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Numero do processo: 14033.000212/2005-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
IRPJ - COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A TÍTULO DE ESTIMATIVA A MAIOR NO MESMO ANO-CALENDÁRIO - POSSIBILIDADE
Finalizada a discussão sobre a possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ -Estimativa pago de forma indevida , no próprio ano-calendário, por decisão final da Câmara Superior de Recursos Fiscais, deve ser homologada a compensação requerida desde que devidamente comprovada.
Numero da decisão: 1201-001.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
RONALDO APELBAUM - Relator.
EDITADO EM: 01/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (presidente da turma), Ronaldo Apelbaum (vice-presidente), João Otavio Opperman Thome, Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada), Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RONALDO APELBAUM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 IRPJ - COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A TÍTULO DE ESTIMATIVA A MAIOR NO MESMO ANO-CALENDÁRIO - POSSIBILIDADE Finalizada a discussão sobre a possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ -Estimativa pago de forma indevida , no próprio ano-calendário, por decisão final da Câmara Superior de Recursos Fiscais, deve ser homologada a compensação requerida desde que devidamente comprovada.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MARCELO CUBA NETTO Presidente. RONALDO APELBAUM Relator. EDITADO EM: 01/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (presidente da turma), Ronaldo Apelbaum (vicepresidente), João Otavio Opperman AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 02 12 /2 00 5- 37 Fl. 882DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM 2 Thome, Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada), Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Tratase de PER/DCOMP A interessada formulou, o Pedido de Ressarcimento ou Restituição — Declaração de Compensação — PER/DCOMP de fls. 2/5. Conforme elementos contidos nos autos, a empresa recolheu R$ 46.000.000,00, a título de IRPJ estimativa relativa ao mês de fevereiro de 2004. Posteriormente, diz ter constatado que o valor correto que deveria ter sido recolhido naquele mês era de R$ 26.594.002,20, tendo havido recolhimento mensal a maior de R$ 19.405.997,80. Esse valor, recolhido a maior, foi compensado com débito próprio de IRPJ Estimativa do mês de março/2004, tendo sido transmitida a Declaração de Compensação para esses fins. A DRF em Brasília não homologou a compensação, o que motivou a apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo contribuinte. Tanto o Despacho Decisório da DRF como o Acórdão da DRJ apresentam como fundamento para sua decisão, em síntese, o argumento de que, de acordo com a lei, o valor pago de IR e CSLL a título de estimativa mensal não poderia ser compensado com débito de mês subseqüente, especialmente nos casos de regime de tributação pelo lucro real anual, pois o valor pago a maior só pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento a maior, ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. O Despacho Decisório da DRF/BSA, de fls. 10, assim determinou: RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de IR ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração (31/12/xx) em que houve a retenção ou o pagamento indevido, ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. E como já mencionado, tal decisão foi reforçada pela DRJ/BSA às fls. 88, contendo decisão assemelhada àquela anteriormente exarada pela DRF que analisou o Pedido. Em 22 de fevereiro de 2006, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário para análise do presente Conselho. Em síntese, reforçou sua argumentação relativa ao direito de Fl. 883DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 14033.000212/200537 Acórdão n.º 1201001.282 S1C2T1 Fl. 297 3 imediata compensação de recolhimento indevido ou a maior de IRPJEstimativa, combatendo a regra prescrita no art. 10 da Instrução Normativa SRF 460/2004. O acórdão foi encaminhado para ciência em 24/01/2006 (fl. 95) e em 23/02/2006 a interessada ingressou com recurso reiterando suas alegações de defesa, nas quais destaca que o valor pago a maior, além do corretamente devido a título de IRPJEstimativa Mensal, enseja a existência de crédito para o contribuinte e, por conseguinte, é passível de imediata compensação no mês seguinte. Diz que o direito à compensação tem como limitação apenas as hipóteses previstas na atual redação do par. 3° do art. 74 da Lei n. 9.430/96, dentre as quais não há restrição à compensação imediata dos valores pagos além do devido a título de antecipação, referentes a tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação, tal como o IRPJ, antes de encerrado o exercício financeiro. Em sessão realizada no dia 28 de março de 2007, a 1ª Câmara do antigo 1º Conselho de Contribuintes não acatou as razões de recurso do contribuinte e decidiu, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, conforme ementa abaixo: COMPENSAÇÃO IRPJ PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA Não é possível concluir que o valor pago por estimativa é passível de restituição apenas comparandoo com as regras que estabelecem a forma de calcular o valor a pagar segundo o regime opcional de pagamento por estimativa. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a possibilidade de os pagamentos efetuados se caracterizarem com indevidos. Recurso não provido. Irresignado com tal decisão, o Contribuinte interpôs Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais em 10 de julho de 2007 (fls. 215), baseado em divergência. Admitido o Recurso, em Sessão de 25 de agosto de 2009, a CSRF decidiu, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso e determinar o retorno dos autos para análise das demais questões pendentes: Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Fl. 884DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM 4 colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para homologar a compensação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho (Relator), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Adriana Gomes Rego e almir Sandri que davam provimento parcial, no sentido de determinar o retorno dos autos a unidade de origem para apreciar as demais alegações. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Karem Jureidini Dias. Nesse ponto, cumpre transcrever trecho do voto vencedor do acórdão proferido que determinou o retorno dos autos à esta câmara ordinária: “(...) no presente caso, embora o contribuinte tenha supostamente pleiteado a restituição de estimativa, quando retificou a DCTF, já era possível verificar a existência de saldo negativo (DCTF retificada após o encerramento do anocalendário), sendo esta a razão pela qual os demais julgadores, como eu, acompanharam as conclusões do d. relator originário no sentido de afastar este motivo como suficiente à negativa de restituição/compensação do contribuinte. Portanto, mesmo que por razões diversas, foi afastado este motivo para a negativa do Pedido de Restituição/Compensação, pois, conforme se verifica nos autos, o contribuinte apurou saldo negativo ao final do anocalendário de 2004. No entanto, visto que os valores não foram confirmados ou infirmados pela fiscalização, devem os autos retomar à Câmara a quo (antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes), a fim de que sejam examinadas as demais questões relativas ao Pedido de Restituição/Compensação, tal como decidido pelo Relator. Vale dizer que o presente Recurso Especial tinha por objeto tão somente a vedação (motivo) afastada, sendo que as demais questões ainda devem ser objeto de julgamento. (...) Posteriormente, os autos retornaram à 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara dessa Seção para prosseguimento. Relatado pelo Dr. João Carlos de Lima Júnior, em sessão realizada no dia 08 de maio de 2013, decidiu o colegiado pela conversão em diligência para verificação das informações atinentes ao crédito e débito objeto de compensação. Retornados os autos à Divisão de Fiscalização da DRF em Brasília – DF para cumprimento da diligência requerida (fls. 872) foram juntadas aos autos tela do SIEF e Informação Fiscal atestando a existência de R$ 19.405.997,80 como crédito constante de DCTF e Per/Dcomp para o período em discussão. Fl. 885DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM Processo nº 14033.000212/200537 Acórdão n.º 1201001.282 S1C2T1 Fl. 298 5 Juntadas tais informações, os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ronaldo Apelbaum, Relator As questões referentes à admissibilidade do Recurso foram verificadas quando de seu primeiro julgamento, razão pela qual deve seguir para análise de mérito. Vale ressaltar, em primeiro lugar, que a discussão de mérito dos presentes autos está restrita à possibilidade ou não de compensação de pagamentos a maior de IRPJ – Estimativa em mês subsequente, especialmente em face do disposto no art. 10 da IN SRF 460/2004. Esse ponto, contudo, encontrase superada nos presentes autos em face de decisão prolatada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Portanto, resta à Turma verificar a validade do crédito de R$ 19.405.997,80 decorrente de pagamento a maior de IRPJ – Estimativa para a competência 02/2004. Os documentos trazidos aos autos pela DRF em Brasília às fls. 873 e seguintes, além da Informação Fiscal juntada às fls. 876 e seguintes, bem demonstram que o crédito pode ser considerado legítimo e que as obrigações acessórias para o correto aproveitamento do crédito foram devidamente cumpridas. Ante o exposto, voto pelo PROVIMENTO do Recurso Voluntário e portanto, pelo RECONHECIMENTO da existência do crédito de IRPJ – Estimativa, Perd/Comp nº 37306.69678.01072004.1.3.040206 e pela HOMOLOGAÇÃO da compensação nos limites do crédito reconhecido e realizada no mês subseqüente ao recolhimento indevido, conforme informações constantes dos presentes autos. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fl. 886DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM 6 Ronaldo Apelbaum Relator Fl. 887DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM
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Numero do processo: 12749.000228/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 10/10/2002 a 10/01/2006
OMISSÃO (DO NÚMERO DO PROCESSO) NA PAUTA DE JULGAMENTO IMPLICA ANULAÇÃO DE ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS.
Acolhem-se os embargos de declaração quando caracterizada a aduzida omissão na pauta publicada.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3201-002.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Leonardo Alfradique Martins, OAB/RJ nº 98995.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cássio Schappo.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 10/10/2002 a 10/01/2006 OMISSÃO (DO NÚMERO DO PROCESSO) NA PAUTA DE JULGAMENTO IMPLICA ANULAÇÃO DE ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. Acolhem-se os embargos de declaração quando caracterizada a aduzida omissão na pauta publicada. Embargos acolhidos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1820; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 3.187 1 3.186 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12749.000228/200710 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201002.019 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2016 Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargante CONSÓRCIO LUMMUS ANDRÔMEDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/10/2002 a 10/01/2006 OMISSÃO (DO NÚMERO DO PROCESSO) NA PAUTA DE JULGAMENTO IMPLICA ANULAÇÃO DE ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. Acolhemse os embargos de declaração quando caracterizada a aduzida omissão na pauta publicada. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Leonardo Alfradique Martins, OAB/RJ nº 98995. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 74 9. 00 02 28 /2 00 7- 10 Fl. 4135DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 2 Relatório Em sessão transcorrida em 28 de outubro de 2010, a 1a Turma Ordinária da 2a Câmara da 3a Seção decidiu, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, interposto pelo sujeito passivo nos termos do acórdão nº 320100.595, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/10/2002 a 10/01/2006 LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DEÇADÊNCIA. AÇÃO JUDICIAL. A discussão na esfera judicial não impede o lançamento para constituir o crédito tributário, visando a prevenir os efeitos da decadência. RENÚNCIA À INSTÂNÇIA ADMINISTRATIVA. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, com objeto idêntico ao discutido no processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas e a desistência do recurso interposto. Recurso Voluntário Não Conhecido Cientificada da referida decisão, o CONSÓRCIO LUMMUS ANDRÔMEDA, tempestivamente, interpôs embargos de declaração, onde alega nulidade da mesma, tendo em vista que a pauta que deu origem ao julgamento, publicada no Diário Oficial da União de 15/10/2010, não constou como seria de rigor o número do processo, bem como o número do recurso informado na referida publicação não correspondia ao presente caso. Diante de tal conjuntura, a ora Embargante peticionou à então presidente dessa Câmara, expondo a situação acima narrada e requerendo anulação do julgamento, o que foi prontamente deferido, tendo sido publicada nova pauta de julgamento para o dia 18.02.2011, a qual noticiava corretamente a inclusão em pauta do presente processo para o dia 28.02.2011, às 14:00 h. Continua a embargante que ciente da sessão de Julgamento em questão, o patrono compareceu para realizar sustentação oral, ocasião em que foi surpreendido com a notícia de que os julgadores não teriam sido informados da anulação do julgamento anterior pela d. Presidente. Diante do exposto, requer seja dado provimento aos embargos de declaração. Os embargos declaratórios foram conhecidos por decisão do Presidente da Turma, na forma do art. 65, caput, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015. Foi determinada, assim, a inclusão do processo em pauta para julgamento do Colegiado. É o relatório. Voto Fl. 4136DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 12749.000228/200710 Acórdão n.º 3201002.019 S3C2T1 Fl. 3.188 3 Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O sujeito passivo, inconformado com a decisão no julgado em apreço, argumenta nulidade do mesmo, por vício na publicação da pauta de julgamento referida e podendo caracterizar cerceamento de defesa. Versa o presente auto de infração, com a cobrança do Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados e das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS não recolhidas quando do registro das Declarações de Importação, com exigibilidade suspensa, tendo em vista a antecipação dos efeitos da tutela, suspendendo a eficácia da anulação do Ato Concessório AC n° 20020020341, conforme processo judicial n° 2007.51.01.0025009, 3ª Vara Federal do Rio de Janeiro. A pauta do processo em epígrafe foi publicada no Diário Oficial da União de 15/10/2010, não constou, de fato o número do processo, apenas número do recurso e o nome do contribuinte. A pauta referente ao julgamento que se deu no dia 28/10/2010, foi publicada no DOU de 15/10/2010, pág. 15, cuja cópia a própria embargante juntou à fl. 4.119 (numeração digital) do último volume. Além do mais, a Embargante ilustra os fatos ocorridos e traz aos autos a petição à então presidente da Câmara, à época, expondo a situação acima narrada e requerendo anulação do julgamento, o que foi prontamente deferido. Logo em seguida, foi publicada nova pauta de julgamento para o dia 18.02.2011, a qual noticiava corretamente a inclusão em pauta do presente processo para o dia 28.02.2011, às 14:00 h. Continua a embargante que ciente da sessão de Julgamento em questão, o patrono compareceu para realizar sustentação oral, ocasião em que foi surpreendido com a notícia de que os julgadores não teriam sido informados da anulação do julgamento anterior pela Presidente. Em relação à ata, na parte relativa ao julgamento do processo da Consórcio Lummus consta o seguinte: TERCEIRA SEÇÃO SEGUNDA CÂMARA PRIMEIRA TURMA ORDINÁRIA ATAS DA REUNIÃO DO MÊS DE OUTUBRO DE 2010 Ata da 79ª Sessão Ordinária da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Ata da 00079ª Sessão Ordinária Aos vinte e oito dias do mês de setembro de 2010, às 14:00 horas, na sala das Sessões, localizada na sala 302 do 3º andar Fl. 4137DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 4 do Edifício Alvorada, Quadra 01, Bloco J, SCS, BrasíliaDF, realizouse a 79ª Sessão Ordinária da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, com a presença dos Senhores Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino, Marcelo Ribeiro Nogueira, Mercia Helena Trajano D´Amorim, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, ainda, o Secretário Luiz Fernando Gomes da mota. Havendo número legal, a Senhora Presidente declarou aberta a Sessão. SESSÃO DE 28 DE OUTUBRO DE 2010 – 14:00 HORAS (...) ITEM Nº 70Processo n.ºRecurso nº 518530 Recorrente: CONSÓRCIO LUMMUS ANDRÔMEDA RV Recorrida: FAZENDA NACIONALRELATOR(A): CONSELHEIRO(A) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM PUV NÃO CONHECIDO. CONCOMITÂNCIA. Decisão: por unanimidade votos, não conhecer ao recurso voluntário, por concomitância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Acórdão: 320100.595 Posteriormente, foi colocado o processo na pauta do dia 28/02/2011, cuja publicação deuse no dia 18/02/2011. Na ata dessa sessão consta que o processo foi retirado de pauta por inclusão indevida. Em seguida, foi colocado na pauta do dia 7/3/2011, cuja publicação se deu no dia 25/3/2011. Na ata dessa sessão consta que o processo foi retirado de pauta por inclusão indevida (constando como processo já julgado). Em sendo assim, os embargos devem ser admitidos para novo julgamento, pois a primeira pauta, ao informar o número do processo, deixou de cumprir o disposto na alínea "b" do inciso II do art. 55 do RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009 (texto original), à época vigente, que assim dispunha: Art. 55. A pauta da reunião indicará: (...) II para cada processo: (...) b) o número do processo; Diante do exposto, e considerando que a pauta publicada no Diário Oficial DO, cujo acórdão recorrido foi julgado encontrase eivado de omissão que justifique a oposição de embargos de declaração e a consequente nulidade do julgado, conforme o art.55, inc. II, letra c, do RICARF, vigente, à época. Da conclusão Fl. 4138DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 12749.000228/200710 Acórdão n.º 3201002.019 S3C2T1 Fl. 3.189 5 Voto para que seja conhecido e acolhido o recurso formulado pelo sujeito passivo para anular o acórdão 320100.595, de 28/10/2010 e que novo seja proferido em uma próxima pauta, tudo conforme os trâmites do processo administrativo fiscal, assim como ciência ao embargante e a PGFN deste julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 4139DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720231/2007-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DETECÇÃO DE OBSCURIDADE, OMISSÃO E ERRO DE JULGAMENTO. NULIDADE. NOVO JULGAMENTO.
