trata de matéria cognoscível de ofício, nem de pedido implícito.
RO Negado e RV Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, não conhecer de ofício de questão envolvendo a aplicação da multa; vencidos o relator e os Conselheiros Alice Grecchi, Marcelo Malagoli da Silva e Nathália Correia Pompeu; b) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto às demais questões de mérito, de acordo com o voto do relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis.
JOÃO BELINNI JUNIOR - Presidente.
IVACCIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
LUCIANA DE SOUZA ESPÍNDOLA REIS - Redator designado.
EDITADO EM: 24/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana De Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, e Nathalia Correia Pompeu
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/06/2003 a 30/05/2006 PREVIDENCIÁRIO. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GFIP. Constitui infração à legislação previdenciária, a apresentação de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. MULTA. RETROATIVIDADE. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL AO CASO CONCRETO. CONGRUÊNCIA DA DECISÃO. Aos processos de aplicação de multa por omissão de fatos geradores em GFIP, relativos a fatos ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, aplica-se a legislação que resultar na multa mais benéfica. Os critérios de comparação das multas que levam à definição da legislação mais benéfica aplicável ao caso concreto estão definidos na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, e são aplicados de ofício pelo órgão fazendário, de modo que a apreciação da adequação deste ato normativo ao caso concreto, pelo julgador administrativo, depende de provocação do sujeito passivo, sob pena de invalidade do acórdão, pois não se trata de matéria cognoscível de ofício, nem de pedido implícito. RO Negado e RV Provido em Parte
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TEC. DE LING. ESTRANGEIRAS FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/05/2006 PREVIDENCIÁRIO. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GFIP. Constitui infração à legislação previdenciária, a apresentação de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. MULTA. RETROATIVIDADE. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL AO CASO CONCRETO. CONGRUÊNCIA DA DECISÃO. Aos processos de aplicação de multa por omissão de fatos geradores em GFIP, relativos a fatos ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, aplicase a legislação que resultar na multa mais benéfica. Os critérios de comparação das multas que levam à definição da legislação mais benéfica aplicável ao caso concreto estão definidos na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, e são aplicados de ofício pelo órgão fazendário, de modo que a apreciação da adequação deste ato normativo ao caso concreto, pelo julgador administrativo, depende de provocação do sujeito passivo, sob pena de invalidade do acórdão, pois não se trata de matéria cognoscível de ofício, nem de pedido implícito. RO Negado e RV Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, não conhecer de ofício de questão envolvendo a aplicação da multa; vencidos o relator e os Conselheiros Alice Grecchi, Marcelo Malagoli da Silva e Nathália Correia Pompeu; b) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 28 4. 00 00 77 /2 00 7- 35 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto às demais questões de mérito, de acordo com o voto do relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis. JOÃO BELINNI JUNIOR Presidente. IVACCIR JÚLIO DE SOUZA Relator. LUCIANA DE SOUZA ESPÍNDOLA REIS Redator designado. EDITADO EM: 24/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana De Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, e Nathalia Correia Pompeu Fl. 213DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 37284.000077/200735 Acórdão n.º 2301004.421 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Lí o Relatório a quo de fls.145, compulsei com os autos e tendo corroborado , com grifos de minha autoria, abaixo o transcrevo na íntegra : "1. Tratase de auto de infração lavrado pela fiscalização da Secretaria da Receita Previdenciária contra CETERA — CENTRO TÉCNICO DE LÍNGUAS ESTRANGEIRAS LTDA, consolidado em 15/12/2005, em razão de haver infringido o dispositivo previsto no artigo 32, inciso IV, § 5°, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991. 2. Conforme Relatório Fiscal de fls. 14/20, a empresa deixou de incluir nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social — GFIP, entre as competências junho/2003 e maio/2006, os valores correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. 3. A empresa foi excluída do regime de tributação SIMPLES, com efeito de exclusão a partir de 01/03/1999, não sendo licito o contribuinte continuar a usufruir as prerrogativas tributárias do regime de tributação simplificado de que trata a Lei n° 9.317/1996 e respectivas alterações subseqüentes 4. Em decorrência do dispositivo legal acima descrito, foi aplicada a multa no valor de R$ 39.171,34 (trinta e nove mil, cento e setenta e um reais e trinta e quatro centavos), baseada no artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. 5. O valor da multa aplicada corresponde a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição previdenciária não declarada, limitada, por competência, aos valores previstos no § 40 do artigo 32 da Lei n° 8.212/91, em função do número total de segurados da empresa. Os quadros demonstrativos do cálculo da contribuição não declarada e do cálculo da multa aplicada encontramse relacionados em planilhas de fls. 19. DA IMPUGNAÇÃO 6. A autuada contestou, tempestivamente, o lançamento em tela, alegando as seguintes razões: 7. Inicialmente, alega que a mesma exigência é objeto do procedimento instaurado no Auto de Infração n° 37.007.9175, alterando apenas o período de referência, que, naquele procedimento, foi de março/1999 a maio/2003. Assevera que o Fl. 214DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 valor dessa autuação é exageradamente mais elevado, não obstante ambas tratarem de mesmíssimo assunto. 8. Sustenta erro na aplicação da penalidade impugnada, pois o fato de o contribuinte ser ou não optante do simples nada tem a ver com os fatos geradores de contribuições sociais. Frisa que os princípios da tipicidade e da legalidade não permitem interpretação extensiva ou analogia das normas tributárias penais. 9. Expõe que sua atividade consiste na comercialização, representação e venda de livros, bem como a prestação de serviço de ensino de línguas estrangeiras. Alega que não presta serviços profissionais de professor a ser enquadrado na vedação do art. 9°, XIII, da Lei n° 9.317/96. 10. Por fim, requer a nulidade do Auto de Infração. 11. É o relatório " DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Na forma da DECISÃO NOTIFICAÇÃO n.° 23.401.4/50212006, de fls. 144, a Delegacia da Receita Previdenciária no Distrito Federal, em 29/11/2006, negou provimento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso reiterando as alegações que fizera em sede de impugnação. É o Relatório. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 37284.000077/200735 Acórdão n.º 2301004.421 S2C3T1 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Ivaccir Júlio de Souza Conselheiro Ivaccir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE E DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Conforme registro de fls 168, a recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS PREJUDICIAS DE MÉRITO Tratandose o auto de inadimplência de obrigação acessória, em princípio caberia apreciar eventual conexão com autuação de descumprimento de obrigações principais VINCULADAS. Ocorre que, no caso em comento, a infração goza de autonomia tendo em vista que a empresa desconhecendo a obrigação de declarar, se valeu de suposto direito de permanecer no sistema SIMPLES embora sumariamente excluída na forma dos documentos de fls . 51, cuja decisão exarada no Acórdão N° : 30235.617, abaixo transcrita, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares argüidas pela recorrente e no, também , por unanimidade de votos, negou r provimento ao recurso interposto contra o ATO DECLARATORIO n° 15.340 que lhe excluíra do SIMPLES desde 12 de fev de 1999: "MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA PROCESSO N° : 10166.023505/9926 SESSÃO DE : 12 de junho de 2003 ACÓRDÃO N° : 30235.617 RECURSO N° : 125.180 RECORRENTE CETERA — CENTRO TÉCNICO DE LiNGUAS ESTRANGEIRAS LTDA. RECORRIDA DRJ/BRASÍLIA/DFSIMPLES — EXCLUSÃO — ATIVIDADE ECONÔMICA. NULIDADE DO ATO EXCLUDENTE. Não há nulidade decorrente de vicio formal do ato processual quando indicada a disposição legal no qual se enquadre a situação Mica ocorrida e o interessado possa identificar a Fl. 216DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 correta motivação e a capitulação legal do ato que o atingiu, não causando prejuízos ao seu direito à ampla defesa. EXAME E JULGAMENTO DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. As Delegacias da Receita Federal de Julgamento, assim como aos Conselhos de Contribuintes somente compete o afastamento da aplicação da lei ou ato normativo federal, quando decfarada a sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta, ou por via incidental a partir de Resolução do Senado Federal suspendendo a sua aplicabilidade, o que não é o caso dos autos. EXCLUSÃO DO SIMPLES EM DECORRÊNCIA DA ATIVIDADE ECONÔMICA. O exercício de atividade como a presta çio de serviços de ensino técnico de línguas estrangeiras está vedado para efeito de opção pelo SIMPLES. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas pela recorrente. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. BrasiliaDF, em 12 de junho de 2003 " Do exposto, não há que esperar que se decida sobre autuação de inadimplência de obrigações principais para vincular aquela conclusão à esta , tendo em vista que a irregularidade apontada nos autos não decorre de conexão ou litispendência mas do dolo de omitir informações gerais sobre os fatos geradores e demais. DO MÉRITO Relevante notar que tanto em sede de impugnação quanto em instância recursal, a Recorrente reitera de forma confessional que, de fato, fora excluída "definitivamente" do SIMPLES , mas que ser ou não optante do simples nada tem a ver com os fatos geradores de contribuições sociais. Abaixo trecho transcrito do Recurso Voluntário às fls. 162: "Apesar de ter direito a optar pelo SIMPLES, foi excluída do referido regime, mediante decisão com definitividade no âmbito administrativo, datada de 12/08/2003. (...) " DA AUSÊNCIA DAS INFORMAÇÕES Fl. 217DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 37284.000077/200735 Acórdão n.º 2301004.421 S2C3T1 Fl. 5 7 A lei nº 9.528/97 introduziu a obrigatoriedade de apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP . O diploma legal registra que deverão ser informados os dados da empresa e dos trabalhadores, os fatos geradores de contribuições previdenciárias e valores devidos ao INSS, bem como as remunerações dos trabalhadores e valor a ser recolhido ao FGTS. Determina , ainda , que a empresa está obrigada à entrega da GFIP ainda que não haja recolhimento para o FGTS, caso em que esta GFIP será declaratória, contendo todas as informações cadastrais e financeiras de interesse da Previdência Social. PENALIDADES O contribuinte que apresentar a GFIP fora do prazo, que deixar de apresentá la ou , como no caso em tela , que a apresentar com incorreções ou omissões está sujeito às multas previstas na Lei nº 8.212/1991 e às sanções previstas na lei nº 8.036/1990. Assim, tendo a fiscalização verificado e demonstrado que a empresa não cumpriu a obrigação tributária acessória explicitada no artigo 32, IV, e § 5°, da Lei n° 8.212/91, deixando de informar, em GRP, os pagamentos efetuados aos empregados e contribuintes individuais, a autuação se verifica pertinente nos termos do artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN. Cumpre ressaltar que o autodeinfração em comento encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com o artigo 293 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, e com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto no caput do artigo 33 da Lei no 8.212/91. Desse modo, propiciaramse os elementos e informações necessárias para o exercício dos direitos constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Em razão do fora encimado, não se vislumbra assistir razão às alegações da Recorrente DA MULTA É compulsório observar que o artigo 144 do Código Tributário Nacional CTN aduz que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada : “ Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. A legislação vigente à época do lançamento preceituava no § 5° ,artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV: “ Lei 8.212, inciso IV, § 5° (...) Fl. 218DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). ” Ocorre que o referido § 5o foi revogado conforme redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009 e o novo comando se expressa na forma do § 9o da Lei nº 11.941, de 2009 : “A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV do caput deste artigo ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicandose, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A desta Lei. (...) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e Fl. 219DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 37284.000077/200735 Acórdão n.º 2301004.421 S2C3T1 Fl. 6 9 II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÍGNA O inciso II , "c" do artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Visto deste prisma, impõese o recálculo da multa com base no artigo 32A da Lei nº 11.941/ 2009 em razão do novo comando expressado na forma do § 9o da Lei nº 11.941/2009 para comparálo com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 32 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Desse modo, pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa. CONCLUSÃO Conheço do Recurso, para NO MÉRITO DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, determinando o recálculo da multa sob o comando do preceituado no art. 32A da Lei n° 8.212/91 na forma da redação dada pela Lei nº 11.941/2009. É como voto Ivaccir Júlio de Souza Relator Fl. 220DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Voto Vencedor Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Redatora Designada. Multa Consta no relatório fiscal, fls. 1321, que a multa aplicada neste processo corresponde a 100% da contribuição não declarada em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), limitada ao valorbase de R$ 1.156,95, por competência, calculado em função do número de segurados empregados (cf. tabela às fls. 20), conforme previsto no art. 32, inciso IV, §§ 4º e 5º da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.528/97. Consta, ainda, que a contribuição devida e não declarada em GFIP foi objeto de lançamento de ofício, conforme Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.007.9132. O cálculo da multa observou os critérios previstos na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração, o que ocorreu em 26/09/2006. Entretanto, o instituto das multas em matéria previdenciária foi profundamente alterado pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A lei nova revogou o art 35 da Lei 8.212/911, que previa os percentuais de multa aplicáveis sobre as contribuições sociais em atraso para pagamento espontâneo, que é o 1 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: Fl. 221DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 37284.000077/200735 Acórdão n.º 2301004.421 S2C3T1 Fl. 7 11 realizado após a data de vencimento do tributo, mas antes do início de qualquer procedimento de fiscalização (inciso I), para pagamento de créditos incluídos em lançamento tributário de notificação fiscal de lançamento de débito (inciso II) e para pagamento de créditos incluídos em dívida ativa (inciso III) e definiu novos percentuais aplicáveis, correspondentes ao teto de 20% para pagamento espontâneo em atraso (art. 35 da Lei 8.212/91 com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20092) e 75% no caso de exigência de tributo em lançamento de ofício, passível de agravamento (art 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20093). A lei nova também revogou o art. 32, inciso IV, §§ 4º e 5º, que estipulavam o valor da multa no caso de omissão de fatos geradores em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), no valor de 100% do valor da contribuição omitida, limitado a um valor base estipulado em função do número de segurados da empresa, passando a prever, para este tipo de infração, multa de R$ 20,00 para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas, ou de R$ 500,00, o que for maior, nos termos do novel art. 32A da Lei 8.212/91. Em relação aos fatos geradores ocorridos antes da mencionada alteração legislativa existe o dever de observância, pela autoridade administrativa, da aplicação da multa mais benéfica, em obediência ao art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional. A alteração da multa, em decorrência da aplicação retroativa da lei mais benéfica, poderá ser feita de ofício pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou pela Procuradoria da Fazenda Nacional, conforme consta da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009: Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). 2 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). 3 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 222DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. (grifei) ... Este ato normativo também define o critério para comparação das multas a fim de se identificar a legislação aplicável ao caso concreto: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Fl. 223DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 37284.000077/200735 Acórdão n.º 2301004.421 S2C3T1 Fl. 8 13 Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Os critérios de apuração da multa mais benéfica também estão explicitados no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei n º 8.212, de 1991 , em sua redação anterior à Lei n º 11.941, de 2009 , e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n º 8.212, de 1991 , acrescido pela Lei n º 11.941, de 2009 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei n º 9.430, de 1996 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) ... Portanto, no momento do pagamento da multa de que trata este auto de infração, o órgão fazendário efetuará o cálculo da multa mais benéfica de acordo com os critérios estabelecidos nos citados atos normativos. No recurso não foi contestada a legalidade do ato normativo, nem foi alegada a sua inadequação ao caso concreto. Embora o recurso tenha sido apresentado antes da inovação legislativa, cabia à Recorrente, se assim desejasse, requerer a este Conselho, por meio de petição simples, a aplicação do critério de cálculo da multa mais benéfica que entende ser o mais adequado, com base em direito superveniente. Assim, entendo que depende de provocação do sujeito passivo a apreciação, pelo julgador administrativo, da questão que versa sobre a inadequação, ao caso concreto, do ato normativo que estabelece a multa mais benéfica, pois não se trata de matéria cognoscível de ofício, nem de pedido implícito, uma vez que não há expressa previsão legal neste sentido. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 As questões de ordem pública versam sobre matéria inderrogável e inafastável pelas partes, em razão do interesse público prevalente que nela se expressa. Cito, a título de exemplo, as questão enumeradas nos arts. 267, § 3º, do CPC (pressupostos processuais, perempção, litispendência, coisa julgada e condições da ação) e art. 301, § 4º, do CPC (nulidade da citação, incompetência absoluta, inépcia, perempção, litispendência, coisa julgada, conexão, incapacidade da parte, defeito de representação), além daquelas que versam sobre nulidade absoluta e relativa, e outras situações que não precluem para o juiz (ex, intempestividade do recurso). Não se pode olvidar que as sentenças e demais espécies de decisões devem ser congruentes, vale dizer, devem limitarse, como regra, aos fundamentos e aos pedidos formulados no recurso, sob pena de invalidade. Por essas razões, na ausência de pedido específico da Recorrente, entendo que o CARF não está autorizado a se manifestar sobre a adequação do ato normativo que estabelece a legislação da multa mais benéfica aplicável ao caso, sob pena de ir além dos limites do recurso, incorrendo em decisão ultra petita, e, portanto, inválida. Em relação às demais matérias, ratifico as razões expendidas no voto do relator. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer de ofício de questão envolvendo o critério de aplicação da multa e por negar provimento ao recurso voluntário quanto às demais questões de mérito. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 225DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10670.000538/2003-36
Turma: Segunda Turma Especial
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001, 01/08/2001 a 31/08/2001, 01/12/2001 a 31/12/2001, 01/11/2002 a 30/11/2002
BASE DE CÁLCULO. LICENÇA DE SOFTWARE. ROYALTIES. NÃO INCIDÊNCIA.
Não há incidência da Contribuição para o PIS sobre os valores pagos, creditados, entregues ou remetidos para pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior a título de royalties.
BASE DE CÁLCULO. INDENIZAÇÃO DE SINISTRO. NÃO INCIDÊNCIA.
As indenizações percebidas pela ocorrência de sinistros não são receitas, devendo ser excluídas da base de cálculo do PIS.
Numero da decisão: 2802-003.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Evandro Francisco Silva Araujo (relator), que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivan Allegretti.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido (Presidente), Evandro Francisco Silva Araújo (Relator), Ivan Allegretti (Redator designado) e Adélcio Salvalágio.
Nome do relator: Evandro Francisco Silva Araújo
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Evandro Francisco Silva Araujo (relator), que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivan Allegretti. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido (Presidente), Evandro Francisco Silva Araújo (Relator), Ivan Allegretti (Redator designado) e Adélcio Salvalágio.
