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Numero do processo: 13804.000690/2002-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1980
CRÉDITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. LIQUIDAÇÃO POR MEIO DE COMPENSAÇÃO. DESISTÊNCIA. HONORÁRIOS DA EXECUÇÃO.
Na compensação administrativa de título executivo judicial, serão observados os requisitos estabelecidos em ato normativo da Receita Federal, editado em conformidade com o artigo 74, §14º da Lei nº 9.430/96 e do art. 170 do CTN, não havendo de se falar em exigência de renúncia dos honorários advocatícios fixados na fase de conhecimento da ação judicial, o que implicaria em renunciar parcialmente ao próprio título executivo judicial transitado em julgado.
A desistência imposta à parte credora na IN SRF nº 21/97, em seu art. 17, §1º, com redação dada pela IN SRF nº 73/97, fica adstrita aos honorários advocatícios eventualmente devidos em sede de liquidação ou execução judicial da sentença.
Numero da decisão: 9303-005.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem, para análise do mérito da compensação - certeza e liquidez do crédito tributário requerido.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1980 CRÉDITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. LIQUIDAÇÃO POR MEIO DE COMPENSAÇÃO. DESISTÊNCIA. HONORÁRIOS DA EXECUÇÃO. Na compensação administrativa de título executivo judicial, serão observados os requisitos estabelecidos em ato normativo da Receita Federal, editado em conformidade com o artigo 74, §14º da Lei nº 9.430/96 e do art. 170 do CTN, não havendo de se falar em exigência de renúncia dos honorários advocatícios fixados na fase de conhecimento da ação judicial, o que implicaria em renunciar parcialmente ao próprio título executivo judicial transitado em julgado. A desistência imposta à parte credora na IN SRF nº 21/97, em seu art. 17, §1º, com redação dada pela IN SRF nº 73/97, fica adstrita aos honorários advocatícios eventualmente devidos em sede de liquidação ou execução judicial da sentença. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem, para análise do mérito da compensação certeza e liquidez do crédito tributário requerido. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 06 90 /2 00 2- 63 Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 13804.000690/200263 Acórdão n.º 9303005.883 CSRFT3 Fl. 1.217 2 (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte SAINTGOBAIN DO BRASIL PRODUTOS INDUSTRIAIS E PARA CONSTRUÇÃO LTDA (fls. 1.116 a 1.157) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 340200.489 (fls. 1.105 a 1.110) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 17/03/2010, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 1980 NORMAS TRIBUTARIAS. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DECORRENTES DE DECISÃO JUDICIAL. REQUISITOS. Nos termos da Instrução Normativa n° 73/97 da Secretaria da Receita Federal, a utilização de crédito reconhecido judicialmente em compensação de débitos tributários devese restringir ao montante do tributo devido somado apenas das parcelas devidas pela mora, mas não incluindo parcelas a titulo de custas processuais e honorários advocatícios, cujo ônus deve ser assumido pelo postulante. Tais exigências encontram amparo na delegação prevista no art.74 da Lei n° 9.430, pelo que não é inconstitucional o ato que as veicula. Recurso Negado. Por bem retratar o desenrolar do processo administrativo, adotase o relatório do acórdão recorrido, com os devidos acréscimos, in verbis: Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 13804.000690/200263 Acórdão n.º 9303005.883 CSRFT3 Fl. 1.218 3 [...] Veiculam os autos pedido de restituição (fl. 01) de indébito tributário reconhecido judicialmente. O trânsito em julgado da decisão favorável ao contribuinte ocorreu em 2002. O pedido de restituição foi formalizado em 11 de janeiro de 2002, época em que vigia ainda a Lei 9.430/96, em sua redação original, regulamentada pelas Instruções Normativas da SRF de nºs 21/97 e 73/97. A esse pedido inicial foi acrescido pedido de compensação com débitos de PIS e COFINS (fl. 190) no montante integral, protocolado em 14 de janeiro de 2002. Ele foi denegado porque a fiscalização da SRF apurou que a empresa havia iniciado a execução da sentença obtida e dela apenas desistira em relação ao principal, prosseguindoa no que tange as custas judiciais e aos honorários advocatícios. Ainda que em relação a esta última parte tenha a empresa postulado no Judiciário a substituição do pólo ativo no processo de execução de modo a que ele corresse em nome do escritório de advocacia responsável, essa substituição foi denegada pelo Juiz responsável ao entendimento de que se tratava de quantia de titularidade da empresa e não dos advogados. Por essa causa, entendeu a Administração descumpridos, na integra, os requisitos do art. 17, § 1° da Instrução Normativa 21/97, com a redação que lhe deu a IN SRF 73/97, e que estabelecem a necessidade de a postulante desistir da execução do titulo judicial e assumir as custas do processo, inclusive honorários advocatícios. No recurso tempestivamente ofertado, afirma a empresa errônea a interpretação de que a desistência deva ser da execução dos honorários devidos pela ação principal, já transitada em julgado, devendo se restringir àqueles devidos pelo próprio processo de execução de que se desistirá. Aponta ser essa a redação dos atos normativos que trataram do assunto subseqüentemente as IINN utilizadas no julgamento. Informa ainda que postulou administrativamente apenas o montante do tributo recolhido indevidamente, acrescido dos juros determinados judicialmente, mas sem incluir ai as parcelas a titulo de custas processuais, inclusive honorários. [...] Sobreveio, assim, a negativa de provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão nº 340200.489 (fls. 1.105 a 1.110) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 17/03/2010, ora recorrido, por ter entendido o Colegiado a quo, em síntese, que não foram atendidas as exigências contidas no art. 17 da IN nº 21/97, segundo o qual é necessária a desistência do processo de execução judicial para a compensação administrativa do indébito tributário, inclusive das custas processuais e da verba de sucumbência do processo de conhecimento. Não resignada, a Contribuinte interpôs recurso especial (fls. 1.116 a 1.157), alegando divergência jurisprudencial quanto aos seguintes pontos: (a) possibilidade de Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 13804.000690/200263 Acórdão n.º 9303005.883 CSRFT3 Fl. 1.219 4 execução dos honorários da ação de conhecimento frente ao art. 17 da IN nº 21/97; (b) correta interpretação do art. 17 da IN nº 21/97, somente às custas e honorários do processo judicial de execução e (c) possibilidade de aplicação interpretativa de instruções normativas posteriores. Para comprovar o dissenso interpretativo, trouxe como paradigmas os acórdãos nºs 30237.961, 30132.177 e 20311.335. Nas razões recursais, o Sujeito Passivo sustenta, em síntese, que: (a) as divergências residem em três pontos fundamentais: (i) possibilidade de execução judicial das verbas de sucumbência referentes à ação de conhecimento, frente à ilegalidade das restrições supostamente impostas pelo art. 17 da Instrução Normativa nº 21/97; (ii) a correta interpretação do art. 17 da IN nº 21/97 para demonstrar que este faz referência somente às custas e honorários do processo judicial de execução; e (iii) a possibilidade de aplicação, no presente caso, das Instruções Normativas nºs 210/02, 460/04 e 600/05, que explicitamente mencionam que o contribuinte apenas deverá assumir custas e honorários relativos ao processo de execução, em razão de seu caráter instrumental e, portanto, automaticamente aplicáveis; (b) a exigência de que a Contribuinte comprove a desistência da execução judicial dos valores relativos ao indébito tributário é compreensível, sob pena de ser homologada compensação de crédito já restituído ao Sujeito Passivo por meio de precatório ou requisição de pequeno valor; da mesma forma, válido não ser admissível a compensação administrativa de custas judiciais e verbas sucumbenciais, pois não representam o indébito tributário; no entanto, inadmissível a exigência de que tais verbas não possam ser executadas em juízo, pois o ônus sequer recairia sobre a Contribuinte, mas sim sobre o seu patrono, não guardando qualquer relação com o indébito tributário; (c) em relação à interpretação do art. 17 da IN nº 21/97, refere que faz restrição aos honorários e às custas do processo de execução, integralmente suportados pela Contribuinte, tendo sido interpretado de forma equivocada pela decisão recorrida; (d) são aplicáveis ao caso dos autos as Instruções Normativas nºs 210/02, 460/04 e 600/05 que atribuem o ônus das custas e honorários do processo de execução à Contribuinte pois vigentes à época da análise do pedido de compensação, e por serem de cunho procedimental têm aplicação imediata, e não geram direito adquirido; (e) portanto, a leitura adequada do art. 17 da IN nº 21/97, com redação dada pela IN SRF nº 73/97, é no sentido de que no caso de título judicial em fase de execução, se houver opção do Contribuinte pela compensação deverá comprovar junto à unidade da SRF, a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas, inclusive os honorários advocatícios, do processo de execução; (f) aduz ter atendido a todas as exigências contidas no art. 17 da IN nº 21/97, procedendo à comprovação nos autos do processo administrativo da desistência da execução do indébito tributário, nos termos da sentença homologatória, remanescendo no âmbito judicial tão somente a execução das Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 13804.000690/200263 Acórdão n.º 9303005.883 CSRFT3 Fl. 1.220 5 verbas sucumbenciais do processo de conhecimento patrimônio dos seus patronos, tendo assumido todas as custas e honorários do processo de execução; (g) por fim, requer o provimento do recurso especial sendo deferido o pedido de restituição do IOF e totalmente homologadas as declarações de compensação correspondentes. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho S/Nº, de 22 de setembro de 2015 (fls. 1.207 a 1.209), proferido pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial com relação aos itens suscitados na esfera recursal. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 1.211 a 1.214) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. No mérito, cingese a controvérsia à análise de três pontos: (a) possibilidade de execução dos honorários da ação de conhecimento frente ao art. 17 da IN nº 21/97; (b) correta interpretação do art. 17 da IN nº 21/97, aplicável somente às custas e honorários do processo judicial de execução e (c) possibilidade de aplicação interpretativa de instruções normativas posteriores à data do protocolo do pedido de compensação. A matéria a ser apreciada no julgamento do recurso especial, portanto, é a necessidade (ou não) da desistência dos honorários advocatícios, inclusive os fixados no título executivo judicial decisão transitada em julgado ou apenas àqueles relativos à fase de execução de sentença. O enfrentamento da questão requer a análise dos pontos suscitados como divergentes pela Contribuinte, levando a averiguarse a correta interpretação do art. 17 da IN SRF nº 21/97, além dos atos normativos editados posteriormente e sua possibilidade de aplicação ao caso. Em diversas ocasiões, como ocorre no caso dos autos, o Contribuinte vai ao Poder Judiciário ajuizando ação contra a União Federal, por meio de seus patronos, para buscar Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 13804.000690/200263 Acórdão n.º 9303005.883 CSRFT3 Fl. 1.221 6 o reconhecimento do seu direito ao ressarcimento de tributo pago indevidamente ou a maior. Obtendo êxito em seu pleito, tem a alternativa de receber os valores através do precatório ou de pedido de compensação na esfera administrativa, este último mediante a comprovação da desistência do processo de execução da sentença transitado em julgado. A compensação constituise em uma das formas de extinção do crédito tributário previstas no art. 156 do Código Tributário Nacional, em seu inciso II1. Além disso, o art. 170 do mesmo diploma legal, ao dispor sobre o tema da compensação, estabelece que a lei poderá atribuir à Autoridade Administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. O processo de extinção de créditos tributários devidos por contribuintes que também eram credores de indébitos tributários junto à União deuse, por muitos anos, da seguinte forma2: uma vez reconhecido o direito ao crédito, por meio de processo administrativo de restituição, para os casos de indébitos, ou de ressarcimento, quando se tratavam de benefícios fiscais, realizavase a pesquisa de débitos do Contribuinte credor, os quais, se existentes, era quitados com os acréscimos legais devidos, ou pagos até o limite do valor do crédito. A partir da edição da Lei nº 8.383/91, no ano de 1992, operouse uma mudança significativa na sistemática da compensação, motivada pelo acerto contábil das contas do 1 Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) (Vide Lei nº 13.259, de 2016) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. 2 A matéria atinente à compensação era tratada em atos legais, tais como: art. 18 da Lei nº 4.862/1965; art. 7º do DecretoLei nº 2.287/1986 e itens "1" e "3" da Instrução Normativa SRF nº 05/1987. Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 13804.000690/200263 Acórdão n.º 9303005.883 CSRFT3 Fl. 1.222 7 Tesouro, tendo em vista permitir aos Contribuintes efetuarem a compensação do indébito tributário no recolhimento da importância correspondente a períodos subsequentes, consoante disposição contida no seu art. 66: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei nº 9.250, de 1995) § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) §3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) Com igual motivação, sobreveio a Lei nº 9.430/96, em vigor desde 1997, prevendo, em seus artigos 73 e 74, que a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação dos seus débitos seriam efetuados em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, bem como a possibilidade de ser autorizada pela Autoridade Fiscal a utilização dos créditos a serem restituídos ou ressarcidos ao contribuinte para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Segue a redação original dos dispositivos: Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I – o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II – a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 13804.000690/200263 Acórdão n.º 9303005.883 CSRFT3 Fl. 1.223 8 Importa referir ter sido o art. 74 da Lei nº 9.430/96 objeto de sucessivas alterações legislativas, em razão da necessidade de aperfeiçoamento do controle do instituto da compensação pela Receita Federal, contando atualmente com a seguinte redação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) §4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 13804.000690/200263 Acórdão n.