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Numero do processo: 10140.002673/2003-12
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Aug 25 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Fri Aug 25 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 302-01.300
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto da relatora
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO
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Numero do processo: 10384.001021/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2006
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO PRESTADA NO PRAZO DE VINTE DIAS APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL.
A declaração prestada após início de procedimento fiscal, ainda que no prazo de vinte dias estabelecido no art. 47 da Lei nº 9.430/96, não é hábil para tornar espontânea a denúncia das infrações nela corrigidas.
IRRF. PAGAMENTO A TERCEIRO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU DE SUA CAUSA.
Havendo pagamento a terceiro, e não comprovada a operação ou sua causa, é correta a tributação exclusiva na fonte, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/95.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A redução sistemática de receitas
na transposição de valores escriturados para as declarações entregues, sem qualquer justificativa plausível, evidencia o intuito de fraude.
SOLIDARIEDADE. ART. 124, I, CTN. FUNDAMENTO JURÍDICO DA
RESPONSABILIDADE NÃO DECLINADO. EQUIPARAÇÃO À RESPONSABILIDADE. INOCORRÊNCIA.
A solidariedade prevista no art. 124, I, CTN, não se equipara a hipótese de responsabilidade, e não prescinde da correta fundamentação jurídica da responsabilidade tributária, a qual deve ser declinada pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 1302-000.490
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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DECLARAÇÃO PRESTADA NO PRAZO DE VINTE DIAS APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. A declaração prestada após início de procedimento fiscal, ainda que no prazo de vinte dias estabelecido no art. 47 da Lei nº 9.430/96, não é hábil para tornar espontânea a denúncia das infrações nela corrigidas. IRRF. PAGAMENTO A TERCEIRO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU DE SUA CAUSA. Havendo pagamento a terceiro, e não comprovada a operação ou sua causa, é correta a tributação exclusiva na fonte, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/95. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A redução sistemática de receitas na transposição de valores escriturados para as declarações entregues, sem qualquer justificativa plausível, evidencia o intuito de fraude. SOLIDARIEDADE. ART. 124, I, CTN. FUNDAMENTO JURÍDICO DA RESPONSABILIDADE NÃO DECLINADO. EQUIPARAÇÃO À RESPONSABILIDADE. INOCORRÊNCIA. A solidariedade prevista no art. 124, I, CTN, não se equipara a hipótese de responsabilidade, e não prescinde da correta fundamentação jurídica da responsabilidade tributária, a qual deve ser declinada pela autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade e Daniel Salgueiro da Silva. Relatório Por bem descrever os eventos ocorridos até o momento de seu relato, adoto o relatório produzido na DRJ. Contra o Sujeito Passivo acima identificado foram lavrados Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Reflexos, fls. 02/34, para formalização e cobrança dos créditos tributários neles estipulados no valor total de R$ 2.669.517,60, inclusive encargos legais. Os itens apurados pela Fiscalização, relatados na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 04/05 e no Termo de Verificação às fls. 35/42, foram os seguintes: 001 FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE IMPOSTO INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO DE IRPJ Valores apurados conforme planilha Demonstrativo de Diferenças Apuradas, anexa ao Termo de Constatação Fiscal n° 0002 (docs.às fls 82 a 86). Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/03/2006 R$ 91.273,00 150,00 30/06/2006 R$ 164.183,13 150,00 30/09/2006 R$ 169.263,33 150,00 31/12/2006 R$ 195.704,83 150,00 ENQUADRAMENTO LEGAL: Arts. 516, §§ 4º e 5º, 541, 841, incisos I e III e IV, do RIR/99. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10384.001021/200985 Acórdão n.º 130200.490 S1C3T2 Fl. 559 3 No citado Termo de Constatação Fiscal, o auditor fiscal autuante, ao descrever os fatos, expõe que: “1. Da fiscalizada e sua atividade Tratase de uma sociedade empresarial que atua no ramo de prestação de serviços gerais: limpeza e conservação de prédios e vias públicas, locação de mão deobra temporária, locação de veículos, transporte rodoviários de malas e malotes, dentre outras. No ano de 2006, contratou e prestou serviços a várias empresas e órgãos públicos, dentre os quais Departamento Estadual de TrânsitoDETRANPI, Fundação Universidade Estadual do PiauíFUESPI, Procuradoria Regional do Trabalho da 22ª Região, 2º Batalhão de Engenharia de Construção, Águas e Esgoto do Piauí S/A Agespisa. 2. Da fiscalização e sua abrangência A fiscalização foi determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 0330100200800488 e foi direcionada para a operação Clientes x Fornecedores que tem por objetivo o cruzamento de informações colhidas juntos aos tomadores dos serviços com as informações constantes das declarações dos tributos declarados (ou pagos) pela fiscalizada, relativamente ao anocalendário de 2006. 3. Do início da fiscalização Com base nas informações retrocitadas, a fiscalização compareceu ao endereço da fiscalizada, em 10/10/2008, onde foi dada ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal, informando da existência do Mandado de Procedimento Fiscal, tendo sido solicitada a apresentação dos livros e documentos necessários ao desenvolvimento dos trabalhos. Na oportunidade, foi solicitada a presença de um dos sócios da fiscalizada a fim de tomar ciência do termo de início do procedimento fiscal, de pronto fomos informados de que o responsável pelos negócios da fiscalizada é o senhor Miguel Avelar de Castro Monteiro. Não se encontrando o mesmo no local, a ciência foi dada ao senhor Derivaldo de Brito Brandão, CPF n° 768.143.00320, que se apresentou como preposto. 4. Dos Sócios Consta do Contrato Social, e Aditivos posteriores, que os sócios da fiscalizada são os senhores Raimundo Rocha Pereira Júnior, CPF n° 347.266.243 34, residente atualmente na QD 19, Casa 52, no Residencial Planalto Uruguai, em Teresina, e João Francisco Pereira de Carvalho, CPF n° 133.885.41353, residente na QD12, Casa 13, Conj. Santa Fé, em Teresina, cabendo a cada um 50% do Capital Social. Ressaltese aqui que obtivemos junto ao cartório do 1º Ofício de Notas e Registro de Imóveis, Certidões da existência de procurações públicas firmadas pelos sócios da fiscalizada nomeando e constituindo o senhor Miguel Avelar de Castro Monteiro, CPF n° 232.150.46334, residente na Rua José Omatti n° 3013, bairro Ilhotas, nesta capital, como procurador, com amplos, gerais e ilimitados poderes para tratar de todos os negócios da fiscalizada. 5. Da auditoriafiscal Inicialmente, verificamos que a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa JurídicaDIPJ do anocalendário sob fiscalização (2006) foi apresentada com os valores zerados, ou seja, sem qualquer informação das receitas obtidas. Com relação aos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sócias DACON, originalmente apresentados, verificamos que os valores informados a título de receita da venda de bens e serviços no total de R$ Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 871.819,71 estão muito aquém dos valores das receitas efetivamente auferidas naquele ano, que totalizam R$ 10.069.981,21, conforme demonstrado na planilha a seguir: Mês Receitas Apuradas (conforme Notas Fiscais da prestação de serviçosLivro Registro de ISS) Receitas Informadas na DACON Original jan/06 363.025,44 30.000,00 fev/06 647.806,22 74.603,07 mar/06 563.324,96 30.000,00 abr/06 893.605,24 84.456,33 mai/06 894.542,67 81.267,00 jun/06 884.697,03 74.743,33 jul/06 944.771,54 78.049,33 ago/06 912.573,72 81.499,33 set/06 871.813,97 78.002,66 out/06 831.848,52 78.002,66 nov/06 1.001.104,74 83.792,00 dez/06 1.260.867,16 97.404,00 TOTAL 10.069.981,21 871.819,71 Ressaltamos que, somente após o início da ação fiscal, a fiscalizada apresentou à Secretaria da Receita Federal do Brasil declaração DIPJ retificadora (em 30/10/2008) e demonstrativos DACON retificadores (em 28/10/2008), trazendo agora as informações corretas, conforme apurado pela fiscalização. A fiscalizada apura o IRPJ com base na sistemática do Lucro Presumido, e escritura apenas o Livro Caixa. 5.1 Das infrações apuradas De posse dos valores das receitas obtidas através da soma das notas fiscais da prestação de serviços, conforme relacionados acima, e que se encontram escrituradas no livro de apuração do ISS, procedemos a apuração dos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (conforme planilhas Demonstrativo de Diferenças Apuradas, anexas ao Termo de Constatação Fiscal n° 0002) e comparamos com os valores efetivamente declarados em Declarações de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF, que foram apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, tendo resultado nas diferenças a seguir discriminadas: IMPOSTO DE RENDA PJ LUCRO PRESUMIDO Período de Apuração IRPJ a pagar Débito Declarado DCTF Diferença apurada 31/03/2006 97.480,40 6.207,40 91.273,00 30/06/2006 173.484,06 9.300,93 164.183,13 30/09/2006 177.946,34 8.683,01 169.263,33 31/12/2006 204.826,08 9.121,25 195.704,83 TOTAL 653.736,88 33.312,59 620.424,29 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO Período de Apuração CSLL a pagar Débito Declarado DCTF Diferença apurada 31/03/2006 33.817,63 2.446,04 31.371,59 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10384.001021/200985 Acórdão n.º 130200.490 S1C3T2 Fl. 560 5 30/06/2006 56.166,79 4.061,33 52.105,46 30/09/2006 57.155,12 4.165,51 52.989,61 31/12/2006 TOTAL 66.782,42 213.921,96 3.831,99 14.504,87 62.950,43 199.417,09 COFINS INCIDÊNCIA CUMULATIVA Período de Apuração COFINS a pagar Débito Declarado DCTF Diferença apurada 31/01/2006 900,00 900,00 28/02/2006 7.777,78 2.238,10 5.539,68 31/03/2006 4.726,65 900,00 3.826,65 30/04/2006 5.770,88 2.533,69 3.237,19 31/05/2006 6.212,92 2.438,01 3.774,91 30/06/2006 5.566,34 2.242,30 3.324,04 31/07/2006 6.085,11 2.341,48 3.743,63 31/08/2006 6.824,96 2.444,98 4.379,98 30/09/2006 4.858,13 2.340,08 2.518,05 31/10/2006 4.318,19 2.340,08 1.978,11 30/11/2006 8.909,29 2.513,76 6.395,53 31/12/2006 12.738,50 2.922,12 9.816,38 TOTAL 74.688,75 26.154,60 48.534,15 PIS – INCIDÊNCIA CUMULATIVA Período de Apuração PIS a pagar ( d = b c ) Débito Declarado DCTF(e) Diferença apurada ( d e) ou (d f) 31/01/2006 230,00 230,00 28/02/2006 1.515,46 484,92 1.030,54 31/03/2006 1.024,08 230,00 794,08 30/04/2006 1.199,07 583,97 615,10 31/05/2006 1.349,84 571,07 778,77 30/06/2006 1.205,62 520,83 684,79 31/07/2006 1.318,06 559,32 758,74 31/08/2006 1.458,62 605,25 853,37 30/09/2006 1.059,82 582,52 477,30 31/10/2006 938,34 582,52 355,82 30/11/2006 1.930,34 677,15 1.253,19 31/12/2006 2.759,00 633,13 2.125,87 TOTAL 15.988,24 6.260,68 9.727,56 Após apuração das diferenças, foi emitido o Termo de Constatação Fiscal n° 0002, em que foi solicitada a manifestação da fiscalizada sobre as diferenças apuradas. Em resposta, a fiscalizada informou não ter nada a acrescentar. Desta forma, os valores das diferenças apuradas estão sendo objeto de lançamento de ofício através de Autos de Infração, emitidos nesta data. 5.2 Do Pagamento sem causa Identificamos ainda a existência de transferência de recursos da fiscalizada para pessoa ligada ao senhor Miguel Avelar, como no caso dos cheques n° 900048 e 000293, nos valores de R$ 140.000,00 e R$ 60.000,00 que foram emitidos em benefício da senhora Maria das Virgens Rocha Monteiro (cônjuge do mesmo), sem Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 6 nenhuma obrigação da empresa para tal. Segundo informações da fiscalizada, atendendo ao nosso termo de intimação fiscal n° 004, os recursos foram repassados a título de "doação gratuita". Desconsideramos tais alegações, uma vez que não foram apresentados documentos comprobatórios; além do mais, não seria plausível a doação de tais quantias, enquanto que os próprios sócios receberam naquele ano quantias bem mais modestas (cerca de apenas R$ 55.000,00, conforme informado no curso dessa fiscalização), restando caracterizada a infração denominada "pagamento sem causa", cuja tributação será efetuada nos termos do artigo 674 e parágrafos, do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de RendaRIR/99). 5.3 Da multa qualificada Analisandose as informações acima, concluise que em relação ao IRPJ e a CSLL houve uma insuficiência de declaração e recolhimento em todos os trimestres de apuração do anocalendário de 2006. Do IRPJ devido no ano de 2006, que totalizou o valor de R$ 653.736,88, a fiscalizada declarou e efetivamente recolheu apenas a quantia de R$ 33.312,59, cerca de 5% do valor devido, tendo sonegado o total de R$ 620.424,29. Com relação à CSLL, do total devido de R$ 213.921,96, houve declaração e pagamento somente da quantia de R$ 14.504,87, menos de 7% do valor devido, tendo havido sonegação no valor de R$ 199.417,09. Relativamente à COFINS e ao PIS, também ocorreu sonegação em todos os períodos de apuração do ano 2006, com exceção do mês de janeiro. Do valor devido no ano de 2006 a título de COFINS que totalizou R$ 74.688,75, a fiscalizada declarou e recolheu apenas o total de R$ R$ 26.154,60, cerca de 35%, tendo sonegado a quantia de R$ 48.534,15. Em relação ao PIS, do valor devido no ano de 2006, R$ 15.988,24, a fiscalizada declarou e recolheu somente a importância de R$ 6.260,68, cerca de 39%, tendo efetivamente sonegado a importância de R$ 9.727,56. Como se verifica, houve uma conduta habitual do contribuinte em declarar e pagar os tributos federais em valores muito inferiores aos efetivamente devidos. No tocante ao IRPJ e à CSLL, houve sonegação, em todos os trimestres do ano de 2006, que conforme demonstrado anteriormente, somente uma pequena parte foi objeto de declaração e pagamento. Com relação ao PIS e à COFINS ocorreu situação idêntica, onde praticamente em todos os meses de 2006, com exceção de janeiro, houve sonegação daqueles tributos, sendo os valores efetivamente declarados e pagos inferiores à metade dos valores devidos. De acordo com as informações ora apresentadas, constatase que a fiscalizada praticou condutas que, em tese, configuramse em crimes contra a ordem tributária, nos termos da Lei n°8.137/90, artigos 1º e 2º, ao reduzir o valor dos tributos para eximirse parcialmente do seu pagamento. Em decorrência, será aplicada a multa qualificada de 150% apurada sobre o valor efetivamente sonegado, nos termos do artigo 44 da Lei n° 9.430/96. 6. Da Interposição de Pessoa No decorrer dos trabalhos de fiscalização, constatamos a existência de elementos que caracterizam o que em direito se denomina "interposição de pessoas". Os sócios atuais, que foram admitidos em substituição aos sócios originais (desde meado de 1997), são pessoas que desconhecem as operações de gestão da própria empresa que se dizem possuir. São pessoas que demonstram incapacidade para administrar empresa de tal porte. Além do mais, suas situações financeiras e patrimoniais se mostram incompatíveis com o volume de recursos movimentados. Apesar de constar de suas declarações de rendimentosDIRPF dos anoscalendário 2006 e 2007, uma movimentação expressiva de valores, o sócio senhor Raimundo Rocha Pereira Júnior declarou a essa fiscalização (Termo de Declaração n° 001), possuir apenas um carro popular adquirido juntamente com sua Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10384.001021/200985 Acórdão n.º 130200.490 S1C3T2 Fl. 561 7 irmã, e que não possui residência própria. Já o outro sócio, senhor João Francisco Pereira de Carvalho informou (Termo de Declaração n° 002) que possui como bens apenas a própria residência, em bairro periférico desta capital. Poderseia firmar convicção de que tais pessoas estão mais na qualidade de simples funcionários da fiscalizada, se tanto. Temos ainda como elemento caracterizador da interposição de pessoas, a existência de procuração pública que confere amplos, gerais e ilimitados poderes para tratar de todos os negócios da fiscalizada, outorgados à pessoa do senhor Miguel Avelar de Castro Monteiro, CPF n° 232.150.46334, desde o início dos negócios pelos sócios atuais. O local onde funciona a sede da empresa, na rua Rio Grande do Sul n° 595, nesta capital, é de propriedade do senhor Miguel Avelar (conforme consta de sua declaração DIRPF). Somese a isso, a existência de transferência de recursos da fiscalizada para pessoa ligada ao senhor Miguel Avelar, como no caso dos cheques n° 900048 e 000293, nos valores de R$ 140.000,00 e R$ 60.000,00 que foram emitidos em benefício da senhora Maria das Virgens Rocha Monteiro (cônjuge do mesmo), sem nenhuma obrigação da empresa para tal. Segundo informações da fiscalizada, atendendo ao nosso termo de intimação fiscal n° 004, os recursos foram repassados a título de "doação gratuita". Em complemento, verificamos ainda que em consulta às declarações de rendimento dos sócios, relativamente ao anocalendário de 2007, consta que a cada um desses sócios coube a título de Distribuição de Lucros a importância de R$ 325.000,00. Ressaltase, porém, que nas próprias DIRPF dos sócios, tais valores foram "doados" ao senhor Miguel Avelar, naquele mesmo ano, valor que totaliza R$ 650.000,00. Tal fato, acrescidos aos anteriormente citados, demonstra de forma inconteste a existência de interposição de pessoas. Não seria plausível que pessoas com baixa capacidade financeira e patrimonial fizessem doações de tal vulto. Acrescentese ainda o fato de o senhor Raimundo Rocha Pereira Júnior haver declarado através do Termo de Declaração n° 001, não ter conhecimento de haver feito doação de qualquer quantia ao gerente da empresa senhor Miguel Avelar. Assim, após análise detalhada dos fatos anteriormente relatados, firmase a convicção de que o senhor Miguel Avelar constituise no verdadeiro beneficiário dos rendimentos financeiros da fiscalizada. Desta forma, considerandose o teor do artigo 124 e inciso I do Código Tributário Nacional, de que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, estamos emitindo o devido Termo de Responsabilidade Solidária, incluindo o senhor Miguel Avelar de Castro Monteiro como responsável solidário pelos tributos ora lançados. 7. Da Representação Fiscal para Fins Penais Também, no bojo da presente ação fiscal, e por ter sido constatada a existência, em tese, de crimes contra a ordem tributária capitulados nos artigos 1º e 2º da Lei n° 8.137/90, será emitida a competente Representação Fiscal para Fins Penais a ser encaminhada ao Ministério Público Federal, de acordo com a exigência prevista na Portaria SRFB n° 665, de 24/04/2008. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 06/03/2009 (fls. 03), a autuada apresentou impugnação em 06/04/2009, fls. 339/380, alegando o que se segue: “(...) