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Numero do processo: 11128.007171/2006-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 01/09/2004
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Em atenção à RGI nº 1, classificam-se nas posições NCM 2936.29.21, 2936.90.00, 2936.23.10 e 2936.90.00, respectivamente, as mercadorias conhecidas como ROVIMIX D3-500, ROVIMIX AD3 1000/200, ROVIMIX B2 80SD e ROVIMIX A-500 WS, uma vez que são destinadas à administração oral em animais, sem perder as características essenciais das suas matérias de origem (vitaminas).
Numero da decisão: 3201-001.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
DANIEL MARIZ GUDINO - Relator.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Redator designado para formalizar o acórdão (Despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA, LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES e DANIEL MARIZ GUDINO.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 01/09/2004 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Em atenção à RGI nº 1, classificamse nas posições NCM 2936.29.21, 2936.90.00, 2936.23.10 e 2936.90.00, respectivamente, as mercadorias conhecidas como ROVIMIX D3500, ROVIMIX AD3 1000/200, ROVIMIX B2 80SD e ROVIMIX A500 WS, uma vez que são destinadas à administração oral em animais, sem perder as características essenciais das suas matérias de origem (vitaminas). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. DANIEL MARIZ GUDINO Relator. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Redator designado para formalizar o acórdão (Despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA, LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES e DANIEL MARIZ GUDINO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 71 71 /2 00 6- 43 Fl. 615DF CARF MF Impresso em 11/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11128.007171/200643 Acórdão n.º 3201001.908 S3C2T1 Fl. 616 2 Relatório Em cumprimento ao despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, eu, Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, transcrevo voto depositado e não formalizado, realizado pela 1ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF dado que o Relator, Conselheiro Daniel Mariz Gudino, não mais compõe o Colegiado. Tratase de recurso voluntário interposto por DSM PRODUTOS NUTRICIONAIS BRASIL S/A (incorporadora por sucessão de DSM PRODUTOS NUTRICIONAIS BRASIL LTDA.), doravante apenas Recorrente, em razão do Acórdão nº 17 36585, de 25/11/2009, proferido pela 2ª Turma da Delegacia de Julgamento em São Paulo II (SP). Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da instância a quo, transcrevese abaixo o relatório do acórdão recorrido: O importador, através das Declarações de Importação (DI) no 04/08725928 (adição 01) e n° 04/08726266 (adições 01, 03 e 04), submeteu a despacho os seguintes produtos: • DI no 04/08725928 1. adição 01: "COLECALCIFEROL ROVIMIX D3500 USO: ANIMAL QUALIDADE: INDUSTRIAL APLICAÇÃO: ALIMENTAÇÃO ANIMAL REG. M.A SP03509 002963", classificando na NCM 2936.29.21, com alíquotas do II de 14%, e 0% para o IPI, PIS e COFINS. • DI no 04/08726266 1. adição 01: "VITAMINA "A" E "D3" ROVIMIX AD3 1000/200 USO: ANIMAL QUALIDADE: INDUSTRIAL APLICAÇÃO: ALIMENTAÇÃO ANIMAL REG. M.A SP0350930118", classificando na NCM 2936.90.00, com alíquotas de 2% para o II, e 0% para o IPI, PIS e COFINS. 2. adição 03: "VITAMINA B2 ROVIMIX B2 80 SD USO: ANIMAL QUALIDADE: INDUSTRIAL APLICAÇÃO: ALIMENTAÇÃO ANIMAL REG. M.A SP03509006268", classificando na NCM 2936.23.10, com aliquotas de 2% para o II, e 0% para o IPI, PIS e COFINS. 3. adição 04: "ACETATO DE VITAMINA "A" ROVIMIX A500 WS USO: ANIMAL QUALIDADE: INDUSTRIAL APLICAÇÃO: ALIMENTAÇÃO ANIMAL REG. M.A SP03509 30037", classificando na NCM 2936.21.12, com aliquotas de 2% para o II, e 0% para o IPI, PIS e COFINS. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta para todos os produtos é na NCM 2309.90.90, com aliquotas de 8% para o II, 0% para o IPI, 1,65% para o PIS e 7,60% para a COFINS. Esse entendimento encontrase lastreado pelos Laudos Fl. 616DF CARF MF Impresso em 11/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11128.007171/200643 Acórdão n.º 3201001.908 S3C2T1 Fl. 617 3 FUNCAMP n's. 2978.01 (fl. 86), 2977.01 (fl. 39), 2977.03 (fl. 45) e 2977.04 (fl. 52). Através do Auto de Infração de fls. 01 a 26, cobraramse as diferenças de Imposto de Importação, PIS e COFINS, acrescidas de juros de mora e multa de oficio, bem como multa pela falta de guia de importação e multa por classificação fiscal incorreta. Cientificado do lançamento em 28/11/2006 (fl. 116 verso), o interessado apresentou impugnação em 21/12/2006 (fls. 118 a 145), alegando em síntese que: (a) a multa por falta de guia de importação é incabível, uma vez que descreveu corretamente os produtos importados. Cita o ADN COSIT 12/97; (b) os excipientes encontrados são substâncias inertes adicionadas para a proteção das vitaminas, sendo admitidos pelas regras de classificação tarifária do Capitulo 29; (c) o auto de infração modificou as classificações da adição 01 da DI 04/0872592/8 e das adições 01, 03 e 04 da DI 04/08726266, sem se ater que todas as vitaminas foram objeto de consulta à COANA, que as manteve classificadas no Capitulo 29; (d) cita a Decisão COANA n° 4/99 que suportaria a classificação do produto ROVIMIX D3500 na NCM 2936.29.21; (e) cita a Decisão COANA n° 14/99 que suportaria a classificação do produto ROVIMIX AD3 na NCM 2936.90.00; (f) cita a Decisão COANA no 11/99 que suportaria a classificação do produto ROVIMIX B2 80 SD na NCM 2936.23.10; (g) cita a Decisão COANA no 3/99 que suportaria a classificação do produto ROVIMIX A500 WS na NCM 2936.21.12; (h) cita a IN/SRF n° 99/99, que internaliza os Pareceres de Classificação da OMA, e a IN/SRF n° 123/98, que altera os textos das NESH; (i) demonstrada a correção da classificação fiscal adotada, requer seja considerada improcedente a autuação. A instância a quo julgou improcedente a impugnação nos termos do já citado acórdão, que restou assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 01/09/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL Fl. 617DF CARF MF Impresso em 11/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11128.007171/200643 Acórdão n.º 3201001.908 S3C2T1 Fl. 618 4 Os produtos de denominação comercial ROVIMIX D3500, ROVIMIX AD3 1000/200, ROVIMIX B2 80 SD e ROVOMIX A 500 WS encontram correta classificação tarifária na NCM 2309.90.90. A autoridade fiscal apresentou prova de que as substâncias acrescidas tornam o produto particularmente apto para uso especifico preferencial A, sua aplicação geral. Inaplicável solução de consulta fundada em pressuposto fático refutado pela prova técnica que suporta o lançamento. MULTA. INFRAÇÃO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. Aplicase a multa por falta de Licença de Importação nas importações em que as mercadorias não estejam corretamente descritas, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. MULTA. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. A classificação incorreta de mercadoria é penalizada com a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.15835/2001. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reiterando, em suma, os argumentos suscitados em sua defesa original. O processo foi distribuído e sorteado a este Conselheiro, seguindo o rito regimental. Em 08/12/2010, a composição antiga deste colegiado houve por bem converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 320100.184 (efls. 439/447), a fim de obter os seguintes quesitos respondidos pela FUNCAMP: 1 Quais são as concentrações dos excipientes identificados nos Laudos FUNCAMP n° 2978.01, 2977.01, 2977.03 e 2977.04, todos emitidos em 29.10.2004, relativamente às vitaminas contidas nos produtos importados pela Recorrente? 2 — As concentrações identificadas no quesito anterior são suficientes para desnaturar as características essenciais das vitaminas contidas nos produtos importados pela Recorrente? Em resposta à NOTIFICAÇÃO GRALT N°43/2011 (efl. 464), a L. A. Falcão Bauer C.T.C.Q. Ltda. elaborou o PARECER TÉCNICO 023/2011 (efls. 465/467), no qual esclarece os quesitos formulados na Resolução nº 320100.184, de 08/12/2010, bem como quesitos adicionais formulados pela Equipe de Auditoria e Fiscalização da SEFIA SERVIÇO DE FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 11/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11128.007171/200643 Acórdão n.º 3201001.908 S3C2T1 Fl. 619 5 Devidamente intimada acerca do resultado da diligência, a Recorrente limitouse a informar que sofreu uma alteração societária. É o relatório. Voto O recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores, razão pela qual deve ser conhecido. A despeito de a diligência não ter sido direcionada a quem deveria, o objetivo da mesma é esclarecer aspectos que o julgador considera necessários à formação da sua convicção sobre o caso. Desse modo, considerando que as dúvidas do relator foram esclarecidas, e em respeito à celeridade processual, este relator abre mão de uma nova diligência à FUNCAMP. Conforme se depreende do relatório, o crédito tributário ora discutido originouse das seguintes infrações supostamente cometidas pela Recorrente: (i) declaração inexata de mercadoria, (ii) importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente, e (iii) mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. A divergência que diz respeito à classificação fiscal decorre do fato de a Recorrente ter enquadrado as mercadorias comercialmente conhecidas como ROVIMIX D3 500, ROVIMIX AD3 1000/200, ROVIMIX B2 80SD e ROVIMIX A500 WS nas posições NCM 2936.29.21, 2936.90.00, 2936.23.10 e 2936.90.00, respectivamente. Para a fiscalização e as autoridades julgadoras de primeira instância, a classificação correta seria na posição NCM 2309.90.90, dado que não seriam vitaminas aptas ao uso geral. No voto do relator da Resolução nº 320100.184, reconheceuse a importância da destinação da mercadoria para fins de classificação fiscal das mercadorias em tela. Contudo, entendeu o colegiado de segunda instância que, além da destinação, seria necessário analisar se a matéria de origem dessas mercadorias teria perdido as suas características essenciais. As dúvidas do colegiado teriam surgido em razão de uma aparente antinomia entre as notas dos Capítulos 23 e 29, a seguir transcritas: Nota do Capítulo 23 1 – Incluemse na posição 23.09 os produtos dos tipos utilizados para alimentação de animais, não especificados nem compreendidos em outras posições, obtidos pelo tratamento de matérias vegetais ou animais, de tal forma que perderam as características essenciais da matéria de origem, excluídos os desperdícios vegetais, resíduos e subprodutos vegetais resultantes desse tratamento. Nota do Capítulo 29 Excluemse da presente posição: Fl. 619DF CARF MF Impresso em 11/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11128.007171/200643 Acórdão n.º 3201001.908 S3C2T1 Fl. 620 6 [...] e) As vitaminas, mesmo de constituição química definida, misturadas entre si ou não, mesmo apresentadas em um solvente ou estabilizadas por adição de agentes antioxidantes ou antiaglomerantes, por adsorção em um substrato ou por revestimento, por exemplo, com gelatina, ceras, matérias graxas (gordas*), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos não modifiquem o carater de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral (posição 29.36). Produzido a partir da resolução supracitada, o PARECER TÉCNICO 023/2011 esclarece que, segundo a literatura técnica, as mercadorias analisadas são vitaminas destinadas à administração oral em animais, não servindo para uso geral. Confirase: Respostas aos Quesitos do SENHOR RELATOR anexo à Notificação GRALT N°043/2011 Quesito 1 Segundo Literatura Técnica Especifica a vitamina com a denominação comercial ROVIMIX D3500 (referente ao Laudo 2978.01) 6 constituída de Vitamina D3 (mínimo de 500.000UI por grama) dispersa em uma matriz de Proteína Vegetal e Dextrina (Polissacarídeo) e estabilizada com Etoxiquina. A vitamina com a denominação comercial Rovimix AD3 1000/200 (referente ao laudo 2977.01) é constituída de Vitamina A (mínimo de 1.000.000UI por grama), Vitamina D3 (mínimo de 200.000UI por grama) dispersada em uma matriz de Proteína Vegetal (Matéria Protéica) e Dextrina e estabilizada com Etoxiquina. A vitamina com a denominação comercial ROVIMIX B2 80SD (referente ao laudo 2977.03) é constituída de Vitamina B2 (mínimo de 80%) dispersa em uma matriz de Dextrina (Polissacarídeo) e a mercadoria com a denominação comercial ROVIMIX A500WS (referente ao laudo 2977.04) é constituída de Vitamina A (mínimo de 500.000UI por grama) dispersa em uma matriz de Amido e Dextrina e estabilizada com Etoxiquina. Quesito 2 Seria considerada merceologicamente pura se o adjuvante farmacotécnico presente fosse apenas a Etoxiquina, um antioxidante imprescindível à estabilização das Vitaminas. A presença dos excipientes e os tratamentos sofridos pelas Vitaminas evidenciam que se encontra finalizada, pronta para uso especifico. Não há mais fases de industrialização a serem implementadas antes de seu consumo. Resposta aos Quesitos ADICIONAIS DA FISCALIZAÇÃO anexo à Notificação GRALT N° 043/2011 Quesito 1 Fl. 620DF CARF MF Impresso em 11/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11128.007171/200643 Acórdão n.º 3201001.908 S3C2T1 Fl. 621 7 Da forma como foi preparado o produto, a sua utilização ficou restrita à administração oral; e, ainda os excipientes utilizados visaram a sua utilização especificamente aos animais. Da forma como foi preparada, as Vitaminas perderam seu caráter geral de uso. Quesito 2 Da forma como foi preparado o produto, a sua utilização ficou restrita à administração oral; e, ainda os excipientes utilizados visaram a sua utilização especificamente aos animais. Da forma como foi preparada, as Vitaminas perderam seu caráter geral de uso. Quesito 3 Sim. Os produtos em análise foram preparados a partir de princípios ativos e excipientes, visando a sua administração oral aos animais. A mistura do produto As rações visa simplificar o seu processo de administração, pois seria impraticável fazêlo individualmente. Quesito 4 Sim. Os produtos em análise foram preparados a partir de princípios ativos e excipientes, visando apenas a sua administração oral aos animais. Verificase, pois, que as mercadorias importadas pela Recorrente são vitaminas misturadas com excipientes, que não perderam as suas características essenciais, mas as tornaram aptas para uso específico em animais. Logo, as mercadorias em tela não se amoldam à nota do Capítulo 29 transcrita acima, devendo ser classificadas na posição 2936. Considerando, pois, o teor da RGI nº 1, é de se concluir que a classificação fiscal adotada pela Recorrente está correta, merecendo reforma a decisão recorrida. Em consequência, não é legítima a cobrança das diferenças de tributos apuradas pela fiscalização, bem como as multas lançadas por importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente, e por classificação inexata. Por oportuno, convém esclarecer que recentemente a Câmara Superior de Recursos Fiscais ratificou a classificação realizada pela Recorrente em uma das vitaminas que foram objeto da presente autuação, a saber: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Rovimix B2 80 SD, produto constituído de vitamina B2 (riboflavina), com teor de pureza de 80%, e de polissacarídeos com propriedades antipoeira e de estabilidade, classificase no código 2936.23.10 da NCM. (Acórdão nº 9303003.064, Rel. Cons. Júlio César Alves Ramos, Sessão de 13/08/2014) Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, exonerando o crédito tributário em discussão. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 11/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11128.007171/200643 Acórdão n.º 3201001.908 S3C2T1 Fl. 622 8 Conselheiro Daniel Mariz Gudino relator Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Redator designado para a formalização do acórdão Fl. 622DF CARF MF Impresso em 11/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/08/2015 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000862/2007-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
Comprovado pelo contribuinte o pagamento tempestivo dos juros, que ocorreu em DARF separado há que se reconhecer o cancelamento do auto de infração.
Numero da decisão: 1401-000.820
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro - Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antônio Bezerra Neto, Gilberto Baptista e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 11543.000862/2007-04 Acórdão n.º 1404-000.820 S1-C4T4 Fl. 3 2 Relatório Em procedimento de auditoria interna, tendo por objeto as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF apresentadas pela empresa em epígrafe no ano-calendário de 2003, a Delegacia da Receita Federal em Vitória — ES apurou a existência de um pagamento relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ efetuado em atraso, sem os acréscimos moratórios devidos. Em face da referida irregularidade, foi lavrado contra a Interessada, em 09/03/2007, o Auto de Infração de n° 1004197 (fls. 03/09), para exigência dos encargos não recolhidos: Demonstrativo do Crédito Tributário Valor Multa de mora 464,83 Juros e mora 54,17 TOTAL 519,00 Inconformada com a autuação, de que tomou ciência em 03/04/2007 (AR fl. 31), a Interessada apresentou, em 02/05/2007, impugnação dirigida a esta Delegacia de Julgamento, alegando, em síntese (fls. 01/02): QUE o débito de IRPJ relativo ao quarto trimestre do ano-calendário de 2003 foi feito de forma parcelada; QUE o parcelamento em questão foi devidamente informado na DCTF retificadora entregue em 04/04/2007 (cópia às fls. 17/28). Analisando a questão o órgão julgador a quo entendeu por acolher parcialmente a impugnação apresentada, nos seguintes termos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 IMPOSTO CORRESPONDENTE AO PERÍODO TRIMESTRAL. PAGAMENTO EM QUOTAS. INSUFICIÊNCIA DE JUROS. O imposto de renda apurado trimestralmente poderá ser pago em até três quotas mensais, iguais e sucessivas, vencíveis no último dia útil dos três meses subseqüentes ao de encerramento do período de apuração correspondente. As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa Selic, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Verificada falta ou insuficiência de acréscimos, é lícito ao Fisco lavrar auto de infração para cobrança dos juros de mora não recolhidos. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 11543.000862/2007-04 Acórdão n.º 1404-000.820 S1-C4T4 Fl. 4 3 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignado, o contribuinte apresentou petição, recebida como recurso voluntário Voto Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro Da análise do acórdão recorrido verifica-se que restou acolhido parcialmente o pleito do contribuinte para afastar a cobrança da multa de mora de R$ 464,83 e por MANTER a exigência dos juros, no valor de R$ 54,17. Intimado a se manifestar acerca do acórdão o contribuinte apresentou petição informando que o pagamento dos juros ocorreu na data e no prazo, porém em separado do valor principal conforme cópia DARF. Analisando a questão verifico que está correto o contribuinte conforme documentos de fls. 58/59/60, razão pela qual dou provimento ao recurso para cancelar a exigência de juros no montante de R$ 54,17. Relator Maurício Pereira Faro - Relator Fl. 66DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 11/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 18336.001555/2005-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 21/11/2000
CERTIFICADO DE ORIGEM. REDUÇÃO.
Apresentadas as razões de fato e de direito que justifiquem eventual erro formal na divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, e demonstrado que o erro não prejudicou a verificação da certificação de origem, deve ser mantida o regime de preferência e redução tarifária previsto no Acordo do Mercosul.
Numero da decisão: 3201-001.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
DANIEL MARIZ GUDINO - Relator.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Redator designado para formalizar o acórdão.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA, LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES e DANIEL MARIZ GUDINO.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 21/11/2000 CERTIFICADO DE ORIGEM. REDUÇÃO. Apresentadas as razões de fato e de direito que justifiquem eventual erro formal na divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, e demonstrado que o erro não prejudicou a verificação da certificação de origem, deve ser mantida o regime de preferência e redução tarifária previsto no Acordo do Mercosul.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI - Presidente. DANIEL MARIZ GUDINO - Relator. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Redator designado para formalizar o acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA, LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES e DANIEL MARIZ GUDINO.
