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Numero do processo: 10865.905030/2012-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.584
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 50 30 /2 01 2- 30 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10865.905030/201230 Acórdão n.º 3301003.584 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.490. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10865.905030/201230 Acórdão n.º 3301003.584 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10865.905030/201230 Acórdão n.º 3301003.584 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10865.905030/201230 Acórdão n.º 3301003.584 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10865.905030/201230 Acórdão n.º 3301003.584 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10865.905030/201230 Acórdão n.º 3301003.584 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 168DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.723158/2014-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. ATIVO FISCAL DIFERIDO. EXCLUSÃO DA RECEITA LANÇADA COMO CONTRAPARTIDA DO ATIVO. POSSIBILIDADE.
O ativo fiscal diferido decorrente do reconhecimento de crédito tributário calculado sobre Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa de CSLL sujeita-se a racional de neutralidade fiscal
O IRPJ e CSLL não podem gerar impacto em suas próprias bases de cálculo ou de uma em outra. Do ponto de vista de despesa isso significa que as despesas de IRPJ e CSLL não são dedutíveis de sua própria base de cálculo ou de uma em outra e significa também que eventual baixa de ativo fiscal diferido relacionado à Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa de anos anteriores, contabilizado em contrapartida em conta de despesa também será indedutível.
Do ponto de vista de receita, o lançamento decorrente do registro do ativo ser excluído para fins de cálculo dos tributos.
Numero da decisão: 1201-001.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício.
(Assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. ATIVO FISCAL DIFERIDO. EXCLUSÃO DA RECEITA LANÇADA COMO CONTRAPARTIDA DO ATIVO. POSSIBILIDADE. O ativo fiscal diferido decorrente do reconhecimento de crédito tributário calculado sobre Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa de CSLL sujeita-se a racional de neutralidade fiscal O IRPJ e CSLL não podem gerar impacto em suas próprias bases de cálculo ou de uma em outra. Do ponto de vista de despesa isso significa que as despesas de IRPJ e CSLL não são dedutíveis de sua própria base de cálculo ou de uma em outra e significa também que eventual baixa de ativo fiscal diferido relacionado à Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa de anos anteriores, contabilizado em contrapartida em conta de despesa também será indedutível. Do ponto de vista de receita, o lançamento decorrente do registro do ativo ser excluído para fins de cálculo dos tributos.
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PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. ATIVO FISCAL DIFERIDO. EXCLUSÃO DA RECEITA LANÇADA COMO CONTRAPARTIDA DO ATIVO. POSSIBILIDADE. O ativo fiscal diferido decorrente do reconhecimento de crédito tributário calculado sobre Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa de CSLL sujeita se a racional de neutralidade fiscal O IRPJ e CSLL não podem gerar impacto em suas próprias bases de cálculo ou de uma em outra. Do ponto de vista de despesa isso significa que as despesas de IRPJ e CSLL não são dedutíveis de sua própria base de cálculo ou de uma em outra e significa também que eventual baixa de ativo fiscal diferido relacionado à Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa de anos anteriores, contabilizado em contrapartida em conta de despesa também será indedutível. Do ponto de vista de receita, o lançamento decorrente do registro do ativo ser excluído para fins de cálculo dos tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. (Assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 31 58 /2 01 4- 85 Fl. 1027DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Tratase de autos de infração relativos ao IRPJ E CSLL no valor total de R$ 102.070.156,64, devido às irregularidades assim descritas nos autos de infração: 1. IRPJ – Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica “001. EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. EXCLUSÕES INDEVIDAS. Valor excluído indevidamente do Lucro Líquido do período, ou seja, sem autorização prevista em lei, quando da determinação do Lucro Real, conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo. O valor total excluído indevidamente de R$ 208.694.018,71, compõese da seguinte forma: => R$ 55.460.175,03 referese a crédito fiscal de contribuição social (csll diferida, apurado pela contribuinte/sujeito passivo em decorrência de bases de cálculo negativas de csll de períodos anteriores, valor este contabilizado no anocalendário de 2010 a crédito de conta de resultado e a débito de conta patrimonial do ativo não circulante (realizável a longo prazo). => R$ 153.233.841,68 referese a crédito fiscal de imposto de renda (irpj diferido, apurado pelo contribuinte/sujeito passivo em decorrência de prejuízos fiscais de períodos anteriores, valor este contabilizado no anocalendário de 2010 a crédito de conta de resultado e a débito de conta patrimonial do ativo não circulante (realizável a longo prazo) [Demonstrativo com fato gerador em 31/12/2010, valor apurado de R$ 208.694.016,71 e multa no percentual de 75%] Enquadramento Legal. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2010: art. 3º, da Lei nº 9.249/95. Arts. 247 e 250, do RIR/99.” 2. CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 10314.723158/201485 Acórdão n.º 1201001.642 S1C2T1 Fl. 3 3 “001. EXCLUSÕES INDEVIDAS DA BASE DE CÁLCULO AJUSTADA DA CSLL. EXCLUSÕES INDEVIDAS. Valor excluído indevidamente no Lucro Líquido do período, ou seja, sem autorização prevista em lei, quando da determinação do Lucro Real, conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo. O valor total excluído indevidamente de R$ 208.694.016,71, compõese da seguinte forma: => R$ 55.460.175,03 referese a crédito fiscal de contribuição social (csll diferida , apurado pelo contribuinte/sujeito passivo em decorrência de bases de cálculo negativas da csll de períodos anteriores, valor este contabilizado no anocalendário de 2010 a crédito de conta de resultado e a débito de conta patrimonial do ativo não circulante (realizável a longo prazo). => R$ 153.233.841,68 referese a crédito fiscal de imposto de renda (irpj) diferido, apurado pelo contribuinte/sujeito passivo em decorrência de prejuízos fiscais de períodos anteriores, valor este contabilizado do anocalendário de 2010 a crédito de conta de resultado e a débito de conta patrimonial do ativo não circulante (realizável a longo prazo) [Demonstrativo com fato gerador em 31/12/2010, valor apurado de R$ 208.694.016,71 e multa de ofício de 75%] Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2010: Art. 2º da Lei 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei n.º 8.034/90 Art. 57 da Lei n.º 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95 Art. 2º da Lei n.º 9.249/95 Art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei n.º 9.430/96 Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08.” A Autoridade Fiscal elaborou o Termo de Verificação Fiscal de fls. 616/625, abaixo transcrito: (...) Por meio do Termo de Intimação Fiscal datado de 02/09/2013, o qual teve ciência pessoal do procurador da empresa, nesta mesma data, o sujeito passivo foi comunicado e cientificado da continuidade do procedimento fiscal, e também, foi intimado a apresentar um Demonstrativo de Composição Analítica das Contas Contábeis que integravam o valor de R$ 63.169.976,65, declarado na DIPJ do Exercício de 2011 (anocalendário 2010), Fl. 1029DF CARF MF 4 na Linha 78 – Outras Exclusões, da Ficha 09A – Demonstração do Lucro Real. Neste mesmo Termo de Intimação foi solicitado um Demonstrativo de Composição Analítica das Contas Contábeis que integravam o valor de R$ 109.517.288,28, declarado no DIPJ 2011 do anocalendário de 2010, na Linha 46 – Outras Despesas Financeiras, das Fichas 06A e 07A – Demonstração do Resultado. Tempestivamente e cumprindo a dilação de prazo solicitada e autorizada por esta fiscalização, em 16/09/2013 o sujeito passivo apresentou resposta escrita atendendo ao solicitado na referida Intimação Fiscal. Através do Termo de Intimação datado de 23/09/2013, cuja ciência deuse em 25/09/2013, por via postal com ARAviso de Recebimento, o sujeito passivo foi intimado a: a) Apresentar documentação suporte relativa a lançamentos contábeis selecionados pela Fiscalização, abrangendo contas contábeis integrantes das despesas financeiras declaradas na DIPJ 2011 do anocalendário de 2010, as quais também foram selecionadas para exame da Fiscalização. b) Comprovar documentalmente determinadas exclusões efetuadas sobre o lucro contábil, na apuração do lucro real que serviu de base para a tributação do IRPJ, conforme selecionado pela Fiscalização. c) Demonstrar, explicar e justificar o não oferecimento à tributação do IRPJ e da CSLL, das contas contábeis de receitas abaixo descritas, relativas à apuração e reconhecimento pela Danone, de crédito fiscal de IRPJ e CSLL diferidos, relativos a prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, relativos a períodos anteriores ao anocalendário de 2010. As contas contábeis e os valores contabilizados a crédito do resultado são os seguintes: ∙ Conta 4490002 – Imposto de Renda Diferido => R$ 153.233.841,68 ∙ Conta 41270020 – Contribuição Social Diferida => R$ 55.460.175,03 Tempestivamente, em 16/10/2013, o sujeito passivo apresentou documentos e resposta escrita às solicitações da referida Intimação Fiscal, (...) Especificamente em relação ao item c) acima, o qual integrava o item 3 do Termo de Intimação Fiscal datado de 23/09/2013, o sujeito passivo respondeu que os valores das receitas decorrentes dos créditos fiscais de IRPJ CSLL diferidos, não foram oferecidos à tributação, visto que no entender da empresa, estas contas contábeis não integram o lucro contábil da Danone, pois tratamse de contas de Provisão de Imposto de Renda (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Este posicionamento da Danone não foi aceito e não teve a Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 10314.723158/201485 Acórdão n.º 1201001.642 S1C2T1 Fl. 4 5 concordância desta Fiscalização, conforme veremos a seguir neste relatório. Através do Termo de Intimação Fiscal datado de 13/11/2013, cuja ciência pela Danone deuse em 19/11/2013, por via postal com ARAviso de Recebimento, o sujeito passivo foi intimado a apresentar a documentação suporte de despesas financeiras ainda pendente de comprovação naquela data; assim como, pendências de comprovação de documentação suporte de exclusões efetuadas sobre o lucro líquido contábil, na apuração do lucro real, que serviu de base para a tributação do IRPJ. Em 31/01/2014, com dilação de prazo autorizada pela Fiscalização, o sujeito passivo apresentou resposta escrita, com documentos digitalizados e gravados em mídia CD, entregue com arquivos autenticados pelo sistema SVA – Validação e Autenticação da Receita Federal do Brasil. Nesta mesma resposta, o sujeito passivo voltou a se manifestar sobre o seu entendimento de não tributar as receitas decorrentes do reconhecimento do crédito fiscal diferido de Prejuízos Fiscais e Bases de Cálculo Negativas da CSLL de períodos anteriores. A título de corroborar seu posicionamento, transcreveu informações, afirmando terem sido extraídas de recurso interposto por outro contribuinte e provido pelo CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, inferindo tratarse de mesma matéria, onde nos termos escritos pelo sujeito passivo, o provimento concedido pelo CARF foi fundamentado pelo entendimento do CARF de que a receita contabilizada em contrapartida à provisão do imposto de renda diferido ativo não se sujeita à tributação, já que constitui lançamento na própria conta de imposto de renda, que não afeta o lucro líquido do exercício. Portanto, o entendimento do CARF foi de que se afetasse o lucro líquido do exercício deveria ser tributada! Conforme veremos mais adiante, este recurso provido pelo CARF, apresentado pelo próprio sujeito passivo, resultou de forma contrária e em desfavor à Danone, visto que esta contabilizou tais receitas a crédito de contas de resultado, que fizeram parte da apuração do resultado do exercício da Danone, e assim fazendo parte do lucro líquido do exercício, o qual foi transferido para a conta de Lucros Acumulados integrantes do patrimônio Líquido da empresa; os quais são passíveis de distribuição aos sócios da empresa. (...) B – DAS CONSTATAÇÕES DA FISCALIZAÇÃO As análises e exames de auditoria, assim como a observação dos registros contábeis e fiscais do sujeito passivo, permitiram a identificação pela fiscalização de infração cometida pela contribuinte perante a legislação tributária, a qual descrevemos abaixo. EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO, DE RECEITAS CONTABILIZADAS EM DECORRÊNCIA DO Fl. 1031DF CARF MF 6 RECONHECIMENTO DE CRÉDITO FISCAL DE IRPJ/CSLL DIFERIDOS, ORIGINADOS DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES. Embora a Danone tenha registrado contabilmente o crédito de contas de resultado, as receitas decorrentes do reconhecimento dos créditos fiscais do IRPJ e da CSLL diferidos, os quais originaramse essencialmente de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, relativos a períodos anteriores, a Danone terminou por não oferecer tais receitas à tributação do IRPJ e da CSLL, na medida em que as mesmas foram desconsideradas e/ou excluídas quando da apuração do lucro real que serviu de base à tributação da empresa. A Danone procedeu desta forma, devido entender que tais receitas não devem ser tributadas pelo IRPJ e pela CSLL, conforme manifestações escritas e apresentadas pela mesma à Fiscalização. A Danone escriturou às fls. 44 e 46 do LALUR do ano calendário de 2010, conforme Anexo 1 deste Termo, a exclusão de R$ 55.460.175,03 do Lucro Líquido, relativamente à Contribuição Social Diferida para fins de apuração do lucro real da empresa. Tal exclusão é parte integrante do valor declarado na Linha 78 – Outras Exclusões da Ficha 09 – Demonstração do Lucro Real da DIPJ 2011 (AC = 2010). A receita da contribuição social diferida foi contabilizada a crédito da conta de resultado 41270020 – CSLL Diferida. Quanto ao montante de R$ 153.233.841,68 referente à receita decorrente do crédito fiscal do IRPJ diferido, relativo essencialmente aos prejuízos fiscais de períodos anteriores, embora contabilizado a crédito da conta de resultado 4490002 – Imposto de Renda Diferido; e portanto, devendo compor o lucro líquido, este valor não integrou na sua totalidade o “Lucro Líquido Antes do IRPJ” declarado na DIPJ 2011 (AC = 2010) – Ficha 09 A – Demonstração do Lucro Real – Linha 01, ou seja, não fez parte da base de cálculo para tributação da Danone. Ressaltese que conforme pode ser observado na DIPJ 2011 – Ficha 38 – Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados – Linha 05 – Lucro Líquido do Ano, com valor de R$ 286.805.560,28, as receitas do IRPJ e da CSLL Diferida a que se refere este Termo, são partes integrantes deste valor declarado como Lucro Líquido do Ano, que somado ao Saldo de Lucro Acumulados de 2009, totalizou o novo Saldo de Lucros Acumulados de 2010, transcrito e declarado na Linha 15 desta mesma Ficha 38 da DIPJ 2011. Portanto, contabilmente, tanto o IRPJ quanto a CSLL Diferidos, influenciaram na composição do resultado do exercício que foi transferido para a conta de Lucros Acumulados, disponível para distribuição aos sócios da Danone. Vide Anexo 2 deste Termo. A título de melhor esclarecer o assunto, é importante salientar que na transcrição do valor do Lucro Líquido antes do IRPJ, demonstrado e declarado na DIPJ 2011 Ficha 09 Linha 01, foi excluído e desconsiderado totalmente os R$ 153.233.841,68 de receita de crédito fiscal do imposto de renda diferido Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 10314.723158/201485 Acórdão n.º 1201001.642 S1C2T1 Fl. 5 7 contabilmente escriturado a crédito do resultado, refletindo, portanto, na apuração do lucro real que serviu de base à tributação da Danone. Com relação à CSLL, a receita do crédito fiscal da CSLL diferida integrou o valor do Lucro Líquido antes do IRPJ, demonstrado na DIPJ 2011 Ficha 09. A Linha 01, porém, foi excluída neste mesma Ficha da DIPJ, na linha 78 – Outras Exclusões. Com tal pratica e entendimento, a Danone realizou EXCLUSÕES INDEVIDAS DE RECEITAS QUANDO DA APURAÇÃO DO LUCRO REAL, deixando de oferecer à tributação do IRPJ e da CSLL, os valores das receitas de créditos fiscais diferidos e decorrentes dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL de períodos anteriores, reconhecidos contabilmente a crédito do resultado do exercício, cujo lucro líquido contábil do anocalendário de 1010 foi transferido para a conta de Lucros Acumulados, conforme Anexo 2 – Demonstração dos Lucros ou prejuízos Acumulados (Linha 05 da Ficha 38 da DIPJ 2011). Nos Anexos 3 e 4 deste Termo, o juntamos o balancete e os razões contábeis das seguintes contas utilizadas no reconhecimento das receitas dos créditos fiscais de IRPJ/CSLL diferidos: ∙ conta 4490002 – Imposto de Renda Diferido (Conta de Resultado) ∙ conta 41270020 – Contribuição Social Diferida (Conta de Resultado) ∙ conta 12401001 – Imposto de Renda Diferido (Ativo Não Circulante/Realizável a Longo Prazo) ∙ conta 12401002 – Contribuição Social Diferida (Ativo Não Circulante/Realizável a Longo Prazo) Ressaltese que a Danone, além de excluir do lucro líquido do anocalendário de 2010, as receitas relativas aos créditos fiscais de IRPJ e CSLL, simultaneamente, procedeu compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL de períodos de apuração anteriores, na apuração do ano calendário de 2010, relativamente ao IRPJ e à CSLL a Pagar, conforme abaixo: ∙ DIPJ 2011/AC = 2010 – Ficha 09 A/Linha 84 => Compensação de Prejuízo Fiscal de R$ 36.373.938,44 ∙ DIPJ 2011/AC = 2010 – Ficha 17/linha 66 => Compensação BC Negativa CSLL de R$ 36.264.044,95. A fim de elucidar o assunto e visando corroborar o posicionamento desta Fiscalização, de que as Receitas de IRPJ e CSLL Diferidos devem integrar a base de tributação da Danone, mencionamos recente Acórdão do CARF nº. 180200.604, publicado no DOU de 26/04/2011, em que a empresa/contribuinte ao apurar base negativa de CSLL, constituiu crédito tributário para dedução futura, com débito em Fl. 1033DF CARF MF 8 conta contábil do Ativo e crédito em conta de Resultado, e também, exclusão do valor no LALUR. O CARF DECIDIU QUE A EXCLUSÃO FOI INDEVIDA E MANTEVE A TRIBUTAÇÃO LANÇADA PELA FISCALIZAÇÃO. Vide Anexo 8 deste Termo. (Matéria publicada no Livro “Imposto de Renda das Empresas” – Hiromi Higuchi – 39ª Edição de 2014) De acordo com o Artigo 250 do RIR/99 – Regulamento do Imposto de Renda, somente poderá ser feita exclusão de receitas quando da apuração do lucro real, mediante existência de lei autorizativa. No caso em questão, inexiste lei que autorize a exclusão das receitas de créditos fiscais de IRPJ e CSLL Diferidos, quando da apuração do lucro real, base de tributação da empresa pelo IRPJ e pela CSLL. Mesmo que tais créditos fiscais fosse contabilizados diretamente a crédito da conta do patrimônio Líquido, também seria tributável em razão do Artigo 249 do RIR/99, ainda que destinada a capital, reservas ou distribuição como dividendos. A Danone em sua manifestação contrária à tributação das receitas de IRPJ e CSLL diferidos, apresentada em 16/05/2014 à Fiscalização, menciona decisões do Conselho de Contribuintes e em Soluções de Consulta, com as quais a Danone entende estar suportada e resguardada quanto à adequação de seus procedimentos adotados na contabilização do reconhecimento dos créditos fiscais do IRPJ e da CSLL diferidos, e também, quanto à exclusão de tais receitas do lucro líquido que serviu de base à tributação do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2010. Ressaltamos que tais decisões são específicas para cada contribuinte envolvido nos processos citados, não sendo possível interpretálas de maneira isolada, sem que sejam considerados todos os procedimentos adotados por tais empresas e os elementos integrantes destes processos a que se referem as decisões. Por exemplo, as transcrições de tais decisões citadas pela Danone não mencionam aspecto fundamental a ser considerados nestas análises, que diz respeito ao fato do contribuinte realizar exclusão das receitas diferidas do lucro contábil e concomitantemente realizar compensação de prejuízos fiscais e base de cálculos negativas da CSLL de períodos anteriores, relativos a valores de mesma natureza, quando da apuração do IRPJ e da CSLL a Pagar. Esta Fiscalização pautouse pela adoção da legislação tributária pertinente, onde de acordo com o Artigo 250 do RIR/99 – Regulamento do Imposto de Renda, somente poderá ser feita exclusão do lucro líquido na existência de lei autorizativa para tal. Recente decisão do CARF através do Acórdão 180200.604 publicado no DOU de 26/04/2011, define que se o contribuinte tratar as bases de cálculo negativas da CSLL como ativo de impostos a recuperar, não pode permanecer com a totalidade de base negativa apurada, resultando num possível aproveitamento em duplicidade, pelo tributo a recuperar e pelas compensações Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 10314.723158/201485 Acórdão n.º 1201001.642 S1C2T1 Fl. 6 9 de bases negativas. O CARF decidiu que a exclusão foi indevida e manteve a tributação. É importante frisar que o procedimento adotado pela Danone enquadrase plenamente nesta situação, visto que ela reconheceu o ativo de imposto a recuperar a débito do ativo e a crédito de conta de resultado, procedeu tal exclusão de tais receitas do lucro líquido, e ainda, procedeu compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL na apuração do IRPJ e da CSLL a pagar. PORTANTO, resta clara a IMPROCEDÊNCIA da prática adotada e realizada pela Danone, com a realização de EXCLUSÕES INDEVIDAS DO LUCRO LÍQUIDO QUANDO DA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. É muito importante e relevante ressaltar que embora a Danone em sua manifestação diga que o seu lucro contábil no ano calendário de 2010 foi de R$ 106.300.416,71; e portanto, excluindo do lucro contábil as receitas de IRPJ e CSLL Diferidos, de fato não é o que está representado na contabilidade e nem mesmo na DIPJ 2011 (AC 2010) declarado pela empresa. Vejamos a seguir os dados e valores identificados pela Fiscalização: ∙ Lucro Contábil de R$ 286.805.560,28 conforme Balancete encerrado em 31/12/2010 (vide Anexos 3 e 4 deste Termo, os quais também contém o razão contábil das contas de receitas (resultado) e patrimoniais (ativo) utilizadas nas contabilizações pela Danone, as quais integraram a apuração do resultado do exercício através dos saldos existentes em 31/12/2010. ∙ DIPJ 2011 Ficha 06 A – Demonstração do Resultado – Linha 73 – Lucro Líquido do Período de Apuração de R$ 286.805.560,28 (vide Anexo 5 deste Termo) ∙ DIPJ 2011 Ficha 38 – Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados – Linha 05 – Lucro Líquido do Ano de R$ 286.805.560,28 (vide Anexo 2 deste Termo). Para que se possa compreender a composição do lucro contábil de R$ 286.805.560,28 existente na escrituração contábil e declarado na DIPJ 2011 (AC = 2010), e se chegar ao lucro contábil de R$ 106.300.416,71 mencionado na manifestação da Danone, demonstraremos a seguir: ∙ Lucro contábil alegado pela Danone R$ 106.300.416,71 ∙ (+) Receita Diferida da CSLL excluída pela Danone R$ 55.460.175,03 ∙ () provisão de CSLL apurada pela Danone em 2010 (R$ 7.687.531,42) ∙ (+) Receita Diferida do IRPJ excluída pela Danone R$ 153.233.841,68 ∙ () Provisão do IRPJ apurado pela Danone em 2010 (R$ 20.501.341,72) Fl. 1035DF CARF MF 10 ∙ (=) Lucro Líquido do Ano conforme Contabilidade e DIPJ R$ 286.805.560,28 ================ A alegação da Danone em sua manifestação de que o registro contábil do ativo fiscal diferido representa prática contábil sem qualquer efeito tributário de acréscimo patrimonial, efetivamente não procede, visto que o lucro apurado em decorrência do registro destas receitas, inclusive transferido para a conta de Lucros Acumulados, tornouse passível de imediata distribuição aos sócios da empresa, sem que tivesse sido tributado pelo IRPJ e pela CSLL. Os lançamento contábeis relativos à escrituração das receitas de IRPJ e CSLL Diferidos mencionados neste Termo e efetuados pela Danone Ltda, foram acessados e analisados pela Fiscalização através da sua ECD – Escrituração Contábil Digital transmitida e arquivada no SPED (...). Em razão dos atos anteriormente descritos, esta fiscalização efetuou os lançamentos de ofício mencionados a seguir, no valor total de R$ 102.979.156,64, com as seguintes naturezas: ∙ Lançamento de Crédito Tributário no valor de R$ 75.051.585,77, decorrente do valor do IRPJ devido e não declarado pelo sujeito passivo. ∙ Lançamento de Crédito tributário no valor de R$ 27.018.570,87, decorrente do valor da CSLL devida e não declarada pelo sujeito passivo. ∙ Observação: Nos cálculos dos valores de IRPJ e CSLL devidos pela Danone e lançados nos Autos de Infração a que se referem este Termo, foram compensados dentro dos limites legais, os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas da CSLL, a que a Danone tinha direito, de acordo com os dados obtidos nos relatórios do sistema SAPLI da Receita Federal do Brasil, constantes do “Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais” e “Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL”, conforme Anexos 6 e 7 respectivamente, do presente Termo de verificação Fiscal. (...)” Impugnação Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por meio de seus representantes legais, apresentou a impugnação de fls. 668/712, em 26 de junho de 2014, com as seguintes razões de defesa. Afirma que a autoridades fiscal acusaa de ter indevidamente excluído do lucro líquido o valor de R$ 208.694.016,71, referente aos créditos fiscais de IRPJ e CSLL diferidos, isto é, créditos decorrentes de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10314.723158/201485 Acórdão n.º 1201001.642 S1C2T1 Fl. 7 11 acumulados, resultando em distorção da base de cálculo desses tributos. Referese aos fundamentos legais do lançamento e acrescente que, como conseqüência da recomposição do lucro real do período, a autoridade fiscal diminui o saldo de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL para os períodos futuros, ajustando o resultado no sistema SAPLI. E continua: “8. Como se depreende da leitura dos Autos de Infração e do Termo de Verificação Fiscal, a acusação está centrada na suposta obrigação de tributar reconhecimento contábil da constituição de ativo diferido referente a créditos fiscais decorrentes, principalmente, de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL. 9. No anocalendário de 2010, observando as determinações contábeis que regem o tema (pronunciamento Técnico CPC 32), a IMPUGNANTE reconheceu em suas demonstrações financeiras o crédito fiscal de IRPJ e CSLL diferidos, relativos a prejuízo fiscal e base negativa de CSLL apurados em anos anteriores. 10. O procedimento foi realizado com base em uma avaliação da recuperabilidade do ativo, haja vista a probabilidade de auferir no futuro lucro tributável compensável com prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de anos anteriores. Mais especificamente, os seguintes critérios foram examinados: o histórico da rentabilidade da empresa; a expectativa de geração de lucros futuros; e a, a existência de oportunidade de aproveitamento do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL. 11. Tendo sido a conclusão pela probabilidade de utilização do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL, a Administração da IMPUGNANTE decidiu pelo registro dos valores do crédito de IRPJ e CSLL, como um ativo, com contrapartida em resultado. 12. O registro contábil foi feito a débito em contas de Ativo Realizável a Longo Prazo (conta 12401001 para o IRPJ e conta 12401002 para a CSLL) e a crédito em contas de resultado (conta 44900002, conta de IRPJ, e conta 41270020 para a CSLL). Conforme se percebe dos razões contábeis que constam do Termo de Verificação Fiscal, ao final do anocalendário, em 31.12.2010, os saldos de ativos fiscais apresentavamse nos seguintes valores: IRPJ D conta 12401001 C conta 44900002 =====> R$ 152.233.841,68 CSLL D conta 12401002 C conta 41270020 ======> R$ 55.460.175,03 (...) Fl. 1037DF CARF MF 12 13. O reconhecimento desses ativos diferidos atendeu fins meramente contábeis e deveria ser neutro em termos fiscais, já que o que se fez foi constituir um crédito fiscal do próprio IRPJ e CSLL. Conseqüentemente (e da mesma forma que a constituição da provisão de IRPJ e de CSLL não repercute no lucro líquido considerado para fins fiscais, conforme se verá adiante), os lançamentos não afetaram a base tributável do período. 14. Obedecendo às regras fiscais, a IMPUGNANTE apurou o IRPJ considerando o lucro líquido antes do IRPJ, isto é, antes do registro da provisão de IRPJ do período ou do lançamento do crédito de IRPJ diferido. Esse montante (o lucro líquido antes da provisão para o IRPJ e do crédito de imposto de renda) está refletido na Linha 01 da Ficha 09A da DIPJ 2011 (doc. 04). Ademais, considerando que a despesa com a constituição da CSLL e os créditos de ativos fiscais diferidos não podem afetar o lucro líquido para fins de tributação pelo IRPJ, adicionou o valor da provisão de CSLL do período (Linha 06 da Ficha 09 A da DIPJ) e excluiu o valor do crédito da CSLL diferida (Linha 78 da Ficha 09 A da DIPJ): (...) 15. Quando da apuração da CSLL, tendo em vista que, nos termos da legislação fiscal, a base de cálculo a ser considerada é o lucro líquido antes da provisão de IRPJ e da própria CSLL, o resultado foi o lucro líquido do período, sem os efeitos de qualquer lançamento referente aos tributos sobre o lucro (inclusive ativos diferidos referentes a tais tributos), tal como refletido na Linha 01 da Ficha 17 da DIPJ, em consonância com a Linha 69 da Ficha 06 A da DIPJ: (...) 16. Cabe destacar que o procedimento realizado pela IMPUGNANTE, além de obedecer às normas legais vigentes e de ser coerente com a própria lógica da apuração do IRPJ e da CSLL, encontra respaldo em Soluções de Consulta e decisões de Delegacias de Julgamento e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). 17. Ainda, o procedimento realizado foi validado por empresa renomada de auditoria independente, que entendeu que a conduta refletia as melhores práticas contábeis e obedecia à legislação tributária, conforme se depreende do Relatório sobre as Demonstrações Financeiras (doc. 05). 18. Não obstante, quando de seu trabalho de investigação, a D. Autoridade Fiscal entendeu que a constituição dos créditos fiscais diferidos deveria ser tratada como receita passível de tributação e que, portanto, não poderia ter sido excluída do lucro líquido do período ou desconsiderada na apuração do lucro real. O seguinte trecho bem resume o pensamento da D. Autoridade Fiscal (fl. 5 do Termo de Verificação Fiscal): (...) Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 10314.723158/201485 Acórdão n.º 1201001.642 S1C2T1 Fl. 8 13 19. Assim, a D. Autoridade Fiscal recompôs a escrita fiscal da IMPUGNANTE, partindo de um lucro ajustado pela adição no resultado dos valores dos créditos fiscais de IRPJ e CSLL diferidos. 20. Analisando o Termo de Verificação Fiscal, duas parecem ser as premissas que pautaram o raciocínio da D. Autoridade que culminou com a autuação: (i) As exclusões do Lucro Real seriam apenas aquelas previstas expressamente em lei, mais especificamente no art. 250 do RIR/99, reiteradamente citado pela D. Autoridade Fiscal. Conforme justificativas do Termo, inexiste disposição normativa que autorize a exclusão das “receitas” de crédito fiscal de IRPJ e CSLL diferidos do lucro líquido para fins de cálculo do IRPJ e da CSLL apurados de acordo com o lucro real (fls. 4, 6 e 7 do Termo de Verificação Fiscal): (ii) Além de realizar a exclusão das receitas diferidas do lucro contábil, a IMPUGNANTE teria “simultaneamente” e “concomitantemente” compensado parte do saldo de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL com o Lucro Real do período. Em seu relato, a D. Autoridade Fiscal grifa os termos “simultaneamente” e “concomitantemente” para indicar que, no seu entender, a IMPUGNANTE estaria sendo duplamente beneficiada pelo procedimento realizado (fls. 6 e 7 do Termo de Verificação Fiscal). 21. Nos tópicos abaixo, a IMPUGNANTE demonstrará que as alegações da D. Autoridade Fiscal não servem para justificar a exigência tributária. Na verdade, a acusação denota desconhecimento das regras fiscais, societárias e contábeis. Os argumentos invocados são meras alegações que não servem, de qualquer forma, para pautar a conclusão pela obrigatoriedade de tributação dos valores de crédito de IRPJ e CSLL diferidos. 22. Ao contrário, quando se analisa os fatos que são objeto deste lançamento, constatase que o procedimento realizado pela IMPUGNANTE está absolutamente correto, atende às disposições da legislação vigente, não representa de qualquer forma uma tentativa de burlar o Fisco e está respaldado em orientação de Solução de Consulta e em decisões de Delegacias de Julgamento e do CARF. É o que se passa a comprovar.” A Impugnante faz críticas ao procedimento de fiscalização. No que concerne à não tributação dos créditos diferidos, afirma que apresentou justificativas à intimações efetuadas, demonstrando que tais valores, “por serem lançamentos em conta de provisão de IRPJ e CSLL, não poderiam integrar o lucro para a apuração do lucro real”. Trouxe jurisprudência do CARF e Soluções de Consulta, que não receberam a devida atenção da autoridade fiscal. Em suas palavras: “31. Por essa razão, ainda que tais decisões tratem de contribuintes diversos, a D. Autoridade Fiscal deveria têlas Fl. 1039DF CARF MF 14 observado. Ou, como última hipótese, dedicado ao menos algumas linhas a refutar no mérito a orientação do CARF e DRJs ali reproduzidas e explicar porque não estariam sendo seguidas no caso concreto, até mesmo em homenagem ao contraditório. 32. Quanto à Solução de Consulta nº 21/01, que vincula a Administração de maneira objetiva e direta, a D. Autoridade Fiscal simplesmente ignora as orientações ali veiculadas. Nada mais absurdo. A Solução de Consulta indica um posicionamento do órgão para os membros da Administração Geral, o que evidentemente, inclui os Órgãos da fiscalização.” A Impugnante, ainda, referese ao Acórdão nº 180200.604, do CARF, o qual teria sido proferido em caráter excepcional, pela 2ª Turma Especial da Primeira Seção do Conselho de Contribuintes, o que denota que não seria um posicionamento representativo de câmara ou quiçá de primeira Seção, caracterizandose como uma decisão isolada, cujo relatório não permite sequer ter certeza de que a situação sob análise se identificaria ao caso concreto. Além disso, alega que a autoridade fiscal, ao fundamentar o lançamento, cita o artigo 3º, da Lei nº 9.249, de 1995 e os artigos 247 e 250, do RIR/99. E continua: “41. A D. Autoridade Fiscal pode até alegar que essa fundamentação se aplicação à acusação de indevida exclusão do crédito decorrente da constituição do Ativo CSLL Diferido da base de cálculo do IRPJ (...). Mas essa afirmação já não é válida para justificar a suposta exclusão” do IRPJ Diferido da base de cálculo do IRPJ, e por um motivo simples: a IMPUGNANTE não procedeu a qualquer exclusão do Lucro Líquido para fins de ajuste do Lucro Real. 42. O que a IMPUGNANTE fez, como detalhará adiante, foi partir do Lucro Líquido antes do IRPJ, procedimento integralmente respaldado em lei e refletido na própria DIPJ. O Lucro Líquido antes do IRPJ não está, evidentemente, afetado pelos lançamentos de IRPJ (ativo/passivo, crédito/provisão). E por essa razão, que é lógica e evidente e decorre da própria forma de apuração do IRPJ, não se pode dizer que houve exclusão. 43. Vejase que o próprio relato fiscal confirma o exposto, na medida em que afirma que a IMPUGNANTE teria excluído R$ 55.460.175,03 a título de CSLL Diferida, o que estaria refletido na Linha 78 da Ficha 09A da DIPJ. Entretanto, não faz qualquer menção sobre onde estaria refletida a exclusão do valor do IRPJ Diferido. E nem poderia fazer, já que não há esse ajuste entre as Linhas 46 e 78 da Ficha 09A da DIPJ, lançamentos de Exclusão, referente a tal valor. 44. Talvez tenha sido justamente por não ter encontrado fundamento legal para refutar o procedimento da IMPUGNANTE, que a D. Autoridade Fiscal deixou de fazer uma acusação específica, tratando tudo como se exclusão fosse, em acusação genérica e incongruente.” Além disso, a Impugnante estende seus argumentos á CSLL. Reitera que não houve qualquer “exclusão quando da apuração do lucro real” ou “exclusão indevida”. Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 10314.723158/201485 Acórdão n.