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Numero do processo: 10925.901247/2011-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO
Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.475
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado.
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente COMERCIAL PARISENTI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu não homologála em razão de que o valor recolhido via DARF, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 12 47 /2 01 1- 38 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10925.901247/201138 Acórdão n.º 3301003.475 S3C3T1 Fl. 3 2 indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual defende, inicialmente, que os débitos exigidos não compensados devem ficar com a exigibilidade suspensa em razão da apresentação da manifestação de inconformidade. Quanto ao mérito, a contribuinte alega, em síntese, que apurou créditos, passíveis de compensação, oriundos do recolhimento indevido de tributos, uma vez reconhecido seu direito de recolher as contribuições – PIS e Cofins – nos moldes previstos no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.873. O fundamento adotado foi o de que, quando a compensação declarada pelo sujeito passivo está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que alega o seguinte: a) que o débito, cuja compensação não foi homologada, deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão da apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Consituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à alegação mencionada na letra "c", cumpre destacar que o débito, cuja compensação não foi homologada, está sendo cobrado, acrescido de multa de mora de 20% e não de multa de ofício de 150%, além de juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.444, de Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10925.901247/201138 Acórdão n.º 3301003.475 S3C3T1 Fl. 4 3 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.901334/201276, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.444): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de Despacho Decisório que não homologou compensação pleiteada por meio de DCOMP, em razão de o alegado pagamento a maior não constar nos registros da Receita Federal do Brasil (RFB). Nos autos, encontramse a DCOMP, o Despacho Decisório e extratos da RFB, contendo detalhamento da compensação e histórico da transmissão da DCOMP. Não há cópias de Declarações de Débitos e Créditos Federais Tributários Federais (DCTF). Na manifestação de inconformidade, a Recorrente informou que efetuara pagamentos a maior e apresentou as bases legais que dariam suporte à compensação. Nada dispôs sobre a DCTF original, na qual teria sido incluído o DARF indicado na DCOMP como fonte do crédito (pagamento a maior), e tampouco se fora retificada. Também não carreou aos autos cópias de DCTF. A DRJ (fls. 37 a 40) ratificou o Despacho Decisório, sob a alegação de que na data da protocolização da DCOMP, a DCTF que constava no banco de dados da RFB não indicava a existência de crédito, consistente em pagamento a maior de tributo. E que uma DCTF retificadora somente pode suportar uma compensação, cuja DCOMP tenha sido apresentada na mesma data ou posteriormente. No recurso voluntário, foram apresentados os seguintes argumentos para sustentar a compensação: a) que o débito cuja compensação não foi homologada deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão de apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Constituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à letra "a", nada há que se falar, pois nenhuma controvérsia há sobre a questão: o inc. III do art. 151 da Lei n° 5.172/66 (Código tributário Nacional CTN) dispõe que a apresentação de recurso, nos termos das normas que regulam o processo administrativo, suspende a exigibilidade do crédito tributário. O disposto na letra "c" também não merece comentários, haja vista que não houve lançamento de ofício e, por conseguinte, multa dele derivada. O débito originalmente compensado com o crédito não comprovado está sendo cobrado com o acréscimo de multa de mora de 20% e juros Selic. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10925.901247/201138 Acórdão n.º 3301003.475 S3C3T1 Fl. 5 4 Finalmente, sobre o tema central, a adequação ou não da compensação realizada, parcialmente tratada pela Recorrente na letra "b", voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Não resta dúvida acerca da possibilidade legal defendida pela Recorrente de compensar tributos pagos a maior com débitos tributários. Também não me oporia a legitimar a compensação pretendida, pelo simples fato de que a DCTF retificadora, com indicação do pagamento a maior, tivesse sido apresentada após a protocolização da DCOMP, desde que restasse comprovado que o crédito tributário já existia à época da liquidação do débito tributário. Com efeito, regra geral, a compensação é possível até mesmo se o crédito tiver surgido após o vencimento do débito, desde que a este sejam acrescidos os devidos encargos moratórios. Porém, no caso em tela, não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Temos apenas as alegações da Recorrente de que retificara a DCTF e que detinha o crédito. Alegações, contudo, desacompanhadas das devidas comprovações. Desta forma, não me resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721464/2014-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2010
PAGAMENTO SEM CAUSA.
Não pode ser considerado pagamento sem causa a aquisição de imóveis por preço inferior ao avaliado por engenheiros especializados constante de laudo elaborado à época, mormente se demonstrado pela interessada o cenário desfavorável que justificou a mencionada operação.
Numero da decisão: 2402-005.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em conhecer do recurso de ofício e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araujo, Ronnie Soares Anderson, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho, Mario Pereira de Pinho Filho e Waltir de Carvalho.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2010 PAGAMENTO SEM CAUSA. Não pode ser considerado pagamento sem causa a aquisição de imóveis por preço inferior ao avaliado por engenheiros especializados constante de laudo elaborado à época, mormente se demonstrado pela interessada o cenário desfavorável que justificou a mencionada operação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em conhecer do recurso de ofício e negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araujo, Ronnie Soares Anderson, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho, Mario Pereira de Pinho Filho e Waltir de Carvalho.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010 PAGAMENTO SEM CAUSA. Não pode ser considerado pagamento sem causa a aquisição de imóveis por preço inferior ao avaliado por engenheiros especializados constante de laudo elaborado à época, mormente se demonstrado pela interessada o cenário desfavorável que justificou a mencionada operação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 14 64 /2 01 4- 95 Fl. 842DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em conhecer do recurso de ofício e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araujo, Ronnie Soares Anderson, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho, Mario Pereira de Pinho Filho e Waltir de Carvalho. Fl. 843DF CARF MF Processo nº 19515.721464/201495 Acórdão n.º 2402005.855 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte em referência por meio do qual se exige Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF no valor total de R$ 24.339.876,49, incluídos a multa de ofício de 75% e os juros de mora consolidados em 15/12/2014. Os fatos que motivaram as autuações foram contextualizados no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 339/350, cujo teor é relatado a seguir. Relata o AuditorFiscal que, ao examinar o balanço patrimonial da contribuinte, constatou os seguintes saldos, os quais não constavam na DIPJ 2011 original: Em 30/05/2014, foi entregue DIPJ retificadora, na qual se informou a situação patrimonial supra sem que, contudo, fosse declarada qualquer receita operacional, adequando, assim, a referida declaração aos registros contábeis. A ausência de declaração de receitas operacionais permaneceu nas DIPJ 2012, 2013 e 2014. Não obstante não possuir recursos próprios para tanto, a contribuinte adquiriu, da empresa Golf Village Empreendimentos Imobiliários S/A, dois imóveis no valor de R$ 46.000.000,00: Fl. 844DF CARF MF 4 Parte do valor foi quitado em virtude de crédito pré existente entre as empresas (R$ 10.372.012,35), o valor remanescente foi pago em parcelas com vencimento em setembro a dezembro de 2010. Instada a justificar os valores depositados em suas contas correntes, a contribuinte informou que eles decorreram de aporte de capital (R$ 17.833.500,00) e de empréstimo bancário (R$ 19.635.056,63). Informa, ainda, o AuditorFiscal que a fiscalizada, intimada a apresentar laudo de avaliação dos terrenos, respondeu: Nenhum laudo de avaliação foi produzido, por inexistir norma que os demande; Os dados constantes dos IPTU dos referidos imóveis, fornecidos pela fiscalizada, são apresentados na tabela abaixo: Ademais, no endereço eletrônico da Prefeitura da Cidade de São Paulo, constam os valores venais de referência para o período de 01/01/2011 a 31/12/2011: R$ 13.796.188,00 e 11.036.132,00, respectivamente. Sobre os mencionados valores venais de referência, destaca a Autoridade Fiscal que considerou os valores dos imóveis referentes a 01/01/2011 “(que é o mesmo até o final do ano)”, uma vez que o contrato de compra e venda foi celebrado em setembro de 2010 e as parcelas correspondentes foram pagas ao final do mesmo ano, “ao passo que o ‘Valor Venal de Referência’ em set. a dez/2010 seria o mesmo de 01/01/2010”. No que toca à vendedora, comunica a Fiscalização que ela declarou a receita decorrente da venda, tributada pelo regime do lucro presumido. Pondera a Autoridade Fiscal: 21) Verificase que, por serem empresas ligadas, pertencentes a um mesmo grupo econômico (conforme demonstrado nos itens abaixo), os referidos imóveis poderiam ser utilizados diretamente na integralização do capital da “ARCONTE”, sem manipulação de recursos financeiros, por meio de um simples acerto de contas; entretanto, pela sistemática utilizada pelo grupo econômico a empresa “GOLF” ficou com os recursos envolvidos na venda à sua disposição, submetendo estes à tributação a uma alíquota favorecida (lucro presumido para venda de imóveis) e ainda com a possibilidade de distribuição dos lucros aos sócios (rendimento isento), nos termos do artigo 39, XXVII do RIR/99 (Decreto n° 3.000 de 26/03/99): (...) E conclui que a Fiscalização: contratou no ano de 2010 um empréstimo bancário e assumiu encargos financeiros decorrentes, unicamente para fins de aquisição dos referidos imóveis; contabilizou e declarou os imóveis adquiridos na conta “Estoque” do “Ativo Circulante”; Fl. 845DF CARF MF Processo nº 19515.721464/201495 Acórdão n.º 2402005.855 S2C4T2 Fl. 4 5 não auferiu nenhuma, receita operacional, decorrente dos imóveis adquiridos (no mínimo até DEZ/2013); não dispunha de recursos próprios para quitar as parcelas decorrentes do referido empréstimo bancário (no mínimo até DEZ/2013); ficou totalmente na dependência dos sócios, para suprir suas necessidades financeiras, até mesmo para quitar o citado empréstimo bancário; adquiriu os referidos imóveis de uma empresa ligada, considerando que vendedor e comprador pertencem a um mesmo grupo econômico; adquiriu os referidos imóveis sem laudo de avaliação, por valor superior ao de mercado, por mera liberalidade dos sócios; assumiu uma despesa e/ou custo acima da necessidade operacional da empresa. Discorre acerca dos conceitos de “despesas necessárias” (artigos 299 e 30 di RIR/99), “pagamento sem causa” (artigo 304 do RIR/99), “pessoa ligada e valor de mercado” (artigo 465 do RIR/99) e “distribuição disfarçada de lucros” (artigos 464 e 466 do RIR/99). Invoca jurisprudência administrativa e judicial sobre a definição de “grupo econômico”e transcreve dispositivos legais que tratam da matéria (CLT, Lei do Consumidor, Lei de Custeio da Previdência Social, Lei de Defesa da Concorrência, Lei das Sociedades Anônimas e Lei nº 5.889/73). Descreve a composição societárias das empresas envolvidas: Fl. 846DF CARF MF 6 Destaca também que as quatro empresas citadas estão sediadas no mesmo endereço, o qual é também domicílio fiscal de Adalberto Bueno Netto (CPF 703.650.57849). Conclui a Fiscalização: A empresa “ARCONTE” adquiriu os referidos imóveis da empresa “GOLF”, por “valor notoriamente superior ao valor de mercado”, haja vista a comparação entre o “Valor da Contratual” e o “Valor Venal de Referência” (fixado pela PM SP); O referido “valor notoriamente superior ao valor de mercado”, apurado por esta fiscalização, é de R$ 21.167.680,00 e corresponde a diferença entre o “Valor da Contratual” (R$ 46.000.000,00) e o “Valor Venal de Referência” fixado pela PM SP (R$ 24.832.320,00); O referido “valor notoriamente superior ao valor de mercado”, apurado por esta fiscalização, por ter sido pago a empresa ligada (pertencente ao mesmo grupo econômico), corresponde a Fl. 847DF CARF MF Processo nº 19515.721464/201495 Acórdão n.º 2402005.855 S2C4T2 Fl. 5 7 um “PAGAMENTO SEM CAUSA” efetuado pela “ARCONTE” em favor da empresa “GOLF”; O referido “PAGAMENTO SEM CAUSA”, nos termos da. legislação vigente está sujeita à tributação na fonte nos termos do artigo N° 674 do RIR/99, ou seja, a alíquota de 35% incidente sobre a base de calculo reajustada; A matéria tributável foi assim calculada: O montante do “Pagamento Sem Causa” a pessoa ligada, apurado à época por esta fiscalização foi de R$ 21.167.680,00; A alíquota do IR na fonte, incidente sobre pagamento pagamentos sem causa, nos termos da legislação vigentes, é de 35% sobre a base de calcula reajustada, considerando que o pagamento efetuado presumese líquido ao beneficiário; 21.167.680,00 dividido por 65% (100% 35%); Para fins de tributação foram utilizados os seguintes desembolsos: R$ 9.937.673,89 em 15/09/2010 R$ 2.406.996,91 em 15/10/2010 R$ 2.406.996,91 em /11/2010 R$ 4.813.993,83 em 15/12/2010 R$ 13.000.000,00 em 15/12/2010 R$ 32.565.661,54 Impugnação Cientificada da autuação por via postal em 18/12/2014 (fls. 359), a contribuinte ofereceu sua impugnação em 19/01/2015 (segundafeira), a qual foi juntada a fls. 362/377. Depois de sintetizar os fundamentos da exação fiscal, a impugnante explica a relação que possui com a empresa Golf Village, sociedade anônima de capital fechado, “constituída especificamente para incorporação de empreendimentos imobiliários no terreno composto pelas glebas” mencionadas no seu estatuto social adquiridas da Eletropaulo em 2003 ao custo de R$ 80.000.000,00. Descreve o quadro societário da Golf Village em 2010 para enfatizar que ela era controlada em conjunto por três famílias, Bueno Netto (55,23%), Boralli (24,24%) e Schonburg (20,53%), ao passo que a impugnante é controlada por Adalberto Bueno Netto, que, através da participação em outras sociedades, detém mais de 99% das quotas sociais da Impugnante. Acrescenta que a família Bueno Netto não possuía poderes para, sozinha, aprovar “as deliberações mais importantes da companhia, listadas no parágrafo 7º do artigo Fl. 848DF CARF MF 8 10 do Estatuto Social da ‘Golf Village’. Para aprovação destas matérias, exigese o quórum mínimo de 80% do capital social.” Registra, neste sentido, que “a própria autorização para venda do terreno à Impugnante foi previamente submetida à aprovação dos acionistas da ‘Golf Village’, nos termos da anexa ata de assembléia geral extraordinária realizada em 14/09/2010”. Na seqüência, descreve o histórico da aquisição dos terrenos bem como da dificuldade de pagálos e dos entraves legais que impediram a construção do empreendimento, o que levou os acionistas da Golf Village a celebrarem um acordo com a Tecnisa S/A, que ingressou na sociedade mediante aporte da capital. Todavia, como o projeto não foi implementado, a mencionada empresa retirouse da sociedade. Seu investimento foi recuperado com a aquisição de um terreno pela empresa Lille Investimentos Imobiliários Ltda., controlada pela Tecnisa. Faz referência, também, ao Termo de Ajustamento de Conduta (Tac), formalizado em 12/11/2008, no qual a ‘Golf Village’ teve de assumir diversas obrigações adicionais (além das já previstas para remediação e recuperação dos danos ambientais), bem como a indenizar a sociedade pela contaminação das águas subterrâneas na quantia de R$ 5.000.000,00. Prossegue: Comprometendo de vez o projeto original da "Golf Village", em 2010 a sua administração tomou conhecimento de que parte relevante de seu terreno seria objeto de desapropriação por parte do Metrô (vide Ata da AGE de 14/09/2010 da "Golf Village", do Doc. 3), para implantação da Linha 17 Ouro do Metrô (que interligará o aeroporto de Congonhas ao Estádio do Morumbi). Assim, em 13/05/2013 foi constituída uma servidão de passagem no imóvel registrado sob a Matrícula n° 199.610, ocupando uma área de 9.822,46m2, que atravessa o terreno na longitudinal. A necessidade de elaboração de um novo projeto para os terrenos remanescentes da "Golf Village" acentuou ainda mais a dissidência entre os seus acionistas (instalada desde a época em que a sociedade precisou captar recursos no mercado para quitar a dívida com a Eletropaulo), que divergiam, dentre outras questões, sobre o formato e o volume de investimentos necessários para os novos Projetos. Ante o impasse na definição dos novos Projetos, a solução mais viável encontrada pela "Golf Village" foi alienar outra parte dos terrenos para o grupo empresarial de Adalberto Bueno Netto, que se propôs a adquirir o terreno objeto desta impugnação (áreas objeto das Matrículas 176.790 e 176.791, unificadas na Matrícula 220.869) para implementar, com seus próprios recursos, um novo projeto de empreendimento residencial. Para viabilizar o financiamento de parte do preço do terreno, em setembro de 2010 a BNI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A. sociedade do grupo empresarial de Adalberto Bueno Netto contratou uma assessoria especializada para avaliação dos imóveis a serem adquiridos. O laudo de Fl. 849DF CARF MF Processo nº 19515.721464/201495 Acórdão n.º 2402005.855 S2C4T2 Fl. 6 9 avaliação então produzido (Doc. 8) firmado por engenheiros devidamente registrados no CREA e baseado em sólida fundamentação técnica demonstrou que o valor de mercado dos imóveis, em setembro de 2010, era de, no mínimo, R$ 59.000.000.00 (cinqüenta e nove milhões de reais). Foi, então, constituída sociedade para a aquisição dos terrenos por preço inferior ao de mercado, em virtude da dificuldade de aprovação de novos empreendimentos, conforme relatado. Com a venda dos terrenos, a Golf Village pôde pagar suas dívidas com a Eletropaulo e dar seguimento ao projeto, sem distribuir dividendos aos acionistas nos anos de 2010 e 2011. Com a venda dos terrenos, houve um aditamento ao Tac, para que a impugnante assumisse parte das responsabilidades da Golf Village. O empreendimento foi lançado em 2013, mas as vendas das unidades imobiliárias foi impedida em virtude de decisão judicial que, a pedido do Ministério Público, determinou a suspensão das obras. Por considerar provada a operação bem como a sua causa e por entender afastada a possibilidade de que os imóveis tenham transmitidos entre sociedades integrantes do mesmo grupo econômico por preço inferior ao de mercado, requer o cancelamento da autuação. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou em 27 de abril de 2016 procedente a impugnação da Recorrente, cuja acórdão encontrase as fls. 801 e segs. e ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010 PAGAMENTO SEM CAUSA. Não pode ser considerado pagamento sem causa a aquisição de imóveis por preço inferior ao avaliado por engenheiros especializados constante de laudo elaborado à época, mormente se demonstrado pela interessada o cenário desfavorável que justificou a mencionada operação. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado O acórdão formalizou, em razão da exoneração correspondente a R$ 24.339.876,49 e em conformidade com o disposto no art. 34, I, do Decreto n.º 70.235/1972, Recurso de Ofício. O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instancia em 29/06/2016, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização dos documentos através de caixa postal, conforme despacho à fl. 815, no entanto, não apresentou recurso voluntário. Fl. 850DF CARF MF 10 Ademais, conforme comunicado à fl. 819, "O Contribuinte acessou o teor dos documentos relacionados abaixo na data 05/07/2016 16:40h, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), através da opção Consulta Comunicados/Intimações ou Consulta Processos, os quais já se encontravam disponibilizados desde 14/06/2016 na Caixa Postal." Sem contrarazões. É o relatório. Fl. 851DF CARF MF Processo nº 19515.721464/201495 Acórdão n.º 2402005.855 S2C4T2 Fl. 7 11 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso de Ofício Compulsando os autos, verificase que o recurso de ofício foi interposto visto que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo de crédito tributário, entre principal e multas, superior a R$ 2.500.000,00, limite estabelecido pela Portaria MF nº 63/17, com amparo no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235/72. Desta forma, entendo que deve ser CONHECIDO o recurso de ofício. O lançamento teve por fundamento fático principal, a compra, pelo contribuinte, de dois terrenos por preço superior ao de mercado, os quais eram, alegadamente, de propriedade de uma empresa integrante do mesmo grupo econômico. A contribuinte, a seu passo, defendeu que as empresas não integram o mesmo grupo econômico e que a operação em questão somente poderia ter sido realizada com a aprovação de sócios que representem, no mínimo, 80% do capital. Ademais, os imóveis foram adquiridos por preço inferioe ao de mercado, consoante laudo juntado aos autos a fls. 696/711. Em analise aos argumentos do contribuinte e em face dos documentos apresentados, a autoridade julgadora de primeira instancia entendeu que o valor de aquisição dos terrenos estaria justificado. Deveras o laudo juntado pelo contribuinte foi elaborado por empresa especializada na avaliação de imóveis Contacto Consultores Associados Ltda., em 30 de setembro de 2010, e assinado pelos engenheiros Eduardo Rottmann e Guilherme D. Schvartzaid. Este laudo, depois de apresentar as premissas de análise do caso e descrever a metodologia, os cálculos e dados utilizados na avaliação dos terrenos, conclui que os valores praticados estão dentro de uma margem razoável de mercado, pois apesar de terem sido vendidos por preço inferior ao que efetivamente valem, possuem passivos ambientais que justifica o montante efetivamente pago. Comenta, neste sentido, a decisão de primeira instancia que se o laudo tivesse sido apresentado quando da fase de fiscalização não teria sido lavrado o auto de infração: "Diante disso, não posso deixar de comentar que, caso a contribuinte tivesse atendido à solicitação fiscal à época, a autuação em julgamento não teria sido lavrada e o presente processo administrativo não teria sido instaurado, o que pouparia valiosos recursos públicos." Fl. 852DF CARF MF 12 Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO, mantendo a exoneração do crédito tributário. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 853DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.721900/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS.
Sob o regime de incidência não cumulativa e para fins de dedução de créditos, o termo insumo deve estar vinculado ao de "essencialidade" do bem ou serviço, no sentido de que determinado insumo deve ser essencial ao processo produtivo do contribuinte, conforme remansosa jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Sob essa moldura, deve ser tomado o processo produtivo em concreto de determinado contribuinte, para se analisar a subsunção ao conceito de "insumo" item a item.
PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. DESPESAS COM VALE- ALIMENTAÇÃO, COM PROPAGANDA E COM ORDENADOS, SALÁRIOS, COMISSÕES, GRATIFICAÇÕES E OUTRAS REMUNERAÇÕES PAGAS A EMPREGADOS.
Despesas com vale -alimentação (artigo 3º, inciso X, das Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003) apenas podem ser deduzidas por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Por igual, não há previsão legal para o creditamento com base em despesas com propaganda, bem como com ordenados, salários, comissões, gratificações e outras remunerações pagas a empregados.
MULTA ISOLADA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO INDEFERIDO OU INDEVIDO. EXCLUSÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Revogação da multa isolada por pedido de ressarcimento indevido ou indeferido, prevista no §15, art. 74, da Lei n. 9430/96, pela Medida Provisória 656. Incidência do art. 106, II, ´a´ do CTN, que determina ser a lei aplicada a fato pretérito, não definitivamente julgado, quando deixe de defini-lo como infração.
