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Numero do processo: 16327.720168/2014-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009
NULIDADE. VÍCIO DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Constatada a correlação entre o fato jurídico e a norma jurídica de regência, descabe a alegação de nulidade.
MULTA ISOLADA. AFASTAMENTO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO DENTRO DO MESMO ANO-CALENDÁRIO.
O recolhimento por estimativa se faz com base em apuração mensal do IRPJ e da CSLL, mediante antecipação, cuja sistemática determina a elaboração de declaração de ajuste anual e a apuração do lucro real, na forma do art. 6.º do Decreto-Lei n.º 1.598/77.
MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. NÃO CABIMENTO.
Não se aplica a Súmula CARF n.º 47 quando, no momento da incorporação, as empresas objeto da reorganização societária faziam parte de grupos distintos, estes sem domínio decisório e acionário sobre aquelas. Afastada a aplicação da Súmula CARF n.º 47, o sucessor responde apenas pelos tributos devidos até a data da sucessão.
Numero da decisão: 1302-002.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em AFASTAR a preliminar de nulidade, vencida a Conselheira Relatora, e, no mérito, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior e Rogério Aparecido Gil. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, na parte em que a relatora restou vencida.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Redator Ad Hoc
(assinado digitalmente)
Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Júlio Lima Souza Martins (suplente convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: TALITA PIMENTA FELIX
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VÍCIO DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Constatada a correlação entre o fato jurídico e a norma jurídica de regência, descabe a alegação de nulidade. MULTA ISOLADA. AFASTAMENTO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO DENTRO DO MESMO ANOCALENDÁRIO. O recolhimento por estimativa se faz com base em apuração mensal do IRPJ e da CSLL, mediante antecipação, cuja sistemática determina a elaboração de declaração de ajuste anual e a apuração do lucro real, na forma do art. 6.º do DecretoLei n.º 1.598/77. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. NÃO CABIMENTO. Não se aplica a Súmula CARF n.º 47 quando, no momento da incorporação, as empresas objeto da reorganização societária faziam parte de grupos distintos, estes sem domínio decisório e acionário sobre aquelas. Afastada a aplicação da Súmula CARF n.º 47, o sucessor responde apenas pelos tributos devidos até a data da sucessão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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Participaram do presente julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Júlio Lima Souza Martins (suplente convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 16327.720168/201404 Acórdão n.º 1302002.032 S1C3T2 Fl. 354 3 Relatório Designado como Redator Ad Hoc para fins de formalização deste Acórdão, transcrevo abaixo a íntegra do relatório apresentado pela Relatora, Conselheira Talita Pimenta Félix, na Sessão de Julgamento de 26 de janeiro de 2017, verbis: "ZURICH SANTANDER BRASIL SEGUROS E PREVIDÊNCIA S/A, insurgese contra a cobrança de crédito tributário de IRPJ e CSLL, de lançamento lavrado em 26/02/2014 e ciência ocorrida em 27/02/2014 (fls. 122/129), cujo crédito tributário totaliza o montante de R$ 27.156.764,20, de materialidade ocorrida em fevereiro de 2009. A contribuinte recorre do Acórdão de Impugnação nº 1662.986 (fls. 269/285), proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), em sessão realizada em 06/11/2014, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, não sendo interposto, neste caso, Recurso de Ofício. A ementa restou assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA MENSAL. A multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida, deve ser aplicada à pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO CONTRA SUCESSORA PERTENCENTE AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. CABIMENTO. Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora,por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico.” Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Com a realização do julgamento pela 8a Turma da DRJ/SP1, os autos chegam a esta instância cameral para que seja apreciado, consoante descrição constante no Termo de Verificação Fiscal (TVF,fls. 117/121) a seguinte infração: Ausência de recolhimento dos tributos incidentes sobre o ganho de capital, relativo ao mês de fevereiro de 2009, com imputação de multa isolada de 50%. Os dispositivos legais tidos por infringidos são os seguintes: (i) artigos 222 a 230, e 843 do RIR/99; Fl. 354DF CARF MF Processo nº 16327.720168/201404 Acórdão n.º 1302002.032 S1C3T2 Fl. 355 4 (ii) artigos 43 e 44, II, b, da Lei 9.430/96 com redação dada pelo art. 14, da Lei 11.488/07. O Termo de Verificação Fiscal relata a formação e alterações da estrutura societária da Recorrente, bem como, retrata o suposto recolhimento a menor na apuração dos tributos supracitados, nos termos que seguem: Em 30/09/09 o ZURICH SANTANDER BRASIL SEGUROS E PREVIDÊNCIA SOCIAL S.A. [...] incorporou a ABN AMRO BRASIL DOIS PARTICIPAÇÕES S/A [...], doravante designada AAB2PAR, passando a sucedêla em seus direitos e obrigações. A AAB2PAR era uma sociedade por ações sediada em São Paulo/SP e pessoa jurídica componente do Sistema Financeiro Nacional, na qualidade de instituição financeira, a companhia se obrigava à apuração do Lucro Real, sendo que no ano de 2009 optou pela forma de apuração anual. Devido ao evento da incorporação, em 30/10/09 foi apresentada DIPJ referente ao período de 01/01/09 a 30/09/09. Em 27/02/09 a AAB2PAR havia vendido 100% de sua participação no capital social da Real Capitalização para a Santander Capitalização. Em continuação à narração de tais fatos utilizome de trechos do Acórdão de impugnação da 8ª Turma da DRJ/SP, devido à clareza na exposição dos fatos, que seguem: · Devido ao evento da incorporação, em 30/10/2009 foi apresentada a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) referente ao período de01/01/2009 a 30/09/2009. · Por meio do Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações celebrado, na data de27/02/2009, com a Santander Capitalização S/A CNPJ 03.209.092/000102 – aAAB2PAR alienou sua participação de 100% no capital social da Real Capitalização S/A CNPJ 00.338.748/000107 pelo preço de R$ 258.281.000,00. · Na resposta à Intimação n° 05 o contribuinte ora fiscalizado apresentou o seguinte demonstrativo dos ganhos obtidos por sua incorporada AAB2PAR na alienação acima: [...] · Como se observa, na operação de venda foi apurado um ganho de capital de R$159.745.671,73 o qual foi regularmente escriturado na conta de receita não operacional7.3.1.10.00 (conta interna 721241), impactando o resultado líquido apurado pelaAAB2PAR no ajuste da DIPJ da incorporação, em 30/09/2009. · Na mesma DIPJ da incorporação, fichas 11 e 16, consta que a apuração das estimativas de fevereiro/2009 se deram com base na Receita Bruta e Acréscimos, bases de cálculo de, respectivamente, R$ 204.234,08 e R$ 1.205.172,56. Ou seja, o valor do ganho de capital auferido na venda da Real Capitalização não entrou no cálculo das estimativas em questão. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 16327.720168/201404 Acórdão n.º 1302002.032 S1C3T2 Fl. 356 5 · A regra do art. 225 do RIR/99 prevê que as demais receitas e resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pela regra geral, tais como os ganhos de capital,devem ser acrescidos à base de cálculo para efeitos de incidência do imposto de renda. · Qualquer que seja o método de determinação do valor a ser recolhido como estimativa mensal, seja com base na Receita Bruta e demais resultados, seja com base no resultado determinado via balancetes de suspensão, os ganhos de capital auferidos no mês devem ser incluídos na apuração do IRPJ e da CSLL. · Uma vez evidenciado que as bases de cálculo mensais desses dois tributos tenham sido erroneamente determinadas, fica o contribuinte sujeito à multa isolada prevista nos arts. 43 e 44, II "b" da lei 9.430/96 com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007 em seu art. 14. Ainda com relação ao relatório do decisum supracitado, ressaltese o entendimento do fisco em relação à aplicabilidade da Súmula CARF nº. 47, que segue: · A infração de recolhimento a menor das estimativas do mês de fevereiro/2009 foi cometida pela ABN AMRO BRASIL DOIS PARTICIPAÇÕES S/A. A pena de multa isolada ora tratada será aplicada sobre a empresa sucessora da AAB2PAR, que é sujeito passivo do atual trabalho de fiscalização. · A polêmica sobre o cabimento da cobrança de multas sobre o contribuinte sucessor já se encontra pacificado no âmbito administrativo tributário, por meio da Súmula CARFnº 47. · Na ficha 60 da DIPJ/2013 consta que a pessoa jurídica ZURICH SANTANDER HOLDING (SPAIN), S.L. detém 99,99 % das ações da Zurich Santander Brasil Seguros e Previdência S/A. · Por sua vez, à época do cometimento da infração objeto do presente auto, o Banco Santander Brasil S/A detinha 100% do capital social da AAB2PAR. · Resta portanto caracterizada a circunstância de que o infrator e seu sucessor, ora autuado, pertencem ao mesmo grupo econômico, aplicandose o julgado acima citado. · Demonstrativo das estimativas recolhidas a menor: Fl. 356DF CARF MF Processo nº 16327.720168/201404 Acórdão n.º 1302002.032 S1C3T2 Fl. 357 6 Quanto às razões de defesa, a contribuinte alega em peça impugnatória, repetida em Recurso Voluntário (fls. 290/317), os seguintes argumentos, os quais foram colhidos do relatório da decisão recorrida, vide: a) Preliminarmente, antes de se adentrar à análise dos argumentos de mérito que justificam a necessidade de cancelamento dos autos de infração originários desse processo, fazse necessário demonstrar a nulidade das multas isoladas ora impugnadas, uma vez que não houve subsunção dos fatos analisados pelo Sr. Agente Fiscal e a prescrição contida no artigo 44, inciso II, alínea "b", da Lei n° 9.430/96. b) Ocorre, contudo, que o presente caso não se trata de ausência de pagamento de estimativas, mas, sim de postergação de receita, ensejando a necessidade de aplicação do disposto no artigo 6°, parágrafos 5° e seguintes do Decretolei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977 ("Decretolei n° 1.598/77"). c) Não se trata de "deixar de recolher" o valor correspondente à estimativa no ano de2009, pois referido valor foi efetivamente recolhido no mês de setembro de 2009. Ou seja, não se pode falar em aplicação da multa isolada pela ausência de recolhimento da estimativa mensal, pois ela foi efetivamente recolhida (mesmo que em atraso) conforme reconhece o próprio Sr. Agente Fiscal. d) Por um equívoco com relação ao regime de competência, a AAB2PAR entendeu que o ganho de capital ora analisado deveria ter sido computado no cálculo das estimativas mensais apenas na data de sua incorporação, que ocorreu em 30/09/2009. e) Em razão desse equívoco na aplicação do regime de competência, o ganho de capital em questão compôs a base de cálculo das estimativas do IRPJ e da CSLL no mês de setembro de 2009 (R$ 175.579.523,75), acarretando no recolhimento de R$42.627.303,21 a título de estimativa do IRPJ (código de recolhimento n° 2362) e de R$14.850.933,79 (código de recolhimento n° 2484) a título de estimativa da CSLL. f) Mediante a análise dos esclarecimentos acima apontados, verificase que no caso em questão houve a postergação no reconhecimento da receita tributável que deveria ter sido reconhecida em fevereiro de 2009, mas foi apenas tributada no cálculo das estimativas do IRPJ e da CSLL no mês de setembro desse mesmo anocalendário. g) Com efeito, ao contrário do que foi defendido pelo Sr. Agente Fiscal, os fatos ora analisados não se subsumem à hipótese prevista no artigo 44, inciso II, alínea "b", da Lei n° 9.430/96, mas sim, ao disposto no artigo 6°, parágrafo 5°, do Decretolei n°1.598/77. h) Pela análise do trecho acima citado, notase que na situação analisada nesse processo ocorreu a postergação do pagamento das estimativas para exercício posterior(setembro/2009) ao que seria devido (fevereiro/2009). Isso porque, em se tratando de apuração e pagamento de estimativas, o "exercício" certamente há de ser o mês à que ela se refere. i) Como resultado, a consequência a ser aplicada à postergação no reconhecimento do ganho de capital ora analisado para o mês de setembro de 2009 é a necessidade de reconhecimento da postergação do pagamento da estimativa que seria devida em fevereiro de 2009, lançandose a diferença pelo Fl. 357DF CARF MF Processo nº 16327.720168/201404 Acórdão n.º 1302002.032 S1C3T2 Fl. 358 7 valor líquido, conforme previsto nos parágrafos 6º e 7º do artigo 6º do Decreto lei n° 1.598/77. j) De acordo com o Parecer Normativo Cosit nº 2/1996 o ajuste do lucro líquido e a recomposição dos períodos envolvidos (no caso, os meses de fevereiro e setembro de2009) é procedimento imprescindível para que a Fiscalização possa apurar a diferençados débitos pagos nos períodos afetados pela postergação de receitas, que deverão ser lançados pelo valor líquido conforme disposto no já mencionado parágrafo 6º do artigo6º do Decretolei n° 1.598/77. k) O procedimento correto a ser adotado pelo Sr. Agente Fiscal seria a imputação proporcional do pagamento a maior das estimativas em setembro de 2009 aplicando a multa isolada prevista no artigo 44, inciso II, alínea "b" sobre o eventual saldo de estimativa a pagar que remanescesse em fevereiro. l) Em sintonia com a doutrina e jurisprudência pacífica sobre o assunto, é necessário demonstrar a essa E. Turma Julgadora que a aplicação das multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL somente poderia ter sido realizada antes do encerramento do anobase de 2009. m) Como os auto de infração objeto do presente processo foram lavrado após o encerramento do anobase de 2009, eventuais insuficiências de recolhimento do IRPJ e da CSLL não mais poderão ser punidas pela exigência da multa isolada, conforme reiteradas decisões do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. n) Em nenhuma passagem do TVF o Sr. Agente Fiscal analisou a base acionária e o controle das empresas Zurich Santander Holding (Spain), S.L. e Banco Santander Brasil S/A, uma vez que, caso essa análise fosse feita, chegar seia a conclusão de que essas empresas possuem controladores diferentes, não pertencendo, assim, ao mesmo grupo econômico. o) A doutrina reconhece que deve haver uma unidade no poder decisório e acionário das empresas, para que se constitua um grupo econômico, o que não encontra respaldo fático no presente caso e tampouco foi demonstrado pelo Sr. Agente Fiscal no TVF. p) Ao contrário do que foi defendido pelo Sr. Agente Fiscal, devese afastar a aplicação da Súmula CARF n° 47 ao presente caso, tendo em vista o fato de que a companhia Zurich Santander Holding (Spain), S.L. e Banco Santander Brasil S/A não pertencem ao mesmo grupo econômico, motivo pelo qual se faz necessário o cancelamento dos autos de infração lavrados em face do Impugnante. q) O sucessor responde apenas pelos tributos devidos até a data da sucessão. Com relação às multas, devese averiguar o momento em que tal penalidade foi constituída, para então atribuirse ou não a responsabilidade ao incorporador. Isto porque, a multa fiscal somente será transferida ao sucessor se ela tiver sido lançada antes do ato sucessório (hipótese essa em que a multa já integra o passivo da empresa sucedida). r) Os autos de infração ora combatidos, por meio dos quais foram lançadas as multas isoladas foram lavrados em 26/02/2014, enquanto a incorporação da AAB2PAR pelo Impugnante ocorreu em 30/09/2009. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 16327.720168/201404 Acórdão n.º 1302002.032 S1C3T2 Fl. 359 8 s) A norma contida no artigo 132 do CTN não faz qualquer distinção entre hipóteses de sucessão entre empresas do mesmo grupo ou não, razão pela qual não poderia o Sr.Agente Fiscal estabelecer tal distinção quando da lavratura dos autos de infração. t) Não existindo previsão específica em lei que determine que, no caso de sucessão estabelecida entre empresas do mesmo grupo, deve ser imputada a multa contra a sucessora, aguarda a Impugnante que tal penalidade seja integralmente exonerada por essa E. Turma Julgadora, conforme já se manifestou o E. CARF. Em síntese, é como relato." Fl. 359DF CARF MF Processo nº 16327.720168/201404 Acórdão n.º 1302002.032 S1C3T2 Fl. 360 9 Voto Vencido Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator Ad Hoc para fins de formalização do Acórdão. Designado como Redator Ad Hoc para fins de formalização deste Acórdão, transcrevo abaixo a íntegra do voto (vencido) proferido pela Relatora, Conselheira Talita Pimenta Félix, na Sessão de Julgamento de 26 de janeiro de 2017, verbis: "Breve relato dos fatos O processo administrativo tributário referese à cobrança de IRPJ e CSLL decorrente de autos de infração lavrados para a cobrança de multa isolada em decorrência de recolhimento a menor de estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, no montante de R$ 27.156.764,20, relativo ao mês de fevereiro de 2009. A Recorrente assume o pólo passivo da lide na condição de sucessora por incorporação de ABN ANRO BRASIL DOIS PARTICIPAÇÕES S/A (ABN) que, em 27/02/2009, vendeu 100% de sua participação na companhia REAL CAPITALIZAÇÃO S/A (REAL) para o SANTANDER CAPITALIZAÇÃO S/A (SANTANDER), pelo valor de R$ 258.281.000,00. O ganho de capital oriundo da operação realizada entre ABN e SANTANDER, no valor de R$ 159.745.671,73, não foi oferecido à tributação das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL em fev/2009, ocasionando um recolhimento a menor do pagamento do tributo, por estimativa, fato, sujeito à imputação da multa isolada. Em 30/09/2009 a ABN escriturou o ganho de capital na conta de receita não operacional (7.3.1.10.00), apuração que se deu com base na receita bruta, impactando o resultado líquido apurado pela ABN no ajuste da DIPJ da incorporação. PRELIMINARMENTE 1.1 Da tempestividade O recurso voluntário é tempestivo, por isso o conheço. 1.2 Da nulidade por vício de fundamentação contido nos Autos de Infração Em sua peça defensória a contribuinte alega ausência de subsunção do fato jurídico à norma jurídica, ou seja, entende que o fato que realizou foi recolher tributo por estimativa em período diverso do regime de competência, e, não o fato de ter recolhido a menor estimativa mensal do IRPJ e da CSLL, relativos ao mês de fevereiro de 2009. De tal modo, entende que o Fl. 360DF CARF MF Processo nº 16327.720168/201404 Acórdão n.º 1302002.032 S1C3T2 Fl. 361 10 correto seria a imputação do dispositivo previsto no art. 6o, parágrafos 5o e seguintes do Decretolei n. 1.598/77, e não no art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei n. 9.430/96. Noutros termos, teria a contribuinte postergado o pagamento do imposto por estimativa, e não deixado de recolher as estimativas, de modo que “não se pode falar em aplicação da multa isolada pela ausência de recolhimento da estimativa mensal, pois ela foi efetivamente recolhida (mesmo que em atraso)”. Notase que as condutas que ora se discute são: postergar e absterse. A primeira revela um ato que não foi realizado no momento correto e, a segunda diz sobre algo que não foi realizado. Há uma ambiguidade: provisório versus permanente. Naturalmente, claro, respectiva observação há que ser registrada em um determinado período de tempo, há que existir esse recorte, imprescindível à apreensão do conhecimento. Esse o caminho trilhado pela contribuinte, veja: Dessa forma, não se trata de “deixar de recolher” o valor correspondente à estimativa no ano de 2009, pois referido valor foi efetivamente recolhido no mês de setembro de 2009. Ou seja, não se pode falar em aplicação da multa isolada pela ausência de recolhimento da estimativa mensal, pois ela foi efetivamente recolhida (mesmo que em atraso) conforme reconhece o próprio Sr. Agente Fiscal. Neste sentido, cumpre ressaltar que, por um equívoco com relação ao regime de competência, a AAB2PAR entendeu que o ganho de capital ora analisado deveria ter sido computado no cálculo das estimativas mensais apenas na data de sua incorporação, que ocorreu em 30/09/2009. Assim, entende a Recorrente que a inexatidão quanto ao períodobase de escrituração do ganho de capital somente constitui fundamento para lançamento de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar a postergação do pagamento imposto para exercício posterior ao que seria devido. Consequentemente, tal ato resulta no lançamento da diferença pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro períodobase a que a contribuinte tiver direito (art. 6o, parágrafos 5o e seguintes do Decretolei n. 1.598/77), cujo teor segue: Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. (...) § 5º A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) a postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou Fl. 361DF CARF MF Processo nº 16327.720168/201404 Acórdão n.º 1302002.032 S1C3T2 Fl. 362 11 b) a redução indevida do lucro real em qualquer períodobase." (g.n.) "§ 6º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro Períodobase a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4º. § 7º O disposto nos §§ 4º e 6º não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência. O Parecer Normativo Cosit n. 02/96 revela que Fisco, ou contribuinte, ao se depararem com uma inexatidão quanto ao períodobase de reconhecimento de receita ou de apropriação de custo ou despesa deverá excluir a receita do lucro líquido do períodobase competente, conforme segue: "5.2 O § 4º, transcrito, é um comando endereçado tanto ao contribuinte quanto ao fisco. Portanto, qualquer desses agentes, quando deparar com uma inexatidão quanto ao períodobase de reconhecimento de receita ou de apropriação de custo ou despesa deverá excluir a receita do lucro líquido correspondente ao período base indevido e adicionála ao lucro líquido do períodobase competente; em sentido contrário, deverá adicionar o custo ou a despesa ao lucro líquido do períodobase indevido e excluílo do lucro líquido do períodobase de competência. 5.3 Chamase a atenção para a letra da lei: o comando é para se ajustar o lucro líquido, que será o ponto de partida para a determinação do lucro real; não se trata, portanto, de simplesmente ajustar o lucro real, mas que este resulte ajustado quando considerados os efeitos das exclusões e adições procedidas no lucro líquido do exercício, na forma do subitem 5.2. Dessa forma, constatados quaisquer fatos que possam caracterizar postergação do pagamento do imposto ou da contribuição social, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) tratandose de receita, rendimento ou lucro postecipado: excluir o seu montante do lucro líquido do períodobase em que houver sido reconhecido e adicionálo ao lucro líquido do período base de competência; (...) c) apurar o lucro real correto, correspondente ao períodobase do início do prazo de postergação e a respectiva diferença de imposto, inclusive adicional, e de contribuição social sobre o lucro líquido; (...) f) apurar o lucro real e a base de cálculo da contribuição social, corretos, correspondentes a cada períodobase, inclusive o da Fl. 362DF CARF MF Processo nº 16327.720168/201404 Acórdão n.º 1302002.032 S1C3T2 Fl. 363 12 correção monetária, e a dedução da diferença da contribuição social sobre o lucro líquido; g) apurar as diferenças entre os valores pagos e devidos, correspondentes ao imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro líquido. Neste sentido, a Recorrente finaliza requerendo a nulidade dos autos de infração em razão do erro de fundamentação acima citado e da ausência de prejuízo à arrecadação pública. Pois bem, depreendese do raciocínio da contribuinte que o lançamento tributário teria sido constituído com vício material, ou seja, não existindo adequação do fato praticado pelo sujeito passivo àquele que a fiscalização reputa infringido. Quanto à definição do conceito de “erro de fato”, segundo lições de Paulo de Barros Carvalho, é um problema de utilização inadequada das técnicas lingüísticas de certificação do evento, verificado quando o enunciado factual não correspondesse às provas produzidas, enquanto o “erro de direito” seria um problema de subsunção, causado quando o enunciado protocolar constituído como fato jurídico busca fundamento numa norma, quando na verdade deveria buscar em outra1. O “erro de fato” é um engano com relação aos recursos de linguagem utilizados para a produção do fato jurídico, é relativo às provas; aparece quando da releitura dos enunciados probatórios, nova situação jurídica, diferente daquela descrita pelo fato jurídico, é percebida. Já o “erro de direito” é uma confusão com relação à norma aplicada. É verificado quando, após a produção da norma individual e concreta constatase que a norma aplicada não deveria ser aquela, mas outra. No erro de fato, temos um desajuste que é interno ao fato (enunciado). Já no erro de direito o desajuste é externo. Tomando como base a norma individual e concreta produzida, o erro de fato é intranormativo e o erro de direito extranormativo. Retomando os fatos debatidos nos autos, a contribuinte apresenta provas de que o ganho de capital participou da composição da base de cálculo das estimativas relativas ao mês de setembro de 2009, no valor de R$ 159.745.671,73 (doc. 04 da impugnação), sendo recolhido R$ 42.627.303,21 de IRPJ e R$ 14.850.933,79 de CSLL. Adotandose as premissas acima estabelecidas, entendo que razão assiste à contribuinte uma vez que lhe foi imputada conduta infracional diversa da que realizou, de modo que não há como sustentar a constituição do crédito tributário nos moldes em que fundamentado no Termo de Verificação Fiscal, por ausência – agora sim – de subsunção do fato à norma. Nestes termos, conheço a nulidade arguida pela parte. 2. MÉRITO Superada a preliminar, passo à análise do mérito. 1 Direito tributário: fundamentos jurídicos da incidência, p. 96 Fl. 363DF CARF MF Processo nº 16327.720168/201404 Acórdão n.