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(sucessora da BIOBRÁS S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001, 01/08/2001 a 31/08/2001, 01/12/2001 a 31/12/2001, 01/11/2002 a 30/11/2002 BASE DE CÁLCULO. LICENÇA DE SOFTWARE. ROYALTIES. NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência da Contribuição para o PIS sobre os valores pagos, creditados, entregues ou remetidos para pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior a título de royalties. BASE DE CÁLCULO. INDENIZAÇÃO DE SINISTRO. NÃO INCIDÊNCIA. As indenizações percebidas pela ocorrência de sinistros não são receitas, devendo ser excluídas da base de cálculo do PIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Evandro Francisco Silva Araujo (relator), que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivan Allegretti. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente da 3ª Câmara (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 05 38 /2 00 3- 36 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10670.000538/200336 Acórdão n.º 2802003.048 S2TE02 Fl. 306 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido (Presidente), Evandro Francisco Silva Araújo (Relator), Ivan Allegretti (Redator designado) e Adélcio Salvalágio. Relatório Tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pelo relator original, bem como seu voto parcialmente vencido, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento: Por bem descrever os fatos transcrevo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 09/17, lavrado pela Delegacia da Receita Federal de Montes Claros – MG, em que consta exigência de contribuição para o Programa de Integração Social PIS no valor de R$ 9.872,52, acrescida de multa de ofício de 75% e de juros de mora, relativamente a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2001 e 2002. De acordo com o relatório de descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 10/11, o lançamento se deveu à apuração de recolhimento a menor de PIS no período mencionado. Segundo o autuante, foram constatadas divergências entre os valores declarados em DCTF ou recolhidos e os valores apurados a partir dos arquivos contábeis e demonstrativos apresentados pela interessada que, intimada a se justificar, nada teria esclarecido. Além disso, prossegue o autuante, a interessada teria considerado, indevidamente, a receita relativa às vendas do produto Thyrogen como sujeita à incidência não cumulativa, enquanto o produto estaria sujeito à tributação monofásica, conforme art. 1º da Lei nº 10.147/2000 c/c art. 1º da MP 41/2002 e art. 1º da Lei 10.147/2002; assim, a receita correspondente não poderia ser consideradas na apuração da relação percentual para efeito de rateio, uma vez que este produto não estaria sujeito à cobrança não cumulativa do PIS, razão pela qual não haveria apuração de créditos a ele relativo. Cientificada do lançamento em 24/04/2003, a interessada apresentou, em 23/05/2003, impugnação de fls. 174/177, em que diz, expressamente, que impugna apenas as infrações relativas aos períodosbase de maio, agosto e dezembro de 2001 e novembro de 2002. Alega a interessada que: conforme disposto na Lei nº 9.718/1998, são permitidas as exclusões da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas dos serviços prestados a pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; nesse sentido, discrimina as referidas receitas relativas a royalties no quadro de fls. 174; Fl. 306DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10670.000538/200336 Acórdão n.º 2802003.048 S2TE02 Fl. 307 3 no débito apurado no auto de infração relativo ao mês 12/2001 incluise a PIS de R$ 82,79 sobre a receita de “indenização de sinistros”, de R$ 12.737,77 a débito e R$ 12.736,97 a crédito no mesmo período (fls. 174), razão pela qual considera indevida a exigência. Diz que procedeu ao pagamento da diferença não impugnada e espera sejam cancelados os débitos no total de R$ 2.263,67. Junta às fls. 172/177 contrato de licenciamento com empresa britânica, com tradução juramentada às fls. 207/213. A DRJ Rio de Janeiro I, julgou procedente o lançamento pelo acórdão assim ementado: SEGUROS. RECEITA. INCIDÊNCIA. No caso de seguros em decorrência de sinistro, tributação deve ocorrer sobre o total do valor recebido do segurado, sem quaisquer exclusões, por inexistir previsão legal no sentido contrário, ainda que seja para que se excluir do total recebido o valor do bem sinistrado. ROYALTIES. RECEITA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA PARA O EXTERIOR. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. A autorização legal para a isenção de PIS e Cofins, contida no art. 14, II e II e § 1º da MP nº 2.158352001, só se aplica para a receita de venda (exportação) de mercadorias e de prestação de serviços para o exterior, e não para a receita relativa à remuneração por uso de tecnologia (royalties). Irresignada a contribuinte apresenta recurso, repisando, em síntese, os argumentos da impugnação, acrescendo jurisprudência administrativa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Evandro Francisco Silva Araújo, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e dele conheço. A contribuinte se insurge contra a inclusão na base de cálculo da contribuição para o PIS das receitas provenientes do exterior como remuneração pelo uso da tecnologia por ela desenvolvida, alegando que no contrato de licenciamento consta cláusula de prestação de assistência técnica, “não podendo ser tratado como exclusivamente contrato de Royalties, para elidir a aplicação da isenção disposta na legislação federal.” Sobre a matéria vale transcrever excerto do voto condutor do acórdão proferido pelo conselheiro Maurício Taveira e Silva ao apreciar o recurso nº 132.467, em sessão de 8 de maio de 2008, da 1ª Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes: Ocorre que, como bem abordado pelos autuantes e também pela instância a quo, a isenção prevista na norma precitada referese Fl. 307DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10670.000538/200336 Acórdão n.º 2802003.048 S2TE02 Fl. 308 4 tãosomente a exportação de serviços, o que não se confunde com receitas provenientes de royalties ou aluguel de marca que se caracteriza como rendimento decorrente do uso de marca, conforme definido no art. 22 da Lei nº 4.506/64, que se transcreve: “Art. 22. Serão classificados como ‘royalties’ os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploraçâo de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra.” Entretanto, a prestação de serviços, instituto de direito privado, consiste numa obrigação de fazer mediante a utilização de energia humana. Nesse sentido cabe transcrever o que se encontra assinalado no Dicionário Jurídico Maria Helena Diniz, ed. Saraiva, 1998, p. 852, definindo contrato de locação de serviço, verbis: “CONTRATO DE LOCAÇÃO DE SERVIÇO. Direito civil. É o contrato em que uma das partes se obriga para com outra a fornecerlhe a prestação de uma atividade, mediante remuneração (Caio Mário de Silva Pereira). O objeto desse contrato locatício é uma obrigação de fazer, ou seja, a prestação de atividade lícita, não vedada pela lei e pelos bons costumes, oriunda da energia humana aproveitada por outrem, e que pode ser material ou imaterial. Logo, qualquer espécie de serviço, seja qual for a sua natureza, pode ser objeto de locação: material ou imaterial, braçal ou intelectual, doméstico ou externo; exigese apenas que seja lícito, isto é, não proibido por lei e pelos bons costumes.” Portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, uma vez que as receitas provenientes de royalties ou aluguel de marca não se confundem com prestação de serviços, não se configurando a previsão isentiva supracitada. Quanto ao argumento de que o Fisco desconsiderou tais negócios jurídicos de modo inadequado, pelo que dos autos consta, houve simplesmente uma precisa constatação de que as receitas provenientes de royalties não se encontram abrangidas pela isenção de exportação de serviços, inexistindo, portanto, supedâneo legal para sua exclusão da base de cálculo do PIS. Assim, não há como prosperar qualquer menção à ocorrência de desconsideração de negócio jurídico e uso de norma antielisiva. No caso, em tela, as cláusulas de assistência técnica, como denomina a recorrente, representam os procedimentos necessários para que a adquirente possa utilizar o processo, cujo direito de uso é o objeto do contrato, sendo a remuneração percebida pela referida utilização royalties, conforme consta da cláusula 8 do contrato de licenciamento (fl. 208) e como definido na legislação de regência, não se confundindo com prestação de serviço. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10670.000538/200336 Acórdão n.º 2802003.048 S2TE02 Fl. 309 5 No tocante às indenizações de sinistro percebidas pela interessada, a mesma 1ª Câmara do então 2º Conselho de Contribuintes, ao julgar o recurso nº 122.666, em sessão de 27 de julho de 2006, esposou o entendimento, do qual compartilho, de que as mesmas não devem ser incluídas na base de cálculo do PIS, conforme trecho do voto condutor do acórdão que se extrai: Quanto às indenizações de seguro recebidas pela recorrente, conforme ficou demonstrado no recurso voluntário, tais valores não afetaram o patrimônio da recorrente e nem seu resultado operacional. Para ser receita, há que afetar o patrimônio da pessoa jurídica. O ingresso de recurso, por si só, não representa receita, da mesma forma que o registro contábil em conta de receita também não é suficiente para caracterizar o efetivo auferimento de receita. Sobre este tema há precedente nesta Primeira Câmara, que decidiu neste mesmo sentido, conforme Acórdão nº 20178.014, de 09/11/2004. Devem, portanto, ser excluídos da base de cálculo do PIS os valores lançados na contabilidade da recorrente a título de Indenizações de Seguros. Face todo ao exposto voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do PIS os valores decorrentes de indenização de seguros. Sala das Sessões, em 1º de junho de 2009. Evandro Francisco Silva Araújo Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Conforme apontado no relatório supra, tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, e considerando o resultado do julgamento constante da ata, adoto como voto vencedor, na parte relativa à tributação dos royalties, o entendimento prevalecente constante do acórdão nº 3401002.835, prolatado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF em 11 de dezembro de 2014, referente à exigência da Cofins em relação ao mesmo contribuinte deste processo, verbis: Sobre a Receita de royalties pagas por pessoas domiciliadas no exterior: [...] A autoridade lançadora e os julgadores a quo entenderam que a receita de royalties não pode ser excluída da base de tributação da contribuição em questão. Assim justificaram sua posição: "Nessa linha, o art. 14 da MP n° 2.15835/2001, ainda em tramitação e incidente sobre fatos geradores ocorridos a partir de 01/02/1999, assim dispõe:" Fl. 309DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10670.000538/200336 Acórdão n.º 2802003.048 S2TE02 Fl. 310 6 Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: .... II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; ... § 1° São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos 1 a IX do caput. "Do dispositivo, se observa que a isenção de PIS e Cofins se aplica às receitas relativas à exportação de mercadorias e de serviços prestados para o exterior. Entretanto, a natureza jurídica de royalties é a de remuneração por arrendamento, por cessão de bens ou direitos, e não por fornecimento de mercadorias ou serviços, como se depreende dos art. 21, 22 e 23 da lei n° 4.506/1964, que trazem a definição de aluguéis e royalties:" Ora, como expus anteriormente, entendo que a base de tributação dessas contribuições são as receitas obtidas pelas atividades da contribuinte. Elas abrangem as vendas de mercadorias e de serviços, mas, certamente, elas não se restringem às receitas de vendas, como também não se restringem às receitas obtidas com mercadorias. Convido os E. Conselheiros a refletirmos um pouco sobre o alcance desses vocábulos, e encontrarmos o sentido que possa conferir uma base razoável de sua interpretação. Nessa perspectiva, não é um contrasenso reconhecermos que há receitas obtidas por outras formas de transação que não venda, como, por exemplo, as receitas de aluguel ou de arrendamento. E que há vendas de outros objetos que não sejam somente as mercadorias, como, por exemplo, produtos que fogem ao sentido tradicional e estrito de mercadoria. Pois bem, com a objetividade que o momento exige, prossigo: primeiramente, creio que os I. Legisladores e Ministros não desejaram restringir o sentido da isenção da receita de exportação somente ao que pudesse se enquadrar perfeita e inequivocamente na definição estrita de mercadoria. Por isso, tenho a convicção que a isenção prevista nos incisos II do artigo 14 da MP 2.15835/2001 tem para o vocábulo 'mercadoria' o mais amplo sentido, abarcando produtos ou coisas dos mais diferentes tipos, tangíveis ou intangíveis, objeto de comércio, mercancia, transação com interesse econômico e jurídico. Também me é evidente que essa isenção alcança as receitas de exportação advindas das mais diferentes modalidades de negócio, e não somente de vendas. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10670.000538/200336 Acórdão n.º 2802003.048 S2TE02 Fl. 311 7 Nas Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003, no § 1º do artigo 5º e no § 1º do artigo 6º respectivos, os I. Legisladores foram mais explícitos: as receitas de exportação de mercadorias não estão no campo de incidência das contribuições. Naturalmente que o vocábulo 'mercadoria', pelos motivos aqui argumentados, é amplo, abrangendo os produtos e coisas que, à primeira vista, pareceria não corresponder á tradicional visão do que é uma mercadoria. Do mesmo modo, creio que os Exc. Ministros das Mais Altas Cortes, ao proferirem o seu entendimento com força vinculante e nas decisões das ações que se seguiram, não pretenderam restringir o sentido da receita a ser tributada por essas contribuições somente às resultantes de operações de venda e, cumulativamente, somente vendas de mercadorias ou de serviços. Prosseguindo nessa direção, e sendo assim, devem ser incluídas, na base de tributação em discussão, as receitas das atividades da contribuinte que não são realizadas pela modalidade de negócio denominada "venda de mercadorias e serviços" (ex.: alugueis, participações, remunerações, etc). Sendo os royalties receitas resultantes das atividades da contribuinte, logo elas ingressam na base de tributação dessas contribuições. Ocorre, contudo, que quando elas são receitas de exportação, deixam de estar no campo de incidência, como indicamos nos parágrafos anteriores, tendo em vista o que dispõe a legislação. Ademais, a tecnologia é um produto passível de ser objeto de comércio, de ser objeto de transação. A tecnologia pode ser vendida, mas ela também pode ser alugada, ou pode ser cedida mediante pagamento de royalties, ou pode ser incorporada e integrar o patrimônio para justificar remuneração por participação no resultado de seu uso; e assim por diante. A tecnologia e o know how são bens, geralmente intangíveis, altamente valorados no contemporâneo mundo econômico, e o evolver de suas criações e transações põem grandes desafios para que o mundo jurídico possa acompanhálo. Exportar tecnologia, em meu sentir, tem pelo menos a mesma dignidade que exportar qualquer outro tipo tradicional de produto e serviço, como, por exemplo, os produtos agrícolas, os produtos de extração mineral, os produtos industrializados, os produtos artesanais, os produtos culturais, os serviços de transporte, os serviços de consultoria, etc. Reconhecer a isenção para a exportação de um produto agrícola, mas não reconhecer a isenção para a exportação de uma tecnologia me parece um contrasenso. Mas, Senhores Conselheiros, para tentar fortalecer um pouco mais essa minha argumentação, fragilizada pela falta de conhecimento do redator, acrescento a essa análise, o meu entendimento de que há um Princípio Constitucional que estabelece a desoneração tributária das exportações e das receitas decorrentes das operações de exportação. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10670.000538/200336 Acórdão n.º 2802003.048 S2TE02 Fl. 312 8 Em meu sentir, esse Princípio tem tanto natureza de comando a estabelecer condição imunitária, como natureza de orientação interpretativa a estabelecer recurso para esclarecer e justificar decisões. O inciso I do § 2º do artigo 149 da CF/1988 estabelece imunidade às receitas de exportação com relação às contribuições sociais. O STF esclareceu que sua finalidade, ao definir a não incidência tributária sobre determinado fato ou bem, é proteger a exportação e a receita decorrente da exportação da incidência tributária. O Excelso Supremo Tribunal vem reiterando que a interpretação da imunidade deve ser a mais abrangente e consoante o objetivo pretendido pelo dispositivo constitucional. A título de exemplificar, trago, aqui, excerto de julgado a que se reconheceu os efeitos da repercussão geral, que põe em relevo a largueza e a força do Princípio que imuniza as exportações. Notem, Senhores Conselheiros, que o Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento de recurso extraordinário (RE n.º 627.815) com repercussão geral reconhecida pelo Plenário, por unanimidade, entendeu que as receitas de exportação não devem ser tributadas pela Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e pela Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). E aplicaram esse raciocínio, com base nesse princípio constitucional, ao caso das variações cambiais das operações de exportação: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2°, I, da Lei Maior as "receitas decorrentes de exportação" conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando conseqüências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os Fl. 312DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10670.000538/200336 Acórdão n.º 2802003.048 S2TE02 Fl. 313 9 tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2°, I, e 150, § 6°, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3°, do CPC. (RE 627815, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 23/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe192 DIVULG 30092013 PUBLIC 01102013) (GRIFOS NOSSOS) [...] Por todas essas considerações e razões é que proponho a este Colegiado que a receitas de royalties decorrentes da exportação de tecnologia não sejam incluídas na base de tributação da contribuição aqui em discussão e seja dado provimento ao recurso voluntário neste aspecto. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 313DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11684.001319/2009-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/07/2009
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.685
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/07/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 4. 00 13 19 /2 00 9- 73 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 9303003.685 CSRF‐T3 Fl. 230 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.824. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 230DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 9303003.685 CSRF‐T3 Fl. 231 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 231DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 9303003.685 CSRF‐T3 Fl. 232 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 9303003.685 CSRF‐T3 Fl. 233 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 233DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 9303003.685 CSRF‐T3 Fl. 234 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 234DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 9303003.685 CSRF‐T3 Fl. 235 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 9303003.685 CSRF‐T3 Fl. 236 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 236DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 9303003.685 CSRF‐T3 Fl. 237 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 9303003.685 CSRF‐T3 Fl. 238 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 238DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 9303003.685 CSRF‐T3 Fl. 239 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 239DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001319/200973 Acórdão n.º 9303003.685 CSRF‐T3 Fl. 240 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 240DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13856.000327/2010-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS, NOTAS FISCAIS E COMPROVANTES DOS DEPÓSITOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO COMPLEMENTAR DE EFETIVO PAGAMENTO E REALIZAÇÃO DOS SERVIÇOS. DESNECESSIDADE.
Os recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância dos requisitos legais são documentos hábeis para a comprovação da dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram, de fato, executados ou o pagamento não foi efetuado.
Mesmo restando comprovadas as despesas, por meio de recibos, notas fiscais e comprovantes de depósitos, foram anexados extratos bancários que corroboram a existência dos pagamentos relativos à prestação de serviços médicos, restando evidente o direito à dedução.
Numero da decisão: 2201-003.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 20/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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RECIBOS, NOTAS FISCAIS E COMPROVANTES DOS DEPÓSITOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO COMPLEMENTAR DE EFETIVO PAGAMENTO E REALIZAÇÃO DOS SERVIÇOS. DESNECESSIDADE. Os recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância dos requisitos legais são documentos hábeis para a comprovação da dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram, de fato, executados ou o pagamento não foi efetuado. Mesmo restando comprovadas as despesas, por meio de recibos, notas fiscais e comprovantes de depósitos, foram anexados extratos bancários que corroboram a existência dos pagamentos relativos à prestação de serviços médicos, restando evidente o direito à dedução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 20/05/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 6. 00 03 27 /2 01 0- 42 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 16/11/2010, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício 2009, anocalendário 2008, decorrente da glosa do valor de R$ 37.422,77 indevidamente deduzidos a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou falta de previsão legal para sua dedução, conforme discriminado, fl. 15. Segundo a autoridade fiscal, o contribuinte, devidamente intimado, não comprovou a efetividade dos pagamentos ao Sanatório Ismael, por meio de cheques nominativos coincidentes em datas e valores aos recibos, ou prova da disponibilidade financeira vinculada na data da realização dos pagamentos. Os extratos bancários não comprovam a vinculação com os depósitos/pagamentos, e os comprovantes de depósitos bancários não informam quem é o responsável pelos depósitos. Inconformada com a notificação apresentada, a contribuinte protocolizou impugnação, fls. 2 a 8, alegando o que segue: a) dependente incapaz, Sr. Luiz Aristides Geraldi, está internado no Sanatório Ismael, CNPJ 43.464031/000459, desde 2001, sob tratamento psiquiátrico, conforme declaração médica juntada, e os pagamentos das referidas despesas médicas é feito pela contribuinte; b) de 2003 a 2006, foi também intimada a apresentar os documentos comprobatórios de pagamentos ao Sanatório e sempre apresentou da mesma forma, ou seja, notas fiscais, recibos, depósitos bancários, os quais foram reconhecidos e deferidos pela fiscalização; c) a autoridade fiscal não observou que em todos os depósitos bancários, embora não conste o nome do responsável, é mencionada a expressão “é o próprio favorecido”, no caso, representado pela tutora (contribuinte); d) mesmo apresentando todos os depósitos bancários, foi intimada a demonstrar através dos extratos bancários o efetivo pagamento. Na verdade, o valor dos cheques emitidos que totalizam R$ 5.220,79 foram sacados no próprio Bradesco e depositados na conta corrente do Sanatório o valor de R$ 5.190,00, sendo que a sobra de R$ 30,79 foi utilizada para quitação de uma conta pessoal. Na prática, inexistiu diferença Fl. 190DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13856.000327/201042 Acórdão n.º 2201003.177 S2C2T1 Fl. 190 3 entre os valores que constam nos extratos bancários e os depositados mensalmente ao Sanatório; e) deve prevalecer o direito à dedução, considerando como efetivo pagamento a relação dos valores dos depósitos efetuados, notas fiscais, recibos em favor do Sanatório Ismael e os cheques utilizados, pois são oriundos de recursos próprios de sua renda, conforme demonstra a DAA/2009, que comprova a disponibilidade financeira (aposentadoria Unesp e renda da atividade rural); f) o art. 73 do RIR/99 lhe faculta, no caso de que haja intenção de se beneficiar da dedução de despesas médicas, devese acautelar de outros elementos de prova do pagamento e do serviço, e foi o que fez ao juntar toda a documentação comprobatória (depósitos bancários efetuados diretamente na conta corrente do Sanatório, coincidindo com os valores das notas fiscais e dos recibos, bem como os extratos bancários que comprovam a movimentação bancária suficiente a própria renda que dão origem ao numerário, satisfazendo plenamente a exigência da disponibilidade financeira; g) pede o cancelamento do débito fiscal reclamado, uma vez que satisfaz plenamente as exigências do art. 73 do RIR/99 e acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes. Protesta pela produção de outras provas em direito admitidas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, com as seguintes considerações: a) no que tange à dedução indevida de despesas médicas declarada à Unimed de Jaboticabal, não consta na peça impugnatória manifestação expressa por parte do contribuinte em relação à glosa efetuada. Assim, tratandose de matéria não contestada, tornase imediatamente exigível o imposto suplementar correspondente, no montante de R$ 44,67, juntamente com os acréscimos legais; b) é equivocado entenderse que basta para comprovação de despesas médicas a apresentação de recibo, declaração ou notas fiscais contendo o nome, endereço e número do CPF/CNPJ de quem prestou o serviço. Esta não é a correta interpretação do dispositivo legal. A indicação referese aos dados que devem constar na declaração de ajuste anual, relacionados dentre os pagamentos efetuados, que devem estar baseados em documentação idônea. A tônica do dispositivo é a especificação e comprovação não só dos serviços prestados como dos pagamentos, tanto que se admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários entre pessoas; c) os pagamentos pretensamente realizados, nos valores expressivos constantes dos recibos acostados aos autos, poderiam ser facilmente comprovados por meio de saques na Fl. 191DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 conta bancária da contribuinte, em valores e datas compatíveis, com os dos recibos; d) ainda que a maior parte das despesas médicas tivesse sido pagas em espécie, como alega, teria a impugnante como comprovar ao menos os saques, para cotejo com os recibos anteriormente apresentados. Entretanto, nos extratos bancários apresentados não constam saques em dinheiro com valores e datas coincidentes ou mais aproximados possíveis com os dos recibos; e) todos os comprovantes de depósito apresentados consta que o depositante é o próprio favorecido, ou seja, o Sanatório Ismael, e não a contribuinte ou seu dependente. Sendo assim, a única forma de comprovar que a contribuinte foi a efetiva responsável pelos depósitos, seria a existência, nos extratos bancários, de saques em valores e datas compatíveis com os dos depósitos apresentados. Não bastasse, a informação de que o responsável pelo depósito é o Sr. Luis Aristides Geraldi foi acrescentada posteriormente, de forma manuscrita; f) quanto aos extratos bancários (Bradesco/Banco do Brasil) apresentados para comprovação dos pagamentos, eles não socorrem a impugnante, como já afirmado anteriormente. Persiste a situação relatada pela autoridade fiscal, isto é, não há saques coincidentes ou nem aproximados, seja em data ou valor, com os dos recibos/notas fiscais apresentados; g) apesar de a impugnante ter apresentado os recibos e comprovantes de depósito bancário para comprovar o pagamento das despesas médicas ao Sanatório Ismael, analisandose os extratos bancários que os acompanham não encontramos saques ou cheques coincidentes e nem aproximados, seja em data ou valor, com os dos recibos/comprovantes de depósito apresentados, persistindo a situação relatada pela autoridade fiscal; h) o ônus da prova é da contribuinte e tendo em vista que não foram apresentadas provas do efetivo pagamento ao Sanatório Ismael, conforme solicitado pela autoridade fiscal, concluise pela manutenção da glosa das despesas médicas. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte sustenta, em síntese: a) ficou claro que os depósitos foram efetuados pela declarante, já que está em posse deles e cumpre as exigências do artigo 73 RIR em ter capacidade financeira suficiente; b) a fiscalização não observou que em todos os depósitos bancários efetuados está descrito o nome do Sanatório Ismael, embora nos depósitos não constem o nome do responsável, menciona que "é o próprio favorecido", no caso, representado pela tutora/declarante, sendo portadora dos comprovantes dos depósitos bancários, os quais foram anexados ao presente processo administrativo; c) devese reconhecer os depósitos bancários como efetivos pagamentos das despesas médicas, pois se verifica que as datas Fl. 192DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13856.000327/201042 Acórdão n.º 2201003.177 S2C2T1 Fl. 191 5 e valores coincidem perfeitamente com as notas fiscais e recibos de quitação, todavia, não coincidem exatamente com as datas dos cheques, haja vista que os mesmos foram emitidos e levados ao caixa para saque e, posteriormente, utilizados para depósitos; d) o indeferimento se deu por excesso de rigor pela fiscalização, uma vez que deveria considerar e não desprezar as informações inseridas nos recibos de depósitos bancários, com o nome do favorecido, Sanatório Ismael, e indicação da conta corrente e agência bancária, sendo o nome do depositante "depósito pelo próprio favorecido", pois a impugnante está em posse dos recibos de depósito, que é a tutora/curadora do interdito incapaz; e) os valores dos depósitos bancários efetuados ao Sanatório Ismael coincidem com os valores mencionados em notas fiscais e recibos emitidos pelo Sanatório; f) diversas foram as provas da recorrente para demonstrar o efetivo pagamento ao Sanatório Ismael, em especial, os depósitos bancários efetuados diretamente em conta corrente com indicação do nome do Sanatório Ismael, coincidindo com os valores das notas fiscais e recibos de quitação, bem como os extratos bancários que comprovam a movimentação bancária suficiente e a própria renda que dão origem ao numerário, satisfazendo plenamente a exigência de disponibilidade financeira. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. A questão recorrida se restringe apenas às despesas médicas efetuadas com o dependente da contribuinte (Luis Aristides Geraldi) no Sanatório Ismael. Conforme consta da decisão de primeira instância, a glosa em análise foi mantida em razão do fato de a fiscalização ter intimado a contribuinte, em face do valor da dedução elevada, a comprovar o efetivo pagamento declarado em nome do Sanatório Ismael, no montante de R$ 37.422,77, por meio de cheques nominativos coincidentes em datas e valores aos recibos apresentados, ou prova da disponibilidade financeira vinculada aos pagamentos constantes dos recibos. Não obstante o aduzido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, foram anexados aos autos os recibos, notas fiscais e comprovantes de depósitos efetuados na conta do Sanatório Ismael, com todos os requisitos (nome, endereço e n.º do CPF/CNPJ de quem Fl. 193DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 prestou o serviço), bem como foram apresentados extratos bancários que demonstraram a movimentação financeira por meio de cheques coincidentes com os valores dos cheques constantes dos depósitos, ficando evidente a disponibilidade financeira da contribuinte e os gastos efetuados com as despesas médicas. Ademais, a Delegacia da Receita sustentou que todos os comprovantes de depósitos apresentados pela contribuinte têm como nome do depositante o próprio favorecido, que seria o Sanatório Ismael e não a contribuinte e o seu dependente. Assim, a única forma de comprovar que a contribuinte foi a efetiva responsável pelos depósitos seriam os extratos bancários. Ocorre que a recorrente dispôs que "embora nos depósitos não constem o nome do responsável, mencionam 'é o próprio favorecido', no caso, representado pela tutora/declarante, que ora assina a presente, sendo que a impugnante é a portadora dos depósitos bancários, os quais foram anexados ao presente processo". Observase que, pela coincidência dos valores entre os recibos, notas e depósitos; e em razão de a contribuinte estar em posse dos documentos; resta evidente que tais depósitos foram efetuados por ela, sendo irrelevante o fato da atribuição equivocada do nome do depositante, diante de uma interpretação errônea sobre quem seria o favorecido (Sanatório, portadora do valor ou beneficiário dos serviços). Acerca do tema dedução de despesas médicas, o art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, assim dispõe: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;(...). Cabe esclarecer que os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam as formalidades legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas e, somente diante de indícios de que a documentação é inidônea, deve o fisco intimar o contribuinte a comprovar o efetivo desembolso. Nesse sentido é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de acordo com a ementa abaixo transcrita: Fl. 194DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13856.000327/201042 Acórdão n.º 2201003.177 S2C2T1 Fl. 192 7 DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS DEDUTIBILIDADE RECIBO DOCUMENTO HÁBIL ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO. Os recibos, desde que atendidos os requisitos previstos no art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°. 3.000, de 26 de março de 1999, são documentos hábeis para comprovar os dispêndios com despesas médicas e embasar a sua dedutibilidade. Para desqualificar determinado documento é necessário comprovar que o mesmo contenha algum vicio. A boafé se presume, enquanto que máfé precisa ser comprovada. Recurso especial provido. (Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF Segunda Turma Acórdão nº 9202003.159 Data da Decisão 06/05/2014 Data de Publicação 13/08/2014). Apesar de não se vislumbrar indícios de inidoneidade, no presente caso, sendo suficientes os recibos e notas fiscais apresentados, foram disponibilizados extratos bancários e comprovantes de depósitos que demonstram a efetividade das despesas, sendo que a contribuinte efetuou os pagamentos em dinheiro e em cheques, de modo que, muitas vezes, os cheques foram sacados antes da data de pagamento das despesas para a utilização posterior. Com a análise da documentação acostada aos autos, verificase a comprovação das despesas médicas relativas ao dependente da contribuinte referentes ao Sanatório Ismael, da seguinte forma: a) Despesas no valor de R$ 2.921,10+159,90 (recibos e notas fiscais com idênticos valores) e o comprovante de depósito no valor de R$ 3.081,00 referentes ao depósito na conta do Sanatório Ismael, fls. 153 a 155; b) Despesas no valor de R$ 3.482,85+237,15 (recibos e notas fiscais com idênticos valores) e o comprovante de depósito no valor de R$ 3.720,00 referentes ao depósito na conta do Sanatório Ismael, fls. 156 a 158; c) Despesas no valor de R$ 2.696,40+273,60 (recibos e notas fiscais com idênticos valores) e o comprovante de depósito no valor de R$ 2.970,00 referentes ao depósito na conta do Sanatório Ismael, fls. 159 a 161; d) Despesas no valor de R$ 3.482,85+252,15 (recibos e notas fiscais com idênticos valores) e o comprovante de depósito no valor de R$ 3.735,00 referentes ao depósito na conta do sanatório Ismael, fls. 162 a 164; e) Despesas no valor de R$ 3.145,80+154,20 (recibos e notas fiscais com idênticos valores) e o comprovante de depósito no valor de R$ 3.300,00 referentes ao depósito na conta do sanatório Ismael, fls. 165 a 167; f) Despesas no valor de R$ 2.808,75+ 281,25 (recibos e notas fiscais com idênticos valores) e o comprovante de depósito no valor de R$ 3.090,00 referentes ao depósito na conta do sanatório Ismael fls. 168 a 170; g) Despesas no valor de R$ 5.985,00+90,00 (recibos e notas fiscais com idênticos valores) e o comprovante de depósito no Fl. 195DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 valor de R$ 6.075,00 referentes ao depósito na conta do sanatório Ismael, fls. 171 a 173; h) Despesas no valor de R$ 5.145,00+45,00 (recibos e notas fiscais com idênticos valores) e o comprovante de depósito no valor de R$ 5.190,00 referentes ao depósito na conta do sanatório Ismael, fls. 174 a 176; i) Despesas no valor de R$ 3.255,00+150,00 (recibos e notas fiscais com idênticos valores) e o comprovante de depósito no valor de R$ 3.405,00 referentes ao depósito na conta do sanatório Ismael, fls. 177 a 179; j) Despesas no valor de R$ 2.520,00+174,30(recibos e notas fiscais com idênticos valores) e o comprovante de depósito no valor de R$ 2.694,30 referentes ao depósito na conta do sanatório Ismael, fls. 180 a 182. Considerando os documentos trazidos aos autos, não restam dúvidas quanto ao preenchimento dos requisitos exigidos pela legislação regente da matéria, haja vista que restou demonstrado o efetivo dispêndio relativo aos serviços médicos, com base nos extratos bancários (constam muitas movimentações, inclusive relativas aos cheques utilizados nos depósitos bancários), bem como com base nos recibos, notas fiscais e comprovantes de depósitos coincidentes com os valores das respectivas notas e recibos. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 196DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 11080.733520/2013-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
PRECLUSÃO. ALEGAÇÕES EM RECURSO VOLUNTÁRIO INEXISTENTES NA IMPUGNAÇÃO.