º 9303005.883 CSRFT3 Fl. 1.224 9 protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no §7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) §12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no §3º deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 13804.000690/200263 Acórdão n.º 9303005.883 CSRFT3 Fl. 1.225 10 e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 1 – tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 2 – tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 3 – tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 4 – seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 13. O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 15. (Revogado pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) § 16. (Revogado pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) No âmbito da regulamentação da compensação pela Receita Federal, mais especificamente dos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 em sua redação original, no ano de 1997, foi editada a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 21, trazendo, dentre as suas disposições, a possibilidade de os detentores de créditos tributários decorrentes de ação judicial desistirem da execução do julgado no âmbito do Poder Judiciário, utilizando os valores do indébito reconhecido por sentença transitada em julgado para compensar créditos tributários próprios, ou de terceiros, devidos à Receita Federal. Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 13804.000690/200263 Acórdão n.º 9303005.883 CSRFT3 Fl. 1.226 11 Dispõe o art. 17 da Instrução Normativa da SRF nº 21/97, com redação dada pela Instrução Normativa nº 73, de 15 de setembro de 1997: Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) Parágrafo único. Para efeito do disposto neste artigo, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou ressarcimento uma cópia da sentença e do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito. § 1° No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) § 2° Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório."; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) Da interpretação do art. 17, §1º da IN SRF nº 21/97 acima reproduzido, depreendese que a condição para a compensação administrativa de créditos tributários reconhecidos judicialmente é a comprovação da desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial, com a assunção das custas do processo, inclusive dos honorários advocatícios, estes única e exclusivamente relativos à fase executória. Tanto é assim que a disposição contida no §1º iniciase com uma delimitação da norma: "no caso de título judicial em fase de execução [...]". A exigência da desistência de execução, portanto, não se estende aos honorários advocatícios da fase de conhecimento da ação judicial, os quais são de titularidade do patrono da causa e não podem ser objeto de transação entre a Contribuinte e a União. Além disso, de uma interpretação conjunta do Código de Processo Civil de 2015 e da Lei nº 8.906/1994 Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil, inferese cabível a fixação de honorários advocatícios de sucumbência tanto na fase de conhecimento quanto na fase de execução ou cumprimento de sentença, não estando adstrita, portanto, a fixação de honorários apenas à noção de processo, já que pode incidir mais de uma vez em uma mesma ação judicial. A IN SRF nº 21/97 foi revogada pela Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, a qual reproduziu, em seu art. 37, §2º, o comando normativo do art. 17, §1º da IN revogada. Posteriormente, sobreveio, a IN SRF nº 460/04, por sua vez, revogando a IN SRF nº 210/02, e tornando mais clara, ainda em sua redação original, que a desistência da execução judicial abrangeria as custas e os honorários advocatícios exclusivamente da fase de execução do julgado, in verbis: Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 13804.000690/200263 Acórdão n.º 9303005.883 CSRFT3 Fl. 1.227 12 Art. 50. São vedados o ressarcimento, a restituição e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. § 1º A autoridade da SRF competente para dar cumprimento à decisão judicial de que trata o caput poderá exigir do sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição ou do ressarcimento ou para homologação da compensação, que lhe seja apresentada cópia do inteiro teor da decisão judicial em que seu direito creditório foi reconhecido. § 2º Na hipótese de título judicial, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou da renúncia a sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios. (redação original) § 2º Na hipótese de ação de repetição de indébito, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação, pelo Poder Judiciário, da desistência da execução do título judicial ou da renúncia a sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 563, de 23 de agosto de 2005) § 3º Não poderão ser objeto de restituição, de ressarcimento e de compensação os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. § 4º A restituição, o ressarcimento e a compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado darseão na forma prevista nesta Instrução Normativa, caso a decisão não disponha de forma diversa. De outro lado, a IN SRF nº 600/05, norma que revogou a IN SRF nº 460/04, em seu art. 50, §2º, igualmente não deixou dúvidas de que a desistência da execução judicial do crédito tributário decorrente de ação judicial abrange os honorários advocatícios referentes ao processo de execução, in verbis: Art. 50. São vedados o ressarcimento, a restituição e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. § 1º A autoridade da SRF competente para dar cumprimento à decisão judicial de que trata o caput poderá exigir do sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição ou do ressarcimento ou para homologação da compensação, que lhe seja apresentada cópia do inteiro teor da decisão judicial em que seu direito creditório foi reconhecido. Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 13804.000690/200263 Acórdão n.º 9303005.883 CSRFT3 Fl. 1.228 13 § 2º Na hipótese de ação de repetição de indébito, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação, pelo Poder Judiciário, da desistência da execução do título judicial ou a renúncia à sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 3º Não poderão ser objeto de restituição, de ressarcimento e de compensação os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. § 4º A restituição, o ressarcimento e a compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado darseão na forma prevista nesta Instrução Normativa, caso a decisão não disponha de forma diversa. Após a edição de sucessivos atos normativos sobre o tema, atualmente, a Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017, que está em vigor, tendo revogado as normas precedentes, regulamenta a matéria em seu art. 100, no qual expressamente exige apenas a desistência dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução e assunção de todas as custas, nos seguintes termos: Art. 100. Na hipótese de crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, a declaração de compensação será recepcionada pela RFB somente depois de prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) ou pela Delegacia Especial da RFB com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Decorrente de Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa; II certidão de inteiro teor do processo, expedida pela Justiça Federal; III na hipótese em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, cópia da decisão que homologou a desistência da execução do título judicial, pelo Poder Judiciário, e a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução, ou cópia da declaração pessoal de inexecução do título judicial protocolada na Justiça Federal e certidão judicial que a ateste; IV cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembleia que elegeu a diretoria; V cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 13804.000690/200263 Acórdão n.º 9303005.883 CSRFT3 Fl. 1.229 14 VI na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo, cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante; e VII na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo, procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado. § 2º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações necessárias à habilitação, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da ciência da intimação. § 3º No prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da protocolização do pedido ou da regularização das pendências a que se refere o § 2º, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. A evolução dos atos normativos editados pela Receita Federal para regulamentar a compensação administrativa de crédito tributário decorrente de decisão judicial transitada em julgado, conforme, inclusive, outorga de competência do art. 74, §14º da Lei nº 9.430/96, conduz à correta interpretação a ser atribuída ao art. 17, §1º da IN SRF nº 21/97, com redação dada pela IN SRF nº 73/97: a desistência exigida referese aos honorários advocatícios da fase de execução do julgado, não guardando qualquer relação com aqueles fixados na ação de conhecimento. Igualmente não se extrai do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e do art. 170 do Código Tributário Nacional qualquer entendimento conduzindo à conclusão da obrigatoriedade da renúncia parcial do direito assegurado ao contribuinte no título executivo judicial que pretende ver liquidado administrativamente, por meio da compensação. Com efeito, a IN SRF nº 21/97, e alterações da IN SRF nº 73/97, encontrou amparo na legislação de regência, pois não houve violação ao poder regulamentar ordinário pela Administração Tributária com o ato normativo, uma vez ausente qualquer restrição de direito, tendo instituído requisitos mínimos necessários à declaração de compensação, consoante arts. 99 e 100 do CTN, dentre eles a desistência da execução judicial do crédito tributário, assumindo o contribuinte, ainda, as custas e os honorários advocatícios do processo de execução. Atribuir ao art. 17, §1º da IN SRF nº 21/97 a correta interpretação no sentido de ser exigível a desistência tão somente dos honorários advocatícios fixados na fase de execução de sentença, vai ao encontro da cláusula pétrea da tutela da segurança jurídica, consoante proteção do art. 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal à coisa julgada, a qual se opera para o Poder Executivo, Legislativo e do próprio Judiciário artigos 267, inciso V e 485, inciso IV do CPC/73. Além disso, por se tratarem as Instruções Normativas de normas de caráter procedimental, semelhantes às normas processuais que tem aplicação imediata, podem ser aplicadas ao caso dos autos as Instruções Normativas editadas posteriormente à IN SRF nº 21/97, as quais apenas reforçaram o seu conteúdo. Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 13804.000690/200263 Acórdão n.º 9303005.883 CSRFT3 Fl. 1.230 15 Por apego à argumentação, mesmo na hipótese de se entender que a redação do art. 17, §1° da IN SRF nº 21/97 impusesse a renúncia aos honorários advocatícios da fase de conhecimento do processo judicial implicando em verdadeira renúncia parcial do próprio título executivo judicial transitado em julgado a mesma atingiria o disposto nos artigos 22 e 23 da Lei nº 8.906/94, norma de hierarquia superior, que trata da relação jurídica estranha ao direito material de compensação do contribuinte. Acresçase ainda que os honorários advocatícios pertencem ao advogado e não lhe podem ser suprimidos, por ter exercido sua atividade na ação judicial que culminou com o reconhecimento do direito ao indébito tributário. Os honorários advocatícios judiciais, por conseguinte, são um direito autônomo do advogado, não podendo ser objeto de desistência pelo contribuinte e, muito menos, constituíremse em óbice à compensação administrativa. No sentido de os honorários advocatícios não serem suscetíveis de negociação pelos litigantes, sem o consentimento expresso do advogado, já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça, conforme se extrai da ementa de julgado abaixo reproduzida: PROCESSUAL CIVIL. ACORDO FIRMADO EM FASE DE EXECUÇÃO. HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. PARCELA AUTÔNOMA. 1. Não é possível afastar a responsabilidade do ente público pelo pagamento da verba honorária sucumbencial estabelecida em sentença judicial transitada em julgado quando, já na fase de execução, é celebrado acordo extrajudicial sem anuência do advogado. 2. Os honorários advocatícios constituem direito autônomo do advogado, que não pode ser afastado em razão de transação realizada entre o seu cliente e a parte contrária, sem a sua anuência, nos termos dos arts. 23 e 24, § 4º, da Lei nº 8.906/94. 3. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1190796/MG, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 15/02/2011, DJe 28/02/2011) Registrese não se estar admitindo a compensação na esfera administrativa das custas e verbas sucumbenciais, pois estas não representam o indébito tributário e não servem à compensação do crédito tributário. Estáse admitindo que os honorários de sucumbência relativos à fase de conhecimento do processo possam ser executados em juízo, não se constituindo, tal providência, em óbice à compensação administrativa do indébito tributário. Para os honorários da fase de execução de sentença, por sua vez, é imprescindível a desistência da execução judicial dos mesmos. Registrese que, no caso em apreço, a discussão envolve tão somente os honorários advocatícios da fase de conhecimento do processo judicial. Por conseguinte, tendo a Contribuinte comprovado a desistência da execução judicial da sentença transitada em julgado, com a assunção das custas e honorários advocatícios da fase de execução, temse como cumpridos os requisitos do art. 17, §1º da IN SRF nº 21/97 Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 13804.000690/200263 Acórdão n.º 9303005.883 CSRFT3 Fl. 1.231 16 para ver reconhecido o seu direito à compensação administrativa, uma vez que a parte final do referido dispositivo trata dos honorários advocatícios relacionados a um eventual processo de execução, não devendo ser confundidos com os honorários de sucumbência da ação de conhecimento. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte, reconhecendo o direito à restituição e compensação administrativa do IOF, com o retorno dos autos à Unidade de Origem para verificação do mérito da compensação certeza e liquidez do crédito tributário requerido. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1231DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.003826/2004-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de uniformes/vestimentas, cuja aplicação não seja em decorrência de exigências legais, além da necessária comprovação de sua utilização diretamente no processo produtivo. Da mesma forma os combustíveis e lubrificantes só dão direito ao crédito se utilizados diretamente no processo produtivo. Acata-se os créditos da aquisição de equipamentos de proteção individual em razão de seu necessário consumo, com o tempo, durante o uso no processo produtivo.
COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO.
No presente caso, as glosas referentes a cesta básica, vale transporte, assistência médica/odontológica, materiais de manutenção/conservação, materiais químicos e de laboratórios, materiais de limpeza, materiais de expediente, outros materiais de consumo, serviço temporário, serviços de segurança e vigilância, serviços de conservação e limpeza, serviços de manutenção e reparos, outros serviços de terceiros, exportação e gastos gerais, não são essenciais ao processo produtivo da Contribuinte.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-005.919
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformular o acórdão somente em relação ao equipamento de proteção individual, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de uniformes/vestimentas, cuja aplicação não seja em decorrência de exigências legais, além da necessária comprovação de sua utilização diretamente no processo produtivo. Da mesma forma os combustíveis e lubrificantes só dão direito ao crédito se utilizados diretamente no processo produtivo. Acata-se os créditos da aquisição de equipamentos de proteção individual em razão de seu necessário consumo, com o tempo, durante o uso no processo produtivo. COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. No presente caso, as glosas referentes a cesta básica, vale transporte, assistência médica/odontológica, materiais de manutenção/conservação, materiais químicos e de laboratórios, materiais de limpeza, materiais de expediente, outros materiais de consumo, serviço temporário, serviços de segurança e vigilância, serviços de conservação e limpeza, serviços de manutenção e reparos, outros serviços de terceiros, exportação e gastos gerais, não são essenciais ao processo produtivo da Contribuinte. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente COMPANHIA CACIQUE DE CAFE SOLUVEL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de uniformes/vestimentas, cuja aplicação não seja em decorrência de exigências legais, além da necessária comprovação de sua utilização diretamente no processo produtivo. Da mesma forma os combustíveis e lubrificantes só dão direito ao crédito se utilizados diretamente no processo produtivo. Acatase os créditos da aquisição de equipamentos de proteção individual em razão de seu necessário consumo, com o tempo, durante o uso no processo produtivo. COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. No presente caso, as glosas referentes a cesta básica, vale transporte, assistência médica/odontológica, materiais de manutenção/conservação, materiais químicos e de laboratórios, materiais de limpeza, materiais de expediente, outros materiais de consumo, serviço temporário, serviços de segurança e vigilância, serviços de conservação e limpeza, serviços de manutenção e reparos, outros serviços de terceiros, exportação e gastos gerais, não são essenciais ao processo produtivo da Contribuinte. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reformular o acórdão somente em relação ao equipamento de proteção individual, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 38 26 /2 00 4- 15 Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 10930.003826/200415 Acórdão n.º 9303005.919 CSRFT3 Fl. 3 2 lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 3302000.859, que negou provimento ao Recurso Voluntário. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITO. INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO. Somente geram crédito de Cofins os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. CRÉDITO. MÃODEOBRA. TRABALHADOR AVULSO. SINDICATO. CONTRATAÇÃO. Não geram crédito de PIS os dispêndios realizados com mãodeobra avulsa, mesmo tendo sido o trabalho contratado com a intermediação de sindicato da categoria profissional, com o pagamento realizado ao sindicato para repasse aos trabalhadores. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento em espécie de Cofins não cumulativa CONSTITUCIONALIDADE. LEIS. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. Recurso Voluntário Negado Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 10930.003826/200415 Acórdão n.º 9303005.919 CSRFT3 Fl. 4 3 Ciente do referido acórdão, e tempestivamente, a Contribuinte ingressou com embargos de declaração alegando a existência de contradição e obscuridade no acórdão embargado. O Presidente da Turma a quo rejeitou os embargos por entender que não houve nenhuma contradição ou obscuridade na decisão embargada. Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Especial, sustentando que a sistemática de conceito de insumos para o PIS e COFINS não cumulativos "deve ser o mesmo aplicado ao imposto de renda, visto que, para se auferir lucro, é necessário antes se obter receita. A materialidade das contribuições ao PIS e COFINS é bastante mais próxima daquela estabelecida ao IRPJ do que daquela prevista para o IPI". O recurso foi admitido parcialmente mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF. Foi dado seguimento para a matéria conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições não cumulativas, e negado seguimento quanto à atualização do ressarcimento pela taxa Selic. Houve reexame de admissibilidade do Recurso Especial. Todavia, o Presidente do CARF manteve, na íntegra, o despacho de admissibilidade do Presidente da Terceira Câmara. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. Sustenta que não há como admitir a adoção do conceito de insumo da legislação do IRPJ para o PIS e a COFINS nãocumulativos. Por fim, requer seja negado provimento ao recurso especial, mantendose incólume a decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.909, de 28/11/2017, proferido no julgamento do processo 10930.002522/200431, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303005.909): Voto Vencido (em parte) "O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, envolve a interpretação do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 10930.003826/200415 Acórdão n.º 9303005.919 CSRFT3 Fl. 5 4 Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/PASEP Mercado Externo (II. 01). protocolizado cm 30/07/2004, relativo ao 1° trimestre/2003, apurado no regime de incidência nãocumulativa, com fundamento na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Posteriormente, a Contribuinte protocolizou as Declarações de Compensação apensadas entre as fls. 88/163, nas quais são utilizados os créditos acima referidos. A DRF cm Londrina/PR. por meio do Despacho Decisório de fls. 495, em conformidade com a Informação Fiscal de fls. 417/428 e com o Parecer SAORT/DRF/LON n° 199/2007 de fls. 489/494, deferiu parcialmente o Pedido de Ressarcimento, reconhecendo o crédito de PIS, referente a dezembro de 2002 e ao 1º trimestre de 2003, o qual foi utilizado para homologar as Declarações de Compensação objeto de análise do referido processo, restando, ainda, o crédito de R$ 45.850,80. De acordo com as informações (fls. 417/428), a Autoridade Fiscal, em observância à legislação de regência, glosou créditos concernentes aos custos/despesas com serviços relacionados à fl. 420 e aos pagamentos feitos a Sindicato de Trabalhadores, considerou, para efeitos de base de cálculo da contribuição, receitas financeiras não computadas pela contribuinte. Conforme registrado na pág. 5 da Informação Fiscal apensada às fls. 417/428. a Contribuinte aproveitou corretamente os créditos de insumos relativos às matérias primas, embalagens, materiais secundários c combustíveis utilizados na indústria. Já, os créditos decorrentes dos gastos com alimentação, cesta básica, vale transporte, assistência médica/odontológica, uniforme e vestuário, equipamento de proteção individual, materiais de manutenção/conservação, materiais químicos e de laboratórios, materiais de limpeza, materiais de expediente, lubrificantes e combustíveis, outros materiais de consumo, serviço temporário, serviços de segurança e vigilância, serviços de conservação e limpeza, serviços de manutenção e reparos, outros serviços de terceiros, exportação e gastos gerais envolvidos no seu processo produtivo, por não serem considerados aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do produto, foram glosados. Às fls. 301/369. foram anexados por amostragem os documentos que ensejaram o aproveitamento indevido de crédito por parte da Contribuinte. Nada obstante, a Delegacia de Julgamento (DRJ) em Curitiba (PR), não acolheu a manifestação de inconformidade e manteve o direito creditório reconhecido nos termos do Despacho Decisório de fl. 495. Vejamos: "DEFERIR PARCIALMENTE o Pedido de Ressarcimento, RECONHECENDO à interessada, como crédito de PIS referente a dezembro de 2002 e ao 1º trimestre de 2003, o valor de R$ 1.009.366,37 (Um milhão, nove mil, trezentos e sessenta e seis reais e trinta e sete centavos), valor este parcialmente utilizado em compensações pela própria pessoa jurídica, restando à interessada, após a compensação, o direito creditório contra a Fazenda Nacional no valor de R$ 45.850,80 (Quarenta e cinco mil, oitocentos e cinqüenta reais e oitenta centavos). HOMOLOGAR as compensações declaradas pela empresa, discriminadas no relatório do Parecer DRF/LON/Saort n° 199/2007. DETERMINAR o encaminhamento deste processo à Saort desta Delegacia para ciência à interessada dos documentos de fls. 412/416, da Informação Fiscal de fls. 417/428, dos demonstrativos de fls. 447/486, do Parecer DRF/LON/Saort n.° 199/2007 e do presente Despacho Decisório, e adoção das demais providências cabíveis". Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 10930.003826/200415 Acórdão n.º 9303005.919 CSRFT3 Fl. 6 5 Com efeito, a decisão recorrida negou provimento ao Recurso Voluntário, ao entendimento de que somente os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção de bens geram créditos passíveis de ressarcimento, e gastos com mãodeobra avulsa, ainda que contratada por intermédio de sindicato, não geram direito ao ressarcimento de créditos de PIS, por fim, afastou a possibilidade de correção monetária pela Taxa Selic por ausência de previsão legal. Feito este intróito inicial, passo ao julgamento. Em outras oportunidades, consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumo no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 10930.003826/200415 Acórdão n.º 9303005.919 CSRFT3 Fl. 7 6 Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. In caso, verifico que a Contribuinte industrializa, comercializa no mercado interno e exporta diversos produtos (café solúvel, óleo de café, extrato de café, etc), de industrialização própria. Exporta ainda mercadorias adquiridas de terceiros. Tais valores estão devidamente registrados em seus livros contábeis/fiscais (fls. 30 a 86, 180 a 199, 202 a 218, 234 a 239). A Contribuinte fundamentou seu pedido nos termos do § 1º, II e § 2º, do artigo 5º da Lei nº 10.637/2002, que prevêem que o valor do crédito da contribuição ao Pis não cumulativo resultante de suas operações com o mercado externo no período poderá, após a compensação da contribuição devida no mercado interno, ser utilizado na compensação de outros tributos e contribuições federais e, ao final do trimestre, restando saldo, poderá ser ressarcido em dinheiro. Tal direito se encontrava regulamentado à época pela Instrução Normativa SRF 379 de 30.12.2003. Posteriormente a regulamentação foi feita na Instrução Normativa SRF, 460, de 18 de outubro de 2004, e alterações instituídas pela Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. Sem embargo, ressaltase que a maior parte dos créditos se refere à aquisição de matéria prima (café cru) e de embalagens de pessoas jurídicas domiciliadas no país. Nas aquisições de pessoas físicas foi considerado o crédito presumido previsto no § 10, do artigo 3º da Lei 10.637/2002, introduzido pelo artigo 25 da Lei 10.684/2003, que prevê a aplicação da alíquota de 1,155% (70% de 1,65%) sobre as referidas aquisições. As aquisições estão relacionadas, por divisão, juntamente com amostragem dos documentos, às fls. 373 a 399 e 402 a 411. Os créditos aproveitados pela Contribuinte foram acrescidos do ICMS e diminuídos do IPI (divisão de embalagens). Deste modo, penso que o termo "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI. Considero que tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, entendo para que se mantenha o equilíbrio normativo, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS não cumulativa nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 10930.003826/200415 Acórdão n.º 9303005.919 CSRFT3 Fl. 8 7 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Como visto, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS/COFINS, o que se coaduna com o presente caso ( PIS). Destarte, o conteúdo contido no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e COFINS. Diferentemente do presente caso, as glosas referentes a cesta básica, vale transporte, assistência médica/odontológica, materiais de manutenção/conservação, materiais químicos e de laboratórios, materiais de limpeza, materiais de expediente, outros materiais de consumo, serviço temporário, serviços de segurança e vigilância, serviços de conservação e limpeza, serviços de manutenção e reparos, outros serviços de terceiros, exportação e gastos gerais envolvidos no seu processo produtivo, entendo não serem essenciais ao processo de produção da Contribuinte. Como se observa, a maior parte dos créditos se refere à aquisição de matéria prima (café cru) e de embalagens de pessoas jurídicas domiciliadas no país. Nas aquisições de pessoas físicas já foi considerado o crédito presumido previsto no § 10, do artigo 3º da Lei 10.637/2002, introduzido pelo artigo 25 da Lei 10.684/2003, que prevê a aplicação da alíquota de 1,155% (70% de 1,65%) sobre as referidas aquisições. Por outro lado, a Contribuinte não teve nenhum interesse em apresentar seu processo produtivo, e fundamentar seu direito, pelo contrario, em sua peça Recursal alega apenas que o direito a crédito " conceito de insumo" deve ser o mesmo aplicado ao imposto de renda, visto que, para se auferir lucro. Esta E. Câmara Superior, atual composição, tem como regra debater "insumo" por "insumo", para verificar se de fato os insumos utilizados no processo produtivo são essenciais Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 10930.003826/200415 Acórdão n.