Detectado, em sede de embargos, que a decisão embargada, além de ser obscura e omissa, analisou situação fática diversa da apresentada nos autos ("erro de julgamento"), cabível a nulidade do acórdão proferido com tal vício, por cerceamento do direito de defesa, e a reapreciação (em verdade, apreciação), pelo colegiado, de imediato, em relação à totalidade da matéria contenciosa, à luz dos documentos e esclarecimentos presentes no processo.
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.
VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO.
A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.
Numero da decisão: 3401-003.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração apresentados, para anular o Acórdão nº 3401-001.750, e, no mérito da apreciação dos temas contenciosos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar as glosas referentes às notas fiscais que tratam de "PROPENO REDUC" (NCM 2901.22.00) carreadas aos autos, aplicando-se a tais operações a alíquota normal (1,65%) e a sistemática não cumulativa, devendo a unidade local promover as alterações decorrente na base de cálculo da contribuição.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DETECÇÃO DE OBSCURIDADE, OMISSÃO E ERRO DE JULGAMENTO. NULIDADE. NOVO JULGAMENTO. Detectado, em sede de embargos, que a decisão embargada, além de ser obscura e omissa, analisou situação fática diversa da apresentada nos autos ("erro de julgamento"), cabível a nulidade do acórdão proferido com tal vício, por cerceamento do direito de defesa, e a reapreciação (em verdade, apreciação), pelo colegiado, de imediato, em relação à totalidade da matéria contenciosa, à luz dos documentos e esclarecimentos presentes no processo. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.
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PETROBRAS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DETECÇÃO DE OBSCURIDADE, OMISSÃO E ERRO DE JULGAMENTO. NULIDADE. NOVO JULGAMENTO. Detectado, em sede de embargos, que a decisão embargada, além de ser obscura e omissa, analisou situação fática diversa da apresentada nos autos ("erro de julgamento"), cabível a nulidade do acórdão proferido com tal vício, por cerceamento do direito de defesa, e a reapreciação (em verdade, apreciação), pelo colegiado, de imediato, em relação à totalidade da matéria contenciosa, à luz dos documentos e esclarecimentos presentes no processo. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração apresentados, para anular o Acórdão nº 3401001.750, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 02 31 /2 00 7- 08 Fl. 653DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 e, no mérito da apreciação dos temas contenciosos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar as glosas referentes às notas fiscais que tratam de "PROPENO REDUC" (NCM 2901.22.00) carreadas aos autos, aplicandose a tais operações a alíquota normal (1,65%) e a sistemática não cumulativa, devendo a unidade local promover as alterações decorrente na base de cálculo da contribuição. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 605 a 611)1 opostos pela empresa, em relação ao Acórdão nº 3401001.750 (fls. 595 a 599), no qual se noticia a existência de concomitância entre o objeto do processo administrativo e de processo judicial: "CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. Segundo a Súmula nº 1 do Segundo Conselho de Contribuintes, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo" (Acórdão nº 3401001.750, Rel. Cons. Fernando Marques Cleto Duarte, unânime, sessão de 20.mar.2012) Alega a embargante que a decisão é "contraditória", "quiçá teratológica" (fl. 609), porque as ações judiciais a que se refere o relator são de terceiros e não se confundem com o pedido de compensação efetuado. Assim, a fundamentação do acórdão teria inovado em relação ao pedido formulado. Os embargos foram admitidos pelo despacho de fls. 650/651, que considerou ter sido indicada, de fato, uma "obscuridade", e o processo foi a mim sorteado para inclusão em pauta de julgamento e apreciação pelo colegiado, no mérito. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 654DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10768.720231/200708 Acórdão n.º 3401003.110 S3C4T1 Fl. 654 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de fls. 650/651, passarseia diretamente à análise da "contradição ou obscuridade" objetivamente apontada. Em tese, no exame de admissibilidade não se estaria a verificar efetivamente se houve contradição ou obscuridade, mas se estas haviam sido objetivamente apontadas. Relevante ainda destacar que com o novo RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015, mais precisamente com seu art. 65, § 8º, passou a existir expressa previsão de sustentação oral pelas partes no julgamento de embargos de declaração. Digo "em tese", e digo "contradição ou obscuridade", porque no presente caso o despacho de admissibilidade vai além da simples verificação de apontamento objetivo, regimentalmente previsto. O exame de admissibilidade empreendido efetivamente detecta que houve erro na premissa adotada pelo julgador, que tomou ações de terceiros como se da embargante fossem, invocando equivocadamente a Súmula CARF no 1, que trata de concomitância entre o objeto dos processos administrativo e judicial. Ocorre que os embargos de declaração deveriam apontar objetivamente "omissão, contradição ou obscuridade". E na peça apresentada a título de embargos sequer constam os termos "omissão" ou "obscuridade", ou suas variantes, aparecendo palavra derivada de "contradição" uma única vez à fl. 609: Entretanto, a contradição ensejadora de embargos a que se refere o Regimento Interno do CARF (RICARF), em seu art. 65, deve ser entre a decisão e seus fundamentos, e não entre ambos e a realidade do processo: "Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e Fl. 655DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma." (grifo nosso) No caso em análise, não há contradição entre a decisão e os fundamentos. Tanto a decisão quanto os fundamentos partem da premissa (ainda que equivocada) de que houve concomitância. O que se conclui no exame de admissibilidade é que a situação descrita se amoldaria melhor ao conceito de "obscuridade", ainda que tal termo não houvesse sido pronunciado na peça apresentada a título de embargos (fl. 650): "Revendo os autos mormente o despacho decisório inaugural, a decisão de primeira instância e os recursos apresentados pelo contribuinte, confirmei que houve uma errônea interpretação da existência das demandas judiciais, eis que a autoria não é da própria recorrente, mas das pessoas jurídicas com quem negocia, de maneira que a situação não se amolda à dicção da Súmula CARF no 1, não havendo qualquer renúncia à discussão administrativa, mesmo porque o objeto daquelas ações não coincide com a altercação travada nestes autos. Em face do exposto, uma vez atendidos os requisitos formais da peça recursal, a saber, tempestividade, legitimidade e pertinência, bem assim, a existência de obscuridade na decisão embargada, opino pela sua admissibilidade, sendo essa a manifestação que submeto à apreciação do Presidente da 1ª TO/4ª câmara/3ª SEJUL/CARF." (grifo nosso) Por mais que, a meu ver, a situação se amolde mais precisamente ao art. 66 do RICARF, que trata de lapso manifesto, ou mesmo trate de "erro de julgamento", acolho, em nome da verdade material, da economia processual e da segurança jurídica, a leitura efetuada no exame de admissibilidade, e passo a analisar o caso como "obscuridade". Realmente, uma decisão que aprecia matéria diversa da tratada nos autos, tangencia a obscuridade. E, no caso, recomendável iniciarmos nossa análise identificando o que se está a discutir no presente processo, para que possamos checar se o voto do relator efetivamente descolouse do efetivo contencioso, como narrado no exame de admissibilidade dos embargos. O presente processo, como se informa à fl. 2, nasce do tratamento manual da DCOMP de final 1459 (fls. 4 a 8), transmitida em 15/09/2005, invocando crédito de pagamento indevido de Contribuição para o PIS/PASEP, em 14/03/2003, no valor original de R$ 3.728.783,26, totalmente utilizado em compensação. À fl. 8, já se percebe que o campo referente a Ação Judicial foi preenchido com "NÃO". Em diligência fiscal (relatório às fls. 126 a 133), apurouse que a base de cálculo informada pela empresa foi a mesma apurada pela auditoria, mas os valores apresentados e apurados ao aplicar alíquotas diferenciadas (para os produtos sujeitos a esta forma de apuração) e as alíquotas gerais (para as demais receitas) são divergentes, concluindo que o valor de Contribuição para o PIS/PASEP a pagar seria R$ 32.493.529,01, e não o informado pela empresa, de R$ 32.810.218,12. No parecer conclusivo de fls. 136 a 143, que fundamenta o Despacho Decisório de fl. 144 (pela parcial homologação da compensação, no valor de R$ 1.636.126,08), Fl. 656DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10768.720231/200708 Acórdão n.º 3401003.110 S3C4T1 Fl. 655 5 a fiscalização acolhe o resultado da diligência, exceto no que se refere a deduções efetuadas pela empresa indicadas como "liminares impetradas" tanto para receita de venda de gasolina quanto para óleo diesel, que entende o parecer terem sido realizadas sem amparo legal, sendo o procedimento correto registrar em DIPJ o total da receita e em DCTF especificar o montante sujeito a discussão judicial, com exigibilidade suspensa até o fim da lide. Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 166 a 177), a empresa, após colacionar excertos das Leis no 8.383/1991 (art. 66), no 9.250/1995 (art. 39), no 9.430/1996 (art. 74) e no 10.336/2001 (art. 8o), alega que: (a) o entendimento do despacho decisório pela inclusão como receita dos valores referentes a "liminares impetradas" é equivocado, pois a decisão judicial afastou a exigibilidade, não podendo a empresa reconhecer o valor contabilmente como receita; (b) a alíquota para gasolina não era de 2,70% (como indicado no despacho decisório), mas de 1,65% (alíquota diferenciada para gasolina de aviação); e (c) a alíquota para propano/butano (produto 614) não era de 2,56% (como calculado no despacho decisório), mas de 1,65% (pois tal produto só passou a ser tributado como GLP a partir de março de 2003). No julgamento de piso, pela DRJ, em 19/01/2011 (fls. 340 a 347), reconhece se que, no presente processo, não há qualquer informação sobre as ações judiciais em discussão, nem juntada de qualquer peça que comprove obtenção de medida liminar amparando a não inclusão como receita, e que foi pertinente o entendimento externado no despacho decisório sobre a necessidade de informação do valor com exigibilidade suspensa. Recorda ainda o julgador sobre a impossibilidade de compensação antes do trânsito em julgado da ação, conforme art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN). No que se refere à gasolina de aviação, reconhece a DRJ aplicação da alíquota geral às receitas de venda comprovadas pela defesa. E, por fim, com relação ao butano, informa o julgador que há Solução de Consulta endereçada à própria empresa esclarecendo que a expressão GLP abarca o propano e o butano. Cientificado da decisão de piso em 11/05/2011 (AR à fl. 352), a empresa apresenta, em 06/06/2011, o recurso voluntário de fls. 354 a 364, basicamente reiterando a argumentação externada na manifestação de inconformidade, acrescentando que: (a) o valor reconhecido para gasolina de aviação é ligeiramente menor que o informado pela empresa; (b) o produto descrito como 614 (propeno, com NCM 29.01.2200) não corresponde a NCM do "grupo" 27.11.1, não estando afetado pela Solução de Consulta mencionada pela DRJ; (c) a empresa não necessita prestar informações sobre ações judiciais que são de conhecimento do fisco, pois contra ele propostas, mas, ainda assim, junta planilhas referentes às liminares judiciais (fls. 423 a 426) e planilha com dados das empresas com liminares vigentes no período (fl. 422); e (d) o artigo 170A do CTN não se aplica ao caso, pois não se busca compensar tributo que é objeto de discussão judicial. Pelo exposto, realmente parece que se está a tratar de ações de terceiros, informação que brota de forma mais contundente somente após o julgamento de piso, no recurso voluntário. Digo parece porque não há nenhuma cópia de nenhuma peça judicial nos autos, mas apenas uma página, praticamente ilegível, na qual se indica quem seriam as empresas com ações judiciais: Fl. 657DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 Pela impossibilidade de leitura, não há sequer como checar objetivamente se tais ações se relacionam com a matéria discutida no presente processo. Em síntese, o processo chegou ao relator original, neste CARF, em tal estágio. Diante desse cenário, a decisão proferida que conclui pela concomitância aceleradamente, em voto de meia página, cujo teor merece ser aqui integralmente reproduzido, é, a nosso ver, não somente obscura, mas também omissa e descolada da situação fática narrada nos autos: "Em suma a contribuinte emitiu Declaração de Compensação devido ao pagamento a maior de COFINS, tendo obtido êxito parcial em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário, onde defende seu pleito, tendo em vista a existência de liminares judiciais, bem como, de diferentes alíquotas. Neste caso não é possível dar provimento ao Recurso, devido a Súmula CARF nº 1, que diz o seguinte. “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante no processo judicial” Neste caso não cabe à autoridade administrativa adentrar ao mérito da questão, devendo ser obedecida à decisão judicial, uma vez que está esfera é superior à administrativa, não sendo possível a discussão da mesma matéria em ambas as instâncias. Assim não cabe a este conselho analisar pedidos de compensação embasados em liminar judicial, devendo aguardar o trânsito em julgado definitivo, cumprindo a decisão proferida.. Frente a todo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, tendo em vista a Súmula CARF nº. 1." Fl. 658DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10768.720231/200708 Acórdão n.