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Numero do processo: 11060.002802/2009-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
BOLSAS DE ESTUDO. ISENÇÃO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO
Somente são isentas do imposto de renda as bolsas caracterizadas como doação quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos, pesquisas ou extensão e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços.
Numero da decisão: 9202-007.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11060.002335/2009-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ISENÇÃO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO Somente são isentas do imposto de renda as bolsas caracterizadas como doação quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos, pesquisas ou extensão e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11060.002335/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 28 02 /2 00 9- 11 Fl. 3900DF CARF MF Processo nº 11060.002802/200911 Acórdão n.º 9202007.091 CSRFT2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 9202007.078 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 25 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 11060.002335/200911, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 9202007.078 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais "Tratase de auto de infração lavrado para cobrança de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física acrescido de multa de ofício e juros de mora em decorrência da apuração de rendimentos classificados indevidamente pelo sujeito passivo em sua respectiva declaração anual como não tributados. Os rendimentos se referem a valores pagos por pessoa jurídica a título de bolsa de estudos/pesquisa, mais especificamente valores pagos pela Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (FATEC), entidade privada contratada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) para execução de projetos de extensão em diversas áreas. Entre outras obrigações, estava sob a responsabilidade da FATEC o dever de contratar bolsistas e pessoal de apoio. A partir da análise dos contratos apresentados a fiscalização afastou a aplicação da regra de isenção do art. 26 da Lei nº 9.250/95 em razão da caracterização de remuneração pela prestação de serviços e a notória vantagem econômica perseguida pela UFSM, FATEC e financiadores privados dos programas. Concluiuse a partir dos objetivos e finalidades dos projetos que não se tratava de doação de financiadores pessoas físicas e jurídicas à UFSM, mas verdadeiros contratos de prestação de serviço da UFSM para com aqueles, contratos intermediados pela FATEC a qual acabava por contratar os próprios docentes pertencentes aos quadros da universidade para comporem a equipe técnica. Após o trâmite processual, a turma a quo negou provimento ao recurso voluntário por concordar que a natureza dos valores pagos à recorrente não se caracterizam doação nos termos do citado art. 26 da Lei n° 9.250/95 e, por conseguinte, verbas isentas do imposto de renda. Os elementos para formação da convicção do Colegiado foram: previsão de pagamento de taxa de administração à FATEC e remuneração da UFSM pela utilização da sua infraestrutura; previsão de que na data da conclusão ou término dos contratos, seriam incorporadas ao patrimônio da universidade os bens materiais remanescentes, e ainda o fato de que os valores das bolsas foram devidamente cotados nos custos dos projetos, não onerando o patrimônio das Fl. 3901DF CARF MF Processo nº 11060.002802/200911 Acórdão n.º 9202007.091 CSRFT2 Fl. 4 3 entidades envolvidas, o que demonstra a perda do caráter de liberalidade quanto à transferência patrimonial do doador para o donatário, característica essencial para configuração da natureza da doação civil. Assim, as atividades desenvolvidas pelos participantes dos mencionados projetos não seriam exclusivamente voltadas a estudos ou pesquisas, mas visavam à consecução de resultados econômicos em favor dos contratantes. Intimado da decisão o contribuinte apresentou recurso especial. Citando como paradigmas diversas decisões proferidas em casos onde foram analisados contratos semelhantes que previam pagamento de bolsas de pesquisas decorrentes de relação firmada entre a UFSM e a FATEC, a recorrente reitera sua tese de que os valores auferidos não são tributados pelo imposto de renda, pois não representaram proveito econômico nem contraprestação de serviços para a Fundação, defende que seu vínculo obrigacional é apenas com a UFSM, e que não ocupa cargo, emprego ou função na FATEC, sendo a bolsa resultado de uma doação, imune ou isenta do IRPF nos termos da lei. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pela manutenção do acórdão. Argui que nos ternos da legislação de regência, para que as bolsas de estudo e de pesquisa não sofram a incidência do imposto de renda, é necessário: a) que sejam caracterizadas como doação; b) que sejam recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas; c) que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador; e d) que os resultados dessas atividades não importem contraprestação de serviços. Afirma que, nos termos do TVF os valores pagos à recorrente não cumpriram esses requisitos. É o relatório." Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9202007.078 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 25 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo n° 11060.002335/200911, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor condutor da decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 9202007.098 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 25 de julho de 2018: Acórdão nº 9202007.078 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Fl. 3902DF CARF MF Processo nº 11060.002802/200911 Acórdão n.º 9202007.091 CSRFT2 Fl. 5 4 "Peço licença a ilustre conselheira relatora Relator para divergir do seu entendimento com relação ao mérito do recurso especial da contribuinte. A questão devolvida a este Colegiado cingese à discussão sobre a natureza dos rendimentos percebidos pelo sujeito passivo da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência FATEC, em virtude de projetos em que esse atuou por intermédio da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, autarquia da qual é servidor. Alega o recorrente em resumo que as bolsas concedidas pela FATEC são isentas de imposto de renda, haja vista decisões recentes do próprio CARF. Aduz que o próprio CARF entende que as bolsas concedidas pela FATEC aos servidores da UFSM que atuam em seus projetos não são passíveis de incidência de imposto de renda, por se tratarem de DOAÇÃO, logo isenta de tal imposto. De início, importa esclarecer que, se por um lado, conforme arguido no recurso especial, há algumas decisões no sentido de reconhecer o direito a isenção em situações análogas a aqui analisadas (acórdãos nº 210202.200, 210202.101, 2102 002.513), por outro lado, existem inúmeros outros julgados em sentido diametralmente oposto, a exemplo das decisões consubstanciadas nos acórdãos nº 2801003.850, 2801003.680, 2801003.338, 2801003.343, 2402005.761, 2402005.760, 2402005.762. Assim, o fato de um colegiado deste Conselho adotar determinado posicionamento não tem o condão de derrogar entendimento que tenha sido exarado por colegiado diverso, ainda que em virtude de matérias semelhantes, tampouco de vincular quaisquer das turmas de julgamento do CARF. É que, nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, a fim de uniformizar a jurisprudência administrativa, prestigiandose o principio da segurança jurídica. Em relação às questões de mérito, a despeito de, via de regra, as bolsas de estudo estarem sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda das pessoas físicas, o legislador conferiu tratamento diverso a essa espécie de benefício uma vez verificadas, simultaneamente, as seguintes condições: i) constituir mera liberalidade do cedente em favor do beneficiário, sem significar o pagamento de contraprestação, caracterizando se como doação; ii) sua concessão se dê exclusivamente para a realização de estudos e pesquisas; e iii) os resultados destas atividades não representem vantagens para o doador. Nesse sentido é o inciso VII do art. 39 do RIR (fundamentado no art. 26 da Lei n.º 9.250/95), que a seguir se reproduz: Fl. 3903DF CARF MF Processo nº 11060.002802/200911 Acórdão n.º 9202007.091 CSRFT2 Fl. 6 5 Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] VII as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços (Lei nº 9.250, de 1995, art. 26). Referido entendimento é também aplicável às bolsas de ensino e pesquisa referidas na Lei nº 8.958/1994 e no Decreto nº 5.205/2004, conforme se infere dos dispositivos reproduzidos a seguir: Lei nº 8.958/1994 Art. 4º As IFES e demais ICTs contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente e limites e condições previstos em regulamento, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º. desta Lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das IFES e demais ICTs contratantes nas atividades previstas no art. 1º. desta Lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, conceder bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão, de acordo com os parâmetros a serem fixados em regulamento. Decreto n.º 5.205/2004 Art. 6º As bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4º , § 1º , da Lei 8.958, de 1994, constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. (...) Art. 7º As bolsas concedidas nos termos deste Decreto são isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. (Grifos Nossos) Vêse, pois, que as bolsas de estudo somente serão consideradas como rendimentos isentos ou não tributáveis nas hipóteses em que tais verbas possam, na forma da legislação aplicável, ser consideradas como doações por parte da instituição de ensino ao beneficiário e, como já se viu, sem qualquer exigência de contraprestação por parte deste em favor do doador. Não é Fl. 3904DF CARF MF Processo nº 11060.002802/200911 Acórdão n.º 9202007.091 CSRFT2 Fl. 7 6 outro o juízo que tem imperado nas decisões do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA BOLSA DE ESTUDOS DO BANCO CENTRAL DO BRASIL ISENÇÃO DOAÇÃO NÃO CARACTERIZADA CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A isenção do imposto de renda prevista no art. 26 da Lei 9.250/95 exige que a bolsa de estudos seja espécie de doação, sem vantagens para o doador. 2. Hipótese em que o recorrente continuou recebendo salário a título de bolsa de estudos para desenvolver atividades acadêmicas no exterior, assumindo por escrito a obrigação de reverter ao empregador os resultados dos estudos e pesquisas por este financiados. 3. A manutenção da natureza salarial da verba paga para cobrir os custos da oportunidade dada pelo Banco Central do Brasil ao seu servidor descaracteriza a doação. 4. Recurso especial improvido.” (STJ, 2ª Turma, REsp 959.195/MG, Rel. Ministra ELIANA CALMON, julgado em 25/11/2008, DJe 17/02/2009) (Grifos Nossos) Ademais, entendimento semelhante é o que tem preponderado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Vejamos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 IRPF. BOLSA DE EXTENSÃO. ISENÇÃO. De acordo com a jurisprudência deste CARF e em consonância com julgados do STJ, apenas são isentos os rendimentos provenientes de bolsas de estudos concedidas se tais valores decorrerem de liberalidade, bem como se os trabalhos exercidos pelo beneficiário não representem, de nenhuma forma, benefício econômico para a instituição de ensino ou contraprestação pela prestação de serviços. Hipótese em que as bolsas recebidas pelo contribuinte não caracterizam mera liberalidade da instituição de ensino. (Acórdão 2101002.370, Processo: 11080.005297/200910, data de Publicação: 24/02/2014, Relator(a): ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 BOLSAS DE ESTUDO. ISENÇÃO. REQUISITOS. Somente são isentas do imposto de renda as bolsas caracterizadas como doação quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos, pesquisas ou extensão e desde que os resultados dessas de serviços. Fl. 3905DF CARF MF Processo nº 11060.002802/200911 Acórdão n.º 9202007.091 CSRFT2 Fl. 8 7 (Acórdão 2402005.760, Processo: 11060.002104/200915, data de Publicação: 05/04/2017, Relator(a): MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO) No caso concreto, o Relatório de Fiscalização, assim como os contratos e demais documentos acostados aos autos, revelam que as “bolsas” pagas ao contribuinte decorreram de sua participação em projetos desenvolvidos a partir de contratos firmados entre a Universidade Federal de Santa Maria e a FATEC, cujos recurso foram obtidos junto a pessoas físicas ou jurídicas para o desenvolvimento de projetos voltados aos interesses de tais pessoas. Por certo, não há como considerar que esses pagamentos tenham constituído mera liberalidade em favor do contribuinte, tampouco que o produto das atividades por ele desenvolvidas não tenha representado vantagem à contratante e aos financiadores dos projetos. Ao contrário, todos os serviços remunerados sob a forma de bolsa de extensão exigiam resultados específicos em benefício dos financiadores, ou seja, os valores recebidos pelo sujeito passivo tratamse, em verdade, de pagamentos efetuados em razão da prestação de serviços, não havendo como caracterizálos como doação por mera liberalidade, com exige a norma isentiva. Além do que, os contratos estabelecidos entre a FATEC e a UFSM para realização dos referidos projetos preveem pagamento de taxa de administração à FATEC e remuneração à UFSM pela utilização de sua infraestrutura, caracterizandose em retorno econômico a essas duas entidade, as quais são remuneradas em valores proporcionais ao custo total dos projetos, sendo esse mais um elemento a denotar que a situação em apreço não obedece aos requisitos estabelecidos em lei para o reconhecimento da isenção. Conclusão Ante todo o exposto, voto no sentido CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto no sentido CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 3906DF CARF MF Processo nº 11060.002802/200911 Acórdão n.º 9202007.091 CSRFT2 Fl. 9 8 Fl. 3907DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.003208/2007-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1997 a 31/03/2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.
Numero da decisão: 2402-006.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sergio da Silva.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1997 a 31/03/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sergio da Silva.