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REDUÇÃO. Apresentadas as razões de fato e de direito que justifiquem eventual erro formal na divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, e demonstrado que o erro não prejudicou a verificação da certificação de origem, deve ser mantida o regime de preferência e redução tarifária previsto no Acordo do Mercosul. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. DANIEL MARIZ GUDINO Relator. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Redator designado para formalizar o acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA, LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES e DANIEL MARIZ GUDINO. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 15 55 /2 00 5- 65 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 18336.001555/200565 Acórdão n.º 3201001.923 S3C2T1 Fl. 170 2 Em cumprimento ao despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, eu, Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, transcrevo voto depositado e não formalizado, realizado pela 1ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF dado que o Relator, Conselheiro Daniel Mariz Gudino, não mais compõe o Colegiado. Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão que julgou parcialmente procedente a impugnação da Petróleo Brasileiro S/A Petrobras, doravante referida apenas como Recorrente. Não houve interposição de recurso de ofício. Para bem contextualizar a controvérsia existente nos autos do presente processo, convém transcrever o relatório da decisão recorrida, in verbis: Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação e respectivos acréscimos legais, bem como da multa de ofício por falta de recolhimento da multa de mora, perfazendo, na data da autuação, um crédito tributário no valor total de R$ 542.396,66 objeto do Auto de Infração fls. 01/12. Segundo a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa em epígrafe através da Declaração de Importação de nº 00/11218678, registrada em 21/11/2000, pleiteou a redução tarifária da alíquota “ad valorem” de 6% para os produtos classificados no código NCM 2710.00.41, que à época era a alíquota normal vigente para o imposto de importação, para a alíquota reduzida de 1,20 %, prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), conforme Decreto de execução nº 3.138, de 16/08/1999, firmado entre Brasil e os seguintes países: Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, (Países Membros da Comunidade Andina). Esclarece a Fiscalização, quanto à operação, o seguinte: a) o certificado de origem apresentado para instrução do despacho foi emitido em Caracas, na Venezuela, indica como país de origem da mercadoria, a Venezuela e declara como empresa exportadora a PDVSA PETROLEO Y GAS, S.A; b) a fatura comercial que instruiu o despacho de importação foi a PIFSB 1191/00, pela Petrobras International Finance Company (Pifco) empresa com sede nas Ilhas Cayman, país não membro da ALADI); c) uma terceira empresa, a Petrobras International Finance Company (Pifco) empresa com sede nas Ilhas Cayman, país não membro da ALADI, consta como exportadora conforme a fatura comercial apresentada na instrução do despacho; d) conforme consta no conhecimento de embarque a mercadoria foi embarcada diretamente da Venezuela para o Brasil e recepcionada no Brasil pela Petróleo Brasileiro S.A – PETROBRAS, na qualidade de importador, por conta do endosso que lhe foi conferido pela Pifco, e essa mesma empresa figura Fl. 170DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 18336.001555/200565 Acórdão n.º 3201001.923 S3C2T1 Fl. 171 3 como exportadora, de acordo com o declarado pela PETROBRAS; e) diante dos fatos e documentos apresentados, a operação comercial foi analisada à luz da Resolução nº 252, do Comitê de Representantes da ALADI, recepcionada na legislação brasileira através do Decreto nº 3.325/99. Oferece ainda a Fiscalização os seguintes esclarecimentos, fls. 03/06: a) o certificado de origem emitido na Venezuela, cita apenas no campo 10 – OBSERVAÇÕES – o nome da Petrobras International Finance Company (Pifco), sem especificar conforme determina o art. 9º o domicílio da empresa e o nº da fatura comercial emitida pela mesma; b) o número da fatura comercial (1239030) indicado no campo reservado à declaração de origem diverge da fatura que instruiu a DI. “Para atender as exigências do artigo 9º, esse campo do certificado de origem deveria indicar o número da fatura emitida pela Pfico, ou então, ter sido deixado em branco, caso o número dessa fatura não fosse conhecido quando da emissão do certificado. Nessa situação, o importador deveria ter apresentado a declaração juramentada prevista no citado artigo, o que se tivesse sido o caso concreto, também deixou de ser observado”; c) na verdade, a operação realizada na importação da mercadoria difere da operação prevista no art. 9º do citado acordo, pois de fato a operação original consistiu na venda das mercadorias pela PDVSA PETROLEO Y GAS, S.A à Pfico situada nas Ilhas Cayman, como se observa pela indicação da fatura da PDVSA no Certificado de Origem; Diante dos fatos, a Fiscalização decidiu pela desclassificação do regime aduaneiro de tributação na modalidade redução, retificandoo para regime de tributação integral. Constatou ainda a fiscalização a falta de recolhimento da multa de mora relativa a complementação do Imposto de Importação referente às mercadorias importadas através da Declaração de Importação nº 00/11218678, registrada em 21/11/2000, conforme descrito às fls.07, fato que ensejou o lançamento da multa de ofício por falta de recolhimento da multa de mora Em função do constatado, foi lavrado Auto de Infração para cobrança da diferença do Imposto de Importação e acréscimos legais, bem como da multa de ofício por falta de recolhimento da multa de mora. Cientificado do lançamento em 13/10/2005, conforme fl. 01, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando em 07/11/2005 a impugnação de fls. 26/66, nos seguintes termos: Fl. 171DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 18336.001555/200565 Acórdão n.º 3201001.923 S3C2T1 Fl. 172 4 invoca Acórdãos do Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes, cujo resultado em matéria semelhante lhe foi favorável, destacando que os Conselhos de Contribuintes foram concebidos para um escopo especial: orientar a aplicação das leis tributárias no âmbito da SRF e unificarlhes a interpretação para todo o Brasil, assim é “data máxima vênia”, necessário que suas decisões/jurisprudências sejam observadas, para que se mantenham firmes e coerentes em todas as unidades da Secretaria da Receita Federal; argúi que a crise mundial, restrições administrativas impostas na área cambial, a exigência dos prazos para entrega da documentação de importação, as dificuldades na captação de recursos por que passa o país, além de significativas especificidades geopolíticas dessas mercadorias, acarretam limitações aos negócios, inviabilizando alternativas comerciais que superam esses óbices; alega que por interesses vitais da economia do País e para equacionar o significativo rol de contingenciamentos, e como uma das alternativas comerciais, passou a PETROBRAS a comprar o produto, com o prazo necessário, mas uma das subsidiárias paga diretamente ao produtorexportador o preço dessa compra, por ordem da controladora. Concomitantemente a PETROBRAS revende a mercadoria à subsidiária, com tal prazo; e a recompra para pagamento até 180 dias; destaca que a Resolução nº 78 e o Acordo nº 91, não vedaram a compra direta com interveniência posterior de terceiros com finalidade de mera alavancagem financeira, e sem trânsito por outro país; descabe a perda da redução em face da não informação da quantidade, bem como pela emissão de fatura comercial depois do certificado de origem; ressalta que a fatura final, compreende o preço puro e idêntico, constante em ambas as faturas anteriores, acrescido apenas do repasse dos encargos financeiros das linhas de crédito tomadas; a mercadoria, em face da aquisição original, é enviada diretamente do país produtor para o Brasil e, só muito raramente, haverá trânsito por outro país; ressalta a necessidade de realização dessas operações intermediárias pela empresa como forma de alavancagem financeira; reitera que essas operações de intermediação de um terceiro país não colidem com a intenção que presidiu a celebração dos Acordos de redução tarifária, tampouco prejudicam seu enquadramento no regime de origem; o art. 10 da Resolução 78 determina que os países signatários procederão a consultas entre os Governos, sempre e previamente Fl. 172DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 18336.001555/200565 Acórdão n.º 3201001.923 S3C2T1 Fl. 173 5 à adoção de medidas que impliquem rejeição do Certificado de Origem, observandose ainda o devido processo legal; alega que é improsperável a pretensa divergência entre os números constantes do Certificado de Origem e da fatura correspondente; basta observar que o número da fatura comercial que consta no campo referente à declaração de origem, do respectivo certificado, efetivamente NÃO DIVERGE da fatura que instruiu o processo Pfico; em nenhum momento o enquadramento legal citado no auto, faz disposição quanto à perda do direito de redução nestes casos, logo o enquadramento legal não se coaduna com a penalidade imputada à impugnante; afirma que o Auto de infração está eivado de nulidade, por contrariar e negar vigência ao art. 10, inciso IV do Decreto nº 70.235/72, ao não especificar de modo claro o que está sendo cobrado; indaga em atendimento ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, (art. 5º LV da CF/88), qual a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, vez que há na mesma autuação Fiscal, enquadramentos legais distintos e divergentes; traz a lume o art. 112 do CTN e conclui que o cerne do auto de Infração reside na impossibilidade material de correlacionar a fatura comercial da Pfico com a da PDVSA, o que não pode prosperar; em observância ao princípio da verdade material, requer a realização de perícia para comprovar se os documentos objeto da presente lide têm a devida adequação ou correlação às importações em questão, apresentando a quesitação às fls.38/39: Seria correto afirmar que o número da fatura comercial que consta no campo referente à declaração de origem do respectivo certificado, diverge da fatura que instrui o processo Pfico ? Seria correto afirmar que ao observarmos o campo “INVOICE” se vê com clareza a identificação da Fatura Comercial (venezuelana) a que dispõe o d. Fiscal? Seria correto afirmar que a informação que consta no campo “INVOICE”, (fatura 1239030) é suficiente para se esclarecer o país de origem e demais dados da origem do produto? Por fim, seria correto afirmar que do certificado de origem se extrai referências suficientes/claras – OBSERVAÇÕES – sobre a participação de um operador de um terceiro país na transação? Com algumas diligências e análise de todos os documentos que compuseram a importação, seria possível afirmar que os produtos importados tem origem efetivamente na Venezuela, e se Fl. 173DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 18336.001555/200565 Acórdão n.º 3201001.923 S3C2T1 Fl. 174 6 a mercadoria relacionada nos documentos mencionados no AI são as mesmas? Ressalta que quanto ao art.16, inciso IV do Decreto nº 70.235/72, podese afirmar que o perito oficial da SRF seria suficiente, e por isso não havia necessidade de nomeação de perito da parte, assim sendo não há como se refutar a apreciação da prova material ora apresentada pela impugnante, em respeito ao princípio do formalismo moderado. Ressalta que, tratandose de importações no interesse do País e sob rigoroso controle do Governo Federal, verificase desarrazoada a autuação, em que pese a erudição de seu signatário; traz à colação respeitável doutrina e jurisprudência administrativa e sintetiza a posição adotada pelo então Conselho de Contribuintes acerca de julgados sobre a matéria em questão ; reitera que há copiosa jurisprudência do então Terceiro Conselho de Contribuintes acatando a tese da defesa e elenca resumidamente os fundamentos utilizados pelo Conselho de Contribuintes em matéria semelhante; argui a denúncia espontânea da infração e a inaplicabilidade ao caso da multa de ofício em decorrência do não lançamento da multa de mora, trazendo respeitável doutrina e jurisprudência quanto à matéria; requer ainda que seja declarado nulo por ilegalidade, e se caso não seja esse o entendimento, seja cancelado o Auto de Infração por sua manifesta improcedência/insubsistência. A decisão recorrida, consubstanciada no Acórdão nº 0816.729, de 27/11/2009, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 27/11/2000 PEDIDO DE PERÍCIA NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender aos requisitos previstos na legislação de regência. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Improcedente a arguição de nulidade do lançamento apontada pela defesa, tendo em vista que a exigência foi formalizada com observância das normas processuais e materiais aplicáveis ao fato em exame. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/01/2001 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 18336.001555/200565 Acórdão n.º 3201001.923 S3C2T1 Fl. 175 7 MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de auto de infração não definitivamente julgado, sobrevindo nova disposição de lei que deixa de definir o fato como infração, aplicase a retroatividade benigna expressa no inciso II, “a” do artigo 106 do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO Período de apuração: 04/09/2000 a 28/09/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual em caso de divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 04/09/2000 a 28/09/2000 Comprovado nos autos que a Fatura Comercial não contém os requisitos exigidos na legislação de regência, tornase cabível a exigência da penalidade pecuniária. Lançamento Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs o seu recurso voluntário tempestivamente, reiterando, em síntese, os argumentos suscitados em sua defesa inaugural. Além disso, pugnou pela reforma da decisão recorrida para que o crédito tributário seja integralmente exonerado. O processo foi digitalizado e posteriormente distribuído para este Conselheiro na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. A questão central da discussão travada nos presentes autos é simples: a existência de erros formais no preenchimento do certificado de origem é suficiente para ser considerado pela fiscalização inaplicável o benefício da redução tarifária gozado pela Fl. 175DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 18336.001555/200565 Acórdão n.º 3201001.923 S3C2T1 Fl. 176 8 Recorrente, ensejando a cobrança da diferença do Imposto de Importação, com os acréscimos legais, e da multa prevista no art. 106, inciso V, do Decretolei n°37, de 1966? A questão não é nova para o CARF, que há pouco tempo apreciou a matéria em sua Câmara Superior, decidindo pela manutenção do benefício apesar da existência de erros formais. É o que se depreende da ementa transcrita in verbis: CERTIFICADO DE ORIGEM. REDUÇÃO Apresentadas as razões de fato e de direito que justifiquem eventual erro formal na divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, e demonstrado que o erro não prejudicou a verificação da certificação de origem, deve ser mantida o regime de preferência e redução tarifária previsto no Acordo do Mercosul. (Acórdão nº 9303001.812, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, Sessão de 31/01/2012) A exemplo desta decisão, há outras no mesmo sentido em câmaras baixas. No caso concreto, verificase que a Recorrente justificou, em sua defesa, a operação de triangulação comercial, na qual interpõe entre si e a PDVSA Petroleo y Gás, S.A. (PDVSA), a Petrobrás International Finance Company (Pifco), sendo essa a razão pela qual as invoices mencionadas nos certificados de origem eram emitida pela PDVSA contra a Pifco, e não contra a Recorrente. A Pifco figurava como agente pagador da Recorrente, mas o destino das mercadorias sempre foi o Brasil, uma vez que a Recorrente era a destinatária do propano adquirido na Venezuela. Argumenta a Recorrente que essa triangulação comercial é uma operação realizada rotineiramente por vários atores do comércio internacional, não havendo qualquer ilegalidade na referida prática. Não havendo, pois, questionamento quanto às alegações fáticas da Recorrente, e sendo o único fundamento para o lançamento a constatação de erros formais em certificados de origem decorrentes da triangulação comercial por ela realizada, não há como prosperar o lançamento ora combatido. Se isso não bastasse, a fiscalização contrariou as normas de origem do Mercosul, vigente à época da importação, declarando inválida a certificação de origem de forma unilateral, sem antes consultar ao país exportador, para verificar se o Certificado era ou não idôneo. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para declarar improcedente o lançamento e exonerar o crédito tributário correspondente. Daniel Mariz Gudino Relator Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Redator designado para a formalização do acórdão Fl. 176DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 18336.001555/200565 Acórdão n.º 3201001.923 S3C2T1 Fl. 177 9 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 14/08/2015 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 11080.919041/2012-97
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 25/01/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 25/01/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 90 41 /2 01 2- 97 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919041/201297 Acórdão n.º 3801005.181 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919041/201297 Acórdão n.º 3801005.181 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919041/201297 Acórdão n.º 3801005.181 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919041/201297 Acórdão n.º 3801005.181 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919041/201297 Acórdão n.º 3801005.181 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919041/201297 Acórdão n.º 3801005.181 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919041/201297 Acórdão n.º 3801005.181 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919041/201297 Acórdão n.º 3801005.181 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11060.002331/2004-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO — Para que configure nulidade do Auto
de infração, se faz necessário a presença de, pelo menos, urna das hipóteses contidas no artigo 59 do Decreto 70.235 de 1972.
OMISSÃO DE RECEITA — SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO NÃO COMPROVADO - Para afastar a omissão de receita se faz necessário a comprovação da origem do numerário, bem como a efetiva entrega.
JUROS DE MORA — TAXA SELIC — POSSIBILIDADE. A Taxa Selic
como índice de correção 1 monetária dos juros de mora é perfeitamente
possível, nos termos do que restou consolidado na Súmula n" 4 deste E.
Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF.
MULTA EXORBITANTE. AFRONTA AO PRINCÍPIO
CONSTITUCIONAL DO NÃO CONFISCO — A análise de afronta a
princípios constitucionais é de competência exclusiva do Poder Judiciário, sob pena de invasão de competência, nos termos da Súmula IV 2 do CARF.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS - LIMITAÇÃO de 30%.
POSSIBILIDADE — A limitação de 30% para a compensação de prejuízos
fiscais encontra amparo nos artigos 42 e 58 da Lei 8.981/95, bem como artigo 15 da Lei 9065/95.
Numero da decisão: 1102-000.425
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: João Carlos de Lima Junior
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-11-25T17:36:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 11; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-11-25T17:36:05Z; Last-Modified: 2011-11-25T17:36:05Z; dcterms:modified: 2011-11-25T17:36:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:41e04ce3-1640-4d0a-bb71-1b987122f519; Last-Save-Date: 2011-11-25T17:36:05Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-11-25T17:36:05Z; meta:save-date: 2011-11-25T17:36:05Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-11-25T17:36:05Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-11-25T17:36:05Z; created: 2011-11-25T17:36:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2011-11-25T17:36:05Z; pdf:charsPerPage: 1677; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-11-25T17:36:05Z | Conteúdo => Sl-C1T2 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11060.002331/2004-28 Recurso n" 155.284 Voluntário Acórdão n° 1102-00.425 — V Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 31 de março de 2011 Matéria IRPJ e reflexos- Omissão de Receitas Recorrente COCEVVIL COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO — Para que configure nulidade do Auto de infração, se faz necessário a presença de, pelo menos, urna das hipóteses contidas no artigo 59 do Decreto 70.235 de 1972. OMISSÃO DE RECEITA — SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO NÃO COMPROVADO - Para afastar a omissão de receita se faz necessário a comprovação da origem do numerário, bem como a efetiva entrega. JUROS DE MORA — TAXA SELIC — POSSIBILIDADE. A Taxa Selic como índice de correção 1 monetária dos juros de mora é perfeitamente possível, nos termos do que restou consolidado na Súmula n" 4 deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF. MULTA EXORBITANTE. AFRONTA AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DO NÃO CONFISCO — A análise de afronta a princípios constitucionais é de competência exclusiva do Poder Judiciário, sob pena de invasão de competência, nos termos da Súmula IV 2 do CARF. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS - LIMITAÇÃO de 30%. POSSIBILIDADE — A limitação de 30% para a compensação de prejuízos fiscais encontra amparo nos artigos 42 e 58 da Lei 8.981/95, bem como artigo 15 da Lei 9065/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AS-PESSOA MONTE 0 / - Presidente IVETEy JOÃO CARLOS DE UM EDITADO EM: 23 NOV 201'1 OR - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma ), João Carlos de Lima Júnior (Vice Presidente), José Sergio Gomes , Silvana Rescigno Guerra Barreto, Manoel Mota Fonseca (Suplente Convocado) e João Otavio Oppermann Thomé. Relatório Trata-se de auto de infração lavrado em 2004, visando a constituição e cobrança do IRPJ (fls. 08/24) e reflexos referentes aos períodos de 21/12/1999 a 31/12/2002, decorrente de omissão de receitas, no valor total de R$ 249.778,55 (duzentos e quarenta nove mil, setecentos e setenta e oito reais e cinqüenta e cinco centavos), incluindo o principal, os juros de mora e a multa de oficio no percentual de 75%, nos termos do art. 44, inciso 1, da Lei n°9.430/96. DC acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a omissão de receitas, decorreu de suprimentos numerários feitos pelo sócio da empresa contribuinte, correspondente aos valores de: R$ 50.000,00, R$51.272,53, R$ 138.015,99 e R$ 60.601,57 ocorridos nos anos calendários de 1999 a 2002 respectivamente. Conforme Termo de Intirnação de fls 57-59, a Recorrente foi intimada a apresentar documentação hábil e idônea, que comprovassem a origem e a efetividade bancária dos valores dos empréstimos de caixa efetuados pela empresa ao sócio Sr. Vilson Hilesshein. Em atenção intimação, ntimação, em 06/11/03 a Recorrente apresentou esclarecimentos assinado pelo Sr. Nilton Roza Lopes, contador da empresa contribuinte, bem como outros documentos de fls. 68 a 141, quais sejam: Notas fiscais, Contratos de empréstimos e extratos bancários. Após a análise dos documentos apresentados pela Recorrente relacionados no demonstrativo de fls. 59, a Fiscalização entendeu que houve omissão de receitas, uma vez que os documentos apresentados não são hdbeis e idôneos para elucidar os suprimentos de caixa, lavrando, assim, os autos de infração de IRPJ e reflexos. Após a intimação da Recorrente, em 08/11/2004, ela apresentou suas impugnações de fls: 146 a 778, deduzindo, eM suma, as seguintes alegações: Que para chegar a conclusão de que ocorreu omissão de receita é imprescindível que ocorra a desqualificação da contabilidade do contribuinte. Se os valores estão devidamente registrados, sem qualquer anotação à margem, não é possível a fiscalização concluir que ocorreu omissão de receita, pois a contabilidade regular faz prova a favor do contribuinte. Que da simples leitura das ementas dos acórdãos do Conselho de Contribuintes percebe-se que, para caracterizar omissão de receita, é fundamental a ausência de escrituração, ou a contabilização irregular da operação. Que os suprimentos de numerários feitos pelos sócios da empresa são operações comuns e corriqueiras no mercado, que não pode ser objeto de qualquer indagação, principalmente quando os sócios comprovam a capacidade econômica, fruto de outra atividade empresari al. Que quanto ao empréstimo de R$ 51.272,53, de 26/10/1001, a origem está na venda de gado pelo Sr. Vilson para abate pela Cooperativa Agropecuária Sulcoop Ltda. e o fato dos documentos fiscais apontarem um valor urn pouco menor, não afasta a prova da capacidade econômica para realizar a operação de empréstimo. 3 Que com relação ao mútuo de R$50.000,00, há contratos formalizando a operação, e mais, recibos de pagamentos, os quais também são perfeitos, sem qualquer defeito formal ou jurídico apontado pelo auditor fiscal. Que em relação ao empréstimo de R$ 60.601,57, a Recorrente traz, em anexo, extrato bancário da conta corrente do 'Sr. Vilson, onde há débito de três valores, os quais somados totalizam a importância em questão. Concomitantemente, também é apresentado extrato da empresa, apontado o ingresso dos referidos valores. Que ainda foi autuada a iniportância de R$ 138.015,59, e que a empresa não cansa de repetir que não houve qualquer desclassificação do registro contábil, estando esta operação devidamente lançada nos livros fiseais. , Que na remotíssima hipotese de ser mantida a cobrança, cabe demonstrar a total improcedência de exigir juros de mora 'equivalentes A. taxa Selic uma vez que os juros de mora acabaram perdendo totalmente o caráter indenizatório, tendo característica de penalidade, eis que na apuração dos indices que medem a taxa Selic estão computadas as taxas de mercado utilizáveis para remuneração futura de ativos financeiros, trazendo um aumento real da obrigação, ferindo princípios do direito adquirido, da iiyetroatividade, da anterioridade, da estrita legalidade, da isonomia e dos não confisco. Por fim, que a multa de 75% é confiscatória, o que é vedado pelo art. 150, IV, da Constituição Federal, devendo ser reduzida para urn patamar que afaste a hipótese de confisco. Posteriormente, os autos foram remetidos â Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria. que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente e quanto ao mérito julgou procedentes em parte os lançamentos efetuados, mantendo os valores de R$ 47.316,12, R$ 1.230,37, R$ 17.035,96 e R$ 5.678,64, a titulo de cobrança do IRPJ, PIS, CSLL e COFINS, respectivamente, entendendo em suas razões que: A omissão de receita apurada em 01/06/1999, no valor de R$ 50.000,00, é incontroverso, uma vez que não foi contestado pela Recorrente e que, portanto, tal valor não seria mais objeto do litígio, permanecendo apenas os valores de R$ 51.272,53 R$ 60.601,57 e R$138.015,99. A preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente é infundada, pois não ocorreu nenhuma das hipóteses de nulidade Previstas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto n 70.235, de 6 de março de 1972 e, portanto, não merece ser acolhida. Em relação a omissão de receitas, esta restou caracterizada pela falta de comprovação da origem e/ou da efetiva entrega dos suprimentos, pois, de acordo com o art. 282 do RIR/1999, na hipótese de suprimentos de numerários efetuados pelas pessoas nele discriminadas, cabe â pessoa jurídica provar, corn documentos hábeis e idôneos, os registros de sua contabilidade, inclusive a efetiva entrega dos recursos no caixa da empresa, e sua origem, presumindo-se, quando não for produzida essa prova, que os recursos tiveram a origem em receita omitida na escrituração. A comprovação adequada implica a comprovação cumulativa e indissociável tanto da origem dos recursos na pessoa fisica dos supridores como o de sua efetiva entrega empresa, coincidentes em datas e valores. A'comprovação isolada da existência de numerdde 4 não da origem ou da efetiva entrega não são suficientes para desfazer a presunção de omissão de receita. Cabe a fiscalização efetuar o lançamento de acordo com a legislação aplicável, nos termos do artigo 142 do CTN, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, existindo previsão legal que disciplina a presunção de omissão de receitas, cabe à fiscalização efetuar o lançamento e ao contribuinte provar a inexistência da imputada omissão. Após a análise dos autos, concluiu-se que somente restou comprovada a origem e a efetividade da entrega do suprimento de R$ 60.601,57 No que concerne ao valor de R$ 51.272,53 de 26/10/2001, as notas fiscais apresentadas provam que o sócio vendeu animais pelo valor de R$ 46.550,00, porém não comprovam que se destinou ao empréstimo. 