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6396352 #
Numero do processo: 11080.728180/2013-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 DESPESAS MÉDICAS. PROVA. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Júnior - Presidente Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA, IVACIR JULIO DE SOUZA, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1675; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 81          1 80  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.728180/2013­94  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2301­004.684  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de maio de 2016  Matéria  DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS  Recorrente  CLAUDIO BAYARD RIBEIRO DE CARVALHO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2011  DESPESAS MÉDICAS. PROVA.  A  eficácia  da  prova  de  despesas médicas,  para  fins  de  dedução  da  base  de  cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento  de  requisitos  objetivos,  previstos  em  lei,  e  de  requisitos  de  julgamento  baseados em critérios de razoabilidade.  Recurso Voluntário Provido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.    João Bellini Júnior ­ Presidente     Julio Cesar Vieira Gomes ­ Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  JOAO  BELLINI  JUNIOR,  JULIO  CESAR  VIEIRA  GOMES,  ALICE  GRECCHI,  ANDREA  BROSE  ADOLFO,  FABIO  PIOVESAN  BOZZA,  IVACIR  JULIO  DE  SOUZA,  GISA  BARBOSA  GAMBOGI NEVES e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 81 80 /2 01 3- 94 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   2   Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância  que  julgou  procedente  em  parte  a  impugnação  à  exigência  decorrente  de  lançamento  de  Imposto  sobre a Renda de Pessoa Física  (IRPF),  em  razão da glosa de dedução de despesas  médicas, por falta ou deficiência de comprovação. Seguem transcrições da decisão recorrida:  Ano­calendário: 2011   DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS.  São  dedutíveis,  para  fins  de  apuração  da  base  de  cálculo  do  Imposto  sobre  a Renda  de  Pessoa  Física,  as  despesas médicas  pagas  em  benefício  do  contribuinte  titular  ou  de  seus  dependentes,  quando  comprovadas  mediante  documentação  hábil e idônea na forma da legislação de regência.  Impugnação Procedente em Parte   Crédito Tributário Mantido em Parte  ...  Plano de Saúde UNIMED  Pelo disposto no motivo da glosa, verifica­se que o contribuinte  regularizou  as  deficiências  das  declarações  anteriormente  apresentadas,  ou  seja,  considerando  que  o  contribuinte  apresenta a cópia do original da declaração da associação, que  informa  o  valor  descontado  para  o  plano  de  saúde UNIMED,  que  informa  ser  o  contribuinte  o  único  beneficiário,  resta  concluir  pela  aceitação  da  dedução pretendida  no  valor  de R$  5.769,30.  ...  Clínica  BIO  LÓGICA  SOCIEDADE  SIMPLES  LTDA ME  e  OUTROS  Dessa  forma,  deve  ser  aceito  como  dedutível  o  valor  de  R$  600,00.  Ressalte­se  que  as  demais  despesas médicas  com  a  clínica  não  foram comprovadas pelo contribuinte.  ...  Frente  ao  exposto,  deve­se  refazer  os  cálculos  dos  valores  expressos  na  presente  notificação  de  lançamento  nos  seguintes  termos:  ...  4) Glosa de Deduções Indevidas R$ 7.469,30  Valores após julgamento R$ 1.500,00.  Fl. 82DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.728180/2013­94  Acórdão n.º 2301­004.684  S2­C3T1  Fl. 82          3 Após ciência da decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário. Nele, traz  em juntada os recibos médicos para a comprovação da glosa remanescente de R$ 1.500,00.  É o relatório.  Fl. 83DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR   4   Voto             Conselheira Julio Cesar Vieira Gomes, Relator  Conheço  do  recurso  por  constatar  que  atende  os  requisitos  de  admissibilidade.  Despesas Médicas  Para a dedução das despesas médicas na declaração do imposto de renda da  pessoa física devem ser atendidos alguns requisitos objetivos e subjetivos:   a)  prestação  de  serviço  na  área  da  saúde,  realizada  por médicos,  dentistas,  psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como no  caso  de  fornecimento  de  produtos  de  exames  laboratoriais,  serviços  radiológicos,  aparelhos  ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, conforme artigo 8o, inciso II alínea “a” da Lei nº  9.520, de 26/12/1995; e  b) o custo do serviço ou produto destinado ao contribuinte e seus dependentes  deve ter sido suportado pelo contribuinte, conforme artigo 8º, §2o, inciso II da Lei nº 9.520, de  26/12/1995.  Também devem ser observadas algumas formalidades para que ao conteúdo  do  documento  se  possa  conferir  legitimidade. Assim,  a  lei  exigiu,  em  regra,  a  indicação  do  nome, endereço, CPF ou CNPJ:  Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995:  Art. 8º, § 2º­ O disposto na alínea a do inciso II:  III  ­  limita­se a pagamentos  especificados  e  comprovados,  com  indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro  de Pessoas Físicas ­ CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes  ­ CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação,  ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o  pagamento;  Ressalta­se  que  o  ônus  da  prova  das  despesas  médicas  deduzidas  em  sua  Declaração de Ajuste Anual é do contribuinte:  Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999  Art.  73.  Todas  as  deduções  estão  sujeitas  a  comprovação  ou  justificação,  a  juízo  da  autoridade  lançadora  (Decreto­Lei  nº  5.844, de 1943, art. 11, § 3º).  No caso sob exame, após a decisão recorrida, o recorrente buscou comprovar  com  recibos  e  declarações,  fls.  70  e  seguintes,  o  pagamento  de  tratamento  médico  de  nutrologia. Os documentos trazem as informações exigidas em lei e apresentam a mesma forma  dos demais recibos já aceitos pela fiscalização relativos a outras despesas médicas.  Fl. 84DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.728180/2013­94  Acórdão n.º 2301­004.684  S2­C3T1  Fl. 83          5 Assim,  entendo  que  o  recorrente  tem  direito  à  dedução  da  despesa médica  objeto do recurso.  Conclusão  Em razão do exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário.    Julio Cesar Vieira Gomes                              Fl. 85DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR

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6389094 #
Numero do processo: 15504.724923/2013-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APOSENTADO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE REMUNERADA. SEGURADO OBRIGATÓRIO. O aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social - RGPS que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade abrangida por este Regime é segurado obrigatório em relação a essa atividade, ficando sujeito às contribuições previstas na legislação previdenciária, para fins de custeio da Seguridade Social. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2201-003.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.?
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APOSENTADO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE REMUNERADA. SEGURADO OBRIGATÓRIO. O aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social - RGPS que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade abrangida por este Regime é segurado obrigatório em relação a essa atividade, ficando sujeito às contribuições previstas na legislação previdenciária, para fins de custeio da Seguridade Social. Recurso Voluntário Negado

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.?

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.724923/2013­80  Acórdão n.º 2201­003.144  S2­C2T1  Fl. 102          2 Relatório  São casos de Pedidos de Restituição de contribuição previdenciária (fls. 2/46)  relativos às competências 10/2009 a 02/2010, 03/2010 (requerido em duplicidade) e 05/2010 a  12/2010.  A  contribuinte  formalizou  os  pedidos  por  meio  do  aplicativo  PER/DCOMP  sob  a  alegação de que foram pagos valores aos INSS no período em que o processo de aposentadoria  por idade estava em julgamento.  O pedido foi indeferido pelo Despacho­Decisório de fls. 69/72. A Requerente  apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 78/79, que foi julgada improcedente pela  6ª Turma da DRJ/FNS (fls. 87/90).  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  26/08/2014  (fl.  93),  a  Interessada  interpôs,  em  18/09/2014,  o  recurso  de  fl.  96. Na  peça  recursal  aduz,  em  síntese,  que:  ­ Compareceu à agência da Previdência Social várias vezes e foi orientada a  continuar  efetuando o pagamento do  INSS  sob  a alegação de não  ter o  tempo necessário de  contribuição  para  se  aposentar. Confiando  nessa  informação  prosseguiu  com  o  recolhimento  das  contribuições,  porém  o  benefício  foi  concedido  antes  dos  pagamentos  efetuados  entre  10/2009 até 12/2010.  ­ Em função das limitações de idade não conseguiu emprego, sendo obrigada  pelas circunstâncias a trabalhar como autônoma catando latinhas, papelão e vendendo café em  obra. Passou períodos de dificuldade, mas continuou a efetuar os pagamentos ao INSS.  ­  Considera  justo  e  plausível  receber  a  restituição  dos  valores  e  aguarda  parecer favorável à sua solicitação.   Voto             Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator  A  Recorrente  alega  que  efetuou  recolhimentos  de  contribuições  previdenciárias após a  sua aposentadoria, por orientação  recebida em agência da Previdência  Social. Em face de estar desempregada, foi obrigada a trabalhar como autônoma para efetuar os  pagamentos. Por isso pleiteia a restituição dos valores pagos após a competência de 09/2009,  data do início do benefício (DIB).  O  que  de  fato  ocorreu  foi  que  o  benefício  foi  concedido  em  04/01/2011,  conforme data de despacho do benefício (DDB) constante do Sistema Único de Benefícios (fl.  48), com DIB em 23/09/2009 (retroativamente), em face do trâmite do processo administrativo  que culminou com o deferimento da aposentadoria por idade.  A  Interessada  informa  que  trabalhou  como  autônoma  no  período  dos  recolhimentos, o que significa dizer que os pagamentos efetuados não são indevidos, porquanto  o  exercício  de  atividade  remunerada  a  qualifica  como  segurada  da  previdência  social,  nos  termos do que dispõe a legislação que regula a matéria, a ver:  Fl. 102DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.724923/2013­80  Acórdão n.º 2201­003.144  S2­C2T1  Fl. 103          3 Lei nº 8.213/1991  Art.  11.  São  segurados  obrigatórios  da  Previdência  Social  as  seguintes pessoas físicas:  (...)  V ­ como contribuinte individual:  (...)  h)  a  pessoa  física  que  exerce,  por  conta  própria,  atividade  econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não;  (...)  §  3º O  aposentado  pelo  Regime Geral  de  Previdência  Social  ­  RGPS  que  estiver  exercendo  ou  que  voltar  a  exercer  atividade  abrangida por este Regime é segurado obrigatório em relação a  essa  atividade,  ficando  sujeito  às  contribuições  de  que  trata  a  Lei  nº  8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  para  fins  de  custeio  da  Seguridade Social.   Nesse contexto, voto por negar provimento ao recurso.  Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida                                Fl. 103DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH

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Numero do processo: 10830.723417/2013-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE. COMPETÊNCIA. O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos, respectivamente, pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil - DRF compete proceder à revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas pelo sujeito passivo. DIRPF. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. DEPENDENTE. COMPROVAÇÃO. LEGALIDADE Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), relativos ao próprio declarante e a seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o valor glosado para R$ 4.435,20. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2352; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 324          1  323  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10830.723417/2013­58  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2202­003.309  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de abril de 2016  Matéria  IRPF  Recorrente  DULCE ANTÔNIA MOTTA PROSPERI  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2012  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  LIMITES DA LIDE. COMPETÊNCIA.  O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal  e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial,  da decisão de 1ª instância. Para a solução do litígio tributário deve o julgador  delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua  atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são  fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do  contribuinte,  expressos,  respectivamente,  pelo  ato  de  lançamento  e  pela  impugnação/recurso.  Às  Delegacias  da  Receita  Federal  do  Brasil  ­  DRF  compete  proceder  à  revisão de ofício de  lançamentos e de declarações apresentadas pelo sujeito  passivo.  DIRPF.  DESPESAS  MÉDICAS.  DEDUÇÃO.  DEPENDENTE.  COMPROVAÇÃO. LEGALIDADE  Na  declaração  de  rendimentos  poderão  ser  deduzidos  os  pagamentos  efetuados,  no  ano­calendário,  a  médicos,  dentistas,  psicólogos,  fisioterapeutas,  fonoaudiólogos,  terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem  como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos  ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º,  inciso II, alínea "a"), relativos ao próprio declarante e a seus dependentes.  Todas  as deduções  estão  sujeitas  a comprovação ou  justificação,  a  juízo da  autoridade lançadora (Decreto­Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º).  Recurso Voluntário Provido em Parte.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 34 17 /2 01 3- 58 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.723417/2013­58  Acórdão n.º 2202­003.309  S2­C2T2  Fl. 325          2  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento parcial ao recurso, para reduzir o valor glosado para R$ 4.435,20.    Assinado digitalmente  Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente.   Assinado digitalmente  Marcio Henrique Sales Parada ­ Relator.    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Marco  Aurélio  de  Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson  Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo  Duarte  Filho  (Suplente  Convocado),  Marcio  de  Lacerda  Martins  (Suplente  Convocado)  e  Marcio Henrique Sales Parada.    Relatório  Em  desfavor  da  contribuinte  em  epígrafe  foi  lavrada  Notificação  de  Lançamento  relativa ao  imposto  sobre a  renda das pessoas  físicas do exercício de 2012, ano  calendário de 2011, onde foi reduzido o valor de imposto a restituir declarado, sem apuração de  crédito tributário suplementar, conforme apuração de folha 08.  Na  descrição  dos  fatos  narra  a  Autoridade  Fiscal  que  apurou  uma  única  infração,  que  redundou  na  glosa  de  despesas  médicas  com  Plano  de  Saúde  (R$  9.626,88),  porque a contribuinte, regularmente intimada, "deixou de apresentar o comprovante do próprio  Plano  de  Saúde  ­  Unimed  Campinas,  com  valores  discriminados  por  beneficiário  (titular  e  dependentes) e as despesas declaradas também não constam dos sistemas da RFB". (fl. 07)  A  contribuinte  manifestou­se  alegando  que  apresentava  documentação  (resumo  dos  valores  pagos  através  da  Vidamax)  e  comprovantes  de  que  seu  marido,  "dependente desde 2007", é portador de moléstia grave e isento do imposto de renda.  Na análise da Impugnação, entendeu o Julgador recorrido, em suma, que:   A  impugnante  intimada  e  reintimada  não  apresentou  o  comprovante  emitido  diretamente  pela  Unimed  Campinas.  Juntou,  em  sede  de  fiscalização  e  de  contencioso,  comprovante  emitido  pela  Vidamax  Administradora  de  Benefícios,  CNPJ  nº  09.164.784/000168.  Tal empresa não aparece no Banco de Dados da Receita Federal  do  Brasil  (RFB),  em  pesquisa  realizada  no  sistema  CNPJ  em  09/09/2013, como Plano de Saúde.  Fl. 325DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.723417/2013­58  Acórdão n.º 2202­003.309  S2­C2T2  Fl. 326          3  Também ao se consultar o sistema Dmed da RFB em 09/09/2013,  não  se  encontra  registro  sobre  tal  despesa  na  respectiva  Declaração de Serviços Médicos e de Saúde (Dmed).  Portanto,  embora  forçoso reconhecer o  esforço da  contribuinte  para  fazer  prova  de  tal  despesa  médica,  não  há  como  se  reconhecer o direito à dedução da base de cálculo do imposto de  renda com os documentos acostados aos autos.  Assim, manteve­se a autuação fiscal.  Cientificada dessa decisão em 26/11/2013 (AR na folha 289), a contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  em  02/12/2013,  com  protocolo  na  folha  292,  onde  aduz  que  apresenta novos documentos para comprovar a vinculação entre a Vidamax Administradora de  Benefícios  e  a  Unimed  Campinas  (fls.  300  e  seguintes)  e  a  regularidade  da  dedução  das  despesas médicas, aguardando a revisão da glosa perpetrada.  É o relatório.   Voto             Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator.  O  recurso  é  tempestivo,  conforme  relatado,  e,  atendidas  as  demais  formalidades legais, dele tomo conhecimento.  A  numeração  de  folhas  a  que  me  refiro  a  seguir  é  a  identificada  após  a  digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf).  Segundo Marcos Vinicius NEDER e Maria Teresa Martinez LOPÉZ:  “Para a solução do  litígio tributário deve o julgador delimitar,  claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo  sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado.  Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco  e,  por  outro,  pela  resistência  do  contribuinte,  expressos  respectivamente  pelo  ato  de  lançamento  e  pela  impugnação....(grifei)  A  lei  processual  estabelece  regras  que  deverão  presidir  as  relações  entre  os  intervenientes  na  discussão  tributária.  A  atuação dos  órgãos  administrativos  de  julgamento  pressupõe  a  existência  de  interesses  opostos,  expressos  de  forma  dialética....Na lição de Calamandrei, “o processo se desenvolve  como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual  cada  um  dos  sujeitos  provoca,  com  a  própria  atividade,  o  movimento  dos  outros  sujeitos,  e  espera,depois,  deles  um  novo  impulso....”Se  no  curso  deste  processo,  constatar­se  a  concordância de opiniões, deve­se por fim ao processo, já que o  próprio objeto da discussão perdeu o sentido. Da mesma forma,  não há o que julgar se o contribuinte não contesta a imposição  tributária  que  lhe  é  imputada.(NEDER,  Marcos  Vinícius  e  Fl. 326DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.723417/2013­58  Acórdão n.º 2202­003.309  S2­C2T2  Fl. 327          4  LOPEZ, Maria Teresa Martinez. Processo Administrativo Fiscal  Comentado. 2ª ed,. Dialética, São Paulo, 2004, p. 265/266)  Bem, qual foi o objeto da Notificação de Lançamento, que deu origem a este  processo  e  que  enfim  consubstancia  a  "pretensão  do  Fisco"?  Observo,  na  Notificação,  que  houve  a  glosa  de  despesas  médicas  com  plano  de  saúde,  expressamente  motivada  pela  não  apresentação de comprovantes emitidos pelo próprio plano Unimed e também porque não era  possível discriminar os beneficiários (titular e dependentes).  Na  Impugnação,  a  contribuinte  traz  informação  nova,  de  que  seu marido  é  "dependente desde 2007" e que por ser portador de moléstia grave seria isento do imposto de  renda.  Mas  não  houve  glosa  de  dependente  muito  menos  questionamento  acerca  dos  rendimentos do marido.  Verifico,  contudo,  na  cópia  da  DIRPF/2012  que  consta  das  folhas  46  e  seguintes, que o marido não foi incluído no rol de dependentes, onde consta apenas a filha Ana  Paula Motta Prosperi. Assim, para fins de consideração neste recurso, entendo que existe uma  única dependente e a  inclusão de dependente não declarado e,  inclusive, a análise de isenção  dos rendimentos dele, transcende os limites da lide e é de eventual competência da Delegacia  da Receita Federal do Brasil, uma vez que, repito, não foram objeto de lançamento de ofício.  Não obstante  as  lições  processuais  retro  transcritas,  conforme o Regimento  Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de  2012, temos que:  Das Competências das Unidades Descentralizadas  Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil ­ DRF, à  Delegacia  Especial  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Pessoas  Físicas  ­  Derpf,  às  Alfândegas  da  Receita  Federal  do  Brasil  ­  ALF  e  às  Inspetorias  da  Receita  Federal  do  Brasil  ­  IRF  de  Classes “Especial A”, “Especial B” e “Especial C”, quanto aos  tributos  administrados  pela  RFB,  inclusive  os  destinados  a  outras  entidades  e  fundos,  compete,  no  âmbito  da  respectiva  jurisdição,  no  que  couber,  desenvolver  as  atividades  de  arrecadação,  controle  e  recuperação  do  crédito  tributário,  de  análise  dos  dados  de  arrecadação  e  acompanhamento  dos  maiores  contribuintes,  de  atendimento  e  interação  com  o  cidadão,  de  comunicação  social,  de  fiscalização,  de  controle  aduaneiro,  de  tecnologia  e  segurança  da  informação,  de  programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento,  avaliação, organização, modernização, e, especificamente:  (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 512, de 02 de outubro de  2013)   ...  XXII  ­  proceder  à  retificação  de  declarações  aduaneiras,  à  revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas  pelo  sujeito  passivo,  e  ao  cancelamento  ou  reativação  de  declarações a pedido do sujeito passivo;  (sublinhei/grifei)  Fl. 327DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10830.723417/2013­58  Acórdão n.º 2202­003.309  S2­C2T2  Fl. 328          5  Assim,  não  se  pode  transformar  a  lide  tributária  a  ser  julgada  pelos  órgãos  administrativos competentes,  em 1ª  instância e grau  recursal,  em pedido de revisão de ofício  para  que  seja  incluído  e  considerado  dependente  não  listado  na  declaração  de  rendimentos  apresentada pelo sujeito passivo.  Ressalvadas algumas matérias de ordem pública, a competência do julgador  para  a  revisão  do  lançamento  restringe­se  à  hipótese  prevista  no  art.  145  do  CTN,  sendo  a  revisão de ofício de iniciativa exclusiva da RFB (art. 149 do CTN).   Após  as  indicações  da  DRJ,  juntamente  com  seu  recurso,  a  Recorrente  apresenta novos documentos que merecem ser considerados, haja vista o disposto na alínea "c",  § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como em observância ao princípio da  verdade material.  Observo que os documentos apresentados nas folhas 300 e seguintes deixam  claro que a União dos Servidores do Estado de SP firmou convênio com a Unimed Campinas,  para oferecer  a  seus  filiados benefício de Plano de Saúde. Vidamax é a operadora do plano,  responsável,  dentre  outras  coisas,  por  enviar mensalmente  a  ficha  de  compensação  bancária  para  pagamento  do  valor  de  plano  de  saúde,  conforme  se  lê  no  item  21  do  "guia  do  beneficiário"  (fl.  301).  Além  disso,  os  beneficiários  do  plano  eram  a  contribuinte  Dulce  Antônia, seu marido Warner Prosperi e sua filha Ana Paula.  A dedução de despesas médicas, conforme artigo 8º da Lei n. 9.250, de 1995  é regular quando relativa ao próprio declarante e a seus dependentes, no caso, os dependentes  informados na declaração de ajuste anual.  Portanto, entendo, dentro dos  limites desta  lide, que regular é a dedução da  despesa com plano de saúde em relação a Dulce Antônia e Ana Paula, mas não em relação a  Warner, que não foi incluído no rol de dependência, conforme citado.   CONCLUSÃO  Pelo exposto, VOTO por dar provimento parcial ao recurso para reduzir o  valor  glosado  para  R$  4.435,20  (apenas  a  parte  relativa  a  Warner  Prosperi  permanece,  conforme detalhamento de folha 274).  Assinado digitalmente  Marcio Henrique Sales Parada                              Fl. 328DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA

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Numero do processo: 13962.000452/2010-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 Simples Nacional. Termo de Indeferimento. Débitos Tributários Inexistentes. Comprovado, nos autos, que a pendência fiscal que impediu o deferimento da opção do contribuinte ao ingresso no Simples Nacional não existiu, defere-se a opção.
Numero da decisão: 1302-001.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH - Relatora (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA     2 Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto pela empresa em epígrafe, e­fls. 69  e 70, contra o Acórdão nº 16­53.670/13, proferido pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ  em  São  Paulo/SP  1,  e­fls  63  a  65,  que manteve  o  indeferimento  da  opção  da  empresa  pelo  Simples Nacional, para o ano­calendário de 2010.  O aresto restou assim ementado:  TERMO DE INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL.  SITUAÇÃO IMPEDIENTE. REGULARIZAÇÃO. PRAZO.  O Contribuinte se sujeita ao indeferimento de sua opção pelo Simples Nacional  caso  não  regularize  eventual  pendência  impeditiva  ao  ingresso  no  regime  favorecido até o final de janeiro do ano em que formaliza dita opção.  O  Termo  de  Indeferimento  da  opção,  e­fls.  04,  datado  em  13  de  abril  de  2010, destaquei, acusou a existência de três débitos em aberto, que motivaram o indeferimento  da opção, a saber:  ­  Débito  com  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  relativo  a  contribuições sociais  Lista de Competências  1)Competência ­ 11/2008  Valor : R$ 114,81  ­  Débito  com  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  natureza  não  previdenciária (...)  Lista de Débitos  1)Débito ­ Código da Receita :2089  Nome do Tributo : IRPJ  Número do Processo :  Período de Apuração: 04/2008  Saldo Devedor : R$ 106,86  2)Débito ­ Código da Receita :2372  Nome do Tributo : CSLL  Número do Processo :  Periodo de Apuração: 04/2008  Saldo Devedor : R$ 78,47  Fl. 77DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 13962.000452/2010­45  Acórdão n.º 1302­001.853  S1­C3T2  Fl. 3          3 A recorrente na manifestação de inconformidade diz que os débitos já haviam  sido parcelados e que o débito de competência 11/2008 não mais existia, enquanto no recurso  voluntário explica que, em razão de catástrofe ocorrida em Santa Catarina (cheias), autorizou­ se pagar "(...) o INSS com postergação do vencimento, que seria no mês 12/2008 até a data de  15/06/2009, conforme (...) GPS em anexo, que no momento em que ocorreu a re­transmissãoda  Sefip (sic), a pendencia que estava sendo acusada desapareceu (...). Anexa às e­fls. 72 a cópia  da  guia  GPS,  competência  11/2008,  acusando  o  recolhimento  em  15  de  junho  de  2009,  destaquei, no valor total de R$ 1.967,72.  Às e­fls. 34 dos autos consta o Relatório de Pendências à Opção pelo Simples  Nacional os mesmos débitos acima descritos.  Às  e­fls.  61  houve  um  despacho  exarado  pela  unidade  de  jurisdição  da  recorrente explicando que:  Em  relação  aos  saldos  devedores  de  débitos  de  natureza  não  previdenciária,  informamos  que  não  são  devidos  já  que  originados  da  cobrança  indevida  de  juros  sobre  o  valor  principal  declarado  em  DCTF  e  recolhido em quota única nos prazos previstos na Portaria MF no 289/2008  (fls.52/54), conforme entendimento trazido na Nota Técnica COSIT n° 06, de  24  de  março  de  2010.  A  orientação  da  Codac  foi  no  sentido  de  que  tais  valores  não  fossem  suspensos  por  processo  de  representação  a  fim  de  que  pudessem ser  tratados por apuração especial a ser  implantada. Em relação a  estas pendências, portanto,  foi  identificado erro de fato  e,  assim sendo, não  podem persistir como motivadores do indeferimento à opção.  Já em relação à pendência de natureza previdenciária, verificamos que  o contribuinte retificou a GFIP correspondente à competência 11/2008 depois  do  prazo  estabelecido  para  regularização.  Assim,  tendo  em  vista  que  da  argumentação e da documentação comprobatória apresentada não foi possível  concluir  por  erro  de  fato  no  indeferimento  da  solicitação  de  opção,  (...)  proponho que o processo seja encaminhado para a DRJ para apreciação.  A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de e­fls. 69 e 70.  É o suficiente para o relatório. Passo ao voto.                                                                1 AR – 09/01/14, e­fls. 68; Recurso – 07/02/14, e­fls. 69  Voto             Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora  Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo.  Fl. 78DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA     4 O artigo 17 da Lei Complementar nº 123/06, em seu inciso V, dispõe:  Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional  Art.  17.  Não  poderão  recolher  os  impostos  e  contribuições  na  forma  do  Simples  Nacional  a  microempresa  ou  a  empresa  de  pequeno porte:  (...)  V ­ que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social  ­  INSS,  ou  com  as  Fazendas  Públicas  Federal,  Estadual  ou  Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa;  No caso em concreto, a recorrente foi cientificada dos seguintes débitos com  a Fazenda Nacional, no Termo de Indeferimento de opção ao ingresso no Simples Nacional:  Débito previdenciário:   11/2008 ­ R$ 114,81  Débitos não previdenciários:  IRPJ ­ R$ 106,86            CSLL ­ R$ 78,47  A  autoridade  a  quo,  às  e­fls.  61,  explicou  que  os  valores  dos  débitos  não  previdenciários  consistiram  em  exigência  de  juros  porque  os  tributos  foram  pagos  fora  do  prazo  normal,  mas  consistiu  em  cobrança  indevida,  erro  de  fato,  em  virtude  da  Portaria  Ministerial (MF) nº 289/08, que prorrogou o prazo para o último dia útil dos meses de junho,  julho e agosto de 2009, os prazos para pagamento de tributos federais administrados pela RFB,  relativos a fatos geradores ocorridos nos meses de novembro e dezembro de 2008 e janeiro de  2009, respectivamente, para os sujeitos passivos domiciliados em diversas localidades de Santa  Catarina, inclusive Brusque, domicílio da recorrente (e­fls. 60)   Estranhamente a autoridade não observou, assim como a Turma de Primeira  Instância de Julgamento, que, em relação ao débito previdenciário, no valor de R$ 114,85, às e­ fls. 51, juntou o espelho da guia GPS, no qual consta, entre outros dados (guia anexada também  com o recurso voluntário):  Competência: 11/2008  Vlr do principal....INSS........  1.852,87  Atualiz Monet/Juros..............  114,85  Total......................................  1.967,72  Dt. pagto.: 15/06/2009  Por  conseguinte,  ao  emitir  o  Termo  de  Indeferimento,  em  13  de  abril  de  2010, os débitos previdenciários ou não previdenciários acusados no referido termo consistiram  em  valores  de  juros  exigidos  indevidamente  dos  contribuintes  que  pagaram  os  tributos  em  atraso, em 2009, porém sob a guarida da Portaria MF nº 289, de 2008, sendo que, no presente  caso,  a  recorrente  pagou  os  juros,  apesar  de  dispensada,  no  prazo  concedido,  ou  seja,  competência 11/2008 em 15 de junho de 2009.  O  fato  suscitado  pela  autoridade  que  a  recorrente  "(...)  retificou  a  GFIP  correspondente à competência 11/2008 depois do prazo estabelecido para regularização." não  Fl. 79DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 13962.000452/2010­45  Acórdão n.º 1302­001.853  S1­C3T2  Fl. 4          5 tem qualquer relevância para o efeito de impedir o seu ingresso no Simples Nacional, uma vez  o  Termo  de  Indeferimento  não  ter  feito  qualquer  referência  a  este  fato,  mas  sim  haver,  apontado, com confessado erro de fato, a título de causas impeditivas, débitos inexistentes ou  quitados pela empresa antes da emissão do referido ato administrativo.   Diante destas considerações, voto em dar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes Wipprich                                     Fl. 80DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA

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Numero do processo: 10680.903324/2013-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. Os valores mensalmente apurados por estimativa a título de antecipação IRPJ e de CSLL, e não pagos, ainda que objetos de Declaração de Compensação não homologada, não podem ser inscritos em Dívida Ativa da União e, consequentemente, cobrados de per si. Inteligência dos Pareceres PGFN/CAT nº 193/2013 e nº 88/2014. Somente são passíveis de dedução do imposto devido apurado no ajuste anual as estimativas efetivamente pagas. Na hipótese das estimativas terem sido alvo de declaração de compensação, e esta não ter sido homologada, há que se considerar que não ocorreu a efetividade do pagamento. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. É condição para a realização de compensação que o crédito a ser utilizado seja líquido e certo. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-002.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. Os valores mensalmente apurados por estimativa a título de antecipação IRPJ e de CSLL, e não pagos, ainda que objetos de Declaração de Compensação não homologada, não podem ser inscritos em Dívida Ativa da União e, consequentemente, cobrados de per si. Inteligência dos Pareceres PGFN/CAT nº 193/2013 e nº 88/2014. Somente são passíveis de dedução do imposto devido apurado no ajuste anual as estimativas efetivamente pagas. Na hipótese das estimativas terem sido alvo de declaração de compensação, e esta não ter sido homologada, há que se considerar que não ocorreu a efetividade do pagamento. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. É condição para a realização de compensação que o crédito a ser utilizado seja líquido e certo. Recurso Voluntário Negado.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2052; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 329          1 328  S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10680.903324/2013­76  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1402­002.167  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  07 de abril de 2016  Matéria  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO  Recorrente  BANCO MERCANTIL DO BRASIL S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2010  COMPENSAÇÃO.  SALDO  NEGATIVO  DE  CSLL.  ESTIMATIVAS  COMPENSADAS.  COMPENSAÇÕES  NÃO  HOMOLOGADAS.  AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ.  Os  valores mensalmente  apurados  por  estimativa  a  título  de  antecipação  IRPJ  e  de  CSLL,  e  não  pagos,  ainda  que  objetos  de  Declaração  de  Compensação não homologada, não podem ser  inscritos em Dívida Ativa  da  União  e,  consequentemente,  cobrados  de  per  si.  Inteligência  dos  Pareceres PGFN/CAT nº 193/2013 e nº 88/2014.  Somente  são  passíveis  de  dedução  do  imposto  devido  apurado  no  ajuste  anual as estimativas efetivamente pagas. Na hipótese das estimativas terem  sido alvo de declaração de compensação, e esta não ter sido homologada,  há que se considerar que não ocorreu a efetividade do pagamento.  COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.  É condição para a realização de compensação que o crédito a ser utilizado  seja líquido e certo.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  passam  a  integrar  o  presente julgado.    (assinado digitalmente)  LEONARDO DE ANDRADE COUTO ­ Presidente     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 33 24 /2 01 3- 76 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.903324/2013­76  Acórdão n.º 1402­002.167  S1­C4T2  Fl. 330          2 (assinado digitalmente)  FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Demetrius  Nichele  Macei,  Frederico  Augusto  Gomes  de  Alencar,  Fernando  Brasil  de  Oliveira  Pinto,  Gilberto  Baptista,  Leonardo  de  Andrade  Couto,  Leonardo  Luís  Pagano  Gonçalves  e  Paulo  Mateus  Ciccone.  Fl. 330DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.903324/2013­76  Acórdão n.º 1402­002.167  S1­C4T2  Fl. 331          3 Relatório  BANCO MERCANTIL DO BRASIL S/A recorre a este Conselho em face do  acórdão nº 11­44.905 proferido pela 4ª Turma da DRJ em Recife que  julgou  improcedente a  manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro nos §§ 10 e  11 do art. 74 da lei nº 9.430/96 e no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF).  Por bem refletir os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de primeira  instância, complementando­o ao final:  Tratam os autos de análise eletrônica das Declarações de compensação  (Dcomp) nº:  14110.23101.050711.1.3.03­9687  (inicial),  04826.56937.130711.1.3.03­0270,  10109.78358.140911.1.3.03­2772,  23878.59418.120811.1.3.03­6208,  14110.23101.050711.1.3.03­9687,  11557.61378.190711.1.3.03­6042,  01863.98866.200911.1.3.03­2674,  42477.37168.200911.1.3.03­9601,  19259.39418.160911.1.7.03­6212,  26767.11666.190911.1.3.03­3409  e  20460.62746.230911.1.3.03­3240, cujas cópias estão às fl. 149 a 199, onde o contribuinte  compensou  diversos  débitos  com  suposto  crédito  de  saldo  negativo  de  Contribuição  Social sobre o Lucro Líquido  (CSLL)  referente ao ano­calendário 2010, no montante  de R$ 18.970.865,72.  2.  Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório nº 051752225, de  16  de  maio  de  2013,  às  fl.  148,  que  decidiu  por  não  homologar  as  compensações  declaradas pelas razões a seguir expostas:  2.1.  a  CSLL  devida  apurada  na Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  (DIPJ)  foi  de R$  2.271.508,14. Deste montante  foram deduzidos R$  21.242.373,86 (composição do crédito informado na Dcomp e na DIPJ), obtendo­se um  saldo negativo na DIPJ de R$ 18.970.865,72;  2.2.  as  parcelas  de  composição  do  crédito  que  geraram  o  saldo  negativo  foram  as  seguintes:  a)  retenção  na  fonte  –  R$  155.807,03;  e  b)  estimativas  liquidadas  por  compensações – R$ 21.086.566,83. Foi validada apenas a parcela de R$ 155.807,03;  2.3.  em função da confirmação de apenas R$ 155.807,033, este montante deduzido da  CSLL  devida  não  gerou  saldo  negativo,  acarretando  a  não  homologação  das  compensações.  3.  Cientificado  da  decisão,  o  contribuinte  apresentou  a  manifestação  de  inconformidade às fl. 02 a 13, em 13 de junho de 2013, instruída com os documentos às  fl. 14 a 147, onde argumentou/requereu, em síntese, o que segue:  3.1.  tempestividade da manifestação;  3.2.  na  recomposição  do  saldo  negativo  não  foi  considerada  a  antecipação  (estimativa) quitada relativa a fevereiro de 2010. Tal estimativa foi paga por meio de  compensações que, posteriormente, não foram homologadas:  Fl. 331DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.903324/2013­76  Acórdão n.º 1402­002.167  S1­C4T2  Fl. 332          4   3.3.  a  não  homologação  das  compensações  da  estimativa  de  fevereiro  de  2010  foi  objeto  de  despacho decisório proferido no  processo nº  10680.724147/2011­00,  tendo  sido  apresentada  manifestação  de  inconformidade  que  está  pendente  de  julgamento  pela DRJ. Não existe trânsito em julgado da decisão não homologatória;  3.4.  no  caso  de  estimativas  objeto  de  compensações  não  homologadas  (ou  homologadas  parcialmente),  os  débitos  não  compensados  deverão  ser  cobrados  pela  Receita Federal por meio de procedimento específico nos termos do art. 74, §6º, da Lei  nº  9.430,  de  1996. Assim, a  não  homologação de  tais  compensações  não é  capaz  de  impactar a apuração do saldo negativo do período, haja vista que:  3.4.1. se  o  julgamento  do  processo  no  qual  a  estimativa  não  foi  compensada  for  favorável à empresa, não restará dúvida quanto à correta apuração do saldo negativo  na DIPJ, fazendo com que o despacho decisório ora impugnado deva ser reformado;  3.4.2. se o julgamento for desfavorável e, por conseguinte, as compensações não forem  homologadas,  o  Fisco  emitirá  imediatamente  a  carta  cobrança  da  estimativa,  compelindo o impugnante a efetuar o pagamento;  3.5.  numa ou noutra hipótese, a estimativa será exigida do impugnante, de sorte que  não pode ser desconsiderada no cálculo do saldo negativo. A Receita Federal não pode  cobrar  a  antecipação  em  função  da  decisão  ora  recorrida,  e  ao  mesmo  tempo  desconsiderá­la no cálculo do saldo negativo apurado no final do ano 2010, sob pena  de oneração em duplicidade;   3.6.  como não houve trânsito em julgado naquele processo, a estimativa de fevereiro  de  2010  permanece  extinta  pela  compensação,  e  o  crédito  dela  decorrente  (saldo  negativo) não perdeu a liquidez e a certeza;  3.7.  a  Solução  de  Consulta  Interna  (SCI)  Cosit  nº  18,  de  13  de  outubro  de  2006,  corrobora esse entendimento:    Fl. 332DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.903324/2013­76  Acórdão n.º 1402­002.167  S1­C4T2  Fl. 333          5 3.8.  nesse sentido também julgado da DRJ/SP1­SP e do Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais (Carf) (no Acórdão nº 1102­00.373);  3.9.  na hipótese de não se restabelecer o saldo negativo, há a necessidade de conexão  deste  feito  com  o  processo  nº  10680.724147/2011­00,  haja  vista  relação  de  dependência.  4.  Em  20  de  setembro  de  2013  os  autos  foram  encaminhados  à  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  em  Belo  Horizonte  –  MG  para  julgamento,  tendo  a  unidade  preparadora  se  pronunciado  pela  tempestividade  da  manifestação de inconformidade (fl. 203). Tendo em vista o disposto na Portaria RFB  nº 453, de 2013, e no art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 2013, em 22 de outubro de  2013 os autos foram remetidos para esta DRJ/Recife para efetuar o julgamento da lide  (fl. 207).  Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma julgadora  de primeira instância considerou­a improcedente.  A  recorrente  foi  intimada da decisão  em 17 de  fevereiro de 2014  (fl.  292),  tendo  apresentado  tempestivamente  recurso  voluntário  de  fls.  295­305  em  18  de  março  de  2014.  Em  resumo,  reafirma  os  termos  de  sua  manifestação  de  inconformidade,  atacando  a  decisão recorrida em especial quanto à afirmação de que não há certeza e liquidez em relação  às estimativas cujas compensações, em outros autos, não foi homologada.  O  processo  foi  pautado  anteriormente  e  este  colegiado,  por  meio  da  Resolução  1402­000.292  decidiu  sobrestar  o  julgamento  até  a  apreciação  pelo  CARF  do  processo nº 10680.724147/2011­00.  É o relatório.     Fl. 333DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.903324/2013­76  Acórdão n.º 1402­002.167  S1­C4T2  Fl. 334          6 Voto             Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator.  1 ADMISSIBILIDADE  O recurso voluntário já foi alvo de conhecimento quando exarada Resolução  1402­000.292.  2 MÉRITO  A controvérsia  tratada nos autos diz  respeito a pedido de saldo negativo de  CSLL  composto  por  estimativas  compensadas  e  controladas  no  processo  nº  10680.724147/2011­00, cuja competência para análise pertence à 3ª Seção do CARF.  Na  primeira  oportunidade  em  que  a  turma  se  debruçou  sobre  os  autos,  decidiu­se  que  se  fazia  necessário  aguardar  a  análise,  no  âmbito  do  CARF,  do  processo  nº  10680.724147/2011­00 a  fim de que  se pudesse  aferir  se  seria  reconhecido crédito  tributário  suficiente  naquele  processo  para  que  fossem  efetivamente  compensadas  as  estimativas  que  compõem o saldo negativo de CSLL ora pleiteado.  Salienta­se que não seria possível realizar o julgamento conjunto de ambos os  feitos,  haja  vista  que  a  competência  para  julgamento  do  processo  principal  (10680.724147/2011­00) é da 3ª Seção (créditos de Cofins), e no presente processo o crédito  alegado é de CSLL, cuja competência é desta Seção de Julgamento.   Em consulta  ao  andamento do processo nº 10680.724147/2011­00  junto  ao  sítio  do  CARF,  constatei  que  já  foi  exarado  acórdão  pela  turma  julgadora  correspondente,  negando­se provimento ao recurso voluntário (Acórdão 3403­003.572).  Conforme  jurisprudência  já  consolidada  em  nossa  turma,  não  há  mais  impedimento  para  julgamento  do  presente  processo,  até  mesmo  porque,  caso  houvesse  a  possibilidade  de  julgamento  em  conjunto,  os  dois  processos  teriam  sido  julgados  na mesma  oportunidade.  Nesse  cenário,  embora  tenha  constatado  que  foram  opostos  embargos  de  declaração  naquele  processo,  concluo  que,  ainda  que  haja  pendência  de  análise  desses  embargos, não há qualquer óbice para o julgamento do presente litígio.  Há  de  se  ressaltar,  ainda,  que  os  embargos  opostos  naqueles  autos  não  poderão  alterar  o  resultado  do  julgamento,  pois  diz  respeito  somente  qual  a  tese  vencedora  deverá prevalecer, e não propriamente ao resultado do julgamento.  A fim de se evitar qualquer prejuízo à Recorrente, os presentes autos deverão  ser apensados ao de número 10680.724147/2011­00, ficando suspensa a execução do presente  julgado  até  a  decisão  definitiva no  processo  principal,  sendo que,  dada  a  relação  de  causa  e  efeito,  eventual  reforma  do  Acórdão  3403­003.572  deverá  automaticamente  ser  aplicada  no  presente processo.    Fl. 334DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.903324/2013­76  Acórdão n.º 1402­002.167  S1­C4T2  Fl. 335          7 Superada tal celeuma, passo à análise do mérito.  Conforme bem avaliado pela decisão recorrida, o montante relativo à CSLL  retida na fonte validado foi insuficiente para gerar saldo negativo, razão pela qual o crédito foi  considerado inexistente e não foram homologadas as compensações declaradas.  Apresentada manifestação de inconformidade, a turma julgadora de primeira  instância  considerou­a  improcedente  sob  o  fundamento  de  ausência  de  certeza  e  liquidez  no  crédito  alegado,  uma  vez  que  estimativas  compensadas  que  compõem  o  saldo  negativo  pleiteado  não  foram  homologadas,  implicando,  até  aquele  momento,  a  ausência  de  adimplemento dos débitos correspondentes.  O contribuinte apresentou recurso voluntário argumentando, em síntese, que  a estimativa objeto de compensações não homologadas será cobrada pela Receita Federal por  meio de procedimento específico nos  termos do art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430, de 1996, e do  entendimento  proferido  na  SCI  Cosit  nº  18,  de  2006.  Assim,  a  não  homologação  de  tais  compensações não seriam capaz de impactar a apuração do saldo negativo do período, uma vez  que  ainda  que  as  compensações  não  fossem  homologadas,  as  estimativas  seriam  cobradas  naqueles autos.  Discordo de tal argumento.   Desde  a  edição  da  citada  Solução  de  Consulta  Cosit  nº  18/2006  venho  manifestando minha discordância com tal entendimento. Permitir­se que um contribuinte tenha  reconhecido um direito de crédito (indébito) antes do efetivo adimplemento da dívida anterior,  a  meu  ver,  é  inadmissível.  Aplicar  o  raciocínio  desenvolvido  pela  SCI  Cosit  em  questão  implicaria também reconhecer que eventual estimativa confessada em DCTF, e não adimplida,  também  pudesse  compor  o  saldo  negativo,  pois  bastaria  manter­se  a  cobrança  dos  débitos  confessados em DCTF, uma vez que também se caracterizam como confissão de dívida.  Nesse  cenário,  considero  acertada  a  decisão  de  primeira  instância  que  entendeu não haver certeza e liquidez no crédito pleiteado, uma vez que, não havendo o efetivo  adimplemento  das  estimativas,  não  há  como  considerar  tais  valores  na  formação  de  pleitos  creditórios posteriores.  Outros  cenários  ainda  foram  descritos  no  voto  condutor  do  aresto  que  demonstram ser temerária a devolução de supostos créditos tributários baseada na possibilidade  da cobrança de débitos anteriores que compõem tal indébito. Chama a atenção, por exemplo, a  possibilidade,  de  a dívida  anterior  ser  alvo  de  questionamento  judicial,  e,  futuramente,  vir  o  contribuinte a obter êxito em seu pleito.   No  mesmo  sentido,  não  é  razoável  considerar  como  líquido  e  certo  os  créditos  de  estimativa  somente  pelo  fato  da  possibilidade  de  virem  a  ser  cobrados  pela  Fazenda.  Infelizmente,  sabe­se  que,  na  prática,  é  muito  baixa  a  efetividade  das  execuções  fiscais no Brasil, o que aumentaria sobremaneira a possibilidade de se devolver um tributo a  determinado contribuinte sem que, jamais, o crédito tributário tenha sido efetivamente extinto.  De  toda  forma,  saliento  que  a  tese  de  que  a  estimativa  compensada  será  cobrada  de  qualquer  forma  não  prospera,  uma  vez  que  após  o  encerramento  do  período  de  apuração  não  há  mais  que  se  cobrar  estimativas,  e,  até  mesmo,  pode  até  não  haver  sequer  imposto  a  se  cobrar  no  ajuste,  quer  pela  apuração  de  prejuízo  fiscal,  quer  pela  apuração  de  Fl. 335DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.903324/2013­76  Acórdão n.º 1402­002.167  S1­C4T2  Fl. 336          8 valor de imposto de renda na fonte superior ao montante de imposto devido. Tal entendimento  é corroborado pelos Pareceres PGFN/CAT nº 193/2013 e nº 88/2014. Em relação a esse último,  assim conclui o órgão responsável pela possível cobrança judicial dos tributos federais:   34.  Conclusivamente,  os  valores  mensalmente  apurados  por  estimativa, a  título de antecipação do  Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e  da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, e não pagos, ainda que objetos  de Declaração de Compensação não homologada, não podem ser inscritos em  Dívida Ativa da União e, consequentemente, cobrados de per si.  Em  tais  pronunciamentos,  a  PGFN  chega  a  afirmar  que  eventuais  parcelamentos  de  estimativas  deveriam  ser  cancelados  se,  ao  final  do  exercício,  restasse  demonstrado que o contribuinte auferiu prejuízos fiscais.  Conclui ainda a PGFN que não é possível a cobrança de estimativas após o  encerramento do período de apuração. Se for o caso, deve­se proceder a cobrança de eventual  saldo de imposto a recolher. Assim, não havendo saldo de imposto a recolher, as estimativas  declaradas e não extintas, quer por pagamento, quer por compensação, como no caso concreto,  jamais serão alvo de cobrança, o que demonstra ainda mais a ausência de certeza e liquidez do  crédito tributário pleiteado pela Recorrente.  Ora,  se  a própria PGFN não  permite  que  as  estimativas  sejam  inscritas  em  dívida  ativa,  cai  de  vez  por  terra  o  argumento  de  que  estimativas  compensadas  devem  ser  consideradas  na  composição  de  saldo  negativo  ainda  que  tais  compensações  não  sejam  homologadas, uma vez que tais débitos não serão alvo de cobrança por parte da União.  Há, então, de se analisar a situação atual dos processos que tratam da origem  do crédito utilizado na compensação de estimativa que compõe o saldo negativo ora em exame.  E,  tendo  sido  negado  provimento  ao  recurso  voluntário  da  Recorrente  nos  autos 10680.724147/2011­00, não se homologando as estimativas que o contribuinte pretendeu  compensar  e  que  compõem  o  saldo  negativo  ora  em  exame,  não  há  como  se  reconhecer  também neste processo o crédito pleiteado, tão pouco homologar as compensações declaradas.                    Fl. 336DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.903324/2013­76  Acórdão n.º 1402­002.167  S1­C4T2  Fl. 337          9 3 CONCLUSÃO  Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.  Saliento  ainda  que  após  ciência  ao  contribuinte  da  presente  decisão,  os  presentes  autos  sejam  apensados  ao  de  número  10680.724147/2011­00,  ficando  suspensa  a  execução do presente julgado até a decisão definitiva no processo principal.   Por fim, dada a relação de causa e efeito, eventual reforma do Acórdão 3403­ 003.572 deverá automaticamente ser aplicada no presente processo.  (assinado digitalmente)  FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator                            Fl. 337DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO

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Numero do processo: 11853.720276/2014-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA MONOCULAR. ALCANCE. O legislador tributário, ao estabelecer a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não faz qualquer limitação no sentido de que somente o portador de cegueira nos dois olhos faça jus ao benefício. Assim, o contribuinte acometido por cegueira monocular também se enquadra no dispositivo isentivo. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-003.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1923; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 101          1 100  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11853.720276/2014­05  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­003.014  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de março de 2016  Matéria  IRPF  Recorrente  MARIO LUCIO MORELLO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2010  RENDIMENTOS  DE  APOSENTADORIA.  ISENÇÃO.  MOLÉSTIA  GRAVE. CEGUEIRA MONOCULAR. ALCANCE.  O legislador tributário, ao estabelecer a isenção do IRPF sobre os proventos  de  aposentadoria  de  contribuinte  portador  de  cegueira,  não  faz  qualquer  limitação no  sentido de que somente o portador  de cegueira nos dois olhos  faça  jus  ao  benefício.  Assim,  o  contribuinte  acometido  por  cegueira  monocular também se enquadra no dispositivo isentivo.  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao recurso.   Assinado digitalmente  Eduardo Tadeu Farah ­ Presidente Substituto.   Assinado digitalmente  Carlos César Quadros Pierre ­ Relator.  Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah  (Presidente Substituto), Carlos Henrique  de Oliveira  (Suplente Convocado),  Ivete Malaquias  Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto  Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília  Lustosa Da Cruz.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 3. 72 02 76 /2 01 4- 05 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11853.720276/2014­05  Acórdão n.º 2201­003.014  S2­C2T1  Fl. 102          2   Relatório  Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do  Brasil  de  Julgamento,  3a Turma da DRJ/CGE  (Fls.  74),  na decisão  recorrida,  que  transcrevo  abaixo:  Trata  o  presente  processo  de  impugnação  apresentada  pelo  interessado  supra  contra  o  lançamento  de  ofício  do  IRPF  do  Exercício  2010,  Ano­Calendário  2009,  formalizado  na  Notificação de Lançamento de fls. 41 a 44, decorrente da revisão  de sua declaração anual, onde foi alterado o resultado de saldo  de  imposto  a  restituir  declarado  de  R$  11.439,86  para  R$  2.411,06.  Na  descrição  dos  fatos  que  deram  origem  ao  lançamento  (fls.  42),  a autoridade  fiscal  informou, em suma, que,  da análise de  informações  e  documentos  apresentados  pelo  contribuinte  e/ou  das  informações  constantes  de  sistemas  da  Receita  Federal  constatou­se omissão de rendimentos do trabalho com e/ou sem  vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de  R$ 74.504,22,  recebidos pelo  titular e/ou dependentes, da  fonte  pagadora Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal.  Em  complemento,  constou,  em  suma,  que  o  contribuinte,  aposentado desde março de 1994, alega ser portador de doença  grave,  cegueira  em  um  olho,  CID10: H54.4,  no  entanto,  tendo  em vista possuir visão normal no outro olho, não está alcançado  pela isenção prevista em lei.  Cientificado do lançamento, em 15/07/2014, por via postal  (fls.  46), o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 04 a 08, em  22/07/2014, acompanhadas dos documentos de fls. 09 a 29, onde  argumentou, em suma, o que segue:  ∙ Apresentou sua DIRPF do Exercício 2010 apurando imposto a  pagar, porque não  tinha conhecimento de seu direito à  isenção  do IRPF, por ser APOSENTADO e PORTADOR DE MOLÉSTIA  GRAVE  ­  DA  ESPÉCIE  CEGUEIRA  (CEGUEIRA  EM  UM  OLHO (CID H54.4), contraída em 05/1948, conforme comprova  o  laudo médico do SERVIÇO PÚBLICO DE SAÚDE vinculado  ao  Serviço  de  Saúde  do  DF  (Hospital  de  Base  do  Distrito  Federal).  ∙ É servidor aposentado da Secretaria de Estado de Educação do  DF, no cargo de professor desde o ano de 1994, e, por portador  de  Moléstia  Grave,  tem  direito  a  isenção  do  IRPF  sobre  os  valores decorrentes de proventos de aposentadoria recebidos, e  por  essa  razão,  apresentou  declaração  retificadora  do  IRPF,  requerendo a restituição dos valores pagos a titulo de IRPF, nos  termos da IN SRF n. 15/2001.  ∙  No  processamento  da  declaração,  foi  intimado  a  apresentar  comprovantes de renda do exercício e laudo pericial emitido por  Fl. 106DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11853.720276/2014­05  Acórdão n.º 2201­003.014  S2­C2T1  Fl. 103          3 serviço público comprovando a moléstia isentiva, e juntou todos  os documentos necessários à comprovação do direito a isenção,  especialmente o laudo pericial público.  ∙  Para  sua  surpresa,  houve  o  lançamento  tributário,  sob  o  fundamento que o requerente não possui o direito a isenção do  imposto  de  renda,  vez  que,  detentor  de  cegueira  monocular  e  com visão em outro olho, motivo pelo qual indeferiu­se o pedido  de restituição.  ∙  O  direito  à  isenção  do  IRPF  sobre  os  proventos  de  aposentadoria  e  pensão  está  expresso  na  lei  n.°  7.713/1988,  artigo 6.°, incisos XIV e XXI, e no Decreto n.° 3000/1999 (RIR),  art.  39,  inciso XXXIII;  a Receita Federal  do Brasil  normatizou  sobre o assunto, por meio da IN SRF n.° 15/2001, estabelecendo  os requisitos para o reconhecimento e  fruição do direito a essa  isenção.  ∙ Seguindo os ditames legais, especialmente dos artigos 54 a 57  da  IN SRF n.° 15/2001, apresentou a Declaração Retificadora,  requerendo  a  restituição  dos  valores  pagos  a  título  de  IRRF  sobre  seus  proventos  de  aposentadoria,  o  que  foi  ilegalmente  indeferido  pelo  r.  Auditor  Fiscal,  cuja  decisão  encontra­se  eivada de nulidade ante a ilegalidade.  ∙  Poder­se­ia  argumentar  que,  no  âmbito  administrativo,  a  lei  tributária isentiva deve ser interpretada literalmente, nos termos  do  artigo  111  do  CTN,  e,  portanto,  a  Cegueira  Parcial  não  estaria  enquadrada  nas  hipóteses  de  concessão  da  isenção  do  IRPF,  porém,  essa  interpretação  não  pode  se  abster  de  consagrar os princípios constitucionais da isonomia tributária, e  dignidade  da  pessoa  humana,  especialmente;  fazer  uma  interpretação  literal  de  tal  forma  que  exclua  os  portadores  de  cegueira parcial, é uma afronta a Constituição e seus princípios  fundamentais,  além  de  uma  grande  aberração  jurídica;  além  disto, a Lei usa o  termo genérico Cegueira, cuja moléstia deva  ser identificada em termos médicos, donde surge então o Código  Internacional  de  Doenças—  CID  10,  que  elencada  todas  as  doenças  existentes  conhecidas,  e  suas  subespécies;  dentre  as  doenças  denominadas  Cegueira  pelo  CID,  se  encontra  a  Cegueira em um olho (CID H54.4).  ∙ A jurisprudência do C. STJ corrobora a tese de que portador de  cegueira em um olho e aposentado ou pensionista é detentor do  direito a isenção do IRPF.  ∙  Administrativamente,  o  CARF  ­  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais da Fazenda Nacional, em julgamento realizado  em  2012,  acolheu  a  tese  que  o  portador  de  visão monocular  é  isento no IRPF decorrente da moléstia cegueira.  Por fim, o interessado requereu:  a) o julgamento desta impugnação como totalmente procedente,  reformando­se  totalmente  a  decisão  a  quo,  reconhecendo  o  direito  a  isenção  do  imposto  de  renda  do  recorrente,  Fl. 107DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11853.720276/2014­05  Acórdão n.º 2201­003.014  S2­C2T1  Fl. 104          4 determinando  a  imediata  restituição  dos  valores  apurados  na  DAA retificadora;  b)  a  prioridade  no  processamento  e  julgamento  da  presente  impugnação, nos termos do artigo 69­A. incisos I e IV, da Lei n.°  9784/99. com redação da Lei n.° 12.008, de 2009.  Instruem ainda os autos cópia das DAA/IRPF/2010 processadas  em nome do  interessado,  retificadora, de Acórdão do Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  e  de  novo  requerimento  apresentado pelo contribuinte em 11/11/2014, acompanhado de  documentos  relativos  a  ação  judicial  movida  por  ele  contra  o  Distrito Federal (fls. 35 a 39, 56 a 60 e 64 a 72).  Passo  adiante,  a  3ª  Turma  da  DRJ/CGE  entendeu  por  bem  julgar  a  impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada:  DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. REVISÃO. OMISSÃO DE  RENDIMENTOS. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.  Para o reconhecimento do direito à isenção do imposto de renda  sobre  os  proventos  de  pensão  ou  aposentadoria  recebidos  por  portadores  de  moléstia  grave  especificada  na  legislação  em  vigor,  exige­se  apresentação  de  laudo  pericial  emitido  por  serviço médico oficial que reconheça ser o contribuinte portador  de  uma  das  doenças  que  permite  a  isenção  do  imposto  e  que  indique expressamente a data em que essa foi contraída.  A exigência de interpretação literal de dispositivo legal que trata  da  isenção  do  imposto  de  renda  impõe  considerar  como  albergado na previsão de isenção somente a cegueira total.  Segundo  se  verifica  às  fls.  86,  através  do  TERMO  DE  CIÊNCIA  POR  ABERTURA  DE  MENSAGEM  –  COMUNICADO  de  22/01/2015  o  contribuinte  foi  cientificado  em  21/01/2015  por  meio  de  sua  Caixa  Postal,  ciência  esta  realizada  por  seu  procurador – LEANDRO JORGE DE OLIVEIRA LINO; vindo a interpor Recurso Voluntário  em  mesma  data  21/01/2015  como  se  verifica  às  fls.  94,  no  TERMO  DE  ANÁLISE  DE  SOLICITAÇÃO DE JUNTADA; No Recurso do Recorrente (fls. 88 e 93), o mesmo reforça os  argumentos apresentados quando da impugnação.  É o Relatório.    Voto             Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator.  Conheço  do  recurso,  posto  que  tempestivo  e  com  condições  de  admissibilidade.  De início, verifico que trata o litígio exclusivamente de isenção de imposto de  renda sobre proventos de aposentadoria de portador de moléstia grave.  Fl. 108DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11853.720276/2014­05  Acórdão n.º 2201­003.014  S2­C2T1  Fl. 105          5 Constato ainda que a DRJ entendeu não ser possível a concessão de referida  isenção por entender que a cegueira deve ser  total, ou seja, de ambos os olhos e, portanto, a  cegueira monocular não seria hábil a conceder a isenção pleiteada.  A  esse  respeito  vale  ressaltar  o  que  dispõe  o  inc.  XIV,  art.  6o.  da  Lei  7713/1988, a seguir transcrito:  “Art.  6  –  Ficam  isentos  do  imposto  de  renda  os  seguintes  rendimentos percebidos por pessoa física:  XIV – os proventos de aposentadoria ou  reforma motivada por  acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia  profissional,  tuberculose  ativa,  alienação  mental,  esclerose  múltipla,  neoplasia  maligna,  cegueira,  hanseníase,  paralisia  irreversível  e  incapacitante,  cardiopatia  grave,  doença  de  Parkinson,  espondiloartrose  anquilosante,  nefropatia  grave,  hepatopatia  grave,  estados  avançados  da  doença  de  Paget  (osteíte  deformante),  contaminação  por  radiação,  síndrome  da  imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina  especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois  da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052,  de 2004)”(grifos nossos)  Aqui  ressalto  que  deve­se  utilizar  a mais  básica  forma  de  interpretação  da  legislação,  qual  seja  a  literal,  em  obediência  ao  que  dispõe  o  artigo  111,  II  do  Código  Tributário Nacional, que a seguir se transcreve:  Art.  111.  Interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha sobre:  [...]  II ­ outorga de isenção;  Conforme  se  depreende  do  extraído  acima,  a  interpretação  a  respeito  da  concessão de isenções em matéria tributária deve ser literal.   Em  obediência  a  este  mandamento  não  se  pode  reduzir  a  interpretação  do  disposto no artigo 6º, inciso XIV, da Lei 7713/1988 posto que mencionado dispositivo não faz  qualquer ressalva de que apenas o portador de cegueira total faça jus ao benefício.   Deve­se,  portanto,  entender  como  abarcada  pela  referida  isenção  de  igual  forma a cegueira monocular.  Neste sentido vem sendo o posicionamento deste Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais:  RENDIMENTOS  DE  APOSENTADORIA.  ISENÇÃO.  MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA. ALCANCE.  A  lei  que  concede  a  isenção  do  IRPF  sobre  os  proventos  de  aposentadoria  de  contribuinte  portador  de  cegueira,  não  faz  qualquer  ressalva  de  que  apenas  o  portador  de  cegueira  total  faça jus ao benefício, de sorte que o contribuinte acometido por  Fl. 109DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11853.720276/2014­05  Acórdão n.º 2201­003.014  S2­C2T1  Fl. 106          6 cegueira parcial também se enquadra no texto legal.( Acórdão nº  2102002.782 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Sessão de 20 de  novembro de 2013)  Ainda  neste  sentido  tomo  por  empréstimo  as  bem  lançadas  conclusões  da  ilustre Conselheira Núbia Matos Moura, relatora no acórdão 210201301, de 12/05/2011, que se  ocupou do tema sob foco com absoluta precisão, verbis:  “Para  o  exame da  questão  deve­se  observar  o  art.  6º, XIV,  da  Lei nº 7.713/88: Art.  6º. Ficam  isentos do  imposto de  renda os  seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas:  XIV – os proventos de aposentadoria ou  reforma motivada por  acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia  profissional,  tuberculose  ativa,  alienação  mental,  esclerose  múltipla,  neoplasia  maligna,  cegueira,  hanseníase,  paralisia  irreversível  e  incapacitante,  cardiopatia  grave,  doença  de  Parkinson,  espondiloartrose  anquilosante,  nefropatia  grave,  hepatopatia  grave,  estados  avançados  da  doença  de  Paget  (osteíte  deformante),  contaminação  por  radiação,  síndrome  da  imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina  especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois  da aposentadoria ou reforma; (grifei)  O  dispositivo  acima mencionado  não  faz  qualquer  ressalva  de  que apenas o portador de cegueira total faça jus ao benefício, de  sorte que o contribuinte acometido por cegueira parcial também  se  enquadra  no  texto  legal.  Ressalte­se,  conforme  disposto  no  art. 111, II, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 – Código  Tributário  Nacional  (CTN),  interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha  sobre  a  outorga  de  isenção,  de modo que não cabe ao intérprete restringir a aplicação da lei,  quando o legislador não fez.  Vale  lembrar  que,  nesta  mesma  Turma,  quando  esteve  em  julgamento  recurso,  que  tratava  de  isenção  do  IRPF  sobre  rendimentos de aposentado portador de paralisia  irreversível  e  incapacitante,  decidiu­se,  por  unanimidade  de  votos,  conforme  ementa abaixo transcrita:  MOLÉSTIA  GRAVE.  ISENÇÃO  DE  IRPF.  PARALISIA  IRREVERSÍVEL E INCAPACITANTE. INCAPACIDADE TOTAL  OU  PARCIAL  PARA  A  VIDA  LABORATIVA.  DEFERIMENTO  DA ISENÇÃO.  O art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, quando versa sobre a isenção  do  IRPF  sobre  os  proventos  de  aposentadoria  em  benefício  de  portador de paralisia irreversível e  incapacitante, não qualifica  se a incapacidade deve ser total ou parcial.  Ora, se a lei não qualifica a incapacidade, não deve o intérprete  fazê­lo, notadamente no âmbito da isenção de tributária, quando  vige o cânone da interpretação literal, na forma do art. 111, II,  do CTN. (Acórdão nº 210201.166, de 17/03/2011)  Fl. 110DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11853.720276/2014­05  Acórdão n.º 2201­003.014  S2­C2T1  Fl. 107          7 Vale  ainda  dizer  que  tal  entendimento  encontra­se  respaldado  pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, como se vê  abaixo:  REsp  1196500  /  MT,  Relator  o  Ministro  Herman  Benjamin,  Segunda  Turma,  unânime,  data  do  julgamento  em  02/12/2010  TRIBUTÁRIO.  IRPF.  ISENÇÃO.  ART.  6º,  XIV,  DA  LEI  7.713/1988.  INTERPRETAÇÃO  LITERAL.  CEGUEIRA.  DEFINIÇÃO MÉDICA. PATOLOGIA QUE ABRANGE TANTO  O  COMPROMETIMENTO  DA  VISÃO  NOS  DOIS  OLHOS  COMO TAMBÉM EM APENAS UM.  1.  Hipótese  em  que  o  recorrido  foi  aposentado  por  invalidez  permanente em razão de cegueira irreversível no olho esquerdo  e  pleiteou,  na  via  judicial,  o  reconhecimento  de  isenção  do  Imposto  de  Renda  em  relação  aos  proventos  recebidos,  nos  termos do art. 6º, XIV, da Lei 7.713/1988.  2.  As  normas  instituidoras  de  isenção  devem  ser  interpretadas  literalmente  (art.  111  do  Código  Tributário  Nacional).  Sendo  assim,  não  prevista,  expressamente,  a  hipótese  de  exclusão  da  incidência  do  Imposto  de  Renda,  incabível  que  seja  feita  por  analogia.  3.  De  acordo  com  a  Classificação  Estatística  Internacional  de  Doenças  e  Problemas  Relacionados  à  Saúde  (CID10),  da  Organização  Mundial  de  Saúde,  que  é  adotada  pelo  SUS  e  estabelece as definições médicas das patologias, a cegueira não  está  restrita  à  perda  da  visão  nos  dois  olhos,  podendo  ser  diagnosticada a partir do comprometimento da visão em apenas  um olho. Assim, mesmo que a pessoa possua visão normal em um  dos  olhos,  poderá  ser  diagnosticada  como  portadora  de  cegueira.  4. A lei não distingue, para efeitos da isenção, quais espécies de  cegueira  estariam  beneficiadas  ou  se  a  patologia  teria  que  comprometer toda a visão, não cabendo ao intérprete fazê­lo.  5.  Assim,  numa  interpretação  literal,  deve­se  entender  que  a  isenção  prevista  no  art.  6º,  XIV,  da  Lei  7.713/88  favorece  o  portador  de  qualquer  tipo  de  cegueira,  desde  que  assim  caracterizada por definição médica.  Dos  documentos  acostados  aos  autos,  resta  claro  que  o  contribuinte  é  portador de cegueira em um dos olhos, desde a data de 05/1948, segundo o que consta de laudo  pericial  acostado  às  fls.  18  dos  autos.  Logo,  os  proventos  de  aposentadoria  ou  reforma  recebidos da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal são rendimentos isentos, nos  termos do disposto no art. no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988.  Ante  tudo  acima  exposto  e  o  que  mais  constam  nos  autos,  voto  dar  provimento ao recurso.  Assinado digitalmente  Carlos César Quadros Pierre  Fl. 111DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11853.720276/2014­05  Acórdão n.º 2201­003.014  S2­C2T1  Fl. 108          8                                 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE

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Numero do processo: 11020.003798/2002-08
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/08/1992 a 31/12/2001 COFNS. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial previsto no art. 168 do C'TN extingue-se em 5 (cinco) anos, contados a partir da data de efetivação do recolhimento indevido, tal como reconhecido pelos PGFN/CAT das 678/99 e 1.538/99. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS CONTRA A FAZENDA EXTINTOS PELA DECADÊNCIA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Assim como não se confundem o direito à repetição do indébito tributário (arts. 165 a 168 do CTN) com as formas de sua execução, que se pode dar mediante compensação (arts. 170 e 170-A do CTN; 66 da Lei if 8.383/91; e 74 da Lei 9.430/96), não se confundem os prazos para pleitear o direito à repetição do indébito (art. 168 do CTN) com os prazos para a homologação de compensação ou para a ulterior verificação de sua regularidade (arts. 156, inciso II, parágrafo único, do CTN; e 74, § 5,da Lei n? 9.430/96, com redação dada pela Lei ri2 10.833, de 29/12/2003 - DOU de 30/12/2003). Ao pressupor a existência de créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), a lei desautoriza a homologação de compensação em pedidos que tenham por objeto créditos contra a Fazenda, cujo direito à restituição ou ao ressarcimento já se ache extinto pela decadência (art. 168 do CTN). BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÕES. PRINCÍPIOS DA„ LEGALIDADE E ISONOMIA. RESTITUIÇÃO INDEVIDA A parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo da Cofins e do PIS. Precedentes do STJ. As autoridades administrativas e tribunais - que não dispõem de função legislativa - não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, beneficios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar com a vantagem. Entendimento diverso, que reconhecesse aos magistrados e administradores essa anômala função jurídica, equivaleria, em última análise, a convertê-los em inadmissíveis legisladores positivos, condição institucional esta que lhes é recusada pela própria Constituição Federal. Recurso negado.