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ARBITRAMENTO Recorrente ELETROCENTER MATEUS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1997 a 31/03/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 32 08 /2 00 7- 04 Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10320.003208/200704 Acórdão n.º 2402006.898 S2C4T2 Fl. 418 2 Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sergio da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisãonotificação da então Secretaria de Receita Previdenciária SRP, que julgou improcedente a impugnação apresentada em face de lançamento de ofício das contribuições devidas à seguridade social, parte da empresa, SAT/GILRAT e parte segurados, incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados. Relatou a acusação fiscal que: a) a empresa teria apresentado escrituração contábil que não registraria o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço e teria apresentado folhas de pagamento e GFIPs de forma deficiente, uma vez que nas mesmas teriam sido omitidas informações verdadeiras referentes a fatos geradores. Teria seria corroborado na análise de reclamatórias trabalhistas, nas quais a empresa teria sido condenada. Segue ementa da decisão que julgou a impugnação: Ementa: CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. ARBITRAMENTO. A empresa é obrigada a recolher ao INSS contribuições incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a seu serviço. A omissão na apresentação de documentos ou sua apresentação deficiente viabilizam o lançamento do crédito previdenciário pela técnica do arbitramento. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 16/06/2005 (fl. 193) e interpôs recurso voluntário em 15/07/2005 (v. fl. 389 e recurso de fls. 197 e seguintes), cujos fundamentos são resumidamente os seguintes: Preliminares b) o emprego das técnicas utilizadas pelo autuante representaria afronta a qualquer princípio constitucional, tendo sido citados, pela recorrente, os incs XXXV, LIV, LV e LVII do art. 5º da CF; c) a autuação teria transgredido o princípio da verdade material; No mérito d) os valores referentes às reclamatórias trabalhistas teriam sido recolhidos por determinação da justiça do trabalho; e) portanto, seria descabido o auto de infração; Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10320.003208/200704 Acórdão n.º 2402006.898 S2C4T2 Fl. 419 3 f) teriam sido violados os princípios da legalidade e da irretroatividade legal; g) a recorrente não teria agido com dolo ou máfé. Diante dos inúmeros documentos juntados ao recurso, o Serviço de Contencioso Administrativo Previdenciário SACAP, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Luís MA, determinou o retorno dos autos ao Serviço de Fiscalização, para manifestação quanto à possibilidade de revisão da NFLD (fls. 392/293). Na origem, a fiscalização opinou por manter o débito tributário (fls. 398/399). Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, mas não deve ser totalmente conhecido. As teses, segundo as quais (i) teriam sido violados os princípios da legalidade e da irretroatividade legal; e (ii) a recorrente não teria agido com dolo ou máfé; não foram ventiladas na impugnação e são insuscetíveis de conhecimento em grau recursal. A impugnação da exigência, a qual deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Somente a impugnação regular é capaz de atrair o poderdever do Estado de fazer a prestação jurisdicional, dirimindo a controvérsia iniciada com o lançamento fiscal mas efetivamente instaurada com a sua (da impugnação) apresentação. Vejase, nesse sentido, os seguintes dispositivos constantes do Decreto nº 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10320.003208/200704 Acórdão n.º 2402006.898 S2C4T2 Fl. 420 4 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Justamente em função da falta de impugnação, a DRJ não julgou tais matérias, de forma que o seu conhecimento aviltaria o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. 2 Das preliminares Preliminarmente, a recorrente alega transgressão ao princípio da verdade material e violação aos incs. XXXV, LIV, LV e LVII do art. 5º da CF. Equivocouse a recorrente. Quanto aos dispositivos constitucionais, observase que a tese é genérica e na maior parte das vezes referese a normas (regras ou princípios) que não têm relação com as regras que regem o processo administrativo fiscal. Exemplificativamente, o princípio da inafastabilidade do poder jurisdicional (inc. XXXV do art. 5º da CF) e o princípio da presunção de inocência em matéria penal (inc. LVII do mesmo art. 5º) não são aplicáveis ao ato (ou processo) de lançamento tributário. Já no que diz respeito à suposta infringência ao princípio da verdade material, se realmente tivesse havido tal violação, isso seria matéria a ser resolvida no mérito da defesa ou do recurso, e desde que fosse demonstrado que o agente autuante tivesse se descuidado da realidade dos fatos, o que não foi provado pela parte autuada. Ademais, a ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; a autuação foi devidamente motivada e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; a autuação ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito passivo e da penalidade aplicável; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. Nesse contexto, deve ser rejeitada a preliminar. 3 Do recolhimento por determinação da Justiça do Trabalho A recorrente afirma que os valores referentes às reclamatórias trabalhistas teriam sido recolhidos por determinação da justiça do trabalho e que portanto seria descabido o auto de infração. Estudandose a acusação fiscal, observase que, no entender do agente lançador, a empresa teria apresentado escrituração contábil que não registraria o movimento real das remunerações dos empregados a seu serviço e teria apresentado folhas de pagamento e GFIPs de forma deficiente. Esses fatos teriam sido inicialmente constatados em análises de reclamatórias trabalhistas, nas quais a empresa teria sido condenada. Todavia, diferentemente do que sugere a recorrente, foram arbitradas as remunerações dos demais empregados que exerciam as funções de cobrador e vendedor, e não Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10320.003208/200704 Acórdão n.º 2402006.898 S2C4T2 Fl. 421 5 as remunerações daqueles empregados que ingressaram com as reclamatórias trabalhistas e obtiveram o reconhecimento das comissões como verbas de natureza salarial. O seguinte trecho da acusação fiscal é bastante elucidativo: Vejase que a autoridade lançadora, a partir de dois casos constatados em reclamatórias, concluiu que o recebimento de comissões não seria uma prerrogativa exclusiva daqueles dois reclamantes. A partir daí, a fiscalização arbitrou as comissões pagas aos "demais empregados" que desempenhavam as mesmas funções. Isto é, a diligência empreendida junto à Vara do Trabalho teria sido primordial para constatarse a prática realizada pela empresa, de pagar comissões por fora da folha de pagamento e sem a devida declaração em GFIP. Apenas a prática é que foi constatada e o lançamento foi relativo aos demais trabalhadores da empresa. O seguinte trecho da informação fiscal de fl. 398/399 é igualmente explicativo: Logo, a recorrente deveria ter comprovado, na impugnação, que os demais empregados, cujas remunerações foram arbitradas, teriam tido as suas contribuições recolhidas em ações trabalhistas. Não o tendo feito, deve ser negado provimento ao recurso voluntário. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 421DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.902239/2008-49
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2002
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. PRECLUSÃO.
O art. 16, § 4.º do Decreto no 70.235/1972 dispõe sobre o momento de apresentação da prova documental. A análise de documento que já estava disponível quando da interposição da manifestação de inconformidade, apresentado pelo postulante somente em sede de recurso voluntário, implica supressão de instância e preclusão consumativa.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de demonstrar, com provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/10/2002
DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR.
Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida.
Numero da decisão: 1002-000.572
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER dos novos argumentos e elementos de prova juntados aos autos, por preclusão, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2002 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. PRECLUSÃO. O art. 16, § 4.º do Decreto no 70.235/1972 dispõe sobre o momento de apresentação da prova documental. A análise de documento que já estava disponível quando da interposição da manifestação de inconformidade, apresentado pelo postulante somente em sede de recurso voluntário, implica supressão de instância e preclusão consumativa. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de demonstrar, com provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/10/2002 DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida.
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ÔNUS PROBATÓRIO. PRECLUSÃO. O art. 16, § 4.º do Decreto no 70.235/1972 dispõe sobre o momento de apresentação da prova documental. A análise de documento que já estava disponível quando da interposição da manifestação de inconformidade, apresentado pelo postulante somente em sede de recurso voluntário, implica supressão de instância e preclusão consumativa. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de demonstrar, com provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/10/2002 DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 22 39 /2 00 8- 49 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.902239/200849 Acórdão n.º 1002000.572 S1C0T2 Fl. 76 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER dos novos argumentos e elementos de prova juntados aos autos, por preclusão, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR (DRJ/CTA) mediante o Acórdão n.º 0630.780, de 17/03/2011 (efls. 29 a 31). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Trata o presente processo da compensação declarada por meio do PER/DCOMP n° 21149.62428.181103.1.3.047002 (fls. 0507), relativa à compensação do débito de R$ 3.933,03 de IRPJ devido por estimativa (código de receita 5993) do mês de outubro/2003, com utilização do direito creditório de R$ 3.292,62 oriundo do pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ (código de receita 5993) efetuado em 31/10/2002 (R$ 3.951,74). 2. A DRF/Curitiba, por meio do Despacho Decisório proferido em 24/04/2008 (fl. 01), não homologou a compensação declarada cm 18/11/2003 em face da inexistência do direito creditório indicado, haja vista o recolhimento de R$ 3.951,74 efetuado em 31/10/2002 ter sido alocado ao debito de estimativa de IRPJ do mês de setembro/2002. 3. Regularmente cientificada desse Despacho Decisório por via postal, em 07/05/2008 (fl. 04), a reclamante apresentou, em 20/05/2008, a tempestiva Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10980.902239/200849 Acórdão n.º 1002000.572 S1C0T2 Fl. 77 3 manifestação de inconformidade de 11. 08, na qual argumenta que informou incorretamente no PER/DCOMP que o direito creditório seria oriundo de pagamento indevido ou maior, quando o correto é saldo negativo de IRPJ, conforme consta da DIPJ 2003; que, no entanto, estão correios os créditos originais na data da transmissão do PER/DCOMP. [...] A 1.ª Turma da DRJ/CTA negou provimento à manifestação de inconformidade, pelo que o contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando que o crédito que defende a seu favor não tem origem nem inteiramente em pagamento a maior, nem em saldo negativo de IRPJ, mas parte em pagamento a maior e parte em saldo negativo. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e obedece aos demais requisitos de admissibilidade, exceto quanto ao atendimento ao art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, como será visto adiante. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida, conforme constam do recurso voluntário. 1. Admissibilidade O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo. Ademais, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. No entanto, nem todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos estão identificados. O recurso é cabível, há interesse recursal observandose efetiva sucumbência do contribuinte, o recorrente detém legitimidade, inexiste fato impeditivo ou modificativo do poder de recorrer, mas existe fato extintivo relativo à preclusão consumativa que se operou quanto a argumentos e documentos não apresentados na primeira oportunidade, isto é, na manifestação de inconformidade, e que foram trazidos pela primeira vez para discussão por ocasião do recurso voluntário, quais sejam, a nova alegação de constituição do crédito com pagamento a maior e saldo negativo, conjuntamente, cópia de informe de rendimentos financeiros do Citibank, anobase 2002, cópia da ficha 12A da DIPJ 2002 com o cáculo do lucro real do ano 2001, demonstrativos de composição de saldo negativo em 2001 e de DARFs Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10980.902239/200849 Acórdão n.º 1002000.572 S1C0T2 Fl. 78 4 pagos a maior, e cópias de DARFs (efls. 43 a 58). Tais documentos constituem inovação aposta na peça recursal. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4.º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). (grifei). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide com os elementos de prova correlatos, sendo eles submetidos à primeira instância (DRJ) para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário para o CARF (segunda instância) em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação probatória ou recursal. Antes de analisar a matéria e a prova devolvidas para reexame na segunda instância de julgamento é preciso verificar se foi observado o princípio recursal da dialeticidade, que determina que o recurso deve conter os fundamentos de fato e de direito que deram causa ao inconformismo com a decisão de primeira instância de julgamento, juntamente com os itens que o impugnante pretende que façam prova a seu favor. A legislação processual determina que a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento devendo ser formalizada por escrito e com o detalhamento dos Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10980.902239/200849 Acórdão n.º 1002000.572 S1C0T2 Fl. 79 5 motivos de fato e de direito em que se basear, devendo os pontos de discordância e as razões estarem expostas de forma minuciosa, sob pena de serem considerados não refutados. De modo geral, a peça de defesa deve estar instruída com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias de defesa suscitadas. O recurso voluntário é o meio idôneo a ensejar o reexame das questões decididas em primeira instância de julgamento com a finalidade de obter um pronunciamento mais favorável relativamente à sucumbência. Com exceção da avaliação de uma ⃰objeção, por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento, em regra o efeito devolutivo, inerente ao mecanismo recursal, promove o restabelecimento do poder de apreciar a mesma questão em segunda instância de julgamento. As provas extemporâneas juntadas aos autos e que representam inovação à lide não se contrapõem aos termos previstos no ato de deliberação que se pretende reformar, evidenciando violação ao princípio da dialeticidade1, e caracterizada a supressão de instância. Na peça impugnatória (manifestação de inconformidade) não constam anexas as cópias da ficha 12A da DIPJ 2002, do Informe de rendimentos financeiros do Citibank, ano 2002, os demonstrativos de composição do saldo negativo em 2001 e dos DARFs pagos a maior, e cópias dos DARFs, que denotariam, segundo o recorrente, saldo negativo e pagamento indevido. Reiterase, excetuandose as *objeções, circunstância que não se verifica no caso dos autos, não se toma conhecimento das provas juntadas pela primeira vez em sede de recurso voluntário, porque alcançadas pela preclusão. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia contexto probatório extemporâneo. Se não foi apresentado ao tempo da impugnação ou manifestação de inconformidade ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventálo em sede de recurso voluntário como uma inovação. O CARF não pode apreciar prova não apreciada pela DRJ, caso contrário, estaríamos diante de patente supressão de instância. A análise destes elementos novos trazidos ao processo administrativo implicaria supressão de instância porque a Turma Julgadora da DRJ/CTA foi privada da apreciação destes itens, motivo pelo qual deve ser reconhecida a preclusão consumativa na forma dos dispositivos do Dec. n.º 70.235/72, já reproduzidos. As normas processuais não permitem que qualquer das partes mantenha desconhecida determinada prova, de que já dispunha, com o propósito de aguardar o momento que lhe seja mais favorável para a apresentação, gerando surpresas e danos ao contraditório para a outra parte e suprimindo o exame por instâncias de julgamento. O conjunto probatório inédito apresentado com o recurso voluntário ultrapassa os limites do § 4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72, pois já poderia ter sido inserido aos autos no momento da manifestação de inconformidade, uma vez que diz respeito a itens de que o postulante do direito creditório tinha posse desde o ano calendário 2001/2002 (algumas declarações, desde 2004). Como admitir prova extemporânea que busca comprovar tanto pagamento indevido de IR quanto saldo negativo de IR sem que tenha ocorrido qualquer das hipóteses que excepcionam a preclusão contidas nas alíneas "a", "b" e "c" desse § 4.º? 1 Fundamentação legal: art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 27, art. 37 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10980.902239/200849 Acórdão n.º 1002000.572 S1C0T2 Fl. 80 6 O texto da manifestação de inconformidade dá notícia de que teria ocorrido um erro na tipificação, que define a natureza do crédito. Afirma que o crédito tem origem em saldo negativo de IRPJ, e, equivocadamente foi preenchida no PER/DCOMP a informação "Pagamento indevido ou a maior", ocorrido em 31/10/2002, no valor de R$ 3.951,74. Agora, em sede de recurso voluntário, reformula completamente suas alegações, construindo circunstância na qual o crédito teria na verdade se originado, em parte, do saldo negativo do ano calendário 2002, que aponta alterado para o valor de R$ 2.499,95, e, em parte, de pagamento a maior, referente ao mesmo período de apuração (set/2002), agora no valor de R$ 792,67. Registrese que o recurso não traz nenhuma prova ligada a registros contábeis/fiscais com apurações dos resultados, bases de cálculo e IR a pagar e a recuperar mensais, balanços de suspensão, comprovantes de retenções na fonte e demonstrativos correspondentes, que pudessem dar suporte às várias retificações efetuadas, confirmando a formação do saldo negativo e do pagamento a maior, assim como as alterações mediante DIPJ e DCTF retificadoras. Não obstante a observação acima, a impossibilidade de inovação probatória impede que sejam considerados para a apuração do direito creditório e a liquidez do crédito os novos elementos de prova anexados na oportunidade de interposição do recurso voluntário. Tampouco se trata de matéria de ordem pública, como de demonstrará adiante, que, esta sim, justificaria o exame dos elementos à margem do que determinam os §§ 4.º e 5.º do Decreto n.º 70.235/72. Logo, conheço apenas parcialmente do recurso voluntário, no que se limita ao tema seguinte. 2. Mérito. 2.1. Prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. A despeito da vedação ao exame dos itens probatórios inéditos juntados somente ao tempo do recurso voluntário, no que se refere ao alegado pagamento a maior ocorrido em 31/10/2002 o teor do recurso impõe subsunção da matéria à decisão pelo CARF, consideradas as razões que se opõem às conclusões da Turma recorrida, pois que mantémse a alegação de que houve de fato pagamento a maior, só que no valor de R$ 792,67, não mais de R$ 3.951,74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01/10/2002 a compensação passou a ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. O pedido de compensação de que trata este processo encontrase em efls. 2 a 6. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior2. 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10980.902239/200849 Acórdão n.º 1002000.572 S1C0T2 Fl. 81 7 A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. A legislação prevê que o pagamento de tributos e contribuições efetuado a maior ou indevidamente pode ser objeto de compensação. O pedido de compensação pressupõe que o contribuinte disponha do material que faça prova de seu direito creditório. Não se trata de imposição acusatória do Fisco contra a qual o pleiteante à compensação possa se defender alegando ausência de provas, pois estas são de produção obrigatória deste, contribuinte pleiteante, indispensáveis para a determinação da certeza e liquidez do crédito alegado. E o que se vê no presente processo é que tais provas — incluindo as juntadas extemporaneamente, se pudessem ser consideradas —, não formam um conjunto suficiente que denote haver direito creditório em favor do postulante. Vale reiterar que cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações4. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe ao recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear, expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento indevido ou a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados nos livros contábeis/fiscais bem como dos documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal, destacadamente os DARFs, extratos bancários, a DCTF retificadora e a fichas de apuração e demonstrativos da DIPJ, dentre outros documentos idôneos e hábeis, além de uma exposição clara e ordenada dos fatos e fundamentos do direito postulado, pelo contribuinte, na forma de demonstrativos, inclusive (se úteis). O recurso voluntário não se faz acompanhar dos elementos de prova suficientes para que a questão fosse associada a um efetivo pagamento indevido, com verossimilhança capaz de modificar a conclusão a que chegou a Turma recorrida. Mesmo os documentos inéditos trazidos a destempo seriam insuficientes, se conhecidos fossem. O recorrente relata somente que existe um excesso de valor no DARF pago relativo ao IRPJ de setembro/2002, no valor de R$ 792,67, e apresenta um demonstrativo (efl. 40) onde figura a informação de um DARF pago correspondente ao período no valor de R$ 3.159,07, e não mais com o valor de R$ 3.951,74, alocado no PER/DCOMP e defendido na manifestação de inconformidade. A par disso, nada foi acrescentado que pudesse atestar que houve realmente este excesso, considerando o IR efetivamente devido. Seria preciso que a apuração do IRPJ fosse demonstrada em todos os meses do ano 2002, na DIPJ 2003 e na escrita contábil, e que fossem identificados também na escrita, mensalmente, o IR devido e o IR a compensar, além dos balanços de suspensão/redução quando existentes — o mesmo vale para a comprovação contábil da construção do saldo negativo de 2001. Não há como formar juízo a favor do recorrente se não se pode confirmar a base de cálculo e o IRPJ devido em setembro/2002 e no 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º e art. 9º, § 3.º, do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: § 1.º do art. 147 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10980.902239/200849 Acórdão n.º 1002000.572 S1C0T2 Fl. 82 8 ano calendário 2002, e o reflexo disso é não se poder atestar que realmente o DARF pago em 31/10/2002 foi pago a maior, e que realmente a DIPJ e a DCTF retificadoras contêm valores devidos e pagos justificados. Somese o fato de que não há comprovantes de retenção de IR na fonte, e que, novamente, a ausência de prova contábil e/ou extrato bancário afasta a possibilidade de se confirmar os dados temporais e quantitativos acerca dos resgates financeiros que corresponderiam a IR retido na fonte. Para que fique provado, em essência, quando o pedido de compensação envolve pagamento a maior ou indevido referente a estimativa, nas hipóteses excepcionais para que possa haver esse reconhecimento, já que a forma comum é a apuração do saldo negativo e este consubstanciar restituição/compensação: Deve restar inconteste que as receitas integraram a base de cálculo anual do IR, que o valor recolhido por estimativa superou o devido, e que este saldo indevido/a maior não compôs a apuração do saldo do IR apurado no fim do ano calendário. Ou seja, é preciso que se demonstre de maneira suficiente e com documentação hábil a formação das bases de cálculo e do IR apurado, não só do mês em relação ao qual se alega ter havido pagamento indevido, mas de todos os meses que interferem no saldo apurado ao final do anobase. Resta assim demonstrado que mesmo os documentos alcançados pela preclusão consumativa não seriam aptos para comprovar liquidez e certeza do crédito pleiteado. A prova do direito creditório pleiteado em DCOMP compete àquele que o alega possuir, e a compensação tributária, enquanto forma de extinção de crédito tributário prevista em lei, opera pelo encontro de contas entre créditos tributários (comumente denominados sumariamente "débitos do contribuinte") e créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a fazenda pública. Em sentido contrário à homologação da compensação é de se registrar que o Despacho Decisório de efl. 2 amparouse nos dados constantes dos sistemas da RFB e no cruzamento destes com as informações extraídas das declarações entregues pelo próprio contribuinte recorrente. Manifesto adesão também à linha de conclusão do Acórdão recorrido, pois todo o contexto argumentativo do recorrente aponta para a apuração do saldo negativo como a providência mais acertada que deveria ter sido executada ao tempo do preenchimento do PER/DCOMP, e o contribuinte ali decidiu informar pagamento a maior como tipo de crédito. Como já dito e explicado, poderia ser superada a questão hermética da falta de atendimento às formalidades de preenchimento, contudo, somente diante de forte evidência que demonstrasse o erro de fato, o que não houve nos autos. A precariedade das provas colacionadas no recurso voluntário não constrói um conjunto inequívoco de provas que possa levar o CARF a considerar a possibilidade de busca de uma verdade material. Sequer houve apresentação de cópia da DIPJ 2003 informando a apuração mensal e anual do IRPJ. Se houvesse elementos que apontassem para a procedência do alegado mas que suscitassem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála. Não se presta, contudo, a diligência, para suprir deficiência probatória a cargo do postulante. Assim, resta configurado que o recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito que entendia possuir, descumprindo a exigência do artigo art. 170 do Código Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10980.902239/200849 Acórdão n.º 1002000.572 S1C0T2 Fl. 83 9 Tributário Nacional CTN5 para o deferimento da compensação, sendo, portanto, correta a não homologação do seu PERD/COMP. Neste sentido, voto por NÃO CONHECER das provas trazidas extemporaneamente no recurso voluntário, por ter havido preclusão consumativa, e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes. 5 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.900115/2010-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 15043.362, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA), que assim relatou o feito: 1. Cuida o presente processo de pedido de ressarcimento de IPI referente ao 4º trimestre de 2006, indicado no Despacho Decisório emitido em 05/10/2010 (Nº de Rastreamento: 887094575). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .9 00 11 5/ 20 10 -3 9 Fl. 657DF CARF MF Processo nº 13603.900115/201039 Resolução nº 3201001.530 S3C2T1 Fl. 657 2 2. O valor total do crédito solicitado através do PER/DCOMP nº 31457.05598.090107.1.3.011752 foi de R$ 714.098,76, mas o valor do crédito reconhecido foi de R$ 527.802,67, em razão da constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado e da ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. 3. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade alegando o seguinte: CMP COMPONENTES E MÓDULOS PLÁSTICOS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, atual denominação de Mueller Mineria Ind. e Com. de Plásticos Ltda, sociedade empresária com sede na Rua Domingos Costa, n° 80, Bairro Cinco, Município de Contagem, Estado de Minas Gerais, inscrita no CNPJ sob o n° 07.374.996/000144, por seus advogados e bastante procuradores, vem respeitosamente à presença de V.Sa., com fundamento no artigo 74, § 9o da Lei Federal n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003, e no artigo 66 da Instrução Normativa RFB n° 900/08 apresentar MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE em face do Despacho Decisório (doc. 03), n° de rastreamento 887094575, que não reconheceu a totalidade do saldo credor de IPI, relativo ao 4o Trimestre de 2006 informado no livro Registro de Apuração de IPI, e homologou parcialmente o Pedido de Compensação informado na PER/DCOMP 42611.23643.110407.1.1.015102. I DOSFATOS A ora Impugnante apurou saldo remanescente de créditos do IPI relativo ao 4o Trimestre do ano de 2006, no valor de R$ 728.840,34. Tendo apurado tal saldo remanescente de créditos do IPI, apresentou pedidos de Ressarcimento e/ou Compensação, visando a compensação de tais créditos, no valor de R$ 714.098,76, com diversos débitos tributários. Ocorre que o Despacho Decisório ora combatido reduziu drasticamente o saldo remanescente de créditos do IPI da Impugnante, tendo apenas reconhecido o valor de R$ 527.802,67 como passível de ressarcimento / compensação ao final do 4o Trimestre do ano de 2006. Desta forma, o Ilustre Auditor Fiscal apenas homologou parte das compensações apresentadas pela Impugnante, podendo as compensações pleiteadas e as conclusões expressas no Despacho Decisório serem expressas pela tabela abaixo: A Impugnante não pode se conformar com os termos do Despacho Decisório ora guerreado, com base nos argumentos a seguir expostos. II DO DIREITO (...) Fl. 658DF CARF MF Processo nº 13603.900115/201039 Resolução nº 3201001.530 S3C2T1 Fl. 658 3 Assim sendo, no final do período de apuração do 4o Trimestre de 2006, a Impugnante apurou saldo remanescente de créditos do IPI no valor de R$728.840,34. A tabela abaixo expressa a origem e formação do saldo remanescente de créditos do IPI referente ao 4o Trimestre de 2006: Importante destacar que o Ilustre Auditor Fiscal, ao analisar a origem dos créditos e os débitos da Impugnante, questiona, apenas, a pretensa apropriação de créditos de IPI oriundos de aquisições relativas a empresas optantes pelo Simples Nacional e relativos a estabelecimentos que supostamente teriam emitido notas fiscais anteriormente à sua abertura. No entanto, conforme se observa do demonstrativo "Notas Fiscais Glosadas", o valor de créditos de entrada desconsiderados pelo Ilustre Auditor Fiscal no período totaliza, somente, R$4.085,71. Ao analisar as conclusões do Despacho Decisório, é possível aferir que, com exceção dos créditos acima glosados, são idênticos os valores de débitos e créditos escriturados no livro Registro de Apuração do IPI e aqueles considerados pelo Ilustre Auditor Fiscal, a saber: Na realidade, toda a controvérsia tem origem no fato de não ter o Ilustre Auditor Fiscal considerado o saldo credor do 3° Trimestre de 2006, no valor de R$614.070,00, transportado para a competência Outubro de 2010. Tal saldo credor foi, inclusive, utilizado, em parte, em Pedido de Ressarcimento / Compensação, já na competência Outubro de 2010, no valor de R$413.032,91, restando ainda o montante de R$ 201.037,09, apto a compor os créditos de tal competência. Inexplicável a conduta do Ilustre Auditor Fiscal, posto que em momento algum questiona a origem e eficácia do saldo credor apurado Fl. 659DF CARF MF Processo nº 13603.900115/201039 Resolução nº 3201001.530 S3C2T1 Fl. 659 4 no 2o Trimestre de 2006 e transferido para a competência Outubro de 2010. A efetividade de tal saldo credor pode ser claramente atestada pela simples análise do livro Registro de Apuração do IPI da competência Junho de 2006, relativo ao final do período de apuração do 3o Trimestre de 2006. III DO PEDIDO Diante de todo o exposto, demonstrada a insubsistência da limitação do saldo remanescente de créditos do IPI relativo ao 4o Trimestre do ano de 2006, requer seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade, para fins de considerar legítimo e correto o valor do saldo remanescente de créditos do IPI escriturado no livro Registro de Apuração do IPI e devidamente corrigidos pela taxa SELIC, no valor de R$ 728.840,34 e, via de conseqüência, homologandose as compensações controladas no processo em epígrafe, especialmente a DCOMP 42611.23643.110407.1.1.015102. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO BÁSICO DE IPI. SALDO CREDOR INICIAL. COMPENSAÇÃO. Tendo o saldo credor de um período sido compensado através de PER/DCOMP, não pode compor o saldo credor do período seguinte, sob pena de utilização em duplicidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo e, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relato dos fatos, tratase de Pedido de Ressarcimento de crédito básico de IPI apurado. O Despacho Decisório foi emitido de forma eletrônica, constando como motivo de indeferimento: Fl. 660DF CARF MF Processo nº 13603.900115/201039 Resolução nº 3201001.530 S3C2T1 Fl. 660 5 " Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal." Anexo ao Despacho Decisório consta "Termo de Verificação Fiscal" por meio do qual se relata a ocorrência de "exames de verificação do cumprimento (...) das obrigações tributárias referentes ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI relativas ao período de janeiro de 2006 a março de 2007". No referido procedimento fiscal foi constatada a existência de uma única infração, culminando com a glosa dos créditos correspondentes: O Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade reproduzida no Relatório DRJ em que sintetiza sua defesa no sentido de que "o Auditor Fiscal, ao realizar a reapuração dos créditos após as glosas efetuadas, deixou de considerar o saldo credor do 3º Trimestre de 2006, no valor de R$614.070,00, transportado para a competência Outubro de 2010". Para comprovação do alegado, anexou aos autos o "Livro Registro de Apuração do IPI da competência Setembro de 2006, relativo ao final do período de apuração do 3ª Trimestre de 2006". Ou seja, não há, nos autos, qualquer discussão de mérito ou direito, mas, tão somente, a necessidade de verificação quanto à correção na apuração do IPI pelo contribuinte e pela Fiscalização. Nem mesmo as glosas efetuadas foram questionadas pelo contribuinte. A DRJ, ao analisar a defesa do contribuinte, contraargumenta que o mencionado crédito remanescente relativo ao 3º Trimestre de 2006, supostamente transferido para a competência de outubro de 2006, foi integralmente utilizado para a extinção, por compensação, dos débitos declarados nas DCOMPs n° 30223.85364.101006.1.3.016819 e 13339.05929.050107.1.3.016826. Utilizou como fundamento parte do Acórdão nº 15043.361, proferido pela mesma Delegacia da Receita Federal de Salvador (DRJSDR) nos autos do processo administrativo nº 13603.900114/201094, do mesmo contribuinte, porém referente ao trimestre imediatamente anterior. Fl. 661DF CARF MF Processo nº 13603.900115/201039 Resolução nº 3201001.530 S3C2T1 Fl. 661 6 Já de início é preciso destacar que não foi juntado aos autos do presente processo administrativo, pela DRJ, cópia integral do referido acórdão. A cópia referida foi apresentada pelo Recorrente juntamente ao seu Recurso Voluntário (fls. 587 e seguintes). Em face do argumento apresentado no acórdão DRJ, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário demonstrando de forma detalhada a remanescência de crédito de IPI mesmo após as compensações objeto das DCOMPs n° 30223.85364.101006.1.3.016819 e 13339.05929.050107.1.3.016826. A partir do que restou apresentado, é possível verificar que a argumentação trazida pela Recorrente em seu Recurso Voluntário é, em certo sentido, inovadora em face da sua Manifestação de Inconformidade. Isso não quer dizer, em absoluto, se tratar de matéria preclusa. É que a controvérsia central remanescência ou não de crédito de IPI após as compensações objeto das DCOMPs n° 30223.85364.101006.1.3.016819 e 13339.05929.050107.1.3.016826 apenas veio a ser estabelecida no Acórdão proferido pela DRJ, já que o Despacho Decisório eletrônico referirase exclusivamente à ocorrência de glosas que sequer foram questionadas e, ainda assim, correspondentes a valor ínfimo do crédito total postulado. E, como se depreende das razões recursais, a solução da controvérsia apenas pode se dar a partir do exame das provas apresentadas habilmente pelo Recorrente em sede de Recurso Voluntário. Tal exame, como cediço, deve ser efetuado pela autoridade lançadora, enquanto órgão integrante da Receita Federal do Brasil, inexistindo competência deste Conselho, posto que não integrante daquela estrutura. Desse modo, proponho a conversão do feito em diligência para que a Autoridade Lançadora, em face dos argumentos e documentos apresentados em sede de Recurso Voluntário, esclareça, em Relatório Fundamentado: 1. Qual o saldo credor final de IPI apurado pelo Contribuinte no 3º Trimestre de 2006? 2. O saldo credor final de IPI apurado pelo Contribuinte no 3ª Trim/2006 foi objeto de Pedido(s) de Ressarcimento(s)? Se positivo, quais são os Pedidos de Ressarcimento e respectivos valores? 3. Aos Pedidos de Ressarcimento porventura existentes foram vinculadas Declarações de Compensação? Se positivo, quais são as Declarações de Compensação e respectivos valores e, também, qual a situação atual de tais débitos (por exemplo, extintos por compensação, objeto de processo administrativo fiscal, etc)? 4. Após tais verificações, remanesce saldo credor de IPI relativo ao 3º Trim/2006 passível de transporte para a competência outubro de 2006? Caso positivo, qual o valor residual? 5. Por fim, a partir das respostas anteriores, esclareça se no presente Processo Administrativo remanescem débitos não compensados por insuficiência de crédito. Se positivo, quais e em qual valor? Fl. 662DF CARF MF Processo nº 13603.900115/201039 Resolução nº 3201001.530 S3C2T1 Fl. 662 7 A Autoridade Lançadora poderá intimar o contribuinte para apresentar documentos ou esclarecimentos que entenda necessários para o esclarecimento solicitado. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao contribuinte para manifestarse quanto ao resultado da diligência. Encerrado tal prazo, retornemse os autos para julgamento. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 663DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.921730/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PRELIMINAR DE REGULARIDADE DE REPRESENTAÇÃO DO INTERESSADO. REVELIA. REGULARIZAÇÃO EXTEMPORÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
Se o contribuinte intimado a regularizar sua representação processual não o faz no momento adequado, nos termos do art. 76 do Código de Processo Civil resta caracterizada a revelia, não havendo que se falar, em sede de recurso voluntário, de se acatar o saneamento extemporâneo e determinar o retorno dos autos à turma julgadora de primeira instância para exame do mérito do processo, tampouco julgar o mérito do processo diretamente no CARF, sob pena de supressão de instância.
Numero da decisão: 1301-003.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário somente em relação à preliminar de regularidade processual na apresentação da impugnação, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento em razão de caracterização da revelia declarada corretamente pela DRJ. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza (Relator), Carlos Augusto Daniel Neto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por acolher a preliminar e conhecer integralmente o recurso. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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REVELIA. REGULARIZAÇÃO EXTEMPORÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. Se o contribuinte intimado a regularizar sua representação processual não o faz no momento adequado, nos termos do art. 76 do Código de Processo Civil resta caracterizada a revelia, não havendo que se falar, em sede de recurso voluntário, de se acatar o saneamento extemporâneo e determinar o retorno dos autos à turma julgadora de primeira instância para exame do mérito do processo, tampouco julgar o mérito do processo diretamente no CARF, sob pena de supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário somente em relação à preliminar de regularidade processual na apresentação da impugnação, e, na parte conhecida, negarlhe provimento em razão de caracterização da revelia declarada corretamente pela DRJ. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza (Relator), Carlos Augusto Daniel Neto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por acolher a preliminar e conhecer integralmente o recurso. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 17 30 /2 00 9- 11 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 15374.921730/200911 Acórdão n.º 1301003.622 S1C3T1 Fl. 150 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 15374.921730/200911 Acórdão n.º 1301003.622 S1C3T1 Fl. 151 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 1235.642, proferido pela 15ª Turma da DRJ/RJ1, que, por unanimidade de votos, não conheceu da manifestação de inconformidade e declarou a revelia do interessado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito, complementandoo ao final: Trata o presente processo da declaração de compensação nº 41871.91382.230306.1,3.042051 (fls.02/06) em que o interessado aponta crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL Código 2484 referente ao mês de dezembro de 2004, no valor de R$ 239.084.81. O pagamento foi efetuado em 31/01/2005 (fl.04). Com o referido crédito o interessado compensou debito de CSLL do código 677301 PA 2005, com vencimento em 31/03/2006, no valor de R 283.531,41. Declaração de Compensação foi entregue em 23/03/2006. O Despacho Decisório nº 831666904, de 20/04/2009 (fl.09), não reconheceu o crédito em questão, uma vez que o pagamento informado já foi utilizado para pagamentos de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, e não homologou a compensação declarada. Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 29/04/2009 (doc. de fls. 08), o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 27/05/2009 (fl.11), procuração (fl. 12), alegando em síntese que na verdade o valor de R$ 239.084,81 informados como crédito no PER/DCOMP nº 41871.91382.230306.1.3.042051 referente pagamento indevido ou a maior, corresponde a saldo negativo de CSLL com período de apuração correspondente a 31/12/2004, Código Receita 2484, data de arrecadação de 31/01/2005. Às fls. 55 e 57, em 10/04/2010, o interessado foi intimado para apresentar os atos constitutivos e demais alterações, se houver, com a finalidade de se verificar se o subscritor da procuração de fls 12 possuía poderes, para naquela data, nomear procuradores, além da necessidade de se verificar se a empresa pode ser representada apenas por um procurador junto a RFB. Naquela oportunidade, a r.turma julgadora não conheceu da manifestação de inconformidade, cujo julgamento se encontra sintetizado pela seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 15374.921730/200911 Acórdão n.º 1301003.622 S1C3T1 Fl. 152 4 IRREGULARIDADE DE REPRESENTAÇÃO DO INTERESSADO. DECLARAÇÃO DE REVELIA. Ante a falta de atendimento para saneamento dos autos, em face da constatação de irregularidade na representação da parte, reputase revel o interessado. Aplicação subsidiária do artigo 13, inciso II do Código de Processo Civil. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido. Devidamente intimado na data de 24/06/2011, sextafeira (fl. 67), o contribuinte apresentou em 25/07/2011, segundafeira (fl. 99), tempestivamente, Recurso Voluntário, pugnando por seu provimento, cujos argumentos serão a seguir apreciados. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator De acordo com os autos, o contribuinte foi devidamente intimado da decisão recorrida na data de 24/06/2011, sextafeira (fl. 67), e apresentou em 25/07/2011, segundafeira (fl. 99), o recurso voluntário. Vêse ainda (fl. 94), que a Sra. Luciana Bastos de Freitas Rachid foi eleita para o cargo de Diretor Superintendente da empresa interessada, com vigência a partir de 01/10/09 até o dia 30 de março de 2012 e, nessa qualidade, nomeou regularmente procuradores (fl. 69). Portanto, o recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, devendo ser conhecido. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Preliminar Defende a recorrente, preliminarmente, a validade do instrumento procuratório de fls. 14 (numeração digital), trazendo aos autos, neste momento processual, os atos constitutivos e respectivas alterações, com o escopo de ver reconhecida a legitimidade de sua representação processual. É bem verdade que no momento em que se proferiu a decisão recorrida, a DRF não dispunha dos atos constitutivos para aferir a regularidade do instrumento procuratório mencionado, como também é verdade que antes de proferir o decisium, o contribuinte foi regularmente intimado para apresentar os documentos necessários para respaldar sua representatividade e não atendeu a intimação. A conseqüência de sua desídia, foi a declaração de revelia, a meu ver, feita de forma correta pela DRJ. Ocorre que nesse momento processual, em face da apresentação dos atos constitutivos e alterações, encontrase devidamente comprovado, por meio dos documentos Fl. 153DF CARF MF Processo nº 15374.921730/200911 Acórdão n.º 1301003.622 S1C3T1 Fl. 153 5 anexados pela recorrente, a legitimidade do subscritor da procuração de fl. 14 e, conseqüentemente, a regularidade da apresentação da defesa em face do despacho decisório. Perguntase: qual deve ser a circunstância de análise do presente recurso? aquela vivenciada pela DRJ ou o momento será o presente, em decorrência dos documentos e das razões fáticas e jurídicas apresentadas em 2ª instância? Se for a do passado, não há reparos a fazer na decisão recorrida, pois, repita se, foi dado ao contribuinte oportunidade para corrigir o defeito que impulsionou a declaração de revelia . Se for o presente, como penso, temos que reconhecer que há nos autos todos os elementos necessários para se aferir que o instrumento procuratório foi assinado naquela época por quem detinha poderes para tanto. Os documentos juntados no recurso revelam a regularidade de tal instrumento procuratório. Confirase extrato da Ata de Reunião do Conselho de Administração realizada em 06/04/2009 (fls. 119), data esta anterior à apresentação da Manifestação de Inconformidade, que ocorreu em 27/05/2009 (fls. 12), que evidencia que o Sr. Richard Olm possuía poderes para nomear procuradores: É de se ver ainda que o estatuto social da recorrente, em especial seu art. 20 e 21 (fl. 123/124), outorgava poderes a este Senhor para, isoladamente, nomear procuradores (Joseli Moreira Drumond, CPF: 163.350.74672, na época, assinou a peça de defesa): (...) Fl. 154DF CARF MF Processo nº 15374.921730/200911 Acórdão n.