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 8 O valor total do crédito tributário exigido da requerente soma o valor de 2.669.517,60 (dois milhões, seiscentos e sessenta e nove mil, quinhentos e dezessete reais e sessenta centavos), constante do processo n° 10384.001021/200985 de 05/03/2009, que a autuada está impugnando somente em relação ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ, Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, tendo em vista que a impugnante já recolheu aos cofres públicos o valor lançado no presente auto de infração a título de PIS, conforme cópias dos DARFs ora anexado aos autos, aproveitando o beneficio previsto no art. 47 da Lei n° 9.430/96, existindo uma pequena diferença em relação valor do mês de Dezembro de 2006 que está sendo impugnado. II.1 DO MÉRITO II.1.1 DA IMPOSSIBILIDADE DE LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO QUANDO OS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FORAM NOTICIADOS NAS DECLARAÇÕES ENTREGUES PELO CONTRIBUINTE À FISCALIZAÇÃO. CONSTITUIÇÃO POR MEIO DE "AUTOLANÇAMENTO” Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo à declaração do contribuinte, por meio da entrega da DCTF, DIPJ, DACON, e na falta de pagamento da exação no vencimento, mostrase incabível a elaboração de lançamento de ofício. Tais declarações elidem a necessidade da constituição formal do débito pelo fisco, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte. M.M Relator, tal afirmação é construída a partir de uma interpretação sistemática do ordenamento jurídico, que nos levará, com elevado grau de segurança, à conclusão de que a lei confere aos particulares competências para, em muitos casos, declarar, em linguagem competente, a ocorrência do fato jurídico e constituir a relação jurídica tributária, vinculo abstrato que confere ao sujeito ativo o direito de exigir determinado comportamento do sujeito passivo. Nesse sentido, não há como deixar de reconhecer na atividade deste último um ato de aplicação da norma geral e abstrata para o caso concreto. O enunciado expedido pelo particular é denominado ora lançamento por homologação, ora autolançamento. Encontrase sujeito ao controle do Fisco, que o exerce por meio de atos homologatórios, expressos ou tácitos, praticados por agentes investidos de competência específica. Esse enunciado individual e concreto só não pode ser considerado lançamento por lhe faltar a participação do agente público competente, pressuposto à realização do ato. No entanto, submetese ao mesmo regime jurídico que regula a arrecadação, a fiscalização e a extinção de tributos, sendo suficiente para dar nascimento à obrigação tributária e ao respectivo crédito que dela se origina. Assim, o lançamento é prescindível para a fenomelogia da incidência tributária, ao passo que um enunciado individual e concreto (expedido pelo Fisco ou pelo particular) não o é, pois é só partir da expedição de uma norma individual e concreta é que podemos falar no nascimento da obrigação tributária, juntamente com o seu respectivo crédito, pois é só através da aplicação da norma geral e abstrata ao caso concreto é que aquele "evento" que alterou o mundo fenomênico se torna fato jurídico, gerando direitos e obrigações para as partes relacionadas com o fato jurídico. Portanto, ao contribuinte cabe introduzir no sistema, norma individual e concreta, construindo a ocorrência do fato jurídico e estabelecendo a relação jurídica com o Fisco. Uma vez constituído o crédito tributário pelo contribuinte por meio da entrega da DCTF, DIPJ, DACON não há mais do que se falar em decadência, mas sim em prescrição, pois elide a necessidade da constituição formal do débito pelo Fisco, Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10384.001021/200985 Acórdão n.º 130200.490 S1C3T2 Fl. 562 9 podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte. Assim, só caberia o lançamento de ofício dos créditos não declarados ou declarados a menor pelo contribuinte em suas DCTF's e DIPJs, devendo o resto ser inscrito em Dívida Ativa e cobrado pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Este é o entendimento esboçado nos julgados abaixo, vejamos: “(...)” ver fls. 343/345 Desta feita, os tributos declarados em DCTFs e DIPJs, e não pagos na sua totalidade dentro do prazo estabelecido na legislação, não estarão sujeitos a cobrança por parte da autoridade administrativa através de Auto de Infração, ficando afastada a aplicação de multa de Ofício de 75% (setenta e cinco por cento), devendo ser aplicada a multa de mora no percentual de 20% (vinte por cento) incidente sobre o principal, como bem determina o artigo 61, da Lei n° 9.430/96. O Auto de Infração para exigir tributo já declarado, assume a natureza de mero expediente de cobrança do crédito tributário já exigível através de sistemas de contas correntes da Secretaria da Receita Federal, uma vez que os mesmos constam em suas Declarações de Rendimentos apresentadas a esta Secretaria. Para se constituir o crédito tributário basta o contribuinte apresentar qualquer declaração capaz de demonstrar a existência do crédito tributário para que ele se torne de conhecimento da Fazenda Pública. E uma vez o crédito conhecido por parte da Administração Tributária, não pode ser objeto de lançamento de ofício e conseqüentemente ser cobrado multa de ofício. Este é o entendimento esboçado nos julgados abaixo, vejamos: (...) ver fls. 346/348 Analisando o presente caso, constatamos que o presente sujeito passivo entregou no início do procedimento fiscal sua DIPJ e DACON do ano calendário de 2.006, conforme cópias já anexadas aos autos e afirmação dada pela fiscalização no seu termo de constatação. M.M. Julgadores, ocorre que o presente crédito tributário está sendo exigido através de lançamento de ofício, se encontra devidamente informado na Declaração de Informação EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e DACONs no ano calendário de 2.006, apresentada a Secretaria da Receita Federal no início da ação fiscal ao agente administrativo, conforme se comprova com cópia da citada declaração anexada aos autos. Em relação matéria em discussão, se pode ou não haver lançamento de ofício de valores já declarados em DIPJ ou DACON, vejamos o que diz os atos Normativos da Secretaria da Receita Federal. A Instrução Normativa n° 77, de 24/07/98, de autoria do Secretário da Receita Federal, dispõe em seu artigo 1º que "os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do imposto territorial rural (DIRPF, DIRPJ e DITR) quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União." Ora Ilustre Relator, não há motivação legal para exigência do crédito tributário em discussão através de auto de infração, uma vez que foi declarado através de DIPJs (entregue no início do procedimento fiscal a DIPJ 2006 e Fl. 9DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 10 DACONS do 1º e 2º semestres), sendo referidos créditos passíveis de inscrição na dívida ativa da União para efeitos de cobrança. Portanto, não procede a sua exigência através de lançamento de ofício, tendo em vista que o mesmo está sendo ou vai ser exigido através de sistema de conta corrente. Como se sabe, a DIPJ e DACON's é obrigação acessória, e nos termos que dispõe o artigo 5º, do DecretoLei n° 2.124 de 1.984, é documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito tributário. O citado dispositivo legal está regulamento na forma que segue, através do artigo 933 do RIR/99, verbis: INSTITUIÇÃO E ELIMINAÇÃO DE OBRIGAÇÕES ASSESSÓRIAS Art. 933. O Ministro de Estado da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas ao imposto (DecretoLei n° 2.124, de 13 de Junho de 1.984, art. 5º) A competência a que se refere o caput do artigo, foi transferida para a Secretaria da Receita Federal nos termos que segue: “(...) ver fls. 350 De todo o exposto, fica demonstrado que não pode prosperar lançamento de ofício, objeto da presente lide no que tange o ano calendário de 2006, para exigir tributo já declarado, valores ao quais deveriam estar excluídos da presente autuação, fato este que não ocorreu, como também porque não existe amparo legal para impor tal penalidade porque os débitos já eram de conhecimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil. II.1.2 DA IMPOSSIBILIDADE DA COBRANÇA DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE IRRF. BENEFICIÁRIO DEVIDAMENTE IDENTIFICADO. IMPOSSIBILIDADE DE CONCOMITÂNCIA COM A TRIBUTAÇÃO SOBRE OMISSÃO DE RECEITAS Quanto à afirmação do autor do procedimento fiscal de que houve pagamento a beneficiário não identificado, ou cuja causa ou motivação não foi revelado pelo contribuinte nem identificada durante o procedimento de fiscalização, fato que não concordamos, tendo em vista que os pagamentos em discussão foram efetuados em 04/01/2006 e 28/03/2006, a senhora Maria das Virgens Rocha Monteiro, conforme constatado pela fiscalização em decorrência da documentação entregue pela recorrente (fls. 78 a 79). Assim, senhor julgador, o beneficiário está identificado, mesmo porque a aplicação do art. 61, da Lei n° 8.981, de 1.995, está reservada para aquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por omissão de receita, como foi o caso concreto, onde houve a incidência do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, formalizado através da presente autuação. Com a edição da Lei n° 9.249/96, surge clara a opção do legislador pela adoção da tributação segredada, ou seja, se o rendimento foi tributado na pessoa jurídica não será mais tributado, não só na pessoa física como em outra pessoa jurídica, eventual e presumidamente beneficiárias. Nesse novo quadro, temos o desaparecimento do art. 44, que tinha por fim tributar as situações em que, por presunção de que a receita omitida e/ou a redução do lucro líquido era distribuída a sócios que, repetindo, não comportavam a utilização do art. 61, da Lei n° 8.981/95. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10384.001021/200985 Acórdão n.º 130200.490 S1C3T2 Fl. 563 11 Em outras palavras, significa dizer que o art. 61, da Lei n° 8.981/95, evidentemente, não pode ser aplicado às situações que anteriormente eram acobertadas pelo art. 44, da Lei n° 8.541/95. Em sendo assim, a aplicação do art. 61 está reservada para aquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado e, o que é mais importante, desde que o mesmo fato/valor que serve de base, não caracterize hipótese de redução do lucro líquido, quer por receita omitida, quer por glosa de custos e/ou despesas, situações tipicamente submetidas ao IRPJ segundo as normas pertinentes à tributação pelo lucro real ou presumido. Como se colhe da autuação, a questão diz respeito à exigência do IRRFonte incidente sobre pagamentos sem causa e com base de cálculo reajustada nos termos do art. 61 da Lei n° 8.981/95, identificados pela fiscalização através dos pagamentos efetuados a senhora Maria das Virgens Rocha Monteiro, que totalizaram o montante de R$ 200.000,00 no anocalendário de 2006. Feitas essas constatações que revelam o contexto em que está inserida a exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte, sendo que, no caso concreto, temos que analisar e responder três questões, nos termos que segue: 1.Se estamos diante de hipótese de incidência do art. 61 da Lei n° 8.981/95? 2.Se existe o fato gerador em relação à Recorrente? 3.Se as exigências vistas pelo todo, atendem ao princípio da razoabilidade e do não confisco? Para chegar a essas respostas, em primeiro lugar, temos que perquirir se a hipótese de aplicação do Art. 61 da Lei n° 8.981/95 guarda relação com o caso dos autos, fato já analisado pelo conselho de contribuintes em diversos julgados. Começando, vejamos o que dispunha o art. 44 da Lei n° 8.541/92, na redação que lhe foi dada pelo art. 3o da Medida Provisória n° 492/94, convertida na Lei n° 9.064/95: "Art. 44 A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. § 1º O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no dia da omissão ou da redução indevida. § 2º O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios." Por outro lado, temos o preceito legal trazido no enquadramento legal do Auto de Infração, em relação ao imposto de renda retido na fonte, mais precisamente o art. 61 da lei n° 8.981/95: "Art. 61. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1o A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, Fl. 11DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 12 contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74, da Lei n° 8.383, de 1991. § 2o Considerase vencido o imposto de renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado liquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto." Da leitura desses dispositivos, há de se concluir que o art. 61 da Lei n° 8.981/95 não convivia com o art. 44 da Lei n°. 8.541/92, significando dizer que, quando, ainda que por presunção, o rendimento era distribuído aos sócios tinha aplicação o art. 44, nunca o art. 61. Confirmando essa afirmação, temos a disposição expressa no art. 62 da mesma Lei n° 8.981/95, nos seguintes termos: Art. 62 A partir de 1o de janeiro de 1995, a alíquota do imposto de renda na fonte de que trata o art. 44, da Lei n° 8.541, de 1992, será de 35%. Houve, portanto, uma clara distinção, ou seja, o art. 61 também comportava uma presunção de distribuição de recursos a sócios, desde que não pela via da omissão de receitas, mas sempre pela subtração de resultados ainda não tributados, mesmo porque não faria sentido algum tributar a presunção da distribuição na omissão de receita a 25% e a presunção de distribuição por outros meios a 35%. Portanto, com a edição da Lei n° 9.249/96, surge clara a opção do legislador pela adoção da tributação segregada, ou seja, se o rendimento foi tributado na pessoa jurídica não será mais tributado, não só na pessoa física como em outra pessoa jurídica, eventual e presumidamente beneficiárias. Nesse novo quadro, temos o desaparecimento do art. 44 que tinha por fim tributar as situações em que, por presunção de que a receita omitida e/ou a redução do lucro líquido era distribuída a sócios que, repetindo, não comportavam a utilização do art. 61 da Lei n° 8.981/95. Em outras palavras, significa dizer que o art. 61 da Lei n° 8.981/95, evidentemente, não pode ser aplicado às situações que anteriormente eram acobertadas pelo art. 44 da Lei n° 8.541/95. Em sendo assim, a aplicação do art. 61 está reservada para aquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado e, o que é mais importante, desde que o mesmo fato/valor que servir de base, não caracterize hipótese de redução do lucro líquido, quer por receita omitida, quer por glosa de custos e/ou despesas, situações tipicamente submetidas ao IRPJ segundo as normas pertinentes à tributação pelo lucro real e ao lucro presumido. Continuando e apenas para registro, seria o caso de investigar, então, quais seriam as hipóteses contempladas pela tributação de Fonte, com base de cálculo reajustada, nos exatos termos do art. 61 da Lei n° 8.981/95 que, em análise breve e preliminar, seriam as seguintes: 1. Qualquer pagamento (a sócio, sem causa e/ou a beneficiário não identificado), quando a Pessoa Jurídica estiver em fase pré operacional, isto pela impossibilidade de tributação do IRPJ. 2. Pagamentos a sócio sem causa, pagamentos a beneficiários outros não identificados e/ou sem causa que não caracterizem custo ou despesa, tais como aqueles representativos de aquisição de algum ativo (ex. compra de veículo), sempre ausente à hipótese de redução do lucro líquido, que é própria da tributação pelo lucro real e ao lucro presumido por presunção. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10384.001021/200985 Acórdão n.º 130200.490 S1C3T2 Fl. 564 13 Não é outra, ainda que por outro enfoque e por via de raciocínio diverso, a conclusão a que chegou o ilustre professor José Antonio Minatel em seu artigo publicado na Revista Dialética, do qual reproduzimos parte: "Só depois de esgotadas essas verificações elementares, será possível promover o adequado enquadramento da situação fática à hipótese normativa que lhe corresponda. Essa cautela é recomendada para que se evitem os excessos costumeiramente praticados pelos agentes do Fisco, mormente quando deparam com pagamentos registrados como custo ou despesa na escrituração contábil da empresa fiscalizada, em que os reais beneficiários não se encontram identificados a contento. Nessa específica hipótese, estando a empresa na sistemática do lucro real para tributação de seus resultados pelo Imposto de Renda, o procedimento fiscal culmina, via de regra, com a lavratura de autos de infração para exigência de IRPJ e CSLL, acrescidos de juros moratórios e multa aplicada de ofício (75% ou 150%), sob o fundamento de glosa da dedutibilidade de despesas/custos não comprovados.” Concomitantemente, lavrase outro auto de infração fundamentado no art. 61 da Lei n° 8.981/95, com exigência do malfadado IRFonte de 35%, acrescido, também, de juros e nova multa aplicada de ofício (75% ou 150%), agora sob o fundamento de que os mesmos gastos, contabilizados como custos/despesas, estão acobertando pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. Evidente que há exageros e não se pode compactuar com a sobreposição e penalidades sancionando a mesma conduta. Com efeito, ante a nãocomprovação dos gastos contabilizados como custos/despesas, está legitimada a formalização de exigência do IRPJ e da CSLL indevidamente reduzidos, sendo pertinente que essa conduta que ocasionou indevida redução de tributos seja sancionada com a imposição de multa de ofício (75% ou 150%). No entanto, não cabe outra penalidade sobre a mesma constatação fática, sendo indevida a exigência de 35% a título de IRFonte sob o pressuposto de falta de identificação do beneficiário do pagamento da mesma operação que teve a dedutibilidade negada, pois essa exigência tem nítido caráter de penalidade, como já demonstrado. Mais grave ainda é ver essa penalidade pecuniária de 35% travestida de tributo ser gravada com nova penalidade, uma vez que sobre o valor do IRFonte exigido no auto de infração é calculada nova multa de ofício (75% ou 150%). Lamentavelmente, lançamentos contaminados com essa grave deformação têm sido confirmados, sem mais reflexão, pelos órgãos encarregados de solucionar os conflitos entre Fisco e contribuinte, como se vê do pronunciamento da 4.a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, aqui reproduzido na parte atinente à matéria em estudo, verbis: PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO PAGAMENTO EFETUADO A BENEFICIÁRIO SEM CAUSA PAGAMENTOS EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO OU CAUSA NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS ARTIGO 61 DA LEI n° 8.981, DE 1995 CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa dos pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, bem como não comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços, referidos em documentos emitidos por pessoa jurídica considerada ou declarada inapta, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento a beneficiário não identificado e/ou pagamento a beneficiário sem causa. O ato de realizar o pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, conforme o disposto no art. 61 da Lei n°. 8.981, de 1995'. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 14 Agride a estrutura da regra jurídica do Imposto sobre a Renda a afirmação final contida na ementa de que "o ato de realizar pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte". A afirmação estará a salvo se vista a referida incidência com caráter de penalidade, para a qual o ato de realizar pagamento a beneficiário não identificado é que lhe dá tipicidade. Portanto, é imperioso admitir que há limites e condições para a aplicação da penalidade prevista no art. 61 da Lei n° 8.981/95, a qual, quando cabível, deve ser vista com a mesma natureza da chamada "multa isolada", sendo certo que sua aplicação por meio de lançamento de ofício (auto de infração) não comporta novo cálculo de multa sobre multa, sendo totalmente inadequada à imposição de multa de ofício de 75% ou 150% sobre o valor da penalidade quantificada em 35% do valor do pagamento sem causa, ou a beneficiário não identificado. O grifo em quando cabível é para deixar registrado, pedindo vénia pela ênfase em discurso repetitivo, que essa penalidade de 35% do art. 61 da Lei n° 8.981/95 somente pode ser aplicada quando não houver exigência concomitante de tributo (IRPJ e CSLL) sobre a mesma operação, pois, nessa hipótese, a formalização de exigência de cunho tributário com a imposição da penalidade correspondente, que é o objetivo primeiro da administração tributária, absorve a multa isolada prevista para idêntica conduta. Em conclusão, a imposição da multa isolada de 35% só é adequada para sancionar condutas que impeçam a identificação da causa ou do beneficiário de pagamento, praticada por pessoas jurídicas não submetidas à tributação pelo lucro real ou presumido." Desse ensaio, dentre outras verdades, podemos extrair que é absolutamente vedada ao fisco à possibilidade de escolha, ou seja, se cabível a tributação pelo IRPJ por redução do lucro líquido, não pode a autoridade lançadora simplesmente abandonar essa tributação para eleger a mais gravosa contida no art. 61 em comento e, muito menos e pelos mesmos motivos, lançar as duas exações. Isto porque e, por óbvio, a Lei n° 8.981/95 não revogou as normas que regem a tributação pelo lucro real e lucro presumido. Portanto, em mantida a exigência contida nestes autos, restam flagrantes as agressões aos princípios constitucionais de razoabilidade e do não confisco, posto que o valor do crédito tributário envolvendo o pretenso ilícito, isto sem computar as penalidades e juros, supera a base de cálculo, situação flagrantemente caracterizadora de afronta aos citados princípios constitucionais. Em conclusão, senhor julgador, e para que não restem dúvidas, é de se registrar que está lançado nestes autos o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS que tem a mesma base de cálculo do IRRF. Esse é o entendimento adotado pelo Conselho de Contribuintes, senão vejamos: “(...) ver fls. 360/363 Como se observa senhor julgador, há uma absoluta contradição entre o fundamento do lançamento do IRRF e o da exigência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, haja vista que aquela exigência assenta na pretensa hipótese de que houve pagamento a pessoa não identificada, ao passo que no lançamento do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS exigemse tributo com base no mesmo fato, apenando duplamente a requerente. Assim, senhor julgador, carece de lógica para que a presente autuação possa ser mantida, tendo em vista que se trata de um mesmo fato e por causa da mesma riqueza tributada, mesmo porque o beneficiário está identificado e houve a causa do pagamento, conforme comprovado nos autos. Assim, requer a reformulação do referido lançamento, para excluir a exigência do IRRF. II.1.3 DA NÃO APLICABILIDADE DA MULTA AGRAVADA Fl. 14DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10384.001021/200985 Acórdão n.º 130200.490 S1C3T2 Fl. 565 15 Caso sejam ultrapassados os argumentos acima expedidos, pugna a recorrente pela não aplicação da multa qualificada, em decorrência dos motivos abaixo elencados. O Ilustre Auditor impôs multa agravada a impugnante pelo fato de ter entregue sua DIPJ do anocalendario de 2006 "zerada o que ensejou a cobrança de multa de 150%." Contudo, tal argumentação não deve prosperar, tendo em vista que autuação teve por base as notas fiscais registradas pela impugnante no seu Livro de Registro do ISS, conforme pode se constatar no termos de verificação fiscal (fls.35 à 43 dos autos). A Lei n° 9.430/96 em seu art. 44, inc. II estipula que "nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, será aplicada multa no percentual de 150%." (grifos nossos). Por sua vez, a Lei n° 4.502/64 nos seus arts. 71, 72 e 73 define as condutas necessárias para a configuração da fraude para fins tributários, litteris: “(...)” Segundo Luciano Amaro, a noção de infração é traduzida numa conduta (omissiva ou comissiva) contrária ao direito, ensejando a aplicação de remédios legais que buscam repor a situação requerida pelo direito ou reparar o dano causado ao direito alheio. No direito tributário, a infração pode acarretar diferentes conseqüências e, dependendo da gravidade da ilicitude a sanção pode ser mais ou menos severa, mas sempre prevista em lei, em função do princípio da legalidade. Ainda segundo este tributarista, a qualificação da gravidade da infração é jurídicopositiva, vale dizer, é o legislador que avalia a maior ou menor gravidade de certa conduta ilícita para cominar ao agente uma sanção de maior ou menor severidade. Neste ponto, dependendo do nível de gravidade da infração, segundo avaliação do legislador, podem advir as penas pecuniárias e aquelas conceituadas como crimes, que ensejam a aplicação das chamadas sanções penais ou criminais. Estas últimas estão definidas na Lei n° 8.137/90, que define os crimes contra a ordem tributária. Nas sanções administrativas as multas pecuniárias, especialmente as decorrentes de lançamento de ofício, estão definidas no artigo 957 do RIR/99. Neste capítulo as multas agravadas trazem a definição legal no inciso II, deste artigo 957, que delimitam a aplicação da multa qualificada de 150%, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. Neste contexto, a multa agravada deve ser caracterizada por atos praticados nos termos e limites definidos nos artigos 71 a 73, nos casos de evidente intuito de fraude. Fraude "é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Nilton Latorraca, ao discorrer sobre planejamento tributário, comparando atos lícitos e ilícitos, discorre que "a fraude se distancia da legítima economia de impostos justamente porque nesta o contribuinte adota um procedimento lícito para evitar a ocorrência do fato gerador, ou adota uma alternativa legal ao seu dispor para reduzir a carga tributária. Na fraude os meios são sempre ilícitos; a ação ou omissão é dolosa, isto é, o infrator age deliberadamente contra a lei, com a intenção Fl. 15DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 16 de obter o evento desejado. A ação dolosa geralmente caracterizase pela distorção ilícita das formas jurídicas, e acaba materializandose na falsidade ideológica ou material. Como visto acima, a ação dolosa caracterizase, de uma forma genérica, pela distorção ilícita das formas jurídicas e acaba materializandose na falsidade ideológica ou material, o que não é o caso dos autos. No caso em comento, Ilustre Julgador, a irregularidade praticada pela recorrente, e que foi objeto de autuação, tem seu ponto na informação a menor de suas receitas, para a Receita Federal, mas não houve distorção das formas jurídicas nem se caracterizou falsidade material ou ideológica, pois a receita omitida tributada pela fiscalização tomou por base as notas fiscais da recorrente devidamente escrituradas no seu livro de Registro de Serviços devidamente juntado aos autos pela fiscalização (vide termo de verificação fiscal, fls. 35/43, e páginas 116 e seguintes do presente auto). Embora a empresa autuada tenha entregado as DIPJs zeradas junto a Secretaria da Receita Federal do Brasil isso não é suficiente para que se configure como evidente intuito de fraude para dar ensejo à aplicação de multa agravada. Compuscando o Livro Registro de ISS da empresa impugnante, referente ao anocalendário de 2006, encontramos todas as receitas auferidas pela recorrente no decorrer do mencionado anocalendário, tanto é verdade que a fiscalização tomou por base a receita lá informada para efetuar o lançamento através do auto de infração em debate, na conformidade do Termo de Verificação Fiscal juntado às folhas 34 a 43 dos autos. “Data maxima venia”, com base na documentação juntada ao processo, se demonstra que não está presente a vontade da empresa autuada de fazer próprio o dinheiro que pertence ao fisco, o que se tem é puro e simples inadimplemento de dívida, pois toda ela se encontra devidamente registrada em seus livros fiscais e contabilizada. Em qualquer caso, se o contribuinte escritura, em sua contabilidade, os valores a serem pagos a Fazenda Pública, resta ausente intenção de fraudar a fiscalização, por ausência do elemento "vontade" que configura a conduta dolosa. O dolo é a vontade livre e consciente de o sujeito se apropriar de coisa alheia móvel de que tem posse ou detenção. E com essa vontade, que é elementar na configuração da fraude contra a Fazenda Pública, é inteiramente incompatível com a escrituração fiscal e contábil, como débito do contribuinte, a crédito do tesouro, das quantias correspondentes aos tributos a serem pagos. A escrituração contábil e fiscal há de ser entendido como induvidosa manifestação do propósito do presente contribuinte responder pela dívida. Propósito que, evidentemente, não se concilia com a vontade de fraudar a União federal, afastando a possibilidade de agravamento da multa de ofício. No sentido da inaplicabilidade da multa qualificada para o presente caso é a Súmula 1º CC n° 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Este é o entendimento esboçado pelo Conselho de Contribuintes, vejamos alguns julgados: “(...)” ver fls. 368/375 Como se denota, incorreto fora à aplicação da multa agravada de lançamento de ofício prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, quando não comprovada a intenção dolosa do contribuinte em burlar a fiscalização. Neste sentido, é a recente decisão proferida pela terceira turma do 1o Conselho de Contribuintes, observemos: Fl. 16DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10384.001021/200985 Acórdão n.º 130200.490 S1C3T2 Fl. 566 17 “(...)” ver fls. 375/378 Se não restou devidamente provado que a impugnante cometeu alguma ação ou omissão dolosa visando impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador do imposto, ou ainda, visando excluir ou modificar suas características essenciais para reduzir o montante do imposto devido, ou para evitar ou diferir seu pagamento deve ser a multa reduzida para o percentual normal de lançamento de ofício, afastando se de pleno a exigência da multa agravada imposta sob o argumento de fraude à Fazenda Pública. Dessa forma, não estando presentes os fatos caracterizadores do evidente intuito de fraude, deve ser reduzida a multa qualificada para o seu percentual normal de 75%, por ser ato de inteira justiça. II.1.4 DA IMPOSSSIBILIDADE DA COBRANÇA DO PIS SOBRE VALORES PAGOS DENTRO DO PRAZO DE 20 DIAS ESTABELECIDO NO ART. 47 DA LEI N.° 9.430/96 Ilustre Relator, a presente fiscalização teve início no dia 10 de outubro de 2008, conforme pode ser constatado pelo termo de início de fiscalização já anexado aos autos. Ocorreu que tão logo foi intimado da abertura do procedimento de fiscalização a impugnante efetuou o pagamento do PIS no prazo de 20 dias (30/10/2008, vide cópias dos DARFs ora anexados aos autos) conforme reza o art. 47 da Lei n.° 9.430/96, não podendo tais valores serem exigidos por meio do presente auto de infração. Vejamos o que diz o dispositivo legal. Art. 47. A pessoa física ou jurídica submetida à ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. (Artigo com redação determinada na Lei n° 9.532, de 10.12.1997, DOU 11.12.1997, com efeitos a partir de 1.1.1998). Assim, Ilustre Julgador, não há que se falar em exigência de PIS por meio do presente lançamento de ofício, tendo em vista que a impugnante efetuou o pagamento dos valores aqui exigidos dentro do prazo estipulado no art. 47 da Lei n.° 9.430/96, estando sujeito apenas aos acréscimos legais nos casos de procedimento espontâneo. Logo, deve ser anulada referida cobrança. III DO PEDIDO Senhor Delegado, isto exposto e com base no inciso I, do artigo 145 e 149, do Código Tributário Nacional, pede a V. Sa. que seja julgado improcedente o Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e reflexos que tem por fundamentação legal arts. 516, parágrafos 4o e 5o, 541 e 841, incisos I e III e IV do RIR/99; art. 61, da Lei n° 8.981, de 1.995; art. 44, incisos II da Lei n.° 9.430/96; arts. 1o e 3o da Lei Complementar n. 07/70; arts. 2o , incisos I e II, alínea "a" e parágrafo único, 3o, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n. 4.524/02; art. 2o e parágrafos, da Lei n. 7.689/88; art. 29 da Lei n.° 9.430/96; art. 22 da Lei n.° 10.684/03 e, art. 37 da Lei n.° 10.637/02,em relação ao Auto de Infração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e Reflexos (PIS, COFINS, IRRF e CSLL), por entender ser ato de inteira justiça. N. Termos Pede e Confia no Deferimento. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 18 Às fls. 399/411 o Sr. MIGUEL AVELAR DE CASTRO MONTEIRO apresenta contestação ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, aduzindo o que se segue: “(...) I DOS FATOS A fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrou termo de sujeição passiva solidária em face do impugnante, pelo suposto fato dele ser o verdadeiro beneficiário dos rendimentos financeiros da empresa LIMPEL SERVIÇOS GERAIS LTDA., ainda pelo fato de ter interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos exatos termos do art. 124 do CTN, sendo responsável juntamente com a LIMPEL SERVIÇOS GERAIS LTDA. pelos tributos lançados em nome dessa última (IRPJ, PIS, COFINS, CSLL, IRFONTE). O valor total do crédito tributário exigido da LIMPEL SERVIÇOS GERAIS LTDA. soma o valor de 2.669.517,60 (dois milhões, seiscentos e sessenta e nove mil, quinhentos e dezessete reais e sessenta centavos), constante do processo n° 10384.001021/200985 de 06/03/2009, que o recorrente está integralmente impugnando. II.1 DA PRELIMINAR DE ADMISSIBILIDADE DO PRESENTE RECURSO Ilustre Relator, conforme vem decidindo o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, todo aquele que venha figurar no lançamento, como sujeito passivo, além do próprio contribuinte, sócios ou representantes de pessoas jurídicas e terceiros, partícipes das relações jurídicas que deram ensejo ao auto de infração, em face da lei geral do processo (lei 9.784/99, art. 9o, II e 58, c.c. art. 69) e do CTN, art. 142 (que impõe à autoridade administrativa a indicação, no lançamento, do sujeito passivo gênero, do qual contribuinte e responsável são espécies), estes, de forma autônoma, podem postular nos autos do processo administrativo na defesa de seus interesses, ainda que o contribuinte, quanto aos tributos devidos, desista do processo. Vejamos alguns julgados que confirmam o posicionamento acima, litteris: “(...)” ver fls. 400/402 Isto posto, pugna o requerente pela admissibilidade da presente impugnação, tendo em vista a fiscalização o ter arrolado como sujeito passivo solidária dos tributos exigidos no presente auto de infração Isto posto, pugna o requerente pela admissibilidade da presente impugnação, tendo em vista a fiscalização o ter arrolado como sujeito passivo solidária dos tributos exigidos no presente auto de infração. III DO MÉRITO Ilustre Relator, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrou termo de sujeição passiva solidária em face do impugnante, pelo suposto fato dele ser o verdadeiro beneficiário dos rendimentos financeiros da empresa LIMPEL SERVIÇOS GERAIS LTDA., ainda pelo fato de ter interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos exatos termos do art. 124, I, do CTN, sendo responsável juntamente com a LIMPEL SERVIÇOS GERAIS LTDA. pelos tributos lançados em nome dessa última (IRPJ, PIS, COFINS, CSLL, IRFONTE). Data Máxima Vênia, Ilustre Relator, em relação à atribuição de solidariedade tributária com base no artigo 124, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN), ao procurador da empresa autuada, segundo consta dos fundamentos da fiscalização, o liame que vincularia o procurador da autuada, de modo a justificar a atribuição de Fl. 18DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10384.001021/200985 Acórdão n.