º 9303005.919 CSRFT3 Fl. 9 8 ao processo de produção, salvo entendimento dos Conselheiros Fazendários que não adotam o critério da essencialidade. Neste sentido, em recente julgamento por esta Turma, os acórdãos de nºs 9303 005.678 e 9303005.679, julgado na sessão de 19 de setembro, de Relatoria da Conselheira Tatiana Midori Migiyama, empreendeu toda fundamentação lastreada em laudos, processo de produção e essencialidade dos insumos utilizados no processo de produção. Como dito, a maior parte dos créditos se refere à aquisição de matéria prima (café cru) e de embalagens de pessoas jurídicas domiciliadas no país. Nas aquisições de pessoas físicas já foi considerado o crédito presumido. Nos termos do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, como pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, entendo ser essencial atividade da Contribuinte, uniforme/vestuário, equipamento de proteção individual, lubrificantes e combustíveis. Para que não se alegue, contrariedade, obscuridade e omissão, utilizo subsidiariamente a regra contida no artigo 489, § 1º, IV, do CPC/2015, para que não reste, dúvida quanto aos fundamentos empregados no decisum. in verbis: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585)". Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, para reverter as glosas referente a uniforme/vestuário, equipamento de proteção individual, lubrificantes e combustíveis." Voto Vencedor (quanto aos uniformes/vestuário, combustíveis e lubrificantes) "Com todo respeito ao voto do ilustre relator, mas discordo em parte de suas conclusões a respeito da possibilidade de apurar créditos da não cumulatividade relativa ao PIS e à Cofins. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto o relator aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 10930.003826/200415 Acórdão n.º 9303005.919 CSRFT3 Fl. 10 9 expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Concordei com o relator em relação à maioria das glosas mantidas por ele. Nossa discordância é específica em relação a uniforme/vestuário e combustíveis/lubrificantes, tendo em vista que concordo com o afastamento da glosa relativa aos equipamentos de proteção individual na medida em que são consumidos, com o tempo, em aplicação necessária durante o processo de produção e não compõem o ativo imobilizado do contribuinte. A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 10930.003826/200415 Acórdão n.º 9303005.919 CSRFT3 Fl. 11 10 (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. O legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto, antes de iniciado ou após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela lei). Ressalto que considero que os uniformes/vestimentas utilizadas na fábrica em razão de exigências de ordem sanitárias em decorrência de normas legais, podem ser apropriados como créditos em face de seu consumo, com o tempo, diretamente no processo produtivo. Porém uniformes/vestimentas adotados por mero interesse do fabricante, sem demonstração de que sejam utilizados no chão da fábrica, não se revestem da previsão legal ao direito ao crédito. Quanto aos combustíveis/lubrificantes observase que há previsão expressa no inciso II do art. 3º, acima transcrito, quanto à possibilidade do creditamento quando utilizados diretamente no processo produtivo do produto destinado a venda. Acontece que estes créditos relativos aos combustíveis/lubrificantes já foram considerados e concedidos quando da análise original do pedido de ressarcimento. Veja trecho do voto do acórdão recorrido: (...) Esclareçase que não foi realizado glosa de gastos com materiais de manutenção de máquinas industriais, com serviços de industrialização prestado por pessoa jurídica, com serviços de manutenção de máquinas industriais prestado por pessoa jurídica e com combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. Portanto, não há que se falar em mudança de entendimento da DRF Londrina. (...) Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 10930.003826/200415 Acórdão n.º 9303005.919 CSRFT3 Fl. 12 11 Portanto os combustíveis/lubrificantes objetos da presente discussão não referemse ao uso direto no processo produtivo, mas aos usados em períodos anteriores ou posteriores à produção do produto destinado à venda. Assim, efetivamente não há base legal para sua concessão. Assim, diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso especial do contribuinte, somente para acatar o direito à apropriação de créditos com equipamentos de proteção individual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, somente para acatar o direito à apropriação de créditos com equipamentos de proteção individual. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.721329/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/01/2008 a 28/02/2008, 30/04/2008 a 31/12/2008
OMISSÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
É nulo o acórdão recorrido quando não enfrentar todas as matérias trazidas na impugnação. Levantada, de ofício, omissão do colegiado a quo na análise de matéria impugnada, deve-se anular o acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa.
Numero da decisão: 2301-005.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, para, por maioria de votos, declarar a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa; vencido o relator, que rejeitava a preliminar de suspensão do julgamento do feito, considerava não formulado o pedido de diligência, supria a omissão do colegiado a quo na apreciação da impugnação e, no mérito, negava provimento ao recurso. Designado para a redação do voto vencedor o conselheiro Wesley Rocha.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nulo o acórdão recorrido quando não enfrentar todas as matérias trazidas na impugnação. Levantada, de ofício, omissão do colegiado a quo na análise de matéria impugnada, devese anular o acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, para, por maioria de votos, declarar a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa; vencido o relator, que rejeitava a preliminar de suspensão do julgamento do feito, considerava não formulado o pedido de diligência, supria a omissão do colegiado a quo na apreciação da impugnação e, no mérito, negava provimento ao recurso. Designado para a redação do voto vencedor o conselheiro Wesley Rocha. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 13 29 /2 01 2- 81 Fl. 2434DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior. Relatório Tratase de lançamento de ofício, Debcad nº 37.320.1478, para a exigência das contribuições previdenciárias devidas pelas agroindústrias, nos termos do art. 22A da Lei nº 8.212, 24 de julho de 1991. No caso destes autos, consta do Relatório Fiscal (efl. 2365 e seguintes) que o sujeito passivo não recolheu e nem declarou em Gfip os débitos de contribuição previdenciária incidentes sobre aquisições, de pessoas físicas, de canadeaçúcar nos períodos de 1/2008, 2/2008 e 4/2008 a 12/2008. Os valores devidos foram apurados com base em notas fiscais de entrada e nos registros contábeis fornecidos à Autoridade Fiscal pelo contribuinte. De acordo com o item 2.10 do Relatório Fiscal (efl. 2371), constatouse que as vendas realizadas pela empresa foram, na verdade, operações de mercado interno e não negócios realizados diretamente com o importador, razão pela qual se excluiu a imunidade tributária prevista no art. 149, § 2º, inc. I da Carta Magna. Assim, sobre a receita bruta incidiu a contribuição prevista no art. 22A da Lei nº 8.212, de 1991. Na impugnação, a Recorrente sustentou que a exação seria inconstitucional, que seria ilegal a cobrança sobre a receita bruta destinada à exportação e que não incidiria taxa Selic sobre a multa de ofício. Solicitou, ainda, que o julgamento dos autos ocorresse em conjunto com os demais processos decorrentes da mesma fiscalização. A DRJ/Recife, unanimemente, deu por improcedente a impugnação pelos seguintes motivos: a) por ser estranha aos autos, não foi apreciada a alegação quanto à incidência de contribuição ao Senar; b) na inexistência de decisão judicial hábil a afastar a constitucionalidade da aplicação da norma tributária ao caso, prevalece o disposto no parágrafo único do art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN); c) a impugnante não tem interesse de agir no que se refere à incidência de juros, à taxa Selic, sobre a multa de ofício porque não consta dos autos essa incidência, e d) inexiste mandamento legal que determine o julgamento simultâneo de distintos processos administrativos fiscais. É o relatório essencial. Voto Vencido Conselheiro João Maurício Vital Relator Fl. 2435DF CARF MF Processo nº 10410.721329/201281 Acórdão n.º 2301005.163 S2C3T1 Fl. 2.435 3 O recurso (efls. 2598 a 2604) é tempestivo. Alega, a Recorrente, que a contribuição previdenciária devida pelas agroindústrias com base no art. 22A da Lei nº 8.212, de 1991, seria inconstitucional. Entretanto, consoante o disposto na Súmula Carf nº 2, não compete ao Carf arredar a norma vigente sob a alegação de inconstitucionalidade: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, conheço do recurso, exceto em relação à alegação de inconstitucionalidade. Preliminares Do pedido de suspensão do julgamento até a manifestação final sobre a constitucionalidade a contribuição prevista no art. 22A da Lei nº 8.212, de 1991 A Recorrente solicitou a suspensão do julgamento do presente processo até que seja julgado, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o RE nº 611.601. De fato, a constitucionalidade da contribuição prevista no art. 22A da Lei nº 8.212, de 1991, está sob exame do STF, em rito de repercussão geral. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade, devendo ser impulsionado ex officio, conforme determina o inc. XII do parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Não há qualquer previsão legal ou regimental que autorize a suspensão do marcha processual em razão de a constitucionalidade de matéria estar pendente de decisão, ainda que esteja submetida à repercussão geral, pelo quê indefiro o pedido de sobrestamento do julgamento do feito. Do pedido de diligência A Recorrente requer diligências na hipótese de o colegiado entender necessárias provas adicionais. A solicitação não observou o disposto no inc. IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, e, portanto, considero não formulado o pedido, nos termos do § 1º do art. 16 daquele regulamento. Ademais, o caso não inspira a necessidade de novas provas, contendo, os autos, tudo o quanto necessário para a decisão do julgador. Da omissão do colegiado a quo quanto à análise da ilegalidade da cobrança sobre a receita bruta destinada à exportação A Recorrente questionou a incidência de contribuição previdenciária sobre receitas que, conforme alegou, teriam resultado de vendas a empresa comercial exportadora e destinadas à exportação. Sobre esse ponto, assim se pronunciou o acórdão recorrido: Fl. 2436DF CARF MF 4 Inexiste nos presentes autos exigência decorrente de contribuições ao SENAR , razão pela qual não se apreciará esta tese de defesa. A DRJ/Recife enxergou a contestação apenas da contribuição ao Senar, que, de fato, não faz parte do lançamento. Pareceme, entretanto, evidente que houve equívoco da Recorrente ao redigir a peça impugnatória quando se referiu à contribuição ao Senar (efls. 2388, item 3, e 2391, item 12). Observandose os itens 13, 14 e 15 da impugnação (efls. 2391 e 2392), percebese que a tese trazida pela Impugnante ia além da contribuição ao Senar, atingindo a questão da imunidade da receita tributada. Vejo, pois, que a decisão de primeira instância não apreciou esse argumento da Impugnante. A despeito da omissão dos julgadores a quo, entendo aplicarse ao caso a Teoria da Causa Madura, pela qual, estando presentes os elementos suficientes para o julgamento e tratandose exclusivamente de matéria de direito, pode, o julgador ad quem, ao conhecer do recurso, decidir sobre o seu mérito. Portanto, para proceder ao julgamento da matéria não apreciada em primeira instância, invoco, subsidiariamente, o inc. III do § 3º do art. 1.013 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 Código de Processo Civil (CPC), que estatui: Art. 1.013. ....................................................................................... § 1o ................................................................................................. § 2o ................................................................................................. § 3o Se o processo estiver em condições de imediato julgamento, o tribunal deve decidir desde logo o mérito quando: I ...................................................................................................; II .................................................................................................; III constatar a omissão no exame de um dos pedidos, hipótese em que poderá julgálo; Supro, pois, a deficiência do acórdão a quo e rejeito, então, a preliminar de nulidade. Mérito Da ilegalidade da cobrança sobre a receita bruta destinada à exportação O fundamento do lançamento é o art. 22A da Lei nº 8.212, de 1991, que estabelece a incidência da contribuição previdenciária sobre a receita bruta das agroindústrias. A Autoridade Lançadora afirmou (efl. 2371) que as receitas utilizadas como base para o lançamento foram as resultantes de vendas para empresas comerciais em operação no país, como se vê: 2.10. Reafirmase, pois, que as receitas ora consideradas pela fiscalização como fatos geradores de contribuições previdenciárias não decorrem de exportação, e sim de venda normal para adquirentes do mercado interno, pois são provenientes das vendas de seus produtos a outras empresas Fl. 2437DF CARF MF Processo nº 10410.721329/201281 Acórdão n.