Como estabelece o art. 17 do Decreto no 70.235/1972, que regula o processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário, "considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante".
Não figurando as "agências de fomento" na lista do § 1o do art. 22 da Lei no 8.212/1991, a elas se aplica o regime não cumulativo instituído pelas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003. Tais agências passaram a ser receber o tratamento de bancos de desenvolvimento (estes sim expressamente contemplados na referida lista) somente com o advento da Lei no 12.715/2012, e apenas a partir de 2012, como expressamente consignado nos parágrafos do art. 70 de tal lei.
Numero da decisão: 3401-003.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Elias Fernandes Eufrásio, que davam provimento para reconhecer os créditos da não cumulatividade.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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AGÊNCIA DE FOMENTO/RS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. AGÊNCIAS DE FOMENTO. REGIME NÂO CUMULATIVO. Não figurando as "agências de fomento" na lista do § 1o do art. 22 da Lei no 8.212/1991, a elas se aplica o regime não cumulativo instituído pelas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003. Tais agências passaram a ser receber o tratamento de bancos de desenvolvimento (estes sim expressamente contemplados na referida lista) somente com o advento da Lei no 12.715/2012, e apenas a partir de 2012, como expressamente consignado nos parágrafos do art. 70 de tal lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 COFINS. AGÊNCIAS DE FOMENTO. REGIME NÂO CUMULATIVO. Não figurando as "agências de fomento" na lista do § 1o do art. 22 da Lei no 8.212/1991, a elas se aplica o regime não cumulativo instituído pelas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003. Tais agências passaram a ser receber o tratamento de bancos de desenvolvimento (estes sim expressamente contemplados na referida lista) somente com o advento da Lei no 12.715/2012, e apenas a partir de 2012, como expressamente consignado nos parágrafos do art. 70 de tal lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PRECLUSÃO. ALEGAÇÕES EM RECURSO VOLUNTÁRIO INEXISTENTES NA IMPUGNAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 35 20 /2 01 3- 07 Fl. 721DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Como estabelece o art. 17 do Decreto no 70.235/1972, que regula o processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário, "considerar seá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Elias Fernandes Eufrásio, que davam provimento para reconhecer os créditos da não cumulatividade. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre Autos de Infração lavrados em 18/12/2013, para exigência de Contribuição para o PIS/PASEP e de COFINS (fls. 492 a 521)1, em valor total (já acrescido de atualização e multa de 75%) de R$ 68.654.856,71, por insuficiência de recolhimento decorrente da utilização indevida de regime de apuração, no período compreendido entre janeiro de 2009 e dezembro de 2011. No Relatório Fiscal (fls. 522 a 537), narra a fiscalização que: (a) a fiscalizada atua sob a forma de agência de fomento, instituída em lei (estadual no 10.959/1977), e adotou nos anoscalendário de 2009, 2010 e 2011 a apuração do IRPJ pelo Lucro Real, sendo que, no mesmo período, conforme DACON e DCTF, tributou as contribuições pelo regime cumulativo, na forma prevista no art. 8o da Lei no 10.637/2002 e no art. 10 da Lei no 10.833/2003; (b) as agências de fomento não são contempladas na lista exaustiva constante do § 1o do art. 22 da Lei no 8.212/1991, e, portanto, estão sujeitas ao regime não cumulativo para as contribuições, até dezembro de 2012, quando ocorre alteração normativa que as contempla expressamente, na Lei no 12.715/2012; (c) o BADESUL efetuou, em 2008, consulta sobre estar ou não classificada na lista constante do § 1o do art. 22 da Lei no 8.212/1991, obtendo como resposta que não se classificava naquele dispositivo normativo (SC DISIT/SRRF10 no 88/2008); (d) a Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (ABDE) impetrou mandado de segurança coletivo demandando a aplicação do regime cumulativo das 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 722DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11080.733520/201307 Acórdão n.º 3401003.129 S3C4T1 Fl. 722 3 contribuições às agências de fomento, tendo sido indeferida a liminar e negado provimento ao agravo, com sentença proferida em 19/10/2012, mantendo o processo somente em relação a associados domiciliados no DF (o que não é o caso do BADESUL), e negando a segurança, no mérito; (e) tendo a empresa recolhido as contribuições com base no regime não cumulativo, no qual é possível descontar créditos calculados conforme os arts. 3os das leis de regência, a recorrente foi intimada a apresentar demonstrativos de cálculo dos referidos créditos, sem sucesso; e (f) foram, então, recusadas as deduções referentes a "despesas de obrigações por empréstimos e repasses", informadas em planilhas fornecidas pela recorrente, e mantidas as exclusões de "reversão de provisões e recuperação de créditos baixados como perda", exigindo se as diferenças correspondentes, acrescidas de juros de mora e multa de ofício de 75% (cf. art. 44, I da Lei no 9.430/1996). Cientificada das autuações em 23/12/2013 (fls. 493 e 507), a recorrente apresenta Impugnação em 23/01/2014 (fls. 543 a 564), alegando, em síntese, que: (a) o BADESUL sempre adotou como fundamento para apuração das contribuições a tabela constante do Anexo I da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal no 247/2002, que regula as instituições financeiras e assemelhadas; (b) de acordo com a Resolução do Conselho Monetário Nacional no 2.828/2001, as agências de fomento têm status de instituição financeira; (c) a Medida Provisória no 2.19270/2001 prevê e reconhece as agências de fomento como instituição financeira; (d) a Lei no 4.595/1964 reconhece que as instituições financeiras, como as agências de fomento, integram o Sistema Financeiro Nacional; (e) o fato de as agências de fomento não constarem no rol do § 1o do art. 22 da Lei no 8.212/1991 se deve à sua inexistência, à época, e o rol é meramente exemplificativo, e não taxativo; (f) com a instituição da não cumulatividade para as contribuições, restaram excluídas as instituições financeiras, conforme se assegura na própria Exposição de Motivos das Medidas Provisórias convertidas nas leis de regência; (g) não havendo a possibilidade de dedução de créditos, ocorreria a bitributação, e as alíquotas do sistema cumulativo acabam onerando demasiadamente a tributação do setor, em claro desrespeito aos princípios constitucionais tributários; (h) no caso, deve ser feita interpretação sistemática (e até econômica), e não literal, da legislação, e ao lado das previsões normativas de equiparação, deve ainda ser considerada a Lei no 12.715/2012, que, sanando a "omissão" legislativa, expressamente veio a dispor que às agências de fomento se aplica o mesmo regime outorgado às instituições financeiras; (i) a consulta mencionada no relatório fiscal (SC DISIT/SRRF10 no 88/2008) se referia à alíquota da CSLL aplicada às agências de fomento, não tendo relação com a matéria tratada no presente processo; (j) houve flagrante violação ao princípio constitucional da igualdade, distinguindose na autuação as agências de fomento das instituições financeiras, assim como violação ao princípio da vedação ao confisco (com tributo excessivo, como o exigido na autuação) e da proporcionalidade da carga tributária; e (l) a Lei no 12.715/2012 corrobora a tese de que às agências de fomento se aplicam as mesmas regras de tributação dos bancos de desenvolvimento. A decisão de primeira instância, proferida em 23/10/2014 (fls. 631 a 644) é pela improcedência da impugnação, porque as agências de fomento, ainda que componentes do Sistema Financeiro Nacional, não se caracterizam, nem se equiparam pelas atividades exercidas, com as instituições financeiras ou empresas excluídas da apuração pelo regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo indevidos os créditos, por falta de previsão legal, não cabendo a análise de constitucionalidade de norma legal vigente pelo julgador administrativo. Após ciência ao acórdão de primeira instância (AR à fl. 652) em 14/11/2014, apresentase o recurso voluntário de fls. 654 a 681 (em 11/12/2014), no qual são reiteradas as Fl. 723DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 considerações efetuadas na impugnação, acrescentandose, com base no "princípio da eventualidade", demanda pela exclusão das despesas de captação da base de cálculo das contribuições, no regime não cumulativo (com alíquota zero sobre receitas decorrentes de aplicação financeira), e afastamento da multa pela aplicação retroativa de lei mais benigna (no caso, a Lei no 12.715/2012). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende os demais requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Esclareçase, já de início, que são irrelevantes ao deslinde deste contencioso as considerações efetuadas no relatório fiscal e nas peças recursais sobre a consulta apresentada em relação a CSLL (ainda que resvalasse no tema aqui tratado) e sobre a existência de ação judicial sobre o assunto (da qual não faz parte a recorrente). Tais notícias podem até ser tomadas em conta na análise do processo, mas não afetam a substância a ser discutida, que é essencialmente jurídica. A discussão principal nestes autos se refere ao regime (cumulativo ou não cumulativo) aplicável às agências de fomento, como a recorrente. Sobre o tema, as leis de regência esclarecem que o regime cumulativo (anterior a sua vigência) se aplica a: "Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6o, 8o e 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, e na Lei n o 7.102, de 20 de junho de 1983; (...)" (Lei de regência da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, Lei no 10.637/2002) (grifo nosso) "Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6o, 8o e 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, e na Lei n o 7.102, de 20 de junho de 1983; (...)" (Lei de regência da COFINS não cumulativa, Lei no 10.833/2003) (grifo nosso) Por sua vez, os citados comandos normativos da Lei no 9.718/1998, com a redação dada pela Medida Provisória no 2.15835/2001, dispõem: "§ 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: Fl. 724DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11080.733520/201307 Acórdão n.º 3401003.129 S3C4T1 Fl. 723 5 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (...) § 7o As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6o restringemse aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. § 8 o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, poderão ser deduzidas as despesas de captação de recursos incorridas pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos: I imobiliários, nos termos da Lei no 9.514, de 20 de novembro de 1997; II financeiros, observada regulamentação editada pelo Conselho Monetário Nacional." (grifo nosso) E, por fim, registrese o texto do § 1o do art. 22 da Lei no 8.212/1991, centro da primeira discordância interpretativa entre fiscalização e recorrente: "§ 1o No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo". A fiscalização, não evidenciando as agências de fomento no texto do § 1o do art. 22 da Lei no 8.212/1991 (em listagem considerada exaustiva/excludente), por consequência não exclui do tratamento outorgado pelas leis de regência das contribuições, concluindo pela aplicação do regime não cumulativo. A recorrente, por sua vez, afirma que a lista do § 1o do art. 22 da Lei no 8.212/1991 é meramente exemplificativa, e que foi feita à época em que "inexistiam" agências de fomento (apesar de ela própria, o BADESUL, ter sido instituída em lei estadual de 1977), que somente seriam reconhecidas como "instituições financeiras" pela Resolução do Conselho Monetário Nacional no 2.828/2001, e pela Medida Provisória no 2.19270/2001. Fazendose interpretação teleológica do dispositivo, resta claro que se fosse o objetivo do legislador ali contemplar "instituições financeiras" em geral, seria inócua a listagem, bastando mencionar no texto normativo "instituições financeiras". E, caso desejasse o Fl. 725DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 mesmo legislador tratar das "instituições financeiras", mas relacionando algumas a título exemplificativo, para que sobre elas não pairasse nenhuma dúvida de enquadramento, o faria dispondo "instituições financeiras, tais como...", ou "instituições financeiras, inclusive...". Mas não foi nenhuma dessas a fórmula adotada logicamente pelo legislador, que simplesmente relacionou as pessoas jurídicas às quais entendeu aplicável o dispositivo. Daí ser pouco relevante, também, para apreciação da lide, a existência de normas que estabeleçam, para os fins nela previstos, que as agências de fomento teriam estatura de "instituições financeiras". Ademais, o texto da Lei no 12.715/2012, que submete as agências de fomento às regras aplicáveis a bancos de desenvolvimento (estes sim expressamente contemplados na lista do § 1o do art. 22 da Lei no 8.212/1991), só vem a endossar a linha de entendimento da fiscalização, aqui acatada, de que a lista originalmente não contemplava as agências de fomento: "Art. 70. Para fins de incidência de tributos federais, inclusive contribuições previdenciárias, ficam submetidas às regras de tributação aplicáveis aos bancos de desenvolvimento as agências de fomento referidas no art. 1o da Medida Provisória no 2.192 70, de 24 de agosto de 2001. § 1o O disposto no caput aplicase a partir de 1o de janeiro de 2013. § 2o As agências de fomento poderão, opcionalmente, submeter se ao disposto no caput a partir de 1o de janeiro de 2012." Seria absolutamente ilógico o legislador dar o tratamento de banco de desenvolvimento às agências de fomento se elas já o possuíssem. A única hipótese em que isso poderia ter acontecido é se a norma do art. 70 da Lei no 12.715/2012 tivesse caráter interpretativo/declaratório, e não constitutivo. Mas tal hipótese é descartada pelos próprios parágrafos do art. 70, que explicam a partir de que data passaria a ser aplicável o novo tratamento. E, recordese, a autuação de que trata o presente processo se refere ao período de 2009 a 2011. Assim, entender que às agências de fomento era aplicado o tratamento tributário de bancos de desenvolvimento anteriormente a 2012 (como deseja a recorrente) equivale a negar vigência a comando legal (art. 70 da Lei no 12.715/2012), ainda que em nome de princípios constitucionais, o que é vedado ao julgador administrativo deste tribunal, por força da Súmula no 2 do CARF: "Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Entretanto, cabe ressaltar que a forma genérica pela qual a recorrente invoca princípios como o da igualdade (quando o próprio texto constitucional permite a diferenciação por categorias), da vedação ao confisco (em relação a valores nominais, ou percentuais são multiplicados por bases de cálculo distintas, como IRPJ, CSLL e COFINS, e são pela recorrente "atecnicamente" somados) e da proporcionalidade tornariam, de fato, pouco produtiva e consistente a discussão jurídica sobre o tema. Merece acolhida, então, a interpretação efetuada pela fiscalização, de que a lista é exaustiva/excludente, e tal interpretação está longe de ser simplesmente "literal", como Fl. 726DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11080.733520/201307 Acórdão n.º 3401003.129 S3C4T1 Fl. 724 7 alega a recorrente, pois guarda conformidade com o contexto da evolução legislativa narrada pela própria recorrente. Sendo exaustiva/excludente a lista do § 1o do art. 22 da Lei no 8.212/1991, não estão as agências de fomento sujeitas à cumulatividade, devendo a elas ser aplicado o regime não cumulativo, exatamente como exige o fisco na autuação. Ultrapassada essa questão fulcral, que afasta as alegações efetuadas em sede de impugnação e repisadas no recurso voluntário, cabe verificar se os dois tópicos adicionais constantes no recurso voluntário (sequer suscitados na impugnação) merecem tratamento; um relativo a demanda por retroatividade benigna e outro tratando de pedido em caráter eventual. Sobre o tema dispõe o Decreto no 70.235/1972, que regula o processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário, em seus arts. 16 e 17: "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...)" "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." Assim, os pedidos adicionados no recurso voluntário, e inexistentes na impugnação, não devem ser apreciados por este colegiado, em razão de preclusão. A própria DRJ, ao analisar os créditos relativos à não cumulatividade, asseverou (à fl. 643) que: "A empresa foi intimada a apresentar créditos que poderiam ser aproveitados na sistemática nãocumulativa. Não atendeu a intimação, preferindo sustentar a apuração pela outra sistemática. De toda a forma, pelas planilhas de apuração das contribuições apresentadas, foram mantidas às exclusões relativas às reversões de provisões e recuperação de créditos baixados como perda e não aceitas as deduções correspondentes às despesas de obrigações por empréstimos e repasses, em decorrência da ausência de permissivo legal. Na impugnação, a instituição argumenta que a ausência de possibilidade de crédito geraria bitributação, uma vez que a despesa do Badesul para outros órgãos (BNDES, CEF, FINAME), quando fossem estas as respectivas fontes dos empréstimos realizados, é reconhecida como receita para estas entidades. Vejase primeiro que os créditos permitidos a serem aproveitados estão dispostos nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, considerando as suas alterações. Diversos outros atos foram emitidos posteriormente, regulamentando e normatizando a apuração e cobrança, como o Decreto no 5.442, de 09 de maio de 2005, que prevê situações de alíquota zero, ou as INs SRF 387/2004, que instituiu o Dacon, e 404/2004, que dispôs sobre a incidência nãocumulativa da Cofins. Sobre as alíquotas aplicadas e especificamente sobre os créditos da não Fl. 727DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 8 cumulatividade, não se insurge a empresa, uma vez que se concentra na questão do regime de apuração a que estaria submetida." (grifo nosso) O que se está a afirmar, assim, é a impossibilidade, por preclusão, de discussão dos temas inaugurados em sede de recurso voluntário no bojo do presente processo. Ademais, a alegação efetuada tardiamente demandaria prova de adequação da contribuinte à situação de fato (existência de receitas classificáveis como financeiras, por exemplo), prova essa que foi solicitada pela fiscalização, e não fornecida pela recorrente durante o próprio procedimento fiscal que antecedeu a autuação. Poderiam até ser consideradas matérias merecedoras de tratamento de ofício as alegações de "retroatividade benigna" (art. 106 do Código Tributário Nacional CTN) e "dúvida quanto à aplicação de penalidade" (art. 112 do CTN), mas no presente processo sequer se manifesta dúvida em relação à aplicação de penalidade, e não ocorre nenhuma das situações descritas no art. 106 do CTN, o que tornaria inócua a discussão. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 728DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 10830.726078/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE RECURSO DE OFÍCIO. ANULAÇÃO.
Cabe a anulação da decisão de primeira instância quando não houver declaração expressa acerca da apresentação de recurso de ofício, sempre que presentes as condições para o reexame necessário, nos termos do artigo 34 do Decreto n. 70.235/72.