0 extrato bancário de fls 185 não comprova a efetividade na entrega. Acerca do valor de R$ 138.015,99, a capacidade financeira do supridor não suficiente para comprovar a origem. Assim, as cópias das declarações de ajuste anual, Notas fiscais do Produtor e extrato bancários, não comprovam a origem dos recursos. As notas fiscais de pagamentos de despesas da empresa são l também insuficientes para comprovar que foram pagas efetivamente pelo sócio. Em relação aos argumentos em torno da inconstitucionalidade de leis e princípios constitucionais, cabe esclarecer que as questões relacionadas A suposta inconstitucionalidade de leis e aos princípios constitucionais alegados pela autuada, são questões que não podem ser analisadas pelo julgador da esfera administrativa. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Por outro lado, cabe esclarecer que a aplicação das taxas de juros decorre de determinações de leis regulamente editadas, não havendo desobediência à Constituição Federal e/ou CTN, motivo pelo qual devem ser mantidos. Em relação à argumentação' de que a multa aplicada configura confisco, cabe esclarecer que a vedação à utilização de tribUto com efeito de confisco impede que o padrão de tributação seja insuportável ao contribuinte. E mais, dirige-se ao legislador, e não ao aplicador da lei. E por fim, .que em relação à afronta ao principio constitucional do não confisco a autoridade administrativa esta impedida de analisá-la, por se tratar de competência exclusiva do Poder Judiciário, sob pena de invasão de competência, o que fere a independências dos Poderes. Além disso, a vedação constitucional é quanto a utilização de tributos com efeito confiscatório, não se referindo à multa por atos ilícitos. Acrescenta-se, que a multa é penalidade pecuniária e ela, corno toda e qualquer penalidade, deve ser graduada na exata medida em que constranja o infrator a abster- se da prática da ilicitude que a penalidade visa coibir. Se o percentual fixado na lei parece exagerado, nem por isso pode ser conceituado como impagável, pois ninguém está obrigado a pagar tal multa, salvo se tiver infringido normas legais prévia e perfeitamente vigentes, como é o caso em pauta, motivo pelo qual a multa de oficio arbitrada em 75% deve ser mantida. 5 No tocante ao pedido de compensação dos prejuízos fiscais, o limite de 30% sobre o lucro liquido ajustado por compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativas da CS LL está previsto nos artigos 42 e 58 da Lei n" 8.981. Por outro lado, no presente caso, é irrelevante a discussão sobre a matéria, pois a autuada não dispõe de saldo de prejuízos fiscais, nem de saldo de bases negativa de contribuição social para compensar. Por fim, com relação aos lançamentos decorrentes, tendo em vista que omissão de receita foi mantida parcialmente no IRPJ, os valores lançados a titulo de PIS, COFINS e CSLL também devem ser mantidos parcialmente. Intimada (fls. 800) da decisão que julgou procedentes em parte OS lançamentos, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no dia 24/11/2006 (fls. 803/822), alegando, preliminarmente, que os autos deveriam ser remetidos A la Instância em razão da falta de apreciação da impugnação corn relação A receita no valor de R$ 50.000,00, considerada não contestada pela DRJ/STM, e no mérito, reiterou todas as razões expostas na impugnação. Em 17 de outubro de 2008, o Recurso apresentado foi apreciado por este Conselho que, por unanimidade de votos, anulou a decisão de primeira instância, remetendo os autos para novo julgamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria, ao apreciar novamente o feito, manteve seu posicionainento, sanando a nulidade apontada e julgando procedente em parte os lançamentos. Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 16 de fevereiro de 2010 repisando os mesmos argumentos utilizados em sua impugnação. É o relatório. 6 Voto Conselheiros JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Presentes as condições de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele tomo conhecimento. Quanto â. preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente por não haver nos autos prova da omissão de receita imputada, entendo que não assiste razão a Recorrente, uma vez que não vislumbro nos autos qualquer das hipóteses de nulidade previstas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. A atuação foi procedida conforme as formalidades legais exigidas, especialmente aquelas contidas no artigo 10 Ido mesmo Decreto. Além do que, a ocorrência ou não da omissão de receita é questão de mérito, e será abordada a seguir. Diante do exposto, não iHierece ser acolhida a pretensão de nulidade dos Autos de Infração. No tocante a existência da omissão de receita, vejamos o que estabelece o artigo 282 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 - Decreto 3000/99: Art. 282. Provada a omissiio de receita, por indícios na escrituraçiio do contribuinte ou qualquer outro element() de prova, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor dos recursos de caixa .fornecidos Cl empresa por administradores, sOcios da sociedade imio andnima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos nao forem comprovadamente demonstradas (Decreto-Lei n" 1.598, de 1977, art. 12, ,ss' 3', e Decreto-Lei n" 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1", inciso II ). Da redação acima transcrita, resta claro que, para demonstrar a não ocorrência da omissão de receita deve o contribuinte comprovar a efetiva entrega como também a origem dos numerários, não bastando apenas a regular escrituração, conforme alega a Recorrente. Para tanto, a prova deve ser idônea, objetiva e precisa, apta a comprovar a razão dos valores movimentados em cada data, demonstrando a correlação lógica entre as datas e os valores apurados, a fim de dirimir qualquer dúvida quanto a proveniência das importâncias supridas. No que tange a omissão de receitas, em relação ao valor de R$ 50.000,00, os documentos trazidos pela Recorrente, quais sejam, o contrato de empréstimo de fis. 92 e 93 e os recibos de fis. 95 e 96, são insuficientes para comprovar a origem do recurso e a sua efetiva entrega. 0 mesmo ocorre em relação ao valor de R$ 51.272,53, em que as notas fiscais de fls. 181 e 182,0 contrato de empréstimo de fls. 98 e os extratos bancários de fls. 185, juntados aos autos pelo contribuinte, não são suficientes para comprovar a origem e a efetiva entrega dos suprimentos. 7 Oportuno se faz esclarecer que, o contrato de empréstimo somente demonstra haver uma relação jurídica entre o sócio e a empresa, e a existência de urn crédito, contudo, não é documento hábil para comprovar a real entrega do montante, bem corno sua origem. Quanto ao valor de R$ 138.015,99, as Declarações de Ajuste Anual, as notas fiscais de Produtor e os extratos bancários também são insuficientes para comprovar a origem do numerário, bem como a sua entrega. Isto posto, resta claro que a Recorrente não logrou êxito em comprovar a origem e a efetiva entrega dos suprimentos, ou seja, não demonstrou o equivoco da fiscalização quanto a imputação da omissão de receitas, razão pela qual deve ser mantida a autuação, bem como a cobrança dos valores mencionados. Em relação aos argumentos em torno da constitucionalidade da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, cumpre esclarecer que o tema encontra-se sumulado por este Conselho, send() vejamos o disposto na Súmula n" 4 do CARP: A partir de 12 de abril de 1995, os juros moratários incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inaclimplencia, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais Diante do exposto, os juros exigidos nos Autos de Infração devem ser mantidos. No que diz respeito à exorbitância da multa aplicada no percentual de 75%, que configura confisco e conseqüentemente fere o principio constitucional do não confisco, este Conselho já sumulou que é autoridade incompetente para analisar matéria constitucional, conforme se depreende da Súmula n" 2, a seguir transcrita: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributaria. Sendo assim, a multa de oficio dever ser mantida no percentual de 75%, não podendo ser afastada ou reduzida. No que se refere à limitação da compensação de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL, a mesma encontra amparo legal nos artigos 42 e 58 da Lei 8.981/95, bem corno artigo 15 da Lei 9065/95, vejamos: Art. 42. A partir de 1" de janeiro de 1995, para efeito de clterminar o lucro real, o lucro liquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no nuiximo, trinta por cento. Parágrafo único. A parcela clos prejuízos fiscais apurados ate 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão cio disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anos-calendário subseqüentes. Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro liquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo 8 corno voto. negativa, apurada cm períodos-base anteriores em, no máximo, trinta por cento. Artigo 15 da Lei 9065/95: Art. 15. 0 prejuízo fiscal apnrado a partir do encerramento do ano-calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente coin os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro liquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro liquido ajustado. Sendo assim, a compensação de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL está limitada legalmente ao percentual de 30% do lucro liquido ajustado, não podendo ser alterada. Por todo o exposto, voto pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, mantendo o lançamento fiscal. JOÃO CARLOS IMA JUNIOR 9
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Numero do processo: 11453.720001/2011-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/08/1995 a 31/12/1996
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de oficio quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa.
COFINS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. DECADÊNCIA. AÇÃO RESCISÓRIA.
0 prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário de créditos tributários, cuja cobrança estava afastada por força de sentença rescindida em ação rescisória extingue-se em 5 (cinco) anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, Aquele em que transitou em julgado a ação rescisória que tornou possível o lançamento, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN.
COFINS. JUROS DE MORA. AÇÃO RESCISÓRIA.
Nos termos da Lei, sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidem juros de mora. Por força dos artigos 468 e 489 do Código do Processo Civil, a sentença proferida em juizo faz lei entre as partes, o que somente se modifica se, interposta ação rescisória, houver trânsito em julgado favorável à rescisão. Se o acórdão rescindendo determinava a não incidência das Contribuições, somente após sua reforma consideram-se os valores devidos, acrescidos, a partir dai, de juros de mora.
DECISÃO JUDICIAL. OBSERVÂNCIA DA SENTENÇA. LANÇAMENTO ISOLADO DA MULTA DE MORA E DOS JUROS MORATÓRIOS.
As autoridades administrativas estão obrigadas a seguir os ditames estabelecidos em sentença judicial. Portanto, todas as alegações constantes do Recurso em relação a exigência da multa de mora e dos juros moratórios por meio de lançamento isolado realizado de oficio pela Administração Tributária, ficam superadas em razão da decisão constante Mandado de Segurança n° 5026327-45.2010.404.7000.
JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°5 DO CARF.
São devidos os juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°4 DO CARF.
A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, A taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito - tratando-se de ato não definitivamente julgado -, quando deixe de lhe cominar multa de menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática.
MULTA DE MORA. EXIGÊNCIA. AÇÃO RESCISÓRIA.
Cabe a exigência de multa de mora, na ocorrência de sentença favorável em ação rescisória ajuizada pela Unido, cujos débitos não forem pagos no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da data em que a Recorrente foi cientificada da exigência pela Delegacia da Receita Federal.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-01.585
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares de nulidade e a prejudicial de decadência. Nas demais questões de mérito, por maioria de votos, deu-se parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a incidência de juros de mora a partir da data do trânsito em julgado da ação rescisória, além da multa de mora a partir do trigésimo dia, contado da intimação para recolhimento dos tributos debatidos em juizo. Vencidos os Conselheiros Winderley Morais Pereira, relator, que também dava provimento parcial ao recurso, mas determinava o cálculo dos juros de mora a partir da citação da recorrente na ação rescisória, e Ricardo Paulo Rosa, que fixava o trigésimo dia que se sucedeu o trânsito em julgado da ação rescisória como termo inicial da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor, na fração em que o relator restou vencido, o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Fez sustentação oral o advogado James Marins, OAB/PR 17.085.
Nome do relator: Winderley Morais Pereira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/08/1995 a 31/12/1996 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de oficio quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. COFINS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. DECADÊNCIA. AÇÃO RESCISÓRIA. 0 prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário de créditos tributários, cuja cobrança estava afastada por força de sentença rescindida em ação rescisória extingue-se em 5 (cinco) anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, Aquele em que transitou em julgado a ação rescisória que tornou possível o lançamento, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN. COFINS. JUROS DE MORA. AÇÃO RESCISÓRIA. Nos termos da Lei, sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidem juros de mora. Por força dos artigos 468 e 489 do Código do Processo Civil, a sentença proferida em juizo faz lei entre as partes, o que somente se modifica se, interposta ação rescisória, houver trânsito em julgado favorável à rescisão. Se o acórdão rescindendo determinava a não incidência das Contribuições, somente após sua reforma consideram-se os valores devidos, acrescidos, a partir dai, de juros de mora. DECISÃO JUDICIAL. OBSERVÂNCIA DA SENTENÇA. LANÇAMENTO ISOLADO DA MULTA DE MORA E DOS JUROS MORATÓRIOS. As autoridades administrativas estão obrigadas a seguir os ditames estabelecidos em sentença judicial. Portanto, todas as alegações constantes do Recurso em relação a exigência da multa de mora e dos juros moratórios por meio de lançamento isolado realizado de oficio pela Administração Tributária, ficam superadas em razão da decisão constante Mandado de Segurança n° 5026327-45.2010.404.7000. JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°5 DO CARF. São devidos os juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°4 DO CARF. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, A taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito - tratando-se de ato não definitivamente julgado -, quando deixe de lhe cominar multa de menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. MULTA DE MORA. EXIGÊNCIA. AÇÃO RESCISÓRIA. Cabe a exigência de multa de mora, na ocorrência de sentença favorável em ação rescisória ajuizada pela Unido, cujos débitos não forem pagos no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da data em que a Recorrente foi cientificada da exigência pela Delegacia da Receita Federal. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. Recurso Voluntário Provido em Parte
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COFINS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. DECADÊNCIA. AÇÃO RESCISÓRIA. 0 prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário de créditos tributários, cuja cobrança estava afastada por força de sentença rescindida em ação rescisória extingue-se em 5 (cinco) anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, Aquele em que transitou em julgado a ação rescisória que tornou possível o lançamento, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN. COFINS. JUROS DE MORA. AÇÃO RESCISÓRIA. Nos termos da Lei, sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidem juros de mora. Por força dos artigos 468 e 489 do Código do Processo Civil, a sentença proferida em juizo faz lei entre as partes, o que somente se modifica se, interposta ação rescisória, houver trânsito em julgado favorável à rescisão. Se o acórdão rescindendo determinava a não incidência das Contribuições, somente após sua reforma consideram-se os valores devidos, acrescidos, a partir dai, de juros de mora. DECISÃO JUDICIAL. OBSERVÂNCIA DA SENTENÇA. LANÇAMENTO ISOLADO DA MULTA DE MORA E DOS JUROS MORATÓRIOS. As autoridades administrativas estão obrigadas a seguir os ditames estabelecidos em sentença judicial. Portanto, todas as alegações constantes do Recurso em relação a exigência da multa de mora e dos juros moratórios por meio de lançamento isolado realizado de oficio pela Administração Tributária, ficam superadas em razão da decisão constante Mandado de Segurança n° 5026327-45.2010.404.7000. JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°5 DO CARF. São devidos os juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°4 DO CARF. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, A taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito - tratando-se de ato não definitivamente julgado -, quando deixe de lhe cominar multa de menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. MULTA DE MORA. EXIGÊNCIA. AÇÃO RESCISÓRIA. Cabe a exigência de multa de mora, na ocorrência de sentença favorável em ação rescisória ajuizada pela Unido, cujos débitos não forem pagos no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da data em que a Recorrente foi cientificada da exigência pela Delegacia da Receita Federal. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares de nulidade e a prejudicial de decadência. Nas demais questões de mérito, por maioria de votos, deu-se parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a incidência de juros de mora a partir da data do trânsito em julgado da ação rescisória, além da multa de mora a partir do trigésimo dia, contado da intimação para recolhimento dos tributos debatidos em juizo. Vencidos os Conselheiros Winderley Morais Pereira, relator, que também dava provimento parcial ao recurso, mas determinava o cálculo dos juros de mora a partir da citação da recorrente na ação rescisória, e Ricardo Paulo Rosa, que fixava o trigésimo dia que se sucedeu o trânsito em julgado da ação rescisória como termo inicial da multa de mora. 2 Lui erra de Castro - Presidente. ei-ley Morais Pereira - Re Rosa - Redator Designado. Processo n° 11453.720001/2011-23 S3-C I T2 Acórdão n° 3102-001.585 Fl. 3 Designado para redigir o voto vencedor, na fração em que o relator restou vencido, o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Fez sustentação oral o advogado James Marins, OAB/PR 17.085. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, Winderley Morais Pereira, Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto com as devidas adições, o relatório da autoridade de primeira instância, com as devidas adições. "Em decorrência de ação fiscal desenvolvida junto a empresa qualificada, foi lavrado auto de infração, cientificado em 23/05/2011, que exige o recolhimento de R$ 8.135.683,47 a titulo de multa de mora isolada e de R$ 100.619.284,33 de juros de mora isolados, ambos incidentes sobre débitos de Cofins relativos aos fatos geradores 08/1995 a 12/1996. Segundo do Termo de Encerramento contido nos autos, o lançamento foi efetuado em função da decisão exarada no Despacho Decisório n° 56 SRRF 09/Disit, da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil, o qual, por sua vez, teria sido efetuado coin base em decisão liminar em mandado de segurança (n° 5026327-45.2010.404.7000). Além de tecer considerações acerca do aludido mandado de segurança, o referido Termo também trata dos efeitos da ação em mandado de segurança n°5005264.27.2011.404.70000, além de delinear os contornos do lançamento efetuado. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou, em 20/06/2011, por intermédio de procurador, impugnação cujo teor será sintetizado a seguir. Primeiramente, após relato dos fatos, alega o descabimento do lançamento de multa de mora e de juros de mora. Ressalta a inexistência da mora, alegando que desde 25/08/1995, com amparo em mandado de segurança, os depósitos relativos et 3 Cofins vinham sendo efetuadas regularmente, inclusive com os efeitos do inc. II do art. 151 do CTN. Aduz mais precisamente: "Ora, se a Impugnante fez o depósito, não estava obrigada a pagar no prazo previsto na legislação especifica, nem pode ser considerada, passado esse prazo, em atraso" (fl. 76 - pg. 7 da impugnação). Sobre o assunto, transcreve jurisprudência e doutrina salientando que o depósito do montante integral evita os efeitos decorrentes da mora. No subitem seguinte diz que "uma vez concedida a segurança por sentença definitiva, a Impugnante, naturalmente, deixou de fazer os depósitos, e levantou os valores depositados. Já foi visto que, no período em que houve depósitos, não houve mora, por não ter havido atraso ilícito de pagamento de obrigação exigível. Agora é necessário saber se, durante o tempo em que permaneceu a concessão de segurança, até o momento em que transitou em julgado a decisão em ação rescisória, é correto considerar que a Impugnante estava em mora. Como se verá também nesse período a Impugnante não esteve em mora, porque não atrasou nenhum pagamento devido e exigível, de modo que, também nesse período, descabem tanto a multa de mora quanto os juros de mora" (fls. 79/80 - pág. 10 e 11 da impugnação). Esclarece, ainda, que com a procedência da sentença declaratória em mandado de segurança é claro que a inzpugnante não tem responsabilidade pelo pagamento do tributo e, ademais, durante o transito em julgado do mandado de segurança, não se pode falar em mora. Noutro subitem, sustenta a inexistência de mora a partir do trânsito em julgado da ação rescisória. Diz que após o trânsito em julgado da ação rescisória não pode ser considerada em mora porque desde 2001, por forgo' da EC 33/2001, vem recolhendo a Cofins sobre as receitas de energia elétrica. Aduz que "o que se pretende por meio deste auto de infração é cobrar juros e multa de mora realtivos a supostos fatos geradores ocorridos em 1995 e 1996, como se desde aquela época a Impugnante estivesse inadimplente em relação aos referidos tributos, essa conclusão está calcada na equivocada interpretação de que os efeitos da ação rescisória seriam ex tunc, o que não é admitido pela doutrina." Alega, adicionalmente, que a cobrança de juros de mora e multa de mora não pode retroagir a 1995 e 1996, pois mora só existiria, em tese, a partir da data de vencimento do prazo de pagamento da Intimação 9/2010. Reclama, com respaldo no parágrafo único do art. 167 do CTN,a aplicação da analogia. No próximo subitem questiona a aplicação do art. 43 da Lei n° 9.430, de 1996. Salienta que, segundo o art. 87 da referida lei, aludido dispositivo só poderia produzir efeitos a partir de janeiro de 1997. Diz que WI flagrante ofensa ao principio da irretroatividade da lei. Defenda a nulidade do lançamento. A seguir, chama a atenção para a ausência de fundamento legal para a aplicação da multa de mora e dos juros de mora. Aduz que os dispositivos citados não tem relação com os fatos geradores envolvidos. Aduz, ainda, que se há alguma mora ela 4 Processo n° 11453.720001/2011-23 S3-C 1T2 Acórdão n.° 3102-001.585 Fl. 4 se dará apenas a partir do vencimento do prazo para pagamento mencionado no atuo de infração, o qual, afirma, ainda não teria transcorrido, dada a impugnação. Prossegue, reclamando a necessidade de observância dos art. 100 (inc. II), 112 e 146 do CTN e, ainda, do previsto no art. 40 do Decreto n° 70.235, de 1972, que trata da equidade. Diz, ainda, que, sendo inexistente o principal, sentido algum há em se exigir os seus acessórios. No tópico seguinte, diz que a ação rescisória foi proferida com efeitos ex nunc, ou seja, somente seriam devidos os tributos relativos aos fatos geradores ocorridos a partir do transito em julgado da respectiva decisão. Acrescenta, ainda, que o valor principal sequer foi lançado, já que, em DCTF, foi informado valor devido igual a zero; "por isso, não há valor devido; não há débito incontroverso; não há débitos declarados em DCTF; não há crédito tributário constituído em DCTF, relativo ao principal." Finaliza o tópico ressaltando que "não houve autolançamento ern relação ao principal. E, como se verá agora, nem pode mais haver qualquer lançamento porque se operou a decadência." Sustenta, na sequência, a decadência da oportunidade de lançar o principal, diz que lançar para prevenir a decadência é uma obrigação do fisco e que a não realização do lançamento obviamente, a decadência do direito. Questiona o entendimento manifestado pela PGFN no Parecer n°2740/2008, lembra que essa discussão já foi travada em outro processo administrativo (10980.000932/2002-90), já julgado pelo Conselho Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, transcreve jurisprudência e insiste na decadência. Afirma, também, que a decadência atingiu o lançamento da multa de mora e dos juros de mora em questão. Relembra o contido na liminar concedida no mandado de segurança n° 502632745.2011.404.7000 e aduz que "se necessário lançamento de oficio, este deve ser feito, obviamente, enquanto não transcorrido o prazo decadenciaL" Esse prazo, conforme alega, já teria transcorrido totalmente, sendo imperioso, portanto, cancelar o lançamento." O lançamento foi mantido integralmente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. A decisão da DRJ foi assim ementada. "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/08/1995 a 31/12/1996 MORA. CONFIGURA C:4 -0. 