º 1302002.032 S1C3T2 Fl. 364 13 2.1. Da Análise dos Autos O Acórdão n. 1662.986 proferido pela 8a Turma da DRJ/SP1, ao descrever a natureza jurídica da multa isolada faz os seguintes apontamentos, os quais transcrevo: Sobre a natureza jurídica da multa isolada, já com a nova redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.488/2007, trazemos à colação as considerações de Marcos Vinicius Neder (…) Correção legislativa da norma de sanção por falta de pagamento de estimativas Em razão da reiterada jurisprudência administrativa, a Administração Tributária decidiu propor a edição de Medida Provisória para o aperfeiçoamento da legislação sobre a penalidade isolada por falta de pagamento de estimativas. Nesse sentido, foi editada a MP 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei 11.488, de 15 de junho de 2007, que promove a alteração da redação do art. 44 da Lein° 9.430/96 no tocante a multa isolada, a saber: (... ) Vê, portanto, que nova lei alterou a base de cálculo da multa isolada (inciso II) que passa a incidir sobre o valor do pagamento mensal de estimativa. Como isso, a aplicação dessa multa não está mais vinculada ao valor do tributo devido ao final do período de apuração do imposto e passa a ser exigida sobre o valor de omissão de recolhimento de estimativa mensal. Além disso, o percentual de multa foi ajustado para 50%, tornando a punição proporcional ã infração ao dever de antecipar o recolhimento do tributo. Se considerarmos que a multa é ainda passível de redução para 25% no caso de pagamento dentro do prazo de impugnação, o novo percentual se aproxima ao exigido na multa de mora. É importante destacar as conclusões acima reproduzidas para fixarmos com clareza os elementos da conduta delituosa que enseja a aplicação da multa prevista no art. 44, II. Período de apuração é o espaço de tempo (mês, trimestre ou ano) delimitado pela legislação tributária, compreendido no ano calendário, durante o qual são apurados os resultados econômicos das pessoas jurídicas e calculado o respectivo imposto . Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o período de apuração dos resultados da pessoa jurídica será trimestral (lucro real, presumido ou arbitrado). Contudo, a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, devendo apurar o lucro real em 31 de dezembro do anocalendário, ou na data do evento, nos casos de fusão, cisão, incorporação e extinção (RIR/99, art. 220 e 221). Na exposição de motivos da Lei nº 9.430/1996, ficam bem claros os objetivos do legislador: Fl. 364DF CARF MF Processo nº 16327.720168/201404 Acórdão n.º 1302002.032 S1C3T2 Fl. 365 14 "O projeto propõe, em seus arts. 1° a 6°, a alteração do período de apuração do imposto de renda de mensal para trimestral possibilitando significativa simplificação das obrigações fiscais acessórias, notadamente no que se refere as informações mensalizadas exigidas nas declarações de rendimentos. No novo regime de apuração trimestral, o imposto devido será pago até o último dia útil do mês subseqüente, facultado o parcelamento em três quotas, com a incidência da taxa SELIC a partir do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração, até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês do pagamento. Mantémse, contudo, para as empresas sujeitas ao regime de tributação com base no lucro real, a opção por recolhimentos em bases estimadas mensais (art. 2°), sendo que, neste caso, sobre a base de cálculo superior a R$ 20.000,00, incidirá, também, mensalmente, o adicional do imposto de renda que, pela legislação atual, ocorre apenas quando da declaração de ajuste. Além da simplificação, as alterações propostas têm por objetivo, tanto quanto possível, fazer coincidir o valor dos recolhimentos mensais por estimativa com o valor efetivamente devido pelo contribuinte. " (...) A penalidade do inciso II foi instituída com o objetivo de evitar que o contribuinte, optante pelo sistema de apuração com base nas estimativas, deixasse de fazer os recolhimentos na forma determinada pela legislação, ou seja, com base na receita bruta e acréscimos. Notese que o art. 35 da Lei nº 8.981/1995 permitiu a redução deste valor através de balanços ou balancetes mensais, que demonstrem que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. (...) É fundamental esclarecer que, estando a atividade da fiscalização e do julgador vinculada à legislação vigente no ordenamento jurídico, não podendo dela nunca se afastar (art. 142, § único, CTN), cabe, obrigatoriamente, aplicála ao caso concreto. A 8a Turma da DRJ/SP1 ao descrever a natureza jurídica da multa isolada em razão do não recolhimento de estimativas mensais, estabelece as seguintes premissas: i. que período de apuração é o espaço de tempo estabelecido pela lei, podendo ser mensal, semestral ou anual. Que as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, de apuração mensal, pagarão o imposto sobre base de cálculo estimada, devendo apurar o lucro real em 31/dezembro ou na data do evento (fusão, cisão, incorporação ou extinção); Fl. 365DF CARF MF Processo nº 16327.720168/201404 Acórdão n.º 1302002.032 S1C3T2 Fl. 366 15 ii. que o contribuinte, acaso não recolha o tributo nos moldes estabelecidos pela lei, ou seja, com base na receita bruta e acréscimos, estará sujeito à imputação da multa por estimativa. Que as regras do art. 6o do Decretolei n. 1.598/77 referemse ao lucro real; iii. que a falta de seu pagamento é a conduta que enseja a aplicação da multa. Que não se trata de postergação de pagamento de imposto para exercício posterior, mas de descumprimento do dever de efetuar o pagamento mensal dos tributos; iv. que a multa isolada foi instituída justamente para ser aplicada após a declaração de ajuste. Firmadas tais premissas, notase que a Turma Julgadora, ao mesmo tempo que reconhece que o período de apuração pode ser mensal, conclui que as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, além de não pagarem tributo, adotam como referência de períodobase para recolhimento o exercício seguinte, são suas essas palavras: Como se depreende da leitura do caput , as regras do art. 6º referemse ao lucro real, ou seja, ao resultado obtido no período de tempo determinado pela legislação, durante o qual são apurados os resultados econômicos das pessoas jurídicas. No presente caso, o período de apuração corresponde aos primeiros nove meses do ano calendário de 2009, uma vez que a pessoa jurídica foi incorporada e optou pela apuração dos tributos na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996. Em sendo assim, não ocorreu a hipótese descrita nos parágrafos 4º e seguintes do art. 6º, não havendo que se falar em“inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, ou reconhecimento do lucro”. O ganho de capital foi auferido no ano calendário de 2009, e foi computado no próprio exercício, não tendo havido postergação de receita de um período de apuração para outro. Como a estimativa mensal não pode ser considerada um tributo, é impróprio dizer que o mês é um período de apuração. O período é anual, ou, no caso de incorporação, cisão ou fusão, abrange os meses do ano calendário até a data do evento. Não houve equivoco na aplicação do regime de competência, mas simples erro na apuração da estimativa devida que resultou em falta de recolhimento. Quanto ao pagamento, à realização do verbo (pagar), a DRJ em diversos trechos de seu voto diz que a conduta que enseja a imputação da multa é o não pagamento, o que é justamente o que alega a Recorrente, seguem trechos da manifestação do acórdão recorrido: A penalidade do inciso II foi instituída com o objetivo de evitar que o contribuinte, optante pelo sistema de apuração com base nas estimativas, deixasse de fazer os recolhimentos na forma Fl. 366DF CARF MF Processo nº 16327.720168/201404 Acórdão n.º 1302002.032 S1C3T2 Fl. 367 16 determinada pela legislação, ou seja, com base na receita bruta e acréscimos. A fiscalização constatou, após o término do ano calendário, o recolhimento a menor da estimativa devida no mês de fevereiro. Diante deste fato, não lhe restou outra alternativa senão aplicar a penalidade prevista no inciso II, do art. 44 , com a redação atual, que é norma bem clara e não gera mais controvérsia acerca de sua base de cálculo: o valor do pagamento mensal. Quanto à base tributável, o acórdão entende que o art. 6o do Decretolei n.º 1.598/77 não se aplica ao caso em tela por fazer referência ao lucro real. Pois bem, se o recolhimento por estimativa representa a sistemática de apuração mensal do IRPJ e da CSLL, mediante antecipação do tributo, cuja sistemática ao final do anobase demanda que o contribuinte faça sua declaração de ajuste anual, apurando o lucro líquido do período, e, consequentemente, o lucro real, não parece possível defender que o art. 6o, por referirse ao lucro real não deve ser aplicado à contribuinte. Com fulcro no exposto acima, acolher o recurso da contribuinte e voto pela sua PROCEDÊNCIA. 2.2. Da Impossibilidade do Lançamento da Multa na Hipótese de Responsabilidade Tributária por Sucessão Vencida no mérito, passo à análise da responsabilidade tributária por sucessão, donde a Recorrente alega que deve ser afastada a Súmula CARF n. 47 ao presente caso, uma vez que a contribuinte e o SANTANDER não participaram de um mesmo grupo econômico, pois bem, nestes termos segue entendimento da DRJ: "Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico." Esta súmula afasta completamente o entendimento de que a multa fiscal somente será transferida ao sucessor se ela tiver sido lançada antes do ato sucessório. Restanos portanto, analisar se ela é aplicável ao presente caso. A fiscalização assim se manifestou sobre a questão: "A infração de recolhimento a menor das estimativas do mês de fevereiro/2009 foi cometida pela ABN AMRO BRASIL DOIS PARTICIPAÇÕES S/A. Em 30/09/2009 a AAB2PAR foi incorporada pela ZURICH SANTANDER BRASIL SEGUROS E PREVIDÊNCIA S.A. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 16327.720168/201404 Acórdão n.º 1302002.032 S1C3T2 Fl. 368 17 Assim sendo, a pena de multa isolada ora tratada será aplicada sobre a empresa sucessora da AAB2PAR, que é sujeito passivo do atual trabalho de fiscalização. Cabe observar que a polêmica sobre o cabimento da cobrança de multas sobvre o contribuinte sucessor já se encontra pacificado no âmbito administrativotributário, por meio de recente Súmula Consolidada e Aprovada pelo CARF: (...) Na ficha 60 da DIPJ/2013 consta que a pessoa jurídica ZURICH SANTANDER HOLDING (SPAIN), S.L. detém 99,99% das ações da Zurich Santander Brasil Seguros e Previdência S/A. Por sua vez, à época do cometimento da infração objeto do presente auto, o Banco Santander Brasil S/A detinha 100% do capital social da AAB2PAR. Resta portanto caracterizada a circunstância de que o infrator e seu sucessor, ora autuado, pertencem ao mesmo grupo econômico, aplicandose o julgado acima citado." Por sua vez, a impugnante afirma que em nenhuma passagem do TVF o Sr. Agente Fiscal analisou a base acionária e o controle das empresas Zurich Santander Hoding (Spain), S.L. e Banco Santander Brasil S/A, uma vez que, caso essa análise fosse feita, chegarseia a conclusão de que essas empresas possuem controladores diferentes, não pertencendo, assim, ao mesmo grupo econômico. Estes elementos são mais do que suficientes para comprovar a afirmação da fiscalização de que o infrator e o sucessor pertencem ao mesmo grupo econômico. Na realidade, na data da incorporação, o controlador da incorporadora e da incorporada é o mesma pessoa jurídica, qual seja, o Banco Santander Brasil S/A, que detém 100% das ações do Santander Seguros S/A, e da AAB2PAR. Em contrapartida, a Recorrente alega que a Súmula CARF n. 47 não se aplica ao seu caso, uma vez que à época da ocorrência da incorporação do ABN, referidas empresas não faziam parte de mesmo grupo econômico, mas sim de grupos distintos. Além de pertencerem a mesmo grupo, defende que deve haver unidade no poder decisório e acionário das empresas envolvidas. E que nos termos do art. 132 do CTN o sucessor somente responde pelos tributos devidos até a data da sucessão, em suas palavras: (...) tivessem o Sr. Agente Fiscal e a Turma Julgadora analisado a base acionária e o controle das empresas Zurich Santander Holding (Spain), S.L. e Banco Santander Brasil S/A, teriam chegado à conclusão de que essas empresas possuem controladores diferentes, não pertencendo, assim, ao mesmo grupo econômico. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 16327.720168/201404 Acórdão n.º 1302002.032 S1C3T2 Fl. 369 18 De fato, não bastaria presumir que pelo simples fato de possuir a denominação Zurich Santander Holding (Spain), S.L. faria com que essa empresa necessariamente fosse do mesmo grupo econômico do Banco Santander Brasil S/A. Caso essa questão fosse analisada com a devida cautela, seria constatado que o grupo econômico Santander não possui poder de controle sobre a Zurich Santander Holding (Spain), S.L. (controladora do Recorrente), motivo pelo qual se trata de um grupo econômico diferente daquele detentor do controle do Banco Santander Brasil S/A. (...) Mediante a análise do enunciado prescritivo acima transcrito, notase, com clareza, que o sucessor responde apenas pelos tributos devidos até a data da sucessão. Com relação às multas, devese averiguar o momento em que tal penalidade foi constituída, para então atribuirse ou não a responsabilidade ao incorporador. Isto porque, a multa fiscal somente será transferida ao sucessor se ela tiver sido lançada antes do ato sucessório (hipótese essa em que a multa já integra o passivo da empresa sucedida). No caso em análise, os autos de infração ora combatidos, por meio dos quais foram lançadas as multas isoladas, foram lavrados em 26/02/2014, enquanto a incorporação da AAB2PAR pelo Recorrente ocorreu em 30/09/2009 conforme destacado pelo próprio Sr. agente Fiscal na fl. 177 dos autos. Ante o exposto, adoto as razões da Recorrente e dou provimento ao recurso voluntário para cancelar integralmente o lançamento tributário constituído em desfavor do sujeito passivo sucessor, por infração que lhe imputou a ausência de recolhimento de estimativa mensal no exercício de 2009. É como voto. Talita Pimenta Félix Relatora." (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator Ad Hoc para fins de formalização do Acórdão. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 16327.720168/201404 Acórdão n.º 1302002.032 S1C3T2 Fl. 370 19 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Redator designado. Apesar do brilhante voto da Conselheira Relatora, peço permissão para discordar do seu entendimento em relação ao provimento do Recurso Voluntário em relação a preliminar de nulidade suscitada pela recorrente. Segundo a recorrente, não se trata de “deixar de recolher” o valor correspondente à estimativa no ano de 2009, pois referido valor foi efetivamente recolhido no mês de setembro de 2009. Ou seja, não se pode falar em aplicação da multa isolada pela ausência de recolhimento da estimativa mensal, pois ela foi efetivamente recolhida (mesmo que em atraso) conforme reconhece o próprio Sr. Agente Fiscal. Por esse motivo, entende a Relatora, que a “inexatidão quanto ao período base de escrituração do ganho de capital somente constitui fundamento para lançamento de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar a postergação do pagamento imposto para exercício posterior ao que seria devido. Consequentemente, tal ato resulta no lançamento da diferença pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro períodobase a que a contribuinte tiver direito.” Contudo, entendo que não estamos diante de uma postergação do pagamento do imposto para exercício posterior, mas simples descumprimento do dever de efetuar o pagamento mensal dos tributos na forma determinada pela legislação. Para esta infração existe uma sanção específica, qual seja, a multa isolada do inciso II, do art. 44 da Lei n.º 9.430/96. A fiscalização constatou, após o término do ano calendário, o recolhimento a menor da estimativa devida no mês de fevereiro. Diante deste fato, não lhe restou outra alternativa senão aplicar a penalidade prevista no inciso II, do art. 44 da Lei n.º 9.430/96, com a redação atual, que é norma bem clara e não gera mais controvérsia acerca de sua base de cálculo: o valor do pagamento mensal. Portanto, não há que se falar “que foi imputada conduta infracional diversa da que o contribuinte realizou”, notadamente quando estamos diante de um simples erro na apuração da estimativa devida que resultou em falta de recolhimento. Logo, constatada a correlação entre o fato jurídico e a norma jurídica de regência, descabe a alegação de nulidade. Ante o exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento a preliminar de nulidade suscitada pela recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 370DF CARF MF Processo nº 16327.720168/201404 Acórdão n.º 1302002.032 S1C3T2 Fl. 371 20 Fl. 371DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.721354/2014-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010, 2011, 2012
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO.
O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. No caso, exclui-se da exigência o montante correspondente aos depósitos com origem devidamente demonstrada e mantém-se a tributação quanto ao remanescente.
PROVA PERICIAL. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Indefere-se o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerá-las prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas.
PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de realização de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando demonstrada a desnecessidade de produção de novas provas para formar a convicção do aplicador.
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. ILEGALIDADE INEXISTENTE.
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00.
MULTA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE NO CARF. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO.
Nos termos das normas aplicáveis ao processo administrativo fiscal, na impugnação deve ser apresentada toda a matéria de defesa, ficando prejudicada a análise de questões novas que sejam trazidas tão somente no recurso.
EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA À JURÍDICA. LOTEAMENTO DE IMÓVEIS.
Serão equiparadas às pessoas jurídicas as pessoas físicas que assumirem a iniciativa e a responsabilidade de incorporação ou loteamento em terrenos urbanos ou rurais, a partir da data que a documentação for arquivada no Registro Imobiliário, nos termos do art. 151, inciso I, do RIR/99, mesmo que o intuito principal do empreendimento não seja o lucro.
Numero da decisão: 2401-004.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir da base de cálculo o valor relativo ao ganho de capital incidente sobre a alienação de imóvel, nos termos do voto.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ORIGEM. COMPROVAÇÃO. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. No caso, excluise da exigência o montante correspondente aos depósitos com origem devidamente demonstrada e mantémse a tributação quanto ao remanescente. PROVA PERICIAL. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerálas prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas. PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de realização de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando demonstrada a desnecessidade de produção de novas provas para formar a convicção do aplicador. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. ILEGALIDADE INEXISTENTE. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. MULTA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE NO CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 72 13 54 /2 01 4- 35 Fl. 1923DF CARF MF 2 SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO. Nos termos das normas aplicáveis ao processo administrativo fiscal, na impugnação deve ser apresentada toda a matéria de defesa, ficando prejudicada a análise de questões novas que sejam trazidas tão somente no recurso. EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA À JURÍDICA. LOTEAMENTO DE IMÓVEIS. Serão equiparadas às pessoas jurídicas as pessoas físicas que assumirem a iniciativa e a responsabilidade de incorporação ou loteamento em terrenos urbanos ou rurais, a partir da data que a documentação for arquivada no Registro Imobiliário, nos termos do art. 151, inciso I, do RIR/99, mesmo que o intuito principal do empreendimento não seja o lucro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir da base de cálculo o valor relativo ao ganho de capital incidente sobre a alienação de imóvel, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 1924DF CARF MF Processo nº 10746.721354/201435 Acórdão n.º 2401004.718 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2102 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 9ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo subsidiário do crédito tributário, especificamente em relação a este Processo Administrativo Fiscal, incluído no seguinte Auto de Infração: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Física, ciência em 11/12/2014 (fl. 02), acostado às fls. 02/06, 07/30 e 80/99, relativo ao Exercícios 2011, 2012 e 2013, anos calendários 2010, 2011 e 2012, que lhe exige créditos tributários nos valores de R$ 17.485.313,78 (IRPF, multa de ofício, juros de mora e multa isolada) e R$ 269.684,61 (IRPF sobre ganho de capital, multa de ofício e juros de mora). O lançamento decorreu em face da apuração das seguintes infrações: a) Valores creditados em contas correntes do contribuinte, que tiveram origem comprovada como oriundos de intermediação/comercialização de bovinos,considerados rendimentos sujeitos a tributação na Declaração de Ajuste Anual; b) Imposto de Renda incidente sob o ganho de capital resultante da alienação de imóvel situado no perímetro suburbano da cidade de GurupiTO, tendo inscrição de imóvel rural perante a Receita Federal (NIRF) nº 3.772.8482. De acordo com Relatório de Procedimento Fiscal de fls. 07/29, constatouse, a respeito da primeira infração (omissão de rendimentos): (...) 1.5 A partir dos arquivos advindos dos bancos realizouse separação dos lançamentos feitos a crédito nas contas correntes da contribuinte visando identificação das receitas/rendimentos omitidos à tributação federal, conforme dispositivo do Art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não foram considerados pela fiscalização, sendo excluídos, lançamentos a título de contratação de empréstimos, resgates de aplicações financeiras, estornos diversos, ou transferências oriundas da própria contribuinte.1.6 Verificouse que as contas correntes dos Bancos Bradesco e HSBC receberam aportes financeiros que ensejaram nova intimação visando que a contribuinte se manifestasse sobre a origem de cada crédito, nas planilhas “CCHSBC_523_2802301.xls”, “CC HSBC_523_2071420 Fl. 1925DF CARF MF 4 (conjunta).xls” e “CCBRADESCO_590_37000.xls” (arquivos inseridos em DVD específico). Solicitousepara cada lançamento os respectivos documentos que embasaram o recebimento do crédito (exs.: Notas fiscais; Contratos de venda de mercadorias,bens móveis ou imóveis ou semoventes; Registros cartoriais ou outras provas que indiquem inequivocamente as origens dos recursos). Na intimação foi solicitado que a contribuinte se manifestasse nas planilhas, reencaminhadoas à fiscalização, fazendo cópia em papel com assinatura do que foi respondido. Essa intimação foi feita pelo TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCALN°01 (TCIF01) e teve ciência em 01/07/2014 através do AR / ECT nº AS 35949083 2 BR. (...) 1.8 Em 29/09/2014 a contribuinte, através de seu procurador, protocolizou ofício na Agência da Receita Federal de Gurupi em que apresentou os seguintes elementos/documentos: a) Texto do ofício encaminhando documentação, na qual está registrado que “A principal fonte de aportes financeiros são as cópias de Notas Fiscais de venda de bovinos (semoventes) conforme demonstrado nas próprias notas fiscais em anexo”; b) Cópias de contratos bancários referentes à obtenção de financiamento de capital e de empréstimo de crédito pessoal, e a cédulas rurais hipotecárias; c) Cópias de extratos de movimentação financeira do banco HSBC; d) Retorno do DVD que acompanhou a TCIF01 com arquivos preenchidos indicando, para cada lançamento “Movimentação referese a única e exclusivamente as atividades de comercialização e intermediação de bovinos”. Não foi apresentado qualquer cópia impressa e assinada de planilha,conforme fora solicitado (item 1.6); e) 03 volumes intitulados “NOTAS FISCAIS– RECEITAS” para os anos de 2010, 2011 e 2012, volumes esses capeados pelos documentos “CONSOLIDAÇÃO DE RECEITAS E DESPESAS” (referentes aos livros caixa) dos respectivos anos, com valores que não correspondem ao antes encaminhado e descrito no item 1.2(c), acima; f) 02 volumes intitulados “NOTASFISCAIS – DESPESAS”, com documentos, para todos os meses do ano 2011. 1.9 Conforme acima, identificouse no Banco HSBC conta corrente conjunta da Sra. Derci Ismeria Alves e seu esposo – Sr. Cantidiano Alves Dourado(CPF092.594.14172), referente ao arquivo “CC HSBC_523_2071420(conjunta).xls”. Segundo o Art. 42, § 6º, da Lei nº 9.430 de 27/12/1996 (item5.2.1, abaixo), para tal situação impõese a abertura de procedimento fiscal em desfavor do outro titular da conta, o que aconteceu através do MPF 01.5.01.002014000503. (...) 1.11 A contribuinte teve ciência do TCIF03 em 28/10/2014, através do AR /ECT SA 35949114 9 BR, encaminhando resposta em 07/11/2014 com documentos atestando alguns empréstimos contratados com bancos e pendrive com os arquivos "CC HSBC_523_2071420 (conjunta).xls", "CC BASA_59_030822(conjunta).xls", " CC BB_7943_70580 Fl. 1926DF CARF MF Processo nº 10746.721354/201435 Acórdão n.º 2401004.718 S2C4T1 Fl. 4 5 (conjunta).xls" e " CC ITAÚUNIBANCO_ 0867_182792 (2).xls" em que se atesta o seguinte para os créditos arrolados nas planilhas: Para 2010 e 2011: "Referese a empréstimos bancários de crédito rurais e pessoal e intermediação de compra e venda de bovinos";Para 2012: "Referese a transação imobiliária (venda de imóvel), empréstimos bancários de crédito rurais e pessoal e intermediação de compra e venda de bovinos". O arquivo "CC HSBC_523_2071420 (conjunta).xls" possui duas linhas com registros diferenciados que serão comentados no item 4.4. (...) 4 – DOS LEVANTAMENTOS ACERCA DOS RENDIMENTOS OMITIDOS EMVALORES CREDITADOS EM CONTA DE DEPÓSITO OU DE INVESTIMENTOMANTIDA JUNTO A INSTITUIÇÃO FINANCEIRA.4.1 para o devido enquadramento devem ser consideradas as seguintes condições:a) Os livros caixa, e respectivas notas fiscais, mencionados nos itens 1.2(c), e1.8(e) e (f), indicaram que as transações realizadas pela contribuinte envolveram unicamente a compra e venda de bovinos;b) Segundo as informações transcritas no item 1.8(a) e (d) e 1.11, considerese como fonte dos aportes nas contas correntes a venda de bovinos e eventuais operações de crédito e venda de imóveis;d) Não se apresentou qualquer outra informação acerca de aportes de valores que não foram declarados em DIRPF (aluguéis, vendas de produção, venda de bens móveis ou imóveis);e) Apesar de a Sra. Derci Ismeria possuir propriedade rural em seu nome – NIRF01.69469.9900 , e apesar de haver declaração de imposto de renda de pessoa física (DIRPF), ano calendário 2012, em que se declara atividade rural, não é possível identificar nos documentos recebidos por essa fiscalização essa referida atividade, mas apenas a atividade econômica de compra e venda de bovinos. (...) 