Numero da decisão: 3201-002.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.. Ausente justificadamente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo De Andrade.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. Sob o regime de incidência não cumulativa e para fins de dedução de créditos, o termo “insumo” deve estar vinculado ao de "essencialidade" do bem ou serviço, no sentido de que determinado insumo deve ser essencial ao processo produtivo do contribuinte, conforme remansosa jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Sob essa moldura, deve ser tomado o processo produtivo em concreto de determinado contribuinte, para se analisar a subsunção ao conceito de "insumo" item a item. PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. DESPESAS COM VALE ALIMENTAÇÃO, COM PROPAGANDA E COM ORDENADOS, SALÁRIOS, COMISSÕES, GRATIFICAÇÕES E OUTRAS REMUNERAÇÕES PAGAS A EMPREGADOS. Despesas com vale alimentação (artigo 3º, inciso X, das Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003) apenas podem ser deduzidas por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Por igual, não há previsão legal para o creditamento com base em despesas com propaganda, bem como com ordenados, salários, comissões, gratificações e outras remunerações pagas a empregados. MULTA ISOLADA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO INDEFERIDO OU INDEVIDO. EXCLUSÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Revogação da multa isolada por pedido de ressarcimento indevido ou indeferido, prevista no §15, art. 74, da Lei n. 9430/96, pela Medida Provisória 656. Incidência do art. 106, II, ´a´ do CTN, que determina ser a lei AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 19 00 /2 01 3- 61 Fl. 204DF CARF MF 2 aplicada a fato pretérito, não definitivamente julgado, quando deixe de defini lo como infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.. Ausente justificadamente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira– Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo De Andrade. Relatório Referese o presente processo a auto de infração para a PIS e COFINS Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Cuidam os autos de Pedido de Ressarcimento de Cofins, formulário em papel, no valor de R$ 2.017.576,94, apurado nos anoscalendários de 2008 a 2012. Irresignada com o indeferimento do pleito pela instância a quo, a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: Ingressou com pedido de ressarcimento de créditos de Cofins/PIS seguindo o conceito de insumo de acordo com a legislação do imposto de renda, calculado sobre os custos incorridos com alimentaÇão do trabalhador, nos termos do art. 360 do RIR (Decreto 3000/1999), e despesas de propaganda, conforme art. 366 do mesmo RIR e remuneração paga ao trabalhador, conforme artigos 357 e 358 do mesmo regulamento. Além disso, a possibilidade de crédito de PIS e Cofins sobre valerefeição, valetransporte está prevista literalmente no inciso X do art. 3º da Lei 10.833/2003. Em síntese, pleiteou o seu legítimo direito ao crédito apenas sobre os custos operacionais e não sobre as atividades administrativas, ou seja, que não tivessem nenhum vínculo com a Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13116.721900/201361 Acórdão n.º 3201002.839 S3C2T1 Fl. 94 3 atividade operacional (atividadefim) da empresa, mormente quanto às hipóteses de créditos que já possuem precedentes favoráveis aos contribuintes, seja via fundamentação legal e/ou via decisão administrativa ou judicial. As Instruções Normativas que exigem o uso do Programa PER/Dcomp para pedir restituição/Ressarcimento são ilegais porque contrariam normas hierarquicamente superiores que nunca condicionaram o direito de Restituição/Ressarcimento à condição de utilização da via eletrônica. A aplicação da multa de 50% sobre o valor do crédito pleiteado é ilegal, pois os parágrafos 15 e 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996 ofendem e não observam os princípios legais estipulados pela Lei 9.784/1999 que regulam e norteiam o processo administrativo no âmbito da administração pública federal. Pelo exposto, requer: (1) o reconhecimento do direito aos créditos solicitados, (2) seja considerada ilegal a aplicação da multa de 50% e (3) seja dado efeito suspensivo ao recurso administrativo com relação ao valor do lançamento da penalidade de 50% sobre o direito creditório pleiteado. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. UTILIZAÇÃO DE FORMULÁRIO. CONDIÇÕES. O pedido de ressarcimento, utilizandose de formulário, só pode ser feito observandose as condições estabelecidas nos parágrafos 2º ao 5º do art. 113 da IN RFB nº 1.300/2012. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS NÃOCUMULATIVA. VALEALIMENTAÇÃO. DESCONTO DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A alimentação do trabalhador não é aplicada ou consumida na prestação de serviços, não podendo ser considerada insumo para fins de creditamento de PIS/Cofins. Além disso não há previsão legal para o desconto de crédito incidente sobre esse tipo de despesa (custo). O creditamento de valores de mãode obra pagos a pessoas físicas é vedado pelo art. 3º, parágrafo 2º da lei 10.637/2002. EXIGÊNCIA DE MULTA ISOLADA. ATIVIDADE ADMINISTRATIVA DE LANÇAMENTO VINCULADA E OBRIGATÓRIA. Fl. 206DF CARF MF 4 O parágrafo 15 do art. 74 da Lei 9.430/1996 estabelece que será aplicada multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE.COMPETÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DEVER DO JULGADOR. OBSERVÂNCIA DO ENTENDIMENTO DA RFB. Cabe ao Poder Judiciário se manifestar sobre a inconstitucionalidade/ilegalidade das leis e normas, por força do princípio da unidade jurisdicional. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, julgador deve observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em sede de recurso voluntário, a Recorrente, preambularmente alega a revogação da multa isolada. Alega, da mesma forma, a ausência de disposição legal para a utilização de formulário eletrônico para pedido de ressarcimento de tributos federais. Finalmente, com base em interpretação analógica com a legislação do imposto sobre a renda, pede o crédito referente a todos os gastos incorridos com trabalhadores. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Preambularmente, relevante se faz discorrer sobre as peculiaridades da técnica da nãocumulatividade, aplicada às contribuições sociais ao PIS e à Cofins. Em consonância com as Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03, no procedimento de apuração de créditos, devese localizar valores passíveis de creditamento dentre as aquisições do contribuinte, aplicandose a alíquota das contribuições sociais, sendo o resultado subtraído do saldo a pagar. Observese que o critério material dessas contribuições referese à apuração de receitas do contribuinte, o que desde logo lhes confere um raio de abrangência muito maior que a do IPI, que se restringe aos produtos industrializados, considerandose que as contribuições, da mesma forma, incidem sobre receitas decorrentes de comercialização, financeiras e de serviços. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13116.721900/201361 Acórdão n.º 3201002.839 S3C2T1 Fl. 95 5 Vale, da mesma forma, observar que a técnica da nãocumulatividade atinge contornos distintos mesmo se comparada à aplicada ao ICMS e ao IPI, pois, embora ambos adotem a sistemática para apuração de créditos de "imposto contra imposto", no caso do ICMS, a legislação permite a eliminação da cumulatividade residual da cadeia, em grau muito maior, como por exemplo, permitindo o creditamento sobre bens de capital, o que torna o imposto estadual o modelo brasileiro que mais se aproxima do IVA europeu. A técnica da nãocumulatividade aplicada ao PIS e à Cofins, é bastante distinta dos demais tributos indiretos, a começar pelo fato de que sua apuração ser de "base contra base", além de que, ao levar em consideração em seu cálculo a grandeza "receita", ora se assemelha a um tributo sobre a renda, ora, sobre o dispêndio da renda, ou, o seu consumo. Essas ponderações são ponto de partida para a discussão sobre o conceito de “insumos” para efeitos de creditamento das contribuições, cujo alcance semântico é, ainda hoje, definido pelo Fisco, com fulcro na legislação do IPI, que o vincula a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Destarte, dentre as hipóteses de creditamento das contribuições, o inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e n° 10.833/03 admitese o desconto de créditos sobre as aquisições de insumos empregados na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Por força da edição de diversos atos normativos, especialmente as Instruções Normativas SRF nº 247/02 e nº 404/04, amesquinhouse o conteúdo semântico de “insumo”, para restringilo àquelas matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, e aos serviços prestados, aplicados e/ou consumidos na produção, e quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte no ativo permanente, e que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. replicando os vetores veiculados no Parecer Normativo COSIT n° 65/79, que trata de IPI. Logo, insurgiramse os contribuintes contra tal apropriação da legislação do IPI, para efeitos de creditamento de PIS e da Cofins, cuja racionalidade é distinta do imposto federal sobre produtos industrializados, não havendo qualquer remissão na legislação das contribuições, que fundamentem a restrição das regras, nesse sentido. Ainda que o regime jurídico da nãocumulatividade do PIS e da Cofins, surgido com as alterações pela Emenda Constitucional n° 20/98 e pela Emenda Constitucional n° 42/03, em seu artigo 195, § 12, da Constituição Federal, tenha delegado a sua disciplina à lei infraconstitucional e que o legislador, por sua vez, tenha instituído um regime que peca em sua sistematização, abrangendo alguns setores de atividade econômica, restringindo as despesas que dão direito ao crédito, dentre muitas outras incongruência que tornam esse regime jurídico casuístico e assistemático, o fato é que, sendo a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas e recaindo o IPI sobre o consumo, restrito à etapa de industrialização do produto, desde sempre, os critérios para disciplina de cada qual, caminharão por sendas diversas, pois são marcados por racionalidades distintas. Por essa razão, a jurisprudência administrativa, invariavelmente, tem afastado o entendimento restritivo atribuído à matéria, rechaçando o tratamento tributário dado ao IPI, para ampliálo, ora alargando o conceito para aproximálo ao regime jurídico de deduções do imposto sobre a renda, ora intentando encontrar um caminho intermédio. Fl. 208DF CARF MF 6 Nesse sentido, trilha a jurisprudência administrativa para, a partir do processo produtivo de determinado contribuinte, depreender as atividades essenciais e insumos necessários à sua realização, determinar quais estariam vinculadas os custos e despesas que possibilitariam a utilização do crédito. Da mesma forma, segue a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que estabeleceu que o conceito de “insumo” para fins de tributação pelo PIS e pela Cofins seria atrelado à “essencialidade”, não se vinculando nem à legislação do IPI, nem a o IRPJ, conforme se noticiou do julgamento do RESP 1246317/MG, da relatoria do Ministro Campbell Marques, que afastaria a possibilidade de interpretação do conceito de insumo para fins de aproveitamento de créditos de PIS e da Cofins com base em conceitos extraídos da legislação do IPI e do IRPJ, adotando o critério da essencialidade, no sentido de que o insumo deve ser essencial para o processo produtivo ou para a prestação de serviços. O julgado é assim ementado ( com grifos nossos): PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13116.721900/201361 Acórdão n.º 3201002.839 S3C2T1 Fl. 96 7 produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317 / MG, Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma) No voto do relator, alguns pontos são merecedores de destaque, especialmente por convergirem com o entendimento ora expendido: Por sua vez, a nãocumulatividade da contribuição ao Pis e da Cofins instituída pelas Leis 10.637 e 10.833 ainda que a expressão utilizada pelo legislador seja idêntica apresenta perfil totalmente diverso daquela pertinente ao IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Como se verifica, na técnica de arrecadação dessas contribuições, não há propriamente um mecanismo nãocumulativo, decorrente do creditamento de valores das entradas de bens que sofrerão nova incidência em etapa posterior da cadeia produtiva, nos moldes do que existe para aquele imposto (IPI). Considerase, ainda, que a hipótese de incidência dessas contribuições leva em consideração "o faturamento mensal, assim entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil " (artigos 1º das Leis ns. 10.637/02 e 10.833/03). Ou seja, esses tributos não têm sua materialidade restrita apenas aos bens produzidos, mas sim à aferição de receitas, cuja amplitude torna inviável a sua vinculação ao valor exato da tributação incidente em cada etapa anterior do ciclo produtivo. Fl. 210DF CARF MF 8 [...]Não se trata, portanto, de desonerar a cadeia produtiva, mas sim o processo produtivo de um determinado produtor ou a atividadefim de determinado prestador de serviço. Sendo assim, o que se extrai de nuclear da definição de “insumos” para efeito do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002 PIS e mesmo artigo da Lei n. 10.833/2003 COFINS é que: 1º O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos (pertinência ao processo produtivo); 2º A produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e 3º Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto no processo produtivo) Não se deve olvidar que o tema debatido no presente recurso especial, qual seja, o "conceito de insumo tal como empregado nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 para o fim de definir o direito (ou não) ao crédito de PIS e COFINS do valores incorridos na aquisição" está submetido ao rito dos recursos repetitivos, nos autos do REsp nº 1.221.170, de relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, sob o número 780 da lista de recursos especiais repetitivos, em como é objeto de repercussão geral, da mesma forma pendente de apreciação pelo STF, Não obstante, o extenso voto em referência, além das razões já expostas, discorre sobre diversos aspectos da própria legislação do regime nãocumulativo para as contribuições sociais, para demonstrar o seu maior escopo em relação ao IPI, a começar pela inclusão dos serviços, além de expressamente, a legislação mencionar expressamente a possibilidade de creditamento relativo a insumos que não se agregam ao produto ou são consumidos na sua produção, como o caso de combustíveis. Em síntese, valeuse desse extenso intróito para fixar a premissa que deve nortear a análise do direito creditório, que discrepa da orientação do Fisco, e, por conseguinte, da decisão recorrida, além de implicar na conclusão inexorável de que o conceito de insumos no universo da não cumulatividade do PIS e da Cofins, por levar em conta o conceito aberto de "essencialidade", determinará que na análise do direito creditório debrucese sobre a especificidade do processo produtivo de cada contribuinte. Finalmente, não é demais se frisar que os demais vetores que devem permear os processos administrativos de análise do direito creditório, com a inversão do ônus da provas para os contribuintes, mantêmse incólumes na não cumulatividade do PIS e da Cofins. Assim, passase a analisar o caso concreto. A Recorrente pleiteia ressarcimento de PIS/PASEP e Cofins, em formulário em papel, com pedido de ressarcimento de créditos de Cofins/PIS, seguindo o conceito de insumo de acordo com a legislação do imposto de renda, sobre os gastos incorridos com folha de salário (férias, décimo terceiro, participação nos resultados) e remuneração de empregados e trabalhadores, alimentação do trabalhador, serviços de assistência médica, odontológica, farmacêutica e social, destinados indistintamente a todos os seus empregados e dirigentes; e despesas de propaganda e publicidade. No que tange a despesas com propaganda, bem como custos incorridos com folha de salários ordenados, salários, comissões, gratificações e outras remunerações não poderão ser enquadrados como insumo. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 13116.721900/201361 Acórdão n.º 3201002.839 S3C2T1 Fl. 97 9 No que concerne a vale alimentação, a legislação de regência, as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, expressamente restringem a possibilidade de creditamento a pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. As despesas em epígrafe e, em função do conceito de insumos que ora se empregam, não estão vinculadas ao processo produtivo da empresa propriamente dito, embora se reconheça que não se pode conceber a sobrevivência de uma empresa, atualmente, que não incorra em despesas tais como as de publicidade. Não obstante, embora algumas despesas relacionemse ao desenvolvimento do objeto social de uma empresa, concebido de forma lata, apenas de forma oblíqua relacionamse ao processo produtivo. Ainda que não se negasse o pleito, quanto ao mérito do direito creditório, quanto à forma, também haveria de ser negado, pois o § 14 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 dá competência à Receita Federal para a disciplina do rito procedimental do pedido de compensação. Nesse contexto, não se extravasa a legalidade, a exigência administrativa segundo a qual os pleitos de compensação, de restituição e de ressarcimento, devem ser apresentados eletronicamente. Ao contrário, o deverpoder da Administração de averiguar a existência dos créditos, aliada ao princípio da praticabilidade, legitimam a exigência. Finalmente, quanto à multa, assiste razão à Recorrente. Conforme se depreende dos autos, o presente processo tem como objeto o lançamento de multa isolada de 50%, em decorrência de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, com fulcro §15 do art.74, da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo art. 62 da Lei nº 12.249/10, com a seguinte redação: § 15.Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. Todavia, a medida provisória nº 656, de 7 de outubro de 2014, convertida posteriormente na Lei n. 13.097/1995, revogou o retrotranscrito §15 da Lei n.9430/96 , de maneira que apenas são aplicadas a multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, prevista no §17, art.74, da Lei n. 9430/1996, e a multa para o caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, prescrita no art.18 da Lei n. 10.833/2003. Na Exposição de Motivos da medida provisória EMI nº 00144/2014 MF MJ MTE MDIC BACEN, consta os motivos da revogação da multa nas hipóteses de ressarcimento e restituição, que são principalmente calcados na jurisprudência praticamente unânime pela ilegitimidade da multa, conforme se verifica de sua transcrição: 11. A presente proposta de Medida Provisória também visa revogar a aplicação da multa isolada (§§15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996) incidente sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. A jurisprudência judicial é quase unânime em afastar essa multa Fl. 212DF CARF MF 10 sob o argumento de que sua aplicação fere o direto constitucional de petição. 12. Com a revogação proposta para os §§ 15 e 16, e visando manter a aplicação da multa isolada de 50% apenas nos casos de não homologação de compensação, fazse necessária nova redação para o § 17 do art. 74 da Lei 9.430, de 1996, trazendo para o referido parágrafo o percentual da multa antes previsto no § 15, e para substituir o termo 'crédito' por 'débito", que é efetivamente o valor indevidamente compensado e que deverá ser a base de cálculo da multa isolada. 13.A nova redação proposta para o § 17 deixa claro que o instituto da Declaração de Compensação não deve ser utilizado para extinção de débitos sem a existência de créditos correspondentes, em estrita observância do que dispõe o art. 170 do CTN. 14. Assim, é aplicável a multa isolada no caso em que o débito é extinto sob condição resolutória, mas cujo crédito indicado para compensação é insuficiente, no todo ou em parte, para extinguir o tributo devido. 15. E a ressalva contida no §17 de que essa multa não se aplica no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo é porque para esta hipótese existe previsão específica de aplicação de multa isolada nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2013. Portanto, ao caso aplicase a retroatividade benigna, com base no disposto no art. 106, II, ´a´ do CTN, que determina ser a lei aplicada a fato pretérito, não definitivamente julgado, quando deixe de definilo como infração. Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 213DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.904083/2014-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
Créditos de PIS e Cofins Não Cumulativos. Exclusão do Líquido. Impossibilidade.
Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
Numero da decisão: 1301-002.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Exclusão do Líquido. Impossibilidade. Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 40 83 /2 01 4- 86 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10875.904083/201486 Acórdão n.º 1301002.455 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por AÇOS GROTH LIMITADA, pessoa jurídica de direito privado já qualificada nos autos, contra acórdão da DRJ que negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada contra despacho denegatório do pedido de restituição formalizado pela recorrente. Por meio de Perdcomp, a recorrente havia pleiteado, perante a repartição fiscal de seu domicílio, restituição de valores pagos indevidamente, a título de CSLL, ao argumento de que, na base de cálculo do tributo, teriam sido incluídos créditos de PIS e de Cofins não cumulativos, oriundos de aquisições de bens e serviços. Indeferido o pedido, foi apresentada manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, fundada no fato de que não haveria norma legal permitindo excluíremse, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os créditos de PIS e de Cofins, calculados sobre custos e despesas. Portanto, em face da ausência de autorização legal, impossível, segundo o acórdão recorrido, excluir na DIPJ tais valores (créditos de PIS e Cofins), reduzindo o lucro tributável. Não resignada, a contribuinte apresentou recurso alegando, em síntese, os seguintes pontos: a) A incidência de IRPJ e de CSLL sobre os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos desrespeita o princípio da neutralidade tributária, além de implicar a tributação de valores que se caracterizam como subvenção de investimento. b) A finalidade dos "créditos" de PIS e Cofins é tão somente "servir de moeda de pagamento" dos débitos desses tributos. c) O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 3/2007 manda registrar contabilmente tais "créditos" como ativo fiscal, mas ressalta que a contrapartida não pode ser feita em conta de receita. A contrapartida, diz a recorrente, só pode ser em conta de redução do custo do bem ou de redução de despesa. Em qualquer hipótese, todavia, o registro contábil da contrapartida repercute aumentando a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. d) Diz a recorrente que, de acordo com o § 10, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, o montante dos créditos apurados não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo apenas para dedução do valor devido. Entretanto, se tais créditos forem contabilizados como redução de custo ou de despesa, haverá impacto sobre o lucro, que é a diferença entre o total da receita e o total de custos e despesas. e) Por último, afirmou que os créditos de PIS e de Cofins revestiriam a natureza jurídica de subvenção de investimento, e, por essa razão, não estariam sujeitos à incidência do IRPJ e da CSLL. Tratase de valores cedidos pelo Poder Público ao contribuinte, caracterizandose como transferência de capital. Com esses fundamentos, pugnou pelo acolhimento do recurso. É o relatório. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10875.904083/201486 Acórdão n.º 1301002.455 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.445, de 18/05/2017, proferido no julgamento do processo 10875.901196/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.445): Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Impossibilidade de excluir créditos de PIS e de Cofins do lucro tributável O § 10 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que instituiu o regime não cumulativo para a Cofins, diz que o valor dos créditos apurados na forma daquele artigo não constitui receita bruta. A regra se aplica também ao PIS, por força do disposto no art. 15, inciso II, da mesma lei. Assim está redigido o § 10 do art. 3º, acima referido: § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. O dispositivo é um dos parágrafos do art. 3º da Lei nº 10.833, artigo esse que trata especifica e exclusivamente da Cofins não cumulativa. Daí se pode inferir que o dispositivo tem alcance restrito, aplicandose apenas à Cofins e, por força do art. 15, inciso II, também ao PIS não cumulativo. O objetivo legal é claramente impedir que PIS e Cofins, na sistemática não cumulativa, viessem a incidir sobre os valores dos próprios créditos, mitigando, pela dupla incidência, a não cumulatividade que a lei pretendeu assegurar. Assim sendo, quer se caminhe pela trilha da interpretação lógica (interação do dispositivo com outros dispositivos da mesma lei) ou da interpretação teleológica (considerando os fins que a lei pretende alcançar), a conclusão a que se chega é a mesma: o dispositivo, cingindose ao PIS e à Cofins, não irradia qualquer efeito sobre o IRPJ e a CSLL. É equivocado, portanto, afirmar que os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem interferir na apuração do lucro tributável, seja reduzindo custo ou reduzindo despesa. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10875.904083/201486 Acórdão n.º 1301002.455 S1C3T1 Fl. 5 4 Daí porque não se admite excluir do lucro líquido, quando da apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, os valores dos créditos de PIS e de Cofins. Fiel a essa linha de raciocínio está a orientação emanada da Receita Federal por meio do Ato Declaratório Interpretativo nº 3/2007: Art. 1º O valor dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurados no regime nãocumulativo não constitui: I receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido das referidas contribuições; II hipótese de exclusão do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). (g.n.) Frisese que o E. Superior Tribunal de Justiça não discrepa desse entendimento. Ao contrário, a jurisprudência é firme no sentido da impossibilidade de excluir do lucro líquido o valor dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos, como se pode constatar da ementa abaixo transcrita. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ENUNCIADO Nº 3 DO STJ. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IRPJ E CSLL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS DO REGIME NÃO CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA Nº 568 DO STJ. 1. Ambas as Turmas da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça já se manifestaram no sentido da impossibilidade de exclusão dos créditos escriturais apurados pelos contribuintes no regime não cumulativo do PIS e da COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.447.382/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12/06/2014; AgRg no REsp 1.181.156/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 21/02/2013. 2. Agravo interno não provido. (AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 913.315 SP) (g.n.) Subvenção Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não têm natureza jurídica de subvenção, nem a ela se equiparam para qualquer fim ou efeito. De acordo com o § 3º do art. 12 da Lei nº 4.320/1964, que estatui normas de Direito Financeiro, subvenções são transferências feitas pelo Poder Público em favor de entidades públicas ou privadas, destinadas a cobrir despesas de custeio. Este é o texto legal: Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10875.904083/201486 Acórdão n.º 1301002.455 S1C3T1 Fl. 6 5 § 3º Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. (g.n.) A Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal), por sua vez, exige, para que o Poder Público possa realizar repasses a título de subvenção, que haja lei específica autorizando as concessão do benefício. Art. 26. A destinação de recursos para, direta ou indiretamente, cobrir necessidades de pessoas físicas ou déficits de pessoas jurídicas deverá ser autorizada por lei específica, atender às condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias e estar prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais. § 1º O disposto no caput aplicase a toda a administração indireta, inclusive fundações públicas e empresas estatais, exceto, no exercício de suas atribuições precípuas, as instituições financeiras e o Banco Central do Brasil. § 2º Compreendese incluída a concessão de empréstimos, financiamentos e refinanciamentos, inclusive as respectivas prorrogações e a composição de dívidas, a concessão de subvenções e a participação em constituição ou aumento de capital. (g.n.) As subvenções, como deixam ver os dispositivos legais transcritos, exigem lei prévia que, além de autorizar a concessão, defina as condições e os requisitos a serem cumpridos pela entidade beneficiária. Não existe subvenção geral e incondicional, e tampouco desvinculada do interesse público. Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não se encaixam nessa moldura. Têm direito ao "crédito" todas as pessoas jurídicas que apurem o IRPJ pelo lucro real, independentemente de qualquer condição ou requisito, sendo desnecessária qualquer lei específica ou ato administrativo para concessão do direito. No obstante, ainda que o crédito de PIS e de Cofins não cumulativos pudesse ser enquadrado como um tipo de subvenção, como quer a recorrente, não haveria isenção. É que a isenção de IRPJ e CSLL só alcançam as chamadas subvenções para investimento, ou seja, aquelas que, a teor do art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda, se destinam a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10875.904083/201486 Acórdão n.º 1301002.455 S1C3T1 Fl. 7 6 Portanto, também sob esse prisma, não assiste razão à recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 209DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.905572/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.793
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 55 72 /2 01 2- 32 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13888.905572/201232 Acórdão n.º 3201002.793 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição sobre receitas financeiras, que, segundo ele, estavam sujeitas à alíquota zero. Argumentou que, apesar de não ter declarado o referido pagamento por compensação em DCTF, procedera à retificação da declaração logo após ter sido notificado, tratandose, portanto, de mero erro de fato, passível de superação em prol da justiça e da boa fé. Não obstante essa sua afirmação, o contribuinte alegou também em sua Manifestação de Inconformidade o seguinte: Não há meios para efetuar a DCTF retificadora de forma a corrigir o inequívoco erro, o que a Lei admite, pois expirou o prazo prescricional de 05 anos para referida retificação via meios eletrônicos e ainda em face de que a empresa teve os seus demonstrativos da época em referência nesta manifestação extraviados (DACONs), em decorrência de alteração da administração contábil da empresa. Dessa forma requer que a administração promova a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido pelo contribuinte. (destaques nossos) Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou cópias do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e do recibo da DCTF original. Nos termos do Acórdão nº 02050.320, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando que o direito creditório decorre da inclusão equivocada, na base de cálculo da Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13888.905572/201232 Acórdão n.º 3201002.793 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuição, de receitas financeiras sujeitas à alíquota zero, desde 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004. Na sequência, sustenta que seu direito creditório é legítimo e incontestável e que promovera a retificação da DCTF em razão do erro de fato ocorrido em seu preenchimento. Destaca a Recorrente que é "dever da administração promover a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido". Cita doutrina, transcreve jurisprudência do STJ e deste Conselho para amparar sua alegações e argumenta que o Código Tributário Nacional (CTN) admite a remissão total ou parcial do crédito tributário no caso de erro de matéria de fato escusável e requer a observância ao princípio da boa fé. Reclama que a turma julgadora de primeira instância centrou seu juízo em interpretação restritiva "pelo texto frio da lei" e repisa seus argumentos no sentido de que se trata de um inequívoco erro de fato no preenchimento da DCTF. Conclui que a jurisprudência de nossos Tribunais Judiciais admite a realização de correções em DCTF até mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa ou mesmo após a sua execução. Aponta que a intimação que antecedeu o despacho decisório não teve o intuito de estabelecer o procedimento fiscal e argumenta que a documentação apresentada à Receita Federal era satisfatória para a comprovação da compensação (DCTF retificadora, Dacon retificadora, DIPJ e as correspondentes planilhas de cálculo em que se apurou o pagamento a maior da contribuição). Por fim, requer a declaração de nulidade do procedimento e, por conseguinte, a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.770, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 13888.905548/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.770): Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13888.905572/201232 Acórdão n.º 3201002.793 S3C2T1 Fl. 5 4 Observados os pressupostos recursais, a peça (...) merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Belo Horizonte/2ª Turma (...) de 29 de outubro de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar a reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Neste ponto, cabe transcrever excertos da decisão recorrida (grifei): A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2º, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. Agora, no recurso voluntário, o interessado informa que aportou aos autos novos documentos, planilhas de cálculo, que Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13888.905572/201232 Acórdão n.º 3201002.793 S3C2T1 Fl. 6 5 não haviam sido oferecidas à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13888.905572/201232 Acórdão n.º 3201002.793 S3C2T1 Fl. 7 6 tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam tratarse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitam o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13888.905572/201232 Acórdão n.º 3201002.793 S3C2T1 Fl. 8 7 O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo." (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado." A propósito dos novos documentos anexados que instruem a peça recursal (planilhas de cálculo [...], cópia do DACON [...], cópia da DIPJ [...]), verificase que o contribuinte anexou na verdade algumas planilhas confeccionadas com a finalidade exclusiva de amparar suas alegações no presente recurso, mas Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13888.905572/201232 Acórdão n.º 3201002.793 S3C2T1 Fl. 9 8 não trouxe aos autos qualquer documentação contábil que permita a comprovação as informações constantes das referidas planilhas. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à existência de erro de fato e à obediência ao princípio da boa fé, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de sua documentação contábil, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. Como se vê, novamente, agora em sede de recurso voluntário, a documentação juntada pelo recorrente não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. Devese, mais uma vez, ressaltar que o contribuinte já havia sido alertado na decisão recorrida, quando esta critica a defesa por apontar que o erro estaria comprovado em documentos contábeis, mas verifica que tais alegados documentos não existem no processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência, decisões administrativas e judiciais, trazidas à colação pelo recorrente, devese contrapor que se trata de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratase de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13888.905572/201232 Acórdão n.º 3201002.793 S3C2T1 Fl. 10 9 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.904359/2012-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão.
Recurso Especial do Procurador negado.