º 1201001.642 S1C2T1 Fl. 9 15 Acrescenta que os dispositivos legais citados pela autoridade fiscal corroboram o procedimento por ela realizado, invés de justificar a exigência fiscal. Diz que se a D. Autoridade Fiscal quisesse justificar a autuação, então deveria ter citado norma que tratasse da adição e não da exclusão dos valores de créditos de IRPJ e CSLL Diferidos. Também comenta a Impugnante, a afirmação da autoridade fiscal de que a parcela do lucro formada pelos créditos fiscais diferidos seria passível de distribuição aos acionistas, sem ter sido tributada. Alega que são as normatizações contábeis que determinam o valor que pode ser distribuído a título de dividendos. E que não há proibição para que a distribuição de lucros com base em montantes com origem em valores de IRPJ e CSLL diferidos. Disserta sobre o assunto. Faz distinção entre o lucro passível de distribuição entre os acionistas e o lucro tributável. E continua: “51. Vejase que não há nada de extraordinário na existência de uma distinção entre o lucro passível de distribuição e o lucro tributável, e ela existe das duas formas: lucro passível de distribuição > lucro tributável; mas também em situação na qual o lucro passível de distribuição < lucro tributável. De fato, quando o contribuinte constitui a despesa de IRPJ e CSLL corrente, deve adicionar o valor da despesa ao lucro tributável, na medida em que tais despesas não devem afetar a base de cálculo dos tributos (indedutíveis, conforme legislação de IRPJ e CSLL), resultando no reconhecimento de um lucro disponível para a distribuição inferior ao lucro tributável. 52. Ainda, no caso da IMPUGNANTE, nos anos seguintes, quando da apropriação do prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, houve reversão dos créditos de IRPJ e CSLL diferidos, com a conseqüente diminuição do lucro contábil e manutenção do lucro tributável. Mais uma vez, o valor do lucro distribuído é diferente do lucro tributável, dessa vez a menor. 53. Portanto, não tem qualquer razão a D. Autoridade Fiscal quando tenta utilizar como justificativa para tributar o IRPJ e a CSLL diferidos a (mera) possibilidade de esses virem a ser distribuídos aos sócios da IMPUGNANTE. Essa alegação é irrelevante para a controvérsia, não tem qualquer amparo em lei, além de ser incoerente até mesmo com os termos do lançamento.” Requer ainda a nulidade do lançamento, pois embora a autoridade fiscal tenha relatado um cenário, não conseguiu apontar corretamente os dispositivos legais tidos como violados. Aduz que o principal fundamento utilizado pela autoridade fiscal para questionar seu procedimento seria a suposta falta de previsão legal para a conduta de apurar o IRPJ e a CSLL a partir do lucro liquido, sem os efeitos do crédito diferido. Enfim, afirma ser indevida a exclusão, por falta de previsão legal. Em suas palavras: “62. Abaixo a IMPUGNANTE comprovará que seu procedimento tem completo respaldo na legislação, tanto para fins de IRPJ quanto para fins de CSLL. Fl. 1041DF CARF MF 16 Demonstrará, ainda, que o fato de o art. 250 do RIR/99 não listar expressamente o crédito diferido com hipótese de exclusão em nada afeta a legitimidade da conduta, já que a análise de tal dispositivo não pode ser feita isoladamente, dependendo do exame dos demais dispositivos que tratam da tributação sobre o lucro das pessoas jurídicas.” Referese às normas jurídicas que determinam a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Diz que a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL é precedida pelo lucro líquido do período, determinado com observância dos preceitos da lei comercial, ajustados pelas disposições da lei fiscal. Acrescenta que o imposto de renda e a CSLL diferidos não se enquadram como valores que compõem o lucro líquido, apurado de acordo com a Lei n.º 6.404, de 1976, e disposições do artigo 248, do RIR/99. Além disso, referese aos artigos 187, 191 e 190, da Lei nº 6.404, de 1976. Aduz que, interpretandose a legislação comercial em conjunto com a legislação fiscal, em especial o artigo 248, do RIR/99, temse que o conceito de lucro líquido, para fins fiscais, tem como ponto de partida o conceito da legislação comercial. E continua: “77. O art. 248 do RIR, quando tratou do lucro líquido, o elegeu como a soma do lucro operacional (Capítulo V), dos resultados não operacionais (Capítulo VII), e das participações, cada um desses elementos, considerados a partir da legislação comercial. 78. Considerando esses elementos, temse que não integrará o lucro líquido do exercício para fins de formação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os lançamentos referentes ao próprio IRPJ e CSLL. Tais lançamentos, registrados, geograficamente, em contas após o lucro líquido apurado, não se conformam às disposições que tratam do lucro líquido, quando examinados conjuntamente os normativos da lei comercial e fiscal. 79. Sendo assim, o lucro líquido do exercício, que é o ponto de partida para a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a não ser que haja previsão expressa da legislação tributária no sentido de adicionar esse valor (e não de excluir), ele não integrará a base de cálculo do IRPJ e da CSLL.” Também aduz a Impugnante que a Ficha 06A da DIPJ adota estrutura de formação do lucro líquido igual àquela preconizada pela Lei n.º 6.404, de 1976, seguindo as diretrizes da legislação fiscal. A linha 64 da referida ficha é incumbida de informar o resultado do período de apuração, que é o resultado aritmético de todas as receitas e despesas da pessoa jurídica informadas nas linhas anteriores. E, nas linhas seguintes, 65 a 68, destinamse às participações no resultado, para, em seguida, trazer as linhas que demonstram o lucro líquido. Em suas palavras: “82. No caso do IRPJ, o lucro líquido adotado como ponto de partida para a apuração é o lucro líquido antes da provisão para o imposto de renda. Esse lucro líquido está afetado pela despesa com a CSLL, a qual é indedutível para fins de apuração do lucro real (art. 1º, da Lei 9.316/96). Por isso esse valor deve ser adicionado na linha 06 da Ficha 09A. Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 10314.723158/201485 Acórdão n.º 1201001.642 S1C2T1 Fl. 10 17 83. E no caso da CSLL, conforme se depreende da estrutura da ficha 17, o lucro líquido adotado como ponto de partida para sua apuração é o lucro líquido antes de ambas as provisões para o IRPJ e para a CSLL, razão pela qual não é necessário realizar nenhum ajuste de adição ou exclusão referente a tais provisões. 84. Os valores dos ativos fiscais diferidos relativos ao IRPJ e à CSLL costumam ser lançados nas próprias contas de provisão para esses tributos, mas também podem ser lançados em contas posteriores ou, em alguns casos, até diretamente no patrimônio líquido, na conta de lucros ou prejuízos acumulados. 85. Independentemente da forma de lançamento contábil, a natureza jurídica de tais créditos é idêntica a do IRPJ e da CSLL (apenas com “sinal” invertido). Por isso as disposições da legislação societária e fiscais citadas acima, aplicáveis às provisões de IRPJ e CSLL, são, da mesma forma, aplicáveis aos créditos diferidos dos tributos. 86. Quanto se trata de expor o lançamento referente aos créditos de IRPJ e CSLL diferidos, o próprio programa da DIPJ admite a possibilidade de se registrar os créditos de imposto de renda e CSLL diferidos na própria linha de provisão do IRPJ e CSLL (que, conforme dito, são posteriores ao resultado do período que servirá de base tributável). 87. De fato, as linhas 70 e 72 da ficha 06A (destinadas à informação de valores relativos a provisões de IRPJ e CSLL) admitem a inclusão de contas de provisão com saldos credores, por meio da inclusão de valores negativos nas respectivas células, o que está correto do ponto de vista técnico, haja vista que uma provisão não significa necessariamente um valor negativo, podendo ter tanto natureza credora quanto natureza devedora. 88. Assim, os saldos credores constantes nas linhas 70 e 72 representam o confronto dos lançamentos a débito na conta de provisão, referentes à constituição de passivo fiscal (corrente ou diferido), e lançamento a crédito da mesma conta, referente à constituição de ativo fiscal (corrente ou diferido). 89. Com base no que se expôs até o momento, já é possível concluir que o IRPJ e a CSLL diferidos não compõem o resultado do exercício e, portanto, não integram o lucro liquido para fins de apuração do lucro real, conforme disposição da Lei 6.404/76, combinada com o artigo 248, do RIR/99.” Afirma também que por força do Regime Tributário de Transição – RTT, instituído pelos arts. 15 e seguintes da Lei nº 11.941, de 2009, ao qual estava sujeita no ano calendário de 2010, as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pelos artigos 37 e 38 da própria Lei nº 11.941, de 2009, que modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na apuração do lucro líquido do exercício, não terão efeitos para fins de apuração do lucro real, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Fl. 1043DF CARF MF 18 Diz que em 31 de dezembro de 2007 as normas contábeis que dispunham acerca do registro contábil de passivos e ativos relacionados a tributos sobre o lucro eram as estabelecidas pela Resolução CFC nº 998, de 2004. E, desde 01/01/2010, os procedimentos contábeis referentes a esse tema são regidos pelo Pronunciamento Técnico CPC 32 – Tributos sobre o Lucro, o qual foi aprovado pelo CFC por meio da Resolução nº 1.189, de 2009. Alega ainda a Impugnante que, de acordo com o CPC 32, ativo fiscal diferido é o valor do tributo sobre o lucro recuperável em período futuro relacionado a, entre outras hipóteses, compensação futura de prejuízos fiscais não utilizados. Em suas palavras: “97. Mais adiante, no seu item 34 e seguintes, o CPC 32 dispõe acerca do reconhecimento de ativo fiscal diferido relativo a prejuízos fiscais acumulados. De acordo com esse normativo, o registro contábil do ativo fiscal diferido representa um ajuste de natureza transitória a ser realizado na escrituração contábil da pessoa jurídica, com o objetivo de reduzir o prejuízo (contábil) apurado no ano calendário corrente, em razão da potencial possibilidade de sua compensação contra lucros futuros. 98. Vejamos, nesse sentido, a redação do item 34 a respeito do tema: “34. Um ativo fiscal diferido deve ser reconhecido para o registro de prejuízos fiscais não utilizados e créditos fiscais não utilizados na medida em que seja provável que estarão disponíveis lucros tributáveis futuros contra os quais os prejuízos fiscais não utilizados e créditos fiscais não utilizados possam ser utilizados.” 99. Como se vê, o registro do IRPJ e da CSLL diferidos nada mais é do que um mecanismo contábil utilizado com o objetivo de contribuir para que os balanços patrimoniais das pessoas jurídicas reflitam de forma mais adequada a sua realidade econômica, na medida em que os prejuízos acumulados pelas pessoas jurídicas representam um crédito passível de aproveitamento em exercícios futuros, por meio da compensação com lucros tributáveis que vierem a ser apurados. 100. Dessa forma, a fim de evidenciar aos investidores a futura (embora não realizada, ou disponível) possibilidade de seu aproveitamento, as regras contábeis admitem que uma pessoa jurídica efetue o registro de um ativo fiscal diferido relativo aos tributos incidentes sobre o lucro. Tal procedimento também protege o investidor que, caso saísse da sociedade antes do efetivo aproveitamento dos prejuízos acumulados, não seria beneficiado por um ativo que o corresponde (tendo em vista que o esse seria pago pelo valor patrimonial do seu investimento). 101. Ora, por também estar relacionado a tributos sobre o lucro, um ativo fiscal diferido como aquele calculado sobre prejuízos fiscais acumulados deve ter como contrapartida a mesma conta de resultado destinada aos passivos com tributos sobre o lucro. 102. Mas mesmo que sejam lançados em contas distintas daquelas em que os passivos com IRPJ e CSLL são lançados, o fato é que os ativos fiscais diferidos relativos a esses tributos não Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 10314.723158/201485 Acórdão n.º 1201001.642 S1C2T1 Fl. 11 19 devem ser considerados no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já que não representam elemento que compõe o lucro líquido para fins fiscais, conforme art. 248 do RIR/99, combinado com disposições da Lei 6.404/76 (conforme todos os argumentos acima expostos). 103. Em função do processo de internacionalização das regras contábeis brasileiras, iniciado a partir da promulgação da Lei n.º 11.638/07, a Resolução CFC nº 1.189/09 revogou a Resolução CFC nº 998/04, a qual regulava o tema até então, para aprovar o CPC 32. 104. O CPC 32 manteve as mesmas condições da Resolução CFC nº 998/04 para o registro do ativo fiscal diferido. Alguns trechos desta Resolução, inclusive, são mais esclarecedores do que os trechos correspondentes do CPC 32. Nesse sentido, vale transcrever a definição de resultado contábil trazida por aquela Resolução a respeito da localização geográfica do imposto de renda e da CSLL diferidos. In verbis: “19.2.2.1. Resultado antes dos Tributos sobre Lucros é o lucro líquido ou prejuízo de um exercício, antes da dedução ou do acréscimo das despesas ou receitas de tributos sobre lucros.” 105. Importa destacar que tanto a Resolução CFC nº 998/04 quanto o CPC 32 admitem a possibilidade de se registrar impostos correntes e diferido diretamente no patrimônio líquido, quando estes se relacionarem a itens também registrados, no mesmo período ou em período diferente, diretamente no patrimônio líquido. 106. Sem prejuízo do acima, tendo em vista a natureza do IRPJ e da CSLL diferidos, independentemente de onde forem contabilizados, eles não devem compor a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. 107. Quaisquer ajustes realizados pelo contribuinte nas suas apurações fiscais para obter a neutralidade fiscal em relação a esses valores devem ser aceitos pelas autoridades fiscais, já que decorrente da aplicação pura e clara da legislação societária e fiscal vigente.” A Impugnante se refere também à jurisprudência administrativa, a partir de decisões de DRJs, CARF e Solução de Consulta. Diz que o Acórdão nº 10321799, do 1º Conselho de Contribuintes (atual CARF), expõe o conceito de lucro líquido do qual parte a apuração do lucro real e afirma expressamente que o ativo fiscal diferido relativo ao imposto de renda não íntegra o lucro líquido para fins fiscais. E ainda, quando do preenchimento da DIPJ, caso esse ativo tenha sido computado com receita, poderá ser excluído. Reitera que o mesmo entendimento foi adotado em três oportunidades pelas Delegacias de Julgamento (Decisões 16 44579, de 06/03/2013; 0329.567, de 20/02/2009 e 7.030, de 10/11/2005). Por fim, diz que a própria Receita Federal já manifestou entendimento favorável por meio de Solução de Consulta publicada em 20/03/2001 (processo de Consulta nº 21/01, da SRRF9ª Região Fiscal): (...) Fl. 1045DF CARF MF 20 Ementa: O valor do Ativo Fiscal Diferido decorrente dos prejuízos fiscais apurados no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR – gerados em períodos anteriores – quando reconhecidos contabilmente devem ter como contrapartida conta do patrimônio líquido. Esses registros poderão transitar pela conta de Ajustes de Exercícios Anteriores e não influenciarão na base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ e nem da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. O reconhecimento contábil desse ativo fiscal – quando decorrente de base de cálculo apurada no período em curso – pode ser efetuado no encerramento do próprio período; tendo porém como contrapartida conta de receita. Essa receita, no entanto, poderá ser excluída do lucro líquido para fins de determinação do lucro real. (...)” Diz que ao elaborar a apuração do IRPJ, partiu de um lucro líquido antes da provisão para o imposto de renda no valor de R$ 154.073.060,32 (Linha 01, Ficha 09A da DIPJ). Em vista da indedutibilidade da CSLL (art. 1º, da Lei n° 9.316, de 1996) e do princípio da neutralidade fiscal, adicionou a provisão da CSLL e excluiu a CSLL diferida (Linhas 06 e 78 da Ficha 09A, da DIPJ). Acrescenta que não devem afetar o lucro líquido, para fins de apuração da CSLL, a provisão para a própria contribuição e os valores referentes a ativos fiscais diferidos. Dessa forma, ao preencher a ficha 17 da DIPJ partiu de um lucro líquido sem o efeito de qualquer desses valores, de R$ 106.300.416,71 (Linha 01, Ficha 17, DIPJ). E continua: “120. E o argumento de que as exclusões são taxativas (além de não ser aplicável ao caso, visto que, como foi reiteradamente dito acima, não se está diante de exclusão e sim de definição de conceito de lucro líquido para fins fiscais), sequer é verdadeiro, já que existem situações em que, não obstante o legislador não a tenha listado no art. 250 do RIR/99 e no art. 2º da lei 7.689/88, a exclusão é permitida e reconhecida por uma questão da própria sistemática de apuração do imposto. 121. A título ilustrativo, podese citar as exclusões de reversões de provisões não dedutíveis, as quais, não obstante não amparadas por expressa autorização legal, ainda assim são submetidas quando da apuração do lucro real. 122. Essa situação não é listada como uma hipótese de exclusão no art. 250 do RIR/99 e no art. 2º da Lei nº 7.689/88, mas a possibilidade de realizar esse ajuste na base de cálculo é justificada pelas demais regras que pautam o IRPJ e a CSLL e pelo princípio da neutralidade fiscal, trazendo coerência ao ordenamento. (...) 126. Portanto, a ausência de menção no art. 250 do RIR e art. 2º da Lei nº 7.689/88, ao contrário do que sustenta a D. Autoridade Fiscal em seu trabalho, não é elemento suficiente para se decidir pela possibilidade ou não de excluir determinado elemento da base tributável.” Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 10314.723158/201485 Acórdão n.º 1201001.642 S1C2T1 Fl. 12 21 Alega a Impugnante que o lançamento formalizado conduz à dupla tributação, pois, no anocalendário de 2010 partiu do lucro líquido antes do IRPJ e da CSLL para apurar referidos tributos e, dessa forma, o lucro líquido de partida não estava afetado por despesas de provisão ou constituição de créditos. No ano seguinte passou a utilizar os referidos créditos fiscais e quando da reversão dos ativos fiscais diferidos, procedeu de tal forma que o lançamento contábil não afetasse negativamente o resultado pela diminuição do lucro, para fins de determinação da base de cálculo tributável. Em suas palavras: “134. à medida que o saldo de prejuízos fiscais e base negativa foi sendo utilizado para compensar lucros tributáveis futuros, a IMPUGNANTE anulou os efeitos fiscais das reversões dos seus ativos fiscais diferidos correspondentes, a fim de evitar a redução da base tributável. 135. Tanto é assim que, conforme se verifica do LALUR do ano calendário de 2011 (doc. 06), a IMPUGNANTE adicionou os montantes de R$ 18.046.927,35 às suas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, referente às reversões do IRPJ e CSLL diferidos registrados no seu ativo em função do aproveitamento dos seus prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL acumulados. 136. Assim, já no anocalendário seguinte (e o mesmo procedimento foi seguido nos anos subseqüentes), a IMPUGNANTE adicionou a reversão do crédito de IRPJ e CSLL diferidos, na mesma lógica de neutralidade fiscal, de maneira que o lançamento contábil não provocasse redução indevida do lucro. Esse, aliás, é o momento correto para “tributação” desses valores. 137. As “adições” demonstradas no LALUR de 2011 da IMPUGNANTE na realidade se prestam exatamente a manter a neutralidade fiscal mencionada no tópico anterior. 138. Ora, considerando que nos anos seguintes, os valores dos créditos de IRPJ e CSLL diferidos foram efetivamente tributados, negar as “exclusões” realizadas pela IMPUGNANTE em 2010 implica a dupla tributação do imposto de renda e da CSLL diferidos, a primeira, no anocalendário da autuação e a segunda, no ano de reversão do crédito. (...) 140. Tivesse a D. Fiscalização se atentado ao tratamento dispensado pela IMPUGNANTE aos seus ativos fiscais diferidos nos anos subseqüentes, ela teria verificado que os valores que foram “excluídos” em 2010 estão sendo devidamente “tributados” nos anoscalendário subseqüentes, à medida que a IMPUGNANTE aproveita seus prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL.” Alega também que, quando muito, teria havido postergação de pagamento de tributos.Referese ao artigo 6º, §§ 4º e 5º, do Decretolei nº 1.598, de 1977, que trata da postergação de tributos. Também ao Parecer Normativo COSIT nº 02, de 1996. Fl. 1047DF CARF MF 22 Aduz que não houve aproveitamento simultâneo, concomitante ou indevido dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo diferidas. Tais créditos não foram oferecidos à tributação porque a legislação assim não determina. E seu procedimento contábil em nada obsta a utilização dos créditos acumulados para compensação, nos períodos subseqüentes. A compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas é um direito garantido pelos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.069, de 1995. E continua: “155. O que se percebe é que a leitura dos fatos pela D. Autoridade Fiscal foi tendenciosa, direcionada e limitouse à análise e à aplicação isolada do artigo 250 do RIR/99 e do art. 2º da lei nº 7.689/88. A D. Autoridade Fiscal, na ânsia de aumentar os valores de arrecadação, não se atentou para a sistemática de apuração do lucro real, regida por diversos dispositivos legais citados ao longo da presente, entre as quais: os artigos 247 e 248 do RIR/99 e os artigos 187 e 191, da Lei nº 6.404, de 1976.” Referese ainda aos artigos 153, da Constituição Federal, e 43, do Código Tributário Nacional. Disserta sobre os conceitos de renda e lucro. Diz que o registro do ativo diferido decorre de uma orientação contábil, sem repercussão em acréscimo patrimonial, baseada em expectativa de realização futura. Os créditos contabilizados não resultaram do produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos. Acrescenta que a autoridade fiscal pretende tributar um resultado fiscal negativo, conceito diametralmente oposto ao de acréscimo patrimonial ou renda. Colaciona jurisprudência, fl. 707. E continua: “180. Vejase que, embora a matéria discutida seja diversa, a premissa é clara no sentido de reconhecer que nem todos os lançamentos contábeis, ainda que transitem por resultado, podem ser considerados como signos de riqueza, devendo ser analisada a natureza da operação que gerou esse registro para então afirmar pela possibilidade de caracterização de renda.” Quase ao final, insurgese a Impugnante contra a exigência da multa e dos juros de mora. Argumenta que se pautou em práticas reiteradas das autoridades administrativas e em decisões proferidas no âmbito da jurisdição administrativa. Referese ao artigo 100 do CTN. Invoca a Solução de Consulta nº 21, de 2001, da 9ª Região Fiscal, a qual dispõe de maneira inquestionável sobre a não tributação dos valores do crédito diferido. Aduz que a Instrução Normativa SRF nº 44, de 2000, estabelece o procedimento para a compensação e utilização do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa a, no âmbito REFIS e que, no sei artigo 7º, diz que em caso de utilização de créditos de terceiros, a pessoa jurídica adquirente deverá registrar o crédito em contrapartida a conta do patrimônio líquido, o que indica, da mesma forma, que os valores não transitarão por resultado e não serão objeto de tributação pelo adquirente. Menciona jurisprudência, fl. 710. Por fim, discorda da exigência dos juros de mora com base na Taxa Selic, por ilegal. Questiona a incidência de juros sobre a multa. Transcreve jurisprudência do CARF. Conclui sua defesa: Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 10314.723158/201485 Acórdão n.º 1201001.642 S1C2T1 Fl. 13 23 Da Decisão da DRJ Em decisão de 15/04/2015, a 15°Turma da DRJ/POR julgou a Impugnação procedente e exonerou integralmente o débito, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 ATIVO FISCAL DIFERIDO. EXCLUSÃO DA RECEITA LANÇADA COMO CONTRAPARTIDA DO ATIVO. Se o reconhecimento contábil do valor do Ativo Fiscal Diferido decorrente de prejuízos fiscais ou bases de cálculo negativas da CSLL tiver como contrapartida conta de receita, esta poderá ser excluída do lucro líquido para fins de determinação do lucro real, base de cálculo do IRPJ, bem como lucro líquido ajustado, base de cálculo da CSLL. Recurso de Ofício Dado o valor do crédito tributário exonerado foi apresentado Recurso de Ofício. Não foram apresentadas razões do Recurso de Ofício pela PGFN. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1049DF CARF MF 24 Admissibilidade O Recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, assim, merece ser apreciado. Mérito Entendeu a Fiscalização que a empresa Danone, ora Recorrida, cometeu infração fiscal por ter procedido a indevida exclusão da base de cálculo do IRPJ e CSLL do montante de R$ 208.694.016,71 referente a ativo fiscal diferido de IRPJ e CSLL calculado sobre prejuízo fiscal (IRPJ) e base de cálculo negativa (CSLL) de anos anteriores. A Recorrida apurou prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL em anos anteriores que poderiam, em consonância com a legislação fiscal em vigência, serem compensados com base tributável de IRPJ e CSLL no futuro, desde que obedecido o limite de 30% da base tributável do período. Assim, tratandose, portanto, de um ativo a ser utilizado no futuro, a Recorrida procedeu à contabilização de tal montante em seu ativo (débito no ativo) em contrapartida à crédito em conta de resultado (receita), afetando o seu Lucro Líquido contábil. Posteriormente, no cálculo da apuração do IRPJ e CSLL a pagar, a Recorrida efetuou a exclusão de tal receita o que, segundo a fiscalização, reduziu indevidamente o valor do IRPJ e CSLL a pagar. Não obstante o relevante valor do auto de infração ora em análise, que passa da casa dos R$ 100 milhões, me parece que a questão jurídica aqui posta é de perceptível singeleza. Vejamos. O art. 43 do CTN prevê o fato gerador do Imposto de Renda da seguinte forma: "Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior." No caso do Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas (IRPJ), o lucro apurado constitui o fato gerado do Imposto de Renda vez que tal lucro apurado vem acrescer o patrimônio da pessoa jurídica. Logicamente, estamos aqui a falar do Lucro Tributável, que nada mais é que o Lucro Líquido contábil apurado, devidamente ajustado pelas adições e exclusões previstas em lei, conforme previsto no art. 247 do RIR/99. Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 10314.723158/201485 Acórdão n.º 1201001.642 S1C2T1 Fl. 14 25 Dentro desta lógica, quando a pessoa jurídica apura um Prejuízo Fiscal, ela tem seu patrimônio reduzido (para fins fiscais) e, portanto, passará a perceber um acréscimo patrimonial nos períodos posteriores somente a partir do momento em que o lucro superar o seu saldo de prejuízo fiscal. Esta é a lógica da compensação de Prejuízo Fiscal de anos anteriores com o lucro tributável nos exercícios seguintes. Contudo, existe um limite para tal compensação, que é de 30% do lucro tributável no período, conforme disposto no art. 250, III do RIR/99. Assim, não obstante toda a discussão que já existiu acerca de eventual inconstitucionalidade deste limite de 30%, o fato é que tal limite deve ser observado. Desta forma, o contribuinte que apurou Prejuízo Fiscal em anos anteriores tem, portanto, um ativo, pois, tal saldo de Prejuízo Fiscal poderá ser utilizado para compensar parte do Imposto de Renda (e todo o racional aqui exposto vale para a CSLL também) a pagar nos períodos seguintes. Nesse sentido, esclarece o Prof. Cláudio Wasserman (O ativo fiscal diferido no sistema financeiro nacional: análise e proposta de contabilização. 142p. (Dissertação) Faculdade de Economia e Administração, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004): " (...) nos créditos tributários decorrentes de prejuízo fiscal ou de base negativa de CSLL, diferentemente do de diferenças temporárias, não há propriamente um valor pago por ele. Mas o prejuízo pressupõe que houve mais despesa do que receita. É nesse contexto que o ativo fiscal de prejuízo fiscal pode ser visto como a ativação do imposto a ser economizado quando esse excesso de despesas sobre as receitas for passível de utilização, mediante autorização das regras tributárias, para reduzir o lucro tributável." Assim, a pessoa jurídica deve registrar o crédito tributário decorrente deste Prejuízo Fiscal de anos anteriores em seu ativo. Tratase aqui do assim chamado ativo fiscal diferido. São diversas as regras contábeis e reguladoras (CVM e BACEN) que dispõem sobre a forma como tal ativo deve ser reconhecido e os requisitos para tanto. Isso porque, é realmente necessário ter muita cautela no momento do registro de tal ativo cujo efeito é o aumento do patrimônio da empresa. Isso porque, tal ativo somente terá alguma validade se a pessoa jurídica tiver capacidade de gerar lucro tributável no futuro. Cabe aqui destacar lição do Prof. Iudícibus (Manual de contabilidade das sociedades por ações: aplicável às demais Sociedades, 6.ed. São Paulo: Atlas, 2003): " (...) de fato, quando diferimos uma despesa de Imposto de Renda, geramos um ativo, que deve atender a tal princípio, ou seja, é um ativo que deve ter condições de recuperação nos exercícios seguintes. Desta forma, cada empresa deve analisar sua situação na avaliação desse ativo. Assim, não havendo tais condições de efetiva recuperação, a empresa não deve fazer o diferimento." Fl. 1051DF CARF MF 26 As Instituições Financeiras, por exemplo, para garantir o direito de registrar ( ou manter registrado) em seu livros o ativo correspondente ao crédito tributário de prejuízo fiscal de anos anteriores, de apresentar estudo técnico a cada semestre ao Banco Central no qual deve demonstrar que terá capacidade de realizar seu crédito tributário num período máximo de até 10 anos, caso contrário, será obrigado a "baixar"este crédito tributário o que afeta seu patrimônio de forma negativa. Tais regras estão previstas na Resolução CMN n. 3.059/02. Além da mencionada Resolução CMN n. 3.059/02, trago abaixo, uma lista exemplificativa e não taxativa das normas contábeis e regulatórias que dispõem sobre o assunto, tendo algumas delas sido mencionadas no acórdão recorrido: Resolução CFC 998/2004 Deliberação CVM n. 273/98 Deliberação CVM n. 371/2002 De qualquer forma, entendo que não obstante a ser extremamente rico o arcabouço de normas contábeis e regulatórias acerca do registro do ativo fiscal diferido, que fora brilhantemente abordado no acórdão recorrido, tenho que para a solução do litígio ora posto, basta avaliarmos as normas e impactos fiscais do ativo fiscal diferido. Via de regra, conforme as normas acima, o crédito tributário relacionado à prejuízo fiscal de anos anteriores deve ser registrado a débito em conta do ativo e a contrapartida deve ser um crédito direto no Patrimônio Líquido. A ora Recorrida preferiu lançar a contrapartida do ativo diretamente em conta de resultado (receita) e, posteriormente, efetuou a exclusão desta receita para fins de cálculo do IRPJ e CSLL. Apesar de ter sido questionada pelo Fiscal tal forma de registro contábil aplicado pela Recorrida. o importante aqui é que o registro deste ativo fiscal diferido de prejuízo fiscal não pode gerar efeito tributário. Este é o ponto, pois, não cabe à Receita Federal questionar as práticas contábeis da contribuinte, mas sim avaliar os impactos tributários de tais práticas. Se a prática contábil da Recorrida não foi a mais acertada, isso é irrelevante para fins fiscais. Isso porque, quando se trata de compensação de prejuízo fiscal pelo contribuinte, o que deve ser visto é se: i) o limite de 30% foi respeitado; ii) referido saldo de prejuízo fiscal realmente existe e iii) a contrapartida da baixa do ativo fiscal utilizado em conta de despesa é indedutível tanto para fins de IRPJ quanto para CSLL. Não consta em lugar algum dos Autos de Infração e TVF qualquer alegação ou acusação da fiscalização no sentido de que a Recorrida desobedeceu ou descumpriu qualquer uma das regras acima. Se o ponto que se discute é simplesmente a exclusão da receita decorrente do reconhecimento do ativo fiscal diferido para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, resta evidente que a acusação fiscal é insubsistente, pois, tal ativo fiscal diferido deve ter efeito tributário nulo, ou seja, a receita deve ser excluída, bem como, a eventual despesa Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 10314.723158/201485 Acórdão n.º 1201001.642 S1C2T1 Fl. 15 27 decorrente da baixa deve ser adicionada ao lucro líquido para fins de base de apuração do IRPJ e CSLL. Neste sentido, trago interessante julgado (acórdão n. 110200.362) de relatoria do ilustre Conselheiro José Otávio Oppermann Thomé: "Assim, justamente por esta natureza sua, resta claro que não deve a escrituração desses ativos fiscais influenciar o resultado tributável do período em curso. Deste modo, se os ativos fiscais diferidos forem decorrentes de prejuízos fiscais ou de bases negativas de CSLL gerados em períodos anteriores, devem eles ser contabilmente reconhecidos preferencialmente em conta de patrimônio líquido, não influenciando na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Já se forem decorrentes de prejuízos fiscais ou de base negativas de CSLL gerados no próprio período, devem eles ser contabilmente reconhecidos preferencialmente em conta de resultado do exercício, as, neste caso, seguindo a mesma lógica, esta receita pode ser excluída para fins de apuração das bases de cálculo daqueles tributos. Ou seja, em qualquer circunstância, a contrapartida gerada pela contabilização desses ativos não gera receita tributável. " No mesmo sentido, temos o acórdão 1301.001.471 da 1°Turma da 3°Câmara desta 1° Seção de relatoria do Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior: A partir daí, torno a dizer que não há reparos a serem feitos no entendimento sufragado, consagrador de que a dita contrapartida credora referente à constituição desse ativo fiscal não poderia ser entendida como resultado, rendimento ou receita para fins de compor a base de cálculo de imposto de renda, uma vez que se tratava de mera representação contábil com objetivo de demonstrar aos acionistas e demais interessados a existência de um direito potencialmente realizável pela companhia em futuro próximo e, por conseguinte, uma situação contábil/patrimonial mais fidedigna com a realidade. Como fez ver a decisão recorrida, o fundamento que permite excluir da tributação as contrapartidas credoras dos ativos fiscais diferidos – quer tenham sido lançadas em conta de resultado, ou de patrimônio líquido – é a manutenção da neutralidade do regime de apuração dos tributos, pois o sujeito passivo deverá adotar mecanismos de ajustes no Lalur que garantam que as bases de cálculo tributárias de qualquer período sejam as mesmas que seriam apuradas se a escrituração de tais ativos não fosse efetuada, de sorte que identificando o valor correspondente ao ativo fiscal diferido e a sua contrapartida credora que poderia ser excluída da base de cálculo, objeto deste lançamento de ofício, anotou acertadamente a decisão recorrida que consoante Balanço Patrimonial de 31/12/2007 (fls. 538), a contribuinte reconheceu Fl. 1053DF CARF MF 28 em seu ativo circulante e no realizável a longo prazo, a título de “Imposto de renda e contribuição social diferidos”, os valores de “2.530” e “57.067” (em milhares de reais), constando em cada uma das rubricas remissão à nota explicativa “7”. Compartilho integralmente do racional de neutralidade fiscal adotado nos julgados acima. Ora, o IRPJ e CSLL não podem gerar impacto em suas próprias bases de cálculo ou de uma em outra. Do ponto de vista de despesa isso significa que a despesa de IRPJ e CSLL não são dedutíveis de sua própria base de cálculo ou de uma em outra e significa também que eventual baixa de ativo fiscal diferido relacionado à Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa de anos anteriores, contabilizado em contrapartida em conta de despesa também será indedutível. Do ponto de vista de receita, o lançamento decorrente do registro do ativo deve também ser excluído para fins de cálculo dos tributos. Aliás, a própria Receita Federal compartilha deste racional. Basta fazer a leitura do Ato Declaratório Interpretativo n. 25/03 que trata da tributação de valores restituídos ao contribuinte pessoa jurídica por força de sentença judicial em ação de repetição de indébito: "Art. 1º Os valores restituídos a título de tributo pago indevidamente serão tributados pelo Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), se, em períodos anteriores, tiverem sido computados como despesas dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL." Aqui resta claro o racional de que a receita (repetição de indébito) somente será tributada se, no passado, a despesa foi considerada indedutível. Não por acaso, eventual repetição de indébito (valor principal) de IRPJ e CSLL não configuram fato gerador do IRPJ e CSLL. Logicamente da mesma forma ocorre com o ativo fiscal diferido decorrente de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa que nada mais é que o reconhecimento de um ativo que poderá ser compensado no futuro com despesas de IRPJ e CSLL que não são dedutíveis do ponto de vista fiscal. Assim, irretocável o entendimento externado pela decisão da DRJ. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso de Ofício para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 10314.723158/201485 Acórdão n.º 1201001.642 S1C2T1 Fl. 16 29 (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 1055DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12259.000191/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO.