º 2301005.163 S2C3T1 Fl. 2.436 5 comerciais em operação neste País. Desse modo, não há que se falar em aplicação do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. A Recorrente alegou, na impugnação, que as vendas teriam, na verdade, sido realizadas a comerciais exportadoras para o fim específico de exportação e que tais operações seriam, por força do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, equiparadas a exportação direta, como se observa no seguinte trecho: 13. Deveras, conforme reconhece a própria fiscalização, as vendas para o exterior, realizadas pela empresa autada (sic), são realizadas através de comercialexportadoras (DACAL DESTILARIA DE ALCOOL CALIFORNIA LTDA (sic), a COOPERSUCAR S/A e a SUCDEN DO BRASIL LTDA.), mediante operações com fim específico de exportação, equiparadas por ficção legal à exportação direta, pelo que dispõe o art. 1º, parágrafo único, c/c o art. 3º do DecretoLei nº 1.248/72. (Grifos do original.) Ainda na impugnação, também sustentou, a Recorrente, que faz jus à imunidade prevista no art. 149, § 2º, da Constituição Federal, porquanto as receitas obtidas seriam equiparadas por lei à exportação direta (efl. 2392, item 14). Assim resumiu seus argumentos: 15. Portanto, a Recorrente faz jus à imunidade das contribuições sociais, prevista no art. 149, § 2º, da CF/88, não só por conta dessa última norma constitucional. Mas sim, por força do que dispõe o art. 1º, parágrafo único, c/c o art. 3º do DecretoLei nº 1.248/72, norma infraconstitucional esta que foi sobejamente ignorada pela fiscalização autuante. A Recorrente reproduziu as mesmas alegações no recurso voluntário. Observase que o raciocínio da Recorrente, sobre o qual sustenta a sua tese, é que suas receitas seriam, por força do DecretoLei nº 1.248, de 1972, equiparadas a exportação direta e, portanto, estariam isentas, em razão do disposto no art. 3º daquele diploma normativo, e também seriam imunes, por força do art. 149, § 2º, inc. I, da Carta Magna. Quanto à isenção fundada no citado decretolei, não assiste razão à Recorrente. Por pertinentes, citamse os dispositivos do DecretoLei nº 1.248, de 1972, por ela referidos: Art.1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; Fl. 2438DF CARF MF 6 b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. ......................................................................................................... Art. 3º São assegurados ao produtorvendedor, nas operações de que trata o artigo 1º deste Decretolei, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação, à exceção do previsto no artigo 1º do Decretolei nº 491, de 05 de março de 1969, ao qual fará jus apenas a empresa comercial exportadora. Observase que o legislador pretendeu dar às vendas no mercado interno, mas dirigidas incontestemente à exportação, tratamento tributário análogo às vendas ao exterior. Por essa razão, condicionou o benefício a ser, o adquirente, empresa comercial exportadora e, ainda: à remessa das mercadorias a) para embarque de exportação por conta e ordem do comprador ou b) para depósito em entreposto alfandegado de exportação. Com isso, o legislador quis garantir que a mercadoria não teria por destino o mercado interno. A Recorrente alega que as vendas teriam como destino o exterior, mas não trouxe aos autos qualquer prova de teria atendido os requisitos do DecretoLei nº 1.248, de 1972. Ao invocálo a seu favor, deveria também fazer prova de que cumprira seus termos. Mas não é apenas por essa razão que a alegada isenção não cabe ao caso. Além disso, o decretolei suscitado é claro, no seu art. 3º, que se estendem ao produtor vendedor os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação (sem grifo no original). A lei concedeu isenção sobre receitas de exportação para alguns tributos, como é o caso do PIS (Lei nº 10.637, de 2002), da Cofins (Lei nº 10.833, de 2003) e do ISS (Lei Complementar nº 116, de 2003). Não houve e não há, todavia, qualquer lei a conceder isenção de contribuição previdenciária sobre a receita de exportação. Portanto, também esse requisito do decretolei não está presente na situação sob exame. Não é possível, pois, admitir a isenção pretendida pela Recorrente. Inexistindo a isenção alegada, resta analisar a questão da imunidade do art. 149, § 2º, da Constituição Federal. Destaquese que, neste tópico, não se trata de apreciar a constitucionalidade do dispositivo legal que fundamentou o lançamento, que é o art. 22A da Lei nº 8.212, de 1991. O âmago do recurso, quanto à matéria, é se a receita bruta proveniente da comercialização da produção a que se refere aquele artigo inclui as receitas oriundas de vendas a comerciais exportadoras. Portanto, não é o caso de aplicação da Súmula Carf nº 2. A matéria é controversa e já foi apreciada em vários acórdãos do Carf. A questão central reside em definir se as receitas provenientes de exportação indireta, por intermédio de trading companies, estariam abarcadas pelo instituto da imunidade, o que remete à exegese da norma constitucional, que estabelece: Art. 149. .......................................................................................... § 1º ................................................................................................. § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) Fl. 2439DF CARF MF Processo nº 10410.721329/201281 Acórdão n.º 2301005.163 S2C3T1 Fl. 2.437 7 I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; ......................................................................................................... Não há dúvidas de que o dispositivo constitucional sob exame é norma tributária da qual deriva a legislação tributária, nos termos do art. 96 do CTN: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. (Sem grifo no original.) Também não se questiona que os atos administrativos compõem as normas complementares e, portanto, a legislação tributária. É o que está no inc. I do art. 100 do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; ......................................................................................................... Pois bem, a matéria foi claramente definida na Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, vigente à época dos fatos geradores a que se referem os lançamentos sob exame, e que estabelecia: Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. § 1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. Embora a Instrução Normativa SRP nº 3, de 2005, tenha sido revogada pela Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, o art. 170 da norma revogante manteve a exata redação da norma revogada. O entendimento ainda é, portanto, aplicado atualmente. A matriz legal da Instrução Normativa SRP nº 3, de 2005, no que se refere ao objeto sob análise, é o art. 22A da Lei nº 8.212, de 1992, que estabelece a incidência da contribuição previdenciária sobre a receita bruta das agroindústrias. Notase que, sob uma análise sistemática, a regra imunizante não resta indefinida ou obscura. Ao contrário, encontrase plenamente ilustrada no ordenamento. Dado o Fl. 2440DF CARF MF 8 ditame, pelo constituinte derivado, de que as receitas decorrentes de exportação gozam de imunidade, cabe ao intérprete estabelecer a extensão do conceito constitucional. E isso foi feito pela norma tributária integradora, por meio de ato administrativo válido e que goza de presunção de legalidade. Obviamente, essa presunção é relativa e pode ser afastada por decisão judicial competente. Com efeito, a matéria está sob exame do STF na ADI nº 3.572 e no RE nº 759.244, onde se questiona a constitucionalidade da Instrução Normativa SRP nº 3, de 2005. Há decisões judiciais que amparam o conceito mais ancho de receitas decorrentes de exportação, mas nenhuma delas possui caráter vinculante. Os que defendem que aquelas receitas são imunes, interpretam de maneira alargada o conceito de receitas decorrentes de exportação. Ao contrário, os que defendem que exportações indiretas não são imunes, restringem a aplicação apenas às operações diretas entre o vendedor no país e o importador no exterior. Filiome ao entendimento de que receitas decorrentes de exportação só podem ser aquelas resultantes da venda direta ao exterior. Aliás, é exatamente esse o conceito de exportação! A venda no mercado interno para intermediários, mesmo que sejam trading companies, não transforma a operação em exportação. Em uma operação por meio de tradings não existe, em princípio, o obrigatório vínculo da venda ao exterior. Ainda que os produtos estivessem armazenados em armazéns portuários, com intenção de serem enviados ao estrangeiro, nada impediria que, diante de uma alteração das circunstâncias comerciais, como o aumento do preço interno ou queda do preço externo, o produto venha a ser vendido no mercado nacional. Observese que a tradição ocorre com a entrega do produto pelo vendedor ao comprador, mas a partir daí não há garantia de quando o produto será vendido ou sequer se será, de fato, exportado. Aplicar a imunidade na operação ocorrida no mercado interno, ainda que com a intenção de exportar o produto, seria aplicála sem que o requisito constitucional estivesse presente, baseandose apenas na presunção da exportação. Não havendo disposição legal em contrário, o que é o caso, a venda interna não deve ser equiparada à exportação porque ocorre sob circunstâncias distintas e, mesmo que o adquirente seja exportador, nada afiança que o destino último do produto seja a exportação. Ao vender internamente, o tratamento deve ser de receita doméstica, portanto. Reproduzo, pois, trecho do voto vencedor do ilustre conselheiro Denny Medeiros da Silveira, no Acórdão nº 2401004.847, que com cristalina singeleza expôs o óbvio e sacramentou o debate: Ora, se o produtor rural vende sua produção, internamente, para uma empresa (no caso, uma trading company) para que esta, posteriormente, revenda o produto no mercado externo, obviamente, a receita auferida pelo produtor não será decorrente de exportação e, por conseguinte, não estará abrangida pela imunidade. Simples assim. Até que sobrevenha norma jurídica em contrário, entendo que ao caso se aplica o art. 22A da Lei nº 8.212, de 1991, com as definições dadas pela Instrução Normativa SRP nº 3, de 2005, porque, ao meu ver, guardava estreita consonância com o texto legal. E mais, ainda que este colegiado não seja competente para apreciar o aspecto constitucional da norma, por força do que estabelece a Súmula Carf nº 2, não vejo qualquer incongruência entre o dispositivo constitucional e o comando normativo; ao contrário, observo que a norma deu claro contorno ao texto constitucional sem limitar o seu alcance. Fl. 2441DF CARF MF Processo nº 10410.721329/201281 Acórdão n.º 2301005.163 S2C3T1 Fl. 2.438 9 Nego, pois, provimento ao recurso e mantenho a contribuição incidente sobre a receita auferida na venda no mercado interno, ainda que com objetivo de exportação. Conclusão Voto, pois, por não conhecer do recurso em relação à alegação de inconstitucionalidade do art. 22A da Lei nº 8.212, de 1991, rejeitar a preliminar de suspensão do julgamento do feito, considerar não formulado o pedido de diligência, suprir a omissão do colegiado a quo na apreciação da impugnação e, no mérito, negar provimento ao recurso. João Maurício Vital Relator Voto Vencedor Conselheiro Wesley Rocha Redator designado Com o devido respeito ao voto proferido pelo Relator, e que de forma muito acertada abortou de maneira profícua as questões do processo, a compreensão da turma é que seria inviável a tentativa de julgar a demanda por meio da teoria da causa madura. Isso porque, no caso em apreço existe ponto não analisado no julgamento a quo e que deveria ser também objeto de enfrentamento da matéria, uma vez que foi cerceado o direito de defesa do contribuinte. Em verificação dos elementos que contém a defesa do recorrente, existe manifestação contendo a matéria de "imunidade" levantada pela Contribuinte e não abordada pela DRJ de origem. Nesse sentido, em sede de decisão ad quem, o Relator do presente acórdão em seu voto se posicionou no seguinte sentido: "Observandose os itens 13, 14 e 15 da impugnação (efls. 2391 e 2392), percebese que a tese trazida pela Impugnante ia além da contribuição ao Senar, atingindo a questão da imunidade da receita tributada. Vejo, pois, que a decisão de primeira instância não apreciou esse argumento da Impugnante". A despeito da omissão dos julgadores a quo, entendo aplicarse ao caso a Teoria da Causa Madura, pela qual, estando presentes os elementos suficientes para o julgamento e tratandose exclusivamente de matéria de direito, pode, o julgador ad quem, ao conhecer do recurso, decidir sobre o seu mérito". Apesar da louvável a iniciativa do Relator, em querer decidir sob ponto omisso da demanda com o fundamento na teria da causa madura, melhor solução ao caso seria devolver os autos para que a impugnação tenha o enfrentamento e decisão de todos os argumentos trazidos pelo contribuinte, uma vez que foi cerceado o direito de defesa, objeto que caracteriza a nulidade do decisum. Nesse sentido, são casos de nulidade o disposto pelo art. 59, inciso II, do Decreto 70.235/72, assim transcrito: " Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 2442DF CARF MF 10 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo". Grifouse. Este Conselho já se pronunciou acerca da nulidade quando não enfrentada tomas as matérias impugnadas na decisão de primeira instância: Ementa "CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE A falta de apreciação pela autoridade julgadora de primeira instância e razões de defesa apresentadas na impugnação constitui preterição do direito de defesa da parte, ensejando a nulidade da decisão assim proferida, "ex vi" do disposto no art. 59, item II, do Decreto n.° 70.235/72". (Processo n.º 10880.038405/8901, Acórdão n.