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6829557 #
Numero do processo: 10166.908042/2009-06
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE. Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário, após o julgamento de primeira instância administrativa, podem excepcionalmente ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Situação que se apresenta comum quando o indeferimento da compensação é efetuado por meio de despacho decisório eletrônico no qual não são apresentados ao contribuinte orientações completas quanto aos documentos necessários à comprovação do direito de crédito. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.083
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a preclusão. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

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9303­005.083  –  3ª Turma   Sessão de  16 de maio de 2017  Matéria  PRECLUSÃO DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS  Recorrente  BAR E WISKERIA BRASÍLIA LTDA.  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  APRESENTAÇÃO  DE  NOVOS  ELEMENTOS  DE  PROVA  APÓS  A  APRECIAÇÃO  DE  PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE.  Novos  elementos  de  prova  apresentados  no  âmbito  do  recurso  voluntário,  após  o  julgamento  de  primeira  instância  administrativa,  podem  excepcionalmente ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo  direito  de  defesa  do  contribuinte  ou  em  benefício  do  princípio  da  verdade  material.  Situação  que  se  apresenta  comum  quando  o  indeferimento  da  compensação é efetuado por meio de despacho decisório eletrônico no qual  não  são  apresentados  ao  contribuinte  orientações  completas  quanto  aos  documentos necessários à comprovação do direito de crédito.   Recurso Especial do Contribuinte Provido.      Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, em dar­lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado  de origem para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a preclusão.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício e Relator.     Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Júlio  Cesar  Alves  Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa  Camargos  Autran,  Charles  Mayer  de  Castro  Souza  (suplente  convocado),  Vanessa  Marini  Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 42 /2 00 9- 06 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10166.908042/2009­06  Acórdão n.º 9303­005.083  CSRF­T3  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se  de  recurso  especial  de  divergência  interposto  pelo  contribuinte  contra o Acórdão nº 3803­003.494, o qual possui a seguinte ementa:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS   Ano­calendário: 2005   COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  A  MAIOR  OU  INDEVIDO.  COMPROVAÇÃO.  REGIME  MONOFÁSICO.  Compete  ao  contribuinte  à  apresentação  de  livros  de  escrituração  comercial  e  fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado  sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento  processual previsto em lei.  PROVAS EXTEMPORÂNEAS   O  Decreto  nº  70.235/72,  que  rege  o  processo  administrativo  tributário, preceitua que todas as provas que instruirão o processo no  âmbito  administrativo­tributário  e  que  sejam  aptas  a  comprovar  o  direito do sujeito passivo, deverão ser colacionadas nos autos até o  momento da impugnação sob pena de preclusão.  A  divergência  suscitada  no  recurso  especial  centra­se  na  possibilidade  de  apresentação de provas  já no  âmbito do  recurso  voluntário. O Recurso  especial  foi  admitido  conforme Despacho de Admissibilidade constante do presente processo.  Contrarrazões  foram  apresentadas  pela  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional.  Defende o não conhecimento do recurso especial em face da divergência fática entre o acórdão  recorrido e os paradigmas e pede a manutenção da decisão recorrida.  É o relatório.  Voto             O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­005.080, de  16/05/2017, proferido no julgamento do processo 10166.908081/2009­03, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos  que  prevaleceram  naquela  decisão,  quanto  à  admissibilidade  do  recurso  e  quanto ao mérito (Acórdão 9303­005.080):  "Conhecimento do Recurso Especial  A Fazenda Nacional,  em contrarrazões, pede o não conhecimento do  recurso  especial  do  contribuinte  alegando  que  não  fora  comprovada  a  divergência  jurisprudencial.  Afirma  que,  muito  embora  os  acórdãos  Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10166.908042/2009­06  Acórdão n.º 9303­005.083  CSRF­T3  Fl. 4          3 paradigmas tenham tratado da matéria relativa ao momento de produção da  prova  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fizeram­no  em  contexto  fático e  jurídico distintos,  já que o acórdão recorrido  tratava de análise de  DCOMP  e  os  paradigmas  tratavam  de  lançamento  de  ofício,  o  primeiro  Notificação  de  Lançamento  (NFLD)  de  Contribuição  Previdenciária  e  o  segundo Notificação de Lançamento do IRPF. Alega ser fundamental no caso  o  fato  de  que  nos  processos  de  compensação  a  produção  da  prova  é  essencialmente de responsabilidade do interessado, sendo que nos processos  de lançamento de ofício o ônus da prova é do Fisco.  Embora reconheça como razoável a argumentação, penso que o que se  está a discutir é a possibilidade de análise da prova pela instância julgadora,  quando  ela  é  apresentada  somente  quando  da  interposição  do  recurso  voluntário. Nesta concepção, na minha opinião, as situações fáticas igualam­ se.  Pois  estamos  tratando  da  mesma  norma  legal,  qual  seja  o  art.  16  do  Decreto  nº  70.235/72,  e  a  norma  não  diferencia  se  o  processo  é  de  impugnação  ou  de manifestação de  inconformidade. Em ambos  os  casos,  a  análise  literal  da  norma  somente  permite  a  apresentação dos  elementos  de  prova  no  prazo  para  apresentação  da  impugnação  ou  da  manifestação  de  inconformidade.  Sendo  certo  que  em  ambas  situações  podem  ocorrer  a  necessidade eventual da complementação da prova em face do julgamento de  primeira instância administrativa.   De  forma,  que  convalido  o  entendimento  exarado  no  despacho  de  exame  de  admissibilidade  do  recurso  especial,  por  entender  que  foi  demonstrada  a  divergência  jurisprudencial  e  o  recurso  especial  deve  ser  conhecido.  Mérito  Como  relatado  o  acórdão  recorrido  não  conheceu  dos  documentos  apresentados  pelo  contribuinte  somente  por  ocasião  da  apresentação  do  recurso  voluntário  em  face  da  aplicação do  disposto  no  §  4º  do  art.  16  do  Decreto nº 70.235/72, in verbis:  Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  III  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos de discordância e as razões e provas que possuir;  (...)  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;   b) refira­se a fato ou a direito superveniente;   c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.  (...)  Importante  então  relembrarmos  os  fatos  constantes  do  presente  processo.  O  contribuinte  apresentou  PER/DCOMP  com  a  intenção  de  compensar  indébitos,  que  entendia  estarem  comprovados,  com  créditos  Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10166.908042/2009­06  Acórdão n.º 9303­005.083  CSRF­T3  Fl. 5          4 tributários de sua responsabilidade. Posteriormente, cerca de três anos após  a  entrega  do PER/DCOMP,  recebeu Despacho Decisório  eletrônico  com a  seguinte fundamentação:  "A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais  pagamentos,  abaixo  relacionados, mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.  (...)  Diante  da  inexistência  do  crédito,  NÃO  HOMOLOGO  a  compensação  declarada.  Valor  devedor  consolidado,  correspondente  aos  débitos  indevidamente  compensados, para pagamento até 30/06/2009. "  Veja  que  se  trata  de  uma  fundamentação  bastante  resumida  e  cujo  entendimento de  seu  inteiro alcance merece esclarecimentos adicionais. Em  sua  manifestação  de  inconformidade,  também  bastante  resumida,  o  recorrente informa que foi orientado pelo Plantão Fiscal da Receita Federal  que tal fato ocorrera por falta da retificação de sua DCTF. Entendera assim  o contribuinte que a apresentação da DCTF retificadora seria suficiente para  a  conclusão  de  sua  compensação  e  tal  entendimento  está  expressamente  relatado  na  sua  manifestação  de  inconformidade.  No  item  5  e  6  de  sua  manifestação de inconformidade assim se pronunciou:  (...)  5.  Se  necessário  a  apresentação  de  outros  documentos  ou  mesmo tomar outras providencias estaremos a inteira disposição  para cumprir a pendências que porventura houver.  6. O contato é com o senhor EULER, fone 3347­3277.  (...)  Apresentou  junto  com sua Manifestação de  Inconformidade cópia do  recibo  de  entrega  da  DCTF  retificadora,  espelho  do  DARF  do  suposto  pagamento  a maior,  cópia  dos PER/DCOMP,  além  de  seus  documentos  de  identificação.  Veio  então  o  Acórdão  da  DRJ/Brasília  julgando  a  Manifestação  de  Inconformidade  improcedente  por  insuficiência  de  provas,  sendo que a DCTF retificadora não seria suficiente para tal e que o ônus da  prova é do contribuinte que pleiteia a compensação.  Cientificado  desta  decisão  o  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário no qual renova as argumentações quanto ao seu direito de crédito  e apresenta novos documentos que entende ser suficientes para demonstrar a  correção de seu procedimento de compensação.  Como  já  vimos,  o  acórdão  recorrido  considerou  preclusa  a  apresentação destes novos documentos e negou provimento ao recurso.  O transcrito § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, estabelece que as  provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o  direito de  fazê­lo em outro momento processual. A regra é clara e bastante  justificável  à  medida  em  que  atende  à  necessidade  de  que  o  processo  administrativo  tenha  sua  marcha  uniforme  para  frente  e  exigindo  aos  administrados  o  cumprimento  de  prazos,  permitindo  a  solução  de  conflitos  em  consonância  com  a  desejada  celeridade  processual.  De  fato,  não  é  razoável que se permita a apresentação de elementos de prova em qualquer  fase recursal a critério do administrado.  Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10166.908042/2009­06  Acórdão n.º 9303­005.083  CSRF­T3  Fl. 6          5 Mas comungo da ideia de que este critério não seja absoluto a ponto  de colidir com outros princípios caros ao processo administrativo, a exemplo  dos  princípios  da  formalidade  moderada,  da  ampla  defesa  e  da  verdade  material.   No  presente  caso,  além  de  estar  cerceando  o  direito  de  defesa  do  contribuinte, à medida em que a descrição dos  fatos no despacho decisório  não  é  clara  o  suficiente,  poderá  estar  havendo  restrição  à  aplicação  da  verdade  material  à  medida  em  que  aqueles  documentos  apresentados  poderem  revestir­se  de  elementos  suficientes  para  a  confirmação  da  existência do direito de compensação do contribuinte.  Semelhante  raciocínio  foi  apresentado  em  voto  do  ex­conselheiro  Belchior Melo de Sousa no acórdão nº 3803­004.325, de 27/06/2013, o qual  transcrevo  parcialmente,  por  concordar  inteiramente  com  suas  conclusões  (grifos meus).  O  litígio  decorrente  da  apreciação  das  compensações  declaradas  passou  a  ser  submetido  ao  rito  do  Processo  Administrativo Fiscal, regido pelo Decreto nº 70.235/72, a partir  da  data  publicação  da  Medida  Provisória  nº  135,  de  30  de  outubro de 2003  (convertida na Lei nº 10.833/2003). Assim,  a  princípio deve o litigante submeter­se à observância do art. 16, §  4º, que trata do momento processual de apresentação das provas  como sendo o da manifestação de inconformidade, ou, ainda, até  a decisão de primeira instância, autorizado pelo órgão julgador.  É consabido que a norma legal do art. 16, § 4º, citado, tem  sua  aplicação  originária  ao  processo  de  determinação  e  exigência  de  crédito  tributário,  cujos  fatos  imputados  ao  fiscalizado  devem  ser  respaldados  pela  provas  levantadas  e  apresentadas  pelo  fisco  no  procedimento  inquisitório  do  lançamento. É exigência, ainda, desse feito que os fatos de que é  acusado o autuado estejam pontual e claramente descritos. Este  modelo  de  ação  tem  por  fim  permitir  o  exercício  da  ampla  defesa do contribuinte, sob amparo de garantia constitucional.  Este  rito  foi  tomado  por  empréstimo  para  reger  o  procedimento  administrativo  de  apreciação  da  compensação  tributária,  como  acima  referido  (MP  135/2003),  logo  após  a  inauguração do seu novel regime pela MP nº 66, de 29 de agosto  de 2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002).  A  análise  da  compensação  operada  pelo  contribuinte  da  qual  resulta  o  despacho  decisório,  bem  poderia  conformar­se  ao  mesmo  modelo  do  procedimento  de  determinação  e  exigência  de  crédito  tributário,  caso  fosse  precedido de Termo de Verificação Fiscal, em procedimento  manual,  em  que  ficassem  evidenciados  os  erros  em  que  incorrera  o  contribuinte  e  a  forma  e  providências  necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal.  É  evidente  que  o  despacho  decisório  eletrônico  não  cumpre  esse  desiderato,  sendo  sintética  a  formatação  da  decisão  e  o  teor  da  sua  intimação  para  a  apresentação  de  defesa,  não  fornece  ao  contribuinte  todos  os  elementos  de  que  deve  o  interessado  valer­se,  e  exigíveis  pela  Administração, para subsidiá­la.  Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10166.908042/2009­06  Acórdão n.º 9303­005.083  CSRF­T3  Fl. 7          6 Somente  na  decisão  de  primeira  instância  é  que  o  julgador levanta a exigência das provas, por vezes apenas de  forma  genérica,  diferentemente  do  que  se  deu  no  acórdão  ora  recorrido,  que  especificou  ser  este  respaldo  a  escrita  contábil/fiscal.  Desse modo, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve  ser  interpretado  com  parcimônia  para  este  modelo  de  rito  processual  administrativo,  sobretudo  quando  o  conteúdo  da  sua  letra  “c”  permite  o  enquadramento  desta  situação,  quando  sobreleva  o  risco  de  cerceamento  da  ampla  defesa  do  contribuinte, quando irreleva­se o princípio da verdade material,  que  informa  o  PAF,  e  o  da  moralidade,  que  rege  os  atos  da  Administração, a  impedir a exigência  tributo já quitado ou não  repetir o indébito.  De fato, o contribuinte trouxe em sua manifestação de inconformidade  os  documentos  de  que  dispunha  naquele  momento  e  que  entendia  aptos  a  comprovar  seu  direito,  requerendo  a  posterior  juntada  de  novas  provas,  acaso  se  fizessem  necessárias.  E,  não  tendo  o  julgador  a  quo  reconhecido  naqueles  documentos  a  necessária  força  probante,  trouxe  o  contribuinte  novas provas para reforçar o seu direito, de modo que, no caso concreto, a  apresentação  das  provas  no  recurso  voluntário  é  resultado  da  marcha  natural  do  processo,  sendo  razoável  sua  admissão.  Note­se  que  as  provas  apresentadas no âmbito do recurso voluntário, são notas fiscais e o balancete  contábil  do  período  em  discussão,  as  quais  demonstrariam  supostamente  o  seu direito creditório. Justamente os supostos documentos que a decisão da  DRJ entendeu estarem faltando para a possível comprovação do indébito.  Diante  do  exposto,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso  especial  do  contribuinte determinando o retorno dos autos à instância a quo para análise  do mérito  do  recurso  voluntário,  afastando  a  prejudicial  de  preclusão  das  provas apresentadas."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  conheço  do  recurso  especial  do  contribuinte e, no mérito, dou­lhe provimento, determinando o retorno dos autos à instância a  quo  para  análise  do  mérito  do  recurso  voluntário,  afastando  a  prejudicial  de  preclusão  das  provas.  assinado digitalmente  Rodrigo da Costa Pôssas                              Fl. 97DF CARF MF

score : 1.0
6799191 #
Numero do processo: 13603.724183/2012-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2402-000.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos apontados pelo Relator. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Tulio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci e Jamed Abdul Nasser Feitoza. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário, contra Acórdão da DRJ/SDR que, por unanimidade, decidiram por manter a integralidade do crédito apurado nos Autos de Infração integrantes do processo nº 13603.724183/2012-57. Por bem retratar o corrido na demanda, adotaremos parte do relatório da decisão recorrida: "Do lançamento. Trata-se de processo que abrange Auto de Infração (AI) lavrado por descumprimento de obrigação tributária principal, consolidado em 23/12/2012. A ação fiscal foi autorizada por meio do Mandado de Procedimento Fiscal MPF nº 061.1000.2012.00483, código de acesso 91732816, e iniciada com o Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, cientificado pessoalmente pelo contribuinte. A atividade principal da empresa é a execução de obras e serviços de construção civil. O período fiscalizado e as contribuições apuradas correspondem ao período de janeiro/2008 a dezembro/2008, incluído o 13o salário de 2008. O presente processo compreende o seguinte Auto de Infração: SENAI; d) Serviço Social da Indústria SESI; e) Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE, incidentes sobre salários de contribuições pagos a segurados empregados, não declarados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, identificados por meio dos levantamentos AA e AA2, discriminados na planilha número 1 denominada REMUNERAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES SE NÃO DECLARADAS EM GFIP, conforme as folhas de pagamentos de salários exibidas pelo sujeito passivo, por meio de arquivo digital no formato MANAD e no correspondente Discriminativo de Débito DD; Por tal conduta, prevista no inciso I do artigo 1° da Lei 8.137/1990, a fiscalização emitiu Representação Fiscal Para Fins Penais a ser encaminhada ao Ministério Público em conformidade com o disposto no artigo 66 do DecretoLei n° 3.688, de 3 de outubro de 1941, publicado no Diário Oficial da União DOU de 3 de outubro de 1941 e no inciso VI artigo 116 da Lei n° 8.112, de 11 de dezembro de 1990, publicada no DOU de 12 de dezembro de 1990. Dos outros Autos de Infração lavrados na mesma ação fiscal. Na mesma ação fiscal foram lavrados os Autos de Infração de Obrigações Principais AIOP seguintes: DEBCAD n° 37.353.3616 e DEBCAD 37.353.3675– incluídos no processo COMPROT n° 13603.724037/201221; DEBCAD n° 37.353.3624 e DEBCAD 37.353.3667– incluídos no processo COMPROT n° 13603.724038/201276; DEBCAD 37.353.3632 COMPROT n° 13603.724043/201289; DEBCAD 37.363.3640 COMPROT n° 13603.724181/201268; DEBCAD 37.353.3659– COMPROT n° 13603.724182/201211; DEBCAD 37.353.3691– COMPROT n° 13603.724184/201200; DEBCAD n° 37.353.3705 COMPROT n° 13603.724185/201246; e os Autos de Infração de Obrigações Acessórias AIOA seguintes: DEBCAD 51.001.2817 COMPROT n° 13603.724186/201291; DEBCAD 37.353.3594 e DEBCAD 37.353.3608 COMPROT n° 13603.724187/201235. A fiscalização foi atendida no estabelecimento do sujeito passivo, por Áureo César dos Santos, CPF 432.960.92668. O estabelecimento centralizador do sujeito passivo no período fiscalizado é o de endereço Rua Joaquim Nabuco, 59, Bairro Jardim Industrial, CEP 32215220. Da impugnação apresentada pela empresa URB Topo Engenharia e Construções Ltda. A empresa URB Topo Engenharia e Construções Ltda apresentou impugnação em 01 de fevereiro de 2013. A defesa apresentada, em face da discordância do lançamento constituído pelo AI nº 37.353.3683, alega, em síntese, o que se relata a seguir Cancelamento do lançamento. Discrepância de valores apurados no confronto entre GFIP e DIRF. O Auto de Infração AI encontrase eivado de inconsistências, notadamente no tocante à apuração do quantum debeatur, pelo que o lançamento merece ser cancelado. O agente fiscalizador, talvez pela iminência da decadência qüinqüenal, utilizou metodologia extremamente questionável, como por exemplo, realizou confrontações de dados entre GFIP e DIRF. Verificase que o trabalho fiscal praticamente limitouse a confrontar dados da GFIP com a DIRF, pouco ou nada importando para a fiscalização se tais modalidades de informações fiscais possuem elementos díspares, como por exemplo, enquanto uma adota regime de caixa a outra adota regime de competência. Além disso, as bases de cálculo são diferentes, pois nem toda verba que é levada à tributação do IRPF necessariamente será igualmente tributada pelo INSS. E curiosamente, as discrepâncias apuradas no confronto entre GFIP e DIRF sequer foram alvo de uma revisão/pesquisa, eis que a fiscalização, por razões óbvias, sempre adotou os dados de maior resultado. A validade jurídica do ato administrativo depende do cumprimento dos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, caso contrário, estará comprometida a sua própria validade jurídica. Podese afirmar que o lançamento fiscal que deixar de cumprir esses princípios, não pode ser exigível, pois este ato requer uma segurança jurídica de que o contribuinte não será privado de seus bens sem o devido processo legal conforme principio emoldurado no inciso no LIV, do art. 5º da Lei Fundamentalis. Em razão do exposto, não resta alternativa que não seja o cancelamento in continenti do presente lançamento. Inexistência de solidariedade. A fiscalização, após apurar valores não recolhidos ou recolhidos a menor pelo contribuinte, imputou responsabilidade solidária à URB Mix Concreto Ltda, Consórcio URB Topo Marins, WIR Feira Shopping Ltda – ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda e URB Trans Transportes Gerais Ltda, sem, contudo, apontar, na verdade, os motivos jurídicos e fáticos. Simplesmente, o agente fiscalizador entendeu pela existência de um grupo econômico de fato, sob o seu pseudo fundamento de que se estaria diante de um grupo de empresas com direção, controle e administração exercidos direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas (sic Relatório Fiscal do Auto de Infração). A ingerência fiscal desconhece seus limites, concessa venia. O trabalho fiscal deveria ter sido conduzido de maneira mais aprofundada, pautando pela verdade, no sentido de realmente apurar a existência ou não de grupo econômico de fato e, mais, deveria ter procedido à leitura dos fatos à luz das regras tributárias, notadamente o art. 128, do CTN, que é o pilar de sustentação de toda a responsabilização tributária, eis que dele se denota a existência de condição sine qua non à solidariedadevinculação ao fato gerador praticado. Ou seja, só se pode admitir a imposição de responsabilidade a terceiro quando este necessariamente mantiver vinculação com o fato imponível. Em outras palavras, imputar responsabilidade solidária a determinada pessoa não praticante do fato gerador requer que esse terceiro tenha controle da situação, inclusive para até mesmo impedir a sua prática por parte do sujeito passivo. Traduzindo: a) em primeiro lugar, como pode haver grupo econômico de fato entre o contribuinte e a URB Mix Concreto Ltda se a mesma não gera faturamento algum desde 2007, não contrata empregados, não realiza qualquer tipo de atividade? b) em segundo lugar, a WIR Feira Shopping Ltda possui objeto social completamente distinto do praticado pelo contribuinte, conforme demonstra o seu contrato social; c) em terceiro lugar, o Consórcio Urb Topo Marins, como a própria razão social indica, tratase de uma Sociedade de Propósito Específico SPE criada finalisticamente para atender um determinado evento (obra específica), que inclusive será formalmente encerrada após a conclusão do contrato. Despiciendo lembrar que “consórcio” é um tipo societário sui generis, já que nesse não há uma corporificação, eis que ambas as empresas consorciada simplesmente envidam esforços mútuos, estrutura e mão de obra próprias para a realização daquela específica atividade. Além disso, o art. 30, inciso IX, da Lei nº 8212/1991 carece ser interpretado à luz da regra contida no art. 128, do CTN. Nesse sentido, os incisos do art. 124, do CTN, ao dispor sobre a solidariedade, devem ser interpretados à luz da regra insculpida no art. 128, do mesmo Repositório Tributário. Inclusive, o inciso II, que descreve a solidariedade entre pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, deve ser interpretado abstraindose quaisquer tipos de interesses econômicos no fato gerador, eis que apenas deverá ser observada a existência ou não da prática de condutas concomitantes. Em outras palavras, somente quando o fato gerador seja praticado por mais de uma pessoa (contribuinte) é que haverá o “interesse comum” exigido pelo inciso II, do art. 124, do CTN. Ademais, salvo nas hipóteses de simulação, fraude ou de qualquer outro ardil, as relações jurídicas travadas por uma sociedade não interferem na esfera jurídica das demais sociedades do grupo. Sim, somente quando presentes os motivos que possam ensejar a superação episódica da personalidade jurídica é que se admite a responsabilização às demais sociedades integrantes do grupo, sem necessidade da presença de outros requisitos, conforme, aliás, já decidiu o STJ (STJ 3ª Turma, REsp 228.357/SP, Rel. Min. Castro Filho, 2003). A sociedade que domine a direção unitária do grupo apenas define questões estratégicas, mas não desenvolvem concretamente o objeto social das demais sociedades, não se vinculando aos fatos geradores realizados. A atribuição de responsabilidade solidária é permitida quando a direção do grupo, além de decidir pela realização do fato gerador em si, igualmente exerce a atividade tributária (cumprimento das obrigações principal e acessória). Portanto, mister se faz a presença da competência decisória concreta e não em função de simplesmente pertencer ao grupo, sob pena de violar o preceito contido no art. 128, do CTN. Simples interesse econômico não justifica a imputação de solidariedade. O ônus de fazer tais provas pertence unicamente ao fisco ex vi do art. 142 e 149, do CTN. E inexiste nos presentes autos qualquer elemento concreto de prova que possa validamente atribuir responsabilidade solidária às empresas retro citadas. Diante dos fatos, é medida imperativa o cancelamento da solidariedade imputada às sociedades URB Mix Concreto Ltda, Consórcio URB Topo Marins, WIR Feira Shopping Ltda – ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda e URB Trans Transportes Gerais Ltda, porquanto o trabalho fiscal se baseia em pura presunção. Do caráter pessoal atribuído às infrações. Outro aspecto que merece destaque é a ilegalidade em se exigir das empresas tidas como solidárias o pagamento da multa pelo não recolhimento tributário. Isso porque a multa nada mais é do que uma sanção (condenação) pelo descumprimento de determinada obrigação. A multa exigida em razão de uma infração tributária não pode validamente ser exigida daquelas empresas que não praticaram de per si o fato gerador, ainda que existisse um grupo formalmente organizado, eis que faltará o nexo de causalidade, motivo pelo qual apenas a sociedade infratora é quem poderá ser apenada. Assim, tendo em vista o caráter pessoal da pena prevista no art. 5º, inciso XLV, da CF/88, em caso de descumprimento de obrigação tributária, tão somente ao contribuinte (aquele que pratica o fato gerador) é que poderá ser imputado o ônus de pagar as multas exigidas pela legislação. Portanto,as multas, se porventura devidas, somente poderão ser exigidas do contribuinte. Da regra do art. 123 do CTN às avessas. A forma com que o fisco está atribuindo responsabilidade solidária às demais empresas nada mais é do que aplicar às avessas a regra estatuída no art. 123, do CTN. Portanto, se, salvo disposição legal em contrário, não podem os contribuintes alterar por convenção particular as regras tributárias relativas à definição legal do sujeito passivo, da mesma forma não pode o fisco se valer pura e simplesmente dos instrumentos societários para sobretudo impingir solidariedade passiva fora das situações previstas pelo próprio art. 124 e 128, do CTN e sem qualquer robusta prova de participação efetiva de mais de uma pessoa na prática do fato gerador. Ex positis, vem o contribuinte requerer o cancelamento do presente lançamento pelas diversas inconsistências apresentadas no trabalho de apuração fiscal e, se porventura, não for esse o entendimento, pelo que se admite apenas ad argumentandum tantum, que sejam desconstituídos todos os termos de responsabilização passiva solidária, a fim de que apenas o contribuinte seja responsabilizado por eventuais valores não recolhidos, bem como que sejam canceladas as exigências de multas às demais empresas pelo princípio da pessoalidade das sanções." Em seu recurso reprisa os fundamentos da impugnação. Compulsando os autos, verificamos a existência de ofício da PGFN informando a respeito de possível concomitância de processo judicial, porém não juntou as peças para confirmação do alegado. É o relatório. VOTO Conselheiro - Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Partindo da informação apresentada pela PGFN, consultamos o site da Justiça Federal de Minas Gerais - TRF1 e verificando a existência do citado processo. A página de consulta indica que a demanda abrange os processos administrativos tributários de nº 13603724185201246, 13603724037201221, 13603724038201276, 13603724043201289, 13603724181201268, 13603724182201211, 13603724183201257, 13603724184201200, 13603724186201291. Apesar de parecer verossímil a alegação de existência de concomitância informada pela PGFN, por não constar dos autos, deste processo administrativo, as cópias integrais do referido processo judicial ou mesmo da inicial, não é possível, com segurança, afirmar que exista identidade de objeto, causa de pedir e pedido, tendo por conseqüência a declaração de desistência da via administrativa. Considerando que a demanda ora analisada não versa exclusivamente sobre os créditos em si, abrangendo também a questão de existência de solidariedade entre os participantes do grupo econômico, caso a discussão judicial verse apenas quanto aos créditos, sem tratar da discussão de solidariedade, está deverá ser objeto de analise por este colegiado. Ainda, sem as peças não é possível nem mesmo afirmar que existe concomitância, eis que, a mera alegação da PGFN de que a matéria discutida refere-se ao cancelamento dos respectivos lançamentos desacompanhada de provas não é suficiente para formar o convencimento deste relator.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA

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Trata-se de processo que abrange Auto de Infração (AI) lavrado por descumprimento de obrigação tributária principal, consolidado em 23/12/2012. A ação fiscal foi autorizada por meio do Mandado de Procedimento Fiscal MPF nº 061.1000.2012.00483, código de acesso 91732816, e iniciada com o Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, cientificado pessoalmente pelo contribuinte. A atividade principal da empresa é a execução de obras e serviços de construção civil. O período fiscalizado e as contribuições apuradas correspondem ao período de janeiro/2008 a dezembro/2008, incluído o 13o salário de 2008. O presente processo compreende o seguinte Auto de Infração: SENAI; d) Serviço Social da Indústria SESI; e) Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE, incidentes sobre salários de contribuições pagos a segurados empregados, não declarados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, identificados por meio dos levantamentos AA e AA2, discriminados na planilha número 1 denominada REMUNERAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES SE NÃO DECLARADAS EM GFIP, conforme as folhas de pagamentos de salários exibidas pelo sujeito passivo, por meio de arquivo digital no formato MANAD e no correspondente Discriminativo de Débito DD; Por tal conduta, prevista no inciso I do artigo 1° da Lei 8.137/1990, a fiscalização emitiu Representação Fiscal Para Fins Penais a ser encaminhada ao Ministério Público em conformidade com o disposto no artigo 66 do DecretoLei n° 3.688, de 3 de outubro de 1941, publicado no Diário Oficial da União DOU de 3 de outubro de 1941 e no inciso VI artigo 116 da Lei n° 8.112, de 11 de dezembro de 1990, publicada no DOU de 12 de dezembro de 1990. Dos outros Autos de Infração lavrados na mesma ação fiscal. Na mesma ação fiscal foram lavrados os Autos de Infração de Obrigações Principais AIOP seguintes: DEBCAD n° 37.353.3616 e DEBCAD 37.353.3675– incluídos no processo COMPROT n° 13603.724037/201221; DEBCAD n° 37.353.3624 e DEBCAD 37.353.3667– incluídos no processo COMPROT n° 13603.724038/201276; DEBCAD 37.353.3632 COMPROT n° 13603.724043/201289; DEBCAD 37.363.3640 COMPROT n° 13603.724181/201268; DEBCAD 37.353.3659– COMPROT n° 13603.724182/201211; DEBCAD 37.353.3691– COMPROT n° 13603.724184/201200; DEBCAD n° 37.353.3705 COMPROT n° 13603.724185/201246; e os Autos de Infração de Obrigações Acessórias AIOA seguintes: DEBCAD 51.001.2817 COMPROT n° 13603.724186/201291; DEBCAD 37.353.3594 e DEBCAD 37.353.3608 COMPROT n° 13603.724187/201235. A fiscalização foi atendida no estabelecimento do sujeito passivo, por Áureo César dos Santos, CPF 432.960.92668. O estabelecimento centralizador do sujeito passivo no período fiscalizado é o de endereço Rua Joaquim Nabuco, 59, Bairro Jardim Industrial, CEP 32215220. Da impugnação apresentada pela empresa URB Topo Engenharia e Construções Ltda. A empresa URB Topo Engenharia e Construções Ltda apresentou impugnação em 01 de fevereiro de 2013. A defesa apresentada, em face da discordância do lançamento constituído pelo AI nº 37.353.3683, alega, em síntese, o que se relata a seguir Cancelamento do lançamento. Discrepância de valores apurados no confronto entre GFIP e DIRF. O Auto de Infração AI encontrase eivado de inconsistências, notadamente no tocante à apuração do quantum debeatur, pelo que o lançamento merece ser cancelado. O agente fiscalizador, talvez pela iminência da decadência qüinqüenal, utilizou metodologia extremamente questionável, como por exemplo, realizou confrontações de dados entre GFIP e DIRF. Verificase que o trabalho fiscal praticamente limitouse a confrontar dados da GFIP com a DIRF, pouco ou nada importando para a fiscalização se tais modalidades de informações fiscais possuem elementos díspares, como por exemplo, enquanto uma adota regime de caixa a outra adota regime de competência. Além disso, as bases de cálculo são diferentes, pois nem toda verba que é levada à tributação do IRPF necessariamente será igualmente tributada pelo INSS. E curiosamente, as discrepâncias apuradas no confronto entre GFIP e DIRF sequer foram alvo de uma revisão/pesquisa, eis que a fiscalização, por razões óbvias, sempre adotou os dados de maior resultado. A validade jurídica do ato administrativo depende do cumprimento dos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, caso contrário, estará comprometida a sua própria validade jurídica. Podese afirmar que o lançamento fiscal que deixar de cumprir esses princípios, não pode ser exigível, pois este ato requer uma segurança jurídica de que o contribuinte não será privado de seus bens sem o devido processo legal conforme principio emoldurado no inciso no LIV, do art. 5º da Lei Fundamentalis. Em razão do exposto, não resta alternativa que não seja o cancelamento in continenti do presente lançamento. Inexistência de solidariedade. A fiscalização, após apurar valores não recolhidos ou recolhidos a menor pelo contribuinte, imputou responsabilidade solidária à URB Mix Concreto Ltda, Consórcio URB Topo Marins, WIR Feira Shopping Ltda – ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda e URB Trans Transportes Gerais Ltda, sem, contudo, apontar, na verdade, os motivos jurídicos e fáticos. Simplesmente, o agente fiscalizador entendeu pela existência de um grupo econômico de fato, sob o seu pseudo fundamento de que se estaria diante de um grupo de empresas com direção, controle e administração exercidos direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas (sic Relatório Fiscal do Auto de Infração). A ingerência fiscal desconhece seus limites, concessa venia. O trabalho fiscal deveria ter sido conduzido de maneira mais aprofundada, pautando pela verdade, no sentido de realmente apurar a existência ou não de grupo econômico de fato e, mais, deveria ter procedido à leitura dos fatos à luz das regras tributárias, notadamente o art. 128, do CTN, que é o pilar de sustentação de toda a responsabilização tributária, eis que dele se denota a existência de condição sine qua non à solidariedadevinculação ao fato gerador praticado. Ou seja, só se pode admitir a imposição de responsabilidade a terceiro quando este necessariamente mantiver vinculação com o fato imponível. Em outras palavras, imputar responsabilidade solidária a determinada pessoa não praticante do fato gerador requer que esse terceiro tenha controle da situação, inclusive para até mesmo impedir a sua prática por parte do sujeito passivo. Traduzindo: a) em primeiro lugar, como pode haver grupo econômico de fato entre o contribuinte e a URB Mix Concreto Ltda se a mesma não gera faturamento algum desde 2007, não contrata empregados, não realiza qualquer tipo de atividade? b) em segundo lugar, a WIR Feira Shopping Ltda possui objeto social completamente distinto do praticado pelo contribuinte, conforme demonstra o seu contrato social; c) em terceiro lugar, o Consórcio Urb Topo Marins, como a própria razão social indica, tratase de uma Sociedade de Propósito Específico SPE criada finalisticamente para atender um determinado evento (obra específica), que inclusive será formalmente encerrada após a conclusão do contrato. Despiciendo lembrar que “consórcio” é um tipo societário sui generis, já que nesse não há uma corporificação, eis que ambas as empresas consorciada simplesmente envidam esforços mútuos, estrutura e mão de obra próprias para a realização daquela específica atividade. Além disso, o art. 30, inciso IX, da Lei nº 8212/1991 carece ser interpretado à luz da regra contida no art. 128, do CTN. Nesse sentido, os incisos do art. 124, do CTN, ao dispor sobre a solidariedade, devem ser interpretados à luz da regra insculpida no art. 128, do mesmo Repositório Tributário. Inclusive, o inciso II, que descreve a solidariedade entre pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, deve ser interpretado abstraindose quaisquer tipos de interesses econômicos no fato gerador, eis que apenas deverá ser observada a existência ou não da prática de condutas concomitantes. Em outras palavras, somente quando o fato gerador seja praticado por mais de uma pessoa (contribuinte) é que haverá o “interesse comum” exigido pelo inciso II, do art. 124, do CTN. Ademais, salvo nas hipóteses de simulação, fraude ou de qualquer outro ardil, as relações jurídicas travadas por uma sociedade não interferem na esfera jurídica das demais sociedades do grupo. Sim, somente quando presentes os motivos que possam ensejar a superação episódica da personalidade jurídica é que se admite a responsabilização às demais sociedades integrantes do grupo, sem necessidade da presença de outros requisitos, conforme, aliás, já decidiu o STJ (STJ 3ª Turma, REsp 228.357/SP, Rel. Min. Castro Filho, 2003). A sociedade que domine a direção unitária do grupo apenas define questões estratégicas, mas não desenvolvem concretamente o objeto social das demais sociedades, não se vinculando aos fatos geradores realizados. A atribuição de responsabilidade solidária é permitida quando a direção do grupo, além de decidir pela realização do fato gerador em si, igualmente exerce a atividade tributária (cumprimento das obrigações principal e acessória). Portanto, mister se faz a presença da competência decisória concreta e não em função de simplesmente pertencer ao grupo, sob pena de violar o preceito contido no art. 128, do CTN. Simples interesse econômico não justifica a imputação de solidariedade. O ônus de fazer tais provas pertence unicamente ao fisco ex vi do art. 142 e 149, do CTN. E inexiste nos presentes autos qualquer elemento concreto de prova que possa validamente atribuir responsabilidade solidária às empresas retro citadas. Diante dos fatos, é medida imperativa o cancelamento da solidariedade imputada às sociedades URB Mix Concreto Ltda, Consórcio URB Topo Marins, WIR Feira Shopping Ltda – ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda e URB Trans Transportes Gerais Ltda, porquanto o trabalho fiscal se baseia em pura presunção. Do caráter pessoal atribuído às infrações. Outro aspecto que merece destaque é a ilegalidade em se exigir das empresas tidas como solidárias o pagamento da multa pelo não recolhimento tributário. Isso porque a multa nada mais é do que uma sanção (condenação) pelo descumprimento de determinada obrigação. A multa exigida em razão de uma infração tributária não pode validamente ser exigida daquelas empresas que não praticaram de per si o fato gerador, ainda que existisse um grupo formalmente organizado, eis que faltará o nexo de causalidade, motivo pelo qual apenas a sociedade infratora é quem poderá ser apenada. Assim, tendo em vista o caráter pessoal da pena prevista no art. 5º, inciso XLV, da CF/88, em caso de descumprimento de obrigação tributária, tão somente ao contribuinte (aquele que pratica o fato gerador) é que poderá ser imputado o ônus de pagar as multas exigidas pela legislação. Portanto,as multas, se porventura devidas, somente poderão ser exigidas do contribuinte. Da regra do art. 123 do CTN às avessas. A forma com que o fisco está atribuindo responsabilidade solidária às demais empresas nada mais é do que aplicar às avessas a regra estatuída no art. 123, do CTN. Portanto, se, salvo disposição legal em contrário, não podem os contribuintes alterar por convenção particular as regras tributárias relativas à definição legal do sujeito passivo, da mesma forma não pode o fisco se valer pura e simplesmente dos instrumentos societários para sobretudo impingir solidariedade passiva fora das situações previstas pelo próprio art. 124 e 128, do CTN e sem qualquer robusta prova de participação efetiva de mais de uma pessoa na prática do fato gerador. Ex positis, vem o contribuinte requerer o cancelamento do presente lançamento pelas diversas inconsistências apresentadas no trabalho de apuração fiscal e, se porventura, não for esse o entendimento, pelo que se admite apenas ad argumentandum tantum, que sejam desconstituídos todos os termos de responsabilização passiva solidária, a fim de que apenas o contribuinte seja responsabilizado por eventuais valores não recolhidos, bem como que sejam canceladas as exigências de multas às demais empresas pelo princípio da pessoalidade das sanções." Em seu recurso reprisa os fundamentos da impugnação. Compulsando os autos, verificamos a existência de ofício da PGFN informando a respeito de possível concomitância de processo judicial, porém não juntou as peças para confirmação do alegado. É o relatório. VOTO Conselheiro - Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Partindo da informação apresentada pela PGFN, consultamos o site da Justiça Federal de Minas Gerais - TRF1 e verificando a existência do citado processo. A página de consulta indica que a demanda abrange os processos administrativos tributários de nº 13603724185201246, 13603724037201221, 13603724038201276, 13603724043201289, 13603724181201268, 13603724182201211, 13603724183201257, 13603724184201200, 13603724186201291. Apesar de parecer verossímil a alegação de existência de concomitância informada pela PGFN, por não constar dos autos, deste processo administrativo, as cópias integrais do referido processo judicial ou mesmo da inicial, não é possível, com segurança, afirmar que exista identidade de objeto, causa de pedir e pedido, tendo por conseqüência a declaração de desistência da via administrativa. Considerando que a demanda ora analisada não versa exclusivamente sobre os créditos em si, abrangendo também a questão de existência de solidariedade entre os participantes do grupo econômico, caso a discussão judicial verse apenas quanto aos créditos, sem tratar da discussão de solidariedade, está deverá ser objeto de analise por este colegiado. Ainda, sem as peças não é possível nem mesmo afirmar que existe concomitância, eis que, a mera alegação da PGFN de que a matéria discutida refere-se ao cancelamento dos respectivos lançamentos desacompanhada de provas não é suficiente para formar o convencimento deste relator.