Numero da decisão: 9303-004.753
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. DCOMP. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Recurso Especial do Procurador negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 43 59 /2 01 2- 54 Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10280.904359/201254 Acórdão n.º 9303004.753 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3402002.655, de 24/02/2015, proferido pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, do qual se reproduz apenas a parte da ementa que interessa ao presente julgamento: (...) ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúric e calcário AL 200 Carbomil, nos termos do voto do Relator. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgiuse contra a concessão de crédito oriundo das aquisições de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, que, no seu entender, não geram direito a crédito. Alega divergência de interpretação em relação aos paradigmas apontados, cujas ementas foram transcritas no recurso. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Fazenda Nacional. A contribuinte apresentou contrarrazões ao especial Fazendário. Também interpôs recurso especial, o qual, todavia, não foi admitido. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 655DF CARF MF Processo nº 10280.904359/201254 Acórdão n.º 9303004.753 CSRFT3 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.731, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.902051/201274, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.731): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no seu exame, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão paradigma adotou a tese mais restritiva para o conceito de insumos, de forma a guardar correspondência com o obtido da legislação do IPI, o acórdão recorrido consubstanciou entendimento mais amplo, de sorte a incluir, no mesmo conceito, os produtos e serviços necessários ao processo produtivo da contribuinte. Conhecido, entendemos não assistir razão à douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Depois de longos debates, passamos a adotar o entendimento majoritário que, justo, encontrase encartado no acórdão recorrido. Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com o que exposto no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), passamos a adotálas, também aqui, como razão de decidir. Eilas: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matéria prima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10280.904359/201254 Acórdão n.º 9303004.753 CSRFT3 Fl. 5 4 produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontram se reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Passemos ao caso concreto. A Recorrente contesta a concessão de crédito oriundo das aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Antes de concluirmos o voto em relação a cada item e os motivos que sustentam o nosso convencimento, reputamos imprescindível fazer a seguinte observação: em julgamentos recentes envolvendo a mesma contribuinte e, grosso modo, os mesmos produtos e serviços, esta mesma CSRF chegou a conclusões divergentes das que aqui serão adotadas. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10280.904359/201254 Acórdão n.º 9303004.753 CSRFT3 Fl. 6 5 Nestes julgamentos, acompanhamos o voto do relator, porque nos pareceu que os motivos por ele adotados encontravamse plenamente compatíveis com a tese majoritária. Referimonos aos Acórdãos CSRF/3ª Turma nº 9303004.378, 9303004.379 e 9303004.380, todos de 09/11/2016. Aqui, contudo, na condição de relator, ao analisarmos com maior detença os itens cujo creditamento a Recorrente pretende afastar, formamos a convicção de que andou bem a Câmara baixa ao reconhecer os créditos. Com relação aos produtos citados, consignou: No contexto do Processo Bayer, a recorrente explica que o ácido sulfúrico é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. O calcário (produto AL 200 – Carbomil) é empregado durante o processo de combustão nas caldeiras a carvão para absorção do enxofre, que é formado durante o processo de queima do carvão mineral. O inibidor de corrosão, por sua vez, é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. Entendo que o recorrente demonstrou de maneira satisfatória, por meio de sua explicação, a relação de pertinência e essencialidade destes três bens para com o processo produtivo, nos termos do conceito de insumo que se adota neste voto, devendose reverter as respectivas glosas. Sendo claramente necessário ao processo produtivo, na linha do que vem sendo aqui mesmo decidido, reajustamos o nosso voto para acompanhar o entendimento adotado no acórdão recorrido, negando, no ponto, provimento ao recurso especial. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento." No caso deste processo o litígio abrange, tão somente, o direito de crédito sobre as aquisições de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil. Como na decisão do paradigma o direito de crédito sobre esses dois insumos foi reconhecido, no presente processo também deve ser negado provimento (total) ao especial da Fazenda. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 658DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721554/2010-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS e COFINS. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Em 15/07/2010, foram lavrados contra a interessada os Autos de Infração da Contribuição para o Programa de Integração Social – RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 21 55 4/ 20 10 -9 5 Fl. 2855DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 94 2 PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, atinentes ao período de apuração de 01/01/2005 a 31/12/2007, cujo crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$19.326.369,76, assim discriminados por exação fiscal: Teve início a ação fiscal em razão de a contribuinte apresentar, no ano de 2008, DCTF e DACON retificadoras, nas quais foram reduzidos o PIS e a Cofins a pagar. Em paralelo, encaminhou a empresa uma série de PER/DCOMPs, pleiteando a restituição dos valores de créditos de PIS e Cofins que ela entendeu que teriam sido apurados a maior nas declarações primitivas. Assim, conclui a Fiscalização pela necessidade de uma auditoria para que fossem efetuadas as verificações necessárias, mediante análise dos livros contábeis e fiscais e correspondentes documentos de suporte da escrituração. A fiscalizada exerce atividade agrícola, preponderantemente na produção de pintinhos, ovos e abate de frangos, produção de frangos resfriados e congelados e cortes de frangos resfriados e congelados. Constatou a autoridade tributária que a empresa utilizase do sistema de integração para operar a produção de abate de frangos. Dessa maneira, em uma parceria estabelecida com um terceiro, a fiscalizada, denominada ParceiraProprietária, fornece ao Parceiro Criador pintinhos de um dia, além da rações, medicamentos e prover assistência técnica. Transcorrido o intervalo de quarenta a cinqüenta dias, quando o pintinho já se tornou um frango, o produto é retornado para a ParceiraProprietária, para o abate, ocasião em que são agregados embalagens plásticas, grampos, caixas de papelão para acondicionamento, temperos, conservantes e corantes. A etapa final é a revenda da produção para o mercado interno e externo. A fiscalizada ainda efetua vendas de ovos férteis, pintinhos de um dia, frango vivo, rações, bovinos abatidos, massas prontas, dentre outros produtos. Analisando os livros contábeis e fiscais da empresa e a documentação de suporte, e após inúmeras interações com a contribuinte, no sentido de dirimir dúvidas sobre os procedimentos adotados pela empresa, concluiu a Fiscalização que ocorreram infrações, relativas à (i) Fl. 2856DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 95 3 apuração de créditos da nãocumulatividade e (ii) exclusão de receitas no cômputo da base de cálculo das contribuições, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 1972/1998, relacionadas em síntese a seguir. 1. Apuração de Créditos da NãoCumulatividade. 1.1. Bens e Serviços Utilizados como Insumos (Frota Insumos e Frota Serviços). A empresa considerou para o cálculo dos créditos peças de reposição e combustíveis referentes à frota de veículos. Ocorre que tal frota é utilizada para a transferência de produtos entre estabelecimentos industriais, de produtos entre estabelecimentos industriais, ou destes para os centros de distribuição, ou ainda de um centro de distribuição para outro. O art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, admite o aproveitamento de crédito calculado sobre o valor dos gastos efetuados com a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora. Ou seja, aquelas despesas com fretes utilizados para o transporte interno de mercadorias não se enquadram na operação de venda disposta em lei. Ainda, apenas conferem direito a crédito os insumos empregados no produto ou no serviço, conforme atividade do sujeito passivo. Como a empresa não é de transporte, não haveria como pleitear o aproveitamento de créditos. Tampouco se enquadram na hipótese prevista na legislação aquelas despesas decorrentes dos serviços de manutenção da frota dos veículos destinados para a transferência interna dos produtos. Nesse contexto, foram glosados os correspondentes créditos de PIS e da Cofins. 1.2. Insumos Adquiridos de Pessoas Jurídicas. No caso foi efetuado apenas um ajuste para Fiscalização, já que o contribuinte declarou como presumido insumos sujeitos ao creditamento normal. Assim, foram excluídas as aludidas aquisições de “crédito presumido” e incluídas como créditos de insumos adquiridos no mercado interno. 1.3. Insumos Adquiridos de Cooperativas. As cooperativas podem excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores decorrentes da comercialização de produtos dos cooperados, além de receitas decorrentes de beneficiamento/industrialização de produtos dos cooperados, conforme o art. 15 da Medida Provisória 2.158, de 2001. Por sua vez, o art. 3º, § 2º, inc. II das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, dispõe que não gera crédito as aquisições não sujeitas ao pagamento de contribuição. Assim, foram glosados os créditos decorrentes de aquisições efetuadas de cooperativas. Fl. 2857DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 96 4 1.4. Insumos Sujeitos à Alíquota Zero. O art. 1º, § 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, estabelece que não integram a base de cálculo das contribuições as aquisições isentas ou sujeitas à alíquota zero. Por sua vez, o art. 3º, § 2º, inc. II das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, dispõe que não gera crédito as aquisições não sujeitas ao pagamento de contribuição. Assim, foram glosados os créditos decorrentes de aquisições sujeitas à alíquota zero descritas nos incisos III do art. 28 da Lei nº 10.865 de 2004, e nos incisos VII e X do art. 1º da Lei nº10.925, de 2004. 1.5. Despesas de Fretes Para Transferência de Produtos Entre Estabelecimentos (Frete Transferência). Foram glosados os créditos apurados decorrentes de despesas com fretes contratados para a transferência de produtos entre estabelecimentos internos, pelos mesmos motivos expostos no item 1.1. 1.6. Insumos Referentes a EPI – Equipamentos de Proteção Individual (EPIS – Insumos). A fiscalizada considerou as despesas referentes a uniformes e equipamentos de proteção a trabalhadores como integrantes da base de cálculo dos créditos nãocumulativos. Na legislação de regência, arts. 2º e 3º, inciso II e §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637, de 2002, c/c o art. 60 da IN SRF nº 247, de 2002, e os arts. 2º e 3º, inciso II e §§ 1º, 2º e 15 da Lei nº 10.833, de 2003, c/c os arts. 4º, 7º e 8º da IN SRF nº 404, de 2004, não há previsão normativa para que os valores de despesas realizadas com uniformes ou equipamentos de proteção individual aos empregados, adquiridos de outras pessoas jurídicas ou fornecidos pela própria empresa, possam ser aproveitados na apuração dos créditos nãocumulativos, por não se enquadrarem no conceito de insumos aplicados, consumidos ou aqueles que sofram alterações, tais como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em razão da ação diretamente exercida no processo de fabricação ou na produção de bens destinados à venda. Assim, foram glosados os correspondentes créditos da não cumulatividade. 1.7. Insumos Referentes à Parcela da Produção Pertencente ao ParceiroCriador. Apenas podem ser aproveitadas aquelas despesas com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos que forem destinados à venda. Nesse sentido, a autoridade tributária, analisando o sistema de integração, concluiu que o ParceiroCriador tem direito, a título de remuneração, a uma percentagem sobre o total de quilos das aves vidas produzidas que foram devolvidas ao ParceiroProprietário. Fl. 2858DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 97 5 Ou seja, a parcela das aves destinada ao ParceiroCriador para fins de remuneração pelos serviços prestados, não constitui produção da fiscalizada, e por consequência não é destinada à revenda. Ocorre que a contribuinte havia apurado créditos nãocumulativos sobre a totalidade dos insumos empregados na criação dos frangos. Dessa maneira, intimou a Fiscalização que fossem refeitos os cálculos, no sentido de segregar aqueles insumos referentes à parcela da produção que foi destinada ao ParceiroCriador. Dessa maneira, efetuou a Fiscalização a glosa dos créditos não cumulativos, proporcionalmente apurados sobre o quinhão de produção do ParceiroCriador, sobre os bens e serviços utilizados como insumos, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis e despesas de armazenamento e frete. 1.8. Crédito Presumido – Atividades Agroindustriais. A fiscalizada considerou para o cálculo dos "CRÉDITOS PRESUMIDOS ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS" as despesas relativas a aquisições de insumos agrícolas e agropecuários adquiridos de pessoas físicas e jurídicas, quais sejam: frango vivo (NCM 0105.99.00); ovos férteis (NCM 0407.00.11); pintos de 1 dia (NCM 0105.11.90); leitões para recria e suínos vivos para abate (NCM 0103.92.00); milho (NCM 1005.90.10); sorgo (NCM 1007.00.90) e cordeiros para abate (NCM 0104.10.90), utilizandose da alíquota correspondente a 60% do valor das aquisições (art. 8°, § 3º, inciso I, da Lei n° 10.925/2004). Conforme a IN SRF nº 660, de 2006, o percentual de 60% é aplicável somente nos casos de aquisições de produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, nos termos do art. 8º, § 3°, inciso I, da Lei n° 10.925, de 2004 e art. 8º, §1°, inciso I, da IN SRF n° 660/2006. Ou seja, a maior parte dos insumos da fiscalizada não se encontra classificada nos citados capítulos/códigos da NCM: frango vivo (NCM 0105.99.00); pintos de 1 dia (NCM 0105.11.90); leitões para recria e suínos vivos para abate (NCM 0103.92.00); milho (NCM 1005.90.10); sorgo (NCM 1007.00.90); cordeiros para abate (NCM 0104.10.90), razão pela qual o crédito presumido deve ser calculado com base no inciso III, § 3°, do art. 8°, da Lei n° 10.925/2004, na forma estabelecida no art. 8°, caput e § 1°, inciso II, da IN SRF n° 660/2006. Assim, o crédito presumido, para tais insumos, deve ser calculado mediante a aplicação, sobre o seu valor de aquisição, do percentual de 2,66% (35% da alíquota de 7,6% da COFINS nãocumulativa) e 0,5775% (35% da alíquota de 1,65% do PIS nãocumulativo). Ainda, a partir de 15/06/2007, com a vigência da Lei n.°11.488/2007, o citado crédito presumido referente às aquisições de soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI, é 3,8% (50% da alíquota de 7,6% da COFINS não cumulativa) e 0,825% (50% da alíquota de 1,65% do PIS nãocumulativo). Fl. 2859DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 98 6 Nesse sentido, a diferença apurada dos créditos presumidos calculados a maior foi glosada pela Fiscalização. 1.9. Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado. O art. 3º, inciso IV, c/c com o § 1º, da Lei nº 10.637, de 2002, autoriza o aproveitamento de créditos nãocumulativos calculados tomando como base os encargos de depreciação e amortização de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Contudo, o art. 3º, § 2º do mesmo diploma legal estabelece que não gera direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição, e o § 13 informa que tais custos não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado. Assim, foram glosados os créditos nãocumulativos calculados sobre a depreciação dos bens do ativo imobilizado que, quando foram adquiridos pela fiscalizada, estavam sujeitos à alíquota zero. 2. Exclusões da Base de Cálculo. 2.1. Receitas com Suspensão. A fiscalizada excluiu da base de cálculo das contribuições as receitas referentes a vendas de aves vivas para agroindústria com base no art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004. Contudo, a suspensão da exigibilidade dependia do estabelecimento de termos e condições para a sua aplicação, o que se deu somente com a edição da IN SRF n° 636/2006, publicada no DOU de 4 de abril de 2006, posteriormente revogada pela IN SRF n° 660/2006. Portanto, somente a partir dessa data (04/04/2006) é que se tornou possível efetuar vendas com a referida suspensão. Ou seja, a efetiva aplicação da suspensão da exigibilidade das contribuições prevista no art. 9º da Lei n° 10.925, de 2004, estava condicionada ao estabelecimento de seus termos e condições pela Secretaria da Receita Federal (SRF), conforme estipulação do § 2º do mesmo artigo. A doutrina esclarece que se trata de norma de eficácia limitada ou condicionada, dependente de posterior regulamentação pela SRF. Tal regulamentação deuse com a IN nº 660, de 2006, no inciso I do art. 11, ao dispor que produziria efeitos, em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2º, a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa n° 636, de 24 de março de 2006, que regulamentou o art. 9º da Lei n° 10.925, de 2004. Nesse sentido, aqueles valores referentes às receitas de vendas que foram excluídos da base de cálculo, referentes aos períodos de Fl. 2860DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 99 7 01/01/2005 a 03/04/2006, com base no art. 9º da Lei n° 10.925/2004, foram adicionados pela Fiscalização. 2.2. Receitas de Venda no Mercado Interno de Produtos de Fabricação Própria. Encontradas divergências entre os valores escriturados e os informados em DACON referentes às “Receitas de Venda no Mercado Interno de Produtos de Fabricação Própria”, foram efetuados ajustes pela autoridade tributária, para que prevalecesse a escrituração da fiscalizada. 2.3. Outras Receitas. Encontradas divergências entre os valores escriturados e os informados em DACON referentes às “Outras Receitas”, foram efetuados ajustes pela autoridade tributária, para que prevalecesse a escrituração da fiscalizada. 2.4. Receitas Isentas, Não Alcançadas pela Incidência, com Suspensão e Alíquota Zero. Encontradas divergências entre os valores escriturados e os informados em DACON referentes às “Receitas Isentas, Não Alcançadas pela Incidência, com Suspensão e Alíquota Zero”, foram efetuados ajustes pela autoridade tributária, para que prevalecesse a escrituração da fiscalizada. Esclareceu ainda a Fiscalização que os créditos remanescentes (fichas 11B e 14 da Dacon/Pis e fichas 17B e 24 da Dacon/Cofins), referentes aos créditos de aquisição no mercado interno vinculado à receita não tributada no mercado interno e vinculado à receita de exportação, não foram compensados, vez que tais valores foram objeto de pedido de ressarcimento efetuados por meio de várias PER/DCOMP. Também não foram compensados os pagamentos realizados com os códigos 6912 (PIS) e 5856 (COFINS), já que objeto de pedido de restituição por meio de PER/DCOMP encaminhadas à Receita Federal. Cientificada dos lançamentos, em 26/07/2010 (Ciência do Sujeito Passivo nos Autos de Infração), a interessada apresentou a impugnação de fls. 2014/2049 em 25/08/2010 (carimbo de recepção às fls. 2014). Apoiadas nos documentos já acostados aos autos, a peça defensiva discorre sobre os seguintes pontos, resumidos a seguir. Do Auto de Infração. O agente fiscal na lavratura do auto de infração desconsiderou (1) os créditos ordinários e presumidos a que reconhecidamente a impugnante tem direito por força de nãocumulatividade; (2) mais de R$ 5.000.000,00 recolhidos por meio de DARF em pecúnia pela impugnante a título de PIS/COFINS dos anos de 2005, 2006 e 2007, em valores originais; (3) direito creditório reconhecido conforme demonstram os despachos decisórios em anexo datados de 29/04/10 e 03/05/10, no qual a Secretaria da Receita Federal do Brasil em Brasília reconheceu o montante de R$ 951.013,21 (novecentos e Fl. 2861DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 100 8 cinqüenta e um mil treze reais e vinte e um centavos), de créditos de PIS e COFINS. Ocorre que, após trabalho de revisão de sua equação contábil fiscal, a impugnante constatou que acumulou, durante os anos de 2005 a 2007, por força da aplicação equivocada da legislação, entre créditos legítimos e não apropriados no período e pagamentos a maior de PIS/COFINS, o montante de R$ 3.069.031,51 (três milhões sessenta e nove mil trinta e um reais e cinqüenta e um centavos) de ressarcimento de créditos e benefícios fiscais, e restituição por pagamento a maior de R$ 4.244.622,38 (quatro milhões duzentos e quarenta e quatro mil seiscentos e vinte e dois reais e trinta e oito centavos), totalizando R$ 7.313.653,94 (sete milhões trezentos e treze mil seiscentos e cinqüenta e três reais e noventa e quatro centavos) valores estes que foram objeto de pedidos eletrônicos de ressarcimento encaminhados por meio de várias PER/DCOMP. Por sua vez, tais os pedidos de restituição não foram analisados até o presente momento pela Secretaria da Receita Federal uma vez que a fiscalização que resultou no presente auto foi instaurada exatamente para esse fim. Mostrase arbitrário e ilegal o procedimento do Auditor Fiscal ao desconsiderar todos e quaisquer créditos e exclusões a favor do contribuinte, bem como aqueles pagamentos realizados em pecúnia pelo contribuinte sob os códigos 6912 PIS e 5856 COFINS durante os anos de 2005, 2006 e 2007 (comprovantes de pagamento anexos), decidindo então autuálo, através da utilização de uma técnica peculiar e, digamos bastante pessoal. Mesmo que sejam pertinentes todas as glosas e exclusões constantes da autuação, obviamente que o montante principal do tributo apurado, segundo a torcida lógica definida pelo agente fiscal, será gritantemente superior ao efetivamente devido, tendo em vista que os créditos e valores já pagos pelo contribuinte nos exercícios objeto da fiscalização foram simplesmente esquecidos. Da Nulidade do Auto de Infração. Decorre do art. 142 do CTN que é da essência do lançamento a apuração do quantum debeatur, que somente pode ser encontrado pelo agente administrativo após subsumir o fato ao conceito abstrato e genérico da lei, a fim de encontrar a base de cálculo e alíquotas do tributo devido, no caso contribuições para o PIS e COFINS. Assim, no caso em tela, não poderia o agente público apenas operar glosas e exclusões e desconsiderar créditos e pagamentos, ao argumento de que estes fazem parte de outros processos administrativos, os quais, aliás, são a própria razão de ser da ação fiscalizadora que culminou nos autos sob impugnação. Nesse sentido, deve ser reconhecida a nulidade material do auto de infração, por vício de objeto, qual seja, equivoco na apuração do montante a pagar. Fl. 2862DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 101 9 Mérito. Das Deduções Indevidas – Bens e Serviços Utilizados como Insumos de Frota. O agente fiscal operou a glosa de todos os créditos de bens e serviços utilizados como insumos de frota pela impugnante. A questão deve ser avaliada sob vários enfoques. Todo o custo com peças de reposição, pneus, serviços de mecânica, etc, vinculados ao transporte próprio de insumos utilizados ou agregados ao produto final, geram direito a crédito por parte da impugnante, não obstante tenha o digno agente fiscal tratado tudo como transferência de produtos entre estabelecimentos da impugnante. As operações de transporte do pintinho para o integrado e depois o frango para abate no frigorífico fazem parte da cadeia produtiva e, por isso, geram direito a crédito de PIS/COFINS. Mesmo no caso de frete próprio (de compras das matérias primas, Insumos da frota pneus, óleo diesel, peças), que embora não haja receita tributável no transporte, o custo dos insumos de transporte encontrase incluso no preço de venda do produto final, razão pela qual, a não apropriação desses custos significaria a presença da figura da cumulatividade das contribuições ora impugnadas. Por outro lado, continuando a separação das diversas situações inerentes ao transporte de mercadorias e insumos, verificase que o serviço de frete contratado de terceiros para transporte de matéria prima e insumos de produção, bem como aquele que objetiva a venda de produto acabado, são situações que também geram direito a crédito. No caso de frete contratado de terceiros para transporte de matéria prima e insumos de produção, a tomada de crédito de PIS/COFINS sobre tais serviços decorre da aplicação genérica do inc. II, do art. 3º, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Já o direito a tomada de crédito de PIS/COFINS do serviço de frete contratado de terceiros para transporte de produtos acabados na operação de venda, decorre da disposição específica do inc. IX, art. 3º c/c art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03, que conferem à pessoa jurídica enquadrada no regime nãocumulativo o direito de aproveitar os créditos derivados de operações de frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Assim como o mesmo deve ser dito para os custos de bens e serviços despendidos no transporte próprio de produtos acabados na operação de venda que, se suportados pelo vendedor, a teor do que dispõe o inc. IX, art. 3º c/c art. 15, ambos da Lei 10.833/03, também geram direito a crédito a ser considerado na operação da nãocumulatividade. Portanto, constatase a ocorrência de quatro situações de transporte que geram direito a tomada de crédito: (1) transporte próprio de insumos; (2) transporte próprio de produtos acabados; (3) serviço de transporte contratado de terceiros de insumos; e (4) serviço de transporte contratado de terceiros de produtos acabados. Fl. 2863DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 102 10 Verificase que o agente fiscal misturou os quatro tipos de custos com transporte a outros dois, quais sejam, o custo de frete intercompany de produto acabado contratado de terceiros e o frete próprio inter company de produto acabado. Se houvesse alguma dúvida quanto ao direito de nãocumulatividade dos custos de frete, somente se verificaria plausível em relação ao que se chama frete intercompany de produto acabado contratado de terceiros e o frete próprio intercompany de produto acabado. Contudo, houve por bem o digno agente fiscalizador glosar todo e qualquer custo de frete. Ou seja, para facilitar o trabalho, todo custo direito e indireto com frete foi glosado. Tratase de postura de reflete violação de direito, que deve ser revista para se reconhecer o aproveitamento dos créditos nãocumulativos, tendo em vista que não há qualquer ressalva prevista na legislação. Deduções Indevidas – Bens e Serviços Utilizados como Insumos de Frota Transporte InterCompany. A glosa dos créditos nãocumulativos apurados sobre os custos com transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos da impugnante também se mostra ilegal. A transferência de mercadorias do estabelecimento industrial para o estabelecimento distribuidor representa custo intrínseco a qualquer processo logístico de empresa que atua em âmbito nacional e geram direito ao crédito previsto no art. 3, inc. II, das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02. A Solução de Divergência Cosit nº 11, de 2007 veio restringir ilegalmente o direito de crédito decorrente de custo essencial à atividade econômica da impugnante, em clara usurpação de competência legal, vez que opera restrição que a legislação federal não faz. Assim como na atividade industrial da impugnante as matérias primas e insumos de produção tiveram sempre como objetivo a industrialização e produção de bens e mercadorias para comercialização, o mesmo deve ser dito para as transferências dos produtos acabados. Ademais, quando o legislador conferiu o direito aos créditos em relação às despesas com armazenagem, na operação de venda, teve a intenção de abranger as hipóteses em que as mercadorias são armazenadas em centros de distribuição, ou em outra unidade da mesma empresa, já que toda esta operação (armazenagem em centro de distribuição, transferência à loja varejista, venda e entrega ao cliente) encontrase inserida no contexto da "operação de venda". Assim, não há como compreender que, no conceito de insumos de produção de mercadorias destinadas a venda, não esteja incluso ou não seja necessário os serviços de transportes de mercadorias até os centros de distribuição. Quando o legislador se referiu aos Bens e Serviços utilizados como Insumo na Prestação de Serviços e na Produção ou Fabricação de Bens destinados a venda (Artigo 3°, inciso Fl. 2864DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 103 11 II da Lei nº 10.737/02), ele notadamente estava considerando como referidos "insumos" todos os gastos que ocorrem desde o recebimento das matérias primas até a entrega dos produtos acabados ao consumidor. Caso contrário não haveria necessidade e nem justificativa para mencionar o real destino final dos produtos. Deduções Indevidas – Insumos Adquiridos de Cooperativa. Em nenhum momento a legislação que rege a nãocumulatividade do PIS/COFINS excetua a tomada de crédito de aquisições de matéria prima provenientes de cooperativas. Não há na legislação que impõe a nãocumulatividade qualquer previsão que indique que a tomada ou não de crédito esteja ligada ao tipo societário da fornecedora desses insumos. Assim, as restrições à tomada de crédito, quando existentes, ocorrem em função da natureza do produto adquirido, independente da natureza societária da pessoa jurídica fornecedora. A exclusão do custo do ato cooperativo da base de incidência do PIS/COFINS para as sociedades cooperativas, ditada por legislação específica, não pode gerar a equivocada conclusão de que a operação não é tributada na origem, como lamentavelmente entendido no auto de infração. A exclusão da base do ato cooperativo importa numa dedução, pois, nas demais operações, realizadas com nãocooperados, a tributação se dá de forma integral. Mostrase, portanto, legal a tomada de créditos ordinários decorrentes da aquisição de farelos e carnes de sociedades cooperativas, inclusive permitida pela Solução de Consulta nº 268 de 05 de outubro de 2004: Admitese o crédito calculado na forma do art. 3°, da Lei n.