As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, apontados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção.
RECURSO DE OFÍCIO DECADÊNCIA
Em havendo antecipação de contribuição previdenciária há de ser aplicado o artigo 150, § 4° do CTN, desde que não haja ocorrência de fraude e ou simulação. No presente caso a decisão de piso aplicou o artigo 173, I do CTN, porque julgou que houve fraude e ou simulação. E, de fato, há fraude e ou simulação, já que a Recorrente utilizou-se desses meios, através de contratos fraudulentos, onde tenta demonstrar a existência de relação contratual cível, quanto de fato é trabalhista, eis que a atividade exercida pelos contatados era atividade fim e não meio.
DA INVASÃO DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO
A Fiscalização para exercer seu mister pode e deve examinar quaisquer livros, mercadorias, arquivos, documentos, etc., sendo inaplicáveis quaisquer meios que não permitam esses exames. E, nesse sentido o artigo 195, caput, do CTN determina que, para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais dos comerciantes, industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los.
Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram (artigo 195, parágrafo único, do CTN).
Também, é dever da fiscalização desconsiderar qualquer documento que deixe evidenciado a utilização de fraude, dolo ou simulação.
No caso em tela a Recorrente simulou várias pessoas jurídicas para esconder a relação empregatícia.
Não podemos esquecer que estas pessoas jurídicas exerciam atividade fim e não meio, configurando a relação trabalhista.
FALTA DE AMPARO PARA LAVRATURA DA NFLD
Não há de se falar em falta de amparo legal para emissão da NFLD eis que o artigo 33 da Lei 8.212/01, caput, c/c o artigo 229 do Decreto 3.048/99 autorizam a autuação, uma vez que aviltada pela Recorrente.
DA INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 9° DA CLT E OUTROS ARTIGOS, INCLUSIVE DO CÓDIGO CIVIL
Recorrente que tenta justificar a desconsideração da personalidade jurídica através de inaplicabilidade da lei, ou discutir a sua legalidade e aplicação ao caso concreto não merece guarita, porque é dever a fiscalização e a conclusão.
No caso em tela, a Recorrente quer discutir legalidade da lei, onde o caminho há de ser percorrido dentro do Pretório Excelsior.
CERCEAMENTO DE DEFESA
NFLD revestida de todos os requisitos legais, não é atingida pelo mazorral comportamento de cerceamento de defesa, como ocorreu no caso.
DA POSSIBILIDADE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ARTÍSTICOS PESSOAIS POR PESSOAS JURÍDICAS
Não pode o artista ser pessoa jurídica, enquanto a lei o define como: profissional que cria, interpreta ou executa obra de caráter cultural de qualquer natureza, para efeito de exibição ou divulgação pública, através de meios de comunicação de massa ou em locais onde se realizam espetáculos de diversão pública.
DO CARÁTER INTERPRETATIVO DO ART. 129 DA LEI N° 11.196/05
Procura arrimo no artigo da lei supramencionado, onde procura a aplicação retroativa que abrangeria o caso, mas não se aplica porque a legislação é de 2005 e o fato gerador vai até 2002, ou seja, quatro anos antes da entrada em vigor da legislação que se deseja o espeque.
Ademais, a ação foi fraudulenta e não abarca uma possível retroatividade benigna.
DA CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA
Tenta a Recorrente demonstrar que não existia vínculo empregatício, mas sim cessão de mão de obra, o que impossível diante da legislação específica, artigo 31 da Lei 8.212/91, bem como o Decreto 3.048/99, artigo 219.
DA APLICAÇÃO DO ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN
Não se pode admitir contrato como lei, quando se fere a lei.
No caso em tela quer a Recorrente que os seus contratos entabulados com vários artistas sejam considerados cíveis, contrariando a legislação específica.
DA EVENTUAL RESPONSABILIDADE DA RECORRENTE e DA IMPOSSIBILIDADE DE IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE
A Recorrente alega que a responsabilidade dos recolhimentos previdenciários são das empresas contratadas. O que de fato seriam se elas fossem empresas. De fato são pessoas física com contrato de trabalho com a Recorrente.
Numero da decisão: 2301-004.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para dar-lhe provimento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para dar-lhe provimento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos.
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, apontados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção. RECURSO DE OFÍCIO DECADÊNCIA Em havendo antecipação de contribuição previdenciária há de ser aplicado o artigo 150, § 4° do CTN, desde que não haja ocorrência de fraude e ou simulação. No presente caso a decisão de piso aplicou o artigo 173, I do CTN, porque julgou que houve fraude e ou simulação. E, de fato, há fraude e ou simulação, já que a Recorrente utilizou-se desses meios, através de contratos fraudulentos, onde tenta demonstrar a existência de relação contratual cível, quanto de fato é trabalhista, eis que a atividade exercida pelos contatados era atividade fim e não meio. DA INVASÃO DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO A Fiscalização para exercer seu mister pode e deve examinar quaisquer livros, mercadorias, arquivos, documentos, etc., sendo inaplicáveis quaisquer meios que não permitam esses exames. E, nesse sentido o artigo 195, caput, do CTN determina que, para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais dos comerciantes, industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram (artigo 195, parágrafo único, do CTN). Também, é dever da fiscalização desconsiderar qualquer documento que deixe evidenciado a utilização de fraude, dolo ou simulação. No caso em tela a Recorrente simulou várias pessoas jurídicas para esconder a relação empregatícia. Não podemos esquecer que estas pessoas jurídicas exerciam atividade fim e não meio, configurando a relação trabalhista. FALTA DE AMPARO PARA LAVRATURA DA NFLD Não há de se falar em falta de amparo legal para emissão da NFLD eis que o artigo 33 da Lei 8.212/01, caput, c/c o artigo 229 do Decreto 3.048/99 autorizam a autuação, uma vez que aviltada pela Recorrente. DA INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 9° DA CLT E OUTROS ARTIGOS, INCLUSIVE DO CÓDIGO CIVIL Recorrente que tenta justificar a desconsideração da personalidade jurídica através de inaplicabilidade da lei, ou discutir a sua legalidade e aplicação ao caso concreto não merece guarita, porque é dever a fiscalização e a conclusão. No caso em tela, a Recorrente quer discutir legalidade da lei, onde o caminho há de ser percorrido dentro do Pretório Excelsior. CERCEAMENTO DE DEFESA NFLD revestida de todos os requisitos legais, não é atingida pelo mazorral comportamento de cerceamento de defesa, como ocorreu no caso. DA POSSIBILIDADE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ARTÍSTICOS PESSOAIS POR PESSOAS JURÍDICAS Não pode o artista ser pessoa jurídica, enquanto a lei o define como: profissional que cria, interpreta ou executa obra de caráter cultural de qualquer natureza, para efeito de exibição ou divulgação pública, através de meios de comunicação de massa ou em locais onde se realizam espetáculos de diversão pública. DO CARÁTER INTERPRETATIVO DO ART. 129 DA LEI N° 11.196/05 Procura arrimo no artigo da lei supramencionado, onde procura a aplicação retroativa que abrangeria o caso, mas não se aplica porque a legislação é de 2005 e o fato gerador vai até 2002, ou seja, quatro anos antes da entrada em vigor da legislação que se deseja o espeque. Ademais, a ação foi fraudulenta e não abarca uma possível retroatividade benigna. DA CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA Tenta a Recorrente demonstrar que não existia vínculo empregatício, mas sim cessão de mão de obra, o que impossível diante da legislação específica, artigo 31 da Lei 8.212/91, bem como o Decreto 3.048/99, artigo 219. DA APLICAÇÃO DO ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN Não se pode admitir contrato como lei, quando se fere a lei. No caso em tela quer a Recorrente que os seus contratos entabulados com vários artistas sejam considerados cíveis, contrariando a legislação específica. DA EVENTUAL RESPONSABILIDADE DA RECORRENTE e DA IMPOSSIBILIDADE DE IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE A Recorrente alega que a responsabilidade dos recolhimentos previdenciários são das empresas contratadas. O que de fato seriam se elas fossem empresas. De fato são pessoas física com contrato de trabalho com a Recorrente.
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INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, apontados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção. RECURSO DE OFÍCIO DECADÊNCIA Em havendo antecipação de contribuição previdenciária há de ser aplicado o artigo 150, § 4° do CTN, desde que não haja ocorrência de fraude e ou simulação. No presente caso a decisão de piso aplicou o artigo 173, I do CTN, porque julgou que houve fraude e ou simulação. E, de fato, há fraude e ou simulação, já que a Recorrente utilizouse desses meios, através de contratos fraudulentos, onde tenta demonstrar a existência de relação contratual cível, quanto de fato é trabalhista, eis que a atividade exercida pelos contatados era atividade fim e não meio. DA INVASÃO DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO A Fiscalização para exercer seu mister pode e deve examinar quaisquer livros, mercadorias, arquivos, documentos, etc., sendo inaplicáveis quaisquer meios que não permitam esses exames. E, nesse sentido o artigo 195, caput, do CTN determina que, para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais dos comerciantes, industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 01 91 /2 00 9- 11 Fl. 1255DF CARF MF 2 prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram (artigo 195, parágrafo único, do CTN). Também, é dever da fiscalização desconsiderar qualquer documento que deixe evidenciado a utilização de fraude, dolo ou simulação. No caso em tela a Recorrente simulou várias pessoas jurídicas para esconder a relação empregatícia. Não podemos esquecer que estas pessoas jurídicas exerciam atividade fim e não meio, configurando a relação trabalhista. FALTA DE AMPARO PARA LAVRATURA DA NFLD Não há de se falar em falta de amparo legal para emissão da NFLD eis que o artigo 33 da Lei 8.212/01, caput, c/c o artigo 229 do Decreto 3.048/99 autorizam a autuação, uma vez que aviltada pela Recorrente. DA INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 9° DA CLT E OUTROS ARTIGOS, INCLUSIVE DO CÓDIGO CIVIL Recorrente que tenta justificar a desconsideração da personalidade jurídica através de inaplicabilidade da lei, ou discutir a sua legalidade e aplicação ao caso concreto não merece guarita, porque é dever a fiscalização e a conclusão. No caso em tela, a Recorrente quer discutir legalidade da lei, onde o caminho há de ser percorrido dentro do Pretório Excelsior. CERCEAMENTO DE DEFESA NFLD revestida de todos os requisitos legais, não é atingida pelo mazorral comportamento de cerceamento de defesa, como ocorreu no caso. DA POSSIBILIDADE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ARTÍSTICOS PESSOAIS POR PESSOAS JURÍDICAS Não pode o artista ser pessoa jurídica, enquanto a lei o define como: ‘profissional que cria, interpreta ou executa obra de caráter cultural de qualquer natureza, para efeito de exibição ou divulgação pública, através de meios de comunicação de massa ou em locais onde se realizam espetáculos de diversão pública’. DO CARÁTER INTERPRETATIVO DO ART. 129 DA LEI N° 11.196/05 Procura arrimo no artigo da lei supramencionado, onde procura a aplicação retroativa que abrangeria o caso, mas não se aplica porque a legislação é de 2005 e o fato gerador vai até 2002, ou seja, quatro anos antes da entrada em vigor da legislação que se deseja o espeque. Ademais, a ação foi fraudulenta e não abarca uma possível retroatividade benigna. DA CESSÃO DE MÃODEOBRA Tenta a Recorrente demonstrar que não existia vínculo empregatício, mas sim cessão de mão de obra, o que impossível diante da legislação específica, artigo 31 da Lei 8.212/91, bem como o Decreto 3.048/99, artigo 219. DA APLICAÇÃO DO ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN Não se pode admitir contrato como lei, quando se fere a lei. Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 12259.000191/200911 Acórdão n.º 2301004.972 S2C3T1 Fl. 1.256 3 No caso em tela quer a Recorrente que os seus contratos entabulados com vários artistas sejam considerados cíveis, contrariando a legislação específica. DA EVENTUAL RESPONSABILIDADE DA RECORRENTE e DA IMPOSSIBILIDADE DE IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE A Recorrente alega que a responsabilidade dos recolhimentos previdenciários são das empresas contratadas. O que de fato seriam se elas fossem empresas. De fato são pessoas física com contrato de trabalho com a Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para darlhe provimento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo – Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela contribuinte GLOBO COMUNICAÇÕES E PARTICIPAÇOES S/A em face do acórdão n. 2301003.921, de 19/02/2014, que possui as seguintes ementa e parte dispositiva (grifos nossos): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2001 Consolidado em 11/12/2007 NFLD Debcad sob nº 37.093.2056 RECURSO DE OFÍCIO DECADÊNCIA Em havendo antecipação de contribuição previdenciária há de ser aplicado o artigo 150, § 4° do CTN, desde que não haja ocorrência de fraude e ou simulação. No presente caso a decisão de piso aplicou o artigo 173, I do CTN, porque julgou que houve fraude e ou simulação. E, de fato, há fraude e ou simulação, já Fl. 1257DF CARF MF 4 que a Recorrente utilizouse desses meios, através de contratos fraudulentos, onde tenta demonstrar a existência de relação contratual cível, quanto de fato é trabalhista, eis que a atividade exercida pelos contatados era atividade fim e não meio. DA INVASÃO DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO A Fiscalização para exercer seu mister pode e deve examinar quaisquer livros, mercadorias, arquivos, documentos, etc., sendo inaplicáveis quaisquer meios que não permitam esses exames. E, nesse sentido o artigo 195, caput, do CTN determina que, para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais dos comerciantes, industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram (artigo 195, parágrafo único, do CTN). Também, é dever da fiscalização desconsiderar qualquer documento que deixe evidenciado a utilização de fraude, dolo ou simulação. No caso em tela a Recorrente simulou várias pessoas jurídicas para esconder a relação empregatícia. Não podemos esquecer que estas pessoas jurídicas exerciam atividade fim e não meio, configurando a relação trabalhista. FALTA DE AMPARO PARA LAVRATURA DA NFLD Não há de se falar em falta de amparo legal para emissão da NFLD eis que o artigo 33 da Lei 8.212/01, caput, c/c o artigo 229 do Decreto 3.048/99 autorizam a autuação, uma vez que aviltada pela Recorrente. DA INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 9° DA CLT E OUTROS ARTIGOS, INCLUSIVE DO CÓDIGO CIVIL Recorrente que tenta justificar a desconsideração da personalidade jurídica através de inaplicabilidade da lei, ou discutir a sua legalidade e aplicação ao caso concreto não merece guarita, porque é dever a fiscalização e a conclusão. No caso em tela, a Recorrente quer discutir legalidade da lei, onde o caminho há de ser percorrido dentro do Pretório Excelsior. CERCEAMENTO DE DEFESA NFLD revestida de todos os requisitos legais, não é atingida pelo mazorral comportamento de cerceamento de defesa, como ocorreu no caso. Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 12259.000191/200911 Acórdão n.º 2301004.972 S2C3T1 Fl. 1.257 5 DA POSSIBILIDADE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ARTÍSTICOS PESSOAIS POR PESSOAS JURÍDICAS Não pode o artista ser pessoa jurídica, enquanto a lei o define como: ‘profissional que cria, interpreta ou executa obra de caráter cultural de qualquer natureza, para efeito de exibição ou divulgação pública, através de meios de comunicação de massa ou em locais onde se realizam espetáculos de diversão pública’. DO CARÁTER INTERPRETATIVO DO ART. 129 DA LEI N° 11.196/05 Procura arrimo no artigo da lei supramencionado, onde procura a aplicação retroativa que abrangeria o caso, mas não se aplica porque a legislação é de 2005 e o fato gerador vai até 2001, ou seja, quatro anos antes da entrada em vigor da legislação que se deseja o espeque. Ademais, a ação foi fraudulenta e não abarca uma possível retroatividade benigna. DA CESSÃO DE MÃODEOBRA Tenta a Recorrente demonstrar que não existia vínculo empregatício, mas sim cessão de mão de obra, o que impossível diante da legislação específica, artigo 31 da Lei 8.212/91, bem como o Decreto 3.048/99, artigo 219. DA APLICAÇÃO DO ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN Não se pode admitir contrato como lei, quando se fere a lei. No caso em tela quer a Recorrente que os seus contratos entabulados com vários artistas sejam considerados cíveis, contrariando a legislação específica. DA EVENTUAL RESPONSABILIDADE DA RECORRENTE e DA IMPOSSIBILIDADE DE IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE A Recorrente alega que a responsabilidade dos recolhimentos previdenciários são das empresas contratadas. O que de fato seriam se elas fossem empresas. De fato são pessoas física com contrato de trabalho com a Recorrente. Recurso de Oficio Negado e Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso Voluntário nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso voluntário, na questão da decadência, pela aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que Fl. 1259DF CARF MF 6 votaram em aplicar a regra expressa no Art. 150 do CTN; b) em negar provimento ao recurso, na questão da conceituação como norma interpretativa a contida no Art. 129, da Lei 11.196/2005, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que conceituaram a norma como interpretativa; c) em negar provimento ao recurso, na questão da caracterização dos segurados como empregados, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que davam provimento ao recurso nesta questão; d) em negar provimento ao recurso, no que tange à suposta correção da multa, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. Aduz a Embargante existir diversos erros materiais a serem sanados. O presente recurso foi admitido pelo presidente de turma, em despacho exarado em 19/12/2014. É o relatório. Voto Conselheiro Fábio Piovesan Bozza A Embargante tem razão quanto aos erros materiais a serem sanados: (a) na ementa, o período de apuração indicado é 01/01/1997 a 31/12/2001, mas o certo é 01/01/1997 a 31/12/2002; (b) na ementa e no voto, mencionase fato gerador até 2001, mas o certo é até 2002; (c) no voto, o crédito tributário referese ao período de fevereiro/1998 a junho/2006, sendo correto de janeiro/1997 a dezembro/2002; (d) há informação que tanto a lavratura como a ciência da NFLD ocorreram em janeiro/2007, mas o correto é dezembro/2007; (e) o voto informa decadência de janeiro/1998 a novembro/2001, mas o certo é de janeiro/1997 a novembro/2001. Com essas considerações, acolho os presentes embargos para sanar os erros materiais apontados. A ementa do julgado passa a ser a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002 Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 12259.000191/200911 Acórdão n.º 2301004.972 S2C3T1 Fl. 1.258 7 Consolidado em 11/12/2007 NFLD Debcad sob nº 37.093.2056 RECURSO DE OFÍCIO DECADÊNCIA Em havendo antecipação de contribuição previdenciária há de ser aplicado o artigo 150, § 4° do CTN, desde que não haja ocorrência de fraude e ou simulação. No presente caso a decisão de piso aplicou o artigo 173, I do CTN, porque julgou que houve fraude e ou simulação. E, de fato, há fraude e ou simulação, já que a Recorrente utilizouse desses meios, através de contratos fraudulentos, onde tenta demonstrar a existência de relação contratual cível, quanto de fato é trabalhista, eis que a atividade exercida pelos contatados era atividade fim e não meio. DA INVASÃO DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO A Fiscalização para exercer seu mister pode e deve examinar quaisquer livros, mercadorias, arquivos, documentos, etc., sendo inaplicáveis quaisquer meios que não permitam esses exames. E, nesse sentido o artigo 195, caput, do CTN determina que, para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais dos comerciantes, industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram (artigo 195, parágrafo único, do CTN). Também, é dever da fiscalização desconsiderar qualquer documento que deixe evidenciado a utilização de fraude, dolo ou simulação. No caso em tela a Recorrente simulou várias pessoas jurídicas para esconder a relação empregatícia. Não podemos esquecer que estas pessoas jurídicas exerciam atividade fim e não meio, configurando a relação trabalhista. FALTA DE AMPARO PARA LAVRATURA DA NFLD Não há de se falar em falta de amparo legal para emissão da NFLD eis que o artigo 33 da Lei 8.212/01, caput, c/c o artigo 229 do Decreto 3.048/99 autorizam a autuação, uma vez que aviltada pela Recorrente. DA INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 9° DA CLT E OUTROS ARTIGOS, INCLUSIVE DO CÓDIGO CIVIL Recorrente que tenta justificar a desconsideração da personalidade jurídica através de inaplicabilidade da lei, ou Fl. 1261DF CARF MF 8 discutir a sua legalidade e aplicação ao caso concreto não merece guarita, porque é dever a fiscalização e a conclusão. No caso em tela, a Recorrente quer discutir legalidade da lei, onde o caminho há de ser percorrido dentro do Pretório Excelsior. CERCEAMENTO DE DEFESA NFLD revestida de todos os requisitos legais, não é atingida pelo mazorral comportamento de cerceamento de defesa, como ocorreu no caso. DA POSSIBILIDADE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ARTÍSTICOS PESSOAIS POR PESSOAS JURÍDICAS Não pode o artista ser pessoa jurídica, enquanto a lei o define como: ‘profissional que cria, interpreta ou executa obra de caráter cultural de qualquer natureza, para efeito de exibição ou divulgação pública, através de meios de comunicação de massa ou em locais onde se realizam espetáculos de diversão pública’. DO CARÁTER INTERPRETATIVO DO ART. 129 DA LEI N° 11.196/05 Procura arrimo no artigo da lei supramencionado, onde procura a aplicação retroativa que abrangeria o caso, mas não se aplica porque a legislação é de 2005 e o fato gerador vai até 2002, ou seja, quatro anos antes da entrada em vigor da legislação que se deseja o espeque. Ademais, a ação foi fraudulenta e não abarca uma possível retroatividade benigna. DA CESSÃO DE MÃODEOBRA Tenta a Recorrente demonstrar que não existia vínculo empregatício, mas sim cessão de mão de obra, o que impossível diante da legislação específica, artigo 31 da Lei 8.212/91, bem como o Decreto 3.048/99, artigo 219. DA APLICAÇÃO DO ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN Não se pode admitir contrato como lei, quando se fere a lei. No caso em tela quer a Recorrente que os seus contratos entabulados com vários artistas sejam considerados cíveis, contrariando a legislação específica. DA EVENTUAL RESPONSABILIDADE DA RECORRENTE e DA IMPOSSIBILIDADE DE IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE A Recorrente alega que a responsabilidade dos recolhimentos previdenciários são das empresas contratadas. O que de fato seriam se elas fossem empresas. De fato são pessoas física com contrato de trabalho com a Recorrente. Recurso de Oficio Negado e Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 12259.000191/200911 Acórdão n.º 2301004.972 S2C3T1 Fl. 1.259 9 É como voto. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator. Fl. 1263DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.720960/2008-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2004, 2005
NULIDADE DA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Cumpridos todos os requisitos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo o auto de infração.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA 38 DO CARF.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO.
Para os tributos lançados por homologação, quando constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que poderia ter sido lançado, por força do art. 173, I, do CTN.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. FALTA DE ESCRITURAÇÃO.
A falta da escrituração do Livro Caixa, abrangendo as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade rural, implicará no arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do ano-calendário.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Comprovada a origem dos depósitos bancários durante o procedimento fiscal, a Fiscalização deve submetê-los às normas específicas previstas na legislação, conforme § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. NEXO CAUSAL DO
Os lançamentos decorrentes de depósitos bancários de origem não identificada dispensam a necessidade de comprovação, por parte do fisco, da utilização dos recursos provenientes desses depósitos como renda consumida, conforme a Súmula CARF nº 26.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. COMPROVAÇÃO.
Comprovada a prática dolosa, pelo sujeito passivo, de fraude, sonegação ou conluio, é cabível a aplicação da multa de ofício com a qualificadora prevista na Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 2301-005.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
ANDREA BROSE ADOLFO - Relatora e Presidente em Exercício
EDITADO EM: 05/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, , Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Andrea Brose Adolfo.
