Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,050)
- Primeira Turma Ordinária (16,516)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,325)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,024)
- Segunda Turma Ordinária d (14,547)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,572)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,851)
- Terceira Câmara (68,403)
- Segunda Câmara (57,284)
- Primeira Câmara (21,503)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,891)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,425)
- Segunda Seção de Julgamen (115,920)
- Primeira Seção de Julgame (77,827)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,142)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,440)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,597)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,147)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,856)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,753)
- WILDERSON BOTTO (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,474)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,671)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,021)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10880.963641/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 18/10/2004
COFINS. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A apresentação espontânea de DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser considerada.
INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE. IMPOSSIBILIDADE.
É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso do domicilio fiscal do contribuinte tendo em vista o § 4° do art. 23 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-004.078
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que se reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerando-se a DCTF retificadora como original para análise e prolação de novo despacho decisório.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 18/10/2004 COFINS. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea de DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser considerada. INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso do domicilio fiscal do contribuinte tendo em vista o § 4° do art. 23 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.963641/2009-17
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5912209
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-004.078
nome_arquivo_s : Decisao_10880963641200917.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10880963641200917_5912209.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que se reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerando-se a DCTF retificadora como original para análise e prolação de novo despacho decisório. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7441182
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869291810816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1848; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.963641/200917 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201004.078 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente HUAWEI DO BRASIL TELECOMUNICACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/10/2004 COFINS. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea de DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser considerada. INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso do domicilio fiscal do contribuinte tendo em vista o § 4° do art. 23 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que se reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerandose a DCTF retificadora como original para análise e prolação de novo despacho decisório. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 36 41 /2 00 9- 17 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.963641/200917 Acórdão n.º 3201004.078 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação de créditos da Cofins, decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que efetuara pagamento a maior da Cofins, tendo, por equívoco, informado na DCTF original valor incorreto, decorrendo daí a apresentação de declaração retificadora, em data anterior à da prolação do despacho decisório. A Delegacia de Julgamento, por meio do acórdão nº 1633.739, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por ausência de comprovação da certeza e liquidez do indébito. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu a reforma da decisão de primeira instância, repisando os argumentos de defesa, sendo arguida a nulidade do acórdão a quo por violação aos princípios da verdade material, da proporcionalidade e da razoabilidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.069, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10880.919993/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.069): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Em apertada síntese, a essência da lide está na apresentação da DCTF retificadora antes do despacho decisório que denegou a compensação do pagamento de COFINS. De fato, a DCTF retificadora data de 23/3/2009 (e fls. 66 a 70), enquanto o despacho decisório denegando a PER/DCOMP data de 25/3/2009 (efl. 4). A fundamentação do despacho decisório denegatório seria a inexistência de crédito disponível, tendo sido o DARF discriminado na DCOMP Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.963641/200917 Acórdão n.º 3201004.078 S3C2T1 Fl. 4 3 integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, que estavam declarados em DCTF. 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 617.278,60. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (efl. 4) Da leitura dos autos, percebese que, muito provavelmente, a DCTF analisada quando do despacho decisório foi a DCTF original e não a DCTF retificadora. O sistema informatizado de processamento da DCTF fez, portanto, uso de um dado desatualizado. A IN RFB nº 903/2008 dispõe em ser art. 11 e parágrafos sobre a natureza da DCTF retificadora, ensinando que a mesma substitui integralmente a declaração original, servindo para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir, os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. IN RFB nº 903/2008 Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) A substituição da DCTF original pela DCTF retificadora é vedada apenas nos casos previstos no § 2º, onde há participação da PGFN para inscrição em DAU e quando a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. O presente caso enquadrase, portanto, na hipótese geral, onde a DCTF retificadora substitui integralmente a DCTF original. O julgamento da manifestação de inconformidade em primeira instância se ateve a questões de certeza e liquidez, bem como à falta de elementos de Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.963641/200917 Acórdão n.º 3201004.078 S3C2T1 Fl. 5 4 prova que deveriam ser apresentados pela recorrente. Logo, acabou por julgar improcedente a manifestação do direito creditório. Ora, tendo em vista a regulamentação constante da IN RFB nº 903/2008, para que a DCTF retificadora substitua integralmente a DCTF original, ficaria dispensada a questão dos elementos de prova. Ocorre que o julgamento em primeira instância deveria ter efetuado uma análise mais detalhada assegurando a prevalência da verdade material. Sobre a importância da verdade material no julgamento em primeira instância em caso semelhante, reproduzo trecho do Acórdão 3403002.456 do relator Rosaldo Trevisan, decidido por unanimidade. Acórdão 3403002.456 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, o julgador de primeira instância tem um papel especial, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado na DCTF original com o pago, ignorando a existência de retificação efetuada tempestivamente, dentro das regras estabelecidas pelo próprio Fisco. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela autoridade fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação, seja pela autoridade lançadora, seja pelo julgador a quo. (efl. 193) A realidade da DCTF retificadora que passou a ser a original precisa ser avaliada pela autoridade fiscal. No presente caso, a DCTF retificadora parece ter sido ignorada no processamento eletrônico, bem como colocada em segundo plano no julgamento em primeira instância. Em casos semelhantes, o posicionamento deste CARF tem sido o de anular o processo ab ovo, ou seja, desde o princípio. Acórdão 3403002.456 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária / 25 de setembro de 2013 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA ANTES DO DESPACHO DECISÓRIO. ACEITAÇÃO. A DCTF retificadora espontaneamente apresentada antes da veiculação do despacho decisório, nos casos normativamente permitidos, substitui a DCTF original em relação aos débitos e vinculações declarados. Acórdão nº 3403002.223 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária / 22 de maio de 2013 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser nele considerada. Finalmente, quanto ao requerimento de que todas as intimações sejam enviadas inclusive ao Patrono e encaminhadas a endereço diverso do contribuinte que se encontra em litígio, cabe informar da limitação contida no comando do §4º, do art. 23 do Decreto 70.235/72 que dispõe sobre o endereço fornecido para fins cadastrais a SRF. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.963641/200917 Acórdão n.º 3201004.078 S3C2T1 Fl. 6 5 Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerandose a DCTF retificadora como original para análise e prolação de novo despacho decisório. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para reexame do pleito (PER/DCOMP), considerandose a DCTF retificadora como original na análise e prolação de novo despacho decisório. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000344/2009-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO
PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS
O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.892
Decisão: Acordam os Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16349.000344/2009-64
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5898667
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.892
nome_arquivo_s : Decisao_16349000344200964.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 16349000344200964_5898667.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7413527
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869305442304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2069; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16349.000344/200964 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.892 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente SYNGENTA PROTECAO DE CULTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 NÃOCUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 44 /2 00 9- 64 Fl. 369DF CARF MF Processo nº 16349.000344/200964 Acórdão n.º 3401004.892 S3C4T1 Fl. 0 2 o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Acordam os Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Fl. 370DF CARF MF Processo nº 16349.000344/200964 Acórdão n.º 3401004.892 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB. Foi emitido Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Créditos a descontar na importação: a empresa apurou créditos decorrentes de suas operações de importação de insumos e produtos para revenda, norteandose pelo art. 15 da Lei n° 10.865/2004. O Fisco questionou tais créditos com base nas seguintes premissas: (a) importação de bens classificados na NCM 38.08 assim como das matériasprimas utilizadas para sua produção que supostamente deveriam ser tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no rol de produtos abarcados pela NCM 38.08 diversas outras mercadorias e não só defensivos agrícolas abarcados pela alíquota zero da contribuição. A empresa é produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são tributados pela alíquota regular. Não foram confrontados os NCMs indicados pela empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que todos os produtos comercializados estariam classificados no NCM 38.08 como defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta planilha e folders. 2) Créditos decorrentes da aquisição de insumos: a Fiscalização glosou créditos da empresa relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. Estas glosas são refutadas porque: a) conceito de insumos: tomandose como referência os intentos do Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente diferente daquela adotada pela legislação do IPI), reputase claramente ilegal o conceito utilizado pela Fiscalização na definição de insumos. A definição sugerida pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas do IPI, também na IN n°247/2002, que trata quase que de forma idêntica da conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos prérequisitos para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto com o produto final que está sendo elaborado. A intenção do legislador era a desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber como necessários, para a conceituação de insumos, a restrição contida no referido Fl. 371DF CARF MF Processo nº 16349.000344/200964 Acórdão n.º 3401004.892 S3C4T1 Fl. 0 4 dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com o produto final que se está a elaborar. A norma infralegal agiu ao total arrepio de suas competências ao regular preceito em total desacordo com os intentos da legislação que lhe dá fulcro, sofrendo, por conseguinte, de uma ilegalidade contida em sua gênese. Deve ser afastada a aplicabilidade da possível interpretação restritiva do crédito aqui discutido, pautada pela definição contida na IN, que obrigue o contato direto do insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito de insumos apropriados pela empresa não pode ser contestado pelos argumentos levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma ilegal emitida pela RFB em desacordo com a legislação que lhe dá sustento, devendo este ser reconhecido em sua totalidade; b) contato direto dos insumos glosados ao produto final: após análise exaustiva dos diversos produtos enumerados pela Fiscalização em sua planilha de exclusões, a empresa houve por bem elaborar demonstrativo (anexado), no qual justifica o enquadramento dos produtos desconsiderados do conceito de insumos sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito de COFINS apropriado. Assim: 1) materiais de embalagem: em sua totalidade, os materiais de embalagem considerados pelo despacho decisório como de mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Os produtos elaborados pela empresa, por serem de cunho tóxico, se sujeitam a diversas normas regulatórias emanadas por Agências Governamentais, as quais lhe obrigam a acondicionar suas mercadorias em embalagens padronizadas e resistentes. As caixas (que compõem grande parte dos produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas no mercado, evitando que o produto químico produzido sofra alterações em decorrência do contato excessivo com, por exemplo, a luz solar. Tal proteção não visa o transporte da mercadoria, a qual seria inutilizada por seu consumidor final após o recebimento destas, mas sim o acondicionamento de produtos tóxicos que devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim prejuízos ao meio ambiente decorrentes de possíveis contaminações. Também se pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são colocados em cada uma delas contendo informações importantes acerca das recomendações para a utilização dos produtos, assim como dos perigos que este pode causar caso sejam manejados de forma imprópria. Se estas caixas servissem apenas para o mero transporte não se fariam necessárias explicações atinentes aos procedimentos que devem ser adotados pelo consumidor final para utilização dos produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da mercadoria em si e não para o mero transporte destas. Não há que se falar em ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem (rótulos, tinta, etiquetas e etc.) ser reconhecidos como insumos dos produtos comercializados, com geração de créditos; 2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários que visam a higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho maria" as matérias primas colocadas na caldeira de produção. Quanto a estes últimos, por serem de aplicação necessária ao processo produtivo, não há que se Fl. 372DF CARF MF Processo nº 16349.000344/200964 Acórdão n.º 3401004.892 S3C4T1 Fl. 0 5 questionar que geram direito ao crédito de COFINS. Os produtos glosados pela fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos; 3) créditos sobre matéria prima alíquota zero: esse beneficio é aplicado apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas aquisições regulares destas mercadorias no mercado interno ou externo ocorre a incidência normal de COFINS. Como dito, é empresa que, dentre outros, produz mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos agrícolas), as quais se sujeitam à alíquota regular da contribuição aqui tratada (inseticidas, raticidas, fungicidas e etc.). Assim, equivocada está a Fiscalização ao glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas. 3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Os créditos decorrentes de despesas de energia elétrica não vislumbram qualquer restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua íntegra. A situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal cometido pela empresa no preenchimento de seu DACON. Não se presta como argumento suficiente para a glosa de créditos pleiteados, eis que nos processos referentes a ressarcimento/restituição, o principio da verdade material deve ser aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários. 4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas pela empresa para fins de apuração dos tipos creditórios aferidos no período em questão, sob o argumento de que não poderiam ter sido incluídos no cômputo das "Receitas de Vendas Não Tributadas no Mercado Interno", receitas tidas com operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas por normas isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as receitas que deverão ser incluídas ou não no computo da sistemática de cálculo intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento da Fiscalização, a exclusão destas receitas do cálculo do rateio proporcional não poderia ocasionar a anulação do direito creditório aferido, porquanto o crédito permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não tributadas para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações. 5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não resta outra alternativa para a análise efetiva de todo material apresentado, assim como para desvendar a verdade material dos fatos, que se: a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados, como também outros que os sejam entendidos necessários para a validação do crédito pleiteado; b) realize trabalhos periciais, visando a validação dos argumentos apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a fim de que se reconheça seu direito creditório; Fl. 373DF CARF MF Processo nº 16349.000344/200964 Acórdão n.º 3401004.892 S3C4T1 Fl. 0 6 c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972). Sobreveio Acórdão nº 10046.571, exarado pela DRJ/POA, que considerou improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.871, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 16349.000309/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.871): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo seu conhecimento. Do Mérito A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de COFINS nãocumulativa. Nessa linha, foram glosados créditos referentes à aquisição de produtos de limpeza industrial e material de embalagens. Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a não cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 16349.000344/200964 Acórdão n.º 3401004.892 S3C4T1 Fl. 0 7 Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou se a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas Fl. 375DF CARF MF Processo nº 16349.000344/200964 Acórdão n.º 3401004.892 S3C4T1 Fl. 0 8 anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Fl. 376DF CARF MF Processo nº 16349.000344/200964 Acórdão n.º 3401004.892 S3C4T1 Fl. 0 9 b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para Fl. 377DF CARF MF Processo nº 16349.000344/200964 Acórdão n.º 3401004.892 S3C4T1 Fl. 0 10 locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 16349.000344/200964 Acórdão n.º 3401004.892 S3C4T1 Fl. 0 11 (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água Fl. 379DF CARF MF Processo nº 16349.000344/200964 Acórdão n.º 3401004.892 S3C4T1 Fl. 0 12 afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 16349.000344/200964 Acórdão n.º 3401004.892 S3C4T1 Fl. 0 13 Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 16349.000344/200964 Acórdão n.º 3401004.892 S3C4T1 Fl. 0 14 Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados Fl. 382DF CARF MF Processo nº 16349.000344/200964 Acórdão n.º 3401004.892 S3C4T1 Fl. 0 15 como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que fora glosado pela fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau: (A) MATERIAL DE EMBALAGEM Tal como ficou demonstrado pelas declarações e documentação fornecida pela Recorrente, os materiais de embalagem e transporte que foram objeto de glosa de créditos Fl. 383DF CARF MF Processo nº 16349.000344/200964 Acórdão n.º 3401004.892 S3C4T1 Fl. 0 16 são absolutamente necessários para o atendimento da legislação vigente que regula a produção e comercialização dos produtos ofertados pela Recorrente, de modo que não há como não considerálos como custo operacional. Diante da exposição anterior, sobre a nãocumulatividade das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa. (B) MATERIAL DE LIMPEZA Da mesma forma, a atividade da Recorrente requer a obediência de diversas regras exigidas pelas autoridades sanitárias. Tal fato por si só já justifica a apropriação de créditos pela Recorrente, eis que, tais dispêndios são verdadeiros custos indiretos que deve ensejar o direito ao desconto de crédito. Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida. (C) DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA REGISTRADAS COMO ALUGUÉIS Tendo sido comprovado que houve apenas erro material na demonstração dos créditos na DACON, não há como não reconhecer o direito ao crédito de energia elétrica eis que tal despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de apropriação de crédito não cumulativo. Ainda, como a fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas de energia elétrica, não cabe somente em sede de recurso avaliar a procedência e sua regularidade documental, razão pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência. (D) AQUISIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS E VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Em obediência ao artigo 15, inciso II, da Lei Federal 10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na posição 38.08, em que houver pagamento da COFINS, não há qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese. Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há menor dúvida de que são garantidos os créditos sobre insumos que implicam em vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS . (E) RATEIO PROPORCIONAL Por fim, não vejo razão da manutenção da decisão no que tange ao rateio dos créditos da nãocumulatividade segundo a proporção entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei Federal 10.833/2003, mesmo porque não houve qualquer menção no despacho decisório de que a Recorrente teria parte de suas receitas tributadas no regime cumulativo. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 16349.000344/200964 Acórdão n.º 3401004.892 S3C4T1 Fl. 0 17 Por todo o exposto, conheço do Recurso e doulhe parcial provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 385DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18329.720021/2013-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
CONCOMITÂNCIA. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA E JUDICIAL.
No caso em discussão, ao ingressar com ação perante o Judiciário, a Recorrente abriu mão da discussão nesta esfera administrativa, de modo que a análise do Recurso Voluntário interposto fica prejudicada, conforme disposto na Súmula CARF nº 1.
Numero da decisão: 2201-004.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em razão da concomitância de instâncias judicial e administrativa.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 CONCOMITÂNCIA. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. No caso em discussão, ao ingressar com ação perante o Judiciário, a Recorrente abriu mão da discussão nesta esfera administrativa, de modo que a análise do Recurso Voluntário interposto fica prejudicada, conforme disposto na Súmula CARF nº 1.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 18329.720021/2013-31
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5918603
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.705
nome_arquivo_s : Decisao_18329720021201331.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 18329720021201331_5918603.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em razão da concomitância de instâncias judicial e administrativa. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7474006
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869312782336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1437; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 123 1 122 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18329.720021/201331 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.705 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de setembro de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente ILZA CUNHA QUEIROLO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 CONCOMITÂNCIA. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. No caso em discussão, ao ingressar com ação perante o Judiciário, a Recorrente abriu mão da discussão nesta esfera administrativa, de modo que a análise do Recurso Voluntário interposto fica prejudicada, conforme disposto na Súmula CARF nº 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em razão da concomitância de instâncias judicial e administrativa. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 32 9. 72 00 21 /2 01 3- 31 Fl. 122DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 71/76, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), de fls. 63/68, a qual julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, exercício de 2010, acrescido de multa lançada e juros de mora. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 20.795,63 (vinte mil, setecentos e noventa e cinco reais e sessenta e três centavos), já incluídos os juros e a multa. Ante a clareza do Relatório constante da decisão proferida pela DRJ, transcrevo: O lançamento é decorrente das seguintes infrações: *omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais, das seguintes fontes pagadoras: 1.Instituto Nacional do Seguro Social, no valor de R$ 9.589,87; *rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia gravenão comprovação da moléstia ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado, auferidos do Comando do Exército de R$ 163.371,59. O enquadramento legal encontrase às fls. 49/50 e 52. Da Impugnação Tendo sido Deferido Parcialmente o Resultado da Solicitação de Retificação de LançamentoSRL (fl. 57), a interessada ingressou, por meio de seu procurador (documento de fl. 08), com a impugnação de fls. 02/07, alegando que: 1.foi aposentada por moléstia grave (neoplasia maligna), de modo que sua sobrevivência depende de monitoramento e tratamento médico constante. O laudo oficial do INSS amparou a sua aposentadoria; 2.neste sentido, é certo que a interessada jamais omitiu rendimentos recebidos de pessoa jurídica, tendoos declarado em sua totalidade, como isentos e não tributáveis, conforme lhe assegura o art.6º, incisão XIV da Lei nº 7.713/88; 3.a própria autoridade fazendária reconheceu o direito da contribuinte em exercícios anteriores (2006/2005;2008/2007 e 2009/2008), restando injustificado o lançamento; 4.o lançamento em questão é contraditório em relação a decisões anteriormente proferidas pela autoridade fazendária; 5. a Secretaria da Receita Federal reconheceu o direito da contribuinte à isenção do imposto de renda, conforme demonstram os documentos em anexo; Fl. 123DF CARF MF Processo nº 18329.720021/201331 Acórdão n.º 2201004.705 S2C2T1 Fl. 124 3 6. relativamente ao processo nº11060.003337/201061, a Receita Federal do Brasil decidiu que o lançamento era improcedente e reconheceu o direito creditório da contribuinte; 7.da mesma forma, em relação ao processo nº18329.000028/200875, em Sessão realizada em 26/01/2011, a 8ªTurma de Julgamento julgou procedente a impugnação para reconhecer o direito da contribuinte à isenção do imposto de renda; 8.em se tratando de moléstia grave (neoplasia maligna) cujo monitoramento e tratamento médico são constantes, não existem motivos para que tal decisão posteriormente venha a ser desconsiderada pela própria autoridade que a reconheceu; 9.não obstante o órgão pagador efetuar indevidamente o desconto do imposto de renda na fonte, não existem impeditivos legais que afastem a competência da Receita Federal do Brasil para declarar o direito da interessada à isenção do tributo; 10.em relação à neoplasia maligna, a Lei nº7.713/88 não traz em seu bojo nenhum dispositivo que permita uma interpretação no sentido de que o portador da moléstia venha a ter o benefício revogado; 11.deixar de considerar a condição e o direito da contribuinte ao benefício da isenção do imposto de renda é atuar em contrariedade com a legislação e com o entendimento dos tribunais; 12.para demonstrar a falta de fundamento legal na pretendida retenção e pagamento do imposto de renda, cita Decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça em processo envolvendo isenção do imposto de renda em razão de o contribuine ser portador de neoplasia maligna, em que aquele tribunal deixa claro que após a concessão do benefício, independentemente de ter havido a continuidade dos sintomas, o contribuinte faz jus à isenção, não havendo necessidade de comprovação da contemporaneidade dos sintomas; 13. nesse sentido, cita Decisão exarada pelo STJ REsp 1.125.064/DF, 2ª Turma, de 14/04/2010; 14.nos termos da lei e da orientação dos nossos tribunais superiores, em se tratando de neoplasia maligna, como é o caso da autuada, não há amparo para exigências não previstas na legislação, sendo suficiente o laudo oficial que determinou a aposentadoria da contribuinte para assegurarlhe o direito à isenção do imposto de renda; 15.nos termos da Súmula 473 do STF, requer seja acolhida a presente impugnação, determinando a improcedência do lançamento tributário, mantendose o entendimento já manifestado pela Receita Federal do Brasil, no sentido de reconhecer o direito da interessada ao benefício da isenção do imposto de renda. Fl. 124DF CARF MF 4 É de se ressaltar que foi anexada, à fl.57, a Informação Fiscal expedida pela Seção de Controle e Acompanhamento Tributário em Santa Maria (RS), esclarecendo que surgiram fatos novos que se aplicam, smj, aos processos 18329.720021/201331 e 18329.720020/201396, pendentes de julgamento. Na supracitada Informação, alerta a fiscalização que por intermédio do Ofício nº 048 SIP/7º R C Mec, datado de 28 de novembro de 2013, recebido na Delegacia da RFB em Santa Maria – RS em 03/12/2013, foi encaminhada cópia do Parecer nº 295IR/12SS3.1SIP/3ªRM emitido pelo Comando da 3ª Região Militar, em resposta a requerimento da Interessada protocolado em 14 de dezembro de 2009, que informa que Ilza Cunha Queirolo “não é portadora de doença especificada na Lei nº 7.713, de 22 Dez 88, alterada pelas Leis 8.541, de 23 Dez 92; 9.250, de 26 Dez 95, 11.052. de 29 Dez 04 e 11.311, de 13 Jun 06.”(g.nosso). Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fls. 63): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS EXCEDENTES AO LIMITE DE ISENÇÃO PARA DECLARANTES COM 65 ANOS OU MAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a infração apontada no lançamento que o contribuinte tenha expressamente concordado (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). RENDIMENTOS INDEVIDAMENTE CONSIDERADOS COMO ISENTOS POR MOLÉSTIA GRAVE. A isenção para portadores de moléstia grave só poderá ser concedida quando o contribuinte preenche os dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção: a natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria/reforma ou pensão, e o outro que relacionase à existência da moléstia tipificada no texto legal. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aplicam a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário Fl. 125DF CARF MF Processo nº 18329.720021/201331 Acórdão n.º 2201004.705 S2C2T1 Fl. 125 5 A Recorrente, devidamente intimado da decisão da DRJ, conforme aviso de fls. 69, recebido em 28/10/2014, apresentou o recurso voluntário de fls. 71/76 em 25/11/2014. Em sede de Recurso Voluntário, praticamente reiterou os argumentos apresentados em sede de impugnação. Posteriormente, apresentou cópia de processo judicial (inicial fls. 82/104), sentença fls. 105/115 e acórdão fls. 116/117 Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama No caso em discussão, ao ingressar com ação perante o Judiciário, a Recorrente abriu mão da discussão nesta esfera administrativa, de modo que a análise do Recurso Voluntário interposto fica prejudicada, conforme disposto na Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Sendo assim, não conheço do Recurso Voluntário, nos termos da súmula CARF acima mencionada. Conclusão Em razão do exposto, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 126DF CARF MF 6 Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.961783/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2003
CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. IN RFB 900/2008. RETROATIVIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (súmula n. 84 do CARF), nos termos da Instrução Normativa RFB n. 900/2008, que tem natureza interpretativa e aplica-se retroativamente, prejudicando o disposto na IN SRF n. 460/04.