Numero da decisão: 201-80.913
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Nome do relator: Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça

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COUFC:RE COM O ORIGINAL C007./C0 I&agia, _11// to 4. Fls. 686 S.?no Seraa Mal Sapo 91743 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 11020.003798/2002-08 Recurso n° 130.369 Voluntário cotwCs , consit Matéria Cofins hessoncyjno Doo initlieb‘ _ I It. Acórdão n° 201-80.913 rs ?sono, Sessão de 13 de fevereiro de 2008 Recorrente CAFÉ BOM JESUS INDÚSTRIA, COMÉRCIO E AGROPECUÁRIA LTDA. Recorrida DRJ em Porto Alegre - RS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/08/1992 a 31/12/2001 COFNS. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial previsto no art. 168 do C'TN extingue-se em 5 (cinco) anos, contados a partir da data de efetivação do recolhimento indevido, tal como reconhecido pelos PGFN/CAT das 678/99 e 1.538/99. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS CONTRA A FAZENDA EXTINTOS PELA DECADÊNCIA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Assim como não se confundem o direito à repetição do indébito tributário (arts. 165 a 168 do CTN) com as formas de sua execução, que se pode dar mediante compensação (arts. 170 e 170-A do CTN; 66 da Lei if 8.383/91; e 74 da Lei 9.430/96), não se confundem os prazos para pleitear o direito à repetição do indébito (art. 168 do CTN) com os prazos para a homologação de compensação ou para a ulterior verificação de sua regularidade (arts. 156, inciso II, parágrafo único, do CTN; e 74, § 5,da Lei n? 9.430/96, com redação dada pela Lei ri2 10.833, de 29/12/2003 - DOU de 30/12/2003). Ao pressupor a existência de créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), a lei desautoriza a homologação de compensação em pedidos que tenham por objeto créditos contra a Fazenda, cujo direito à restituição ou ao ressarcimento já se ache extinto pela decadência (art. 168 do CTN). BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÕES. PRINCÍPIOS DA„ LEGALIDADE E ISONOMIA. RESTITUIÇÃO INDEVIDA. .?city ttk \ ME • SEGUNDO CONSELHO DE CONTICSUINTES u01.FERE COM O ORIGINAL Processo n.° 11020.003798/2002-08 CCO7JC01 Acórdão n.° 201-80.913 Brunia ir 3.0e A Fls. 687 S.Mo teoria lhe Ssape 91745 A parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo da Cofins e do PIS. Precedentes do STJ. As autoridades administrativas e tribunais - que não dispõem de função legislativa - não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, beneficios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar com a vantagem. Entendimento diverso, que reconhecesse aos magistrados e administradores essa anômala função jurídica, equivaleria, em última análise, a convertê-los em inadmissíveis legisladores positivos, condição institucional esta que lhes é recusada pela própria Constituição Federal. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. CUU:OL ttUk) aOSE A MARIA COELHO MARQUES Presidente 41AA.Q11/1110k/etéli(7/1// FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maurício Taveira e Silva e José Antonio Francisco. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Processo n.° 11020.003798/2002-08CCO2/C01MF SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Acórdão n.° 201-80.913 CONFERE COMO ORIGINAL Fls. 688 Batalha. /ff stvio 9st3s. 14a... • 91745 Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 616/648, vol. III) contra o v. Acórdão DRJ/POA n2 5.138, de 27/01/2005 (fls. 604/609, vol. III), intimado em 16/02/2005 (fl. 615) e exarado pela 2 Turma da DRJ em Porto Alegre - RS, que, por unanimidade de votos, houve por bem indeferir a manifestação de inconformidade de fls. 578/597 (vol. III), deixando de homologar o pedido de restituição de Cofins de fl. 01, formulado em 22/08/2002 e pedidos de compensação de fls. 539/544 (vol. II), todos indeferidos por Despacho Decisório da Saort da DRF em Caxias do Sul - RS (fls. 563/566, vol. III), através dos quais a ora recorrente pretendia ver restituídos recolhimentos a maior de Cofins no valor de R$ 550.654,10, efetuados no período de 08/92 a 12/2001 (cf. Guias Darfs de fls. 21/68 e demonstrativos de fls. 03/12), com débitos vincendos administrados pela SRF e objeto dos pedidos de compensação de fls. 539/544 (vol. II). Por seu turno, a r. Decisão de fls. 604/609, vol. III), exarada pela 2 11 Turma da DRJ em Porto Alegre - RS, houve por bem indeferir a manifestação de inconformidade de fls. 578/597 (vol. III), deixando de homologar o pedido de restituição de Cofins de fl. 01, formulado em 22/08/2002, e pedidos de compensação de fls. 539/544 (vol. II), aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cotins Período de apuração: 01/08/1992 a 31/12/2001 Ementa: ICMS - O ICMS compõe o preço das mercadorias e serviços sobre os quais incide e, conseqüentemente, o faturamento. Sendo um imposto sobre as vendas, deve compor a receita bruta para efeito de base de calculo da Cofins. DECADÊNCIA - O direito de pleitear a restituição ou a compensação de valores pagos a maior/indevidamente, extingue-se em 5 anos, contados a partir da data de efetivação do suposto indébito, posição corroborada pelos PGFN/CAT 678/99 e PGFN/CAT 1538/99. Solicitação Indeferida". Nas razões de recurso voluntário (fls. 616/648, vol. III) oportunamente apresentadas a ora recorrente sustenta a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito compensando, tendo em vista: a) a inocorrência da decadência, conforme a jurisprudência judicial que cita; e b) a legitimidade de seus direitos à restituição e à compensação pleiteados, nos termos da jurisprudência citada. Às fls. 670/672 a d. Fiscalização noticia a desistência parcial do presente recurso pela autuada relativamente aos débitos dos períodos de apuração de 02/2003, 03/2003, 04/200 e 05/2003 (cf. fl. 671). É o Relatório. 4Nti\j1/4_ • Processo n.° 11020.003798/2002-08 ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO2/C01 Acórdão n.°201-80.913 CONFERE C'Ot.1 O CR:OINAL Fls. 689 Stasina, C9, ira° &Mo 5>ffrE0s aMat.. S 91745 Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, mas, no mérito, não merece provimento. A conclusão da r. decisão recorrida efetivamente não destoa da jurisprudência deste Conselho, que há muito já assentou que o prazo decadencial previsto no art. 168 do CTN extingue-se em 5 (cinco) anos, contados a partir da data de efetivação do recolhimento indevido, tal como reconhecido pelos PGFN/CAT n2s 678/99 e 1.538/99. Conseqüentemente, o pedido de restituição da Cofins formulado em 15/08/2002 não poderia abranger recolhimentos anteriores a 15/08/97. De fato, como também é elementarmente sabido, o direito à repetição do indébito tributário, seja em razão de erro de fato ou de direito, decorre diretamente da própria Constituição e encontra seu fundamento jurídico nos princípios da legalidade da tributação e da administração constitucionalmente assegurados (arts. 37 e 150, inciso I, da CF/88), que, como ensina Brandão Machado, consubstanciam não só o "fio diretor do comportamento da administração pública", mas também a "fonte' do direito público subjetivo do indivíduo de não ser tributado senão exatamente como prescreve a lei (cf. in "Estudos em homenagem ao Prof. Ruy Barbosa Nogueira", Ed. Saraiva, 1984, pág. 86), cuja inobservância enseja violação do direito de quem paga o tributo, que, por sua vez, adquire, no exato momento em que cumpre a obrigação tributária indevida, os direitos ao crédito e à pretensão contra a Fazenda Pública da restituição do indébito. Entretanto, assim como não se confundem o direito à repetição do indébito tributário (arts. 165 a 168 do CTN) com as formas de sua execução, que se pode dar mediante compensação (arts. 170 e 170-A do CTN; 66 da Lei n2 8.383/91; e 74 da Lei n2 9.430/96), não se confundem os prazos para pleitear o direito à repetição do indébito (art. 168 do CTN) com os prazos para a homologação de compensação ou para a ulterior verificação de sua regularidade (arts. 156, inciso II, parágrafo único, do CTN; e 74, § 52, da Lei n2 9.430/96, com redação dada pela Lei n2 10.833, de 29/12/2003 - DOU de 30/12/2003). Ao pressupor a existência de "créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública" (art. 170 do CTN), é evidente que a lei desautoriza a homologação de compensação em pedidos que tenham por objeto créditos contra a Fazenda, cujo direito à restituição ou ao ressarcimento já se ache extinto pela decadência (art. 168 do CTN). No caso concreto, verifica-se que, através do pedido de restituição de Cofins de fl. 01, formulado em 22/08/2002, a ora recorrente pretendia ver restituídos recolhimentos a maior de Cofins no valor de R$ 550.654,10, efetuados no período de 08/92 a 12/2001 (cf. Guias Darfs de fls. 21/68 e demonstrativos de fls. 03/12), cujo prazo para restituição já se tinha expirado desde 08/97. Mas também no período não atingido pela decadência a r. decisão recorrida mostra-se incensurável. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL PrOCCSSO n.• 11020.003798/2002-08 CCO2/C01 Acórdão n.°201-80313 BrasIlia, 1 / Fls. 690 5:19.4 "SirÍa4:josa Ma.: Sina 9/745 '— Realmente, por outro lado, como acertadamente ressaltou a r. decisão recorrida, ao contrário do que ocorre com o IPI e o ICMS, por expressa disposição do art. 13 da LC n2 87/96, integra o preço da mercadoria faturado que é apurado "por dentro", não havendo previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS, contrariamente ao que ocorre no caso do IPI (art. 3 2 da Lei n2 9.715/98). Nesse sentido anoto que a matéria já se pacificou no âmbito do STJ, como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL COIVFIGURÁDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SÚMULAS 68 E 94 DO STJ. I. A parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo da COFINS e do PIS, ante a ratio essendi das Súmulas 68 e 94 do 2. Precedentes jurisprudenciais do STJ: Ag 666548/RJ, desta relatoria, DJ de 14.12.2005; RESP 496.969/RS, Relator Ministro Franciulli Netto, I» de 14/03/2005; RESP 668.571/RS, Relatora Ministra Eliana Calmon, DJ de 13/12/2004 e RESP 572.805/SC, Relator Ministro José Delgado, DJ de 10/05/2004. 3. Embargos de declaração acolhidos para sanar o erro material e negar provimento ao recurso especial interposto por Irmãos Amalcaburio Ltda e Outros (fls. 564/592)." (cf. Acórdão da 1 2 Turma do STJ no EDcl no AgRg no REsp n2 706.766-RS, Reg. n2 2004/0168598 -2, em sessão de 18/05/2006, rel. Min. Luiz Fux, publ. in DJU de 29/05/2006, p. 169) • Se não bastasse, a jurisprudência desta Corte Administrativa também já assentou que a autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelo Poder Legislativo, sendo certo ainda que, no caso excogitado (exclusão de base de cálculo não prevista em lei), a Suprema Corte tem reiterado que, tal como ocorre com as autoridades administrativas, mesmo os "magistrados e Tribunais - que não dispõem de função legislativa - não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, o beneficio da exclusão do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar com a vantagem da isenção. Entendimento diverso, que reconhecesse aos magistrados essa anómala função jurídica, equivaleria, em última análise, a converter o Poder Judiciário em inadmissível legislador positivo, condição institucional esta que lhe é recusada pela própria Lei Fundamental do Estado. Em tema de controle de constitucionalidade de atos estatais, o Poder Judiciário só atua como legislador negativo" (RTJ 146/461, rel. MM. Celso de Mello). (cf. Acórdão da 1 2 Turma do STF no Agr. Reg. no AI n2 171.733-SP, rel. Min. Celso de Mello, publ. in RTJ vol. 188/237). Considerando a inexistência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública - vez que já se achavam extintos pela decadência por ocasião do pedido de restituição de fl. 01 -, os débitos eventual e indevidamente compensados devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 72 e 82 do art. 74 da Lei n2 9.430/96 (redação da Lei n2 10.833<At de 2003). • ME- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • CONFERE COMO OR:GINAL Processo n.° 11020.00379812002-08CCO2/C01 Acórdão n. • 201-80.913 Brasil/a. 1006 - Fls. 691 Uru .A063 t.: Supe 91745 Isto posto, pelas razões expostas, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, mantendo a r. decisão recorrida, por seus próprios e jurídicos fundamentos. É o meu voto. Sa das Sessões, em 13 de fevereiro de 2008. CANtôt0tidit&QW FERNANDO LUIZ DA GAMid. -.0B0 D'EÇA sQV"- Page 1 _0017700.PDF Page 1 _0017900.PDF Page 1 _0018100.PDF Page 1 _0018300.PDF Page 1 _0018500.PDF Page 1

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Numero do processo: 19515.722441/2013-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2009, 01/01/2010 a 01/01/2011 CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS PREVISTOS NO ART. 3º, II, DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMOS. RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA COM O PROCESSO DE PRODUÇÃO E FABRICAÇÃO DE BENS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No regime de apuração não cumulativa das contribuições ao PIS e à COFINS, o desconto de créditos das aquisições de bens e direitos utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens destinados a venda (art. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03), está condicionado a relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem ou prestação de serviços pelo contribuinte, analisada em cada caso em concreto, não sendo aplicável o conceito restrito das IN’s 247/02 e 404/04, que equiparou o insumo aos produtos intermediários no âmbito do IPI e nem o conceito mais elástico de despesa necessária previsto para o IRPJ. FRETES. TRANSPORTE DE MATÉRIA PRIMA ENTRE A FLORESTA E A FÁBRICA Os custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de eucaliptos e a fábrica configuram o custo de produção da celulose e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas. CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO. As despesas com movimentação de produto acabado, antes de sua venda não geram créditos no regime da não-cumulatividade. CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. AQUISIÇÃO A aquisição, a que se refere o inciso I do §1º dos artigos 3º das Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, deve ser entendida como a tradição das coisas móveis, ou, no caso de serviços, o reconhecimento do estágio de execução (serviços em várias etapas) ou da conclusão, no caso de serviço de uma única etapa. RATEIO PROPORCIONAL. NÃO RECONHECIMENTO. PRECLUSÃO Nos termos do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, os documentos que comprovam as alegações do contribuinte devem ser juntados em sede de impugnação sob pena de preclusão do direito. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. COMBUSTÍVEIS. NATUREZA DE INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. Os combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços geram créditos do regime de apuração não-cumulativa da Contribuição para o PíS/Pasep. CRÉDITOS COM CALÇOS PARA ALINHAMENTO DE ALTURA DOS EQUIPAMENTOS ROTATIVOS. INDISPENSABILIDADE. Os calços são equipamento necessários para a utilização das máquinas de corte de eucalipto, árvore alta. Matéria prima da produção de celulose. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. IMPOSIÇÃO NORMATIVA. A utilização de E.P.I. é indispensável para a segurança dos funcionários. Imposição prevista na legislação trabalhista, incluindo acordos e convenções firmados pelo sindicato das categorias profissionais dos empregados da empresa. SERVIÇOS UTILIZADOS EM ANÁLISES LABORATORIAIS. A produção de celulose contém a fase laboratorial, onde são clonadas as mudas de eucalipto para atender à gramatura adequada da futura extração de celulose. Serviço técnico científico específico, essencial à obtenção do produto final. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3302-003.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e negar o pedido de diligência. No mérito, por maioria de votos, em manter o método de rateio proporcional conforme decisão de piso, vencida a Conselheira Lenisa Prado. Pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a apropriação dos créditos na aquisição de insumos, segundo método adotado pelo contribuinte, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Walker Araújo, Relator, e as Conselheiras Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Sarah Araújo, que negavam provimento ao Recurso neste particular. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação ao aproveitamento de créditos extemporâneos, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, que dava provimento. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito para os calços para alinhamento de altura de equipamentos rotativos, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá e Walker Araújo, Relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Lenisa Prado. Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito (i) nos gastos com movimentação de materiais e insumos e locação de guindastes; (ii) insumos utilizados em análises químicas em laboratório e (iii) armazenagem de insumos. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito na aquisição de equipamento de proteção individual, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Relator, e Ricardo Paulo Rosa. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Lenisa Prado. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos com serviços utilizados em análises químicas em laboratório. Vencidos os Conselheiros, Walker Araújo, Relator, e Ricardo Paulo Rosa. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Lenisa Prado. Por maioria de votos, em não conceder o direito de créditos na aquisição de bens e serviços utilizados no tratamento de resíduos. Vencidos Domingos de Sá, Lenisa Prado e Walker Araújo, Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito para (i) Partes e Peças de Reposição Utilizados como Insumo (ii) Insumos Empregados na Constituição de Florestas, exceto para manutenção e construção de estradas e pontes, (iii) e fretes, exceto para produto acabado. Também por unanimidade, em negar o direito de crédito nos gastos com (i) Materiais de Construção Civil utilizado como Insumos e (v) Passagens, hospedagens e despesas de veículos. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos com GLP utilizado em empilhadeiras; óleo diesel, óleo biodiseel marítimo, óleo biodiseel e GLP a granel, vencidos o Conselheiros José Fernandes do Nascimento e a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar. Por maioria de votos, em conceder o direito de crédito na aquisição de Insumos adquiridos de terceiros,vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que não reconhecia o direito para gastos com pesquisa. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito para equipamento para proteção individual, no item "alimentos, fardamentos e equipamento de proteção individual", vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Relator, e Ricardo Paulo Rosa, que não reconheciam o direito. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Lenisa Prado. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos para embalagem de apresentação e transporte, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Araujo e Ricardo Paulo Rosa, que não reconheciam o direito de crédito nos gastos com transporte. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dérouléde - Redator designado. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado - Redator designado. EDITADO EM: 10/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2009, 01/01/2010 a 01/01/2011 CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS PREVISTOS NO ART. 3º, II, DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMOS. RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA COM O PROCESSO DE PRODUÇÃO E FABRICAÇÃO DE BENS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No regime de apuração não cumulativa das contribuições ao PIS e à COFINS, o desconto de créditos das aquisições de bens e direitos utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens destinados a venda (art. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03), está condicionado a relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem ou prestação de serviços pelo contribuinte, analisada em cada caso em concreto, não sendo aplicável o conceito restrito das IN’s 247/02 e 404/04, que equiparou o insumo aos produtos intermediários no âmbito do IPI e nem o conceito mais elástico de despesa necessária previsto para o IRPJ. FRETES. TRANSPORTE DE MATÉRIA PRIMA ENTRE A FLORESTA E A FÁBRICA Os custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de eucaliptos e a fábrica configuram o custo de produção da celulose e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas. CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO. As despesas com movimentação de produto acabado, antes de sua venda não geram créditos no regime da não-cumulatividade. CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. AQUISIÇÃO A aquisição, a que se refere o inciso I do §1º dos artigos 3º das Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, deve ser entendida como a tradição das coisas móveis, ou, no caso de serviços, o reconhecimento do estágio de execução (serviços em várias etapas) ou da conclusão, no caso de serviço de uma única etapa. RATEIO PROPORCIONAL. NÃO RECONHECIMENTO. PRECLUSÃO Nos termos do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, os documentos que comprovam as alegações do contribuinte devem ser juntados em sede de impugnação sob pena de preclusão do direito. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. COMBUSTÍVEIS. NATUREZA DE INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. Os combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços geram créditos do regime de apuração não-cumulativa da Contribuição para o PíS/Pasep. CRÉDITOS COM CALÇOS PARA ALINHAMENTO DE ALTURA DOS EQUIPAMENTOS ROTATIVOS. INDISPENSABILIDADE. Os calços são equipamento necessários para a utilização das máquinas de corte de eucalipto, árvore alta. Matéria prima da produção de celulose. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. IMPOSIÇÃO NORMATIVA. A utilização de E.P.I. é indispensável para a segurança dos funcionários. Imposição prevista na legislação trabalhista, incluindo acordos e convenções firmados pelo sindicato das categorias profissionais dos empregados da empresa. SERVIÇOS UTILIZADOS EM ANÁLISES LABORATORIAIS. A produção de celulose contém a fase laboratorial, onde são clonadas as mudas de eucalipto para atender à gramatura adequada da futura extração de celulose. Serviço técnico científico específico, essencial à obtenção do produto final. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e negar o pedido de diligência. No mérito, por maioria de votos, em manter o método de rateio proporcional conforme decisão de piso, vencida a Conselheira Lenisa Prado. Pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a apropriação dos créditos na aquisição de insumos, segundo método adotado pelo contribuinte, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Walker Araújo, Relator, e as Conselheiras Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Sarah Araújo, que negavam provimento ao Recurso neste particular. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação ao aproveitamento de créditos extemporâneos, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, que dava provimento. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito para os calços para alinhamento de altura de equipamentos rotativos, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá e Walker Araújo, Relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Lenisa Prado. Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito (i) nos gastos com movimentação de materiais e insumos e locação de guindastes; (ii) insumos utilizados em análises químicas em laboratório e (iii) armazenagem de insumos. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito na aquisição de equipamento de proteção individual, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Relator, e Ricardo Paulo Rosa. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Lenisa Prado. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos com serviços utilizados em análises químicas em laboratório. Vencidos os Conselheiros, Walker Araújo, Relator, e Ricardo Paulo Rosa. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Lenisa Prado. Por maioria de votos, em não conceder o direito de créditos na aquisição de bens e serviços utilizados no tratamento de resíduos. Vencidos Domingos de Sá, Lenisa Prado e Walker Araújo, Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito para (i) Partes e Peças de Reposição Utilizados como Insumo (ii) Insumos Empregados na Constituição de Florestas, exceto para manutenção e construção de estradas e pontes, (iii) e fretes, exceto para produto acabado. Também por unanimidade, em negar o direito de crédito nos gastos com (i) Materiais de Construção Civil utilizado como Insumos e (v) Passagens, hospedagens e despesas de veículos. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos com GLP utilizado em empilhadeiras; óleo diesel, óleo biodiseel marítimo, óleo biodiseel e GLP a granel, vencidos o Conselheiros José Fernandes do Nascimento e a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar. Por maioria de votos, em conceder o direito de crédito na aquisição de Insumos adquiridos de terceiros,vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que não reconhecia o direito para gastos com pesquisa. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito para equipamento para proteção individual, no item "alimentos, fardamentos e equipamento de proteção individual", vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Relator, e Ricardo Paulo Rosa, que não reconheciam o direito. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Lenisa Prado. Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos para embalagem de apresentação e transporte, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Araujo e Ricardo Paulo Rosa, que não reconheciam o direito de crédito nos gastos com transporte. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dérouléde - Redator designado. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado - Redator designado. EDITADO EM: 10/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2428; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 2          1 1  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.722441/2013­17  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3302­003.155  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de abril de 2016  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO ­ PIS/COFINS  Recorrente  FIBRIA CELULOSE S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2009, 01/01/2010 a 01/01/2011  CRÉDITO  SOBRE DISPÊNDIOS  PREVISTOS  NO ART.  3º,  II,  DA  LEI  10.833/2003. CONCEITO DE  INSUMOS. RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA  E  DEPENDÊNCIA  COM  O  PROCESSO  DE  PRODUÇÃO  E  FABRICAÇÃO DE BENS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.  No  regime  de  apuração  não  cumulativa  das  contribuições  ao  PIS  e  à  COFINS, o desconto de créditos das aquisições de bens e direitos utilizados  como insumo na produção ou fabricação de bens destinados a venda (art. 3°,  II,  das  Leis  n°s  10.637/02  e  10.833/03),  está  condicionado  a  relação  de  pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação  do bem ou prestação de  serviços pelo  contribuinte,  analisada em cada  caso  em  concreto,  não  sendo  aplicável  o  conceito  restrito  das  IN’s  247/02  e  404/04,  que  equiparou  o  insumo  aos  produtos  intermediários  no  âmbito  do  IPI  e  nem  o  conceito  mais  elástico  de  despesa  necessária  previsto  para  o  IRPJ.  FRETES. TRANSPORTE DE MATÉRIA PRIMA ENTRE A FLORESTA E  A FÁBRICA  Os custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de  eucaliptos e a fábrica configuram o custo de produção da celulose e, por tal  razão,  integram  a  base  de  cálculo  do  crédito  das  contribuições  não­ cumulativas.  CRÉDITOS.  DESPESAS  OPERACIONAIS.  TRANSPORTE  DE  PRODUTO ACABADO.  As despesas com movimentação de produto acabado, antes de sua venda não  geram créditos no regime da não­cumulatividade.  CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. AQUISIÇÃO     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 24 41 /2 01 3- 17 Fl. 11599DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 3          2 A  aquisição,  a  que  se  refere  o  inciso  I  do  §1º  dos  artigos  3º  das  Lei  nº  10.637/2002  e Lei  nº  10.833/2003,  deve  ser  entendida  como  a  tradição  das  coisas  móveis,  ou,  no  caso  de  serviços,  o  reconhecimento  do  estágio  de  execução (serviços em várias etapas) ou da conclusão, no caso de serviço de  uma única etapa.  RATEIO PROPORCIONAL. NÃO RECONHECIMENTO. PRECLUSÃO  Nos termos do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, os documentos que  comprovam  as  alegações  do  contribuinte  devem  ser  juntados  em  sede  de  impugnação sob pena de preclusão do direito.  CREDITAMENTO  EXTEMPORÂNEO.  DACON.  RETIFICAÇÕES.  COMPROVAÇÃO.  Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada  a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações  correspondentes,  ou  apresentação  de  outra  prova  inequívoca  da  sua  não  utilização.  PIS  E  COFINS.  REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  COMBUSTÍVEIS.  NATUREZA DE INSUMO. DIREITO A CRÉDITO.  Os  combustíveis  e  lubrificantes  utilizados  ou  consumidos  no  processo  de  produção  de  bens  e  serviços  geram  créditos  do  regime  de  apuração  não­ cumulativa da Contribuição para o PíS/Pasep.  CRÉDITOS COM CALÇOS PARA ALINHAMENTO DE ALTURA DOS  EQUIPAMENTOS ROTATIVOS. INDISPENSABILIDADE.  Os  calços  são  equipamento  necessários  para  a  utilização  das  máquinas  de  corte de eucalipto, árvore alta. Matéria prima da produção de celulose.  EQUIPAMENTO  DE  PROTEÇÃO  INDIVIDUAL.  IMPOSIÇÃO  NORMATIVA.   A  utilização  de  E.P.I.  é  indispensável  para  a  segurança  dos  funcionários.  Imposição prevista na legislação trabalhista, incluindo acordos e convenções  firmados  pelo  sindicato  das  categorias  profissionais  dos  empregados  da  empresa.   SERVIÇOS UTILIZADOS EM ANÁLISES LABORATORIAIS.  A  produção  de  celulose  contém  a  fase  laboratorial,  onde  são  clonadas  as  mudas de eucalipto para atender à gramatura adequada da futura extração de  celulose.  Serviço  técnico  científico  específico,  essencial  à  obtenção  do  produto final.  Recurso Voluntário Provido em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as  preliminares e negar o pedido de diligência.   Fl. 11600DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 4          3 No mérito, por maioria de votos, em manter o método de rateio proporcional  conforme decisão de piso, vencida a Conselheira Lenisa Prado.   Pelo  voto  de  qualidade,  em  dar  provimento  ao  Recurso  Voluntário  para  reconhecer a apropriação dos créditos na aquisição de insumos, segundo método adotado pelo  contribuinte,  vencidos  os  Conselheiros  José  Fernandes  do  Nascimento  e  Walker  Araújo,  Relator,  e  as  Conselheiras Maria  do  Socorro  Ferreira  Aguiar  e  Sarah Araújo,  que  negavam  provimento ao Recurso neste particular. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro  Paulo Guilherme Déroulède.   Por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário  em  relação ao aproveitamento de créditos extemporâneos, vencido o Conselheiro Domingos de Sá,  que dava provimento.   Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito para os calços para  alinhamento de altura de equipamentos rotativos, vencidos os Conselheiros José Fernandes do  Nascimento,  Domingos  de  Sá  e  Walker  Araújo,  Relator.  Designada  para  redigir  o  voto  vencedor a Conselheira Lenisa Prado.   Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito (i) nos gastos  com movimentação de materiais e insumos e locação de guindastes; (ii) insumos utilizados em  análises químicas em laboratório e (iii) armazenagem de insumos.   Por  maioria  de  votos,  em  reconhecer  o  direito  de  crédito  na  aquisição  de  equipamento de proteção individual, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento,  Walker  Araújo,  Relator,  e  Ricardo  Paulo  Rosa.  Designada  para  redigir  o  voto  vencedor  a  Conselheira Lenisa Prado.   Por  maioria  de  votos,  em  reconhecer  o  direito  de  crédito  nos  gastos  com  serviços  utilizados  em  análises  químicas  em  laboratório.  Vencidos  os  Conselheiros, Walker  Araújo, Relator, e Ricardo Paulo Rosa. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira  Lenisa Prado.   Por maioria de votos, em não conceder o direito de créditos na aquisição de  bens e serviços utilizados no tratamento de resíduos. Vencidos Domingos de Sá, Lenisa Prado  e  Walker  Araújo,  Relator.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  Conselheiro  Paulo  Guilherme Déroulède.   Por unanimidade de votos, em reconhecer o direito de crédito para (i) Partes e  Peças  de  Reposição  Utilizados  como  Insumo  (ii)  Insumos  Empregados  na  Constituição  de  Florestas, exceto para manutenção e construção de estradas e pontes, (iii) e fretes, exceto para  produto acabado.   Também por unanimidade, em negar o direito de crédito nos gastos com (i)  Materiais  de  Construção  Civil  utilizado  como  Insumos  e  (v)  Passagens,  hospedagens  e  despesas de veículos.   Por maioria de votos, em reconhecer o direito de crédito nos gastos com GLP  utilizado em empilhadeiras; óleo diesel, óleo biodiseel marítimo, óleo biodiseel e GLP a granel,  vencidos  o  Conselheiros  José  Fernandes  do  Nascimento  e  a  Conselheira Maria  do  Socorro  Ferreira Aguiar.   Fl. 11601DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 5          4 Por  maioria  de  votos,  em  conceder  o  direito  de  crédito  na  aquisição  de  Insumos  adquiridos  de  terceiros,vencido  o Conselheiro  Paulo Guilherme Déroulède  que  não  reconhecia o direito para gastos com pesquisa.   Por maioria de votos,  em  reconhecer o direito de  crédito para  equipamento  para  proteção  individual,  no  item  "alimentos,  fardamentos  e  equipamento  de  proteção  individual", vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Relator,  e Ricardo Paulo Rosa, que não reconheciam o direito. Designada para redigir o voto vencedor a  Conselheira Lenisa Prado.   Por  maioria  de  votos,  em  reconhecer  o  direito  de  crédito  nos  gastos  para  embalagem  de  apresentação  e  transporte,  vencidos  os  Conselheiros  Paulo  Guilherme  Déroulède, Sarah Araujo e Ricardo Paulo Rosa, que não reconheciam o direito de crédito nos  gastos com transporte.  (assinado digitalmente)  Ricardo Paulo Rosa ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Walker Araujo ­ Relator.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Dérouléde ­ Redator designado.  (assinado digitalmente)  Lenisa Rodrigues Prado ­ Redator designado.  EDITADO EM: 10/06/2016  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Ricardo  Paulo Rosa  (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do  Socorro  Ferreira  Aguiar,  Domingos  de  Sá  Filho,  Lenisa  Rodrigues  Prado,  Sarah  Maria  Linhares de Araújo e Walker Araujo.  Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos  adoto  e  transcrevo  o  relatório  do  acórdão  recorrido:  Trata­se de impugnação apresentada contra os lançamentos das contribuições  para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade  Social  (Cofins),  ambas  com  incidência não­cumulativa,  referentes  aos  fatos  geradores  ocorridos  nos  períodos  mensais  de  competência  de  janeiro  a  setembro  de  2009  e  de  janeiro  de  2010  a  janeiro  de  2011,  bem  como  do  lançamento  de multa  regulamentar  isolada  decorrente  de  indeferimentos  de  Fl. 11602DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 6          5 Pedidos  de  Ressarcimento  e  da  não  homologação  de  Dcomp,  objetos  de  outros processos administrativos.  Os  lançamentos  se  referem às diferenças  entre os valores das  contribuições,  declaradas  nas  respectivas Declaração  de Débitos  e Créditos Tributários Federais  (DCTF)  e  os  valores  efetivamente  devidos,  decorrentes  (i)  do  rateio  proporcional  entre  as  receitas  de  exportação  e  do  mercado  interno,  em  desacordo com as normas  tributárias,  (ii) de glosas de  créditos do PIS e da  Cofins,  ambas  com  incidência  não­cumulativa,  apropriados  e  aproveitados  indevidamente  sobre  custos  e  despesas  que,  segundo  o  autuante,  não  estão  amparados  nas  Leis  nº  10.637,  de  30/12/2002,  e  nº  10.833,  de  29/12/2003,  respectivamente,  e,  (iii)  glosas  de  créditos  aproveitados,  de  forma  extemporânea,  e,  ainda,  à  multa  regulamentar  isolada  decorrente  de  indeferimento de PER e da não homologação de Dcomp, conforme Termo de  Verificação  Fiscal  às  fls.  10.826/10.884,  parte  integrante  dos  autos  de  infração, conforme Termo de Verificação Fiscal às fls. 10.826/10.884, parte  integrante dos autos de infração.  