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Numero do processo: 11080.728180/2013-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DESPESAS MÉDICAS. PROVA.
A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Júnior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA, IVACIR JULIO DE SOUZA, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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PROVA. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Júnior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA, IVACIR JULIO DE SOUZA, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 81 80 /2 01 3- 94 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação à exigência decorrente de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), em razão da glosa de dedução de despesas médicas, por falta ou deficiência de comprovação. Seguem transcrições da decisão recorrida: Anocalendário: 2011 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, as despesas médicas pagas em benefício do contribuinte titular ou de seus dependentes, quando comprovadas mediante documentação hábil e idônea na forma da legislação de regência. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte ... Plano de Saúde UNIMED Pelo disposto no motivo da glosa, verificase que o contribuinte regularizou as deficiências das declarações anteriormente apresentadas, ou seja, considerando que o contribuinte apresenta a cópia do original da declaração da associação, que informa o valor descontado para o plano de saúde UNIMED, que informa ser o contribuinte o único beneficiário, resta concluir pela aceitação da dedução pretendida no valor de R$ 5.769,30. ... Clínica BIO LÓGICA SOCIEDADE SIMPLES LTDA ME e OUTROS Dessa forma, deve ser aceito como dedutível o valor de R$ 600,00. Ressaltese que as demais despesas médicas com a clínica não foram comprovadas pelo contribuinte. ... Frente ao exposto, devese refazer os cálculos dos valores expressos na presente notificação de lançamento nos seguintes termos: ... 4) Glosa de Deduções Indevidas R$ 7.469,30 Valores após julgamento R$ 1.500,00. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.728180/201394 Acórdão n.º 2301004.684 S2C3T1 Fl. 82 3 Após ciência da decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário. Nele, traz em juntada os recibos médicos para a comprovação da glosa remanescente de R$ 1.500,00. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Voto Conselheira Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Conheço do recurso por constatar que atende os requisitos de admissibilidade. Despesas Médicas Para a dedução das despesas médicas na declaração do imposto de renda da pessoa física devem ser atendidos alguns requisitos objetivos e subjetivos: a) prestação de serviço na área da saúde, realizada por médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como no caso de fornecimento de produtos de exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, conforme artigo 8o, inciso II alínea “a” da Lei nº 9.520, de 26/12/1995; e b) o custo do serviço ou produto destinado ao contribuinte e seus dependentes deve ter sido suportado pelo contribuinte, conforme artigo 8º, §2o, inciso II da Lei nº 9.520, de 26/12/1995. Também devem ser observadas algumas formalidades para que ao conteúdo do documento se possa conferir legitimidade. Assim, a lei exigiu, em regra, a indicação do nome, endereço, CPF ou CNPJ: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 8º, § 2º O disposto na alínea a do inciso II: III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Ressaltase que o ônus da prova das despesas médicas deduzidas em sua Declaração de Ajuste Anual é do contribuinte: Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). No caso sob exame, após a decisão recorrida, o recorrente buscou comprovar com recibos e declarações, fls. 70 e seguintes, o pagamento de tratamento médico de nutrologia. Os documentos trazem as informações exigidas em lei e apresentam a mesma forma dos demais recibos já aceitos pela fiscalização relativos a outras despesas médicas. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.728180/201394 Acórdão n.º 2301004.684 S2C3T1 Fl. 83 5 Assim, entendo que o recorrente tem direito à dedução da despesa médica objeto do recurso. Conclusão Em razão do exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 85DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724923/2013-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2010
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APOSENTADO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE REMUNERADA. SEGURADO OBRIGATÓRIO.
O aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social - RGPS que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade abrangida por este Regime é segurado obrigatório em relação a essa atividade, ficando sujeito às contribuições previstas na legislação previdenciária, para fins de custeio da Seguridade Social.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2201-003.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.?
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APOSENTADO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE REMUNERADA. SEGURADO OBRIGATÓRIO. O aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social - RGPS que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade abrangida por este Regime é segurado obrigatório em relação a essa atividade, ficando sujeito às contribuições previstas na legislação previdenciária, para fins de custeio da Seguridade Social. Recurso Voluntário Negado
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APOSENTADO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE REMUNERADA. SEGURADO OBRIGATÓRIO. O aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social RGPS que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade abrangida por este Regime é segurado obrigatório em relação a essa atividade, ficando sujeito às contribuições previstas na legislação previdenciária, para fins de custeio da Seguridade Social. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 49 23 /2 01 3- 80 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.724923/201380 Acórdão n.º 2201003.144 S2C2T1 Fl. 102 2 Relatório São casos de Pedidos de Restituição de contribuição previdenciária (fls. 2/46) relativos às competências 10/2009 a 02/2010, 03/2010 (requerido em duplicidade) e 05/2010 a 12/2010. A contribuinte formalizou os pedidos por meio do aplicativo PER/DCOMP sob a alegação de que foram pagos valores aos INSS no período em que o processo de aposentadoria por idade estava em julgamento. O pedido foi indeferido pelo DespachoDecisório de fls. 69/72. A Requerente apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 78/79, que foi julgada improcedente pela 6ª Turma da DRJ/FNS (fls. 87/90). Cientificada da decisão de primeira instância em 26/08/2014 (fl. 93), a Interessada interpôs, em 18/09/2014, o recurso de fl. 96. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Compareceu à agência da Previdência Social várias vezes e foi orientada a continuar efetuando o pagamento do INSS sob a alegação de não ter o tempo necessário de contribuição para se aposentar. Confiando nessa informação prosseguiu com o recolhimento das contribuições, porém o benefício foi concedido antes dos pagamentos efetuados entre 10/2009 até 12/2010. Em função das limitações de idade não conseguiu emprego, sendo obrigada pelas circunstâncias a trabalhar como autônoma catando latinhas, papelão e vendendo café em obra. Passou períodos de dificuldade, mas continuou a efetuar os pagamentos ao INSS. Considera justo e plausível receber a restituição dos valores e aguarda parecer favorável à sua solicitação. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator A Recorrente alega que efetuou recolhimentos de contribuições previdenciárias após a sua aposentadoria, por orientação recebida em agência da Previdência Social. Em face de estar desempregada, foi obrigada a trabalhar como autônoma para efetuar os pagamentos. Por isso pleiteia a restituição dos valores pagos após a competência de 09/2009, data do início do benefício (DIB). O que de fato ocorreu foi que o benefício foi concedido em 04/01/2011, conforme data de despacho do benefício (DDB) constante do Sistema Único de Benefícios (fl. 48), com DIB em 23/09/2009 (retroativamente), em face do trâmite do processo administrativo que culminou com o deferimento da aposentadoria por idade. A Interessada informa que trabalhou como autônoma no período dos recolhimentos, o que significa dizer que os pagamentos efetuados não são indevidos, porquanto o exercício de atividade remunerada a qualifica como segurada da previdência social, nos termos do que dispõe a legislação que regula a matéria, a ver: Fl. 102DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.724923/201380 Acórdão n.º 2201003.144 S2C2T1 Fl. 103 3 Lei nº 8.213/1991 Art. 11. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (...) h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; (...) § 3º O aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social RGPS que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade abrangida por este Regime é segurado obrigatório em relação a essa atividade, ficando sujeito às contribuições de que trata a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para fins de custeio da Seguridade Social. Nesse contexto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 103DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10830.723417/2013-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE. COMPETÊNCIA.
O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos, respectivamente, pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso.
Às Delegacias da Receita Federal do Brasil - DRF compete proceder à revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas pelo sujeito passivo.
DIRPF. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. DEPENDENTE. COMPROVAÇÃO. LEGALIDADE
Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), relativos ao próprio declarante e a seus dependentes.
Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o valor glosado para R$ 4.435,20.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE. COMPETÊNCIA. O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos, respectivamente, pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF compete proceder à revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas pelo sujeito passivo. DIRPF. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. DEPENDENTE. COMPROVAÇÃO. LEGALIDADE Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), relativos ao próprio declarante e a seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 34 17 /2 01 3- 58 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.723417/201358 Acórdão n.º 2202003.309 S2C2T2 Fl. 325 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o valor glosado para R$ 4.435,20. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Em desfavor da contribuinte em epígrafe foi lavrada Notificação de Lançamento relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do exercício de 2012, ano calendário de 2011, onde foi reduzido o valor de imposto a restituir declarado, sem apuração de crédito tributário suplementar, conforme apuração de folha 08. Na descrição dos fatos narra a Autoridade Fiscal que apurou uma única infração, que redundou na glosa de despesas médicas com Plano de Saúde (R$ 9.626,88), porque a contribuinte, regularmente intimada, "deixou de apresentar o comprovante do próprio Plano de Saúde Unimed Campinas, com valores discriminados por beneficiário (titular e dependentes) e as despesas declaradas também não constam dos sistemas da RFB". (fl. 07) A contribuinte manifestouse alegando que apresentava documentação (resumo dos valores pagos através da Vidamax) e comprovantes de que seu marido, "dependente desde 2007", é portador de moléstia grave e isento do imposto de renda. Na análise da Impugnação, entendeu o Julgador recorrido, em suma, que: A impugnante intimada e reintimada não apresentou o comprovante emitido diretamente pela Unimed Campinas. Juntou, em sede de fiscalização e de contencioso, comprovante emitido pela Vidamax Administradora de Benefícios, CNPJ nº 09.164.784/000168. Tal empresa não aparece no Banco de Dados da Receita Federal do Brasil (RFB), em pesquisa realizada no sistema CNPJ em 09/09/2013, como Plano de Saúde. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.723417/201358 Acórdão n.º 2202003.309 S2C2T2 Fl. 326 3 Também ao se consultar o sistema Dmed da RFB em 09/09/2013, não se encontra registro sobre tal despesa na respectiva Declaração de Serviços Médicos e de Saúde (Dmed). Portanto, embora forçoso reconhecer o esforço da contribuinte para fazer prova de tal despesa médica, não há como se reconhecer o direito à dedução da base de cálculo do imposto de renda com os documentos acostados aos autos. Assim, mantevese a autuação fiscal. Cientificada dessa decisão em 26/11/2013 (AR na folha 289), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/12/2013, com protocolo na folha 292, onde aduz que apresenta novos documentos para comprovar a vinculação entre a Vidamax Administradora de Benefícios e a Unimed Campinas (fls. 300 e seguintes) e a regularidade da dedução das despesas médicas, aguardando a revisão da glosa perpetrada. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Segundo Marcos Vinicius NEDER e Maria Teresa Martinez LOPÉZ: “Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação....(grifei) A lei processual estabelece regras que deverão presidir as relações entre os intervenientes na discussão tributária. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética....Na lição de Calamandrei, “o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera,depois, deles um novo impulso....”Se no curso deste processo, constatarse a concordância de opiniões, devese por fim ao processo, já que o próprio objeto da discussão perdeu o sentido. Da mesma forma, não há o que julgar se o contribuinte não contesta a imposição tributária que lhe é imputada.(NEDER, Marcos Vinícius e Fl. 326DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.723417/201358 Acórdão n.º 2202003.309 S2C2T2 Fl. 327 4 LOPEZ, Maria Teresa Martinez. Processo Administrativo Fiscal Comentado. 2ª ed,. Dialética, São Paulo, 2004, p. 265/266) Bem, qual foi o objeto da Notificação de Lançamento, que deu origem a este processo e que enfim consubstancia a "pretensão do Fisco"? Observo, na Notificação, que houve a glosa de despesas médicas com plano de saúde, expressamente motivada pela não apresentação de comprovantes emitidos pelo próprio plano Unimed e também porque não era possível discriminar os beneficiários (titular e dependentes). Na Impugnação, a contribuinte traz informação nova, de que seu marido é "dependente desde 2007" e que por ser portador de moléstia grave seria isento do imposto de renda. Mas não houve glosa de dependente muito menos questionamento acerca dos rendimentos do marido. Verifico, contudo, na cópia da DIRPF/2012 que consta das folhas 46 e seguintes, que o marido não foi incluído no rol de dependentes, onde consta apenas a filha Ana Paula Motta Prosperi. Assim, para fins de consideração neste recurso, entendo que existe uma única dependente e a inclusão de dependente não declarado e, inclusive, a análise de isenção dos rendimentos dele, transcende os limites da lide e é de eventual competência da Delegacia da Receita Federal do Brasil, uma vez que, repito, não foram objeto de lançamento de ofício. Não obstante as lições processuais retro transcritas, conforme o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, temos que: Das Competências das Unidades Descentralizadas Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas Derpf, às Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e às Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes “Especial A”, “Especial B” e “Especial C”, quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 512, de 02 de outubro de 2013) ... XXII proceder à retificação de declarações aduaneiras, à revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas pelo sujeito passivo, e ao cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo; (sublinhei/grifei) Fl. 327DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.723417/201358 Acórdão n.º 2202003.309 S2C2T2 Fl. 328 5 Assim, não se pode transformar a lide tributária a ser julgada pelos órgãos administrativos competentes, em 1ª instância e grau recursal, em pedido de revisão de ofício para que seja incluído e considerado dependente não listado na declaração de rendimentos apresentada pelo sujeito passivo. Ressalvadas algumas matérias de ordem pública, a competência do julgador para a revisão do lançamento restringese à hipótese prevista no art. 145 do CTN, sendo a revisão de ofício de iniciativa exclusiva da RFB (art. 149 do CTN). Após as indicações da DRJ, juntamente com seu recurso, a Recorrente apresenta novos documentos que merecem ser considerados, haja vista o disposto na alínea "c", § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como em observância ao princípio da verdade material. Observo que os documentos apresentados nas folhas 300 e seguintes deixam claro que a União dos Servidores do Estado de SP firmou convênio com a Unimed Campinas, para oferecer a seus filiados benefício de Plano de Saúde. Vidamax é a operadora do plano, responsável, dentre outras coisas, por enviar mensalmente a ficha de compensação bancária para pagamento do valor de plano de saúde, conforme se lê no item 21 do "guia do beneficiário" (fl. 301). Além disso, os beneficiários do plano eram a contribuinte Dulce Antônia, seu marido Warner Prosperi e sua filha Ana Paula. A dedução de despesas médicas, conforme artigo 8º da Lei n. 9.250, de 1995 é regular quando relativa ao próprio declarante e a seus dependentes, no caso, os dependentes informados na declaração de ajuste anual. Portanto, entendo, dentro dos limites desta lide, que regular é a dedução da despesa com plano de saúde em relação a Dulce Antônia e Ana Paula, mas não em relação a Warner, que não foi incluído no rol de dependência, conforme citado. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO por dar provimento parcial ao recurso para reduzir o valor glosado para R$ 4.435,20 (apenas a parte relativa a Warner Prosperi permanece, conforme detalhamento de folha 274). Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 328DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 13962.000452/2010-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
Simples Nacional. Termo de Indeferimento. Débitos Tributários Inexistentes.
Comprovado, nos autos, que a pendência fiscal que impediu o deferimento da opção do contribuinte ao ingresso no Simples Nacional não existiu, defere-se a opção.
Numero da decisão: 1302-001.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(documento assinado digitalmente)
ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH - Relatora
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente
Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 Simples Nacional. Termo de Indeferimento. Débitos Tributários Inexistentes. Comprovado, nos autos, que a pendência fiscal que impediu o deferimento da opção do contribuinte ao ingresso no Simples Nacional não existiu, defere-se a opção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH - Relatora (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 SIMPLES NACIONAL. TERMO DE INDEFERIMENTO. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS INEXISTENTES. Comprovado, nos autos, que a pendência fiscal que impediu o deferimento da opção do contribuinte ao ingresso no Simples Nacional não existiu, deferese a opção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Relatora (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 2. 00 04 52 /2 01 0- 45 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela empresa em epígrafe, efls. 69 e 70, contra o Acórdão nº 1653.670/13, proferido pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SP 1, efls 63 a 65, que manteve o indeferimento da opção da empresa pelo Simples Nacional, para o anocalendário de 2010. O aresto restou assim ementado: TERMO DE INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. SITUAÇÃO IMPEDIENTE. REGULARIZAÇÃO. PRAZO. O Contribuinte se sujeita ao indeferimento de sua opção pelo Simples Nacional caso não regularize eventual pendência impeditiva ao ingresso no regime favorecido até o final de janeiro do ano em que formaliza dita opção. O Termo de Indeferimento da opção, efls. 04, datado em 13 de abril de 2010, destaquei, acusou a existência de três débitos em aberto, que motivaram o indeferimento da opção, a saber: Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil relativo a contribuições sociais Lista de Competências 1)Competência 11/2008 Valor : R$ 114,81 Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza não previdenciária (...) Lista de Débitos 1)Débito Código da Receita :2089 Nome do Tributo : IRPJ Número do Processo : Período de Apuração: 04/2008 Saldo Devedor : R$ 106,86 2)Débito Código da Receita :2372 Nome do Tributo : CSLL Número do Processo : Periodo de Apuração: 04/2008 Saldo Devedor : R$ 78,47 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 13962.000452/201045 Acórdão n.º 1302001.853 S1C3T2 Fl. 3 3 A recorrente na manifestação de inconformidade diz que os débitos já haviam sido parcelados e que o débito de competência 11/2008 não mais existia, enquanto no recurso voluntário explica que, em razão de catástrofe ocorrida em Santa Catarina (cheias), autorizou se pagar "(...) o INSS com postergação do vencimento, que seria no mês 12/2008 até a data de 15/06/2009, conforme (...) GPS em anexo, que no momento em que ocorreu a retransmissãoda Sefip (sic), a pendencia que estava sendo acusada desapareceu (...). Anexa às efls. 72 a cópia da guia GPS, competência 11/2008, acusando o recolhimento em 15 de junho de 2009, destaquei, no valor total de R$ 1.967,72. Às efls. 34 dos autos consta o Relatório de Pendências à Opção pelo Simples Nacional os mesmos débitos acima descritos. Às efls. 61 houve um despacho exarado pela unidade de jurisdição da recorrente explicando que: Em relação aos saldos devedores de débitos de natureza não previdenciária, informamos que não são devidos já que originados da cobrança indevida de juros sobre o valor principal declarado em DCTF e recolhido em quota única nos prazos previstos na Portaria MF no 289/2008 (fls.52/54), conforme entendimento trazido na Nota Técnica COSIT n° 06, de 24 de março de 2010. A orientação da Codac foi no sentido de que tais valores não fossem suspensos por processo de representação a fim de que pudessem ser tratados por apuração especial a ser implantada. Em relação a estas pendências, portanto, foi identificado erro de fato e, assim sendo, não podem persistir como motivadores do indeferimento à opção. Já em relação à pendência de natureza previdenciária, verificamos que o contribuinte retificou a GFIP correspondente à competência 11/2008 depois do prazo estabelecido para regularização. Assim, tendo em vista que da argumentação e da documentação comprobatória apresentada não foi possível concluir por erro de fato no indeferimento da solicitação de opção, (...) proponho que o processo seja encaminhado para a DRJ para apreciação. A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 69 e 70. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 09/01/14, efls. 68; Recurso – 07/02/14, efls. 69 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 4 O artigo 17 da Lei Complementar nº 123/06, em seu inciso V, dispõe: Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; No caso em concreto, a recorrente foi cientificada dos seguintes débitos com a Fazenda Nacional, no Termo de Indeferimento de opção ao ingresso no Simples Nacional: Débito previdenciário: 11/2008 R$ 114,81 Débitos não previdenciários: IRPJ R$ 106,86 CSLL R$ 78,47 A autoridade a quo, às efls. 61, explicou que os valores dos débitos não previdenciários consistiram em exigência de juros porque os tributos foram pagos fora do prazo normal, mas consistiu em cobrança indevida, erro de fato, em virtude da Portaria Ministerial (MF) nº 289/08, que prorrogou o prazo para o último dia útil dos meses de junho, julho e agosto de 2009, os prazos para pagamento de tributos federais administrados pela RFB, relativos a fatos geradores ocorridos nos meses de novembro e dezembro de 2008 e janeiro de 2009, respectivamente, para os sujeitos passivos domiciliados em diversas localidades de Santa Catarina, inclusive Brusque, domicílio da recorrente (efls. 60) Estranhamente a autoridade não observou, assim como a Turma de Primeira Instância de Julgamento, que, em relação ao débito previdenciário, no valor de R$ 114,85, às e fls. 51, juntou o espelho da guia GPS, no qual consta, entre outros dados (guia anexada também com o recurso voluntário): Competência: 11/2008 Vlr do principal....INSS........ 1.852,87 Atualiz Monet/Juros.............. 114,85 Total...................................... 1.967,72 Dt. pagto.: 15/06/2009 Por conseguinte, ao emitir o Termo de Indeferimento, em 13 de abril de 2010, os débitos previdenciários ou não previdenciários acusados no referido termo consistiram em valores de juros exigidos indevidamente dos contribuintes que pagaram os tributos em atraso, em 2009, porém sob a guarida da Portaria MF nº 289, de 2008, sendo que, no presente caso, a recorrente pagou os juros, apesar de dispensada, no prazo concedido, ou seja, competência 11/2008 em 15 de junho de 2009. O fato suscitado pela autoridade que a recorrente "(...) retificou a GFIP correspondente à competência 11/2008 depois do prazo estabelecido para regularização." não Fl. 79DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 13962.000452/201045 Acórdão n.º 1302001.853 S1C3T2 Fl. 4 5 tem qualquer relevância para o efeito de impedir o seu ingresso no Simples Nacional, uma vez o Termo de Indeferimento não ter feito qualquer referência a este fato, mas sim haver, apontado, com confessado erro de fato, a título de causas impeditivas, débitos inexistentes ou quitados pela empresa antes da emissão do referido ato administrativo. Diante destas considerações, voto em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 80DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA
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Numero do processo: 10680.903324/2013-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ.
Os valores mensalmente apurados por estimativa a título de antecipação IRPJ e de CSLL, e não pagos, ainda que objetos de Declaração de Compensação não homologada, não podem ser inscritos em Dívida Ativa da União e, consequentemente, cobrados de per si. Inteligência dos Pareceres PGFN/CAT nº 193/2013 e nº 88/2014.