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2402­000.594  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  04 de abril de 2017  Assunto  SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA  Recorrente  URB TOPO ENGENHARIA E CONSTRUCOES LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, nos termos apontados pelo Relator.     (assinado digitalmente)  Kleber Ferreira de Araújo ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Jamed Abdul Nasser Feitoza ­ Relator    Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo,  Ronnie Soares Anderson, Tulio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário  Pereira  de  Pinho  Filho,  Bianca  Felícia  Rothschild,  João  Victor  Ribeiro  Aldinucci  e  Jamed  Abdul Nasser Feitoza.       RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .7 24 18 3/ 20 12 -5 7 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13603.724183/2012­57  Resolução nº  2402­000.594  S2­C4T2  Fl. 141          2 RELATÓRIO  Trata­se  de  Recurso  Voluntário,  contra  Acórdão  da  DRJ/SDR  que,  por  unanimidade, decidiram por manter a integralidade do crédito apurado nos Autos de Infração  integrantes do processo nº 13603.724183/2012­57.  Por bem retratar o corrido na demanda, adotaremos parte do relatório da decisão  recorrida:  "Do lançamento.  Trata­se de processo que abrange Auto de Infração (AI) lavrado por descumprimento de  obrigação tributária principal, consolidado em 23/12/2012.  A  ação  fiscal  foi  autorizada  por  meio  do Mandado  de  Procedimento  Fiscal MPF  nº  061.1000.2012.00483, código de acesso 91732816, e iniciada com o Termo de Início de  Procedimento Fiscal – TIPF, cientificado pessoalmente pelo contribuinte.  A atividade principal da empresa é a execução de obras e serviços de construção civil.  O  período  fiscalizado  e  as  contribuições  apuradas  correspondem  ao  período  de  janeiro/2008 a dezembro/2008, incluído o 13o salário de 2008.  O presente processo compreende o seguinte Auto de Infração:  SENAI; d) Serviço Social da Indústria SESI; e) Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e  Pequenas  Empresas  SEBRAE,  incidentes  sobre  salários  de  contribuições  pagos  a  segurados  empregados,  não  declarados  em  Guias  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia de Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, identificados  por  meio  dos  levantamentos  AA  e  AA2,  discriminados  na  planilha  número  1  denominada REMUNERAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES SE NÃO DECLARADAS EM  GFIP, conforme as folhas de pagamentos de salários exibidas pelo sujeito passivo, por  meio  de  arquivo  digital  no  formato MANAD  e  no  correspondente Discriminativo  de  Débito  DD;  Por  tal  conduta,  prevista  no  inciso  I  do  artigo  1°  da  Lei  8.137/1990,  a  fiscalização  emitiu  Representação  Fiscal  Para  Fins  Penais  a  ser  encaminhada  ao  Ministério  Público  em  conformidade  com  o  disposto  no  artigo  66  do  DecretoLei  n°  3.688, de 3 de outubro de 1941, publicado no Diário Oficial  da União DOU de 3 de  outubro de 1941 e no inciso VI artigo 116 da Lei n° 8.112, de 11 de dezembro de 1990,  publicada no DOU de 12 de dezembro de 1990.  Dos outros Autos de Infração lavrados na mesma ação fiscal.  Na mesma  ação  fiscal  foram  lavrados  os Autos de  Infração  de Obrigações  Principais  AIOP  seguintes:  DEBCAD  n°  37.353.3616  e  DEBCAD  37.353.3675–  incluídos  no  processo COMPROT n° 13603.724037/201221; DEBCAD n° 37.353.3624 e DEBCAD  37.353.3667–  incluídos no processo COMPROT n° 13603.724038/201276; DEBCAD  37.353.3632  COMPROT  n°  13603.724043/201289;  DEBCAD  37.363.3640  COMPROT  n°  13603.724181/201268;  DEBCAD  37.353.3659–  COMPROT  n°  13603.724182/201211; DEBCAD 37.353.3691– COMPROT n° 13603.724184/201200;  DEBCAD  n°  37.353.3705  COMPROT  n°  13603.724185/201246;  e  os  Autos  de  Infração  de  Obrigações  Acessórias  AIOA  seguintes:  DEBCAD  51.001.2817  COMPROT  n°  13603.724186/201291;  DEBCAD  37.353.3594  e  DEBCAD  37.353.3608 COMPROT n° 13603.724187/201235.  Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13603.724183/2012­57  Resolução nº  2402­000.594  S2­C4T2  Fl. 142          3 A fiscalização foi atendida no estabelecimento do sujeito passivo, por Áureo César dos  Santos, CPF 432.960.92668.  O  estabelecimento  centralizador  do  sujeito  passivo  no  período  fiscalizado  é  o  de  endereço Rua Joaquim Nabuco, 59, Bairro Jardim Industrial, CEP 32215220.  Da impugnação apresentada pela empresa URB Topo Engenharia e Construções Ltda.  A empresa URB Topo Engenharia e Construções Ltda apresentou  impugnação em 01  de  fevereiro  de  2013. A  defesa  apresentada,  em  face  da  discordância  do  lançamento  constituído  pelo  AI  nº  37.353.3683,  alega,  em  síntese,  o  que  se  relata  a  seguir  Cancelamento  do  lançamento.  Discrepância  de  valores  apurados  no  confronto  entre  GFIP e DIRF.  O Auto de Infração AI encontrase eivado de inconsistências, notadamente no tocante à  apuração do quantum debeatur, pelo que o lançamento merece ser cancelado.  O  agente  fiscalizador,  talvez  pela  iminência  da  decadência  qüinqüenal,  utilizou  metodologia extremamente questionável, como por exemplo, realizou confrontações de  dados entre GFIP e DIRF.  Verificase que o trabalho fiscal praticamente limitouse a confrontar dados da GFIP com  a  DIRF,  pouco  ou  nada  importando  para  a  fiscalização  se  tais  modalidades  de  informações  fiscais  possuem  elementos  díspares,  como  por  exemplo,  enquanto  uma  adota  regime de  caixa  a outra adota  regime de  competência. Além disso,  as bases de  cálculo  são  diferentes,  pois  nem  toda  verba  que  é  levada  à  tributação  do  IRPF  necessariamente será igualmente tributada pelo INSS.  E  curiosamente,  as  discrepâncias  apuradas  no  confronto  entre  GFIP  e  DIRF  sequer  foram alvo de uma revisão/pesquisa, eis que a  fiscalização, por razões óbvias, sempre  adotou os dados de maior resultado.  A validade  jurídica  do  ato  administrativo  depende  do  cumprimento  dos  princípios  da  legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, caso contrário, estará  comprometida a sua própria validade jurídica.  Podese  afirmar  que  o  lançamento  fiscal  que  deixar  de  cumprir  esses  princípios,  não  pode ser exigível, pois este ato requer uma segurança jurídica de que o contribuinte não  será privado de seus bens sem o devido processo legal conforme principio emoldurado  no inciso no LIV, do art. 5º da Lei Fundamentalis.  Em razão do exposto, não resta alternativa que não seja o cancelamento in continenti do  presente lançamento.  Inexistência de solidariedade.  A  fiscalização,  após  apurar  valores  não  recolhidos  ou  recolhidos  a  menor  pelo  contribuinte, imputou responsabilidade solidária à URB Mix Concreto Ltda, Consórcio  URB  Topo  Marins,  WIR  Feira  Shopping  Ltda  –  ME,  URBENG  Engenharia  e  Incorporações Ltda  e URB Trans Transportes Gerais Ltda,  sem,  contudo,  apontar,  na  verdade, os motivos jurídicos e fáticos.  Simplesmente, o agente fiscalizador entendeu pela existência de um grupo econômico  de fato, sob o seu pseudo fundamento de que se estaria diante de um grupo de empresas  Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13603.724183/2012­57  Resolução nº  2402­000.594  S2­C4T2  Fl. 143          4 com  direção,  controle  e  administração  exercidos  direta  ou  indiretamente  pelo mesmo  grupo de pessoas (sic Relatório Fiscal do Auto de Infração).  A ingerência fiscal desconhece seus limites, concessa venia.  O  trabalho  fiscal  deveria  ter  sido  conduzido  de maneira mais  aprofundada,  pautando  pela verdade, no sentido de realmente apurar a existência ou não de grupo econômico  de  fato  e, mais,  deveria  ter  procedido  à  leitura  dos  fatos  à  luz  das  regras  tributárias,  notadamente  o  art.  128,  do  CTN,  que  é  o  pilar  de  sustentação  de  toda  a  responsabilização  tributária,  eis  que  dele  se  denota  a existência de  condição  sine  qua  non à solidariedadevinculação ao fato gerador praticado. Ou seja, só se pode admitir a  imposição  de  responsabilidade  a  terceiro  quando  este  necessariamente  mantiver  vinculação com o fato imponível.  Em  outras  palavras,  imputar  responsabilidade  solidária  a  determinada  pessoa  não  praticante do fato gerador requer que esse terceiro tenha controle da situação, inclusive  para até mesmo impedir a sua prática por parte do sujeito passivo.  Traduzindo:  a) em primeiro lugar, como pode haver grupo econômico de fato entre o contribuinte e a  URB Mix  Concreto  Ltda  se  a  mesma  não  gera  faturamento  algum  desde  2007,  não  contrata empregados, não realiza qualquer tipo de atividade?  b) em segundo lugar, a WIR Feira Shopping Ltda possui objeto social completamente  distinto do praticado pelo contribuinte, conforme demonstra o seu contrato social; c) em  terceiro lugar, o Consórcio Urb Topo Marins, como a própria razão social indica, tratase  de uma Sociedade de Propósito Específico SPE criada finalisticamente para atender um  determinado evento (obra específica), que inclusive será formalmente encerrada após a  conclusão  do  contrato. Despiciendo  lembrar  que  “consórcio”  é  um  tipo societário  sui  generis, já que nesse não há uma corporificação, eis que ambas as empresas consorciada  simplesmente  envidam  esforços  mútuos,  estrutura  e  mão  de  obra  próprias  para  a  realização daquela específica atividade.  Além disso, o art. 30,  inciso IX, da Lei nº 8212/1991 carece ser interpretado à  luz da  regra contida no art. 128, do CTN.  Nesse sentido, os incisos do art. 124, do CTN, ao dispor sobre a solidariedade, devem  ser interpretados à luz da regra insculpida no art. 128, do mesmo Repositório Tributário.  Inclusive, o inciso II, que descreve a solidariedade entre pessoas que tenham interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal,  deve  ser  interpretado abstraindose quaisquer tipos de interesses econômicos no fato gerador, eis  que  apenas  deverá  ser  observada  a  existência  ou  não  da  prática  de  condutas  concomitantes.  Em  outras  palavras,  somente  quando  o  fato  gerador  seja  praticado  por mais  de  uma  pessoa (contribuinte) é que haverá o “interesse comum” exigido pelo inciso II, do art.  124, do CTN.  Ademais,  salvo  nas  hipóteses  de  simulação,  fraude  ou  de  qualquer  outro  ardil,  as  relações  jurídicas  travadas  por  uma  sociedade  não  interferem  na  esfera  jurídica  das  demais sociedades do grupo.  Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13603.724183/2012­57  Resolução nº  2402­000.594  S2­C4T2  Fl. 144          5 Sim,  somente quando presentes os motivos que possam ensejar a  superação episódica  da  personalidade  jurídica  é  que  se  admite  a  responsabilização  às  demais  sociedades  integrantes do grupo, sem necessidade da presença de outros requisitos, conforme, aliás,  já decidiu o STJ (STJ 3ª Turma, REsp 228.357/SP, Rel. Min. Castro Filho, 2003).  A  sociedade  que  domine  a  direção  unitária  do  grupo  apenas  define  questões  estratégicas,  mas  não  desenvolvem  concretamente  o  objeto  social  das  demais  sociedades, não se vinculando aos fatos geradores realizados.  A atribuição de responsabilidade solidária é permitida quando a direção do grupo, além  de decidir pela realização do fato gerador em si, igualmente exerce a atividade tributária  (cumprimento das obrigações principal e acessória). Portanto, mister se faz a presença  da  competência  decisória  concreta  e  não  em  função  de  simplesmente  pertencer  ao  grupo, sob pena de violar o preceito contido no art. 128, do CTN.  Simples interesse econômico não justifica a imputação de solidariedade.  O ônus de  fazer  tais provas pertence unicamente  ao  fisco ex vi do art. 142 e 149, do  CTN. E  inexiste  nos  presentes  autos  qualquer  elemento  concreto  de  prova  que  possa  validamente atribuir responsabilidade solidária às empresas retro citadas.  Diante  dos  fatos,  é  medida  imperativa  o  cancelamento  da  solidariedade  imputada  às  sociedades  URB  Mix  Concreto  Ltda,  Consórcio  URB  Topo  Marins,  WIR  Feira  Shopping  Ltda  –  ME,  URBENG  Engenharia  e  Incorporações  Ltda  e  URB  Trans  Transportes Gerais Ltda, porquanto o trabalho fiscal se baseia em pura presunção.  Do caráter pessoal atribuído às infrações.  Outro  aspecto  que  merece  destaque  é  a  ilegalidade  em  se  exigir  das  empresas  tidas  como solidárias o pagamento da multa pelo não recolhimento tributário.  Isso porque a multa nada mais é do que uma sanção (condenação) pelo descumprimento  de  determinada  obrigação.  A multa  exigida  em  razão  de  uma  infração  tributária  não  pode  validamente  ser  exigida  daquelas  empresas  que  não  praticaram  de  per  si  o  fato  gerador, ainda que existisse um grupo formalmente organizado, eis que faltará o nexo  de  causalidade,  motivo  pelo  qual  apenas  a  sociedade  infratora  é  quem  poderá  ser  apenada.  Assim,  tendo  em  vista  o  caráter  pessoal  da  pena  prevista  no  art.  5º,  inciso XLV,  da  CF/88, em caso de descumprimento de obrigação tributária, tão somente ao contribuinte  (aquele que pratica o fato gerador) é que poderá ser imputado o ônus de pagar as multas  exigidas pela legislação.  Portanto,as  multas,  se  porventura  devidas,  somente  poderão  ser  exigidas  do  contribuinte.  Da regra do art. 123 do CTN às avessas.  A forma com que o fisco está atribuindo responsabilidade solidária às demais empresas  nada mais é do que aplicar às avessas a regra estatuída no art. 123, do CTN.  Portanto, se, salvo disposição legal em contrário, não podem os contribuintes alterar por  convenção particular as regras tributárias relativas à definição legal do sujeito passivo,  da  mesma  forma  não  pode  o  fisco  se  valer  pura  e  simplesmente  dos  instrumentos  societários  para  sobretudo  impingir  solidariedade  passiva  fora  das  situações  previstas  Fl. 144DF CARF MF Processo nº 13603.724183/2012­57  Resolução nº  2402­000.594  S2­C4T2  Fl. 145          6 pelo  próprio  art.  124  e  128,  do  CTN  e  sem  qualquer  robusta  prova  de  participação  efetiva de mais de uma pessoa na prática do fato gerador.  Ex positis,  vem o  contribuinte  requerer o cancelamento do presente  lançamento pelas  diversas  inconsistências  apresentadas  no  trabalho  de  apuração  fiscal  e,  se  porventura,  não for esse o entendimento, pelo que se admite apenas ad argumentandum tantum, que  sejam desconstituídos todos os termos de responsabilização passiva solidária, a fim de  que  apenas o  contribuinte  seja  responsabilizado por  eventuais valores não  recolhidos,  bem  como  que  sejam  canceladas  as  exigências  de  multas  às  demais  empresas  pelo  princípio da pessoalidade das sanções."  Em seu recurso reprisa os fundamentos da impugnação.  Compulsando os autos, verificamos a existência de ofício da PGFN informando  a  respeito  de  possível  concomitância  de  processo  judicial,  porém  não  juntou  as  peças  para  confirmação do alegado.  É o relatório.   Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13603.724183/2012­57  Resolução nº  2402­000.594  S2­C4T2  Fl. 146          7 VOTO  Conselheiro ­ Jamed Abdul Nasser Feitoza ­ Relator  Partindo da  informação  apresentada pela PGFN,  consultamos o  site da  Justiça  Federal de Minas Gerais ­ TRF1 e verificando a existência do citado processo.  A  página  de  consulta  indica  que  a  demanda  abrange  os  processos  administrativos  tributários  de  nº  13603724185201246,  13603724037201221,  13603724038201276,  13603724043201289,  13603724181201268,  13603724182201211,  13603724183201257, 13603724184201200, 13603724186201291.  Apesar  de  parecer  verossímil  a  alegação  de  existência  de  concomitância  informada  pela  PGFN,  por  não  constar  dos  autos,  deste  processo  administrativo,  as  cópias  integrais  do  referido  processo  judicial  ou mesmo  da  inicial,  não  é  possível,  com  segurança,  afirmar  que  exista  identidade  de  objeto,  causa  de  pedir  e  pedido,  tendo  por  conseqüência  a  declaração de desistência da via administrativa.  Considerando que a demanda ora analisada não versa exclusivamente sobre os  créditos  em  si,  abrangendo  também  a  questão  de  existência  de  solidariedade  entre  os  participantes do grupo econômico, caso a discussão judicial verse apenas quanto aos créditos,  sem tratar da discussão de solidariedade, está deverá ser objeto de analise por este colegiado.  Ainda,  sem  as  peças  não  é  possível  nem  mesmo  afirmar  que  existe  concomitância,  eis  que,  a  mera  alegação  da  PGFN  de  que  a  matéria  discutida  refere­se  ao  cancelamento  dos  respectivos  lançamentos  desacompanhada  de  provas  não  é  suficiente  para  formar o convencimento deste relator.   Conclusão  Diante  do  exposto,  voto  por  converter  o  julgamento  em  diligência,  a  fim  de  determinar que sejam tomadas as providências necessárias para juntadas aos autos das peças da  Ação Ordinária nº 32699­66.2016.4.601.3800, em especial a sua petição inicial, a sentença, as  eventuais peças  recursais, bem como as decisões possivelmente proferidas em grau  recursal.,  informando,  ainda,  se  propôs  qualquer  outra  ação  cuja  objeto  possa  coincidir  com  o  objeto  deste processo administrativo.    (assinado digitalmente)  Jamed Abdul Nasser Feitoza   Fl. 146DF CARF MF

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Numero do processo: 10140.722142/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2009 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUB-ROGAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. Conforme decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral reconhecida, é constitucional a contribuição social do empregador rural pessoa física, bem como a sub-rogação do seu recolhimento, em relação a fatos geradores ocorridos na vigência da Lei 10.256/01. IRPF. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude da contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da penalidade, sobretudo quando a autoridade lançadora baseou-se em meras suposições sobre o tema no Relatório Fiscal.
Numero da decisão: 2401-004.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial, para excluir a qualificadora da multa. Vencidos o relator e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Vencidas as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Miriam Denise Xavier Lazarini, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA

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Relatório  S.  G.  O.  AGRIBUSINESS  LTDA  ­  ME,  contribuinte,  pessoa  jurídica  de  direito privado, já qualificada nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da  decisão  da  4a  Turma  da  DRJ  em  Campo  Grande/MS,  Acórdão  nº  04­35.426/2014,  às  fls.  360/372,  que  julgou  procedente  o  lançamento  fiscal,  referentes  às  contribuições  sociais  denominadas  de  FUNRURAL,  em  relação  ao  período  de  02/2009  a  12/2010,  conforme  Relatório Fiscal, às e­fls. 10/19, consubstanciado nos seguintes Autos de Infração:  a)  AI  DEBCAD  nº  51.049.928­7  –  Contribuições  previdenciárias  do  produtor rural pessoa física incidentes sobre o montante da comercialização de produtos rurais,  destinadas à Seguridade Social, ao financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei  nº 8.213, de 1991 e aos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  ­  GILRAT,  abrangendo  as  competências  de  02/2009  a  12/2010,  com  valor  total  de  R$  7.126.096,96,  consolidado  em  04/12/2013, cuja responsabilidade pela retenção e recolhimento cabia à autuada (fls.10 e 20).  b)  AI  DEBCAD  nº  51.049.929­5  –  Contribuições  previdenciárias  do  produtor rural pessoa física incidentes sobre o montante da comercialização de produtos rurais  destinadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem rural ­ SENAR, abrangendo as competências  de  02/2009  a  12/2010,  com  valor  total  de R$  678.675,95,  consolidado  em  14/12/2013,  cuja  responsabilidade pela retenção e recolhimento cabia à autuada (fls.10 e 29).  Como pode­se ver da  autuação,  a  contribuinte  foi  autuada, na qualidade  de  responsável  tributária  por  sub­rogação, na  forma  do Art.  30,  IV,  da  Lei  n.  8.212/91,  por  suposta  falta  de  retenção  e  recolhimento  do  FUNRURAL devido  pelo  produtores  rurais  dos  quais  ela  adquire  produtos  vegetais,  especialmente  soja.  Em  vista  desta  narrativa,  além  da  contribuição previdenciária, a autoridade autuante aplicou, ainda, multa de ofício qualificada,  Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10140.722142/2013­11  Acórdão n.º 2401­004.786  S2­C4T1  Fl. 453          3 no importe de 150% do valor do tributo devido, a teor do Art. 35­A da Lei n. 8.212/91 c.c Art.  44, § 1 o , da Lei n. 9.430/96.  A  fundamentar  legalmente  referida  autuação,  além  dos  dispositivos  já  citados, a autoridade fiscal apontou violação ao Art. 25, I e II; e Art. 30, IV, ambos da Lei n.  8.212/91,  entre  outras  disposições;  e  Art.  124  e  125  do  CTN,  para  fins  de  imputar  a  responsabilidade solidária a terceiras pessoas estranhas ao quadro societário da empresa, sócios  de sociedade empresária que prestava serviço de corretagem em favor da recorrente.  Importante  salientar  ter  a  unidade  preparadora  transferido  a  cobrança  dos  créditos  tributários  referentes  ao  DEBCAD  51.049.929­5  para  o  processo  nº  10140.720107/2014­31  (fls.348 e 349), pois  referem­se  à Contribuição Previdenciária devida  ao SENAR, matéria que não foi impugnada.  Inconformada  com  a  Decisão  recorrida  a  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário,  às  e­fls.  393/410,  procurando  demonstrar  sua  improcedência,  desenvolvendo  em  síntese as seguintes razões.  Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o  lançamento,  repisa  as  alegações  da  impugnação,  suscitando  a  absoluta  ausência  de  previsão  legal capaz de lhe imputar a qualidade de responsável tributária por sub­rogação, considerando  os  reflexos  da declaração  de  inconstitucionalidade  proferida pelo STF no  julgamento  do RE  363.852­MG e do RE 596.177­RS sobre a redação do Art. 30, IV, da Lei n. 8.212/91.  Esclarece ter o STF, por meio do julgamento dos Recursos Extraordinários nº  363.852/MG e  596.177/RS,  declarou  inconstitucional  o  art.  1º  da  lei  nº  8.540,  de  1992,  que  havia conferido nova redação ao art. 12, incisos V e VII; art. 25, incisos I e II; e art. 30, inciso  IV da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528, de 1997.  Aduz, após o julgado do STF, haver ausência de descrição legal da hipótese  de incidência , da base de cálculo e da alíquota das contribuições previdenciárias lançadas, pois  após a referida declaração de inconstitucionalidade, o caput do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991,  com a redação da Lei nº 10.256, de 2001, passou a vigorar sem os incisos I e II (com a redação  da Lei nº 9.528, de 1997, declarada inconstitucional).  Explicita  que  inexistindo  previsão  legal  para  a  exigência  das  contribuições  previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural do produtor rural pessoa  física,  não  há  se  falar  em  responsabilidade  tributária  da  autuada,  ainda  mais  pelo  fato  de  também  ter  sido  declarada  a  inconstitucionalidade  o  art.  30,  inciso  IV,  da  Lei  nº  8.212,  de  1991, conforme redação do art. 1º da Lei nº 8.540, de 1992, e atualizações até a Lei nº 9.528,  de 1997, cujo dispositivo tratava justamente da responsabilidade dos adquirentes da produção  rural do produtor rural pessoa física, colacionando jurisprudência dos tribunais federais e deste  Conselho.  Insurge­se  quanto  a  fundamentação  da  autoridade  lançadora  para  lançar  a  multa  de ofício  qualificada,  qual  seja,  a  acusação  de que  a pessoa  jurídica  impugnante  seria  administrada por pessoas estranhas a seu quadro societário, pois a autuada não era administrada  por  terceiras  pessoas,  pois  estas  apenas  realizavam  negócios  de  intermediação  de  compra  e  venda para a autuada;  Fl. 454DF CARF MF     4 Alega  não  ter  praticado  nenhuma  conduta  que  possa  ser  enquadrada  como  sonegação  ou  fraude,  pois  sempre  prestou  todas  as  informações  ao  Fisco  por  meio  de  Escrituração  Fiscal  Digital,  além  de  emissão  de  notas  fiscais  eletrônicas,  e  a  falta  de  recolhimento das contribuições previdenciárias sobre a aquisição da produção do produtor rural  pessoa física deve­se ao fato de existir gigantesca discussão judicial já com decisões proferidas  pelo STF;  Por  fim,  requer  o  conhecimento  e  provimento  do  seu  recurso,  para  desconsiderar  o  Auto  de  Infração,  tornando­o  sem  efeito  e,  no  mérito,  a  sua  absoluta  improcedência.  Não houve apresentação de contrarrazões.  É o relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Rayd Santana Ferreira ­ Relator  Presente  o  pressuposto  de  admissibilidade,  por  ser  tempestivo,  conheço  do  recurso e passo ao exame das alegações recursais.  Como pode­se ver da  autuação,  a  contribuinte  foi  autuada, na qualidade  de  responsável  tributária  por  sub­rogação, na  forma  do Art.  30,  IV,  da  Lei  n.  8.212/91,  por  suposta  falta  de  retenção  e  recolhimento  do  FUNRURAL devido  pelo  produtores  rurais  dos  quais  ela  adquire  produtos  vegetais,  especialmente  soja.  Em  vista  desta  narrativa,  além  da  contribuição previdenciária, a autoridade autuante aplicou, ainda, multa de ofício qualificada,  no importe de 150% do valor do tributo devido, a teor do Art. 35­A da Lei n. 8.212/91 c.c Art.  44, § 1 o , da Lei n. 9.430/96.  A  fundamentar  legalmente  referida  autuação,  além  dos  dispositivos  já  citados, a autoridade fiscal apontou violação ao Art. 25, I e II; e Art. 30, IV, ambos da Lei n.  8.212/91,  entre  outras  disposições;  e  Art.  124  e  125  do  CTN,  para  fins  de  imputar  a  responsabilidade solidária a terceiras pessoas estranhas ao quadro societário da empresa, sócios  de sociedade empresária que prestava serviço de corretagem em favor da recorrente.  Importante  salientar  ter  a  unidade  preparadora  transferido  a  cobrança  dos  créditos  tributários  referentes  ao  DEBCAD  51.049.929­5  para  o  processo  nº  10140.720107/2014­31  (fls.348 e 349), pois  referem­se  à Contribuição Previdenciária devida  ao SENAR, matéria que não foi impugnada.  Dito  isto,  trataremos  especificamente  das  contribuições  devidas  pelos  produtores rurais dos quais a recorrente adquire produtos vegetais ("funrural" ­ sub­rogação) e  a multa qualificada, matérias devidamente suscitadas no recurso.  DAS CONTRIBUIÇÕES ­ "FUNRURAL"  A  contribuinte  suscita  a  absoluta  ausência  de  previsão  legal  capaz  de  lhe  imputar  a  qualidade  de  responsável  tributária  por  sub­rogação,  considerando  os  reflexos  da  declaração de  inconstitucionalidade proferida pelo STF no  julgamento do RE 363.852­MG e  do RE 596.177­RS sobre a redação do Art. 30, IV, da Lei n. 8.212/91.  Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10140.722142/2013­11  Acórdão n.º 2401­004.786  S2­C4T1  Fl. 454          5 Esclarece ter o STF, por meio do julgamento dos Recursos Extraordinários nº  363.852/MG e  596.177/RS,  declarou  inconstitucional  o  art.  1º  da  lei  nº  8.540,  de  1992,  que  havia conferido nova redação ao art. 12, incisos V e VII; art. 25, incisos I e II; e art. 30, inciso  IV da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528, de 1997.  Aduz, após o julgado do STF, haver ausência de descrição legal da hipótese  de incidência , da base de cálculo e da alíquota das contribuições previdenciárias lançadas, pois  após a referida declaração de inconstitucionalidade, o caput do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991,  com a redação da Lei nº 10.256, de 2001, passou a vigorar sem os incisos I e II (com a redação  da Lei nº 9.528, de 1997, declarada inconstitucional).  Explicita  que  inexistindo  previsão  legal  para  a  exigência  das  contribuições  previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural do produtor rural pessoa  física,  não  há  se  falar  em  responsabilidade  tributária  da  autuada,  ainda  mais  pelo  fato  de  também  ter  sido  declarada  a  inconstitucionalidade  o  art.  30,  inciso  IV,  da  Lei  nº  8.212,  de  1991, conforme redação do art. 1º da Lei nº 8.540, de 1992, e atualizações até a Lei nº 9.528,  de 1997, cujo dispositivo tratava justamente da responsabilidade dos adquirentes da produção  rural do produtor rural pessoa física, colacionando jurisprudência dos tribunais federais e deste  Conselho.  Com  efeito,  a  Suprema  Corte  deste  País  no  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  –  RE  n.º  363.852,  já  se  manifestou  sobre  a  questão  e,  por  entender  que  a  contribuição representa uma dupla tributação, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da  Lei n.º 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, inciso V e VII, 25, incisos I e II, e 30,  inciso IV, da Lei n.º 8.212/91, nos termos abaixo:  “O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator,  conheceu  e  deu  provimento  ao  recurso  extraordinário  para  desobrigar  os  recorrentes  da  retenção  e  do  recolhimento  da  contribuição  social  ou  do  seu  recolhimento  por  sub­rogação  sobre  a  ‘receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  produção  rural’  de  empregadores,  pessoas  naturais,  fornecedores  de  bovinos  para  abate,  declarando  a  inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei n.º  8.540/92, que deu  nova redação aos artigos 12,  incisos V e VII, 25, incisos  I e  II,  30, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91, com a redação atualização até  a Lei n.º 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda  Constitucional  n.º  20/98,  venha  a  instituir  a  contribuição,  tudo  na  forma do pedido  inicial,  invertidos os ônus da sucumbência.  Em seguida, o Relator apresentou petição da União no  sentido  de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria,  vencida  a  Senhora Ministro  Ellen Gracie.  Votou  o  Presidente,  Ministro  Gilmar  Mendes.  Ausentes,  licenciado,  o  Senhor  Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro  Joaquim  Barbosa,  com  voto  proferido  na  assentada  anterior,  Plenário, 03.02.2010.”  Posteriormente, em sessão plenária, o STF ratificou o seu posicionamento e  manteve  seu  entendimento  sobre  a  inconstitucionalidade  dos  dispositivos  legais  supramencionados ao rejeitar os embargos de declaração da União Federal no RE n.º 363.852.   Fl. 456DF CARF MF     6 Tais embargos foram apresentados com o objetivo de que se declarasse que a  Lei  n.º  10.256/2001,  que  alterou  parte  do  artigo  25,  da  Lei  n.º  8.212/91,  havia  sanado  a  inconstitucionalidade.  Porém, o posicionamento do ministro  relator  foi  no  sentido de que  como  a  referida lei somente modificou o caput do artigo 25, mantendo a alíquota e a base de cálculo da  contribuição,  não  houve  alteração  no  que  se  refere  à  inconstitucionalidade  da  cobrança  do  "Funrural'.  A  jurisprudência  do  CARF  que  se  ocupou  do  tema,  oferece  guarida  ao  entendimento acima esposado, reconhecendo a inconstitucionalidade indicada pelo STF, senão  vejamos:  "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2010  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FUNRURAL.  INCONSTITUCIONALIDADE.  A  Suprema  Corte,  no  julgamento  do  RE  363.852,  declarou  a  inconstitucionalidade  do  artigo  1º  da  Lei  nº  8.540/92  que  deu  nova redação aos artigos 12,  incisos V e VII, 25, incisos IV, da  Lei nº 8.212/91.Indevido o recolhimento de contribuição para o  Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL) sobre  a  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  produção  rural  de  empregadores,  pessoas  naturais.Recurso  Voluntário  Provido (Acórdão n° 2803­003.608, Data da Sessão 10/09/2014,  Relator NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS)"  Vale ainda mencionar que a 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 2ª Seção  de Julgamento do CARF ao julgar argumentos semelhantes no processo 13116.001044/200786,  afasta  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  referente  à  omissão  dos  valores  da  receita  bruta  proveniente da comercialização da produção rural, conforme ementa abaixo:  "MPF. RECEBIMENTO PELO CONTADOR. VALIDADE.  Em acordo com a Teoria da Aparência, não há nulidade do MPF  diante  da  intimação  do  contador  da  empresa  ao  invés  de  seu  representante  legal,  se  aquele  se  coloca  como  investido  de  autorização para recebê­la, bem como conhece os fatos a serem  examinados pela fiscalização (art. 23 do Decreto nº 70.235/72).  TIAF. INEXIGIBILIDADE.  O  TIAF  é  inexigível  desde  18  de  dezembro  de  2003,  com  o  advento  da  Instrução  Normativa  INSS/DC  nº  100.  Não  há  necessidade de expedição de dois instrumento, o TIAF e o MPF,  quando  ambos  têm  o  mesmo  objetivo,  de  informar  ao  contribuinte que se encontram sob auditoria fiscal.  INEXISTÊNCIA  DE  CERCEAMENTO  AO  DIREITO  DE  DEFESA. VALIDADE DE INTIMAÇÃO.  Inexiste cerceamento ao direito de defesa da empresa apontada  como responsável solidária pelo débito, se devidamente intimada  para se manifestar acerca da autuação contra ela lavrada.  Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10140.722142/2013­11  Acórdão n.º 2401­004.786  S2­C4T1  Fl. 455          7 CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  DO  PRODUTOR  RURAL.  INCIDÊNCIA  SOBRE  A  RECEITA  BRUTA  DA  COMERCIALIZAÇÃO  DA  PRODUÇÃO.  OBRIGAÇÃO  DO  ADQUIRENTE  DE  RETER  E  RECOLHER  A  CONTRIBUIÇÃO.  INCONSTITUCIONALIDADE  RECONHECIDA PELO STF.  Reconhecida  por  decisão  do  plenário  do  STF,  transitada  em  julgado,  a  inconstitucionalidade  da  contribuição  devida  pelo  produtor  rural  e  segurado  especial  sobre  a  receita  bruta  da  comercialização  da  sua  produção,  bem  como  a  obrigação  do  adquirente  de  efetuar  a  retenção  e  o  recolhimento,  pode  o  CARF  aplicá­la,  afastando  as  obrigações  com  fulcro  na  referida contribuição.  GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE.  Constatada  a  existência  de  grupo  econômico  de  fato,  não  há  como ser afastada a solidariedade imposta pelo artigo 30, IX da  Lei nº 8.212/1991.  NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE  FATOS GERADORES DE  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  APLICAÇÃO  DE  PENALIDADE  MAIS  BENÉFICA  AO  CONTRIBUINTE.  POSSIBILIDADE.  A  apresentação  de  GFIP  com  dados  não  correspondentes  a  todos  os  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias,  constituía, à época da  infração, violação ao art. 32,  IV, §3º do  Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32,  §5º da mesma lei.  A  penalidade  prevista  no  art.  32A,  inciso  I,  da  Lei  8.212/91,  incluído pela Lei nº 11.941/2009, pode retroagir para beneficiar  o contribuinte, sendo­lhe mais benéfica.  Recurso Voluntário Provido em Parte"(grifo nosso)  Ademais, quando do julgamento do RE 596.177/RS foi declarada novamente  a  inconstitucionalidade,  em  sede  de  repercussão  geral,  tendo  em  vista  a  exigência  de  dupla  tributação  caso  o  produtor  rural  seja  empregador  e  também  pela  necessidade  de  lei  complementar  para  a  instituição  de  nova  fonte  de  custeio  para  a  seguridade  social.  Posição  ratificada  em  17/10/2013  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  ao  analisar  os  embargos  de  declaração opostos pela União.  Diante do exposto, entendo que a contribuição incidente sobre a receita bruta  proveniente  da  comercialização  da  produção  rural  ­  FUNRURAL  não  pode  ser  validamente  exigida.  Importantíssimo  salientar  que  em  decisão  recente,  mais  precisamente  na  sessão plenária em 30/03/2017, o Supremo Tribunal Federal  alterou seu entendimento acima  exarado, declarando nesta oportunidade  a  constitucionalidade da  contribuição  sobre  a  receita  bruta  ­ FUNRURAL,  em  sede  de  repercussão  geral. No  entanto,  tal Acórdão  ainda  não  fora  devidamente formalizado e publicado, até a data de elaboração desta minuta, motivo pelo qual  compartilho do entendimento anteriormente firmado.  Fl. 458DF CARF MF     8 MULTA QUALIFICADA  A fiscalização aplicou a multa de ofício qualificada, no importe de 150% do  valor do  tributo devido, a  teor do Art. 35­A da Lei n. 8.212/91 c.c Art. 44, § 1 o  , da Lei n.  9.430/96.  A  decisão  de  piso  manteve  a  qualificação  por  entender  que  o  não  recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização de produção  rural adquirida de pessoas físicas, e  também não as informar em GFIP, fato que impede e/ou  retarda o conhecimento por parte da autoridade fiscal da ocorrência do fato gerador a obrigação  tributária, o que, por si só, já configura a sonegação fiscal conforme definida no art. 71 da Lei  nº 4.502, de 1964.  Por  sua  vez  a  recorrente  insurge­se  quanto  a  fundamentação  da  autoridade  lançadora  para  lançar  a  multa  de  ofício  qualificada,  qual  seja,  a  acusação  de  que  a  pessoa  jurídica  impugnante  seria  administrada  por pessoas  estranhas  a  seu  quadro  societário,  pois  a  autuada não era administrada por terceiras pessoas, pois estas apenas realizavam negócios de  intermediação de compra e venda para a autuada;  Alega  não  ter  praticado  nenhuma  conduta  que  possa  ser  enquadrada  como  sonegação  ou  fraude,  pois  sempre  prestou  todas  as  informações  ao  Fisco  por  meio  de  Escrituração  Fiscal  Digital,  além  de  emissão  de  notas  fiscais  eletrônicas,  e  a  falta  de  recolhimento das contribuições previdenciárias sobre a aquisição da produção do produtor rural  pessoa física deve­se ao fato de existir gigantesca discussão judicial já com decisões proferidas  pelo STF;  Inicialmente, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a  matéria, que assim prescrevem:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  [...]  § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.  Por sua vez, os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, ao contemplarem as  figuras do “dolo, fraude ou sonegação”, estabelecem o seguinte:  “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:   I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;   II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.   Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10140.722142/2013­11  Acórdão n.º 2401­004.786  S2­C4T1  Fl. 456          9 Art  .  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.   Art  . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  arts. 71 e 72.”  Consoante  se  infere  dos  dispositivos  legais  acima  transcritos,  impõe­se  à  autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação  de  regência  em  casos  de  imputação  da  multa  qualificada,  que  somente  poderá  ser  levada  a  efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou sonegação),  devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a  devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o  delito efetivamente praticado.  Em outras palavras, não basta a  indicação da conduta dolosa, fraudulenta, a  partir de meras presunções e/ou subjetividades,  impondo a devida comprovação por parte da  autoridade fiscal da intenção pré­determinada do contribuinte, demonstrada de modo concreto,  sem  deixar  margem  a  qualquer  dúvida,  visando  impedir/retardar  o  recolhimento  do  tributo  devido.  Este  entendimento,  aliás,  encontra­se  sedimentado  no  âmbito  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  CARF,  conforme  se  extrai  dos  julgados  com  suas  ementas abaixo transcritas:  “MULTA AGRAVADA – Fraude – Não pode  ser presumida ou  alicerçada  em  indícios.  A  penalidade  qualificada  somente  é  admissível  quando  factualmente  constatada  as  hipóteses  de  fraude,  dolo  ou  simulação.”  (8ª  Câmara  do  1°  Conselho  de  Contribuintes – Acórdão n° 108­07.561, Sessão de 16/10/2003)  (grifamos)  “ MULTA QUALIFICADA  – NÃO CARACTERIZAÇÃO  –  Não  tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da  fraude  ou  da  simulação,  descabe  a  qualificação  da  penalidade  de  ofício  agravada.”  (2ª  Câmara  do  1°  Conselho  de  Contribuintes – Acórdão n° 102­45.625, Sessão de 21/08/2002)  “MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE  – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a  multa  agravada  quando  presentes  os  fatos  caracterizadores  de  evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da  Lei n° 4.502/64, fazendo­se a sua redução ao percentual normal  de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem  à  infrações  apuradas  por  presunção.”  (8ª  Câmara  do  1°  Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 108­07.356, Sessão de  16/04/2003) (grifamos)  Na esteira desse raciocínio,  ratificando posicionamento pacífico do então 1º  Conselho de Contribuintes,  o CARF consagrou  de uma vez por  todas o  entendimento  acima  alinhavado, editando a Súmula nº 14, determinando que:   Fl. 460DF CARF MF     10 “  Súmula  CARF  nº  14:  A  simples  apuração  de  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  QUALIFICAÇÃO  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”  Na hipótese dos autos, inobstante o esforço do fiscal autuante, não podemos  afirmar  com  a  segurança  que  o  caso  exige  ter  a  contribuinte  agido  com  dolo  objetivando  suprimir tributos.  Com efeito,  como muito bem delineado no  recurso voluntário, a autoridade  lançadora  não  logrou  demonstrar  com  especificidade  a  conduta  adotada  pela  contribuinte  tendente sonegar tributos intencionalmente, com o fito de justificar a qualificação da multa em  150%,  não  se  prestando  à  sua  aplicabilidade  ao  simples  fato  de  que  a  empresa  com  grande  faturamento deve  ser administrada por pessoas  com experiência  e que  em nenhum momento  esteve  na  presença  dos  sócios,  apenas  dos  advogados  e  contadores,  ao  contrário  do  que  pretende fazer crer a nobre fiscalização.  A  rigor,  in  casu,  o  que  torna  ainda  mais  digno  de  realce,  é  que  a  nobre  autoridade  lançadora  NÃO  COMPROVOU  E  ESPECIFICOU  SOBRE  A  QUALIFICAÇÃO  DA  MULTA  QUANTO  A  REAL  CONDUTA  DOLOSA  OU  FRAUDULENTA Da simples  análise do Relatório Fiscal, de  e­fls.  10/19,  constata­se que  a  fiscalização não trata em momento algum de aludido tema, deixando, portanto, de justificar de  maneira  clara  e  fundamentada  a  aplicação  da  multa  qualificada.  Escorou­se  apenas  que  empresa  com  grande  faturamento  deve  ser  administrada  por  pessoas  com  experiência  e  em  nenhum momento esteve na presença dos sócios, ou seja, meras suposições e achismos.  Ora,  independentemente  do  entendimento  de  cada  julgador  ou  autoridade  fazendária a  respeito do mérito de aludida demanda, não se pode admitir que o Fisco atribua  crime de sonegação fiscal, a partir da qualificação da multa, sem que tenha escrito sequer uma  linha  sobre  o  tema,  de  maneira  a  motivar  sua  conclusão,  demonstrando  a  eventual  conduta  dolosa da contribuinte. E muito menos em meras suposições ou achismos. Esse procedimento,  além  de  macular  o  regramento  para  adoção  da  multa  imposta,  representa  uma  verdadeira  preterição do direito de defesa da contribuinte, que sequer tem conhecimento do que lhe está  sendo atribuído, impossibilitando sua defesa.  O  mero  não  recolhimento,  não  significa  a  existência  de  dolo,  fraude  e  simulação, cabendo o fiscal aprofundar e caracterizar a existência deste, ainda mais no que diz  respeito a um tributo que tem a sua exigibilidade questionada.  Sendo assim, como o Fisco não demonstrou a conduta dolosa e o intuito de  sonegação, a multa qualificada, deverá ser excluída do presente lançamento fiscal.  Por  todo o  exposto,  estando a NFLD,  sub examine,  em dissonância  com as  normas  legais  que  regulamentam  a  matéria,  VOTO  NO  SENTIDO  DE  CONHECER  DO  RECURSO VOLUNTÁRIO,  e DAR­LHE PROVIMENTO, pelas  razões de  fato  e de direito  acima esposadas.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira  Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10140.722142/2013­11  Acórdão n.º 2401­004.786  S2­C4T1  Fl. 457          11 Voto Vencedor  Conselheiro Denny Medeiros da Silveira ­ Redator Designado  Acompanho o Relator quanto à exclusão da multa qualificada, porém, com a  maxima venia, divirjo quanto à contribuição do empregador rural pessoa física e quanto à sub­ rogação do seu recolhimento.  Em sua redação original, o art. 25, da Lei 8.212/91, estabelecia a contribuição  sobre  o  resultado  da  comercialização  da  produção  rural  apenas  em  relação  aos  segurados  especiais1:  Art.  25. Contribui  com  3%  (três  por  cento)  da  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção  o  segurado  especial referido no inciso VII do art. 12.   Tal regra estava em consonância com o disposto na Constituição Federal, art.  195, § 8º (redação original):  § 8º O produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais, o  garimpeiro  e  o  pescador  artesanal,  bem  como  os  respectivos  cônjuges,  que  exerçam suas atividades  em  regime de  economia  familiar,  sem  empregados  permanentes,  contribuirão  para  a  seguridade social mediante a aplicação de uma alíquota sobre o  resultado  da  comercialização  da  produção  e  farão  jus  aos  benefícios nos termos da lei.  Todavia,  a Lei 8.540/92,  com  redação  atualizada pela Lei 9.528/97,  incluiu  no  citado  art.  25  o  empregador  rural  pessoa  física  como  contribuinte  sobre  a  receita  da  comercialização da produção rural:  Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física e do  segurado  especial  referidos,  respectivamente,  na  alínea  "a"  do  inciso  V  e  no  inciso  VII  do  art.  12  desta  Lei,  destinada  a  Seguridade  Social,  é  de: (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97).  I  ­ 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua  produção;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).  II ­ 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua  produção  para  financiamento  das  prestações  por  acidente  do  trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).  (Grifo nosso)  A Lei 8.540/92, com redação atualizada pela Lei 9.528/97, também incluiu o  empregador rural pessoa física na sub­rogação prevista no art. 30, inciso IV, da Lei 8.212/91:  IV ­ a empresa adquirente,  consumidora ou consignatária ou a  cooperativa  ficam sub­rogadas  nas obrigações da pessoa  física                                                              1 Produtor rural individual, sem empregados, ou que exerce a atividade rural em regime de economia familiar.  Fl. 462DF CARF MF     12 de que  trata a alínea "a" do  inciso V do art. 12 e do segurado  especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei,  independentemente  de  as  operações  de  venda  ou  consignação  terem  sido  realizadas  diretamente  com  o  produtor  ou  com  intermediário  pessoa  física,  exceto  no  caso  do  inciso  X  deste  artigo,  na  forma  estabelecida  em  regulamento;(Redação  dada  pela Lei 9.528, de 10.12.97)  (Grifo nosso)  Acontece que  a Constituição Federal,  em  sua  redação  vigente  à  época,  não  previa a receita como base de cálculo das contribuições do empregador, mas apenas a folha de  salários, o faturamento e o lucro:  Art.  195. A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:  I  ­  dos  empregadores,  incidente  sobre  a  folha  de  salários,  o  faturamento e o lucro;  II ­ dos trabalhadores;  III ­ sobre a receita de concursos de prognósticos.  E mais, o art. 195, § 4º, da Constituição Federal, em referência ao art. 154,  inciso  I,  da mesma Carta Republicana,  estabelecia que novas  fontes de custeio deveriam ser  criadas por lei complementar.   Dessa  forma,  a  fonte  de  custeio  criada  pela  Lei  8.540/92  restou  em  dissonância com as regras constitucionais.  Contudo,  a Emenda Constitucional  (EC) nº 20, de 15/12/98,  incluiu no  art.  195, inciso I, a receita como fonte de custeio, nos seguintes termos:  Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais  I ­ do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada  na forma da lei, incidentes sobre:   a) a  folha de  salários  e demais  rendimentos do  trabalho pagos  ou  creditados,  a  qualquer  título,  à  pessoa  física  que  lhe  preste  serviço, mesmo sem vínculo empregatício;   b) a receita ou o faturamento;   c) o lucro;   II  ­  do  trabalhador  e  dos  demais  segurados  da  previdência  social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão  concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata  o art. 201;   III ­ sobre a receita de concursos de prognósticos.  Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10140.722142/2013­11  Acórdão n.º 2401­004.786  S2­C4T1  Fl. 458          13 (Grifo nosso)  Portanto, a partir da EC nº 20/98, a receita, como fonte de custeio, passou a  ter amparo na Constituição Federal.  Então, nesse novo cenário constitucional, a Lei 10.256, de 9/7/01, manteve o  empregador rural pessoa física no caput do art. 25 da Lei 8.212/91:  Art.  25.  A  contribuição  do  empregador  rural  pessoa  física,  em  substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art.  22,  e  a  do  segurado  especial,  referidos,  respectivamente,  na  alínea  a  do  inciso  V  e  no  inciso  VII  do  art.  12  desta  Lei,  destinada à Seguridade Social, é de:(Redação dada pela Lei nº  10.256, de 2001)  I  ­ 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua  produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).  II ­ 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua  produção  para  financiamento  das  prestações  por  acidente  do  trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).  (Grifo nosso)  Todavia, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é firme no sentido de  que  a  alteração constitucional não  tem  o  condão  de  tornar  legítima  norma  anteriormente  considerada inconstitucional diante da Constituição Federal então vigente.  Dessa  forma,  no  julgamento  do  RE  363.852/MG,  realizado  em  3/2/10,  o  Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela inconstitucionalidade das alterações promovidas  pelas  Leis  8.540/92  e  9.528/97  na  Lei  8.212/91,  afastando  a  obrigação  sub­rogada  do  adquirente da produção rural:  Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do  Relator,  conheceu  e  deu  provimento  ao  recurso  extraordinário  para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da  contribuição  social  ou  do  seu  recolhimento  por  subrrogação  sobre  a  “receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  produção  rural”  de  empregadores,  pessoas  naturais,  fornecedores  de  bovinos  para  abate,  declarando  a  inconstitucionalidade  do  artigo  1º  da  Lei  nº  8.540/92,  que  deu  nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e  30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a  Lei  nº  9.528/97, até  que  legislação  nova,  arrimada na Emenda  Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na  forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em  seguida,  o  Relator  apresentou  petição  da União  no  sentido  de  modular  os  efeitos  da  decisão,  que  foi  rejeitada  por  maioria,  vencida  a  Senhora Ministra  Ellen Gracie.  Votou  o  Presidente,  Ministro  Gilmar  Mendes.  Ausentes,  licenciado,  o  Senhor  Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro  Joaquim  Barbosa,  com  voto  proferido  na  assentada  anterior.  Plenário, 03.02.2010.  Fl. 464DF CARF MF     14 Conforme  se observa,  o STF  foi  claro  ao decidir  pela  inconstitucionalidade  da  contribuição  do  empregador  rural  pessoa  física  e  correspondente  sub­rogação  do  seu  recolhimento  até  que  legislação  nova,  arrimada  na  EC  nº  20/98,  viesse  a  instituir  a  contribuição.   Nesse  particular,  cabe  destaque  a  decisão  proferida  pelo  Min.  Joaquim  Barbosa, no  julgamento do RE 585.684/RS, na qual  se  conclui pela  inconstitucionalidade da  exação até a entrada em vigor da Lei 10.256/01:  No julgamento do RE 363.852 (rel. min. Marco Aurélio, DJe de  23.04.2010),  o Pleno desta Corte  considerou  inconstitucional o  tributo  cobrado nos  termos dos artigos 12,  incisos V e VII,  25,  incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações  decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Assim, o acórdão  recorrido divergiu dessa orientação. Ante o exposto, conheço do  recurso  extraordinário  e  dou­lhe  parcial  provimento,  para  proibir a cobrança da contribuição devida pelo produtor rural  empregador pessoa física, cobrada com base na Lei 8.212/1991  e  as  que  se  seguiram  até  a  Lei  10.256/2001.  (RE  585684,  Relator  Min.  JOAQUIM  BARBOSA,  julgado  em  10/02/2011,  publicado no DJe038 de 25/02/2011  (Grifo nosso)  Assim,  com  a  entrada  em  vigor  da  Lei  nº  10.256/01,  editada  sob  o manto  constitucional aberto pela EC nº 20/98, passaram a ser devidas as contribuições sociais a cargo  do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1%, incidentes sobre a receita bruta  proveniente da comercialização da sua produção, nos termos assinalados no art. 25 da Lei nº  8.212/91, com a redação que lhe foi introduzida pela Lei nº 10.256/01.  Quanto  à  sub­rogação,  há  que  se  observar  que  o  STF  não  declarou  inconstitucional a regra consignada no inciso IV do art. 30 da Lei 8.212/91, mas sim o art. 1º  da Lei 8.540/92, o qual, dentre outras tantas providências, deu nova redação ao art. 12, incisos  V e VII, art. 25, incisos I e II, e art. 30, inciso IV, da Lei 8.212/91.  Diante desse quadro, já podemos concluir que após a entrada em vigor da Lei  10.256/01,  tanto  a  contribuição  devida  pelo  empregador  rural  pessoa  física  quanto  a  sub­ rogação  do  seu  recolhimento  passaram  a  estar  devidamente  amparadas  pelo  ordenamento  jurídico.  Desse  modo,  as  razões  expostas  até  aqui,  por  si  só,  são  suficientes  para  manter o lançamento ora questionado, porém, não poderíamos deixar de trazer à baila a recente  decisão proferida pelo STF, no julgamento do RE 718.874/RS, em 30/3/17, citada pelo Relator  e que ainda aguarda publicação:  Decisão:  O  Tribunal,  por  maioria,  apreciando  o  tema  669  da  repercussão  geral,  conheceu  do  recurso  extraordinário  e  a  ele  deu provimento,  vencidos os Ministros Edson Fachin  (Relator),  Rosa Weber,  Ricardo  Lewandowski, Marco Aurélio  e Celso  de  Mello,  que  negavam  provimento  ao  recurso.  Em  seguida,  por  maioria,  acompanhando  proposta  da  Ministra  Cármen  Lúcia  (Presidente), o Tribunal fixou a seguinte tese: "É constitucional  formal  e  materialmente  a  contribuição  social  do  empregador  rural  pessoa  física,  instituída  pela  Lei  10.256/2001,  incidente  sobre  a  receita  bruta  obtida  com  a  comercialização  de  sua  produção",  vencido  o  Ministro  Marco  Aurélio,  que  não  se  Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10140.722142/2013­11  Acórdão n.º 2401­004.786  S2­C4T1  Fl. 459          15 pronunciou  quanto  à  tese.  Redator  para  o  acórdão  o Ministro  Alexandre de Moraes. Plenário, 30.3.2017.   Portanto, como se não bastassem as razões anteriores, essa última decisão do  STF  sacramentou  a  constitucionalidade  da  exação  em  comento,  em  relação  a  fatos  gerados  ocorridos na vigência da Lei 10.256/01.  Sendo  assim,  como  o  lançamento  em  questão  abarca  as  competências  de  02/2009 a 12/2010, não há como se acatar a defesa apresentada quanto à contribuição devida  pelo empregador rural pessoa física e quanto à sub­rogação do seu recolhimento.  Conclusão  Isso  posto,  DOU  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  Recurso  Voluntário  para  excluir do lançamento apenas a qualificação da multa.  (assinado digitalmente)  Denny Medeiros da Silveira                      Fl. 466DF CARF MF

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Numero do processo: 16682.720521/2014-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.