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2004, 2005 NULIDADE DA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Cumpridos todos os requisitos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo o auto de infração. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA 38 DO CARF. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. Para os tributos lançados por homologação, quando constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que poderia ter sido lançado, por força do art. 173, I, do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. A falta da escrituração do Livro Caixa, abrangendo as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade rural, implicará no arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do ano-calendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Comprovada a origem dos depósitos bancários durante o procedimento fiscal, a Fiscalização deve submetê-los às normas específicas previstas na legislação, conforme § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. NEXO CAUSAL DO Os lançamentos decorrentes de depósitos bancários de origem não identificada dispensam a necessidade de comprovação, por parte do fisco, da utilização dos recursos provenientes desses depósitos como renda consumida, conforme a Súmula CARF nº 26. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. COMPROVAÇÃO. Comprovada a prática dolosa, pelo sujeito passivo, de fraude, sonegação ou conluio, é cabível a aplicação da multa de ofício com a qualificadora prevista na Lei nº 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO - Relatora e Presidente em Exercício EDITADO EM: 05/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, , Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Andrea Brose Adolfo.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Recorrente CRISTIANO DA SILVA CORDEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2004, 2005 NULIDADE DA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Cumpridos todos os requisitos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo o auto de infração. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA 38 DO CARF. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. Para os tributos lançados por homologação, quando constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que poderia ter sido lançado, por força do art. 173, I, do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. A falta da escrituração do Livro Caixa, abrangendo as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade rural, implicará no arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Comprovada a origem dos depósitos bancários durante o procedimento fiscal, a Fiscalização deve submetêlos às normas específicas previstas na legislação, conforme § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 09 60 /2 00 8- 80 Fl. 338DF CARF MF 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. NEXO CAUSAL DO Os lançamentos decorrentes de depósitos bancários de origem não identificada dispensam a necessidade de comprovação, por parte do fisco, da utilização dos recursos provenientes desses depósitos como renda consumida, conforme a Súmula CARF nº 26. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. COMPROVAÇÃO. Comprovada a prática dolosa, pelo sujeito passivo, de fraude, sonegação ou conluio, é cabível a aplicação da multa de ofício com a qualificadora prevista na Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO Relatora e Presidente em Exercício EDITADO EM: 05/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, , Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Andrea Brose Adolfo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 0120.128, da 2º Turma da DRJ/BEL, que julgou a impugnação procedente em parte. A ementa foi assim redigida: Assumo: Imposto sobre a Renda Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2002, 2004, 2005 EMENTA Omissão. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10283.720960/200880 Acórdão n.º 2301005.055 S2C3T1 Fl. 3 3 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Transcrevo excertos do relatório do acórdão recorrido: Contra o sujeito passivo, acima identificado, foi lavrado Auto de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Fisica IRPF referente aos exercícios de 2003, 2005 e 2006, AC 2002, 2004 e 2005, fls. 144/158, para formalização e cobrança do valor total de R$ 181.126,31, relativo a imposto de renda, incluídos multa de oficio e juros de mora, calculados até 29/08/2008. 2. As infrações apuradas pela fiscalização, a qual estão relatadas na descrição dos fatos e enquadramento legal, fls. 146/150, foram: a) Omissão de Rendimentos da Atividade Rural: “No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal, e em atendimento às determinações contidas no Mandado de Procedimento Fiscal Diligência 02.2.01.002006004145, intimamos o contribuinte em 06 de setembro de 2006 início da diligência e ato continuo solicitamos (Termo de diligência Fiscal/Solicitação de Documentos n°00l) que ele se manifestasse acerca da presunção de que havia uma duplicidade de inscrições no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), quais sejam, o CPF 421.338.82200 e o CPF 512.238.21234, sendo o último referente a suposto contribuinte com domicílio fiscal em Ji Paraná (RO); além de exigir os extratos bancários do período relativos aos CPFs reconhecidamente seus, documentação relativa a veículos, participação em empresas e aquisições de imóveis no período. Em 07 de novembro de 2006 o contribuinte encaminhou duas respostas às solicitações do referido Termo; uma encaminhando os extratos bancários de 2005 do UNIBANCO e outra reconhecendo como sua a inscrição 512.238.21234. Assim, ficou caracterizado que CRISTIANO DA SILVA CORDEIRO, CPF 421.338.82200 e CRISTIANO CORDEIRO CPF 512.238.21234 são a mesma pessoa. Posteriormente, a DRF JiParaná nos encaminhou o Laudo de Perícia Papiloscópica n° 04 7/06 onde pelo confronto das impressões digitais apostas nos documentos de identidade de Cristiano Cordeiro e Cristiano da Silva Cordeiro, os peritos da Polícia Federal constataram ter sido produzidos pela mesma pessoa. Em 14 de dezembro de 2006 e 08 de fevereiro de 2007 o contribuinte foi cientificado da continuação do procedimento fiscal em curso, uma vez que foi Fl. 340DF CARF MF 4 encaminhada uma representação à SAPAC/DRF/MNS para converter a diligência em fiscalização e para que fosse confeccionado dossiê com informações agregadas no que diz respeito às suas duas inscrições existentes em nome do contribuinte. Em 28 de março de 2007 nos foi enviado novo Dossiê SAPAC (090/2007) agregando as informações fiscais das duas inscrições e dando conta de que o contribuinte, ainda que sem espontaneidade, retificou suas declarações de rendimentos, justificando a movimentação financeira detectada com rendimentos isentos e nãotributáveis, ainda que para a maioria deles não haja contrapartida de informações das empresas distribuidoras de lucros. Com base no que foi apurado até então, foi proposta abertura de procedimento de fiscalização operações 40299 IRPF Rendimentos Isentos e/ou nãotributáveis, período 2001 a 2005; e 91232 Movimentação Financeira lncompativel com Rendimentos Declarados, períodos 2001, 2002, 2004 e 2005, autorizada em 28 de março de 2007 e iniciada, com fulcro no MPF 02.2. 01.002007002111, cientificado pessoalmente o contribuinte em 30 de março de 2007. A possibilidade de lançamento de crédito tributário relativo ao ano de 2002, teve fundamento no afastamento da aplicabilidade do Art. 150 § 4° do CTN pela fraude exteriorizada na manutenção de duas inscrições de CPF mantidas pelo contribuinte, com a apresentação, inclusive, de DIRPF para as duas inscrições nos anoscalendário em análise. Com base no apurado no referido Dossiê 090/2007, o contribuinte foi intimado (Termo de Início de Fiscalização) em 30 de março de 2007 a apresentar os extratos bancários faltantes, inclusive aqueles referentes a inscrição com domicílio em .IiParaná (RO) e, principalmente, documentos que comprovassem a origem dos rendimentos apresentados nas retificações extemporâneas apresentadas, assim como os comprovantes das transações de automóveis explicitadas nas variações patrimoniais ocorridas entre as DIRPF retificadas. Em 12 de abril de 2007 o contribuinte, alegando ter sofrido busca e apreensão de documentos por parte de Policia Federal e de ter sofrido restrição de liberdade por ter permanecido 75 dias preso, afirmou que os únicos documentos que conseguiu recuperar foram os extratos bancários sem, no entanto, apresentálos. No que se refere aos documentos relativos ao ano de 2001, o contribuinte alegou decadência do direito do fisco constituir créditos tributários para eximirse da obrigação Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10283.720960/200880 Acórdão n.º 2301005.055 S2C3T1 Fl. 4 5 de guardar documentos comprobatórios das operações realizadas. Confrontando os dados de recolhimento de CPMF, detectamos importante movimentação financeira no ano de 2001 e 2002, no Bradesco, em nome de Cristiano Cordeiro, referente ao CPF jurisdicionado em JiParaná. Paralelamente a essa constatação, recebemos da Delegacia da Receita Federal do Brasil em JiParaná uma procuração, datada de 2000, na qual o contribuinte dava poderes a seu irmão Fernando da Silva Cordeiro para movimentar a conta 338338 no Banco Bradesco, com agência em JiParaná. Nos termos do Art. 6° da Lei Complementar n°I05, de 10 de janeiro de 2001, foi feita em 28 de junho de 2007 uma Requisição de Movimentação Financeira (RMF), dirigida ao Banco Bradesco, referente às duas inscrições em nome do contribuinte, na mesma data, o contribuinte foi cientificado da continuidade dos procedimentos fiscais em curso. Recebida em 10 de julho pelos correios, a RMF foi atendida, datada em 27 de julho de 2007 com a identificação da conta corrente já detectada por essa fiscalização, informando ainda que não foi detectada contacorrente relativo ao CPF jurisdicionado em Manaus. Em 24 de agosto de 2007 o contribuinte foi cientificado da continuidade dos procedimentos. Em 28 de novembro de 2007 o contribuinte apresentou as seguintes explicações e documentos: que a conta do Banco Bradesco era quase exclusivamente para depósitos originários de sua atividade rural, conforme pretendeu comprovar com a juntada de notas de compra emitidas pelas empresas Algodoeira Amazonas, CNPJ 01.227.240/000196 (N.F. 00093; 00096; 00101). Intimado a apresentar comprovação de seus gastos com a atividade rural, o contribuinte não atendeu a intimação. Quanto a empresa Algodoeira Amazonas, CNPJ 01.227.240/000196, apresentou movimentação de compra e venda de produção rural, tendo sido constatado que, em tese, a atividade mercantil da empresa suportaría tais transações; assim, uma vez que não há comprovação dos gastos com o custeio da produção, a base de cálculo foi arbitrada na forma do art. 60 §2° do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99. b) Omissão de Rendimentos Caracterizados por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada: Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em Fl. 342DF CARF MF 6 instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idôneo, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme apurado no curso do procedimento: Em 30 de agosto, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem das movimentações a crédito nas contas correntes e de investimento identificadas e a esclarecer a sua participação nas contas com mais de um beneficiário; uma vez que nos extratos referentes ao Banco do Brasil, pudemos identificar que são referentes a dois titulares,quais sejam, Cristiano Cordeiro e Fernando da Silva Cordeiro. Em 26 de outubro o contribuinte foi reintimado a apresentar as comprovações exigidas. Em 28 de novembro de 2007 o contribuinte apresentou as seguintes explicações e documentos: a que a conta do Banco Bradesco era quase exclusivamente para depósitos originários de sua atividade rural; b que deveriam ser desconsiderados os cheques devolvidos, as operações de redução do saldo devedor, os resgates da poupança e as devoluções de cheques sem fundo; c que a conta 12726 do Banco do Brasil era movimentada juntamente com seu irmão na proporção de 50% e com origem de recursos na produção rural e na venda de participações societárias, apresentou outras notas de compra emitidas pelas empresas Algodoeira Amazonas, CNPJ 01.22 7.240/000196 (N.F. 00093, 00096, 00101); d que os valores creditados em 2005 na conta mantida no Unibanco tiveram origem na distribuição de lucros da empresa Gold Distribuidora de Alimentos Ltda. CNPJ 06.317.393/0001 48, juntando cópia de livros fiscais para buscar comprovar o alegado. A planilha do contribuinte foi considerada apenas como base, uma vez que em alguns casos apresenta valores divergentes dos apurados no decorrer do procedimento de fiscalização. Desconsideramos os valores de cheques devolvidos, as operações de redução do saldo devedor, os resgates da poupança e as devoluções de cheques sem fundo; pois, como bem disse o contribuinte, esses valores não poderem ser considerados como entrada de recursos; assim, deduzimos esse valores, bem como os relativos à distribuição de lucros e procedemos o presente lançamento para constituir o crédito relativo aos depósitos de origem não comprovada na proporção de sua participação nas contascorrentes quando aplicável. A possibilidade de lançamento de crédito tributário relativo ao ano de 2002, teve fundamento no afastamento da aplicabilidade do Art. 150 §4° do CTN pela fraude exteriorizada na manutenção de duas inscrições de CPF mantidas pelo contribuinte, com a apresentação, inclusive, de DIRFF para as duas inscrições nos anoscalendário em análise. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10283.720960/200880 Acórdão n.º 2301005.055 S2C3T1 Fl. 5 7 Em 11/02/2008, 03/04/2008, 02/06/2008 e 31/07/2008 o contribuinte foi cientificado da procedimento, evitando o decurso do prazo para que fosse readquirida a espontaneidade. Foi apresentada impugnação, que foi julgada procedente em parte, para excluir do lançamento os valores correspondentes a depósitos bancários de origem não comprovada proveniente da conta do Banco do Brasil, por se tratar de conta conjunta sem a comprovação da intimação do outro titular da contacorrente. Cientificado, o contribuinte apresentou recurso voluntário (efls. 261 e ss) alegando em síntese: em preliminar, a decadência do lançamento em relação ao anocalendário 2002, uma vez que a ciência ocorreu em 29/09/2008 e o prazo para a atividade lançadora teria escoado em 31/12/2007, pela aplicação do art. 150, §4º do CTN. erro na apuração da base de cálculo, devendo ser excluídos os valores referente à omissão decorrente de rendimentos da atividade rural (comprovados com a juntada de notas fiscais de compra da empresa Algodoeira Amazonas, CNPJ 01.227.240/000196), bem como dos valores referente à movimentação financeira no Banco do Brasil (pela falta de intimação do cotitular da contacorrente); no mérito, a improcedência e ilegalidade dos lançamentos efetuados com base em depósitos bancários, devendo haver a comprovação do acréscimo patrimonial pelo Fisco (nexo causal entre os depósitos e o fato que represente o acréscimo patrimonial). Aponta jurisprudência e doutrina nesse sentido. Cita a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos TFR. a multa aplicada afronta ao princípio da proibição de confisco; ofensa à capacidade contributiva, sendo vedado que a base de cálculo recaia sobre o valor bruto dos depósitos, sendo o fato gerador do IRPF o acréscimo patrimonial; nulidade da autuação por falta de certeza quanto à correta capitulação legal da infração. e inexistência de comprovação de fraude cometida pelo recorrente; É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora. O recurso voluntário possui os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual merece ser conhecido. Nulidade da autuação. Incerteza na capitulação legal da infração Fl. 344DF CARF MF 8 Alega o recorrente que a Fiscalização utilizou descrições genéricas e pouco precisas para referirse aos fatos indiciários que ensejaram a aplicação da presunção de omissão. Conforme se pode ver dos excertos do Auto de Infração Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, Demonstrativo de Apuração do IRPF e Demonstrativo de Multa e Juros de Mora (efls 149/159) alguns excertos já transcritos no relatório deste acórdão, foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo o auto de infração. Decadência Com relação à preliminar de decadência do anocalendário 2002, cabe verificar se cabível no caso a aplicação da regra do art. 150, §4º, ou do art. 173, I, ambas do CTN. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10283.720960/200880 Acórdão n.º 2301005.055 S2C3T1 Fl. 6 9 ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; ... Alega o contribuinte que aplicável a regra do art. 150, § 4º, por não haver a caracterização de fraude apenas pela duplicidade de inscrição no CPF. Por sua vez a fiscalização entendeu que o fato de possuir dois registros no CPF, ativos e utilizados para apresentação de Declarações de Imposto de Renda em ambos, fica configurada a fraude a ensejar a atração da regra decadencial do art. 173, I, por força da parte final do § 4º do art. 150, ambos do CTN. Entendo que, além do fato de dupla inscrição, ativa, com uso para apresentação de DIRPF, outro ponto que deve ser considerado é que os nomes utilizados nos cadastros não são coincidentes, inclusive com a comprovação por meio de laudo pericial papiloscópio, conforme se pode extrair do seguinte trecho do Relatório da autuação: Assim, ficou caracterizado que CRISTIANO DA SILVA CORDEIRO, CPF 421.338.82200 e CRISTIANO CORDEIRO CPF 512.238.21234 são a mesma pessoa. Posteriormente, a DRF JiParaná nos encaminhou o Laudo de Perícia Papiloscópica n° 04 7/06 onde pelo confronto das impressões digitais apostas nos documentos de identidade de Cristiano Cordeiro e Cristiano da Silva Cordeiro, os peritos da Polícia Federal constataram ter sido produzidos pela mesma pessoa. Também da análise das telas do sistema CPF das efls. 18 e 19, podese constatar que a data de nascimento informada não é a mesma para as duas inscrições. Da análise do conjunto probatório carreado aos autos fica comprovado o intuito de fraude a afastar a regra do art. 150, § 4º do CTN. Portanto aplicável no caso a regra decadencial do art. 173, I, do CTN. Definida a regra aplicável, importa determinar a data da ocorrência do fato gerador do IRPF. Fl. 346DF CARF MF 10 Tal matéria já encontrase pacificada no âmbito deste Conselho, inclusive com a edição da súmula CARF nº 38: Súmula CARF nº 38 (VINCULANTE): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. Considerando que o fato gerador do lançamento de IRPF por omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, para o ano calendário 2002, ocorreu em 31 de dezembro de 2002, o lançamento poderia ter sido constituído até 31/12/2008, nos termos do art. 173, I do CTN. Tendo a ciência pessoal ocorrido em 29/09/2008, constatase não decaído o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário. Portanto, deixo de acolher a preliminar de decadência para o anocalendário 2002. Mérito Erro na Apuração da Base de cálculo Alega o recorrente que teria comprovado que os valores referente a omissão de rendimentos decorrente de atividade rural através da apresentação das Notas Fiscais nº 93, 96 e 101 da Algodoeira Amazonas e que os valores dos depósitos do Banco do Brasil deveriam ser excluídos do lançamento pela falta de intimação do cotitular. Sobre os depósitos da conta corrente do Banco do Brasil, os valores já foram excluídos do lançamento pelo acórdão recorrido, por falta de intimação do cotitular, não havendo mais discussão sobre essa matéria. Sobre a omissão de rendimentos decorrente de atividade rural, não há que se falar em erro da base de cálculo, uma vez que a apuração foi determinada nos termos do art. 60, § 2º , do Decreto nº 3000/99, conforme explicitado no relatório da autuação: Em 28 de novembro de 2007 o contribuinte apresentou as seguintes explicações e documentos: que a conta do Banco Bradesco era quase exclusivamente para depósitos originários de sua atividade rural, conforme pretendeu comprovar com a juntada de notas de compra emitidas pelas empresas Algodoeira Amazonas, CNPJ 01.227.240/000196 (N.F. 00093; 00096; 00101). Intimado a apresentar comprovação de seus gastos com a atividade rural, o contribuinte não atendeu a intimação. Quanto a empresa Algodoeira Amazonas, CNPJ 01.227.240/000196, apresentou movimentação de compra e venda de produção rural, tendo sido constatado que, em tese, a atividade mercantil da empresa suportaría tais transações; assim, uma vez que não há comprovação dos gastos com o custeio da produção, a base de cálculo foi arbitrada na forma do art. 60 §2° do Regulamento do Imposto. de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99. (grifamos) Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10283.720960/200880 Acórdão n.º 2301005.055 S2C3T1 Fl. 7 11 Nenhum outro documento foi trazido pelo recorrente, seja na impugnação, seja no recurso ora manejado, que pudesse comprovar os gastos decorrentes da atividade rural. Meras alegações sem prova documental não tem o condão de afastar o lançamento efetuado. Sem razão o recorrente. Depósitos Bancários No mérito o contribuinte se insurge contra a cobrança de IRPF sobre depósitos bancários, alegando que "o fato imponível é, justamente, a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza". Sustenta, também, que seria necessário o confronto entre entradas e saídas e ainda a demonstração do acréscimo patrimonial, sendo "imperiosa a comprovação da utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, como dito, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos!" Cita jurisprudência e argui a aplicação da Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que considerava ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado apenas com base em extratos e depósitos bancários. No caso sob análise, têmse que a Fiscalização constatou a ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada, apurando IRPF com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 348DF CARF MF 12 II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. [...] Quanto ao inciso I do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1997, os valores ali definidos foram atualizados pela Medida Provisória n° 1.5637, de 1997, convertida na Lei nº 9.481, de 1997, para, respectivamente, R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00. Notese que o citado art. 42 da Lei nº 9.430/1996 estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Referida presunção impõe o lançamento do imposto correspondente quando o titular de conta bancária não comprove, mediante documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos que lhe tenham sido creditados. Assim, não há que se falar em ilegitimidade do lançamento, tampouco em ofensa ao princípio da capacidade contributiva. Na hipótese referida no caput do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, o ônus probatório decorrente da presunção legal de omissão de rendimentos revertese em desfavor do contribuinte, o qual necessita comprovar a origem jurídica dos valores transitados por sua conta bancária para se elidir da tributação. Tratase, pois, de presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo ao sujeito passivo sua produção. Ademais, o inciso I do § 3° do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, expressamente dispõe que, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos devem ser analisados separadamente, com a apresentação de documentos que demonstrem a sua origem e a indicação de datas e valores coincidentes. Antes de vigorar o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, cabia ao Fisco, nos estritos termos do § 5° do art. 6° da Lei n° 8.021/90, não apenas constatar a existência dos depósitos, mas estabelecer uma conexão entre estes depósitos e alguma exteriorização de riqueza (caracterização de disponibilidade econômica de renda ou proventos) e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse ter dado ensejo à omissão de receitas. Esse era o entendimento adotado pela Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos que, por ter sido editada sob a égide de normas pretéritas e completamente diversas daquelas vigentes à época da ocorrência do fato gerador do tributo objeto do lançamento, não é aplicável ao caso em exame. Inclusive, a jurisprudência administrativa deste Conselho, tem se consolidado em sentido completamente oposto ao que aduz o recorrente, ou seja, que os lançamentos decorrentes de depósitos bancários de origem não identificada dispensam, inclusive, a necessidade de comprovação, por parte do fisco, da utilização dos recursos provenientes desses depósitos como renda consumida, conforme a Súmula CARF nº 26: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10283.720960/200880 Acórdão n.º 2301005.055 S2C3T1 Fl. 8 13 Assim, não há que se falar em ilegalidade do lançamento, tampouco em ofensa ao princípio da capacidade contributiva. Portanto, não assiste razão ao recorrente. Multa aplicada. Confisco. Alega o Recorrente a ilegalidade da cobrança da multa aplicada por ser de caráter confiscatório. A alegação do Recorrente de ofensa aos princípios constitucionais não será apreciada, pois o exame da obediência das leis tributárias a esses princípios é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Multa de ofício qualificada. A comprovação da fraude já foi analisada em tópico anterior (decadência) , mostrandose cabível a aplicação da multa de ofício com a qualificadora prevista na Lei nº 9.430/96, quando fica evidenciada a prática dolosa, pelo sujeito passivo, de fraude, sonegação ou conluio. Portanto, mantenho a multa aplicada. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso interposto, para rejeitar as preliminares e, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35564.005833/2006-60
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL
Na aferição acerca da existência de divergência jurisprudencial, não basta que os acórdãos recorrido e paradigma tratem da mesma matéria, sendo imprescindível que se constate a similitude fática entre os julgados postos em comparação. Soluções diversas em face de situações fáticas diferentes, ainda que gravitem em torno do mesmo tema, não caracterizam dissídio interpretativo.
Numero da decisão: 9202-005.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL Na aferição acerca da existência de divergência jurisprudencial, não basta que os acórdãos recorrido e paradigma tratem da mesma matéria, sendo imprescindível que se constate a similitude fática entre os julgados postos em comparação. Soluções diversas em face de situações fáticas diferentes, ainda que gravitem em torno do mesmo tema, não caracterizam dissídio interpretativo.
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SÚMULA CARF Nº 99. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA ULTRAGAZ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL Na aferição acerca da existência de divergência jurisprudencial, não basta que os acórdãos recorrido e paradigma tratem da mesma matéria, sendo imprescindível que se constate a similitude fática entre os julgados postos em comparação. Soluções diversas em face de situações fáticas diferentes, ainda que gravitem em torno do mesmo tema, não caracterizam dissídio interpretativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 56 4. 00 58 33 /2 00 6- 60 Fl. 1063DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD nº 37.012.0041, às efls. 05 a 174, cientificado à contribuinte em 31/10/2006 (efl. 05), com relatório fiscal da infração às efls. 183 a 187. A autuação foi lavrada para exigir os créditos relativos: à contribuição patronal (20%), à contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT (3%), e às contribuições destinadas a terceiros (3,3%): INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE, incidentes sobre o montante dos prêmios pagos aos empregados da Notificada por intermédio dos cartões de premiação vinculados à realização de metas de vendas ou campanhas préestabelecidas, tais pagamentos caracterizam salário de contribuição indireto e tampouco foram informados em GFIP. O crédito lançado atingiu o montante de R$ 6.196.430,56, consolidado na data de 30/10/2006. O lançamento de obrigação principal foi impugnado, às efls. 232 a 263, em 16/11/2006. Em virtude das alegações da impugnação, o processo foi encaminhado para diligência que alterou os valores mantidos na NFLD apenas em relação a pedido de parcelamento da contribuinte para parte dos débitos em discussão. O parcelamento foi relativo ao período de 10/2001 a 12/2005. Já a 11ª Turma da DRJ/SPOII, no acórdão nº 1721.257, prolatado em 16/10/2007, às efls. 765 a 785, considerou, por unanimidade, o lançamento procedente em parte, retificando o crédito tributário exigido, para o montante de R$ 4.979.324,43, em face dos resultados da diligência realizada e considerando o prazo decadencial de dez anos, em face da legislação e jurisprudência vigentes à época. Em virtude dos valores exonerados foi interposto recurso de ofício à decisão. O recorrente apresentou pedido de desistência parcial do processo em epígrafe DEBCAD 37.012.0051, efls. 805 e 806, tendo em vista adesão de parte do débito ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009, sendo que a parte incluída no parcelamento referese ao período de 10/2001 a 12/2005. Outrossim, sobre os valores remanescentes, que não foram objeto de parcelamento, os quais perfazem o montante de R$ 640.812,65, ratificase o pedido formulado com a relação a necessidade de exclusão dos valores indevidamente mantidos na NFLD em tela, já que eles também fazem parte de nova NFLD 37.012.0060, objeto de desmembramento. Houve manifestação da unidade da Receita Federal do Brasil, no sentido de proceder ao desmembramento da parte objeto de parcelamento e da parte remanescente para, em entendendo, interpor recurso, contudo solicitou esclarecimentos quanto a alguns dos valores confessados, efls. 820 a 822. A empresa manifestou no sentido de estarem corretos os apontamentos do auditor, solicitando a inclusão dos mesmos no parcelamento pretendido, efls. 825 e 826. Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 35564.005833/200660 Acórdão n.º 9202005.456 CSRFT2 Fl. 1.064 3 Ainda inconformada, em 10/06/2010, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 845 a 860, alegando, em apertada síntese: § retirado dos nomes dos sócios da lista dos co responsáveis; § exclusão dos valores desmembrados em face da diligência e de parcelas não decaídas mas que foram incluídas em novo parcelamento; § decadência dos valores lançados referentes a períodos anteriores a outubro de 2001, com base na Súmula Vinculante nº 8 do STF. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 20/10/2010, resultando no acórdão 240101.425, às efls. 307 a 321, que tem a seguinte ementa: CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS EMPREGADOS. A verba paga pela empresa aos segurados EMPREGADOS por intermédio de programa de incentivo, administrativo por empresas de premiação é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. (...) PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN. Constatandose antecipação de recolhimento ou quando, com base nos autos, não há como a se concluir sobre essa questão, devese aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4. do art. 150 do CTN. CUSTEIO NFLD INDICAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS EXIGÊNCIA DAS NORMAS PREVIDENCIÁRIAS INAPLICÁVEL EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal Previdenciário, nos termos do art.. 660, da IN 03/2005, os seguintes relatórios e documentos: X Relação de Co Responsáveis (CORESP), que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. Fl. 1065DF CARF MF 4 O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que votou por declarar a decadência até a competência 11/2000. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que consideram ser irrelevante a antecipação de pagamento; e II) Por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício. RE da Fazenda Nacional Cientificada do acórdão, em 03/03/2011 (efl. 943), a Procuradoria da Fazenda Nacional, em 16/03/2011, manejou recurso especial de divergência (efls. 945 a 953) ao citado acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimentos firmados no CARF em critério de apuração do prazo decadencial. A divergência relativa foi assim destacada pela Procuradora,à efl. 948: A Câmara a quo entendeu que, restando inviável concluirse pela existência ou não de recolhimento de contribuições, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN. Diferentemente, a Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes firmou posicionamento no sentido da aplicação do art. 173, I, do CTN na hipótese de dúvida acerca da ocorrência ou não de pagamento antecipado.. Foi indicado como paradigma da divergência para a matéria o acórdão nº 20501497. Por fim, a Procuradora requer o conhecimento e o provimento do recurso especial de divergência para reformar o acórdão recorrido a fim de que se aplique o art. 173, inc. I, do CTN para contagem do prazo decadencial em relação a todas as competências. O RE da Fazenda foi apreciado pelo então Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho nº 2400170/2011, às efls. 969 e 970, datado de 21/03/2011, entendendo por lhe dar seguimento, em face do cumprimento dos requisitos regimentais. Contrarrazões da contribuinte Em 29/08/2011 (efl. 994), a contribuinte foi intimada do acórdão nº 2401 01.425, do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e do despacho nº 2400170/2011, por meio da Intimação nº 1065/2011 (efl. 980) e apresentou contrarrazões em 12/09/2011, às efls. 996 a 1000. Inicia sua argumentação pleiteando que não seja conhecido do recurso especial da Fazenda, em razão de o acórdão paradigma apresentado e o acórdão recorrido não tratarem de mesma situação fática, uma vez que este trata de valores verificados na contabilidade da empresa e aquele de arbitramento de valores da NFLD, com certeza da inexistência de pagamentos. Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 35564.005833/200660 Acórdão n.º 9202005.456 CSRFT2 Fl. 1.065 5 Na sequência, volta a invocar o critério do art. 150, § 4º, do CTN para contagem decadencial neste processo, haja vista a existência de declaração em GFIP e pagamentos de parcelas do tributo devido. Por fim, requer a manutenção do acórdão recorrido em relação a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo. Há que se considerar, que tanto o acórdão recorrido quanto o recurso especial são anteriores à edição da Súmula nº 99 do CARF, que foi em 09/12/2013. Assim, a discussão ainda tinha contornos duvidosos acerca de pagamentos relativos a fato gerador ou rubricas que compunham um mesmo fato gerador (situação em análise, quando parcelas que comporiam o salário de contribuição não foram incluídas em GFIP). Com a edição da Súmula se tem a determinação: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.(Grifei.) Assim, existindo prova de recolhimento de parcela relativa a um fato gerador, há que se contar o prazo decadencial de acordo com o art. 150, § 4º do CTN. Todavia, não me parece que paradigma ou recorrido divirjam quanto à interpretação da Lei, a aplicabilidade do art. 150, § 4º, em face da existência de pagamento. Com efeito: no paradigma, têmse por fato comprovado que o pagamento inexiste no caso concreto e no recorrido, afirmase que, em havendo dúvida da existência do pagamento, a prova caberia à Fazenda. Por isso, entendo que não se estabelece a divergência, pois os acórdãos não enfrentam uma mesma questão. Com base nesse entendimento, não vejo como conhecer do recurso especial de divergência para situação fática distinta, pela qual não se pode chegar a um conflito de Fl. 1067DF CARF MF 6 interpretação na aplicação da norma, não saberíamos qual seria a posição do paradigma, caso houvesse dúvidas quanto a existência de pagamentos. Conclusão Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendo do acórdão recorrido. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial de divergência da Procuradora da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1068DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.907900/2012-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2009
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.808
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/2009 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1599; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10875.907900/201296 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.808 – 3ª Turma Sessão de 22 de março de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2009 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3801003.807, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 79 00 /2 01 2- 96 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10875.907900/201296 Acórdão n.º 9303004.808 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto ao entendimento adotado no acórdão recorrido de não acatar a compensação declarada por considerar que o ônus da prova do crédito alegado é do contribuinte, mesmo após a apresentação de DCTF retificadora. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.207 e 3302002.378. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.792, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10875.907897/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.792): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, diferentemente do que exarado no seu exame, que o recurso especial não deve ser conhecido. É que se passa a demonstrar. No acórdão recorrido, afastouse a pretensão do contribuinte de compensar valores de PIS pago a maior, ao fundamento de que não restou demonstrada a liquidez e a certeza do crédito. É como constou do seu voto condutor: Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10875.907900/201296 Acórdão n.º 9303004.808 CSRFT3 Fl. 4 3 O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. (...) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tão somente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. (g.n.) Portanto, a alegação de erro no preenchimento da DCTF não foi acompanhada da sua necessária comprovação e da origem do crédito vindicado. O contribuinte não se desincumbiu de demonstrar o erro que suscitou ter cometido. A nosso juízo, este entendimento está repisado nos acórdãos paradigmas, consoante indicam as suas próprias ementas. Vejam: Acórdão nº 3302002.207: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10875.907900/201296 Acórdão n.º 9303004.808 CSRFT3 Fl. 5 4 Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Acórdão nº 3302002.378: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, o ordenamento jurídico permite sua retificação, razão pela qual as DCTFs retificadas não podem ser simplesmente ignoradas pelas autoridades fazendárias por prevalência do princípio da verdade material. Acatados os indícios, caberá ao contribuinte demonstrar que as informações constantes na DCTF retificada estão erradas, com a apresentação da documentação suporte necessária. Recurso Voluntário Parcialmente Deferido. No primeiro paradigma, dizse que, se o contribuinte demonstra que as informações que constam da DCTF retificada estão equivocadas, não pode a fiscalização ignorálas; no segundo, que, retificada a DCTF, caberá ao contribuinte demonstrar o erro que no seu preenchimento cometera. Em resumo: todos os acórdãos, recorrido e paradigmas, consolidam o mesmo entendimento: a retificação da DCTF deve ser acompanhada da comprovação do erro perpetrado na retificada, de modo que cabe ao contribuinte o ônus da prova do crédito reclamado, cuja compensação eventualmente requeira. Não há, pois, divergência, a viabilizar a admissibilidade do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial do Contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720616/2014-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO
Não cabe alegar a nulidade do lançamento quando o auto de infração encontra-se formalizado com observância do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. A propalada modificação de critério jurídico para o lançamento não se encontra albergada no referido dispositivo legal. Ademais, o lançamento constitui norma individual e concreta de tributação. A ausência de lançamento em períodos anteriores ao fiscalizado é a ausência dessa norma individual e concreta, que somente passou a existir após o lançamento ora questionado. Assim, não há vinculação entre um posicionamento dito tácito de não lançamento com a oposição expressa materializada pela exigência imposta pelo presente processo administrativo.
DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. ARRENDAMENTO MERCANTIL.
O valor residual garantido pago antecipadamente - VRGA e o valor residual garantido pago de forma diluída - VRGD, despendidos efetivamente pelo arrendatário, não integram o custo de aquisição dos bens arrendados, razão pela qual não compõem o seu valor depreciável. Por essa razão, não podem gerar despesas de depreciação.
SUPERVENIÊNCIAS DE DEPRECIAÇÃO. CESSÃO DE CONTRATOS DE ARRENDAMENTO MERCANTIL. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO.
As superveniências de depreciação apuradas pela cedente de contratos de arrendamento mercantil, no momento da celebração do contrato de cessão, não integram o valor depreciável dos bens objeto dos respectivos ajustes negociados. Ao se integrarem ao preço pactuado e se constituírem em "perdas" ou encargos suportados pela cessionária em favor da cedente, poderão ser amortizadas pelo prazo restante de duração dos respectivos contratos cedidos.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL.
A inexatidão quanto ao período-base de escrituração de despesas que impliquem em postergação do pagamento do imposto enseja a cobrança de multa e juros de mora. Nesse caso, os pagamentos devem ser imputados proporcionalmente às parcelas que compõem o crédito tributário (principal, multa e juros), passando a ser exigível eventual saldo devedor daí resultante.
Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA.
A multa de lançamento de ofício constitui-se em débito para com a União, possuindo natureza de obrigação tributária principal. Assim, absolutamente correta a interpretação de que, sobre referida penalidade, devem incidir juros à taxa SELIC, desde o seu vencimento.
Numero da decisão: 1402-002.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para reconhecer a legitimidade da imputação proporcional e rejeitar a preliminar de nulidade. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que votou por dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO Não cabe alegar a nulidade do lançamento quando o auto de infração encontra-se formalizado com observância do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. A propalada modificação de critério jurídico para o lançamento não se encontra albergada no referido dispositivo legal. Ademais, o lançamento constitui norma individual e concreta de tributação. A ausência de lançamento em períodos anteriores ao fiscalizado é a ausência dessa norma individual e concreta, que somente passou a existir após o lançamento ora questionado. Assim, não há vinculação entre um posicionamento dito tácito de não lançamento com a oposição expressa materializada pela exigência imposta pelo presente processo administrativo. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. ARRENDAMENTO MERCANTIL. O valor residual garantido pago antecipadamente - VRGA e o valor residual garantido pago de forma diluída - VRGD, despendidos efetivamente pelo arrendatário, não integram o custo de aquisição dos bens arrendados, razão pela qual não compõem o seu valor depreciável. Por essa razão, não podem gerar despesas de depreciação. SUPERVENIÊNCIAS DE DEPRECIAÇÃO. CESSÃO DE CONTRATOS DE ARRENDAMENTO MERCANTIL. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO. As superveniências de depreciação apuradas pela cedente de contratos de arrendamento mercantil, no momento da celebração do contrato de cessão, não integram o valor depreciável dos bens objeto dos respectivos ajustes negociados. Ao se integrarem ao preço pactuado e se constituírem em "perdas" ou encargos suportados pela cessionária em favor da cedente, poderão ser amortizadas pelo prazo restante de duração dos respectivos contratos cedidos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. A inexatidão quanto ao período-base de escrituração de despesas que impliquem em postergação do pagamento do imposto enseja a cobrança de multa e juros de mora. Nesse caso, os pagamentos devem ser imputados proporcionalmente às parcelas que compõem o crédito tributário (principal, multa e juros), passando a ser exigível eventual saldo devedor daí resultante. Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A multa de lançamento de ofício constitui-se em débito para com a União, possuindo natureza de obrigação tributária principal. Assim, absolutamente correta a interpretação de que, sobre referida penalidade, devem incidir juros à taxa SELIC, desde o seu vencimento.
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NULIDADE DO LANÇAMENTO. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO Não cabe alegar a nulidade do lançamento quando o auto de infração encontrase formalizado com observância do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. A propalada modificação de critério jurídico para o lançamento não se encontra albergada no referido dispositivo legal. Ademais, o lançamento constitui norma individual e concreta de tributação. A ausência de lançamento em períodos anteriores ao fiscalizado é a ausência dessa norma individual e concreta, que somente passou a existir após o lançamento ora questionado. Assim, não há vinculação entre um posicionamento dito tácito de “não lançamento” com a oposição expressa materializada pela exigência imposta pelo presente processo administrativo. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. ARRENDAMENTO MERCANTIL. O valor residual garantido pago antecipadamente VRGA e o valor residual garantido pago de forma diluída VRGD, despendidos efetivamente pelo arrendatário, não integram o custo de aquisição dos bens arrendados, razão pela qual não compõem o seu valor depreciável. Por essa razão, não podem gerar despesas de depreciação. SUPERVENIÊNCIAS DE DEPRECIAÇÃO. CESSÃO DE CONTRATOS DE ARRENDAMENTO MERCANTIL. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO. As superveniências de depreciação apuradas pela cedente de contratos de arrendamento mercantil, no momento da celebração do contrato de cessão, não integram o valor depreciável dos bens objeto dos respectivos ajustes negociados. Ao se integrarem ao preço pactuado e se constituírem em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 16 /2 01 4- 61 Fl. 6088DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.089 2 "perdas" ou encargos suportados pela cessionária em favor da cedente, poderão ser amortizadas pelo prazo restante de duração dos respectivos contratos cedidos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de despesas que impliquem em postergação do pagamento do imposto enseja a cobrança de multa e juros de mora. Nesse caso, os pagamentos devem ser imputados proporcionalmente às parcelas que compõem o crédito tributário (principal, multa e juros), passando a ser exigível eventual saldo devedor daí resultante. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A multa de lançamento de ofício constituise em débito para com a União, possuindo natureza de obrigação tributária principal. Assim, absolutamente correta a interpretação de que, sobre referida penalidade, devem incidir juros à taxa SELIC, desde o seu vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para reconhecer a legitimidade da imputação proporcional e rejeitar a preliminar de nulidade. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que votou por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Fl. 6089DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.090 3 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração de IRPJ relativo ao ano calendário 2009. A exigência tem origem e fundamento na análise empreendida pela Autoridade Fiscal sobre uma carteira de contratos de arrendamento mercantil que a Recorrente adquiriu de sua controlada, o Banco FINASA BMC S/A, em 19.12.2008 e 2.10.2009. Verificou a Autoridade Fiscal que a aquisição dos contratos de arrendamento mercantil realizada em dezembro de 2008 foi feita mediante o pagamento do preço de R$ 3.996.709.722,00. Estes contratos teriam gerado no ano de 2009 despesas de depreciação que contribuíram para redução da base de calculo do IRPJ em cerca de R$2,5 bilhões, ou seja, em um ano, as despesas relativas aos contratos corresponderiam a mais de 60% de seu valor de aquisição. Em contrapartida, assevera a Autoridade Fiscal, os mesmos contratos geraram receitas de cerca de R$ 720 milhões (excetuadas das rendas de arrendamento mercantil as receitas de superveniência de depreciação que não compuseram a base de cálculo de apuração do IRPJ). Desta forma, os contratos de arrendamento mercantil adquiridos no último mês de 2008, por cerca de R$ 4 bilhões, proporcionaram ao Banco Bradesco, em 2009, um prejuízo fiscal de cerca de R$ 1,78 bilhões, que, diminuindo os lucros das atividades rentáveis do banco, resultaram em um prejuízo fiscal no ano de mais de R$ 200 milhões, ou seja, o prejuízo fiscal das operações de arrendamento mercantil “eliminou” todo o lucro do banco do ano de 2009. Ao proceder à análise da referida cessão, a Autoridade Fiscal apontou inconsistências na contabilização e, consequentemente, na tributação dos resultados advindos desses contratos de arrendamento mercantil. Segundo a Autoridade Fiscal, "a forma de contabilização adotada pelo contribuinte para o registro de suas operações, especialmente quanto ao momento de apropriação das receitas e despesas próprias das operações, definiu de forma errônea a relação entre o 'Resultado Econômico da Operação' e o 'Resultado Tributável da Operação'”. Em síntese, as irregularidades apontadas pela Fiscalização foram as seguintes: 1) Apropriação indevida de custos dos bens arrendados, registrados como “depreciação”. 2) Apropriação indevida de perdas em operação de “Cessão de Contratos de Arrendamento”, apropriadas como se fossem “depreciações de bens”. 3) Desobediência ao “Regime de Competência”, exigido por Lei. Tomando como exemplo um dos milhares de contratos que fazem parte do acervo da Recorrente, o de nº 945432830, a Autoridade Fiscal iniciou a elaboração de seu raciocínio apontando as irregularidades cometidas pela Contribuinte ao contabilizar as receitas e despesas inerentes ao mesmo. Fl. 6090DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.091 4 Este exemplo serviu para demonstrar que a Recorrente teria apurado uma despesa com a depreciação do bem arrendado em valor superior ao devido. Abaixo, um extrato das principais informações a respeito do referido contrato: A depreciação teria sido apurada erroneamente pelo fato de que a sua base de cálculo (valor depreciável do bem) estaria inflada, superior à devida, pelo cômputo do Valor Residual Garantido pago Antecipadamente – VRGA no custo de aquisição do bem objeto do arrendamento. Segundo a Fiscalização, tal valor não poderia estar contido no valor depreciável, por não fazer parte da estruturação econômica da operação. Apenas para situar, o VRGA é pago pelo arrendatário diretamente ao lojista, quando da compra do bem, não transitando pelas contas bancárias ou caixa da Contribuinte arrendadora. Assim, não haveria porque se falar em recuperação de capital, por parte do arrendador, nem de retorno sobre este capital. Contabilmente, o “valor de entrada” ou VRGA (no exemplo R$ 4.000,00) é registrado no passivo do arrendador, lá permanecendo até o final da operação de arrendamento (a contrapartida contábil é feita no ativo, compondo, em última análise, o valor do bem arrendado). Segundo a Fiscalização, “Mesmo não fazendo parte da estruturação econômica da operação, para o arrendador, o valor de “entrada” é uma informação importante, que deve constar em suas demonstrações contábeis, sendo registrado no passivo como VRGAntecipado.” Prossegue a Fiscalização: A Portaria MF 140/84 determinou que o Valor Residual Garantido recebido antecipadamente fosse tratado como um passivo do arrendador, para efeitos de apuração do Imposto de Renda, todavia, a portaria não transformou um elemento definido pela ciência contábil como “Valor Residual” em outro elemento distinto. O VRG ou o preço de opção de compra, um ou outro, será sempre, o valor residual do bem, por ser o “montante líquido que a entidade espera, com razoável segurança, obter por um ativo no fim de sua vida útil, deduzidos os custos esperados para sua venda”, na forma conceituada pela ciência contábil. E mais, quando o arrendador exige o pagamento do Valor Residual Garantido VRG no início do contrato, o montante líquido que espera obter pelo ativo no final de sua vida útil passa da classificação de “razoável segurança” para classificação de “certeza” de recebimento, uma vez que, o valor já foi pago antecipadamente e encontrase na propriedade do arrendador. Fl. 6091DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.092 5 Caracterizado o VRGAntecipado como “Valor Residual” contábil, o mesmo não está sujeito à depreciação, pelas regras contábeis de apuração do lucro líquido das companhias. (...) Embora não descumpra a norma e registre contabilmente na forma determinada pelo Banco Central do Brasil, o contribuinte ignora completamente a função e o tratamento contábil do “Valor Residual” dos bens arrendados, quais sejam, caracterizar “o montante líquido que a entidade espera, com razoável segurança, obter por um ativo no fim de sua vida útil,...” e apurar, pela sua exclusão, o “Valor depreciável do bem”, como definido pela ciência contábil: “Valor depreciável, amortizável e exaurível é o custo de um ativo, menos o seu valor residual.” Voltando ao contrato de arrendamento nº 945432830 temos: Custo de Aquisição R$ 25.460,00 () Valor Residual___ R$ 4.000,00 (VRGAntecipado) (=)Valor Depreciável R$ 21.460,00 Segundo a Fiscalização, o Valor Depreciável deve ser dividido pelo período de vida útil do bem para determinação das quotas mensais de depreciação. Por esse raciocínio, a fórmula para depreciação pelo “Método das Quotas Constantes” para as operações de arrendamento mercantil financeiro seria definida como: Quota Mensal de Depreciação = Valor Depreciável__ Prazo de Depreciação Ou, para o contrato do exemplo: Depreciação = 21.460,00 = R$ 357,67 (quota mensal de depreciação) 60 Já o Contribuinte, adotaria a seguinte sistemática para o cálculo da depreciação: Quota Mensal de Depreciação = Preço de aquisição do bem Prazo de Depreciação QMD = 25.460,00 = R$ 424,33 60 Assim, para o contrato analisado, o contribuinte apresentaria, mensalmente, um excesso de depreciação no valor de R$ 66,66. Além de divergência quanto à metodologia adotada pela contribuinte para apurar a depreciação, conforme vimos acima, a Fiscalização também questiona a desobediência ao regime de competência para a apropriação da referida despesa. Segundo o Auditor Fiscal, “Em síntese, o regime de competência determina qual o momento de Fl. 6092DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.093 6 apropriação ou ‘realização da receita’ e obriga a ‘vinculação da despesa à receita’, quando estas são perfeitamente delineáveis. Assim, se há possibilidade de vinculação de uma despesa a uma receita, seus momentos de realização e apropriação contábil deverão obrigatoriamente ser os mesmos.” Ainda, segundo o Auditor Fiscal: Se os rendimentos produzidos pelo bem são as contraprestações de arrendamento e, ao final, o valor de sua venda, a cada qual se deve contrapor a parcela de apropriação referente à recuperação do custo do bem. Assim, o recebimento relativo a venda do bem deve se atrelar à respectiva recuperação de seu custo (no caso, pela baixa do valor residual e não por apropriação de despesa de depreciação – apuração de ganho de capital). O contribuinte realiza a apropriação contábil dos valores recebidos pela venda dos bens arrendados somente no final do prazo da operação de arrendamento, mas apropria o custo do bem, inclusive da parte que não foi por ele suportada (valor da entrada) durante o decorrer do prazo contratual, configurando, claramente, um desatendimento ao Regime de Competência. No caso sob análise, o VRGAntecipado, registrado no passivo do arrendador, foi utilizado somente no momento da venda do bem. Assim, se pudesse considerar a parte do custo do bem, paga pelo arrendatário, como uma despesa, esta somente seria apropriada naquele instante, em contrapartida à respectiva receita. O princípio contábil trata do confronto das despesas com as receitas, no período em que esta for reconhecida, e não o contrário. Assim, o erro contábil cometido pelo contribuinte está na apropriação de despesas relativas à recuperação do custo do bem, considerado contabilmente na operação de venda do bem. Independentemente do custo ter sido arcado pelo arrendatário, se considerado depreciável pelo arrendador, este não poderia desprezar o princípio contábil de confronto das despesas com as receitas. Para Ciência Contábil, os resultados econômicos próprios das operações de arrendamento e a venda do bem, intimamente ligadas pelo bem comum (no caso, o bem arrendado), não podem ser desvirtuados, por meio de manipulação contábil, para que resultado da primeira se apresente como negativo, mas que seja compensado por um resultado superavaliado da segunda operação. A contabilidade, como instrumento de aferição dos resultados econômico financeiros das entidades não pode ser utilizada para criação de resultados exclusivamente fiscais. Utilizamos o termo “resultados exclusivamente fiscais” uma vez que as companhias que realizam operações de arrendamento mercantil financeiro têm a forma de apresentação de suas demonstrações contábeis determinada por regaras do Banco Central do Brasil, especialmente por meio dos chamados “ajustes” de superveniência ou insuficiência de depreciação. Esses ajustes, segundo a Fiscalização, determinados pelo Banco Central do Brasil em decorrência do registro dos bens objetos de arrendamento no ativo do arrendador, são realizados pela criação de receitas ou despesas, conforme a diferença entre o resultado financeiro e o valor contábil dos contratos se apresente positiva ou negativa. Estas receitas e despesas, utilizadas como ajustes contábeis, foram denominadas por “receitas de superveniência de depreciação” e “despesas de insuficiência de depreciação” e representam a Fl. 6093DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.094 7 diferença entre os juros mensais das operações e as receitas e despesas apuradas de forma contábil como uma operação comercial. Assim, as empresas arrendadoras financeiras apuram seu Lucro Líquido de cada período de acordo com a Lei Comercial e normas de apuração emitidas pelo Banco Central do Brasil, considerando os ajustes determinados pelo plano de contas do Banco Central, apresentando assim seus resultados contábeis. Prossegue a Autoridade Fiscal, realçando que os ajustes do Banco Central não devem exercer influências na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda das companhias arrendadoras, contudo, a exposição desse tema, em apertada síntese, foi trazida à baila para demonstrar que não se pode atribuir às superveniências ou insuficiências de depreciação eventuais erros na apuração da base de cálculo do tributo. Ainda, os ajustes do Banco Central, ao possibilitar que os reflexos das operações de arrendamento nas demonstrações financeiras se dêem como operações financeiras, alcança o atendimento aos Princípios Contábeis que, embora, possam não ter sido previstos como normas fiscais, como os princípios contábeis albergados pelo Regime de Competência, devam também ser atendidos nas Demonstrações Contábeis. Para ilustrar suas conclusões, evidenciando a irregularidade da contabilização por parte da contribuinte relativamente às despesas com depreciação, a Fiscalização fez um exercício, simulando, para o contrato nº 0945432830 (exemplo já citado acima), os efeitos que tais ajustes deveriam trazer à contabilidade de tais operações. Abaixo, transcrevo as conclusões a que chegou a Fiscalização: A seguir apresentamos quadro com a apuração dos valores de superveniência e insuficiência de depreciação do contrato 0945432830. Consideramos apropriações mensais de juros e depreciação (no valor de R$ 367,67) ocorridas na mesma data. Observase que para o contrato com prazo igual ao período de vida útil adotado (60 meses), a superveniência e a insuficiência de depreciação se anulam (diferentemente da forma adotado pelo contribuinte, que ao final do prazo de 60 meses apresenta um saldo acumulado de superveniência de depreciação no valor de R$ 25.205,00). A última coluna, correspondente a Superveniência ou Insuficiência de Depreciação do contrato, é obtida pela Diferença entre o Valor Presente – VP das Contraprestações e o Valor Contábil do bem e o seu saldo no mês anterior. (...) Embora a forma de cálculo de valor da superveniência da operação realizado pelo contribuinte seja totalmente diferente do apresentado no quadro anterior, a presente auditoria das operações de arrendamento mercantil não tem por escopo verificar os procedimentos de apuração por ele adotados, uma vez os valores obtidos não podem interferir na apuração da base de cálculo do IRPJ. Entendemos que a exposição e análise das diferenças entre os procedimentos de cálculo da superveniência e insuficiência de depreciação gerariam mais confusões do que esclarecimentos, que ao final, para apuração do IRPJ seriam totalmente desnecessárias. Por todo o exposto, chegou a Fiscalização a uma primeira conclusão a respeito da análise que fez dos contratos de arrendamento adquiridos e geridos pela Contribuinte, e que reproduzo abaixo: Fl. 6094DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.095 8 Conclusão I Pelo exposto, em relação ao valor pago como entrada na aquisição do bem arrendado, registrado na conta contábil “bens de arrendamento”, demonstradas as suas características econômicas, concluímos que não devem ser apropriados contabilmente como despesas da operação de arrendamento mercantil. A contabilidade deve refletir os fatos econômicofinanceiros das entidades, de forma que a apuração dos resultados das entidades não permite que valores que não geram riqueza sejam registrados de forma a reduzir o valor de outros rendimentos. E mais, quando os recebimentos geram riquezas, as apropriações de despesas diretamente a elas delineáveis deve ser concomitante, aquelas em confronto destas. A apropriação do valor antecipado como despesa contábil, além de ser economicamente incorreta, foi feita de forma diversa às normas contábeis de depreciação, visto que o contribuinte desprezou o valor residual do bem em sua determinação, e em total desrespeito ao regime de competência determinado por lei, que abrange, especialmente, os princípios de reconhecimento das receitas e o do confronto das despesas às receitas diretamente delineáveis. Desta forma, realizamos a recomposição das bases de cálculo do imposto de renda incidente sobre as operações de arrendamento mercantil no ano de 2009, excluindo das bases de cálculo as despesas de depreciação criadas pelo contribuinte sobre os valores “recebidos” antecipadamente dos arrendatários para aquisição dos bens objeto de arrendamento. Vista a primeira inconsistência apurada pela Fiscalização, em relação às despesas apropriadas indevidamente a título de depreciação, passemos a discorrer sobre uma segunda irregularidade, verificada durante a auditoria, e que diz respeito aos impactos fiscais advindos da aquisição de carteiras de contratos de arrendamento mercantil com a apuração de perdas, ou prejuízos, que teriam sido amortizados irregularmente pela Recorrente. Como vimos no início do Relatório, as operações de arrendamento mercantil realizadas pela Recorrente no período auditado (2009) decorrem de duas operações de aquisições de contratos nas quais o Banco Bradesco S.A. figura como “CESSIONÁRIO”. A primeira operação de aquisição de carteira foi realizada em 29 de dezembro de 2008, relativa a 195.742 contratos de arrendamento mercantil, pelo valor de R$3.996.709.722,06 e a segunda operação, em 02 de outubro de 2009, relativa a 124.703 contratos, pelo valor de R$3.054.479.322,88, ambas de sua empresa controlada, Banco Finasa BMC S.A., CNPJ 07.207.996/000150. Intimada, a Recorrente apresentou os resumos dos lançamentos contábeis relativos às aquisições dos contratos. Abaixo reproduzimos, para efeito demonstrativo, a aquisição realizada em 19/12/2008: Fl. 6095DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.096 9 Conforme se pode verificar da tabela acima, a Recorrente pagou pela aquisição dos contratos o valor de R$3.996.709.722,06. Para a apuração do valor de aquisição considerou os valores registrados pelo cedente nas contas contábeis 2.3.2.30.00.8 – Superveniência de Depreciações, de R$1.400.098.986,57 e 4.9.9.08.00.8 – Credores por Antecipação de Valor ResidualVRG Recebido Parcelado, de R$ 2.473.193.846,25. Segundo a Fiscalização, a Recorrente teria informado que a operação de aquisição de contratos de arrendamento mercantil não resultou em ganho ou perda. Não foi o que constatou a Fiscalização, pois, ao incluir o valor registrado em contas de “Superveniência de Depreciações” no valor da negociação, a contribuinte realiza a apuração do valor da operação de cessão pelo Valor Presente (VP) das Contraprestações Contratuais, calculadas pela taxa interna de retorno dos contratos (uma vez que a referida conta foi criada pelo cedente para registrar os “ajustes” determinados pelo Banco Central do Brasil, apurando, assim, o resultado financeiro das operações de arrendamento mercantil). Como a forma de apuração do ganho ou perda na operação de cessão de contratos realizada pelo contribuinte incluiu o valor dos “ajustes” do Banco Central do Brasil, o Banco Bradesco teria, na verdade, observado uma perda na operação, a qual passou a incluir na apuração da depreciação (apropriando contabilmente como despesa) após a aquisição dos contratos. Ou seja, além de incluir no cálculo da depreciação dos bens objeto dos contratos adquiridos o VRGA, como já vimos anteriormente, também teria incluído nesse cômputo os valores registrados pela cedente a título de superveniência de depreciação. Assevera a Fiscalização que referida perda apresenta duas características que devem ser observadas e consideradas na apuração das bases de cálculo do Imposto de Renda: sua origem contábil e seu prazo de amortização. A “Cessão de Contratos de Arrendamento Mercantil” tem tratamento contábil específico regulado pelo Banco Central do Brasil, e previsto no Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – Cosif – Capítulo 1, Seção 7, item 6, que determina a apuração do ganho ou perda na operação com base no valor contábil dos bens. As regras de apuração não apresentam como base os valores registrados nas contas de “Superveniência de Depreciação” e de “Credores por Antecipação VRG”. Mas, embora não elencados na norma, tais valores foram utilizados pelo contribuinte para apuração do valor da negociação. Fl. 6096DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.097 10 Alerta a Fiscalização que não questiona a fundamentação econômica ou validade jurídica da utilização dos valores elencados no quadro de apuração da perda pelo contribuinte, apenas analisa e esclarece que as contas contábeis “Superveniência de Depreciação” e “Credores por Antecipação de Valores Residuais”, pela metodologia contábil utilizada pelo cedente, apresenta em sua composição valores que exigem tratamento contábil específico pelo adquirente dos contratos, que não distorçam a base de cálculo do Imposto de Renda. E traz como exemplo, novamente, a contabilização do contrato nº 0945432830 para demonstrar o procedimento adotado pelo contribuinte na apropriação das perdas apuradas com as aquisições de contratos de arrendamento mercantil: 1) Até o momento da cessão, as contas contábeis que registram elementos da operação de arrendamento mercantil apresentavam os seguintes saldos: Razonetes dos Valores Contábeis no cedente BENS DEPRECIAÇÃO ACUM SUPERVENIÊNCIA VRG 25.460,00 3.819,00 4.924,66 7.180,78 2) Ao receber os contratos (os bens) de arrendamento adquiridos, o cessionário – Banco Bradesco S.A. – procedeu aos seguintes lançamentos contábeis: BENS DEPRECIAÇÃO ACUM SUPERVENIÊNCIA VRG 30.384,66 3.819,00 0,00 7.180,78 VALORES A PAGAR 10.999,00* *Compõe o valor de R$ R$3.996.709.722,06, pagos pela cessão Assevera a Fiscalização: Verificase que, pelo procedimento contábil adotado pelo contribuinte, o valor de registro contábil do bem passou de R$25.460,00 para R$30.384,66. Fl. 6097DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.098 11 O contribuinte informou que o valor registrado é composto pelo “Valor de Aquisição do Bem em 02/01/2009” e pela “Superveniência de Depreciação até a data de Cessão em 02/10/2009” – “4.924,66”. Como afirmado, a “Cessão de Contratos de Arrendamento” tratase de uma operação comercial e não de uma operação contábil, ou seja, o cessionário adquire contratos (com seus direitos e deveres) e não “contas contábeis” do cedente. Assim, os valores que antes eram registrados pelo cedente como “Superveniência de Depreciação” não podem ser registrados da mesma forma pelo cessionário. Obviamente que o Banco Bradesco não realizou o registro do valor da Superveniência de Depreciação anteriormente registrada pelo cedente na mesma conta contábil de seu balanço, visto que se trata de uma conta destinada a “ajustes”. Todavia, o valor também não foi registrado como “perda na operação de aquisição”. Preferiu o contribuinte, realizar o registro do referido valor na mesma conta contábil que registra os bens objetos de arrendamento 2.3.2.10.70.5 – Veículos e Afins. A forma adotada pelo contribuinte faz com que o valor da conta contábil que deveria registrar os “Bens de Arrendamento” pelo seu valor de aquisição original passe a registrar também o valor na perda na operação de aquisição dos contratos de arrendamento – R$ 4.924,66, o que poderia ser feito da seguinte forma: BENS DEPRECIAÇÃO ACUM PERDAS NA AQUISIÇÃO VRG 25.460,00 3.819,00 4.924,66 7.180,78 Por esse raciocínio, a contribuinte teria “ativado” o valor da perda na aquisição dos contratos, sob a rubrica de “Bens Arrendados” (procedimento não homologado pela fiscalização), passando, a partir de então, a proceder a depreciação das perdas na aquisição de contratos juntamente com a depreciação do bem. E, segundo a Fiscalização, tais perdas devem seguir as regras de apropriação contábil aplicáveis à amortização. Assim, se os contratos adquiridos apresentam recebimento de receitas até o seu término, este deve ser o prazo de amortização das perdas verificadas em sua aquisição. A Recorrente teria utilizado como prazo para apropriação das perdas o prazo restante de vida útil adotado para os bens, que é inferior ao prazo restante dos contratos. Observa, também a Autoridade Fiscal, que a apropriação das despesas relativas às perdas não foram feitas em confronto com as receitas as quais se referem (regime competência). Vejamos o que ela diz a respeito: Verificase na aquisição do contrato 0945432830 que o valor das contas contábeis “Credores por antecipação do VRG”, no valor de R$7.180,78 e “Superveniência de Depreciação”, no valor de R$4.924,66, foram utilizadas para determinação do valor a ser pago pelo contrato. Analisandose a origem dos saldos da conta “Superveniência de Depreciação” (no exemplo trazido, de R$ 4.924,66), pela forma que foram originalmente apurados pelo cedente, verificase que eles podem ser decompostos em dois valores: Fl. 6098DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.099 12 • O valor efetivo da superveniência de depreciação, apurado de sua forma correta pela diferença entre os juros da operação financeira e o valor contábil do bem, e; • O valor das parcelas de VRGDiluído do contrato. SUPERV. DEPRECIAÇÃO (CEDENTE) VRG Diluído 3.180,78 Dif. Juros 1.743,88 _______ Saldo Contábil 4.924,66 Contabilmente, o mesmo valor do VRGDiluído era registrado no passivo, na conta contábil “Credores por antecipação do VRG”, que na data da cessão apresentava o saldo de R$ 7.180,78, correspondente ao VRGantecipado e as 9 parcelas de VRG Diluído (9 x R$ 353,42) pagas pelo arrendatário até o momento da cessão do contrato: CREDORES POR VRG 4.000,00 VRGAntecipado 3.180,78 VRGDiluído _______ 7.180,78 Observase que o valor de R$ 3.180,78 aparece nas duas contas contábeis (Superv. de Depreciação e Credores por VRG). Efetivamente, ao adquirir os contratos de de arrendamento mercantil, o Banco Bradesco não pagou pelo valor do VRGDiluído que se encontrava registrado na conta de “Superveniência de Depreciações”, pois na apuração dos “Valores a Pagar” à sua coligada (cedente) realizou a exclusão do mesmo valor por meio da diminuição da conta contábil “Credores por Antecipação de Valor Residual – VRG Recebido Parcelado”. Ao supostamente “adquirir as duas contas” (na verdade, os seus valores), o Banco Bradesco considerou o VRGDiluído, que estava registrado na conta de Superveniência, como “Perda na Aquisição dos Contratos”. E trouxe também o valor do VRGDiluído que estava na conta “Credores por VRG” para a correspondente conta contábil, Embora não tenha pago qualquer valor pelo VRGDiluído, quer o contribuinte considerar o valor como uma perda amortizável durante o decorrer do contrato de arrendamento e o valor descontado (Credores por VRGDiluído) da operação de aquisição dos contratos como uma valor apropriável na operação de venda do bem, ambos compensandose, porém em regimes de apropriação totalmente diversos: • Como já visto, os valores correspondentes às perdas na aquisição dos contratos passaram a ser apropriadas mensalmente – Depreciadas juntamente com os bens; • A baixa dos valores da contrapartida, registrados na conta de passivo “Credores por VRG” foi realizada pelo contribuinte somente no momento da venda do bem. Fl. 6099DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.100 13 Mais uma vez observase o descompasso entre o reconhecimento das receitas e das despesas na apuração do resultado contábil. (...) Assim, procedi a recomposição das bases de cálculo do IRPJ de 2009, excluídos os valores erroneamente apropriados neste período, relativos a parcela correspondente ao VRGDiluído que compunha a “superveniência adquirida”, ou a perda na aquisição dos contratos. O valor de R$ 1.743,88, do exemplo, pode ser considerado como “perda” na operação de aquisição dos contratos e pode ser amortizado pelo prazo restante do contrato de arrendamento, em confronto com as receitas das contraprestações. Por todo o exposto, chegou a Fiscalização a uma segunda conclusão a respeito da análise que fez dos contratos de arrendamento adquiridos e geridos pela Contribuinte, e que reproduzo abaixo: Conclusão II Face ao exposto, concluímos que as perdas verificadas pelo Banco Bradesco S.A. na aquisição dos contratos de arrendamento mercantil devem ser consideradas na apuração das bases de cálculo do IRPJ. Contudo, tais perdas devem seguir o regime de apropriação relativo às amortizações, pelo prazo restante de cada contrato adquirido. E mais, as perdas devem atender ao princípio do confronto das despesas com as receitas e, sendo um componente das perdas proveniente da contrapartida de lançamento de Valor Residual Garantido Diluído, originalmente registrado pelo cedente e substituído por igual registro pelo adquirente, a recuperação do capital aplicado na aquisição de direitos (nos termos do art. 183 da Lei 6.404/76) deve ser feita no momento em que o contribuinte reconhecer o correspondente valor registrado no passivo (o que só foi feito no momento da venda do bem, quando o saldo da conta credores por VRG é baixado). A apuração dos valores sujeitos ao lançamento do crédito de IRPJ foi realizada pela recomposição das bases de cálculo do tributo do ano de 2009, considerando as irregularidades cometidas pelo contribuinte, e demonstradas no Termo de Verificação Fiscal. Em resumo são elas, de acordo com a Fiscalização: 1. Exclusão das despesas de depreciação do VRGAntecipado; 2. Exclusão das despesas de amortização das perdas na aquisição de contratos, que se refiram aos mesmos valores registrados na conta Credores por VRGDiluído, embutido no valor das perdas consideradas pelo contribuinte; e 3. Exclusão das despesas de amortização das perdas na aquisição de contratos, que se refiram aos valores depreciados juntamente com os bens de arrendamento em prazo inferior ao prazo restante dos contratos. Fl. 6100DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.101 14 Foram analisados 306.709 contratos, vigentes em 31/12/2009. Tais contratos foram divididos em 02 grupos: Grupo 1 (adquiridos em 19/12/2008) e Grupo 2 (adquiridos em 02/10/2009). Foram apurados os seguintes valores relativos aos excessos de despesa de depreciação e amortização relativas aos contratos dos Grupos 1 e 2, bem assim o ano correto para sua apropriação, haja vista o disposto nos arts. 273 e 247, § 2º (que tratam da postergação do imposto): ANO DA POSTERGAÇÃO GRUPO 1 GRUPO 2 TOTAL 2010 268.100.648,31 268.100.648,31 2011 478.649.671,28 100.991.926,64 579.641.597,92 2012 492.083.180,44 109.130.327,95 601.213.508,39 2013 540.901.423,72 75.265.936,94 616.167.360,66 2014 OU POSTERIOR 19.496.579,99 24.125.734,67 43.622.314,66 TOTAL 1.799.231.503,74 309.513.926,20 2.108.745.429,94 Por sua vez, foi feita a recomposição das bases de cálculo do IRPJ de 2009 a 2014, conforme o quadro abaixo: 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Lucro Real 201.420.900,13 429.080.912,37 313.701.236,34 758.813.598,33 6.271.460.776,34 Desp.antecipadas G1 1.799.231.503,74 268.100.648,31 478.649.671,28 492.083.180,44 540.901.423,72 19.496.579,99 Desp.antecipadas G2 309.513.926,20 100.991.926,64 109.130.327,95 75.265.936,94 24.125.734,67 Lucro Real Corrigido 1.907.324.529,81 697.181.560,68 265.940.361,58 157.600.089,94 6.887.628.137,00 43.622.314,66 Comp. de prejuízos 512.844.554,35 47.280.026,98 Base Tributável 1.394.479.975,46 110.320.062,96 Imposto Devido 15% 16.548.009,44 Adicional IR 10 % 11.008.006,30 Total IR Devido 27.556.015,74 IR apurado pelo contribuinte 61.008.643,07 17.337.246,20 Saldo de prejuízo fiscal 697.181.560,68 963.121.922,26 915.841.895,28 7.803.470.032,28 Tratando da postergação do imposto, o Auditor Fiscal fez as seguintes observações: No ano de 2011 o contribuinte apresenta em sua DIPJ a seguinte informação de Imposto de renda “lançado” em 2011 (ficha 12B): IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01.