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Numero do processo: 10183.908051/2011-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.945
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1934; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.908051/201103 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.945 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de junho de 2017 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente RODOBENS MÁQUINAS AGRÍCOLAS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 08 05 1/ 20 11 -0 3 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10183.908051/201103 Resolução nº 3201000.945 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10183.908051/201103 Resolução nº 3201000.945 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10183.908051/201103 Resolução nº 3201000.945 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10183.908051/201103 Resolução nº 3201000.945 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.903807/2011-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Winderley Morais Pereira - Presidente
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Winderley Morais Pereira - Presidente Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila.
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Winderley Morais Pereira Presidente Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila. Relatório. Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 9774263, emitido eletronicamente em 01/11/2011, referente ao PER/DCOMP nº 33549.51121.300704.1.2.040469. O pedido de restituição, gerado pelo programa PER/DCOMP, foi transmitido com o objetivo de ver reconhecido direito creditório correspondente a(o) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 03 80 7/ 20 11 -2 2 Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 10530.903807/201122 Resolução nº 3201001.004 S3C2T1 Fl. 3 2 PIS/PASEP (Código de Receita 8109) no valor original na data de transmissão de R$ 662,82, representado por Darf recolhido em 15/03/2000, no montante total de R$ 14.110,54. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência do crédito, o pedido de restituição foi indeferido. Como enquadramento legal citouse: art. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Cientificada do Despacho Decisório em 25/11/2011(fl.06) a Interessada apresenta, em 23/12/2011, manifestação de inconformidade alegando o que se segue: • Preliminarmente requer, em face do princípio da economia processual e da conexão, a reunião dos processos administrativos nº 10530.903807/201122, 10530.903808/2011 77, 10530.903809/2011 11, 10530.903810/201146, 10530.903811/201191, 10530.903812/201135, 10530.903813/201180, 10530.903814/2011 24, 10530.903815/201179, 10530.903816/201113, 10530.904216/201172 e 10530.904215/201128, uma vez que possuem o mesmo objeto, qual seja, a restituição de crédito decorrente do recolhimento indevido da Cofins ou do Pis, pautado na inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. • Aduz não ter sido intimada a prestar esclarecimentos acerca da higidez do crédito, em desrespeito ao art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 990, de 30/12/2008. • Nos termos do art. 142 do CTN, é dever da fiscalização ir a fundo no exame da situação concreta, a fim de que o lançamento e também as demais glosas fiscais, sejam baseados na correta aplicação da lei aos fatos efetivamente ocorridos e a ela subsumidos. • No caso, a fiscalização sequer tomou conhecimento das razões que justificam o pedido de restituição, fato que impõe a reforma do despacho decisório, justamente por contrariar o ordenamento jurídico vigente. • O parágrafo 1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98 ampliou significativamente as bases de cálculo das contribuições para o PIS e da Cofins, ao prescrever que nelas fossem consideradas todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente o seu faturamento. • Ao assim proceder, o legislador ordinário ofendeu frontalmente o inc. I do art. 195 da Constituição Federal, bem como o art. 110 do CTN, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados expressa ou implicitamente pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 10530.903807/201122 Resolução nº 3201001.004 S3C2T1 Fl. 4 3 Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir as competências tributárias. • A discussão quanto à constitucionalidade do parágrafo 1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98 encontrase superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade daquele dispositivo, por ocasião do julgamento do RE nº 390.840/MG, em 09/11/2005. • A matéria já foi considerada pelo Supremo Tribunal Federal STF como de repercussão geral e será objeto de Súmula Vinculante, conforme Voto proferido pelo Min. Cezar Peluso no RE nº 585.235, de 10/09/2008. • Esse entendimento está de tal forma pacificado no seio da jurisprudência que a Lei nº 11.941, de 27/05/2009, revogou expressamente o malsinado parágrafo 1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98. • A jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação, pelo Fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98, em razão de terem sido proferidas em sessão plenária do STF. Cita jurisprudência. • O inc. I do parágrafo 6º, do art. 26A, incluído no Decreto nº 70.235/1972 pela Lei nº 11.941/2009 determina que, nos casos de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF, os órgãos de julgamento da administração fiscal federal devem afastar sua aplicação. • Norma de igual teor foi também prevista no Decreto nº 7.574, de 29 de novembro de 2011, que determinou, no inciso I do parágrafo único de seu artigo 59, a aplicação, pelos órgãos de julgamento da administração federal, do entendimento exarado pelo Plenário da Corte Suprema, nos casos de lei declarada inconstitucional. • O caput do art. 62A, do RICARF (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, vincula o CARF a adotar as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, sob o regime de repercussão geral (art. 543B do CPC), tal como ocorreu no julgamento do RE nº 585.235. • Tal dispositivo regimental reforça a demonstração de que o entendimento do STF a propósito da inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98 deve, necessariamente, ser aplicado ao caso dos autos. • Não há dúvidas de que o entendimento esposado pelo STF deve ser aplicado pelas autoridades fazendárias em suas decisões. Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 10530.903807/201122 Resolução nº 3201001.004 S3C2T1 Fl. 5 4 • Nas bases de cálculo das contribuições para o Pis e da Cofins deveriam ter sido incluídos, somente, os valores correspondentes ao faturamento, ou seja, os ingressos correspondentes às receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. • O direito creditório discutido nos autos se refere a recolhimentos sobre receitas que não integram o faturamento e, por conseguinte, não são alcançadas pela hipótese de incidência das contribuições para o Pis e Cofins. • E para que não restem quaisquer dúvidas, são acostados documentos hábeis a comprovar a existência e a higidez do crédito pleiteado. • Por fim, pede o acolhimento da manifestação de inconformidade, com o reconhecimento à plena restituição das contribuições recolhidas sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98, declarada pelo Supremo Tribunal Federal e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. • Informa, ainda, que a matéria objeto da manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial e protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos." A decisão recorrida, apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2000 a 29/02/2000 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. RESTITUIÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, há que se indeferir o pedido de restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, tese de que (i) a DCTF não é único meio de prova da existência do crédito passível de restituição; (ii) que a exigência de retificação de declarações como condição à restituição do indébito tributário é descabida; (iii) que o acórdão recorrido está em desconformidade com o princípio da verdade material; (iv) que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido; (v) que estando a Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 10530.903807/201122 Resolução nº 3201001.004 S3C2T1 Fl. 6 5 contabilidade lastreada em documentação idônea há prova em favor do contribuinte; (vi) que o conjunto probatório dos autos faz prova de seu direito e que o valor informado no campo "Receita da Revenda de Mercadorias" da Ficha 06A "Demonstração do Resultado" da DIPJ, está considerando o valor da faturamento com vendas de veículos usados, ao passo que o valor informado no campo "Faturamento/Receita Bruta" das Fichas que demonstram o cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS considera somente o valor do lucro na venda de veículos usados, conforme determina o art. 5° da Lei n. 9.716, de 26.11.1998. Essa alegação se comprova pela planilha de cálculo juntada ao presente recurso, a qual esclarece a apuração da contribuição, bem como o valor do crédito devido; (vii) que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1°, do art. 3° da Lei 9718/98; (viii) que a matéria já foi decidida em sede de repercussão geral pela Suprema Corte através do RE 585235; (ix) que a Lei 11941/2009 revogou o parágrafo 1°, do art. 3° da Lei 9718/98; (x) defende a aplicação do art. 26A do Decreto 70235/72 e art. 62A do RICARF e (xi) cita jurisprudência em seu favor. Pugna a recorrente ao final, o provimento do recurso voluntário interposto para que seja reconhecido o seu direito à plena restituição do PIS calculado sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do parágrafo 1°, do art. 3° da Lei 9718/98. É o relatório. O presente processo tramita na condição de paradigma, sendo aplicável o contido no art. 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015: "Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para defini lo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento." A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 10530.903807/201122 Resolução nº 3201001.004 S3C2T1 Fl. 7 6 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. 62 do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2000 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. Inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS e do aumento deste de 2% para 3%, instituídos pela Lei 9.718/98. Acolhimento do resultado da diligência e reconhecimento da atualização dos valores com fundamento no artigo 39, § 4° da Lei 9.430/96 (Taxa Selic). Aplicação desde a data da protocolização do pedido." (Processo 13839.001097/200580; Acórdão 3401003.778; Relator Conselheiro ANDRÉ HENRIQUE LEMOS, Sessão de 23/05/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 10530.903807/201122 Resolução nº 3201001.004 S3C2T1 Fl. 8 7 Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 10530.903807/201122 Resolução nº 3201001.004 S3C2T1 Fl. 9 8 Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/201189; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 10530.903807/201122 Resolução nº 3201001.004 S3C2T1 Fl. 10 9 Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. É como voto. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 1173DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.904967/2012-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considera-se intempestivo o recurso.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-003.898
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1799; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.904967/201244 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301003.898 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de junho de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO. PIS/COFINS. Recorrente DISTRIBUIDORA AMARAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considerase intempestivo o recurso. Recurso Voluntário não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 02045.473, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar a compensação em litígio. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 49 67 /2 01 2- 44 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10665.904967/201244 Acórdão n.º 3301003.898 S3C3T1 Fl. 3 2 fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, tempestivamente, conforme relatado na decisão recorrida, alegando, em síntese, o seguinte: verificase pelos documentos anexos, que foi realizada a apuração pelo regime não cumulativo no que atine ao mês em questão por meio do Dacon, porém segundo se apurou no Dacon retificador o valor do débito nãocumulativo devido seria inferior ao efetivamente recolhido, resultando um saldo a ser compensado no PerDcomp; deve ser esclarecido que, na época própria, o contribuinte realizou a devida retificação em anexo, porém, em virtude de alteração ocorrida na própria legislação que resultou na mudança de versões, tanto do Dacon quanto na DCTF, a retificação foi transmitida, gerando assim o débito constante do Despacho Decisório; contudo, a falha no sistema em deixar de transmitir a devida retificação não pode conduzir a que seja violado o princípio constitucional da nãocumulatividade, ainda que posteriormente demonstrada, de forma cabal e inequívoca, a existência do crédito que se pretende compensar; Requerendo, ainda, o acolhimento da manifestação de inconformidade para o fim de determinar o cancelamento do débito constante do presente processo. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.883, de 29 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10665.900851/201236, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.883): "O Recurso Voluntário, de 22 de agosto de 2013, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0245.458, de Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10665.904967/201244 Acórdão n.º 3301003.898 S3C3T1 Fl. 4 3 25 de junho de 2013, é intempestivo, logo não atende um pressuposto legal de admissibilidade, motivo pelo qual não deve ser conhecido. O prazo para que seja interposto o Recurso Voluntário contra as decisões das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento é de 30 dias a partir da ciência da referida decisão. Observase no presente processo que a Decisão recorrida foi proferida em 25 de junho de 2013 e o Contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 09 de julho de 2013 como se depreende da leitura do Termo de Abertura de Documento (fls. 95): TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO O Contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo, na data 09/07/2013 8:14h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Acórdão de Manifestação de Inconformidade Contribuinte: 21.759.758/000188 DISTRIBUIDORA AMARAL LTDA (ou seu Representante Legal) DATA DE EMISSÃO : 09/07/2013 Já às fls. 96 apurase no Termo de Ciência por Decurso de Prazo que essa ciência por decurso de prazo ocorreu em 19 de julho de 2013: TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 04/07/2013 Data da ciência por decurso de prazo: 19/07/2013 Acórdão de Manifestação de Inconformidade DATA DE EMISSÃO : 20/07/2013 Constatase assim que Contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 09 de julho de 2013 como se depreende da leitura do Termo de Abertura de Documento e pelo Termo de Ciência por Decurso de Prazo que essa ciência ocorreu em 19 de julho de 2013. Assim, no melhor dos quadros, o prazo final para interpor o recurso seria em 20 de agosto de 2013, e que só ocorreu em 22 de agosto de 2013. Para bem ilustrar o ocorrido cito abaixo imagem do Recurso Voluntário do Contribuinte com o devido protocolo da Analista Tributário Glêucia Felipe Santiago, matrícula 012.91476 (fls. 107): Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10665.904967/201244 Acórdão n.º 3301003.898 S3C3T1 Fl. 5 4 Portanto, de acordo com a legislação vigente e os autos do processo, voto em não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário foi apresentado em 22/08/2013, e a data da ciência da decisão da DRJ, por decurso de prazo, também ocorreu em 19/07/2013. Comprovado está que também nestes autos o recurso voluntário foi apresentado após o prazo de 30 dias, portanto, intempestivamente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 106DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.904842/2011-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.957
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1931; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.904842/201169 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.957 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de junho de 2017 Assunto RESTITUIÇÃO Recorrente RODOBENS CAMINHÕES BAHIA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do pedido de restituição. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 84 2/ 20 11 -6 9 Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 10530.904842/201169 Resolução nº 3201000.957 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de apresentação da prova do indébito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo seu integral deferimento, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 10530.904842/201169 Resolução nº 3201000.957 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 10530.904842/201169 Resolução nº 3201000.957 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 10530.904842/201169 Resolução nº 3201000.957 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1234DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.001578/2007-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA
Demonstrada a motivação do Despacho Decisório quanto ao direito creditório pleiteado, escudado no parecer fiscal que o precedeu, torna-se incabível a nulidade arguida.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Tendo a lei especificado que a compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, esta dar-se-á no prazo de cinco anos contado da data da entrega da mencionada declaração e não do fato gerador dos débitos confessados.
ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. AUTORIDADE PREPARADORA. COMPETÊNCIA.
Reconhecido em diligência, o indébito das contribuições de PIS e Cofins, nos valores originais pleiteados, em face da inconstitucionalidade declarada pelo STF quanto ao §1º do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, a matéria inicialmente litigiosa perdeu o objeto, no entanto restando demonstrado que os valores devidos de PIS e Cofins foram pagos com atraso, a reapuração do valores com os acréscimos moratórios devidos é matéria afeta à autoridade preparadora, inexistindo quanto a esse aspecto, matéria litigiosa a ser apreciada em sede de contencioso administrativo de segunda instância.
Numero da decisão: 3302-004.656
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário e na parte conhecida, rejeitar as preliminares arguidas e no mérito, dar-lhe provimento.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário e na parte conhecida, rejeitar as preliminares arguidas e no mérito, dar-lhe provimento. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Recorrente TNL PCS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA Demonstrada a motivação do Despacho Decisório quanto ao direito creditório pleiteado, escudado no parecer fiscal que o precedeu, tornase incabível a nulidade arguida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Tendo a lei especificado que a compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, esta darseá no prazo de cinco anos contado da data da entrega da mencionada declaração e não do fato gerador dos débitos confessados. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. AUTORIDADE PREPARADORA. COMPETÊNCIA. Reconhecido em diligência, o indébito das contribuições de PIS e Cofins, nos valores originais pleiteados, em face da inconstitucionalidade declarada pelo STF quanto ao §1º do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, a matéria inicialmente litigiosa perdeu o objeto, no entanto restando demonstrado que os valores devidos de PIS e Cofins foram pagos com atraso, a reapuração do valores com os acréscimos moratórios devidos é matéria afeta à autoridade preparadora, inexistindo quanto a esse aspecto, matéria litigiosa a ser apreciada em sede de contencioso administrativo de segunda instância. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 15 78 /2 00 7- 97 Fl. 973DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário e na parte conhecida, rejeitar as preliminares arguidas e no mérito, darlhe provimento. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto parcialmente o relatório da r. Resolução Carf, conforme a seguir transcrito: Versam os autos de Pedido de Restituição de créditos de PIS, COFINS e IRRF s/ rendimentos do trabalho, cumulados com pedidos de compensação formalizados pelo sujeito passivo, no valor total de R$8.506.028,60 (oito milhões, quinhentos e seis mil, vinte e oito reais e sessenta centavos). Os supostos créditos decorrem de pagamentos indevidos dos referidos tributos, realizados pelo contribuinte, e posteriormente formalizados através de declarações retificadoras de sua escrita fiscal. O relatório conclusivo da diligência, de fls. 281 (numeração eletrônica) reporta que em relação ao pagamento realizado sob o código 0473 a título de IRRF s/ rendimentos do trabalho, não foi detectada uma contrapartida em rubrica que pudesse acobertar o pagamento de rendimentos desta natureza e que relativamente à base de cálculo do PIS e da COFINS, além das receitas ordinárias que se incluem na base de cálculo destas contribuições, havia também (para o período em questão) receitas financeiras relacionadas às operações de swap cambial, finalizando ainda que a opção do contribuinte, relativamente ao anocalendário de 2002, foi pelo regime de competência, afirmando também que após recomposição das bases de cálculo tributáveis, o PIS e a COFINS devidos pela empresa para o período de junho/2002 eram, respectivamente, de R$1.611.041,93 e R$7.435.578,14. Diante destas conclusões, propôs a homologação da DCOMP relativa ao crédito de IRRF, bem como a não homologação das demais (créditos de PIS e COFINS), determinando ainda a revisão de ofício em processo apartado, com identidade de crédito, para a sua não homologação. Fl. 974DF CARF MF Processo nº 15374.001578/200797 Acórdão n.º 3302004.656 S3C3T2 Fl. 971 3 DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado da decisão proferida em 23/09/2009, o sujeito passivo apresentou, em 22/10/2009 a competente Manifestação de Inconformidade, aduzindo, em síntese, que possuía o direito à homologação tácita das DCOMPS, em face ao decurso do prazo de 5 anos a contar do fato gerador dos débitos compensados; impossibilidade de reapuração, em Maio de 2009, dos resultados dos anoscalendário de 2002, dada a preclusão do direito de reapurar a base de períodos já decaídos; é nulo o despacho decisório por ausência de motivação do ato administrativo, em face de não haver nos autos a exposição do porquê a Autoridade Administrativa entendeu que havia ficado comprovada a opção da tributação pelo regime de competência; a Requerente de fato optou pelo regime de caixa para tributação, conforme autoriza a MP 2.15835/ 01, sendo que a alegação em contrário deve ser comprovada pelo Fisco, o que não aconteceu no caso vertente; a documentação fiscal apresentada confirma a existência de pagamento a maior apto a gerar os créditos compensados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇAO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO OCORRÊNCIA. Não decorridos cinco anos após a formalização perante a RFB do PER/DCOMP, não há que se falar em homologação por decurso de prazo, podendo o fisco indeferir expressamente o pedido de compensação. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA. Uma vez atendidos os requisitos de agente capaz, forma prescrita em lei e motivação, não se deve anular o ato administrativo consubstanciado em despacho decisório. O parecer conclusivo preparado por setor especializado tem por finalidade justamente atender ao requisito de motivação. A encampação de parecer administrativo elaborado por setor especializado por chefe de unidade para exarar despacho decisório constitui praxe administrativa que não inquina a decisão final de nulidade;ao contrário, tornaa técnica e impessoal. INSTITUTOS DA DECADÊNCIA E DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Fl. 975DF CARF MF 4 Muito embora pautados pelo mesmo fundamento, a segurança jurídica consubstanciada na vedação a que as obrigações tributárias se eternizem tratase de conceitos distintos, com termos iniciais distintos, previstos, por sua vez, em normas distintas. Não é possível utilizar o termo inicial da decadência para efeito de homologação tácita, preconizandose a analogia dos institutos, já que há norma expressa a respeito do dies a quo. OPÇÃO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA EM RELAÇÃO AOS LANÇAMENTOS DE CONTAS VINCULADAS À FLUTUAÇÃO CAMBIAL. POSSIBILIDADE CONDICIONADA A TODO O ANO. O direito de alterar o regime de lançamento destas constas existe em situações muito específicas previstas na legislação de regência não contempladas na espécie. ÔNUS DA PROVA NO ÂMBITO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS DOUTRINA MAJORITÁRIA. Os atos administrativos presumemse legítimos corolário natural do atributo geral da presunção de legalidade de tais atos, prevista no texto constitucional, na parte que rege a Administração Pública. O ato administrativo presumese compatível com a lei e com os princípios jurídicos. Tal presunção revelase relativa e pode ser infirmada por provas trazidas pelo contribuinte o que, todavia, não ocorreu nos autos do presente processo administrativo. ÔNUS DA PROVA NO ÂMBITO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS DOUTRINA MINORITÁRIA. Ainda que se filie à corrente minoritária que preconiza que não se estende ao campo probatório os efeitos da presunção de legitimidade, fazse necessário ajustar, com paridade de armas, as provas trazidas, de um lado pela Administração e, de outro, pelo contribuinte. Esta teoria não tem por condão conferir ao contribuinte um impedimento genérico e absoluto para o procedimento administrativo de apuração de crédito tributário. No caso dos autos, ficaram fundamentadas e comprovadas as razões do despacho decisório de indeferimento, ainda que se adote a perspectiva de igualdade formal na qualificação das alegações das partes. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Não se deve deferir pedido de perícia simplesmente por suposta dificuldade do processo, sobretudo quando já foi realizada diligência e, ainda, as provas que instruem o processo são consideradas suficientes para o convencimento, sob pena de afrontar o princípio constitucionalmente garantido da duração razoável do processo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Fl. 976DF CARF MF Processo nº 15374.001578/200797 Acórdão n.º 3302004.656 S3C3T2 Fl. 972 5 Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO OCORRÊNCIA. Não decorridos cinco anos após a formalização perante a RFB do PER/DCOMP, não há que se falar em homologação por decurso de prazo, podendo o fisco indeferir expressamente o pedido de compensação. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA. Uma vez atendidos os requisitos de agente capaz, forma prescrita em lei e motivação, não se deve anular o ato administrativo consubstanciado em despacho decisório. O parecer conclusivo preparado por setor especializado tem por finalidade justamente atender ao requisito de motivação. A encampação de parecer administrativo elaborado por setor especializado por chefe de unidade para exarar despacho decisório constitui praxe administrativa que não inquina a decisão final de nulidade; ao contrário, tornaa técnica e impessoal. INSTITUTOS DA DECADÊNCIA E DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Muito embora pautados pelo mesmo fundamento, a segurança jurídica consubstanciada na vedação a que as obrigações tributárias se eternizem tratase de conceitos distintos, com termos iniciais distintos, previstos, por sua vez, em normas distintas. Não é possível utilizar o termo inicial da decadência para efeito de homologação tácita, preconizandose a analogia dos institutos, já que há norma expressa a respeito do dies a quo. OPÇÃO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA EM RELAÇÃO AOS LANÇAMENTOS DE CONTAS VINCULADAS À FLUTUAÇÃO CAMBIAL. POSSIBILIDADE CONDICIONADA A TODO O ANO. O direito de alterar o regime de lançamento destas constas existe em situações muito específicas previstas na legislação de regência não contempladas na espécie. ÔNUS DA PROVA NO ÂMBITO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS DOUTRINA MAJORITÁRIA. Os atos administrativos presumemse legítimos corolário natural do atributo geral da presunção de legalidade de tais atos, prevista no texto constitucional, na parte que rege a Administração Pública. O ato administrativo presumese compatível com a lei e com os princípios jurídicos. Tal presunção revelase relativa e pode ser infirmada por provas trazidas pelo contribuinte o que, todavia, não ocorreu nos autos do presente processo administrativo. Fl. 977DF CARF MF 6 ÔNUS DA PROVA NO ÂMBITO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS DOUTRINA MINORITÁRIA. Ainda que se filie à corrente minoritária que preconiza que não se estende ao campo probatório os efeitos da presunção de legitimidade, fazse necessário ajustar, com paridade de armas, as provas trazidas, de um lado pela Administração e, de outro, pelo contribuinte. Esta teoria não tem por condão conferir ao contribuinte um impedimento genérico e absoluto para o procedimento administrativo de apuração de crédito tributário. No caso dos autos, ficaram fundamentadas e comprovadas as razões do despacho decisório de indeferimento, ainda que se adote a perspectiva de igualdade formal na qualificação das alegações das partes. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Não se deve deferir pedido de perícia simplesmente por suposta dificuldade do processo, sobretudo quando já foi realizada diligência e, ainda, as provas que instruem o processo são consideradas suficientes para o convencimento, sob pena de afrontar o princípio constitucionalmente garantido da duração razoável do processo. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 29/06/2011, através do AR de fls. 658 (numeração eletrônica) o contribuinte foi cientificado da decisão em primeira instância, apresentando, em 27/07/2011 seu recurso voluntário, no qual basicamente reprisou os argumentos já elencados na manifestação de inconformidade, frisando que a documentação fiscal e contábil juntada aos autos suportam a existência do crédito e a opção da empresa pela apuração pelo regime de caixa para a tributação das variações cambiais. Às fls 861 (numeração eletrônica) verificase petição do contribuinte com intuito de ver excluído destes autos os valores relativos à PER/DCOMP nº. 13706.67619.240904.1.3.048478, uma vez que tal compensação é objeto, segundo afirma, de outro PAF, qual seja, 15374.720039/200912 (novo numero do PAF 15374.930039/200848). Por fim, às fls. 18 dos autos, antes mesmo da capa do processo, foi juntada uma petição de complemento das razões recursais do sujeito passivo, no qual, o mesmo aduz, em síntese, que ainda que restem ultrapassados os argumentos do recurso voluntário, não merece prosperar o indeferimento discutido, uma vez que os débitos da COFINS ditos como devidos pela empresa através do parecer conclusivo da diligência aqui já relatado, foram apurados com base na interpretação do §1º, do art. 3º, da Lei n° 9.718/98, tendo tal dispositivo sido considerado inconstitucional, o que invalida a interpretação do Fisco. Em face das questões postas em lide, através da Resolução CARF nº 3402 000.588, de 25/09/2013, fls. 887/891, o julgamento foi convertido em diligência nos termos do voto do relator: Conforme relatório acima, o objeto desse processo é a não homologação de pedido de ressarcimento realizado pela Fl. 978DF CARF MF Processo nº 15374.001578/200797 Acórdão n.º 3302004.656 S3C3T2 Fl. 973 7 Recorrente em virtude da autoridade fazendária concluir que a requerente teria optado pelo regime de competência para tributação das variações cambiais no anocalendário discutido, de modo que não seria possível a reapuração pelo regime de caixa, não havendo o que se falar em pagamento indevido ou a maior. A DRJ/RJ2 entendeu por não considerar a DCTF retificadora onde a Recorrente declarou a mudança de regime caixa, mantendo o entendimento de que o regime empregado foi o de competência, nos mesmos termos do entendimento exarado no Despacho Decisório. Em seu recurso voluntário, a Recorrente sustenta que referido direito decorre do fato de que referidas “variações cambiais” em função da taxa de câmbio, na verdade revestemse de natureza de “receita financeira” decorrente de variação cambial, redundando no direito de as excluir da base imponível, reduzindo as contribuições a pagar e materializando o pagamento a maior do que o anteriormente declarado/pago, em face da inconstitucionalidade do art. 3°, §1°, da Lei n° 9.718/98 (“alargamento da base de cálculo” das contribuições ao PIS e à COFINS). Tenho que a Recorrente trouxe aos autos informações suficientes para respaldar a plausibilidade de que o valor por ela apurado (e devido), em face da inclusão de variações cambiais pelo regime de competência, realmente poderia significar um valor menor do que efetivamente pago. Isso porque, independentemente do fato de ter ou não o contribuinte exercido a opção expressa pelo regime de competência ou regime de caixa, conforme se discutiu longamente nos autos, o fato é que mostrase suficiente ao deslinde da causa o reconhecimento de que o dispositivo no qual consubstanciouse a Autoridade Fiscal para reconhecer uma base de cálculo mais ampla do que a utilizada pelo contribuinte, foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, podendo referida questão ter impacto direto no valor da contribuição efetivamente devida pelo sujeito passivo e como conseqüência, no crédito (indébito) por ele alegado. As operações de swap não refletem receitas decorrentes de faturamento (receitas de vendas, prestação de serviço etc.), sendo, enquanto “receitas financeiras” decorrentes de variação cambial, conforme dicção do art. 9º, da Lei nº 9.718/98, e como tal devem ser entendidas como sendo “outras receitas”, não tributáveis à luz do cenário legislativo/jurisprudencial pacífico atualmente, para aquele período de apuração.(grifei) Sendo assim, entendo que o processo não se encontra em condições de receber um julgamento justo, pelo que voto no sentido de converter o julgamento em diligência para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, para que a autoridade preparadora adote as seguintes providências: Fl. 979DF CARF MF 8 a) verificar a efetiva existência, suficiência e montante dos créditos, à luz da interpretação determinada pelo STF ao §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, b) verificar se o sujeito passivo possui demanda idêntica a esta (administrativa ou judicial), focalizando o tratamento quanto a restituição dos valores, com espeque na inconstitucionalidade do art. 3°, §1°, da Lei n° 9.718/98, que contemple o objeto de análise deste PAF (leiase: período de apuração de Junho/2002, relativamente a receitas financeiras provenientes de variação cambial por operações de “swap”); c) após, emitir “Relatório Conclusivo” sobre o resultado da diligência, dando vistas ao sujeito passivo, para que, querendo, se manifeste em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, retornando os autos para reinclusão em pauta de julgamento neste Conselho É como voto. Após o cumprimento da diligência, foi emitida a INFORMAÇÃO FISCAL Nº 221/2015/DIORT/DRF/BSB de fls.912/918, nos seguintes termos: De acordo com as providências solicitadas, a existência, montante e suficiência dos créditos pleiteados foram verificados conforme se segue. 3.1Apuração da existência do direito creditório: As tabelas 1 e 2 abaixo demonstram os valores devidos de PIS e Cofins considerandose a efetiva validade do art. 3°, § 1°, da Lei 9.718/98 (tabela 1) e considerandose a declaração de sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal (tabela 2). Fl. 980DF CARF MF Processo nº 15374.001578/200797 Acórdão n.º 3302004.656 S3C3T2 Fl. 974 9 Para se calcular o valor devido das contribuições na tabela 2, o conceito de faturamento utilizado foi restrito à receita bruta de venda de mercadorias e serviços. Desta forma, a receita financeira (decorrente de operações com contratos de “swap” cambial) declarada em DCTF original foi desconsiderada sobre a base de cálculo destes tributos. Nesta declaração original, a contribuinte informou o crédito tributário devido na tabela 1 acima. Através de Darf's e compensação com saldo negativo de CSLL (86.971,46) pagou esses valores em 15 de julho de 2002. Como os valores apurados na tabela 2 são menores do que os apurados (e pagos) na tabela 1, resta configurada a existência de pagamento a maior de PIS e Cofins no período de apuração em questão. 3.2 Apuração do montante do direito creditório: Conforme a tabela 3 abaixo, o montante do direito creditório foi apurado através de simples subtração dos valores pagos com os valores devidos (considerandose a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/98). Foi verificado que a contribuinte tem direito a créditos originais (sem atualização) para o período de apuração de junho de 2002 de R$ 1.478.146,74 para PIS e de R$ 6.822.215,69 para Cofins. 3.3 Apuração da suficiência do direito creditório: Conforme as tabelas 4 e 5 abaixo, a contribuinte apresentou 8 declarações de compensação para aproveitar os créditos apurados. Através delas, extinguiu créditos tributários de PIS e Cofins referentes a agosto a novembro de 2002 sob condição resolutória de ulterior homologação pela autoridade fiscal. Fl. 981DF CARF MF 10 Ao se analisar as DCOMP'S, foi notado que os créditos e débitos (créditos tributários) foram atualizados somente até a data dos vencimentos elencados nas tabelas acima. Entretanto, o efetivo pagamento destes tributos aconteceu apenas em 24 de setembro de 2004, data da transmissão das declarações de compensação à Receita Federal. Quer dizer, os valores devidos de PIS e Cofins mostrados nas tabelas acima foram pagos com atraso, mas sem atualização de juros e multa de mora. Desta forma, para a correta apuração do encontro de contas, créditos e débitos compensados devem ser atualizados até setembro de 2004. Para isto, foi utilizado o Sistema de Apoio Operacional (fls. 904 a 911), o qual concluiu, conforme tabelas 6 e 7 a seguir, que os créditos não foram suficientes para quitar todos os débitos declarados nas DCOMP's: Fl. 982DF CARF MF Processo nº 15374.001578/200797 Acórdão n.º 3302004.656 S3C3T2 Fl. 975 11 Fl. 983DF CARF MF 12 Tabela 7 Através da análise das tabelas acima, foi constatado que há débitos de PIS e de Cofins referentes aos períodos de apuração de outubro e novembro de 2002 que ultrapassaram o valor total dos créditos declarados em Dcomp. A tabela 8 a seguir mostra esses débitos em seus valores originais e atualizados até março de 2015. A atualização foi feita de acordo com o que determina o artigo 61, da Lei n° 9430/96. Fl. 984DF CARF MF Processo nº 15374.001578/200797 Acórdão n.º 3302004.656 S3C3T2 Fl. 976 13 Somandose todos os débitos não compensados, atualizados até março de 2015, foi encontrado o valor devido e não pago de R$ 3.244.007,15, conforme tabela 9 abaixo. 4.Quanto ao item “b” da Resolução n° 3402000.588 do Carf, houve as seguintes conclusões: 4.1Existência de outros processos administrativos com o mesmo objeto: Em pesquisa nos sistemas Comprot e Sief/Perdcomp, não foram encontrados nesta Diort outros processos Fl. 985DF CARF MF 14 administrativos com o mesmo objeto analisado neste processo. 4.2Existência de outros processos judiciais com o mesmo objeto: Foi acessado o site da Justiça Federal, onde se verificou que há processos judiciais da contribuinte em que se pleiteia repetição de indébito junto à Fazenda Nacional. Entretanto, não é possível saber o assunto específico de cada processo, pois o acesso aos documentos processuais é restrito e controlado por senha. Desta forma, não há meios nesta Diort para se proceder a pesquisa solicitada. Por questões de competência regimental, acreditase que a Procuradoria da Fazenda Nacional tenha arquivos de controle sobre processos judiciais contra a Fazenda. Assim, aquele órgão poderia ter a resposta a este item “4.2” em seus arquivos 5. Por fim, esclareçase que esta informação fiscal cumpre o estabelecido no item “c” da Resolução do Carf citada acima. A interessada após ter ciência do citado relatório de diligência em 25/03/2015 às 14:26h, conforme Termo de Abertura de Documento de fl.920, através da abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações, apresentou manifestação de inconformidade de fls. 923/933 e documentos de fls.934/965, em 24/04/2015 16:05:29, conforme Termo de Solicitação de Juntada fl. 922, nos termos a seguir resumidos: Após recompor a situação fática dos autos e reproduzir as tabelas objeto do relatório de diligência destaca sua discordância quanto às seguintes questões: i)Para exigir valor não declarados pelos contribuintes(inclusive os encargos moratórios), é imprescindível o lançamento de ofício, nos termos da jurisprudência do STJ, o que não ocorreu no presente caso; e (sic); Como visto acima, a Receita Federal está a exigir da Apelante a multa moratória (travestida de principal) incidente sobre o suposto pagamento em atraso de PIS e COFINS em junho/2002. Diante de uma declaração de compensação, o Fisco deverá adotar uma das seguintes posições1: (i) homologar, o que irá significar a extinção definitiva do crédito tributário; (ii) não homologar, o que trará como conseqüência a exigência dos débitos anteriormente quitados por meio de compensação; (iii) homologar parcialmente, oportunidade em que serão exigidos os débitos declarados mas não compensados em razão da insuficiência de crédito. Notese que, em todas as hipóteses mencionadas, não há discussão acerca dos débitos. O motivo é singelo: estes são sempre informados pelo contribuinte, que declara, também, quais são os créditos por meio dos quais pretende quitar tais 1 Fora as hipóteses acima, há ainda a possibilidade da compensação ser considerada não declarada, na forma do § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Fl. 986DF CARF MF Processo nº 15374.001578/200797 Acórdão n.º 3302004.656 S3C3T2 Fl. 977 15 débitos. Ao Fisco compete apenas cobrar, na forma da lei, o que, eventualmente, ainda seja devido, por força da não homologação ou homologação parcial da compensação. Ora, em um processo de compensação, a atividade do Fisco deve aterse à verificação da existência dos créditos utilizados para quitação do débito compensado. Em relação ao débito apontado para compensação pelo contribuinte, por sua vez, nada poderá ser modificado, pois, repitase, a indicação daquilo que está sendo pago é de competência exclusiva do devedor. Afinal, repitase, é o devedor que escolhe aquilo que irá pagar, e aquilo que irá deixar em aberto (por discordar da cobrança, por exemplo). ii)Ainda que se entenda dispensável a constituição dos encargos moratórios via lançamento de ofício, é imprescindível que a imputação proporcional seja realizada no âmbito do despacho decisório (possibilitando a interposição de recurso quanto a este ponto), o que também não foi observado. E ainda que se entenda dispensável o lançamento de ofício para exigência dos encargos moratórios, fato é que no âmbito de um processo de compensação essa pretensão fiscal deveria constar expressamente do despacho decisório. Como visto, a única razão apontada pelo despacho decisório para o indeferimento da compensação realizada no presente caso foi a inexistência de pagamento a maior de PIS e COFINS no período. Ou seja, o despacho decisório analisou unicamente a existência do crédito, nada tendo dito acerca da ausência de imputação dos encargos moratórios aos débitos compensados. Consequentemente, não poderia a DRF em sede de diligência, incluir novo fundamento no despacho decisório de modo a apontar causa causa diversa para manter a não homologação da compensação (ainda que parcial). Nesse sentido, o Fisco federal deveria ter indicado por ocasião do despacho decisório a falta de inclusão dos encargos moratórios sobre os débitos compensados, concedendo ao contribuinte o direito de contestar este ponto em sede de manifestação de inconformidade e/ou recurso voluntário Exatamente para evitar os desmandos da autoridade fiscal e proteger a boafé do contribuinte, o art. 146 do Código Tributário Nacional traz dispositivo que veda a retroatividade da modificação de critério jurídico para alcançar os atos já praticados pela Administração. É o relatório. Fl. 987DF CARF MF 16 Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata parcialmente de matéria da competência deste Colegiado, portanto, deve ser conhecido, em parte. Da não Homologação Tácita Os PER/DCOMPs, a seguir identificados, objeto da presente lide, para os quais suscita o Recorrente a homologação tácita, se referem a créditos de PIS e Cofins correspondente a apuração de junho de 2002, com débitos referentes a agosto de 2002, foram transmitidos em 24/09/2004: 1 13706.67619.240904.1.3.048478, fl.135; 2 0050660794.240904.1.3.048880, fl.139; 3 32721.99746.240904.1.3.040700, fl.144; 4 01932.87743.240904.1.3.040747, fl.149; 5 18071.00386.240904.1.3.049304, fl.154; 6 20795.87736.240904.1.3.047850, fl.159; 7 19648.10489.240904.1.3.040047,fl.164; 8 22890.95240.240904.1.3.047720, fl.169. Os demais PER/DCOMPs se referem ao IRRF e não foram impugnados, de modo que não fazem parte da lide que ora se examina. De início, cabe ressaltar que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, para que seja efetivada a compensação, deve ser líquido e certo, segundo dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN), a seguir reproduzido: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” (grifei) Prescreve o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)(grifei) § 3o(...); Fl. 988DF CARF MF Processo nº 15374.001578/200797 Acórdão n.º 3302004.656 S3C3T2 Fl. 978 17 § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)(grifei)) §§ 6o a 12 (...); Da interpretação das regras acima colacionadas é oportuno destacarse que a premissa para que se opere a compensação pleiteada é que haja crédito apurado pelo sujeito passivo relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição. Ocorre que tendo a lei especificado que a compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, esta darse á no prazo de cinco anos contado da data da entrega da mencionada declaração e não a contar do fato gerador dos débitos confessados como pleiteia a defesa. Nesse mister, antes porém da análise da questão meritória do pedido cabe perquirir acerca da sucessão cronológica dos autos: ATOS DO PROCESSO DATA Fl.eprocesso PEDIDO DE COMPENSAÇÃO 24/09/2004 135169 CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO 23/09/2009 337 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 22/10/2009 405421 Verificase pelas datas acima elencadas, analisadas sob o crivo do § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que os débitos objetos das referidas DCOMPs, não foram tacitamente homologados. Da inexistência de Decadência Quanto à suposta decadência do direito de o Fisco refazer a apuração do PIS e da COFINS de junho/2002, ressalta o recorrente. Conforme já foi dito, as compensações discutidas nos autos foram feitas com créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS e COFINS de junho de 2002. Tais créditos, digase, estão devidamente registrados na declaração fiscal (DCTF) apresentada pela Requerente, que aponta a existência dos créditos utilizados nas compensações. Entretanto, apesar de se tratar de período já atingido pela decadência, a autoridade fiscal, sob a justificativa de verificar a existência do crédito compensado, reapurou, em 2009, os resultados de junho de 2002. Fl. 989DF CARF MF 18 Nesse tópico tomo de empréstimo a fundamentação da decisão de piso, que de forma escorreita assim analisou: Outra falácia que apresenta a manifestação de inconformidade é, após traçar um plano analógico entre a homologação tácita e a decadência, deixar transparecer que o que está sendo cobrado pelo fisco consiste nas obrigações tributárias relativas a junho de 2002, que já estariam abrangidas pela decadência. Realmente tais obrigações estão abrangidas pela decadência quando não lançadas. Ocorre que o fisco não está a cobrar tais obrigações, mas simplesmente as obrigações tributárias confessadas pelos PER/DCOMPs que não foram efetivamente compensadas pelos supostos créditos que a Fazenda verificou inexistirem.(grifei) Observese ainda que a jurisprudência colacionada não lhe socorre, visto que a DIPJ não é confissão de dívida. Rejeitase assim a decadência arguida, conforme fundamentos acima expostos. Da inexistência de nulidade Argui o recorrente que a autoridade fiscal não esclareceu por quais razões entendeu que haveria ficado comprovada a opção da tributação da variação cambial pelo regime de competência, sendo esse o motivo da alegação de "nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação. Verificase que o Parecer 238/2009, assim se manifesta: Relativamente à base de cálculo do PIS e da COFINS informa o relatório que, além das receitas ordinárias que se incluem na base de cálculo destas contribuições, havia também, para o período em questão, receitas financeiras relacionadas a operações de swap cambial. No que diz respeito a receitas dessa natureza, a legislação regente permite que as mesmas sejam consideradas pelo regime de caixa (no momento da liquidação da operação) para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS e da COFINS. À opção da pessoa jurídica podese utilizar o regime de competência. É o disposto no artigo 30 da Medida Provisória n° 2.1583512001, abaixo transcrito: (...) A interessada afirma, na petição de fls.1891190, que se encontrava em fase préoperacional até junho de 2002 e que, apesar disso, recolheu PIS e COFINS nas devidas competências, como se as receitas tivessem sido contabilizadas por competência. Informa também que a empresa optou pela tributação com base no regime de caixa no ano de 2002, para os resultados de swap cambial. Entretanto, a diligência fiscal conclui de forma diversa daquela alegada pelo contribuinte, afirmando, no relatório que: "a opção Fl. 990DF CARF MF Processo nº 15374.001578/200797 Acórdão n.º 3302004.656 S3C3T2 Fl. 979 19 pelo regime no anocalendário 2002 foi o de competência, inclusive no que tange às operações financeiras objeto desta análise" (grifei). Diante disso, a diligência refez a base de cálculo das contribuições ora analisadas • incluindo as receitas financeiras provenientes de operações de swap cambial, chegando ao valor de R$ 247.852.604,95 como base de cálculo das contribuições para o PIS e para o financiamento da seguridade social (COFINS) no período de apuração de junho de 2002, o que nos leva a valores de PIS e COFINS a pagar de R$ 1.611.041,93 e R$ 7.435.578,14, respectivamente. Isto posto, considerando que os pagamentos de PIS e COFINS correspondem aos valores devidos ( no caso da COFINS o pagamento é ainda menor que o valor devido), não há que se falar em pagamento indevido ou a maior. O parecer escudouse no Termo de Encerramento de Diligência Fiscal,fls.279/285 que assim concluiu: Há que se destacar categoricamente, com base na análise de todos os lançamentos contábeis trazidos a lume, a opção pelo regime no anocalendário de 2002 foi o de competência, inclusive no que tange às operações financeiras objeto desta análise. Diante do exposto, constatamos que a base de cálculo para o Pis e a Cofins, no período de junho de 2002, teve por base de cálculo o seguinte teor: Abstraindose o mérito da questão, inferese que o citado parecer discorre fundamentadamente sobre a matéria apreciada, não se vislumbrando qualquer mácula no referido parecer, segundo as hipóteses do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Da não Exclusão da PER/DCOMP Cumpre esclarecer que não há que se excluir a PER/DCOMP nº.13706.67619.240904.1.3.048478 como pleiteia o contribuinte pois os processos 15374.720039/200912 (novo numero do PAF 15374.930039/200848) estão apensados ao principal ora relatado. Ultrapassadas as preliminares já analisadas, cumpre então referenciar o resultado da diligência Do resultado da diligência Como relatado, tratandose os autos de Pedido de Restituição de créditos de PIS e COFINS, constatase do teor da Informação Fiscal, fls.912/918, que reconhecida a inconstitucionalidade declarada pelo STF quanto ao §1º do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, constatou a fiscalização que os valores apurados na tabela 2 são menores do que os apurados (e pagos) na tabela 1, restando assim configurada a existência de pagamento a maior de PIS e Fl. 991DF CARF MF 20 Cofins no período de apuração em questão, logo esgotouse o objeto principal do litígio, remanescendo na manifestação de inconformidade apresentada, questionamento quanto aos acréscimos legais relativos aos débitos, os quais não fazem parte do presente processo. Conforme esclarece a Informação Fiscal, fls.912/918, a fiscalização reconheceu que a contribuinte tem direito a créditos originais (sem atualização) para o período de apuração de junho de 2002 de R$ 1.478.146,74 para PIS e de R$ 6.822.215,69 para Cofins, no entanto constatou que os créditos e débitos foram atualizados somente até a data dos vencimentos (13/09/2002; 15/10/2002; 14/11/2002 e 13/12/2002), elencados nas tabelas 4 (PIS) e 5 (COFINS) e que o efetivo pagamento das citadas contribuições somente ocorreu em 24 de setembro de 2004, data da transmissão das declarações de compensação à Receita Federal, sem os respectivos acréscimos moratórios devidos. Ressaltese que desde a manifestação de inconformidade pugna o recorrente pelo reconhecimento da opção da empresa pelo regime de caixa para a tributação das variações cambiais (contas n° 33210100 receita de intermediação swap LP cambial e n° 33210200 receita de intermediação swap CP — cambial), arguindo que de fato, pelos documentos contábeis apurou pelo regime de competência, porém pelos documentos fiscais demonstrou que fez a opção pelo regime de caixa, conforme §2º do art. 30 da MP 2158/2001. Ocorre que uma vez reconhecida a inconstitucionalidade declarada pelo STF quanto ao §1º do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, conforme já assinalado, a matéria inicialmente litigiosa perdeu o objeto, haja vista que é despiciendo neste momento processual, após a realização da diligência, que deu efetividade à matéria pugnada pelo recorrente, reconhecendo o indébito reclamado, apreciar a correção do regime adotado, pela ineficácia quanto ao resultado para o reconhecimento do indébito, questão já exaurida pelo resultado da referida diligência. Com efeito, destaca a mencionada informação fiscal que os valores devidos de PIS e Cofins demonstrados nas referidas tabelas foram pagos com atraso, sem atualização de juros e multa de mora. De forma que embora reconhecido o indébito das respectivas contribuições, a reapuração dos valores considerando a data do efetivo pagamento, ensejou a existência de débitos de PIS e de Cofins referentes aos períodos de apuração de outubro e novembro de 2002 que ultrapassaram o valor total dos créditos declarados em Dcomp, conforme apurado na já referida informação fiscal. Constatase que, em face da superveniência da Resolução Carf, restando constatado o pagamento indevido das referidas contribuições, fezse mister por dever de ofício, quando da execução da diligência a reapuração pela fiscalização dos saldos, ensejando a informação fiscal já destacada, da qual teve ciência a recorrente com reabertura de prazo para manifestação, o que lhe oportunizou o exercício do contraditório e ampla defesa, quanto às questões que remanesceram da reapuração dos saldos, inexistindo qualquer cerceamento do direito de defesa. No entanto, a questão que remanesce é de encontro de contas e envolve a incidência de acréscimos moratórios, cuja apuração, nos termos da legislação de regência, está afeta à execução do acórdão pela autoridade preparadora, competente para tal, conforme as disposições do artigo 245 do Decreto nº 70.235, de 1972. 2 Art. 45. No caso de decisão definitiva favorável ao sujeito passivo, cumpre à autoridade preparadora exonerálo, de ofício, dos gravames decorrentes do litígio. Fl. 992DF CARF MF Processo nº 15374.001578/200797 Acórdão n.º 3302004.656 S3C3T2 Fl. 980 21 Ante o exposto, VOTO POR NÃO CONHECER as matérias referentes aos acréscimos moratórios, por ser estranha à lide, de competência da autoridade preparadora; e quanto ao regime de apuração das variações cambial, pela perda de objeto, e NA PARTE CONHECIDA, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório, no valor original pleiteado, conforme demonstrado na Informação Fiscal, fls.912/918, ficando os acréscimos moratórios, a cargo da autoridade preparadora, a quem compete a execução do acórdão. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 993DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.728400/2009-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES RECEBIDOS DE ACORDO EM AÇÃO TRABALHISTA. DISCRIMINAÇÃO DAS VERBAS
O ônus da prova de discriminar a natureza das verbas (se indenizatórias ou remuneratórias com caráter salarial) em ação trabalhista é do contribuinte. Havendo prova quanto a discriminação das verbas e sua homologação judicial, deve ser excluído do lançamento o valor das verbas de caráter indenizatório.
RENDIMENTOS ISENTOS MOLÉSTIA GRAVE.
A decisão da DRJ considerou como comprovada a isenção do rendimento e por lapso não considerou na decisão de piso. Reconhecido esse fato em sede recursal a fim de se evitar percalços ao contribuinte quando da execução da decisão pela unidade preparadora.
Numero da decisão: 2201-003.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores de R$ 31.348,68 e R$ 10.875,70.