Numero da decisão: 1201-001.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ANULAR a decisão de primeira instância, para que seja realizado novo julgamento, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Ronaldo Apelbaum e Lizandro Rodrigues de Sousa.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE RECURSO DE OFÍCIO. ANULAÇÃO. Cabe a anulação da decisão de primeira instância quando não houver declaração expressa acerca da apresentação de recurso de ofício, sempre que presentes as condições para o reexame necessário, nos termos do artigo 34 do Decreto n. 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ANULAR a decisão de primeira instância, para que seja realizado novo julgamento, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Ronaldo Apelbaum e Lizandro Rodrigues de Sousa. Relatório Tratase de Autos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS lavrados contra a empresa em epígrafe e diversos responsáveis solidários, no valor total de 238 milhões de reais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 60 78 /2 01 2- 81 Fl. 3913DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 3 2 Os fatos e a matéria jurídica em discussão podem ser obtidos a partir do Termo de Verificação Fiscal e do relatório da decisão de primeira instância, cujos principais excertos reproduzimos a seguir: Tratase dos Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e às Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e para Integração Social Pis, lavrados em 13/11/2012, que formalizaram o crédito tributário contra a contribuinte em epígrafe no valor total de R$ 238.899.670,33, incluindo multa de ofício qualificada e agravada (225%) e juros de mora calculados até 11/2012, em razão do arbitramento do lucro e da constatação de omissão de receita da revenda de combustíveis, nos anoscalendário 2008 e 2009. O IRPJ foi exigido mediante aplicação do percentual de determinação do lucro de 9,6% e a CSLL mediante aplicação do percentual de determinação do lucro de 12%. O Pis e a Cofins foram exigidos no regime cumulativo, às alíquotas de 1,46% e 6,74%, respectivamente. Foram arrolados os seguintes sujeitos passivos solidários: Jeferson Luiz Veng (CPF: 832.842.14968); Atílio Búfalo (CPF: 234.766.21987); Luiz Antonio Monte Ribeiro (CPF: 742.269.83815); Alcyon Ricardo Cardoso de Lima (CPF: 020.390.23941) e Pellyon do Brasil Comércio e Participações Ltda (CNPJ: 04.902.590/000107). A infração foi discriminada no Termo de Verificação Fiscal, segundo o qual o trabalho de auditoria foi iniciado em 21/09/2011, buscando verificar a insuficiência de declaração e recolhimento de IRPJ nos anoscalendário 2008 e 2009. A fiscalização relata que a contribuinte exerce a atividade de comercialização no ramo atacadista de álcool hidratado, biodiesel, gasolina e demais derivados de petróleo, exceto lubrificantes, não realizado por transportador retalhista, possuindo no seu quadro societário o Sr. Jeferson Luiz Veng (15%) e a empresa Pellyon do Brasil Comércio e Participações Ltda (85%), a qual, por sua vez, tem em seu quadro social o referido sócio da autuada (0,01%) e a empresa uruguaia Pellyon Corporation Financial & Trading S/A (99,99%), que tem o Sr. Alcyon Ricardo Cardoso de Lima como representante legal/procurador. Informa o Fisco que a autuada tem o Sr. Atílio Bufalo como preposto do sócio administrador, conforme procuração que lhe confere amplos poderes de administração, gerais e ilimitados. E que o Sr. Luiz Antonio Monte Ribeiro constou como sócio administrador da fiscalizada até 20/02/2008, portanto, dentro do período objeto de ação fiscal. E que a fiscalizada apurou o lucro real trimestral, não tendo sido localizado nos sistemas de controle da Receita Federal do Fl. 3914DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 4 3 Brasil RFB qualquer recolhimento a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS nos anoscalendário 2008 e 2009, sendo que no ano calendário 2008 a pessoa jurídica apresentou a DIPJ em branco, assim como a Dacon, relativa aos meses de maio a dezembro; e no anocalendário 2009 declarou na DIPJ receita de venda no total de R$ 8.508.087,00, apresentando a Dacon apenas para os meses de janeiro a junho e, ainda, com informações zeradas. A autoridade fiscal informa que intimou a interessada a apresentar os livros Diário, Razão e Lalur; as Demonstrações do Lucro Real e do Resultado do Exercício; planilhas contendo os resumos das vendas de combustíveis; cópia das GIA entregues ao Fisco Estadual; as Notas Fiscais de Vendas de Combustíveis; os documentos que acobertam a escrituração, bem como a informar a existência de ação judicial e/ou parcelamento, conforme Termo de Início da Ação Fiscal (21/09/2011) e Reintimações seguintes (24/10/2011, 14/11/2011, 08/12/2011, 02/02/2012); Termo de Intimação Fiscal (19/03/2012) e reintimações seguintes (12/04/2012 e 22/05/2012); e Termo de Intimação Fiscal (04/06/2012), sob pena do não atendimento implicar o agravamento da penalidade e o arbitramento do lucro. E que a contribuinte se manifestou somente quando da ciência do Termo de Início da Ação Fiscal, requerendo prorrogação de prazo, deixando de atender às diversas intimações. Assim, a fiscalização conclui que: Ao sonegar as informações requeridas a contribuinte cometeu as infrações capituladas nos artigos 71, 72 da Lei 4.502. de 30 de novembro de 1964. que tratam da: sonegação (omissão dolosa tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador) e da fraude (ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ou a excluir ou modificar as suas características essenciais de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento). A autoridade fiscal esclarece no referido Termo de Verificação que obteve as informações necessárias ao prosseguimento da auditoria, conforme abaixo: Face ao desinteresse da contribuinte em atender às intimações mencionadas, esta fiscalização federal, a fim de obter as informações necessárias para o bom e correto andamento da presente ação fiscal, buscou variadas fontes que suprissem as faltas da contribuinte e destas obteve as informações, que seguem: 1 Do sítio (https://www.fazenda.sp.gov.br/nfe) da Secretaria da Fazenda do Governo do Estado de São Paulo Extração foram extraídas as NOTAS FISCAIS ELETRÔNICAS (NFe) emitidas pela empresa contribuinte de 01/04/2008 até 31/12/2009, visto que a empresa está credenciada naquele sistema somente a partir de 28/03/2008; Fl. 3915DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 5 4 2 Da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo obtiveram se as GIAs Guia de Informação e Apuração do ICMS declaradas àquela Secretaria pela contribuinte, contendo as receitas de vendas (em reais) dos combustíveis, álcool, gasolina e diesel nos anos 2008 e 2009: Da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis ANPobtevese uma planilha contendo os volumes (em litros) de vendas de combustíveis, álcool, gasolina e diesel nos anos 2008 e 2009; declarados àquela agência pela contribuinte; Da Refinaria do Planalto Paulista REPLAN. situada no município de Paulínia/SP, obtevese uma planilha contendo todas as compras da empresa contribuinte junto àquela refinaria. E informa que procedeu ao arbitramento do lucro, com fundamento no art. 530, II, do RIR/99, em razão da falta de apresentação dos livros de escrituração obrigatória e dos documentos pertinentes, bem como em razão da falta e/ou da entrega das declarações DIPJ, DCTF e DACON com informações zeradas e/ou com receitas parcialmente transcritas, visando impedir e/ou retardar o conhecimento das informações por parte do Fisco. Observa, para fins da determinação do percentual aplicável, que se trata de distribuidora de combustíveis para postos revendedores, não se enquadrando na hipótese do art. 15, §1º, I, da Lei nº 9.249, de 1995. Consta do Termo de Verificação Fiscal a determinação da receita bruta omitida e da base de cálculo do tributo e das contribuições devidos, conforme excertos abaixo: 4 AS INFRAÇÕES DA CONTRIBUINTE Com a análise das Notas Fiscais Eletrônicas NFe, extraídas do sítio da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo; dos dados da GIA GUIA DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO, e preenchidas e entregues pela contribuinte à Fazenda do Estado de São Paulo; das informações apresentadas pela REPLAN e, subsidiariamente, das informações apresentadas pela ANP, apurouse RECEITA BRUTA OMITIDA pela contribuinte e a base de cálculo para a constituição do crédito tributário mediante a lavratura do presente Auto de Infração. Em relação às Notas Fiscais Eletrônicas, cabe enfatizar que foram utilizadas, a fim de se apurar a RECEITA BRUTA da contribuinte no período sob auditoria fiscal, somente aquelas notas fiscais com CFOP Códigos Fiscais de Operações referentes às vendas de combustíveis, sendo descartadas aquelas referentes a operações que não efetivamente tenha gerado receitas à contribuinte. Seguem os CFOP considerados: Fl. 3916DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 6 5 5655 Venda de combustível ou lubrificante adquirido ou recebido de terceiros destinado à comercialização dentro do estado 6655 Venda de combustível ou lubrificante adquirido ou recebido de terceiros destinado à comercialização fora do estado 5656 Venda de combustível ou lubrificante adquirido ou recebido de terceiros destinado a consumidor ou usuário final 4.1 OMISSÃO DE RECEITAS BRUTAS VENDAS DE COMBUSTÍVEIS GASOLINA E DIESEL 4.1.1 RECEITA BRUTA GASOLINA E DIESEL FONTE NFe Utilizaramse as Notas Fiscais Eletrônicas a fim de obter a RECEITA BRUTA da contribuinte decorrente da venda de gasolina e diesel no período de 01/04/2008 a 31/12/2009. Conforme mencionado, a contribuinte está credenciada no sistema de emissão de NFe somente a partir de 28/03/2008, não havendo, portanto, NFe entre as Notas Fiscais Eletrônicas que foram somadas para a apuração das RECEITAS BRUTAS decorrentes das vendas de gasolina e diesel foram compiladas nas PLANILHA RECEITA BRUTA VENDAS DE GASOLINA e "PLANILHA RECEITA BRUTA VENDAS DE DIESEL, estas planilhas fazem parte, em meio digital, do presente Auto de Infração do qual este Termo é parte indissociável. As planilhas contêm a data da emissão da Nota Fiscal Eletrônica, o CNPJ do destinatário da mercadoria, o número da Nota Fiscal Eletrônica, a chave eletrônica de acesso à Nota Fiscal Eletrônica, a descrição da mercadoria e o valor total da NFe. A seguir estão totalizados os valores mensais decorrentes das vendas gasolina e diesel no período de 01/04/2008 a 31/12/2009, extraídos das Planilhas Receita Bruta Vendas de Gasolina e Receita Bruta Vendas de Diesel: QUADRO RECEITA BRUTA DE VENDAS GASOLINA E DIESEL NFe GASOLINA E DIESEL PERÍODO APURAÇÃO 2008 2009 2008 2009 JANEIRO SEM NFe R$ 393.770,00 SEM NFe R$ 245.930,00 FEVEREIRO SEM NFe R$ 435.420,00 SEM NFe R$ 220.990,00 MARÇO SEM NFe R$ 496.360,00 SEM NFe R$316.210,00 ABRIL R$ 400.225,00 R$ 279.604,00 ZERO R$ 269.085,00 Fl. 3917DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 7 6 MAIO R$ 367.355,82 R$214.460,00 ZERO R$ 397.350,00 JUNHO R$ 89.900,00 R$ 456.840,00 ZERO R$ 591.390,00 JULHO R$ 554.136,00 R$ 442.900,00 R$ 73.850,00 R$ 460.545,00 AGOSTO R$ 352.090,00 R$511.075,00 R$ 173.995,00 R$ 698.000,00 SETEMBRO R$ 305.025,00 R$ 620.850,00 R$ 91.935,00 R$ 692.610,00 OUTUBRO R$ 410.525,00 R$ 821.487,51 R$ 285.695,00 R$ 731.807,93 NOVEMBRO R$ 243.170,00 R$ 481.660,00 R$ 202.450,00 R$ 601.560,00 DEZEMBRO R$ 524.940,00 R$911.681,40 R$ 125.395,00 R$ 422.425,00 TOTAIS R$ 3.247.366,82 R$6.066.107,91 R$ 953.320,00 R$ 5.647.902,93 4.1.2 RECEITA BRUTA GASFORTE GASOLINA DIESEL FONTE REPLAN A REPLAN informou a esta fiscalização federal que vendeu à contribuinte gasolina e diesel, nos anos calendário 2008 e 2009, nos volumes (litros), a seguir discriminados: QUADRO VENDAS DA REPLAN GASOLINA E DIESEL ANOS 2008 e 2009 P.A. ANO 2008 ANO 2009 GASOLINA (L) DIESEL (L) GASOLINA (L) DIESEL (L) JANEIRO ZERO ZERO 138.000 133.000 FEVEREIRO ZERO ZERO 157.000 120.000 MARÇO ZERO ZERO 149.000 202.000 ABRIL 11.000 ZERO 150.000 126.000 MAIO 153.000 ZERO 90.000 188.000 JUNHO 80.000 ZERO 179.000 223.000 JULHO 150.000 49.500 125.000 244.000 AGOSTO 166.000 58.500 181.000 312.000 Fl. 3918DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 8 7 SETEMBRO 104.000 65.000 222.000 361.000 OUTUBRO 150.000 85.000 243.000 435.000 NOVEMBRO 70.000 98.000 180.000 299.000 DEZEMBRO 178.700 96.000 349.000 299.000 TOTAL ANO 1.062.700 452.000 2.163.000 2.942.000 Concluise após a análise do QUADRO VENDAS DA REPLAN GASOLINA E DIESEL ANOS 2008 e 2009 que a contribuinte efetivamente não comprou gasolina e diesel da REPLAN entre 01/01/2008 e 31/03/2008 e, inferese, que tampouco vendeu gasolina e diesel neste período. Assim, os valores das RECEITAS BRUTAS decorrentes das vendas de gasolinae diesel, período de 01/01/2008 a 31/12/2009, que foram OMITIDAS pela contribuinte são aqueles apuradas através das Notas Fiscais Eletrônicas, discriminadas no QUADRO RECEITA BRUTA DE GASOLINA E DIESEL NFe, visto que efetivamente não houve venda desses produtos nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2008. 4.2 OMISSÃO DE RECEITAS OPERACIONAIS VENDAS DE COMBUSTÍVEIS ÁLCOOL HIDRATADO CARBURANTE Utilizaramse das Notas Fiscais Eletrônicas a fim de obter a RECEITA BRUTA da contribuinte decorrente da venda de álcool hidratado no período de 01/04/2008 a 31/12/2009. As Notas Fiscais Eletrônicas que foram somadas para a apuração da RECEITA BRUTA decorrente das vendas de álcool hidratado foram compiladas na já mencionada PLANILHA RECEITA BRUTA VENDAS DE ÁLCOOL, que faz parte, em meio digital, do presente Auto de Infração do qual este Termo é parte indissociável. As planilhas contêm a data da emissão da Nota Fiscal Eletrônica, o CNPJ do destinatário da mercadoria, o número da Nota Fiscal Eletrônica, a chave eletrônica de acesso à Nota Fiscal Eletrônica, a descrição da mercadoria e o valor total da NFe. A contribuinte está credenciada no sistema de emissão de NFe somente a partir de 28/03/2008, não havendo, portanto, NFe de vendas de álcool hidratado, entre 01/01/2008 e 31/03/2008. Todavia, como a seguir detalharemos, o contribuinte informou, mediante GIA à Secretaria da Fazenda do estado de São Paulo a venda de álcool neste período. Fl. 3919DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 9 8 A seguir estão expostos os valores mensais das vendas do álcool hidratado extraídos das Notas Fiscais Eletrônicas: PERÍODO APURAÇÃO ANO 2008 2009 JANEIRO SEM NFe R$16.283.817,00 FEVEREIRO SEM NFe R$ 16.462.458,00 MARÇO SEM NFe R$ 17.685.903,50 ABRIL R$4.122.780,00 R$ 19.978.389,95 MAIO R$8.371.285,80 R$18.547.850,50 JUNHO R$ 8.550.901,97 R$21.234.783,00 JULHO R$ 14.756.655,90 R$ 30.160.582,91 AGOSTO R$ 15.472.947,51 R$ 35.501.256,89 SETEMBRO R$ 14.727.341,89 R$ 33.884.713,36 OUTUBRO R$ 17.404.243,98 R$ 36.360.426,17 NOVEMBRO R$ 16.388.857,12 R$ 47.502.149,59 DEZEMBRO R$ 19.863.889,25 R$ 35.084.739,00 TOTAIS R$ 119.658.903,42 R$ 328.687.069,87 Nas GIA's a contribuinte declarou em reais à Fazenda do Estado de São Paulo os valores consolidados de receita decorrentes das vendas de combustíveis álcool, gasolina e diesel. Esta fiscalização federal apurou somente aquelas vendas que efetivamente geraram receita à contribuinte, CFOP's n° 5655, 6655 e 5656, e estas vendas foram discriminadas no QUADRO VENDAS DE COMBUSTÍVEIS DECLARADAS EM GIA AnosCalendário 2008 e 2009 a seguir: QUADRO VENDAS DE COMBUSTÍVEIS DECLARADAS EM GIA/ANO 2008 OUTUB RO R$ 5.172.384,00 R$ 2.384.841,52 R$ 7.557.225,52 Fl. 3920DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 10 9 NOVEM BRO R$ 4.150.908,83 R$ 1.051.828,75 R$ 5.202.737,58 DEZEM BRO R$ 4.838.993,82 R$ 2.660.928,25 R$ 7.499.922,07 TOTAL R$ 77.766.583,74 R$ 4.450,00 R$ 18.397.262,71 R$ 96.168.296,45 QUADRO VENDAS DE COMBUSTÍVEIS DECLARADAS EM Gl A ANO 2009 Código Fiscal de Operações e Prestações P.A. 5656 RECEITAS TOTAIS GIAS (1) (2) (3) (4)=(1)+(2)+(3) JANEIRO R$4.829.116,96 R$ 124.886,00 R$ 4.954.002,96 FEVEREIRO RS 13.613.993,00 R$ 47.937,00 R$ 3.434.098,00 R$ 17.096.028,00 MARÇO RS 15.089.116,50 R$ 96.937,00 RS 3.317.070,00 R$ 18.503.123,50 ABRIL R$ 16.636.023,95 R$ 178.925,00 RS 4.576.534,56 R$ 21.391.483,51 MAIO R$ 15.396.442,50 R$ 207.100,00 R$ 3.427.970,00 R$ 19.031.512,50 JUNHO R$ 18.270.718,00 R$ 166.200,00 R$ 3.557.390,00 R$ 21.994.308,00 JULHO RS 27.479.282,33 R$ 169.000,00 RS 3.439.795,39 R$ 31.088.077,72 AGOSTO R$ 31.482.664,31 R$ 69.200,00 R$ 5.238.395,00 R$ 36.790.259,31 SETEMBRO R$ 29.856.235,20 R$ 96.250,00 RS 5.055.080,90 R$ 35.007.566,10 OUTUBRO R$ 28.661.399,39 R$ 76.350,00 RS 9.206.212,00 R$ 37.943.961,39 NOVEMBRO RS 36.113.194,56 R$ 78.750,00 R$ 12.420.525,00 R$ 48.612.469,56 DEZEMBRO R$ 24.271.220,40 R$ 26.250,00 R$ 12.130.125,00 R$ 36.427.595,40 TOTAL R$ 261.699.407,10 R$ 1.212.899,00 R$ 65.928.081,85 R$ 328.840.387,95 Assim, visto que nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2008 não houve apuração de RECEITA BRUTA decorrente da venda de gasolina e diesel, conforme informação da REPLAN, inferese que os montantes declarados pela contribuinte em GIA nestes Fl. 3921DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 11 10 três meses referemse integralmente às RECEITAS BRUTAS decorrentes da venda do álcool hidratado, quais sejam: (...) Com a apuração das RECEITAS BRUTAS decorrentes da venda de álcool hidratado nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2008, podese discriminar toda a RECEITA BRUTA decorrente da venda do álcool hidratado nos anoscalendário 2008 e 2009, conforme abaixo: QUADRO RECEITA BRUTA VENDA ÁLCOOL ANOS 2008 e 2009 EXTRAÍDOS DAS GIA'S (JAN A MAR 2008) E NFe'S (ABR 2008 A DEZ 2009) PERÍODO APURAÇÃO ANO 2008 2009 JANEIRO R$ 5.310.374,25 R$ 16.283.817,00 FEVEREIRO R$ 5.864.062,98 R$16.462.458,00 MARÇO R$ 3.416.034,00 R$ 17.685.903,50 ABRIL R$4.122.780,00 R$ 19.978.389,95 MAIO R$8.371.285,80 R$ 18.547.850,50 JUNHO R$8.550.901,97 R$21.234.783,00 JULHO R$ 14.756.655,90 R$ 30.160.582,91 AGOSTO R$ 15.472.947,51 R$ 35.501.256,89 SETEMBRO R$ 14.727.341,89 R$ 33.884.713,36 OUTUBRO R$ 17.404.243,98 R$ 36.360.426,17 NOVEMBRO R$ 16.388.857,12 R$ 47.502.149,59 DEZEMBRO R$ 19.863.889,25 R$ 35.084.739,00 TOTAIS R$134.249.374,65 R$ 328.687.069,87 5 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO IRPJ, CSLL, PIS/PASEP E COFINS ANOSCALENDÁRIO 2008 e 2009 Fl. 3922DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 12 11 5.1 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E CSLL ANOS 2008 E 2009 SOBRE VENDA DE ÁLCOOL HIDRATADO, GASOLINA E DIESEL A base de cálculo para a apuração do IRPJ e CSLL corresponde à soma das RECEITAS BRUTAS OMITIDAS decorrentes das vendas de álcool hidratado, gasolina e diesel, anoscalendário 2008 e 2009, totalizadas no quadro a seguir: QUADRO DE APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO IRPJ e CSLL ANO 2008 PERÍODO RECEITA OMITIDA BASE DE CÁLCULO IRPJ E CSLL APURAÇÃO GASOLINA DIESEL ÁLCOOL HIDRATADO (1) (2) (3) (4)=(1)+(2)+(3) JANEIRO R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 5.310.374,25 R$ 5.310.374,25 FEVEREIRO R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 5.864.062,98 R$ 5.864.062,98 MARÇO R$ 0,00 R$ 0,00 R$3.416.034,00 R$ 3.416.034,00 ABRIL R$ 400.225,00 R$ 0,00 R$4.122.780,00 R$ 4.523.005,00 MAIO R$ 367.355,82 R$ 0,00 R$8.371.285,80 R$ 8.738.641,62 JUNHO R$ 89.900,00 R$ 0,00 R$8.550.901,97 R$ 8.640.801,97 JULHO R$ 554.136,00 R$ 73.850,00 R$ 14.756.655,90 R$ 15.384.641,90 AGOSTO R$ 352.090,00 R$ 173.995,00 R$ 15.472.947,51 R$ 15.999.032,51 SETEMBRO R$ 305.025,00 R$91.935,00 R$ 14.727.341,89 R$ 15.124.301,89 OUTUBRO R$410.525,00 R$ 285.695,00 R$ 17.404.243,98 R$ 18.100.463,98 NOVEMBRO R$ 243.170,00 R$ 202.450,00 R$ 16.370.857,12 R$ 16.816.477,12 DEZEMBRO R$ 524.940,00 R$ 125.395,00 R$ 19.863.889,25 R$ 20.514.224,25 TOTAIS R$ 3.247.366,82 R$ 953.320,00 R$ 134.249.374,65 R$ 138.432.061,47 QUADRO DE APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO IRPJ e CSLL ANO 2009 Fl. 3923DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 13 12 PERÍODO RECEITA OMITIDA BASE DE CÁLCULO APURAÇÃO GASOLINA DIESEL ÁLCOOL HIDRATADO (1) (2) (3) (4)=(1)+(2)+(3) JANEIRO R$ 393.770,00 R$ 245.930,00 R$ 16.283.817,00 R$ 16.923.517,00 FEVEREIRO R$ 435.420,00 R$ 220.990,00 R$ 16.462.458,00 R$ 17.118.868,00 MARÇO R$ 496.360,00 R$316.210,00 R$ 17.685.903,50 R$ 18.498.473,50 ABRIL R$ 279.604,00 R$ 269.085,00 R$ 19.978.389,95 R$ 20.527.078,95 MAIO R$214.460,00 R$ 397.350,00 R$ 18.547.850,50 R$19.159.660,50 JUNHO R$ 456.840,00 R$ 591.390,00 R$ 21 .234.783,00 R$ 22.283.013,00 JULHO R$ 442.900,00 R$ 460.545,00 R$ 30.160.582,91 R$ 31.064.027,91 AGOSTO R$ 511.075,00 R$ 698.000,00 R$ 35.501.256,89 R$ 36.710.331,89 QUADRO DE APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO IRPJ e CSLL ANO 2008 PERÍODO RECEITA OMITIDA BASE DE CÁLCULO IRPJ E CSLL APURAÇÃO GASOLINA DIESEL ÁLCOOL HIDRATADO (1) (2) (3) (4)=(1)+(2)+(3) OUTUBRO R$ 821.487,51 R$ 731.807,93 R$ 36.360.426,17 R$ 37.913.721,61 NOVEMBRO R$ 481.660,00 R$ 601.560,00 R$ 47.502.149,59 R$ 48.585.369,59 DEZEMBRO R$ 911.681,40 R$ 422.425,00 R$ 35.084.739,00 R$ 36.418.845,40 TOTAIS R$ 6.066.107,91 R$ 5.647.902,93 R$ 328.687.069,87 R$ 340.401.080,71 5.2 APURAÇÃO DOS VALORES A RECOLHER DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS/ ANOS Fl. 3924DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 14 13 CALENDÁRIO 2008 E 2009 SOBRE VENDA DE ÁLCOOL HIDRATADO Até o início da vigência da Lei 11.727, em 01/10/2008, as receitas auferidas pelas distribuidoras de combustíveis com a venda de álcool para fins carburantes estavam sujeitas às alíquotas de 1,46% e 6,74% para o PIS/PASEP e para a COFINS, respectivamente, conforme art 5o, "caput", da Lei n° 9.718, na redação dada pela Lei n° 9.990/2000. Em 01/10/2008 começou a vigorar a sistemática de tributação das operações com álcool, com base na forma de tributação do PIS/PASEP da COFINS determinada pela Lei n° 11.727 de 23/06/2008" Assim, na presente ação fiscal, para fato geradores ocorridos até 30/09/2008. as bases de cálculo para a apuração do PIS/PASEP e da COFINS foram obtidas mediante as somas das RECEITAS BRUTAS OMITIDAS decorrentes das vendas de álcool carburante hidratado. Para fatos geradores ocorridos a partir de 30/09/2008, apurou se o PIS/PASEP e a COFINS devido pela fiscalizada conforme a forma de apuração estabelecida pela Lei 11.727 como será discriminado no tópico 5.3. 