º 10706.771, Conselheiro Relator Carlos Alberto Gonçalves Nunes, julgado em 17/09/2002). Assim, a falta de apreciação pela autoridade julgadora de primeira instância das razões apresentada pela impugnante constituise nulidade da decisão proferida, em razão da preterição e não apreciação integral da defesa apresentada. Concluíse, portanto, que existe matéria não analisada em sede de primeira instância, e que pode comprometer o julgado em questão, votando, por consequencia, pela nulidade do acórdão proferido, incorrendo em cerceamento do direito de defesa, devendo os autos ser remetido à primeira instância para proferir novo julgamento nesse caso. Wesley Rocha Redator designado Fl. 2443DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.002781/2010-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GP SOLUTION SERVIÇOS DE TELEMARKETING LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 27 81 /2 01 0- 61 Fl. 142DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Do auto de infração ao recurso voluntário Trata o presente processo de auto de infração AI, DEBCAD nº 37.311.861 9, à efl. 03, no qual foram constituídos créditos referentes à multa por descumprimento de obrigação acessória, pois a empresa apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, tendo deixado de declarar os valores referentes aos pagamentos efetuados aos empregados, a titulo de Participação nos Resultados, Vale Transporte, Diferença de Dissídio e Refeição, conforme demonstrado no auto de infração da obrigação principal. O presente processo foi juntado por apensação ao relativo à obrigação principal, de nº 13896.002776/201059 em 10/05/2012, conforme termo à efl. 60. O auto de infração foi cientificado à contribuinte em 09/12/2010 (efl. 53) e constituiu créditos, para o período de 01/2006 a 12/2006, incluindo a competência 13/2006, com multa no montante de R$ 71.589,50, e tem seus relatórios fiscais de infração e aplicação da multa postos às efls. 04 e 05. O auto de infração foi impugnado, às efls. 245 a 254 do processo nº 13896.002776/201059. Já a 7ª Turma da DRJ/CPS, no acórdão nº 0533.838, prolatado em 26/05/2011, também com cópias no referido processo (às efls. 351 a 364), considerou, por unanimidade, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 16/08/2011, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 380 a 410, daquele mesmo processo, argumentando, em apertada síntese: · a contribuinte se enquadra nos moldes da tributação pelo regime do Simples, efetuou pagamentos de acordo e o Fisco aceitou tais pagamentos sinalizando a aceitação; · que a contribuição não pode incidir sobre o valetransporte, vale refeição e participação nos lucros e resultados; · não concordar com a exigência de inscrição no PAT como requisito para desfrutar da isenção quanto aos valores pagos a título de auxílio alimentação; · que o valetransporte tem natureza indenizatória e não poderia compor a base de cálculo da contribuição previdenciária; · que os valores pagos aos trabalhadores a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) não tem natureza salarial por conta de previsão constitucional; e Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13896.002781/201061 Acórdão n.º 9202006.315 CSRFT2 Fl. 143 3 · quanto ao SAT, argumenta ainda que a definição de grau de risco não poderia ser feita por Decreto. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 19/02/2013, resultando no acórdão 2301003.300, às efls. 61 a 75, que tem as seguintes ementas: NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. EXISTÊNCIA. A alegação genérica de descumprimento de legislação não permite ao contribuinte a compreensão das infrações que lhes são imputadas e provoca o cerceamento de defesa a exigir a nulidade dessa parte do lançamento. OPÇÃO PELO SIMPLES. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DE FORMALIDADES. A opção pelo SIMPLES deve ser feita formalmente pela empresa que cumprir os requisitos legais, não sendo suficiente a realização de pagamentos com base em tal sistemática sem que tenha havido a opção formal. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP e o regime vigente à data do fato gerador aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em excluir do cálculo da multa, devido à nulidade na descrição do fato gerador, por vício material, os valores referentes a rubricas PR, PR1, DD, DD1, VT, VT1, RF e RF1, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em conhecer da questão sobre a multa mais benéfica, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Wilson Antonio de Souza Correa, que votaram em não conhecer da questão; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar Fl. 144DF CARF MF 4 provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. RE da Fazenda A Procuradoria da Fazenda foi intimada do acórdão nº 2301003.300 e interpôs recurso especial de divergência, em 14/02/2014, às efls. 77 a 86. Em seu recurso, aponta entendimento expresso em acórdãos paradigmas de números: 240100784 e 920202.086, que vão de encontro ao recorrido. Segundo a Procuradora, no acórdão recorrido, o colegiado entendeu que em tratandose de auto de infração para cobrança de multa por descumprimento de obrigação acessória, a comparação para fins de aplicação da retroatividade benigna deve ser feita (em separado) a comparação entre a penalidade prevista no art. 32, IV, da Lei nº 8.212/1991, com a redação anterior à vigência da MP nº 449/2008 e aquela indicada no art. 32A da mesma lei, introduzido pela referida MP. Diversamente, os paradigmas defendem que, para aferição da penalidade mais benéfica ao contribuinte, o procedimento correto consiste em somar as multas das obrigações principal e acessória (art. 35, II e art. 32, IV da norma revogada), referentes à sistemática antiga, e comparar o resultado com a multa atual (art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzida pela MP nº 449/2008), em conformidade com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/10/2010. Por fim, requer que seja provido o seu recurso especial para reforma do acórdão a quo a fim de que prevaleça o entendimento de que deve ser verificado, na fase de execução, qual norma mais benéfica ao contribuinte: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou aquela prevista no art. 35A da MP nº 449/2008 (Lei nº 11.941/2009). O RE da Procuradora foi apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, no despacho nº 2300177/2014, às efls. 87 a 90, datado de 27/02/2014, entendendo por lhe dar seguimento, ao vislumbrar similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma e o recurso cumprir os demais requisitos regimentais. Contrarrazões da contribuinte Houve encaminhamento de intimação (efl. 91) do acórdão nº 2301003.300, do recurso especial de divergência da Fazenda e do despacho de admissibilidade 2300 177/2014, da qual a contribuinte teve ciência em 26/08/2016 (efl. 94). Em 12/09/2016, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial de divergência da Procuradoria, às efls. 96 a 117. Preliminarmente, pleiteia a que o referido recurso especial não seja conhecido, em razão de falta de prequestionamento quanto à aplicação de penalidades mais benéficas à luz das alterações legislativas posteriores aos fatos geradores. Ainda nessa seara, afirma que o recurso especial de divergência não apresentou o devido cotejo analítico entre os Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13896.002781/201061 Acórdão n.º 9202006.315 CSRFT2 Fl. 144 5 paradigmas e o recorrido, o que também impediria seu conhecimento, não havendo verdadeira divergência entre eles. Afirma (efl. 106): "...em momento algum o v. acórdão recorrido pautou a aplicação das multas mais benéficas considerando a existência ou não de lançamento de ofício e ausência de recolhimento espontâneo da contribuição previdenciária, pontos tratados nos acórdãos paradigma e não tratados no v. acórdão recorrido. (...) ...o CARF não avaliou ou julgou, no v. acórdão recorrido, qualquer ponto atinente à consideração das penalidades mais benéficas ao contribuinte sob o enfoque do lançamento de ofício realizado." Já quanto ao mérito, afirma que a aplicação de penalidades deve ser mantida conforme o recorrido, pois a interpretação dos paradigmas levaria à aplicação da legislação vigente após a MP nº 449/2008 aos fatos geradores a ela anteriores, haja vista que não havia lançamento de multa de ofício e a multa do art. 32 da legislação antiga só poderia se substituída pela do art. 32A da Lei nº 8.212/1991. Por fim, caso seja considerado procedente o recurso especial que ela combate, quer ver julgados em conjunto este processo e os de nº 13896.002780/201017 e 13896.002779/201092 e que sejam considerados improcedentes por tratarem de multas isoladas por descumprimento de obrigações acessórias, em face da interpretação posta no acórdão nº 920202.086, da qual se conclui que a aplicação da multa do art. 35A abrange de forma conjunta o não pagamento do tributo e a não apresentação da declaração ou declaração inexata. Finaliza requerendo o não conhecimento do recurso especial de divergência da Fazenda e, caso conhecido, que seja ele desprovido. Não há nos autos interposição de recurso especial de divergência pela contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Conhecimento O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo. Quanto aos requisitos para o conhecimento do recurso especial, os argumentos trazidos pela contribuinte em nada alteram o entendimento de que deva ser admitido. Fl. 146DF CARF MF 6 Observase de plano que houve demonstração analítica da divergência, até mesmo com descrição de partes dos votos dos paradigmas, que confortam entendimento distinto ao do acórdão recorrido, para situação de fato semelhante. Quanto à alegada falta de prequestionamento, razão não assiste à contribuinte. Com efeito, o requisito de prequestionamento somente é exigido no caso de Recurso Especial do Contribuinte, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 2015. E não poderia ser outra a regra, visto que a Fazenda Nacional somente se manifesta nos autos, na qualidade de recorrente, em sede de recurso especial. Para fins de esclarecimento, o referido dispositivo se encontra a seguir reproduzido, na parte que interessa: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. (grifos na transcrição). Outrossim, entendo haver claro prequestionamento da matéria. Salientese que o prequestionamento tem que estar presente no acórdão recorrido, ou seja, tem de haver manifestação específica sobre a matéria e, de fato, tal manifestação está nele explícita, aliás, já se encontra até mesmo na ementa, sendo inclusive esta matéria a mais longamente abordada no voto do relator. Quanto ao pleito para que se julgue em conjunto este processo e os de nº 13896.002780/201017 e 13896.002779/201092, isso não é matéria para contrarrazões, porque ausente do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda e, além disso, nem mesmo pode ser tomado como embargos de declaração no presente processo, pois não atende aos requisitos dos arts. 65 e 66 do RICARF. Assim, considero presentes todos os requisitos para conhecer do recurso especial de divergência da Procuradora. Mérito A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13896.002781/201061 Acórdão n.º 9202006.315 CSRFT2 Fl. 145 7 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 148DF CARF MF 8 Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13896.002781/201061 Acórdão n.º 9202006.315 CSRFT2 Fl. 146 9 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Fl. 150DF CARF MF 10 Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13896.002781/201061 Acórdão n.º 9202006.315 CSRFT2 Fl. 147 11 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora Fl. 152DF CARF MF 12 fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, há que se aplicar a de retroatividade benigna em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04/12/2009 e o que se observa na apuração das multas, às efls. 44 a 48, é que foi esse o critério adotado pela fiscalização no presente processo. CONCLUSÃO Com base no exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional, para darlhe provimento e reformar o acórdão a quo, para que a retroatividade benigna seja aplicada nos termos da Portaria PGFN / RFB n° 14, de 2009. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13896.002781/201061 Acórdão n.º 9202006.315 CSRFT2 Fl. 148 13 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 154DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720507/2014-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém omissão quanto à análise do recurso de ofício sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 2202-004.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2202-003.853, de 10/05/2017, negar provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, manter a decisão embargada.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosy Adriane da Silva Dias, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: Relator JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2202-003.853, de 10/05/2017, negar provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, manter a decisão embargada. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosy Adriane da Silva Dias, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Virgílio Cansino Gil.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém omissão quanto à análise do recurso de ofício sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2202003.853, de 10/05/2017, negar provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, manter a decisão embargada. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosy Adriane da Silva Dias, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 05 07 /2 01 4- 15 Fl. 2034DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração em face do Acórdão nº 2202003.853, da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF (fls. 2008 a 2031), apreciado na sessão plenária de 10 de maio de 2017, cujo dispositivo abaixo se transcreve: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que acolheram a preliminar de decadência relativa às competências de janeiro a abril de 2009. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. A conclusão do meu voto foi no seguinte sentido: Em face de todo o exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. No entanto, como bem observado no despacho de admissibilidade de embargos (fls. 2032), verificase, pela decisão de primeira instância, que houve Recurso de Ofício, conforme a transcrição do trecho abaixo: Submetase à apreciação da segunda instância administrativa por força de recurso necessário, de acordo com o inciso I do artigo 34 do Decreto 70.325/1972, e nos termos da Portaria MF 3/2008, ressalvandose que as parciais exonerações dos créditos procedidas por este Acórdão só serão definitivas após o julgamento pela superior instância. Diante desse fato, concluiu o presidente da turma, Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa que, ocorreu efetivamente uma omissão, pois, embora se tratasse de Recursos de Ofício e Voluntário, a Relatora não se pronunciou sobre o Recurso de Ofício, o que levou a Turma Julgadora a também se omitir sobre o referido recurso. É o relatório Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Correta a omissão apontada pelo embargante. Com efeito, a decisão de primeira instância excluiu parte do crédito lançado por entender que foi incorreta a aplicação da multa agravada sobre a multa isolada, uma vez que tal agravamento seria aplicado sobre a multa de ofício. Assim se manifestou a decisão recorrida: Fl. 2035DF CARF MF Processo nº 19515.720507/201415 Acórdão n.