º 1301003.622 S1C3T1 Fl. 154 6 Observese ainda que o instrumento procuratório em referência se fez através de papel timbrado da empresa, subscrito pelo Sr. Richard Olm, que se apresentou como representante da pessoa jurídica recorrente, ocupando naquele momento o cargo de Diretor Superintendente da empresa, apondo sua assinatura, inclusive, com reconhecimento em cartório, demonstrandose, assim, razoável o entendimento de que aquele Senhor (que se apresentou com poderes de representação) possuía de fato estes poderes, pois do contrário, estaríamos diante de um incidente de falsidade, inexistente nos autos. Semelhante entendimento manifestou o Supremo Tribunal Federal (STF), ao enfrentar essa discussão, nos autos dos Emb. Decl. em Recurso Extraordinário nº 1990660 Paraná. Confirase a ementa dessa decisão, da lavra do Ministro Marco Aurélio, na parte que aqui nos interessa: RECURSO REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO PRINCIPIO DA RAZOABILIDADE. O princípio da razoabilidade é conducente a presumirse o que ocorre no diaadia e não o extravagante. Estando o instrumento de mandato, a procuração, subscrito por quem se diz representante da pessoa jurídica, mencionando o cargo ocupado no âmbito da respectiva administração, não há como presumirse a irregularidade. A parte contrária, visando a demonstrar a falsidade, há de asseverar a improcedência do que consignado, provocando um incidente de falsidade. Isso não ocorrendo, prevalece a presunção alusiva à boa procedência do que conste da citada peça. Embora tal precedente se refira à Pessoa Jurídica de Direito Público, penso que o entendimento da Egrégia Corte se aplica ao caso aqui em discussão, pois não se deve entender por razoável presumir que a pessoa que se apresente como representante da pessoa jurídica, não o seja, em especial quando se trate de uma empresa constituída sob a forma de sociedade anônima, e a procuração tenha sido reconhecida em cartório, como se ressaltou. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 15374.921730/200911 Acórdão n.º 1301003.622 S1C3T1 Fl. 155 7 Desta forma, penso que restou comprovado, pelo exame dos atos constitutivos e respectivas alterações, a legitimidade do Sr. Richard Olm para nomear procuradores e, por conseqüência, impõese o acolhimento da preliminar suscitada pela recorrente, de forma a afastar a declaração de revelia para que se analise o pedido de compensação por ela formulado por meio de DComp. Mérito Como fui vencido na análise da preliminar acima suscitada, deixo de apresentar razões sobre o mérito do pedido de compensação. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer integralmente o recurso voluntário e acolher a preliminar apontada, para reconhecer a regularidade de representação do interessado e, por conseqüência, afastar a declaração de revelia. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 156DF CARF MF Processo nº 15374.921730/200911 Acórdão n.º 1301003.622 S1C3T1 Fl. 156 8 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Redator Designado. Com a devida vênia, ouso discordar do voto do ilustre Conselheiro Relator no que diz respeito a afastar a declaração de revelia fixada pela decisão de primeira instância. Tratam os autos de declaração de compensação. A unidade de origem proferiu despacho decisório não reconhecendo o crédito pleiteado e, por consequência, não homologando as compensações requeridas. Intimado dessa decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade acompanhada de procuração (fl. 12). A Delegacia de Julgamento constatou que não havia nos autos elementos que comprovassem que o subscritor da procuração possuísse poderes, naquela data, para nomear procuradores, bem como se a empresa poderia ser representada apenas por um procurador junto à RFB. Nesse contexto, o interessado foi intimado para apresentar os atos constitutivos e demais alterações (fls. 55 e 57). Transcorrido o prazo fixado, o contribuinte quedouse inerte. Ato contínuo, turma julgadora de primeira instância não conheceu da manifestação de inconformidade, declarando a revelia do interessado. Intimado, o contribuinte apresentou recurso voluntário com preliminar de reconhecimento de sua regularidade processual, apresentando, naquele momento, os documentos solicitados pela RFB quando da interposição de manifestação de inconformidade. Para o ilustre Conselheiro Relator, a regularização da representação processual neste momento possibilitaria desconsiderar a declaração de revelia fixada pela decisão de primeira instância. Penso, contudo, não ser possível acatar tal raciocínio. Segundo o art. 76 do Código de Processo Civil, aplicado supletiva e subsidiariamente ao processo administrativo (art; 15), havendo irregularidade da representação da parte esta deverá ser intimada a sanar o vício, sendo que, uma vez descumprida essa determinação e estando o processo na instância originária, o réu será considerado revel. Veja se: Art. 76. Verificada a incapacidade processual ou a irregularidade da representação da parte, o juiz suspenderá o processo e designará prazo razoável para que seja sanado o vício. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 15374.921730/200911 Acórdão n.º 1301003.622 S1C3T1 Fl. 157 9 § 1o Descumprida a determinação, caso o processo esteja na instância originária: I o processo será extinto, se a providência couber ao autor; II o réu será considerado revel, se a providência lhe couber; III o terceiro será considerado revel ou excluído do processo, dependendo do polo em que se encontre. § 2o Descumprida a determinação em fase recursal perante tribunal de justiça, tribunal regional federal ou tribunal superior, o relator: I não conhecerá do recurso, se a providência couber ao recorrente; II determinará o desentranhamento das contrarrazões, se a providência couber ao recorrido. E exatamente com base em tal dispositivo assim decidiu a unidade de origem, declarando a revelia do contribuinte. No caso dos autos, essa se consumou no momento em que o contribuinte apresentou impugnação com deficiência em sua representação processual e, mesmo intimado a suprila, preferiu não atender à solicitação da unidade de origem. E não há que se falar em reforma da decisão recorrida se essa foi corretamente exarada com os elementos que constavam nos autos naquele momento. Se o contribuinte intimado a regularizar sua representação processual não o faz no momento adequado, não há como, em sede de recurso voluntário, acatar tal saneamento extemporâneo e determinar o retorno dos autos à turma julgadora de primeira instância para exame do mérito do processo, sob pena de se permitir a protelação na busca de decisão administrativa irreformável em detrimento do atendimento ao princípio constitucional da duração razoável do processo, e até mesmo incentivarse a tentativa do contribuinte de protelar indevidamente a cobrança de crédito tributário, por vezes, de modo a aguardar um dos tantos programas de refinanciamento em situações mais favoráveis que as ordinariamente oferecidas pela legislação. Não há que se falar também em julgamento de mérito diretamente no CARF, sob pena de supressão de instância. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 15374.921730/200911 Acórdão n.º 1301003.622 S1C3T1 Fl. 158 10 CONCLUSÃO Por entender que o procedimento de declaração de revelia realizado pela turma julgadora de primeira instância está absolutamente correto e em consonância com o princípio do impulso oficial e ao da duração razoável do processo, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário somente em relação à preliminar de regularidade processual na apresentação da impugnação, e, na parte conhecida, negarlhe provimento em razão de caracterização da revelia declarada corretamente pela DRJ. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721725/2015-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF até à decisão definitiva a ser proferida no processo nº 16682.720030/2015-39 e seus desmembramentos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF até à decisão definitiva a ser proferida no processo nº 16682.720030/2015-39 e seus desmembramentos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF até à decisão definitiva a ser proferida no processo nº 16682.720030/201539 e seus desmembramentos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 72 5/ 20 15 -3 8 Fl. 336DF CARF MF Processo nº 16682.721725/201538 Resolução nº 3302000.777 S3C3T2 Fl. 337 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever e grifar: "Trata o presente processo de auto de infração (fls. 30/33) de multa em decorrência de DCOMP não homologada, no valor de R$ 16.616.504,23. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fl. 34/35) a Declaração de Compensação nº 04102.45828.200411.1.3.047247 não foi homologada, conforme Despacho Decisório 0017/2015 exarado no Processo Administrativo nº 16682.720030/201539. A Declaração de Compensação nº 04102.45828.200411.1.3.047247 foi apresentada em 20/04/2011, portanto, após a publicação da Lei nº 12.249/10 em 14/06/2010, cujo art. 62 deu nova redação ao §17 do art. 74 da Lei 9.430/96. A MP 656/2014 e Lei nº 13.097/2015 alteraram a redação original do parágrafo citado. Antes da MP 656/14, a multa era calculada como 50% sobre o valor do crédito objeto da Declaração de Compensação não homologada. Depois da publicação da MP 656/14, a penalidade passou a ser calculada como 50% sobre o valor do débito objeto da Declaração de Compensação não homologada. Tendo em vista o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, há que se aplicar a penalidade menos severa entre as duas redações acima. Como são aritmeticamente idênticas, tornase óbvio que o cálculo resulta igual, e, desse modo, enquadramos a infração no dispositivo referido, com a redação da Lei nº 12.249/2010. O contribuinte foi cientificado em 21/03/2016 (fl. 40) e apresentou impugnação (fl. 42/51) em 15/04/2016 alegando em síntese: Nulidade do auto de infração A aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. A interessada cita doutrina no sentido da necessidade de configuração da máfé do requerente para que se possa aplicar a multa isolada. Cita ainda decisões judiciais no mesmo sentido. Cumulação de multa configurando BIS IN IDEM Na eventualidade da não homologação da compensação, o débito já é penalizado com a cobrança do débito levado à compensação, acrescido com a multa de mora, cuja essência consiste, repisa se, em verdadeira penalidade. Posto isto, ao desconsiderar essa situação, a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem a ensejar o enriquecimento sem causa do erário, ao passo que em condições normais, como no caso em tela, já será recompensado pela incidência da multa de mora posto que a não homologação da compensação (à míngua de prova de ilicitude e má fé do contribuinte) se equipara, sob qualquer ângulo de análise, ao pagamento realizado a destempo. Da apensação A presente autuação consiste na cobrança de multa isolada, em virtude da não homologação do PER/DCOMP n º 04102.45828.200411.1.3.047247, constante do processo administrativo nº 16682.720030/201539. Este processo está aguardando julgamento do recurso voluntário. A Portaria RFB nº 354 de 2016 em seu art. 3º, inciso III exige que os autos sejam juntados por apensação. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 16682.721725/201538 Resolução nº 3302000.777 S3C3T2 Fl. 338 3 Assim, requer a apensação do presente processo ao PAF nº 16682.720030/201539. Suspensão do processo Na eventualidade de se superar o item anterior, resta de imediato a suspensão do presente processo, pautado nos seguintes fundamentos: A interessada recorreu da decisão de não homologação, portanto, não há que se falar em declaração de compensação não homologada, uma vez que o crédito ainda se encontra sob discussão administrativa e que, ante ao teor do recurso voluntário, tornase inconcebível, permissa vênia, outro resultado que não seja a homologação integral da DCOMP envolvida. Portanto, por imposição legal e havendo evidência do recurso voluntário, devese suspender o andamento do presente, especialmente ante a apensação requerida no item anterior, bem como da imperiosa necessidade de conclusão do PAF 16682.720030/201539, pois não parece crível a cobrança do acessório antes da definição final do processo principal. Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; e c) a apensação do presente processo o PAF 16682.720030/201539, por força do artigo 3º, inciso III da Portaria RFB 354 de 2016; d) uma vez demonstrado o caráter acessório da presente autuação com o PAF nº 16682.720030/201539 sua suspensão se mostra imperiosa, pois caso contrário acarretará a solução atabalhoada da autuação sem a definitiva conclusão do processo principal que, pela lógica processual, redundará em decisão teratológica, ou seja, verdadeiro processo de Kafka. e) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente." A decisão de primeira instância, proferida em 16/05/2016 (fls. 250/260) foi no sentido de julgar procedente em parte a impugnação para manter o crédito tributário lançado e dar provimento ao pedido de apensação ao processo nº 16682.720030/201539: Após ciência ao acórdão de primeira instância (TERMO à fl. 266), em 25/05/2016, irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 268/278, em 20/06/2016, em essência, reprisando os argumentos trazidos na peça de impugnação, requerendo: a) a distribuição deste processo vinculada ao PAF nº 16682.720030/201539, por se tratar de processo conexo e decorrente do primeiro, nos termos do art. 6º do RICARF e sua imediata suspensão até o julgamento final daquele; e que b) seja dado provimento ao presente recurso, anulandose o presente auto de infração em sua totalidade. É o relatório. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 16682.721725/201538 Resolução nº 3302000.777 S3C3T2 Fl. 339 4 Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Quanto à questão da suspensão, na verdade, sobrestamento do processo, quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF, existe previsão específica no parágrafo único, do art. 12, da Portaria CARF Nº 34, de 31 de agosto de 2015: Art. 12. O processo sobrestado ficará aguardando condição de retorno a julgamento na Secam. Parágrafo único. O processo será sobrestado quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF ou quando o motivo do sobrestamento não depender de providência da autoridade preparadora. (grifei) Ainda que corretamente negado o pedido de sobrestamento do julgamento do presente processo, na instância administrativa de julgamento a quo, por falta de previsão legal para tal procedimento, especificamente no âmbito do CARF, a Portaria CARF Nº 34/2015, abre essa possibilidade, existindo precedentes (Processo nº 16327.721542/201308), inclusive, dessa Turma (Resolução nº 3302000.702, de 20/03/2018 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária), aplicando o sobrestamento em caso semelhante, nos termos do voto condutor do Relator, abaixo transcrito e adotado como razão de decidir do presente processo: "Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento Relator. Segundo o delineado no relatório precedente, os presentes autos tratam de cobrança da multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) calculada sobre o valor do crédito informado nas Declarações de Compensação (DComp) não homologadas. O referenciado procedimento compensatório, que motivou a presente autuação, encontrase sob julgamento no âmbito do processo principal de nº 16327.720993/201239, ainda pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Assim, uma vez configurada dependência do julgamento deste processo do desfecho final e definitivo do julgamento do processo principal, com respaldo no art. 6º, § 1º, II, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), propõe o sobrestamento do julgamento dos presentes autos perante à 3ª Câmara desta Seção. E uma vez o concluído o julgamento do processo principal, com a prolação da decisão definitiva, a Câmara deverá providenciar o retorno dos presentes autos a este Colegiado, para o prosseguimento do julgamento." Fl. 339DF CARF MF Processo nº 16682.721725/201538 Resolução nº 3302000.777 S3C3T2 Fl. 340 5 Pelo exposto, proponho o sobrestamento do julgamento dos presentes autos, perante à Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, e, uma vez concluído o julgamento do processo principal nº 16682.720030/201539 e seus desmembramentos, com a prolação da decisão administrativa definitiva, deverá ser providenciado o retorno dos autos sobrestados a este Colegiado, para o prosseguimento do julgamento. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 340DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.901608/2013-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 31/05/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
Numero da decisão: 3401-005.596