5.2 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP e COFINS PERÍODO DE 01/01/2008 A 30/09/2008 A base de cálculo para a apuração da contribuição para o PIS e a COFINS no período de 01/01/2008 a 30/09/2008 corresponde a RECEITAS BRUTAS OMITIDAS decorrentes das vendas do álcool hidratado carburante, conforme quadro abaixo: QUADRO BASE DE CÁLCULO PIS e COFINS PERÍODO APURAÇÃO ANO 2008 JANEIRO R$ 5.310.374,25 FEVEREIRO R$ 5.864.062,98 MARÇO R$ 3.416.034,00 ABRIL R$ 4.122.780,00 MAIO R$8.371.285,80 JUNHO R$ 8.550.901,97 JULHO R$ 14.756.655,90 Fl. 3925DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 15 14 AGOSTO R$ 15.472.947,51 SETEMBRO R$ 14.727.341,89 TOTAIS R$ 80.592.384,30 5.3 BASE DE CÁLCULO/IMPOSTO A RECOLHER PIS/PASEP e COFINS METROS CÚBICOS DE OUTUBRO DE 2008 A DEZEMBRO DE 2009 A empresa fiscalizada fez a opção pelo Regime de Apuração e Pagamento da Contribuição do PIS e da Cofins para combustíveis, cujo regime iniciouse em 01/10/2008, conforme artigo 8o da Lei 11.727/2008, que segue transcrito: Art. 8o Excepcionalmente, para o anocalendário de 2008, a opção de que trata o § 4o do art. 5o da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, será exercida até o último dia útil do quarto mês subseqüente ao da publicação desta Lei, produzindo efeitos, de forma irretratável, a partir do primeiro dia desse mês. Neste Regime Especial de Apuração, decorrente da opção da empresa fiscalizada, as alíquotas específicas foram fixadas conforme o inciso II do § 4o do artigo 7o da Lei 11 727, transcritos: Art. 7o O art. 5° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 5o A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida na venda de álcool, inclusive para fins carburantes, serão calculadas com base nas alíquotas, respectivamente, de: I 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento) e 6,9% (seis inteiros e nove décimos por cento), no caso de produtor ou importador; e II 3,75% (três inteiros e setenta e cinco centésimos por cento) e 17,25% (dezessete inteiros e vinte e cinco centésimos por cento, no caso de distribuidor). (...) § 4o O produtor, o importador e o distribuidor de que trata o caput deste artigo poderão optar por regime especial de apuração e pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, no qual as alíquotas específicas das contribuições são fixadas, respectivamente, em: I omissis ...; II R$ 58,45 (cinqüenta e oito reais e quarenta e cinco centavos) e R$ 268,80 (duzentos e sessenta e oito reais e oitenta centavos) por metro cúbico de álcool, no caso de venda realizada por distribuidor. Fl. 3926DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 16 15 O Decreto n° 6.573. de 19.09.2008. com base na previsão constante na Lei n° 11.727, estabeleceu que o coeficiente de redução das alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS é de 0,633 para produtor, importador e distribuidor. (...) Assim, apurouse a quantidade de álcool carburante hidratado em metros cúbicos vendida pela empresa fiscalizada nos meses de outubro, novembro e dezembro do ano calendário 2008 e no ano calendário 2009, conforme a PLANILHA PARA A APURAÇÃO PIS/PASEP E COFINS METROS CÚBICOS DE 10/2008 ATÉ 12/2009, que faz parte, em meio digital, do presente Auto de Infração do qual este Termo é parte indissociável. A PLANILHA PARA A APURAÇÃO PIS/PASEP E COFINS METROS CÚBICOS DE 10/2008 ATÉ 12/2009 foi confeccionada a partir das informações extraídas das Notas Fiscais Eletrônicas e contem as seguintes informações: Data da emissão da NFe, CNPJ do destinatário, N° da Nota Fiscal Eletrônica, Chave de acesso da Nota Fiscal Eletrônica, Valor da Nota Fiscal em reais, Quantidade de mercadoria em litros, Quantidade da Mercadoria em metros cúbicos e valores da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS a recolher. Para a apuração da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS aplicouse o valor R$ 21.43 para a Contribuição para o PIS/PASEP e o valor R$ 98,57 para a COFINS, por metro cúbico de combustível vendido, conforme estabelecido pela Lei 11.727, aplicado o coeficiente redutor (0,633) determinado pelo Decreto n° 6.573, de 19.09.2008, resultando nos valores mensais de contribuições a recolher conforme discriminados nos quadros a seguir. QUADRO PIS E COFINS A RECOLHER METROS CÚBICOS DE 10 A 12/2008 PA PIS A RECOLHER COFINS A RECOLHER AC 2008 OUTUBRO R$ 369.499,27 R$ 1.699.558,73 NOVEMBRO R$ 349.600,45 R$ 1.608.031,55 DEZEMBRO R$ 409.419,08 R$ 1.883.174,92 TOTAL ANO R$ 1.128.518,80 R$ 5.190.765,20 Fl. 3927DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 17 16 QUADRO PIS E COFINS A RECOLHER METROS CÚBICOS ANO 2009 PA PIS A RECOLHER COFINS A RECOLHER AC 2009 JANEIRO R$ 329.558,04 R$ 1.515.843,96 FEVEREIRO R$ 342.380,68 R$ 1.574.823,32 MARÇO R$ 407.603,96 R$ 1.874.826,04 ABRIL R$ 463.230,88 R$ 2.130.689,12 MAIO R$ 451.766,90 R$ 2.077.959,10 JUNHO R$515.515,79 R$ 2.371.180,21 JULHO R$ 673.204,55 R$ 3.096.489,61 AGOSTO R$ 768.283,80 R$ 3.533.818,68 SETEMBRO R$ 695.520,91 R$ 3.199.136,57 OUTUBRO R$ 651.735,95 R$ 2.997.742,09 NOVEMBRO R$ 794.190,57 R$ 3.652.980,15 DEZEMBRO R$ 533.221,26 R$ 2.452.618,74 TOTAL ANO R$ 6.626.213,30 R$ 30.478.107,58 Acerca da multa qualificada e agravada, prevista no art. 44, I, e parágrafos 1º e 2º da Lei nº 9.430, de 1996, a fiscalização acrescenta que foi exigida diante da falta de atendimento às diversas intimações fiscais “com claro objetivo de impedir que a autoridade fazendária conhecesse os fatos geradores que geraram a RECEITA BRUTA apurada neste Termo de Verificação Fiscal”. Sobre a responsabilidade solidária, foi imputada com fundamento nos artigos 124, I e II, e 135, II e III, ambos do CTN, mediante os seguintes argumentos: O lançamento efetivado para a constituição dos créditos tributários, mediante a lavratura do presente Auto de Infração, tem como sujeito passivo a pessoa jurídica acima nomeada, GASFORTE COMBUSTÍVEIS E DERIVADOS LTDA, CNPJ: Fl. 3928DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 18 17 34.399.899/000189; e como RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS, em consonância com os artigos 124 e 135 do CTN, os que sequem: 1. O Sr. JEFERSON LUIZ VENG, CPF n° 832.842.14968, na situação de sócio e administrador da empresa GASFORTE COMBUSTÍVEIS E DERIVADOS LTDA, com 15% do capital social, bem como na condição de representante da empresa PELLYON DO BRASIL COMERCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA: 2. O Sr. ATÍLIO BÚFALO, CPF n° 234.766.21987, na condição de preposto do sócio administrador da empresa fiscalizada (Sr. Jeferson Luiz Veng, com procuração conferindo lhe poderes amplos, gerais e ilimitados para gerir e administrar a empresa GASFORTE COMBUSTÍVEIS E DERIVADOS LTDA; 3. O Sr. LUIZ ANTONIO MONTE RIBEIRO, CPF: 742.269.83815, residente à Av. Dr. Carlos Botelho, n° 3516, Vila Derigi, na cidade de São Carlos/SP, na situação de sócio administrador até 20/02/2008, data em que retirouse da sociedade da GASFORTE COMBUSTÍVEIS E DERIVADOS LTDA; 4. Sr. ALCYON RICARDO CARDOSO DE LIMA, CPF: 020.390.23941, na qualificação de representante de pessoas jurídicas de direito privado, qual seja: da empresa PELLYON CORPORATION FINANCIAL & TRADING, situada no URUGUAI, que por sua vez é a sócia majoritária com 99,99% do capital social da empresa PELLYON DO BRASIL COMERCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA. 5. A empresa PELLYON DO BRASIL COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA. CNPJ 04.902.590/000170, sito Praça General Osório, n° 379, 1o andar, Conjunto 101, Centro, Curitiba PR, CEP 80020010, na situação de sócia da fiscalizada, com 85% de participação no capital social; Foi formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais, de nº 10830.726079/201225, bem como processo de Arrolamento de Bens, de nºs 10830.017459/200970 (este, perante a autuada e decorrente de ação fiscal anterior), 10830.726886/201248 (Jeferson Luiz Veng), 10830.726888/201237 (Luiz Antonio Monte Ribeiro), 10830.726889/201281 (Atilio Bufalo), 10830.726890/201214 (Pellyon do Brasil Comércio e Participações Ltda), 10830.726891/201251 (Pellyon Corporation Financial & Trading SA). A ciência dos autos de infração se deu por via postal, em 14/11/2012, para a contribuinte Gasforte Combustíveis e Derivados Ltda e os responsáveis solidários Luiz Antonio Monte Ribeiro e Jeferson Luiz Veng e em 16/11/2012 para o responsável solidário Atílio Bufalo; e por via de edital, afixado nas correspondentes repartições locais em 30/11/2012, para os Fl. 3929DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 19 18 responsáveis solidários Alcyon Ricardo Cardoso de Lima e Pellyon do Brasil Comércio e Participações Ltda. As impugnações foram apresentadas nas seguintes datas: em 15/12/2012, data da postagem da correspondência nos Correios (Jeferson Luiz Veng e Pellyon do Brasil Comércio e Participações Ltda), em 17/12/2012 (Gasforte Combustíveis e Derivados Ltda, Atílio Bufalo, Luiz Antonio Monte Ribeiro, Marcia Bregagnolo Ribeiro, esta última insurgindose contra o arrolamento de seus bens no processo nº 10830.726888/201237, na qualidade de exesposa do responsável solidário Luiz Antonio Monte Ribeiro) e em 04/01/2012, data da postagem da correspondência nos Correios (Alcyon Ricardo Cardoso de Lima). DAS IMPUGNAÇÕES GASFORTE COMBUSTÍVEIS E DERIVADOS LTDA. Preliminarmente, requer que todas publicações, notificações e intimações “forenses” sejam encaminhadas em nome e endereço de seus advogados, sob pena de nulidade. Após breve resumo dos fatos, requer a improcedência do auto de infração, porque manifestamente indevido e insubsistente, quer no tocante à forma de apuração, quer no tocante aos valores apurados a título de multa e juros. Antes de adentrar no mérito da questão, requer o reconhecimento da tempestividade da defesa ofertada. Na seqüência, protesta pela nulidade do auto de infração, pois os valores nele lançados não representam a realidade da empresa. Argumenta que a fiscalização, em total desprezo dos documentos apresentados em demonstração de restar a contribuinte impossibilitada de fornecer os livros e documentos exigidos, porque em poder do Fisco Estadual, “aplicou o arbitramento de valores para apurar o quantum devido a título de imposto de renda e contribuições social (sic), sem conceder prazo razoavelmente e necessários para uma correta análise dos livros e documentos fiscais, que fatalmente demonstraria ter a empresa impugnante sofrido prejuízos nos períodos apontados”. Contrapõese à acusação fiscal, dizendo que “conforme se pode observar através dos documentos acostados a este petitório, a empresa autuada sempre atendeu as exigências da fiscalização, sendo que todas as intimações, efetivamente recebidas pela impugnante, foram tempestivamente respondidas e, se eventualmente não foram entregues os livros contábeis e fiscais, bem como, as notas fiscais, teve seu motivo justificadamente apresentado, razão pela qual, o arbitramento de valores a título de imposto sobre a renda e contribuição social na forma como estabelecido são equivocados, ato contínuo, a multa de 225% aplicada sobre o valor apurado é abusivo, portanto ilegal”. Fl. 3930DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 20 19 Diz que a fiscalização deixou de analisar os documentos fiscais e contábeis da empresa, os quais, por estarem em poder de outra repartição fazendária, não puderam ser retirados para apresentação ao Fisco Federal, como solicitado. Questiona o arbitramento sem considerar as despesas e os custos das mercadorias vendidas. Alega que a Constituição Federal de 1988 (CF/88) assegura o direito ao contraditório (art. 5º, LV) e que o auto de infração não preenche os requisitos necessários exigidos na Lei nº 6.763/75 “para o fim de garantir o contraditório a autuada, lesando assim sua defesa, uma vez que, referido auto não descreve corretamente e com precisão os fatos que fundamentaram a aplicação da penalidade”. Acusa que o auto não permite verificar quais os dispositivos invocados para capitulação da multa. E conclui: “Portanto, ante a falta de cópias necessárias, bem como, a falta de notificação ou intimação da Impugnante da existência do processo administrativo tributário, é de rigor seja, o presente auto de infração julgado totalmente improcedente”. Também, aponta que o auto de infração foi lavrado fora do estabelecimento da autuada, em afronta a segurança jurídica, à seriedade que deve existir nas relações entre Fisco e contribuinte e ao princípio do contraditório, “pois, durante as diligências da fiscalização, o contribuinte tem o sagrado direito de se fazer representar através de seu contabilista e se necessário, também pelo seu advogado (CF, art. 5º, LV e art. 133), matéria esta que desde logo fica préquestionada”. Cita doutrina. Ainda, acusa a inexistência de intimações para esclarecimentos das irregularidades verificadas, para atendimento em prazo razoável. Fundamentase, da mesma forma, no princípio do contraditório. Passa a questionar a multa aplicada. Nesse mister, afirma que não recolheu o Pis e a Cofins na forma antecipada, “porque entende ser impossível a aplicação do regime de substituição tributária no caso vertente”. Descreve que a multa foi agravada com fundamento no art. 44, I e §§ 1º e 2º da Lei nº 9.430, de 1996, “usando como pano de fundo a seguinte alegação: “Em decorrência da falta de atendimento da contribuinte às diversas intimações lavradas por esta Fiscalização Federal, com claro objetivo de impedir que a autoridade fazendária conhecesse os fatos geradores que geraram a RECEITA BRUTA apurada neste Termo de Verificação Fiscal, o percentual da multa de ofício foi aumentado na proporção prevista no Art. 44, inciso I, e parágrafos 1º e 2º da Lei 9.430/96...”. Fl. 3931DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 21 20 Defendese, dizendo que não praticou dolosamente sonegação e/ou fraude, nos termos dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, porquanto “não se recusou apresentar as informações necessárias para apuração do fato gerador, embora tenha havido incorreções nas informações apresentadas à Receita Federal, a empresa já havia contratado um escritório de contabilidade, para efetivação das correções necessárias e apuração do valor devido, consoante contrato de prestação de serviços que ora se junta (doc. 04)”. Afirma que a Lei nº 4.502, de 1964, ao descrever as condutas configuradoras para a qualificação da pena, faz referência ao dolo, o qual deve ser inequivocamente demonstrado, fato não verificado no presente caso. Busca o conceito de dolo previsto no art. 18 do Código Penal, concluindo decorrer de ação consciente e voluntária do agente, razão pela qual não cabe a mera presunção para a configuração da prática dolosa. E que, no caso presente, “o simples fato da impugnante não ter apresentado os documentos exigidos pelo agente fiscal, no prazo, por ele estabelecido, não tem o condão de configurar a pratica dolosa de sonegação de informações e/ou fraude, que justificasse a aplicabilidade do agravamento da multa”. Ademais, acusa que a multa se revela totalmente desproporcional à suposta infração, refletindo verdadeiro confisco. Conceitua a multa, dizendo que tem caráter de pena, instituída com objetivo de reprimir e desestimular o comportamento de inadimplência da contribuinte, não podendo ser insignificante de modo a estimular a inadimplência e nem tão elevada a ponto de atingir o patrimônio da contribuinte. Fundamentase nos arts. 150, IV, e 5º, XXII, ambos da CF/88, bem como na doutrina. Discorre sobre o princípio da proporcionalidade e sobre a sanção tributária, apontando jurisprudência do STF e STJ. E reitera o caráter confiscatório da multa. Contrapõese à cobrança de juros à taxa Selic, por ilegal, “porquanto viola o disposto no artigo 161, do Código Tributário Nacional”. Alega que os juros tem caráter moratório e de indenização, ao qual não se destina referida taxa. Encerra, nos seguintes termos: “XII – DOS REQUERIMENTOS Mediante todo o exposto e por tudo o mais que dos autos se extrai, é o presente, para sempre com o devido acatamento, requerer se digne: I. Receber a presente Impugnação em todos os seus termos, determinando a sua juntada nos autos do processo administrativo nº 10830.726.078/201281, acolhendo as Fl. 3932DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 22 21 prejudiciais para declarar nula a sanção imposta à impugnante; II. Ao apreciar o mérito, decidir pela TOTAL IMPROCEDÊNCIA da autuação, determinando o cancelamento do auto de infração e Imposição de Multa, e determinando seu arquivamento, isso tudo por ser de direito e da mais escorreita aplicação da JUSTIÇA! III. In casu o entendimento de Vossa Senhoria seja diverso, o que se admite apenas por amor à demanda, requerse, subsidiariamente e sem prejuízo aos pleitos supra, o reconhecimento do caráter de confiscabilidade da multa aplicada em 225% sobre o valor nominado como imposto, eis que, não restou, durante a verificação fiscal, configurado a prática, dolosa de sonegação ou fraude, para, assim reconhecendo, declarar nula a sua aplicação, adequandoa na forma da lei nº 9.430/96, artigo 44, caput; IV. Por derradeiro, requer a concessão de prazo para a juntada de documentos novos pela impossibilidade de fazêlo neste ato.” PELLYON DO BRASIL COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA Na apresentação da impugnação, de igual forma da autuada, comunica receber intimações e notificações no endereço de seu advogado. Após breve resumo dos fatos, pretende demonstrar que a responsabilização da impugnante não deve permanecer, pois não preenche os requisitos legais para sua configuração. Quanto à multa de 225%, a qual entende também prejudicar a ora impugnante, julga que não deve prosperar, porque não há comprovação de fatos imponíveis para a subsunção à hipótese de incidência “das sanções cumuladas”. Ao abordar o direito, igualmente requer o reconhecimento da tempestividade da defesa ofertada. Na seqüência, alega ilegitimidade passiva. Diz que o Termo de Verificação Fiscal aponta a responsabilidade com fundamento no art. 124, I e II, do CTN. Contrapõese, dizendo não existir enquadramento no inciso II, “pois não há lei que aloque como responsável solidária uma pessoa jurídica distinta do contribuinte do tributo somente pelo fato de ela ser sócia deste”. Entendendo que a sua solidariedade perante o crédito tributário estaria amparada no art. 124, I, do CTN, acusa inexistir qualquer indício de que a impugnante teria interesse financeiro e pessoal em omitir as receitas da autuada, pois o simples fato de ser sócia não é suficiente para imputar um efetivo ganho financeiro ou de qualquer outra espécie, “dado que, se tivesse ocorrido, deveria estar provado no processo”, o que não teria sido feito. Fl. 3933DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 23 22 Alega não existir nos autos sequer indícios de que a impugnante teria agido em conjunto para um resultado comum. E que “a administração feita por uma mesma pessoa não liga o comportamento de uma empresa ao da outra, assim como não acarreta responsabilidade comum entre as pessoas jurídicas”. Afirma que, mesmo se as empresas fossem do mesmo grupo econômico, ainda assim, tal solidariedade não poderia ser imputada, consoante jurisprudência do STJ. Ensina ser necessária a comprovação de ter efetivamente havido proveito de ambas empresas a condição a qual constitui a premissa para poderem ser unidas na responsabilidade fiscal, não podendo a solidariedade ser presumida. Ainda, argumenta que não se pode considerar a solidariedade como uma espécie de sujeição passiva e que não é possível a inclusão de uma terceira pessoa no pólo passivo pelo simples fato de ser sócia da contribuinte. Cita exemplo de solidariedade por interesse comum e diz que o art. 124, I, do CTN trata de situação de solidariedade, que não é a mesma coisa de responsabilidade, tanto que a disciplina da responsabilidade está em capítulo separado e específico para tal fim. Aponta doutrina. Lembra que a pessoa jurídica não se confunde com as pessoas de seus sócios, em especial no presente caso, cujas empresas são constituídas sob a forma de responsabilidade limitada. E acerca da responsabilidade tratada no art. 135 do CTN, ressalta, de início, que a impugnante não se enquadra em nenhuma das situações descritas no dispositivo legal citado, o qual transcreve juntamente com o art. 134 do CTN, ao qual aquele faz remissão. Diz que o legislador não discriminou uma pessoa jurídica como possível responsável solidário. E não é porque a impugnante tem como sócio administrador o mesmo da autuada que a pessoa jurídica pode ser arrolada como responsável solidária perante o crédito tributário constituído, inexistindo previsão legal para que tal vinculação seja feita. Cita jurisprudência do STJ. Ainda, ressalta que o art. 135 do CTN traz os pressupostos para se estender a responsabilidade às pessoas ali arroladas, quais sejam: de que os atos praticados tenham sido com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. E, novamente, aponta que faltam provas, elementares ou indiciárias, da prática pela impugnante de algum dos atos mencionados. Salienta, ademais, que deveria ter sido demonstrado eventual ato doloso da impugnante, “pois é esta a situação que se impõe para que a responsabilização pudesse ser atribuída à empresa”. Fl. 3934DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 24 23 Mesmo assim, reitera que não há nenhuma menção à possibilidade legal de imputar responsabilidade tributária a uma pessoa jurídica. Conclui que o dispositivo cuida de responsabilidade subjetiva, com exigência de comprovação de dolo específico. E emenda: (...) Acerca da penalidade qualificada e agravada, observa, frente aos fundamentos apontados pelo Fisco, que a autuada não deixou de responder à fiscalização, “pois atendeu à primeira intimação, conforme petição de fls. 123 e 124, na qual, por meio de seus anexos, comprovou que diversos documentos fiscais e contábeis estavam em poder da Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda do Estado de São Paulo”. Ademais, alega que a intimação para apresentação de declarações (DCTF, DIPJ e DACON) demonstrase totalmente desnecessária, pois todas se encontram à disposição da RFB, nos sistemas informatizados. Portanto, conclui que se a autuada não apresentou todos os documentos solicitados houve justificativa plausível para tanto, sendo inaplicável o agravamento da pena em 50%, “pois não houve recusa da contribuinte fiscalizada em apresentar os documentos ao Fisco. O que ocorreu foi a impossibilidade de entregálos à Fiscalização, vez que eles estavam na posse da Fazenda do Estado de São Paulo”. Reitera que a impugnante não pode ser responsabilizada por atos de outra empresa. Especificamente quanto à qualificação da multa, nota que somente pode ser imputada a quem tenha cometido um dos crimes previstos nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, salientando inexistir qualquer prova nos autos, nesse sentido. Discorre acerca do conceito de sonegação, dizendo ser nítida a não configuração do pretenso crime, pois a autuada comprovou estar sem os documentos requeridos, havendo, ademais, a necessidade de comprovação do dolo, não bastando presunção em mera suspeita. Ainda, completa ser evidente não se poder considerar omissão dolosa de receitas “quando estas foram, todas, registradas nas GIAS e nas notas fiscais eletrônicas, as quais foram obtidas da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, que, por sua vez, deram condições ao Fisco de efetuar o lançamento dos tributos”. Da mesma forma, discorre sobre o conceito de fraude, concluindo, também aqui, a necessidade de comprovação do dolo, denotando que “a ação ou omissão dolosa é no sentido de impedir ou retardar a ocorrência do fato jurídico tributário, assim como excluir ou modificar suas características”, não sendo este o caso em questão. Fl. 3935DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 25 24 Nestes termos, alega: “não é possível a majoração em 100% da multa de ofício, bem como, em vista da resposta dada à fiscalização, referente a não disponibilidade dos documentos fiscais (estavam com a Fazenda do Estado), não pode prevalecer a multa de 50% sobre a de ofício e sobre a qualificada”. Encerra protestando pelo reconhecimento da ilegitimidade passiva da impugnante, bem como sejam excluídos a qualificação e o agravamento da penalidade. JEFERSON LUIZ VENG Apresenta as mesmas razões de impugnação da responsável Pellyon do Brasil Comércio e Participações Ltda, acima mencionadas, inclusive no tocante ao endereçamento das intimações, tempestividade da defesa ofertada e ilegitimidade passiva. Acrescenta que o impugnante nem recebeu as intimações, pois não reside no município sede da autuada, não possuindo condições de administrar diretamente a empresa Gasforte Combustíveis e Derivados Ltda, “porque é sócio da Pellyon do Brasil Comércio e Participações Ltda, que, como se sabe, tem sede em Curitiba, município no qual Jeferson Luiz Veng reside com sua família (vide