º 3401003.110 S3C4T1 Fl. 656 7 A decisão é obscura porque não há como concluir pela concomitância de objeto sem saber qual é o objeto das ações judiciais (que, digase, não estão presentes nos autos), ainda mais quando a própria empresa informa que seriam de terceiros. A decisão é omissa porque sequer discute os temas referentes a alíquotas de gasolina e propeno 614, que são expressamente suscitados na peça recursal e não se relacionam com as ações judiciais, como reconhecem as decisões anteriores. E a decisão é descolada da situação fática narrada nos autos porque parece adotar solução genérica sem examinar o caso concreto, cerceando inclusive o direito de defesa da empresa, pois, regimentalmente, o embasamento da decisão unicamente em tema sumulado neste CARF impede a interposição de recurso especial (art. 67, § 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015). Em síntese, a decisão tomada pelo colegiado não guarda relação com o caso concreto narrado nos autos, como já apontava o exame de admissibilidade. Pelo exposto, voto por anular o Acórdão no 3401.001.750, por erro de julgamento, ocasionando cerceamento do direito de defesa, passando, a seguir a submeter à turma novo voto em relação ao processo, contemplando todos os temas suscitados pela defesa, dentro da realidade fática e documental trazida aos autos. São basicamente três as questões a serem analisadas: (a) a diferença entre o valor pleiteado e o valor reconhecido pela DRJ em relação a gasolina de aviação; (b) a alíquota aplicável ao produto descrito como 614, e sua relação com a Solução de Consulta apontada pela DRJ; e (c) a influência das ações judiciais existentes com o crédito demandado no presente processo, e a pertinência da aplicação ao caso do artigo 170A do CTN. E, como aqui narrado, o julgamento anterior sequer trata das duas primeiras, e sequer empreende labor para verificar a terceira. Da gasolina (de aviação) Em relação à gasolina, a DRJ acolheu a informação prestada de que, de fato, parte do produto (R$ 11.733.736,83) se tratava de gasolina de aviação, que não é tributada à alíquota diferenciada, e checou a documentação carreada aos autos pela empresa (notas fiscais de fls. 228 a 266, que equivalem às fls. 187 a 224 da numeração manual) para comprovar que se tratava efetivamente de gasolina de aviação. E a soma dos valores constantes nas notas fiscais resultou em R$ 11.674.449,53. Em seu recurso voluntário, a empresa, em um parágrafo, questiona a diferença (fl. 356): Fl. 659DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 8 Entretanto, sequer efetua a soma dos valores das notas colacionadas, para apontar eventual erro de cálculo por parte da DRJ, para possibilitar a visualização da origem da diferença de R$ 59.287,30. Em nome da verdade material, efetuei a soma dos valores das notas constantes da planilha de fl. 227, apresentada pela empresa, tendo em vista que a totalidade das notas fiscais de gasolina de aviação carreadas ao processo está absolutamente ilegível. E cheguei ao valor de R$ 11.735.516,83, superior em R$ 1.780,00 ao indicado pela empresa, de R$ 11.733.736,83. No entanto, verifiquei que, à fl. 227, estavam com traço característico de "verificadas", ou "conferidas" (√) todas as notas fiscais exceto uma, circulada, no valor de R$ 61.067,30 (NF no 63609). E, subtraindose tal valor do resultado da soma por mim efetuada (R$ 11.735.516,83 R$ 61.067,30), chegase ao resultado do julgamento da DRJ: R$ 11.674.449,53. Houvesse a empresa efetuado o simples cotejo aqui empreendido em nome da verdade material, saberia (a) que a soma que efetuou estava incorreta e incompatível com a própria planilha por ela apresentada; e (b) que deixou de carrear aos autos uma nota fiscal, no valor de R$ 61.067,30, o que motivou o reconhecimento parcial, pela DRJ. Daí a DRJ ter esclarecido que "de acordo com as cópias das notas fiscais de venda do referido produto, emitidas no mês de fevereiro de 2003, anexadas às fls. 187 a 224, Fl. 660DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10768.720231/200708 Acórdão n.º 3401003.110 S3C4T1 Fl. 657 9 verificase que a receita bruta da venda de gasolina de aviação no período foi no montante de R$ 11.674.449,53" (fl. 345). Em processos referentes a pedidos de compensação, o ônus probatório é indiscutivelmente da postulante ao crédito. Assim vem reiteradamente decidindo este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) E, em relação à diferença apontada, de R$ 59.287,30, não faz qualquer esforço a empresa para apresentar cálculo que contraponha o efetuado pela DRJ, nem soma os valores por ela própria planilhados, para descobrir que não perfazem o total pleiteado. Não há dúvidas sobre ser o ônus probatório do sujeito passivo, no caso em análise. Deveria a empresa ter carreado aos autos documentação que detalhasse o seu direito ao crédito, em relação às notas de aquisição de gasolina de aviação. Como ensina JAMES MARINS, a verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros): “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação Fl. 661DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 10 da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.” 2 E, deste dever de colaboração, não se desincumbe a empresa, crendo que deveria o fisco atestar um direito a crédito seu ao desamparo de documentação comprobatória. Assim, por carência probatória a cargo da postulante, mantenho a decisão de piso em relação ao tema. Do produto descrito como 614 A fiscalização entende aplicável ao produto descrito pela empresa como 614 a alíquota diferenciada de 2,56%, e não a geral, de 1,65%. Isso porque a Lei no 9.718/1998, em seu art. 4o, III, com redação dada pela Lei no 9.990/2000, estabeleceu regra de tributação concentrada para GLP. E a empresa, em sua impugnação, alega sinteticamente que (fl. 176): Acrescenta ainda a planilha de fl. 267 e as notas fiscais (desta vez, legíveis) de fls. 268 a 333. Mas a DRJ não reconhece o direto ao crédito em função da existência de consulta efetuada pela empresa, sobre o conteúdo da expressão GLP (fl. 346): "Em relação à tributação das receitas de venda de butano que, segundo entendimento da interessada deveriam ser segregadas da receita de venda de GLP por estarem sujeitas ao PIS calculado à alíquota geral, cumpre registrar que a questão foi analisada na Solução de Consulta SRRF/73 RF/Disit n° 245, de 31/10/2002, cuja interessada é a própria Petróleo Brasileira S.A. Na referida Solução de Consulta foi definido que a expressão gás liqüefeito de petróleo GLP para efeitos de tributação do PIS/Pasep e da Cofins alcança também o propano bruto liqüefeito (código NCM 2711.12.10), outros propanos liqüefeitos (código NCM 2711.12.90), butanos liqüefeitos (código NCM 2711.13.00), etileno, propileno, butileno e butadieno, liqüefeitos (código NCM 2711.14.00) e outros (código NCM 2711.19.90), além do produto classificado no código 2711.1910." (grifo nosso) 2 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 6.ed. São Paulo: Dialética, 2012, p.154. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10768.720231/200708 Acórdão n.º 3401003.110 S3C4T1 Fl. 658 11 Em seu recurso voluntário a empresa alega que o produto descrito como 614 (propeno, com NCM 29.01.2200) não corresponde a NCM do "grupo" 27.11.1, não estando afetado pela Solução de Consulta mencionada pela DRJ (fl. 357): Verificando as notas fiscais referentes ao citado produto 614 (fls. 268 a 333), percebese que todas apontam a classificação no código 2901.22.00, e a descrição do produto como "PROPENO REDUC". Não tendo sido a classificação objeto de questionamento, resta inaplicável ao caso a Solução de Consulta suscitada inauguralmente pelo julgador de piso (restrita, pelo excerto colacionado pela DRJ, a determinados produtos da posição "2711" da NCM). Assim, a DRJ, ao acrescentar ao processo ementa de solução de consulta efetuada pela empresa, deixa de verificar se tal consulta se prestava a tratar do produto em análise nos autos, cujas notas fiscais estavam disponíveis às fls. 268 a 333. Bastaria a verificação de qualquer uma das notas fiscais para perceber que tratam de produto diverso daqueles abarcados na consulta. Devem, então, ser afastadas as glosas referentes às mencionadas notas fiscais, que tratam de "PROPENO REDUC" (NCM 2901.22.00), aplicandose a tais operações a alíquota normal (1,65%) e a sistemática não cumulativa, devendo a unidade local promover as alterações decorrentes na base de cálculo da contribuição. Acrescentese que foi no mesmo sentido a decisão deste CARF em outro processo da empresa, tratando do mesmo tema (Acórdão no 330101.565): "GLP. PROPENO. RECEITAS. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. As receitas de vendas de gás propeno não estão sujeitas à tributação concentrada à alíquota de 2,56% e sim à tributação pelo regime geral à alíquotade1,65%. (...) no presente caso, conforme provam as cópias das notas fiscais carreadas aos autos (fls.165/225,228/297e409/412), o gás produzido e comercializado pela recorrente foi o propeno, código 2901.22.00, principal matéria prima de produção de plásticos e não gás combustível como os demais. Portanto, as receitas de vendas de propeno, no valor de R$ 30.683.607,69, deverão ser excluídas das receitas de GLP, que foram tributadas à alíquota concentrada de 2,56 %, aplicandolhe (sic) a alíquota normal do PIS nãocumulativo, no percentual de 1,65 %, nos termos da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, art. 2º, citado e transcrito anteriormente." (Acórdão no 330101.565, Rel. Cons. José Adão Vitorino de Morais, maioria, vencida a Cons. Andréa Medrado Darzé) (grifo nosso) Fl. 663DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 12 Das ações judiciais No que se refere às ações judiciais, há que se retomar o esclarecido no tópico em que discorremos sobre a gasolina, especificamente no que se relaciona com o ônus probatório e a dupla vertente da verdade material. Isso porque incumbe à postulante, como já dissemos, o ônus de provar seu direito de crédito em processo de compensação. A empresa, em momento algum, informa exatamente qual o objeto específico das ações judiciais, nem seu andamento/eventual desfecho, mas demanda crédito que delas decorre como "líquidos e certos", sem qualquer ressalva que denote o caráter não definitivo. Como destacou o julgador de piso, este procedimento é incorreto, e ocasiona a apresentação de compensação invocando crédito que, em verdade, não é líquido e certo, mas dependente de manifestação definitiva do Poder Judiciário (seja em relação à empresa, ou em relação a terceiros). Acordamos com a empresa no sentido de que o art. 170A do CTN seria aplicável apenas se a contestação judicial fosse efetuada pelo próprio sujeito passivo, como decorre da leitura do próprio texto normativo. Mas, diante da ausência de qualquer elemento, no presente processo, que ateste a certeza e a liquidez do crédito, não se pode reconhecêlo. Carece, assim, de prova, o direito de crédito pleiteado, prova essa que deveria ter sido apresentada pela postulante. Pelo exposto, deve ser mantida a glosa, por carência probatória a cargo da postulante. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de acolher parcialmente os embargos de declaração apresentados, para anular o Acórdão nº 3401001.750, e, no mérito da apreciação dos temas contenciosos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar as glosas referentes às notas fiscais que tratam de "PROPENO REDUC" (NCM 2901.22.00) carreadas aos autos, aplicandose a tais operações a alíquota normal (1,65%) e a sistemática não cumulativa, devendo a unidade local promover as alterações decorrente na base de cálculo da contribuição. Rosaldo Trevisan Fl. 664DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10768.720231/200708 Acórdão n.º 3401003.110 S3C4T1 Fl. 659 13 Fl. 665DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720803/2013-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Somente podem ser deduzidas as despesas médicas quando comprovadas por documentação hábil e idônea a efetiva prestação dos serviços e a vinculação do pagamento ao serviço prestado.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-002.885
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
(assinado digitalmente)
Eduardo Tadeu Farah
Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Somente podem ser deduzidas as despesas médicas quando comprovadas por documentação hábil e idônea a efetiva prestação dos serviços e a vinculação do pagamento ao serviço prestado. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari Relator (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
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FALTA DE COMPROVAÇÃO. Somente podem ser deduzidas as despesas médicas quando comprovadas por documentação hábil e idônea a efetiva prestação dos serviços e a vinculação do pagamento ao serviço prestado. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari Relator (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 08 03 /2 01 3- 66 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10140.720803/201366 Acórdão n.º 2201002.885 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande, Acórdão 0431.909 da 3ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada por intermédio de notificação de lançamento de imposto sobre a renda da pessoa física lavrada em 01/04/2013 (fls. 26/31), resultante de procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA do exercício 20012, ano calendário 2011, por meio do qual se reduziu o imposto a restituir declarado de R$ 5.045,04 para R$ 119,79. Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal (fls. 28/29), o lançamento de ofício decorre da seguinte infração: dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 17.910,00, em relação a seis prestadores, por falta de comprovação ou previsão legal para sua dedução, pois os recibos não atendem aos requisitos legais e o contribuinte não apresentou comprovantes de que realmente tenha pago e arcado com essas despesas. O contribuinte foi cientificado desse lançamento por aviso de recebimento postal, em 12/04/2013 (fl. 32). IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação em 07/05/2013 (fl. 02), por meio da qual o sujeito passivo, após qualificarse e resumir os fatos, apresentou sua defesa, acompanhada de cópia de documentos pessoais (fls. 03/04) e de outros documentos (fls. 05/12), cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: o valor referese a despesas médicas do próprio contribuinte e de companheira com quem o contribuinte tem filho ou vive há mais de 5 anos, ou cônjuge, sua dependente Hermínia Conceição Barbosa Araújo. Ao final, solicita prioridade na análise da sua impugnação, de acordo com a previsão do artigo 71 do Estatuto do Idoso. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 · impugnou juntando declarações acostadas às fls. 0512, onde estão especificados todos os valores, datas e serviços prestados; · deduções pleiteadas são plenamente compatíveis com os rendimentos percebidos; · os serviços prestados são elecandos na legislação como dedutíveis e são relativos a seu próprio tratamento e de sua esposa; · as deduções são legais e cabíveis; · nas declarações constam todas as informações de cada profissional, que denotam que os mesmos encontramse no exercício regular de suas profissões, sendo que os serviços prestados pelos mesmos são devidamente passíveis de dedução; · em momento algum há menção, argumento ou prova de que os recibos são inidôneos, pelo contrário, há provas cabais de que os serviços foram prestados, tal como amplamente demonstrado; e · não é razoável que a literalidade normativa disposta no artigo 8o da Lei 9.250/1995, que estipula os casos de dedução, seja colada à margem do caso concreto, sobretudo pelo fato de que, no referido artigo, não há qualquer vedação de pagamento em dinheiro, ou exigência de hora marcada para o saque bancário ou para a consulta. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10140.720803/201366 Acórdão n.º 2201002.885 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS A legislação tributária concede ao contribuinte, por ocasião da declaração anual de ajuste, a possibilidade de realizar deduções de despesas médicas próprias e de seus dependentes da base de cálculo do imposto de renda Além do direito de realizar deduções, o sujeito passivo está obrigado a comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas em sua Declaração de Ajuste Anual. A legislação estabelece que o contribuinte, quando intimado, comprove que as deduções pleiteadas na declaração preencham todos os requisitos exigidos, sob pena de serem consideradas indevidas e o valor pretendido como dedução seja apurado e lançado em procedimento de ofício. Abaixo o art. 8 da Lei nº 9.250/95 e o art. 11, do Decreto Lei nº 5.844/43: Lei 9.250/95 Art.8. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... § 2º O disposto na alínea a do inciso II: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; DecretoLei nº 5.844/43 Art 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas nêste capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos. ... § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.” § 4° Se forem pedidas deduções exageradas em relação ao rendimento bruto declarado, ou se tais deduções não forem cabíveis, de acordo com o disposto neste capítulo, poderão ser glosadas sem audiência de contribuinte. Do mesmo modo, estabelece o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR – Regulamento do Imposto de Renda) em seu art. 80: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10140.720803/201366 Acórdão n.