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Numero do processo: 11020.723133/2012-88
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - DIPJ - . PREVISÃO LEGAL.
A entrega da Declaração de Rendimento da Pessoa Jurídica - DIPJ - após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente.
Numero da decisão: 1003-000.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes. Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - DIPJ - . PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Rendimento da Pessoa Jurídica - DIPJ - após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1242; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.723133/201288 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.443 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 12 de fevereiro de 2019 Matéria SIMPLES NACIONAL Recorrente PLANET AGUA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DIPJ . PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Rendimento da Pessoa Jurídica DIPJ após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes. Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 31 33 /2 01 2- 88 Fl. 36DF CARF MF Processo nº 11020.723133/201288 Acórdão n.º 1003000.443 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase o presente processo de recurso voluntário contra acórdão de nº 14 40.324 da 3ª Turma da DRJ/RPO que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e manteve a multa por atraso na entrega de DIPJ. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em razão de lançamento no qual era exigido crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega da DIPJ, relativa ao ano calendário de 2007, no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais). Defendeu a contribuinte que, ao optar pelo Simples Nacional, não foi considerada como data da opção a data do registro na junta comercial, mas data posterior, fato que levou à cobrança da multa. A DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO. DIPJ. DATA DE OPÇÃO NO SIMPLES NACIONAL. No período compreendido entre a data de registro da empresa e a data da opção pelo Simples Nacional, fica ela sujeita às regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive à entrega da DIPJ, nos prazos previstos na legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da DRJ, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário defendendo que: (i) Primeiramente, solicitou a retificação da data de opção ao Simples Nacional, destacando que a data da opção perante a Receita Federal é 23/11/2007, mas o correto seria o enquadramento retroativo a data do cadastro perante a Junta Comercial, que ocorreu no dia 17/09/2007; (ii) Requereu a dispensa da aplicação da multa, visto dever se a data da opção a do cadastro na Junta Comercial. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora Fl. 37DF CARF MF Processo nº 11020.723133/201288 Acórdão n.º 1003000.443 S1C0T3 Fl. 4 3 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente diz que deve ser deferida a sua inclusão retroativa no Simples Nacional considerando a data do Registro na Junta Comercial. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, determina a opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição. Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conformase com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A Resolução CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007, determina: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 2º No momento da opção, o contribuinte deverá prestar declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações previstas no art. 12, independentemente da verificação efetuada conforme disposto no art. 9º. § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; II após a formalização da opção, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) disponibilizará aos Estados, Distrito Federal e Municípios a relação dos contribuintes para verificação das informações prestadas; III os entes federativos deverão, no prazo de até 10 (dez) dias, contados da disponibilização das informações, comunicar à RFB acerca da verificação prevista no inciso II; IV confirmados os dados ou ultrapassado o prazo a que se refere o inciso III sem manifestação por parte do ente federativo, considerarseão validadas as respectivas informações prestadas pelas ME ou EPP; Fl. 38DF CARF MF Processo nº 11020.723133/201288 Acórdão n.º 1003000.443 S1C0T3 Fl. 5 4 V a opção produzirá efeitos a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estaduais e municipais, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pelas ME ou EPP, hipótese em que a opção será considerada indeferida; VI validadas as informações, considerase data de início de atividade a do último deferimento de inscrição. § 4º A RFB disponibilizará aos Estados, Distrito Federal e Municípios relação dos contribuintes referidos neste artigo para verificação quanto à regularidade para a opção pelo Simples Nacional, e, posteriormente, a relação dos contribuintes que tiveram a sua opção deferida. § 6º A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da inscrição no CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3º deste artigo. Analisando a legislação de regência que vigorava à época dos fatos, temse que a microempresa ou empresa de pequeno porte no caso de início de atividade no ano calendário da opção, deve observar as seguintes condições cumulativas: (a) após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (b) não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de pessoa jurídica em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da inscrição no CNPJ, observados os demais requisitos legais. (c) obedecidas as condições acima, a opção produzirá efeitos a partir da data do ultimo deferimento da inscrição nos cadastros estaduais e municipais, sendo essa também a data considerada como início de atividade. Analisando as provas produzidas nos autos, verificase: (a) a data da abertura da empresa constante no CNPJ foi 17/09/2007, fl. 13; (b) a inscrição municipal emitida pela Prefeitura Municipal não consta nos autos, mas foi informado pelo contribuinte ter ocorrido no dia 14/11/2007. A inscrição estadual foi deferida no dia 23/11/2007, fls. 13; (d) o pleito de opção retroativa constante nos presente autos foi formalizado em 26/11/2007, fls. 13. Nesse sentido, verificase que a Recorrente obedeceu as condições determinadas pelo art. 7º da Resolução CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007, para empresa em início de atividade. Fl. 39DF CARF MF Processo nº 11020.723133/201288 Acórdão n.º 1003000.443 S1C0T3 Fl. 6 5 Especificamente sobre o pedido de inclusão retroativa, cabe ressaltar que o princípio da legalidade estabelece os limites da atuação administrativa e tem por objeto o exercício de direitos individuais em benefício da coletividade e nesse sentido a vontade da Administração Pública decorre tão somente da lei de modo que apenas pode fazer o que a lei permite (art. 37 da Constituição Federal). Restou comprovado que a Recorrente formalizou seu pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional cumprindo as condições da norma e, por conseguinte, tem o direito de ter seu registro no Simples considerado a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estaduais e municipais, sendo esse igualmente a data considerada como início de atividade (incisos V e VI do art. 7º da Resolução CGSN nº 04/ 2007). Temse que, nos estritos termos legais, o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Isto posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 40DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13660.000064/2003-30
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
CREDITAMENTO DE IPI.
Não se reconhece o crédito básico de IPI relativamente à aquisição de produtos que não sejam considerados matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados.
PROVA PERICIAL.
Não cabe a realização de diligência/perícia quando constam nos autos todos os elementos para firmar a convicção do julgador, nos termos do artigo 18 do Decreto n°70.235/72.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC.
Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.159
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do Segunda
Seção de Julgamento, no mérito: 1 — por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto ao pedido de perícia e quanto à apuração da base de cálculo. 2 - Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à correção do valor a ser ressarcido pela taxa SELIC. Vencidos os conselheiros Maria Teresa Martinez López (Relatora), Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Cardoso, Domingos de Sá Filho e Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Antonio Carlos Atulim.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
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materia_s : IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 CREDITAMENTO DE IPI. Não se reconhece o crédito básico de IPI relativamente à aquisição de produtos que não sejam considerados matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados. PROVA PERICIAL. Não cabe a realização de diligência/perícia quando constam nos autos todos os elementos para firmar a convicção do julgador, nos termos do artigo 18 do Decreto n°70.235/72. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Recurso negado.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do Segunda Seção de Julgamento, no mérito: 1 — por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto ao pedido de perícia e quanto à apuração da base de cálculo. 2 - Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à correção do valor a ser ressarcido pela taxa SELIC. Vencidos os conselheiros Maria Teresa Martinez López (Relatora), Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Cardoso, Domingos de Sá Filho e Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Antonio Carlos Atulim.
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PEDRAS LTDA. Recorrida DRJ-JU1Z DE FORA/MG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 CREDITAMENTO DE [PI. Não se reconhece o crédito básico de IP I relativamente à aquisição de produtos que não sejam considerados matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados. PROVA PERICIAL. Não cabe a realização de diligência/perícia quando constam nos autos todos os elementos para firmar a convicção do julgador, nos termos do artigo 18 do Decreto n°70.235/72. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da P Câmara / I' Turma Ordinária do Segunda Seção de Julgamento, no mérito: 1 — por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto ao pedido de perícia e quanto à apuração da base de cálculo. 2 - Pelo voto de qualidade, e negar provimento ao recurso em relação à correção do valor a ser ressarcido pela taxa SEL1C. Vencidos os conselheiros Maria Teresa Martinez López (Relatora), Gustavo Kelly Alencar, 7( o • • Processo n° 13660.000064/2003-30 52-CIT I Acórdão n.° 2101-00.159 Fl. 158 Antônio Lisboa Cardoso, Domingos de Sá ado para redigir o voto vencedor o conselheiro An • 's Carlos Atulim. n (-- 1110 AIF Cs , O MARCOS CÂND 90 P -sio ente dr ANTkI0 ARLOS • ' LIM Relator-Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa e Antonio Zomer. Relatório Trata-se de pedido de ressarcimento de crédito básico de IPI referente ao 4° trimestre do ano-calendário de 2000, formalizado em 28/01/2003. Em prosseguimento, adoto e transcrevo, a seguir, o relatório que compõe a Decisão Recorrida: "Versa a presente lide sobre pedido de ressarcimento de crédito de IPI de que trata o artigo 5" do Decreto-lei n° 491, de 05/03/1969, combinado com o art. 5" da Lei n" 8.402, de 08/01/1992, à fl. 01, no montante de R$566,64, relativamente ao 4" trimestre do ano-calendário de 2000, formalizado em 28/01/2003. Ao ressarcimento, vinculou-se a Declaração de Compensação de fl. 83, que visava compensar débito do IRPJ de R$566,64, relativo ao 1° trimestre de 2003. Em análise de legitimidade, a Delegacia da Receita Federal em Varginha, MG, por meio do Despacho Decisório defls. 113/114 - que teve por sustentáculo o trabalho fiscal relatado no Termo de Verificação Fiscal às fls. 106/107-, foi deferido em parte o pleito de ressarcimento, com o reconhecimento à contribuinte do crédito de R$259,94. Conseqüentemente, a compensação declarada foi parcialmente homologada. O montante das glosas provém de apuração realizada pela fiscalização, a partir de documentos fiscais e contábeis apresentados pela contribuinte, e que culminou num saldo credor inferior ao pleiteado. Como justificativa para a glosa, o auditor fiscal informou que na nota fiscal n° 11735, àfl. 105, cujo IPI nela destacado é de R$306,67, se consignam produtos que não são matérias-primas, produtos intermediários ou material de embalagem aplicados no processo produtivo. 2 • Processo n° 13660.000064/2003-30 S2-CIT1 Acórdão n." 2101-00.159 Fl. 159 Cientificada do deferimento parcial de seu pleito, a interessada, por meio de seus procuradores «is. 125/126), apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 119/124, para alegar que: I) que é direito liquido e certo do industrial utilizar-se de créditos básicos do IPI relativos a matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, conforme preconiza o art. 164 do PIPI/2002. Nos termos do citado dispositivo, o fiscal ao desclassificar os produtos glosados da condição de matéria- prima, produto intermediário e material de embalagem mostra desconhecer a atividade de produção de pedras; 2) a Instrução n" 01/2001 da Superintendência de Legislação Tributária de Minas Gerais, estado com maior know how em mineração no Brasil, esclarece quais são os produtos intermediários utilizados no ciclo produtivo da atividade mineradora. Sendo assim, como processo produtivo deve-se entender aquele compreendido entre a fase de desmonte da rocha ou remoção do estéril, até a fase de estocagem, inclusive a movimentação do local de extração até o beneficiamento ou estocagem. Ainda considera o dispositivo citado, observado o disposto na Instrução Normativa SLT n°01, de 20/02/1986, como produto intermediário, para efeitos de crédito do imposto, todo o material consumido nas fases do processo desenvolvido pelas empresas mineradoras, tais como brocas, haste, manto (correia transportadora), chapa de desgaste, óleo diesel, tela de peneira, filtro, bola de moinho, amido, amina/soda cáustica, dentre outros, consumidos na lavra, na movimentação e no • beneficiamento; 3) os produtos glosados são materiais de corte de pedra, ou seja, de desgaste em contato com a pedra, qualificados como produtos intermediários; 4) diante dos fatos supra citados, é inconteste a necessidade da diligência no local de produção, conforme art. 16, inc. IV, e art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, para comprovar que os créditos glosados correspondem a produtos intermediários. É o relatório." Por meio do Acórdão DRJ/JFA n° 09-18.915, de 28 de fevereiro de 2008, os Membros da 3' Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG, decidiram, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação. A Ementa dessa decisão possui a seguinte redação: "CREDITAMENTO DE IPL POSSIBILIDADE. Somente podem ser considerados como matéria-prima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, os. bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e desde que não 3 Processo n° 13660.000064/2003-30 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101 -0O.159 Fl. 160 correspondam a bens do ativo permanente. Atendidas essas condições, defere-se o crédito, senão, rejeita-se a petição da interessada. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 PERICIA/DILIGÊNCIA Indeferem-se as perícias ou diligências solicitadas quando a autoridade julgadora entende-as desnecessárias e prescindíveis em face dos dispositivos legais em vigor. Solicitação indeferida." Inconformada com a decisão prolatada pela primeira instância, a contribuinte apresenta recurso voluntário a este Eg. Conselho, no qual, fundamentalmente reafirma as alegações da sua manifestação de inconformidade, acrescentando somente o pedido de aplicação de correção monetária (selic) ao crédito envolvido. Cita jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira MARIA TERESA MARTINEZ LÓPEZ, Relatora O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Conforme relatado, trata o presente de pedido de ressarcimento de crédito básico de IPI combinado com pedido de compensação, o qual foi deferido apenas parcialmente. O cerne da questão diz respeito às seguintes matérias: (i) base de cálculo do crédito de IPI; (ii) da necessidade de Diligência/perícia no local da produção; (ii) atualização do crédito deferido pela taxa Selic. Passo às questões: (i) base de cálculo do crédito de IPI; A parte indeferida se refere à Nota Fiscal n° 11735, cópia juntada à fl. 105. Os produtos constantes da referida nota fiscal são: fio de aço recartilhado e barra de aço nervurada. A glosa se deu em razão de não serem considerados matérias-primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem os produtos constantes da nota fiscal n° 11.735. 1 4 Processo n° 13660.000064/2003-30 S2-CIT1 Acórdão n.• 2101-00.159 Fl. 161 A empresa contribuinte, conforme seu contrato social (fl. 12), tem como objetivo social a "extração, processamento e comercialização, exportação e importação direta ou em nome de terceiros, de mármore, granito, quartzito e pedras naturais." O indeferimento se deu uma vez que os produtos adquiridos por meio da nota fiscal mencionada, de acordo com a verificação fiscal, não se referem à matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem aplicados no processo produtivo O IPI é imposto federal, e o beneficio concedido para compensação dos créditos de IPI também é regido por legislação federal, não podendo, como pretende a contribuinte, uma legislação estadual determinar o que é matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem para efeito do IPI. Como o recurso voluntário não trás qualquer inovação relativamente à manifestação de inconformidade no tocante ao mérito, adoto aqui o voto proferido pelo julgador de primeira instância, e peço vênia para transcrever a parte que nos interessa: "O saldo credor ora requerido tem seu fundamento legal na IN SRF n" 33, de 04/03/1999, e no incentivo fiscal instituído pelo artigo 5° do Decreto-lei n" 491, de 05/03/1969, restabelecido pelo artigo I", inciso II, da Lei n° 8.402, de 08/01/1992. Combinados esses atos com o artigo 179 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados - RIPI/1998 e, ainda, com os artigos 73 e 74 da Lei n" 9.430, de 27/12/1996, e demais atos normativos que o regulamentam, concedeu-se à contribuinte o direito de utilização de créditos de IPL acumulados trimestralmente, decorrentes de aquisições de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, não absorvidos no período de apuração do imposto em que fossem escriturados, pudessem ser ressarcidos em espécie ou utilizados na compensação de outros tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Nesse contexto legal, a contribuinte requereu o saldo credor trimestral de R$566,64, dos quais lhe foram deferidos R$259,94, em razão de glosas equivalentes a R$306,70, já devidamente narradas no relatório do presente voto. Por conseqüência, houve a homologação parcial da compensação declarada, remanescendo a cobrança de R$373,67 (fls. 117/118). Na manifestação de inconformidade, a contribuinte apresentou argumentos no intuito de demonstrar que o crédito glosado, consignado na nota fiscal de fl. 105, contrariamente ao alegado pela Fiscalização, correspondia a aquisições de produtos intermediários. Nesse entendimento, requereu fosse considerado o IPI decorrente das respectivas aquisições como créditos de .3?IPI, passíveis de ressarcimento. Nesse diapasão, a interessada apontou a Instrução n" 01, de 2001, e a Instrução Normativa n°01, de 1986, expedidas pela da Superintendência de Legislação Tributária de Minas Gerais, em cujos fundamentos se espelha para alegar que: 5 Processo n°13660.000064/2003-30 S2-C IT1 Acórdão o.° 2101-00.159 Fl. 162 ‘. a) o processo produtivo se inicia na , fase de desmonte da rocha e remoção do estéril até a fase de estocagem inclusive a movimentação do local da extração até o beneficiamento e estocagem; b) considera-se material intermediário todo aquele consumido nas fases do processo desenvolvido pelas empresas mineradoras, tais como: broca, haste, manto (correia transportadora), chapa de desgaste, óleo diesel, tela de peneira, filtro, bola de moinho, amido, amina/soda cáustica, dentre outros, consumidos na lavra, movimentação do material e no beneficiamento. Certamente que o entendimento esposado acima não condiz com a legislação do IPL Os fundamentos do direito ao creditamento e a conceituação de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem devem ser buscados na legislação do IPL Desse modo, em sendo o saldo credor em análise decorrente de incentivo à exportação, instituído pelo art. Decreto-lei n°491, de 05/03/1969, que demanda serem conferidos ao beneficiário em razão de aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados há que se buscar na legislação pertinente a conceituação desses elementos. Para resolver as questões levantadas pela contribuinte, lança-se mão do Parecer Normativo CST n". 65, de 1979, expedido pela Secretaria da Receita Federal com o fim de esclarecer o alcance da previsão de creditamento do IPI, em face do artigo 66, inciso I, do RIPI/1979, aprovado pelo Decreto n". 83.263, de 09/03/1979, que decorreu de disposição do artigo 25 da Lei n". 4.502, de 30/11/1964, com a alteração 8" promovida pelo Decreto-lei n" 34, de 18/11/1966 (52" do artigo 25 da Lei n". 4.502, de 1964: "É assegurado ao estabelecimento industrial o direito à manutenção do crédito relativo às matérias-primas e produtos intermediários utilizados na industrialização ou acondicionamento de produtos tributados vendidos a pessoa natural ou jurídica a quem a lei conceda isenção do imposto expressamente na qualidade de adquirente do produto)." Na medida em que o dispositivo, na parte interpretada, vem no decorrer dos anos sendo mantido pela legislação subseqüente, ou seja, o artigo 82, I, do RIPI/1982; o artigo 147, I, do RIPI/1998 e o artigo 164, I, do RIPI/2002, o referido parecer está plenamente em vigor, o que justifica a presente recorrência. Ademais, como já se disse, o cômputo de aquisições na base de cálculo do incentivo está relacionado ao fato de que essas aquisições correspondam a matérias-primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. Valem, assim, as disposições referentes ao direito de crédito do IP!. Tendo em vista o período a que se refere o presente pedido, cuida-se aqui de citar como sustentáculo do presente voto o RIP1/1998, qual seja o seu artigo 147, caput e inciso 1: 6 • Processo n°13660.000064/2003-30 52-CITI Acórdão n.• 2101-00.159 Fl. 163 "Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se (Lei n" 4.502, de 1964, art. 25): 1 - do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo- se, entre as matérias-primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;" Reitere-se que, a despeito das modcações da legislação com relação ao direito de crédito do 1P1, a expressão "incluindo-se, entre as matérias-primas e produtos intermediários aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização" tem sido a mesma, desde o RIM/1979 até o regulamento atual. Sendo assim, veja-se o que diz o Parecer Normativo n". 65, de 1979, no trecho relevante para a solução da presente lide: "4 - Note-se que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindo-se às matérias-primas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matérias-primas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 6 - Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matérias-primas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige- se unia série de considerações. 6.1 - Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2 - Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de unia premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente conclui-se por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. 7 Processo n°13660.000064/2003-30 S2-CITI Acórdão n.°2101-00.159 Fl. 164 ti 10 - Resume-se, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos "que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização", para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 - Como o texto fala em "incluindo-se entre as matérias- primas e os produtos intermediários", é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matérias-primas e os produtos intermediários "stricto sensu" semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 - A expressão "consumidos" sobretudo levando-se em conta que as restrições "imediata e integralmente", constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades fisicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 10.3 — Passam, portanto, afazer jus ao crédito, distintamente do que ocorria em face da norma anterior, as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que não sendo partes nem pecas de máquinas independentemente de sua qualificação tecnológica, se enquadrem no que ficou exposto na parte final do subitem 10.1 (se consumirem em decorrência de um contato fisico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida). 11. Em resumo, geram direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matérias-primas, produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como desgaste, o dano ou a perda de propriedades fisicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, vice-versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem industrializado, desde que não devam, em face dos princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. (.). (negritos acrescidos)" A leitura da parte do Parecer CST n". 