atestados de residência anexos)”, sendo esta a razão pela qual nomeou um procurador para atuar em seu nome. Desta forma, conclui que nenhuma responsabilidade pode ser imposta ao impugnante, em especial porque não participou do aventado ilícito, pela falta absoluta de prova em contrário. Encerra protestando igualmente, pelo reconhecimento da ilegitimidade passiva da impugnante, bem como sejam excluídos a qualificação e o agravamento da penalidade. MÁRCIA BREGAGNOLO RIBEIRO Apresenta impugnação aos Autos de Infração e ao Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, na qualidade de excônjuge de Luiz Antonio Monte Ribeiro, identificado como responsável solidário pelo crédito tributário constituído, em virtude de também terem sido incluídos seus bens no arrolamento efetuado. Requer, como os demais impugnantes, que todas publicações, notificações e intimações “forenses” sejam encaminhadas em nome e endereço de seus advogados, sob pena de nulidade. Faz um breve resumo dos fatos, contrapondose ao arrolamento de seus bens, dizendo não possuir qualquer relação com os fatos apurados. Acrescenta que se separou consensual e extrajudicialmente do excônjuge, em 18 de julho de 2008, conforme documentos anexos (doc. 03). Desta feita, conclui ser nulo o Termo de Arrolamento de Bens e Direitos em face da impugnante, “eis que não possuem fundamento legal para sua aplicação”. Fl. 3936DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 26 25 Requer o recebimento da impugnação, por tempestiva, presentes os pressupostos de sua admissibilidade. Protesta pela legitimidade para impugnar o lançamento, nos seguintes termos: (...) Alega cerceamento do direito de defesa, diante da falta de intimação do início da ação fiscal, em desacordo com a Lei nº 9.784, de 1999 (arts. 2º e 3º). Destaca que, quando da ciência dos lançamentos, feita ao seu excônjuge, não houve qualquer menção à impugnante acerca da possibilidade de instauração do contraditório e efetivação da ampla defesa, relativamente ao Termo de Arrolamento de Bens, ferindo de morte os princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa, do devido processo legal, entre outros, norteadores do processo administrativo tributário. Fundamenta se na CF/88 (art. 5º, LV), na doutrina e jurisprudência. Ainda, requer a nulidade do Termo de Responsabilidade Solidária de seu excônjuge e Arrolamento de Bens e Direitos, também pelo fato de Luiz Antonio Monte Ribeiro nunca ter participado efetivamente da gerência e administração da autuada, eis que no período entre 2008 e 2009 não mais fazia parte da sociedade. Discorre acerca do histórico da inclusão de seu excônjuge no quadro social da autuada, nos seguintes termos: (...) Acrescenta que a responsabilidade do sócio, mesmo que gerente, deve ser sempre subsidiária e não solidária, até porque não houve comprovação nos autos da prática de abuso de poder ou apropriação do valor devido como tributo. Julga abusiva e desarrazoada a imputação de responsabilidade de seu excônjuge, fundada nos arts. 124, I e II, e 135, II e III, do CTN. E justifica: (...) Cita doutrina e jurisprudência. No mérito, diz inexistir liame jurídico da impugnante e/ou de seu excônjuge com a situação geradora do fato tributário, pelas mesmas razões acima expostas. (...) LUIZ ANTONIO MONTE RIBEIRO Apresenta as mesmas razões de impugnação da excônjuge Márcia Bregagnolo Ribeiro, bem como da empresa autuada, inclusive no que concerne à tempestividade, ao endereçamento das intimações, ao cerceamento do direito de defesa diante da Fl. 3937DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 27 26 falta de intimação do início da ação fiscal e à ilegitimidade passiva. Ao fazer um breve resumo dos fatos, alega não poder ser responsabilizado solidariamente pelo crédito tributário, por três motivos: (...) Acrescenta a inexistência de intimações para esclarecimentos, entendendo ser obrigatória frente a todos os interessados na relação jurídica, a fim de ser apurada a efetiva responsabilidade, sob pena de ineficiência do ato. Fundamenta se, igualmente, na Lei nº 9.784, de 1999 (art. 2º, X). ATÍLIO BUFALO Apresenta as mesmas razões de defesa do responsável Luiz Antonio Monte Ribeiro, acima descritas. Acrescenta que é mero procurador, mandatário da autuada, prestando contas de sua gestão aos sócios da empresa. Diz que não participa do quadro societário, limitandose a representar a sociedade, agindo sempre em nome desta, prestando contas de sua administração “fato que não configura sua participação no fato gerador do tributo reclamado”. E ressalta que não pratica em nome próprio atos de gerência e administração da autuada, inexistindo comprovação do liame entre o impugnante e atos de abuso de poder, apropriação indevida do valor devido como tributo ou fraude a lei ou contrato. (...) ALCYON RICARDO CARDOSO DE LIMA Informa não ter sido intimado dos autos de infração, mas que tendo tomado conhecimento de sua inclusão no rol de responsáveis solidários, apresenta espontaneamente a impugnação, evidenciando sua tempestividade. Alega, igualmente, a ilegitimidade passiva, dizendo que, à época dos fatos, já não mais possuía poderes de representação da empresa estrangeira (Pellyon Corporation Financial & Trading S/A), pois sua procuração teria sido revogada por escritura pública, conforme foi a ele comunicado em março de 2007, via telegrama (cópias em anexo). Ainda que assim não fosse, entende também não ser possível a sua responsabilização, mediante as mesmas razões de defesa apresentadas pela responsável Pellyon do Brasil Comércio e Participações Ltda, acima descritas. Em sessão de 23 de abril de 2013 a 4a Turma da Delegacia de Julgamento de Campinas, por unanimidade de votos, decidiu: Fl. 3938DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 28 27 NÃO CONHECER da impugnação apresentada por Márcia Bregagnolo Ribeiro, JULGAR PROCEDENTE a impugnação apresentada por Atílio Búfalo, unicamente no sentido de excluir referida pessoa física da responsabilidade solidária perante o crédito tributário constituído, JULGAR IMPROCEDENTES as impugnações ofertadas pelos demais interessados (contribuinte e demais responsáveis) e MANTER as exigências fiscais trazidas a litígio, bem como a responsabilidade solidária de Jéferson Luiz Veng, Luiz Antonio Monte Ribeiro, Alcyon Ricardo Cardoso de Lima e Pellyon do Brasil Comércio e Participações Ltda, nos termos do voto da relatora. Na decisão (fls. 3.493 e seguintes) não houve Recurso de Ofício. Apesar de a Contribuinte e os responsáveis solidários terem sido cientificados do resultado de primeira instância, entendeuse, à época, que apenas o responsável Sr. Luiz Antonio Monte Ribeiro, CPF n. 742.269.83815, teria interposto Recurso Voluntário. Em razão disso, os autos subiram para este Conselho, que em 27 de agosto de 2014 prolatou Acórdão, da lavra da antiga 2a Turma da 2a Câmara. Naquela decisão restou consignado que: Embora devidamente intimadas acerca da decisão da DRJ, o sujeito passivo: GASFORTE COMBUSTIVEIS E DERIVADOS LTDA, CNPJ nº 34.399.899/000189 (fls. 3581 a 3589); bem como os seguintes responsáveis solidários: JEFERSON LUIZ VENG, CPF nº 832.842.14968 (fls. 3590 a 3598); ATILIO BUFALO, CPF nº 234.766.21987 (fls. 3599 a 3607); ALCYON RICARDO CARDOSO DE LIMA, CPF nº 020.390.23941 (fls. 3617 a 3625); PELLYON DO BRASIL COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ nº 04.902.590/000107 (fls. 3626 a 3634); não apresentaram Recurso Voluntário. Assim sendo, apenas o Sr. Luiz Antonio Monte Ribeiro, CPF nº 742.269.83815, um dos responsáveis solidários apontado pelo Auto de Infração, após intimação proferida pela DRJ (fls. 3608 a 3616), apresentou Recurso Voluntário. Nesse contexto decidiuse que: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, considerar revéis o sujeito passivo autuado e os responsáveis tributários Jéferson Luiz Veng, Atílio Búfalo, Alcyon Ricardo Cardoso de Lima e Pellyon do Brasil Comércio e Participações Ltda. Quanto ao recurso voluntário impetrado por Luiz Antonio Monte Ribeiro, dar provimento ao recurso, para excluílo da responsabilidade tributária. Ocorre que a conclusão final do I. Relator manifestouse pelo provimento do recurso, nos seguintes termos: Fl. 3939DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 29 28 Por derradeiro, considerando o acima exposto, e tudo o que mais consta nos autos, dáse provimento ao Recurso Voluntário. Contudo, foram anexados ao processo, na sequência do Acórdão prolatado, os recursos voluntários de Jéferson Luiz Veng (fls. 3.767 e ss.), Alcyon Ricardo Cardoso de Lima (fls. 3.721 e ss) e Pellyon do Brasil Comércio e Participações Ltda. (fls. 3.788 e ss.), todos com carimbo de protocolo datado de 2013, anteriores, portanto, à decisão do CARF. A não apreciação dos Recursos Voluntários levou os três solidários a apresentar Embargos de Declaração (fls. 3.814 e seguintes), com o argumento de que não houve a revelia decretada pela 2a Turma. Por fim, a Delegacia de Campinas, mediante Despacho de fls. 3.903 e 3.904, solicita esclarecimentos acerca da decisão do CARF e informa sobre a tempestividade dos três recursos apresentados e posteriormente anexados aos autos: O presente processo retornou do CARF após julgamento do Recurso Voluntário de fl. 3657, protocolado pelo responsável solidário LUIZ ANTONIO MONTE RIBEIRO, CPF 742.269.838 15. No Recurso o contribuinte contestou, além da responsabilidade solidária, também o Auto de Infração correspondente, solicitando o seu cancelamento. Porém, é necessário um esclarecimento por parte do CARF em relação ao Acórdão nº 1202001.195, fl. 3705. Quanto à responsabilidade solidária não há dúvidas, uma vez que o Acórdão determinou que “não há elementos para manutenção dos Termos de Sujeição Passiva do Recorrente”. Já em relação ao pedido de cancelamento do crédito tributário, destaco abaixo trechos do Acórdão referente ao tema: “Alega o Recorrente ser nulo de pleno direito o Auto de Infração...”. “Contudo, sabese que o arbitramento não é modalidade de punição ou castigo...”. “Assim, ocorrendo a omissão por negligência... abrese a possibilidade de a Administração... arbitrar o valor do tributo a ser cobrado”. “Em relação a multa aplicada, a Recorrente diz que esta fora arbitrada de maneira errônea...”. Porém, a alegação da Recorrente não merece prosperar, porquanto, a contribuinte deixou sim de atender às diversas intimações... o que aparenta intenção de dificultar o conhecimento real dos fatos...”. Concluise portanto, que o Acórdão manteve integralmente o valor lançado. Porém, na conclusão, declara: “Por derradeiro, considerando o acima exposto, e tudo o que mais consta nos autos, dáse provimento ao Recurso Voluntário.” Há ainda no julgamento outra irregularidade. Outros três Recursos Voluntários de responsáveis solidários não foram apreciados no citado Acórdão. Todos foram protocolados no dia 11/06/2013, fls. 3721, 3767 e 3788, e as solicitações de juntada Fl. 3940DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 30 29 dos mesmos foram realizadas no dia 31/07/2013, sendo que a data do Acórdão é 27/08/2014. Dos três Recursos, o único apresentado intempestivamente é o de JEFFERSON L. VENG, pois a ciência ocorreu em 08/05/2013. Os outros dois Recursos foram apresentados tempestivamente. Portanto, tendo em vista o acima exposto, proponho o retorno ao CARF para as duas providências: a) manifestação em relação à extinção ou não do Auto de Infração; b) julgamento dos três Recursos Voluntários protocolados em 11/06/2013. Em vista do exposto, fazse necessária manifestação do CARF declarando se o Auto de Infração está ou não mantido. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. De plano podemos perceber, a partir dos autos, que há diversos incidentes processuais que merecem atenção e demandam saneamento. O primeiro e mais relevante deles, sob a ótica da prejudicialidade em relação aos demais, é a falta de apresentação do Recurso de Ofício, relativo à exclusão da responsabilidade solidária do Sr. Atílio Búfalo. Com efeito, a decisão de piso não recorreu de ofício, como se pode depreender das fls. 3.493 e seguintes do processo, com especial destaque para a fl. 3.495, que traz a síntese do que foi decidido e as providências subsequentes, conforme transcrição a seguir: Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER da impugnação apresentada por Márcia Bregagnolo Ribeiro, JULGAR PROCEDENTE a impugnação apresentada por Atílio Búfalo, unicamente no sentido de excluir referida pessoa física da responsabilidade solidária perante o crédito tributário constituído, JULGAR IMPROCEDENTES as impugnações ofertadas pelos demais interessados (contribuinte e demais responsáveis) e MANTER as exigências fiscais trazidas a litígio, bem como a responsabilidade solidária de Jéferson Luiz Veng, Fl. 3941DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 31 30 Luiz Antonio Monte Ribeiro, Alcyon Ricardo Cardoso de Lima e Pellyon do Brasil Comércio e Participações Ltda, nos termos do voto da relatora. Cientifiquese a interessada, intimandoa a recolher o crédito tributário atualizado até a data do pagamento, no prazo de 30 (trinta) dias, ressalvandolhe o direito à interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no prazo de trinta dias, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 09 de dezembro de 1993 e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. É forte neste Conselho o entendimento de que a exclusão da responsabilidade solidária, em montante superior ao limite de alçada, deva ser objeto de recurso, a fim de que a matéria possa ser submetida à necessária revisão. E nem poderia ser diferente, pois a medida é expressamente prevista no artigo 34 do Decreto n. 70.235/72 (destacaremos): Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (...) § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. Ocorre que, como demonstrado, a decisão não se manifestou sobre a interposição do recurso de ofício, embora tenha exonerado a responsabilidade solidária do Sr. Atílio Búfalo em montante superior a 238 milhões de reais. De se notar que a própria decisão reconhece o natural vínculo entre a responsabilidade e a sujeição passiva tributária: Conforme já esclarecido no início deste voto, a responsabilidade é elemento integrante da sujeição passiva tributária (fls. 3.564). E mais adiante (fls. 3.567): Não se olvida que, por caracterizar a sujeição passiva elemento constitutivo do crédito tributário, a responsabilidade tributária deve guardar relação com a data de ocorrência do fato gerador, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente revogada ou modificada (art. 144 do CTN), o que foi plenamente atendido, relativamente às pessoas aqui relacionadas, exceto em relação ao Sr. Atílio Búfalo, como adiante se demonstrará. Conquanto possamos imaginar que a ausência de manifestação acerca do Recurso de Ofício seja fruto de mero equívoco, o problema é que a providência exigida pela Fl. 3942DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1201001.497 S1C2T1 Fl. 32 31 legislação não pode ser suprida ou integrada por este Conselho, conforme expressa determinação do artigo 34, § 2°, do Decreto n. 70.235/72: § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. Inexiste, portanto, a possibilidade de se superar a ausência de Recurso de Ofício nos autos, sendo de rigor a devolução do processo para a primeira instância, a fim de que seja prolatada nova decisão, de acordo com os requisitos legais. Tal medida, sobre ser jurídica, permite a recomposição da normalidade processual nos autos, de forma a resolver as pendências existentes pela não apreciação, em segunda instância, dos recursos tempestivamente interpostos pelos demais responsáveis solidários. Atende, ainda, ao anseio destes, conforme manifestado em sede de embargos. E mais, resolve o problema de esclarecimento suscitado pela Delegacia de Campinas, em razão da evidente contradição entre as razões de decidir e a conclusão formulada no Acórdão da extinta 2a Turma. Por fim, o retorno dos autos para a Delegacia de Julgamento de Campinas, por força da anulação da decisão ali proferida, em nada prejudica as partes, sendo, sobretudo, medida de justiça, em razão do total descompasso cronológico e sequencial observado no processo. A partir da nova decisão, a ser proferida, poderão as partes, no prazo legal, interpor os respectivos recursos, da mesma forma que a D. Procuradoria da Fazenda Nacional terá a oportunidade de se manifestar, se assim desejar, sobre o eventual provimento em favor de qualquer dos responsáveis solidários, bem como acerca de todas as matérias objeto do julgamento, normalizandose, enfim, o rito processual dos autos. Ante o exposto, voto no sentido de ANULAR a decisão de primeira instância, devolvendo o processo à origem para que seja realizado novo julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 3943DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 13116.001374/2004-29
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO.
Havendo a omissão de receitas sido levada a efeito pelo sujeito passivo ao longo de todo o ano-calendário (recorrência), em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância), e dadas as demais circunstâncias do caso, não há como se admitir que a infração tenha sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito do agente em fraudar o Erário Público, sendo portanto cabível a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 9101-002.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial do Contribuinte conhecido por unanimidade de votos. No mérito, negado provimento por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Luís Flávio Neto e Maria Teresa Martinez Lopez que davam provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO (Suplente Convocada), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. Havendo a omissão de receitas sido levada a efeito pelo sujeito passivo ao longo de todo o ano-calendário (recorrência), em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância), e dadas as demais circunstâncias do caso, não há como se admitir que a infração tenha sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito do agente em fraudar o Erário Público, sendo portanto cabível a qualificação da multa de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial do Contribuinte conhecido por unanimidade de votos. No mérito, negado provimento por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Luís Flávio Neto e Maria Teresa Martinez Lopez que davam provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO (Suplente Convocada), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2076; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13116.001374/200429 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101002.242 – 1ª Turma Sessão de 01 de março de 2016 Matéria Qualificação da multa de ofício. Recorrente SUPERMERCADO DO VICENTE Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. Havendo a omissão de receitas sido levada a efeito pelo sujeito passivo ao longo de todo o anocalendário (recorrência), em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância), e dadas as demais circunstâncias do caso, não há como se admitir que a infração tenha sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito do agente em fraudar o Erário Público, sendo portanto cabível a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial do Contribuinte conhecido por unanimidade de votos. No mérito, negado provimento por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Luís Flávio Neto e Maria Teresa Martinez Lopez que davam provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 13 74 /2 00 4- 29 Fl. 607DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 2 FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO (Suplente Convocada), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls.480/489) interposto pela contribuinte em 04/09/2006, com fundamento no art. 32, inciso II, do Anexo II da Portaria MF nº 55, de 16/03/1998, que aprova o Regimento Interno do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. 2. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 10708.541, de 27/04/2006, por meio do qual a Sétima Câmara do extinto Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário, mantendo os créditos tributários lançados, inclusive a qualificação da multa de ofício. 3. Seja a ementa do acórdão recorrido, na parte em que interessa ao presente recurso especial: IRPJ DECLARAÇÕES APRESENTADAS, SISTEMATICAMENTE, COM RECEITA MENORES QUE AS ESCRITURADAS EM LIVROS FISCAIS MULTA AGRAVADA CABIMENTO O dolo, elemento imprescindível à caraterização das figuras que justificam a exasperação da penalidade, resta comprovado pela conduta reiterada e sistemática, consistente em calcular o imposto de renda e informálo nas Declarações de Rendimentos e nas DCTF, tomando como base para apuração do tributo receita bruta muito aquém da efetiva. 4. São os seguintes os fundamentos contidos no voto condutor do acórdão recorrido, no que concerne à manutenção da multa qualificada: Resta analisar o ponto nuclear do litígio, qual seja a presença de intenção deliberada de declarar receitas a menor que as escrituradas, visando consolidar pagamentos a menor do imposto de renda, a justificar a majoração da penalidade para 150% (cento e cinqüenta por cento). (...) A conduta do contribuinte consistia em calcular o imposto devido com base no lucro presumido pela aplicação do percentual legal de presunção, não sobre a receita bruta, como definida na legislação, mas somente sobre uma parte destas receitas. A prática reiterada e sistemática adotada pelo contribuinte durante 5 anos, sem sombra de dúvidas, visava impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Sua conduta passa longe do mero erro. O dolo está provado pelas próprias circunstâncias da conduta, caracterizando assim as figuras que justificam a exasperação da penalidade. (...) Fl. 608DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13116.001374/200429 Acórdão n.º 9101002.242 CSRFT1 Fl. 3 3 5. Irresignada com a manutenção da multa qualificada, a contribuinte apresentou Recurso Especial com as seguintes razões, in verbis: Conforme exposto ao I. Presidente da 7ª Câmara, ao manter a multa agravada a decisão proferida não interpretou os fatos e a lei, como de costume, de acordo com a jurisprudência dominante no Primeiro Conselho de Contribuintes, como dessa Câmara Superior. Ainda que se considere procedente o lançamento, não resta caracterizado o evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, únicos ensejadores da multa qualificada. A irregularidade imputada à recorrente tem seu ponto na informação a menor de suas receitas, mas não houve distorção das formas jurídicas nem se caracterizou falsidade material ou ideológica. O Fisco, com base nas informações colhidas nos próprios livros fiscais, prontamente apresentados à fiscalização identificou a incorreção de dados, estando de posse de uma declaração inexata. O erro apresentado, como declaração inexata, já estava delineado e delimitado ao simples confronto das declarações com os livros fiscais, inocorrendo as hipóteses de evidente intuito de fraude. Conferindose a inaplicabilidade da multa agravada, como no presente caso, além dos acórdãos divergentes, temos os acórdãos cujas ementas se transcreve: Ac. 10181.974 "Não se justifica a aplicação da multa agravada, pelo fato da omissão de receita detectada ter sido fruto de sistemáticos erros de soma no livro de saídas de mercadoria, quando entregues ao Fisco os talões de notas fiscais com os valores corretos." Ac. 10185.012 "Emissão de notas fiscais sem contabilização das respectivas receitas (documento à margem da contabilidade), não enseja a aplicação de penalidade, pelo que, cabível, no caso, a multa de 50% estabelecida no art. 728, II do RIR/80." Ac. n° CSRF 01/1.0605 "Improcede o pleito de se estabelecer a multa de lançamento de ofício majorada, de 150% sobre o imposto lançado com base em procedimento do Fisco Estadual se não evidenciado nos autos a ocorrência da situação agravante, o evidente intuito de fraude, que justificasse a exacerbação da penalidade. Cabível a exigência da multa ao percentual normal de 50%." A 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao julgar o recurso n° 127.761, apresentado no processo n° 10120.0018091200135 decidiu, em caso semelhante, pela inaplicabilidade dessa multa exasperada, nos seguintes, termos apresentados em sua ementa "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO — RECEITA DECLARADA A MENOR — LUCRO PRESUMIDO — Restando comprovado que a receita bruta declarada é inferior à efetivamente apurada, conforme informações prestadas pelo sujeito passivo à Receita Estadual, correto o lançamento efetuado de ofício. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 4 MULTA AGRAVADA — Não estando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, reduzse à multa agravada ao percentual normal de 75%." Ante o exposto, pede e espera a ora recorrente, que conhecido o seu recurso especial, seja o mesmo provido para ajustar a multa de lançamento de ofício a seu percentual normal de 75%. 6. O Presidente da 7ª Câmara negou seguimento ao Especial (fls.507/509) sob o argumento de que não restou configurada entre o acórdão recorrido e os paradigmas qualquer divergência na interpretação tanto do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96 quanto dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. 7. Interposto Agravo (fls.526/531) contra a decisão acima referida, o Presidente do CARF, por meio de Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial (fls.561/562), deu seguimento ao Especial. 8. Não foram apresentadas contrarrazões por parte da PGFN. 9. É o relatório. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13116.001374/200429 Acórdão n.º 9101002.242 CSRFT1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. 2. Conheço do recurso, pois presentes todos os pressupostos de admissibilidade. 3. Como visto no relatório, a questão que chega a apreciação desta Turma da Câmara Superior diz respeito apenas à qualificação da multa de ofício. 4. Conforme assentado na descrição dos fatos contida no auto de infração, a autoridade tributária apurou que a contribuinte, ao longo dos anos de 1999 a 2004, informou em suas respectivas DIPJs (lucro presumido) apenas uma pequena parcela das receitas escrituradas nos livros contábeis. Sobre essa omissão de receitas a autoridade tributária assim se pronunciou (fls.5/6): Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores de sua escrituração contábil Livro Diário (cópias anexas), referentes ao período de outubro/1999 a agosto/2004, conforme demonstram a Planilha de Informações Prestadas à SRF (elaborada pelo próprio contribuinte) e, de acordo com as planilhas Pagamentos, Composição de Outras Receitas, Composição da Base de Cálculo, e Demonstrativo da Diferença entre os Valores Declarados e os Valores Escriturados pelo Contribuinte, todas anexas. Ato contínuo, procedemos à lavratura do Termo de Constatação Fiscal n° 001, do qual demos a devida ciência ao contribuinte, através de seu preposto em 26/10/2004 (anexo), fornecendolhe o devido prazo para que justificasse as referidas divergências. Findo o prazo ofertado, em 05/11/2004 a empresa auditada apresenta requerimento solicitando mais 20 (dias) para fundamentar suas razões. Ao que, após análise, a solicitação fora deferida. Não houve apresentação de justificativas. O agravamento da multa devese a reiterada inexatidão das declarações realizadas desde o início das atividades da empresa (ago/1999 a out/2004). (...) 5. Notese que a omissão de receitas foi apurada com base em prova direta, e não em presunção legal. 6. Ressaltese, entretanto, que o fato de a infração em comento haver sido objeto de prova direta não implica necessariamente a conclusão de que tenha sido praticada dolosamente. É esse, a meu ver, o ensinamento que nos traz a Súmula 14, do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Grifamos) Fl. 611DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 6 7. Da mesma forma, ainda que não seja a hipótese tratada nos presentes autos, devese ressaltar que o fato de uma infração ser apurada por meio de prova indireta (presunção) não implica a conclusão, defendida por alguns, de que seria incabível a imposição da multa qualificada. E, embora essa hipótese esteja contemplada na acima referida súmula 14, a qual não faz distinção entre prova direta e prova indireta, o CARF decidiu expor expressamente sua posição sobre esse assunto por meio de sua súmula nº 25, que assim estabelece: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Grifamos) 8. Resumindo o que foi dito acima, é inteiramente desimportante para fins da qualificação da multa de ofício o fato de a infração (omissão de receitas, despesas inexistentes, etc.) ter sido apurada por meio de prova direta ou indireta. O que importa para imposição da qualificadora é o fato de a infração (seja ela qual for) ter sido cometida dolosamente. E, por óbvio, o dolo do sujeito passivo também deve ser objeto de prova a ser produzida pela autoridade fiscal. 9. Pois bem, sobre a qualificação da multa de ofício o art. 44 da Lei nº 9.430/96 assim estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) 10. Como visto, nos termos do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, somente se admite a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que são os que contêm o termo subjetivo (evidente intuito de fraude) demandado pela norma. Seguem os dispositivos citados: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13116.001374/200429 Acórdão n.º 9101002.242 CSRFT1 Fl. 5 7 11. Desse modo, a multa de 150% terá aplicação sempre que, em procedimento fiscal, a autoridade lançadora reunir elementos que a convençam da ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. 12. Para enquadrarse determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade de que esteja provado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade, é pressuposto de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502/64, ou seja, a vontade de obtenção de um fim em desacordo com o ordenamento jurídico ao se praticar determinada conduta. Ou ainda, nos termos do inciso I do art. 18 do Código Penal (DecretoLei nº 2.848, de 7/12/1940), é o doloso o crime quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. 13. Dolo é a intenção da prática de um ato ilícito. Sendo um aspecto interno ao agente, não se pode comprovar o dolo diretamente (a não ser por via da confissão ou, em países em que são aceitos, por meio de testes de medição da verdade), daí que o dolo deflue do conjunto de elementos a partir dos quais seja muito aceitável ter aquela sido a intenção do agente da prática e que seja pouquíssimo aceitável de que tenha sido outra a intenção. 14. Ou ainda, sendo o dolo sempre comprovado indiretamente, a verdade é que comprovação indireta não é uma comprovação absoluta (não é possível comprovar absolutamente a intenção, que é um elemento subjetivo, interior ao agente), é sempre uma comprovação suficiente, ou seja, tratase de um convencimento de que houve comprovação. 15. As expressões "inequivocamente comprovado", "minuciosamente comprovada", "certeza absoluta do dolo", "plena comprovação", utilizadas numa velha jurisprudência dos Antigos Conselhos de Contribuintes (que, depois, chegou a ser encampada por algumas das turmas de julgamento de primeira instância), equivalem, em termos literários, ao sonho de Tartarim1 de Tarascon, personagem do clássico francês escrito por Alphonse Daudet em 1872, sonho este que consistia em caçar leões pelos corredores da casa, onde, porventura, não há senão ratos e pouco mais; ou ainda, em termos populares, a enveredar na busca de um unicórnio sabendo da inexistência do mesmo. 16. Assim, podese afirmar que a autoridade lançadora, ao qualificar a autuação, esteve convencida da intenção da prática do ilícito, ou seja, esteve convencida do dolo e da ocorrência da sonegação, o que a conduziu a aplicar a multa qualificada. Da mesma forma, o dolo estará suficientemente comprovado quando o julgador tiver firmado seu convencimento de que a conduta foi dolosa. Somente após os sucessivos convencimentos do aplicador (autoridade fiscal) e dos intérpretes (julgador/conselheiro/juiz) da lei quanto a correta subsunção dos fatos específicos à norma penal é que o dolo estará definitivamente comprovado. 17. Portanto, a discussão deslocase para a aferição do que é aceitável/razoável, para fins de convencimento da intenção de agir. E, nesta aferição, são muito importantes critérios de relevância (magnitude do que está em jogo) e de recorrência/reiteração (repetição ao longo do tempo) da conduta. Por que esses critérios? 18. Certamente é natural que se cometam erros até certo ponto e mesmo erros de razoável magnitude e, da mesma forma, é natural que se cometam erros durante um certo lapso de tempo. Não obstante, a medida que crescem a relevância e a duração da prática no tempo; decresce, na mesma medida, a probabilidade de algo ter sido fruto de mero erro (é o que se 1 Homem que carrega “a alma de Dom Quixote” e “o corpo barrigudo e atarracado” de Sancho Pança, personagens imortalizados pelo castelhano Miguel de Cervantes num dos maiores clássicos da literatura universal: “Dom Quixote”. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 8 denomina de inversamente proporcional) e aumenta a probabilidade de ter sido premeditado ou intencional. São duas faces da mesma moeda: num lado está o erro, o equívoco; no outro a intenção (de fazer algo errado ou de deixar de fazer algo certo a que se estava obrigado), a vontade de obtenção de um fim ao se praticar uma conduta. 19. A combinação desses critérios também pode ser determinante: podese errar pouco durante muito tempo, assim como errar muito num curto espaço de tempo; agora errar muito durante muito tempo é algo que desafia o bom senso do homem comum (e porque não dizer até do homem um pouco fora do desvio padrão). 20. Dito de outro modo, seja direta ou indireta a prova, se a omissão de receitas é pouco frequente em um determinado período de tempo, e/ou os valores omitidos são pouco relevantes quando comparados aos valores declarados, então é possível que a omissão tenha sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Por outro lado, se a omissão de receitas é frequente em um determinado período de tempo, e/ou os valores omitidos são relevantes quando comparados aos valores declarados, então é bastante provável que a omissão tenha sido fruto da conduta dolosa do sujeito passivo, e não de mero erro ou negligência contábil. 21. Não obstante essas diretrizes, há ainda excludentes do dolo, não tanto excludentes na intenção, mas sim muito mais na consciência do ilícito; que, para sua configuração, exige que haja: i) o reconhecimento da intenção do que foi praticado; e ii) a existência de uma justificativa plausível para se ter adotado determinado comportamento (a exemplo de dúvida na interpretação de norma legal [que não se confunde com situações de simulação], erro de cálculo no qual possa ser identificado a imprecisão na fórmula do cálculo e que seja coerente com os valores daí decorrentes, etc). 22. Na mesma linha (na verdade, na sua origem) da aferição a partir dos critérios da relevância e da recorrência (ou reiteração), situase o Acórdão nº 1201001.048, de 04/06/2014, que tive a honra de presidir ao julgamento, que teve por relator o eminente Conselheiro Marcelo Cuba Netto, e que reflete, a meu juízo, a mais evoluída e moderna jurisprudência sobre o tema. Confirase a ementa do mesmo, na parte pertinente: CONDUTA DOLOSA. COMPROVAÇÃO. Havendo a omissão de receitas sido levada a efeito pelo sujeito passivo por três anos consecutivos (recorrência), em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância), e dadas as demais circunstâncias do caso, não há como se admitir que a infração possa ter sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o dolo do agente. 23. Seguem trechos do voto do referido Conselheiro no Acórdão nº 1201000.841, de 06/08/2013: "Mas antes de arrolar as razões pelas quais entendo haver sido comprovado o dolo, desejo refutar a idéia segundo a qual não seria possível qualificarse a multa de ofício em casos de presunção de omissão de receita. Como a prova do dolo é sempre indireta, os defensores dessa idéia afirmam que haveria "presunção da presunção". Pois bem, quanto a isso bastaria apontarmos o texto da aludida súmula 25 do CARF, que expressamente admite a qualificação da multa em infrações apuradas por presunção legal, desde que comprovada a ocorrência do dolo em qualquer das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Mas não é só. ..., os elementos de prova juntados em qualquer processo não são propriamente "prova" dos fatos alegados pelas partes enquanto o Fl. 614DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13116.001374/200429 Acórdão n.º 9101002.242 CSRFT1 Fl. 6 9 órgão julgador não disser estar convencido de que aqueles elementos "provam" o fato alegado. ... A questão, portanto, recai sobre o "grau" de convencimento do julgador a fim de que ele possa afirmar que os elementos de prova juntados aos autos "provam" o fato alegado. As afirmações acima são particularmente importantes quando o fato a ser provado é o dolo do agente. ... Nesse sentido, o julgador dirá que está convencido de que os elementos indiretos de prova juntados aos autos "provam" o fato alegado quando atingido determinado grau de convencimento." 24. Segue também a aula proferida no voto vencedor do Acórdão nº 1201001.048, de 04/06/2014, que subsidiou a ementa transcrita acima: "Iniciemos então o exame do julgado da DRJ pela afirmação de que "[A] princípio, o dolo não se presume...'". Como é cediço, dolo é a vontade livre e consciente de uma pessoa se conduzir contrariamente ao estabelecido pela ordem jurídica. E uma vez que a vontade é algo interno à consciência humana, não pode ser ela provada por meios diretos, a não ser pela declaração prestada pelo próprio agente. Isso posto, ao contrário do afirmado pela DRJ, o dolo do agente, no mais das vezes, somente poderá ser provado por meios indiretos, em especial mediante presunção tomada a partir da experiência comum ou pela observação do que ordinariamente acontece (art. 335 do CPC). Somente na (raríssima) hipótese de confissão do agente é que se pode falar em prova direta do dolo. A outra afirmação do órgão a quo que merece comentário é a que diz respeito à exigência de prova "inconteste e cabal" do dolo. É que, ao contrário do alegado pela DRJ, o direito [qualquer ramo do direito] não exige que o convencimento do julgador acerca da "verdade dos fatos" atinja o grau de "certeza". Admite que o convencimento se dê com base apenas em verossimilhança, ou seja, que seja provável, ainda que não seja absolutamente inconteste, que a "verdade dos fatos" seja essa e não aquela. Tratase aqui de um dos aspectos do princípio do livre convencimento motivado. Mesmo sem adentrarmos nos alicerces teóricos dessa afirmação2, é intuitivo que, no mais das vezes, o direito se contente com mero juízo de verossimilhança. Seja porque, por vezes, o grau de certeza é impossível de ser alcançado no caso concreto. Seja porque, mesmo nos casos em que teoricamente isso seja possível, a dificuldade para alcançálo tornaria o processo infindável. 2 Na doutrina pátria vide, dentre outros, Luiz Guilherme Marinoni, in Formação da Convicção e Inversão do Ônus da Prova Segundo as Peculiaridades do Caso Concreto (artigo acessado no sítio http://www.abdpc.org.br/abdpc/artigos/Luiz%20G%20Marinoni(15)%20formatado.pdf). Entre os muitos trabalhos estrangeiros sobre o assunto confira James Q. Whitman in The Origins of "Reasonable Doubt" (artigo acessado no sítio http://digitalcommons.law.yale.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1000&context=fss_papers). Fl. 615DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 10 Apenas para ilustrar o que acima foi dito, a prova pericial lastreada em exame de DNA de duas pessoas distintas poderá concluir, com probabilidade superior a 99,99%, mas não de 100%, que uma delas é o pai biológico da outra. Acaso o direito exigisse que o convencimento do julgador acerca da "verdade dos fatos" devesse alcançar o grau de "certeza", o juiz não poderia proferir sentença declarando a paternidade. Outro exemplo. No rumoroso caso Nardoni é inquestionável que, mesmo diante de um conjunto probatório robusto, não foi possível aos membros do Tribunal do Juri alcançar um convencimento com grau de "certeza" acerca da culpa dos réus. Não há dúvida de que a alegação da defesa, segundo à qual o autor do crime teria sido uma terceira pessoa que se encontrava no apartamento quando os acusados lá chegaram, apesar de improvável, não chegou a ser cabalmente afastada. Apesar disso, o Juri concluiu pela culpa dos réus, o que claramente foi feito com base em juízo de verossimilhança. Os exemplos acima referidos estão longe de ser incomuns. Em verdade os julgados lastreados em juízo de verossimilhança são bastante freqüentes em todos os ramos do direito. Não me surpreenderia, inclusive, se uma eventual pesquisa sobre o assunto revelasse que os julgados lastreados em juízo de verossimilhança são em número bem superior àqueles tomados em juízo de certeza. Bem, mas se é inescusável o fato de que o convencimento do julgador poderá ser validamente alcançado com base em juízo de verossimilhança, então a questão a ser discutida resumese ao grau desse convencimento. Embora a jurisprudência pátria ainda não tenha expressamente estabelecido os padrões (standards) de grau de convencimento que devam ser adotado em cada caso concreto, é indiscutível que em processos penais os julgadores, ainda que intuitivamente, exigem um grau de verossimilhança alto para se declararem convencidos acerca da "verdade dos fatos" em caso de condenação. Esse padrão de grau de convencimento alto por nós empregado no âmbito do direito penal em caso de condenação é denominado no direito norte americano de evidência para além de qualquer dúvida razoável (evidence beyond a reasonable doubt)3. Em resumo, o emprego desse padrão implica que, para condenar o réu, o julgador somente se considerará convencido sobre a "verdade dos fatos" quando houver um alto grau de verossimilhança entre as alegações feitas pela acusação e aquilo que for possível concluir com base nos elementos de prova presentes nos autos. Havendo dúvida razoável, julgador deverá considerarse não convencido. Todavia, incertezas que extrapolem o limite do razoável devem ser desprezadas, tal como o foram nos exemplos antes referidos (paternidade e caso Nardoni). É certo que esse grau de convencimento alto, no mais das vezes, não é possível de ser determinado de maneira exata, comportando assim um certo subjetivismo. Em outras palavras, diante de um mesmo caso concreto, um julgador poderá se considerar convencido, para além de qualquer dúvida razoável, acerca da culpa do acusado, enquanto outro poderá entender que ainda restam dúvidas razoáveis que impossibilitam a condenação. Esse 3 Esse padrão de grau de convencimento alto é também adotado nas cortes norte americanas nos julgamentos de processos penais. Existem, todavia, outros padrões de convencimento lá empregados, todos com grau mais baixo do que o do evidence beyond a reasonable doubt. Uma explanação bastante resumida da aplicação de cada um desses padrões pode ser encontrada em http://en.wikipedia.org/wiki/Legal_burden_of_proof. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13116.001374/200429 Acórdão n.º 9101002.242 CSRFT1 Fl. 7 11 subjetivismo, entretanto, é minimizado pela necessária motivação da decisão e pelo duplo4 grau de jurisdição." 25. Dito isso, adoto neste julgamento esse rigoroso parâmetro/critério de grau de convencimento que me permita afirmar, para além de qualquer dúvida razoável, que os elementos de prova juntados aos autos "provam" o dolo do agente. Em outras palavras, segundo esse critério, os elementos de prova "provarão" o dolo se, e somente se, me proporcionarem o convencimento, para além de qualquer dúvida razoável, de que o agente agiu dolosamente. 26. Pois bem, pela análise da descrição dos fatos contida no auto de infração e dos elementos de prova ali mencionados verificase que no caso sob exame encontramse presentes tanto a recorrência da omissão de receitas quanto a relevância dos valores omitidos. 27. De fato, no que concerne à recorrência, a omissão de receitas foi levada a efeito pela contribuinte ao longo de todo o período objeto da fiscalização, qual seja, de outubro de 1999 a agosto de 2004. 28. Quanto à relevância é de se dizer que a contribuinte omitiu do Fisco receitas em montantes significativos quando comparadas às receitas informadas em suas DIPJs, conforme demonstrativo abaixo (extraído das planilhas de fls.34/39): Ano Receita Contabilizada Receita Informada em DIPJ 1999 4.639.891,07 442.718,94 2000 15.141.173,54 1.310.727,79 2001 16.555.306,91 1.459.302,57 2002 28.596.123,93 2.344.731,31' 2003 32.457.480,73 2.724.699,92 2004 26.475.298,75 2.504.620,33 29. A recorrência e a relevância da omissão de receitas é tamanha que entendo estar provado, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito da contribuinte em fraudar o Erário Público, sendo no presente caso risível supor que a conduta da ora recorrente é fruto de mero erro ou negligência contábil. 30. Outro fato corrobora ainda mais essa certeza. É que as receitas encontravamse registradas nos livros contábeis da empresa. Seria portanto impensável que a contribuinte ou seu preposto tenha cometido mero erro ao informar ao Fisco o valor de receitas contabilizadas. 31. Em vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso da contribuinte. 32. Esse é o meu voto. 4 Essa minimização do subjetivismo é maior ainda quando se considera que o processo administrativo fiscal ainda poderá ser submetido à apreciação judicial. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 12 (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Fl. 618DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Numero do processo: 10280.901718/2010-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. A unidade de origem realizou tão-somente o trabalho de: verificar a existência, certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Não houve, pois, lançamento indireto de tributo, não havendo que se falar em contagem de prazo decadencial.
DESPESAS PRÉ-OPERACIONAIS. As despesas pré-operacionais são aquelas incorridas durante o preparo da pessoa jurídica para que esta seja capaz de operar e produzir. Dentre as despesas pré-operacionais, podem ser incluídas as despesas gerais e administrativas, o que compreende, inclusive, despesas com salários e encargos dos funcionários.
AMORTIZAÇÃO DO ATIVO DIFERIDO. A amortização dos valores registrados no Ativo Diferido é uma faculdade conferida ao contribuinte, existindo prazos específicos para seu aproveitamento. Assim sendo, não é possível sua implementação de ofício pela autoridade julgadora durante análise de pedido de restituição.
REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. É dispensável a realização de perícia para o deslinde do presente julgamento, vez que estão presentes nos autos todos os elementos necessários à verificação da existência do direito creditório da Recorrente.