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1430; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.901608/201331 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401005.596 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de novembro de 2018 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO COFINS Recorrente BELEM DIESEL SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 31/05/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 16 08 /2 01 3- 31 Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10280.901608/201331 Acórdão n.º 3401005.596 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o COFINS realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido, incidente sobre base de cálculo definida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718,98, declarada inconstitucional pelo STF em sede de repercussão geral. Inicialmente cabe esclarecer que houve evolução na empresa titular do crédito, na época dos fatos (junho/1999) a empresa denominavase SANDIESEL S/A, que foi incorporada em 17/12/2002 pela BELÉM DIESEL S.A. e que por sua vez foi incorporada em 31/01/2007 pela RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. A DRF São José do Rio Preto proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Não satisfeito com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob as seguintes razões: (i) por economia processual pede para que seja reunidos todos os processos que relaciona, por conterem o mesmo objeto; (ii) que o Despacho Decisório está equivocado pois não foi examinado o real motivo que sustenta o pedido, que foi o recolhimento de COFINS com base de cálculo alargada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, vigente à época dos fatos; (iii) sendo inconstitucional o dispositivo legal mencionado, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, matéria já superada pelo STF com repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008, dá validade ao pedido por pagamento a maior ou indevido; (iv) por força do inciso I do §6º do art. 26A, incluído no Decreto nº 70.325 de 06/03/1972 pela Lei nº 11.941/2009, os órgãos administrativos deverão seguir as decisões com repercussão geral do STF, como aliás, já prevalece nas decisões das CSRF conforme acórdãos que menciona; (v) requer ao final, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, produção de perícia, realização de diligência e a juntada de documentos. Em Primeiro Grau a DRJ/RPO ratificou inteiramente o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, nos termos do Acórdão nº 14062.253. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, reafirmando: (i) que a base de cálculo para o PIS e COFINS deverá ser composta tão somente do valor do faturamento da empresa; (ii) que o montante que compõe o crédito pleiteado se refere a inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas do conceito de faturamento, o que implicou em pagamento a maior que o devido, efetuado com base no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98; (iii) que a controvérsia centrase única e exclusivamente na comprovação do direito creditório, porém, entende que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos, a teor do art. 142 do CTN; (iv) que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, tal formalidade não pode se sobrepor ao direito substantivo e destaca jurisprudência do CARF sobre o caso; (v) da mesma forma, amparada em jurisprudência do CARF apela pela busca da verdade material no processo administrativo tributário, realizando uma análise ampla de todas as minúcias da situação para descobrir toda a situação fática e aplicar a norma de forma correta e eficaz; (vi) entende que o conjunto probatório é suficiente para lastrear o crédito por ela pleiteado, com a juntada de balancete devidamente transcrito no Livro Diário, Livro Razão e planilha com memória de cálculo; (vii) salienta, também, que a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsto no art. 18 do Decreto nº 70.235, em atenção ao princípio da Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10280.901608/201331 Acórdão n.º 3401005.596 S3C4T1 Fl. 4 3 verdade material; (viii) ao final reforça seu pedido de reforma da decisão recorrida e a restituição do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.560, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.901573/201330, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401005.560): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Destacase, primeiramente, que a Recorrente fez constar do pedido de sua Manifestação de Inconformidade que: “Em atendimento ao disposto no inciso V, do art. 16, do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial”, caso contrário deveria juntar cópia da petição, já que o assunto diz respeito à declaração de inconstitucionalidade de Lei (§1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98). Quanto a inconstitucionalidade do dispositivo legal mencionado, é tema já superado em face da revogação do mesmo pela Lei nº 11.941, de 2009. Enquanto não alterado a redação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, foi expedido Nota Explicativa pela PGFN/CRJ nº 1.114 de 30/08/2012, delimitando o julgado pelo STF no RE nº 585.235, nos seguintes termos: DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Repetese aqui o que já firmado pela decisão de piso, em que “chegase à conclusão que a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo”. Vêse, portanto, que em termos teóricos convergem para o mesmo ponto, tanto o entendimento do Fisco quanto ao alegado fato que sustenta a tese da Recorrente, de que não cabe Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10280.901608/201331 Acórdão n.º 3401005.596 S3C4T1 Fl. 5 4 incidência da Contribuição para o PIS sobre receitas que estão fora do conceito de faturamento. Com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, do §1º do art.3º da Lei 9.718/98, sob o regime previsto pelo art. 543B do CPC, assentado como repercussão geral, abriu espaço para os contribuintes reverem suas bases de contribuição para o PIS e a COFINS e pleitearem junto ao fisco o ressarcimento de eventuais valores pagos a maior ou indevidamente. Pelo que ficou demonstrado no processo ora analisado, a Recorrente deu início com Pedido de Ressarcimento de contribuição para o PIS, do período de apuração 30/06/1999, alegando a existência de indébito fiscal pelo pagamento de valor a maior que o devido, pela inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a receitas que não integram o conceito de faturamento, compreendido exclusivamente pelo produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. A causa do pedido de ressarcimento é plausível, a controversa reside nas provas que o caso exige. Não basta que existam hipotéticos pagamentos da contribuição para o PIS sobre base de cálculo fora do alcance do conceito de faturamento, é preciso que exista a certeza do pagamento e seja líquido o valor requerido. A repetição de indébito fundase no princípio da legalidade, sob a premissa da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não basta alegar, deverá ser provado àquilo que se requer. De acordo com o art. 170 do CTN, a compensação de débitos tributários só é autorizada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, da mesa forma deve ser tratado o pedido de ressarcimento. O Despacho Decisório respondeu ao interessado que o valor do indébito fiscal requerido não existe, pois o pagamento que lhe deu suporte (DARF) foi totalmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. A requerente em sua manifestação de inconformidade esclarece a razão de seu pedido, cujo crédito estaria respaldado por pagamento a maior que o devido por ter sido incluído na base de cálculo da contribuição para o PIS, valores que estariam fora do alcance do conceito de faturamento, conforme declaração de inconstitucionalidade pelo STF do §1º do art.3º da Lei nº 9.718/98. Mas deixa de proceder a retificação da DCTF para que nos sistemas da SRFB fique registrado o crédito reivindicado. As provas trazidas aos autos com a manifestação de inconformidade, são o balancete e folhas do Razão do período de 01 a 30/06/1999, além de uma relação de contas e valores de receitas financeiras, cujo valor atribuído ao PIS S/ Receita Financeira diverge do valor do crédito pleiteado. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10280.901608/201331 Acórdão n.º 3401005.596 S3C4T1 Fl. 6 5 A decisão de piso confirma a posição da unidade de origem, atestando que incumbe a requerente demonstrar com provas hábeis, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fundamenta o voto proferido pela DRJ/POR: Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/Dcomp, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. (...) Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da Cofins que deve ser afastado, é necessário que o contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. Mesmo diante das colocações feitas pela decisão de primeiro grau, a Recorrente nada de novo trouxe em seu Recurso Voluntário, insiste que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos e quanto ao conjunto probatório ser insuficiente, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, em atenção ao princípio da verdade material. Ora, quem alega deve provar e esse compromisso é do interessado que declarou existir indébito fiscal pelo pagamento a maior que o devido. As provas juntadas com o Recurso, praticamente são as mesmas que foram apresentadas com a Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10280.901608/201331 Acórdão n.º 3401005.596 S3C4T1 Fl. 7 6 manifestação de inconformidade, o que diverge é a planilha (e fls.340): Insiste a Recorrente em inverter o ônus da prova, querendo que o Fisco faça o papel de demonstrar qual a receita que deu causa ao recolhimento do PIS no valor do DARF apresentado e qual a receita que deve ser excluída por motivo de ampliação indevida de sua base de cálculo. Outro ponto que depõe contra a Recorrente é a ausência de DCTF retificadora. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada, inclusive há previsão normativa para isso, vide INRFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. A apresentação de DCTF Retificadora poderá ser acatada, inclusive, quando apresentada depois do despacho decisório, porém, sendo tempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do PER/DCOMP, situação em que a Delegacia da Receita Federal Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10280.901608/201331 Acórdão n.º 3401005.596 S3C4T1 Fl. 8 7 do Brasil de Julgamento (DRJ) poderá baixar em diligência à Delegacia da Receita Federal (DRF). A administração tributária orienta sobre o tema através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (...) É lamentável o fato de a Recorrente pleitear a restituição de um crédito que teoricamente lhe assiste razão, com direito assegurado, mas que de fato não consegue fazer prova de sua existência. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 328DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001660/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004
IMPUGNAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO.
De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. REMUNERAÇÃO DECLARADA EM DIPJ.
O contribuinte tem o ônus de comprovar o erro no preenchimento da declaração, mormente depois de notificado o lançamento.
Numero da decisão: 2402-006.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sergio da Silva.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 IMPUGNAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. REMUNERAÇÃO DECLARADA EM DIPJ. O contribuinte tem o ônus de comprovar o erro no preenchimento da declaração, mormente depois de notificado o lançamento.
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ARBITRAMENTO Recorrente SANTAMÁLIA SAÚDE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 IMPUGNAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. REMUNERAÇÃO DECLARADA EM DIPJ. O contribuinte tem o ônus de comprovar o erro no preenchimento da declaração, mormente depois de notificado o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 60 /2 00 9- 82 Fl. 1387DF CARF MF Processo nº 19515.001660/200982 Acórdão n.º 2402006.906 S2C4T2 Fl. 1.388 2 Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sergio da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da DRJ, que julgou improcedente a impugnação apresentada em face de lançamento de ofício das contribuições devidas à seguridade social, parte da empresa e adicional GILRAT, incidentes sobre remunerações de empregados não declaradas em GFIP. Segue acórdão e ementa da decisão: Acórdão: Acordam os membros da 14” Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Ementa: [...] Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 LANÇAMENTO FISCAL Ato administrativo emitido de acordo com o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional e no artigo 37 da Lei n° 8.212/91 com as alterações da Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008 DOU de 04/12/2008. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. INDEFERIMENTO. O pedido de juntada de documentos e outras provas admitidas em direito após a impugnação deve ser indeferido quando não tenha sido demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna da prova documental por motivo de força maior, não se refira esta a fato ou direito superveniente, e nem se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, e quando os elementos do processo forem suficientes para o convencimento do julgador. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Considerase saláriode contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28 c/c art. 22,1, e II, da Lei 8.212/91. BASEDECÁLCULO. ARBITRAMENTO. É lícita a apuração por aferição indireta do salário de contribuição, na ocorrência de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Fl. 1388DF CARF MF Processo nº 19515.001660/200982 Acórdão n.º 2402006.906 S2C4T2 Fl. 1.389 3 Relatou a acusação fiscal que a empresa teria lançado em sua contabilidade, como despesa de serviços médicos, valores que declarou em DIPJ como sendo de remuneração de empregado, contudo sem considerálos como base de cálculo das contribuições. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 08/02/2011 (fl. 1157) e interpôs recurso voluntário em 01/03/2011, no qual basicamente reiterou os mesmos termos de sua impugnação, mais especificamente os seguintes: a) a juntada posterior de documentos deveria ser aceita; b) por erro, declarou em DIPJ despesas de serviços médicos como remuneração de empregado. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 No mérito Quanto ao pedido de juntada posterior de documentos, bem frisou a DRJ que, em regra, a prova documental deve ser juntada na impugnação. De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que (a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (b) refirase a fato ou a direito superveniente; (c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No caso dos autos, não ficou demonstrada nenhuma das circunstâncias previstas acima e, embora o sujeito passivo, desde a impugnação, tenha solicitado a juntada de novos documentos, nem mesmo em grau recursal ele se dignou de fazêlo. Quanto ao suposto erro no preenchimento da DIPJ, igualmente sem razão a contribuinte. Rememorando, o presente lançamento decorre do fato de o sujeito passivo ter lançado em sua contabilidade, como despesa de serviços médicos, valores que declarou em DIPJ como sendo de remuneração de empregados, sem considerálos, contudo, como base de cálculo das contribuições. Fl. 1389DF CARF MF Processo nº 19515.001660/200982 Acórdão n.º 2402006.906 S2C4T2 Fl. 1.390 4 Ocorre que a recorrente não comprovou a existência de erro no preenchimento da DIPJ e nem mesmo a retificou, cabendo lembrar que o § 1º do art. 147 do CTN somente admite a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A recorrente também não questionou o arbitramento, não havendo, a esse respeito, qualquer controvérsia fática ou jurídica. No mais, e com base no permissivo constante do art. 57, § 3º, do RICARF, acrescento a seguinte fundamentação da DRJ como razões de decidir: 7.1.1. Salientese que não restou provado que a Impugnante cometeu um simples erro material, como o alegado, ou simples erro de contabilização, até porque nenhuma ação foi realizada pela empresa que visasse a correção de eventual erro. 7.2. Também não prospera a alegação de que os contratos de prestação demonstram o vínculo entre a Impugnante e os contratados, vejamos, os contratos nos quais a impugnante firma sua prova, sequer foram trazidos à apreciação do julgador e mais, as Notas Fiscais de Serviços juntadas à Impugnação, e o (doc. 05) Relação de Pagamentos Médicos Interno Empresa, não fazem prova a favor da Impugnante. [...] 