Numero da decisão: 1302-001.269
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, para retorno dos autos à unidade de origem para que prossiga na análise do pleito.
Nome do relator: Marcio Rodrigo Frizzo
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201312
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. IN RFB 900/2008. RETROATIVIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (súmula n. 84 do CARF), nos termos da Instrução Normativa RFB n. 900/2008, que tem natureza interpretativa e aplica-se retroativamente, prejudicando o disposto na IN SRF n. 460/04.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10880.961783/2008-51
conteudo_id_s : 6056397
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-001.269
nome_arquivo_s : 130201269_10880961783200851_201312.pdf
nome_relator_s : Marcio Rodrigo Frizzo
nome_arquivo_pdf_s : 10880961783200851_6056397.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, para retorno dos autos à unidade de origem para que prossiga na análise do pleito.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
id : 7464018
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869315928064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1794; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 111 1 110 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.961783/200851 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.269 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de dezembro de 2013 Matéria Compensação Recorrente DOW AGROSCIENCES INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. IN RFB 900/2008. RETROATIVIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (súmula n. 84 do CARF), nos termos da Instrução Normativa RFB n. 900/2008, que tem natureza interpretativa e aplicase retroativamente, prejudicando o disposto na IN SRF n. 460/04. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, para retorno dos autos à unidade de origem para que prossiga na análise do pleito. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, CRISTIANE SILVA COSTA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 17 83 /2 00 8- 51 Fl. 111DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.1018.09497.TWXM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório Tratase de recurso voluntário. Na origem, a recorrente transmitiu PER/DCOMP n. 22510.93030.140105.1.8.042099, alegando ter crédito decorrente de “pagamento indevido ou a maior” de CSLL e requerendo a compensação destes com débito também de CSLL relativos ao mês de setembro de 2004. Em face do indigitado pedido, a autoridade administrativa proferiu o seguinte despacho decisório (fls. 2): Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 1.497.754,57. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em razão da não homologação da compensação apresentada, foi constituído crédito tributário de CSLL no valor de R$ 1.745.632,95 (principal). A recorrente teve ciência do despacho decisório em 05/01/2009 (fl. 5), razão pela qual apresentou manifestação de inconformidade em 02/02/2009 (fl. 11/12), na qual alega, em resumo, o seguinte: (i) Que em 30/09/2003 efetuou o recolhimento de DARF no valor de R$ 3.006.593,57 a título de CSLL, no mês de agosto de 2003 (cód. receita 2484); (ii) Que após revisão interna, concluiu que o valor efetivamente devido era R$ 1.508.839,00, conforme DIPJ e DCTF anexas, o que representa “um pagamento indevido no valor de R$ 1.464.581,01” (fls. 12); (iii) Que, pelo fato deste valor seria passível de compensação, requer o provimento da manifestação de inconformidade e o reconhecimento do crédito. Em tempo, o valor correto do crédito de CSLL reclamado pela recorrente é R$ 1.497.754,57, consoante se depreende após um simples cálculo matemático, bem como por meio da análise da DCOMP de fls. 6 a 10. Por seu turno, a DRJ entendeu pela total improcedência dos argumentos da recorrente, nos termos do acórdão de fls. 45, cuja ementa transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/09/2003 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. UTILIZAÇÃO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal Fl. 112DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.1018.09497.TWXM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10880.961783/200851 Acórdão n.º 1302001.269 S1C3T2 Fl. 112 3 somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada da decisão supratranscrita em 11/01/2011 (fl. 49), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário em 10/02/2011 (fl. 50/69), no qual ventila as seguintes razões, em resumo: (i) Que a Lei 9.430/96, que estabelece as regras com relação a antecipação por estimativa, não versa sobre a impossibilidade do contribuinte efetuar compensação de valores recolhidos indevidamente ou a maior a título de estimativa mensal; (ii) Também que nem a Lei 9.430/96 e tampouco o art. 35, da Lei 8.981/95, estabelecem que a estimativa mensal paga indevidamente somente pode ser objeto de restituição ao final do período de apuração; (iii) Que pela sistemática de apuração e antecipação do IR, o valor da estimativa realizada somente pode ser restituída ao final do período de apuração, mas apenas nos casos em que a antecipação tenha sido realizada corretamente, o que não ocorreu no presente caso, pois houve erro de fato no cálculo que resultou em pagamento a maior ou indevido; (iv) Que a vedação do art. 10, da IN 460/2004 não encontra respaldo na legislação de regência, pois apresenta condições distintas quanto ao a consideração obrigatória de valores pagos a maior ou indevidamente no saldo negativo ao final do período; (v) Que não faz sentido a vedação à restituição e/ou compensação não regulamentada por lei; (vi) Que o art. 10, da IN 460/2004, referese ao valor da estimativa calculado conforme previsto em lei, e não a valores recolhidos equivocadamente. Interpretação contraria criaria uma restrição ao art. 2º, §4º, inc. IV, da Lei 9.430/96. Transcreve jurisprudência; (vii) Ressalta que a RFB, através da IN 900/08, alterou o preceito da IN 460/2004 e criou duas únicas hipóteses que limitam a utilização do imposto no mesmo período de apuração: (a) no caso de retenção indevida; e (b) no caso de retenção a maior, observando que não há limitador a utilização do imposto no mesmo período de apuração o valor da estimativa mensal, conforme art. 11 da IN 900/08; (viii) Que é pacífico que as Instruções Normativas não podem extrapolar o disposto na lei correlata, e que, portanto, a IN 460/2004 extrapola seus limites ao criar exigência mais gravosa não estabelecida por lei. Apresenta jurisprudência; Fl. 113DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.1018.09497.TWXM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 (ix) Que o pagamento indevido pelo contribuinte caracteriza o enriquecimento sem causa do Estado, o que deve ser repudiado; (x) Que o valor do crédito da contribuinte não compôs o saldo negativo do período competente, e que a limitação da utilização do pagamento indevido determinada pela legislação vigente à época dos fatos limita a utilização do crédito quando este compõe o saldo negativo do período. Apresenta jurisprudência; (xi) Que houve erro de fato cometido pela recorrente, pois, ao revisar sua escrita fiscal, verificou diversos erros nos valores mensais que serviram como base de cálculo de apuração do IR e CSLL; (xii) Que este Conselho reconhece a improcedência de Autos de Infração quando demonstrado, a qualquer tempo, que a obrigação tem origem em erro de preenchimento, prevalecendo a verdade material. Apresenta jurisprudência; (xiii) Que o processo administrativo se rege pela verdade material, e que uma vez comprovado que o pagamento indevido não tem relação com a utilização de saldo negativo, deve ser reconhecido o direito de utilizar o pagamento indevido; (xiv) Por fim, requereu a recorrente a extinção do crédito tributário e reconhecimento do direito a compensação. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.1018.09497.TWXM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10880.961783/200851 Acórdão n.º 1302001.269 S1C3T2 Fl. 113 5 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Da Compensação de Estimativas Indevidas ou a Maior A recorrente alega que, após identificar erro na apuração da estimativa mensal de CSLL devida na data de 30/09/2003, verificou, pelo mesmo motivo, recolhimento de CSLL a maior, consoante narrado na inicial. Assim, transmitiu em 14/01/2005 declaração de compensação requerendo a compensação do indigitado crédito com débitos próprios. Após a decisão da DRJ, verifico que se passou a discutir nestes autos se é possível requerer a compensação do pagamento indevido ou a maior, em face do que dispunha a IN 460/2004. Não é discutida a efetiva existência do crédito da recorrente. Assim, obedecendo aos limites do tema em debate, verifico que a DRJ não homologou a compensação pelo fato de o art. 10 da IN SRF n. 460/2004 (revogada) ter a seguinte redação: Art. 10 . A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (grifo não original) Notese que a disposição acima fazia expressa menção ao contribuinte que fizesse pagamento indevido ou a maior. Ocorre que já na IN RFB n. 900/08, o dispositivo semelhante deixou de fazer a restrição a este caso específico, observese: Art. 11 . A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Fl. 115DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.1018.09497.TWXM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Atualmente, a matéria é tratada pela IN RFB n. 1300/12, que repete a disposição supra1. Ou seja, as pessoas que pagaram estimativa de forma indevida ou a maior deixaram de estar vinculadas a utilizar esse “crédito” somente na apuração do IRPJ/CSLL devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo. Sobre o tema, este Conselho editou a súmula n. 84, que deve ser obrigatoriamente observada pelos membros deste Conselho (art. 72, caput, do Anexo II da Portaria MF n. 256/2009), e cuja redação é a seguite: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Portanto, ao matéria do recurso não suscita maiores debates em face do entendimento sumulado neste Conselho. Todavia, é relevante consignar que o entendimento cunhado por meio da IN RFB n. 900/08 pode ser aplicado retroativamente, uma vez que se trata de ato administrativo cuja finalidade é interpretar a legislação tributária (art. 106, inc. I, CTN2). Nesse sentido a Solução de Consulta Interna Cosit n.º 19, de 05/12/2011, cuja ementa segue adiante transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Dessa forma, fica superada a questão debatida perante a DRJ e que constitui o objeto do recurso voluntário, uma vez que é possível apresentar pedido de compensação de débitos próprios com créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, mesmo se o crédito tiver origem em períodos anteriores à IN RFB 900/08, uma vez que a IN SRF n. 460/04 possui caráter interpretativo. Todavia, questão diversa é verificar se de fato existe o crédito reclamado pela recorrente. Vale dizer, não foi objeto de fiscalização e nem de debate perante a DRJ o efetivo pagamento indevido ou a maior de CSLL período de 30/09/2003, e nem a exatidão das retificações realizadas pela recorrente. Para não suprimir as instâncias antecedentes, e vinculandome ao tema posto em debate no recurso voluntário, cabe apenas reconhecer a viabilidade jurídica da compensação pleiteada pela recorrente. Neste sentido, é o meu voto. 1 IN RFB n. 1300/12. Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto sobre a renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. 2 CTN. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...). Fl. 116DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.1018.09497.TWXM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10880.961783/200851 Acórdão n.º 1302001.269 S1C3T2 Fl. 114 7 Todavia, tal provimento não implica homologação do pedido de compensação, uma vez que tal ato depende da verificação da existência do crédito reclamado pela recorrente, ato de competência da autoridade fiscal de origem se dentro do prazo e na forma fixada em lei. 2. Da Conclusão Dessa forma, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos do relatório e voto. Todavia, tal provimento não implica homologação do pedido de compensação, uma vez que analisou questão preliminar, devendo o processo voltar à delegacia de origem para verificação quanto ao seu mérito, respeitado os prazos e limites fixados em lei. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator Fl. 117DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.1018.09497.TWXM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARCIO RODRIGO FRIZZO em 01/04/2014 10:37:00. Documento autenticado digitalmente por MARCIO RODRIGO FRIZZO em 01/04/2014. Documento assinado digitalmente por: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR em 07/04/2014 e MARCIO RODRIGO FRIZZO em 01/04/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 11/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP11.1018.09497.TWXM Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: E589E8B1343A758ED5C51A1908C40B54C25239CB Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10880.961783/2008-51. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 10735.904243/2012-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA PROVA.
O pedido de restituição de tributo administrado pela RFB somente pode ser realizado e deferido se a empresa comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado.
Numero da decisão: 1401-002.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA PROVA. O pedido de restituição de tributo administrado pela RFB somente pode ser realizado e deferido se a empresa comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10735.904243/2012-20
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5911784
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.810
nome_arquivo_s : Decisao_10735904243201220.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10735904243201220_5911784.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7439065
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869355773952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1420; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.904243/201220 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401002.810 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria PEDIDO DE CRÉDITO LUCRO PRESUMIDO DIFERENÇA DE ALÍQUOTAS DE SERVIÇOS DE TRANSPORTES EM GERAL E DE PASSAGEIROS / COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO Recorrente BARCO CHEFE TRANSPORTES E SERVIÇOS MARÍTIMOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA PROVA. O pedido de restituição de tributo administrado pela RFB somente pode ser realizado e deferido se a empresa comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 42 43 /2 01 2- 20 Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10735.904243/201220 Acórdão n.º 1401002.810 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa. A recorrente apresentou Declaração de Compensação onde solicita o reconhecimento de crédito decorrente de pagamento efetuado a maior. O referido pedido foi indeferido por meio de Despacho Decisório eletrônico em que foi apostado que a ora recorrente não possuía o crédito pleiteado, uma vez que o valor recolhido por meio de DARF já estaria comprometido com os valores declarados em DCTF e informados na DIPJ. Irresignada com o indeferimento da compensação, a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: Desempenha atividade preponderante de apoio portuário, mais especificamente o transporte de passageiros para o embarque e desembarque em navios e outras embarcações. Nos exatos termos do artigo 519, parágrafo 1º, inciso II do RIR/99, referida atividade sujeitase às alíquotas de 16% e 12%, respectivamente, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL, aplicáveis sobre sua receita bruta, e não de 32% como previsto para a prestação de serviços em geral. Assim, por erro contábil, recolheu valores de IRPJ e de CSLL a maior, por considerar indevidamente a alíquota referente a prestação de serviços em geral, pelo que pugnou pelo direito à restituição relativa à recomposição do lucro presumido. Em julgamento, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa, conforme seguinte trecho de ementa: (...) LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE DE PASSAGEIRO. FALTA DE COMPROVAÇÃO . Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% , exceto a de serviço de transporte que se sujeita às alíquotas de 16 e 12%, respectivamente. No caso, contudo, a interessada não comprova nos autos o exercício da atividade e o recebimento de receitas correspondente àquela atividade. Fl. 586DF CARF MF Processo nº 10735.904243/201220 Acórdão n.º 1401002.810 S1C4T1 Fl. 4 3 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO. A lei somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. DEVER DO JULGADOR. OBSERVÂNCIA DO ENTENDIMENTO DA RFB. É dever do julgador observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A turma da DRJ consignou que a empresa não teria direito ao crédito pleiteado pelos seguintes motivos: (início da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Primeiro: a alteração contratual apresentada diz que a empresa tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, mas o deferimento do registro pela Junta Comercial data de 28/07/2011 (protocolo em 24/05/2011), quando os autos tratam de direito creditório referente aos dois primeiros trimestres de 2011 (janeiro a junho). Segundo: a interessada apenas afirma que suas receitas correspondem à atividade de prestação de serviço de transporte de passageiros, pois nada junta aos autos que comprove este fato (notas fiscais, contrato, escrituração contábil/fiscal, etc.), ao contrário, a planilha demonstrativa de cálculo ... não especifica o recebimento de receita de prestação de serviço de transporte de passageiros. Terceiro: o objeto empresarial está assim determinado ...: “A sociedade empresarial tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, que se fará na forma e mediante a realização de: afretamento a casco nu; afretamento por tempo; navegação de apoio marítimo; navegação de apoio portuário, navegação de apoio para a praticagem, construção, modernização, conservação, reparo, conversão e jumborização de embarcações, amarração de embarcações, tudo seguindo a legislação pertinente às empresas brasileiras de navegação, bem como as demais legislações aplicáveis ao caso”. Como se vê, as atividades da empresa não são exclusivamente de prestação de serviço de transporte de passageiros, que beneficiaria a empresa na aplicação de alíquota menor e diferenciada de 32% na apuração da base de cálculo do imposto/contribuição social. Quarto: igualmente não junta aos autos qualquer documento que comprove tenha efetuado DIPJ ou DCTF Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10735.904243/201220 Acórdão n.º 1401002.810 S1C4T1 Fl. 5 4 retificadoras, de modo que demonstrassem a apuração e cálculo de valores devidos a menor do recolhido. (término da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Cientificada da decisão da DRJ e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário tempestivo repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação, mas anexando documentos (notasfiscais) em que intenta demonstrar que prestava serviços de transporte de passageiros. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.803, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10735.904236/2012 28, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.803): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Como visto, tratase a lide de discussão sobre o enquadramento da recorrente quanto ao tipo de serviço que presta: (i) para o fisco e para a DRJ, a recorrente não comprovou ter direito a aplicar as alíquotas de 16% e 12%, respectivamente, para o IRPJ e CSLL; assim, "cairia" na regra geral aplicada a prestadores de serviços em geral, cuja alíquota é de 32%; e (ii) para a recorrente, ela tem direito à aplicação das alíquotas de 16% e 12%, respectivamente, para o IRPJ e CSLL, por prestar serviços de transporte de passageiros. O indeferimento do pedido de restituição / compensação do referido crédito foi feito por meio de Despacho Decisório eletrônico. Sabese que o referido despacho é emitido sem uma análise pormenorizada do crédito pleiteado, pois o que se busca é analisar as formalidades que cercam as declarações e documentos de informação que servem de base para análise do crédito. Fl. 588DF CARF MF Processo nº 10735.904243/201220 Acórdão n.º 1401002.810 S1C4T1 Fl. 6 5 No caso dos autos, o indeferimento se deveu por falta da existência do suposto crédito, pelo fato de que na DCTF foi consignado, pela empresa, o débito de IRPJ e de CSLL considerando a alíquota de 32% em relação à apuração do lucro presumido. Na manifestação de inconformidade, a ora recorrente alegou que possuía direito ao referido crédito e que a DCTF havia sido encaminhada com dados incorretos. Apesar da alegação, e empresa não apresentou nenhum documento para comprovação da efetividade do crédito pleiteado. Em julgamento, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa elencando os motivos pelos quais não concedeu o crédito, que transcrevo novamente abaixo, para facilitar a didática: (início da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Primeiro: a alteração contratual apresentada diz que a empresa tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, mas o deferimento do registro pela Junta Comercial data de 28/07/2011 (protocolo em 24/05/2011), quando os autos tratam de direito creditório referente aos dois primeiros trimestres de 2011 (janeiro a junho). Segundo: a interessada apenas afirma que suas receitas correspondem à atividade de prestação de serviço de transporte de passageiros, pois nada junta aos autos que comprove este fato (notas fiscais, contrato, escrituração contábil/fiscal, etc.), ao contrário, a planilha demonstrativa de cálculo ... não especifica o recebimento de receita de prestação de serviço de transporte de passageiros. Terceiro: o objeto empresarial está assim determinado ...: “A sociedade empresarial tem como objeto a prestação de serviços de transportes aquaviários, que se fará na forma e mediante a realização de: afretamento a casco nu; afretamento por tempo; navegação de apoio marítimo; navegação de apoio portuário, navegação de apoio para a praticagem, construção, modernização, conservação, reparo, conversão e jumborização de embarcações, amarração de embarcações, tudo seguindo a legislação pertinente às empresas brasileiras de navegação, bem como as demais legislações aplicáveis ao caso”. Como se vê, as atividades da empresa não são exclusivamente de prestação de serviço de transporte de passageiros, que beneficiaria a empresa na aplicação de alíquota menor e diferenciada de 32% na apuração da base de cálculo do imposto/contribuição social. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10735.904243/201220 Acórdão n.º 1401002.810 S1C4T1 Fl. 7 6 Quarto: igualmente não junta aos autos qualquer documento que comprove tenha efetuado DIPJ ou DCTF retificadoras, de modo que demonstrassem a apuração e cálculo de valores devidos a menor do recolhido. (término da transcrição do voto do acórdão da DRJ) Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário e anexou notasfiscais que alega fazerem prova de que prestou serviços de transporte de passageiros. Pois bem. O Pedido de Restituição e Compensação somente pode ser efetuado se houver certeza e liquidez do crédito pleiteado. Para tanto, deve a empresa peticionária se cercar de elementos que corroboram o pleiteado crédito tributário. As declarações e informações de entrega obrigatória ao fisco devem corresponder à realidade vivida à época da apuração do crédito e também devem estar amparadas por documentação probatória, pois sempre devese partir da premissa de que quem alega o direito é que deve fazer prova de sua existência. O princípio da verdade material, por outro lado, é primado que permeia o processo administrativo fiscal, e pode ser utilizado quando, mesmo que as formalidades não sigam inteiramente o que prega a legislação tributária, há indícios concretos das alegações da parte que tenta demonstrar o direito. Houve casos nesta turma, por exemplo, em que o mero erro de preenchimento de algum documento fiscal não serviu de motivação para indeferimento do crédito, porque restou comprovada, por outros elementos, a certeza e liquidez do crédito. Chamo a atenção, porém, que o princípio da verdade material deve ser relativizado: comparase (i) a deficiência na instrumentalização do pedido sopesada com a demonstração inequívoca de prova (ii) à celeridade processual, instituto que movimenta o processo administrativo fiscal. Como exemplo, se uma empresa não apresenta documentação alguma ou a apresenta de forma rasa, mesmo ciente da necessidade da apresentação, e traz outros documentos somente na 2ª (segunda) fase recursal, entendo que se deve afastar a alegação de busca da verdade material e ignorar a documentação apresentada, em razão da inércia da parte. Chega a ser pior! Há casos em que a(s) parte(s) traze(m) elementos após o recurso voluntário e pede(m) que o feito seja baixado em diligência para que se conceda nova oportunidade de comprovação do crédito pleiteado, conduta que entendo totalmente reprovável. Fl. 590DF CARF MF Processo nº 10735.904243/201220 Acórdão n.º 1401002.810 S1C4T1 Fl. 8 7 O caso concreto, no meu sentir, é completamente díspare da possibilidade da busca pela verdade material. Em momento algum, a recorrente demonstra interesse em comprovar efetivamente que os créditos existiram; de todas as restrições apresentadas pela delegacia de piso, no acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, a recorrente apenas trouxe notasfiscais de serviços, as quais também não provam muita coisa, visto que não são muito legíveis e, também, que a empresa pratica outras atividades além de transporte de passageiros. Não há apresentação de contratos de serviços, a recorrente não apresenta seus controles contábeis e fiscais, e, também, não há um discriminativo sobre a apuração do IRPJ e da CSLL pelo lucro presumido, uma vez que no contrato social da recorrente consta que ela exerce várias atividades e, portanto, pode se sujeitar a mais de uma alíquota de presunção. Como não há elementos suficientes para análise do crédito pleiteado, proponho afastar o pedido da recorrente por falta de documentação comprobatória de seu suposto direito. Conclusão Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 591DF CARF MF Processo nº 10735.904243/201220 Acórdão n.º 1401002.810 S1C4T1 Fl. 9 8 Fl. 592DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.001068/2004-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, para sobrestar o presente processo até o trânsito em julgado das decisões a serem proferidas nas Execuções Fiscais nº 0011379-62.2008.403.6102 e nº 0006132-61.2012.403.6102, que correspondem aos Processos Administrativos nº 10840.002170/2004-22 e nº 10840.002996/2004-91.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen
Nome do relator: VALCIR GASSEN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10840.001068/2004-18
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5911568
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-000.754
nome_arquivo_s : Decisao_10840001068200418.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : VALCIR GASSEN
nome_arquivo_pdf_s : 10840001068200418_5911568.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, para sobrestar o presente processo até o trânsito em julgado das decisões a serem proferidas nas Execuções Fiscais nº 0011379-62.2008.403.6102 e nº 0006132-61.2012.403.6102, que correspondem aos Processos Administrativos nº 10840.002170/2004-22 e nº 10840.002996/2004-91. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen
dt_sessao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7438128
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869400862720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1514; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 3.049 1 3.048 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.001068/200418 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.754 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 24 de julho de 2018 Assunto IPI Recorrente COMPANHIA DE BEBIDAS IPIRANGA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, para sobrestar o presente processo até o trânsito em julgado das decisões a serem proferidas nas Execuções Fiscais nº 001137962.2008.403.6102 e nº 000613261.2012.403.6102, que correspondem aos Processos Administrativos nº 10840.002170/200422 e nº 10840.002996/200491. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1015 a 1044) interposto pelo Contribuinte, em 10 de janeiro de 2014, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 14 46.985 (fls. 1004 a 1007), de 26 de novembro de 2013, proferido pela 8ª Turma da Delegacia RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .0 01 06 8/ 20 04 -1 8 Fl. 3002DF CARF MF Processo nº 10840.001068/200418 Resolução nº 3301000.754 S3C3T1 Fl. 3.050 2 da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 750 a 759) apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório referido Acórdão: Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil que não homologou as compensações declaradas, por ser inexistente o crédito utilizado nesta compensação. A empresa transmitiu, em 15/03/2004, PER/DCOMP n° 14983.36011.150304.1.3.01.8450, pedindo ressarcimento de IPI, relativos aos saldos credores de créditos básicos existentes, no 2° trimestre/2003 no valor de R$ 1.425.298,70 (Um milhão quatrocentos e vinte e cinco mil, duzentos e noventa e oito reais e setenta centavos) e declarando a compensação destes créditos com débito da COFINS códigos 5856, no montante de R$ 763.215,99 (Referido PERDCOMP foi retificado alterando o valor para R$ 741.468,68, redistribuído entre Pis e Cofins); débitos da COFINS código 2172 no valor de R$ 21.747,31; débitos da Cofins não cumulativo — código 5856, no valor de R$ 662.082,71. Perfazendo o montante compensado de R$ 1.425.298,70. A fiscalização constatou que a empresa já havia sido fiscalizada (MPF n° 08.1.09.002003001307) relativamente ao tributo IPI Imposto sobre Produtos Industrializados, correspondente ao período de 01/01/2000 a 28/02/2004 e, em decorrência da ação fiscal, foi reconstituída a escrita fiscal da contribuinte, conforme cópias das planilhas em anexo às fls 342 e 343, nas quais foram apurados saldos devedores (valores a pagar) no período de apuração: 01/01/2000 até 31/12/2003. O crédito tributário foi exigido por meio de Auto de Infração processo administrativo n° 10840.002170/200422. Considerando que a fiscalização apurou saldo devedor de IPI (IPI a Pagar) no período de 01/01/2000 a 31/12/2003 e que o valor de R$1.425.298,70, solicitado referese ao 2° trimestre de 2003, o ressarcimento foi indeferido, por ausência de saldo credor de IPI no citado período e as compensações não foram homologadas. Regularmente cientificada e irresignada com a decisão administrativa, a contribuinte ofereceu sua manifestação de inconformidade, na qual, em síntese, fez as seguintes considerações: 1. A constituição do saldo devedor de IPI não é definitiva. De fato, em 15/08/2004, o DRFRP lavrou o AI MPF ng 0810900/00130/03, que originou o PA nº 10840.002170/200422, para cobrar da RECORRENTE suposto débito de IPI decorrente da glosa de crédito apropriado e relativo a aquisições de matérias primas isentas, no período de janeiro de 2000 a dezembro de 2003. Não houve renúncia à esfera administrativa e a exigibilidade do débito de IPI em questão está suspensa em razão da impugnação apresentada em 13/09/2004, nos autos do PA nº 10840.002170/200422. Dessa forma, ao contrário do afirmado na decisão recorrida, a constituição do saldo devedor de IPI, relativo ao período de janeiro de 2000 a dezembro de 2003, não definitiva. 2. O RESP e o RE interpostos pela RECORRENTE nos autos do MS n° 2004.61.02.0057496 encontramse pendentes de apreciação pelo Superior Tribunal Fl. 3003DF CARF MF Processo nº 10840.001068/200418 Resolução nº 3301000.754 S3C3T1 Fl. 3.051 3 de Justiça (STJ) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF), respectivamente e: a) se forem integralmente providos terá sido reconhecido expressamente que o pedido do MS n° 2004.61.02.0057496 abrange o cancelamento do AI n° 00892, de 14/08/1997 e o direito da RECORRENTE de não ser mais compelida a estornar quaisquer créditos de IPI relativos a aquisição de matériaprima isenta posteriores ao AI n° 00892, de 14/08/1997 e b) a RECORRENTE tem direito à manutenção de quaisquer crédito de IPI decorrente de aquisição de matériaprima isenta, inclusive, os referentes ao período de janeiro de 2000 a dezembro de 2003; ou se forem improvidos a) terá sido reconhecido que o objeto do MS n° 2004.61.02.0057496 abrange apenas o cancelamento do AI n° 00892, de 14/08/1997 e b) a impugnação apresentada nos •autos do PA n° 10840.002.170/200422 terá que ser apreciada, pois não terá sido renunciada a esfera administrativa com a impetração do MS n° 2004.61.02.0057496. Por conseguinte, a decisão ora recorrida deve ser reformada, porque resta incólume a existência do crédito de IPI em questão. 3. O art. 74 da Lei n° 9.430/96 e alterações posteriores garante ao contribuinte o direito de pleitear administrativamente a compensação de tributos de espécies diferentes sem qualquer restrição. 4. Por sua vez, é pacifica a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no sentido de que o contribuinte tem direito de compensar tributos e contribuições de espécies diversas, em face da permissividade contida no art. 74 da Lei n° 9.430/96 (11 Turma, embargos de declaração no agravo regimental nos embargos de declaração no recurso especial nº 416.606, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ, Seção I, de 23/06/2003 e 2A Turma, RESP n° 487.647, Relator Ministro FRANCIULLI NETTO, DJ, Seção I, de 02.02.2004). Por fim concluiu que o direito da RECORRENTE de utilizar o referido crédito de IPI não está prescrito, porque utilizado dentro do qüinqüenio legal; e que tem direito de utilizar o crédito de IPI, devidamente corrigido pela taxa SELIC, nos termos do art. 39, § 4, da Lei nº 9.250, de 26/12/1995. Requereu que seja conhecida e provida a Manifestação de Inconformidade e reformada a decisão que não homologou a presente compensação. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 8ª Turma da DRJ/RPO, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, em 10 de janeiro de 2014, visando reformar a referida decisão. A 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por meio da Resolução nº 3301000.224 (fls. 1127 a 1129), de 28 de janeiro de 2016, resolveu, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Em 8 de setembro de 2016, em resposta ao pedido de diligência supracitado, o Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto (SP) apresentou Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 2875 a 2877) visando verificar a regularidade do cumprimento das obrigações tributárias do Contribuinte. Houve, por parte do Contribuinte, em 6 de outubro de 2016, a interposição de Manifestação (fls. 2883 a 2889) acerca do Termo de Constatação acima referido. É o relatório. Fl. 3004DF CARF MF Processo nº 10840.001068/200418 Resolução nº 3301000.754 S3C3T1 Fl. 3.052 4 Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1446.985, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL INFERIOR AO MONTANTE SOLICITADO. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO. O saldo credor ressarcível do trimestrecalendário é resultante do confronto entre créditos e débitos do período na escrita fiscal; se há glosa de créditos em auto de infração, o montante do saldo credor ressarcível deve refletir a reconstituição da escrita fiscal resultante da autuação. A compensação somente pode ser admitida quando os créditos a favor do sujeito passivo forem líquidos e certos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Tendo em vista a negativa do Acórdão ora recorrido o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário requerendo que sejam homologadas integralmente as compensações realizadas, reforçando os argumentos expostos quando da manifestação de inconformidade sobre os seguintes pontos: 1) do direito ao crédito relativo à aquisição de insumos isentos (Concentrado adquiridos da RECOFARMA na Amazônia Ocidental (art. 82, III, do RIPI/2002); 2) do direito aos referidos créditos de IPI visto a coisa julgada formada no Mandado de Segurança Coletivo no. 91.00477834 em favor da AFBCC (Instituição da qual o Contribuinte seria integrante); 3) do direito ao crédito do IPI relativo à aquisição de matéria prima isenta oriunda de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus (art. 62, II, do RIPI/2002); 4) do direito à compensação com quaisquer débitos tributos e contribuições administrados pela RFB; e, 5) da impossibilidade de exigência de multa no presente caso em obediência o disposto no art. 76, II, a, da Lei no. 4.502/64. Por meio da Resolução nº 3301000.224 (fls. 1127 a 1129), de 28 de janeiro de 2016, de relatoria do il. Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, por unanimidade de votos, resolveuse por converter o julgamento em diligência, com base nos seguintes fundamentos: A discussão do direito ao crédito de IPI na aquisição de produtos isentos, não é matéria que está sob análise no presente processo. De fato, o ressarcimento foi indeferido e a compensação não homologada com o fundamento de que não existia saldo credor de IPI, uma vez que foi efetuado lançamento do imposto por meio de auto de infração de que é objeto o processo administrativo nº 10840.002170/2004 22. Consta que no referido processo houve a glosa de créditos e lançamento de débitos, com reconstituição da escrita fiscal do IPI, sendo que o contribuinte teria apresentado impugnação, estando suspensa a exigência do crédito tributário lançado. Fl. 3005DF CARF MF Processo nº 10840.001068/200418 Resolução nº 3301000.754 S3C3T1 Fl. 3.053 5 Consta informação às fls. 843 e seguintes, de que o crédito lançado foi apartado em mais dois processos administrativos distintos, cujos andamentos processuais seriam diferentes. Concluo que o deferimento ou não de créditos no presente processo está umbilicalmente ligado à manutenção ou não dos créditos tributários constituídos originalmente no processo administrativo nº 10840.002170/200422. Não se tem qualquer notícia da definitividade da constituição dos referidos créditos tributários. Portanto, proponho converter o presente julgamento em diligência, retornando o processo à unidade de origem para aguardar o trânsito em julgado das exigências constantes originalmente no processo nº 10840.002170/200422. Caso já sejam definitivas, juntar cópias das respectivas decisões e elaborar relatório consolidado, manifestandose a respeito da existência de eventual saldo credor no período a que se refere o presente processo. Intimar o contribuinte a respeito do resultado da diligência para que, se interessar, manifestese sobre ele no prazo de 30 dias. Após o encerramento da diligência, os autos devem retornar a este Conselho, para seu adequado julgamento. Como resposta à referida Resolução foi apresentada, em 8 de setembro de 2016, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto (SP), Termo de Constatação e Intimação Fiscal – IPI SEFIS nº 62/2016 (fls. 2875 a 2877) com o seguinte conteúdo: Foi efetuada junto aos estabelecimentos da contribuinte acima qualificada, fiscalização visando a verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias relativas ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) formalizado nos autos do processo administrativo fiscal no 10840.002170/200422, protocolizado na data de 13/08/2004, resultando no lançamento do crédito tributário constituídos nos autos dos documentos lavrados anexos ao citado processo. Às fls. 1127/1129 do processo administrativofiscal em comento, consta a conversão do julgamento da lide em diligência pela 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária do CARF (Resolução nº 3301000.224). Com o intuito de atender à solicitação efetuada pelo órgão julgador administrativo colegiado, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal no 08.1.09.002016003281, a seguir prestamos as informações necessárias ao atendimento do pleito: I DAS ALEGAÇÕES DA CONTRIBUINTE A contribuinte, resumidamente, alega que: 1) tem direito a crédito de IPI a compensar no período referente ao 2º trimestre de 2003. II DA SOLICITAÇÃO DO ÓRGÃO JULGADOR (CARF) O Órgão Julgador, em suma, argumenta e solicita: 1) o deferimento ou não dos créditos de IPI do processo em pauta depende da manutenção ou não nos créditos originalmente constituídos no processo no 10840.002170/200422; 2) que depois do trânsito em julgado e caso sejam definitivas as exigências constantes originalmente no processo no 10840.002170/200422: 2a) juntar cópias das respectivas decisões; Fl. 3006DF CARF MF Processo nº 10840.001068/200418 Resolução nº 3301000.754 S3C3T1 Fl. 3.054 6 2b) elaborar relatório consolidado, manifestandose a respeito da eventual existência de saldo credor no período relativo ao 2o trimestre de 2003; 3) intimar o contribuinte a respeito do resultado da diligência para que, se interessar, manifestarse sobre ele no prazo de 30 (trinta) dias. III–RESUMO DOS AUTOS DO PROCESSO No 10840.002170/200422 1) Finalidade do Procedimento Fiscal A ação fiscal teve como objetivo a verificação da regularidade cumprimento das obrigações tributárias do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nos períodos de apuração do 1º decêndio de janeiro de 2000 ao 3º decêndio de dezembro de 2003; 2) Irregularidades Constatada Ao final dos trabalhos foi lavrado auto de infração em razão da constatação das seguintes ocorrências: 2a) glosa de créditos relativos a aquisição de matéria prima isenta; 2b) IPI não lançados nas saídas de bonificações; 2c) multa isolada de IPI não lançado com cobertura de crédito; 2d) créditos glosados de transferência entre estabelecimento da mesma empresa; 2e) créditos glosados de correção monetária sobre créditos extemporâneos. 3) Reconstituição da Escrita Fiscal da Contribuinte (Fiscalização) Durante os trabalhos de fiscalização o Fisco elaborou o Demonstrativo da Reconstituição da Escrita Fiscal da empresa juntado às folhas 87 a 93 do eprocesso no 10840.002170/200422; onde restou constatado: 3a) a existência de saldo devedor de IPI em todos os trimestres do anocalendário de 2003, inclusive no 2º trimestre/2003 (fls. 91 e 92 eprocesso no 10840.002170/200422); 3b) saldo devedor de IPI no 2º trimestre do anocalendário de 2003 no valor de R$ 2.417.220,85 (fls. 92 eprocesso no 10840.002170/200422). (grifouse). 4) Desmembramento do Processo A contribuinte apresentou impugnação e recursos judiciais que levaram ao desmembramento do processo original em dois outros processos, sendo: 3a) Processo original no 10840.002170/200422: permaneceu com o controle apenas dos valores lançados decorrentes da infração de glosa de créditos relativos a aquisição de matéria prima isenta; 3b) Processo apartado no 10840.002995200447: passou a controlar os valores lançados a título de IPI não lançados nas saídas de bonificações e multa isolada de IPI não lançado com cobertura de crédito; 3c) Processo apartado no 10840.002996200491: formalizado para controlar os valores lançados a título de créditos glosados de transferência entre estabelecimento da mesma empresa e créditos glosados decorrente da correção monetária sobre créditos. IV – SITUAÇÃO ATUAL DOS PROCESSOS (ORIGINAL E APARTADOS) Valendose das informações e documentos solicitados (fls. 2832/2833) e fornecidos pela Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Ribeirão Preto/SP (doc. fls. 2834/2867), temos a informar: 1) Processo original no 10840.002170/200422: Fl. 3007DF CARF MF Processo nº 10840.001068/200418 Resolução nº 3301000.754 S3C3T1 Fl. 3.055 7 Conforme cópia do documento datado de 05/07/2016 (fls. 2867) e documentos de fls. 2834/2864, juntados ao processo no 10840.001068/200418, o processo analisado neste item encontrase atualmente na PSFN/RPO em cobrança judicial do montante integral do crédito tributário lançado. Porém, foram opostos pela contribuinte, os embargos 000514967.2009.4.03.6102, nos quais houve sentença de rejeição integral (nenhum débito foi exonerado) e recurso de apelação contra essa sentença que se encontra pendente de julgamento. Há também decisão do Superior Tribunal de Justiça na MC 19988/RJ determinando suspensão de exigibilidade do crédito tributário controlado no presente processo. (grifouse). 2) Processo Apartado no 10840.002995/200447: Constatase na cópia do documento datado 05/07/2016 (fls. 2867) e documentos de fls. 2865/2866, anexados ao processo no 10840.001068/200418, que o processo apartado aqui em comento, atualmente encontrase na PSFN/RPO, sendo que o crédito tributário relativo à multa isolada de IPI não lançado com cobertura de crédito, inscrito em dívida ativa em cobrança executiva fiscal, foi liquidada por pagamento. Já o crédito tributário referente ao IPI não lançado nas saídas de bonificações foi exonerado por decisão judicial transitada em julgado e os débitos tiveram sua inscrição na dívida ativa excluída em virtude da citada decisão (documentos inseridos às fls. 1037 a 1064 do processo apartado). 3) Processo Apartado no 10840.002996/200491: A cópia do documento datado de 05/07/2016 (fls. 2867), inseridos no processo nº 10840.001068/200418 demonstram que o processo apartado aqui em pauta, atualmente encontrase na arquivo da PSFN/RPO, sendo que o crédito tributário de IPI lançado nos autos do processo foi integralmente mantido pelo CARF e inscrito em dívida ativa (documentos inseridos às fls. 1072 a 1153 do processo apartado). Atualmente em cobrança judicial, foram opostos os embargos 0006860 68.2013.4.03.6102, sendo que ainda não foi proferida decisão de primeira instância, de sorte que até o momento não houve nenhuma alteração no crédito em função da demanda judicial; 4) Reconstituição da Escrita Fiscal da Contribuinte (Diligência CARF) A fiscalização, no decorrer desta diligência, elaborou novo Demonstrativo da Reconstituição da Escrita Fiscal (fls. 2868/2874) observando as informações mencionados nos itens acima, isto é: 4a) foi efetuada a exclusão do crédito tributário referente ao IPI não lançado nas saídas de bonificações (fls. 2868 e 2874); 4b) foram mantidos os demais valores dos créditos tributários de IPI descritos nos itens “1 a 3” deste tópico; 4c) foi apurado saldo devedor de IPI em todos os mesescalendário do 2o Trimestre de 2003 (demonstrativo de fls. 2873/2874). V CONCLUSÃO Diante dos fatos acima expostos a fiscalização conclui que: 1) o crédito tributário constante nos autos do processo principal nº 10840.002170/200422, em seu montante integral, encontrase definitivamente constituído, inscrito em dívida ativa e em cobrança judicial, embora pendente de julgamento de recurso de apelação contra sentença judicial que rejeitou integralmente os embargos opostos pela diligenciada; (grifouse). 2) o crédito tributário inserido nos autos do processo apartado nº 10840.002995 200447 encontrase definitivamente constituído, sendo que parte foi liquidada Fl. 3008DF CARF MF Processo nº 10840.001068/200418 Resolução nº 3301000.754 S3C3T1 Fl. 3.056 8 mediante pagamento (multas isoladas) e parte foi exonerada em virtude de decisão judicial (bonificações); 3) o crédito tributário constante nos autos do processo apartado nº 10840.002996 200491, em seu montante integral, encontrase definitivamente constituído e inscrito em dívida ativa em cobrança judicial, porém, pendente de julgamento dos embargos à execução fiscal opostos pela empresa; (grifouse). 4) por fim, não há crédito de IPI a ser ressarcido ou compensado pela contribuinte no 2º trimestre do anocalendário de 2003 (vide item “III, 3” deste termo), conforme pode ser constatado no demonstrativo de reconstituição da escrita fiscal da recorrente anexado às fls. 2868/2874. (grifouse). INTIMAÇÃO Do prazo para Manifestação da Contribuinte: Fica a recorrente intimada, caso queira, a manifestarse sobre as conclusões exaradas nos autos do presente termo, no prazo de 30(trinta) dias contados da ciência deste. A resposta à presente intimação deverá ser prestada por escrito, datada e assinada pela contribuinte, ou seu representante legal, com indicação dos elementos que estão sendo apresentados. Os elementos a serem apresentados deverão ser encaminhados ao Auditor Fiscal signatário na DRF/Ribeirão Preto, situada na Avenida Maurílio Biagi no 1.870 – Bairro Santa Cruz – Ribeirão Preto/SP CEP 14.020570 (Fone: (16) 39131424). Para constar, e surtir os devidos efeitos legais, lavramos o presente termo em 02 (duas) vias de igual teor e forma, sendo que uma das vias, juntamente com cópia do “Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal (Diligência CARF)” é encaminhada à contribuinte para ciência via postal com Aviso de Recebimento (A.R.) O Contribuinte, por sua vez, apresentou, em 6 de outubro de 2016, Manifestação acerca do Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 2883 a 2889), em que pede que seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário originalmente discutido no Processo nº 10840.002170/200422, e que seja determinado o sobrestamento do presente processo até o trânsito em julgado das decisões a serem proferidas nas Execuções Fiscais nº 001137962.2008.403.6102 e nº 000613261.2012.403.6102, que correspondem aos Processos Administrativos nº 10840.002170/200422 e nº 10840.002996/200491. Assim expõe: Fl. 3009DF CARF MF Processo nº 10840.001068/200418 Resolução nº 3301000.754 S3C3T1 Fl. 3.057 9 (...) Fl. 3010DF CARF MF Processo nº 10840.001068/200418 Resolução nº 3301000.754 S3C3T1 Fl. 3.058 10 Constatase no Termo de Constatação e Intimação Fiscal – IPI SEFIS nº 62/2016 que há decisão do Superior Tribunal de Justiça por intermédio da Medida Cautelar (MC) nº 19.988/RJ determinando a suspensão de exigibilidade do crédito tributário controlado no processo nº 10840.002170/200422. Cabe lembrar o entendimento dessa Turma quando da conversão do julgamento em diligência, por intermédio da Resolução nº 3301000.224, que assim se pronunciou o relator: Concluo que o deferimento ou não de créditos no presente processo está umbilicalmente ligado à manutenção ou não dos créditos tributários constituídos originalmente no processo administrativo nº 10840.002170/200422. Não se tem qualquer notícia da definitividade da constituição dos referidos créditos tributários. (grifouse). Com esse pedido do Contribuinte de sobrestamento e com o voto proferido do il. Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal e sua conclusão de que o presente processo está ligado necessariamente a outro processo, voto em converter o julgamento em diligência para o sobrestamento do presente processo até o trânsito em julgado das decisões a serem proferidas nas Execuções Fiscais nº 001137962.2008.403.6102 e nº 0006132 Fl. 3011DF CARF MF Processo nº 10840.001068/200418 Resolução nº 3301000.754 S3C3T1 Fl. 3.059 11 61.2012.403.6102, que correspondem aos Processos Administrativos nº 10840.002170/200422 e nº 10840.002996/200491. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 3012DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.902082/2008-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo para a apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias da ciência do acórdão de primeira instância. Recurso apresentado no 31º dia é intempestivo, não devendo ser conhecido.