º 2202004.310 S2C2T2 Fl. 2.035 3 Para o levantamento “GR – GLOSA RET” foi, entretanto, aplicada a multa de 225%, que, ao que consta, seria correspondente ao agravamento em 50% da multa isolada (aquela prevista no § 10 do artigo 89 da Lei n° 8.212/1991 combinado com o inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996), em face das disposições do § 2º do mesmo artigo 44 da Lei 9.430/1996. Ocorre que tal agravamento – o previsto no § 2º do mesmo artigo 44 da Lei 9.430/1996 incide sobre a multa de ofício (aquela prevista no inciso I do caput do artigo 44) e não sobre a multa isolada, a que se refere o § 10 do artigo 89 da Lei n° 8.212/1991, não obstante esta também se reportar ao inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. 4. Além do mais, tratandose de glosa de retenção, deve incidir multa de mora (artigo 35 da Lei n° 8.212/1991) e multa isolada (aquela prevista no § 10 do artigo 89 da Lei n° 8.212/1991 combinado com o inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996) e não multa de ofício (aquela prevista no inciso I do caput do artigo 44) com agravamento (§ 2º do mesmo artigo 44 da Lei n° 9.430/1996). 5. Assim, encontrandose indevidamente determinadas as multas a serem aplicadas (multa de mora e multa isolada), no levantamento “GR – GLOSA RET”, devem ser excluídas, retificandose o respectivo lançamento: 6. Como, por razões operacionais, não é possível incluir no correspondente lançamento as multas devidas (“de mora” e “isolada”) em substituição da multa “de ofício” agravada, a correção pode se dar, se for o caso, com a lavratura de um novo lançamento fiscal. Corretas as razões da decisão recorrida, uma vez que, como bem observado, o agravamento o previsto no § 2º do mesmo artigo 44 da Lei 9.430/1996 incide sobre a multa de ofício (aquela prevista no inciso I do caput do artigo 44 e não sobre a multa isolada, a que se refere o § 10 do artigo 89 da Lei n° 8.212/1991. Fl. 2036DF CARF MF 4 Em face do exposto, acolho os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2202003.853, de 10/05/2017, negar provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, manter a decisão embargada. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 2037DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.005741/2007-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 57 41 /2 00 7- 98 Fl. 69DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10380.005741/200798 Acórdão n.º 2202004.172 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727269/2009-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.727269/200953 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.795 – 2ª Turma Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria CSP RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ASSOCIACAO DE PROTECAO A MATERNIDADE E INFANCIA V CRUZ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 72 69 /2 00 9- 53 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10580.727269/200953 Acórdão n.º 9202005.795 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10580.727269/200953 Acórdão n.º 9202005.795 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10580.727269/200953 Acórdão n.º 9202005.795 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10580.727269/200953 Acórdão n.º 9202005.795 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10580.727269/200953 Acórdão n.º 9202005.795 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10580.727269/200953 Acórdão n.º 9202005.795 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10580.727269/200953 Acórdão n.º 9202005.795 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10580.727269/200953 Acórdão n.º 9202005.795 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10580.727269/200953 Acórdão n.º 9202005.795 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10580.727269/200953 Acórdão n.º 9202005.795 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 242DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.007453/88-94
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2000
Ementa: Caracterizada a confusão prevista no artigo 1.049 do CCB Credor e
Devedor como mesma pessoa Insubsistente o lançamento
Não se toma conhecimento do Recurso de Divergência.
Numero da decisão: CSRF/03-03.074
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER DO recurso por falta de objeto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Paulo Roberto Cuco Antunes.
Nome do relator: Henrique Prado Megda
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-08T14:39:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-08T14:39:44Z; Last-Modified: 2009-07-08T14:39:44Z; dcterms:modified: 2009-07-08T14:39:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-08T14:39:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-08T14:39:44Z; meta:save-date: 2009-07-08T14:39:44Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-08T14:39:44Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-08T14:39:44Z; created: 2009-07-08T14:39:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2009-07-08T14:39:44Z; pdf:charsPerPage: 1137; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-08T14:39:44Z | Conteúdo => k MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS P TERCEIRA TURMA Processo n° 10845,007453/88-94 Recurso n° : RD/301-0 201 Recorrente . COMPANHIA DE NAVEGAÇÃO LLOYD BRASILEIRO Recorrida ia CÂMARA DO 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada FAZENDA NACIONAL Sessão . 10 DE ABRIL DE 2000 Acórdão' CSRF/03-03 074 Caracterizada a confusão prevista no artigo 1.049 do CCB Credor e Devedor como mesma pessoa Insubsistente o lançamento Não se toma conhecimento do Recurso de Divergência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COMPANHIA DE NAVEGAÇÃO LLOYD BRASILEIRO. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER DO recurso por falta de objeto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Paulo Roberto Cuco Antunes. - # ON PE • .; GUES PRESIDENTE HENRIQUE PRADO MEGDA RELATOR Formalizado em. 31 2o00 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, MARCIA REGINA MACHADO MELARE, JOÃO HOLANDA COSTA e NILTON LUIZ BARTOLL Imac/1 Processo if 10845,007453/88-94 Acórdão n° CSRF/03 -03 .074 presentes os autos à d. Procuradoria da Fazenda Nacional, para oferta de contra- alegações e, posteriormente, encaminhados à CSRF, para prosseguimento. Refutando os argumentos expendidos pela defendente, a d„ Procuradoria da Fazenda Nacional clama pela manutenção do decisum, uma vez que a procedência da ação fiscal, além de fartamente demonstrada nos autos, pode ser confirmada pelas próprias alegações da recorrente. É o relatório. rn's, - [ 3 iY) Processo if •' 10845007453/88-94 Acórdão n° CSRF/03-03 074 VOTO CONSELHEIRO RELATOR HENRIQUE PRADO MEGDA No recurso if RD/303-0 254, interposto pela mesma recorrente, a d. Procuradoria da Fazenda Nacional proferiu o seguinte despacho: "Em face da extinção da Companhia de Navegação Lloyd Brasileiro por força da Medida Provisória n° 1592, de 15/10/97, e a incorporação da respectiva "massa extinta" à união, caracterizou-se a confusão prevista no art. 1 049 do Código Civil Brasileiro, tornando sem sentido o prosseguimento do lançamento fiscal originalmente formulado. Assim sendo, a Fazenda Nacional requer à CSRF que, no limite da sua competência instaurada por força do efeito devolutivo advindo da interposição do recurso de divergência quando ainda existente aquela companhia, torne insubsistente o referido lançamento." Segundo este entendimento, o referido recurso, por decisão unânime desta CSRF, consubstanciada no Acórdão (',SRE/03-011, de 12/04/99, não foi conhecido, por falta de objeto No presente caso, mantendo o meu posicionamento anterior, também não conheço do recurso, por não ter sentido o prosseguimento da exigência fiscal uma vez caracterizada a confusão prevista no art. L049 do Código Civil Brasileiro. Sala das Sessões, DF -EM 10 de abril de 2000 - FIENRIQ PRADO MEGDA 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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Numero do processo: 35301.002724/2007-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 17/04/2006
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ERRO MATERIAL. CONSTATAÇÃO. RECEPCIONADOS EMBARGOS ARTIGO 65 RICARF. CORREÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO.
Nos termos do artigo 65, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF (RICARF), restando comprovada a existência de erro material no Acórdão guerreado, cabem embargos para sanear o lapso manifesto na conclusão, bem como no dispositivo da decisão embargada.
Numero da decisão: 2401-005.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolhê-los, para, sanando a contradição apontada, alterar o texto do dispositivo analítico para "ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e no mérito negar-lhe provimento".
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ERRO MATERIAL. CONSTATAÇÃO. RECEPCIONADOS EMBARGOS ARTIGO 65 RICARF. CORREÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. Nos termos do artigo 65, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF (RICARF), restando comprovada a existência de erro material no Acórdão guerreado, cabem embargos para sanear o lapso manifesto na conclusão, bem como no dispositivo da decisão embargada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 00 27 24 /2 00 7- 62 Fl. 246DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolhêlos, para, sanando a contradição apontada, alterar o texto do dispositivo analítico para "ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e no mérito negarlhe provimento". (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 35301.002724/200762 Acórdão n.º 2401005.000 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos de declaração tempestivamente opostos pela Conselheira Relatora, com fulcro no artigo 65, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria nº 343/2015, contra o acórdão nº. 240101.199, proferido por esta Colenda 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção, datado de 28 de abril de 2010, relativamente ao PAF acima epigrafado. Ocorre que, em que pese a conclusão do colegiado, unânime, de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora, o dispositivo do julgamento no corpo do acórdão recorrido restou redigido de maneira equivocada, razão pela qual merece a presente correção, senão vejamos. Em 28/04/2010, este órgão julgador emitiu o acórdão 240101.199 assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 17/04/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PEDIDO DE ISENÇÃO INDEFERIMENTO PERÍODO ANTERIOR A LEI 12.101 APLICAÇÃO DA LEI 8212/91, VIGENTE Á ÉPOCA DA EXIGÊNCIA EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. Para os pedidos de isenção em curso na Receita Federal não há regra de transição prevista na Lei n 0 12.101/2009, devendose aplicar as regras descritas na Lei 8212/91 a respeito da matéria. | Nos termos do § 3 o do art. 208 do RPS, com redação alterada pelo Decreta n. 4.032, de 26/11/01, a "existência de debito em nome da requerente constitui impedimento ao deferimento do pedido ate que seja regularizada a situação." Enquanto não alcançada a pretendida isenção, não pode o recorrente absterse da realização de recolhimentos previdenciários. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Em documento juntado às fls. 176/177, o contribuinte requer seja determinado a remessa dos presentes autos ao Ministério da Educação, para julgamento do recurso interposto, em consonância com a previsão da Lei n.° 12.101/2009. Diante dessa solicitação os autos retornaram à Relatora para manifestação, ocasião em que constatou evidente contradição entre seus fundamentos e a decisão proferida pelo Colegiado, conforme consta em despacho às fls. fl. 231. No entanto a conclusão do voto da Relatora é em sentido contrário, a saber: CONCLUSÃO Fl. 248DF CARF MF 4 Pelo exposto, voto por CONHECER DO RECURSO e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Por essa razão, ante o nítido equívoco na formalização do acórdão embargado, se faz necessária a oposição destes aclaratórios, a fim de retificar o trecho acima mencionado do acórdão nº..240101.199 É o relatório. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 35301.002724/200762 Acórdão n.º 2401005.000 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE Os presentes Embargos são tempestivos, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO Face ao exposto, tendo em vista que estão presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso, entendo que devem ser acatados os embargos ora propostos, para que se corrija o erro acima indicado na formalização do acórdão, ante a nítida contradição entre a conclusão do julgado, por unanimidade de votos, e a equivocada redação da conclusão do julgado abaixo da ementa do referido acórdão. Passando a atribuir a seguinte redação à conclusão do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 17/04/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PEDIDO DE ISENÇÃO INDEFERIMENTO PERÍODO ANTERIOR A LEI 12.101 APLICAÇÃO DA LEI 8212/91, VIGENTE Á ÉPOCA DA EXIGÊNCIA EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. Para os pedidos de isenção em curso na Receita Federal não há regra de transição prevista na Lei n 0 12.101/2009, devendose aplicar as regras descritas na Lei 8212/91 a respeito da matéria. | Nos termos do § 3 o do art. 208 do RPS, com redação alterada pelo Decreta n. 4.032, de 26/11/01, a "existência de debito em nome da requerente constitui impedimento ao deferimento do pedido ate que seja regularizada a situação." Enquanto não alcançada a pretendida isenção, não pode o recorrente absterse da realização de recolhimentos previdenciários. RECURSO VOLUNTÁRIO CONHECIDO. CREDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ªa Câmara/1ªa Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e no mérito negarlhe provimento. Fl. 250DF CARF MF 6 3. CONCLUSÃO: Por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolhêlos, para, sanando a contradição apontada, alterar o texto do dispositivo analítico para "ACORDAM os membros da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e no mérito negarlhe provimento". É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 251DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.721632/2011-86
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1001-000.014