5 Estando configurada a situação de mora da contribuinte em recolher débitos de sua responsabilidade, correto o lançamento dos acréscimos legais correspondentes. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO POSTERIOR. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se retroativamente a legislação posterior a ocorrência do fato gerador quando se revelar benéfica a contribuinte. AÇÃO RESCISÓRIA. EFEITOS. A declaração de improcedência da demanda originária, constante da decisão proferida na ação rescisória, substitui, com efeitos retroativos - ex tunc-, a decisão rescindida, assim, todos os efeitos eventualmente decorrentes da decisão rescindida acabam desfeitos desde o inicio. PRÁTICAS REITERADAS DA ADMINISTRAÇÃO. DECISÕES ADMINISTRATIVAS DE 2" INSTÂNCIA. Os simples resultados de alguns julgamentos efetuados no âmbito do antigo Conselho de Contribuintes (2a instância administrativa) não podem ser entendidos como "praticas reiteradamente observadas pela autoridades administrativas" AÇÃO RESCISÓRIA. ALEGAÇÃO DE MUDANÇA DE CRITÉRIO. EFEITOS. ART. 146 DO CTN. Se a decisão judicial realtiva a ação rescisória não traz qualquer alteração nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento (pois não altera a interpretação da norma respectiva) não há que ser falar em sua observância apenas após o respectivo trânsito em julgado. EQUIDADE. VEDAÇÃO DE APLICAÇÃO NO ÂMBITO DAS DRJ. Por falta de previsão legal, é descabida a aplicação da equidade prevista no art. 40 do PAF no âmbito das decisões das DRJ - Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. MULTA E JUROS DE MORA. Cobram-se multa e juros de mora por expressa previsão legal. JUNTADA DE PROVAS DOCUMENTAIS. As provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a peça impugnatória, sob pena de precluscio, salvo exceções taxativamente previstas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Cientificada da decisão a empresa apresentou recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação e trazendo questionamentos quanto a decisão prolatada pela autoridade de primeira instância. Faço a seguir uma breve síntese dos argumentos constantes do recurso voluntário. 6 "? Processo n° 11453.720001/2011-23 S3-C IT2 Acórdao n.° 3102-001.585 Fl. 5 Inicialmente alega-se a improcedência da cobrança da multa e juros de mora, por não serem devidos nos períodos de depósitos judiciais e após o levantamento destes, também não existe a mora em razão da sentença transitada em julgado que garantia a Recorrente o não recolhimento da COFINS sobre as receitas de fornecimento de energia elétrica. Portanto, em não existindo a mora tampouco fato ilícito não há que se falar em cobrança de acréscimos moratórios. Para embasar as suas alegações coleciona posições doutrinárias de diversos autores, tratando da matéria. Afirma a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei n° 9.430/96, utilizada como base legal para cobrança dos acréscimos moratórios, que não era vigente A. época dos fatos geradores constantes do lançamento. 0 art. 87 desta Lei, determina que os seus efeitos seriam aplicados A. partir de janeiro de 1997. Assim, a base legal constante dos autos não poderia ser utilizada para fatos anteriores a esta data. 0 texto constante do artigo 61, § 2°, da Lei n° 9.430/96, determina que a exigência da multa de mora, será devida quando os débitos para com a Unido não forem pagos nos prazos previstos na legislação. Alega a Recorrente a inexistência de fundamento legal da exigência da multa, sob o arrimo que não se aplica ao caso presente, em que decisão judicial the autorizava o depósito judicial em substituição ao pagamento. Essa decisão era norma individual e concreta, especifica para a situação da Recorrente. Não existindo a obrigação de pagar não há que falar em descumprimento de prazo e por consequência em cobrança de multa de mora. A mesma situação aplica-se aos juros moratórios previstos no art. 13, da Lei n° 9.065/95 c/c o art. 84, inciso I, da Lei n° 8.981/95. Os artigos 100, 112 e 146 do Código Tributário Nacional mantém regime jurídico protetor, impedindo que alterações de entendimento, ou dúvidas a respeito da correta aplicação da legislação tributária possam vir a prejudicar o contribuinte. 0 que ocorreu no caso em tela, em razão da interpretação adotada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, em desacordo com a doutrina tributarista, aplicando efeitos retroativos a decisão judicial que somente poderia ter seus efeitos aplicados A. eventos futuros. 0 principio da equidade, previsto no art. 40 do Decreto n° 70.235/72 afastaria integralmente a cobrança de multa e juros, em razão de não existir reincidência, sonegação, fraude ou conluio. Ao contrario, a Recorrente sempre agiu de boa-fé, depositando valores, levantando quando vencedora e voltando a recolher os tributos quando da alteração constitucional, sem jamais faltar a seu dever do pagamento. A ação rescisória, que desconstituiu a sentença que havia transitado em julgado, teria efeito ex nunc. Assim, a Recorrente somente poderia estar em mora em relação a fatos geradores que viessem a ocorrer após o trânsito em julgado da dita ação. Se porém, nas for esse o entendimento, sendo os efeitos da ação ex tune, já não mais existe a possibilidade do lançamento, nem da execução em face da consumação da decadência e da prescrição. Demonstrou-se, na impugnação oferecida A Intimação n° 09/2010 (doc. 02), que a Recorrente não declarou débito nenhum, nem confessou qualquer divida. Declarou, em DCTF, valor devido igual a zero. Se tivesse constituído algum crédito em favor do Fisco, esse crédito seria zero. Por isso, não há valor devido; não há débito incontroverso; não há débitos declarados em DCTF. Os valores constantes da discussão judicial foram lançados na coluna "sub judice", e portanto, a Recorrente não reconheceu a existência de débito algum. 7 Nos casos em que há discussão judicial é obrigação do Fisco proceder ao lançamento com efeito suspensivo para evitar a decadência. Não sendo realizado este lançamento, resta configurada a decadência da oportunidade do Fisco de realizar a exigência tributária. Fato que ocorreu no presente caso. Sem o lançamento, operou-se a decadência em relação ao principal, e, por consequência, também em relação à multa de mora e aos juros de mora. Ocorreu a decadência da oportunidade de lançar os juros e multa de mora, visto a liminar concedida no Mandado de Segurança n° 5026327-45.2011.404.7000, já confirmada por sentença (doc. 07), que sem decidir nada do principal, concluiu em relação multa de mora e aos juros de mora pela imprescindibilidade do lançamento. Assim, diante da necessidade do lançamento de oficio, este deve ser feito enquanto não transcorrido o prazo decadencial, que no caso presente, como visto amplamente, já transcorreu, inviabilizando o lançamento. A partir deste ponto, a Recorrente cita as posições adotados pela autoridade de primeira instância, alegando que os argumentos apresentados na impugnação não foram apreciados da melhor forma e na sua integralidade no Acórdão exarada por aquela autoridade julgadora. E o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. 0 recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Da discussão sobre a decisão da DIU e a falta de enfrentamento dos pontos alegados na impugnação. Inicialmente, cabe manifestação sobre a alegação apresentada pela Recorrente sobre o acórdão exarado pela autoridade de primeira instância, que segundo alegações do Recurso não teria enfrentado todos os argumentos constantes da impugnação. Nesta matéria não assiste razão a Recorrente. Ao julgador cabe o enfrentamento de todas as linhas de defesa presentes no recurso, entretanto, não lhe é obrigado enfrentar todos os argumentos. Sob este prima, a decisão de primeira instancia não se furtou a enfrentar nenhuma das linhas de defesa constantes da impugnação. Alega a Recorrente que por vezes a posição da autoridade a quo, seria lacônica. Entendo não assistir razão ao Recurso. As razões de decidir foram externadas pela autoridade de primeira instância, e quanto a descrição da motivação, independente da extensão do voto estão claramente delineada, demarcando a posição daquela autoridade sob o tema em discussão nos autos. As posições adotadas pela turma da DRJ foram identificadas pela Recorrente, que apresentou os argumentos que julgou pertinentes para ver discutida a decisão. 8 Processo n° 11453.720001/2011-23 S3-C I T2 Acórdão n.° 3102-001.585 Fl. 6 Esta nova discussão sobre os pontos e a decisão da DRJ é inerente ao Recurso Voluntários e será assim analisado. 0 julgamento realizado em primeira instância foi realizado dentro das normas legais e atendeu todos os requisitos previstos na legislação para o julgamento. A autoridade a quo seguiu os ditames legais e ao enfrentar as alegações trazidas na impugnação deixando claro os seus motivos de decidir. A Recorrente não ficou satisfeita com o julgamento prolatado pela autoridade a quo, e protocolou o Recurso Voluntário. No qual rebate as posições adotadas pela autoridade de primeira instância combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, a posição adotada naquele julgamento foi claramente identificada. Ademais. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo Fiscal. Da possibilidade de exigência dos tributos com exigibilidade suspensa, da inconstitucionalidade da exigência e da proteção ao contribuinte prevista nos art. 100, 112 e 146 do CTN Quanto a alegação que a exigência não pode prosperar por não ter sido lavrado o Auto de Infração para prevenir a decadência. Entendo, que a situação lido se aplica ao caso. A exigência para prevenir a decadência incide sobre aquilo que não está constituído. Neste ponto entendo que os débitos referentes a COFINS estavam constituídos. Conforme consta dos Autos as DCTF entregues pela Recorrente informavam que os valores estavam sub judice, ou seja, existia o valor devido que encontrava-se em discussão judicial. Portanto ali já foi constituído o crédito tributário. Neste mesmo sentido, se não fosse considerado a constituição do crédito com a DCTF, mesmo assim, existiu o depósito judicial por parte da Recorrente, o que também configura a constituição do crédito tributário. Posição adotada pelo STJ, no julgamento do REsp 898.992, de Relatoria do Ministro Castro Meira. Transcrevo abaixo a ementa da decisão. "PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ART. 151, II, DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONVERSÃO EM RENDA. DECADÊNCIA. 1. Com o depósito do montante integral tem-se verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Se a Fazenda aceita como integral o depósito, para fins de suspensão da exigibilidade do crédito, aquiesceu expressa ou tacitamente com o valor indicado 9 pelo contribuinte, o que equivale a homologação fiscal prevista no art. 150, ,¢ 40, do CTN. 2. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontra-se constituído o crédito tributário, razão pela qual não há mais falar no transcurso do prazo decadencial nem na necessidade de lançamento de oficio das importâncias depositadas. 3. "No lançamento por homologação, o contribuinte, ocorrido o fato gerador, deve calcular e recolher o montante devido, independente de provocação. Se, em vez de efetuar o recolhimento simplesmente, resolve questionar judicialmente a obrigação tributária, efetuando o depósito, este faz as vezes do recolhimento, sujeito, porém, a decisão final transitada em julgado. Não ha que se dizer que o decurso do prazo decadencial, durante a demanda, extinga o crédito tributário, implicando a perda superveniente do objeto da demanda e o direito ao levantamento do depósito. Tal conclusão seria equivocada, pois o depósito, que é predestinado legalmente a conversão em caso de improcedência da demanda, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, equipara-se ao pagamento no que diz respeito ao cumprimento das obrigações do contribuinte, sendo que o decurso do tempo sem lançamento de oficio pela autoridade implica lançamento tácito no montante exato do depósito" (Leandro Paulsen, "Direito Tributário", Livraria do Advogado, 7 0 ed, p. 1227). 4. Embargos de divergência não providos." Alega a Recorrente que a matéria foi objeto de discussão em outras oportunidades por parte deste Conselho, nos processos administrativos n° 11516.002814/2004- 27, 13855.000239/2001-60, 10980.000932/2002-90, que decidiram pela procedência do lançamento dos acréscimos moratórios com efeito suspensivo. Entendo não assistir razão ao recurso. A decisão prolatada naquele acórdão não tem o condão de obrigar que novas decisões, tratando da mesma matéria, tenham o mesmo entendimento. A convicção do julgador é livre, e em que pese, a existência de outras decisões tratando da mesma matéria dentro do CARF, tal fato não obriga o julgador a ter o mesmo entendimento. Em existindo decisões divergentes, cabe a Recorrente utilizar dos instrumentos recursais pertinentes para ver reexaminada a sua demanda. Consta do recuso que o lançamento ofenderia a proteção ao contribuinte prevista nos artigos 100, 112 e 146 do Código Tributário Nacional. Os artigos do CTN em comento estão transcritos abaixo. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as praticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; , 10 Processo n° 11453.720001/2011-23 83-C1T2 Acórdão n.° 3102-001.585 Fl. 7 IV - os convênios que entre si celebrem a Unido, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I - â capitulação legal do fato; ii - a natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou a natureza ou extensão dos seus efeitos; iii - a autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV- a natureza da penalidade aplicável, ou a sua graduação. Art. 146. A modificaçâ'o introduzida, de oficio ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente a sua introdução." Os artigos citados do CTN montam um arcabouço de preceitos que protegem os contribuintes de atos ilegais por parte da Administração Tributária. Todavia, entendo, que nenhum dos preceitos que constam dos artigos foi ofendido com o lançamento, que a priori, nasceu de uma determinação judicial, para que o contribuinte tivesse analisado as suas razões contra a cobrança de multa de mora e juros de mora, nos ritos previstos no Decreto no 70.235/72. O lançamento foi realizado dentre da legalidade, a discussão sobre a procedência do lançamento e inerente ao julgamento administrativo e as ofensas aos artigos citados precisam ser amparadas com argumento, que estão sendo discutidos nesta peça processual. Alegações genéricas quanto a ofensa a princípios não podem ser analisadas no julgamento é necessário a indicação precisa do fato que entende a Recorrente macular o lançamento para que dele possa se manifestar o julgador. Quanto às discussões da retroatividade aplicada pela DRF Curitiba ao determinar o Recolhimento. Tal matéria esta sendo discutida neste voto e será objeto de manifestação em diferentes momentos quando da discussão sobre os pontos controversos trazidos no recurso pela Recorrente. 11 Portanto, a simples alegações genéricas de ofensa a artigos do CTN não podem ser analisadas, àquelas que foram claramente identificadas estão sendo objeto de manifestação neste voto. Da exigência da COFINS e dos acréscimos moratórios e da posição adotada pela Superintendência da Receita Federal da 9' Região em exigir por meio de lançamento de oficio a multa de mora e o juro moratório. Afastada as questões preliminares, enfrentemos mérito do lançamento. Aqui vale a ressalva quanto ao lançamento de forma isolada, unicamente para exigência da multa e do juro de mora. não se discutindo o principal, a COFINS incidente sobre o fornecimento de energia elétrica. Matéria que não será aqui abordada em razão da sua cobrança em procedimento distinto. Inicialmente, um breve histórico, dos fatos que originaram a discussão judicial em comento. Após a sentença na ação rescisória n° 2000.04.01.100266-9/PR que desconstituiu a sentença prolatada no Mandado de Segurança n° 95.00.11037-7/PR. A Recorrente por meio da Intimação n° 09/2010, foi intimada a Recolher os valores referentes a COFINS incidente sobre as receitas referentes a fornecimento de energia elétrica referente ao período de agosto de 1995 a dezembro de 1996. com a multa de mora e o juros moratórios. Inconformada, a Recorrente protocolou impugnação, questionando a exigência prevista na Intimação n° 09/2010 e em seguida impetrou o Mandado de Segurança n° 5026327- 45.2010.404.7000, pleiteando o direito a impugnar a exigência nos termos do art. 15 do Decreto n° 70.235/72. Foi deferida a liminar, decidindo ser necessário o lançamento dos acréscimos moratórios, abrindo a possibilidade da impugnação deste lançamento e a sua apreciação nos ritos do Processo Administrativo Fiscal. Assim foi detalhada a parte final da decisão judicial. "A jurisprudência é uniforme quanto à necessidade de lançamento no caso de contribuinte jc't ter apurado o montante devido, tornando dispensável a prática atos tendentes a verificar o quantum do tributo. Relativamente aos acréscimos, juros de mora e multa que a autoridade fazenddria fez incidir no curso da ação mandamental quando pendente depósito judicial, entretanto, é imprescindível o lançamento, ato necessário para dar suporte a diferença verificada. Evidenciada eventual discrepância entre o valor declarado e o apurado pelo arrecadaste, ocorre a obrigatoriedade de posterior lançamento da diferença averiguada, sob pena de infringencia ao disposto no art. 142 do CTN. Dai a necessidade de se abrir a oportunidade para que o contribuinte possa impugnar as diferenças apontadas, antes que o débito seja enviado para inscrição em divida ativa. 12 Processo n° 11453.720001/2011-23 S3-C 1T2 Acórdão n.° 3102-001.585 Fl. 8 Ante o exposto, defiro o pedido liminar, para o fim de atribuir efeito suspensivo ã impugnação apresentada pela impetrante, relativa a intimação n°09/2010." Na análise, da impugnação e considerando a decisão no Mandado de Segurança n° 5026327-45.2010.404.7000. 0 Superintendente da 9a Regido Fiscal decidiu quanto ao principal, pela exigência da COFINS por meio de cobrança imediata e quanto a multa e os juros de mora pelo lançamento de oficio, oportunizando a impugnação nos ritos do Decreto n° 70.235/72. Da decisão extraio o trecho abaixo, que detalha as razões de decidir daquela autoridade. "39. Além dessas questões que foram aqui enfrentadas, o contribuinte também se manifesta sobre a cobrança de juros e de multa moratórios. Ocorre, entretanto, que a discussão dessa matéria deverá ser feita em outro âmbito administrativo. Com efeito, conforme foi noticiado no relatório, a exigência feita através da intimação n° 09/2010 foi objeto de mandado de segurança (Processo n° 5026327-45.2010.404.7000), no qual foi proferida decisão liminar em que a autoridade judicial determina que não é necessário o "lançamento no caso de o contribuinte já ter apurado o montante devido", mas, em relação aos acréscimos de juros e multa "é imprescindível o lançamento, ato necessário para dar suporte a diferença verificada". E prossegue essa autoridade em termos que merecem ser novamente transcritos: 40. Essa decisão determina, com meridiana clareza, que os valores já apurados pelo próprio contribuinte não precisam ser lançados, mas que a diferença entre o valor por ele apurado e o atualmente cobrado deve ser objeto de lançamento de oficio, dando-lhe oportunidade de impugnação. O contribuinte poderá impugnar "as diferenças apontadas". 41. Portanto, seguindo a ordem judicial, a autoridade que jurisdiciona o domicilio do contribuinte deverá promover o lançamento de oficio, procedimento que tem amparo no seguinte dispositivo legal: "Lei n° 9.430, de 1996 Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Auto de infração sem Tributo Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. 13 Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados il taxa a que se refere o ,sg. 3° do art. 50, a partir do primeiro dia do Mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." 42. Registre-se novamente que a autoridade judicial limitou a necessidade de lançamento e de contraditório as diferenças apontadas, ou seja, juros e multa moratórios. Em consequência, em relação ao valor reconhecido como incontroverso, que corresponde ao principal, poderá ser promovida sua cobrança imediata." 0 Auto de Infração, apesar de tratar de matéria diversa ou seja, os acréscimos moratórios, tem influência direta do principal exigido. Portanto, em que pese as conexões da cobrança do principal e dos juros moratório, não será discutido neste acórdão a exigência da principal referente COFINS, que por força da decisão judicial e da posição adotada pela Superintendência da Receita Federal na 9' Regido, esta sendo exigido em procedimento diverso. Da utilização de base legal para exigência da multa de mora e dos juros moratórios, com vigência posterior ao fato gerador. Consta do Recurso Voluntário, questionamento acerca da aplicação retroativa da Lei n° 9.430/96 utilizada como base legal para cobrança dos acréscimos moratórios, em razão de não ser vigente 6. época dos fatos geradores do lançamento. 0 art. 87 desta Lei, determina que os efeitos da norma incidiriam a partir de janeiro de 1997. Assim, a base legal constante dos autos não poderia ser aplicada a fatos anteriores a sua vigência. A mesma situação, segundo a Recorrente, aplica-se aos juros moratórios previstos no art. 13, da Lei n° 9.065/95 c/c o art. 84, inciso I, da Lei n° 8.981/95. A cobrança da multa de mora A. época do fato gerador da COFINS em discussão nos autos estava prevista no art. 84, inciso II, da Lei n° 8.981/95. "Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I - juros de mora, equivalentes a taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa a Divida Mobiliária Federal Interna; II- multa de mora aplicada da seguinte forma: 14 Processo n° 11453.720001/2011-23 S3-C1T2 Acórdão n°3102-001.585 Fl. 9 a) dez por cento, se o pagamento se verificar no próprio mês do vencimento; b) vinte por cento, quando o pagamento ocorrer no mês seguinte ao do vencimento; c) trinta por cento, quando o pagamento for efetuado a partir do segundo mês subsequente ao do vencimento. § 1° Os juros de mora incidirão a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento, e a multa de mora, a partir do primeiro dia após o vencimento do débito. § 2° 0 percentual dos juros de mora relativo ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado será de 1%. § 3° Em nenhuma hipótese os juros de mora previstos no inciso I, deste artigo, poderão ser inferiores a taxa de juros estabelecida no § 4° Os juros de mora de que trata o inciso I, deste artigo, serão aplicados também às contribuições sociais arrecadadas pelo INSS e aos débitos para com o patrimônio imobiliário, quando não recolhidos nos prazos previstos na legislação especifica. § 5° Em relação aos débitos referidos no art. 5° desta lei incidirão, a partir de 1° de janeiro de 1995, juros de mora de um por cento ao mês-calendário ou fração. 5S 6° 0 disposto no § 2° aplica-se, inclusive, às hipóteses de pagamento parcelado de tributos e contribuições sociais, previstos nesta lei. §s 7°A Secretaria do Tesouro Nacional divulgará mensalmente a taxa a que se refere o inciso I deste artigo. § 0 disposto neste artigo aplica-se aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Divida Ativa da Unido seja de competência da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional." Posteriormente tratando da multa moratória sobreveio o art. 61 da Lei no 9.430/96. "Art. 61. Os débitos para com a Unido, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada el taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1 0 A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. 09/ 15 § 2 0 0 percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3 0 Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados el taxa a que se refere o § 3° do art. 5 0, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." A legislação tributária de forma precipua trata da vigência das leis, sempre corn visão de aplicação futura, ou seja, a eficácia da lei se faz sentir a partir da sua existência no mundo jurídico. Entretanto, em algumas situações quis o legislador criar exceções a regra geral, atribuindo a legislação tributária, o que se convencionou chamar de retroatividade benigna, as exceções estão previstas no artigo 106 do CTN. "Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo corno infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática" No caso em tela, apesar do fato gerador da multa ora em discussão, ter ocorrido em data anterior à edição da Lei n° 9.430/96, obedecendo à alínea "c", do inciso II, do art. 106 do CTN, aplica-se penalidade menos gravosa. Na nova sistemática, a multa de mora que era exigida no percentual de 30% (trinta por cento), passou a ser exigida com a nova Lei, no valor de 20% (vinte por cento). A simples observação dos dois diplomas legais, verifica-se o tratamento benéfico que foi dado aos contribuintes. Não é uma opção da Administração Tributária optar por qual instituto legal fará a exigência da multa de mora. 0 CTN é claro ao determinar a aplicação da lei mais benéfica. Posição que foi adotado no lançamento. Portanto, não merece reparo a base legal utilizada para cobrança da multa de mora no Auto de Infração. Quanto aos questionamentos dos juros moratórios, estes incidem sobre o crédito tributário não integralmente pago, no intuito de corrigir os valores devidos, sem se configurar em penalidade. A previsão para a cobrança dos juros de mora consta do art. 161 do Código Tributário Nacional. 16 Processo n° 11453.720001/2011-23 S3-CIT2 Acórdao n°3102-001.585 Fl. 10 "Art. 161. 0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. sS 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados et taxa de um por cento ao mês. 5S 2 0 0 disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito." Depreende-se da leitura do § 1° que a cobrança de um por cento fica afastada no caso de lei dispuser de modo diverso. No caso em análise, a legislação trouxe novos valores de cobrança, em substituição àquele original, que vem a ser o art. 2° do Decreto-Lei 1.736/79, alterado pelo artigo 16 do Decreto-Lei 2.323/87 com redação dada pelo artigo 6° do Decreto- Lei 2.33187 e art. 54 parágrafo 2° da Lei 8.383/91. Posteriormente, foi editado a Lei n° 9.065/95, que no seu art. 13, deixou claro a cobrança dos juros com utilização da taxa SELIC. "Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei n°8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6° da Lei n° 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n° 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei n° 8.981, de 1995, serão equivalentes a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custodia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente." "Súmula CARF n° 4 A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". Confirmando o entendimento da procedência da utilização da taxa SELIC e a cobrança de juros de mora sobre os débitos com exigibilidade suspensa 0 CARF editou as sumulas n° 4 e 5, publicadas no DOU de 22/12/2009. "Súmula CARF n° 5 Sao devidos os juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." 