65, de 1979, antes - reproduzida, demonstra objetivo do ato de esclarecer a equivocada interpretação de que quaisquer elementos consumidos nas instalações da contribuinte ou utilizados nos limites do seu parque industrial, certamente necessários ao desenvolvimento de suas atividades, ainda que indiretamente, 8 • Processo n° 13660.000064/2003-30 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.159 Fl. 165 *1 sejam considerados matéria-prima ou produto intermediário com o fim de gerarem o respectivo direito ao crédito e serem, obviamente, o IPI incidente sobre suas aquisições incluídos no cômputo do saldo credor trimestral com direito ao ressarcimento. Torna-se patente, assim, que nem tudo que se consome ou se utiliza na produção pode ser conceituado como matérias-primas ou produtos intermediários, de acordo com a legislação do 1171 e ainda que sejam consumidas no processo de industrialização. É de se concluir, portanto, que não podem ser computados no saldo credor trimestral, uma vez que não revestem a condição de matéria-prima ou produto intermediário, nos termos da legislação de regência, os fios de aço recartilhado e as barras de aço, consignados na nota fiscal de fl. 105, pois não tem contato direto com os produtos em fabricação. Resta esclarecer à interessada que não se incluem na conceituação de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, aquisições de produtos empregados na movimentação ou na fase de mineração e extração de produtos minerais, pois tais atividades estão fora do conceito de industrialização no que tange à legislação do IPI, conforme dispõe art. 8" do RIPI/1998, cuja matriz legal é o art. 3" da Lei n" 4.502, de 1964: Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4`; de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento." De fato, o crédito presumido é uma subvenção que visa incrementar as exportações brasileiras. O objetivo expresso do legislador foi o de estimular as exportações de empresas industriais (produtor-exportador) e a atividade industrial interna, mediante o ressarcimento das contribuições COFINS e PIS incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de insumos utilizados no processo produtivo. Mas isso não significa uma interpretação ampla, a ponto de se incluir como insumo toda e qualquer aquisição que venha a ser utilizada "para" e não "na" industrialização do produto. É necessário a meu ver, certa distinção. Na industrialização propriamente dita são necessárias aquisições de específicos insumos. Já, "para a" industrialização, certamente são também necessários diversos elementos, tais como: maquinários, equipamentos, peças, utensílios, pessoal técnico etc, substituíveis em espécie, sem a alteração do produto final. Daí, se dizer com certa propriedade que, aquilo que se agrega ou mantém contato direto ao produto é certamente insumo básico ou produto intermediário ou material de embalagem. Conseqüentemente, o insumo utilizado na consecução do produto final, somente será produto intermediário, se tiver contato direto com o produto final. A seu turno, o parágrafo único do artigo 3° da Lei n° 9.363/96 determina que seja utilizada, subsidiariamente, a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI para a demarcação dos conceitos de matérias-primas e produtos intermediários, o que é . confirmado pela Portaria MF n° 129, de 05/04/95, em seu artigo 2°, § 3.. Destarte, conceitualmente, encontramos no artigo 82, I, do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto n° 87.981/82, (reproduzido pelo inciso I do art. 147 do Decreto n° 2.637/1988 — RIPI/1988), as seguintes regras: 9 Processo n°13660.000064/2003-30 S2-CITI Acórdão n.°2101-00.159 Fl. 166 "Art. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se: I — do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto os de aliquota zero e os isentos, incluindo-se, entre as matérias-primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no _processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente." (grifos, não do original). Da exegese desse dispositivo legal, onde utilizado a palavra "no" processo de industrialização, bem como "forem consumidos no processo de industrialização" quer me parecer — diretamente na industrialização. Destarte, penso equivocado se defender que o fio de aço/barra de aço (Nota Fiscal glosada — IMOS) e outros mencionados pela recorrente de forma genérica, possam ser rotulados como insumo ou matéria-prima, propriamente dito, visto não se inserir no processo de transformação do qual resultará a mercadoria industrializada. (ii) da necessidade de Diligência/perícia no local da produção; A contribuinte reitera em sede de recurso voluntário o seu pedido de prova pericial sob o argumento de que a sua falta cerceia o seu direito de defesa. Não se verifica nos autos qualquer justificativa para a realização de prova pericial. A prova deve ser produzida, antes de qualquer outra razão, com o fim de firmar o convencimento do julgador, que pode ter a necessidade, em face da presença de questões de difícil deslinde, de municiar-se de mais elementos de prova. Deste modo, destinam-se as diligências/perícias à formação da convicção do julgador, devendo limitar-se ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos. Não devem se estender à produção de novas provas ou à reabertura, por via indireta, da ação fiscal. Se os dispositivos legais em vigor e os documentos acostados aos autos foram suficientes para formar o convencimento do julgador, não há que se falar em perícia ou diligência. Rejeito, pois o pedido formulado. (ii) atualização do crédito pela taxa Selic. Inicialmente cabe dizer, quanto à atualização monetária dos créditos pretendidos, que o pedido não foi submetida a exame em primeira instância. Isto porque alguns Conselheiros defendem o entendimento de que teria ocorrido a figura da preclusão, (art. 16, III, do Decreto n°70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93). 10 .., N. Processo n° 13660.000064/2003-30 52-C1T1 Acórdão n.° 2101 -00.159 Fl. 167 P_, No entanto, entende esta Conselheira que em matéria de atualização monetária não há que se falar em preclusão pelas razões a seguir expostas: (i) O direito aos juros independe de pedido, e a taxa Selic nada mais é do que um critério para o cálculo dos juros, que passou a ser adotado a partir de 1 0/01/96, por força do art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95. (ii) Há de se lembrar inexistir no formulário de ressarcimento campo especifico para inclusão da solicitação da atualização do crédito. (iii) Se entendermos que a Taxa SELIC corresponde ao um misto de juros e correção monetária, com mais razão não se poderá falar em PRECLUSÃO porque a correção monetária deve ser assegurada ao credor, ainda que não pedida (na primeira ou segunda instância) e ainda que a seu respeito seja omisso o acórdão. Neste sentido tomou-se pacifica a jurisprudência, inclusive no Superior Tribunal de Justiça, como se vê das anotações do respeitável doutrinador Theotônio Negrão: "Incidência genérica da correção monetária. A Correção monetária é extensiva a todos os débitos resultantes de decisão judicial (RSTJ 31/318, STJ-RT 738/253). 'é entendimento já consolidado nesta Corte de que a evolução dos fatos económicos tornou insustentável a não incidência da correção monetária, sob pena de prestigiar-se o enriquecimento sem causa do devedor, sendo ela imperativo económico, jurídico e ético indispensável à plena indenização dos danos e ao fiel e completo adimplemento das obrigações' (RSTJ 84/268). ... 'A correção Inonetária não constitui acréscimo, mas simples recomposição da moeda corroída pela espiral inflacionária."(RSTJ 71/367). No mesmo sentido: R57'J 23/397, 38/125. 'A correção monetária não se constitui em um 'plus', senão em mera atualização da moeda, aviltada pela inflação, impondo-se como um imperativo de ordem jurídica, económica e ética. Jurídica, porque o credor tem o direito tanto de ser integralmente ressarcido dos prejuízos da inadimplência, como o de ter por satisfeito, em toda a sua inteireza, o seu crédito pago com atraso. Económica, porque a correção nada mais significa, senão um mero instrumento de preservação do valor do crédito. Ética, porque o crédito pago sem correção importa em um verdadeiro enriquecimento sem causa do devedor, e a ninguém é lícito tirar proveito de sua própria inadimplência.(RSTJ 74/387).1". YE"'Superada a questão da preclusão passo às razões do porque entendo que a contribuinte possui o direito de ter o seu crédito deferido, atualizado pela taxa Selic. . 1 Theotemio Negrão e José Roberto Ferreira Gouvea, aligo de Fauno Citil e Legálagio Processual em Vigor, 35 1 ed., São Paulo: Saraiva, 2003, p. 1978. f i i Processo n° 13660.000064/2003-30 52-CIT1 Acórdão n.°2101-00.159 Fl. 168 Penso que somente a partir da data de protocolização do respectivo pedido e o do efetivo ressarcimento, por imposição dos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, nada mais justo que à contribuinte titular do direito ao crédito de IPI, garanta-se o direito à atualização monetária pela SELIC, nesse período, nos moldes aplicáveis na cobrança, restituição ou compensação dos tributos e contribuições federais. Isto porque a demora própria do andamento fiscal, e a correspondente defasagem monetária do crédito, não podem ser carregadas como ônus do contribuinte, sob pena de ficar comprometido, pelo menos em parte, o valor ressarcido, que se busca preservar. A negativa de aplicação da taxa Selic, nos ressarcimentos de crédito do IPI, por parte dos julgadores administrativos tem sido fundamentada em duas linhas de argumentação: uma, no entendimento de que seria indevida a correção monetária, por ausência de expressa previsão legal, e a outra considera cabível a correção monetária até 31 de dezembro de 1995, por analogia com o disposto no art. 66, § 3°, da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, não admitindo contudo a correção a partir de 1° de janeiro de 1996, com base na taxa Selic, por ter ela natureza de juros e alcançar patamares muito superiores à inflação efetivamente ocorrida. Não comungo de nenhum desses entendimentos, pois, sendo a correção monetária mero resgate do valor real da moeda, é perfeitamente cabível a analogia com o instituto da restituição para dispensar ao ressarcimento o mesmo tratamento, como o faz a segunda linha de argumentação acima referida, à qual não me alio porque, no meu entender, a extinção da correção monetária a partir de 1° de janeiro de 1996 não afasta, por si só, a possibilidade de incidência taxa Selic nos ressarcimentos. Entendo que, se sobre os indébitos tributários incidem juros moratórios, também nos ressarcimentos, analogamente à correção monetária, esses juros são cabíveis. • Registre-se, entretanto, que os indébitos e os ressarcimentos se diferenciam no aspecto temporal da incidência da mora, visto que o indébito caracteriza-se como tal desde o seu pagamento, podendo ser devolvido desde então. Já os créditos de IPI devem antes ser compensados com débitos desse imposto na escrita fiscal e somente se tornam passíveis de ressarcimento em espécie quando não houver possibilidade de se proceder a essa compensação, cabendo então a formalização do pedido de ressarcimento pelo contribuinte que fará as provas necessárias ao Fisco. Destarte, pode-se afirmar que a obrigação de ressarcir em espécie nasce para o Fisco apenas a partir desse pedido, portanto, somente com a protocolização do pedido de ressarcimento, pode-se falar em ocorrência de demora do Fisco em ressarcir o contribuinte, havendo, pois, a possibilidade de fluência de juros moratórios. Ademais, o simples fato de a taxa de juros eleita por lei para a administração tributária ser compensada pela demora no pagamento dos seus créditos e compensar o contribuinte pela demora na devolução do indevido alcançar patamares superiores ao da inflação não pode servir à negativa de compensar o contribuinte pela demora do Fisco no ressarcimento. Alguns, poderiam questionar o por quê da escolha da taxa Selic. Penso que a sua aplicação caminha ao lado daquele adotado na legislação, nos pedidos de restituição, compensação e cobrança de créditos da União. 12 Processo n• 13660.000064/2003-30 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.159 Fl. 169 Em verdade, o Fisco exige ou paga ao contribuinte aquilo que a União paga para tal captação. Nesse sentido, "os juros" são devidos por representar remuneração do capital, que perniáneceu à disposição da empresa, e não guardam natureza de sanção. Por esses motivos, a exemplo do ocorrido na cobrança, restituição ou compensação dos tributos e contribuições federais é que entendo que a escolha da taxa Selic reflete a melhor opção. Devida assim a atualização monetária para a parte homologada da compensação, somente a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento, com a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - Sebe, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao pagamento e de 1% no mês do pagamento. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, somente para reconhecer o direito da contribuinte de atualizar o crédito deferido a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento, com a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - Selic, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao pagamento e de 1% no mês do pagamento. Sala das Sessões, em 08 de maio de 2009. ' MARIA TER MARTINEZ LÓPEZ Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO CARLOS ATULIM, Designado quanto à correção do ressarcimento pela taxa Sebe O art. 66 da Lei ri2 8.383/91, assim dispõe: "A ri. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciá rias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de unportáncia correspondente a períodos subseqüentes. § 1° A compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie. § 2° É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3° A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da Ujir. 4° O Departamento da Receita Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo." 13 Processo ri° 13660.00006412003-30 52-CITI Acórdão n.• 2101 -00.159 Fl. 170 Este dispositivo teve sua redação alterada pelo art. 58 da Lei n 9.069, de 29/06/95, verbis: "Art. 58. O inciso III do art. 10 e o art. 66 da Lei n"8.383, de 30 de dezembro de 1991. passam a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § I" A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2" É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3° A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4"As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo." Já o art. 39 da Lei nça 9.250/95, estabelece que: "Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei n" 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § I" (VETADO) § 2° (VETADO) § 3° (VETADO) § 4" A partir de 1" de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de I% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada." Conforme se pode verificar, todos os dispositivos legais acima se referem à compensação ou restituição, que são espécies do gênero repetição de indébito. Portanto, é lógico inferir que a restituição e a compensação, pressupõem a existência de um pagamento 14 , 4- Processo n°13660.000064/2003-30 S2-CIT1 Acórdão n.• 2101-00.159 A. 171 .' 1J anterior efetuado pelo sujeito passivo, pagamento este indevido ou efetuado em montante maior do que o que seria devido. Ora, no caso dos autos o crédito não se originou de nenhum indébito tributário. Tratando-se de ressarcimento de créditos de IPI, consubstancia-se em mera liberalidade do sujeito ativo do tributo que, ao concedê-lo, decidiu fazê-lo sem a aplicação de correção monetária ou de juros, dado o silêncio das normas específicas que regem a espécie e da referência efetuada tão-somente em relação à repetição de indébito, nas normas acima transcritas. Inaplicável, portanto, o Parecer AGU n' 01/96, visto que só se referiu à repetição de indébito. Na verdade, o argumento em sentido contrário invoca a aplicação analógica da lei, o que significa admitir a existência de uma lacuna que deveria ser colmatada por aquela técnica de integração. O art. 108 do CTN estabelece que as formas de integração das lacunas na legislação tributária são a analogia, os princípios gerais de direito tributário, os princípios gerais de direito público e a eqüidade, os quais devem ser aplicados sucessivamente e na ordem indicada na lex legam. Leciona Maria Helena Diniz que: "A analogia é, portanto, um método quase-lógico que descobre a norma implícita existente na ordem jurídica. É tão-somente um processo revelador de normas implícitas. Requer a aplicação analógica que: I) o caso sub Adice não esteja previsto em norma jurídica; 2) o caso não contemplado tenha com o preváto, pelo menos, uma relação de semelhança; 3)o elemento de identidade entre eles não seja qualquer um, mas sim essencial, ou seja, deve haver verdadeira semelhança e a mesma razão entre ambos.(in: Curso de Direito Civil Brasileiro. Vol. I. São Paulo: Saraiva, 10" ed., 1994, pp.54/55)". Ora, no caso dos autos o terceiro requisito para aplicação analógica da lei não restou caracterizado porque os fundamentos, os motivos, ou seja, as razões que fundamentam os institutos do ressarcimento e da repetição do indébito são totalmente distintas. No caso da repetição de indébito, a devolução das importâncias se assenta na preexistência de um pagamento indevido cuja devolução é reclamada com base no principio geral de direito que veda o locupletamento sem causa. Já no caso de ressarcimento de créditos incentivados, o pagamento efetuado pelo sujeito passivo era devido mas a devolução das quantias se assenta única e ". exclusivamente na renúncia unilateral de valores que foram licitamente recebidos pelo sujeito ativo do tributo. 15 11- Processo n• 13660.000064/2003-30 S2-CITI • Acórdão n°2101 .00.159 Fl. 172N. i, Como se vê, nos dois casos ocorrem devoluções de quantias ao contribuinte, mas estas devoluções ocorrem por razões distintas. A finalidade do ressarcimento é produzir uma situação de vantagem para determinados contribuintes que atendam a certos requisitos fixados em lei, para incrementar as respectivas atividades; enquanto que a finalidade da repetição do indébito é prestigiar o princípio que veda o enriquecimento sem causa. Nesse passo, não há como conceder o ressarcimento de créditos originados de incentivo fiscal com fundamento nos princípios da isonomia, da finalidade e da repulsa ao emiquecimento sem causa, porque os dois institutos não apresentam a mesma ratio. Actescente-se a tudo isso que o art. 3 2, II, da Lei r12 8.748/93, estabeleceu expressamente distinção entre repetição de indébito e ressarcimento de créditos de 21, o que toma ilegal a aplicação de qualquer acréscimo ao ressarcimento Do mesmo modo, não há como fundamentar tal concessão com base na demora da apreciação dos processos pela Receita Federal. É certo que a teor do art. 49 da Lei n2 9.784, de 29/01/1999, a Administração tem até 60 dias para decidir o processo, a partir do encerramento da instrução (e não da data de seu protocolo). Entretanto, se a Administração não se desincumbir de seu dever legal, o remédio adequado para sanar a omissão não é a aplicação de correção monetária ou de juros de mora, mas sim a ação judicial que o contribuinte entender cabível para constranger a Administração a se manifestar. Em face do exposto, divido da ilustre Relatora e voto no sentido de negar provimento ao recurso também quanto correção do ressarcimento pela taxa Selic. Sala das Seeões, em 08 ç maio de 2009. -- g-, ANTO IO CARLOS A LIM _ 16 Page 1 _0035300.PDF Page 1 _0035400.PDF Page 1 _0035500.PDF Page 1 _0035600.PDF Page 1 _0035700.PDF Page 1 _0035800.PDF Page 1 _0035900.PDF Page 1 _0036000.PDF Page 1 _0036100.PDF Page 1 _0036200.PDF Page 1 _0036300.PDF Page 1 _0036400.PDF Page 1 _0036500.PDF Page 1 _0036600.PDF Page 1 _0036700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10940.721231/2013-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO.
Na determinação da base de cálculo do imposto de renda, poderão ser deduzidas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se referia o art. 1.124-A da Lei n° 5.869, de 1973, e que, atualmente, se refere o art. 733 da Lei n° 13.105, de 2015.
Numero da decisão: 2401-006.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentes as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. Na determinação da base de cálculo do imposto de renda, poderão ser deduzidas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se referia o art. 1.124-A da Lei n° 5.869, de 1973, e que, atualmente, se refere o art. 733 da Lei n° 13.105, de 2015.
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. Recorrente FREDERICO MERCER GUIMARÃES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. Na determinação da base de cálculo do imposto de renda, poderão ser deduzidas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se referia o art. 1.124A da Lei n° 5.869, de 1973, e que, atualmente, se refere o art. 733 da Lei n° 13.105, de 2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentes as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 72 12 31 /2 01 3- 17 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10940.721231/201317 Acórdão n.º 2401006.105 S2C4T1 Fl. 150 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a Impugnação apresentada contra Notificação de Lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física (fls. 41/44), anocalendário 2011, tendo sido apurada Dedução Indevida de Pensão Alimentícia, no valor de R$ 40.013,86, por falta de apresentação de escritura pública, decisão judicial ou acordo homologado judicialmente para Annelise S. Mercer (R$ 19.850,00) e por falta de apresentação de escritura pública, decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e de comprovação dos pagamentos para Eunice M. G. Guimarães (R$ 20.163,86). O contribuinte apresentou impugnação (fls. 02/05) e documentos (fls. 06/37), considerada tempestiva, alegando que (a) apresentou em 03/05/2013, dentro do prazo legal, justificativa e farta documentação; (b) em relação à filha Annelise, apresentou escritura pública e prova de que cursava faculdade; e (c) em relação à outra pensão, apresentou prova de desconto em folha de pagamento e de constar na declaração da beneficiária. Do Acórdão atacado (fls. 57/60), em síntese, extraise que (a) indeferese o pedido para restabelecerr a despesa de R$ 19.850,00, valor pago a Annelise Schneider Mercer, pois, para fins de dedução da base de cálculo do imposto, a legislação exige Escritura Pública de Separação/Divórcio Consensual (artigo 1º da IN RFB nº 803/2007 e artigo 1.124A do CPC), não sendo hábil para tal fim a Escritura Pública Declaratória constante das fls. 18/19; e (b) a Justiça em 29/08/2008 determinou o desconto de pensão em favor de Eunice Mercer Gonçalves Guimarães, observando que "qualquer novo reajuste legal deve incidir sobre os valores devidos a título de pensão alimentícia", o que dá amparo à dedução do valor de R$ 20.163,86, conforme demonstram pesquisas feitas no sistema informatizado da RFB (Portal IRPF/Dirf Completa, anoscalendário 2008 e 2011) e o conteúdo dos documentos acostados às fls. 12/17. Intimado em 06/10/2014 (fls. 64), o contribuinte interpôs em 05/11/2014 (fls. 65) recurso voluntário (fls. 65/73) acompanhado de documentos (fls. 74/146), em síntese, alega: (a) paga pensão para sua fílha universitária Annelise e esta os declara, com lastro em Escritura Pública e os pagamentos estão documentados por recibos, não havendo fraude; (b) apesar de a pensão alimentícia não decorrer de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, faz jus à dedução, eis que o art. 8º , II, f, da Lei nº 9.250, de 1995, autoriza dedução do pago a título de pensão alimentícia com base nas normas de Direito de Família, como ocorreu no caso concreto a partir da Escritura Pública; (c) há jurisprudência amparando esse entendimento; (d) não merece prosperar a interpretação literal da DRJ e nem a restritiva, devendo o dispositivo ser conjugado ao Sistema Tributário Nacional; e (e) entendimento contrário viola os princípios da razoabilidade, devido processo legal, da igualdade e da liberdade e ensejaria penalidade ao alimentante, tornando inócua a norma do art. 43 do CTN, eis que não há incorporação de riqueza nova ao patrimônio já existente. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10940.721231/201317 Acórdão n.º 2401006.105 S2C4T1 Fl. 151 3 Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Não se afirmou haver fraude por suposta não comprovação dos pagamentos efetuados para Annelise S. Mercer, apenas se afirmou a não exibição da Escritura Pública a que se referia o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 1973, eis que foram apresentadas apenas a Escritura Pública Declaratória tendo por declarante Giane Mendes Vieira, mãe de Annelise S. Mercer, lavrada em 30/04/2013 (fls. 18/19), e a Escritura Pública Declaratória tendo por declarante Annelise S. Mercer, lavrada em 30/04/2013 (fls. 20/21 e 89/90). A recorrente susenta ser cabível interpretação sistemática do art. 8º, II, f, da Lei nº 9.250, de 1995, a ponderar o art. 43 do CTN (ausência de riqueza nova) em interpretação sistemática e os princípios constitucionais da razoabilidade, devido processo legal, da igualdade e da liberdade, bem como jurisprudência não vinculante. Contudo, a interpretação literal do art. 4º , II, da Lei nº 9.250, de 1995, revela rol taxativo. Além disso, por força do art. 111 do CTN, a interpretação desse dispositivo deve ser literal e o presente colegiado é incompetente para declarar a inconstitucionalidade dos arts. 4º , II, e 8º , II, f, da Lei nº 9.250, de 1995, por suposta ofensa a princípios constitucionais (Súmula CARF nº 2) ou mesmo ilegalidade por ofensa ao CTN. Portanto, os valores pagos no anocalendário de 2011 para a filha Annelisa foram amparados apenas por Escritura Pública Declaratória, não sendo possível a dedução da base de cálculo do IRPF, eis que a norma legal exige que o pagamento seja precedido de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se referia o art. 1.124A da Lei n 5.869, de 1973, e que, atualmente, se refere o art. 733 da Lei n 13.105, de 2015. Isso posto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 151DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.902508/2011-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador:31/12/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-006.244
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 25 08 /2 01 1- 04 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13502.902508/201104 Acórdão n.º 3402006.244 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, em razão do sistema da Receita Federal apurar que o pagamento em questão foi utilizado integralmente para quitar débitos. Tempestivamente, a manifestante alegou que, na data em destaque recolheu o IPI a maior, porém, ao tomar ciência do Despacho Denegatório constatou que não mais poderia retificar a respectiva DCTF, por ter sido ultrapassado o prazo de cinco anos. Diante disso requer a retificação de ofício, o reconhecimento do direito creditório e a homologação dos débitos que declarou. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14042.358, que firmou entendimento de que é ônus processual da interessada fazer prova dos fatos constitutivos de seu direito, o que não ocorreu no caso em apreço. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.237, de 26 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 13502.902501/201184, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.237): "I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto 5. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 6. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13502.902508/201104 Acórdão n.º 3402006.244 S3C4T2 Fl. 0 3 7. Pois bem. No presente caso o Recorrente foi cientificado eletronicamente da decisão guerreada em 05 de julho de 2013 (sextafeira), o que seu deu pela ciência por decurso de prazo, já que o contribuinte não promoveu a abertura do email encaminhado em sua caixa postal. Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal teve início em 08 (oito) de julho de 2013 (segundafeira), vencendo, por sua vez, no dia 06 (seis) de agosto de 2013 (terçafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto mediante postagem por correio efetuada em 07 (sete) de agosto de 2013 (quartafeira) (fl. 35), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 8. Patente está, portanto, a intempestividade do recurso voluntário interposto. Dispositivo 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.900812/2008-94
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO.
Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015
Numero da decisão: 9303-008.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
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DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3302002.375, de 27/11/2013, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 08 12 /2 00 8- 94 Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10920.900812/200894 Acórdão n.º 9303008.199 CSRFT3 Fl. 416 2 O Colegiado da Câmara Baixa, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar que a autoridade da RFB apure a certeza e liquidez do crédito financeiro pleiteado e homologue a compensação até o limite apurado, nos termos da seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte." Intimada do acórdão, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, suscitando divergência, quanto à determinação do Colegiado da Câmara Baixa para que a autoridade da RFB apure a certeza e liquidez do crédito financeiro pleiteado/compensado pelo contribuinte, considerando as provas trazidas aos autos e outras que julgar conveniente, e homologue a compensação declarada, até o limite reconhecido. No seu entendimento, como a DCTF retificadora foi apresentada depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório que não homologou a Dcomp, aquela declaração não produz efeitos tributários. Alegou ainda que o crédito financeiro declarado na Dcomp só foi demonstrado em data posterior da à intimação da sua não homologação. Por meio do Despacho de Exame de Admissibilidade às fls. 334e/337e, o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF deu seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Intimado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho da sua admissibilidade, o contribuinte apresentou contrarrazões, requerendo a manutenção da decisão recorrida pelos seus fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, porém não deve ser conhecido por não cumprir com os requisitos essenciais de admissibilidade, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 67. A Fazenda Nacional suscitou divergência, quanto à decisão do Colegiado da Câmara Baixa de retornar os autos à unidade de origem para que a autoridade da RFB apure a Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10920.900812/200894 Acórdão n.º 9303008.199 CSRFT3 Fl. 417 3 certeza e liquidez do crédito financeiro pleiteado/compensado pelo contribuinte, considerando as provas trazidas aos autos e outras que julgar conveniente, e homologue a compensação declarada, até o limite reconhecido. Para comprovar a divergência, apresentou como paradigma os acórdãos nºs 10517.143 e 120200.532, cujas ementas assim dispõem: Acórdão nº 10517.143: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003 LIMITES DA LIDE ‑ INOVAÇÃO ‑ DIREITO CREDITÓRIO NÃO EXPRESSO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ‑ Não cabe a análise de eventual direito creditório correspondente a saldo negativo de IRPJ apurado por empresa incorporada pela recorrente, se esse pleito não restou expresso e demonstrado desde o início, quando da apresentação da declaração de compensação. A alegação, trazida por ocasião da manifestação de inconformidade, constitui inovação na lide. Assim, correta a decisão recorrida, que dela não conheceu. RETIFICAÇÃO DE DIPJ APÓS DECISÃO ADMINISTRATIVA EM PROCESSO DE COMPENSAÇÃO ‑ DESCABIMENTO DA ANÁLISE NO MESMO PROCESSO ‑ Os eventuais direitos creditórios, oriundos de retificação de DIPJ efetuada após a decisão administrativa em processo de compensação, não mais podem ser apreciados no mesmo processo, por se tratar de inovação em relação à matéria originalmente discutida”. (grifos do original). Acórdão nº 120200.532: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO. Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. PER/DCOMP. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. Após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação informada no pedido/declaração PER/DCOMP, tornase inviável a alteração das informações contidas no pedido já formulado. DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO. A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de ofício, somente pode ser desconstituído com base em Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10920.900812/200894 Acórdão n.º 9303008.199 CSRFT3 Fl. 418 4 elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada." Já o acórdão recorrido foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte." Do exame dessas ementas, verificase que os acórdãos paradigmas não têm relação alguma com a matéria decidida no acórdão recorrido. Neste, o Colegiado decidiu que cabe à autoridade da RFB apurar a certeza e a liquidez do crédito financeiro pleiteado/compensado, com base nas provas carreadas aos autos e outras que julgar conveniente e, posteriormente, homologue a Dcomp até o limite do valor total reconhecido ao contribuinte. Contudo, no acórdão paradigma nº 10517.143, decidiuse sobre inovação do direito creditório não expresso na declaração de compensação (Dcomp) e sobre retificação de DIPJ, neste caso, seria de DCTF; e, no paradigma nº 120200.532, decidiuse sobre: a) pagamento indevido ou a maior e sua utilização na homologação de compensação; b) alteração de Per/Dcomp; e, c) redução de débito confessado em DCTF. A falta de similitude entre as matérias decididas no acórdão recorrido e as dos acórdãos paradigmas implica o não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, conforme dispõe o art. 67 do RICARF. À luz do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10920.900812/200894 Acórdão n.º 9303008.199 CSRFT3 Fl. 419 5 Fl. 419DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.911830/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESTITUIÇÃO Recorrente AUTOTRAC COMÉRCIO E TELECOMUNICAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de restituição de crédito oriundo de pagamento indevido da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico Cide, com origem no mês de janeiro de 2006. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Cuidam os autos da Compensação de crédito de Pagamento Indevido da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), período de apuração setembro/2006, com débito próprio da contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 11 83 0/ 20 09 -7 1 Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10166.911830/200971 Resolução nº 3201001.826 S3C2T1 Fl. 211 2 Irresignada com o não reconhecimento do crédito solicitado pela instância "a quo", a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: Por força do art. 2º da Lei 10.168/2000, parágrafo 1A, redação dada pela Lei 11.542/2007, determinou que a contribuição de que trata este artigo (CIDE) não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou direitos de comercialização ou distribuição de programas de computadores; Por isso, promoveu o crédito/compensação dos valores pagos indevidamente, referentes à CIDE apurada no período de janeiro de 2006 a janeiro de 2007, considerando os aspectos legais de vigência estabelecidos em conformidade com o art. 21, da referida Lei, que contemplou a não incidência a partir de janeiro/2006; Em 18/06/2009 protocolou consulta acerca da matéria, em homenagem aos princípios da boafé, em especial quanto aos procedimentos por ela adotados quanto à compensação dos valores pagos indevidamente (processo administrativo nº 10166.006204/200961. Anexa também a folha do Razão Contábil contemplando o estorno do valor da CIDE pago indevidamente, referente ao pagamento de licença de uso. Na consulta pediu esclarecimento qual o procedimento apropriado em relação aos valores dos débitos declarados em Dctf, tendo em vista que em face da não incidência no período passaram a ser zero (zero), caso que a Dctf não admite alteração para valor de débito igual a zero. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/BSB n.º 03 051.627, de 11/04/2013 (fls. 88 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a inexistência do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10166.911830/200971 Resolução nº 3201001.826 S3C2T1 Fl. 212 3 Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 120 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, repete argumentos já declinados em sua manifestação de inconformidade. Mas acresce que apresentou todos os documentos previstos na legislação para comprovar o seu direito, somados a outros agora anexados ao recurso voluntário. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente teve indeferido pedido eletrônico de restituição de crédito decorrente de pagamento a maior da Cide, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando saldo disponível para a restituição requerida. Contestada a decisão, a DRJ julgoua improcedente. E fêlo com base nos seguintes argumentos: No caso em análise, a contribuinte esclarece que deveria ser retificada a DCTF do período, o que comprovaria a existência do crédito, pois o débito foi considerado indevido pela Lei (não incidência da CIDE no período). Notase, então, que o crédito que a interessada alega possuir seria decorrente de apuração de valor indevido, circunstância legal autorizada em data posterior à época da entrega da DCTF original. No entanto, neste momento processual, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a inexistência do valor do débito correspondente a cada período de apuração, conforme previsto no art. 923 do RIR/99, transcrito a seguir: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Ainda, neste caso, o ônus da prova recai sobre a contribuinte interessada, que deve trazer aos autos elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. Logo, não cabe ao Fisco obter provas de que a contribuinte teria informado débito a maior em sua declaração. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333: Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10166.911830/200971 Resolução nº 3201001.826 S3C2T1 Fl. 213 4 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Logo, a simples entrega da declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior ou indevido, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em Dcomp, ainda que aquela retificadora tivesse sido enviada antes da emissão do Despacho Decisório. Na espécie, a contribuinte apenas traz uma folha do Razão Analítico Individual, cópia onde totaliza o valor do período de 01/01/2007 a 31/12/2007 (fl. 78). Além disso, os períodos de apuração dos pagamentos indevidos se referem ao anobase 2006. Assim, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. Portanto, para a DRJ, não haveria provas do crédito que se alega possuir. Com efeito, anexada a sua primeira peça de defesa, a Recorrente trouxe, além de cópia do DARF respectivo, cópia do Razão Analítico referente ao ano de 2007, no qual se encontra o registro contábil do estorno do lançamento anterior (com o valor do suposto indébito corrigido), efetuado quando do pagamento da Cide. Agora, em sede de Recurso Voluntário, também traz aos autos cópia do Razão Consolidado de 2006, no qual se encontra informado o lançamento contábil original. Notese, por importante, tratarse de pedido apreciado por meio de despacho eletrônico, de modo que não houve intimação prévia a sua ciência para a apresentação de esclarecimentos adicionais ou para a entrega de documentos necessários à comprovação do crédito1, tampouco a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de permitilo à Recorrente. Nesse contexto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise os documentos acostados aos autos pela Recorrente, inclusive ao Recurso Voluntário, e, se entender necessário, intime a Recorrente a promover a entrega de outros documentos (contratos etc.) imprescindíveis à apreciação do alegado indébito. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. 1 Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10166.911830/200971 Resolução nº 3201001.826 S3C2T1 Fl. 214 5 Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 214DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.900171/2011-32
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/2005
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DUPLICIDADE DE PEDIDO. NÃO RECONHECIMENTO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Considerando-se que o crédito pleiteado já foi reconhecido em processo administrativo diverso, resta caracterizada a duplicidade de pedido e resulta indeferimento do direito creditório com não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1003-000.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DUPLICIDADE DE PEDIDO. NÃO RECONHECIMENTO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Considerando-se que o crédito pleiteado já foi reconhecido em processo administrativo diverso, resta caracterizada a duplicidade de pedido e resulta indeferimento do direito creditório com não homologação da compensação.
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score : 1.0
Numero do processo: 11634.720088/2017-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012, 2013, 2014
RECEITA BRUTA CONHECIDA. OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO PRESUMIDO. APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL.
Constatada a existência de notas fiscais de vendas informadas no SPED sem qualquer registro ou informação nas DIPJ (declarações entregues sem movimento), correta a apuração da receita bruta com base nas notas fiscais de vendas, excluídas as vendas canceladas, devoluções e descontos incondicionais.
Embora não apresentada a escrituração contábil/fiscal pela contribuinte, mas conhecida a receita bruta tributável com base nas notas fiscais constantes do SPED, correta a aplicação do regime do lucro presumido, opção manifestada pelo sujeito passivo nas declarações entregues ao Fisco.
VENDAS DE ANIMAIS VIVOS NO MERCADO INTERNO. RECEITA CONHECIDA. OMISSÃO DE RECEITAS. PIS E COFINS.
Constatada a existência de notas fiscais de vendas informadas no SPED sem qualquer registro ou informação nas DIPJ (declarações entregues sem movimento), correta a apuração da receita bruta com base nas notas fiscais de vendas, excluídas as vendas canceladas, devoluções e descontos incondicionais.
Ex vi do art. 54 da Lei 12.350, de 2010, e alterações, combinado com art. 2º da IN RFB 1.157, de 2011, fica suspenso o pagamento de PIS e Cofins sobre a receita bruta da operação de venda de animais vivos no mercado interno destinada a frigorífico, abatedouro e outro estabelecimento, quando constar consignado, de forma expressa, no corpo da nota fiscal respectiva a observação "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da Coflns da Lei 12.350, de 2010", A citada observação no corpo na nota fiscal de venda de animais vivos no mercado interno é condição indispensável para concreção, efetivação ou gozo do benefício fiscal (saída com suspensão do pagamento de PIS e Cofins).
A marcação da nota fiscal de que o animal vivo entrou no estabelecimento adquirente com suspensão do pagamento do PIS/Cofins é essencial, indispensável, para gozo desse benefício fiscal e para evitar que o estabelecimento destinatário utilize a entrada para creditamento desses tributos, pois os frigoríficos, abatedouros e outros estabelecimentos aptos a realizar o abate dos animais vivos e o processamento dos produtos cárneos podem dar saída a esses produtos com alíquota zero - conforme artigo 1º, inciso XIX da Lei 10.925/2004 (alterada pela Lei 12.839/2013).
Assim, quanto às vendas de animais vivos efetuadas, no mercado interno, destinadas a frigoríficos, abatedouros e outros estabelecimentos aptos a realizar o abate dos animais vivos, em que não houve o registro no corpo da nota fiscal de saída da expressão ""Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da Coflns da Lei 12.350, de 2010", incide a exigência, cobrança, de PIS e Cofins nessas operações de saídas com destino a frigoríficos, abatedouros e outros estabelecimentos aptos a realizar o abate dos animais vivos.
MULTA QUALIFICADA. DOLO DE FRAUDE E SONEGAÇÃO FISCAL.
Comprovada a prática de atos visando fraudar a ocorrência do fato gerador, bem como ocultar do Fisco o conhecimento da obrigação tributária, aplica-se a multa de ofício no percentual de 150%.
SUJEIÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SÓCIO-ADMINISTRADOR.
Respondem solidariamente com a empresa autuada pelos créditos tributários as pessoas que agiram com excesso de poderes e/ou infração à lei, nos termos do artigo 135, III, do CTN.
TERMO DE ARROLAMENTO DE BENS.
O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsia referente a arrolamento de bens (Súmula CARF nº 109).
Numero da decisão: 1301-003.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em: (i) no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário; e (ii) em relação aos coobrigados, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso para excluir do pólo passivo da obrigação tributária o Senhor Ederson Aparecido dos Santos, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel, Roberto Silva Junior, Giovana Pereira de Paiva Leite e Bianca Felícia Rothschild que votaram por lhe negar provimento. Designado o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: NELSO KICHEL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013, 2014 RECEITA BRUTA CONHECIDA. OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO PRESUMIDO. APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. Constatada a existência de notas fiscais de vendas informadas no SPED sem qualquer registro ou informação nas DIPJ (declarações entregues sem movimento), correta a apuração da receita bruta com base nas notas fiscais de vendas, excluídas as vendas canceladas, devoluções e descontos incondicionais. Embora não apresentada a escrituração contábil/fiscal pela contribuinte, mas conhecida a receita bruta tributável com base nas notas fiscais constantes do SPED, correta a aplicação do regime do lucro presumido, opção manifestada pelo sujeito passivo nas declarações entregues ao Fisco. VENDAS DE ANIMAIS VIVOS NO MERCADO INTERNO. RECEITA CONHECIDA. OMISSÃO DE RECEITAS. PIS E COFINS. Constatada a existência de notas fiscais de vendas informadas no SPED sem qualquer registro ou informação nas DIPJ (declarações entregues sem movimento), correta a apuração da receita bruta com base nas notas fiscais de vendas, excluídas as vendas canceladas, devoluções e descontos incondicionais. Ex vi do art. 54 da Lei 12.350, de 2010, e alterações, combinado com art. 2º da IN RFB 1.157, de 2011, fica suspenso o pagamento de PIS e Cofins sobre a receita bruta da operação de venda de animais vivos no mercado interno destinada a frigorífico, abatedouro e outro estabelecimento, quando constar consignado, de forma expressa, no corpo da nota fiscal respectiva a observação "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da Coflns da Lei 12.350, de 2010", A citada observação no corpo na nota fiscal de venda de animais vivos no mercado interno é condição indispensável para concreção, efetivação ou gozo do benefício fiscal (saída com suspensão do pagamento de PIS e Cofins). A marcação da nota fiscal de que o animal vivo entrou no estabelecimento adquirente com suspensão do pagamento do PIS/Cofins é essencial, indispensável, para gozo desse benefício fiscal e para evitar que o estabelecimento destinatário utilize a entrada para creditamento desses tributos, pois os frigoríficos, abatedouros e outros estabelecimentos aptos a realizar o abate dos animais vivos e o processamento dos produtos cárneos podem dar saída a esses produtos com alíquota zero - conforme artigo 1º, inciso XIX da Lei 10.925/2004 (alterada pela Lei 12.839/2013). Assim, quanto às vendas de animais vivos efetuadas, no mercado interno, destinadas a frigoríficos, abatedouros e outros estabelecimentos aptos a realizar o abate dos animais vivos, em que não houve o registro no corpo da nota fiscal de saída da expressão ""Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da Coflns da Lei 12.350, de 2010", incide a exigência, cobrança, de PIS e Cofins nessas operações de saídas com destino a frigoríficos, abatedouros e outros estabelecimentos aptos a realizar o abate dos animais vivos. MULTA QUALIFICADA. DOLO DE FRAUDE E SONEGAÇÃO FISCAL. Comprovada a prática de atos visando fraudar a ocorrência do fato gerador, bem como ocultar do Fisco o conhecimento da obrigação tributária, aplica-se a multa de ofício no percentual de 150%. SUJEIÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SÓCIO-ADMINISTRADOR. Respondem solidariamente com a empresa autuada pelos créditos tributários as pessoas que agiram com excesso de poderes e/ou infração à lei, nos termos do artigo 135, III, do CTN. TERMO DE ARROLAMENTO DE BENS. O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsia referente a arrolamento de bens (Súmula CARF nº 109).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 53; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2247; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.268 1 1.267 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.720088/201704 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.737 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de fevereiro de 2019 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS E SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Recorrente MAIALE TRANSPORTADORA E COMÉRCIO DE SUÍNOS EIRELI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013, 2014 RECEITA BRUTA CONHECIDA. OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO PRESUMIDO. APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. Constatada a existência de notas fiscais de vendas informadas no SPED sem qualquer registro ou informação nas DIPJ (declarações entregues sem movimento), correta a apuração da receita bruta com base nas notas fiscais de vendas, excluídas as vendas canceladas, devoluções e descontos incondicionais. Embora não apresentada a escrituração contábil/fiscal pela contribuinte, mas conhecida a receita bruta tributável com base nas notas fiscais constantes do SPED, correta a aplicação do regime do lucro presumido, opção manifestada pelo sujeito passivo nas declarações entregues ao Fisco. VENDAS DE ANIMAIS VIVOS NO MERCADO INTERNO. RECEITA CONHECIDA. OMISSÃO DE RECEITAS. PIS E COFINS. Constatada a existência de notas fiscais de vendas informadas no SPED sem qualquer registro ou informação nas DIPJ (declarações entregues sem movimento), correta a apuração da receita bruta com base nas notas fiscais de vendas, excluídas as vendas canceladas, devoluções e descontos incondicionais. Ex vi do art. 54 da Lei 12.350, de 2010, e alterações, combinado com art. 2º da IN RFB 1.157, de 2011, fica suspenso o pagamento de PIS e Cofins sobre a receita bruta da operação de venda de animais vivos no mercado interno destinada a frigorífico, abatedouro e outro estabelecimento, quando constar consignado, de forma expressa, no corpo da nota fiscal respectiva a observação "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da Coflns da Lei 12.350, de 2010", A citada observação no corpo na nota fiscal de venda de animais vivos no mercado interno é AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 00 88 /2 01 7- 04 Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.269 2 condição indispensável para concreção, efetivação ou gozo do benefício fiscal (saída com suspensão do pagamento de PIS e Cofins). A marcação da nota fiscal de que o animal vivo entrou no estabelecimento adquirente com suspensão do pagamento do PIS/Cofins é essencial, indispensável, para gozo desse benefício fiscal e para evitar que o estabelecimento destinatário utilize a entrada para creditamento desses tributos, pois os frigoríficos, abatedouros e outros estabelecimentos aptos a realizar o abate dos animais vivos e o processamento dos produtos cárneos podem dar saída a esses produtos com alíquota zero conforme artigo 1º, inciso XIX da Lei 10.925/2004 (alterada pela Lei 12.839/2013). Assim, quanto às vendas de animais vivos efetuadas, no mercado interno, destinadas a frigoríficos, abatedouros e outros estabelecimentos aptos a realizar o abate dos animais vivos, em que não houve o registro no corpo da nota fiscal de saída da expressão ""Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da Coflns da Lei 12.350, de 2010", incide a exigência, cobrança, de PIS e Cofins nessas operações de saídas com destino a frigoríficos, abatedouros e outros estabelecimentos aptos a realizar o abate dos animais vivos. MULTA QUALIFICADA. DOLO DE FRAUDE E SONEGAÇÃO FISCAL. Comprovada a prática de atos visando fraudar a ocorrência do fato gerador, bem como ocultar do Fisco o conhecimento da obrigação tributária, aplicase a multa de ofício no percentual de 150%. SUJEIÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. Respondem solidariamente com a empresa autuada pelos créditos tributários as pessoas que agiram com excesso de poderes e/ou infração à lei, nos termos do artigo 135, III, do CTN. TERMO DE ARROLAMENTO DE BENS. O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsia referente a arrolamento de bens (Súmula CARF nº 109). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em: (i) no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário; e (ii) em relação aos coobrigados, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso para excluir do pólo passivo da obrigação tributária o Senhor Ederson Aparecido dos Santos, vencidos os Conselheiros Nelso Kichel, Roberto Silva Junior, Giovana Pereira de Paiva Leite e Bianca Felícia Rothschild que votaram por lhe negar provimento. Designado o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto para redigir o voto vencedor. Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.270 3 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.271 4 Relatório Tratase do Recurso Voluntário conjunto da pessoa jurídica MAIALE TRANSPORTADORA E COMÉRCIO DE SUÍNOS EIRELI e dos responsáveis solidários APARECIDO DOMINGUES DOS SANTOS e EDERSON APARECIDO DOS SANTOS (e fls. 1239/1265) em face do Acórdão da 6ª Turma da DRJ/Florianópolis que, ao julgar a Impugnação improcedente, manteve o lançamento fiscal e a sujeição passiva solidária dos imputados (efls. 1154/1181). Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em 31/03/2017, a Fiscalização da DRF/Londrina lavrou Autos de Infração do IRPJ, CSLL, regime lucro presumido, e das Contribuições (PIS e Cofins), apuração mensal (regime cumulativo), anoscalendário 2012, 2013 e 2014, ao imputar a seguinte infração com multa qualificada de 150% (efls. 910/1029), in verbis: Autos de Infração do IRPJ e da CSLL: (...) OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE INFRAÇÃO: RECEITA BRUTA MENSAL NA REVENDA DE MERCADORIAS (...) Fato Gerador Valor Apurado Tributável (R$) Multa (%) 31/01/2012 4.408.087,68 150,00 29/02/2012 4.011.988,40 150,00 31/03/2012 6.076.640,90 150,00 30/04/2012 5.055.486,00 150,00 31/05/2012 4.522.535,20 150,00 30/06/2012 5.049.718,58 150,00 31/07/2012 8.701.979,34 150,00 31/08/2012 9.021.245,68 150,00 30/09/2012 8.718.183,38 150,00 31/10/2012 10.555.529,62 150,00 30/11/2012 8.235.155,87 150,00 31/12/2012 8.831.876,62 150,00 31/01/2013 10.060.415,41 150,00 28/02/2013 9.749.811,47 150,00 31/03/2013 4.853.145,11 150,00 30/04/2013 6.817.384,76 150,00 31/05/2013 9.094.068,20 150,00 30/06/2013 9.560.883,50 150,00 31/07/2013 7.631.264,30 150,00 31/08/2013 9.678.212,29 150,00 30/09/2013 9.306.451,52 150,00 31/10/2013 13.600.660,87 150,00 30/11/2013 11.061.676,80 150,00 31/12/2013 12.791.669,35 150,00 31/01/2014 8.761.537,26 150,00 28/02/2014 8.013.094,00 150,00 Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.272 5 03/03/2014 8.932.663,86 150,00 03/04/2014 24.989.613,10 150,00 04/05/2014 33.931.699,56 150,00 04/06/2014 28.864.110,36 150,00 05/07/2014 46.314.310,89 150,00 05/08/2014 39.799.902,96 150,00 05/09/2014 43.162.247,81 150,00 06/10/2014 50.970.137,27 150,00 06/11/2014 51.357.733,22 150,00 07/12/2014 53.221.658,49 150,00 Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2014: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 518, 519 e 528 do RIR/99 (...) Autos de Infração PIS e Cofins: (...) INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO INFRAÇÃO: OMISSÃO DE RECEITAS (...) Quadro 4 Vendas tributáveis PIS/Cofins M ê s A V e n d a s B V e n d a s t r i b u t a ç ã o C V e n d a s t r i b u t á v e i s P I S / C o f i n s ( A B ) t r i b u t á v e i s P I S / C o f i n s s u s p e n s a 0 1 / 2 0 1 2 4 . 4 0 8 . 0 8 7 , 6 8 0 , 0 0 4 . 4 0 8 . 0 8 7 , 6 8 0 2 / 2 0 1 2 4 . 0 1 1 . 9 8 8 , 4 0 0 , 0 0 4 . 0 1 1 . 9 8 8 , 4 0 0 3 / 2 0 1 2 6 . 0 7 6 . 6 4 0 , 9 0 0 , 0 0 6 . 0 7 6 . 6 4 0 , 9 0 0 4 / 2 0 1 2 5 . 0 5 5 . 4 8 6 , 0 0 0 , 0 0 5 . 0 5 5 . 4 8 6 , 0 0 0 5 / 2 0 1 2 4 . 5 2 2 . 5 3 5 , 2 0 0 , 0 0 4 . 5 2 2 . 5 3 5 , 2 0 0 6 / 2 0 1 2 5 . 0 4 9 . 7 1 8 , 5 8 1 0 7 . 6 4 0 , 0 0 4 . 9 4 2 . 0 7 8 , 5 8 0 7 / 2 0 1 2 8 . 7 0 1 . 9 7 9 , 3 4 0 , 0 0 8 . 7 0 1 . 9 7 9 , 3 4 0 8 / 2 0 1 2 9 . 0 2 1 . 2 4 5 , 6 8 0 , 0 0 9 . 0 2 1 . 2 4 5 , 6 8 0 9 / 2 0 1 2 8 . 7 1 8 . 1 8 3 , 3 8 0 , 0 0 8 . 7 1 8 . 1 8 3 , 3 8 1 0 / 2 0 1 2 1 0 . 5 5 5 . 5 2 9 , 6 2 0 , 0 0 1 0 . 5 5 5 . 5 2 9 , 6 2 1 1 / 2 0 1 2 8 . 2 3 5 . 1 5 5 , 8 7 1 1 6 . 9 1 5 , 0 0 8 . 1 1 8 . 2 4 0 , 8 7 1 2 / 2 0 1 2 8 . 8 3 1 . 8 7 6 , 6 2 7 3 . 4 7 4 , 5 0 8 . 7 5 8 . 4 0 2 , 1 2 0 1 / 2 0 1 3 1 0 . 0 6 0 . 4 1 5 , 4 1 0 , 0 0 1 0 . 0 6 0 . 4 1 5 , 4 1 0 2 / 2 0 1 3 9 . 7 4 9 . 8 1 1 , 4 7 0 , 0 0 9 . 7 4 9 . 8 1 1 , 4 7 0 3 / 2 0 1 3 4 . 8 5 3 . 1 4 5 , 1 1 4 4 . 9 8 0 , 0 0 4 . 8 0 8 . 1 6 5 , 1 1 0 4 / 2 0 1 3 6 . 8 1 7 . 3 8 4 , 7 6 5 5 . 3 8 0 , 0 0 6 . 7 6 2 . 0 0 4 , 7 6 0 5 / 2 0 1 3 9 . 0 9 4 . 0 6 8 , 2 0 8 6 . 9 6 2 , 7 0 9 . 0 0 7 . 1 0 5 , 5 0 0 6 / 2 0 1 3 9 . 5 6 0 . 8 8 3 , 5 0 7 8 . 7 8 6 , 0 0 9 . 4 8 2 . 0 9 7 , 5 0 0 7 / 2 0 1 3 7 . 6 3 1 . 2 6 4 , 3 0 7 4 . 7 2 4 , 5 0 7 . 5 5 6 . 5 3 9 , 8 0 0 8 / 2 0 1 3 9 . 6 7 8 . 2 1 2 , 2 9 1 6 . 8 7 1 , 9 9 9 . 6 6 1 . 3 4 0 , 3 0 0 9 / 2 0 1 3 9 . 3 0 6 . 4 5 1 , 5 2 7 7 . 1 4 1 , 5 0 9 . 2 2 9 . 3 1 0 , 0 2 1 0 / 2 0 1 3 1 3 . 6 0 0 . 6 6 0 , 8 7 9 1 3 . 7 2 5 , 5 8 1 2 . 6 8 6 . 9 3 5 , 2 9 Fl. 1272DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.273 6 1 1 / 2 0 1 3 1 1 . 0 6 1 . 6 7 6 , 8 0 1 5 4 . 0 3 6 , 9 0 1 0 . 9 0 7 . 6 3 9 , 9 0 1 2 / 2 0 1 3 1 2 . 7 9 1 . 6 6 9 , 3 5 0 , 0 0 1 2 . 7 9 1 . 6 6 9 , 3 5 0 1 / 2 0 1 4 8 . 7 6 1 . 5 3 7 , 2 6 0 , 0 0 8 . 7 6 1 . 5 3 7 , 2 6 0 2 / 2 0 1 4 8 . 0 1 3 . 0 9 4 , 0 0 2 0 0 . 3 6 1 , 6 0 7 . 8 1 2 . 7 3 2 , 4 0 0 3 / 2 0 1 4 8 . 9 3 2 . 6 6 3 , 8 6 0 , 0 0 8 . 9 3 2 . 6 6 3 , 8 6 0 4 / 2 0 1 4 2 4 . 9 8 9 . 6 1 3 , 1 0 3 1 2 . 3 1 8 , 0 0 2 4 . 6 7 7 . 2 9 5 , 1 0 0 5 / 2 0 1 4 3 3 . 9 3 1 . 6 9 9 , 5 6 3 . 5 2 0 . 9 0 7 , 9 4 3 0 . 4 1 0 . 7 9 1 , 6 2 0 6 / 2 0 1 4 2 8 . 8 6 4 . 1 1 0 , 3 6 1 . 1 0 0 . 3 3 7 , 3 0 2 7 . 7 6 3 . 7 7 3 , 0 6 0 7 / 2 0 1 4 4 6 . 3 1 4 . 3 1 0 , 8 9 8 . 0 5 5 . 9 8 4 , 5 3 3 8 . 2 5 8 . 3 2 6 , 3 6 0 8 / 2 0 1 4 3 9 . 7 9 9 . 9 0 2 , 9 6 1 1 . 6 6 0 . 0 9 3 , 4 5 2 8 . 1 3 9 . 8 0 9 , 5 1 0 9 / 2 0 1 4 4 3 . 1 6 2 . 2 4 7 , 8 1 4 . 8 0 8 . 7 4 4 , 4 1 3 8 . 3 5 3 . 5 0 3 , 4 0 1 0 / 2 0 1 4 5 0 . 9 7 0 . 1 3 7 , 2 7 1 0 . 5 7 9 . 2 9 2 , 5 7 4 0 . 3 9 0 . 8 4 4 , 7 0 1 1 / 2 0 1 4 5 1 . 3 5 7 . 7 3 3 , 2 2 4 8 6 . 9 8 6 , 4 3 5 0 . 8 7 0 . 7 4 6 , 7 9 1 2 / 2 0 1 4 5 3 . 2 2 1 . 6 5 8 , 4 9 8 0 8 . 9 4 2 , 6 8 5 2 . 4 1 2 . 7 1 5 , 8 1 (...) DEMONSTRATIVO DE RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS (...) APARECIDO DOMINGUES DOS SANTOS Responsabilidade Tributária Responsabilidade Solidária de Fato Motivação Na administração da sociedade, o sócio adminitrador arrolado como devedor solidário, foi responsável direto pela improbidade na gestão, caracterizada pela falta de declaração de vendas efetivamente realizadas, falta de recolhimento de tributos devidos, falta de escrituração contábil exigida por lei. Ainda, alterou o domicílio fiscal da sociedade para um endereço inexistente e, por fim, encerrou as atividades sem a observação dos tramites legais (dissolução irregular). Isto posto, fazse necessário trazer o sócio administrador à lide administrativa para que possa responder solidariamente aos débitos tributários apurados na forma do artigo 135 do CTN. Enquadramento Legal A partir de 01/01/2000 Art. 124, inciso I, da Lei n° 5.172/66. (...) EDERSON APARECIDO DOS SANTOS Responsabilidade Tributária Responsabilidade Solidária de Fato Motivação O Sr. Ederson, enquanto sócio administrador, foi responsável pela emissão de notas fiscais que representam efetivamente vendas e concomitante omissão desses valores nas declarações Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.274 7 da empresa. Também foi responsável pela ausência de escrituração contábil e pelo cadastramento do domicilio fiscal em endereços rurais, nos quais jamais foi estabelecida nenhuma atividade econômica pela empresa. Tais fatos podem ser verificados pelas informações prestadas pelo contador da empresa aos auditores fiscais e pela diligência realizada na zona rural de Arapoti . Enquadramento Legal A partir de 01/01/2000 Art. 124, inciso I, da Lei n° 5.172/66. (...) que integra o lançamento fiscal o Termo de Verificação Fiscal TVF (efls. 897/909). que, ainda, quanto aos fatos e qualificação da multa qualificada (150%), consta do TVF: (...) 4 – DA AÇÃO FISCAL Após emitida a ordem de fiscalização – TDPF 0910400.2015 005394 – foi lavrado Termo de Início de Procedimento Fiscal em 17/05/2016 (fls. 073/076). Em vista da relevância dos valores de notas emitidas, a fiscalização considerou por bem realizar a entrega pessoal do Termo de Início e concomitantemente realizar uma vistoria física na empresa. Isto posto, em 26 de julho de 2016 as autoridades fiscalizatórias realizaram diligência a fim de localizar a empresa e intimar os responsáveis. Todavia após buscas em toda região, constatouse que a empresa não estava localizada no endereço fiscal. Buscouse o contador da empresa que afirmou que a empresa jamais esteve no dito endereço. Em 27 de julho de 2016 foi lavrado o Termo de Diligência Fiscal detalhando o ocorrido (fls. 077/082). Devido a não localização da empresa foi lavrada Representação para inaptidão do cadastro da mesma no CNPJ – fls. 083/085. Em 10 de agosto de 2016 foi publicado o Ato Declaratório de Inaptidão da empresa (fl. 086). Concomitante aos esforços de localização da empresa e de seus sócios, foi deflagrada pelo GAECO – Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado uma operação denominada “Operação Publicano”. Nestas ações foi preso o principal sócio da empresa fiscalizada, Sr. Aparecido Domingos dos Santos. Em 31 de agosto de 2016 dos auditoresfiscais estiveram em audiência com o custodiado, onde foilhe dado ciência do Termo de Início (fls. 087/091) e explicado que o mesmo teria que apresentar a documentação solicitada. Fl. 1274DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.275 8 A empresa jamais apresentou documentos ou quaisquer outras justificativas. (...) 6 DA RECEITA BRUTA INFORMADA E APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Uma vez que não foi apresentada contabilidade, seria o caso do arbitramento do lucro com base no artigo 530 do RIR/99. Todavia o contribuinte é optante do Sped – Sistema Público de Escrituração Digital. No referido sistema utilizase apenas do módulo de notas fiscais eletrônicas e estas foram utilizadas pela autoridade fiscal para apuração da receita bruta. (...) 6.1 – Apuração do total das Vendas Tributáveis Para fins de auditoria, baixouse todos os arquivos de notas fiscais eletrônicas emitidas pela fiscalizada no período sob fiscalização. Foram reconhecidas 22.121 notas fiscais emitidas. Destas, interessam à fiscalização apenas as notas fiscais que representam efetivas transações tributáveis. Isto posto foram relacionadas 14.654 notas fiscais, conforme já detalhado no item 3. (...) Com tais dados, considerase que o fiscalizado pode identificar individualmente cada uma das vendas que foram consideradas para a incidência do tributo. O segundo ponto a ser considerado no estabelecimento da base de cálculo são as vendas canceladas. Conforme art. 224 do Regulamento do Imposto de Renda, com redação da Lei 8981/95, as vendas canceladas e os descontos incondicionais não compõem a receita bruta para fins de tributação, (...). Portanto, totalizando mês a mês, as vendas tributáveis detalhadamente listadas na Relação de Vendas e excluindose as vendas canceladas, chegouse ao total de vendas sujeitas a tributação na sistemática do lucro presumido, (...). (...) 6.3 – Apuração da Base de Cálculo do PIS e da COFINS faturamento. Todavia, no caso específico da empresa sob fiscalização há vendas de produtos que gozam de suspensão tributária. O pagamento da contribuição para o PIS/Cofins relativo a venda de animais vivos (posições 0103 e 0105) da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) foi suspenso a partir de 08/03/2013, quando houve a edição da MP 609/2013, Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.276 9 convertida na Lei 10925/2013, que alterou a redação do artigo 54 da Lei 12.350/2010, verbis: (...) (...) Assim, em relação a apuração do cálculo do PIS e da Cofins foram consideradas as vendas tributáveis – (...) – menos aquelas operações em que o contribuinte realizou a marcação de que se tratava de operações não sujeitas ao pagamento de PIS e Cofins. (...) 8 – DAS MULTAS Os valores devidos deverão ser acrescidos de multa de ofício. Para os anos de 2012 a 2014 a multa será qualificada (150%), pelos fatos e legislação descritos a seguir. A intenção de fraudar encontrase latente e pode ser comprovada pela mera observação dos fatos. A empresa emite notas fiscais de vendas efetivas que somam a quantia impressionante de R$ 596 milhões de reais em 3 anos de apuração, no entanto, jamais declarou um centavo sequer de vendas. Da mesma forma reconhece em DCTF a quantia mínima de R$ 240,00 de débitos fiscais no período. Além de não recolher os tributos, percebese o dolo do contribuinte ao omitir do fisco as informações nas Declarações a que estava obrigado, bem como não elaborava as demonstrações contábeis, o Livro Caixa, ou a escrita fiscal e contábil eletronicamente através do SPED. Ainda, no curso da fiscalização, foi verificada a dissolução irregular da empresa. A empresa não foi localizada no local informado no cadastro do CNPJ e não há qualquer notícia de funcionar em outro local. A empresa parou de funcionar sem comunicação aos órgãos competentes para os procedimentos de baixa, sendo isso uma clara infração à lei. Tudo isso corrobora com a intenção de fraudar o fisco. 9 – DA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO, DA FRAUDE E DA DECADÊNCIA Importante também registrar que o contribuinte jamais recolheu nenhum centavo relativo aos tributos sob fiscalização. Não registro de nenhum DARF (Documento de Arrecadação Federal). Como dito, também não confessou os débitos via DCTF. Os únicos registros referemse a Cofins – R$ 240,00 – conforme fl. 72, e a Cofins não está sendo objeto de lançamento no presente Auto de Infração. Assim, não se pode falar em decadência do ano de 2012, pois, apesar do IRPJ e da CSLL serem tributos cujo lançamento dáse por homologação, não cabe o início da contagem do prazo decadencial na forma do § 4º do artigo 150 do CTN. Isto ocorre porque é entendimento pacífico da jurisprudência que o que se Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.277 10 homologa é o pagamento e não o lançamento. Como reiterado, não houve pagamento. Ainda, também não se pode falar em prazo decadencial na forma do artigo 150 porque foi comprovada a fraude, conforme já descrito no item 8. Portanto, verificase que o termo de início da contagem do prazo quinquenal da decadência deve estar alicerçado no artigo 173, I, do CTN, ou seja, o prazo contase do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele que em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 10 – DA RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES Conforme já relatado a sociedade não declarou suas vendas, não recolheu os tributos devidos, não apresentou escrituração obrigatória em lei e, principalmente, alterou seu endereço para um endereço inexistente e encerrou suas atividades sem a observação dos tramites legais (dissolução irregular). Durante o período sob fiscalização exerceram a administração da empresa dois sócios. Primeiramente o Sr. Ederson Aparecido dos Santos, CPF 063.458.42940 e posteriormente o Sr. Aparecido Domingues dos Santos, CPF 205.656.15904. O Sr. Ederson, enquanto sócioadministrador, foi responsável pela emissão de notas fiscais que representam efetivamente vendas e concomitante omissão desses valores nas declarações da empresa. Também foi responsável pela ausência de escrituração contábil e pelo cadastramento do domicílio fiscal em endereços rurais, nos quais jamais foi estabelecida nenhuma atividade econômica pela empresa. Tais fatos podem ser verificados pelas informações prestadas pelo contador da empresa aos auditores fiscais e pela diligência realizada na zona rural de Arapoti – fls. 077/082. O Sr. Aderson, filho de Aparecido Domingues dos Santos, administrava a empresa sob as ordens do pai. O Sr. Aparecido, principal articulador do grupo econômico, passou a ser sócio administrador em 15 de julho de 2015 e foi o responsável pela dissolução irregular da empresa. Os fatos narrados constituem indubitavelmente atos atentatórios a uma gestão proba e responsável. Ao contrário, vão contra o estatuto da empresa assim como são considerados infração à lei. Dito isto, fazse necessário trazer os sócios administradores à lide administrativa para que possam responder solidariamente aos débitos tributários apurados na forma do artigo 135 do CTN: (...). (...) Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.278 11 Portanto, nos Autos de Infração serão arrolados por sujeição passiva solidária os Srs. Ederson Aparecido dos Santos, CPF 063.458.42940 e Aparecido Domingos dos Santos , CPF 205.656.15904, devendo os mesmos serem intimados e tomarem ciência das provas coligidas, que compõem o processo administrativo fiscal supracitado, facultandose vistas ao presente contribuinte no prazo legal (artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72). (...) que, ainda, consta dos autos o Termo de Ciência do lançamento fiscal, encerramento da ação fiscal e Responsabilidade Tributária (efls. 1001/1016). que o crédito tributário lançado de ofício, quanto aos anoscalendário 2012, 2013 e 2014, na data de lavratura dos autos de infração, perfaz o montante de R$ 109.776.598,94, assim discriminado por exação fiscal: Auto de Infração Principal (R$) Juros de Mora (calculados até ) 03/2017) (R$) Multa qualificada (150%) Total IRPJ 11.842.255,47 4.140.307,08 17.763.383,17 33.745.945,72 CSLL 6.433.697,96 2.251.653,15 9.650.546,91 18.335.898,02 PIS 3.590.457,96 .1.298.450,12 5.385.686,83 10.274.594,91 Cofins 16.570.985,02 5.992.697,82 24.856.477,45 47.420.160,29 Total 109.776.598,94 Cientes do lançamento fiscal e da sujeição passiva solidária, a empresa e os imputados apresentaram Impugnação (efls. 1034/1084), cujas razões foram assim resumidas no relatório da decisão recorrida (efls. 1165/1169): (...) DA IMPUGNAÇÃO Da Interessada e de Aparecido Domingues dos Santos (fls.1.035 a 1.048) Após uma breve descrição da autuação, alegam que, resumidamente: que no item 10 do Termo de Verificação Fiscal, que durante o período de fiscalização a administração da empresa autuada, exercida primeiramente pelo sócio Éderson Aparecido dos Santos, e posteriormente pelo ora Impugnante APARECIDO DOMINGUES DOS SANTOS, foram praticados atos atentatórios a uma gestão proba e responsável, contrários ao estatuto da empresa, e portanto considerados infração à lei, motivo pelo qual respondem solidariamente aos débitos tributários apurados na forma do artigo 135 do CTN; Fl. 1278DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.279 12 02. Mérito 02.1. Da Ilegitimidade do Impugnante APARECIDO DOMINGUES DOS SANTOS que a responsabilidade do sócio administrador, ou gerente, deve ser sempre residual e subsidiária, quanto aos atos praticados pela sociedade e não tendo ele agido ou se omitido com máfé, em prejuízo da sociedade; que não restou configurado que o impugnante APARECIDO DOMINGUES DOS SANTOS tenha praticado qualquer ato com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos; salienta que a doutrina e jurisprudência dominantes não autorizam a responsabilização do administrador ou gerente, com fundamento no próprio inadimplemento do tributo, ausente qualquer outra irregularidade (transcreve excertos de decisões judiciais); que nem se queira aplicar ao caso em comento a responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I do CTN, tendo em vista inexistirem provas concretas de que haveria interesse comum na prática dos atos previstos nas hipóteses de incidência do crédito tributário ali discutidos; isto porque, a responsabilidade solidária por interesse comum de que trata a norma acima mencionada exige que os sujeitos responsáveis participem, de forma direta e objetiva, nos atos que constituem a hipótese de incidência tributária (fato gerador), sendo certo que, in casu, o interesse comum se revela na prática dos atos que ensejaram a tributação, que foram realizadas pela pessoa jurídica MAIALE TRANSPORTADORA E COMÉRCIO DE SUÍNOS LTDA.; portanto, vislumbrase que, no caso dos autos, não há prova robusta de que o impugnante participou de forma direta nos atos que ensejaram a geração da receita a ser tributada, nem que tenha praticado qualquer ato com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, de forma que não há como atribuirlhe a responsabilidade tributária pessoal e solidária; 02.2. Da Receita Bruta Tributável da Empresa Autuada MAIALE TRANSPORTADORA E COMÉRCIO DE SUÍNOS LTDA. Do Arbitramento do Lucro. que o lançamento dos tributos exclusivamente baseadas (sic) nas notas fiscais emitidas pela empresa autuada e em documentos e informações bancárias, como ocorreu in casu, é flagrantemente ilegal, e caracteriza afronta flagrantemente o disposto na Sumula 182 do TRF que declara “É ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrada (sic) com base apenas em extratos ou em depósitos bancários.” Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.280 13 que tal autuação simplista somente serve para desfigurar o que se deve ser realmente um processo de auditoria fiscal complexo e que vise um lançamento tributário que espalhe (sic) a tributação de eventual omissão de renda efetiva e não um lançamento arbitrário sobre um quantum irreal e que não representa renda efetivamente não tributada; a presunção adotada neste tipo de procedimento, por certo deve ser a presunção legal e deve estar calcada em fatos concretos de omissão de receita, não exclusivamente na emissão das notas fiscais relativas às vendas efetuadas pela empresa autuada. Portanto, a presunção nunca poderá ser resultado da iniciativa criativa e original do auditor fiscal, pois ela deve sempre estar apoiada na repetida e comprovada correlação natural entre os dois fatos considerados, o conhecido (notas fiscais e informações bancários) e desconhecido, a ser demonstrado pelo procedimento fiscal que seria a efetiva caracterização de omissão de receita; que só a certeza da correlação natural entre esses fatos autoriza a inserção da correção lógica entre os mesmos, ensejadoras de caracterização de fato gerador a ensejar lançamento tributário; que cabe à Administração Fazendária o ônus da prova no ilícito tributário, mesmo que a base de cálculo do montante devido seja determinado por arbitramento, sob pena de se instalar o arbítrio em matéria tributária; que no caso específico que ora se debate, é ônus do Fisco demonstrar que as operações que deram origem às notas fiscais emitidas pela empresa autuada derivam de receita tributável, o que nem de longe ocorreu, de sorte que a questão do arbitramento do lucro foi abordada de maneira equivocada pela Administração Fazendária; (transcreve ementas de julgados de lançamentos com base em extratos bancários); 0.3. Da Suspensão da Incidência Tributária que trata de uma sanção por parte do fisco em virtude da falta de existência de expressão nas Notas Fiscais de Venda de bovinos de que se tratava de transação mercantil efetuada com suspensão da incidência de tributos, conforme aludido no subitem 6.3 do Termo Fiscal; observese que o artigo 54 da Lei 12.350/2010, determina que: Art. 54. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de: (...) III – animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM, quando efetuada por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, vendidos para pessoas jurídicas que produzam Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.281 14 mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM; (...) segundo o que se depreende do Auto de Infração recorrido, como já acima mencionado, foi aplicada a sanção, porquanto não teria a empresa autuada cumprido com o disposto no §2º do art.2º da IN 1.157: Art. 2º Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de: (...) III animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM; e (...) § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. (...) o fato de não constar nas notas fiscais emitidas pela empresa autuada a expressão de que se tratava de venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não pode resultar na exigibilidade do tributo; isso porque a irregularidade na emissão de documento fiscal e a falta de escrituração contábil não gera por si só obrigação tributária principal, sobretudo no caso em que as Notas Fiscais utilizadas para a confecção do Auto de Infração retratam operação onde a tributação é suspensa por lei; observese que as Notas Fiscais utilizadas para a confecção do Auto de Infração descrevem corretamente a operação mercantil em que a tributação é suspensa; tais documentos devem ser analisados em sua integralidade, a luz da legislação processual civil, que no caso deve ser utilizada subsidiariamente, quando se trata da prova da existência do fato econômico gerador da incidência do tributo; 04. Multa Proporcional de Ofício de 150% Redução protestam pela redução da multa de ofício aplicada pelo Fisco no percentual de 150%, porquanto o STF, com base na vedação ao confisco, reconheceu como inconstitucionais multas fixadas em índices iguais ou superiores a 100%. (...) Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.282 15 DA IMPUGNAÇÃO de Ederson Aparecido dos Santos (fls.1.052 a 1.065) Após uma breve descrição da autuação, alega que, resumidamente: no item 10 do Termo de Verificação Fiscal, que durante o período de fiscalização a administração da empresa autuada, exercida primeiramente pelo sócio ÉDERSON APARECIDO DOS SANTOS, ora impugnante e posteriormente pelo Sr.Aparecido Domingues dos Santos, foram praticados atos atentatórios a uma gestão proba e responsável, contrários ao estatuto da empresa, e portanto considerados infração à lei, motivo pelo qual respondem pessoal e solidariamente aos débitos tributários apurados, na forma do artigo 135, inciso III do CTN; especificamente com relação ao ora impugnante, sustenta o Fiscal que, enquanto sócioadministrador, quando atuava sob as ordens do pai, Sr. Aparecido Domingues dos Santos, foi responsável pela emissão de notas fiscais que representam efetivamente vendas e concomitante omissão desses valores nas declarações da empresa, bem como pela ausência de escrituração contábil e pelo cadastramento do domicílio fiscal em endereços rurais, nos quais jamais foi estabelecida nenhuma atividade econômica pela empresa, conforme informações prestadas pelo contador da empresa e pela diligência realizada na zona rural de Arapoti; Os demais tópicos da Impugnação, abaixo, são idênticos aos já relatados e que constam na Impugnação conjunta da Interessada e Aparecido Domingues dos Santos: 02. Mérito 02.1. Da Ilegitimidade do Impugnante ÉDERSON APARECIDO DOS SANTOS 02.2. Da Receita Bruta Tributável da Empresa Autuada MAIALE TRANSPORTADORA E COMÉRCIO DE SUÍNOS LTDA. Do Arbitramento do Lucro. 0.3. Da Suspensão da Incidência Tributária 04. Multa Proporcional de Ofício de 150% Redução. Na sessão de 28/03/2018, a 6ª Turma da DRJ/Florianópolis manteve o lançamento fiscal e a sujeição passiva dos sócios imputados, ao julgar improcedente a Impugnação, conforme Acórdão (efls.1154/1181), in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013, 2014 Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.283 16 Notas Fiscais de Venda. SPED. Receitas Tributáveis. Constatada a existência de notas fiscais de venda informadas no SPED sem qualquer registro ou informação na DIPJ, correto o lançamento de ofício do imposto de renda incidente sobre o montante apurado, após as devidas deduções a título de vendas canceladas. Sujeição Passiva. Sócios Administradores. Responsabilidade Tributária Solidária. Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica respondem pessoalmente, de forma solidária com a Contribuinte, pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Sociedade Extinta Irregularmente. Responsabilidade Solidária dos Sócios. A sociedade que deixar de funcionar em endereço cadastrado junto à Receita Federal do Brasil, sem a devida informação ao órgão, caracteriza a sua dissolução regular, de forma que responderão pela obrigação tributária, em caráter solidário, todos aqueles que houverem sido identificados como sócios, que possuíam poder de gestão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012, 2013, 2014 Lançamento de Ofício. Multa Aplicável As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. Argüições de Inconstitucionalidade e Ilegalidade da Legislação Tributária. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PIS. COFINS. CSLL. Lançamentos Decorrentes. Efeitos da decisão relativa ao lançamento principal (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevaleceram na apreciação destes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.284 17 Anocalendário: 2012, 2013, 2014 Vendas com suspensão da contribuição. Requisitos Necessários. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de animais vivos, conforme estabelecido na Lei 12.350/2010, desde que fique identificado nas notas fiscais correspondentes com a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", regulamentação dada pela lei à cargo da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2012, 2013, 2014 Vendas com suspensão da contribuição. Requisitos Necessários. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de animais vivos, conforme estabelecido na Lei 12.350/2010, desde que fique identificado nas notas fiscais correspondentes com a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", regulamentação dada pela lei à cargo da Receita Federal do Brasil. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de otos, julgar improcedente as impugnações, mantendo o crédito tributário exigido. (...) Cientes desse decisum, em 23/05/2018, a pessoa jurídica autuada e os responsáveis solidários por intermédio da procuradora (efl. 1236 ), apresentaram Recurso Voluntário conjunto em 22/06/2018 (efls. 1239/1265), cuja razões são as mesmas já apresentadas e analisadas pela decisão a quo, repisando: a) nulidade da imputação da sujeição passiva solidária, por falta de competência da Receita Federal e por ilegitimidade passiva dos imputados: que o mero inadimplemento de tributos não autoria a imputação de sujeição passiva solidária aos sóciosadministradores (CTN, art. 135, III); que a responsabilidade do sócioadministrador ou gerente é sempre residual, subsidiária; Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.285 18 que não restou caracterizado nos autos quanto aos imputados como responsáveis solidários que tenham praticado qualquer ato com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos; que o Sr. Aparecido Domingues dos Santos sequer era administrador do sujeito passivo na maior parte do período objeto da autuação; que só passou a ser administrador em 15/07/2015; que, ainda, deve ser afastada a responsabilidade do art. 124, I, do CTN, pois não há prova cabal do interesse comum; que, ademais, compete exclusivamente à PFN imputar responsabilidade pelo crédito tributário, no bojo da cobrança executiva; que é nula a imputação de responsabilidade solidária aos sócios pela Receita Federal por falta de competência para tanto. b) receita tributável e lucro presumido; c) suspensão da incidência tributária quanto à Contribuição para o PIS e à Cofins; d) incabível a qualificação da multa (150%), por ser desproporcional (inconstitucional); Por fim, em síntese, pediu a reforma da decisão recorrida: a) nulidade da sujeição passiva solidária aos imputados; b) quanto ao mérito: que seja cancelado o lançamento fiscal, pela razões expostas na primeira instância e repisadas no recurso; que, alternativamente, caso mantida a decisão recorrida, que seja afastada a qualificação da multa de ofício de 150% para 75%. É o relatório. Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.286 19 Voto Vencido Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, apresentando conjuntamente pela empresa autuada MAIALE TRANSPORTADORA E COMÉRCIO DE SUÍNOS EIRELI ME e pelos responsáveis solidários APARECIDO DOMINGUES DOS SANTOS e EDERSON APARECIDO DOS SANTOS , é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, conheço do recurso. Quanto às razões apresentadas contra o Arrolamento de Bens e quanto às razões contra a decisão a quo por não ter tratado do Arrolamento de Bens (efls. 1185/1202), não conheço da matéria, pois não compete aos órgãos de julgamento administrativo se pronunciar acerca de Arrolamento de Bens, conforme verbete da Súmula CARF nº 109 que transcrevo, in verbis: Súmula CARF nº 109 O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens. OBJETO DOS AUTOS imputações do Fisco: infração: Omissão de Receitas dos anoscalendário 2012, 2013 e 2014 (declarações entregues ao Fisco sem movimento, "zeradas"); crédito tributário autos de infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins com multa qualificada de 150% (fraude, sonegação fiscal, e extinção irregular da pessoa jurídica). sujeição passiva solidária: APARECIDO DOMINGUES DOS SANTOS e EDERSON APARECIDO DOS SANTOS. A operação fiscal da RFB, relativo aos anoscalendário 2012, 2013 e 2014, deuse, concomitantemente, no contexto das ações de combate ao crime organizado, denominada Operação Publicano (Caso de corrupção na Receita Estadual do Paraná), deflagrada pelo GAECO Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado. Nessa operação do GAECO, foi preso o principal sócio da empresa autuada, Sr. Aparecido Domingos dos Santos, conforme consta do TVF (efls. 897/909), parte integrante dos autos de infração, in verbis: (...) Fl. 1286DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.287 20 1 – INTRODUÇÃO (...) A ação fiscal decorre do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) Fiscalização nº 0910400.2015.00539. Em brevíssimo resumo, a presente ação fiscal apurou que, embora não tenha declarado nenhuma receita nos anos de 2012 a 2014, o contribuinte emitiu notas fiscais de vendas no montante de R$ 596.111.893,63. Buscando intimar o contribuinte, a fiscalização não localizou a empresa e verificou que a mesma jamais esteve instalada no endereço tido como domicílio fiscal. Desta forma a fiscalizada teve seu registro no CNPJ considerado inapto. O presente procedimento administrativo fiscal estabelece lançamento de ofício dos tributos incidentes sobre as vendas realizadas. O IRPJ e CSLL foi calculado sobre todas as vendas (excluídas as vendas canceladas) e a Cofins e o PIS foi calculada sobre as vendas (excluídas as vendas canceladas) que não se enquadram na possibilidade de suspensão prevista na lei 12.350/2010. (...) 2 – DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO E DA AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO OU RECONHECIMENTO DE RECEITAS Em relação aos tributos sob fiscalização é importante salientar que o contribuinte opta pelo regime de tributação pelo lucro presumido, conforme DIPJ Declarações de Informações Fiscais da Pessoa Jurídica dos anos 2012 e 2013 (fls. 002/031) e ECF – Escrituração Contábil e Fiscal para o ano de 2014 (fls. 032/071). (...) Pois bem, no contexto da apuração da receita operacional, foram entregues DIPJ e ECF pela Pessoa Jurídica (fls. 002/071), onde o contribuinte reconhece os valores zerados. Ou seja, não declara ou reconhece nenhuma receita. O contribuinte também entregou suas Declarações de Créditos Tributários Federais (DCTF), onde, para todo o período sob apuração, foram reconhecidos e pagos apenas o valor de R$ 240,00 (duzentos e quarenta reais) relativo a Cofins. Não houve nenhuma declaração ou recolhimento relativo a IRPJ, CSLL ou PIS (fl. 072). (...) 4 – DA AÇÃO FISCAL Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.288 21 Após emitida a ordem de fiscalização – TDPF 0910400.2015 005394 – foi lavrado Termo de Início de Procedimento Fiscal em 17/05/2016 (fls. 073/076). (...) Concomitante aos esforços de localização da empresa e de seus sócios, foi deflagrada pelo GAECO – Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado uma operação denominada “Operação Publicano”. Nestas ações foi preso o principal sócio da empresa fiscalizada, Sr. Aparecido Domingos dos Santos. Em 31 de agosto de 2016 os Auditores Fiscais estiveram em audiência com o custodiado, onde foilhe dado ciência do Termo de Início (fls. 087/091) e explicado que o mesmo teria que apresentar a documentação solicitada. A empresa jamais apresentou documentos ou quaisquer outras justificativas. (...) Então, o fisco DRF/Londrina apurou OMISSÃO DE RECEITAS e lavrou Autos de Infração do IRPJ e CSLL, regime do lucro presumido, opção manifestada pelo sujeito passivo nas declarações DIPJ 2013 e 2014 (efls. 02/31) e na ECF 2015 (efls. 32/71), apresentadas sem movimento, com campos "zerados", com multa qualificada de 150%. Ainda, para esses anoscalendário foram lavrados Autos de Infração das Contribuições (PIS e Cofins), regime cumulativo, apuração mensal, também com multa qualificada. Por fim, houve a imputação da sujeição passiva solidária, como já mencionado no relatório. OBJETO DO RECURSO VOLUNTÁRIO Nas razões do recurso, os recorrentes alegam conjuntamente, em síntese: a) quanto à receita bruta tributável: que a omissão de receitas (presunção simples) apenas com base nas notas fiscais de vendas não deve prevalecer, pois o Fisco não teria comprovado nos autos o valor tributável e, por conseguinte, abordou incorretamente o lucro presumido; que em relação às Contribuições Sociais (PIS e Cofins) não haveria base tributável, pois todas as saídas foram vendas de ANIMAIS VIVOS, incidindo a suspensão da tributação. b) multa qualificada : que incabível a qualificação da multa (150%), por ser desproporcional (inconstitucional); c) sujeição passiva solidária: que não deve prevalecer a sujeição passiva solidária dos imputados, por ilegitimidade passiva, falta de provas e por incompetência do Fisco para tal imputação. Fl. 1288DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.289 22 Pois bem. Identificados os pontos controvertidos, passa a analisar o mérito da contenda. RECEITA BRUTA CONHECIDA. OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO PRESUMIDO. APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL: Os recorrentes, em suma, alegaram nas razões do recurso, in verbis: (...) Conforme se observa, (...) no item 6 DA RECEITA BRUTA INFORMADA E APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO do Termo de Verificação de Ação Fiscal Anexo ao PAF 11634 720.088/201704, o Sr. Auditor Fiscal relata expressamente que "Uma vez que não foi apresentada contabilidade seria o caso do arbitramento do lucro com base no artigo 530 do RIR/99. Todavia, o contribuinte é optante do Sped Sistema Publico de Escrituração Digital. No referido sistema utilizase apenas do módulo de notas fiscais eletrônicas e estas foram utilizadas pela autoridade fiscal para apuração da receita bruta". Tal atuação simplista somente serve para desfigurar o que se deve ser realmente um processo de auditoria fiscal complexo e que vise um lançamento tributário que espalhe a tributação de eventual omissão de renda efetiva e não um lançamento arbitrário sobre um quantum irreal e que não representa renda efetivamente não tributada. A presunção adotada neste tipo de procedimento, por certo deve ser a presunção legal e deve estar calcada em fatos concretos da omissão de receita, não exclusivamente na emissão das notas fiscais relativas às vendas efetuadas pela empresa autuada. Portanto, a presunção nunca poderá ser resultado da iniciativa criativa e original do auditor fiscal, pois ela deve sempre estar apoiada na repetida e comprovada correlação natural entre os dois fatos considerados, o conhecido (notas fiscais) e desconhecido, a ser demonstrado pelo procedimento fiscal que seria a efetiva caracterização de omissão de receita. Só a certeza da correlação natural entre esses fatos autoriza a inserção da correção lógica entre os mesmos, ensejadoras de caracterização de fato gerador a ensejar o lançamento tributário. (...) Ressaltese que, ao contrário do entendimento externado nos Acórdãos recorridos, em que o Sr. Relator enaltece o trabalho realizado pela Fiscalização alegando ser digno de louvor, é entendimento já pacificado pela jurisprudência dos nossos Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.290 23 Tribunais que é ônus do Fisco demonstrar a existência de vínculo entre o valor movimentado pelo contribuinte com a omissão da receita que o originou, sendo certo que a respeito do ônus da prova no Direito Tributário, temse encontrado sérias dificuldades na distribuição da obrigação da constituição de provas. É que a Administração Fazendária se comporta como se coubessem apenas aos contribuintes constituir provas materiais dos atos e fatos com repercussões tributárias, não havendo qualquer nota de indignação nesta argumentação trazida à baila pelos Recorrentes. A solução é simples, incide igualmente na área tributária a regra geral de que impende a quem alega o ônus da prova. Assim, cabe, sim à Administração Fazendária o ônus da prova no ilícito tributário, mesmo que a base de cálculo do montante devido seja determinado por presunção, sob pena de se instalar o arbítrio em matéria tributária. No caso específico que ora se debate, é ônus do Fisco demonstrar que as operações que deram origem às notas fiscais emitidas pela empresa autuada derivam de receita tributável, o que nem de longe ocorreu, de sorte que a questão da presunção do lucro foi abordada de maneira equivocada pela Administração Fazendária. Diante de tal situação, por conclusão, no caso em tela, o que se tem é uma autuação sem qualquer demonstração, pelo órgão autuante, de que as notas fiscais de venda realizadas pela empresa Recorrente efetivamente constituam a receita bruta tributável, (...) Não procedem os argumentos dos recorrentes contra o valor tributável apurado omissão de receitas e lucro presumido, pois, além de serem genéricos (matéria de direito), estão em completa dissonância com os aspectos fáticojurídicos do caso concreto, objeto dos autos. Diversamente do alegado pelos recorrentes, a Fiscalização apurou a omissão de receitas (Lei 9.249/95, art. 24 e RIR/99, art. 528, caput) com base em prova direta (somatório da receita bruta constante das notas fiscais de vendas, subtraídos os valores das notas canceladas, devoluções e descontos incondicionais caso houvessem, conforme estatuído no art. 224 do RIR/99). Assim, no regime do lucro presumido o coeficiente de presunção do lucro incide diretamente sobre o valor da receita bruta (após as citadas exclusões), sendo irrelevantes as despesas que geraram as receitas bem como o lucro. Obs: No caso, é inaplicável o regime do lucro arbitrado, pelas seguintes razões: (i) a contribuinte optara pelo regime do lucro presumido nas suas declarações entregue ao Fisco; (ii) embora a contribuinte não tenha apresentado a escrituração contábil e fiscal, porém emitiu as notas fiscais de vendas/saídas que foram e estão registradas no Sistema SPED, ou seja, notas fiscais necessárias e suficientes para apuração da receita bruta, condição necessária e suficiente para apuração do lucro presumido (aplicação de coeficiente de presunção do lucro diretamente sobre a receita bruta) (iii) Ademais, o regime do lucro arbitrado, no caso, seria mais oneroso (o lucro arbitrado também decorre de aplicação de coeficiente diretamente sobre a Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.291 24 receita bruta conhecida), porém o coeficiente do lucro arbitrado é 20% maior para o IRPJ, em relação ao regime do lucro presumido. Portanto, a aplicação do regime do lucro presumido, no caso, foi correta e ainda implicou carga tributária menos onerosa ao sujeito passivo, quando cotejado com o regime do lucro arbitrado. Nesse sentido, quanto à apuração correta da receita bruta (omissão de receitas) e correta aplicação do regime do lucro presumido, transcrevo a narrativa dos fatos constantes do TVF (efls.897/909), parte integrante dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, in verbis: (...) 5 DA CONTABILIDADE O contribuinte não apresentou os livros solicitados no procedimento fiscal e não justificou a ausência de escrituração contábil. Em entrevista com o contador responsável pela escrita fiscal da empresa, realizada em 26 de julho de 2016, o profissional informou que os responsáveis pela empresa jamais encaminharam os documentos para realização da escrita fiscal (fl. 81). 6 DA RECEITA BRUTA INFORMADA E APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Uma vez que não foi apresentada contabilidade seria o caso do arbitramento do lucro com base no artigo 530 do RIR/99. Todavia o contribuinte é optante do Sped – Sistema Público de Escrituração Digital. No referido sistema utilizase apenas do módulo de notas fiscais eletrônicas e estas foram utilizadas pela autoridade fiscal para apuração da receita bruta. 6.1 – Apuração do total das Vendas Tributáveis Para fins de auditoria, baixouse todos os arquivos de notas fiscais eletrônicas emitidas pela fiscalizada no período sob fiscalização. Foram reconhecidas 22.121 notas fiscais emitidas. Destas, interessam à fiscalização apenas as notas fiscais que representam efetivas transações tributáveis. Isto posto foram relacionadas 14.654 notas fiscais, conforme já detalhado no item 3. A descrição, nota a nota, das vendas objeto de incidência do IRPJ e da CSLL encontrase no documento autuado junto ao presente Processo Administrativo Fiscal, folhas 160/619, denominado “Maiale – Relação de Notas Fiscais de Vendas Efetivas – Janeiro de 2012 a Dezembro de 2014”. No referido documento foram listadas a notas, por ordem de emissão, e ainda as seguintes informações: a) Cód. CFOP; b) Descrição CFOP; c) Número da Nota; d) Mês da Nota; Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.292 25 e) Dia da Emissão; f) CNPJ do emissor da nota (matriz ou estabelecimento filial); g) Cód. NCM; h) CNPJ do Comprador; i) Nome do Comprador; j) Descrição da natureza da operação; k) Observações; e, l ) Valor da Nota Fiscal Com tais dados, considerase que o fiscalizado pode identificar individualmente cada uma das vendas que foram consideradas para a incidência do tributo. O segundo ponto a ser considerado no estabelecimento da base de cálculo são as vendas canceladas. Conforme art. 224 do Regulamento do Imposto de Renda, com redação da Lei 8981/95, as vendas canceladas e os descontos incondicionais não compõem a receita bruta para fins de tributação, verbis: (...). Neste sentido, utilizouse a mesma fonte, ou seja, os registros de notas fiscais eletrônicas emitidas, para apurar as vendas canceladas. Para tal mister foram consideradas todas as notas de entradas cuja descrição do Código Fiscal de Operação (CFOP) foi registrado como devolução de vendas – cód 2202. Tais devoluções ocorreram apenas no ano de 2013 e foram 07 operações que totalizam R$ 399.114,00. As devoluções de vendas foram listadas, caso a caso, e encontramse relacionadas no documento denominado “Relação de Vendas Cancelas – Maiale Transp. Com. Suínos Eireli” autuado junto ao PAF, nas folhas 620/621. Não foram localizados descontos incondicionais. Portanto, totalizando mês a mês, as vendas tributáveis detalhadamente listadas na Relação de Vendas e excluindose as vendas canceladas, chegouse ao total de vendas sujeitas a tributação na sistemática do lucro presumido, conforme quadro abaixo: Quadro 2 Vendas tributáveis Mês Apuração A Vendas Totais B Devolução de Vendas C Vendas tributáveis (AB) 0 1 / 2 0 1 2 4 . 4 0 8 . 0 8 7 , 6 8 0 , 0 0 4 . 4 0 8 . 0 8 7 , 6 8 0 2 / 2 0 1 2 4 . 0 1 1 . 9 8 8 , 4 0 0 , 0 0 4 . 0 1 1 . 9 8 8 , 4 0 0 3 / 2 0 1 2 6 . 0 7 6 . 6 4 0 , 9 0 0 , 0 0 6 . 0 7 6 . 6 4 0 , 9 0 0 4 / 2 0 1 2 5 . 0 5 5 . 4 8 6 , 0 0 0 , 0 0 5 . 0 5 5 . 4 8 6 , 0 0 0 5 / 2 0 1 2 4 . 5 2 2 . 5 3 5 , 2 0 0 , 0 0 4 . 5 2 2 . 5 3 5 , 2 0 0 6 / 2 0 1 2 5 . 0 4 9 . 7 1 8 , 5 8 0 , 0 0 5 . 0 4 9 . 7 1 8 , 5 8 0 7 / 2 0 1 2 8 . 7 0 1 . 9 7 9 , 3 4 0 , 0 0 8 . 7 0 1 . 9 7 9 , 3 4 0 8 / 2 0 1 2 9 . 0 2 1 . 2 4 5 , 6 8 0 , 0 0 9 . 0 2 1 . 2 4 5 , 6 8 0 9 / 2 0 1 2 8 . 7 1 8 . 1 8 3 , 3 8 0 , 0 0 8 . 7 1 8 . 1 8 3 , 3 8 1 0 / 2 0 1 2 1 0 . 5 5 5 . 5 2 9 , 6 2 0 , 0 0 1 0 . 5 5 5 . 5 2 9 , 6 2 1 1 / 2 0 1 2 8 . 2 3 5 . 1 5 5 , 8 7 0 , 0 0 8 . 2 3 5 . 1 5 5 , 8 7 1 2 / 2 0 1 2 8 . 8 3 1 . 8 7 6 , 6 2 0 , 0 0 8 . 8 3 1 . 8 7 6 , 6 2 Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.293 26 0 1 / 2 0 1 3 1 0 . 0 6 0 . 4 1 5 , 4 1 0 , 0 0 1 0 . 0 6 0 . 4 1 5 , 4 1 0 2 / 2 0 1 3 9 . 7 4 9 . 8 1 1 , 4 7 0 , 0 0 9 . 7 4 9 . 8 1 1 , 4 7 0 3 / 2 0 1 3 4 . 8 5 3 . 1 4 5 , 1 1 0 , 0 0 4 . 8 5 3 . 1 4 5 , 1 1 0 4 / 2 0 1 3 6 . 8 1 7 . 3 8 4 , 7 6 0 , 0 0 6 . 8 1 7 . 3 8 4 , 7 6 0 5 / 2 0 1 3 9 . 0 9 4 . 0 6 8 , 2 0 0 , 0 0 9 . 0 9 4 . 0 6 8 , 2 0 0 6 / 2 0 1 3 9 . 5 6 0 . 8 8 3 , 5 0 0 , 0 0 9 . 5 6 0 . 8 8 3 , 5 0 0 7 / 2 0 1 3 7 . 6 3 1 . 2 6 4 , 3 0 0 , 0 0 7 . 6 3 1 . 2 6 4 , 3 0 0 8 / 2 0 1 3 9 . 7 9 0 . 2 3 6 , 2 9 1 1 2 . 0 2 4 , 0 0 9 . 6 7 8 . 2 1 2 , 2 9 0 9 / 2 0 1 3 9 . 5 9 3 . 5 4 1 , 5 2 2 8 7 . 0 9 0 , 0 0 9 . 3 0 6 . 4 5 1 , 5 2 1 0 / 2 0 1 3 1 3 . 6 0 0 . 6 6 0 , 8 7 0 , 0 0 1 3 . 6 0 0 . 6 6 0 , 8 7 1 1 / 2 0 1 3 1 1 . 0 6 1 . 6 7 6 , 8 0 0 , 0 0 1 1 . 0 6 1 . 6 7 6 , 8 0 1 2 / 2 0 1 3 1 2 . 7 9 1 . 6 6 9 , 3 5 0 , 0 0 1 2 . 7 9 1 . 6 6 9 , 3 5 0 1 / 2 0 1 4 8 . 7 6 1 . 5 3 7 , 2 6 0 , 0 0 8 . 7 6 1 . 5 3 7 , 2 6 0 2 / 2 0 1 4 8 . 0 1 3 . 0 9 4 , 0 0 0 , 0 0 8 . 0 1 3 . 0 9 4 , 0 0 0 3 / 2 0 1 4 8 . 9 3 2 . 6 6 3 , 8 6 0 , 0 0 8 . 9 3 2 . 6 6 3 , 8 6 0 4 / 2 0 1 4 2 4 . 9 8 9 . 6 1 3 , 1 0 0 , 0 0 2 4 . 9 8 9 . 6 1 3 , 1 0 0 5 / 2 0 1 4 3 3 . 9 3 1 . 6 9 9 , 5 6 0 , 0 0 3 3 . 9 3 1 . 6 9 9 , 5 6 0 6 / 2 0 1 4 2 8 . 8 6 4 . 1 1 0 , 3 6 0 , 0 0 2 8 . 8 6 4 . 1 1 0 , 3 6 0 7 / 2 0 1 4 4 6 . 3 1 4 . 3 1 0 , 8 9 0 , 0 0 4 6 . 3 1 4 . 3 1 0 , 8 9 0 8 / 2 0 1 4 3 9 . 7 9 9 . 9 0 2 , 9 6 0 , 0 0 3 9 . 7 9 9 . 9 0 2 , 9 6 0 9 / 2 0 1 4 4 3 . 1 6 2 . 2 4 7 , 8 1 0 , 0 0 4 3 . 1 6 2 . 2 4 7 , 8 1 1 0 / 2 0 1 4 5 0 . 9 7 0 . 1 3 7 , 2 7 0 , 0 0 5 0 . 9 7 0 . 1 3 7 , 2 7 1 1 / 2 0 1 4 5 1 . 3 5 7 . 7 3 3 , 2 2 0 , 0 0 5 1 . 3 5 7 . 7 3 3 , 2 2 1 2 / 2 0 1 4 5 3 . 2 2 1 . 6 5 8 , 4 9 0 , 0 0 5 3 . 2 2 1 . 6 5 8 , 4 9 6.2 – Apuração da Base de Cálculo para aplicação dos percentuais presumidos de lucro –Tributação do IRPJ e CSLL Como relatado, sendo o contribuinte optante da sistemática do lucro presumido, e sendo possível a determinação das vendas tributáveis, o IRPJ e a CSLL podem ser calculados diretamente sobre os valores mensais apurados conforme o Quadro 2 (acima). Os percentuais de presunção e alíquotas encontramse detalhados no item 7. (...) 