º 10.833, sobre aquisições junto a sociedade cooperativas, de bens a serem utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, desde que respeitadas as disposições lesais e normativas atinentes à matéria, cumulado, a partir de 1º de agosto de 2004, com o crédito presumido previsto no art. 8º da lei 10.925, de 2004, desde que atendidas as condições determinadas pelo mencionado dispositivo legal. Quanto ao crédito presumido objeto dos §§ 5º e 6º do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, destinase, enquanto vigente, apenas aos bens e serviços adquiridos de pessoas físicas, nas condições previstas nos referidos dispositivos, não havendo possibilidade de ser estendido aos mesmos bens, se adquiridos de sociedades cooperativas, por falta de expressa previsão legal. Deduções Indevidas – Insumos Sujeitos à Alíquota Zero. O agente fiscal opera verdadeira confusão entre a tomada de créditos e a formatação do débito de PIS/COFINS da impugnante, vez que, com o objetivo de glosar a tomada de créditos utiliza argumento relativo ao débito. O §3°, do artigo 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, não fala de aquisições, de entradas, mais sim da tributação do produto vendido pela impugnante à alíquota zero: Fl. 2865DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 104 12 Art. 1. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I decorrentes de saídas isentas de contribuição ou sujeitas a alíquota zero; O dispositivo legal transcrita não trata da tomada de créditos por parte da impugnante, mas, sim, da etapa do débito, ou seja, se a venda do produto acabado pela impugnante gozar do beneficio da alíquota zero, referida receita não deve integrar a base de cálculo tributável do PIS/COFINS. De igual sorte a citação do inc. II, § 2°, do art. 3º das leis 10.637/2002 e 10.833/2003, como suporte à glosa dos créditos de insumos adquiridos à alíquota zero, mostrase como um equívoco legal: Art. 3 ...omissis § 2° Não dará direito a crédito o valor: II da aquisição de bens ou serviços não sujeito ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumos em serviços ou serviços sujeitos a alíquota zero (0), isentos ou não alcançados pela contribuição. Assim, quando o dispositivo acima fala em alíquota zero, quer dizer que, os produtos finais, acabados, que gozem de isenção ou alíquota zero, e que utilizem insumos com esse mesmo benefício, não gerarão direito a créditos, de outro lado, aqueles produtos finais, acabados, que sejam tributados, garantem o direito de manutenção dos créditos de insumos adquiridos, mesmo que com alíquota zero. Deduções Indevidas – Insumos Referentes à Parte da Produção Pertencente ao ParceiroCriador. Equivocouse a autoridade tributária ao interpretar o sistema de integração implementado pela impugnante. Observase que a glosa não recaiu apenas sobre os insumos e serviços despendidos e direcionados para a integração, mas sim sobre todos os créditos da agroindústria do impugnante. Ou seja, foi aplicada uma glosa linear de 10% sobre bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumo, fretes, despesas com energia elétrica, aluguéis de prédios e máquinas e crédito presumido da atividade agroindustrial. Cabe esclarecer que a impugnante mantém com seus integrados contratos de parceria rurais firmados com base no art. 96, inc. V, da lei 4.504/64 (Estatuto da Terra), visando a criação, engorda e terminação de aves para abate. Referido contrato, determina expressamente que constituem obrigações da impugnante fornecer: (1) pintos de um dia; (2) rações; (3) medicamentos; (4) assistência técnica e (5) transporte. Por outro lado, cabe ao integrado: (1) prestar serviços para criação e terminação de Fl. 2866DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 105 13 aves; (2) fornecer combustível para aquecimento (gás, lenha); (3) fornecer cama do aviário (maravalha, serragem, etc); (4) a manutenção de carreadores de acessos aos aviários; (6) fornecer adequada estrutura de aviários e a (7) suportar o risco pela mortandade de animais. Do resultado obtido com a terminação das aves, o parceiro rural recebe uma percentagem sobre o total de quilos de aves vivas produzidas, sendo que, referido percentual constituise na remuneração em razão dos serviços prestados, e por ter despendido recursos com combustível, aquecimento, etc, para cumprir com a sua parte no processo de parceria. De outra banda, a impugnante recebe sua parte do lote, por ter ingressado na parceria com ovos, pintinhos, ração, medicamentos, assistência técnica, etc. E foi com relação a estes insumos, fornecidos por ela integradora, que a impugnante tomou créditos. Ou seja, sobre ovos, pintos de um dia, ração, medicamentos assistência técnica, transporte, deve a impugnante fazer créditos, já que sua parte de aves vivas resultantes da criação se justifica exatamente por ter despendido tais custos. Contudo, sobre os custos da parceira com gás, lenha, maravalha, serragem e serviços de criação, a impugnante não pode tomar crédito, já que são arcados pelo integrado. Também assiste à impugnante o direito de aproveitar, integralmente, os créditos referentes às situações que não tem qualquer ligação com o processo de integração, como aqueles apurados sobre as despesas com bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, fretes, despesas com energia elétrica, alugueis de prédios e máquinas e credito presumido da atividade agroindustrial. Nesse contexto, deve ser reconhecida a improcedência da aleatória glosa linear sobre 10% de todos os créditos da impugnante, bem como daquela relacionada aos insumos repassados aos produtores, vez que, em ambos os casos, os custos de tais bens foram integralmente arcados pela impugnante, integrando o preço final do produto. Crédito Presumido – Atividade Agroindustrial. Efetuou o agente fiscal a glosa do Crédito Presumido de PIS/COFINS sobre as aquisições no mercado interno de frango vivo, leitões e suínos para abate, milho em grão, sorgo e cordeiros para abate, desconsiderando o disposto no caput do artigo 8° da Lei n° 10.925 de julho de 2004, que determina que a base de cálculo do crédito presumido é o valor dos bens referidos no inciso II do caput do artigo 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, e o direito de apropriação é das pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam os produtos mencionados no próprio caput de acordo com as respectivas NCMs citadas no dispositivo legal. Para efeitos de apropriação do crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei n° 10.925 de 2.004, os insumos de produção que geram o Fl. 2867DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 106 14 direito ao referido crédito são aqueles adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física ou ainda aqueles recebidos de cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 a 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM. Assim, somente geram direito ao crédito presumido ao estabelecimento produtor industrial, os insumos de produção in natura, ou seja, aqueles que se encontram em estado natural, isentos de processamento industrial (dicionário Aurélio). Nesse sentido o disposto no artigo 7º da IN RFB n° 660 de 17 de julho de 2006, alterada pela IN RFB n° 977 de 14 de dezembro de 2009 corrobora nosso entendimento ao definir os insumos que geram direito ao crédito presumido, como sendo os "Produtos Agropecuários" sob condição de recebimento com suspensão das contribuições ao PIS/Pasep e a Cofins. (artigo 7º inciso I da IN nº 660/06). Os insumos de produção de que trata o inciso II do artigo 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, utilizados pela Agroindústria da Carne são de fato produtos agropecuários, entre os quais citamos os seguintes: frango vivo, suínos vivos, soja, milho e sorgo em grãos para fabricação de ração e utilização na engorda destes animais, além de outros, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física ou de cerealista. Sendo assim, a redação do inciso I, parágrafo 3º, art. 8º, da Lei 10.925 de 23 de julho de 2.004, ao citar o percentual de 60% de crédito presumido, para os produtos de origem animal classificados nos capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, está se referindo as pessoas jurídicas, ou cooperativas que produzam tais produtos, cabendo a estas o percentual de 60% (sessenta por cento) de crédito presumido, a ser aplicado sobre as aquisições dos insumos de produção desde que adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperados pessoa física ou de cerealista e se trate de produtos agropecuários recebidos com Suspensão do PIS/Pasep e da Cofins. Pelo exposto, entendese que não há outra interpretação a ser conferida aos dispositivos legais supra mencionados, uma vez que os produtos dos capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10 e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, citados no inciso I § 3º artigo 8º da Lei 10.925/04, não são produtos in natura, passíveis de crédito presumido e também não tem o beneficio da "Suspensão" na sua comercialização, uma vez que os mesmos já passaram por processo de industrialização, sendo comercializados com tributação integral das contribuições ao PIS/Pasep e a Cofins, sem qualquer beneficio fiscal de suspensão. Para uma melhor visualização, relacionamos os produtos citados no inciso I, §3º do artigo 8º da Lei 10.925 de 23 de julho de 2004: Capitulo 2 Carnes e miudezas, comestíveis; Fl. 2868DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 107 15 Capitulo 3 Peixes e crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos; Capitulo 4 Leite e lacticínios; ovos de aves; mel natural; produtos comestíveis de origem animal, não especificados nem compreendidos em outros Capítulos; Capitulo 16 Preparações de carne, de peixes ou de crustáceos, de moluscos ou de outros invertebrados aquáticos; Capitulo 15.01 Gorduras de porco (incluída a banha)e gorduras de aves,exceto as das posições 02.09 ou 15.03; Capitulo 15.02 Gorduras de animais das espécies bovina, ovina ou caprina, exceto as da posição 15.03; Capitulo 15.03 Estearina solar, óleo de banha de porco, óleo estearina, óleomargarina e óleo de sebo, não emulsionados nem misturados, nem preparados de outro modo; Capitulo 15.04 Gorduras, óleos e respectivas frações, de peixes ou de mamíferos marinhos, mesmo refinados, mas não quimicamente modificados; Capitulo 15.05 Suarda e substâncias gordas dela derivadas, incluida a lanolina. Capitulo 15.06 Outras gorduras e óleos animais, e respectivas frações, mesmo refinados, mas não quimicamente modificados; Capitulo 1516.10 Gorduras e óleos animais, e respectivas frações; Capitulo 15.17 Margarina; misturas ou preparações alimentícias de gorduras ou de óleos animais ou vegetais ou de frações das diferentes gorduras ou óleos do presente Capitulo, exceto as gorduras e óleos alimentícios, e respectivas frações, da posição 15.16; Capitulo 15.18 Corduras e óleos animais ou vegetais, e respectivas frações, cozidos, oxidados, desidratados, sulfurados, aerados, estandolizados ou modificados quimicamente por qualquer outro processo, com exclusão dos da posição 15.16; misturas ou preparações não alimentícias, de gorduras ou de óleos animais ou vegetais ou de frações de diferentes gorduras ou óleos do presente Capitulo, não especificadas nem compreendidas em outras posições. A lei não é colocada em nosso sistema positivo para ser apenas um "enfeite", razão pela qual afigurase totalmente incabível a interpretação dada às norma supra referidas pelo agente fiscal, pois, entender que o produtor rural, pessoa física, possa realizar operações de vendas dos produtos acima citados para a agroindústria utilizar como matéria prima em seu processo industrial e acima de tudo aceitar que estes mesmos produtos possam ser vendidos por empresa agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária, com o beneficio fiscal da "Suspensão" das contribuições ao PIS e a COFINS é o mesmo que determinar ao Contribuinte Agroindustrial que legisle em causa própria, quando há falta de previsão legal. Os produtos acima são tributados pelo PIS e a COFINS, quando do seu faturamento pelas Fl. 2869DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 108 16 empresas pessoas jurídicas e o Produtor Rural pessoa física jamais produzirá estes produtos em nível industrial, pois o nosso sistema legal assim não permite. Das Receitas com Suspensão. Segundo entendimento da administração tributária a suspensão da incidência do PIS e da COFINS não eram aplicáveis ao período de janeiro de 2005 a abril de 2006, pois dependiam das condições a serem estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que somente vieram a tona com a publicação da IN SRF nº 660/2006. Ocorre que, desde o advento da Lei nº 10.925/2004 (alterada pela Lei 11.051/2004), todas as operações de venda de aves vivas para cooperativas e pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real tiveram a incidência do PIS e COFINS suspensas. Por ocasião da edição da citada lei, o art. 17 informou que a suspensão produziria efeitos a partir de 1ª de agosto de 2004. Em seguida, sobreveio a Lei nº 11.051, de 30 de dezembro de 2004, que alterou a redação do art. 9º da Lei nº 10.925/2004, ao incluir o parágrafo 2º, dispondo que a suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal – SRF. Mais de um ano depois, foi editada a IN SRF º 636, de 2006, que sem produzir qualquer alteração material, limitouse a reiterar os comandos da norma legal instituidora do benefício, em especial o comando que previa a data inicial de vigência da suspensão de PIS/COFINS, ou seja, de que produziria efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. Com efeito, percebese, pelo iter legislativo acima exposto, que a eficácia do benefício da suspensão, originalmente contemplada no art. 17, da Lei 10.925/04, foi chancelada pelo art. 5º, da IN SRF nº 636/2006, razão pela qual a previsão do § 2º, art. 9°, da Lei 10.925/04 (introduzida pela Lei 11.051), não tem a característica de norma de eficácia contida, e sim natureza de norma de eficácia plena. Certamente, as razões motivadoras do lançamento ora guerreado, tem a ver com as disposições da IN SRF nº 660/2006, que quis fazer de conta que aquilo que foi dito pelo art. 5º, da IN SRF nº 636/2006, não foi dito. Ora, a malfadada IN SRF nº 660/2006, que assim como a anterior reproduziu nos detalhes o comando material da Lei nº 10.925/04 (no que respeita à suspensão), não poderia, como fez, impedir o aproveitamento do benefício da suspensão gozado pela impugnante durante o ano de 2005, ao prever que tal benefício somente passaria a vigorar a partir de abril de 2006. Não é dado nem à lei em sentido formal, quanto menos à disposições normativas de categoria inferior, o condão de atingir o direito adquirido e o ato jurídico perfeito que, no caso dos autos, está caracterizado na condição de fruição do benefício da suspensão Fl. 2870DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 109 17 outorgado à impugnante pelo art. 17, da Lei 10.925/04 e art. 5º, da IN SRF 636/06. Destaquese, nos termos do que dispõe os arts. 96 e 100, do CTN, que incluemse na legislação tributária os atos normativos emanados da autoridade fazendária. Desta forma, em se tratando de normas relativas ao lançamento, qualquer inovação ou modificação de critérios administrativos não atingem situações já consolidadas, permanecendo higidas todas as questões constituídas anteriormente à edição de tais atos normativos e que são, portanto, definitivas. Neste passo, as modificações introduzidas pela IN SRF 660/06 não poderiam alterar a data de eficácia do benefício da suspensão de PIS/COFINS que foram expressa e anteriormente consignadas no art. 17, da Lei 10.925/04 e art. 5º, da IN SRF 636/06. O pretório Excelso já decidiu, em diversas ocasiões, que a mudança de critérios ou orientações da autoridade fiscal não pode prejudicar o contribuinte, que agiu de acordo com o critério anterior, predominante ao tempo da tributação, como por ex. no Agravo de Instrumeto 29978, julgamento em 13/03/1964. Tal postura está relacionada com a previsibilidade e segurança jurídica, postulados que fazem valer o princípio constitucional da irretroatividade do direito aos atos e decisões da administração pública. Foi inspirado em tais premissas que o legislador inseriu expressamente o princípio da imutabilidade do lançamento no art. 146, do CTN. Notese que a vontade do fisco em alargar a base de arrecadação através da postergação da eficácia da norma que estabelecida a suspensão do PIS/COFINS deve respeitar a estabilidade das relações jurídicas, bem como a certeza e segurança do direito. É defeso ao fisco retroagir em suas ações para atingir atos administrativos já consolidados, sob pena de violação, também, ao princípio da irretroatividade, de forma ampla, expresso no art. 5º, XXXVI, e de forma específica, no art. 150, III, b, ambos da CF/88. Tratase de matéria sumulada no extinto Tribunal Federal de Recursos: "Súmula 227 A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco na autoriza a revisão de lançamento." No mesmo sentido foi proferida a recente decisão pelo STJ sobre a matéira: TRIBUTÁRIO. OMISSÃO. SÚMULA 284/STF. PIS/COFINS. SUSPENSÃO DE INCIDÊNCIA. ART. 9o DA LEI 10.925/2004, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.051/2004. EFICÁCIA. 1. ... Fl. 2871DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 110 18 2. Hipótese em que se discute a data a partir da qual passou a ter eficácia o beneficio de suspensão da incidência do PIS/Cofins, previsto no art. 9º da Lei 10.925/2004, com a redação dada pela Lei 11.051/2004. O Tribunal de origem entendeu que o termo seria 30.12.2004 (publicação da Lei 11.051/2004). 3. O Fisco aponta ofensa ao art. 9°, S 2o, da Lei 10.925/2004, que remeteria o termo inicial do beneficio à regulamentação. Defende a suspensão da incidência a partir de 4.4.2006, data prevista na IN SRF 660/2006 (argumento principal). 4. Também indica violação do art. 34, II, da Lei 11.051/2004. Sustenta que a suspensão da exigibilidade não poderia ter eficácia antes de 1°.4.2005, conforme previsto nesse dispositivo legal (argumento subsidiário). 5. O art. 9º,§ 2º, da Lei 10.925/2004, com a redação dada pela Lei 11.051/2004, faz referência aos "termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF", para fins de aplicação do benefício fiscal. A Fazenda defende que este benefício, portanto, é previsto por norma de eficácia limitada, a depender da disciplina pela SRF para sua aplicação. 6. A primeira Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal que regulou a matéria foi a IN SRF 636, publicada em 4.4.2006. Seu art. 5º previa o inicio de vigência retroativamente, a partir de 1°.8.2004, data prevista consoante o art. 17, III, da Lei 10.925/2004 como termo inicial do beneficio de suspensão da incidência do PIS/Cofins. 7. A IN SRF 636/2006 não tem, por si só, o condão de infirmar o acórdão recorrido, pois, logicamente, o confronto dessas duas normas (IN SRF 636/2006 e Lei 11.051/2004) permite apenas reconhecer o beneficio a partir de 30.12.2004 (data mais recente, entre o inicio de eficácia da IN SRF 636/2006 1°.8.2004 e o da Lei 11.051/2004 30.12.2004), como decidiu o Tribunal a quo. 8. A Fazenda Nacional defende que a posterior IN SRF 660, publicada em 25 de julho de 2006, revogou a IN SRF 636/2006 (publicada em 4.4.2006, previa o início de eficácia retroativamente, a partir de 1°.8.2004) e acabou com a previsão de retroatividade do beneficio. Essa segunda IN determinou que o beneficio teria eficácia somente a partir de 4.4.2006, quando publicada a primeira Instrução (argumento principal). 9. É como se a Receita Federal tivesse, com a IN SRF 660/2006, mudado de idéia e passado a reconhecer o início de eficácia não mais retroativamente, em 1º.8.2004 (como previa o art. 5º da IN SRF 636/2006), mas apenas em 4.4.2006 (data de publicação da IN SRF 636/2006). Esse argumento não pode subsistir. 10. O benefício da suspensão de incidência do PIS/Cofins foi claramente concedido em favor da contribuinte pela Lei 11.051, publicada em 30.12.2004, que deu nova redação ao art. 9o, S 2o, da Lei 10.925/2004. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal (IN SRF 636 e 660 de 2006) não trouxeram inovações Fl. 2872DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 111 19 significativas em relação à normatização da matéria, restringindose a repetir e a detalhar minimamente a norma legal. 11. Ademais, ainda que se reconheça que o disposto no art. 9º, § 2°, da Lei10.925/2004, com a redação dada pela Lei 11.051/2004, tem característica de norma de eficácia limitada, sua aplicação foi viabilizada pela publicação da IN SRF 636/2006, cujo art. 5º previu sua entrada em "vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de agosto de 2004" (fato incontroverso). 12. A posterior revogação da IN SRF 636/2006 pela IN SRF 660/2006 não poderia atingir o ato jurídico perfeito e o direito dos contribuintes à fruição do beneficio a partir de 1°.8.2004; no caso da contribuinte, desde 30.12.2004 (datade publicação da Lei 11.051, que ampliou o benefício em seu favor). 13. De fato, o acolhimento do pleito da Fazenda significaria impedir oaproveitamento do beneficio entre 30.12.2004 (data da ampliação da suspensão em favor da contribuinte pela Lei 11.051/2004) e 4.4.2006 (data de publicação da IN SRF 636/2006), o que já havia sido reconhecido pela própria Secretaria da Receita Federal quando da publicação da IN SRF 636/2006 (art. 5º desse normativo 14. Segundo a Fazenda Nacional, ainda que não se aceite 4.4.2006 comotermo inicial para o beneficio (data prevista na IN SRF 636/2006), impossívelreconhecêlo antes de 1°.4.2005 (data prevista no citado art. 34, II, da Lei11.051/2004 argumento subsidiário). 15. Há erro no argumento subsidiário da recorrente, pois a discussão recursal referese ao art. 9º da Lei 10.925/2004 (suspensão da incidência do PIS/Cofins) e não ao art. 9º da Lei 11.051/2004 (crédito presumido). Foi o benefício do crédito presumido que teve sua eficácia diferida para o primeiro dia do 4o mês subseqüente ao da publicação (art. 34, II, da Lei 11.051/2004), mas isso não tem relação com o presente litígio. 16. A alteração do art. 9° da Lei 10.925/2004, ampliando o benefício fiscal de suspensão de incidência do PIS/Cofins em proveito da recorrida (objeto desta demanda), foi promovida pelo art. 29 da Lei 11.051/2004 (e não por seu art. 9o). Esse dispositivo legal (art. 29) passou a gerar efeitos a partir da publicação da Lei 11.051/2004, nos termos de seu art. 34, III, como decidiu o Tribunal de origem. 17. O art. 34, II, da Lei 11.051/2005, suscitado pela Fazenda, referese a matéria estranha ao debate recursal, de modo que carece de comando suficiente para infirmar o fundamento do acórdão recorrido. Aplicase, nesse ponto, o disposto na Súmula 284/STF." (Resp 11. 36. 835, Rei. Min. Herman Benjamin 2a Turma, julg. 10.04.10 STJ) Da Real Situação Fiscal do Impugnante Relativamente ao PIS/Cofins dos Exercícios de 2005, 2006 e 2007. Para a adequada apuração da base de cálculo do PIS/COFINS dos anos de 2005, 2006 e 2007, devem ser consideradas as exclusões previstas em lei para as receitas que compõem a base de cálculo das Fl. 2873DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 112 20 contribuições e os créditos apurados em razão do regime da não cumulatividade, sob pena de se impor ao administrado uma exação totalmente a margem da lei. Observese que a SRFDF, após analisar as PERD/COMP dos exercícios de 2003 e 2004 conforme despachos anexos, entendeu existir e deferiu a restituição (após compensações de ofício) de saldo credor para a impugnante na ordem de R$ 951.013,21. Certamente o mesmo ocorrerá após avaliação das PERD/COMP dos exercícios de 2005, 2006 e 2007, pois nestes casos, utilizando a mesma lógica dos anos de 2003 e 2004, a impugnante pleiteia o montante de R$3.069.031,51 de ressarcimento de créditos e benefícios fiscais, e restituição por pagamento a maior de R$4.244.622,38, totalizando R$7.313.653,94. Nesse contexto, não poderia o agente fiscal autuar a impugnante em quase R$20.000.000,00 sem proceder a qualquer ajuste na base de cálculo nos termos da legislação vigente. São ponderações que se prestam a demonstrar a indignação do administrado com o conteúdo do auto de infração ora impugnado, que fez tábua rasa dos mais comezinhos princípios constitucionais que regem a administração pública e tributária, em especial o da estrita legalidade e da eficiência. Do Pedido. Requer a impugnante que seja reconhecida a nulidade do Auto de Infração. Alternativamente, requer sejam o mesmo julgado totalmente improcedente. Em 25/01/2011, a DRJ/Brasília encaminhou Despacho de fls. 2304/2306 para a unidade preparadora, para que a Fiscalização esclarecesse determinados aspectos das glosas efetuadas nos créditos da nãocumulatividade, demanda que foi satisfatoriamente atendida por meio da Informação Fiscal de fls. 2381/2382, documento do qual teve ciência a contribuinte, e optou por não se manifestar. A Delegacia de Julgamento julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005, 2006, 2007 UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. APROVEITAMENTO NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. DUPLICIDADE. Os créditos do regime nãocumulativo podem ser aproveitados por meio de lançamentos de débito e crédito escriturados em conta gráfica. Contudo, para determinadas situações, como aqueles créditos vinculados á receita de exportação, podem ser utilizados para fins de compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Uma vez formalizada a opção pelo contribuinte no sentido de promover a utilização dos créditos nãocumulativos por meio de PER/DCOMP, Fl. 2874DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 113 21 não há que se falar seu em aproveitamento contábil, ou escritural, no procedimento de lançamento de ofício, sob pena de duplicidade. DESPESAS COM FRETE PRÓPRIO E DE TERCEIROS PARA TRANSPORTE DE PRODUTOS EM ELABORAÇÃO OU ACABADOS. DESPESAS COM MANUTENÇÃO DA FROTA. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃOCUMULATIVO. Aquelas despesas com frete, próprio ou contratado de terceiros, inclusive as de manutenção da frota, como troca de bateria, óleo para o motor, combustíveis e correspondentes serviços, como revisão de cabeçote, recapagem de pneus, revisão de rodas e carter, troca de cabo velocímetro,tacógrafo, dentre outros, que não se destinam diretamente à revenda, mas à transferência de produtos entre estabelecimentos da própria empresa, não são consideradas insumos, por ausência de previsão legal, razão pela qual não podem ser incluídas na base de cálculo dos créditos nãocumulativos. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃOCUMULATIVO. A nãocumulatividade tem como pressupostos balisares a plurifasia, ou seja, ocorrência de pelo menos duas etapas, e o direito de o contribuinte auferir crédito decorrentes de eventos consumados na fase anterior, como, por exemplo, aquisição de bens a serem utilizados na produção ou fabricação de ativo que será destinado à revenda e se converterá em receita para a empresa. Quando se fala em pelo menos duas etapas, não se pode olvidar a necessidade de que ambas sejam regularmente tributadas. Nesse contexto, caso a operação antecedente, de aquisição de bens ou contratação de serviços, não tenha sofrido tributação, não poderá o adquirente creditarse na etapa seguinte. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. INSUMOS SUJEITOS Á ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃOCUMULATIVO. Não dará direito a crédito nãocumulativo o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, ou seja, aqueles insumos que quando adquiridos estavam sujeitos á alíquota zero. A única exceção aplicável é no caso de isenção, situação na qual a impossibilidade para o creditamento nãocumulativo ocorre apenas quando os tais insumosforam revendidos ou utilizados para compor produtos ou integrar serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AOPAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. INSUMOS ADQUIRIDOS JUNTO À SOCIEDADE COOPERATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃOCUMULATIVO. Não dará direito a crédito nãocumulativo insumos adquiridos ou serviços contratados junto a sociedades cooperativas cuja operação de Fl. 2875DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 114 22 aquisição ou contratação não se encontrava sujeita ao pagamento das contribuições sociais. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. COEFICIENTE PARA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO CREDITAMENTO APLICÁVEL. A pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária e que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10,07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99,1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00,1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas àalimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, créditopresumido, mediante aplicação de alíquota sobre o valor das aquisições, de 60% daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos Processo 10166.721554/201095 códigos 15.17 e 15.18, de 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI, e de 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos, situação no qual se incluem o frango vivo (NCM 0105.99.00); ovos férteis (NCM 0407.00.11); pintos de 1 dia (NCM 0105.11.90); leitões para recria e suínos vivos para abate (NCM 0103.92.00); milho (NCM 1005.90.10); sorgo (NCM 1007.00.90) e cordeiros para abate (NCM 0104.10.90). BASE DE CÁLCULO. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA. VENDA PARA PESSOAS JURÍDICAS CEREALISTAS DE DETERMINADOS PRODUTOS. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE NORMAS REGULADORAS PELO PODER EXECUTIVO. O disposto no artigo 9º, inciso I, da Lei nº 10.925/2004, consubstanciouse em norma de eficácia limitada, uma vez que a suspensão da incidência das contribuições no caso de vendas de produtos de que tratam o inciso I do § 1o do art. 8o do citado diploma legal dependia da edição de regulamentação por parte do Poder Executivo, que veio a ocorrer com a IN SRF nº 660, de 17 de julho de 2006, estabelecendo que a norma contida no artigo 9º, inciso I, passou a produzir efeitos a partir de 04 de abril de 2006, momento a partir do qual se revestiu de plena eficácia. CONTRATO DE PARCERIA AVÍCOLA. SISTEMA DE INTEGRAÇÃO. PRODUÇÃO DESTINADA AO PARCEIRO CRIADOR A TÍTULO DE REMUNERAÇÃO PELOS SERVIÇOS PRESTADOS. INSUMOS CORRESPONDENTES GLOSADOS. Fl. 2876DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 115 23 Contrato de parceria avícola celebrado entre parceiroproprietário e parceirocriador, no qual se estabelece sistema de integração em que o parceiroproprietário fornece rações, medicamentos e assistência técnica, e o parceirocriador fica responsável pelas instalações e fornecimento de energia, gera situação na qual as despesas decorrentes do processo de produção do frango para abate devem ser devidamente segregadas para fins de aproveitamento dos créditos não cumulativos, levandose em consideração a parcela de produção a que tem direito o parceirocriador pela remuneração dos serviços prestados. Assim, o parceiroproprietário pode aproveitarse apenas dos créditos nãocumulativos cujos insumos estejam relacionados aos produtos destinados à revenda, ou seja, os insumos correspondentes ao quinhão direcionado ao parceirocriador não podem ser utilizados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005, 2006, 2007 UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. APROVEITAMENTO NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. DUPLICIDADE. Os créditos do regime nãocumulativo podem ser aproveitados por meio de lançamentos de débito e crédito escriturados em conta gráfica. Contudo, para determinadas situações, como aqueles créditos vinculados á receita de exportação, podem ser utilizados para fins de compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Uma vez formalizada a opção pelo contribuinte no sentido de promover a utilização dos créditos nãocumulativos por meio de PER/DCOMP, não há que se falar seu em aproveitamento contábil, ou escritural, no procedimento de lançamento de ofício, sob pena de duplicidade. DESPESAS COM FRETE PRÓPRIO E DE TERCEIROS PARA TRANSPORTE DE PRODUTOS EM ELABORAÇÃO OU ACABADOS. DESPESAS COM MANUTENÇÃO DA FROTA. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃOCUMULATIVO. Aquelas despesas com frete, próprio ou contratado de terceiros, inclusive as de manutenção da frota, como troca de bateria, óleo para o motor, combustíveis e correspondentes serviços, como revisão de cabeçote, recapagem de pneus, revisão de rodas e carter, troca de cabo velocímetro, tacógrafo, dentre outros, que não se destinam diretamente à revenda, mas à transferência de produtos entre estabelecimentos da própria empresa, não são consideradas insumos, por ausência de previsão legal, razão pela qual não podem ser incluídas na base de cálculo dos créditos nãocumulativos. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃOCUMULATIVO. A nãocumulatividade tem como pressupostos balisares a plurifasia, ou seja, ocorrência de pelo menos duas etapas, e o direito de o contribuinte auferir crédito decorrentes de eventos consumados na fase anterior, como, por exemplo, aquisição de bens a serem utilizados na Fl. 2877DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 116 24 produção ou fabricação de ativo que será destinado à revenda e se converterá em receita para a empresa. Quando se fala em pelo menos duas etapas, não se pode olvidar a necessidade de que ambas sejam regularmente tributadas. Nesse contexto, caso a operação antecedente, de aquisição de bens ou contratação de serviços, não tenha sofrido tributação, não poderá o adquirente creditarse na etapa seguinte. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. INSUMOS SUJEITOS Á ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃOCUMULATIVO. Não dará direito a crédito nãocumulativo o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, ou seja, aqueles insumos que quando adquiridos estavam sujeitos á alíquota zero. A única exceção aplicável é no caso de isenção, situação na qual a impossibilidade para o creditamento nãocumulativo ocorre apenas quando os tais insumos foram revendidos ou utilizados para compor produtos ou integrar serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. INSUMOS ADQUIRIDOS JUNTO À SOCIEDADE COOPERATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NÃOCUMULATIVO. Não dará direito a crédito nãocumulativo insumos adquiridos ou serviços contratados junto a sociedades cooperativas cuja operação de aquisição ou contratação não se encontrava sujeita ao pagamento das contribuições sociais. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. COEFICIENTE PARA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO CREDITAMENTO APLICÁVEL. A pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária e que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, mediante aplicação de alíquota sobre o valor das aquisições, de 60% daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, de 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI, e de 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de Fl. 2878DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 117 25 dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos, situação no qual se incluem o frango vivo (NCM 0105.99.00); ovos férteis (NCM 0407.00.11); pintos de 1 dia (NCM 0105.11.90); leitões para recria e suínos vivos para abate (NCM 0103.92.00); milho (NCM 1005.90.10);sorgo (NCM 1007.00.90) e cordeiros para abate (NCM 0104.10.90). BASE DE CÁLCULO. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA. VENDA PARA PESSOAS JURÍDICAS CEREALISTAS DE DETERMINADOS PRODUTOS. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE NORMAS REGULADORAS PELO PODER EXECUTIVO. O disposto no artigo 9º, inciso I, da Lei nº 10.925/2004, consubstanciouse em norma de eficácia limitada, uma vez que a suspensão da incidência das contribuições no caso de vendas de produtos de que tratam o inciso I do § 1o do art. 8o do citado diploma legal dependia da edição de regulamentação por parte do Poder Executivo, que veio a ocorrer com a IN SRF nº 660, de 17 de julho de 2006, estabelecendo que a norma contida no artigo 9º, inciso I, passou a produzir efeitos a partir de 04 de abril de 2006, momento a partir do qual se revestiu de plena eficácia. CONTRATO DE PARCERIA AVÍCOLA. SISTEMA DE INTEGRAÇÃO. PRODUÇÃO DESTINADA AO PARCEIROCRIADOR A TÍTLO DE REMUNERAÇÃO PELOS SERVIÇOS PRESTADOS. INSUMOS CORRESPONDENTES GLOSADOS. Contrato de parceria avícola celebrado entre parceiroproprietário e parceirocriador, no qual se estabelece sistema de integração em que o parceiroproprietário fornece rações, medicamentos e assistência técnica, e o parceirocriador fica responsável pelas instalações e fornecimento de energia, gera situação na qual as despesas decorrentes do processo de produção do frango para abate devem ser devidamente segregadas para fins de aproveitamento dos créditos não cumulativos, levandose em consideração a parcela de produção a que tem direito o parceirocriador pela remuneração dos serviços prestados. Assim, o parceiroproprietário pode aproveitarse apenas dos créditos nãocumulativos cujos insumos estejam relacionados aos produtos destinados à revenda, ou seja, os insumos correspondentes ao quinhão direcionado ao parceirocriador não podem ser utilizados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 GLOSAS DE DESPESAS COM UNIFORMES E EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO A TRABALHADORES E DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. AJUSTES EM RAZÃO DE DIVERGÊNCIAS ENTRE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Consideramse não impugnadas matérias não expressamente contestadas na peça de defesa, conforme preceitua o art. 17 do PAF, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997, quais sejam, despesas referentes a uniformes e equipamentos de proteção a trabalhadores (EPI), depreciação dos bens do ativo imobilizado adquiridos com alíquota zero, além dos ajustes efetuados pela Fl. 2879DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 118 26 Fiscalização em razão de divergências entre valores escriturados e informados em DACON. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ademais, requerse sejam explicitadas todas as despesas no plano de contas da Recorrente. Após, deve ser dada ciência à Procuradoria da Fazenda Nacional, para que, querendo, manifestese, devendo retornar os autos a esta Turma Julgadora, para que se prossiga ao julgamento do recurso. Ao se apreciar o recurso voluntário interposto, a turma julgadora entendeu ser nula a decisão da Delegacia de Julgamento, por ausência de apreciação da preliminar de nulidade, de maneira que foi proferida uma nova decisão rerratificando o acórdão proferido. Diz a ementa do julgado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 ANULAÇÃO DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PROLATAÇÃO DE NOVA DECISÃO. COMPLEMENTAÇÃO. RERRATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. Anulada a decisão de primeiro grau, procedese à complementação determinada pela órgão julgador ad quem para fazer constar expressamente a rejeição de preliminar de nulidade argüida na impugnação, mantendose os fundamentos já adotados no voto condutor do aresto anulado, e ratificase tudo o mais que já foi decidido pelo Colegiado a quo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Apresentado novo recurso voluntário, a recorrente reiterou o pedido de declaração de nulidade, argumentando que o novo acórdão não teria suprido as deficiências apontadas. No mais, reiterou os argumentos do recurso voluntário anteriormente apresentado. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme se verifica da decisão que rerratificou o acórdão da DRJ, depreende se que foram apontados e negritados excertos da decisão originária, que teriam feito menção Fl. 2880DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 119 27 aos fatos que supostamente ensejariam a nulidade do auto de infração, que por sua vez, refere se a excertos do TVF. Destarte, temse na decisão rerratificada que: Sobre o tema, vale repisar o voto do Relator à época, o exJulgador André Mendes de Moura (fls. 2.418/2.420): “Reclama a impugnante que, em relação ao período fiscalizado, e em razão de aplicação inadequada da legislação, teria acumulado créditos nãocumulativos e efetuado pagamentos a maior no montante de R$7.313.653,94, sendo que R$4.244.622,38 foram objeto de pedidos de restituição e R$ 3.069.031,51 de ressarcimento, encaminhados por meio de várias PER/DCOMP. Ainda, teria direito creditório – referente aos anoscalendário de 2003 e 2004 – reconhecido no valor de R$951.013,21, no qual a Receita Federal deferiu a restituição por meio de despachos decisórios. Nesse contexto, o procedimento da autoridade tributária, ao efetuar os lançamentos fiscais sem levar em consideração tais créditos, estaria eivado de nulidade (negritei), vez que teria havido incorreção no quantum debeatur em afronta ao disposto no art. 142 do CTN. Teria a Fiscalização, portanto, desconsiderado princípios constitucionais como o da estrita legalidade e da eficiência. Inicialmente, mostrase pertinente esclarecer que a ação fiscal foi disparada em razão de DACON e DCTF retificadoras apresentadas pela contribuinte, no qual apuraram valores de crédito remanescentes que, por sua vez, foram objeto de pedidos de restituição e ressarcimento encaminhados por meio de PER/DCOMP. Como se pode observar nos demonstrativos elaborados pela Fiscalização às fls. 2308/2379, nos DACON retificadores, após a utilização dos créditos, foi apurado valor zero a pagar de contribuições sociais, com exceção do mês de janeiro de 2005. Nesse contexto, com base na sua apuração, a contribuinte encaminhou várias PER/DCOMP no qual solicitou restituição de valores pagos apurados nos termos das declarações originais e ressarcimento de créditos remanescentes, ou seja, saldos de créditos que não teriam sido utilizados, as duas situações totalizando o montante de R$7.313.653,94. Foram apurados saldos de créditos de aquisição no mercado interno (i) vinculado à receita não tributada no mercado interno e (ii) vinculado a receitas de exportação. Para tais créditos remanescentes, ou saldos, a contribuinte formalizou a opção de sua utilização, ao encaminhar uma série de PER/DCOMP, procedimento autorizado pelos arts. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003: Nesse sentido, a Fiscalização, ao efetuar a apuração da contribuição social devida, não considerou esses créditos para o cálculo do tributo a pagar, uma vez que já foram utilizados Por sua vez, vem reclamar a contribuinte pelo aproveitamento dos créditos na apuração das contribuições sociais lançadas de ofício. Fl. 2881DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 120 28 Não lhe assiste razão (negritei). Os créditos em discussão podem ser aproveitados de duas maneiras, ou seja, ou por meio de lançamentos de débito e crédito escriturados em conta gráfica, ou mediante compensação com débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal encaminhada em PER/DCOMP próprio. A partir do momento em que a contribuinte optou por encaminhar as PER/DCOMP, fez a sua opção. Dessa maneira, não poderia a Fiscalização utilizarse novamente de tais créditos, caso contrário estaria aproveitando o saldo remanescente em duplicidade (negritei). No Termo de Verificação Fiscal de fls. 1972/1998 a autoridade tributária esclarece com clareza a questão, não havendo motivos para a irresignação da impugnante: “Os créditos remanescentes (fichas 11B e 14 da Dacon/Pis e fichas 17B e 24 da Dacon/Cofins), referentes aos créditos de aquisição no mercado interno vinculado à receita não tributada no mercado interno e vinculado à receita de exportação não foram compensados. Tais valores são objeto de pedido de ressarcimento feitos através de perdcomps. Igualmente não foram compensados os pagamentos realizados com os códigos 6912 (PIS) e 5856 (COFINS), pois foram objeto de pedido de restituição através de perdcomps.” Na Informação Fiscal de fls. 2381/2382 a autoridade lançadora ratifica o esclarecimento: “Como já mencionado no TVF os créditos remanescentes relativos aos créditos de aquisição no mercado interno vinculado à receita não tributada no mercado interno e vinculado à receita de exportação não foram compensados. Isto porque o Pedido de Ressarcimento, ou a Declaração de Compensação, define e formaliza a opção de utilização do crédito pelo contribuinte, de acordo com o art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e o art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003.” Por fim, no que concerne ao direito creditório referente aos anos calendário de 2003 e 2004, que teria sido reconhecido no valor de R$951.013,21, cabem as seguintes considerações. Primeiro, não há nos autos documentação probatória suficiente que demonstre o reconhecimento de tal montante. Foram acostadas às fls. 2128/2129 planilhas de controle interno, e cópias de correspondências encaminhadas pela Receita Federal à contribuinte comunicando o teor de despachos decisórios, assim como os despachos decisórios na integra, às fls. 2154/2164 e 2165/2270. Segundo, nas tais correspondências, a Receita Federal comunica à impugnante que o pedido de restituição foi deferido, mas que, como foi constatada a existência de débitos administrados pela RFB em abertos e/ou inscritos em Dívida Ativa da União (...) o valor do crédito reconhecido será compensado com os débitos existentes conforme relação em anexo. Fl. 2882DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 121 29 Ou seja, os aludidos créditos já foram compensados de ofício em razão da existência de outros débitos do sujeito passivo no âmbito da Receita Federal. Mostrase correto, portanto, o procedimento adotado pela autoridade tributária, e não há se falar em nulidade e muito menos em afronta a quaisquer princípios constitucionais, razão pela qual não cabem ser acatadas as alegações da impugnante.” (negritei) De fato, assiste razão à DRJ quando afirma que não houve a omissão que teria dado ensejo à nulidade, pois como bem sublinhado, o acórdão originário fez expressa menção a esses pontos. Todavia, ainda assim, para fins de satisfação da verdade material, não está totalmente esclarecido nos autos, se houve ou não o aproveitamento dos valores para fins de cálculo, ou, qual foi o destino dos pagamentos e créditos que a recorrente, veementemente, afirma possuir. Tanto o TVF quanto a DRJ, replicaram de maneira bastante sucinta as afirmações que a recorrente fez, desde o início do processo administrativo. Assim sendo, para efeitos de realização da verdade material, deve ser convertido o julgamento em diligência para que sejam esclarecidos os seguintes pontos: os pagamentos referidos pela recorrente, de PIS (código 6912) e COFINS (código 5856) no valor de R$ 5.003.097,40 foram computados para efeitos da apuração do valor exigível das contribuições sociais? Caso tenham sido objeto de pedido de restituição, apontar qual seria o respectivo processo administrativo. as PERD/COMPs relacionadas no recurso voluntário, aqui reproduzidas, foram homologadas, conforme afirmado, no montante de R$ 2.572.279,44? O direito creditório reconhecido repercute nos valores exigidos no presente processo administrativo? Fl. 2883DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 122 30 esclarecer quaisquer outros pontos relevantes, que possam repercutir no débito tributário exigido. A recorrente poderá ser intimada ou apresentar os esclarecimentos necessários, para a elucidação dos pontos enumerados. Ademais, deverá ser intimada para se manifestar sobre o relatório da diligência fiscal, para se manifestar no prazo de trinta dias, prorrogáveis por mais trinta. Fl. 2884DF CARF MF Processo nº 10166.721554/201095 Resolução nº 3201000.892 S3C2T1 Fl. 123 31 Após , retornem os autos para prosseguimento do julgamento. Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 2885DF CARF MF
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Numero do processo: 12045.000106/2007-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1995 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN.
O § 2º do art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações.
SÚMULA CARF nº 99.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, existe, nos autos, evidência de recolhimento antecipado para algumas das competências lançadas, devendo-se assim aplicar, para fins de reconhecimento de eventual decadência dessas competências, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN, mantendo-se a regra geral, insculpida no art. 173, I, do CTN para as demais competências.
Numero da decisão: 9202-005.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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SÚMULA CARF Nº 99. Recorrente AUTO POSTO DOS AFONSOS LTDA. Interessado PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1995 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN. O § 2º do art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. SÚMULA CARF nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, existe, nos autos, evidência de recolhimento antecipado para algumas das competências lançadas, devendose assim aplicar, para fins de reconhecimento de eventual decadência dessas competências, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN, mantendose a regra geral, insculpida no art. 173, I, do CTN para as demais competências. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 01 06 /2 00 7- 51 Fl. 388DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP NFLD DEBCAD nº 35.740.0186, às efls. 02 a 115, cientificado à contribuinte em 1º/08/2005 (efl. 02), com relatório do auto de infração às efls. 128 a 132. O AIOP é referente a contribuições à Seguridade Social, parte patronal, e alíquota para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e a contribuintes individuais a seu serviço, bem como a relativa a Terceiros (Salário Educação FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE). De acordo com o relatório de notificação fiscal, foram identificados pela fiscalização as seguintes infrações: pagamento de valores a segurados empregados e contribuintes individuais, a título de remuneração, sem recolhimento da correspondente contribuição previdenciária; pagamento de valores a cooperativas de trabalho, a título de prestação de serviço, sem recolhimento da contribuição previdenciária correspondente. O crédito lançado atingiu o montante de R$ 9.103,34, consolidado na data de 28/07/2005, para o período de apuração de 01/05/1995 a 31/12/2004. A NFLD foi impugnada, às efls. 143 a 149, em 18/08/2005. Já a Delegacia da Receita Previdenciária no Rio de Janeiro, na DECISÃONOTIFICAÇÃO n° 17.402 4/0149/2005, prolatada em 25/09/2005, às efls. 297 a 301, considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 08/02/2006, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 310 a 316, argumentando, em síntese, que : § o procedimento fiscal seria ilegítimo, por não atender ao princípio da verdade material, baseandose em amostragem, Fl. 389DF CARF MF Processo nº 12045.000106/200751 Acórdão n.º 9202005.380 CSRFT2 Fl. 389 3 sem revelar ou apontar a natureza do débito previdenciário em seu sintético relatório; § foram incluídos no lançamento períodos de apuração decaídos, anteriores a julho de 2000. Em 30/08/2006, foram apresentadas contrarrazões ao recurso voluntário, pela a Seção de Contencioso Administrativo da DRP Rio de Janeiro Norte, às efls. 331 a 337. O recurso voluntário foi apreciado pela Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em 12/02/2008, resultando no acórdão 20500.262, às efls. 342 a 34693, que tem a seguinte ementa: DECADÊNCIA. RELATÓRIO FISCAL. NATUREZA E ORIGEM DO DÉBITO. APURAÇÃO DIRETA. INOCORRÊNC1A. 1. O prazo para constituição do crédito previdenciário é de dez anos, nos termos do art. 45 da Lei n° 8.212/91. 2. O relatório fiscal esclarece com perfeição a natureza do débito previdenciário e demonstra claramente a sua origem. 3. Não há que se falar em ofensa a princípios constitucionais na apuração do quantum devido, uma vez que a base de cálculo foi diretamente apurada na contabilidade da empresa e o crédito encontrase lançado em conformidade com a legislação providenciaria. Recurso Voluntário Negado. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de votos: I) rejeitouse a preliminar de decadência suscitada e, no mérito, II) negouse provimento ao recurso. Ausência justificadamente do Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior Embargos da Procuradoria da Fazenda Nacional Em 30/04/2012, a Procuradora da Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração, às efls. 295 a 298, apenas no tocante à discussão da decadência. Contudo, estes embargos foram tidos como improcedentes, conforme despacho nº 074 do Presidente da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, à efl. 301, em 21/08/2012. RE da contribuinte A contribuinte foi cientificada do acórdão nº 20500.262, por meio do Ofício nº 397/2009 (efl. 348), em 17/08/2009 (efl. 351). Em 28/08/2009, ela apresentou recurso especial de divergência RE, às efls. 352 a 363, onde em suma repisa os argumentos do recurso voluntário e demonstra que o prazo decadencial de dez anos já teria sido afastado inclusive por Súmula Vinculante do STF. Fl. 390DF CARF MF 4 O RE da contribuinte foi apreciado pelo então Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. art. 7º, inc. II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 147 de 25/07/2007, por meio do despacho nº 2300283/2012, datado de 18/05/2012, às efls. 374 e 375, entendendo ele por lhe dar seguimento, no tocante à divergência arguida, em face do cumprimento dos requisitos regimentais. A Procuradoria da Fazenda Nacional teve ciência da admissibilidade do RE, por movimentação do processo em 22/05/2012 (efl. 376), dando retorno dos autos ao CARF em 24/05/2016 (efl. 377), sem qualquer manifestação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Após a edição da Súmula Vinculante nº 08 do STF, foram espancadas as dúvidas quanto a validade da contagem decenal das contribuições sociais previdenciárias: para esses tributos, também aplicamse os prazos decadenciais dispostos no CTN, de cinco anos. Verifico, a propósito, que há de se estabelecer quais os períodos de apuração, objeto de lançamento, poderiam estar fulminados pelo efeito decadencial, ao se considerar a aplicação do art. 150 §4º do CTN ou, alternativamente, o art. 173, I do CTN. A contribuinte, desde a impugnação afirmava que a decadência abrangeria aqueles períodos antecedentes a julho de 2000. Tal entendimento só seria possível considerando a decadência cuja contagem é prevista no art. 150, § 4º, do CTN, pra lançamentos sujeitos à homologação, tendo em vista que o lançamento foi a ela cientificado em 1º/08/2005. A decadência dos tributos lançados por homologação foi questão tormentosa que dividiu a jurisprudência administrativa e judicial por muito tempo. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versavam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não estava no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 12045.000106/200751 Acórdão n.º 9202005.380 CSRFT2 Fl. 390 5 Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. Fl. 392DF CARF MF 6 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. A Portaria MF no 152, de 2016, deu nova redação ao § 2º do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, com a seguinte redação: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nos demais casos. A propósito, faço notar que editou este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a Súmula no 99, aprovada por esta 2a. Turma desta Câmara Superior em 09 de dezembro de 2013 e que assim reza: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. (Grifei.) Ou seja, para fins de aplicação da Súmula supra na situação sob análise, deve haver convicção de que há recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte nas competências dos fatos geradores a que se referem a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo destes recolhimentos, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração, a fim de que se possa decidir pela aplicação, para fins de contagem do prazo decadencial, do disposto no art. 150, §4o da Lei no 5.172, de 1966 (no caso de existência de recolhimento, ainda que parcial) ou do art. 173, I do mesmo Código (no caso da inexistência de recolhimento). Fl. 393DF CARF MF Processo nº 12045.000106/200751 Acórdão n.º 9202005.380 CSRFT2 Fl. 391 7 Filiome à corrente que entende que essa verificação de antecipação de pagamento se dá de forma individualizada, por período de apuração, em virtude de o art. 150, § 4o do CTN fazer expressa referência a fato gerador, e não ao período objeto de fiscalização ou lançamento, conforme abaixo reproduzido: Art. 150. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ora, para cada fato gerador, ou seja, para cada período de apuração, deve haver pagamento parcial, para atração da regra decadencial insculpida no § 4º do art. 150 do CTN, devendo ser aplicada a regra geral, constante do art. 173, I, do mesmo CTN aos demais períodos de apuração. No relatório da notificação fiscal de lançamento de débito NFLD nº 35.740.0186, às efls. 128 (item 03), e 130 (item 18, 'b') o agente fiscal faz menção a existência de comprovantes de recolhimento. Outrossim, o Relatório de Documentos Apresentados RDA, às efls. 55 a 62, relaciona, por estabelecimento e por competência, as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos, valores espontaneamente confessados pelo sujeito passivo e, quando for o caso, por valores que tenham sido objeto de notificação anteriores. Em particular, às efls. 59 e 60 são informados valores pagos para todas as competências do ano de 2000, bem como a de dezembro de 1999. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário com a devida ciência da contribuinte em 1º/08/2005, deve ser aplicado o critério de apuração da decadência disposto na regra geral, do art. 150, § 4º, do CTN para todos os fatos geradores (pagamento realizados) anteriores a agosto de 2000 (competência de julho de 2000). Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial da contribuinte para, no mérito, darlhe provimento, reformando o acórdão recorrido para afastar, em razão da caducidade, obedecida a contagem do prazo de cinco anos a partir da data do fato gerador, as exações para os meses de competência anteriores a julho de 2000, inclusive, mantendo as exigências posteriores. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 394DF CARF MF 8 Fl. 395DF CARF MF
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Numero do processo: 13891.000149/99-93
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2004
Ementa: FINSOCIAL RESTITUIÇÃO.
INCONSTITUCIONALIDADE DAS MAJORAÇÕES DE
ALÍQUOTAS - reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no
bojo de solução jurídica conflituosa em controle difuso de
constitucionalidade de que não foi parte o contribuinte - Extensão dos efeitos pela aplicação do princípio da isonomia.
DECADÊNCIA DO DIREITO À RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - sua não ocorrência ao caso face a não aplicação da norma expressa no art. 168 do CTN . Não aplicação também do Decreto n° 92.698/86 e Decreto-lei n° 2.049/83 por incompatíveis com os ditames constitucionais. Aplicação dos princípios da moralidade administrativa, da vedação ao enriquecimento sem causa, da prevalência do interesse público sobre o interesse meramente fazendário, da Medida Provisória n° 1110/95 e suas reedições, especificamente a MP. n° 1621-36, de 10106/98 (DOU de 12/06/98), artigo 18, S 2°, culminando na Lei nº 10.522/02, do art.77 da Lei n° 9.430/96, do Decreto n° 2.194/97 e da IN SRF n° 31/97, do Decreto nO20910/32, art. 1°, dos precedentes jurisprudenciais judiciais e administrativos e das teses doutrinárias
predominantes.
COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES -
Ressalvada a competência exclusiva da Advocacia Geral da União e
das Consultorias Jurídicas dos Ministérios para fixar a interpretação das normas jurídicas vinculando a sua aplicação uniforme pelos órgãos subordinados compete aos Conselhos de Contribuintes a aplicação aos casos sob julgamento do preconizado nos princípios constitucionais, nas leis que regem os processos administrativos e no Direito como integração da doutrina, jurisprudência e da norma posta, consagrados nos comandos da Lei n° 8429/92, art 4° e Lei nº 9.784/99, art. 2°, caput e parágrafo único).
ANÁLISE DO MÉRITO - Afastada a preliminar de ocorrência da
decadência, devolve-se o processo à Delegacia da Receita Federal
de Julgamento para a análise da matéria de mérito no tocante aos
acréscimos legais, comprovantes de recolhimento, planilhas de
cálculo, etc.