4.2.4 Quanto ao enquadramento da atividade de compra e venda –intermediação de bovinos está imposto o seguinte no Art. 58 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR (Decreto 3.000 de 26 de março de 1999):Art. 58. Considerase atividade rural (Lei n º 8.023, de 12 de abril de 1990, art.2º, Lei n º 9.250, de 1995, art.17, e Lei n º 9.430, de 1996, art. 59): I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura,sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; Fl. 1927DF CARF MF 6 (...) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas (Lei n º 8.023, de 1990, art. 2 º , parágrafo único, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 17). (grifouse)4.2.5 – Considerando os contornos postos nos item 4.1, e identificandose a atividade desenvolvida como de compra e venda de animais, sob a qual incidem corretagens ou comissões, recorrese ao Art. 45 do RIR que versa sobre os respectivos rendimentos auferidos. Seção II Rendimentos do Trabalho Nãoassalariado e Assemelhados Rendimentos Diversos Art. 45. São tributáveis os rendimentos do trabalho não assalariado, tais como (Lei nº7.713, de 1988, art. 3 º , § 4 º ): I honorários do livre exercício das profissões de médico, engenheiro,advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista,pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas; (...) V corretagens e comissões dos corretores, leiloeiros e despachantes, seus prepostos e adjuntos; (grifouse) (...) 4.3 Estão anexos ao processo e esse Relatório, os arquivos “CCBRADESCO_590_37000.pdf”; “CC HSBC_523_2802301.pdf” que foram originalmente respondidas em todos os registros pela contribuinte com:“Movimentação referese a única e exclusivamente as atividades de comercialização e intermediação de bovinos” e o arquivo “CCHSBC_523_2071420 (conjunta).pdf” que teve resposta definitiva da contribuinte,conforme item 1.11, para todos os registros: "Referese a empréstimos bancários de crédito rurais e pessoal e intermediação de compra e venda de bovinos". (...) 4.6 – Com todo esse exposto, serão considerados para todos os valores creditados, em todas as contas correntes do contribuinte, que tiveram solicitação de origem/comprovação pela fiscalização como oriundos de intermediação/comercialização de bovinos. 4.7 Assim, combinandose a íntegra dos fatos relatados nos itens 4.1, 4.3 a 4.6,acima, e as imposições da Legislação colocadas no item 4.2, cabe, para todos os valores depositados na conta corrente, já com as exclusões detalhadas no item4.5, fazer o enquadramento dos rendimentos como sujeitos a tributação na Declaração de Ajuste Anual, conforme tabela progressiva vigente à época,segundo estabelece o Art. 42, § 4º, da Lei 9.430 de 1996 (vide item 4.2.1, acima). Fl. 1928DF CARF MF Processo nº 10746.721354/201435 Acórdão n.º 2401004.718 S2C4T1 Fl. 5 7 4.8 – Em relação aos critérios de proporcionalização de créditos nas contas correntes conjuntas, esta fiscalização optou por fazer rateio em função das despesas escrituradas nos livros caixas da Sra. Derci Ismeria e do Sr. Cantidiano Alves. (...) 4.10 – O quadro “TOTALIZAÇÃO DE CRÉDITOS EM CONTAS CORRENTES– DERCI ISMERIA SOARES ALVES”, também anexo ao Relatório, indica as receitas consolidadas nas contas correntes de titularidade da contribuinte,com todas as exclusões aplicáveis. 4.11 – O quadro “CÁLCULO FINAL DO IMPOSTO DE RENDA MAISACRÉCIMOS RENDIMENTOS EM MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA” (anexo ao Relatório Fiscal) utiliza a soma mensal das receitas totalizadas no quadro informado no item 4.10, deduzindose dessas as despesas escrituradas nos livros caixa, o que gera, por fim, o cálculo do rendimento mensal em atividades de trabalho não assalariado. Tomandose como base esses últimos totais é feito o cálculo do imposto de renda a acréscimos incidentes. 4.12 – Em relação aos critérios legais para as penalidades do presente lançamento, temse o seguinte: a) Para o imposto de renda apurado mensalmente, e não pago, decorrente da aplicação da tabela progressiva, conhecido como “carnê leão”: Calculase a multa isolada de 50% sob o valor do imposto devido mensalmente – base legal: Art. 44, II, Lei 9.430 de 27/12/1996 (item 4.2.11, acima); Não há aplicação de juros moratórios. b) (...) 4.13 – Em relação à conta corrente da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL “CCCEF_0793.001.00023674.9.pdf” (anexo ao Relatório Fiscal) informese haver como crédito apenas o valor de R$ 2.839.200,00 que foi depositado em04/01/2012 a titulo de valor de venda do imóvel rural à própria CAIXAECONÔMICA FEDERAL (item 3). (...) De acordo com Relatório de Procedimento Fiscal de fls. 07/29, constatou +se,a respeito da segunda infração (omissão/apuração incorreta de ganhos de capital): (...) 1.3 Junto a isso, foi feita requisição de informações ao Serviço de registro de imóveis (SRI) cidade de Gurupi – TO para apresentação de documentos sobre os imóveis vinculados às matrículas 8.323 e 31.124 (certidões de inteiro teor) e sobre a operação de venda do imóvel na cidade de Gurupi registrado Fl. 1929DF CARF MF 8 sob o número 75.320, o que foi prontamente atendido pela unidade cartorial. Foi justificadamente alterada pelo Cartório a condução com a matrícula nº 8.323para o nº 8.328, conforme exposto nos documentos. (...) 3.2 A seguir são postas informações obtidas nas certidões de inteiro teor do imóvel obtidas com o Serviço (Cartório) de Registro de Imóveis (SRI) de GurupiTO. O imóvel objeto dessa verificação é de propriedade da Sra. Derci Ismeria Soares Alves e de seu esposo, Sr. Cantidiano Alves Dourado (vendedores), casados em comunhão parcial de bens (bens comuns após o casamento), conforme inclusive Certidão de Casamento. O imóvel está situado no perímetro suburbano da cidade de GurupiTO, tendo inscrição de imóvel rural perante a Receita Federal (NIRF) nº 3.772.8482. Antes da venda, o imóvel possuía matrícula 8.238 no SRI de Gurupi, tendo 90,485 Ha e denominação “Parte remanescente da Chácara 123”. Posteriormente à venda, foi criada a matrícula31.124 no mesmo SRI, ficando a área total de 88,0142 Ha com a denominação “Chácara 123B”, havendo a criação do “Loteamento João Lisboa da Cruz”(...)“constituído de 25 quadras num total de 700 lotes vendáveis”, além de outros recursos de moradia. O Contrato de compra e venda estabelecido entre os vendedores e a Caixa Econômica Federal, igualmente arquivado no SRI Gurupi, define como valor da operação R$ 2.839.200,00, ficando o imóvel dividido em676 lotes. 3.3 – Com todo o exposto, ficam definidos os critérios para a aplicação da legislação, sendo os dados destacados abaixo aplicados nos cálculos do ganho de capital: a) Verificouse na Certidão de inteiro teor da matrícula 8.328 que o imóvel foi adquirido pelo Sr. Cantidiano Alves Dourado em 01/04/2003, pelo valor de R$18.000,00, já constando a Sra. Derci Ismeria como seu cônjuge. Dado que inexiste nas bases de dados da Receita Federal para o ano de 2003 Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial (DITR) do imóvel, o valor de compra a ser considerado será R$ 18.000,00, segundo previsão do Art. 14 da Lei nº9.393, de 19/12/1996 e do Art. 124 do RIR, transcritos nos itens 3.1.3 e 3.1.4, acima. b) A alienação aconteceu em 29/12/2011, segundo o Contrato de compra e venda estabelecido entre os vendedores e a Caixa Econômica Federal (CEF). A verificação do extrato da conta corrente da contribuinte na CEF arquivo “CCCEF_0793_001_23674.9.pdf” – indicou que o efetivo crédito à contribuinte ocorreu em 04/01/2012, sendo esse considerado para efeitos dos cálculos do ganho de capital, inclusive conforme prescreve o Art. 852 do RIR (item 3.1.2).Constatouse que a DITR do imóvel no respectivo ano indica que o valor da terra nua equivale à R$ 60.000,00. Frise se que tal DITR indica área de 54,6 Ha,sendo necessário fazer proporcionalização do valor da terra nua pela área de88,0142 Ha, o que resulta em valor total da terra nua de R$ 96.718,19. Dado que o Contrato de compra e venda firmado entre os vendedores e a Caixa Econômica Federal informa que o valor do Fl. 1930DF CARF MF Processo nº 10746.721354/201435 Acórdão n.º 2401004.718 S2C4T1 Fl. 6 9 negócio foi de R$ 2.839.200,00, será aplicado novamente o Art. 14 da Lei nº 9.393, de 19/12/1996 e o e Art. 124 do RIR, sendo considerado o valor de venda o que consta no Contrato, e não na DITR. c) Na Declaração de Operações Imobiliárias (DOI) de 2011, que está nas bases da Receita Federal com número de arquivamento 3035091749, consta que a Sra. Derci Ismeria é alienante de 676 unidades dos terrenos/frações, que juntas correspondem à área total do imóvel em questão, constando nessa DOI que os participantes da operação são: ALIENANTES: CPF 130.743.42153 (DERCI ISMERIA SOARES ALVES) com 50%,CPF 092.594.14172 (CANTIDIANO ALVES DOURADO) com 50%;ADQUIRANTE: 03.190.167/000150 (FUNDO DE ARRENDAMENTORESIDENCIAL). O valor do negócio na DOI é 676 x R$ 4.200,00 = R$2.839.200,00, conforme já mencionado. (...) 3.6 – As pesquisas na Declaração de Imposto de Renda da contribuinte para os exercícios 2012 e 2013, anos calendários 2011 e 2012, respectivamente,atestaram inexistir qualquer menção à operação acima. As consultas à base de DARFs pagos atestaram, da mesma forma, ausência de qualquer pagamento.Dessa forma não há reduções a fazer, ficando os valores acima como os finais para pagamento do imposto de renda sob ganho de capital em dezembro/2014. (...)” Cientificada do Auto de Infração, em 11/12/2014 (fl. 02), a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1597/1604 e 1741/1770, em que aduz, em resumo: “Antes de adentrarmos ao mérito do inconformismo da Contribuinte, fazse necessário a concessão de prazo suplementar não inferior a 60 (sessenta) dias para que sejam realizadas diligências complementares no intuito de obter contratos/cártulas/documentos juntos às instituições financeiras e fornecedores,para melhor instruir o feito. Importante ressaltar que a contribuinte fora notificada em meados do mês de Dezembro/14, o que em virtude dos recessos de final de ano, impossibilitoua deter acesso a todos os documentos imprescindíveis à sua defesa. Lado outro, as operações financeiras objeto do auto foram realizadas a partir de31.07.2010, ou seja, há mais de 04 (quatro) anos, o que dificulta a localização dos comprovantes de respectivos atos. Por conseguinte, há necessidade de elaboração de auditoria/perícia, para que seja realizado detalhamento dos Fl. 1931DF CARF MF 10 rendimentos, despesas e apuração do imposto a ser recolhido, evitandose com isso prejuízos à contribuinte e também ao erário. A pretensão do pleito de concessão de prazo suplementar para apresentação de defesa encontra respaldo no decreto 70.235/72 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, em seu art. 18, § 2o, assim dispõe; (...) Em que pese o esforço do nobre Auditor Fiscal, subscritor da peça ora em discussão, porém a mesma não pode e nem deve prosperar, uma vez que originada e embasada em fatos que não condizem com a realidade fática, além do mais, prolatada sem qualquer base legal, pois eivada de uma série de ilegalidades, capaz de ferila de morte, gerando de plano sua NULIDADE, senão vejamos: A autuação teve como base de cálculo única e exclusivamente os valores extraídos dos extratos bancários, considerandoos como se tudo fosse rendimento"omissão", além do mais, infringindo um dos princípios basilares do respeito à dignidade do cidadão, qual seja "Quebra do Sigilo Bancário" sem a devida Ordem Judicial, fato este que a principio, não pode prevalecer, pois assim agindo o agente do fisco, feriu clausula pétrea da Constituição Federal Art. 5º, XII, que assegura a todo cidadão o direito da inviolabilidade do seu sigilo bancário, sendo reconhecido por inúmeras decisões do STF, que o fisco, não tem legitimidade para "invadir" a movimentação bancária do cidadão sem a devida ordem legal. As contas bancárias arbitrariamente examinadas são em conjunto com outro correntista, isso de conhecimento seguro do agente do fisco, que fez constar em seu demonstrativo intitulado Totalização de Créditos, sem, contudo NOTIFICAR ou AUTUAR o CoCorrentista, gerando aí mais uma nulidade de seus atos; fato este que deverá ser rechaçado de plano pelo nobre julgador, sendo matéria inconteste, conforme se observa da Súmula CARF N° 29 que registra: Súmula CARF n° 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Sem sombra de dúvidas, percebese que referida autuação é desprovida de fundamentos capaz de lhe garantir provimento; Para ficar configurada a presunção legal de omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, nos casos de conta corrente ou de investimento mantidas em conjunto em instituição financeira, é indispensável à regular e prévia intimação de todos os cotitulares para comprovar a origem dos recursos depositados, sob pena de nulidade do lançamento. Fl. 1932DF CARF MF Processo nº 10746.721354/201435 Acórdão n.º 2401004.718 S2C4T1 Fl. 7 11 No caso em comento, verificase que o auto de infração basicamente fundamentase com base de informações de CONTA BANCÁRIA CONJUNTA, na qual existe COTITULAR com total autonomia para efetuar transações bancárias, tais como depósitos/saques/transferências, razão pela qual se torna imprescindível a notificação/intimação deste para prestar suas declarações e esclarecimentos, sob pena de incorrer em cerceamento do direito de defesa. Entretanto, em que pese à exigência de notificação/intimação do COTITULAR da conta conjunta, tal requisito não foi observado durante a instrução do presente auto, razão pela qual, à luz da legislação vigente e entendimento sumulado pelo CARF, deve o auto ser declarado NULO, sob pena de incorrer em violação ao princípio do contraditório. NULIDADE DA AUTUTAÇÃO E nula a Fiscalização que quebra sigilo bancário sem ordem judicial;Fato comum no cotidiano, a fiscalização tributária tira o sono de muitos empresários e pessoas físicas. Munidos de Mandado de Procedimento Fiscal, o fisco inicia os procedimentos de fiscalização bombardeando o contribuinte com intimações solicitando documentos e ameaçando impor multa e sanções pela falta de entrega das informações e documentos no prazo solicitado, dentre as inúmeras informações e documentos solicitados, em muitas vezes estão exigências ilegais e descabidas, em especial informações sigilosas como"extratos bancários" e demais informações acerca de depósitos e movimentações financeiras. Nesse contexto, tendo em vista a decisão proferida mencionada pelo Plenário da Suprema Corte, em que foi dada interpretação conforme a CF/88 à Lei 9.311/96,à LC 105/01, como ao decreto 3.724/01, para determinar a impossibilidade de afastarse o sigilo bancário de pessoa natural ou de pessoa jurídica sem autorização judicial. É NULA A FISCALIZAÇÃO QUE QUEBRA SIGILO SEMORDEM JUDICIAL. Não é outro o entendimento adotado recentemente pelo TRF3 (...) DA ATIVIDADE EXERCIDA PELA IMPUGNANTE Vale esclarecer que a impugnante juntamente com seu Co Titular das contas correntes acima descritas, exercem a atividade principal de PRESTAÇÃO DESERVIÇOS DE LEILÃO DE BOVINOS, na cidade de Gurupi/TO e que tem como remuneração de seus serviços o percentual de 5% das vendas efetuadas e nunca o astronômico valor lançado pelo agente fiscal. Fl. 1933DF CARF MF 12 Esclarece ainda que as movimentações apresentadas em suas contas bancárias são oriundas dos depósitos das vendas feitas pelos produtores que imediatamente são repassadas para os vendedores dos bovinos, restandolhes apenas a minguada e sofrida percentagem de 5% a título de comissão. Esclarece também que nas referidas contas são repassados valores pelos compradores para efetuar pagamentos aos fornecedores cujas intermediações são realizadas naquele local; Esclarece ainda que, diante das dificuldades financeiras que sempre enfrentam,constantemente efetuam transações bancárias, contraindo empréstimos que também são creditados nessas contas bancárias e gerando dívidas futuras, a serem pagas ao longo do tempo; DÍVIDAS EXISTENTES EM NOME DA IMPUGNANTE O nobre agente do fisco limitouse a lançar apenas as supostas receitas existentes nos extratos bancárias, não teve a cúria de verificar qual era o passivo desse contribuinte, que certamente foi anteriormente creditado nas referidas contas e que posteriormente haverá que ser pago; estando aí as dívidas sendo utilizadas como renda; "omissão de rendimentos"; base de cálculo para cobrança de tributos, fato inconcebível. DA IMPOSSIBILIDADE DE PREVALECER A BASE DE CÁLCULO APONTADA NA PRESENTE AUTUAÇÃO: É principio comezinho na legislação brasileira, que existe uma grande diferenciação entre Giro Comercial e Resultado dessas transações "Renda"; pois se sabe que para aparecer renda primeiro haverá que existir a atividade e o giro comercial, Sendo humanamente impossível se acreditar que em uma movimentação bancária, no patamar da que ora se discute, seja considera como rendimento, pois partindo dos princípios lógicos, em uma cidade como Gurupi, sem querer menosprezar qualquer outra atividade econômica, seria impossível uma pessoa física, estar auferindo rendimentos no patamar de meio milhão de reais por mês, como quer fazer crer o agente do fisco subscritor da exordial. Ao tomar como base de cálculo toda a movimentação bancária, o nobre agente do fisco desprezou o mínimo de conhecimento que poderias ser utilizado nessa operação, pois é sabido que em qualquer atividade, seja prestacional ou compra e venda, o volume de dinheiro que ali circula não é e nunca foi renda e sim apenas Giro Comercial e desse Giro Comercial é que possivelmente aparecerá alguma renda, que na maioria das vezes não ocorre, pois é de conhecimento público e notório que não existe milagres para se obter tanto ganho de forma mágica, como que fazer o aututante; Exemplo dessa situação pode citar as Casas Lotéricas, que operam com um volume muito grande de valores, no entanto o que lhes cabe é uma míngua da parcela, pequeno percentual sobre as operações realizadas; no entanto se prevalecer à tese demonstrada pelo nobre autuante, com certeza essas empresas estarão fadadas ao extermínio, pois os recebimentos das contas Fl. 1934DF CARF MF Processo nº 10746.721354/201435 Acórdão n.º 2401004.718 S2C4T1 Fl. 8 13 de água, luz, boletos, depósitos de outras agencias, tudo passaria a ser "Omissão de Rendimentos"; DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A forma como está demonstrado o levantamento tornase impossível o exercício da ampla defesa, pois o autuante não conseguiu demonstrar quais os valores que considerou como rendimentos e também não conseguiu demonstrar a origem de tais receitas, limitouse exclusivamente a transcrever os extratos bancários, que se repita, é ilegal e fere frontalmente os princípios básicos da Constituição Federal, não sendo legítimo tal ato. Os lançamentos são de forma genérica e confusos, impossibilitando que o impugnante faça maiores esclarecimentos a cerca da autuação. DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS Pelo exposto, requer seja acolhida PRELIMINAR de NULIDADE do auto ante a AUSÊNCIA DE intimação/notificação do COTITULAR da conta bancária CONJUNTA, nos termos da súmula 29 do CARF. Caso ultrapassa a preliminar supra, requer seja reconhecida a NULIDADE absoluta do auto, por infração ao principio constitucional de sigilo bancário, único meio utilizado para fixação do lançamento. Ainda em sede PRELIMINAR, requer a dilação de prazo, para que a Contribuinte possa efetuar diligências complementares, com finalidade de apresentar documento afim de melhor instruir sua defesa, justificando sua pertinência em razão do prazo ter decorrido em período de final de ano, em que órgãos públicos e instituições financeiras estavam usufruindo os recessos legais impossibilitando o alcance dos mesmos, bem como seja designada perícia prevista no art. 18 da lei 70.235/72, tendo que o autuante não identificou com segurança nem com transparência as possíveis bases de cálculo que tratou como omissão de receita. (...) ...não houve operação sujeita ao imposto de renda sobre o ganho de capital, porque é possível perceber que, de fato, ocorreu o loteamento do imóvel e posterior venda. Uma vez efetivado o loteamento, o contribuinte pessoa física foi equiparado à pessoa jurídica nos termos do art. 150, e seguintes, do Decreto 3.000/1999 (...) Fl. 1935DF CARF MF 14 O CARF, no julgamento do processo n° 10935.720900/201221, que resultou no Acórdão n° 110201.033, dentre outras questões, decidiu o seguinte. EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA À JURÍDICA. LOTEAMENTODE IMÓVEIS. Serão equiparadas às pessoas jurídicas as pessoas físicas que assumirem a iniciativa e a responsabilidade de incorporação ou loteamento em terrenos urbanos ou rurais, a partir da data que a documentação for arquivada no Registro Imobiliário, nos termos do art. 151, inciso I, do RIR/99, mesmo que o intuito principal do empreendimento não seja o lucro. Não obstante estar configurada a equiparação de pessoa física à pessoa jurídica, o auditor fiscal entendeu por bem em constituir o crédito tributário na modalidade de ganho de capital. Ocorre, porém, que o cônjuge da contribuinte já havia cadastrado o CNPJ 15.372016/000100 com a natureza jurídica de empresa individual imobiliária (4014) com atividade econômica de loteamento de imóveis próprios, sendo que todos os tributos federais (PIS, COFINS, Imposto de Renda e Contribuição Social) foram devidamente calculados na regime do lucro presumido, declarados em demonstrativo de apuração de contribuições sociais (DACON) e declaração de débitos e créditos tributários federais (DCTFMENSAL). (...) Como toda a carga tributária já foi declarada e devidamente parcelada junto à Receita Federal do Brasil no CNPJ n° 15.372016/000100, nada mais é devido aos cofres públicos em relação à operação de venda do loteamento. (...)” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0131.848 2ª Turma da DRJ/BEL, às fls. 1773/1789, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010, 2011, 2012 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. FALTA DE Fl. 1936DF CARF MF Processo nº 10746.721354/201435 Acórdão n.º 2401004.718 S2C4T1 Fl. 9 15 INTIMAÇÃO DE UM DOS TITULARES. NULIDADE. SÚMULA Nº 29 DO CARF. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do Auto de Infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos. GANHO DE CAPITAL. Serão equiparadas às pessoas jurídicas apenas aquelas pessoas físicas que assumirem a iniciativa e a responsabilidade de incorporação ou loteamento em terrenos urbanos ou rurais, a partir da data que a documentação for arquivada no Registro Imobiliário, nos termos do art. 151, inciso I, do RIR/99, mesmo que o intuito principal do empreendimento não seja o lucro. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A Recorrente foi cientificada da decisão de 1ª Instância no dia 20/05/2015, conforme notificação às fls. 1798. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 1800/1821, ratificando suas alegações anteriormente expendidas e tecendo as seguintes razões: 3.1 DEPÓSITOS BANCÁRIOS Sustenta que o artigo 42 da Lei nº 9.430/96 “não é verdade pronta e acabada é, de fato, uma inversão do ônus da prova, posto que, em regra, cabe ao Fisco comprovar as suas alegações”. Prossegue no sentido de que “o próprio auditor já reconheceu tratarse de venda de bovinos conforme item 4.1. do relatório de procedimento fiscal às folhas 16 (...)”. Portanto, não se fala mais em provar a origem dos depósitos, mas sim as consequências tributárias destes. 3.1.1 Prova Pericial Alega que foi justamente para comprovar as consequências tributárias dos referidos depósitos bancários que a autuada solicitou prazo para efetuar diligências e a produção da prova pericial, o que foi negado ao argumento de que havia a obrigação da contribuinte guardar os documentos desde a edição da Lei nº 9.430/96. Todavia, as normas são interpretadas de acordo com o caso concreto. No presente caso, a quantidade de documentos necessários para a comprovação é tão grande que inviabiliza a juntada de toda papelada. Além disso, a Fl. 1937DF CARF MF 16 matéria discutida nestes autos é muito complexa, o que justifica a produção de prova pericial para determinar corretamente a matéria tributável, e, uma vez negada a referida prova técnica, resta configurado o cerceamento ao direito de defesa, posto que a contribuinte busca provar, porém está impedida pela administração. 3.1.2 Realidade Fática Afirma que a prova pericial é fundamental para se chegar a realidade fática, visto que tanto o Auto de Infração quanto a decisão de primeira instância enquadraram todo o valor depositado nas contas correntes como rendimento tributável recebido de pessoa física, no entanto isso não é verdade. Alega que a decisão guerreada se equivocou ao analisar as declarações da contribuinte, ao passo que, conforme dito na fase procedimental, os depósitos são oriundos de bovinos e intermediação na compra e venda de bovinos. Portanto, alega que são duas as atividades desenvolvida pela contribuinte, e não apenas uma como quer fazer crer a fiscalização e a decisão de primeira instância. Logo, o Fisco não pode tributálas como sendo apenas intermediação na compra e venda de bovinos, mormente estando sob a égide do princípio da legalidade. 3.1.3 Quebra do sigilo bancário Aduz que a constitucionalidade do artigo 6º da LC 105/2001 está sendo questionada no STF e que a Corte Administrativa não tem competência para apreciar pedido de inconstitucionalidade, entretanto, pode e deve aplicar as decisões do STF ao caso concreto. 3.1.4 Ausência de notificação do cotitular Informa que este Conselho já pacificou a matéria que trata da exigência de notificação de todos os cotitulares de conta bancária, inclusive com aprovação da Súmula CARF nº 29. Entretanto, no presente caso, a decisão de primeira instância não acatou a alegação da Recorrente, alegando que a intimação do cotitular foi efetuada. Sustenta que não houve a referida notificação ao cotitular. 3.1.5 Atividade de compra e venda de bovinos Narra que “neste tópico vamos concentrar na atividade de intermediação na compra e venda de bovinos, que foi a atividade eleita pelo auditor fiscal para enquadrar os depósitos como rendimentos do trabalho nãoassalariado recebidos de pessoa física”. Declara que a fiscalização entendeu que todo valor depositado nas contas bancárias seriam rendimentos da atividade de intermediação de negócio, todavia, essa não é a realidade dos fatos. Explica que “na atividade da autuada, os produtores, digamse pequenos produtores, encaminham os seus animais para o leilão, que oferece aos compradores. Uma vez efetivada a negociação, Fl. 1938DF CARF MF Processo nº 10746.721354/201435 Acórdão n.