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
assinado digitalmente
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 07/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES RECEBIDOS DE ACORDO EM AÇÃO TRABALHISTA. DISCRIMINAÇÃO DAS VERBAS O ônus da prova de discriminar a natureza das verbas (se indenizatórias ou remuneratórias com caráter salarial) em ação trabalhista é do contribuinte. Havendo prova quanto a discriminação das verbas e sua homologação judicial, deve ser excluído do lançamento o valor das verbas de caráter indenizatório. RENDIMENTOS ISENTOS MOLÉSTIA GRAVE. A decisão da DRJ considerou como comprovada a isenção do rendimento e por lapso não considerou na decisão de piso. Reconhecido esse fato em sede recursal a fim de se evitar percalços ao contribuinte quando da execução da decisão pela unidade preparadora.
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VALORES RECEBIDOS DE ACORDO EM AÇÃO TRABALHISTA. DISCRIMINAÇÃO DAS VERBAS O ônus da prova de discriminar a natureza das verbas (se indenizatórias ou remuneratórias com caráter salarial) em ação trabalhista é do contribuinte. Havendo prova quanto a discriminação das verbas e sua homologação judicial, deve ser excluído do lançamento o valor das verbas de caráter indenizatório. RENDIMENTOS ISENTOS MOLÉSTIA GRAVE. A decisão da DRJ considerou como comprovada a isenção do rendimento e por lapso não considerou na decisão de piso. Reconhecido esse fato em sede recursal a fim de se evitar percalços ao contribuinte quando da execução da decisão pela unidade preparadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores de R$ 31.348,68 e R$ 10.875,70. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 84 00 /2 00 9- 08 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10580.728400/200908 Acórdão n.º 2201003.842 S2C2T1 Fl. 143 2 assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 07/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório 1 Tratase de Recurso de Voluntário (fls.81/85) interposto pelo contribuinte em face da decisão da DRJ/SDR. 2 – Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 74/76) por sua precisão: “O interessado impugna lançamento do anocalendário 2007, onde foram incluídos rendimentos pagos pela Secretaria de Saúde (R$ 31.348,68) e pelo Monte Tabor, Centro Ítalo Brasileiro de Promoção Sanitária (Hospital São Rafael, R$ 68.303,49). Argumenta, em síntese, que são de aposentadoria os proventos pagos pela Secretaria de Saúde, e que seriam isentos do imposto de renda por ser portador de moléstia prevista em lei de isenção. Seriam também isentos os rendimentos da Monte Tabor (Hospital São Rafael), porque seriam verbas rescisórias. Apresenta termo de rescisão de contrato de trabalho com parcelas isentas de “Indenização de FGTS não Recolhido” (R$ 62.492,33), “Multa de FGTS 40%” (R$ 24.996,93), e “Aviso Prévio” (R$ 2.707,18).” 3 A decisão da DRJ/SDR (fls. 74/76) julgou improcedente a Impugnação do contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10580.728400/200908 Acórdão n.º 2201003.842 S2C2T1 Fl. 144 3 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 RENDIMENTOS. TRABALHO SEM VÍNCULO. Não se beneficiam de isenção por moléstia grave os rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. CONVENÇÕES PARTICULARES. As convenções particulares não podem determinar a natureza isenta dos rendimentos convencionados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 4 Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, às fls. 79, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 81/85, onde reitera e reforça os mesmos argumentos da impugnação. 5 Na sessão de 20/01/2015 a extinta 1ª turma especial desse E. Sodalício através do Resolução 2801000.336 às fls. 110/112 converteu o julgamento em diligência fundamentando nesse sentido: “O Recorrente alega que, ao contrário do entendeu a decisão recorrida, os rendimento recebidos da Monte Tabor (Hospital São Rafael) são decorrentes de uma conciliação proposta pela M.M Juíza e aceita pelas partes na Reclamação Trabalhista ajuizada por ele (Proc. n° 00997200703505009 RT), portanto, de natureza conflituosa e litigiosa, quando, na ocasião, comprovado o preenchimento dos requisitos legais, Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10580.728400/200908 Acórdão n.º 2201003.842 S2C2T1 Fl. 145 4 pleiteou e obteve o reconhecimento do vínculo laboral com o Monte Tabor (Hospital São Rafael), razões mais que suficientes para que se excluam da tributação em pauta as parcelas trabalhistas e rescisórias de ordem indenizatória, em especial, conforme estabelece a legislação pertinente à matéria, o Aviso Prévio Indenizado e os depósitos relativos ao FGTS. Neste sentido, consta anexado aos autos (fls. 89/92) o acordo homologado judicialmente em 20/08/2007, porém com valores divergentes daqueles informados no Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho (fl. 130), nos Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte (fls. 55/58), e nas DIRF (fls. 69/70). Em face do acima exposto e com vistas a formar convicção acerca da lide, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a fonte pagadora MONTE TABOR CENTRO ÍTALO BRASILEIRO DE PROM SANITÁRIA, CNPJ 13.926.639/000144, seja intimada a esclarecer as divergência entre os valores consignados nos documentos indicados acima e informar a natureza de todos os rendimentos pagos ao Contribuinte no anocalendário de 2007, incluindo os rendimentos pagos em decorrência do acordo homologado judicialmente – Processo 00997200703505009RT. Ao final, com vistas a garantir o contraditório e o amplo direito de defesa, cientificar o Recorrente acerca desta diligência e dos resultados dela decorrentes, assegurandolhe prazo para sua manifestação.” 6 – Às fls. 115 intimação à fonte pagadora e às fls. 118/137 resposta com os esclarecimentos necessários, havendo a notificação ao contribuinte do resultado da diligência às fls. 139 com o retorno dos autos a esse E. Sodalício para julgamento. 7 – Redistribuído os autos a esse Relator. É o relatório do necessário. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10580.728400/200908 Acórdão n.º 2201003.842 S2C2T1 Fl. 146 5 Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 08 – Conheço do recurso. Diz a autuação fls. 16: 09 O contribuinte questiona a natureza dos rendimentos que a autoridade lançadora entende que teriam sido omitidos e que houve reclassificação em sua DIRPF. 10 – A DRJ diz em seu voto, apesar de ter julgado improcedente a impugnação quando o correto era procedente em parte: 11 – Logo, devem ser excluídos do lançamento os valores no valor de R$ 31.348,68 relativos à Secretaria de Saúde, apenas confirmando a decisão da DRJ nesse sentido e que por um lapso não ficou consignado, dando provimento ao recurso nesse sentido, pois tal rendimento foi considerado no lançamento às fls. 16 dos autos. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10580.728400/200908 Acórdão n.º 2201003.842 S2C2T1 Fl. 147 6 12 – Quanto a parte do rendimento da Monte Mor indicado no lançamento no valor total de R$ 68.303,49 a DRJ decidiu pela manutenção do lançamento pelo seguinte fundamento: “O contribuinte jamais recebera rendimentos de trabalho com vínculo empregatício da Monte Tabor (Hospital São Rafael). Como se verifica pelos extratos das DIRF dos anos anteriores (fls. 71/73), sempre recebera rendimentos pela prestação de serviço, na qualidade de autônomo. Desta forma o “Termo de rescisão de contrato de trabalho” às fls. 13 não é mais que uma convenção particular, e como tal não pode estabelecer a natureza isenta das parcelas convencionadas como se fossem verbas rescisórias do trabalho com vínculo empregatício. Nesta ocasião, em 05/06/2007, o contribuinte recebera o total de R$ 96.360,58, que deve ser considerado integralmente como rendimento tributável. Além deste pagamento, em junho, recebera desta fonte nos demais meses os seguintes rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, de acordo com os extratos da DIRF às fls. 69/70:” 13 – O valor de R$ 68.303,49 é a somatória dos valores encontrados no sistema DIRF de fls. 69 e 70 dos autos. 14 – Às fls. 115 intimação à fonte pagadora em cumprimento à resolução que converteu o julgamento em diligência indica: Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10580.728400/200908 Acórdão n.º 2201003.842 S2C2T1 Fl. 148 7 15 – A fonte pagadora às fls. 118/120 esclarece de início que: 16 – De fato às fls. 58 existe o informe de rendimento datado de 25/03/2008 constando – rendimentos decorrentes de decisão da Justiça do Trabalho. 17 – Esclarece ainda que: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10580.728400/200908 Acórdão n.º 2201003.842 S2C2T1 Fl. 149 8 18 – E por último a fonte pagadora apenas esclarece que a diferença de nomenclatura dos títulos do informe de rendimentos de fls. 56 e 57, datados de 28/02/2008, foram por erro lançados em seu sistema. 19 – Pela análise dos informes de fls. 56 e 57, são diversos do que consta no sistema DIRF de fls. 69/70 não auxiliando em nada na resolução do assunto e são diversos dos valores lançados e declarados na DIRPF retificadora de fls. 25/29 de nº 05/37.289.304. 20 – Pela análise do documento de fls. 93/98 verificamos tratase da inicial da reclamação trabalhista proposta pelo contribuinte a fim de reconhecer o vínculo empregatício para com a fonte pagadora denominada Monte Tabor – Centro Ítalo Brasileiro de Promoção Sanitária (Hospital São Rafael) sendo que o contribuinte alega que foi dispensado dos serviços da fonte pagadora em 01/06/2007. 21 – Informa inclusive que houve um depósito no valor de R$ 96.360,58 em sua conta corrente em 11/06/2007 (mesmo valor indicado no TRCT de fls. 13 dos autos e esclarecido pela fonte pagadora como mero documento para mensurar o valor do risco trabalhista). 22 – Às fls. 89/92 há a petição de acordo homologado judicialmente em 20/08/2007 pela MM. Juíza do Trabalho da 35ª Vara do Trabalho de Salvador nos autos da reclamação trabalhista entre contribuinte e a fonte pagadora Monte Tabor indicando o reconhecimento de vínculo de emprego de 01/09/1985 a 31/05/2007 e o pagamento do valor líquido de R$ 144.000,00 ao contribuinte em 12 parcelas iguais assim discriminados pelas partes: Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10580.728400/200908 Acórdão n.º 2201003.842 S2C2T1 Fl. 150 9 23 – Das parcelas discriminadas acima, as únicas que contem natureza remuneratória e no caso incidiriam o IRPF seriam as parcelas de letras “e” e “f”, ou seja, correção monetária e horas extras. 24 – Constatase que os valores relativos a esse acordo entabulado entre as partes foi homologado judicialmente com a discriminação das verbas e apenas começou a ser pago ao reclamante a partir de Agosto de 2007 conforme indicado no item 02 de fls. 89. 25 – Portanto, em vista do Informe de Rendimento de fls. 58 e o Sistema DIRF de fls. 69 indicar como os valores de R$ 21.875,70 como rendimentos recebidos decorrentes de decisão da justiça do trabalho e os valores pagos indicados serem a partir de Agosto de 2008, combinado com a análise do termo de acordo em que a maior parte dos valores discriminados não terem incidência de IRPF, entendo que deve ser excluído do rendimento tais valores no lançamento menos o valor dos itens "e" e "f " (R$ 11.000,00) do acordo trabalhista por ter caráter salarial e de incidência do IRPF. 26 – Com base nos valores do sistema DIRF de fls. 70 indicando rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício em sua informação, é de esperar tal nomenclatura, na Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10580.728400/200908 Acórdão n.º 2201003.842 S2C2T1 Fl. 151 10 medida em que não havia reconhecimento de vínculo pela Justiça do Trabalho antes da homologação dos valores pagos posteriormente ao contribuinte a partir de Agosto de 2008. 27 Como esses valores indicados às fls. 70 foram pagos antes do acordo judicial discriminando as verbas do reconhecimento do vínculo, esses devem ser considerados para fins de lançamento por estarem fora do acordo entabulado entre as partes e serem de natureza de proventos oriundos do trabalho e, portanto há a incidência do IRPF sobre eles. Conclusão 28 Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e dar provimento parcial para excluir do lançamento os valores de R$ 31.348,68 da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia e o valor de R$ 10.875,70 provenientes do pagamento do acordo trabalhista de 2007 conforme fundamentado no voto. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Fl. 151DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.720117/2013-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
Ementa:
IRPJ. CSLL. LUCRO PRESUMIDO. FATO GERADOR TRIMESTRAL. DECADÊNCIA.
O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário, relativamente ao imposto de renda, sujeito ao lançamento por homologação, extingue-se em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional - CTN; já na hipótese da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial do imposto rege-se pela regra do art. 173, inciso I, do CTN, segundo o qual a contagem do prazo de cinco anos inicia-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lançamentos efetuados cientificados antes destas datas não são alcançados pela decadência.
OMISSÃO DE RECEITA - SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO.
Para que seja reputado real, impõe-se a prova hábil e idônea da efetiva entrega e origem do numerário suprido, coincidentes em datas e valores, sendo irrelevante a capacidade econômica e financeira do supridor.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA.
Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
Numero da decisão: 1402-002.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 Ementa: IRPJ. CSLL. LUCRO PRESUMIDO. FATO GERADOR TRIMESTRAL. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário, relativamente ao imposto de renda, sujeito ao lançamento por homologação, extingue-se em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional - CTN; já na hipótese da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial do imposto rege-se pela regra do art. 173, inciso I, do CTN, segundo o qual a contagem do prazo de cinco anos inicia-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lançamentos efetuados cientificados antes destas datas não são alcançados pela decadência. OMISSÃO DE RECEITA - SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Para que seja reputado real, impõe-se a prova hábil e idônea da efetiva entrega e origem do numerário suprido, coincidentes em datas e valores, sendo irrelevante a capacidade econômica e financeira do supridor. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
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Recorrente EMBRAED EMPRESA BRASILEIRA DE EDIFICAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 Ementa: IRPJ. CSLL. LUCRO PRESUMIDO. FATO GERADOR TRIMESTRAL. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário, relativamente ao imposto de renda, sujeito ao lançamento por homologação, extinguese em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN; já na hipótese da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial do imposto regese pela regra do art. 173, inciso I, do CTN, segundo o qual a contagem do prazo de cinco anos iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lançamentos efetuados cientificados antes destas datas não são alcançados pela decadência. OMISSÃO DE RECEITA SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Para que seja reputado real, impõese a prova hábil e idônea da efetiva entrega e origem do numerário suprido, coincidentes em datas e valores, sendo irrelevante a capacidade econômica e financeira do supridor. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 01 17 /2 01 3- 42 Fl. 1055DF CARF MF 2 provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 11516.720117/201342 Acórdão n.º 1402002.677 S1C4T2 Fl. 1.112 3 Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela DRJ de Florianópolis/Santa Catarina que reconheceu em parte o pleito da ora Recorrente EMBRAED EMPRESA BRASILEIRA DE EDIFICAÇÕES LTDA, ante a lavratura de auto de infração por omissão de receitas decorrentes da identificação de suprimento de caixa por sócio e/ou administradores e depósitos bancários bancários de origem não comprovada no anocalendário 2008. Adoto como ponto de partida o relatório da r. DRJ, complementandoo com aquilo que julgar necessário. Trata o presente processo de impugnação a exigência de créditos tributários constituídos em autos de infração, – por meio dos quais a contribuinte é compelida a recolher à Fazenda Nacional a importância de R$ 333.125,54 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, R$ 119.925,20 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, R$ 124.922,07 a título de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins e R$ 27.066,46 a título de Contribuição para o PIS/Pasep, exações acrescidas de multa de ofício de 75% e juros moratórios devidos à época do pagamento. Estas exigências referemse a fatos geradores ocorridos no decorrer do anocalendário de 2008, período em que a contribuinte apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, onde apurou resultados com base no lucro presumido. As irregularidades apontadas pela Fiscalização no lançamento foram: Falta de escrituração de pagamentos efetuados – intimada a apresentar documentação relativa a pagamento em 2008, a empresa não comprova três pagamentos; suprimento de caixa por sócios e administradores – intimada a comprovar a efetividade de empréstimos efetuados pelo administrador ao caixa da empresa, a Fiscalizada não obtém êxito; depósitos bancários de origem não comprovada – intimada a comprovar a origem de créditos bancários a empresa não consegue fazêlo em relação a nove depósitos; a apuração dos valores destes itens anteriores constituíram omissão de receita e assim foram levados a tributação do IRPJ com reflexos na órbita da CSLL, Cofins e PIS/Pasep. Irresignada a Interessada apresenta, tempestivamente, sua impugnação onde alega: Preliminarmente a ocorrência de decadência em relação a valores considerados omissão de receita e cujos fatos geradores teriam ocorrido até 2412008 e que, portanto, teriam sido alcançados pela decadência, tomando por base jurisprudência do STJ, que traz com a impugnação; com relação ao tópico suprimento de caixa por sócios e administradores a impugnante entende que apresentou sim à autoridade fiscal documentos hábeis e idôneos que comprovam “com enorme folga” a origem e a efetividade da Fl. 1057DF CARF MF 4 entrega dos respectivos numerários entregues pelos sócios, discordando, portanto, do lançamento fiscal; quanto ao tópico comprovação da origem dos depósitos a impugnante discorda da autuação e afirma que a “empresa cumpriu a sua responsabilidade de comprovar a origem dos créditos e demonstrar que recolheu os tributos deles decorrentes. Se houve algum equívoco no preenchimento dos lançamentos contábeis, caberia ao Agente Fiscal apontar eventuais diferenças entre os valores contabilizados e os créditos bancários [...]” Ao final, requer o cancelamento da exigência fiscal pelos seguintes motivos: “1) Decadência dos eventos ocorridos anteriormente ao dia 25/01/2008/ 2) Ausência de fundamentos que justifiquem a desconsideração dos elementos probatórios hábeis e idôneos que foram apresentados pela CONTRIBUINTE contra a presunção de omissão de receitas decorrente do suprimento de caixa por sócios e administradores; 3) Ausência de fundamentos que justifique a desconsideração dos elementos probatórios hábeis e idôneos que foram apresentados pela CONTRIBUINTE contra a presunção de depósitos bancários de origem não comprovada.” Prossegue a Impugnante: “A CONTRIBUINTE registra que, nesta defesa, não foram impugnados os valores de R$ 11.248,70 do dia 06/05/2008 e de R$ 25.302,45 do dia 17/06/2008, apontados pelo Auditor Fiscal como pagamentos efetuados e não contabilizados, e que, sobre esses valores, já fez a apuração e o recolhimento dos respectivos tributos, nos termos da lei, conforme as cópias dos DARFs que seguem como ANEXO V desta petição.” Estes valores, portanto, não fazem parte do litígio. Em sessão realizada em 14 de agosto de 2014, a Terceira Turma de Julgamento houve por bem transformar o julgamento deste processo em diligência, para que fossem colhidas cópias [frente e verso] dos cheques de R$ 100.000,00; R$ 300.000,00 e R$ 200.000,00 na busca da identificação das características dos cheques para se chegar à origem dos recursos. Como já relatado a autoridade fiscal considerou estes valores omissão de receita por ausência de provas de origem destes recursos. A impugnante por seu turno afirma de onde teriam provindo tais recursos mas não traz provas de sua alegação. Cópias autênticas [frente e verso] de tais cheques elucidariam de vez a questão, uma vez que esclareceriam a associação – ou não – aos contratos apresentados pela fiscalizada. Em 22122014 a interessada foi cientificada do Termo de Intimação Fiscal, onde a autoridade preparadora solicita cópias [frente e versos] dos cheques acima referidos. Em 2212015 a empresa apresenta sua resposta. Apresentada impugnação a DRJ acolheu em parte os argumentos da ora recorrente restando, ainda, por presente acusação fiscal de suprimento de caixa por sócio ante a inaptidão e inidoneidade dos documentos acostados para afastar omissão de receita nos termos da Súmula CARF n.95 e a subsistência de depósitos bancários de origem não comprovada no valor de R$1.120.405,39. Ao final a decisão restou assim ementada: Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 11516.720117/201342 Acórdão n.º 1402002.677 S1C4T2 Fl. 1.113 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 IRPJ. CSLL. LUCRO PRESUMIDO. FATO GERADOR TRIMESTRAL. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário, relativamente ao imposto de renda, sujeito ao lançamento por homologação, extinguese em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN; já na hipótese da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial do imposto regese pela regra do art. 173, inciso I, do CTN, segundo o qual a contagem do prazo de cinco anos iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lançamentos efetuados cientificados antes destas datas não são alcançados pela decadência. OMISSÃO DE RECEITA SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Para que seja reputado real, impõese a prova hábil e idônea da efetiva entrega e origem do numerário suprido, coincidentes em datas e valores, sendo irrelevante a capacidade econômica e financeira do supridor. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. PIS. COFINS. CSLL. LANÇAMENTOS DECORRENTES. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevaleceram na apreciação destes, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada com a decisão proferida pela r. DRJ, a Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário em que sustenta preliminarmente a decadência dos fatos geradores anteriores à 25/01/2008, e no mérito (1) que a r. DRJ ao aplicar a súmula 95 do CARF, não analisou adequadamente os documentos probatórios apresentados pelo contribuinte; e (2) demonstrou detalhada exaustivamente a origem dos recursos, o que teria sido injustificadamente desconsiderados pelo auditor fiscal e pela r. DRJ em suas análises. É o breve relatório. Fl. 1059DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso Voluntário é tempestivo e assinado por patrono competente. 2. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: Suscitou a Recorrente a decadência dos fatos geradores anteriores a 21 de janeiro de 2008. O que foi acatado em sede de DRJ, não havendo controvérsias quanto a isso. Neste ponto a única controvérsia diz respeito ao que se considera fato gerador dos tributos em análise (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Escorreita a decisão proferida pela r. DRJ neste ponto ao que peço vênia aos colegas conselheiros para adotála como razões de decidir: Daí seu entendimento de que os fatos geradores anteriores a 2512013 e apontados no quadro acima teriam sido alcançados pela decadência. Desde há muito que o lançamento de imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ) se reveste da modalidade de lançamento por homologação e, como tal, sujeito ao prazo decadencial do art.150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador do tributo e/ou sujeito ao prazo do inciso I do art.173, também do CTN. Assim também se revestem as contribuições sociais ora lançadas, PISPASEP, CSLL e COFINS. No caso em questão, o fato gerador do IRPJ e da CSLL relativo ao ano calendário de 2008, ocorre no término de cada trimestre do ano, pois, no caso, o lucro foi apurado sob as regras do Lucro Presumido e o período de apuração do IRPJ/CSLL nesta modalidade de tributação é trimestral. Para as contribuições PIS–PASEP e COFINS, o fato gerador é mensal. Quanto à questão do prazo decadencial, em função da Súmula Vinculante nº 8 do STF (DOU de 20/06/2008), de se trazer excertos do Parecer PGFN/CAT Nº 1617/2008, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda em Despacho de 18 de agosto de 2008, que trata da forma de contagem de prazos decadenciais relativos à contribuições previdenciárias, mas aplicáveis também às contribuição para o PIS/PASEP, CSLL e à COFINS, afinal todas são contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social: 49. [...] a) A Súmula Vinculante nº 8 não admite leitura que suscite interpretação restritiva, no sentido de não se aplicar – efetivamente – o prazo de decadência Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 11516.720117/201342 Acórdão n.