7 – DAS INFRAÇÕES As pessoas jurídicas que exercem a atividade comercial, optantes do lucro presumido, submetemse às seguintes alíquotas e percentuais de presunção (coeficiente de presunção do lucro): a) IRPJ – percentual de presunção de lucro: 8% sobre a Receita Bruta (vide quadro 2), conforme Lei nº 9.249/95, e alíquota de 15% sobre o lucro presumido, conforme art. 3º da Lei nº 9.249/95; b) CSLL – percentual de presunção de lucro: 12% sobre a Receita Bruta (vide quadro 2), conforme Lei nº 10.684/2003 e alíquota de 9%, conforme Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08. (...) Não foram localizados dados sobre IRRF a deduzir e não houve a confissão de débitos em DCTF (vide item 2). Pois bem, como relatado, o contribuinte não apresentou contabilidade, mas emitiu notas fiscais eletrônica, de onde foi Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.294 27 possível determinar a receita bruta. Como não houve a declaração, confissão ou recolhimentos dos citados tributos, seu lançamento darseá através de lançamentos de ofício dos tributos IRPJ, CSLL, (...). Como demonstrado, o valor tributável omissão de receias corresponde à receita bruta de vendas, subtraídos os valores das vendas canceladas ou devoluções e dos descontos incondicionais. Ainda, o lucro presumido apurado para o IRPJ foi de 8% da receita tributável (omissão de receitas) e o lucro presumido para a CSLL foi 12% da receita bruta tributável (omissão de receitas). Como visto, a omissão de receitas foi apurada pela Fiscalização com base em prova direta, ou seja, receita bruta apurada pelo somatório dos valores das notas fiscais de vendas, subtraídos os valores das vendas canceladas/devoluções/descontos incondicionais. O lucro presumido foi apurado sobre a receita bruta mediante aplicação de coeficiente de presunção do lucro, respectivamente, para o IRPJ (8%) e para a CSLL (12%), conforme já abordado quando da transcrição, nessa parte, do TVF. Os recorrentes não questionaram matéria de fato, mas apenas matéria de direito (omissão por presunção simples, ônus da prova e arbitramento do lucro). Obs: Caso fosse aplicado o lucro arbitrado, como pretendia a recorrente, o coeficiente de presunção do lucro para o IRPJ seria 8% x 1,2 = 9,6% e não 8%. Foi aplicado 8% (base de cálculo do IRPJ) e 12% base de cálculo da CSLL. Portanto, base de cálculo menos onerosa. Por tudo que foi exposto, deve ser mantida a receita tributável (omissão de receitas) e, por conseguinte, o lucro arbitrado do IRPJ e da CSLL, conforme lançamento fiscal, pois o Fisco comprovou a omissão de receitas (art. 24 da Lei 9.249/95 e art. 528 do RIR/99, omissão simples), mediante prova direta (notas fiscais de vendas constantes do Sistema SPED, receitas de vendas não oferecidas à tributação). Assim, não merece reparo a decisão recorrida quanto a essas matérias. VALOR TRIBUTÁVEL. BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES: PIS E COFINS Neste tópico, a Fiscalização segregou as notas fiscais que continham no seu corpo a menção de que a operação estava com pagamento suspenso do PIS e da Cofins, e lançou de ofício PIS e Cofins acerca das demais notas fiscais que não continham essa menção ou observação. Neste tópico, consta do TVF (efls. 897/909), in verbis: (...) 6.3 – Apuração da Base de Cálculo do PIS e da COFINS Em relação ao PIS e a Cofins, em princípio, a base de cálculo seria a mesma do IRPJ, ou seja, o faturamento. Todavia, no caso Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.295 28 específico da empresa sob fiscalização há vendas de produtos que gozam de suspensão tributária. O pagamento da contribuição para o PIS/Cofins relativo a venda de animais vivos (posições 0103 e 0105) da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) foi suspenso a partir de 08/03/2013, quando houve a edição da MP 609/2013, (...), que alterou a redação do artigo 54 da Lei 12.350/2010, verbis: Art. 54. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de: ... II – preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM; III – animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM, quando efetuada por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, vendidos para pessoas jurídicas que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM; Parágrafo único. A suspensão de que trata este artigo: I – não alcança a receita bruta auferida nas vendas a varejo; II – aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Como se observa da legislação, a suspensão depende da observação da regulamentação estabelecida pela Receita Federal. Neste sentido, o fisco editou a Instrução Normativa 1157/2011, cuja redação foi alterada pela Instrução Normativa 1346/2013. Nesta regulamentação, foram estabelecidas as condições para a efetivação da suspensão. Transcrevese o artigo 2º da IN 1157: Art. 2º Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de: I insumos de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); II preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM; III animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM; e IV produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07, 0210.1 e carne de frango classificada no código 0210.99.00, da NCM. Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.296 29 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1346, de 16 de abril de 2013) § 1º A aplicação da suspensão de que trata o caput observará as disposições dos arts. 3º e 4º desta Instrução Normativa. § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente." § 3º Aplicase o disposto neste artigo, também, à receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, dos bens referidos nos incisos do caput, quando estes tiverem sido importados, observado o disposto no art. 18. Deuse destaque ao § 2º do dito artigo 2º porque se trata de condição importante na verificação da presente fiscalização. A Receita Federal estabeleceu que, para gozar da suspensão estabelecida em lei, o contribuinte teria que marcar cada documento fiscal com a observação de que aquela operação comercial estava sendo realizada com suspensão do pagamento do PIS e da Cofins. Importante ressaltar que tal exigência não se trata de mera formalidade ou campo informativo sem maiores consequências. É informação fundamental para a verificação da neutralidade na cadeia produtiva da carne. Ocorre que os frigoríficos, abatedouros e outros estabelecimentos aptos a realizar o abate dos animais vivos e o processamento dos produtos cárneos podem dar saída a esses produtos com alíquota zero – conforme artigo 1º, inciso XIX da Lei 10.925/2004 (alterada pela Lei 12.839/2013). Ora, a marcação de que o animal vivo entrou no estabelecimento abatedouro com PIS/Cofins suspensos é essencial para que este estabelecimento não utilize esta entrada para seu creditamento desses tributos. Caso não seja anotada no campo “Observações” da Nota Fiscal que a operação de venda de animais vivos foi realizada com “suspensão”, esta Nota Fiscal dará direito ao frigorífico para aproveitarse dos créditos relativos a estes animais. Créditos estes que, em verdade, não existem. Assim, em relação a apuração do cálculo do PIS e da Cofins foram consideradas as vendas tributáveis – listadas no quadro 2 – menos aquelas operações em que o contribuinte realizou a marcação de que se tratava de operações não sujeitas ao pagamento de PIS e Cofins. Foram listadas, nota a nota, todas as operações onde houve efetivamente a suspensão desses tributos apurado pela observância da condicionante prevista no § 2º, do artigo 2º da IN 1157/2011. Estas notas constam do documento denominado “Relação de Notas Fiscais de Vendas com Suspensão de Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.297 30 PIS/Cofins – informação no campo Observações”, autuado ao presente PAF sob folhas 622/896. Os valores das vendas realizadas com suspensão estão listados por valores mensais, conforme quadro 3 abaixo: Quadro 3 — Vendas com Suspensão PIS/Cofins J u n h o / 2 0 1 2 1 0 7 . 6 4 0 , 0 0 N o v emb r o / 2 0 1 2 1 1 6 . 9 1 5 , 0 0 D e z emb r o / 2 0 1 2 7 3 . 4 7 4 , 5 0 M a r ç o / 2 0 1 3 4 4 . 9 8 0 , 0 0 A b r i l / 2 0 1 3 5 5 . 3 8 0 , 0 0 M a i o / 2 0 1 3 8 6 . 9 6 2 , 7 0 J u n h o / 2 0 1 3 7 8 . 7 8 6 , 0 0 J u l h o / 2 0 1 3 7 4 . 7 2 4 , 5 0 A g o s t o / 2 0 1 3 1 6 . 8 7 1 , 9 9 S e t emb r o / 2 0 1 3 7 7 . 1 4 1 , 5 0 O u t u b r o / 2 0 1 3 9 1 3 . 7 2 5 , 5 8 N o v emb r o / 2 0 1 3 1 5 4 . 0 3 6 , 9 0 F e v e r e i r o / 2 0 1 4 2 0 0 . 3 6 1 , 6 0 A b r i l / 2 0 1 4 3 1 2 . 3 1 8 , 0 0 M a i o / 2 0 1 4 3 . 5 2 0 . 9 0 7 , 9 4 J u n h o / 2 0 1 4 1 . 1 0 0 . 3 3 7 , 3 0 J u l h o / 2 0 1 4 8 . 0 5 5 . 9 8 4 , 5 3 A g o s t o / 2 0 1 4 1 1 . 6 6 0 . 0 9 3 , 4 5 S e t emb r o / 2 0 1 4 4 . 8 0 8 . 7 4 4 , 4 1 O u t u b r o / 2 0 1 4 1 0 . 5 7 9 . 2 9 2 , 5 7 N o v emb r o / 2 0 1 4 4 8 6 . 9 8 6 , 4 3 D e z emb r o / 2 0 1 4 8 0 8 . 9 4 2 , 6 8 Portanto, a base de cálculo para a apuração das contribuições para o PIS e a Cofins, serão as vendas totais tributáveis já listadas no quadro 2 menos as vendas cuja tributação é suspensa quadro 3 acima. Abaixo listase em quadro demonstrativo: Quadro 4 Vendas tributáveis PIS/Cofins M ê s A V e n d a s B V e n d a s t r i b u t a ç ã o C V e n d a s t r i b u t á v e i s P I S / C o f i n s ( A B ) t r i b u t á v e i s P I S / C o f i n s s u s p e n s a 0 1 / 2 0 1 2 4 . 4 0 8 . 0 8 7 , 6 8 0 , 0 0 4 . 4 0 8 . 0 8 7 , 6 8 0 2 / 2 0 1 2 4 . 0 1 1 . 9 8 8 , 4 0 0 , 0 0 4 . 0 1 1 . 9 8 8 , 4 0 0 3 / 2 0 1 2 6 . 0 7 6 . 6 4 0 , 9 0 0 , 0 0 6 . 0 7 6 . 6 4 0 , 9 0 0 4 / 2 0 1 2 5 . 0 5 5 . 4 8 6 , 0 0 0 , 0 0 5 . 0 5 5 . 4 8 6 , 0 0 0 5 / 2 0 1 2 4 . 5 2 2 . 5 3 5 , 2 0 0 , 0 0 4 . 5 2 2 . 5 3 5 , 2 0 0 6 / 2 0 1 2 5 . 0 4 9 . 7 1 8 , 5 8 1 0 7 . 6 4 0 , 0 0 4 . 9 4 2 . 0 7 8 , 5 8 0 7 / 2 0 1 2 8 . 7 0 1 . 9 7 9 , 3 4 0 , 0 0 8 . 7 0 1 . 9 7 9 , 3 4 0 8 / 2 0 1 2 9 . 0 2 1 . 2 4 5 , 6 8 0 , 0 0 9 . 0 2 1 . 2 4 5 , 6 8 Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.298 31 0 9 / 2 0 1 2 8 . 7 1 8 . 1 8 3 , 3 8 0 , 0 0 8 . 7 1 8 . 1 8 3 , 3 8 1 0 / 2 0 1 2 1 0 . 5 5 5 . 5 2 9 , 6 2 0 , 0 0 1 0 . 5 5 5 . 5 2 9 , 6 2 1 1 / 2 0 1 2 8 . 2 3 5 . 1 5 5 , 8 7 1 1 6 . 9 1 5 , 0 0 8 . 1 1 8 . 2 4 0 , 8 7 1 2 / 2 0 1 2 8 . 8 3 1 . 8 7 6 , 6 2 7 3 . 4 7 4 , 5 0 8 . 7 5 8 . 4 0 2 , 1 2 0 1 / 2 0 1 3 1 0 . 0 6 0 . 4 1 5 , 4 1 0 , 0 0 1 0 . 0 6 0 . 4 1 5 , 4 1 0 2 / 2 0 1 3 9 . 7 4 9 . 8 1 1 , 4 7 0 , 0 0 9 . 7 4 9 . 8 1 1 , 4 7 0 3 / 2 0 1 3 4 . 8 5 3 . 1 4 5 , 1 1 4 4 . 9 8 0 , 0 0 4 . 8 0 8 . 1 6 5 , 1 1 0 4 / 2 0 1 3 6 . 8 1 7 . 3 8 4 , 7 6 5 5 . 3 8 0 , 0 0 6 . 7 6 2 . 0 0 4 , 7 6 0 5 / 2 0 1 3 9 . 0 9 4 . 0 6 8 , 2 0 8 6 . 9 6 2 , 7 0 9 . 0 0 7 . 1 0 5 , 5 0 0 6 / 2 0 1 3 9 . 5 6 0 . 8 8 3 , 5 0 7 8 . 7 8 6 , 0 0 9 . 4 8 2 . 0 9 7 , 5 0 0 7 / 2 0 1 3 7 . 6 3 1 . 2 6 4 , 3 0 7 4 . 7 2 4 , 5 0 7 . 5 5 6 . 5 3 9 , 8 0 0 8 / 2 0 1 3 9 . 6 7 8 . 2 1 2 , 2 9 1 6 . 8 7 1 , 9 9 9 . 6 6 1 . 3 4 0 , 3 0 0 9 / 2 0 1 3 9 . 3 0 6 . 4 5 1 , 5 2 7 7 . 1 4 1 , 5 0 9 . 2 2 9 . 3 1 0 , 0 2 1 0 / 2 0 1 3 1 3 . 6 0 0 . 6 6 0 , 8 7 9 1 3 . 7 2 5 , 5 8 1 2 . 6 8 6 . 9 3 5 , 2 9 1 1 / 2 0 1 3 1 1 . 0 6 1 . 6 7 6 , 8 0 1 5 4 . 0 3 6 , 9 0 1 0 . 9 0 7 . 6 3 9 , 9 0 1 2 / 2 0 1 3 1 2 . 7 9 1 . 6 6 9 , 3 5 0 , 0 0 1 2 . 7 9 1 . 6 6 9 , 3 5 0 1 / 2 0 1 4 8 . 7 6 1 . 5 3 7 , 2 6 0 , 0 0 8 . 7 6 1 . 5 3 7 , 2 6 0 2 / 2 0 1 4 8 . 0 1 3 . 0 9 4 , 0 0 2 0 0 . 3 6 1 , 6 0 7 . 8 1 2 . 7 3 2 , 4 0 0 3 / 2 0 1 4 8 . 9 3 2 . 6 6 3 , 8 6 0 , 0 0 8 . 9 3 2 . 6 6 3 , 8 6 0 4 / 2 0 1 4 2 4 . 9 8 9 . 6 1 3 , 1 0 3 1 2 . 3 1 8 , 0 0 2 4 . 6 7 7 . 2 9 5 , 1 0 0 5 / 2 0 1 4 3 3 . 9 3 1 . 6 9 9 , 5 6 3 . 5 2 0 . 9 0 7 , 9 4 3 0 . 4 1 0 . 7 9 1 , 6 2 0 6 / 2 0 1 4 2 8 . 8 6 4 . 1 1 0 , 3 6 1 . 1 0 0 . 3 3 7 , 3 0 2 7 . 7 6 3 . 7 7 3 , 0 6 0 7 / 2 0 1 4 4 6 . 3 1 4 . 3 1 0 , 8 9 8 . 0 5 5 . 9 8 4 , 5 3 3 8 . 2 5 8 . 3 2 6 , 3 6 0 8 / 2 0 1 4 3 9 . 7 9 9 . 9 0 2 , 9 6 1 1 . 6 6 0 . 0 9 3 , 4 5 2 8 . 1 3 9 . 8 0 9 , 5 1 0 9 / 2 0 1 4 4 3 . 1 6 2 . 2 4 7 , 8 1 4 . 8 0 8 . 7 4 4 , 4 1 3 8 . 3 5 3 . 5 0 3 , 4 0 1 0 / 2 0 1 4 5 0 . 9 7 0 . 1 3 7 , 2 7 1 0 . 5 7 9 . 2 9 2 , 5 7 4 0 . 3 9 0 . 8 4 4 , 7 0 1 1 / 2 0 1 4 5 1 . 3 5 7 . 7 3 3 , 2 2 4 8 6 . 9 8 6 , 4 3 5 0 . 8 7 0 . 7 4 6 , 7 9 1 2 / 2 0 1 4 5 3 . 2 2 1 . 6 5 8 , 4 9 8 0 8 . 9 4 2 , 6 8 5 2 . 4 1 2 . 7 1 5 , 8 1 (...) Os recorrentes, por sua vez, argumentam: que todas as notas fiscais de vendas referemse a venda de animais vivos, nos anoscalendário 2012, 2013 e 2014 e que, portanto, a incidência de PIS e Cofins estava suspensa, não existindo base de cálculo tributável, no caso; que a mera falta de menção de dispositivo regulamentar na nota fiscal da operação de venda de animais vivos (de que a operação foi realizada com suspensão da incidência de PIS e Cofins) não pode implicar em exigência dessas exações fiscais. A propósito, transcrevo, no que pertinente, as razões dos recorrentes: (...) II.2.2. DA SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA O acórdão recorrido, na contramão da tese sustentada pelos Recorrentes por ocasião da impugnação apresentada, salienta a necessidade de constar nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da Coflns", sob pena de ofensa expressa ao artigo 2e, §2Q da Instrução Normativa 1.157/2011. Conforme visto, tratamse os autos da aplicação de sanção por parte do fisco em virtude da falta de existência de expressão nas Notas Fiscais de Venda de bovinos de que se tratava de transação mercantil efetuada com suspensão da incidência de Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.299 32 tributos, conforme descrito no subitem 6.3 do Termo de Verificação Fiscal anexado ao Auto de Infração ora combatido. (...) Com todo o respeito, em que pese o entendimento externado nos acórdãos recorridos, o fato de não constar nas notas fiscais emitidas pela empresa Recorrente a expressão de que se tratava de venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não pode resultar na exigibilidade do tributo. Isto porque, a irregularidade na emissão de documento fiscal e a falta de escrituração contábil não gera, de per si, obrigação tributária principal, sobretudo no caso em que as Notas Fiscais utilizadas para a confecção do Auto de Infração retratam operação onde a tributação é suspensa por lei. Observese que as Notas Fiscais utilizadas para a confecção do Auto de Infração, descrevem corretamente a operação mercantil em que a tributação é suspensa. Contrariamente ao que restou decidido, tais documentos devem ser analisados em sua integralidade, a luz da legislação processual civil, que no caso deve ser utilizada subsidiariamente, quando se trata da prova da existência do fato econômico gerador da incidência do tributo, e não da análise de mera Instrução Normativa, norma de caráter inferior editada pela Receita Federal. Portanto, as notas fiscais que não constam a expressão acima mencionada devem ser excluídas da base de cálculo da tributação para fins de incidência de PIS e COFINS, de sorte que a decisão combatida deve ser reformada (...). Não procede a irresignação dos recorrentes. Não há plausibilidade fáticojurídica na argumentação dos recorrentes. A contribuinte não cumpriu condição sine qua non para gozo do benefício fiscal, ou seja, descumpriu o disposto no art. 54, Parágrafo único, inciso II, da Lei 12.350/2010, c/c art. 2ª, § 2º, da IN RFB nº 1157/2011, quanto às vendas Quadro 4 Vendas tributáveis PIS e Cofins (já transcrito acima). Vendas sem observação no corpo das notas fiscais eletrônicas de que se tratariam de vedas com pagamento suspenso de PIS e Cofins. Tributação normal. Lei nº 12. 350, de 2010: (...) Art. 54. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de: I–insumos de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e nas posições Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.300 33 12.01, 23.04 e 23.06 da Nomenclatura Comum do Mercosul(NCM), quando efetuada por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, vendidos:(Vide Lei nº 12.865, de 2013)(Vigência) a) para pessoas jurídicas que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM; b) para pessoas jurídicas que produzam preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM; e c) para pessoas físicas; II–preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM; III–animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM, quando efetuada por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, vendidos para pessoas jurídicas que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM; Parágrafo único. A suspensão de que trata este artigo: I–não alcança a receita bruta auferida nas vendas a varejo; II–aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) IN RFB nº 1.157, de 2011: Art. 2º Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de: I insumos de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); II preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM; III animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM; e, IV produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07, 0210.1 e carne de frango classificada no código 0210.99.00, da NCM. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1346, de 16 de abril de 2013) § 1º A aplicação da suspensão de que trata o caput observará as disposições dos arts. 3º e 4º desta Instrução Normativa. Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.301 34 § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. Como visto, é condição sine qua non para gozo do benefício da suspensão do pagamento da Contribuição para o PIS e da Cofins, quando da operação de saída (venda) de animais vivos, que na respectiva nota fiscal de venda conste a seguinte observação: "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da Coflns", Lei 12.350, de 2010. Ou seja: PIS E CONFINS SUSPENSO DA LEI 12.350/2010. A indispensabilidade dessa observação é, justamente, para coibir utilização de crédito pelos Frigoríficos, abatedouros e outros estabelecimentos quando das saídas de produtos com alíquotas zero, inclusive, tal preocupação restou consignada assim no TVF, parte integrante dos autos de infração: (...) Ocorre que os frigoríficos, abatedouros e outros estabelecimentos aptos a realizar o abate dos animais vivos e o processamento dos produtos cárneos podem dar saída a esses produtos com alíquota zero – conforme artigo 1º, inciso XIX da Lei 10.925/2004 (alterada pela Lei 12.839/2013). Ora, a marcação de que o animal vivo entrou no estabelecimento abatedouro com PIS/Cofins suspensos é essencial para que este estabelecimento não utilize esta entrada para seu creditamento desses tributos. (...) No caso, como as nota fiscais eletrônicas foram emitidas pela recorrente sem consignar no seu corpo a observação de que seriam saídas (vendas) com suspensão do pagamento do PIS e da Cofins Quadro 4 Vendas tributáveis PIS e Cofins (já transcrito acima), logo devem ser tributadas, pois geraram créditos dessas exações fiscais aos estabelecimentos destinatários. Mantémse a exigência do PIS e da Cofins, conforme autos de infração. IMPUTAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA. DOLO DE FRAUDE. SONEGAÇÃO FISCAL A Fiscalização da RFB aplicou multa de 150% sobre os tributos que o sujeito passivo deixou de apurar e pagar quanto aos anoscalendário 2012, 2013 e 2014, por dolo de fraude/sonegação fiscal. Nas razões do recurso dos recorrentes, não consta questionamento acerca de matéria fática, apenas aduziram que a multa no patamar de 150% seria desproporcional Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.302 35 (inconstitucional), pois seria confiscatória e que, caso seja mantido o principal dos tributos, a multa seja desqualificada, reduzida para o patamar de 75%. Nessa parte, transcrevo, no que pertinente, os argumentos constantes da peça de defesa, in verbis: (...) II 2.3. MULTA PROPORCIONAL DE OFÍCIO DE 150% REDUÇÃO Os Recorrentes postularam, alternativamente, caso o Auto de Infração impugnado fosse mantido, pela redução da multa de ofício aplicada pelo Sr. Auditor Fiscal no percentual de 150%, sob o argumento de que o STF, com base da vedação ao confisco, reconheceu como inconstitucionais multas fixadas em índices iguais ou superiores a 100% [cem por cento), transcrevendo jurisprudência neste sentido a embasar sua tese. Por sua vez, os acórdãos recorridos sustentam que a multa aplicada de ofício nos autos de infração está correta, sob o argumento de que em se tratando de falta de pagamento ou recolhimento de imposto/contribuição, apurada em procedimento de ofício, a autoridade lançadora está jungida ao princípio da legalidade, devendo aplicar a multa de lançamento de ofício, prevista no artigo 44 da Lei nQ 9.430, de 27/12/1996, não podendo deixar de aplicála ou reduzila ao seu livre arbitrário, sendo que referida insurgência deve ser dirigida ao Poder Judiciário e não ao aplicador da lei. In casu, do que se observa, vislumbrase que a autoridade administrativa houve por bem em aplicar o percentual de multa de forma dobrada, conforme disposto no §19 do artigo 44 da lex retro referida, ou seja, 150%, sob o argumento de que além de não recolher o imposto, percebese o dolo do contribuinte ao omitir do fisco as informações nas declarações e demonstração contábeis, e ainda, a dissolução irregular da empresa. (...) Objetivando proteger o contribuinte de investidas exageradas do Fisco, a própria Carta Magna, precipuamente através do artigo 150, inciso IV, prescreve expressamente ser vedada a utilização de tributo com efeito de confisco. (...) Desse modo, toda atividade tributária não poderá ultrapassar as fronteiras do confisco, inclusive a aplicação de multas. Em outras palavras, a aplicação de multa não poderá ser excessiva a ponto de, a uma só vez ou paulatinamente, destruir a propriedade do contribuinte, mormente porque suposta infrações praticadas pelos contribuintes não restam devidamente demonstradas pela autoridade administrativa que exara o Auto de Infração. Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.303 36 (...) Com isso, não pode haver distorção entre a medida prevista em lei e o fim por ela objetivado, que é o recolhimento do imposto, determinando que o modo de combater e punir os ilícitos fiscais deve ser disposto com penalidades que guardem adequação dos meios e dos fins, sob pena de violação ao principio da razoabilidade e a proporcionalidade (CF, art. 5º, LIV). Nesta medida, cabe ressaltar uma vez mais, punir o contribuinte quando não houve nenhum prejuízo ao erário, ou sequer houve fundamentação fática a respeito, ou em montante superior ao próprio imposto exigido, descaracteriza a sistemática das multas, tornandoas ilegais e inconstitucionais. Por derradeiro, cabe esclarecer que, ainda que a presente ação fiscal se mantenha, a falta de recolhimento do tributo ou declaração inexata, apurada em lançamento de ofício, enseja o lançamento da multa de 75%, prevista no artigo 44, inciso I da Lei n9 9.430, de 27/12/19967, não havendo que se falar na aplicação da majoração a que se refere o parágrafo 1º de referido norma, porquanto incabível na hipótese sobre que versam os presentes autos. (...) Assim sendo, caso seja mantida pelo CARF a decisão recorrida e o Auto de Infração impugnado, o que não se acredita e se admite apenas a título de argumentação, levandose em conta que é perfeitamente admissível aos órgãos de julgamento administrativo reduzir ou cancelar penalidades excessivas e/ou confiscatórias, ao contrário do que restou decidido, protestam seja desagravada, desqualificada e reduzida a multa (...), pugnando seja quantificado novo percentual, em percentual não superior a 75%. (...) Não procede a irresignação dos recorrentes. A motivação da qualificação da multa de ofício está assim narrada no TVF, em tópico específico, in verbis: (...) 8 – DAS MULTAS Os valores devidos deverão ser acrescidos de multa de ofício. Para os anos de 2012 a 2014 a multa será qualificada (150%), pelos fatos e legislação descritos a seguir. A intenção de fraudar encontrase latente e pode ser comprovada pela mera observação dos fatos. A empresa emite notas fiscais de vendas efetivas que somam a quantia impressionante de R$ 596 milhões de reais em 3 anos de Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.304 37 apuração, no entanto, jamais declarou um centavo sequer de vendas. (...). Além de não recolher os tributos, percebese o dolo do contribuinte ao omitir do fisco as informações nas Declarações a que estava obrigado, bem como não elaborava as demonstrações contábeis, o Livro Caixa, ou a escrita fiscal e contábil eletronicamente através do SPED. Ainda, no curso da fiscalização, foi verificada a dissolução irregular da empresa. A empresa não foi localizada no local informado no cadastro do CNPJ e não há qualquer notícia de funcionar em outro local. A empresa parou de funcionar sem comunicação aos órgãos competentes para os procedimentos de baixa, sendo isso uma clara infração à lei. Tudo isso corrobora com a intenção de fraudar o fisco. (...) Mas, não é só isso. No próprio TVF, ainda podese extrair os detalhes do modus operandi da gestão do empresa pelos sócios, com intuito deliberado, dolo específico de fraude/sonegação fiscal: (...) 