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Numero do processo: 10880.959884/2012-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Relatório
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação. Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão DRJ Curitiba nº 0652.949, de 24 de junho de 2015, que por maioria de votos não acolheu as razões de inconformidade e manteve a não homologação da compensação declarada: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 59 88 4/ 20 12 -4 8 Fl. 9389DF CARF MF Processo nº 10880.959884/201248 Resolução nº 3401001.775 S3C4T1 Fl. 9.390 2 Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade apresentada em face da não homologação da Declaração de Compensação Dcomp, de nº 07482.62413.240212.1.3.041000. Transmitida em 24/02/2012, a declaração em tela foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, e foi emitido o Despacho Decisório em 04/09/2012, rastreamento nº 31091165, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da contribuinte. Na referida Dcomp foi indicado pela contribuinte um crédito original na data da transmissão de R$ 259.137,00 que corresponde a parte do pagamento de PIS/Pasep, código 6912, de R$ referente ao período de apuração de 30/11/2009, efetuado em 24/12/2009, visando a extinção dos débitos de PIS/Pasep, código 8109, do mesmo período de apuração, e de Cofins, código 2172, de janeiro de 2012. O Despacho Decisório aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER/Dcomp como origem do crédito, o seu valor integral foi utilizado para a extinção do débito de PIS/Pasep do período de apuração de novembro de 2009, conforme consta no campo 3 do próprio Despacho Decisório. Cientificada da decisão em 13/09/2012, bem como da cobrança dos débitos declarados no PER/Dcomp, a contribuinte interpôs, em 15/10/2012, Manifestação de Inconformidade. No item I – Das razões da fato e de direito da Inconformidade, depois de expor os fatos, argumenta que os créditos compensados foram gerados pela percepção da ocorrência de equívoco na apuração original do débito que, uma vez corrigido, permitiu a identificação de valores recolhidos a maior. Ou seja, quando apurou os valores corretos percebeu que o DARF pago, referente ao período de apuração de novembro de 2009, foi recolhido em valor maior do que o devido. Explica ainda que os procedimentos de correção da referida situação foram cumpridos por meio de DCTF retificadora e, ao que tudo indica, a análise da fiscalização não observou a referida retificação. Na seqüência, no item II – Dos procedimentos perpetrados para a compensação ora discutida, explica que, originalmente recolheu a contribuição para o PIS referente a novembro de 2009 no valor de R$ 1.134.616,50 – exatamente o valor que a autoridade administrativa observou para indeferir a compensação então requerida. Ocorre que, em um segundo momento, percebeu que parte de suas receitas estavam erroneamente tributadas pelo regime não cumulativo. Contudo, por se tratar de serviços de concretagem (equiparado ao conceito legal de prestação de serviços em obras de construção civil), deveriam ser tributadas pelo regime cumulativo. Desse modo, a nova apuração demonstrou o valor devido de PIS/Pasep nãocumulativo de R$ 875.479,51 gerando o saldo de crédito de R$ 259.137,00. Ressalta que a apuração excluiu da base de cálculo das duas contribuições as receitas que não deveriam ser tributadas pelo sistema nãocumulativo. Fl. 9390DF CARF MF Processo nº 10880.959884/201248 Resolução nº 3401001.775 S3C4T1 Fl. 9.391 3 O saldo obtido foi devidamente atualizado pela Selic, trazendo à data de fevereiro de 2012 (momento da retificação da DCTF e da efetivação do procedimento de compensação) o crédito originalmente disponível. A operação de atualização, tal como prevista pela legislação, apurou o crédito de R$ 316.924,55. O PER/Dcomp, transmitido em 24/02/2012, foi o meio hábil utilizado para o pagamento das contribuições do mesmo exercício, apuradas dessa vez pela utilização do sistema certo de tributação, pela aplicação do regime cumulativo. Aduz que optou por recolher o tributo, inclusive com juros e correção monetária, como se pode observar pela folha 05 do pedido de compensação. Reafirma que os valores que permitiram o pagamento de tributos por meio de compensação foram provenientes da diferença encontrada na percepção do pagamento a maior realizado no mês de novembro de 2009. Para a conferência de todos os argumentos apresentados diz que juntou à manifestação de inconformidade o PER/Dcomp ora discutido e a DCTF retificadora, devendose reparar o despacho decisório sobre o qual se pretende operar a revisão, na medida em que este não considerou a DCTF retificadora. Em síntese, alega que é importante mencionar que: (i) A DCTF original trazia um valor devido de R$ 1.134.616,50 que foi recolhido por meio de DARF de mesmo valor; (ii) Na medida em que o exercício teve a sua apuração corrigida, verificouse que o valor correto seria de R$ 875.479,51; (iii) Verificouse a existência de um crédito da manifestante no valor de R$ 259.137,00 (pagamento a maior) (iv) Concluise que a homologação parcial ocorreu por não ter sido analisada a DCTF retificadora, a qual demonstrava com clareza a existência do crédito utilizado. A seguir, para que não restem dúvidas com relação ao procedimento que gerou a apuração na sistemática cumulativa, passa a discorrer sobre a legislação que insere o serviço de concretagem na apuração cumulativa das contribuições para o PIS e a Cofins, anexando ementas de Soluções de Consulta. Por último, no item IV – Do Pedido, requer que seja acolhida a Manifestação de Inconformidade e interrompidos quaisquer procedimentos voltados à cobrança do suposto crédito, com a homologação expressa da compensação promovida pelo PER/Dcomp que origina o presente processo administrativo. Clama também pelo “deferimento do protesto do manifestante pela demonstração, por quaisquer formas em direito admitidas, sejam perícias ou juntadas de documentos, para a devida comprovação da perfeita adequação do procedimento de compensação perpetrado”, assim como, que todas as informações e avisos sejam levados a efeito no endereço do patrono da Fl. 9391DF CARF MF Processo nº 10880.959884/201248 Resolução nº 3401001.775 S3C4T1 Fl. 9.392 4 manifestante, com endereço na Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2355, 8º andar, conjunto 807. Regularmente cientificada do teor do acórdão de piso apresentou Recurso Voluntário onde alega: 1) nulidade por ausência de intimação quanto as supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório; 2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização me momento algum mencionou por qual motivo estava glosando o crédito pleiteado; 3) promoveu regularmente a retificação da DCTF e DACON antes da transmissão do PER/DCOMP; 4) o crédito tributário é legítimo. Apresenta prova da materialidade do direito creditório; 5) solicita diligência ou perícia para que comprove que todo o crédito glosado deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Despacho Decisório, emitido em 04/09/2012 (com ciência da contribuinte em 13/09/2012), não homologou a compensação declarada na Dcomp em análise (cujo crédito original na data da transmissão era de R$ 259.137,00), devido à inexistência do crédito declarado para quitar os débitos informados no PER/Dcomp. O DARF discriminado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS/Pasep do período de apuração de novembro de 2009. Sustenta a recorrente que parte de suas receitas estavam tributadas pelo regime não cumulativo, quando, na verdade, deveriam ser tributadas pelo regime cumulativo, por se tratar de receita decorrentes da prestação de serviços de concretagem, equiparado ao conceito legal de prestação de serviços em obras de construção civil, de forma que a nova apuração demonstrou o valor devido de PIS não cumulativo de R$ 875.479,51 gerando o saldo de crédito de R$ 259.137,00. Por sua vez, o crédito apurado foi utilizado para pagamento do PIS, apurado no regime cumulativo, de novembro de 2009, e da Cofins cumulativa de janeiro de 2012. Relendo o despacho decisório verificase que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Não há no processo o motivo que as retificadoras não foram aceitas. Fl. 9392DF CARF MF Processo nº 10880.959884/201248 Resolução nº 3401001.775 S3C4T1 Fl. 9.393 5 A recorrente alega não ter sido intimada ou cientificada a respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF. O artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe acerca do procedimento a ser tomado pelo Fisco quando a DCTF for retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis: Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. Paira a dúvida se essa intimação ocorreu e por conseguinte houve a não homologação pelo não atendimento à intimação, já que não existem esses documentos no processo. Para que não hajam dúvidas a respeito do procedimento adotado pela unidade da RFB, que por certo segue os ditames das Instruções Normativas RFB, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 11/2009 foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas. Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Fl. 9393DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.902170/2013-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.623
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 17 0/ 20 13 -0 4 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10850.902170/201304 Resolução nº 3401001.623 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10850.902170/201304 Resolução nº 3401001.623 S3C4T1 Fl. 4 3 Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002698/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO. Tributos devidos apurados pela própria pessoa jurídica, quando não recolhidos nem confessados de forma espontânea, devem ser exigidos de oficio.
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A falta de declaração e de recolhimento do tributo devido acarreta imediatamente o lançamento de oficio do tributo e a aplicação da multa de 75% do montante apurado, independentemente de culpa ou dolo por parte do contribuinte.
SÚMULA CARF 4. TAXA SELIC.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
SÚMULA CARF 2. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, DA PROPORCIONALIDADE E DO NÃO CONFISCO.
O CARF não é competente para afastar a aplicação de norma vigente em razão de suposta inconstitucionalidade não reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em repercussão geral.
Numero da decisão: 3401-005.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO. Tributos devidos apurados pela própria pessoa jurídica, quando não recolhidos nem confessados de forma espontânea, devem ser exigidos de oficio. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A falta de declaração e de recolhimento do tributo devido acarreta imediatamente o lançamento de oficio do tributo e a aplicação da multa de 75% do montante apurado, independentemente de culpa ou dolo por parte do contribuinte. SÚMULA CARF 4. TAXA SELIC. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. SÚMULA CARF 2. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, DA PROPORCIONALIDADE E DO NÃO CONFISCO. O CARF não é competente para afastar a aplicação de norma vigente em razão de suposta inconstitucionalidade não reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em repercussão geral.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO. Tributos devidos apurados pela própria pessoa jurídica, quando não recolhidos nem confessados de forma espontânea, devem ser exigidos de oficio. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A falta de declaração e de recolhimento do tributo devido acarreta imediatamente o lançamento de oficio do tributo e a aplicação da multa de 75% do montante apurado, independentemente de culpa ou dolo por parte do contribuinte. SÚMULA CARF 4. TAXA SELIC. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. SÚMULA CARF 2. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, DA PROPORCIONALIDADE E DO NÃO CONFISCO. O CARF não é competente para afastar a aplicação de norma vigente em razão de suposta inconstitucionalidade não reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em repercussão geral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 26 98 /2 00 7- 19 Fl. 223DF CARF MF Processo nº 19515.002698/200719 Acórdão n.º 3401005.765 S3C4T1 Fl. 224 2 Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls.195 e seguintes) contra decisão da 6ª Turma da DRJ/SP1 (fls 152 e seguintes), que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a nulidade de lançamento de ofício referente ao PIS e à Cofins relativos ao anocalendário 2003. Do Lançamento Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário referente à Contribuição para o PIS e à COFINS, concernentes ao período de janeiro a dezembro de 2003. As razões que levaram ao lançamento de ofício foram inconsistências encontradas entre os valores devidos de COFINS em sua DIPJ, e os valores confessados em DCTF, de modo que, ao recompor a base de cálculo das contribuições foi verificado suposto recolhimento a menor Da Impugnação A Contribuinte apresentou Impugnação, em 17.10.2007, alegando, em síntese, o seguinte: · A fiscalização, ao apurar o montante devido de PIS, calculou ainda sob a sistemática cumulativa, sendo que a empresa já estava sob o regime nãocumulativo; e que esse fato já deveria ser suficiente para anular o lançamento com fulcro no artigo 142, do CTN; · A multa aplicável ao caso seria de 20% em razão de o débito haver sido declarado e as informações quanto à base de cálculo foram disponibilizadas na DIPJ, não cabendo a multa de ofício de 75%; · Ofensa aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e do não confisco; Fl. 224DF CARF MF Processo nº 19515.002698/200719 Acórdão n.º 3401005.765 S3C4T1 Fl. 225 3 · Inaplicabilidade da Taxa Selic Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 1627.052 (fls. 152 e seguintes), exarado pela 6ª Turma da DRJ/SP1, através do qual foi mantido integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Anocalendário: 2003 FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO. Tributos devidos apurados pela própria pessoa jurídica, quando não recolhidos nem confessados de forma espontânea, devem ser exigidos de oficio. MULTA DE OFÍCIO. A falta de declaração e de recolhimento do tributo devido acarreta o lançamento de oficio do tributo e a aplicação da multa de 75% do montante apurado. JUROS DE MORA. Há previsão legal para a exigência de juros moratórios equivalentes à Taxa Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 2003 FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO. Tributos devidos apurados pela própria pessoa jurídica, quando não recolhidos nem confessados de forma espontânea, devem ser exigidos de oficio. MULTA DE OFÍCIO. A falta de declaração e de recolhimento do tributo devido acarreta o lançamento de oficio do tributo e a aplicação da multa de 75% do montante apurado. JUROS DE MORA. Há previsão legal para a exigência de juros moratórios equivalentes à taxa Selic. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário Irresignada, a contribuinte apresentou Recurso, em que veio a reprisar os argumentos trazidos na Impugnação. É o Relatório. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 19515.002698/200719 Acórdão n.º 3401005.765 S3C4T1 Fl. 226 4 Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado, Relator Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito Quanto aos valores de PIS encontrados pela fiscalização, a Recorrente se insurgiu quanto ao método de cálculo, uma vez que, apesar de haver aplicação a alíquota não cumulativa, a fiscalização não descontou qualquer crédito da base de cálculo da contribuição social, clamando pelo cancelamento do auto de infração em razão desse alegado vício. Todavia, a Recorrente, em nenhum momento, trouxe novos elementos ou recompôs o cálculo apurado pelo auditorfiscal, de maneira que sua mera alegação não é caso de nulidade – nos termos suscitados no Recurso – porque não se enquadra nas hipóteses previstas no artigo 59, do Decreto Federal 70.235/1972, tampouco é caso de reforma do lançamento, dada a carência probatória de suas alegações. Assim, não merece reforma o lançamento dos tributos. Quanto ao descabimento da multa de ofício no percentual de setenta e cinco por cento, não assiste razão à recorrente. De fato, o lançamento da multa decorreu da direta aplicação do artigo 44, da Lei Federal 9.430/1996 em razão de ter sido averiguado pagamento insuficiente de tributo no curso de auditoria fiscal. Tratase de norma de aplicação objetiva, não cabendo, nesse particular, qualquer análise de dolo ou fraude para sua incidência, tampouco é relevante se houve ou não prestação de informações ao Fisco de modo a excluila. Quanto ao questionamento sobre a aplicação da Taxa SELIC e os demais argumentos de cunho constitucional, valhome das Súmulas CARF nº’s 4 e 2, respectivamente, de aplicação mandatória por esse colegiado; razão pela qual também não merece prosperar a pretensão recursal. Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário, porém negolhe provimento. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator Fl. 226DF CARF MF Processo nº 19515.002698/200719 Acórdão n.º 3401005.765 S3C4T1 Fl. 227 5 Fl. 227DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000760/2006-49
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO.