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2401­000.587  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  06 de junho de 2017  Assunto  Solicitação de Diligência  Recorrente  PETROBRAS TRANSPORTE S/A ­ TRANSPETRO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.      Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento  em diligência nos termos do voto da relatora.     (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier Lazarini ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Andréa Viana Arrais Egypto ­ Relatora    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Miriam  Denise  Xavier  Lazarini,  Carlos  Alexandre  Tortato,  Rayd  Santana  Ferreira,  Denny  Medeiros  da  Silveira,  Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia  Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.         RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 52 1/ 20 14 -0 7 Fl. 12766DF CARF MF Processo nº 16682.720521/2014­07  Resolução nº  2401­000.587  S2­C4T1  Fl. 3          2   RELATÓRIO    Trata­se de Recurso Voluntário interposto, em face da decisão da 3ª Turma da  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande ­ MS (DRJ/CGE),  que  rejeita  as  preliminares  arguidas  e  julga  a  IMPUGNAÇÃO  IMPROCEDENTE  com  MANUTENÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, por votação unânime,  conforme ementa do  Acórdão nº 04­39.421 (fls.12.549/12.613):    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2011  DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS  É  vedada  a  extensão  administrativa  dos  efeitos  de  decisões  judiciais  contrárias  à  orientação  estabelecida  para  a  administração  direta  e  autárquica em atos de caráter normativo ordinário.  RISCOS  NO  AMBIENTE  DE  TRABALHO.  APOSENTADORIA  ESPECIAL. ADICIONAL  A empresa com atividade que exponha o trabalhador a agentes nocivos  químicos,  físicos  ou  biológicos,  ou  associação  desses  agentes  está  sujeita ao pagamento da alíquota adicional do SAT/RAT.  AFERIÇÃO INDIRETA. VALIDADE  Diante da omissão do sujeito passivo na apresentação de documentos  relacionados aos  fatos geradores de  tributos, é cabível apurar a base  de cálculo pela técnica do arbitramento.  O critério de arbitramento  está  claramente descrito quando constam,  na  peça  fiscal,  informações  relativas  ao  valor  considerado  como  salário de contribuição por segurado e a fonte de obtenção desse dado.  CESSÃO DE MÃO­DE­OBRA.  A  cessão  de  mão­de­obra  ocorre  quando  a  prestadora  de  serviços  coloca, à disposição do contratante,  em suas dependências ou nas de  terceiros, segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou  não com a atividade fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e  a forma de contratação.  RETENÇÃO DE 11% SOBRE A NOTA FISCAL DE SERVIÇOS  A  empresa  contratante  de  serviços  realizados  por  pessoa  jurídica  mediante cessão de mão de obra ou empreitada está obrigada a reter  11% sobre o valor da nota  fiscal, fatura ou recibo e recolher o valor  retido à Receita Federal.  Fl. 12767DF CARF MF Processo nº 16682.720521/2014­07  Resolução nº  2401­000.587  S2­C4T1  Fl. 4          3   ELISÃO  DA  OBRIGAÇÃO  TRIBUTÁRIA  DECORRENTE  DA  RETENÇÃO  A elisão da obrigação tributária decorrente da retenção só ocorre com  a comprovação do recolhimento de GPS com código específico (2631)  em nome do prestador de serviço.  COOPERATIVA DE TRABALHO  A contribuição da empresa é de quinze por cento sobre o valor bruto  da  nota  fiscal,  da  fatura  ou  do  recibo  de  prestação  de  serviços,  relativamente aos serviços que lhes são prestados por cooperados por  intermédio de cooperativas de trabalho, para fatos geradores ocorridos  a partir de 1° de março de 2000.  OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NÃO CUMPRIDA  Constatada a ocorrência de  infração a dispositivo legal, será  lavrado  auto de infração com discriminação clara e precisa da infração e das  circunstâncias  em  que  foi  praticada,  contendo  o  dispositivo  legal  infringido, a penalidade aplicada, observadas as normas fixadas pelos  órgãos competentes.  ACRÉSCIMOS LEGAIS  Os  acréscimos  legais  devidos  por  força  de  lei,  tem  aplicação  obrigatória  com  base  no  princípio  da  presunção  de  legalidade  e  constitucionalidade das  leis e da vinculação do ato administrativo do  lançamento.  VALIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL  O  auto  de  infração  lavrado  pela  fiscalização  é  válido  e  eficaz,  se  lavrado  com  discriminação  clara  e  precisa  dos  fatos  geradores,  das  contribuições  devidas  e  dos  períodos  a  que  se  referem,  conforme  dispuser o regulamento.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido    O  Presente  processo  é  relativo  às  Contribuições  Sociais  Previdenciárias  apuradas mediante Auditoria Fiscal que  resultou no  lançamento de  crédito  fiscal  lavrado em  31/07/2014, referente ao período de apuração de 01/07/2009 a 31/12/2011.  O Relatório Fiscal (fls. 757/931) consignou, acerca do lançamento, que os Autos  de  Infração  ­  AI,  lavrados  nesta  ação  fiscal,  integram  o  processo  COMPROT  n°  16682.720521/2014­07  e  estão  relacionados  no  Termo  de  Encerramento  do  Procedimento  Fiscal ­ TEPF.    Fl. 12768DF CARF MF Processo nº 16682.720521/2014­07  Resolução nº  2401­000.587  S2­C4T1  Fl. 5          4 Com relação às Obrigações Principais foi efetuado o lançamento dos seguintes  Autos de Infração:  1.  AI  DEBCAD  nº  51.041.188­6  (fl.  95),  no  valor  total  de  R$  2.774.501,16,  já  incluso  Juros  e  Multa  de  ofício,  apurado  por  arbitramento,  referente  à  retenção  adicional  para  custeio  da  aposentadoria especial, relativa à prestação de serviços com cessão de  mão­de­obra  ao  estabelecimento  CNPJ  nº  02.709.449/0011­20,  em  que os empregados das empresas contratadas trabalharam expostos ao  agente nocivo RUÍDO, acima do limite de tolerância, e/ou ao agente  nocivo BENZENO;  2.  AI  DEBCAD  nº  51.041.187­8  (fl.  638),  no  valor  total  de  R$  30.353.442,90,  já  incluso  Juros  e  Multa  de  ofício,  apurado  por  arbitramento,  referente  à  contribuição  adicional  para  custeio  de  aposentadoria especial,  relativa aos  empregados  próprios,  lotados no  estabelecimento  CNPJ  nº  02.709.449/0001­59,  que  exerceram  suas  atividades nos navios da Frota Nacional de Petroleiros – FRONAPE  com  exposição  ao  agente  nocivo  RUÍDO,  acima  do  limite  de  tolerância, e/ou ao agente nocivo BENZENO;  3.  AI  DEBCAD  nº  51.041.186­0  (fl.  687),  no  valor  total  de  R$  4.607.549,28  já  incluso  Juros  e  Multa  de  ofício,  apurado  por  arbitramento,  referente  à  contribuição  adicional  para  custeio  de  aposentadoria  especial,  relativa  aos  empregados  próprios,  do  estabelecimento  CNPJ  nº  02.709.449/0011­20  –  Terminal  de  Cabiúnas  ­  TECAB,  que  trabalhavam  expostos  ao  agente  nocivo  RUÍDO e/ou ao agente nocivo BENZENO;  4.  AI  DEBCAD  nº  51.041.189­4  (fl.  968),  no  valor  total  de  R$  973.460,76,  já  incluso  Juros  e  Multa  de  ofício,  apurado  por  arbitramento,  referente  à  contribuição  adicional  para  custeio  de  aposentadoria  especial,  em  razão  de  os  cooperados  filiados  à  COOTRAMERJ  –  COOPERATIVA  TRABALHADORES  METALÚRGICOS  RJ  LTDA.  exercerem  suas  atividades  profissionais  nos  navios  da  FRONAPE,  expostos  ao  agente  nocivo  RUÍDO  e/ou  ao  agente  nocivo  BENZENO,  em  decorrência  do  Contrato nº 4600005905.    Já,  com  relação  às  Obrigações  Acessórias,  foi  efetuado  lançamento  dos  seguintes Autos de Infração:   1.  AI  DEBCAD  nº  51.065.674­9  (fl.  932),  no  valor  total  de  R$  3.625,74,  por  ter  a  TRANSPETRO,  na  qualidade  de  contratante  de  serviços  executados  mediante  cessão  de  mão­de­obra  aos  estabelecimentos CNPJ nº 02.709.449/0001­59 e nº 02.709.449/0011­ 20,  deixado  de  reter  a  contribuição  adicional  para  custeio  da  aposentadoria  especial,  decorrente da  exposição  aos  agentes nocivos  RUÍDO e/ou BENZENO, dos empregados contratados (CFL 93);  Fl. 12769DF CARF MF Processo nº 16682.720521/2014­07  Resolução nº  2401­000.587  S2­C4T1  Fl. 6          5 2.  AI  DEBCAD  nº  51.065.673­0  (fl.  933),  no  valor  total  de  R$  5.438,61, por ter deixado de manter atualizado perfil profissiográfico  abrangendo  as  atividades  desenvolvidas  pelo  trabalhador  e  de  comprovar que forneceu ao mesmo, quando da rescisão do contrato de  trabalho, cópia autenticada desse documento (CFL 89);  3.  AI  DEBCAD  nº  51.041.190­8  (fl.  934),  no  valor  total  de  R$  18.128,43,  por  ter  deixado  de  prestar  à  RFB  todas  as  informações  cadastrais,  financeiras  e  contábeis  de  interesse  da mesma,  na  forma  estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização  (CFL 35);    A  Contribuinte  tomou  ciência  dos  Autos  de  Infração,  pessoalmente,  em  31/07/2014. Em 29/08/2014, tempestivamente, apresentou impugnação (fls. 12.129/12.179) aos  DEBCAD  nºs  51.041.188­6,  51.041.187­8,  51.041.186­0,  51.065.674­9  e  51.041.189­4.  Os  demais DEBCADs (51.041.190­8 e 51.065.673­0) foram pagos, conforme detalhado no extrato  anexado ao presente processo (fls. 12.495 a 12.505).    Em  sua  Impugnação  faz  um  breve  relato  dos  fatos  e  passa  a  demonstrar  a  improcedência dos Autos de Infração de obrigação principal, bem como dos Autos de Infração  de obrigação acessória, discorrendo sobre os seguintes tópicos:  1.  Da  improcedência  dos  Autos  de  Infração  nº  51.041.186­0  e  nº  51.041.187­8  a.  Da  não  exposição  dos  empregados  próprios  da  Contribuinte  (TECAB e DTM) ao agente BENZENO (fls. 12.133/12.145);  b.  Do período de docagem dos navios  claros  e dos  seus  efeitos  quanto  à  suposta  exposição  ao  agente  BENZENO  (fls.  12.145/12.148);  c.  Da  não  exposição  dos  empregados  próprios  da  Contribuinte  (TECAB e DTM) ao agente RUÍDO (fls. 12.148/12.164);  d.  Da não­incidência  da CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL  sobre  o décimo­terceiro salário (fls. 12.164/12.166);  2.  Da nulidade do Auto de Infração nº 51.041.188­6, que trata de cessão  de mão­de­obra/empreitada (fls. 12.166/12.174);  3.  Da improcedência do Auto de Infração nº 51.065.674­9, que trata da  multa  isolada  pela  falta  de  retenção  da  contribuição  adicional  na  prestação  de  serviços  mediante  cessão  de  mão­de­obra/empreitada  (fls. 12.175/12.176);  Fl. 12770DF CARF MF Processo nº 16682.720521/2014­07  Resolução nº  2401­000.587  S2­C4T1  Fl. 7          6 4.  Da improcedência do Auto de Infração nº 51.041.189­4, que trata das  Cooperativas (fl. 12.177);  5.  Do  descabimento  de  juros  sobre  a  multa  de  ofício  (fls.  12.178/12.179).    Conclui sua impugnação requerendo que os Autos de Infração nºs 51.041.186­0,  51.041.187­8,  51.041.188­6,  51.041.189­4  e  51.065.674­9,  objetos  da  impugnação,  sejam  cancelados.  O  processo  foi  encaminhado  para  apreciação  e  julgamento  pela  3ª  Turma  da  DRJ/CGE,  e  esta,  por  unanimidade  de  votos,  resolveu  por  julgar  a  IMPUGNAÇÃO  IMPROCEDENTE com MANUTENÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.  A  Contribuinte  foi  cientificada  da  decisão  de  1ª  Instância,  Acordão  nº  04­ 39.421,  por  meio  de  sua  caixa  postal,  em  06/05/2015  (TERMO  DE  CIÊNCIA  POR  ABERTURA DE MENSAGEM – fl. 12.624).  Inconformados  com  a  decisão  de  1ª  instância,  a  Contribuinte  apresenta  em  01/06/2015, tempestivamente, seu Recurso Voluntário (fls. 12.627/12.686), onde faz um breve  relato  dos  Autos  de  Infração  e  da  decisão  de  1ª  instância  para,  em  seguida,  demonstrar  a  improcedência dos Autos de Infração de obrigação principal e acessória discorrendo sobre os  seguintes tópicos:  1.  Da  improcedência  dos  Autos  de  Infração  nº  51.041.186­0  e  nº  51.041.187­8  a.  Da  não  exposição  dos  empregados  próprios  da  Contribuinte  (TECAB e DTM) ao agente BENZENO (fls. 12.632/12.645);  b.  Do período de docagem dos navios  claros  e dos  seus  efeitos  quanto  à  suposta  exposição  ao  agente  BENZENO  (fls.  12.645/12.651);  c.  Da  não  exposição  dos  empregados  próprios  da  Contribuinte  (TECAB e DTM) ao agente RUÍDO (fls. 12.651/12.667);  d.  Da não­incidência  da CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL  sobre  o décimo­terceiro salário (fls. 12.667/12.670);  2.  Da nulidade do Auto de Infração nº 51.041.188­6, que trata de cessão  de mão­de­obra/empreitada (fls. 12.670/12.679);  3.  Da improcedência do Auto de Infração nº 51.065.674­9, que trata da  multa  isolada  pela  falta  de  retenção  da  contribuição  adicional  na  prestação  de  serviços  mediante  cessão  de  mão­de­obra/empreitada  (fls. 12.679/12.682);  4.  Da improcedência do Auto de Infração nº 51.041.189­4, que trata das  Cooperativas (fls. 12.682/12.684);  Fl. 12771DF CARF MF Processo nº 16682.720521/2014­07  Resolução nº  2401­000.587  S2­C4T1  Fl. 8          7 5.  Do  descabimento  de  juros  sobre  a  multa  de  ofício  (fls.  12.684/12.685).  Ao  final  do  RV  pleiteia  que  seja  reformada  a  decisão  recorrida,  com  o  consequente cancelamento dos Autos de Infração nºs 51.041.186­0, 51.041.187­8, 51.041.188­ 6, 51.041.189­4 e 51.065.674­9.    É o relatório.    Fl. 12772DF CARF MF Processo nº 16682.720521/2014­07  Resolução nº  2401­000.587  S2­C4T1  Fl. 9          8 VOTO  Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto ­ Relatora    Juízo de admissibilidade  O  Recurso  Voluntário  foi  apresentado  dentro  do  prazo  legal  e  atende  aos  requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento.    Mérito  A fiscalização constituiu o  crédito  tributário,  relativo  ao período de 07/2009 a  12/2011,  concernente  à  contribuição  adicional  para  custeio  de  aposentadoria  especial  decorrente  de  exposição  habitual  e  permanente  aos  agentes  nocivos  RUÍDO  e  BENZENO,  sobre as remunerações de empregados próprios da Petrobrás Transporte S/A – Transpetro, que  atuaram no TECAB e em navios ligados à DTM; retenção adicional sobre os valores das Notas  Fiscais de prestação de serviços com cessão de mão de obra.  De  acordo  com  o Relatório  Fiscal,  no  que  tange  aos  empregados  próprios  do  estabelecimento Cabiúnas e em relação aos empregados próprios da DTM, expostos ao agente  químico  BENZENO  e/ou  ao  agente  físico  RUÍDO,  o  crédito  previdenciário  compreende  o  período de 07/2009 a 12/2011, incluindo o décimo terceiro salário; Para o período de 07/2009 a  12/2009,  houve  apuração  de  crédito  previdenciário  decorrente  da  retenção  adicional  devida  pela autuada na qualidade de tomadora de serviços prestados no estabelecimento Cabiúnas com  cessão  de  mão  de  obra,  em  relação  às  Notas  Fiscais  decorrentes  de  contratos  em  que  foi  verificada  a  exposição  dos  empregados  das  empresas  prestadoras  ao  agente  químico  BENZENO e/ou ao agente físico RUÍDO; Para o período de 07/2009 a 12/2009, foi apurado  crédito  previdenciário  relativo  à DTM decorrente  ao  adicional  devido  pela  autuada  sobre  os  valores  das  Notas  Fiscais  de  serviços  prestados  nos  navios  da  frota  por  cooperados  intermediados por cooperativa de trabalho.  Do período de docagem dos navios claros e dos efeitos quanto à exposição ao Benzeno –  Auto de Infração nº 51.041.187­8 ­ DTM  Aduz  a  contribuinte  que  durante  os  períodos  de  docagem  dos  navios  claros,  ainda  que  a  tripulação  tenha  permanecido  a  bordo  das  embarcações,  não  eram  realizadas  atividades  que  gerassem  quaisquer  níveis  de  exposição  a  agentes  químicos  e  que  por  essa  razão, referidos períodos foram excluídos da apuração da Contribuição Adicional decorrente da  exposição ao Benzeno.  Expõe que, o critério utilizado pela fiscalização de excluir da autuação apenas os  períodos  em  que  a  docagem  do  navio  tenha  durado  mais  da  metade  do  mês,  não  pode  prosperar, tendo em vista que para que a concessão da aposentadoria especial seja deferida ao  segurado empregado é necessária a demonstração do trabalho permanente, não ocasional nem  intermitente,  em  condições  especiais  que  prejudiquem  a  saúde  ou  a  integridade  física  do  trabalhador. Pleiteia, alternativamente, a exclusão da exigência da contribuição nos meses em  Fl. 12773DF CARF MF Processo nº 16682.720521/2014­07  Resolução nº  2401­000.587  S2­C4T1  Fl. 10          9 que  ocorreu  a  interrupção  da  suposta  exposição  ao  agente  Benzeno,  conforme  indicação  no  item 2.2.5 do Recurso Voluntário (fl. 12.646).  Assevera que mesmo  sendo mantido o  critério  adotado pela  fiscalização ainda  assim  o  auto  de  infração  n°  51.041.187­8  deveria  ser  retificado  porque  a  Fiscalização  se  equivocou na informação prestada na tabela do item 471 do Relatório Fiscal (fl. 922) referente  ao período de docagem do navio DILYA que transportava carga clara. Segundo referida tabela,  a permanência em docagem seria no período de 26.07.2010 a 03.11.2010, todavia o período de  docagem  do  navio  DILYA  se  estendeu  até  29.01.2011,  razão  porque  também  devem  ser  excluídos  da  autuação  os  meses  de  novembro  e  dezembro  de  2010  e  janeiro  de  2011.  A  empresa juntou os documentos por ocasião da impugnação (fl. 12214).  Afirma  ainda  que  juntou  à  impugnação  outros  comprovantes  de  docagem que  não  haviam  sido  localizados  à  época  da  ação  fiscal,  os  quais  justificariam  a  exclusão  na  apuração da Contribuição Adicional decorrente da exposição ao Benzeno (fls. 12216/12222),  no  entanto  a  DRJ  entendeu  que  os  documentos  não  poderiam  ser  utilizados  para  alterar  o  lançamento.  Cabe destacar,  nesse ponto,  as  razões utilizadas pela Delegacia de  Julgamento  com  relação  aos  documentos  apresentados  na  impugnação,  a  decisão  de  piso  assim  se  pronunciou (fls. 12607/12608):  4.5.4 Período de docagem dos navios  A  defesa  fundamenta  no  documento  “Statement  of  acceptance  of  the  work”  (fl.  12.214)  em  que  consta  a  denominação  e  a  data  que  foi  considerada para auditoria fiscal.  A  defesa  alega  uma  extensão  de  prazo  que  não  constou  na  documentação  apresentada  durante  a  auditoria,  cujos  dados  considerados foram agregados no conjunto de documentos denominado  “DOCUMENTOS  COMPROBATÓRIOS  DO  PERÍODO  DE  DOCAGEM DOS NAVIOS” (fl. 11.111­11517).  Ademais,  também  não  consta  tal  ocorrência  em  documentos  complementares  apresentados  oportunamente  e  analisados  pela  autoridade  lançadora, como por  exemplo, Diário de Navegação,  com  destaque que tal evento alegado na impugnação, também não ocorreu  nos demais documentos referentes às demais embarcações.   Em  arremate,  confirma­se  que  o  documento  referente  à  embarcação  NT  Dilya  (fl.  11.384),  apresenta  dados  que  estão  de  acordo  com  os  valores considerados no  lançamento. Assim, não será considerado  tal  documento  como  apto  a  infirmar  o  aspecto  quantitativo  apurado  no  arbitramento.  Os  demais  documentos  referentes  a  outras  embarcações  não  consta  expressamente  em  nenhum  item  dos  relatórios  que  descrevem  os  aspectos  quantitativos  do  lançamento,  e  portanto,  não  serão  considerados hábeis para alterar o procedimento fiscal.  Em  contraponto  à  decisão  de  piso,  o  contribuinte,  inicialmente,  questiona  o  critério utilizado pela fiscalização de somente excluir da autuação os casos em que os períodos  de  docagem  dos  navios  claros  ultrapassassem  a metade  do  respectivo mês  de  ocorrência  da  Fl. 12774DF CARF MF Processo nº 16682.720521/2014­07  Resolução nº  2401­000.587  S2­C4T1  Fl. 11          10 docagem,  e  a  necessidade  de  trabalho  permanente,  não  ocasional  nem  intermitente,  em  condições  especiais,  para a  concessão da  aposentadoria  especial  e  se não ocorreu  exposição,  houve interrupção não albergada pela norma para a contagem do prazo.  Nesse  ponto,  importante  proceder  à  análise  com o  ponto  de  vista  da  acusação  fiscal que no item 456 do Relatório Fiscal resumiu que o direito à aposentadoria especial e o  fato  gerador  da  contribuição  previdenciária  para  custeio  desse  benefício  ocorrem  quando  houver, cumulativamente, trabalho exercido em condições especiais que prejudiquem a saúde e  a integridade física e exposição a agentes nocivos de forma permanente.  Como base nesse critério, o § 3º da Lei nº 8.213/91, assim determina:  Art. 57 (...)  §  3º A  concessão  da  aposentadoria  especial  dependerá  de  comprovação  pelo  segurado,  perante  o  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social–INSS,  do  tempo  de  trabalho  permanente,  não  ocasional  nem  intermitente,  em  condições  especiais  que  prejudiquem  a  saúde  ou  a  integridade física, durante o período mínimo fixado.(Grifamos).  Verifica­se  de  forma  clara  que  a  aposentadoria  especial  dependerá  da  comprovação do tempo de trabalho permanente, não ocasional nem intermitente, em condições  especiais que prejudiquem a saúde.  A fiscalização efetuou o lançamento levando em consideração que no período de  docagem  dos  navios  não  havia  atividades  que  envolvessem  exposição  ao  agente  Benzeno,  razão  porque  desconsiderou  referido  período  na  apuração  da  Contribuição  Adicional.  Destacamos:  Fl. 12775DF CARF MF Processo nº 16682.720521/2014­07  Resolução nº  2401­000.587  S2­C4T1  Fl. 12          11   Sob  a  ótica da  acusação  fiscal,  deve  ser  excluído do  levantamento  fiscal  o  período de docagem dos navios claros comprovada documentalmente.  Por outro lado, a prova documental foi apresentada por ocasião da impugnação,  devendo, portanto, ser aceita, conforme determina o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72:    Art. 16. A impugnação mencionará:  § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento  processual,  a  menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de  efeito)  a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna,  por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)  (Produção de efeito)  b) refira­se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei  nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)  c) destine­se a  contrapor  fatos ou  razões posteriormente  trazidas aos  autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)    Assim, aceito a documentação apresentada, por ser válida e servir como prova  do alegado pela Recorrente, a ser analisado em cada caso.  Compulsando  os  autos,  constata­se  que  o  documento  juntado  à  fl.  12214,  efetivamente  comprova  que  o  período  de  docagem  do  navio  DILYA  ocorreu  dos  dias  26/07/2010 e se estendeu até 29.01.2011, razão porque deve ser considerado referido período  para efeito de exclusão em relação ao agente BENZENO.  Ocorre  que  após  os  debates,  verificou­se  a  necessidade  de  exame  dos  demais  documentos apresentados (fls. 12216/12222), por não constarem expressamente na análise do  período de docagem dos navios indicados. Assim, deve ser analisada pela fiscalização o tipo do  navio e o tempo de docagem, para que efetue o cálculo de acordo com o critério estabelecido  na  acusação  fiscal  no  presente  caso,  devendo  ainda  ser  esclarecido  o  ponto  suscitado  pela  Recorrente quanto ao tempo de docagem para efeito de não consideração para a contagem do  prazo da aposentadoria especial e a exigência da contribuição adicional.      Fl. 12776DF CARF MF Processo nº 16682.720521/2014­07  Resolução nº  2401­000.587  S2­C4T1  Fl. 13          12 Diante do  exposto,  voto  no  sentido  de CONVERTER O JULGAMENTO EM  DILIGÊNCIA, determinando a baixa dos autos à origem para que o Fiscal competente proceda  a análise dos documentos apresentados (fls. 12216/12222), e elabore uma tabela, nos mesmos  moldes da elaborada no item 471 do Relatório Fiscal (fl. 922), indicando o nome do navio, a  natureza do documento apresentado, o período de docagem (início e término), o tipo do navio,  as competências a serem excluídas em relação ao agente BENZENO de acordo com o tipo de  navio, bem como, esclareça qual o critério de tempo foi utilizado para a exclusão integral do  mês da docagem.       (assinado digitalmente)  Andréa Viana Arrais Egypto.  Fl. 12777DF CARF MF

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6845631 #
Numero do processo: 12466.000337/2008-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 12/11/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS A mercadoria descrita como Pneus novos de borracha código 225/70R15C AGILIS 81 TL 112R marca Michelin, é classificada na posição TEC/TIPI 4011.20.90 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 12/11/2007 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO ARGÜIDA EM IMPUGNAÇÃO. Não deve ser conhecida matéria não argüida em sede de impugnação, por aplicação do art. 17 do PAF - Decreto 70.235/72. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM RECURSO VOLUNTÁRIO. DEFINITIVIDADE. A matéria não argüida em sede de recurso voluntário resta decidida definitivamente, no âmbito administrativo, nos termos do §único do art. 42 do PAF. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3201-002.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário, e na parte conhecida, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA

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3201­002.874  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de junho de 2017  Matéria  CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS  Recorrente  MICHELIN ESPÍRITO SANTO COM. IMP. EXP. LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Data do fato gerador: 12/11/2007  CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS  A mercadoria  descrita  como  Pneus  novos  de  borracha  código  225/70R15C  AGILIS  81  TL  112R  marca Michelin,  é  classificada  na  posição  TEC/TIPI  4011.20.90  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 12/11/2007  PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO ARGÜIDA EM IMPUGNAÇÃO.  Não  deve  ser  conhecida  matéria  não  argüida  em  sede  de  impugnação,  por  aplicação do art. 17 do PAF ­ Decreto 70.235/72.  MATÉRIA  NÃO  SUSCITADA  EM  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  DEFINITIVIDADE.  A  matéria  não  argüida  em  sede  de  recurso  voluntário  resta  decidida  definitivamente,  no  âmbito  administrativo, nos  termos do §único do  art.  42  do PAF.  Recurso Voluntário Provido em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  em parte o recurso voluntário, e na parte conhecida, dar provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 03 37 /2 00 8- 94 Fl. 441DF CARF MF     2 Winderley Morais Pereira ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Marcelo Giovani Vieira ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Winderley  Morais  Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Orlando  Rutigliani  Berri,  Leonardo  Vinicius  Toledo  de  Andrade e Renato Vieira de Ávila.    Relatório  Trata­se  de  Autos  de  Infração  de  IPI,  Pis­Importação,  Cofins­Importação,  Multa  por  falta  de  Guia  de  Importação  e  Multa  Regulamentar  por  Classificação  Fiscal  Incorreta, decorrentes de reclassificação fiscal das mercadorias assim descritas na Declaração  de Importação:  ­  outros  pneumáticos  novos  de  borracha,  p/  ônibus  e  caminhões. Descrição  Detalhada:  Pneus  novos  radiais  de  borracha,  para  ônibus  e  caminhão,  REF.  225/70R15C  AGILIS  81;  classificado  pela  recorrente  no  código  NCM  4011.20.90,  alíquota  IPI  2%;  reclassificado  pelo  Fisco  para  o  código NCM  4011.99.90,  alíquota  IPI  15%,  tomando  como  descrição correta “Pneus novos de borracha código 225/70R15C AGILIS 81 TL 112R marca  Michelin”; a base para a reclassificação fiscal foi a Solução de Consulta 9ª RF 115/2007;  ­  pneus  novos,  p/  veic.  Maqs.  Agrícolas/florestais;  Descrição  Detalhada;  Pneus novos radiais de borracha, para máquinas agrícolas. Ref. 500/70 R24 164A8/164B IND  TL XMCL 542794 marca Michelin, classificado pela recorrente no código NCM 4011.61.00,  alíquota de IPI 2%; reclassificado pelo Fisco para o código NCM 4011.62.00, alíquota de IPI  15%,  tomando  como  descrição  correta  “Pneus  novos  radiais  de  borracha,  código  500/70R24  164A8/164B  IND  TL  XMCL  REF  573542,  marca  Michelin.  A  base  para  a  reclassificação  foram as medidas.  Houve depósitos extrajudiciais dos tributos e multas lançados, para liberação  alfandegária das mercadorias.  A  recorrente  interpõe  Impugnação,  onde  aduz  suas  razões  de  defesa,  em  resumo:  ­ Quanto à mercadoria Pneus para ônibus e caminhões, sustenta a correção da  classificação  adotada,  aduzindo  que  a  mercadoria  “apesar  da  sua  dimensão,  possui  características básicas de um pneu para caminhão, ainda que de pequeno porte;  resistência  dos  flancos  com  capacidade  elevada,  capacidade  de  carga  total  maior  que  a  de  um  pneu  destinado a carros de passeio, capacidade de velocidade mais reduzida quanto está com toda  a sua capacidade de carga, entre outras”;  ­  quanto  à  mercadoria  Pneus  para  máquinas  agrícolas,  alega  que  “a  característica principal em um pneu trativo são as barras de tração (em formato de espinha de  peixe), onde estas estão dispostas na banda de rodagem de maneira intercalada em ângulos que  Fl. 442DF CARF MF Processo nº 12466.000337/2008­94  Acórdão n.º 3201­002.874  S3­C2T1  Fl. 442          3 variam  a  23º  a  45º  em  relação  ao  raio  do  pneu”;  que,  para  ilustrar,  a  empresa CASE NEW  HOLLAND utiliza esse pneu para a colheitadeira de grãos Axial Flow 2388;  ­  agrega  documentos  técnicos  para  suporte  do  alegado,  e  pede  a  total  improcedência do Auto de Infração.  A  DRJ/Recife/PE  decidiu  por  manter  integralmente  o  Auto  de  Infração.  Transcrevo a ementa:  ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Data do fato gerador: 12/11/2007  Classificação fiscal. Regras de Interpretação.  As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e  as  Regras  Gerais  Complementares  são  o  suporte  legal  para  a  classificação  de  mercadorias  na  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul  (NCM)  –  Tarifa  Externa  Comum  (TEC)  e  na  Nomenclatura  Brasileira  de  Mercadorias  (NBM)  ­  Tabela  do  Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI).  Pneumáticos  novos,  radiais,  de  borracha,  para  camionetas,  furgões, vans, utilitários esportivos etc., classificam­se no código  NCM/NBM 4011.99.90.  Pneumáticos  novos,  radiais,  de  borracha,  com  bandas  de  rodagem em forma de espinha de peixe, dos tipos utilizados em  veículos  e  máquinas  próprios  para  construção  civil  ou  manutenção industrial, para aros de diâmetro inferior ou igual a  61cm (60,96 cm, equivalentes a 24 polegadas) classificam­se no  código NCM/NBM 4011.62.00.  IPI, Cofins e PIS. Multa de ofício.  A  reclassificação  das  mercadorias  ensejou  a  cobrança  das  diferenças  do  IPI  e  das  Contribuições  Sociais,  acrescidas  de  multa de ofício.  Controle  administrativo  das  importações.  Falta  de  licenciamento.  Multa  de  30%  sobre  o  valor  aduaneiro  das  mercadorias importadas.  A  importação  de  mercadorias  está  sujeita,  na  forma  da  legislação  específica,  a  licenciamento  que  ocorrerá  de  forma  automática  ou  não,  por  meio  do  Siscomex,  sob  a  responsabilidade exclusiva da Secretaria de Comércio Exterior  (Secex).  A  desclassificação  das  mercadorias  importadas  gerou  infração  ao  controle  administrativo  das  importações  porque  quando da sua reclassificação em código diverso da NCM/NBM  não  estavam  acobertadas  pelo  competente  licenciamento,  considerando  o  fato  de  estarem  descritas  nos  documentos  de  importação erroneamente, com falta de elementos necessários à  sua correta identificação e classificação tarifária.  Fl. 443DF CARF MF     4 Classificação incorreta das mercadorias na NCM. Multa de 1%  sobre  o  seu  valor  aduaneiro.  Pela  classificação  incorreta  das  mercadorias  na  NCM,  cabe  a  aplicação  da  multa  de  1%  proporcional ao seu valor aduaneiro.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  A empresa apresentou Recurso Voluntário, reforçando suas razões de defesa,  que resumo abaixo:  ­ quanto aos pneus para caminhões e ônibus, o código de trânsito brasileiro,  Lei  9.503/97,  classifica  os  veículos,  dentre  outras  categorias,  em  ônibus  e  microônibus,  caminhões  e  caminhonetes;  que  a  diferença  seria  pela  capacidade  de  transporte;  que  caminhonetes  são  aqueles  com  capacidade  total  inferior  a  3,5  toneladas;  e microônibus  pela  capacidade de 8  até 20 pessoas;  que os pneus  em foco podem ser destinados a microônibus,  devido a suas características técnicas; que microônubis é veículo de transporte coletivo; que, se  a  distinção  de  microônibus  e  veículos  de  passeio  é  pela  capacidade,  a  dos  pneus  também  deveria  ser,  pela  razoabilidade;  reitera  que  tais  pneus  têm  destinação  comercial  (veículos  de  carga ou transporte de passageiros);  ­  .  que  a  classificação  em  posição  residual  seria  incompreensível;  reitera  o  cabimento de se reportar à Nomenclatura de Valor Aduaneiro de Estatística – NVE para ajudar  na  classificação  fiscal,  o  que  havia  sido  rechaçado  pela  decisão  recorrida;  que  na  NVE  a  subposição 4011.20 abrange determinadas medidas que não abragem os pneus em litígio, mas  especifica  o  código  9999  –  outros,  para  outras  medidas  de  pneus  destinado  a  ônibus  e  caminhões;  ­ que nas notas explicativas da TIPI não haveria menção quanto à dimensão  ou capacidade de carga para ser classificado como caminhão; que a recorrente então buscou a  analogia  para  a  classificação,  encontrando  na  IN  237/2002  uma  classificação  de  chassis  de  caminhões como aqueles veículos com capacidade de carga útil  igual ou superior a 1.500 kg;  ou capacidade de carga superior a 1.800 kg;  ­ que os pneus importados são destinados a veículos Mercedes Benz Sprinter,  com capacidade de carga útil superior a 1.500 kg;   ­  que  a  eventual  utilização  em  veículos  SUV  não  comerciais  não  descaracteriza  as  especificações  próprias  dos  pneus;  traz  quadro  comparativo  com  outros  pneus, segundo alega, específico para caminhonetes e veículos de uso misto; e que, portanto, o  uso não pode definir a classificação, mas as características técnicas;  ­ contrapõe­se contra a exigência de multa por falta de licença de importação,  porque não estaria desacompanhada de nenhuma  licença; que as  licenças  foram procedidas e  suas  numerações  indicadas  nas  DI´s;  que  as  descrições  são  corretas  e  permitem  ao  Fisco  identificar as mercadorias, não havendo dolo ou má­fé;  ­  que  em  outros  processos,  a  DRJ/Florianópolis/SC  acolheu  as  razões  da  recorrente;   ­ Pede, enfim, pela improcedência total do auto de infração;  É o relatório.  Fl. 444DF CARF MF Processo nº 12466.000337/2008­94  Acórdão n.º 3201­002.874  S3­C2T1  Fl. 443          5   Voto             Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator  Preliminar de Conhecimento  O  recurso  é  tempestivo,  porém  a  matéria  relativa  à  multa  por  falta  de  guia/licença  de  importação  não  objeto  de  defesa  na  impugnação,  incidindo,  desse modo,  na  preclusão consumativa, nos termos do art. 17 do PAF – Decreto 70;.235/72:  Art.  17. Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.  Portanto, não tomo conhecimento dessa matéria.  Classificação  Fiscal  ­  Pneus  novos  de  borracha  código  225/70R15C  AGILIS 81 TL 112R marca Michelin  A  controvérsia  está  em  classificar  esta  mercadoria  no  código  4011.20.90,  como quer o contribuinte, ou no código 4011.99.90, adotado pelo Fisco.  Fl. 445DF CARF MF     6   A recorrente sustenta que tais pneus são destinados a furgões e caminhões de  pequeno porte, e tal destinação estaria abrangida pelo texto da subposição 4011.20 – “dos tipos  usados em ônibus e caminhões”..  A Solução de Consulta 9ª RF,  tratando de pneus  semelhantes, pesquisou os  catálogos  de  diversos  fabricantes,  e mostrou  que  todos  eles  separam  as  categorias  de  pneus  destinados  a  caminhonetes,  furgões,  SUV´s  e  semelhantes,  dos  pneus  destinados  a  ônibus  e  caminhões. Dos catálogos anexos, referentes ao pneu em foco, verifica­se que são destinados a  furgões,  caminhonetes,  etc.  Conclui  a  solução  de  Consulta,  então,  que  a  mercadoria  não  é  destinada a ônibus  e  caminhões,  e portanto,  não pode ser classificada no código 4011.20.90.  Não havendo outra subposição específica, adotou­se a subposição residual 4011.99.90 – outros.  Todavia, o Sistema Harmonizado possui classificação oficial para definir os  caminhões e ônibus, e inclui os furgões e caminhonetes como espécies de caminhões.   Nesse  sentido,  adoto,  por muito  percuciente,  o  excelente  voto  condutor  do  acórdão DRJ/Florianópolis/SC  07­30.385/2013,  da  lavra  do  auditor­fiscal,  então  julgador  na  DRJ,  Orlando  Rutigliani  Berri,  hoje  Conselheiro  Suplente  desta  3ª  Seção  do  Carf,  o  qual  analisou a mesma mercadoria, da mesma empresa, no âmbito do processo 12466.001558/2009­ 61, noticiado pela recorrente:  Dos  trechos  transcritos  das  citadas  soluções  de  consulta  depreende­se  que  a  reclassificação  fiscal  para  o  código  NCM  Fl. 446DF CARF MF Processo nº 12466.000337/2008­94  Acórdão n.º 3201­002.874  S3­C2T1  Fl. 444          7 4011.99.90  da  TIPI/TEC  teve  motivação  nas  respostas  aos  questionamentos  feitos  à  Associação  Nacional  da  Indústria  de  Pneumáticos (ANIP), em especial, na conclusão de que os pneus  objetos  das  consultas  se  enquadravam na  categoria  de “pneus  para  camionetas”,  formulação  essa  adotada  também  pela  Associação Latino Americana de Pneus e Aros (ALAPA), dentre  outras organizações internacionais e pelos sítios da Internet na  “web”  dos  três  maiores  fabricantes/importadores  (Michelin,  Pirelli e Goodyear), uma vez que especificam uma categoria ou  subcategoria para os pneumáticos para ônibus e caminhões, não  fazendo  qualquer  associação  com  os  pneus  para  camionetas,  pickups,  vans,  furgões,  etc.;  como  no  caso  da  Michelin,  que  inclui  os  pneus  para  furgões  no  grupo  de  pneus  destinados  a  “carros  e  caminhonetes”  e  da  Pirelli,  que  os  relaciona  na  subcategoria de pneus destinados para “automóveis”.  Nos  limites  impostos pela presente lide,  importa verificar se os  veículos  destinatários  dos  pneus  importados,  das  referencias  225/70  R15  C  112/110R  TL  AGILIS81  1  e  195/75  R16  C  107/105R  TL  AGILIS81  GRNX,  ambos  da  marca  Michelin,  a  exemplo do MercedesBenz, modelo Sprinter Chassi 313 CDI e do  Iveco, modelos Daily 40.13, 50.13 e 55C16 (fls. 161 a 167) são  camionetas ou similares, segundo alude a fiscalização nos autos  de  infração  ou  caminhões  monoblocos  (furgões),  conforme  entende a autuada ou, de outra forma ainda, se pertencem a uma  categoria diversa, pois não subsistem quaisquer dúvidas que um  tipo  é  um  pneumático  de  construção  radial,  destinado  ao  uso  comercial, com 225 mm de largura nominal e uma relação entre  a  largura e a altura nominal  igual a 70,  com 15 polegadas de  diâmetro interno (aro), capaz de suportar até 1120 kg. de carga  e  velocidade  máxima  de  170  km/h  (fl.  98)  e  o  outro  um  pneumático  de  construção  radial,  destinado  ao  uso  comercial,  com 195 mm de largura nominal e uma relação entre a largura e  a  altura  nominal  igual  a  75,  com  16  polegadas  de  diâmetro  interno  (aro),  capaz  de  suportar  até  1060  kg.  de  carga  e  velocidade máxima de 160 km/h (fl. 105).  Portanto,  em  função  da  controvérsia  suscitada  nesses  autos,  é  salutar  transcrever  os  textos  da  posição  8704,  de  suas  subposições e de trechos mais relevantes de suas Nesh:  8704 VEÍCULOS AUTOMÓVEIS PARA TRANSPORTE  DE MERCADORIAS  (...)  8704.2  Outros,  com  motor  de  pistão,  de  ignição  por  compressão (diesel ou semidiesel)  8704.21  De  peso  em  carga  máxima  não  superior  a  5  toneladas  8704.21.10 Chassis com motor e cabina  Ex 01 De  Fl. 447DF CARF MF     8 camionetas, furgões, "pickups"  e semelhantes  8704.21.20 Com caixa basculante  Ex 01 Camionetas,  furgões, "pickups"  e semelhantes8704.21.30 Frigoríficos ou isotérmicos  Ex 01 Camionetas,  furgões, "pickups"  e semelhantes  8704.21.90 Outros  Ex 01 Camionetas,  furgões, "pickups"  e semelhantes  Ex 02 Carroforte  para transporte de valores  8704.22 De peso em carga máxima superior a 5 toneladas,  mas não superior a  20 toneladas (...)  8704.23 De peso em carga máxima superior a 20 toneladas  8704.23.10 Chassis com motor e cabina  8704.23.20 Com caixa basculante  8704.23.30 Frigoríficos ou isotérmicos  8704.23.90 Outros  8704.3  Outros,  com  motor  de  pistão,  de  ignição  por  centelha (faísca)  8704.31  De  peso  em  carga  máxima  não  superior  a  5  toneladas  8704.31.10 Chassis com motor e cabina  Ex 01 De  caminhão  8704.31.20 Com caixa basculante  Ex 01 Caminhão  8704.31.30 Frigoríficos ou isotérmicos  Fl. 448DF CARF MF Processo nº 12466.000337/2008­94  Acórdão n.º 3201­002.874  S3­C2T1  Fl. 445          9 Ex 01 Caminhão  8704.31.90 Outros  Ex 01 Caminhão  8704.32 De peso em carga máxima superior a 5 toneladas  8704.32.10 Chassis com motor e cabina  8704.32.20 Com caixa basculante  8704.32.30 Frigoríficos ou isotérmicos  8704.32.90 Outros  8704.90.00 Outros  Nota Explicativa Página 1734:  A presente posição compreende especialmente:  Os  caminhões  e  camionetas  comuns  (de  plataforma,  com  toldos,  fechados,  etc.),  os  veículos  para  entrega  de  qualquer  tipo,  os  veículos  para  mudanças,  os  caminhões  para  descarga  automática  (de  caixa  basculante,  etc.),  os  caminhões­tanques  mesmo  equipados  com  bombas,  os  caminhões­frigoríficos  e  os  caminhões  isotérmicos,  os  caminhões com pranchas sobrepostas para o transporte de  garrafões  de  ácido,  botijões  de  gás  butano,  etc.,  os  caminhões  de  plataforma  rebaixada  e  rampas  de  acesso  para  o  transporte  de material  pesado  (carros de  combate,  máquinas  de  elevação  ou  de  terraplenagem,  transformadores  elétricos,  etc.),  os  caminhões  especialmente  concebidos  para  transporte  de  concreto  (betão)  excluídos  os  caminhões  betoneiras  da  posição  87.05,  etc.,  os  caminhões para  lixo, mesmo que possuam  dispositivos  para  carregamento,  compactação,  umidificação, etc.  A classificação de certos veículos automóveis na presente  posição  é  determinada  por  certas  características  que  indicam  que  são  concebidos  para  o  transporte  de  mercadorias e não para o de pessoas (posição 87.03). Estas  características  são  especialmente  úteis  para  determinar  a  classificação dos veículos automóveis em que o peso bruto  é geralmente  inferior a 5 toneladas, que apresentem, quer  uma parte traseira separada fechada, quer uma plataforma  traseira  aberta,  utilizada  geralmente  para  o  transporte  de  mercadorias;  estes  veículos  podem  ser munidos,  na  parte  traseira,  de  assentos  do  tipo  banco,  sem  cintos  de  segurança  nem  pontos  de  amarração,  nem  acomodações  para  os  passageiros,  que  são  rebatíveis  para  as  laterais  a  fim de permitir a utilização completa da plataforma para o  transporte  de  mercadorias.  Esta  categoria  de  veículos  automóveis  compreende,  especialmente,  os  denominados  geralmente  por  veículos  polivalentes  (por  exemplo,  Fl. 449DF CARF MF     10 veículos  do  tipo  furgão,  veículos  do  tipo  picape  e  certos  veículos utilitários esportivos). Os elementos que seguem  reportam­se  às  características  de  concepção  que  os  veículos  desta  espécie  geralmente  possuem  e  que  se  incluem na presente posição:  a) Presença de assentos do tipo banco sem dispositivos de  segurança (por exemplo, cintos de segurança ou pontos de  ancoragem  e  acessórios  destinados  a  instalálos)  nem  acomodações para os passageiros na parte traseira, atrás da  parte  reservada  ao  condutor  e  aos  passageiros.  Estes  assentos  podem,  geralmente,  ser  rebatidos  a  fim  de  permitir  a  utilização  completa,  para  o  transporte  de  mercadorias,  do  espaço  interior  traseiro  (veículos do  tipo  furgão)  ou  da  plataforma  separada  (veículos  do  tipo  picape);  Página 1734 a:  b) Presença de uma cabine separada para o condutor e os  passageiros, bem como de uma plataforma aberta separada  munida de laterais fixas e de uma tampa traseira rebatível  (veículos do tipo picape);  c)  Ausência  de  janela  nos  dois  painéis  laterais  traseiros;  presença de uma ou várias portas deslizantes, normais ou  basculantes,  sem  janelas,  nos  painéis  laterais  ou  na  traseira,  a  fim  de  permitir  a  carga  e  a  descarga  das  mercadorias (veículos do tipo furgão);  d)  Presença  de  painel  ou  barreira  permanente  entre  o  habitáculo e a parte traseira;  e)  Ausência  de  elementos  de  conforto,  de  elementos  de  acabamento interior e de acessórios na plataforma de carga  semelhantes  aos  que  se  encontram  noshabitáculos  dos  automóveis  de  passageiros  (por  exemplo,  tapetes,  ventilação, iluminação interior, cinzeiros). (...)  Os  chassis  de  veículos  automóveis,  com  motor,  que  possuem  uma  cabina,  também  se  classificam  na  presente  posição. (...)  O  peso  em  carga  máxima  é  o  peso  total  máximo  de  circulação,  especificado  pelo  fabricante.  Este  peso  compreende: o peso do veículo,  o peso da  carga máxima  prevista,  o  peso  do  condutor  e  o  reservatório  de  combustível cheio.  Dos trechos reproduzidos da posição 8704 podemos deduzir que  a exceção tarifária “Ex 01 De camionetas, furgões, “pickups” e  semelhantes”  está  inserida  apenas  na  subposição  composta  8704.21,  que  comporta  os  veículos  automotores  destinados  ao  transporte de mercadorias, concebidos com motor de pistão, de  ignição por compressão (diesel ou semidiesel), de peso em carga  máxima  inferior  a  5  toneladas,  evidenciando  também  que  os  veículos  denominados  merceologicamente  como  camionetas,  furgões,  “pickups”  e  similares  são  uma  espécie  de  caminhão  cuja carga máxima em peso não pode superar 5 toneladas.  Fl. 450DF CARF MF Processo nº 12466.000337/2008­94  Acórdão n.º 3201­002.874  S3­C2T1  Fl. 446          11 Ademais,  as Nesh  dessa  posição  igualmente  determinam que  a  classificação desses  tipos de veículos é determinada em função  de  algumas  características  que  indicam  ser  concebidos  para  o  transporte  de  mercadorias  e  não  de  pessoas,  especialmente  quando  se  trata  de  informar  a  classificação  daqueles  veículos  cuja  carga  em  peso  bruto  é  inferior  a  5  toneladas,  o  que  nos  permite  concluir  que  nessa  categoria  de  veículos  automotores  estão compreendidos os conhecidos  também como polivalentes,  ou seja, os furgões, picapes e até certos utilitários esportivos.  Demais disso, corroborando com as Nesh, o material técnico que  especifica  os  veículos  que  utilizam  os  pneus  em  apreço  cabe  destacar  as  seguintes  características  básicas:  possuem  componentes  mecânicos,  carroçaria  com  capacidade  de  carga  superior  a  1.500  kg  e  são  compatíveis  com  o  transporte  de  mercadorias em curtas, médias e longas distâncias.  Por derradeiro, é de salientar que o conceito vulgar que se tem  de “caminhão” é de um tipo veículo rodoviário de carga de no  mínimo quatro rodas com cabine para o motorista separada da  carroçaria de carga. Note­se, entretanto, que esta separação da  cabine,  por  si  só,  e  ainda  que  fosse  o  caso  dos  autos,  não  é  condição  suficiente  para  definir  um  veículo  rodoviário  como  “caminhão”,  segundo  o  “Novo  Dicionário  Aurélio  da  Língua  Portuguesa” e o “Petit Larouse Illustré”.  “Caminhão  ­  Veículo  automóvel,  com  quatro  ou  mais  rodas,  para transporte de carga.”  Caminhão ­ Veículo grande e forte que se usa para transportar  mercadorias pesadas”.  O  segundo  dicionário  mencionado  também  define  “caminhonetes”  como  sendo  “caminhão  pequeno,  por  vezes  constituído  por  um  chassis  de  automóvel  de  passageiros,  de  carga útil inferior a 1.500 kg”.  Não  bastasse  o  acima  colacionado,  a  norma  TB  152/1978  da  Associação  Brasileira  de  Normas  Técnicas  (ABNT),  alterada  para  NBR  6067  após  registro  no  IMETRO,  define  caminhão  como sendo “um veículo de carga, com no mínimo quatro rodas,  com  carroçaria  e  destinado  ao  transporte  de  carga,  com  capacidade de carga útil superior a 1500 kg.”  Somente para pontuar, afora a definição trazida pelos referidos  dicionários,  convém  observar  também  que  a  transcrita  norma  técnica não exige carroçaria do tipo plataforma nem separação  dessa carroçaria da cabina do condutor para que se considere  um  determinado  veículo  como  sendo  um  “caminhão”,  destacando, em especial, sua capacidade de transporte de carga.  Nessa linha de entendimento a Administração Tributária também  já  se manifestou  quando  dispôs  sobre  o  conceito  de  caminhão  chassi e de caminhão monobloco. É o que evidencia a Instrução  Normativa SRF nº 237/2002 (DOU 06.11.2002), vejamos:  Fl. 451DF CARF MF     12 O  SECRETÁRIO  DA  RECEITA  FEDERAL,  no  uso  da  atribuição  que  lhe  confere  o  inciso  III  do  art.  209  do  Regimento  Interno  da  Secretaria  da  Receita  Federal,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  259,  de  24  de  agosto  de  2001, e tendo em vista o disposto no § 2º, inciso I, do art.  1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, resolve:  Art. 1º Para fins do disposto no § 2º, inciso I, do art. 1º da  Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, entende­se:  I  caminhões  chassi,  como  os  veículos  de  capacidade  de  carga  útil  igual  ou  superior  a  1.800  kg,  classificados  na  posição  87.04  da Tabela  de  Incidência  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados TIPI,  aprovada  pelo Decreto nº  4.070, de 28 de dezembro de 2001, providos de chassi com  motor e de cabina justaposta ao compartimento de carga;  II caminhões monobloco, como os veículos de capacidade  de carga útil igual ou superior a 1.500 kg, classificados na  posição  87.04  da  TIPI,  com  cabina  e  compartimento  de  carga inseparáveis, constituindo um corpo único, tal como  projetado e concebido;  III carga útil, como o peso da carga máxima prevista para  o veículo, considerado o peso do condutor, do passageiro e  do reservatório de combustível cheio. (...).  Portanto,  o  Fisco,  por  meio  de  ato  normativo  complementar,  também reconhece a procedência dos argumentos trazidos pela  Impugnante.  Em assim sendo, a designação genérica de “caminhão” deve ser  adotada  também  para  os  veículos  das  marcas/modelos  MercedesBenz,  Sprinter  Chassi  313  CDI  e  Iveco, Daily  40.13,  50.13  e 55C16, que  são os destinatários dos pneus  importados  ao  amparo  das  Adições  001  das  DI’s  09/02545056,  09/03297455, 09/03645666 e 09/03650767 e da Adição 006 da  DI 09/03040713, vez que atendem todas as exigências técnicas,  comerciais  e  normativas  para  o  seu  enquadramento  como  caminhão, o que nos conduz à conclusão de que os respectivos  pneumáticos importados, sob exame, por serem uma espécie do  gênero  pneus  para  ônibus  e  caminhões,  uma  vez  que  próprios  para  ser  utilizado  em  caminhões  chassi  e/ou  monobloco,  conforme o texto da subposição NCM 4011.20 (do qual se infere  a  existência  de  mais  de  um  tipo  de  pneu  para  ônibus  e  caminhões,  bem  assim  que  a  capacidade  de  carga  desses  veículos  não  é  determinante  para  sua  regular  classificação  fiscal), classificam­se no código NCM 4011.20.90 da TEC/TIPI,  com arrimo na 1ª e 6ª RGI c/c RGC1.    Sem reparos a fazer, adoto o entendimento esposado.  Classificação  Fiscal  –  Mercadoria  Pneus  novos  radiais  de  borracha,  código 500/70R24 164A8/164B IND TL XMCL REF 573542   Fl. 452DF CARF MF Processo nº 12466.000337/2008­94  Acórdão n.º 3201­002.874  S3­C2T1  Fl. 447          13 Sobre esta mercadoria a recorrente não se manifestou no recurso voluntário,  restando definitivo o acórdão de primeira instância nesta parte, nos termos do art. 42, §único1  do PAF.    Pelo exposto, voto por não  tomar conhecimento da matéria  relativa à multa  por  falta  de  guia  de  importação,  e,  da  matéria  conhecida,  por  dar  provimento  ao  recurso  voluntário para a classificação fiscal do produto Pneus novos de borracha código 225/70R15C  AGILIS 81 TL 112R marca Michelin, na posição TEC/TIPI 4011.20.90.    Marcelo Giovani Vieira, ­ Relator                                                              1   Art. 42. São definitivas as decisões:    (...)    Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto  de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício.                                  Fl. 453DF CARF MF