º 2401004.718 S2C4T1 Fl. 10 17 os compradores embarcam o rebanho e depositam todo o valor relativo ao pagamento dos animais na conta bancária do leilão. Posteriormente, o leilão efetua o pagamento aos produtores, descontando a comissão pela intermediação na venda”. Assim, segundo alega, o que de fato é receita da atividade de intermediação é apenas a comissão, que no presente caso gira em torno de 5% (cinco por cento) do valor depositado. Com essas considerações, afirma que é justamente aqui que reside a necessidade de uma perícia/auditoria para esclarecer qual foi realmente o valor da receita da atividade de intermediação de negócio. Induz que “imaginar que todo aquele valor depositado nas contas bancária são receitas de intermediação de negócios foge totalmente da realidade local”. 3.1.6 Erro no enquadramento Sustenta que a fiscalização errou na determinação da base de cálculo e no enquadramento legal ao considerar toda a quantia depositada nas contas correntes como rendimento Conforme se depreende das conclusões do auditor, expostas no relatório, mais precisamente no item 4.1 os depósitos são oriundos da comercialização de bovinos (...) Além das constatações, acima referidas, a auditoria produziu um documento denominado Cálculo Final do Imposto de Renda – Acréscimos Rendimentos em Movimentação Financeira (fls. 170), no qual disponibilizou as receitas e as despesas da atividade de comercialização de bovino, numa demonstração clara de apuração de lucro da atividade mercantil. No entanto, enquadrou a atividade da autuada no art. 45, V, do RIR, o qual trata de corretagens e comissões dos corretores leiloeiros e despachantes, seus prepostos e adjuntos. Ora, corretagens e comissões são calculadas em relação percentual e nunca em confrontação entre receitas e despesas. Cita o artigo 142 do CTN e o artigo 116, III, da Lei nº 8.112/90 para justificar sua tese, no sentido de que o enquadramento do lançamento deve se pautar pela legalidade e não pela vontade do auditor. Afirma que há contradição no relatório do Auto de Infração, tendo em vista que o Auditor concluiu se tratar de compra e venda de bovinos e autuou a contribuinte por omissão de receita do trabalho não assalariado, inclusive imputandolhe multa isolada por omissão do carnêleão. Que no presente caso a autoridade administrativa desconsiderou a atividade rural da então fiscalizada, atendendo a critérios subjetivos e arbitrários, posto que não previstos em lei, sendo o presente auto de infração nulo de pleno direito. Fl. 1939DF CARF MF 18 3.1.7 Multa isolada Tendo em vista que o auditor fiscal concluiu tratarse de atividade de compra e venda de bovinos, ou seja, atividade mercantil, não é cabível a multa isolada, uma vez que não há previsão para tanto. 3.1.8 Erro na metodologia aplicada Sustenta que durante o procedimento fiscal restou constatada a existência de uma segunda pessoa envolvida com a atividade autada e que a referida pessoa é o Sr. Cantidiano Alves Dourado (esposo da recorrente). De igual forma, constatouse a existência de duas contas correntes conjuntas e que a atividade de compra e venda de gado é desenvolvida pelos dois contribuintes numa verdadeira sociedade de fato. Dessa forma, seja pelo regime de casamento, seja pela sociedade de fato, o tratamento correto seria somar todas as receitas e todas as despesas da atividade e, posteriormente, dividir em duas partes, para apurar o rendimento de cada um dos contribuintes. Apresenta planilhas (fls.1815/1817) para demonstrar o quanto de Imposto de Renda é realmente devido por cada uma das atividades desempenhadas (rural e intermediação), esclarecendo que o valor por ela apurados nas referidas planilhas, o imposto devido por ela é de 50% (cinquenta por cento) cabendo a outra metade ao Sr. Cantidiano. De outro giro, afirma que a auditoria analisou os documentos e firmou no sentido de que todos os depósitos foram comprovados e que as receitas vinculadas aos referidos depósitos não teriam sido declaradas, residindo aí a razão da presente autuação. Porém, alega que é de fácil constatação que as receitas foram declaradas, tanto que foram utilizadas pela fiscalização como critério de proporcionalização de créditos em contas correntes conjuntas conforme relatório de fls. 173. Além disso, sustenta haver equívoco na apuração do valor da receita, tendo em vista que são vários os depósitos cujo depositante é o próprio favorecido conforme se infere do relatório de fls. 187/206, e, portanto, devem ser excluídos do cômputo da receita bruta, que foi transportada para o relatório CÁLCULO FINAL DO IMPOSTO às fls. 170, no item valor líquido depósitos. 3.2 Do suposto ganho de capital 3.2.1 Equiparação pessoa física/pessoa jurídica Aduz que o cerne da questão reside em saber se ocorreu ganho de capital decorrente da venda de imóvel rural ou se houve a equiparação da pessoa física à pessoa jurídica. Afirma que não há dúvidas de que no caso houve a equiparação, no entanto, a decisão de primeira instância manteve a exação baseado em premissas falsas, pois teria considerado que o loteamento Fl. 1940DF CARF MF Processo nº 10746.721354/201435 Acórdão n.º 2401004.718 S2C4T1 Fl. 11 19 ocorreu depois da venda e pela Caixa Econômica Federal, contudo, o referido loteamento se deu quase um ano antes da venda e por iniciativa da autuada. Assim, requer a reforma da decisão no sentido de julgar improcedente o Auto de Infração sobre o suposto ganho de capital, prevalecendo a equiparação e o parcelamento, cujas parcelas estão rigorosamente em dia. 3.2.2 Denúncia espontânea na equiparação pessoa física/jurídica Por fim, sustenta que é falsa a premissa de que a denúncia foi feita após o início do procedimento fiscal. Afirma que o CNPJ da equiparação foi criado no dia 09/01/2012 (fls. 1763), as DCTF’s foram transmitidas para a base de dados da Receita Federal em 27/06/2012 (fls. 1759/1760) e o parcelamento foi efetivado em 30/07/2012 (fls. 1756), configurando a denúncia espontânea na data da entrega das DCTF’s, quando o contribuinte declarou à Receita Federal a existência do débito. Por outro lado, o procedimento fiscal só foi iniciado em 19/12/2013 (fls. 106), portanto, mais de um ano depois da denúncia espontânea. Dessa forma, não há como prevalecer a equiparação. Ao final, requer o conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, acolhendo as razões ventiladas para julgar improcedente o Auto de Infração. É o relatório. Fl. 1941DF CARF MF 20 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 20/05/2015 conforme notificação às fls. 1798, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 19/06/2015 (certidão de fl. 1912), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DA PRELIMINAR DE NULIDADE Tendo em vista que o colegiado rejeitou a preliminar arguida em sessão de julgamento realizada em janeiro de 2017, em razão de que os argumentos trazidos pela recorrente não são capazes de influenciar no resultado final do processo, passase a analisar o mérito da demanda. 3. DO MÉRITO 3.1. Depósitos bancários A Recorrente sustenta que o artigo 42 da Lei nº 9.430/96 “não é verdade pronta e acabada é, de fato, uma inversão do ônus da prova, posto que, em regra, cabe ao Fisco comprovar as suas alegações”. Prossegue no sentido de que “o próprio auditor já reconheceu tratarse de venda de bovinos conforme item 4.1. do relatório de procedimento fiscal às folhas 16 (...)”. Portanto, não se fala mais em provar a origem dos depósitos, mas sim as consequências tributárias destes. Entretanto, razão não lhe assiste. Salientese de imediato que não cabem mais questionamentos quanto à possibilidade de formalização da exigência com base em extratos bancários. Tal entendimento já foi superado desde o advento da Lei nº 9.430/96 que estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. A propósito, confirase: IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. 1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. 2. Tal disposição legal é Fl. 1942DF CARF MF Processo nº 10746.721354/201435 Acórdão n.º 2401004.718 S2C4T1 Fl. 12 21 de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. Recurso Voluntário Negado. (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2402005.592, Rel. Conselheiro Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Sessão 19/01/2017) Portanto, a alegação de que em regra, cabe ao Fisco comprovar as suas alegações não merece acolhida. 3.2. Da prova pericial Em síntese, a Recorrente requereu a realização de prova pericial nos termos do artigo 18, § 2º do Decreto 70.235/72, o que fez nos seguintes termos, segundo as suas razões de impugnação (fl.1598): Fl. 1943DF CARF MF 22 O acórdão a quo julgou improcedente o pedido de prova pericial ao seguinte fundamento (fls. 1788/1789): “Com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, cabe afastar os pedidos de perícias e diligências propostos pelo requerente, posto se tratar de medidas absolutamente prescindíveis, já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. (Grifei) A perícia e a diligência são provas de caráter especial, cabíveis nos casos em que a interpretação dos fatos demanda juízo técnico. Todavia, elas não integram o rol dos direitos subjetivos do autuado, podendo o julgador, se justificadamente entendêlas prescindíveis, não acolher o pedido. A jurisprudência administrativa, de forma reiterada e pacífica, chancela este entendimento, como exemplificam os acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes, assim ementados: (...) A legislação de regência do processo administrativo fiscal, o Decreto nº 70.235, de 1972, no seu art. 16, III estabelece que a impugnação mencionará, entre outros requisitos, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. E mais, o § 4º do sobredito dispositivo legal dispõe que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, (b) refirase a fato ou a direito superveniente, (c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Não há, portanto, como acolher o pleito do autuado de produção de provas e documentos após a fase impugnatória, vez que não se vislumbra nos autos qualquer uma das hipóteses de exceção elencadas na legislação de regência do processo administrativo fiscal e mencionadas no item precedente. É cediço que a criação de regras de preclusão probatória decorre da necessidade de se garantir o andamento lógico do processo administrativo e que a adoção de uma informalidade absoluta, com direito à prova ilimitado, poderia levar a manipulações indesejáveis e à protelação injustificada de seu término”. Em sede de recurso, alega a Recorrente que foi justamente para comprovar as consequências tributárias dos referidos depósitos bancários que a autuada solicitou prazo para efetuar diligências e a produção da prova pericial, o que foi negado ao argumento de que havia a obrigação da contribuinte guardar os documentos desde a edição da Lei nº 9.430/96. Todavia, segundo alega, as normas são interpretadas de acordo com o caso concreto, e no presente caso, a quantidade de documentos necessários para a comprovação é tão grande que inviabiliza a juntada de toda papelada. Além disso, a matéria discutida nestes autos é muito complexa, o que justifica a produção de prova pericial para determinar corretamente a matéria tributável, e, uma vez negada a referida prova técnica, resta configurado o cerceamento Fl. 1944DF CARF MF Processo nº 10746.721354/201435 Acórdão n.º 2401004.718 S2C4T1 Fl. 13 23 ao direito de defesa, posto que a contribuinte busca provar, porém está impedida pela administração. Entendo que a decisão do Colegiado de primeira instância não merece reparo. Conforme demonstrado, a autoridade julgadora de primeira instância administrativa indeferiu o pedido realizado pois entendeu “se tratar de medidas absolutamente prescindíveis, já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento”. O artigo 18 do Decreto nº 70.235/72 dispõe que a realização de diligências ou perícias é uma prerrogativa da autoridade julgadora, e não da impugnante, o que afasta a alegação de o indeferimento de perícia consubstanciaria o cerceamento de defesa: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine”. Posto isso, alinhome à posição de primeira instância administrativa no sentido de que a prova pericial pretendida pela contribuinte seria prescindível. A avaliação da necessidade de se realizar a perícia participa da esfera da discricionariedade do aplicador e, assim, façome acompanhar de precedentes das três Seções de Julgamento que compõe este Conselho, conforme se depreende: PROVA PERICIAL. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerá las prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas. (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2401004.612, Rel. Conselheiro Cleberson Alex Friess, Sessão 08/02/2017) PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada a desnecessidade da produção de novas provas para formar a convicção da autoridade julgadora. (CARF, 3ª Seção de Julgamento, 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 3201000.617, Rel. Conselheiro Daniel Mariz Gudino, Sessão 02/02/2011) PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido, por demonstrar intenção protelatória, o pedido de perícia para obter informações sem a demonstração da sua necessidade. (CARF, 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Acórdão nº 10323.470, Rel. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Sessão 28/05/2008) Fl. 1945DF CARF MF 24 Assim, pelas justificativas acima descritas, dadas as circunstâncias do caso concreto, com base no artigo 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos precedentes ora referenciados, voto por negar provimento ao pedido de diligência (perícia) e entendo, ademais, neste particular, não ter havido qualquer prejuízo à ampla defesa da Recorrente. 3.3. Da alegada realidade fática Afirma que a prova pericial é fundamental para se chegar a realidade fática, visto que tanto o Auto de Infração quanto a decisão de primeira instância enquadraram todo o valor depositado nas contas correntes como rendimento tributável recebido de pessoa física, no entanto isso não é verdade. Alega que a decisão guerreada se equivocou ao analisar as declarações da contribuinte, ao passo que, conforme dito na fase procedimental, os depósitos são oriundos de bovinos e intermediação na compra e venda de bovinos. Portanto, alega que são duas as atividades desenvolvida pela contribuinte, e não apenas uma como quer fazer crer a fiscalização e a decisão de primeira instância. Logo, o Fisco não pode tributálas como sendo apenas intermediação na compra e venda de bovinos, mormente estando sob a égide do princípio da legalidade. Conforme esclarecido no item anterior, alinhome à posição de primeira instância administrativa no sentido de que a prova pericial pretendida pela recorrente seria prescindível. No que se refere quanto aos depósitos bancários que seriam oriundos de “bovinos e intermediação na compra e venda de bovinos”, e, portanto, seriam duas as atividades desenvolvidas pela contribuinte, não podendo o Fisco tributálas como sendo apenas intermediação na compra de bovinos, tenho que a argumentação não merece prosperar. Conforme consta do Relatório de Procedimento Fiscal (fls. 16), a autoridade autuante identificou que a atividade exercida pela autuada seria a compra e venda de bovinos. Confirase: “e) Apesar de a Sra. Derci Ismeria possuir propriedade rural em seu nome – NIRF 01.69469.9900 , e apesar de haver declaração de imposto de renda de pessoa física (DIRPF), ano calendário 2012, em que se declara atividade rural, não é possível identificar nos documentos recebidos por essa fiscalização essa referida atividade, mas apenas a atividade econômica de compra e venda de bovinos”. Quanto ao enquadramento da atividade de compra e venda – intermediação de bovinos, cumpre observar o exposto no art. 58 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR (Decreto 3.000 de 26 de março de 1999): Art. 58. Considerase atividade rural (Lei n º 8.023, de 12 de abril de 1990, art. 2º, Lei n º 9.250, de 1995, art.17, e Lei n º 9.430, de 1996, art. 59): I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; Fl. 1946DF CARF MF Processo nº 10746.721354/201435 Acórdão n.º 2401004.718 S2C4T1 Fl. 14 25 (...) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas (Lei n º 8.023, de 1990, art. 2º, parágrafo único, e Lei n º9.250, de 1995, art. 17). (grifouse) Logo, identificandose a atividade desenvolvida pela Recorrente como de compra e venda de animais, correto o enquadramento sob a qual incidem corretagens ou comissões. A propósito, recordese o teor do artigo 45 do RIR que versa sobre os respectivos rendimentos auferidos: “Art. 45. São tributáveis os rendimentos do trabalho não assalariado, tais como (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º): I honorários do livre exercício das profissões de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas; II remuneração proveniente de profissões, ocupações e prestação de serviços nãocomerciais; III remuneração dos agentes, representantes e outras pessoas sem vínculo empregatício que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem por conta própria; IV emolumentos e custas dos serventuários da Justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos; V corretagens e comissões dos corretores, leiloeiros e despachantes, seus prepostos e adjuntos; VI lucros da exploração individual de contratos de empreitada unicamente de lavor, qualquer que seja a sua natureza; VII direitos autorais de obras artísticas, didáticas, científicas, urbanísticas, projetos técnicos de construção, instalações ou equipamentos, quando explorados diretamente pelo autor ou criador do bem ou da obra; VIII remuneração pela prestação de serviços no curso de processo judicial. Parágrafo único. No caso de serviços prestados a pessoa física ou jurídica domiciliada em países com tributação favorecida, o rendimento tributável será apurado em conformidade com o art. 245 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 19)”. Com essas considerações, entendo não haver reparos no julgado de primeira instância. 3.4. Da quebra de sigilo bancário Fl. 1947DF CARF MF 26 Em suma, a Recorrente aduz que a constitucionalidade do artigo 6º da LC 105/2001 está sendo questionada no STF e que a Corte Administrativa não tem competência para apreciar pedido de inconstitucionalidade, entretanto, pode e deve aplicar as decisões do STF ao caso concreto. Sobre o tema, cumpre esclarecer que o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu na sessão de 24/02/2016 o julgamento conjunto de cinco processos (ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 e do RE 601.314 repercussão geral) que questionavam dispositivos da Lei Complementar nº 105/2001, que permitem à Receita Federal do Brasil receber dados bancários de contribuintes fornecidos pelos bancos, sem prévia autorização judicial. No referido julgado, por maioria de votos prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos aos Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Recordese: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da Fl. 1948DF CARF MF Processo nº 10746.721354/201435 Acórdão n.º 2401004.718 S2C4T1 Fl. 15 27 repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento”. (STF, Tribunal Pleno, RE 601314, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 24/02/2016, acórdão eletrônico repercussão geral DJe198 Divulg. 15/09/2016 publicado 16/09/2016) Portanto, a requisição de informações bancárias no curso de procedimento fiscal, ao contribuinte ou diretamente às instituições financeiras, não constitui quebra do sigilo bancário, dispensado, nesta ordem, a interferência do Poder Judiciário para a aquisição das referidas informações. Além disso, o este Conselho não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme Súmula nº 2, que dispõe: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária”. Por tais razões, nego provimento ao recurso quanto a esse item. 3.5. Da ausência de notificação do cotitular Informa que este Conselho já pacificou a matéria que trata da exigência de notificação de todos os cotitulares de conta bancária, inclusive com aprovação da Súmula CARF nº 29. Entretanto, no presente caso, a decisão de primeira instância não acatou a alegação da Recorrente, alegando que a intimação do cotitular teria sido efetuada. Sustenta que não houve a referida notificação ao cotitular. Sobre a matéria, o acórdão hostilizado assim se pronunciou: “(...) Portanto, da leitura do art. 42, acima transcrito, se depreende que cabe ao titular da contacorrente a obrigação de comprovar a origem dos créditos bancários. Sendo assim, no caso de contas em conjunto, existe a obrigatoriedade de intimação de todos os cotitulares, sob pena de nulidade do lançamento, por afronta expressa ao dispositivo legal antes referido. Frisese que a intimação do cotitular foi efetuada, conforme consta no Relatório Fiscal, e conforme Termos de Intimação constantes do processo 10746.721379/201439”. (grifouse) Por sua vez, a Autoridade Fiscal, nos itens 1.9 e 1.10 do Relatório de Procedimento Fiscal fez constar o seguinte: Fl. 1949DF CARF MF 28 “1.9 Conforme acima, identificouse no Banco HSBC conta corrente conjunta da Sra. Derci Ismeria Alves e seu esposo – Sr. Cantidiano Alves Dourado (CPF 092.594.14172), referente ao arquivo “CC HSBC_523_2071420 (conjunta).xls”. Segundo o Art. 42, § 6º, da Lei nº 9.430 de 27/12/1996 (item 5.2.1, abaixo), para tal situação impõese a abertura de procedimento fiscal em desfavor do outro titular da conta, o que aconteceu através do MPF 01.5.01.002014000503”. 1.10 Afora o relatado no item acima, pôdese identificar na fiscalização executada em desfavor do Sr. Cantidiano Alves Dourado a existência de contas correntes nos Bancos do Brasil (BB) e da Amazônia (BASA) que igualmente são conjuntas entre esse fiscalizado e a Sra. Derci Ismeria. Para essas contas bancárias foram geradas as planilhas “CC BASA_59_030822 (conjunta).xls” e “CC BB_7943_70580 (conjunta).xls” que foram enviados à contribuinte através do TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL N°03 (TCIF0 3), solicitando manifestação sobre a origem de cada crédito, encaminhando os respectivos documentos (exs.: Notas fiscais; Contratos de venda de mercadorias, bens móveis ou imóveis ou semoventes; Registros cartoriais ou outras provas que indiquem inequivocamente as origens dos recursos). Além das contas acima, solicitouse as mesmas informações em relação à conta corrente não conjunta arquivo “CC ITAÚ UNIBANCO_ 0867_182792.xls”. Na intimação foi solicitado que a contribuinte se manifestasse nas planilhas acima, reencaminhadoas à fiscalização, fazendo cópia em papel, com assinatura, do que respondeu. Nesse TCIF03, ficou facultado à contribuinte que fosse retificado o teor da resposta da planilha “CC HSBC_523_2071420 (conjunta).xls”, antes encaminhada(ver item 1.8), em vista de apenas ela ter informado dados na resposta, sem qual qualquer manifestação do Sr. Cantidiano Alves Dourado. Pela leitura do relatório acima, verificase que o Sr. Cantidiano Alves Dourado (outro titular das contas), foi devidamente notificado através do MPF 01.5.01.00 2014000503 e conforme Termos de Intimação constantes do processo 10746.721379/2014 39, tendo sido cumprido, portanto, o contido no artigo parágrafo 6º do artigo 42 da Lei 9.430/96, o que de pronto afasta a aplicação da Súmula CARF nº 29. 3.6. Da atividade de compra e venda de bovinos Narra que “neste tópico vamos concentrar na atividade de intermediação na compra e venda de bovinos, que foi a atividade eleita pelo auditor fiscal para enquadrar os depósitos como rendimentos do trabalho nãoassalariado recebidos de pessoa física”. Declara que a fiscalização entendeu que todo valor depositado nas contas bancárias seriam rendimentos da atividade de intermediação de negócio, todavia, essa não é a realidade dos fatos. Explica que “na atividade da autuada, os produtores, digamse pequenos produtores, encaminham os seus animais para o leilão, que oferece aos compradores. Uma vez Fl. 1950DF CARF MF Processo nº 10746.721354/201435 Acórdão n.º 2401004.718 S2C4T1 Fl. 16 29 efetivada a negociação, os compradores embarcam o rebanho e depositam todo o valor relativo ao pagamento dos animais na conta bancária do leilão. Posteriormente, o leilão efetua o pagamento aos produtores, descontando a comissão pela intermediação na venda”. Assim, segundo alega, o que de fato é receita da atividade de intermediação é apenas a comissão, que no presente caso gira em torno de 5% (cinco por cento) do valor depositado. Com essas considerações, afirma que é justamente aqui que reside a necessidade de uma perícia/auditoria para esclarecer qual foi realmente o valor da receita da atividade de intermediação de negócio. Induz que “imaginar que todo aquele valor depositado nas contas bancária são receitas de intermediação de negócios foge totalmente da realidade local”. Aqui, mais uma vez, valhome do entendimento anteriormente firmado, no sentido de que a prova pericial pretendida pela contribuinte seria prescindível. De outro giro, cabe ao titular da contacorrente a obrigação de comprovar a origem dos créditos bancários. Ora, comprovar a origem dos depósitos não é tão somente comprovar de onde veio o dinheiro, mas também comprovar a natureza destes ingressos. Não tendo a Recorrente efetivamente comprovado as suas alegações, não há razão para a modificação do julgado. 3.7. Do alegado erro no enquadramento Sustenta que a fiscalização errou na determinação da base de cálculo e no enquadramento legal ao considerar toda a quantia depositada nas contas correntes como rendimento, nos seguintes termos: “Conforme se depreende das conclusões do auditor, expostas no relatório, mais precisamente no item 4.1 os depósitos são oriundos da comercialização de bovinos (...) Além das constatações, acima referidas, a auditoria produziu um documento denominado Cálculo Final do Imposto de Renda – Acréscimos Rendimentos em Movimentação Financeira (fls. 170), no qual disponibilizou as receitas e as despesas da atividade de comercialização de bovino, numa demonstração clara de apuração de lucro da atividade mercantil. No entanto, enquadrou a atividade da autuada no art. 45, V, do RIR, o qual trata de corretagens e comissões dos corretores leiloeiros e despachantes, seus prepostos e adjuntos. Ora, corretagens e comissões são calculadas em relação percentual e nunca em confrontação entre receitas e despesas. Cita o artigo 142 do CTN e o artigo 116, III, da Lei nº 8.112/90 para justificar sua tese, no sentido de que o enquadramento do lançamento deve se pautar pela legalidade e não pela vontade do auditor”. Afirma que há contradição no relatório do Auto de Infração, tendo em vista que o Auditor concluiu se tratar de compra e venda de bovinos e autuou a contribuinte por Fl. 1951DF CARF MF 30 omissão de receita do trabalho não assalariado, inclusive imputandolhe multa isolada por omissão do carnêleão. Que no presente caso a autoridade administrativa desconsiderou a atividade rural da então fiscalizada, atendendo a critérios subjetivos e arbitrários, posto que não previstos em lei, sendo o presente auto de infração nulo de pleno direito. Ora, entendo que as referidas alegações se confundem com as constantes do item “3.3 – Da alegada realidade fática”, cujas razões valhome integralmente para, também, negar provimento ao recurso no que se refere ao item em questão. 