No caso de rendimentos recebidos em razão de ação judicial, poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda as despesas necessárias ao recebimento desses rendimentos, inclusive os honorários advocatícios, desde que tenham sido suportadas pelo reclamante e estejam devidamente comprovadas.
Numero da decisão: 2002-000.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. No caso de rendimentos recebidos em razão de ação judicial, poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda as despesas necessárias ao recebimento desses rendimentos, inclusive os honorários advocatícios, desde que tenham sido suportadas pelo reclamante e estejam devidamente comprovadas.
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DEDUÇÃO. No caso de rendimentos recebidos em razão de ação judicial, poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda as despesas necessárias ao recebimento desses rendimentos, inclusive os honorários advocatícios, desde que tenham sido suportadas pelo reclamante e estejam devidamente comprovadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 07 60 /2 00 6- 49 Fl. 93DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da DRJ/BSA que indeferiu o pedido de restituição da contribuinte, conforme ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. A restituição solicitada por meio de Declaração de Ajuste Anual, seja original ou retificadora, desde que apresentada dentro do prazo legal, deve ser objeto de apreciação pela autoridade administrativa, ainda que, no momento da análise, o prazo decadencial já tenha transcorrido, sendo, contudo, vedada a constituição de crédito tributário. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, poderá ser deduzido, para fins de determinação da base de cálculo do imposto, o valor das despesas com honorários advocatícios, devendo ser indeferida a dedução quando não comprovado o pagamento por meio de documentação hábil e idônea. Solicitação Indeferida O Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Brasília em 16/10/2007 (efls. 33/36) indeferiu parcialmente o pedido de restituição do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF efetuado pela contribuinte através da entrega de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2001 (efls. 02/04). A autoridade fiscal considerou não comprovada a parcela de R$ 27.320,27 deduzida pela interessada a título de honorários advocatícios. Após a ciência (efls. 37), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade dentro do prazo concedido (fls. 38/49), a qual foi indeferida na decisão de piso (efls.69/73). Cientificada do acórdão de primeira instância em 06/08/2008 (efls. 75), a interessada ingressou com Recurso Voluntário em 28/08/2008 (efls. 76/84) com os argumentos a seguir sintetizados. Afirma ser incontroverso que os créditos declarados pela autora decorreram de ações judiciais e que esta tem, insistentemente, se dirigido ao escritório de advocacia de Alagoas a fim de obter o recibo dos honorários pagos. Alega, contudo, que, malgrado tal realidade, ao contrário do dito na decisão de piso, há provas nos autos suficientes para demonstrar a realização dos pagamentos a titulo de honorários advocatícios. Aduz que é clara e inquestionável a prova de que a contribuinte autorizou, por meio de procuração, o advogado George Sarmento Lins e outro a lhe transferir o valor a que fazia jus pelos precatórios recebidos, permitindo ao referido advogado, ainda, descontar os honorários contratuais. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 14041.000760/200649 Acórdão n.º 2002000.681 S2C0T2 Fl. 94 3 Sustenta que os documentos constantes dos autos e fornecidos pela Caixa Econômica Federal demonstram que a recorrente recebeu seus créditos referentes aos precatórios mencionados por meio de documentos de crédito — DOC da CEF, originários da conta n.° 2029392, agência n.° 2394, em 04/05/2000 e 28/03/2000. Porém, como provam os documentos já juntados aos autos, quais sejam as Guias de Retiradas da Caixa Econômica Federal, nas mesmas datas dos DOCs e da mesma conta, foram feitos os saques pelo advogado constante da procuração, o que demonstra que a recorrente fez, efetivamente, os pagamentos a titulo de honorários advocatícios declarados. Ressalta que o ônus da prova da alegada omissão de receita compete ao Fisco e apresenta jurisprudência sobre o assunto. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O litígio a ser analisado recai somente sobre os honorários advocatícios de R$ 27.320,27 considerados não comprovados no julgamento de primeira instância. Do exame dos autos (efls. 30/36) verificase que a autoridade fiscal, em procedimento de Revisão de Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física relativo ao exercício 2001, alterou o imposto a restituir de R$ 8.883,95 para R$ 1.370,88 por falta de comprovação da parcela de R$ 27.320,27 deduzida pela contribuinte a título de honorários advocatícios pagos no Precatório nº 12677 (R$ 21.033,41) e no Precatório nº 19403 (R$ 6.286,85). Acatou apenas os honorários de R$ 6.286,85 correspondentes a 10% do valor recebido no Precatório nº 19403. A decisão recorrida manteve esse entendimento (efls. 69/73), conforme se extrai dos excertos a seguir reproduzidos: A própria contribuinte informa que o advogado fez a retenção dos honorários advocatícios, conforme poderes dados em procuração, mas "... infelizmente, devese asseverar que o mencionado profissional, desde então, TEM SE RECUSADO A FORNECER A IMPUGNANTE O RECIBO DE TAIS VALORES". Não obstante demonstrado nos autos o esforço da contribuinte para provar seus argumentos, concluise que os extratos e demais documentos aqui trazidos não permitem a comprovação, conclusiva e inequívoca, de que o valor não considerado pela autoridade tributária no Despacho Decisório se refere efetivamente aos honorários advocatícios alegados. Ademais, como são vários os beneficiários das duas ações judiciais (precatórios 12677 e 19403), fls. 16/24, não é possível Fl. 95DF CARF MF 4 afirmar, de forma inequívoca, que os documentos de créditos de fls. 63/66 se refiram a honorários advocatícios suportados pela contribuinte, relativamente aos valores dos mencionados precatórios. Entendo, contudo, que os documentos constantes dos autos são hábeis a comprovar o efetivo pagamento dos honorários advocatícios deduzidos pela recorrente. No que concerne ao Precatório nº 12677, verificase que o demonstrativo emitido pelo TRT da 5ª Região (efls. 23/25) indica o rendimento bruto de R$ 84.133,66 e o IRRF de R$ 22.776,75 considerados pela autoridade fiscal e não contestados pela contribuinte. As Guias de Retirada da Caixa Econômica Federal CEF (efls. 66/67) assinadas por Marcelo Daneu, advogado do recorrente (efls. 21), confirmam o saque de R$ 21.066,07 a título de honorários advocatícios em razão da demanda. Já o documento de crédito DOC da mesma conta da CEF (efls. 65), também assinado por Marcelo Daneu, aponta a transferência do valor líquido de R$ 40.210,75 (rendimento IRRF honorários) para a reclamante, conforme estipulado na procuração acostada (efls. 21). Mesmo raciocínio se aplica ao Precatório nº 19403. O documento emitido pelo TRT da 5ª Região (efls. 17/19) corrobora o rendimento bruto de R$ 62.868,57 e o IRRF de R$ 16.928,85 acatados pela autoridade fiscal e reconhecidos pela contribuinte. A Guia de Retirada da CEF (efls. 64) assinada por Marcelo Daneu confirma o saque de R$ 13.210,39 a título de honorários advocatícios. Já o DOC da mesma conta da CEF (efls. 63), também assinado pelo advogado, demonstra a transferência do valor líquido de R$ 32.679,14 (rendimento IRRF honorários) para a reclamante, conforme acordado na procuração (efls. 21). Dessa forma, ainda que não tenham sido juntados aos autos recibos de honorários advocatícios assinados por Marcelo Daneu ou George Sarmento, podese constatar através dos documentos apresentados pela recorrente que esta, de fato, suportou os pagamentos de R$ 21.066,07 e R$ 13.210,39 a esse título em razão dos Precatórios nº 12677 e nº 19403, respectivamente. Assim, considerando o total comprovado de R$ 34.276,46 (R$ 21.066,07 + R$ 13.210,39) e tendo em vista que apenas a parcela de R$ 6.286,85 foi acolhida pela autoridade revisora (efls. 31), acato também o montante de R$ 27.320,27 em litígio, cabendo sua dedução na Declaração de Ajuste em exame, como procedeu a contribuinte. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe provimento para considerar comprovado o valor de R$ 27.320,27 pago a título de honorários advocatícios em razão dos Precatórios nº 12677 e nº 19403. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 96DF CARF MF Processo nº 14041.000760/200649 Acórdão n.º 2002000.681 S2C0T2 Fl. 95 5 Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13987.720212/2011-63
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 7. 72 02 12 /2 01 1- 63 Fl. 109DF CARF MF 2 Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Não se destacaram algumas dessas partes, pois tanto esse acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A ementa do acórdão de impugnação foi a seguinte: Exercício: 2009 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação por documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa a manutenção da glosa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS (PARCIAL). Considerase não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Passagens do voto do acórdão de impugnação relataram e sustentaram o seguinte: Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa de R$12.675,00, por falta de comprovação dos desembolsos. Detalhamento da infração e enquadramento legal consta da Notificação de Lançamento supracitada. O contribuinte apresenta impugnação (fls. 0203), na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: O valor referese a despesas médicas com o próprio contribuinte. As despesas com dentista foram efetuadas de acordo com a legislação. Os valores foram pagos em moeda corrente ao Sr. Mauro José Trindade, CPF 210.772.31091. Feita essa preleção inicial, da análise dos autos, verificase que o impugnante foi intimado a comprovar o efetivo pagamento dos serviços médicos prestados pelo profissional supracitado (fls. 5657), justificando à Autoridade Fiscal que não lhe era possível tal ateste, pois pagara em moeda corrente nacional (fl. 58). Na fase litigiosa, limitouse a repetir que essas mesmas despesas, no valor de R$10.775,00, foram efetuadas de acordo com a legislação e pagas em espécie, anexando Declaração do profissional, onde este confirma a prestação do serviço, não indicando o valor recebido (fls. 1216). Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13987.720212/201163 Acórdão n.º 2001000.899 S2C0T1 Fl. 3 3 O contribuinte reitera seus argumentos e pleiteia provimento integral ao recurso voluntário. Trouxe recibos e ficha de atendiemento. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas, por falta de comprovação do pagamento. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva. Tampouco foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento de verificação que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Como as alegações de recusa se prenderam a formalidades, e os documentos indicam prestação de serviços médicos, na dúvida, na falta de fundamentação na recusa e na ausência de indicações desabonadoras claras, entendo pela aceitação dos documentos. Em argumentação geral, os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em Fl. 111DF CARF MF 4 dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13987.720212/201163 Acórdão n.º 2001000.899 S2C0T1 Fl. 4 5 VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentos consistentes que indiquem inidoneidade dos documentos usuais de comprovação, é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Fl. 113DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10467.900999/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.000
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem que indeferira o pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI e não homologara a compensação declarada, em razão do fato de que os créditos do IPI se referiam a aquisições de insumos empregados na produção de águas minerais, classificadas na TIPI como NT (Não Tributadas), tratandose de produto fora do campo de incidência do imposto. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte reiterou seu pedido de ressarcimento, com base no princípio da não cumulatividade, inclusive na saída de produtos imunes, conforme doutrina e julgados que citou. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 67 .9 00 99 9/ 20 12 -1 5 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10467.900999/201215 Resolução nº 3301001.000 S3C3T1 Fl. 3 2 A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que não alcançava os insumos empregados em mercadorias não tributadas (N/T) o direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em que repetiu os argumentos incluídos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3301000.992, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10467.900230/201299, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301000.992): Os autos foram instruídos com o Despacho Decisório n° 022397195 (fl. 24), em que consta um número de processo de crédito diferente do número do presente processo, qual seja, 10467900.232/201288. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário combatem um outro Despacho Decisório, o de número 022397178 (fls. 27 e 46 manifestação de inconformidade), no qual, porém, consta como processo de crédito o número do presente: 10467.900230/201299. Os valores dos créditos e correspondentes débitos (considerados como não liquidados, em razão das glosas) são distintos (fl. 24 R$ 14.230,94 / R$ 10.363,10, e fl. 46 R$ 16.942,93 / R$ 15.794,67), porém dizem respeito a ressarcimento de créditos de IPI do 2° trimestre de 2007. O Acórdão da DRJ (fls. 79 a 86) trata da controvérsia, sem, todavia, citar o número do Despacho Decisório ou da folha dos autos em que se encontrava ou mesmo do valor do crédito em discussão. Isto posto, proponho que o presente julgamento seja convertido em diligência, para que o presente processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares (ex: informação fiscal, relatório de auditoria fiscal etc.) concernentes ao presente processo (10467.900230/201299). Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10467.900999/201215 Resolução nº 3301001.000 S3C3T1 Fl. 4 3 Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo para manifestações. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que o presente processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares (ex: informação fiscal, relatório de auditoria fiscal etc.) concernentes ao presente processo. Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo para manifestações. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 107DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.902047/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000
COFINS. BASE DE CÁLCULO.