2 – DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO E DA AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO OU RECONHECIMENTO DE RECEITAS (...) Pois bem, no contexto da apuração da receita operacional, foram entregues DIPJ e ECF pela Jurídica (fls. 002/071), onde o contribuinte reconhece os valores zerados. Ou seja, não declara ou reconhece nenhuma receita. O contribuinte também entregou suas Declarações de Créditos Tributários Federais (DCTF), onde, para todo o período sob apuração, foram reconhecidos e pagos apenas o valor de R$ 240,00 (duzentos e quarenta reais) relativo a Cofins. Não houve nenhuma declaração ou recolhimento relativo a IRPJ, CSLL ou PIS (fl. 072). (...) 3 DAS DIVERGÊNCIAS ENTRE RECEITAS DECLARADAS E AS NOTAS FISCAIS EMITIDAS Apesar não declarar ou reconhecer receitas, a empresa emite notas fiscais de valores vultuosos. Foi realizado o levantamento de todas as notas fiscais emitidas através do Sped – Sistema Público de Escrituração Digital. Foram selecionadas apenas as notas fiscais que representassem efetivamente operações de venda tributável. Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.305 38 (...) O conjunto das notas fiscais emitidas no período de 01 de janeiro de 2012 a 31 de dezembro de 2014 atingiu 14.687 notas de vendas tributáveis, no montante de R$ 596.111.893,63. No quadro abaixo o detalhe dos valores anuais: Anocalendário Receita Bruta Declarada à RFB R$ Notas Fiscais de Vendas R$ 2012 0,00 83 . 1 8 8 . 4 2 7 , 2 7 2013 0,00 11 4 . 6 0 4 . 7 5 7 , 5 8 2014 0,00 39 8 . 3 1 8 . 7 0 8 , 7 8 Total 5 9 6 . 1 1 1 . 8 9 3 , 6 3 (...) 4 – DA AÇÃO FISCAL (...) Em vista da relevância dos valores de notas emitidas a fiscalização considerou por bem realizar a entrega pessoal do Termo de Início e concomitantemente realizar uma vistoria física na empresa. Isto posto, em 26 de julho de 2016 as autoridades fiscalizatórias realizaram diligência a fim de localizar a empresa e intimar os responsáveis. Todavia após buscas em toda região, constatouse que a empresa não estava localizada no endereço fiscal. Buscouse o contador da empresa que afirmou que a empresa jamais esteve no dito endereço. Em 27 de julho de 2016 foi lavrado o Termo de Diligência Fiscal detalhando o ocorrido (fls. 077/082). Devido a não localização da empresa foi lavrada Representação para inaptidão do cadastro da mesma no CNPJ – fls. 083/085. Em 10 de agosto de 2016 foi publicado o Ato Declaratório de Inaptidão da empresa (fl. 086). Concomitante aos esforços de localização da empresa e de seus sócios, foi deflagada pelo GAECO – Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado uma operação denominada “Operação Publicano”. Nestas ações foi preso o principal sócio da empresa fiscalizada, Sr. Aparecido Domingos dos Santos. Em 31 de agosto de 2016 dos auditoresfiscais estiveram em audiência com o custodiado, onde foilhe dado ciência do Termo de Início (fls. 087/091) e explicado que o mesmo teria que apresentar a documentação solicitada. A empresa jamais apresentou documentos ou quaisquer outras justificativas. Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.306 39 (...) 5 DA CONTABILIDADE O contribuinte não apresentou os livros solicitados no procedimento fiscal e não justificou a ausência de escrituração contábil. Em entrevista com o contador responsável pela escrita fiscal da empresa, realizada em 26 de julho de 2016, o profissional informou que os responsáveis pela empresa jamais encaminharam os documentos para realização da escrita fiscal (fl. 81). (...) 6.1 – Apuração do total das Vendas Tributáveis Para fins de auditoria, baixouse todos os arquivos de notas fiscais eletrônicas emitidas pela fiscalizada no período sob fiscalização. Foram reconhecidas 22.121 notas fiscais emitidas. Destas, interessam à fiscalização apenas as notas fiscais que representam efetivas transações tributáveis. Isto posto foram relacionadas 14.654 notas fiscais, conforme já detalhado no item 3. (...) Ainda, cabe transcrever a narrativa da Fiscalização quanto às informações obtidas na visita ao Contador da empresa Diligência Fiscal (efl. 81): (...) Face ao insucesso na localização da empresa, nos dirigimos à cidade de Joaquim Távora/PR, com vistas a entrevistar o contador responsável pela escrita fiscal da empresa. Em Joaquim Távora estivemos com o Sr. Marcos Eduardo Horevitch, CRCPR 36.296/06, na sede de seu Escritório de Contabilidade. O mesmo nos informou: a) Que não realizava mais a escrita fiscal das empresas pertencentes ao grupo do Sr. Aparecido Domingos dos Santos, vulgo “Dinho do Porco”; b) Que o Sr. Aparecido, principal gestor e procurador das empresas estava preso em Londrina; c) Que o Sr. Aparecido jamais cumpriu as orientações contábeis emanadas pelo profissional. Que não enviava os documentos para contabilização e não pagou seus honorários; d) Que o Sr. Noipe Rodrigues, interposta pessoa do Sr. Aparecido e que constava como sócio da empresa São Gabriel havia se suicidado; e) Que o filho de Aparecido, antigo sócio da Maiale, estava usando tornozeleira eletrônica e poderia ser localizado em seu endereço residencial. Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.307 40 f) Que o Sr. Aparecido conseguiu cadastrar as empresas em endereços rurais, mas que as atividades empresariais jamais foram exercidas nestes endereços. Os negócios eram realizados no escritório do Sr. Aparecido na cidade de Quatiguá/PR, às margens da PR 092, mas que após sua prisão o local foi fechado. g) Que o Sr. Aparecido deixou muitos credores insatisfeitos e que tais credores estavam buscando bens. Inclusive vários caminhões já haviam sido transferidos. Diante de tudo o que foi constatado e exposto, concluímos que a empresa MAIALE TRANSPORTADORA E COMERCIO DE SUINOS EIRELI ME não está localizada no endereço cadastrado na Receita Federal como domicílio fiscal da mesma e há indícios de que a mesma jamais exerceu suas atividades no dito local. (...) Como visto, o sujeito passivo entregou as declarações sem movimento, sem faturamento; não apurou tributos; nada pagou do IRPJ, CSLL e PIS quantos aos anos calendário 2012, 2013 e 2014. Entretanto, o somatório do faturamento (valor tributável), nos anos calendário 2012, 2013 e 2014, foi superior a R$ 596 milhões. O estabelecimento não foi encontrado no endereço cadastral fornecido à RFB e em lugar algum. Não houve atualização cadastral para que fosse encontrado o estabelecimento. Houve dissolução irregular da empresa. Nesse sentido, entendimento da Súmula STJ nº 435 que tem a seguinte redação: "Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente. Como demonstrado, a gestão da empresa (conduta dos sócios), nos anos calendário 2012, 2013 e 2014, períodos de apuração objeto do lançamento fiscal, foi deliberadamente fraudulenta contra o fisco federal, implicando total sonegação fiscal dos tributos federais. A qualificação da multa pela conduta dolosa de fraude e sonegação fiscal, por conseguinte, está sobejamente demonstrada e comprovada nos autos. Prejudicado, assim, o pedido de desqualificação do multa. Quanto à arguição de que a multa qualificada aplicada seria desproporcional (confiscatória), não cabe aos órgãos de julgamento administrativo fazer controle de constitucionalidade de lei vigente (competência do Poder Judiciário), mas sim apenas fazer controle de legalidade do ato administrativo de lançamento fiscal, ou seja, se foi produzido de acordo com a legislação de regência vigente. No caso, foi aplicada, em concreto, a qualificação da multa consoante cominação legal vigente (Lei 9.430/96, art. 44, §1º, com redação dada pela Lei 11.488, de 2007). Não há reparo a fazer. Mantémse a multa qualificada. Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.308 41 Ainda, quanto à falta de competência dos órgãos de julgamento administrativo para fazer o controle de constitucionalidade de lei vigente, cabe transcrever o verbete da Súmula CARF nº 02, in verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por tudo que foi exposto, deve ser mantida a qualificação da multa de ofício, conforme imputação constante do lançamento fiscal. Deve ser mantida a decisão a quo, qunto à multa qualificada. SUJEIÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA O Fisco imputou responsabilidade solidária pelo crédito tributário lançado de ofício, quanto aos anoscalendário 2012, 2013 e 2014, aos sócios da empresa: Srs. APARECIDO DOMINGUES DOS SANTOS e EDERSON APARECIDO DOS SANTOS, pai e filho, respectivamente, conforme TVF. Este como sócíoadministrador de direito; aquele, como sócioadministrador de fato (proprietário de fato). Nas razões do recurso voluntário, os responsáveis solidários rechaçaram a imputação, argumentando: (...) II.1.2 DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E PESSOAL DO 2º E 3º RECORRENTES. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA Prefacialmente, necessário salientar que, ao contrário do que consta no acórdão recorrido quanto a este tópico, equivocase a autoridade de 1ª Instância quando informa que: "Apesar de constar no Auto de Infração menção, também, ao art. 124, inciso I do CTN, o fato é que a linha de argumentação da Fiscalização está centrada no art 135, inciso III do CTN, conforme demonstrado (supra) no item 10 do Termo de Verificação de Ação Fiscal. A tese dos impugnantes a ser examinada, portanto, é aquela onde argumentam que não praticaram nenhuma das condutas definidas no caput do art. 135 e inciso III, do CTN (excesso de mandato, infração à lei ou ao contrato social), para que o Fisco pudesse incluílos no pólo passivo da obrigação." Isto porque, ao contrário do que se observa dos itens 02 das impugnações manejadas pelo 29 e 3a Recorrentes 02. MÉRITO. 02.1. DA ILEGITIMIDADE DO IMPUGNANTE APARECIDO DOMINGUES DOS SANTOS E EDERSON APARECIDO DOS SANTOS), estes calcaram sua defesa não apenas com base na responsabilidade solidária de fato prevista no artigo 124, inciso I do CTN, mas também na responsabilidade pessoal disciplinada no artigo 135, inciso III do mesmo codex. Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.309 42 Tal ocorreu visto que o Auto de Infração atribui aos Recorrentes a 1ª espécie responsabilidade solidária, ao passo que o item 10 do Termo de Verificação de Ação Fiscal está fundamentado legalmente na 2ª hipótese responsabilidade pessoal, contrariedade que merece inclusive ser reanalisada por este Conselho para que se declare a nulidade do Auto de Infração combatido. De qualquer forma, a decisão ora recorrida que deliberou que no caso sobre que versam os presentes autos, além do inadimplemento da obrigação houve a intenção dos agentes e o cometimento de ilícito fiscal do tipo sonegação, fraude ou conluio, práticas ilícitas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n9 4.502, de 1964, que somente se concretizam a partir dos atos de gestão praticados pelos componentes da sociedade, e ainda, a dissolução irregular da sociedade porquanto o contribuinte não foi localizado no endereço constante de seu cadastro fiscal, não merece prosseguir. Conforme com propriedade lecionada Fábio Ulhoa Coelho, a responsabilidade do sócio administrador ou gerente deve ser sempre residual e subsidiária (...). De salientar que a doutrina e jurisprudência dominantes não autorizam a responsabilização do administrador ou gerente, com fundamento no próprio inadimplemento do tributo, ausente qualquer outra irregularidade. No caso em comento, ao contrário do que restou decidido, não restou configurado que os Recorrentes tenham praticado qualquer ato com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, motivo pelo qual não podem responder pelos débitos tributários apurados na forma do artigo 135 do CTN. O que se dizer então da idéia de responsabilizar o 2º Recorrente APARECIDO DOMINGUES DOS SANTOS, que sequer era administrador do sujeito passivo na maior parte do período em que a empresa foi fiscalizada, com quem aquele não guardava qualquer vínculo ou poderes de gerência, já que passou a ser o seu administrador em 15 de julho de 2015, não merecendo acolhimento a mera arguição de que foi o responsável pela dissolução irregular da empresa. Outrossim, deve ser afastada a responsabilidade atribuída ao 2º e 3ºRecorrentes no Auto de Infração, com fulcro no artigo 124, inciso I do CTN, devendo ser integralmente cancelado o Auto de Infração, tendo em vista inexistirem provas concretas de que haveria interesse comum na prática dos atos previstos nas hipóteses de incidência do crédito tributário ali discutidos. Isto porque, a responsabilidade solidária por interesse comum de que trata a norma acima mencionada exige que os sujeitos responsáveis participem, de forma direita e objetiva, nos atos que constituem a hipótese de incidência tributária (fato gerador], sendo certo que, in casu, o interesse comum se revela Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.310 43 na prática dos atos que ensejam a tributação, que, supostamente e ilegalmente, foram atribuídas aos ora Recorrentes. Ou seja, para que haja solidariedade com supedáneo no artigo 124,1 do CTN, é preciso que todos os devedores tenham um interesse focado exatamente na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Ainda que mais de uma pessoa tenha interesse comum em algum fato, para que haja solidariedade tributária é necessário que o objeto deste interesse recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação, o que nem de longe ocorreu no caso sobre que versam os presentes autos. Assim sendo, vislumbrase que não há prova robusta de que o 2º e 3Q Recorrentes tenham participado de forma direta nos atos que ensejaram a geração da receita a ser tributada, de forma que não há como atribuirlhe a responsabilidade tributária solidária na forma pretendida pelo Fisco Federal. Ademais, a exclusão do 2º e 3Q Recorrentes arrolados na condição de responsável pelo crédito tributário da empresa acima mencionada é medida que se impõe, visto que o Sr. Auditor Fiscal não detém competência para a prática de referido ato, o qual deve ser declarado nulo (...). Portanto, concluise que a competência para exigir dos responsáveis tributários o adimplemento do crédito do Fisco é exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional, no âmbito do processo judicial de cobrança, (...). Assim sendo, o Termo de Responsabilidade Solidária de Fato objetivando a imputação da responsabilidade aos 2º e 39 Recorrentes é nulo, vez que lavrado por autoridade incompetente, no caso, o Sr. AuditorFiscal, face à competência exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional para esse desiderato. Ante o exposto, de qualquer ângulo que se analise, absolutamente incabível a pretensão do fisco de responsabilizar os 2º e o 39 Recorrentes pelo pagamento integral do crédito tributário, de sorte que requer seja reformada a decisão da 6ª Turma da DRJ/FNS para que seja excluída a responsabilidade pessoal e/ou solidária atribuída aos mesmos, cancelandose integralmente o crédito tributário. (...) Não procedem as irresignações dos recorrentes. Embora a Fiscalização tenha capitulado os imputados sujeição passiva solidária com base em dois dispositivos (CTN, arts. 124, I e 135, III), os fatos descritos, narrados no TVF, de forma inequívoca, estão subsumidos no art. 135, III, do CTN. Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.311 44 No caso, não há vício algum na imputação da responsabilidade tributária dos imputados: Srs. APARECIDO DOMINGUES DOS SANTOS e EDERSON APARECIDO DOS SANTOS. Ainda que houvesse eventual vício na imputação da sujeição passiva solidária, que não é o caso, não teria o condão de macular o lançamento do crédito tributário, pois a responsabilidade do sóciogerente ou administrador surge independentemente da obrigação da pessoa jurídica contribuinte, pois decorre de ato ilícito. A responsabilidade do devedor solidário é autônoma em relação à obrigação do contribuinte quanto ao nascimento e à natureza. O crédito tributário é da contribuinte; a obrigação do responsável decorre doutro fato jurídico e doutra declaração. A obrigação do responsável depende da existência e validade da obrigação do contribuinte, mas a obrigação deste (contribuinte) não é afetada pela obrigação daquele (responsável). A responsabilidade do sóciogerente ou administrador pelo crédito tributário não tem natureza tributária. Tratase de relação de garantia pelo crédito tributário. Em face disso, a responsabilidade tributária do sóciogerente ou administrador pode ser imputada, declarada: a) quando da lavratura do auto de infração pela Receita Federal ou após a lavratura do auto de infração, e pode ser imputada no próprio auto de infração ou em peça específica; b) em relação ao crédito tributário inscrito em Dívida Ativa da União (CDA), pela PFN; c) na fase de execução fiscal, redirecionamento da execução pelo juízo da causa. Portanto, a Receita Federal tem competência para imputar a responsabilidade tributária do sóciogerente ou administrador da pessoa jurídica por ato ilícito, quando do lançamento do crédito tributário em nome da pessoa jurídica autuada, assegurando à contribuinte e aos responsáveis as garantias constitucionais do devido processo legal administrativo, do contraditório e da ampla defesa. A tese da responsabilidade subsidiária, em sentido próprio, dos administradores é incompatível com a adoção da tese da responsabilidade subjetiva, acolhida pelo STJ (decorre de ato ilícito), visto que não se pode conceber que o terceiro, sendo sancionado pela prática de ato ilícito, condicione sua responsabilidade à inexistência de bens da pessoa jurídica, suficientes para a satisfação do crédito (o STJ admite que a execução fiscal seja ajuizada, desde logo, contra sociedade e administrador). Em linha com esse entendimento, transcrevo posicionamento doutrinário, com base na jurisprudência dominante do STJ, do exProcurador da Fazenda Nacional, atual Procurador da República, Anselmo Henrique Cordeiro LOPES, in A responsabilidade tributária dos administradores. A incidência do art. 135, III, do CTN. Revista Jus Navigandi, ISSN 15184862, Teresina, ano 13, n. 1659, 16 jan. 2008. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/10854>. Acesso em:8 fev. 2019, in verbis: (...) 6. Conseqüências da adoção da responsabilidade solidária Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.312 45 A conseqüência jurídica principal da conclusão de que o administrador que comete ato ilícito, no exercício da gerência, responde solidariamente com a pessoa jurídica pelo crédito tributário, sem benefício de ordem, é a de que ele, nesse caso, deve ser considerado "sujeito passivo" e "devedor" para efeito de aplicação da legislação tributária em geral. É ele "sujeito passivo" porque, por força do art. 121, parágrafo único, II, do CTN, todo responsável é sujeito passivo tributário. É ele "devedor" em razão de que a pretensão do Fisco para com ele é exigível independentemente da solvabilidade da pessoa jurídica. Assim, o responsável solidário pode sofrer, individualmente, auto de infração, com forte no art. 142 do CTN, sendo, nesse ato, declarado o ato ilícito que praticou o administrador no exercício da gerência e imputada a responsabilidade a esse infrator. Sendo, porém, sua responsabilidade autônoma da obrigação do contribuinte quanto ao nascimento e à natureza, não está obrigada a Administração Tributária a declarar sua responsabilidade ao mesmo tempo em que constitui o crédito tributário de que é devedora a pessoa jurídica. A responsabilidade do terceiro pode ser declarada a qualquer tempo, na esfera administrativa ou judicial, desde que subsista a obrigação do contribuinte. A possibilidade de ser declarada a responsabilidade do administrador em momento diverso da constituição do crédito tributário devido pelo contribuinte decorre de sua natureza de relação jurídica de garantia. Em razão dessa natureza, a obrigação do responsável, para existir, valer e produzir efeitos, precisa da existência, da validade e da eficácia da obrigação do contribuinte (pessoa jurídica). Diversamente, a obrigação do contribuinte, para existir, valer e produzir efeitos,não depende da existência, da validade e da eficácia da obrigação do responsável. Logo, o crédito tributário do contribuinte pode ser plenamente exigido independentemente de ser declarada ou não a responsabilidade do administrador. Assim, não se pode reconhecer invalidade no auto de infração lançado contra a pessoa jurídica se for descoberto posteriormente ato ilícito ensejador de responsabilidade tributária do administrador. Nem mesmo se pode cominar nulidade se o ato ilícito do administrador já era conhecido pela Administração Tributária ao tempo da constituição do crédito tributário. Eis a razão: a responsabilidade do administrador surge independentemente da obrigação da pessoa jurídica contribuinte, não havendo qualquer imposição legal que determine que deva ser, no mesmo auto de infração, lançado o crédito tributário de que é devedora a pessoa jurídica e declarada a responsabilidade do infrator. A obrigação deste pode ser declarada em apartado, noutro ato administrativo ou em sede judicial, ainda que o ato ilícito de que deriva a responsabilidade tenha ocorrido em coincidência temporal com o fato jurídico tributário principal. Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.313 46 Se estivéssemos diante de uma obrigação tributária solidária com pluralidade de contribuintes, seria lógico que o auto de infração fizesse menção a todos eles. Contudo, no caso de aplicação do art. 135 do CTN, não se têm uma obrigação tributária com solidariedade entre contribuintes; em vez disso, temse várias obrigações que configuram solidariedade imperfeita (ver conceito antes desenvolvido) entre a pessoa jurídica contribuinte e os responsáveis. Como já ressaltamos no item 2 de nosso estudo, não se pode confundir (a) solidariedade entre contribuintes e (b) solidariedade entre contribuinte e responsável. No primeiro caso, aplicase o art. 124 do CTN, havendo dois ou mais contribuintes e uma só obrigação tributária, devendo ser um só o auto de infração; no segundo caso, teremos várias obrigações, um só contribuinte e um ou mais responsáveis, não sendo a obrigação do contribuinte modificada pela obrigação do responsável. A obrigação do responsável depende da existência e validade da obrigação do contribuinte, mas a obrigação deste não é afetada pela obrigação daquele. Logo, pode haver vários autos de infração, um para o contribuinte e outro para cada responsável, assim como podem todas as responsabilidades ser apuradas no mesmo auto de infração em que é lançado o débito do contribuinte, por questão de economia procedimental. O importante é observar que não há qualquer preclusão ou nulidade em se deixar de apurar a responsabilidade de algum administrador no mesmo ato formal em que é apurada a obrigação da pessoa jurídica ou a responsabilidade doutro administrador. Sendo as obrigações em questão autônomas no que tange ao nascimento e à natureza, não se impõe dever legal à Administração Tributária que constitua o crédito tributário no mesmo ato em que é apurada a responsabilidade do administradorinfrator, e nem mesmo é obrigado o Fisco a apurar, no mesmo ato, a responsabilidade de todos os administradores infratores. Não há norma legal que o imponha e não se pode cominar nulidade sem expressa previsão legal. Da desnecessidade de se realizar um só auto de infração, conglobando contribuinte e responsáveis, decorre a ilação de que não há qualquer nulidade na ausência de participação dos responsáveis no processo administrativo fiscal em que se discute a legitimidade do crédito tributário devido pela pessoa jurídica. O crédito tributário é da contribuinte; a obrigação do responsável decorre doutro fato jurídico e doutra declaração. Assim, o responsável é tãosó terceiro interessado e, enquanto tal, está legitimado para produzir provas e alegações, seja no processo administrativo, seja em processo judicial, por força, inclusive, dos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Noutros termos, podemos afirmar que o responsável pode participar do processo administrativo fiscal em que se discute o crédito tributário na posição de terceiro interessado; tratase de faculdade sua. Não é obrigatória, porém, sua presença e sequer sua intimação para tanto, justamente porque ele, no PAF em questão, é meramente terceiro interessado. Distintamente, em Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.314 47 processo administrativo em que se apura sua responsabilidade "pessoal" decorrente de ato ilícito, sua presença é indispensável, obviamente. Da característica de relação jurídica de garantia também decorre que a prescrição da pretensão para com o responsável ocorre no mesmo momento em que prescreve a pretensão para com o contribuinte, nem antes, nem depois. Eis o porquê de admitir a jurisprudência o "redirecionamento da execução fiscal" quando já se passaram mais de cinco anos da ocorrência do ato ilícito que ensejou a responsabilização do administrador. Já a possibilidade de ser declarada a responsabilidade do administradorinfrator por autoridade judicial (redirecionando a execução fiscal) ou pelo Procurador da Fazenda Pública (colocando o nome do administrador na CDA), sem prévio "lançamento" de sua obrigação, decorre de que sua natureza é tributária tãosó mediatamente. Vale dizer, a hipótese normativa que enseja seu nascimento no mundo jurídico não é fato lícito, de movimentação ou detenção de riqueza. Deveras, como já dissemos, o fato jurídico que dá nascimento à responsabilidade é ilícito, não sendo caso, portanto, de obrigação tributária em sentido estrito, por força do conceito contido no art. 3º do CTN. Assim, a obrigação do administradorinfrator é tãosó mediatamente tributária, pois no prescritor da norma concreta está o pagamento de crédito tributário, havendo, além do nexo de adimplemento entre essa obrigação e a obrigação tributária em sentido estrito, a subordinação da obrigação do responsável no que tange à existência, validade e eficácia. Enfim, por não se tratar de obrigação tributária em sentido estrito, não está sujeita às normas de constituição de crédito contidas no Código Tributário Nacional.Constituído precisa ser o crédito tributário do contribuinte; a obrigação do responsável precisa somente ser declarada, seja pela autoridade administrativa do Fisco, seja pelo Procurador da Fazenda (na CDA), seja pela autoridade judicial. Quanto aos instrumentos de coerção utilizados contra os devedores de tributos, todos eles podem ser utilizados em face do responsável solidário. Dessa forma, uma vez declarada pela autoridade administrativa a infração à lei pelo administrador e cominada sua responsabilidade, fica o infrator sujeito, quando verificada a respectiva hipótese legal, ao arrolamento de bens e direitos (art. 64 da Lei 9.532/97), à medida cautelar fiscal (Lei 8.397/92), à inscrição no CADIN (art. 2º, I, da Lei 10.522/2002), bem como à Certidão Positiva de Débitos (art. 205 do CTN). 