Intimado dos lançamentos, o interessado impugnou­os (fls. 10.898/10.968),  alegando, em síntese:  I – em preliminar:  I.1  ­  a  nulidade  do  auto  de  infração  da  multa  regulamentar  isolada,  sob  o  argumento  de  ausência  da  indicação  da  base  de  cálculo  das  multa,  afrontando  o  Decreto  nº  70.235,  de  1972,  art.  10,  inciso  V,  e,  conseqüentemente,  cerceamento  do  seu  direito  de  defesa;  e,  ainda,  erro  do  cálculo  da  multa  isolada referente ao 4º trimestre de 2001, tendo em vista que os créditos cujos  fatos  geradores  ocorreram  em  04/11/2001,  pleiteados  nos  processo  de  ressarcimento  nºs.  10880.941619/2012­11  (PIS  e  10880.941650/2012­44  (Cofins),  foram  de  R$  6.384.854,91  e  R$29.409.028,73,  respectivamente;  sendo  que  os  valores  indeferidos  foram  de  R$  3.170.705,86  e  R$  14.604.435,57,  o  que  implicaria  multas  de  R$  1.585.352,93  e  R$  7.302.217,79, segundo a Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 15, e não os valores  de R$ 3.339.809,90 e R$ 15.383.364,98, exigidos no auto de  infração, com  afronta ao art. 142 do CTN; e,  I.2  –  nulidade  dos  autos  de  infração  do PIS  e  da Cofins,  sob  a  alegação  de  ausência  de  motivação  da  glosa  dos  créditos  de  importação;  e  de  equívoco  no  critério  utilizado  pela  fiscalização  para  se  apurar  o  índice  de  rateio  proporcional entre as receitas do mercado interno e de exportação, por não ter  sido consideradas as receitas indiretas, via comercial exportadora.  II – no mérito:  II.1 – auto de infração da multa isolada: alega que não ocorreu fato típico que  ensejasse a aplicação da multa regulamentar isolada, porque o fato de os pedidos de  ressarcimento/compensação ter sido indeferido não caracterizou ato ilícito e,  ainda, que o caracterizasse, a multa somente poderia ter sido aplicado depois  de analisados e indeferidos todos os pedidos, sendo que as manifestações de  inconformidade (doc. 05) apresentadas nos processo que tratam dos 3º e 4º de  Fl. 11603DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 7          6 trimestres de 2010 e dos 1º e 4º de 2011, estão pendentes de julgamento (doc.  06);  II.2 – autos de infração de PIS e Cofins:  II.2.1  –  equívoco  no  critério  utilizado  pela  fiscalização  para  apuração  do  índice de rateio proporcional entre as receitas de exportação e do mercado interno, a  fiscalização utilizou o entendimento do ADI SRF nº 22/2002, considerando  apenas as  receitas de exportação registradas no SISCOMEX, conforme data  de  embarque,  contudo  este  entendimento  é  equivocado  e  não  se  aplica  aos  créditos do PIS e da Cofins por falta de base legal; a norma a ser aplicada é o  do § 3º, c/c o § 8º, ambos do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002,  levando­se em conta os custos, despesas e encargos aplicados para obtenção  da receita bruta auferida em cada mês;  II.2.2  – momento  de  apuração  dos  créditos,  a  fiscalização  adotou  a  data  da  respectiva  nota  fiscal,  sem  admitir  qualquer  flexibilização,  no  entanto,  a  lei  não  impede seus aproveitamentos em datas posteriores;  II.2.3  –  o  aproveitamento  de  créditos  em  meses  subsequentes  e  a  desnecessidade de retificação dos Dacon e DCTF, defendeu o entendimento de que a  lei não estabelece uma obrigação para o contribuinte aproveitar os créditos em  determinado momento;  II.2.4  –  glosa  de  créditos  sobre  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos,  alegou a  improcedência dos  fundamentos  dos  autos de  infração com base nas  INs  SRF nºs 247/2002 e 404/2004, defendendo o aproveitamento de créditos sobre  todos  os  custos  e  despesas  incorridos  com  a  produção  dos  bens,  sem  quaisquer  restrições,  desde  que  indispensáveis  ao  processo  produtivo;  discorreu longamente sobre o processo produtivo e sobre os bens e serviços  glosados pela fiscalização, defendendo o aproveitamento de créditos sobre as  partes de reposição utilizadas como insumos; sobre os custos com materiais  de construção; sobre combustíveis utilizados como insumos; sobre os custos  utilizados na formação de florestas decorrentes de exaustão e depreciação do  ativo  imobilizado,  sob  o  argumento  de  que,  se  a  base  de  cálculo  das  contribuições  é  o  faturamento mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  independentemente  de  sua  denominação  ou  classificação  contábil,  o  aproveitamento  de  créditos  também  seria  sobre  todos  os  custos  e  despesas  incorridos  para  obtenção  do  faturamento;  insumos  não  adquiridos  de  terceiros, alega que somente apropria custos sobre bens e serviços adquiridos  de terceiros;  II.2.5  –  glosas  de  despesas  de  fretes,  defende  o  aproveitamento  de  créditos  sobre  os  custos/despesas  com  fretes  incorridos  na  aquisição  de  insumos,  na  transferência  de  produtos  em  elaboração,  na  colocação  do  produto  acabado  no  estabelecimento  vendedor,  sob  o  argumento  de  que  todos  são  custos  de  produção,  nos  termos  do  inciso  II  do  art.  3º  das  Leis  nº  10.637/2002  e  10.833/2002;   II.2.6 – ilegalidade da glosa sobre alimentos, fardamentos e equipamentos de  proteção  individual,  defendeu  o  aproveitamento  sob  o  argumento  de  que  são  indispensáveis e obrigatórios para a produção da  celulose,  produto  fabricado  por ele (interessado);   Fl. 11604DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 8          7 II.2.7 – embalagem de apresentação e transporte, também sob o argumento de  que integra o custo de seu produto, defende o aproveitamento de créditos sobre tais  custos/despensas;  II.2.8  –  despesas  com  passagens,  hospedagem  e  veículos,  sob  o  mesmo  argumento de que, em face da atividade realizada no campo, tais despesas tornam­se  imprescindíveis ao seu processo produtivo;  II.2.9 – créditos vinculados à receita de exportação, caso não seja admitido os  créditos  sobre  os  custos  (encargos  de  exaustão)  sobre  a  formação  de  floresta,  defendeu o  seu aproveitamento sob o argumento de que são custos  ligados à  exportação; e;   III – diligência/perícia, solicitou sua realização com o objetivo de comprovar  a  real  natureza de  cada bem e  serviço  adquiridos  e  como  são  empregados  em seu  processo produtivo, indicando os quesitos e os peritos.  A  Turma  da  DRJ/  julgou  improcedente  impugnação  apresentada  pela  Recorrente por meio do acórdão nº , assim ementado:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período  de  apuração:  01/01/2009  a  30/09/2009,  01/01/2010 a 31/01/2011  AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. MOTIVAÇÃO.  O auto de  infração  lavrado por Auditor Fiscal da Receita  Federal do Brasil com a indicação expressa da motivação e  das  infrações  imputadas  ao  contribuinte  e  respectivas  fundamentações,  constitui  instrumento  legal  e  hábil  à  exigência do crédito tributário.  LANÇAMENTO. NULIDADE.  É  válido  o  lançamento  efetuado  de  conformidade  com  as  normas  legais  que  regem  o  procedimento  administrativo  fiscal.  DILIGÊNCIA/PERÍCIA.  Reconhecida pelo  julgador ser prescindível ao  julgamento  a baixa dos autos em diligência para realização de perícia,  rejeita­se o pedido.  CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS.  O  aproveitamento  de  créditos  extemporâneos  pressupõe  a  retificação do Dacon e, se for o caso, da DCTF do período  de sua apuração.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período  de  apuração:  01/01/2009  a  30/09/2009,  01/01/2010 a 31/01/2011  Fl. 11605DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 9          8 REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  INSUMOS  PARA  FORMAÇÃO  DE  FLORESTAS.  INCORPORAÇÃO  AO  ATIVO  IMOBILIZADO.  DESCONTO  DE  CRÉDITO  COMO EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE.  Os  custos  de  formação  de  floresta  são  incorporados  ao  valor desse bem registrado no ativo imobilizado, valor que,  na  medida  da  utilização  da  floresta,  deve  ser  objeto  de  encargos  de  exaustão,  que  não  dão  direito  a  crédito  por  falta de previsão legal.  REGIME NÃO­CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.  Para  ser  considerado  insumo,  o  bem  ou  o  serviço,  desde  que adquirido de pessoa jurídica, deve ter sido consumido,  desgastado, ou ter perdidas as suas propriedades físicas ou  químicas  em  razão  de  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto em elaboração.  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  DESPESAS  COM  FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.  Observada a legislação de regência, a regra geral é que em  se  tratando  de  despesas  com  serviços  de  frete,  somente  dará  direito  à  apuração  de  crédito  o  frete  contratado  relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega  de  bens/mercadorias  vendidas  diretamente  aos  clientes  adquirentes,  desde  que  o  ônus  tenha  sido  suportado  pela  pessoa jurídica vendedora.  ÍNDICE.  RATEIO.  RECEITAS.  VENDAS.  MERCADO  INTERNO/EXTERNO. CÁLCULO.  O cálculo do índice de rateio proporcional entre as receitas  de vendas no mercado interno e externo, efetuado com base  nas  receitas  escrituradas  está  correto  e  de  conformidade  com a lei tributária.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período  de  apuração:  01/01/2009  a  30/09/2009,  01/01/2010 a 30/01/2011  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  INSUMOS  PARA  FORMAÇÃO  DE  FLORESTAS.  INCORPORAÇÃO  AO  ATIVO  IMOBILIZADO.  DESCONTO  DE  CRÉDITO  COMO EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE.  Os  custos  de  formação  de  floresta  são  incorporados  ao  valor desse bem registrado no ativo imobilizado, valor que,  na  medida  da  utilização  da  floresta,  deve  ser  objeto  de  Fl. 11606DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 10          9 encargos  de  exaustão,  que  não  dão  direito  a  crédito  por  falta de previsão legal.  REGIME NÃO­CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.  Para  ser  considerado  insumo,  o  bem  ou  o  serviço,  desde  que adquirido de pessoa jurídica, deve ter sido consumido,  desgastado, ou ter perdidas as suas propriedades físicas ou  químicas  em  razão  de  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto em elaboração.  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  DESPESAS  COM  FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.  Observada a legislação de regência, a regra geral é que em  se  tratando  de  despesas  com  serviços  de  frete,  somente  dará  direito  à  apuração  de  crédito  o  frete  contratado  relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega  de  bens/mercadorias  vendidas  diretamente  aos  clientes  adquirentes,  desde  que  o  ônus  tenha  sido  suportado  pela  pessoa jurídica vendedora.  ÍNDICE.  RATEIO.  RECEITAS.  VENDAS.  MERCADO  INTERNO/EXTERNO. CÁLCULO.  O cálculo do índice de rateio proporcional entre as receitas  de vendas no mercado interno e externo, efetuado com base  nas  receitas  escrituradas  está  correto  e  de  conformidade  com a lei tributária.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  A  Recorrente  intimada  da  decisão  combatida  em  05.02.2015,  interpôs  Recurso  Voluntário  em  09.03.2015,  retomando  os  argumentos  apresentados  em  sede  de  impugnação,  exceção  feita  apenas  ao  pedido  de  nulidade  do  auto  de  infração  em  relação  a  aplicação  da  multa  isolada  que,  por  ser  objeto  de  outro  processo  administrativo  deixou  de  reproduzido neste Recurso.   É o relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Walker Araujo Relator  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade, dele tomo conhecimento.  I ­ Preliminares  Fl. 11607DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 11          10 I.1  ­  Ausência  de  Motivação  da  glosa  de  créditos  de  importação  constituídos  indevidamente  Alega a Recorrente que o lançamento seria nulo, por falta de motivação fática  em relação a glosa dos créditos de importação, posto que a autoridade fiscal  teria deixado de  apontar com precisão os motivos que ensejaram a referida glosa.   Não lhe assiste razão.  Essa alegação já foi enfrentada em primeira instância, e fundamentadamente  rejeitada, conforme se extrai do voto proferido pelo i. julgador "a quo":  Ao contrário de seu entendimento, a motivação da glosa dos referidos créditos  está  indicada  na  Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  Legal  de  cada  auto  de  infração  e  no Termo  de Verificação  Fiscal,  partes  integrantes  de  ambos  os  autos.  Segundo  consta  destes  documentos,  a motivação  foi  o  aproveitamento  de  créditos  em desacordo os preceitos legais, ou seja, o interessado apurou e descontou créditos  sobre custos/despesas que não constituem insumos, nos termos da Lei nº 10.865, de  30/04/2004, c/c as Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003.   Por  outro  lado,  registre­se  que  a  motivação  para  o  lançamento  de  crédito  tributário  é  a  constatação,  pelo  Fisco,  de  irregularidades  que  tenham  dado  causa  à  falta  de  recolhimento do tributo. Diante dessa situação, é dever da Autoridade Tributária a constituição  do crédito tributário, sob pena de responsabilidade funcional, a teor do parágrafo único do art.  142 do CTN.  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.  Aliás,  entendo  que  eventual  erro  ou  a  mera  imprecisão  no  enquadramento  legal do fato  tributável, o que não é caso dos autos, é  totalmente passível superação, quando  não traz prejuízo para o exercício do direito de defesa do autuado, especialmente nos casos em  que  a  descrição  dos  fatos  esteja  completa  e  precisa,  permitindo  ao  autuado  a  compreensão  plena do que  foi  acusado, de modo que possa  apresentar  sua contestação,  exercendo plena e  adequadamente o seu direito de defesa e ao contraditório.  Sendo assim, nenhuma outra motivação é requerida, além da constatação da  infração  fiscal  e  da  consequente  falta  de  recolhimento  do  tributo.  Portanto,  correta  as  considerações do acórdão recorrido, no sentido de que os  fatos  foram clara e adequadamente  expostos no auto de infração, bem assim o enquadramento legal.    I.2 ­ Necessidade de realização de diligência ou perícia  Fl. 11608DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 12          11 A  Recorrente  requereu  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  para  que  fosse realizada perícia  técnica para comprovar a  real natureza de cada bem e serviço por ela  adquiridos,  bem  como  para  demonstrar  o  efetivo  empregado  de  cada  bem  e  serviço  em  seu  processo produtivo.  Todavia,  entendo  que  o  pedido  de  diligência  solicitado  pela  Recorrente  também deve ser totalmente negado, considerando que os documentos por ela carreados, o qual  destaco  o  laudo  técnico  sobre  o  processo  produtivo,  é  deveras  suficiente  para  dirimir  as  questões relativas aos créditos glosados pela fiscalização.  Neste sentido:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO­II  Data do fato gerador: 09/08/1994 a 02/09/1994  PROVA PERICIAL  A prova pericial deve ser indeferida quando os autos processuais  já  contiverem  elementos  suficientes  e  demonstrarem  ser  desnecessária  para  a  formação  da  prova  e  do  processo  de  convicção para a decisão.(...) ­ (Acórdão 3202­00.112)  Portanto,  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  para  realização  perícia  técnica é totalmente desnecessária no presente caso, na medida em que as provas juntadas pela  Recorrente  se  prestam  para  dirimir  a  controversa  relativa  aos  créditos  glosados  pela  fiscalização.   Ressalta­se,  por  oportuno,  que  nos  termos  do  artigo  18,  do  Decreto  nº  70.235/721, a autoridade julgadora é livre para decidir sobre pedidos de perícia ou diligência,  podendo indeferi­los quando considerar tais procedimentos prescindíveis.  Assim, fica afastado o pedido de diligência solicitado pela Recorrente.   II ­ Mérito  II.1 Conceito de insumo adotado neste voto  Antes  de  enfrentar  a  questão  tratada  relativa  bens  e  serviços  glosados  pela  fiscalização, mister tecer alguns comentários legislativos do PIS e da COFINS no regime não­ cumulativo.  Em 29 de agosto de 2002, por meio da Medida Provisória nº 66, houve uma  significativa modificação no modo de tributação do PIS quer, de acordo com referida norma,  tornou­se não­cumulativo.  A MP 66 foi, posteriormente, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro  de 2002, a qual vem disciplinando o regime da não­cumulatividade do PIS/COFINS.                                                              1 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a  realização de diligências ou perícias, quando entendê­las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis  ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  Fl. 11609DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 13          12 Já  em  30  de  outubro  de  2003,  foi  editada  a  Medida  Provisória  nº  135,  convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, constituindo o texto básico do regime  não cumulativo para a COFINS.  No mesmo exercício de 2003, temos o advento da Emenda Constitucional nº  42, de 9 dezembro de 2003, a qual alterou o artigo 195, da Constituição Federal, para incluir,  dentre  outros,  o  parágrafo  12,  o  qual  dispõe  que  "a  lei  definirá  os  setores  de  atividade  econômica  para  os  quais  as  contribuições  incidentes  na  forma  dos  incisos  I,  b  e  ;  e  IV  do  caput, serão não­cumulativos."  No  que  concerne  ao  sistema  de  créditos,  o  aproveitamento  se  encontra  disposto  nos  artigos  3º,  das Leis  nº  s  10.637/2002  e  10.833/2003,  prevendo que os  custos  e  despesas auferidas pela pessoa jurídica em seu processo produtivo serão passíveis de créditos,  senão vejamos:  Art.  3o  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2o  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento)  I  ­  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às mercadorias  e  aos  produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  a)  no  inciso  III  do  §  3o  do  art.  1o  desta  Lei;  e  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.727, de 2008). (Produção de efeitos)  b) nos §§ 1o e 1o­A do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de  2008)  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o  da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  III ­ (VETADO)  IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica,  utilizados nas atividades da empresa;  V  ­  valor das  contraprestações de operações de arrendamento mercantil  de  pessoa  jurídica,  exceto  de  optante  pelo  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte  ­  SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  VI  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado, adquiridos ou  fabricados para locação a terceiros ou para utilização  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços.  (Redação  dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  VII  ­  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis  de  terceiros,  quando  o  custo,  inclusive de mão­de­obra, tenha sido suportado pela locatária;  VIII  ­  bens  recebidos  em devolução,  cuja  receita  de  venda  tenha  integrado  faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei.  Fl. 11610DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 14          13 IX  ­  energia  elétrica  e  energia  térmica,  inclusive  sob  a  forma  de  vapor,  consumidas  nos  estabelecimentos  da  pessoa  jurídica.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488, de 2007)  X  ­  vale­transporte,  vale­refeição  ou  vale­alimentação,  fardamento  ou  uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades  de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei  nº 11.898, de 2009)  XI  ­  bens  incorporados  ao  ativo  intangível,  adquiridos  para  utilização  na  produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei  nº 12.973, de 2014) (Vigência)   É  de  se  ver,  que  a  legislação  infraconstitucional  permitiu  os  créditos  de  insumos,  sem  impor  qualquer  restrição,  ou  seja,  adquirindo  bens  ou  serviços  que  sejam  utilizados (direta ou indiretamente) na prestação de serviços ou produção e fabricação de bens  ou produtos, é possível, computar créditos para o abatimentos das contribuições.  Ressalta­se,  por  oportuno,  que  eventual  restrição  ao  aproveitamento  de  créditos  de  insumos  surgiu  com  o  advento  da Lei  nº  10.865/2004,  que  trouxe  a  vedação  de  créditos  no  valor  pago  pela mão de  obra  de  pessoa  física,  bem como na  hipótese  de  bens  e  serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último  quando  revendidos  ou  utilizados  como  insumo  em  produtos  ou  serviços  sujeitos  à  alíquota  zero, isentos ou não tributados.  Posto isto, é necessário perquirir o conceito de insumo para fins de verificar  se as despesas glosadas pela fiscalização dão direito a crédito  Como  se  vê  na  decisão  de  piso,  foi  adotado  pela  autoridade  fiscal  como  critério  para  definição  de  insumos  as  Instruções  Normativas  nºs  247/2002  e  404/2004,  podendo­se  concluir  que  a  Receita  Federal  do  Brasil  aplicou  a  definição  de  insumo  da  legislação do IPI, o que já me adianto pela total discordância deste critério, pois entendo que se  trata de tributos de materialidades completamente distintas.  Referidas  IN´s,  mitigaram  a  não­cumulativa  da  contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS, porquanto criaram diversos óbices e  restrições na apuração dos créditos  instituídos  pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003.  Notadamente no que se refere ao conceito de insumos, não se pode deixar de  mencionar os ensinamentos de Natanael Martins2, a saber:  "o  conceito  de  insumo,  contemplado  na  sistemática  não­cumulativa  do  PIS/COFINS  está  relacionado  ao  fato  de  determinado  bem  ou  serviço  ter  sido  utilizado, ainda que de forma indireta, na atividade de fabricação do produto ou com  a finalidade de prestar determinado serviço.  Assim sendo, a  toda evidência, o conceito de  insumo pode se ajustar a  todo  consumo  de  bens  ou  serviços  que  se  caracterize  como  custo  segundo  a  teoria  contábil, visto que necessários ao processo fabril ou de prestação de serviços como  um todo".                                                              2  O  conceito  de  insumos  na  Sistemática  Não­Cumulativa  do  PIS  e  da  COFINS.  IN  PIS­COFINS  ­  Questões  Polêmicas. São Paulo: Quartier, 2005, p 2007.  Fl. 11611DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 15          14 Com  efeito,  insumo3  é  a  complexidade  de  bens  e  serviços  aplicados  na  produção ou fabricação de bens, sem os quais não seria possível a obtenção do produto final e  acabado  com  características  próprias,  divididos  entre  insumos  diretos  e  insumos  indiretos,  conforme expõe a Solução de Divergência COSIT nº 12, de 24.10.2007:  É  de  se  notar,  que  o  termo  "insumo"  não  poder  ser  utilizado  de  maneira  restrita, como fez a fiscalização no caso em comento, considerando que tal procedimento vai de  encontro com o princípio da não­cumulatividade.  Destarte,  os  dispêndios  direitos  ou  indiretos  incorridos  na  produção  ou  prestação  de  serviços  devem  ser  considerados  como  insumos  e,  consequentemente,  serem  computados na determinação dos créditos de PIS/COFINS.   Nesse  sentido,  vale  destacar  o  atual  posicionamento  deste  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais no sentido de não adotar, para fins de aproveitamento de  créditos de PIS/COFINS, a interpretação restrita veiculada pelas IN´s nºs 247/2002 e 404/2004,  conforme denota­se da ementa do v. acórdão nº 3403­002.656:  ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004  Ementa:  PEDIDOS  DE  RESSARCIMENTO.  ÔNUS  PROBATÓRIO.  Nos  processos  referentes  a  pedidos  de  compensação  ou  ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe  ao  postulante,  que  deve  carrear  aos  autos  os  elementos  probatórios correspondentes.  ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE.  VEDAÇÃO.  SÚMULA CARF N.  2.  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária.  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP.  NÃO  CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.  O  conceito  de  insumo  na  legislação  referente  à  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  à  COFINS  não  guarda  correspondência  com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo)  ou  do  IR  (excessivamente  alargado).  Em  atendimento  ao  comando  legal,  o  insumo  deve  ser  necessário  ao  processo  produtivo/fabril,  e,  consequentemente,  à  obtenção  do  produto  final.  Filio­me ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos  a  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  que  são  pertinentes  e  necessários  ao  processo                                                              3 INSUMO. Economia Política. 1. Despesas e investimentos que contribuem para um resultado ou para obtenção  de  uma  mercadoria  ou  produto  até  o  consumo  final.  2.  É  tudo  aquilo  que  entre  (input),  em  contraposição  ao  produto  (output),  que  é o que  sai.  3. Trata­se de  combinação de  fatores  de produção, diretos  (matéria­prima)  e  indiretos  (mão­de­obra,  energia,  tributos),  que  entrem  na  elaboração  de  certa  quantidade  de  bens  e  serviços”.  DINIZ, Maria Helena. Dicionário Jurídico. v.2. Saraiva: São Paulo, 1998, p.870.  Fl. 11612DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 16          15 produtivo  ou  à  prestação  de  serviços,  ainda  que  neles  sejam  empregados  indiretamente,  conforme  ilustra  a  ementa  abaixo  do Acórdão  nº  3403003.052,  julgado  em  23/07/2014,  por  voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007  DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE.  Em  se  tratando  de  controvérsia  originada  de  pedido  de  ressarcimento  de  saldos  credores,  compete  ao  contribuinte  o  ônus  da  prova  quanto  à  existência  e  à  dimensão  do  direito  alegado.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS.  INSUMOS.  CONCEITO.  Insumos, para  fins de creditamento da Contribuição Social não  cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou  que  viabilizam o processo produtivo  e a prestação de  serviços,  que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja  subtração  importa  na  impossibilidade  mesma  da  prestação  do  serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade  empresária,  ou  implica  em  substancial  perda  de  qualidade  do  produto ou serviço daí resultantes.  (...)  Feito  estas  considerações,  na  qual  manifesto  entendimento  contrário  aos  critérios  adotados  pela  autoridade  fiscal,  passo  agora  a  analisar  as  glosas  expressamente  contestadas no recurso voluntário.  A. Método de rateio proporcional  Nos  itens 77 a 84 do Termo de Verificação Fiscal constam os motivos que  levaram  a  autoridade  proceder  a  glosa  dos  créditos  pleiteados  pela  Recorrente.  Em  síntese  apartada, parte do crédito pretendido foi indeferido por conta do referido ajuste no percentual  de rateio das receitas oriundas de exportação/mercado interno, na medida em que a fiscalização  não  levou  em  conta  as  receitas  decorrentes  de  exportações  indiretas,  via  comercial  exportadores.  A  recorrente,  por  sua  vez,  alegou  que  é  equivocado  considerar  a  data  do  embarque das mercadorias  como o momento para o  reconhecimento da  receita de operações  com o mercado externo, na medida em que o ADI SRF nº 22, de 2002, no qual teria se baseado  o procedimento fiscal, regularia especificamente a exportação de produtos nacionais sem saída  do território nacional, para o gozo da isenção, o que não seria o presente caso.   Apresentou, também, insurgência contra o critério utilizado pela fiscalização  para se apurar o índice (percentual) de rateio proporcional entre as receitas do mercado interno  Fl. 11613DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 17          16 e exportação sob o fundamento de que a fiscalização não considerou as receitas indiretas, via  comercial exportadora.  Juntou  novos  documentos  em  sede  recursal,  para  o  fim  de  comprovar  a  realização de vendas com a finalidade específica para exportação, requerendo, que tais vendas  sejam  computadas  como  receitas  de  exportação,  ao  contrário  do  procedimento  adotado  pela  autoridade fiscal que as considerou como receita no mercado interno.  Por  fim,  justificou  a  juntada  tardia  dos  referidos  documentos  alegando  que  "...não  trouxe  aos  autos  quando  da  impugnação  as  comprovações  documentais  das  exportações  indiretas  porque  demonstrou  que  o  próprio  critério  utilizado  pela  fiscalização  deveria ter considerado tais exportações, sendo dever da autoridade administrativa alegar sua  inocorrência."  De  fato  a  decisão  de  piso  não  analisou  as  alegações  apresentadas  pela  Recorrente em relação a aplicação do ADI SRF nº 22, de 2002, fundamentando a manutenção  da glosa com base na ausência de documentos:  O interessado alegou que as receitas decorrentes de exportações indiretas, via  comercial exportadoras, não foram levadas em conta. Contudo, não informou o valor  de  tais  receitas,  as  comerciais  exportadoras  para  as  quais  foram  efetuadas  nem  apresentou documentos fiscais e/ ou contábeis provando as alegadas vendas com o  fim específico de exportações da remessa da mercadoria para recintos alfandegados  e/ ou para embarque direto em nome da exportadora.  Contudo, não vejo reparos à fazer na decisão de primeira instância.  Isto porque, os motivos que levaram a fiscalização a não analisar as alegações  da  Recorrente  foram  a  total  ausência  de  prova  documental  para  comprovar  a  origem  das  exportações indiretas por ela praticada, o que nos termos do §4º, do artigo 16, do Decreto nº  70.235/72,  deveriam  ter  sido  produzidas  em  sede  impugnação,  sob  pena  de  preclusão  do  direito.  Ora,  a  Recorrente  sabedora  dos  fatos  e  fundamentos  que  ensejaram  o  lançamento fiscal deveria ter apresentado todos os documentos para comprovar suas alegações  em sede de impugnação, restando precluso direito de fazê­lo neste momento processual.  Vale  lembrar, que a  justificativa apresentada pela Recorrente para a  juntada  tardia dos referidos documentos não se amolda em nenhuma das exceções previstas nas alíneas  "a, "b", e "c", do §4º, do citado dispositivo legal, impedindo, desta forma, que este julgador se  pronuncie a respeito.  Desta  forma,  considerando  a  desídia  da  Recorrente  em  comprovar  documentalmente suas alegações, a decisão de primeira instância deve ser mantida em relação  a matéria discutida neste tópico.   B. Momento de Apuração de Créditos na Aquisição de Insumos  Neste  tópico,  a  fiscalização  procedeu  a  glosa  de  PIS/COFINS  sob  o  fundamento de que o contribuinte teria reconhecido o crédito fora do período de sua apuração,  na medida  em  que  a  data  de  emissão  da  Nota  Fiscal  seria  o  período  correto  para  apuração  mensal dos créditos referentes a bens e serviços utilizados como insumos.   Fl. 11614DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 18          17 Os motivos e fundamentos que levaram a fiscalização proceder a glosa foram  expostos nos itens 85 a 98 do TVF, dentre os quais destacamos o item 94:  "Não cabe à Autoridade Fiscal Flexibilizar o critério temporal de apropriação  dos insumos, alargando­o em decorrência das tramitações das Notas Fiscais dentro  da  empresa.  Desta  forma,  mesmo  as  notas  fiscais  emitidas  ao  final  de  um  determinado mês devem ser apropriadas neste mesmo mês, e não no mês seguinte. O  prazo para se apresentar o DACON é suficientemente dilatado para que a empresa  efetue tais ajustes."  Por  sua  vez,  a  recorrente  defende  que  o  momento  correto  para  a  contabilização do crédito, não é a data da aquisição do bem ou da contratação do serviço, mas  sim a data da entrega do bem ou da conclusão da prestação do serviço, momento em que se  operariam os efeitos patrimoniais  relevantes,  a  teor das previsões contidas nos artigos 1.226,  1.267, 237, 492, 594 e 597 do Código Civil.  Sem razão a Recorrente.  Com  efeito,  entendo  que  o  período  correto  para  apuração  de  eventuais  créditos de PIS/COFINS decorrente da aquisição de insumos é aquele previsto nos artigos 3º,  das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que disciplinam que os créditos calculados em relação  aos bens e serviços serão apurados no mês de sua ocorrência, entendido como sendo a data da  emissão da nota fiscal de aquisição de insumo ou de prestação de serviço. Vejamos:   Art.  3o  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2o  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em relação a:  II ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o  da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no  caput do art. 2o desta Lei sobre o valor:  I ­ dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês;   Depreende­se  do  referido  permissivo  normativo  que,  ao  mesmo  tempo  em  que  a  legislação  assegura  expressamente  o  direito  ao  crédito  das  contribuições  do  PIS  e  COFINS, impõe ao contribuinte sujeito à sistemática da não­cumulatividade observar as regras  contábeis para o registro desse direito.  Assim, a Recorrente que está sujeita ao regime não cumulativo, tributada com  base no Lucro Real, deve considerar as receitas por regime de competência, compreendo que as  receitas  auferidas  no  período  de  apuração  devem  ser  consideradas  para  fins  de  cálculos  das  contribuições de PIS/COFINS.  Nesse  sentido,  vale  transcrever  parte  do  voto  proferido  pelo  Conselheiro  Antônio Carlos Atulim, no acórdão nº 3403.002.824, no sentido que o crédito é calculado sobre  os gastos e despesas incorridos no mês.  Fl. 11615DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 19          18 Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é  calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos  quais  deve  ser  aplicada  a  mesma  alíquota  que  incidiu  sobre  o  faturamento  para  apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os  eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art.  3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de  eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do  IPI.  C. Aproveitamento de Créditos Extemporâneos  A decisão recorrida manteve a glosa sob o fundamento de que não é possível  o aproveitamento direito de créditos resultantes da aquisição de insumo ou prestação de serviço  diverso  da  data  de  aquisição,  sendo  que  para  efetivar  qualquer  alteração  nos  créditos  informados  em  demonstrativos  anteriores  deve  ser  realizada  a  retificação  da  DACON.  Cita  orientações  da  Receita  Federal,  decisões  administrativas  e  a  orientação  contida  no  Sistema  Público de Escrituração Digital (Sped) relativas aos procedimentos necessários para o registro  e aproveitamento de créditos extemporâneos.  O recorrente, por sua vez, argumenta que o §4, do artigo 3° é claro ao dispor  que  o  crédito  não  aproveitado  em  determinado  mês  poderá  ser  aproveitado  nos  meses  subseqüentes. Aduz  que  não  se  pode  desconsiderar  as  aquisições  de  insumos  e  o  respectivo  direito aos créditos pelo simples fato de que foram escrituradas em momento posterior.  Sobre  isso, entendo que o direito a crédito de PIS/COFINS não­cumulativo  em  período  anterior,  o  qual  não  foi  aproveitado  na  época  própria,  prescinde  da  necessária  retificação do DACON e da DCTF, ou de eventual comprovação de não utilização do crédito.   Isto  porque,  tal medida  é  essencial  para  que  se  possa  constituir  os  créditos  decorrentes dos documentos não considerados no DACON original e principalmente para que  os  saldos  de  créditos  do Dacon  dos meses  posteriores  à  constituição  possa  ser  evidenciado,  propiciando, assim, a conferência da não utilização dos créditos em períodos anteriores.   Nesse  sentido,  transcrevo  o  entendimento  manifestado  na  Solução  de  Consulta nº 73, de 2012:  SOLUÇÃO DE CONSULTA N°­ 73, DE 20 DE ABRIL DE 2012  ASSUNTO: Contribuição para o PIS  EMENTA:  INCIDÊNCIA  NÃO  CUMULATIVA.  APROVEITAMENTO  DE  CRÉDITOS  EXTEMPORÂNEOS.  