Numero da decisão: 1302-003.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa.
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para a apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias da ciência do acórdão de primeira instância. Recurso apresentado no 31º dia é intempestivo, não devendo ser conhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10920.902082/2008-66
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5906339
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-003.073
nome_arquivo_s : Decisao_10920902082200866.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10920902082200866_5906339.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa.
dt_sessao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7437549
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869405057024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1719; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 45 1 44 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.902082/200866 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.073 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de agosto de 2018 Matéria DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE CSLL Recorrente DALILA TEXTIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para a apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias da ciência do acórdão de primeira instância. Recurso apresentado no 31º dia é intempestivo, não devendo ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 20 82 /2 00 8- 66 Fl. 45DF CARF MF 2 A Empresa apresentou DComp eletrônica pleiteando a compensação de crédito de R$7.610,32 de pagamento a maior ou indevido de CSLL relativo a DARF arrecadado em 28 de março de 2002 no valor de R$26.533,87 com débitos de PIS dos períodos de abri de maio de 2004.. Despacho Decisório (DD) eletrônico (fl. 9) da DRF Joinville não reconheceu o direito creditório e nãohomologou a compensação pleiteada, uma vez que o pagamento estava totalmente vinculado ao pagamento da CSLL devida em fevereiro de 2002. Cientificada, a Empresa apresentou manifestação de inconformidade informando que teria se equivocado em relação ao tipo de crédito, que seria saldo negativo de CSLL e não pagamento indevido ou a maior. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que o despacho decisório não teria nenhum vício que determinasse sua alteração. Aduz que os documentos e a forma de comprovar a liquidez e certeza do crédito solicitado são diferentes quando tratados como pagamento indevido ou a maior e quando como saldo negativo de CSLL e que não teria competência originária para o reconhecimento de direito creditório, mas tão somente para se pronunciar sobre manifestação de inconformidade contra decisões proferidas pela autoridade fiscal. Não resignada, a Empresa apresentou Recurso Voluntário, alegando, resumidamente: cientificada do acórdão pessoalmente em 4 de abril de 2014, pede a alteração da decisão tomada pela DRJ uma vez que não há prejuízo ao erário, pois tem o direito ao crédito de saldo negativo de CSLL; o fato de ter se equivocado no pedido não invalida o direito de uso do crédito, já que ele existe na forma de saldo negativo; as instâncias que negaram o pedido não negaram a existência do crédito, não aceitam a mudança do tipo de crédito; o que não pode ocorrer é o contribuinte perder o direito, pois a compensação de saldo de 2002 não é mais permitida pelo decorrer do tempo. Requer a alteração do tipo de crédito para saldo negativo de CSLL e a homologação da compensação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Apesar da informação prestada pelo Recorrente em seu recurso, o Aviso de Recebimento de folhas 33 informa que o contribuinte foi cientificado da decisão da DRJ em 2 de abril de 2014 e apresentou seu Recurso Voluntário em 5 de maio de 2014, conforme carimbo na peça recursal (fl. 36). Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10920.902082/200866 Acórdão n.º 1302003.073 S1C3T2 Fl. 46 3 O prazo para a apresentação de recurso é de 30 dias da ciência, conforme estabelece o artigo 33 do Decreto nº 79.235, de 1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A contagem do prazo, por sua vez, é disciplinada pelo artigo 5º do mesmo Decreto: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Assim, o prazo de trinta dias deve ser contado a partir do dia 3 de abril de 2014 (inclusive), encerrandose no dia 2 de maio de 2014, sextafeira. A apresentação de recurso no dia 5 de maio de 2014 é intempestiva. Feita essa consideração, não conheço do Recurso Voluntário, por intempestivo. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.002376/2009-79
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/2007 a 31/03/2007
NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL.
Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação.
INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda".
Numero da decisão: 9303-007.092
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação. INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda".
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11080.002376/2009-79
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5901339
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-007.092
nome_arquivo_s : Decisao_11080002376200979.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 11080002376200979_5901339.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7423241
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869409251328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2144; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.002376/200979 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.092 – 3ª Turma Sessão de 11 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Recorrente YARA BRASIL FERTILIZANTES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assentase em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação. INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 23 76 /2 00 9- 79 Fl. 659DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3403001.995, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo não reconheceu o direito de aproveitamento de créditos da contribuição sobre despesas com fretes para transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. A Contribuinte interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto a três matérias: (a) aproveitamento de créditos de PIS e COFINS não cumulativos sobre fretes entre unidades da própria empresa de produtos acabados; (b) aplicação do entendimento mais favorável ao Contribuinte, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional CTN; e (c) realização de diligência e possibilidade de juntada de novos documentos e elaboração de laudo técnico após a apresentação do recurso em primeira instância. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigmas os seguintes acórdãos, respectivamente: (a) 3401002.075 e 340203.148; (b) 3302002.930; e (c) 3402002.906. No primeiro exame de admissibilidade foi dado seguimento parcial ao recurso, tão somente quanto à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS sobre fretes de produtos acabados entre unidades da empresa, consoante despacho de admissibilidade do então Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Com a interposição de agravo pelo Sujeito Passivo, também foi dado seguimento ao tema relativo à possibilidade de apresentação de provas após o recurso à primeira instância, tudo nos termos do despacho do Presidente da Terceira Turma da CSRF, que acolheu o agravo nessa parte. Portanto, as matérias suscitadas no recurso especial da Contribuinte, que foram admitidas e serão objeto de análise por este Colegiado, referemse à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS decorrentes de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa e à apresentação de provas após o recurso à primeira instância. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o Relatório. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.070, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 11080.002375/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.070): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. As matérias enfrentadas pela Recorrente em sede de apelo especial são referentes à: (a) possibilidade de apresentação de provas após o recurso na primeira instância; e (b) o reconhecimento do direito aos créditos de PIS e COFINS nãocumulativos oriundos de fretes entre estabelecimentos da mesma empresa, tendo sido admitida a discussão apenas em relação aos produtos acabados. 1. Apresentação de provas Para análise da admissibilidade do recurso especial quanto ao pleito de apresentação de provas após o recurso na primeira instância, importa trazer breve retrospecto da lide. A contenda administrativa originouse de pedido de ressarcimento de saldo credor acumulado da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo, do segundo e terceiro trimestres de 2007, em razão da sua atividade exportadora. Em procedimento fiscal efetuado para confirmação da existência dos referidos créditos, a Autoridade Fiscal concluiu ser parcialmente procedente o pleito, pois (a) teria havido a transferência onerosa a terceiros de créditos de ICMS acumulados na escrita fiscal, sem oferecimento dos valores recebidos à tributação; e (b) a Contribuinte apropriouse de créditos sobre os dispêndios da contratação de frete entre estabelecimentos da própria empresa, com inobservância do art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03, que concede o direito ao crédito somente com relação ao frete pago na operação de venda. A conclusão da Fiscalização pela glosa parcial do pedido de restituição restou formalizada por meio de despacho decisório (fl. 26), contra o qual se insurgiu a empresa por meio de manifestação de inconformidade (fls. 36 a 55), esclarecendo que: não houve transferência onerosa de créditos de ICMS a terceiros, mas sim é beneficiária de contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, tendo incentivo fiscal estadual consistente no crédito presumido equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação Fl. 661DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 5 4 própria; além disso, colacionando aos autos planilha demonstrativa, sustentou serem as remessas realizadas entre seus diversos estabelecimentos do País, em sua imensa maioria, de produtos semielaborados, com processo industrial concluído na unidade de destino, sendo que há apenas uma pequena parcela de transferência de produtos acabados. Defende a existência ao crédito nas duas hipóteses de frete. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 1025.008 2ª Turma da DRJ/POA, de 30 de abril de 2010 (fls. 72 a 75), ensejando a interposição de recurso voluntário (fls. 78 a 101). Na sessão de 03 de junho de 2011, o julgamento do recurso foi convertido em solicitação de diligência ao órgão de origem, consoante Resolução nº 3403000.208 (fls. 199 a 202), solicitando que: (a) trouxesse aos autos elementos documentais, dentre aqueles já colhidos no momento do procedimento fiscal, para comprovar a existência e os montantes das supostas operações de cessão de créditos de ICMS a terceiros; e (b) informasse sobre a possibilidade de segregar, dentre os fretes contratados pela Recorrente para transporte de itens entre suas próprias unidades, aqueles que tinham por objeto a remessa de produtos acabados e aqueles que envolveram itens em fabricação. Após a determinação da diligência, o processo assim se desenrolou: [...] Em resposta à diligência, o órgão de origem elaborou “Termo de Comunicação e Ciência”, por meio do qual (i) diz não ser possível segregar os fretes contratados pela recorrente conforme solicitado pelo CARF e (ii) afirma que, em verdade, não houve cessão de créditos de ICMS a terceiros, mas sim – como reclamara a recorrente – apropriação de crédito presumido deste imposto. Intimado deste despacho, o recorrente manifestase, trazendo aos autos planilhas demonstrativas dos fretes de matériasprimas e de produtos acabados. Por sua vez, o órgão de origem elabora o “Termo de Comunicação e Ciência 2”, através do qual, em síntese, reitera que as planilhas inicialmente fornecidas pelo recorrente não eram capazes de segregar os fretes, porém aquelas trazidas aos autos apenas após a diligência o fazem. Conclui, por fim, que a contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio sujeito passivo (seja de matériasprimas, embalagens ou produtos acabados) não gera direito ao crédito do tributo, por ausência de previsão legal. Intimado deste segundo Termo de Comunicação, a recorrente novamente manifesta se para argumentar que a eventual manutenção do despacho decisório com fundamento em suposta sujeição da subvenção recebida à tributação importaria inadmissível modificação da acusação fiscal – construída sob a premissa de que a recorrente cedera créditos de ICMS – com prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório. [...] (grifouse) Retornados os autos ao CARF para análise do recurso voluntário, foi proferido o Acórdão nº 3403001.994 (fls. 289 a 297) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 21 de março de 2013, ora recorrido, que lhe deu parcial provimento apenas para afastar a glosa dos créditos de PIS nãocumulativo sobre os valores decorrentes das transferências onerosas de créditos de ICMS a terceiros. Por outro lado, indeferiu os pedidos da Recorrente quanto à pretensão de créditos decorrentes da contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio Sujeito Passivo, seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados, sob dois fundamentos: (a) com as provas constantes nos autos quando determinada a realização de diligência não era possível desmembrar do total de fretes, aqueles que tivessem por objeto o Fl. 662DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 6 5 transporte de itens em fabricação; e (b) as planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Para clareza da assertiva, extraise trecho do acórdão recorrido que trata da matéria: [...] Dito isso, remanesce pendente a análise do direito à apropriação de créditos da contribuição ao PIS, na hipótese de fretes realizados entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica recorrente para transporte seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados. Quando da conversão do julgamento em diligência, esta Turma expressamente consignou que a medida não se prestaria “a corrigir a incompetência da parte a quem a lei atribui o ônus da prova”, determinando que o órgão de origem se limitasse a juntar aos autos “via impressa dos elementos documentais, dentre aqueles já obtidos junto à recorrente no curso da fiscalização”, capazes de segregar do total de fretes em questão, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens ainda em fabricação. Pois em resposta à diligência, o órgão de origem foi assertivo em afirmar que as provas até então coligidas aos autos não lhe permitiam proceder ao desmembramento. E a separação, a meu ver, seria fundamental à melhor aplicação ao caso do disposto nas Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03. E por que? Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3º, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3º. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. Afirma a origem que, dos documentos constantes dos autos até a interposição do voluntário não lhe é possível fazer a segregação em comento. E mesmo que admitíssemos aqui o exame do material extemporaneamente trazido pela recorrente, já na oportunidade em que se manifestou sobre o relatório da diligência, a ele não se pode atribuir valor probatório. Tratase, com efeito, de uma planilha gerencial, unilateralmente confeccionada e sem comprovação de respaldarse em documentos ou na escrita contábil da pessoa jurídica. Portanto, dois fundamentos alicerçam a conclusão de que deve ser mantida a glosa sobre os créditos de PIS referentes aos fretes contratados entre os estabelecimentos do recorrente: (i) havia expressa vedação à formalização de novas provas, cabendo o contribuinte têlas trazido desde a manifestação de inconformidade, o que – frisese – não foi feito e (ii) planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na não sujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. Fl. 663DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 7 6 [...] Da fundamentação do acórdão recorrido, depreendese que foram dois os argumentos utilizados para o indeferimento do pedido de juntada de provas após o recurso em primeira instância: (a) a impossibilidade de juntada de novas provas; e (b) ainda que fossem admitidas, as planilhas produzidas unilateralmente pela Contribuinte e juntadas aos autos não têm valor probatório. Tratase de dois argumentos autônomos e cada um deles suficiente, por si só, para manutenção da decisão proferida pelo Colegiado a quo. A Recorrente, por sua vez, ao se insurgir quanto à juntada de provas, enfrentou e comprovou a divergência jurisprudencial tão somente com relação ao primeiro argumento: a (im)possibilidade de juntada de provas após o recurso em primeira instância. No acórdão paradigma nº 3402002.906 a discussão centrase nesse argumento, tanto que naquele caso houve a determinação de realização de diligência semelhante ao caso dos autos que culminou com a elaboração de um Laudo Técnico. Havendo dois fundamentos autônomos e não sendo atacados os dois, não deve ter prosseguimento o recurso especial com relação a essa matéria. Nesse sentido, é a Súmula nº 283 do Supremo Tribunal Federal: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Portanto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte com relação a essa matéria. 2 Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos de Produtos Acabados Com relação ao direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, temse que a divergência foi devidamente comprovada, devendo ter prosseguimento o apelo especial. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 664DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 8 7 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 665DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 9 8 As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de Fl. 666DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 10 9 produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial Fl. 667DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 11 10 e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". No caso dos autos, conforme afirmado pela Contribuinte e não contestado pela Fiscalização, está consolidado que os fretes entre os estabelecimentos da empresa são de matériaprima e uma pequena parte de produtos acabados, defendendo serem ambos passíveis de créditos, em consonância com o acórdão colacionado como paradigma (nºs 3401002.075 e 340203.148). A partir da descrição da atividade da Recorrente na peça do apelo especial, é possível chegarse a melhor compreensão quanto à essencialidade/pertinência do frete entre estabelecimentos, tanto de matériasprimas quanto de produtos acabados, para o seu processo produtivo. Reproduzemse os argumentos constantes às fls. 385 a 387, in verbis: [...] Vejase que no caso em comento os fretes praticados durante o processo produtivo são os seguintes: 1.Frete com a aquisição de matériaprima para fabricar fertilizantes (exemplo nitrogênio, fósforo e potássio); Fl. 668DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 12 11 2. Remessa para industrialização da matériaprima; 3. Frete do produto até outro estabelecimento da Recorrente para armazenagem e venda final. Ou seja, os produtos da Recorrente como condição para bem desempenharem sua função, são higroscópicos e, portanto, com absorção de umidade apresentam perda de suas plenas qualidades em período relativamente curto (cerca de 18 a 24 meses), não sendo adequado armazenálos por longo tempo. Por isso, é possível afirmar que, tal como ocorre no acórdão paradigma, o caso da Recorrente possui peculiaridades que fazem com que o seu processo produtivo não termine na fábrica, mas somente quando o produto industrializado acabado é entregue ao produtor rural, destinatário final, em condições aptas para uso na lavoura. Para minimizar a deterioração na qualidade e para evitar problemas de segurança no transporte, devese prestar atenção tanto às propriedades iniciais do fertilizante quanto aos procedimentos corretos de manuseio do fertilizante. O manuseio e o transporte correto do fertilizante devem ser baseados nas condições climáticas, no tipo de fertilizante e na forma como é expedido (granel ou sacos): [...] No caso em tela, a Recorrente possui sede em Porto Alegre e unidades em vários Estados da federação, existindo em determinados casos (embora muito menos usual do que a remessa de matéria prima) a remessa de produtos acabados destinados à venda. Isso é fácil de compreender: a unidade de Porto Alegre, por exemplo, pode ter em estoque determinado produto vendido pela unidade de Imperatriz, no interior do Maranhão. A fim de atender à demanda que lhe foi encaminhada, não se deve exigir que a empresa produza, no Maranhão, o fertilizante de que já dispõe estocado no Rio Grande do Sul, já que, como narrado linhas acima, o fertilizante se deteriora rapidamente com o passar do tempo, devendo sempre ser comercializado o produto que se encontra há mais tempo em estoque. Mas ao transportar a mercadoria até suas unidades pelo país, a contribuinte gasta um considerável montante em frete. Porém, se os bens transportados já estão destinados à venda, esse frete também deve estar sujeito aos créditos de PIS e de COFINS previstos nos artigos 3º, IX e 15, II da Lei nº 10.833/03, pois há apenas um deslocamento do trajeto que seria realizado originalmente, caso o produto saísse do estabelecimento industrial de Porto Alegre e fosse transferido diretamente ao comprador. [...] Nesse sentido, esse 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu os Acórdãos nºs 9303004.673, de 16 de fevereiro de 2017, de relatoria da nobre Conselheira Érika Costa Camargos Autran; e 9303005.156, de 17 de maio de 2017, cuja relatoria foi da ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Os julgados foram assim ementados: Acórdão n.º 9303004.673 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/02/2005 DECADÊNCIA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação, ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Fl. 669DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 13 12 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de PIS, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Recurso Especial do Procurador negado Recurso Especial do Contribuinte negado Fl. 670DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 14 13 Acórdão n.º 9303005.156 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. (grifouse) Pela argumentação exposta, há de ser reformado o acórdão recorrido e reconhecido o direito ao crédito com relação às despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. 3 Dispositivo Diante do exposto, o Recurso Especial da Contribuinte é conhecido somente em parte quanto à possibilidade de creditamento de PIS nãocumulativo na contratação de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, e, no mérito, dáse provimento ao recurso para ser reconhecido o direito ao crédito de PIS nãocumulativo das despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi Fl. 671DF CARF MF Processo nº 11080.002376/200979 Acórdão n.º 9303007.092 CSRFT3 Fl. 15 14 conhecido em parte e, na parte conhecida, o colegiado deulhe provimento para reconhecer o direito ao crédito da contribuição sobre as despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 672DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15521.000197/2010-55
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2009
Ementa:
ARBITRAMENTO. MOTIVO DE FORÇA MAIOR.