Somente são passíveis de dedução do imposto devido apurado no ajuste anual as estimativas efetivamente pagas. Na hipótese das estimativas terem sido alvo de declaração de compensação, e esta não ter sido homologada, há que se considerar que não ocorreu a efetividade do pagamento.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
É condição para a realização de compensação que o crédito a ser utilizado seja líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-002.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. Os valores mensalmente apurados por estimativa a título de antecipação IRPJ e de CSLL, e não pagos, ainda que objetos de Declaração de Compensação não homologada, não podem ser inscritos em Dívida Ativa da União e, consequentemente, cobrados de per si. Inteligência dos Pareceres PGFN/CAT nº 193/2013 e nº 88/2014. Somente são passíveis de dedução do imposto devido apurado no ajuste anual as estimativas efetivamente pagas. Na hipótese das estimativas terem sido alvo de declaração de compensação, e esta não ter sido homologada, há que se considerar que não ocorreu a efetividade do pagamento. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. É condição para a realização de compensação que o crédito a ser utilizado seja líquido e certo. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
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SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. Os valores mensalmente apurados por estimativa a título de antecipação IRPJ e de CSLL, e não pagos, ainda que objetos de Declaração de Compensação não homologada, não podem ser inscritos em Dívida Ativa da União e, consequentemente, cobrados de per si. Inteligência dos Pareceres PGFN/CAT nº 193/2013 e nº 88/2014. Somente são passíveis de dedução do imposto devido apurado no ajuste anual as estimativas efetivamente pagas. Na hipótese das estimativas terem sido alvo de declaração de compensação, e esta não ter sido homologada, há que se considerar que não ocorreu a efetividade do pagamento. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. É condição para a realização de compensação que o crédito a ser utilizado seja líquido e certo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 33 24 /2 01 3- 76 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.903324/201376 Acórdão n.º 1402002.167 S1C4T2 Fl. 330 2 (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.903324/201376 Acórdão n.º 1402002.167 S1C4T2 Fl. 331 3 Relatório BANCO MERCANTIL DO BRASIL S/A recorre a este Conselho em face do acórdão nº 1144.905 proferido pela 4ª Turma da DRJ em Recife que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro nos §§ 10 e 11 do art. 74 da lei nº 9.430/96 e no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem refletir os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de primeira instância, complementandoo ao final: Tratam os autos de análise eletrônica das Declarações de compensação (Dcomp) nº: 14110.23101.050711.1.3.039687 (inicial), 04826.56937.130711.1.3.030270, 10109.78358.140911.1.3.032772, 23878.59418.120811.1.3.036208, 14110.23101.050711.1.3.039687, 11557.61378.190711.1.3.036042, 01863.98866.200911.1.3.032674, 42477.37168.200911.1.3.039601, 19259.39418.160911.1.7.036212, 26767.11666.190911.1.3.033409 e 20460.62746.230911.1.3.033240, cujas cópias estão às fl. 149 a 199, onde o contribuinte compensou diversos débitos com suposto crédito de saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referente ao anocalendário 2010, no montante de R$ 18.970.865,72. 2. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório nº 051752225, de 16 de maio de 2013, às fl. 148, que decidiu por não homologar as compensações declaradas pelas razões a seguir expostas: 2.1. a CSLL devida apurada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) foi de R$ 2.271.508,14. Deste montante foram deduzidos R$ 21.242.373,86 (composição do crédito informado na Dcomp e na DIPJ), obtendose um saldo negativo na DIPJ de R$ 18.970.865,72; 2.2. as parcelas de composição do crédito que geraram o saldo negativo foram as seguintes: a) retenção na fonte – R$ 155.807,03; e b) estimativas liquidadas por compensações – R$ 21.086.566,83. Foi validada apenas a parcela de R$ 155.807,03; 2.3. em função da confirmação de apenas R$ 155.807,033, este montante deduzido da CSLL devida não gerou saldo negativo, acarretando a não homologação das compensações. 3. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade às fl. 02 a 13, em 13 de junho de 2013, instruída com os documentos às fl. 14 a 147, onde argumentou/requereu, em síntese, o que segue: 3.1. tempestividade da manifestação; 3.2. na recomposição do saldo negativo não foi considerada a antecipação (estimativa) quitada relativa a fevereiro de 2010. Tal estimativa foi paga por meio de compensações que, posteriormente, não foram homologadas: Fl. 331DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.903324/201376 Acórdão n.º 1402002.167 S1C4T2 Fl. 332 4 3.3. a não homologação das compensações da estimativa de fevereiro de 2010 foi objeto de despacho decisório proferido no processo nº 10680.724147/201100, tendo sido apresentada manifestação de inconformidade que está pendente de julgamento pela DRJ. Não existe trânsito em julgado da decisão não homologatória; 3.4. no caso de estimativas objeto de compensações não homologadas (ou homologadas parcialmente), os débitos não compensados deverão ser cobrados pela Receita Federal por meio de procedimento específico nos termos do art. 74, §6º, da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, a não homologação de tais compensações não é capaz de impactar a apuração do saldo negativo do período, haja vista que: 3.4.1. se o julgamento do processo no qual a estimativa não foi compensada for favorável à empresa, não restará dúvida quanto à correta apuração do saldo negativo na DIPJ, fazendo com que o despacho decisório ora impugnado deva ser reformado; 3.4.2. se o julgamento for desfavorável e, por conseguinte, as compensações não forem homologadas, o Fisco emitirá imediatamente a carta cobrança da estimativa, compelindo o impugnante a efetuar o pagamento; 3.5. numa ou noutra hipótese, a estimativa será exigida do impugnante, de sorte que não pode ser desconsiderada no cálculo do saldo negativo. A Receita Federal não pode cobrar a antecipação em função da decisão ora recorrida, e ao mesmo tempo desconsiderála no cálculo do saldo negativo apurado no final do ano 2010, sob pena de oneração em duplicidade; 3.6. como não houve trânsito em julgado naquele processo, a estimativa de fevereiro de 2010 permanece extinta pela compensação, e o crédito dela decorrente (saldo negativo) não perdeu a liquidez e a certeza; 3.7. a Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 18, de 13 de outubro de 2006, corrobora esse entendimento: Fl. 332DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.903324/201376 Acórdão n.º 1402002.167 S1C4T2 Fl. 333 5 3.8. nesse sentido também julgado da DRJ/SP1SP e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) (no Acórdão nº 110200.373); 3.9. na hipótese de não se restabelecer o saldo negativo, há a necessidade de conexão deste feito com o processo nº 10680.724147/201100, haja vista relação de dependência. 4. Em 20 de setembro de 2013 os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte – MG para julgamento, tendo a unidade preparadora se pronunciado pela tempestividade da manifestação de inconformidade (fl. 203). Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 2013, e no art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 2013, em 22 de outubro de 2013 os autos foram remetidos para esta DRJ/Recife para efetuar o julgamento da lide (fl. 207). Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma julgadora de primeira instância consideroua improcedente. A recorrente foi intimada da decisão em 17 de fevereiro de 2014 (fl. 292), tendo apresentado tempestivamente recurso voluntário de fls. 295305 em 18 de março de 2014. Em resumo, reafirma os termos de sua manifestação de inconformidade, atacando a decisão recorrida em especial quanto à afirmação de que não há certeza e liquidez em relação às estimativas cujas compensações, em outros autos, não foi homologada. O processo foi pautado anteriormente e este colegiado, por meio da Resolução 1402000.292 decidiu sobrestar o julgamento até a apreciação pelo CARF do processo nº 10680.724147/201100. É o relatório. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.903324/201376 Acórdão n.º 1402002.167 S1C4T2 Fl. 334 6 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário já foi alvo de conhecimento quando exarada Resolução 1402000.292. 2 MÉRITO A controvérsia tratada nos autos diz respeito a pedido de saldo negativo de CSLL composto por estimativas compensadas e controladas no processo nº 10680.724147/201100, cuja competência para análise pertence à 3ª Seção do CARF. Na primeira oportunidade em que a turma se debruçou sobre os autos, decidiuse que se fazia necessário aguardar a análise, no âmbito do CARF, do processo nº 10680.724147/201100 a fim de que se pudesse aferir se seria reconhecido crédito tributário suficiente naquele processo para que fossem efetivamente compensadas as estimativas que compõem o saldo negativo de CSLL ora pleiteado. Salientase que não seria possível realizar o julgamento conjunto de ambos os feitos, haja vista que a competência para julgamento do processo principal (10680.724147/201100) é da 3ª Seção (créditos de Cofins), e no presente processo o crédito alegado é de CSLL, cuja competência é desta Seção de Julgamento. Em consulta ao andamento do processo nº 10680.724147/201100 junto ao sítio do CARF, constatei que já foi exarado acórdão pela turma julgadora correspondente, negandose provimento ao recurso voluntário (Acórdão 3403003.572). Conforme jurisprudência já consolidada em nossa turma, não há mais impedimento para julgamento do presente processo, até mesmo porque, caso houvesse a possibilidade de julgamento em conjunto, os dois processos teriam sido julgados na mesma oportunidade. Nesse cenário, embora tenha constatado que foram opostos embargos de declaração naquele processo, concluo que, ainda que haja pendência de análise desses embargos, não há qualquer óbice para o julgamento do presente litígio. Há de se ressaltar, ainda, que os embargos opostos naqueles autos não poderão alterar o resultado do julgamento, pois diz respeito somente qual a tese vencedora deverá prevalecer, e não propriamente ao resultado do julgamento. A fim de se evitar qualquer prejuízo à Recorrente, os presentes autos deverão ser apensados ao de número 10680.724147/201100, ficando suspensa a execução do presente julgado até a decisão definitiva no processo principal, sendo que, dada a relação de causa e efeito, eventual reforma do Acórdão 3403003.572 deverá automaticamente ser aplicada no presente processo. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.903324/201376 Acórdão n.º 1402002.167 S1C4T2 Fl. 335 7 Superada tal celeuma, passo à análise do mérito. Conforme bem avaliado pela decisão recorrida, o montante relativo à CSLL retida na fonte validado foi insuficiente para gerar saldo negativo, razão pela qual o crédito foi considerado inexistente e não foram homologadas as compensações declaradas. Apresentada manifestação de inconformidade, a turma julgadora de primeira instância consideroua improcedente sob o fundamento de ausência de certeza e liquidez no crédito alegado, uma vez que estimativas compensadas que compõem o saldo negativo pleiteado não foram homologadas, implicando, até aquele momento, a ausência de adimplemento dos débitos correspondentes. O contribuinte apresentou recurso voluntário argumentando, em síntese, que a estimativa objeto de compensações não homologadas será cobrada pela Receita Federal por meio de procedimento específico nos termos do art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430, de 1996, e do entendimento proferido na SCI Cosit nº 18, de 2006. Assim, a não homologação de tais compensações não seriam capaz de impactar a apuração do saldo negativo do período, uma vez que ainda que as compensações não fossem homologadas, as estimativas seriam cobradas naqueles autos. Discordo de tal argumento. Desde a edição da citada Solução de Consulta Cosit nº 18/2006 venho manifestando minha discordância com tal entendimento. Permitirse que um contribuinte tenha reconhecido um direito de crédito (indébito) antes do efetivo adimplemento da dívida anterior, a meu ver, é inadmissível. Aplicar o raciocínio desenvolvido pela SCI Cosit em questão implicaria também reconhecer que eventual estimativa confessada em DCTF, e não adimplida, também pudesse compor o saldo negativo, pois bastaria manterse a cobrança dos débitos confessados em DCTF, uma vez que também se caracterizam como confissão de dívida. Nesse cenário, considero acertada a decisão de primeira instância que entendeu não haver certeza e liquidez no crédito pleiteado, uma vez que, não havendo o efetivo adimplemento das estimativas, não há como considerar tais valores na formação de pleitos creditórios posteriores. Outros cenários ainda foram descritos no voto condutor do aresto que demonstram ser temerária a devolução de supostos créditos tributários baseada na possibilidade da cobrança de débitos anteriores que compõem tal indébito. Chama a atenção, por exemplo, a possibilidade, de a dívida anterior ser alvo de questionamento judicial, e, futuramente, vir o contribuinte a obter êxito em seu pleito. No mesmo sentido, não é razoável considerar como líquido e certo os créditos de estimativa somente pelo fato da possibilidade de virem a ser cobrados pela Fazenda. Infelizmente, sabese que, na prática, é muito baixa a efetividade das execuções fiscais no Brasil, o que aumentaria sobremaneira a possibilidade de se devolver um tributo a determinado contribuinte sem que, jamais, o crédito tributário tenha sido efetivamente extinto. De toda forma, saliento que a tese de que a estimativa compensada será cobrada de qualquer forma não prospera, uma vez que após o encerramento do período de apuração não há mais que se cobrar estimativas, e, até mesmo, pode até não haver sequer imposto a se cobrar no ajuste, quer pela apuração de prejuízo fiscal, quer pela apuração de Fl. 335DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.903324/201376 Acórdão n.º 1402002.167 S1C4T2 Fl. 336 8 valor de imposto de renda na fonte superior ao montante de imposto devido. Tal entendimento é corroborado pelos Pareceres PGFN/CAT nº 193/2013 e nº 88/2014. Em relação a esse último, assim conclui o órgão responsável pela possível cobrança judicial dos tributos federais: 34. Conclusivamente, os valores mensalmente apurados por estimativa, a título de antecipação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, e não pagos, ainda que objetos de Declaração de Compensação não homologada, não podem ser inscritos em Dívida Ativa da União e, consequentemente, cobrados de per si. Em tais pronunciamentos, a PGFN chega a afirmar que eventuais parcelamentos de estimativas deveriam ser cancelados se, ao final do exercício, restasse demonstrado que o contribuinte auferiu prejuízos fiscais. Conclui ainda a PGFN que não é possível a cobrança de estimativas após o encerramento do período de apuração. Se for o caso, devese proceder a cobrança de eventual saldo de imposto a recolher. Assim, não havendo saldo de imposto a recolher, as estimativas declaradas e não extintas, quer por pagamento, quer por compensação, como no caso concreto, jamais serão alvo de cobrança, o que demonstra ainda mais a ausência de certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado pela Recorrente. Ora, se a própria PGFN não permite que as estimativas sejam inscritas em dívida ativa, cai de vez por terra o argumento de que estimativas compensadas devem ser consideradas na composição de saldo negativo ainda que tais compensações não sejam homologadas, uma vez que tais débitos não serão alvo de cobrança por parte da União. Há, então, de se analisar a situação atual dos processos que tratam da origem do crédito utilizado na compensação de estimativa que compõe o saldo negativo ora em exame. E, tendo sido negado provimento ao recurso voluntário da Recorrente nos autos 10680.724147/201100, não se homologando as estimativas que o contribuinte pretendeu compensar e que compõem o saldo negativo ora em exame, não há como se reconhecer também neste processo o crédito pleiteado, tão pouco homologar as compensações declaradas. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.903324/201376 Acórdão n.º 1402002.167 S1C4T2 Fl. 337 9 3 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Saliento ainda que após ciência ao contribuinte da presente decisão, os presentes autos sejam apensados ao de número 10680.724147/201100, ficando suspensa a execução do presente julgado até a decisão definitiva no processo principal. Por fim, dada a relação de causa e efeito, eventual reforma do Acórdão 3403 003.572 deverá automaticamente ser aplicada no presente processo. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 337DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 11853.720276/2014-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA MONOCULAR. ALCANCE.
O legislador tributário, ao estabelecer a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não faz qualquer limitação no sentido de que somente o portador de cegueira nos dois olhos faça jus ao benefício. Assim, o contribuinte acometido por cegueira monocular também se enquadra no dispositivo isentivo.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-003.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa Da Cruz.
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA MONOCULAR. ALCANCE. O legislador tributário, ao estabelecer a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não faz qualquer limitação no sentido de que somente o portador de cegueira nos dois olhos faça jus ao benefício. Assim, o contribuinte acometido por cegueira monocular também se enquadra no dispositivo isentivo. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa Da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 3. 72 02 76 /2 01 4- 05 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11853.720276/201405 Acórdão n.º 2201003.014 S2C2T1 Fl. 102 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3a Turma da DRJ/CGE (Fls. 74), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o presente processo de impugnação apresentada pelo interessado supra contra o lançamento de ofício do IRPF do Exercício 2010, AnoCalendário 2009, formalizado na Notificação de Lançamento de fls. 41 a 44, decorrente da revisão de sua declaração anual, onde foi alterado o resultado de saldo de imposto a restituir declarado de R$ 11.439,86 para R$ 2.411,06. Na descrição dos fatos que deram origem ao lançamento (fls. 42), a autoridade fiscal informou, em suma, que, da análise de informações e documentos apresentados pelo contribuinte e/ou das informações constantes de sistemas da Receita Federal constatouse omissão de rendimentos do trabalho com e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 74.504,22, recebidos pelo titular e/ou dependentes, da fonte pagadora Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal. Em complemento, constou, em suma, que o contribuinte, aposentado desde março de 1994, alega ser portador de doença grave, cegueira em um olho, CID10: H54.4, no entanto, tendo em vista possuir visão normal no outro olho, não está alcançado pela isenção prevista em lei. Cientificado do lançamento, em 15/07/2014, por via postal (fls. 46), o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 04 a 08, em 22/07/2014, acompanhadas dos documentos de fls. 09 a 29, onde argumentou, em suma, o que segue: ∙ Apresentou sua DIRPF do Exercício 2010 apurando imposto a pagar, porque não tinha conhecimento de seu direito à isenção do IRPF, por ser APOSENTADO e PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE DA ESPÉCIE CEGUEIRA (CEGUEIRA EM UM OLHO (CID H54.4), contraída em 05/1948, conforme comprova o laudo médico do SERVIÇO PÚBLICO DE SAÚDE vinculado ao Serviço de Saúde do DF (Hospital de Base do Distrito Federal). ∙ É servidor aposentado da Secretaria de Estado de Educação do DF, no cargo de professor desde o ano de 1994, e, por portador de Moléstia Grave, tem direito a isenção do IRPF sobre os valores decorrentes de proventos de aposentadoria recebidos, e por essa razão, apresentou declaração retificadora do IRPF, requerendo a restituição dos valores pagos a titulo de IRPF, nos termos da IN SRF n. 15/2001. ∙ No processamento da declaração, foi intimado a apresentar comprovantes de renda do exercício e laudo pericial emitido por Fl. 106DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11853.720276/201405 Acórdão n.º 2201003.014 S2C2T1 Fl. 103 3 serviço público comprovando a moléstia isentiva, e juntou todos os documentos necessários à comprovação do direito a isenção, especialmente o laudo pericial público. ∙ Para sua surpresa, houve o lançamento tributário, sob o fundamento que o requerente não possui o direito a isenção do imposto de renda, vez que, detentor de cegueira monocular e com visão em outro olho, motivo pelo qual indeferiuse o pedido de restituição. ∙ O direito à isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria e pensão está expresso na lei n.° 7.713/1988, artigo 6.°, incisos XIV e XXI, e no Decreto n.° 3000/1999 (RIR), art. 39, inciso XXXIII; a Receita Federal do Brasil normatizou sobre o assunto, por meio da IN SRF n.° 15/2001, estabelecendo os requisitos para o reconhecimento e fruição do direito a essa isenção. ∙ Seguindo os ditames legais, especialmente dos artigos 54 a 57 da IN SRF n.° 15/2001, apresentou a Declaração Retificadora, requerendo a restituição dos valores pagos a título de IRRF sobre seus proventos de aposentadoria, o que foi ilegalmente indeferido pelo r. Auditor Fiscal, cuja decisão encontrase eivada de nulidade ante a ilegalidade. ∙ Poderseia argumentar que, no âmbito administrativo, a lei tributária isentiva deve ser interpretada literalmente, nos termos do artigo 111 do CTN, e, portanto, a Cegueira Parcial não estaria enquadrada nas hipóteses de concessão da isenção do IRPF, porém, essa interpretação não pode se abster de consagrar os princípios constitucionais da isonomia tributária, e dignidade da pessoa humana, especialmente; fazer uma interpretação literal de tal forma que exclua os portadores de cegueira parcial, é uma afronta a Constituição e seus princípios fundamentais, além de uma grande aberração jurídica; além disto, a Lei usa o termo genérico Cegueira, cuja moléstia deva ser identificada em termos médicos, donde surge então o Código Internacional de Doenças— CID 10, que elencada todas as doenças existentes conhecidas, e suas subespécies; dentre as doenças denominadas Cegueira pelo CID, se encontra a Cegueira em um olho (CID H54.4). ∙ A jurisprudência do C. STJ corrobora a tese de que portador de cegueira em um olho e aposentado ou pensionista é detentor do direito a isenção do IRPF. ∙ Administrativamente, o CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Fazenda Nacional, em julgamento realizado em 2012, acolheu a tese que o portador de visão monocular é isento no IRPF decorrente da moléstia cegueira. Por fim, o interessado requereu: a) o julgamento desta impugnação como totalmente procedente, reformandose totalmente a decisão a quo, reconhecendo o direito a isenção do imposto de renda do recorrente, Fl. 107DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11853.720276/201405 Acórdão n.º 2201003.014 S2C2T1 Fl. 104 4 determinando a imediata restituição dos valores apurados na DAA retificadora; b) a prioridade no processamento e julgamento da presente impugnação, nos termos do artigo 69A. incisos I e IV, da Lei n.° 9784/99. com redação da Lei n.° 12.008, de 2009. Instruem ainda os autos cópia das DAA/IRPF/2010 processadas em nome do interessado, retificadora, de Acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e de novo requerimento apresentado pelo contribuinte em 11/11/2014, acompanhado de documentos relativos a ação judicial movida por ele contra o Distrito Federal (fls. 35 a 39, 56 a 60 e 64 a 72). Passo adiante, a 3ª Turma da DRJ/CGE entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. REVISÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Para o reconhecimento do direito à isenção do imposto de renda sobre os proventos de pensão ou aposentadoria recebidos por portadores de moléstia grave especificada na legislação em vigor, exigese apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial que reconheça ser o contribuinte portador de uma das doenças que permite a isenção do imposto e que indique expressamente a data em que essa foi contraída. A exigência de interpretação literal de dispositivo legal que trata da isenção do imposto de renda impõe considerar como albergado na previsão de isenção somente a cegueira total. Segundo se verifica às fls. 86, através do TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM – COMUNICADO de 22/01/2015 o contribuinte foi cientificado em 21/01/2015 por meio de sua Caixa Postal, ciência esta realizada por seu procurador – LEANDRO JORGE DE OLIVEIRA LINO; vindo a interpor Recurso Voluntário em mesma data 21/01/2015 como se verifica às fls. 94, no TERMO DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA; No Recurso do Recorrente (fls. 88 e 93), o mesmo reforça os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início, verifico que trata o litígio exclusivamente de isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria de portador de moléstia grave. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11853.720276/201405 Acórdão n.º 2201003.014 S2C2T1 Fl. 105 5 Constato ainda que a DRJ entendeu não ser possível a concessão de referida isenção por entender que a cegueira deve ser total, ou seja, de ambos os olhos e, portanto, a cegueira monocular não seria hábil a conceder a isenção pleiteada. A esse respeito vale ressaltar o que dispõe o inc. XIV, art. 6o. da Lei 7713/1988, a seguir transcrito: “Art. 6 – Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoa física: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004)”(grifos nossos) Aqui ressalto que devese utilizar a mais básica forma de interpretação da legislação, qual seja a literal, em obediência ao que dispõe o artigo 111, II do Código Tributário Nacional, que a seguir se transcreve: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; Conforme se depreende do extraído acima, a interpretação a respeito da concessão de isenções em matéria tributária deve ser literal. Em obediência a este mandamento não se pode reduzir a interpretação do disposto no artigo 6º, inciso XIV, da Lei 7713/1988 posto que mencionado dispositivo não faz qualquer ressalva de que apenas o portador de cegueira total faça jus ao benefício. Devese, portanto, entender como abarcada pela referida isenção de igual forma a cegueira monocular. Neste sentido vem sendo o posicionamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA. ALCANCE. A lei que concede a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não faz qualquer ressalva de que apenas o portador de cegueira total faça jus ao benefício, de sorte que o contribuinte acometido por Fl. 109DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11853.720276/201405 Acórdão n.º 2201003.014 S2C2T1 Fl. 106 6 cegueira parcial também se enquadra no texto legal.( Acórdão nº 2102002.782 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Sessão de 20 de novembro de 2013) Ainda neste sentido tomo por empréstimo as bem lançadas conclusões da ilustre Conselheira Núbia Matos Moura, relatora no acórdão 210201301, de 12/05/2011, que se ocupou do tema sob foco com absoluta precisão, verbis: “Para o exame da questão devese observar o art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88: Art. 6º. Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (grifei) O dispositivo acima mencionado não faz qualquer ressalva de que apenas o portador de cegueira total faça jus ao benefício, de sorte que o contribuinte acometido por cegueira parcial também se enquadra no texto legal. Ressaltese, conforme disposto no art. 111, II, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre a outorga de isenção, de modo que não cabe ao intérprete restringir a aplicação da lei, quando o legislador não fez. Vale lembrar que, nesta mesma Turma, quando esteve em julgamento recurso, que tratava de isenção do IRPF sobre rendimentos de aposentado portador de paralisia irreversível e incapacitante, decidiuse, por unanimidade de votos, conforme ementa abaixo transcrita: MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO DE IRPF. PARALISIA IRREVERSÍVEL E INCAPACITANTE. INCAPACIDADE TOTAL OU PARCIAL PARA A VIDA LABORATIVA. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. O art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, quando versa sobre a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria em benefício de portador de paralisia irreversível e incapacitante, não qualifica se a incapacidade deve ser total ou parcial. Ora, se a lei não qualifica a incapacidade, não deve o intérprete fazêlo, notadamente no âmbito da isenção de tributária, quando vige o cânone da interpretação literal, na forma do art. 111, II, do CTN. (Acórdão nº 210201.166, de 17/03/2011) Fl. 110DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11853.720276/201405 Acórdão n.º 2201003.014 S2C2T1 Fl. 107 7 Vale ainda dizer que tal entendimento encontrase respaldado pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, como se vê abaixo: REsp 1196500 / MT, Relator o Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, unânime, data do julgamento em 02/12/2010 TRIBUTÁRIO. IRPF. ISENÇÃO. ART. 6º, XIV, DA LEI 7.713/1988. INTERPRETAÇÃO LITERAL. CEGUEIRA. DEFINIÇÃO MÉDICA. PATOLOGIA QUE ABRANGE TANTO O COMPROMETIMENTO DA VISÃO NOS DOIS OLHOS COMO TAMBÉM EM APENAS UM. 1. Hipótese em que o recorrido foi aposentado por invalidez permanente em razão de cegueira irreversível no olho esquerdo e pleiteou, na via judicial, o reconhecimento de isenção do Imposto de Renda em relação aos proventos recebidos, nos termos do art. 6º, XIV, da Lei 7.713/1988. 2. As normas instituidoras de isenção devem ser interpretadas literalmente (art. 111 do Código Tributário Nacional). Sendo assim, não prevista, expressamente, a hipótese de exclusão da incidência do Imposto de Renda, incabível que seja feita por analogia. 3. De acordo com a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID10), da Organização Mundial de Saúde, que é adotada pelo SUS e estabelece as definições médicas das patologias, a cegueira não está restrita à perda da visão nos dois olhos, podendo ser diagnosticada a partir do comprometimento da visão em apenas um olho. Assim, mesmo que a pessoa possua visão normal em um dos olhos, poderá ser diagnosticada como portadora de cegueira. 4. A lei não distingue, para efeitos da isenção, quais espécies de cegueira estariam beneficiadas ou se a patologia teria que comprometer toda a visão, não cabendo ao intérprete fazêlo. 5. Assim, numa interpretação literal, devese entender que a isenção prevista no art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88 favorece o portador de qualquer tipo de cegueira, desde que assim caracterizada por definição médica. Dos documentos acostados aos autos, resta claro que o contribuinte é portador de cegueira em um dos olhos, desde a data de 05/1948, segundo o que consta de laudo pericial acostado às fls. 18 dos autos. Logo, os proventos de aposentadoria ou reforma recebidos da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal são rendimentos isentos, nos termos do disposto no art. no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 111DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11853.720276/201405 Acórdão n.º 2201003.014 S2C2T1 Fl. 108 8 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 11020.003798/2002-08
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA
SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/08/1992 a 31/12/2001
COFNS. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
O prazo decadencial previsto no art. 168 do C'TN extingue-se
em 5 (cinco) anos, contados a partir da data de efetivação do
recolhimento indevido, tal como reconhecido pelos
PGFN/CAT das 678/99 e 1.538/99.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS CONTRA A FAZENDA
EXTINTOS PELA DECADÊNCIA. COMPENSAÇÃO
INDEVIDA.
Assim como não se confundem o direito à repetição do
indébito tributário (arts. 165 a 168 do CTN) com as formas de
sua execução, que se pode dar mediante compensação (arts.
170 e 170-A do CTN; 66 da Lei if 8.383/91; e 74 da Lei
9.430/96), não se confundem os prazos para pleitear o direito à
repetição do indébito (art. 168 do CTN) com os prazos para a
homologação de compensação ou para a ulterior verificação de
sua regularidade (arts. 156, inciso II, parágrafo único, do CTN;
e 74, § 5,da Lei n? 9.430/96, com redação dada pela Lei ri2
10.833, de 29/12/2003 - DOU de 30/12/2003). Ao pressupor a
existência de créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos
do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN),
a lei desautoriza a homologação de compensação em pedidos
que tenham por objeto créditos contra a Fazenda, cujo direito à
restituição ou ao ressarcimento já se ache extinto pela
decadência (art. 168 do CTN).
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÕES. PRINCÍPIOS DA„
LEGALIDADE E ISONOMIA. RESTITUIÇÃO INDEVIDA
A parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo da
Cofins e do PIS. Precedentes do STJ. As autoridades
administrativas e tribunais - que não dispõem de função
legislativa - não podem conceder, ainda que sob fundamento
de isonomia, beneficios de exclusão da base de cálculo do
crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador, com
apoio em critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis
contemplar com a vantagem. Entendimento diverso, que
reconhecesse aos magistrados e administradores essa anômala
função jurídica, equivaleria, em última análise, a convertê-los
em inadmissíveis legisladores positivos, condição institucional
esta que lhes é recusada pela própria Constituição Federal.
Recurso negado.
Numero da decisão: 201-80.913
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Nome do relator: Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/08/1992 a 31/12/2001 COFNS. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial previsto no art. 168 do C'TN extingue-se em 5 (cinco) anos, contados a partir da data de efetivação do recolhimento indevido, tal como reconhecido pelos PGFN/CAT das 678/99 e 1.538/99. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS CONTRA A FAZENDA EXTINTOS PELA DECADÊNCIA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Assim como não se confundem o direito à repetição do indébito tributário (arts. 165 a 168 do CTN) com as formas de sua execução, que se pode dar mediante compensação (arts. 170 e 170-A do CTN; 66 da Lei if 8.383/91; e 74 da Lei 9.430/96), não se confundem os prazos para pleitear o direito à repetição do indébito (art. 168 do CTN) com os prazos para a homologação de compensação ou para a ulterior verificação de sua regularidade (arts. 156, inciso II, parágrafo único, do CTN; e 74, § 5,da Lei n? 9.430/96, com redação dada pela Lei ri2 10.833, de 29/12/2003 - DOU de 30/12/2003). Ao pressupor a existência de créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), a lei desautoriza a homologação de compensação em pedidos que tenham por objeto créditos contra a Fazenda, cujo direito à restituição ou ao ressarcimento já se ache extinto pela decadência (art. 168 do CTN). BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÕES. PRINCÍPIOS DA„ LEGALIDADE E ISONOMIA. RESTITUIÇÃO INDEVIDA A parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo da Cofins e do PIS. Precedentes do STJ. As autoridades administrativas e tribunais - que não dispõem de função legislativa - não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, beneficios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar com a vantagem. Entendimento diverso, que reconhecesse aos magistrados e administradores essa anômala função jurídica, equivaleria, em última análise, a convertê-los em inadmissíveis legisladores positivos, condição institucional esta que lhes é recusada pela própria Constituição Federal. Recurso negado.