Numero da decisão: 301-31.044
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar a decadência e devolver o processo à DRJ para julgamento do mérito, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Jose Lence Carluci
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PROCESSO N° SESSÃO DE ACÓRDÃO N° RECURSO N° .RECORRENTE RECORRIDA mas/1 ~ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA 13891.000149/99-93 19 de fevereiro de 2004 301-31.044 126.622 CERÂMICAARTÍSTICA MICHELE LTDA. DRJIRIBEIRÃO PRETO/SP FINSOCIAL RESTITUIÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE DAS MAJORAÇÕES DE ALÍQUOTAS - reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de solução jurídica conflituosa em controle difuso de constitucionalidade de que não foi parte o contribuinte - Extensão dos efeitos pela aplicação do princípio da isonomia. DECADÊNCIA DO DIREITO À RESTITUIÇÃO/COl\1PENSAÇÃO - sua não ocorrência ao caso face a não aplicação da norma expressa no art. 168 do CTN . Não aplicação também do Decreto n° 92.698/86 e Decreto-lei n° 2.049/83 por incompatíveis com os ditames constitucionais. 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COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES - Ressalvada a competência exclusiva da Advocacia Geral da União e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios para fixar a interpretação das normas jurídicas vinculando a sua aplicação uniforme pelos órgãos subordinados compete aos Conselhos de Contribuintes a aplicação aos casos sob julgamento do preconizado nos princípios constitucionais, nas leis que regem os processos administrativos e no Direito como integração da doutrina, jurisprudência e da norma posta, consagrados nos comandos da Lei n° 8429/92, art 4° e Lei nO 9.784/99, art. 2°, caput e parágrafo único). ANÁLISE DO MÉRITO - Afastada a preliminar de ocorrência da decadência, devolve-se o processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para a análise da matéria de mérito no tocante aos .acréscimos legais, comprovantes de recolhimento, planilhas de cálculo, etc. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar a decadência e devolver o processo à DRJ para julgamento do mérito, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 19 de fevereiro de 2004 ~ D:MEDErROS 1 ente OSÉ LENCE CARLUCI Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO, CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, ATALINA RODRIGUES ALVES, JOSÉ LUIZ NOVO ROSSARI e LUIZ ROBERTO DOMINGO. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional. MINIsTÉRIO DA FAZENDA .• TERCEIRO CONSELHO DE CON1RIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 126.622 301-31.044 CERÂMICA ARTÍSTICA MICHELE LTDA. DRJIRIBEIRÃO PRETO/SP JOSÉ LENCE CARLUCI RELATÓRIO • A interessada solicitou restituição dos valores da Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL) excedentes à aplicação da aliquota de 0,5%, nos períodos de apuração de julho/1989 a abril/1992 (fi. 01/04). Considerando ter sido o pedido da contribuinte alcançado pela decadência a Delegacia da Receita Federal (DRF) de Limeira, por meio da decisão SASIT nO027/00, indeferiu seu pleito. Inconformada, a interessada apresentou a impugnação de fis. 76/81, pleiteando a reforma da decisão recorrida, de fonila que reste acatado o pedido de restituição originariamente formulado, alegando, em resumo, o seguinte: - no julgamento do RE n° 150.764-1-PE o Supremo Tribunal Federal decidiu que a Contribuição à FINSOCIAL, até sua extinção, é devida à aliquota de 0,5%; em decorrência foi editada a Medida Provisória n° 1.110/1995 que em seu artigo 17, 111, cancelou o lançamento de crédito tributário correspondente ao tributo ora em questão; - o prazo decadencial começa a correr da data da Medida Provisória n° 1.110 de 30/08/1995, que dispensou a constituição de créditos tributários e o ajuizamento de ações fiscais, bem assim cancelou os lançamentos de contribuição ao FINSOCIAL; - houve situações em que a administração reconheceu o direito à compensação/restituição da contribuição ao FINSOCIAL para contribuintes, o que afronta o princípio da igualdade constitucionalmente preconizado; - houve ofensa ao princípio da irretroatividade da norma jurídica, haja vista ter o Ato Declaratório 96/1999 sido expedido após o pleito do contribuinte ter sido apresentado; Ao final, propugnou pelo reconhecimento de seu direito à restituição, bem assim a correção de seus créditos no termos da Norma de Execução SRF/COSIT/COSAR 08/1997. 2 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 • A DRJlRibeirão Preto-SP indeferiu a solicitação da contribuinte alegando que "O prazo para se pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago a maior extingue-se com o decurso de prazo de cinco anos, contados da data da extinção definitiva do crédito tributário." Inconformada com a decisão da DRJ a contribuinte, tempestivamente, impetrou Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes no qual reitera os argumentos expressos no pedido anterior e ainda reafirma, que: a) o procedimento usado pela Fazenda Nacional para indeferir o pleito da Requerente confronta-se com o procedimento adotado para outros contribuintes, em situação equivalente e "agride o princípio Constitucional da isonomia", no seu artigo 5°., CF/88., que todos são iguais perante a Lei, e o inciso 11do artigo 150 CF/ 88; b) o Ato Declaratório 096/99 define incompletamente os prazos de pleitear a restituição, pois o artigo 168 -I isoladamente não estabelece que o direito de pleitear a restituição é de 5 anos contados do pagamento, como decidiu a Colenda la Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, e sim contados da extinção do crédito tributário, ou da data que surgiu o direito para a requerente. Há que se conjugar outros artigos do próprio Código Tributário Nacional para a compreensão de que a extinção definitiva do crédito tributário depende de sua homologação, e só a partir daí poderia estar extinto. O prezo para que se possa pleitear restituição de tributo indevido é de 5 anos contados da homologação do lançamento prevista no S 4° do artigo 150 da Lei 5172/66, ou da data em que foi reconhecida pela Administração o seu direito ao indébito, ou seja, 30/08/95, que é a data da publicação da MP 1.110/95; c) a restituição pleiteada seja deferida, como requerido nos anexos do Pedido de Restituição apresentado, afastando-se a prescrição atacada, e em conseqüência seja reformado o Acórdão n° 31/2001; d) o requerente possa corrigir seus créditos nos termos da Norma de Execução SRF/COSIT/COSAR 08/97. É o relatório. 3 .. , ., MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 VOTO • A matéria aqui tratada é por demais polêmica, haja vista a pletora de normas, decisões judiciais e administrativas e vasta elaboração doutrinária nem sempre convergentes, exigindo uma análise aprofundada sob a ótica global do ordenamento jurídico vigente e num enfoque sistêmico desse mesmo ordenamento. Em última análise, o problema cinge-se em fixar juridicamente o dies a quo da contagem do prazo decadencial, para se pleitear a restituição das quantias pagas a título de tributo considerado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Superada que seja essa questão que coloco em sede de preliminar cabe examinar ou não nesta instância a questão de mérito em face da legislação substantiva e adjetiva específica da restituição/compensação de indébitos tributários à vista da documentação acostada aos autos. Assim colocado o problema, apresentarei nos tópicos a seguir os embasamentos jurídicos que, penso, irão orientar meu convencimento e dar sustentabilidade ao meu voto. I - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS ACERCA DOS ARTS. 165 E 168 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (restituição de tributos) o Anteprojeto do Código Tributário Nacional elaborado pelo professor Rubens Gomes de Souza nos trabalhos da Comissão Especial do CTN dispunha sobre a matéria em seus arts. 201 e 204, da seguinte forma: "Art. 201. Observado o disposto no art. 209, o contribuinte terá direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo pago, seja qual for a sua natureza ou a modalidade do seu pagamento, nos seguintes casos: I. Inconstitucionalidade da legislação tributária ou do ato administrativo em que se tenha fundado a cobrança, declarada por decisão judicial definitiva e passada em julgado, ainda que posterior ao pagamento; 4 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 11. Cobrança ou pagamento de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável e da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; 111. Erro da autoridade administrativa na identificação do contribuinte, no cálculo da alíquota ou da verba, ou na extração ou conferência da guia de pagamento; IV. Cobrança de crédito tributário prescrito; V. Reforma, anulação, revogação ou rescisão da decisão administrativa ou judicial condenatória; VI. Na hipótese prevista nos arts. 136 e 137, parágrafo único, observado o disposto no art. 209. Art. 204. O direito de pleitear a restituição prescreve no prazo de cinco anos contados: I. Na hipótese prevista na alínea I do art. 201, da data em que passar em julgado a decisão nela referida; 11. Nas hipóteses previstas nas alíneas 11, 111 e IV do art. 201, da data da extinção do crédito; 111.Na hipótese prevista na alínea V do art. 201, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial, que tenha reformado, anulado ou rescindido a decisão condenatória; IV. Na hipótese prevista na alínea VI do art. 201, da data da celebração do ato jurídico novo, referido no art. 136." Ao caso interessa-nos o inciso I de ambos os artigos. A Comissão analisou o Anteprojeto e, com referência aos artigos acima, apresentou a sugestão 446, a seguir: " 446. (A) Idem. (B) No art. 201, suprimir o inciso I. (C) A primeira hipótese de restituição, prevista no Anteprojeto (art. 201, item I), parece assentar no pressuposto de que a decisão judicial, declaratória da inconstitucionalidade, prevalece não apenas "inter partes", senão também "erga ornnes", sendo oponível à Fazenda por todos os possíveis interessados, ainda que estranhos à demanda. 5 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 Sim, porque a restituição, postulada por quem tenha sido parte no feito, isto é, por quem haja ingressado em juízo está assegurada no item V, do artigo em referência, de sorte que o citado item I, assegura, positivamente, o direito de todos os contribuintes, por força de uma perigosa generalização dos efeitos da "coisa julgada". O assunto, como se vê, afiora um delicado tema de Direito Constitucional, tão proficientemente versado por juristas da estirpe de Pontes de Miranda, Castro Nunes, Francisco Campos, Lucio Bittencourt e outros. Não nos abalançamos a discutir tão .magna questão, reservada ao debate dos mais doutos, sendo nosso propósito, tão-somente, tecer rápidas considerações derredor do assunto, tendo em vista certas conseqüências de ordem prática . Discorrendo sobre o assunto, eis como se manifesta o provecto Lucio Bittencourt: "É justamente por força da "eficácia natural" da sentença declaratória da inconstitucionalidade, que esta passa a atuar em relação a "todos", sem distinção, tenham ou não sido partes do processo, atingindo em cheio o ato visado, que se torna pela força do decreto judiciário, írrito, insubsistente, inoperante, ineficaz para todos os efeitos. É como se não fosse lei, - diz Black - não confere direitos; não impõe deveres; não fornece proteção - it confers no rights; it imposes no duties; it affords no protection" (O CONTROLE JURISDICIONAL DA CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS - Edição Revista Forense - 1949 p. 142). Não nos convencem, data venia, as razões aduzidas pelo festejado jurista, tanto mais que é o próprio Autor que, linhas atrás, ao falar dos efeitos indiretos da sentença, reconhece não terem os tratadistas americanos, assim como os brasileiros, "conseguido apresentar fundamento técnico, razoavelmente aceitável, para justificar essa extensão", sendo mister, prossegue o Autor, para explicar esse fenômeno de repercussão indireta da sentença - "partir de um conceito de coisa julgada diverso do dominante". As ponderações do insigne Professor, aliadas ao fato de, entre nós, incumbir ao Senado Federal "suspender a execução, no todo ou em parte, da lei ou decreto considerados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal" (Constituição Federal, art. 64), bastam a convencer de que os efeitos da "coisa julgada", em matéria de inconstitucionalidade, são os regulares, alcançados apenas os litigantes, reservada que está a outro Poder a incumbência de, suspendendo a execução da lei fulminada pela Suprema Corte, generalizar os efeitos da decisão declaratória da inconstitucionalidade. Este é, com efeito, o mais robusto argumento que se pode opor à perigosa tese da generalização dos efeitos da coisa julgada, pelo só fato da prolação da sentença, argumento que é tanto mais procedente quanto é certo que, se a simples decisão 6 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 • • judicial bastasse a invalidar a lei, suspendendo-lhe a execução, redundante ou inútil seria a provisão do art. 64, da Constituição Federal, entendimento que se pode admitir, máxime em se tratando de preceito constitucional, visto como é princípio assente que "verba cum effectu sunt accipienda". Concludente a este respeito, é o raciocínio do Dr. Othon Sidou, o qual, em bem elaborada monografia, recentemente dada à estampa, assim se externa: "Entendemos que se o Constituinte adotou (e já em duas Cartas políticas) a expressão "SUSPENDER A EXECUÇÃO", quis deixar expresso que, só a partir de então, o ato que vinha sendo adotado deixaria de o ser. A menos que incidíssemos no contra-senso de admitir que algum ato suspendesse o que já estivesse suspenso". (INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E REP ARAÇÃO DE DANO POR MANDADO DE SEGURANÇA Editora "CÂMBIO" - 1953 - p. 45) Acresce que o ato senatorial não é irretratável, definitivo, sabido que, em face de novo pronunciamento do Pretório Excelso, poderá o Senado levantar a suspensão da execução da lei malsinada, que, assim, voltará a figurar no elenco dos diplomas legais sadios, tal como admite o eminente Pontes de Miranda, em seus lúcidos "Comentários à Constituição de 1946" - VoI. II - p. 58. Tal circunstância assaz relevante, é de molde a desaconselhar a adoção do dispositivo do art. 201, item I, o Anteprojeto, tendente a compelir a Fazenda a restituir tributos arrecadados com fundamento em lei acaso declarada inconstitucional, mas que, por força de novo pronunciamento, poderá convalescer. (D) Aprovada (111)." Em resultado da análise do Anteprojeto a Comissão aprovou a Sugestão 446 acima, culminando no texto do Projeto do Código Tributário Nacional cujos artigos correspondentes passaram a ser os números 130 e 134, respectivamente, no seguinte teor: "Art. 130. O contribuinte tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de seu pagamento nos seguintes casos: r. Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II. Erro na identificação da contribuinte, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do tributo, ou na 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; IH. Reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória; IV. Ulterior desaparecimento, modificação ou redução dos resultados efetivos do negócio ou ato jurídico que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal, em conseqüência: a) De nulidade declarada por decisão judicial definitiva; b) Do inadimplemento de condição suspensiva; c) Do implemento da condição resolutória. Art. 134. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de seis meses quando o pedido se baseie em simples erro de cálculo, ou três anos nos demais casos, contados: L Nas hipóteses previstas nas alíneas I e H do art. 130, da data da extinção do crédito tributário; 11. Na hipótese prevista na alínea IH do art. 130, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória; m. Nas hipóteses previstas na alínea IV do artigo 130,da data em que transitar em julgado a sentença anulatória, ou em que se verificar o inadimplemento da condição suspensiva ou o implemento da condição resolutória." Vê-se, então, que pela aprovação da Sugestão 446, a Comissão elaborou o texto definitivo do Projeto, excluindo a hipótese dos incisos I, dos arts. 201 e 204 do Anteprojeto que dispunham sobre a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, declarada por decisão judicial. O Relatório da Comissão esclarece as razões da exclusão e aceitação da Sugestão 446, conforme exposto a seguir: "As hipóteses de restituição enumeradas nas alíneas I a IV do art. 130, correspondem às das alíneas I a VI do art. 201 do Anteprojeto, com as seguintes modificações: 8 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 A referência expressa ao tributo inconstitucional (art. 201 nOI) foi reputada desnecessária, porque, sendo aquele indevido, a hipótese é abrangida pela da alínea 11 do mesmo artigo (art. 130 n° I). Ficou, assim, implicitamente atendida a sugestão 446. (grifos não são do original). Nos arts. 134 e 135, a Comissão modificou o sistema do correspondente art. 204 do Anteprojeto. Este, em concordância com o regime processual que instituía nos Livros VIII e IX, unificava os prazos de caducidade do direito à restituição e de prescrição da ação correspondente àquele direito. Em conseqüência do destaque da matéria processual (supra: 8), a Comissão restabeleceu o sistema do vigente Decreto nO20.910 de 1932, fixando, respectivamente nos arts. 134 e 135, o prazo de caducidade do exercício do direito à restituição, e da prescrição da ação destinada a efetivar aquele direito, quando exercido em tempo hábil. (grifei) No cômputo dos prazos, entretanto, a Comissão, tendo em vista a tendência moderna do direito para o encurtamento dos prazos extintivos, consagrou uma duração total de cinco anos, dividindo assim o prazo atualmente previsto no art. 1° do Decreto n° 20.910 citado, à razão de três anos para a caducidade do direito, e de dois anos para a propositura da ação que o efetive. Distinguiu-se ainda, quanto ao primeiro desses prazos, as hipóteses em que a restituição decorra de simples erro de cálculo, a exemplo do que faz o art. 666 da Consolidação das Leis das Alfândegas (interpretado pelo Decreto nO20.230 de 1931), reduzido porém o prazo, em tais hipóteses, para seis meses, o que é suficiente por se tratar de matéria facilmente apurável." (grifei) o Projeto foi encaminhado ao Congresso Nacional resultando na Lei n° 5.172/66, que materializa o Código Tributário Nacional vigente. Como sabemos, a Lei ao ser editada, adentra o mundo jurídico e desvincula-se dos fatos e condições que lhe deram origem, passando a regrar fatos concretos "ex nunc ". A "mens legislatori" dá lugar à "mens legis". As considerações acima auxiliam a compreensão do texto da lei posta, cuja interpretação será então conforme os ditames do Direito, no magistério dos sempre festejados mestres Carlos Maximiliano e Alípio Silveira. Dessas considerações acima conclui-se que: 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° • • • 126.622 301-31.044 a Comissão do Código Tributário Nacional reconhece que a referência expressa ao tributo inconstitucional, prevista no art. 201, inciso I, do Anteprojeto foi reputada desnecessária, porque, sendo aquele indevido, a hipótese é abrangida pela do inciso 11do mesmo artigo, que corresponde ao art. 130, I, do Projeto e ao art. 165, I do Código Tributário Nacional; inseriu no Código Tributário Nacional o sistema do vigente Decreto n° 20.910/32, fixando o prazo de 5 anos, quando exercido em tempo hábil; o tempo hábil para o exercício desse direito começa a fluir da data em que se originou o direito, conforme prescreve o art. 1° do referido Decreto, ou seja, que todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas, prescrevem em 5 anos da data do ato ou fato, do qual se originaram. • esse direito, "in casu" se ongmou da declaração de inconstituci onalidade. • o Código Tributário Nacional vigente passou, ntão, a albergar a hipótese de restituição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. fi - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Preambularmente cabe destacar o comando do art. 4° da Lei n° 8.429, de 02/06/92 (DOU de 03/06/92), in verbis: "Art. 4° Os agentes públicos de qualquer nível ou hierarquia são obrigados a velar pela estrita observância dos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, e publicidade no trato dos assuntos que lhe são afetos." (grifei) E reafirmado no art. 2° da Lei n° 9.784/99, aplicável aos processos -administrativos de qualquer natureza, in verbis: "Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." (grifei). 10 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 • A matéria encontra-se com abundante elaboração doutrinária em face da Constituição Federal pelos juristas de escol de nosso País, pelo que me permito transcrever alguns excertos para deles extrair as conclusões para os casos concretos submetidos ao julgamento desta Câmara, a seguir. Quanto à aplicação dos princípios constitucionais pelos Conselhos de Contribuintes assim decidiu a Câmara Superior de Recursos Ficais, no Acórdão nO CSRF/ 01 - 03.620: "MATÉRIA CONSTITUCIONAL - A jurisprudência dos Tribunais Superiores e a Doutrina reconhecem que o Poder Executivo pode deixar de aplicar a lei que contrarie a Constituição do País. Os Conselhos de Contribuintes como órgãos judicantes do Poder Executivo encarregados da realização da justiça administrativa nos litígios fiscais, têm o dever de assegurar ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa, analisando e avaliando a aplicação de norma que implique em violação de princípios constitucionais estabelecidos na Lei Maior, afastando a exigência fiscal baseada em dispositivo constitucional". (grifei). 1- CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE Lenta e gradualmente o Supremo Tribunal Federal consolida-se como autêntica corte constitucional, que não somente possui o monopólio da censura em relação aos atos normativos federais ou estaduais em face da Constituição Federal no âmbito do controle abstrato de normas como também detém a última palavra sobre a constitucionalidade das leis na sistemática do controle incidental, pelo menos em última instância, através de recurso extraordinário. Se se admite que a declaração de inconstitucionalidade proferida no processo de controle abstrato de normas tem eficácia erga omnes, como justificar razoavelmente que a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, no caso concreto, deva ter eficácia limitada às partes? Por que condicionar a eficácia geral dessa decisão a um ato do Senado Federal se se admite hoje, até com certa naturalidade, que o Supremo Tribunal Federal pode suspender liminarmente a eficácia de qualquer ato normativo, inclusive de uma emenda constitucional, no processo de controle abstrato de normas? Os atos praticados com base na lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão ou de impugnação não são afetados pela declaração de inconstituci onalidade, (Gilmar Ferreira Mendes - Revista Trimestral de Direito Público nO 2/93, pp. 267/276). 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 • • Pode o poder executivo deixar de cumprir a lei por considerá-la inconstitucional? o problema não é novo e há muito se tem discutido. O eminente Min. Themistocles Brandão Cavalcanti, ex-Procurador-Geral e ex-Consultor-Geral da República, com a sua autoridade em Direito Público, nos ministra, desde 1964, a seguinte lição: "O que se tem admitido é permitir aos responsáveis pela politica administrativa, a não aplicação de leis inconstitucionais, usando do processo usual de -interpretação, que consiste na aplicação da lei hierarquicamente superior que exclui, desde logo, a aplicação da lei menor que com ela vem colidir. ("Do Controle da Constitucionalidade", ed. Forense, Rio, 1966, p. 180) . E mais adiante: "Os funcionários de categoria superior, responsáveis pela decisão podem e devem considerar a aplicação das normas, em função de sua categoria hierárquica." E acrescenta: "Nada justifica a aplicação de uma lei inconstitucional. Mesmo em caso de dúvida fundada, esta deve ser afastada por um exame judicial da controvérsia, desde que os interessados se insurjam contra a recusa do Executivo." Decidiu o STF que: "É licito aos Poderes Legislativo e Executivo anularem os próprios atos, quando inconstitucionais" (recurso extraordinário n° 61.342. relator Min. Eloy da Rocha, in RDA 93/191). Sendo licita ao Executivo a anulação de atos inconstitucionais, mais licita será a recusa de praticá-los quando previamente constatada a inconstitucionalidade. (Orlando Miranda Aragão - Revista de Direito Público n° 26, págs. 70/72) 2 - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS A doutrina, sobretudo do direito administrativo e do direito tributário, acentua a distinção entre princípio e norma. O princípio é mais importante que a norma. Donde: violar princípio é algo muito mais grave que violar norma. O princípio é descrito por linguagem figurada ou metafórica: norte, vetor, alicerce do sistema constitucional, é dizer: disposição capital diante da qual a exegese das outras normas insertas no sistema há de conformar-se. (José Souto Maior Borges - Revista Trimestral de Direito Público n° 1/93 - p. 143) 12 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA . RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 • . Ao prefaciar seu admirável Tratado de Direito Privado, averbou Pontes de Miranda que: "os sistemas jurídicos são sistemas lógicos, compostos de proposições que se referem a situações da vida, criadas pelos interesses mais diversos". A função social do Direito é dar valores a estas situações, interesses e bens, e regular-lhes a distribuição entre os homens. Na fecunda formulação de sua teoria tridimensional do Direito, demonstrou Miguel Reale que a norma jurídica é a síntese resultante de fatos ordenados segundo distintos valores. Com efeito, leciona ele. Onde quer que haja um fenômeno jurídico há, sempre e necessariamente, um fato subjacente (fato econômico, geográfico, demográfico, de ordem técnica, etc.); um valor que confere determinada significação a este fato; e finalmente uma regra ou norma que representa a relação ou medida que integra um daqueles elementos ao outro, o fato ao valor. Pois os princípios constitucionais são precisamente a síntese dos valores principais da ordem jurídica. A Constituição, como já vimos, é um sistema de normas jurídicas. Ela não é um simples agrupamento de regras que se justapõem ou que se superpõem. A idéia de sistema funda-se na harmonia de partes que convivem sem atritos. Em passagem que já se tornou clássica, escreveu Celso Antonio Bandeira de Mello: "Princípio é, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de critério para a exata compreensão e inteligência, exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico (",,)". (grifei) "Violar um princípio é muito mais grave do que transgredir uma norma. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório, mas a todo o sistema de comandos. É a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade, conforme o escalão do princípio atingido, porque representa insurgência contra todo o sistema, subversão de seus valores fundamentais ..." (Luís Roberto Barroso - Revista Trimestral de Direito Público nO 1/93 pp. 171/172). 3 - PRINCÍPIO DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 • A moralidade tem a função de limitar a atividade da administração. Exige-se com base nos postulados, que a forma, que o atuar dos agentes públicos atenda a uma dupla necessidade: a de justiça para os cidadãos e de eficiência para a própria administração, a fim de que consagrem os efeitos-fins do ato administrativo consagrados no alcance da imposição do bem comum. (grifei) Não satisfaz às aspirações da Nação a atuação do Estado de modo compativel só com a mera ordem legal. Exige-se muito mais. Necessário se torna que a administração da coisa pública obedeça a determinados princípios que conduzam à valorização da dignidade humana, ao respeito à cidadania e à construção de uma sociedade justa e solidária. Está, portanto, o administrador obrigado a se exercitar de forma que sejam atendidos os padrões normais de conduta que são considerados relevantes pela comunidade e que sustentam a própria existência social. Nesse contexto, o cumprimento da moralidade além de se constituir num dever que deve cumprir, apresenta-se como um direito subjetivo de cada administrado. (grifei). o que se afirma é que, tanto em situação de normalidade como em estado de anormalidade, o administrador não pode, sob qualquer pretexto, deixar de exercer as suas atribuições longe do princípio da moralidade. Nada justifica a violação desse dogma, por mais iminente que seja a necessidade da entrega da prestação da atividade administrativa. (grifei). Dificuldade maior se apresenta para o administrador, pois, terá que, com base em conceitos axiológicos, examinar qual a posição que deve prevalecer, em face do interesse público. O que é certo é a impossibilidade de praticar o ato com ruptura dos laços que envolvem o princípio da moralidade. (grifei). O valor jurídico do ato administrativo não pode ser afastado do valor moral. Isso implica um policiamento ético na aplicação das leis, o que não é proibido, porque o defendido é a lisura nas práticas administrativas, fim, também contido na norma legal. A administração pública não está somente sujeita à lei. O seu atuar encontra-se subordinado aos motivos e aos modos de agir, pelo que inexiste liberdade de agir. Deve, assim, vincular a gestão administrativa aos anseios e necessidades do administrado, mesmo que atue, por autorização legal, como senhor da conveniência e da oportunidade. Qualquer excesso a tais limites implica adentrar na violação do princípio da moralidade administrativa sempre exigindo uma correta atividade. A moralidade é um atributo, ao lado da licitude, da possibilidade e da certeza, que deve presidir o nascimento e posterior desenvolvimento de qualquer ato administrativo. Este, conseqüentemente, não deve contrariar nenhum princípio de ordem ética que impere em determinado organismo social, sob pena de não lhe ser reconhecida validade. 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 A função da moralidade administrativa é de aperfeiçoar a atividade pública e de fazer crescer no administrado a confiança nos dirigentes da Nação. Ela visa o homem como administrado, em suas relações com o Estado, contribuindo para o fortalecimento das instituições públicas. A Constituição, sensível aos ViCIOS identificados pela Nação na prática da administração pública, não deixou sem solução satisfatória tão grave problema de ajuste do atuar do agente público com a finalidade pública da ação produzida, fazendo com que o direito seja o reflexo de uma nova concepção de justiça compatível com a realidade social a que se destina. O amplo controle da atividade administrativa se exerce, assim, na atualidade, não só pelos administrados diretamente, como, também, pelo Poder Judiciário, em todos os atributos do ato administrativo. A Constituição de 1988, em vários de seus artigos, quer de modo explícito, quer de modo implícito, faz referência ao princípio da moralidade administrativa, sem confundi-lo com o da legalidade. Como idéia de dever para o administrador público e como um direito subjetivo da Nação é que o princípio da moralidade administrativa se impõe no caput do art. 37, da Carta Magna, da forma seguinte: "A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e, também, ao seguinte" A moralidade se apresenta no texto da Carta Magna, conforme visto, com força de princípio imperativo. Pressupõe, conseqüentemente, que o administrador há de pautar, de modo obrigatório e permanente, a sua atuação pela ética da Administração Pública, que visa sempre o bem comum. (grifei). A obediência ao princípio da moralidade administrativa impõe ao agente público que revista todos os seus atos das características de boa fé, veracidade, dignidade, sinceridade, respeito, ausência de emulação, de fraude e de dolo. São qualidades que devem aparecer, de modo explícito, em todos os atos administrativos praticados, sob pena de serem considerados viciados e sujeitos aos efeitos da nulidade. É certo que a Constituição de 1988 percebeu, em atendimento ao coro da Nação, que a administração pública necessita ter a base nuclear dos seus atos na moralidade. Isso significa a negação de apoio para os atos praticados com violação a esse princípio. (grifei). 15 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 Há, assim, de reconhecer as fronteiras não só do lícito e ilícito, mas, também, do justo e do injusto, tudo visando a que o ato praticado, quer legislativo, quer administrativo, não seja atacado de não - moralidade. (grifei). o exame sistemático dos dispositivos da Constituição Federal que tratam da aplicação do princípio da moralidade administrativa estão a determinar que é necessário que impere na administração pública o referido postulado, exigindo-se de todos os agentes públicos, independentemente do grau hierárquico exercido, de se vincularem a um dever geral de ótima administração, como conseqüência da sujeição ao interesse público. (grifei). A jurisprudência resulta do exame da lei e dos fatos. Indispensável se torna que tudo seja feito de modo que o Juiz faça sua opção pela solução mais justa e consentânea com os valores reclamados pela Nação. Embora não seja a jurisprudência uma criadora do direito, na prática muito se aproxima dessa qualidade, na medida em que fixa entendimento sobre a relação existente entre o fato e a norma. (grifei). No Direito Brasileiro, há de se considerar como relevante a contribuição da jurisprudência para a construção do conceito de moralidade administrativa. Através dos pronunciamentos reiterados dos juizes vêm se formando conceitos que expandem a abrangência dos efeitos do referido princípio, por vir detectando, em determinados dispositivos da Constituição Federal e de legislação hierarquicamente inferior, mesmo implicitamente, a obrigatoriedade do agente público ser fiel ao princípio da moralidade administrativa. o reconhecimento do cidadão ter direito subjetivo a ser exigido do administrador público para que se comporte com sustentáculo no princípio da moralidade administrativa, foi feito pelo então Tribunal Federal de Recursos, em voto da lavra do eminente Ministro Washington Bolívar de Brito, ao julgar o Agravo de Instrumento 44790, DF: "Se é certo que a Constituição assegura a todo cidadão o direito subjetivo ao governo honesto, não menos certo é que os governantes, cujos atos são atacados, em nome da moralidade administrativa, onde e quando essa moralidade for posta em dúvida, que a sua atuação foi inspirada no bem comum e tem amparo legal, além de trazer benefícios, e não lesões à comunidade" Constatada essa realidade constitucional, resta que se torne eficaz e efetivo o princípio da moralidade administrativa, se exercendo o controle dos atos que o violarem sem quaisquer peias ou amarras. (grifei). (José Augusto Delgado - Revista Trimestral de Direito Público n° 1/93 pp. 209/222) 16 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 4 - PRINCÍPIO DA MORALIDADE PÚBLICA A tese envolve reconhecimento de que o ordenamento jurídico impõe a compatibilidade da conduta do agente público com determinados parâmetros éticos. A existência de um princípio jurídico da moralidade significa que algumas valorações morais do grupo são recepcionadas pelo Direito Público. A existência de um princípio jurídico da moralidade pública não significa a incorporação da Moral pelo Direito. Os preceitos morais têm existência autônoma frente ao Direito, verificando-se apenas uma juridicização parcial deles. Ouando se alude a um princípio jurídico da moralidade quer-se afirmar que a qualificação jurídica das condutas externas subordina-se aos parâmetros não só da lei jurídica como também da moralidade. Mas, há peculiaridade que diferencia o princIpIO da moralidade pública frente à quase totalidade dos demais princípios jurídicos. Trata-se da referência às vivências éticas predominantes na sociedade. O princípio da moralidade pública contempla a determinação iurídica da observância de preceitos éticos produzidos pela sociedade, variáveis segundo as circunstâncias de cada caso. A apuração do conteúdo jurídico do princípio da moralidade pública envolve, por isso, uma aproximação e uma dinâmica. Há um núcleo axiológico que produz desdobramentos mais ou menos indefinidos. A essência do princípio da moralidade pÚblica consiste na invalidade de todos os atos praticados pelo Estado incompatíveis com a interpretação ética do sistema e das normas jurídicas (constitucionais ou não). Essa pluralidade de significados potenciais da norma jurídica encontra limites no sistema jurídico. Entre nós, o sistema jurídico - constitucional incorporou o princípio jurídico da moralidade pública. Por decorrência, o aplicador do Direito está obrigado a considerar também o fator ético - a moralidade pública - ao definir a interpretação cabível para determinado dispositivo normativo. Entre diversas interpretações possíveis - ou mais precisamente, entre diversas condutas possíveis de ser validadas frente à Constituição - , o aplicador deverá optar por aquela conforme aos princípios jurídicos (inclusive ao princípio da moralidade pública). Enfim, não se concebe, frente à CF/88, uma solução eticamente reprovável, cuja adoção se fundasse em argumentos de técnica jurídica. (grifei). 