No regime cumulativo, a base de cálculo da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social.
Numero da decisão: 3201-004.416
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo da Cofins apenas as receitas decorrentes de aluguel de imóveis, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira e Marcelo Giovani Vieira, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmentel)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. SEGURADORA. Recorrente BRADESCO SEGUROS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 COFINS. BASE DE CÁLCULO. No regime cumulativo, a base de cálculo da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo da Cofins apenas as receitas decorrentes de aluguel de imóveis, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira e Marcelo Giovani Vieira, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmentel) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 20 47 /2 01 2- 17 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 16327.902047/201217 Acórdão n.º 3201004.416 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de restituição em face de pagamento a maior a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. A Deinf São Paulo indeferiu o pedido por meio de despacho decisório eletrônico, já que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito declarado pelo contribuinte. Cientificado do despacho decisório o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A título preliminar, requer a nulidade do ato administrativo em foco, posto que ausente requisito essencial (motivo). Uma vez insuficientes as razões declinadas pela autoridade fiscal, estaria caracterizado o cerceamento ao direito de defesa, conforme art. 59 do Decreto n. 70.235, de 1972. No mérito, informa que o recolhimento indevido decorre da declaração da inconstitucionalidade do §1º ao art. 3º da Lei 9.718/1998. A exigência da contribuição, por isso, apenas seria possível com base no faturamento, assim entendido como a receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de ambos. Todavia, foi incluído na base de cálculo da contribuição valores relativos a receitas financeiras. No seu entendimento, o faturamento, base de cálculo da contribuição em tela, não compreenderia, entre outros, receitas financeiras e prêmios de seguros, porquanto não incluídas no conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Reclama que, conquanto se entenda que as receitas advindas de prêmios comporiam a base de cálculo das contribuições do manifestante, subsistiriam receitas que teriam composto tal base somente por força do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998. Referidas receitas não restariam elencadas no Parecer PGFN/CAT n. 2.773, de 2007, ensejando o direito à restituição dos correspondentes montantes. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/BEL n.º 01 034.372, de 29/06/2015, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 COFINS. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE SEGUROS. A atividade de seguro promovida pelas operadoras de seguro, ainda que não submetida ao ato de faturar, enseja receitas que correspondem ao faturamento ou receita bruta a que aludem os arts. 2º e 3º, caput, da Lei 9.718, de 1998, restando tal realidade inabalada pela declaração de inconstitucionalidade do §1o ao art. 3o da Lei n. 9.718, de 1998. A redação do art. 195, I, b, da Fl. 205DF CARF MF Processo nº 16327.902047/201217 Acórdão n.º 3201004.416 S3C2T1 Fl. 4 3 Carta Política, conferida pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998, serve de fundamento de validade aos arts. 2º e 3º da Lei n. 9.718, de 1998, de cuja inconstitucionalidade não se cogita, conformando arcabouço a reclamar a exação tributária referida. Consequentemente, uma vez vinculada e obrigatória a atividade administrativa de lançamento, inexiste alternativa ao agente fazendário, limitado que se encontra, consoante parágrafo único ao art. 142 do CTN, ao estrito cumprimento da legislação tributária, expressão que compreende leis, tratados, convenções internacionais, decretos e normas complementares. Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual alega, em síntese, a nulidade do Despacho Decisório (vício de motivação) e do acórdão recorrido (proferida sem qualquer menção aos documentos/esclarecimentos apresentados). No mérito, traz as mesmas alegações de defesa já declinadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.415, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 16327.902046/201264, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.415): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente teve indeferido pedido eletrônico de restituição de crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando saldo disponível para a restituição requerida. Contestada a decisão, a DRJ julgoua improcedente. No recurso voluntário, a Recorrente basicamente repete os mesmos argumentos já declinados na sua primeira peça de defesa. Em acréscimo, apenas a nulidade do acórdão recorrido. Antes de ingressar na análise das razões de defesa, cabe destacar que, consoante a própria Recorrente asseverou em sua manifestação de inconformidade, foi incluído, equivocadamente, no valor pleiteado, o montante de R$ 764.195,60, pois estaria sendo Fl. 206DF CARF MF Processo nº 16327.902047/201217 Acórdão n.º 3201004.416 S3C2T1 Fl. 5 4 discutido no bojo de uma ação judicial, de modo que, em discussão aqui, resta apenas R$ 1.133.222,04. Posto isso, entendemos assistir razão em parte à Recorrente. Inicialmente, sustenta ter havido, no Despacho Decisório, vício de motivação (sustenta que foi intimada, em 31/01/2012, através da Intimação Deinf/SPO/Diort nº 18), a apresentar documentos e esclarecimentos a respeito do crédito. E que o acórdão recorrido, no entender também nulo, foi proferido sem qualquer menção aos documentos/esclarecimentos apresentados em sua defesa. Motivação, como se sabe, é a explicitação dos motivos, de fato e de direito, do ato administrativo. No caso em exame, consistiu na afirmação de que o suposto crédito estava alocado para quitar débito da própria Recorrente, uma vez que não houvera, é evidente, retificação anterior da DCTF correspondente ao período de sua apuração. Nenhum defeito há no Despacho Decisório, não obstante singular o procedimento, uma vez que a repartição já sabia da não retificação da DCTF, daí que, para o entendimento que restou declinado no Despacho Decisório, não era necessária a intimação. Tampouco nulidade no acórdão recorrido há, pois a questão posta em litígio é eminentemente jurídica, de modo que não havia necessidade da análise de documentos. E, com relação aos esclarecimentos prestados pela Recorrente, a Turma não está vinculada à apreciação de todos, notadamente quando as razões adotadas no voto foram suficientes para fundamentála. No mérito, vemos que a Recorrente, uma sociedade seguradora, pretende dar tratamento tributário diverso a receitas oriundas dos prêmios de seguros (prestação paga pelo segurado, para a contratação do seguro, que se efetiva com a emissão da apólice por parte da empresa seguradora), porquanto não incluídas no conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A matéria sobre se as receitas das instituições financeiras – as originadas da realização de sua atividade principal – se enquadram no conceito de receitas financeiras (não de faturamento), é objeto do Recurso Extraordinário – RE n.º 609.096/RS (ainda não decido), no qual o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a existência de repercussão geral. Todavia, quando o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificou o entendimento de que o faturamento de fato correspondia apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Mas alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Segundo o Min. Cezar Peluso, acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Fl. 207DF CARF MF Processo nº 16327.902047/201217 Acórdão n.º 3201004.416 S3C2T1 Fl. 6 5 Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), identificou o conceito de faturamento com o de receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da Constitucional, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social – a receita operacional. Acresçase o fato de que o próprio Supremo já consolidou o entendimento de que, às instituições financeiras, aplicase o Código de Defesa do Consumidor, pois considerou constitucional o § 2º do art. 3º do CDC (“Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.”), deixando claro que a atividade bancária se enquadra no conceito amplo de prestação de serviços, entre os quais se inclui a intermediação financeira (ADI n.º 2591, DJ de 29/9/2006). Mesmo que se entenda que o conceito vale apenas para a proteção que o Estado deve conferir ao consumidor – de ordinário hipossuficiente nas relações de consumo –, a verdade é que isso demonstra que a interpretação que se pretende conferir ao termo “faturamento”, em ordem a excluir, desse conceito, as receitas auferidas pelas instituições financeiras em face da Fl. 208DF CARF MF Processo nº 16327.902047/201217 Acórdão n.º 3201004.416 S3C2T1 Fl. 7 6 intermediação financeira que realizam, não é compatível com o entendimento que a própria Suprema Corte já entremostrou quando apreciou assuntos correlatos. Como último argumento em reforço à tese aqui exposta, ainda há o fato de que o legislador, ao instituir a Cofins apurada no regime cumulativo, excluiu o seu pagamento sobre o faturamento das entidades elencadas no § 1º do art. 23 da Lei n.º 8.212, de 1991, o que demonstra que se o conceito desta expressão de riqueza fosse o pretendido pela Recorrente, absolutamente desnecessário seria todo o parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar n.º 70, de 1991, uma vez que não se exclui algo que incluído não estava. Vejamos: Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. (...) Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. (g.n.) Esse entendimento – o de que o conceito de faturamento corresponde, na verdade, à receita operacional da pessoa jurídica – também vem sendo reproduzindo noutros tribunais do Poder Judiciário: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. PRESCRIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. INAPLICABILIDADE DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. ART. 3º,§ 1º DA Lei 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. A segunda parte do art. 4º da LC 118/2005 foi declarada inconstitucional, e considerouse válida a aplicação do novo prazo de cinco anos apenas às ações ajuizadas a partir de 9/6/2005 após o decurso da vacatio legis de 120 dias (STF, RE 566621/RS, rel. ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, DJe de 11/10/2011). 2. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento pela inconstitucionalidade da ampliação do conceito de faturamento, previsto no art. 3º, caput, § 1º, da Lei 9.718/1998 (repercussão geral, RE 585.235 QORG/MG). 3. As instituições financeiras estão obrigadas ao recolhimento do PIS e da COFINS de acordo com a base de cálculo estabelecida nas Leis Complementares 7/1970 e 70/1991. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas não operacionais é que será indevida. 4. Não se aplica a tais instituições às disposições das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, consoante disposto no inciso I dos arts. 8º e 10, respectivamente. 5. Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial, tida por interposta, a que se nega provimento. 6. Apelação da parte autora a que se dá parcial provimento. (TRF1, DESEMBARGADORA FEDERAL Fl. 209DF CARF MF Processo nº 16327.902047/201217 Acórdão n.º 3201004.416 S3C2T1 Fl. 8 7 MARIA DO CARMO CARDOSO, AC n.º 200638000070234, eDJF1 DATA:06/09/2013 ).(g.n.). PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI N. 9.718/98. RECURSO PROVIDO I O Supremo Tribunal Federal, concluindo o julgamento do RE 346.084 (rel. Min. Ilmar Galvão, DJU 9.11.2005), em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei n.º 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, declarou, por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98. II A Corte Constitucional entendeu que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento prevista no art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. III Em que pese ter sido declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, as instituições financeiras e as demais equiparadas a elas, devem ter sua incidência de PIS e COFINS nos termos do art. 3º, caput e §§ 5º e 6º da Lei 9.718/98 sobre o faturamento da empresa, incluindose todas as receitas financeiras apuradas. IV Apelação e remessa providas. (TRF2, Desembargadora Federal LANA REGUEIRA, AMS n.º 200651010226515, EDJF2R Data: 12/07/2013). (g.n.). TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL HOMOLOGADO. INCIDÊNCIA DE PIS, COFINS E IOF. EMPRESAS DE FOMENTO MERCANTIL. FACTORING. DIREITOS CREDITÓRIOS. 1. Cabível a homologação de pedido de desistência parcial da presente ação (fls. 370/371), relativamente ao ponto de incidência de PIS e COFINS,formulado pela Empresa ECX CARD ADMINISTRADORA E PROCESSADORA DE CARTÕES, em razão de exigência da desistência das ações judiciais e à renúncia do direito sobre o qual estas se fundam como condição para a adesão a programa de parcelamento. A empresa em comento, filiada ao sindicato impetrante, figura como substituída na presente ação mandamental, o que lhe confere legitimidade para deduzir referido pedido. 2. "Não há nenhum dispositivo na Constituição da República que atribua ao IOF natureza extrafiscal, não bastando para tal desiderato a exclusão deste tributo do campo de incidência dos princípios da legalidade e da anterioridade. Deve ser reforçado, ainda, que não há tributo com feição exclusivamente extrafiscal, como quer fazer crer a impetrante, podendo a exação ser utilizada como meio de obtenção de receita. Por outro lado, mister que se espanque qualquer alegação de inconstitucionalidade do artigo 13 da Lei nº 9.799/99, que submeteu as operações de crédito referentes a mútuos de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física à incidência do IOF, de acordo com as normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos feitas pelas instituições financeiras, não obstante a finalidade de tal norma seja fiscal. O STF, na ADIMC 1763/DF, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Julgamento 20/08/1998, Tribunal Pleno,DJ 26/09/2003, decidiu que: "IOF: incidência sobre operações de factoring (L. 9.532/97, art. 58): aparente constitucionalidade que desautoriza a medida cautelar. O âmbito constitucional de incidência possível do IOF sobre operações de crédito não se restringe às praticadas por instituições financeiras, de tal modo que, à primeira vista, a lei questionada poderia estendêla às operações de factoring, quando impliquem financiamento (factoring com direito de regresso ou com adiantamento do valor do crédito vincendo conventional factoring); quando, ao contrário, não contenha Fl. 210DF CARF MF Processo nº 16327.902047/201217 Acórdão n.