À Alíquota de 15% 47.055.185,45 02.Adicional 31.346.123,63 DEDUÇÕES 0,00 Fl. 6101DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.102 15 03.() Operações de Caráter Cultural e Artístico 366.811,60 04.() Programa de Alimentação do Trabalhador 366.811,60 05.() Atividade Audiovisual 0,00 06.() Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente 91.702,90 07.() Fundos Nacional, Estaduais ou Municipais do Idoso (Lei nº 12.213/2010) 0,00 08.() Atividades de Caráter Desportivo 91.702,90 09.() Valor Remuneração da Prorrogação LicençaMaternidade (Lei nº 11.770/2008) 8.184.361,11 10.() Imp. Pago no Ext. s/ Lucros, Rend. e Ganhos de Capital 8.291.275,90 11.() Imp. de Renda Ret. na Fonte 152.272.731,67 12.() IR Retido na Fonte por Órgãos, Aut. e Fund. Federais (Lei nº 9.430/1996) 674.548,91 13.() IR Retido na Fonte p/ Demais Ent. da Adm. Púb. Fed. (Lei n° 10.833/2003) 0,00 14.() Imp. Pago Incidente sobre Ganhos no Mercado de Renda Variável 0,00 15.() Imp. de Renda Mensal Pago por Estimativa 1.540.923.817,14 16.() Parcelamento Formalizado de IR sobre a Base de Cálculo Estimada 0,00 17. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 1.632.862.454,65 Nos exatos termos da norma legal, (art. 273 do RIR/99) as “Deduções”, exceto o IRRF (itens 11 e 12 ), não se caracterizam como “Imposto de Renda lançado”. Desta forma, para o ano de 2011 o contribuinte “lançou” efetivamente como Imposto de Renda o valor de R$ 61.008.643,07 No ano de 2012 o contribuinte apresenta em sua DIPJ a seguinte informação de Imposto de renda "lançado" em 2012 (ficha 12B): IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01.À Alíquota de 15% 83.614.777,08 02.Adicional 55.719.184,72 DEDUÇÕES 03.() Operações de Caráter Cultural e Artístico 678.157,08 04.() Programa de Alimentação do Trabalhador 678.157,08 05.() Atividade Audiovisual 0,00 06.() Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente 169.539,27 07.() Fundos Nacional, Estaduais ou Municipais do Idoso (Lei nº 12.213/2010) 0,00 08.() Atividades de Caráter Desportivo 169.539,27 09.() Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica PRONON (Lei nº 12.715/2012, arts. 1º e 4º) 0,00 10.() Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência PRONAS/PCD (Lei nº 12.715/2012, arts. 3º e 4º) 0,00 11.() Valor Remuneração da Prorrogação LicençaMaternidade (Lei nº 11.770/2008) 9.199.906,09 12.() Imp. Pago no Ext. s/ Lucros, Rend. e Ganhos de Capital 111.101.416,81 13.() Imp. de Renda Ret. na Fonte 6.184.210,51 14.() IR Retido na Fonte por Órgãos, Aut. e Fund. Federais (Lei nº 9.430/1996) 39.322,15 15.() IR Retido na Fonte p/ Demais Ent. da Adm. Púb. Fed. (Lei n° 10.833/2003) 0,00 16.() Imp. Pago Incidente sobre Ganhos no Mercado de Renda Variável 0,00 17.() Imp. de Renda Mensal Pago por Estimativa 539.247.163,42 18.() Parcelamento Formalizado de IR sobre a Base de Cálculo Estimada 0,00 19. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 528.133.449,88 Nos exatos termos da norma legal, as “Deduções”, exceto o IRRF (itens 11 e 12 ), não se caracterizam como “Imposto de Renda lançado”. Desta forma, para o ano de Fl. 6102DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.103 16 2012 o contribuinte “lançou” efetivamente como Imposto de Renda o valor de R$ 17.337.246,20. Para o ano de 2013 não há que se falar em “postergação do pagamento do imposto de renda relativo às despesas de 2009 que poderiam ser apropriadas pelo contribuinte em 2013, uma vez que neste ano, conforme “Balanço de Suspensão” de dezembro de 2013, apresentado a esta fiscalização, o contribuinte apresentou prejuízo fiscal não tendo realizado “lançamento” de imposto de renda devido. • 2014 e períodos posteriores O contribuinte ainda não realizou o “lançamento” do IRPJ devido para o ano de 2014 e posteriores. O cálculo do Imposto de Renda de 2009, postergado para períodos posteriores encontrase no Auto de Infração. Cientificado do Auto de Infração, a Contribuinte apresentou a impugnação de efls. 453/492, encaminhada à DRJ/BHE para julgamento. A DRJ/BHE proferiu o Acórdão nº 0267.386, em 17 de fevereiro de 2016, acostado aos autos às efls. 5.870/5.968. O referido Acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA HIPÓTESES DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO A inobservância quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, constitui fundamento para lançamento de imposto se dela resultar a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido, ou a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. ARRENDAMENTO MERCANTIL DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO Os valores que não foram despendidos efetivamente pela arrendadora na aquisição do bem arrendado, tais como o valor residual garantido pago antecipadamente pelo arrendatário no início do contrato, ou o valor residual garantido diluído acumuladamente pago na hipótese de cessão a outrem dos contratos de arrendamento já em execução, não integram o seu custo de aquisição e não podem gerar despesa de depreciação. CESSÃO DE CONTRATOS DE ARRENDAMENTO MERCANTIL SUPERVENIÊNCIAS DE DEPRECIAÇÃO Na cessão de contratos de arrendamento mercantil, os valores eventualmente pagos pela cessionária a título de superveniências de depreciação constituem custo amortizável, e não custo depreciável, e devem observar as normas tributárias especificamente aplicáveis à amortização. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA DETERMINAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Fl. 6103DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.104 17 O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no Decretolei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 4º. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Da referida decisão, a DRJ/BHE recorreu de ofício, haja vista que reduziu o montante do IRPJ lançado de R$304.968.531,72 para R$121.852.497,89. Os valores objeto do recurso de ofício referemse a dois ajustes realizados pela decisão recorrida. Abaixo reproduzo os trechos do Acórdão que especificam tais ajustes com os respectivos valores (v. efls. 5.967): Primeiramente, devese reduzir o montante da diferença tributável apurada pela fiscalização. A impugnante alegou e o fiscal autuante, após a realização de diligência, concordou que houve erro na elaboração de uma das planilhas demonstrativas das irregularidades detectadas na escrituração de custos e despesas associadas aos contratos de arrendamento mercantil. Originalmente, a fiscalização havia apurado uma diferença tributável de R$ 2.108.745.429,95, mas após a diligência, ficou comprovado que o correto valor dessa diferença reduzse a R$ 1.345.548.826,76. O segundo reparo que cabe fazer ao lançamento de ofício diz respeito ao montante que se deve deduzir do imposto pago posteriormente, visto que a infração imputada consiste na inobservância do regime de competência na escrituração de custos e despesas. Originalmente, a fiscalização deduziu apenas o montante de R$ 43.627.462,15. Após a realização da diligência, a fiscalização concordou em elevar o montante da dedução para R$55.312.604,84. O valor apurado pela fiscalização compõese de R$ 61.008.643,07, pagos postergadamente com relação ao anocalendário de 2011, mas reduzidos a R$ 43.627.462,15, em virtude da imputação proporcional; e de R$ 17.337.246,20, pagos postergadamente com relação ao anocalendário de 2012, mas reduzidos a R$ 11.685.142,69, em virtude da imputação proporcional. Contudo, acatando a postulação da impugnante contrária à aplicação do método da imputação proporcional, neste voto decidese que a dedução a que faz jus o sujeito passivo monta a R$ 78.345.889,27, cifra que corresponde ao total do IRPJ que se considera lançado em período de apuração posterior, em decorrência da escrituração de custos e despesas em desacordo com o regime de competência. Irresignada com a decisão supra, a Recorrente apresentou a petição de efls. 5.976/6.022, onde alega, em apertada síntese, os seguintes argumentos para ver cancelada a exigência na sua totalidade: 1) Reitera que o entendimento externado pela Autoridade Fiscal representa notória modificação do critério jurídico do lançamento do IRPJ, eis que teria agido em plena conformidade com as disposições legais e regulamentares que regem a Fl. 6104DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.105 18 matéria, sendo certo que os procedimentos escriturais adotados e as deduções procedidas para a apuração do montante tributável pelo IRPJ sempre foram de pleno conhecimento do Fisco e do Banco Central do Brasil que até o momento da autuação nunca haviam apontado qualquer irregularidade, sempre homologando (expressa ou tacitamente) a apuração realizada. Fundamenta sua alegação no fato de que o Banco Finasa BMC S.A., sociedade que cedeu os direitos e obrigações vinculados aos contratos de arrendamento mercantil ao Recorrente, se sujeitou a procedimento de fiscalização da Receita Federal do Brasil, inclusive fornecendo todas as informações relacionadas aos contratos de cessão objeto desta autuação (MPF n. 2010.005572), por meio do qual todas as informações referentes aos contratos de cessão sub judice e os respectivos registros contábeis dos valores envolvidos naquela sociedade foram fornecidos, sendo certo que os procedimentos lá empregados guardam total consonância e coerência com a escrituração e procedimentos adotados pelo Recorrente. Observa que desconhece qualquer autuação lavrada contra o FINASA, em razão das informações fornecidas que coincidem com os fatos autuados nesta controvérsia. 2) No mérito, alega que “O VRGA, eventualmente pago pelo cliente da empresa de leasing, não guarda qualquer relação com o custo de aquisição do bem. São conceitos completamente diferentes. O valor pago na aquisição do bem integra o ativo imobilizado da arrendadora. O VRGA é lançado como conta de passivo da arrendadora porque representa obrigação desta perante seu cliente. A empresa de leasing não adquire parcialmente o bem e não compartilha a propriedade do bem com o seu cliente. Tampouco adquire o bem por valor diverso do descrito no documento de compra e venda. Por esta razão, o registro contábil das operações de aquisição do bem de arrendamento e da contratação da operação de leasing o que inclui o registro do recebimento do VRGA ou do VRGdiluído deve demonstrar esta situação. Por fim, registrese que as quotas de depreciação, seguindo a metodologia contábil, devem considerar o valor do ativo submetido à depreciação, portanto, o valor do bem de arrendamento, assim considerado de forma integral, pelo preço de fato pago para a sua aquisição. Estes mesmos efeitos devem ser também considerados para fins fiscais, como se demonstrará.” 3) Em relação à apuração da depreciação dos bens arrendados, argumenta que “qualquer ajuste fiscal às respectivas quotas deve seguir previsão em lei de natureza tributária (ex. depreciação fiscal acelerada), caso contrário, prevalece a apropriação prevista pela técnica contábil, a qual segue metodologia determinada. Apesar de bem entender este conceito, a fiscalização e a r. decisão, que acolheu parcialmente suas alegações, de forma absolutamente inconsistente, ignoraram os registros contábeis validados pelo órgão competente e por renomadas empresas de auditoria independente, expondo um raciocínio supostamente "econômico" para respaldar a redução do custo de aquisição do ativo imobilizado adquirido nas cessões e consequente redução das quotas de depreciação, calculadas pelo método linear. Não há, no entanto, suporte jurídico para ajustes fiscais ao custo de aquisição de um ativo imobilizado, assim considerado para fins contábeis. Tal ajuste só encontraria respaldo legal se: (i) o registro contábil estivesse errado, o que definitivamente não é o caso, conforme evidencia o Laudo, ou (ii) a legislação tributária expressamente o previsse, o que também não é o caso.” 4) “Não há norma fiscal que requeira o reconhecimento do ativo de arrendamento e consequente depreciação, pelo custo do bem reduzido do Fl. 6105DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.106 19 VRGA ou VRGdiluído. Não havendo norma fiscal, a depreciação é um conceito contábil de reconhecimento do desgaste efetivo pelo uso ou pela perda da utilidade do bem.” 5) “A parcela do preço do bem equivalente em valor ao VRGA e ao VRG diluído está absolutamente abrangida no conceito de custo de aquisição, diferentemente do que afirma a decisão combatida. A empresa de leasing não adquire parcialmente o bem e não compartilha a propriedade do bem com o seu cliente. Tampouco adquire o bem por valor diverso do descrito no documento de compra e venda. Não corresponde à realidade fática, jurídica ou econômica a hipótese do custo de aquisição do bem de arrendamento ser inferior ao preço da transação formalizado na nota fiscal que documenta a operação de compra e venda.” 6) Ao tratar da perda a amortizar, verificada pela Fiscalização e deduzida de forma indevida pela Recorrente, esta contesta sua ocorrência. Argui que “Os ativos foram registrados no Recorrente exatamente pelo valor anteriormente registrado na cedente. Não houve aquisição de qualquer direito adicional, mas apenas de um conjunto de contratos, os quais são compostos por bens de arrendamento mercantil e obrigações por parte do Recorrente, as quais foram devidamente registradas em seu balanço. A superveniencia de depreciação fazia, na cedente, parte do valor do ativo imobilizado, portanto, nada mais natural que o mesmo valor continuasse a ser parte do ativo imobilizado na cessionária e não se transformasse sem qualquer razão em algum outro tipo de ativo sujeito a amortização, como equivocadamente entendeu a decisão recorrida. Para que o Recorrente pudesse fazer este registro em observância às normas de seu regulador, o saldo foi acrescido ao valor do original dos bens objeto de arrendamento e passou a ser base para a depreciação reconhecida em função da vida útil remanescente de cada bem. E outro não poderia ser o procedimento adotado, posto que a cessão de contratos autorizada pelo BACEN pressupõe a transferência total de ativos e passivos.” 7) “Assim, não há perda a amortizar na aquisição dos contratos de arrendamento. Não há previsão legal ou normativa para reconhecimento de perda, muito menos para a sua amortização por este ou aquele período. O que há é regra para reconhecimento dos ativos de arrendamento pelo custo de aquisição (art. 12 da Lei 6099/74), ou seja, o valor que estes mesmos ativos tinham na cedente, e para a sua depreciação pelo prazo de vida útil remanescente (IN SRF 103/84). Qualquer coisa diferente disso é uma inovação inaceitável por ausência de base legal!” 8) Propugna pela inaplicabilidade dos juros de mora sobre a multa de ofício, cobrada a partir do mês seguinte ao prazo de 30 dias para pagamento do débito consubstanciado no auto de infração ou apresentação de impugnação, eis que seria manifestamente indevida, pela ausência de previsão legal expressa autorizando a referida cobrança. 9) Alega ter havido erro formal no lançamento, devido ao erro cometido pela Autoridade Fiscal e corrigido pela Decisão Recorrida relativamente à apuração das quotas de depreciação devidas à cessão dos contratos celebrada em dezembro de 2008. Por essa razão, propugna pela declaração de nulidade do Auto de Infração. Fl. 6106DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.107 20 10) Com relação à imputação proporcional realizada pela Autoridade Fiscal nos cálculos de apuração do imposto postergado, posteriormente revisto pela Decisão Recorrida, reafirma a Recorrente o entendimento de que tal procedimento não mais se justifica após a revogação do inciso II do parágrafo 1o do art. 44 da Lei n. 9430/96, pois teria permanecido intacta a redação do art. 43 da Lei n. 9430/96, “que trata da hipótese de ‘auto de infração sem tributo’, prescrevendo que ‘poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente’. Com a entrada em vigor desse dispositivo legal, há previsão legal expressa para procederse ao lançamento da multa e dos juros de mora, isoladamente, incidentes sobre os tributos recolhidos pelo sujeito passivo, em períodos posteriores. Com isso, restou prejudicado o método da imputação. E, se por um lado a possibilidade de cobrança da multa de ofício isolada caiu com o advento da Lei n. 11488, de 15.6.2007, por outro persiste ainda a norma do já citado art. 43, o que autoriza a cobrança da multa de mora, prevista no art. 61 da mesma Lei n. 9430/96. Vale dizer, a revogação da multa de ofício isolada não implicou a revalidação do método da imputação proporcional, mas apenas reduziu a multa a ser aplicada para os percentuais previstos no art. 61 daquela lei. Em outras palavras, não houve a revogação da cobrança de multa e juros isolados, houve apenas uma alteração na alíquota prevista na lei para a cobrança das multas isoladas. Portanto, de acordo com as normas legais e regulamentares acima citadas, tendo sido constatado pela fiscalização que parte dos valores do IRPJ, relativos ao anocalendário 2009, que supostamente deixaram de ser recolhidos pelo Recorrente, foram pagos em períodos posteriores, o lançamento deveria ter sido feito para exigirlhe, exclusivamente, a multa e os juros moratórios, nos exatos termos do parecer normativo transcrito. Não tendo sido esse o procedimento adotado pela fiscalização nos presentes autos, forçoso reconhecer que a matéria tributável restou indevidamente quantificada, tornando nulo o trabalho fiscal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. 11) Ainda no que diz respeito à postergação do imposto, alega a Recorrente que a recomposição das bases de cálculo deveriam ter como ponto de partida as informações declaradas, ajustando seus efeitos nos termos do Parecer Normativo COSIT 02/96. Contesta a desconsideração, por parte da Fiscalização, das deduções constantes da DIPJ na apuração do imposto devido, o que teria majorado o lançamento de forma indevida, haja vista que, em relação aos anos de 2011 e 2012, a compensação de prejuízos fiscais e a apuração das deduções cabíveis não foram demonstradas na aludida recomposição. Conclui que, por isso, permanece erro na apuração do saldo acumulado de prejuízo fiscal passível de compensação em períodos futuros, bem como no saldo de Imposto de Renda pago no Exterior também compensável períodos futuros. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, ao analisar o Recurso Voluntário da Contribuinte, apresentou as Contrarrazões de efls. 6.037/6.086, através do qual apresenta as seguintes considerações: 01) Com relação à alegação de nulidade apresentada pela Recorrente por força de uma pretensa alteração do critério jurídico do lançamento, a PGFN refuta peremptoriamente tal assertiva, simplesmente porque a Autoridade Administrativa jamais teria se manifestado, perante a Recorrente, em relação a qualquer critério jurídico a respeito da contabilização da aquisição de contratos de leasing. Não consta dos autos que a Receita Federal tenha pronunciado, de Fl. 6107DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.108 21 forma expressa, perfilhar o entendimento jurídico argüido pela interessada. A falta de constatação anterior sobre a irregularidade na contabilização dos arrendamentos, na contribuinte ou em outrem, não constitui entrave para que, observando agora a irregularidade, proceda ao lançamento do tributo correspondente. Não se trata de alteração de critério jurídico anterior, porque não houve manifestação de critério jurídico anterior. 02) Em primeiro lugar, cumpre rechaçar a argumentação no sentido de que pretende a fiscalização descaracterizar a natureza da operação de arrendamento, equipará la ao financiamento, ou qualquer coisa que o valha. A fiscalização em nenhum momento questiona a natureza da operação, nem a trata como coisa diversa do que é. Nem utiliza a premissa de que a antecipação do VRG desnaturaria o arrendamento. O que o auditor fiscal coloca sob escrutínio é se é possível que ao VRGA sejam atribuídos os mesmos efeitos fiscais do VRG pago ao final do contrato, particularmente no que diz respeito à dedução da despesa de depreciação à luz do princípio da competência (“princípio do confronto das despesas com as receitas e com os períodos contábeis” e o “princípio da realização da receita”). 03) A recorrente, ao incluir o VRGA (recebido antecipadamente do cliente), no custo do bem adquirido e depreciálo, gerando despesa dedutível, ofende o regime de competência, eis que as receitas correspondentes ao VRGA, segundo o regime de competência, só virão ao final do contrato, quando da alienação do bem (seja pelo exercício da opção de compra, seja pela venda a terceiro). 04) Embora conste na contabilidade como uma obrigação da arrendadora, o VRGA, na prática, não configura nenhum dispêndio presente ou futuro desta. Ora, são dois os possíveis destinos do VRGA: (i) realizada a opção, o arrendatário tornase o proprietário do bem e o valor já pago antecipadamente é tratado como quitação do preço e é simultaneamente reconhecido como receita de venda pela arrendadora; (ii) vendido o bem a terceiro, o valor já pago antecipadamente também constitui receita da arrendadora, sendo repassado ao arrendatário apenas o valor efetivo obtido com a venda a terceiro, ainda que seja inferior ao já pago pelo arrendatário no curso do contrato. Portanto, ainda que registrado como passivo não há que se falar que o VRGA constitui parte do custo de aquisição dos bens arrendados. E ainda que se admita que constitui, decerto não pode servir como base para a depreciação! 05) Ademais, a apropriação da despesa referente ao VRGA no decorrer do arrendamento constitui flagrante ofensa ao regime da competência, como bem evidenciado pelo agente fiscal: (...) 06) As apropriações do custo do bem, por meio da sua depreciação, e das receitas por ele geradas, por seu arrendamento, são perfeitamente delineáveis, observandose, nitidamente, o confronto das despesas com as receitas nos mesmos períodos contábeis. 07) Se não há apropriação de receita, não pode haver reconhecimento contábil de despesa de depreciação e se o bem não é utilizado na produção de rendimentos não pode haver despesa de depreciação. 08) Se os rendimentos produzidos pelo bem são as contraprestações de arrendamento e, ao final, o valor de sua venda, a cada qual se deve contrapor a parcela de apropriação referente à recuperação do custo do bem. Assim, o recebimento relativo a venda do bem deve se atrelar à respectiva recuperação de seu custo (no caso, pela baixa do valor residual e não por Fl. 6108DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.109 22 apropriação de despesa de depreciação – apuração de ganho de capital). O contribuinte realiza a apropriação contábil dos valores recebidos pela venda dos bens arrendados somente no final do prazo da operação de arrendamento, mas apropria o custo do bem, inclusive da parte que não foi por ele suportada (valor da entrada) durante o decorrer do prazo contratual, configurando, claramente, um desatendimento ao Regime de Competência. No caso sob análise, o VRGAntecipado, registrado no passivo do arrendador, foi utilizado somente no momento da venda do bem. Assim, se pudesse considerar a parte do custo do bem, paga pelo arrendatário, como uma despesa, esta somente seria apropriada naquele instante, em contrapartida à respectiva receita. 09) Com relação aos excessos referentes ao VRGD, a PGFN argumenta que a fiscalização aplicou raciocínio semelhante ao exposto em relação ao VRGA sobre os valores referentes ao VRG diluído (VRGD), eis que nas carteiras de contratos adquiridas havia valores de VRGD já quitados pelos arrendatários e valores a pagar. Assim, no lançamento relativo ao VRGD só se levou em conta o que já havia sido pago acumuladamente até o momento em que a autuada adquiriu da Finasa S/A os contratos de arrendamento que foram objeto da ação fiscal. Isso porque, nesse momento, o VRGD acumulado, por ter a mesma natureza do VRGA, também não constituiria custo de aquisição dos bens que, já submetidos a contratos de arrendamento, passaram à propriedade da autuada, juntamente com os demais direitos e obrigações associados a esses mesmos contratos. 10) Salientese que o VRGD pago acumuladamente até a data de aquisição foi excluído do preço negociado com a cedente. Conforme explicitado pela DRJ (p. 89): "Com efeito, como bem demonstrado no termo de verificação fiscal, e também no relatório da diligência fiscal (vide fls. 5.809 a 5.810), na equação com a qual se apurou o valor total que a autuada efetivamente viria a pagar pela aquisição dos contratos de arrendamento, o valor residual pago acumuladamente até o momento da aquisição, quer a título de VRGA, quer a título de VRGD, tem sinal negativo. Com sinal positivo figuram o valor contábil dos bens transferidos já líquido das depreciações acumuladas até então, e o valor das superveniências ativas. Desempenhando um papel significativamente menor, entraram ainda no cálculo, com sinal positivo, despesas antecipadas, e com sinal negativo, rendas antecipadas. Logo, diferentemente do argumentado pela impugnante, o VRGA e VRGD acumulados até o momento da cessão não constituíram custo efetivo da cessionária, nem foram por ela efetivamente pagos à cedente. Em verdade, reduziram o valor que viria a ser pago." 11) Embora o VRG recebido antecipadamente ou no decurso do contrato seja contabilizado como passivo com o fim de refletir contabilmente a propriedade proprietária jurídica do bem no curso do contrato, isso não significa que integre o custo de aquisição depreciável para fins tributários. Como já exposto, tanto o VRGA quanto o VRGD, por serem garantidos pelo arrendatário em qualquer situação (manutenção ou alienação do bem), serão sempre apropriados como receita pela arrendadora ao fim do contrato. Diante de tais circunstâncias, e tendo o VRGD operado como Redutor no valor pago na aquisição dos contratos, concluise que esta cifra não constitui, em nenhuma hipótese, custo efetivo de aquisição dos bens arrendados pela autuada e tampouco poderia proporcionar lhe dedução de despesa de depreciação. Fl. 6109DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.110 23 12) Tratando da superveniência de depreciação, informa a PGFN: A autoridade promoveu a “exclusão das despesas de amortização das perdas na aquisição de contratos”, que se referiam aos valores depreciados juntamente com os bens de arrendamento em prazo inferior ao prazo restante dos contratos. Tratase, especificamente, dos ajustes em função da superveniência de depreciação. 13) Superveniência ou insuficiência de depreciação é o valor que se apura confrontandose o valor presente das contraprestações que a arrendadora tem a receber dos arrendatários com o saldo contábil das contas patrimoniais vinculadas às operações de arrendamento. Por determinação da autoridade monetária, as instituições financeiras autorizadas a atuar no ramo de arrendamento mercantil, devem, por meio de ajustes, reconhecer de imediato como receita a diferença positiva entre aquele e este (superveniência), ou como perda a eventual diferença negativa (insuficiência). A legislação tributária, porém, veda que tais ajustes tenham efeito na determinação da base de cálculo do IRPJ. 14) Cumpre salientar que ao mencionar “perda na aquisição”, não estava a autoridade fiscal qualificando juridicamente o resultado da operação, mas apenas ilustrando a forma como entende que essa diferença entre o valor dos bens arrendados e o valor registrado na conta respectiva deveria ter sido encarada no que tange aos seus efeitos. Quis ela dizer que o valor correspondente à superveniência não se refere especificamente ao custo de aquisição dos bens arrendados, mas sim a direitos inerentes aos contratos de arrendamento adquiridos. Em se tratando de direitos, as regras de apropriação contábeis aplicáveis são as de amortização, como ocorre quando há perdas, e não de depreciação. 15) Por sua natureza, a superveniência ou insuficiência de depreciação reflete a estimativa de ganho ou perda futura que o arrendador deverá ter com o seu estoque de operações de arrendamento. Ao adquirir os contratos de arrendamento, o Bradesco concordou em computar o valor da superveniência de depreciação apurada na ocasião como haver da alienante, de modo que o alienante obteve com a venda os ganhos que estimava obter caso permanecesse com os contratos até o fim de sua execução. 16) O Bradesco pagou como certa uma parcela que tem natureza de estimativa de ganho, passando a tratala como custo depreciável dos bens arrendados. Tratase de montante pago por um direito inerente aos contratos de arrendamento, não do custo de aquisição dos bens arrendados. 17) Em relação aos juros sobre a multa de ofício, a PGFN argui integrarem o crédito tributário, colacionando, jurisprudência e normas complementares administrativas para fundamentar o alegado. 18) Já em relação ao Recurso de Ofício, propugna pelo seu provimento, restabelecendo o lançamento original no que pertine à apuração do imposto postergado. Defende a metodologia adotada pela Fiscalização, que realizou a imputação proporcional dos valores pagos em 2011 e 2012 ao crédito exigido em relação ao ano calendário de 2009. É o relatório. Fl. 6110DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.111 24 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Da nulidade Antes de adentrar as questões de mérito, cumprenos analisar a preliminar de nulidade levantada pela Recorrente, que alega ter havido modificação do critério jurídico pela Autoridade Fiscal quando da lavratura do Auto de Infração. Propugna ter agido em plena conformidade com as disposições legais e regulamentares que regem a matéria, sendo certo que os procedimentos escriturais adotados e as deduções procedidas para a apuração do montante tributável pelo IRPJ sempre foram de pleno conhecimento do Fisco e do Banco Central do Brasil que até o momento da autuação nunca haviam apontado qualquer irregularidade, sempre homologando (expressa ou tacitamente) a apuração realizada. Fundamenta sua alegação no fato de que o Banco Finasa BMC S.A., sociedade que cedeu os direitos e obrigações vinculados aos contratos de arrendamento mercantil ao Recorrente, se sujeitou a procedimento de fiscalização da Receita Federal do Brasil, inclusive fornecendo todas as informações relacionadas aos contratos de cessão objeto desta autuação (MPF n. 2010.005572), por meio do qual todas as informações referentes aos contratos de cessão sub judice e os respectivos registros contábeis dos valores envolvidos naquela sociedade foram fornecidos, sendo certo que os procedimentos lá empregados guardam total consonância e coerência com a escrituração e procedimentos adotados pelo Recorrente. Observa que desconhece qualquer autuação lavrada contra o FINASA, em razão das informações fornecidas que coincidem com os fatos autuados nesta controvérsia. Invoca o art. 146 do CTN para fundamentar suas alegações de que a Fiscalização estaria impedida de constituir o crédito tributário. Inicialmente, cabe esclarecer que, no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são taxativamente previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972: "Art. 59. Sao nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Fl. 6111DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.112 25 No caso em tela, não procede a alegação da Recorrente de que o Auto de Infração seria nulo por conta de alegada modificação de critério jurídico por parte da Autoridade Administrativa. Tal alegação da Recorrente não integra o rol das hipóteses de nulidade do art. 59 acima reproduzido. Além do mais, não vejo como o fato de tanto a Receita Federal quanto o Banco Central do Brasil, até o momento da autuação, nunca terem apontado qualquer irregularidade, "sempre homologando (expressa ou tacitamente) a apuração realizada" (conforme dizeres da Recorrente), possa ser atribuído como fundamento para impedir a lavratura do auto de infração, nem tampouco possa vir a influenciar futuros procedimentos fiscais. Reza o art. 146 do CTN: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. O lançamento constitui norma individual e concreta de tributação. A ausência de lançamento em períodos anteriores ao fiscalizado é a ausência dessa norma individual e concreta, que somente veio a ser editada com o lançamento ora questionado. Portanto, não há vinculação entre um posicionamento tácito de “não lançamento” com a oposição expressa ocorrida desta feita. Ora, conforme bem assentado nas contrarrazões da PGFN, nenhuma Autoridade Administrativa jamais manifestou, perante a recorrente, qualquer critério jurídico a respeito da matéria de que trata o Auto de Infração. O fato de não ter havido nenhum lançamento pretérito, seja sobre a Recorrente, seja sobre a cedente dos contratos (FINASA), não nos autoriza a chancelar de maneira imutável que este ou aquele procedimento está de acordo com a legislação tributária. Por todo o exposto refuto a preliminar de nulidade. Do mérito da discussão Conforme constou do Relatório, as irregularidades apontadas pela Fiscalização foram as seguintes: 1) Apropriação indevida de custos dos bens arrendados, registrados como “depreciação”. 2) Apropriação indevida de perdas em operação de “Cessão de Contratos de Arrendamento”, apropriadas como se fossem “depreciações de bens”. 