3.8. Da multa isolada A Recorrente alega que tendo em vista que o auditor fiscal concluiu tratarse de atividade de compra e venda de bovinos, ou seja, atividade mercantil, não é cabível a multa isolada, uma vez que não há previsão para tanto. Entretanto, no que se refere à aplicação da multa isolada, considerase questão preclusa neste Colegiado por não constar da impugnação ao Auto de Infração (fls 1597/1604 e 1741/1746) qualquer manifestação nesse sentido, razão pela qual não se deve conhecer desta matéria, por se tratar de questão nova trazida aos autos somente na fase recursal. 3.9. Do erro na metodologia aplicada Sustenta que durante o procedimento fiscal restou constatada a existência de uma segunda pessoa envolvida com a atividade autada e que a referida pessoa é o Sr. Cantidiano Alves Dourado (esposo da recorrente). De igual forma, constatouse a existência de duas contas correntes conjuntas e que a atividade de compra e venda de gado é desenvolvida pelos dois contribuintes numa verdadeira sociedade de fato. Dessa forma, seja pelo regime de casamento, seja pela sociedade de fato, o tratamento correto seria somar todas as receitas e todas as despesas da atividade e, posteriormente, dividir em duas partes, para apurar o rendimento de cada um dos contribuintes. Apresenta planilhas (fls.1815/1817) para demonstrar o quanto de Imposto de Renda é realmente devido por cada uma das atividades desempenhadas (rural e intermediação), esclarecendo que o valor por ela apurados nas referidas planilhas, o imposto devido por ela é de 50% (cinquenta por cento) cabendo a outra metade ao Sr. Cantidiano. De outro giro, afirma que a auditoria analisou os documentos e firmou no sentido de que todos os depósitos foram comprovados e que as receitas vinculadas aos referidos depósitos não teriam sido declaradas, residindo aí a razão da presente autuação. Porém, alega que é de fácil constatação que as receitas foram declaradas, tanto que foram utilizadas pela fiscalização como critério de proporcionalização de créditos em contas correntes conjuntas conforme relatório de fls. 173. Além disso, sustenta haver equívoco na apuração do valor da receita, tendo em vista que são vários os depósitos cujo depositante é o próprio favorecido conforme se infere do relatório de fls. 187/206, e, portanto, devem ser excluídos do cômputo da receita bruta, que foi transportada para o relatório CÁLCULO FINAL DO IMPOSTO às fls. 170, no item valor líquido depósitos. A irresignação não merece prosperar. Fl. 1952DF CARF MF Processo nº 10746.721354/201435 Acórdão n.º 2401004.718 S2C4T1 Fl. 17 31 Com efeito, os créditos oriundos de contratação de empréstimo, resgate de aplicação financeira e transferências realizadas pela própria contribuinte foram devidamente excluídos pela fiscalização (fl.26). Confirase: “4.5 Em relação à manifestação do contribuinte, no item acima, de que nos depósitos há valores recebidos de bancos como empréstimos bancários de crédito rural e pessoal, reafirmase que essa fiscalização fez antes das intimações TCIF01 e TCIF03 (vide itens 1.5 e 1.10) exclusão de créditos oriundos de contratação de empréstimos, resgates de aplicações financeiras, estornos diversos, ou transferências oriundas da própria contribuinte, não sendo identificado nada mais a excluir”. A propósito, confirase o teor dos itens 1.5 e 1.10 contidos no Relatório de Procedimento Fiscal às fls 8/9: “1.5 A partir dos arquivos advindos dos bancos realizouse separação dos lançamentos feitos a crédito nas contas correntes da contribuinte visando identificação das receitas/rendimentos omitidos à tributação federal, conforme dispositivo do Art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não foram considerados pela fiscalização, sendo excluídos, lançamentos a título de contratação de empréstimos, resgates de aplicações financeiras, estornos diversos, ou transferências oriundas da própria contribuinte”. “1.10 Afora o relatado no item acima, pôdese identificar na fiscalização executada em desfavor do Sr. Cantidiano Alves Dourado a existência de contas correntes nos Bancos do Brasil (BB) e da Amazônia (BASA) que igualmente são conjuntas entre esse fiscalizado e a Sra. Derci Ismeria. Para essas contas bancárias foram geradas as planilhas “CC BASA_59_030822 (conjunta).xls” e “CC BB_7943_70580 (conjunta).xls” que foram enviados à contribuinte através do TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL N°03 (TCIF0 3), solicitando manifestação sobre a origem de cada crédito, encaminhando os respectivos documentos (exs.: Notas fiscais; Contratos de venda de mercadorias, bens móveis ou imóveis ou semoventes; Registros cartoriais ou outras provas que indiquem inequivocamente as origens dos recursos). Além das contas acima, solicitouse as mesmas informações em relação à conta corrente não conjunta arquivo “CC ITAÚ UNIBANCO_ 0867_182792.xls”. Na intimação foi solicitado que a contribuinte se manifestasse nas planilhas acima, reencaminhadoas à fiscalização, fazendo cópia em papel, com assinatura, do que respondeu. Nesse TCIF03, ficou facultado à contribuinte que fosse retificado o teor da resposta da planilha “CC HSBC_523_2071420 (conjunta).xls”, antes encaminhada(ver item 1.8), em vista de apenas ela ter informado dados na resposta, sem qual qualquer manifestação do Sr. Cantidiano Alves Dourado”. Fl. 1953DF CARF MF 32 Portanto, verificase que a exclusão de créditos oriundos de contratação de empréstimos, resgates de aplicações financeiras, estornos diversos, ou transferências oriundas da própria contribuinte foram devidamente observados pela fiscalização. 3.10. Do ganho de capital Aduz que o cerne da questão reside em saber se ocorreu ganho de capital decorrente da venda de imóvel rural ou se houve a equiparação da pessoa física à pessoa jurídica. Afirma que não há dúvidas de que no caso houve a equiparação, no entanto, a decisão de primeira instância manteve a exação baseado em premissas falsas, pois teria considerado que o loteamento ocorreu depois da venda e pela Caixa Econômica Federal, contudo, o referido loteamento se deu quase um ano antes da venda e por iniciativa da autuada. Entendo que razão assiste à Recorrente. No caso em comento, conforme se infere do Relatório de Procedimento Fiscal (fl.10), a fiscalização tributou Imposto de Renda incidente sob o ganho de capital resultante da alienação de bens (imóvel). Do referido relatório consta o seguinte: “O imóvel objeto dessa verificação é de propriedade da Sra. Derci Ismeria Soares Alves e de seu esposo, Sr. Cantidiano Alves Dourado (vendedores), casados em comunhão parcial de bens (bens comuns após o casamento), conforme inclusive Certidão de Casamento. O imóvel está situado no perímetro suburbano da cidade de GurupiTO, tendo inscrição de imóvel rural perante a Receita Federal (NIRF) nº 3.772.8482. Antes da venda, o imóvel possuía matrícula 8.238 no SRI de Gurupi, tendo 90,485 Ha e denominação “Parte remanescente da Chácara 123”. Posteriormente à venda, foi criada a matrícula 31.124 no mesmo SRI, ficando a área total de 88,0142 Ha com a denominação “Chácara 123B”, havendo a criação do “Loteamento João Lisboa da Cruz” (...)“constituído de 25 quadras num total de 700 lotes vendáveis”, além de outros recursos de moradia. O Contrato de compra e venda estabelecido entre os vendedores e a Caixa Econômica Federal, igualmente arquivado no SRI Gurupi, define como valor da operação R$ 2.839.200,00, ficando o imóvel dividido em 676 lotes. (...) a) Verificouse na Certidão de inteiro teor da matrícula 8.328 que o imóvel foi adquirido pelo Sr. Cantidiano Alves Dourado em 01/04/2003, pelo valor de R$ 18.000,00, já constando a Sra. Derci Ismeria como seu cônjuge. Dado que inexiste nas bases de dados da Receita Federal para o ano de 2003 Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial (DITR) do imóvel, o valor de compra a ser considerado será R$ 18.000,00, segundo previsão do Art. 14 da Lei nº 9.393, de 19/12/1996 e do Art. 124 do RIR, transcritos nos itens 3.1.3 e 3.1.4, acima. b) A alienação aconteceu em 29/12/2011, segundo o Contrato de compra e venda estabelecido entre os vendedores e a Caixa Econômica Federal (CEF). A verificação do extrato da conta corrente da contribuinte na CEF arquivo “CC CEF_0793_001_23674.9.pdf” – indicou que o efetivo crédito à contribuinte ocorreu em 04/01/2012, sendo esse considerado para efeitos dos cálculos do ganho de capital, inclusive conforme prescreve o Art. 852 do RIR (item 3.1.2). Constatouse que a Fl. 1954DF CARF MF Processo nº 10746.721354/201435 Acórdão n.º 2401004.718 S2C4T1 Fl. 18 33 DITR do imóvel no respectivo ano indica que o valor da terra nua equivale à R$ 60.000,00. Frisese que tal DITR indica área de 54,6 Ha, sendo necessário fazer proporcionalização do valor da terra nua pela área de 88,0142 Ha, o que resulta em valor total da terra nua de R$ 96.718,19. Dado que o Contrato de compra e venda firmado entre os vendedores e a Caixa Econômica Federal informa que o valor do negócio foi de R$ 2.839.200,00, será aplicado novamente o Art. 14 da Lei nº 9.393, de 19/12/1996 e o e Art. 124 do RIR, sendo considerado o valor de venda o que consta no Contrato, e não na DITR. c) Na Declaração de Operações Imobiliárias (DOI) de 2011, que está nas bases da Receita Federal com número de arquivamento 3035091749, consta que a Sra. Derci Ismeria é alienante de 676 unidades dos terrenos/frações, que juntas correspondem à área total do imóvel em questão, constando nessa DOI que os participantes da operação são: ALIENANTES: CPF 130.743.42153 (DERCI ISMERIA SOARES ALVES) com 50%, CPF 092.594.14172 (CANTIDIANO ALVES DOURADO) com 50%; ADQUIRANTE: 03.190.167/000150 (FUNDO DE ARRENDAMENTO RESIDENCIAL). O valor do negócio na DOI é 676 x R$ 4.200,00 = R$ 2.839.200,00, conforme já mencionado. (...) As pesquisas na Declaração de Imposto de Renda da contribuinte para os exercícios 2012 e 2013, anos calendários 2011 e 2012, respectivamente, atestaram inexistir qualquer menção à operação acima. As consultas à base de DARFs pagos atestaram, da mesma forma, ausência de qualquer pagamento. Dessa forma não há reduções a fazer, ficando os valores acima como os finais para pagamento do imposto de renda sob ganho de capital em dezembro/2014”. Já em sede de julgamento, a DRJ afirmou que o loteamento João Lisboa da Cruz teria ocorrido após a venda do imóvel e o interesse da criação do loteamento teria ocorrido pela Caixa Econômica Federal e não pela recorrente (fl.1787): “(...) No que se refere a tributação sobre ganho de capital sobre a venda do imóvel matrícula 8.238 no SRI de Gurupi, tendo 90,485 Ha e denominação “Parte remanescente da Chácara 123”, constatase, conforme contrato de compra e venda (fls.744/756), que posteriormente à venda, foi criada a matrícula 31.124 no mesmo SRI, ficando a área total de 88,0142 Ha com a denominação “Chácara 123B”, havendo a criação do “Loteamento João Lisboa da Cruz”. Ou seja, o interesse da criação do loteamento (criado após a venda do imóvel) foi do comprador, a Caixa Econômica Federal, e não dos vendedores. Para estes últimos o que restou comprovado é que intentaram vender um imóvel único. Desta forma, não cabe a subsunção ao que prescreve o § 1º, III, do art. 150 do RIR/99 (...)” Fl. 1955DF CARF MF 34 Por fim, concluiu que “Como não cabe a equiparação a pessoa jurídica, conforme o citado § 1º, III, do art. 150 do RIR/99, qualquer declaração ou pagamento de tributo em nome de pessoa jurídica mostrase equivocada e ilegal”. Com a devida vênia ao ilustre prolator, entendo que a decisão merece reforma nesse ponto. Conforme se infere da Certidão de Inteiro Teor da matrícula nº 31.124 do imóvel em questão (fls.764/765), consta (R2/31.124) o implemento do loteamento João Lisboa da Cruz com data em 23/08/2010, ou seja, anterior à venda . Sobre o tema, cumpre transcrever a inteligência do artigo 151, I, do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99): “Art. 151. Serão equiparadas às pessoas jurídicas, em relação às incorporações imobiliárias ou loteamentos com ou sem construção, cuja documentação seja arquivada no Registro Imobiliário, a partir de 1º de janeiro de 1975 (DecretoLei nº 1.381, de 1974, art. 6º): I as pessoas físicas que, nos termos dos arts. 29, 30 e 68 da Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, do DecretoLei nº 58, de 10 de dezembro de 1937, do DecretoLei nº 271, de 28 de fevereiro de 1967, ou da Lei nº 6.766, de 19 de dezembro de 1979, assumirem a iniciativa e a responsabilidade de incorporação ou loteamento em terrenos urbanos ou rurais; (...)” Dessa forma, entendo que a equiparação da pessoa física à pessoa jurídica é medida que se impõe, razão pela qual dou provimento ao recurso nesse ponto, com o fim de que, o Imposto de Renda incidente sob o ganho de capital resultante da alienação do imóvel em questão, seja tributado pela pessoa jurídica. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário da recorrente para, no mérito, na parte conhecida, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1956DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.001470/2007-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/01/2007
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência, dentre outros requisitos, está condicionada à demonstração de similaridade fática entre os litígios enfrentados pelos acórdãos recorrido e paradigma.
Por outro lado, se o acórdão apontado como paradigma só demonstra divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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(antiga TECONDI TERMINAL PARA CONTÊINERES DA MARGEM DIREITA S/A) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/01/2007 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência, dentre outros requisitos, está condicionada à demonstração de similaridade fática entre os litígios enfrentados pelos acórdãos recorrido e paradigma. Por outro lado, se o acórdão apontado como paradigma só demonstra divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 14 70 /2 00 7- 55 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 11128.001470/200755 Acórdão n.º 9303004.719 CSRFT3 Fl. 196 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, por meio do qual se busca a reforma do Acórdão 380200.856, de 14/02/2012, assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/01/2007 INFRAÇÃO POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE RESPOSTA À INTIMAÇÃO NO PRAZO ESTABELECIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE EMBARAÇO, DIFICULDADE OU IMPEDIMENTO À AÇÃO DE FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. MULTA POR EMBARAÇO. APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A infração por embaraço à fiscalização aduaneira somente se configura quando, existindo em concreto uma ação fiscalizadora em desenvolvimento, a autoridade fiscal responsável pelo procedimento fiscal venha a se deparar com ações ou omissões, por parte do sujeito passivo, capazes de embaraçar, dificultar ou impedir a realização da ação de fiscalização. A simples ausência de resposta à intimação feita pela autoridade aduaneira somente se subsume a hipótese da infração descrita na alínea “c” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, se ficar comprovado nos autos que tal omissão resultou em embaraço, dificuldade ou impedimento à realização da ação de fiscalização. Nos presentes autos, como tal comprovação não foi feita, resta descaracterizada a infração por embaraço ou impedimento à ação de Fiscalização aduaneira e, por conseguinte, indevida a correspondente multa aplicada. Recurso Voluntário Provido. Aduz a Fazenda Nacional, em síntese, que a interpretação assentada no aresto recorrido diverge da jurisprudência administrativa, em especial dos Acórdãos 310200.507 e 310100.255, na medida em que o primeiro condicionou a aplicação da multa à caracterização do efetivo embaraço, dificuldade ou impedimento de ação fiscal aduaneira e o último, que o nãoatendimento à intimação relativa ao despacho de exportação, no prazo estipulado, por si só, seria suficiente para caracterização da conduta apenada. O recurso foi admitido com base no despacho às fls. 172 a 174. Cientificado em 13/07/2015 (conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem à fl. 180), o Contribuinte apresentou tempestivamente suas contrarrazões em 23/07/2015 (protocolo à fl. 181), por meio das quais, sinteticamente, destaca os aspectos que, na sua percepção, demonstrariam o acerto do acórdão recorrido. É o Relatório. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11128.001470/200755 Acórdão n.º 9303004.719 CSRFT3 Fl. 197 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Antes de passar à análise do mérito do Recurso Especial, penso que devese proceder à reanálise do exame de admissibilidade. Com efeito, não há dúvidas de que restou caracterizada divergência conceitual entre os acórdãos recorrido e paradigmas com relação aos elementos da conduta passível de penalização. Entretanto, após analisar as particularidades do presente processo, não vislumbro interesse processual na solução de tal divergência, pois este não foi o único fundamento considerado pelo aresto recorrido e, o que é mais importante, o outro fundamento, para o qual, destaquese, sequer foi apresentado recurso especial, já seria suficiente para o afastamento da exigência. Como é cediço, ex vi do art. 17 do CPC1, aplicável por força do art. 15 do mesmo Código2, para postular (e prosseguir com o processo, evidentemente) deve estar presente o interesse processual3 e, para que haja interesse, há de haver algum resultado prático no julgamento da lide. Acerca do conceito de interesse, relembro a lição de Wambier4 (destaquei): O interesse processual está presente sempre que a parte tenha a necessidade de exercer o direito de ação (e, consequentemente, instaurar o processo) para alcançar o resultado que pretende, relativamente à sua pretensão, e, ainda mais, sempre que aquilo que se pede no processo (pedido) seja útil sob o aspecto prático... Deveras, segundo consta do acórdão recorrido, a multa litigiosa foi imposta em razão de que a contribuinte teria deixado de responder à intimação para prestar esclarecimentos acerca do motivo do embarque de determinado contêiner para o exterior sem o prévio escaneamento, apesar da determinação do Fisco nesse sentido. Confirase o excerto do relatório que expõe a acusação (destaques acrescidos): Conforme relato da autoridade autuante, em 14/10/2006, a fiscalização determinou que a unidade de carga ECMU 130.881 8 não fosse embarcada antes de ser escaneada. Todavia, essa determinação não foi cumprida. Com vistas a apurar o ocorrido, o recinto alfandegado foi intimado para, no prazo de cinco dias, esclarecer o motivo do não escaneamento, bem como 1 Art. 17. Para postular em juízo é necessário ter interesse e legitimidade. 2 Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. 3 Art. 17. Para postular em juízo é necessário ter interesse e legitimidade. 4 Luiz Rodrigues Wambier, Flávio Renato de Almeida e Eduardo Talamini Curso Avançado de Processo Civil, volume 1 : teoria geral do processo de conhecimento; coordenação Luiz Rodrigues Wambier. São Paulo. 2007, Revista dos Tribunais, 9ª ed. p. 138. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 11128.001470/200755 Acórdão n.º 9303004.719 CSRFT3 Fl. 198 4 informar o navio, a data e a hora de embarque da referida carga. Embora ciente da Intimação nº 06/2007, em 19/01/2007 (fl. 06), a empresa não enviou qualquer resposta, nem tampouco solicitou dilação do prazo inicialmente concedido. Diante desse fato, a fiscalização entendeu como tipificado o embaraço à fiscalização, lavrando o auto de infração sob análise. Agora o voto condutor (destaques acrescidos): No presente caso, embora a Fiscalização não tenha apresentado qualquer documento que confirmasse o início e desenvolvimento do mencionado procedimento fiscal, com base nas informações da Recorrente, corroborada pelos documentos por ela acostados aos autos (fls. 43/65), temse a seguinte cronologia dos fatos relativos à presente autuação: a) em 14/10/2006, por email (fl. 43), o AuditorFiscal Marco Tioyama solicitou aos diversos Operadores Portuários e Recintos Alfandegados, incluindo à Recorrente, que fossem disponibilizados uma série de contêineres para vistoria por escaneamento, dentre os quais o contêiner ECMU 130.8818; b) em 16/10/2006, dois dias depois, também por email (fl. 43), a Recorrente enviou ao citado AuditorFiscal a relação dos contêineres que estavam sob sua guarda (fl. 65), disponibilizandoos para escaneamento no Terminal 37, operado por Libra Terminais S/A.; c) em 15/01/2007, o TRF José Joaquim de Almeida Júnior enviou email à recorrente solicitando informações sobre uma série de contêineres embarcados (63/64); e d) em 16/01/2007, um dia após, também por email (fls. 63/65), a Recorrente respondeu ao citado Técnico. Esse cronograma deixa evidente que, sempre que demandada, a Recorrente prestou com brevidade as informações solicitadas pela Fiscalização, demonstrando espírito cooperativo em relação ao referenciado procedimento fiscal. Ratifica o asseverado, o fato da solicitação de escaneamento do referenciado contêiner, realizada no dia 14/10/2006, ter sido respondida pela Recorrente, dois dias após, com a informação de que o referido contêiner havia sido disponibilizado ao transportador Transbrasa Transitaria Brasileira Ltda. no dia 19/09/2006 e embarcado no dia 23/09/2006 no navio CMA CGM BRASÍLIA, conforme se verifica na Relação de fl. 65, que foi enviada no arquivo anexo ao email endereçado à Fiscalização no dia 16/10/2006 (fl. 43). Ou seja, na data em que foi solicitada a dita informação, a citada unidade de carga já havia embarcado, impossibilitando, obviamente, a realização do procedimento de escaneamento demandado. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 11128.001470/200755 Acórdão n.º 9303004.719 CSRFT3 Fl. 199 5 Dessa forma, fica demonstrado que assiste razão à alegação da Recorrente no sentido de que todas as informações solicitadas na citada Intimação já tinham sido prestadas nos documentos anexados aos referidos email, tornando uma nova resposta completamente desnecessária. Com base nessas considerações, entendo que inexiste nos autos qualquer elemento probatório que confirme que a Recorrente embaraçou, dificultou ou o impediu à realização do mencionado procedimento de escaneamento. De fato, diversamente das condutas típicas da infração em apreço, o que se extrai dos elementos coligidos aos autos é que a Recorrente sempre que solicitada cooperou com o trabalho da Fiscalização, prestando lhe com brevidade as informações solicitadas. Como é possível verificar, além de enfrentar suas razões acerca da conduta passível de enquadramento no art. 107, IV, "c" do DL nº 37/66, o voto condutor do acórdão recorrido assentou o entendimento de que a contribuinte cumpriu a intimação, pois informara, em 16/01/2007, que o contêiner teria sido embarcado para o exterior em 24/09/2006 e, consequentemente, não mais poderia ser vistoriado. Relembrar que a determinação para que o embarque só ocorresse após a competente vistoria e escaneamento foi expedida em 14/10/2006, após o embarque da mercadoria, portanto. Ou seja, mesmo se superada a discussão acerca das características da ação fiscal ou da necessidade de demonstração do prejuízo ao andamento dessa ação, remanesceria intacta a conclusão do aresto no sentido de que o contribuinte cumpriu a intimação e tal fundamento, por si só, seria suficiente para afastar a exigência. Ademais, após a exposição dos demais aspectos considerados por ocasião da prolação do acórdão recorrido, resta evidente a ausência de identidade fática entre os litígios enfrentados pelos acórdãos recorrido e paradigmas. Como é cediço, a admissibilidade do recurso especial de divergência, nos termos da regra contida no art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprovou o atual regimento do CARF, já vigente à época da apresentação do recurso, está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Consequentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial quando estão em confronto situações diversas. Com essas considerações, voto no sentido de não conhecer do recurso especial e, consequentemente, manter a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900244/2014-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 25/11/2010
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 02 44 /2 01 4- 10 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900244/201410 Acórdão n.º 3401003.653 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 25/11/2010 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900244/201410 Acórdão n.º 3401003.653 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.900244/201410 Acórdão n.º 3401003.653 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.726246/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2008
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELAÇÃO.
A análise e o julgamento deste recurso deve seguir as linhas das decisões tomadas no Acórdão 2302-003.181 e no Acórdão 2302-003.182, julgados em 14 de maio de 2014, recursos oferecidos nos processos administrativos nº 10680.726245/2011-73 e 10680.726244/2011-29, pois esta autuação é reflexa àquelas, que se referem à mesma matéria debatida, mesma base de cálculo e mesmo período de apuração, sendo algo totalmente indesejado que haja decisões conflitantes.
LEI NOVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106 DO CTN. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449/08. MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), art. 106, II, "c", a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Em face da MP nº 449/08 (convertida na Lei nº 11.941/09), para o cálculo da multa mais favorável ao contribuinte, em relação às competências anteriores à 11/2008 (inclusive), deve-se somar a multa por falta de pagamento do tributo (aplicada com base na antiga redação do art. 35, da Lei nº 8.212/91) com as multas por falta/inexatidão de GFIP (estipuladas na redação anterior do art. 32, §§ 4º, 5º, 6º, da Lei nº 8.212/91), e o resultado deve ser comparado com a multa prevista no art. 35-A, da Lei nº 8.212/91, na redação atual, que conduz ao art. 44, da Lei nº 9.430/96 (75%). Precedentes desta Turma. Acórdãos 2202-003.554, 2202-003.555.