º 2201002.885 S2C2T1 Fl. 5 7 Neste processo discutemse 6 glosas de despesas médicas, totalizando R$ 17.910,00, pela falta de comprovação ou previsão legal para sua dedução. No presente caso, verificase que o impugnante é beneficiário de um plano de saúde (UNIMED) e utilizou serviços médicos de não integrantes do plano durante doze meses do ano, sem qualquer pedido de reembolso ao plano em relação aos prestadores glosados. Consta da decisão recorrida análise dos documentos apresentados na impugnação e as razões para a manutenção da glosa. Analisandose os documentos apresentados na impugnação relativos aos prestadores que o contribuinte contesta a glosa, verificase que: são ineficazes para comprovar a dedução na DAA, por não ter sido comprovado o tratamento, por meio de exames e prescrições, e o pagamento como explicitamente consta da notificação, as declarações referentes a tratamento dentário durante vários meses de Antenor José Gugelmin Neves, no valor de R$ 5.100,00 (fl. 06), e Isabelle Machado Neves, no valor de R$ 4.900,00 (fl. 12), para o anocalendário 2011, correspondentes aos recibos apresentados durante a fiscalização; são ineficazes para comprovar a dedução na DAA, por não ter sido comprovado o tratamento, por meio de exames e prescrições, e o pagamento como explicitamente consta da notificação, as declarações referentes a tratamento de fonoterapia durante vários meses de Dejanira Gomes, no valor de R$ 2.800,00 (fl. 09), e Patrícia Galdino, no valor de R$ 1.470,00 (fl. 10 consta equivocadamente o valor de R$ 1.420,00), para o anocalendário 2011, correspondentes aos recibos apresentados durante a fiscalização; é ineficaz para comprovar a dedução na DAA, por não ter sido comprovado o tratamento, por meio de exames e prescrições, e o pagamento como explicitamente consta da notificação, as declarações referentes a tratamento de fisioterapia durante vários meses de Renata Silva Barbosa, no valor de R$ 1.200,00 (fl. 08 consta equivocadamente o valor de R$ 1.450,00), para o anocalendário 2011, correspondente aos recibos apresentados durante a fiscalização; é ineficaz para comprovar a dedução na DAA, por não ter sido comprovado o tratamento e o pagamento como explicitamente consta da notificação, as declarações referentes a sessões de análise durante vários meses de Shirley Gurgel de Alencar Borges, no valor de R$ 2.440,00 (fl. 07), para o anocalendário 2011, correspondente aos recibos apresentados durante a fiscalização. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 8 O recorrente não enfrenta as razões para a manutenção da glosa, limitase a afirmar que "nas declarações constam todas as informações de cada profissional, que denotam que os mesmos encontramse no exercício regular de suas profissões, sendo que os serviços prestados pelos mesmos são devidamente passíveis de dedução, conforme alínea " a " inciso II do artigo 8o da Lei n° 9.250/1995.", "em momento algum há menção, argumento ou prova de que os recibos são inidôneos, pelo contrário, há provas cabais de que os serviços foram prestados, tal como amplamente demonstrado.", "teve e tem condições financeiras de pagar pelos serviços, apresentou em sua impugnação declaração de todos os profissionais com a descrição dos pagamentos recebidos pelos mesmos, contendo todas as informações legais determinadas pelo inciso III do §2° do artigo 8o da Lei n° 9.250/1995, necessárias à sua identificação, quais sejam: nome, endereço e número do CPF, inclusive com a especificação detalhada dos tratamentos efetuados, datas e dos valores pagos." Entendo que são considerações genéricas, sem comprovação suficiente para comprovar serem devidas as deduções. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 72DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
score : 1.0
Numero do processo: 13654.001062/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2003
CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007).
CONDIÇÃO DE ENTIDADE IMUNE. OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL.
Restando comprovado que a Recorrente se enquadra como entidade imune/isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei 8.212/91, aplicável ao caso à época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição está condicionada à emissão de prévio Ato Cancelatório de Isenção, consoante estabelece a legislação de regência.
LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. NÃO OBSERVÂNCIA AO PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO.
Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial ou administrativa da matéria, desde que seja observada à regra processual e material para a constituição do crédito tributário.
AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA.
A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2003 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). CONDIÇÃO DE ENTIDADE IMUNE. OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL. Restando comprovado que a Recorrente se enquadra como entidade imune/isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei 8.212/91, aplicável ao caso à época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição está condicionada à emissão de prévio Ato Cancelatório de Isenção, consoante estabelece a legislação de regência. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. NÃO OBSERVÂNCIA AO PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO. Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial ou administrativa da matéria, desde que seja observada à regra processual e material para a constituição do crédito tributário. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2295; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13654.001062/200851 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.746 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL Recorrente INSTITUTO PRESBITERIANO GAMMON Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2003 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). CONDIÇÃO DE ENTIDADE IMUNE. OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL. Restando comprovado que a Recorrente se enquadra como entidade imune/isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei 8.212/91, aplicável ao caso à época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição está condicionada à emissão de prévio Ato Cancelatório de Isenção, consoante estabelece a legislação de regência. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. NÃO OBSERVÂNCIA AO PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO. Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial ou administrativa da matéria, desde que seja observada à regra processual e material para a constituição do crédito tributário. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 4. 00 10 62 /2 00 8- 51 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.001062/200851 Acórdão n.º 2402004.746 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições sociais, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, destinadas a outras Entidades/Terceiros, para as competências 09/2003 e 12/2003. O Relatório Fiscal informa que o lançamento visa impedir a decadência tributária, nos seguintes termos: “[...] A Entidade requereu, perante o Conselho Nacional de Assistência Social, o recadastramento e a renovação do CEBAS, por meio do processo n° 28984.016259/199428, sendo que este Órgão INDEFERIU, em decisão administrativa definitiva, o pedido de renovação do Certificado, com fundamento no Parecer CJ n° 1258/98 (cópia em anexo). Este Parecer se baseou no descumprimento, pela Entidade, do disposto no inciso IV do art. 2° do Decreto n° 752/93, já que ela não comprovou a aplicação de pelo menos 20% (vinte por cento) de sua receita bruta em gratuidade. Sem obter a renovação do CEBAS, a Entidade deixou de cumprir o requisito previsto no inciso 11 do art. 55 da Lei n° 8.212/91. Atualmente, a controvérsia acerca do direito da Entidade à isenção da cota patronal das contribuições sociais encontrase sub judice na Ação Ordinária n° 1999.38.00.0333672, proposta por ela contra o Instituto Nacional do Seguros Social e originária da 16° Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais – estando, atualmente, no Tribunal Regional Federal da 1' Região. Assim, este AI destinase a impedir a decadência do direito de lançar o crédito previdenciário em caso de eventual decisão judicial desfavorável à Entidade, razão pela qual ficará sobrestado até a decisão judicial definitiva. [...]” Diante da negativa de renovação do CEBAS, a empresa deixou de observar os preceitos contidos no artigo 55, inciso II, da Lei 8.212/1991, o que afastou a sua condição de entidade isenta. Por sua vez, a recorrente propôs Ação Ordinária n° 1999.38.00.0333672, originária da 16a Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, tendo obtido êxito em sua empreitada no sentido do reconhecimento da isenção da cota patronal, com decisões favoráveis em primeira e segunda instâncias, confirmadas pelo STJ, com decisão transitada em julgado, o que impediu a emissão de Ato Cancelatório, remanescendo tão somente a discussão no âmbito do STF em face de recurso extraordinário interposto pelo INSS. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 23/09/2008 (fls. 01 e 106), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). Fl. 170DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 39/101), alegando, em síntese, que era portadora do CEBAS. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora/MG – por meio do Acórdão 0926.566 da 5a Turma da DRJ/JFA (fls. 128/130) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e no mais efetua repetição das alegações de impugnação: 1. traz à colação quadro demonstrativo das renovações do CEBAS em relação ao período de 1999 a 2011, suscitando que em todo àquele lapso temporal a entidade foi detentora de referido Certificado, não se cogitando no descumprimento do artigo 55, inciso II, da Lei 8.212/1991, como pretende fazer crer as autoridades fazendárias; 2. pretende sejam analisadas todas as questões arguidas em suas peças impugnatória e recurso voluntário, independentemente do trânsito em julgado de decisão a ser exarada nos autos do processo judicial, por entender que o desfecho naquela esfera não produzirá efeitos necessariamente neste processo, uma vez que no período objeto de autuação não foi verificado o eventual descumprimento dos requisitos para gozo da isenção sob análise. Ressalta que a autuação está calcada, exclusivamente, na “decisão administrativa” que encerrou a Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção (v. docs. 03 e 04, juntados com a Impugnação ao AI). Esta, por sua vez, estava ancorada, exclusivamente, no indeferimento do pedido de renovação do CEBAS, com validade para o período de 20/04/1998 a 15/09/1999, o qual veio a ser reformada pelas instâncias judiciais ordinárias; 3. infere que a fiscalização e a autoridade julgadora de primeira instância deixaram de considerar os deferimentos de todos os pedidos de renovação do CEBAS para períodos posteriores a 20/04/1998 a 15/09/1999, formulados pela contribuinte, não podendo aquele primeiro indeferimento produzir efeitos ad aeternun. 4. contrapõese ao lançamento e, bem assim, à decisão recorrida, aduzindo para tanto que a entidade nunca perdeu sua condição de isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, consoante se comprova no fato de não haver sido emitido Ato Cancelatório a partir de Informação Fiscal que fora lavrada em face da contribuinte. Acrescenta que a recorrente já gozava de imunidade em relação às contribuições sociais a cargo da empresa muito antes da edição da Lei 8.212/91, motivo pelo qual foi exonerado de requerer o benefício, em razão do disposto no § 1° do art. 55 daquele diploma legal, cabendo ao Fisco demonstrar que no período fiscalizado a recorrente deixou de cumprir algum dos pressupostos de aludida benesse fiscal; 5. por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto e Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.001062/200851 Acórdão n.º 2402004.746 S2C4T2 Fl. 4 5 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. O Fisco afirma que o Conselho Nacional de Assistência Social indeferiu a renovação do CEBAS para a Recorrente. Isso está consubstanciado no Relatório Fiscal, nos seguintes termos: “[...] A Entidade requereu, perante o Conselho Nacional de Assistência Social, o recadastramento e a renovação do CEBAS, por meio do processo n° 28984.016259/199428, sendo que este Órgão INDEFERIU, em decisão administrativa definitiva, o pedido de renovação do Certificado, com fundamento no Parecer CJ n° 1258/98 [...]”. Pois bem. Após analisar os documentos acostados aos autos, verificarse, em sede de preliminar, que o lançamento fiscal deverá ser declarado nulo, eis que os elementos fáticos probatórios, que o compõem, não registram de forma clara e precisa a fundamentação legal ensejadora da autuação. Ou seja, pelos fundamentos a seguir delineados, a motivação fática e jurídica do lançamento fiscal não estão em conformidade com a legislação tributária, nem com os fundamentos da Constituição Federal de 1988. Conforme se observa nos autos, mesmo tendo a autoridade tributária à sua disposição todos os documentos pertinentes à escrituração contábil – bem como os demais documentos estabelecidos pelo art. 55, incisos I a V, da Lei 8.212/1991, atualmente revogado pela Lei 12.101/2009 –, limitouse a justificar a autuação apenas pela existência do indeferimento do pedido de renovação do CEBAS, com validade para o período de 20/04/1998 a 15/09/1999, o qual veio a ser reformado pelas instâncias judiciais ordinárias. Contudo, não houve a emissão de qualquer Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais, conforme previa o § 4o do art. 55 da Lei 8.212/1991, nem a observância se a entidade cumpria ou não os demais requisitos desse mesmo artigo. Lei 8.212/1991: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente ((Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009): I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (g.n.) III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; Fl. 173DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.001062/200851 Acórdão n.