17 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 o conteúdo jurídico da princípio da moralidade pública resulta da conjugação de dois conceitos básicos, que são a supremacia do interesse público e a -boa-fé. A partir desse núcleo, agregam-se outras vivências consagradas eticamente. Não se confunde interesse público com interesse do aparato estatal. O Estado, como sujeito de direito, pode adquirir certas conveniências, de modo similar ao que se passa com qualquer sujeito de direito. Não significa, porém que tais circunstâncias se caracterizem como interesses públicos, para os fins da aplicação dos princípios ora examinados. Configura-se aqui a diferença apontada por Renato Alessi entre interesse público primário e interesse secundário, difundida entre nós por Celso Antonio Bandeira de Mello. Enfim, como afirmou Gordillo, "o interesse público não é o interesse da Administração Pública. Deve-se ter em vista que nenhum interesse público se configura como conveniência egoística da Administração Pública. O chamado interesse secundário .(Ales si) ou interesse da Administração Pública não são públicos. Aliás, nem ao menos são interesses na acepção jurídica do termo. São meras circunstâncias, alheias ao Direito. Ou seja, o Estado não possui interesses qualitativamente similares. O Estado não se encontra no mesmo plano dos particulares, mas não simplesmente por essa qualidade pessoal. É que a natureza dos interesses que titulariza é diversa dos interesses individuais, particulares, egoísticos. Quando atua na tutela desses interesses, não se pode cogitar de fenômeno similar ao que ocorre com os interesses particulares. Ao aludir-se a moralidade pública, nesse terceiro aspecto, cogita-se da perfeição ética do relacionamento entre o Estado e os cidadãos. A moralidade significa que o Estado é instrumento de realização do bem público e, não de opressão social. A concentração de poderes e a superioridade do interesse público retratam, por assim dizer, a servidão do Estado em face da comunidade. (grifei). Como ensina Bandeira de Mello, o Estado "poderia portanto ter o interesse secundário de resistir ao pagamento de indenizações, ainda que procedentes, ou de denegar pretensões bem fundadas que os administrados lhe fizessem, ou de cobrar tributos ou tarifas por valores exagerados. Estaria, por tal modo, defendendo interesses apenas "seus", enquanto pessoa, enquanto entidade animada do propósito de despender o mínimo de recursos e abarrotar-se deles ao máximo. Não estaria, entretanto, atendendo ao interesse público, ao interesse primário, isto é, àquele que a lei aponta como sendo o interesse da coletividade: o da observância da ordem jurídica estabelecida a título de bem curar o interesse de todos" (Curso de Direito Administrativo, 63 ed., Malheiros, 1995, p. 22). (grifei). O Estado de Direito Democrático tal como aquele consagrado pela CF/88, reconhece que a supremacia do interesse público não significa supressão de interesses privados. Um dos mais graves atentados à moralidade pública consiste no sacrificio prepotente, desnecessário ou desarrazoado de interesse privado. O Estado não existe contra o particular, mas para o particular. Mas, além disso, a supremacia 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 do interesse público não conduz à supressão da pluralidade de interesses juridicos tuteláveis. (grifei). A moralidade pública exclui não apenas os beneficios e vantagens indevidos para os particulares ocupantes da função pública. ExcluÍ, também, a obtenção de vantagens reprováveis ou abusivas pelo Estado para si próprio. Não se torna válida a espoliação dos particulares como instrumento de enriquecimento público. O Estado não existe para buscar satisfações similares às que norteiam a vida dos particulares. A tentativa de obter a maior vantagem possível é válida e lícita, observados os limites do Direito, mas apenas para os sujeitos privados. Não é conduta admissível para o Estado, que somente está legitimado a atuar para realizar o bem comum e a satisfação geral. O Estado não pode ludibriar, espoliar ou prevalecer-se da fraqueza ou da ignorância alheia. O princípio da moralidade indica sob esse ângulo, lealdade do Estado frente aos cidadãos. A ação e a omissão do Estado devem ser cristalinas, inequívocas e destituídas de reservas, ressalvas ou segundas-intenções. Não se legitima o ardil sob argumento de que se destina a abarrotar de recursos os cofres públicos. "A moralidade pública é compatível com a duplicidade de intentos normativos. Não se concilia com a moralidade que a lei tenha duplo conteúdo: um texto aparente e formalmente compatível com a Constituição e uma efetiva e real mens legis inconciliável com ela. Como asseverou José Eduardo Soares de Melo "A tributação implica intromissão do governo nas atividades dos particulares, mediante substanciais desfalques em seus patrimônios. Assim, compreende-se que a participação financeira - pela via tributária - há que ser certa, precisa, previamente conhecida, como corolário dos princípios da boa-fé e lealdade, que devem presidir a atividade administrativa" (ICMS - Teoria e Prática, Dialética, 1995, p. 98). A moralidade se relaciona, ademais, com a segurança jurídica. Ambos os princípios asseguram a previsibilidade da conduta estatal e a certeza sobre a disciplina normativa. Mas a moralidade representa algo mais, por envolver um conteúdo ético para a disciplina jurídica. Ou seja, não é necessária apenas a segurança jurídica, mas se impõe que a disciplina jurídica (segura porque estável e previsível) seja também compatível com a moralidade. o Estado ao produzir a norma tributária ou ao aplicá-la não pode olvidar os princípios jurídicos nem atender apenas às palavras do texto legaL buscando respaldo em prodígios de raciocínio para justificar desvios éticos. Nesse ponto preciso é que se avoluma a relevância do princípio da moralidade pública. Não 19 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 permite o Estado condutas viciadas por defeitos éticos. O Estado não está legitimado a produzir leis imorais nem a aplicar, de modo imoral, uma lei. (grifei). (Marçal Justen Filho - Revista trimestral de Direito Público nO11/95 pp.45/58) 5- PRINCÍPIO DO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA É um princípio constitucional implícito que, ao lado do princípio da moralidade administrativa, também se aplica ao caso, impondo à União que o cumpra, restituindo ou compensando o que indevidamente se apropriou do contribuinte a título de tributo posteriormente desconstituído pela Suprema Corte, institucionalmente a competente para dizer a última palavra em matéria constitucional. Cria-se por lei um tributo sob a forma de contribuição, o contribuinte paga espontaneamente sob a presunção de ser a mesma constitucional. Via de regra entre o pagamento e a decisão do Supremo o lapso temporal ultrapassa cinco anos. Fixar-se o dies a quo, como a data do pagamento (crédito tributário) e não a data da publicação de decisão judicial no mais das vezes impossibilita o contribuinte credor de reaver o que legitimamente lhe pertence, revelando-se um enriquecimento ilícito do Poder Público além de afrontar o princípio da moralidade administrativa, traindo a sua boa-fé. Esse fato pode conduzir ao seguinte quadro. Da mesma forma como pode o Fisco lançar o tributo suspenso por uma das hipóteses legais, visando a prevenção da decadência, o contribuinte, em clima de desconfiança gerado, recolhe os tributos, pede a restituição dentro dos 5 (cinco) anos e judicialmente argúi a inconstitu cionalidade m INTERESSE PÚBLICO VERSUS INTERESSE FAZENDÁRIO O interesse fazendário não se confunde muito menos sobrepaira o interesse público. Perante o Texto Constitucional, subordina-se ao interesse público e, por isso mesmo, só poderá prevalecer quando em perfeita sintonia com ele. Oportuna, a respeito, a preleção, sempre preciosa, de Celso Bandeira de Mello: "Interesse público ou primário é o pertinente à sociedade como um todo e só ele pode ser validamente objetivado, pois este é o interesse que a lei consagra e entrega à compita do Estado como representante do corpo social. Interesse secundário é aquele que atina tão só ao aparelho estatal enquanto entidade personalizada e que por isso 20 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURsaN° ACÓRDÃaN° 126.622 301-31.044 mesmo pode lhe ser referido e nele encarnar-se pelo simples fato de ser pessoa". Estribados em tão sólidas lições doutrinárias, podemos proclamar, com toda a convicção, que o mero interesse arrecadatório - interesse secundário que - não pode fazer tábua rasa à legalidade, à isonomia e aos direitos constitucionais dos contribuintes. . No mesmo sentido, Alberto Xavier pontifica: " ...num sistema econômico que tenha como princípios ordenadores a livre iniciativa, a concorrência e a propriedade privada torna-se indispensável eliminar, no maior grau possível, todos os fatores que possam traduzir-se em incertezas econômicas suscetíveis de prejudicar a expansão livre da empresa designadamente a insegurança jurídica" . Segue-se, pois, que nenhuma justificativa extra jurídica (v.g., o aumento das receitas) poderá validamente subverter os princípios básicos do sistema constitucional brasileiro, iluminados, todos eles, pelo princípio da segurança jurídica. As garantias constitucionais limitam o poder de tributar e sancionar. a propósito de abastecer de dinheiro os cofres públicos não pode chegar, num Estado de Direito como o nosso, ao ponto de lesar direitos subjetivos das empresas e dos particulares que delas participam. Afinal predominância do interesse público não é sinônimo de lesão de direitos. Não podemos invocar o interesse fazendário (ou seja qual for o nome que lhe queiramos atribuir) para justificar qualquer iniciativa, quer no plano fático, que não se contenha estritamente nos lindes do texto constitucional. É que não há interesse maior do que o representado pelo respeito às exigências sistemáticas da ordem constitucional. (Roque Antônio Carrazza - Revista Trimestral de Direito Público nO 13/96, pp. 16). a interesse público, no caso, é a realização do Direito e da justiça através da satisfação plena dos princípios constitucionais atrás expostos. a interesse fazendário por certo restará satisfeito, pois, os recursos eventualmente restituídos ao contribuinte certamente retornarão ao erário indiretamente sob a forma de outros tributos, após terem gerado novos investimentos, empregos, etc. 21 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 Em abono a esta tese vem a própriaPGFN em lúcido Parecer nO 877/03, aprovado e publicado no D.O.V. de 02/09/03, in verbis: "Por conseguinte, se, por força da lei, a prescrição fulmina, elimina ou extingue o crédito tributário, vale dizer a "relação tributária", cabe ao administrador, por dever de perseguir o interesse público primário, mesmo atritando com o interesse público secundário, meramente patrimonial do Estado, reconhecer a prescrição no caso concreto posto às suas vistas". (grifei). IV - NASCIMENTO DO DIREITO À RESTITUICÃO /COMPENSACÃO DECORRENTE DE LEI INCONSTITUCIONAL o direito à restituição nasce com a declaração de inconstitucionalidade que faz as vezes de lei (norma individual) - não se aplicando, portanto, a norma do art. 165 C/C art. 168 do CTN. O renomado tributarista Hugo de Brito Machado citado no Parecer PGFN nO1.238/99 leciona: "O direito de pleitear a restituição, perante a autoridade administrativa de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF em ação direta. Ou com a suspensão pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Esta é a lição de Ricardo Lobo Torres, que ensina: "Na declaração de inconstitucionalidade da lei a decadência ocorre depois de cinco anos da data do trânsito em julgado da decisão do STF proferida em ação direta ou da publicação da Resolução do Senado que suspendeu a lei com base em decisão proferida incidenter tantum pelo STF" (Restituição de Tributos, Forense, Rio de Janeiro, 1983, p. 169). Neste sentido é o Acórdão nO1999.03.99.074347, do TRF 33 Região 63 T. e o Acórdão n° AMS 95.03.056070-5, da 43 T. do TRF 33 Região, no seguinte teor, que, apesar de se referir ao FINSOCIAL é aplicável pelos seus fundamentos jurídicos: "Quando fundado o pedido em inconstitucionalidade de norma reconhecida incidentalmente pela Corte Suprema, o termo inicial do prazo para fins de determinação do lapso. prescricional deverá ser a data de publicação de primeira decisão proferida, posto ser fato inovador da ordem jurídica, suprimindo norma tributária até então válida e cogente, pois com força de lei. No caso, o primeiro aresto 22 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 do Colendo Supremo Tribunal Federal foi publicado no DJU de 02/04/93, devendo a partir desta data ter início o cômputo do lapso prescricional, pois não se pode considerar inerte o contribuinte que até então, em razão da presunção da constitucionalidade da lei, obedecera a norma indevidamente exigida, já que a inércia é elemento indispensável para configuração do instituto da prescrição. (Acórdão n° 1999.03.074347-5-SP-TRF 33 Região- 63 T. - FINSOCIAL - Compensação tributária - Precedentes do STJ)" "I - Tributário. Finsocial. Majorações da alíquota. Compensação. Espécies tributárias. Cofins. PIS e CSL. 11 - Correção monetária. Critérios utilizados. IPC, INPC, UFIR e Selic. Limitação ao pedido. Aplicação do IPC, BTN e UFIR. 111 - Prescrição. Dies a quo. Reconhecimento jurídico do pedido (Decreto nO 1601, de 23 de agosto de 1995 e da Medida Provisória n° 1110, de 30 de agosto de 1995 e suas reedições). 1. - É irrecusável a inconstitucionalidade da cobrança do Finsocial tal como reconhecida pelo STF (RE 150.764- 1 PE) e pela própria Adminístração Pública (Dec. 1.601/95), quanto a majorações da alíquota da contribuição. 2 - A aplicação dos juros, tomando-se por base a taxa Selic, a partir de 1° de janeiro de 1997, nos termos do art. 39 da lei 9.250195, afasta a cumulação de qualquer índice de correção monetária ou de outros já que estes fatores de atualização de moeda já se encontram considerados nos cálculos fixadores da referida taxa. 3 - O exercício da compensação deve ser restrito a parcelas de Cofins, PIS E CSL. 4 - O dies a quo do prazo prescricional é a data do reconhecimento jurídico do pedido, manífestado pelo Senhor Chefe do poder Executivo, por meio do Decreto 1601 de 23 de agosto de 1995 e da Medida Provisória 1110, de 30 agosto de 1995 e suas reedições, com o que dispensa seus procuradores de atuarem, nas matérias ali apontadas, extraindo -se para o presente caso que ausente qualquer ato senatorial principia-se a contar um novo qüinqüênío prescricional para aferir o limite temporal em que a pretensão à repetição do indébito permanece acionável com fulcro no art. 174, inc. IV, do mesmo CTN, tal como aconteceria se houvesse sido editado o ato senatorial. 5. - Matéria preliminar argüida pela impetrante acolhida. Apelação da impetrante parcialmente provida. Apelação da Uníão e remessa oficial às quais se dá parcial provimento." Ac un da 4° T do TRF da 33 R- AMS 95.03.056070-5 - ReI. Des. Fed. Andrade Martins - j 14.03.01 - Aptes.: Trancham SIA Ind. e Com. E União Federal! Fazenda Nacional; Apdos.: os mesmos - DJU 02/10101 p. 159 - ementa oficial" 23 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 Além disso, houve pagamento indevido de algo que pela declaração de inconstitucionalidade perdeu a natureza de tributo passando a ser um crédito, uma dívida passiva contra a União, passando ase reger pelas normas do CTN que se referem a restituição de créditos tributários por força da inserção nele do sistema do Decreto n° 20.910/32 atrás explicitado. Assim, a norma a ser aplicável é a do Dec. nO 20.910, de 06/01/32, vigente há mais de 60 anos, que reza em seu art. lOque todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas prescrevem em 5 anos da data do ato ou fato do qual (direito) se originaram. Esse direito in casu se originou da declaração de inconstitucionalidade (o ato). o art. 146, IH, "b", da C.F. estabelece que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais sobre "prescrição e decadência" tributárias e o CTN, com "status" de lei complementar dispõe a respeito nos arts. 165/168. Aplicável, portanto, ao caso, pelas razões acima expostas, apesar de o montante indevidamente pago com a declaração de inconstitucionalidade passar a configurar um crédito financeiro do contribuinte. Tratando-se do FINSOCIAL, comungo com a linha adotada nos inumeráveis arestos do Segundo Conselho de Contribuintes no sentido de que inexistindo Resolução do Senado Federal suspendendo a execução da lei declarada inconstitucional na via indireta há de se fixar o termo inicial como a data da Medida Provisória nO 1110/95 (31/08/95), data essa em que o contribuinte viu seu direito reconhecido pela Administração Tributária, linha essa também adotada pelo TRF da 33 Região, nos Acórdãos acima transcritos. Porém, há ainda um fato a ser considerado, tendo em vista que as Medidas Provisórias mantinham sua eficácia, ou seja, capacidade de produzir efeitos jurídicos durante 30 (trinta) dias a partir de sua edição, perdendo-a se não fossem convertidas em Lei nesse período. Daí, a necessidade de suas constantes reedições, com o mesmo ou outro texto, nesse prazo, até a edição da Lei formal pelo Congresso, concretizada na Lei nO 10.522, de 19/07/02, cujo texto em relação ao FINSOCIAL repete. Ocorre que a MP. n° 1.110/95 e suas reedições posteriores até a MP. 1621 - 35, de 12/05/98 prescreviam que "o disposto neste artigo não implicará restituição de quantias pagas". A partir da edição da MP. nO1621 -36, de 10/06/98, publicada no DOU de 12/06/98 o parágrafo 2° do artigo 18 passou a ser assim redigido: S 2° - O disposto neste artigo não implicará restituição ex officio de quantias pagas. Ou seja, a Administração passou a reconhecer o direito ao pedido de restituição, formulado pelo contribuinte. 24 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 A jurisprudência administrativa também tem se conduzido por essa linha jurisprudencial perfilhada pelo Judiciário, conforme se aquilata pelos inumeráveis Acórdãos das Câmaras dos três Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como por exemplo os Acórdãos nOs201.76383,76291, 76382,76363,76258, 76337, 202-14121, 14304, 14337, 13973, 14442,14140, 107- 07031, CSRF/01-03754, entre outros. Já, tratando-se da restituição/compensação da Cota de Contribuição na Exportação do Café, instituída pelo Decreto-lei nO2.295/86 a situação diverge dos tributos declarados inconstitucionais pela Corte Suprema, no que tange ao dies a quo para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição. É que neste caso, não houve declaração de inconstitucionalidade do referido Decreto-lei pelo STF, eis que o mesmo não foi recepcionado pela vigente Constituição Federal, porque, com ela incompatível, face ao seu artigo 146. A declaração de inconstitucionalidade poderia ter evidentemente ocorrido, face à Constituição anterior, se pleiteada. Restou, portanto, revogado o referido dispositivo legal, não adentrando o mundo jurídico a partir da vigente Constituição, razão porque, o STF se absteve de declarar inconstitucional um Decreto-lei que passou à condição de inexistente. Porém, reconheceu o STF sua revogação a partir desta Constituição. Assim, conclui-se que: • os efeitos desse reconhecimento retro agem, até a data da entrada em vigor da nova Constituição e não até a data da edição do Decreto-lei n° 2295/86, porque, o mesmo não foi declarado inconstitucional; e, por força do art. 34 do ADCT, a retro ação produzirá efeitos a partir de O 1/03/89 (primeiro dia do quinto mês seguinte a da: promulgação da Constituição ). • o "dies a quo" para a contagem do prazo decadencial é o da decisão do STF que reconheceu a não recepção do Decreto- lei 2295/86 pela atual Constituição. V COMPETÊNCIA PARA INTERPRETAR A LEGISLAÇÃO NO ÂMBITO DOS MINISTÉRIOS A Lei Complementar n° 73, de 10/02/93, em seu art. 2° inciso 11, alínea "b", incluiu entre os órgãos de execução da Advocacia-Geral da União, as Consultorias Jurídicas dos Ministérios. 25 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N°. 126.622 301-31.044 No art. 11 da mesma lei foram estabelecidas as competências das Consultorias Jurídicas, em seis incisos dos quais destaca-se o de n° IH, verbis: "HI - fixar a interpretação da Constituição, das leis, dos tratados e demais atos normativos a ser uniformemente seguida em suas áreas de atuação e coordenação quando não houver orientação normativa do Advogado-Geral da União." Cabe assinalar que as competências da AGU e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios, já foi objeto do Parecer AGU/ MF - 06/98, adotado pelo Advogado Geral da União, aprovado pelo Presidente da República em 15/09/98 e publicado no D.O.V. de 24/09/98. Há também o Parecer AGU nO02/99, no mesmo sentido (D.O.V. de 07/05/99) Pela mesma legislação tais Pareceres, uma vez aprovados pelo Presidente da República ou pelos Ministros são normativos, vinculativos e cogentes para os administrados. VI - ANÁLISE DOS PARECERES DA PROCURADORIA- GERAL DA FAZENDA NACIONAL QUE TRATAM DA MATÉRIA A validade jurídica dos Pareceres, seu alcance e vinculatividade aos órgãos e entidades da Administração Pública encontra amparo na Lei Complementar n° 73, de 10/02/93, que institui a Lei Orgânica da Advocacia-Geral da União, da qual participa a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional como órgão de direção superior. Neste sentido dispõem os artigos 4° incisos X e XI, 11, inciso IH e arts. 39 a 44 da referida Lei. Os pareceres sob análise são os a seguir enumerados: 1- Parecer PGFN/CAT n° 1538/99, que mantém o Parecer PGFN/CAT n° 678/99 • Parecer PGFN/CAT nO550/99 - termo a quo nos casos de leis declaradas inconstitucionais, nos controles difuso e concentrado é a data do pagamento indevido (art. 165, I C/C art. 168 do CTN) divergindo dos entendimentos consagrados no STJ e TRF la Região que é a da publicação do Acórdão do STF em ADIN e a da publicação da Resolução do Senado Federal na via incidental. 26 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES" PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • • 126.622 301-31.044 i Quanto ao item 43, do Parecer, observe-se que há lei dispondo a respeito (Lei n° 20910/32). Conclui pela atenuação i ex tunc de leis declaradas inconstitucionais pelo STF para os casos de decisões judiciais já consolidadas. 439/96 2 - Parecer PGFN/CRE n° 948198, que se refere ao PGFN/CRF • Confirma o entendimento. do Parecer PGFN/CRF nO439/96, incluindo também as DRJ, i além dos c.c., na obrigação de afastar a aplicação de normas declaradas inconstitucionais. • Esclarece o alcance da expressão "as decisões do STF que fixem de forma inequívoc~ e definitiva" ... constante do art. 1° do Dec. 2346/97, no segu~nte sentido: 1- decisão do STF, ainda que útpca, em ADIN; 2- idem, se a execução for suspbnsa por Resolução do SENADO; 3- a decisão plenária, transitado em julgado, ainda que única e por maioria de votos, se nele foi expressamente conhecido e julgado o mérito da questão em tela. . 3- Parecer PGFN/CRJ/ nO 3401102 - FINSOCIAL i • Trata dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade de lei em sede de controle ,difuso e não suspensa a execução Ipelo Senado Federal. I I • As sentenças transitadas em julgado favoráveis à Fazenda Nacional relativam~nte ao pedido de restituição/compensação 'de créditos do FINSOCIAL (majoração de alíquotas) ~ão irreversíveis. • Efeitos da posterior declaração de inconstitucionalidade da norma em outras ações decididas pelo STF, não alcança os casos já definitivamente julgados (com trânsito em julgado de sentença favorável à União). ! • A coisa julgada é imut~vel, intangível (salvo em caso de ação rescisória). 27 I J MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • • • • 126.622 301-31.044 o Senado não conferiu a eficácia "erga munes" à decisão do STP proferida no RE 150.764/PE. o Senado não baixou Resolução suspensiva da aplicação de Lei inconstitucional conforme relator em decisão política (repercussão na economia nacional) e também tendo em vista que o acórdão do STP embora do pleno, ocorreu pelo voto de 6 contra 5 de seus membros. Os efeitos "erga omnes" no caso, só fazem coisa julgada em relação às partes no processo, observada a coisa julgada, que deve ser cumprida favorável ou desfavorável às partes envolvidas. o Parecer é vinculativo quanto ao seu objeto exposto nos itens 1° e 2° e 3° supra, apenas, não entrando no mérito do problema de prescrição e decadência. Da análise dos aludidos Pareceres entendo que nas decisões dos recursos atinentes a matéria, pelos Conselhos de Contribuintes, estes não devem interpretar a legislação que disciplina tal matéria quando há parecer da PGFN dispondo, porém, é de sua obrigação nas decisões aplicar a legislação em vigor, obedecendo aos ditames da Constituição, de seus princípios expressos e implícitos e em especial a Lei 9.784/99, aplicável subsidiariamente, que, no parágrafo único, inciso I, do seu artigo 2° prescreve: "Art. 2° . Parágrafo único - Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I - Atuação conforme a lei e o Direito." Note-se que na expressão "a lei e o direito" contida no art. 2° - supra não há redundância eis que a legislação quer enfatizar que nas decisões não somente a lei (direito positivo) deve ser aplicada mas também a doutrina, a jurisprudência e os princípios que informam e embasam todo o ordenamento jurídico, núcleos que são, do sistema jurídico. Vll- COMPETÊNCIAS INSTITUCIONAIS DOS ÓRGÃOS JUDICANTES ADMINISTRA TIVOS DE PRIMEIRA E SEGUNDA INSTÂNCIAS (Delegacias da Receita Federal de Julgamento e Conselhos de Contribuintes) 28 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 Via de regra nos julgados das DRJs, acertadamente, afirma-se a vinculatividade das mesmas aos atos emanados no âmbito da Secretaria da Receita Federal, entre eles, para o caso, o Parecer COSIT n° 58/98 e o Ato Declaratório SRF n° 96/99. Além disso, o Dec. n° 2346/98 em seu art. 40 apresenta uma condicionante, conforme se constata: "Art. 40 Fica o Secretário da Receita Federal e o Procurador - Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei tratado ou ato normativo que: I. não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; lI. não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; 1II. sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV. sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal" Ora, o mencionado dispositivo é mandamental, uma Ordem do Chefe do Poder Executivo às autoridades nele mencionadas - Secretário da Receita Federal e Procurador-Geral da Fazenda Nacional- para que cumpram o determinado em seus incisos I a IV cujos lindes se comportam dentro de dois marcos: 1. âmbito de suas competências; 2. base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Penso que o dispositivo acima não comporta discricionariedade, sendo portanto, vinculativo para as autoridades a que se destinam. As competências da Secretaria da Receita Federal como órgão. e do Secretário da Receita Federal como dirigente estão previstas no Regimento Interno da SRF aprovado pela Portaria J\1F nO227/98 (revogada), artigos 10e 190, e pela Portaria J\1F n° 259/01, artigos 10e 209. Por elas vê-se que, no tocante aos procedimentos de determinação e exigências de créditos tributários sua competência fica adstrita ao comando das DRJs, órgãos afetos à sua estrutura administrativa (artigo 10, inciso V e artigo 209, incisos 29 l!j 1 r ; MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 XXVII e XXVIII, da Portaria MF 259/01), não alcançando a atuação dos órgãos judicantes de Segunda Instância, cuja competência e desvinculação ao SRF foi preservada em homenagem ao princípio de ampla defesa, do artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal, que estabelece o conhecido "tripé"(acusado, acusador e julgador), um dos pilares do Estado Democrático de Direito. Mormente no tocante ª restituição de indébitos tributários, que, no rol das competências, a portaria ministerial silencia. No Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, que não se confunde com o da SRF, ambos expedidos pela mesma autoridade hierárquica, a matéria consta em artigos específicos cujos textos determinam a "apreciação de direitos creditórios relativos a tributos e contribuições" de suas competências recurSais. Ainda, na análise das competências, penso que a decisão da DRJ nesses casos está correta em seu entendimento no sentido de sua "incompetência para atender o pedido ou mesmo analisá-lo sob qualquer outra ótica que não seja aquela preconizada pelo Parecer COSIT nO58/98", e AD SRF n086/99, uma vez que tal órgão está vinculado aos atos emanados dentro de sua linha hierárquica, revelada através da Portaria SRF nO 3608/94, item IV e do seu Regimento Interno. Isso não impede, entretanto, que os Conselhos possam analisar o problema à luz de todo o ordenamento jurídico, razão de sua existência institucional. Vill- DECLARACÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI NO CONTROLE DIFUSO Uma última palavra acerca dos efeitos das decisões judiciais proferidas incidentalmente pelo Supremo Tribunal Federal e não objeto de Resolução do Senado Federal reconhecendo o efeito erga omnes dessas decisões. A Constituição é um todo orgânico, coerente e consistente, não se admitindo contradições entre seus diversos dispositivos. Assim, quando ela consagra o princípio da igualdade com todos os seus desdobramentos, neles incluída a isonomia, ele é vetor para quaisquer outras normas constitucionais não erigidas à categoria de princípios. Assim, quando o art. 52 da C. F. prescreve que compete privativamente ao Senado Federal suspender a execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, isto não significa que a omissão dessa formalidade irá ter o efeito de negar a aplicação do princípio para dar legitimidade a contribuintes que se encontrem na mesma situação daquele que provocou a manifestação do Supremo pela inconstitucionalidade da lei, conforme preceitua o artigo 150, inciso 11,da Constituição Federal. 30 'f . ./ I i, MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 • A lei, uma vez declarada inconstitucional pelo órgão que detém a competência exclusiva para tanto, não pode ser inconstitucional para uns e constitucional para outros que se encontrem na mesma situação fática mormente porque as justificativas para a omissão do Senado não se lastreiam em considerações jurídicas, como por exemplo, o fato de em plenário do Supremo a decisão não ter sido tomada por unallimidade e que, portanto, outra decisão em outro caso concreto poderá ser divergente. Enquanto isso não ocorrer a decisão é válida erga omnes em homenagem ao princípio da isonomia. (artigo 150,11, da C.F.) Ademais, o efeito erga omnes das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal nas ações em que se argúi a inconstitucionalidade de lei foi confirmado pela Lei nO9882, de 03/12/99 que conferiu eficácia ao preceito do S 1° do art. 102 da Constituição Federal. Senão vejamos. A ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal são processadas e julgadas originariamente pelo Supremo Tribunal Federal na forma da Lei nO9868, de 10/11/99. As causas decididas em única ou última instância quando a decisão recorrida declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal , serão julgadas pelo Supremo Tribunal Federal mediante recurso extraordinário, e, na forma da Lei nO 9882, de 03/12(99, quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição. o S 3° do art. 10, da Lei nO9.882/99 prescreve que a decisão do STF exarada no processo e julgamento da argüição de descumprimento de preceito fundamental nos termos do S IOdo art. 102 da C.F. terá eficácia contra todos e efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Público. No caso concreto, a inconstitucionalidade da lei declarada pelo STF decorre de argüição, embora incidental, de lesão ou descumprimento de preceito fundamental da C.F. quais sejam os princípios da legalidade, igualdade, moralidade administrativa e vedação ao enriquecimento sem causa. IX - CONSIDERAÇÕES COMPLEMENTARES RELATIVAS ÀFINSOCIAL I - Tributos Lançados por homologação 31 I .'. .) I ~. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 • No caso dos tributos lançados por homologação a tese prevalecente tanto no âmbito administrativo, quanto no judiciário é a de que, decorridos 5 (cinco) anos da data da ocorrência do fato gerador decai o direito de o FISCO lançar ou rever o lançamento, tendo em vista ter ocorrido a homologação tácita e a condição resolutória inerente a essa modalidade, extinguindo-se o crédito tributário, com o pagamento antecipado. Aplica-se, portanto, ao pleito de restituição, o prescrito no art. 156, inciso VII, do Código Tributário Nacional, combinado com o artigo lOdo Decreto nO20.910/32, ainda vigente e incorporado ao CTN, segundo o qual, todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas, prescrevem em 5 (cinco) anos da data do ato ou fato, do qual se originaram, quando não se tratar de pleito fundado em lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 11- Necessidade de Lei Complementar Após o advento da Constituição Federal de 1988, as normas sobre prescnçao e decadências tributárias passaram a ser definidas por lei complementar (art. 146, 111,"b"). A Carta Constitucional vigente, em seu art. 149 atribui competência à União instituir contribuições sociais, observado o disposto no seu artigo 146, 111. O FINSOCIAL, instituído pelo Decreto-lei n° 2.049/83, regulamentado pelo Decreto n° 92.698/96, que estabelecia o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de pleitear a restituição de indébito, a partir da vigência da Constituição Federal passou a se amoldar aos ditames do Código Tributário Nacional, que tem o statusde lei complementar, cujo prazo estabelecido é de 5 (cinco) anos para a prescrição e a decadência. Inaplicável, portanto à referida contribuição o prazo decadencial/prescricional de 10 (dez) anos previsto no Decreto-lei n° 2.049/83 e Decreto n° 92.698/86. 111- Lei Declarada Inconstitucional Por sua vez, a inconstitucionalidade da majoração de alíquota do FINSOCIAL superior a 0,5%, para as empresas comerciais e mistas, foi declarado, ainda que em controle difuso, pelo STF e reconhecida pela Administração na edição da .MP n° 1110/95, publicada a 31/08/95, considerando-se que a Administração passou a reconhecer o direito ao pedido de restituição formulado pelo contribuinte, a partir da edição da.MP. n° 1.621 - 36, de 10/06/98, publicada no DOU de 12/06/98 . CONCLUSÃO À vista do acima exposto, cujos fundamentos entendo solidamente lastreados nos princípios constitucionais, nas leis que determinam sua fiel 32 "". 1 li MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.622 301-31.044 • observância, na jurisprudência e nas correntes doutrinárias, voto pelo provimento do recurso voluntário relativo à FINSOCIAL, no sentido de ser acolhida a preliminar de não ocorrência da decadência do pedido de restituição e conseqüente devolução do processo ao órgão prolator da Decisão de Primeira Instância, afastada que está a preliminar de decadência pelos seus fundamentos, devendo a mesma autoridade analisar o mérito quanto aos demais aspectos do pedido (pagamentos efetuados, documentos acostados, acréscimos legais, planilhas de cálculo, períodos de apuração, idoneidade dos documentos, certificação dos recolhimentos, DARFs originais ou não autenticados, créditos já compensados com outros tributos, etc). Sala das Sessões, em 19 de fevereiro de 2004 JOSÉ LENCE CARLUCI - Relator 33 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026 00000027 00000028 00000029 00000030 00000031 00000032 00000033 00000034
score : 1.0
Numero do processo: 15374.901124/2008-07
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. PAGAMENTO DEVIDO.