Decisão: (assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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ANOCALENDÁRIO: 2007 Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco previsto na Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei nos moldes que o poder competente a instituiu. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo, ACORDAM os membros da 1ª TE da 1ª Seção, por unanimidade de votos, afastadas as alegações de nulidade, julgar improcedente o recurso voluntário, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Encaminhese para a Unidade de Origem para ciência do(a) Contribuinte do teor do presente Acórdão e demais providências cabíveis (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 16 32 /2 01 1- 86 Fl. 85DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva Relatório Versa o presente processo sobre autuação relativa ao anocalendário de 2008 – 2º semestre, pela exigência do pagamento de multa por não entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Inconformado com a exigência, o Contribuinte impugnou o lançamento, alegando, em resumo, que a penalidade imposta não encontra amparo legal; e esta fere o princípio da proporcionalidade e do não confisco. Pede a declaração de nulidade, o cancelamento da autuação ou a redução da multa para 10% do valor devido a título de tributo. A 1a Turma da DRJ/CPS analisou as alegações do contribuinte tendo negado provimento a impugnação e mantido integralmente o crédito tributário, pelas seguintes razões: " Ofensa à Legalidade/Proporcionalidade/Não Confisco" A extemporaneidade na entrega de declaração de tributos, no prazo fixado pela norma, é considerada como sendo descumprimento de obrigação tributária exigida do contribuinte. Embora seja ela obrigação acessória, sua pena pecuniária está prevista no §3º, do artigo 5º, do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, abaixo transcrito: “Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 3º. Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983.” Transcrevendo o artigo 11, do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de1982, a multa é aplicada da seguinte forma: “Art. 11. a pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros,pagar ou creditar no ano anterior, bem como o imposto de renda que tenha retido. Neste mesmo sentido, o artigo 7º, da Lei nº 10.426/2002, prescreveu que: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13896.721632/201186 Acórdão n.º 1001000.014 S1C0T1 Fl. 3 3 Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) Os normativos baixados pela RFB, como a IN RFB 903, de 30 de dezembro de 2008, prevêem que: Art. 2º As pessoas jurídicas de direito privado em geral, inclusive as equiparadas, as imunes e as isentas, as autarquias e fundações da administração pública dos Estados, Distrito Federal e Municípios e os órgãos públicos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário dos Estados e do Distrito Federal e dos Poderes Executivo e Legislativo dos Municípios, desde que se constituam em unidades gestoras de orçamento, deverão apresentar, de forma centralizada, pela matriz: I mensalmente, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Mensal (DCTF Mensal), observado o disposto no art. 3º; ou II semestralmente, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Semestral (DCTF Semestral). Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, considerase unidade gestora de orçamento aquela autorizada a executar parcela do orçamento dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...) Art. 6º A DCTF deverá ser elaborada mediante a utilização de programas geradores de declaração, disponíveis no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço < http:// www.receita.fazenda.gov.br>. § 1º A DCTF deve ser apresentada mediante sua transmissão pela Internet com autilização do programa Receitanet, disponível no endereço eletrônico referido no caput. § 2º Para a apresentação da DCTF Mensal, é obrigatória a assinatura digital da declaração mediante utilização de certificado digital válido. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase, inclusive, aos casos de extinção, incorporação, fusão e cisão total ou parcial. Art. 7º As pessoas jurídicas devem apresentar a: Fl. 87DF CARF MF 4 I DCTF Mensal até o 15º (décimo quinto) dia útil do 2º(segundo) mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; ou II DCTF Semestral: a) até o 5º (quinto) dia útil do mês de outubro, no caso de DCTF relativa ao 1º (primeiro) semestre do anocalendário; e b) até o 5º (quinto) dia útil do mês de abril, no caso de DCTF relativa ao 2º (segundo) semestre do anocalendário anterior. (...) Art. 9º A pessoa jurídica que deixar de apresentar a DCTF no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimada a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela RFB, e sujeitarseá às seguintes multas: I de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos impostos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega dessa declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º;(g.n.) Portanto, a multa pecuniária eventualmente imposta pelo não cumprimento de obrigação tributária acessória, como a não apresentação de DCTF, tem como fundamento os dispositivos legais acima citados e normativos. O Impugnante alega ilegalidade na imposição da penalidade imposta pela a conduta do descumprimento de obrigação acessória. Entretanto, conforme se depreende dos normativos acima reproduzidos, inexiste ilegalidade ou desproporcionalidade quando observados os critérios normativos, como no presente caso. Insta ressaltar, ademais, que as alegações relativas a ilegalidade e inconstitucionalidade não podem ser examinadas por exorbitarem à competência das autoridades administrativas, às quais cabe apenas cumprir as determinações da legislação em vigor. Nesse contexto, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Essa vinculação somente deixa de prevalecer quando a norma em discussão já tiver sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, o que não ocorreu no caso dos presentes autos. Portanto, convém destacar que existindo dispositivos que estabelecem uma obrigação acessória por parte do sujeito passivo, e tipificam conduta infratora ante seu descumprimento sendo tais dispositivos integrantes da legislação tributária, conforme estabelecido nos arts. 96 e 100, I, do CTN , a sua aplicação é obrigatória por parte das autoridades administrativas; assim, em relação à legislação que fundamenta a autuação, arrolada no auto de infração em comento, os agentes do fisco estão Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13896.721632/201186 Acórdão n.º 1001000.014 S1C0T1 Fl. 4 5 plenamente vinculados, e sua desobediência pode causar a responsabilização funcional, conforme previsão do parágrafo único do art. 142 do CTN. Não há, portanto, fato que fundamente alegação de ilegalidade na imposição da penalidade constante dos presentes autos. E, se não por isso, não nos compete examinar alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade na seara do julgamento administrativo." Mais adiante, continua a DRJ, cita diversas decisões do antigo Conselho de Contribuinte e a Súmula n° 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: " Sobre esta questão é mansa e pacífica a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, atual CARF, como se vê nas ementas das decisões abaixo: ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Às instâncias administrativas não competem apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. (Acórdão nº 20312.529, de 19/10/2007 – 3ª Câmara – 2º Conselho de Contribuintes) LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA ILEGALIDADE / INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete ao Poder Executivo o exame da ilegalidade/inconstitucionalidade da legislação tributária, competência exclusiva do Poder Judiciário. (Acórdão nº 30238.354, de 23 de janeiro de 2007, 3ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes) JULGAMENTO ADMINISTRATIVO – INCONSTITUCIONALIDADE – ILEGALIDADE. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, não se podendo decidir, em âmbito administrativo, pela inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos normativos. (Acórdão nº 10249034, de 24 de abril de 2008, 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes). O CARF sumulou a matéria recentemente: Enunciado O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, não cumpre examinar as alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade na esfera de julgamento administrativo, motivo pelo qual restam afastadas tais alegações. A alegação de ofensa ao não confisco inserese neste contexto. A vedação ao confisco, prevista na Constituição Federal, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico, por inconstitucional. Fl. 89DF CARF MF 6 Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. O lançamento é uma atividade vinculada. É de se presumir, portanto, que a lei aprovada nos moldes constitucionais tenha estabelecido multas dentro de limites aceitáveis. Assim, não compete à autoridade administrativa declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei, pois essa competência foi atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário pela CF, conforme art. 102. Como já apontamos, a mais abalizada doutrina escreve que toda atividade da Administração Pública se passa na esfera infralegal e que as normas jurídicas, quando emanadas do órgão legiferante competente, gozam de uma presunção de constitucionalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. Vale dizer que, inovado o sistema jurídico com uma norma emanada do órgão competente, ela passa a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja expungida do mundo jurídico por uma outra superveniente ou por resolução do Senado da República publicada posteriormente à declaração de sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Assim, estando devidamente fundamentada na autuação a infração cometida, e tendo sido aplicada a penalidade prevista na legislação tributária, não há como prosperar a argüição de violação a qualquer preceito constitucional. Ponderase, ainda, que, consoante o parágrafo único, do artigo 142, do CTN, a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Por ser o lançamento ato privativo da autoridade administrativa é que a lei atribui à Administração o poder de impor, por meio da legislação tributária, ônus e deveres aos particulares, denominados, genericamente, "obrigações acessórias", que têm por objeto as prestações, positivas ou negativas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2º do CTN). Quando a obrigação acessória não é cumprida, fica subordinada à multa específica (art. 113, § 3º, do CTN). Assim é que a Administração exige do particular diversos procedimentos. No caso, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de entregar a declaração, como também, o dever de fazêlo no prazo previamente determinado, independentemente de qualquer procedimento fiscal. Desse modo, a entrega não tem o condão de eximir o contribuinte da penalidade, posto que esta está claramente definida, tanto para a hipótese da não entrega, quanto para o caso de seu implemento fora do tempo determinado. Doutro lado, a autuação trouxe todos os elementos do tipo infracional tributário, como indicação da espécie de declaração não apresentada, prazo final de entrega, data da efetiva apresentação, metodologia de cálculo da penalidade, descrição dos fatos e fundamentação legal, demonstrando a regularidade formal do lançamento, na forma do Decreto 70.235/72. Portanto, afastada alegação de nulidade por irregularidade formal do lançamento. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13896.721632/201186 Acórdão n.º 1001000.014 S1C0T1 Fl. 5 7 Ademais, insta ressaltar que o Impugnante não contestou, em momento algum, a prática infratora propriamente dita, e nem ao mesmo buscou ou trouxe elemento algum suficiente para afastar a conduta e a imposição de penalidade pecuniária. Por fim, salientase que, tratandose de legislação tributária, abstraise a intenção do agente e a efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato praticado, na definição de responsabilidade trazida pelo art. 136 do mesmo CTN. Desta forma, não há como dispensar a aplicação da multa por atraso na entrega da DCTF relativa ao 2ª semestre de 2007, na forma indicada na autuação. Perdão Quanto à solicitação aventada no sentido da redução da multa, cumpre esclarecer que, nos termos da legislação de regência (CTN, art. 172), somente a lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder remissão total ou parcial do crédito tributário. Assim, como no presente caso não existe mencionada lei autorizadora da remissão, não há como deferir o pedido de redução da penalidade. Considerando que o prazo final de entrega da DCTF como sendo 07/04/2009, e a data da efetiva entrega de 29/06/2011, o que implica atraso de 27 meses no cumprimento da obrigação acessória, e a ausência de elementos para desconstituir a prática infratora e, portanto, a legal imposição da penalidade pecuniária; E considerando afastadas as alegações de nulidade, VOTO por julgar improcedente a impugnação, mantendo integralmente a multa imposta". Voto Conselheiro: José Roberto Adelino da Silva Relator Tratase de recurso voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. Inconformada com a decisão de primeira instância, como acima, o contribuinte apresentou recurso voluntário ao Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, onde alega: Preliminarmente, alega que não há previsão legal para instituição da DCTF e da multa por traso na entrega. Alega, adicionalmente: Ofensa à Legalidade/Proporcionalidade/Não Confisco. No recurso voluntário, basicamente, apresentou as mesmas razões utilizadas na impugnação para a declaração de nulidade, o cancelamento da autuação ou a redução da multa para 10% do valor devido a título de tributo. Fl. 91DF CARF MF 8 A decisão prolatada pela DRJ não merece reparos. As regras para apresentação da DCTF e as penalidades por atraso na entrega, ou a sua não apresentação, estão tipificadas na legislação em vigor e, portanto, aplicáveis ao caso. As alegações de ofensa à legalidade/proporcionalidade e não confisco não podem ser objeto de análise por este colegiado, já havendo, inclusive, súmula do CARF quanto a este assunto, como citado pela DRJ e que aqui reproduzo: " Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". Portanto, voto pela manutenção integral do lançamento, afastando tanto a Ofensa à Legalidade/Proporcionalidade/Não Confisco quanto a alegação de nulidade por ausência de previsão legal, pelas razões tão bem expostas e irretocáveis na decisão de primeira instancia administrativa. É o meu voto, (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 92DF CARF MF
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