º 2402004.746 S2C4T2 Fl. 5 7 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. (g.n.) § 2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3° Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. § 5° Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. Do dispositivo transcrito, verificamos que os requisitos referemse a um rol exaustivo, incisos I a V, para que se possa gozar da imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal. Dentro do quadro fático e jurídico, verificase que o Fisco não observou a necessidade de prévio cancelamento da imunidade/isenção da entidade, a partir da emissão de Ato Cancelatório, consoante disposto no § 4o do art. 55 da Lei 8.212/1991 c/c o artigo 305, e seus parágrafos, da Instrução Normativa SRP n° 03/2005, como condição à constituição do crédito previdenciário em epígrafe, maculando, assim, o lançamento fiscal em sua plenitude. “[...] Instrução Normativa SRP n° 03/2005: Art. 305. A SRP verificará se a entidade beneficente de assistência social continua atendendo aos requisitos necessários à manutenção da isenção, previstos no art. 299. § 1º Constatado o não cumprimento dos requisitos contidos no art. 299, a fiscalização emitirá Informação Fiscal IF, na qual relatará os fatos, as circunstâncias que os envolveram e os fundamentos legais descumpridos, juntando as provas ou indicando onde essas possam ser obtidas. § 2º A entidade será cientificada do inteiro teor da IF e terá o prazo de quinze dias, a contar da data da ciência, para apresentação de defesa, com a produção de provas ou não, que Fl. 174DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 deverá ser protocolizada em qualquer UARP da DRP circunscricionante do seu estabelecimento centralizador. § 3º Decorrido o prazo previsto no § 2º deste artigo, sem manifestação da parte interessada, caberá à chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP decidir acerca da emissão do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 4º Caso a defesa seja apresentada, o Serviço/Seção de Análise da DRP decidirá acerca da emissão ou não do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 5º Sendo a decisão do Serviço/Seção de Análise da DRP favorável à emissão do Ato Cancelatório de Isenção, a chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP emitirá o documento, o qual será remetido, juntamente com a decisão que lhe deu origem, à entidade interessada. § 6º A entidade perderá o direito de gozar da isenção das contribuições sociais a partir da data em que deixar de cumprir os requisitos contidos no art. 299, devendo essa data constar do Ato Cancelatório de Isenção. § 7º Cancelada a isenção, a entidade terá o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão e do Ato Cancelatório da Isenção para interpor recurso com efeito suspensivo ao CRPS. [...]” Aparentemente a motivação fática para ensejar o presente lançamento fiscal seria a não apresentação de requerimento junto ao INSS pela Recorrente, solicitando a isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 55, § 1°, da Lei 8.212/1991. Entendese que esse requerimento é apenas um elemento formal declaratório para se estabelecer a imunidade para a Recorrente. Para o Fisco, a não emissão do Ato Cancelatório se justificaria no fato de a entidade possuir decisão judicial reconhecendo sua isenção ou está discutindo a matéria no âmbito judicial, o que não podemos concordar. Pois, da mesma forma que fora constituído o crédito previdenciário, ainda que garantida a isenção da entidade por força de provimento judicial, ficando sobrestado o final do trâmite administrativo até decisão judicial final transitada em julgado, deveria o Fisco emitir o Ato Cancelatório, dando seguimento no eventual rito processual na esfera administrativa e, sendo procedente referido Ato, ficaria, igualmente, sobrestado até o término do processo judicial. Em outras palavras, a mesma conduta adotada por ocasião da lavratura da autuação sob análise deveria ter sido observada do procedimento pertinente à Informação Fiscal emitida e eventual Ato Cancelatório, de maneira a oferecer condições à constituição do crédito previdenciário que ora se contesta. Assim, não o tendo feito, não há como prosperar o lançamento fiscal. Por sua vez, constatase também que a Recorrente possuía o CEBAS, vigente à época do período de apuração, conforme documentos acostados aos autos, bem como das informações constantes das peças de instrução fornecidas pelo Fisco. Com isso, depreendese que a Recorrente possuía o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CEBAS), atendendo o requisito do inciso II do art. 55 da Lei 8.212/1991. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.001062/200851 Acórdão n.º 2402004.746 S2C4T2 Fl. 6 9 Assim, ao realizar o lançamento, o Fisco deveria ter demonstrado no Relatório Fiscal ou em Relatório Complementar, de maneira clara e exaustiva, a motivação fática – que foi a ausência do CEBAS, este deveria ser acompanhado do Ato Cancelatório de Isenção, e a falta de requerimento de isenção junto ao INSS –, bem como a motivação jurídica, que foi o § 1° do art. 55 da Lei 8.212/1991. Esclareço, ainda, que não há qualquer registro nos Fundamentos Legais do Debito (FLD) dessa motivação jurídica. Nesse passo, não existindo Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais, isso, por si só, enseja a nulidade do lançamento fiscal por cerceamento ao devido processo legal. A confiabilidade das informações prestadas pelo Fisco por meio do lançamento fiscal, materializado no Relatório Fiscal e seus anexos, é essencial ao atendimento do princípio constitucional da ampla defesa, bem como da preservação da boafé objetiva, que deve orientar a relação entre o Fisco e o sujeito passivo da relação obrigacional tributária. Assim – na hipótese de entidade beneficente que se encontrava, antes do lançamento fiscal, devidamente abarcada pela imunidade prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal e em face de que as normas de imunidade comportam interpretação extensiva, consoante decisões do Supremo Tribunal Federal (STF. Plenário. RE 325822/SP. DJ 14/05/2004) –, não é justificável ao Fisco – como órgão adstrito à legalidade e à atividade vinculada, ao realizar o procedimento de auditoria, visando à apuração do crédito tributário decorrente da cota patronal previdenciária – proceder o lançamento fiscal sem a emissão do Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais, conforme previa o § 4° do art. 55 da Lei 8.212/1991). Ao proceder dessa maneira para a apuração dos valores lançados, a auditoria fiscal incorreu em um vício de motivo, este consubstanciado na inadequação do fato com o pressuposto jurídico da legislação previdenciária que previa a emissão do Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais. Essa inadequação do motivo do lançamento fiscal, ocasionada pela falsidade do pressuposto no mundo fático com a previsão legal, é um desvio de finalidade do estabelecido pela legislação tributária que gera a nulidade pelo cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo. No caso concreto, em entidade que preenchia os requisitos previstos nos incisos do art. 55 da Lei 8.212/1991, é imprescindível que o lançamento fiscal que apura valores oriundos da cota patronal previdenciária seja devidamente fundamentado, uma vez que a apuração dessa contribuição previdenciária se trata de medida excepcional que depende de comprovação de requisitos específicos da legislação previdenciária, que davam eficácia e aplicabilidade a imunidade prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal. O trabalho de auditoria fiscal deverá demonstrar, com clareza e precisão, os motivos da lavratura da exigência tributária. Isso está em consonância com o art. 50 da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação como condição de validade do ato, bem como §1o do mesmo artigo que exige motivação clara, explícita e congruente. Lei 9.784/1999– diploma que estabelece as regras no âmbito do processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: Fl. 176DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Claro é que esses requisitos são exigidos pela legislação para que se cumpra a determinação presente na Lei Magna de observação à garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório. Constituição Federal de 1988: Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Não há como ter acesso à defesa e, consequentemente, contraditar a infração imputada à Recorrente, sem que todos os requisitos estejam presentes no procedimento de auditoria fiscal realizado pelo Fisco, seja no Relatório Fiscal ou Relatório Complementar, seja em outros documentos inseridos nos autos. Diante dos relatos delineados anteriormente, está claro que faltam requisitos para a validade da presente autuação, requisitos estes que são necessários para o exercício da ampla defesa e do contraditório da Recorrente. Logo, restou prejudicado o direito de defesa da Recorrente, pois foi lhe imputada autuação sem a descrição clara e precisa da motivação fática e jurídica. Sobre o vício praticado entendo ser o mesmo de natureza material, pois o Fisco delineou uma motivação fática e jurídica de forma equivocada do contexto evidenciado nos autos e na escrituração contábil da Recorrente, ensejando um lançamento que, conquanto identifique a infração imputada, não atende de forma adequada a determinação da sua exigência nos termos da legislação previdenciária. Tal vício material está nitidamente constatado no momento em que o Fisco, no Relatório Fiscal, delineou um motivo fático de forma inadequada com o pressuposto de direito, caracterizando uma motivação insuficiente. Isso está em consonância com o estabelecido pelo art. 142 do CTN, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.001062/200851 Acórdão n.º 2402004.746 S2C4T2 Fl. 7 11 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (g.n.) Mesmo entendimento previsto no art. 59, II, do Decreto 70.235/1972, que enseja a nulidade dos atos manifestado pelo Fisco com preterição do direito de defesa da Recorrente. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. (g.n.) Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (no caso, a motivação fática e jurídica da incidência da lei), ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente (seja aquela aplicável à incidência da lei, ou à determinação da matéria tributável), importando na existência de um vício material. Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen1: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do Fisco com o contribuinte. Nesse sentido, vejamos os efeitos resultantes das alterações promovidas pelo lançamento superveniente, este CARF assim se posicionou: “VÍCIO MATERIAL Havendo alteração de qualquer elemento inerente ao fato gerador, à obrigação tributária, à matéria tributável, ao montante devido do imposto e ao sujeito passivo, se estará diante de um lançamento autônomo que não se confunde com o lançamento refeito para corrigir vício formal, nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. (...)”. (CARF, 1° Conselho, 2ª Câmara, Relator José Raimundo Tosta Santos, Acórdão n° 10247829, Sessão de 16/08/2006) (g.n.) Nessa mesma linha de entendimento, cabe destacar trecho do voto proferido pelo i. Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, que verificou a indevida aplicação 1 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 do vício formal e externou seu entendimento para que fosse reconhecido o vício material do lançamento. Vejase: “Em suma, entendo que o vício formal pressupõe que novo lançamento, se viabilizado, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos no lançamento primitivo, relativamente aos seus elementos estruturais, substanciais. No presente caso, um novo lançamento forçosamente modificará a base imponível, com óbvios reflexos no cálculo do montante do tributo devido, (...)" (CARF, 1ª Conselho, 7ª Câmara, Relator Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Acórdão nº 10706.757, Sessão de 22/08/2002) (g.n.) Por todo o exposto, em preliminar declaro a nulidade do lançamento fiscal, restando prejudicado as demais preliminares e o exame de mérito. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PROVIMENTO, para reconhecer a nulidade do presente lançamento por vício material, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001554/2003-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 07 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1999, 2001
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO.
Considera-se lapso manifesto o erro no título do voto de Voto Vencido, na hipótese em que a posição do relator foi acatada por unanimidade.
Numero da decisão: 9101-002.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos para rerratificar o Acórdão sem efeitos infringentes.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
EDITADO EM: 08/01/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano, Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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LAPSO MANIFESTO. Considerase lapso manifesto o erro no título do voto de “Voto Vencido”, na hipótese em que a posição do relator foi acatada por unanimidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos para rerratificar o Acórdão sem efeitos infringentes. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Adriana Gomes Rêgo Relatora EDITADO EM: 08/01/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano, Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 15 54 /2 00 3- 91 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO 2 Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 910101.355 (fls. 238/242 e seguintes), recebidos como Embargos Inominados conforme despacho de fls. 251/253. O acórdão embargado foi proferido por esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF em julgamento de Recurso Especial da Fazenda Nacional (sessão de 15/5/2012) e está assim ementado: Assunto: Intimação do Lançamento. Comparecimento espontâneo. Decadência. COFINS Ementa: Ao mesmo tempo que supre a falta de intimação, o comparecimento espontâneo define a data do lançamento, pois não existe lançamento até que seja devidamente intimado o contribuinte. A existência de pagamento parcial desloca o dies a quo do prazo decadencial para a data do fato gerador, pois aplicável a regra do § 4º do art. 150 do CTN. Alega a Procuradoria que houve um erro material no acórdão recorrido, tendo em vista que, apesar da decisão ter sido tomada de forma unânime, consta que o voto do relator é um “voto vencido”. Além disso, entende a Fazenda que houve contradição e omissão no acórdão porque aplicou a tese do art. 150, §4º, do CTN, por considerar que houve pagamento antecipado, mas, na verdade, os pagamentos realizados foram feitos ao SIMPLES, e não a título de Cofins, que é o objeto do presente lançamento. Esclarece que a autoridade fiscal não considerou esses pagamentos no lançamento e, a partir daí, argúi contradição pois o acórdão, “muito embora tenha destacado que a auditoria fiscal não considerou os pagamentos de SIMPLES no presente lançamento”, considerou que houve pagamento antecipado e aplicou o §4º do art. 150 do CTN. Argumenta ainda a Embargante (Procuradoria) que, ao considerar os pagamentos do SIMPLES como antecipação de pagamento de Cofins, o acórdão se pronunciou sobre matéria que não foi veiculada nas instâncias ordinárias, e que, portanto, houve supressão de instâncias, com a conseqüente reformatio in pejus, vez que a Fazenda, que foi a única parte a interpor o recurso especial, não alegou essa questão. Já a omissão, esta estaria caracterizada pela ausência de fundamentação das razões pelas quais o colegiado divergiu da auditoria fiscal, considerando como antecipação de pagamento, valores que não foram levados em conta pela fiscalização ao formalizar o lançamento. Por meio do despacho de fls. 251/253, os embargos de declaração a respeito da omissão e da contradição não foram acolhidos, havendo apenas sido recebido, como Embargos Inominados, nos termos do art. 66 do Anexo II do RICARF, a parte relativa à alegação de erro material, "tão somente para que seja prolatado novo acórdão para corrigir o erro manifesto apontado". É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Fl. 256DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11516.001554/200391 Acórdão n.º 9101002.143 CSRFT1 Fl. 256 3 Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento dos embargos inominados, com fundamento no disposto no art. 67 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Compulsando o acórdão embargado, verificase que o erro material apontado pela Fazenda Nacional é flagrante. Com efeito, onde consta “Voto Vencido”, deveria constar “Voto Vencedor”, haja vista que a decisão da Turma foi unânime. Em face do exposto, voto no sentido de ACOLHER o recurso recebido como embargos inominados para rerratificar o acórdão de nº 910101.355, unicamente para que nele passe a constar “Voto Vencedor” onde consta “Voto Vencido”, sem alterar o decidido. Adriana Gomes Rêgo Relatora Fl. 257DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO
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Numero do processo: 18050.003276/2008-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COOPERATIVAS DE TRABALHO - RETENÇÃO - DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838/SP - RICARF.