º 130200.490 S1C3T2 Fl. 567 19 responsabilidade solidária, seria o fato de que toda movimentação financeira realizada pela autuada acabava convergindo em benefício do ora impugnante. Ocorre que a atribuição de responsabilidade à pessoa física não implicaria na responsabilidade solidária que ora lhe foi cominada, mas sim na responsabilidade pessoal, caso efetivamente comprovada conduta dolosa que houvessem cometido com excesso de poderes ou infração à lei, que gerasse obrigações tributárias não satisfeitas na empresa ora autuada. Fato é que o artigo 124, inciso I do CTN, utilizado pela autoridade fiscal para atribuir a responsabilidade solidária ao procurador da ora autuada não se aplica ao caso em análise. Vejamos. De acordo com o Código Civil art. 264 há solidariedade quando a mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito ou obrigado à dívida total. A solidariedade tributária referida no artigo 124, inciso I do CTN é atribuída às pessoas que tenham interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. Como "situação de interesse comum" podemos exemplificar a propriedade de um imóvel, do que decorre que todos os proprietários são solidariamente responsáveis pelo tributo que recai sobre a propriedade (IPTU) ou transferência do imóvel (ITBI). Portanto, nos casos de responsabilidade solidária, decorrente do artigo 124, inciso I do CTN, temos mais de um contribuinte para o mesmo fato gerador, pois ambos participam da conduta que gera a obrigação tributária. No presente caso, o fato gerador tributário considerado foi "auferir receitas", do que decorreu a tributação pelo IRPJ e seus reflexos. Não há como afirmar que o impugnante participou de alguma forma diretamente no fato gerador. A pessoa jurídica auferiu receitas, não seus sócios ou procuradores. Seus rendimentos poderão surgir em momento posterior, mas não se trata de mesmo fato gerador tributário. Não há, portanto, que se falar na aplicação do artigo consignado. Imprópria, também a atribuição de responsabilidade solidária do artigo 124, inciso I do CTN, em razão do liame traçado entre as receitas omitidas e o impugnante. Na hipótese de ter agido o impugnante, o qual a fiscalização enquadrou como na condição de sócio, comprovadamente, com infração à lei ou estatuto, excesso de poderes, dando causa a situações que tenham gerado fatos tributários cujas obrigações fiscais não tenham sido cumpridas, cabe a aplicação da responsabilidade pessoal e não solidária prevista no artigo 135 do CTN, o que implicaria em outra forma e fundamento de lançamento. Nesta hipótese, se atribuída à responsabilidade pessoal aos sócios terseia possível até a exclusão da pessoa jurídica do pólo passivo da autuação fiscal, visto que não se estaria diante de hipótese de solidariedade ou subsidiariedade, mas de responsabilidade pessoal do agente. Entretanto, esta não foi à hipótese legal tratada nos autos. Assim, porque não há razão para suportar a atribuição da responsabilidade solidária prevista no artigo 124, inciso I do CTN, consignada no auto de infração e, também, porque não há nos autos prova suficiente que justifique a aplicação da responsabilidade pessoal, não sendo este fundamento adotado no lançamento (art. 135 do CTN), é de se afastar a questão da responsabilidade solidária em face do ora impugnante. Esse é o entendimento adotado pelo Conselho de Contribuintes, vejamos: “(...)” ver fls. 405/410 Fl. 19DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 20 III DO PEDIDO Senhor Delegado, isto exposto e com base no inciso I, do artigo 145 e 149, do Código Tributário Nacional, pede a V. Sa. que seja julgado improcedente a atribuição da responsabilidade solidária prevista no artigo 124, inciso I do CTN, consignada no auto de infração em debate, por entender ser ato de inteira justiça.” A 3ª Turma da DRJ/FOR, em sessão de julgamento, decidiu, por unanimidade, considerar PROCEDENTES os lançamentos para manter as exigências relativas ao IRPJ e às Contribuições para o PIS, CSLL, Cofins e IRRF, acolhendo a conclusão fiscal de ser o Sr. Miguel Avelar de Castro Monteiro, CPF nº 232.150.46334, “sócio de fato” da empresa fiscalizada, e como tal responsável solidário nos termos do artigo 124, I, do CTN, conforme relatório e voto. A decisão teve supedâneo nas razões que reproduzo abaixo, em apertada síntese. Alegações desacompanhadas de provas O Fisco utilizouse do Livro de Registro do ISS e/ou das próprias Notas Fiscais de Prestação de Serviços que refletem os valores escriturados pela própria empresa para embasar o lançamento. Portanto, caso os dados neles constantes não sejam verdadeiros, cabe ao autuado demonstrar a sua imprestabilidade. Verificase que a impugnante não anexou à defesa nenhum documento hábil que comprovasse algum erro no valor da receita apurada pela fiscalização. As alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não tem valor. O artigo 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, determina que a impugnação deve ser formalizada por escrito e ser instruída com os documentos em que se fundamentar. Dos valores informados na DIPJ e DACON retificadoras após o início da ação fiscal O sujeito passivo pretende que os valores informados na DIPJ e DACON retificadoras, referente ao ano da autuação, entregues depois de iniciado o procedimento fiscal (30/10/2008 e 28/10/2008, respectivamente) sejam considerados confessados espontaneamente e, por conseguinte, a multa aplicável não deve ser “de ofício”. Ocorre que as aludidas declarações retificadoras foram efetivadas quando o sujeito passivo não mais desfrutava de espontaneidade, por força do disposto no art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c o art. 138, § único, da Lei nº. 5.172, de 1966 (CTN), pois a ação fiscal iniciou em 10/10/2008 (fl. 45). Logo, os valores declarados não possuem qualquer valor de confissão de dívida para o período de apuração objetos do presente lançamento. Da Multa Qualificada A interessada declarava sistematicamente as exigências de IRPJ e contribuições em valores muito inferiores aos devidos durante o anocalendário de 2006. Portanto, omitiu receitas em percentuais nada inexpressivos, ou seja, ocorreu prática reiterada envolvendo valores vultosos a evidenciar uma conduta consistente no tempo destinada a não levar à tributação a totalidade dos valores devidos a título de IRPJ e contribuições. Portanto, a autoridade fiscal entendeu corretamente que a empresa LIMPEL SERVIÇOS GERAIS LTDA agiu de maneira dolosa ao praticar as ações descritas nos tópicos anteriores do presente voto, ao deixar de informar em suas declarações de rendimentos o valor integral das receitas auferidas, procurando ocultar da autoridade fiscal as suas operações comerciais para eximirse do pagamento dos tributos devidos sobre tais parcelas; de acordo Fl. 20DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10384.001021/200985 Acórdão n.º 130200.490 S1C3T2 Fl. 568 21 com os artigos citados, a prática dos fatos descritos no presente voto constitui crime contra a ordem tributária, possibilitando a aplicação da multa de ofício qualificada de 150%. Dos pagamentos efetuados a título de PIS Para que se usufrua dos benefícios do artigo 47 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.532/97, exigese que os tributos/contribuições já estejam declarados pelo contribuinte quando do início da ação fiscal. No caso em tela, os valores declarados a título de PIS em DCTF´s não foram objeto de lançamento, e sim a diferença entre o PIS apurado e o Declarado. Assim, os pagamentos efetuados pela contribuinte após o início da ação fiscal e antes da autuação (DARFs de fls. 391 a 396), não se prestam a elidir as penalidades cabíveis, em especial a multa de ofício. No entanto, tais pagamentos devem ser considerados por ocasião da cobrança do crédito tributário mantido. Da Interposição de Pessoas e do Chamamento do “Sócio de Fato” à Responsabilidade Solidária Conforme visto no relatório, através das petições de fls. 339/380 e 399/411 apresentaram contestação nos presentes autos a pessoa jurídica e o Sr. Miguel Avelar de Castro Monteiro, insurgindose contra a conclusão fiscal de apontar referido senhor responsável solidário da empresa fiscalizada. Considero ser perfeitamente legal que o chamamento ao processo para garantir o crédito tributário seja efetuado, também, na pessoa física considerada pela fiscalização como “sócio de fato” da pessoa jurídica. Tendo comprovado a fiscalização quem é o “sócio efetivo” da sociedade, entendo que este deve compor o pólo negativo da relação jurídica tributária. Isto porque, como se sabe, referidas pessoas não são elencadas nos atos constitutivos da pessoa jurídica, sendo caracterizados pela doutrina como “sócios ocultos”, “sócios efetivos” ou “sócios de fato”. Com efeito, não é crível que a pessoa jurídica conceda autorização para que o Sr. Miguel Avelar de Castro Monteiro possa com os poderes amplos e gerais reger e gerir a empresa outorgante, inclusive junto a qualquer agência bancária para a efetivação de movimentação financeira, sem que este seja ligado à gerência da empresa. Nesse passo, considero perfeitamente viável o chamamento ao processo do Sr. Miguel Avelar de Castro Monteiro na condição de responsável solidário nos termos do art. 124, I, do CTN, por considerálo “sócio de fato” da empresa fiscalizada. IRRF por pagamento sem causa ou operação comprovada Impossibilidade de concomitância com a tributação sobre omissão de receitas. A impugnante diz que são antagônicas e incompatíveis as hipóteses de tributação sobre omissão de receitas e da presunção de pagamentos sem causa. Compulsandose os autos, verificase que foi detectada pela fiscalização a existência de transferência de recursos da autuada para pessoa ligada ao senhor Miguel Avelar, como no caso dos cheques n° 900048 e 000293, nos valores de R$ 140.000,00 e R$ 60.000,00 Fl. 21DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 22 que foram emitidos em benefício da senhora Maria das Virgens Rocha Monteiro (cônjuge do mesmo), sem nenhuma obrigação da empresa para tal. Os alegados pagamentos sem comprovação da operação ou causa foram tributados por aplicação do art. 61 da Lei nº 8.891, de 20 de dezembro de 1995. A incidência do art. 61, antes transcrito, se dá, ou pelo pagamento a beneficiário não identificado ou, também, pelo pagamento efetuado a terceiros ou sócios sem comprovação da operação ou da sua causa. Nessa última situação, não importa estarem os beneficiários identificados ou não. Os pagamentos em favor dos sócios ou terceiros – mesmo plenamente identificados – podem sofrer a incidência do IRRF com base na legislação referida. Com isso, o fato de os cheques serem nominativos não afasta a incidência. É verdadeiro que a compensação do cheque prova um dispêndio (gasto, consumo, despesa, segundo o Dicionário Eletrônico Houaiss), não fosse assim não incidiria a tributação que tem como origem um dispêndio (pagamento) sem comprovação da operação ou causa. Por outro lado, a realização de um pagamento indica a existência de um negócio jurídico, mas não prova qual o negócio jurídico realizado, ou, qual a operação ou a causa desse dispêndio. Temos, então, que a realização de pagamentos através de cheques nominativos não afasta a incidência da tributação do art. 61, da Lei nº 8.981/1995. Não existe a incompatibilidade ou contradição apontada pela contribuinte. As infrações – omissão de receitas e pagamento sem causa comprovada – são autônomas, independentes. Quanto à cobrança confiscatória Por fim, no que concerne à alegação de cobrança confiscatória, cumpre considerar que o princípio insculpido no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, relativo à vedação ao confisco, antes de mais nada, é dirigido ao legislador. Tal princípio orienta a elaboração legislativa, que deve observar a capacidade econômica do contribuinte (art. 145, § 1o da CF), bem como não pode dar ao tributo conotação de confisco. Ressaltese ainda que o contencioso administrativo não é o foro próprio para examinar questões de tal natureza. Vale esclarecer mais uma vez que não cabe às autoridades administrativas se manifestarem sobre matéria do ponto de vista constitucional, excetuado os casos em que houver declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal de lei, de tratado ou de ato normativo, situação em que é permitido às autoridades fiscais a quo afastar a sua aplicação (Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, e Parecer da PGFN/CRE n.º 948, de 2 de junho de 1998). A conclusão inexorável a que se chega é pelo cabimento da multa qualificada de 150% no caso em comento, em relação a todos os autos de infração lavrados que compõem o presente processo, uma vez que estão presentes, em tese, os pressupostos a que alude o inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme evidenciado no trabalho fiscal consubstanciado no TVF de fls. 35/43. Da Constitucionalidade e da Legalidade das Leis Em sua defesa, o contribuinte traz alegações acerca da constitucionalidade e da legalidade do dispositivo legal infringido, entretanto, importa esclarecer que a autoridade administrativa, por força de sua subordinação ao poder vinculado ou regrado, deve limitarse à aplicação da lei, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da legalidade ou da constitucionalidade da norma legal. Fl. 22DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10384.001021/200985 Acórdão n.º 130200.490 S1C3T2 Fl. 569 23 Das Decisões Judiciais e Administrativas Citadas A extensão dos efeitos de decisões judiciais possui como pressupostos a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal e que tal decisão se refira especificamente à inconstitucionalidade da lei, do tratado ou do ato normativo federal que esteja em litígio. Já quanto às ementas de acórdãos dos Conselhos de Contribuintes citadas pela defesa para embasar seus argumentos, é pertinente mencionar que tais decisões administrativas citadas pela defesa não se constituem entre as normas complementares contidas no art. 100 do CTN e, por conseguinte, não vinculam as decisões desta instância julgadora, restringindose aos casos julgados e às partes inseridas no processo que resultou a decisão. Da Tributação Reflexa Em relação à tributação reflexa aplicase aos lançamentos ditos decorrentes da autuação do IRPJ o mesmo tratamento dado ao lançamento matriz, devido à íntima relação de causa e efeito que os une. Irresignado, o recorrente interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, alegando, em síntese, as razões abaixo descritas. (a) DENÚNCIA ESPONTÂNEA Empregando uma interpretação sistemática podemos concluir que a espontaneidade do contribuinte só é perdida vinte dias após notificação do início de procedimento, conforme podese depreender da leitura do art. 47 da Lei n° 9.430/96. Ademais, em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte, por meio da entrega da DCTF, DIPJ, DACON, e na falta de pagamento da exação no vencimento, mostrase incabível a elaboração de lançamento de ofício, posto que tais declarações elidem a necessidade da constituição formal do débito pelo fisco. Desta feita, os tributos declarados em DCTF e DIPJ, e não pagos na sua totalidade dentro do prazo estabelecido na legislação, não estarão sujeitos a cobrança por parte da autoridade administrativa através de Auto de Infração, ficando afastada a aplicação de multa de Ofício de 75% (setenta e cinco por cento), que no caso em discussão foi lançado 150% (cento e cinqüenta por cento), devendo ser aplicada a multa de mora no percentual de 20% (vinte por cento) incidente sobre o principal, como bem determina o artigo 61, da Lei n° 9.430/96. IRRF Os pagamentos efetuados a título de doação à senhora Maria das Virgens Rocha Monteiro foram devidamente contabilizados no livro caixa n° 2 da recorrente (vide Fl. 23DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 24 termo de intimação de fls. 90/91 do autos), constando devidamente o beneficiário do rendimento. Assim, o beneficiário está identificado, mesmo porque a aplicação do art. 61 da Lei n° 8.981 de 1.995, está reservada para aquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por omissão de receita, como foi o caso concreto, onde houve a incidência do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, formalizado através da presente autuação. Devese concluir que o art. 61 da Lei n° 8.981/95 não convivia com o art. 44 da Lei n°. 8.541/92, significando dizer que, quando, ainda que por presunção, o rendimento era distribuído aos sócios tinha aplicação o art. 44, nunca o art. 61. Portanto, com a edição da Lei n° 9.249/96, surge clara a opção do legislador pela adoção da tributação segregada, ou seja, se o rendimento foi tributado na pessoa jurídica não será mais tributado, não só na pessoa física como em outra pessoa jurídica, eventual e presumidamente beneficiárias. Em outras palavras, significa dizer que o art. 61 da Lei n° 8.981/95, evidentemente, não pode ser aplicado às situações que anteriormente eram acobertadas pelo art. 44 da Lei n° 8.541/95. Em sendo assim, a aplicação do art. 61 está reservada para aquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado e, o que é mais importante, desde que o mesmo fato/valor que servir de base, não caracterize hipótese de redução do lucro líquido, quer por receita omitida, quer por glosa de custos e/ou despesas, situações tipicamente submetidas ao IRPJ segundo as normas pertinentes à tributação pelo lucro real e ao lucro presumido. MULTA QUALIFICADA No caso em comento a irregularidade praticada pela recorrente, e que foi objeto de autuação, tem seu ponto na informação a menor de suas receitas, para a Receita Federal, mas não houve distorção das formas jurídicas nem se caracterizou falsidade material ou ideológica, pois a receita omitida tributada pela fiscalização tomou por base as notas fiscais da recorrente devidamente escrituradas no seu livro de Registro de Serviços devidamente juntado aos autos pela fiscalização (vide termo de verificação fiscal, fls. 35/43, e páginas 116 e seguintes do presente auto). Embora a empresa autuada tenha entregado a DIPJ e DACON com valores menores que o devido junto a Secretaria da Receita Federal do Brasil isso não é suficiente para que se configure como evidente intuito de fraude para dar ensejo à aplicação de multa agravada. COBRANÇA DO PIS SOBRE VALORES PAGOS DENTRO DO PRAZO DE 20 DIAS ESTABELECIDO NO ART. 47 DA LEI Nº 9.430/96 Não há que se falar em exigência de PIS por meio do presente lançamento de ofício, tendo em vista que a recorrente efetuou o pagamento dos valores aqui exigidos dentro do prazo estipulado no art. 47 da Lei n.° 9.430/96, estando sujeito apenas aos acréscimos legais nos casos de procedimento espontâneo. Logo, deve ser anulada referida cobrança. MIGUEL AVELAR DE CASTRO MONTEIRO, relacionado em Termo de Sujeição Passiva Solidária, também protocolizou Recurso Voluntário contra a decisão prolatada pela DRJ, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: Fl. 24DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10384.001021/200985 Acórdão n.º 130200.490 S1C3T2 Fl. 570 25 A solidariedade tributária referida no artigo 124, inciso I do CTN é atribuída às pessoas que tenham interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. Como "situação de interesse comum" podemos exemplificar a propriedade de um imóvel, do que decorre que todos os proprietários são solidariamente responsáveis pelo tributo que recai sobre a propriedade (IPTU) ou transferência do imóvel (ITBI). Portanto, nos casos de responsabilidade solidária, decorrente do artigo 124, inciso 1 do CTN, temos mais de um contribuinte para o mesmo fato gerador, pois ambos participam da conduta que gera a obrigação tributária. No presente caso, o fato gerador tributário considerado foi "auferir receitas", do que decorreu a tributação pelo IRPJ e seus reflexos. Não há como afirmar que o impugnante participou de alguma forma diretamente no fato gerador. A pessoa jurídica auferiu receitas, não seus sócios ou procuradores. Seus rendimentos poderão surgir em momento posterior, mas não se trata de mesmo fato gerador tributário. Não há, portanto, que se falar na aplicação do artigo consignado. Imprópria, também a atribuição de responsabilidade solidária do artigo 124, inciso I do CTN, em razão do liame traçado entre as receitas omitidas e o recorrente. Na hipótese de ter agido o recorrente, o qual a fiscalização enquadrou na condição de sócio, comprovadamente, com infração à lei ou estatuto, excesso de poderes, dando causa a situações que tenham gerado fatos tributários cujas obrigações fiscais não tenham sido cumpridas, cabe a aplicação da responsabilidade pessoal e não solidária prevista no artigo 135 do CTN o que implicaria em outra forma e fundamento de lançamento. Assim, não há razão para suportar a atribuição da responsabilidade solidária prevista no artigo 124, inciso I do CTN, consignada no auto de infração e, também, porque não há nos autos prova suficiente que justifique a aplicação da responsabilidade pessoal, não sendo este fundamento adotado no lançamento (art. 135 do CTN), é de se afastar a questão da responsabilidade solidária em face do recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Fl. 25DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 26 DENÚNCIA ESPONTÂNEA – APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÕES RETIFICADORAS NO PRAZO DE 20 DIAS DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL Menciona a autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal: Ressaltamos que, somente após o início da ação fiscal, a fiscalizada apresentou à Secretaria da Receita Federal do Brasil declaração DIPJ retificadora (em 30/10/2008) e demonstrativos DACON retificadores (em 28/10/2008), trazendo agora as informações corretas, conforme apurado pela fiscalização. O recorrente entende que, por estar no prazo de 20 dias do início do procedimento fiscal suas declarações prestadas neste interregno, que retificaram os valores anteriormente prestados, de modo a tornálos agora compatíveis com aqueles da escrita, devem ser hábeis para os efeitos do art. 138 do CTN. Tal interpretação destoa do espírito da norma, que objetivou dar tratamento mais favorável àquele que, embora em difícil situação financeira, e inadimplente quanto às obrigações principais, presta corretamente suas declarações. Ou seja, a conduta é menos reprovável que aquela praticada por aquele que além de não recolher os tributos presta, ainda, declaração com dados inexatos, induzindo em erro a Administração Tributária, como é o caso vertente. Pouco valor, assim, têm as retificadoras, para o efeito de produzir auto lançamento, porquanto, nesta fase, em pleno curso do procedimento fiscal, os ilícitos descobertos são constituídos mediante lançamento pela autoridade fiscal e gravados pelas penalidades aplicadas de ofício, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Desta forma, em sua condição, diante dos fatos, é inalcançável o benefício pleiteado, remanescendo acertados os procedimentos fiscais. IRRF SOBRE PAGAMENTOS CUJA CAUSA DA OPERAÇÃO NÃO FOI COMPROVADA Aduz a autoridade fiscal, no Termo de Verificação Fiscal: Identificamos ainda a existência de transferência de recursos da fiscalizada para pessoa ligada ao senhor Miguel Avelar, como no caso dos cheques n° 900048 e 000293, nos valores de R$ 140.000,00 e R$ 60.000,00 que foram emitidos em benefício da senhora Maria das Virgens Rocha Monteiro (cônjuge do mesmo), sem nenhuma obrigação da empresa para tal. Segundo informações da fiscalizada, atendendo ao nosso termo de intimação fiscal n° 004, os recursos foram repassados a título de "doação gratuita". Desconsideramos tais alegações, uma vez que não foram apresentados documentos comprobatórios; além do mais, não seria plausível a doação de tais quantias, enquanto que os próprios sócios receberam naquele ano quantias bem mais modestas (cerca de apenas R$ 55.000,00, conforme informado no curso dessa fiscalização), restando caracterizada a infração denominada "pagamento sem causa", cuja tributação Fl. 26DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10384.001021/200985 Acórdão n.