º 1402002.677 S1C4T2 Fl. 1.114 7 previsto no Código Tributário Nacional; é o regime de prazos do CTN que deve prevalecer, em desfavor de quaisquer outras orientações normativas, a exemplo das regras fulminadas; [...] d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art.173, inc.I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art.150 do CTN; f) para fins de cômputo do prazo de decadência, todas as vezes que comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação devese aplicar o modelo do inciso I, do art.173, do CTN; [...] Esta posição consolidada no parecer supra veio ratificar o entendimento de que os lançamentos por homologação – PIS/PASEP, COFINS, CSLL e IRPJ – seguem a contagem do prazo decadencial estabelecida no artigo 150 e/ou do inciso I do art. 173, ambos do CTN. O lançamento correspondente ao IRPJ e CSLL do 1º trimestre de 2008 [o mais antigo] teria decaído em 3132013. Cabe a lei definir o aspecto temporal do tributo, em relação ao Imposto sobre a renda, o período de apuração, segundo a Lei n. 9430/1996, é trimestral (31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário) ou anual (31 de dezembro). Em relação ao PIS e a COFINS, o prazo é 25 de cada mês segundo o que dispõe o art. 11 da Lei. 10.833/2003. Tentativa de alterar o método ou data de alteração dos tributos em espécie significariam afastar lei eficaz e vigente. Portanto, embora devesse ser reconhecida decadência dos fatos geradores anteriores a 21/01/2008, o lançamento em análise não os contempla, pelo que afasto a preliminar suscitada e passo a análise do mérito. 3. MÉRITO 3.1 SUPRIMENTO DE CAIXA POR SÓCIOS E ADMINISTRADORES Afirma a Recorrente que a r. DRJ desconsiderou in totum as provas apresentadas quanto a origem e, principalmente, quanto a entrega do numerário, mencionando a Súmula CARF 95: Súmula CARF nº 95: A presunção de omissão de receitas caracterizada pelo fornecimento de recursos de caixa à sociedade por administradores, sócios de sociedades de pessoas, ou pelo administrador da companhia, somente é elidida com a demonstração cumulativa da origem e da efetividade da entrega dos recursos. Fl. 1061DF CARF MF 8 A mera menção a Súmula 95 não é suficiente para caracterizar a omissão de receitas, deve ser verificado no caso concreto se as provas apresentadas pelo Contribuinte são suficientes e adequadas para ilidir a presunção. Vejamos o quanto disposto no Acórdão da r. DRF: (...) A alegação da contribuinte não apresenta as características solicitadas no texto acima, não existe a comprovação da efetiva entrega do numerário. Sem a comprovação não se pode aceitar simplesmente a alegação de que obteve lucros e poderia fazer empréstimos para a empresa fiscalizada. Também não pode ser aceita a alegação de que o sócio tinha rendimentos em suas declarações de pessoa física suficientes para o empréstimo, pois é imprescindível para a comprovação que a empresa prove com documentos a efetiva entrega do numerário. (...) A análise empreendida pela r. DRJ é correta, não se pode afirmar a origem sem que se confirme a efetiva entrega do numerário. A mera disponibilidade de recursos pelo sócio, não é suficiente para caracterizar a origem da receita quando não se prova a entrega! Os dois elementos são indissociáveis. Não posso afirmar que pelo conjunto probatório restaria comprovada origem dos recursos (Senhor Rogério Rosa), se não consigo afirmar que o dinheiro que ingressou no caixa da empresa é aquele. Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 11516.720117/201342 Acórdão n.º 1402002.677 S1C4T2 Fl. 1.115 9 Data máxima vênia ao entendimento do r Procurador da Recorrente, a demonstração de desembolsos não comprova a entrega de numerário, exatamente porque não há como realizar uma ligação direta entre esses pagamentos e aquela receita! Se fosse o suficiente a comprovação de disponibilidade de numerário pelo sócio e desembolsos, a Súmula Carf 95 não exigiria a comprovação da origem e da efetiva entrega. A recorrente questiona então como comprovar a efetiva entrega. A meu ver, a prova é bastante simples. De se imaginar que valores tão altos transitaram em algum momento pela conta das partes envolvidas, sócio e recorrente. 3.2. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Por fim, afirma a Recorrente que demonstrou de forma detalhada e exaustiva que os depósitos bancários eram oriundos do recebimento de receitas devidamente oferecidas a tributação. Em procedimento de fiscalização a autoridade fiscal constatou ter a autuada movimentado valores em contas por ela mantidas em instituições financeiras e para as quais, devidamente intimada e reintimada, não teria conseguido comprovar as origens, levando ao surgimento da presunção expressa no artigo 42, da Lei nº 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em sede de Impugnação, bem como do Recurso Voluntário, a recorrente discorreu longamente sobre o tema, no entanto, faltou o principal: a comprovação das origens dos recursos que permitiram fossem carreados às suas contas bancárias, mantidas junto a instituições financeiras e os valores apontados pelo Fisco. Os lançamentos relativos aos anoscalendário de 2008 tiveram sustentáculo na movimentação bancária da autuada que apresentou substanciais valores lançados a crédito das contas por ela mantidas em diversas instituições financeiras e para os quais, devidamente intimada a comprovar suas origens, na forma prevista na legislação vigente (artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996), não logrou êxito. Durante o procedimento fiscalizatório a fiscalizada teve sucessivas oportunidades para que justificasse os créditos ocorridos em suas contas bancárias, ou seja, as origens de tais recursos, não logrando êxito em sua comprovação. Em voto irretocável, acerca da presunção que vigora nos casos de omissão de receia por depósito bancário de origem não comprovada o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone leciona que: (...) a presunção que permite ao Fisco inverter o ônus da prova, passandoa ao fiscalizado, se consolidou, posto que, com o surgimento no mundo jurídico do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, abriuse a possibilidade de se presumir a existência de omissão de receita ou rendimento quando o contribuinte, devidamente intimado, não conseguir justificar a origem dos valores lançados a crédito de suas contas em instituições financeiras. Fl. 1063DF CARF MF 10 Tratase, pois, de uma presunção legal que só se valida com a rigorosa oferta ao fiscalizado da possibilidade de comprovar a origem dos recursos. (...) Vale exprimir, não é o depósito bancário em si que se converte em omissão de renda ou receita e se transforma em fato gerador de tributos, mas os recursos que deram origem a tal depósito e que não foram comprovados pelo fiscalizado, mesmo que devidamente intimado a demonstrar tais origens. De outra parte, prestigiese o trabalho fiscal que, em momento algum, resvalou por caminhos ilegais ou exorbitou de suas funções. Ao revés, sempre permitiu a manifestação da autuada de forma a encontrar a verdade dos fatos. Neste campo, ao receber as informações financeiras, cruzálas com as da própria fiscalizada e com o banco de dados da Receita Federal e intimar a contribuinte a justificar as divergências, sem que tenha recebido qualquer resposta sustentável, só restava ao Fisco lançar mão da presunção legal que define como omissão de receitas valores que ingressaram nas contas bancárias do sujeito passivo e não foram devidamente justificados. Temse, dessa forma, como ensina Maria Rita Ferragut (in Presunções no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001), uma prova indireta condutora da mesma ‘probabilidade fática’ da prova direta, in verbis: “Assim, tem a Administração Pública o deverpoder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção homini de forma alguma significa que a tributação ocorrerá em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível.” Em seu trabalho ‘Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação’ (in Revista Dialética de Direito Tributário n.º 67, Dialética, São Paulo), a mesma autora acrescenta: “As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 11516.720117/201342 Acórdão n.º 1402002.677 S1C4T2 Fl. 1.116 11 forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa”. Em suma, as presunções legais de omissão de receitas, no caso – por força cogente do artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, são tidas pela doutrina como uma das espécies de “prova indireta” e podem ser absolutas (jure et de jure) e relativas (jures tantum), inadmitindo as primeiras que haja prova em contrário ao fato presumido e as segundas (relativas) admitindoa. Neste eito, reputamse verdadeiros os fatos presumidos até que a parte interessada prove o contrário (a nominada “inversão do ônus da prova”), cabendo ao contribuinte, demonstrar que o Fisco está equivocado, sendo pacífico que a falta de adequada comprovação impede o acolhimento do pleito (Código de Processo Civil de 1973, art. 333, II – CPC atual artigo 373, II). No presente caso, o procedimento fiscal avançou por vários meses, tempo mais que suficiente para que a fiscalizada promovesse a entrega do que foi requisitado pelo Fisco (documentos que comprovassem as origens dos recursos que permitiram a movimentação bancária estampada), o que não ocorreu. E, destaquese, seriam documentos que lhe aproveitariam, posto que poderiam vir a justificar as origens dos recursos do numerário carreado às suas contas bancárias, destruindo a presunção do Fisco. Não o fez. Nem no curso do procedimento fiscal menos ainda na fase contenciosa, limitandose a questionar aspectos jurídicos presentes nos lançamentos (acesso do Fisco às contas bancárias, nulidade, utilização dos extratos bancários na consecução dos lançamentos, etc.). Mais ainda, não se perca o entendimento de que a chamada prova indiciária é pacificamente admitida em nosso direito como ferramenta necessária para apurar eventos que não se mostram explícitos, como já decidido pelo CARF: Primeira Turma/Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento Data da Sessão 25/01/2011 Relator(a) ANTONIO BEZERRA NETO Nº Acórdão 1401000.405 ASSUNTO: PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em uma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes. Cumpre ao Fisco, em tais circunstâncias, tão só provar o indício, como, de fato, foi feito. A relação de causalidade, entre ele e a infração imputada, é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a consequente exigência atribuída Fl. 1065DF CARF MF 12 ao contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas, mantidas à margem da escrituração regular ou em poder dos sócios. A prova contrária à presunção legal, como dito, não foi fornecida pela autuada, como já enfatizado anteriormente. Assim, concretizada a hipótese abstrata prevista na lei, o Fisco pode lançar mão da figura da presunção legal, como no caso em análise, quando se presume a ocorrência de omissão de receitas se o fiscalizado, devidamente intimado, não consegue comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Portanto, a materialidade do fato gerador restou comprovada, de modo que fica mantido o lançamento neste aspecto, por sua absoluta correção. Adicionalmente, a invocação da Súmula nº 182 do antigo TFR em nada socorre a recorrente, posto que suplantada pela legislação superveniente e atual jurisprudência. Mantenho, pois a imputação de omissão de receitas fincada no artigo 42, da Lei nº 9.430/1996. 4. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto. É como voto. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Fl. 1066DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.901590/2012-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.939
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2006 PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 15 90 /2 01 2- 86 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13116.901590/201286 Acórdão n.º 3201002.939 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.571, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901590/201286 Acórdão n.º 3201002.939 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901590/201286 Acórdão n.º 3201002.939 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901590/201286 Acórdão n.º 3201002.939 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901590/201286 Acórdão n.º 3201002.939 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901590/201286 Acórdão n.º 3201002.939 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901590/201286 Acórdão n.º 3201002.939 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901590/201286 Acórdão n.º 3201002.939 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.901590/201286 Acórdão n.º 3201002.939 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.905787/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL.
Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-003.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
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DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 57 87 /2 01 2- 01 Fl. 286DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP utilizando créditos de COFINS, no valor total de R$ 40.139,22. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação não foi homologada, visto que o pagamento foi localizado, mas integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificada da decisão de piso, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, basicamente, que: (a) o crédito se refere a COFINSimportação de serviços recolhida indevidamente, e que a informação de que o valor foi utilizado integralmente para quitar débito da empresa se deve a ter sido originalmente informado em DCTF valor igual ao total do recolhimento; (b) que foi retificada a DCTF, após o despacho decisório, sendo que o valor não era devido por tratarse de remessa ao exterior em pagamento de licença de uso de marca, a título de royalties, não caracterizando contrapartida de serviços provenientes do exterior, conforme Solução de Consulta RFB no 263/2011; e (c) a DCTF retificadora não foi recepcionada pela RFB tendo em vista ter se esgotado o prazo de cinco anos para a apresentação. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de carência probatória a cargo do postulante, que não apresenta contrato que discrimine os royalties dos serviços técnicos e de assistência técnica, de forma individualizada, e de que a prazo para retificação de DCTF já havia se esgotado quando da apresentação de declaração retificadora pela empresa. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). No CARF, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução no 3803000.498, para que a autoridade local da RFB informasse “...acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada” (sic). Em resposta a fiscalização informa que o pagamento objeto do direito creditório não se encontra disponível, uma vez que utilizado para quitação de débito declarado em DCTF, e que, relativamente ao confronto de valores, restou demonstrado “... ser bastante o valor do pagamento pleiteado nestes autos para extinção do débito declarado pela Fl. 287DF CARF MF Processo nº 13603.905787/201201 Acórdão n.º 3401003.945 S3C4T1 Fl. 275 3 contribuinte por meio de compensação”, não havendo necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação. O processo foi a mim distribuído, mediante sorteio, em maio de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. De fato, não se tem dúvidas de que, ao tempo da análise massiva, por sistema informatizado, das DCOMP apresentadas, os débitos declarados em DCTF correspondiam aos pagamentos efetuados, ainda que estes fossem eventualmente indevidos. Daí os despachos decisórios eletrônicos, limitados a cotejamento entre dados declarados em DCOMP e DCTF, e pagamentos efetuados com DARF, terem sido pelo indeferimento. No entanto, também não se tem dúvidas de que a empresa já entendia, na data de protocolo dos PER/DCOMP, serem indevidos os pagamentos efetuados, independente de ter ou não retificado as respectivas DCTF. Não há que se falar, assim, em decurso de prazo para repetir o indébito, visto que os PER/DCOMP foram transmitidos dentro do prazo regular para repetição. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Fl. 288DF CARF MF 4 Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito Fl. 289DF CARF MF Processo nº 13603.905787/201201 Acórdão n.º 3401003.945 S3C4T1 Fl. 276 5 de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Atribuir à retificação formal de DCTF importância superior à comprovação do efetivo direito de crédito é típico das máquinas, na análise massiva, mas não do julgador, humano, que deve ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Como atesta a Solução de Divergência COSIT no 11/2011: “Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição.” (grifo nosso) E a cópia do contrato de licença apresentada e analisada, e de seus adendos, atesta que o contrato se refere “exclusivamente a licenciamento de uso de marcas”, não tratando de serviços. Assim, é indevida a COFINS, não havendo qualquer manifestação em sentido contrário pela própria unidade diligenciante. Aliás, efetivamente apreciou turma especial do CARF assunto idêntico, no Acórdão no 3801001.813, de 23/04/2013, acordando unanimemente pela não incidência de COFINSserviços em caso de contrato de “knowhow” que não engloba prestação de serviços: “CONTRATO DE “KNOW HOW”. REMESSAS AO EXTERIOR RELATIVAS A ROYALTIES E DIREITOS PELO USO DE MARCAS E TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO E TECNOLOGIA. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS IMPORTAÇÃO. Uma vez discriminados os valores dos Royalties dos demais serviços, de forma individualizada, não incidirá a COFINSImportação.” Há ainda outros precedentes recentes e unânimes deste tribunal, no mesmo sentido, e com características adicionais em comum com o presente processo: “NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o despacho decisório que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF). APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte Fl. 290DF CARF MF 6 quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS CONEXOS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINSIMPORTAÇÃO. A disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação. À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incidem as Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofins importação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiamse nas vendas líquidas de produtos licenciados, referemse, exclusivamente, à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties. (grifo nosso) (Acórdãos no 3201002.404 a 420, Rel. Cons. Windereley Morais pereira, sessão de 28 set. 2016) Deve, então, ser acolhido o pleito da empresa, removido o derradeiro obstáculo indevido ao reconhecimento do direito creditício e à compensação. Resta, por fim, tecer comentários sobre o pleito da recorrente para análise conjunta dos 52 processos referentes a suas DCOMP, visto que este relator recebeu, em sorteio, apenas 44 dos referidos processos. Em nome da verdade material, efetuei consulta ao sistema eprocessos, sobre a situação dos oito processos restantes, verificando o que se resume na tabela abaixo: N. do processo Situação atual Observações 13603.905762/201207 CARF – “Distribuir/Sortear” (indevidamente) Julgamento convertido em diligência, nas mesmas circunstâncias do presente, mas ainda não enviado à unidade local, para diligência, tendo em vista necessidade de saneamento (erro na anexação do arquivo contendo a Resolução de conversão em diligência). 13603.905764/201298 Idem Idem 13603.905772/201234 Idem Idem 13603.905785/201211 Idem Idem 13603.905790/201216 Idem Idem Fl. 291DF CARF MF Processo nº 13603.905787/201201 Acórdão n.º 3401003.945 S3C4T1 Fl. 277 7 13603.905775/201278 CARF – SEDIS/GECAP – Verificar Processo Processo sequer apreciado pelo CARF ainda, nem para converter o julgamento em diligência. 13603.905793/201250 Idem Idem 13603.905794/201202 Idem Idem Assim, há efetivamente apenas 44 processos maduros para julgamento, visto que os 8 restantes, por falhas processuais (5 deles com juntada incorreta de arquivos e 3 com pendência de verificação de procedimentos pelo setor competente do CARF) acabaram não chegando à unidade local, para realização da diligência. E os 44 processos, prontos para julgamento, serão efetivamente julgados conjuntamente, nesta sessão. Pelo exposto, e acolhendo a informação prestada em sede de diligência, voto por dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 292DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720083/2012-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2009
DECADÊNCIA. ART. 150, §4º DO CTN.
Aplica-se a regra decadencial prevista no art. 150,§4º do CTN quando se trate de tributo apurado e lançado relativamente ao período de apuração em que houve saldo credor do imposto.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS.
Não ocorre cerceamento de defesa quando a descrição dos fatos que motivaram a lavratura do auto de infração foi feita com clareza e precisão, estando disponíveis nos autos todos os documentos utilizados na fundamentação do lançamento de ofício, mormente quando a própria impugnação apresentada é prova de que a autuada exerceu amplamente seu direito de defesa.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COOPERATIVA AGROINDUSTRIAIS.
Insumos adquiridos de cooperativas agroindustriais geram direito ao crédito integral na apuração do PIS e da Cofins no regime não cumulativo, nos termos da legislação de regência.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOA INTERPOSTA. AUSÊNCIA DE MÁ-FÉ OU PARTICIPAÇÃO DO CONTRIBUINTE.
Não restando comprovada a participação da Contribuinte na criação de pessoas jurídicas de fachada, tampouco a existência ou indícios de má-fé na aquisição dos insumos, ilegítima a glosa dos créditos.
CRÉDITOS DECORRENTES DA DEPRECIAÇÃO DE ATIVO FIXO. AQUISIÇÃO ANTERIOR A30/04/2004. IMPOSSIBILIDADE.
Não se reconhece os créditos decorrentes dos encargos de depreciação de bens integrantes do ativo fixo da Contribuinte adquiridos anteriormente a 30/04/2004.
MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA.
Revela-se improcedente a exigência quando o auditor fiscal não especifica a motivação que ocasionou o lançamento de ofício.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AFASTAMENTO.
A multa de ofício qualificada deve ser afastada quando não se comprova que a conduta do sujeito passivo se enquadra em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2009
DECADÊNCIA. ART. 150, §4º DO CTN.
Aplica-se a regra decadencial prevista no art. 150,§4º do CTN quando se trate de tributo apurado e lançado relativamente ao período de apuração em que houve saldo credor do imposto.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS.
Não ocorre cerceamento de defesa quando a descrição dos fatos que motivaram a lavratura do auto de infração foi feita com clareza e precisão, estando disponíveis nos autos todos os documentos utilizados na fundamentação do lançamento de ofício, mormente quando a própria impugnação apresentada é prova de que a autuada exerceu amplamente seu direito de defesa.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COOPERATIVA AGROINDUSTRIAIS.
Insumos adquiridos de cooperativas agroindustriais geram direito ao crédito integral na apuração do PIS e da Cofins no regime não cumulativo, nos termos da legislação de regência.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOA INTERPOSTA. AUSÊNCIA DE MÁ-FÉ OU PARTICIPAÇÃO DO CONTRIBUINTE.
Não restando comprovada a participação da Contribuinte na criação de pessoas jurídicas de fachada, tampouco a existência ou indícios de má-fé na aquisição dos insumos, ilegítima a glosa dos créditos.
CRÉDITOS DECORRENTES DA DEPRECIAÇÃO DE ATIVO FIXO. AQUISIÇÃO ANTERIOR A30/04/2004. IMPOSSIBILIDADE.
Não se reconhece os créditos decorrentes dos encargos de depreciação de bens integrantes do ativo fixo da Contribuinte adquiridos anteriormente a 30/04/2004.
MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA.
Revela-se improcedente a exigência quando o auditor fiscal não especifica a motivação que ocasionou o lançamento de ofício.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AFASTAMENTO.
A multa de ofício qualificada deve ser afastada quando não se comprova que a conduta do sujeito passivo se enquadra em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964.