NECESSIDADE  DE  RETIFICAÇÃO  DE  DACON  E  DCTF.  É  exigida  a  entrega  de  Dacon  e  DCTF  retificadoras  quando  houver  aproveitamento  extemporâneo  de  créditos  da  Contribuição  para  o  PIS.  DISPOSITIVOS  LEGAIS:  Lei  nº  10.637, de 2002, art. 3º, caput, e seu § 4o; IN RFB nº 1.015, de  2010, art. 10; ADI SRF nº 3, de 2007, art. 2º; PN CST nº 347, de  1970.  Outro  não  é  o  entendimento  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais no sentido de que o aproveitamento de crédito extemporâneo prescinde de retificação  da DACON e DCTF, a saber:  Fl. 11616DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 20          19 CREDITAMENTO  EXTEMPORÂNEO.  DACON.  RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO.  Para  utilização  de  créditos  extemporâneos,  é  necessário  que  reste  configurada  a  não  utilização  em  períodos  anteriores,  mediante  retificação  das  declarações  correspondentes,  ou  apresentação de outra prova  inequívoca da  sua não utilização.  (Acórdão 3403­.003.078)  ***  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP.  CRÉDITOS  EXTEMPORÂNEOS. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO.  Para  utilização  de  créditos  extemporâneos,  é  necessário  que  reste  configurada  a  não  utilização  em  períodos  anteriores,  mediante  retificação  das  declarações  correspondentes,  ou  apresentação  de  outra  prova  inequívoca  da  não  utilização.  (Acórdão 3403.002.717)   Portanto,  considerando que não houve  retificação do DACON e da DCTF,  tampouco prova de não utilização do crédito pleiteado, a manutenção da glosa é medida que se  impõe.  D. Dos Bens e Serviços Glosados pela Fiscalização  Os bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoa  jurídica  glosados  pela  fiscalização  estão devidamente descritos nos itens 102, 127 e 128, do Termo de Verificação Fiscal, abaixo  reproduzidos:  102.  Entre  outros,  não  foram  considerados  como  insumos:  ferramentas  de  trabalho  para  manutenção,  calços  para  alinhamento  de  altura  de  equipamentos  rotativos, pistola de ar comprimido, serviços relacionados ao sistema de alarmes de  emergências, serviços logísticos, serviços de movimentação de materiais e insumos  e  locação  de  guindastes  (vide  planilhas  de  crédito  e  folhas  9281  a  9603  e  folhas  10236 a 10620)  127. Entre outros, não foram considerados como insumos: despesas com  equipamento  de  proteção  individual,  etiquetas  adesivas  de  escritório,  rolos  de  pintura, lonas de plástico para efetuar manutenções, insumos utilizados em análises  químicas  em  laboratório,  baterias,  pilhas,  rádios  transceptores,  projetores  de  apresentação,  manutenção  de  PABX,  manutenção  de  no­breaks,  encadernação  de  notas  fiscais,  copos para água mineral,  almofada de carimbo, binóculos, borrachas  para lápis, brindes e camisas promocionais, brinquedos para filhos de funcionários,  café  expresso  em grãos, CD­R  graváveis,  cestas  de natal,  coffe­break,  serviços de  cópias  de  chaves,  coroas  de  flores,  desjejum,  custos  de  eventos  festivos,  lanches,  livros  de  literatura,  locação  de  máquinas  de  café,  marmitex,  medicamentos,  palestras,  óculos  de  segurança  Bandido,  despesas  com  mão  de  obra  inespecífica,  insumos  relacionados  à  logística/transporte,  baterias,  pilhas,  carregadores  e  acessórios, materiais de consumo de informática, materiais para laboratório, serviços  de  gerenciamento,  extintores,  materiais  de  papelaria,  palestras,  festas  e  eventos,  limpeza  industrial,  serviços  de  combate  a  incêndio,  armazenagem  de  insumos,  serviços de projetos, serviços relacionados a parte laboratorial, desenvolvimento de  software,  locação  de  andaimes,  locação  de  container,  assinatura  de  manuais  de  legislação, gerenciamento de arquivos, seminários da NR­10, segurança patrimonial,  Fl. 11617DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 21          20 alpinismo  industrial,  eventos  como  fórum  de  marketing,  vigilância,  serviços  fotográficos  e  de  mídia,  serviços  relacionados  ao  setor  de  Recursos  Humanos,  inspeção da NR­13, serviços administrativos,  reforma de mobiliário, programas de  formação profissional e instalação de fibras ópticas e rede (vide planilhas de crédito  e folhas 9281 a 9603 e folhas 10236 a 10620).  128. Ainda, não foram considerados como insumos  todos os bens e serviços  relativos ao tratamento dos resíduos, uma vez que efetivamente não são aplicados  ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço,  mas  sim  constituindo  fase  posterior  a  fabricação  dos  bens  comercializados  pela  empresa.  Antes da analisar os  itens acima,  importante esclarecer que não basta que o  bem  ou  serviço  tenha  alguma  utilidade  no  processo  produtivo  ou  na  prestação  de  serviço:  é  preciso  que  ele  seja  necessário.  É  preciso  que  a  sua  subtração  importe  na  impossibilidade  mesma  da  prestação  do  serviço  ou  da  produção,  isto  é,  obste  a  atividade  da  empresa,  ou  implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante.  Portanto, ao contrário do que pretende o Recorrente, não é  todo e qualquer  custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Há de se  perquirir  a  pertinência  do  gasto  relativamente  ao  processo  fabril  ou  de  prestação  de  serviço  para que se lhe possa atribuir a natureza de insumo.  Feitas  estas  considerações  preliminares,  passo  agora  ao  exame  dos  itens  anteriormente citados.  Em  relação aos bens  e  serviços descrito no  item 102,  entendo que  seja  por  não guardarem a necessária relação de pertinência com o processo produtivo, considerado na  sua  indivisível  unicidade,  ainda  que  sejam  contabilizados  como  custo  de  produção;  ou  por  serem  passíveis  de  ativação,  devem  ser  mantidas  as  glosas  dos  créditos  tomados  sobre  os  seguintes itens: ferramentas de trabalho para manutenção, calços para alinhamento de altura  de  equipamentos  rotativos,  pistola  de  ar  comprimido,  serviços  relacionados  ao  sistema  de  alarmes de emergências, serviços logísticos.   Já  a  despesas  com  serviços  de  movimentação  de  materiais  e  insumos  e  locação  de  guindastes,  por  se  enquadrarem  no  conceito  de  insumo  previsto  nas  Leis  nº  10.637/2002  e  10.833/2003  e  manterem  relação  com  o  processo  produtivo  da  Recorrente,  geram créditos das contribuições.  Já em relação ao bens e serviços listados no item 127, entendo que somente  geram créditos os insumos utilizados em análises químicas em laboratório e armazenagem de  insumos. Todos os demais bens e serviços relacionados no item 127, sem exceção, não geram  direito  a  créditos,  por  não  guardarem  nenhuma  relação  com  o  processo  produtivo  da  Recorrente.  Por fim, em relação ao item 128, entendo que os bens e serviços utilizados no  tratamento  de  resíduos,  por  se  enquadrarem  em  uma  das  etapas  do  processo  produtivo  da  Recorrente, geram crédito de PIS/COFINS.      Fl. 11618DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 22          21 E. Partes e Peças de Reposição Utilizados como Insumo  Neste ponto, adoto como razões de julgamento o entendimento explicitado da  Solução  de  Divergência  nº  35/08,  o  qual  tratou  de  créditos  de  aquisições  de materiais  para  manutenção de máquinas e equipamentos, a saber:  Solução de Divergência nº 35/08  Assunto:  Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins  Ementa:  Cofins  nãocumulativa.  Créditos.  Insumos.  As  despesas  efetuadas  com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a  perda de propriedades físicas ou químicas utilizadas em máquinas e equipamentos  que  efetivamente  respondam  diretamente  por  todo  o  processo  de  fabricação  dos  bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País,  a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem  descontados  da  Cofins,  desde  que  às  partes  e  peças  de  reposição  não  estejam  obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente.  DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003; Lei nº 10.865, de  2004; e IN SRF nº 404, de 2004.  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa.  Créditos. Insumos.  As despesas  efetuadas  com a aquisição de partes  e peças de  reposição que  sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, utilizadas  em máquinas e equipamentos que efetivamente  respondam diretamente por  todo o  processo de  fabricação dos bens ou produtos destinados à  venda, pagas à pessoa  jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de dezembro de 2002, geram direito à  apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep, desde  que  às  partes  e  peças  de  reposição  não  estejam  obrigadas  a  serem  incluídas  no  ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente.  DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002; Lei nº 10.865, de  2004; IN SRF nº 247, de 2002; e IN SRF nº 358, de 2003.  ADALTO LACERDA DA SILVA Coordenador Geral  Assim,  entendo  que  as  despesas  ora  analisadas,  com  manutenção  de  máquinas e equipamento industriais, dão direito ao crédito do PIS e da COFINS.  F. Dos Materiais de Construção Civil utilizado como Insumos   A Recorrente limitou­se a fazer alegações genéricas em relação ao seu direito  de  tomar  o  crédito  em  relação  a  despesas  de  materiais  de  construções  civil,  deixando  de  comprovar que tais despesas se enquadram nos requisitos que garantem o direito de crédito.  Portanto, a glosa sobre referidas despesas deve ser mantida.    Fl. 11619DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 23          22 G. Dos Combustíveis utilizados com Insumo  No  Termo  de  Verificação  Fiscal  a  fiscalização  procedeu  a  glosa  dos  combustíveis utilizados como insumos com base nos seguintes fundamentos:  153.  Segue  abaixo  parte  da  ementa  da  Solução  de  Divergência  (SD)  prolatada pela COSIT (Coordenação de Tributação) da Receita Federal do Brasil:  "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Os  combustíveis  e  lubrificantes  utilizados  ou  consumidos  no  processo  de  produção de bens e serviços geram créditos do regime de apuração não­cumulativa  da Contribuição para o PíS/Pasep.  Dispositivos Legais: Lei n° 10.637, de 2002, art. 3o, II e§  2o; Lei n° 10.865,  de 2004, art. 40.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­COFINS  Os  combustíveis  e  lubrificantes  utilizados  ou  consumidos  no  processo  de  produção de bens e serviços geram créditos do regime de apuração não­cumulativa  da Cofins.  Dispositivos Legais: Lei n° 10.833, de 2003, art. 3o,  II e§  2o; Lein° 10.865,  de 2004, art. 40."  154. Ressalta­se que para as despesas  com combustíveis gerarem crédito da  Contribuição  para  o  PIS  e  da Cofins,  no  caso  ora  em  análise,  é  necessário  que  o  combustível  seja  considerado  insumo  no  processo  de  fabricação  do  produto  destinado  à  venda  pela  empresa;  ou,  em  outras  palavras,  seja  empregado  em  máquinas  e  equipamentos  utilizados  diretamente  na  produção  da  celulose  industrializada  e  vendida  pela  contribuinte,  nos  termos  da  legislação  que  rege  a  matéria.  155. Por último, vale comentar que a Solução de Divergência Cosit n° 37, de  9 de outubro de 2008, não conflita com o disposto no parágrafo anterior, uma vez  que  a  referida  solução  de  divergência  trata  da  aquisição  de  óleos  combustíveis  e  lubrificantes,  utilizados  ou  consumidos  no  processo  industrial  e  não  em  etapa  anterior ao processo de produção do bem destinado à venda.  156.  Todavia,  os  combustíveis  utilizados  para  o  transporte  e  manejo  dos  insumos não podem ser  considerados para  fins de  creditamento. Com o  intuito de  diferenciar  os  tipos  de  combustíveis  utilizados  como  insumo,  o  contribuinte  foi  intimado a apresentar documentos que pudessem alocar os diversos combustíveis na  cadeia  produtiva.  Foram  apresentados  laudos  técnicos  detalhados,  devidamente  assinados por engenheiros e contadores da empresa, descrevendo os vários tipos de  combustíveis  e  suas  utilizações.  Seguindo  a  interpretação  dada  pela  COSIT  acerca  do  termo,  entre  outros,  não  foram  considerados  como  insumo:  GLP  utilizado  em  empilhadeiras,  gasolina  utilizado  no  transporte  de  pessoal,  Óleo  diesel, Óleo biodiesel marítimo, Óleo biodiesel e GLP granel (vide planilhas de  crédito e folhas 9281 a 9603 e folhas 10236 a 10620).  Inicialmente, em relação a glosa sobre os custos com aquisição de gasolina  para  transporte de pessoal,  entendo correta  a glosa  efetuada pela  fiscalização  e mantida pela  Fl. 11620DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 24          23 decisão de primeira  instância  sob o  fundamento de não se enquadrar no conceito de  insumo,  nos termos do inciso II do art. 3º, citado e transcrito anteriormente.  Já  em  relação  às  glosas  com  custos  de  aquisições:  de  GLP  utilizado  em  empilhadeiras; óleo diesel, óleo biodiseel marítimo, óleo biodiseel e GLP a granel, desde que  devidamente comprovado o emprego de tais custos, não podem ser desconsideradas, pois são  necessários  para  a  realização  do  processo  produtivo,  sem  os  quais  não  é  possível  obter  o  produto final.  Isso porque todo o deslocamento de material utilizado no processo produtivo  entre  as  áreas  de  plantio,  cultivo,  extração  e o  beneficiamento  do  produto,  seja qual  for  sua  natureza,  é  feito  por  meio  de  veículos,  os  quais  utilizam  diretamente  os  combustíveis  anteriormente.  Daí  o  porquê  da  razão  do  legislador  que  regulou  a  não­cumulatividade  das  contribuições, expressamente tratar dos combustíveis como concessores do direito ao desconto  de créditos, nos seguintes termos:  Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  ...  II  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes,  exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições  87.03  e  87.04  da  Tipi;  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  Portanto, entendo passível de creditamento os valores despendidos a título de  combustíveis  empregados  no  processo  produtivo  da  Recorrente,  exceção  feita  apenas  a  gasolina utilizada para transporte de pessoas.  H. Crédito Sobre os Insumos Empregados na Constituição de Florestas   No  item  110  do  TVF  estão  os  bens  e  serviços  desconsiderados  como  insumos, a saber:   "corrente  de  corte  (motosserra),  picadores  (desgastador  de  madeira),  sabres  (manejo  florestal),  insumos  utilizados  no  corte  de  cavacos,  serviços  florestais  de  silvicultura/trato  cultural  das  florestas  próprias,  serviços  de  inventário  florestal,  serviços  de  viveiros,  serviço  florestal  de  colheita,  produção  de  mudas,  monitoramento  de  pragas  e  doenças,  biometria  florestal,  adubos,  fertilizantes,  inseticidas,  herbicidas,  estradas,  defensivos,  análises  ambientais,  serviço  de  manutenção/construção  de  estrada  e  pontes,  serviços  topográficos,  controle  de  qualidade  de  madeiras,  monitoramento  florestal,  irrigação,  terraplenagem,  sensoriamento remoto e peças e reparos em maquinários relacionados com a área de  silvicultura  (marcas  de  tratores,  veículos  e  peças  como  a  Komatsu,  Volvo,  John  Deere e Cia Olsen) (vide planilhas de crédito e folhas 9281 a 9603 e folhas 10236 a  10620)."  Fl. 11621DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 25          24 O fundamento utilizado pela fiscalização para glosar é no sentido de que as  despesas incorridas na formação, desenvolvimento e manutenção das florestas, que por se tratar  de etapa anterior ao processo produtivo, não dão direito ao crédito, a saber: "Todo o bem ou  serviço  utilizado  pela  empresa  antes  do  tratamento  físico­químico  da  madeira  em  si  não  podem ser classificados como insumo para fins de creditamento do PIS/PASEP e do COFINS  não­cumulativos. Ao  invés disso, as  reservas  florestais devem ser  tratadas como sendo ativo  imobilizado da empresa."  Não coaduno do entendimento da autoridade fiscal, uma vez que o legislador  claramente estabeleceu no artigo 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 o direito ao crédito  em  relação  aos  "bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda."  E produção é algo maior do que fabricação, englobando os diversos estágios  dos  produtos  gerados  a  partir  de  atividades  mistas,  como  é  o  caso  da  celulose.  Ora,  se  o  legislador quis alcançar todas as receitas, é obvio que todas as despesas incorridas para gerar  receitas devem ser passíveis de creditamento, desde que observados as  limitações postas pela  própria legislação.  Cumpre  destacar,  que  a  esta  matéria  já  foi  objeto  de  análise  pela  Câmara  Superior de Recursos Fiscais, onde restou confirmada a possibilidade do cômputo de créditos  de PIS e de COFINS sobre as despesas incorridas na formação, desenvolvimento e manutenção  de florestas:   ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Exercício: 2005  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO  DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS   O  termo  “insumo”  utilizado  pelo  legislador  na  apuração  de  créditos  a  serem  descontados  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do  que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal  abrangência  não  é  tão  elástica  como  no  caso  do  IRPJ,  a  ponto  de  abarcar  todos  os  custos  de  produção  e  as  despesas necessárias à atividade da empresa.  Sua  justa  medida  caracteriza­se  como  o  elemento  diretamente  responsável  pela  produção  dos  bens  ou  produtos destinados à venda, ainda que este elemento não  entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas  as demais exigências legais.  CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. INSUMOS.  Na incidência não cumulativa do PIS, instituída pela Lei nº  10.637/02  e  da  Cofins,  instituída  pela  Lei  nº  10.833/03,  devem  ser  compreendidos  por  insumos  somente  bens  ou  serviços  aplicados  ou  consumidos  na  produção  ou  Fl. 11622DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 26          25 fabricação  do  produto,  ou  seja,  que  integrem  o  processo  produtivo e que eles estejam diretamente relacionados.  RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO  (Acórdão 9303­002.630)  Nesse passo, destaca­se o  trecho que demonstra o  entendimento  sintetizado  pelo Conselheiro:   Assim, os gastos incorridos com os chamados “insumos dos insumos”, que no  caso são aqueles necessários para a produção da madeira que, no momento seguinte,  entrará no processo produtivo da celulose, indubitavelmente devem ser considerados  para atendimento da sistemática não cumulativa. Se assim não fosse, o industrial que  produz o seu insumo próprio, no caso a madeira, seria prejudicado e, com isso, seria  preferível adquiri­la de terceiros ao invés de produzi­la.  Desta  forma,  entendo  ser  correto  o  cômputo  dos  créditos  de  PIS/COFINS  sobres as despesas incorridas na formação, desenvolvimento e manutenção das florestas, por se  mostrarem necessárias na obtenção de madeira, matéria­prima da celulose.  Nessa  linha  de  entendimento,  com  exceção  dos  serviço  de  manutenção/construção de estrada e pontes, por não estar enquadrado no conceito de insumo  aqui adotado, os demais itens geram direito ao aproveitamento de créditos.  I. Insumos adquiridos de terceiros  Adotando  a  mesmo  linha  de  raciocínio  anteriormente  explicitada,  entendo  que deve  ser  revertida  as glosas dos  créditos  tomados  sobre dispêndios  com bens  e  serviços  contratados  de  terceiros  para  clonagem,  pesquisa,  plantio,  tratamento  do  solo,  adubação,  irrigação, controle de pragas, combate à incêndios e colheita.  J. Fretes   A fiscalização procedeu a glosa dos fretes com base no seguinte fundamento:  "Entende­se que quaisquer serviços de transporte não relacionados à entrega de mercadorias  diretamente  aos  clientes  não  podem  ser  considerados  como  sendo  insumos.  Seguindo  esta  orientação  dada  pela  COSIT  acerca  do  termo,  entre  outros,  não  foram  considerados  como  insumo: armazenagem/transporte de papel e insumos e logística."  A  Recorrente,  por  sua  vez,  defende  o  aproveitamento  de  créditos  sobre  os  custos/despesas  com  fretes  incorridos  na  aquisição  de  insumos,  na  transferência  de produtos  em elaboração (intercompany), na colocação do produto acabado no estabelecimento vendedor,  sob o argumento de que todos são custos de produção, nos termos do inciso II do art. 3º das  Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002.  Entretanto,  com  exceção  do  frete  utilizado  para  transporte  do  produto  acabado, por  ser  etapa posterior  ao processo produtivo,  entendo que os  fretes  incorridos nos  transportes  de  matérias­primas  (aquisição)  produtos  semi­acabados  (em  elaboração)  intercompany, constituem custos de produção e geram créditos do PIS e da Cofins, nos termos  do inciso II do art. 3º citado e transcrito anteriormente.  Fl. 11623DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 27          26 Em  razão  disso,  deve  ser  mantida  a  glosa  relativo  ao  frete  utilizado  no  transporte de produto acabado.   K.  Glosa  sobre  alimentos,  fardamentos  e  equipamento  de  proteção  individual  A Recorrente limitou­se a fazer alegações genéricas em relação ao seu direito  de  tomar  o  crédito  em  relação  a  despesas  com  alimentos,  fardamentos  e  equipamento  de  proteção, deixando de comprovar que tais despesas se enquadram nos requisitos que garantem  o direito de crédito.  Desta forma, entendo que por não enquadram no inciso II do art. 3º, citado e  transcrito anteriormente, deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização.  L. Embalagem de apresentação e transporte  Nos  termos  dos  incisos  II  e XI  do  art.  3º  citado  e  transcrito  anteriormente,  entendo que as despesas com embalagem de  apresentação e  transporte geram  créditos, posto  que  são  necessárias  ao  transporte  e  acondicionamento  das  folhas  de  celulosa  comercializada  pela Recorrente.     M. Passagens, hospedagens e despesas de veículos  A Recorrente mais uma vez limitou­se a fazer alegações genéricas em relação  ao seu direito de tomar o crédito em relação a despesas com passagens, hospedagens e despesas  de  veículos,  deixando  de  comprovar  que  tais  despesas  se  enquadram  nos  requisitos  que  garantem o direito de crédito.  Desta forma, entendo que por não enquadram no inciso II do art. 3º, citado e  transcrito anteriormente, deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização.  III. ­ Conclusão  Diante  do  exposto,  voto  por  dar  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário  para reversão das glosas especificadas abaixo:  * D. Dos Bens e Serviços Glosados pela Fiscalização  ­ serviços de movimentação de materiais e insumos e locação de guindastes ­  insumos utilizados em análises químicas em laboratório e armazenagem de insumos  ­ tratamento dos resíduos  * E. Partes e Peças de Reposição Utilizados como Insumo  ­ manutenção de máquinas e equipamento industriais utilizadas no processo  produtivo  * G. Dos Combustíveis utilizados com Insumo  ­ GLP utilizado em empilhadeiras; óleo diesel, óleo biodiseel marítimo, óleo  biodiseel e GLP a granel  * H. Crédito Sobre os Insumos Empregados na Constituição de Florestas  Fl. 11624DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 28          27 ­  exceção  feita  dos  serviço  de manutenção/construção  de  estrada  e  pontes,  por  não  estar  enquadrado  no  conceito  de  insumo  aqui  adotado,  os  demais  itens  tratados neste tópico geram direito ao aproveitamento de créditos  *I. Insumos adquiridos de terceiros  ­  créditos  tomados  sobre  dispêndios  com  bens  e  serviços  contratados  de  terceiros  para  clonagem,  pesquisa,  plantio,  tratamento  do  solo,  adubação,  irrigação, controle de pragas, combate à incêndios e colheita  *J. Fretes  ­ com exceção do frete utilizado para transporte do produto acabado, por ser  etapa  posterior  ao  processo  produtivo,  entendo  que  os  fretes  incorridos  nos  transportes  de  matérias­primas  (aquisição)  produtos  semi­acabados  (em  elaboração) intercompany, constituem custos de produção e geram créditos do PIS  e da Cofins  *L. Embalagem de apresentação e transporte  ­  despesas  com  embalagem  de  apresentação  e  transporte  geram  créditos,  posto que são necessárias ao transporte e acondicionamento das folhas de celulosa  comercializada pela Recorrente.  (assinado digitalmente)  Walker Araujo ­ Relator.  Voto Vencedor  Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado.  Com  o  devido  respeito  aos  argumentos  do  ilustre  relator,  divirjo  de  seu  entendimento quanto ao momento de apropriação dos créditos relativos à aquisição de insumos  e quanto à possibilidade de creditamento relativo a tratamento de resíduos.  Concernente  à  primeira  matéria,  o  relator  entendeu  que  o  momento  apropriado para  considerar a  aquisição de  insumos é  a data de  emissão da nota  fiscal. Neste  aspecto,  o Comitê de Pronunciamentos Contábeis  emitiu o Pronunciado Técnico CPC nº 30,  tratando da mensuração de receitas. Em seus itens 14 em diante, dispôs sobre o momento de  reconhecimento das receitas:  Venda de bens  14. A receita proveniente da venda de bens deve ser reconhecida  quando forem satisfeitas todas as seguintes condições:   (a) a entidade  tenha  transferido para o comprador os  riscos e  benefícios mais significativos inerentes à propriedade dos bens;   (b) a entidade não mantenha envolvimento continuado na gestão  dos  bens  vendidos  em  grau  normalmente  associado  à  propriedade e tampouco efetivo controle sobre tais bens;   (c) o valor da receita possa ser mensurado com confiabilidade;   (d)  for  provável  que  os  benefícios  econômicos  associados  à  transação fluirão para a entidade; e   Fl. 11625DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 29          28 (e)  as  despesas  incorridas  ou  a  serem  incorridas,  referentes  à  transação, possam ser mensuradas com confiabilidade.   15.  A  avaliação  do  momento  em  que  a  entidade  transfere  os  riscos  e  os  benefícios  significativos  da  propriedade  para  o  comprador  exige o  exame das  circunstâncias da  transação. Na  maior  parte  dos  casos,  a  transferência  dos  riscos  e  dos  benefícios  inerentes  à  propriedade  coincide  com  a  transferência da titularidade legal ou da transferência da posse  do ativo para o comprador. Tais casos são típicos das vendas a  varejo.  Em  outros  casos,  porém,  a  transferência  dos  riscos  e  benefícios  da  propriedade  ocorre  em  momento  diferente  da  transferência da titularidade legal ou da transferência da posse  do ativo.   16. Se a entidade retiver riscos significativos da propriedade, a  transação  não  é  uma  venda  e  a  receita  não  pode  ser  reconhecida.  A  retenção  de  risco  significativo  inerente  à  propriedade  pode  ocorrer  de  várias  formas.  Exemplos  de  situações  em  que  a  entidade  pode  reter  riscos  e  os  benefícios  significativos da propriedade são:   (a)  quando  a  entidade  vendedora  retém  uma  obrigação  em  decorrência de desempenho insatisfatório que não esteja coberto  por cláusulas normais de garantia;   (b) nos casos em que o recebimento da receita de uma venda em  particular  é  contingente,  pois  depende  da  venda  dos  bens  pelo  comprador (genuína consignação);   (c) quando os bens expedidos estão sujeitos à instalação, sendo  esta uma parte significativa do contrato e ainda não tenha sido  completada pela entidade; e   (d) quando o comprador tem o direito de rescindir a compra por  uma  razão  especificada  no  contrato  de  venda  e  a  entidade  vendedora não está certa da probabilidade de devolução.   [...]    Prestação de serviços  20.  Quando  a  conclusão  de  uma  transação  que  envolva  a  prestação de serviços puder ser estimada com confiabilidade, a  receita  associada  à  transação  deve  ser  reconhecida  tomando  por  base  o  estágio  de  execução  (stage  of  completion)  da  transação ao término do período de reporte. O desfecho de uma  transação pode ser estimado com confiabilidade quando todas as  seguintes condições forem satisfeitas:   (a) o valor da receita puder ser mensurado com confiabilidade;   (b)  for  provável  que  os  benefícios  econômicos  associados  à  transação fluirão para a entidade;   (c) o estágio de execução (stage of completion) da transação ao  término  do  período  de  reporte  puder  ser  mensurado  com  confiabilidade; e   (d)  as  despesas  incorridas  com  a  transação  assim  como  as  despesas  para  concluí­la  puderem  ser  mensuradas  com  confiabilidade4.   21. O reconhecimento da receita com referência ao estágio de  execução  de  uma  transação  é  usualmente  denominado  como  sendo o método da percentagem completada. Por esse método,  a  receita  é  reconhecida  nos  períodos  contábeis  em  que  os  Fl. 11626DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 30          29 serviços são prestados. O reconhecimento da receita nessa base  proporciona  informação útil  sobre  a  extensão  da  atividade  e  o  desempenho  dos  serviços  prestados  durante  o  período.  O  Pronunciamento  Técnico  CPC  17  –  Contratos  de  Construção  também exige o reconhecimento da receita nessa mesma base. As  exigências  naquele  Pronunciamento  são  geralmente  aplicáveis  ao  reconhecimento  da  receita  e  dos  gastos  associados  a  uma  transação que envolva a prestação de serviços.   22. A receita somente deve ser reconhecida quando for provável  que  os  benefícios  econômicos  associados  à  transação  fluirão  para  a  entidade.  Porém,  quando  surgir  incerteza  acerca  da  realização de valor já incluído na receita, o valor incobrável, ou  o valor com respeito ao qual a recuperação tenha deixado de ser  provável, deve ser reconhecido como despesa, e não como ajuste  (dedução) do valor da receita originalmente reconhecida.   [...]  24.  O  estágio  de  execução  de  uma  transação  pode  ser  determinado por diversos métodos. A entidade deve escolher um  método que mensure com confiabilidade os serviços executados.  Dependendo  da  natureza  da  transação,  os  métodos  podem  incluir:   (a) levantamento ou medição do trabalho executado;   (b) serviços executados até a data, indicados como percentual do  total dos serviços a serem executados; ou   (c) a proporção entre os custos incorridos até a data e os custos  totais  estimados  da  transação.  Somente  os  custos  que  efetivamente  possam  ser  identificados  com  os  serviços  executados até a data devem ser incluídos nos custos incorridos  até a data de mensuração. Da mesma forma, somente os custos  que  reflitam  serviços  executados  ou  a  serem  executados  devem  ser incluídos nos custos totais estimados da transação.     Para  efeito  de  reconhecimento  das  receitas  de  prestação  de  serviços,  os  pagamentos  parcelados  e  os  adiantamentos  recebidos  de  clientes  não  correspondem,  necessariamente,  aos  serviços executados.   25.  Para  fins  práticos,  quando  os  serviços  prestados  correspondam a um número indeterminado de etapas, durante  um período específico de tempo, a receita deve ser reconhecida  pelo  método  linear  durante  tal  período,  a  menos  que  haja  evidências de que outro método represente melhor o estágio de  execução  da  transação. Quando  determinada  etapa  for muito  mais  significativa  do  que  quaisquer  outras,  o  reconhecimento  da receita deve ser adiado até que essa etapa seja executada.   Verifica­se que a orientação contábil é no sentido de se reconhecer a receita  de  venda  de  bens  quando  ocorrer  a  transferência  dos  riscos  e  benefícios mais  significativos  inerentes  ao direito de propriedade, além da observância de outros  aspectos mencionados no  item 14 do CPC. Do lado da prestação de serviços, o reconhecimento dever ser pelo estágio de  execução  do  serviço,  a  ser medido  por  levantamento  ou medição  ou  proporção  entre  custos  incorridos  e  custos  totais  estimados,  ou  seja,  deve­se  apurar  o  estágio  de  execução  correspondente ao serviço executado, quando este corresponder a várias etapas. No caso de um  serviço  a  ser  executado  em  uma  única  etapa,  o  reconhecimento  deverá  ocorrer  quando  da  execução da etapa.  Fl. 11627DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 31          30 A Solução de Consulta Cosit nº 111/2014 reconheceu a aplicação do CPC 30  ao  analisar  o  regime  de  competência  e  o  auferimento  de  receitas  em  situação  de  vendas  canceladas, conforme a ementa abaixo:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL  ­  COFINS  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇO.  REGIME  DE  COMPETÊNCIA.  CANCELAMENTO  DE  NOTAS  FISCAIS.  NÃO  REALIZAÇÃO  DE RECEITAS. NÃO AUFERIMENTO DE RECEITA. VENDAS CANCELADAS.  O  fato  gerador  da  Cofins  no  regime  de  apuração  não  cumulativa  é  o  auferimento  de  receitas  pelas  pessoas  jurídicas,  o  que  ocorre  quando  as  receitas  são consideradas realizadas. A receita é considerada realizada e, portanto, passível  de  registro  pela  Contabilidade,  quando  produtos  ou  serviços  produzidos  ou  prestados pela entidade são transferidos para outra entidade ou pessoa física com a  anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de pagamento especificado  perante a entidade produtora.   No  que  diz  respeito  à  prestação  de  serviços,  no  regime  de  competência,  a  receita é considerada realizada e, portanto, auferida quando um serviço é prestado  com a anuência do tomador e com o compromisso contratual deste de pagar o preço  acertado, sendo irrelevante, nesse caso, a ocorrência de sua efetiva quitação.  Não  integram  a  base  de  cálculo  da  Cofins,  no  regime  de  apuração  não  cumulativa,  as  receitas  referentes  a  vendas  canceladas.  No  que  diz  respeito  à  prestação  de  serviços,  vendas  canceladas  correspondem  à  anulação  de  valores  registrados  como  receita bruta de  serviços,  fato que ocorre quando o  contratante  não concorda com o valor cobrado (no todo ou em parte), seja porque os serviços  não foram prestados de acordo com o contrato, seja porque os serviços prestados,  sem a  sua anuência,  não  foram contratados,  ou  seja porque o  valor  cobrado não  tem  previsão  contratual.  Nesse  caso  a  contratada  não  é  detentora  do  direito  de  receber  pagamento  (no  todo  ou  em  parte)  pelos  serviços  prestados.  Consequentemente,  ainda  que  ela  registre  esses  valores  como  receita,  eles  não  passam a assumir talcondição, já que não se consideram como receitas realizadas  e, por conseguinte, como receitas auferidas.  No regime de competência, o cancelamento de notas fiscais, seja no mês da  prestação de serviço ou em outro mês qualquer, por si só, não afeta a ocorrência do  fato gerador ou a apuração da base de cálculo da Cofins. Todavia, se as causas que  motivarem  tal  cancelamento,  configurarem  vendas  canceladas,  o  correspondente  valor, registrado como receita de serviços, é passível de exclusão da base de cálculo  dessa Contribuição no mês da devolução.   DISPOSITIVOS LEGAIS: Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, arts. 3º  e  4º,  caput,  e  §  1º;  Lei  nº  6.404,  de  1976,  art.  187,  §  1º,  “a”  e  “b”;  Instrução  Normativa SRF nº 51, de 1978, item 4.1; Norma Brasileira de Contabilidade TG 30  ­ Receitas (com a redação dada pela Resolução CFC nº 1.412, de 2, de outubro de  2012), item 21.  No mesmo sentido, o Manual de Contabilidade Societária4 da FIPECAFI ao  dispor sobre estoques, entendendo que o momento de contabilização das compras coincide com  a  transmissão  do  direito  de  propriedade,  não  se  ligando  apenas  ao  aspecto  legal,  mas                                                              4  IUDÍCIBUS,  Sérgio.  MARTINS,  Eliseu.  GELBCKE,  Ernesto  Rubens.  SANTOS,  Ariovaldo  do.  Manual  de  Contabilidade Societária Aplicável a todas as sociedades. São Paulo, Editora Atlas, 2010. p. 72/73.  Fl. 11628DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 32          31 principalmente à  transferência de  riscos  e benefícios  futuros. Transcreve­se o  trecho da obra  para melhor esclarecer:  "O momento da contabilização de compras de itens do estoque, assim como o  das  vendas  a  terceiros,  em  geral,  coincide  com  o  da  transmissão  do  direito  de  propriedade dos mesmos, embora o conceito de ativo esteja ligado não só aspecto  legal,  mas  principalmente  a  transferência  de  riscos  e  benefícios  futuros.  Dessa  forma, na determinação sabre  se os  itens  integram ou não a conta de estoques, o  importante não é sua posse física, mas o direito de sua propriedade; em seguida, há  também  que  se  discutir  a  figura  do  controle  e  ainda  as  dos  riscos  e  benefícios.  