O fato de a documentação contábil e fiscal ter sido supostamente extraviada em virtude de inundação que atingiu o seu estabelecimento, não exime o contribuinte de envidar esforços no sentido de reunir elementos que lhe possibilite apurar as bases de cálculo dos tributos e contribuições devidos.
Presentes circunstâncias indicativas da total impossibilidade de apuração do efetivo resultado fiscal, o lucro deve ser arbitrado, seja por iniciativa do próprio contribuinte, seja pela autoridade administrativa competente, por meio de procedimento fiscal regular.
MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA
Nos termos da SÚMULA CARF nº 25, a presunção legal de omissão de
receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. No caso vertente, adicionalmente, não cuidou a autoridade responsável pelo procedimento fiscal de reunir elementos capazes
de criar a convicção de que, deliberadamente, a contribuinte deixou de escriturar seus livros e conservar em ordem e boa guarda a respectiva documentação de suporte, de modo a evitar a incidência dos tributos e contribuições devidos.
MATÉRIA TRIBUTÁVEL. QUANTIFICAÇÃO. CORREÇÃO.
A simples constatação de erros e omissões na determinação da matéria tributável, passíveis de serem corrigidos pela autoridade responsável pela revisão dos lançamentos, não implica nulidade dos feitos fiscais.
Numero da decisão: 1302-000.803
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício, exonerando a qualificação da multa, vencido o Conselheiro Marcos Rodrigues de Mello que mantinha a qualificação.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009 Ementa: ARBITRAMENTO. MOTIVO DE FORÇA MAIOR. O fato de a documentação contábil e fiscal ter sido supostamente extraviada em virtude de inundação que atingiu o seu estabelecimento, não exime o contribuinte de envidar esforços no sentido de reunir elementos que lhe possibilite apurar as bases de cálculo dos tributos e contribuições devidos. Presentes circunstâncias indicativas da total impossibilidade de apuração do efetivo resultado fiscal, o lucro deve ser arbitrado, seja por iniciativa do próprio contribuinte, seja pela autoridade administrativa competente, por meio de procedimento fiscal regular. MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA Nos termos da SÚMULA CARF nº 25, a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. No caso vertente, adicionalmente, não cuidou a autoridade responsável pelo procedimento fiscal de reunir elementos capazes de criar a convicção de que, deliberadamente, a contribuinte deixou de escriturar seus livros e conservar em ordem e boa guarda a respectiva documentação de suporte, de modo a evitar a incidência dos tributos e contribuições devidos. MATÉRIA TRIBUTÁVEL. QUANTIFICAÇÃO. CORREÇÃO. A simples constatação de erros e omissões na determinação da matéria tributável, passíveis de serem corrigidos pela autoridade responsável pela revisão dos lançamentos, não implica nulidade dos feitos fiscais.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 15521.000197/2010-55
conteudo_id_s : 6059448
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-000.803
nome_arquivo_s : 130200803_15521000197201055_201201.pdf
nome_relator_s : WILSON FERNANDES GUIMARÃES
nome_arquivo_pdf_s : 15521000197201055_6059448.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício, exonerando a qualificação da multa, vencido o Conselheiro Marcos Rodrigues de Mello que mantinha a qualificação.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
id : 7437812
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869416591360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2355; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.533 1 1.532 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15521.000197/201055 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 130200.803 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de janeiro de 2012 Matéria IRPJ ARBITRAMENTO DO LUCRO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CHARQUES GMA DE ITAPERUNA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009 Ementa: ARBITRAMENTO. MOTIVO DE FORÇA MAIOR. O fato de a documentação contábil e fiscal ter sido supostamente extraviada em virtude de inundação que atingiu o seu estabelecimento, não exime o contribuinte de envidar esforços no sentido de reunir elementos que lhe possibilite apurar as bases de cálculo dos tributos e contribuições devidos. Presentes circunstâncias indicativas da total impossibilidade de apuração do efetivo resultado fiscal, o lucro deve ser arbitrado, seja por iniciativa do próprio contribuinte, seja pela autoridade administrativa competente, por meio de procedimento fiscal regular. MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA Nos termos da SÚMULA CARF nº 25, a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. No caso vertente, adicionalmente, não cuidou a autoridade responsável pelo procedimento fiscal de reunir elementos capazes de criar a convicção de que, deliberadamente, a contribuinte deixou de escriturar seus livros e conservar em ordem e boa guarda a respectiva documentação de suporte, de modo a evitar a incidência dos tributos e contribuições devidos. MATÉRIA TRIBUTÁVEL. QUANTIFICAÇÃO. CORREÇÃO. A simples constatação de erros e omissões na determinação da matéria tributável, passíveis de serem corrigidos pela autoridade responsável pela revisão dos lançamentos, não implica nulidade dos feitos fiscais. Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.534 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício, exonerando a qualificação da multa, vencido o Conselheiro Marcos Rodrigues de Mello que mantinha a qualificação. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.535 3 Relatório A 2ª Turma Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de janeiro, Rio de Janeiro, tendo exonerado o crédito tributário constituído em desfavor de INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CHARQUES GMA DE ITAPERUNA, recorre de ofício a este Colegiado administrativo, amparada nas disposições da Portaria MF nº. 3, de 2008. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas ao anocalendário de 2008, formalizadas a partir da identificação de depósitos de origem não comprovada. Os lançamentos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL foram efetivados com base no lucro arbitrado, nos termos do disposto no inciso I do art. 530 do RIR/99. Por entender que se encontravam reunidos os pressupostos para a providência, a Fiscalização aplicou multa qualificada de 150%. Apreciando os argumentos expendidos pela autuada em sede de impugnação, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, por meio do acórdão nº. 1238.862, de 26 de julho de 2011, julgou improcedente os lançamentos tributários efetivados. O referido julgado foi assim ementado: PENALIDADE QUALIFICADA Insustentável a qualificação de penalidade ao amparo de Lei nº 8.137/90, de natureza penal, não tributária. ARBITRAMENTO DE LUCROS Injustificável o arbitramento de lucro com base em depósitos/créditos bancários de pessoa jurídica que, comprovadamente sofreu intempérie natural, reconstitui sua escrituração em tempo hábil à verificação, não, imposição do fato gerador tributário. Por relevante, transcrevo, abaixo, excertos do voto condutor da decisão em referência. ... 5. Em preliminar, quanto a qualificação da penalidade, equivocase a fiscalização. A Lei n. 8.137/90 é de natureza penal; não tributária. Portanto, insustentável à pretendida qualificação. Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.536 4 5.1. Ocioso mencionar que, em sede tributária, somente é admissível a qualificação de penalidade quando presentes, e somente quando presentes quaisquer das hipóteses prescritas nos artigos 71 a 73, todos da Lei nº 4.502/64 (RIR/99, art. 958, II), assim mesmo, devidamente comprovadas, não presumidas, pela fiscalização. Nenhuma delas configurada no presente feito. ... 7.2. inquestionavelmente a pessoa jurídica, assim com os demais contribuintes residentes em Itaperuna/RJ, em janeiro/2009, sofreram as consequências de intempérie da natureza, a qual, inclusive, levou a administração municipal a declarar estado de emergência na cidade, fls. 1057/1070; 7.2.1. o contribuinte após cumprir as disposições do artigo 10 do DecretoLei n. 486/69 (RIR/99, art. 264, § 1º.), acerca do extravio e inutilização da documentação, fls. 169, procurou reconstituir sua escrituração contábil, sendo, esta liberada pela JUCERJA em 04/10/2010, após cumpridas exigências desta, fls. 449; 7.2.2. a fiscalização havia prorrogado o prazo de apresentação dos livros/documentos fiscais até 03/11/2010, intimando, no mesmo termo, a pessoa jurídica a "apresentar procuração especifica para assinar AUTO DE INFRAÇÃO junto a Secretaria da Receita Federal, em 03/11/2010", fls. 335 e verso; 7.2.3. na mesma intimação, foram exigidos todos os controles contábeis, extra contábeis, etc. (notas fiscais, etc.), que, de acordo com o fisco, "servirão de base para reconstituir os livros fiscais/contábeis, independente da apresentação dos livros". 7.2.4. Nesse contexto: 7.2.4.1. de um lado o próprio fisco reconheceu a ação do contribuinte de reconstituição da escrita contábil/fiscal; em corroboração, as fls. 423, o fisco formaliza da real necessidade de reconstituição dos livros contábeis. 7.2.4.2. de outro lado, a fiscalização já dispunha, deste 23/09/2010, de extratos bancários do BRADESCO, de notas fiscais de compras e de vendas, dentre outros documentos obtidos quer junto ao próprio contribuinte, quer junto a terceiros, fls. 256; 7.2.4.5. não poderia a fiscalização, sem prévia e expressa manifestação do sujeito passivo quanto à prorrogação antes mencionada, intimálo a tomar ciência de autuação fiscal já formalizada ex ante, como perpetrado. 7.2.5. Outrossim, ao contrário da proposição fiscal de que a pessoa jurídica já disporia arquivados junto à JUCERJA dos livros em questão, fls. 422/423, a petição de fls. 333, datada de 28.06.2010, protocolada em 13/07/2010, trata da autorização para mudança, a partir de 01/01/2009, da escrituração de informatizada ou eletrônica, impressa em papel contínuo, fechado em encadernação, para escrituração contábil digital (SPED). 7.2.5.1. Portanto, despicienda de factualidade a presunção fiscal de os livros atinentes ao ano calendário de 2008 já estarem arquivados naquele órgão. Mesmo porque, apenas nele são registrados; não arquivados, Decretolei nº 486/69, art. 4. (RIR/99, art. 264). 7.2.6. Nos termos do artigo 142 do CTN, e dos acórdãos nºs. 10189.595 do 1º Conselho de Contribuintes (hoje, CARF), e nº. 0102.590, da Câmara Superior de Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.537 5 Recursos Fiscais /lª. Turma, ementas reproduzidas às fls. 453, incumbe ao fisco a verificação do fato gerador imponível. Não, sua imposição, s.m.j., como prolatada nestes autos. Porquanto: A Autoridade tributária somente arbitrará o lucro, quando não lhe for possível, de outro modo, determinar o lucro real, pois este é a verdadeira base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica. Vícios formais passíveis de regularização, não são suficientes para determinar o arbitramento do lucro, quando existe escrituração e documentação lastreadora dos lançamentos.(Acórdão no 10189.595). 8. Quanto aos fundamentos materiais das exações: 8.1. de um lado, a escrituração contábil, reconstituída, do contribuinte, sequer foi examinada pela fiscalização, apesar do reconhecimento desta quanto à sua factibilidade e necessidade; 8.2. na mesma escrituração, acostada aos autos, os créditos/depósitos bancários se encontram nela consignados, a exemplo, do anexo III à impugnação, fls. 1468/1478; 8.3. para efeitos das autuações, a fiscalização sequer levou em conta as normas ínsitas no artigo 42 da Lei nº 9.430/69, considerou, como depósitos sem origem transferências de créditos por cheques do próprio favorecido, fls. 384/404 e 1487; idem, créditos em conta corrente inexistente, fls.1488/1489; não considerou cheques devolvidos, fls. 1479/1486; 8.4. mais grave: independentemente de manifestação do sujeito passivo, através da Intimação nº 0261, de 06/10/2010, intimou este a informar, em declaração prestada pelo sóciogerente/administrador com base nos valores constantes da planilha o que houve? a) omissão de receita por parte da fiscalizada, ou b) depósitos bancários de origem não comprovada por parte da empresa, fls. 322 e 416. 9. De todo o exposto inequívocos os insanáveis vícios legais e materiais das exações em comento, tornando insustentável a pretensão fiscal. Razões pelas quais dou provimento à impugnação. É o Relatório. Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.538 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata o presente de RECURSO DE OFÍCIO impetrado pela autoridade julgadora de primeira instância em virtude de decisão exonerativa do crédito tributário constituído. Descrevo, primeiramente, os fatos refletidos nos autos. A contribuinte teve contra si a instauração de procedimento administrativo, conforme Termo de Início da Ação Fiscal (fls. 02/03), cientificado em 31 de maio de 2010 (fls. 04), em que, entre outros elementos, foram requisitados os livros de escrituração obrigatória. Em 09 de junho de 2010, apresentando parte da documentação requisitada pela Fiscalização, solicitou, relativamente aos livros contábeis, prorrogação do prazo para apresentação, alegando que estava encontrando dificuldades para localizálos (fls. 99). Em 30 de junho de 2010, requereu, ainda em relação aos livros contábeis, nova prorrogação do prazo para atendimento (fls. 05). Em 21 de julho de 2010, complementando a entrega de parte da documentação requisitada por meio do Termo de Início da Ação Fiscal, juntou cópia de publicação do extravio e inutilização de documentos, entre os quais os livros contábeis. O referido extravio, publicado em 05 de fevereiro de 2009, foi motivado, segundo alegou, pelas enchentes que atingiram o município de Itaperuna, local do seu domicílio fiscal (fls. 109 e 169). Às fls. 195/243, consta cópia da Declaração de Informações relativa ao ano calendário de 2008 (DIPJ/2009), entregue em 16 de outubro de 2009, sem registro de valores. De acordo com a Representação Fiscal de fls. 255/256, datada de 23 de setembro de 2010, temos que: i) o início da ação fiscal na contribuinte se deu por meio diligência, empreendida a partir de procedimento de fiscalização realizado na pessoa jurídica HSR COMÉRCIO DE CHARQUES, CNPJ nº 02.878.907/000183; ii) a partir da diligência, foi constatada expressiva movimentação financeira, fato que contrastava com a declaração de informações apresentada e com os valores tidos como inexpressivos (a título de IMPOSTO DE RENDA NA FONTE) que haviam sido registrados em DCTF; iii) foi verificado que no endereço indicado como domicílio fiscal da contribuinte funcionaram duas pessoas jurídicas do mesmo ramo, a FRIMAG DE Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.539 7 ITAPERUNA INDÚSTRIA DE CHARQUES LTDA e a REPRESENTAÇÃO DE CARNES E CHARQUES FONTANA LTDA. A Representação acima referenciada teve por finalidade propor a instauração de procedimento de fiscalização na contribuinte. Assim, foi lavrado Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 257/258), cientificado à contribuinte em 27 de setembro de 2010 (fls. 264), por meio do qual ela foi novamente intimada a apresentar os livros contábeis e fiscais. Em correspondência datada de 05 de outubro de 2010, a contribuinte requereu prorrogação do prazo para atendimento das solicitações feitas por meio do Termo de Início (fls. 260). Por meio de Termos de Intimação (fls. 265/269; 270/281; e 283/302), cientificados à contribuinte em 11 de outubro de 2010 (fls. 303 e 304), a autoridade responsável pelo procedimento fiscal, esclarecendo que haviam sido detectados créditos em conta corrente no Banco ITAÚ no montante de R$ 742.442,24 e no Banco BRADESCO nos montantes de R$ 562.163,16 e R$ 17.948.442,43, e que tal constatação não guardava compatibilidade com as informações prestadas na DIPJ (zerada) e nas DCTF (só valores de imposto na fonte), solicitou esclarecimentos à contribuinte. Nessa ocasião, detalhando os créditos identificados nas contas bancárias nºs 316013 (agência 1334, do BANCO ITAÚ), 1309 e 1007 (agência 3505 do BANCO BRADESCO), a Fiscalização intimou a contribuinte a comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações correspondentes. Em 19 de outubro de 2010, respondendo às intimações acima referidas, a contribuinte esclareceu (fls. 305): que, como já havia informado e comprovado, teve a sua documentação e livros fiscais extraviados em virtude de enchente; que estava buscando reconstituir sua escrita fiscal e contábil, e, nesse sentido, estava cumprindo exigências junto à Junta Comercial do Rio de Janeiro; que não teria ocorrido nem omissão de receitas nem depósitos de origem não comprovada; que, em virtude de estar enfrentando dificuldade junto às instituições financeiras para obter cópia de documentos, ficava impossibilitada de informar a origem dos créditos bancários, mas que, uma vez reconstituída a escrita, as referidas informações estariam consignadas nos históricos dos lançamentos dos livros comerciais e fiscais da empresa. Na ocasião, a contribuinte requereu prorrogação do prazo para complementar o atendimento das intimações. A contribuinte juntou aos autos cópia de ofício dirigido à Junta Comercial do Rio de Janeiro, datado de 14 de outubro de 2010, em que solicita autorização para refazer seus livros comerciais (fls. 307). Consta dos autos, às fls. 333, requerimento da contribuinte dirigido à Junta Comercial do Rio de Janeiro, datado de 28 de junho de 2010, solicitando autorização para, a Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.540 8 partir de 1º de janeiro de 2009, mudar a sua escrituração de informatizada ou eletrônica para digital. Em correspondência datada de 28 de outubro de 2010 (fls. 334), a contribuinte, fazendo referência do Termo de Início de Ação Fiscal, solicitou: INDUSTRIA E COMERCIO DE CHARQUES GMA DE ITAPERUNA LTDA, CNPJ 08.670.129/000119, por suas Advogadas, conforme cópia de Procuração anexa, em atendimento ao Termo de Início do Procedimento Fiscal em referência, vem, no prazo legal concedido requerer seja concedida a prorrogação do prazo de atendimento em mais 10 ( dez dias), haja vista estarem ainda os Livros Fiscais, reconstituídos, dependendo de registro na JUCERJA, conforme exposto na correspondência de 18 de outubro de 2010, quando foram juntados à mesma, cópias da documentação das providências tomadas pela contribuinte, junto a aquele órgão. Em outra correspondência, também datada de 28 de outubro de 2010, a contribuinte, agora fazendo referência aos Termos de Intimação lavrados pela Fiscalização, solicitou (fls. 335): INDUSTRIA E COMÉRCIO DE CHARQUES GMA DE ITAPERUNA LTDA., CNPJ 08.670.129/000119, por suas Advogadas, conforme cópia de Procuração anexa, requer seja concedida a prorrogação do prazo de atendimento em mais 10 ( dez dias), haja vista estar o empresário representante da empresa a depender ainda nesta data, da devolução dos Livros Fiscais, hoje em poder da JUCERJA, tudo conforme relatado por ele na correspondência de 18 de outubro de 2010. Por oportuno, ressalta que perdura também até a presente data a dificuldade de obter junto às instituições financeiras informações que embasam o atendimento das demais solicitações contidas nos Termos. No próprio corpo do referido documento de fls. 335, o responsável pelo procedimento fiscal assinalou: 1. que o prazo ficava prorrogado até 03 de novembro de 2010; 2. que, em 03 de novembro de 2010, a contribuinte deveria apresentar todos os controles contábeis e extracontábeis, notas fiscais, etc., que serviram de base para a reconstituição dos livros fiscais e contábeis, independentemente da apresentação dos livros; 3. que deveria ser lembrado que a movimentação financeira já havia sido apresentada, não havendo que se falar, portanto, em dependência de instituição financeira; 4. que deveria ser lembrado também que a primeira solicitação de prorrogação tinha ocorrido em 05 de outubro de 2010 e que a empresa vinha sendo diligenciada desde 30 de maio de 2010, o que revelaria período bastante ampliado para a apresentação dos documentos; 5. que a empresa só “requereu seus livros” à Junta Comercial em 15 de outubro de 2010. Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.541 9 Em 03 de novembro de 2010, a contribuinte apresentou à Fiscalização correspondência com o seguinte teor (fls. 338): INDUSTRIA E COMERCIO DE CHARQUES GMA DE ITAPERUNA LTDA, CNPJ 08.670.129/000119, por suas Advogadas, conforme cópia de Procuração anexa, vem apresentar: 1 Termo de Declaração assinado pelo sócio administrador da empresa se reportando à reconstituição da escrita fiscal/contábil da mesma. Cumpre esclarecer que, conforme consulta ao andamento de processos JUCERJA (cópia anexa), de 03/11/2010, o Processo encontrase na fase de AUTENTICAÇÃO. 