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6814506 #
Numero do processo: 13971.908773/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 INSUMO DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL. NÃO COMPROVADA A UTILIZAÇÃO NA FABRICAÇÃO DE PRODUTO AGROINDUSTRIAL. APROPRIAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao crédito presumido agroindustrial, calculado sobre o valor de aquisição de insumos de origem animal e vegetal, especificados no art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/2004, adquiridos sem tributação (isenção, alíquota zero ou suspensão), somente é admitido se demonstrado, nos autos, que os referidos produtos foram (i) adquiridos das pessoas mencionados no caput e § 1º do citado art. 8º, e (ii) utilizados como insumo de produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal. O não atendimento de qualquer uma das condições, impossibilita a dedução do referido crédito presumido. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, se no transporte de bens para revenda ou utilizado como insumos na produção/industrialização de bens de destinados à venda, o gasto com frete, suportado pelo comprador, somente propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens, logo, se não há previsão legal de apropriação de crédito sobre o custo de aquisição dos bens transportados, por falta de previsão legal, não há como ser apropriada a parcela do crédito calculada exclusivamente sobre o valor do gasto com frete. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE E REMESSA PARA DEPÓSITO FECHADO E ARMAZÉM GERAL. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Cofins calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte ou nas remessas para depósitos fechados ou armazéns gerais. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE INTERNO NO TRANSPORTE DE PRODUTO IMPORTADO DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados à revenda ou utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, pois sobre tais gastos não há pagamento da Cofins-Importação e da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação, por não integrarem a base de cálculo destas contribuições, nem se enquadrarem nas demais hipóteses de dedução de crédito previstas nos incisos III a XI do art. 3º da Lei 10.833/2003. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, os gastos com frete por prestação de serviços de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. REGIME NÃO CUMULATIVO. OPERAÇÕES DE DEVOLUÇÃO DE COMPRA E DE VENDA. DESPESA COM FRETE NO TRANSPORTE DO BEM DEVOLVIDO. DIREITO DE DEDUÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é passível de apropriação os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre as despesas com frete incorridas na operação de devolução de bem vendido ou comprado, ainda que tais despesas tenha sido suportadas pelo contribuinte. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA DOS CRÉDITOS APROPRIADOS. CABIMENTO. No âmbito do regime não cumulativo, ainda que haja previsão legal da dedução, a glosa dos créditos da Cofins deve ser integralmente mantida se o contribuinte não comprova a realização do pagamento dos gastos com frete à pessoa jurídica domiciliada no País com documento hábil e idôneo. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 DESPACHO DECISÓRIO E RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para o indeferimento do pleito de restituição formulado pela contribuinte, que foi devidamente cientificada e exerceu em toda sua plenitude o seu direito de defesa nos prazos e na forma na legislação de regência. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do relatório de auditoria fiscal e do despacho decisório e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer o direito da recorrente (i) à dedução integral dos créditos relativos às revendas de milho adquirido com suspensão (glosa 5 - SUS) e (ii) à dedução parcial dos créditos calculados sobre o valor do frete relativo às operações de transferências entre estabelecimentos industriais de insumo e produto em elaboração para produção (Glosa 7.6). Ausente a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2139; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 1.344          1 1.343  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13971.908773/2011­61  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3302­004.323  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de maio de 2017  Matéria  COFINS ­ RESTITUIÇÃO E COMPENSÇÃO  Recorrente  BUNGE ALIMENTOS S/A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008  INSUMO DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL. NÃO COMPROVADA A  UTILIZAÇÃO NA  FABRICAÇÃO DE  PRODUTO AGROINDUSTRIAL.  APROPRIAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. IMPOSSIBILIDADE.  O  direito  ao  crédito  presumido  agroindustrial,  calculado  sobre  o  valor  de  aquisição de insumos de origem animal e vegetal, especificados no art. 8º, §  3º, da Lei 10.925/2004, adquiridos sem tributação (isenção, alíquota zero ou  suspensão), somente é admitido se demonstrado, nos autos, que os referidos  produtos  foram  (i)  adquiridos das pessoas mencionados no  caput  e  § 1º  do  citado  art.  8º,  e  (ii)  utilizados  como  insumo  de  produção  de  mercadorias  destinadas à alimentação humana ou animal. O não atendimento de qualquer  uma das condições, impossibilita a dedução do referido crédito presumido.  REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE  DE  BENS  SEM  DIREITO  A  CRÉDITO.  DIREITO  DE  APROPRIAÇÃO  DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.  No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, se no transporte de bens para  revenda ou utilizado como insumos na produção/industrialização de bens de  destinados  à  venda,  o  gasto  com  frete,  suportado  pelo  comprador,  somente  propicia  a  dedução  de  crédito  se  incluído  no  custo  de  aquisição  dos  bens,  logo,  se  não  há  previsão  legal  de  apropriação  de  crédito  sobre  o  custo  de  aquisição dos bens transportados, por falta de previsão legal, não há como ser  apropriada  a  parcela  do  crédito  calculada  exclusivamente  sobre  o  valor  do  gasto com frete.  REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  GASTOS  COM  FRETE  NO  TRANSPORTE  DE  PRODUTOS  ACABADOS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DO  CONTRIBUINTE  E  REMESSA  PARA     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 87 73 /2 01 1- 61 Fl. 1640DF CARF MF   2 DEPÓSITO  FECHADO  E  ARMAZÉM  GERAL.  DIREITO  DE  APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.  No  âmbito  do  regime  não  cumulativo,  por  falta  de  previsão  legal,  não  é  admitida a apropriação de créditos da Cofins calculados sobre os gastos com  frete  por  serviços  de  transporte  prestados  nas  transferências  de  produtos  acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte ou nas remessas para  depósitos fechados ou armazéns gerais.  REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  GASTOS  COM  FRETE  INTERNO  NO  TRANSPORTE  DE  PRODUTO  IMPORTADO  DIREITO  DE  APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.  Os  gastos  com  frete  interno  relativos  ao  transporte  de  bens  destinados  à  revenda ou utilizados como  insumo na prestação de  serviços e na produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  ainda  que  pagos  a  pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da Cofins e  da Contribuição para o PIS/Pasep, pois sobre tais gastos não há pagamento da  Cofins­Importação e da Contribuição para o PIS/Pasep­Importação, por não  integrarem  a base de  cálculo destas contribuições, nem se enquadrarem nas  demais hipóteses de dedução de crédito previstas nos incisos III a XI do art.  3º da Lei 10.833/2003.  REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  GASTOS  COM  FRETE.  TRANSFERÊNCIA  DE  INSUMOS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  INDUSTRIAIS  DO  CONTRIBUINTE.  SERVIÇO  DE  TRANSPORTE  COMO  INSUMO  DE  PRODUÇÃO.  DIREITO  DE  APROPRIAÇÃO  DE  CRÉDITO. POSSIBILIDADE.  Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, os gastos com frete por  prestação  de  serviços  de  transporte  de  insumos,  incluindo  os  produtos  inacabados,  entre  estabelecimentos  industriais  do  próprio  contribuinte  propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de  bens destinados à venda.  REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  OPERAÇÕES  DE  DEVOLUÇÃO  DE  COMPRA E DE VENDA. DESPESA COM FRETE NO TRANSPORTE DO  BEM  DEVOLVIDO.  DIREITO  DE  DEDUÇÃO  DE  CRÉDITO.  IMPOSSIBILIDADE.  No  âmbito  do  regime  não  cumulativo,  por  falta  de  previsão  legal,  não  é  passível  de  apropriação  os  créditos  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  calculados sobre as despesas com frete incorridas na operação de devolução  de bem vendido ou comprado, ainda que tais despesas tenha sido suportadas  pelo contribuinte.  REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  GASTOS  COM  FRETE.  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO.  GLOSA  DOS  CRÉDITOS  APROPRIADOS.  CABIMENTO.  No  âmbito  do  regime  não  cumulativo,  ainda  que  haja  previsão  legal  da  dedução, a glosa dos créditos da Cofins deve ser integralmente mantida se o  contribuinte não comprova a realização do pagamento dos gastos com frete à  pessoa jurídica domiciliada no País com documento hábil e idôneo.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008  Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 13971.908773/2011­61  Acórdão n.º 3302­004.323  S3­C3T2  Fl. 1.345          3 DESPACHO  DECISÓRIO  E  RELATÓRIO  DE  AUDITORIA  FISCAL.  MOTIVAÇÃO ADEQUADA.  INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO  DIREITO  DE  DEFESA.  DECLARAÇÃO  DE  NULIDADE.  IMPOSSIBILIDADE.  No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do  direito  de  defesa  a  decisão  que  apresenta  fundamentação  adequada  e  suficiente  para  o  indeferimento  do  pleito  de  restituição  formulado  pela  contribuinte,  que  foi  devidamente  cientificada  e  exerceu  em  toda  sua  plenitude  o  seu  direito  de  defesa  nos  prazos  e  na  forma  na  legislação  de  regência.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  rejeitar as preliminares de nulidade do relatório de auditoria fiscal e do despacho decisório e,  no mérito, em dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer o direito da recorrente (i) à  dedução integral dos créditos relativos às revendas de milho adquirido com suspensão (glosa 5  ­  SUS)  e  (ii)  à  dedução  parcial  dos  créditos  calculados  sobre  o  valor  do  frete  relativo  às  operações  de  transferências  entre  estabelecimentos  industriais  de  insumo  e  produto  em  elaboração para produção (Glosa 7.6). Ausente a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado.  (assinado digitalmente)  Ricardo Paulo Rosa – Presidente.  (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento ­ Relator.  Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros  Ricardo  Paulo  Rosa,  Paulo  Guilherme  Déroulède,  Domingos  de  Sá  Filho,  José  Fernandes  do  Nascimento,  Maria  do  Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.  Relatório  Trata­se  de  Pedido  Eletrônico  de  Ressarcimento  (PER)  da  Cofins  não­ cumulativa,  vinculada  à  receita  de  exportação,  do  1º  trimestre  de  2008,  no montante  de R$  4.080.671,75,  o  qual  foi  utilizado  nas  compensações  dos  débitos  discriminados  nas  Declarações de Compensação (DComp) colacionadas aos autos.  Por  intermédio  do Despacho Decisório  de  fls.  1.000/1.005,  foi  reconhecido  em  favor  da  recorrente  o  direito  creditório  no  valor  de  R$  2.702.989,49  e  homologada  as  compensações declaradas até o limite do valor do crédito reconhecido.  Segundo o Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 507/574, a parcela do crédito  não reconhecido decorreu das glosas dos créditos relatadas nos seguintes itens: Glosa 1 ­ Falta  de comprovação de operações; Glosa 2 ­ Aquisições com alíquota zero; Glosa 3 ­ Aquisições  Fl. 1642DF CARF MF   4 não  sujeitas  ao  pagamento  da  contribuição; Glosa  4  ­ Devoluções  de  compras  com  base  de  cálculo zero; Glosa 5 ­ Revendas de milho adquirido com suspensão; Glosa 6 ­ Complementos  de Valor; e Glosa 7 ­ Fretes.  As glosa dos fretes foram relatadas nos seguintes subitens: Glosa 7.1 – Fretes  – Falta de Comprovação; Glosa 7.2 – Fretes – Falta de Vinculação a Operações Glosa 7.3 –  Fretes  internos  em  importações  (após  desembaraço);  Glosa  7.4  –  Fretes  relativos  a  bens  adquiridos com FEX; Glosa 7.5 – Fretes em devoluções Glosa; 7.6 – Fretes em transferências;  Glosa 7.7 – Fretes em remessas para armazéns gerais; Glosa 7.8 – Fretes em compras de PF  para revenda Glosa; 7.9 – Fretes – diferença significativa de data em relação à NF vinculada;  Glosa 7.10 – Fretes – NF sem movimentação física; Glosa 7.11 – Fretes em outras operações  sem crédito; Glosa 7.12 – Fretes vinculados a registros atingidos pela Glosa 5; e Glosa 7.13 –  Fretes vinculados a registros atingidos pela Glosa 2.  Em  sede  de  Manifestação  de  Inconformidade,  a  recorrente  apresentou  as  seguintes razões, que foram resumidas no relatório integrante da decisão de primeiro grau:  5.  Em  face  do  Despacho  Decisório  proferido  pela  DRF­  Blumenau,  o  contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade  em  09/08/2013,  fls.  1.011/1.048  na  qual  alega  em síntese:  a­ No que tange à glosa 1­ FC­ Falta de comprovação, acosta ao  autos cópia de Notas Fiscais não apresentadas;  b­  Quanto  à  glosa  2­  Aquisição  de  mercadorias  com  alíquota  zero, concorda com as glosas referentes ao item 48 do Relatório,  sub­itens “a”, “b”, “c”, “e”, “g” e “j”. Deve ser reconhecido o  crédito  presumido  na  aquisição  de  arroz,  no  valor  de  R$  112.474,18, bem como na compra de  trigo, no montante de R$  160.592,52  e  também  deve  ser  apurado  o  crédito  presumido  incidente na alínea “i” que totaliza R$ 988.486,05. Houve erro  na classificação contábil do Refinazil, o que resultou na glosa da  fiscalização;  c­  Está  de  acordo  com  a  glosa  3­  CONAB  e  com  a  glosa  4­  Devolução de compras com base de cálculo zero;  d­ A glosa 5­ SUS­ Revenda de milho adquirido com suspensão  não  deve  prosperar.  A  própria  fiscalização  reconhece  que  as  aquisições junto a pessoas físicas, superam as vendas efetuadas  com suspensão, assim não haveria o que estornar;  e­  O  critério  da  glosa  proporcional  adotado  pelo  auditor  não  tem  fundamento  legal, mesmo porque  as  saídas  com suspensão  são inferiores às aquisições sem crédito. “A única possibilidade  de  fazê­lo  seria  identificar  isoladamente  as  aquisições  e  saídas  desta glosa para segmentá­las”;  f­  Glosa  6  –CV­  Complementação  de  valor.  Junta  aos  autos  cópia  de  notas  fiscais  não  apresentadas,  com  o  intuito  de  comprovar o crédito glosado;  g­  A  comercialização  de  produtos  agrícolas  apresenta  características  peculiares,  entre  elas  a  de  se  fixar  o  preço  definitivo, após a entrega do produto e da emissão da nota fiscal,  assim  muitas  vezes  se  faz  necessária  a  emissão  de  uma  nota  fiscal complementar;  Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 13971.908773/2011­61  Acórdão n.º 3302­004.323  S3­C3T2  Fl. 1.346          5 h­ A fiscalização se equivoca ao afirmar que a tradição da soja  seria  o  momento  adequado  para  o  reconhecimento  da  receita.  “Portanto,  pouco  importante  na  avaliação  deste  fato  em  que  momento  se  deu  a  complementação  de  preço  ou  a  tradição  da  soja  em  grão,  para  definir  a  aquisição,  posto  que  as  duas  ocorrências  significam  a  efetiva  aquisição,  a  observar  a  legislação  correspondente  naquele  momento  e,  conseqüentemente, o regime de competência”;  i­  A  legislação  de  regência  não  trata  desta  modalidade  de  negócio  jurídico  e  não  estabeleceu  os  critérios  adotados  pela  fiscalização para justificar a glosa em comento;  j­ Glosa 7.1 – Fretes­ Falta de comprovação. Acostou aos autos  cópias de notas fiscais não apresentadas;  k­  Glosa  7.2­  Fretes­  Falta  de  vinculação  a  operações.  Reúne  aos  autos  cópias  de  notas  fiscais  não  apresentadas,  os  demais  documentos  fiscais  serão  apresentados  em  até  30  dias.  O  Relatório Fiscal não informa quais notas fiscais foram glosadas  ou  não  encontradas,  fato  que  cerceou  o  direito  à  defesa  (item  162, “a” até “c”);  l­  Glosa  7.3­  Fretes  internos  em  importações.  A  interpretação  restritiva efetuada pela fiscalização não consta da legislação de  regência, ao contrário, o legislador permitiu o cálculo de crédito  em  serviço  contratado  junto  à  pessoa  jurídica  domiciliada  no  país;  m­  A  Lei  nº  10.865/2004  ao  permitir  o  cálculo  de  crédito  na  aquisição  de  mercadorias  importadas  pretendeu  desonerar  as  importações;  n­ A  aquisição  do  bem e a  contratação do  frete  são  operações  distintas,  assim  a  compra  de  um  produto  não  tributado  não  desqualifica a apuração de crédito incidente sobre o frete deste  bem;  o­ Cita a Solução de Consulta nº 441/2006 da SRRF 9ª RF;  p­ Glosa 7.4­ Fretes relativos a bens adquiridos com FEX. A IN  nº  379/2003  não  poderia  extrapolar  as  disposições  legais  correspondentes,  ao  dispor  que  é  vedado  apurar  crédito  a  empresa comercial exportadora nas mercadorias adquiridas com  fim específico de exportação;  q­  A  glosa  efetuada  se  deve  ao  fato  de  que  o  contribuinte  adquiriu  mercadoria  com  a  cláusula  FOB  e  pagou  pelo  frete,  com  entrega  por  conta  e  ordem  no  estabelecimento  portuário.  Em  muitas  ocasiões  não  é  possível  enviar  todo  um  lote  de  exportação  de  soja  de  uma  única  vez.  Desde  que  comprovada  que  as  transferências  se  referem  a  vendas  já  efetuadas  pela  empresa,  é  possível  o  creditamento  relativos  a  estes  fretes,  segundo diversos julgados administrativos;  Fl. 1644DF CARF MF   6 r­  Glosa  7.5­  Fretes  em  devoluções.  Não  há  fundamento  legal  que  ampare  a  posição  da  fiscalização.  O  transporte  da  mercadoria  que  havia  sido  destinado  à  venda/adquirido  e  retornou  ao  estabelecimento,  é  uma  despesa  suportada  e  preenche os requisitos previsto no  inciso IX do art. 3º das Leis  nºs 10.637/2002 e 10.833/2003;  s­  Os  fretes  em  tela  foram  apropriados  pelas  filiais  “transportes”  quando  subcontrataram  o  serviço  de  outros  transportadores, o que é considerado insumo;  t­ Glosa 7.6.­ Fretes em transferências. O frete de transferência  do  produto  acabado,  dos  insumos  ou  dos  produtos  em  elaboração,  já  faz  parte  do  processo  de  venda,  diferindo  da  venda  direta  somente  pela  passagem  da mercadoria  pela  filial  receptora. Caso ocorresse esta situação com empresas distintas  se daria o nome de compra para revenda, o que geraria direito a  crédito;  u­ A transferência destes produtos é tributada pelo PIS/COFINS,  assim como o  faturamento dos  fretes, ou seja, há  tributação na  cadeia anterior. Desta  forma, a glosa deste crédito ofenderia o  conceito da não­cumulatividade;  v­  Parte  destes  fretes  são  contratados  por  filiais  dedicadas  ao  serviço  de  transporte  que  contratam  o  serviço  de  outros  transportadores, fato que caracteriza insumo;  w­ Glosa 7.7­ Fretes em remessa para armazém geral. Os fretes  são  contratados  por  filiais  dedicadas  ao  serviço  de  transporte  que  contratam  o  serviço  de  outros  transportadores,  fato  que  caracteriza insumo;  x­ Glosa  7.8­  Frete  em  compra  de  pessoa  física  para  revenda.  Não há previsão legal que vede a apuração de crédito incidente  sobre  frete  contratado  de pessoa  jurídica  referente  a  aquisição  de mercadoria para revenda de pessoa física;  y­ Glosa 7.9.­ Relativos à diferença entre a data da emissão da  nota fiscal e da expedição do conhecimento de transporte. Junta  cópia  de  notas  fiscais  não  apresentadas,  com  o  intuito  de  comprovar o crédito;  z­  Glosa  7.10.­  Fretes  –  Nota  fiscal  sem  movimentação  física.  Reúne cópia de notas fiscias não apresentadas anteriormente;  aa­ Glosa 7.11. Fretes em outras operações sem crédito. Não se  pode  vincular  o  crédito  do  serviço  de  frete  com  as  aquisições,  são  situações  autônomas.  A  glosa  efetuada  não  tem  amparo  legal;  bb­ Glosa 7.12.­ Frete vinculado à glosa 5. Não se pode vincular  o  crédito  do  serviço  de  frete  com  as  aquisições,  são  situações  autônomas. A glosa efetuada não tem amparo legal;  cc­ Glosa 7.13.­ Frete vinculado à glosa 2. Não se pode vincular  o  crédito  do  serviço  de  frete  com  as  aquisições,  são  situações  autônomas. A glosa efetuada não tem amparo legal;  Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 13971.908773/2011­61  Acórdão n.º 3302­004.323  S3­C3T2  Fl. 1.347          7 dd­ Requer o reconhecimento da nulidade do relatório fiscal e do  despacho, por cerceamento e a homologação das compensações  apresentadas.  Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos,  a Manifestação  de  Inconformidade  foi  julgada  procedente  em  parte,  nos  termos  do  voto  do  Relator,  com  base  nos  fundamentos  resumidos  nos  enunciados  das  ementas  que  seguem  transcritos:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS  Ano­calendário: 2008  CRÉDITOS  GLOSADOS  POR  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO.  Deve  ser  desconsiderada  a  glosa  de  crédito  devida  à  falta  de  comprovação,  se  na  fase  de  impugnação  for apresentada parte  dos documentos comprobatórios.  AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA  CONTRIBUIÇÃO.  Não  gera  direito  à  apuração  de  crédito  a  compra de produtos não sujeitos ao pagamento da contribuição.  VENDA  COM  SUSPENSÃO.  CRÉDITO.  É  vedado  à  empresa  cerealista o aproveitamento de crédito em relação às receitas de  vendas com suspensão.  FRETE.  APURAÇÃO  DE  CRÉDITO.  A  despesa  com  frete  na  operação de venda gera direito à apuração de crédito, desde que  o  ônus  seja  suportado  pelo  vendedor  e  o  serviço  seja  prestado  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  país.  A  despesa  com  frete  vinculado  a  operação  de  aquisição  de  bens  para  revenda  ou  utilizado  como  insumo,  por  integrar  o  custo  de  aquisição  dos  bens, origina direito ao cálculo do crédito de COFINS.  Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte  Direito Creditório Não Reconhecido  Em 3/7/2014,  a  autuada  foi  cientificada  da  referida  decisão.  Inconformada,  em 4/8/2014, apresentou recurso voluntário, em que reafirmou, em preliminar, a nulidade do  Relatório Auditoria Fiscal e do Despacho Decisório, por cerceamento do direito de defesa, e no  mérito, contestou total ou parcialmente as glosas relativas aos seguintes itens:  a) Glosa  2  (AZ)  ­  Aquisições  com  alíquota  zero,  nos  casos  em  que  foram  calculados créditos em relação a aquisições de bens tributados na etapa anterior a alíquota zero;  b) Glosa 5 (SUS) ­ Revendas de milho adquirido com suspensão, nos casos  em  que  a  contribuinte  revendeu  com  suspensão  parte  do  milho  adquirido  com  tomada  de  créditos; e  c) Glosa 7 ­ Fretes.  Em  relação  aos  fretes,  a  recorrente  contestou  a  glosa  relativa  apenas  aos  seguintes subitens: Glosa 7.2 – Fretes – Falta de Vinculação a Operações; Glosa 7.3 – Fretes  Fl. 1646DF CARF MF   8 internos  em  importações  (após desembaraço); Glosa 7.4 – Fretes  relativos  a bens  adquiridos  com FEX; Glosa 7.5 – Fretes em devoluções Glosa; 7.6 – Fretes em transferências; Glosa 7.7 –  Fretes em remessas para armazéns gerais; Glosa 7.8 – Fretes em compras de PF para revenda  Glosa; Glosa 7.11 – Fretes em outras operações sem crédito; Glosa 7.12 – Fretes vinculados a  registros atingidos pela Glosa 5 (aquisições com suspensão); e Glosa 7.13 – Fretes vinculados a  registros atingidos pela Glosa 2 (aquisições com alíquota zero).  É o relatório.  Voto             Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator.  O  recurso  é  tempestivo,  trata de matéria da  competência deste Colegiado e  preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido.  A  controvérsia  remanescente  cinge­se  a  questões  preliminar,  atinente  a  nulidade do Relatório Auditoria Fiscal e do Despacho Decisório, e de mérito, referente a glosa  parcial dos créditos da contribuição.  1) DA PRELIMINAR DE NULIDADE  No recurso em apreço, a  recorrente  reiterou a preliminar de nulidade do do  Relatório Auditoria Fiscal e do Despacho Decisório, com base no argumento de não conseguira  ter acesso amplo às informações contidas nos arquivos digitais, especialmente dado o formato  “TXT”, que não possibilitava extrair com clareza as informações necessárias para compreender  os motivos e os documentos relacionados à glosa dos créditos.   Previamente,  cabe  ressaltar  que,  no  âmbito  processo  administrativo  fiscal  federal, as hipóteses de nulidade do despacho decisório, extensível ao relatório em embasado,  encontram­se estabelecidas no art. 59,  II, do Decreto 70.235/1972, a saber: (i)  incompetência  da autoridade julgadora e (ii) preterição do direito de defesa do sujeito passivo.  No  caso  em  tela,  não  se  vislumbra  nenhuma  das  situações.  Com  efeito,  o  citado despacho decisório foi proferido pelo titular da unidade da Secretaria da Receita Federal  do Brasil (RFB) da jurisdição da recorrente, reconhecidamente, a autoridade competente para  decidir  sobre o pedido de  restituição  colacionados  aos  autos,  nos  termos  do  art.  302, VI,  do  Regimento  Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF 203/2012. E compulsando o  referido  decisório, verifica­se que ele apresenta adequada fundamentação fático­jurídica.  No  caso,  ao  contrário  do  alegado  pela  recorrente,  era  fácil  o  acesso  ao  arquivo “Demonstrativo de Glosas.txt”, bastava o usuário ativar, no software leitor de arquivos  pdf, a opção de visualizar arquivos anexos, conforme orientação contida no citado Relatório. E  diante de qualquer dúvida ou dificuldade de acesso, a recorrente poderia ter solicitado a ajuda  ou esclarecimentos adicionais da autoridade fiscal, o que não ocorreu. Ademais, tais arquivos  foram  reproduzidos  no  corpo  do  Relatório  ou  nos  anexos  que  lhe  seguiram,  o  que  também  infirma o argumento de que fora possível extrair com clareza as informações necessárias para  compreender os motivos e os demonstrativos da glosa dos créditos.  Além  disso,  a  leitura  das  robustas  peças  defensivas  colacionadas  aos  autos  revelam  que  a  corrente  não  só  compreendeu  como  se  defendeu  adequadamente  das  Fl. 1647DF CARF MF Processo nº 13971.908773/2011­61  Acórdão n.º 3302­004.323  S3­C3T2  Fl. 1.348          9 irregularidades  que  lhe  foram  imputadas,  inclusive,  expressamente  concordou  com parte  das  glosas realizadas.  Cabe ainda ressaltar que a recorrente fundamentou as suas alegações no art.  142  do  CTN,  que  dispõe  sobre  os  requisitos  do  lançamento  do  crédito  tributário,  matéria  estranha aos autos, que, inequivocamente, trata de pedido ressarcimento de crédito da Cofins,  utilizado na compensação de débitos da própria contribuinte.  Por essas  razões,  rejeita­se a presente preliminar de nulidade suscitada pela  recorrente.  2) DA ANÁLISE DAS QUESTÕES DE MÉRITO.  No  mérito,  a  controvérsia  remanescente  cinge­se  a  glosa  dos  créditos  calculados sobre (i) aquisições de insumos com alíquota zero, (ii) revendas de milho adquirido  com suspensão e (iii) despesas com fretes.  2.1 Da Glosa Relativa às Aquisições com Alíquota Zero (Glosa 2 ­ AZ)  Segundo a fiscalização, por expressa vedação legal (Lei 10.833/2003, art. 3º,  §  2º,  II),  foram  glosados  os  créditos  calculados  sobre  o  preço  das  aquisições  de  bens  para  revenda ou utilizados como insumos de produção, tributadas na etapa anterior com a alíquota  zero.  A  recorrente  não  contestou  o  mérito  da  glosa  dos  créditos  básicos  da  contribuição em apreço, o que significa que ela,  tacitamente, concordou que as aquisições de  bens submetidas à tributação pela alíquota zero não permitem a apropriação de crédito básico  assegurado ao regime não cumulativo da contribuição.  A discordância da recorrente  limitou­se apenas a glosa  integral dos créditos  básicos  calculados  sobre  as  aquisições  de  arroz,  farinha,  farinha  de  trigo  e  trigo.  Para  recorrente,  tais  produtos  foram  utilizados  como  insumos  na  produção  de  mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal  destinadas  à  alimentação  humana  ou  animal,  logo  tinha direito  de  deduzir a parcela do crédito presumido agroindustrial, equivalente a 35% da alíquota do crédito  básico, conforme previsto no art. 8º, § 3º, III, da Lei 10.925/2004.  Este  Colegiado,  em  reiterados  julgamentos,  tem  reconhecido,  de  ofício,  o  direito  ao  crédito  presumido  agroindustrial  nos  casos  em  que  há  glosa  integral  dos  créditos  básico apropriados, por estabelecimento agroindustrial, sobre o valor de aquisição de insumos  de origem animal e vegetal, especificados no art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/2004, adquiridos sem  tributação, se demonstrado, nos autos, que (i) a aquisição foi feita das pessoas mencionados no  caput e § 1º do citado art. 8º, e (ii) que o produto agropecuário foi utilizado como insumo de  produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal.  Nos presentes autos não foi acostado qualquer prova que demonstrasse que os  produtos  tributados  à  alíquota  zero  foram  utilizados  como  insumos  de  produção  das  mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal  destinados  à  alimentação  humana  ou  animal,  especificadas no caput do art. 8º da Lei 10.925/2004. Aliás, a recorrente sequer informou qual  a  mercadoria  fora  produzida  com  os  referidos  produtos,  condição  indispensável  para  o  reconhecimento do crédito presumido em apreço.  Fl. 1648DF CARF MF   10 E não se pode olvidar, que essa comprovação era  imprescindível,  tendo em  conta  que  os  produtos  adquiridos  pela  recorrente  eram  todos  eles  semi­industrializados  (por  exemplo,  arroz  semibranqueado  ou  branqueado,  mesmo  polido  ou  brunido),  ou  já  industrializados  (por  exemplo,  farinhas  de  milho,  descritas  como  fubá  de  milho  e  refinazil  pelletizado,  farelado  e  ensacado).  Na  produção  de  que  mercadorias  tais  produtos  foram  utilizados?  A  resposta  a  essa  indagação  revela­se  imprescindível  para  o  reconhecimento  do  valor do crédito presumido pleiteado, porém, nos autos, não há elementos que para obtê­la.  Além  disso,  caso  admitido  pelo  Colegiado  o  direito  ao  crédito  presumido  pleiteado, o que se admite apenas para fim argumentação, ao menos o valor das aquisições do  trigo  importado da Argentina e dos Estados Unidos, necessariamente, devem ser excluído da  base de cálculo do crédito presumido agroindustrial requerido, posto que, nos termos do art. 8º,  § 2º, da Lei 10.925/2004, o referido benefício fiscal restringe­se apenas “aos bens adquiridos  ou  recebidos,  no  mesmo  período  de  apuração,  de  pessoa  física  ou  jurídica  residente  ou  domiciliada no País”.  Com  base  nessas  considerações,  deve  ser  mantida  a  glosa  integral  dos  créditos básicos da contribuição apurados sobre o preço de aquisição dos mencionados bens.  2.2 Da Glosa Relativa às Revendas de Milho Adquirido Com Suspensão  (Glosa 5 ­ SUS)  Nos  itens  66  do  Relatório  de  Auditoria  Fiscal,  a  seguir  transcritos,  a  fiscalização prestou as seguintes informações relevantes para o deslinde da controvérsia:  66.  A  contribuinte,  no  ano  de  2008,  adquiriu,  para  revenda,  milho  em grãos  (código  de  item 467.499),  assumindo,  assim,  a  condição de cerealista.  [...]  67. Até 2005, a BUNGE industrializava parte do milho adquirido  em  fábricas de  ração,  sendo que o milho em grãos era um dos  insumos  utilizados.  Entretanto,  após  o  encerramento  das  operações  daquelas  filiais  (fábricas  de  ração),  todo  o  milho  adquirido  pela  BUNGE  passou  a  ter  a  finalidade  exclusiva  de  revenda, tanto no mercado interno quanto para exportações.  Ainda  segunda  a  fiscalização,  a  recorrente,  na  condição  de  cerealista,  adquiriu e revendeu o milho em grãos com suspensão do pagamento da contribuição, era­lhe  vedado  o  aproveitamento  do  crédito  presumido  agroindustrial  calculado  sobre  o  valor  de  aquisição do referido produto e eventual crédito apropriado deveria ser estornado, por força do  disposto no art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004.  Intimada pela fiscalização a comprovar o estorno de tais créditos, a recorrente  prestou a seguinte informação, in verbis:  Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 13971.908773/2011­61  Acórdão n.º 3302­004.323  S3­C3T2  Fl. 1.349          11   Com base  nessa  resposta,  resta  esclarecido  que,  segundo o  critério  adotado  pela recorrente, como a quantidade de milho revendido com suspensão foi inferior a quantidade  do  produto  adquirido  sem  crédito  (aquisições  de  pessoas  físicas  e  CONAB),  logo  ela  não  estava obrigada a fazer o estorno. No entendimento da recorrente, somente se as aquisições do  produto sem crédito fossem inferiores às revendas com suspensão era que o estorno do crédito  deveria ser realizado, o que não ocorreu em nenhum trimestre do ano de 2008.  Assim, o que a recorrente fez para verificar a necessidade ou não de estorno  de crédito,  foi atribuir, primeiramente,  todo milho vendido com suspensão às aquisições sem  crédito. Apenas se esta quantidade não fosse suficiente para “cobrir” as saídas com suspensão  era que haveria a necessidade de estorno do crédito.  Entretanto, segundo a fiscalização:  As aquisições, embora feitas de diferentes formas, de PF ou PJ, e  estas  tributadas,  com  suspensão  ou  com  FEX,  não  vinculam  a  utilização do grão para um tipo de saída específica. Assim, não é  possível afirmar, como quer a empresa, que todo grão comprado  de pessoa física, sem crédito, é o milho vendido com suspensão,  o que dispensaria a necessidade de estorno do crédito, uma vez  que não teria havido a tomada de crédito na aquisição; de outro  lado, também não seria possível afirmar, por exemplo, que todo  grão vendido com suspensão teria advindo das aquisições junto  a PJ, com tomada de crédito, o que acarretaria a necessidade de  estorno  dos  créditos  correspondentes  à  quantidade  saída  com  suspensão.  Assim, tendo em vista que não era possível vincular entradas e saídas, ante a  inexistência  de  método  de  controle  de  apropriação  direta,  e  que  o  critério  adotado  pela  recorrente era­lhe extremamente favorável, a  fiscalização adotou, para fim de rateio do valor  do  crédito  a  ser  estornado  vinculado  à  venda  com  suspensão,  o  percentual  da  proporção  mensal, determinado mediante a divisão das quantidades das saídas com suspensão pelas saídas  totais (excluídas, quando existentes, as exportações com fim específico de exportação ­ FEX).  E  o  valor  do  crédito  a  ser  estornado  determinado  mediante  a  aplicação  do  percentual  da  proporção  mensal  sobre  a  base  de  cálculo  total  dos  créditos  decorrentes  das  aquisições  de  milho de pessoa jurídica (com ou sem crédito).  O  critério  adotado  pela  fiscalização  não  tem  amparo  legal.  No  caso  de  inexistência de método de apropriação direta, há previsão legal de rateio de custos, despesas e  encargos  comuns  proporcional  entre  a  receita  bruta  sujeita  à  incidência  não  cumulativa  e  a  receita bruta total, nos termos do art. 3º, § 8º, II, da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito:  Fl. 1650DF CARF MF   12 Art. 3º Do valor apurado na  forma do art. 2º a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  [...]  § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da  Receita  Federal,  no  caso  de  custos,  despesas  e  encargos  vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao  regime  de  incidência  cumulativa  dessa  contribuição,  o  crédito  será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de:  I ­ apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio  de  sistema  de  contabilidade  de  custos  integrada  e  coordenada  com a escrituração; ou  II  ­  rateio  proporcional,  aplicando­se  aos  custos,  despesas  e  encargos comuns a relação percentual existente entre a receita  bruta sujeita à incidência não­cumulativa e a receita bruta total,  auferidas em cada mês.  [...] (grifos nãooriginais)  Além  da  inexistência  de  amparo  legal,  o  critério  adotado  pela  fiscalização  revela­se irrazoável, pois utiliza como base cálculo de rateio apenas os valores das aquisições  de  milho  de  pessoa  jurídica  (com  ou  sem  crédito),  e  que,  portanto,  não  são  comuns  às  aquisições de pessoas físicas (aquisições sem crédito). Assim, a adoção desse critério implica  no rateio das operações com crédito entre as saídas tributadas e as saída com suspensão, o que  implica estorno de parcela de crédito de parte das operações com tributação, para as quais há  previsão de manutenção do crédito.  O critério adotado pela fiscalização seria razoável se as saídas com suspensão  (sem direito a crédito) fossem superiores às aquisições das pessoas físicas (sem crédito). Neste  caso, o percentual de rateio do valor do crédito a ser estornado seria obtido mediante a divisão  entre as quantidades da diferença das saídas a maior com suspensão (em relação as quantidades  adquiridas de pessoas físicas) pelo somatório das quantidades da diferença das saídas a maior  com suspensão mais as saídas tributadas (excluídas, quando existentes, as exportações com fim  específico de exportação ­ FEX). Nesta hipótese, as aquisições de milho das pessoas jurídicas  parte seriam revendidos com tributação e outra parte com suspensão (a referida diferença), daí  a  necessidade  do  rateio,  que  deve  ser  utilizado  somente  quando  há  uma  base  comum  a  ser  apropriada entre os diferentes itens.  No caso, como as saídas com suspensão foram menores do que as aquisições  de  pessoas  físicas  (sem  crédito),  o  critério  adotado  pela  recorrente  revela­se mais  adequado,  portanto, deve ser restabelecido o valor crédito glosado.  2.3 Da Glosa Vinculada aos Gastos com Frete.  A fiscalização procedeu a glosa de créditos calculados sobre diversos tipos de  despesas com fretes. Aqui serão analisadas apenas as glosas contestadas pela recorrente.  Porém, previamente a analise das glosas controvertidas, entende­se oportuno  apresentar uma breve digressão a respeito do fundamento jurídico do direito de apropriação de  créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins sobre os variadas formas como se efetivam  os  gastos  com  a  prestação  de  serviços  de  transporte  a  pessoas  jurídicas  que  desenvolvem  atividades comercial e industrial ou de produção.  Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 13971.908773/2011­61  Acórdão n.º 3302­004.323  S3­C3T2  Fl. 1.350          13 Em  consonância  com  a  legislação  vigente,  há  fundamento  jurídico  para  a  apropriação de créditos sobre o valor do frete apropriado contabilmente sob a forma de custo  de aquisição, custo de produção e despesa de venda, conforme demonstrado a seguir.  No  âmbito  da  atividade  comercial  (revenda  de  bens),  embora  não  exista  expressa  previsão  legal,  a  partir  da  interpretação  combinada  do  art.  3°,  I  e  §  1°,  I,  das  Leis  10.637/2002 e 10.833/20031, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto  de Renda de 1999 ­ RIR/1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos  créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com  os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos  referidos preceitos normativos, a seguir transcritos:  Lei 10.833/2003:  Art. 3º Do valor apurado na  forma do art. 2º a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  I ­ bens adquiridos para revenda, [...];  [...]  § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o  crédito  será  determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput  do art. 2º desta Lei sobre o valor:  I ­ dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos  no mês;  [...] (grifos não originais)  RIR/1999:  Art.  289.  O  custo  das  mercadorias  revendidas  e  das  matérias­ primas  utilizadas  será  determinado  com  base  em  registro  permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de  acordo  com  o  Livro  de  Inventário,  no  fim  do  período  de  apuração (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 14).  §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda  compreenderá os  de  transporte  e  seguro  até  o  estabelecimento  do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação  (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 13).  [...] (grifos não originais)  Com base no teor dos referidos preceitos legais, pode­se afirmar que o valor  do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos  bens  e  somente  nesta  condição  compõe  a  base  cálculo  dos  créditos  das  mencionadas  contribuições.  Assim,  somente  se  o  custo  de  aquisição  dos  bens  para  revenda  propiciar  a  apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob                                                              1 Por haver simetria entre os textos dos referidos diplomas lgais, aqui será reproduzido apenas os preceitos da Lei  10.833/2003, por  ser mais completa e,  em relação aos dispositivos específicos, haver  remissão  expressa no seu   art. 15 de que eles também se aplicam à Contribuição para o PIS/Pasep disciplinada na Lei 10.637/2002.  Fl. 1652DF CARF MF   14 a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição  para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas.  Em  contraposição,  se  sobre  o  valor  do  custo  de  aquisição  dos  bens  para  revenda não for permitida a dedução dos créditos das citadas contribuições (bens adquiridos de  pessoas  físicas  ou  com  fim  específico  de  exportação,  por  exemplo),  por  ausência  de  base  cálculo,  também  sobre  o  valor  do  frete  integrante  do  custo  de  aquisição  desses  bens  não  é  permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor  do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução  de  créditos  sobre  o  valor  do  frete  na  operação  de  compra  de  bens  para  revenda,  o  que,  sabidamente, não existe.  