O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.838/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral, com trânsito em julgado em 09.03.2015.
Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, §1º, I e 62, §2º, do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.092
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.838/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral, com trânsito em julgado em 09.03.2015. Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, §1º, I e 62, §2º, do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 32 76 /2 00 8- 85 Fl. 632DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Fl. 633DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 18050.003276/200885 Acórdão n.º 2202003.092 S2C2T2 Fl. 633 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 1519.751 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA, que não conheceu da Impugnação à autuação por descumprimento de obrigações, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.054.8507. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário referente às contribuições sociais devidas ela empresa, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, prevista no inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212/1991. Ainda, as contribuições lançadas não foram declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP pela empresa tomadora dos serviços e incidiram sobre o valor bruto das notas fiscais emitidas pela COTRAS — Cooperativa de Trabalho e Serviços Ltda., inscrita no CNPJ sob o n° 03.129.158/000154. O Relatório Fiscal informa os documentos verificados durante a Auditoria para a apuração dos créditos previdenciários: Foram analisadas as Notas Fiscais de Prestação de Serviços emitidas pelas cooperativas contratadas e confrontadas com os lançamentos contábeis do Livro Diário número 02, registrados em microfilme em 05/03/2008, no 2. Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas da Comarca de Salvador, sob n2. 29718 do rolo 711. As notas fiscais emitidas pela COTRAS foram lançadas nas contas 4.2.1.01.021 Serviços Prestados Pessoas Jurídicas e 1.1.2.04.005 Clientes/Devedores Diversos/COTRAS. 3.2 Foi utilizado também o livro Razão relativo ao período janeiro a dezembro/2005. 3.3 A SINDERC (nome fantasia) como entidade tomadora dos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho deve informar na GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social o montante dos valores brutos das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços emitidas pelas cooperativas no decorrer do mês, sobre o qual incide a contribuição de 15%. Constatamos que nas GFIPs elaboradas pelo contribuinte, nas respectivas épocas de vencimento, não foram declaradas as bases de incidência bem como as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga As cooperativas de trabalho. No Anexo I constam os cabeçalhos da GFIP extraídas do CNIS — Cadastro Nacional de Informações Sociais, pertencente aos sistemas da Dataprev. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 O período da autuação, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débitos DSD, é de 01/2005 a 11/2005. A Recorrente teve ciência das autuações em 06.06.2008, conforme Aviso de Recebimento AR, às fls. 140. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: A empresa apresentou impugnação ao lançamento em 04/07/2008. Afirma que o requerente foi mero administrador do contrato de serviços de administração, que tem como contratante o Estado da Bahia, através da Secretaria de Combate A Pobreza e As Desigualdades Sociais — SECOMP, inscrita no CNPJ sob o n° 04.836.678/0001 60. 0 objetivo do erário público estadual, no sentido amplo de combate A pobreza, oferece sua parcela de contribuição e, por extensão, a isenção do imposto no âmbito do Estado. Afirma que estão A disposição da autoridade julgadora, para apreciação e análise, a documentação integrante do projeto do governo para implantar o programa de combate A pobreza e os livros contábeis. Requer a realização de perícia contábil. Por fim, requer seja o Auto de Infração tornado sem efeito. A Recorrida não conheceu da Impugnação em função de irregularidade na Representação do sujeito passivo, nos termos do Acórdão nº 1519.751 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2005 IRREGULARIDADE NA REPRESENTAÇÃO. 0 processo administrativo se inicia com a impugnação ao lançamento. Não comprovada a regularidade na representação do impugnante, deve o processo ser extinto sem julgamento do mérito, não se conhecendo da impugnação apresentada. Impugnação não Conhecida Acórdão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos e no uso da competência atribuída pelo inciso I do art. 25 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, combinado com a Portaria n° 95 do Ministério da Fazenda, de 30 de abril de 2007. Acordam os membros da 6* Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer da impugnação. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 18050.003276/200885 Acórdão n.º 2202003.092 S2C2T2 Fl. 634 5 Intimese para pagamento do crédito mantido, facultada interposição de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes no prazo de 30 dias da ciência, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1 2 da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993 e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Anotese que a decisão de primeira instância decidiu pelo não conhecimento da Impugnação posto não ter sido comprovada a regularidade da representação do Sr. Manoel Ferreira Sereno, conforme trecho do voto a seguir: A impugnação foi subscrita pelo Sr. Manoel Ferreira Sereno, que se intitula diretor vicepresidente do sindicato. Entretanto, não há nos autos nenhum elemento que comprove que ele efetivamente exercia o cargo de vicepresidente na data em que foi apresentada a impugnação. Isto porque, a ata mais recente juntada aos autos, referente Assembléia Geral Ordinária de 13/01/2004, comprova a eleição e posse da Diretoria e da Diretoria Suplente, do Conselho Fiscal e do Conselho Fisq.1 Suplente, para o triênio 2004/2007 (fls. 122/124 e 156). Entretanto, a impugnação foi apresentada em 04/07/2008, ocasião em que já havia se encerrado o mandato da diretoria eleita na referida assembléia. (...) Constatada a irregularidade na representação, os autos foram baixados em diligencia, a fim de que o contribuinte fosse intimado a apresentar os documentos que comprovassem que o subscritor da impugnação é o representante legal da autuada. Entretanto, o contribuinte não mais foi encontrado no endereço constante no cadastro da Receita Federal do Brasil. Assim, tendo em vista que o processo administrativo se inicia com a impugnação ao lançamento, não comprovada a regularidade na representação do impugnante, deve o processo ser extinto sem julgamento do mérito, não se conhecendo da impugnação apresentada. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recursos Voluntários, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumento deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Da regularidade da representação do Sr. Manoel Ferreira Sereno. A representação do Sr. Manoel Ferreira Sereno é real, jurídica e fiscal; real por ser um dos membros fundadores do Sindicato (SINDERC); como consta dos autos, inclusive da AGO que elegeu a Diretoria para o triênio de 2004/2007 (as fls. 111/113 e 145); jurídica por substituir o diretor presidente sempre que for necessário, o que nenhum órgão contestou até então, inclusive a própria Receita Federal e posterior a atual Receita Federal do Brasil, por ser o Sr. Manoel Ferreira Sereno representante legal junto ao Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda (CNPJ/MF), sem jamais ter sido impugnado pela Delegacia Federal; e Fiscal, de acordo com o item jurídico 6 Fl. 636DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 fundamental reafirmar que de acordo com o código civil aprovado pela Lei n.° 10406/02 e o Estatuto Social artigos 24° ao 28° que decreta que "os membros da diretoria, continuarão no exercício de suas funções até a posse de novos membros eleitos em nova eleição; comprovante através de Ata de AGO convocada por edição na forma da Lei n.° 10406/02 e do Estatuto Social (...) De acordo com o Estatuto Social, a eleição de membros da Diretoria e Conselho Fiscal, ocorrer de três em três anos, ou seja, não existe eleição para o ano de 2008, ocorreu a eleição no tempo legal, porém, em virtude de ter havido o falecimento de um dos membros, houve, por motivo judicial e exigência cio Cartório de Registro, juntar provas ao processo eleitoral justificando a ausência do exmembro do Conselho; e este procedimento foi demorado a regularizar a situação e obter o arquivo da Ata de AGO para o triênio de 2007/2010: (anexo 4). (ii) Do sistema contábil do contribuinte entidade do 3o setor imunidade Das razões expendidas no julgamento da instância administrativa, em momenta algum foi questionado a qualidade do sistema contábil do contribuinte, o que implica dizer que ele bom e confiável, portanto quanto às questões de que não foram localizados os recolhimentos das fontes pagadoras nas GFIP ou GPS, não cabe ao contribuinte tal responsabilidade, o mesmo procedimento ocorrerá nos anos calendários anteriores, sem qualquer questionamento. Se estes Julgadores de primeira instancia tivessem um mínimo de conhecimento das regras contábeis de uma entidade do 3o setor, sem fins lucrativos, portanto, IMUNE, teriam refletido um pouco mais sobre as suas decisões. (...) Como se vê, existe falha no trabalho fiscal que se baseou em valores inconsistentes e em critério jurídico sem sustentação e em total afronta à legislação, doutrina e jurisprudência administrativa e judicial esta razão não resta alternativa, senão a realização de diligência para confirmar que não existe apuração dos valores levantados e a impropriedade da glosa que ensejou o crédito tributário. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 18050.003276/200885 Acórdão n.º 2202003.092 S2C2T2 Fl. 635 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (i) Da regularidade da representação do Sr. Manoel Ferreira Sereno. Analisemos. Segundo a decisão de primeira instância, constatouse na Impugnação que houve irregularidade na representação do sujeito passivo em função do subscritor Sr. Manoel Ferreira Sereno, conforme trecho do voto a seguir: A impugnação foi subscrita pelo Sr. Manoel Ferreira Sereno, que se intitula diretor vicepresidente do sindicato. Entretanto, não há nos autos nenhum elemento que comprove que ele efetivamente exercia o cargo de vicepresidente na data em que foi apresentada a impugnação. Isto porque, a ata mais recente juntada aos autos, referente Assembléia Geral Ordinária de 13/01/2004, comprova a eleição e posse da Diretoria e da Diretoria Suplente, do Conselho Fiscal e do Conselho Fisq.1 Suplente, para o triênio 2004/2007 (fls. 122/124 e 156). Entretanto, a impugnação foi apresentada em 04/07/2008, ocasião em que já havia se encerrado o mandato da diretoria eleita na referida assembléia. (...) Constatada a irregularidade na representação, os autos foram baixados em diligencia, a fim de que o contribuinte fosse intimado a apresentar os documentos que comprovassem que o subscritor da impugnação é o representante legal da autuada. Entretanto, o contribuinte não mais foi encontrado no endereço constante no cadastro da Receita Federal do Brasil. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 Assim, tendo em vista que o processo administrativo se inicia com a impugnação ao lançamento, não comprovada a regularidade na representação do impugnante, deve o processo ser extinto sem julgamento do mérito, não se conhecendo da impugnação apresentada. Outrossim, o contribuinte aduz que a representação do sujeito passivo está regular, conforme argumentos apresentados em sede de Recurso Voluntário. Outrossim, a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, ao analisar a peça do Recurso Voluntário, bem como seus Anexos, emanou o Despacho DRF/SDR/SECAT no. 4546/2009, às fls. 311, na qual aduz que há legitimidade na representação do Sr. Manoel Ferreira Sereno, conforme se verifica nos documentos acostados nos autos às fls. 126 a 129 e 157 (VOLUME I), 253, 297 a 298 (VOLUME II), especialmente às fls. 126, 128 a 129, 157, 253 e 297 a 298: Proc.: 18050.003276/200885 Ref.: AI37.054.8507 Ano: 2008 Interessado: SINDICATO DAS EMPRESAS DE REFEIÇÕES COLETIVAS DO ESTADO DA BAHIA DESPACHO DRF/SDR/SECAT N° 4454612009 1. Tratase de Auto de Infração lavrado contra o sujeito passivo acima identificado, cuja ciência postal, via AR, foi dada ao Contribuinte em 06/06/2008, conforme comprovado ria fl. 140 (VOLUME I) dos Autos. 2. Em 21/07/2009, 0 Sindicato foi cientificado do Acórdão de n° 1519.751, que votou pelo não conhecimento da impugnação apresentada, às fls.225 a 226 (frente e verso), VOLUME 2, proferido em 22/06/2009, pela 6a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA), como comprova o Aviso de Recebimento dos Correios— AR 368546490 RL, constante da fl. 229 (VOLUME 2) deste Processo. 3. A empresa interpôs recurso, às fls. 231 a 234 (mais anexos às fls.235 a 305), protocolado em 20/08/2009, conforme atesta o carimbo exarado por servidor do MF/RFB/DRF/SDR/CAC (fl. 231). 4. A legitimidade da assinatura do recurso pode ser comprovada pelos documentos de fls. 126 a 129 e 157 (VOLUME I), 253, 297 a 298 (VOLUME II), especialmente às fls. 126, 128 a 129, 157, 253 e 297 a 298. 5. Face ao exposto, sugerimos o encaminhamento do presente Processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/DF — 01.151690, para as providências a seu cargo. 6. A. Chefia da Equipe de Arrecadação e Cobrança, para apreciação. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 18050.003276/200885 Acórdão n.º 2202003.092 S2C2T2 Fl. 636 9 Diante do informado no Despacho DRF/SDR/SECAT no. 4546/2009, às fls. 311, em relação à interposição do Recurso Voluntário, concluo pela legitimidade na representação do sujeito passivo. DO MÉRITO. DA INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO COOPERATIVAS DE TRABALHO Analisemos. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário referente às contribuições sociais devidas ela empresa, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, prevista no inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212/1991. Ainda, as contribuições lançadas não foram declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP pela empresa tomadora dos serviços e incidiram sobre o valor bruto das notas fiscais emitidas pela COTRAS — Cooperativa de Trabalho e Serviços Ltda., inscrita no CNPJ sob o n° 03.129.158/000154. Quanto às cooperativas de trabalho, as contribuições devidas a cargo da empresa, tem sua disposição no art. 22, IV, Lei nº 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.(Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Outrossim, o Supremo Tribunal Federal – STF, em sessão plenária realizada em 23/04/2014, em sede de Recurso Extraordinário RE 595.838/SP com Repercussão Geral, art. 543B, CPC, impetrado por Etel Estudos Técnicos Ltda., em face da União, cuja inconstitucionalidade fora declarada pela unanimidade de votos, conforme se percebe de seu trecho abaixo, verbis: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pelo amicus curiae, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 23.04.2014. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 Observase que esta decisão foi publicada na Ata nº 10, de 23/04/2014. DJE nº 85, divulgado em 06/05/2014. Em consulta ao sítio do Supremo Tribunal Federal (http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=2651722) temse a movimentação processual indicando a rejeição por unanimidade dos Embargos de Declaração, além do trânsito em julgado em 09.03.2015: Em 11.03.2015 Transitado(a) em julgado em 09/03/2015. Em 08/01/2015 Conclusos ao(à) Relator(a) Em 08/01/2015Juntada a petição nº58621/2014.58621/2014 Em 19/12/2014 Juntada da certidão de julgamento referente à sessão Plenária de 18/12/2014. Em 18/12/2014Embargos rejeitados TRIBUNAL PLENO Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, rejeitou os embargos de declaração. Ausentes, justificadamente, os Ministros Gilmar Mendes e Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.12.2014. Ainda assim, segue trecho do voto do Ministro Relator (http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/RE595838.pdf), cuja redação a seguir: Diante de tudo quanto exposto, é forçoso reconhecer que, no caso, houve extrapolação da base econômica delineada no art. 195, I, a, da Constituição, ou seja, da norma sobre a competência para se instituir contribuição sobre a folha ou sobre outros rendimentos do trabalho. Houve violação do princípio da capacidade contributiva, estampado no art. 145, § 1º, da Constituição, pois os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus associados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. Ademais, o legislador ordinário acabou por descaracterizar a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. A contribuição instituída pela Lei nº 9.876/99 representa nova fonte de custeio, sendo certo que somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. É como voto. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 18050.003276/200885 Acórdão n.º 2202003.092 S2C2T2 Fl. 637 11 Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 343/2015, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo primeiro, inciso I, do RICARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo primeiro. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Enquanto que o art. 62, §2º, do RICARF, dispõe que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelos artigos 543 B, CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, diante da vinculação deste conselho à decisão supra, RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, parágrafo primeiro, inciso I, e . 62, §2º, do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à tributação no percentual de 15%, incidente sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme previsto na Lei 8.212/91, artigo 22, inciso IV. Demais argumentos. Em função do decidido nos tópicos acima, pelo provimento total ao Recurso, por falta de objeto, não iremos apreciar os demais argumentos do Recurso Voluntário. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário para: (i) em Preliminar, reconhecer a legitimidade da representação do sujeito passivo na interposição do Recurso Voluntário; (ii) dar provimento ao Recurso Voluntário para afastar a tributação incidente sobre o Auto de Infração em função da inconstitucionalidade reconhecida pelo STF no RE no. 595.838/SP, na sistemática do art. 543B, CPC, em relação à incidência de tributação de contribuição social previdenciária sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 643DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10680.020842/99-89
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/03/1990 a 31/10/1995
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.
Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplica-se ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão-somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante.
Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-á a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador).
Numero da decisão: 9900-000.700
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: Rafael Vidal de Araújo
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PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplica-se ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão- somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-á a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 2 Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Relator "ad hoc" (assinado digitalmente) EDITADO EM: 18/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Trata-se de recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional - PFN, versando sobre a contagem do prazo prescricional do direito à repetição de indébitos tributários. A recorrente assevera que referido prazo seria de 5 (cinco) anos a contar da data em que ocorreu o recolhimento indevido ou a maior que o devido, consoante interpretação a ser dada ao inciso I do art. 165 do Código Tributário Nacional – CTN, interpretação essa que teria sido referendada pela Lei Complementar nº 118/2005. A discussão em causa, portanto, reporta-se exclusivamente ao prazo prescricional para requerer a repetição de indébito tributário, sendo importante ressaltar que o presente pedido foi formalizado anteriormente à vigência da Lei Complementar nº 118/2005, que passou a viger a partir do dia 09/06/2005. No presente caso, o pedido de restituição/compensação foi formalizado em 09/08/1999, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 03/90 e 10/95. É o relatório. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.020842/99-89 Acórdão n.º 9900-000.700 CSRF-PL Fl. 2 3 Voto Conselheiro designado "ad hoc" Rafael Vidal de Araújo Primeiramente, cabe ressaltar que fui designado ad hoc para redação deste acórdão, porque o julgado anexado e assinado no e-processo pelo Conselheiro Relator Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, que não pertence mais a este Colegiado, não foi formalizado pela falta de assinatura do então Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Dessa forma, transcrevo abaixo o voto do documento desentranhado do e- processo, assim como fiz com a ementa e o relatório deste Acórdão: "O recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional –PFN preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, consoante atesta o despacho competente, devendo ser conhecido. Conforme relatado, a questão que se põe à apreciação deste Colegiado diz respeito exclusivamente à preliminar de prescrição do direito à repetição de indébitos fiscais, merecendo ressaltar que o acórdão paradigma considerou irrelevante que o indébito tenha por fundamento a declaração de inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo quinquenal a partir da extinção do crédito tributário, conforme se extrai da leitura da ementa transcrita no recurso extraordinário, a seguir: ACÓRDÃO PARADIGMA "Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO- ILL- O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido." (grifo nosso).(Recurso n° 102-147786.Processo n° 10183.003219/2002-93.Acórdão CSRF/0400.810. Quarta Turma. Relatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo). Os dispositivos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN, citados na ementa acima transcrita, estão assim redigidos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 297DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 4 II - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. ......................................................................................................... Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (vide art. 3º da LC. nº 118, de 2005) II - na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. ......................................................................................................... A modalidade de extinção do crédito tributário a que se refere o supra transcrito dispositivo do inciso I, do art. 168 é o definido no inciso I, do art. 156, também do CTN, a seguir: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I - o pagamento; (...). Assim, contado da data da extinção do crédito tributário, pelo pagamento, teria o contribuinte cinco anos para fazer valer o seu direito à restituição, entendimento que mereceu intermináveis discussões no âmbito do contencioso administrativo tributário e nos Tribunais Superiores do Poder Judiciário pátrio. Dessa forma, em face da interminável batalha judicial estabelecida sobre o tema, e com a pretensão de pacificar e tornar definitivo um entendimento a respeito, sobreveio a Lei Complementar - LC nº 118/2005, cujos artigos 3º e 4º alteraram e acrescentaram dispositivos ao Código Tributário Nacional CTN, dispondo ainda sobre a interpretação a ser dada ao inciso I do art. 168 da mesma Lei, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 3º- Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º - Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106,inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Por seu turno, o mencionado inciso I, do art. 106, do CTN, estabelece que: Fl. 298DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.020842/99-89 Acórdão n.º 9900-000.700 CSRF-PL Fl. 3 5 Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...). Assim, a questão já teria sido definitivamente resolvida com a edição dos suso transcritos dispositivos da LC nº 118/2005, segundo o qual a interpretação a ser dada ao inciso I, do art.168, do CTN, é a de que “a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei.” (Lei nº 5.172/1966 – CTN) Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça - STJ declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4° da LC nº 118/2005, ao entender que não se trata de lei meramente interpretativa, já que inova o ordenamento jurídico no tocante ao momento em que o crédito torna-se extinto, e que, portanto, não pode retroagir nos moldes do artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, sob pena de ofender o princípio da segurança jurídica, de respeitável proteção em nosso ordenamento. Referida matéria, até a sessão de 04/08/2011 do Supremo Tribunal Federal – STF, encontrava-se submetida ao regime de repercussão geral, oportunidade em que foi negado provimento ao RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, declarando a inconstitucionalidade do acima transcrito art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 (cinco) anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09/06/2005, tendo referida decisão Suprema sido assim ementada: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts . 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se auto-proclamado interpretativa,implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 6 Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando-se as aplicações inconstitucionais e resguardando-se, no mais, a eficácia da norma, permite-se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B,§ 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido Por seu turno, o Superior Tribunal de Justiça - STJ, em recentíssima decisão (sessão de 02/08/2012), ao julgar o recurso representativo de controvérsia REsp nº 1.269.570MG, entre muitas outras mais antigas, seguiu a referida posição jurisprudencial proferida do Tribunal Maior, consoante se extrai da leitura da ementa do REsp 1089356/PR, assim disposta: REsp 1089356 / PR RECURSO ESPECIAL 2008/02103521 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 - SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/08/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 09/08/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543-B,§ 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09/06/2005. INAPLICABILIDADE DA LEI Fl. 300DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.020842/99-89 Acórdão n.º 9900-000.700 CSRF-PL Fl. 4 7 COMPLEMENTAR Nº. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI Nº.9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5).Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570-MG,1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei nº.1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao ano-calendário de 1995,exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento,pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 8 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. Nessa mesma linha, transcrevo ementa de outros julgados do STJ, nos quais o prazo prescricional é contado, em se tratando de pagamentos indevidos cuja repetição fora requerida anteriormente à vigência da LC nº 118∕2005 (09/06/2005), da data do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa: “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO.REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL.LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que,"mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO.TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP(ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP 1.137.738/SP (ART. 543-C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos REsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Fl. 302DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10680.020842/99-89 Acórdão n.º 9900-000.700 CSRF-PL Fl. 5 9 Rel.Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A]autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte,sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si". (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção,DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543-C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel.Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) Através da Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, foram introduzidas alterações no Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, sobrevindo o art. 62-A, que assim dispõe: Art. 62-A.As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 10 Sendo assim, diante dessas decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores, outra não poderia ser minha posição a respeito da matéria, senão a de aplicar ao caso os estritos termos das sobreditas decisões do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão- somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 9 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), valeria o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-ia a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). No presente caso, a data de protocolo do pedido de restituição/compensação foi formalizado em 08/08/1999, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 03/90 e 10/95.Sendo assim, o direito à repetição não foi alcançado pela prescrição. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso, devendo o processo retornar à repartição de origem, para que seja analisada a viabilidade do pedido quanto às questões de mérito, sua liquidez, demais matérias não examinadas e adoção das providências que considerar cabíveis, devendo o processo, posteriormente, seguir seu trâmite de acordo com o Decreto nº 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF. É assim que voto." (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo ("ad hoc") Fl. 304DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Relatório Voto
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Numero do processo: 10930.907065/2011-00
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 15/08/2000
INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR).
Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal.
REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos
ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-004.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 70 65 /2 01 1- 00 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 90), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A., interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0641.470, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade declarada pelo contribuinte por recolhimento vinculado a débito confessado, negando o direito creditório. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), de nº 40966.12844.300605.1.2.045902, nos termos do despacho decisório emitido em 02/12/2011 (rastreamento nº 013472746). No aludido PER, transmitido eletronicamente em 30/06/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 184,83, referente ao pagamento efetuado em 15/08/2000, de PIS/Pasep, código de receita 8109, no valor total de R$ 13.459,09. Segundo o despacho decisório recorrido, a restituição foi indeferida porque o Darf indicado como crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito de PIS/Pasep, 8109, do período de apuração de 31/07/2000, de acordo com a informação da DCTF transmitida pela Interessada. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907065/201100 Acórdão n.º 3802004.147 S3TE02 Fl. 92 3 Cientificada em 22/12/2011, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/01/2012. Alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins que incidiram sobre outras parcelas que não se compreendem no conceito de faturamento, relativamente às competências de 07/2000 a 01/2004, 03/2004 e 07/2004. Diz que nos referidos períodos (anos de 2000 a 2004) informou em DCTF os valores devidos a título de PIS/Pasep e de Cofins levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexa jurisprudência do STF e do CARF. Em função disso, entende que as “declarações prestadas à época da vigência plena do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, hoje declarada inconstitucional, hão de ser revistas de modo a se adequarem a tal entendimento, em prol da realidade material que passou a existir com a declaração de inconstitucionalidade pelo E. STF”. Anexa planilha demonstrando as diferenças pleiteadas, as quais “correspondem exatamente às receitas não operacionais, não integrantes da base de cálculo do PIS/Cofins após a declaração de inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98”. Argumenta que para o deferimento do pedido de restituição basta que a autoridade julgadora exclua das DCTF apresentadas as receitas não operacionais (financeiras), tendo por base a planilha anexa, a fim de adaptar à realidade as declarações prestadas. Pede o provimento integral do presente recurso. É o relatório. Indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da Ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/08/2000 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER INTER PARTES. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba – DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, anexa trechos de seus livros Diário e Razão nos quais constam as rubricas de receitas financeiras, requer a homologação da compensação declarada por evidente a origem do crédito e, por conseguinte, o direito à compensação do mesmo. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 90), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Conforme exposto nas linhas acima, a Declaração de Compensação da Recorrente teve como causa a tributação indevida de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, especialmente diante da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins promovida pela Lei nº 9.718/98, tendo em vista a ausência de mandamento constitucional (ou, doutra maneira, a edição de Lei Complementar que estabelecesse novas fontes de custeio da seguridade social) que validasse a incidência da contribuição em referência sobre receitas financeiras e outras receitas operacionais, não inseridas no conceito de faturamento. Como bem observado pela decisão recorrida, o Tribunal Pleno da Egrégia Corte examinou os Recursos Extraordinários nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR, declarando, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, na forma da ementa assim redigida: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907065/201100 Acórdão n.º 3802004.147 S3TE02 Fl. 93 5 "CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (Supremo Tribunal Federal, Tribunal Pleno, RE 346.084/PR, Relator Ministro Ilmar Galvão, Julgamento 09/11/2005, Publicação 01/09/2006)." Ainda que, como destacado pela DRJ, a decisão não tenha efeito erga omnes à luz da legislação de regência das decisões exaradas pelo STF, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, autoriza este Colegiado a afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Superior Tribunal Federal”. Ora, não é outra a hipótese do caso sob exame. Portanto, sendo a observância do decisum proferido pelo STF facultada a este órgão julgador, devese reconhecer o direito de a Recorrente pleitear a restituição do montante indevidamente recolhido a título de Cofins em virtude da aplicação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF, em consonância com o repertório jurisprudencial do CARF, do qual se traz, a título exemplificativo, a decisão adiante: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para reconhecer o direito à restituição das importâncias pagas com fulcro no referido dispositivo legal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO PER/DCOMP. INADMISSIBILIDADE. Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considerase não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29/09/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, RV 501572, Acórdão 3302001.245, Relator Conselheiro Walber José da Silva, Julgamento 06/10/2011)" Assim é que, em tese, assiste direito ao Recorrente. No entanto, ultrapassada a questão de direito, tornase fundamental apreciar a matéria de prova. No caso em tela, a análise da prova restou prejudicada, pois a DRJ não aceitou a planilha apresentada pelo Recorrente. Como forma de fundamentar a planilha apresentada à época da manifestação, o contribuinte apresentou excertos de seus livros Diário e Razão para buscar comprovar o direito de crédito indicado na planilha que anexou em sua primeira peça defensiva. Tais documentos podem excepcionalmente ser juntados aos autos, diante da previsão do art. 16, § 4o, c, do RPAF, que permite a apresentação de documentos posteriormente à peça defensiva inaugural para contrapor razões trazidas em momento processual seguinte, pelo que se vê abaixo: "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos." Todavia, a análise da documentação acostada aos autos pode levar à supressão de instância. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907065/201100 Acórdão n.º 3802004.147 S3TE02 Fl. 94 7 Assim, e considerando que a supressão de instância somente pode ser realizada se esta for favorável ao sujeito passivo, forte no art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72, entendo que devem os autos retornar para julgamento da DRJ quanto à matéria de prova, de modo a se averiguar a liquidez e certeza do crédito oferecido à compensação. Nesse mesmo sentido já decidiu essa Eg. Turma Especial, no Acórdão 3802 001.857, de relatoria do Conselheiro Solon Sehn: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão." No mesmo sentido, aplicáveis à espécie os somase os nºs Acórdãos 3802 001.959 e 3802001.960, de relatoria do Conselheiro Bruno Mauricio Macedo Curi. Conclusão Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Diante de todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para darlhe provimento parcial, determinandose o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10825.000442/89-01
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 26 00:00:00 UTC 1992
Ementa: IRPJ - EXERCÍCIOS 85/88
NULIDADE PROCESSUAL - Juntados documentos na instância de origem em respaldo à ação fiscal, sem que se propiciasse à parte recorrente o direito de "vista!" dos mesmos para "eventual reforço à. peça impugnatória, e de se decretar a nulidade da mesma,
sob pena de cerceamento ao :direito de defesa e ofensa ao princípio
do duplo grau de jurisdição.