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Assim como não se confundem o direito à repetição do indébito tributário (arts. 165 a 168 do CTN) com as formas de sua execução, que se pode dar mediante compensação (arts. 170 e 170-A do CTN; 66 da Lei if 8.383/91; e 74 da Lei 9.430/96), não se confundem os prazos para pleitear o direito à repetição do indébito (art. 168 do CTN) com os prazos para a homologação de compensação ou para a ulterior verificação de sua regularidade (arts. 156, inciso II, parágrafo único, do CTN; e 74, § 5,da Lei n? 9.430/96, com redação dada pela Lei ri2 10.833, de 29/12/2003 - DOU de 30/12/2003). Ao pressupor a existência de créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), a lei desautoriza a homologação de compensação em pedidos que tenham por objeto créditos contra a Fazenda, cujo direito à restituição ou ao ressarcimento já se ache extinto pela decadência (art. 168 do CTN). BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÕES. PRINCÍPIOS DA„ LEGALIDADE E ISONOMIA. RESTITUIÇÃO INDEVIDA. .?city ttk \ ME • SEGUNDO CONSELHO DE CONTICSUINTES u01.FERE COM O ORIGINAL Processo n.° 11020.003798/2002-08 CCO7JC01 Acórdão n.° 201-80.913 Brunia ir 3.0e A Fls. 687 S.Mo teoria lhe Ssape 91745 A parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo da Cofins e do PIS. Precedentes do STJ. As autoridades administrativas e tribunais - que não dispõem de função legislativa - não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, beneficios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar com a vantagem. Entendimento diverso, que reconhecesse aos magistrados e administradores essa anômala função jurídica, equivaleria, em última análise, a convertê-los em inadmissíveis legisladores positivos, condição institucional esta que lhes é recusada pela própria Constituição Federal. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. CUU:OL ttUk) aOSE A MARIA COELHO MARQUES Presidente 41AA.Q11/1110k/etéli(7/1// FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maurício Taveira e Silva e José Antonio Francisco. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Processo n.° 11020.003798/2002-08CCO2/C01MF SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Acórdão n.° 201-80.913 CONFERE COMO ORIGINAL Fls. 688 Batalha. /ff stvio 9st3s. 14a... • 91745 Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 616/648, vol. III) contra o v. Acórdão DRJ/POA n2 5.138, de 27/01/2005 (fls. 604/609, vol. III), intimado em 16/02/2005 (fl. 615) e exarado pela 2 Turma da DRJ em Porto Alegre - RS, que, por unanimidade de votos, houve por bem indeferir a manifestação de inconformidade de fls. 578/597 (vol. III), deixando de homologar o pedido de restituição de Cofins de fl. 01, formulado em 22/08/2002 e pedidos de compensação de fls. 539/544 (vol. II), todos indeferidos por Despacho Decisório da Saort da DRF em Caxias do Sul - RS (fls. 563/566, vol. III), através dos quais a ora recorrente pretendia ver restituídos recolhimentos a maior de Cofins no valor de R$ 550.654,10, efetuados no período de 08/92 a 12/2001 (cf. Guias Darfs de fls. 21/68 e demonstrativos de fls. 03/12), com débitos vincendos administrados pela SRF e objeto dos pedidos de compensação de fls. 539/544 (vol. II). Por seu turno, a r. Decisão de fls. 604/609, vol. III), exarada pela 2 11 Turma da DRJ em Porto Alegre - RS, houve por bem indeferir a manifestação de inconformidade de fls. 578/597 (vol. III), deixando de homologar o pedido de restituição de Cofins de fl. 01, formulado em 22/08/2002, e pedidos de compensação de fls. 539/544 (vol. II), aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cotins Período de apuração: 01/08/1992 a 31/12/2001 Ementa: ICMS - O ICMS compõe o preço das mercadorias e serviços sobre os quais incide e, conseqüentemente, o faturamento. Sendo um imposto sobre as vendas, deve compor a receita bruta para efeito de base de calculo da Cofins. DECADÊNCIA - O direito de pleitear a restituição ou a compensação de valores pagos a maior/indevidamente, extingue-se em 5 anos, contados a partir da data de efetivação do suposto indébito, posição corroborada pelos PGFN/CAT 678/99 e PGFN/CAT 1538/99. Solicitação Indeferida". Nas razões de recurso voluntário (fls. 616/648, vol. III) oportunamente apresentadas a ora recorrente sustenta a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito compensando, tendo em vista: a) a inocorrência da decadência, conforme a jurisprudência judicial que cita; e b) a legitimidade de seus direitos à restituição e à compensação pleiteados, nos termos da jurisprudência citada. Às fls. 670/672 a d. Fiscalização noticia a desistência parcial do presente recurso pela autuada relativamente aos débitos dos períodos de apuração de 02/2003, 03/2003, 04/200 e 05/2003 (cf. fl. 671). É o Relatório. 4Nti\j1/4_ • Processo n.° 11020.003798/2002-08 ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO2/C01 Acórdão n.°201-80.913 CONFERE C'Ot.1 O CR:OINAL Fls. 689 Stasina, C9, ira° &Mo 5>ffrE0s aMat.. S 91745 Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, mas, no mérito, não merece provimento. A conclusão da r. decisão recorrida efetivamente não destoa da jurisprudência deste Conselho, que há muito já assentou que o prazo decadencial previsto no art. 168 do CTN extingue-se em 5 (cinco) anos, contados a partir da data de efetivação do recolhimento indevido, tal como reconhecido pelos PGFN/CAT n2s 678/99 e 1.538/99. Conseqüentemente, o pedido de restituição da Cofins formulado em 15/08/2002 não poderia abranger recolhimentos anteriores a 15/08/97. De fato, como também é elementarmente sabido, o direito à repetição do indébito tributário, seja em razão de erro de fato ou de direito, decorre diretamente da própria Constituição e encontra seu fundamento jurídico nos princípios da legalidade da tributação e da administração constitucionalmente assegurados (arts. 37 e 150, inciso I, da CF/88), que, como ensina Brandão Machado, consubstanciam não só o "fio diretor do comportamento da administração pública", mas também a "fonte' do direito público subjetivo do indivíduo de não ser tributado senão exatamente como prescreve a lei (cf. in "Estudos em homenagem ao Prof. Ruy Barbosa Nogueira", Ed. Saraiva, 1984, pág. 86), cuja inobservância enseja violação do direito de quem paga o tributo, que, por sua vez, adquire, no exato momento em que cumpre a obrigação tributária indevida, os direitos ao crédito e à pretensão contra a Fazenda Pública da restituição do indébito. Entretanto, assim como não se confundem o direito à repetição do indébito tributário (arts. 165 a 168 do CTN) com as formas de sua execução, que se pode dar mediante compensação (arts. 170 e 170-A do CTN; 66 da Lei n2 8.383/91; e 74 da Lei n2 9.430/96), não se confundem os prazos para pleitear o direito à repetição do indébito (art. 168 do CTN) com os prazos para a homologação de compensação ou para a ulterior verificação de sua regularidade (arts. 156, inciso II, parágrafo único, do CTN; e 74, § 52, da Lei n2 9.430/96, com redação dada pela Lei n2 10.833, de 29/12/2003 - DOU de 30/12/2003). Ao pressupor a existência de "créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública" (art. 170 do CTN), é evidente que a lei desautoriza a homologação de compensação em pedidos que tenham por objeto créditos contra a Fazenda, cujo direito à restituição ou ao ressarcimento já se ache extinto pela decadência (art. 168 do CTN). No caso concreto, verifica-se que, através do pedido de restituição de Cofins de fl. 01, formulado em 22/08/2002, a ora recorrente pretendia ver restituídos recolhimentos a maior de Cofins no valor de R$ 550.654,10, efetuados no período de 08/92 a 12/2001 (cf. Guias Darfs de fls. 21/68 e demonstrativos de fls. 03/12), cujo prazo para restituição já se tinha expirado desde 08/97. Mas também no período não atingido pela decadência a r. decisão recorrida mostra-se incensurável. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL PrOCCSSO n.• 11020.003798/2002-08 CCO2/C01 Acórdão n.°201-80313 BrasIlia, 1 / Fls. 690 5:19.4 "SirÍa4:josa Ma.: Sina 9/745 '— Realmente, por outro lado, como acertadamente ressaltou a r. decisão recorrida, ao contrário do que ocorre com o IPI e o ICMS, por expressa disposição do art. 13 da LC n2 87/96, integra o preço da mercadoria faturado que é apurado "por dentro", não havendo previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS, contrariamente ao que ocorre no caso do IPI (art. 3 2 da Lei n2 9.715/98). Nesse sentido anoto que a matéria já se pacificou no âmbito do STJ, como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL COIVFIGURÁDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SÚMULAS 68 E 94 DO STJ. I. A parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo da COFINS e do PIS, ante a ratio essendi das Súmulas 68 e 94 do 2. Precedentes jurisprudenciais do STJ: Ag 666548/RJ, desta relatoria, DJ de 14.12.2005; RESP 496.969/RS, Relator Ministro Franciulli Netto, I» de 14/03/2005; RESP 668.571/RS, Relatora Ministra Eliana Calmon, DJ de 13/12/2004 e RESP 572.805/SC, Relator Ministro José Delgado, DJ de 10/05/2004. 3. Embargos de declaração acolhidos para sanar o erro material e negar provimento ao recurso especial interposto por Irmãos Amalcaburio Ltda e Outros (fls. 564/592)." (cf. Acórdão da 1 2 Turma do STJ no EDcl no AgRg no REsp n2 706.766-RS, Reg. n2 2004/0168598 -2, em sessão de 18/05/2006, rel. Min. Luiz Fux, publ. in DJU de 29/05/2006, p. 169) • Se não bastasse, a jurisprudência desta Corte Administrativa também já assentou que a autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelo Poder Legislativo, sendo certo ainda que, no caso excogitado (exclusão de base de cálculo não prevista em lei), a Suprema Corte tem reiterado que, tal como ocorre com as autoridades administrativas, mesmo os "magistrados e Tribunais - que não dispõem de função legislativa - não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, o beneficio da exclusão do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar com a vantagem da isenção. Entendimento diverso, que reconhecesse aos magistrados essa anómala função jurídica, equivaleria, em última análise, a converter o Poder Judiciário em inadmissível legislador positivo, condição institucional esta que lhe é recusada pela própria Lei Fundamental do Estado. Em tema de controle de constitucionalidade de atos estatais, o Poder Judiciário só atua como legislador negativo" (RTJ 146/461, rel. MM. Celso de Mello). (cf. Acórdão da 1 2 Turma do STF no Agr. Reg. no AI n2 171.733-SP, rel. Min. Celso de Mello, publ. in RTJ vol. 188/237). Considerando a inexistência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública - vez que já se achavam extintos pela decadência por ocasião do pedido de restituição de fl. 01 -, os débitos eventual e indevidamente compensados devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 72 e 82 do art. 74 da Lei n2 9.430/96 (redação da Lei n2 10.833<At de 2003). • ME- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • CONFERE COMO OR:GINAL Processo n.° 11020.00379812002-08CCO2/C01 Acórdão n. • 201-80.913 Brasil/a. 1006 - Fls. 691 Uru .A063 t.: Supe 91745 Isto posto, pelas razões expostas, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, mantendo a r. decisão recorrida, por seus próprios e jurídicos fundamentos. É o meu voto. Sa das Sessões, em 13 de fevereiro de 2008. CANtôt0tidit&QW FERNANDO LUIZ DA GAMid. -.0B0 D'EÇA sQV"- Page 1 _0017700.PDF Page 1 _0017900.PDF Page 1 _0018100.PDF Page 1 _0018300.PDF Page 1 _0018500.PDF Page 1
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Numero do processo: 19515.722441/2013-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2009, 01/01/2010 a 01/01/2011
CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS PREVISTOS NO ART. 3º, II, DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMOS. RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA COM O PROCESSO DE PRODUÇÃO E FABRICAÇÃO DE BENS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
No regime de apuração não cumulativa das contribuições ao PIS e à COFINS, o desconto de créditos das aquisições de bens e direitos utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens destinados a venda (art. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03), está condicionado a relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem ou prestação de serviços pelo contribuinte, analisada em cada caso em concreto, não sendo aplicável o conceito restrito das INs 247/02 e 404/04, que equiparou o insumo aos produtos intermediários no âmbito do IPI e nem o conceito mais elástico de despesa necessária previsto para o IRPJ.
FRETES. TRANSPORTE DE MATÉRIA PRIMA ENTRE A FLORESTA E A FÁBRICA
Os custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de eucaliptos e a fábrica configuram o custo de produção da celulose e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas.
CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO.
As despesas com movimentação de produto acabado, antes de sua venda não geram créditos no regime da não-cumulatividade.
CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. AQUISIÇÃO
A aquisição, a que se refere o inciso I do §1º dos artigos 3º das Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, deve ser entendida como a tradição das coisas móveis, ou, no caso de serviços, o reconhecimento do estágio de execução (serviços em várias etapas) ou da conclusão, no caso de serviço de uma única etapa.
RATEIO PROPORCIONAL. NÃO RECONHECIMENTO. PRECLUSÃO
Nos termos do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, os documentos que comprovam as alegações do contribuinte devem ser juntados em sede de impugnação sob pena de preclusão do direito.
CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização.
PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. COMBUSTÍVEIS. NATUREZA DE INSUMO. DIREITO A CRÉDITO.
Os combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços geram créditos do regime de apuração não-cumulativa da Contribuição para o PíS/Pasep.
CRÉDITOS COM CALÇOS PARA ALINHAMENTO DE ALTURA DOS EQUIPAMENTOS ROTATIVOS. INDISPENSABILIDADE.
Os calços são equipamento necessários para a utilização das máquinas de corte de eucalipto, árvore alta. Matéria prima da produção de celulose.
EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. IMPOSIÇÃO NORMATIVA.
A utilização de E.P.I. é indispensável para a segurança dos funcionários. Imposição prevista na legislação trabalhista, incluindo acordos e convenções firmados pelo sindicato das categorias profissionais dos empregados da empresa.
SERVIÇOS UTILIZADOS EM ANÁLISES LABORATORIAIS.
A produção de celulose contém a fase laboratorial, onde são clonadas as mudas de eucalipto para atender à gramatura adequada da futura extração de celulose. Serviço técnico científico específico, essencial à obtenção do produto final.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3302-003.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e negar o pedido de diligência.
No mérito, por maioria de votos, em manter o método de rateio proporcional conforme decisão de piso, vencida a Conselheira Lenisa Prado.
Pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a apropriação dos créditos na aquisição de insumos, segundo método adotado pelo contribuinte, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Walker Araújo, Relator, e as Conselheiras Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Sarah Araújo, que negavam provimento ao Recurso neste particular. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação ao aproveitamento de créditos extemporâneos, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, que dava provimento.
Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito para os calços para alinhamento de altura de equipamentos rotativos, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá e Walker Araújo, Relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Lenisa Prado.
Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito (i) nos gastos com movimentação de materiais e insumos e locação de guindastes; (ii) insumos utilizados em análises químicas em laboratório e (iii) armazenagem de insumos.
Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito na aquisição de equipamento de proteção individual, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Relator, e Ricardo Paulo Rosa. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Lenisa Prado.
Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos com serviços utilizados em análises químicas em laboratório. Vencidos os Conselheiros, Walker Araújo, Relator, e Ricardo Paulo Rosa. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Lenisa Prado.
Por maioria de votos, em não conceder o direito de créditos na aquisição de bens e serviços utilizados no tratamento de resíduos. Vencidos Domingos de Sá, Lenisa Prado e Walker Araújo, Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito para (i) Partes e Peças de Reposição Utilizados como Insumo (ii) Insumos Empregados na Constituição de Florestas, exceto para manutenção e construção de estradas e pontes, (iii) e fretes, exceto para produto acabado.
Também por unanimidade, em negar o direito de crédito nos gastos com (i) Materiais de Construção Civil utilizado como Insumos e (v) Passagens, hospedagens e despesas de veículos.
Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos com GLP utilizado em empilhadeiras; óleo diesel, óleo biodiseel marítimo, óleo biodiseel e GLP a granel, vencidos o Conselheiros José Fernandes do Nascimento e a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar.
Por maioria de votos, em conceder o direito de crédito na aquisição de Insumos adquiridos de terceiros,vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que não reconhecia o direito para gastos com pesquisa.
Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito para equipamento para proteção individual, no item "alimentos, fardamentos e equipamento de proteção individual", vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Relator, e Ricardo Paulo Rosa, que não reconheciam o direito. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Lenisa Prado.
Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos para embalagem de apresentação e transporte, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Araujo e Ricardo Paulo Rosa, que não reconheciam o direito de crédito nos gastos com transporte.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dérouléde - Redator designado.
(assinado digitalmente)
Lenisa Rodrigues Prado - Redator designado.
EDITADO EM: 10/06/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e negar o pedido de diligência. No mérito, por maioria de votos, em manter o método de rateio proporcional conforme decisão de piso, vencida a Conselheira Lenisa Prado. Pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a apropriação dos créditos na aquisição de insumos, segundo método adotado pelo contribuinte, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Walker Araújo, Relator, e as Conselheiras Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Sarah Araújo, que negavam provimento ao Recurso neste particular. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação ao aproveitamento de créditos extemporâneos, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, que dava provimento. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito para os calços para alinhamento de altura de equipamentos rotativos, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá e Walker Araújo, Relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Lenisa Prado. Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito (i) nos gastos com movimentação de materiais e insumos e locação de guindastes; (ii) insumos utilizados em análises químicas em laboratório e (iii) armazenagem de insumos. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito na aquisição de equipamento de proteção individual, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Relator, e Ricardo Paulo Rosa. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Lenisa Prado. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos com serviços utilizados em análises químicas em laboratório. Vencidos os Conselheiros, Walker Araújo, Relator, e Ricardo Paulo Rosa. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Lenisa Prado. Por maioria de votos, em não conceder o direito de créditos na aquisição de bens e serviços utilizados no tratamento de resíduos. Vencidos Domingos de Sá, Lenisa Prado e Walker Araújo, Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito para (i) Partes e Peças de Reposição Utilizados como Insumo (ii) Insumos Empregados na Constituição de Florestas, exceto para manutenção e construção de estradas e pontes, (iii) e fretes, exceto para produto acabado. Também por unanimidade, em negar o direito de crédito nos gastos com (i) Materiais de Construção Civil utilizado como Insumos e (v) Passagens, hospedagens e despesas de veículos. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos com GLP utilizado em empilhadeiras; óleo diesel, óleo biodiseel marítimo, óleo biodiseel e GLP a granel, vencidos o Conselheiros José Fernandes do Nascimento e a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar. Por maioria de votos, em conceder o direito de crédito na aquisição de Insumos adquiridos de terceiros,vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que não reconhecia o direito para gastos com pesquisa. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito para equipamento para proteção individual, no item "alimentos, fardamentos e equipamento de proteção individual", vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Relator, e Ricardo Paulo Rosa, que não reconheciam o direito. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Lenisa Prado. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos para embalagem de apresentação e transporte, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Araujo e Ricardo Paulo Rosa, que não reconheciam o direito de crédito nos gastos com transporte. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dérouléde - Redator designado. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado - Redator designado. EDITADO EM: 10/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
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CONCEITO DE INSUMOS. RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA COM O PROCESSO DE PRODUÇÃO E FABRICAÇÃO DE BENS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No regime de apuração não cumulativa das contribuições ao PIS e à COFINS, o desconto de créditos das aquisições de bens e direitos utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens destinados a venda (art. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03), está condicionado a relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem ou prestação de serviços pelo contribuinte, analisada em cada caso em concreto, não sendo aplicável o conceito restrito das IN’s 247/02 e 404/04, que equiparou o insumo aos produtos intermediários no âmbito do IPI e nem o conceito mais elástico de despesa necessária previsto para o IRPJ. FRETES. TRANSPORTE DE MATÉRIA PRIMA ENTRE A FLORESTA E A FÁBRICA Os custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de eucaliptos e a fábrica configuram o custo de produção da celulose e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não cumulativas. CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO. As despesas com movimentação de produto acabado, antes de sua venda não geram créditos no regime da nãocumulatividade. CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. AQUISIÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 24 41 /2 01 3- 17 Fl. 11599DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 3 2 A aquisição, a que se refere o inciso I do §1º dos artigos 3º das Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, deve ser entendida como a tradição das coisas móveis, ou, no caso de serviços, o reconhecimento do estágio de execução (serviços em várias etapas) ou da conclusão, no caso de serviço de uma única etapa. RATEIO PROPORCIONAL. NÃO RECONHECIMENTO. PRECLUSÃO Nos termos do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, os documentos que comprovam as alegações do contribuinte devem ser juntados em sede de impugnação sob pena de preclusão do direito. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. COMBUSTÍVEIS. NATUREZA DE INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. Os combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços geram créditos do regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PíS/Pasep. CRÉDITOS COM CALÇOS PARA ALINHAMENTO DE ALTURA DOS EQUIPAMENTOS ROTATIVOS. INDISPENSABILIDADE. Os calços são equipamento necessários para a utilização das máquinas de corte de eucalipto, árvore alta. Matéria prima da produção de celulose. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. IMPOSIÇÃO NORMATIVA. A utilização de E.P.I. é indispensável para a segurança dos funcionários. Imposição prevista na legislação trabalhista, incluindo acordos e convenções firmados pelo sindicato das categorias profissionais dos empregados da empresa. SERVIÇOS UTILIZADOS EM ANÁLISES LABORATORIAIS. A produção de celulose contém a fase laboratorial, onde são clonadas as mudas de eucalipto para atender à gramatura adequada da futura extração de celulose. Serviço técnico científico específico, essencial à obtenção do produto final. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e negar o pedido de diligência. Fl. 11600DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 4 3 No mérito, por maioria de votos, em manter o método de rateio proporcional conforme decisão de piso, vencida a Conselheira Lenisa Prado. Pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a apropriação dos créditos na aquisição de insumos, segundo método adotado pelo contribuinte, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Walker Araújo, Relator, e as Conselheiras Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Sarah Araújo, que negavam provimento ao Recurso neste particular. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação ao aproveitamento de créditos extemporâneos, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, que dava provimento. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito para os calços para alinhamento de altura de equipamentos rotativos, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá e Walker Araújo, Relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Lenisa Prado. Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito (i) nos gastos com movimentação de materiais e insumos e locação de guindastes; (ii) insumos utilizados em análises químicas em laboratório e (iii) armazenagem de insumos. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito na aquisição de equipamento de proteção individual, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Relator, e Ricardo Paulo Rosa. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Lenisa Prado. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos com serviços utilizados em análises químicas em laboratório. Vencidos os Conselheiros, Walker Araújo, Relator, e Ricardo Paulo Rosa. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Lenisa Prado. Por maioria de votos, em não conceder o direito de créditos na aquisição de bens e serviços utilizados no tratamento de resíduos. Vencidos Domingos de Sá, Lenisa Prado e Walker Araújo, Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito para (i) Partes e Peças de Reposição Utilizados como Insumo (ii) Insumos Empregados na Constituição de Florestas, exceto para manutenção e construção de estradas e pontes, (iii) e fretes, exceto para produto acabado. Também por unanimidade, em negar o direito de crédito nos gastos com (i) Materiais de Construção Civil utilizado como Insumos e (v) Passagens, hospedagens e despesas de veículos. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos com GLP utilizado em empilhadeiras; óleo diesel, óleo biodiseel marítimo, óleo biodiseel e GLP a granel, vencidos o Conselheiros José Fernandes do Nascimento e a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar. Fl. 11601DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 5 4 Por maioria de votos, em conceder o direito de crédito na aquisição de Insumos adquiridos de terceiros,vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que não reconhecia o direito para gastos com pesquisa. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito para equipamento para proteção individual, no item "alimentos, fardamentos e equipamento de proteção individual", vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Relator, e Ricardo Paulo Rosa, que não reconheciam o direito. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Lenisa Prado. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos para embalagem de apresentação e transporte, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Araujo e Ricardo Paulo Rosa, que não reconheciam o direito de crédito nos gastos com transporte. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dérouléde Redator designado. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado Redator designado. EDITADO EM: 10/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem descrever os fatos adoto e transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Tratase de impugnação apresentada contra os lançamentos das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), ambas com incidência nãocumulativa, referentes aos fatos geradores ocorridos nos períodos mensais de competência de janeiro a setembro de 2009 e de janeiro de 2010 a janeiro de 2011, bem como do lançamento de multa regulamentar isolada decorrente de indeferimentos de Fl. 11602DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 6 5 Pedidos de Ressarcimento e da não homologação de Dcomp, objetos de outros processos administrativos. Os lançamentos se referem às diferenças entre os valores das contribuições, declaradas nas respectivas Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e os valores efetivamente devidos, decorrentes (i) do rateio proporcional entre as receitas de exportação e do mercado interno, em desacordo com as normas tributárias, (ii) de glosas de créditos do PIS e da Cofins, ambas com incidência nãocumulativa, apropriados e aproveitados indevidamente sobre custos e despesas que, segundo o autuante, não estão amparados nas Leis nº 10.637, de 30/12/2002, e nº 10.833, de 29/12/2003, respectivamente, e, (iii) glosas de créditos aproveitados, de forma extemporânea, e, ainda, à multa regulamentar isolada decorrente de indeferimento de PER e da não homologação de Dcomp, conforme Termo de Verificação Fiscal às fls. 10.826/10.884, parte integrante dos autos de infração, conforme Termo de Verificação Fiscal às fls. 10.826/10.884, parte integrante dos autos de infração. Intimado dos lançamentos, o interessado impugnouos (fls. 10.898/10.968), alegando, em síntese: I – em preliminar: I.1 a nulidade do auto de infração da multa regulamentar isolada, sob o argumento de ausência da indicação da base de cálculo das multa, afrontando o Decreto nº 70.235, de 1972, art. 10, inciso V, e, conseqüentemente, cerceamento do seu direito de defesa; e, ainda, erro do cálculo da multa isolada referente ao 4º trimestre de 2001, tendo em vista que os créditos cujos fatos geradores ocorreram em 04/11/2001, pleiteados nos processo de ressarcimento nºs. 10880.941619/201211 (PIS e 10880.941650/201244 (Cofins), foram de R$ 6.384.854,91 e R$29.409.028,73, respectivamente; sendo que os valores indeferidos foram de R$ 3.170.705,86 e R$ 14.604.435,57, o que implicaria multas de R$ 1.585.352,93 e R$ 7.302.217,79, segundo a Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 15, e não os valores de R$ 3.339.809,90 e R$ 15.383.364,98, exigidos no auto de infração, com afronta ao art. 142 do CTN; e, I.2 – nulidade dos autos de infração do PIS e da Cofins, sob a alegação de ausência de motivação da glosa dos créditos de importação; e de equívoco no critério utilizado pela fiscalização para se apurar o índice de rateio proporcional entre as receitas do mercado interno e de exportação, por não ter sido consideradas as receitas indiretas, via comercial exportadora. II – no mérito: II.1 – auto de infração da multa isolada: alega que não ocorreu fato típico que ensejasse a aplicação da multa regulamentar isolada, porque o fato de os pedidos de ressarcimento/compensação ter sido indeferido não caracterizou ato ilícito e, ainda, que o caracterizasse, a multa somente poderia ter sido aplicado depois de analisados e indeferidos todos os pedidos, sendo que as manifestações de inconformidade (doc. 05) apresentadas nos processo que tratam dos 3º e 4º de Fl. 11603DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 7 6 trimestres de 2010 e dos 1º e 4º de 2011, estão pendentes de julgamento (doc. 06); II.2 – autos de infração de PIS e Cofins: II.2.1 – equívoco no critério utilizado pela fiscalização para apuração do índice de rateio proporcional entre as receitas de exportação e do mercado interno, a fiscalização utilizou o entendimento do ADI SRF nº 22/2002, considerando apenas as receitas de exportação registradas no SISCOMEX, conforme data de embarque, contudo este entendimento é equivocado e não se aplica aos créditos do PIS e da Cofins por falta de base legal; a norma a ser aplicada é o do § 3º, c/c o § 8º, ambos do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, levandose em conta os custos, despesas e encargos aplicados para obtenção da receita bruta auferida em cada mês; II.2.2 – momento de apuração dos créditos, a fiscalização adotou a data da respectiva nota fiscal, sem admitir qualquer flexibilização, no entanto, a lei não impede seus aproveitamentos em datas posteriores; II.2.3 – o aproveitamento de créditos em meses subsequentes e a desnecessidade de retificação dos Dacon e DCTF, defendeu o entendimento de que a lei não estabelece uma obrigação para o contribuinte aproveitar os créditos em determinado momento; II.2.4 – glosa de créditos sobre bens e serviços utilizados como insumos, alegou a improcedência dos fundamentos dos autos de infração com base nas INs SRF nºs 247/2002 e 404/2004, defendendo o aproveitamento de créditos sobre todos os custos e despesas incorridos com a produção dos bens, sem quaisquer restrições, desde que indispensáveis ao processo produtivo; discorreu longamente sobre o processo produtivo e sobre os bens e serviços glosados pela fiscalização, defendendo o aproveitamento de créditos sobre as partes de reposição utilizadas como insumos; sobre os custos com materiais de construção; sobre combustíveis utilizados como insumos; sobre os custos utilizados na formação de florestas decorrentes de exaustão e depreciação do ativo imobilizado, sob o argumento de que, se a base de cálculo das contribuições é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas independentemente de sua denominação ou classificação contábil, o aproveitamento de créditos também seria sobre todos os custos e despesas incorridos para obtenção do faturamento; insumos não adquiridos de terceiros, alega que somente apropria custos sobre bens e serviços adquiridos de terceiros; II.2.5 – glosas de despesas de fretes, defende o aproveitamento de créditos sobre os custos/despesas com fretes incorridos na aquisição de insumos, na transferência de produtos em elaboração, na colocação do produto acabado no estabelecimento vendedor, sob o argumento de que todos são custos de produção, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002; II.2.6 – ilegalidade da glosa sobre alimentos, fardamentos e equipamentos de proteção individual, defendeu o aproveitamento sob o argumento de que são indispensáveis e obrigatórios para a produção da celulose, produto fabricado por ele (interessado); Fl. 11604DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 8 7 II.2.7 – embalagem de apresentação e transporte, também sob o argumento de que integra o custo de seu produto, defende o aproveitamento de créditos sobre tais custos/despensas; II.2.8 – despesas com passagens, hospedagem e veículos, sob o mesmo argumento de que, em face da atividade realizada no campo, tais despesas tornamse imprescindíveis ao seu processo produtivo; II.2.9 – créditos vinculados à receita de exportação, caso não seja admitido os créditos sobre os custos (encargos de exaustão) sobre a formação de floresta, defendeu o seu aproveitamento sob o argumento de que são custos ligados à exportação; e; III – diligência/perícia, solicitou sua realização com o objetivo de comprovar a real natureza de cada bem e serviço adquiridos e como são empregados em seu processo produtivo, indicando os quesitos e os peritos. A Turma da DRJ/ julgou improcedente impugnação apresentada pela Recorrente por meio do acórdão nº , assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2009, 01/01/2010 a 31/01/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. MOTIVAÇÃO. O auto de infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil com a indicação expressa da motivação e das infrações imputadas ao contribuinte e respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário. LANÇAMENTO. NULIDADE. É válido o lançamento efetuado de conformidade com as normas legais que regem o procedimento administrativo fiscal. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a baixa dos autos em diligência para realização de perícia, rejeitase o pedido. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. O aproveitamento de créditos extemporâneos pressupõe a retificação do Dacon e, se for o caso, da DCTF do período de sua apuração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2009, 01/01/2010 a 31/01/2011 Fl. 11605DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 9 8 REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS PARA FORMAÇÃO DE FLORESTAS. INCORPORAÇÃO AO ATIVO IMOBILIZADO. DESCONTO DE CRÉDITO COMO EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos de formação de floresta são incorporados ao valor desse bem registrado no ativo imobilizado, valor que, na medida da utilização da floresta, deve ser objeto de encargos de exaustão, que não dão direito a crédito por falta de previsão legal. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Para ser considerado insumo, o bem ou o serviço, desde que adquirido de pessoa jurídica, deve ter sido consumido, desgastado, ou ter perdidas as suas propriedades físicas ou químicas em razão de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete, somente dará direito à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. ÍNDICE. RATEIO. RECEITAS. VENDAS. MERCADO INTERNO/EXTERNO. CÁLCULO. O cálculo do índice de rateio proporcional entre as receitas de vendas no mercado interno e externo, efetuado com base nas receitas escrituradas está correto e de conformidade com a lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2009, 01/01/2010 a 30/01/2011 REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS PARA FORMAÇÃO DE FLORESTAS. INCORPORAÇÃO AO ATIVO IMOBILIZADO. DESCONTO DE CRÉDITO COMO EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos de formação de floresta são incorporados ao valor desse bem registrado no ativo imobilizado, valor que, na medida da utilização da floresta, deve ser objeto de Fl. 11606DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 10 9 encargos de exaustão, que não dão direito a crédito por falta de previsão legal. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Para ser considerado insumo, o bem ou o serviço, desde que adquirido de pessoa jurídica, deve ter sido consumido, desgastado, ou ter perdidas as suas propriedades físicas ou químicas em razão de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete, somente dará direito à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. ÍNDICE. RATEIO. RECEITAS. VENDAS. MERCADO INTERNO/EXTERNO. CÁLCULO. O cálculo do índice de rateio proporcional entre as receitas de vendas no mercado interno e externo, efetuado com base nas receitas escrituradas está correto e de conformidade com a lei tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente intimada da decisão combatida em 05.02.2015, interpôs Recurso Voluntário em 09.03.2015, retomando os argumentos apresentados em sede de impugnação, exceção feita apenas ao pedido de nulidade do auto de infração em relação a aplicação da multa isolada que, por ser objeto de outro processo administrativo deixou de reproduzido neste Recurso. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Walker Araujo Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. I Preliminares Fl. 11607DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 11 10 I.1 Ausência de Motivação da glosa de créditos de importação constituídos indevidamente Alega a Recorrente que o lançamento seria nulo, por falta de motivação fática em relação a glosa dos créditos de importação, posto que a autoridade fiscal teria deixado de apontar com precisão os motivos que ensejaram a referida glosa. Não lhe assiste razão. Essa alegação já foi enfrentada em primeira instância, e fundamentadamente rejeitada, conforme se extrai do voto proferido pelo i. julgador "a quo": Ao contrário de seu entendimento, a motivação da glosa dos referidos créditos está indicada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de cada auto de infração e no Termo de Verificação Fiscal, partes integrantes de ambos os autos. Segundo consta destes documentos, a motivação foi o aproveitamento de créditos em desacordo os preceitos legais, ou seja, o interessado apurou e descontou créditos sobre custos/despesas que não constituem insumos, nos termos da Lei nº 10.865, de 30/04/2004, c/c as Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003. Por outro lado, registrese que a motivação para o lançamento de crédito tributário é a constatação, pelo Fisco, de irregularidades que tenham dado causa à falta de recolhimento do tributo. Diante dessa situação, é dever da Autoridade Tributária a constituição do crédito tributário, sob pena de responsabilidade funcional, a teor do parágrafo único do art. 142 do CTN. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Aliás, entendo que eventual erro ou a mera imprecisão no enquadramento legal do fato tributável, o que não é caso dos autos, é totalmente passível superação, quando não traz prejuízo para o exercício do direito de defesa do autuado, especialmente nos casos em que a descrição dos fatos esteja completa e precisa, permitindo ao autuado a compreensão plena do que foi acusado, de modo que possa apresentar sua contestação, exercendo plena e adequadamente o seu direito de defesa e ao contraditório. Sendo assim, nenhuma outra motivação é requerida, além da constatação da infração fiscal e da consequente falta de recolhimento do tributo. Portanto, correta as considerações do acórdão recorrido, no sentido de que os fatos foram clara e adequadamente expostos no auto de infração, bem assim o enquadramento legal. I.2 Necessidade de realização de diligência ou perícia Fl. 11608DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 12 11 A Recorrente requereu a conversão do julgamento em diligência para que fosse realizada perícia técnica para comprovar a real natureza de cada bem e serviço por ela adquiridos, bem como para demonstrar o efetivo empregado de cada bem e serviço em seu processo produtivo. Todavia, entendo que o pedido de diligência solicitado pela Recorrente também deve ser totalmente negado, considerando que os documentos por ela carreados, o qual destaco o laudo técnico sobre o processo produtivo, é deveras suficiente para dirimir as questões relativas aos créditos glosados pela fiscalização. Neste sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOII Data do fato gerador: 09/08/1994 a 02/09/1994 PROVA PERICIAL A prova pericial deve ser indeferida quando os autos processuais já contiverem elementos suficientes e demonstrarem ser desnecessária para a formação da prova e do processo de convicção para a decisão.(...) (Acórdão 320200.112) Portanto, a conversão do julgamento em diligência para realização perícia técnica é totalmente desnecessária no presente caso, na medida em que as provas juntadas pela Recorrente se prestam para dirimir a controversa relativa aos créditos glosados pela fiscalização. Ressaltase, por oportuno, que nos termos do artigo 18, do Decreto nº 70.235/721, a autoridade julgadora é livre para decidir sobre pedidos de perícia ou diligência, podendo indeferilos quando considerar tais procedimentos prescindíveis. Assim, fica afastado o pedido de diligência solicitado pela Recorrente. II Mérito II.1 Conceito de insumo adotado neste voto Antes de enfrentar a questão tratada relativa bens e serviços glosados pela fiscalização, mister tecer alguns comentários legislativos do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Em 29 de agosto de 2002, por meio da Medida Provisória nº 66, houve uma significativa modificação no modo de tributação do PIS quer, de acordo com referida norma, tornouse nãocumulativo. A MP 66 foi, posteriormente, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, a qual vem disciplinando o regime da nãocumulatividade do PIS/COFINS. 1 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 11609DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 13 12 Já em 30 de outubro de 2003, foi editada a Medida Provisória nº 135, convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, constituindo o texto básico do regime não cumulativo para a COFINS. No mesmo exercício de 2003, temos o advento da Emenda Constitucional nº 42, de 9 dezembro de 2003, a qual alterou o artigo 195, da Constituição Federal, para incluir, dentre outros, o parágrafo 12, o qual dispõe que "a lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b e ; e IV do caput, serão nãocumulativos." No que concerne ao sistema de créditos, o aproveitamento se encontra disposto nos artigos 3º, das Leis nº s 10.637/2002 e 10.833/2003, prevendo que os custos e despesas auferidas pela pessoa jurídica em seu processo produtivo serão passíveis de créditos, senão vejamos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. Fl. 11610DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 14 13 IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) É de se ver, que a legislação infraconstitucional permitiu os créditos de insumos, sem impor qualquer restrição, ou seja, adquirindo bens ou serviços que sejam utilizados (direta ou indiretamente) na prestação de serviços ou produção e fabricação de bens ou produtos, é possível, computar créditos para o abatimentos das contribuições. Ressaltase, por oportuno, que eventual restrição ao aproveitamento de créditos de insumos surgiu com o advento da Lei nº 10.865/2004, que trouxe a vedação de créditos no valor pago pela mão de obra de pessoa física, bem como na hipótese de bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não tributados. Posto isto, é necessário perquirir o conceito de insumo para fins de verificar se as despesas glosadas pela fiscalização dão direito a crédito Como se vê na decisão de piso, foi adotado pela autoridade fiscal como critério para definição de insumos as Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, podendose concluir que a Receita Federal do Brasil aplicou a definição de insumo da legislação do IPI, o que já me adianto pela total discordância deste critério, pois entendo que se trata de tributos de materialidades completamente distintas. Referidas IN´s, mitigaram a nãocumulativa da contribuição ao PIS e da COFINS, porquanto criaram diversos óbices e restrições na apuração dos créditos instituídos pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Notadamente no que se refere ao conceito de insumos, não se pode deixar de mencionar os ensinamentos de Natanael Martins2, a saber: "o conceito de insumo, contemplado na sistemática nãocumulativa do PIS/COFINS está relacionado ao fato de determinado bem ou serviço ter sido utilizado, ainda que de forma indireta, na atividade de fabricação do produto ou com a finalidade de prestar determinado serviço. Assim sendo, a toda evidência, o conceito de insumo pode se ajustar a todo consumo de bens ou serviços que se caracterize como custo segundo a teoria contábil, visto que necessários ao processo fabril ou de prestação de serviços como um todo". 2 O conceito de insumos na Sistemática NãoCumulativa do PIS e da COFINS. IN PISCOFINS Questões Polêmicas. São Paulo: Quartier, 2005, p 2007. Fl. 11611DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 15 14 Com efeito, insumo3 é a complexidade de bens e serviços aplicados na produção ou fabricação de bens, sem os quais não seria possível a obtenção do produto final e acabado com características próprias, divididos entre insumos diretos e insumos indiretos, conforme expõe a Solução de Divergência COSIT nº 12, de 24.10.2007: É de se notar, que o termo "insumo" não poder ser utilizado de maneira restrita, como fez a fiscalização no caso em comento, considerando que tal procedimento vai de encontro com o princípio da nãocumulatividade. Destarte, os dispêndios direitos ou indiretos incorridos na produção ou prestação de serviços devem ser considerados como insumos e, consequentemente, serem computados na determinação dos créditos de PIS/COFINS. Nesse sentido, vale destacar o atual posicionamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no sentido de não adotar, para fins de aproveitamento de créditos de PIS/COFINS, a interpretação restrita veiculada pelas IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, conforme denotase da ementa do v. acórdão nº 3403002.656: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e necessários ao processo 3 INSUMO. Economia Política. 1. Despesas e investimentos que contribuem para um resultado ou para obtenção de uma mercadoria ou produto até o consumo final. 2. É tudo aquilo que entre (input), em contraposição ao produto (output), que é o que sai. 3. Tratase de combinação de fatores de produção, diretos (matériaprima) e indiretos (mãodeobra, energia, tributos), que entrem na elaboração de certa quantidade de bens e serviços”. DINIZ, Maria Helena. Dicionário Jurídico. v.2. Saraiva: São Paulo, 1998, p.870. Fl. 11612DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 16 15 produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (...) Feito estas considerações, na qual manifesto entendimento contrário aos critérios adotados pela autoridade fiscal, passo agora a analisar as glosas expressamente contestadas no recurso voluntário. A. Método de rateio proporcional Nos itens 77 a 84 do Termo de Verificação Fiscal constam os motivos que levaram a autoridade proceder a glosa dos créditos pleiteados pela Recorrente. Em síntese apartada, parte do crédito pretendido foi indeferido por conta do referido ajuste no percentual de rateio das receitas oriundas de exportação/mercado interno, na medida em que a fiscalização não levou em conta as receitas decorrentes de exportações indiretas, via comercial exportadores. A recorrente, por sua vez, alegou que é equivocado considerar a data do embarque das mercadorias como o momento para o reconhecimento da receita de operações com o mercado externo, na medida em que o ADI SRF nº 22, de 2002, no qual teria se baseado o procedimento fiscal, regularia especificamente a exportação de produtos nacionais sem saída do território nacional, para o gozo da isenção, o que não seria o presente caso. Apresentou, também, insurgência contra o critério utilizado pela fiscalização para se apurar o índice (percentual) de rateio proporcional entre as receitas do mercado interno Fl. 11613DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 17 16 e exportação sob o fundamento de que a fiscalização não considerou as receitas indiretas, via comercial exportadora. Juntou novos documentos em sede recursal, para o fim de comprovar a realização de vendas com a finalidade específica para exportação, requerendo, que tais vendas sejam computadas como receitas de exportação, ao contrário do procedimento adotado pela autoridade fiscal que as considerou como receita no mercado interno. Por fim, justificou a juntada tardia dos referidos documentos alegando que "...não trouxe aos autos quando da impugnação as comprovações documentais das exportações indiretas porque demonstrou que o próprio critério utilizado pela fiscalização deveria ter considerado tais exportações, sendo dever da autoridade administrativa alegar sua inocorrência." De fato a decisão de piso não analisou as alegações apresentadas pela Recorrente em relação a aplicação do ADI SRF nº 22, de 2002, fundamentando a manutenção da glosa com base na ausência de documentos: O interessado alegou que as receitas decorrentes de exportações indiretas, via comercial exportadoras, não foram levadas em conta. Contudo, não informou o valor de tais receitas, as comerciais exportadoras para as quais foram efetuadas nem apresentou documentos fiscais e/ ou contábeis provando as alegadas vendas com o fim específico de exportações da remessa da mercadoria para recintos alfandegados e/ ou para embarque direto em nome da exportadora. Contudo, não vejo reparos à fazer na decisão de primeira instância. Isto porque, os motivos que levaram a fiscalização a não analisar as alegações da Recorrente foram a total ausência de prova documental para comprovar a origem das exportações indiretas por ela praticada, o que nos termos do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, deveriam ter sido produzidas em sede impugnação, sob pena de preclusão do direito. Ora, a Recorrente sabedora dos fatos e fundamentos que ensejaram o lançamento fiscal deveria ter apresentado todos os documentos para comprovar suas alegações em sede de impugnação, restando precluso direito de fazêlo neste momento processual. Vale lembrar, que a justificativa apresentada pela Recorrente para a juntada tardia dos referidos documentos não se amolda em nenhuma das exceções previstas nas alíneas "a, "b", e "c", do §4º, do citado dispositivo legal, impedindo, desta forma, que este julgador se pronuncie a respeito. Desta forma, considerando a desídia da Recorrente em comprovar documentalmente suas alegações, a decisão de primeira instância deve ser mantida em relação a matéria discutida neste tópico. B. Momento de Apuração de Créditos na Aquisição de Insumos Neste tópico, a fiscalização procedeu a glosa de PIS/COFINS sob o fundamento de que o contribuinte teria reconhecido o crédito fora do período de sua apuração, na medida em que a data de emissão da Nota Fiscal seria o período correto para apuração mensal dos créditos referentes a bens e serviços utilizados como insumos. Fl. 11614DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 18 17 Os motivos e fundamentos que levaram a fiscalização proceder a glosa foram expostos nos itens 85 a 98 do TVF, dentre os quais destacamos o item 94: "Não cabe à Autoridade Fiscal Flexibilizar o critério temporal de apropriação dos insumos, alargandoo em decorrência das tramitações das Notas Fiscais dentro da empresa. Desta forma, mesmo as notas fiscais emitidas ao final de um determinado mês devem ser apropriadas neste mesmo mês, e não no mês seguinte. O prazo para se apresentar o DACON é suficientemente dilatado para que a empresa efetue tais ajustes." Por sua vez, a recorrente defende que o momento correto para a contabilização do crédito, não é a data da aquisição do bem ou da contratação do serviço, mas sim a data da entrega do bem ou da conclusão da prestação do serviço, momento em que se operariam os efeitos patrimoniais relevantes, a teor das previsões contidas nos artigos 1.226, 1.267, 237, 492, 594 e 597 do Código Civil. Sem razão a Recorrente. Com efeito, entendo que o período correto para apuração de eventuais créditos de PIS/COFINS decorrente da aquisição de insumos é aquele previsto nos artigos 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que disciplinam que os créditos calculados em relação aos bens e serviços serão apurados no mês de sua ocorrência, entendido como sendo a data da emissão da nota fiscal de aquisição de insumo ou de prestação de serviço. Vejamos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; Depreendese do referido permissivo normativo que, ao mesmo tempo em que a legislação assegura expressamente o direito ao crédito das contribuições do PIS e COFINS, impõe ao contribuinte sujeito à sistemática da nãocumulatividade observar as regras contábeis para o registro desse direito. Assim, a Recorrente que está sujeita ao regime não cumulativo, tributada com base no Lucro Real, deve considerar as receitas por regime de competência, compreendo que as receitas auferidas no período de apuração devem ser consideradas para fins de cálculos das contribuições de PIS/COFINS. Nesse sentido, vale transcrever parte do voto proferido pelo Conselheiro Antônio Carlos Atulim, no acórdão nº 3403.002.824, no sentido que o crédito é calculado sobre os gastos e despesas incorridos no mês. Fl. 11615DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 19 18 Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. C. Aproveitamento de Créditos Extemporâneos A decisão recorrida manteve a glosa sob o fundamento de que não é possível o aproveitamento direito de créditos resultantes da aquisição de insumo ou prestação de serviço diverso da data de aquisição, sendo que para efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores deve ser realizada a retificação da DACON. Cita orientações da Receita Federal, decisões administrativas e a orientação contida no Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) relativas aos procedimentos necessários para o registro e aproveitamento de créditos extemporâneos. O recorrente, por sua vez, argumenta que o §4, do artigo 3° é claro ao dispor que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá ser aproveitado nos meses subseqüentes. Aduz que não se pode desconsiderar as aquisições de insumos e o respectivo direito aos créditos pelo simples fato de que foram escrituradas em momento posterior. Sobre isso, entendo que o direito a crédito de PIS/COFINS nãocumulativo em período anterior, o qual não foi aproveitado na época própria, prescinde da necessária retificação do DACON e da DCTF, ou de eventual comprovação de não utilização do crédito. Isto porque, tal medida é essencial para que se possa constituir os créditos decorrentes dos documentos não considerados no DACON original e principalmente para que os saldos de créditos do Dacon dos meses posteriores à constituição possa ser evidenciado, propiciando, assim, a conferência da não utilização dos créditos em períodos anteriores. Nesse sentido, transcrevo o entendimento manifestado na Solução de Consulta nº 73, de 2012: SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 73, DE 20 DE ABRIL DE 2012 ASSUNTO: Contribuição para o PIS EMENTA: INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. É exigida a entrega de Dacon e DCTF retificadoras quando houver aproveitamento extemporâneo de créditos da Contribuição para o PIS. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, caput, e seu § 4o; IN RFB nº 1.015, de 2010, art. 10; ADI SRF nº 3, de 2007, art. 2º; PN CST nº 347, de 1970. Outro não é o entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no sentido de que o aproveitamento de crédito extemporâneo prescinde de retificação da DACON e DCTF, a saber: Fl. 11616DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 20 19 CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. (Acórdão 3403.003.078) *** CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da não utilização. (Acórdão 3403.002.717) Portanto, considerando que não houve retificação do DACON e da DCTF, tampouco prova de não utilização do crédito pleiteado, a manutenção da glosa é medida que se impõe. D. Dos Bens e Serviços Glosados pela Fiscalização Os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica glosados pela fiscalização estão devidamente descritos nos itens 102, 127 e 128, do Termo de Verificação Fiscal, abaixo reproduzidos: 102. Entre outros, não foram considerados como insumos: ferramentas de trabalho para manutenção, calços para alinhamento de altura de equipamentos rotativos, pistola de ar comprimido, serviços relacionados ao sistema de alarmes de emergências, serviços logísticos, serviços de movimentação de materiais e insumos e locação de guindastes (vide planilhas de crédito e folhas 9281 a 9603 e folhas 10236 a 10620) 127. Entre outros, não foram considerados como insumos: despesas com equipamento de proteção individual, etiquetas adesivas de escritório, rolos de pintura, lonas de plástico para efetuar manutenções, insumos utilizados em análises químicas em laboratório, baterias, pilhas, rádios transceptores, projetores de apresentação, manutenção de PABX, manutenção de nobreaks, encadernação de notas fiscais, copos para água mineral, almofada de carimbo, binóculos, borrachas para lápis, brindes e camisas promocionais, brinquedos para filhos de funcionários, café expresso em grãos, CDR graváveis, cestas de natal, coffebreak, serviços de cópias de chaves, coroas de flores, desjejum, custos de eventos festivos, lanches, livros de literatura, locação de máquinas de café, marmitex, medicamentos, palestras, óculos de segurança Bandido, despesas com mão de obra inespecífica, insumos relacionados à logística/transporte, baterias, pilhas, carregadores e acessórios, materiais de consumo de informática, materiais para laboratório, serviços de gerenciamento, extintores, materiais de papelaria, palestras, festas e eventos, limpeza industrial, serviços de combate a incêndio, armazenagem de insumos, serviços de projetos, serviços relacionados a parte laboratorial, desenvolvimento de software, locação de andaimes, locação de container, assinatura de manuais de legislação, gerenciamento de arquivos, seminários da NR10, segurança patrimonial, Fl. 11617DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 21 20 alpinismo industrial, eventos como fórum de marketing, vigilância, serviços fotográficos e de mídia, serviços relacionados ao setor de Recursos Humanos, inspeção da NR13, serviços administrativos, reforma de mobiliário, programas de formação profissional e instalação de fibras ópticas e rede (vide planilhas de crédito e folhas 9281 a 9603 e folhas 10236 a 10620). 