Numero da decisão: 3201-003.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri e Winderley Morais Pereira que negavam provimento quanto a decadência parcial do lançamento.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. ART. 150, §4º DO CTN. Aplica-se a regra decadencial prevista no art. 150,§4º do CTN quando se trate de tributo apurado e lançado relativamente ao período de apuração em que houve saldo credor do imposto. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS. Não ocorre cerceamento de defesa quando a descrição dos fatos que motivaram a lavratura do auto de infração foi feita com clareza e precisão, estando disponíveis nos autos todos os documentos utilizados na fundamentação do lançamento de ofício, mormente quando a própria impugnação apresentada é prova de que a autuada exerceu amplamente seu direito de defesa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COOPERATIVA AGROINDUSTRIAIS. Insumos adquiridos de cooperativas agroindustriais geram direito ao crédito integral na apuração do PIS e da Cofins no regime não cumulativo, nos termos da legislação de regência. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOA INTERPOSTA. AUSÊNCIA DE MÁ-FÉ OU PARTICIPAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Não restando comprovada a participação da Contribuinte na criação de pessoas jurídicas de fachada, tampouco a existência ou indícios de má-fé na aquisição dos insumos, ilegítima a glosa dos créditos. CRÉDITOS DECORRENTES DA DEPRECIAÇÃO DE ATIVO FIXO. AQUISIÇÃO ANTERIOR A30/04/2004. IMPOSSIBILIDADE. Não se reconhece os créditos decorrentes dos encargos de depreciação de bens integrantes do ativo fixo da Contribuinte adquiridos anteriormente a 30/04/2004. MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA. Revela-se improcedente a exigência quando o auditor fiscal não especifica a motivação que ocasionou o lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AFASTAMENTO. A multa de ofício qualificada deve ser afastada quando não se comprova que a conduta do sujeito passivo se enquadra em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. ART. 150, §4º DO CTN. Aplica-se a regra decadencial prevista no art. 150,§4º do CTN quando se trate de tributo apurado e lançado relativamente ao período de apuração em que houve saldo credor do imposto. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS. Não ocorre cerceamento de defesa quando a descrição dos fatos que motivaram a lavratura do auto de infração foi feita com clareza e precisão, estando disponíveis nos autos todos os documentos utilizados na fundamentação do lançamento de ofício, mormente quando a própria impugnação apresentada é prova de que a autuada exerceu amplamente seu direito de defesa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COOPERATIVA AGROINDUSTRIAIS. Insumos adquiridos de cooperativas agroindustriais geram direito ao crédito integral na apuração do PIS e da Cofins no regime não cumulativo, nos termos da legislação de regência. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOA INTERPOSTA. AUSÊNCIA DE MÁ-FÉ OU PARTICIPAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Não restando comprovada a participação da Contribuinte na criação de pessoas jurídicas de fachada, tampouco a existência ou indícios de má-fé na aquisição dos insumos, ilegítima a glosa dos créditos. CRÉDITOS DECORRENTES DA DEPRECIAÇÃO DE ATIVO FIXO. AQUISIÇÃO ANTERIOR A30/04/2004. IMPOSSIBILIDADE. Não se reconhece os créditos decorrentes dos encargos de depreciação de bens integrantes do ativo fixo da Contribuinte adquiridos anteriormente a 30/04/2004. MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA. Revela-se improcedente a exigência quando o auditor fiscal não especifica a motivação que ocasionou o lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AFASTAMENTO. A multa de ofício qualificada deve ser afastada quando não se comprova que a conduta do sujeito passivo se enquadra em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 50; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1786; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 37.215 1 37.214 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720083/201283 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3201003.038 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria PIS COFINS Recorrentes JACOBS DOUWE EGBERTS BR COMERCIALIZAÇÃO DE CAFÉS LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. ART. 150, §4º DO CTN. Aplicase a regra decadencial prevista no art. 150,§4º do CTN quando se trate de tributo apurado e lançado relativamente ao período de apuração em que houve saldo credor do imposto. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS. Não ocorre cerceamento de defesa quando a descrição dos fatos que motivaram a lavratura do auto de infração foi feita com clareza e precisão, estando disponíveis nos autos todos os documentos utilizados na fundamentação do lançamento de ofício, mormente quando a própria impugnação apresentada é prova de que a autuada exerceu amplamente seu direito de defesa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COOPERATIVA AGROINDUSTRIAIS. Insumos adquiridos de cooperativas agroindustriais geram direito ao crédito integral na apuração do PIS e da Cofins no regime não cumulativo, nos termos da legislação de regência. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOA INTERPOSTA. AUSÊNCIA DE MÁFÉ OU PARTICIPAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Não restando comprovada a participação da Contribuinte na criação de pessoas jurídicas de fachada, tampouco a existência ou indícios de máfé na aquisição dos insumos, ilegítima a glosa dos créditos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 83 /2 01 2- 83 Fl. 37215DF CARF MF 2 CRÉDITOS DECORRENTES DA DEPRECIAÇÃO DE ATIVO FIXO. AQUISIÇÃO ANTERIOR A30/04/2004. IMPOSSIBILIDADE. Não se reconhece os créditos decorrentes dos encargos de depreciação de bens integrantes do ativo fixo da Contribuinte adquiridos anteriormente a 30/04/2004. MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA. Revelase improcedente a exigência quando o auditor fiscal não especifica a motivação que ocasionou o lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AFASTAMENTO. A multa de ofício qualificada deve ser afastada quando não se comprova que a conduta do sujeito passivo se enquadra em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. ART. 150, §4º DO CTN. Aplicase a regra decadencial prevista no art. 150,§4º do CTN quando se trate de tributo apurado e lançado relativamente ao período de apuração em que houve saldo credor do imposto. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS. Não ocorre cerceamento de defesa quando a descrição dos fatos que motivaram a lavratura do auto de infração foi feita com clareza e precisão, estando disponíveis nos autos todos os documentos utilizados na fundamentação do lançamento de ofício, mormente quando a própria impugnação apresentada é prova de que a autuada exerceu amplamente seu direito de defesa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COOPERATIVA AGROINDUSTRIAIS. Insumos adquiridos de cooperativas agroindustriais geram direito ao crédito integral na apuração do PIS e da Cofins no regime não cumulativo, nos termos da legislação de regência. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOA INTERPOSTA. AUSÊNCIA DE MÁFÉ OU PARTICIPAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Não restando comprovada a participação da Contribuinte na criação de pessoas jurídicas de fachada, tampouco a existência ou indícios de máfé na aquisição dos insumos, ilegítima a glosa dos créditos. CRÉDITOS DECORRENTES DA DEPRECIAÇÃO DE ATIVO FIXO. AQUISIÇÃO ANTERIOR A30/04/2004. IMPOSSIBILIDADE. Não se reconhece os créditos decorrentes dos encargos de depreciação de bens integrantes do ativo fixo da Contribuinte adquiridos anteriormente a 30/04/2004. MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA. Revelase improcedente a exigência quando o auditor fiscal não especifica a motivação que ocasionou o lançamento de ofício. Fl. 37216DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201283 Acórdão n.º 3201003.038 S3C2T1 Fl. 37.216 3 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AFASTAMENTO. A multa de ofício qualificada deve ser afastada quando não se comprova que a conduta do sujeito passivo se enquadra em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, deuse provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri e Winderley Morais Pereira que negavam provimento quanto a decadência parcial do lançamento. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório O feito foi assim relatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), conforme acórdão de fls. 36.778 e seguintes: Tratase de autos de infração lavrados contra a contribuinte em epígrafe, relativos à falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 35720/35724), no montante total de R$ 56.175.010,28, para os períodos de apuração dezembro/2006 a abril2008 e junho/2008 a dezembro/2009, e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 35725/35729), no montante total de R$ 258.776.606,61, para os períodos de apuração de dezembro/2006 a dezembro/2009. No Termo de Termo de Verificação Fiscal (fls. 35730/35795), o autuante, para fundamentar a lavratura do auto de infração, de início, discorre sobre a operação Tempo de Colheita realizada pela Delegacia da Receita Federal em Vitória – ES: · em diversos depoimentos, foi constatado que as indústrias adquiriam café de produtores rurais ou de maquinistas, mas trocavam as notas fiscais para outras de pessoas jurídicas atacadistas inexistentes de fato; · o objetivo era o de aumentar os créditos relativos às contribuições PIS/Pasep e Cofins não cumulativas, já Fl. 37217DF CARF MF 4 que, se a aquisição fosse feita de pessoas físicas ou cerealistas, o crédito presumido era de 3,2375 %, enquanto que a aquisição efetuada de pessoa jurídica atacadista gerava crédito de 9,25 %. Ademais, os créditos presumidos não podiam ser compensados ou ressarcidos em espécie; · os produtores rurais e os maquinistas expuseram em detalhes como era feito o transporte do café até as grandes indústrias e exportadoras, a troca no caminho da nota fiscal pela da pseudoatacadista e o pagamento a esta pelo fornecimento da nota; · os corretores corroboraram as afirmações dos produtores rurais e maquinistas. Reconheceram que o café adquirido pelas indústrias e exportadoras provinham de vendas de produtores rurais ou maquinistas. Do mesmo modo, reconheceram que os adquirentes eram informados de como se davam as operações, ou seja, que a venda de café era feita por pessoa física. Fizeram revelações surpreendentes de vínculos diretos de algumas exportadoras e indústrias com o esquema; · para dar a aparência de boa fé, as indústrias e exportadoras em toda operação de aquisição de café guiado por nota fiscal de pessoa jurídica “noteira” procedia das seguinte forma: a) verificava a situação cadastral da “noteira” perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, imprimindo a certidão negativa de débito expedida; b) imprimia a situação cadastral da empresa perante o ICMS – Sintegra; c) efetuava o pagamento identificando a remetente dos recursos (indústrias/exportadoras) na conta bancária das “noteiras”; · era a indústria quem dava o aval para o corretor fechar o negócio com o produtor rural/maquinista, e este “ok” era dado apenas após a consulta da situação cadastral da empresa que seria a “noteira” perante os órgãos de fiscalização federal e estadual. Portanto, está claro que a indústria/exportadora tinha pleno conhecimento das aquisições efetuadas junto a essas pseudoatacadistas; · restou comprovado que após o recebimento dos recursos enviados pelas indústrias, as “noteiras” repassavam os recursos aos proprietários rurais/maquinistas, ou a quem esses indicavam. Inclusive foram identificados diversos recursos creditados nas contas bancárias dos produtores rurais, supridos pelas contas das empresas “noteiras”, o que corrobora as informações prestadas pelos produtores rurais e maquinistas; Fl. 37218DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201283 Acórdão n.º 3201003.038 S3C2T1 Fl. 37.217 5 · comprovouse também que, antes da mudança na legislação relativa às contribuições PIS/Pasep e Cofins não cumulativas, as vendas dos produtores rurais e maquinistas eram realizadas diretamente à indústria/exportadora, utilizando para guiar o café as notas fiscais emitidas pelos produtores rurais ou maquinistas. Após a mudança na legislação, embora a negociação continuasse sendo realizada da mesma forma, as indústrias e exportadoras orientavam os produtores rurais e maquinistas para guiarem o café com nota fiscal em nome de uma pessoa jurídica, suposta atacadista de café (“noteira”). O objetivo, como dito, era a obtenção de crédito maior, cujo saldo poderia ser compensado ou ressarcido em espécie; · da análise das informações prestadas pelos produtores rurais, maquinistas e corretores, restou demonstrado que as indústrias e exportadoras tinham pleno conhecimento da existência das pessoas jurídicas interpostas, chegando elas, inclusive, a indicar o nome das “noteiras” que guiariam o café adquirido; · os produtores rurais mostraram total desconhecimento acerca das pseudoatacadistas (“noteiras”) cujas notas fiscais eram usadas para guiar o café vendido. Negociavam com uma determinada pessoa (corretor/corretora, maquinista ou até mesmo a empresa adquirente) e no momento da retirada do café surgiam nomes desconhecidos de “empresas” para serem utilizados no preenchimento da nota fiscal do produtor. A partir desses fatos e da necessidade de se investigar empresas localizadas em outros estados da federação, com indícios de também se tratar de pessoas interpostas, foi criado grupo de trabalho para uma nova operação de fiscalização denominada Robusta, para, inclusive, rastrear os pagamentos efetuados pelas indústrias de forma a possibilitar a identificação dos reais beneficiários das aquisições suspeitas, tendo o auditor fiscal discorrido sobre essa operação no Termo de Verificação Fiscal: · antes da deflagração da operação Robusta, foi feita uma representação ao Delegado da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, para que solicitasse ao Ministério Público Federal local a proposição de medida judicial visando o afastamento do sigilo bancário de pessoas jurídicas inexistentes de fato, relativamente aos anoscalendário de 2005 a 2009. A partir disso, o Procurador da República requisitou a instauração de inquérito policial à Polícia Federal local. O Delegado da Polícia Federal instaurou inquérito em 27/08/2010 e, na mesma data, remeteu os autos à Justiça Federal local. Em 26/10/2010, foi deferido o pedido de afastamento do sigilo bancário nos termos da representação formulada; Fl. 37219DF CARF MF 6 · da análise dos extratos bancários verificouse uma situação peculiar: depósitos efetuados pelas indústrias e exportadoras de café, de forma identificada, para as empresas sob investigação e saídas dos recursos das contas bancárias dessas empresas logo em seguida, por meio de transferência (TED) e cheques, muitos emitidos ao próprio titular. Verificouse, como previsto, que as contas bancárias movimentadas pelas “noteiras” servem apenas de passagem dos recursos transferidos dos compradores (indústrias/exportadoras) para os vendedores de café (produtores rurais, maquinistas e cerealistas), mediante interposição fraudulenta, visando induzir a administração tributária em erro, bem como para futura alegação de boa fé. A partir disso, a fiscalização constatou que a empresa Sara Lee Cafés do Brasil Ltda. adquiriu insumos (café) das empresas Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda., CNPJ 27.568.625/000100, Fortaleza Agro Mercantil Ltda., CNPJ 05.735.193/000142 e Ind. Com. Imp. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME, CNPJ 08.011.238/000124. No que tange à empresa Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda., o autuante assim dispôs no Termo de Verificação Fiscal: · a fiscalizada adquiriu café da empresa Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda. nos anos de 2006 a 2009; · a representação fiscal lavrada na Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto, e que deu origem à Operação Robusta, informa que a empresa Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda. é inexistente de fato. Essa representação detalhou modus operandi das empresas comerciais atacadistas inexistentes (“noteiras”): a. funcionam como agente de intermediação na compra e venda de café entre os produtores rurais e os destinatários finais do grão, ou seja, torrefadores, indústrias, exportadores, etc.; b. por essa intermediação retinham em seu proveito quantia financeira que variava entre R$ 0,15 a R$ 0,30 + CPMF por saca de café operada. c. em alguns casos, o destinatário final entrava em contato com as “noteiras” informando sobre a necessidade de um determinado número de sacas de café, especificando a qualidade, quantidade, tipo de embalagem, preço ofertado por saca, prazo de pagamento, etc. De posse dessa informação, as “noteiras” localizavam produtores interessados na venda do produto; d. a “noteira” exigia do produtor que guiasse o produto com nota de produtor para si. Então, recebendo a nota fiscal do produtor, liberava para este o valor da venda, emitindo, em seguida, uma nota fiscal de venda para a compradora, Fl. 37220DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201283 Acórdão n.º 3201003.038 S3C2T1 Fl. 37.218 7 retendo em seu favor apenas a parte que lhe cabia (R$ 0,15 a R$ 0,30 por saca); d. em alguns casos, as “noteiras” funcionavam como intermediárias financeiras, ou seja, recebiam a encomenda do comprador, localizavam o vendedor e no fechamento do negócio somente operavam o dinheiro. Recebiam o recurso do comprador e repassavam o dinheiro ao vendedor, sendo que o comprador podia informar outra empresa, que não as “noteiras”, para receber a nota fiscal do produtor e, assim, emitir a nota fiscal de viagem/venda; f. em outro casos, as “noteiras” nem mesmo procuravam o vendedor/produtor, pois o comprador (seja indústria, exportador ou corretora), depois de fazer a negociação com o produtor ou com a corretora de mercado futuro, apenas informava a noteira que iria precisar de seus serviços, quais sejam receber a nota do produtor, receber o dinheiro, pagar o produtor e emitir a nota fiscal de venda/viagem. · a empresa Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda. entregou as DIPJs relativas aos anoscalendário de 2005 a 2006, mas não declarou nenhuma receita (valores iguais a “zero”). Não apresentou a DIPJ relativa ao anocalendário de 2007 (omissa). Não obstante sua movimentação financeira do mesmo período foi superior a cento e oitenta e cinco milhões de reais. Digase que essa é uma situação típica das empresas inexistentes de fato que foram investigadas. Verificouse também que, apesar de essa empresa ter apresentado DCTFs referentes aos anoscalendário de 2005 a 2007, nenhum débito foi nelas informado. Além disso, nos anoscalendário de 2005 a 2007 praticamente não houve recolhimento de tributos federais, apesar da movimentação financeira milionária da empresa. Apresentou, ainda, em 2009 DIPJ como inativa. Portanto, restou devidamente comprovado que a empresa Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda. não tinha condições patrimoniais necessárias ao funcionamento como atacadista de café; · diversos corretores confirmaram que utilizaram a Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda. para “guiar” o café adquirido pelas indústrias e exportadores dos produtores rurais e maquinistas. Também ficou evidenciado que as contas bancárias dessa empresa eram de passagem, ou seja, recebiam os recursos enviados pelos compradores e repassavam aos produtores rurais e maquinistas. Concluise, pois, que essa empresa foi utilizada apenas para emissão de notas fiscais a fim de dar cobertura ao esquema fraudulento de criação de créditos relativos às contribuições PIS/Pasep e Cofins não cumulativas. Fl. 37221DF CARF MF 8 A seguir, no Termo de Verificação Fiscal, o autuante cita trechos de algumas declarações prestadas na operação Tempo de Colheita, que serviram de base para a demonstração da inexistência de fato das pessoas jurídicas “noteiras”, especificamente da Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda., bem como do esquema fraudulento implementado com o objetivo de aumentar, indevidamente, o crédito apurado sobre as aquisições de café. O autuante também constatou, analisando os extratos bancários da Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda. obtidos mediante Requisição de Movimentação Financeira realizada pela Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto, do Bradesco, agência 3511, contacorrente 2658, que em diversas ocasiões após o recebimento de pagamento da empresa Sara Lee Cafés do Brasil Ltda. aquela “noteira” realizou depósitos a pessoas físicas citadas como produtoras de café no relatório da investigação. O auditor fiscal transcreve, então, parte desses extratos no Termo de Verificação Fiscal. Por essas razões, o autuante concluiu que os créditos das contribuições PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas deviam ser glosados, e considerados como créditos presumidos referentes a apenas 3,237 %, o que a impossibilitava de se ressarcir ou compensar saldos desses créditos. Quanto à empresa Ind. Com. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME, o auditor fiscal assim se reportou no Termo de Verificação Fiscal: · a Polícia Federal de Porto Velho – RO realizou diligência no endereço da Ind. Com. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME, em Ariquemes – RO, tendo assim se pronunciado: No momento que chegamos ao endereço foi possível observar que existia no interior do galpão apenas alguns equipamentos (aparentemente de panificação) armazenados e uma sala ao fundo com um funcionário que informou que naquele local “mexia com nota fiscal”, embora não tivesse nenhuma identificação que ali existisse a empresa GALES foi observado que no interior do galpão, próximo à porta de entrada existe uma placa indicativa da referida empresa, conforme fotografia abaixo. · a Ind. Com. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME apresentou declaração de inativa relativamente ao anocalendário de 2006. Com relação aos anoscalendário de 2007 e 2009, apresentou DIPJ com opção pelo lucro presumido, porém, não declarou nenhuma receita, pois os valores declarados são todos iguais a “zero”. Além disso, essas declarações só foram apresentadas em junho e julho de 2010. Entretanto, no período de 2007/2009, teve uma movimentação financeira de R$ 43.680.858,19. Fl. 37222DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201283 Acórdão n.º 3201003.038 S3C2T1 Fl. 37.219 9 · o objeto social da Ind. Com. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME é “beneficiamento de arroz”. Outro detalhe que merece destaque é a informação do funcionário encontrado no galpão dessa empresa, que afirma que naquele local se mexia com nota fiscal, o que é uma prova inequívoca que se trata de uma empresa aberta com o único objetivo de fornecer notas ficais para acobertar operação de terceiros; · a Ind. Com. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME segue o mesmo modus operandi da empresa Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda.: fornece a nota fiscal e empresta a conta bancária para que as indústrias e exportadoras possam efetuar o depósito dos valores relativos às compras de café e, assim, alegar à Receita Federal que adquiriram esse produto de boa fé; · a Srª. Amélia Alves, apesar de ter sido incluída no quadro societário da Ind. Com. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME somente em maio de 2010, já a administrava desde 2007, ano em que essa empresa entrou no esquema fraudulento. O patrimônio dessa sócia não condiz com a movimentação financeira milionária da empresa; · o fato de que a Srª. Amélia Alves comandava a Ind. Com. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME desde 2007 ficou evidente também nas declarações prestadas pelo corretor Claudinei Silvestre, de Maringá: Também comprava café por intermédio da Srª. Amélia, cujo produto vinha acompanhado de nota fiscal da empresa “Galés”, localizada no município de Ariquemes/RO. Esclarece que o produto (café) era armazenado em armazéns gerais, sendo que o declarante se lembra de dois deles: JODAN, de propriedade dos irmãos José e Daniel, localizado no município de Rolim de Moura, e TUCUMÃ, localizado em Ariquemes. Com relação ao armazém geral denominado “Tucumã”, afirma que a Srª. Amélia trabalhava lá, já que o declarante, quando precisava falar com ela, ligava na “Tucumã”. · além da informação do corretor Claudinei Silvestre, no sentido de que a Srª. Amélia Alves trabalhava na empresa Tucumã – Agricultura e Florestal Ltda., CNPJ 02.240.481/000138, outros fatos demonstram a proximidade entre essa empresa e a Ind. Com. Exp. de Cereais Galés Ltda. – M.E. Por exemplo, as várias transferências de recursos da conta bancária desta para aquela. A empresa Tucumã foi intimada a identificar as operações que deram causa às transferências que recebeu da Galés e, em 07/07/2011, apresentou sua Fl. 37223DF CARF MF 10 resposta acompanhada de algumas notas fiscais de vendas, informando que a origem dos créditos teria sido a venda de café. Contudo, os valores e as datas constantes das notas fiscais apresentadas pela Tucumã eram totalmente diferentes daqueles dos lançamentos de créditos em sua conta bancária. Por isso, ela foi intimada novamente a apresentar documentos comprobatórios das operações, ao que respondeu se tratar os valores de adiantamentos realizados no ano de 2007, cujas remessas/entregas de café se deram no ano de 2008, e vendas recebimentos realizados nos anos de 2008 e 2009. Informou ainda que os valores recebidos dos seus clientes eram fracionados por dois motivos: as vendas eram realizadas a prazo com pagamentos em parcelas e os valores eram pagos de forma antecipada pelos seus clientes, de modo que poderiam formar capital de giro, que era utilizado para a aquisição de café diretamente dos micro e pequenos produtores rurais, até que se formassem lotes em quantidade suficiente para realizar a venda e dar saída do produto; · conforme constatado no endereço da Ind. Com. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME, ela não possuía estrutura alguma que lhe permitisse adquirir grandes quantidades de café da empresa Tucumã – Agricultura e Florestal Ltda.; · o que fica claro na resposta da Tucumã é que ela adquiria café em coco de pequenos produtores rurais, beneficiava o produto e o revendia, ou seja, nada mais seria que uma empresa maquinista que se utilizava de notas fiscais de empresa de fachada para vender café. Destaquese que o exame dos documentos apresentados por essa empresa permite concluir que a intermediação do negócio foi efetuada pelo corretor Claudinei Silvestre, o mesmo que informara que a Srª. Amélia Alves, responsável pela Galés, era o seu contato na Tucumã; · no dia 24/05/2011, a Ind. Com. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME foi intimada a apresentar vários documentos e livros contábeis, bem como diversos esclarecimentos sobre a integralização do capital da empresa, a movimentação das contas bancárias, a razão das declarações de imposto de renda terem sido entregues com todos os valores iguais a “zero” e não ter sido entregue a do anocalendário 2009. Todavia, alegando que os documentos solicitados no termo de intimação extrapolavam o descrito no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF Diligência, nada apresentou, o que não é de estranhar, porque lhe seria impossível responder à intimação sem confessar que se tratava de empresa de fachada, com o único propósito de emitir notas fiscais para acobertar operações de terceiros. Vale destacar ainda a observação do autuante de que, nesse tipo de investigação, há um complicador que é a figura do terceiro de boa fé, ou seja, o adquirente de insumos acobertados por notas Fl. 37224DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201283 Acórdão n.