º 130200.490 S1C3T2 Fl. 571 27 será efetuada nos termos do artigo 674 e parágrafos, do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de RendaRIR/99). O recorrente se insurgiu contra a exação, pois entende que a operação indicou o beneficiário, eis que a própria autoridade declina no seu termo de intimação fiscal (fls. 90/91) que os pagamentos estavam escriturados. “e considerandose que os históricos utilizados na escrituração do seu Livro Caixa impossibilita a correta identificação de algumas operações ali registradas” Todavia, cabe ressaltar que o fundamento legal do lançamento não é o pagamento a beneficiário não identificado, mas o pagamento de operação cuja causa não foi comprovada. Assim, embora alegue que os valores decorrem de doação, a alegação vem desacompanhada de provas. Com efeito, os comprovantes de pagamento não justificam a causa, senão o próprio pagamento. Se houve uma doação, haveria de ser constituída por instrumento público ou particular, indicando doador e donatário, prazo para aceitação, eventuais encargos estabelecidos pelo doador, eventual cláusula de reversão, etc. Tal situação não se verificou. Não se socorre, igualmente, o recorrente do parágrafo único do art. 541 do Código Civil, que estabelece a validade da doação verbal para bens móveis de pequeno valor, porque não se pode aceitar que os valores repassados (que totalizam R$200.000,00) estejam amparados por esta hipótese. Descabe, ademais, o argumento lançado contra os efeitos do art. 61 da Lei nº 8.981/95, os quais, segundo defende o recorrente, não poderiam se estender às situações anteriormente regidas pelo art. 44 da Lei nº 8.541/92, revogado pela Lei nº 9249/95. A situação regida pelo art. 61 da Lei nº 8.981/95 cuida do pagamento cuja operação não foi comprovada ou cuja causa não se demonstrou. Tal incidência não prescinde da dedução dessas condições, as quais foram produzidas no caso pela autoridade fiscal. Diferentemente se dava, no passado, a aplicação do art. 44 da Lei nº 8.541/92, que simplesmente estendia à pessoa física, relativamente aos lucros distribuídos, o resultado da tributação na pessoa jurídica por omissão de receita, ao tempo em que havia a tributação dos lucros também na pessoa física. Neste caso, era despicienda a prova do pagamento, demonstrada a omissão de receita. Há um plus, portanto, que diferencia as duas situações, não se podendo, numa síntese açodada, concluir, de modo singelo, pela não aplicação do art. 61 da Lei nº 8.981/95 ao caso, simplesmente porque, fosse o caso situado no passado, o fisco, por comodidade processual, não provaria o pagamento efetuado nem a ausência de causa da operação, e sustentandose na ficção estabelecida na norma revogada, estenderia o resultado da apuração procedida na pessoa jurídica à pessoa física. Desta forma, pugno pelo acerto da tributação. Fl. 27DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 28 MULTA QUALIFICADA A multa de 150% foi aplicada pela autoridade, que vislumbrou o intuito de fraude nas seguintes condutas: regularidade da omissão ao longo de todos os meses do anocalendário; a desproporção entre os valores confessados em fiscalização, por meio de retificadoras, com aqueles declarados originalmente; a compatibilidade entre os valores declarados nas retificadoras com os valores escriturados; os fatos praticados são passíveis de tipificação por crime contra a ordem tributária. Tendo em vista que a declaração de rendimentos e a DCTF são meios que a Administração Tributária possui para averiguar o cumprimento das obrigações do sujeito passivo, entendo que a conduta de falseálas, reduzindolhes os valores de receita bruta, demonstra intenção de esconder do Fisco a ocorrência de fatos geradores. Provada a redução, e demonstrado, ademais, que a conduta se repetiu em todos os períodos de apuração do ano calendário, entendo caracterizado o intuito de fraude, o qual autoriza a exasperação da multa. COBRANÇA DO PIS SOBRE VALORES PAGOS DENTRO DO PRAZO DE 20 DIAS ESTABELECIDO NO ART. 47 DA LEI Nº 9.430/96 Aduz o recorrente que “Não há que se falar em exigência de PIS por meio do presente lançamento de ofício, tendo em vista que a recorrente efetuou o pagamento dos valores aqui exigidos dentro do prazo estipulado no art. 47 da Lei n.° 9.430/96, estando sujeito apenas aos acréscimos legais nos casos de procedimento espontâneo. Logo, deve ser anulada referida cobrança.” Todavia, para gozar dos benefícios do artigo 47 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.532/97, exigese que a contribuição já esteja declarada pelo contribuinte ao início da ação fiscal. No caso presente, os valores declarados a título de PIS em DCTF não foram objeto de lançamento, e sim a diferença entre o PIS apurado e o Declarado, tendo havido a desconsideração da DCTF prestada sob procedimento fiscal. Assim, os pagamentos efetuados pelo recorrente após o início da ação fiscal e antes da autuação (DARFs de fls. 391 a 396), não elidem a multa de ofício. No entanto, conforme bem destacado na decisão da DRJ, tais pagamentos devem ser considerados por ocasião da cobrança do crédito tributário mantido, para abatimento do quantum devido. EQUIPARAÇÃO INDEVIDA DA SOLIDARIEDADE DISCIPLINADA NO ART. 124, I, DO CTN À RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA A atribuição de solidariedade, nos termos do art. 124, I, do CTN não se amolda à situação fática apresentada. O referido dispositivo, inserto no Capítulo IV do Código, “Sujeito Passivo”, não se destina a prescrever hipóteses de responsabilidade, as quais são Fl. 28DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10384.001021/200985 Acórdão n.º 130200.490 S1C3T2 Fl. 572 29 definidas no Capítulo V, “Responsabilidade Tributária”, mas a dispor sobre a relação entre os sujeitos passivos (contribuintes, contribuinte e responsável, ou responsáveis, conforme prescreve o art. 121) coobrigados, uma vez já consolidada sua condição de contribuinte ou responsável. No caso vertente resta demonstrado que a pessoa física à qual a autoridade fiscal atribuiu a solidariedade do art. 124, I, do CTN se beneficiou do fato gerador ulteriormente descoberto na fiscalização. Porém, tal condição não é bastante para a finalidade buscada pela fiscalização. Há que se declinar o fundamento de direito que faz nascer a responsabilidade tributária destas pessoas (dentre as hipóteses previstas nos art. 128 a 137 do CTN), situação que as obriga ao crédito tributário, para, então, afirmarse sobre a solidariedade delas com o contribuinte. Neste sentido, vale a lição de MISABEL ABREU MACHADO DERZI1, para quem A solidariedade não é espécie de sujeição passiva por responsabilidade indireta, como querem alguns. O Código Tributário Nacional, corretamente, disciplina a matéria em seção própria, estranha ao Capítulo V, referente à responsabilidade. É que a solidariedade é simples forma de garantia, a mais ampla das fidejussórias. Quando houver mais de um obrigado no pólo passivo da obrigação tributária (mais de um contribuinte, ou contribuinte e responsável, ou apenas uma pluralidade de responsáveis), o legislador terá de definir as relações entre os coobrigados. Se são eles solidariamente obrigados, ou subsidiariamente, com benefício de ordem ou não, etc. A solidariedade não é, assim, forma de inclusão de um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, apenas forma de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já compõem o pólo passivo. Desta forma, merece reparo a atribuição de solidariedade ao caso, nos termos do art. 124, I, do CTN, podendo, contudo, a Fazenda Nacional, em futura execução fiscal, efetuar o correto enquadramento legal, e reunir novamente as pessoas físicas beneficiárias do fato gerador descoberto pela fiscalização ao vínculo obrigacional. Assim, voto para dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a responsabilidade de Miguel Avelar de Castro Monteiro. Sala das Sessões, 22 de fevereiro de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator 1 ALIOMAR BALEEIRO E MISABEL ABREU MACHADO DERZI, Direito Tributário Brasileiro, Forense, 11ª ed, 2002, Rio de Janeiro. Fl. 29DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 30 Fl. 30DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 27/05/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 01/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 13982.000932/99-56
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 19 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Jun 19 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992
FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO COM COFINS. DECADÊNCIA. IMPUTAÇÃO.
Não podem ser incluídos no cálculo de imputação realizada em pedido de compensação formulado pelo contribuinte quaisquer valores relativos a tributos que a União Federal tenha perdido o direito de lançar por incidência da norma de decadência prevista no § 4º do art. 150 do CTN.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 302-39.563
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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COMPENSAÇÃO COM COFINS. DECADÊNCIA. IMP UTAÇÃO. Não podem ser incluídos no cálculo de imputação realizada em pedido de compensação formulado pelo contribuinte quaisquer valores relativos a tributos que a Unido Federal tenha perdido o direito de lançar por incidência da norma de decadência prevista no § 4° do art. 150 do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. eo - ARCELO RIBEIRO NOGUEIR a Relator , Processo n° 13982.000932/99-56 Acórdão n.° 302-39.563 CC03/CO2 Fls. 351 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Beatriz Veríssimo de Sena e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecilia Barbosa. • * 2 Processo n° 13982.000932/99-56 Acórao n.° 302-39.563 CC03/CO2 Fls. 352 Relatório Por economia processual, adoto o relatório da Resolução n° 302-1.390 da minha lavra de fls. 328/329 dos autos, que leio em sessão. Naquela oportunidade, este Colegiado determinou a conversão do julgamento em diligência para que a Delegacia a que estava vinculado o contribuinte tomasse as seguintes medidas: a) certificasse nos autos a data do recebimento pela administração dos pedidos de restituição e compensação de fls. 01 a 03; (ii) informasse se os créditos tributórios apontados pelo relatório de fls. 185 a 187 foram regularmente lançados e o contribuinte devidamente intimado dos mesmos ou se foram confessados pelo contribuinte, especificando caso a caso e fornecendo as datas em que cada fato ocorreu; (iii) informasse se havia qualquer procedimento administrativo .fiscal em andamento ou com decisão final relativo a cada um dos mencionados créditos tributórios, e havendo decisão, que informasse seu teor; e (iv) após estas providências, abrisse vista ao contribuinte para que este, querendo, se manifestasse na forma da lei. Depois de atendidos os quesitos formulados e tornadas as providências deten-ninadas, foi intimado regularmente o contribuinte que não se manifestou. o relatório. O 3 Processo n° 13982.000932/99-56 Acórdão n.° 302-39.563 CC03/CO2 Hs. 353 Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, Relator 0 recurso merece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos requisitos legais. 0 presente recurso limita-se a discutir a correção ou não da imputação efetuada pela autoridade fiscal, quando do exame do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, porque este entende que os débitos aos quais foram imputadas parcelas de seu crédito a compensar estariam decaídos e, portanto, seria vedada esta imputação. 0 primeiro quesito da diligência determinada visava estabelecer a data de protocolo dos pedidos de restituição e compensação pelo contribuinte, já que não constavam dos autos estes importantes dados. A fiscal responsável pela diligência informa que o protocolo teria ocorrido em 26 de novembro de 1999, tendo o primeiro pagamento sido realizado em 27 de março de 1991 (apesar de referir-se a crédito do mês de competência de setembro de 1989), não há de se falar em decadência do crédito do contribuinte. 0 segundo e o terceiro quesitos visavam esclarecer se existe ou existiu qualquer lançamento tributário ou processo administrativo fiscal relativo aos créditos tributários em análise e a resposta da autoridade fiscal foi a seguinte: Informe se os créditos tributó rios apontados pelo relatório dells. 185 a 187 foram regularmente lançados e o contribuinte devidamente intimado dos mesmos ou se foram confessados pelo contribuinte, especificando caso a caso e fornecendo as datas em que cada fato ocorreu: R. 0 relatório de fls. 185 a 187 fa: parte do "Demonstrativo de Imputação" de fls. 181 a 194, onde são imputados os pagamentos efetuados (fls. 183/184) aos débitos da Cofins dos períodos de apuração 03/94 a 09/96 (11s. 181 a 182). Desse demonstrativo, tem-se as folhas 194 os saldos devedores encontrados, que confrontados com o saldo de pagamento do FINSOCIAL, objeto do pedido de restituição compensação «is. 196) resultam parcialmente amortizados, conforme "Demonstrativo de Débitos Remanescentes" dells. 203. Especificanzente, em relação aos débitos apontados às folhas 185 a 187, tem-se que: - PA 10/95 — liquidado total, conformefls. 187; - PA 12/95 — saldo devedor de R$ 92,26 não declarado em DCTF e não lançado de oficio; 4 Processo n° 13982.000932/99-56 Acórdão n.° 302-39.563 CC03/CO2 Fls. 354 - PA 01/96 — liquidado total, conformefls.. 187 e 190. Informe se há procedimento administrativo fiscal em andamento ou com decisão final relativo a cada um dos mencionados créditos tributários, e havendo decisão, informar seu teor,. R: Até a presente data, não houve/ não há procedimento administrativo fiscal (vide folhas 335 a 340). Esclareço outrossim que os débitos referentes aos períodos de apuração 01 a 12/97, objetos do Pedido de Compensação (fls. 02/03) foram enviados ci Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa, conforme extrato de fls. 341 e cópia de despacho de fls. 342, uma vez declarados/confessados em DCTF. Ora, a inexistência de processo administrativo fiscal ou confissão dos débitos incluídos na imputação pela autoridade fiscal, leva A análise da eventual decadência do direito de lançar da Unido Federal. Como não existe qualquer auto de infração, notificação fiscal ou confissão, confonne depreendo do resultado da diligência realizada, o primeiro ato de cientificação do sujeito passivo da obrigação tributária é a intimação de fls. 263, que ocorreu em 19 de abril de 2000, tendo em vista o teor do despacho decisório ri° 163/2000 (fis. 259/261). Estabelece o Supremo Tribunal Federal, com a edição da Súmula Vinculante n° 8, portanto, que o prazo decadencial para a administração pública lançar seus créditos tributários é o de cinco anos, na forma do CTN: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratanz de prescrição e decadência de crédito tributário". Desta forma, todos os valores relativos a pretensos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido em abril de 1995 ou em data anterior a esta não poderiam ter sido incluídos no cálculo da compensação requerida pelo contribuinte, por estarem decaídos, logo, VOTO por conhecer do recurso e dar-lhe integral provimento, determinando que o cálculo da compensação seja refeito, considerando-se esta justa exclusão. Sala das Sessões, em 19 de junho de 2008 I\ 'Wick MARCELO RI EIRO NOGUEI • Relator • 5
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Numero do processo: 10583.001057/97-45
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2000
Numero da decisão: 302-00.990
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: HÉLIO FERNANDO RODRIGUES SILVA
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Numero do processo: 13706.003723/2003-16
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EXTINÇÃO DO DIREITO– TERMO INICIAL – RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO –– INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN – Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo, de cinco anos, para pleitear a restituição ou a compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Essa termo não se altera em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, eis que, nesse caso, o pagamento extingue o crédito sob condição resolutória.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 101-96.889
Decisão: ACORDAM os membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes,por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Sandra Maria Faroni
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Numero do processo: 10835.002553/2005-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 26 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Jul 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
SUJEIÇÃO PASSIVA. ÔNUS DA PROVA.
Havendo o contribuinte apresentado a DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural, cabe a ele o ônus da prova de que não detinha a posse plena do referido imóvel para poder ser excluído do pólo passivo da obrigação tributária.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2001
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE
O agravamento da multa de ofício para 112,5% ou 225% em face do não atendimento à intimação para prestação de esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tem consequências específicas previstas na legislação.