Numero da decisão: 2202-003.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto, que negou provimento ao recurso. Quanto ao recurso voluntário, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa conforme o art. 32-A da Lei º 8.212/91 e o Conselheiro Martin da Silva Gesto, que deu provimento parcial ao recurso, para afastar o lançamento relativo à PLR e para determinar o recálculo da multa conforme o art. 32-A da Lei º 8.212./91.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2008 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELAÇÃO. A análise e o julgamento deste recurso deve seguir as linhas das decisões tomadas no Acórdão 2302-003.181 e no Acórdão 2302-003.182, julgados em 14 de maio de 2014, recursos oferecidos nos processos administrativos nº 10680.726245/2011-73 e 10680.726244/2011-29, pois esta autuação é reflexa àquelas, que se referem à mesma matéria debatida, mesma base de cálculo e mesmo período de apuração, sendo algo totalmente indesejado que haja decisões conflitantes. LEI NOVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106 DO CTN. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449/08. MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), art. 106, II, "c", a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em face da MP nº 449/08 (convertida na Lei nº 11.941/09), para o cálculo da multa mais favorável ao contribuinte, em relação às competências anteriores à 11/2008 (inclusive), deve-se somar a multa por falta de pagamento do tributo (aplicada com base na antiga redação do art. 35, da Lei nº 8.212/91) com as multas por falta/inexatidão de GFIP (estipuladas na redação anterior do art. 32, §§ 4º, 5º, 6º, da Lei nº 8.212/91), e o resultado deve ser comparado com a multa prevista no art. 35-A, da Lei nº 8.212/91, na redação atual, que conduz ao art. 44, da Lei nº 9.430/96 (75%). Precedentes desta Turma. Acórdãos 2202-003.554, 2202-003.555.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto, que negou provimento ao recurso. Quanto ao recurso voluntário, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa conforme o art. 32-A da Lei º 8.212/91 e o Conselheiro Martin da Silva Gesto, que deu provimento parcial ao recurso, para afastar o lançamento relativo à PLR e para determinar o recálculo da multa conforme o art. 32-A da Lei º 8.212./91. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Recorrentes CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2008 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELAÇÃO. A análise e o julgamento deste recurso deve seguir as linhas das decisões tomadas no Acórdão 2302003.181 e no Acórdão 2302003.182, julgados em 14 de maio de 2014, recursos oferecidos nos processos administrativos nº 10680.726245/201173 e 10680.726244/201129, pois esta autuação é reflexa àquelas, que se referem à mesma matéria debatida, mesma base de cálculo e mesmo período de apuração, sendo algo totalmente indesejado que haja decisões conflitantes. LEI NOVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106 DO CTN. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449/08. MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), art. 106, II, "c", a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em face da MP nº 449/08 (convertida na Lei nº 11.941/09), para o cálculo da multa mais favorável ao contribuinte, em relação às competências anteriores à 11/2008 (inclusive), devese somar a multa por falta de pagamento do tributo (aplicada com base na antiga redação do art. 35, da Lei nº 8.212/91) com as multas por falta/inexatidão de GFIP (estipuladas na redação anterior do art. 32, §§ 4º, 5º, 6º, da Lei nº 8.212/91), e o resultado deve ser comparado com a multa prevista no art. 35A, da Lei nº 8.212/91, na redação atual, que conduz ao art. 44, da Lei nº 9.430/96 (75%). Precedentes desta Turma. Acórdãos 2202003.554, 2202003.555. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 62 46 /2 01 1- 18 Fl. 4403DF CARF MF Processo nº 10680.726246/201118 Acórdão n.º 2202003.844 S2C2T2 Fl. 4.404 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto, que negou provimento ao recurso. Quanto ao recurso voluntário, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa conforme o art. 32 A da Lei º 8.212/91 e o Conselheiro Martin da Silva Gesto, que deu provimento parcial ao recurso, para afastar o lançamento relativo à PLR e para determinar o recálculo da multa conforme o art. 32A da Lei º 8.212./91. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Conforme narra o relatório fiscal (fl. 1817): O presente Auto de Infração foi lavrado em nome da empresa acima identificada, uma vez que a mesma apresentou Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social – GFIP, declaração a que se refere a Lei nº. 8.212, de 24/07/91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, com incorreções e omissões nos dados relacionados aos fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS, infringindo o que dispõe o inciso IV e §§ 3º a 5º do art. 32 da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 9.528 de 10/12/97, combinado com o §4º inciso IV do art. 225 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06.05.99 e alterações. 2 A empresa omitiu da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social – GFIP: 2.1 Valores de despesas realizadas pela empresa com Alimentação de seus empregados sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT no período de Janeiro a Dezembro de 2007, conforme planilhas: “Anexo I – Alimentação”, Anexo II – Desconto PAT” e “Anexo III – Salário de Contribuição – Alimentação”. Fl. 4404DF CARF MF Processo nº 10680.726246/201118 Acórdão n.º 2202003.844 S2C2T2 Fl. 4.405 3 2.2 Valores pagos a segurados empregados, a título de Auxílio Educação no período de Janeiro de 2007 a Dezembro de 2008, de acordo com o “Anexo IV – Auxílio Educação 2007” e “Anexo V – Auxílio Educação 2008”. 2.3 Benefícios pagos ou creditados a segurados empregados, constantes e folhas de pagamento, a título de Participação nos Lucros e Resultados – PLR no período de Janeiro de 2007 a Dezembro de 2008 como demonstrado no “Anexo VI – PLR”. (...) A multa aplicada pela infração cometida é de R$ 990.879,50 (novecentos e noventa mil oitocentos e setenta e nove reais e cinqüenta centavos) correspondentes a 100% do valor da contribuição devida e não declarada, limitada, por competência, em função do número de segurados da empresa, observandose os limites mensais previstos no § 5° do art. 32 da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/97 c/c art. 284, inciso II e artigo 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, c/c art. 92 e art. 102 da Lei 8.212/91, calculada conforme o “Anexo VII – Multa Aplicada”, que é integrante do presente Relatório. (...) Cabe ressaltar que, com a publicação da Medida Provisória n° 449 de 04/12/2008 (convertida na Lei 11.941, de 25/05/2009) que promoveu alterações na Lei 8.212/91 e em face do disposto no art. 106 da Lei nº 5.172/66 Código Tributário Nacional CTN, fezse necessário a comparação entre as multas aplicáveis – antes e depois da referida Medida Provisória. (...) Esta comparação encontrase no “Anexo VIII – Comparativo de Multas”. 7.2 O referido “Anexo VIII – Comparativo de Multas” torna este processo (COMPROT) 10680726.246/201118 e o processo (COMPROT) 10680726.244/201129 interligados. Portanto, para o perfeito entendimento deste comparativo tornase necessária a análise simultânea de ambos os processos. Ou seja, conforme destacado na coluna “Multa Menos Severa” do comparativo, quando esta indica a “Legislação Anterior”, a mesma é tratada neste processo. Quando é apontada a “Legislação Atual” aplicase a multa única, no importe de 75% pelo não pagamento e pela falta de declaração, em GFIP, dos dados referentes aos fatos geradores. Esta sanção pecuniária é tratada no processo COMPROT 10680726.244/201129. O contribuinte apresentou impugnação sobre a qual, sendo analisada, assim decidiu a DRJ de origem, em suma: Fl. 4405DF CARF MF Processo nº 10680.726246/201118 Acórdão n.º 2202003.844 S2C2T2 Fl. 4.406 4 1 nos termos da Lei nº 8.212/91, artigo 32, inciso IV, §5º, e conforme suficientemente descrito no Relatório Fiscal da Infração, está demonstrado o cometimento da infração, pois sendo devida a obrigação principal, existe a obrigação acessória; 2 os argumentos e documentos apresentados em relação às obrigações principais já foram apreciados e votados, conforme Acórdão 0242.211, proferido no processo principal 10680.726244/201129, DEBCAD 37.339.4012, ao qual o presente processo está vinculado; 3 nos termos do Acórdão 0242.211, concluiuse que não são mais exigíveis as contribuições que incidiriam sobre alimentação in natura fornecida pelo impugnante, portanto, deve ser excluído do cálculo da multa a parcela Alimentação sem PAT; 4 sobre a multa aplicada, a partir de 4/12/08, com a publicação da MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09, o auditor, ao emitir Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Acessória – AIOA relacionado à GFIP, deve considerar a retroatividade da lei mais benéfica, de acordo com o CTN, artigo 106, inciso II. Para tanto, deve comparar as penalidades cabíveis consoante a legislação vigente antes e depois da referida MP, aplicando a multa mais favorável ao sujeito passivo; 5 como se verifica no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa e anexos de fls. 1838/1839, foi explicado ao sujeito passivo a metodologia aplicada e o comparativo da multa realizado tendo em vista os dispositivos legais vigentes antes e depois da MP 449/08. Consta do Relatório a conclusão de que a multa mais benéfica, à época do lançamento, para as competências 01/07 a 12/07 e 03/08, é aquela prevista na versão da Lei 8.212/91 anterior à MP. Ocorre, contudo, que os percentuais da multa tanto do artigo 35 da Lei 8.212/91, quanto do artigo 44 da Lei 9.430/96, sofrem variação de acordo com o prazo do pagamento do crédito. Logo, temse que a comparação entre uma e outra modalidade somente poderá ser ratificada por ocasião desse pagamento, devendo o valor da multa ser revisto, se for o caso, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14, de 4 de dezembro de 2009. Assim, deuse provimento parcial à Impugnação, "pela manutenção em parte do lançamento, devendo o valor da multa aplicada ser retificado para R$ 338.894,94...". Cientificada dessa decisão em 28/02/2013, conforme Aviso de Recebimento na folha 4324, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 01 de abril de 2013 (segunda feira), com protocolo na folha 4326. Em sede de recurso, resumidamente, argumenta que: a) Inexiste afronta à Lei nº 10.101/2000, no que diz respeito a seu programa de PLR. b) Sustenta que existem regras claras para o cálculo do PLR, garantindo o direito dos empregados da CEMIG, que em nenhum momento foram prejudicados. Transcreve em parte os ACT's. Empresa e Sindicatos vincularam o pagamento da PLR a metas e resultados estipulados em documentos usuais de gestão e em todos os acordos constam expressamente metas, forma de cálculo, empregados habilitados ao recebimento, datas, ausências e prazos. Cita Acórdãos deste CARF. c) Diz que a data de assinatura dos ACT é questão irrelevante para o caso, conforme precedentes do CARF. Exigir que o acordo coletivo seja assinado antes do início do Fl. 4406DF CARF MF Processo nº 10680.726246/201118 Acórdão n.º 2202003.844 S2C2T2 Fl. 4.407 5 cumprimento das metas extrapola a interpretação razoável da Lei 10.101/2000. Cita decisões do CARF. d) A existência de metas previstas e conhecidas pelos empregados é argumentação que não foi analisado (e existe documentação que não foi considerada) pela DRJ/BHE. e) O artigo 7º, XI, da CF/88 dispôe expressamente que a PLR é desvinculada da remuneração. f) Em relação ao auxílio educação, não existe a natureza salarial de tal verba, que trata de um investimento feito pela empresa, não havendo habitualidade e obrigatoriedade, que incentiva seus funcionários a estudarem. Não se trata de contraprestação pelo serviço prestado. Cita jurisprudência do STJ. foram cumpridas regras estabelecidas em ACT. g) em relação ao cálculo da multa, a DRJ insiste na aplicação do entendimento externado na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009. Ocorre que há um equívoco no raciocínio do Fisco, pois não é possível comparar penalidades aplicáveis a ilícitos distintos. Analisa a Lei nº 8.212/1991, a Lei nº 11.941, de 2009 e o artigo 106 do CTN. REQUER , sucessivamente, que seja anulado o Auto de Infração sobre o PLR e auxílio educação; seja recalculada a multa de mora imposta; seja analisado este recurso juntamente com os oferecidos nos PA nº 10680.726245/201173 e 10680.726244/201129. Posteriormente, em 30 de dezembro de 2013, o contribuinte enviou nova missiva, identificando que os processos que encerravam os AIOP haviam sido distribuídos para a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento e este processo, diferentemente, havia sido distribuído para a 4ª Câmara. Solicitou redistribuição. Enfim, primeiro com a transferência e depois com o término do mandado do primeiro Conselheiro relator, o processo foi redistribuído a esta Câmara/Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a existente após a digitalização do processo, transformado em meio magnético (formato .pdf) A DRJ, ao analisar a impugnação, manifestou que: No mérito, a defesa apresenta os mesmos argumentos da defesa apresentada nos autos do processo principal 10680.726244/201129, DEBCAD 37.339.4012, ao qual o presente processo está vinculado, todos lavrados na mesma ação fiscal, cujo conteúdo foi relatado no Acórdão 0242.211, julgado Fl. 4407DF CARF MF Processo nº 10680.726246/201118 Acórdão n.º 2202003.844 S2C2T2 Fl. 4.408 6 conjuntamente com o presente processo, na mesma sessão de julgamento desta turma da DRJ/BHE. O contribuinte recorrente, a seu turno, primeiro no recurso e depois quando verificou a distribuição por sorteio dos processos, disse que entendia necessária (fl. 4369): "A análise e o julgamento conjunto deste recurso com os oferecidos nos processos administrativos nº 10680.726245/2011 73 e 10680.726244/201129, pois são autuações reflexas á presente, já que se referem à mesma matéria debatida, mesma base de cálculo e mesmo período de apuração, sendo algo totalmente indesejado que sejam julgados separadamente, até para se evitar decisões conflitantes." Vejamos que nos processos administrativos supracitados, conforme relatórios nos respectivos Acórdãos já proferidos por este CARF, tratase de: a) Processo 10680.726244/201129 Acórdão 2302003.181, julgado em 14 de maio de 2014 O Auto de Infração foi lavrado contra a empresa CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A, tendo como sujeitos passivos solidários ..., no período de 01/07 a 12/08, cobrandolhe o pagamento das contribuições sociais destinadas à Seguridade Social correspondente à parte da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidente sobre valores pagos a segurados empregados a título de Auxílio Educação, Alimentação e Participação nos Lucros (em desacordo com a lei), não declarados em GFIP, conforme relatório fiscal (fls. 1309/1323). (destaquei) b) Processo 10680.726245/201173 Acórdão 2302003.182, julgado em 14 de maio de 2014 O Auto de Infração foi lavrado contra a empresa CEMIG DISTRIBUIÇÃO SA, em referência, tendo como sujeitos passivos solidários ..., no período de 01/07 a 12/08, cobrandolhe o pagamento das contribuições sociais destinadas à outras entidades e fundos salário educação, INCRA, SEBRAE, incidentes sobre valores pagos a segurados empregados a título de Auxílio Educação, Alimentação e Participação nos Lucros (em desacordo com a lei), não declarados em GFIP, conforme relatório fiscal (fls. 18/30). (destaquei) Observase, portanto, que naqueles processos formalizouse a exigência de contribuições previdenciárias, parte relativa a empresa e parte destinada a outras entidades/terceiros, sobre as mesmas rubricas e mesmo período em que aqui se lançou a multa por descumprimento de obrigação acessória, por não ter informado as respectivas contribuições em GFIP. As questões de mérito já foram julgadas e, de fato, entendo que não se deva dar solução diferente a esta lide, valendome, portanto, daquelas decisões para fundamentar este julgamento, baseandome nas mesmas razões apresentadas naqueles votos vencedores. Destaco ainda que ouve um recurso de ofício, da DRJ, que dera provimento parcial em relação à questão da contribuição previdenciária sobre o auxílio alimentação, para reduzir a multa aplicada, e o recurso voluntário do contribuinte, que se calcou nas razões resumidas no relatório. 1 Em relação ao recurso de ofício, decidiuse que: Fl. 4408DF CARF MF Processo nº 10680.726246/201118 Acórdão n.º 2202003.844 S2C2T2 Fl. 4.409 7 ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE TICKET, VALE ALIMENTAÇÃO OU EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores despendidos pelo empregador em dinheiro ou na forma de ticket/vale alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Em resumo, dispôs o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, redator do Voto Vencedor no Acórdão 2302003.181, que encaminhou as disposições acima transcritas, que o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Nessa perspectiva, todo e qualquer lançamento a conta de despesa da empresa representativa de rubrica paga, devida ou creditada a segurado obrigatório do RGPS, que tiver por motivação e origem o trabalho realizado pela pessoa física em favor do Contribuinte, ostentará natureza jurídica remuneratória, e como tal, base de cálculo das contribuições previdenciárias. A inscrição no PAT não se constitui mera formalidade ou capricho da Administração. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, através de seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° da Portaria nº 03, de 01 de março de 2002, do MTE. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: o fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. O Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 houvese por erigido com fundamento no dispositivo legal indicado e nas decisões exarados pelo Superior Tribunal de Justiça, consignado que a alimentação fornecida in natura, ou seja, quando a alimentação é fornecida pela empresa pronta para o consumo pelo empregado, não sofre a incidência da contribuição previdenciária. Por outro lado, quando o auxílio alimentação for pago em espécie ou na forma de tickets/vales alimentação ou cartões, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Nesse contexto, não estando a verba paga em espécie, a título de alimentação, albergada por qualquer norma tributária de exclusão, decidiu se pela manutenção da rubrica em tela no conjunto da matéria tributável do lançamento, conforme originalmente lançado pela Fiscalização. Portanto, no sentido de "dar provimento ao Recurso de Ofício para manter o lançamento quanto à rubrica alimentação fornecida em tíckets, sem a inscrição no PAT". 2 Em relação aos tópicos do recurso voluntário, aqui tratados: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. O texto constitucional condiciona a desvinculação da parcela paga a título de PLR da remuneração aos termos da lei. O plano de PLR que não atende aos requisitos da Lei n° 10.101/2000 não goza da isenção previdenciária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PACTUAÇÃO PRÉVIA. Fl. 4409DF CARF MF Processo nº 10680.726246/201118 Acórdão n.º 2202003.844 S2C2T2 Fl. 4.410 8 A Lei n° 10.101/00 exige que haja negociação entre empresa e trabalhadores, da qual deverão resultar regras claras e objetiva e os índices, as metas, os resultados e os prazos devem ser estabelecidos previamente, sendo que o instrumento será arquivado na entidade sindical. A negociação e o estabelecimento das regras dela resultantes (índices, metas, resultados e prazos) somente têm sentido se concluídos previamente ao fim do período a que se referem os lucros ou resultados. Em que pese a vagueza do texto normativo, tal imprecisão não pode significar a impossibilidade de atuação do intérprete na complementação da concreto e que todas os textos incompletos ou ambíguos serão, potencialmente, ineficazes. Também não se trata de relativizar o princípio da legalidade, mas de identificar onde e quando o Direito atribui ao aplicador a tarefa de definir os critérios diante do caso concreto, como, no caso, a definição da anterioridade da negociação, da pactuação e do arquivamento do instrumento na entidade sindical. A negociação, a pactuação e o arquivamento do instrumento na entidade sindical devem ocorrer antes da conclusão das metas e/ou resultados estabelecidos e em data distante do término do período a que se referem os lucros ou resultados, sob pena de se inviabilizar o próprio sentido de incentivo à produtividade. A análise do caso concreto deve levar em consideração fatores como o tipo de meta ou resultado estabelecido, a comprovação da anterioridade das negociações, o ajuste de PLR, em anos anteriores, com características semelhantes (o que por si só gera expectativa no trabalhador, de sorte a já incentivar a produtividade e, portanto, não desnaturar o pagamento), dentre outras peculiaridades que mereçam ser sopesadas. Já nessa parte, esclareceu o Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, redator designado para o Voto vencedor, no Acórdão 2302003.181, que a Lei 10.101/2000 estabelece os contornos gerais da participação nos lucros ou resultados, e assim o faz para dar efetividade ao direito social estatuído no artigo 7°, XI, da CF. No caso em comento, a questão crucial era saber se há exigência na Lei n° 10.101/00 da pactuação prévia de programa de metas, resultados e prazos. Destacou o redator que a leitura do dispositivo permite afirmar que a lei exige negociação entre empresa e trabalhadores, da qual deverão resultar regras claras e objetiva e os índices, as metas, os resultados e os prazos devem ser estabelecidos previamente, sendo que o instrumento será arquivado na entidade sindical. Disse que o legislador acabou por relegar ao intérprete a definição do que se possa entender como prévio (norma), não se tratando de criar distinção onde a lei não distingue (texto), mas sim de atender aos próprios fins sociais do instituto (norma). Sendo assim, do que consta nos autos, concluiu se que a formulação foi tão próxima ao término do período a que se referem os lucros ou resultados que inviabilizou o próprio sentido de incentivo à produtividade. Arrematou dizendo que para fins de pagamento da PLR, não basta a estipulação de regras claras e objetivas (formulação), mas a efetivação, o cumprimento, a observância destas regras como condição para o pagamento da PLR (execução) e não restou comprovado nos autos a efetivação das avaliações previstas pelas partes ou, em outras palavras, faltou à recorrente comprovar que as avaliações foram realizadas conforme proposto e que estas serviram como condição para o pagamento da PLR. Fl. 4410DF CARF MF Processo nº 10680.726246/201118 Acórdão n.º 2202003.844 S2C2T2 Fl. 4.411 9 Portanto no sentido de "negar provimento ao Recurso Voluntário, quanto à verba Participação nos Lucros e Resultados". Por fim, em relação ao auxílio educação, foi vencedora, no Acórdão 2302 003.181, a tese da Conselheira Relatora Juliana Campos de Carvalho Cruz, no seguinte sentido: AUXÍLIO EDUCAÇÃO A verba paga a título de educação em desacordo com a legislação, em desconformidade com o disposto no art. 28, §9º, letra”t” da Lei n.º 8;212/91, possui natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à Recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Portanto, decidiuse "negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a incidência da contribuição previdenciária sobre a rubrica Auxílio Educação", com os seguintes argumentos, em síntese: de acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, entendese por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo neste o conceito de ganhos habituais sob a forma de utilidades. Todavia, existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, a exemplo do auxílio educação. A legislação ordinária impõe como requisito para a caracterização da verba educacional o fato do benefício ser estendido a todos os funcionários. No entanto, os acordos coletivos de trabalho aqui analisados dispõem que a verba auxiliar seria concedida apenas para alguns funcionários que recebessem determinado valor. Estando no campo de incidência do conceito de remuneração e não estando adequada à dispensa legal, as parcelas pagas a título de auxílio educação para alguns funcionários deve integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. DA MULTA DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Em relação ao objeto específico deste lançamento fiscal, consubstanciado neste processo administrativo, que diz respeito à exigência da multa pelo descumprimento de obrigação acessória, destaco que na folha 1839 o Auditor Fiscal elaborou um "comparativo de multas", chegando à conclusão que nos períodos de 01/2007 a 12/2007 e 03/2008 o valor lançado com base na legislação anterior à MP 449, de 2008, seria inferior ao valor que fosse lançado com base na legislação posterior. Ou seja, neste processo tratase das multas relativas aos períodos acima destacados, apenas. Esclareceu em seu relatório que: 7.2 O referido “Anexo VIII – Comparativo de Multas” torna este processo (COMPROT) 10680726.246/201118 e o processo (COMPROT) 10680726.244/201129 interligados. Portanto, para o perfeito entendimento deste comparativo tornase necessária a análise simultânea de ambos os processos. Ou seja, conforme destacado na coluna “Multa Menos Severa” do comparativo, quando esta indica a “Legislação Anterior”, a mesma é tratada neste processo. Quando é apontada a “Legislação Atual” aplicase a multa única, no importe de 75% pelo não pagamento e pela falta de declaração, em GFIP, dos dados referentes aos fatos geradores. Fl. 4411DF CARF MF Processo nº 10680.726246/201118 Acórdão n.º 2202003.844 S2C2T2 Fl. 4.412 10 Esta sanção pecuniária é tratada no processo COMPROT 10680726.244/201129. O contribuinte diz que caso se entenda que houve realmente falta de recolhimento de contribuição previdenciária, o lançamento deve ser alterado (pois não é possível comparar a multa de mora com a multa de ofício, pois a justificativa de cada uma é distinta), para efetuar o cálculo das multas separadamente, comparando isoladamente cada tipo punitivo, possibilitando assim a aplicação retroativa da multa pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 com redação dada pela Lei 11.941/09. Neste ponto, entendo que não procedem as alegações do Recorrente, pois existem duas obrigações que, se descumpridas, levam a duas penalidades: antes da MP 449, de 2008, lançadas uma no AIOP e outra no AIOA e, após a referida Medida Provisória, só o percentual de 75%, no AIOP. Mantenho, dessa feita, a posição que acompanhou o Voto vencedor da Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, no recente Acórdão 2202003.554, Sessão de 20 de setembro de 2016, desta Turma, que com clareza meridiana assim expôs a questão: As alterações trazidas à Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, pela Medida Provisória nº 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, provocaram mudanças significativas na forma de aplicação das multas no âmbito das contribuições previdenciárias. No regime anterior, a multa pela falta de pagamento do tributo estava prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91, da seguinte forma: (...) Como se vê, a legislação anterior, diante da ausência de pagamento da contribuição, estipulava uma multa em percentuais progressivos que poderiam chegar até a cem por cento do valor devido, a depender do momento e das circunstâncias em que se encontravam os débitos (não incluídos em lançamento fiscal, incluídos em lançamento fiscal e inscritos em dívida ativa). Assim, essa multa não só abrangia a prática do atraso no pagamento, mas também a situação em que havia lançamento de ofício das obrigações devidas ("créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento"). Nesse sentido, entendese que, enquanto a multa de mora pressupõe o recolhimento espontâneo do tributo pelo contribuinte, a multa de lançamento de ofício tem como premissa básica a atuação estatal. Logo, apesar da denominação de "multa de mora" expressa na legislação anterior, concluise ser "de ofício" a natureza jurídica da multa aplicada sobre as contribuições inseridas em lançamento fiscal. Com o advento da MP 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, o referido art. 35 da Lei nº 8.212/91 foi alterado e também houve a Fl. 4412DF CARF MF Processo nº 10680.726246/201118 Acórdão n.º 2202003.844 S2C2T2 Fl. 4.413 11 inclusão do art. 35A, trazendo uma terminologia mais adequada ao segmentar da multa de mora a multa aplicada em lançamento de ofício, como se transcreve a seguir: (...) Assim, quanto aos débitos em atraso, que não foram objeto de lançamento fiscal, a nova redação do art. 35, da Lei nº 8.212/91, remete ao art. 61, da Lei nº 9.430/96, alterando a multa de mora para o percentual 0,33% ao dia, até o limite de 20% (art. 61), conforme abaixo: (...) Já para os débitos incluídos em lançamento fiscal e, portanto, sujeitos à multa de ofício, o art. 35A, na nova redação da Lei nº 8212/91, conduz ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, determinando a incidência da multa na alíquota de 75%, nos seguintes termos:(...) Dessa forma, tendo ocorrido lançamento de ofício do tributo, entendese que a comparação da multa mais benéfica, para atendimento do art. 106, II, "c", do CTN, deve ser feita com o art. 35A, da Lei nº 8.212/91, que conduz ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%). Notase ainda que a multa decorrente do lançamento de ofício, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. Nesse aspecto, de se mencionar que as multas por descumprimento de obrigação acessória (que também são constituídas em lançamento de ofício) aplicadas na vigência da legislação anterior sobre as infrações relativas à falta/inexatidão de declarações (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP) estavam previstas no art. 32, §§ 4º, 5º e 6º, da Lei nº 8.212/91. Assim, para o cálculo da penalidade mais favorável, em relação às competências incluídas em lançamento fiscal anteriores à 11/2008 (inclusive), a multa por falta de pagamento do tributo (aplicada com base na antiga redação do art. 35, da Lei nº 8.212/91) também deve ser somada às multas por falta/inexatidão de GFIP (estipuladas na redação anterior do art. 32, §§ 4º, 5º, 6º, da Lei nº 8.212/91), e o resultado deve ser comparado com a multa prevista no art. 35A, da Lei nº 8.212/91, na redação atual, que conduz ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%). Tal procedimento foi adotado pela autoridade fiscal, às fls. 77/78, e está previsto no art. 476A, da Instrução Normativa (IN) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) nº 971/09. Assim vem decidindo a 2ª Turma da CSRF deste CARF. Vejamos: Fl. 4413DF CARF MF Processo nº 10680.726246/201118 Acórdão n.º 2202003.844 S2C2T2 Fl. 4.414 12 Acórdão 9202004.498, de 29 de setembro de 2016: Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2004 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA OMISSÃO EM GFIP MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal e acessórias lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício.(destaquei) AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas, exceto nas competências cuja obrigação principal foi atingida pela decadência, para as quais a multa ficará reduzida ao valor previsto no art. 32A da Lei n° 8.212, de 1991. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento parcial para limitar o somatório das multas por descumprimento da obrigação principal e por descumprimento da obrigação acessória ao percentual de 75%, caso mais benéfico ao contribuinte .... Portanto, está correta a "comparação de multas" elaborada pelo Auditor Fiscal, conforme tabela anexa a seu Relatório, deixando claro que a comparação dos efetivos valores de multa, para verificação da mais benéfica, será realizada quando do pagamento ou parcelamento dos créditos (Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009). CONCLUSÃO. Em face do todo exposto, considerando as decisões tomadas no Acórdão 2302003.181 e Acórdão 2302003.182, referentes à obrigação principal, e considerando o posicionamento externado em relação ao cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória supracitado, VOTO por dar provimento ao recurso de ofício para manter o lançamento quanto à rubrica alimentação fornecida em tíckets, sem a inscrição no PAT e por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 4414DF CARF MF Processo nº 10680.726246/201118 Acórdão n.º 2202003.844 S2C2T2 Fl. 4.415 13 Fl. 4415DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720053/2012-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
IPI. MULTA. AGRAVAMENTO.
Nos termos do art. 80 da Lei 4.502/64 com a redação que lhe deu o art. 45 da Lei 9.430/96 as multas em decorrência de lançamento de ofício serão agravadas em 50% quando não prestados os esclarecimentos solicitados. Não há no dispositivo legal exigência de que essa não apresentação impossibilite a conclusão dos trabalhos fiscais.
Numero da decisão: 9303-004.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento.
Rodrigo da Costa Possas - Presidente em exercício
Júlio César Alves Ramos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício).