Assim, deve ser feita uma análise caso a caso visando identificar potenciais eventos  onde haja transferência dos principais benefícios e riscos.  [...]  5.2.2 Compras em trânsito  Não devem ser incluídas as compras cujo transporte seja de responsabilidade  do vendedor (FOB­destino), nem as mercadorias recebidas de terceiros (quando a  empresa é consignatária ou depositária), nem os materiais comprados, mas sujeitos  à  aprovação.  Neste  último  caso,  a  integração  aos  estoques  se  dará  apos  a  aprovação.  De  outro  giro,  sob  o  aspecto  legal,  o  Código  Civil  dispõe  em  seu  artigo  1.2265 que os direitos reais (dentre eles o direito de propriedade) sobre coisas móveis, quando  constituídos, ou transmitidos por ato inter vivos, somente se adquirem com a tradição e que até  o momento da tradição, conforme artigo 4926, os riscos da coisa correm por conta do vendedor  e os do preço por  conta do  comprador,  ressalvadas  as  situações de que  tratam os  parágrafos  deste artigo.  Deflui­se  que  a  emissão  da  nota  fiscal  não  caracteriza,  por  si,  a  aquisição,  pois  que  os  riscos,  em  regra,  ainda  correm  por  conta  do  vendedor. A  discussão  travada  nos  autos limitou­se apenas ao lapso temporal entre a data de emissão da nota fiscal de venda pelo  vendedor  e  a  entrada  dos  bens  nos  estabelecimentos  da  empresa,  não  se  perquirindo  sobre  outras situações ou condições. Portanto, em princípio, o regime de competência do crédito deve  ser o da aquisição, assim entendida, a  tradição das coisas móveis, ou, no caso de serviços, o  reconhecimento do estágio de execução (serviços em várias etapas) ou da conclusão, no caso  de serviço de uma única etapa.  Neste sentido, citam­se acórdãos deste conselho:  Acórdão nº 3801­005.038:  [...]  MOMENTO DO CREDITAMENTO.  O cálculo do crédito de PIS e de COFINS deverá levar em conta  as  aquisições  de  bens,  serviços  e  insumos  ocorridas  no  mês,  sendo  que  o  termo  "aquisição"  exige  o  recebimento  e                                                              5 Art. 1.226. Os direitos reais sobre coisas móveis, quando constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se  adquirem com a tradição.  6 Art. 492. Até o momento da tradição, os riscos da coisa correm por conta do vendedor, e os do preço por conta  do comprador.  Fl. 11629DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 33          32 contabilização  do  bem  pelo  destinatário.  Crédito  não  aproveitado  em  determinado  mês  poderá  sê­lo  nos  meses  subseqüentes.  Acórdão nº 3201­001.361:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004  AQUISIÇÃO  DE  FRETE  PARA  AQUISIÇÃO  DE  INSUMOS.  MOMENTO DE APURAÇÃO DO CRÉDITO.  As despesas relativas a  frete para aquisição de  insumos geram  direito a  crédito de PIS não cumulativo,  nos  termos do art.  3º,  inciso  II,  da  Lei  nº  10.637,  de  2002. Considera­se  adquirido  o  frete,  para  efeitos  de  creditamento  de  PIS,  no  momento  da  conclusão  do  transporte  dos  insumos  adquiridos,  ou  seja,  na  entrada dos referidos insumos no estabelecimento do adquirente.   Excerto do voto condutor:  "Para  a  fiscalização,  o  mês  em  que  os  bens  e  serviços  foram  adquiridos  e as despesas  foram  incorridas corresponde ao mês  da  emissão  das  respectivas  notas  fiscais.  Tal  entendimento  foi  confirmado pela instância a quo. Contudo, esse não parece ser  o momento em que tais despesas são incorridas.  No caso do serviço de transporte contratado para transportar os  insumos a serem utilizados na produção da Recorrente, o serviço  somente pode ser considerado como adquirido quando o frete é  concluído,  ou  seja,  quando  o  insumo  transportado  ingressa  no  estabelecimento da Recorrente.  Isso  porque  o  serviço  é  um  bem  imaterial  e,  como  tal,  a  sua  aquisição deve ser considerada no momento em que o seu objeto  se  aperfeiçoa,  pois  essa  hora  é  a  que  mais  se  aproxima  da  tradição do bem material. Antes disso, não há como considerar  que o referido bem imaterial foi adquirido."  Acórdão nº 3403­001.340:  Excerto do voto vencedor:  "Neste passo, admitir o cômputo de créditos apurados sobre tais  valores  equivale  a  fazer  retroagir  as  disposições  das  Medidas  Provisórias 66/02 e 135/03, convertidas nas Leis nºs 10.637/02 e  10.833/03,  respectivamente,  haja  vista  que,  se  pagos  na  época  oportuna,  isto  é,  quando  de  sua  aquisição,  não  haveria  que  se  falar  em  créditos  da  não  cumulatividade,  demais  disso,  por  disposição própria de  referidos diplomas  legais,  o momento de  apropriação dos créditos se concretiza na aquisição do insumo,  a teor do art. 3º, § 1º das leis em comento, ainda que outro seja o  momento do pagamento, como sói ocorrer nas compra a prazo.  Fl. 11630DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 34          33 Seu  aspecto  temporal  é  a  efetiva  entrada  dos  insumos  no  estabelecimento,  pouco  importando  que  coincida  com  o  pagamento, ou seja, o marco é fixo, aplicando­se à compra para  entrega  futura,  onde  há  antecipação  de  pagamento  pela  aquisição,  para  aquela  que  o  pagamento  se  dá  em  momento  futuro  a  partir  da  aquisição,  ou  mesmo  que  seja  saldada  em  prestações."  Frise­se que não se trata de admitir créditos extemporâneos,  item específico  enfrentado no acórdão, mas sim de considerar o  regime de competência na  tradição da coisa  móvel ou na execução dos  serviços. Dá­se, portanto, provimento ao  recurso voluntário neste  ponto.  Relativamente ao tratamento de resíduos, a recorrente entende que o conceito  de insumo se refere ao custo de produção, considerado como todos os gastos com os insumos,  com fatores de produção que agregam valor ao produto a ser vendido, excluindo as despesas.  Neste  ponto,  entendo que  a  definição  de  insumo  é mais  restritiva  que  a  da  recorrente, conforme exposto a seguir.  A  não­cumulatividade  das  contribuições,  embora  estabelecida  sem  os  parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto  entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em  relação  a  determinados  custos,  encargos  e  despesas  estabelecidos  em  lei.  A  apuração  de  créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, cujo inciso  II dispõe:  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485,  de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada  pela Lei nº 10.865, de 2004)  A regulamentação da definição de insumo foi dada pelo artigo 66 da IN SRF  nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, de forma idêntica:  Art.  66.  A  pessoa  jurídica  que  apura  o  PIS/Pasep  não­ cumulativo  com  a  alíquota  prevista  no  art.  60  pode  descontar  créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota,  sobre os valores:  [...]  § 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entende­ se como insumos:  I  ­  utilizados  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados  à  venda:  a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações,  tais  Fl. 11631DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 35          34 como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo  imobilizado;  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País,  aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto;  II ­ utilizados na prestação de serviços:  a)  os  bens  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços,  desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País,  aplicados ou consumidos na prestação do serviço.  Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica  pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da  mesma alíquota, sobre os valores:  [...]  § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende­ se como insumos:  I  ­  utilizados  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados  à  venda:  a)  a  matéria­prima,  o  produto  intermediário,  o  material  de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações,  tais  como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo  imobilizado;  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País,  aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto;  II ­ utilizados na prestação de serviços:  a)  os  bens  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços,  desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País,  aplicados ou consumidos na prestação do serviço.  A  partir  destas  disposições,  três  correntes  se  formaram:  a  defendida  pela  Receita  Federal,  corroborada  em  julgamentos  deste  Conselho,  que  utiliza  a  definição  de  insumos  da  legislação  do  IPI,  em  especial  dos  Pareceres Normativos CST  nº  181/1974  e  nº  65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos  e  despesas  necessários  à  obtenção  da  receita,  em  similaridade  com  os  custos  e  despesas  dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99.  Por  fim, uma  terceira corrente, defende, com variações, um meio  termo, ou  seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem  deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda.  Fl. 11632DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 36          35 Constata­se também que há divergência no STJ sobre o tema, tendo a matéria  sido afetada como recurso repetitivo no REsp 1.221.170/PR. Assim, verifica­se que no REsp  1.246.317­MG, de  relatoria do Ministro Mauro Campbell,  decidiu­se pela  ilegalidade parcial  do artigo 66º da IN SRF nº 247/2002 e do artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, na parte em que  trata do conceito de insumos, adotando no acórdão um mais abrangente:  PROCESSUAL  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  AUSÊNCIA  DE  VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538,  PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N.  98/STJ.  CONTRIBUIÇÕES  AO  PIS/PASEP  E  COFINS  NÃO­  CUMULATIVAS.  CREDITAMENTO.  CONCEITO  DE  INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA  LEI  N.  10.833/2003.  ILEGALIDADE  DAS  INSTRUÇÕES  NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004.   1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma  suficientemente  fundamentada  a  lide,  muito  embora  não  faça  considerações  sobre  todas  as  teses  jurídicas  e  artigos  de  lei  invocados pelas partes.   2. Agride o  art.  538,  parágrafo  único,  do CPC, o  acórdão que  aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente  com  o  propósito  de  prequestionamento.  Súmula  n.  98/STJ:  "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de  prequestionamento não têm caráter protelatório ".  3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa  SRF n. 247/2002 ­ Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa  SRF  n.  358/2003)  e  o  art.  8º,  §4º,  I,  "a"  e  "b",  da  Instrução  Normativa  SRF  n.  404/2004  ­  Cofins,  que  restringiram  indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das  Leis  n.  10.637/2002  e  n.  10.833/2003,  respectivamente,  para  efeitos  de  creditamento  na  sistemática  de  não­cumulatividade  das ditas contribuições.   4.  Conforme  interpretação  teleológica  e  sistemática  do  ordenamento  jurídico  em  vigor,  a  conceituação  de  "insumos",  para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da  Lei  n.  10.833/2003,  não  se  identifica  com  a  conceituação  adotada  na  legislação  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI,  posto  que  excessivamente  restritiva.  Do  mesmo  modo,  não  corresponde  exatamente  aos  conceitos  de  "Custos  e  Despesas  Operacionais"  utilizados  na  legislação  do  Imposto de Renda ­ IR, por que demasiadamente elastecidos.    5.  São  "insumos",  para  efeitos  do  art.  3º,  II,  da  Lei  n.  10.637/2002, e art. 3º,  II, da Lei n. 10.833/2003,  todos aqueles  bens  e  serviços  pertinentes  ao,  ou  que  viabilizam  o  processo  produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta  ou  indiretamente  empregados  e  cuja  subtração  importa  na  impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção,  isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica  em  substancial  perda  de  qualidade  do  produto  ou  serviço  daí  resultantes.   Fl. 11633DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 37          36 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros  alimentícios  sujeita,  portanto,  a  rígidas  normas  de  higiene  e  limpeza.  No  ramo  a  que  pertence,  as  exigências  de  condições  sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria  impossibilidade  da  produção  e  em  substancial  perda  de  qualidade  do  produto  resultante.  A  assepsia  é  essencial  e  imprescindível  ao  desenvolvimento  de  suas  atividades.  Não  houvessem  os  efeitos  desinfetantes,  haveria  a  proliferação  de  microorganismos  na  maquinaria  e  no  ambiente  produtivo  que  agiriam  sobre  os  alimentos,  tornando­os  impróprios  para  o  consumo.  Assim,  impõe­se  considerar  a  abrangência  do  termo  "insumo"  para  contemplar,  no  creditamento,  os  materiais  de  limpeza  e  desinfecção,  bem  como  os  serviços  de  dedetização  quando aplicados no ambiente produtivo de empresa  fabricante  de gêneros alimentícios.   7. Recurso especial provido.  De forma antagônica, no REsp Nº 1.128.018 ­ RS, decidiu­se pela legalidade  das referidas INs e do conceito restrito de insumos:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AUSÊNCIA  DE  VIOLAÇÃO  DO  ART.  535  DO  CPC.  INCIDÊNCIA  DA  SÚMULA 211/STJ. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº  10.637/2002  E  10.833/2003.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  ART.  195, § 12, DA CF.   MATÉRIA  EMINENTEMENTE  CONSTITUCIONAL.  INSTRUÇÕES  NORMATIVAS  SRF  247/02  e  SRF  404/04.  EXPLICITAÇÃO  DO  CONCEITO  DE  INSUMO.  BENS  E  SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE  NO  PROCESSO  PRODUTIVO.  BENEFÍCIO  FISCAL.  INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111  CTN.  1.  Inexiste  violação  do art.  535  do CPC quando o Tribunal  de  origem se manifesta, fundamentadamente, sobre as questões que  lhe  foram  submetidas,  apreciando  de  forma  integral  a  controvérsia posta nos presentes autos.  2.  “Inadmissível  recurso  especial  quanto  à  questão  que,  a  despeito  da  oposição  de  embargos  declaratórios,  não  foi  apreciada pelo tribunal a quo” (Súmula 211/STJ).   3.  A  análise  do  alcance  do  conceito  de  não­cumulatividade,  previsto  no  art.  195,  §  12,  da  CF,  é  vedada  neste  Tribunal  Superior  sob  pena  de  usurpação  da  competência  do  Supremo  Tribunal Federal.   4.  As  Instruções  Normativas  SRF  247/02  e  SRF  404/04  não  restringem,  mas  apenas  explicitam  o  conceito  de  insumos  previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03.   5.  Possibilidade  de  creditamento  de PIS  e COFINS apenas  em  relação  aos  os  bens  e  serviços  empregados  ou  utilizados  diretamente sobre o produto em fabricação.   Fl. 11634DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 38          37 6.  Interpretação  extensiva  que  não  se  admite  nos  casos  de  concessão  de  benefício  fiscal  (art.  111  do  CTN).  Precedentes:  AgRg  no  REsp  1.335.014/CE,  Rel.  Ministro  Castro  Meira,  Segunda Turma, DJe 8/2/13, e REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra  Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10.  7. Recurso especial a que se nega provimento.  Dado  o  panorama,  entendo  que  a melhor  interpretação  está  com  a  terceira  corrente, pelos motivos a seguir.  Inicialmente,  destaca­se  que  a  materialidade  do  fato  gerador  dos  tributos  envolvidos  é distinta,  isto  é,  a  incidência  sobre o produto  industrializado para o  IPI,  sobre o  lucro (real, presumido ou arbitrado), para o IRPJ, ao passo que o PIS/Pasep e a Cofins incidem  sobre a receita bruta.  Esta  distinção  se  refletiu  na  redação  original  do  artigo  3º,  na  definição  das  hipóteses de crédito, especialmente a relativa a insumos, dada por "bens e serviços, utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes".  De  plano,  salta  aos  olhos  a  impropriedade  de  utilização  da  legislação  do  IPI  como  parâmetro,  em  razão  da  inclusão  de  serviços na mesma categoria normativa de bens, inaplicável à definição de IPI dada a bens.  Outra distinção marcante relativo ao IPI reside na inclusão de combustíveis e  lubrificantes  na  definição  de  insumos. A  legislação  do  IPI  delimitou  o  alcance da  definição,  especialmente no Parecer Normativo CST nº 65/1979, em função do contato físico direto com  o produto em fabricação, o que levou à impossibilidade de tomada de crédito de IPI sobre tais  bens, inclusive objeto de edição da Súmula CARF nº 19:  Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito  presumido  da  Lei  nº  9.363,  de  1996,  as  aquisições  de  combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos  em  contato  direto  com  o  produto,  não  se  enquadrando  nos  conceitos de matéria­prima ou produto intermediário.  É  cediço  que  combustíveis  não  entram  em  contato  físico  direto  com  os  produtos durante o processo produtivo, razão pela qual não podem ser inseridos no conceito de  insumo adotado pelo IPI. Sendo assim, conclui­se que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003,  ao  inserirem os  termos combustíveis e  lubrificantes na categoria de  insumo, estabelecem um  marco jurídico distinto da legislação do IPI.  Verifica­se que, de  fato, a própria Receita Federal  flexibilizou a questão do  contato direto com o produto em fabricação. Vejamos a Solução de Divergência nº 14/2007 e  nº  35/2008,  as  quais  permitem  a  dedução  de  partes  e  peças  de  reposição  de  máquinas  e  equipamentos, desde que não incluídas no imobilizado.  Solução de Divergência nº 14/2007:  ASSUNTO: Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins     EMENTA:  Crédito  presumido  da  Cofins.  Partes  e  peças  de  reposição e serviços de manutenção. As despesas efetuadas com  Fl. 11635DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 39          38 a  aquisição  de  partes  e  peças  de  reposição  e  com  serviços  de  manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados  diretamente  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  pagas  à  pessoa  jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de  fevereiro  de  2004,  geram  direito  a  créditos  a  serem  descontados  da  Cofins,  desde  que  às  partes  e  peças  de  reposição  não  estejam  incluídas no ativo imobilizado.  Solução de Divergência nº 35/2008:  Cofins  não­cumulativa.  Créditos.  Insumos.  As  despesas  efetuadas  com a  aquisição  de  partes  e  peças  de  reposição  que  sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas  utilizadas  em  máquinas  e  equipamentos  que  efetivamente  respondam  diretamente  por  todo  o  processo  de  fabricação  dos  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  pagas  à  pessoa  jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de  fevereiro  de  2004,  geram  direito  à  apuração  de  créditos  a  serem  descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição  não  estejam  obrigadas  a  serem  incluídas  no  ativo  imobilizado,  nos termos da legislação vigente.  Esta  distinção  fica  evidenciada  na  redação  da  Lei  nº  10.276/2001,  ao  estabelecer  o  regime  alternativo  de  crédito  presumido  de  IPI  sobre  o  ressarcimentos  das  contribuições para o PIS e a Cofins, delimitando a definição de insumos para o IPI a matérias­ primas,  produtos  intermediários  e material  de  embalagem,  excluindo  a  energia  elétrica  e  os  combustíveis,  distinguindo­se  da  redação  dos  incisos  II  dos  artigos  terceiros  das  leis  instituidoras da não­cumulatividade, a qual inclui combustíveis na qualidade de insumos.  Por  outro  lado,  a  tese  de  que  insumo  equivaleria  a  custos  e  despesas  dedutíveis necessários à obtenção da receita é por demais abrangente e não reflete a estrutura  do artigo 3º das referidas leis. Este enumera as hipóteses de creditamento, sendo que todas se  referem a custos ou despesas necessárias, o que afasta a definição abrangente, já que todas as  demais hipóteses estariam abrangidas no inciso II, revelando­se, assim desnecessárias.  Assim, energia elétrica, aluguéis, contraprestação de arrendamento relativas a  área administrativa são despesas necessárias, mas entretanto não são insumos e somente geram  crédito  por  estarem  previstas  em  hipóteses  autônomas.  O  mesmo  ocorre  com  a  despesa  de  armazenagem e frete na operação de venda.  Entendo, pois, que a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na  prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda"  deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação  e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou  fabricação  ou  à  prestação  de  serviços,  independentemente  do  contato  direto  com  o  produto  fabricado, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes, expressos no texto legal  Assim, devem ser entendidos como insumos, os custos de aquisição e custos  de  transformação  que  sejam  inerentes  ao  processo  produtivo  e  não  apenas  genericamente  inseridos como custo de produção. Esta distinção é dada pela própria  lei e  também pelo STJ  (AgRg  no  REsp  nº  1.230.441­SC,  AgRg  no  REsp  nº  1.281.990­SC),  quando  excluem,  por  exemplo,  dispêndios  com  vale­transporte,  vale­alimentação  e  uniforme  da  condição  de  Fl. 11636DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 40          39 insumos,  os  quais  poderiam  ser  considerados  custos  de  produção,  mas  que  somente  foram  alçados a insumos a partir da Lei nº 11.898/2009, e apenas para as atividades de prestação de  serviços de limpeza, conservação, manutenção.  Destaca­se,  ainda,  que  determinados  custos  de  estocagem,  embora,  sejam  considerados para avaliação de estoques, não podem ser considerados custos de transformação,  pois são aplicados aos produtos já acabados.  Estabelecidas as premissas acima, considero que o tratamento de resíduos não  pode ser considerado custo de aquisição ou custo de transformação, pois se refere a uma etapa  posterior  à  produção  propriamente  dita,  embora,  reconhecidamente,  necessária  à  atividade  empresarial.  Destarte,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário  quanto  à  possibilidade  de  creditamento dos dispêndios relativos à aquisição de bens e serviços utilizados no tratamento  de resíduos.   (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède    Conselheira Lenisa Prado, redatora designada.    É certo que até a presente data os limites do conceito "insumo" sob o prisma  das Contribuições PIS e COFINS é  tema controverso, seja no âmbito do Poder Judiciário ou  deste CARF.  O  Superior  Tribunal  de  Justiça  reconhece  que  a  inafastável  interpretação  teleológica  e  sistemática  do  ordenamento  jurídico  não  admite  a  conceituação  de  "insumos"  como  aquela  extremamente  restritiva  adotada  pela  legislação  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados; e também não possibilita expandi­la de modo a comportar a equivalência aos  conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" adotados nas normas que regem o Imposto de  Renda.  É  equivocado  equivaler  o  termo  "insumo"  inserido  nas  normas  de  PIS/COFINS àquele conceituado pelas regras do IPI ­ por mais que se tratem de regimes não  cumulativos ­ uma vez que estamos diante de tributos distintos, com bases de apuração muito  diferentes. Enquanto as Contribuições são apuradas com base na receita das pessoas jurídicas,  a cobrança do IPI está vinculada ao preço do produto.    Essa  conclusão  é  também  partilhada  pela  Cons.  Fabíola  Keramidas7,  que  muito bem ressalta que:    "Tal  diferença  torna  evidente  a  distinção  entre  regimes  não  cumulativos.  Explico.  Adoto  a  premissa  de  que  o  conceito  de  cumulatividade  significa  tributar  mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o                                                              7 A Conselheira  redigiu o voto vencedor no Acórdão n. 3302­002.683, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª  Câmara dessa 3ª Seção, no julgamento do Recurso Voluntário interposto pela Usina Trapiche S.A. na sessão de  19/08/2014  Fl. 11637DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 41          40 efeito  não  cumulativo  é  necessário,  exatamente,  evitar  esta  reiterada  incidência  tributária sobre a mesma riqueza.  No  caso  da  não  cumulatividade  aplicável  ao  IPI/ICMS  este  processo  é  facilmente  constatável.  Isto  porque  se  está  tratando  de  não  cumulatividade  vinculada  ao  preço  do  produto,  logo,  toda  vez  que  o  produto  for  tributado  (independente da fase em que ele se encontre), estar­se­á diante da cumulação de  carga  tributária.  O  reflexo  no  aumento  do  preço  do  produto  é  visível,  quase  palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da  carga tributária.  Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica à não cumulatividade trazida  ao PIS/COFINS. Diferentemente  da  hipótese  dos  impostos,  a  cumulação a  que  se  pretende evitar no caso das contribuições, refere­se à receita da pessoa jurídica. É  em  relação a  esse  aspecto  econômico  que  se  deve  impedir  a  reiterada  incidência  tributária  (...)  O  critério  'receita',  ao  contrário  do  critério  'produto',  não  possui  um  ciclo  econômico  a  ser  considerado,  posto  ser  fenômeno  ligado  a  uma  única  pessoa.  Inexiste  imposto  de  etapa  anterior  a  ser  deduzido,  uma  vez  que  não  há  estágio  prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e esta particularidade inviabiliza  a aplicação da mesma interpretação, a respeito da geração dos créditos que visam  evitar a cumulatividade, para ambos os regimes".    O raciocínio acima transcrito não deixa dúvidas sobre a dessemelhança entre  os sistemas não cumulativos dos impostos e das contribuições. Enquanto nos impostos o que se  pretende é a compensação do imposto sobre imposto (o que torna fundamental a apuração dos  valores  despendidos  para  pagamento  dos  impostos),  a  não  cumulatividade  das  contribuições  requer  a  apuração  do  quantum  consumido  pelo  contribuinte  a  título  de  insumos,  em  todo  o  processo de produção.  A lógica perfilhada pelo Ministro Mauro Campbell8 em muito se assemelha a  que  defendo,  além de  conter  equilíbrio  e  razoabilidade,  qualidades  essas  as  quais me  curvo,  motivo pelo qual adoto a seguinte definição para o termo insumos:    "São insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002 e art. 3º, II, da  Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam  o  processo  produtivo  e  a  prestação  de  serviços,  que  neles  possam  ser  direta  ou  indiretamente empregados e cuja subtração importa na  impossibilidade mesma da  prestação do  serviço ou da produção,  isto é,  cuja  subtração obsta a atividade da  empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí  resultante".  Deste  modo,  peço  vênia  ao  ilustríssimo  relator  para  apresentar  os  fundamentos que me levam a divergir de seu entendimento.    1. Sobre os créditos relacionados aos gastos com calços para alinhamento  de altura de equipamentos rotativos.                                                              8 Recurso Especial n. 1.246.317/MG, julgado em 19/05/2015 pela 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça.  Fl. 11638DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 42          41   O nobre relator nega a pretensão da contribuinte em reverter as glosas sobre  os créditos  relativos aos calços para  alinhamento de altura de equipamentos  rotativos porque  entende  que  não  guardam  a  necessária  relação  de  pertinência  com  o  processo  produtivo,  considerado  na  sua  indivisível  unicidade,  ainda  que  sejam  contabilizados  como  custo  de  produção.  No  entanto,  ao  meu  ver,  tais  custos  são  indispensáveis  diante  da  própria  natureza do serviço aplicado na fabricação da celulose.   Esclarece a contribuinte em seu recurso voluntário que:    "Os calços para alinhamento da altura de equipamentos rotativos  também  são empregados na unidade fabril e listados exemplificativamente como insumos à  fl. 164 do Laudo Técnico da ESALQ. Sem os mesmos seria  impossível utilizar os  equipamentos  de  corte,  uma  vez  que  somente  os  calços  conferem  firmeza  e  estabilidade aos equipamentos rotativos" (fl. 11253 ­grifos nossos).    Vale  esclarecer  que  os  eucaliptos  produzidos  pela  contribuinte,  que  são  a  fonte primária da fabricação da celulose, são árvores extremamente altas e para o seu corte é  necessária  a  utilização  de  equipamentos  especiais.  Os  calços  são,  ao  que  tudo  indica,  equipamentos que permitem a utilização dos equipamentos de corte.   Considerando  que  os  equipamentos  de  corte  são  essenciais  à  produção  da  celulose, na etapa agroindustrial, o mesmo reconhecimento deve ser conferido aos calços.    2.  Sobre  os  créditos  decorrentes  da  aquisição  de  Equipamentos  de  Proteção Individual (EPI).    Sobre  os  créditos  sobre  os  dispêndios  para  aquisição  de  EPI  assim  se  pronunciou a recorrente:    "Os  equipamentos  de  proteção  individual  (aqui  incluídas  as  botinas,  macacões  e  óculos  de  proteção  bandido)  são  absolutamente  indispensáveis  à  atividade da Recorrente, que fornece a indumentária sem a qual a execução das  atividades da capina e aplicação de herbicidas (por exemplo) jamais poderiam ser  executadas  (...)  Restando  firmado  que  o  laudo  atesta  a  indispensabilidade  dos  equipamentos de proteção individual, os quais são de uso obrigatório para evitar  acidentes  tanto  na  fase  agrícola  (corte  da madeira,  aplicação de  agrotóxico,  etc)  quanto na fase fabril (laminação de celulose, preparo químico da pasta de celulose,  etc)". (fl. 11257 ­ grifos nossos).  A  utilização  de  E.P.I.  é  essencial  para  a  segurança  dos  colaboradores  da  empresa,  decorre  de  imposição  prevista  na  legislação  trabalhista,  incluindo  acordos  e  convenções firmados pelo sindicato das categorias profissionais dos empregados da empresa.  Dessa forma, diante da essencialidade do equipamento, reconheço direito ao crédito.    Fl. 11639DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 43          42 3.  Sobre  os  créditos  referentes  aos  custos  dos  serviços  utilizados  em  análises químicas em laboratórios.    Sobre a glosa em referência, o recorrente esclarece que:    "O processo produtivo da celulose  se inicia com a análise  laboratorial que  propiciará a seleção dos clones de eucaliptos que atendam à gramatura adequada  à  futura  extração da  celulose. Ou  seja,  o  processo de  produção  tem  início  antes  mesmo  da  fase  do  plantio,  ocorrendo  a  seleção  dos  clones  que  possuam  características  específicas  para  a  obtenção  de  um  celulose  capaz  de  atender  ao  pedido de  seus  clientes  (...) Ora, a obtenção das mais  variadas  especificações de  celulose está intrinsecamente relacionada à fase laboratorial, posto que a empresa  realiza  diversos  testes  para  selecionar  o  clone  que  contém  características  específicas  para  propiciar  a  obtenção  de  uma  celulose  cujas  fibras  atendam  as  exigências de um determinado cliente" (fl. 11.249 ­ grifos nossos).    Percebe­se  que  a  fase  laboratorial  é  essencial  ao  processo  produtivo  da  celulose, e também bastante técnica.   O nobre relator  reconhece direito ao crédito sobre os  insumos utilizados em  análises químicas em laboratório e armazenagem de insumos, mas não sobre os serviços.  No  entanto,  ao  meu  ver,  somente  funcionários  habilitados  e  qualificados  podem  utilizar  de  forma  correta  os  insumos  utilizados  nos  laboratórios,  já  que  a  fase  laboratorial exige conhecimentos técnico e científicos específicos. Não seria lógico conceder os  créditos aos insumos laboratoriais e não aos serviços necessários para a sua correta utilização,  sob pena de esvaziar a indispensabilidade dos insumos.  Deste modo, reconheço o crédito reclamado.    4.  Sobre  os  créditos  decorrentes  da  aquisição  de  Equipamentos  de  Proteção  Individual  no  item  "Alimentos,  Fardamentos  e  Equipamentos  de  Proteção  Individual".  Por ser essencialmente a mesma questão, reconheço o direito ao crédito pelos  fundamentos já registrados no item 2 desse voto.    5.  Sobre  os  créditos  relacionados  a  combustíveis  utilizados  como  insumos.    Sobre  a  glosa  referente  aos  créditos  relacionados  a  combustíveis,  a  contribuinte esclarece que:    "Todo  combustível  glosado  é  fornecido  pela  Fibria,  e  sua  utilização  e  aquisição foi atestada pelos  laudos técnicos reconhecidos pela própria fiscalização,  não  havendo  nos  autos  qualquer  dúvida  acerca  da  aplicação  e  aquisição  de  tais  materiais  elencados  na  planilha  de  glosa,  tais  como  Gás  GLP  Industrial,  Óleo  Fl. 11640DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO Processo nº 19515.722441/2013­17  Acórdão n.º 3302­003.155  S3­C3T2  Fl. 44          43 lubrificante Tribotec, e óleo diesel, os quais foram adquiridos em sua grande maioria  da  fornecedora Petrobrás Distribuidora S/A,  conforme  atesta  a  própria  planilha  de  glosa.  O  laudo  técnico  formulado  pela  USP­ESALQ  também  atesta  que  a  Fibria  fornece todo o combustível utilizado no transporte, senão vejamos:  'São  cinco  transportadoras  contratadas  pela  Fibria  para  o  transporte  de  madeira para todas as situações: campo­ fábrica; campo ­ terminal marítimo; campo  ­  terminal  rodoviário. A Fibria  fornece  combustível  para  a  frota  de  caminhões  de  transportadoras".    Concordo  com  o  relator  quando  afirma  que  o  direito  a  crédito  sobre  os  combustíveis  utilizados  como  insumos  deve  ser  reconhecido,  já  que  são  necessários  para  a  realização do processo produtivo, uma vez que todo o deslocamento de material utilizado no  processo  produtivo  entre  as  áreas  de  plantio,  cultivo,  extração  e  o  beneficiamento  do  produto,  seja  qual  for  sua  natureza,  é  feito  por  meio  de  veículos,  os  quais  utilizam  diretamente os combustíveis anteriormente (trecho extraído do voto do relator).    A distância entre o campo e a unidade fabril a que se refere o nobre relator é  informada pela recorrente da seguinte maneira:  "Ora, conforme demonstrado alhures,  tendo em vista que a maior parte das  atividades da empresa são executadas no campo, torna­se imprescindível a locação  de veículos para que os supervisores adentrem as áreas rurais para executar seus  serviços.  Da  mesma  forma,  tendo  em  vista  a  necessidade  de  pernoitar  em  áreas  afastadas para dar consecução aos trabalhos da empresa, tais dispêndios mostram­ se também indispensáveis para o desempenho das atividades na empresa" (fl. 11294  ­ grifos nossos).    Considerando (i) que os combustíveis são adquiridos pela contribuinte e; (ii)  que a extração e o beneficiamento do produto são realizados em locais distintos e distantes, é  evidente que o transporte dos funcionários entre esses estabelecimentos é custo indispensável  para o processo produtivo, já que não há informações sobre a mecanização da produção de tal  maneira que torne facultativa a atuação dos funcionários.  Diante  desse  raciocínio,  reconheço  o  direito  ao  crédito  também  sobre  os  combustíveis para transporte de funcionários.    (assinado digitalmente)  Lenisa Rodrigues Prado                  Fl. 11641DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digita lmente em 13/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por WALKER ARAU JO

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Numero do processo: 13674.000107/99-90
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/1987 a 30/04/1990 Embargos de Declaração. Preclusão Temporal e Consumativa. Impossibilidade de conhecimento. Por terem caráter recursal, os embargos de declaração, também, estão sujeitos aos requisitos ou pressupostos de admissibilidade dos recursos em geral, dentre os quais se destaca o da tempestividade (preclusão temporal) e o da unirrecorribilidade (preclusão consumativa). Exaurido o prazo regimental sem a interposição dos aclaratórios, dá-se a preclusão temporal, e, constatado que a embargante já exercera a faculdade processual de interpor declaratórios sobre acórdãos proferidos nos autos deste processo, verifica-se que exauriu sua competência para esse mister, precluindo do direito de apresentar novos declaratórios, por ter-se operado a preclusão consumativa. Embargos não conhecidos.