º 3201004.416 S3C2T1 Fl. 9 8 operação de crédito, o factoring, de qualquer modo, parece substantivar negócio relativo a títulos e valores mobiliários, igualmente susceptível de ser submetido por lei à incidência tributária questionada." (grifo nosso)" (AMS 200001000252943, Relator JUIZ FEDERAL RAFAEL PAULO SOARES PINTO, DJ DATA:30/11/2007 PAGINA:187). 3. O c. STJ, no julgamento do REsp 776705/RJ, enfrentando a mesma matéria de fundo da presente ação mandamental, na qual se questiona a higidez do disposto no Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, que determinam que a base de cálculo da COFINS, devida pelas empresas de fomento comercial (factoring), é o valor do faturamento mensal, compreendida, entre outras, a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, computandose como receita o valor da diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito adquirido, entendeu que " A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, ainda que sob a égide da definição de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91, incide sobre a soma das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial de factoring, o que abrange a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços. A Lei 9.249/95 (que revogou, entre outros, o artigo 28, da Lei 8.981/95), ao tratar da apuração da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas, definiu a atividade de factoring como a prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (artigo 15, § 1º,III, "d"). Deveras, a empresa de fomento mercantil ou de factoring realiza atividade comercial mista atípica, que compreende o oferecimento de uma plêiade de serviços, nos quais se insere a aquisição de direitos creditórios, auferindo vantagens financeiras resultantes das operações realizadas, não se revelando coerente a dissociação das aludidas atividades empresariais para efeito de determinação da receita bruta tributável. Conseqüentemente, os Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, coadunamse com a concepção de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91 (o que decorra das vendas de mercadorias ou da prestação de serviços de qualquer natureza, vale dizer a soma das receitas oriundas das atividades empresariais, não se considerando receita bruta de natureza diversa, definição que se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98)." (AgRg na DESIS no REsp 776705 / RJ, Relator Ministro LUIZ FUX, Data da Publicação/Fonte DJe 05/10/2010). 4. Referido entendimento consagrado no âmbito do STJ ao apreciar a alegação quanto à COFINS, também se aplica ao PIS, pela similitude entre as duas contribuições sociais. 5. Remessa oficial e apelação providas. (TRF1, JUIZ FEDERAL NÁIBER PONTES DE ALMEIDA, eDJF1 DATA:08/05/2013). (g.n.) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COFINS. LC 70/91. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI Nº 9.718/98. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE VERBAS OPERACIONAIS. NÃO VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS NORMAS. ADVENTO DA LEI Nº 10./833/03. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1 O excelso Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE nº 566.621/RS, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, de 04.08.11, publicado em 11.10.11, declarou a Fl. 211DF CARF MF Processo nº 16327.902047/201217 Acórdão n.º 3201004.416 S3C2T1 Fl. 10 9 inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, e fixou o entendimento de que é válida a aplicação do prazo prescricional quinquenal para as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Vejamos o diz a ementa do referido julgamento: 2 O art. 195, § 4º, CR, ao determinar obediência ao artigo 154, I, o faz tão somente em relação a “outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social”; não no tocante às contribuições que ela própria, Constituição, prevê. Desse modo, refere se, por óbvio ao comando do art. 154, I, CR, porém, somente é aplicável às hipóteses “novas” de contribuições, isto é, que não estão previstas no texto constitucional vigente, tal como ocorre com a COFINS, que se encontra, de forma prévia e expressa, prevista pelo Supremo Texto Legal. 3 A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento do contribuinte (no caso, a instituição financeira), entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. As receitas financeiras de natureza nãooperacional estão fora do faturamento das empresas comerciais ou prestadoras de serviços, não podendo, por isso, serem tributadas pelas contribuições em comento. 4 Com a posterior promulgação das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, posterior à EC 20/98, pôsse fim às divergências sobre a base de cálculo do PIS e COFINS, alargadas pela Lei nº 9.718/98, positivando no ordenamento jurídico brasileiro o entendimento de que essa base de cálculo deve corresponder à receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme disposto no art. 1º, §1º daquele diploma legal. Não obstante, no caso em tela essa conclusão não se aplica, em princípio, dado que, segundo expressas disposições das leis em comento, as empresas financeiras encontramse excluídas de sua sistemática, estando submetidas às disposições da Lei nº 9.718/98. 5 Quanto à compensação, insta mencionar que poderá ser realizada, com correção unicamente pelo índice de correção da taxa SELIC, com os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, pela exegese do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com redação alterada pela Lei nº 10.637/02, haja vista ter sido ajuizada a demanda após o advento deste diploma legal, ressaltandose, todavia, que caberá à administração fiscalizar a existência de recolhimento referente à COFINS incidente sobre as receitas ditas nãooperacionais. 6 Remessa necessária e recurso de apelação parcialmente providos. (TRF2, Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, APELRE 200951010106419, EDJF2R Data:11/09/2012) (g.n.) TRIBUTÁRIO. COFINS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E EQUIPARADAS. LEI 9.718/98. CONCEITO DE "RENDA BRUTA OPERACIONAL". INSUFICIÊNCIA DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA. MISSÃO INTEGRATIVA DO PODER JUDICIÁRIO. INOVAÇÕES DO MERCADO FINANCEIRO MUNDIAL. NOVAS PERSPECTIVAS DE NEGÓCIOS. APLICAÇÕES FINANCEIRAS QUE SE AFIGURAM NOVAS OPÇÕES COMERCIAIS DOS BANCOS E SIMILARES. INSERÇÃO EM SUA ATIVIDADEFIM. RECEITAS FINANCEIRAS. INCLUSÃO NA RENDA BRUTA OPERACIONAL. 1. Controvérsia sobre o conceito de faturamento para o recolhimento do PISe da COFINS pelas instituições financeiras e entidades equiparadas. 2. A legislação pátria não contribui satisfatoriamente para esclarecer se as receitas financeiras integram ou não a receita bruta operacional dasinstituições financeiras e entidades equiparadas. 3. O que se percebe é que nenhum diploma legal esclarece perfeitamente o alcance da receita bruta operacional das instituições financeiras, pois servem Fl. 212DF CARF MF Processo nº 16327.902047/201217 Acórdão n.º 3201004.416 S3C2T1 Fl. 11 10 quase exclusivamente à definição de faturamento das empresas que têm como objeto social o oferecimento de bens ou serviços convencionais, como se depreende do art. 44 da Lei 4.506/64, do art. 12 do Decretolei 1.598/77 e do art. 44 do Decreto 1.041/94 (RIR). 4. O mesmo ocorre com as Leis 9.701/98 e 9.718/98, as quais, em momento algum, excluem as receitas financeiras do faturamento ou receita operacional dos bancos e similares. 5. A missão de resolver esta controvérsia fica entregue ao Poder Judiciário, com o indispensável suporte da doutrina. 6. As instituições financeiras, por exigência do mercado, estão se despregando do modelo clássico de captação e intermediação de crédito pelos bancos comerciais e estão abrindo frente a novas operações, como os títulos interbancários, a securitização, o mercado de derivativos etc, que por vezes se apresentam mais lucrativas do que as tradicionais operações de intermediação entre depositantes e tomadores de empréstimos. 7. Há que se mencionar, ainda, as operações de aquisição pelasinstituições financeiras de títulos da dívida pública, remunerados no Brasil por atraentes juros, dentre os maiores do mundo, como parte da política monetária, acentuadamente a partir do advento do Plano Real, em 1994. 8. Para as instituições financeiras, aplicar seus recursos em títulos públicos, no mercado de derivativos e em outras formas de investimento passou a ser parte de uma estratégia comercial, como forma de adaptação ao mercado financeiro mundial. 9. Enquanto para as empresas comuns as aplicações financeiras são uma garantia contra a desvalorização da moeda ou forma de angariar recursos adicionais, para as instituições financeiras elas consistem numa opção mercadológica de obter maiores lucros com os recursos disponíveis. 10. Estando inseridas na atividadefim dos bancos, não há como ignorar que as receitas financeiras também integram o seu faturamento e, nesta condição, devem ser incluídas na base de cálculo do PIS. 11. Não se vislumbra inconstitucionalidade da Lei 9.718/98 na parte em que cuida da matéria referente ao faturamento ou receita bruta das instituições financeiras e entidades equiparadas. 12. Cumpre observar que, nos termos da fundamentação acima, não se aplica às instituições financeiras o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, pois é válido apenas para as empresas que operam com bens ou serviços, de modo que não pode subsistir a douta sentença. 13. Não conheço do agravo retido, nego provimento à apelação da impetrante e dou provimento à apelação da União e à remessa oficial, para denegar a segurança. (TRF3, JUIZ CONVOCADO RUBENS CALIXTO, AMS n.º 00350202220074036100, eDJF3 Judicial 1 DATA:14/02/2014). (g.n.). No caso em exame, a Recorrente sustenta que também aufere outras receitas, tais como receitas financeiras e de aluguel de imóveis. Entendemos que, no caso do aluguel de imóveis, como o objeto social da Recorrente não se refere a esta atividade, mas apenas à realização de operações de seguros de danos e pessoas, em qualquer de suas modalidades (ver fl. 15), as receitas daí decorrentes devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS/Cofins, mas não as originadas nas atividades financeiras (decorrentes ou não de provisões técnicas). É que, segundo o Parecer SUSEP/DECOM/GEACO/ DIMES/ Nº 32/09, de 23 de julho de 2009, "as receitas financeiras oriundas de investimentos compulsórios (relativas aos ativos garantidores das provisões técnicas), no caso das sociedades que operam com seguros, integram o seu faturamento, sendo, com isso, o resultado direto de sua atividade principal. Portanto, são receitas operacionais, pois advém de sua atividadefim, devendo, desta forma, compor a base de cálculo do PIS e da COFINS". Fl. 213DF CARF MF Processo nº 16327.902047/201217 Acórdão n.º 3201004.416 S3C2T1 Fl. 12 11 Ainda, conforme o Parecer SUSEP/DITEC/CGASO/DIREF/ Nº 64/2013, do qual destacamos o seguinte excerto: “Neste ponto, no entanto, cabe ressaltar que a operação de seguros caracterizase por apresentar ciclo financeiro negativo. Em outras palavras, a operação securitária tem como característica a captação de recursos, uma vez que, em condições normais, os prêmios são recebidos antes do pagamento de sinistros. Tal característica, inerente à operação, permite que a seguradora aufira receitas financeiras que contribuem significativamente para o seu resultado, o que a assemelha a uma instituição financeira. Por fim, ainda há de se registrar que, por tudo que dissemos anteriormente, e conforme consignado na Solução de Consulta Cosit nº 84, de 08/06/2016, a alteração promovida no art. 12 do Decretolei nº 1.598, de 1977, pela Medida Provisória MP nº 627, de 2013, convertida na Lei nº 12.973, de 2014, apenas veio expressar o entendimento, já pacificado, acerca da abrangência das receitas decorrentes da atividade empresarial. De conseguinte, não há como admitilo válida apenas a partir do início da vigência da referida MP. Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo da Cofins apenas as receitas decorrentes de aluguel de imóveis." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, DEU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo da Cofins apenas as receitas decorrentes de aluguel de imóveis. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 214DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.003835/2009-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 9202-000.213