º 3201003.038 S3C2T1 Fl. 37.220 11 fiscais inidôneas, emitidas por pessoas jurídicas interpostas, que sempre alega que não sabia que tais empresas não existiam de fato. Isso porque a legislação tributária protege o terceiro de boa fé (cf. art. 45, § 5º, da Instrução Normativa nº 1.005, de 2010. No caso concreto, a fiscalizada foi intimada a comprovar os pagamentos relativos a aquisições feitas de empresas já suspensas pela RFB. Todos os pagamentos foram comprovados, o que, segundo o autuante, já era de se esperar, pois os contribuintes, cientes da condição de inexistência de fato das empresas, fazem, como dito, o pagamento nas contas bancárias de titularidade delas, visando, no futuro, a alegação de terceiro de boa fé. A seguir o auditor fiscal passa a fundamentar as glosas efetuadas a partir da análise dos créditos referentes ao PIS/Pasep e à Cofins não cumulativos. Com o intuito de se verificar a regularidade dos créditos de PIS/Pasep e de Cofins referentes às aquisições feitas pela autuada junto às sociedades cooperativas, o autuante afirma que estas foram intimadas a responder questões sobre: a. o enquadramento no modelo de cooperativa de produção, nos termos do art. 3º, § 1º, inciso III, da Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006, ou de agroindústria, nos termos do art. 6º, inciso II, da mesma instrução normativa; b. se adquiria produtos somente de associados ou também de terceiros (não associados) e, neste último caso, se segregava os valores em sua contabilidade/escrita fiscal; c. se, nos termos do art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, adotava o critério de excluir da base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep os valores/receitas relacionados nos incisos I a V daquele dispositivo legal. A partir da análise das respostas fornecidas, as aquisições de café realizadas puderam ser divididas em dois grupos, quais sejam as feitas junto às cooperativas de produção agropecuária e as feitas junto às cooperativas agroindustriais. Em relação ao primeiro desses grupos, prossegue o auditor fiscal no Termo de Verificação Fiscal expondo que a Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, posteriormente alterada pela Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, e pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, permitiu às empresas apurarem crédito presumido quando da compra de insumos de pessoas físicas, cerealistas e cooperativas de produção agropecuária. Enquadramse nessa hipótese, as aquisições de café feitas pela autuada junto às seguintes cooperativas: Fl. 37225DF CARF MF 12 Porém em quase a totalidade dessas aquisições, a autuada calculou crédito integral, ao invés de calcular crédito presumido, como determina a legislação. O autuante esclarece que também foram enquadradas como crédito presumido, por ser mais benéfico à fiscalizada, as aquisições feitas junto às cooperativas para as quais não foram obtidas respostas às intimações: Concluiu, então, o auditor fiscal que, em obediência ao art. 8º, § 1º, inciso III, c/c § 3º, inciso III, da Lei nº 10.925, de 2004, os créditos integrais considerados pela autuada seriam glosados e concedidos os devidos créditos presumidos (35% dos créditos integrais). Quanto ao segundo grupo, o das cooperativas agroindustriais, o autuante afirma que, de acordo com os §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, c/c § 1º, inciso II, do art. 9º do mesmo diploma legal, a suspensão das contribuições PIS/Pasep e Cofins não se aplica às vendas feitas pelas cooperativas que exercem atividade agroindustrial, não havendo, pois, que se falar em créditos presumidos. No caso, foram essas as cooperativas agroindustriais das quais a autuada adquiriu insumos (café): Dessa forma, conclui o auditor fiscal que, como as vendas não saem com suspensão e as cooperativas agroindustriais que forneceram à fiscalizada excluem da base de cálculo os valores das mercadorias adquiridas de seus associados, conforme respostas fornecidas por elas próprias, a autuada não podia se Fl. 37226DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201283 Acórdão n.º 3201003.038 S3C2T1 Fl. 37.221 13 creditar de nenhum valor a título de PIS/Pasep ou Cofins nessas aquisições. Com efeito, nos termos do § 2º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, as vendas efetuadas pelas sociedades cooperativas agroindustriais à autuada não estão sujeitas à incidência do PIS/Pasep e da Cofins e, por conseguinte, não geram direito a crédito, razão pela qual todos os créditos referentes a essas operações utilizados pela contribuinte foram glosados. No tocante aos bens incorporados ao ativo imobilizado, o art. 3º, inciso VI, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2004, permitia às empresas o aproveitamento de créditos relativos aos encargos de depreciação. Todavia, o art. 31 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2005, vedou o desconto de créditos relativo aos encargos de depreciação de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30/04/2004. O auditor fiscal apurou que a autuada utilizou desconto de créditos relativos aos encargos de depreciação relativos a bens que foram adquiridos antes de 30/04/2004, razão pela qual tais descontos foram glosados. Com relação às aquisições realizadas pela contribuinte junto a pessoas jurídicas cerealistas, que exercem atividades agropecuárias, elas deveriam ser realizadas, obrigatoriamente, com suspensão da exigibilidade das contribuições do PIS/Pasep e da Cofins, a teor do disposto na Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006. Para essas operações a autuada deveria ter apropriado crédito presumido e não crédito integral, como equivocadamente fez ao calcular as contribuições PIS/Pasep e Cofins não cumulativas, a teor do disposto no art. 8º, inciso II, da citada Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006. Segundo o autuante, tomandose emprestadas as provas obtidas na fiscalização acobertada pelo MPF 08107002010002262, que também fez parte da Operação Robusta, sabese que diversos fornecedores confirmaram que se enquadravam no conceito de cerealistas ou que exerciam atividades agropecuárias. Dentre estas empresas a fiscalizada adquiriu café das seguintes: Exportadora de Café Astolpho Ltda, CNPJ 07.764.089/000101, e Valorização Empresa de Café S.A., CNPJ 01.316.790/000262, razão pela qual os créditos apurados nas aquisições efetuadas junto a essas duas pessoas jurídicas foram considerados créditos presumidos, glosandose parcialmente os créditos indevidamente apropriados. O auditor fiscal glosou também, no cálculo das contribuições PIS/Pasep e Cofins não cumulativas, os créditos apropriados indevidamente em razão das aquisições de café de produtores rurais, maquinistas e cerealistas “guiados” com nota fiscal das empresas inexistentes de fato Miranda Com. Imp. e Exp. de Carfé Ltda. e Ind. Com. Impl. Exp. de Cereais Galés, considerando, entretanto, os créditos presumidos decorrentes dessas operações que poderiam ser abatidos. Fl. 37227DF CARF MF 14 Assim, o autuante, considerando todas as glosas de créditos feitas, recalculou as contribuições PIS/Pasep e Cofins não cumulativas devidas pela autuada, constituindo, por meio de lançamento de ofício, o crédito tributário devido em razão da insuficiência de recolhimentos/declaração. O auditor fiscal destacou que o lançamento do PIS/Pasep e da Cofins sujeitase ao art. 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, mas que, dado que a fiscalizada constituiu créditos indevidos e deixou de recolher as contribuições devidas, coube então a aplicação do art. 149, inciso VII, também do CTN, efetuandose, pois, o lançamento de ofício. E sendo de ofício o lançamento da diferença apurada, entendeu o autuante que deveria ser aplicado o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Por fim, o auditor fiscal assim fundamentou a qualificação da multa de ofício: A fiscalizada constituiu, reiteradamente, créditos integrais sobre a aquisição de café de produtores rurais e maquinistas utilizandose de notas fiscais de empresa de fachada (noteiras). A fiscalizada também constituiu, reiteradamente, créditos integrais sobre a aquisição de café de cerealistas e cooperativas de produção agropecuária, sendo conhecedora de que somente poderia constituir créditos presumidos sobre tais aquisições. Além disso, constituiu, reiteradamente, créditos integrais sobre a aquisição de café de cooperativas agroindustriais que excluíam da base de cálculo do PIS/COFINS os valores das mercadorias adquiridas de seus associados, sendo conhecedora de que não poderia constituir quaisquer créditos sobre tais aquisições. Friso que a prática reiterada de constituição de créditos indevidos ultrapassa as fronteira de mero erro de apuração. Os créditos permitidos estão delimitados nos artigos 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, exclusivamente. Cabe destacar que por se tratarem de normas que implicam desoneração tributária (redução da contribuição devida), não se pode dar a elas interpretação extensiva, consoante regra de hermenêutica consagrada no art. 111 da Lei nº 5.172/66 – Código Tributário Nacional (CTN). Portanto, não há suporte legal específico para a constituição dos créditos irregulares, os quais foram glosados pela fiscalização neste procedimento. Portanto, restou flagrantemente caracterizado o evidente intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal, fato suficiente para justificar a exasperação da penalidade na forma prevista no citado art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996 (...). (...) Fl. 37228DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201283 Acórdão n.º 3201003.038 S3C2T1 Fl. 37.222 15 Ressaltese que qualquer conduta irregular do sujeito passivo estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 30 de novembro de 1964. Portanto, é irrelevante distinguir se a conduta fraudulenta se configurou em sonegação, fraude ou conluio, bastando apenas que a conduta irregular se enquadre em qualquer um dos tipos infracionais definidos na citada lei. O autuante informa ainda que, nos termos do art. 1º da Portaria RFB nº 2.439, de 21/12/2010, formalizou representação fiscal para fins penais, em razão de ter considerado a presença, em tese, de crime contra a ordem tributária, com a reiterada inserção de elementos indevidos na apuração de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, ressalvando que essa representação deverá permanecer no âmbito da RFB até decisão final na esfera administrativa sobre a exigência fiscal do crédito tributário. Cientificada do auto de infração em 31/08/2012 (fl. 35797), a contribuinte apresentou impugnação em 28/09/2012 (fls. 35829/35906), na qual, após dizer da tempestividade de sua contestação, alega que: · adota uma política uniforme para cadastro de fornecedores e para compra dos produtos utilizados em sua atividade. Para se certificar da idoneidade e da regularidade fiscal de seus fornecedores, implementou a “Política de Cadastro de Fornecedores”, de 06/07/2004, cujas regras determinam os procedimentos a serem adotados para a certificação da austeridade do fornecedor. Somente após as verificações, o fornecedor é habilitado para vender à impugnante. Tão rígido é o controle que a emissão do “Pedido de Compra” somente é autorizada a funcionários previamente habilitados e apenas em relação a fornecedores previamente cadastros; · todos os pagamentos decorrentes de aquisição de café são realizados via boleto, cheques ou transferências bancárias diretamente aos fornecedores e nas contas previamente indicadas por eles e somente após verificado que a conta corrente indicada é de fato de titularidade do fornecedor. Jamais os pagamentos são feitos a terceiros indicados pelos fornecedores ou a qualquer outra pessoa jurídica ou física que não seja o próprio fornecedor; · os produtos adquiridos segundo essa política da empresa são entregues sob condição CIF, ou seja, o transporte e a entrega são de responsabilidade do fornecedor, de forma que os produtos (café) adquiridos são todos entregues no estabelecimento da impugnante; Fl. 37229DF CARF MF 16 · em nenhum momento há a comprovação de que a autuada participou das fraudes relatadas pela autoridade fiscal. Digase “relatada” porque no Termo de Verificação Fiscal o autuante simplesmente descreve o que seria parte do inquérito da Polícia Federal (operações “Tempo de Colheita” e “Robusta”) a que, aliás a contribuinte não teve acesso; · não pode ter lavrado contra si um auto de infração de tamanho porte e monta como o presente, simplesmente porque a autoridade fiscal concluiu, com base em presunção, que houve a participação da impugnante, que não era – e não é – parte do rol das empresas investigadas pela Polícia Federal. Foi intimada pela Polícia Federal a apresentar os pagamentos realizados a duas empresas que estavam sob investigação, o que foi devidamente cumprido. Entretanto, o fato de ter realizado pagamento a essas empresas – apenas duas do rol de cinquenta investigadas –, que eram seus fornecedores, não autoriza a acusação de ser participante da fraude investigada, reputandolhe todos os efeitos fiscais e, o que é pior, sem nenhuma prova cabal; · a situação é tão esdrúxula que o auditor fiscal não só aplicou a multa qualificada, como também a estendeu à totalidade das supostas infrações que teriam sido cometidas. Ora, não há como admitir que a questão relativa a créditos sobre depreciação de bens do ativo possa ser considerada fraude e muito menos que possa estar relacionada às operações investigadas pela Polícia Federal. Além da questão envolvendo fornecedores supostamente inidôneos, o autuante fundamenta o auto de infração em outras questões que dizem respeito somente à interpretação da legislação fiscal aplicável, sendo que, de modo algum isso poderia ensejar a aplicação de multa qualificada. Isso só demonstra que a autoridade fiscal simplesmente ignorou os princípios básicos previstos na Constituição Federal e que norteiam o Direito Tributário, como a ampla defesa, tipicidade, ônus da prova, entre outros; · sempre foi séria, diligente e transparente nos seus negócios, cumprindo sua obrigação de checar a regularidade dos fornecedores nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, mas não lhe cabe exercer o poder de polícia, chegando às raias de investigar a existência de fato de seus fornecedores, obrigação que é da autoridade fiscal e, dependendo do caso, da Polícia Federal; · o lançamento de ofício é insubsistente, pois decorreu de possíveis irregularidades envolvendo seus fornecedores que não guardam relação com a autuada. As infrações de natureza tributária não podem ser baseadas simplesmente em presunções ou indícios, devendo os fatos e o nexo de causalidade entre a infração imputada e a conduta do sujeito passivo ser cabalmente Fl. 37230DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201283 Acórdão n.º 3201003.038 S3C2T1 Fl. 37.223 17 demonstrados e comprovados, assegurando ao sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa, o que não ocorreu no presente caso; · a presunção criada pelo auditor fiscal afronta diretamente os princípios da legalidade, do contraditório e da ampla defesa assegurados pela Constituição Federal, bem como pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e pelo art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que rege de forma subsidiária o procedimento administrativo em âmbito federal; · não obstante o fato de não ter sido parte das investigações mencionadas pelo autuante, em nenhum momento teve acesso ao inquérito policial nº 000659474.2010.403.6106, uma vez que referido procedimento de investigação tramita sob segredo de justiça; · caracterizado o nítido cerceamento do direito de defesa, o auto de infração deve ser integralmente cancelado; · se levado em conta o entendimento consubstanciado no Termo de Verificação Fiscal, notase que, apesar de não ter havido formalmente a desconsideração da personalidade jurídica das empresas atacadistas que forneciam os insumos à autuada, em termos práticos foi exatamente isso o que aconteceu, na medida em que a contribuinte foi equiparada a sociedade adquirente de produtos comercializados por empresas cerealistas ou que desenvolviam atividades agropecuárias, e não por empresas atacadistas, como de fato elas eram. No entanto, a desconsideração da personalidade jurídica é medida extrema que só pode ser autorizada quando verificada uma das hipóteses previstas nos seguintes dispositivos: art. 28 da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa do Consumidor); arts. 117 e 118 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (Lei das Sociedades Anônimas); art. 18 da Lei nº 8.884, de 11 de junho de 1994 (Lei Antitruste); e art. 50 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil). Todos esses dispositivos têm por base a má administração da sociedade, questão que sequer foi discutida no presente caso. Assim, não há nenhum elemento que possa justificar a desconsideração da personalidade jurídica dos fornecedores da autuada, não podendo se ignorar o fato de eles serem empresas comerciais atacadistas, e não empresas cerealistas ou que desenvolviam atividades agropecuárias, como pretende o auditor fiscal. Ademais, a desconsideração da personalidade jurídica extrapolaria a própria competência da autoridade fiscal, já que, de acordo com os dispositivos acima citados, essa prerrogativa caberia tãosomente à autoridade judicial; Fl. 37231DF CARF MF 18 · considerando que, de acordo com o disposto no art. 1º, caput, da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 1º, caput, da Lei nº 10.833, de 2003, os fatos geradores do PIS/Pasep e da Cofins são mensais, a exigência relativa aos fatos geradores ocorridos até agosto/2007 já se encontra fulminada pela decadência, em conformidade com o § 4º do art. 150 do CTN. A autoridade fiscal, contudo, acusou a contribuinte de ter agido de forma fraudulenta e, com base nessa frágil premissa, alegou que o prazo decadencial aplicável seria o do art. 173, inciso I, do CTN, o que não pode prosperar, já que não ocorreu, como dito, a comprovação de dolo, fraude ou simulação. Desse modo, o auto de infração lavrado em 29/08/2012 não poderia exigir valores anteriores a agosto de 2007; · nos termos do § 1º, inciso I e II, do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, a suspensão do PIS/Pasep e da Cofins prevista no caput desse artigo não se aplica para as vendas de café (código NCM 0901) realizadas por pessoas jurídicas que, cumulativamente, padronizem, beneficiem, preparem e misturem tipos de café. A esse respeito, cabe destacar que as atividades para as quais a suspensão não ocorre são, em síntese, aquelas que o art. 165, § 1º, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/2009, c/c o inciso III do mesmo dispositivo define como atividades agroindustriais. Dessa forma, uma vez caracterizada a pessoa jurídica como agroindustrial, a suspensão prevista pelo art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, deixa de ser aplicável, independentemente de o fornecedor ser eventualmente considerado como cerealista ou explorador de atividades agropecuárias em seus documentos societários; · os créditos presumidos de PIS/Pasep e de Cofins previstos pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, somente devem ser apurados quando houver aquisição de café in natura junto às seguintes pessoas jurídicas: cerealistas, pessoas jurídicas que exercessem atividades agropecuárias e cooperativas de produção agropecuária; · nas aquisições de café que tenha sido beneficiado (não se encontrando, portanto, em estado in natura) ou que proceda de pessoas jurídicas agroindustriais, não se aplicam nem os créditos presumidos de PIS/Pasep e de Cofins, nem a suspensão dessas contribuições; · a autoridade fiscal equivocadamente adotou a premissa de que, tratandose de vendas de café realizadas por cooperativas ou por pessoas jurídicas supostamente agropecuárias, aplicarseia automaticamente a suspensão e o crédito presumido previstos nos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004. No entanto, a glosa feita pelo autuante não merece prosperar porque não corresponde ao que efetivamente determinam esses dispositivos legais; Fl. 37232DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201283 Acórdão n.º 3201003.038 S3C2T1 Fl. 37.224 19 · o autuante acusa a autuada de registrar indevidamente créditos de PIS/Pasep e de Cofins na aquisição de café cru de diversas cooperativas (em seu entender, agropecuárias) e empresas por ele consideradas como cerealistas ou que exerçam atividades agropecuárias. Ocorre que a contribuinte: (i) não adquiriu café in natura desses fornecedores; (ii) de acordo com as informações prestadas pelos seus próprios fornecedores, não adquiriu produtos junto às pessoas jurídicas referidas pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004; e (iii) o registro dos créditos se deu com base em informações prestadas pelos próprios fornecedores nas notas fiscais que foram emitidas em cada uma das aquisições e em decorrência da sistemática nãocumulativa prevista na legislação; · o café adquirido pela autuada não se encontrava no estado in natura. Com efeito, a contribuinte adquire café cru de seus fornecedores, o que não se confunde com o café in natura, ao qual se reporta o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Um produto considerado in natura é aquele que se encontra da mesma forma como na natureza, ou seja, sem passar por nenhum processo de transformação, processamento ou alteração de suas propriedades organolépticas. Especificamente para os casos de produtos alimentícios, o art. 2º do DecretoLei nº 986, de 21 de outubro de 1969, que institui normas básicas sobre alimentos, define alimento in natura como todo alimento de origem vegetal ou animal, para cujo consumo imediato se exija apenas, a remoção da parte não comestível e os tratamentos indicados para a sua perfeita higienização e conservação. Por sua vez, segundo o disposto na Resolução CNNPA nº 12, de 24 de julho de 1978, o café cru, produto adquiridos pela contribuinte nas operações comerciais questionadas pelo auditor fiscal, é definido como a semente beneficiada do fruto maduro de diversas espécies de café. Já beneficiamento é definido pelo art. 4º do inciso II, do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 (Ripi/10), como o processo que caracteriza industrialização, por meio do qual haja a modificação, aperfeiçoamento ou, de qualquer forma, a alteração do funcionamento, da utilização, do acabamento ou da aparência do produto. Portanto, a própria legislação define o café cru como um produto beneficiado, de tal modo que o primeiro dos requisitos previstos pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, para ensejar a aplicação de créditos presumidos (aquisição de café in natura) não se verifica no presente caso; · a autuada não adquiriu produtos das pessoas jurídicas a que se reportam os arts. 8º e 9º da Lei nº 10.924, de 2004, mas sim de pessoas jurídicas que exercem atividades agroindustriais e que, por conseguinte, não estão sujeitos à aplicação da suspensão do PIS/Pasep e Fl. 37233DF CARF MF 20 da Cofins e, por isso, não ensejam a aplicação dos créditos presumidos; · seus fornecedores não se enquadram em nenhuma das classificações definidas pelo § 1º do art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 660, de 17 de julho de 2006, uma vez que: (i) não são cerealistas, por não vender produtos in natura, como explicado no item anterior; (ii) não exercem atividades agropecuárias, segundo definição contida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e/ou (iii) no caso de cooperativas, não comercializam produtos de seus associados, mas de sua própria titularidade. Para demonstrar essa situação, a impugnante colacionou ao presente processo administrativo cópias do CNPJ e do cadastro no Sintegra das pessoas jurídicas indicadas pelo autuante no Termo de Verificação Fiscal. Além disso certificouse junto a cada um dos fornecedores sua respectiva natureza jurídica, a fim de assegurar que estava adotando o procedimento correto. O resultado dessa certificação está consubstanciado em questionários encaminhados pelos próprios fornecedores à autuada, nos quais lhes eram requisitadas as seguintes informações: (1) A sua empresa se enquadra nas atividades de padronização, beneficiamento, preparo e mistura de tipos de café para definição de aroma e sabor ou a atividade de separar café por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial? (2) A sua empresa é beneficiária de algum regime especial de tributação ou suspensão de impostos previstos na Lei 10.924/04? I – Caso seja beneficiada da suspensão do PIS e da Cofins em suas notas fiscais deverão obrigatoriamente: a) ser abatidos no valor total o montante relativo a PIS/Cofins; b) mencionar a seguinte mensagem no corpo da nota fiscal: “Saída com suspensão do PIS/Cofins nos termos do art. 9º da Lei 10.925/2004, com alteração da Lei 11.051/2004” II – Caso não seja beneficiária da suspensão do PIS/Cofins deverá constar no corpo da nota fiscal os seguintes termos: “Saída sem suspensão do PIS e Cofins nos termos do artigo 9º da Lei 10.925/2004, com alteração da Lei 11.051/2004” (3) A sua empresa está cadastrada na Receita Federal como cerealista ou pessoa jurídica de atividade agropecuária? Fl. 37234DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201283 Acórdão n.º 3201003.038 S3C2T1 Fl. 37.225 21 (4) A sua empresa é uma cooperativa de produção agropecuária? Em caso positivo enviarnos carta informando esta condição para que não efetuemos as retenções de IR e CSLL nos termos da MP 232/2004, a partir dos pagamentos de 01/03/2005. (5) O café que está sendo adquirido é de titularidade da cooperativa ou de algum cooperado? Caso seja de cooperado mencionar os dados do mesmo na nota fiscal. (6) A empresa propôs alguma medida judicial em relação à Lei 11.051/2004 ou da Medida Provisória 232/04? Em caso positivo anexar a cada fornecimento a certidão de objeto e pé referente à ação proposta. · além da compilação e dos documentos pertinentes aos questionários respondidos pelos fornecedores, cujas perguntas foram acima transcritas, anexaramse ainda aos autos Estatutos Sociais disponibilizados por alguns fornecedores, os quais confirmam as informações prestadas, bem como a correção dos procedimentos adotados; · o autuante precipitouse ao equiparar os fornecedores da autuada às pessoas sujeitas ao regime especial instituído pela Lei nº 10.925, de 2004, pois na verdade tratase de cooperativas ou de pessoas jurídicas que exploram atividades de natureza agroindustrial, que, conforme reconhecido expressamente pela própria Receita Federal do Brasil, não se sujeitam às regras dos arts. 8º e 9º da referida lei; · apenas o fato de o procedimento adotado pela contribuinte estar devidamente embasado em respostas dadas por escrito pelos seus fornecedores já seria suficiente para eximila de qualquer responsabilidade pelo suposto registro indevido dos créditos de PIS/Pasep e de Cofins decorrentes de produtos adquiridos junto a essas pessoas jurídicas; · todos os documentos que a contribuinte recebeu de seus fornecedores (notas fiscais) continham a seguinte informação no campo “Informações Complementares”: Saída sem suspensão de PIS e COFINS nos termos do art. 9º da Lei 10925/04, com alteração da Lei 11051/04. Para comprovar essa situação, apresenta notas fiscais emitidas por fornecedores referidos pelo autuante, que demonstram de forma cabal e irrefutável não ter ocorrido a aplicação da sistemática prevista pela Lei nº 10.925, de 2004, nas operações de venda de café cru; Fl. 37235DF CARF MF 22 · a glosa feita pelo auditor fiscal em razão de seus fornecedores (cooperativas agroindustriais) terem excluído de suas respectivas bases de cálculo de PIS/Pasep e de Cofins valores supostamente repassados a seus cooperados se deu por um equívoco na interpretação do disposto no art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Conforme determina expressamente esses dispositivos, apenas as seguintes situações não ensejam o direito aos créditos: (i) isenção; (ii) sujeição à alíquota zero; ou (iii) não incidência das contribuições. Nenhuma dessas situações, entretanto, se aplica ao presente caso. Ademais, a partir das informações prestadas pelos fornecedores, ainda que tivesse havido o referido repasse aos cooperados, é de se notar que a autuada não teria como saber dessas ocorrências, já que não há informações a respeito nas notas fiscais e essa questão diria respeito exclusivamente à relação jurídica entre cada fornecedor e seus cooperados, de modo que, eventual ausência de pagamento do PIS/Pasep e da Cofins pelas cooperativas agroindustriais ou pelas pessoas para quem essas cooperativas repassem os valores recebidos, deveria implicar a cobrança dessas pessoas, e não da impugnante, que agiu de forma diligente e em observância ao disposto na legislação fiscal aplicável; · antes mesmo das limitações impostas pelo art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, as Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, expressamente autorizavam a tomada de créditos sobre encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. A referida alteração normativa, portanto, ofendeu a diversos princípios constitucionais de Direito Tributário, em especial o da irretroatividade da lei tributária, o da segurança jurídica, o do direito adquirido e o da nãosurpresa. · E não se diga que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento não poderia examinar ofensas a princípios gerais de Direito Tributário embasados em normas constitucionais, pois, conforme já decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão CSRF/0103.620, é dever dos órgãos julgadores na esfera administrativa assegurar ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa, analisando e avaliando a aplicação de norma que implique a violação de princípios constitucionais estabelecidos na Lei Maior; · a exigência referente à glosa de créditos decorrentes de transações comerciais com as empresas Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda e Ind. Com. Imp. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME não merece prosperar porque a contribuinte agiu de boa fé e diligentemente no desenvolvimento de seus negócios com essas empresas, de forma que não cabe lhe ser transferido o ônus de tributos eventualmente não recolhidos por elas. Além Fl. 37236DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201283 Acórdão n.º 3201003.038 S3C2T1 Fl. 37.226 23 disso, a diligência e a boa fé das empresas adquirentes de mercadorias são fatores decisivos para lhes reconhecer o direito ao crédito de PIS/Pasep e de Cofins apurados em observância ao princípio da não cumulatividade. · Citase jurisprudência tanto do Carf, como do Superior Tribunal de Justiça; · • o parágrafo único do art. 82 da Lei nº 9.430, de 1996, e o § 5º do art. 43 da Instrução Normativa RFB nº 1.183, de 19 de agosto de 2011, expressamente asseguram a possibilidade de manutenção de créditos de documentos considerados posteriormente inidôneos quando resta demonstrada a boa fé do contribuinte (terceiro interessado); · não se pode pretender descaracterizar a diligência e o dever de boa fé da impugnante, como pretendeu fazer o autuante no Termo de Verificação Fiscal, pois o dever de boa fé se manifesta principalmente por meio do cumprimento de deveres de prestação de informações, que, em última análise, levam as partes à confiança mútua e, consequentemente, à materialidade da regulação jurídica: · em relação à empresa Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda, apresenta em anexo cópias dos seguintes documentos: comprovante de inscrição e de situação cadastral perante o CNPJ, no qual sua situação conta como “ativa”; Cartão de Recepção dos Padrões Globais para Fornecedores, entregue a essa empresa pela autuada em 22/02/2006, assim como em 23/01/2007; questionário enviado pela impugnante no qual aquela empresa afirma expressamente que não é beneficiária de nenhum regime especial de tributação ou suspensão de impostos previstos na Lei nº 10.925, de 2004, nem é cadastrada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil como cerealista, pessoa jurídica de atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária; · em relação à empresa Ind. Com. Imp. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME, apresenta em anexo cópias dos seguintes documentos: comprovante de inscrição e de situação cadastral perante o CNPJ e o Sintegra, nos quais sua situação consta, respectivamente, como “ativa” e “habilitada; Certidão Conjunta Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e à Fl. 37237DF CARF MF 24 Dívida Ativa da União e Certidão Negativa de Débitos Estaduais em nome da Galés; folha de cheque emitida em nome da Galés, que demonstra que essa sociedade mantinha conta junto a instituição financeira devidamente autorizada a operar no país pelo Banco Central do Brasil; Cartão de Recepção dos Padrões Globais para Fornecedores, entregue a essa empresa pela autuada; questionário enviado pela impugnante no qual aquela empresa afirma expressamente que não é beneficiária de nenhum regime especial de tributação ou suspensão de impostos previstos na Lei nº 10.925, de 2004, nem é cadastrada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil como pessoa jurídica de atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária; · dos documentos referentes às empresas cujas cópias Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda e Ind. Com. Imp. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME, vale notar que no Cartão de Recepção dos Padrões Globais para Fornecedores a autuada deixa claro, dentre outros deveres, que os fornecedores não ocultarão, não deixarão de registrar informações, nem registrarão entradas falsas. Todos os livros, registros e contas financeiras devem refletir de maneira precisa operações, pagamentos e acontecimentos e estar em conformidade com os princípios de contabilidade geral e com os controles internos apropriados; · cabe ressaltar que a própria RFB já se manifestou em Processo de Consulta (nº 97/03 da 7ª Região Fiscal, de 15/04/2003), no sentido de que a declaração prestada por uma das partes exime a outra de responsabilidade pela veracidade e cumprimento do declarado; · o dever da fiscalização e o poder de polícia são prerrogativas exclusivas das autoridades fiscais, e não da contribuinte. Não cabe à autuada investigar a real situação fática de seus fornecedores. A contribuinte, por se tratar de uma grande empresa atacadista, adquire diariamente mercadorias de uma quantidade bastante pulverizada de fornecedores, e seria, no mínimo, inviável investigar a regularidade fiscal de todos esses fornecedores a todo momento. Desse modo, a impugnante não poderia ser responsabilizada por fato que desconhecia e que a lei não lhe exigia conhecer; · há entendimento consolidado tanto na esfera administrativa (CSRF), quando na esfera judicial (STJ), no sentido de que cabe às autoridades fiscais punir empresas em situação irregular, e não os contribuintes que com elas transacionaram, não tendo os contribuintes o poder de polícia atribuído àquelas autoridades, nem a Fl. 37238DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201283 Acórdão n.º 3201003.038 S3C2T1 Fl. 37.227 25 obrigação legal de fiscalizar os atos e comportamentos de seus parceiros comerciais; · em razão da própria política de compras da autuada, os produtos por ela adquiridos são sempre entregues por seus fornecedores em seus estabelecimentos próprios, localizados no Estado de São Paulo, de modo que sequer chega a tomar conhecimento ou a se responsabilizar pelo caminho feito pelos transportadores respectivos ou por eventuais irregularidade ocorridas no percurso. Isso pode ser comprovado por meio das Confirmações de Pedido emitidas pelas empresas Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda e Ind. Com. Imp. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME, anexadas aos autos, que confirmam o fato de as mercadorias serem embarcadas nos Estados do Espírito Santo e de Rondônia, respectivamente, para serem sempre descarregadas nos estabelecimentos da impugnante no Estado de São Paulo. Esse fato corrobora a completa ausência de relação entre as acusações feitas pelo auditor fiscal e o que efetivamente ocorre no presente caso; · de acordo com o disposto no art. 80 da Lei nº 9.430, de 1996, e nos arts. 29 e 30 da Instrução Normativa RFB nº 1.181, de 2011, para que a contribuinte estivesse legalmente vedada a aproveitar os créditos de PIS/Pasep e de Cofins decorrentes da aquisição de insumos junto à Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda e à Ind. Com. Imp. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME, a autoridade fiscal deveria ter realizado a série de procedimentos para declarar tais empresas inaptas perante o CNPJ. Com efeito, nos termos do art. 43 da citada instrução normativa, a vedação ao creditamento somente procede com a declaração de inaptidão da pessoa jurídica perante o CNPJ, o que não ocorreu no presente caso. A esse respeito o Carf em diversas oportunidades já reconheceu que não procede a glosa de créditos decorrentes de notas fiscais supostamente inidôneas sem que haja expressa manifestação da autoridade fiscal a respeito da inaptidão do fornecedor antes da celebração do negócio jurídico. Se essas empresas estão regulares perante o CNPJ, não caberia à contribuinte suspeitar de sua idoneidade, que, vale notar, somente foi aventada pela Polícia Federal, operação esta que tramita sob segredo de justiça e, logo, não lhe permite acesso. Ademais, os documentos fiscais que diziam respeito às operações ora questionada gozavam de presunção de veracidade e, portanto, propiciavam o creditamento; · o parágrafo único do art. 82 da Lei nº 9.430, de 2006, e o § 5º do art. 43 da Instrução Normativa RFB nº 1.183, de 2011, expressamente asseguram a possibilidade de manutenção de créditos de documentos considerados posteriormente inidôneos quando as operações tenham efetivamente ocorrido. No caso, como demonstram os Fl. 37239DF CARF MF 26 documentos anexados aos autos e que já haviam sido apresentados ao longo do procedimento de fiscalização, as operações de aquisição de insumos junto à Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda e à Ind. Com. Imp.Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME efetivamente ocorreram, tendo sido devidamente efetuados os pagamentos pelas mercadorias, diretamente nas contas bancárias indicadas por elas, ensejando assim o direito aos créditos de PIS/Pasep e de Cofins. Citase jurisprudência administrativa. Dessa forma, essas operações, por serem efetivas e realizadas entre partes independentes e não relacionadas, não poderiam de modo algum serem desconsideradas pelo auditor fiscal tãosomente pelo fato de terem sido alvo de investigações da Polícia Federal, das quais a impugnante sequer faz parte e às quais não pode ter acesso; · ainda que as empresas Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda e Ind. Com. Imp. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME fossem de fato consideradas inidôneas (o que, conforme mencionado, não ocorreu até o presente momento), a legislação fiscal aplicável determina que, tendo a autoridade fiscal identificado os responsáveis pelas infrações mencionadas ao longo do Termo de Verificação Fiscal, é imperativo que as contribuições potencialmente devidas sejam exigidas dessas sociedades, que são efetivamente as empresas infratoras. Isso porque, se tratando de dolo, a responsabilidade é subjetiva, pessoal do agente, a teor do disposto no art. 137 do CTN. A corroborar esse entendimento, ressaltese que, no Termo de Verificação Fiscal, o autuante não afirma em nenhum momento que a autuada teria participado dos atos que foram investigados no contexto das operações Tempo de Colheita e Robusta, e tampouco apresenta provas contundentes e convincentes a respeito da participação da impugnante. Além disso, a impugnante não contribuiu para o comportamento supostamente malicioso dessas empresas e em nenhum momento demonstrou intenção de sonegar impostos ou fraudar o Fisco. Portanto, não tendo participado da prática de nenhuma irregularidade, não pode ser responsabilizada por eventual fraude praticada por outrem; · em nenhum momento o auditor fiscal questionou a efetiva utilização dos bens adquiridos pela autuada em seu processo produtivo, ou seja, não colocou em dúvida o fato de que as mercadorias adquiridas são efetivamente empregadas nas suas atividades. Logo, considerando a própria sistemática não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins (art. 3 º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003), os valores creditados são legítimos, pois, apurados em conformidade com a legislação vigente; · no presente caso, todas as operações efetuadas pela contribuinte estavam devidamente escrituradas em sua contabilidade, nos exatos termos prescritos pela Fl. 37240DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201283 Acórdão n.º 3201003.038 S3C2T1 Fl. 37.228 27 legislação em vigor, o que faz prova a seu favor, a teor do disposto nos arts. 923 e 924 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Por isso, o auditor fiscal deveria ter considerado a contabilidade e os documentos apresentados ao longo da fiscalização, bem como suas operações, tal como elas efetivamente ocorreram, o que levaria à conclusão de que os créditos registrados são válidos e legítimos, de modo que não subsistiriam as glosas pretendidas; · a multa qualificada de cento e cinquenta por cento não poderia ter sido aplicada, pois não ocorreu conduta simulada, dolosa ou fraudulenta por parte da autuada. Ademais, não há nenhum nexo de causalidade imputável à impugnante que justifique a aplicação da multa qualificada; · o autuante aplicou multa qualificada sobre a totalidade das infrações imputadas, quando tal qualificação, no seu entender, decorreu tãosomente da suposta prática de fraude no aproveitamento de créditos relacionados à aquisição de insumos junto a empresas investigadas no contexto das operações Tempo de Colheita e Robusta. Em outras palavras, em razão de uma infração cujo valor não passa de 3,5 % do total questionado no presente lançamento de ofício, o auditor fiscal aplicou a severa multa qualificada sobre o total dos valores exigidos. Para os itens que não dizem respeito à investigação feita nessas operações, o autuante em nenhum momento alega ter ocorrido sonegação, fraude ou conluio, requisitos indispensáveis para a qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, razão pela qual, para esses itens, a qualificação da multa deve ser prontamente afastada, dada a total ausência de fundamentação fática e jurídica; · com relação às aquisições de insumos junto a empresas investigadas nas operações Tempo de Colheita e Robusta, embora aventada, em nenhum momento foi efetivamente comprovada pela autoridade fiscal a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, segundo o art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, como se conclui a partir da leitura da seguinte passagem do Termo de Verificação Fiscal: Ressaltese que qualquer conduta irregular do sujeito passivo estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 30 de novembro de 1964. Portanto, é irrelevante distinguir se a conduta fraudulenta se configurou em sonegação, fraude ou conluio, bastando apenas que a conduta irregular se enquadre em qualquer um dos tipos Fl. 37241DF CARF MF 28 infracionais definidos na citada lei. (não destacado no original) Assim, valendose de mera presunção e do fato de a impugnante haver negociado com empresas investigadas, imputa a grave acusação de ter agido mediante fraude, sem haver nos autos nenhum nexo de causalidade ou documento que corrobore essa alegação; · conforme a já consolidada jurisprudência do Carf, para aplicação da multa qualificada, as autoridades fiscais devem trazer provas inequívocas da ocorrência das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Se no caso em tela não se permite sequer cogitar de uma suspeita minimamente racional de fraude ou de qualquer tipo de conduta dolosa por parte da impugnante, é lógico então que não se pode falar em evidente intuito de fraude; · segundo a jurisprudência do Carf, é inaplicável a multa qualificada sem que a autoridade fiscal produza provas que evidenciem o nexo de causalidade entre a conduta do sujeito passivo (que deve apontar para o evidente intuito de fraude) e as supostas infrações de natureza tributária. Especificamente para as infrações semelhantes às tratadas neste caso (suposto aproveitamento indevido de créditos de PIS/Pasep e de Cofins), devese ainda restar comprovada a atuação em conluio com os respectivos fornecedores, o que não foi em momento algum demonstrado pelo auditor fiscal. Anexase aos autos acórdão no qual o Carf tratou da aplicação de multa qualificada sobre supostas infrações decorrentes de esquema investigado pela Polícia Federal, no qual, do mesmo modo como no presente processo, a autoridade fiscal apenas argumentou que, em razão dessas investigações, restaria caracterizada a infração de natureza tributária pelo sujeito passivo. Naquele caso, dada a inexistência de provas que indicasse o nexo de causalidade entre as empresas investigadas e o sujeito passivo alvo da autuação, o Carf concluiu que a multa qualificada deveria ser prontamente afastada, como, da mesma forma, deve a multa qualificada ser aqui completamente afastada; · além de registrar todos os seus atos nos estritos termos da legislação em vigor, a contribuinte portouse ainda de forma exemplar durante a fase de fiscalização e disponibilizou todas as informações e documentos solicitados pelo auditor fiscal, sem jamais omitir ou ocultar nenhum dado que lhe tenha sido requisitado; · é empresa sujeita à fiscalização e acompanhamento especiais disciplinados pela Portaria RFB nº 2.356, de 14 de dezembro de 2010, de forma que não seria nem razoável supor que iludiria a autoridade fiscal. O Carf já se manifestou no sentido de que, se o contribuinte é transparente em seus atos e contribui com a fiscalização apresentando também todos os lançamentos contábeis Fl. 37242DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201283 Acórdão n.º 3201003.038 S3C2T1 Fl. 37.229 29 pertinentes, não se pode aplicar a multa de cento e cinquenta por cento, mormente quando ele esteja sujeito ao acompanhamento econômico tributário diferenciado de pessoas jurídicas, como no caso da impugnante; · conforme entendimento doutrinário e jurisprudencial dominante, ao dispor sobre a aplicação de sanções tributárias, o CTN encampa a chamada “teoria da imputação subjetiva”, segundo a qual a aplicação de penalidade deve levar em consideração a conduta do contribuinte diante de um risco novo e injusto, e não apenas sob a perspectiva da mera ação materialmente realizada. Em outros termos, para que reste configurada a hipótese de aplicação de uma penalidade, as autoridades fiscais devem demonstrar a ocorrência de aspectos objetivos e subjetivos na conduta do contribuinte, sendo que somente após essa avaliação, podese decidir pela aplicação ou não da penalidade. Sob o ponto de vista dessa teoria da imputação subjetiva, resta claro que a autuada não incorreu em nenhum dos aspectos de ordem objetiva e subjetiva que permitissem a aplicação da penalidade qualificada; · o art. 112 do CTN dispõe expressamente que a norma tributária que comine penalidades deverá ser interpretada e aplicada da maneira mais favorável ao contribuinte em casos de dúvida a respeito da capitulação legal do fato e da natureza ou das circunstâncias materiais do fato. Na realidade, o presente caso deve ser tratado como um mero conflito entre interpretações dadas pelo auditor fiscal e pela contribuinte a um mesmo conjunto fático, de forma que a multa qualificada deve ser integralmente cancelada ou, no mínimo, reduzida para 75%, dadas as disposições contidas no citado art. 112, incisos I e II, do CTN; · a aplicação de sanções deve sempre seguir o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade, conforme o art. 2º, parágrafo único, inciso VI, da Lei nº 9.784, de 1999. No mesmo sentido, o art. 142 do CTN dispõe que no ato do lançamento, a autoridade administrativa, sendo o caso, poderá propor a aplicação da penalidade cabível. O termo propor no dispositivo em referência deve ser entendido como a competência dada para ponderar as situações objetivas e subjetivas da conduta praticada pelo contribuinte, de modo que possa ser feito um verdadeiro juízo de pertinência e de adequação da aplicação da penalidade se for o caso. É com base nesse posicionamento que Marco Aurélio Greco mostrase enfático ao concluir que o valor percentual da penalidade fiscal deve ser definido a partir de um juízo valorativo de pertinência e de adequação pela autoridade administrativa, uma vez que a legislação fiscal apenas a caracteriza como um teto máximo, e não como um valor único a ser aplicado; Fl. 37243DF CARF MF 30 · de forma a exemplificar a desproporcionalidade da multa qualificada no presente caso, citase o seguinte trecho de decisão proferida pelo Carf, que consignou que, mesmo na ocorrência de simulação, não caberia a aplicação da multa qualificada: O lançamento fiscal realizado justificase com base no próprio CTN que em seu artigo 149, inciso VII, prevê a possibilidade de sua realização quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. E no caso em questão entendo que houve simulação, como já justificado acima. Cumpre ressaltar que agiu bem a Fiscalização ao não aplicar a multa qualificada, apesar da ocorrência da simulação. É que em nenhum momento ficou evidenciado o intuito de fraude. Se assim fosse, todos os outros passos das operações não teriam sido registrados no órgão competente de acordo com a legislação societária. (Acórdão nº 10809793) · no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Extraordinário nº 523.471/MG, a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade de votos, confirmou a redução do percentual de multa originalmente fixada em 60% do valor principal em discussão para 30% corroborando a aplicação da teoria da proporcionalidade ao caso concreto; · incabível a cobrança de juros à taxa Selic sobre a multa de ofício aplicada. Essa atualização é realizada pelas autoridades fiscais com amparo no Parecer MF nº 28, de 02/04/1998, emitido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação, mas o art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, utilizado como fundamento desse parecer trata tãosomente da incidência de juros sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo menção às multas de ofício aplicadas pela Receita Federal. O Carf já pacificou o entendimento de que as multas de ofício não são atualizáveis; · no que se refere ainda aos juros de mora, cabe lembrar que a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da Selic aos créditos tributários, pois essa taxa não foi criada por lei para esse fim. Por isso, não obstante a posição já sumulada pelo antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e tendo em vista a real possibilidade de a taxa Selic vir a ser considerada inaplicável para fins tributários pelo Poder Judiciário, contestase sua aplicação e requerse sua desconsideração no cômputo do crédito tributário principal. Ao final, a autuada pleiteia o acolhimento integral da sua impugnação e o imediato cancelamento integral do Auto de Infração em tela (principal, multa e juros), com o consequente arquivamento do processo administrativo. A impugnante Fl. 37244DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201283 Acórdão n.º 3201003.038 S3C2T1 Fl. 37.230 31 protesta ainda pela juntada posterior de documentos que possam se fazer necessários, nos termos do art. 15, § 4º, alínea a do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como em razão do princípio da verdade material que orienta o processo administrativo fiscal. O acórdão proferido julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo parcialmente o lançamento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. É de cinco anos o prazo de que a RFB dispõe para constituir o crédito tributário, contados, no caso de não ter havido recolhimento ou de ocorrência de simulação, fraude ou conluio, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou, no caso de ter havido recolhimento e não ter ocorrido simulação, fraude ou conluio, da data do fato gerador. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando, ao contrário do que alega a contribuinte, a descrição dos fatos que motivaram a lavratura do auto de infração foi feita com clareza e precisão, estando disponíveis nos autos todos os documentos utilizados na fundamentação do lançamento de ofício, mormente quando a própria impugnação apresentada é prova de que a autuada exerceu amplamente seu direito de defesa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. Insumos adquiridos de cooperativa agropecuária geram apenas crédito presumido na apuração da Cofins no regime não cumulativo. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL. VALORES REPASSADOS AOS ASSOCIADOS. Os valores referentes a insumos adquiridos de cooperativas agroindustriais que repassam o respectivo valor a seus associados não geram créditos para o adquirente no regime não cumulativo. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOA INTERPOSTA. GLOSA. Comprovada a existência de interposição de pessoas jurídicas de fachada, com o fim exclusivo de mascarar a aquisição de insumos diretamente de pessoas físicas, para obter valores maiores de crédito na apuração da contribuição no regime não Fl. 37245DF CARF MF 32 cumulativo, correta a glosa dos créditos decorrentes desses expediente ilícitos. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA. Revelase improcedente a exigência quando o auditor fiscal não especifica a motivação que ocasionou o lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando a conduta do sujeito passivo se enquadra em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. A constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício é atividade administrativa vinculada e obrigatória, não restando margem de discricionariedade na aplicação da legislação. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2006 a 30/04/2008, 01/06/2008 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. É de cinco anos o prazo de que a RFB dispõe para constituir o crédito tributário, contados, no caso de não ter havido recolhimento ou de ocorrência de simulação, fraude ou conluio, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou, no caso de ter havido recolhimento e não ter ocorrido simulação, fraude ou conluio, da data do fato gerador. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS. PROVAS NOS AUTOS. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando, ao contrário do que alega a contribuinte, a descrição dos fatos que motivaram a lavratura do auto de infração foi feita com clareza e precisão, estando disponíveis nos autos todos os documentos utilizados na fundamentação do lançamento de ofício, mormente quando a própria impugnação apresentada é prova de que a autuada exerceu amplamente seu direito de defesa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. Fl. 37246DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201283 Acórdão n.º 3201003.038 S3C2T1 Fl. 37.231 33 Insumos adquiridos de cooperativa agropecuária geram apenas crédito presumido na apuração do PIS/Pasep no regime não cumulativo. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COOPERATIVA. VALORES REPASSADOS AOS ASSOCIADOS. Os valores referentes a insumos adquiridos de cooperativas que repassam o respectivo valor a seus associados não geram créditos para o adquirente no regime não cumulativo. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOA INTERPOSTA. GLOSA. Comprovada a existência de interposição de pessoas jurídicas de fachada, com o fim exclusivo de mascarar a aquisição de insumos diretamente de pessoas físicas, com o intuito exclusivo de obter valores maiores de crédito na apuração da contribuição no regime não cumulativo, correta a glosa dos créditos decorrentes desses expediente ilícitos. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA. Revelase improcedente a exigência quando o auditor fiscal não especifica a motivação que ocasionou o lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando a conduta do sujeito passivo se enquadra em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. A constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício é atividade administrativa vinculada e obrigatória, não restando nenhuma margem de discricionariedade na aplicação da legislação. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário de fls. 36845 e seguintes, reiterando os termos da Impugnação, e cujos argumentos serão destacados no voto. Fl. 37247DF CARF MF 34 Em face do valor exonerado, houve interposição de recurso de ofício quanto às seguintes parcelas: 1. excluir a exigência fiscal dos períodos de apuração dezembro/2006, fevereiro/2007, março/2007, abril/2007, e junho/2007 que não dizem respeito às aquisições feitas pela autuada das empresas Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda e Ind. Com. Imp. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME, pois atingida pela decadência; 2. excluir o crédito tributário decorrente das glosas dos créditos relativos às aquisições efetuadas pela contribuinte junto às empresas Exportador de Café Atolpho Ltda. e Valorização Empresa de Café S.A.; 3. reduzir a multa de ofício aplicada para 75 % em relação ao crédito tributário constituído em razão dos valores glosados de créditos sobre a depreciação de bens e sobre a aquisição de café de cerealistas, de cooperativas de produção e de cooperativas agroindustriais, conforme demonstrado nos quadros abaixo. Conforme tabelas referidas, o valor excluído pela DRJ a título de PIS é de R$7.355.453,91 e, a título de COFINS, de R$33.954.116,74. Em primeira análise por esta Turma, optouse pela conversão do feito em diligência, nos seguintes termos: No item "4.1.1.1 Compra de insumos de Cooperativas Agropecuárias" foram elencadas as glosas correspondentes à aquisição de insumo de cooperativas caracterizadas, pela Fiscalização, como sendo de produção agropecuária. A fiscalização negou o direito à apropriação integral dos créditos, permitindo, apenas, a apropriação do crédito presumido. O Contribuinte reconhece que, nos termos da Lei nº 10.925/04, toda a aquisição de empresas ou cooperativas agropecuárias apenas poderia gerar direito ao crédito presumido do PIS e da COFINS. Não obstante, discorda da interpretação fiscal no que diz respeito ao enquadramento dos seus fornecedores como agropecuários, afirmando que estes são, de fato, agroindustriais, uma vez que efetuavam o beneficiamento do café e não a mera remoção de partes não comestíveis; assim como não aplicavam a suspensão do PIS e da COFINS nas vendas à Recorrente, por não se sujeitarem à Lei nº 10.925/04, conforme informações colhidas pela própria Fiscalização. Não se verifica, nem no Relatório Fiscal, nem no acórdão recorrido, a razão pela qual houve o enquadramento das cooperativas como agropecuárias (entendimento do Fisco) e não como agroindustriais (entendimento do contribuinte). Desse modo, voto por converter o feito em diligência para que a Autoridade Preparadora esclareça, dentre os fornecedores listados no item "4.1.1.1 Compra de insumos de Cooperativas Fl. 37248DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201283 Acórdão n.