3) Desobediência ao “Regime de Competência”, exigido por Lei. Então, basicamente, o lançamento trata de glosa de despesas com depreciação sobre os bens objeto de arrendamento, aliado ao descompasso com que essas despesas teriam sido apropriadas pela Recorrente em função do regime de competência. Fl. 6112DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.113 26 Quando da cessão dos contratos pelo Banco FINASA, os bens objeto dos respectivos arrendamentos foram contabilizados pela Recorrente da seguinte forma (considerando o exemplo de contrato adotado pela Autoridade Fiscal no TVF): BENS 30.384,66 O valor de R$30.384,66 pode ser decomposto nos seguintes ítens: 1) R$21.460,00 Custo que teria sido suportado pela arrendadora; 2) R$4.000,00 Valor Residual Garantido Antecipado (dado de entrada quando da assinatura do contrato, diretamente ao lojista ou vendedor); 3) R$3.180,78 Valor Residual Garantido Diluído; 4) R$1.743,88 Superveniência de Depreciação. A partir da data de cessão dos contratos de arrendamento, a Recorrente passou a deduzir as despesas com a depreciação dos bens arrendados sobre o valor total dos bens objeto de arrendamento, no caso do exemplo acima, sobre R$30.384,66. A Fiscalização entendeu que tal procedimento estaria equivocado, pois a seu ver, a depreciação somente poderia incidir sobre a parcela do custo do bem efetivamente assumida pela entidade arrendante. Já a Recorrente argumenta que o valor depreciável corresponde ao custo de aquisição do bem, que equivaleria, segundo ela, "ao preço de compra e venda praticado, acrescido de custos adicionais" (incluindo em seu cômputo, o valor residual garantido antecipado e/ou aquele pago durante o contrato de arrendamento Diluído). Creio estarem com a razão a Autoridade Fiscal e a Autoridade Julgadora de 1ª instância. O custo efetivamente suportado pela arrendadora quando da celebração do contrato de arrendamento e da aquisição do bem, corresponde ao preço de venda (constante da nota fiscal emitida pelo vendedor) menos o valor dado como entrada pelo arrendatário, neste caso, tratado e denominado juridicamente como valor residual garantido antecipado VRGA. Esse é o valor depreciável (líquido) pela entidade arrendadora no momento em que nasce a relação jurídica mediante a celebração do contrato de arrendamento mercantil. Pensar de forma diferente acarreta distorções de ordem contábil e tributária. Ao depreciar o VRGA a entidade arrendadora apura, ao final do contrato de arrendamento, um valor contábil para o bem arrendado inferior ao valor residual acordado com o seu cliente, o que sem dúvida não tem, absolutamente, lógica nenhuma. O lógico e aceitável, levando em consideração a própria natureza do contrato de arrendamento mercantil, é que ao final do contrato de arrendamento, no mínimo, o valor contábil (valor do bem menos sua Fl. 6113DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.114 27 depreciação acumulada) seja igual ao valor residual acordado entre as partes, antecipado ou não pelo arrendatário. E do ponto de vista tributário, depreciar o VRGA implica em uma dedução indevida, senão vejamos: quando o arrendatário exerce a opção de compra, ao final do contrato de arrendamento, o bem adquirido será contabilizado em seu patrimônio pelo respectivo valor residual (no caso, pago antecipadamente ou no decorrer do contrato, de forma diluída nas contraprestações). A partir deste momento, poderá esse bem ser depreciado pelo prazo ainda restante de sua vida útil. Aceitar a tese da Recorrente como correta implicaria na apropriação da despesa de depreciação sobre o VRGA em duplicidade, ou seja, pela Recorrente durante a vigência do contrato de arrendamento, e pela arrendatária após a opção de compra (findo o contrato de arrendamento). Mais uma vez, não há lógica nenhuma nesse tipo de conduta. O custo de aquisição do bem objeto do arrendamento mercantil está definido de forma objetiva na Portaria MF nº 564/78 como sendo "o montante do dispêndio incorrido pela arrendadora para aquisição do bem destinado a arrendamento". Em sendo o custo de aquisição o "dispêndio incorrido" pela arrendadora, obviamente, neste custo, não pode estar incluído o valor pago pelo arrendatário a título de valor residual garantido pago antecipadamente VRGA. A mesma Portaria MF nº 564/78 define o valor residual garantido como "o preço contratualmente estipulado para o exercício da opção de compra, ou o valor contratualmente garantido pela arrendatária como mínimo que será recebido pela arrendadora, na venda a terceiros do bem arrendado, na hipótese de não ser exercida a opção de compra." O VRG Antecipado deve ser contabilizado como um passivo na entidade arrendadora, em contrapartida à conta de disponibilidades. Representa um ativo para o arrendatário (e assim deve ser contabilizado) e uma obrigação para a arrendadora, transformandose em receita para esta, no momento da opção de compra ou da venda do bem a terceiro. Complementando o estudo do valor depreciável pesquisamos o regramento posto pelo Banco Central do Brasil a respeito dos contratos de arrendamento mercantil e encontramos dois diagnósticos elaborados em dezembro de 2006 pela Diretoria de Normas e Organização do Sistema Financeiro, para identificar possíveis divergências entre a Norma Internacional (IAS) e as normas internas. O escopo de tais diagnósticos é identificar as divergências existentes e propor mudanças às instâncias cabíveis para promover o alinhamento das normas internas à norma internacional. Os referidos diagnósticos podem ser encontrados no endereço eletrônico http://www.bcb.gov.br/nor/convergencia/IAS_16_Ativo_ Permanente_Imobilizado.pdf. Abaixo, extraí dois pontos específicos de dois destes diagnósticos para tentar trazer um complemento à matéria em discussão (IAS 16 Property, Plant and Equipment e IAS 17 Leasing): IAS 17 "O valor residual deve ser registrado pelo arrendador no ativo, na rubrica Valor Residual a Realizar, tendo como contrapartida a conta retificadora Valores Residuais a Balancear. As parcelas de antecipação do Valor Residual Garantido devem ser escrituradas Fl. 6114DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.115 28 em Credores por Antecipação de Valor Residual, em contrapartida com a adequada conta de Disponibilidade." IAS 16 "O IAS 16 apresenta um conjunto de definições, com vistas a dirimir dúvidas quanto aos conceitos empregados. Nesse sentido, as principais são as seguintes: (...) III Valor depreciável é o custo de um ativo ou outro valor representativo do custo, menos o valor residual do ativo; (...)" No diagnóstico, a autoridade monetária conclui que, neste ponto, não existem grandes divergências entre a norma internacional e a brasileira, apontando como pontos discrepantes apenas dois, relativos à existência de uma taxa mínima de depreciação, o que inexiste na norma internacional e, da mesma forma, a existência de regramento quanto à contabilização de perdas por imparidade. Não é apontada nenhuma divergência quanto à metodologia de apuração da depreciação, mormente no que tange à determinação do valor depreciável, que deve expurgar o valor residual do seu cômputo, ou seja, mais um indicativo do acerto da Autoridade Fiscal. Já da Norma Brasileira de Contabilidade, extraída do sítio eletrônico do Conselho Federal de Contabilidade, extraímos os conceitos seguintes: NBC TSP 17–Ativo Imobilizado Objetivo 1. O objetivo desta Norma é estabelecer o tratamento contábil para ativos imobilizados, de forma que os usuários das demonstrações contábeis possam discernir a informação sobre o investimento da entidade em seus ativos imobilizados, bem como suas mutações. Os principais pontos a serem considerados na contabilização do ativo imobilizado são o reconhecimento dos ativos, a determinação dos seus valores contábeis e os valores de depreciação e perdas por desvalorização a serem reconhecidas em relação aos mesmos. (...) 13. Os termos a seguir são usados nesta Norma, com os significados especificados: (...) Valor depreciável é o custo de um ativo, ou outra base que substitua seu custo nas demonstrações contábeis, menos seu valor residual. 69. O valor depreciável de um ativo é determinado após a dedução de seu valor residual. Na prática, o valor residual de Fl. 6115DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.116 29 um ativo frequentemente não é significativo e por isso imaterial para o cálculo do valor depreciável. Portanto, diante de tudo o que foi posto até agora, não nos resta nenhuma dúvida de que o valor depreciável dos bens objeto de arrendamento mercantil deve ser apurado sem o cômputo do Valor Residual Garantido pago Antecipadamente. Portanto, correto o procedimento fiscal ao considerar irregular a metodologia aplicada pela Recorrente no cálculo da depreciação dos bens arrendados. Ademais, conforme bem assentado pela Fiscalização e pela Decisão Recorrida, apropriar as despesas com a depreciação, levando em consideração no seu cômputo os valores relativos ao VRGA, ofende o regime de competência, que determina que as despesas sejam incorridas no mesmo tempo em que as respectivas receitas sejam auferidas. Há um evidente descompasso no procedimento adotado pela Recorrente. O VRGA só se transmuda em receita para a entidade arrendante no momento da venda do bem (seja para o arrendatário, seja para terceiro), ao final do contrato de arrendamento. Neste momento, poderá vir a ser apurado um ganho ou uma perda de capital, que terão tratamento tributário próprios. Se a receita decorrente do recebimento do VRGA só se considera auferida ao final do contrato de arrendamento, não é aceitável que as despesas correspondentes a essa receita sejam apropriadas antecipadamente ao seu recebimento e reconhecimento. Tal forma de proceder viola o art. 7º do DecretoLei nº 1.598/77, que em seu texto estabelece que o Lucro Real será determinado com base na escrituração, observado o disposto nas leis comerciais e fiscais. Já o art 6º, § 6º, determina o lançamento de diferença de imposto em caso de inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções. Abaixo reproduzo os dispositivos legais citados: Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. (...) § 6º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período base a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4º. Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. Já o princípio da competência é conceituado e regulado pelo Conselho Federal de Contabilidade, através do disposto na Resolução CFC nº 750/93, abaixo reproduzida naquilo que nos interessa (nas suas duas versões, original de 1993 e a modificada pela Res. CFC nº 1.282/2010): SEÇÃO VI O PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA Fl. 6116DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.117 30 Art. 9º As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 1º O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da OPORTUNIDADE. § 2º O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. § 3º As receitas consideramse realizadas: I – nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem compromisso firme de efetiválo, quer pela investidura na propriedade de bens anteriormente pertencentes à ENTIDADE, quer pela fruição de serviços por esta prestados; II – quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o motivo, sem o desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou maior; III – pela geração natural de novos ativos independentemente da intervenção de terceiros; IV – no recebimento efetivo de doações e subvenções. § 4º Consideramse incorridas as despesas: I – quando deixar de existir o correspondente valor ativo, por transferência de sua propriedade para terceiro; II – pela diminuição ou extinção do valor econômico de um ativo; III – pelo surgimento de um passivo, sem o correspondente ativo. Art. 9º O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento. Parágrafo único. O Princípio da Competência pressupõe a simultaneidade da confrontação de receitas e de despesas correlatas. (Redação dada pela Resolução CFC nº. 1.282/10) A norma acima é autoexplicativa, carecendo de maiores digressões para se chegar à conclusão de que só se pode apropriar determinada despesa a partir do reconhecimento da receita que lhe deu origem. A recorrente não procede dessa forma, pois apropria a despesa de depreciação sobre o valor residual pago antecipadamente pelo arrendatário em um período anterior àquele em que esse valor deveria se considerar ativado, Fl. 6117DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.118 31 correspondente à época da efetiva opção de compra ou da venda do bem a terceiro, violando as normas acima enumeradas. O mesmo raciocínio até agora elaborado quanto ao VRGA deve ser adotado em relação ao valor residual pago de forma DILUÍDA nas contraprestações ao arrendamento e à parcela denominada de superveniência de depreciação, no tocante à impossibilidade de comporem o valor depreciável do bem objeto de arrendamento. Tais parcelas, como já vimos anteriormente, vieram a compor o valor depreciável dos bens na contabilidade da Recorrente no momento da cessão dos contratos de arrendamento. O valor residual garantido diluído VRGD difere do VRGA apenas no que pertine ao momento em que é pago. Enquanto o VRGA é pago de forma antecipada, no momento celebração do contrato (aquisição do bem), o VRGD é disponibilizado à arrendadora junto com o pagamento de cada uma das contraprestações ao arrendamento. Na apuração do valor a ser pago pela cessão dos contratos por parte do Banco FINASA, tanto o VRGA quanto o VRGD foram considerados como redutores do preço a ser pago. Vejamos a equação para a apuração de tal preço, tomando como exemplo a cessão ocorrida em dezembro de 2008: NOME DA CONTA CONTA DEVEDORA CONTA CREDORA Veículos e Afins menos a depreciação acumulada 5.005.680.656,74 Superveniência de Depreciação 1.400.098.986,57 Despesas Antecipadas 66.657.590,05 Credores por Antecipação (VRGA + VRGD) 2.473.193.846,25 Receitas Antecipadas 2.533.665,05 Valor Pago pelos Contratos 3.996.709.722,06 TOTAL 6.472.437.233,36 6.472.437.233,36 Apesar de ter pago cerca de 4 bilhões de Reais pelos respectivos contratos, a Recorrente contabilizou um Ativo de 6,4 bilhões de Reais e um Passivo de 2,4 bilhões de Reais. Perfeita a assertiva constante da Decisão Recorrida a respeito: Vejase, portanto, que a autuada adquiriu um patrimônio líquido de cerca de 4 bilhões de reais, mas registrou na contabilidade um ativo de cerca de 6,4 bilhões e um passivo de 2,4 bilhões, estes últimos correspondentes ao montante que já havia sido pago antecipadamente do valor residual pelos arrendatários. Uma vez que estes somente iriam afetar o resultado tributável no momento em que se encerrasse o contrato, mediante a apuração de ganho de capital pela liquidação do valor residual do bem (quer fosse adquirido pelo próprio arrendatário, quer por um terceiro), só então eles poderiam gerar despesas dedutíveis para a autuada. No entanto, ela calculou a depreciação sobre o valor total das contas, como se elas representassem seu custo de aquisição. A impugnante, mais uma vez, incorre em erro ao insistir que o VRGD constituiu custo da autuada, usando o mesmo argumento que desenvolve em relação ao VRGA, isto é, de que ambos constituem passivo da autuada, pois pertenceriam ao arrendatário e teriam de lhe ser devolvidos caso ele não exerça a opção de compra ao final do contrato. No entanto, esse argumento não subsiste, visto que, em realidade, tanto o VRGA como o VRGD servem de garantia à arrendadora de que ela não receberá menos do que o valor residual avençado no contrato pela venda do bem ao final do contrato de arrendamento, seja esta feita ao arrendatário, seja a terceiro. Fl. 6118DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.119 32 Realizada a opção, o arrendatário tornase o proprietário do bem e o valor já pago antecipadamente é tratado como quitação do preço e é simultaneamente reconhecido como receita de venda pela arrendadora. Vendido o bem a terceiro, o valor já pago antecipadamente também constitui receita da arrendadora, sendo repassado ao arrendatário apenas o valor efetivo obtido com a venda a terceiro, ainda que seja inferior ao já pago pelo arrendatário no curso do contrato. Recordese ainda que, no cálculo do montante a ser pago na aquisição dos contratos de arrendamentos, o valor do VRGD, juntamente com o do VRGA, operou como redutor. Logo, ele não constitui, em nenhuma hipótese, custo efetivo de aquisição do bem arrendado pela autuada. Seguese também que tampouco poderia proporcionar lhe dedução de despesa de depreciação. Adotando como razões para decidir os excertos acima transcritos da Decisão recorrida, além de tudo o mais que consta deste voto a respeito do VRGA, reconheço como indevida a apropriação da despesa de depreciação calculada sobre o Valor Residual Garantido Diluído. Por último, ainda temos de tratar de mais um componente do valor depreciável apurado pela Recorrente ao escriturar em sua contabilidade a cessão dos contratos de arrendamento mercantil adquiridos do Banco FINASA. Tratamse das denominadas contas de Superveniência de Depreciação, que consistem em ajustes, determinados pelo Banco Central do Brasil, para que as instituições financeiras que operam com arrendamento mercantil evidenciem em suas demonstrações financeiras a estimativa de ganho ou perda (neste caso, denominada de Insuficiências de Depreciação) futura com essas operações. Determinase a Superveniência de Depreciação pela diminuição entre o valor presente das contraprestações que a arrendadora ainda tem a receber dos arrendatários e o valor contábil (valor de aquisição menos depreciação acumulada) dos bens objeto do arrendamento. De acordo com a legislação tributária, tais ajustes não devem influenciar na apuração do Lucro Real, devendo ser expurgados quando de sua apuração. Quando da cessão dos contratos, ficou estabelecido que tais valores, apurados no momento da realização do negócio, seriam considerados como haver da cedente (FINASA). Ou seja, a FINASA recebeu de forma antecipada os valores que teria direito a perceber no restante do prazo de duração dos contratos de arrendamento cedidos. Já a Recorrente contabilizou essa "perda" (conforme denominação dada pela Fiscalização no procedimento fiscal) como custo depreciável dos bens atrelados aos respectivos contratos de arrendamento. No entendimento da Fiscalização, tal parcela, a exemplo do VRGA e do VRGD não poderiam compor o valor depreciável. Entretanto, admitiu sua dedução a título de amortização. Ocorre que os prazos de amortização são diferentes dos prazos para efeito de depreciação. Enquanto estes devem ser considerados em função do prazo de vida útil do bem a ser depreciado, aqueles devem ser calculados considerando o prazo restante de cada um dos contratos adquiridos. Como quase sempre os prazos de vida útil do bem são menores do que os prazos de duração dos contratos, houve por bem a Autoridade Fiscal efetuar a glosa e o competente lançamento tributário sobre o montante das despesas de depreciação apropriadas a maior em relação ao que seria cabível se tivessem sido consideradas como amortização de perdas. Podese concordar ou não com a denominação de "perda" dada pela autoridade fiscal a valores considerados pela Recorrente como custo de aquisição dos bens arrendados. O que não se pode é admitir que tais valores sejam incorporados ao valor contábil dos bens objeto de arrendamento e sobre eles se apropriem despesas de depreciação que, como Fl. 6119DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.120 33 já vimos anteriormente a exemplo do VRGA e do VRGD, não são passíveis dessa forma de incorporação. A Autoridade Fiscal ao tratar da diferença de tratamento tributário afeta à depreciação e à amortização assim se manifestou : "A principal distinção entre os dois encargos é que, enquanto a depreciação incide sobre os bens físicos (corpóreos), a amortização relacionase com a diminuição de valor dos direitos (ou despesas diferidas) com prazo limitado (legal ou contratualmente).(grifos nossos). Assim, as perdas verificadas na aquisição dos contratos de arrendamento devem seguir o regime de amortização pelo prazo restante dos contratos, visto que este é o prazo de recebimento de receitas dos contratos". O valor a que se referiu a Fiscalização como perda é justamente aquele que deixou de auferir, ou melhor dizendo, abriu mão a favor da cedente, relativamente às contraprestações de arrendamento ainda por perceber no restante da duração dos contratos adquiridos. E o tratamento que deu a tais valores, garantindo à Recorrente o direito de deduzir da base de cálculo do imposto de renda a título de amortização é consentâneo com a legislação tributária, mais especificamente conforme o disposto nos arts. 324 e seguintes do RIR/99. Conforme bem assentado pela PGFN, "O Bradesco pagou como certa uma parcela que tem natureza de estimativa de ganho, passando a tratála como custo depreciável dos bens arrendados. Tratase de montante pago por um direito inerente aos contratos de arrendamento, não do custo de aquisição dos bens arrendados." Já a Autoridade Fiscal em seu Relatório de Diligência aduz que "As glosas realizadas pela fiscalização referemse à forma de recuperação contábil deste custo, indevidamente registrado pelo contribuinte na mesma conta de ativo que registra os bens de arrendamento, aumentando o seu valor original. (...) Contabilmente, o contribuinte devese ater à classificação contábil atribuída ao custo e, principalmente, ao momento em que o contribuinte pretende reconhecer e apropriar contabilmente a receita necessária à sua recuperação. Na realização do procedimento contábil de recuperação do custo registrado pelo contribuinte não há falar em depreciação do custo, mas, tecnicamente, em amortização do custo. A depreciação é restrita a bens físicos sujeitos a desgastes ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência. Assim, embora o contribuinte possa registrar o custo, este não é atribuível ao bem adquirido. A Recorrente insiste em desqualificar a adoção do termo "perda", utilizado pela Autoridade Fiscal para designar a Superveniência de Depreciação apurada no momento da cessão dos contratos pela cedente, com o objetivo claro de enfraquecer o Auto de Infração. Entretanto, tal estratégia não deve prosperar, na medida que, independentemente do termo utilizado, a caracterização delineada pela Fiscalização à forma como foi apurado e apropriado o valor relativo à Superveniência de Depreciação não se coaduna com os conceitos relativos à depreciação dos bens objeto de arrendamento mercantil. Assim, por todo o exposto, refuto as alegações da Recorrente contrárias ao procedimento fiscal neste ponto, e me filio às conclusões emanadas da Decisão Recorrida, que considerou correta a glosa da depreciação calculada sobre os valores referentes à Superveniência de Depreciação. Em tempo, apesar da referida glosa, a Fiscalização computou como despesa dedutível a amortização sobre tais valores. Fl. 6120DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.121 34 Do Recurso de Ofício A Autoridade Julgadora a quo recorreu de ofício de sua decisão haja vista ter reduzido a exigência em dois pontos, a saber: 1) Erro no cálculo da depreciação referente aos contratos adquiridos em 2008; 2) Imputação proporcional no cálculo da postergação do imposto. O erro no cálculo da depreciação referente aos contratos adquiridos em 2008 foi arguido pela Recorrente pelo fato de a Autoridade Fiscal ter considerado no cálculo da glosa relativa aos contratos adquiridos em 2008 apenas 03 (três) quotas mensais de depreciação, ao invés de doze. A autoridade julgadora a quo baixou o processo em diligência para que a Fiscalização verificasse as argumentações postas pela Recorrente, fazendo os ajustes devidos, se cabíveis. A Fiscalização, revendo os seus procedimentos, concordou com as alegações da Recorrente, reconhecendo seu erro e elaborando novos demonstrativos, reduzindo as glosas conforme os valores abaixo demonstrados: ALTERAÇÃO DO VALOR DAS GLOSAS EM VIRTUDE DE DILIGÊNCIA VALOR ORIGINAL VALOR REVISTO GRUPO 1 1.799.231.503,74 991.003.601,86 GRUPO 2 309.513.926,20 354.545.224,90 TOTAL 2.108.745.429,94 1.345.548.826,76 Assim, determinou a Decisão Recorrida que a base tributável fosse reduzida conforme o proposto no Relatório de Diligência. Haja vista o erro cometido, admitido pela própria Autoridade Fiscal, nenhum reparo há que se fazer em relação ao decidido pela autoridade julgadora de primeira instância, razão pela qual nego provimento ao recurso de ofício neste ponto. Já em relação à imputação proporcional aplicada ao imposto postergado, não vejo como manter a Decisão Recorrida. Quando da lavratura do Auto de Infração a Fiscalização deu tratamento de imposto postergado aos valores objeto do lançamento tributário, conforme o disposto no artigo 273 do RIR/99, reduzindo do tributo apurado como devido em 2009, os valores efetivamente pagos em períodos de apuração subseqüentes, in casu, nos anos de 2011 e 2012. Observou que, em razão da inexatidão quanto ao regime de competência das despesas com depreciação e amortização, teria havido redução indevida do tributo em 2009, ao mesmo tempo em que teria pago valores a maior nos anoscalendários de 2011 e 2012. Para compensar os valores pagos em períodos subseqüentes, ajustando o lançamento relativo ao ano calendário de 2009, a Autoridade Fiscal adotou o método da imputação proporcional de pagamentos, o que implica em considerar que os montantes Fl. 6121DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.122 35 apurados em 2011 e 2012 seriam compostos não apenas de principal, mas também de juros e multa de mora. Assim, reflexo da aplicação da imputação proporcional de pagamentos é, aparentemente, a dedução, em termos nominais, de valores a menor do que os efetivamente pagos nos períodos subseqüentes. Entende a Autoridade Julgadora a quo que “o fato de o contribuinte ter procedido espontaneamente, em períodobase posterior, ao pagamento postergado dos valores do imposto ou da contribuição social deve ser considerado no momento do lançamento de ofício, o qual, em relação às parcelas do imposto e da contribuição social que houverem sido pagas, deve ser efetuado para exigir, exclusivamente, os acréscimos relativos a juros e multa, caso o contribuinte já não os tenha pagado”. E conclui a Decisão Recorrida: “Em suma, ainda que por fundamento legal diverso, devese acatar a objeção da impugnante no tocante à imputação proporcional efetuada pela autoridade lançadora. Em conseqüência, devese deduzir integralmente o valor do IRPJ pago em períodos posteriores para efeito de apurar o montante líquido a ser lançado de ofício. Quanto aos valores pagos em atraso, caberia exigir apenas a multa de mora e os juros de mora respectivos. Em decorrência dessa decisão, os valores objeto do lançamento foram alterados, passando a dedução por conta do imposto postergado à monta de R$78.345.889,27, ante os R$55.312.604,84 calculados pela Fiscalização. Trago à colação o Acórdão nº 1402002.201, proferido por esta mesma Turma de Julgamento em 07 de Junho de 2016, portanto, bastante recente, de relatoria do Ilustre Conselheiro Demétrius Nichele Macei, que trata de matéria idêntica à dos presentes autos: O contribuinte questionou também – em sede preliminar – a sistemática da apuração linear da multa, ao invés da proporcional, utilizada no auto de infração. De plano, rechaço o argumento desenvolvido pelo contribuinte em seu recurso, e para tanto, e por oportuno, transcrevo as razoes do voto do relator da DRJ nos itens "da apuração do imposto postergado" e da correspondente "multa de mora", o qual acompanho, in verbis: "Da apuração do imposto postergado O interessado alega que os cálculos utilizados pela Fiscalização para a apuração do imposto postergado estariam equivocados. Afirma que o cálculo equivocado da Fiscalização teria resultado na cobrança de valores a título de principal em montantes superiores às diferenças não recolhidas ou, em outros termos, na cobrança de parte dos tributos já pagos. Defende que, em razão do equívoco cometido pela Fiscalização, no presente caso estariam sendo exigidos, sem previsão legal, (i) taxa de juros Selic de dezembro de 2012 (49,42%) calculada sobre parte dos tributos pagos em 2008 e 2009, (ii) multa de ofício de 75% sobre a mesma parcela de tributos, nos montantes de R$ 795.199,01 e R$ 477.119,40 (diferenças entre R$ 3.205.149,57 e R$ 2.409.950,56 IRPJ e R$ 1.923.089,74 e R$ 1.445.970,34 CSLL), que já haviam sido pagas em 2008 e 2009, antes do início da fiscalização. Fl. 6122DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.123 36 Entende que o procedimento correto para cálculo da postergação, nos termos dos artigos 222 e 230 do RIR/99, seria o seguinte: (i) calcular o IRPJ e a CSLL supostamente incidentes sobre as bases de cálculo de R$ 10.924.528,41, R$ 521.497,18 e R$ 1.374.572,73; (ii) subtrair dos tributos apurados os montantes de R$ 2.731.132,10, R$ 130.374,29, R$ 343.643,18 (IRPJ) e R$ 1.638.679,26, R$ 78.224,57 e R$ 206.185,91 (CSLL), que já haviam sido pagos; (iii) exigir juros isolados de 11,89%, 15,61% e 21,39% sobre os valores pagos de forma postergada; e, (iv) calcular multa de ofício de 75% e juros de 49,42% apenas sobre as diferenças de tributos que não foram recolhidas. Assevera que não haveria dúvidas de que o cálculo elaborado pela Fiscalização no presente caso seria equivocado e ilegal, e, portanto, não se poderia olvidar que os autos de infração de IRPJ e de CSLL lavrados padeceriam de iliquidez e incerteza e deveriam ser integralmente cancelados. De início, cabe esclarecer que se houvesse algum erro de cálculo na autuação, o mesmo seria passível de ajuste e não de cancelamento como defende o interessado. Todavia, analisando os autos, verificase que não há qualquer erro no cálculo da postergação efetuado pela fiscalização, senão vejamos. As argumentações do interessado vão na direção da aplicação do método comumente chamado de "sistema de amortização linear", o qual, em apertada síntese, não há imputação proporcional do pagamento efetuado. Isto porque o pagamento com atraso do valor principal amortizaria o próprio principal, cobrandose multa e juros isolados (o interessado, in casu, entende ainda que não deveria incidir multa de mora, em razão do art. 138 do CTN, mas apenas juros de mora). Contudo, não há previsão legal para a aplicação desse sistema de amortização linear, mormente após a nova redação do art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996, dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007, que deixou de contemplar a hipótese de lançamento de multa isolada no caso de pagamento de tributo em atraso desacompanhado da multa moratória. Impende registrar que o DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, estipulou a regra geral a ser aplicada para os casos de inobservância do regime de competência: "Art. 6° Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. (...) § 4°. Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. § 5 ° . A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento do imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: Fl. 6123DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.124 37 a) postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou b) a redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. § 6°. O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro períodobase a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4o. § 7°. O disposto nos §§ 4o e 6o não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência." (grifei) No presente caso, o interessado contabilizou em 2007 perdas em operações de crédito, as quais somente seriam dedutíveis em 2008 e 2009. Ou seja, antecipou despesas. Tais valores reduziram indevidamente o lucro líquido do anocalendário de 2007. Logo, em relação ao tributo que deixou de ser apurado e recolhido em 2007, incidem juros e multa de mora, haja vista o disposto no art. 61 da Lei n° 9.430/1996, abaixo reproduzido: "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifei) Portanto, face ao dispositivo supracitado, devem ser acrescidos juros e Multa de mora ao tributo devido em 2007 (em razão da antecipação de despesas), visto que os pagamentos foram efetuados somente nos períodosbase de 2008 e 2009, ou seja, após o vencimento. Ainda de acordo com o §6° do art. 6° do Decretolei n° 1.598/1977, o lançamento de diferença de imposto, com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, deve ser feito pelo valor líquido, ou seja, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro períodobase a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do §4° desse mesmo artigo. Em razão da incidência dos acréscimos moratórios (multa de mora e juros de mora), os valores pagos pelo interessado foram insuficientes para quitar integralmente o débito de 2007. Fl. 6124DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.125 38 Há que se ressaltar que o art. 163 do CTN não fixou regra de precedência entre tributo, multa e juros (parcelas que compõem determinado débito da contribuinte para com a Fazenda), podendose inferir que o CTN lhes deu idêntico tratamento, no que se refere à imputação de pagamentos. Tal entendimento é ratificado pelo art. 167 do mesmo diploma legal, que estabelece que a restituição do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias. A partir de uma interpretação conjunta desses dispositivos, concluise que a imputação proporcional dos pagamentos encontra fundamento no CTN, visto que, somente se pode falar em obrigatória proporcionalidade entre as parcelas que compõem o indébito tributário se houver também obrigatória proporcionalidade na imputação do pagamento sobre as parcelas que compõem o débito tributário. O entendimento acima exposto está em consonância com a Nota Cosit n° 106, de 20 de abril de 2004, conforme se verifica no trecho a seguir reproduzido: Nota Cosit n° 106/2004: " (...) 5. Isto posto, cumpre desde logo asseverar que o regramento da imputação de pagamentos a débitos tributários deve ser inicialmente buscado na Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), norma que prevê o pagamento como forma de extinção do crédito tributário (art. 156, inciso I) e que regula esse instituto em seus arts. 157 a 169, os quais correspondem às Seções II e III do Capítulo IV do Título III do Livro Segundo do aludido Código. 6.Mediante leitura dos aludidos dispositivos legais, verificase que o CTN não aborda diretamente a questão da imputação do pagamento efetuado pelo sujeito passivo entre as parcelas que compõem o débito tributário (principal, multa e juros moratórios). 7.Em seu art. 163, o CTN apenas determina que a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação, na hipótese da existência simultânea de dois ou mais débitos do sujeito passivo, in verbis: 'Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação, obedecidas as seguintes regras, na ordem em que enumeradas: I – em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria, e em segundo lugar aos decorrentes de responsabilidade tributária; II primeiramente, às contribuições de melhoria, depois às taxas e por fim aos impostos; III – na ordem crescente dos prazos de prescrição; IV – na ordem decrescente dos montantes.' 8.Uma vez que o art. 163 do CTN não fixou regra de precedência entre tributo, multa (de mora ou de ofício) e juros moratórios – parcelas em que se Fl. 6125DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.126 39 decompõe determinado débito do contribuinte para com a Fazenda , poder seia desde logo inferir, a contrario sensu, que o CTN teria dado idêntico tratamento, no que se refere à imputação de pagamentos, entre referidas exações. 