Numero da decisão: 9303-001.827
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer dos embargos de declaração. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Relator) e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que os conheciam para excluir a parte relativa ao deferimento, ultra petita, dos juros de mora antes de 1º de janeiro de 1996. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: Júlio César Alves Ramos

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Interessado  QUALY MARCAS COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO DE CEREAIS LTDA    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/05/1987 a 30/04/1990  Embargos  de Declaração.  Preclusão  Temporal  e  Consumativa.  Impossibilidade  de  conhecimento.  Por  terem caráter  recursal,  os  embargos de declaração,  também,  estão  sujeitos aos  requisitos ou pressupostos de admissibilidade dos recursos em geral, dentre os quais  se  destaca  o  da  tempestividade  (preclusão  temporal)  e  o  da  unirrecorribilidade  (preclusão  consumativa).  Exaurido  o  prazo  regimental  sem  a  interposição  dos  aclaratórios, dá­se a preclusão temporal, e, constatado que a embargante já exercera  a faculdade processual de interpor declaratórios sobre acórdãos proferidos nos autos  deste processo, verifica­se que exauriu sua competência para esse mister, precluindo  do  direito  de  apresentar  novos  declaratórios,  por  ter­se  operado  a  preclusão  consumativa.  Embargos não conhecidos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer  dos embargos de declaração. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Relator) e  Marcos  Aurélio  Pereira  Valadão,  que  os  conheciam  para  excluir  a  parte  relativa  ao  deferimento, ultra petita,  dos  juros de mora  antes de 1º de  janeiro de 1996. Designado para  redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.    Otacílio Dantas Cartaxo ­ Presidente    Júlio César Alves Ramos ­ Relator    Henrique Pinheiro Torres ­ Redator Designado     Fl. 1DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   2 Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa  Pôssas,  Francisco Maurício Rabelo  de Albuquerque  Silva, Marcos  Aurélio  Pereira  Valadão,  Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffman e Otacílio Dantas Cartaxo.    Relatório  Retorna  ao  exame  do  Colegiado,  com  novos  embargos  interpostos  pela  unidade executora, processo que já os teve em profusão.  Nestes,  que  se  espera  sejam  os  derradeiros,  questiona  a DRFB Divinópolis  dois pontos do julgado que estariam, em seu entender, impedindo sua execução:  1.  se cabem  juros de mora em período anterior a 31 de dezembro de 1995,  como  constou  da  decisão,  embora  nunca  tenha  constado  do  pedido  do  contribuinte  em  seus  recursos;  2.  caso  caibam,  qual  seria  o  termo  inicial  para  sua  incidência,  dado  que  a  decisão sobre isso é omissa.  Recordando sucintamente o périplo do processo,  interposto no  já  longínquo  ano de 1999, cuida ele de pedido de restituição de direito creditório objeto de decisão judicial  proferida em setembro de 1993 e transitada em julgado em 13 de maio de 1999. Tal decisão  reconheceu direito creditório no valor de 7.484.907,03 UFIR e determinou a adição, a partir do  trânsito em julgado, de juros, consoante art. 167 do CTN.  No  recurso  voluntário,  o  contribuinte  postulou  (fls.  3.955/3.956)  a  inclusão  dos  índices  inflacionários  afastados  pelos  diversos  planos  econômicos  anteriores  ao  real  (“expurgos”) e a adição da taxa selic a partir de 1º de janeiro de 1996, que haviam sido ambos  negados pela DRJ Juiz de Fora. Vale dizer que no recurso voluntário original o pleito quanto à  Selic a restringia ao período de 1º de janeiro de 1996 a 13 de maio de 1999; a partir de então,  incidiriam  os  juros  de  1% deferidos  na  sentença.  Esse  pedido  foi  “aditado”  ainda  dentro  do  trintídio, deixando­se de falar aí, expressamente, em fim da Selic em maio de 1999.   Examinado  pela  Terceira  Câmara  do  então  Terceiro  Conselho  de  Contribuintes,  ali  foi,  ao  final,  indeferido o pedido quanto aos expurgos  e acolhido quanto à  Selic.  Ainda  que  fosse  esse  o  total  do  pedido  formulado,  constou  ainda  do  dispositivo  do  acórdão tomado por unanimidade (fls. 4.020):  Ex positis, acolho os embargos, para conhecer recurso do  (sic)  voluntário  interposto,  dando  a  este  provimento  em  parte,  não  conhecendo dos expurgos, apenas para reconhecer que o valor a  restituir  ao  contribuinte,  determinado  em  decisão  judicial  transitada  em  julgado,  seja  convertido  em Ufir  e  acrescido  de  juros  de  1%  ao mês  até  01/01/96  e,  após,  acrescido  dos  juros  moratórios pela Taxa Selic, com fundamento no art. 39, § 4º da  Lei 9.250/95.  Como  se  observa,  tal  decisão  foi  proferida  em  embargos,  interpostos  pelo  contribuinte,  que  questionavam  a  premissa  do  julgamento  original  –  reconhecimento  de  inconstitucionalidade – que, por isso, não conhecera de seu recurso voluntário.  Fl. 2DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13674.000107/99­90  Acórdão n.º 9303­01.827  CSRF­T3  Fl. 4.839          3 Importa ainda frisar que a decisão não fez expressa referência ao acolhimento  do  “aditivo”  ao  recurso  especial.  Deve­se  entender  que  sim  na medida  em  que  examinou  a  Selic de 1º de janeiro de 1996 para frente sem interrupção.  Embora o processo tenha passado por uma seqüência de recursos – especiais  de ambas as partes, extraordinário do Procurador e embargos também de ambas as partes e da  mesma unidade preparadora agora novamente embargante – em todos esses recursos discutiu­ se tão­somente a possibilidade de inclusão dos expurgos, ao final também deferida.  Em nenhum momento posterior voltou a ser discutida a incidência de juros,  seja a Selic, sejam os agora questionados juros de 1% antes de 31 de dezembro de 1995. Vale  enfatizar  que  a  Procuradoria  da  Fazenda Nacional  buscou  rediscutir  a  inclusão  da  Selic  por  meio  de  recurso  especial,  que  não  foi,  porém,  admitido.  Nunca  propôs  a  representação  fazendária qualquer  tipo de recurso, nem mesmo embargos, a  respeito do aspecto claramente  ultra petita da decisão da Terceira Câmara.   De  sorte  que  a  última  decisão  nele  proferida  ratificou,  quanto  aos  juros,  aquilo que havia sido deferido  já na primeira decisão válida da Terceira Câmara do Terceiro  Conselho, incluindo, portanto, os juros não requeridos.  A  petição  formalizada  pela  unidade  administrativa  foi  a mim  encaminhada  pelo  Sr.  Presidente  do  CARF,  para  exame,  em  razão  do  afastamento  da  anterior  relatora,  Conselheira Judith Marcondes.   É o Relatório, tão sucinto quanto possível.  Voto Vencido  Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Relator  Propus  o  conhecimento,  como  embargos  de  declaração,  da  petição  formalizada por reconhecer que ela foi interposta no prazo regimental de embargos e apontava,  ao  menos,  flagrante  omissão  do  julgado  quanto  à  data  de  início  da  contagem  dos  juros  ao  percentual de 1%.  E afirmo, “ao menos”, na medida em que tal omissão diz respeito exatamente  à parte ultra petita da decisão. Isso implica que, mesmo que se entenda que, quanto ao mérito,  a decisão proferida ainda pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes esteja  acobertada  pela  coisa  julgada,  ainda  assim,  caberia  o  pronunciamento  deste  Colegiado  para  suprir a omissão existente de modo a tornar possível sua perfeita execução.  Vale  dizer  que  a  empresa  apresentara  planilha  de  cálculo  àquela  unidade,  posterior ao julgado ora embargado (fls. 4.455), em que os computa a partir de 02/01/1992, o  que perfaz um percentual total de 48% e, segundo a unidade preparadora, implica uma adição  de 9.422.267,43 Ufir ao quanto deferido na Justiça e já acrescido dos expurgos.  Examino, por  isso,  inicialmente, se a parte da decisão que os concedeu, em  excesso  quanto  ao  pedido,  de  fato  tornou­se  definitiva.  Caso  não,  se  os  embargos  seriam  o  instrumento próprio para o seu questionamento.  Fl. 3DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   4 O  primeiro  ponto,  a  não­definitividade  da  decisão  naquilo  em  que  se  configura ultra petita parece razoavelmente consensual. Assim ensinam Nery Jr e Nery (1):  Correlação entre pedido, causa de pedir e sentença. O autor fixa  os  limites  da  lide  e  da  causa  de  pedir  na  petição  inicial  (art.  128),  cabendo  ao  juiz  decidir  de  acordo  com  esse  limite.  É  vedado  ao  magistrado  proferir  sentença  acima  (ultra),  fora  (extra)  ou  abaixo  (citra  ou  infra)  do  pedido.  Caso  o  faça,  asentença estará eivada de vício, corrigível por meio de recurso.  E continuam os celebrados processualistas:  Sentença  sobre o que não  foi  pedido pelo autor  é não  somente  viciada, mas também ineficaz, vale dizer, não é acobertada pela  coisa julgada material.   Como  essa  sentença  é  viciada,  poderá  ser  interposto  recurso  para a impugnação de sentença dada fora, acima ou abaixo do  pedido.  Havendo  vício  no  descumprimento  do  princípio  da  correlação,  (...)  nessa  parte  a  sentença  não  terá  autoridade  de  coisa julgada, sendo, pois, desnecessário o ajuizamento de ação  rescisória para atacá­la.  Para concluir, enfaticamente:  ... a parte que foi decidida sem pedido (extra e ultra petita) não  fez  coisa  julgada  material,  de  modo  que  não  tem  eficácia  no  processo em que foi proferida ou em outro processo.  No mesmo sentido, Alexandre Câmara (2):   “a sentença faz coisa julgada nos limites do objeto do processo,  o que significa dizer, nos limites do pedido;o que não tiver sido  objeto  do  pedido,  por  não  integrar  o  objeto  do  processo,  não  será alcançado pelo manto da coisa julgada; apenas aquilo que  foi deduzido no processo e, por conseguinte, objeto de cognição  judicial, é alcançado pela autoridade de coisa julgada”.  Também Moacyr Amaral Santos (3):  A sentença deve ser precisa, isto é, certa, limitada.  ...  Para  ser  precisa,  deve  a  sentença  conter­se  nos  limites  do  pedido.  ...  Afastando­se dessas normas, decidindo ultra ou extra petita,    _________________  (1)  NERY  JR,  Nelson  e  NERY,  Rosa  M.  CÓDIGO  DE  PROCESSO  CIVIL  ANOTADO E LEGISLAÇÃO EXTRAVAGANTE, 11ª edição, editora RT, 1996, pág. 697)   (2) CÂMARA. Alexandre Freitas. LIÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL. Vol. 1. p.   Fl. 4DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13674.000107/99­90  Acórdão n.º 9303­01.827  CSRF­T3  Fl. 4.840          5 (3) SANTOS. Moacyr Amaral. PRIMEIRAS LINHAS DE DIREITO PROCESSUAL. Ed. Saraiva. 17ª  ed. Revista e atualizada. 1998. 3º vol. pp. 23 e 24.  estará a sentença contaminada de vício, que afeta a sua eficácia.  Não poderá a sentença ir além do pedido (ultra petita), salvo no  que  nele  virtualmente  se  contém,  tais  os  frutos  e  acessões  ao  principal: é defeso ao Juiz decidir a lide em quantidade superior  à que lhe foi demandada.  E arremata:  Em ambos os casos, quer no de sentença ultra petita, quer no de  sentença extra petita, será ela ineficaz e nula, ocorrendo que, no  primeiro  caso,  a  nulidade  poderá  deixar  de  ser  declarada  quando a sentença possa ser reduzida no juízo superior “sempre  que  a  coisa  ou  o  valor  sobre  que  recair  a  redução  estiver  expressamente  mencionado  na  sentença  (Gabriel  de  Rezende  Filho) (4).   Mais adiante ainda na mesma obra, pontifica o i. professor:  A  sentença  decide  de  uma  lide. Por  isso mesmo  deverá  ater­se  aos  limites  da  lide,  tal  qual  se  projetou  no  processo.  Faz  a  sentença coisa  julgada e  tem força de lei dentro desses  limites.  (5)  Portanto,  lícito  admitir,  à  luz  da  boa  doutrina,  que  a  decisão  que  conceda  parcela não requerida pelo autor apenas faz coisa julgada nos limites desse pedido, podendo ser  questionada sua parte ultra petita.  O reconhecimento dessa possibilidade, no entanto, não significa que sejam os  embargos o instrumento processual adequado.  No ponto, ensinam ainda Nery Jr e Nery (op. cit, p. 697) ainda comentando o  art. 460 do CPC:  A sentença citra ou infra petita pode ser corrigida por meio de  embargos  de  declaração,  cabendo  ao  juiz  suprir  a  omissão;  a  sentença  ultra  ou  extra  petita  não  pode  ser  corrigida  por  embargos  de  declaração,  mas  só  por  apelação.  Cumpre  ao  Tribunal,  ao  julgar o  recurso,  reduzi­la aos  limites do pedido.’  (grifo nosso)   Já aí, porém, os eminentes doutrinadores, fazem a ressalva:  Os Embargos de Declaração são idôneos para corrigir a decisão  que  decidiu  infra  petita,  porque  esta  hipótese  está  prevista  expressamente na lei: omissão. Não se prestam, em regra, para   ______________________  (4) SANTOS. Op. Cit, p. 24  (5) SANTOS. Op. cit p. 60  Fl. 5DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   6 a correção da decisão que decidiu extra ou ultra petita, salvo se  para dissipar obscuridade ou contradição. (negritei)  No mesmo diapasão, registra a Procuradora do Estado de São Paulo Monica  Tonetto Fernandez, em alentado trabalho sobre o tema justamente intitulado “Dos embargos de  declaração”,  disponível  na  Internet  (www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/revistaspge/revista5/5rev11.htm):  Entende­se  que  a  sentença  ultra  e  a  extra  petita  só  podem  ser  corrigidas por meio de apelação, cabendo ao Tribunal reduzi­las  aos limites do pedido.   Mas complementa:  Os  embargos  de  declaração  só  caberiam  nesse  caso,  se  a  sentença proferida acima ou fora do pedido contivesse ainda os  vícios de admissibilidade do referido recurso. A decisão ultra ou  extra  petita  pura  e  simples,  sem  omissão,  contradição  ou  obscuridade,  não  pode  ser  corrigida  por  meio  de  embargos  declaratórios.  Nessa  linha,  não  podem  ser  admitidos  os  embargos  que  apenas  apontem  o  caráter  ultra  petita  da  decisão,  mas  não  indiquem  a  ocorrência  de  omissão,  contradição  ou  obscuridade que os subsuma ao figurino legal.  Quando,  porém,  os  embargos  se  referem  a  uma  decisão  ultra  petita  mas  apontam  um  dos  vícios  que  os  fazem  admissíveis,  devem  eles  ser  examinados  e  em  conseqüência  desse  exame,  necessariamente,  o  julgador  deve  corrigir  a  decisão,  dela  extirpando a parcela indevidamente concedida.  Assim, aliás, já se pronunciou o e. STJ:  Os embargos de declaração opostos contra decisão ultra petita,  quando acolhidos, terão, necessariamente, efeitos modificativos  para reduzir a decisão aos limites do pedido(RSTJ 50/556).  Aplicando  tais  ensinamentos  ao  caso  presente,  é  de  se  reconhecer que,  não  houvesse nem a omissão nem a  contradição  apontadas,  a  aceitação dessa  tese  imporia o não  conhecimento dos presentes embargos. Há, porém, a meu ver, tanto omissão como contradição  entre os fundamentos e a conclusão do voto.   Isso  porque,  ademais  da  omissão  de  não  especificar  quando  começariam  a  fluir os  juros,  toda a fundamentação do voto proferido ainda na Terceira Câmara do Terceiro  Conselho é convergente ao deferimento somente da Selic a partir de 1º de janeiro de 1996, ou  seja, a substituição dos juros determinados na sentença pela Selic.   Assim, sua cumulação a juros de 1%, que só constou do seu dispositivo, diga­ se,  a  meu  sentir,  configura  nítida  contradição  com  pelo  menos  duas  passagens  da  fundamentação do voto:   “Quanto aos juros moratórios resta claro que os mesmos devem  conformar­se  ao  determinado  pelo  §  4º  do  artigo  39  da  Lei  9.250/95...” (fl. 4.017)”.  E mais adiante (fl. 4.018):   Fl. 6DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13674.000107/99­90  Acórdão n.º 9303­01.827  CSRF­T3  Fl. 4.841          7 “Por  fim,  operacionalmente,  não  há,  no  âmbito  da  restituição  administrativa, outro percentual de juros que possa ser aplicável  (sic) aos créditos passíveis de restituição ou compensação”.  Não  há,  em  nenhum  outro  ponto  do  voto,  fundamentação  para  que  sejam  conferidos, também, os juros de 1%.  Vale  acrescer  que  tal  deferimento  se mostra,  também,  contrário  à  sentença  proferida na ação judicial que veio a transitar em julgado e, ainda, desprovido de suporte legal.  De  fato,  na  sentença  proferida  em  1993  e  transitada  em  julgado  em  1999  apenas foi deferida a incidência de juros a partir de seu trânsito em julgado, fato expressamente  reconhecido no recurso voluntário. E a razão para tal  limitação era exatamente a  inexistência  de lei que amparasse tal incidência antes do trânsito em julgado, pois, como se sabe, em 1993  apenas havia a norma do CTN (artigo 167), que somente a partir do trânsito os previa.  Tal  norma  legal  somente  veio  a  ser  derrogada,  em meu  sentir,  pela  Lei  nº  9.250/95,  que,  ao  expressamente  autorizar  a  incidência  de  juros  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1996, ainda que não houvesse o trânsito em julgado, não convive com a antiga norma do CTN.   De todo modo, ainda que não se partilhe tal entendimento, a conclusão nunca  poderia ser pela incidência de juros antes de 1996. Pelo contrário, entendendo­se que as duas  normas convivam pacificamente, seria de se deferir os juros à selic entre janeiro de 1996 e abril  de 1999; a partir dessa data, prevaleceria a sentença, voltando os juros ao percentual de 1%.  Tais  constatações me  levam a  concluir  que  a  frase  constante do dispositivo  (“...e acrescido de juros de 1% ao mês até 01/01/96”) se deveu a equívoco do relator quanto à  data de trânsito em julgado da decisão, entendida como se fora setembro de 1993, e não, maio  de 1999.  Configuradas, pois, contradição e omissão, impõe­se, por isso, o acolhimento  dos  embargos,  ainda  que  se  adote  a  tese  de  que,  de  outro modo,  apenas  por  apelação  seria  possível  questionar  a  decisão  ultra  petita.  E  o  seu  conhecimento  leva  a  atribuir­lhes  efeitos  modificativos, de modo a adequar a decisão ao objeto do pedido do contribuinte em seu recurso  voluntário.  Devo  enfatizar,  por  fim,  que  mesmo  essa  restrição,  reclamada  por  parte  expressiva da doutrina, não tem sido, de ordinário, observada pelos nossos Tribunais, inclusive  o e. STJ, como se infere da jurisprudência que, a título ilustrativo, colaciono a seguir:   Acórdão  nº  70040323370  de  Tribunal  de  Justiça  do  RS,  Nona  Câmara Cível, 23 de Março de 2011  EMBARGOS DECLARATÓRIOS. RESPONSABILIDADE CIVIL.  CANCELAMENTO  DE  REGISTRO.  INSCRIÇÃO  EM  ÓRGÃO  DE  PROTEÇÃO  AO  CRÉDITO.  AUSÊNCIA  DE  PEDIDO  INDENIZATÓRIO. EFEITO INFRINGENTE. POSSIBILIDADE.  Verificado  que  a  decisão  embargada  concedeu  provimento  jurisdicional  não  requerido  pela  parte,  devem  ser  acolhidos  os  embargos de declaração, com efeito infringente, para extirpação  da  parte  do  acórdão  ultra  petita.  EMBARGOS  ACOLHIDOS,  COM  EFEITO  INFRINGENTE.  (Embargos  de  Declaração  Nº  Fl. 7DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   8 70040323370, Nona Câmara Cível,  Tribunal  de  Justiça  do RS,  Relator: Leonel Pires Ohlweiler, Julgado em 23/03/2011)    Acórdão nº 70042182253 de Tribunal de Justiça do RS, Terceira  Câmara Especial Civel, 14 de Junho de 2011  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  EXECUÇÃO  CONTRA  A  FAZENDA  PÚBLICA.  ACÓRDÃO  ULTRA  PETITA.  READEQUAÇÃO  DO  JULGADO.  Acórdão  que  incorreu  em  decisão  ultra  petita  acerca  da  retenção  do  imposto  de  renda.  Embargos  de  declaração acolhidos  para  extirpar  do  julgado  o  excesso  a  fim  de  adequá­lo  aos  termos  da  apelação  interposta  pela  parte  exequente.  EMBARGOS  DECLARATÓRIOS  ACOLHIDOS.  (Embargos  de  Declaração  Nº  70042182253,  Terceira  Câmara  Especial  Cível,  Tribunal  de  Justiça  do  RS,  Relator: Laís Ethel Corrêa Pias, Julgado em 14/06/2011)     Acórdão  nº  70024392821  de  Tribunal  de  Justiça  do  RS,  Primeira Câmara Especial Cível, 09 de Julho de 2008  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO ULTRA PETITA.  EXPUNÇÃO  DO  ARESTO  DO  EXCESSO,  COM  O  QUE  OS  EMBARGOS  ALCANÇAM  A  EFICÁCIA  INFRINGENTE.  Mostrando­se o acórdão ultra petita, porquanto deferiu ao autor  mais  do  que  fora  pedido,  cumpre  expungir­se  o  que  dele  desborda,  com  a  modificação  do  julgado,  acolhendo­se  os  embargos  de  declaração  no  seu  efeito  infringente/modificativo.  EMBARGOS  ACOLHIDOS.  (Embargos  de  Declaração  Nº  70024392821,  Primeira  Câmara  Especial  Cível,  Tribunal  de  Justiça  do  RS,  Relator:  Ana  Lúcia  Carvalho  Pinto  Vieira,  Julgado em 09/07/2008)    Acórdão nº 70035451582 de Tribunal de Justiça do RS, Décima  Sexta Câmara Cível, 27 de Maio de 2010   EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO ULTRA PETITA.  ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, COM  ATRIBUIÇÃO  DE  EFEITOS  INFRINGENTES.  (Embargos  de  Declaração  Nº  70035451582,  Décima  Sexta  Câmara  Cível,  Tribunal  de  Justiça  do  RS,  Relator:  Paulo  Sérgio  Scarparo,  Julgado em 27/05/2010)    Processo: EDAC 53365 MG 2009.01.99.053365­1  Relator(a):  DESEMBARGADORA  FEDERAL  MONICA  SIFUENTES  Julgamento: 22/08/2011   Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA  Publicação: e­DJF1 p.556 de 09/09/2011  Fl. 8DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13674.000107/99­90  Acórdão n.º 9303­01.827  CSRF­T3  Fl. 4.842          9 Ementa  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  APOSENTADORIA  RURAL  POR  IDADE.  OMISSÃO.  TERMO  INICIAL  DO  BENEFÍCIO.  JULGAMENTO  ULTRA  PETITA.  ACOLHIMENTO.  1.  Nos  termos  do  art.  535  do  CPC,  são  cabíveis  embargos  de  declaração quando houver no acórdão obscuridade, contradição  ou quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar­se o  juiz  ou  tribunal,  bem  assim  para  corrigir  erro  material  no  julgado.  2.  A  Lei  8.213/91,  em  seu  artigo  49,  II,  dispõe  que  a  aposentadoria  será  devida  a  partir  da  data  do  requerimento  administrativo. Na sua ausência, deve ser considerada a data do  ajuizamento  da  ação,  conforme  jurisprudência  do  STJ  e  precedentes desta Corte. No entanto, considerando que a parte  autora  requereu  na  inicial  a  concessão  do  benefício  desde  a  citação,  deve  ser  fixado  o  termo  inicial  do  benefício a  data  da  citação,  em  observância  ao  disposto  no  art.  460  do  CPC,  sob  pena de julgamento ultra petita.  3.  Embargos  de  declaração  acolhidos  para,  atribuindo  efeitos  modificativos  ao  julgado,  determinar  como  termo  inicial  do  benefício a data da citação.    Processo: EDAC 58039 MG 0058039­92.2008.4.01.9199  Relator(a):  DESEMBARGADORA  FEDERAL  MONICA  SIFUENTES  Julgamento: 17/10/2011   Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA  Publicação: e­DJF1 p.055 de 27/10/2011  Ementa  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  APOSENTADORIA  RURAL  POR  IDADE.  ERRO  MATERIAL.  TERMO  INICIAL  DO  BENEFÍCIO.  JULGAMENTO  ULTRA  PETITA. EFEITOS MODIFICATIVOS.  1.  Nos  termos  do  art.  535  do  CPC,  são  cabíveis  embargos  de  declaração quando houver no acórdão obscuridade, contradição  ou quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar­se o  juiz  ou  tribunal,  bem  assim  para  corrigir  erro  material  no  julgado.  2.  Existência  de  erro  material  quanto  ao  termo  inicial  do  benefício.  Fl. 9DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   10 3.  A  Lei  8.213/91,  em  seu  artigo  49,  II,  dispõe  que  a  aposentadoria  será  devida  a  partir  da  data  do  requerimento  administrativo. Na sua ausência, deve ser considerada a data do  ajuizamento  da  ação,  conforme  jurisprudência  do  STJ  e  precedentes desta Corte. No entanto, considerando que a parte  autora  requereu  na  inicial  a  concessão  do  benefício  desde  a  citação,  deve  ser  fixado  o  termo  inicial  do  benefício a  data  da  citação,  em  observância  ao  disposto  no  art.  460  do  CPC,  sob  pena de julgamento ultra petita.  4.  Mesmo  para  fins  de  prequestionamento,  os  embargos  de  declaração  devem  se  ajustar  a  uma  das  hipóteses  previstas  no  art. 535 do CPC.  5. Embargos de declaração parcialmente acolhidos.    Processo: EDAMS 15068 MG 2004.38.00.015068­3  Relator(a):  DESEMBARGADOR  FEDERAL  JOSÉ  AMILCAR  MACHADO  Julgamento: 28/11/2007   Órgão Julgador: PRIMEIRA TURMA  Publicação: 10/12/2007 DJ p.30  Ementa  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  ­  OMISSÃO  EXISTENTE  ­  PROCESSUAL  CIVIL  ­  SENTENÇA  ULTRA  PETITA  ­  REDUÇÃO  AOS  LIMITES  DO  PEDIDO  ­  EFEITO  MODIFICATIVO ­ POSSIBILIDADE.  1. O  princípio  da  adstrição  vincula  o  dispositivo  sentencial  ao  tanto quanto requerido pelo postulante. Art. 128 c/c o art. 460 do  Código de Processo Civil.  2.  Revela­se  ultra  petita  sentença  que  defere  ao  autor mais  do  que requerido, desvinculando­se da res petitum.  3.  Omisso  o  acórdão,  no  ponto,  fica  provido  o  recurso  declaratório para reduzir o dispositivo aos limites do pedido.  4.  Embargos  de  declaração  aos  quais  se  dá  provimento,  para,  atribuindo­lhes  efeito  modificativo,  dar  parcial  provimento  à  remessa  oficial,  decotando­se  da  sentença  a  parte  em  que,  extrapolando  o  pedido,  assegura  ao  autor  "...o  direito  de  ver  contado como tempo de contribuição qualquer período anterior  ao  requerimento  administrativo,  que  não  tenha  sido  discutido  neste processo, e que seja posteriormente comprovado."    EDcl  nos  EDcl  no  RECURSO  ESPECIAL  Nº  716.415  ­  SP  (2004/0182499­5)   RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX  Fl. 10DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13674.000107/99­90  Acórdão n.º 9303­01.827  CSRF­T3  Fl. 4.843          11 EMBARGANTE : UNIÃO   EMBARGADO : ALBERTE MALUF E OUTROS  ADVOGADO : MÁRCIO KAYATT E OUTRO(S)  EMBARGADO : CONDIPA CONSTRUCÕES E CONSULTORIA  DE INTERESSES PATRIMONIAIS LTDA   ADVOGADO : MARTA MITICO VALENTE E OUTRO(S)  EMENTA  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  EFEITOS   INFRINGENTES. ACÓRDÃO ULTRA PETITA . ERROR IN   PROCEDENDO . REFORMATIO IN PEJUS . JUROS   COMPENSATÓRIOS. PERCENTUAL. BASE DE CÁLCULO.  1.  O  julgamento  ultra  ou  extra  petita  viola  a  norma  que  adstringe  o  juiz  a  julgar  a  lide  nos  limites  das  questões  suscitadas, sendo­lhe defeso alterá­las.  2. In casu, a Fazenda Nacional, única recorrente, no que tange  aos juros compensatórios, interpôs recurso especial para reduzir  o percentual da incidência dos juros compensatórios que foram  fixados pelo Tribunal de origem em 12% a.a., não se insurgindo  quanto à base de cálculo.   3.  Assim,  tendo  o  Tribunal  a  quo  fixado  como  base  de  cálculo  para  os  juros  compensatórios  "a  diferença  entre  o  valor  do  depósito  e o  valor do bem  fixado na  sentença"  ,  vedada a  esta  Corte limitar a base de cálculo sobre a diferença apurada entre  80% (oitenta por cento) do preço ofertado em juízo e o valor da  condenação  fixado  na  sentença,  porquanto  importa  em  reformatio in pejus.   4. Deveras, isso equivale alterar ex officio a causa petendi , em  afronta ao princípio da congruência consubstanciado na máxima  ne proceat iudex extra vel extra petita partium.  5.  Embargos  de  declaração  acolhidos,  para  cassar  a  parte  do  aresto que exacerbou os limites do pedido da recorrente  Ou  seja,  mesmo  nesses  casos  em  que  os  embargos  foram  ofertados  sob  o  único  fundamento  de  que  a  decisão  foi  ultra  petita  e  sem  apontar  a  ocorrência  de  omissão,  contradição  ou  obscuridade,  foram  eles  admitidos  e  acolhidos  para,  atribuindo­lhes  efeitos  modificativos, extirpar da decisão a parte que excedeu o quanto pedido.   Em  conclusão,  é  o  meu  voto  para  acolher  os  embargos  de  declaração  interpostos  para  decotar  da  decisão  a  parte  em  que,  extrapolando  o  pedido,  deferiu  juros  de  mora antes de 1º de janeiro de 1996, mantendo­a no que tange aos expurgos e à Selic, calculada  esta a partir de 1º de janeiro de 1996, o que a amolda à boa doutrina e à  jurisprudência, nos  termos dos arts. 128, 460 e 468 do CPC.  Fl. 11DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   12 É como voto.    Júlio César Alves Ramos ­ Relator  Voto Vencedor  Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator­Designado  A  teor  do  relatado,  trata­se,  mais  uma  vez,  embargos  de  declaração  interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis – MG. Nestes, espera­ se  sejam  os  últimos,  a  unidade  preparadora  aponta  contradição  e  omissão  no  acórdão  301­ 30.458,  bem  como  julgamento  extra  petita  por  parte  do  Colegiado  prolator  da  decisão  veiculada nesse acórdão.  Para fundamentar a contradição apontada, o órgão fazendário, coteja a parte  dispositiva do Acórdão 301­30.458, da lavra da Terceira Câmara do antigo Terceiro Conselho  de Contribuintes, com a parte dispositiva da sentença judicial que deu origem à compensação  administrativa, vazadas, respectivamente, nos termos seguintes:  Ex positis, acolho os embargos, para conhecer recurso do (sic)  voluntário  interposto,  dando  a  este  provimento  em  parte,  não  conhecendo dos expurgos, apenas para reconhecer que o valor a  restituir  ao  contribuinte,  determinado  em  decisão  judicial  transitada  em  julgado,  seja  convertido  em Ufir  e  acrescido  de  juros  de  1%  ao mês  até  01/01/96  e,  após,  acrescido  dos  juros  moratórios pela Taxa Selic, com fundamento no art. 39, § 4º da  Lei 9.250/95.  Ex  positis,  julgo  procedente  a  ação  para  condenar  a  União  Federal  a  restituir  à  autora  o  valor  correspondente  a  7.484.907,03 UFIRs, acrescido de juros moratórios a contar do  trânsito  em  julgado  da  sentença  (C.T.N.  art.  167  parágrafo  único) obedecida a prescrição quinquenal dia a dia. Custas em  devolução  à  autora,  inclusive  pagamento  antecipado  da  sentença,  com  correção  monetária,  conforme  se  apurar  em  liquidação. (...)  A  embargante  transcreve,  ainda,  dois  excertos  da  fundamentação  do  voto  condutor:  (...)  quanto  aos  juros  moratórios  resta  claro  que  os  mesmos  devem conformar­se ao determinado pelo § 4º do art. 39 da Lei  nº 9.250/95.  Por  fim,  operacionalmente,  não  há,  no  âmbito  da  restituição  administrativa, outro percentual de juros que possa ser aplicável  aos créditos passíveis de restituição”.  Conclui que se não existe no âmbito da restituição administrativa outro percentual  de  juros  a  não  ser  a  Taxa  Selic,  e  tampouco  existe  decisão  judicial  que  autorize  a  aplicação  do  percentual  de  1%  antes  do  trânsito  em  julgado,  resta  caracterizada  a  contradição  entre  a  fundamentação do acórdão e sua parte dispositiva.  Fl. 12DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13674.000107/99­90  Acórdão n.º 9303­01.827  CSRF­T3  Fl. 4.844          13 No  tocante  à  omissão,  a  embargante  alega  que:  há  omissão  relevante  no  sentido de que o acórdão 301­30.458 determina a aplicação de juros de 1% até 01..01.96 sem,  contudo, dizer qual é o termo inicial da incidência.  Em  relação  ao  alegado  julgamento  extra  petita,  a  autoridade  preparadora  assevera que a aplicação de juros de mora no percentual de 1% antes do trânsito em julgado  nunca foi objeto do pedido administrativo por parte da interessada.   Por fim, pede que sejam acolhidos os embargos e suprimida a omissão, e que  o Colegiado manifeste­se, expressamente sobre os seguintes pontos.  1. Considerando que a decisão judicial determinou a aplicação  de  juros  de  1%  a  partir  do  trânsito  em  julgado  da  sentença,  ocorrido  em  13/05/99,  e  ainda,  que  consta  do  pedido  administrativo a aplicação desse percentual antes daquela data,  é aplicável tal taxa até 01.01.96?  2.  Se  positiva  a  resposta  acima,  qual  o  termo  inicial  para  aplicação desse percentual?  Caso  entenda  o  Colegiado  não  ser  a  hipótese  de  embargos  declaratórios,  que  tal  pedido  seja  então  acolhido  como  embargos inominados, com fundamento no art. 66 do RICARF.  O nobre relator conheceu dos embargos e os acolheu para decotar da decisão  a parte em que, extrapolando o pedido, deferiu juros de mora antes de 1º de janeiro de 1996,  mantendo­a no que tange aos expurgos e à Selic, calculada esta a partir de 1º de janeiro de  1996, o que a amolda à boa doutrina e à jurisprudência, nos termos dos arts. 128, 460 e 468  do CPC.  Após esse breve histórico, passo de  imediato ao voto vencedor, para o qual  fui designado.  Inicialmente,  merece  elogio  a  coerência  e  competência  com  que  o  nobre  relator defendeu a posição no sentido de conhecer e acolher os declaratórios. Dele divergi, não  por discordar que estes autos estão recheados de falhas e de equívocos de toda natureza, mas  por entender que a norma processual não pode ser descumprida , ainda que por motivo nobre  como o de corrigir os clamorosos erros cometidos ao longo do curso destes indigitados autos.  Assim,  com  as  devidas  escusas  ao  relator,  passo  a  expor  os  motivos  que  me  levam  a  não  conhecer dos embargos de declaração em análise.  Apesar de haver certa divergência acerca da natureza jurídica dos embargos  de  declaração,  a  doutrina majoritária  os  considera  como  verdadeiros  recursos,  uma  vez  que  apresentam meios voluntários de aclaramento ou complemento de decisões na mesma relação  jurídica processual.  Os  declaratórios  não  têm  por  escopo  a  rediscussão  do  mérito  da  causa,  devendo  versar,  essencialmente,  sobre  a  integração  ou  retificação  do  julgado,  salvo,  excepcionalmente,  situações  em  que  possam  ensejar  efeito  infringente.  Na  realidade,  os  embargos  oferecem  oportunidade  de  nova  manifestação  do  órgão  prolator  da  decisão  impugnada depois de encerrado o ofício “jurisdicional” que lhe competia. A decisão deve ser  esclarecida nos seguintes casos: a) quando obscura, ou seja, quando houver dificuldade de se  Fl. 13DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   14 entender o pensamento do julgador; b) omissa, isto é, quando o julgador silenciou sobre o que  deveria se pronunciar; c) contraditória, as suas proposições se repelem, não se harmonizando a  conclusão com os motivos decisórios.  Sobre  embargos  de  declaração,  Humberto  Theodoro  Júnior1,  leciona que:  Se  o  caso  é  de  omissão,  o  julgamento  dos  embargos  supri­la­á,  decidindo a questão que, por lapso, escapou à decisão embargada.  No  caso  de  obscuridade  ou  contradição,  o  decisório  será  expungido,  eliminando­se o defeito nele detectado.  Em qualquer  caso, a  substância do  julgado  será mantida,  visto  que  os  embargos  de  declaração  não  visam  à  reforma  do  acórdão,  ou  da  sentença.  No  entanto,  será  inevitável  alguma  alteração  no  conteúdo  do  julgado,  principalmente  quando  se  tiver  de  eliminar  omissão  ou  contradição.  O  que,  todavia,  se  impõe ao julgamento dos embargos de declaração é que não se  proceda a um novo  julgamento  da  causa,  pois  a  tanto não  se  destina  esse  remédio  recursal.  As  eventuais  novidades  introduzidas  no  decisório  primitivo  não  podem  ir  além  do  estritamente  necessário  à  eliminação  da  obscuridade  ou  contradição, ou ao suprimento da omissão. (grifei).  Por terem caráter recursal, também se sujeitam aos requisitos ou pressupostos  de admissibilidade dos recursos em geral, dentre os quais se destaca o da tempestividade, posto  que o art. 536 do Código de Processo Civil, para os processos judiciais, e o § 1º do art. 65 do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  estabelecem  que  os  declaratórios devem ser interpostos no prazo de 5 dias.  De outro lado, por tratar­se de espécie de recurso, os embargos de declaração  também  estão  sujeitos  ao  instituto  da  preclusão,  tanto  à  temporal  quando  à  consumativa  ou  ainda à lógica. Aqui residem os motivos para o não conhecimento dos embargos apresentados  pela autoridade preparadora, senão vejamos:  Preclusão,  que  vem  do  latim  praeclusio,  onis,  significa,  para  as  partes,  a  perda da faculdade de praticar algum ato processual (por exemplo: ato de recorrer; escoado o  prazo legal, sem a interposição do recurso cabível, dá­se preclusão, isto é, perda da faculdade  de recorrer). A preclusão pode ser: temporal, consumativa, lógica2 e pro judicato3.  Preclusão  temporal:  prevista  expressamente  no  art.  183  do  CPC,  ocorre  quando a perda da faculdade de praticar ato processual se dá em virtude de haver decorrido o  prazo,  sem que o  legitimado  tivesse praticado  o  ato,  ou o  tenha praticado a destempo ou de  forma incompleta ou irregular.                                                              1 THEODORO JÚNIOR, Humberto, Curso de direito processual civil, teoria geral do direito processual civil e  processo de conhecimento, volume 1, 41ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2004, p. 560/561.    2 Preclusão lógica: é a que extingue a possibilidade de praticar­se ato processual, pela prática de outro ato com ele  incompatível. Por exemplo, quem cumpriu a sentença depositando o valor da quantia a que fora condenado, não  pode interpor recurso para impugná­la, ainda que não se tenha esgotado o prazo recursal (art. 503/CPC).   3 Preclusão pro judicato: revela­se pela regra contida no art. 473 do CPC e 836 da CLT, segundo a qual, o juiz não  pode decidir de novo questões já decididas no processo, a cujo respeito se operou a preclusão. Contrario sensu do  CPC 473, como as questões de ordem pública não são atingidas pela preclusão, o juiz pode decidi­las novamente,  enquanto não proferida a sentença.   Fl. 14DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13674.000107/99­90  Acórdão n.º 9303­01.827  CSRF­T3  Fl. 4.845          15 Diz­se consumativa a preclusão quando a perda da faculdade de praticar o ato  processual  decorre do  fato  de  já  haver  ocorrido  a oportunidade  para  tanto,  e  este  haver  sido  praticado,  não  podendo  tornar  a  sê­lo  praticado,  ainda  que o  prazo  não  tenha  sido  exaurido.  Exemplo: A parte  dispunha de  15  dias  para  interpor  determinado  recurso,  no  décimo dia  do  prazo interpõe o recurso, e, portanto, exerce a faculdade processual, com isso, não pode mais  recorrer ou aditar o  recurso  já apresentado, mesmo que ainda não se  tenha esgotado o prazo  recursal de 15 dias de que dispunha para tal desiderato.  As preclusões existem para assegurar o curso normal do processo evitando­se  idas  e  vindas  infindáveis  que  terminariam  por  inviabilizar  a  prestação  jurisdicional.  Não  se  pode olvidar que O PROCESSO é o meio pelo qual se exerce a jurisdição, e, como tal, em sua  origem  latina procedere  significa  caminhar para  frente,  ir  adiante. Em  razão  disso,  é  que os  institutos  processuais  como  a  preclusão  têm por  escopo  coibir  que  se pratiquem atos  após  o  prazo  legal  previsto  na  lei  processual,  ou  que  se  repitam  atos  já  praticados  ou  ainda  que  se  ressuscitem questões já ultrapassadas em fases anteriores, como no caso dos embargos ora sob  análise.  No  caso  em  exame  constata­se  que  o  presente  recurso  não  preenche  os  pressupostos recursais de admissibilidade para o seu conhecimento, motivo pelo qual deve ser  negado o seu prosseguimento pelas razões a seguir aduzidas:  De  fato,  examinando  os  declaratórios  apresentados  pela  autoridade  preparadora,  em  27  de  maio  de  2011,  verifica­se  que  os  vícios  ali  apontados,  como  dito  expressamente pela embargante, na parte final4 do 1º parágrafo de sua peça recursal, referem­se  ao Acórdão 301­30.458,  cujo  julgamento ocorrera na  sessão do dia 3 de  dezembro de 2002.  Este fato, de per si, afasta a possibilidade de se conhecer destes embargos, posto que, no caso  ocorreram  duas  preclusões:  a  temporal  visto  que  o  prazo  regimental  para  interposição  da  espécie de recurso é de 5 dias, contados da ciência do acórdão embargado, os declaratórios só  foram interposto em 2011; e a consumativa, porquanto a autoridade preparadora já exercera a  faculdade  processual  de  interpor  embargos  de  declaração  (fl.  4529  a  4.531)  contra  acórdãos  proferidos nos autos deste processo. Aliás, esse embargo também fora interposto a destempo,  visto não haver respeitado o prazo regimental de 5 dias.  No  tocante  à  preclusão  temporal,  o  dilatado  prazo  ocorrido  entre  o  julgamento  e  a  apresentação  dos  embargos  fala  por  si  só,  vez  que o  acórdão  embargado  foi  prolatado em 03 de dezembro de 2002, e autoridade preparadora embargante dele teve ciência,  quando  mais  tardar,  em  05  de  abril  de  2007,  ocasião  em  que  se  manifestou  nestes  autos,  documento de fl. 4.523. Assim, nessa data, começou a fluir o prazo regimental de cinco dias  para apresentação dos declaratórios, ora sob exame, mas como só foram interpostos em 27 de  maio  de  2011,  não  resta  qualquer  resquício  de  dúvida  sobre  sua  intempestividade.  