7. Conclusão Em resumo, alinhamos aqui os fundamentos e as conclusões do presente estudo: a) A responsabilidade do dito "sóciogerente", de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, decorre de sua condição de "gerente" (administrador), e não da sua condição de sócio; Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.315 48 b) A responsabilidade do administrador, por força do art. 135 do CTN, na linha da jurisprudência do STJ, é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito; c) Para efeito de aplicação do art. 135, III, do CTN, responde também a pessoa que, de fato, administra a pessoa jurídica, ainda que não constem seus poderes expressamente do estatuto ou contrato social; d) A responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador; e) A tese da responsabilidade substitutiva também deve ser excluída pela inexistência de norma legal de desoneração da pessoa jurídica em razão da prática de ato ilícito por parte do administrador; f) A tese da responsabilidade subsidiária, em sentido próprio, dos administradores é incompatível com a adoção da tese da responsabilidade subjetiva, acolhida pelo STJ, visto que não se pode conceber que o terceiro, sendo sancionado pela prática de ato ilícito, condicione sua responsabilidade à inexistência de bens da pessoa jurídica, suficientes para a satisfação do crédito; g) A tese da responsabilidade subsidiária (em sentido próprio) dos administradores também deve ser afastada em razão da jurisprudência do STJ que admite que a execução fiscal seja ajuizada, desde logo, contra sociedade e administrador; não se trata de mera questão de legitimidade, como seria no processo de conhecimento, pois que, no processo de execução, não se admite o processamento da ação sem que se tenha presente, desde o início, a exigibilidade da pretensão em face do executado; h) Os acórdãos do STJ que fazem referência à "responsabilidade subsidiária" somente podem ser entendidos no sentido impróprio da expressão, que exige, além da existência de poderes de gerência e da prática de ilicitude pelo administrador, a ausência de pagamento pontual da obrigação tributária, e não a insolvabilidade da pessoa jurídica, o que se aproxima, na prática, da responsabilidade solidária decorrente de ato ilícito; i) Os acórdãos do STJ que fazem referência à "responsabilidade por substituição" somente podem ser entendidos no sentido de que respondem os terceiros "em lugar" do contribuinte (pessoa jurídica), o que é válido para qualquer tipo de responsabilidade; j) A jurisprudência do STJ aponta para a responsabilidade solidária, inclusive em precedentes desfavoráveis à Fazenda Nacional, em que se afirma que o "sócio" só pode ser responsabilizado solidariamente se detiver poderes de gerência e se tiver praticado ato ilícito no exercício dessa gerência, na forma do art. 135, III, do CTN; Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.316 49 k) a análise sistemática da ordem jurídica aponta para a responsabilidade solidária dos administradores, visto que estes, no regramento do Código Civil (art. 1.016), respondem solidariamente perante terceiros (inclusive o Estado) pela prática de atos ilícitos; não haveria sentido em ser o crédito tributário menos garantido que o crédito comum; l) a obrigação do responsável é autônoma à da pessoa jurídica no que tange à natureza (licitude ou ilicitude do fato jurídico), ao nascimento (momento do surgimento) e à cobrança (exigência simultânea ou não), mas é subordinada no que tange à existência, validade e eficácia; a obrigação da pessoa jurídica contribuinte, por sua vez, independe da obrigação do responsável no que tange a esses elementos; m) a responsabilidade do administrador não tem natureza de obrigação tributária em sentido estrito, porquanto não decorre de fato lícito, mas sim ato ilícito (art. 3º, CTN); logo sua obrigação não precisa ser "constituída" por lançamento, bastando que seja "declarada", seja por autoridade administrativa do Fisco, seja pelo Procurador da Fazenda (por meio da CDA), seja pela autoridade judicial; n) A responsabilidade do administradorinfrator inserese em relação jurídica de garantia; em razão disso, a prescrição da pretensão para com o responsável prescreve no mesmo momento em que prescreve a obrigação principal, nem antes, nem depois; o) Por nascer a responsabilidade do terceiro em momento distinto do crédito tributário do contribuinte, e por ter natureza distinta desta (ato ilícito vs. fato lícito), não precisa sua obrigação ser declarada no mesmo momento ou no mesmo ato em que for constituído este crédito tributário; p) A responsabilidade do administrador pode ser declarada no mesmo auto de infração que lançar o crédito tributário em face da pessoa jurídica contribuinte, como também poderá ser declarado em auto de infração e em momento distintos, independentemente de ter o ato ilícito sido praticado no mesmo átimo da ocorrência do fato jurídico tributário que deu origem à obrigação tributária principal; a responsabilidade de cada administrador pode ser declarada ao mesmo tempo e ato ou em tempos e atos distintos; q) Quando incide o art. 135, III, do CTN, não se tem uma obrigação solidária, senão duas ou mais obrigações solidárias; tratase de solidariedade imprópria, em que obrigações distintas são atadas pelo nexo de adimplemento. r) Por se tratar de solidariedade imprópria, que não se dá entre contribuintes, mas sim entre contribuinte e responsável, não precisa este último estar mencionado no lançamento do crédito tributário como sujeito passivo; sua responsabilidade, como já se disse, pode ser atestada em ato apartado; Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.317 50 s) Não há qualquer nulidade em se não declarar a responsabilidade do administradorinfrator no mesmo auto de infração em que é lançado o crédito tributário devido pela pessoa jurídica, uma vez que não há qualquer imposição legal em que esses dois atos jurídicos distintos sejam realizados no mesmo corpo documental e na mesma oportunidade; t) O administradorinfrator responsável é terceiro interessado no processo administrativo fiscal que discute somente a constituição do crédito tributário, possuindo, assim, legitimidade para impugnar e produzir provas; sua participação nesse processo, porém, não é indispensável; u) Sendo solidária a responsabilidade decorrente de ato ilícito praticado pelo administrador, este, uma vez atestada administrativamente sua responsabilidade, está sujeito a todos instrumentos de proteção do crédito tributário, como o arrolamento de bens e direitos, a inscrição no CADIN e a medida cautelar fiscal, estando sujeito, outrossim, à negativa de expedição de Certidão Negativa de Débito. Por fim, ressaltamos que nossas conclusões aplicamse exclusivamente ao regramento ordinário do art. 135, III, do CTN, não alcançando, portanto, regras especiais previstas na legislação que responsabilizam com mais rigor os sócios ou os administradores das pessoas jurídicas. (...) Quanto à argumentação dos recorrentes APARECIDO DOMINGUES DOS SANTOS (pai) e EDERSON APARECIDO DOS SANTOS (filho) de que não teriam praticado ato ilícito e que não deveriam ser declarados responsáveis solidários pelo crédito tributário da pessoa jurídica, não merece guarida, pois não tem respaldo legal tal alegação, está em dissonância com a situação fáticojurídica apurada pela Fiscalização. Consta do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante dos autos de infração: (...) 10 – DA RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES Conforme já relatado a sociedade não declarou suas vendas, não recolheu os tributos devidos, não apresentou escrituração obrigatória em lei e, principalmente, alterou seu endereço para um endereço inexistente e encerrou suas atividades sem a observação dos tramites legais (dissolução irregular). Durante o período sob fiscalização exerceram a administração da empresa dois sócios. Primeiramente o Sr. Ederson Aparecido dos Santos, CPF 063.458.42940 e posteriormente o Sr. Aparecido Domingues dos Santos, CPF 205.656.15904. O Sr. Ederson, enquanto sócioadministrador, foi responsável pela emissão de notas fiscais que representam efetivamente Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.318 51 vendas e concomitante omissão desses valores nas declarações da empresa. Também foi responsável pela ausência de escrituração contábil e pelo cadastramento do domicílio fiscal em endereços rurais, nos quais jamais foi estabelecida nenhuma atividade econômica pela empresa. Tais fatos podem ser verificados pelas informações prestadas pelo contador da empresa aos auditores fiscais e pela diligência realizada na zona rural de Arapoti – fls. 077/082. O Sr. Aderson, filho de Aparecido Domingues dos Santos, administrava a empresa sob as ordens do pai. O Sr. Aparecido, principal articulador do grupo econômico, passou a ser sócio administrador em 15 de julho de 2015 e foi o responsável pela dissolução irregular da empresa. Os fatos narrados constituem indubitavelmente atos atentatórios a uma gestão proba e responsável. Ao contrário, vão contra o estatuto da empresa assim como são considerados infração à lei. Dito isto, fazse necessário trazer os sócios administradores à lide administrativa para que possam responder solidariamente aos débitos tributários apurados na forma do artigo 135 do CTN: (...) (...) Como visto, o SR. APARECIDO DOMINGUES DOS SANTOS (pai), embora conste da 13ª Alteração do Contrato Social, de 15/07/2015 (efls. 146/148), que ingressou na sociedade formalmente apenas nessa data, na verdade ele é dono de fato e administrador de fato da empresa, pelo menos, desde a 1ª Alteração do Contrato Social de 16/10/2009 (efls. 98/103), quando ingressou na sociedade como sócia a Sra. Neuza Maria dos Santos, residente na Rua das Orquídeas, nº 146, Jardim América, em QuatiguaPR. A partir da 6ª Alteração do Contrato Social, de 24/04/2013 (efls. 120 e seguintes), retirouse da sociedade Sra. Neuza Maria dos Santos e ingressou na sociedade EDERSON APARECIDO DOS SANTOS, residente na Rua das Orquídeas, nº 146, Jardim Primavera, em Quatiguá PR. Como demonstrado, a empresa pertence ao Sr. Aparecido Domingues dos Santos desde 16/10/2009, tendo utilizado membros da família, desde então, ou seja, integrantes de sua família no quadro social. Assim, no período de 2012 a 2014, período objeto da autuação, a Fiscalização imputou responsabilidade solidária ao Sr. APARECIDO DOMINGUES DOS SANTOS (pai) como dono de fato e administrador de fato da sociedade (CTN, art. 135, III) e responsabilidade solidária ao sócioadministrador de direito Sr. EDERSON APARECIDO DOS SANTOS (filho) quanto ao período que pertenceu ao quadro social da sociedade. Ambos praticaram atos ilícitos na administração sociedade que implicou fraude e sonegação fiscal total dos tributos dos anoscalendário 2012, 2013 e 2014 e objeto do Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.319 52 lançamento fiscal destes autos, com multa qualificada, matéria já enfrentada, no mérito, em tópico específico, anteriormente. O sujeito passivo entregou as declarações sem movimento, sem faturamento; não apurou tributos; nada pagou do IRPJ, CSLL e PIS quantos aos anoscalendário 2012, 2013 e 2014. Fez apenas um recolhimento irrisório ou ínfimo de Cofins de R$ 240,00 (duzentos e quarenta reais), nesses anoscalendário. Entretanto, o somatório do faturamento (receita bruta), nos anoscalendário 2012, 2013 e 2014, foi superior a R$ 596 milhões. O estabelecimento não foi encontrado no endereço cadastral fornecido à RFB e em lugar algum. Não houve atualização cadastral para que fosse encontrado o estabelecimento. Houve dissolução irregular da empresa. Nesse sentido, entendimento da Súmula STJ nº 435 que tem a seguinte redação: "Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente. Como demonstrado, a gestão da empresa (conduta dos sócios), nos anos calendário 2012, 2013 e 2014, períodos de apuração objeto do lançamento fiscal, foi deliberadamente fraudulenta contra o fisco federal, implicando total sonegação fiscal dos tributos federais. Portanto, deve ser mantida a sujeição passiva solidária dos imputados. Diante de tudo que foi exposto, voto para conhecer do recurso voluntário apresentando conjuntamente pelo sujeito passivo e responsáveis solidários e, no mérito para negar provimento. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 11634.720088/201704 Acórdão n.º 1301003.737 S1C3T1 Fl. 1.320 53 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Redator Designado. Com as homenagens de praxe pelo extenso e minucioso voto do I. Relator, Conselheiro Nelso Kichel, peço vênia para divergir exclusivamente acerca da imputação de responsabilidade tributária ao Sr. Ederson Aparecido dos Santos. Conquanto o Sr. Ederson tenha ocupado durante uma parte do período fiscalizado a posição de sócioadministrador da empresa autuada, o que se verifica a partir do acervo probatório é que o mesmo operava apenas como um longa manus de seu pai, Aparecido Domingues dos Santos, que detinha o efetivo controle sobre todas as operações fraudulentas da empresa. É condição sine qua non para a aplicação do art. 135 do CTN que a fiscalização logre demonstrar atos de gestão, por parte do responsabilizado, que tenham ocorrido com ofensa à lei, estatutos ou contrato social, resultantes no nascimento do crédito tributário. No caso concreto, entretanto, apesar da condição de administrador, a fiscalização não conseguiu imputar quaisquer atos ao Sr. Ederson, concentrando toda a gestão da empresa nas mãos do Sr. Aparecido, sócio e administrador de fato. Em razão disto, entendo não caber, neste caso, a responsabilização do Sr. Ederson, devendo ser o mesmo excluído do pólo passivo da autuação. Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário do Sr. Ederson para afastar a sua responsabilidade tributária. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 1320DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.903321/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE.
Se transmitida a PER/DCOMP sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.629
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/DCOMP sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado.
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APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/DCOMP sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 33 21 /2 01 1- 51 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10925.903321/201151 Acórdão n.º 3301005.629 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada, que restou não homologada pela DRF de origem face a inexistência de crédito disponível. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que apurou crédito tributário da contribuição ao PIS e da Cofins em razão da declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98, proferida pelo Supremo Tribunal Federal. Esclarece, a interessada, que a razão de o crédito não ter sido reconhecido está no fato de que o mesmo não constava nos dados de controle da RFB, uma vez que o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstitucional incidente sobre as receitas financeiras. Em sua defesa, a contribuinte traz julgado administrativo do CARF e do judiciário – TRF da 4ª Região a fim de ver reconhecido o direito à compensação. O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07031.025. Cientificada desta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, reiterando os termos de sua manifestação de inconformidade, em especial: a) Defende a existência dos créditos empregados na compensação não homologada; b) Sustenta que não há previsão legal para a exigência da retificação da DCTF como condição para a homologação da compensação: ofensa ao princípio da legalidade tributária; c) E acrescenta que a exigência de retificação da DCTF afronta aos princípios da verdade material e do formalismo moderado dos atos administrativos. Ao final, requer o provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10925.903321/201151 Acórdão n.º 3301005.629 S3C3T1 Fl. 4 3 3301005.620, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10925.900617/201110, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.620): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Fundamentação do acórdão da DRJ Como relatado, a Recorrente apresentou DCOMP, mas não retificou a DCTF. A DRJ ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade o fez com fundamento único: antes da apresentação da DCOMP, a empresa deveria ter retificado regularmente a DCTF. Entendo que assiste razão à Recorrente quando afirma que a compensação via PER/DCOMP não está vinculada à retificação de DCTF. Isso porque o indébito tributário decorre do pagamento indevido, nos termos dos art. 165 e 168 do CTN. Sendo assim, a retificação da DCTF não “cria” o direito de crédito. Ademais, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, publicado no DOU de 01/09/2015, esclarece: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10925.903321/201151 Acórdão n.º 3301005.629 S3C3T1 Fl. 5 4 Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Assim, discordo da decisão de piso que manteve a não homologação da compensação sobre o argumento de que a DCTF retificadora deveria ter sido transmitida antes da DCOMP. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10925.903321/201151 Acórdão n.º 3301005.629 S3C3T1 Fl. 6 5 Por conseguinte, se transmitida a PER/DCOMP sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Contudo, como se verá a seguir, não há suporte probatório da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ônus da prova – recolhimento indevido A Recorrente aduz que tem crédito de COFINS oponível à Fazenda Nacional, em decorrência da declaração de inconstitucionalidade pelo STF da ampliação da base de cálculo pelo parágrafo 1°, do art. 3°, da Lei n° 9.718/98. Por isso, efetuou a compensação, explicando: Entretanto, a Recorrente não demonstrou a base de cálculo utilizada para apurar a COFINS paga, para a verificação de que os recolhimentos abrangeram receitas mensais que não faziam parte da atividade da empresa: as receitas financeiras. Em pedido de iniciativa do contribuinte, cabialhe: a) Apresentar planilha com base de cálculo da COFINS, relativa ao valor da receita bruta mensal e o valor das receitas financeiras; b) Apontar no livro razão/balancete os valores indicados; c) Exibir DIPJ, DCTF original e DARF; d) Mostrar outros documentos fiscais e contábeis que permitissem afirmar que houve recolhimento sobre as receitas financeiras, que não compunham o seu faturamento. Dispõe o art. 170, do CTN que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10925.903321/201151 Acórdão n.º 3301005.629 S3C3T1 Fl. 7 6 créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Assim, na ausência de documentação referente ao crédito, entendo que a pretensão da Recorrente não merece acolhida. Isso porque, regra geral, considerase que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373, do CPC/2015. Logo, é do próprio contribuinte o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do processo administrativo fiscal. Não o fazendo, acertadamente, a compensação não foi homologada. Enfim, não há reparos a serem feitos na decisão recorrida. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.903494/2012-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/05/2003
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS).
O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 - Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 3302-006.700
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 34 94 /2 01 2- 52 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10283.903494/201252 Acórdão n.º 3302006.700 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico, por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de PIS, no regime não cumulativo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório (DD) acostado aos autos, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual, após a apresentação dos fatos, explica que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. A interessada esclarece que, para apuração do valor indevidamente pago, elaborou planilha demonstrando a diferença entre o valor efetivamente recolhido e o valor que legalmente seria devido, excluindose da base de cálculo da contribuição o ICMS efetivamente apurado e recolhido. Informa, ainda, que a comprovação do direito creditório será feita em momento oportuno, no Livro Registro de Apuração do ICMS. A fim de justificar seu direito ao crédito, a contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Em sua defesa, cita julgamento da matéria no Supremo Tribunal Federal (STF). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07040.560. Regulamente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, no qual essencialmente reitera os argumentos iniciais apresentados na impugnação e aduz que a decisão recorrida não pode prosperar, uma vez que é desnecessária a previsão legal que permita a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins e do PIS. Diz, ainda, que é impossível considerar o ICMS como parte do faturamento e aponta jurisprudência do STF. Por fim, requer reforma da decisão e reconhecimento da restituição pleiteada. É o relatório. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.903494/201252 Acórdão n.º 3302006.700 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.687, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10283.900996/201493, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.687): "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase, de plano, ao mérito do litígio. DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS A matéria é por demais conhecida deste Colegiado, razão por que trato de invocar excertos de recente acórdão, nº 3302 006.452, de 30/01/2019, para ilustrar meu entendimento sobre a questão. Naquela oportunidade, o eminente relator, conselheiro Walker Araujo, assim se pronunciou sobre o tema: (...) sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, é de conhecimento notório que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo das famigeradas contribuições. Contra a decisão proferida no RE 574.706, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão, pleiteando a modulação temporal dos seus efeitos e realizou outros questionamentos, em especial, se o valor a ser excluído é somente aquele relacionado ao arrecadado a título de ICMS e/ou se o valor a ser excluído da base de cálculo abrange, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída, sendo que referidos questionamentos aguardam sua análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, em que se pese inexistir trânsito em julgado da decisão proferida pela Suprema Corte, entendo que se tornou definitiva a matéria quanto ao direito do contribuinte ao menos de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.903494/201252 Acórdão n.º 3302006.700 S3C3T2 Fl. 5 4 restando àquela Corte apenas decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. A respeito do direito do contribuinte excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher(...) (...) temos a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, emitida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.903494/201252 Acórdão n.º 3302006.700 S3C3T2 Fl. 6 5 poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.903494/201252 Acórdão n.º 3302006.700 S3C3T2 Fl. 7 6 por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Neste cenário, entendo que o montante a ser excluído da(s) base(s) de calculo da Contribuicao para o PIS/Pasep e da Cofins é o valor mensal do ICMS a recolher. Posto isso, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor tão somente do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