17 Portanto, a cobrança dos juros moratórios utilizando a taxa SELIC é matéria já sumulada e de aplicação obrigatória nos julgamentos deste colegiada. A base legal constante do Auto de Infração lista o art. 161 do CTN, o art. 13 da Lei n° 9.065/1995 e o art. 43, da Lei n° 9.430/96. Todos de acordo com a norma vigente, não existindo nenhum reparo a fazer no Auto de Infração quanto a esta matéria.,, Da possibilidade da exigência da multa e juros de mora para os lançamentos de oficio, para fatos geradores anteriores a edição da Lei n° 9.430/96. Insurge a Recorrente, quanto a exigência da multa de mora e dos juros moratórios, em lançamento de oficio, por entender que não existia a possibilidade desta exigência para fatos geradores, anteriores a edição da Lei n° 9.430/96. Os acréscimos moratórios têm como finalidade , restituir a Fazenda Pública, do atraso do contribuinte em atender a sua obrigação tributária. A exigência dos acréscimos moratórios busca restituir aos cofres públicos os prejuízos causados ao Estado em razão do atraso no cumprimento das obrigações tributárias. As exigências moratória não se confundem com as multas de caráter punitivo exigidas de oficio pelos agentes fiscais. A multa moratória, por sua natureza geral, recai sobre os recolhimentos espontâneos do contribuinte. Outra características dos acréscimos moratórios é a sua ligação umbilical ao principal, ou seja, não existe acréscimos moratórios que não estejam ligados ao descumprimento de uma obrigação principal. 0 que ocorre em determinas situações é a exigência apartada do principal, e a cobrança dos acréscimos moratórios em outro instrumento de exigência fiscal. A possibilidade da formalização da exigência da multa e dos juros de mora de forma isolada, veio com o art. 43 da Lei n° 9.430/96. "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados a taxa a que se refere o ,¢ 3° do art. 50, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." No caso em tela, a exigência dos acréscimos moratórios ocorre apartada da cobrança do principal. A exigência de forma isolada foi adotada na decisão do Superintente da Receita Federal do Brasil na 9' Região, em cumprimento a decisão do Mandado de Segurança n° 5026327-45.2010.404.7000. A discussão sobre a possibilidade de discussão desta exigência nos termos do Decreto-Lei n° 70.235 ficou superada em razão da decisão da liminar judicial, , 18 Processo n° 11453.720001/2011-23 S3-C I T2 Acórdão n.° 3102-001.585 Fl. 11 que determinou a apreciação da manifestação de inconformidade apresentada nos ritos do PAF. Esta discussão somente seria possível com o lançamento isolado dos acréscimos morat6rios. A renúncia às discussões nos tribunais administrativos, de matéria submetida ao poder judiciário, visa evitar decisões divergentes, diante do principio da unidade de jurisdição prevalente no Pais em que decisões judiciais são soberanas. Este entendimento foi objeto da Súmula n° 1 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009. "Súmula CARF n° 1 Importa renúncia as instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Portanto, todas as alegações constantes do Recurso em relação a exigência da multa de mora e dos juros moratórios por meio de lançamento, fica superada em razão da decisão constante Mandado de Segurança n° 5026327-45.2010.404.7000. Da decadência do lançamento Conforme já detalhado, a cobrança de acréscimos moratórios não necessita do lançamento de oficio. A cobrança de juros, independe de constituição do crédito por parte da Administração Tributária. Lança-se o principal e o montante dos acréscimos moratórios, tanto a multa quanto juros, vão ocorrer em função do tempo da mora, não existindo lançamento complementar para que juro e multa possam ser exigíveis. A depender do atraso no pagamento do principal, incidem os acréscimos moratórios em valor diretamente ligado ao prazo, portanto, não há que se falar em lançamento para exigência da multa e dos juros moratórios. Entretanto, no processo administrativo in casu, foram exigidos a multa e os juros moratórios por meio de lançamento isolado, em obediência a decisão prolatada no Mandado de Segurança n° 5026327-45.2010.404.7000. Conforme a análise apresentada na informação/parecer emitido pelo Superintendente da 9 ° Região Fiscal da Receita Federal. Há de se verificar, conforme consta dos autos, que não foi essa a opção primeira da administração tributária, que por meio da Intimação 09/2010 exigiu da Recorrente o recolhimentos do principal e dos acréscimos morat6rios. Impugnada a exigência, foi decidido administrativamente, por força da ação judicial, realizar a cobrança em separado dos valores , referentes ao principal e a exigência dos acréscimos morat6rios. A decisão de realizar a cobrança por meio de Auto de Infração, nasceu da sentença judicial, que determinou a 19 discussão dos acréscimos moratórios nos ritos do Decreto no 70.235/72. No intuito de cumprir a exigência, foi realizado o lançamento dos acréscimos moratórios, que apesar de sua constituição normal, seguindo todas as características previstas no art. 10 do Decreto 70.25/72, não teve o caráter normal de um lançamento de oficio, mas um lançamento excepcional, advindo da necessidade de cumprir as determinação constantes da sentença judicial. Portanto, não há que se falar em decadência da exigência, que conforme dito alhures, nasceu de uma formalização, necessária para a discussão da cobrança nos ritos do Decreto n° 70.235/72. Entretanto, mesmo que esta posição fosse afastada no julgamento deste colegiado. Ainda assim, a decadência não iria socorrer a Recorrente para afastar a exigência. Como é cediço, a decadência é instituto previsto no Código Tributário Nacional em dois artigos específicos em que o prazo para a constituição do crédito tributário é de 5 (cinco) anos, contados a partir da data do fato gerador, caso tenha ocorrido antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 40 do CTN ou nos outros casos tendo como dies a quo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN. A decisão sobre o prazo inicial a ser utilizado, parte da análise da possibilidade da administração exigir a multa de mora e os juros de mora antes da sentença final da ação rescisória, proposta pela União. Em que pese o fato da possibilidade da exigência de tributos com a exigibilidade suspensa, se não lançado durante o período de discussão da ação rescisória, nada obsta que o lançamento possa ocorrer após o transito em julgado da ação rescisória, já que a ação rescindida quando deste período ainda era vigente e exarava seus efeitos impedindo a cobrança da COFINS sobre as receitas com o fornecimento de energia elétrica. Com estes esclarecimentos, considero que o prazo de 5 (cinco) anos para lançamento das contribuições e dos acréscimos morat6rios, contar-se-ia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu o transito em julgado da ação rescisória, conforme previsto no art. 173, inciso I do CTN. Da ação rescisória Conforme já relatado, a exigência da COFINS sobre as receitas de fornecimento de energia elétrica, foi afastada por determinação da decisão obtida pela Recorrente no Mandado de Segurança n° 95.00.11037-7/PR. Inconformada, a Unido ajuizou ação rescisória, que teve sentença favorável, desconstituindo a sentença prolatada no Mandado de Segurança, tornando exigível a COFINS. A ação rescisória está prevista no art. 485 do CPC. "Art. 485. A sentença de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: 0/' 20 Processo no 11453.720001/2011-23 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-001.585 Fl. 12 I - se verificar que foi dada por prevaricação, concussão ou corrupção do juiz; II - proferida por juiz impedido ou absolutamente incompetente; III - resultar de dolo da parte vencedora em detrimento da parte vencida, ou de colusão entre as partes, afim de fraudar a lei; IV - ofender a coisa julgada; V - violar literal disposição de lei; VI - se fundar em prova, cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal ou seja provada na própria ação rescisória; VII - depois da sentença, o autor obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar pronunciamento favorável; VIII - houver fundamento para invalidar confissão, desistência ou transação, em que se baseou a sentença; IX -fundada em erro de fato, resultante de atos ou de documentos da causa; ,sç 1Há erro, quando a sentença admitir um fato inexistente, ou quando considerar inexistente um fato efetivamente ocorrido. ,¢ 20 É indispensável, num como noutro caso, que não tenha havido controvérsia, nem pronunciamento judicial sobre o fato." A sentença, tal como ocorre com qualquer ato jurídico, pode conter um vicio ou uma nulidade. Seria iniquidade privar o interessado de um remédio para sanar o prejuízo sofrido. E por isso que a ordem jurídica não deixa esse mal sem terapêutica. (Teodoro Júnior, Humberto, Curso de Direito Processual Civil, 41a ed., Rio de janeiro, Forense, 2004, pg. 611). Para o bom conhecimento da questão, transcrevo trecho extraído do relatório emitido pela Seção de Acompanhamento de Ações Judiciais da DRF Curitiba, que detalha todo o histórico da ação rescisória. "A citada de ação, com trâmite na sua fase de conhecimento perante o Egrégio Tribunal Regional Federal de 4" Regido, foi interposta pela unido Federal, em 04/08/2000, contra a Companhia Paranaense de Energia - COPEL, com fundamento no inciso V do art. 485, do CPC, pretendendo a rescisão de acórdão da citada primeira Turma que, na apelação do mandado de segurança 97.04.08580-0/PR, reconheceu a não incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS sobre o faturarnento decorrente das operações de venda de energia elétrica diante da imunidade tributária prevista no art. 155, 5S' 3° da Constituição Federal, afastando a aplicação do art. 1°e 20 da Lei Complementar n° 70/91. Em 07-08-2003, esta 1' Seção, ao julgar a presente rescisória (AR n° 2000.04.01.100266-9?RS), Rel. Des. Federal Joao 21 Surreaux Chagas, por maioria, rejeitou a preliminar de decadência e julgou procedente a ação rescisória, entendendo constitucional a exigência da COFINS incidente sobre o faturamento das empresas distribuidoras de energia elétrica (lis. 719/720). Ocorre que a la Seção deste Tribunal, em sessão datada de 02- 06-2005, nos autos dos Embargos Infi-ingentes em AR n° 2000.04.01.100266-9/RS, Relator Des. Federal Álvaro Eduardo Junqueira, embargante COPEL e embargada a Fazenda Nacional, por maioria, deu provimento aos embargos infi-ingentes para acolher a preliminar de decadência do direito a propositura da ação rescisória, em acórdão assim ementado (DJU 03-08-05) ui 807- 3° volume): "EMBARGOS INFRINGENTES. AÇÃO RESCISÓRIA. PRAXO DECADENCIA L. CITA CÃO. 1. De acordo com a sistemática estabelecida pelo Código de Processo Civil, o prazo decadencial de dois anos, para a propositura da ação rescisória (art. 495 do CPC), conta-se a partir do trânsito em julgado da decisão rescindenda ate a efetiva citação da parte ré. 2. No caso dos autos, a demora na citação não pode ser atribuida â máquina judiciária. 3. Embargos infringentes providos para acolher a preliminar de decadência do direito a propositura da ação rescisória." Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, o qual foi processado, prevalecendo, com o trânsito em julgado (ft. 1233 - 5 0 volume), o acórdão do Superior Tribunal de Justiça - STJ que afastou a decadência, consoante a seguinte ementa, proferida nos Edcl no AgRg no Recurso Especial n° 855.687/RS, Relator MM. Francisco Falcão (fl. 953 - 4 0 volume): "AÇÃO RESCISÓRIA. DECADÊNCIA. AFASTAMENTO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO EXISTENTE. I - Observada a falta de citação do réu, impositivo tem-se a prorrogação do prazo, conforme o artigo 219, ,¢ 30, do CPC, o que implica na tempestividade da ação rescisória ajuizada. II - Verificada a omissão devem ser acolhidos os embargos de declaração para dar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos ao Tribunal quo para, III - embargos acolhidos" Destarte, os autos retornaram ao TRF da 40 Região do STJ para que se prosseguisse no julgamento da presente ação rescisória, no que diz respeito ao respectivo mérito, levando-se em conta o afastamento da preliminar de decadência, de modo que foram este redistribuidos ao respectivo Relator em 19-05-2010. Por fim, a ação rescisória foi acolhida para desconstituir o Acórdão proferido no julgamento do MS rescindendo, no sentido de considerar constitucional a exigência da Cofins incidente 22 / Processo n° 11453.720001/2011-23 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-001.585 Fl. 13 sobre ao faturamento das empresas distribuidoras de energia elétrica. Desta forma, a ação transitou em julgado, em 30/08/2010." A Sentença da ação rescisória, desconstituiu a sentença prolatada no Mandado de Segurança 97.04.08580-0/PR, tornando exigível a COF1NS sobre as receitas de fornecimento de energia elétrica para o período de agosto de 1995 a dezembro de 1996. A discussão que ainda permanece são os efeitos da desconstituição e que mormente é o cerne da presente lide. A discussão sobre a legalidade da exigência dos acréscimos moratórios já foi discutido nesta peça. Incidem sobre os recolhimentos realizados a destempo das obrigações tributárias. Por definição, os acréscimos moratórios nascem com o não recolhimento no prazo previsto do tributo. A questão dos efeitos da desconstituição de ação transitada em julgado, por força de ação rescisória, ainda é matéria escassa no mundo jurídico e ainda não foi suficientemente enfrentada no que tange aos efeitos tributários, tanto na esfera do poder judiciários quanto em tribunais administrativas. As dificuldades são muitas e dentre elas esta o fato que sentenciada na ação rescisória a desconstituição da ação mandamental, não há como se valer dela para tratar efeitos, pois a desconstituição é afastar por completo a sua aplicação e quanto a esta questão a doutrina é convergente. A ação rescindida deixa de produzir efeitos no mundo jurídico. Entretanto, em que pese a sua desconstituição, não há como fugir do fato que a ação rescindida transitou em julgado e assim, não era suscetível de reforma por meio de recursos, tornando-se imutável dentro do processo. A coisa julgada formal representou a preclusdo máxima, ou seja, a extinção do direito ao processo. 1 Nessa dicotomia entre a função da ação rescisória de desconstituir a coisa julgada e a situação da própria coisa julgada que não permite revisão dentro do processo em que foi sentenciada, leva a conclusão que a rescisória não é recurso dentro do processo da ação rescindida. t ação que se presta a rever processo com a sentença transitada em julgado, sendo admitida em situações excepcionais, tratadas no CPC de forma exaustiva. A ação rescisória é ação judicial nova, não se configurando em uma ação recursal sobre a ação que visa rediscutir. No presente processo, a ação rescisória que aqui se discute foi conhecida e julgada pela autoridade competente, não cabendo discussão quanto ao mérito da sua admissibilidade. Mas, ao dar razão a Fazenda, acabou por rediscutir o mérito e fez coisa julgada inovadora. 0 que buscava a Fazenda Pública era ver garantido o seu direito de exigir a COFINS sobre as receitas de fornecimento de energia elétrica, que por força da sentença prolatada na ação rescindida, estava afastada. I Araujo Cintra, Antônio Carlos, Grinover, Ada Pellegrini. Dinamarco, Cândido Rangel - Teoria Geral do Processo, 19 ed., São Paulo, Malheiros. 2003. p. 306. 23 7 Diante destes fatos, para resolver a lide, entendo que o melhor caminho é trabalhar a ação rescisória, que apesar de na sua aparência externa tratar da desconsideração de ato jurídico transitado em julgado, tem como inteligência, a discussão a incidência da COFINS sobre as receitas referentes ao fornecimento de energia elétrica. Na busca do melhor entendimento da Ação Rescisória, transcrevo os comentários sobre as classificações das ações e dos processos, e em especial da sentença constitutiva, definidas por Araujo Cintra, Ada Pelegrini e Dinamarco, na obra clássica Teoria Geral do Processo. "De acordo com a natureza do provimento pedido, temos em primeiro lugar a ação de conhecimento, em contraposição a ação executiva. A primeira visa ao provimento de mérito (julgamento da causa), a segunda ao provimento satisfativo; a primeira dá causa a um processo de conhecimento, a segunda ao de execução. Por sua vez, subdividem-se as ações de conhecimento da mesma forma como se subdividem os provimentos cognitivos (sentenças de mérito): meramente declaratória, constitutivas e condenatórias. (Araujo Cintra, Antônio Carlos, Grinover, Ada Pellegrini. Dinamarco, Cândido Rangel - Teoria Geral do Processo, 19" ed., Selo Paulo, Malheiros. 2003. P. 265. Como já vimos, levando em conta a diversidade dos provimentos jurisdicionais a que o exercício da ação pode conduzir, costuma a doutrina apresentar uma classificação das ações de acordo com o provimento que constitui o pedido. E, como o instrumento através do qual a jurisdição atua é o processo, também este toma nomes distintos, a vista da natureza do provimento jurisdicional a que tende: processo de conhecimento, processo de execução e processo cautelar. (p. 301) Pelo processo constitutivo chega-se el declaração peculiar a todas as sentenças de mérito (provimento jzirisdicionais de conhecimento), com o acréscimo da modificação de uma situação jurídica anterior, criando-se uma nova. Chama-se, pois, processo constitutivo aquele visa a um provimento juri.vdicional que constitua, modifique ou extingue uma relação ou situação jurídica. E para que proceda à constituição, a modificação ou a desconstituição, é mister que antes a sentença declare que ocorrem as condições legais que autorizam a isso" (Araujo Cintra, Antônio Carlos, Grinover, Ada Pellegrini. Dinamarco, Cândido Rangel - Teoria Geral do Processo, 19° ed., Silo Paulo, Malheiros. 2003. p. 304/305.) Tratando da classificação da Ação Rescisória, esclarece Humberto Teodoro Júnior, citando Bueno Vidigal e Amaral Santos. "A ação rescisória é tecnicamente ação, portanto. visa a rescindir, a romper, a cindir a sentença como ato jurídico viciado" e prossegue "hoje, não se pode mais pôr em dúvida que a rescisória é ação tendente a sentença constitutiva" 2• 2 Teodoro Júnior, Humberto - Curso de Direito Processual Civil. 41' ed. v. I. Rio de Janeiro. Forense. 2004. p. 612. 24 Processo n° 11453.720001/2011-23 S3-CIT2 Fl. 14 Acórdão n.° 3102-001.585 Com estes ensinamentos é possível caracterizar a ação rescisória, como sentença de conhecimento, que busca desconstituir um fato jurídico determinado por força de uma sentença transitada em julgado. Seria assim, uma sentença constitutiva negativa. Delineada a característica da ação rescisória como constitutiva negativa é necessário fazer uma observação bastante relevante na discussão sobre os efeitos da sentença. No caso em estudo, em que pese a situação da sentença em constitutiva negativa, a sentença acaba por ter efeitos declaratórios, pois, ao desconstituir a ação mandamental que determinava o não recolhimento da COFINS sobre as receitas de energia elétrica, deixou claro que estas receitas compõe a base de cálculo sobre a qual incide as contribuições. Assim a Fazenda Pública pode exigir os valores das contribuições sobre esta receita. A possibilidade de ação constitutiva possuir caráter declaratório é levantado por Araujo Cintra, Ada Pelegrini e Dinamarco, que ao detalhar o efeito da sentença constitutiva, a luz do CPC,lecionam. "Outro aspecto importante relativo ao processo de conhecimento é o que consistem em determinar se a sentença produz efeitos jurídicos para o futuro (ex nunc), ou se, ao contrario, pode reportar-se ao passado (ex tunc). 0 fato de as vezes a sentença atingir situações anteriores a ela própria (CC, art. 158) não significa, todavia,que seja retroativa. Ao contrário, a sentença tem efeitos retardados em relação a possibilidade de autotutela imediata e é para corrigir esse retardamento que pode ter efeitos ex tune. A regra geral é que as sentenças condenatórias e declaratórias produzem efeitos ex tune, enquanto a constitutiva s6 produz efeitos para o futuro. Excepcionalmente, porém, a sentença condenatória pode ter efeitos ex nunc (como na ação de despejo, cuja sentença não projeta efeitos pretéritos) e, ainda excepcionalmente, algumas constitutivas têm efeitos reportados a data da propositura (v.g, ação para a rescisão de contrato por inadimplemento)." 3 Entendo, que a ação rescisória, ern discussão no presente processo, pelas suas características, possui efeitos complexos, reportando-se em determinadas situação a partir do trânsito em julgado, em outros aspectos efeitos ex nunc e ainda em outros, efeitos a partir da data da propositura. Da ação rescisória e a multa de mora. No presente processo, conforma já descrito não foram identificadas normas especificas tratando da matéria que pudessem indicar soluções para a lide. Por mais dificil que se apresente a demanda, não pode o julgador, olvidar de emitir a sua decisão. E seu dever se manifestar sobre a demanda e na ausência de disposição expressa, o Código Tributário Nacional prevendo tal situação, apresenta no seu art. 108 caminhos a serem seguidos. 3 Araujo Cintra, Antônio Carlos, Grinover, Ada Pellegrini. Dinamarco, Cândido Range] - Teoria Geral do Processo, l9 ed., Sao Paulo, Malheiros. 2003. p. 306. 25 "Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I - a analogia; - os princípios gerais de direito tributário; III - os princípios gerais de direito público; IV - a eqüidade. 5S' 1° 0 emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em sS' 200 emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido" Para analisar a multa de mora, utilizando da analogia permitida pelo CTN há de se buscar as normas mais próximas dos fatos identificados nos autos. No presente processo está-se diante de uma demanda judicial, que questiona a impossibilidade da exigência da COFINS por parte da Fazenda Pública. Tal fato se assemelha ao tratamento dado as demandas judiciais patrocinadas pelo contribuinte, que contesta a exigência de tributos por parte do Fisco. A cerne da lide nestes casos é o embasamento legal para a exigência fiscal. Na ação rescisória promovida pela Fazenda Pública é discutida a constitucionalidade da exigência da COFINS. A diferença desta demanda para àquelas outras patrocinadas pelo Contribuinte é o autor da ação, que neste caso é a União. A rescindibilidade, decidida na ação rescisória, nos termos do art. 485, não se confunde com a nulidade da sentença. A rescisória, portanto, não supõe sentença nula, mas ao contrário, sentença válida, que tenha produzido a coisa julgada. 4 . Se a sentença rescindida teve seus efeitos no mundo jurídico, enquanto não desconstituida, afastou a exigência da COFINS sobre as receitas com fornecimento de energia elétrica e a multa de mora é devida quando do pagamento em atraso da obrigação tributária. No caso em tela, a Recorrente somente passou a ser devedora efetivamente da obrigação tributária, com a sentença transitada em julgado na ação rescisória. Quanto ao prazo para o pagamento da Contribuição, buscando os prazos previstos em lei não se identifica assertivas normativas acerca desta situação especifica. 0 Código Tributário Nacional ao tratar do prazo para pagamento de obrigações tributárias, definiu prazo para estes casos no seu art. 160. "Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento." 4 Teodoro Júnior, Humberto, Curso de Direito Processual Civil, 41' ed., Rio de janeiro, Forense, 2004, pg. 611. 26 Processo n° 11453.720001/2011-23 53-C I T2 Acórdão n.° 3102-001.585 Fl. 15 No presente processo, entendo plenamente aplicável as determinações do art. 160 do CTN. 0 vencimento para o pagamento das contribuições da COFINS sobre as receitas com o fornecimento de energia elétrica, ocorreu 30 (trinta) dias após a data em que a Recorrente foi cientificada da exigência pela Delegacia da Receita Federal. Nos autos não consta nenhum documento ou informação sobre pagamento ou providência da Recorrente para suspender a exigência da COF1NS devida, sendo assim, correta a exigência da multa de mora realizada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba. Da ação rescisória e sua implicação nos juros de mora. Quanto a cobrança dos juros de mora, a lide se prende a determinação do termo de inicio para fruição da exigência. E mister ressaltar que a exigência de juros morat6rios não se trata de punição em razão do não pagamento. A penalidade pelo atraso no pagamento é resolvida pela multa de mora. 0 juro não possui caráter punitivo. Neste caminho a lição esclarecedora do Professo Paulo de Barros Carvalho. "Instituidos em lei e cobrados mediante atividade administrativa plenamente vinculada, distam de ser equiparados aos juros de mora convencionados pelas partes, debaixo do regime da autonomia da vontade. Sua cobrança pela Administração não tem fins punitivos, que atemorizem o retardatários ou o desestiniule na prática da dilação do pagamento. Para isso atuam as multas moratória. Os juros adquirem uni traço remuneratório do capital que permanece em meios do administrado por tempo excedente ao permitido. Essa particularidade ganha realce, na medida em que o valor monetário da divida se vai corrigindo, o que presume manter-se constante com o passar do tempo. Ainda que cobrados em taxas diminutas (I% do montante devido, quando a lei não dispuser sobre outro valor percentual), os juros de mora são adicionados a quantia do débito, e exibem, então, sua essência remuneratória, motivada pela circunstância de o contribuinte reter consigo importância que não lhe pertence. 5 A posição defendida pela Recorrente, baseia-se no fato de que sendo beneficiária de sentença judicial que lhe garantia o não recolhimento da COFINS, não há que se falar em cobrança de juros de mora no período em que aquela sentença estava constituída e emanava seus efeitos. Entretanto, há de se considerar a propositura pela Unido de ação rescisória, visando a desconstituição da sentença obtida pela Recorrente, que levou novamente ao poder judiciário a discussão quanto a exigência da COFINS. 5 Carvalho, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário, 19' ed. rev., São Paulo, Saraiva, 2007, p. 552. 27 Sendo o crédito tributário discutido na esfera judicial. 0 contribuinte pode se valer do deposito para afastar a cobrança dos juros de mora. 0 deposito realizado, caso a ação não lhe seja favorável, terá como destino a conversão em renda para Fazenda Pública, o que configura uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Portanto, ao ficar resguardado o direito do Fisco com a correção do montante depositado, não há que se falar em exigência de juros moratórios para o valor depositado. A Recorrente ao tempo da discussão do Mandado de Segurança n° 97.04.08580-0/PR, tratou de depositar o montante da COFINS em discussão, o que sem sombra de dúvida afastou a exigência dos juros moratórios naquele momento. Ocorre, que com o trânsito em julgado da ação rescindida, os depósitos judiciais foram levantados. Não existindo depósito judicial para o restante do período até o trânsito em julgado da ação rescisória. O histórico de todas as fases da presente discussão, distingue três períodos com marcos temporais bem delineados. 0 primeiro entre o fato gerador das contribuições e data do transito em julgado da ação original rescindida. 