Numero da decisão: 2202-000.618
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desagravar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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ÔNUS DA PROVA. Havendo o contribuinte apresentado a DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural, cabe a ele o ônus da prova de que não detinha a posse plena do referido imóvel para poder ser excluído do pólo passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001 MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE O agravamento da multa de ofício para 112,5% ou 225% em face do não atendimento à intimação para prestação de esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tem consequências específicas previstas na legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos., Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desagravar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Nels n ; a a -. P\ residen e. f _ n tw, tx,ce, l2L6./J'L„ aria tícia Moniz de A ,agão lamino Astorga - Relatora. , í EDITADO EM: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calornino Astorga, João Carlos Cassulli Júnior, Antonio Lopo Martinez, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justifieadamente, os Conselheiros Pedro Anan Júnior e Helenilson Cunha Pontes. \kY 2 Processo n" M.35.002553/2005-51 S2-C212 Acórdão n." 2202-00.618 Fl 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 15 a 1.7, integrado pelos demonstrativos de fls. 18 e 19, pelo qual se exige a importância de R$120,694,71, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, exercício 2001, acrescida de multa de ofício de 112,5% e juros de mora, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Ingazeiro - Quinhão 10, cadastrado na Receita Federal sob n' 5,851.867-3, localizado no município de Santo Anastácio/SP. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontra-se resumido no Termo de Verificação Fiscal de fls. 22, no qual o autuante esclarece que, em decorrência do trabalho da Malha Fiscal ITR/2001: o o contribuinte foi intimado, em 17/08/2005, a apresentar a documentação referente ao imóvel rural de sua propriedade; • não havendo resposta, o contribuinte foi reintimado, em 20/09/2005 e 25/10/2005, alertando-se que o não atendimento ensejaria aplicação de multa agravada conforme artigo 959 do Decreto n' 3,000, de 26 de março de 1999 — RIR/99; • tendo em vista o não atendimento às intimações, foram efetuadas as seguintes alterações na Declaração do imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — DITR: 1, Glosa total das áreas de preservação e de utilização limitada; 2. Reajuste do valor da terra nua, de acordo com os dados constantes do Sistema de Informações de Preço da Terra — SIPT.. Foi aplicada a multa agravada de 112,5%, em razão do não atendimento às intimações fiscais. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado com o lançamento, o contribuinte interpôs a impugnação de fls. 26 e 27, instruída com os documentos de fls. 28 a 74, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fl. 80): O contribuinte apresentou sua impugnação, pedindo a extinção do auto de infração, até que o imóvel seja identificado e regularizado junto ao INCRA e Registro de imóveis, pelos motivos abaixo: 1) Que o imóvel fbi adquirido por escritura de confissão e composição de dívida e dação erk pagamento para liquidação parcial de dívidas e outras avenças; 3 2) Que após várias tentativas de localização do imóvel, o contribuinte se deparou com inúmeras divergências de informações, inclusive que o imóvel não existe; 3) Que em consulta ao INCRA, foi informado que o imóvel encontra- se em processo de fiscalização desde 25 ,04,2000 e desta forma está requerendo a identificação de cadastro do imóvel e cópias do processo que encaminhará posteriormente; 4) Que existe uma área sobreposta de 100 alqueires numa área de 2000. alqueires nos quinhões divididos e demarcados de números 5, 7, 8, 9 10, 11, e 13. DO JULGAMENTO DE P INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 1" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande (MS) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão n a 04-13.128 (fls. 79 a 81), de 29/11/2007, assim ementado: Assunto . Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural -JIR Exercício 2001 SUSPENSÃO OU EXTINÇÃO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO Estando presentes todos os pressupostos legais para o Icinçamento de oficio do ITR, nenhuma situação particular quanto a divergência de áreas ou regularização do imóvel junto ao INCRA podem autorizai- a suspensão ou extinção, do lançamento, por falta de previsão legal Do RECURSO Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 26/12/2007 (vide AR de fl, 85), o contribuinte apresentou, em 24/01/2008, tempestivamente, o recurso de fis,. 87 a 95, no qual, após breve relato dos fatos, alega em síntese que: O fato gerador do 1TR, de acordo com o art. 29 do Código Tributário Nacional — CTN é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel localizado fora da zona urbana do município, sem o que não há que falar na incidência do referido tributo. 2. A "Fazenda Ingazeiro Quinhão 10", outrora objeto de Dação em Pagamento em favor do recorrente, não está localizada no mesmo local consignado no correspondente registro imobiliário, tornando, assim, a sua existência de difícil comprovação para fins de incidência do 1TR. , Pela documentação imobiliária acostada aos autos, infere-se que existe uma realidade diferente daquela consignada nos documentos imobiliários, ressaltando que os laudos contratados apontam outras disparidades relativas aos pontos e marcas que o imóvel em questão faz com as fazendas confrontantes, não sendo possível delimitá-lo com exatidão e, por conseguinte, não há como inferir se o recorrente é proprietário do bem descrito. 4.. Cita o .jurista Hugo de Brito Machado para concluir que "somente pode ser considerado proprietário aquele que detiver titulo hábil do domínio pleno do imóvel, o qual lhe confere o direito d , usar, gozar e dispor do mesmo, nos termos do art 1 228 do Código Civil" (fl. 92), 4 Processo n" 10835 002553/2005-51 52-C212 Acórdão n." 2202-0(L618 Fl 3 5. Pugna pela aplicação do art. 116, inciso II, do CTN, segundo o qual uma hipótese de incidência só produz efeitos, "iratando--se de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável". 6. Afirma que para "o deslinde da intrincada questão sobre quem é o real proprietário do imóvel e sobre qual é mesmo a área objeto de discussão é de competência exclusiva da Justiça Cível" (fl. 93), visto que o Direito Tributário deve aplicar a definição, os conceitos e as formas do direito privado (art. 109 do CTN), 7. Defende que as declarações prestadas pelo contribuinte não revestem a natureza de confissão, de acordo a doutrina que transcreve, e, ainda que assim se admitisse, impossível não concluir que se trata de propriedade limitada, precária, pois apenas consubstanciada em título aquisitivo, não reunindo todos os direitos elementares de proprietário e estando impedido de dela fazer uso, gozo ou disposição, nos termos do art. 1,228 do Código Civil. 8. Ao final, conclui que se o recorrente não detém a posse e o domínio pleno do imóvel, deixa de reunir todos os atributos de proprietário e, portanto, não cabe a cobrança do Imposto Territorial Rural, pois o sujeito passivo do imposto é o proprietário (pleno), o titular do domínio útil e o posseiro, a qualquer titulo, de imóveis rurais. DA DISTRIBUIÇÃO Processo sorteado e distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de março de 2010, veio numerado até à fl. 131 (última folha digitalizada):À7 ".,'•- 1 0 processo físico não foi encaminhado a esta Conselheira. Foi recebido apenas o arquivo digital. N\,_k 5 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora, O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido, 1 Sujeição passiva Em análise do argüido, observa-se que questão controversa submetida à apreciação deste Colegiada versa tão somente sobre a legitimidade passiva do contribuinte, não havendo quaisquer questionamentos quanto às alterações procedidas na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — DITR apresentada pelo contribuinte, em decorrência do trabalho da Malha Fiscal ITR/2001. O recorrente alega, em síntese, que o imóvel em questão teria sido objeto de Dação em Pagamento em seu favor, porém não estaria localizado no local consignado no correspondente registro imobiliário, tornando sua existência de difícil comprovação para fins de incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, de acordo com a documentação acostada aos autos. Defende, assim, que como não detém a posse e o domínio pleno do imóvel não seria o sujeito passivo do imposto ora exigido,. É certo que o fato gerador do 1TR "é a propriedade, o domínio útil ou a pos-.se de imóvel por natureza, localizado _fóra da zona urbana do município, em 1' de janeiro de cada ano", conforme disposto no art, 1 da Lei ri2 9,393, de 19 de dezembro de 1996. Trata-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, cabe ao contribuinte a apuração e o pagamento do imposto devido, "independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior" (art. 10 da Lei nfi 9393, de 1996). É sabido também que, iniciado o procedimento de ofício, não cabe mais a retificação da declaração por iniciativa do contribuinte, pois já houve a perda de espontaneidade, nos termos do art, '7 Decreto n2 70,235, de 26 de março de 1972. Nesse caso, resta ao contribuinte a possibilidade de impugnar o lançamento (art.. 14.5, inciso 1, do Código Tributário Nacional — CTN), demonstrando a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. Assim, havendo o contribuinte apresentado a DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural, cabia a ele o ônus de provar que não era o sujeito passivo do ITR, apresentando documentação que comprovasse que ele não detinha a posse do mesmo. De acordo a Certidão do Registro de Imóveis, anexada às fls., 43 e 44, no número de ordem L714 está registrado, em 12/03/1931, a "Fazenda Ingazeiro" constituída de sete quinhões ou glebas de terras sob os números 5, 7, 8, 9, 10, 11 e 13, com a área 1.083,5 alqueires, cada um, atribuídos, respectivamente aos condôminos Isabel Ferreira, Waldomiro Ferreira, Antônio Felisberto da Silva, Euclydes José Ferreira, Luiz José Ferreira, Tobias r,.kNogueira e Urgel Ferreira de Lima.. Consta ainda da referida certidão que, na mesma data, sob , 6 Processo n" 10835.002553/2005-51 S2-C212 Acórdão " 2202-011.618 Fl 4 o número de ordem L715, foi registrado que Graciliano Gonçalves Campos, houve por arrematação em hasta pública, 100 alqueires de terras "que fazem parte de uma área de dois mil (2000) alqueires, nos quinhões divididos e demarcados, de 77 •, 7, 8, 9, 10, 11 e 13 na Fazenda Ingazeiro". Quatro desses quinhões (números 5, 7, 8 e 10), com L083,5 alqueires de área cada um, foram recebidos em dação em pagamento, em 15/05/2000, pelo valor de R$8.000..000,00 (oito milhões de reais), conforme "Escritura de Confissão e Composição de Divida e Dação em Pagamento para Liquidação Parcial de Dívida e outras Avenças" (fls. 49 a 51), na qual ficou consignado a transferência de "todos os direitos de posse, domínio e ações, que vinham exercendo sobre o referido imóvel, havendo por empossado, desde já, para que dele possa livremente gozar e dispor como bem melhor lhe convier Encontra-se anexada às fls. 45 e 46, "Nota de Devolução com Exigências", firmada pelo Oficial José Ruy Siqueira de Barros, do Registro de Imóveis da Comarca de Santo Anastácio/SP, datada de 30/05/2000, na qual esclarece que: [1 VI - É necessário que seja retificado judicialmente a Transcrição n' 1.714 para o fim de constar corretamente a área remanescente dos referidas alqueires em razão da alienação de CEM (100) alqueires vendido pelos Proprietários António Felisberto da Silva e soa mulher Felicíssima Ferreira da Silva,. Tablas Izidoro Nogueira e sua mulher Gracinda Ferreira, Urgel Ferreira de Lima e sua mulher Flora Ferreira de Lima; Luiz José Ferreira e sua mulher Maria Ramos de Souza; Waldomiro José Ferreira e sua mulher Philomena Alves Ferreira; José Olyntho Nogueira e sua mulher Isabel Ferreir; e, Ene:lides José Ferreira, solteiro, dentro de uma área de dois (2.000) alqueires, localizados nos quinhões 5, 7, 8 9, 10, 11 e 13 VII - Na referida Escritura os Quinhões 5, 7, 8 e 10, fbram descritos com alterações de divisas, rumos e medidas perimetrais, contrariando o Principio da Especialidade, portanto devendo ser retificadajudicialmente VIII — Necessário também a retificação judicial para a localização dos imóveis urna vez que na Transcrição n2 1 714 consta como distrito de paz, município e comarca de Santo Anastácio e na referida Escritura consta como distrito de paz e município de Ribeirão dos índios comarca de Santo Anastácio [ Muito embora existam evidências de que possa haver imprecisão na delimitação das áreas de terra adquiridas pelo recorrente, a documentação apresentada não permite inferir, como pretende o interessado, que essas áreas não existam ou que ele não detenha a posse das mesmas. Ao contrário, à época do fato gerador (01/01/2001), o contribuinte era o proprietário dos quinhões ri t' 5, 7, 8 e 10 da "Fazenda Ingazeiro", cada um com área de 1.083,5 alqueires, sendo-lhe transferidos todos os direitos de posse e domínio, conforme escritura pública anexada às fls.. 49 a 51, não havendo nos autos prova em contrário. 7 As alterações de divisas, rumos e medidas perimen ais aventadas pelo Oficial do Registro de Imóveis não implicam, necessariamente, alteração na área de cada quinhão adquirido, pois não há diferença entre o valor constante escritura pública e o consignado na matrícula do Registro de Imóveis. Da mesma forma, não há qualquer documento que permita identificar com clareza que parte dos quinhões adquiridos teria sido alienada anteriormente pelos antigos proprietários. Caberia ao contribuinte ter providenciado a retificação judicial dos registros imobiliários, conforme orientação recebida, para que, se fosse o caso, fosse corrigida área total do imóvel em questão. Não obstante o recorrente faça referência a "laudos contratados", estes não foram juntados ao processo. Encontram-se acostados aos autos, apenas, Certidões do Registro de Imóveis (fls. 39 a 44), documento firmado pelo oficial do Registro de Imóveis (fls. 45 e 46) e escritura de dação em pagamento do imóvel tributado (fls. 49 a 51). Da mesma forma, em sua impugnação, o interessado afirmou que o imóvel estaria com processo de fiscalização junto ao INCRA — Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, desde 25104/2000 e que as cópias do referido processo seriam encaminhadas posteriormente (fl. 26), o que não ocorreu. Em sede de recurso, o contribuinte nada trouxe de novo, limitando-se a defender que não detinha a posse e o domínio pleno do imóvel tributado, no caso dos autos, o quinhão 1.12. 10 da "Fazenda Ingazeiro". Assim sendo, rejeita-se a preliminar suscitada pelo recorrente. 2 Multa agravada Embora o contribuinte não tenha se manifestado especificamente em relação ao agravamento da multa de ofício incidente sobre o imposto exigido no presente lançamento, uma vez que o crédito tributário foi impugnado, há que se fazer algumas considerações. Como dos autos se infere, o agravamento da penalidade se deu porque a autoridade fiscal entendeu estar inclusa nos limites do § 2' do art. 44 da Lei n 9430, de 1996, a conduta do contribuinte de não cumprir seu "dever legal de prestar as infonnações à administração tributária A jurisprudência deste Colegiado tem se firmado no sentido de que, para o agravamento da penalidade é necessário que à conduta do sujeito passivo esteja associado um prejuízo concreto ao curso da ação fiscal; não evidenciado tal prejuízo, não é razoável o agravamento, dado que não se podem equiparar condutas que sejam desproporcionalmente diferentes no que se refere ao seu potencial de obstaculizar os procedimentos de ofício. Como se sabe, as informações que serviram de base para apuração do imposto devido devem estar amparadas em documentação hábil e idônea, podendo a autoridade fiscal solicitar os esclarecimentos que julgar necessários e exigir a apresentação dos mesmos, pois, muito embora a juntada de tais documentos seja dispensada quando da entrega da declaração, deve o contribuinte mantê-los em boa guarda para sua apresentação quando solicitada (art. 40 do Decreto ri? 4.382, de 2002, que regulamentou a fiscalização do ITR). Entretanto, o fato de o contribuinte não apresentar toda a documentação necessária para comprovar as áreas preservação permanente e de utilização limitada, assim como o VTN declarado, não obsta a atividade fiscal, pelo contrário a facilita, pois tal conduta tem como conseqüência direta à glosa das referidas áreas e o arbitramento do VTN, autorizando o lançamento de oficio. Ao não entregar ou mesmo se recusar a apresentar a documentação que comprove os valores por ele declarados, o contribuinte atua contra . - ,41,\ Processo n" 10835 002553/2005-51 S2-C2T2 Acórdão n " 2202-00.618 Fl. 5 próprio, não se podendo, nestes casos, ter-se corno evidenciada conduta tendente à caracterização da situação que justificaria a imposição da multa agravada. Destarte, não restou evidenciada a situação de fato que daria ensejo à aplicação da multa de ofício de 112,5%, devendo a mesma ser reduzida para 75%. 3 Conclusão Diante do exposto, voto por REJEITAR a preliminar de ilegitimidade passiva suscitada pelo recorrente e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de ofício de 112,5% para 757. '\A(cu,ect Maria LUi ia Moniz de Ajragão C ornino Astorga 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2" CAMARA/2" SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n": 10835.002553/2005-51 Recurso n': 341.362 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3" do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador . (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão a' 2202-00.618. Brasília/DF, AG0 CO6 EVELINE COELHO DE M LO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10935.003676/2004-08
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2006
Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES - ARBITRAMENTO DO LUCRO - A exclusão do SIMPLES não confere à empresa excluída o direito de opção retroativa pelo regime do lucro presumido, sendo legitimo o arbitramento do lucro quando as deficiências da escrituração impossibilitam a apuração do lucro real.
OMISSÃO DE RECEITA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Constituem omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, cuja origem não reste comprovada mediante documentação hábil e idônea.