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 IPI. MULTA. AGRAVAMENTO. Nos termos do art. 80 da Lei 4.502/64 com a redação que lhe deu o art. 45 da Lei 9.430/96 as multas em decorrência de lançamento de ofício serão agravadas em 50% quando não prestados os esclarecimentos solicitados. Não há no dispositivo legal exigência de que essa não apresentação impossibilite a conclusão dos trabalhos fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Rodrigo da Costa Possas Presidente em exercício Júlio César Alves Ramos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 53 /2 01 2- 11 Fl. 7198DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso contra decisão que manteve o agravamento da multa aplicada em lançamento de ofício em razão de falta de apresentação de esclarecimentos solicitados. Na decisão recorrida, se disse: Da majoração da multa de ofício. De acordo com os itens 50 a 52 do citado Termo de Verificação Fiscal (fl. 6688), sob o argumento de que autuada não havia prestado os esclarecimentos solicitados nem apresentado os arquivos digitais previstos na Instrução Normtiva SRF nº 86, de 2001, e especificados no Ato Declaratório Executivo Cofis (ADE Cofis) nº 15, de 2001, a fiscalização majorou as multas aplicadas em 50% (cinquenta por cento), com fundamento no art. 80, § 7º, da Lei nº 4.502, de 1964, a seguir transcrito: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] 6o O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) I aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência específica; (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei.(Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 7o Os percentuais de multa a que se referem o caput e o § 6o deste artigo serão aumentados de metade nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] (grifos não originais) De fato, segundo relatado nos itens 24 a 28 do referenciado Termo de Constatação Fiscal (fls. 6682/6685), a fiscalizada não apresentou os referidos aquivos digitais nem prestou os esclarecimentos solicitados no Termo de Intimação Fiscal de fls. 6650/6653. Fl. 7199DF CARF MF Processo nº 19515.720053/201211 Acórdão n.º 9303004.935 CSRFT3 Fl. 3 3 Em decorrência dessa omissão, por meio do Termo de Constatação e Reintimação Fiscal de fls. 6654/6657, a autuada foi reintimada apresentar os mesmos esclarecimentos solicitados no Termo anterior, que também não foi atendido. Na sua defesa, a recorrente alegou que, por adotar Escrituração Contábil Digital (ECD), ela não estava obrigada a apresentar os referidos arquivos digitais, até porque já havia apresentado todos os documentos fiscais solicitados e não estava obrigada a montar planilhas, sem qualquer sucedâneo legal, com base nas informações já prestadas. Não procede a alegação da recorrente, compulsando o Termo de Constatação e Reintimação Fiscal, verificase que foram soliciados diversos esclarecimentos, dentre os quais, os esclarecimentos sobre a falta de apresentação da citada planilha em excel. No entanto, ao invés de prestar os esclarecimentos solicitados, inclusive informando os motivos para não apresentação da referida planilha, a recorrente optou pelo silêncio e, ao assim proceder, incorreu na infração estabelecida no art. 80, § 7º, da Lei nº 4.502, de 1964. O acórdão paradigma, por sua vez, entende afastável tal tipo de agravamento "quando a falta dos esclarecimentos não impede a lavratura do auto de infração". Regularmente intimada da admissão do recurso, a Fazenda apresenta contrarrazões em que postula a manutenção do julgado com base na legislação em vigor, dado que comprovado o não atendimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos O recurso foi bem admitido, na medida em que as decisões confrontadas Entendo estar com razão a turma recorrida. Com efeito, já me manifestei em diversas ocasiões no sentido de que o fato de ter havido a autuação não é motivo para relevarse o agravamento da multa, até porque, por óbvio, só ocorrerá essa multa se o lançamento for mesmo concretizado. Assim, o que a norma está a buscar é a colaboração do sujeito passivo objeto da fiscalização a fim de aclarar os fatos, e disso pode ou não resultar crédito tributário a ser exigido. Notese que, como bem afirmado pelo dr. José Fernandes, a norma em si não traz qualquer qualificação acerca do esclarecimento solicitado. Pode, pois, ele, em princípio, ser qualquer um, desde que, por óbvio, relacionado à ação fiscal em curso. Fl. 7200DF CARF MF 4 Ainda assim entendo eu, deva mesmo ser qualificado o esclarecidmento para evitar abusos por parte da fiscalização que, muitas vezes, pretende transferir ao sujeito passivo o trabalho que lhe cabe. É o caso quando, embora disponíveis nos documentos fiscais já produzidos pelo fiscalizado (livros, notas e declarações), determinados "esclarecimentos" lhe são novamente solicitados por meio de planilhas, tabelas e ssemelhantes. Essa fora a minha primeira impressão no caso em apreço, reforçada pelo que consta do recurso. Mas não é assim. De fato, disse a autoridade incmbida da ação fiscal, em Termo de Verificação Fiscal: 17 Na data de 03/01/2012, cuja ciência da empresa se deu em 04/01/2012, lavramos Termo de Constatação e Intimação Fiscal, por meio do qual constatamos e intimamos o que segue: a. A empresa apresentou, na data de 28/11/2011, folhas impressas intituladas de "Registro de Apuração do IPI", "Registro de Entradas", "Registro de Saídas", "Registro de Apuração do ICMS", todos do estabelecimento matriz (05.222.234/000105). b. Nos livros acima, não constam informações sobre os valores do IPI incidente na entrada e na saída das mercadorias/produtos, assim como a composição de débitos e créditos do imposto. c. Não foi apresentada relação de todas as mercadorias importadas pelo estabelecimento para comercialização, em meio papel e digital, bem como daquelas importadas por intermédio de outros estabelecimentos da mesma empresa, que lhes tenham sido remetidas para venda, com discriminação de quantidades, códigos internos de produto, valor e outros elementos necessários. d. Não foi apresentada relação de todas as notas fiscais de saída de produtos importados nas condições descritas no item anterior, em meio papel e digital, com discriminação dequantidades, códigos internos de produto, valor e outros elementos necessários. Diante do exposto, INTIMAMOS a empresa a apresentar os seguintes elementos/documentos, referente aos AnosCálendário 2007 e 2008, no prazo de 5 (cinco) dias úteis, a contar do recebimento desta Intimação: e. Livro Registro de Apuração do IPI, separado por estabelecimento, encadernado, com termo de abertura e encerramento assinado pelo representante legal da empresa, com informações inerentes à apuração do IPI, tais como: valor da notafiscal de entrada e saída, IPI destacado na entrada e na saída, composição do crédito e do Fl. 7201DF CARF MF Processo nº 19515.720053/201211 Acórdão n.º 9303004.935 CSRFT3 Fl. 4 5 débito do IPI, código NCM da mercadoria; f. Livro Registro de Entrada, Livro Registro de Saídas e Livro Registro de Apuração do ICMS, separados por estabelecimento, encadernado, com termo de abertura e encerramento assinado pelo representante legal da empresa, contendo todas as informações exigidas pela legislação fiscal. g. Planilha em excel, em meio digital, que discrimine os valores das mercadorias "' 'comercializadas pela empresa, conforme layout abaixo: (...) 18 As planilhas acima foram solicitadas pela falta de apresentação dos arquivos digitais fiscais de acordo com o disposto na IN 86/2001, conforme layout definido pelo Ato Declaratorio Executivo ADE n° 15/2001. 19 Outrossim, observamos no referido termo que o não atendimento no prazo marcado para prestar as informações solicitadas, sujeitaria a empresa, no caso de lançamento de oficio, ao agravamento em 50% (cinquenta por cento) das multas a que se referem os incisos I e II do caput do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Mais adinate, e após relatar as outras tantas tentativas de obter, sem sucesso, as informações, acresce a autoridade fiscal: 25 Com finalidade de esgotarmos todas as possibilidades da empresa se manifestar, emitimos em 03/08/2012, cuja ciência se deu na mesma data, Termo de Intimação Fiscal, solicitando o seguinte: a. Prestar esclarecimentos pela falta de apresentação de arquivos fiscais digitais, nos termos da IN 86/2001, conforme layout definido pelo ADE n" 15/2001, em relação aos anoscalendário 2007 e 2008; b. Prestar esclarecimentos pela falta de apresentação de relação de todas as mercadorias importadas pelo estabelecimento para comercialização, em meio papel e digital, bem como daquelas importadas por intermédio de outros estabelecimentos da mesma empresa, que lhes tenham sido remetidas para venda, com discriminação de quantidades, códigos internos de produto, valor e outros elementos necessários, em relação aos anoscalendário 2007 e 2008; Fl. 7202DF CARF MF 6 c. Prestar esclarecimentos pela falta de apresentação de relação de todas as notas fiscais de saída de produtos importados nas condições descritas no item anterior, em meio papel e digital, com discriminação de quantidades, códigos internos de produto, valor e outros elementos necessários, em relação aos anoscalendário 2007 e 2008; d. Prestar esclarecimentos pela falta de apresentação de planilha em excel, em meio digital, que discrimine os valores das mercadorias comercializadas pela empresa, em relação aos anos calendário 2007 e 2008, conforme layout abaixo: (...) e. Prestar esclarecimentos pela falta de apresentação de planilha que discrimine o produto "bacalhau" comercializado pela empresa, separado por estabelecimento e por mês, contendo informações sobre o código do produto, a descrição do produto, o código NCM do produto, a base de cálculo do IPI, a alíquota do IPI e o valor do IPI incidente sobre tal produto, em relação aos anoscalendário 2007 e 2008; Prestar esclarecimentos pela falta de apresentação de arrazoado sobre como a empresa contabilizou suas operações financeiras de aquisição e alienação de insumos, matériaprima, produtos e/ou qualquer operação que acarrete transação financeira, referente ao anocalendário 2008; g. Prestar esclarecimentos pela apresentação de Livro Registro de Apuração do IPI, do estabelecimento 05.222.234/000105, sem as devidas formalidades, quais sejam, encadernação, termo de abertura e encerramento, assinatura do representante legal da empresa e do responsável técnico por sua escrituração. Apresentou também o referido Livro sem o destaque do IPI incidente na entrada e saída dos produtos comercializados pela empresa, em relação ao período de 01/2007 a 02/2008, e sem o destaque do IPI incidente na saída dos produtos comercializados pela empresa, em relação ao período de 03/2008 a 12/2008; h. Prestar esclarecimentos pela apresentação de Arquivos Fiscais preparados nos termos do SINTEGRA, do estabelecimento 05.222.234/000105, referentes ao anocalendário 2008, com erro na informação da "descrição da mercadoria" comercializada, pelo fato da maioria das notasfiscais não conterem a identificação do produto comercializado. No referido termo, observamos que a nao apresentação dos esclarecimentos solicitados ensejaria o agravamento da multa de ofício Fl. 7203DF CARF MF Processo nº 19515.720053/201211 Acórdão n.º 9303004.935 CSRFT3 Fl. 5 7 Pela não apresentação de resposta ao Termo de Intimação Fiscal de 03/08/2012, Reintimamos a empresa em 14/08/2012, cuja ciência se deu em 20/08/2012, e solicitamos os mesmos esclarecimentos contidos no referido Termo de Intimação Fiscal, fazendo constar, novamente, que a não apresentação dos esclarecimentos solicitados ensejaria o agravamento da multa de ofício. Apesar de intimada e reintimada, a empresa não apresentou, até a presente data, resposta ao Termo de Intimação de 03/08/2012 e Termo de Reintimação de 14/08/2012, assim como deixou de apresentar os documentos relacionados no Termo de Constatação Fiscal de 20/07/2012. Com isso, fica claro, ao menos para este relator, não ter havido qualquer excesso por parte da fiscalização, sendo plenamente justificado o pedido de esclarecimento e o agravamento da penalidade em vista do seu não atendimento. Ressalto que a exigência, posta na decisão divergente, a meu sentir, confunde a hipótese aqui em discussão com a de embaraço à fiscalização caracterizada em outro dispositivo legal e que traz consequências diversas (e mais graves). Como já afirmei, o que discutimos pressupõe o lançamento, do contrário não se poderia cogitar da própria penalidade cujo agravamento ele disciplina. Voto, pois, pelo improvimento do recurso apresentado. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 7204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.914228/2009-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/08/2006
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/Dcomp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
DILIGÊNCIA. PRESCINDÍVEL.
A diligência é prescindível pois os elementos contidos nos autos são suficientes para que este colegiado forme convicção sobre os temas em questão.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3301-003.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos pela contribuinte, sem efeitos infringentes, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/08/2006 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/Dcomp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. DILIGÊNCIA. PRESCINDÍVEL. A diligência é prescindível pois os elementos contidos nos autos são suficientes para que este colegiado forme convicção sobre os temas em questão. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos pela contribuinte, sem efeitos infringentes, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 42 28 /2 00 9- 82 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 16327.914228/200982 Acórdão n.º 3301003.149 S3C3T1 Fl. 144 2 Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela contribuinte, com fulcro nos artigos 64, inciso I e 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, onde, verificando omissão e contradição tem o objetivo de corrigir supostos vícios do acórdão nº 3803004.020, proferido por este Colegiado, em que foi negado provimento ao recurso voluntário, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados da ementa e resultado a seguir transcritos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/08/2006 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Alega a embargante que, analisandose o acórdão ora embargado verificase que houve contradição e omissão nos seguintes termos: Contradição : “No presente caso, com a devida vênia, consta na Ementa do v. Acórdão que o Recurso Voluntário interposto pelo ora Embargante não foi provido, por unanimidade. Ocorre, no entanto, que da leitura do inteiro teor do v. Acórdão, o ilustre Conselheiro Relator: Dr. Juliano Lirani dava provimento ao Recurso, tendo entendido, inclusive, que os documentos apresentados eram suficientes para comprovar a existência do crédito pleiteado.” Omissão: “A omissão está presente no fato de ter sido ignorado o fato do Embargante ter requerido a realização de diligência para comprovação de suas alegações”. Os embargos de declaração foram admitidos expressamente apenas em relação a contradição. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16327.914228/200982 Acórdão n.º 3301003.149 S3C3T1 Fl. 145 3 É o relatório. Voto Os embargos de declaração são tempestivos, portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de embargos de declaração interpostos pela contribuinte, com fulcro nos artigos 64, inciso I e 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, onde, verificando omissão e contradição tem o objetivo de corrigir supostos vícios do acórdão nº 3803004.020, proferido por este Colegiado, em que foi negado provimento ao recurso voluntário. O despacho de admissibilidade dos embargos constatou que havia contradição, dizendo que, "ao menos", a contradição estava clara. Portanto, entendo que a omissão também deve ser analisada. Os embargos de declaração podem ser interpostos nas hipóteses previstas no artigo 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, que assim dispõe: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. A propósito do vício apontado, recorro à doutrina de Moacyr Amaral dos Santos1 (1998, p. 146 a 148) para lembrar que se dá omissão quando o julgado não se pronuncia sobre ponto, ou questão, suscitado pelas partes, ou que os julgadores deveriam pronunciarse de ofício. Humberto Theodoro Junior2 (2004, p. 560), a seu turno, leciona que os Embargos de Declaração têm como pressuposto de admissibilidade a existência de obscuridade, contradição ou omissão na sentença produzida. E que, em qualquer caso, a substância da sentença será mantida, uma vez que tais embargos não visam a reforma do acórdão ou da sentença. Admitese a hipótese de alguma alteração no conteúdo do julgado, sem, entretanto, ocasionar um novo julgamento da causa, haja vista não ser esta a função desse remédio recursal. A jurisprudência não destoa: A omissão e a contradição que autorizam a oposição de embargos de declaração têm conotação precisa: a primeira ocorre quando, devendo se pronunciar sobre determinado ponto, o julgado deixa de fazêlo, e a segunda, quando o acórdão manifesta incoerência interna, prejudicandolhe a racionalidade. Não constitui omissão o modo como, do ponto de vista da parte, o acórdão deveria ter decidido, nem contradição o que, no julgado, lhe contraria os interesses.” [Edcl em REsp 56.201 BA, Rel. Min. Ari Pargendler, DJU de 09.09.96, p. 32346] Fl. 145DF CARF MF Processo nº 16327.914228/200982 Acórdão n.º 3301003.149 S3C3T1 Fl. 146 4 Detectado vício de intelecção no julgado, deve a parte lançar mão do remédio apropriado, obtendo do órgão jurisdicional esclarecimento, "(...) tornando claro aquilo que nele é obscuro, certo aquilo que nele se ressente de dúvida, desfaça a contradição nele existente, supra ponto omisso (...)" (SANTOS, p. 151). Manoel Antonio Teixeira Filho3 leciona que: “ (...) enquanto a finalidade dos recursos típicos reside na modificação ("reforma") da sentença, do acórdão ou do despacho (agravo de instrumento), ou, até mesmo, em sua invalidação (em decorrência de nulidade não suprível), a dos embargos declaratórios, em princípio, não vai além da sanação de falhas da dicção jurisdicional, que se apresenta obscura, omissa, contraditória ou anfibológica. Insistamos: nos recursos, o que se visa é impugnar o raciocínio do magistrado, o seu convencimento jurídico, e, em consequência, o resultado do julgamento; em sede de embargos de declaração , entrementes, nada mais se pede ao juízo proferidor da sentença que aclare o que pretendeu dizer (obscuridade); que defina qual, dentre dois ou mais sentidos que a sua dicção comporta, aquele que reflete, enfim, a sua vontade (obscuridade); que diga por qual das proposições, entre si inconciliáveis, optou (contraditoriedade) ou complemente a entrega da prestação jurisdicional (omissão).” 1) Contradição: Analisando o acórdão vergastado, constato que a contradição apontada está presente. Consta do acórdão o voto vencido do Conselheiro Relator, e contraditoriamente, o dispositivo foi redigido como se tivesse havido decisão unânime: (...) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Constatase que o conselheiro relator, Dr. Juliano Lirani, dava provimento ao recurso voluntário, tendo entendido, inclusive, que os documentos apresentados eram suficientes para comprovar a existência do crédito pleiteado Portanto, não seria possível que o relator fosse vencido em seu voto e, ao mesmo tempo, houvesse unanimidade de votos. Assim, acolho os embargos propostos pela contribuinte para que seja retificado o texto que expressa o resultado da votação, nos seguintes termos: Fl. 146DF CARF MF Processo nº 16327.914228/200982 Acórdão n.º 3301003.149 S3C3T1 Fl. 147 5 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. 2) Omissão: A Recorrente protestou pela realização de perícia e diligência, caso o colegiado não acatasse integralmente suas alegações. Considerando que foi negado provimento ao recurso voluntário e o acórdão embargado não se manifestou satisfatoriamente sobre o pedido de perícia, passo a analisálo. Entendo que a diligência é prescindível, pois os elementos contidos nos autos são suficientes para que este colegiado formasse convicção sobre os temas em questão. Saliento que perícias e diligências têm o condão de prover esclarecimentos e não de trazer aos autos novos elementos probatórios. Assim, analiso e nego provimento ao pedido de realização de perícia e diligência. Conclusão: Acolho os embargos propostos pela contribuinte para que seja retificado o texto que expressa o resultado da votação, nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.721232/2014-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.
Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO.
Poderá ser considerada como dependente, a pessoa absolutamente incapaz, da qual o contribuinte seja tutor ou curados.
ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantida a glosa.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a plano de saúde efetuados pelo contribuinte, cujo beneficiário seja o próprio declarante ou seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º.
Sanada a falta apontada pela autoridade fiscal, deve ser restabelecida a dedução.
Numero da decisão: 2202-003.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 23.000,00.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO. Poderá ser considerada como dependente, a pessoa absolutamente incapaz, da qual o contribuinte seja tutor ou curados. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantida a glosa. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a plano de saúde efetuados pelo contribuinte, cujo beneficiário seja o próprio declarante ou seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º. Sanada a falta apontada pela autoridade fiscal, deve ser restabelecida a dedução.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 23.000,00. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
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DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO. Poderá ser considerada como dependente, a pessoa absolutamente incapaz, da qual o contribuinte seja tutor ou curados. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantida a glosa. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a plano de saúde efetuados pelo contribuinte, cujo beneficiário seja o próprio declarante ou seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º. Sanada a falta apontada pela autoridade fiscal, deve ser restabelecida a dedução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 12 32 /2 01 4- 97 Fl. 88DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 23.000,00. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 05/11), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2012, ano calendário de 2011, em que foram glosados valores indevidamente deduzidos a título de: a) dependentes, por falta de comprovação da dependência de: a.1) Rossini de Alcântara Soares, declarado como filho ou enteado de até 21 anos, pois o contribuinte não apresentou certidão de nascimento e, a.2) Núbia Siqueira Alves, declarada como filha ou enteada incapacitada para o trabalho, por falta de comprovação da tutela ou curatela; b) despesas médicas pagas a: b.1) Milton de Freitas Borges, no valor de R$ 3.000,00, por falta de comprovação integral das despesas e devido à falta de endereço do profissional no recibo de R$ 1.500,00 apresentado; b.2) Maria Lucia de Oliveira Castro, no valor de R$ 62,40, pois o tipo de despesa não é passível de dedução por falta de previsão legal; b.3) Oculistas Associados de Campos, no valor de R$ 2.500,00, por falta de apresentação do comprovante de pagamento; b.4) Andressa Bicok Leite, em dois recibos que totalizam R$ 23.000,00, por falta de indicação do endereço da profissional nos recibos apresentados; b.5) Caixa de Assistência dos Funcionários, no valor de R$ 1.674,40, pois o tipo de despesa não é passível de dedução por falta de previsão legal. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10725.721232/201497 Acórdão n.º 2202003.926 S2C2T2 Fl. 89 3 Foi apresentada impugnação tempestiva afirmando que a dependente Núbia é pessoa absolutamente incapaz da qual o declarante é tutor ou curador e também que detém a guarda judicial do dependente Rossini. Anexou documentos que formaram as fls. 12/37. A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), julgou improcedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 62/67, mantendo integralmente as glosas de dependentes pois o contribuinte não logrou comprovar a tutela ou curatela de Núbia Siqueira Alves, nascida em 04/09/1967, então com 44 anos de idade e que o contribuinte alega ser incapaz. Com relação ao dependente Rossini, nascido em 01/03/1995 e neto do declarante, foi apresentada certidão de nascimento mas não restou comprovado que detenha a guarda judicial do neto. As glosas das despesas médicas foram mantidas pois não apresentados novos comprovantes dos profissionais Milton de Freitas Borges, Andressa Bocok Leite e CASSI. Quanto à despesa com Maria Lúcia de O Castro, relativa a instrumentação de procedimento médico, é serviço que não tem previsão legal para dedução na base de cálculo do imposto e a para a despesa com Oculistas Associados de Campos Ltda não foi demonstrada a efetividade do pagamento. Cientificado dessa decisão por via postal em 28/05/2015 (A.R. de fls. 71), o interessado interpôs Recurso Voluntário parcial em 23/06/2015 (fls. 74), informando estar apresentando declaração de próprio punho da profissional Andressa Bicok Leite com as devidas correções solicitadas e carta à Receita Federal referente à tutela de Núbia Siqueira Alves, juntamente com certidão de guarda e responsabilidade da mesma. Concordou com as demais glosas. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. O recurso é parcial, porquanto a lide de delimita à controvérsia acerca da não comprovação da tutela ou curatela de Núbia Siqueira Alves, declarada como dependente do contribuinte e comprovação da despesa médica com Andressa Bicok Leite no valor de 23.000,00. O interessado juntou aos autos, em sede de recurso, uma declaração da fisioterapeuta Andresa (fls. 76), informando que os tratamentos foram realizados no declarante e em sua esposa (dependente) conforme os recibos emitidos e consignando seu endereço. O Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação de provas em momento posterior a impugnação, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos Fl. 90DF CARF MF 4 anexados aos autos após a defesa, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal. Nesse caso, entendo que os documentos apresentados em sede de recurso voluntário devem ser recepcionados e analisados, uma vez que comprovam os argumentos expostos pelo Contribuinte e servem para rebater a decisão de primeira instância. Tenho assim como sanada a falta apontada pela autoridade fiscal com relação aos recibos da fisioterapeuta, devendo ser restabelecida a dedução de R$ 23.000,00. Quanto à tutela ou curatela de Núbia, o contribuinte reapresenta os mesmos documentos juntados à impugnação: · Certidão da Vara de Família e Menores de Campos/RJ (fls. 13 e 83), da existência de "Termo de Compromisso de guardiões, assumido em 12/10/1979, por Joel Maciel Soares e sua esposa Yara de Paula Siqueira Soares, onde ambos se incumbiram de cuidar e educar a menor Núbia, nascida em 04/09/1967 (então com 12 anos), ficando inteiramente responsáveis por ela que também ficava sob sua dependência econômica, e · Termo de Curatela Provisória de Núbia Siqueira Alves (fls. 12 e 80), firmado em 17/12/2013 e válido por 180 dias. Traz, também uma carta explicativa de sua condição de guardião de Núbia desde os nove anos de idade, que tal guarda teria passado em cartório mas que não conseguiu localizar o processo pois o cartório lhe informou que fora remetido para a capital do Rio de Janeiro; que após a morte da mãe de Núbia, há cerca de quatro anos, foi iniciado um processo de curatela, finalizado em 2015; afirma que Núbia permanece há quase 40 anos sob sua guarda, em virtude de problemas mentais (uma espécie de retardo) que não lhe possibilita a convivência social plena; que não tem meios de provar a guarda no ano de 2011 pois o documento que tem não menciona período anterior. Os documentos apresentados pelo recorrente não comprovam que ele teria a tutela ou curatela de Núbia em ano calendário em questão, não sendo possível atestar a legalidade da sua dedução como dependente do contribuinte, conforme exigido no inciso VII, do § 1º, do art. 77 do RIR/1999. Portanto, com relação à dependente, deve ser mantida a glosa. Assim, frente aos documentos apresentados, há que se afastar a glosa da dedução a título de despesas médicas no valor de R$ 23.000,00, mantendo a glosa de dependente. Conclusão Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a glosa de dedução a título de despesas médicas no valor de R$ 23.000,00. (assinado digitalmente) Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10725.721232/201497 Acórdão n.º 2202003.926 S2C2T2 Fl. 90 5 Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001265/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2803-000.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que todos os documentos do presente processo sejam juntados nos presentes autos digitais e elimine os autos digitais duplicados e idênticos. Realizada a diligência, retornem os autos para julgamento.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santo, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Relatório
Os autos digitais vieram ao presente relator para julgamento, contudo não há quaisquer peças juntadas a eles. Também, informa-se que no E-Process há a duplicação do processo.
É o relatório.
Nome do relator: Não se aplica
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Numero do processo: 10830.722095/2011-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração.