Em relação à atividade industrial, embora também não haja expressa previsão  legal,  a  partir  da  interpretação  combinada  do  art.  3°,  II  e  §  1°,  I,  das  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003,  com  o  art.  290  do  RIR/1999,  é  possível  extrair  o  fundamento  jurídico  para  a  apropriação  dos  créditos  da Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  calculados  sobre  o  valor  do  frete  relativo  ao  serviço  de  transporte:  a)  de  bens  de  produção  (matérias­primas,  produtos intermediários e material e embalagem) a serem utilizados como insumo na prestação  de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e b) bens em  fase  de  produção  ou  fabricação  (produtos  em  fabricação)  entre  estabelecimentos  fabris  do  contribuinte ou não. Senão, veja a redação dos trechos relevantes dos citados preceitos legais,  in verbis:  Lei 10.833/2003:  Art. 3º Do valor apurado na  forma do art. 2º a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  [...]  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, [...];  [...]  [...]  § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o  crédito  será  determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput  do art. 2ª desta Lei sobre o valor:  I ­ dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos  no mês;  [...] (grifos não originais)  Art.  290.  O  custo  de  produção  dos  bens  ou  serviços  vendidos  compreenderá, obrigatoriamente (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977,  art. 13, §1º):  I ­ o custo de aquisição de matérias­primas e quaisquer outros  bens  ou  serviços  aplicados  ou  consumidos  na  produção,  observado o disposto no artigo anterior;  [...] (grifos não originais)  Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 13971.908773/2011­61  Acórdão n.º 3302­004.323  S3­C3T2  Fl. 1.351          15 De acordo com os referidos preceitos legais, infere­se que a parcela do valor  do  frete,  relativo  ao  transporte  de  bens  a  serem  utilizados  como  insumos  de  produção  ou  fabricação  de  bens  destinados  à  venda,  integra  o  custo  de  aquisição  dos  referidos  bens  e  somente  nesta  condição  compõe  a  base  cálculo  dos  créditos  das mencionadas  contribuições,  enquanto que o valor do frete referente ao transporte dos bens em produção ou fabricação entre  estabelecimentos  fabris  integra  o  custo  produção  na  condição  de  serviços  aplicados  ou  consumidos  na  produção  ou  fabricação  de bens  destinados  à venda. Com a  ressalva de  que,  pela razões anteriormente aduzidas, há direito de direito de apropriação de crédito sobre o valor  do frete no transporte de bens utilizados como insumos, somente se o valor de aquisição destes  bens gerar direito a apropriação de créditos das referidas contribuições.  No âmbito da atividade de produção ou fabricação, os  insumos representam  os  meios  materiais  e  imateriais  (bens  e  serviços)  utilizados  em  todas  as  etapas  do  ciclo  de  produção ou fabricação, que se inicia com o ingresso dos bens de produção (matérias­primas  ou produtos intermediários) e termina com a conclusão do produto a ser comercializado. Se a  pessoa  jurídica  tem  algumas  operações  do  processo  produtivo  realizadas  em  unidades  produtoras  ou  industriais  situadas  em diferentes  localidades,  durante  o  ciclo  de  produção  ou  fabricação,  certamente  haverá  necessidade  de  transferência  dos  produtos  em  produção  ou  fabricação para os outros estabelecimentos produtores ou fabris, que demandará a prestação de  serviços de transporte.  Assim, em relação à atividade  industrial ou de produção, a apropriação dos  créditos calculados sobre o valor do frete, normalmente, dar­se­á de duas formas diferentes, a  saber: a) sob forma de custo de aquisição, integrado ao custo de aquisição do bem de produção  (matérias­primas,  produtos  intermediários  ou  material  de  embalagem);  e  b)  sob  a  forma  de  custo  de  produção,  correspondente  ao  valor  do  frete  referente  ao  serviço  do  transporte  dos  produtos em fabricação nas operações de transferências entre estabelecimentos industriais.  Com  o  fim  do  ciclo  de  produção  ou  industrialização,  há  permissão  de  apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o valor do frete no  transporte dos produtos acabados na operação de venda, desde que o ônus seja suportado pelo  vendedor, conforme expressamente previsto no art. 3º, IX, e § 1º, II, da Lei 10.833/2003, que  seguem reproduzidos:  Art.  3º Do  valor  apurado na  forma do  art.  2oa pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  [...]  IX ­ armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda,  nos  casos dos  incisos  I  e  II,  quando o ônus  for  suportado pelo  vendedor.  [...]  §  1o  O  crédito  será  determinado  mediante  a  aplicação  da  alíquota prevista no caput do art. 2ª desta Lei sobre o valor:  [...]  II  ­  dos  itens  mencionados  nos  incisos  IV,  V  e  IX  do  caput,  incorridos no mês;  Fl. 1654DF CARF MF   16 [...] (grifos não originais)  Cabe ainda ressaltar que, em todas as hipóteses de creditamento, o direito de  apropriação dos referidos créditos está condicionado ao atendimento das condições instituídas  no art. 3º, § 3°, da Lei 10.637/2002, a seguir transcrito:  Art. 3º Do valor apurado na  forma do art. 2º a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  [...]  § 3º O direito ao crédito aplica­se, exclusivamente, em relação:  I ­ aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada  no País;  II  ­  aos  custos  e  despesas  incorridos,  pagos  ou  creditados  a  pessoa jurídica domiciliada no País;  III  ­  aos  bens  e  serviços  adquiridos  e  aos  custos  e  despesas  incorridos  a  partir  do  mês  em  que  se  iniciar  a  aplicação  do  disposto nesta Lei.  Dessa forma, somente o valor do gasto com frete incorrido no mês (regime de  competência),  pago  ou  creditado  a  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  gera  direito  à  apropriação de créditos das referidas contribuições.  Em  suma,  chega­se  a  conclusão  que  o  direito  de  dedução  dos  créditos  da  Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins,  calculados  sobre valor dos gastos com  frete,  são  assegurados somente para os serviços de transporte:  a) de bens para  revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos,  caso  em  que  o  valor  do  frete  integra  base  de  cálculo  dos  créditos  sob  forma  de  custo  de  aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999);  b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou  fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso  em  que  o  valor  do  frete  integra  base  de  cálculo  dos  créditos  como  custo  de  aquisição  dos  insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999);  c) de produtos  em produção ou  fabricação entre unidades  fabris do próprio  contribuinte  ou  não,  caso  em  que  o  valor  do  frete  integra  a  base  de  cálculo  do  crédito  da  contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de  bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e  d)  de bens  ou  produtos  acabados,  com ônus  suportado  pelo  vendedor,  caso  em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de  venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002).  De outra parte, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos  produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou  entre  filiais,  por  exemplo),  não  geram  direito  a  apropriação  de  crédito  das  referidas  contribuições,  porque  tais  operações  de  transferências  (i)  não  se  enquadra  como  serviço  de  transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma  vez  que  foram  realizadas  após  o  término  do  ciclo  de  produção  ou  fabricação  do  bem  transportado,  e  (ii)  nem  como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos  Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 13971.908773/2011­61  Acórdão n.º 3302­004.323  S3­C3T2  Fl. 1.352          17 produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a  logística  de  entrega  dos  bens  aos  futuros  compradores.  O mesmo  entendimento,  também  se  aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais.  Será com base nesse entendimento que serão analisadas as glosas dos créditos  apropriados sobre gastos com fretes objeto da presente controvérsia.  De acordo com o citado Relatório da Auditoria Fiscal,  a glosa dos  créditos  calculados sobre os gastos com fretes foram motivadas por falta de comprovação, vinculação e  amparo legal, conforme explicitado no item 150, a seguir transcrito:  150. Em  linhas  gerais,  as  glosas  dos  fretes  podem  ser  de  três  grupos:  a)  Falta  de  comprovação  (glosa  7.1)  –  nos  casos  da  não  apresentação de cópia de documento intimado;  b) Falta  de  vinculação  (glosa  7.2)  –  nos  casos  em que  não  foi  feita a  vinculação do  frete  com a operação correspondente  (ou  nos casos em que a vinculação foi deficiente)  c)  Vinculação  a  operações  sem  direito  a  crédito  (glosas  7.3  a  7.11) – nos casos em que foi feita vinculação considerada válida  pela  fiscalização,  mas  a  operações  que  não  dão  direito  ao  crédito para os fretes;  d) Vinculação a operações objeto de outras glosas (glosas 7.12 e  7.13) – nos casos em que foi feita vinculação considerada válida  pela fiscalização, mas a operações que foram objeto das glosas  SUS (ver itens 66/95) e AZ (ver itens 42/51).  A  seguir  serão  analisados  apenas  as  glosas  relativas  aos  gastos  com  fretes  contestados pela interessada no recurso em apreço.  Glosa  7.2  –  Fretes  –  Falta  de Vinculação  a Operações; Glosa  7.3  –  Fretes  internos  em  importações  (após desembaraço); Glosa 7.4 – Fretes  relativos  a bens  adquiridos  com FEX; Glosa 7.5 – Fretes em devoluções Glosa; 7.6 – Fretes em transferências; Glosa 7.7 –  Fretes em remessas para armazéns gerais; Glosa 7.8 – Fretes em compras de PF para revenda  Glosa; Glosa 7.11 – Fretes em outras operações sem crédito; Glosa 7.12 – Fretes vinculados a  registros atingidos pela Glosa 5 (aquisições com suspensão); e Glosa 7.13 – Fretes vinculados a  registros atingidos pela Glosa 2 (aquisições com alíquota zero).  2.3.1 Glosa por falta de vinculação a operações (Glosa 7.2).  Segundo a fiscalização, a confirmação dos créditos relativos a despesas com  fretes dependia da comprovação, de maneira  inequívoca,  que  eles  referem­se a operações de  transporte  de  mercadorias  ou  insumos,  para  as  quais  são  permitidas  a  dedução  de  crédito.  Assim, operações que não geram crédito também não asseguram a apropriação de crédito sobre  os  correspondentes  gastos  com  os  fretes.  Com  base  nesse  entendimento,  tal  verificação  era  primordial para fim de confirmação do direito ao crédito sobre os gastos com fretes. E para que  ela pudesse ser feita, era necessário que a recorrente tivesse feito a vinculação entre cada dos  gastos com fretes para os quais apropriou créditos com as operações (entradas ou saídas) a que  se referem a operação de transporte.  Fl. 1656DF CARF MF   18 No  entanto,  embora  intimada  a  proceder  tal  vinculação,  a  recorrente  não  atendeu tal exigência, conforme se infere dos excertos a seguir transcritos, extraídos do citado  Relatório:  160. Para  cada  um  dos  anos  intimados  (2008  e  2009),  foram  apresentados dois arquivos:  a)  Conhecimentos_Com_Crédito_Sem_Vinculação_2008.xlsx  (contendo 114.239 registros); e  b) Novas_Vinculações_2008.xlsx (contendo 203.968 registros).  161. Apesar  da  alegação  de  ter  efetuado  a  vinculação  dos  registros  objeto  das  retificações  [2]  e  [7],  percebe­se,  pelo  próprio nome do primeiro arquivo e pela explicação do teor do  mesmo,  que  para  os  registros  ali  incluídos  não  foi  efetuada  qualquer  vinculação.  Pelo  contrário,  a  geração  desse  arquivo  apenas confirma a inexistência da vinculação dos registros nele  incluídos.  Em  virtude  disso,  tais  registros  estão  entre  os  atingidos por esta glosa (FR­2 –Falta de Vinculação).  162. Já em relação ao segundo arquivo (Novas_Vinculações...),  esta  fiscalização  verificou  diversas  inconsistências,  que  impediram que fosse levado em consideração, a saber:  a) Dos 203.968 fretes contidos nesse arquivo, a empresa vincula  24.259 deles a notas fiscais do ano de 2007. São fretes de todos  os  meses  de  2008,  de  janeiro  a  dezembro.  Não  consideramos  razoável a vinculação de fretes de todos os meses do ano 2008 a  operações  (entradas  e  saídas)  ocorridas  em  2007,  ainda  que,  casualmente,  isso pudesse ocorrer próximo à virada de um ano  para o outro;  b) No  caso  dos  demais  179.709  fretes,  que  foram  vinculados a  notas  fiscais de 2008, os números de registro  informados como  sendo  os  das  notas  fiscais  não  foram  sequer  encontrados  no  arquivo LRES em 151.430 casos;  c) Dos remanescentes 28.279 fretes (vinculados a notas de 2008  e com as mesmas encontradas no LRES), em 26.873 casos a nota  fiscal  já  possuía  informação  de  frete  a  ela  vinculado.  A  nova  informação  apenas  reforça  o  fato  de  a  informação  ser  inconsistente  (no  arquivo  original  LRES  constava  um  frete  vinculado  e  no  arquivo  Novas_Vinculações...  é  fornecida  vinculação  a  outro  frete),  não  acrescentando  informação nova,  que pudesse afastar a glosa de falta de vinculação.  Por todas as inconsistências listadas, a fiscalização não aceitou  as  vinculações  pretendidas  pelo  arquivo  Novas_Vinculações_2008.xlsx,  incluindo  ou  mantendo  todos  os  seus registros na presente glosa (FR­2 – Falta de Vinculação).  163. Os registros atingidos por esta glosa encontram­se, ainda,  identificados no Demonstrativo de Glosas – Fretes.txt (registros  com valor “1” coluna Gl2).  Em suma, verifica­se que as glosas em apreço foram realizadas com base nos  seguintes motivos:  a)  fretes  informados  sem  nota  fiscal  vinculada;  b)  fretes  cuja  nota  fiscal  Fl. 1657DF CARF MF Processo nº 13971.908773/2011­61  Acórdão n.º 3302­004.323  S3­C3T2  Fl. 1.353          19 vinculada era do ano de 2007; c) fretes cuja nota fiscal vinculada não constava no LRES; e d)  fretes cuja nota fiscal vinculada já possuía informação de frete a ela vinculada.  E os registros das operações glosadas foram explicitados no “Demonstrativo  de Glosas”, em que cada uma das linhas refere­se a um determinado lançamento (operação de  frete),  bem  como as  colunas que  identificam  cada uma das  glosas  efetuadas,  assim  a coluna  identificada  com  o  termo  “Gl1”  se  refere  à  glosa  7.1,  a  coluna  “Gl2”  à  glosa  7.2,  e  assim  sucessivamente até a coluna “Gl13” relativa à glosa 7.13. Assim, para identificar o motivo da  glosa  de  um  determinado  lançamento,  basta  observar  qual  das  colunas  relativas  às  glosas  contém o número 1, as demais colunas, que não motivaram a glosa, possuem o número zero. A  título  exemplificativo,  destaco  o  primeiro  lançamento  deste Demonstrativo,  que  trata  de  um  serviço de frete no montante de R$ 268,00, que foi glosado em razão da Falta de vinculação a  operações, pois consta o número 1, na coluna “Gl2”.  Assim,  fica demonstrada a  improcedência da  alegação da  recorrente de que  houve cerceamento do direito de defesa, porque a fiscalização não havia separado os 4 motivos  utilizados para composição do valor glosado.   A recorrente ainda alegou que separara, de forma aleatória, CTRC de filais e  períodos diversos, e anexara aos autos na fase impugnatória, com a finalidade de comprovar,  com esses documentos, que não havia falta de vinculação à NF.  Com efeito, juntamente com a impugnação a recorrente trouxe à colação dos  autos  notas  fiscais  de  prestação  de  serviço  de  transporte  ferroviário  (fls.  1162/1.301),  notas  fiscais de serviço de transporte e relações de despachos (fls. 1.302/1.392 e 1.394/1.419) e um  conhecimento de transporte aquaviário de cargas (fl. 1393).  Os referidos documentos, em princípio, comprovam a prestação do serviço de  transporte, porém, este não foi o motivo da glosa em apreço. Como anteriormente mencionado,  as  irregularidades  aqui  apreciadas  foram  (i)  a  falta  de  vinculação  dos  gastos  com  fretes  a  operações  de  aquisição  ou  venda  de  bens  contabilizadas  pela  pessoa  jurídica  no  Livro  de  Registro de Entradas e Saídas, ou (ii) a vinculação indevida a operações de aquisição de outro  ano, não registrada no LRES e já com outra vinculação.  Os  referidos  documentos,  certamente,  não  servem  para  comprovar  tais  irregularidades e sem a comprovação da vinculação resta inviável saber se tais gastos com frete  podem ou não assegurar o crédito da contribuição, por ser impossível a verificação da natureza  da operação vinculada  ao  frete,  bem como  se  a  operação propícia  a dedução do crédito  e  se  refere ao respectivo período de apuração.  E  conforme  anteriormente  demonstrado,  a  dedução  do  crédito  calculado  sobre  o  valor  do  frete  depende  do  tipo  operação  transporte  e  da  forma  como  custeada,  bem  como da natureza dos bens transportados (bens de revenda, insumos etc.).  Na  falta da comprovação dessa  condição, deve ser mantida  integralmente  a  glosa em destaque.  2.3.2 Da glosa relativa ao frete interno (Glosa 7.3).  Segundo  a  fiscalização,  no  regime  não  cumulativo  da  Cofins  e  da  Contribuição para o PIS/Pasep, por força do disposto no art. 3º, § 3º, I, das Leis 10.637/2002 e  Fl. 1658DF CARF MF   20 10.833/2003, somente os bens adquiridos no País geram crédito das referidas contribuições. De  outra  parte,  não  há  previsão  de  apropria  créditos  sobre  o  custo  da  mercadoria  adquirida  de  pessoa  jurídica  não  domiciliada  no  país,  aí  incluído  os  gastos  com  frete  no  transporte  da  mercadoria  importada, ocorrido no País, após o desembaraço aduaneiro (o denominado,  frete  interno), ainda que pago a pessoa jurídica domiciliada no País. A fiscalização esclareceu ainda  que os “créditos objeto desta glosa não se confundem, porém, com aqueles previstos na Lei nº  10.865/04 (créditos na importação).”  De  outra  parte,  a  recorrente  alegou  que,  se  prestado  por  pessoa  jurídica  domiciliada no País,  o  referido  preceito  legal  assegurava  o  direito  de  apropriação  de  crédito  sobre os gastos com o transporte interno (frete interno) de mercadoria importada. Além disso,  asseverou  a  recorrente  que  merecia  destaque  “o  próprio  direito  a  tomada  de  crédito  das  mercadorias  importadas  da  Lei  n°  10.865/04,  a  reforçar  o  entendimento  defendido  pela  ora  Recorrente  no  sentido  de  que  o  legislador  pretendeu  desonerar  as  importações  a  fim  de  incrementar a produção nacional.”  A  razão está  com a  fiscalização, pois,  em conformidade com o disposto no  art. 3º, § 3º, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, o direito à dedução do crédito da Cofis e da  Contribuição para o PIS/Pasep, em regra, é assegurado à operação de aquisição do bem para  revenda  ou  utilizado  como  insumo de produção  ou  fabricação,  quando  adquiridos  de pessoa  jurídica domiciliada no País, bem como em relação aos custos e despesas incorridos pagos ou  creditados  à  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  expressamente  designados  no  referido  preceito legal.  Em relação aos bens para revenda ou utilizados como insumo de produção ou  fabricação  de  bens  destinados  à  venda,  adquiridos  de  pessoas  não  domiciliadas  no  País,  excepcionalmente,  é  assegurado  o  direito  de  desconto  de  crédito  das  referidas  contribuições  somente  em  relação  aos  bens  importados  sujeitos  ao  pagamento  da  Cofins­Importação  e  da  Contribuição para o PIS/Pasep­Importação, porém, valor a ser deduzido, fica limitado ao valor  das contribuições efetivamente pagas na  importação dos  respectivos bens, calculadas sobre o  valor que serviu de base de cálculo das contribuições, segundo dispõe o art. 15, I e II, e §§ 1º e  3º, da Lei 10.685/2004, vigente na data dos fatos, a seguir transcritos:  Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição  para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3odas  Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de  dezembro  de  2003,  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação  dessas  contribuições,  em  relação  às  importações  sujeitas  ao  pagamento  das  contribuições  de  que  trata  o  art.  1º  desta  Lei,  nas  seguintes  hipóteses:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.727, de 2008)  I ­ bens adquiridos para revenda;  II  –  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes;  [...]  § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta  Lei  aplica­se  em  relação  às  contribuições  efetivamente  pagas  na  importação  de  bens  e  serviços  a  partir  da  produção  dos  efeitos desta Lei.  [...]  Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 13971.908773/2011­61  Acórdão n.º 3302­004.323  S3­C3T2  Fl. 1.354          21 §  3º O  crédito  de  que  trata  o  caput  deste  artigo  será  apurado  mediante a aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2o  das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29  de  dezembro  de  2003,  sobre  o  valor  que  serviu  de  base  de  cálculo  das  contribuições,  na  forma  do  art.  7º  desta  Lei,  acrescido  do  valor  do  IPI  vinculado  à  importação,  quando  integrante do custo de aquisição.  [...] (grifos não originais)  Assim, os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados  à revenda ou utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de  bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País,  não geram direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, pois sobre tais gastos  não há pagamento da Cofins­Importação e da Contribuição para o PIS/Pasep­Importação, por  não  integrarem  a  base  de  cálculo  destas  contribuições,  nem  se  enquadrarem  nas  demais  hipóteses de dedução de crédito previstas nos incisos III a XI do art. 3º da Lei 10.833/2003.  A recorrente alegou que tanto a aquisição de bens como do frete tratavam­se  de  operações  distintas,  desvinculadas  entre  si  para  tomada  de  crédito  das  contribuições,  ao  contrário do que pretendeu a fiscalização. Apenas para argumentar, asseverou a recorrente, que  “mesmo que  a  aquisição  de bens  não  fosse  tributada,  não  gerando  crédito  ao  adquirente,  tal  situação não poderia influenciar ou impedir o crédito do serviço de frete”.  Não procede a alegação, pois, embora distintas as operações, não há previsão  legal,  isoladamente,  para  apropriação  de  crédito  sobre  os  gastos  com  frete  na  operação  de  aquisição  de  bens  de  revenda  ou  insumos  adquiridos  no mercado  interno  ou  importados,  ou  seja,  em  hipóteses,  não  há  previsão  de  apropriação  de  crédito  sobre  o  frete  na  operação  de  compra,  diferentemente  do  frete  da  na  operação  de  venda,  desde  que  o  ônus  tenha  sido  suportado pelo vendedor.  Assim,  tais  gastos  somente  geram  crédito  quando  integrantes  do  custo  de  aquisição  dos  bens  de  venda  ou  dos  insumos.  Em  outros  termos,  somente  indiretamente,  quando  agregados  ao  custo  de  aquisição,  tais  gastos  possibilitam  geração  de  crédito  das  referidas contribuições.  No caso,  como não há previsão de  apropriação de crédito  sobre o  custo  de  aquisição  do  bem  importado,  mas  apenas  da  contribuição  paga  na  operação  de  importação,  induvidosamente, não há possibilidade, sequer indiretamente, de apropriação de créditos sobre  o valor do  frete  interno. E  tal  conclusão, diferentemente do  alegado pela  recorrente,  está em  consonância com disposto nos arts. 289 e 290 do RIR/1999.  Por essas razões, deve ser mantida integralmente a glosa em questão.  2.3.3 Da glosa vinculada às aquisições com fim específico de exportação  (Glosa 7.4).  Os créditos glosados referem­se a despesas com fretes na operação transporte  de mercadorias adquiridas pela recorrente com fim específico de exportação (FEX).  De acordo com o disposto no art. 6º, § 4º, combinado com o disposto no art.  15,  III,  da  Lei  10.833/2003,  há  expressa  vedação  à  apropriação  de  créditos  da Contribuição  Fl. 1660DF CARF MF   22 para o PIS/Pasep e Cofins vinculados  a  receita  de exportação auferida na operação  com  fim  específico de exportação. Para facilitar a compreensão, seguem transcritos os citados preceitos  legais:  Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das  operações de:  [...]  III  ­  vendas  a  empresa  comercial  exportadora  com  o  fim  específico de exportação.  [...]  §  1º  Na  hipótese  deste  artigo,  a  pessoa  jurídica  vendedora  poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins  de:  I ­ dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das  demais operações no mercado interno;  II  ­ compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica  aplicável à matéria.  [...]  §  4o  O  direito  de  utilizar  o  crédito  de  acordo  com  o  §  1o  não  beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido  mercadorias com o  fim previsto no inciso  III do caput,  ficando  vedada,  nesta  hipótese,  a  apuração  de  créditos  vinculados  à  receita de exportação.  [...]  Art.  15.  Aplica­se  à  contribuição  para  o  PIS/PASEP  não­ cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002,  o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  (...)   III ­ nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei;  [...]. (grifos não originais)  A  razão  dessa  vedação  é  óbvia:  evitar  a  apropriação  de  crédito  em  duplicidade,  ou  seja,  que  apropriação  dos  créditos  seja  feito  tanto  pela  pessoa  jurídica  vendedora quanto pela pessoa jurídica compradora e exportadora.  A recorrente alegou que era possível a apropriação de crédito sobre os gastos  com  frete  vinculados  a  tais  operações,  sob  argumento  de  que  “tais  despesas  de  frete  são  relativas  a  mercadorias  para  formação  de  lote­revenda,  no  caso  para  exportação,  conforme  disposto no inciso I c/c inciso IX do art. 3o da Lei n° 10.637/2002 e 10.833/2003.” Segundo a  recorrente as referidas remessas para formação de lote de exportação não poderiam ser tratadas  como aquisições de mercadorias  com  fim de exportação por empresa  comercial exportadora,  porque  ela  “adquiriu mercadoria  na  condição FOB e pagou pelo  frete,  para  entrega  em  seus  armazéns/silos, e posteriormente remetidos ao estabelecimento portuário, posto que a formação  de lote já a própria operacionalização da exportação.”  Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 13971.908773/2011­61  Acórdão n.º 3302­004.323  S3­C3T2  Fl. 1.355          23 A alegação da recorrente não procede, porque há expressa vedação à empresa  comercial  exportadora  de  apurar  créditos  sobre  os  custos/despesas  vinculados  à  operação  de  aquisição  de  mercadoria  com  fim  específico  exportação,  o  que,  certamente,  inclui  os  custos/despesas com a operação de transporte da mercadoria, independentemente, desta ter sido  feita diretamente para  embarque de exportação,  ou para depósito  em  entreposto,  por  conta  e  ordem da empresa comercial exportadora, para a  formação de  lote. No caso, se a norma não  previu nenhuma exceção,  induvidosamente, não cabe ao  intérprete criá­la, especialmente, em  sede de concessão de crédito de tributo, matéria da reserva estrita lei.  Também não  procede  a  alegação  da  recorrente  a  Instrução Normativa  SRF  379/2003, em seu art 1o, § 2º, extrapolarA as disposições legais correspondentes, ao dispor que  era  vedado  à  empresa  comercial  exportadora  apurar  crédito  sobre  custo  de  aquisição  das  mercadorias  adquiridas  com  fim  específico  de  exportação,  posto  que  tal  preceito  normativo  simplesmente reproduziu o teor do art. 6º, § 4º, da Lei 10.833/2003, anteriormente transcrito.  Também não se aplica ao caso em tela, o entendimento esposado na Acórdão  n°  07­12164,  de  29  de  fevereiro  de  2008,  prolatado  pela  DRJ  Florianópolis,  relativo  aos  “valores  das  despesas  efetuadas  com  fretes  contratados,  ainda  que  pagos  ou  creditados  a  pessoas  jurídicas  domiciliadas  no  país  para  as  transferências  de  mercadorias  (produtos  acabados) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica.”  Com  base  nessas  considerações,  mantém­se  a  glosa  integral  dos  créditos  apropriados  sobre  o  valor  dos  gastos  com  frete  vinculados  às  operações  de  venda  com  fim  específico de exportação.  2.3.4 Da glosa vinculada às operações de devolução (Glosa 7.5).  Segundo a fiscalização, a presente glosa refere­se a créditos calculados sobre  despesas com frete no transporte de mercadorias devolvidas tanto nas operações de devolução  de compras quanto nas operações de devolução de vendas.  Em relação à operação de devolução de venda, há permissão apenas para o  estorno do valor do débito da contribuição calculado sobre o valor da receita da venda do bem  devolvido, conforme se  extrai do disposto no art. 3º, VIII,  e § 1º,  IV, da Lei 10.833/2003,  a  seguir transcrito:  Art. 3º Do valor apurado na  forma do art. 2º a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  [...]  VIII ­ bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha  integrado  faturamento  do mês  ou  de  mês  anterior,  e  tributada  conforme o disposto nesta Lei.  [...]  §  1º  O  crédito  será  determinado  mediante  a  aplicação  da  alíquota prevista no caput do art. 2odesta Lei sobre o valor:  [...]  Fl. 1662DF CARF MF   24 IV ­ dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos  no mês.  [...] (grifos não originais)  Já no que tange à operação de devolução de compra, não há previsão legal de  apropriação de crédito, mas determinação para o estorno do valor do crédito calculado sobre  custo de aquisição do bem devolvido.  Assim,  independentemente  do  tipo  de  operação  de  devolução,  não  existe  amparo legal para a apropriação de crédito da contribuição calculado sobre os gastos com frete  no  transporte  de  bens  devolvidos  tanto  nas  operações  de  devolução  de  vendas2  quanto  nas  operações de devolução de compras.  A recorrente alegou que o transporte da mercadoria, que havia sido destinado  à venda/adquirida e  foi devolvida, era uma despesa suportada pela vendedora/compradora da  mercadoria, que preenchia os requisitos para dedução do crédito previsto no art. 3o, II e IX, das  Leis 10.637/ 2002 e 10.833/2003.  Essa alegação não procede, porque nenhum dos dois incisos do citado art. 3º  amparam  o  direito  de  apropriação  do  crédito  em  questão.  Conforme  anteriormente  demonstrado,  somente  o  valor  do  frete  vinculado  à  operação  de  venda,  se  suportado  pelo  vendedor, e aquele relacionado à aquisição de bens para revenda ou utilizados como insumo,  podem originar crédito das  referidas contribuições. Sabidamente, o  referido artigo definiu de  forma  taxativa  as  hipóteses  de  creditamento  e  não  de  forma  exemplificativa,  como  dar  a  entender a recorrente.  No  caso,  ainda  que  o  serviço  de  transporte  tivesse  sido  prestado  por  transportadores contratados pelas filiais da recorrente, que se dedicam ao ramo de transporte,  conforme alegado, mas não provado pela recorrente, essa circunstância, induvidosamente, em  nada altera a falta de previsão legal para o creditamento em questão.  Assim,  como  não  há  previsão  legal  para  a  apropriação  de  crédito  sobre  o  valor  do  frete  nas  operações  de  devolução  de  compra  e  devolução  de  venda,  deve  ser  integralmente mantida a glosa dos créditos apurados sobre o valor de tais operações.  2.3.5 Da glosa vinculada às operações de transferências (Glosa 7.6).  De  acordo  com  o  citado  Relatório  de  Auditoria  Fiscal,  a  presente  glosa  compreende  os  créditos  calculados  sobre  as  despesas  com  fretes  nas  transferências  (i)  de  insumos  (matéria  prima  ou  produto  em  elaboração)  entre  estabelecimentos  industriais,  para  produção, e (ii) de produtos acabados entre filiais, para depósito ou armazenagem.  A  recorrente  alegou  que  fazia  jus  ao  crédito  sobre  o  valor  do  frete  nas  transferências dos produtos acabados, dos  insumos e dos produtos em elaboração,  já que tais  operações  fazia parte do processo de venda,  apenas diferindo da venda direta ao destinatário  final  pela  passagem  da  mercadoria  pela  filial  receptora,  e  de  produção.  Tal  situação  não                                                              2 Cabe esclarecer que nas assentadas anteriores, com base na análise isolada do art. 3º, VIII, da Lei 10.637/2002,  este Relator  apresentou  entendimento  de  que,  em  relação  à  operação  de  devolução  de venda,  era  assegurado  o  direito de apropriação de crédito calculado sobre a despesa com frete no transporte dos bens devolvidos. Porém,  após  análise  combinada  do  disposto  no  inciso  VIII  com  o  disposto  no  §  1º,  IV,  ambos  do    art.  3º  da  Lei  10.637/2002, este Relator rever o o entendimento anterior e passa a admitir que também em relação à operação de  devolução de venda  também não existe amparo  legal para apropriação de crédito sobre o valor da despesa com  frete relativa a esta operação.  Fl. 1663DF CARF MF Processo nº 13971.908773/2011­61  Acórdão n.º 3302­004.323  S3­C3T2  Fl. 1.356          25 descaracteriza  o  processo  de  venda nem de  produção  como um  todo,  posto  que  no  primeiro  caso equivale ao custo de transporte a venda direta.  O  deslinde  da  questão  envolve  a  análise  do  tipo  gasto  com  transporte  que  permite apropriação de crédito. E com base no entendimento anteriormente esposado, geram de  direito a créditos da contribuição os gastos com frete no transporte (i) de bens utilizados como  insumos de industrialização de produtos destinados à venda e dos produtos em elaboração, nas  transferências  entre  os  estabelecimentos  industriais  da  própria  pessoa  jurídica;  e  b)  dos  produtos acabados na operação de venda.  Por  outro  lado,  não  geram  direito  a  crédito  os  gastos  com  o  transporte  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  industriais  e  os  estabelecimentos  distribuidores/vendedores  da  pessoa  jurídica,  ou  entre  estes  últimos,  por  não  configurar  transferência de bens a ser utilizado como insumo nem operação de venda, mas mera operação  de transferência dos produtos acabados, com intuito de facilitar a comercialização e a logística  de  entrega  aos  futuros  compradores.  Assim,  se  essa  operação  de  transferência  de  produtos  acabados não faz parte da operação de venda, logicamente, ela pode ser equiparada à operação  de transporte da venda direta ao destinatário final, conforme alegado pela recorrente. Logo, em  relação ao valor do frete dessa operação transferência, por falta de previsão legal, o crédito não  é permitido.  Com  base  nessas  considerações,  deve  ser  restabelecido  o  crédito  calculado  sobre  o  valor  do  frete  nas  operações  de  transferências  entre  estabelecimentos  industriais  de  insumos (matéria prima ou produto em elaboração) para produção.  2.3.6 Da glosa vinculada às operações de remessas para depósito fechado  ou armazém geral (Glosa 7.7).  De  com  o  Relatório  de  Auditoria  Fiscal,  esta  glosa  refere­se  a  créditos  calculados sobre valor das despesas com fretes nas operações de remessas de mercadorias para  armazém geral ou depósito fechado.  Pelas  mesmas  razões  anteriormente  aduzidas,  também  deve  ser  mantida  a  glosa dos créditos calculados sobre os gastos com fretes nas operações de remessas de produtos  acabados ou mercadorias para depósito fechado ou armazém geral, porque,  induvidosamente,  tais operações também não se enquadram como serviço de transporte utilizado como insumo de  industrialização  nem  como  operação  de  venda.  E  somente  essas  operações  asseguram  a  apropriação dos referidos créditos, conforme anteriormente demonstrado.  O enunciado da ementa do acórdão nº 3803­03.154, não ampara a pretensão  da recorrente, pois ela trata da possibilidade de creditamento sobre despesas de armazenagem,  embora tenha feito menção a “frete durante a venda”. A leitura do excerto, a seguir transcrito,  extraído do voto condutor julgado, não deixa qualquer duvida de que apenas as despesas com  frete nas operações de venda possibilitam o crédito da contribuição:  Além  disso,  as  despesas  de  deslocamentos  da  carga  nas  operações  de  venda  encontram  amparo  no  dispositivo  legal  acima identificado, pois se trata de despesas com fretes que, uma  vez  suportadas  pela  pessoa  jurídica  e  tendo  sido  objeto  de  Fl. 1664DF CARF MF   26 tributação  pelas  contribuições,  dão  direito  ao  creditamento.  (grifos não originais)  Com  base  nessas  considerações,  deve  mantida  integralmente  a  glosa  dos  referidos créditos.  2.3.7  Da  glosa  vinculada  às  aquisições  de  pessoas  físicas  de  bens  para  revenda (Glosa 7.8).  Segundo  a  fiscalização,  se  não  há  direito  a  créditos  nas  aquisições  de  mercadorias  para  revenda,  feitas  de  produtor  pessoa  física,  logo  não  havia  que  se  falar  em  créditos relativos aos fretes relacionados a essas aquisições, visto que os mesmos constituem­se  em parte do custo de aquisição das mercadorias compradas.  A  fiscalização  procedeu  com  acerto.  Os  bens  adquiridos  para  revenda  de  pessoas físicas não asseguram direito ao crédito da Cofins, segundo determina o art. 3º, § 3º, I,  da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito:  Art. 3º Do valor apurado na  forma do art. 2º a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  I ­ bens adquiridos para revenda, [...];  [...]  § 3º O direito ao crédito aplica­se, exclusivamente, em relação:  I ­ aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada  no País;  [...] (grifos não originais)  Dessa  forma,  se  os  gastos  com  frete  vinculados  ao  transporte  de  bens  adquiridos  para  revenda  admitem  apropriação  de  crédito  somente  sob  forma  de  custos  agregados  aos  referidos  bens,  conforme  anteriormente  demonstrado,  como  não  há  direito  a  apropriação de crédito sobre aquisição de produtos adquiridos para revenda de pessoas físicas,  por  conseguinte,  também  não  existe  permissão  para  dedução  de  créditos  sobre  os  gastos  de  frete com transporte de tais bens.  A recorrente alegou que o fato de o  fornecedor da mercadoria  ter sido uma  pessoa  física,  em  tese,  não  desqualificava  o  serviço  adquirido  de  terceiro  pessoa  jurídica,  conforme entendimento esposado no acórdão nº 07­14.350. de 17 de Outubro de 2008, da DRJ  Florianópolis,  e no  acórdão n° 3803­03.154, da  extinta 3ª Turma Especial da Terceira Seção  deste Conselho.  O  entendimento  da  recorrente,  bem  como  o  manifestado  nos  referidos  julgados, com a devida vênia, não reflete a correta interpretação dos preceitos legais que dispõe  sobre  a  matéria  e  ainda  conflita  com  entendimento  aqui  esposado,  logo,  não  há  como  ser  acatado.  Com  base  nessas  considerações,  mantém­se  integralmente  a  glosa  dos  referidos créditos.  2.3.8 Da glosa vinculada às operações sem crédito (Glosa 7.11).  Fl. 1665DF CARF MF Processo nº 13971.908773/2011­61  Acórdão n.º 3302­004.323  S3­C3T2  Fl. 1.357          27 De  com  o  Relatório  de  Auditoria  Fiscal,  neste  subitem  foram  glosados  os  créditos  calculados  pela  contribuinte  sobre  despesas  com  fretes,  cuja vinculação  apresentada  remetia a notas fiscais relativas a outras entradas para as quais não houve cálculo de crédito da  contribuição.  A  recorrente  alegou  que  não  havia  que  se  confundir  ou  vincular  o  crédito  apropria  sobre o valor do  serviço de  frete  com as  aquisições  com ou  sem direito  ao  crédito,  pois, cada qual obedecia a regramento estabelecido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, nos  quais inexiste a vedação ou limitação imposta pela fiscalização.  Pelos mesmos fundamentos apresentados no item precedente, não procede a  alegação, logo, deve ser mantida a glosa dos créditos em referência.  2.3.9 Da glosa vinculada às operações com suspensão (Glosa 7.12).  De  com  o  Relatório  de  Auditoria  Fiscal,  neste  subitem  foram  glosados  os  créditos  calculados  sobre  fretes  cuja  vinculação  apresentada  remetia  a  notas  fiscais  de  aquisição de milho e que “foram objeto da glosa 5 ­ SUS – Revendas de milho adquirido com  suspensão.”  A  recorrente  alegou  que  não  havia  que  se  confundir  ou  vincular  o  crédito  apropria  sobre o valor do  serviço de  frete  com as  aquisições  com ou  sem direito  ao  crédito,  pois, cada qual obedecia a regramento estabelecido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, nos  quais inexiste a vedação ou limitação imposta pela fiscalização.  Pelos mesmos fundamentos apresentados no item precedente, não procede a  alegação, logo, deve ser mantida a glosa dos créditos em referência.  2.3.10 Da glosa vinculada às operações com suspensão (Glosa 7.13).  De  com  o  Relatório  de  Auditoria  Fiscal,  neste  subitem  foram  glosados  créditos calculados pela  contribuinte  sobre  fretes cuja vinculação apresentada remete a notas  fiscais de aquisições que “foram objeto da glosa 2 ­ AZ ­ Aquisições com alíquota zero.”  A  recorrente  alegou  que  não  havia  que  se  confundir  ou  vincular  o  crédito  apropria  sobre o valor do  serviço de  frete  com as  aquisições  com ou  sem direito  ao  crédito,  pois, cada qual obedecia a regramento estabelecido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, nos  quais inexiste a vedação ou limitação imposta pela fiscalização.  Pelos mesmos fundamentos apresentados no item precedente, não procede a  alegação, logo, deve ser mantida a glosa dos créditos em referência.  3) Da Conclusão.  Por  todo  o  exposto,  vota­se  por  rejeitar  a  preliminares  de  nulidade  do  relatório  de  auditoria  fiscal  e  do  despacho  decisório  e,  no  mérito,  pelo  PROVIMENTO  PARCIAL  do  recurso,  para  restabelecer  o  direito  da  recorrente  (i)  à  dedução  integral  dos  créditos  relativos  às  revendas  de  milho  adquirido  com  suspensão  (glosa  5  ­  SUS)  e  (ii)  à  dedução  parcial  dos  créditos  calculados  sobre  o  valor  do  frete  relativo  às  operações  de  transferências  entre  estabelecimentos  industriais  de  insumos  (matéria  prima  ou  produto  em  elaboração) para produção (Glosa 7.6).  Fl. 1666DF CARF MF   28 (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento                                Fl. 1667DF CARF MF