MULTA QUALIFICADA - A falta de declaração ou a prestação de declaração inexata, por si sós, não autorizam o agravamento da multa, que somente se justifica quando presente o evidente intuito de fraude, caracterizado pelo dolo específico, resultante da intenção criminosa e da vontade de obter o resultado da ação ou omissão delituosa, descrito na Lei nº 4.502/64.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 103-22.303
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de lançamento ex officio majorada ao seu percentual normal de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o
presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Paulo Jacinto do Nascimento
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EXCLUSÃO DO SIMPLES. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A exclusão do SIMPLES não confere à empresa "exCluída o direito. de opção retroativa pelo regime do lucro presumido, sendo legitimo o arbitramento do lucro. quando as deficiências da "escrituração impossibilitam a apuração do lucro real. MULTA QUALIFICADA. A falta de declaração ou a prestação de declaração inexata, por si sós, não autorizam o agravamento da multa, que somente se justifica quando presente o evidente intLiito defraude, caracterizado pelo dolo específico, resultante da intenção criminosa e da vontade deobter o resultado da ação ou om"issão delituosa, descrito na Lei nO4.502/64. : 10935.003676/2004-08 :147.099 : IRPJ e OUTROS - Ex(s): 2001 a 2004 : RODO OESTE DE CUBATÃO TRANSPORTES LTDA. " : 28 TURMA/DRJ-CURITIBA/PR : 23 de fevereiro de 2006. :103-22.303 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Constituem omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, cuja origem não reste comprovada mediante documentação hábil"e idônea. .Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por RODO OESTE DE CUBATÃO TRANSPORTES LTOA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de lançamento ex officio majorada ao seu percentual normal de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. . Processo n° Recurso nO Matéria : j' Recorrente Recorrida Sessão de Acórdão nO , ' Processo nO Acórdão n° MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10935.003676/2004-08 : 103-22.303 @, '\r ' i \I II 1 \ FORMALIZADO EM: 1 O NrJV 2006 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: ALOYSIO JOSÉ PERCíNIO DA SILVA, MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, MAURíCIO PRADO DE ;' . ALMEIDA, ALEXANDRE BARBOSA J;AGUARIBE, FLAVIO FRANCO CORREA e ! VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE. ' ! I '! ')~'í.Y'r .. ", .', <"""1 -0'_, 2 i~. I I. ';." I li 1(' ""1 i ~. I •. .! .J ~, -,. RELATÓRIO : 10935.003676/2004-08 : 103-22.303 : 147.099 : RODO OESTE DE CUBATÃO TRANSPORTES LTDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição fínanceira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. LUCRO ARBITRADO. Confirmada a exclusão do Simples e sendo a escrituração imprestável para a tributação com base no lucro real ou presumido, correta a exigência com base no lucro arbitrado. Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 ==========.._---------q VALORES RECOLHIDOS PELO SIMPLES. EXCLUSÃO. Quando da exigência de ofício relativa a pessoa jurídica excluída do Simples, devem ser considerados os recolhimentos proporcionais relativos ao IRPJ efetuados para os mesmos períodos de apuração, pela sistemática de pagamento unificado do Simples. ''Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica -IRPJ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: MUL TA DE OFíCIO. INFRAÇÃO QUALIFICADA. Caracterizado o evidente intuito de fraude, impõe-se a multa de 150%, por infração qualificada. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000, 2001~ 2002, 2003 w Processo nO Acórdão nO Recurso nO Recorrente Trata-se de recurso voluntário manifestado contra decisão de primeira instância que deu pela procedência parcial do lançamento de IRPJ e dos lançamentos reflexosde PIS, COFINS e CSLL, através de acórdão assim ementado: Assevera, também, que a receita omitida está caracterizada indevidamente, vez que os valores depositados nas contas bancárias não representam, em totalidade, a receita auferida na sua atividade de agenciamento de transporte, cabendo-lhe apenas uma comissão, composta pela diferença entre o valor pago pela tomadorado serviço e o valor repassado ao prestador. Dos autos se colhe que a recorrente foi excluída do SIMPLES, a partir de01/01/2000, por ter auferido, no ano-calendário de 1999, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00, e que o lançamento foi efetuado com base no lucro arbitrado, uma vez que a sua escrituração se mostrou imprestável para a tributação pelo lucro real ou presumido. I, ,.j' ! I I ! I ! 4 Lançamento Procedente em Parte". Ementa: LANÇAMENTOS REFLEXOS. Tratando-se de tributação decorrente da mesma matéria relativa ao IRPJ, aplica-se aos lançamentos de PIS, COFINS e CSLL, o mesmo entendimento dado ao lançamento relativo àquele imposto. : 10935.003676/2004-08 : 103-22.303 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Afirma, ainda, que, contrariando o previsto no art. 42, inciso I, da Lei nO 9.430/96, no montante da receita dada como omitida estão incluídos os valores d t', transferências entre contas e não foram considerados iPS \ estornos de "I I. \ r 1\ )'\!ii i !I\ Ii No recurso, reproduzindo o quanto dito na impugnação, sustenta a contribuinte ser indevida a sua exclusão do SIMPLES, no qual deveria ter sido mantida, aindaque não fosse como micro-empresa, mas, ao menos, como empresa de pequeno porte, sendo, por isto, descabida a tributação por arbitramento do lucro, uma vez que deveria ter sido observado o regramento do SIMPLES e, ademais, não lhe foi oportunizado, uma vez excluída do SIMPLES, dizer quanto à nova forma de tributação, lucro presumido ou lucro real, não prosperando a afirmativa da imprestabilidade da escrituração para a determinação do lucro real ou do lucro presumido, vez que, conhecida a receita bruta para fins de arbitramento, esta mesma receita poderia ser utilizadapara determinação do lucro presumido. ProcessonO Acórdão nO ; í I J , i~ .'~ ,', ! !; : 10935.003676/2004-08 : 103-22.303 É o relatório. '\ /i~""\' "' " \ \ I ........ 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA A autoridade preparadora, no despacho de fls. 1.823, considera atendida a condição para suprimento do recurso voluntário, face o arrolamento de bens constante do processo 10935.003674/2004-19. Por último, alega que não restou caracterizado nem comprovado o evidente intuito de fraude, necessário para a aplicação da multa de ofício no percentual de 150%. decorrentes de cheques devolvidos, implicando em considerável modificação do resultado final. Processo nO Acórdão nO Conselheiro PAULO JACINTO DO NASCIMENTO, Relator ! . , ~: i 1 ....••. VOTO : 10935.003676/2004-08 : 103-22.303 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA No que pertine ao montante da receita omitida, conquanto alegue a recorrente que apenas parte dos depósitos poderia ser considerada como tal, isto porque,como agenciadora de fretes, repassa cerca de 90% do valor recebido para as pessoas físicas ou jurídicas que efetivamente realizam o transporte, em nenhu momento faz a prova de que os d7ósitos pron\\m dessa atividade d ______ W-'_JL Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. No caso, impossibilitada, pela deficiência da escrituração, a apuração do lucro real, tem lugar a apuração do lucro arbitrado, podendo a recorrente, a teor do disposto no art. 47 da IN 93/97, optar pela tributação com base no lucro presumido relativamente aos demais períodos, nunca em relação ao período alcançado pelo arbitramento. Por outro lado, a exclusão do SIMPLES não confere à empresa excluída o direito de opção retroativa pelo regime do lucro presumido. O mandamento do art. 16 da Lei nO9.317/91 é no sentido de que a empresa excluída do SIMPLES se sujeita às normasde tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Igualmente legítimo o arbitramento procedido, porquanto as deficiências da escrituração a tornam imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, e determinar o lucro real, tal como previsto no art. 530, inciso 11, alíneas "a" e "b", do RIR 99, deficiências estas que sequer contestadas foram. Afigura-se-me legítimo o Ato Declaratório Executivo nO38/2004 da DRF emCascavel que excluiu a recorrente do SIMPLES, por ter auferido, no ano-calendário 1999, receita superior ao limite previsto na Lei nO9.317/96, que é de R$ 1.200.000,00, postoque a receita omitida no período é da ordem de R$ 5.937.080,35. Processo n° Acórdão nO Sequer a atividade de agenciamento restou comprovada. 7 : 10935.003676/2004-08 : 103-22.303 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA As outras 5 (cinco) transferências apontadas pela recorrente consistem em relações de cheques sacados contra o Bradesco, cujas somas são iguais ao valor dedepósitos realizados em conta do Banco HSBC, efetuados no mesmo dia em que os chequesforam sacados. Assim, para comprovar tais transferências, teriam que ser apresent~os os documentos que as caracterizariam, que seriam as ,cópias dos cheques J \dO comprovantedo depósito. (\; \ \ j I É pouco provável a realização de um depósito bancário com a utilização devários cheques de uma mesma conta. Contrario sensu, é bastante provável que em quatro anos de movimentação bancária existam cheques sacados em uma mesma datacuja soma corresponda ao valor de um depósito efetuado em outro banco nessa mesmadata, mesmo que entre os cheques e o depósito inexista qualquer relação. No tocante à alegação da inclusão de valores transferidos entre contas na apuração da base de cálculo da receita omitida, verifica-se que das 7 (sete) transferências relacionadas pela recorrente, 2 (duas) que realmente são transferências, umano valor de R$ 45.000,00 datada de 05/08/2002 e outra no valor de R$ 6.000,00 datadade 13/08/2002, foram consideradas pela fiscalização. Os conhecimentos de transporte acostados aos autos pela recorrente são de sua própria emissão, evidenciado que foi ela a prestadora do serviço, pouco importando que tal serviço haja sido executado com veículo próprio ou de terceiro. agenciamento, prova esta que só restaria produzida com a identificação, em relação a cadadepósito, de quais os transportes agenciados a que se refere cada um deles, com datase valores, através de documentação hábil e idônea. Processo nO Acórdão nO No que diz respeito à aplicação da multa de ofício no percentual de 150%, ao abrigo do entendimento majoritário desta Câmara, entendo-a indevida. É certo que se os cheques devolvidos forem reapresentados, o segundo depósito há que ser desconsiderado, evitando-se a duplicidade de receitas, já que a origemdos recursos estará comprovada pelos cheques recebidos em devolução. " I, i. : 10935.003676/2004-08 : 103-22.303 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Aliás, é a própria Lei nO9.430/96 que, no inciso I do art. 44, inclui a falta dedeclaração e a declaração inexata, ao lado da falta de pagamento e do pagamento fora do prazo sem o acréscimo da multa de mora, como hipóteses em que a multa aplicávelé de setenta e cinco por cento, dispondo: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;" Para que as hipóteses apontadas no inciso I como passíveis da incidênciade multa de setenta e cinco por cento passem a sofrer a incidência da multa de cento e cinqüenta por cento, exige o inciso 11, a presença de evidente intuito e '}I', fraude,com a seguinte dicção: 8 W Pode acontecer, ademais, que aos cheques devolvidos tenha sido dada destinação diversa do depósito, ou que tenham sido descontados diretamente na boca docaixa, ou, ainda, resgatados pelo seu emissor. Quanto aos cheques devolvidos por insuficiência de fundos, a mera devolução, por si só, não descaracteriza o auferimento da receita, caracterizando apenaso não recebimento das quantias respectivas, que implicam em despesa para a empresa,caso os cheques não venham a ser efetivamente descontados. ProcessonO AcórdãonO Processo nO Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10935.003676/2004-08 : 103-22.303 "11- cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nO 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis". No dizer de De Plácido e Silva, intuito é o firme desejo, o objetivo pensado, ou o resultado querido; a finalidade, que se tem em mente, quando se pratica o ato e fraude é o engano malicioso ou a ação astuciosa, promovidos de má-fé, para ocultação da verdade, ou fuga ao cumprimento do dever; enquanto que, segundo o Dicionário Aurélio, evidente é o que não oferece dúvida, que se compreende prontamente, dispensando demonstração, claro, manifesto, patente. Não satisfeito com os atributos já conferidos ao tipo, o legislador da Lei nO9.430/96, para o seu fechamento, incorporou a definição dada pelos arts. 71, 72 e 73 da Lei nO4.502/64, que o conceitua como "toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento", bem como "o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais e das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente". Assim, o dolo específico ou determinado, resultante da intenção criminosa e da vontade de obter o resultado da ação ou omissão delituosa, descrito na Lei nO4.502/92, integra o tipo de que cogita o art. 44, 11, da Lei n° 9.430/96. Na conduta da recorrente, que deixou de registrar em sua escrituração significativa movimentação financeira, declarando valor inferior aos depósitos bancários, não vislumbro o tipo do inciso 11 do art. 44 da Lei nO9.430/96 e entendo que ele se subsume no tipo do inciso I, apenado com a multa de l\5% (setenta e cinco por cento). &/~..')\ ,\\ ! I' . wL.9 ;. i '\ -., Por tais fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de lançamento de ofício ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento). t : 10935.003676/2004-08 : 103-22.303 10 SaladasSessões,DF'7~ereiro dH2006. PAULO JACIN(~SCIMENTO I. (- MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo nO Acórdão nO 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010
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Numero do processo: 10825.000132/2002-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
CSLL. DÉBITO REMANESCENTE. EXTINÇÃO POR COMPENSAÇÃO.
Comprovada, mediante diligencia fiscal, a extinção do débito remanescente em cobrança no auto de infração, cancela se a exigência.Recurso Provido.
Numero da decisão: 1402-000.552
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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DÉBITO REMANESCENTE. EXTINÇÃO POR COMPENSAÇÃO. Comprovada, mediante diligencia fiscal, a extinção do débito remanescente em cobrança no auto de infração, cancelase a exigência. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Jaci de Assis Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 03/06/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10825.000132/200261 Acórdão n.º 140200.552 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório AUTO POSTO GARBRAS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela da 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão PretoSP em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Tratase de lançamento consubstanciado em auto de infração, lavrado em 29/10/2001, em virtude de apuração de irregularidades quanto a quitação de débitos declarados em Declaração de Contribuições e Tributos federais (DCTF), para exigir da autuada o recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida pelo regime do lucro real trimestral, código de receita nº 6012, concernente ao primeiro trimestre civil de 1997, no valor de R$ 73.232,06, acrescida da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), na importância de R$ 54.924,05 e dos juros de mora na quantia de R$ 68.259,60. Regularmente cientificada, a autuada ingressou com a impugnação de fls. 01/02, acompanhada dos documentos de fls. 03/23, por meio da qual fustiga a exigência argumentando, em síntese, que o débito devido no trimestre é da ordem de R$ 8.899,86, o qual deixou de ser recolhido em face de compensação com pagamentos feito a maior no anocalendário anterior, na ordem de R$ 83.336,14, consoante, inclusive, discriminações constantes no processo nº 10825.001449/9797. Ao final requereu o cancelamento do débito fiscal. A decisão recorrida está assim ementada: AUDITORIA INTERNA NA DCTF. CSLL. DÉBITO LANÇADO EM MONTA SUPERIOR AO INDICADO NA DECLARAÇÃO. REDUÇÃO. CRÉDITO POSTULADO EM DUPLICIDADE. Apurado que o débito lançado revelase superior à cifra declarada na DCTF impõese o decote ao patamar confessado. Observado que o crédito informado nesta mesma declaração, na forma de compensação de saldo negativo de contribuição social, consta em requerimento de restituição inserto em processo administrativo, incumbe sua glosa. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo do lançamento (CTN, art. 106, II, “c”) Lançamento Procedente em parte. O voto condutor do aludido acórdão traz a seguinte conclusão: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 03/06/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10825.000132/200261 Acórdão n.º 140200.552 S1C4T2 Fl. 3 3 Com tais razões, e considerando que o motivador da ineficácia de exteriorização do débito declarado na DCTF não se insere nas hipóteses aludidas no artigo 18 da Lei nº 10.833, de 2003, VOTO no sentido da procedência parcial do lançamento, para reduzir o imposto à cifra de R$ 8.899,86 e exonerar a multa de ofício aplicada, no valor de R$ 54.924,05. No recurso voluntário, protocolizado em 12/02/2007, fls. 46/48, o contribuinte reitera que o valor remanescente já foi compensado, mediante processo 10825.001449/9797, e requer seja verificado. O recurso foi apreciado na sessão de 13/05/2009 da Terceira Câmara do CARF e, mediante Resolução 130100.005, sob minha relatoria, foi determinada diligência para verificar a alegação do contribuinte. O procedimento da DRF Bauru resultou na juntada dos documentos de fls. 82 a 95, sendo lavrado na conclusão dos trabalhos o relatório de fl. 96, nos seguintes termos: Tendo em vista a solicitação de diligências no despacho de fls. 80, foram extraídas do processo 10825.001449/9797 as copias de fls. 82 a 95, onde se pode verificar que o crédito tributário objeto do processo em referência já se encontra extinto por compensação do saldo negativo da CSLL, de acordo com o Despacho Decisório de fls. 91 a 95 proferido pela Seção de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru. Isto posto, proponho o retorno do processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF — 3a Camara/1a Turma, para julgamento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 03/06/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10825.000132/200261 Acórdão n.º 140200.552 S1C4T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. Consoante relatado, tratase de auto de infração eletrônico para exigência de CSLL, informada em DCTF, que não teria sido recolhida. Remanesceu o débito de R$ 8.899,96 que a recorrente afirma, desde a impugnação, já ter sido extinto, compensado mediante processo 10825.001449/9797. A diligência fiscal confirmou essa alegação, conforme relatório à fl. 96 e documentos de fls. 82/95. Diante do exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso, cancelando se integralmente o auto de infração. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 03/06/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002348/96-91
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2003
Ementa: IPI - CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DE
PIS E COFINS - BENEFICIAMENTO REALIZADO POR
TERCEIROS - Tratando-se de operação necessária para que a
matéria-prima possa ser utilizada no processo produtivo, deve o
valor do beneficiamento integrar o custo da matéria-prima.
PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS POR ENCOMENDA -
Investigada a atividade desenvolvida pelo executante da
encomenda, se caracterizada a realização de operação industrial,
o recebimento dos produtos industrializados por encomenda, por
parte do encomendante, uma vez destinados a nova
industrialização, corresponde à aquisição de matérias-primas,
produtos intermediários e materiais de embalagem, integrando
assim a base de cálculo do crédito presumido (Lei n° 9.363/96,
artigo 2°). Irrelevante, no caso, se a remessa ao encomendante
dos produtos industrializados por encomenda ocorreu com
suspensão ou tributação do IPI, importa sim a configuração dos
produtos desse modo industrializados como insumos para nova
industrialização a cargo do encomendante.
Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 202-15.156
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: Ana Neyle Olimpio Holanda
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ementa_s : IPI - CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS - BENEFICIAMENTO REALIZADO POR TERCEIROS - Tratando-se de operação necessária para que a matéria-prima possa ser utilizada no processo produtivo, deve o valor do beneficiamento integrar o custo da matéria-prima. PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS POR ENCOMENDA - Investigada a atividade desenvolvida pelo executante da encomenda, se caracterizada a realização de operação industrial, o recebimento dos produtos industrializados por encomenda, por parte do encomendante, uma vez destinados a nova industrialização, corresponde à aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, integrando assim a base de cálculo do crédito presumido (Lei n° 9.363/96, artigo 2°). Irrelevante, no caso, se a remessa ao encomendante dos produtos industrializados por encomenda ocorreu com suspensão ou tributação do IPI, importa sim a configuração dos produtos desse modo industrializados como insumos para nova industrialização a cargo do encomendante. Recurso ao qual se dá provimento.