0 segundo período está entre o trânsito em julgado da decisão é o ajuizamento da ação rescisória realizada pela Procuradoria da Fazenda Nacional e o terceiro período entre o ajuizamento da ação rescisória e o transito em julgado desta ação que deu provimento as pretensões da União. Os juros de mora para o primeiro período foram afastados, em razão da existência de depósitos judiciais, que somente foram levantados com a ocorrência do trânsito em julgado da ação original, conforme consta dos autos. Em que pese o fato da falta de depósitos em razão do levantamento dos depósitos até o advindo da Ação Rescisória, existia uma matéria revestida de coisa julgada que afastava a exigência da COFINS sobre as receitas com o fornecimento de energia elétrica e não existia nenhum questionamento contra este fato. Destarte, considerando que a Recorrente não era devedora do PIS e da COFINS sobre a energia elétrica por força de decisão transitada em julgado e a ausência de questionamento quanto a matéria não há como considerar a Recorrente devedora da COFINS e não pode prosperar a pretensão que esta vislumbrasse que poderia vir a ser devedora desta Contribuição. Assim em não existindo oposição do Fisco para exigência do tributo neste interstício. Entendo que ate a impetração da Ação Rescisória, o fato em que se amparava a Recorrente para não recolher a COFINS era inconteste e assim não há como exigir juros de mora neste período. Por fim, cabe a análise para o terceiro período, já com a ação rescisória em discussão, quando existia a coisa julgada, mas coexistia o questionamento judicial deste fato pela União. Se considerando unicamente, o vencimento da obrigação da COFINS, sem sombra de dúvida, os juros morat6rios teriam como data de inicio, o vencimento original desta contribuição. Entretanto, aqui estamos com caso nas mãos, em que existia uma ação transitada em julgado, determinando que não eram devidas as contribuições sobre o fornecimento de energia elétrica. Neste caminho se reafirma que a ação rescindida fazia coisa julgada e produzia efeitos. Como esclarece Humberto Teodoro Júnior. "A propositura da ação rescisória nenhuma consequência tem sobre a exequibilidade da ação impugnada. Dispõe, expressamente, o art. 489 que " a ação rescisória não suspende a execução da sentença rescindenda". A regra, alias, é de tradição de nosso direito. Admitir-se o contrário seria violar a garantia constitucional da intangibilidade da coisa julgada enquanto não desconstituida a sentença. 28 Processo n° 11453.720001/2011-23 S3-CIT2 AcCirdao n.° 3102-001.585 Fl. 16 Em caso de gravidade acentuada e de manifesta relevância da pretensão de rescindir a sentença contaminada por ilegalidade, a jurisprudência tem admitido, com acerto, medida cautelar com o fito de suspender, liminarmente, a exequibilidade do julgado rescindende. E assim, foi tratada a ação pelo judiciário que manteve a suspensão da exigência da COFINS ate o trânsito em julgado da ação rescisória. Entretanto em que pese o fato da impossibilidade da exigência da contribuição pelo Fisco. Nascida a Ação Rescisória nasceu também o questionamento quanto a exigência da COFINS sobre a energia elétrica. A Unido externou neste momento a sua vontade em cobrar da Recorrente a COFINS sobre as Receita com o fornecimento de energia elétrica e para ver garantido o seu direito buscou a tutela do Poder Judiciário. Nas situações judiciais, em que o devedor é comunicado judicialmente que a parte demandante esta questionando valores que entende devidos, este passa a poder se defender de tais pretensões, mas, fica sabedor que em perdendo a demanda, será devedor do débito em discussão, respondendo por eventuais prejuízos que a parte possa ter em razão da demora na solução da demanda. Para estes casos a cobrança dos juros de mora também é tratada no âmbito do direito civil e esta prevista no art. 405 a 407 do Código Civil (Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002). "Art. 405. Contam-se os juros de mora desde a citação inicial. Art. 406. Quando os juros moratórios não forem convencionados, ou o forem sem taxa estipulada, ou quando provierem de determinação da lei, serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional. Art. 407. Ainda que se não alegue prejuízo, é obrigado o devedor aos juros da mora que se contarão assim às dividas em dinheiro, como às prestações de outra natureza, uma vez que lhes esteja fixado o valor pecuniário por sentença judicial, arbitramento, ou acordo entre as partes." Tratando da matéria, transcrevo a lição de Silvio Rodrigues, que ao comentar o art. 407 do novo Código Civil, discute o conceito de juros de mora e a partir de quando tornam-se exigíveis. "0 art. 407 do Código Civil mostra quão veemente foi a mudança de critério do legislador, quanto à legitimidade da cobrança dos juros. Ainda que senão alegue prejuízo (diz citada regra), é obrigado o devedor aos juros de mora. Pois a lei presume que a conservação, pelo inadimplente, do capital pertencente ao credor, implica perda para este e lucro para aquele, de modo que impõe ao primeiro o dever de indenizar o segundo, o que é feito pelo pagamento dos juros legais. E mais: o legislador não considera apenas as dividas liquidas em dinheiro, mas as prestações de quaisquer natureza, uma vez que lhes esteja fixado o valor pecuniário por sentença judicial, arbitramento, ou acordo entre as partes. Teodoro Júnior, Humberto - Curso de Direito Processual Civil. 41 a ed. v. I. Rio de Janeiro. Forense. 2004. p. 627. 29 Outro problema relevante é o de fixar o momento em que começam a correr os juros de mora. Em rigor, eles são devidos desde que se dê o retardamento culposo, pois, como diz o próprio art. 407, a fluência dos juros moratórios independe da alegação de prejuízo. Ora, nas obrigações a termo, a mora se caracteriza pelo mero advento do vencimento, pois dies Mterpellat pro homine; e, nas obrigações sem termos fixado, a mora se caracteriza pela citação, pois esta, entre os seus vários efeitos, tem o de constituir o devedor em mora (CPC, art. 219)." 7 0 Direito Civil trata, portanto, dos juros de mora, quando da existência de discussão judicial, como o valor a ser pago ao credor em razão impossibilidade a que este ficou sujeito de utilizar do valor a que ele ao final da demanda, teve reconhecido o seu direito. Se trouxermos para a discussão do presente processo, este mesmo entendimento. Ao tomar ciência da Ação Rescisória a Recorrente tomou conhecimento da posição da Fazenda Pública, que pedia em juizo o direito a exigir as Contribuições sobre a receita com o fornecimento de energia elétrica, utilizando como forma de agir a ação rescisória. A propositura da ação rescisória criou no mundo jurídico um fato novo. Dai em diante, com o questionamento apresentado, passa a Recorrente a ter conhecimento da posição da União em se socorrer do poder judiciário para ver atendida o seu pleito de desconstituir a ação mandamental transitada em julgada e assim poder exigir a COFINS sobre as receitas com fornecimento de energia elétrica. A ação rescisória, em que pese não ser recurso, traz novamente a baila a discussão quanto a incidência do PIS e da COFINS sobre a energia elétrica. Entendo que neste momento foi dada ciência a Recorrente, que tal fato até o momento inquestionável, abrindo a discussão a Recorrente que foi aos autos da Rescisória e defendeu-se pelos meios próprios. Assim, foi dado conhecimento a Recorrente, que se a demanda da Fazenda Pública fosse vencedora, aqueles valores que ate então julgava inexigíveis, passariam a ser devidos. De outro giro, a Fazenda Pública, somente com a impetração da Ação Rescisória, deixou claro a sua indignação com decisão transitada em julgado e a partir dai fez crer que a vitória obtida pela Recorrente poderia ser questionada. Vencida a demanda, com a desconstituição da ação mandamental original, nada mais justo, que a União seja ressarcida do tempo em que não pode usufruir dos valores a que tinha direito. A alegação que a Recorrente somente poderia arcar com eventuais prejuízos da União por não ter disposto dos valores da COFINS em razão da boa-fé e do cumprimento da coisa julgada não podem prosperar. A Recorrente não é terceiro que tenha alguma ligação com a lide. Era parte na ação judicial. Conheceu da ação rescisória e da decisão prolatada em 07/08/2003 na própria ação, que reconhecia a posição vencedora da União. Sabedora destes fatos, a Recorrente não providenciou em nenhum momento os depósitos judiciais que poderiam suspender os efeitos moratórios sobre a demanda. Neste caminho transcrevo a posição de Humberto Teodoro Júnior. "Nesse Contexto em que a ineficácia da sentença rescindível somente se opera após judicialmente decretada, produzindo os 7 Rodrigues, Silvio. Direito Civil, Parte Geral das Obrigações, v. II. 30a ed. atualizada, sao Paulo.2002. Saraiva. p. 259. 30 Processo n° 11453.720001/2011-23 83-C1T2 Acórdão n.° 3102-001.585 Fl. 17 seus efeitos até então, a sua desconstitukcio não pode alcançar o terceiro que, de boa-fé e a titulo oneroso, contra com a parte afetada pela ulterior rescisão. Trata-se de aplicação necessária, e até mesmo natural, da teoria da aparência, instituo este que já se encontra sedimentado pela legislação e jurisprudência pátrias em casos análogos, como o do herdeiro aparente e do estelionato. Com efeito, a anulação de um negócio jurídico envolve a nulidade dos negócios subsequentes. Todavia, pelo desdobramento das teorias da aparência e da confiança, que devem regar e nortear todos os negócios jurídicos, os terceiros de boa-fé têm o seu direito resguardado. Isto porque o estado de fato, muitas vezes, não coincide com o estado de direito, todavia, por estar fortemente revestido de uma aparência real merece tutela. " 8 . 0 nobre doutrinador, fala da proteção do terceiro de boa-fé, o que é fato, também no meu entendimento, inconteste, pois aquele que não sabendo da discussão sobre ação rescisória não pode ser apenado em razão da desconstituição da sentença que acreditava inquestionável. Entretanto, aqui estamos falando de situação diversa. A Recorrente tinha ciência da ação rescisória que questionava a sentença do MS 97.04.08580-0/PR. Que já existia a posição do STF, considerando constitucional a exigência da COFINS sobre o faturamento das empresas distribuidoras de energia elétrica. (RE 233.807-4/RS) e ainda, que em 07/08/2003 foi exarada sentença pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 4a Regido, rejeitando a preliminar de decadência e julgando procedente a ação rescisória, que não teve o seu transito em julgado, visto a interposição de recurso discutindo a decadência do direito a propositura da ação. Em que pese o fato da sentença rescindida ter caráter anulável, os seus efeitos moratórios incidem sobre aquele que sabedor da demanda não providenciou um dos meios legais para sustar as exigências dos juros de mora desde a data em que deveriam ter sido recolhidas a Fazenda Pública a COFINS em discussão no presente processo. Conforme já detalhado, para o período entre o transito em julgado da ação rescindida e a propositura da Ação Rescisória, entendo não existir a motivação para a exigência de juros moratórios. Portanto, utilizando a mesma regra prevista no art. 407 do Código Civil, seria devedora de juros a parte perdedora, no caso a Recorrente, pelos juros de mora a partir da citação da ação rescisória. Da Ofensa a princípios constitucionais, da segurança jurídica e o efeito dos atos julgados perfeitos. No Recurso são trazidos diversos questionamentos sobre a justiça e ofensa a preceitos constitucionais. Os pontos trazidos pela recorrente são extremamente relevantes, visto 8 Teodoro Janior, Humberto, Curso de Direito Processual Civil, 41 ed., Rio de janeiro, Forense, 2004, pg. 630. 31 tudo o que implicam na segurança juridica, os atos julgados e os prejuízos que dai podem advir aqueles que se socorrem do poder judiciários. Entretanto, em que pese a grande relevância das questões apresentadas, não serão aqui apreciadas em razão da impossibilidade deste colegiado se manifestar sobre questões constitucionais, nos termos da Súmula 2 do CARF. "Súmula CARF n° 2 0 CARE não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" Reforçando o mesmo entendimento temos o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria no 256, de 22 de junho de 2009, que não permite aos membros das turmas de julgamento deste Conselho, afastar a aplicação de tratado, Leis ou Decretos. "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARE afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único, 0 disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1 - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II- que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratário do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da Unido, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da Unido aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993." Assim, por mais, que possam ser relevantes e importantes os argumentos constantes do recurso. Este colegiado é compelido a seguir nos seus julgados, as determinações legais e conforme descrito alhures, a exigência da multa de mora e dos juros de mora foram exigidos obedecendo a determinações legais, não existindo previsões normativas que permitam afastar as exigências moratórias, no caso da existência de ação rescisória. 32 , Processo n° 11453.720001/2011-23 S3-CIT2 Acórrldo n.° 3102-001.585 Fl. 18 Conclusão. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Quanto a multa de mora, a exigência deverá ocorrer a partir de 30 (trinta) dias, contados da data em que a Recorrente foi cientificada da exigência pela Delegacia da Receita Federal do Brasil e quanto aos juros de mora, dou provimento parcial, decidindo que são exigíveis a partir da data em que a Recorrente foi cientificada do ajuizamento da ação rescisória n° 2000.04.01.10 I 266-9/PR. mdefley Morais P eira Voto Ven edor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Redator-Designado 0 entendimento prevalente contrastou com a decisão proposta pelo i. Conselheiro Relator apenas na parte que se refere à fixação da data inicial para incidência de juros moratórios sobre a divida do contribuinte. Designado para redigir o voto que retrata a decisão divergente, passo à exposição das razões que orientaram a solução da lide neste particular. Inicio por referir a convergência de minhas premissas com a maior parte, ou quase totalidade, dos pressupostos defendidos na decisão vencida, da qual me afastei apenas no momento extremo de escolher uma das opções possíveis. Assim, não posso me furtar a reproduzir ou relembrar certas passagens do Voto Vencido, ao longo das quais o assunto foi competentemente examinado pelo i. Conselheiro Winderley Morais Pereira. Isso porque, embora a Turma tenha-se conduzido noutra direção, muitos dos postulados defendidos e a seguir reeditados servem igualmente à formulação do decisum final sobre o assunto. Os ensinamentos do Prof. Paulo de Barros Carvalho acerca da natureza remuneratória e não coercitiva dos juros trazem conteúdo relevante ao deslinde da questão. Merece destaque a circunstancia descrita no texto transcrito no Voto Vencido, indicando a função remuneratória dos juros para com o "capital que permanece em mãos do administrado por tempo excedente ao permitido", assim como a referência A. cobrança de juros "motivada pela circunstância de o contribuinte reter consigo importância que não lhe pertence". Com efeito, penso que seja esse o cerne da questão - fixar a data a partir da qual a Contribuição permaneceu em mãos do administrado e não mais lhe pertencia, ou como me parece mais apropriado dizer, já era devida. Para melhor situar a leitura que faço dos fatos, reproduzo o diagrama utilizado pelo i. Relator na delimitação dos momentos determinados pelos falb relevantes do litígio. A primeira intersecção é feita entre a data de ocorrência do fato gerador das Contribuições e a data do trânsito em julgado da ação rescindida, então ação em mandado de segurança com vistas ao reconhecimento do direito ao não recolhimento dos gravames. 0 segundo período inicia com o trânsito em julgado da ação impetrada pela Recorrente e termina com o ajuizamento, pela Procuradoria da Fazenda Nacional, da ação rescisória. O último situa- se entre o ajuizamento da rescisória e seu trânsito em julgado. Ao longo de cada uma desses três momentos distintos observados no curso dos acontecimentos, segundo entendeu-se, vigeram regras igualmente distintas, determinando obrigações e direitos às partes envolvidas. A respeito delas, faço minha revisão. 0 primeiro momento identifica uma ocorrência freqüente nos embates envolvendo questões tributárias. Havendo disposição legal determinando a exigência de tributos ou contribuições, o administrado se socorre do Poder Judiciário com vistas ao reconhecimento de um direito que, a priori, não lhe é dado. Nestas circunstâncias, a obrigação do contribuinte de recolher os valores discutidos decorre de determinação legal que, até o trânsito em julgado da ação judicial favorável a seus interesses, prevalece sendo a ordem vigente. Com efeito, não é por outro motivo que em tais situações exigem-se juros de mora sobre o "capital que permanece em meios do administrado". Enquanto a ordem vigente (lei) não for, ainda que apenas nos limites da lide, reformada por decisão judicial (trânsito em julgado), os valores permanecem sendo devidos. Pode até que durante a tramitação do processo a exigência seja suspensa por determinação do juiz, mas a divida subsiste, na medida em que os fatos jurídicos sob os quais recai a divergência permanecem regidos pela lei vigente, ainda não definitivamente afastada pelo provimento jurisprudencial da ação impetrada pelo administrado. Nestas circunstancias, necessário que seja providenciado o depósito integral do valor devido para prevenção dos juros moratórios. No segundo período, o que se inicia com o trânsito em julgado da ação judicial interposta pela Recorrente e termina com o ajuizamento da ação rescisória, a ordem vigente já não é mais a Lei. Com efeito, é de sabença que a sentença proferida pelo Juiz faz lei entre as partes, ex vi artigo 468 do Código do Processo Civil. Art. 468. A sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas. Assim, desde o inicio do segundo período a regra determinava o não pagamento das Contribuições, o que deu azo, inclusive, a que fossem levantados os depósitos judiciais providenciados pela autuada. No primeiro intervalo, diferentemente, o crédito tributário em epígrafe era devido. Os valores apenas não foram recolhidos porque a empresa socorreu-se do Poder Judiciário no intento de obter reconhecimento de que não tinha obrigação de pagá-los. Efetuo os depósitos para prevenção dos juros e, depois, quando já não mais existia a divida, resgatou os depósitos. Até este ponto não há que se falar em divergência entre a linha de raciocínio defendida e o entendimento proposto pelo i. Relator do Processo. De fato, ela encontra-se na leitura que se faz das circunstâncias identificadas no terceiro período. Law mão desde logo de um dos pertinentes esclarecimentos a'cliKidos decisão pelo, dando conta de que a interposição da ação rescisória não tem, de per si, No colidão de alterar de imediato a sentença transitada em julgado. Tomo a liberdade de reproduita considerações contidas no Voto. 34 Processo n° 11453.720001/2011-23 Acórdão n.° 3102-001.585 S3-C1T2 Fl. 19 Se considerando unicamente, o vencimento da obrigação da COFINS, sem sombra de dúvida, os juros moratórios teriam como data de inicio, o vencimento original desta contribuição. Entretanto, aqui estamos com caso nas mãos, em que existia uma ação transitada em julgado, determinando que não eram devidas as contribuições sobre o fornecimento de energia elétrica. Neste caminho se reafirma que a ação rescindida fazia coisa julgada e produzia efeitos. Como esclarece Humberto Teodoro Júnior. "A propositura da ação rescisória nenhuma consequência tem sobre a exequibilidade da (NOG. impugnada. Dispõe, expressamente, o art. 489 que "a ação rescisória não suspende a execução da sentença rescindenda". A regra, alias, é de tradição de nosso direito. Admitir-se o contrário seria violar a garantia constitucional da intangibilidade da coisa julgada enquanto não desconstituida a sentença. Em caso de gravidade acentuada e de manifesta relevância da pretensão de rescindir a sentença contaminada por ilegalidade, a jurisprudência tem admitido, com acerto, medida cautelar com o fito de suspender, liminarniente, a exequibilidade do julgado rescindendo"9. Em que pese a pertinência dos esclarecimentos aduzidos ao Voto, da sua leitura sou levado a entendimento diametralmente oposto ao que fora sugerido na decisão vencida. Assim decido porque, a meu ver, se a propositura da ação rescisória nenhuma consequência tem sobre a exequibilidade da ação impugnada, penso que o ingresso da Procuradoria da Fazenda Nacional com a ação rescisória não teve nenhum efeito sobre o status quo então vigente, permanecendo válida a regra determinada pela ação rescindenda até o trânsito em julgado da ação rescisória, qual fosse ela, o não pagamento dos tributos. Se a norma em determinado momento desobriga o contribuinte ao pagamento da exação e, por seu turno, o Erário busca revê-la, o que, como se viu, só teve eficácia após o trânsito da ação rescisória, não vejo como considerar que antes dele — lançando mão aqui uma vez mais dos ensinamentos do Prof. Paulo de Barros Carvalho —o contribuinte tenha retido consigo importância que não lhe pertencia. Segundo me parece, em face de toda a lógica desenvolvida e dos fundamentos jurídicos que lhe dão suporte, tais valores só deixaram de lhe pertencer com a decisão final da ação rescisória. A meu ver, o terceiro momento processa-se sob o mesmo comando legal do segundo. Finalmente, sobre a analogia tragada pelo i. Conselheiro Relator com as "situações judiciais; em que o devedor é comunicado judicialmente que a parte demandante esta questionando valores que entende devidos", da qual conclui que "perdendo a demanda, será devedor do débito em discussão, respondendo por eventuais prejuízos que a parte possa ter em razão da demora na solução da demanda", e que, "para estes casos a cobrança dos juros de mora também é tratada no âmbito do direito civil e esta prevista no art. 405 a 407 do Código Civil (Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002), como devidos desde a citação inicial, peço, mais uma vez, vênia, para aproveitar o exemplo em reforço à minha divergência. Como se extrai do enunciado, a incidência de juros ocorre s Ii qese parte perder a demanda. E claro, trata-se de um pressuposto óbvio. Contudo, denota suborchtiaçao Nda 9 Teodoro Júnior, Humberto - Curso de Direito Processual Civil. 41 4 ed. v. I. Rio de Janeiro. Forense. 2004. p. 627. 35 d. \ .1 incidência ao juizo que é feito da demanda. 0 que quero dizer é que houvesse, até determinada data, regra como a que aqui vigeu, ou que, por qualquer outra razão o Juiz entendesse que os valores somente foram devidos a partir de determinado momento, com certeza a incidência de juros não retroagiria a uma data anterior. Por certo, tratam-se de normas aplicáveis às situações nas quais a divida é pré-existente, anterior A. citação, mais para fixar a incidência em data posterior à constituição da divida do que para retroagi-la. Não penso que se aplique ao caso em tela, no qual a parte só pode ser considerada devedora muito depois da citação; uma particularidade da ação que rescinde outra. Por todas as razões acima explicitadas, VOTO POR DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reconhecer a incidência de juros de mora a partir da data do trânsito em julgado da ação rescisória. \ \ Sal d essões, 21 de agosto de 2012. Rosa 36Y
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900448/2008-66
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 04 48 /2 00 8- 66 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900448/200866 Acórdão n.º 3801004.963 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900448/200866 Acórdão n.º 3801004.963 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (SP): Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, assim motivado: [...]A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizadas para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação argüindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas à Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às venda realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. O Supremo Tribunal Federal (STF), na ADIn no. 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus”, contida no inciso I, § 2° do art. 14 da Medida Provisória (MP) n° 2.03724, de 2000, que discriminava as exclusões das isenções da Cofins e da contribuição ao PIS. Desta forma, nas reedições da MP no. 2.037, de 2000, foi excluída Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900448/200866 Acórdão n.º 3801004.963 S3TE01 Fl. 5 4 a expressão "na Zona Franca de Manaus” do texto legal, de modo o tratamento das vendas à Zona Franca de Manaus acompanhou o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito creditório referente aos recolhimentos' indevidos ou a maior a título de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação. Em análise à manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, aquela douta Delegacia de Julgamento entendeu por bem julgar como improcedentes os argumentos apresentados e manter a não homologação da compensação: Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. RECEITAS DE VENDAS A ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. A isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Não existindo norma de desoneração, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. Repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresenta o ora analisado Recurso Voluntário, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. É o relatório Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900448/200866 Acórdão n.º 3801004.963 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Campinas, sob dois principais argumentos: (i) de que a Recorrente não faria jus à imunidade e/ou isenção nas remessas de produtos destinados à Zona Franca de Manaus; e (ii) que não foi demonstrado pelo Recorrente a origem de seus créditos. O primeiro ponto que deve ser abordado nesta decisão é se as receitas oriundas das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus estão sujeitas à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. De pronto, é importante destacar que, desde o advento do DecretoLei 288/67, as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações para todos os efeitos fiscais. Confirase a redação do artigo 4º do mencionado decreto: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Ratificando o benefício concedido para desenvolver a região Norte do país, o artigo 40 das ADCT’s – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias teve a seguinte redação: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Como se percebe, o constituinte de 1988 prorrogou (garantiu) o benefício concedido pelo legislador de 1967 até o ano de 2013. Pois bem. Partindo da premissa de que todas as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, à exportação, desde a edição do Decreto Lei 288/67, cumpre analisar se, à época dos fatos geradores dos créditos indicados pelo contribuinte como pagos indevidamente, existia isenção da COFINS nas receitas decorrentes de exportação. Tal ilação não é difícil. O artigo 7º da Lei Complementar 70/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, determinava expressamente que as receitas decorrentes de exportação seriam isentas da COFINS. Confirase: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900448/200866 Acórdão n.