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratamse de Recursos Especiais interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e pelo Contribuinte contra o Acórdão n.º 2401003.651 proferido pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 13 de agosto de 2014, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 717: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .0 03 83 5/ 20 09 -6 1 Fl. 993DF CARF MF Processo nº 10510.003835/200961 Resolução nº 9202000.213 CSRFT2 Fl. 3 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AIOP TERCEIROS FNDE FATOS GERADORES CORRELATOS A fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. ABONO ÚNICO PREVISÃO EM ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA ATO DECLARATÓRIO Nº 16 /2011 PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011 , DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”. O parecer que resultou na elaboração do referido ato declaratório, em face da alteração trazida pela Lei nº 11.033, de 2004, à Lei nº 10.522/2002, terá também o condão de dispensar a apresentação de contestação pelos Procuradores da Fazenda Nacional, bem como de impedir que a Secretaria da Receita Federal do Brasil constitua o crédito tributário relativo à presente hipótese, obrigando a a rever de ofício os lançamentos já efetuados, nos termos do citado artigo 19 da Lei nº 10.522/2002. Acredito que o lançamento do ABONO previsto em convenção coletiva, apreciado no referido acórdão, se enquadra na exclusão prevista no Parecer PARECER PGFN/CRJ/Nº 2114/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 16/2011, de 20/12/2011 que no meu entender, atribui razão ao recorrente para que não haja incidência de Transcrevo abaixo o ato em questão para esclarecimentos da sua aplicabilidade. SALÁRIO INDIRETO EDUCAÇÃO.RESTRIÇÃO AO ACESSO DE TODOS OS EMPREGADOS INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, mais precisamente quando a empresa cria restrições que impossibilitam a livre concessão do benefício a todos os empregados e dirigentes. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DESCUMPRIMENTO DA LEI 10.101/2000 INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES Quanto a apuração da contribuição sobre os valores de participação nos lucros entendo que uma vez descumprida a regras da lei 10.101,correto a inclusão dos valores na base de cálculo de contribuições previdenciárias Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal Fl. 994DF CARF MF Processo nº 10510.003835/200961 Resolução nº 9202000.213 CSRFT2 Fl. 4 3 para não incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. PERIODICIDADE INFERIOR A UM SEMESTRE CIVIL DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO DA LEI 10.101/2000 INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA APENAS SOBRE AS PARCELAS EXCEDENTES. Além da exigência legal quanto ao número de pagamentos no ano civil, a empresa deve obedecer, ainda, a norma que a impede de efetuar o pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil, o que restou descumprido no PLR 2004. Todavia, a incidência tributária deve atingir apenas as parcelas que excederam a periodicidade legal. ESTAGIÁRIOS PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM DESCONFORMIDADE COM A LEI CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO PARA EFEITOS PREVIDENCIÁRIOS A contratação de estagiários em desconformidade com a lei 6494/77, em especial vinculação do curso com o serviço prestado, gera a caracterização de vínculo de emprego para efeito previdenciários. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. No que se refere ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional referido anteriormente, fls. 747 a 756, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 759 a 765, para rediscutir o efeito do descumprimento do requisito "periodicidade" previsto na Lei 10.101/2000, se o pagamento maculado seria apenas o que foi realizado em condições diversas da prevista em lei, ou se restariam viciados todos os pagamentos, considerandose a descaracterização do programa como um todo. Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese, que: a) o pagamento a titulo de PLR se deu em desconformidade com a legislação de regência, razão pela qual não merece o presente lançamento qualquer alteração; b) o requisito da periodicidade não foi observado pelo contribuinte, razão que desnatura todos os pagamentos efetuados a título de participação nos lucros e resultados; c) o pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00 enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212/91. Intimado, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, fls. 881 e seguintes, nas quais sustenta que: a) o acórdão recorrido em nada diverge do acórdão paradigma, que apenas afirma que, tendo havido pagamento em desrespeito à Lei 10.101/2000, a verba deve ser considerada saláriodecontribuição; b) não merece qualquer respaldo a tentativa da Fazenda Nacional de argumentar no sentido de que a não observância do requisito da Fl. 995DF CARF MF Processo nº 10510.003835/200961 Resolução nº 9202000.213 CSRFT2 Fl. 5 4 periodicidade desnaturaria todos os pagamentos efetuados a título de participação nos lucros e resultados, já que isso, sim seria contrariar o quanto determinado em lei; c) o entendimento esposado no acórdão recorrido é aquele que vem sendo aplicado pela jurisprudência administrativa há algum tempo, ou seja, aquele no sentido de que as parcelas pagas em observância ao art. 3º, § 2º da Lei 10.101/2000 devem ser excluídas Quanto ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, fls. 772 a 879, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 962 a 968, para rediscutir a incidência de contribuições sociais para o salário educação sobre valores pagos a estagiários. O Contribuinte sustenta, em síntese, que: a) no período autuado, inexistia qualquer previsão legal capaz de restringir a jornada diária de estágio, tendo em vista que a Lei n.º 6.494/77, somente revogada pela Lei n.º 11.788, apenas determinava que a jornada deveria ser compatível com o horário escolar; b) a lei apenas impôs ao Recorrente que não incompatibilizasse os estudos dos estagiários contratados, tendo em vista, por óbvio, o alcance e objetivo do estágio, sendo que esta condição foi efetivamente observada tanto pelo Recorrente quanto pelos alunos contratados, sendo impossível e ilegal presumir que a jornada de 6 horas impediria os estudos dos estagiários; c) a duração máxima de 4 horas diárias prevista no § 2º do artigo 7º da Resolução CNE/CEB n.º 1, de 2004, não pode ser aplicada ao presente caso concreto, tampouco ensejar o nascimento de vínculo empregatício entre estagiários e o Recorrente, uma vez que apenas estava submetido ao disposto na Lei n.º 6.494/77, e uma vez tendo sido atendidos todos os requisitos legais ali dispostos para contratação de seus estagiários no anocalendário de 2005, conforme restou exaustivamente demonstrado acima; d) `a Delegacia da Receita Federal do Brasil de jUlgamento falta competência jurisdicional necessária para analisar e julgar o cumprimento ou não da legislação do trabalho, sob escusa de que seriam base de cálculo para a contribuição previdenciária aqui impugnada; e) relativamente aos estudantes do ensino médio, não pode persistir o equivocado fundamento esboçado pelo r. acórdão ora recorrido, uma vez que restou comprovado que a verba em questão não integra o saláriodecontribuição. A Procuradoria da Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, assim argüiu: a) a contratação de estagiários deve observar a legislação específica (no caso a Lei n ° 6.494 de 1977, atualmente a matéria é tratada pela Lei n º 11.788/2008); b) a importância paga a título de bolsa ao estagiário não integra a remuneração apenas quando paga nos termos da lei que regulamenta o estágio de estudantes; Fl. 996DF CARF MF Processo nº 10510.003835/200961 Resolução nº 9202000.213 CSRFT2 Fl. 6 5 c) a condição de estagiário pressupõe que haja compromisso entre o estudante e a parte concedente, com interveniência obrigatória do estabelecimento de ensino, contratopadrão e observância de prazos de duração do estágio e efetiva complementação do ensino; d) conforme bem documentado no relatório fiscal, não só os tempos de duração do estágio foram ultrapassados como também não se pode caracterizar as tarefas exercidas pelos estagiários no conceito de complementação do ensino, uma vez que as atividades exercidas pelos supostos estagiários não possuem relação com os cursos por eles realizados; e) requer a Fazenda Nacional que seja negado provimento ao citado recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo, no ponto ora discutido, por suas próprias razões e pelos argumentos aqui trazidos. É o relatório. Voto Conforme narrado, foram interpostos Recursos especiais pela Procuradoria da Fazenda Nacional e pelo Contribuinte. Considerando as discussões acerca do teor do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, fls. 962 a 968, na última sessão de julgamento, o Colegiado entendeu pela necessidade de complementação da do referido Despacho a fim de que seja apreciada a divergência suscitada a respeito da "incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de auxílio educação". Observase que foi feita a admissibilidade apenas quanto à primeira divergência levantada: "incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de bolsa estágio", fls. 968. Assim, deve ser apreciada a admissibilidade do tema constante do item III.2. do Recurso Especial do Sujeito passivo, fls. 790, procedendose à análise da divergência com base no Acórdão paradigma n.º 2403002.949. Diante do exposto, fazse necessária a conversão do julgamento em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 997DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000746/2004-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
DEPÓSITO BANCÁRIO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária.
Numero da decisão: 2201-004.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA Recorrente ANTONIO CARLOS BRAGA LEMGRUBER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 DEPÓSITO BANCÁRIO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 07 46 /2 00 4- 74 Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.402 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 677/699, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro II/RJ, de fls. 663/674, a qual julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 422/426, lavrado em 2/12/2004, relativo ao anocalendário 2001, com ciência do RECORRENTE em 7/12/2004, conforme assinatura do procurador do RECORRENTE no próprio auto de infração (fl. 422). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, no valor de R$ 4.631.004,36, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal – TVF, acostado às fls. 415/421, constatase que o lançamento decorreu da análise da quebra do sigilo bancário determinado pela sentença judicial prolatada em 23/8/2002 pela 7ª Vara Federal Criminal no Rio de Janeiro no processo judicial nº 2002.51015105630. Durante a fiscalização, o contribuinte foi intimado para comprovar a origem dos recursos creditados nas contas correntes 1684 e no 4926 do Banco Liberal/Bank of América; nº 2675951 do Banco Citibank. O RECCORRENTE informou que “alienou progressivamente a partir de janeiro de 1998, as ações representativas do controle acionário das instituições financeiras Liberal Banking Corporation Limited (LBCL), e do Banco Liberal (BL) ao Bank of América (BofA); que o Liberal International Limited (LIL) vendeu ao BofA o Controle acionário do LBCL, do qual o contribuinte possuía 1/6 do total e que esta transação comercial possibilitou que o LIL provesse o contribuinte e seus familiares com expressivos recursos financeiros, enviados ao País por esta instituição”. Acrescentou que os depósitos são provenientes de salários; gratificações ou dividendos e pela compra e venda de cavalos de corrida e prêmios recebidos em competições profissionais. Contudo, deixou de juntar qualquer documentação comprobatória de suas alegações. Ademais, no que diz respeito aos salários depositados em sua conta, a fiscalização esclareceu que tais créditos eram descritos nos extratos do Banco Liberal/Bank of America como PROVENTOS, e não foram incluídos nos créditos as serem comprovados (fl. 408). Sobre as possíveis gratificações e dividendos, afirmou que elas não foram identificadas nem mesmo relacionadas ou provados o seu recebimento pelo contribuinte. Acerca dos prêmios por ganhos em corridas de cavalos profissionais, informou que tais valores não foram depositados no Banco Liberal ou mesmo no Citibank, mas sim no Banco Unibanco, conforme teria declarado o Jockey Club Brasileiro. A ação fiscal continuou para investigação de depósitos efetuados em outras contas bancárias do contribuinte, especificamente no Unibanco (contas nº 134983, nº 210977 e Fl. 1402DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.403 3 nº 102276), no Banco Real (nº 1704835) e no Banco de Boston (nº 19152101). O RECORRENTE foi intimado a comprovar a origem dos valores depositados nas citadas contas, conforme termos abaixo discriminados: Após reintimação, o contribuinte comprovou a origem de parte dos recursos depositados na conta corrente nº 134983 do Banco Unibanco, efetuados pelo Jockey Club Brasileiro, título de pagamento de saldo de prêmios. Ademais, afirmou que as contas do Unibanco eram mantidas em cotitularidade com sua esposa. Após diligências perante o Jockey Club Brasileiro e da análise de documentação trazida pelo RECORRENTE (fls. 143/380), a autoridade fiscal considerou como comprovadas as origens dos depósitos relacionadas à fl. 401 (algo em torno de R$ 400.000,00), já que a tributação destes recursos foi feita de forma exclusiva pela fonte pagadora (Jockey Club Brasileiro), conforme documentação enviada pelo depositante. A fiscalização também localizou e excluiu os depósitos que representavam transferências entre contas do próprio RECORRENTE (fls. 396, 404/405 e 407), conforme cópias de cheques acostadas aos autos, enviadas pela 7ª Vara Federal Criminal. A relação de depósitos mensais sem origem comprovada encontrase às fls. 397, 398/400, 402/403, 406, 409/410, 411, 412 e 414. Desta forma, considerando que o RECORRENTE não logrou em comprovar a origem de vários depósitos bancários recebidos, foi efetuado o lançamento do crédito tributário sobre os seguintes valores mensais, consolidados com base nas relações de depósitos individuais já apontadas, relativos aos créditos cuja origem não foi comprovada: Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.404 4 Ademais, a fiscalização esclareceu que, a despeito de várias contas bancárias serem do tipo conjunta entre o RECORRENTE e sua a esposa, estes apresentaram declaração expressa (fls. 391/392), na qual afirmam que os recursos e movimentações financeiras pertencem na totalidade ao cônjuge varão, ora RECORRENTE. Assim, após consulta à Divisão de Tributação Disit da Superintendência da Receita Federal da 7ª Região Fiscal, a fiscalização efetuou o lançamento na sua totalidade em face do RECORRENTE, por ser ele o titular dos recursos. Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 430/460. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ no Rio de Janeiro II/RJ, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Em 07/12/2004, o Contribuinte, por meio de seu procurador, tomou ciência do Auto de infração e de seus anexos, apresentando, em 03/01/2005, a impugnação de fls. 425 a 455, instruída com documentos de fls. 456 a 651, onde apresenta as alegações a seguir sintetizadas. Preliminarmente, suscita a nulidade do lançamento em função da quebra ilegal de seu sigilo bancário. Aduz que a utilização dos extratos bancários, obtidos de forma ilícita, macula todo o trabalho fiscal, na forma do artigo 5°, inciso LVI da Constituição Federal. Defende que a Lei nº 105/01 permite que o Poder Judiciário, e apenas ele, promova a quebra do sigilo bancário e, ainda assim, na sua visão, os dados só poderão ser utilizados para os fins específicos do processo judicial e pelas partes nele arroladas. Reproduz jurisprudência do STF e doutrina acerca de quebra de sigilo, garantias constitucionais e nulidades processuais. Discorre sobre a competência das instâncias de julgamento administrativa, transcrevendo jurisprudência administrativa e doutrina sobre o assunto. Fl. 1404DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.405 5 Ao fim desse tópico, requer seja reconhecida a nulidade do auto de infração, cabendo a análise, inclusive, da legalidade dos atos jurídicos. Em seguida, faz um relato sobre a venda de participações societárias no Banco Liberal e no Liberal Banking Corporation Limited. Alega que não mantém relacionamento com os sucessores, o que dificulta a obtenção de documentos e de informações' relacionados aos recursos ingressados em suas contas bancárias. Afirma que nos autos dos processos 18471.002740/200351, 18471.000290/200442 e 18471.000541/200499 restou esclarecido que os créditos ocorridos em suas contas bancárias decorreram da alienação das ações, de salários, de gratificações e de dividendos. Diz que é lógico supor que a origem dos recursos não comprovados está relacionada à venda de suas participações societárias. Nesse contexto, alega que a comprovação da origem dos créditos somente pode ser feita a partir do exame dos documentos internos das instituições financeiras, sendo imprescindível a realização de diligência. Passa a questionar a viabilidade das pessoas físicas atenderem às exigências da legislação, considerando que as mesmas não têm escrituração , mercantil, ou livrocaixa. Defende que está se exigindo do Contribuinte a produção de prova impossível. Defende que o fato de ser sócio de diversas empresas, inclusive de instituições fmanceiras, não o obriga a conhecer a origem de todo e qualquer crédito ingressado em suas contas bancárias. Invoca o princípio da ampla defesa para sustentar a possibilidade da apresentação extemporânea de documentos, bem como para protestar pela produção de todos os meios de prova admitidos em Direito. Ressalta que o valor do crédito tributário lançado deve ser revisto, já que a Autoridade Fiscal não deduziu os rendimentos tributáveis, os isentos e os tributados exclusivamente na fonte, informados na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2001: Aduz que cabe à fiscalização o ônus de provar que os rendimentos declarados não estão entre os depósitos bancários lançados. Por fim, alega que a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic é ilegal. Fl. 1405DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.406 6 Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ no Rio de Janeiro II/RJ julgou procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 663/674). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indeferese pedido de diligência quando o objetivo é suprir ausência de provas das alegações trazidas na • impugnação. As diligências e Perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para suprir a ausência de provas que já poderia a parte ter juntado à impugnação ou para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n2 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo que tenha sido intimado a fazêlo. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal relativa regularmente estabelecida. Lançamento Procedente Do Recurso Voluntário Fl. 1406DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.407 7 O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 18/11/2008, conforme AR de fl. 676, apresentou o recurso voluntário de fls. 677/699 em 18/12/2008. Em suas razões, pleiteia a nulidade do acórdão da DRJ por ausência de manifestação sobre os argumentos de nulidade do auto de infração, bem como reforça o pedido de diligência para obter a documentação necessária para comprovar a origem dos depósitos. Em ambos os argumentos, reiterou as alegações de defesa apresentadas em sede de impugnação. Destacase que o Recurso Voluntário não questiona a legalidade da atualização monetária com base na taxa SELIC. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINAR Nulidade do lançamento Aduz o RECORRENTE que o lançamento foi nulo, pois tomou como base as informações obtidas através da quebra de sigilo bancário determinada judicialmente pela 7ª Vara Federal Criminal no Rio de Janeiro, em processo cuja Receita Federal não era parte interessada. Contudo, entendo que não merece prosperar o inconformismo do RECORRENTE. Alega, em sua defesa, que o acesso aos dados bancários estaria restrito às partes do processo judicial de onde originou a quebra do seu sigilo bancário, conforme art. 3º da Lei Complementar nº 105/2001: “Art. 3º Serão prestadas pelo Banco Central do Brasil, pela Comissão de Valores Mobiliários e pelas instituições financeiras as informações ordenadas pelo Poder Judiciário, preservado o seu caráter sigiloso mediante acesso restrito às partes, que delas não poderão servirse para fins estranhos à lide.” Ocorre que o mencionado processo judicial nº 2002.51015105630 foi uma medida cautelar que teve justamente como finalidade a quebra do sigilo bancário do RECORRENTE (fl. 705) para fins de apuração de ilícito tributário. Tanto que foi acostada, à fl. Fl. 1407DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.408 8 703, decisão judicial proferida no processo nº 2002.51015105630 autorizando o MPF a extrair cópias de documentos dos autos para fins de envio à Receita Federal, e esta tinha o dever de conferir tratamento sigiloso a eventual delito. Ou seja, a finalidade da lide judicial era a apuração de ilícitos tributários, o que, consequentemente, incluía a participação da Receita Federal para a apuração do crédito tributário devido pelo contribuinte. Diferente seria se a quebra de sigilo bancário tivesse sido originada em um processo de natureza civil (ação de cobrança, por exemplo), movida entre particulares, onde o juiz da causa, para ver satisfeito o cumprimento da ação pelo devedor, determinasse a quebra de seu sigilo bancário para constatar a existência de valores a fim de adimplir a condenação. Esta quebra de sigilo bancário jamais poderia ser utilizada por outra parte estranha ao processo (seja outro particular que estivesse executando o mesmo devedor em outro processo, ou até mesmo a Receita Federal), já que a quebra do sigilo não pode servir para fins estranhos à lide. Assim, cada credor deve apresentar em seu respectivo processo as razões para que haja a quebra do sigilo bancário do devedor. Contudo, a hipótese acima não se aplica ao presente caso, já que a própria finalidade da quebra do sigilo bancário do RECORRENTE foi, repitase, a apuração de ilícitos penais fiscais, o que envolve a participação da Receita Federal para que seja apurado e cobrado o crédito tributário devido, já que a atividade de lançamento é vinculada e privativa da autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Em sede de impugnação, o RECORRENTE afirma que a quebra do sigilo bancário foi deferida no processo judicial nº 2002.51015105630 (o qual se tratou de uma medida cautelar, conforme exposto) e que “posteriormente, em 17.05.2003, o MPF ofereceu denúncia criminal em face do IMPUGNANTE, iniciando a ação penal n° 2002.51.01.510950 7”. Consta dos autos a denúncia do MPF para o início da ação penal n° 2002.51.01.5109507 (fl. 466) assim como a decisão judicial recebendo referida denúncia (fls. 467/468). Note que o MPF requereu fosse “autorizada a extração de cópias para remessa à Receita Federal, a fim de instruir ação fiscal requisitada pelo MPF” (item 5 da Denúncia de fl. 466), o que foi deferido pelo magistrado (fl. 468). Assim, não há que se falar em qualquer acesso ilegal, por parte da Receita Federal, aos dados bancários do RECORRENTE, já que a finalidade da quebra do sigilo foi, além da investigação criminal em decorrência de ilícito fiscal, a cobrança do crédito tributário Fl. 1408DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.409 9 devido. Tanto que desde o princípio da Denúncia, o MPF requisita a instrução de ação fiscal, o que exige a participação da Receita Federal. Portanto, afastase a preliminar de nulidade levantada pelo RECORRENTE. Do Pedido de Diligência Entendo como correta a decisão da DRJ de indeferir o pedido de diligência. Conforme exposto no Relatório, o RECCORRENTE informou que “alienou progressivamente a partir de janeiro de 1998, as ações representativas do controle acionário das instituições financeiras Liberal Banking Corporation Limited (LBCL), e do Banco Liberal (BL) ao Bank of América (BofA); que o Liberal International Limited (LIL) vendeu ao BofA o Controle acionário do LBCL, do qual o contribuinte possuía 1/6 do total e que esta transação comercial possibilitou que o LIL provesse o contribuinte e seus familiares com expressivos recursos financeiros, enviados ao País por esta instituição”. Ademais, afirmou que os depósitos seriam também provenientes de salários; gratificações ou dividendos e pela compra e venda de cavalos de corrida e prêmios recebidos em competições profissionais. Assim, o RECORRENTE solicita pedido de diligência para comprovar a conexão entre os recursos por ele auferidos e os créditos bancários sem origem comprovada. Ocorre que, a finalidade da realização de diligências é elucidar questões comprometidas, e não produzir provas em favor do interessado. Nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade julgadora pode indeferir a realização de perícias e diligências se entendêlas desnecessárias para solução da lide, desde que fundamentada a decisão nos termos do art. 28 também do Decreto nº 70.235/1972. No caso, o RECORRENTE sequer junta aos autos comprovação de que tentou obter diretamente, junto às instituições financeiras por ele indicadas, o comprovante de que os recursos são provenientes da supracitada alienação de participação societária, limitando se a alegar que não possui relação com os novos adquirentes das ações alienadas (sucessores). Mesmo diante da ausência de documentação por parte do RECORRENTE, poderseia converter o julgamento em diligência, em respeito ao princípio da verdade material, caso fosse constatada a verossimilhança das alegações da defesa e restasse demonstrada a dificuldade do contribuinte obter a documentação, ante a recusa ou demora das instituições financeiras, por exemplo. Foi o que ocorreu em outros processos movidos em face do RECORRENTE. Mediante pesquisa no site do CARF, este Relator verificou que nos processos nº 18471.000541/200499 e nº 18471.002740/200351, originários da mesma ação fiscal do presente caso, o CARF converteu o julgamento em diligência para atender ao pleito do contribuinte, no sentido de diligenciar junto ao Banco Liberal e seus sucessores (Bank Of America Liberal) solicitando “informações, bem assim cópia de documentos, quanto aos valores e a forma de pagamento das vendas das participações societárias indiretas do Sr Antonio Carlos Braga Lerngruber nas empresas LBCL e Banco Liberal” (trecho extraído do voto de ambos os processos citados). As Resoluções de diligência são as de nº 10202.353 de Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.410 10 26/04/2007 (processo nº 18471.000541/200499) e n° 10202.318 de 08/11/2006 (processo nº 18471.002740/200351). Contudo, as diligências restaram infrutíferas nos dois casos, pois a instituição financeira alegou não dispor de documentos relativos às operações indicadas pelo contribuinte. Sendo assim, é desnecessário e vai de encontro ao princípio da economia processual a determinação de nova diligência para a tentativa de obtenção dos mesmos documentos, já que os mesmos não foram encontrados pelas instituições financeiras apontadas pelo RECORRENTE. Neste sentido, a fim de embasar esta decisão, cito trechos dos votos proferidos nos mencionados processos administrativos: Processo nº 18471.000541/200499 (voto proferido na sessão de 12/04/2010): (...) (...) (...) Processo nº 18471.002740/200351 (voto proferido na sessão de 19/08/2010): De fato, em que pese a necessária comprovação, por parte do Recorrente, da origem e natureza dos valores depositados em sua conta bancária, limitouse a consignar, inicialmente, de forma absolutamente genérica e sem qualquer comprovação, que diversos depósitos decorreriam da alienação das quotas sociais detidas no Liberal Banking Corporation Limited (LBCL) e no Banco Liberal (BL). Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.411 11 (...) É preciso frisar, outrossim, que, não obstante a inexistência de qualquer suporte probatório para sustentar a tese defendida pelo Recorrente, as diligências determinadas pelo Primeiro Conselho de Contribuintes igualmente restaram infrutíferas, razão pela qual não merece guarida a argumentação expendida. No que atine, por fim, à alegada percepção de rendimentos do Bank of America Liberal, sem qualquer demonstração de sua causa ou natureza, ou mesmo do oferecimento de tais verbas à tributação nos anoscalendário em espeque pelo contribuinte, igualmente não merece prosperar. De todo modo, a execução da diligência requerida pelo contribuinte, com a conseqüente intimação do Bank of Arnerica para prestar esclarecimentos, também não logrou demonstrar a natureza ou mesmo a efetiva disponibilização dos recursos ao contribuinte, o que se infere do seguinte trecho, extraído da resposta à intimação oferecida pela referida instituição financeira: "Ainda, não obstante nossos maiores esforços e o fato destes documentos se referirem a fatos geradores ocorridos há mais de 5 anos, declaramos que não encontramos os documentos que fora nos solicitado como: a) informações e cópias de documentos referentes aos valores e à forma de pagamento das vendas das participações societárias indiretas do Sr. Antonio Carlos Braga Lerngruber nas empresas LBCL e Banco Liberal (item ri° 03). b) informações e documentos quanto aos valores pagos a título de prólabore, salários, gratificações ou dividendos, nos anos de 1998 e seguintes, ao Sr. Antonio Carlos Braga Lemgmber (item n° 04)" (fl. 580). Pelas razões expostas, não há como prosperar a irresignação do Recorrente, devendose manter, quanto aos pontos suscitados, o teor do decisum a quo. Portanto, desnecessário a realização da diligência requisitada, pois as anteriores restaram infrutíferas e, ademais, é dever do contribuinte comprovar que os depósitos efetuados em sua conta não correspondem a um acréscimo patrimonial, em razão da presunção legal de omissão de rendimentos estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, conforme exposto adiante. MÉRITO Depósitos Bancários sem Origem Comprovada Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.412 12 Em princípio, devese esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." A presunção de omissão de receita estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza o lançamento quando a autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato previsto, não sendo necessária a comprovação do consumo dos valores. A referida matéria já foi, inclusive, sumulada por este CARF, razão pela qual é dever invocar a Súmula nº 26 transcrita a seguir: “SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Portanto, ao contrário do que defende a RECORRENTE, é legal a presunção de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, a qual pode ser elidida por prova em contrário, o que não aconteceu no presente caso. A única forma de elidir a tributação é a comprovação, pelo contribuinte, da origem dos recursos depositados nas contas correntes mediante documentação hábil e idônea. Para afastar a autuação, o RECORRENTE deveria apresentar comprovação documental referente a cada um dos depósitos individualizadamente, nos termos do §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. O art. 15 do Decreto nº 70.235/72 determina que a defesa do contribuinte deve estar acompanhada de toda a documentação em que se fundamentar: "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência." Deveria, então, o RECORRENTE comprovar a origem dos recursos depositados na sua conta bancária durante a ação fiscal, ou quando da apresentação de sua impugnação/recurso, pois o crédito em seu favor é incontestável. Sobre o mesmo tema, importante transcrever acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1998 Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.413 13 (...) IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REGIME DA LEI Nº 9.430/96 POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. (...) Recurso voluntário provido em parte. (1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 04/02/2009)” Esclareçase, também, que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do já citado art. 142 do CTN. Desta forma, o RECORRENTE deveria ter apresentado suas justificativas de maneira individualizada, não sendo suficiente a alegação genérica de que os recursos creditados em suas contas correntes têm como origem salários, gratificações ou dividendos, valores relativos a compra e venda de cavalos de corrida e prêmios recebidos em competições, ou ainda valores decorrentes da venda das “ações representativas do controle acionário das instituições financeiras Liberal Banking Corporation Limited (LBCL), e do Banco Liberal (BL) ao Bank of América (BofA)”. Ora, ainda que os recursos tivessem a origem apontada pelo RECORRENTE, ad argumentandum tantum, era seu dever ter feito a relação apontando qual documento justifica qual depósito, devendo o documento apontado possuir identidade de data e valor com o depósito apontado, o que não foi feito no presente caso. Desta feita, entendo que o RECORRENTE não logrou em atender a disposição constante no §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, que impõe a necessidade de apresentar comprovação documental referente a cada um dos depósitos individualizadamente. Portanto, ainda que os depósitos fossem provenientes da alienação de ações, de salários, de dividendos, de prêmios de corridas e competições, como alega o contribuinte, deveria o contribuinte ter apontado qual depósito é proveniente de cada justificativa, e comprovar, mediante documentação hábil e idônea. Da mesma forma, deveria comprovar o nexo causal dos depósitos com valores decorrentes de venda de ações de instituições financeiras. Neste último caso, o RECORRENTE, em seu recurso voluntário, sequer tenta justificar a origem dos recursos, apenas requer o pedido de diligência para comprovar a conexão entre os recursos por ele auferidos e os créditos bancários sem origem comprovada. Contudo, repiso que o pedido de diligência foi rejeitado em razão da desnecessidade de sua realização, já que, em outros processos, as instituições financeiras apontadas alegaram não possuir documentos relativos à operação citada pelo RECORRENTE. Fl. 1413DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.414 14 Quanto à alegação de que a operação de venda de ações da instituição financeira teria ocorrido, conforme reporta o documento de tradução juramentada relativo ao mencionado acordo (fls. 470/657), entendo que o mesmo, por si só, não comprova a origem ou a natureza dos depósitos tidos como não comprovados. Sobre o tema, utilizo como razões de decidir o voto proferido pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no processo nº 18471.002740/200351 (acórdão nº 100.693), movido em face do RECORRENTE: “De fato, em que pese a necessária comprovação, por parte do Recorrente, da origem e natureza dos valores depositados em sua conta bancária, limitouse a consignar, inicialmente, de forma absolutamente genérica e sem qualquer comprovação, que diversos depósitos decorreriam da alienação das quotas sociais detidas no Liberal Banking Corporation Limited (LBCL) e no Banco Liberal (BL). Compulsandose os elementos acostados aos autos, verificase que, muito embora tenha o contribuinte juntado a tradução juramentada do suposto acordo, o que demonstraria, em seu entender, a percepção da valores decorrentes da alienação do controle acionário das sociedades a partir de janeiro de 1998, deixou o Recorrente de demonstrar, em coincidência de datas e valores, a vinculação entre os depósitos bancários objeto do presente recurso e a suposta alienação mencionada em sua defesa. Não obstante haver deixado de acostar a prova da conexão entre os depósitos e os supostos ganhos oriundos da suposta alienação de sua participação acionária, é preciso frisar, igualmente, que, consoante se infere do próprio documento acostado pelo contribuinte, não houve, com a assinatura do contrato em referência, o fechamento da negociação inicialmente entabulada, sendo certo que, consoante se extrai da referida tradução juramentada "a consumação das ações e transações previstas pela Subcláusula 23 (o "Fechamento") ocorrerá no escritório do Rio de Janeiro (..)" a depender, neste esteio, da consumação de condições suspensivas previstas pelas partes contratualmente (tis, 200 e seguintes). Nesse sentido, extraise que, havendo, à época da assinatura do contrato em referência, condições suspensivas de sua eficácia, podese concluir, já neste primeiro momento, a inexistência de comprovação sequer da efetiva alienação das ações em referência. Na esteira deste entendimento, fazse mister verberar, igualmente, que não há, nas declarações de ajuste do contribuinte nos anoscalendário de 1998 e 1999, qualquer baixa do investimento feito nas referidas sociedades pelo Recorrente, mantendose, nos dois períodos, os valores de R$ 1,197.447,91 e de R$ 92344,88, respectivamente no Banco Liberal S/A e no Liberal Bank International Limited (fis, 06/09), Ao contrário do alegado, verificase, inclusive, que, já no próprio anocalendário de 2000, igualmente objeto desta fiscalização, o valor patrimonial de investimento nas referidas Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.415 15 pessoas jurídicas aumentou, o que não permite a conclusão de que efetivamente tenha havido a alienação asseverada (fl. 11). Ressaltese, por oportuno, que não acostou o contribuinte qualquer prova aos autos de que o suposto ganho de capital decorrente da alienação da participação societária tenha sido objeto de tributação pelo IRRF, na forma do art. 21 da Lei n.º 8,981/95, o que também corrobora a argumentação aqui exposta.” Em meio ao pedido de diligência, o RECORRENTE pleiteia que sejam deduzidos da base de cálculo apurada os rendimentos declarados em DAA, sob pena de se considerar como omissão de receita rendimentos já tributados: “3.24. O art. 42 da Lei n° 9.430/96, fundamento legal do AUTO, apenas autoriza o lançamento sobre depósitos bancários Cuja a origem não seja identificada pelo contribuinte. Isto o ônus da prova apenas recai para o contribuinte sobre a parte dos depósitos que ele não tenha conseguido provar a sua origem e, portanto, na parte que exceda aos rendimentos devidamente declarados à Receita Federal. Admitindose o contrário, estar seia permitindo o fisco considerar "Omissão de receita" rendimentos já declarados, pelo contribuinte, o que seria um absurdo. 3.125. Em outras palavras, caberia a fiscalização, e não ao RECORRENTE, o ônus de provar que os rendimentos por ele declarados não constavam dentre os depósitos bancários objeto do AUTO; não tendo ele feito tal prova; impossível seria não deduzir os rendimentos já declarados da totalidade dos depósitos bancários nãocomprovados.” Conforme relatado, a fiscalização já excluiu diversos depósitos da relação de créditos bancários apontados como não comprovados. Note que as relações de depósitos mensais sem origem comprovada encontramse às fls. 397, 398/400, 402/403, 406, 409/410, 411, 412 e 414. A autoridade fiscal já excluiu da base de cálculo os depósitos que representaram transferências entre contas do próprio RECORRENTE (fls. 396, 404/405 e 407). A fiscalização teve a atenção de identificar os valores recebidos como PROVENTOS pelo contribuinte. Assim, por entender que eles já fizeram parte do rendimento tributável declarado, os excluiu da base de cálculo do presente lançamento. As relações dos proventos excluídos estão acostadas à fl. 408 (Banco Liberal) e à fl. 413 (Banco Real), que somam R$ 340.172,97, ao passo que a totalidade dos rendimentos tributáveis declarado naquele anocalendário de 2001 foi de R$ 476.370,00 (fl. 07). De igual forma, a autoridade fiscal já considerou como comprovadas as origens dos depósitos feitos no Unibanco, c/c nº 134983, pelo Jockey Club Brasileiro, com a tributação realizada de forma exclusiva pela fonte pagadora. Referidos depósitos constam da relação de fl. 401 (algo em torno de R$ 400.000,00), ao passo que o RECORRENTE declarou em DAA o montante de R$ 576.593,64 como rendimento sujeito à tributação exclusiva. Fl. 1415DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.416 16 Portanto, notase que a grande parte dos rendimentos declarados pelo RECORRENTE já foi excluída da base de cálculo que compõe o presente lançamento. Pois bem, é de conhecimento que a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais admite a exclusão em bloco dos rendimentos informados nas declarações de ajuste anual da pessoa física da base de cálculo do lançamento, desde que não expressamente vinculados aos depósitos bancários de origem não comprovada, pois nesse caso seriam excluídos pela própria fiscalização. Isto porque ao somar aos valores já declarados os rendimentos provenientes de depósitos sem origem comprovados, a fiscalização incorre na presunção de que todos os valores que transitaram pelas contascorrentes do RECORRENTE não foram informados na declaração, o que implica dizer que somente os rendimentos omitidos transitam pelas contas bancárias. Contudo, no presente caso, grande parte dos valores declarados pelo RECORRENTE (rendimentos tributáveis e tributáveis exclusivamente na fonte) já foram identificados e excluídos da relação de depósitos de origem não comprovada (base de cálculo do lançamento). No caso concreto, em peculiar, entendo que não se pode excluir da base de cálculo a diferença entre os rendimentos declarados e os valores já admitidos pela fiscalização, pois há elementos nos autos que apontam não terem sido investigadas todas as contas bancárias do RECORRENTE (ou, ao menos, as contas onde foram creditados recursos pertencentes ao RECORRENTE). Neste sentido, cito o Termos de Intimação Fiscal nº 16 (fl. 384), através do qual a autoridade fiscal intimou o contribuinte para: “3. Informar a titularidade das contas correntes do UNIBANCO n.°s 102.4467 e 120.0174 e do ABNAMRO BANK REAL n.° 37186360, tendo em vista que os prêmios recebidos por V.S. a do Jockey Club Brasileiro foram depositados nestas Contas”. Referidas contas bancárias não fazem parte do rol de contas investigadas neste lançamento (vide fls. 396/414) e, portanto, não se pode afirmar de maneira inequívoca que todos os recursos do contribuinte foram objeto de fiscalização. Ora, se alguns prêmios pagos pelo Jockey Club Brasileiro (cuja tributação é feita de forma exclusiva pela fonte pagadora, conforme exposto) foram depositados em outras contas não investigadas pela fiscalização, então significa que tais prêmios também são parte do rendimento sujeito à tributação exclusiva declarado pelo contribuinte (R$ 576.593,64), em conjunto com o montante aproximado de R$ 400.000,00 depositado na conta nº 134983 do Unibanco (relacionado à fl. 401). Ademais, a exclusão em bloco somente pode ocorrer em relação ao rendimento tributável e não em relação ao rendimento sujeito a tributação exclusiva, pois neste último caso o contribuinte deve comprovar que o depósito foi tributado exclusivamente na fonte, assim como ocorre com os rendimentos isentos. Por tudo exposto, entendo como não comprovada a origem dos valores objetos do presente processo administrativo, mantendo a tributação incidente sobre a presunção legal de omissão de rendimentos. Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 18471.000746/200474 Acórdão n.º 2201004.933 S2C2T1 Fl. 1.417 17 CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, conforme razoes acima apresentadas. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 1417DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.904444/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/1999
CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE.
Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF.
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA.
A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência.
INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF.
FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS.
O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-005.954
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/1999 CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF. FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS. O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 44 44 /2 01 1- 31 Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10280.904444/201131 Acórdão n.º 3402005.954 S3C4T2 Fl. 0 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, consoante argumentos plasmados no Acórdão nº 14041.271 Inconformada com esta decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual defende o direito ao crédito pleiteado. Na apreciação deste recurso, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 3402001.062, para que a Unidade de Origem realizasse o seguinte levantamento: i) Apurar a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes; ii) Elaborando Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá los com o recolhido; iii) Apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10280.904444/201131 Acórdão n.º 3402005.954 S3C4T2 Fl. 0 3 Em cumprimento à Resolução foi apresentada a Informação Fiscal que concluiu pela existência de recolhimento a maior, sendo possível o reconhecimento parcial do crédito para a compensação requerida. Intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a Recorrente argumentou que o raciocínio adotado pela fiscalização sobre a natureza dos valores escriturados em algumas das contas contábeis não merece prevalecer, fundamentando acerca da natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas e, com isso, reiterando o pedido de provimento do recurso voluntário interposto e reconhecimento integral do direito ao crédito postulado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.949, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.900097/201259, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.949): "Pressupostos legais de admissibilidade Como já observado pela Resolução nº 3402001.052, o Recurso Voluntário de fls. 73 a 90 é tempestivo, uma vez que a intimação do Acórdão nº 1441.254 ocorreu via postal na data de 11/06/2013 (fls. 71), com interposição da defesa em data de 08/07/2013 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 72). Por atender aos pressupostos legais de admissibilidade, o recurso deve ser conhecido por este Colegiado. Do pedido preliminar para reunião dos processos Preliminarmente a Recorrente argumenta que os seguintes processos têm o mesmo objeto do caso em análise, referente ao questionamento sobre a restituição de crédito decorrente do recolhimento indevido da COFINS, pautado na inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98: Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10280.904444/201131 Acórdão n.º 3402005.954 S3C4T2 Fl. 0 4 Considerando que não há fatos jurídicos tributários idênticos, uma vez que os processos têm períodos de apuração diversos, não há vinculação que torne obrigatória a aplicação do artigo 6º do RICARF. Ademais, o presente recurso foi distribuído como paradigma, seguindo a sistemática dos recursos repetitivos, conforme regulamentação do artigo 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Conforme informado em Termo de Intimação Fiscal nº 01 SAORT/DRFSJR de fls. 241 a 242, a diligência foi realizada em cumprimento às Resoluções de nºs 3402001.050 a 3402 001.067, proferidas por este Colegiado, resultando na análise do crédito pleiteado nos seguintes processos: 10280.900096/201212, 10280.900095/201260, 10280.900097/201259, 10280.900106/201210, 10280.904424/201161, 10280.904437/201130, 10280.904438/201184, 10280.904439/201129, 10280.904440/201153, 10280.904441/201106, 10280.904442/201142, 10280.904443/201197, 10280.904444/201131, 10280.904445/201186, 10280.904446/201121, 10280.904447/201175, 10280.904971/201146, 10280.904972/201191, 10280.904973/201135, 10280.904974/201180, 10280.905315/201161, 10280.905316/2011 13,10280.905317/201150, 10280.905318/201102, 10280.905319/201149, 10280.905320/201173, 10280.905321/201118, 10280.905322/201162, 10280.905323/201115, 10280.905325/201104, 10280.905326/201141, 10280.905328/201130, 10280.905329/201184, 10280.905330/201117, 10280.905331/201153, 10280.905332/201106, 10280.905333/201142, 10280.905334/201197, 10280.905781/201146, 10280.905782/201191, 10280.905784/201180, 10280.905785/201124, 10280.905786/201179, 10280.905787/201113, Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10280.904444/201131 Acórdão n.º 3402005.954 S3C4T2 Fl. 0 5 10280.905790/201137, 10280.905803/201178 e 10280.905804/201112. Portanto, resta prejudicada a preliminar invocada no Recurso Voluntário em análise. Do mérito Pede a Recorrente pelo reconhecimento do direito à restituição da Contribuição para o PIS/PASEP calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, explanando sobre a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e necessária incidência do artigo 62. § 1º, inciso II e Alínea "b" do RICARF. Para tanto, pugna pela aplicação da Verdade Material, uma vez que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, configurando a decisão recorrida em formalismo exagerado. Pede, ainda, pela complementação da produção probatória necessária para lastrear a existência de seu crédito. Como já relatado, tanto o reconhecimento da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e aplicação do artigo 62, § 1º, inciso II e Alínea "b" do RICARF, bem como o pedido de produção de prova complementar, restaram superados através da Resolução nº 3402001.052 (fls. 234238), pela qual este Colegiado converteu o julgamento do recurso em diligência com a seguinte determinação: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. A matéria suscitada sobre declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 é questão decidida em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal através do RE 585.235/MG, resultando na aplicação do artigo 62, § 2do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10280.904444/201131 Acórdão n.º 3402005.954 S3C4T2 Fl. 0 6 Portanto, neste ponto dou provimento ao recurso, com a produção de prova já realizada através da diligência acima mencionada. Do resultado da diligência Em sequência, dando cumprimento ao artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011, a Recorrente manifestouse sobre o resultado da diligência às fls. 338351, sustentando sobre a natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas. Em síntese, alega a Recorrente que ".... as bonificações não são receitas da recorrente, mas apenas recuperação do custo de aquisição dos bens adquiridos por ela para revenda. Como a recuperação de custos realmente aumenta o lucro bruto da recorrente, eis que diminuem o custo da mercadoria vendida, mas, por outro lado, não interferem nas receitas da recorrente, eis que o valor das vendas não é alterado, não havendo qualquer interferência desses valores na receita da recorrente, passível de tributação pela contribuição ao PIS e pela COFINS." A questão atinente às verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas foi objeto de análise por esta Turma Ordinária no PAF nº 10280.900096/201212, de relatoria da Eminente Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula e cujo julgamento ocorreu em data de 25 de setembro de 2018. Com isso, como solução deste litígio, adoto o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402005.569, pelo qual foi aplicado o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.506/19641, bem como as Soluções de Consulta Cosit nºs 291/20172 e 34/20133. 1 Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. 2 Solução de Consulta nº 291 Cosit Data 13 de junho de 2017 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. Bonificações em mercadorias entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem vinculação a operação de venda, são consideradas receita de doação para a pessoa jurídica recebedora dos produtos (donatária), incidindo a Contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor de mercado desses bens. A receita de vendas oriunda de bens recebidos a título de doação deve sofrer a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, na forma da legislação geral das referidas contribuições. Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10280.904444/201131 Acórdão n.º 3402005.954 S3C4T2 Fl. 0 7 Para tanto, transcrevo a fundamentação que embasa a decisão em referência, a qual cita trechos extraídos da respectiva Informação Fiscal, reproduzindo os mesmos termos constantes do resultado da diligência realizada neste processo, motivo pelo qual deve ser considerada como embasamento do presente voto: "Quanto ao mérito, valem aqui as considerações já expedidas na Resolução que determinou a conversão do julgamento em diligência, a seguir transcritas: Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal. Assim, em face da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, relativamente ao alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aplicado neste julgamento o entendimento do Supremo Tribunal Federal proferido em regime de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 585.235/MG. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. (...) Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. 3 Solução de Consulta nº 34 Cosit Data 21 de novembro de 2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS CONDICIONAIS E INCONDICIONAIS. Os descontos incondicionais consideramse parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos; esses descontos não se incluem na receita bruta da pessoa jurídica vendedora e, do ponto de vista da pessoa jurídica adquirente dos bens ou serviços, constituem redutor do custo de aquisição, não configurando receita. Os descontos condicionais são aqueles que dependem de evento posterior à emissão da nota fiscal, usualmente, do pagamento da compra dentro de certo prazo, e configuram despesa financeira para o vendedor e receita financeira para o comprador. Dispositivos Legais: Lei nº 8.981, de 1995, art. 31; Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), arts. 373 e 374; Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, item 4.2. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10280.904444/201131 Acórdão n.º 3402005.954 S3C4T2 Fl. 0 8 Como bem esclareceu a fiscalização na diligência, devem ser excluídos do conceito de faturamento os aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa: 7. No anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1.114, de 30/08/2012, está delimitado o julgado pelo STF no RE n° 585.235, nos seguintes termos: “DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. (...)” 8. A delimitação da matéria decidida é também fruto dos julgados do STF, que entendem que o conceito de faturamento abrange a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços das empresas, e todas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Esta é a interpretação dada pelo RE n. 371.258 AgR (Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 03.10,2006), pelo RE n. 400.4798/RJ ( Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 10.10,2006) e pelo RE n 527.602/SP (Tribunal Pleno, Rel Min Eros Grau, Rel. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em 05.08.2009), sendo que neste último ficou estabelecido que somente são excluídos do conceito de faturamento “os aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa”. Assim, o faturamento corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Com efeito, adotando tal entendimento, a fiscalização excluiu do faturamento, para fins de incidência das contribuições, as receitas que não se enquadravam como operacionais, resultando num recolhimento a maior, passível de reconhecimento de crédito para compensação no valor mencionado no relatório acima. Não obstante tenha sido devidamente intimada, a recorrente não se manifestou em face do resultado da diligência, pelo que se pressupõe que com ele concordou. Ademais, na diligência foram acolhidos, em grande parte, os demonstrativos/memórias de cálculo elaborados pela própria contribuinte em resposta à intimação da fiscalização, ressalvadas poucas divergências, quanto às receitas originadas das bonificações recebidas e das recuperações de despesas, como se vê nos seguintes trechos da Informação fiscal: 9. Concorda o contribuinte, conforme seus demonstrativos, que devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as seguintes receitas operacionais (líquidas das devoluções/deduções): vendas de veículos novos (de fev/03 e mar/03), vendas de veículos usados, instalação e vendas de peças e acessórios, instalação e vendas de Kits de conversão Gás, prestação de serviços da oficina, vendas de outras mercadorias e outras prestações de serviços (outras atividades). Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10280.904444/201131 Acórdão n.º 3402005.954 S3C4T2 Fl. 0 9 10. Também devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as bonificações recebidas das montadoras, mesmo que em mercadoria (contas 37201.00001 Bonificação MBB Veículos, 37201.00002 Bonificação MBB Sprinter e 37202.00001 Bonificação MBB Peças e Motores) e a recuperação de despesas com veículos e peças em garantias (contas 37202.00009 Recup. Desp. c/ Garantia e 37204.00009 Recup. Desp. c/ Garantia), pelo que segue. Nada há a reparar no entendimento da fiscalização no sentido de que as "recuperações de despesas também constituem receitas operacionais, conforme determina o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.5061, de 30 de novembro de 1964, base legal do inciso II do art. 392 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999)", sobre as quais há a incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Quanto às bonificações, embora em algumas situações específicas elas possam configurar descontos incondicionais, o que, se fosse o caso, poderia ensejar a exclusão de tais receitas do conceito de faturamento, nos termos das Soluções de Consulta Cosit nºs 291/2017 e 34/20132, não há qualquer argumentação da recorrente nesse sentido, no recurso voluntário ou na diligência do presente processo, razão pela qual deve ser mantido o resultado do direito creditório apurado na diligência com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que é o mérito do recurso voluntário e do pedido de restituição da interessada. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no montante certificado na diligência, determinando a homologação das compensações vinculadas na medida correspondente." Portanto, deve imperar o resultado da diligência que corretamente refez a apuração do PIS do período de Novembro de 2002, com base no demonstrativo e registros contábeis apresentados pela Contribuinte. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e julgo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos." Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10280.904444/201131 Acórdão n.º 3402005.954 S3C4T2 Fl. 0 10 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado conheceu o Recurso Voluntário e julgouo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, §2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 338DF CARF MF
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