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Publicado no Diário Oficial da União De 1'1 / O S' I O~ VISTO Rld MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Conlribuíntes CONFERE COM O ORIGINAL Brasília-DF. em YJ 1~i?(XIS ~L l.),k' Ç ..c'fflfz~ a,UJI Secretária da Segunda Câmara Recorrente Recorrida H. KUNTZLER & CIA. LTDA. DRJ em Porto Alegre - RS IPI - CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS - BENEFICIAMENTO REALIZADO POR TERCEIROS - Tratando-se de operação necessária para que a matéria-prima possa ser utilizada no processo produtivo, deve o valor do beneficiamento integrar o custo da matéria-prima. PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS POR ENCOMENDA - Investigada a atividade desenvolvida pelo executante da encomenda, se caracterizada a realização de operação industrial, o recebimento dos produtos industrializados por encomenda, por parte do encomendante, uma vez destinados a nova industrialização, corresponde à aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, integrando assim a base de cálculo do crédito presumido (Lei n° 9.363/96, artigo 2°). Irrelevante, no caso, se a remessa ao encome\ldante dos produtos industrializados por encomenda ocorreu com suspensão ou tributação do IPI, importa sim a configuração dos produtos desse modo industrializados como insumos para nova industrialização a cargo do encomendante. Recurso ao qual se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: H. KUNTZLER & CIA. LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. ___ . Sala das Sessões, em 14 de outubro de 2003 p'''~ 4~{4'~'<~Yllinnque P'iÍJhelroT6ifeli'A Presidente k~~;rn~ Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro, Eduardo da Rocha Schmidt, Gustavo Kelly Alencar, Raimar da Silva Aguiar, Nayra Bastos Manatta e DaIton Cesar Cordeiro de Miranda. cl/opr I Processo n° Recurso n° Acórdão nO Recorrente Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 11065.002348/96-91 119.140 202-15.156 H. KUNTZLER & elA. LTDA. RELATÓRIO MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de ContnbUlnteG CONFERE COM O ORIGINAL Brasília-DF. em~/~/20C£ ~~ji Secretana da Segunda Câmara Rld Por bem descrever os fatos, adotamos o relatório da decisão recorrida, que passamos a transcrever: "O estabelecimento acima qualificado requereu, à jl. 01, o ressarcimento da parcela de R$ 84.167,70, em complementação ao pedido anterior, formalizado pelo Processo n° 11065.001248/96-10, referente ao Crédito Presumido de IPL relativo ao período de abril a dezembro de 1995, autorizado pela Medida Provisória n° 948, de 23/3/1995, depois convertida na Lein° 9.363, de 13/12/1996. 1.1 - O pleito foi indeferido, nos termos da Decisão de jls. 40/41, sem exame do mérito, de acordo com a Instrução Normativa SRFn° 28, de 10 de maio de 1996, que veda a possibilidade de um segundo pedido referente ao mesmo período de apuração do beneficio. 2. O contribuinte não se conformou com o indeferimento e apresentou, no devido prazo, o recurso de jls. 42/47, expondo suas razões, que passam a ser relatadas. 2.1 - Alega que o pedido de ressarcimento apresentado pelo Processo n° 1065.001248/96-10 foi a menor, dando origem ao presente pedido suplmmmtal",'.-fjue_a-dijérença ..deve-<e ao.jàJo-fÚl não inclusão. no total das aquisições, dos valores relativos a industrialização de insumos (principalmente couro) efetuada por outros estabelecimentos, representadas pelos códigos de natureza de operação 1.13 e 2.13. _____ 2.2 - Contesta a restrição da Instrução Normativa SRF nO 28/96, dizendo que a subdelegação ao Secretário da Receita Federál, pelo--" Ministro da Fazenda, limita-se à tarefa de estabelecer normas quanto à utmzaçaa-anteczpada=de =Grtltt1~sumjdo :u'e=lP-l~ apresentação de um pedido suplementar, tendo exorbitado de seu poder de regulamentar, que cabia à Receita Federal, no caso, apenas verificar a legitimidade do pedido suplementar e que, do contrário, estaria maculado o princípio da isonomia, urna vez que outros contribuintes teriam a restituição plena pelo fato de apresentarem um único pedido, requerendo, ao final, que seja dado provimento ao recurso e deferido o ressarcimento suplementar. 3. verdadeirasr Para examinar as alegações da defesa e esclarecer as razões do pedido suplementar, foi o processo baixado em 2 Processo n° Recurso nO Acórdão nO Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 11065.002348/96-91 119.140 202-15.156 MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O OBIGINAL_ Brasília-DF. em 3D '_íS_,2D0'5 C~Jl Secretaria da Segunda Camala Rld diligência, na forma do pedido de fls. 49/50, devidamente atendido pelo relatório de fls. 244/45 e anexos, retornando o feito a esta DRJ pelo despacho de fl. 246. " A autoridade julgadora de primeira instância negou procedência à impugnação apresentada, por entender que não se incluem no cálculo do crédito presumido, por falta de previsão legal, os valores pagos a terceiros, a título de beneficiamento de insumos, bem como os serviços prestados por ateliês, com remessa e retomo dos insumos com suspensão do IPI. Irresignada com o resultado do julgamento de primeira instância, a interessada, tempestivamente, apresentou recurso voluntário, onde repisa as argumentações expendidas na impugnação, aduzindo, ainda, em sua defesa que: 1) a indústria calçadista utiliza em larga escala a operação de industrialização por encomenda, a qual ocorre sob duas formas: a) adquire couro semi-acabado ou "wet blue", remetendo-o para um curtume, a fim que este realize o beneficiamento/acabamento, cobrando pela industrialização efetuada, sendo que neste processo são agregados produtos químicos de propriedade do industrializador, cujo custo integra o valor total da industrialização; b) remete os insumos (solados, couro, cola, fita reforço, linha, etc) para os estabelecimentos denominados "ateliês", os quais realizam a transformação de tais insumos em partes de calçados, cobrando um valor relativo à "industrialização efetuada para outras empresas", considerando neste custo o valor dos insumos de propriedade do industrializador, que também são empregados no referido processo; 2) as duas hipóteses ocorrem sob o amparo da suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, nos termos do artigo 36, I e n, do RIPII1982, correspondente ao artigo 40, VII e VIII, do RIPII1998, e sobre o valor agregado (cobrado pelo industrializador) também incidem os dispositivos regulamentares citados, que estabelecem a suspensão do IPI, observada a regra de exceção nele prevista; 3) as operações efetuadas pelos curtumes ou pelos ateliês são operações de industrialização, nos termos do disposto no artigo 3°, I e n, do RIPII1982, correspondente ao artigo 4°, I e n, do RIPII1998, portanto, não havendo que se falar que em qualquer dos casos ocorra uma pr~staçãodeserviços, vez que. as operações de prestação de serviços estão dentro_do_ campo de incidência do Imposto Sobre Serviços - ISS, e estão elencadas na lista anexa ao __ Decreto-Lei nO406, de 1969; 4) os valores pagos pela operação de industrialização por encomenda efetuada pelos ateliês referem-se à aquisição de matérias-primas, visto que o processo de industrialização dos calçados será concluso no estabelecimento da recorrente, sendo que os produtos industrializados sob encomenda servem de insumos na realização da etapa final do processo produtivo, compondo o custo juntamente com as aquisições de insumos necessários à fabricação dos calçados; 5) por sua vez, os valores pagos pela operação de industrialização por encomenda efetuada pelos curtumes também se referem à aquisição de matéria-prima, visto que I :f 3 Processo n° Recurso n° Acórdão n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 11065.002348/96-91 119.140 202-15.156 MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo COllselho de Conlnbumtes CONFERE COM O ORiCiNAL_ SraslUa-DF.em 3ó 1~2a:i5 ~Jt~Ji Secretária da Segunda Cãmar8 R4ld I~--~~ I o couro beneficiado serve de insumo na fabricação dos calçados e o custo do beneficiamento do couro passa a integrar o custo dos calçados juntamente com a aquisição de insumos necessários à sua fabricação; 6) as matérias-primas não perdem tal condição pelo fato de sofrerem um processo de industrialização parcial, pois o que ocorre é somente a agregação de um valor pela realização deste processo, sendo que os produtos resultantes - embora com valores superiores - continuam na condição de insumos; 7) a receita obtida, tanto pelos curtumes como pelos ateliês, compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS, e, mesmo se assim não fosse, este fato não seria impeditivo para inclusão dos valores no cálculo do crédito presumido, vez que a MP nO948, de 1995, não condiciona a fruição do mesmo ao recolhimento daquelas contribuições;, 8) o argumento de que as operações de remessa e devolução dos produtos ocorrem sem incidência de IPI não encontra respaldo no ordenamento juridico, pois não foi indicado o dispositivo legal que impõe tal exigência, e tal fato não transmuda a natureza dos custos agregados aos insumos; 9) a exigência de que os insumos remetidos para industrialização sejam tributados pelo IPI, constante da resposta ao item 2.7 do Perguntão, aprovado pela Nota MF/SRF/COSIT/COTIPIDIPEX n° 312, de 03/08/1998, não encontra respaldo na lei, e, no direito tributário brasileiro, os atos regulamentares devem se limitar a buscar a fiel execução da lei, dando-lhe condições de eficácia sem, contudo, criar ou modificar tributos. Na conclusão, pugna pela reforma do acórdão de primeira instância, com vistas a ser deferido o ressarcimento como solicitado, acrescido da Taxa SELIC. _'__ '_ É~relatÓri~ _'_ ._-=--====== 4 Processo n° Recurso n° Acórdão nO Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 11065.002348/96-91 119.140 202-15.156 MINISTÉRIO DA FAZENDA SeCJlJndo COflselho de ContnbUlntes CÕNFERE COM O ORIGINAL_ Bmsília-DF. em~.1:Z-IZODS ~J-)afUJi Secretârla da Segunda Câmara [,.cr_~I FI. VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA ANA NEYLE OLÍMPIO HOLANDA O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento_ O objeto do presente processo é o pedido de ressarcimento de Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, originado por créditos presumidos deste imposto, referentes à contribuição para o Programa de Integração Social - PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, incidentes sobre as aquisições no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo, no primeiro trimestre de 1999. O litígio versa sobre a exclusão da base de cálculo do beneficio fiscal pleiteado dos valores referentes ao beneficiamento do couro semi-acabado - wet blue - por terceiros, como também dos valores referentes a peças remetidas para ateliês com o fim de montagem de fase intermediária dos calçados. A exclusão deu-se sob o fundamento de que tais operações, por se tratarem de serviços de beneficiamento prestados por terceiros a título de beneficiamento de insumos, bem como os serviços prestados por ateliês, com remessa e retomo dos insumos com suspensão do IPI, não se enquadrariam como matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, que são objetos do favor fiscal. Concessa venia dos que defendem o respeitável entendimento, deles ouso divergir, o que faço invocando a forma em que se dá a operação de beneficiamento da matéria- prima e dos produtos semi-acabados para utilização no processo produtivo desenvolvido pela recorrente, que se encontra evidenciada no recurso, in IUteris: "a) - a indústria calçadista adquire couro semi-acabado ou "wet blue ", remetendo-o para um curtume, a fim de que o mesmo realize o beneficiamento/acabamento. Após tal operação, o curtume remete em devolução o couro, cobrando pela industrialização efetuada, sendo que, neste R.rocesso, são agregados produtos químicos de propriedade do ____ industrializador, cujocusto dos mesmos, obviamente, mtegra o valor lotat-aa industriaÚz~ção. - ---- - _. --- ~--- ------ b) - a indústria calçadista efetua a remessa de insumos (solados, couro, cola, fita reforço, linha, etc...) para os estabelecimentos indevidamente denominados 'ateiiers' (posto que se tratam de estabelecimentos tipicamente industriais), os quais realizam a transformação de tais insumos em partes de calçados, cobrando um valor relativo a 'industrialização efetuada para outras empresas-' - código 5.13 e 6.13 do Livro de Apuração do IPL considerando neste custo, também, o valor dos insumos de propriedade do industrializador, que também ( são empregados no referido processo} 5 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo nO : Recurso nO Acórdão n° : 11065.002348/96-91 119.140 202-15.156 STÉRIO DA FAZENDA~INId. Conselho de Contribuintes',egun n . NAL 'CONet RE COM O OBIGI " ~A ,S ,ZOOS"Brasitia-DF.em~_~ C~(ÚUji Secretána da Segunda Gamara .~ ld Quando se trata do beneficiamento do couro, a empresa adquire o couro semi- acabado e o envia para que outro estabelecimento realize a operação de beneficiamento, o que o torna compatível com o processo de produção dos calçados que fabrica. Controvérsias não há que se a empresa adquirisse o couro beneficiado, todo o valor por ele pago deveria fazer parte da base de cálculo do crédito presumido, como custo'para aquisição de matéria-prima. Nesse ponto, tomo de empréstimo os argumentos expendidos pelo então Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima, no Acórdão n° 202-12.301, quando, tratado de matéria idêntica a que aqui se díscute, afirma que, se a empresa adquirisse o produto beneficiado, o valor que constaria na nota fiscal do fornecedor representaria o custo do insumo utilizado mais o custo dos serviços de beneficiamento, não haveria dúvida de que o valor total da aquisição comporia a base de cálculo do incentivo, posto que o insumo beneficiado foi transformado nos produtos finais que foram exportados. Pois bem, in casu, se a empresa fornecedora emitisse duas notas fiscais, uma referente ao couro semi-acabado e outra pelo beneficiamento, não haveria qualquer diferença ao tratamento a ser dado ao custo da matéria-prima adquirida, que haveria de ser composto pelo somatório dos valores constantes das duas notas fiscais, sendo tal fato irrelevante para o cálculo do beneficio. Na espécie, a empresa fabricante dos calçados adquire o couro semi-acabado de um fornecedor enquanto o realizador do beneficiamento é um terceiro estabelecimento. Isto significa que as duas notas antes cogitadas são emitidas por estabelecimentos diferentes, embora para o adquirente não se modifique o fato de que o custo da matéria-prima será composto pelas duas parcelas: o preço pago pelo couro semi-acabado e aquele equivalente ao beneficiamento do couro, vez que tal etapa é essencial para que o produto tenha condições de ser transformado em calçados.a-serm-exportados Re.ssalte~se~que_oobjeto.doJJeneficio não é o aperfeiçoamento do --- couro, pois não se exporta o couro, e sim calçados, que foram fabricados com o couro beneficiado. Assim, o couro, mesmo depois de beneficiado é matéria-prima para o processo de fabricação dos calçados . . Destarte, por ser o beneficiamento operação necessária à utilização do couro na _~~f:=ab=nc~'caçãodoscalçados, deve o seu custo ser considerado como custo da matéria-prima, e não vislumbro como se fazer oposição à stiãTnclusão na base de cálculo do benefiC'io fiscal pleiteado . •Mesmo pensamento -pode ser desenvolvido para a matéria-prima que é enviada ~ para os ateliês, que as transforma em partes que vão compor os calçados montados pela recorrente. Pois a empresa fabricante dos calçados adquire o material de um fornecedor enquanto __ o. realizador da fabricação das partes do calçado é um terceíro estabelecimento. Isto significa que as duas notas antes cogitadas são emitidas por estãl:ielecimentos diferentes, embora para o - adquirente não se modifique o fato de que o custo das partes do calçado será composto pelas duas parcelas: o preço pago pela matéria-prima e aquele equivalente à confecção da parte do calçado. semi-acabado, vez que a montagem de parte do calçado constitui apenas uma etapa do ;rocesso produtivo da empresa, que vai transformá-lo no calçado final, que será ;ortad: Processo nO Recurso nO Acórdão n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 11065.002348/96-91 119.140 202-15.156 MINISTÉRIO DA FAZEND~ Segundo Conselho de Conlnbumles CONFERE COM O ORIGINAI;.. Brasilla-DF. em 30 lJi.-JêatS c{!ilr; frJarUJ i Secretaria da Segunda Câmara RbJ Ressalte-se que o objeto do beneficio fiscal não é a fabricação de partes de calçados, vez que as mesmas não são exportadas, e sim calçados, que foram resultados da montagem das partes pré- fabricadas. Assim, cada parte do calçado será matéria-prima para o processo de sua fabricação. A decisão de primeira instância tomou em consideração o entendimento exarado no Boletim Central da Secretaria da Receita Federal nO147, de 04/08/1998, segundo o qual o critério de admissão na base de cálculo do crédito presumido do valor da operação realizada por estabelecimento de terceiro para beneficiamento ou aperfeiçoamento da matéria- prima é a tributação pelo IPI, seja da operação de remessa dos insumos para industrialização, seja da operação de remessa do produto pelo executor da industrialização. Havendo tributação do IPI, o valor da operação de beneficiamento ou aperfeiçoamento integraria a base de cálculo do crédito presumido; inexistindo tal tributação, o mesmo valor não integraria essa base de cálculo. A meu ver, a incidência ou não do IPI na remessa do couro semi-acabado e das matérias-primas e na devolução do couro wet blue e das partes dos calçados em nada influi para a inclusão do valor final dos mesmos na base de cálculo do crédito presumido. A Lei n° 9.363, de 13/12/96, que disciplina a instituição do crédito presumido do IPI, o concede à "...empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais", como ressarcimento da contribuição para PIS e da COFINS, "...incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo" (artigo I 0), elegendo como base de cálculo do crédito presumido o valor obtido "...mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem..., do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador" (artigo 2°). De tais dispositivos legais, infere-se que, se a base de cálculo . do crédito presumido resulta da aplicação de um percentual sobre o valor total das aquisições de insumos, o critério de admissão do valor do beneficiamento ou aperfeiçoamento realizado por ~er-eeimsna .bas6'-dtH)álcul(l.dess~~t~~p<lde-seI o da adequação ou n,áeuiopmduto obtido com estas operações aos conceitos de matérias-primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, compreendidos na noção mais larga de insumos. Como bem frisado pelo Conselheiro José Roberto Vieira, no Acórdão nO --20l--76.468,-em-julgamento_de_causa-idêntica_à_que_ora_se.discute,--"O_cl::itério da tributaÇ.ãoou"-__ 1 não pelo IPI, adotado pela administração tributária no presente caso, embora constitua um ____ indicativo no sentido desejado, por si só não é em absoluto o bastante para o deslinde da questao. Veja-se,por exemplO;'qit~oexecufl5'tC1eumatffi1ffStrililtm:çáv-pvrerrcom1iirrJa;-cõ"'7tlloo=iJãa===1 referido, atrás, pode remeter ao encomendanteprodutos dessa forma fabricados, que serão por este destinados a comércio ou industrialização, e em cuja industrialização não tenha utilizado produtos de sua fabricação ou importação, ou seja, atendendo a todos os requisitos legaispara a aplicação do beneficio da suspensão, contudo, agregou, na industrialização por encomenda, produtos intermediários adquiridos de terceiro de tão grande relevância, quefazem do produto assim industrializado indubitavelmente uma nova matéria-prima, muito diferente daquela originalmente enviada pelo encomendante da industrialização, caracterizando a remessa do executor da industrializarrecusavelmente como uma aquisição de matéria-primtiPótes: Processo nO Recurso nO Acórdão n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 11065.002348/96-91 119.140 202-15.156 MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAl Brasília-DF. em 30 /~ 2a)S CtMtiMarUji Secretária da Segunda Câmafa Rld em que, límpida e claramente, não poderá a industrialização por encomenda ser excluída da base de cálculo do crédito presumido". (destaques do original) Assim, para a inclusão do valor na base de cálculo do crédito presumido, ao invés de se verificar a incidência do IPI sobre a operação de beneficiamento ou aperfeiçoamento dos materiais utilizados no processo produtivo da empresa, é necessário averiguar se o produtor- exportador adquiriu produto que efetivamente vai fazer parte do seu processo produtivo como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, essa a condição legalmente exigida. A partir de tais considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para que o beneficio seja calculado incluindo-se os valores referentes à operação de beneficiamento do couro semi-acabado e às operações de montagem intermediária de parte dos calçados realizadas pelos ateliês. Sala das Sessões, em 14 de outubro de 2003 .k._ {\"u~Q¥ . ~ -iNANEWEOLI~ HOLANDAI 8 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008
score : 1.0
Numero do processo: 11040.003111/99-21
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2005
Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO -Possibilidade de exame por este conselho - inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal - prescrição do direito de restituição/compensação - admissibilidade - dies a guo -edição de ato normativo que dispensa a constituição de crédito tributário - duplo grau de jurisdição.
Numero da decisão: 303-31.972
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho
de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição da contribuição para o Finsocial e determinar a restituição do processo à autoridade julgadora de primeira instância competente para apreciar as demais questões de mérito, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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