128. Ainda, não foram considerados como insumos todos os bens e serviços relativos ao tratamento dos resíduos, uma vez que efetivamente não são aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, mas sim constituindo fase posterior a fabricação dos bens comercializados pela empresa. Antes da analisar os itens acima, importante esclarecer que não basta que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja necessário. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. Portanto, ao contrário do que pretende o Recorrente, não é todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Há de se perquirir a pertinência do gasto relativamente ao processo fabril ou de prestação de serviço para que se lhe possa atribuir a natureza de insumo. Feitas estas considerações preliminares, passo agora ao exame dos itens anteriormente citados. Em relação aos bens e serviços descrito no item 102, entendo que seja por não guardarem a necessária relação de pertinência com o processo produtivo, considerado na sua indivisível unicidade, ainda que sejam contabilizados como custo de produção; ou por serem passíveis de ativação, devem ser mantidas as glosas dos créditos tomados sobre os seguintes itens: ferramentas de trabalho para manutenção, calços para alinhamento de altura de equipamentos rotativos, pistola de ar comprimido, serviços relacionados ao sistema de alarmes de emergências, serviços logísticos. Já a despesas com serviços de movimentação de materiais e insumos e locação de guindastes, por se enquadrarem no conceito de insumo previsto nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e manterem relação com o processo produtivo da Recorrente, geram créditos das contribuições. Já em relação ao bens e serviços listados no item 127, entendo que somente geram créditos os insumos utilizados em análises químicas em laboratório e armazenagem de insumos. Todos os demais bens e serviços relacionados no item 127, sem exceção, não geram direito a créditos, por não guardarem nenhuma relação com o processo produtivo da Recorrente. Por fim, em relação ao item 128, entendo que os bens e serviços utilizados no tratamento de resíduos, por se enquadrarem em uma das etapas do processo produtivo da Recorrente, geram crédito de PIS/COFINS. Fl. 11618DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 22 21 E. Partes e Peças de Reposição Utilizados como Insumo Neste ponto, adoto como razões de julgamento o entendimento explicitado da Solução de Divergência nº 35/08, o qual tratou de créditos de aquisições de materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, a saber: Solução de Divergência nº 35/08 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Ementa: Cofins nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003; Lei nº 10.865, de 2004; e IN SRF nº 404, de 2004. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de dezembro de 2002, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002; Lei nº 10.865, de 2004; IN SRF nº 247, de 2002; e IN SRF nº 358, de 2003. ADALTO LACERDA DA SILVA Coordenador Geral Assim, entendo que as despesas ora analisadas, com manutenção de máquinas e equipamento industriais, dão direito ao crédito do PIS e da COFINS. F. Dos Materiais de Construção Civil utilizado como Insumos A Recorrente limitouse a fazer alegações genéricas em relação ao seu direito de tomar o crédito em relação a despesas de materiais de construções civil, deixando de comprovar que tais despesas se enquadram nos requisitos que garantem o direito de crédito. Portanto, a glosa sobre referidas despesas deve ser mantida. Fl. 11619DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 23 22 G. Dos Combustíveis utilizados com Insumo No Termo de Verificação Fiscal a fiscalização procedeu a glosa dos combustíveis utilizados como insumos com base nos seguintes fundamentos: 153. Segue abaixo parte da ementa da Solução de Divergência (SD) prolatada pela COSIT (Coordenação de Tributação) da Receita Federal do Brasil: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Os combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços geram créditos do regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para o PíS/Pasep. Dispositivos Legais: Lei n° 10.637, de 2002, art. 3o, II e§ 2o; Lei n° 10.865, de 2004, art. 40. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Os combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços geram créditos do regime de apuração nãocumulativa da Cofins. Dispositivos Legais: Lei n° 10.833, de 2003, art. 3o, II e§ 2o; Lein° 10.865, de 2004, art. 40." 154. Ressaltase que para as despesas com combustíveis gerarem crédito da Contribuição para o PIS e da Cofins, no caso ora em análise, é necessário que o combustível seja considerado insumo no processo de fabricação do produto destinado à venda pela empresa; ou, em outras palavras, seja empregado em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção da celulose industrializada e vendida pela contribuinte, nos termos da legislação que rege a matéria. 155. Por último, vale comentar que a Solução de Divergência Cosit n° 37, de 9 de outubro de 2008, não conflita com o disposto no parágrafo anterior, uma vez que a referida solução de divergência trata da aquisição de óleos combustíveis e lubrificantes, utilizados ou consumidos no processo industrial e não em etapa anterior ao processo de produção do bem destinado à venda. 156. Todavia, os combustíveis utilizados para o transporte e manejo dos insumos não podem ser considerados para fins de creditamento. Com o intuito de diferenciar os tipos de combustíveis utilizados como insumo, o contribuinte foi intimado a apresentar documentos que pudessem alocar os diversos combustíveis na cadeia produtiva. Foram apresentados laudos técnicos detalhados, devidamente assinados por engenheiros e contadores da empresa, descrevendo os vários tipos de combustíveis e suas utilizações. Seguindo a interpretação dada pela COSIT acerca do termo, entre outros, não foram considerados como insumo: GLP utilizado em empilhadeiras, gasolina utilizado no transporte de pessoal, Óleo diesel, Óleo biodiesel marítimo, Óleo biodiesel e GLP granel (vide planilhas de crédito e folhas 9281 a 9603 e folhas 10236 a 10620). Inicialmente, em relação a glosa sobre os custos com aquisição de gasolina para transporte de pessoal, entendo correta a glosa efetuada pela fiscalização e mantida pela Fl. 11620DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 24 23 decisão de primeira instância sob o fundamento de não se enquadrar no conceito de insumo, nos termos do inciso II do art. 3º, citado e transcrito anteriormente. Já em relação às glosas com custos de aquisições: de GLP utilizado em empilhadeiras; óleo diesel, óleo biodiseel marítimo, óleo biodiseel e GLP a granel, desde que devidamente comprovado o emprego de tais custos, não podem ser desconsideradas, pois são necessários para a realização do processo produtivo, sem os quais não é possível obter o produto final. Isso porque todo o deslocamento de material utilizado no processo produtivo entre as áreas de plantio, cultivo, extração e o beneficiamento do produto, seja qual for sua natureza, é feito por meio de veículos, os quais utilizam diretamente os combustíveis anteriormente. Daí o porquê da razão do legislador que regulou a nãocumulatividade das contribuições, expressamente tratar dos combustíveis como concessores do direito ao desconto de créditos, nos seguintes termos: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Portanto, entendo passível de creditamento os valores despendidos a título de combustíveis empregados no processo produtivo da Recorrente, exceção feita apenas a gasolina utilizada para transporte de pessoas. H. Crédito Sobre os Insumos Empregados na Constituição de Florestas No item 110 do TVF estão os bens e serviços desconsiderados como insumos, a saber: "corrente de corte (motosserra), picadores (desgastador de madeira), sabres (manejo florestal), insumos utilizados no corte de cavacos, serviços florestais de silvicultura/trato cultural das florestas próprias, serviços de inventário florestal, serviços de viveiros, serviço florestal de colheita, produção de mudas, monitoramento de pragas e doenças, biometria florestal, adubos, fertilizantes, inseticidas, herbicidas, estradas, defensivos, análises ambientais, serviço de manutenção/construção de estrada e pontes, serviços topográficos, controle de qualidade de madeiras, monitoramento florestal, irrigação, terraplenagem, sensoriamento remoto e peças e reparos em maquinários relacionados com a área de silvicultura (marcas de tratores, veículos e peças como a Komatsu, Volvo, John Deere e Cia Olsen) (vide planilhas de crédito e folhas 9281 a 9603 e folhas 10236 a 10620)." Fl. 11621DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 25 24 O fundamento utilizado pela fiscalização para glosar é no sentido de que as despesas incorridas na formação, desenvolvimento e manutenção das florestas, que por se tratar de etapa anterior ao processo produtivo, não dão direito ao crédito, a saber: "Todo o bem ou serviço utilizado pela empresa antes do tratamento físicoquímico da madeira em si não podem ser classificados como insumo para fins de creditamento do PIS/PASEP e do COFINS nãocumulativos. Ao invés disso, as reservas florestais devem ser tratadas como sendo ativo imobilizado da empresa." Não coaduno do entendimento da autoridade fiscal, uma vez que o legislador claramente estabeleceu no artigo 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 o direito ao crédito em relação aos "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda." E produção é algo maior do que fabricação, englobando os diversos estágios dos produtos gerados a partir de atividades mistas, como é o caso da celulose. Ora, se o legislador quis alcançar todas as receitas, é obvio que todas as despesas incorridas para gerar receitas devem ser passíveis de creditamento, desde que observados as limitações postas pela própria legislação. Cumpre destacar, que a esta matéria já foi objeto de análise pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, onde restou confirmada a possibilidade do cômputo de créditos de PIS e de COFINS sobre as despesas incorridas na formação, desenvolvimento e manutenção de florestas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2005 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. Na incidência não cumulativa do PIS, instituída pela Lei nº 10.637/02 e da Cofins, instituída pela Lei nº 10.833/03, devem ser compreendidos por insumos somente bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção ou Fl. 11622DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 26 25 fabricação do produto, ou seja, que integrem o processo produtivo e que eles estejam diretamente relacionados. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO (Acórdão 9303002.630) Nesse passo, destacase o trecho que demonstra o entendimento sintetizado pelo Conselheiro: Assim, os gastos incorridos com os chamados “insumos dos insumos”, que no caso são aqueles necessários para a produção da madeira que, no momento seguinte, entrará no processo produtivo da celulose, indubitavelmente devem ser considerados para atendimento da sistemática não cumulativa. Se assim não fosse, o industrial que produz o seu insumo próprio, no caso a madeira, seria prejudicado e, com isso, seria preferível adquirila de terceiros ao invés de produzila. Desta forma, entendo ser correto o cômputo dos créditos de PIS/COFINS sobres as despesas incorridas na formação, desenvolvimento e manutenção das florestas, por se mostrarem necessárias na obtenção de madeira, matériaprima da celulose. Nessa linha de entendimento, com exceção dos serviço de manutenção/construção de estrada e pontes, por não estar enquadrado no conceito de insumo aqui adotado, os demais itens geram direito ao aproveitamento de créditos. I. Insumos adquiridos de terceiros Adotando a mesmo linha de raciocínio anteriormente explicitada, entendo que deve ser revertida as glosas dos créditos tomados sobre dispêndios com bens e serviços contratados de terceiros para clonagem, pesquisa, plantio, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate à incêndios e colheita. J. Fretes A fiscalização procedeu a glosa dos fretes com base no seguinte fundamento: "Entendese que quaisquer serviços de transporte não relacionados à entrega de mercadorias diretamente aos clientes não podem ser considerados como sendo insumos. Seguindo esta orientação dada pela COSIT acerca do termo, entre outros, não foram considerados como insumo: armazenagem/transporte de papel e insumos e logística." A Recorrente, por sua vez, defende o aproveitamento de créditos sobre os custos/despesas com fretes incorridos na aquisição de insumos, na transferência de produtos em elaboração (intercompany), na colocação do produto acabado no estabelecimento vendedor, sob o argumento de que todos são custos de produção, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002. Entretanto, com exceção do frete utilizado para transporte do produto acabado, por ser etapa posterior ao processo produtivo, entendo que os fretes incorridos nos transportes de matériasprimas (aquisição) produtos semiacabados (em elaboração) intercompany, constituem custos de produção e geram créditos do PIS e da Cofins, nos termos do inciso II do art. 3º citado e transcrito anteriormente. Fl. 11623DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 27 26 Em razão disso, deve ser mantida a glosa relativo ao frete utilizado no transporte de produto acabado. K. Glosa sobre alimentos, fardamentos e equipamento de proteção individual A Recorrente limitouse a fazer alegações genéricas em relação ao seu direito de tomar o crédito em relação a despesas com alimentos, fardamentos e equipamento de proteção, deixando de comprovar que tais despesas se enquadram nos requisitos que garantem o direito de crédito. Desta forma, entendo que por não enquadram no inciso II do art. 3º, citado e transcrito anteriormente, deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização. L. Embalagem de apresentação e transporte Nos termos dos incisos II e XI do art. 3º citado e transcrito anteriormente, entendo que as despesas com embalagem de apresentação e transporte geram créditos, posto que são necessárias ao transporte e acondicionamento das folhas de celulosa comercializada pela Recorrente. M. Passagens, hospedagens e despesas de veículos A Recorrente mais uma vez limitouse a fazer alegações genéricas em relação ao seu direito de tomar o crédito em relação a despesas com passagens, hospedagens e despesas de veículos, deixando de comprovar que tais despesas se enquadram nos requisitos que garantem o direito de crédito. Desta forma, entendo que por não enquadram no inciso II do art. 3º, citado e transcrito anteriormente, deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização. III. Conclusão Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para reversão das glosas especificadas abaixo: * D. Dos Bens e Serviços Glosados pela Fiscalização serviços de movimentação de materiais e insumos e locação de guindastes insumos utilizados em análises químicas em laboratório e armazenagem de insumos tratamento dos resíduos * E. Partes e Peças de Reposição Utilizados como Insumo manutenção de máquinas e equipamento industriais utilizadas no processo produtivo * G. Dos Combustíveis utilizados com Insumo GLP utilizado em empilhadeiras; óleo diesel, óleo biodiseel marítimo, óleo biodiseel e GLP a granel * H. Crédito Sobre os Insumos Empregados na Constituição de Florestas Fl. 11624DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 28 27 exceção feita dos serviço de manutenção/construção de estrada e pontes, por não estar enquadrado no conceito de insumo aqui adotado, os demais itens tratados neste tópico geram direito ao aproveitamento de créditos *I. Insumos adquiridos de terceiros créditos tomados sobre dispêndios com bens e serviços contratados de terceiros para clonagem, pesquisa, plantio, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate à incêndios e colheita *J. Fretes com exceção do frete utilizado para transporte do produto acabado, por ser etapa posterior ao processo produtivo, entendo que os fretes incorridos nos transportes de matériasprimas (aquisição) produtos semiacabados (em elaboração) intercompany, constituem custos de produção e geram créditos do PIS e da Cofins *L. Embalagem de apresentação e transporte despesas com embalagem de apresentação e transporte geram créditos, posto que são necessárias ao transporte e acondicionamento das folhas de celulosa comercializada pela Recorrente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Voto Vencedor Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto ao momento de apropriação dos créditos relativos à aquisição de insumos e quanto à possibilidade de creditamento relativo a tratamento de resíduos. Concernente à primeira matéria, o relator entendeu que o momento apropriado para considerar a aquisição de insumos é a data de emissão da nota fiscal. Neste aspecto, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis emitiu o Pronunciado Técnico CPC nº 30, tratando da mensuração de receitas. Em seus itens 14 em diante, dispôs sobre o momento de reconhecimento das receitas: Venda de bens 14. A receita proveniente da venda de bens deve ser reconhecida quando forem satisfeitas todas as seguintes condições: (a) a entidade tenha transferido para o comprador os riscos e benefícios mais significativos inerentes à propriedade dos bens; (b) a entidade não mantenha envolvimento continuado na gestão dos bens vendidos em grau normalmente associado à propriedade e tampouco efetivo controle sobre tais bens; (c) o valor da receita possa ser mensurado com confiabilidade; (d) for provável que os benefícios econômicos associados à transação fluirão para a entidade; e Fl. 11625DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 29 28 (e) as despesas incorridas ou a serem incorridas, referentes à transação, possam ser mensuradas com confiabilidade. 15. A avaliação do momento em que a entidade transfere os riscos e os benefícios significativos da propriedade para o comprador exige o exame das circunstâncias da transação. Na maior parte dos casos, a transferência dos riscos e dos benefícios inerentes à propriedade coincide com a transferência da titularidade legal ou da transferência da posse do ativo para o comprador. Tais casos são típicos das vendas a varejo. Em outros casos, porém, a transferência dos riscos e benefícios da propriedade ocorre em momento diferente da transferência da titularidade legal ou da transferência da posse do ativo. 16. Se a entidade retiver riscos significativos da propriedade, a transação não é uma venda e a receita não pode ser reconhecida. A retenção de risco significativo inerente à propriedade pode ocorrer de várias formas. Exemplos de situações em que a entidade pode reter riscos e os benefícios significativos da propriedade são: (a) quando a entidade vendedora retém uma obrigação em decorrência de desempenho insatisfatório que não esteja coberto por cláusulas normais de garantia; (b) nos casos em que o recebimento da receita de uma venda em particular é contingente, pois depende da venda dos bens pelo comprador (genuína consignação); (c) quando os bens expedidos estão sujeitos à instalação, sendo esta uma parte significativa do contrato e ainda não tenha sido completada pela entidade; e (d) quando o comprador tem o direito de rescindir a compra por uma razão especificada no contrato de venda e a entidade vendedora não está certa da probabilidade de devolução. [...] Prestação de serviços 20. Quando a conclusão de uma transação que envolva a prestação de serviços puder ser estimada com confiabilidade, a receita associada à transação deve ser reconhecida tomando por base o estágio de execução (stage of completion) da transação ao término do período de reporte. O desfecho de uma transação pode ser estimado com confiabilidade quando todas as seguintes condições forem satisfeitas: (a) o valor da receita puder ser mensurado com confiabilidade; (b) for provável que os benefícios econômicos associados à transação fluirão para a entidade; (c) o estágio de execução (stage of completion) da transação ao término do período de reporte puder ser mensurado com confiabilidade; e (d) as despesas incorridas com a transação assim como as despesas para concluíla puderem ser mensuradas com confiabilidade4. 21. O reconhecimento da receita com referência ao estágio de execução de uma transação é usualmente denominado como sendo o método da percentagem completada. Por esse método, a receita é reconhecida nos períodos contábeis em que os Fl. 11626DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 30 29 serviços são prestados. O reconhecimento da receita nessa base proporciona informação útil sobre a extensão da atividade e o desempenho dos serviços prestados durante o período. O Pronunciamento Técnico CPC 17 – Contratos de Construção também exige o reconhecimento da receita nessa mesma base. As exigências naquele Pronunciamento são geralmente aplicáveis ao reconhecimento da receita e dos gastos associados a uma transação que envolva a prestação de serviços. 22. A receita somente deve ser reconhecida quando for provável que os benefícios econômicos associados à transação fluirão para a entidade. Porém, quando surgir incerteza acerca da realização de valor já incluído na receita, o valor incobrável, ou o valor com respeito ao qual a recuperação tenha deixado de ser provável, deve ser reconhecido como despesa, e não como ajuste (dedução) do valor da receita originalmente reconhecida. [...] 24. O estágio de execução de uma transação pode ser determinado por diversos métodos. A entidade deve escolher um método que mensure com confiabilidade os serviços executados. Dependendo da natureza da transação, os métodos podem incluir: (a) levantamento ou medição do trabalho executado; (b) serviços executados até a data, indicados como percentual do total dos serviços a serem executados; ou (c) a proporção entre os custos incorridos até a data e os custos totais estimados da transação. Somente os custos que efetivamente possam ser identificados com os serviços executados até a data devem ser incluídos nos custos incorridos até a data de mensuração. Da mesma forma, somente os custos que reflitam serviços executados ou a serem executados devem ser incluídos nos custos totais estimados da transação. Para efeito de reconhecimento das receitas de prestação de serviços, os pagamentos parcelados e os adiantamentos recebidos de clientes não correspondem, necessariamente, aos serviços executados. 25. Para fins práticos, quando os serviços prestados correspondam a um número indeterminado de etapas, durante um período específico de tempo, a receita deve ser reconhecida pelo método linear durante tal período, a menos que haja evidências de que outro método represente melhor o estágio de execução da transação. Quando determinada etapa for muito mais significativa do que quaisquer outras, o reconhecimento da receita deve ser adiado até que essa etapa seja executada. Verificase que a orientação contábil é no sentido de se reconhecer a receita de venda de bens quando ocorrer a transferência dos riscos e benefícios mais significativos inerentes ao direito de propriedade, além da observância de outros aspectos mencionados no item 14 do CPC. Do lado da prestação de serviços, o reconhecimento dever ser pelo estágio de execução do serviço, a ser medido por levantamento ou medição ou proporção entre custos incorridos e custos totais estimados, ou seja, devese apurar o estágio de execução correspondente ao serviço executado, quando este corresponder a várias etapas. No caso de um serviço a ser executado em uma única etapa, o reconhecimento deverá ocorrer quando da execução da etapa. Fl. 11627DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 31 30 A Solução de Consulta Cosit nº 111/2014 reconheceu a aplicação do CPC 30 ao analisar o regime de competência e o auferimento de receitas em situação de vendas canceladas, conforme a ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. REGIME DE COMPETÊNCIA. CANCELAMENTO DE NOTAS FISCAIS. NÃO REALIZAÇÃO DE RECEITAS. NÃO AUFERIMENTO DE RECEITA. VENDAS CANCELADAS. O fato gerador da Cofins no regime de apuração não cumulativa é o auferimento de receitas pelas pessoas jurídicas, o que ocorre quando as receitas são consideradas realizadas. A receita é considerada realizada e, portanto, passível de registro pela Contabilidade, quando produtos ou serviços produzidos ou prestados pela entidade são transferidos para outra entidade ou pessoa física com a anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de pagamento especificado perante a entidade produtora. No que diz respeito à prestação de serviços, no regime de competência, a receita é considerada realizada e, portanto, auferida quando um serviço é prestado com a anuência do tomador e com o compromisso contratual deste de pagar o preço acertado, sendo irrelevante, nesse caso, a ocorrência de sua efetiva quitação. Não integram a base de cálculo da Cofins, no regime de apuração não cumulativa, as receitas referentes a vendas canceladas. No que diz respeito à prestação de serviços, vendas canceladas correspondem à anulação de valores registrados como receita bruta de serviços, fato que ocorre quando o contratante não concorda com o valor cobrado (no todo ou em parte), seja porque os serviços não foram prestados de acordo com o contrato, seja porque os serviços prestados, sem a sua anuência, não foram contratados, ou seja porque o valor cobrado não tem previsão contratual. Nesse caso a contratada não é detentora do direito de receber pagamento (no todo ou em parte) pelos serviços prestados. Consequentemente, ainda que ela registre esses valores como receita, eles não passam a assumir talcondição, já que não se consideram como receitas realizadas e, por conseguinte, como receitas auferidas. No regime de competência, o cancelamento de notas fiscais, seja no mês da prestação de serviço ou em outro mês qualquer, por si só, não afeta a ocorrência do fato gerador ou a apuração da base de cálculo da Cofins. Todavia, se as causas que motivarem tal cancelamento, configurarem vendas canceladas, o correspondente valor, registrado como receita de serviços, é passível de exclusão da base de cálculo dessa Contribuição no mês da devolução. DISPOSITIVOS LEGAIS: Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, arts. 3º e 4º, caput, e § 1º; Lei nº 6.404, de 1976, art. 187, § 1º, “a” e “b”; Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, item 4.1; Norma Brasileira de Contabilidade TG 30 Receitas (com a redação dada pela Resolução CFC nº 1.412, de 2, de outubro de 2012), item 21. No mesmo sentido, o Manual de Contabilidade Societária4 da FIPECAFI ao dispor sobre estoques, entendendo que o momento de contabilização das compras coincide com a transmissão do direito de propriedade, não se ligando apenas ao aspecto legal, mas 4 IUDÍCIBUS, Sérgio. MARTINS, Eliseu. GELBCKE, Ernesto Rubens. SANTOS, Ariovaldo do. Manual de Contabilidade Societária Aplicável a todas as sociedades. São Paulo, Editora Atlas, 2010. p. 72/73. Fl. 11628DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 32 31 principalmente à transferência de riscos e benefícios futuros. Transcrevese o trecho da obra para melhor esclarecer: "O momento da contabilização de compras de itens do estoque, assim como o das vendas a terceiros, em geral, coincide com o da transmissão do direito de propriedade dos mesmos, embora o conceito de ativo esteja ligado não só aspecto legal, mas principalmente a transferência de riscos e benefícios futuros. Dessa forma, na determinação sabre se os itens integram ou não a conta de estoques, o importante não é sua posse física, mas o direito de sua propriedade; em seguida, há também que se discutir a figura do controle e ainda as dos riscos e benefícios. Assim, deve ser feita uma análise caso a caso visando identificar potenciais eventos onde haja transferência dos principais benefícios e riscos. [...] 5.2.2 Compras em trânsito Não devem ser incluídas as compras cujo transporte seja de responsabilidade do vendedor (FOBdestino), nem as mercadorias recebidas de terceiros (quando a empresa é consignatária ou depositária), nem os materiais comprados, mas sujeitos à aprovação. Neste último caso, a integração aos estoques se dará apos a aprovação. De outro giro, sob o aspecto legal, o Código Civil dispõe em seu artigo 1.2265 que os direitos reais (dentre eles o direito de propriedade) sobre coisas móveis, quando constituídos, ou transmitidos por ato inter vivos, somente se adquirem com a tradição e que até o momento da tradição, conforme artigo 4926, os riscos da coisa correm por conta do vendedor e os do preço por conta do comprador, ressalvadas as situações de que tratam os parágrafos deste artigo. Defluise que a emissão da nota fiscal não caracteriza, por si, a aquisição, pois que os riscos, em regra, ainda correm por conta do vendedor. A discussão travada nos autos limitouse apenas ao lapso temporal entre a data de emissão da nota fiscal de venda pelo vendedor e a entrada dos bens nos estabelecimentos da empresa, não se perquirindo sobre outras situações ou condições. Portanto, em princípio, o regime de competência do crédito deve ser o da aquisição, assim entendida, a tradição das coisas móveis, ou, no caso de serviços, o reconhecimento do estágio de execução (serviços em várias etapas) ou da conclusão, no caso de serviço de uma única etapa. Neste sentido, citamse acórdãos deste conselho: Acórdão nº 3801005.038: [...] MOMENTO DO CREDITAMENTO. O cálculo do crédito de PIS e de COFINS deverá levar em conta as aquisições de bens, serviços e insumos ocorridas no mês, sendo que o termo "aquisição" exige o recebimento e 5 Art. 1.226. Os direitos reais sobre coisas móveis, quando constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com a tradição. 