º 3801004.963 S3TE01 Fl. 7 6 Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo. Como se não bastasse, no julgamento da ADIN 23489, o Supremo Tribunal Federal suspendeu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001). Tal julgamento ratificou o entendimento de que as vendas realizadas para Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, às exportações: ZONA FRANCA DE MANAUS PRESERVAÇÃO CONSTITUCIONAL. Configuramse a relevância e o risco de manterse com plena eficácia o diploma atacado se este, por via direta ou indireta, implica a mitigação da norma inserta no artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Carta de 1988: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Suspensão de dispositivos da Medida Provisória nº 2.03724, de novembro de 2000. (ADI 2348 MC, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 07/12/2000, DJ 07112003 PP00081 EMENT VOL0213102 PP 00266) O que não se pode admitir, data venia, é a interpretação dada pela douta Delegacia de Julgamento de Campinas, no sentido de que a “isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)”. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900448/200866 Acórdão n.º 3801004.963 S3TE01 Fl. 8 7 Ora, como demonstrado, desde o DecretoLei 288/67, as remessas para Zona Franca de Manaus são consideradas como sendo exportações, o que foi ratificado pela Constituição Federal de 1988. Por outro lado, a Lei Complementar 70/91 isentou as receitas de exportação da COFINS. A Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001) tentou afastar tal isenção, o que não foi recepcionado pelo ordenamento jurídico pátrio, nos termos da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, não há que se falar em isenção somente para as hipóteses descritas por aquela douta Delegacia. O Superior Tribunal de Justiça, em reiteradas decisões, já se manifestou no sentido de que são isentas do pagamento da COFINS e do PIS as receitas decorrentes de exportação. A título de exemplo, segue transcrito julgado neste sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. FATO GERADOR. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1002932/SP, JULGADO EM 25/11/2009 SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 535, CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O art. 4º do DL 288/67 e o art. 40 do ADCT "preserva a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, estendendo às exportações destinadas a estabelecimentos situados naquela região os benefícios fiscais presentes nas exportações ao estrangeiro". Consectariamente, para efeitos fiscais, a exportação de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale a uma exportação de produto brasileiro para o estrangeiro. Sob esse enfoque, é assente nas Turmas de Direito Público que: "O conteúdo do art. 4º do Dec.lei 288/67, foi o de atribuir às operações da Zona Franca de Manaus, quanto a todos os tributos que direta ou indiretamente atingem exportações de mercadorias nacionais para essa região, regime igual ao que se aplica nos casos de exportações brasileiras para o exterior." 2. O art. 5º da Lei 7.714/88, com a redação dada pela Lei 9.004/95, bem como o art. 7º da Lei Complementar 70/91 autorizam a exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS respectivamente, dos valores referentes às receitas oriundas de exportação de produtos nacionais para o estrangeiro. 3. Havendo equiparação dos produtos destinados à Zona Franca de Manaus com aqueles exportados para o exterior, inferese que a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: REsp 681.395/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 03/09/2010; REsp 802.474/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 13/11/2009; RESP 223.405MT, DJ de 01.09.2003, Relator Min. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900448/200866 Acórdão n.º 3801004.963 S3TE01 Fl. 9 8 Humberto Gomes de Barros; RESP 144.785PR, DJ de 16.12,2002, Relator Min. Paulo Medina). 4. O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI nº 23489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I do § 2º do art. 14 da MP nº 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus. 5. Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.03724 que tiveram sua eficácia normativa suspensa. (...) 11. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1292410/AM, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/02/2011, DJe 07/04/2011) E, ainda, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 42, de 19 de dezembro de 2003, foi concedida imunidade às receitas decorrentes de exportação, o que fez dissipar qualquer dúvida porventura remanescente quanto à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas de vendas destinadas à ZFM, posto que, se a isenção deve ser interpretada literalmente, a imunidade, por ser norma constitucional, exige eficácia máxima. Dessa forma, concluise pela isenção e, agora, imunidade, das receitas decorrentes de vendas efetuadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, em relação à contribuição ao PIS e à COFINS, devendo ser reformada a decisão recorrida neste ponto. Ocorre, contudo, que, pelos elementos trazidos aos autos, não pode, este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aferir se os créditos indicados no pedido de compensação (i) são, de fato, decorrentes das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e (ii) se são suficientes para liquidar os débitos. Devese, ressaltar, que, ao contrário do que foi alegado no acórdão recorrido, a Delegacia de Julgamento de Campinas (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900448/200866 Acórdão n.º 3801004.963 S3TE01 Fl. 10 9 constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ................................................................................................................... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900448/200866 Acórdão n.º 3801004.963 S3TE01 Fl. 11 10 administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900448/200866 Acórdão n.º 3801004.963 S3TE01 Fl. 12 11 importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, in casu, a fiscalização, considerando a isenção/imunidade da contribuição ao PIS e da COFINS nas vendas destinadas à Zona Franca de Manaus, como demonstrado acima, deverá comprovar a autenticidade dos créditos indicados pelo Recorrente e se estes créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação. Tendo em vista o acima exposto, e o fato de que não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos tributários do Recorrente, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/OsascoSP para: (i) Apurar se os créditos indicados nos pedidos de compensação como sendo de pagamento indevido são oriundos das vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus; (ii) Juntar aos autos cópia da documentação que demonstre a origem dos créditos declarados; (iii) Apurar se os créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação; (iv) Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; (v) Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900448/200866 Acórdão n.º 3801004.963 S3TE01 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento da I. relatora, ouso dela discordar. O direito creditório pleiteado teria como fundamento a isenção das contribuições PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Conforme entendimento de parte dessa Turma julgadora, esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Deste modo, em relação ao período de apuração objeto do presente processo, o art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999 que passou a disciplinar os casos de isenção da contribuição cumulativa, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas de sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronave em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900448/200866 Acórdão n.º 3801004.963 S3TE01 Fl. 14 13 V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo tribunal federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900448/200866 Acórdão n.º 3801004.963 S3TE01 Fl. 15 14 Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900448/200866 Acórdão n.º 3801004.963 S3TE01 Fl. 16 15 Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada nos termos da legislação de regência. Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 104DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10972.000059/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. OMISSÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Para que se possa contraditar um lançamento fundado em omissão decorrente de variação patrimonial a descoberto, é necessário que o contribuinte demonstre, documentalmente, a origem dos recursos utilizados nas aplicações efetuadas. Meras alegações, desacompanhadas da documentação que as suportem, não podem ser acolhidas para demonstrar a origem de recursos que suportariam os dispêndios que originaram o lançamento assim apurado.
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 02.
Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
SÚMULA CARF Nº 4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2102-003.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 13/02/2015
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRPF. OMISSÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Para que se possa contraditar um lançamento fundado em omissão decorrente de variação patrimonial a descoberto, é necessário que o contribuinte demonstre, documentalmente, a origem dos recursos utilizados nas aplicações efetuadas. Meras alegações, desacompanhadas da documentação que as suportem, não podem ser acolhidas para demonstrar a origem de recursos que suportariam os dispêndios que originaram o lançamento assim apurado. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 02. Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do Poder Judiciário. SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 13/02/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
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OMISSÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Para que se possa contraditar um lançamento fundado em omissão decorrente de variação patrimonial a descoberto, é necessário que o contribuinte demonstre, documentalmente, a origem dos recursos utilizados nas aplicações efetuadas. Meras alegações, desacompanhadas da documentação que as suportem, não podem ser acolhidas para demonstrar a origem de recursos que suportariam os dispêndios que originaram o lançamento assim apurado. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 02. Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do Poder Judiciário. SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 00 00 59 /2 00 9- 19 Fl. 634DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI 2 Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 13/02/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face do Contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02/05, apurandose o valor do crédito tributário no importe de R$143.821,59 (cento e quarenta e três mil, oitocentos e vinte e um reais e cinquenta e nove centavos), já acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a instauração de Procedimento Fiscal visando averiguar gastos com cartões de crédito de sua titularidade num montante superior aos seus recursos disponíveis durante o anocalendário de 2005. Da Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) constantes no respectivo Auto de Infração, constatase que a autuação é decorrente da: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Ofício, nos termos do art. 926 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas as infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme Termo de Verificação Fiscal e Demonstrativo da Variação Patrimonial, os quais são partes integrantes e indissociáveis do Auto de Infração. A ação fiscal encontrase minudenciada no mencionado Termo de Verificação Fiscal, acostado às fls. 06/11. Cientificado do lançamento fiscal e inconformado, o Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 517/538, por meio do qual, resumidamente, expõe que: preliminarmente, o Contribuinte defende a inconstitucionalidade da multa de 75%, por conter caráter confiscatório e ferir o disposto no inciso IV, do artigo 150, da Lei Maior, assim como entende que deva ser excluída da verba juros de mora a incidência da Taxa SELIC, por afrontar a Constituição Federal e o princípio da hierarquia das normas legais; Fl. 635DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 10972.000059/200919 Acórdão n.º 2102003.248 S2C1T2 Fl. 635 3 no mérito, diz que na qualidade de dirigente empresarial e em razão do caráter emergencial no cumprimento satisfatório dos eventos contratados, se valia de seus cartões de créditos para a satisfação de parte dos compromissos assumidos e do talante de sua empresa, in casu, Agro Indústria Triângulo Ltda., sendo, para tanto, reembolsado tão logo ensejasse seus vencimentos respectivos; tais procedimentos estariam alicerçados em documentos hábeis, em lançamentos contábeis pertinentes e controles específicos para esse fim e podem ser comprovados por cópias de cheques, débitos em conta corrente bancária; os valores despendidos mensalmente nada mais foram do que empréstimos rotineiros de pequena monta que objetivaram suprir necessidades prementes de sua empresa de pequeno porte; as suas contas apresentaram saldos negativos no período objeto de fiscalização, devido aos constantes aportes financeiros que ensejaram empréstimos à sua empresa e que culminaram na redução do seu próprio patrimônio; os pagamentos com cartões de créditos foram para cobertura de despegas efetuadas com aquisições de mercadorias de consumo utilizadas nas atividades operacionais de sua empresa ou de parceiros; o montante global de utilização dos cartões de crédito em 2005 foi de R$337.736,74, sendo que deste total R$200.860,36 adveio de cartões do Diners Club que corresponde a 60% de todas as compras realizadas; a importância de R$121.423,57 representa compras realizadas pelo senhor Luizmar Guimarães (parceiro ligado à Casa do Folclore) e destinaramse, exclusivamente, a supermercados, açougues, panificadoras, sorveterias, fábricas de gelo, fornecedores de bebidas e demais comerciantes do ramo de festas; o valor de R$13.506,17 se refere a compras em cartões de Maria Aparecida Alves Resende, que adquiriu mercadorias para atender ao consumo de hóspedes da Casa do Folclore; o valor de R$134.929,74 se refere a aquisições de produtos por terceiros através da empresa Agro Indústria e se destinaram ao atendimento da demanda de festas realizadas no âmbito da Casa do Folclore; tais fatos podem ser comprovados face aos nomes dos fornecedores titulares das emissões das notas fiscais correspondentes e através da leitura das próprias faturas dos cartões apresentadas ao fisco; frisa que as mercadorias se prestaram tão somente a consumo em eventos festivos e operacionais da empresa Agro Indústria Triângulo Ltda., cujos valores utilizados nos cartões, nos vencimentos das faturas, foram devidamente pagos pela própria empresa, diretamente via banco, total ou parcialmente, utilizandose de créditos fornecidos pelo próprio Diners Club; Fl. 636DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI 4 apresenta Quadro Demonstrativo de Gastos "Diners Club" com os percentuais e valores de utilização de seus cartões de créditos (Diners Club), concernentes aos gastos de terceiros e de sua empresa; assevera que do quadro apresentado apenas 2,54% dos dispêndios com cartões de sua titularidade são de cunho pessoal e os demais foram de uso exclusivo nas aquisições de mercadorias perecíveis; em relação ao débito com cartões do Diners Club, no total de R$149.861,25, o fisco não considerou o saldo devedor para o ano de 2006 no importe de R$28.020,55, nem tampouco se deu conta da importância de R$9.169,72, pertinente ao ano de 2004; ainda, com relação aos cartões de crédito, informa: • FATURA GM CARD VALOR ANUAL R$18.532,26 tal valor foi utilizado para cobrir as despesas com abastecimentos de veículos de sua empresa e pagos diretamente aos postos. As faturas em poder da empresa poderão comprovar aludidas assertivas, esclarecendose, todavia, uma vez mais de que os pagamentos a GM Card foram realizados pela própria empresa; • CARTÃO 30 HORAS UNIBANCO VALOR ANUAL R$25.844,30 aludida importância referese a: a) Mercadorias para festas adquiridas em nome de Eliane Maria dos Santos no valor de R$17.820,35; b) Postos de gasolina (abastecimentos veículos da empresa) no valor de R$4.880,17; c) A importância de R$3.143,78 referese às despesas particulares do titular; • CARTÃO AMERICAN EXPRESS VALOR ANUAL DE R$15.153,10 gastos assim distribuídos: a) Prestações de móveis e geladeiras para utilização nos eventos e adquiridas nas empresas Magazine Luisa, Ponto Frio e Casas Bahia; e, também, material de reforma adquiridos em Ribeirão Preto – SP (Leroy), consoante espelha as notas fiscais de compras pertinentes, no valor total de R$9.742,16; b) Os demais valores foram destinados, também, às compras de mercadorias perecíveis para a empresa. alega ainda o Contribuinte que os auditores fiscais adicionaram os valores mensais das despesas adimplidas e de responsabilidade de sua empresa e de terceiros a ela coligados, via cartões de créditos, mas deixaram, em contrapartida, de considerar os valores reembolsados por essa empresa em seu favor, importâncias estas formadoras do seu aporte financeiro mensal, o que teria distorcido a verdade dos fatos; a atividade administrativa de lançamento é plenamente vinculada, e, no que tange aos direitos e garantias individuais, não pode o Agente Público aplicar interpretação extensiva por presunção hominis, cabendo a ele o ônus da prova; o fiscal autuante incorreu no postulado da Lei n° 8.137, de 27/12/90, art. 20; Fl. 637DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 10972.000059/200919 Acórdão n.º 2102003.248 S2C1T2 Fl. 636 5 descabe a tributação por presunção em questão, por falta de supedâneo legal; em face às provas incontestes acostadas, o suposto acréscimo patrimonial a descoberto não pode prosperar; por fim, postula o Contribuinte o seguinte: 1. Seja expurgada do crédito tributário em lide, a multa confiscatória de 75% incidente sobre imposto de renda considerado devido; 2. Seja também excluído da incidência tributária, o juro moratório calculado por incidência da Taxa SELIC; 3. Sejam recepcionados os elementos probatórios de reembolsos (aporte de caixa) à vista e conforme demonstra a planilha anexa, e procedida à revisão, ex officio, do lançamento, consoante Acórdão n° 10.780/2005 DRJ/REC.; 4. E, mais que, caso necessário, se proceda ao acolhimento, futuramente, dos documentos em poder da empresa e de terceiros, os quais, com vantagem, comprovarão o articulado; 5. Por derradeiro, em consequência, seja decretada a nulidade do lançamento fiscal, pelos vícios processuais e meritórios trazidos à colação. Na análise das alegações apresentadas em sede de Impugnação, os integrantes da 6ª Turma da DRJ/JFA decidiram, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendose o crédito tributário apurado, sendo extraída a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. A variação patrimonial apurada, não justificada por rendimentos declarados ou comprovados, está sujeita a lançamento de ofício por caracterizar omissão de rendimentos. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir a presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, serão acrescidos juros moratórios calculados com base na taxa Selic, de acordo com a legislação tributária. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI 6 As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, não podendo o impugnante apresentála em outro momento a menos que demonstre motivo de força maior, refira se a fato ou direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Assim, o Contribuinte teve ciência de tal decisão em 10.10.2011, e contra ela interpôs o Recurso Voluntário em 09.11.2011, pelo qual reiterou integralmente as razões contidas em sua Impugnação, ressaltando ainda – em suma: alega o Contribuinte que teria colocado à disposição do Fisco todos os elementos solicitados, exceto aqueles que se prestariam à sua contabilidade pessoal, da qual não está obrigado à escrituração; aduz ainda que teria apresentado planilhas com seu fluxo de caixa pessoal, informando os gastos com seus cartões de crédito, como também informando a que se destinavam as compras e seus respectivos reembolsos; defende também que teria informado ao Fisco que as aquisições de mercadorias de consumo utilizadas nas atividades operacionais de suas empresas ou de parceiros, eram por eles suportadas, sendo os pagamentos dos aludidos cartões de crédito, em seus vencimentos, efetuados, exclusivamente, por suas empresas e seus parceiros; relata o Contribuinte que mais de 90% dos aludidos gastos com cartões de crédito se prestou à aquisição de produtos perecíveis e jamais houve dispêndios com bem duráveis; esclarece que informou o Fisco da sua situação econômica pessoal e de suas empresas, onde haveria dívidas de grande monta; reitera o Contribuinte, que “se fora levado ao conhecimento da fiscalização os nomes das empresas e dos terceiros titulares dos dispêndios, porque destes não foram exigidos as comprovações e documentos dando conta das coberturas mensais dos valores constantes dos cartões de crédito? Ademais, conforme já afirmado, o contribuinte, ora recorrente, é pessoa física e dirigente de empresa, portanto, isento de escrituração fiscal”. em sua conclusão final, o Contribuinte ressalta a necessidade de se buscar a verdade real, e que deveria a fiscalização se valer de qualquer prova da qual tenha tomado conhecimento, e que, com a decisão indeferitória da impugnação, o julgador teria ferido o interesse público, já que deveria atender aos princípios fundamentais que regem a república, permanecendo resquícios de insegurança jurídica; Fl. 639DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 10972.000059/200919 Acórdão n.º 2102003.248 S2C1T2 Fl. 637 7 diante de todo exposto, pleiteia o Contribuinte pelo conhecimento e provimento de seu Recurso Voluntário, reformandose a decisão recorrida, cancelandose integralmente o respectivo Auto de Infração. Assim, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 10.10.2011, como atesta o AR de fls. 561. O Recurso Voluntário foi interposto em 09.11.2011 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento decorrente da apuração de variação patrimonial a descoberto. Foi apurado pela fiscalização que as despesas efetuadas pelo Recorrente com cartão de crédito eram incompatíveis com seus rendimentos declarados, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 11 e seguintes): O sujeito passivo foi selecionado pelos Sistemas Informatizados da Receita Federal do Brasil, em razão de ter sido verificado que o mesmo efetuou gastos com cartões de crédito de sua titularidade num montante superior aos seus recursos disponíveis durante o anocalendário de 2005, sendo expedido o competente Mandado de Procedimento Fiscal, em 29/02/2008. (...) Os quadros de fls. 535/536 demonstram que foi apurada a variação a descoberto em todos os meses do ano de 2005. Desde o oferecimento de sua Impugnação, o Recorrente insiste que as despesas efetuadas com cartões de crédito (e consideradas como dispêndios na apuração do crédito tributário) não seriam suas, mas sim das empresas em que trabalhava, ou que seriam despesas de terceiros, os quais lhe reembolsariam os valores gastos. Sua pretensão, porém, não foi acolhida pela falta de provas de suas alegações. A decisão recorrida merece ser mantida, considerando que o Recorrente em nenhum momento negou ter efetuado o pagamento das faturas em tela, evidenciando que os dispêndios que levaram à apuração da variação patrimonial sem origem efetivamente existiram. Sua única alegação é a de que as despesas efetuadas no cartão eram efetuadas em nome de sua empresa para saldar os compromissos da referida pessoa jurídica. Afirmou que tais despesas lhe eram reembolsadas assim que efetuadas. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI 8 Aos autos, porém, não trouxe qualquer documento que corroborasse suas alegações – tanto no que diz respeito ao fato de que as despesas seriam da pessoa jurídica, quanto ao fato de que as mesmas lhe seriam reembolsadas. As planilhas de fls. 581/584 não podem ser consideradas como provas para este fim, em razão da falta de documentação que comprove as informações lá contidas (especialmente os comprovantes dos pagamentos efetuados por terceiros). O mesmo se diga em relação à alegação de que parte das despesas efetuadas no cartão fora feita por terceiros, os quais lhe reembolsariam. Também não há qualquer prova destas alegações. Por isso mesmo que a decisão recorrida manteve o lançamento, como demonstra o seguinte trecho dela extraído: O impugnante alega que na qualidade de dirigente empresarial e em caráter emergencial se valeu de seus cartões de créditos para a satisfação de parte dos compromissos assumidos por sua empresa, Agro Indústria Triângulo Ltda., e que foi reembolsado nos vencimentos das faturas. Tenta comprovar suas assertivas apenas com informações e quadros demonstrativos inclusos na peça impugnatória e com a "Planilha de Gastos Casa do Folclore Cartões de Créditos Gilberto Rezende" às fls. 540/543. No entanto, não anexa qualquer documento comprobatório de que as compras realizadas com seus cartões de crédito foram destinadas às suas empresas, tampouco que os gastos efetuados tenham sido ressarcidos por estas. Ou seja, não prova que as despesas correspondentes tenham sido suportadas por terceiros. Neste ponto cumpre ressaltar que os cartões de crédito são documentos pessoais intransferíveis, sendo lícito concluir, salvo prova em contrário, que as despesas ali registradas correram por conta próprio titular, no usufruto de seus rendimentos. Vale lembrar que o lançamento do IRPF com base na variação patrimonial a descoberto é uma presunção relativa, que pode ser contraditada pelo contribuinte, mas desde que este traga provas contundentes de suas alegações. Alegações desprovidas de provas não podem ser acolhidas em casos desta natureza. Neste sentido: IRPF VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO PROCEDIMENTO DE APURAÇÃO As alegações devem ser comprovadas, por todos os meios de provas em direito admitidas. A parte não logrou êxito em comprovar o erro do procedimento fiscal na apuração da variação patrimonial a descoberto. Recurso negado. (Acórdão nº 10244111, de 22.02.2000) Assim, deve a decisão recorrida ser mantida neste sentido. O Recorrente alega ainda que seria confiscatória a multa aplicada ao lançamento. Tal pedido, porém, esbarra em um enunciado da Súmula deste Conselho, este o de nº 2, segundo o qual: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 10972.000059/200919 Acórdão n.º 2102003.248 S2C1T2 Fl. 638 9 Neste caso, apesar do enunciado não tratar diretamente da questão da multa, deve ele ser aplicado ao caso vertente, pois, sendo a multa de ofício uma determinação legal – devidamente prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, não cabe ao julgador administrativo avaliar sobre o seu acerto ou sua tecnicidade, mas somente aplicála. Não havendo previsão legal para a redução da multa de ofício, não pode sua pretensão ser acolhida. Por fim, também não merece acolhida o pedido de exclusão da aplicação da taxa Selic sobre o crédito tributário em discussão. Quanto a este assunto, foi editada a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, segundo a qual: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.”. Por isso, em obediência ao art. 72 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes, deixo de acolher o pedido de afastamento da referida taxa. Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 642DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI
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Numero do processo: 11128.009552/2007-48
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/04/2003
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA.