9. Assim, diante da situação, que evidencia o fato gerador, contudo sem a individualização dos beneficiários, a Fiscalização procedeu ao arbitramento, por aferição indireta, das contribuições sociais devidas efetuando o Lançamento de Ofício para constituir o Crédito Tributário correspondente, através da lavratura deste Auto de Infração, conforme determina o § 3°, art. 33 da Lei n.° 8.212/91. 9.1. As contribuições deste lançamento, como já demonstrado, são as contribuições a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, prevista no art. 22, incisos I e II da Lei n° 8.212/91. 10. Assim, constatado em Auditoria e, na contabilidade da empresa, que as despesas de serviços médicos, como foram lançadas, são remunerações de empregados como declarado na DIPJ 2005, ano calendário 2004, o Auditor Fiscal lavrou o presente auto de infração e a Impugnante não apresentou documentos que comprovem ser a exigência indevida. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 1390DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15971.001416/2007-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista que os paradigmas indicados encontram-se em sintonia com o acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9202-007.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista que os paradigmas indicados encontramse em sintonia com o acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Trata o presente processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista glosa de despesas de livrocaixa, referente ao exercício de 2005. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 97 1. 00 14 16 /2 00 7- 10 Fl. 783DF CARF MF 2 Em sessão plenária de 16/05/2012, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 210202.025 (efls. 701 a 705), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 LIVRO CAIXA. RENDIMENTOS DECORRENTES DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Os contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho não assalariado podem deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, até o valor do rendimento recebido. Recurso Voluntário Provido.” A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.” O processo foi encaminhado à PGFN em 18/10/2012 e, em 09/11/2012, a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de efls. 707 a 710, prolatandose o Acórdão de Embargos nº 2102002.609, de 20/06/2013 (efls. 712 a 718) assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO REVISOR. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição devese proferir novo Acórdão, para rerratificar o Acórdão embargado. LIVRO CAIXA. RENDIMENTOS DECORRENTES DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Os contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho não assalariado podem deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, até o valor do rendimento recebido. Quando o contribuinte comprovou nos autos que ofereceu à tributação rendimentos decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício deixou de existir a motivação indicada no lançamento para a glosa da dedução de Livro Caixa e nesta conformidade o lançamento não pode prosperar. INOVAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO OU NOTIFICAÇÃO COMPLEMENTAR Na ocorrência da inovação da motivação do lançamento fazse necessária a lavratura do Auto de Infração ou da Notificação de Fl. 784DF CARF MF Processo nº 15971.001416/200710 Acórdão n.º 9202007.386 CSRFT2 Fl. 783 3 Lançamento complementar, conforme rito previsto no §3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Embargos Acolhidos." A decisão foi assim resumida: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para esclarecer que deuse provimento ao recurso, por entender que suprida a falta indicada no lançamento não pode prosperar a infração imputada ao contribuinte e também porque não é possível a alteração da motivação do lançamento, sem a devida lavratura da Notificação de Lançamento Complementar." Foi o processo novamente encaminhado à PGFN em 14/10/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 719) e, em 25/11/2013, foi interposto o Recurso Especial de efls. 720 a 737 (Despacho de Encaminhamento de efls. 738), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir o critério de comprovação de despesas escrituradas em livrocaixa. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 23/03/2016 (efls. 741 a 745). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: a legislação é clara, no sentido de que só podem deduzir as despesas escrituradas em livrocaixa os Contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho não assalariado e desde que apresentem, quando solicitados pela autoridade fiscal, os documentos comprobatórios correspondentes; no presente caso, o Contribuinte declarou inicialmente que recebia tão somente rendimentos de pessoa jurídica com a qual possuía vínculo empregatício; apenas em 20/11/2007, após o recebimento de notificação de lançamento, o Contribuinte apresentou declaração retificadora para esclarecer que também recebeu no ano calendário fiscalizado rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, cujos valores foram declarados de forma equivocada; deveria ter o contribuinte colacionado aos autos, por ocasião da impugnação, o livrocaixa, bem como todos os documentos comprobatórios que dão suporte às despesas nele escrituradas; o Contribuinte, entretanto, não se desincumbiu de tal ônus no momento processual adequado, deixando de juntar os documentos comprobatórios necessários, razão pela qual a DRJ julgou improcedente a impugnação; de fato, a partir da análise dos autos, observase que o autuado colacionou aos autos o livrocaixa e uma parte da documentação que o lastreia tão somente por ocasião da interposição do recurso voluntário; conforme bem pontuado no acórdão paradigma nº 210101.413, “somente são dedutíveis as despesas escrituradas em Livro Caixa que, além de preencherem os Fl. 785DF CARF MF 4 requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentaremse com a devida comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos e que sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. É de se manter a glosa de despesas escrituradas em Livro Caixa quando não justificadas, comprovadas e contempladas pela legislação.”; por fim, cumpre destacar que não há que se falar em alteração da motivação do lançamento, tal como constou no acórdão recorrido, eis que essa permaneceu a mesma: falta de atendimento dos requisitos para dedução de despesas de livrocaixa; o que se observa nos autos é a oportunização do exercício da ampla defesa, pois conferiuse ao Contribuinte o direito de esclarecer o erro inicialmente cometido na declaração de rendimentos e comprovar o cumprimento dos requisitos da legislação para dedução de despesas de livrocaixa; logo, não há que se falar em causa para cancelamento total do lançamento, mas tão somente em exclusão da autuação das despesas devidamente escrituradas no livro caixa, e que se encontrem acompanhadas da devida documentação comprobatória, nos termos da lei. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido. Cientificado em 14/04/2016 (AR Aviso de Recebimento de efls. 748), o Contribuinte informou, em 28/04/2016, que efetuara o parcelamento do crédito tributário (petição de efls. 750). Entretanto, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Araraquara esclareceu que os pagamentos apresentados referemse a créditos do processo nº 13851.400432/201117, inexistindo parcelamento dos valores cobrados no presente processo (Comunicação de efls. 777). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a glosa de despesas de livrocaixa, referente ao exercício de 2005. No acórdão recorrido, entendeuse que o Contribuinte havia comprovado que os rendimentos declarados seriam decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, inclusive em valor superior à dedução pleiteada. Em seu apelo, a Fazenda Nacional pede que sejam excluídas da autuação apenas as despesas devidamente escrituradas no livrocaixa e que se encontrem acompanhadas da devida documentação comprobatória, nos termos da lei. Antes de proceder à análise dos paradigmas, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. Nesse passo, de plano fica descartada a alegação de divergência que envolva a valoração de provas, já que, no que tange ao arcabouço probatório, cada processo constitui um universo específico. Fl. 786DF CARF MF Processo nº 15971.001416/200710 Acórdão n.º 9202007.386 CSRFT2 Fl. 784 5 A impossibilidade de caracterização de divergência jurisprudencial em situações que envolvem a valoração de provas foi reconhecida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisão proferida no Acórdão CSRF/0104.592, de 11/08/2003, assim ementado: “GLOSA DE DESPESAS COM VEÍCULOS COMBUSTÍVEIS – MATÉRIA DE PROVA. A divergência jurisprudencial, necessária à admissibilidade do recurso especial de que trata o artigo 5° inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, não se estabelece em matéria de prova e sim na interpretação das normas. Recurso especial não conhecido.” Com estas considerações, verificase que no caso do recorrido o Colegiado entendeu que o Contribuinte comprovara que os rendimentos declarados eram em sua maioria decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, registrando, ainda, que foi apresentado o livrocaixa, acompanhado dos documentos nele escriturados. Confirase o que constou do acórdão recorrido: Relatório "A infração apurada pela autoridade fiscal foi dedução indevida de despesas de Livro Caixa e está assim descrita: De acordo com a legislação em vigor, somente pode deduzir despesas escrituradas em LivroCaixa, o contribuinte que receber rendimentos do trabalho nãoassalariado, o titular de serviços notariais e de registro e o leiloeiro. Em razão de o contribuinte ter declarado apenas Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica com vinculo empregatício, está sendo glosado o valor de R$ 46.975,63, informado a titulo de Livro Caixa, indevidamente deduzido. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls.01, onde esclarece que os rendimentos declarados são decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, com exceção daqueles recebidos de Castro Serviços e Cobranças S/S Ltda – ME. A autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, sob a alegação de que o contribuinte deixou de apresentar o Livro Caixa e a correspondente documentação (Acórdão DRJ/SPOII nº 1748.103, de 03/02/2011, fls. 55/58). Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 21/03/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 62, o contribuinte apresentou, em 12/04/2011, recurso voluntário, fls. 63/66, no qual traz as alegações a seguir resumidamente transcritas: Discorda com a glosa das despesas escrituradas em livro caixa do ano calendário 2004 sob o argumento da falta de comprovação com documentação hábil e idônea de que o valor declarado pelo contribuinte satisfaz todas as condições legais para ser admitido, Fl. 787DF CARF MF 6 acrescentando que em momento algum a Notificação de Lançamento que iniciou tal processo, solicitou tais documentos, deixando claro que o motivo seria que os "rendimentos declarados referemse a recebimentos de pessoas jurídicas com vinculo empregatício. As cópias do Livro Caixa do ano calendário 2004 e os respectivos documentos lançados, em anexo, comprovam sua regular escrituração e idoneidade. A título exemplificativo, apresenta documentação comprobatória dos lançamentos realizados nos meses de Janeiro a Dezembro de 2004. É o Relatório." Voto Em sua impugnação, o contribuinte esclareceu que os rendimentos recebidos no anocalendário 2004 são decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, com exceção daqueles recebidos de Castro Serviços e Cobranças S/S Ltda ME. Para comprovar sua alegação juntou aos autos, cópias dos Comprovantes de Rendimentos Pagos, fls. 09/47, dos quais se infere que os rendimentos sem vínculo empregatícios perfizeram a quantia de R$ 61.392,25. Muito embora, o contribuinte tenha comprovado que os rendimentos eram em sua maioria decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, a decisão recorrida manteve o lançamento, desta feita, sob a alegação de que o contribuinte deixou de apresentar o Livro Caixa e os documentos nele escriturados. Observese que, conforme bem afirmou a defesa, em nenhum momento, durante o procedimento fiscal, o contribuinte foi intimado a apresentar os referidos documentos. E mais, os rendimentos decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício superam o valor da dedução de despesas escrituradas em Livro Caixa. Logo, não pode prosperar o lançamento, nos termos em que consubstanciado na Notificação. Acrescentese que, no recurso, o contribuinte apresentou o Livro Caixa, acompanhado dos documentos nele escriturados." Contra esse acórdão foram opostos Embargos de Declaração, prolatandose o Acórdão de Embargos nº 2102002.609, cujo voto assim registra: "De fato, da leitura do voto condutor da decisão embargada verificase que não restou suficientemente clara a motivação que deu causa ao provimento do recurso, sendo necessário o aclaramento da fundamentação do acórdão embargado. De pronto, cumpre dizer que quando se mencionou no voto condutor da decisão embargada que o contribuinte apresentou o Livro Caixa, acompanhado dos documentos nele escriturados, se fez na condição de obiter dictum, como complementação da argumentação, posto que tal fato não desempenhou papel fundamental na formação do julgado. Fl. 788DF CARF MF Processo nº 15971.001416/200710 Acórdão n.º 9202007.386 CSRFT2 Fl. 785 7 Veja que quando o contribuinte comprovou nos autos que ofereceu à tributação rendimentos decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício deixou de existir a motivação indicada no lançamento para a glosa da dedução de Livro Caixa e nesta conformidade o lançamento não pode prosperar. Esta é a fundamentação que norteou a decisão embargada. Quando a autoridade julgadora de primeira instância decidiu pela manutenção da infração sob a alegação de que o contribuinte deixou de apresentar o Livro Caixa e a correspondente documentação comprobatória das despesas ali escrituradas inovou o lançamento, posto que é completamente diferentes a infração de dedução indevida de Livro Caixa em razão de o contribuinte não ter oferecido à tributação rendimentos decorrentes do trabalho sem vínculo da infração de dedução indevida de Livro Caixa por falta de apresentação do Livro Caixa ou por falta de comprovação das despesas nele escrituradas. (...) Ante o exposto, voto por acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para esclarecer que deuse provimento ao recurso, por entender que suprida a falta indicada no lançamento não pode prosperar a infração imputada ao contribuinte e também porque não é possível a alteração da motivação do lançamento, sem a devida lavratura da Notificação de Lançamento Complementar." (grifei) Assim, no caso do acórdão recorrido, não obstante o entendimento de que a autoridade julgadora de Primeira Instância estaria alterando a motivação do lançamento, concluiuse, antes disso, pela inexistência da própria motivação da autuação, uma vez que comprovados os rendimentos decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício. Outrossim, ainda que a título de complementação, foi registrado que o Contribuinte apresentou o livro caixa, acompanhado dos documentos nele escriturados. Por outro lado, analisandose o inteiro teor do primeiro paradigma Acórdão nº 2801002.739 verificase que, longe de demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, este encontrase em perfeita harmonia com o acórdão recorrido, já que ambos os julgados aplicam a mesma lógica. Confirase: Ementa "DEDUÇÃO DE DESPESAS COM O EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PROFISSIONAL. LIVROCAIXA. Apenas podem ser deduzidas do IRPF as despesas efetuadas pelo contribuinte no exercício de sua atividade profissional caso feita, no tempo correto, a escrituração destas despesas em Livro Caixa, devidamente acompanhado dos seus comprovantes." Relatório Fl. 789DF CARF MF 8 "Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação (fls. 01/18), alegando que, como profissional liberal autônoma, faz jus a dedução de despesas de Livro Caixa. A 2ª Turma DRJ Belém/PA, conforme Acórdão de fls. 33/36, julgou procedente o lançamento, eis que a interessada não instruíra a impugnação com a cópia do Livro Caixa e correspondentes documentos que subsidiaram os registros ali efetuados. Cientificada da decisão de primeira instância em 03/03/2009 (fls. 39 verso), a contribuinte apresentou, em 31/03/2009, o Recurso de fls. 42/43, instruído com os documentos de fls. 44/251, argumentando que os rendimentos que percebe são decorrentes de trabalho não assalariado/sem vínculo empregatício e que somente agora apresenta o Livro Caixa e documentos que o respaldam porque antes não fora instada a fazêlo. Conforme Resolução nº 2801000.066 (fls. 253/254), o julgamento foi convertido em diligência à repartição de origem para que a fiscalização examinasse os referidos documentos e se manifestasse acerca da dedução pleiteada." Voto "Em decorrência do procedimento de diligência objeto da Resolução nº 2801000.066, a fiscalização elaborou o “Relatório Fiscal de Encerramento de Diligência” (fl. 258), cujo resultado é no sentido de se considerar legítima a dedução com livro caixa, no montante de R$ 23.148,30, que corresponde à diferença entre o valor glosado, de R$ 30.950,70 e o valor que restou não comprovado no procedimento de diligência, de R$ 7.802,40. O referido “Relatório Fiscal de Encerramento de Diligência” foi encaminhado para ciência da interessada (AR, fl. 259), reabrindose prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência para sua manifestação. Entretanto, a recorrente não se pronunciou a respeito. Neste contexto, resta implementar o resultado da diligência, para restabelecer a parcela de R$ 23.148,30 de dedução com livrocaixa. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a parcela de R$ 23.148,30 de dedução com livrocaixa." (grifei) A leitura dos excertos colacionados permite concluir pela inexistência de qualquer dissídio interpretativo, uma vez que as diferentes soluções a que chegaram os acórdãos recorrido e paradigma não decorreram de divergência jurisprudencial, mas sim do conjunto fático específico de cada processo. No recorrido, constatouse a comprovação da totalidade das despesas escrituradas em livrocaixa, o que não se verificou no paradigma. Com efeito, o cotejo dos acórdãos paradigma e recorrido permite concluir que não restou demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. Em ambos os julgados, adotouse a seguinte premissa: instruído o processo com os comprovantes de que os Fl. 790DF CARF MF Processo nº 15971.001416/200710 Acórdão n.º 9202007.386 CSRFT2 Fl. 786 9 rendimentos percebidos são decorrentes de trabalho não assalariado/sem vínculo empregatício e apresentados o livrocaixa e os documentos nele escriturados, ainda que após a decisão de Primeira Instância, é legítima a dedução. Destarte, o fato de terem chegado a soluções diversas não decorreu de divergência e sim da diversidade dos respectivos conjuntos probatórios, cabendo frisar que, no tocante ao conjunto probatório, cada processo constitui um universo específico. Quanto ao segundo paradigma Acórdão nº 210101.413 verificase novamente que, longe de demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, encontrase em perfeita harmonia com o acórdão recorrido. Confirase: Ementa "LIVRO CAIXA. DESPESAS. CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO Somente são dedutíveis as despesas escrituradas em Livro Caixa que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentaremse com a devida comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos e que sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. É de se manter a glosa de despesas escrituradas em Livro Caixa quando não justificadas, comprovadas e contempladas pela legislação. Relatório "As infrações apontadas pela Fiscalização encontramse relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 90. A Fiscalização alega ter havido a dedução indevida de despesas de livro Caixa. Segundo o Fisco, de acordo com a legislação em vigor, somente pode deduzir despesas escrituradas em livro Caixa o contribuinte que receber rendimentos do trabalho nãoassalariado, o titular de serviços notariais e de registro e o leiloeiro. Como o contribuinte declarou apenas Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica com vinculo empregatício, foi glosado o valor de R$ 32.131,94 informado a titulo de Livro Caixa. (...) A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 reconheceu o direito do contribuinte de escriturar livro Caixa, por entender que o interessado, no ano calendário, mantinha consultório particular, auferindo rendimentos do trabalho não assalariado, tendo, a respeito, assim se manifestado: 'Em consulta aos assentamentos da Receita Federal do Brasil, constatamos que para o ano calendário de 2005 existe somente retenção de IR em nome do interessado oriundo de uma fonte pagadora (Prefeitura Municipal de Mauá: — Fl. 791DF CARF MF 10 46.522.959/000198), sob o código de recolhimento 0561 (rendimentos do trabalho assalariado). Os documentos acostados ao processo comprovam que o interessado mantinha no ano calendário fiscalizado consultório particular, onde desenvolvia atividades de médico do trabalho, prestando serviços para empresas que contratavam seus préstimos (fls. 15/87). Isto posto, é de se concluir que com exceção dos rendimentos provenientes da Prefeitura Municipal de Mauá, todos os demais declarados pelo interessado em sua DIRPF são oriundos de pessoa jurídica decorrentes de trabalho não assalariado, tendo o notificado portanto, direito de pleitear no exercício de 2006 deduções de despesas escrituradas em livro Caixa, desde que obedecidos os comandos da legislação anteriormente reproduzida.' (...) A DRJ em São Paulo 2 ressaltou, no entanto, que: a) as Notas Fiscais de Prestação de Serviços (Documentos de fls. 15/57 e 135/177) comprovam somente receitas auferidas pelo notificado, sendo imprestáveis como prova de despesas escrituradas em Livro Caixa; b) o documento apresentado as fls. 117 referese a pagamento de encargos em ano calendário diverso do fiscalizado." Voto "No presente processo, a Fiscalização procedeu a glosa de todas as despesas lançadas no livro Caixa, por entender que o sujeito passivo não poderia deduzilas em razão de não receber rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício. Demonstrado não ser esse o caso, isto é, uma vez reconhecido pela DRJ em São Paulo 2 que o Recorrente recebe, sim, rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, há que se considerar as deduções feitas em livro Caixa, desde que de acordo com a legislação de regência, devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea. (...) Tendo em vista não haver questionamento quanto às receitas recebidas pelo Recorrente, analisaremos somente as despesas lançadas no livro Caixa, a fim de constatar se elas podem ser deduzidas, de acordo com a legislação, e se encontramse devidamente comprovadas, por meio de documentação hábil e idônea. (...) Ante todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer as deduções com despesas escrituradas em livro Caixa no valor de R$ 16.336,21, além das deduções já restabelecidas em primeira instância (R$ 1.047,76). Fl. 792DF CARF MF Processo nº 15971.001416/200710 Acórdão n.º 9202007.386 CSRFT2 Fl. 787 11 Ressaltese que neste paradigma também foi reconhecido que o sujeito passivo recebia rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, restando em litígio a análise de diversas despesas lançadas no livrocaixa. Com efeito, a leitura dos excertos colacionados permite concluir pela inexistência de qualquer dissídio interpretativo, uma vez que as diferentes soluções a que chegaram os acórdãos recorrido e paradigma não decorreram de divergência jurisprudencial, mas sim do conjunto fático específico de cada processo. No recorrido, constatouse a comprovação da totalidade das despesas escrituradas em livrocaixa, o que não se verificou no paradigma pelas mais variadas razões, explanadas em quadro demonstrativo no voto. Destarte, o fato de terem chegado a soluções diversas não decorreu de divergência e sim da diversidade dos respectivos conjuntos probatórios, cabendo frisar que, no tocante ao conjunto probatório, cada processo constitui um universo específico. Assim, tendo a Fazenda Nacional indicado paradigmas que, longe de demonstrarem divergência, harmonizamse com a decisão recorrida, não restou caracterizada a alegada divergência jurisprudencial. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 793DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.903389/2008-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF RETIFICADORA. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ E DACON.
Para que ocorra a comprovação do crédito pleiteado é necessário que ocorra a devida retificação da DCTF e do DACON e o equívoco que gerou a retificação deve ser restar comprovado. A DIPJ possui natureza meramente informativa. O DACON não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal.
Numero da decisão: 3401-005.530
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF RETIFICADORA. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ E DACON. Para que ocorra a comprovação do crédito pleiteado é necessário que ocorra a devida retificação da DCTF e do DACON e o equívoco que gerou a retificação deve ser restar comprovado. A DIPJ possui natureza meramente informativa. O DACON não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 33 89 /2 00 8- 88 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10882.903389/200888 Acórdão n.º 3401005.530 S3C4T1 Fl. 0 2 Relatório Versa o presente sobre o DCOMP indicando como crédito pagamento indevido ou a maior de COFINS, indeferido por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Em sua Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que: (a) embora tenha recolhido DARF de COFINS e tenha declarado esse mesmo valor em DCTF, o valor a pagar no período era ZERO (conforme declarado em DIPJ e DACON); (b) após a entrega da DCTF identificou que possuía diversos créditos não aproveitados em razão do então recém instituído regime não cumulativo; e (c) deve a fiscalização tomar em conta todas as declarações da empresa. Requereu ainda provar o alegado por todos os meios em direito admitidos. A decisão de primeira instância foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, por carência probatória a cargo da postulante (não comprovação do erro apontado), e por não se revestirem a DIPJ e o DACON de instrumentos de confissão de dívida. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.488, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.903377/200853, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.488): "A recorrente interpôs Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no prazo de 30 dias, de acordo com a Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal, a qual é estabelecida pelos arts. 33 e 5º, do Decreto nº 70.235/72. Portanto, dele tomase conhecimento. Segundo o Despacho Decisório, ao comparar o pagamento indicado na DCOMP com a informação de débito Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10882.903389/200888 Acórdão n.º 3401005.530 S3C4T1 Fl. 0 3 constante da DCTF ativa à época, constatase que o valor recolhido via DARF, informado na DCOMP, estava integralmente utilizado para quitação do débito declarado em DCTF, não restando créditos passíveis de compensação. Sustenta a recorrente que, depois de ter apresentado a DCTF, apurou créditos do regime nãocumulativo do PIS e da COFINS, motivo pelo qual refez a apuração do PIS e COFINS e que, por conseguinte, concluiuse que o valor devido naquele período, janeiro de 2004, era zero e não R$ 26.785,48, como havia consignado em DCTF. Diante de tal fato, procedeu à correta declaração em DIPJ e DACON, fato que, segundo a recorrente, gerou crédito de R$ 26.785,48, o qual pretende compensar. Pois bem. Inicialmente é de bom grado ressaltar que cabe ao contribuinte comprovar a existência do crédito que pretende utilizar para compensar com o débito, art. 373, I, do CPC, e à Administração Tributária verificar e validar o referido crédito. Por conseguinte, confirmado o direito creditório, sobrevém a homologação, a qual extingue os débitos objeto da compensação. Assim, para que seja possível a homologação da DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. Registrese que, nos termos do art. 170 do CTN, a compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública. Nesse sentido, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decreto Lei nº 2.124/84, e Instruções da RFB que dispõem sobre a DCTF). Para comprovar que o débito declarado em DCTF e recolhido via DARF era indevido, a recorrente teria que provar que o que havia declarado, confessado e recolhido não era condizente com a realidade, e mais, que outro valor traduziria o realmente devido, ante a legislação tributária aplicável. Denotase que a recorrente se limitou às declarações (DACON e DIPJ), as quais são instrumentos onde o contribuinte fornece à Administração Tributária informações referentes a apuração de impostos e contribuições federais. Indubitavelmente, para que seja constada a veracidade das informações consignadas nas declarações é preciso que estas estejam acompanhadas, no mínimo, dos documentos/registros contábeis e fiscais da declarante. In casu, a recorrente trouxe aos autos, com o viés de comprovar o seu crédito, a DACON e da DIPJ com informações diferentes da DCTF originária e, por conseguinte, arguiu incoerência entre as declarações prestadas. Ou seja, não há Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10882.903389/200888 Acórdão n.º 3401005.530 S3C4T1 Fl. 0 4 prova nos autos; apenas declarações e argumentos, que não têm força de comprovar que o alegado reflete a verdade dos fatos. Oportuno citar o disposto no art. 147, § 1º do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifei) Ressaltase que este Egrégio CARF possui entendimento pacífico no que tange ao objeto da presente controvérsia. Veja se: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Se a razão do pagamento indevido ou a maior foi o equívoco em relação ao regime de apuração da contribuição (cumulativo ou nãocumulativo), tal fato deve restar comprovado. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF e do DACON para a devida comprovação do crédito pleiteado. (CARF – Acórdão 3401005.333, de 25/09/2018 – grifei) [...] VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferilo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2004 DIPJ E DACON. NATUREZA JURÍDICA. A DIPJ possui natureza meramente informativa. A Dacon não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de divida, por expressa inexistência de disposição legal. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10882.903389/200888 Acórdão n.º 3401005.530 S3C4T1 Fl. 0 5 O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação de suas declarações. O nãoatendimento pelo contribuinte desta intimação, gera a nãohomologação da compensação declarada. (CARF – Acórdão 3001000.544 de 17/10/2018 – grifei) Por fim, reiterase o disposto no acórdão recorrido, no sentido de que a recorrente devia possuir consigo as provas necessárias para a comprovação de seu crédito, uma vez que toda documentação de respaldo à escrituração contábil deve ser mantida em boa ordem e conservada sob a responsabilidade do sujeito passivo para que possa ser colocada à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil enquanto não ocorrida a decadência ou a prescrição dos créditos tributários vinculados aos fatos a que se refiram (art. 195, § único do CTN e art. 264, caput e § 3º, do RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999). Ante o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 196DF CARF MF
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