Consequentemente, operou­se a preclusão temporal, mais precisamente, no dia 10 de abril de  2007,  data  em  que  se  exauriu  o  prazo  regimental  para  apresentação  dos  embargos,  a  partir  dessa data, a autoridade preparadora precluiu do direito de embargar o mencionado acórdão.  De outro lado, não se alegue que os embargos ora em exame são tempestivos  já que foram apresentados no prazo de 5 dias contados da ciência do acórdão nº 9303­01.319,  pois o prazo se conta da data da ciência do acórdão a ser embargado, o que não é o caso sob  exame, posto que  esses declaratórios  são  interpostos  contra o  acórdão 301­30.458,  conforme                                                              4  (...)  na  qualidade  de  autoridade  executora  apresento,  tempestivamente,  os  presentes  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO ao referido Acórdão 301­30.458 pelos fatos e fundamentos a seguir expostos.  Fl. 15DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   16 expressamente  consignado pela  autoridade embargante na  introdução  (fl.  4.688)  e no pedido  (fl. 4.694) constante à última página dos declaratórios.  Em  razão  do  exposto,  dúvida  não  há  de  ter  ocorrido  a  preclusão  temporal,  visto  que  os  declaratórios  foram  interpostos  muito,  muito  além  do  prazo  regimental.  Por  conseguinte,  não  há  como  ultrapassar  a  preliminar  de  tempestividade  dos  declaratórios,  que  suscitei de ofício, em plenário.   A  preclusão  temporal,  de  per  si,  já  impediria  o  conhecimento  dos  declaratórios, mas há outra preclusão ainda que reforça o entendimento pelo não conhecimento  dos  embargos,  a  preclusão  consumativa,  visto  que  a  autoridade  preparadora  já  exercera  a  faculdade  processual  de  interpor  embargos  de  declaração  (fl.  4529  a  4.531)  contra  acórdãos  proferidos  nos  autos  deste  processo,  e,  uma  vez  praticado  exercido  esse mister,  exaure­se  a  competência  para  praticar  o  ato  processual  próprio  que  lhe  é  permitido  pela  legislação  processual. No caso da competência conferida à autoridade preparadora, esta é legitimada a a  interpor embargos de decisão que tenha de executar, mas, assim como os demais legitimados,  essa  autoridade  também  está  sujeita  às  preclusões  processuais  (temporal,  consumativa  e  lógica).  Assim,  ao  interpor  os  embargos  de  declaração  de  fl.  4.529  a  4.531,  a  autoridade  incumbida  de  executar  a  decisão  dos  autos,  exauriu  sua  competência  para  esse  mister,  precluindo  do  direito  de  apresentar  novos  declaratórios  em  face  de  qualquer  das  decisões  proferidas nos autos até aquele momento, o que inclui a veiculada no acórdão 301.30­458.  A  preclusão  consumativa  decorre  de  um  princípio  que  norteia  a  legislação  processual, o da unirrecorribilidade (singularidade ou unicidade), que deve ser compreendido  como  princípio  geral  dos  recursos,  aplicável  a  todas  as  esferas  do Direito  (processual  civil,  processual penal, previdenciário, trabalhista, administrativo etc.).  Em todas elas, a regra é a mesma: para cada ato decisório, cabível um único  recurso (no mesmo momento). Dito de outra forma, é vedada a interposição, pela mesma parte,  contra a mesma decisão, de dois recursos.  O  princípio  da  unirrecorribilidade  fixa,  como  regra,  a  necessidade  de  correspondência entre a decisão atacada e o recurso utilizado. Os legitimados devem verificar  qual  o  recurso  cabível  e,  pela  unirrecorribilidade,  fazer  uso  de  apenas  um,  na  mesma  oportunidade.  Tal regra traz em seu bojo a idéia de preclusão consumativa, que, como dito  linhas acima, nada mais é que a perda da faculdade de praticar um determinado ato, em razão  de  o  mesmo  já  ter  sido  realizado.  Ora,  ao  interpor  o  recurso  cabível  contra  determinada  decisão, a parte não mais pode interpor outro recurso, pois já exercida tal prerrogativa. Assim,  ao apresentar aclaratórios contra uma decisão, sobre esta, não mais pode interpor embargos de  declaração. Assim, quando a autoridade preparadora renova os embargos contra acórdão que  fora  objeto  de  recurso  especial  do  sujeito  passivo,  e,  também,  da  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional,  e,  de  embargos  por  ela  própria  interpostos  e  que  foram  rejeitados  anteriormente, está violando o princípio da unirrecorribilidade dos recursos, e, por conseguinte,  incorrendo em preclusão consumativa.  Esclareça­se,  por  oportuno,  que  a  doutrina  e  a  jurisprudência  admitem,  em  tese, embargos contra decisão proferida em embargos de declaração, se permanecerem na nova  decisão os vícios mencionados nos primeiros embargos, ou se a nova decisão padecer de outros  vícios  diversos  dos  apontados  na  primitiva  decisão.  A  rigor,  não  caberiam  os  embargos  subseqüentes ao primeiro. Nada obstante desde Pimenta Bueno  já admitia a  interposição dos  segundos embargos: “O princípio geral da Lei é que não são admissíveis segundos embargos; mas  Fl. 16DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13674.000107/99­90  Acórdão n.º 9303­01.827  CSRF­T3  Fl. 4.846          17 nesta  hipótese,  ainda  que  a  sentença  obscura  tenha  sido  proferida  sobre  embargos,  admite­se  por  exceção segundos embargos sendo de declaração”. Esses segundos embargos não podem inovar.  Por sinal, é muito comum que, em lugar de procurar a sanação de obscuridade, ambigüidade,  omissão ou contradição, procurem as partes obter decisão mais  favorável a  seu desideratum.  São  verdadeiros  embargos  infringentes  de  julgado  e  não  da  declaração.  Ainda  é  válida  a  advertência de Bento Faria:   Nestes  segundos  embargos,  não  pode  pedir­se  correção,  alteração ou mudança alguma, nem modificação que aumente ou  diminua o  julgamento; e  só  sim e unicamente o  esclarecimento  do  que  foi  decidido,  ou  da  dúvida  em  que  se  labora.  Eles  pressupõem, que na declaração haja uniformidade de decisões e  não  inovação,  porque  declarar  não  é  por  certo  reformar,  adicionar,  corrigir  ou  estabelecer  disposição  nova;  a  não  ser  assim  um  tal  expediente  iludiria  a  lei,  admitindo  contra  o  preceito  dela  segundos  embargos,  não  para  declaração,  sim  para  reforma  do  julgado  e  com  excesso  de  poder,  porque  pela  sentença a jurisdição já estava finda.  Nesse mesmo sentido é o ensinamento de Nelson Nery Júnior e Rosa Maria  de Andrade Nery5, nos novos embargos não se pode argüir matéria que não fora  invocada  nos primitivos embargos.   Exatamente  o  caso  dos  autos,  a  matéria  suscitada  nesses  embargos  de  declaração  não  foram  suscitada  nos  embargos  primeiros  apresentados  pela  autoridade  preparadora.  Sobre  o  tema  em  lume,  ainda  é  relevante  trazer  a  lição  Fredie  Didier  e  Leonardo José Carneiro da Cunha6:  É  evidente,  como  já  se  viu,  que  a  parte  opôs  embargos  de  declaração  não  poderá  mais  intentar  novos  embargos  de  declaração  contra  a  decisão  originariamente  embargada.  Poderia,  isto  sim,  opor  novos  embargos  contra  a  decisão  que  julgou  os  primeiros  aclaratórios,  se  desta  advierem  vícios  que  ensejem  o  manejo  de  novos  embargos.  Da  decisão  originariamente  embargada,  contudo,  não  poderá  mais  opor  embargos, em razão da preclusão.  É  inquestionável  que  o  embargante  não  pode  –  mercê  da  preclusão  consumativa  –  renovar  seus  embargos,  após  seu  julgamento;  pode,  como  se  viu,  apresentar  embargos  contra  a  decisão  proferida  nos  anteriores  embargos,  mas  não  pode  intentar  novos  embargos  contra  a  decisão  originariamente  embargada.  É oportuno  destacar  quanto  ao  tema processual  em discussão  os  arestos  do  Superior Tribunal de Justiça a seguir transcritos:                                                              5 Código de Processo Civil Comentado, Editora Revista dos Tribunais, 9ª Ed. página 535.  6  DIDIER  Jr,  Fredie;  da  CUNHA,  Leonardo  José  Carneiro.  Curso  de  Direito  Processual  Civi  ­  Meios  de  impugnação às decisões judiciais e processo nos tribunais, Vol. 3, 8ª Edição. Editora Jus Podivm, p. 193 e 195.  Fl. 17DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   18 EDcl nos EDcl no AgRg nos EAg 1197680 / ES EMBARGOS DE  DECLARAÇÃO  NOS  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  NO  AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA  EM AGRAVO2010/0071762­3  Relator(a) Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI (1124)  Órgão Julgador CE ­ CORTE ESPECIAL Data do Julgamento 09/06/2011 Data da Publicação/Fonte DJe 24/06/2011  Ementa  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  INTERPOSIÇÃO  DE  DOIS  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  CONTRA  O  MESMO  ACÓRDÃO.  IMPOSSIBILIDADE.  PRINCÍPIO  DA  UNIRRECORRIBILIDADE  RECURSAL.  PRECLUSÃO  CONSUMATIVA.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  NÃO  CONHECIDOS.  (EDcl  nos  EDcl  no  AgRg  nos  EAg  1197680/ES,  Rel.  Ministro  TEORI  ALBINO  ZAVASCKI,  CORTE  ESPECIAL,  julgado  em  09/06/2011, DJe 24/06/2011)    Título­AgRg no REsp 1057184 / SP  Data­24/03/2009  Ementa­PROCESSUAL  CIVIL.  AGRAVO  REGIMENTAL.  PRECLUSÃO  CONSUMATIVA.  PRINCÍPIO  DA  UNIRRECORRIBILIDADE.  ART.  557  DO  CPC.  DECISÃO  MONOCRÁTICA.  POSSIBILIDADE.  CORREÇÃO  DAS  PARCELAS.  VARIAÇÃO  CAMBIAL.  DÓLAR  NORTE­ AMERICANO.  ORIGEM  EXTERNA  DO  CAPITAL.  COMPROVAÇÃO.  I.  Pelo princípio da unirrecorribilidade  recursal,  para  cada  provimento  judicial  caberá  apenas  um  recurso.  II.  O  relator  do  recurso  especial  pode  decidir  monocraticamente,  dando  provimento  ao  apelo,  quando  presentes  as  situações  constantes do  art.  557, §  1º­A,  do CPC.  III.  Decisão  que  afastou  a  abusividade  da  cláusula  contratual  que  prevê  a  correção  das  parcelas  do  leasing  com  base  em  moeda  estrangeira,  repartindo  igualmente  os  ônus  da  brusca  variação  ocorrida  a  partir  de  19.01.1999,  calcada  na  jurisprudência  pacificada  na  2ª  Seção  do  STJ,  nos  termos  do  REsp  n.  472.594/SP,  Rel.  p/  acórdão  Min.  Aldir  Passarinho  Junior, DJU de  04.08.2003.  IV. Agravo  regimental desprovido.  Decisão  Vistos  e  relatados  estes  autos,  em  que  são  partes  as  acima  indicadas,  decide  a  Quarta  Turma,  por  unanimidade,  negar provimento ao agravo regimental, nos  termos do voto do  Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha,  Luis  Felipe  Salomão  e  Fernando  Gonçalves  (Presidente)  votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o  Sr. Ministro Carlos Fernando Mathias (Juiz Federal convocado  do TRF 1ª Região).  Título­AgRg no Ag 1122168 / SC  Data­12/05/2009  Ementa­PROCESSUAL CIVIL E CONSTITUCIONAL. AGRAVO  DE INSTRUMENTO CONTRA DECISÃO QUE, NA INSTÂNCIA  DE  ORIGEM,  NEGA  SEGUIMENTO  A  RECURSO  ORDINÁRIO.  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO  INTERPOSTO  DIRETAMENTE  NO  STJ.  REGIME  DO  ART.  522  DO  CPC.  Fl. 18DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13674.000107/99­90  Acórdão n.º 9303­01.827  CSRF­T3  Fl. 4.847          19 IMPOSSIBILIDADE.  PRINCÍPIO  DA  UNIRRECORRIBILIDADE  RECURSAL.  PRECLUSÃO  CONSUMATIVA.  AGRAVO  REGIMENTAL  A  QUE  SE  NEGA  PROVIMENTO. Decisão Vistos  e  relatados  estes  autos  em  que  são  partes  as  acima  indicadas,  decide  a  Egrégia  PRIMEIRA  TURMA  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  por  unanimidade,  negar provimento ao agravo regimental, nos  termos do voto do  Sr.  Ministro  Relator.  Os  Srs.  Ministros  Denise  Arruda  (Presidenta), Benedito Gonçalves, Francisco Falcão e Luiz Fux  votaram com o Sr. Ministro Relator.  De todo o exposto, não sendo apontados vícios no acórdão 9303­01.319, mas  sim  no  acórdão  n.  301.30­458,  os  presentes  declaratórios  não merecem  ser  conhecidos,  quer  pelo transcurso do lapso temporal para tal intento (preclusão temporal), quer pela interposição  do recurso primitivo que veda a interposição do mesmo recurso (preclusão consumativa).  Esclareça­se,  por  oportuno,  que  não  se  está  aqui  refutando  os  vícios  procedimentais ocorridos no longo e demorado curso deste processo administrativo. Não tira a  razão do nobre relator quando aponta que o acórdão embargado (nº 301.30­458) incorreu em  decisão  ultra  petita  e  que  alargou  o  alcance  da  decisão  judicial  no  tocante  aos  acréscimos  moratórios, todavia, esses vícios foram convalidados à medida que os legitimados a se insurgir  contra os erros  in judicando ou in procedendum não o fizeram no tempo certo nem na forma  correta,  não  cabendo,  agora,  a  este Colegiado  fazer  tábula  rasa  das  normas  processuais  e,  à  guisa de corrigir erros e equívocos ocorridos no passado,  recomeçar a discussão de questões  que há muito foram encerradas. Não se pode consertar erros com outro erro.  No tocante à decisão ultra petita, cabe registrar que, nas palavras de Nelson  Nery  Júnior  e  Rosa  Maria  de  Andrade  Nery7,  a  sentença  citra  ou  infra  petita  pode  ser  corrigida por meio de embargos de declaração, cabendo ao juiz suprir a omissão; a sentença  ultra  ou  extra  petita  não  pode  ser  corrigida  por  embargos  de  declaração,  mas  só  por  apelação. Cumpre ao tribunal, ao julgar o recurso, reduzi­la aos limites do pedido. Todavia,  esses autores, citando a 8RSTJ50/556, admitem o cabimento dos embargos de declaração, com  caráter  infringente,  para  corrigir  decisão  ultra  petita,  quando presentes  os  pressupostos  de  admissibilidades dos declaratórios, o que não é o caso dos autos, vez que os embargos não  atendem ao primeiro dos requisitos de admissibilidade, qual seja, o da tempestividade.  Por derradeiro, deve­se esclarecer que à autoridade preparadora cabe executar  o  acórdão  nos  termos  em  que  proferido,  não  podendo  discutir  questões  relativas  ao mérito,  como  seria  o  caso  de  decisão  ultra  petita,  sobre  este,  somente  as  partes  podem  instaurar  controvérsia. No tocante à suposta omissão sobre o termo inicial dos juros de mora, o acórdão  embargado  (301.30.458),  embora não seja um primor  jurídico, muito ao contrário,  especifica  que: (...) seja convertido em UFIR e acrescido de juros de 1% ao mês até 01/01/96 e, após, acrescido  dos  juros  moratórios  pela  Taxa  Selic,  com  fundamento  no  art.  39,  §  4º  da  Lei  9.250/95.  Ora,  do  dispositivo transcrito infere­se que o termo inicial seria a data a partir da qual o valor pleiteado  foi convertido em UFIR. Essa data é facilmente aferida nos autos. Ressalte­se, mais uma vez,  que  não  cabe  a  este  Colegiado  fazer  juízo  de  valor  acerca  da  decisão  veiculada  no  acórdão  embargado, posto que, com não conhecimento dos embargos, nenhuma matéria foi devolvida a  esta  turma  julgadora.  Com  isso,  qualquer  manifestação  aqui  proferida  sobre  a  execução  do  mencionado acórdão tem caráter meramente opinativo. Na realidade, a competência, exclusiva,                                                              7 Código de Processo Civil Comentado, Editora Revista dos Tribunais, 9ª edição, página 584.  8 Revista do superior Tribunal de Justiça (periódica)  Fl. 19DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO   20 para esse mister é da autoridade preparadora, que deve executar a decisão nos termos em que  entender correto, sem prejuízo de o sujeito passivo, se discordar, ingressar com medida judicial  pertinente, vez não existir, no processo administrativo, qualquer recurso contra a execução de  julgados.   Com essas considerações, voto no sentido de não conhecer dos embargos de  declaração, diante da ocorrência das preclusões temporal (intempestividade dos declaratórios) e  da consumativa.    Henrique Pinheiro Torres  .               Fl. 20DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/02/ 2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO

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Numero do processo: 10283.002493/2009-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/05/2004 Ementa: PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-lei 37/66, com redação do artigo 61 da citada MP, posteriormente convertida na Lei 10.833/03. INFRAÇÃO REGULAMENTAR. REGISTRO DOS DADOS DO EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não se aplica à penalidade decorrente da prática da infração por atraso no registro dos dados de embarque da carga marítima. Recurso provido em parte
Numero da decisão: 9303-003.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam; e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. EDITADO EM: 14/06/2016 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2343; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 422          1 421  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10283.002493/2009­93  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9303­003.559  –  3ª Turma   Sessão de  26 de abril de 2016  Matéria  Processo Administrativo Fiscal   Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  ALIANÇA NAVEGAÇÃO E LOGÍSTICA LTDA.    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 28/05/2004  Ementa:  PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE.  A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea  da  informação dos dados de embarque por parte do  transportador ou de seu  agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto­lei  37/66, com redação do artigo 61 da citada MP, posteriormente convertida na  Lei 10.833/03.  INFRAÇÃO  REGULAMENTAR.  REGISTRO  DOS  DADOS  DO  EMBARQUE.  DESCUMPRIMENTO  DO  PRAZO.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.  A  denúncia  espontânea  (art.  138  do  Código  Tributário  Nacional)  não  se  aplica  à  penalidade  decorrente  da  prática  da  infração  por  atraso  no  registro  dos dados de embarque da carga marítima.   Recurso provido em parte       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros  do  colegiado,  por maioria  de  votos,  em  conhecer do  recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos  Autran, que não conheciam; e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao  recurso  especial  para  considerar  inaplicável  ao  caso  a  denúncia  espontânea,  devendo  o  processo  retornar  à  instância a quo  para  apreciação  das  demais  questões  trazidas  no  recurso  voluntário  e  que  não  foram  objeto  de  deliberação  por  aquele  Colegiado.  Vencidos  os  Conselheiros  Tatiana  Midori  Migiyama,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Érika  Costa  Camargos  Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 24 93 /2 00 9- 93 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     2     Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Presidente.     Gilson Macedo Rosenburg Filho ­ Relator.    EDITADO EM: 14/06/2016  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres,  Tatiana Midori Migiyama,  Júlio César Alves Ramos  (Substituto  convocado), Demes  Brito,  Gilson  Macedo  Rosenburg  Filho,  Érika  Costa  Camargos  Autran,  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Vanessa Marini  Cecconello, Maria  Teresa Martínez  López  e  Carlos  Alberto  Freitas  Barreto (Presidente).                                Relatório  Fl. 241DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.002493/2009­93  Acórdão n.º 9303­003.559  CSRF­T3  Fl. 423          3 Trata­se  de  recurso  especial  interposto  pela  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional, contra decisão do acórdão nº 3801­004.867, de 27 de  janeiro de 2015, da Primeira  Turma Especial da 3ª Seção do CARF, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos.    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 28/05/2004  DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE  NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO  CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE  BENIGNA.  Aplica­se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias  de  caráter  administrativo  cumpridas  intempestivamente, mas antes  do  início  de  qualquer  atividade  fiscalizatória,  relativamente  ao  dever  de  informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria  destinada à exportação.  Recurso Voluntário Provido..   A  Fazenda  Nacional  defende  que  não  tem  base  jurídica  a  exoneração  da  multa  aplicada  pela  autoridade  que  teve  como  fundamento  o  descumprimento  de  prazo  de  prestação de informação sobre veículo e carga sob controle aduaneiro, fixada no art. 107, IV,  “e”,  Decreto­lei  37/1966.  Afirma,  outrossim,  que  não  cabe  a  aplicação  da  retroatividade  benigna, prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, para os casos de suposta denúncia  espontânea da infração administrativa,  instituída no art. 102, § 2º, do Decreto­lei nº 37/1966,  com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010.  Esta é a síntese do recuso da Fazenda Nacional.  O recurso teve seguimento nos termos do despacho s/n de fls. 170/172.  O sujeito passivo apresentou contrarrazões às fls. 180/189.  É o relatório.        Voto             Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho  O  recurso  foi  apresentado  com  observância  do  prazo  previsto.  A  lide  foi  prequestionada, não versa sobre tema tratado por recurso repetitivo do STJ ou STF, nem sobre  súmula do CARF.   Contudo, o sujeito passivo alegou em contrarrazões que o recurso não deva  ser conhecido em virtude de não restar caracterizada a divergência jurisprudencial.  Na minha visão, o despacho de  admissibilidade  foi  feliz  em suas  razões de  decidir, afastou o primeiro acórdão apontado como divergência e acatou o segundo, em virtude  Fl. 242DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     4 de tratar da mesma matéria de fundo do acórdão vergastado e dar solução diversa. Reproduzo  parte do despacho que demonstra de forma clara a divergência jurisprudencial administrativa,  verbis:  O primeiro acórdão não serve como paradigma, porque trata de  aplicação de penalidade por infração ao controle administrativo  das importações (falta de Guia de Importação ­ GI) e se refere a  julgamento realizado antes da vigência da nova redação dada ao  no  art.  102,  §  2º,  do  Decreto­lei  nº  37/1966,  pela  Lei  12.350/2010.  Portanto,  como  diz  respeito  à  legislação  e  circunstâncias  fáticas  diferentes  das  do  acórdão  recorrido,  o  acórdão nº CSRF/03­05.339 não atende as condições exigidas no  art.  67  do  Anexo  II  do  RICARF  para  fim  de  comprovação  do  alegado dissenso jurisprudencial.  Diferentemente  do  que  ocorre  com  o  primeiro  acórdão  apresentado  pela  recorrente,  do  simples  cotejo  dos  textos  dos  enunciados  das  ementas  do  acórdão  recorrido  e  do  segundo  acórdão  paradigma  apresentado,  verifica­se  que  há  nítida  divergência entre os  referidos  julgados quanto à aplicação dos  efeitos  da  referida  excludente  de  responsabilidade,  inclusive  para as infrações cometidas antes da vigência da nova redação.  Com  efeito,  o  acórdão  recorrido  considerou  aplicável  o  efeito  excludente  da  denúncia  espontânea  em  relação  à  responsabilidade  pelas  multas  administrativas  por  prestação  extemporânea de informação sobre veículos e carga sujeitas ao  controle aduaneiro, inclusive em relação às infrações cometidas  antes da vigência da nova redação do art. 102, § 2º, do Decreto­ lei  37/1966,  em  razão  da  aplicação  da  retroatividade  benigna,  prevista no art. 106 do CTN.  De modo contrário, o acórdão paradigma considerou inaplicável  o  efeito  excludente  da  denúncia  espontânea  da  infração  em  relação  à  responsabilidade  pelo  mesmo  tipo  de  penalidade,  cometida  em  situação  semelhante  a  que  foi  apreciada  pelo  Colegiado  prolator  do  acórdão  recorrido,  ou  seja,  praticada  antes da vigência da novel redação do citado preceito legal.  Com  base  nos  mesmos  fundamentos  apresentados  no  despacho  de  admissibilidade, conheço do recurso e passo ao mérito.  Mérito  A  questão  central  da  lide  diz  respeito  à  exoneração  da  multa  por  descumprimento  de  prazo  de  prestação  de  informação  sobre  veículo  e  carga  sob  controle  aduaneiro,  fixada  no  art.  107,  IV,  “e”, Decreto­lei  37/1966,  em  decorrência  da  aplicação  da  retroatividade  benigna,  prevista  no  art.  106,  inciso  II,  alínea  “c”,  do CTN,  para  os  casos  de  suposta  denúncia  espontânea  da  infração  administrativa,  instituída  no  art.  102,  §  2º,  do  Decreto­lei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010.  Essa matéria  foi  objeto  do Acórdão  nº  3402­002.245,  de  24  de  outubro  de  2013, de minha lavra, que peço vênia para reproduzi­lo e utilizá­lo como razões de decidir:  O  primeiro  ponto  a  ser  enfrentado  diz  respeito  ao  atraso  na  apresentação do DDE, que, na visão da fiscalização, resultou em  embaraço e uma multa de R$ 5.000,00.   Fl. 243DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.002493/2009­93  Acórdão n.º 9303­003.559  CSRF­T3  Fl. 424          5 O  fundamento  legal  utilizado  pela  autoridade  lançadora  foi  a  conjugação dos artigos 37  e 44 da  IN 28/1994 e o art.  107 do  Decreto­Lei 37/1966, alterado pelo art. 77 da Lei 10.833/2003.   "Decreto­Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966.  (...)  Art. 107. Aplicam­se ainda as seguintes multas:  (Redação dada  pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)  (...)  IV ­ de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº  10.833, de 29.12.2003)  (...)  c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva,  embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira,  inclusive  no  caso  de  não­apresentação  de  resposta,  no  prazo  estipulado, a intimação em procedimento fiscal;  (...)  e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele  transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no  prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada  à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de  serviços  de  transporte  internacional  expresso porta­a­porta,  ou  ao agente de carga;"  Instrução Normativa SRF nº 028, de 17 de abril de 1994:  "(...)  Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados  pertinentes  ao  embarque  da  mercadoria,  com  base  nos  documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados  da  data  da  realização  do  embarque.  (Redação  dada  pela  Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010)   (...)"  "Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos  arts. 37, 41 e § 3º do art. 42 desta Instrução Normativa constitui  embaraço  à  atividade  de  fiscalização  aduaneira,  sujeitando  o  infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto­ lei nº 37/66 com a redação do art. 5º do Decreto­lei nº 751, de  10  de  agosto  de  1969,  sem  prejuízo  de  sanções  de  caráter  administrativo cabíveis"  O  art.  44  da  IN  SRF  nº  28/1994  define  como  embaraço  à  fiscalização o descumprimento das regras previstas nos arts. 37,  41 e § 3º do art. 42 da dicção legal.  Fl. 244DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     6 O  art.  37  determina  que  o  transportador  tem  sete  dias  para  registrar no SISCOMEX os dados pertinentes ao embarque das  mercadorias, contados da data do efetivo embarque.  O  art.  107  do  Decreto­Lei  nº  37/1966  e  alterações,  pune  com  multa  de  R$  5.000,00  quem,  por  qualquer  meio  ou  forma,  omissiva ou comissiva, embaraçar a ação da fiscalização.  Pela  exegese  dos  artigos  citados,  o  fato  típico  previsto  como  infração  pela  legislação  tributária  é  o  registro  dos  dados  relacionados  ao  embarque  de mercadoria  com  o  interregno  de  tempo  maior  que  sete  dias,  contados  da  data  de  embarque  da  mercadoria, tendo como sanção uma multa de R$ 5.000,00.  Fixada a premissa maior, parto para os fundamentos jurídicos.  É  fato  incontroverso que as mercadorias  foram embarcadas no  navio PORT TEJO em 22/07/2006 e os dados referentes a essa  operação só foram registradas no SISCOMEX em 20/09/2006.   Não é preciso ser um perito em matemática para deduzir que o  recorrente  registrou  a  operação  de  embarque  intempestivamente, incorrendo na conduta tipificada nos artigos  37  e  44  da  IN  28/1994  e  o  art.  107  do  Decreto­Lei  37/1966,  alterado  pelo  art.  77  da  Lei  10.833/2003,  como  infração  aduaneira.  Diante desse quadro, não vejo motivos para reformar a decisão  da DRJ, que merece ser mantida pelos próprios fundamentos.   Quanto às alegações  sobre denúncia  espontânea,  lembro que o  recorrente  busca  o  amparo  desse  instituto  para  afastar  a  penalidade aplicada pelo atraso na Declaração de Despacho de  Exportação – DDE.   Sobre  essa  matéria,  tenho  a  mesma  opinião  da  DRJ,  que  não  cabe a denúncia espontânea nos casos de infrações formais.  A 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF  enfrentou o  tema no Acórdão nº 3802­00568, de 05 de  julho de  2011,  cujo  relator  foi  o  conselheiro  José  Fernandes  do  Nascimento,  tratou  o  tema  com  maestria  e  merece  ser  colacionado como de razão de decidir:  "Do  instituto  da  denúncia  espontânea  no  âmbito  da  legislação  aduaneira: condição necessária.  No  âmbito  da  legislação  aduaneira,  o  instituto  da  denúncia  espontânea e os requisitos para sua aplicação estão definidos no  art. 102 do Decreto­lei n° 37, de 1966, com as novas  redações  dadas  pelo Decreto­lei  nº  2.472,  de  01  de  setembro  de  1988  e  pela  Lei  nº  12.350,  de  20  dezembro  de  2010,  a  seguir  reproduzido:  “Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se  for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá  a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo  Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada:  Fl. 245DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.002493/2009­93  Acórdão n.º 9303­003.559  CSRF­T3  Fl. 425          7 (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  a)  no  curso  do  despacho  aduaneiro,  até  o  desembaraço  da  mercadoria; (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente,  tendente  a  apurar  a  infração.  (Incluído  pelo  Decreto­Lei  nº  2.472, de 01/09/1988)  § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de  natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção  das  penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena  de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010).”  É  de  fácil  ilação  que  o  objetivo  da  norma  em  destaque  é  estimular  que  o  infrator  informe  espontaneamente  à  Administração  aduaneira  a  prática  das  infrações  relativas  ao  descumprimento  das  obrigações  de  natureza  tributária  e  administrativa.  Nesta  última,  incluída  todas  as  obrigações  acessórias  ou  deveres  instrumentais  (segundo  alguns)  que  tenham por objeto as prestações positivas  (fazer ou  tolerar) ou  negativas  (não  fazer)  instituídas  no  interesse  fiscalização  das  operações  de  comércio  exterior,  incluindo  os  aspectos  de  natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc.  Nesse  sentido,  resta evidente que é condição necessária para a  aplicação do instituto da denúncia espontânea que a infração de  natureza  tributária  ou  administrativa  seja  passível  de  denunciação à Administração tributária pelo infrator, em outros  termos,  é  elemento  essencial  da  presente  excludente  de  responsabilidade que a infração seja denunciável.  No âmbito da legislação aduaneira, com base no teor do art. 102  do Decreto­lei n° 37, de 1966, com as novas redações, está claro  que as impossibilidades de aplicação do referido instituto podem  decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal  ou jurídica.  No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico  que  veda  a  incidência  da  norma  em  apreço,  ao  excluir  determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da  responsabilidade  por  denunciação  espontânea  da  infração  cometida.  A  título  de  exemplo,  podem  ser  citadas  as  infrações  por  dano  erário,  sancionadas  com  a  pena  de  perdimento,  conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado  art. 102.  A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando  fatores  de  ordem  material  tornam  impossível  a  denunciação  espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que  têm  por  objeto  as  condutas  extemporâneas  do  sujeito  passivo,  caracterizadas  pelo  cumprimento  da  obrigação  após  o  prazo  estabelecido  na  legislação.  Para  tais  tipos  de  infração,  a  denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar  o fluxo inevitável do tempo.  Fl. 246DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     8 Compõem  essa  última  modalidade  todas  infrações  que  tem  o  atraso no cumprimento da obrigação imposta como elementar do  tipo da conduta infratora, ou seja, que tem o fluxo ou transcurso  do  tempo  como  elemento  essencial  para  a  concretização  da  infração.  São  dessa  última  modalidade  todas  as  infrações  que  têm,  no  núcleo  do  tipo,  o  atraso  no  cumprimento  da  conduta  imposta  como  sendo  o  elemento  determinante  da  materialização  da  infração.  A  título  de  exemplo,  pode  ser  citado  a  conduta  do  transportador  de  registrar  extemporaneamente  no  Siscomex  os  dados  do  embarque  da  carga  transportado  em  veículo  de  transporte internacional de carga   Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é  deixar  de  prestar  a  informação  sobre  a  carga  no  prazo  estabelecido,  que  é  diferente  da  conduta  de,  simplesmente,  deixar  de  prestar  a  informação  sobre  a  carga.  Na  primeira  hipótese,  a  prestação  da  informação  intempestivamente  materializa  a  infração,  ao  passo  que  na  segunda  hipótese,  a  prestação  da  informação  fora  do  prazo  estabelecido,  porém  antes  do  início  do  procedimento  fiscal,  realizando  o  cumprimento  da  obrigação,  mediante  a  denúncia  espontânea,  com exclusão da responsabilidade pela infração.  Do ponto vista axiológico, nas infrações hipotéticas em apreço,  os valores protegidos também são distintos. No primeiro caso, a  conduta pretendida pelo legislador é a prestação da informação  tempestiva, enquanto que no segundo caso, a conduta exigida é a  simples prestação da informação.  No  presente  caso,  é  evidente  que  a  conduta  comissiva  que  materializou  a  infração  objeto  da  presente  autuação  foi  a  inserção dos dados do  embarque no Siscomex após o prazo de  sete dias estabelecido no § 2º do art. 37 da Instrução Normativa  SRF  n°  28,  de  1994,  com  a  redação  atribuída  pela  Instrução  Normativa SRF nº 510, de 2005.  Logo,  no  caso  em  destaque,  se  o  registro  da  informação  a  destempo  materializou  a  infração  tipificada  na  alínea  “e”  do  inciso  IV  do  artigo  107  do  Decreto­lei  n°  37,  de  1966,  com  redação  dada  pelo  artigo  77  da  Lei  n°  10.833,  de  2003,  por  conseguinte, não pode  ser  considerada,  simultaneamente,  como  uma conduta realizadora da denunciação espontânea da mesma  infração.  De fato, se a prestação extemporânea da informação dos dados  de  embarque  materializa  a  conduta  típica  da  infração  sancionada  com  a  penalidade  pecuniária  objeto  da  presente  autuação,  em  consequência,  seria  de  todo  ilógico,  por  contradição  insuperável,  que  a  conduta  que  materializasse  a  infração fosse, ao mesmo tempo, a conduta que concretizasse a  denúncia espontânea da mesma infração.  No caso em apreço, se admitida pretensão da Recorrente, o que  se  admite  apenas  para  argumentar,  o  cometimento  da  mencionada  infração nunca  resultaria na  cobrança da  referida  multa, uma vez que a própria conduta  tipificada como infração  seria,  simultaneamente,  a  conduta  que  representativa  da  Fl. 247DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.002493/2009­93  Acórdão n.º 9303­003.559  CSRF­T3  Fl. 426          9 denúncia espontânea. Em consequência, tornar­se­ia impossível  a  imposição  da  multa  sancionadora  da  dita  conduta,  ou  seja,  existiria  a  infração,  mas  a  multa  fixada  para  sancioná­la  não  poderia ser cobrada por força da exclusão da responsabilidade  do  infrator.  Tal  hipótese,  ao meu  ver,  representaria  um  contra  senso  do  ponto  de  vista  jurídico,  retirando  da  prática  da  dita  infração qualquer efeito punitivo.  Nesse  sentido,  porém  com  base  em  fundamentos  distintos,  tem  trilhado  a  jurisprudência  do  C.  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ), conforme enunciado da ementa a seguir transcrita:  TRIBUTÁRIO.  PRÁTICA  DE  ATO  MERAMENTE  FORMAL.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  DCTF.  MULTA  MORATÓRIA.  CABIMENTO. I – A inobservância da prática de ato formal não  pode ser considerada como infração de natureza  tributária. De  acordo  com  a moldura  fática  delineada  no  acórdão  recorrido,  deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela  qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se  exclui  a  multa  moratória.  "As  responsabilidades  acessórias  autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato  gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN"  (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de  21/06/2004, p. 164).  II  –  Agravo  regimental  improvido.(STJ,  ADRESP  885259/MG,  Primeira  Turma,  Rel.  Min  Francisco  Falcão,  pub.  no  DJU  de  12/04/2007).  Os  fundamentos  da  decisão  apresentados  pela E. Corte,  foram  basicamente os seguintes: (i) a  inobservância da prática de ato  formal  não  pode  ser  considerada  como  infração  de  natureza  tributária;  e  (ii)  o  descumprimento  de  obrigações  acessórias  autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato  gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN.  Com a devida vênia, tais argumentos não representam o melhor  fundamento para a conclusão esposada pela E. Corte no referido  julgado.  No  meu  entendimento,  para  fim  de  definição  dos  efeitos  do  instituto  da  denúncia  espontânea,  é  irrelevante  a  questão  atinente  à  natureza  intrínseca  da  multa  tributária  ou  administrativa,  isto  é,  se  punitiva  (ou  sancionatória)  ou  indenizatória  (ou  ressarcitória),  uma  vez  que  toda  penalidade  pecuniária tem, necessariamente, natureza punitiva, pois decorre  sempre  da  prática  de  um  ato  ilícito,  consistente  no  descumprimento de um dever legal, enquanto que a indenização  tem  como  pressuposto  um  dano  causado  ao  patrimônio  alheio,  com  ou  sem  culpa  do  agente.  Essa  questão,  no  meu  entendimento,  é  irrelevante  para  definição  do  significado  e  alcance  jurídicos  da  excludente  da  responsabilidade  por  denunciação  espontânea  em  análise,  seja  no  âmbito  das  penalidades tributárias ou administrativas.  Fl. 248DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     10 É sabido que todo ato ilícito previsto na legislação tributária e  aduaneira  configura,  respectivamente,  infração  de  natureza  tributária  ou  aduaneira,  independentemente  dela  decorrer  do  descumprimento  de  um  dever  de  caráter  formal  (obrigação  acessória)  ou  material  (obrigação  principal).  Ademais,  toda  obrigação acessória tem vínculo indireto com o fato gerador da  obrigação  principal,  instrumentalizando­o  e,  dessa  forma,  servindo  de  suporte  para  as  atividades  de  controle  da  arrecadação e  fiscalização dos  tributos,  conforme delineado no  § 2º do art. 113 do CTN.  Em  conclusão,  para  fins  de  incidência  da  norma  da  denúncia  espontânea,  seja  na  esfera  tributária  ou  aduaneira,  a  condição  relevante  é  que  a  infração  seja  passível  de  denunciação  à  Administração  tributária pelo  infrator, condição em que não se  enquadra a infração objeto da presente autuação."  Na linha do arrazoado transcrito, entendo que as infrações que possuem como  elementar do tipo o atraso no cumprimento de obrigação não é passível de denunciação. Nesta  esteira,  dou provimento  ao  recurso da Fazenda Nacional para  afastar o  instituto da denúncia  espontânea do caso em análise e determinar o retorno dos autos à instância a quo para análise  das demais questões.  Sala das Sessões, em 26/04/2016    Gilson Macedo Rosenburg Filho.                                Fl. 249DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 4/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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