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6819292 #
Numero do processo: 11080.724092/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF nº 9).
Numero da decisão: 2202-003.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA

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2202­003.993  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  8 de junho de 2017  Matéria  IRPF ­ Tempestividade  Recorrente  NELSON EIDT  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2008  RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.  Não  se  conhece de  apelo  à  segunda  instância,  contra decisão de  autoridade  julgadora  de  primeira  instância,  quando  formalizado  depois  de  decorrido  o  prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.  INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE.  É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal  eleito  pelo  contribuinte,  confirmada  com  a  assinatura  do  recebedor  da  correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário  (Súmula CARF nº 9).      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer  do recurso, por intempestividade.   (assinado digitalmente)  Marco Aurélio de Oliveira Barbosa ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Marco  Aurélio  de  Oliveira  Barbosa,  Junia  Roberta  Gouveia  Sampaio,  Dilson  Jatahy  Fonseca  Neto,  Martin  da  Silva Gesto, Cecilia Dutra  Pillar  e Marcio Henrique  Sales  Parada. Ausente  justificadamente  Rosemary Figueiroa Augusto.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 40 92 /2 01 1- 51 Fl. 151DF CARF MF     2 Trata­se  de  Notificação  de  Lançamento  (fls.  08/12)  lavrada  em  face  de  NELSON EIDT, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto de  Renda Pessoa Física (DIRPF), tendo sido apuradas as seguintes infrações:  1.  Omissão  de  Rendimentos  Recebidos  de  Pessoa  Jurídica,  Decorrentes  de  Ação Trabalhista, no valor de R$ 100.574,65, conforme fl. 09;  2.  Compensação  Indevida  de  Imposto  Retido  na  Fonte,  no  valor  de  R$  1.955,45, conforme fl. 10.  Inconformado  com  a  exigência,  o  Contribuinte  apresentou  impugnação  (fl.  2), alegando, em síntese, que o valor lançado como Omissão de Rendimentos corresponde aos  gastos  com  honorários  advocatícios  e  o  valor  declarado  como  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte corresponde exatamente ao constante em DARF.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I  (DRJ/RJ1) julgou improcedente a impugnação, cuja ementa foi assim redigida:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF  Exercício: 2008  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  DESPESAS  COM  ADVOGADOS.  No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, poderá ser  deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao  recebimento  dos  rendimentos,  inclusive  com  advogados,  se  tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização.  ÔNUS DA PROVA  Cabe ao  interessado a prova dos  fatos que  tenha alegado,  sem  prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente  para  a  instrução.  COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF.  O  IRRF  incidente  sobre  rendimentos  recebidos  em decorrência  de decisão da justiça do trabalho é compensável com o imposto  apurado  no  ajuste  anual,  desde  que  se  refira  a  rendimentos  incluídos  na base de  cálculo  do  imposto. Eventuais  acréscimos  decorrentes do  recolhimento  em atraso  do  imposto  retido,  cujo  ônus  atribui­se,  exclusivamente,  à  fonte  pagadora,  não  são  passíveis  de  compensação,  por  não  corresponderem  a  rendimentos incluídos na base de cálculo.  O  Contribuinte  foi  cientificado  da  decisão  em  25/07/2014,  por  via  postal,  conforme  Aviso  de  Recebimento  (A.R.)  à  fl.  110,  tendo  interposto  Recurso  Voluntário  em  01/09/2014 (fls. 117/144), no qual, preliminarmente, alega que a notificação foi recebida pelo  porteiro do prédio onde reside, porém ele estava prestando serviço na cidade de São Paulo/SP  desde 21/07/2014 e somente  retornou a  sua residência  em 01/08/2014. Solicita,  assim, que a  data  final  para  interpor  o  recurso  seja  considerada  a  partir  da  sua  ciência.  No  mérito,  o  Recorrente repisa os argumentos da impugnação  Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11080.724092/2011­51  Acórdão n.º 2202­003.993  S2­C2T2  Fl. 152          3 É o relatório.  Voto             Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa ­ Relator  Trata­se de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que julgou  improcedente a impugnação do Contribuinte.  Cabe, inicialmente, a análise da tempestividade do recurso interposto.  O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece:  Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindo­se na sua contagem  o dia do início e incluindo­se o do vencimento.  Parágrafo único. Os prazos  só se iniciam ou vencem no dia de  expediente  normal  no  órgão  em que  corra  o  processo  ou  deva  ser praticado o ato.  [...]  Art. 23. Far­se­á a intimação:  I ­ pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão  preparador,  na  repartição  ou  fora  dela,  provada  com  a  assinatura  do  sujeito  passivo,  seu mandatário  ou  preposto,  ou,  no  caso  de  recusa,  com  declaração escrita  de  quem o  intimar;  (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)  II  –  por  via  postal,  telegráfica  ou  por  qualquer  outro meio  ou  via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo  sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)  [...]  § 2° Considera­se feita a intimação:  I  –  na  data  da  ciência  do  intimado ou  da  declaração de  quem  fizer a intimação, se pessoal;  II  –  no  caso  do  inciso  II  do  caput  deste  artigo,  na  data  do  recebimento  ou,  se  omitida,  quinze  dias  após  a  data  da  expedição  da  intimação;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.532,  de  1997)  [...]  Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com  efeito  suspensivo,  dentro  dos  30  (trinta)  dias  seguintes  à  ciência da decisão.   A  ciência  da  decisão  de  primeira  instância  deu­se  em  25/07/2014,  por  via  postal,  conforme  Aviso  de  Recebimento  (A.R.)  à  fl.  110.  Assim,  ao  apresentar  o  recurso  Fl. 153DF CARF MF     4 voluntário  (fls.  117/144)  somente no  dia  01/09/2014,  estava  exaurido  o prazo  legal  de  trinta  dias.  Alega  o  Recorrente  que  a  notificação  foi  recebida  pelo  porteiro  do  prédio  onde reside, porém ele estava prestando serviço na cidade de São Paulo/SP desde 21/07/2014 e  somente  retornou  a  sua  residência  em  01/08/2014.  Entretanto,  quanto  à  ciência  da  decisão  realizada  por  outra  pessoa,  assim  dispõe  a  Súmula  CARF  nº  9:  “É  válida  a  ciência  da  notificação  por  via  postal  realizada  no  domicílio  fiscal  eleito  pelo  contribuinte,  confirmada  com  a  assinatura  do  recebedor  da  correspondência,  ainda  que  este  não  seja  o  representante  legal do destinatário”.  Portanto,  o  recurso  foi  interposto  após  o  prazo  legal,  carecendo  do  pressuposto processual da tempestividade, razão pela qual não merece ser conhecido.   Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  NÃO  CONHECER  do  recurso  voluntário, por intempestividade.  (assinado digitalmente)  Marco Aurélio de Oliveira Barbosa ­ Relator                                Fl. 154DF CARF MF

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Numero do processo: 16327.902733/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA

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Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 27 33 /2 01 0- 18 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 16327.902733/2010­18  Acórdão n.º 1301­002.298  S1­C3T1  Fl. 3          2  BANCO  VOLKSWAGEN  S.A.,  já  devidamente  qualificada  nestes  autos,  recorre  a  este  Conselho  contra  a  decisão  prolatada  pela  4ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em São Paulo  I  /  SP,  que  indeferiu  os  pedidos  veiculados  através  de  manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP.  Trata  a  lide  de  Pedido  de  Restituição  (PER/DCOMP),  no  qual  o  alegado  direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre  o Lucro Líquido (CSLL).  Posteriormente,  o  contribuinte  usou  esse  alegado  direito  creditório  para  a  compensação  com  débito  de  sua  titularidade,  mediante  a  Declaração  Eletrônica  de  Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008.  Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele  especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instando­o à regularização. Não  consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte.  A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela  empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do  DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida.  Em  sua  manifestação  de  inconformidade  contra  o  Despacho  Decisório,  a  interessada,  inicialmente,  junta  comprovante  de  arrecadação  obtido  no  sítio  eletrônico  da  Receita Federal. Na sequência, esclarece:  Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que  ele  dispunha  de  decisão  judicial  definitiva,  proferida  nos  autos  do  Mandado  de  Segurança  n°  89.0011205­8,  que  o  exonerava  do  recolhimento  da  Contribuição  Social  sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997  (data do  trânsito em  julgado da decisão judicial).  Nem se alegue que o pagamento  foi efetuado após o  trânsito em julgado da  decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo  em  vista  que,  além  desses  fatos  não  servirem  de  fundamento  para  a  negativa  do  pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita  Federal,  mesmo  em  face  da  decisão  judicial  favorável  ao  Recorrente,  insistia  na  cobrança  de  tais  valores,  ao  argumento  de  que  os  efeitos  da  decisão  judicial  alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989.  Apenas  com  a  decisão  do  1º  Conselho  de  Contribuintes  (acórdão  n°  101­ 93.610),  proferida  em  19/09/01,  com  acórdão  formalizado  em  11/12/01,  que  reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no  Mandado de Segurança  n°  89.0011205­8,  de  não  recolher  a CSLL,  no  período  de  1990  a  1997,  ou  seja,  desde  a  propositura  da  medida  judicial  até  o  trânsito  em  julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a  comprovação  de  que  também estava  desobrigado  do  recolhimento da CSLL nesse  período  e  que,  portanto,  tinha  direito  de  reaver  os  montantes  indevidamente  recolhidos:  "Ementa:  IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial.  Trânsito em Julgado. Efeitos.  A  sentença  judicial  reconhecendo  a  inconstitucionalidade  dos  artigos  1º,  2º,  3º  e  8º,  da  Lei  n°  7689,  de  1988,  e,  de  consequência,  desobrigando  a  pessoa  jurídica  do  recolhimento  da  CSLL,  irradia  seus  efeitos  jurídicos  até  o  período  no  qual  tenha ocorrido seu trânsito em julgado.  Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16327.902733/2010­18  Acórdão n.º 1301­002.298  S1­C3T1  Fl. 4          3  Recurso conhecido e provido.  Trecho do Voto  do Conselheiro  Sebastião Rodrigues Cabral —  Relator:  Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso:  i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no  sentido de desobrigá­la do recolhimento da Contribuição Social  sobre  o  Lucro  Líquido  instituída  pela  Lei  n°  7689,  de  1988,  transitou  em  julgado  em  02  de  setembro  de  1997,  tal  qual  atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos  autos às fls.;  ii)  O  Mandado  de  Segurança  interposto  pela  Recorrente,  em  1989,  objetivou  a  dispensa  do  recolhimento  da  referida  Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a  instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido  pela referida sentença transitada em julgado;   iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende  exigir  da  Recorrente  a  Contribuição  Social  relativa  aos  períodos­base  de  1990 a  1994,  portanto,  anteriores ao  trânsito  em  julgado  da  sentença  judicial;  só  nos  resta  concluir  que  referidos  períodos  estão  albergados  pela  'coisa  julgada',  sendo  defeso  ao  Fisco  exigir  a  Contribuição  em  causa  relativamente  àqueles períodos­base."  Assim, deve ser prontamente revisto o despacho­decisório, ora recorrido, ante  a  comprovação  do  recolhimento  indevido,  a  ensejar  o  direito  à  restituição,  nos  termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional.  A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I /  SP  analisou  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela  contribuinte  e  indeferiu  a  solicitação.  Ciente  da  decisão  de  primeira  instância  e  com  ela  inconformada,  a  interessada  apresentou  recurso  voluntário,  mediante  o  qual  oferece,  em  apertada  síntese,  os  seguintes argumentos:  Acerca  do  prazo  para pleitear  o  indébito,  a  recorrente  se  reporta  ao Pedido  Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria  plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do  CTN.  A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº  89.0011205­8,  em  que  foi  proferida  a  decisão  transitada  em  julgado  que  a  exonerava  do  recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma,  anexa  documentos  que  comprovam  ser  a  recorrente  a  sucessora  de  Autolatina  Financiadora  S/A, que foi parte no processo judicial.  A  interessada  reitera,  ainda,  os  argumentos  trazidos  na  Manifestação  de  Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001.  Conclui  com  o  pedido  de  provimento  de  seu  recurso  e  homologação  da  compensação declarada.  É o Relatório.  Voto             Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16327.902733/2010­18  Acórdão n.º 1301­002.298  S1­C3T1  Fl. 5          4  Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 1301­002.287, de  12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/2012­48, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301­002.287):  O  recurso  voluntário  e  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade. Dele conheço.  Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com  declaração de compensação.   No  atual  estágio  da  discussão  administrativa,  o  alegado  direito  creditório  não  foi  reconhecido  por  dois  fundamentos  autônomos,  ou  seja,  cada  um  deles  é  suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório.  O  primeiro  fundamento  adotado  pelo  julgador  de  primeira  instância,  de  caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito.  Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido  entre  a  data  do  recolhimento,  em  1999,  e  a  data  do  protocolo  do  pedido  de  restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata  o art. 168, I, do CTN.  Examinando  a  decisão  recorrida,  constata­se  que,  efetivamente,  houve  um  equívoco  do  julgador  ao  não  considerar  o  pedido  de  restituição  originalmente  formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observa­se que  somente em 2008 veio pleitear compensação do  referido crédito, ou seja,  cerca de  sete  anos  após  ‘obter  a  comprovação’,  e  nove  após  a  extinção  do  débito,  pelo  pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reporta­se  ao anterior pedido de  restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para  fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a  seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão.  Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos  inicial  e  final  para  a  contagem,  já  foram  objeto  de  acirrados  debates,  tanto  no  âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei  Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as  divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais.  Finalmente,  a  questão  foi  pacificada  pelo  Poder  Judiciário.  De  especial  interesse,  o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no  regime do art. 543­C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321,  de  04/08/2011,  proferido  pelo  STF  no  regime  do  art.  543­B  do  mesmo  diploma  legal.  A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação,  em  09/12/2013,  pelo  Pleno  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  da  súmula  CARF nº 91, a seguir reproduzida.  Súmula  CARF  nº  91:  Ao  pedido  de  restituição  pleiteado  administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  aplica­se  o  prazo  prescricional  de  10  (dez)  anos,  contado  do  fato  gerador.  Fl. 238DF CARF MF Processo nº 16327.902733/2010­18  Acórdão n.º 1301­002.298  S1­C3T1  Fl. 6          5  As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão  administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela  Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes.  No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da  data limite prevista na súmula, aplicando­se, portanto, o prazo prescricional de dez  anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato  gerador.  O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição.  Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo  prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição.  Observe­se  que  a  data  do  recolhimento  não  é  considerada  para  este  fim,  muito  menos  a  circunstância  alegada  pela  interessada  acerca  do  julgamento  administrativo  de  um  auto  de  infração  no  qual  o  sujeito  passivo  seria  um  dos  litisconsortes  na  ação  judicial.  Não  se  vislumbra  qual  a  relação  entre  aquele  julgamento  administrativo  e  o  prazo  para  a  formulação  do  pedido  de  restituição  aqui discutido.  A  constatação  que  se  impõe  é  de  que  o  decurso  do  prazo  prescricional  impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer  considerações de mérito, negando­se provimento ao recurso voluntário.  O segundo  fundamento adotado pelo  julgador de primeira  instância para o  indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do  voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo:  Observe­se que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça  do processo judicial que afirma ampara­la, de forma a se poder verificar  a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado  acima, seria ônus da empresa.  E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizando­se do número de  processo  judicial  fornecido  pela  Interessada,  na  opção  “Consulta  Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte,  mas  sim  as  seguintes  empresas:  Consórcio  Nacional  Ford  Ltda.,  Autolatina  S/A,  Autolatina  Financiadora  S/A  Crédito  Financiamento  e  Investimentos e Ford Brasil S/A.  Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do  processo  judicial,  e documentos que,  segundo ela, comprovariam ser a  recorrente  sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial.  Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de  Segurança nº 89.11205­8, constato que a impetrante  foi Consórcio Nacional Ford  Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A;  (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e  Investimentos;  e  (iii)  Ford Brasil S/A.   Prosseguindo  na  análise,  encontro  Ata  da  AGE  de  31/05/1996  de  Banco  Autolatina  S.A.,  na  qual  se  registra  a  cisão  parcial  dessa  pessoa  jurídica,  com  a  versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome  da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen  S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão  do patrimônio.  No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da  ação  judicial.  No  documento  datado  de  17/02/2004,  dirigido  à  DEINF/SP,  a  interessada  se  identifica  como “BANCO VOLKSWAGEN S/A.,  atual  denominação  de  BANCO  AUTOLATINA  S.A.,  anteriormente  denominado  AUTOLATINA  Fl. 239DF CARF MF Processo nº 16327.902733/2010­18  Acórdão n.º 1301­002.298  S1­C3T1  Fl. 7          6  FINANCIADORA S.A., ...”. Mas trata­se de mera afirmação, da qual não encontro  prova documental nos autos.  Apesar  de  saber  que  esse  ponto  foi  um  dos  fundamentos  adotado  pelo  julgador  de  primeira  instância  para  negar  seu  pedido,  a  interessada  apresentou  apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança  de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando  em  rastrear  e  comprovar  os  eventos  societários  desde  a  litisconsorte  na  ação  judicial  (Autolatina  Financiadora  S/A  –  Crédito,  Financiamento  e  Investimentos)  até a atual pessoa  jurídica, nem os direitos que  teriam sido  transmitidos em cada  um desses eventos.  Em  se  tratando  de  pedido  de  restituição,  é  ônus  de  quem  alega  o  direito  creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa  jurídica  que  efetuou  o  recolhimento  seria  a  sucessora  em  todos  os  direitos  e  obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar  nos autos essa comprovação,  também por esse motivo o recurso voluntário há que  ser negado.  Os dois  fundamentos autônomos anteriormente discutidos  já  seriam  (e  são)  suficientes  para  que  o  recurso  voluntário  seja  desprovido.  Penso,  entretanto,  que  uma consideração adicional há de ser feita.   É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei  nº 9.779/1999. Confira­se seu teor (grifos não constam do original):  Art.17.Fica  concedido  ao  contribuinte  ou  responsável  exonerado  do  pagamento  de  tributo  ou  contribuição  por  decisão  judicial  proferida,  em  qualquer  grau  de  jurisdição,  com  fundamento  em  inconstitucionalidade  de  lei,  que  houver  sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal,  em  ação  direta  de  constitucionalidade  ou  inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de  janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de  mora,  da  exação  alcançada  pela  decisão  declaratória,  cujo  fato  gerador  tenha  ocorrido  posteriormente  à  data  de  publicação  do  pertinente  acórdão  do  Supremo  Tribunal  Federal.(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Vide  Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  §1oO disposto neste artigo estende­se:(Vide Medida Provisória  nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158­ 35, de 2001)  I­aos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha  sido  proferida  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  em  recurso  extraordinário;(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  II­a  contribuinte  ou  responsável  favorecido  por  decisão  judicial  definitiva  em  matéria  tributária,  proferida  sob  qualquer  fundamento,  em  qualquer  grau  de  jurisdição;(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2158­35, de 2001)  III­aos  processos  judiciais  ajuizados  até  31  de  dezembro  de  1998,  exceto  os  relativos  à  execução  da  Dívida  Ativa  da  União.(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído  pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  Fl. 240DF CARF MF Processo nº 16327.902733/2010­18  Acórdão n.º 1301­002.298  S1­C3T1  Fl. 8          7  §2oO  pagamento  na  forma  do  caput  deste  artigo  aplica­se  à  exação  relativa  a  fato  gerador:(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35,  de 2001)  I­ocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão  do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese  do  inciso  I  do  §  1o;(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  II­ocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial,  na  hipótese  do  inciso  II  do  §  1o;(Vide Medida  Provisória  nº  1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35,  de 2001)  III­alcançado  pelo  pedido,  na  hipótese  do  inciso  III  do  §  1o.(Vide Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído  pela  Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  §3oO  pagamento  referido  neste  artigo:(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2158­35, de 2001)  I­importa  em  confissão  irretratável  da  dívida;(Vide Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2158­35, de 2001)  II­constitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348,  353  e  354  do  Código  de  Processo  Civil;(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2158­35, de 2001)  [...]  Insisto: os pagamentos nesses  termos são confissão  irretratável da dívida e  confissão  extrajudicial.  Ou  seja,  ainda  que  pudessem  ser  superados  os  dois  fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo  inarredável  na  disposição  expressa  da  lei  acima  transcrita.  Supondo­se,  como  hipótese  argumentativa,  que  a  interessada  fosse,  como  afirma,  sucessora  da  litisconsorte na ação  judicial, o  fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do  direito  conquistado  na  ação  judicial  (possivelmente  por  vê­lo  ameaçado  por  reiteradas  manifestações  do  STF  no  sentido  da  inconstitucionalidade  da  CSLL  apenas  para  o  primeiro  ano  de  sua  vigência)  e  parcelar  o  valor  da  contribuição  para os anos subsequentes.  A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal  insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse  era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto  pelo  sucesso  obtido  em  ações  rescisórias  diversas  propostas  perante  o  Poder  Judiciário,  quanto  por  Pareceres  da  douta  PGFN.  Se  a  interessada  tivesse  plena  convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e  discuti­lo  administrativa  e  judicialmente,  nunca  o  de  se  antecipar,  confessando  a  dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo.  A  recorrente  reclama,  ainda,  que  esse  aspecto  não  teria  sido  fundamento  para  a  negativa  do  pedido  de  restituição,  pelo  que  não  poderia,  agora,  ser  abordado.  Observe­se  que  a  DEINF/SP  originalmente  negou  o  pedido  porque  o  pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a  interessada  não  se  preocupou  em  trazer  aos  autos  os  esclarecimentos  que  Fl. 241DF CARF MF Processo nº 16327.902733/2010­18  Acórdão n.º 1301­002.298  S1­C3T1  Fl. 9          8  permitissem  essa  correta  identificação.  Essa  questão  foi  plenamente  superada  em  primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos,  a  saber,  o  prazo  para  pleitear  o  indébito  e  a  comprovação  do  direito  alegado.  Quanto  a  este  último  aspecto,  o  julgador  a  quo  se  deteve  na  falta  das  peças  do  processo  judicial  e  na  falta  de  comprovação  de  que  a  interessada  no  processo  administrativo  fosse  também  uma  das  partes  do  processo  judicial.  Penso  que  as  considerações  aqui  tecidas  sobre  esse  ponto  nada  mais  são  do  que  um  aprofundamento  acerca  da  análise  de  mérito  do  pedido.  Seriam,  talvez,  dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a  conclusão.  Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  [assinado digitalmente]  Waldir Veiga Rocha                              Fl. 242DF CARF MF

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Numero do processo: 13808.002681/2001-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 EMBARGOS INOMINADOS. DISCREPÂNCIAS ENTRE OS TERMOS DO VOTO E DO ACÓRDÃO Confirmados os equívocos materiais, inclusive confrontados com a Ata da Sessão publicada no Diário Oficial, é de se acolher os embargos inominados para sanar os equívocos.
Numero da decisão: 1302-002.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, com efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, com efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1358; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 2          1 1  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13808.002681/2001­96  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  1302­002.114  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de maio de 2017  Matéria  ERRO MATERIALEM ACÓRDÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO  Embargante  COMPANHIA DE GAS DE SÃO PAULO COMGÁS.  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2006  EMBARGOS  INOMINADOS.  DISCREPÂNCIAS  ENTRE  OS  TERMOS  DO VOTO E DO ACÓRDÃO  Confirmados  os  equívocos materiais,  inclusive  confrontados  com  a  Ata  da  Sessão publicada no Diário Oficial, é de se acolher os embargos inominados  para sanar os equívocos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os  embargos inominados, com efeitos infringentes, nos termos do voto do relator.  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Rogério Aparecido Gil ­ Relator  Participaram da  sessão de  julgamento os  conselheiros: Alberto Pinto Souza  Junior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de  Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 26 81 /2 00 1- 96 Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 13808.002681/2001­96  Acórdão n.º 1302­002.114  S1­C3T2  Fl. 3          2 Trata­se de Embargos  Inominados  opostos  ao  acórdão  nº  1302­001.659,  de  03/03/2015  desta  2ª  Turma  Ordinária,  no  qual  a  embargante  identificou  necessidade  de  retificações, conforme a seguir exposto.  Na  forma  apresentada no Despacho de Admissibilidade  dos Embargos,  por  ocasião do exame de admissibilidade de recurso especial interposto pela contribuinte (fl. 1428),  apesar de firmada a sua intempestividade, constatou­se a partir das alegações da interessada a  existência  de  "erros  manifestos"  que  demandariam  correção  de  ofício.  Por  essa  razão,  o  Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em reexame da admissibilidade do recurso  especial, manteve o despacho que lhe negou seguimento, mas reconheceu a existência de erros  que permitiriam a conversão do recurso especial em embargos inominados (art. 66 do Anexo II  do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 349/2015).  A contribuinte relata (fls. 1219/1238) que estavam em litígio saldos negativos  de  IRPJ  e  CSLL  apurados  no  ano­calendário  2000,  objeto  de  pedidos  de  restituição  e  compensação.   Por sua vez, essa 2ª Turma Ordinária teria, por maioria de votos, reconhecido  integralmente  o  direito  creditório  e  homologado  as  compensações  até  o  limite  do  crédito  reconhecido.  De  outro modo,  por  equívoco,  o  acórdão  consignou  que  o  provimento  do  recurso  teria  sido  parcial,  diversamente,  portanto,  do  que  firmado  no  voto  condutor  do  julgado.   Acrescenta,  ainda,  que  o  dispositivo  final  do  voto  condutor  do  acórdão  também  necessitaria  de  retificação,  por  não  expressar  o  reconhecimento  do  direito  creditório  de  CSLL,  não  obstante  ter  sido  fundamentado,  com  base  na  documentação  apresentada nos autos para reconhecimento integral de ambos os créditos.  Nos termos da Ata da Sessão de Julgamento de 03/03/2015, o provimento  foi integral, como a seguir transcrito:  Relator(a): HELIO EDUARDO DE PAIVA ARA UJO   Processo: 13808.002681/2001­96  Recorrente: COMPANHIA DE GAS DE SAO PAULO COMGAS e   Recorrida: FAZENDA NACIONAL  Acórdão 1302­001.659  Ausência momentânea: LUIZ TADEUMATOSINHOMACHADO   Fez sustentação oral: Dr. José Nicci Filho, OAB/SP n°257405   Votação: Por Maioria   Vencido(s) na votação: EDUARDO DE ANDRADE   Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO  Resultado:   Recurso Voluntário Provido   Direito Creditório Reconhecido  Confirmou­se,  portanto,  o  lapso  manifesto  na  redação  ao  se  verificar  os  termos do Acórdão n° 1302­001.659:  Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 13808.002681/2001­96  Acórdão n.º 1302­002.114  S1­C3T2  Fl. 4          3 Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, em dar provimento  parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente  julgado.  Vencido(a)  o(a)  Conselheiro(a)  Eduardo  de  Andrade.  Os  Conselheiros  Waldir  Veiga  da  Rocha  e  Alberto  Pinto  Souza  Júnior  acompanharam  o  relator  apenas  no  que  tange  o  primeiro  fundamento  da  decisão.  Com relação à segunda alegação, confirmou­se, também, que o voto condutor  do julgado cuidou, em sua quase totalidade, à análise conjunta dos saldos negativos de IRPJ e  CSLL.  Porém,  em  seus  últimos  parágrafos,  a  conclusão  que  deveria  ser  extraída  dos  argumentos favoráveis ao reconhecimento de ambos direitos creditórios, restou limitada apenas  ao IRPJ, a indicar, também neste ponto, a existência de lapso manifesto.  Diante  dessas  constatações,  a  petição  de  fls.  1219/1238  foi  admitida  como  embargos inominados na forma do art. 66 do Anexo II do RICARF.    É o relatório  Voto             Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL  Admitidos  os  embargos  inominados,  passa­se  à  análise  dos  pontos  específicos, em relação aos quais caberiam correções.  Da Correção do Acórdão  em relação à Parte Dispositiva do Voto  (Dar Provimento  ao  Recurso Voluntário)  Conforme  verificado  no  transcrito  despacho  de  admissibilidade,  deu­se  provimento ao recurso voluntário, em linha com os seguintes termos do voto do relator:  Assim,  uma  vez  que  o  lucro  real  declarado  está  homologado,  bem  como  estarem  reconhecidas  pela  própria  autoridade  fiscal  a  integralidade  das  parcelas  que  compuseram o  saldo  negativo,  não  há  outra  alternativa  senão  validar o crédito pleiteado no valor de R$ 1.555.605,55.  Diante  do  acima  exposto,  voto  no  sentido  de  DAR  PROVIMENTO  ao  recurso voluntário, para validar o crédito de saldo negativo de IRPJ no valor  de  R$  1.555.605,55,  homologando­se  as  compensações  declaradas,  até  o  limite  do  referido  crédito,  devendo  a  autoridade  fiscal  se  ater  a  eventuais  outras  compensações  que  já  possam  ter  sido  declaradas  valendo­se  do  mesmo crédito.  Analisando­se  esses  termos  do  acórdão  recorrido,  em  conjunto  com  os  registros  em DIPJ,  verifica  que,  em  realidade,  em vez do  valor R$1.555.605,55  (IRPJ),  o  correto  é  R$1.876.830,05,  conforme  Fichas  da  DIPJ  de  fl.  53;  e  R$641.377,79  (CSLL),  conforme Ficha DIPJ, fl. 58.  Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 13808.002681/2001­96  Acórdão n.º 1302­002.114  S1­C3T2  Fl. 5          4 Tais equívocos também são observados, nos pontos do acórdão recorrido,  a  seguir  transcritos;  observa­se,  ainda,  que  cuidou­se,  conjuntamente,  de  questões  que  envolviam o IRPJ e a CSLL, conforme os seguintes termos do voto:  Especificamente com relação ao caso em tela, verifica­se que  a Recorrente apurou, no exercício de 1998, crédito relativo à IRPJ  no valor de R$ 1.555.605,55 [conforme acima retificado, o correto  é R$1.876.830,05]. Referido saldo passou a ser atualizado a partir de  janeiro de 1999 e foi utilizado para compensar o IRPJ apurado em  fevereiro, abril e maio de 2000.  O  mesmo  vale  para  o  crédito  de  CSLL,  conforme  restou  informado  na  DIPJ  referente  ao  ano  calendário  1997,  que  demonstra  claramente  o  saldo  de  contribuição  decorrente  da  diferença  entre  as  apurações  daquele  ano  (R$  1.925.642,57)  [conforme  acima  retificado,  o  correto  é  R$641.377,79  (CSLL),  conforme Ficha DIPJ, fl. 58.].  No  ano  calendário  de  1998,  por  sua  vez,  a DIPJ  e  LALUR  (constantes  dos  autos)  atestam  saldo  de  CSLL  no  valor  de  R$  782.616,90, o qual foi somado ao saldo de 1997 e transportado para  o ano de 2000 em que foi utilizado parcialmente para compensação  no valor de R$ 641.377,79 [correto].  Ressalte­se  que  estamos  tratando de  composição  de  créditos  de  IRPJ  e  CSLL  apurados  entre  os  exercícios  de  1997  e  1999,  regularmente declarados pela Recorrente nas respectivas DIPJs, que  se  reitere,  foram  homologadas  dentro  do  prazo  decadencial  de  5  anos.  Assim,  em  hipótese  alguma  poderia  a  Autoridade  Fiscal,  através de despacho decisório proferido apenas  em maio de 2006,  revisar  ou  questionar  os  saldos  de  IRPJ  e CSLL de 1997,  1998  e  1999,  cujas  respectivas  DIPJs  e  DCTFs  foram  homologadas  tacitamente,  utilizados  em  compensação  ocorrida  em  2000  e  cujo  saldo de IRPJ e CSLL foram utilizados em nova compensação em  2001.  Ou  seja,  para  negar  o  direito  creditório  e  não  homologar  a  compensação efetuada em 2001, a autoridade administrativa refez,  em maio de 2006, a apuração do IRPJ e CSLL de 1997, 1998, 1999  e 2000 pelo contribuinte.    No entanto, na forma salientada pela embargante e confirmada pelo  despacho  de  admissibilidade,  nos  últimos  parágrafos  do  voto,  o  relator  registrou  considerações  exclusivamente  sobre  o  IRPJ,  e  houve  equívoco  quanto  aos  valores,  conforme acima registrado, nos seguintes termos:  Vale ressaltar que a impossibilidade de revisão do lançamento  tacitamente  homologado  não  impede  a  conferência  da  certeza  e  Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 13808.002681/2001­96  Acórdão n.º 1302­002.114  S1­C3T2  Fl. 6          5 liquidez  do  crédito  alegado  pelo  fisco.  Isto  porque,  permanece  possível  ao  fisco  verificar  a  formação  do  saldo  negativo,  isto  é,  confirmar  o  recolhimento  ou  a  compensação  das  antecipações  mensais,  o  IRRF,  o  imposto  de  renda  pago  no  exterior,  dentre  outras parcelas.  Em outras palavras, a confirmação da existência do crédito de  saldo negativo de IRPJ é, obviamente, permitida. Porém, deve se ter  como ponto de partida para a conferência do lucro real e a apuração  do IRPJ declarado e tacitamente homologado.  Nesse contexto, para fins de análise das compensações objeto  deste litígio, deve se ter por base a apuração do lucro real e do IRPJ  do ano­calendário 2001 conforme declarado pela recorrente em sua  DIPJ, a qual se encontra homologada, ainda que tacitamente.  Confirmando­se a necessidade de incluir­se a CSLL verificam­se os  seguintes termos dos dois últimos parágrafos do voto que referem­se somente ao IRPJ:  Assim, uma vez que o lucro real declarado está homologado,  bem  como  estarem  reconhecidas  pela  própria  autoridade  fiscal  a  integralidade  das  parcelas  que  compuseram  o  saldo  negativo,  não  há outra alternativa senão validar o crédito pleiteado no valor de R$  1.555.605,55.  [conforme  acima  retificado,  o  correto  é  R$1.876.830,05,  conforme  Fichas  da  DIPJ  de  fl.  53;  e  R$641.377,79  (CSLL), conforme Ficha DIPJ, fl. 58.]  Diante  do  acima  exposto,  voto  no  sentido  de  DAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário,  para  validar  o  crédito  de  saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 1.555.605,55, homologando­ se  as  compensações  declaradas,  até  o  limite  do  referido  crédito,  devendo a autoridade fiscal se ater a eventuais outras compensações  que  já  possam  ter  sido  declaradas  valendo­se  do  mesmo  crédito  [novamente, houve equívoco no valor do IRPJ e omitiu­se o valor  da CSLL, como acima indicado].  Assim,  constatada  a  procedência  das  alegações,  quanto  à  necessidade  de  retificação  do  voto  e  parte  dispositiva,  e  equívocos  de  valores,  por  erro  manifesto, voto no sentido de acolher os embargos inominados para que, em substituição  aos dois parágrafos acima transcritos, passe a integrar o voto os seguintes termos:  Assim, uma vez que o lucro real declarado está homologado,  bem  como  estarem  reconhecidas  pela  própria  autoridade  fiscal  a  integralidade  das  parcelas  que  compuseram  o  saldo  negativo,  não  há outra alternativa  senão validar o  crédito pleiteado de  IRPJ,  no  valor de R$1.876.830,05; e de CSLL, no valor de R$641.377,79.  Diante  do  acima  exposto,  voto  no  sentido  de  DAR  PROVIMENTO  integral  ao  recurso  voluntário,  para  validar  o  crédito de saldo negativo de IRPJ no valor de R$1.876.830,05 e de  CSLL,  no  valor  de  R$641.377,79,  homologando­se  as  compensações declaradas, até o limite do referido crédito, devendo  Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 13808.002681/2001­96  Acórdão n.º 1302­002.114  S1­C3T2  Fl. 7          6 a autoridade fiscal se ater a eventuais outras compensações que  já  possam ter sido declaradas valendo­se do mesmo crédito.  ROGÉRIO APARECIDO GIL ­ Relator                                  Fl. 1456DF CARF MF

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6860059 #
Numero do processo: 13984.720229/2009-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NECESSIDADE. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DE ADA. DISPENSÁVEL. Para ser possível a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, basta sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, sendo dispensável a apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental ADA. No caso, a averbação ocorreu antes da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9202-005.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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9202­005.611  –  2ª Turma   Sessão de  29 de junho de 2017  Matéria  81.625.4033 ­ ITR ­ GLOSA DE ÁREA DECLARADA ­ ÁREA DE  RESERVA LEGAL (ARL)  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  FINANCE COMERCIAL LTDA    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2004  ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE  IMÓVEIS  ANTES  DA  OCORRÊNCIA  DO  FATO  GERADOR.  NECESSIDADE.  APRESENTAÇÃO  TEMPESTIVA  DE  ADA.  DISPENSÁVEL.  Para ser possível a dedução da área de reserva legal da base de  cálculo do ITR, basta sua averbação à margem da inscrição de  matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da  ocorrência  do  fato  gerador  do  tributo,  sendo  dispensável  a  apresentação  tempestiva  de  Ato  Declaratório  Ambiental  ADA.  No  caso,  a  averbação  ocorreu  antes  da  ocorrência  do  fato  gerador.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado,  por unanimidade de votos, em conhecer  do  Recurso  Especial  e,  no  mérito,  em  negar­lhe  provimento.  Votaram  pelas  conclusões  os  conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente  convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.    (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente em Exercício e Relator.        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 72 02 29 /2 00 9- 26 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13984.720229/2009­26  Acórdão n.º 9202­005.611  CSRF­T2  Fl. 155          2   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Maria Helena Cotta  Cardozo,  Patricia  da  Silva,  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Ana  Paula  Fernandes,  Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza  Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).  Relatório  Da autuação ao recurso voluntário  Trata  o  presente  processo  de  exigência  de  Imposto  sobre  a  propriedade  Territorial Rural – ITR, tendo em vista a falta de comprovação dos valores apurados de área de  reserva  legal  declarada  pela  contribuinte  em  sua DITR/2004.  As  divergências  entre  valores  declarados e comprovados levaram à glosa dessa área de 214,00ha para 0,0ha. Tal divergência  implicou no valor de imposto lançado de R$ 37.692,17 em notificação de lançamento às e­fls.  02 a 05, cientificada à contribuinte em 01/12/2009 (e­fl. 13).  O  lançamento  de  obrigação  principal  foi  impugnado,  às  e­fls.  15  e  16,  em  21/12/2009. Já a DRJ/CGE, no acórdão 04­25.779, prolatado em 29/08/2011, às e­fls. 43 a 47,  considerou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário lançado.  Inconformada, em 28/11/2011, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às  e­fls. 68 a 73, alegando que o próprio Fisco reconhece que está comprovada a averbação como  reserva  legal  da  área  de  214,06ha,  conforme  AV­5­761,  de  17/07/2001.  A  competente  averbação das áreas de reserva  legal  junto ao registro de imóveis dispensa a apresentação do  ADA, para fins de exclusão dessas áreas da base de cálculo do ITR, de acordo com diversas  decisões, seja do CARF seja do Poder Judiciário. Encerra requerendo a anulação da notificação  de lançamento em questão.  Acórdão do recurso voluntário  O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da  Segunda Seção de Julgamento em 15/05/2014,  resultando no acórdão 2101­002.489, às e­fls.  124 a 129, que tem a seguinte ementa:  ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL).  DESNECESSIDADE  DE  ATO  DECLARATÓRIO  AMBIENTAL  (ADA).  AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL COMPROVADA.  Por  se  tratar  de  área  que  independe  do  reconhecimento  do  Poder Público para a exclusão da base tributável, desnecessária  a  apresentação  de  ADA  para  o  reconhecimento  da  ARL  declarada em DITR. Precedentes. Ainda, tendo sido comprovada  a  averbação  de  ARL  na  matrícula  do  imóvel  previamente  ao  início da ação fiscal, tal deve ser reconhecida e excluída da base  tributável do ITR.  Recurso Voluntário Provido   Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13984.720229/2009­26  Acórdão n.º 9202­005.611  CSRF­T2  Fl. 156          3 O acórdão teve o seguinte teor:  Acordam os membros do  colegiado, por  unanimidade de  votos,  em dar provimento ao recurso.  RE da Fazenda  Intimada do resultado dos acórdão em 05/08/2014 (e­fl. 130), a Procuradoria  da  Fazenda Nacional,  em  11/09/2014,  interpôs  recurso  especial  de  divergência  (e­fls.  131  a  139).   Apesar  de  reconhecer  a  existência  efetiva  da  área  de  reserva  legal  em  discussão,  o  Procurador  afirma  que,  em  situação  fática  e  jurídica  idêntica,  há  acórdãos  paradigmas, de nº 301­34.352 e nº 9202­01.008, que dão interpretação divergente à do acórdão  recorrido.   Enquanto  o  acórdão  recorrido  entende  que  a  apresentação  do  Ato  Declaratório  Ambiental  –  ADA  não  é  condição  indispensável  para  a  exclusão  das  áreas  de  preservação  permanente  da  base  de  cálculo  do  ITR,  os  paradigmas  frisam  o  entendimento  segundo o  qual,  a  partir  do  exercício  de 2001, o ADA passou  a  ser obrigatório  para  fins  de  exclusão dessas áreas.  Por  fim,  o  Procurador  requer  o  conhecimento  e  o  provimento  do  recurso  especial de divergência para que seja desconstituído o auto de infração.  O RE  da  Fazenda  foi  apreciado  pelo  Presidente  da  1ª  Câmara  da  Segunda  Seção  de  Julgamento  do  CARF,  nos  termos  dos  arts.  67  e  68  do  Regimento  Interno  do  Conselho Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  RICARF,  aprovado  pela  Portaria  n°  343  de  09/06/2015, por meio do despacho de e­fls. 142 a 145, datado de 11/12/2015, entendendo por  lhe dar seguimento, apenas em face do paradigma nº 301­34352, pois somente este considerou  indispensável a apresentação de ADA para fins de dedução da área tributável pelo ITR.  Intimada  (e­fl.  147)  do  acórdão  nº  2101­002.489,  do  recurso  especial  de  divergência da Fazenda e do despacho de admissibilidade deste recurso, em 04/05/2016 (e­fl.  152), a contribuinte não se manifestou nos prazos regimentais.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Relator  O  recurso  a  ser  analisado  é  tempestivo  e  atende  os  demais  requisitos  de  admissibilidade e, portanto, dele conheço.  A  discussão  trata  exclusivamente  da  necessidade  de  existência  de  ADA  protocolado tempestivamente para que se proceda a exclusão das áreas de reserva legal da base  de cálculo do ITR.  Sobre esse tema, esclareça­se que tal exclusão tem como requisitos formais,  ou seja,  condição para  sua consideração  tributária,  a existência dos  seguintes procedimentos:  Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13984.720229/2009­26  Acórdão n.º 9202­005.611  CSRF­T2  Fl. 157          4 (a)  a  apresentação  tempestiva  de  requerimento  ao  IBAMA  de  Ato  Declaratório  Ambiental  (ADA), no qual é informada a metragem da área destinada à reserva legal que, de acordo com a  localização, corresponde a um percentual da área do  imóvel; e  (b) a averbação dessa área na  matrícula da propriedade rural no Registro de Imóveis antes da ocorrência do fato gerador, em  1º de janeiro do ano­calendário.  Quanto  ao  ADA,  não  existe  discussão  quanto  a  sua  existência  ou  tempestividade de protocolização neste recurso, e julgo que a averbação tempestiva da área na  matrícula do imóvel, por constituir a área de reserva legal, é comprovação suficiente do fato,  mesmo se daquele desacompanhada.  Relativamente à tal averbação, na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos  Fiscais existem posicionamentos diversos que defendem:  a) a desnecessidade da averbação, por se tratar de exigência da lei ambiental,  sem consequências na esfera fiscal;  b) a necessidade da averbação antes da ocorrência do fato gerador;   c) a necessidade da averbação antes do início do procedimento fiscal.  Para  que  todos  possam  decidir  com  suas  convicções,  saliento  que  o  valor  declarado da área de reserva legal glosado foi de 214,00ha (e­fl. 04).  Nos  autos  está  comprovada  a  averbação  como  reserva  legal  da  área  de  214,06ha, conforme AV­5 na matrícula nº 761, de 17/07/2001, à e­fl. 38.  Do meu ponto de vista,  para  fins de dedução da base de cálculo do  ITR,  a  área  de  reserva  legal  averbada  às  margens  da  inscrição  do  registro  de  imóvel  antes  da  ocorrência do fato gerador é que deve ser concedida.   Isso  porque  o  art.  10,  §1º,  inciso  II,  alínea  “a”,  da  Lei  nº  9.393,  de  19  de  dezembro  de  1996,  permite  a  exclusão,  da  área  tributável  do  ITR,  das  áreas  de  preservação  permanente e de  reserva  legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de  setembro de 1965, com a  redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989.  Ressalte­se  que  a  obrigatoriedade  de  averbação  foi  trazida  ao  ordenamento  jurídico em 1989, muito antes dos fatos geradores sob análise.  E  a  Lei  nº  4.771,  de  1965,  em  seu  art.  16,  §  8º,  (com a  redação  dada  pela  Medida Provisória nº 2.058­58 de 27/12/2000) na redação vigente por ocasião da ocorrência do  fato gerador, determinava que a reserva legal deveria ser averbada à margem da inscrição de  matrícula  do  imóvel,  no  registro  de  imóveis  competente,  sendo  vedada  a  alteração  de  sua  destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área.   Considero  inaceitáveis os  argumentos de que  essa exigência  foi  feita na  lei  ambiental, não surtindo efeitos na esfera tributária. Isso porque, ao permitir a exclusão da base  de  cálculo  do  ITR,  a  lei  tributária  fez  expressa  menção  às  áreas  de  reserva  legal  e  de  preservação permanente nos termos da lei ambiental, sendo evidente que se deve buscar suas  características e requisitos no escopo do ato legal indicado.  Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13984.720229/2009­26  Acórdão n.º 9202­005.611  CSRF­T2  Fl. 158          5 Do mesmo modo, não concordo com a alegação de que nem a lei tributária,  nem a lei ambiental, definiram prazo para a averbação dessa área, sendo possível admiti­la em  momento posterior ao fato gerador. Penso que a averbação é requisito formal de existência da  área  de  reserva  legal,  não  sendo  possível  se  falar  nesse  instituto  antes  do  ato  cartorial,  nem  muito menos se pleitear sua dedução tributária.  Assim,  no  presente  caso,  cujo  fato  gerador  ocorreu  em  01/01/2004,  com  a  averbação tempestiva das áreas de reserva legal em 17/07/2001, há que se admitir a exclusão  destas  áreas  da  base  de  cálculo  do  ITR,  negando­se  provimento  ao  recurso  especial  do  Procurador quanto a esta matéria.  CONCLUSÃO  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  conhecer  do  recurso  especial  de  divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, negar­lhe provimento.   (Assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos  Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13984.720229/2009­26  Acórdão n.º 9202­005.611  CSRF­T2  Fl. 159          6                           Fl. 159DF CARF MF

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