6 Art. 492. Até o momento da tradição, os riscos da coisa correm por conta do vendedor, e os do preço por conta do comprador. Fl. 11629DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 33 32 contabilização do bem pelo destinatário. Crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Acórdão nº 3201001.361: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 AQUISIÇÃO DE FRETE PARA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. MOMENTO DE APURAÇÃO DO CRÉDITO. As despesas relativas a frete para aquisição de insumos geram direito a crédito de PIS não cumulativo, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002. Considerase adquirido o frete, para efeitos de creditamento de PIS, no momento da conclusão do transporte dos insumos adquiridos, ou seja, na entrada dos referidos insumos no estabelecimento do adquirente. Excerto do voto condutor: "Para a fiscalização, o mês em que os bens e serviços foram adquiridos e as despesas foram incorridas corresponde ao mês da emissão das respectivas notas fiscais. Tal entendimento foi confirmado pela instância a quo. Contudo, esse não parece ser o momento em que tais despesas são incorridas. No caso do serviço de transporte contratado para transportar os insumos a serem utilizados na produção da Recorrente, o serviço somente pode ser considerado como adquirido quando o frete é concluído, ou seja, quando o insumo transportado ingressa no estabelecimento da Recorrente. Isso porque o serviço é um bem imaterial e, como tal, a sua aquisição deve ser considerada no momento em que o seu objeto se aperfeiçoa, pois essa hora é a que mais se aproxima da tradição do bem material. Antes disso, não há como considerar que o referido bem imaterial foi adquirido." Acórdão nº 3403001.340: Excerto do voto vencedor: "Neste passo, admitir o cômputo de créditos apurados sobre tais valores equivale a fazer retroagir as disposições das Medidas Provisórias 66/02 e 135/03, convertidas nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente, haja vista que, se pagos na época oportuna, isto é, quando de sua aquisição, não haveria que se falar em créditos da não cumulatividade, demais disso, por disposição própria de referidos diplomas legais, o momento de apropriação dos créditos se concretiza na aquisição do insumo, a teor do art. 3º, § 1º das leis em comento, ainda que outro seja o momento do pagamento, como sói ocorrer nas compra a prazo. Fl. 11630DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 34 33 Seu aspecto temporal é a efetiva entrada dos insumos no estabelecimento, pouco importando que coincida com o pagamento, ou seja, o marco é fixo, aplicandose à compra para entrega futura, onde há antecipação de pagamento pela aquisição, para aquela que o pagamento se dá em momento futuro a partir da aquisição, ou mesmo que seja saldada em prestações." Frisese que não se trata de admitir créditos extemporâneos, item específico enfrentado no acórdão, mas sim de considerar o regime de competência na tradição da coisa móvel ou na execução dos serviços. Dáse, portanto, provimento ao recurso voluntário neste ponto. Relativamente ao tratamento de resíduos, a recorrente entende que o conceito de insumo se refere ao custo de produção, considerado como todos os gastos com os insumos, com fatores de produção que agregam valor ao produto a ser vendido, excluindo as despesas. Neste ponto, entendo que a definição de insumo é mais restritiva que a da recorrente, conforme exposto a seguir. A nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, cujo inciso II dispõe: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) A regulamentação da definição de insumo foi dada pelo artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, de forma idêntica: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais Fl. 11631DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 35 34 como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A partir destas disposições, três correntes se formaram: a defendida pela Receita Federal, corroborada em julgamentos deste Conselho, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. Por fim, uma terceira corrente, defende, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Fl. 11632DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 36 35 Constatase também que há divergência no STJ sobre o tema, tendo a matéria sido afetada como recurso repetitivo no REsp 1.221.170/PR. Assim, verificase que no REsp 1.246.317MG, de relatoria do Ministro Mauro Campbell, decidiuse pela ilegalidade parcial do artigo 66º da IN SRF nº 247/2002 e do artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, na parte em que trata do conceito de insumos, adotando no acórdão um mais abrangente: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Fl. 11633DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 37 36 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. De forma antagônica, no REsp Nº 1.128.018 RS, decidiuse pela legalidade das referidas INs e do conceito restrito de insumos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211/STJ. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando o Tribunal de origem se manifesta, fundamentadamente, sobre as questões que lhe foram submetidas, apreciando de forma integral a controvérsia posta nos presentes autos. 2. “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo” (Súmula 211/STJ). 3. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 4. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumos previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 5. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos os bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Fl. 11634DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 38 37 6. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 7. Recurso especial a que se nega provimento. Dado o panorama, entendo que a melhor interpretação está com a terceira corrente, pelos motivos a seguir. Inicialmente, destacase que a materialidade do fato gerador dos tributos envolvidos é distinta, isto é, a incidência sobre o produto industrializado para o IPI, sobre o lucro (real, presumido ou arbitrado), para o IRPJ, ao passo que o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre a receita bruta. Esta distinção se refletiu na redação original do artigo 3º, na definição das hipóteses de crédito, especialmente a relativa a insumos, dada por "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". De plano, salta aos olhos a impropriedade de utilização da legislação do IPI como parâmetro, em razão da inclusão de serviços na mesma categoria normativa de bens, inaplicável à definição de IPI dada a bens. Outra distinção marcante relativo ao IPI reside na inclusão de combustíveis e lubrificantes na definição de insumos. A legislação do IPI delimitou o alcance da definição, especialmente no Parecer Normativo CST nº 65/1979, em função do contato físico direto com o produto em fabricação, o que levou à impossibilidade de tomada de crédito de IPI sobre tais bens, inclusive objeto de edição da Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. É cediço que combustíveis não entram em contato físico direto com os produtos durante o processo produtivo, razão pela qual não podem ser inseridos no conceito de insumo adotado pelo IPI. Sendo assim, concluise que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ao inserirem os termos combustíveis e lubrificantes na categoria de insumo, estabelecem um marco jurídico distinto da legislação do IPI. Verificase que, de fato, a própria Receita Federal flexibilizou a questão do contato direto com o produto em fabricação. Vejamos a Solução de Divergência nº 14/2007 e nº 35/2008, as quais permitem a dedução de partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos, desde que não incluídas no imobilizado. Solução de Divergência nº 14/2007: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Crédito presumido da Cofins. Partes e peças de reposição e serviços de manutenção. As despesas efetuadas com Fl. 11635DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 39 38 a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito a créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Solução de Divergência nº 35/2008: Cofins nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Esta distinção fica evidenciada na redação da Lei nº 10.276/2001, ao estabelecer o regime alternativo de crédito presumido de IPI sobre o ressarcimentos das contribuições para o PIS e a Cofins, delimitando a definição de insumos para o IPI a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, excluindo a energia elétrica e os combustíveis, distinguindose da redação dos incisos II dos artigos terceiros das leis instituidoras da nãocumulatividade, a qual inclui combustíveis na qualidade de insumos. Por outro lado, a tese de que insumo equivaleria a custos e despesas dedutíveis necessários à obtenção da receita é por demais abrangente e não reflete a estrutura do artigo 3º das referidas leis. Este enumera as hipóteses de creditamento, sendo que todas se referem a custos ou despesas necessárias, o que afasta a definição abrangente, já que todas as demais hipóteses estariam abrangidas no inciso II, revelandose, assim desnecessárias. Assim, energia elétrica, aluguéis, contraprestação de arrendamento relativas a área administrativa são despesas necessárias, mas entretanto não são insumos e somente geram crédito por estarem previstas em hipóteses autônomas. O mesmo ocorre com a despesa de armazenagem e frete na operação de venda. Entendo, pois, que a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto fabricado, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes, expressos no texto legal Assim, devem ser entendidos como insumos, os custos de aquisição e custos de transformação que sejam inerentes ao processo produtivo e não apenas genericamente inseridos como custo de produção. Esta distinção é dada pela própria lei e também pelo STJ (AgRg no REsp nº 1.230.441SC, AgRg no REsp nº 1.281.990SC), quando excluem, por exemplo, dispêndios com valetransporte, valealimentação e uniforme da condição de Fl. 11636DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 40 39 insumos, os quais poderiam ser considerados custos de produção, mas que somente foram alçados a insumos a partir da Lei nº 11.898/2009, e apenas para as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção. Destacase, ainda, que determinados custos de estocagem, embora, sejam considerados para avaliação de estoques, não podem ser considerados custos de transformação, pois são aplicados aos produtos já acabados. Estabelecidas as premissas acima, considero que o tratamento de resíduos não pode ser considerado custo de aquisição ou custo de transformação, pois se refere a uma etapa posterior à produção propriamente dita, embora, reconhecidamente, necessária à atividade empresarial. Destarte, nego provimento ao recurso voluntário quanto à possibilidade de creditamento dos dispêndios relativos à aquisição de bens e serviços utilizados no tratamento de resíduos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Conselheira Lenisa Prado, redatora designada. É certo que até a presente data os limites do conceito "insumo" sob o prisma das Contribuições PIS e COFINS é tema controverso, seja no âmbito do Poder Judiciário ou deste CARF. O Superior Tribunal de Justiça reconhece que a inafastável interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico não admite a conceituação de "insumos" como aquela extremamente restritiva adotada pela legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados; e também não possibilita expandila de modo a comportar a equivalência aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" adotados nas normas que regem o Imposto de Renda. É equivocado equivaler o termo "insumo" inserido nas normas de PIS/COFINS àquele conceituado pelas regras do IPI por mais que se tratem de regimes não cumulativos uma vez que estamos diante de tributos distintos, com bases de apuração muito diferentes. Enquanto as Contribuições são apuradas com base na receita das pessoas jurídicas, a cobrança do IPI está vinculada ao preço do produto. Essa conclusão é também partilhada pela Cons. Fabíola Keramidas7, que muito bem ressalta que: "Tal diferença torna evidente a distinção entre regimes não cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o 7 A Conselheira redigiu o voto vencedor no Acórdão n. 3302002.683, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara dessa 3ª Seção, no julgamento do Recurso Voluntário interposto pela Usina Trapiche S.A. na sessão de 19/08/2014 Fl. 11637DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 41 40 efeito não cumulativo é necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesma riqueza. No caso da não cumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo é facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinculada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase em que ele se encontre), estarseá diante da cumulação de carga tributária. O reflexo no aumento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica à não cumulatividade trazida ao PIS/COFINS. Diferentemente da hipótese dos impostos, a cumulação a que se pretende evitar no caso das contribuições, referese à receita da pessoa jurídica. É em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária (...) O critério 'receita', ao contrário do critério 'produto', não possui um ciclo econômico a ser considerado, posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa. Inexiste imposto de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e esta particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação, a respeito da geração dos créditos que visam evitar a cumulatividade, para ambos os regimes". O raciocínio acima transcrito não deixa dúvidas sobre a dessemelhança entre os sistemas não cumulativos dos impostos e das contribuições. Enquanto nos impostos o que se pretende é a compensação do imposto sobre imposto (o que torna fundamental a apuração dos valores despendidos para pagamento dos impostos), a não cumulatividade das contribuições requer a apuração do quantum consumido pelo contribuinte a título de insumos, em todo o processo de produção. A lógica perfilhada pelo Ministro Mauro Campbell8 em muito se assemelha a que defendo, além de conter equilíbrio e razoabilidade, qualidades essas as quais me curvo, motivo pelo qual adoto a seguinte definição para o termo insumos: "São insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002 e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante". Deste modo, peço vênia ao ilustríssimo relator para apresentar os fundamentos que me levam a divergir de seu entendimento. 1. Sobre os créditos relacionados aos gastos com calços para alinhamento de altura de equipamentos rotativos. 8 Recurso Especial n. 1.246.317/MG, julgado em 19/05/2015 pela 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça. Fl. 11638DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 42 41 O nobre relator nega a pretensão da contribuinte em reverter as glosas sobre os créditos relativos aos calços para alinhamento de altura de equipamentos rotativos porque entende que não guardam a necessária relação de pertinência com o processo produtivo, considerado na sua indivisível unicidade, ainda que sejam contabilizados como custo de produção. No entanto, ao meu ver, tais custos são indispensáveis diante da própria natureza do serviço aplicado na fabricação da celulose. Esclarece a contribuinte em seu recurso voluntário que: "Os calços para alinhamento da altura de equipamentos rotativos também são empregados na unidade fabril e listados exemplificativamente como insumos à fl. 164 do Laudo Técnico da ESALQ. Sem os mesmos seria impossível utilizar os equipamentos de corte, uma vez que somente os calços conferem firmeza e estabilidade aos equipamentos rotativos" (fl. 11253 grifos nossos). Vale esclarecer que os eucaliptos produzidos pela contribuinte, que são a fonte primária da fabricação da celulose, são árvores extremamente altas e para o seu corte é necessária a utilização de equipamentos especiais. Os calços são, ao que tudo indica, equipamentos que permitem a utilização dos equipamentos de corte. Considerando que os equipamentos de corte são essenciais à produção da celulose, na etapa agroindustrial, o mesmo reconhecimento deve ser conferido aos calços. 2. Sobre os créditos decorrentes da aquisição de Equipamentos de Proteção Individual (EPI). Sobre os créditos sobre os dispêndios para aquisição de EPI assim se pronunciou a recorrente: "Os equipamentos de proteção individual (aqui incluídas as botinas, macacões e óculos de proteção bandido) são absolutamente indispensáveis à atividade da Recorrente, que fornece a indumentária sem a qual a execução das atividades da capina e aplicação de herbicidas (por exemplo) jamais poderiam ser executadas (...) Restando firmado que o laudo atesta a indispensabilidade dos equipamentos de proteção individual, os quais são de uso obrigatório para evitar acidentes tanto na fase agrícola (corte da madeira, aplicação de agrotóxico, etc) quanto na fase fabril (laminação de celulose, preparo químico da pasta de celulose, etc)". (fl. 11257 grifos nossos). A utilização de E.P.I. é essencial para a segurança dos colaboradores da empresa, decorre de imposição prevista na legislação trabalhista, incluindo acordos e convenções firmados pelo sindicato das categorias profissionais dos empregados da empresa. Dessa forma, diante da essencialidade do equipamento, reconheço direito ao crédito. Fl. 11639DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 43 42 3. Sobre os créditos referentes aos custos dos serviços utilizados em análises químicas em laboratórios. Sobre a glosa em referência, o recorrente esclarece que: "O processo produtivo da celulose se inicia com a análise laboratorial que propiciará a seleção dos clones de eucaliptos que atendam à gramatura adequada à futura extração da celulose. Ou seja, o processo de produção tem início antes mesmo da fase do plantio, ocorrendo a seleção dos clones que possuam características específicas para a obtenção de um celulose capaz de atender ao pedido de seus clientes (...) Ora, a obtenção das mais variadas especificações de celulose está intrinsecamente relacionada à fase laboratorial, posto que a empresa realiza diversos testes para selecionar o clone que contém características específicas para propiciar a obtenção de uma celulose cujas fibras atendam as exigências de um determinado cliente" (fl. 11.249 grifos nossos). Percebese que a fase laboratorial é essencial ao processo produtivo da celulose, e também bastante técnica. O nobre relator reconhece direito ao crédito sobre os insumos utilizados em análises químicas em laboratório e armazenagem de insumos, mas não sobre os serviços. No entanto, ao meu ver, somente funcionários habilitados e qualificados podem utilizar de forma correta os insumos utilizados nos laboratórios, já que a fase laboratorial exige conhecimentos técnico e científicos específicos. Não seria lógico conceder os créditos aos insumos laboratoriais e não aos serviços necessários para a sua correta utilização, sob pena de esvaziar a indispensabilidade dos insumos. Deste modo, reconheço o crédito reclamado. 4. Sobre os créditos decorrentes da aquisição de Equipamentos de Proteção Individual no item "Alimentos, Fardamentos e Equipamentos de Proteção Individual". Por ser essencialmente a mesma questão, reconheço o direito ao crédito pelos fundamentos já registrados no item 2 desse voto. 5. Sobre os créditos relacionados a combustíveis utilizados como insumos. Sobre a glosa referente aos créditos relacionados a combustíveis, a contribuinte esclarece que: "Todo combustível glosado é fornecido pela Fibria, e sua utilização e aquisição foi atestada pelos laudos técnicos reconhecidos pela própria fiscalização, não havendo nos autos qualquer dúvida acerca da aplicação e aquisição de tais materiais elencados na planilha de glosa, tais como Gás GLP Industrial, Óleo Fl. 11640DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/201317 Acórdão n.º 3302003.155 S3C3T2 Fl. 44 43 lubrificante Tribotec, e óleo diesel, os quais foram adquiridos em sua grande maioria da fornecedora Petrobrás Distribuidora S/A, conforme atesta a própria planilha de glosa. O laudo técnico formulado pela USPESALQ também atesta que a Fibria fornece todo o combustível utilizado no transporte, senão vejamos: 'São cinco transportadoras contratadas pela Fibria para o transporte de madeira para todas as situações: campo fábrica; campo terminal marítimo; campo terminal rodoviário. A Fibria fornece combustível para a frota de caminhões de transportadoras". Concordo com o relator quando afirma que o direito a crédito sobre os combustíveis utilizados como insumos deve ser reconhecido, já que são necessários para a realização do processo produtivo, uma vez que todo o deslocamento de material utilizado no processo produtivo entre as áreas de plantio, cultivo, extração e o beneficiamento do produto, seja qual for sua natureza, é feito por meio de veículos, os quais utilizam diretamente os combustíveis anteriormente (trecho extraído do voto do relator). A distância entre o campo e a unidade fabril a que se refere o nobre relator é informada pela recorrente da seguinte maneira: "Ora, conforme demonstrado alhures, tendo em vista que a maior parte das atividades da empresa são executadas no campo, tornase imprescindível a locação de veículos para que os supervisores adentrem as áreas rurais para executar seus serviços. Da mesma forma, tendo em vista a necessidade de pernoitar em áreas afastadas para dar consecução aos trabalhos da empresa, tais dispêndios mostram se também indispensáveis para o desempenho das atividades na empresa" (fl. 11294 grifos nossos). Considerando (i) que os combustíveis são adquiridos pela contribuinte e; (ii) que a extração e o beneficiamento do produto são realizados em locais distintos e distantes, é evidente que o transporte dos funcionários entre esses estabelecimentos é custo indispensável para o processo produtivo, já que não há informações sobre a mecanização da produção de tal maneira que torne facultativa a atuação dos funcionários. Diante desse raciocínio, reconheço o direito ao crédito também sobre os combustíveis para transporte de funcionários. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado Fl. 11641DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO
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Numero do processo: 13674.000107/99-90
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/1987 a 30/04/1990 Embargos de Declaração. Preclusão Temporal e Consumativa. Impossibilidade de conhecimento. Por terem caráter recursal, os embargos de declaração, também, estão sujeitos aos requisitos ou pressupostos de admissibilidade dos recursos em geral, dentre os quais se destaca o da tempestividade (preclusão temporal) e o da unirrecorribilidade (preclusão consumativa). Exaurido o prazo regimental sem a interposição dos aclaratórios, dá-se a preclusão temporal, e, constatado que a embargante já exercera a faculdade processual de interpor declaratórios sobre acórdãos proferidos nos autos deste processo, verifica-se que exauriu sua competência para esse mister, precluindo do direito de apresentar novos declaratórios, por ter-se operado a preclusão consumativa. Embargos não conhecidos.
Numero da decisão: 9303-001.827
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer dos embargos de declaração. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Relator) e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que os conheciam para excluir a parte relativa ao deferimento, ultra petita, dos juros de mora antes de 1º de janeiro de 1996. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: Júlio César Alves Ramos
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Preclusão Temporal e Consumativa. Impossibilidade de conhecimento. Por terem caráter recursal, os embargos de declaração, também, estão sujeitos aos requisitos ou pressupostos de admissibilidade dos recursos em geral, dentre os quais se destaca o da tempestividade (preclusão temporal) e o da unirrecorribilidade (preclusão consumativa). Exaurido o prazo regimental sem a interposição dos aclaratórios, dáse a preclusão temporal, e, constatado que a embargante já exercera a faculdade processual de interpor declaratórios sobre acórdãos proferidos nos autos deste processo, verificase que exauriu sua competência para esse mister, precluindo do direito de apresentar novos declaratórios, por terse operado a preclusão consumativa. Embargos não conhecidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer dos embargos de declaração. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Relator) e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que os conheciam para excluir a parte relativa ao deferimento, ultra petita, dos juros de mora antes de 1º de janeiro de 1996. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Júlio César Alves Ramos Relator Henrique Pinheiro Torres Redator Designado Fl. 1DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffman e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Retorna ao exame do Colegiado, com novos embargos interpostos pela unidade executora, processo que já os teve em profusão. Nestes, que se espera sejam os derradeiros, questiona a DRFB Divinópolis dois pontos do julgado que estariam, em seu entender, impedindo sua execução: 1. se cabem juros de mora em período anterior a 31 de dezembro de 1995, como constou da decisão, embora nunca tenha constado do pedido do contribuinte em seus recursos; 2. caso caibam, qual seria o termo inicial para sua incidência, dado que a decisão sobre isso é omissa. Recordando sucintamente o périplo do processo, interposto no já longínquo ano de 1999, cuida ele de pedido de restituição de direito creditório objeto de decisão judicial proferida em setembro de 1993 e transitada em julgado em 13 de maio de 1999. Tal decisão reconheceu direito creditório no valor de 7.484.907,03 UFIR e determinou a adição, a partir do trânsito em julgado, de juros, consoante art. 167 do CTN. No recurso voluntário, o contribuinte postulou (fls. 3.955/3.956) a inclusão dos índices inflacionários afastados pelos diversos planos econômicos anteriores ao real (“expurgos”) e a adição da taxa selic a partir de 1º de janeiro de 1996, que haviam sido ambos negados pela DRJ Juiz de Fora. Vale dizer que no recurso voluntário original o pleito quanto à Selic a restringia ao período de 1º de janeiro de 1996 a 13 de maio de 1999; a partir de então, incidiriam os juros de 1% deferidos na sentença. Esse pedido foi “aditado” ainda dentro do trintídio, deixandose de falar aí, expressamente, em fim da Selic em maio de 1999. Examinado pela Terceira Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes, ali foi, ao final, indeferido o pedido quanto aos expurgos e acolhido quanto à Selic. Ainda que fosse esse o total do pedido formulado, constou ainda do dispositivo do acórdão tomado por unanimidade (fls. 4.020): Ex positis, acolho os embargos, para conhecer recurso do (sic) voluntário interposto, dando a este provimento em parte, não conhecendo dos expurgos, apenas para reconhecer que o valor a restituir ao contribuinte, determinado em decisão judicial transitada em julgado, seja convertido em Ufir e acrescido de juros de 1% ao mês até 01/01/96 e, após, acrescido dos juros moratórios pela Taxa Selic, com fundamento no art. 39, § 4º da Lei 9.250/95. Como se observa, tal decisão foi proferida em embargos, interpostos pelo contribuinte, que questionavam a premissa do julgamento original – reconhecimento de inconstitucionalidade – que, por isso, não conhecera de seu recurso voluntário. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13674.000107/9990 Acórdão n.º 930301.827 CSRFT3 Fl. 4.839 3 Importa ainda frisar que a decisão não fez expressa referência ao acolhimento do “aditivo” ao recurso especial. Devese entender que sim na medida em que examinou a Selic de 1º de janeiro de 1996 para frente sem interrupção. Embora o processo tenha passado por uma seqüência de recursos – especiais de ambas as partes, extraordinário do Procurador e embargos também de ambas as partes e da mesma unidade preparadora agora novamente embargante – em todos esses recursos discutiu se tãosomente a possibilidade de inclusão dos expurgos, ao final também deferida. Em nenhum momento posterior voltou a ser discutida a incidência de juros, seja a Selic, sejam os agora questionados juros de 1% antes de 31 de dezembro de 1995. Vale enfatizar que a Procuradoria da Fazenda Nacional buscou rediscutir a inclusão da Selic por meio de recurso especial, que não foi, porém, admitido. Nunca propôs a representação fazendária qualquer tipo de recurso, nem mesmo embargos, a respeito do aspecto claramente ultra petita da decisão da Terceira Câmara. De sorte que a última decisão nele proferida ratificou, quanto aos juros, aquilo que havia sido deferido já na primeira decisão válida da Terceira Câmara do Terceiro Conselho, incluindo, portanto, os juros não requeridos. A petição formalizada pela unidade administrativa foi a mim encaminhada pelo Sr. Presidente do CARF, para exame, em razão do afastamento da anterior relatora, Conselheira Judith Marcondes. É o Relatório, tão sucinto quanto possível. Voto Vencido Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Relator Propus o conhecimento, como embargos de declaração, da petição formalizada por reconhecer que ela foi interposta no prazo regimental de embargos e apontava, ao menos, flagrante omissão do julgado quanto à data de início da contagem dos juros ao percentual de 1%. E afirmo, “ao menos”, na medida em que tal omissão diz respeito exatamente à parte ultra petita da decisão. Isso implica que, mesmo que se entenda que, quanto ao mérito, a decisão proferida ainda pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes esteja acobertada pela coisa julgada, ainda assim, caberia o pronunciamento deste Colegiado para suprir a omissão existente de modo a tornar possível sua perfeita execução. Vale dizer que a empresa apresentara planilha de cálculo àquela unidade, posterior ao julgado ora embargado (fls. 4.455), em que os computa a partir de 02/01/1992, o que perfaz um percentual total de 48% e, segundo a unidade preparadora, implica uma adição de 9.422.267,43 Ufir ao quanto deferido na Justiça e já acrescido dos expurgos. Examino, por isso, inicialmente, se a parte da decisão que os concedeu, em excesso quanto ao pedido, de fato tornouse definitiva. Caso não, se os embargos seriam o instrumento próprio para o seu questionamento. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 O primeiro ponto, a nãodefinitividade da decisão naquilo em que se configura ultra petita parece razoavelmente consensual. Assim ensinam Nery Jr e Nery (1): Correlação entre pedido, causa de pedir e sentença. O autor fixa os limites da lide e da causa de pedir na petição inicial (art. 128), cabendo ao juiz decidir de acordo com esse limite. É vedado ao magistrado proferir sentença acima (ultra), fora (extra) ou abaixo (citra ou infra) do pedido. Caso o faça, asentença estará eivada de vício, corrigível por meio de recurso. E continuam os celebrados processualistas: Sentença sobre o que não foi pedido pelo autor é não somente viciada, mas também ineficaz, vale dizer, não é acobertada pela coisa julgada material. Como essa sentença é viciada, poderá ser interposto recurso para a impugnação de sentença dada fora, acima ou abaixo do pedido. Havendo vício no descumprimento do princípio da correlação, (...) nessa parte a sentença não terá autoridade de coisa julgada, sendo, pois, desnecessário o ajuizamento de ação rescisória para atacála. Para concluir, enfaticamente: ... a parte que foi decidida sem pedido (extra e ultra petita) não fez coisa julgada material, de modo que não tem eficácia no processo em que foi proferida ou em outro processo. No mesmo sentido, Alexandre Câmara (2): “a sentença faz coisa julgada nos limites do objeto do processo, o que significa dizer, nos limites do pedido;o que não tiver sido objeto do pedido, por não integrar o objeto do processo, não será alcançado pelo manto da coisa julgada; apenas aquilo que foi deduzido no processo e, por conseguinte, objeto de cognição judicial, é alcançado pela autoridade de coisa julgada”. Também Moacyr Amaral Santos (3): A sentença deve ser precisa, isto é, certa, limitada. ... Para ser precisa, deve a sentença conterse nos limites do pedido. ... Afastandose dessas normas, decidindo ultra ou extra petita, _________________ (1) NERY JR, Nelson e NERY, Rosa M. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL ANOTADO E LEGISLAÇÃO EXTRAVAGANTE, 11ª edição, editora RT, 1996, pág. 697) (2) CÂMARA. Alexandre Freitas. LIÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL. Vol. 1. p. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13674.000107/9990 Acórdão n.º 930301.827 CSRFT3 Fl. 4.840 5 (3) SANTOS. Moacyr Amaral. PRIMEIRAS LINHAS DE DIREITO PROCESSUAL. Ed. Saraiva. 17ª ed. Revista e atualizada. 1998. 3º vol. pp. 23 e 24. estará a sentença contaminada de vício, que afeta a sua eficácia. Não poderá a sentença ir além do pedido (ultra petita), salvo no que nele virtualmente se contém, tais os frutos e acessões ao principal: é defeso ao Juiz decidir a lide em quantidade superior à que lhe foi demandada. E arremata: Em ambos os casos, quer no de sentença ultra petita, quer no de sentença extra petita, será ela ineficaz e nula, ocorrendo que, no primeiro caso, a nulidade poderá deixar de ser declarada quando a sentença possa ser reduzida no juízo superior “sempre que a coisa ou o valor sobre que recair a redução estiver expressamente mencionado na sentença (Gabriel de Rezende Filho) (4). Mais adiante ainda na mesma obra, pontifica o i. professor: A sentença decide de uma lide. Por isso mesmo deverá aterse aos limites da lide, tal qual se projetou no processo. Faz a sentença coisa julgada e tem força de lei dentro desses limites. (5) Portanto, lícito admitir, à luz da boa doutrina, que a decisão que conceda parcela não requerida pelo autor apenas faz coisa julgada nos limites desse pedido, podendo ser questionada sua parte ultra petita. O reconhecimento dessa possibilidade, no entanto, não significa que sejam os embargos o instrumento processual adequado. No ponto, ensinam ainda Nery Jr e Nery (op. cit, p. 697) ainda comentando o art. 460 do CPC: A sentença citra ou infra petita pode ser corrigida por meio de embargos de declaração, cabendo ao juiz suprir a omissão; a sentença ultra ou extra petita não pode ser corrigida por embargos de declaração, mas só por apelação. Cumpre ao Tribunal, ao julgar o recurso, reduzila aos limites do pedido.’ (grifo nosso) Já aí, porém, os eminentes doutrinadores, fazem a ressalva: Os Embargos de Declaração são idôneos para corrigir a decisão que decidiu infra petita, porque esta hipótese está prevista expressamente na lei: omissão. Não se prestam, em regra, para ______________________ (4) SANTOS. Op. Cit, p. 24 (5) SANTOS. Op. cit p. 60 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 a correção da decisão que decidiu extra ou ultra petita, salvo se para dissipar obscuridade ou contradição. (negritei) No mesmo diapasão, registra a Procuradora do Estado de São Paulo Monica Tonetto Fernandez, em alentado trabalho sobre o tema justamente intitulado “Dos embargos de declaração”, disponível na Internet (www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/revistaspge/revista5/5rev11.htm): Entendese que a sentença ultra e a extra petita só podem ser corrigidas por meio de apelação, cabendo ao Tribunal reduzilas aos limites do pedido. Mas complementa: Os embargos de declaração só caberiam nesse caso, se a sentença proferida acima ou fora do pedido contivesse ainda os vícios de admissibilidade do referido recurso. A decisão ultra ou extra petita pura e simples, sem omissão, contradição ou obscuridade, não pode ser corrigida por meio de embargos declaratórios. Nessa linha, não podem ser admitidos os embargos que apenas apontem o caráter ultra petita da decisão, mas não indiquem a ocorrência de omissão, contradição ou obscuridade que os subsuma ao figurino legal. Quando, porém, os embargos se referem a uma decisão ultra petita mas apontam um dos vícios que os fazem admissíveis, devem eles ser examinados e em conseqüência desse exame, necessariamente, o julgador deve corrigir a decisão, dela extirpando a parcela indevidamente concedida. Assim, aliás, já se pronunciou o e. STJ: Os embargos de declaração opostos contra decisão ultra petita, quando acolhidos, terão, necessariamente, efeitos modificativos para reduzir a decisão aos limites do pedido(RSTJ 50/556). Aplicando tais ensinamentos ao caso presente, é de se reconhecer que, não houvesse nem a omissão nem a contradição apontadas, a aceitação dessa tese imporia o não conhecimento dos presentes embargos. Há, porém, a meu ver, tanto omissão como contradição entre os fundamentos e a conclusão do voto. Isso porque, ademais da omissão de não especificar quando começariam a fluir os juros, toda a fundamentação do voto proferido ainda na Terceira Câmara do Terceiro Conselho é convergente ao deferimento somente da Selic a partir de 1º de janeiro de 1996, ou seja, a substituição dos juros determinados na sentença pela Selic. Assim, sua cumulação a juros de 1%, que só constou do seu dispositivo, diga se, a meu sentir, configura nítida contradição com pelo menos duas passagens da fundamentação do voto: “Quanto aos juros moratórios resta claro que os mesmos devem conformarse ao determinado pelo § 4º do artigo 39 da Lei 9.250/95...” (fl. 4.017)”. E mais adiante (fl. 4.018): Fl. 6DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13674.000107/9990 Acórdão n.º 930301.827 CSRFT3 Fl. 4.841 7 “Por fim, operacionalmente, não há, no âmbito da restituição administrativa, outro percentual de juros que possa ser aplicável (sic) aos créditos passíveis de restituição ou compensação”. Não há, em nenhum outro ponto do voto, fundamentação para que sejam conferidos, também, os juros de 1%. Vale acrescer que tal deferimento se mostra, também, contrário à sentença proferida na ação judicial que veio a transitar em julgado e, ainda, desprovido de suporte legal. De fato, na sentença proferida em 1993 e transitada em julgado em 1999 apenas foi deferida a incidência de juros a partir de seu trânsito em julgado, fato expressamente reconhecido no recurso voluntário. E a razão para tal limitação era exatamente a inexistência de lei que amparasse tal incidência antes do trânsito em julgado, pois, como se sabe, em 1993 apenas havia a norma do CTN (artigo 167), que somente a partir do trânsito os previa. Tal norma legal somente veio a ser derrogada, em meu sentir, pela Lei nº 9.250/95, que, ao expressamente autorizar a incidência de juros a partir de 1º de janeiro de 1996, ainda que não houvesse o trânsito em julgado, não convive com a antiga norma do CTN. De todo modo, ainda que não se partilhe tal entendimento, a conclusão nunca poderia ser pela incidência de juros antes de 1996. Pelo contrário, entendendose que as duas normas convivam pacificamente, seria de se deferir os juros à selic entre janeiro de 1996 e abril de 1999; a partir dessa data, prevaleceria a sentença, voltando os juros ao percentual de 1%. Tais constatações me levam a concluir que a frase constante do dispositivo (“...e acrescido de juros de 1% ao mês até 01/01/96”) se deveu a equívoco do relator quanto à data de trânsito em julgado da decisão, entendida como se fora setembro de 1993, e não, maio de 1999. Configuradas, pois, contradição e omissão, impõese, por isso, o acolhimento dos embargos, ainda que se adote a tese de que, de outro modo, apenas por apelação seria possível questionar a decisão ultra petita. E o seu conhecimento leva a atribuirlhes efeitos modificativos, de modo a adequar a decisão ao objeto do pedido do contribuinte em seu recurso voluntário. Devo enfatizar, por fim, que mesmo essa restrição, reclamada por parte expressiva da doutrina, não tem sido, de ordinário, observada pelos nossos Tribunais, inclusive o e. STJ, como se infere da jurisprudência que, a título ilustrativo, colaciono a seguir: Acórdão nº 70040323370 de Tribunal de Justiça do RS, Nona Câmara Cível, 23 de Março de 2011 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. RESPONSABILIDADE CIVIL. CANCELAMENTO DE REGISTRO. INSCRIÇÃO EM ÓRGÃO DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PEDIDO INDENIZATÓRIO. EFEITO INFRINGENTE. POSSIBILIDADE. Verificado que a decisão embargada concedeu provimento jurisdicional não requerido pela parte, devem ser acolhidos os embargos de declaração, com efeito infringente, para extirpação da parte do acórdão ultra petita. EMBARGOS ACOLHIDOS, COM EFEITO INFRINGENTE. (Embargos de Declaração Nº Fl. 7DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 70040323370, Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Leonel Pires Ohlweiler, Julgado em 23/03/2011) Acórdão nº 70042182253 de Tribunal de Justiça do RS, Terceira Câmara Especial Civel, 14 de Junho de 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. ACÓRDÃO ULTRA PETITA. READEQUAÇÃO DO JULGADO. Acórdão que incorreu em decisão ultra petita acerca da retenção do imposto de renda. Embargos de declaração acolhidos para extirpar do julgado o excesso a fim de adequálo aos termos da apelação interposta pela parte exequente. EMBARGOS DECLARATÓRIOS ACOLHIDOS. (Embargos de Declaração Nº 70042182253, Terceira Câmara Especial Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Laís Ethel Corrêa Pias, Julgado em 14/06/2011) Acórdão nº 70024392821 de Tribunal de Justiça do RS, Primeira Câmara Especial Cível, 09 de Julho de 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO ULTRA PETITA. EXPUNÇÃO DO ARESTO DO EXCESSO, COM O QUE OS EMBARGOS ALCANÇAM A EFICÁCIA INFRINGENTE. Mostrandose o acórdão ultra petita, porquanto deferiu ao autor mais do que fora pedido, cumpre expungirse o que dele desborda, com a modificação do julgado, acolhendose os embargos de declaração no seu efeito infringente/modificativo. EMBARGOS ACOLHIDOS. (Embargos de Declaração Nº 70024392821, Primeira Câmara Especial Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Ana Lúcia Carvalho Pinto Vieira, Julgado em 09/07/2008) Acórdão nº 70035451582 de Tribunal de Justiça do RS, Décima Sexta Câmara Cível, 27 de Maio de 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO ULTRA PETITA. ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, COM ATRIBUIÇÃO DE EFEITOS INFRINGENTES. (Embargos de Declaração Nº 70035451582, Décima Sexta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Paulo Sérgio Scarparo, Julgado em 27/05/2010) Processo: EDAC 53365 MG 2009.01.99.0533651 Relator(a): DESEMBARGADORA FEDERAL MONICA SIFUENTES Julgamento: 22/08/2011 Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Publicação: eDJF1 p.556 de 09/09/2011 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13674.000107/9990 Acórdão n.º 930301.827 CSRFT3 Fl. 4.842 9 Ementa PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. APOSENTADORIA RURAL POR IDADE. OMISSÃO. TERMO INICIAL DO BENEFÍCIO. JULGAMENTO ULTRA PETITA. ACOLHIMENTO. 1. Nos termos do art. 535 do CPC, são cabíveis embargos de declaração quando houver no acórdão obscuridade, contradição ou quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse o juiz ou tribunal, bem assim para corrigir erro material no julgado. 2. A Lei 8.213/91, em seu artigo 49, II, dispõe que a aposentadoria será devida a partir da data do requerimento administrativo. Na sua ausência, deve ser considerada a data do ajuizamento da ação, conforme jurisprudência do STJ e precedentes desta Corte. No entanto, considerando que a parte autora requereu na inicial a concessão do benefício desde a citação, deve ser fixado o termo inicial do benefício a data da citação, em observância ao disposto no art. 460 do CPC, sob pena de julgamento ultra petita. 3. Embargos de declaração acolhidos para, atribuindo efeitos modificativos ao julgado, determinar como termo inicial do benefício a data da citação. Processo: EDAC 58039 MG 005803992.2008.4.01.9199 Relator(a): DESEMBARGADORA FEDERAL MONICA SIFUENTES Julgamento: 17/10/2011 Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Publicação: eDJF1 p.055 de 27/10/2011 Ementa PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. APOSENTADORIA RURAL POR IDADE. ERRO MATERIAL. TERMO INICIAL DO BENEFÍCIO. JULGAMENTO ULTRA PETITA. EFEITOS MODIFICATIVOS. 1. Nos termos do art. 535 do CPC, são cabíveis embargos de declaração quando houver no acórdão obscuridade, contradição ou quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse o juiz ou tribunal, bem assim para corrigir erro material no julgado. 2. Existência de erro material quanto ao termo inicial do benefício. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 3. A Lei 8.213/91, em seu artigo 49, II, dispõe que a aposentadoria será devida a partir da data do requerimento administrativo. Na sua ausência, deve ser considerada a data do ajuizamento da ação, conforme jurisprudência do STJ e precedentes desta Corte. No entanto, considerando que a parte autora requereu na inicial a concessão do benefício desde a citação, deve ser fixado o termo inicial do benefício a data da citação, em observância ao disposto no art. 460 do CPC, sob pena de julgamento ultra petita. 4. Mesmo para fins de prequestionamento, os embargos de declaração devem se ajustar a uma das hipóteses previstas no art. 535 do CPC. 5. Embargos de declaração parcialmente acolhidos. Processo: EDAMS 15068 MG 2004.38.00.0150683 Relator(a): DESEMBARGADOR FEDERAL JOSÉ AMILCAR MACHADO Julgamento: 28/11/2007 Órgão Julgador: PRIMEIRA TURMA Publicação: 10/12/2007 DJ p.30 Ementa EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO EXISTENTE PROCESSUAL CIVIL SENTENÇA ULTRA PETITA REDUÇÃO AOS LIMITES DO PEDIDO EFEITO MODIFICATIVO POSSIBILIDADE. 1. O princípio da adstrição vincula o dispositivo sentencial ao tanto quanto requerido pelo postulante. Art. 128 c/c o art. 460 do Código de Processo Civil. 2. Revelase ultra petita sentença que defere ao autor mais do que requerido, desvinculandose da res petitum. 3. Omisso o acórdão, no ponto, fica provido o recurso declaratório para reduzir o dispositivo aos limites do pedido. 4. Embargos de declaração aos quais se dá provimento, para, atribuindolhes efeito modificativo, dar parcial provimento à remessa oficial, decotandose da sentença a parte em que, extrapolando o pedido, assegura ao autor "...o direito de ver contado como tempo de contribuição qualquer período anterior ao requerimento administrativo, que não tenha sido discutido neste processo, e que seja posteriormente comprovado." EDcl nos EDcl no RECURSO ESPECIAL Nº 716.415 SP (2004/01824995) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX Fl. 10DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13674.000107/9990 Acórdão n.º 930301.827 CSRFT3 Fl. 4.843 11 EMBARGANTE : UNIÃO EMBARGADO : ALBERTE MALUF E OUTROS ADVOGADO : MÁRCIO KAYATT E OUTRO(S) EMBARGADO : CONDIPA CONSTRUCÕES E CONSULTORIA DE INTERESSES PATRIMONIAIS LTDA ADVOGADO : MARTA MITICO VALENTE E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. ACÓRDÃO ULTRA PETITA . ERROR IN PROCEDENDO . REFORMATIO IN PEJUS . JUROS COMPENSATÓRIOS. PERCENTUAL. BASE DE CÁLCULO. 1. O julgamento ultra ou extra petita viola a norma que adstringe o juiz a julgar a lide nos limites das questões suscitadas, sendolhe defeso alterálas. 2. In casu, a Fazenda Nacional, única recorrente, no que tange aos juros compensatórios, interpôs recurso especial para reduzir o percentual da incidência dos juros compensatórios que foram fixados pelo Tribunal de origem em 12% a.a., não se insurgindo quanto à base de cálculo. 3. Assim, tendo o Tribunal a quo fixado como base de cálculo para os juros compensatórios "a diferença entre o valor do depósito e o valor do bem fixado na sentença" , vedada a esta Corte limitar a base de cálculo sobre a diferença apurada entre 80% (oitenta por cento) do preço ofertado em juízo e o valor da condenação fixado na sentença, porquanto importa em reformatio in pejus. 4. Deveras, isso equivale alterar ex officio a causa petendi , em afronta ao princípio da congruência consubstanciado na máxima ne proceat iudex extra vel extra petita partium. 5. Embargos de declaração acolhidos, para cassar a parte do aresto que exacerbou os limites do pedido da recorrente Ou seja, mesmo nesses casos em que os embargos foram ofertados sob o único fundamento de que a decisão foi ultra petita e sem apontar a ocorrência de omissão, contradição ou obscuridade, foram eles admitidos e acolhidos para, atribuindolhes efeitos modificativos, extirpar da decisão a parte que excedeu o quanto pedido. Em conclusão, é o meu voto para acolher os embargos de declaração interpostos para decotar da decisão a parte em que, extrapolando o pedido, deferiu juros de mora antes de 1º de janeiro de 1996, mantendoa no que tange aos expurgos e à Selic, calculada esta a partir de 1º de janeiro de 1996, o que a amolda à boa doutrina e à jurisprudência, nos termos dos arts. 128, 460 e 468 do CPC. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 É como voto. Júlio César Alves Ramos Relator Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, RedatorDesignado A teor do relatado, tratase, mais uma vez, embargos de declaração interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis – MG. Nestes, espera se sejam os últimos, a unidade preparadora aponta contradição e omissão no acórdão 301 30.458, bem como julgamento extra petita por parte do Colegiado prolator da decisão veiculada nesse acórdão. Para fundamentar a contradição apontada, o órgão fazendário, coteja a parte dispositiva do Acórdão 30130.458, da lavra da Terceira Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, com a parte dispositiva da sentença judicial que deu origem à compensação administrativa, vazadas, respectivamente, nos termos seguintes: Ex positis, acolho os embargos, para conhecer recurso do (sic) voluntário interposto, dando a este provimento em parte, não conhecendo dos expurgos, apenas para reconhecer que o valor a restituir ao contribuinte, determinado em decisão judicial transitada em julgado, seja convertido em Ufir e acrescido de juros de 1% ao mês até 01/01/96 e, após, acrescido dos juros moratórios pela Taxa Selic, com fundamento no art. 39, § 4º da Lei 9.250/95. Ex positis, julgo procedente a ação para condenar a União Federal a restituir à autora o valor correspondente a 7.484.907,03 UFIRs, acrescido de juros moratórios a contar do trânsito em julgado da sentença (C.T.N. art. 167 parágrafo único) obedecida a prescrição quinquenal dia a dia. Custas em devolução à autora, inclusive pagamento antecipado da sentença, com correção monetária, conforme se apurar em liquidação. (...) A embargante transcreve, ainda, dois excertos da fundamentação do voto condutor: (...) quanto aos juros moratórios resta claro que os mesmos devem conformarse ao determinado pelo § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95. Por fim, operacionalmente, não há, no âmbito da restituição administrativa, outro percentual de juros que possa ser aplicável aos créditos passíveis de restituição”. Conclui que se não existe no âmbito da restituição administrativa outro percentual de juros a não ser a Taxa Selic, e tampouco existe decisão judicial que autorize a aplicação do percentual de 1% antes do trânsito em julgado, resta caracterizada a contradição entre a fundamentação do acórdão e sua parte dispositiva. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13674.000107/9990 Acórdão n.º 930301.827 CSRFT3 Fl. 4.844 13 No tocante à omissão, a embargante alega que: há omissão relevante no sentido de que o acórdão 30130.458 determina a aplicação de juros de 1% até 01..01.96 sem, contudo, dizer qual é o termo inicial da incidência. Em relação ao alegado julgamento extra petita, a autoridade preparadora assevera que a aplicação de juros de mora no percentual de 1% antes do trânsito em julgado nunca foi objeto do pedido administrativo por parte da interessada. Por fim, pede que sejam acolhidos os embargos e suprimida a omissão, e que o Colegiado manifestese, expressamente sobre os seguintes pontos. 1. Considerando que a decisão judicial determinou a aplicação de juros de 1% a partir do trânsito em julgado da sentença, ocorrido em 13/05/99, e ainda, que consta do pedido administrativo a aplicação desse percentual antes daquela data, é aplicável tal taxa até 01.01.96? 2. Se positiva a resposta acima, qual o termo inicial para aplicação desse percentual? Caso entenda o Colegiado não ser a hipótese de embargos declaratórios, que tal pedido seja então acolhido como embargos inominados, com fundamento no art. 66 do RICARF. O nobre relator conheceu dos embargos e os acolheu para decotar da decisão a parte em que, extrapolando o pedido, deferiu juros de mora antes de 1º de janeiro de 1996, mantendoa no que tange aos expurgos e à Selic, calculada esta a partir de 1º de janeiro de 1996, o que a amolda à boa doutrina e à jurisprudência, nos termos dos arts. 128, 460 e 468 do CPC. Após esse breve histórico, passo de imediato ao voto vencedor, para o qual fui designado. Inicialmente, merece elogio a coerência e competência com que o nobre relator defendeu a posição no sentido de conhecer e acolher os declaratórios. Dele divergi, não por discordar que estes autos estão recheados de falhas e de equívocos de toda natureza, mas por entender que a norma processual não pode ser descumprida , ainda que por motivo nobre como o de corrigir os clamorosos erros cometidos ao longo do curso destes indigitados autos. Assim, com as devidas escusas ao relator, passo a expor os motivos que me levam a não conhecer dos embargos de declaração em análise. Apesar de haver certa divergência acerca da natureza jurídica dos embargos de declaração, a doutrina majoritária os considera como verdadeiros recursos, uma vez que apresentam meios voluntários de aclaramento ou complemento de decisões na mesma relação jurídica processual. Os declaratórios não têm por escopo a rediscussão do mérito da causa, devendo versar, essencialmente, sobre a integração ou retificação do julgado, salvo, excepcionalmente, situações em que possam ensejar efeito infringente. Na realidade, os embargos oferecem oportunidade de nova manifestação do órgão prolator da decisão impugnada depois de encerrado o ofício “jurisdicional” que lhe competia. A decisão deve ser esclarecida nos seguintes casos: a) quando obscura, ou seja, quando houver dificuldade de se Fl. 13DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 entender o pensamento do julgador; b) omissa, isto é, quando o julgador silenciou sobre o que deveria se pronunciar; c) contraditória, as suas proposições se repelem, não se harmonizando a conclusão com os motivos decisórios. Sobre embargos de declaração, Humberto Theodoro Júnior1, leciona que: Se o caso é de omissão, o julgamento dos embargos suprilaá, decidindo a questão que, por lapso, escapou à decisão embargada. No caso de obscuridade ou contradição, o decisório será expungido, eliminandose o defeito nele detectado. Em qualquer caso, a substância do julgado será mantida, visto que os embargos de declaração não visam à reforma do acórdão, ou da sentença. No entanto, será inevitável alguma alteração no conteúdo do julgado, principalmente quando se tiver de eliminar omissão ou contradição. O que, todavia, se impõe ao julgamento dos embargos de declaração é que não se proceda a um novo julgamento da causa, pois a tanto não se destina esse remédio recursal. As eventuais novidades introduzidas no decisório primitivo não podem ir além do estritamente necessário à eliminação da obscuridade ou contradição, ou ao suprimento da omissão. (grifei). Por terem caráter recursal, também se sujeitam aos requisitos ou pressupostos de admissibilidade dos recursos em geral, dentre os quais se destaca o da tempestividade, posto que o art. 536 do Código de Processo Civil, para os processos judiciais, e o § 1º do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, estabelecem que os declaratórios devem ser interpostos no prazo de 5 dias. De outro lado, por tratarse de espécie de recurso, os embargos de declaração também estão sujeitos ao instituto da preclusão, tanto à temporal quando à consumativa ou ainda à lógica. Aqui residem os motivos para o não conhecimento dos embargos apresentados pela autoridade preparadora, senão vejamos: Preclusão, que vem do latim praeclusio, onis, significa, para as partes, a perda da faculdade de praticar algum ato processual (por exemplo: ato de recorrer; escoado o prazo legal, sem a interposição do recurso cabível, dáse preclusão, isto é, perda da faculdade de recorrer). A preclusão pode ser: temporal, consumativa, lógica2 e pro judicato3. Preclusão temporal: prevista expressamente no art. 183 do CPC, ocorre quando a perda da faculdade de praticar ato processual se dá em virtude de haver decorrido o prazo, sem que o legitimado tivesse praticado o ato, ou o tenha praticado a destempo ou de forma incompleta ou irregular. 1 THEODORO JÚNIOR, Humberto, Curso de direito processual civil, teoria geral do direito processual civil e processo de conhecimento, volume 1, 41ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2004, p. 560/561. 2 Preclusão lógica: é a que extingue a possibilidade de praticarse ato processual, pela prática de outro ato com ele incompatível. Por exemplo, quem cumpriu a sentença depositando o valor da quantia a que fora condenado, não pode interpor recurso para impugnála, ainda que não se tenha esgotado o prazo recursal (art. 503/CPC). 3 Preclusão pro judicato: revelase pela regra contida no art. 473 do CPC e 836 da CLT, segundo a qual, o juiz não pode decidir de novo questões já decididas no processo, a cujo respeito se operou a preclusão. Contrario sensu do CPC 473, como as questões de ordem pública não são atingidas pela preclusão, o juiz pode decidilas novamente, enquanto não proferida a sentença. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13674.000107/9990 Acórdão n.º 930301.827 CSRFT3 Fl. 4.845 15 Dizse consumativa a preclusão quando a perda da faculdade de praticar o ato processual decorre do fato de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, e este haver sido praticado, não podendo tornar a sêlo praticado, ainda que o prazo não tenha sido exaurido. Exemplo: A parte dispunha de 15 dias para interpor determinado recurso, no décimo dia do prazo interpõe o recurso, e, portanto, exerce a faculdade processual, com isso, não pode mais recorrer ou aditar o recurso já apresentado, mesmo que ainda não se tenha esgotado o prazo recursal de 15 dias de que dispunha para tal desiderato. As preclusões existem para assegurar o curso normal do processo evitandose idas e vindas infindáveis que terminariam por inviabilizar a prestação jurisdicional. Não se pode olvidar que O PROCESSO é o meio pelo qual se exerce a jurisdição, e, como tal, em sua origem latina procedere significa caminhar para frente, ir adiante. Em razão disso, é que os institutos processuais como a preclusão têm por escopo coibir que se pratiquem atos após o prazo legal previsto na lei processual, ou que se repitam atos já praticados ou ainda que se ressuscitem questões já ultrapassadas em fases anteriores, como no caso dos embargos ora sob análise. No caso em exame constatase que o presente recurso não preenche os pressupostos recursais de admissibilidade para o seu conhecimento, motivo pelo qual deve ser negado o seu prosseguimento pelas razões a seguir aduzidas: De fato, examinando os declaratórios apresentados pela autoridade preparadora, em 27 de maio de 2011, verificase que os vícios ali apontados, como dito expressamente pela embargante, na parte final4 do 1º parágrafo de sua peça recursal, referemse ao Acórdão 30130.458, cujo julgamento ocorrera na sessão do dia 3 de dezembro de 2002. Este fato, de per si, afasta a possibilidade de se conhecer destes embargos, posto que, no caso ocorreram duas preclusões: a temporal visto que o prazo regimental para interposição da espécie de recurso é de 5 dias, contados da ciência do acórdão embargado, os declaratórios só foram interposto em 2011; e a consumativa, porquanto a autoridade preparadora já exercera a faculdade processual de interpor embargos de declaração (fl. 4529 a 4.531) contra acórdãos proferidos nos autos deste processo. Aliás, esse embargo também fora interposto a destempo, visto não haver respeitado o prazo regimental de 5 dias. No tocante à preclusão temporal, o dilatado prazo ocorrido entre o julgamento e a apresentação dos embargos fala por si só, vez que o acórdão embargado foi prolatado em 03 de dezembro de 2002, e autoridade preparadora embargante dele teve ciência, quando mais tardar, em 05 de abril de 2007, ocasião em que se manifestou nestes autos, documento de fl. 4.523. Assim, nessa data, começou a fluir o prazo regimental de cinco dias para apresentação dos declaratórios, ora sob exame, mas como só foram interpostos em 27 de maio de 2011, não resta qualquer resquício de dúvida sobre sua intempestividade. Consequentemente, operouse a preclusão temporal, mais precisamente, no dia 10 de abril de 2007, data em que se exauriu o prazo regimental para apresentação dos embargos, a partir dessa data, a autoridade preparadora precluiu do direito de embargar o mencionado acórdão. De outro lado, não se alegue que os embargos ora em exame são tempestivos já que foram apresentados no prazo de 5 dias contados da ciência do acórdão nº 930301.319, pois o prazo se conta da data da ciência do acórdão a ser embargado, o que não é o caso sob exame, posto que esses declaratórios são interpostos contra o acórdão 30130.458, conforme 4 (...) na qualidade de autoridade executora apresento, tempestivamente, os presentes EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ao referido Acórdão 30130.458 pelos fatos e fundamentos a seguir expostos. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 16 expressamente consignado pela autoridade embargante na introdução (fl. 4.688) e no pedido (fl. 4.694) constante à última página dos declaratórios. Em razão do exposto, dúvida não há de ter ocorrido a preclusão temporal, visto que os declaratórios foram interpostos muito, muito além do prazo regimental. Por conseguinte, não há como ultrapassar a preliminar de tempestividade dos declaratórios, que suscitei de ofício, em plenário. A preclusão temporal, de per si, já impediria o conhecimento dos declaratórios, mas há outra preclusão ainda que reforça o entendimento pelo não conhecimento dos embargos, a preclusão consumativa, visto que a autoridade preparadora já exercera a faculdade processual de interpor embargos de declaração (fl. 4529 a 4.531) contra acórdãos proferidos nos autos deste processo, e, uma vez praticado exercido esse mister, exaurese a competência para praticar o ato processual próprio que lhe é permitido pela legislação processual. No caso da competência conferida à autoridade preparadora, esta é legitimada a a interpor embargos de decisão que tenha de executar, mas, assim como os demais legitimados, essa autoridade também está sujeita às preclusões processuais (temporal, consumativa e lógica). Assim, ao interpor os embargos de declaração de fl. 4.529 a 4.531, a autoridade incumbida de executar a decisão dos autos, exauriu sua competência para esse mister, precluindo do direito de apresentar novos declaratórios em face de qualquer das decisões proferidas nos autos até aquele momento, o que inclui a veiculada no acórdão 301.30458. A preclusão consumativa decorre de um princípio que norteia a legislação processual, o da unirrecorribilidade (singularidade ou unicidade), que deve ser compreendido como princípio geral dos recursos, aplicável a todas as esferas do Direito (processual civil, processual penal, previdenciário, trabalhista, administrativo etc.). Em todas elas, a regra é a mesma: para cada ato decisório, cabível um único recurso (no mesmo momento). Dito de outra forma, é vedada a interposição, pela mesma parte, contra a mesma decisão, de dois recursos. O princípio da unirrecorribilidade fixa, como regra, a necessidade de correspondência entre a decisão atacada e o recurso utilizado. Os legitimados devem verificar qual o recurso cabível e, pela unirrecorribilidade, fazer uso de apenas um, na mesma oportunidade. Tal regra traz em seu bojo a idéia de preclusão consumativa, que, como dito linhas acima, nada mais é que a perda da faculdade de praticar um determinado ato, em razão de o mesmo já ter sido realizado. Ora, ao interpor o recurso cabível contra determinada decisão, a parte não mais pode interpor outro recurso, pois já exercida tal prerrogativa. Assim, ao apresentar aclaratórios contra uma decisão, sobre esta, não mais pode interpor embargos de declaração. Assim, quando a autoridade preparadora renova os embargos contra acórdão que fora objeto de recurso especial do sujeito passivo, e, também, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, e, de embargos por ela própria interpostos e que foram rejeitados anteriormente, está violando o princípio da unirrecorribilidade dos recursos, e, por conseguinte, incorrendo em preclusão consumativa. Esclareçase, por oportuno, que a doutrina e a jurisprudência admitem, em tese, embargos contra decisão proferida em embargos de declaração, se permanecerem na nova decisão os vícios mencionados nos primeiros embargos, ou se a nova decisão padecer de outros vícios diversos dos apontados na primitiva decisão. A rigor, não caberiam os embargos subseqüentes ao primeiro. Nada obstante desde Pimenta Bueno já admitia a interposição dos segundos embargos: “O princípio geral da Lei é que não são admissíveis segundos embargos; mas Fl. 16DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13674.000107/9990 Acórdão n.º 930301.827 CSRFT3 Fl. 4.846 17 nesta hipótese, ainda que a sentença obscura tenha sido proferida sobre embargos, admitese por exceção segundos embargos sendo de declaração”. Esses segundos embargos não podem inovar. Por sinal, é muito comum que, em lugar de procurar a sanação de obscuridade, ambigüidade, omissão ou contradição, procurem as partes obter decisão mais favorável a seu desideratum. São verdadeiros embargos infringentes de julgado e não da declaração. Ainda é válida a advertência de Bento Faria: Nestes segundos embargos, não pode pedirse correção, alteração ou mudança alguma, nem modificação que aumente ou diminua o julgamento; e só sim e unicamente o esclarecimento do que foi decidido, ou da dúvida em que se labora. Eles pressupõem, que na declaração haja uniformidade de decisões e não inovação, porque declarar não é por certo reformar, adicionar, corrigir ou estabelecer disposição nova; a não ser assim um tal expediente iludiria a lei, admitindo contra o preceito dela segundos embargos, não para declaração, sim para reforma do julgado e com excesso de poder, porque pela sentença a jurisdição já estava finda. Nesse mesmo sentido é o ensinamento de Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery5, nos novos embargos não se pode argüir matéria que não fora invocada nos primitivos embargos. Exatamente o caso dos autos, a matéria suscitada nesses embargos de declaração não foram suscitada nos embargos primeiros apresentados pela autoridade preparadora. Sobre o tema em lume, ainda é relevante trazer a lição Fredie Didier e Leonardo José Carneiro da Cunha6: É evidente, como já se viu, que a parte opôs embargos de declaração não poderá mais intentar novos embargos de declaração contra a decisão originariamente embargada. Poderia, isto sim, opor novos embargos contra a decisão que julgou os primeiros aclaratórios, se desta advierem vícios que ensejem o manejo de novos embargos. Da decisão originariamente embargada, contudo, não poderá mais opor embargos, em razão da preclusão. É inquestionável que o embargante não pode – mercê da preclusão consumativa – renovar seus embargos, após seu julgamento; pode, como se viu, apresentar embargos contra a decisão proferida nos anteriores embargos, mas não pode intentar novos embargos contra a decisão originariamente embargada. É oportuno destacar quanto ao tema processual em discussão os arestos do Superior Tribunal de Justiça a seguir transcritos: 5 Código de Processo Civil Comentado, Editora Revista dos Tribunais, 9ª Ed. página 535. 6 DIDIER Jr, Fredie; da CUNHA, Leonardo José Carneiro. Curso de Direito Processual Civi Meios de impugnação às decisões judiciais e processo nos tribunais, Vol. 3, 8ª Edição. Editora Jus Podivm, p. 193 e 195. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 18 EDcl nos EDcl no AgRg nos EAg 1197680 / ES EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM AGRAVO2010/00717623 Relator(a) Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI (1124) Órgão Julgador CE CORTE ESPECIAL Data do Julgamento 09/06/2011 Data da Publicação/Fonte DJe 24/06/2011 Ementa PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTERPOSIÇÃO DE DOIS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRA O MESMO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE RECURSAL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NÃO CONHECIDOS. (EDcl nos EDcl no AgRg nos EAg 1197680/ES, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, CORTE ESPECIAL, julgado em 09/06/2011, DJe 24/06/2011) TítuloAgRg no REsp 1057184 / SP Data24/03/2009 EmentaPROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. ART. 557 DO CPC. DECISÃO MONOCRÁTICA. POSSIBILIDADE. CORREÇÃO DAS PARCELAS. VARIAÇÃO CAMBIAL. DÓLAR NORTE AMERICANO. ORIGEM EXTERNA DO CAPITAL. COMPROVAÇÃO. I. Pelo princípio da unirrecorribilidade recursal, para cada provimento judicial caberá apenas um recurso. II. O relator do recurso especial pode decidir monocraticamente, dando provimento ao apelo, quando presentes as situações constantes do art. 557, § 1ºA, do CPC. III. Decisão que afastou a abusividade da cláusula contratual que prevê a correção das parcelas do leasing com base em moeda estrangeira, repartindo igualmente os ônus da brusca variação ocorrida a partir de 19.01.1999, calcada na jurisprudência pacificada na 2ª Seção do STJ, nos termos do REsp n. 472.594/SP, Rel. p/ acórdão Min. Aldir Passarinho Junior, DJU de 04.08.2003. IV. Agravo regimental desprovido. Decisão Vistos e relatados estes autos, em que são partes as acima indicadas, decide a Quarta Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Luis Felipe Salomão e Fernando Gonçalves (Presidente) votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Carlos Fernando Mathias (Juiz Federal convocado do TRF 1ª Região). TítuloAgRg no Ag 1122168 / SC Data12/05/2009 EmentaPROCESSUAL CIVIL E CONSTITUCIONAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO CONTRA DECISÃO QUE, NA INSTÂNCIA DE ORIGEM, NEGA SEGUIMENTO A RECURSO ORDINÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO INTERPOSTO DIRETAMENTE NO STJ. REGIME DO ART. 522 DO CPC. Fl. 18DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13674.000107/9990 Acórdão n.º 930301.827 CSRFT3 Fl. 4.847 19 IMPOSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE RECURSAL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. Decisão Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Denise Arruda (Presidenta), Benedito Gonçalves, Francisco Falcão e Luiz Fux votaram com o Sr. Ministro Relator. De todo o exposto, não sendo apontados vícios no acórdão 930301.319, mas sim no acórdão n. 301.30458, os presentes declaratórios não merecem ser conhecidos, quer pelo transcurso do lapso temporal para tal intento (preclusão temporal), quer pela interposição do recurso primitivo que veda a interposição do mesmo recurso (preclusão consumativa). Esclareçase, por oportuno, que não se está aqui refutando os vícios procedimentais ocorridos no longo e demorado curso deste processo administrativo. Não tira a razão do nobre relator quando aponta que o acórdão embargado (nº 301.30458) incorreu em decisão ultra petita e que alargou o alcance da decisão judicial no tocante aos acréscimos moratórios, todavia, esses vícios foram convalidados à medida que os legitimados a se insurgir contra os erros in judicando ou in procedendum não o fizeram no tempo certo nem na forma correta, não cabendo, agora, a este Colegiado fazer tábula rasa das normas processuais e, à guisa de corrigir erros e equívocos ocorridos no passado, recomeçar a discussão de questões que há muito foram encerradas. Não se pode consertar erros com outro erro. No tocante à decisão ultra petita, cabe registrar que, nas palavras de Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery7, a sentença citra ou infra petita pode ser corrigida por meio de embargos de declaração, cabendo ao juiz suprir a omissão; a sentença ultra ou extra petita não pode ser corrigida por embargos de declaração, mas só por apelação. Cumpre ao tribunal, ao julgar o recurso, reduzila aos limites do pedido. Todavia, esses autores, citando a 8RSTJ50/556, admitem o cabimento dos embargos de declaração, com caráter infringente, para corrigir decisão ultra petita, quando presentes os pressupostos de admissibilidades dos declaratórios, o que não é o caso dos autos, vez que os embargos não atendem ao primeiro dos requisitos de admissibilidade, qual seja, o da tempestividade. Por derradeiro, devese esclarecer que à autoridade preparadora cabe executar o acórdão nos termos em que proferido, não podendo discutir questões relativas ao mérito, como seria o caso de decisão ultra petita, sobre este, somente as partes podem instaurar controvérsia. No tocante à suposta omissão sobre o termo inicial dos juros de mora, o acórdão embargado (301.30.458), embora não seja um primor jurídico, muito ao contrário, especifica que: (...) seja convertido em UFIR e acrescido de juros de 1% ao mês até 01/01/96 e, após, acrescido dos juros moratórios pela Taxa Selic, com fundamento no art. 39, § 4º da Lei 9.250/95. Ora, do dispositivo transcrito inferese que o termo inicial seria a data a partir da qual o valor pleiteado foi convertido em UFIR. Essa data é facilmente aferida nos autos. Ressaltese, mais uma vez, que não cabe a este Colegiado fazer juízo de valor acerca da decisão veiculada no acórdão embargado, posto que, com não conhecimento dos embargos, nenhuma matéria foi devolvida a esta turma julgadora. Com isso, qualquer manifestação aqui proferida sobre a execução do mencionado acórdão tem caráter meramente opinativo. Na realidade, a competência, exclusiva, 7 Código de Processo Civil Comentado, Editora Revista dos Tribunais, 9ª edição, página 584. 8 Revista do superior Tribunal de Justiça (periódica) Fl. 19DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 20 para esse mister é da autoridade preparadora, que deve executar a decisão nos termos em que entender correto, sem prejuízo de o sujeito passivo, se discordar, ingressar com medida judicial pertinente, vez não existir, no processo administrativo, qualquer recurso contra a execução de julgados. Com essas considerações, voto no sentido de não conhecer dos embargos de declaração, diante da ocorrência das preclusões temporal (intempestividade dos declaratórios) e da consumativa. Henrique Pinheiro Torres . Fl. 20DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10283.002493/2009-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/05/2004
Ementa:
PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE.
A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea e do Decreto-lei 37/66, com redação do artigo 61 da citada MP, posteriormente convertida na Lei 10.833/03.
INFRAÇÃO REGULAMENTAR. REGISTRO DOS DADOS DO EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não se aplica à penalidade decorrente da prática da infração por atraso no registro dos dados de embarque da carga marítima.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 9303-003.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam; e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator.
EDITADO EM: 14/06/2016
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/05/2004 Ementa: PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea e do Decreto-lei 37/66, com redação do artigo 61 da citada MP, posteriormente convertida na Lei 10.833/03. INFRAÇÃO REGULAMENTAR. REGISTRO DOS DADOS DO EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não se aplica à penalidade decorrente da prática da infração por atraso no registro dos dados de embarque da carga marítima. Recurso provido em parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2343; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 422 1 421 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10283.002493/200993 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.559 – 3ª Turma Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Processo Administrativo Fiscal Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALIANÇA NAVEGAÇÃO E LOGÍSTICA LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/05/2004 Ementa: PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei 37/66, com redação do artigo 61 da citada MP, posteriormente convertida na Lei 10.833/03. INFRAÇÃO REGULAMENTAR. REGISTRO DOS DADOS DO EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não se aplica à penalidade decorrente da prática da infração por atraso no registro dos dados de embarque da carga marítima. Recurso provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam; e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 24 93 /2 00 9- 93 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. EDITADO EM: 14/06/2016 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Fl. 241DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.002493/200993 Acórdão n.º 9303003.559 CSRFT3 Fl. 423 3 Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, contra decisão do acórdão nº 3801004.867, de 27 de janeiro de 2015, da Primeira Turma Especial da 3ª Seção do CARF, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/05/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido.. A Fazenda Nacional defende que não tem base jurídica a exoneração da multa aplicada pela autoridade que teve como fundamento o descumprimento de prazo de prestação de informação sobre veículo e carga sob controle aduaneiro, fixada no art. 107, IV, “e”, Decretolei 37/1966. Afirma, outrossim, que não cabe a aplicação da retroatividade benigna, prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, para os casos de suposta denúncia espontânea da infração administrativa, instituída no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. Esta é a síntese do recuso da Fazenda Nacional. O recurso teve seguimento nos termos do despacho s/n de fls. 170/172. O sujeito passivo apresentou contrarrazões às fls. 180/189. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto. A lide foi prequestionada, não versa sobre tema tratado por recurso repetitivo do STJ ou STF, nem sobre súmula do CARF. Contudo, o sujeito passivo alegou em contrarrazões que o recurso não deva ser conhecido em virtude de não restar caracterizada a divergência jurisprudencial. Na minha visão, o despacho de admissibilidade foi feliz em suas razões de decidir, afastou o primeiro acórdão apontado como divergência e acatou o segundo, em virtude Fl. 242DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 de tratar da mesma matéria de fundo do acórdão vergastado e dar solução diversa. Reproduzo parte do despacho que demonstra de forma clara a divergência jurisprudencial administrativa, verbis: O primeiro acórdão não serve como paradigma, porque trata de aplicação de penalidade por infração ao controle administrativo das importações (falta de Guia de Importação GI) e se refere a julgamento realizado antes da vigência da nova redação dada ao no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, pela Lei 12.350/2010. Portanto, como diz respeito à legislação e circunstâncias fáticas diferentes das do acórdão recorrido, o acórdão nº CSRF/0305.339 não atende as condições exigidas no art. 67 do Anexo II do RICARF para fim de comprovação do alegado dissenso jurisprudencial. Diferentemente do que ocorre com o primeiro acórdão apresentado pela recorrente, do simples cotejo dos textos dos enunciados das ementas do acórdão recorrido e do segundo acórdão paradigma apresentado, verificase que há nítida divergência entre os referidos julgados quanto à aplicação dos efeitos da referida excludente de responsabilidade, inclusive para as infrações cometidas antes da vigência da nova redação. Com efeito, o acórdão recorrido considerou aplicável o efeito excludente da denúncia espontânea em relação à responsabilidade pelas multas administrativas por prestação extemporânea de informação sobre veículos e carga sujeitas ao controle aduaneiro, inclusive em relação às infrações cometidas antes da vigência da nova redação do art. 102, § 2º, do Decreto lei 37/1966, em razão da aplicação da retroatividade benigna, prevista no art. 106 do CTN. De modo contrário, o acórdão paradigma considerou inaplicável o efeito excludente da denúncia espontânea da infração em relação à responsabilidade pelo mesmo tipo de penalidade, cometida em situação semelhante a que foi apreciada pelo Colegiado prolator do acórdão recorrido, ou seja, praticada antes da vigência da novel redação do citado preceito legal. Com base nos mesmos fundamentos apresentados no despacho de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao mérito. Mérito A questão central da lide diz respeito à exoneração da multa por descumprimento de prazo de prestação de informação sobre veículo e carga sob controle aduaneiro, fixada no art. 107, IV, “e”, Decretolei 37/1966, em decorrência da aplicação da retroatividade benigna, prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, para os casos de suposta denúncia espontânea da infração administrativa, instituída no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. Essa matéria foi objeto do Acórdão nº 3402002.245, de 24 de outubro de 2013, de minha lavra, que peço vênia para reproduzilo e utilizálo como razões de decidir: O primeiro ponto a ser enfrentado diz respeito ao atraso na apresentação do DDE, que, na visão da fiscalização, resultou em embaraço e uma multa de R$ 5.000,00. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.002493/200993 Acórdão n.º 9303003.559 CSRFT3 Fl. 424 5 O fundamento legal utilizado pela autoridade lançadora foi a conjugação dos artigos 37 e 44 da IN 28/1994 e o art. 107 do DecretoLei 37/1966, alterado pelo art. 77 da Lei 10.833/2003. "DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966. (...) Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga;" Instrução Normativa SRF nº 028, de 17 de abril de 1994: "(...) Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) (...)" "Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3º do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto lei nº 37/66 com a redação do art. 5º do Decretolei nº 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis" O art. 44 da IN SRF nº 28/1994 define como embaraço à fiscalização o descumprimento das regras previstas nos arts. 37, 41 e § 3º do art. 42 da dicção legal. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 O art. 37 determina que o transportador tem sete dias para registrar no SISCOMEX os dados pertinentes ao embarque das mercadorias, contados da data do efetivo embarque. O art. 107 do DecretoLei nº 37/1966 e alterações, pune com multa de R$ 5.000,00 quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar a ação da fiscalização. Pela exegese dos artigos citados, o fato típico previsto como infração pela legislação tributária é o registro dos dados relacionados ao embarque de mercadoria com o interregno de tempo maior que sete dias, contados da data de embarque da mercadoria, tendo como sanção uma multa de R$ 5.000,00. Fixada a premissa maior, parto para os fundamentos jurídicos. É fato incontroverso que as mercadorias foram embarcadas no navio PORT TEJO em 22/07/2006 e os dados referentes a essa operação só foram registradas no SISCOMEX em 20/09/2006. Não é preciso ser um perito em matemática para deduzir que o recorrente registrou a operação de embarque intempestivamente, incorrendo na conduta tipificada nos artigos 37 e 44 da IN 28/1994 e o art. 107 do DecretoLei 37/1966, alterado pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, como infração aduaneira. Diante desse quadro, não vejo motivos para reformar a decisão da DRJ, que merece ser mantida pelos próprios fundamentos. Quanto às alegações sobre denúncia espontânea, lembro que o recorrente busca o amparo desse instituto para afastar a penalidade aplicada pelo atraso na Declaração de Despacho de Exportação – DDE. Sobre essa matéria, tenho a mesma opinião da DRJ, que não cabe a denúncia espontânea nos casos de infrações formais. A 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF enfrentou o tema no Acórdão nº 380200568, de 05 de julho de 2011, cujo relator foi o conselheiro José Fernandes do Nascimento, tratou o tema com maestria e merece ser colacionado como de razão de decidir: "Do instituto da denúncia espontânea no âmbito da legislação aduaneira: condição necessária. No âmbito da legislação aduaneira, o instituto da denúncia espontânea e os requisitos para sua aplicação estão definidos no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: “Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: Fl. 245DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.002493/200993 Acórdão n.º 9303003.559 CSRFT3 Fl. 425 7 (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010).” É de fácil ilação que o objetivo da norma em destaque é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações relativas ao descumprimento das obrigações de natureza tributária e administrativa. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Nesse sentido, resta evidente que é condição necessária para a aplicação do instituto da denúncia espontânea que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à Administração tributária pelo infrator, em outros termos, é elemento essencial da presente excludente de responsabilidade que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, com base no teor do art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações, está claro que as impossibilidades de aplicação do referido instituto podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal ou jurídica. No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Compõem essa última modalidade todas infrações que tem o atraso no cumprimento da obrigação imposta como elementar do tipo da conduta infratora, ou seja, que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial para a concretização da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm, no núcleo do tipo, o atraso no cumprimento da conduta imposta como sendo o elemento determinante da materialização da infração. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados do embarque da carga transportado em veículo de transporte internacional de carga Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar a informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação da informação intempestivamente materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a prestação da informação fora do prazo estabelecido, porém antes do início do procedimento fiscal, realizando o cumprimento da obrigação, mediante a denúncia espontânea, com exclusão da responsabilidade pela infração. Do ponto vista axiológico, nas infrações hipotéticas em apreço, os valores protegidos também são distintos. No primeiro caso, a conduta pretendida pelo legislador é a prestação da informação tempestiva, enquanto que no segundo caso, a conduta exigida é a simples prestação da informação. No presente caso, é evidente que a conduta comissiva que materializou a infração objeto da presente autuação foi a inserção dos dados do embarque no Siscomex após o prazo de sete dias estabelecido no § 2º do art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação atribuída pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005. Logo, no caso em destaque, se o registro da informação a destempo materializou a infração tipificada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, não pode ser considerada, simultaneamente, como uma conduta realizadora da denunciação espontânea da mesma infração. De fato, se a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque materializa a conduta típica da infração sancionada com a penalidade pecuniária objeto da presente autuação, em consequência, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que a conduta que materializasse a infração fosse, ao mesmo tempo, a conduta que concretizasse a denúncia espontânea da mesma infração. No caso em apreço, se admitida pretensão da Recorrente, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da mencionada infração nunca resultaria na cobrança da referida multa, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, simultaneamente, a conduta que representativa da Fl. 247DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.002493/200993 Acórdão n.º 9303003.559 CSRFT3 Fl. 426 9 denúncia espontânea. Em consequência, tornarseia impossível a imposição da multa sancionadora da dita conduta, ou seja, existiria a infração, mas a multa fixada para sancionála não poderia ser cobrada por força da exclusão da responsabilidade do infrator. Tal hipótese, ao meu ver, representaria um contra senso do ponto de vista jurídico, retirando da prática da dita infração qualquer efeito punitivo. Nesse sentido, porém com base em fundamentos distintos, tem trilhado a jurisprudência do C. Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme enunciado da ementa a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. I – A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. "As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN" (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164). II – Agravo regimental improvido.(STJ, ADRESP 885259/MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão, pub. no DJU de 12/04/2007). Os fundamentos da decisão apresentados pela E. Corte, foram basicamente os seguintes: (i) a inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária; e (ii) o descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Com a devida vênia, tais argumentos não representam o melhor fundamento para a conclusão esposada pela E. Corte no referido julgado. No meu entendimento, para fim de definição dos efeitos do instituto da denúncia espontânea, é irrelevante a questão atinente à natureza intrínseca da multa tributária ou administrativa, isto é, se punitiva (ou sancionatória) ou indenizatória (ou ressarcitória), uma vez que toda penalidade pecuniária tem, necessariamente, natureza punitiva, pois decorre sempre da prática de um ato ilícito, consistente no descumprimento de um dever legal, enquanto que a indenização tem como pressuposto um dano causado ao patrimônio alheio, com ou sem culpa do agente. Essa questão, no meu entendimento, é irrelevante para definição do significado e alcance jurídicos da excludente da responsabilidade por denunciação espontânea em análise, seja no âmbito das penalidades tributárias ou administrativas. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 É sabido que todo ato ilícito previsto na legislação tributária e aduaneira configura, respectivamente, infração de natureza tributária ou aduaneira, independentemente dela decorrer do descumprimento de um dever de caráter formal (obrigação acessória) ou material (obrigação principal). Ademais, toda obrigação acessória tem vínculo indireto com o fato gerador da obrigação principal, instrumentalizandoo e, dessa forma, servindo de suporte para as atividades de controle da arrecadação e fiscalização dos tributos, conforme delineado no § 2º do art. 113 do CTN. Em conclusão, para fins de incidência da norma da denúncia espontânea, seja na esfera tributária ou aduaneira, a condição relevante é que a infração seja passível de denunciação à Administração tributária pelo infrator, condição em que não se enquadra a infração objeto da presente autuação." Na linha do arrazoado transcrito, entendo que as infrações que possuem como elementar do tipo o atraso no cumprimento de obrigação não é passível de denunciação. Nesta esteira, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional para afastar o instituto da denúncia espontânea do caso em análise e determinar o retorno dos autos à instância a quo para análise das demais questões. Sala das Sessões, em 26/04/2016 Gilson Macedo Rosenburg Filho. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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