CONTENCIOSO. NULIDADE.
O direito ao contraditório e à ampla defesa é exercido após a instauração da fase litigiosa, com a impugnação ao lançamento.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO
Não se cogita da aplicação do art. 138 do CTN quando não há pagamento.
TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos à taxa Selic para títulos federais.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade.
MULTA.
A multa exigida na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorre de expressa disposição legal.
FATO GERADOR. APLICAÇÃO DE LEI VIGENTE.
O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO.
A isenção prevista no artigo 4º do Decreto-Lei 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido.
Numero da decisão: 2401-004.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arraes Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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GANHO DE CAPITAL. Recorrente EUNICE ROSA MAMPRIN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. CONTENCIOSO. NULIDADE. O direito ao contraditório e à ampla defesa é exercido após a instauração da fase litigiosa, com a impugnação ao lançamento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO Não se cogita da aplicação do art. 138 do CTN quando não há pagamento. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos à taxa Selic para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade. MULTA. A multa exigida na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorre de expressa disposição legal. FATO GERADOR. APLICAÇÃO DE LEI VIGENTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 20 95 /2 01 1- 68 Fl. 1581DF CARF MF 2 O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4º do DecretoLei 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arraes Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Ausente o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 10830.722095/201168 Acórdão n.º 2401004.899 S2C4T1 Fl. 1.582 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, fls. 2/7, que exige do contribuinte R$ 2.994.018,75 de imposto, acrescido de multa de ofício de 75% e juros moratórios, em razão da apuração de “GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS”. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal TVF, fls. 8/21, a ação fiscal teve origem depois de analisada a Declaração de Ajuste Anual DAA do exercício 2009, na qual a contribuinte informou ter recebido no anocalendário 2008 como rendimentos isentos e não tributáveis a importância de R$ 22.312.500,00. Os rendimentos declarados como isentos na DAA/2009 são originários da venda de participações societárias nas sociedades Comercial Guilherme Mamprim Ltda (posteriormente denominada Comercial Frango Assado), Centro de Serviços Frango Assado Norte Ltda, Centro de Serviços Frango Assado Suleste Ltda, Centro de Serviços Frango Assado Sudoeste Ltda e Carvalho Pinto Automotivos e Conveniências Ltda, devendo o ganho de capital auferido corresponde ao rendimento ter sido oferecido à tributação. Cientificada do Auto de Infração AI, a contribuinte apresentou impugnação, que contém, em síntese: · Preliminarmente, afirma que o lançamento é nulo, pois extrapolouse o prazo para conclusão do procedimento fiscal, houve cerceamento do direito de defesa pela incompreensão do conteúdo do anexo I, fls. 21 e 22, exclusão da responsabilidade por infrações pela denúncia espontânea, inconstitucionalidade da multa de ofício e dos juros moratórios e reconhecimento do direito adquirido e impossibilidade de nulidade parcial. · No mérito alega o enquadramento nas condições insculpidas no DecretoLei 1.510/76, que são confusos os demonstrativos constantes do Termo de Verificação Fiscal, que as bonificações foram adquiridas a custo zero – aquisições originais em agosto de 1983 e que tem direito adquirido à isenção e não expectativa de direito. Foi proferido o Acórdão de impugnação, fls. 1.467/1.496, com a seguinte ementa e resultado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 PRELIMINAR. NULIDADE. Uma vez que o auto de infração foi lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento, não há que se cogitar de nulidade. PRAZO PARA CONCLUSÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Fl. 1583DF CARF MF 4 Não há na legislação tributária qualquer norma que fixe prazo para a conclusão do procedimento fiscal tendente a verificar o cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, bastando que a constituição do crédito tributário se dê antes do decurso do prazo decadencial. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA DO SERVIDOR. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto essa competência é instituída por lei. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NECESSIDADE DE SER ACOMPANHADA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO. O instituto da denúncia espontânea está previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional e exige que esta seja acompanhada, se for o caso, do pagamento devido e dos juros de mora. Na ausência do pagamento do tributo devido fica descaracterizada a denúncia espontânea. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ALIENAÇÃO. ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, nos termos do art. 178 do Código Tributário Nacional, pode ser revogada ou modificada a qualquer tempo, sem que gere direito adquirido ao contribuinte. As vendas de ações efetuadas por pessoas físicas após 1º de janeiro de 1989 estão sujeitas ao imposto de renda sobre o lucro auferido, ainda que, na data da alienação, a participação societária já conte com mais de cinco anos no domínio do alienante. Inaplicável a isenção contida no artigo. 4º do Decretolei nº 1.510, de 1976, por se encontrar revogada no momento da ocorrência do fato gerador. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. APLICAÇÃO DE LEI VIGENTE. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. CUSTO DE AQUISIÇÃO. QUOTAS RECEBIDAS EM BONIFICAÇÃO. No caso de quotas distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio. Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 10830.722095/201168 Acórdão n.º 2401004.899 S2C4T1 Fl. 1.583 5 MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. REDUÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa de 75% sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa. A redução da multa de ofício somente é concedida se cumpridos os requisitos previstos na legislação tributária. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Os juros de mora incidem sobre o imposto apurado no lançamento fiscal por expressa disposição legal. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade de leis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 6/4/15 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 1.500), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 5/5/15, fls. 1.503/1.565 (no qual repisa argumentos apresentados na impugnação), que contém, em síntese: PRELIMINARES Entende que o auto de infração é nulo, pois: · O procedimento fiscal é nulo pelas sucessivas e desarrazoadas prorrogações e extrapolação do prazo previsto para sua realização e conclusão, em descumprimento às determinações do próprio Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Cita decisões administrativas e afirma que o procedimento fiscal tem prazo máximo de duração de 360 dias e, no caso, o procedimento durou 16 meses e 25 dias, ferindo o princípio da razoável duração do processo. Afirma ser descabido o entendimento exarado no acórdão de impugnação de que somente com a apresentação da impugnação é que a contribuinte passa a ter direito ao contraditório e a ampla defesa. · Houve cerceamento do direito de defesa pela incompreensão do conteúdo do anexo I, fls. 21/22. Afirma que é quase impossível decifrar os caminhos adotados ou a técnica empregada pelo auditor fiscal para pressupor que apenas 11.839 quotas da Comercial Guilherme Mamprim e 11.300 quotas das empresas Frango Assado Norte, Frango Assado Suleste e Frango Assado Sudoeste, estariam enquadradas na isenção tributária prevista no DecretoLei 1.510/76. · Que deve ser excluída a responsabilidade por infrações pela denúncia espontânea. Afirma que antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, informou e declarou Fl. 1585DF CARF MF 6 expressamente a alienação da totalidade das quotas e participações societárias por ele detidas nas sociedades do grupo “FRANGO ASSADO”, com informação correta do preço total e apuração do ganho de capital obtido. Explica que sem qualquer máfé não efetuou o recolhimento do IRPF sobre o ganho de capital obtido por entender tratarse de direito adquirido à isenção com embasamento legal na norma contida no DecretoLei nº 1.510/76. · Que é inconstitucional a multa de ofício de75% e os juros moratórios à taxa selic. Que a multa deve ser reduzida para 20%. · Que possui direito adquirido e não há possibilidade de nulidade parcial. Destaca que toda controvérsia está centrada no reconhecimento do direito adquirido ao não pagamento do IRPF sobre o ganho de capital oriundo da alienação de participação societária detida pelo pai desde antes de agosto de 1983, isenção prevista no DecretoLei 1.510/76 e revogada pela Lei nº 7.713/88. Entende que caso haja o reconhecimento do direito adquirido todo o lançamento deve ser anulado devendo ser afastada qualquer possibilidade de nulidade parcial e prejudicada a análise do questionamento relativo à forma de apuração dos valores lançados. MÉRITO Diz que a controvérsia cingese ao reconhecimento de direito adquirido sobre a isenção de imposto de renda sobre lucro auferido na alienação de ações societárias, isenção instituída pelo Decretolei 1.510/76 e revogada pela Lei 7.713/88, tendo em vista que a venda das ações ocorreu em 2008, após revogação. Cita o DL 1.510/76, artigos 2º, 4º e 5º. Afirma que antes da revogação do DL 1.510/76 pela Lei 7.713/88, ou seja, antes de 31/12/88, as participações societárias da empresa Comercial Guilherme Mamprim já se encontravam sob a titularidade de seu genitor há mais de cinco anos o genitor da contribuinte adquiriu as participações societárias antes de 22/12/83. Na Comercial Guilherme Mamprim, no período de 1/1/66 a 3/9/87, seu genitor manteve a condição de titular das participações societárias equivalente a 25% do capital da empresa, transferidas as seus herdeiros em 3/9/87, em razão de seu falecimento, que foram alienadas pela contribuinte em 2008. Assim, a contribuinte recebeu as quotas que lhe pertenciam por sucessão causa mortis, com todos e quaisquer direitos a elas atribuídos e/ou incorporados, inclusive o direito adquirido pelo de cujus à isenção tributária prevista no DL 1.510/76, artigo 4º, alínea 'd'. Aduz que o STJ firmou entendimento no sentido de que é isento do imposto de renda o ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas sob a égide do DL 1.510/76 e negociadas após cinco anos da data da sua aquisição, ainda que a transação tenha ocorrido já na vigência da Lei 7.713/88. Disserta sobre direito adquirido. Diz que o auditor fiscal fez uma miscelânea entre quotas/participações societárias de propriedade da pessoa física do contribuinte com quotas/participações societárias de propriedade da pessoa jurídica FASPAR, emergentes da subscrição/aquisição de quotas e capitalização. Afirma que a pessoa jurídica não se confunde com as pessoas físicas de seus sócios ou acionistas. Alega que o auditor fiscal distorceu a evolução das mutações ocorridas nos quantitativos de participações societárias/quotas detidas pelo genitor/contribuinte, com o propósito de fabricar supostas subscrições/aquisições de novas quotas por parte do contribuinte, o que nunca ocorreu. Fl. 1586DF CARF MF Processo nº 10830.722095/201168 Acórdão n.º 2401004.899 S2C4T1 Fl. 1.584 7 Conclui que por isso, os quadros demonstrativos de fls. 10/12 do Termo de Verificação Fiscal TVF estão eivados de nulidade, tornando nulo o auto de infração. Sobre as bonificações e filhotes adquiridas a custo zero, a que se referem as aquisições e subscrições originalmente havidas em agosto de 1983, diz que não procede a alegação do julgador a quo de que em face do artigo 10 da Lei 9.249/95, o custo de aquisição das quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros ou de reservas constituídas com esses lucros, será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Explica que em decorrência da cisão parcial da Comercial Guilherme Mamprim (30/9/96), com simultânea cessão e transferência de patrimônio para a criação e do subsequente aumento do capital social da FASPAR, mediante subscrição de novas quotas, com integralização de 100% no ato da subscrição, com conferência e incorporação da totalidade do restante das quotas detidas na Comercial Guilherme Mamprim, a partir de 30/9/96 ela retirou se da sociedade, sendo admitida em seu lugar a sócia FASPAR que passou a ser controladora da Comercial Guilherme Mamprim. Registra em consequência que com a sua retirada da Comercial Guilherme Mamprim em 30/12/96 as únicas bonificações recebidas em decorrência de aumento de capital desta empresa pela capitalização de lucros acumulados (25/9/96) não constituem subscrição particular de novas quotas. Não ocorreram quaisquer atos ou eventos que implicassem aquisição ou subscrição de novas quotas, pois manteve sua posição de detentor das participações por mais de vinte anos, preservando o seu percentual de 12,5% na participação das sociedades integrantes do grupo FRANGO ASSADO. Também ressalta que não ocorreram quaisquer atos considerados cessão ou transferência de dinheiro ou bens para fins de integralização ou subscrição de capital, ou de novas quotas, nas sociedades. Examina o item 54 do TVF e afirma que as únicas quotas recebidas em bonificação oriundas de capitalização de lucros acumulados, foram decorrentes do aumento de capital da Comercial Guilherme Mamprim ocorrido conforme 26ª alteração contratual. Segundo afirma, o valor de R$2.128.926,12 oriundo da capitalização de lucros acumulados não representa em hipótese alguma quaisquer outras subscrições ou aquisições de novas quotas, tratandose de filhotes ou bonificações adquiridas a custo zero. As bonificações de quotas ocorridas no período, adquiridas a custo zero, são decorrentes de aumento de capital, não por subscrição pública ou particular de quotas, mas por simples capitalização de lucros ou reservas. Adverte que a prevalecer a tese da fiscalização de que as quotas recebidas em bonificação decorrentes de aumento de capital por incorporação ou de reservas constituídas com esses lucros, constituem subscrição de novas quotas, então, esse mesmo valor deve ser computado no custo de aquisição das participações alienadas de modo que o aumento do valor das quotas subscritas seja anulado pelo correspondente aumento no valor do custo de aquisição. Em suma, as 1.971.250 quotas alienadas em setembro de 2008 referemse às mesmas 3.000.000 quotas detidas em 25/9/1996 e que por sua vez, correspondem às 3.750.000 (50%) de quotas havidas originariamente pelo seu pai, Arnaldo Mamprin. Fl. 1587DF CARF MF 8 Assim, as 1.971.250 quotas detidas pela contribuinte nas sociedades integrantes do grupo Frango Assado, alienadas em setembro de 2008, cumpriram os requisitos previstos no DL 1.510/76, de forma a usufruir do benefício fiscal, estando isentas do pagamento do imposto de renda sobre o ganho de capital auferido na alienação de participações societárias. Cita o DL 1.510/76, art. 5º, o Parecer Normativo Coordenador do Sistema de Tributação CST 68/77 e o CST 39/81, e conclui que não há tributação para a pessoa física beneficiária em virtude do recebimento de quotas em bonificação decorrentes do aumento de capital por incorporação de lucros apurados ou de reservas constituídas com esses lucros, e que tais bonificações não podem ser consideradas nova aquisição ou subscrição de quotas. Requer a nulidade do auto de infração e caso não seja este o entendimento, o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Fl. 1588DF CARF MF Processo nº 10830.722095/201168 Acórdão n.º 2401004.899 S2C4T1 Fl. 1.585 9 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PRELIMINARES Procedimento fiscal O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte, o que implica dizer que seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Estando o contribuinte regulamente intimado do procedimento fiscal e com a espontaneidade suspensa, não há que se falar em vício de forma se foram seguidas as disposições legais pertinentes ao lançamento e à lavratura do auto de infração, contidas no art. 142 da Lei 5.172/66 – Código Tributário Nacional – e no art. 10 do Decreto 70.235/72. Assim, tendo o auditor fiscal competência outorgada por lei para fiscalizar e constituir o crédito tributário pelo lançamento, eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. Decisão recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais demonstra o entendimento do CARF, conforme se vê no Acórdão 9202003.956 – 2ª Turma, de 22/4/16, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. Logo, irrelevante os argumentos sobre prorrogação e prazos de vencimento do MPF. Fl. 1589DF CARF MF 10 Acrescentese, de qualquer forma, como bem explicado no acórdão de impugnação, não houve no presente caso o descumprimento do disposto na Portaria RFB n° 11.371, de 12/12/07, e que não há qualquer determinação para que seja dado ao sujeito passivo conhecimento das razões que motivaram as prorrogações, nem tampouco as prorrogações se restringem aos casos em que configurado o embaraço à fiscalização. Quanto à duração do procedimento fiscal, não há prazo previsto em lei para conclusão dos trabalhos fiscais. Vêse que a recorrente se confunde quanto ao procedimento que culminou com a lavratura do auto de infração em questão com o processo administrativo fiscal propriamente dito. O Decreto 70.235/72 dispõe que: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto;[...] O Termo de Início tem por finalidade cientificar o sujeito passivo de que ele se encontra sob procedimento fiscal, e intimálo a apresentar, em dia e local nele determinados, os documentos necessários à verificação do regular cumprimento das obrigações. E ainda, prevê a Constituição Federal, no artigo 5o: Art. 5o [...] LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. (grifo nosso) Necessário esclarecer que o processo administrativo fiscal somente se instaura com a interposição da impugnação pelo contribuinte, de conformidade com o artigo 14 do Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal federal: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fica claro da leitura dos artigos citados que não é durante o procedimento de fiscalização (procedimento investigatório) que devem ser garantidos o contraditório e a ampla defesa, e sim no processo administrativo, que apenas se instaura com a impugnação do contribuinte ao lançamento (art. 14 do Decreto 70.235/72). É a partir desse momento que devem ser assegurados ao sujeito passivo tais direitos, como efetivamente foram, tendo sido o sujeito passivo cientificado do presente processo e da abertura do prazo para apresentar impugnação, que foi tempestivamente apresentada. Cerceamento do direito de defesa planilha do anexo I As planilhas elaboradas pelo auditor fiscal que constam no anexo I do TVF, fls. 22/23, apenas demonstram como ocorreu a evolução do capital social subscrito das empresas do genitor da contribuinte, conforme alterações contratuais destacadas no referido anexo. A recorrente limitase a alegar que não entendeu o conteúdos das planilhas que constam no anexo I do TVF sem trazer argumentos capazes de desconstituílas ou mesmo Fl. 1590DF CARF MF Processo nº 10830.722095/201168 Acórdão n.º 2401004.899 S2C4T1 Fl. 1.586 11 outra planilha indicando o que entende como correto, demonstrando qualquer equívoco no trabalho fiscal. Acrescentese que tais planilhas foram elaboradas pelo fiscal autuante com o intuito de demonstrar quais quotas o genitor da contribuinte possuiu por mais de cinco anos na vigência do DecretoLei 1.510/76. Isto para que se fosse o caso de se considerar que o genitor tivesse direito adquirido à isenção do DL 1.510/76 e que tal direito tivesse sido transmitido à fiscalizada. Contudo, como se verá no mérito, não se admite tal direito adquirido à isenção, sendo irrelevante o conteúdo de tais planilhas e os argumentos de defesa sobre ela. Denúncia espontânea Quanto à denúncia espontânea, assim dispõe o CTN, art. 138: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Assim, configurase a denúncia espontânea, exoneradora da imposição de multa, o ato do contribuinte de efetuar o pagamento integral ao Fisco do débito principal, corrigido monetariamente e acompanhado de juros moratórios, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal, o que não ocorreu no presente caso. A recorrente, em sua Declaração de Ajuste Anual DAA, declarou o rendimento como isento, não o oferecendo à tributação. Assim, como não houve o recolhimento do tributo, não há que se falar em denúncia espontânea. Juros à taxa Selic Quanto à utilização da taxa Selic, a matéria encontrase sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Inconstitucionalidade da multa de ofício Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade. A validade ou não da Lei, em face da suposta ofensa a princípio de ordem constitucional, escapa ao exame da administração, pois se a lei é demasiadamente severa, gerando injustiça, cabe ao Poder Legislativo fazer a sua revisão, ou ao Poder Judiciário declarar a ilegitimidade de um texto legal em face da Constituição, quando o preceito nele inserido se mostre evidentemente em desconformidade com a Lei Maior. Nesse sentido, a inconstitucionalidade ou ilegalidade de Fl. 1591DF CARF MF 12 uma lei não se discute na esfera administrativa. À fiscalização da RFB não assiste o direito de questionar a lei, tão somente, zelar pelo seu cumprimento, sendo o lançamento fiscal um procedimento legal a que a autoridade fiscal está vinculada. Ademais, o Decreto 70.235/72, dispõe que: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Acrescentese o que dispõe a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Direito adquirido e nulidade parcial Novamente a contribuinte alega possuir direito adquirido. Como já mencionado no tópico acima sobre "Cerceamento do direito de defesa planilha do anexo I", a questão será enfrentada na análise do mérito, quando será demonstrado que não há qualquer direito adquirido à isenção quando da alienação da participação societária. Acrescentese que caso fosse reconhecida a isenção de parte dos valores lançados, ainda assim não haveria que se falar em nulidade do lançamento, ele seria apenas retificado em face de sua improcedência parcial. MÉRITO Inicialmente, destacase que a atividade vinculada do agente administrativo não o permite interpretar a lei de forma diversa, devendo observar o disposto no CTN, art. 142: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O Código Tributário Nacional determina que aplicase ao lançamento, a lei vigente no momento da ocorrência do fato gerador: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. (grifo nosso) Quanto à incidência de imposto sobre a renda quando da alienação do bem, no caso a participação societária, assim dispõe a Lei 7.713/88, art. 3º: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. Fl. 1592DF CARF MF Processo nº 10830.722095/201168 Acórdão n.º 2401004.899 S2C4T1 Fl. 1.587 13 [...] § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. (grifo nosso) § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. (grifo nosso) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Portanto, o fato gerador ora em análise ocorreu quando a autuada alienou sua participação societária em 2008, sendo devido o imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital apurado. Assim, as alegações apresentadas não têm o condão de afastar a autuação. Contudo, em que pese o entendimento acima, passase a analisar os argumentos da recorrente sobre o suposto direito adquirido à isenção. Alega a recorrente que possui direito adquirido à isenção prevista no Decreto Lei 1.510/76, pois seu genitor havia permanecido com a participação societária há mais de cinco anos quando da revogação do DL 1.510/76 pela Lei 7.713/88. O DL 1.510/76 dispunha que: Art 1º O lucro auferido por pessoas físicas na alienação de quaisquer participações societárias está sujeito à incidência do imposto de renda, na cédula "H" da declaração de rendimentos. Art 2º O rendimento tributável de acordo com o artigo anterior será determinado pela diferença entre o valor da alienação e o custo de subscrição ou aquisição da participação societária, corrigido monetariamente segundo a variação das Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional [...] Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: [...] Fl. 1593DF CARF MF 14 d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Entretanto, tal legislação foi revogada pela Lei 7.713/88, que dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. [...] Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. [...] § 5º Ficam revogados todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão, da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, de rendimentos e proventos de qualquer natureza, bem como os que autorizam redução do imposto por investimento de interesse econômico ou social. (grifo nosso) [...] Art. 58. Revogamse o art. 50 da Lei nº 4.862, de 29 de novembro de 1965, os arts. 1º a 9º do DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, os arts. 65 e 66 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, os arts. 1º a 4º do Decreto Lei nº 1.641, de 7 de dezembro de 1978, os arts. 12 e 13 do DecretoLei nº 1.950, de 14 de julho de 1982, os arts. 15 e 100 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, o art. 18 do DecretoLei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, o item IV e o parágrafo único do art. 12 do DecretoLei nº 2.292, de 21 de novembro de 1986, o item III do art. 2º do DecretoLei nº 2.301, de 21 de novembro de 1986, o item III do art. 7º do DecretoLei nº 2.394, de 21 de dezembro de 1987, e demais disposições em contrário. (grifo nosso) A lei que concede a isenção não gera direito adquirido a favor do contribuinte. A isenção pode ser usufruída enquanto vigente a norma isentiva. Revogada referida norma, o tributo volta a ser exigível em relação aos fatos ocorridos posteriormente à revogação. Sobre isso, o CTN, no art. 178, dispõe que: Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. A isenção do DL 1.510/76, artigo 4º, alínea 'd', havia sido concedida sob determinada condição (ficar o contribuinte por cinco anos sem alienar sua participação societária), mas não foi por prazo certo. Apenas seria por prazo certo se a lei tivesse estabelecido um tempo após os cinco anos que o contribuinte permaneceu na sociedade, para que ele alienasse sua participação societária. Assim, caso atendidas as condições estabelecidas, Fl. 1594DF CARF MF Processo nº 10830.722095/201168 Acórdão n.º 2401004.899 S2C4T1 Fl. 1.588 15 ou seja, além de ficar por mais de cinco anos na sociedade, o contribuinte alienasse sua participação no prazo certo estabelecido na lei isentiva, ele estaria dispensado de pagar o imposto. Contudo, este não é o caso, pois a isenção ora tratada foi por prazo indeterminado e, sendo assim, uma vez revogada a norma isentiva, não há mais que se falar em isenção, muito menos em direito adquirido. Portanto, a isenção do artigo 4º, alínea "d" do DecretoLei n.º 1.510/76, não se amolda às condicionantes do art. 178, do CTN, não gerando direito adquirido após sua revogação. Acrescentese a isso, o fato de ter a contribuinte adquirido a propriedade das participações societárias por ocasião da morte de seu pai, momento da abertura da sucessão. Da análise dos autos, conforme consta no acórdão de impugnação, o óbito ocorreu em 1985. Portanto, à época da publicação da Lei 7.713, 31/12/88, a contribuinte ainda não tinha completado a condição objetiva do DL 1.510/76, qual seja, permanecer cinco anos sem alienar sua participação societária. Em recente decisão, a câmara superior do CARF posicionouse sobre o assunto, conforme Acórdão 9202004.507, 25/10/16, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. Cabe citar também jurisprudência firmada pelo STJ: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. DECRETOLEI 1.510/76. ISENÇÃO. REQUISITOS PARA IRREVOGABILIDADE. ART. 178 DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. LEI 7.713/1988. REVOGAÇÃO. POSSIBILIDADE. 1. A irrevogabilidade da isenção concedida, nos termos do art. 178 do CTN, só ocorrerá se atendidos os requisitos de prazo certo e condições determinadas. Situação não configurada nos autos. 2. O art. 4º, "d", do DecretoLei 1.510/76 fixa o termo inicial do benefício fiscal (após cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação), não determinando o termo final, ou seja, é isenção por prazo indeterminado, revogável, portanto, por lei posterior. Fl. 1595DF CARF MF 16 3. Com o advento da Lei 7.713/88 operouse a revogação da isenção. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental não provido. (Agravo Regimental no Recurso Especial n° 1.164.494/RS 09 de fevereiro de 2010) Sendo assim, considerando que o DecretoLei nº 1.510, de 1976, foi expressamente revogado, deve ser aplicada a Lei nº 7.713, de 1988, aos fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. Quanto aos argumentos sobre as planilhas elaboradas pela fiscalização onde foi demonstrado a evolução da participação societária, considerando, inclusive, as bonificações, eles não merecem acolhida e dispensam qualquer análise, pois tais planilhas e argumentos apenas teriam relevância caso houvesse direito adquirido à isenção de pelo menos parte das quotas, o que, como visto acima, não existe. Portanto, por evidente perda de objeto, não cabe mais tecer considerações sobre o assunto. CONCLUSÃO Sendo assim, correto o procedimento fiscal que apurou o IRPF ora lançado. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 1596DF CARF MF
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