2 Cópia da Procuração com Poderes para as signatárias desta representar a empresa relativamente ao MPF 07104.00201002145. A empresa entende que a escrituração elucidará as questões suscitadas nos referidos Termos, mas estando na dependência da JUCERJA, requer, se digne V. Sa, prorrogar o prazo de atendimento por mais 05 (cinco) dias, sendo certo, tão logo disponha de documentos outros cuja busca, conforme declarado pelo sócio administrador continua constante, colocará à disposição desta fiscalização. No corpo do referido documento, a Fiscalização assinalou que indeferia o pedido, haja vista que a contribuinte não havia apresentado, na data estipulada (03 de novembro de 2010) e independentemente dos livros, os documentos que serviram de base para a reconstituição da escrituração. Diante desse quadro, a autoridade fiscal lavrou os autos de infração de fls. 344/375, cientificados à contribuinte em 04 de novembro de 2010. Do Termo de Verificação Fiscal de fls. 380/436, parte integrante dos autos de infração lavrados, releva destacar as seguintes informações: i) a DIPJ referente ao período submetido à ação fiscal (anocalendário de 2008) foi apresentada com todos os valores zerados; ii) as DCTFs relativas aos primeiro e segundo semestres do anocalendário de 2008 só registraram débito de IMPOSTO RETIDO NA FONTE; iii) na petição da contribuinte encaminhada à Junta Comercial do estado do Rio de Janeiro protocolizada em 13 de julho de 2010, consta, de forma expressa, a informação de que os livros comerciais anteriores aos que surgiriam, em meio digital, a partir de 1º de janeiro de 2009, já se encontravam arquivados no referido órgão; iv) o Termo de Declaração, referenciado pela contribuinte na correspondência de 03 de novembro de 2010, faz menção à existência de arquivo magnético, no qual constariam dados contábeis, porém, tal arquivo não foi apresentado à Fiscalização; v) de forma conclusiva, a autoridade fiscal consigna: 1. Por fim, em face da situação descrita, mais especificamente os DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, caracterizar omissão de informação e/ou prestação de declaração falsa à autoridade fazendária Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.542 10 com vistas à supressão de tributo, nos termos da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990, constituindo dessa forma, em tese, hipótese de Crime Contra a Ordem Tributária, foi aplicada a multa qualificada e formalizada a respectiva Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público Federal, a qual será apensada ao processo administrativo de exigência do crédito tributário, aguardando ambos os processos a manifestação da FISCALIZADA pelo prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do presente Termo de Verificação e do Auto de Infração, conforme determina a Portaria SRF n° 326, de 15 de março de 2005. ... Em sede de impugnação, a contribuinte trouxe, em apertada síntese, os seguintes argumentos (fls. 445/464): os prazos de cinco e dez dias corridos concedidos pela Fiscalização se deram em períodos de feriados nacionais e ponto facultativo na Receita Federal, contínuos a fins de semanas, portanto, em dias úteis o prazo foi exíguo; para atender na forma legal a empresa estava na dependência de outros órgãos e instituições, que não funcionaram nos feriados e fins de semanas; a ação fiscal teve inicio em 28/09/2010 e se encerrou com arbitramento de lucros em 04/11/2010; o prazo para a satisfação das exigências da fiscalização no procedimento fiscal que culminou com a lavratura do Auto de Infração na valor de R$ 3.637.543,78 durou pouco mais de 30 dias; o arquivo magnético, a que se refere o empresário Marcone Brum Lopes, que assinou o Termo de Declaração, serviu para recuperar dados relativos a lançamentos contábeis, que foram usados na reconstituição da escrita fiscal; não havia necessidade de entrega de arquivo magnético ao fiscal, porque os livros comerciais recuperados já tinham sido levados de ltaperuna para a JUCERJA, no Rio de Janeiro, para autenticação; foram observados os procedimentos legais para as hipóteses de "extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos, ou papéis de interesse da escrituração", conforme estabelecido no artigo 10 do Decreto lei 486/69; o fiscal não respeitou nem mesmo o prazo concedido por ele próprio, até o dia 03 de novembro, entendendose como abrangido na data, o expediente normal de atendimento da Receita Federal do Brasil em Campos dos Goytacazes, de 12 horas até 17 horas, pois, às 11h e 47 minutos do dia 03 de novembro. (fls. 380) antes mesmo do encerramento do expediente normal, o Termo de Verificação Fiscal, parte integrante e conclusiva do Auto de Infração já estava lavrado; em 28 de outubro de 2010, a empresa foi INTIMADA a apresentar "controles contábeis, extracontábeis (Notas Fiscais, etc.) que servirão de base para reconstituição dos livros contábeis". Não se tratava de REINTIMAÇÃO, quanto a estes itens, mas de INTIMAÇÃO; Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.543 11 o arquivo magnético propiciou a recuperação da escrita que estaria à disposição no dia 4 de novembro, não ocorrendo à empresa que deveria entregálo à Fiscalização, haja vista não ter sido intimada a fazêlo; a Fiscalização entendeu que a empresa informou à JUCERJA que possuía escrituração digital, quando, conforme a petição protocolada no referido órgão em 13 de julho de 2010, ela requereu a mudança da escrituração mercantil de informatizada ou eletrônica, impressa em papel continuo, fechada em encadernação, formatando livro, para Escrituração Contábil Digital, a partir de 01/01/2009, período não abrangido pela ação fiscal. (fls. 333 dos autos); a Fiscalização entendeu que a empresa já possuía escrituração digital, quando está claro na petição que a escrituração contábil digital seria a partir de 01/01/2009; a informação da empresa à JUCERJA, em petição protocolada em 13 de julho de 2010, período não abrangido pelo procedimento fiscal, de que possui livros arquivados é verdade no sentido técnico estabelecido pela IN/DNRC 107 de 23 de maio de 2008: a JUCERJA devolve os livros, no prazo de 30 dias, estabelecido no artigo 30 desta Instrução, mantendo o controle através de registros próprios, que não incluem a cópia física da escrituração em seu inteiro teor; a empresa demonstrou para o agente fiscal que sua escrita estava sendo reconstituída e que sua opção pelo lucro real tinha amparo legal. Afirmou que tinha condições de reconstituir sua escrita, respaldada por documentação hábil e idônea, em que pese os transtornos que as cheias do Rio Muriaé causaram não só a ela, mas a todo o município de Itaperuna; quando da vista aos autos, em 10/11/2010, a empresa tomou conhecimento da Representação Fiscal, datada de 23/09/2010, fls. 255/256, onde consta que encontrase em poder da fiscalização Notas Fiscais (compra e venda) que subsidiaram a conclusão do Auditor Representante Sr. Renato da Silva Braga de que as Notas Fiscais obtidas comprovavam a efetiva atividade comercial da empresa. Às fls. 256, consta relação de cópias de Notas Fiscais obtidas. Consta dos autos apenas relação das cópias das Notas Fiscais, não tendo a empresa vista de tais documentos; o que se pode concluir do contido nas fls. 255/256, é que o agente fiscal autuante tinha em seu poder material para verificar que a sua movimentação bancária tinha origem comprovada, que tinha efetiva atividade comercial e que tais documentos poderiam ser confrontados com a escrituração reconstituída; ao proceder ao arbitramento do lucro baseandose somente em movimentação bancária devidamente escriturada e lastreada por documentos hábeis e idôneos o agente fiscal recorreu à medida extrema do arbitramento do lucro, sem esgotar os meios ao seu alcance; os Livros Diário e LALUR juntados por cópia, aliados à documentação que lhes dá suporte, são a prova do que se afirmou à Fiscalização e que se requer sejam considerados para fins de comprovação de que os depósitos bancários, base do arbitramento têm sim origem comprovada, foram devidamente escriturados, não constituem omissão de receita, afastandose, inclusive, a presunção legal que se pretendeu imputar; Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.544 12 uma simples conciliação entre as contas eliminaria valores duplamente tributados, créditos cujas origens se encontram explícitos nos extratos entregues à Fiscalização; o fato apontado pelo autuante de que apurou divergências entre os valores não declarados em DIPJ e em DCTF e os valores creditados em conta corrente da empresa, não ampara o arbitramento do lucro, pois tais fatos não foram arrolados como fundamento para o arbitramento; não merece prosperar a tomada de posição da Fiscalização de rejeitar a opção da fiscalizada; o arbítrio do autuante transformou resultados fiscais negativos em resultados fiscais positivos, e teve como conseqüência a constituição do crédito tributário; não se pode dar guarida a procedimentos da fiscalização que têm como intuito o agravamento da situação do contribuinte, criando fatos geradores fictícios, com repercussões até mesmo na área penal; igual tratamento se aplica às contribuições, que, conforme se vê nas DACON apresentadas e nos documentos parte integrante dos autos, também não geraram pagamentos no decorrer do anocalendário, em virtude dos créditos apurados, sendo certo que os saldos são negativos; a apuração não foi questionada pela Fiscalização, que apenas desconsiderou as DACON apresentadas e partiu para o arbitramento; dentre as várias incoerências e contradições que levaram a ERRO DE LANÇAMENTO e vícios na base de cálculo, com lançamento indevido, destacase: valores tributados em duplicidade, decorrentes de reapresentação de cheques devolvidos, transferências entre contas da própria autuada, estorno de operações indevidas, etc., conforme relacionado nos anexos à impugnação como parte integrante desta, sendo: ANEXO IV cheques devolvidos, valores estornados, ANEXO V transferência entre contas correntes da própria empresa impugnante; da análise de tais anexos podese observar que, além de cheques devolvidos por insuficiência de fundos (ANEXO IV), foram tributados também valores decorrentes de transferências entre contas da própria empresa, devidamente demonstrados no ANEXO V (para maior clareza destacase os seguintes lançamentos: Banco Bradesco, conta corrente 1007 de 06/11/2008 no valor de R$ 59.000,00, histórico: "TRASF CC PARA CC PJ", originário de transferência do Bradesco conta corrente 1309. Idem da conta 1309 para a conta 1007, em 29/1212008, R$ 41.600,00. Também ocorreram transferências da conta 1007 – Bradesco para a conta corrente Itaú n° 316013, com histórico: "TED D 237.3505 IND E COM extratos bancários de fls. 03/98); referidos créditos, todos relacionados no ANEXO V, foram tributados como de origem não comprovada, no entanto há prova nos autos que se originam de transferências entre contas do mesmo titular, têm origem comprovada, decorrem das atividades da própria empresa e estão devidamente escrituradas em seus livros comerciais e fiscais; foram dados como movimentados no Banco Itaú (fls. 404/405 do Processo Termo de Verificação Fiscal) e tributados por falta de comprovação da origem, vários valores Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.545 13 que sequer transitaram pela conta do Banco Itaú de titularidade da contribuinte, nas datas e valores consignados pelo agente fiscal, conforme se verifica da análise dos extratos bancários anexos aos autos. Tais valores constam do Termo de Intimação 259 (fls.265/269), tendo a empresa sido intimada a "informar pormenorizadamente, valor a valor, comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações, devendo haver compatibilidade entre data e valor com a documentação comprobatória"; exame do extrato bancário da conta em questão (fls. 88/98), permite verificar que não ocorreram os créditos especificados e tributados, conforme demonstrado no ANEXO VI. Tais valores totalizam R$ 697.028,54 e não têm origem comprovada, pois são inexistentes. Simplesmente não ocorreram os créditos em sua conta bancária, nas datas e valores especificados no Termo de Intimação 259 e na base de cálculo do auto de infração (Termo de Verificação Fiscal fls. 404/405), devendo serem excluídos da tributação; toda movimentação bancária da empresa foi devidamente contabilizada e decorre da sua regular atividade operacional. Não constitui omissão de receita. Compõe o resultado do exercício devidamente demonstrado no Diário e no LALUR; o Livro Razão reconstituído foi devidamente autenticado e encontrase na sede da empresa juntamente com os originais do Livro Diário, LALUR e documentos em que se sustentam, para os devidos fins; a escrituração reconstituída se sustenta em elementos confiáveis e cópias de documentos colhidos junto a diversas fontes com as quais realizou operações durante o período em questão, que podem ser facilmente conferidos a qualquer momento, tais como as cópias de notas fiscais juntadas, devidamente relacionadas no ANEXO II; da escrituração apresentada, que se encontra amparada por documentos hábeis e idôneos, podese afirmar que os depósitos bancários (créditos efetivamente líquidos) foram efetuados com recursos oriundos de vendas escrituradas, integram o saldo da conta caixa e não representam receita omitida; as jurisprudências transcritas provam e comprovam que a falta de apresentação das Declarações de Imposto de Renda ou as apresentações de tais documentos de forma incorreta não tipificam ação dolosa por parte da administração da pessoa jurídica; o indicio de omissão de receita, não pode ser fato para agravamento da multa. A jurisprudência é uníssona ao determinar que para que seja aplicada a multa qualificada a fraude tem que estar devidamente descrita e exaustivamente comprovada. A contribuinte, ao final da peça impugnatória, lista os documentos que, segundo afirma, foram juntados ao processo. São eles: Cópia de Procuração Cópia de Correspondência Protocolada na JUCERJA em 13/07/2010 Cópia do Livro Diário 002 com Folhas Numeradas de 001 a 500 04 Volumes Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.546 14 Cópia do Livro Diário 003 com Folhas Numeradas de 001 a 034 01 . Volume Cópia do Livro LALUR Anexo I: Comprovação da Enchente que atingiu a Empresa Anexo II: Relação de Notas Fiscais de Entrada 03 Volumes Anexo III: Depósitos Bancários X Escrituração Livro Diário Anexo IV: Relação de Créditos Estornados não considerados na conciliação Anexo V: Transferência entre Contas Correntes do mesmo titular Anexo VI: Valores que não transitaram pela conta corrente do Banco Itaú Penso, a partir da análise dos fatos antes descritos, que tanto a argumentação expendida pela contribuinte em sede de impugnação como a decisão exarada em primeira instância sejam merecedoras de reparos. Com efeito, no que tange à impugnação interposta pela contribuinte cabem as seguintes considerações: a) o procedimento administrativo levado a efeito na contribuinte, diferentemente do alegado, não se iniciou em 28 de setembro de 2010, mas, sim, em 31 de maio de 2010, por meio de diligência, conforme documentos de fls. 02/04; b) não encontram respaldo nos autos, portanto, os argumentos acerca de supostos reduzidos prazos para apresentação da escrituração e respectiva documentação de suporte, pois, conforme Termo de Início da Ação Fiscal de fls. 02/03, já em 31 de maio de 2010, data em que foi cientificada do referido Termo (fls. 04), a contribuinte foi intimada a apresentar os livros de escrituração obrigatória, tendo, inclusive, solicitado reiteradas prorrogações de prazo para atendimento; c) resta evidente que, se à época da última prorrogação concedida pela Fiscalização (03 de novembro de 2010), a contribuinte dispunha de arquivo magnético que havia sido útil “para recuperar dados relativos a lançamentos contábeis”, da totalidade ou parte dos documentos que também auxiliaram na reconstituição da escrituração e dos livros devidamente reconstituídos, tal documentação deveria ter sido apresentada à Fiscalização; d) não me parece razoável a suposição da contribuinte de que após inúmeras intimações “não havia necessidade da entrega de arquivo magnético ao fiscal”; e) apesar de cumprir, em parte, com as determinações contidas no art. 10 do DecretoLei nº 486/69, eis que a publicação em jornal de grande circulação do extravio da documentação contábil só foi providenciada no curso da ação fiscal, a contribuinte não observou o comando do art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda no sentido de remeter cópia da comunicação feita ao órgão competente do Registro do Comércio à Receita Federal; f) não encontro nos autos manifestação da Fiscalização capaz de produzir a conclusão de que ela tinha entendido que a empresa já possuía escrituração digital; Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.547 15 g) a petição protocolada em 13 de julho de 2010, diferentemente do alegado pela contribuinte, foi feita em período abrangido pelo procedimento fiscal, pois, como já dito, o referido procedimento foi iniciado em 31 de maio de 2010, com a ciência do TERMO DE INÍCIO DA AÇÃO FISCAL, que, nos termos do disposto nos parágrafos 1º e 2º do Decreto nº 70.235, de 1972, exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores pelo prazo de sessenta dias. Relativamente ao decidido em primeira instância, destaco: i) não se encontra em discussão o fato de que os contribuintes residentes no Município de Itaperuna no estado do Rio de Janeiro terem sofrido, em janeiro de 2009, “as conseqüências de intempérie da natureza”, mas, sim, se o procedimento adotado pela autoridade fiscal foi, diante de tal circunstância, regular; ii) o decisum, ao afirmar que o contribuinte cumpriu as disposições do art. 10 do DecretoLei nº 486/69, incorre no mesmo equívoco da contribuinte, vez que, como já dito, não foi observado, na íntegra, o disposto no art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99); iii) se, como afirma a decisão, a escrituração contábil da contribuinte havia sido liberada em 04 de outubro de 2010 pela Junta Comercial, por que ela não foi disponibilizada para a Fiscalização em 03 de novembro? iv) a decisão, ao emitir conclusões acerca dos prazos estabelecidos pela Fiscalização a partir da consideração de que o início do procedimento fiscal se deu em 28 de setembro de 2010, incorre, mais uma vez, em idêntico equívoco ao cometido pela fiscalizada (os fatos deveriam ser analisados a partir de 31 de maio de 2010, data em que foi instaurada a ação fiscal1); v) eventuais incorreções na determinação da matéria tributável não podem, a meu ver, servir de fundamento para a decretação da nulidade do lançamento. Tomando por base o assinalado no acórdão nº 10189.595, referenciado pela decisão de primeira instância, acompanho o entendimento de que “a autoridade tributária somente arbitrará o lucro quando não lhe for possível, de outro modo, determinar o lucro real..”. Penso que a situação retratada nos autos é exatamente essa, senão vejamos: a contribuinte, domiciliada em município atingido por enchente, teve, supostamente, sua escrituração extraviada, fato ocorrido em janeiro de 2009. Em fevereiro de 2009 publica, no Diário Oficial do estado, a ocorrência do extravio. Em 16 de outubro de 2009, apresenta à Receita Federal declaração sem registro de valores, isto é, sem a apuração da base de cálculo do imposto. Em 31 de maio de 2010 é instaurado procedimento fiscal contra a contribuinte, momento em que é requisitada a sua escrituração contábil. A contribuinte, em 09 e 30 de junho de 2010, sem fazer qualquer referência às providências que vinha adotando para recuperar a 1 Neste particular, cabe destacar que a "classificação" da natureza do procedimento administrativo, se DILIGÊNCIA ou FISCALIZAÇÃO, é de índole interna, sendo certo que, em qualquer das situações, o ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto, nos termos do art. 7º do Decreto nº 70.235/72, dá início ao procedimento fiscal. Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.548 16 documentação extraviada, requer prorrogação do prazo para apresentação da escrituração2. Em 21 de julho de 2010, mais uma vez sem qualquer pronunciamento acerca das providências que vinha adotando para reconstituir a escrita, noticia o extravio dos documentos. Em 27 de setembro de 2010 a contribuinte é mais uma vez intimada a apresentar a escrituração, e, em resposta, datada de 05 de outubro de 2010, solicita nova prorrogação. Novas intimações são encaminhadas à contribuinte em 11 de outubro de 2010. Em resposta, a contribuinte afirma que: a) vem buscando incessantemente reconstituir sua escrita fiscal e contábil; b) está cumprindo exigências da Junta Comercial no sentido de operacionalizar os registros. Nesse momento, a contribuinte junta cópia de ofício dirigido ao Presidente da Junta Comercial do estado do Rio de Janeiro, datado de 14 de outubro de 2010, em que requer autorização para refazer seus livros comerciais. Com o devido respeito a quem enxerga de modo diverso, penso que os fatos acima revelam de forma cristalina que a contribuinte, tendo a sua escrituração supostamente extraviada em razão de uma enchente, apesar de ter noticiado o fato (extravio) por meio de publicação em diário oficial, não adotou, em tempo hábil, providências que lhe possibilitasse apurar os tributos e contribuições devidos relativos ao anocalendário de 2008. Isto porque, transcorridos cerca de dez meses da ocorrência do evento, apresentou declaração de informações ao Fisco totalmente zerada, apesar de ter movimentado mais de dezoito milhões de reais em contas bancárias. Ademais, limitouse a confessar débitos única e exclusivamente decorrentes de imposto de renda retido na fonte. Considerados os elementos carreados aos autos, somente um ano e dez meses depois da ocorrência da enchente, e, ainda assim, no curso de um procedimento fiscal, é que se identifica documento indicativo do início de providências da contribuinte no sentido de reconstituir a sua escrita contábil (ofício dirigido ao Presidente da Junta Comercial do estado do Rio de Janeiro, datado de 14 de outubro de 2010, requerendo autorização para refazer livros comerciais). Partindo da premissa de que inexiste hipótese de dispensa de cumprimento das obrigações tributárias por parte do contribuinte vitimado por fato alheio à sua vontade, o certo é que a fiscalizada deveria ter envidado esforços para, com os elementos que pudesse reunir, apurar as bases de cálculo dos tributos e contribuições devidos. Contudo, não é isso que se colhe dos fatos retratados no processo, vez que, repisese, somente a partir da instauração do procedimento administrativo pela Administração Tributária é que algumas providências foram adotadas. Isto resta evidente pelas contradições refletidas nas respostas apresentadas à Fiscalização, em que, intimada a apresentar a documentação contábil, primeiro alega que encontra dificuldades para disponibilizála em razão do lapso de tempo, para, depois, argumentar que referida documentação foi extraviada. De qualquer forma, por qualquer ângulo que se analise a questão, resta indubitável que o único meio de apuração do IRPJ e da CSLL devidos, aceitável diante do tempo transcorrido entre o momento da ocorrência do suposto fato motivador do extravio e o vencimento legal das obrigações, seria com base no arbitramento do lucro, ainda que fosse por iniciativa própria. 2 Destaco que na correspondência datada de 09 de junho de 2010 (fls. 99) a contribuinte, sem fazer qualquer alusão à enchente, alega que não apresenta a os livros contábeis "tendo em vista que por força do lapso temporal já transcorrido estamos encontrando dificuldades em localizálos". Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.549 17 O que se observa, porém, é que a contribuinte, ao ver instaurada contra si procedimento fiscal, requereu inúmeras prorrogações de prazo para apresentação da documentação contábil (praticamente todas, aceitas pela Fiscalização), documentação essa que possibilitaria ao Fisco apurar as bases de cálculo efetivas das exações devidas, para, em momento imediatamente posterior aos lançamentos de ofício, informar que dispunha de documentos hábeis e idôneos capazes de comprovar que nenhum tributo ou contribuição seria devido, seja em virtude de bases negativas (IRPJ e CSLL), seja em razão da ausência de apuração de débito (PIS e COFINS). Com a devida permissão, revelase absolutamente equivocado entender que, nas circunstâncias aqui descritas, o arbitramento do lucro não deveria ser realizado. Diante de todo o exposto, penso que o arbitramento do lucro promovido pela autoridade fiscal tem respaldo na legislação de regência, especialmente em virtude dos seguintes elementos: não existe, como já dito, possibilidade de dispensa do cumprimento de obrigações tributárias em razão de extravio de documentos causado por fato alheio à vontade da contribuinte; nessas circunstâncias, a contribuinte, além de noticiar o fato em jornal de grande circulação, deveria ter envidado esforços no sentido de reunir informações que lhe possibilitasse determinar as bases de cálculo dos tributos, ainda que por autoarbitramento; a Fiscalização concedeu prazo mais do que razoável para que lhe fossem apresentados documentos capazes de viabilizar a apuração do resultado efetivo; a contribuinte apresentou reiterados pedidos de prorrogação e, indicando causas contraditórias para explicar a falta de apresentação da sua escrituração contábil, não atendeu, satisfatoriamente, as intimações que lhe foram dirigidas. Nesse contexto, ainda que reste evidente que os documentos aportados ao processo pela contribuinte não possibilitam a aferição dos resultados fiscais alegados (a ausência do Livro Razão e da documentação de suporte, certamente, impossibilita a referida aferição), não cabe analisálos, eis que correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal no sentido de determinar o lucro por meio de arbitramento. Por razões diversas das declinadas na decisão de primeira instância, penso que a qualificação da multa não pode prosperar. Não identifico relevância no fato de o enquadramento legal utilizado para a aplicação da multa qualificada encontrarse equivocado. A meu ver, o importante é verificar se a conduta descrita nos autos amoldase ao tipo previsto na norma autorizadora da qualificação da penalidade. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 380/436, a autoridade fiscal, justificando a exasperação da multa, assinala: 1. Por fim, em face da situação descrita, mais especificamente os DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, caracterizar omissão de informação e/ou prestação de declaração falsa à autoridade fazendária com vistas à supressão de tributo, nos termos da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990, constituindo dessa forma, em tese, hipótese de Crime Contra a Ordem Tributária, foi aplicada a multa qualificada e formalizada a respectiva Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público Federal, a qual será apensada ao processo administrativo de exigência do crédito tributário, aguardando ambos os processos a manifestação da FISCALIZADA pelo prazo de 30 (trinta) dias contados Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.550 18 da ciência do presente Termo de Verificação e do Auto de Infração, conforme determina a Portaria SRF n° 326, de 15 de março de 2005. À evidência, a mera constatação da existência de depósitos bancários de origem não comprovada não autoriza a qualificação da multa. A súmula CARF nº 25, inclusive, é dirigida nesse sentido, senão vejamos: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Acrescentese que, no caso sob exame, em que pese a existência, nos autos, de fatos indicativos de omissão por parte da contribuinte no cumprimento de suas obrigações tributárias, não encontro elementos capazes de indicar que tal conduta foi deliberada (intencional) e objetivou evitar a incidência das exações devidas. Sou, pois, pela exclusão da qualificação da multa aplicada. No que diz respeito à matéria tributável apurada, exclusivamente decorrente de depósitos de origem não comprovada, penso ser necessárias algumas correções. De fato, a autoridade fiscal, ao promover o levantamento dos créditos promovidos nas contas correntes bancárias da contribuinte, deixou de excluir valores correspondentes a cheques devolvidos e a transferências entre contas. Diante disso, acolho a exclusão, da matéria tributável apurada, dos valores indicados no quadro abaixo, conforme RELAÇÃO DE CRÉDITOS ESTORNADOS (fls. 1.479/1.484) e TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS CORRENTES DO MESMO TITULAR (fls. 1.487), anexos IV e V da impugnação apresentada pela contribuinte. Deixo de considerar, entretanto, os valores apontados no ANEXO VI da impugnação (FATOS GERADORES INEXISTENTES – CC 316013 – ITAÚ), pois, em que pese eventuais erros na indicação da data dos créditos provocados pela interpretação dos extratos bancários, os montantes ali indicados constam dos extratos bancários de fls. 88, 89, 90, 91, 92, 93 , 95, 97 e 98 dos autos. MÊS A MATÉRIA TRIBUTÁVEL APURADA TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL – FLS. 426 B – CHEQUES DEVOLVIDOS C – TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE D – MATÉRIA TRIBUTÁVEL REMANESCENTE [A – (B + C)] JANEIRO 98.664,00 98.664,00 FEVEREIRO 154.491,16 154.491,16 MARÇO 119.922,64 119.922,64 ABRIL 586.901,41 1.000,00 585.901,41 MAIO 1.196.348,39 993,00 1.195.355,39 JUNHO 2.099.247,32 49.371,85 2.049.875,47 JULHO 2.259.219,49 40.136,86 2.219.082,63 Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 15521.000197/201055 Acórdão n.º 130200.803 S1C3T2 Fl. 1.551 19 AGOSTO 2.052.663,95 32.980,64 2.019.683,31 SETEMBRO 2.574.365,39 13.046,48 48.000,00 2.513.318,91 OUTUBRO 2.944.489,79 92.087,49 79.000,00 2.773.402,30 NOVEMBRO 2.746.778,02 83.043,94 277.100,00 2.386.634,08 DEZEMBRO 2.419.956,27 73.129,76 257.600,00 2.089.226,51 TOTAL 19.253.047,83 385.790,02 661.700,00 18.205.557,81 Assim, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício para manter os lançamentos tributários efetivados, excluindo da matéria tributável apurada o montante de R$ 1.047.490,02, conforme quadro acima, e reduzir a multa de ofício aplicada, de 150% para 75%. Sala das Sessões, em 16 de janeiro de 2012 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.724500/2010-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência no sentido de encaminhar os autos à PFN para se pronunciar quanto aos efeitos do art.24 da Lei nº 13.655/2018, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Eva Maria Los.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente)
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10380.724500/2010-47
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5918785
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-000.605
nome_arquivo_s : Decisao_10380724500201047.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
nome_arquivo_pdf_s : 10380724500201047_5918785.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência no sentido de encaminhar os autos à PFN para se pronunciar quanto aos efeitos do art.24 da Lei nº 13.655/2018, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Eva Maria Los. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente)
dt_sessao_tdt : Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
id : 7475616
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050869477408768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1196; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.724500/201047 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.605 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 18 de setembro de 2018 Assunto IRPJ Recorrente J.MACEDO S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência no sentido de encaminhar os autos à PFN para se pronunciar quanto aos efeitos do art.24 da Lei nº 13.655/2018, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Eva Maria Los. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 24 50 0/ 20 10 -4 7 Fl. 2944DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase do lançamento tributário consubstanciado no auto de infração de IRPJ (fls. 02/12), no valor global de R$19.196.730,78. As infrações cometidas pelo contribuinte foram de exclusão/compensação não autorizada na apuração do lucro real, nas seguintes modalidades: (i) exclusão indevida de provisões não dedutíveis; (ii) exclusão indevida de pagamento do PAES; e por fim (iii) a inobservância do limite de 30% na compensação de prejuízos. Segundo o auditor fiscal: “Com efeito, a empresa que protagonizou as exclusões, em 31/12/2006, foi J MACÊDO S/A, CNPJ 72.027.014/000100, localizada na Rua Benedito Macêdo, n° 79, Cais do Porto, CEP 60.180000, na cidade de Fortaleza CE, incorporada, naquele mesmo dia, por ÁGUIA S/A, CNPJ 14.998.371/000119, com sede social na Via Centro, n° 374, BR 324, Km 20, Centro Industrial de Aratu, na cidade de Simões Filho, Estado da Bahia, que, digase de passagem, é pertencente ao mesmo grupo econômico e tem patrimônio liquido menor do que o da incorporada (a menor incorporou a maior) e vultosos prejuízo fiscal (da ordem de R$ 100.000.000.00) e base de cálculo negativa de contribuição social (cerca de R$ 83.000.000.00). Por relevante, note se que a incorporadora, Águia S/A, CNPJ 14.998.371/000119,No evento da incorporação, assumiu o nome empresarial e o endereço social de J MACÊDO S/A, CNPJ 72.027.014/000100.Assim, agora, temos duas J MACÊDO, uma, a incorporadora (antiga Águia S/A, CNPJ 14.998.771/000119), e a outra, a incorporada, de CNPJ 72.027.014/000100, que fez a exclusão indevida na DIPJ apresentada por motivo da incorporação, na data já citada. Por essa razão, o lançamento está sendo efetuado contra a sucessora, J MACÊDO S/A, CNPJ 14.998.371/000119.” Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 329/356) em face do lançamento, em 23/11/2010, com espeque nas seguintes argumentações: ILEGALIDADE DA GLOSA DA EXCLUSÃO DE PROVISÕES Caso, porém, o evento que a provisão garantia não venha ou não mais possa se concretizar, a provisão deverá ser revertida, sendo excluído o valor provisionado na apuração do lucro real e, simultaneamente, reconhecido no resultado do exercício. Nesse exato sentido é a didática lição da Conselheira SANDRA MARIA FARONI no voto proferido no Acórdão n.° 10195.899, de 6 de dezembro de 2006: ‘É inquestionável que a pessoa jurídica pode constituir as provisões consideradas necessárias para refletir sua real situação econômico financeira, devendo, todavia, adicionar ao lucro líquido as provisões consideradas indedutíveis, para efeito de apuração do Lucro Real. Nesse caso, no período em que ocorrer a reversão contábil da provisão Fl. 2945DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 4 3 previamente adicionada, o valor revertido pode ser excluído do lucro líquido para apuração do lucro real. Para justificar a exclusão são necessários dois pressupostos: (1) que quando da constituição da provisão o respectivo valor tenha sido adicionado ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real; (2) que tenha ocorrido a reversão contábil da parcela excluída, isto é, que o referido valor tenha sido contabilizado como receita do exercício, o que justifica a exclusão, dado que já ocorrera a tributação quando da constituição da provisão’. Os procedimentos acima indicados, quais sejam, adição das provisões não dedutíveis no momento da sua constituição e a sua exclusão, seja por ocasião do pagamento da obrigação provisionada, seja em razão de sua reversão (motivada pela não verificação do evento), com a contabilização do valor provisionado como receita do exercício, foram rigorosamente observados pela IMPUGNANTE. Sucede, no entanto, que a produção da prova documental de todos os eventos em questão é um processo complexo, que demanda uma verificação analítica de todos e cada um dos lançamentos contábeis dos valores provisionados de modo a poder identificar com precisão a sua respectiva adição na apuração do lucro real no ano de formação da provisão. Ocorre que para comprovar a adição de cada um dos valores referentes às provisões excluídas, a IMPUGNANTE necessitava fazer um levantamento dos registros contábeis dos anos anteriores, de modo a identificar com precisão e clareza o ano em que as provisões a que respeitam foram constituídas. E, nesse particular, enquanto foi mais simples comprovar provisões individuais de valores relevantes, como, por exemplo, a provisão "Vr. Ref IPI Dinel incorporado no PAEX" no valor de R$ 4.797.838,63, adicionada ao lucro real no ano de 2003 (doc. n.° 2), já não é tão fácil vincular as provisões de obrigações trabalhistas, eis que o valor adicionado por ocasião da constituição das provisões corresponde ao somatório dos valores estimados dos pedidos formulados em todas as reclamações trabalhistas ajuizadas contra a IMPUGNANTE, ao passo que os valores efetivamente pagos são, na maioria das vezes, distintos por refletirem os termos de acordos entabulados entre as partes. Essa peculiaridade faz com que as provisões para reclamações trabalhistas acabem tendo um caráter global e genérico, sendo adicionados os valores das contingências estimados com base nos pedidos formulados nas ações numa única conta que constitui um conjunto uno e indivisível, por outro lado, as exclusões, quando realizadas, observam rigorosamente os termos dos acordos celebrados, em valores, via de regra, inferiores aos inicialmente pedidos pelos reclamantes, o que, aliás, aponta para a adição de uma provisão maior do que a obrigação efetivamente materializada. Todas essas considerações servem para justificar as razões pelas quais a IMPUGNANTE não conseguiu, no prazo assinalado pela Fiscalização, realizar a vinculação entre a prévia adição dos valores provisionados e sua posterior exclusão. Na verdade este trabalho vinha Fl. 2946DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 5 4 sendo realizado pela IMPUGNANTE quando foi surpreendida com a notificação da lavratura dos autos de infração. A parte do trabalho que já se encontra concluída comprova, como se pode ver da documentação anexada (doc. n.° 3), que valores provisionados, excluídos em 2006, foram adicionados em períodos anteriores, ou mesmo no próprio ano base de 2006, e correspondem a obrigações pagas naquele mesmo ano. No que concerne às provisões objeto de reversão em 2006, a IMPUGNANTE esclarece que os lançamentos contábeis que comprovam referida reversão, cuja localização os autos de infração alegam não ter sido possível efetuar, foram devidamente apresentados à fiscalização, em atendimento ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, em meio magnético, como determina o Ato Declaratório Executivo COFIS n.° 15, de 23 de outubro de 2001. Em relação às mesmas, a IMPUGNANTE também comprova através da documentação anexa (doc. n.°4) os anos de sua formação, bem como o lançamento a crédito de resultado do exercício do seu respectivo valor. No que respeita aos demais itens, notadamente as provisões trabalhistas, a IMPUGNANTE considera imprescindível a realização ou de diligência ou de perícia contábil para que seja esclarecido se as exclusões de provisões não dedutíveis levadas a cabo no exercício de 2006 e glosadas pelos autos de infração, teriam sido objeto de adição na apuração do lucro real em exercícios anteriores, em valor compatível com o de sua posterior exclusão. Assim, em obediência ao disposto no art. 16, IV, do Decreto n.° 70.235/72, a IMPUGNANTE requer, desde já, a realização das providências em questão e indica em separado, em documento anexo à presente impugnação (doc. n.° 5), para facilidade de identificação, o perito e respectiva qualificação, bem como formula os quesitos que deverão ser respondidos pela perícia contábil, norteando os respectivos trabalhos. ILEGALIDADE DA GLOSA DA EXCLUSÃO DO PAES No que respeita à glosa da exclusão no valor de R$ 4.169.101,14, referente a pagamentos ao parcelamento especial instituído pela Lei n.° 10.684, de 30 de maio de 2003 (PAES), a IMPUGNANTE esclarece que se trata de valores correspondentes a créditos de IPI sobre operações não tributadas, apropriados no passado pela IMPUGNANTE e tratados como créditos a compensar. Com a glosa pelo Fisco das compensações levadas a efeito com utilização de referidos créditos de IPI pela IMPUGNANTE, esta procedeu à provisão dos respectivos valores (R$ 17.895.063,92), adicionando os ao lucro real, como determina a legislação fiscal, como se verifica da documentação anexa (lançamentos contábeis e Lalur doc. n.° 6). Com a criação do PAES, a IMPUGNANTE optou, em 2005, pela inclusão do valor da dívida em referido programa (cfr. doc. n.° 7), dando baixa na provisão anteriormente constituída, e registrando os valores no "contas a pagar". Muito embora pelo regime de competência já pudesse a IMPUGNANTE ter procedido à exclusão do valor da provisão Fl. 2947DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 6 5 anteriormente constituída e adicionada ao lucro real a esse título, atendendo a orientação de seus auditores fiscais optou por somente proceder a referida exclusão pelo regime de caixa, por ocasião do efetivo pagamento das parcelas em que a dívida havia sido dividida no PAES, o que somente veio a ocorrer em 2006 (doc. n.° 8). ILEGALIDADE DA GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS Com efeito, no ano de 1999, no contexto de um amplo processo de reestruturação de negócios das empresas relacionadas (doc. n.° 9), os ativos operacionais da Águia S/A foram integralmente transferidos para a empresa J. Macedo Alimentos do Nordeste S/A, empresa que passou a concentrar as operações de alimentos. A partir daquela data, a Águia assumiu funções de holding pura, detentora de participações nas sociedades relacionadas. O novo modelo de negócios do Grupo exigiu a adoção de uma série de medidas visando melhorar as sinergias operacionais com (i) organização e concentração das atividades de produção e comercialização de farinhas de trigo, massas, biscoitos, misturas para bolos, etc; (ii) segregação das atividades que não se referiam a estes negócios; (iii) enxugamento de estruturas ociosas; (iv) eliminação de estruturas duplicadas; e (v) priorização da manutenção de empresas localizadas em regiões incentivadas. Foi precisamente no contexto de tal reestruturação que a IMPUGNANTE incorporou a J. Macedo S/A (CNPJ 72.027.014/000100), assim como também no mesmo período outras empresas relacionadas foram extintas. O fato de a IMPUGNANTE ter passado a adotar a denominação da incorporada, aliás, a sua denominação tradicional e pela qual é nacionalmente reconhecida não é suficiente para desqualificar a operação, acoimando a de artificial e com intuito puramente fiscal. Há muito se pacificou o entendimento de que, deparando se o administrador com dois caminhos igualmente legítimos para atingir um mesmo fim, um dos quais também apresenta um melhor resultado do ponto de vista econômico fiscal em comparação ao outro, não lhe é exigível optar pelo mais oneroso. O que importa ter presente é que a operação de incorporação seria realizada de qualquer forma e que a escolha do modelo levou em consideração, entre outros fatores, é inegável, a intenção de preservar o estoque de prejuízos fiscais legitimamente registrados pela Águia S/A no período em que exercia atividade industrial. Calça, aliás, como uma luva lição de MARIAM SEIF, Relatora de acórdão doutrinário sobre a matéria quando Presidente do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O direito à compensação dos prejuízos apurados em exercícios anteriores com o lucro do exercício está na base da própria sistemática da legislação do imposto de renda que incide sobre o somatório dos ganhos e perdas apurados pelas pessoas jurídicas. A ratio legis por trás desta nova sistemática estava em limitar o montante da compensação anual, assegurando ao Fisco uma Fl. 2948DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 7 6 tributação mínima, mas, por outro lado, reconhecendo o direito do contribuinte à compensação do montante integral dos prejuízos, conquanto diferida no tempo, como revela EDSON VIANNA DE BRITO, tido como mentor intelectual da norma. Como se vê tal norma jamais teve por intuito que a limitação de 30% fosse uma restrição definitiva ao direito do contribuinte à compensação de seus prejuízos fiscais. Pelo contrário, veio ela permitir a utilização dos prejuízos remanescentes em períodos posteriores por prazo indeterminado. É isso, aliás, o que se infere da exposição de motivos da Medida Provisória n.° 998/95, reedição das Medidas Provisórias n° 947/95 e 972/95, que deu origem, por conversão, à Lei n.° 9.065/95. Esse elemento histórico e finalístico da norma, por si só, já é suficiente para demonstrar que, na sistemática adotada pela lei, só há sentido em se aplicar o limite de 30% se os prejuízos fiscais puderem ser compensados por prazo indeterminado. A tais elementos soma se ainda a interpretação dada pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que apenas considera válido o limite de 30% estabelecido inicialmente na Lei n.° 8.981/95, e tornado permanente pela Lei n.° 9.065/95, em razão de ter tornado possível a compensação integral dos prejuízos, em vista da abolição do prazo prescricional. É o que se conclui do acórdão relativo ao REsp n.° 183.155, assim ementado (no mesmo sentido, confira se os acórdãos relativos aos julgamentos do AgRg no REsp 499.175/SP; e REsp n.° 168.379/PR). A lógica do sistema pretendido pelo legislador quando da instituição da limitação de 30%, que assegurou a compensação do montante integral dos prejuízos fiscais, deixa de existir quando ocorre a extinção da pessoa jurídica, tendo em vista incidir nesta hipótese a limitação especial prevista no art. 33 do Decreto Lei n.