9.Tal entendimento é então ratificado pelo 167 do CTN, que estabelece que a restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, "na mesma proporção", dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, in verbis: 'Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição. (...)' 10.A partir de uma interpretação conjunta dos arts. 163 e 167 do CTN, chegase à conclusão de que referido Diploma Legal não só estabelece, na imputação de pagamentos pela autoridade administrativa, a inexistência de precessão entre tributo, multa e juros moratórios, como também veda ao próprio sujeito passivo estabelecer precedência de pagamento entre as parcelas que compõem um mesmo débito tributário, ou seja, veda ao sujeito passivo imputar seu pagamento apenas a uma das parcelas que compõem o débito tributário. 10.1 É que somente se pode falar em obrigatória proporcionalidade entre as parcelas que compõem o indébito tributário se houver obrigatória proporcionalidade na imputação do pagamento sobre as parcelas que compõem o débito tributário. 10.2 Não fosse assim, como seria possível atender à proporcionalidade determinada pelo art. 167 do CTN se o contribuinte que devesse R$100,00 de tributo, R$20,00 de multa moratória e R$10,00 de juros moratórios efetuasse o pagamento de R$80,00 a título de tributo, R$50,00 a título de multa moratória e R$10,00 a título de juros moratórios, ou efetuasse o pagamento de R$150,00 a título de tributo, R$10,00 a título de multa moratória e R$5,00 a título de juros moratórios? Qual seria a proporcionalidade a ser observada, na restituição, entre tributo, juros moratórios e penalidade pecuniária? (...) 14.Conforme já mencionado, é o CTN que, ao dispor sobre a repetição do indébito tributário, indiretamente determina a proporcionalização do pagamento efetuado pelo sujeito passivo entre as parcelas do débito por ele pago(...)" Neste mesmo sentido, citase trecho CONCLUSÃO do PARECER/PGFN/CDA N° 1.936/2005: "26 – Ante o exposto, tendo em vista que a adoção do "sistema de amortização linear" não encontra respaldo na legislação citada, que o "sistema de amortização proporcional é o único admitido pelo Código Tributário Nacional, que a própria Secretaria da Receita Federal (Nota Cosit n° 106, de 20 de abril de 2004) já se pronunciou nesse sentido e que os créditos tributários submetidos ao método da amortização linear carecem de liquidez e certeza..." (grifei) Fl. 6126DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.127 40 Com este mesmo entendimento, citamse trechos do PARECER PGFN CAT N° 74/2012: 143. Chamavase linear essa forma de imputação porque levava em conta o preenchimento, efetuado pelo próprio contribuinte, das linhas do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) com que ele pagava, a destempo, o débito tributário. 144. Podese ver a associação entre a imputação linear e a formatação original do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, mediante o seguinte exemplo: pagando o contribuinte, em MAI 2012, a quantia de 10.000 reais, correspondente ao valor do débito tributário devido na data de vencimento (MAI 2009) sem incluir, portanto, o valor da multa de mora , e escrevendo, naturalmente, 10.000 reais na linha do DARF correspondente ao principal, não se fazia, àquela época, nenhuma imputação a título de multa de mora, ou seja, consideravase imputado o pagamento exclusivamente ao principal, lançandose a multa de ofício, de 75% (ou 150%, se houvesse fraude), sobre os 10.000 reais. 145. Tal procedimento não era insta dizelo com todas as letras – condizente com os ditames do artigo 163 do CTN, porque representava simples acatamento de pretendida imputação feita pelo próprio contribuinte, tendo a imputação linear, de resto, sido objeto de expresso rechaço por este órgão jurídico no Parecer PGFN/CDA/N° 1936/2005, acima referido, com conclusão no sentido da obrigatoriedade de observância da imputação proporcional (ainda que, como já dito, se tenha trilhado ali caminho interpretativo diverso daquele que aqui utilizamos). 146. Eis, então, que, por força do artigo 14 da já referida Lei n° 11.488, de 2007, veio a se modificar radicalmente esse regime. 147. Com a nova redação que se seu deu ao artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, restou suprimida, do inciso I do caput do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, a expressão "pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória". Desse modo, tal hipótese (que é a versada na consulta) deixou de ensejar a aplicação da prefalada multa de ofício (de 75% ou de 150%, conforme o caso), sendo, outrossim, revogado o inciso II do § 1° do mesmo artigo 44, que ordenava, como já apontamos, a cobrança de forma isolada dessa multa. 148. Confirase a nova dicção do artigo 44, no trecho que interessa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II – de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 6127DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.128 41 b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica; § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado) II (revogado) [...]. 149. Com isso, passou ser plenamente aplicável a imputação proporcional na hipótese aqui versada, representando, assim, o novo regime importante avanço legislativo no cumprimento dos ditames do artigo 163 do CTN. 150. Eis porque tem razão a SRFB ao afirmar, em sua consulta, que a alteração promovida no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, pela Lei n° 11.488, de 2007, veio viabilizar a imputação proporcional de pagamento na hipótese nela versada — deixandose de lado a chamada "imputação linear". (grifei) Portanto, pelo exposto, deve ser aplicado o "sistema de imputação proporcional", como fez a fiscalização, e não o "sistema de amortização linear", como pretende o interessado. In casu, restou caracterizada, após a imputação proporcional do pagamento postergado, a falta de recolhimento do saldo devedor objeto do lançamento de ofício, com a aplicação da multa de 75%, nos termos do art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996, com redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007)" Observese, mais uma vez, que a nova redação do art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996 deixou de contemplar a hipótese de lançamento de multa isolada no caso de pagamento de tributo em atraso desacompanhado da multa moratória. No caso presente, os pagamentos postergados efetuados pelo interessado em 2008 e 2009 não abrangeram o valor total do débito em 2007, não restando à fiscalização alternativa senão a de se valer da imputação proporcional para ajustar tais valores aos dispositivos da lei, distribuindo a quantia paga proporcionalmente entre o tributo, a multa moratória e os juros moratórios, e formalizando de ofício a exigência do tributo remanescente. A respeito da matéria, trazse à colação, em contraponto aos acórdãos mencionados na impugnação, decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Fl. 6128DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.129 42 16327.004099/200246 Recurso n° 148.714 Especial do Procurador Acórdão n° 910100.426 – 12 Turma Sessão de 03 de novembro de 2009 Matéria IRPJ E OUTRO (...) Assunto: Imposto de Renda Pessoa Jurídica Anocalendário: 1998 1 FALTA DE ADIÇÃO DE PERDAS NA REAVALIAÇÃO DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. As perdas de bens do ativo permanente só podiam ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL quando da realização do bem. Até lá, o procedimento correto deveria ser a constituição de uma provisão para perdas, a qual, ao teor do art. 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95, são indedutíveis. As disposições da SUSEP não podem se sobrepor à legislação do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO TRIBUTO. Acatase a alegação de postergação do pagamento do tributo quando o sujeito passivo demonstra que levou à tributação a base de cálculo objeto do lançamento de oficio e recolheu o tributo em períodos posteriores. O efeito desse reconhecimento dá se pelo ajuste nos valores lançados, no sentido de se deduzir do tributo lançado, aquele que foi efetivamente pago a posteriori, adotandose, para tanto, o método da imputação proporcional (destacouse). É de se notar, portanto, pelos demonstrativos de IRPJ e de CSLL dos autos de infração, que a autoridade fiscal observou de forma escorreita a norma legal, não havendo erro na apuração do tributo postergado. Da leitura do brilhante voto do Conselheiro Demétrius Nichele Macei, que explorou a fundo o tema, não restam dúvidas a este julgador acerca da perfeita regularidade do procedimento adotado pela Fiscalização, razão pela qual me filio às mesmas razões de decidir acima exposadas para negar provimento ao Recurso de Ofício neste ponto, restabelecendo a dedução de R$ R$55.312.604,84 a título de imposto postergado nos anos calendários de 2011 e 2012. Dos juros sobre a multa de ofício Por derradeiro, insurgese a recorrente contra a possibilidade da imposição de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada no lançamento. Conforme o disposto no art. 113 do Código Tributário Nacional – CTN, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, entendida esta como decorrente de obrigação tributária principal. E se referido crédito tributário (penalidade) não for pago integralmente no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, aplicandose a taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º, do CTN): “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Fl. 6129DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.130 43 § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(negrejouse e grifouse) Assim, a cobrança de juros de mora sobre a penalidade pecuniária cabível encontra fundamento de validade no próprio CTN. Por outro lado, só é plausível se falar na incidência de juros de mora pelo atraso no recolhimento quando o crédito tributário inadimplido sujeitase a um prazo de vencimento, o que ocorre com relação ao tributo, à contribuição e à multa de ofício, e não com a multa de mora, a menos que esta última seja exigida isoladamente, mediante lançamento de ofício. Valendose da exceção legal contida no art. 161, § 1º, do CTN, a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, dispôs que, a partir de 1º de abril de 1995, sobre os tributos e contribuições sociais não recolhidos no prazo de vencimento incidem juros de mora calculados à taxa Selic (art. 13): Lei nº 9.065, de 1995 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a 2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; Já a Lei nº 9.430/96 dispõe que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61): Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 6130DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.131 44 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ora, a multa de lançamento de ofício constituise em débito para com a União, possuindo natureza de obrigação tributária principal. Assim, absolutamente correta a interpretação de que, sobre referida penalidade, devem incidir juros à taxa Selic, desde o seu vencimento. Apenas para reforçar tal entendimento, reproduzimos abaixo o art. 43 da mesma Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Apenas para que não pairem dúvidas, sobre a multa de mora não há a incidência de juros, haja vista que tal penalidade pecuniária é desprovida de vencimento, exceto no caso de lançamento de ofício, conforme bem assentado no dispositivo acima reproduzido, momento no qual se impõe um prazo legal para o seu adimplemento. Os juros também não possuem vencimento legal para o seu cumprimento, a menos que sejam exigidos por meio de lançamento de ofício. Assim, no caso de lançamento de ofício, resta perfeitamente demonstrada a legalidade da exigência de juros de mora à taxa SELIC, incidente sobre a penalidade apurada. Para reforçar tal entendimento, colaciono jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o Fl. 6131DF CARF MF Processo nº 16327.720616/201461 Acórdão n.º 1402002.449 S1C4T2 Fl. 6.132 45 crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012 DJe 10/12/2012 E no CARF, a matéria vem sendo debatida exaustivamente, razão pela qual colaciono alguns de seus julgados a respeito: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Por todo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário e dar provimento parcial ao Recurso de Ofício para restabelecer a dedução de R$55.312.604,84 a título de imposto postergado nos anos calendários de 2011 e 2012. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 6132DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.901194/2013-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Créditos de PIS e Cofins Não Cumulativos. Exclusão do Líquido. Impossibilidade.
Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
Numero da decisão: 1301-002.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Exclusão do Líquido. Impossibilidade. Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 11 94 /2 01 3- 50 Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10875.901194/201350 Acórdão n.º 1301002.446 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por AÇOS GROTH LIMITADA, pessoa jurídica de direito privado já qualificada nos autos, contra acórdão da DRJ que negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada contra despacho denegatório do pedido de restituição formalizado pela recorrente. Por meio de Perdcomp, a recorrente havia pleiteado, perante a repartição fiscal de seu domicílio, restituição de valores pagos indevidamente, a título de IRPJ, ao argumento de que, na base de cálculo do tributo, teriam sido incluídos créditos de PIS e de Cofins não cumulativos, oriundos de aquisições de bens e serviços. Indeferido o pedido, foi apresentada manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, fundada no fato de que não haveria norma legal permitindo excluíremse, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os créditos de PIS e de Cofins, calculados sobre custos e despesas. Portanto, em face da ausência de autorização legal, impossível, segundo o acórdão recorrido, excluir na DIPJ tais valores (créditos de PIS e Cofins), reduzindo o lucro tributável. Não resignada, a contribuinte apresentou recurso alegando, em síntese, os seguintes pontos: a) A incidência de IRPJ e de CSLL sobre os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos desrespeita o princípio da neutralidade tributária, além de implicar a tributação de valores que se caracterizam como subvenção de investimento. b) A finalidade dos "créditos" de PIS e Cofins é tão somente "servir de moeda de pagamento" dos débitos desses tributos. c) O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 3/2007 manda registrar contabilmente tais "créditos" como ativo fiscal, mas ressalta que a contrapartida não pode ser feita em conta de receita. A contrapartida, diz a recorrente, só pode ser em conta de redução do custo do bem ou de redução de despesa. Em qualquer hipótese, todavia, o registro contábil da contrapartida repercute aumentando a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. d) Diz a recorrente que, de acordo com o § 10, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, o montante dos créditos apurados não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo apenas para dedução do valor devido. Entretanto, se tais créditos forem contabilizados como redução de custo ou de despesa, haverá impacto sobre o lucro, que é a diferença entre o total da receita e o total de custos e despesas. e) Por último, afirmou que os créditos de PIS e de Cofins revestiriam a natureza jurídica de subvenção de investimento, e, por essa razão, não estariam sujeitos à incidência do IRPJ e da CSLL. Tratase de valores cedidos pelo Poder Público ao contribuinte, caracterizandose como transferência de capital. Com esses fundamentos, pugnou pelo acolhimento do recurso. É o relatório. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10875.901194/201350 Acórdão n.º 1301002.446 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.445, de 18/05/2017, proferido no julgamento do processo 10875.901196/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.445): Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Impossibilidade de excluir créditos de PIS e de Cofins do lucro tributável O § 10 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que instituiu o regime não cumulativo para a Cofins, diz que o valor dos créditos apurados na forma daquele artigo não constitui receita bruta. A regra se aplica também ao PIS, por força do disposto no art. 15, inciso II, da mesma lei. Assim está redigido o § 10 do art. 3º, acima referido: § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. O dispositivo é um dos parágrafos do art. 3º da Lei nº 10.833, artigo esse que trata especifica e exclusivamente da Cofins não cumulativa. Daí se pode inferir que o dispositivo tem alcance restrito, aplicandose apenas à Cofins e, por força do art. 15, inciso II, também ao PIS não cumulativo. O objetivo legal é claramente impedir que PIS e Cofins, na sistemática não cumulativa, viessem a incidir sobre os valores dos próprios créditos, mitigando, pela dupla incidência, a não cumulatividade que a lei pretendeu assegurar. Assim sendo, quer se caminhe pela trilha da interpretação lógica (interação do dispositivo com outros dispositivos da mesma lei) ou da interpretação teleológica (considerando os fins que a lei pretende alcançar), a conclusão a que se chega é a mesma: o dispositivo, cingindose ao PIS e à Cofins, não irradia qualquer efeito sobre o IRPJ e a CSLL. É equivocado, portanto, afirmar que os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem interferir na apuração do lucro tributável, seja reduzindo custo ou reduzindo despesa. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10875.901194/201350 Acórdão n.º 1301002.446 S1C3T1 Fl. 5 4 Daí porque não se admite excluir do lucro líquido, quando da apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, os valores dos créditos de PIS e de Cofins. Fiel a essa linha de raciocínio está a orientação emanada da Receita Federal por meio do Ato Declaratório Interpretativo nº 3/2007: Art. 1º O valor dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurados no regime nãocumulativo não constitui: I receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido das referidas contribuições; II hipótese de exclusão do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). (g.n.) Frisese que o E. Superior Tribunal de Justiça não discrepa desse entendimento. Ao contrário, a jurisprudência é firme no sentido da impossibilidade de excluir do lucro líquido o valor dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos, como se pode constatar da ementa abaixo transcrita. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ENUNCIADO Nº 3 DO STJ. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IRPJ E CSLL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS DO REGIME NÃO CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA Nº 568 DO STJ. 1. Ambas as Turmas da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça já se manifestaram no sentido da impossibilidade de exclusão dos créditos escriturais apurados pelos contribuintes no regime não cumulativo do PIS e da COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.447.382/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12/06/2014; AgRg no REsp 1.181.156/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 21/02/2013. 2. Agravo interno não provido. (AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 913.315 SP) (g.n.) Subvenção Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não têm natureza jurídica de subvenção, nem a ela se equiparam para qualquer fim ou efeito. De acordo com o § 3º do art. 12 da Lei nº 4.320/1964, que estatui normas de Direito Financeiro, subvenções são transferências feitas pelo Poder Público em favor de entidades públicas ou privadas, destinadas a cobrir despesas de custeio. Este é o texto legal: Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10875.901194/201350 Acórdão n.º 1301002.446 S1C3T1 Fl. 6 5 § 3º Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. (g.n.) A Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal), por sua vez, exige, para que o Poder Público possa realizar repasses a título de subvenção, que haja lei específica autorizando as concessão do benefício. Art. 26. A destinação de recursos para, direta ou indiretamente, cobrir necessidades de pessoas físicas ou déficits de pessoas jurídicas deverá ser autorizada por lei específica, atender às condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias e estar prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais. § 1º O disposto no caput aplicase a toda a administração indireta, inclusive fundações públicas e empresas estatais, exceto, no exercício de suas atribuições precípuas, as instituições financeiras e o Banco Central do Brasil. § 2º Compreendese incluída a concessão de empréstimos, financiamentos e refinanciamentos, inclusive as respectivas prorrogações e a composição de dívidas, a concessão de subvenções e a participação em constituição ou aumento de capital. (g.n.) As subvenções, como deixam ver os dispositivos legais transcritos, exigem lei prévia que, além de autorizar a concessão, defina as condições e os requisitos a serem cumpridos pela entidade beneficiária. Não existe subvenção geral e incondicional, e tampouco desvinculada do interesse público. Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não se encaixam nessa moldura. Têm direito ao "crédito" todas as pessoas jurídicas que apurem o IRPJ pelo lucro real, independentemente de qualquer condição ou requisito, sendo desnecessária qualquer lei específica ou ato administrativo para concessão do direito. No obstante, ainda que o crédito de PIS e de Cofins não cumulativos pudesse ser enquadrado como um tipo de subvenção, como quer a recorrente, não haveria isenção. É que a isenção de IRPJ e CSLL só alcançam as chamadas subvenções para investimento, ou seja, aquelas que, a teor do art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda, se destinam a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10875.901194/201350 Acórdão n.º 1301002.446 S1C3T1 Fl. 7 6 Portanto, também sob esse prisma, não assiste razão à recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 430DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.911399/2011-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido.
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.402
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente PARATI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 91 13 99 /2 01 1- 49 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10925.911399/201149 Acórdão n.º 3302004.402 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o PIS/Pasep. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba SC pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A DRJ julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07031.510. O fundamento adotado, em síntese, foi: (i) que, pagamentos efetuados mediante DARF (vinculados a débitos declarados em DCTF) somente se caracterizam como indevidos ou a maior, quando o contribuinte retifica a DCTF, informando corretamente o débito (a menor); e (ii) que, não procede a alegação da contribuinte de que o ICMS não compõe as bases de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins; e (iii) que o órgão administrativo não pode ser pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Intimada de decisão piso, a Recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, aduzindo (i) ausência de previsão legal exigindo a retificação da DCTF como condição para a restituição; (ii) inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS; (iii) sobrestamento do feito até o transito em julgado da decisão proferida pelo STF (RE 574.706). É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.379, de 28 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.907614/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.379): Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10925.911399/201149 Acórdão n.º 3302004.402 S3C3T2 Fl. 4 3 "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 19.03.2014 (fls.43) e protocolou Recurso Voluntário em 07.04.2014 (fls.4653), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito II.1 Inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 02 Inicialmente é imperioso destacar que nos termos da Súmula nº 02 "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Deste modo, a análise da inconstitucionalidade da legislação tributária envolvendo a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS resta totalmente prejudicada. II.2 Ausência de retificação da DCTF direito creditório É incontroverso nos autos que a Recorrente não retificou a DCTF antes de apresentar o Pedido de Restituição (PER) Eletrônico nº 15219.42808.210808.1.2.043337, fato este que para fiscalização obsta o direito ao crédito buscado pelo contribuinte. Contudo, o fato de a Recorrente não ter retificado a DCTF antes de apresentar o pedido de restituição, por si só, não é motivo suficiente para que seu crédito não seja reconhecido, podendo, tal procedimento, ser superado com a apresentação de provas capazes de comprovar a existência de erro na apuração contábil/fiscal e consequentemente do pagamento indevido ou a maior alegado pelo contribuinte, nos termos do §1º ao art. 147 do CTN, a saber: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito apresentado no Pedido de Restituição (PER) Eletrônico nº 15219.42808.210808.1.2.043337, alegando, pura e simplesmente que o citado pedido referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10925.911399/201149 Acórdão n.º 3302004.402 S3C3T2 Fl. 5 4 Com efeito, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/ RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/ PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10925.911399/201149 Acórdão n.º 3302004.402 S3C3T2 Fl. 6 5 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. Superada essa questão, passase a análise da matéria sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS. II.3 ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente, sem contudo provar, que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.785 2/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302 004.158): A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10925.911399/201149 Acórdão n.º 3302004.402 S3C3T2 Fl. 7 6 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10925.911399/201149 Acórdão n.º 3302004.402 S3C3T2 Fl. 8 7 técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10925.911399/201149 Acórdão n.º 3302004.402 S3C3T2 Fl. 9 8 de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10925.911399/201149 Acórdão n.º 3302004.402 S3C3T2 Fl. 10 9 § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. II.4 Sobrestamento do processo Por fim, a Recorrente pleiteou o sobrestamento do feito até o julgamento definitivo do RE 504.706, suplicando pela aplicação do princípio da economia processual. Com todo respeito ao pedido formulado pela Recorrente, as hipóteses de sobrestamento do feito previstas no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, não albergam o pedido do contribuinte, logo, deve ser afastado o requerimento anteriormente citado, por total ausência de fundamento legal. III. Conclusão Diante do exposto, considerando que a Recorrente não comprovou a origem do crédito e, que a decisão do Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.144.469/PR), aplicável ao presente caso, é no sentido de manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10925.911399/201149 Acórdão n.º 3302004.402 S3C3T2 Fl. 11 10 Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e, não obstante a Recorrente não ter retificado a DCTF antes de apresentar o pedido de restituição, não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 69DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.003611/2009-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. PRECLUSÃO.
É permitida a produção de provas em sede recursal quando caracterizada a hipótese prevista na alínea "a" do § 4º. do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Hipótese em que os cheques foram apresentados quando disponibilizados pela instituição financeira.
Numero da decisão: 9202-005.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PROVA. PRECLUSÃO. É permitida a produção de provas em sede recursal quando caracterizada a hipótese prevista na alínea "a" do § 4º. do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Hipótese em que os cheques foram apresentados quando disponibilizados pela instituição financeira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 36 11 /2 00 9- 38 Fl. 286DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 05 a 09), relativa a imposto de renda da pessoa física, emitida em 30/03/2009, pela qual se procedeu à glosa de deduções de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2007. Essa alteração implicou lançamento de imposto suplementar de R$ 5.589,37 que acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, montou a R$ 11.013,28, cientificado à contribuinte em 07/04/2009 (efl. 23). Tal notificação decorreu falta de comprovação, após regular intimação, do efetivo pagamento de despesas médicas no montante de R$ 20.325,00. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, em 04/05/2009, à efl. 02 dos autos, na qual o contribuinte afirmou que e realizou despesas médicas próprias e de dependente mas que admitia a impossibilidade de provar o valor de R$ 3.170,00. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/JFA que, por unanimidade, em 03/10/2013, no acórdão 0947.021, às efls. 99 a 103, julgou a impugnação procedente em parte por falta de documentação hábil e idônea para comprovar as despesas declaradas. Recurso voluntário Ciente do resultado do acórdão em 01/10/2014 (efl. 106), o contribuinte, em 22/10/2014, apresentou recurso voluntário, às efls. 110 a 117, no qual alega, em resumo, que: § solicita julgamento em conexão a outros processos tratando de glosas relativas a despesas com o mesmo médico; § reclama da utilização de critérios contraditórios entre a DRJ/JFA e DRJ/RJI para apreciação das declarações do médico e das cópias de cheques apresentados; § o art. 80, inc, III do RIR/1999, admite a simples indicação dos cheques nominativos como comprovação do pagamento, o que ele teria feito mas o fisco não aceitou, apesar de não o ter instado a apresentar a cópia dos cheques; § à luz do art. 320 do Código Civil, o pagamento pode ser comprovado por meio de documento que indique a dívida paga, o recebedor, o pagador, o tempo e ligar do pagamento, assim como a assinatura do credor, requisitos esses atendidos pela declaração do médico à e fl. 12; § junta prova do ocorrido em outro processo. Acórdão CARF Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10768.003611/200938 Acórdão n.º 9202005.446 CSRFT2 Fl. 287 3 A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento julgou o recurso voluntário em 15/02/2016, resultando no acórdão n° 2402004.962, às efls. 150 a 156, assim ementado: IRPF. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto os valores pagos a título de despesas médicas, do próprio contribuinte ou com seus dependentes, desde que comprovadas com documentos hábeis e idôneos. A mera indicação dos cheques supostamente repassados ao prestador não faz prova do pagamento, posto que não permite verificar se os cheques foram nominativos ao profissional. Mera declaração do médico, desacompanhada dos recibos a que se refere, não atende ao que dispõe a norma que rege o procedimento de comprovação de despesas médicas. O acórdão teve a seguinte redação: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário RE do contribuinte Em 04/04/2016 (efl. 162), o contribuinte foi intimado do resultado do julgamento e, em 13/04/2016, interpôs recurso especial de divergência, às efls. 169 a 178. O contribuinte aponta divergência de entendimentos em acórdão que, diferentemente do recorrido, dois acórdãos paradigmas acatam as declarações do médicos como prova da despesa dessa natureza e um deles inclusive afirma a possibilidade de comprovação com indicação de cheque nominativo que foi utilizado como pagamento. Como paradigmas da divergência, indica os acórdãos: nº 2802001.809 e nº 2801 002.787. Ao final, invoca também o princípio da verdade material, para que possa juntar documentos aos autos, antes da decisão final, quando pretende obter cópias dos cheques do Banco do Brasil referentes aos pagamentos glosados, emitidos há quase 10 anos, em 30 dias. Em 04/05/2016 e 16/05/2016, o contribuinte juntou dois conjuntos de documentos aos autos: a) extratos de conta corrente do Banco do Brasil (e.fls. 205 a 214), indicando compensações de cheques nos valores que pretende comprovar e uma cópia de cheque do Banco Itaú, referente a pagamento realizado em 06/03/2006 (efl. 216); e b) cópias ilegíveis de 9 (nove) cheques do Banco do Brasil (efls. 222 a 257), supostamente referentes ao extrato anteriormente apresentado. Admissibilidade do RE do contribuinte A Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção da CARF, em 10/06/2016, através do despacho de efls. 259 a 264, deu seguimento ao RE da Fazenda, para que fosse analisada a divergência Fl. 288DF CARF MF 4 a respeito da comprovação de despesas médicas, mediante a apresentação de declarações sobre a efetiva prestação de serviços e o respectivo desembolso financeiro. Contrarrazões da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional foi cientificada do despacho de admissibilidade do recurso especial e divergência, em 08/08/2016 (efl. 265); e apresentou contrarrazões em 20/08/2016, às efls. 266 a 276. No contraarrazoado o Procurador argumenta: a) a regra é a tributação, a dedução/isenção é exceção, por isso essa merece interpretação restritiva; b) para que se faça jus às deduções da declaração de ajuste anual é indispensável a comprovação com todos os requisitos legais, tal ônus é do contribuinte; c) documentos particulares (recibos e declarações) provam a declaração, mas não o fato declarado, cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de tais fatos com outros documentos; d) a presunção de veracidade dos recibos e declarações particulares só vale para as partes envolvidas, contestada por terceiros, o ônus de provar os fatos declarados cabe ao interessado; e) apresenta jurisprudência administrativa que confortam sua tese e pede que seja negado provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O Decreto nº 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal federal, em seu artigo 16, parágrafo 4º, assim regula a matéria: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10768.003611/200938 Acórdão n.º 9202005.446 CSRFT2 Fl. 288 5 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Em que pese a prova ter sido trazida somente em sede de recurso especial, podendo ter sido trazida, em tese, em momento anterior, temos a questão da disposição do contribuinte de produzir as provas e a alegação da dificuldade de sua apresentação. Assim, como os cheques foram apresentados quando fornecidos pelo banco, temos a possibilidade de aplicação da alínea "a" do parágrafo 4o do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Dessa forma, aceito a prova. Conclusão Pelos motivos acima expostos, voto por conhecer do recurso especial do contribuinte, para, no mérito, darlhe provimento, mantendo o acórdão de recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 290DF CARF MF
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