Recurso provido.
Numero da decisão: 103-12.251
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos,em ACOLHER a preliminar de cerceamento do direito de defesa e declarar a nulidade dos atos processuais a partir da decisão de fls. 607, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julga do
Nome do relator: Victor Luiz De Salles Freire
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Recorrido : : DRF EM BAURU — SP IRPJ - EXERCÍCIOS 85/88 NULIDADE PROCESSUAL - Juntados doou mentos na instãncia de origem em respaldo à ação fiscal, sem que se propiciasse à parte recorrente o di reito de "vista!" dos mesmos para "e". ventual reforço à. peça impugmatória, e de se decretar a nulidade da mes- ma, sob pena de cerceamento ao :di- reito de defesa e ofensa ao princí- pio do duplo grau de jurisdição. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes tau- tos de recurso. interposto por FIGUEIREDO & CIA., ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primei- ro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos,em ACOLHER a preliminar de cerceamento do direito de defesa e declarar a nu- lidade dos atos processuais a partir da decisão de fls. 607, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julga do. - Sala das Sessões, em 26 de maio de 1992 4% ,459:2 5015S900r- Clir el---""IWO. BER - PRESIDENTE é ' VICIOR kE t 4. REIRE- RELATOR 11; ,1 ...el i P- 14' VISTO EM ZAIIMTIS HOLANDA B-GA - PROCURADOR DA FAZEM.... eT?,SSÃO DE: 23 JUL 1992 DA NACIONAL V:V: (A as. Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei ros: Luiz Henrique Barros de Arruda, Maria de Fátima Pessoa de Mel- lo Cartaxo, Sonia Nacinovic, Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior, 4 Ilcenil Franco e Dicler de Assunção. ' _ SERVIÇO PUSLICO FEDERAL PROCESSO N? 10825/000.442/89-01 RECURSOW: : 99.642 ACOROÃOW: : 103-12.251 RECORRENTE: : FIGUEIREDO & RELATÓRIO A r. decisão monocrática de fls. 607/624 julgou improcedente a impugnação formuhda pelo contribuinte autuado con tra o auto de infração vestibular, ao mesmo tempo sugue, sob su porte nas disposições do artigo 145, III em combinação com o ar- tigo 149, I e VIII do Código Tributário Nacional, retificou de ofício o crédito tributário ali exigido para a inclusão de outras parcelas tributáveis nos anos-base de 1985.(Cr$ 243.500.700,00), 1986 (Cz$ 58.992,93) e 1987 (Cz$ 357.511,21), afora a imposição do adicional do imposto sobre a parcela de Cz$ 298.490,13 no pe- ríodo-base de 1986. No particular, assim está a mesma ementada: "Distribuição Disfarçada de Lucros - Empréstimo a Pessoa Ligada - Presume-se distribuição dis- farçadade lucros no negócio pela qual a pessoa jurídica empresta dinheiro a pessoa ligada se, na data do empréstimo, possui lucros acumulados ou reservas de lucros, inobstante o título con- tábil de sua livre destinação. Retiradas não ContabiliZedas - Constitui em dis tribuição de lucros, as retiradas destinadas aos sócios, não escrituradas em despesas gerais ou contas subsidiárias. Despesas de Correção Monetária Indevida - Nos casos de distribuição disfarçada de lucros e de distribuição de lucros não contabilizados, será, para efeito de correção monetária do patrimônio líquido, deduzido dos lucros acumulados ou re- servas de lucros. ç\:;k SE~P~~11. PROCESSO N9 10825/000.442/89-01 3. ACÓRDÃO N9 103-12.251 Omissão de Receita - Suprimento de Caixa - O registro contábil dos valores tidos como entre- gues ao caixa da pessoa jurídica pelos sócios, ainda que para amortização de provável adianta- mento anteriormente recebido, possui as 'mesmas características do suprimento de caixa, Não com provado a efetiva entrega e a origem dos recur- sos, presume-se que tenha sido efetuado com re- cursos omitidos. Omissão de Receitas - Veículos Usados - Compro- vado que todos os numerários cedidos a tercei- ros, constantes da rubrica 'adiantamentos para aquisição de veículos usados', foram efetivamen te utilizados para tal finalidade, inclusive sei do admitido pelo próprio sócio da empresa, pre- sume-se que os numerários retornados ao caixape la sua não contabilização constantes do regis- tro contábil decorrem de recursos formados margem da contabilidade. Agravamento da Exigência Inicial - Agrava-se a exigência inicial, quando fato não conhecido por ocasião-do lançamento anterior induziu o autuan te a erro na base de cálculo do lançamento." - Cientificado do inteiro teor da referida deci- são,em data de 20 de agosto de 1990, formula então o Recorren- te seu recurso voluntário de fls. 628/635, protocolizado na re- partição fiscal em data de 18 de setembro de 1990, onde arque: a) - em preliminar nulidade dà decisão recor- rida, na medida em que por ela proclamada a juntada aos autosde documentos, após a apresentação da impugnação, "a defesa - não foi chamada a se manifestar antes do julgamento delA, instância quer sobre os novos elementos da acusação juntados às fls. 308/ /598 (cf. item 3) e nos quais se louva a decisão (cf. itens-... 5.5.2, 5.5.8 e 5.5.9), quer sobre as razões que condliziram ao agravamento das exigências iniciais"; 1/4 b) - em mérito, que "a decisão recorrida mostra se insustentável, porquanto não s6 acolheu, como reproduziu in- tegralmente como "razões de decidir?, todos os "argumentos" e \"--5(1 • SERMO MOUCO FEDERAL PROCESSO N9 10825/000.442/89-01 4. ACUDA() N9 103-12.251 "critérios" utilizados pela Fiscalização, cujas inconsistência, contradições e inadmissibilidade, já estavam amplamente demons tradas na impugnação", passando,:a seguir, a fazer um breve re lato de suis consideraçõe de defesa. A-seguir, manifesta-se o Sr. Chefe da Secção SERTRI da Delegacia da Receita Federal em Bauru pela aprecia- ção da supra mencionada peça recursal como impugnação, haja vis ta a reabertura de prazo consagrada no item 8, fls. 624 da r. decisão recorrida. E, em seqüência, procede-se a anexação .aos autos da informação fiscal de fls. 638, que examina "as alega- ções apresentadas na peça recursal de fls. 629 a 634, acatadas como impugnação", sobrevindo a decisão de fls. 640/642,a qual ratifica a anterior e expede novas considerações, não sem antes deixar consignado "que a argüição, preliminar, de nulidade ou reforma da Decisão não prospera, em face da reabertura do pra zo paia nova interposição de impugnação consignada no item 8 da Decisão recorrida". Novamente intimada, a parte recorrente entãona nifesta sua nova postulação recursal a este Conselho, de -fls. 646/659, insistindo, novamente, em que "a decisão de primeira instância administrativa comporta anulação, não somente por se - basear em pretextos artificiosos e divorciados da realidade,n&. somente por ter sido prolatada com usurpação da competência de ferida a esse E. Primeiro Conselho, mas ainda, por ter sido e- xarada com preterição aos direitos da defesa:e com supressão de uma das duas instâncias de julgamento assegurada pela lei a to do o acusado de infração à lei fiscal". Especial ênfase merece parte do item I do referido apelo, abaixo transcritoz. ruma vez apresentado o cabível recurso voluntá- rio no qual se argüiu a nulidade daquela deci- são (n9 228/90) sob os fundamentos de a •mesma ter agravado as exigências fiscais e de ter si do exarada com base nos novos documentos da a- cusação juntados às fls. 308/601 à reveliada WIlpf ~II Nacional SERVICO PUBLICO FEDERA/ PROCESSO N9 10825/000.442/89-01 5. ACÓRDÃO N9 103-12.251 defesa (fls. 627/634), o Sr. Delegado da Recei- ta Federal 'recebeu' o recurso interposto como 'Impugnação' e dele decidiu exarando a nova De- cisão n9 005/9 na qual, embora ratificando na íntegra o prolatado na Decisão n9 10.825-228/90 de fls. 607 a 624 (sic 11{1 'considerando'), sus tenta que esta 'não teria implicado em 'decisãói passível de recurso mas em mera 'reabertura de prazo para nova impugnação' e que a juntada dos novos documentos de acusação às fls. 308/598,e, portanto, após a defesa e à revelia e sem audi- ência da defesa antes do julgamento, não impli- caria irregularidade, nem na nulidade argüida, porque com essa juntada pela Fiscalização, que 'poderá beneficiar qualquer das partes litigan- tes' (!!!), não teria havido 'inovação', -,quer do 'lançamento', quer da 'relação jurídico pro- cessual já constituída'." g o relatório. - 4; Imprensa Nacional SEAVICO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10825/000.442/89-0/ 6. ACÓRDÃO N9 103-12.251 VOTO Conselheiro VICTOR LUÍS DE SALLES FREIRE, Relator O recurso é tempestivo. Na apreciação da preliminar de cerceamento de defesa tenho-a como válida e, por conseqüência decreto a nulida de do feito a partir da decisão monocrãtica de fls. 607, - Fera que outra seja proferida na boa e devida forma, após reaberta a instância inaugural pelo prazo de lei, a fim de que a autuada,em função dos documentos juntados de fls. 308/598 adite suas consi derações de impugnação. Em verdade, é fato inquestionável nestes autos que, após a formulação da impugnação, no escopo de melhor posi- cionar a:ação fiscal, tanto que reportados na decisão recorrida, procedeu a Fiscalização a juntada de uma série de documentos,sem que dos mesmos se desse acesso ã parte ora recursante. Nem se diga que o vicio teria sido sanado pela decisão de fls. 607/624, já que esta, atenta apenas ao agravamento da exigência, determi nou a reabertura do prazo de impugnação para que a autuada se manifestasse exclusivamente dentro do novo encargo ali empos-- to: "8 - Reabra-se o prazo para a impugnação do a- - gravamento da exigência inicial, nos termos do artigo 20 do Decreto n9 70.235/72." Logo, equivocado foi o entendimento de fls.637, no sentido de apreciar o recurso de fls. 628/635, já que este, antes de voltar-se contra o agravamento-da exigência, buscava neste Conselho a reabertura da instância inaugural por suposto cerceamento de direito de defesa a partir preterição de formali dade essencial :IS procedimento, qual seja o direito de a parte ter !'vista" de uma vasta gama de documentos juntados a troco de reforço da ação fiscal, para então, a seguir, aditar suas considerações iniciais de defesa. Innen ~mal SERVACO PUEILICO FEDERAL PROCESSO N9 10825/000.442/89-01 7. ACÓRDÃO N9 103-12.251 Tinha efetivamente a parte o direito de pleitear este remédio, não podendo ser aceita a argumentação de fls.641, da nova decisão que ratificou a anterior, no sentido de que "a argüição, preliminar, de nulidade ou reforma da Decisão não pros pera,em face da reabertura do prazo para nova interposição de impugnação" ou que "estando reaberto o prazo para impugnação, o contribuinte teve a sua disposição a análise dos documentos a- costados aos autos e citados na Mecisão, das quais poderia to-- mar vista conforme faculta o parágrafo único do art. 15 do _De- creto n9 70.235/72?. Esta linha de argumentação é totalmente in consistente na medida em que, restrita a formulação de nova im- pugnação apenas ao agravamento, de fato e de direito não tinha a parte recursante fundamento para adentrar no exame da documen tacão referida. Na espécie, em verdade, o procedimento da Dele- gacia acabou por implicar em preterição do direito de defesa e ofensa ao principio do d plo grau de jurisdição, razão pela qual assim justifico meu voto preliminar de nulidade do procedimen- to a partir de fls. 607, procedendo-se na forma ao inicio alvi- trada. Brasil a r m(i,c.A:it e maio de 1992 VICTOR LUIS DE S LES PREPtE-C--RELATOR Inwereas Nacional Page 1 _0058800.PDF Page 1 _0058900.PDF Page 1 _0059100.PDF Page 1 _0059300.PDF Page 1 _0059500.PDF Page 1 _0059700.PDF Page 1 _0059900.PDF Page 1
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