° 2.341/87. A derrogação excepcional ao princípio da sucessão universal importa, nestes casos, na perda integral dos prejuízos acumulados, uma vez que não há a possibilidade jurídica de uma compensação futura devido à intransmissibilidade do direito, que se extingue, definitivamente e em sua totalidade, com a incorporação. Ora, quando a pessoa jurídica extinta não possui lucros do exercício compensáveis com seus prejuízos fiscais não se pode falar em conflito entre os limites previstos no Decreto Lei n.° 2.341/87 e na Lei n.° 9.065/95. Mas o mesmo já não ocorre quando a pessoa jurídica a ser extinta tem resultados positivos, capazes de isoladamente absorver seus prejuízos pela compensação. A aplicação cumulativa do limite de 30% nestes casos corresponde a uma desconsideração definitiva e já não mais temporária dos prejuízos, resultando em um decréscimo patrimonial. O pressuposto de aplicação do limite de 30%, consistente em reconhecer lhe a natureza de mero diferimento do direito à compensação dos prejuízos, deixa de existir neste caso. Nesta circunstância, a limitação quantitativa não mais representa a postergação do direito à compensação dos prejuízos fiscais, como pretendeu o legislador, mas a sua efetiva perda. Fl. 2949DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 8 7 Por tal razão é que, na hipótese de extinção da pessoa jurídica, falta o pressuposto lógico e intrínseco do art. 15 da Lei n.° 9.065/95, consistente na garantia de compensação futura dos prejuízos, por prazo indeterminado, pressuposto este que torna incompatível a aplicação de tal limite com o preceito do art. 33 do Decreto Lei n° 2.341/87, que impede a sua transmissão para a sucessora. E mais, ao se admitir a hipótese de que ambas as limitações pudessem conviver, se estaria permitindo a tributação do patrimônio do contribuinte em violação ao art. 43 do CTN e em contrariedade com o espírito da Lei n.° 9.065/95. Daí é que a única interpretação conforme a finalidade da norma e que permite validamente harmonizar tais limites com o nosso sistema tributário é a de que o limite de 30% fica afastado naqueles casos em que seja aplicável a limitação contida no art. 33 do Decreto Lei n.° 2.341/87. Isto se dá porque a regra especial do art. 33 do Decreto Lei .° 2.341/87 prevalece sobre a limitação geral estabelecida pela Lei n.° 9.065/95, quando houver a extinção da pessoa jurídica em razão de fusão, cisão ou incorporação. Em matéria tributária, aplicam se, em especial, as regras de interpretação previstas nos arts. 107 e 108 do CTN. Ora, a interpretação segundo os princípios gerais de direito tributário e de direito público conduzem à conclusão inequívoca de que o limite de 30% à compensação dos prejuízos não pode se aplicar cumulativamente com a perda do direito, pois interpretação contrária conduziria à ofensa aos princípios da capacidade contributiva, do não confisco e da vedação à tributação do patrimônio. [Aduziu decisões administrativas] OS ERROS COMETIDOS PELO AUTO DE INFRAÇÃO Para além das razões atrás desenvolvidas, que conduzem à total invalidade das exigências formuladas pelos autos de infração contra a IMPUGNANTE, passase de seguida a demonstrar os erros incorridos pela fiscalização na apuração do montante de tais exigências, pelo que, ainda que as mesmas viessem a ser mantidas por este órgão julgador, o que se admite apenas a título de argumentação, deverá, o seu valor, ser necessariamente recalculado, computandose as despesas com o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT e a redução de imposto devido à incidência do lucro da exploração. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA DE SUCESSOR Por fim, a IMPUGNANTE se insurge contra a cobrança da multa de ofício formulada pelos autos de infração, tendo em vista que a mesma tem natureza punitiva, e, como tal, caráter personalíssimo, não podendo transbordar da pessoa do infrator, não sendo, assim, aplicável a eventuais sucessores, como é o caso da IMPUGNANTE em relação à J. Macedo S/A. Isso mesmo já restou pacificado na jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos extintos Primeiro e Segundo Conselhos de Contribuintes, como se depreende das seguintes ementas de acórdãos proferidos por aqueles órgãos. Fl. 2950DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 9 8 Acórdão nº 0821.092 4ª Turma da DRJ/FOR Em 14/06/2011, a 4º Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza proferiu acórdão DRJ/FOR 02/21.092, que julgou os lançamentos procedentes, recusando o pedido de perícia contábil relativamente à glosa de exclusão de provisões. Recurso Voluntário A Recorrente interpôs o recurso voluntário e a 2ª Turma da 1ª Seção de Julgamento do Carf entendeu por bem converter em diligência para certificar a autenticidade dos LALUR juntado aos autos, intimar a Contribuinte para que, no prazo de 90 dias, apresentasse demonstrativo detalhado das adições do valor das provisões constituídas nos anos de 2002 a 2006 ao lucro real do período correspondente, cuja realização/reversão serviu de base para os lançamentos, bem como a luz dos elementos constantes dos autos, dos LALUR’s de 2002 a 2006, dos demais elementos da contabilidade e do demonstrativo mencionado no item supra, verificar e atestar a efetiva adição, ao lucro real do período correspondente, do valor das provisões constituídas no anos de 2002 a 2006 que serviram, de base aos lançamentos, inclusive no tocante aos valores relativos do PAES. Após análise minudente da documentação trazida pelo contribuinte, foram identificadas as origens das adições ao lucro líquido em períodos pretéritos, que justificam o ajuste de exclusão das provisões glosadas em 2006, no valor de R$26.875.503,21, e foi reconhecida uma diferença (exclusões não comprovadas) de R$868.387,71. Nessa análise, a fiscalização alega ter encontrado inconsistências declinadas em relação apartada. Em relação à exclusão de valores referentes a pagamentos do PAES, a fiscalização atesta constar do processo DARF’s e guias de depósito judicial que comprovam o dispêndio de R$4.173.460,05. Após o retorno da conclusão da diligência, a Recorrente elaborou manifestação alegando que: i) A contribuinte contratou a auditoria independente Ernest Young para pontuar adequadamente as inconsistências do relatório fiscal trazido em atendimento à diligencia; ii) Nesse trabalho a referida auditoria trouxe subsídios que demonstram que a fiscalização deixou de considerar o saldo das provisões existentes em 2002 na incorporada J. Macedo Alimentos Nordeste S/A, no valor de R$2.330.505,30 (doc. 1, pag. 7 e anexo II); iii) Com efeito, a auditoria ainda concluiu que há legitimidade na exclusão de provisões no ano de 2006, indevidamente glosada pelo auto de infração; iv) No que diz respeito à glosa da exclusão no valor de R$4.169.101,14 referente a pagamentos ao parcelamento especial instituído pela Lei 10.684/2003, a diligência Fl. 2951DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 10 9 comprovou a existência de tais dispêndios através de DARF’s e depósitos judiciais atingindo o valor de R$4.173.460,05. Com efeito, após a referida manifestação a Recorrente apresentou novo pedido de conexão entre os processos administrativos 10380.724500/201047 e 10380.724501/2010 91 para que fossem julgados em conjunto para evitar decisões conflitantes, o que de plano se afasta, pois o processo que trata da CSLL foi, no último dia 02 de abril do corrente ano, distribuído à mesma relatoria de modo que não haverá decisão conflitante. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. As questões a serem dirimidas podem ser divididas em: (i) exclusão indevida de provisões não dedutíveis; (ii) inobservância do limite de 30% na compensação dos prejuízos; e (iii) exclusão indevida de pagamento do PAES. Questão de Ordem A Recorrente apresentou questão de ordem para fins de requerer a aplicação imediata do artigo 24, do DecretoLei nº 4.657/42, incluído pela Lei nº 13.655/2018, com o consequente cancelamento das respectivas autuações fiscais. Acerca da temática apresentada, vale trazer algumas ponderações. Da Aplicabilidade da LINDB ao CARF Inicialmente, cumpre consignar que a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) deve ser observada e aplicada por todos os Órgãos de Estado. A recente decisão da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais chamou a atenção dos operadores ao afastar a aplicação desta Lei a atividade judicante do CARF, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2002 “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. QUESTÃO DE ORDEM. CONHECIMENTO. Fl. 2952DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 11 10 Não se conhece de questão de ordem cujo conteúdo não tem pertinência com o objeto do Recurso Especial, tampouco é aplicável ao Processo Administrativo Fiscal.” (Processo nº 19515.003515/200774, Acórdão nº 9202006.996, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 21 de junho de 2018, Relatora Maria Helena Cotta Cardozo). Como fundamento, o voto condutor do r. Acórdão entendeu que a lei só “promoveu alterações na atuação dos órgãos de controle da Administração Pública, principalmente do Tribunal de Contas da União (TCU)”. Fez questão de consignar que “os dispositivos ora tratados basearamse na obra dos Professores Carlos Ari Sundfeld e Floriano de Azevedo Marques Neto, denominada Contratações Públicas e Seu Controle, o que não deixa margem de dúvida acerca da natureza essencialmente administrativa dos novos dispositivos”. No mais, registrou que “em nenhum momento a lei em tela sinaliza que seria dirigida à atividade judicante administrativa, como é o caso do CARF”, de modo que,“quando muito, a aplicação desta lei no CARF restringirseia às atividades essencialmente administrativas, afetas à sua SecretariaExecutiva”. Diante de tais colocações, os citados professores e coautores do anteprojeto da LINDB, manifestaramse na mídia. Vale conferir os seguintes trechos, verbis: Floriano de Azevedo Marques “A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro trata da aplicação da norma por todo o órgão que o faça no exercício de competência estatal. Me surpreende que este argumento tenha sido utilizado para gerar uma imunidade à Lei de Introdução – ou por acaso o Carf não utiliza a regra da Lei de Introdução sobre a vigência? Aplicar a LINDB na contratação ou exoneração de servidor público? Esta é uma interpretação contra legis." (...) "Se alguém achar que existe algum órgão que é imune à aplicação das Leis de Introdução”, ponderou, “este alguém está dizendo que algum órgão está imune à aplicação das regras do Direito”. Carlos Ari Sundfeld “A resposta quanto ao âmbito de incidência dos novos arts. 20 a 30 da Lei de Introdução é bem clara, a começar da ementa da lei que a alterou. Tratase de “disposições sobre segurança jurídica e eficiência na criação e aplicação do direito público”. Os dispositivos da lei 13.655 não são de direito administrativo em sentido estrito (isto é, sobre contratos administrativos, servidores públicos, serviços públicos e outros temas a cargo dos professores desse ramo), tampouco sobre controle da administração; a lei é geral de direito público. Seus dispositivos são abrangentes e serão observados nas operações jurídicas envolvendo o direito público em geral. Entendemse como tal as operações cuja tutela tenha como centro as autoridades administrativas, embora com fiscalização e participação de controladores externos e juízes. Em suma, os arts. 20 a 30 da Lei de Fl. 2953DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 12 11 Introdução tratam do direito público cuja aplicação primária seja administrativa. (...) Quanto à esfera administrativa, a lei não fez distinções nem previu tratamento especial ou imunidades para suas subdivisões. Logo, a Lei de Introdução reformada tem de ser observada por todas as autoridades administrativas, seja qual for sua atuação material específica (ativa, consultiva, controladora, licenciadora, reguladora, sancionadora, etc.), a legislação setorial a que está sujeita (contratual, concorrencial, tributária, etc.), sua vinculação organizacional (autoridades singulares, membros de colegiado, etc.) ou seu nível hierárquico (primeira instância, órgãos recursais, Chefe do Executivo, etc.). Eis então o âmbito objetivo de incidência da lei: situações de criação e aplicação do direito público sob tutela primária da administração pública como um todo. Ela impacta diretamente a aplicação dos direitos constitucional, tributário, administrativo (em sentido estrito), financeiro, ambiental, sanitário, concorrencial, previdenciário, de trânsito, enfim, os ramos do direito público. (...) Impor normas comuns a todos os administradores, controladores e juízes não significa desconhecer as especificidades de organização e funcionamento do controle externo e do Judiciário, tampouco as diferenças que existem na extensão de suas competências de aplicação das normas de direito público cuja tutela primária seja da administração. Para a sujeição de todos às mesmas normas sobre criação e aplicação do Direito, a Lei de Introdução levou em conta a necessidade de coerência normativa: nem o juiz, nem o controlador, podem invalidar, sancionar ou substituir as opções do administrador usando parâmetros de interpretação e decisão discrepantes dos que são naturais e exigíveis na função administrativa. A interpretação tributária feita pelo juiz tem de estar sujeita às mesmas diretrizes que vinculam o administrador tributário. Por identidade de razão, autoridades administrativas judicantes (como o CARF) não podem, para decidir casos, usar conjunto próprio e autônomo de referências jurídicas, diversas das que estão a vincular o administrador tributário ativo e o Poder Judiciário. Convém não esquecer que, ao menos nesse sentido, o Direito é uno, e que a autoridade judicante administrativa em matéria tributária nada mais faz do que aplicar o Direito, e não outra coisa qualquer.” (grifos nossos) Em vista do exposto, fica claro que a LINDB é plenamente aplicável ao CARF e, pessoalmente, não encontro qualquer sentido técnico, jurídico ou hermêutico para afastar os preceitos contidos na LINDB da atividade judicante administrativa. Fl. 2954DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 13 12 Não há dúvidas de que a LINDB é preceito norteador interpretativo que objetiva, em última análise, assegurar segurança jurídica e previsibilidade aos administrados e anseia pela almejada coerência normativa dada a unicidade do Direito. Nessa esteira, o primado da eficiência buscar atingir tais preceitos e garantir a satisfatividade das decisões na esfera administrativa. De acordo com Prof. Doutor Humberto Ávila " para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduzse, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. Assim sendo, a inobservância dos citados preceitos aqui descritos viola o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para o própria Administração Pública. O Estado é um só e os custos do contencioso são suportados por todos os cidadãos brasileiros. A eficiência de gestão dos recursos públicos e o cuidado na busca de soluções satisfativas são valores legais necessários à promoção do interesse público e não podem ser considerados incompatíveis com esse objetivo. Esses valores atrelados à eficiência, estabilidade e uniformidade são grandes marcos do CPC/2015 e devem liderar não só as iniciativas do Poder Judiciário, mas desafiar os órgãos do Legislativo e Executivo a cumprirem suas funções como verdadeiros guardiões da segurança jurídica. Dito isto, é fácil evidenciar que a LINDB está alinhada aos princípios que regem a Administração Pública, constantes do artigo 37 , da CF/88 e do artigo 2º , da Lei nº 9.784/99, às diretrizes processuais da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil) e, portanto, não há como afastar sua aplicação no âmbito do CARF. Da Pertinência da Questão de Ordem Suscitada É de conhecimento geral que o tema relacionado à possibilidade de prejuízo fiscal da pessoa jurídica incorporada ser compensada sem observância da chamada "trava de 30%" sempre foi muito controvertido neste Conselho e no Poder Judiciário ,tendo havido período em que claramente este Conselho formou linha majoritária no sentido de permitir o afastamento da mencionada trava nesta situação. Neste ponto, destaco o artigo 20 da LINDB: "Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão. Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta ou da invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das possíveis alternativas.” Fl. 2955DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 14 13 A devida motivação calcada em valores concretos, a observância prática dos efeitos da decisão proferida e a publicização de eventual mudança de posicionamento, são fundamentais para trazer coerência aos julgados, bem como asseguram que o administrado tenha ciência e previsibilidade para bem gerir suas atividades empresariais. Indo além, destaco que igualmente alinhado aos valores da segurança jurídica e da previsibilidade, está o disposto no artigo 24, da LINDB, que proíbe expressamente que a administração tributária dê aplicação retroativa a nova interpretação sobre a legislação tributária, verbis: "Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público." Notase que, o caput do citado dispositivo converge com os preceitos contidos no artigo 2º, parágrafo único, inciso XIII, da Lei nº 9.784/1999, artigo 100, incisos II, III e parágrafo único e artigo 146, do CTN. Confirase: Lei nº 9.784/1999 "Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação." CTN "Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: (...) II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; Fl. 2956DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 15 14 Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo." "Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução." (grifos nossos) Contudo, a polêmica trazida pelos operadores com relação a aplicação do artigo 24, da LINDB gira em torno das expressões "orientações gerais da época", entendidas como "jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público". No presente caso, a ora Recorrente compensou Prejuízo Fiscal de empresa extinta por incorporação sem observar a chamada trava de 30%. Neste sentido, invoca a Recorrente a aplicação do artigo 24, da LINDB, por considerar que a jurisprudência administrativa que permitia tal compensação sem observância sem a trava de 30% era majoritária na época dos fatos geradores objeto do lançamento fiscal. Para comprovar o alegado, apresenta relação de casos semelhantes ao presente, onde o aproveitamento fiscal de ágio foi considerado legítimo e plenamente válido: COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS DE TERCEIROS. Não são de terceiros os débitos de uma mesma pessoa jurídica apenas com estabelecimentos diversos conforme separação determinada no regulamento do IPI. IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUIZO FISCAL LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA. A lei não traz qualquer exceção à regra que limita a compensação dos prejuízos fiscais à 30% do lucro líquido ajustado. Entretanto, havendo o encerramento das atividades da pessoa jurídica em razão de incorporação, não haverá meios dos prejuízos serem utilizados em anos subseqüentes, como determina a legislação. Neste caso, temse como legítima a compensação da totalidade do prejuízo fiscal, sem a limitação de 30%. Recurso voluntário provido. (CARF, Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ReI. Cons. João Carlos de Lima Júnior, Ac. nº 10195.872, julgado em 09.11.2006) IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA Fl. 2957DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 16 15 À empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal. IRPJ APURAÇÃO DE ADICIONAL §5° DO ART. 67 DA LEI 8981/95 DEDUÇÃO DE RENDIMENTOS FINANCEIROS CÁLCULO DO CONTRIBUINTE Ao apurar o adicional no ano de 1995, devese levar em consideração a dedução prevista no 9 5º do art. 67 da Lei 8981/95. Se examinados os livros do contribuinte sem qualquer questionamento sobre a classificação dos rendimentos financeiros, os cálculos devem seguir a escrituração, em respeito ao art. 9º do Decretolei 1598/77. Recurso parcialmente provido. (CARF, Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ReI. Cons. José Henrique Longo, Ac. nº 10807.456, julgado em 02.07.2003) NORMAS PROCESSUAIS ARGÜiÇÃO DE NULIDADE Não é nula a decisão de primeira instância que não toma conhecimento de matéria submetida ao Poder Judiciário, IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJuízos. LIMITE LEGAl. BALANÇO DE CISÃO. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS O artigo 33 do Decretolei no 2.341/87 determina que a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida, dispondo seu parágrafo único que, no caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Em relação à parcela proporcional ao patrimônio líquido transferido, a limitação retiraria a possibilidade de compensação. Por essa razão, n.9 balanço da cisão, a parcela de prejuízos proporcional ao patrimônio transferido pode ser compensada independentemente da limitação de 30%. [...] Recurso provido em parte. (CARF, Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ReI. Cons. Sandra Maria Faroni, Ac. n2 10807.456, julgado em 15.03.2004) Diante das razões técnicas e jurídicas aqui apresentadas e em vista da relação de julgados supra, evidencio que há fortes indícios de que a jurisprudência aplicável seria majoritária. Fl. 2958DF CARF MF Processo nº 10380.724500/201047 Resolução nº 1201000.605 S1C2T1 Fl. 17 16 Assim, considero prudente, em consonância com o princípio do contraditório, que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) seja intimada para se manifestar acerca do pleito em questão. Conclusão Diante do exposto, VOTO por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que os presentes autos sejam remetidos à unidade preparadora com o objetivo de intimar a PGFN para se manifestar acerca da questão de ordem suscitada pela Recorrente e, em especial, sobre a relação de decisões apresentadas que, a priori, demonstram ser o entendimento majoritário da época favorável à possibilidade de compensação de prejuízo fiscal de empresa incorporada sem observância da trava de 30% em casos semelhantes ao presente. Se for o caso, apresente rol de julgados para contrapor os apresentados pela Recorrente. Na sequência, retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 2959DF CARF MF
score : 1.0