Não há pagamento indevido quando efetivado nos termos da legislação vigente editada em momento posterior ao trânsito em julgado de decisão judicial.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
IMUNIDADE RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA. CESSAÇÃO DOS EFEITOS DA COISA JULGADA MATERIAL.
Em se tratando de relação jurídica continuada, alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, cessam automaticamente os efeitos vinculantes da coisa julgada. Aplicação da cláusula rebus sic stantibus, subjacente às decisões de mérito em geral.
Numero da decisão: 9101-002.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza e Gerson Macedo Guerra.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. PAGAMENTO DEVIDO. Não há pagamento indevido quando efetivado nos termos da legislação vigente editada em momento posterior ao trânsito em julgado de decisão judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 IMUNIDADE RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA. CESSAÇÃO DOS EFEITOS DA COISA JULGADA MATERIAL. Em se tratando de relação jurídica continuada, alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, cessam automaticamente os efeitos vinculantes da coisa julgada. Aplicação da cláusula rebus sic stantibus, subjacente às decisões de mérito em geral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza e Gerson Macedo Guerra. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 11 24 /2 00 8- 07 Fl. 583DF CARF MF Processo nº 15374.901124/200807 Acórdão n.º 9101002.819 CSRFT1 Fl. 584 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Relatório A FUNDAÇÃO DE SEGURIDADE SOCIAL BRASLIGHT recorre a este Colegiado por meio do Recurso Especial de efls 452471, contra o acórdão nº 180200.820, de 24 de fevereiro de 2011 (efls.193197), que por unanimidade negou provimento ao recurso voluntário. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSTOS RECOLHIDOS DIANTE DA INOVAÇÃO NO SISTEMA JURÍDICO POSITIVO APÓS IMUNIDADE RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL. É ponto pacífico na jurisprudência e nos precedentes desse CARF que a coisa julgada não obsta que lei nova possa reger a matéria em termos diversos do disposto em decisão judicial, o que implicaria, inarredavelmente, em desrespeito ao sistema de freios e contrapesos decorrente da tripartição dos poderes. A contribuinte apresentou embargos de declaração (efls.398405), os quais foram rejeitados, frente à ausência da alegada omissão, conforme acórdão 1802001.265 (e fls.437446), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RELATÓRIO SUCINTO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO A simples objetividade da parte dispositiva do relatório do acórdão não configura omissão que mereça ser reparada. Foi intimada do acórdão de embargos em 04/08/2012, por AR comum. Irresignada, em 15/08/2012 apresentou recurso especial, o qual foi admitido por meio do despacho de admissibilidade de efls. 522526. Em seu recurso aponta divergência de entendimento quanto aos limites da coisa julgada material. A recorrente é uma entidade fechada de previdência privada, constituída sob a forma de fundação e mantida pelas contribuições da sua patrocinadora e dos seus Fl. 584DF CARF MF Processo nº 15374.901124/200807 Acórdão n.º 9101002.819 CSRFT1 Fl. 585 3 participantes. Em 24/04/2008 teve seu pedido de compensação indeferido, conforme despacho decisório efls.204205, o qual deixou consignado em sua fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas Integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP., O crédito pleiteado referese à pagamento indevido de IRPJ. O contribuinte alegou imunidade ao imposto conferida por decisão judicial transitada em julgado. Apresentou manifestação de inconformidade efls.207217. Decisão da 1ª Turma da DRJ/RJ1 (efls.313318) manteve integralmente o despacho decisório, pelas seguintes razões: que o recolhimento efetuado pelo contribuinte era devido com base na MP nº 2.222/01; que o STF decidiu que as entidades de previdência privada não gozavam da imunidade de impostos de que trata a alínea "c" do inc.VI do art.150 da CF/88, que é o mesmo dispositivo com base no qual o contribuinte ingressou no judiciário para se eximir do IOF; que a coisa julgada não tem entre seus atributos, notadamente em matéria tributária, a produção de efeitos eternos; que a decisão judicial transitada em julgado não tem o condão de impedir que lei nova venha a reger, diferentemente, fatos ocorridos a partir de sua vigência; Por fim, concluiu a DRJ que o interessado não comprovou ser indevido o pagamento. A decisão recorrida manteve o mesmo entendimento da DRJ, ressaltando: Relembrese, portanto, que o óbice encontrado pela decisão recorrida consiste no fato de o Supremo Tribunal Federal, em caso alheio ao processo da ora recorrente, ter decidido que as entidades de previdência privada não gozavam da imunidade de impostos de que trata a alínea "c" do inciso VI do art. 150 da CF (sendo este o fundamento da imunidade da recorrente), e que a lei inovadora não encontra limites na sua eficácia em razão de decisão judicial anterior, evitando eternizarse os efeitos da coisa julgada. Tem razão a decisão recorrida. Por óbvio não se olvida que em determinado período, cotejando a legislação e a jurisprudência que vigoravam, a recorrente obteve do Poder Judiciário declaração de ser ente imune, ocorre, que também na se pode olvidar, que o quadro normativo vigente, as leis que regem a matéria e o posicionamento do Poder Judiciário, evoluíram para os fins de obrigar a recorrente, ao pagamento do imposto tido por ela como indevido. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 15374.901124/200807 Acórdão n.º 9101002.819 CSRFT1 Fl. 586 4 Contra tal decisão, em seu recurso especial, a contribuinte alega que: a) em 30/04/2002 efetuou o pagamento de IRPJ (PA abril/2002), mas que o pagamento foi indevido em face da coisa julgada no MS 90.00100712 e no AG n.1999.02.01.0320250, o qual teria conferido imunidade na cobrança de todos os impostos, nos termos do art.150, VI, "c", da CF/88, de forma ampla e irrestrita, até que o referido dispositivo constitucional seja modificado. Em seguida, passa a apresentar as razões de seu recurso. Informa que seu pedido inicial teve por base o art.150, VI, "c", da CF/88 e transcreveuo: "Ante o exposto e ouvido o Ministério Público espera a Impetrante seja, afinal, CONCEDIDA A SEGURANÇA para ver restabelecido o seu direito líquido e certo no sentido da não incidência do imposto acima referido na realização de suas operações, proclamada, uma vez mais, sua imunidade constitucional já reconhecida na via judicial." Acrescenta que a sentença concedeu a segurança nos termos do pedido. E que para dar cumprimento à decisão, o MM. Juiz encaminhou ofício nos seguintes termos: "Oficiese (...) comunicando que a ordem mandamental faz não nascer a obrigação tributária em relação a qualquer imposto, criado por qualquer lei." Informa ainda que o TRF da 2ª Região manteve a decisão de 1ª instância, e que este acórdão transitou em julgado em 22/08/1991, não havendo ação rescisória. Argumenta que se ainda houvesse alguma dúvida quanto à imunidade da recorrente ser ampla e irrestrita, essa teria sido sanada com a decisão proferida e transitada em julgado, nos autos do AG n.1999.02.01.0320250, nos termos do voto relator, que teria declarado que: a) a imunidade reconhecida à RECORRENTE tem Índole constitucional, porque concedida com fundamento no art. 150, VI, c), da CF/88 e b) a alteração. da legislação infraconstitucional não tem o condão de limitar a coisa julgada proferida no MS n° 90.00100712. Reitera que possui decisão transitada em julgado reconhecendo que é imune e que a alteração da legislação infraconstitucional não afeta a coisa julgada que tem fundamento constitucional, a saber, o art. 150, VI, "c", da CF/88, que não foi alterado nem revogado. Ao final, pede a Recorrente que seja dado provimento ao recurso e que seja reformada a decisão que não homologou as declarações de compensação objeto deste processo. Houve a apresentação de contrarrazões por parte da Fazenda (efls. 528 544), em que aduz: a) ser inegável que em determinado período, em face da legislação e jurisprudência que imperavam à época do provimento jurisdicional, a recorrente obteve declaração de ente imune; Fl. 586DF CARF MF Processo nº 15374.901124/200807 Acórdão n.º 9101002.819 CSRFT1 Fl. 587 5 b) que, a despeito disso, o quadro normativo vigente, as leis que regem a matéria e o atual posicionamento do Poder Judiciário impõem o recolhimento do imposto; c) que o recolhimento realizado espontaneamente pelo contribuinte era devido com base no art.1º da MP nº 2.222/01, convertida na Lei nº 11.053/2004; d) que o STF, em sessão de 08/11/2001, deliberou que as entidades de previdência privada não gozavam da imunidade de impostos de que trata a alínea ʺcʺ do inciso VI do art. 150 da CF, mesmo dispositivo com fulcro no qual a recorrente ingressou no Judiciário para se eximir do IOF, cuja decisão transitada em julgado agora se utiliza para requerer a compensação/restituição em exame; e) que a coisa julgada não tem o condão de impedir que lei nova venha a reger, diferentemente, fatos ocorridos a partir de sua vigência, tratandose de relação jurídica continuativa; f) que a Súmula STF nº 239 seria aplicável no presente caso, a qual possui o seguinte teor: “Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores”; Citou ainda o Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011 que trata do marco para cessação dos efeitos de decisão transitada em julgado, considerando decisão em sentido contrário pelo STF. Por fim, requer que sejam refutadas as alegações da recorrente e que seja negado provimento ao recurso especial da contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. A contribuinte defende que possui imunidade tributária ampla e irrestrita a todo e qualquer imposto, em razão do MS 90.00100712 e do AG n.1999.02.01.0320250 e que por conseqüência, o pagamento de IRPJ realizado em 30/04/2002 foi indevido, resultando no crédito a compensar. Inicialmente, cabe um breve resumo acerca da ação judicial citada. O mandado de segurança nº 90.00100712 foi impetrado contra ato do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, no sentido de não sofrer a incidência do IOF, Fl. 587DF CARF MF Processo nº 15374.901124/200807 Acórdão n.º 9101002.819 CSRFT1 Fl. 588 6 instituído pela Lei nº 8.033/90. Alegou a impetrante ser imune ao referido imposto em razão de decisão judicial proferida ainda na vigência da Emenda Constitucional nº1, de 17 de outubro de 1969 (efls. 242/251). A segurança foi concedida em 1ª instância (efl. 270 e ss), já sob a égide da Constituição Federal de 1988, em sentença proferida em 31 de agosto de 1990, e ratificada no Tribunal Regional Federal da 2ª Região. A União agravou da decisão (AG 1999.02.01.032025 0) e o Tribunal negou provimento ao agravo de instrumento e julgou prejudicado o agravo regimental. Transcrevo ementa do voto (efl.280): EMENTA: CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL MANDADO DE SEGURANÇA IMUNIDADE TRIBUTARIA COISA JULGADA. 1. Reconhecida a imunidade tributária da recorrida por sentença transitada em julgada, proferida em mandado de segurança, com base em dispositivo constitucional, não pode a Fazenda Nacional exigir o recolhimento de IOF com base em legislação infraconstitucional superveniente. 2. Inalterada a finalidade para a qual foi constituida e que conduziu ao reconhecimento de sua imunidade tributária, permanece a recorrente ao abrigo da coisa julgada. 3. Agravo de instrumento desprovido e agravo regimental prejudicado. (grifo nosso) Houve ainda outro agravo de instrumento, de nº 2002.02.01.0425528, por parte da Fundação de Seguridade (efl.285) e embargos de declaração no agravo (efl.297). A União ainda apelou contra essa decisão (efl. 293), porém em 15 de maio de 1991, o tribunal negou provimento ao recurso de apelação. Assim, de fato, não há como se negar que durante um determinado período a recorrente gozou de imunidade tributária reconhecida por força de decisão judicial transitada em julgado. É que há situações que fazem cessar os efeitos da coisa julgada material, como a superveniência de legislação ou as decisões do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, conforme o caso, com eficácia erga omnes. É nesse sentido que se manifesta o Parecer PGFN/CRJ/n. 492/2011 que trata de decisão transitada em julgado relativa à relação jurídica tributária continuativa, conforme se pode depreender: 1. A alteração das circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de uma dada relação jurídica tributária de trato sucessivo faz surgir uma relação jurídica tributária nova, que, por isso, não é alcançada pelos limites objetivos que balizam a eficácia vinculante da referida decisão judicial. Daí por que se diz que, alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, esta naturalmente deixa de Fl. 588DF CARF MF Processo nº 15374.901124/200807 Acórdão n.º 9101002.819 CSRFT1 Fl. 589 7 produzir efeitos vinculantes, dali para frente, dada a sua natural inaptidão de alcançar a nova relação jurídica tributária. (...) 10. Ocorre que a imutabilidade e a eficácia vinculante da decisão transitada em julgado apenas recairá sobre os desdobramentos futuros da declaração, nela contida, de existência ou inexistência da relação jurídica de direito material sucessiva deduzida em juízo, se e enquanto permanecerem inalterados os suportes fático e jurídico existentes ao tempo da sua prolação, ou seja, se e enquanto continuarem ocorrendo aqueles mesmos fatos e continuar a incidir (ou a não incidir) aquela mesma norma sob os quais o juízo de certeza se formou. Alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, o que se faz possível em face da natureza conhecidamente dinâmica dos fatos e do direito, essa decisão naturalmente deixa de produzir efeitos vinculantes, dali para frente; tratase da cláusula rebus sic stantibus subjacente às sentenças em geral, com especial destaque àquelas que se voltam à disciplina de relações jurídicas de trato continuado.(Grifei) Aplicase, portanto, a cláusula rebus sic stantibus, onde se conserva o instituto da coisa julgada com seu caráter de imutabilidade até que sobrevenham mudanças fáticas e jurídicas, que tornam imperativo o devido ajuste às relações tributárias de trato sucessivo. Ademais, é preciso ter em conta o aspecto de a imunidade ser matéria constitucional e sendo o STF o “Guardião da Constituição”, seu pronunciamento em caráter definitivo afasta qualquer dúvida sobre a constitucionalidade/inconstitucionalidade de uma norma. Como bem observado no citado Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011, após 3 de maio de 2007 (data da alteração regimental do STF, introduzindo as disposições da Lei nº 11.418, de 2006), possuem essa característica de alterar o sistema jurídico pátrio declarando a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de uma norma, os precedentes do STF formados: iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e sejam confirmados em julgamentos posteriores da Suprema Corte. Ainda, de acordo com as conclusões do Parecer, após vasto estudo pautado na doutrina e regimento interno do STF: (iii) o advento de precedente objetivo e definitivo do STF configura circunstância jurídica nova apta a fazer cessar a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhe forem contrárias; De acordo com o vasto estudo reproduzido nesse Parecer, antes de março de 2007, as decisões proferidas pelo STF em controle difuso sobre uma determinada questão Fl. 589DF CARF MF Processo nº 15374.901124/200807 Acórdão n.º 9101002.819 CSRFT1 Fl. 590 8 constitucional, mesmo que não submetidas a Resolução Senatorial, se proferidas pelo Plenário, e cujo entendimento tenha sido reafirmado em diversos julgados posteriores, também têm esse efeito. No caso em apreço, como bem reconheceu tanto a decisão de 1ª instância, quanto a de 2ª instância, a despeito das decisões judiciais que haviam a favor da contribuinte, em sessão de 08/11/2001, portanto após essas decisões judiciais citadas, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu (RE 202700/DF) que as entidades que as entidades de previdência privada não gozavam da imunidade de impostos de que trata a alínea “c” do inciso VI do art. 150 da CF, que foi a mesma base legal citada pelas decisões judiciais transitadas em julgado. Por oportuno, reproduzo ementa do acórdão: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. 1. Entidade fechada de previdência privada. Concessão de benefícios aos filiados mediante recolhimento das contribuições pactuadas. Imunidade tributária. Inexistência, dada a ausência das características de universalidade e generalidade da prestação, próprias dos órgãos de assistência social. 2. As instituições de assistência social, que trazem ínsito em suas finalidades a observância ao princípio da universalidade, da generalidade e concede benefícios a toda coletividade, independentemente de contraprestação, não se confundem e não podem ser comparadas com as entidades fechadas de previdência privada que, em decorrência da relação contratual firmada, apenas contempla uma categoria específica, ficando o gozo dos benefícios previstos em seu estatuto social dependente do recolhimento das contribuições avençadas, conditio sine qua non para a respectiva integração no sistema. Recurso extraordinário conhecido e provido. (Grifei) Acerca dos julgados posteriores que corroboram esse entendimento, nada mais flagrante do que a Sumula STF n. 730, que assim dispõe: A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, "c", da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários. No caso em comento, a própria recorrente, declara ser mantida pelas contribuições da sua patrocinadora e dos seus participantes (conforme se pode depreender do item 2 do seu recurso especial), sendo assim não atenderia aos requisitos para imunidade. Aliás, o próprio Tribunal Regional Federal da 2ª Região, quando negou provimento ao recurso de apelação no Mandado de Segurança em apreço, proferiu decisão que, após a manifestação do STF, é flagrantemente contrária a essa. Por oportuno, transcrevo a ementa (efl. 293): ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADAS As entidades fechadas de previdência privada, embora cobrando das seus associados contribuições mensais, a título de remuneração pelos serviços prestadas, gozam de imunidade Fl. 590DF CARF MF Processo nº 15374.901124/200807 Acórdão n.º 9101002.819 CSRFT1 Fl. 591 9 tributária. Basta que atendam aos requisitos do artigo 14 do Código Tributário Nacional, nao se restringindo o benefício à entidades beneficentes. (Negritei) Logo, somente essa decisão do Plenário do STF e a jurisprudência reiterada já seriam suficientes para alterar os efeitos da coisa julgada material relativa às decisões transitadas em julgado a favor da contribuinte. A recorrente argumenta, a partir da decisão nos autos do REsp nº 1.118.893 MG, de 23/3/2011, que a mudança de entendimento do STF nada poderia alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada. Contudo, é preciso esclarecer que esse entendimento do Ministro Arnaldo Esteves Lima é no sentido de que o pronunciamento do STF não pode retroagir. Não tratou o STJ, naquele caso, dos efeitos prospectivos da decisão do STF. É flagrante no voto do Ministro que o valor perquirido foi a segurança jurídica daqueles que se comportaram segundo uma decisão transitada em julgado em controle difuso, consoante trecho que ora transcrevo: “Outrossim, o fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade à própria existência do controle difuso de constitucionalidade, fragilizando, sobremodo, a res judicata, com imensurável repercussão negativa no seio social.” Da mesma forma, analisandose o RE 730.462/SP, julgado sob o rito da Repercussão Geral, podese verificar que o bem tutelado foi a segurança jurídica e que na dicção do Relator, Min. Teori Zavascki, em relação aos fatos geradores ocorridos após a publicação de pronunciamento do STF em sede de controle concentrado, não há que se falar em eficácia da sentença judicial contrária a esse pronunciamento. Ou seja, para fatos geradores anteriores, seria necessária uma ação rescisória para fazer cessar os efeitos da coisa julgada material; contudo, para o futuro, tal ação é prescindível. Por oportuno, transcrevo trechos do voto para demonstrar essa conclusão, fazendo grifos das partes que considero importantes: 4. É importante distinguir essas duas espécies de eficácia (a normativa e a executiva), pelas consequências que operam em face das situações concretas. A eficácia normativa (= declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade) se opera ex tunc, porque o juízo de validade ou nulidade, por sua natureza, dirigese ao próprio nascimento da norma questionada. Todavia, quando se trata da eficácia executiva, não é correto afirmar que ele tem eficácia desde a origem da norma. É que o efeito vinculante, que lhe dá suporte, não decorre da validade ou invalidade da norma examinada, mas, sim, da sentença que a examina. Derivando, a eficácia executiva, da sentença (e não da vigência da norma examinada), seu termo inicial é a data da publicação do acórdão do Supremo no Diário Oficial (art. 28 da Lei 9.868/1999). É, consequentemente, eficácia que atinge atos administrativos e decisões judiciais supervenientes a essa publicação, não atos pretéritos. Os atos Fl. 591DF CARF MF Processo nº 15374.901124/200807 Acórdão n.º 9101002.819 CSRFT1 Fl. 592 10 anteriores, mesmo quando formados com base em norma inconstitucional, somente poderão ser desfeitos ou rescindidos, se for o caso, em processo próprio. Justamente por não estarem submetidos ao efeito vinculante da sentença, não podem ser atacados por simples via de reclamação. É firme nesse sentido a jurisprudência do Tribunal: “Inexiste ofensa à autoridade de pronunciamento do Supremo Tribunal Federal se o ato de que se reclama é anterior à decisão emanada da Corte Suprema. A ausência de qualquer parâmetro decisório, previamente fixado pelo Supremo Tribunal Federal, torna inviável a instauração de processo de reclamação, notadamente porque inexiste o requisito necessário do interesse de agir” (Rcl 1723 AgRQO, Min. Celso de Mello, Pleno, DJ de 6.4.2001). No mesmo sentido: Rcl 5388 AgR, Min. Roberto Barroso, 1ª Turma, DJe de 23.10.14; Rcl. 12741 AgR, 2ª Turma, Min. Ricardo Lewandowski, DJe de 18.9.201; Rcl 4962, Min. Cármen Lúcia, 2ª Turma, DJe 25.6.2014). 5. Isso se aplica também às sentenças judiciais anteriores. Sobrevindo decisão em ação de controle concentrado declarando a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de preceito normativo, nem por isso se opera a automática reforma ou rescisão das sentenças anteriores que tenham adotado entendimento diferente. Conforme asseverado, o efeito executivo da declaração de constitucionalidade ou inconstitucionalidade deriva da decisão do STF, não atingindo, consequentemente, atos ou sentenças anteriores, ainda que inconstitucionais. Para desfazer as sentenças anteriores será indispensável ou a interposição de recurso próprio (se cabível), ou, tendo ocorrido o trânsito em julgado, a propositura da ação rescisória, nos termos do art. 485, V, do CPC, observado o respectivo prazo decadencial (CPC, art. 495). Ressalvase desse entendimento, quanto à indispensabilidade da ação rescisória, a questão relacionada à execução de efeitos futuros da sentença proferida em caso concreto, notadamente quando decide sobre relações jurídicas de trato continuado, tema de que aqui não se cogita. Interessante notar que o novo Código de Processo Civil (Lei 13.105, de 16.3.2015), com vigência a partir de um ano de sua publicação, traz disposição explícita afirmando que, em hipóteses como a aqui focada, “caberá ação rescisória, cujo prazo será contado do trânsito em julgado da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal” (art. 525, § 12 e art. 535, § 8º). No regime atual, não há, para essa rescisória, termo inicial especial, o qual, portanto, se dá com o trânsito em julgado da decisão a ser rescindida (CPC, art. 495). No caso dos autos, a decisão Plenária do STF é de 2001 e a contribuinte passou a recolher em 2002! Daí porque descabe falar em ofensa ao princípio da segurança jurídica. É importante registrar, portanto, que sequer se pode cogitar em ofensa ao art. 62 do RICARF, como quer entender a recorrente, porque aquela decisão do STJ decidiu outra lide (CSLL), em outro contexto (analisou apenas os dispositivos então vigentes naquele Fl. 592DF CARF MF Processo nº 15374.901124/200807 Acórdão n.º 9101002.819 CSRFT1 Fl. 593 11 processo) e ainda assim, não emana entendimento divergente do que estou adotando, porque tutela a conduta do contribuinte relativa a fatos anteriores à mudança de entendimento do STF. Mas além disso, é importante destacar que a ação judicial era de natureza mandamental, ou seja, não propriamente uma ação de conhecimento, e que por meio desta foi concedida a segurança para garantir a imunidade da contribuinte em relação ao IOF. Ou seja, o pedido inicial nos autos do MS n.90. 00100712 foi no sentido de não ser impelida ao pagamento do IOF pelo Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, logo não caberia a ampliação dos efeitos da coisa julgada para além do que foi demandado. A recorrente argumenta que obteve decisões de agravo e trechos de ofício, os quais conferem imunidade a todo e qualquer imposto. No entanto, no que diz respeito ao conteúdo dos ofícios, convém registrar que sequer são decisões judiciais. Quanto às decisões proferidas em sede dos recursos de agravo de instrumento e agravo regimental, tratamse de decisões interlocutórias no processo. E, a respeito da coisa julgada, que é tratada na seção V, do capítulo XIII do livro I da parte especial no Novo Código de Processo Civil – NCPC, cumpre observar: Seção V Da Coisa Julgada Art. 502. Denominase coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. (Destaquei) Portanto, a coisa julgada se dá nas decisões de mérito proferidas no processo e não nas decisões interlocutórias. Por conseguinte, não há que se falar em efeitos da coisa julgada em relação a decisões interlocutórias, muito menos em relação ao conteúdo dos ofícios emitidos pelas autoridades judiciais. Ainda em relação à coisa julgada, merecem destaque os arts. 503 e 505, do NCPC: Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida. (...) Art. 505. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas relativas à mesma lide, salvo: I se, tratandose de relação jurídica de trato continuado, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito, caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; II nos demais casos prescritos em lei. Ou seja, conforme o citado art. 503, a decisão judicial de mérito tem força de lei, jamais de norma constitucional. Por conseguinte, a lei nova ou uma medida provisória podem fazer cessar os efeitos da coisa julgada, ainda que o objeto da demanda judicial tenha interpretado matéria constitucional. E, à luz do art. 505, sobrevindo modificação de direito, descabe falar de eficácia da coisa julgada. Fl. 593DF CARF MF Processo nº 15374.901124/200807 Acórdão n.º 9101002.819 CSRFT1 Fl. 594 12 Na esteira, então da legislação superveniente, temse a MP nº 2.222/01, convertida posteriormente na Lei nº 11.053/2004, que inovou o estado de direito e fez cessar quaisquer efeitos da coisa julgada porventura existentes em relação ao IRPJ. Nesse sentido, transcrevo o art. 1º da referida MP: Art. 1º A partir de 1º de janeiro de 2002, os rendimentos e ganhos auferidos nas aplicações de recursos das provisões, reservas técnicas e fundos de entidades abertas de previdência complementar e de sociedades seguradoras que operam planos de benefícios de caráter previdenciário, ficam sujeitos à incidência do imposto de renda de acordo com as normas de tributação aplicáveis às pessoas físicas e às pessoas jurídicas não financeiras. Parágrafo único. O imposto correspondente à parcela do rendimento ou ganho apropriada ao participante ou assistido pelo plano não pode ser compensado com qualquer imposto ou contribuição devido pelas pessoas jurídicas referidas neste artigo ou pela pessoa física participante ou assistida. Logo, ainda que se entendesse que a decisão transitada em julgado nos autos do MS n. 90. 00100712 abrangeria outros impostos, como o imposto de renda, a coisa julgada encontra outros limites para o IRPJ, dada a edição da MP nº 2.222/01, como bem compreendera a contribuinte, quando passou a recolher o tributo que depois entendeu ser indevido e que é objeto da presente lide. Quanto ao fato de a contribuinte ter se declarado isenta e não imune, penso que esse argumento utilizado pelas decisões anteriores é irrelevante ao deslinde da matéria. Pelo exposto, entendo que o pagamento do IRPJ era devido nos termos do art.1º da MP n.2222/01, posto que editada posteriormente ao trânsito em julgado do mandamus, e que, portanto, não há pagamento indevido a justificar o pedido de compensação objeto do presente processo. Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de compensação objeto da presente lide. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 594DF CARF MF
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