Numero da decisão: 1301-002.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
(documento assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. A unidade de origem realizou tãosomente o trabalho de: verificar a existência, certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Não houve, pois, lançamento indireto de tributo, não havendo que se falar em contagem de prazo decadencial. DESPESAS PRÉOPERACIONAIS. As despesas préoperacionais são aquelas incorridas durante o preparo da pessoa jurídica para que esta seja capaz de operar e produzir. Dentre as despesas préoperacionais, podem ser incluídas as despesas gerais e administrativas, o que compreende, inclusive, despesas com salários e encargos dos funcionários. AMORTIZAÇÃO DO ATIVO DIFERIDO. A amortização dos valores registrados no Ativo Diferido é uma faculdade conferida ao contribuinte, existindo prazos específicos para seu aproveitamento. Assim sendo, não é possível sua implementação de ofício pela autoridade julgadora durante análise de pedido de restituição. REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. É dispensável a realização de perícia para o deslinde do presente julgamento, vez que estão presentes nos autos todos os elementos necessários à verificação da existência do direito creditório da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 17 18 /2 01 0- 50 Fl. 584DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRIS OLA CASEIRO Processo nº 10280.901718/201050 Acórdão n.º 1301002.062 S1C3T1 Fl. 585 2 (documento assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Cuida o presente processo da não homologação das compensações tratadas no PER/DCOMP n° 42052.72299.070307.1.3.043624 (fls. 1/5), o qual visa o aproveitamento de pagamento a maior de estimativa mensal de CSLL do mês de julho de 2006. Nos termos do despacho decisório (fl. 06), a DRF/Belém indeferiu o pedido de restituição e considerou não homologadas as compensações por entender que o pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período. Irresignada, a contribuinte ingressou com Manifestação de Inconformidade (fls. 10/104). A compensação foi realizada em 07.03.2007, época em que vigorava a Instrução Normativa SRF nº 600/2005, a qual vedava a restituição das estimativas mensais pagas. Somente com a edição da Instrução Normativa SRF nº 900/2008, estes pagamentos passaram a ser passíveis de restituição ou compensação, alcançando as compensações transmitidas a partir de 1º de janeiro de 2009. Posteriormente, foi emitida a Solução de Consulta Interna COSIT n° 19 de 5.12.2011, esclarecendo que as disposições da Instrução Normativa SRF n° 900/2008 relativas à restituição de estimativas poderiam ser aplicadas, de forma retroativa, às compensações ainda pendentes e que foram transmitidas na vigência das instruções normativas anteriores. Assim sendo, ultrapassadas as razões que motivaram o indeferimento do pedido do contribuinte, determinouse a realização de diligência para que a unidade de origem tivesse a oportunidade de averiguar se o crédito tributário de fato existe (fls. 106/110). No Relatório Fiscal de fls. 382/388, a Unidade de Origem concluiu pela inexistência do direito creditório pleiteado. Aponta que a estimativa foi incorretamente apurada por terem sido computadas despesas préoperacionais nas contas de despesas, ao invés de serem contabilizadas no ativo diferido. Feita a recomposição, restaria, inclusive, saldo de CSLL a pagar, o qual não foi objeto de lançamento de ofício devido ao decurso do prazo decadencial. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRIS OLA CASEIRO Processo nº 10280.901718/201050 Acórdão n.º 1301002.062 S1C3T1 Fl. 586 3 Cientificada, a contribuinte apresentou suas considerações sobre o resultado da diligência, reiterando os argumentos utilizados na Manifestação de Inconformidade e combatendo o quanto apurado pela Unidade de Origem. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 3° Turma da DRJ/Belém, por meio do Acórdão n° 0125.499 de fls. 479/486, sendo utilizado como fundamento o resultado da Diligência Fiscal. Contra esta decisão, foi interposto Recurso Voluntário (fls. 390/479), no qual se alega, preliminarmente, a decadência do direito à glosa dos custos e despesas e do prejuízo fiscal apurado, pois seria indevida a recomposição da CSLL quando a compensação já estava tacitamente homologada. Assim sendo, a Unidade de Origem estaria procedendo ao lançamento do tributo devido na Diligência Fiscal, ainda que de forma indireta. Ademais, sustenta que a análise do direito creditório da Recorrente deve se limitar à discussão originária, tendo em vista que o fundamento que originou a não homologação da restituição foi a impossibilidade de utilização de estimativas mensais. Contudo, a Diligência resultou em verdadeira fiscalização, ocorrendo o lançamento de ofício indireto da parcela paga a maior e não reconhecida. No mérito, sustenta, em síntese, que: (i) foi realizado pagamento a maior a título de estimativa mensal de CSLL; (ii) não procede o argumento utilizado no resultado da diligência fiscal de que se tratam de custos e despesas préoperacionais, uma vez que se destinam à consecução do objeto social, constituindose, principalmente, em despesas com salários e encargos; (iii) caso mantida a glosa, devem ser consideradas as parcelas de amortização do ativo diferido; (iv) a não restituição do tributo pago a maior implicará no enriquecimento sem causa da Fazenda Nacional; (v) a negativa da restituição configura afronta ao Princípio da Razoabilidade e inobservância ao Princípio da Primazia da Realidade; (vi) os créditos pleiteados devem ser atualizados com base na taxa SELIC. Caso este órgão julgador não se convença do direito da Recorrente ao crédito pleiteado, requer seja determinada a realização de perícia. Ao final, a contribuinte requer o quanto segue: E, por fim, estando atendidos os requisitos legais e enrobustecidos os pressupostos específicos, REQUERSE: a) o recebimento e processamento da presente, com os documentos que a acompanham; b) seja reconhecida a existência do crédito da Recorrente, a título de pagamento a maior de CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro no montante requerido originalmente uma vez que comprovada de forma irrefutável sua existência; c) seja reconhecido o direito da Recorrente à compensação, com parcelas subseqüentes ao indébito de Contribuição Social sobre o Lucro, no montante total requerido; d) seja reconhecido o direito da Recorrente de aplicar, sobre seus créditos a correção monetária plena, através de índices que melhor reflitam a real inflação Fl. 586DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRIS OLA CASEIRO Processo nº 10280.901718/201050 Acórdão n.º 1301002.062 S1C3T1 Fl. 587 4 observada, vale dizer, a incidência da SELIC, nos termos do 4º, do art. 39, da Lei n ◌ֻ 9.250/95. e) que, em decorrência, sejam homologadas todas as compensações realizadas com base nos créditos pleiteados e que são objeto do presente recurso, já que devidamente comprovados; f) que o excesso do crédito apurado pela Recorrente e não compensado seja restituído imediatamente em moeda corrente nacional; g) por cautela, caso se faça necessário, não obstante o entendimento de que todos os elementos probatórios já constam dos autos, pretendese provar o alegado por todos os meios de provas admitidos em direito, em especial através de provas periciais ficando desde já requerida a realização de perícia contábil para comprovação do direito creditório que assiste a Recorrente, se a considerar este Julgador necessária a comprovação do quanto alegado; h) Por fim, requerse que todas as intimações e/ou publicações se dêem em nome do signatário no endereço constante do preâmbulo. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto, dele conheço. 1. PRELIMINARMENTE– DECADÊNCIA E LIMITAÇÃO À DISCUSSÃO ORIGINÁRIA. Em seu recurso, o contribuinte alega que já teria decaído o direito à glosa dos custos, despesas e do prejuízo fiscal apurado. Ademais, a unidade de origem realizou verdadeiro lançamento de ofício do tributo devido por meio da Diligência Fiscal. Sustenta, também, que a diligência deve se limitar à discussão originária, isto é, à possibilidade, ou não, de utilização de estimativas mensais de CSLL para compensação de créditos tributários. Entendo que não merecem guarida as alegações da Recorrente. No presente caso, a unidade de origem realizou tãosomente o trabalho que lhe fora solicitado, qual seja: verificar a existência, certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. É certo que essa análise demanda a verificação dos documentos fiscais e contábeis do mês de julho de 2006, período em que ocorreu o suposto pagamento a maior da estimativa mensal de CSLL. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRIS OLA CASEIRO Processo nº 10280.901718/201050 Acórdão n.º 1301002.062 S1C3T1 Fl. 588 5 O lançamento de ofício estaria configurado apenas se a unidade de origem tentasse cobrar do contribuinte crédito tributário em valor superior ao compensado, o que não ocorreu no presente caso, tendo em vista que o saldo de CSLL a pagar apurado no decorrer da diligência não foi objeto de nova autuação devido ao decurso do prazo decadencial. Assim sendo, o prazo quinquenal previsto nos arts. 150 e 173 do Código Tributário Nacional não se aplica ao presente caso, por não haver lançamento de ofício, ainda que indireto. Entendo, portanto, que não se operou o instituto da decadência. No que tange ao escopo da Diligência Fiscal, novamente discordo desse argumento. A análise do direito creditório pleiteado pelo contribuinte não se limita à mera possibilidade de ingresso do pedido de compensação, devendo, também, se atentar à certeza e liquidez do crédito compensado. À época da compensação e da emissão do despacho decisório, vigorava a Instrução Normativa SRF nº 600/2005, que vedava a restituição das estimativas mensais pagas. Essa vedação foi superada com a edição da Instrução Normativa SRF nº 900/2008, razão pela qual as razões que motivaram o indeferimento do pedido do contribuinte foram ultrapassadas. A possibilidade de compensação dos montantes recolhidos a maior a título de estimativas mensais é, inclusive, questão pacificada nos termos da Súmula CARF n° 84, que assim dispõe: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Superada a questão de direito, fezse necessária a realização de diligência para apurar a existência do crédito tributário. Notese que a possibilidade de retorno dos autos à unidade de origem para apreciação da certeza e liquidez do crédito já foi objeto de diversas decisões desse Colegiado, as quais passo a transcrever: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2007 PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. Não há óbice para que a Contribuinte busque a compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Afastado o fundamento que levou à negativa do crédito, devem os autos retornar à Delegacia de origem, para que seja reexaminada a Declaração de Compensação. (ACÓRDÃO 1802001.846) Fl. 588DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRIS OLA CASEIRO Processo nº 10280.901718/201050 Acórdão n.º 1301002.062 S1C3T1 Fl. 589 6 (...) Vejase que a questão da impossibilidade de compensação de antecipação paga indevidamente ou a maior no curso do ano calendário está superada. No entanto, considerando que os requisitos da liquidez e da certeza do crédito tributário ainda não foram verificados no presente caso, devem os autos retornar à jurisdição de origem para que a autoridade administrativa o faça. (ACÓRDÃO 1801002.072) (...)Por conseguinte, o acórdão recorrido deve ser reformado para prevalecer o entendimento no sentido da viabilidade da compensação com crédito de pagamento indevido de estimativas. Superado esse óbice, entreta nto, não é possível prosseguir na análise do direito creditório, uma vez que nem a DRF nem a DRJ se pronunciaram a respeito da questão de fundo, ou seja, se o pagamento é ou não indevido. De ssa forma, entendo que os autos devem retornar à DRF de origem para prosseguir na análise da existência e suficiência do direito creditório, procedimento este que não configura novo despacho decisório, com posterior ciência ao contribuinte, sem prejuízo de ulterior manifestação de inconformidade. (ACÓRDÃO 1801001.83) Resta, portanto, superada a análise das preliminares apontadas pelo contribuinte. 2. DO MÉRITO 2.1. DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA FISCAL. O Recorrente insurgese contra o resultado da diligência fiscal que apontou terem sido computadas despesas préoperacionais nas contas de despesas, ao invés de serem contabilizadas no ativo diferido. Afirma que, na realidade, estas despesas são operacionais, pois se destinam à consecução do objeto social, constituindose, principalmente, em despesas com salários e encargos. Ademais, requer que, caso mantida a glosa, devem ser consideradas as parcelas de amortização do ativo diferido. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 382/388, o contribuinte iniciou suas atividades em 10/05/2006, sendo obtida a primeira receita no mês de maio de 2006. Logo, todas as despesas antes do início de suas atividades são préoperacionais e deveriam ter sido contabilizadas no ativo diferido. Assim sendo, a contabilização incorreta na conta de despesas acarretou a obtenção indevida de prejuízo fiscal desde o anocalendário de 2005 e glosa dos valores de despesas de janeiro a abril de 2006, razão pela qual foi necessário recompor as bases de cálculo da CSLL. Dessa recomposição, verificouse a inexistência do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de CSLL. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRIS OLA CASEIRO Processo nº 10280.901718/201050 Acórdão n.º 1301002.062 S1C3T1 Fl. 590 7 Nos termos do art. 179, V, da Lei n° 6.404/76, antes da redação dada pela Medida Provisória n° 449/08, classificavamse no ativo diferido os gastos de implantação e préoperacionais, além dos gastos com pesquisa e desenvolvimento de produtos, com implantação de sistemas e métodos e com a reorganização ou reestruturação da empresa. As despesas préoperacionais são aquelas incorridas durante o preparo da pessoa jurídica para que esta seja capaz de operar e produzir. Logo, dentre as despesas préoperacionais, podem ser incluídas as despesas gerais e administrativas, o que compreende, inclusive, despesas com salários e encargos dos funcionários. Corroborando este entendimento, cito a definição adotada pelo Manual de Contabilidade da Sociedade por Ações (aplicável às demais sociedades) do FIPECAFI: “Os ativos diferidos caracterizamse por serem ativos que serão amortizados por apropriação às despesas operacionais (ou aos custos), no período de tempo em que estiverem contribuindo para a formação do resultado da empresa. Compreendem despesas incorridas durante o período de desenvolvimento, construção e implantação de projetos, anterior a seu início de operação. (...) Representam, muitas vezes, gastos cuja contabilização seria como despesas operacionais, caso a atividade a que se referem estivesse já produzindo receitas ou benefícios. É o caso dos gastos incorridos com pessoal administrativo, outras despesas gerais e administrativas, e demais gastos específicos (desde que não sejam parte do Imobilizado), os quais são necessários ao desenvolvimento de um projeto”. Assim sendo, a mera alegação de que se tratam de despesas com funcionários não é suficiente para afastar o caráter préoperacional desses gastos, não constando nos autos, portanto, documentos e dados capazes de afastar o resultado da diligência fiscal. Ademais, diante da inexistência do direito creditório pleiteado, ficam prejudicadas as alegações do contribuinte quanto ao suposto enriquecimento sem causa da Fazenda Pública, e da inobservância do Princípio da Razoabilidade e do Princípio da Primazia da Realidade. Quanto ao pedido subsidiário do contribuinte para que seja considerada a amortização do ativo diferido, adoto a fundamentação da decisão da DRJ/BEL, a qual entendo ser irretocável: De acordo com a Lei nº 6.404, de 1976, e o art. 327 do Regulamento do Imposto de Renda, a amortização dos valores registrados no Ativo Diferido era uma faculdade do contribuinte e deveria ser feita em prazo não inferior a cinco anos e não superior a dez anos, a partir do início da operação normal ou do exercício em que passem a ser usufruídos os benefícios delas decorrentes. 23. Com a Medida Provisória nº 449, de 2008, que incluiu o art. 299A na Lei 6.404, de 1976, o ativo diferido deixou de existir, sendo que o saldo existente em 31 de dezembro de 2008 que, pela sua natureza, não puder ser alocado a outro grupo de Fl. 590DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRIS OLA CASEIRO Processo nº 10280.901718/201050 Acórdão n.º 1301002.062 S1C3T1 Fl. 591 8 contas, poderá permanecer no ativo sob essa classificação até sua completa amortização. 24. Ou seja, não há como a Unidade de origem, ou ainda a autoridade julgadora, de ofício, implementar o aproveitamento do ativo diferido na forma desejada, quando se está analisando um pedido de restituição de tributo pago a título de estimativa mensal, especificamente no mês de agosto de 2006. Tal implementação, conforme dito, é uma faculdade da empresa e deve ser feita nos termos da legislação citada. Portanto, não reconheço a existência do direito creditório pleiteado pela Recorrente. 2.2. DA TAXA SELIC. A incidência da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para correção dos valores sujeitos à restituição ou compensação tributária é estabelecida, expressamente, no art. 39, § 4°, Lei n.º 9.250/95: Art. 39 A compensação de que trata o art. 66 da Lei n.º 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei n.º 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subsequentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Da mesma forma, dispõe o art. 83 da Instrução Normativa RFB n° 1.300/12 ao estabelecer que o crédito relativo a tributo administrado pela Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC para títulos federais. Portanto, desde 1996, os valores pagos a maior ou indevidamente devem ser acrescidos de taxa SELIC para efeito de compensação. Ocorre que, inexistindo direito creditório apurado nos autos deste processo administrativo, fica prejudicado o pedido de aplicação de juros pela taxa SELIC. 2.3. REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. O contribuinte requer que, caso não reconhecido o direito creditório pleiteado, seja determinada a realização de perícia. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRIS OLA CASEIRO Processo nº 10280.901718/201050 Acórdão n.º 1301002.062 S1C3T1 Fl. 592 9 Entendo ser dispensável a realização de perícia para o deslinde do presente julgamento, vez que estão presentes nos autos todos os elementos necessários à verificação da existência do direito creditório da Recorrente. Ademais, nos termos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, na impugnação o contribuinte deve mencionar as diligências, ou perícias que pretenda sejam efetuadas, expondo os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito. Esses requisitos não foram atendidos pela Recorrente, uma vez que em sua defesa não consta indicação do perito ou a formulação dos quesitos. Entendo, portanto, não estarem satisfeitos os requisitos necessários à realização de perícia, além do que, já foi realizada diligência na instância a quo, o que no meu sentir, supriria a realização de perícia. 3. CONCLUSÃO. Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, negolhe provimento, mantendose o quando decidido pela 3° Turma da DRJ/Belém no Acórdão n° 0125.499. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator Fl. 592DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS PAULO LEME BRIS OLA CASEIRO
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Numero do processo: 10140.722388/2013-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE DA EFETIVIDADE DO PAGAMENTO E DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS.
Questionada pela autoridade fiscal a efetividade da prestação dos serviços médicos utilizados como dedução de despesas e não apresentadas provas pelo contribuinte que comprovem a efetividade do pagamento com relação aos serviços que lhe teriam sido prestados, devem ser mantidas as glosas realizadas pela autoridade fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, por maioria de votos, negar-lhe provimento. Vencido na votação o Conselheiro Rayd Santana Ferreira.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE DA EFETIVIDADE DO PAGAMENTO E DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Questionada pela autoridade fiscal a efetividade da prestação dos serviços médicos utilizados como dedução de despesas e não apresentadas provas pelo contribuinte que comprovem a efetividade do pagamento com relação aos serviços que lhe teriam sido prestados, devem ser mantidas as glosas realizadas pela autoridade fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 23 88 /2 01 3- 85 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 20/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, por maioria de votos, negarlhe provimento. Vencido na votação o Conselheiro Rayd Santana Ferreira. Maria Cleci Coti Martins Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 20/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10140.722388/201385 Acórdão n.º 2401004.329 S2C4T1 Fl. 78 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 0435.096 (fls. 41/45), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), que julgou improcedente a impugnação (fls. 03/05) do contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A dedutibilidade das despesas médicas está condicionada à comprovação de sua efetividade e de que foi em benefício do próprio contribuinte ou de dependente a ele vinculado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Notificação de Lançamento de fls. 30/34 exigiu do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 13.766,31, a título de imposto suplementar, acrescido de multa de mora e juros, decorrente da glosa de despesas médicas declaradas pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 31/32) a fiscalização informa a glosa de R$ 24.125,00, correspondente à Dedução Indevida de Despesas Médicas, nos seguintes termos: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 20/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Para demonstrar a efetividade das despesas médicas, a contribuinte alegou em sua peça impugnatória que a glosa de despesas médicas é indevida em razão de terem ocorrido, efetivamente, em proveito próprio, conforme os recibos e notas fiscais que juntou aos autos. Para a DRJ/CGE, a impugnação foi considerada improcedente, repisando, em suma, os argumentos da autoridade fiscal, quais sejam, os documentos acostados pelo contribuinte não faziam prova do efetivo pagamento das despesas médicas aos profissionais acima mencionados. Intimada do acórdão da DRJ/CGE em 07/04/2014 (A.R. fl. 50), a recorrente apresentou o seu recurso voluntário (fl. 53) em 29/04/2014, onde, reiterando as alegações já trazidas em sede de impugnação, menciona novos documentos agora acostados ao recurso voluntário, como contraponto ao que decidido e exigido pela DRJ/CGE como comprovação suficiente das despesas médicas. São eles: É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 20/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10140.722388/201385 Acórdão n.º 2401004.329 S2C4T1 Fl. 79 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito A legislação do imposto de renda da pessoa física permite a dedução de despesas médicas do referido imposto, nos termos do art. 8º, II, alínea “a” e § 2º, da Lei nº. 9.250/95, assim disposta: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; O artigo 73 § 1° do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, assim estabelece: Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 20/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11 § 3°) § 1° Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a anuência do contribuinte. (Decreto Lei n° 5.844, de 1943, art. 11 § 4°) Conforme depreendese dos dispositivos supracitados, o direito à dedução das despesas médicas na declaração está sempre vinculado à comprovação prevista em lei e restringese, por sua vez, aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. É nesse sentido que revelase equivocado o entendimento de que os recibos, por si só, são documentos hábeis para comprovação dos pagamentos e lisura das deduções pleiteadas. Importante destacar que as justificativas da DRJ/CGE que corroboram o entendimento da autoridade lançadora, para cada uma das profissionais emitentes dos recibos, foram as seguintes: 1) Em relação a Américo Pinto Batista a contribuinte não trouxe qualquer documento que pudesse comprovar a realização da despesa. 2) A contribuinte trouxe aos autos declarações firmadas pelas profissionais Maria Fernanda Marques Soares e Regina Célia S. Ramos Capusso, onde estas afirmam que os serviços foram prestados a própria contribuinte. No entanto quanto à exigência de comprovação do efetivo pagamento, não foi apresentado documento que pudesse comprovar tal situação, permanecendo a dúvida de quem foi o responsável pelo pagamento das despesas. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte trouxe ao processo administrativo uma série de documentos a fim de atestar a veracidade dos recibos, em especial, com relação às despesas médicas relativas à Dra. Maria Fernanda Marques Soares, extratos do Banco do Brasil Campo Grande, onde constam a emissão de cheques, que estariam relacionados aos recibos em comento. (Fls. 60/67) Trazidas as provas em comento pelo contribuinte, cabe cotejálas com as razões apontadas pelo AFRFB como suficientes para desqualificar os recibos de despesas médicas e glosar as despesas declaradas pelo contribuinte. Nesse contexto, verificando os extratos do Banco do Brasil e sua correspondência com o valor dos recibos emitidos pela Dra. Maria Fernanda Marques Soares, entendo não estarem comprovadas as despesas, ante o contexto fático produzido pela contribuinte, que não trazem indícios mínimos de que os cheques compensados apontados nos extratos estariam relacionados com os recibos apresentados pelas profissionais de saúde. No que diz respeito às despesas relativas à Dra. Regina Célia S. R Capusso, a contribuinte anexou em sua defesa apenas a cópia dos recibos mensais emitidos pela profissional, não apresentando qualquer comprovação do efetivo pagamento. Quanto a Américo Pinto Batista, não foi apresentado qualquer documento que possa comprovar a despesa pleiteada. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 20/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10140.722388/201385 Acórdão n.º 2401004.329 S2C4T1 Fl. 80 7 Assim, entendo que devem ser mantidas as glosas realizadas pela autoridade fiscal, diante do contexto probatório trazido pela contribuinte. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 20/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 18470.720081/2013-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS. INFORMAÇÕES INCORRETAS PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA EM DIRF.
Apresentado contrato de locação firmado entre pessoas físicas e comprovados os pagamentos feitos por carnê-leão, deve-se restabelecer o valor informado pelo contribuinte em sua DIRPF, em razão do erro na informação prestada pela fonte pagadora.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Gisa Barbosa Gambogi, Fabio Piovesan Bozza.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ALUGUÉIS. INFORMAÇÕES INCORRETAS PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA EM DIRF. Apresentado contrato de locação firmado entre pessoas físicas e comprovados os pagamentos feitos por carnêleão, devese restabelecer o valor informado pelo contribuinte em sua DIRPF, em razão do erro na informação prestada pela fonte pagadora. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Gisa Barbosa Gambogi, Fabio Piovesan Bozza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 00 81 /2 01 3- 10 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Contra o contribuinte acima referido, foi lavrada Notificação de Lançamento (fls. 20/25), anocalendário de 2010, tendo sido apurada compensação indevida de IRRF de R$ 52,57 a título de aluguéis (fonte pagadora – Central do Mate do Méier) e omissão de rendimentos de aluguéis recebidos do Bazar e Papelaria Walsh Cinelli no valor de R$ 42.000,00. O crédito tributário e o enquadramento legal constam na notificação de lançamento ( fl. 22/23). A SRL foi indeferida, conforme fl. 26, esclarecendo que a documentação apresentada pelo contribuinte não foi suficiente para provar que o rendimento omitido teria sido oferecido à tributação no quadro de rendimentos recebidos de pessoa física. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 02 /05), alegando, em síntese: a ) Quanto a omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica: que não teria havido omissão de rendimentos de R$ 42.000,00, pois o rendimento teria sido declarado no campo relativo a rendimentos recebidos de pessoa física, haja vista que o contrato de aluguel foi celebrado com Célia Regina Walsh Cinelli, proprietária da empresa, Bazar e Papelaria Walsh Cinelli. que somente em 2011 foi efetuada alteração contratual transferindo a locação para a referida empresa. Junta documentação (fls. 06/13) que os rendimentos recebidos de pessoas físicas, no valor de R$ 75.400,00 foram devidamente tributados e o recolhimento se deu por carnêleão, no valor de R$ 10.008,52. b) Quanto a Compensação Indevida de R$ 52,57, a título de Imposto de Renda retido na Fonte Central do Mate do Meier Ltda ME Informa que os recolhimentos de IRRF correspondentes à locação do ano base 2010 foram feitos em 12 parcelas de R$ 52,57, totalizando R$ 630,84. No entanto, constatou que a parcela de set/2010 não havia sido paga, efetuandose o recolhimento somente em abril /2011, no valor de R$ 66,79, sendo R$ 52,57 de principal, acrescido de R$ 14,22 de acréscimos legais. Junta comprovantes de recolhimento do imposto (fls. 14/19). A Turma de Primeira Instância julgou a impugnação procedente em parte (fls. 54/57). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Fl. 150DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 18470.720081/201310 Acórdão n.º 2301004.639 S2C3T1 Fl. 150 3 Anocalendário: 2010 IMPOSTO RETIDO NA FONTE. Fica rechaçada a glosa de imposto retido na fonte a título de aluguéis recebidos de pessoa jurídica, tendo em vista que os recolhimentos do imposto retido foram confirmados no Sistema Eletrônico da Receita Federal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A TÍTULO DE ALUGUÉIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Não tendo sido comprovado pelo interessado tratarse de rendimento auferido de pessoa física e nem que o teria declarado no campo de rendimentos recebidos de pessoa física, deve ser confirmada a omissão de rendimentos apontada na DIRF apresentada pela fonte pagadora. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Como razões de decidir, consta no voto: [...] Além disso, é mister salientar que não há como dar guarida ao sujeito passivo ao afirmar que o mencionado rendimento já teria sido tributado no campo de rendimentos recebidos de pessoa física, como tentou demonstrar por meio de uma simples listagem discriminada na peça defensória com os nomes e valores de supostas pessoas físicas que lhe teriam pago rendimentos. O fato é que ao observarmos a DAA de fls. 35 a 41, não há como se inferir que no total de R$ 75.400,00 declarado como rendimentos de pessoa física já estaria incluso o valor de R$ 42.000,00 auferidos da pessoa jurídica supracitada. [...] O contribuinte foi cientificado do Acórdão 1253.823 18ª Turma da DRJ/RJ1. em 03/06/2013 (fl. 59/60). Sobreveio recurso voluntário em 27/06/2013 (fls. 62/68), repisando as alegações da impugnação concernente à parte mantida do lançamento. É o relatório. Passo a decidir. Voto Fl. 151DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Conselheiro Relatora Alice Grecchi Primeiramente cumpre esclarecer que quando houver referência às folhas do processo, tratase do arquivo digitalizado, ou seja, do processo em formato PDF. O presente recurso possui os requisitos de admissibilidade previstos no art. 33, do Decreto nº 70.235/1972, merecendo ser conhecido. Tendo o Acórdão de impugnação sido julgado parcialmente procedente, acarretando a exclusão do lançamento acerca dedução indevida de R$ 52,57, passo à análise da infração de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. A Autoridade Lançadora autuou o contribuinte por entender que houve omissão dos rendimentos auferidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 42.000,00. Por sua vez, o contribuinte alega que os rendimentos são provenientes de contrato de aluguel de pessoa física e que por isso em sua DIRPF o rendimento está devidamente lançado no campo " rendimentos recebidos de pessoa física. Alega que celebrou contrato de locação diretamente com a Sra. Célia Cinelli, sócia da empresa Bazar e papelaria Wash Cinelli, na qualidade de pessoa física, sendo que no imóvel funciona a referida empresa. Dos documentos acostados aos autos, inferese que o contribuinte juntou (fls. 74/89), Contrato de Aluguel da loja na Rua Dias da Cruz, nº 505 loja B Meier, datado de 01/09/2008, onde consta como locatária a Sra. Célia Regina Walsh Cinelli. O prazo de locação era de 01/09/2008 a 31/08/2013. Consta nos autos às fls. 79 e 80, Termo de Aditamento de Contrato de Locação, datado de 01/02/2011, transferindo a locação em nome da sócia para a pessoa jurídica Bazar E Papelaria Walsh Cinelli Ltda Me. Ainda, o contribuinte afirma ter havido DIRF retificadora da pessoa jurídica em questão, alterando a quantidade de beneficiários PF de 37 para 36 e o valor de rendimentos tributáveis foi reduzido em R$ 42.000,00, montante exato do valor da locação do imóvel (fls. 137/138). Com efeito, os documentos supracitados tornam verossímeis as alegações do recorrente, de modo que tornase possível reconhecer que houve um equívoco por parte do contribuinte em celebrar contrato de locação em nome da sócia da empresa e não em nome da pessoa jurídica. No entanto, em que pese ter havido erro por parte do contribuinte, não pode o Fisco exigirlhe novamente imposto, uma vez que o valor referente aos rendimentos auferidos por pessoa física (quando deveria ser pessoa jurídica) já haviam sido devidamente tributados. Notadamente, assiste razão ao recorrente ao alegar que no Programa do Imposto de Renda, inexiste maneira de informar os rendimentos recebidos de cada pessoa física com o respectivo CPF. Este, inclusive, foi um dos motivos pelo qual o julgador a quo manteve o lançamento. Isso porque não é possível inferirse que no total declarado como rendimentos recebidos de pessoa física, esteja o montante de R$ 42.000,00, objeto da divergência. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 18470.720081/201310 Acórdão n.º 2301004.639 S2C3T1 Fl. 151 5 Por fim, entendo que o contribuinte logrou êxito em comprovar que não houve omissão de rendimentos de aluguel recebidos de pessoa jurídica, uma vez que o valor em questão, foi auferido por pessoa física no anocalendário de 2010. Isto Posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado Digitalmente) Relatora Alice Grecchi Fl. 153DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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