º 3201003.038 S3C2T1 Fl. 37.232 35 Agropecuárias", quais foram enquadrados como agropecuárias e quais foram tidas por agroindustriais, esclarecendo, para cada uma delas, qual razão fundamentou a respectiva classificação. Após, seja concedida vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta) dias para que se manifeste acerca do resultado da diligência, ao final, retornando estes autos para julgamento. Em resposta, a Autoridade Preparadora apresentou Relatório Fiscal com a seguinte esclarecimento: Concluindo, através do simples exame das respostas às alíneas “a” do questionário supracitado apresentadas pelas cooperativas listadas na Planilha 1, cujas respostas estão anexadas às fls. 8 a 28 deste edossiê de diligência fiscal (10010.017823/111693), constatase que se tratam de cooperativas de produção agropecuária. Também foram enquadradas como cooperativas de produção agropecuária as cooperativas elencadas na Planilha 2 pois não foram obtidas respostas às intimações referentes ao questionário em questão, e, por esta razão, também foram concedidos créditos presumidos. Este procedimento foi adotado por ser mais benéfico à fiscalizada, e devido à questão da decadência de créditos que deveriam ser lançados por ocasião da fiscalização. Se estas cooperativas tivessem sido enquadradas como cooperativas agroindustriais, nenhum crédito seria concedido à fiscalizada, pois a totalidade das cooperativas agroindustriais que forneceram à fiscalizada excluiu da base de cálculo os valores das mercadorias adquiridas de seus associados, e neste caso, tendo em vista que as vendas efetuadas pelas sociedades cooperativas agroindustriais não estão sujeitas ao pagamento das contribuições PIS e COFINS, não há o que se falar em direito aos créditos incidentes nestas operações, razão pela qual eles seriam totalmente glosados. Intimado, o contribuinte não se manifestou quanto ao resultado da diligência. Após, os autos foram remetidos a este CARF e foram a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 37249DF CARF MF 36 Como se verifica pelo relato dos fatos, tratamse de Autos de Infração com glosas de crédito apurados nos regimes da não cumulatividade do PIS e da COFINS em empresa adquirente de café. É preciso salientar que há nos autos uma pequena parcela de glosas decorrentes da aquisição de café com notas fiscais tidas por fraudulentas, por encobrirem os reais vendedores, pessoas físicas. São autuações decorrentes das operações "Tempo de Colheita" e "Robusta", feitas de forma conjunta pelo Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, que descortinaram operações fraudulentas que consistiam na criação de pessoas jurídicas fictícias (maquinistas) com o único objetivo de intermediar a venda de café de produtores pessoas físicas e grandes compradores / exportadores de café, de modo a gerar a emissão de nota fiscal de venda de pessoa jurídica, já bastante debatida por essa Turma Julgadora. Contudo, existem diversos outros itens de glosa que devem ser considerados na presente decisão. Feita essa breve introdução, passo à análise de cada um dos pontos suscitados no Recurso Voluntário. Preliminar de decadência A Fiscalização, chancelando que o auditor fiscal não trouxe "aos autos nenhuma outra prova que pudesse realmente comprovar o dolo", aplicou o art. 150, §4º do CTN para os meses em que houve recolhimento do tributo, ainda que a menor, e a contagem prevista no art. 173 do CTN para os meses em que não houve recolhimento: Assim, o termo inicial da contagem do lapso quinquenal de decadência, no caso de lançamento por homologação, poderá ser o momento da ocorrência do fato gerador ou o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido lançado, tudo dependendo da circunstância de ter havido ou não pagamento parcial da contribuição exigida e de ter havido ou não dolo, fraude e simulação. Em consulta aos sistemas da RFB (fl. 36777), constatouse que a autuada, em relação aos períodos de apuração até agosto/2007, efetuou recolhimentos de PIS/Pasep e de Cofins para dezembro/2006, fevereiro/2007, março/2007, abril/2007, e junho/2007. Para esses períodos de apuração, caberia a aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Como a ocorrência ou não, no caso concreto, de dolo, fraude ou simulação será analisada posteriormente, a conclusão, se houve ou não decadência em relação a esses períodos de apuração Assim, em sede de Recurso de Ofício, entendo correta a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, §4º do CTN para os meses em que houve recolhimento do tributo, não merecendo reforma o acórdão recorrido. Não obstante, em Recurso Voluntário, o Contribuinte postula pelo reconhecimento da decadência mediante aplicação do artigo 150, §4º do CTN, ou seja, que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial tenha início a partir do fato gerador da obrigação tributária. Fl. 37250DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201283 Acórdão n.º 3201003.038 S3C2T1 Fl. 37.233 37 Com efeito, entendo que assiste razão à Contribuinte em suas razões recursais. No caso dos autos, não houve recolhimento de tributos, pois, conforme consta do próprio relatório, a Contribuinte informou ter apurado créditos em montante superior aos débitos. Contudo, não se contesta que tal apuração foi devidamente informada ao Fisco no tempo e modo previstos na legislação. Na hipótese, entendo ser aplicável a regra prevista no art. 150, §4º do CTN (5 anos a contar do fato gerador). Esclareçase que tal entendimento está em perfeita concordância com a decisão proferida pela STJ em sede de Recurso Repetitivo (REsp 973.733). Explicase. Decidiu o Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). Fl. 37251DF CARF MF 38 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Conforme se verifica pelo julgado do STJ acima transcrito, a regra do art. 173, I do CTN é aplicável, basicamente, em três hipóteses: (i) constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte e (ii) nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, (iii) a despeito da previsão legal, o pagamento inocorre. Estas duas últimas situações estão condicionadas à inexistência de declaração prévia do débito pelo contribuinte. É o que se extrai da Súmula/STJ nº 555: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. (Súmula 555, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJe 15/12/2015) É evidente que, na hipótese de o contribuinte ter informado sua apuração ao Fisco e nesta tenha constado a inexistência de saldo de tributo a recolher não equivale, em absoluto, à situação de ausência de declaração por parte do Contribuinte. Fl. 37252DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201283 Acórdão n.º 3201003.038 S3C2T1 Fl. 37.234 39 O art. 150, §4º, que dispõe ser tal prazo contado a partir da ocorrência do fato gerador, pressupõe a prévia ciência do Fisco acerca do nascimento da obrigação tributária. Isso ocorre naquelas situações em que o tributo é lançado de ofício ou quando o contribuinte efetua a competente declaração do tributo apurado acompanhada do respectivo pagamento (ainda que a menor). Ou seja, em ambas as hipóteses o Fisco teve a ciência da ocorrência do fato gerador, houve, verdadeiramente, o lançamento do tributo devido, seja de ofício, ou por meio do chamado "autolançamento". Nessas situações, por óbvio, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco não precisa ser alargado, já que, repisese, ele já tem ciência da ocorrência do fato gerador no momento da sua ocorrência. É exatamente o que ocorre quando o contribuinte apresenta a competente declaração do tributo, dando exata e inequívoca ciência ao Fisco acerca da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, in casu, sem saldo de tributo a recolher. Logo, entendo que deve ser reconhecida a aplicação do prazo decadencial em conformidade com o art. 150, §4º do CTN para a totalidade dos meses autuados em que houve a apresentação de declaração fiscal pelo contribuinte informando a apuração de crédito excedente. Preliminar de nulidade por impossibilidade de lançamento com base em presunções Nesse tópico a Contribuinte pleiteia pelo reconhecimento de nulidade do lançamento por impossibilidade de utilização da presunção. Tais presunções seriam, exatamente, de que a Contribuinte teria adquirido mercadorias dos chamados "maquinistas" de modo fraudulento. Entendo que essa questão se confunde com o mérito e, portanto, será examinada juntamente com tais parcelas de glosa. Preliminar de nulidade por indevida equiparação da Contribuinte à adquirente direta de insumos e desconsideração de personalidade jurídica dos seus fornecedores Esse tópico, tal qual o anterior, se confunde com o mérito atinente à glosa de créditos decorrente da aquisição de café de pessoas jurídicas tidas por inexistentes, os chamados "maquinistas". Será analisada juntamente com o mérito. Preliminar de nulidade por inovação do lançamento pela Autoridade Julgadora. Argumenta a Recorrente que houve inovação por parte da Decisão recorrida no que diz respeito à aplicação de multa agravada no percentual de 150% sobre as aquisições de pessoas jurídicas tidas por fictícias. Fl. 37253DF CARF MF 40 Consoante Auto de Infração, as multas aplicadas pela Fiscalização tem a seguinte fundamentação legal: Multas Passíveis de Redução Fatos Geradores entre 01/12/2006 e 31/12/2006: 150,00% Art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96 Fatos Geradores entre 01/01/2007 e 31/05/2007: 150,00% Art. 44, inciso I, e § 1º, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351/07 Fatos Geradores entre 01/06/2007 e 31/12/2009: 150,00% Art. 44, inciso I, e § 1º, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07 Esclareçase que a multa agravada foi aplicada integralmente à autuação, ou seja, sobre todas as glosas efetuadas pela Fiscalização. Quanto à aquisição de maquinistas, entendeu a Fiscalização ter ocorrido fraude. Quanto às demais glosas, o agravamento foi aplicado por reiteração de conduta. Veja o seguinte trecho da decisão recorrida: O autuante fundamenta a qualificação, ao contrário do que parece entender a impugnante, não apenas no fato de que a fiscalizada constituiu créditos integrais sobre a aquisição de café de produtores rurais e maquinistas utilizandose de notas fiscais de empresa de fachada, mas também porque, reiteradamente, ela constituiu créditos integrais sobre a aquisição de café de cerealistas, de cooperativas de produção e de cooperativas agroindustriais. Para o auditor fiscal a prática reiterada de constituição de créditos indevidos ultrapassa a fronteira de mero erro de apuração. Assim, conclui ele que restou caracterizado o evidente intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal, fato que seria suficiente para justificar a exasperação da penalidade. Assim, já de início afasto a aplicação de qualquer multa agravada para aquelas aquisições realizadas sem qualquer indício de fraude. A mera reiteração de consulta no que diz respeito à interpretação da legislação tributária pelo contribuinte não autoriza o agravamento da sanção. Quanto às aquisições supostamente fraudulentas, a aplicação da multa agravada ou não ficará condicionada à interpretação que será auferida em conclusão do presente julgamento. Mérito Itens de glosa 4.1.1.1 Compra de insumos de Cooperativas Agropecuárias Nesse item estão elencadas as glosas correspondentes à aquisição de insumo de cooperativas caracterizadas, pela Fiscalização, como sendo de produção agropecuária. A Fl. 37254DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201283 Acórdão n.º 3201003.038 S3C2T1 Fl. 37.235 41 fiscalização negou o direito à apropriação integral dos créditos, permitindo, apenas, a apropriação do crédito presumido. O Contribuinte reconhece que, nos termos da Lei nº 10.925/04, toda a aquisição de empresas ou cooperativas agropecuárias apenas poderia gerar direito ao crédito presumido do PIS e da COFINS. Não obstante, discorda da interpretação fiscal no que diz respeito ao enquadramento dos seus fornecedores como agropecuários, afirmando que estes são, de fato, agroindustriais, uma vez que efetuavam o beneficiamento do café e não a mera remoção de partes não comestíveis; assim como não aplicavam a suspensão do PIS e da COFINS nas vendas à Recorrente, por não se sujeitarem à Lei nº 10.925/04, conforme informações colhidas pela própria Fiscalização. Nesse aspecto é que foi determinada a realização de diligência fiscal por esta Turma Julgadora, uma vez que não se verificou, nem no Relatório Fiscal, nem no acórdão recorrido, a razão pela qual houve o enquadramento das cooperativas como agropecuárias (entendimento do Fisco) e não como agroindustriais (entendimento do contribuinte). Em resposta à diligência, notase que a Autoridade Preparadora não trouxe qualquer fato novo relativamente ao que constara na autuação, apenas reiterou / consolidou os mesmos argumentos que já havia apresentado anteriormente. Solicitouse que, especificamente quanto às cooperativas tidas por agropecuárias, a Fiscalização se manifestasse expressamente quanto aos argumentos apresentados pelo contribuinte relativamente às próprias respostas das cooperativas, e mesmo quanto aos contratos sociais apresentados aos autos. Noticiou que enviou questionários às cooperativas fornecedoras e, com base nas respostas recebidas, classificou como agropecuárias aquelas que assim se definiram em resposta aos questionários, e também aquelas que não responderam o questionário. Ou seja, efetuou uma verdadeira presunção de que estas (as que não responderam) seriam agropecuárias. Não obstante, vejase a seguinte situação. A Recorrente, em seu Recurso Voluntário, apresentou o seguinte argumento: Fl. 37255DF CARF MF 42 No seu Relatório Fiscal, a Autoridade Preparadora não trouxe qualquer justificativa quanto ao fato, por exemplo, da COOP.REGIONAL AGROPECUÁRIA DE SANTA RITA DO SAPUCAÍ LTDA, CNPJ 24.490.401/000135, ter afirmado, no seu questionário, o que se segue: a) Informar se a cooperativa se enquadra no modelo de cooperativa de produção, nos termos do art. 3º, parágrafo 1º, inciso III da IN SRF 660/2006, ou de agroindústria nos termos do art. 6º inciso II da IN SRF 660/2006; Fl. 37256DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201283 Acórdão n.º 3201003.038 S3C2T1 Fl. 37.236 43 “A cooperativa exerce a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo realizar o beneficiamento dessa produção. Além disso, para melhor atender o cooperado e ter um melhor preço no café, é procedimento da cooperativa padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabores (blend) e, separar por densidade de grãos com redução dos tipos determinado pela classificação oficial. ” (resposta transcrita na fl. 37.118) Ora, a resposta apresentada exatamente qualifica a cooperativa como sendo agroindustrial, nos exatos termos do art. 6º, inciso II da IN 660/06: Art. 6ºPara os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2ºda Lei nº8.023, de 1990; e II o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, relativamente aos produtos classificados no código 09.01 da NCM. Não obstante, como dito, em sede de diligência a Fiscalização apenas reafirmou que a COOP.REGIONAL AGROPECUÁRIA DE SANTA RITA DO SAPUCAÍ LTDA. foi classificada como agropecuária e não como agro industrial, sem se manifestar especificamente quanto ao que foi solicitado em diligência, repitase: Desse modo, voto por converter o feito em diligência para que a Autoridade Preparadora esclareça, dentre os fornecedores listados no item "4.1.1.1 Compra de insumos de Cooperativas Agropecuárias", quais foram enquadrados como agropecuárias e quais foram tidas por agroindustriais, esclarecendo, para cada uma delas, qual razão fundamentou a respectiva classificação. Desse modo, considerando que a Fiscalização não logrou demonstrar que as Cooperativas fornecedoras se enquadram como agropecuárias, entendo que deve ser mantida a caracterização destas como agroindustriais levada a efeito pela Contribuinte em seus registros contábeis. A confirmação de tais créditos obedecerá ao disposto no tópico subsequente. 4.1.2.2 Compra de insumos de Cooperativas Agroindustriais Para aqueles fornecedores que a própria Fiscalização entendeu serem agroindustriais, portanto, cujas aquisições são passíveis de creditamento integral do PIS e da COFINS, a Fiscalização houve por bem efetuar a glosa de créditos sob a justificativa de que, por serem cooperativas, o produto da venda repassado aos cooperados não estaria sujeita ao PIS e a COFINS. Logo, concluiu que, não havendo recolhimento do PIS e da COFINS pelos cooperados, não haveria qualquer valor a ser creditado pelo adquirente. Fl. 37257DF CARF MF 44 Assim se manifestou a decisão recorrida: Dessa forma, conclui o auditor fiscal que, como as vendas não saem com suspensão e as cooperativas agroindustriais que forneceram à fiscalizada excluem da base de cálculo os valores das mercadorias adquiridas de seus associados, conforme respostas fornecidas por elas próprias, a autuada não podia se creditar de nenhum valor a título de PIS/Pasep ou Cofins nessas aquisições. Com efeito, nos termos do § 2º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, as vendas efetuadas pelas sociedades cooperativas agroindustriais à autuada não estão sujeitas à incidência do PIS/Pasep e da Cofins e, por conseguinte, não geram direito a crédito, razão pela qual todos os créditos referentes a essas operações utilizados pela contribuinte foram glosados. O dispositivo legal utilizado é: Art. 3oDo valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2oNão dará direito a crédito o valor:(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Sem mais delongas, como postulado pela Recorrente, entendo que o crédito relativo à aquisição de produtos de pessoas jurídicas agroindustriais, independentemente do fato de serem estas constituídas na forma de cooperativas, autoriza a apropriação integral do crédito, conforme Solução de Consulta COSIT 65 de 10 de março de 2014: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, não está impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições previstos na legislação. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637/2002, art. 3º ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa da Cofins, não está impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições previstos na legislação. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833/2003, art. 3º. Fl. 37258DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201283 Acórdão n.º 3201003.038 S3C2T1 Fl. 37.237 45 Assim, reconheço o direito à apropriação de créditos decorrentes da aquisição de bens de cooperativas agroindustriais. 4.1.3 Depreciação de Ativos Fixos adquiridos antes de 30.4.2004 O Contribuinte requereu o reconhecimento do direito de apropriação de créditos decorrentes da depreciação de seu ativo fixo, ainda que adquiridos anteriormente a 30/04/2004. O dispositivo legal aplicável é o art. 31 da Lei nº 10.865/04 Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1odo art. 3odas Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. § 1oPoderão ser aproveitados os créditos referidos no inciso III do § 1odo art. 3odas Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1ode maio. § 2oO direito ao desconto de créditos de que trata o § 1o deste artigo não se aplica ao valor decorrente da reavaliação de bens e direitos do ativo permanente. § 3oÉ também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. O pedido formulado pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário assim se fundamenta: Entendo que afastar a aplicação de disposição expressa de lei em face de argumentos de violação de princípios constitucionais esbarra no óbice do art. 62 do RICARF e da Súmula CARF nº 1. Fl. 37259DF CARF MF 46 Desse modo, deixo de reconhecer os créditos decorrentes dos encargos de depreciação de bens integrantes do ativo fixo da Contribuinte adquiridos anteriormente a 30/04/2004. 4.1.5 Compra de insumos de empresas investigadas nas operações "Tempo de Colheita" e "Robusta" da Polícia Federal Nesse item a Fiscalização glosou as aquisições de insumos (café) efetuadas das empresas Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda., CNPJ 27.568.625/000100, Fortaleza Agro Mercantil Ltda., CNPJ 05.735.193/000142 e Ind. Com. Imp. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME, CNPJ 08.011.238/000124. Quando do julgamento de matéria bastante similar a presente (Processo nº 15586.720716/201211, Acórdão nº 32013.201.002.083), me manifestei em sede de Declaração de voto nos seguintes termos: O cerne da questão diz respeito à verificar se os meios de prova acerca da fraude podem ser imputados à Recorrente. Alega a RFB que as empresas vendedoras de café teriam sido constituídas de forma fraudulenta, com amplo conjunto probatório. No caso concreto, a conseqüência da fraude verificada está sendo imputada a terceiro, à compradora do café para fins de exportação. Entendo que, para que a Recorrente possa ser penalizada em razão das supostas fraudes identificadas, seria necessária a comprovação de que esta participou das operações tidas por fraudulenta. Com base em jurisprudência já pacificada no âmbito do STJ, não vejo como imputar a terceiros quaisquer consequências advindas de operações fraudulentas das quais não participou. Até porque, é princípio básico constitucional que a pena jamais poderá ultrapassar a pessoa do condenado. Compreendo a necessidade de se estabelecer procedimentos padronizados/unificados para aprimoramento do processo fiscalizatório. É o que a professora Misabel Derzi de "princípio da praticidade". Todavia, em respeito aos princípios da legalidade, é certo que a praticidade jamais poderá se converter em presunção. Também ressalto que, conforme assaz debatido nessa turma julgadora, é certo que o ônus da prova no processo fiscal deve ser atribuído ao contribuinte na hipótese de ressarcimento, e, à fazenda, nas autuações fiscais. Contudo, não há como negar que não se discute, nos autos, a existência do crédito, o que atrairia o ônus probatório para o contribuinte. A aquisição ocorreu e, nos termos da legislação de regência, esta aquisição gera, efetivamente, direito à crédito para o adquirente. Fl. 37260DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201283 Acórdão n.º 3201003.038 S3C2T1 Fl. 37.238 47 No caso, a questão da prova se resume à suposta ocorrência de fraude e mais, de que a Recorrente tenha efetivamente participado dessa fraude ou dela tivesse ciência. Imputar à Recorrente o ônus de comprovar que não participou da fraude é imputar a produção de prova negativa, o que é absolutamente rechaçado pelo sistema jurídico pátrio. Ultrapassada a questão relativa à ocorrência ou não de fraude, já que, como ressaltei, esta prova se faz despicienda na hipótese dos autos, é preciso analisar, exclusivamente, eventuais elementos de prova quanto à participação da Recorrente na suposta fraude. Alega a Fiscalização, essencialmente, que as empresas vendedoras não apresentaram DIPJ no período objeto da autuação, e que se encontravam com o CNPJ baixado. Ora, quanto às DIPJs, entendo não ser possível a utilização desse meio de prova em face da Recorrente, uma vez que esta não tem qualquer forma de acesso à tais documentos, protegidos pelo sigilo fiscal. Quanto ao fato dos CNPJs terem sido baixados em 31/12/2005, de igual modo não há como legitimar tal argumento, uma vez que, no caso dos autos, os créditos glosados são relativos ao 1º trimestre de 2005. Me socorrendo às lições de Sacha Calmon, nos termos do art. 142 do CTN, a atividade de lançamento é privativa da administração tributária. Nesse sentido, é a esta que compete, exclusivamente, fiscalizar. Não se pode imputar aos contribuintes o dever de fiscalizar um ao outro. E, ao meu ver, é esta, exatamente, a situação verificada nos autos. A Recorrente está sendo responsabilizada pelo fato de não ter fiscalizado a regularidade de seus fornecedores. o que, a meu ver, não pode ser chancelado, sob pena de subversão à própria segurança jurídica. A despeito da fraude, a adquirente suportou o ônus do crédito na aquisição das mercadorias, não sendo legítima a exclusão destes de sua escrita fiscal. Diante do exposto, face à clara e incontroversa ausência de provas quanto à participação da Recorrente em qualquer ato fraudulento na constituição das pessoas jurídicas tidas por fictícias, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para exonerar o crédito fiscal lançado. A meu ver, a situação dos presentes autos é bastante similar à examinada naquela oportunidade. Muito embora, como já dito, a operação conjunta MPF, PF e RFB tenha se baseado na coleta de provas robustas acerca da criação de pessoas jurídicas fraudulentas, entendo que a não há prova de conluio da Recorrente. Fl. 37261DF CARF MF 48 O Relatório Fiscal limitase a demonstrar que os Maquinistas seriam pessoas jurídicas fictícias, e que a Recorrente adquiriu café dessas pessoas jurídicas. Contudo, não há qualquer prova no sentido de que a Recorrente teria participado da criação de tais pessoas jurídicas fictícias, ou mesmo que teria imposto a eventuais fornecedores pessoas físicas a utilização de tal intermediação. Ou seja, tenho que a questão não se subsume ao fato de que a Recorrente adquiriu mercadorias das pessoas jurídicas tidas por fictícias. Isso é inconteste nos autos e reconhecido pela contribuinte. O que se extrai é que, no caso específico dos autos, não há provas de que a Recorrente tenha participação nos eventos fraudulentos identificados, a meu ver, condição sine qua non para que se possa atribuir a responsabilidade tributária. Portanto, concluo que, diante do conjunto probatório existente nos autos, não vejo como suportar o lançamento fiscal ora combatido no que se refere às glosas lançadas nesse tópico do Auto de Infração. RECURSO DE OFÍCIO Em sede de Recurso de Ofício cabe a esta Turma Julgadora o exame das seguintes exonerações: 1. excluir a exigência fiscal dos períodos de apuração dezembro/2006, fevereiro/2007, março/2007, abril/2007, e junho/2007 que não dizem respeito às aquisições feitas pela autuada das empresas Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda e Ind. Com. Imp. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME, pois atingida pela decadência; 2. excluir o crédito tributário decorrente das glosas dos créditos relativos às aquisições efetuadas pela contribuinte junto às empresas Exportador de Café Atolpho Ltda. e Valorização Empresa de Café S.A.; 3. reduzir a multa de ofício aplicada para 75 % em relação ao crédito tributário constituído em razão dos valores glosados de créditos sobre a depreciação de bens e sobre a aquisição de café de cerealistas, de cooperativas de produção e de cooperativas agroindustriais, conforme demonstrado nos quadros abaixo. Com efeito, entendo que andou bem a DRJ ao reconhecer a aplicação da decadência, segundo os termos do art. 150, §4º do CTN para aqueles meses em que houve comprovação de recolhimento das contribuições: Em consulta aos sistemas da RFB (fl. 36777), constatouse que a autuada, em relação aos períodos de apuração até agosto/2007, efetuou recolhimentos de PIS/Pasep e de Cofins para dezembro/2006, fevereiro/2007, março/2007, abril/2007, e junho/2007. Para esses períodos de apuração, caberia a aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Como a ocorrência ou não, no caso concreto, de dolo, fraude ou simulação será analisada posteriormente, a conclusão, se houve ou não decadência em relação a esses períodos de apuração, deve ser Fl. 37262DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201283 Acórdão n.º 3201003.038 S3C2T1 Fl. 37.239 49 aqui suspensa para ser retomada mais à frente após a análise dessa outra questão. O segundo aspecto a ser examinado em sede de Recurso de Ofício diz respeito ao reconhecimento da "insubsistência do motivo dado pelo auditor fiscal como fundamento do lançamento de ofício (...) referente à glosa parcial dos créditos relativos às aquisições de insumos feitas pela autuada com as empresas Exportador de Café Astolpho Ltda., CNPJ 07.764.089/000101, e Valorização Empresa de Café S.A. 01.316.790/000262", sob os seguintes fundamentos: O auditor fiscal também glosou parcialmente os créditos relativos a aquisições de insumos que teriam sido fornecidos por empresas cerealistas ou que exercem atividade agropecuária, com a seguinte justificativa: Tomandose emprestadas as provas obtidas na fiscalização acobertadas pelo MPF 08107002010002262, que também fez parte da Operação Robusta, sabese que diversos fornecedores confirmaram que se enquadravam no conceito de cerealistas ou que exerciam atividades agropecuárias. Dentre estas empresas, a fiscalizada adquiriu café das seguintes: Fornecedor CNPJ Exportador de Café Astolpho Ltda. 07.764.089/000101 Valorização Empresa de Café S.A. 01.316.790/000262 Destarte, os créditos apurados nas aquisições efetuadas junto a estas pessoas jurídicas serão considerados como CRÉDITOS PRESUMIDOS, glosandose parcialmente os créditos indevidamente apropriados (...). A fundamentação do lançamento de ofício nesse ponto peca pela falta de clareza e de provas. De fato, o autuante apenas se refere a provas emprestadas obtidas na fiscalização feita sob o MPF 08107002010002262, mas não indica exatamente onde estariam tais provas. Depois diz, de forma genérica, que sabese que diversos fornecedores confirmaram que se enquadram no conceito de cerealistas ou que exerciam atividades agropecuárias, e dentre eles cita duas empresas. Contudo, além de não juntar o documento em que esses fornecedores teriam reconhecido a natureza de suas atividades, não diz se essas empresas para cujas aquisição glosou créditos seriam cerealistas ou agropecuárias. Por sua vez, a busca feita por este julgador nos documentos juntados aos autos não encontrou nenhuma referência à Valorização Empresa de Café S.A. e, em relação à empresa Exportador de Café Astolpho, as referências encontradas (fls. 301, 732, 734/736, 738, 739, 741/744, 747/749, 751, 754/756, 779, 781, 782 e 26263) parecem indicar que ela seria uma empresa de café que teria adquirido produtos de atacadistas de fachada investigadas nas operações Tempo de Colheita e Robusta e vendido café para outras empresas como a autuada, nada comprovando que fosse empresa cerealista ou agropecuária, como afirma o auditor fiscal. Fl. 37263DF CARF MF 50 Com efeito, deve o lançamento pautarse pelos princípios da legalidade, motivação e vinculação. Restando claro que estes não foram seguidos pela Fiscalização, deve se afastar o lançamento nesse aspecto. Por fim, quanto à exclusão da multa agravada relativamente àquelas condutas em que a Autoridade não comprovou a existência de dolo, fraude ou simulação, também agiu de modo coerente a DRJ. Uma vez demonstrado que o suposto não recolhimento de tributos se deu com base em mera divergência de interpretação da legislação tributária, a multa deve ser aplicada em patamar ordinário. Por todo o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para excluir do crédito tributário as seguintes parcelas: (i) parcelas atingidas pela decadência nos termos do art. 150,§4º, considerando não apenas o recolhimento em espécie das contribuições, mas, também, a apuração de saldo credor; (ii) aquisições de mercadorias de cooperativas agroindustriais, assim entendidas aquelas assim registradas pela Recorrente em seus registros contábeis; (iii) aquisições de mercadorias das empresas Miranda Com. Exp. & Imp. de Café Ltda., Fortaleza Agro Mercantil Ltda., e Ind. Com. Imp. Exp. de Cereais Galés Ltda. – ME, uma vez que não comprovado o conluio da Recorrente. Quanto ao RECURSO DE OFÍCIO, nego provimento. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 37264DF CARF MF
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