Não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. Precedentes.
Numero da decisão: 3803-006.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. O conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões. Vencidos os conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Demes Brito, que negavam provimento. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Ana Paula Mendes Gesing, OAB-DF 39387.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 29/04/2003 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA. Não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. Precedentes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1913; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 8 1 7 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.009552/200748 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.004 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de abril de 2014 Matéria Reconhecimento de Crédito Restituição Recorrente PANASONIC DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/04/2003 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA. Não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. Precedentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. O conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões. Vencidos os conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Demes Brito, que negavam provimento. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Ana Paula Mendes Gesing, OAB DF 39387. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 95 52 /2 00 7- 48 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório A contribuinte protocolou junto à Inspetoria da Alfândega de Santos Pedido de Reconhecimento de Crédito Tributário e Restituição, com fulcro no art. 2º e seguintes da IN SRF nº 600/05. Desse pedido consta: Informações acerca da incorporação da PANASONIC DO BRASIL LTDA pela sucessora PANASONIC DO BRASIL LIMITADA (atual denominação de PANASONIC DA AMAZÔNIA S.A.); Que importou mercadorias produzidas no México, que posteriormente foram enviadas para os EUA, onde embarcaram para o Brasil ao amparo da DI nº 03/03571963, em operação de comercialização internacional, havendo as mesmas sido desembaraçadas na Alfândega de Santos em 29/04/2003. Que o México é país signatário da ALADI e, por tal razão, faz jus à redução de 20% sobre a alíquota normal do imposto de importação, independentemente da localização geográfica do exportador, no caso os EUA. Que no ato de registro da DI no SISCOMEX o reconhecimento da redução da alíquota de imposto de importação não foi possível, pois esse sistema de processamento de dados administrado pela SRF e SECEX, somente admite a aplicação de redução tarifária da ALADI nos casos em que o exportador esteja localizado em país membro da referida Associação, contrariando, assim, o sistema jurídico vigente, que permite a realização da operação praticada. Que o preenchimento dos campos da referida DI no SISCOMEX foi realizado nos termos seguintes: “Exportador Nome: AMAC CORPORATION País: ESTADOS UNIDOS. E Fabricante/Produtor Nome: KYUSHU MATSUSHITA DE BAJA CALIFÓRNIA País: MÉXICO. Que em razão do exposto foi compelida ao recolhimento integral do imposto de importação (débito automático em conta corrente), eis que o SISCOMEX não reconhece o seu direito, que pode ser devidamente comprovado mediante a apresentação do certificado de origem. Nas razões de direito aduziu pela expressa previsão para a realização da operação de importação e da redução tarifária nos moldes referenciados (Decretos nºs 90782/85 e 98.874/90 – redução de 20% por parte do país exportador), ex vi da Resolução nº 252 do Comitê de Representantes da ALADI, cuja regulamentação no Brasil deuse com a edição do Decreto nº 3.325/99, DOU de 31/12/1999. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.009552/200748 Acórdão n.º 3803006.004 S3TE03 Fl. 9 3 A contribuinte também formulou consulta à COANA acerca do preenchimento da DI para fruição de benefício de preferência tarifária, obtendo a orientação adequada nesse sentido, por meio do Ofício nº 2006/00263 – COANA, CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira, bem assim o reconhecimento, em tese, de que houve o cumprimento da expedição direta, em realização de operação de importação de mercadorias já descrita (fls. 75/78). A contribuinte formalizou o Pedido de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito de R$ 29.589,19 (fls.), havendo o pedido sido indeferido através de Despacho Decisório nº 143/2011, da lavra do Grupo de Restituição e Parcelamento – GRESP (fls.), sob a alegação de que as mercadorias produzidas no México foram transacionadas com empresa sediada nos EUA, conforme fatura comercial TI104, doc de fl., foram descarregadas em solo americano e, no dia 19/03/2003 foi emitida a fatura comercial PC 08622 (fls.79/80) pela AMAC CORPORATION, empresa sediada nos EUA, em favor da interessada, PANACONIC DO BRASIL LTDA, sendo as mercadorias embarcadas para o Brasil em 10/04/2003, procedentes de Houston (EUA), conforme conhecimento de Embarque (BL) de fls., portanto a mercadoria foi, no seu entender, faturada por operador de terceiro país, não integrante da ALADI (EUA), conforme atesta o Certificado de Origem em questão. Em face do pedido de restituição de Imposto de Importação formalizado pela contribuinte foi exarado o Despacho Decisório de nº 161/20111 pelo Servido de Orientação e Análise Tributária da Alfândega no Porto de Santos (fls. 135/137), que indeferiu o pleito, eis que a interessada não logrou atender as condições elencadas na alínea ‘b’ do item quatro do art. 1º, da Resolução ALADI nº 252, em especial as constantes nos incisos ‘i’ e ‘ii’, já que as mercadorias não transitaram pelo território dos EUA por motivos geográficos ou por requerimentos de transporte e estavam destinadas a comércio por empresa sediada naquele país. Inconformado o sujeito passivo interpôs a sua manifestação de inconformidade, protestando que o único fundamento para o indeferimento da restituição é o fato das mercadorias originárias do México terem transitado pelos Estados Unidos antes de serem remetidas ao Brasil; bem assim que o procedimento adotado pela Impugnante não feriu nenhuma disposição do acordo firmado no âmbito da ALADI, devendo tal despacho ser reformado, reiterando, ademais, as razões de fato e de direito aduzidas no pedido de reconhecimento de crédito (fls. 01/ ), para requer a declaração de ineficácia do referido despacho, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e a restituição do indébito. Há o reconhecimento do direito creditório, por meio do contido no Despacho Decisório DRF/SOROCABA/SEORT nº 538, de 19/08/2010, que deferiu o pedido anteriormente formulado pela contribuinte nos autos do processo administrativo nº 10855.003858/200894 (fls. 174/175), a título de precedente. Conclusos foram os autos submetidos ao pronunciamento da 2ª Turma da DRJ/SP2, que por através do Acórdão nº 1755.337, de 17/11/2011 proferiu decisão, cuja ementa transcrevese adiante. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Fl. 286DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Data do fato gerador: 29/04/2003 Solicitação de RECONHECIMENTO DO CREDITO TRIBUTÁRIO, em virtude de mercadoria produzida no México, país integrante da ALADI, pleiteando o direito à redução do Imposto de Importação de 20% sobre a alíquota normal. A alínea b), do item quatro, do artigo 19, do DECRETO n° 3.325 de 31/12/199 DOU 31/12/1999, impõe três condições simultâneas para que se contemplem a redução do Imposto. A interessada não logrou êxito em justificar que a mercadoria transitou pelos Estados Unidos da América do Norte por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. O entendimento vazado na decisão em comento segue a mesma linha daquele profligado no Despacho Decisório nº 143/2011, da lavra do Grupo de Restituição e Parcelamento – GRESP de que a mercadoria em questão foi faturada por operador de terceiro país, não integrante da ALADI (EUA), e que não foram atendidas as condições elencadas na alínea ‘b’ do item quatro do artigo 1º da Resolução ALADI nº 252, em especial as constantes nos incisos “I” e “II”, já que as mercadorias não transitaram pelo território dos EUA por motivos geográficos ou por requerimento de transporte e estavam destinadas a comércio por empresa sediada naquele país. Acerca da Decisão nº 203, proferida pela Divisão de Tributação da 8ª RF, pautouse o entendimento exarado no acórdão suso mencionado, que a mesma se refere a INTERMEDIAÇÃO DE EMPRESA DE TERCEIRO PAÍS NÃO MEMBRO DA ASSOCIAÇÃO, não refletindo a situação em comento, ou seja, mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes. Além disso, não faz qualquer concessão quanto às exigências solicitadas pelo artigo 19, do DECRETO n° 3.325 de 31/12/199 DOU 31/12/1999. No que atine às duas decisões proferidas na instância superior administrativa e colacionadas aos autos pela interessada, o voto condutor assinalou que ambas possuem o mesmo teor e, em que pese o respeito ao entendimento esposado e suas razões, não é essa a conclusão que se depreende das exigências da alínea b), do item quatro, do artigo 19, do DECRETO n° 3.325 de 31/12/199 DOU 31/12/1999. É explicita a exigência de que as únicas justificativas para trânsito por um ou mais países não participantes são por motivos geográficos ou por requerimentos de transporte e estavam destinadas a comércio por empresa sediada naquele país, o que a interessada não comprovou. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 08/12/2011 e protocolou o seu recurso voluntário na DRF em Campinas/SP, em 06/01/2012, reiterando as mesmas razões de fato e de direito expendidas na exordial, entretanto de maneira pormenorizada, haja vista que a operação de importação foi realizada nos moldes da Resolução nº 252, art. 1º, item quatro, alínea ‘b’, “I” e “II” e item nono, do Comitê de Representantes da ALADI, ex vi do Decreto nº 3.325/99, DOU de 31/12/99. Aduziu, inclusive, que no âmbito da ALADI admitese que a mercadoria produzida em um determinado País (ex: México) seja embarcada para o Brasil com trânsito em Fl. 287DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.009552/200748 Acórdão n.º 3803006.004 S3TE03 Fl. 10 5 terceiro País que não seja membro da referida associação (ex: Estados Unidos), devendo, nesta situação, indicar no campo “observações” do Certificado de Origem que a mercadoria será faturada por terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do exportador (“que em definitivo será o que fature a operação a destino”). Persiste na defesa de que o trânsito das mercadorias por território de país não membro da ALADI se deu por conveniência geográfica, implicando inclusive em redução de custos operacionais; que apesar de o México ter acesso ao Oceano Atlântico, como consignado na decisão recorrida, o Porto de Houston oferece condições infinitamente melhores que os portos mexicanos com saída para esse oceano. Ressalta que se trata de uma questão de logística, em razão de maior facilidade e conveniência, motivos o bastante para todas as empresas do mesmo grupo adotar esse caminho para o transporte das mercadorias: México – EUA – Brasil, sem que haja qualquer benefício outro para a Recorrente. Tanto é assim que a própria documentação já indicava o destinatário final. Enfatizou a Recorrente que a eventual falta de justificativa para a operação ter como etapa os EUA antes do destino final (Brasil), alegada no acórdão combatido, não serve como referência para a mitigação do direito creditório, ora pleiteado, pois toda a documentação que acompanhava a DI, já anexada ao pedido de restituição, faz prova do direito a redução tarifária que, não foi concedida no desembaraço por exclusiva impossibilidade técnica do próprio SISCOMEX, inclusive o doc. 10 anexo ao pedido de restituição que menciona como destino final das mercadorias a PANASONIC DO BRAZIL LTDA, restando demonstrado portanto, que desde a entrada das mercadorias nos EUA já havia a consignação de que seu destino final seria o Brasil. Consubstanciou o alegado mencionando a Decisão nº 203, DOU de 15/09/1999, proferida pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, que foi ratificada pelo Ofício nº 2006/00263 da COANA, além de jurisprudência administrativa na qual é parte interessada, por meio dos Acórdãos nº CSRF/0304.584 (11128.000691/0050) e CSRF/03 04.585 (11128.000687/0082), cuja ementa se reproduz: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ACORDO ALADI – REDUÇÃO TARIFÁRIA – TRIANGULAÇÃO – não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante, por inteligência do art. 4º, alínea ‘b’, e seus itens, do Regime Geral de Origem, da Resolução 78, firmado entre o Brasil e a Associação Latino americana de Integração – ALADI, aprovado pelo Decreto nº 98.874/90. Recurso especial provido. Cumpridas as exigências requer o provimento do recurso e a declaração de nulidade do acórdão recorrido pelo cerceamento do direito de defesa. É o relatório. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A querela devolvida a este Colegiado resumese ao atendimento ou não das condições elencadas na Resolução ALADI nº 252, para fazer jus ao beneplácito da redução em 20% da tarifação do imposto de importação, na operação realizada. A questão inaugural pelo ponto de vista de elemento material de prova restringese à verificação da origem da mercadoria, do local de embarque e do seu destino final. O Certificado de Origem informa como: PAIS EXPORTADOR ESTADOS UNIDOS MEXICANOS PAIS IMPORTADOR BRASIL, além da norma que dá amparo à operação de importação com direito a fruição de redução da alíquota (fl.). No mesmo sentido o documento, denominado: “TRANSPORTATION ENTRY AND MANIFESTO OF GOODS SUBJECT TO CUSTOMS INSPECTION AND PERMIT UNITED STATES CUSTOMS SERVICE”, informa que a mercadoria ali registrada foi importada do México, em, por meio de caminhão, via direta, tendo por porto estrangeiro de embarque BAJA CALIFORNIA e como destino final SÃO SEBASTIÃO, PANASONIC DO BRASIL LTDA, Rodovia Presidente Dutra, KM 155, Brasil. Igualmente a fatura, o BILL OF LADIN, informa que o local de recebimento da mercadoria como sendo TIJUANA, México, o porto de embarque como sendo HOUSTON e de desembarque como sendo o Porto de Santos. Do ponto de vista da legislação temse que o Decreto nº 3.325/99, DOU de 31/12/99, dispõe sobre a execução da Resolução nº 252, do Comitê de Representantes da ALADI. Assim dispõe o art. 1º dessa Resolução: Art. 1º. A Resolução nº 252, que aprova o texto consolidado e ordenado da Resolução nº 78, do Comitê de Representantes da Associação Latinoamericana de Integração, apensa por cópia a este Decreto, deverá ser executada e cumprida tão inteiramente como nela se contem. Por sua vez o item quarto dessa Resolução estabelece: Quarto – Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considerase com expedição direta: (...); Fl. 289DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.009552/200748 Acórdão n.º 3803006.004 S3TE03 Fl. 11 7 As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. Finalmente, o item nono do mesmo normativo assim registra: Nono. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Do exposto é possível se fazer as seguintes inferências: (i) As mercadorias importadas sob o amparo da DI nº 03/03571963, de 29/04/2003, efetivamente tiveram como origem o País do México, transitaram pelos EUA, e tiveram como destino final o Brasil; (ii) A operação de importação em comento seguiu de acordo com as orientações contidas no item ‘b’ e alíneas ‘i’ e ‘ii’ do artigo 1º da Resolução nº 252; Em razão do tipo de operação de importação por ela realizada, a Recorrente alegou que teria direito à redução do imposto de importação de 20% sobre a alíquota normal, bem assim que por ocasião do registro da DI no SISCOMEX, o referido sistema não reconheceu esse direito. O imbróglio ensejou a realização de consulta pela ora Recorrente formulada à SRF sob o protocolo nº 3633/2006, em 27/07/06, sobre o preenchimento de declaração de importação para fruição de benefício de preferência tarifária. Tais assertivas constam do Of. nº 2006/00263, de 06/10/06, expedido pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira, cujos itens 5 a 12 explicitam que houve o cumprimento da expedição direta para as mercadorias em comento, como também o contido no item 13 esclarece sobre o preenchimento da DI para fim de fruição do benefício de preferência tarifária, ex vi do Anexo I da IN SRF nº 206/02, art. 10. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Seguindo a orientação contida no ofício suso mencionado a Recorrente protocolou na unidade preparadora o Pedido de Cancelamento ou de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito no valor de R$ 23.622,41 (fls.174/175). A título de precedente há o pedido de reconhecimento de direito creditório formulado pela Recorrente nos autos do processo nº 10855.003858/200894, o qual foi deferido por meio do Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT nº 538, de 19/08/10 (fls. 174/175), que reconheceu o direito creditório no valor de R$ 23.622,41, relativo ao imposto de importação. Ainda em Relação ao tema a Recorrente trouxe à baila a Decisão nº 203, DOU de 15/09/99, proferida pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, como também jurisprudência administrativa, na qual é parte interessada, com vistas à consubstanciar os seus argumentos. Ora, há o reconhecimento expresso pelos órgãos oficiais, seja no âmbito regional ou nacional, de que na importação de mercadorias, nas condições supramencionadas, devem as mesmas se beneficiar de alíquotas preferenciais por atender os requisitos previstos na Resolução 252 do Comitê de Representantes da ALADI. Ressaltese que o Despacho Decisório nº 143/2011, apenas analisou os mesmos documentos colacionados aos autos e concluiu que as mercadorias não podem ser beneficiadas com a redução pretendida, pois supostamente foram transacionadas com uma empresa sediada nos EUA, mediante fatura comercial TI 327, foram descarregadas em solo americano e depois foi emitida fatura comercial PC08680 (fls.), ou seja, em razão da mercadoria haver sido faturada por operador em terceiro país, não integrante da ALADI. Data vênia, consoante o disposto na legislação pertinente já mencionada, não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício d o direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. São precedentes o Acórdão CSRF/0304.584 e CSRF/0304.585, mencionados pela Recorrente. Ante todo o exposto oriento meu voto para dar provimento ao recurso interposto, para reconhecer o direito creditório. É assim que voto. Sala de Sessões, em 23 de abril de 2014. Jorge Victor Rodrigues –Relator Fl. 291DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11128.009552/200748 Acórdão n.º 3803006.004 S3TE03 Fl. 12 9 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11080.901298/2009-97
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal que estabeleceu a previsão.
Numero da decisão: 3803-006.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÃO. PROVA. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A extinção de débitos mediante compensação declarada pelo sujeito passivo condicionase a ulterior comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal que estabeleceu a previsão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 12 98 /2 00 9- 97 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o acórdão da DRJ/Porto Alegre que considerou improcedente a manifestação de inconformidade Despacho decisório da DRF/Porto Alegre não homologou a compensação declarada pela Contribuinte por inexistência do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep perante a Fazenda Nacional, tendo o órgão de origem localizado o DARF indicado na DComp, porém dele não restando saldo credor para utilização na presente compensação. Em manifestação de inconformidade a Interessada alegou que o crédito utilizado era decorrente: a) de pagamento indevido sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável, com base no art. 3°, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/1998, tendo havido burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração; b) da inclusão do ICMS na base de cálculo. Defendeu, ainda, o prazo prescricional de dez anos para que os contribuintes exerçam seus direitos aos indébitos frente ao Fisco. Em julgamento da lide, a DRJ Porto Alegre considerou que o dispositivo legal invocado não atuou em sua eficácia, dada a falta de sua regulamentação pela RFB, tendo sido revogado em julho de 2000. Aduziu também que a Contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento comprobatório dos repasses, e, portanto, do direito alegado. A decisão foi ementada com segue: Assumo: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2000 3 31/05/2000 Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a Comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Cientificada da decisão em 31 de março de 2010, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário em 29 de abril de 2010, em que reitera os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, sustentando, adicionalmente, o seu direito com base na vacatio legis resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98). É o Relatório. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.901298/200997 Acórdão n.º 3803006.882 S3TE03 Fl. 83 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Tenhase que somente no recurso voluntário foi apresentado o fundamento da ocorrência de vacatio legis, resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98), para sustentar a legitimidade do crédito utilizado na DComp. Esta matéria não foi prequestionada perante a primeira instância, não se tendo instaurado quanto a ela o litígio. Portanto, não pode ser conhecida. Na parte que se conhece, nada há a reparar na decisão recorrida, ao aduzir à ausência de produção de efeitos do dispositivo legal trazido à baila pela Manifestante, o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98[1], que fazia previsão para a exclusão da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins dos valores recebidos como receita e que foram repassados a terceiros. Com efeito, esta previsão legal, ao referir que as exclusões de tais valores deveriam observar as regras regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo, constituiuas, sistemicamente, em obstáculo material a ser transposto para a concreção da eficácia (técnica) de tal preceito, como complemento sintático e integrador do texto legal. O legislador ao outorgar tal benefício tributário condicionou o seu gozo. Optou por delegar ao Poder Executivo a tarefa de estabelecer os contornos de como se aperfeiçoaria o benefício, decisão tomada ao amparo da sua autonomia legislativa. Dessa forma, a inexistência da regulamentação impediu mesmo a geração de efeitos do dito texto legal. E neste entendimento consolidouse a jurisprudência deste Conselho e precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 1 [...]§ 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo [...]; Fl. 84DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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