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Numero do processo: 11516.722421/2011-62
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2011
INDEFERIMENTO DE INCLUSA~O NO SIMPLES. RECOLHIMENTO COMO AS CONTRIBUINTES ORDINA´RIAS
Com seu indeferimento ao Simples. a contribuinte se sujeita a`s normas tributa´rias aplica´veis a`s demais pessoas, sendo imperioso o lanc¸amento tributa´rio em honra ao princi´pio da legalidade, uma vez a constituic¸a~o do cre´dito e´ procedimento vinculado a` lei.
SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Aplicação da Súmula 76 do CARF: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido para o Simples Nacional.
Recurso Voluntário Parcialmente Conhecido e Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte:
Numero da decisão: 2803-004.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que os valores eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2011 INDEFERIMENTO DE INCLUSA~O NO SIMPLES. RECOLHIMENTO COMO AS CONTRIBUINTES ORDINA´RIAS Com seu indeferimento ao Simples. a contribuinte se sujeita a`s normas tributa´rias aplica´veis a`s demais pessoas, sendo imperioso o lanc¸amento tributa´rio em honra ao princi´pio da legalidade, uma vez a constituic¸a~o do cre´dito e´ procedimento vinculado a` lei. SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Aplicação da Súmula 76 do CARF: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido para o Simples Nacional. Recurso Voluntário Parcialmente Conhecido e Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte:
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RECOLHIMENTO COMO AS CONTRIBUINTES ORDINÁRIAS Com seu indeferimento ao Simples. a contribuinte se sujeita às normas tributárias aplicáveis às demais pessoas, sendo imperioso o lançamento tributário em honra ao princípio da legalidade, uma vez a constituição do crédito é procedimento vinculado à lei. SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Aplicação da Súmula 76 do CARF: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido para o Simples Nacional. Recurso Voluntário Parcialmente Conhecido e Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que os valores eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 24 21 /2 01 1- 62 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira Fl. 258DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11516.722421/201162 Acórdão n.º 2803004.037 S2TE03 Fl. 258 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa Rodolog Transporte Ltda, em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), assim ementado: SIMPLES NACIONAL. NÃO OPTANTE. São devidas as contribuições sociais patronais das empresas não optantes pelo SIMPLES NACIONAL. SIMPLES. VEDAÇÃO DE COMPENSAÇÃO É vedada a compensação de contribuições previdenciárias e a devida a Outras Entidades ou Fundos com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional CONTRIBUIÇÕES DESCONTADAS DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Devese considerar não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, consolidandose administrativamente o crédito tributário correspondente ao valor apurado como principal, uma vez que não há controvérsia quanto a sua exigência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 151/157), o presente processo se refere aos autos de infração abaixo relacionados, consolidados em 28/11/2011, referentes ao período de 01/2009 a 07/2011 (incluindo décimo terceiro), a saber: a) AI DEBCAD Nº 51.009.2403, valor original de R$ 199.135,02, acrescido de juros e multa de ofício: contribuições da empresa destinadas a Seguridade Social e, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT); b) AI DEBCAD Nº 51.009.2411, valor original de R$ 49.419,00, acrescido de juros e multa de ofício: contribuições devidas às outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SEST, SENAT e SEBRAE); c) AI DEBCAD Nº 51.009.2420, valor original de R$ 45,65, acrescido de juros e multa de ofício: contribuições descontadas dos segurados contribuintes individuais (sócios administradores). Informa ainda a Auditoria Fiscal que conforme consulta realizada no sítio do SIMPLES NACIONAL, no período fiscalizado, o contribuinte não esteve incluído no Regime Fl. 259DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), porém, informou indevidamente, no período do lançamento, a opção pelo SIMPLES na GFIP, pelo que foram apuradas as contribuições devidas com base nas remunerações declaradas em GFIP, pagas aos segurados empregados. Também verificou a partir da folha de pagamento e recibos de prolabore que a remuneração de contribuintes individuais não foi declarada totalmente em GFIP na competência 01/2009. A contribuinte, cientificada do lançamento, apresentou impugnação às fls. 160/162, trazendo em suma as seguintes alegações: a) que em momento algum a empresa inseriu informações indevidas, já que a empresa estava incluída no SIMPLES NACIONAL; b) que não foi apresentado recurso administrativo, pois não recebeu nenhum documento, intimação ou qualquer outro tipo de informação a respeito da exclusão; c). que o auditor em seu relatório não excluiu os pagamentos à Previdência Social através de Documento de Arrecadação do SIMPLES DAS, consoante planilha anexas e cópia do Extrato do Simples Nacional, sendo assim, não foram deduzidos do montante devido; A DRJ não acolheu as ponderações apresentadas, mantendo na íntegra o lançamento efetuado. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 194/250) aduzindo, em apertado escorço: a) a nulidade da exclusão no Simples; b) a inclusão indevida na base da cálculo dos valores pagos a título de aviso prévio indenizado, 13º. proporcional, saláriomaternidade, adicional de horasextras, adicional noturno, terço de férias, férias gozadas, 15 primeiros dias de auxílio doença, adicionais de insalubridade e periculosidade, transferência e vale transporte pago em dinheiro. c) a impossibilidade de cobrança à contribuição ao INCRA; d) impossibilidade da cobrança à contribuição ao SAT/RAT; e) do caráter confiscatório da multa aplicada; f) a compensação dos pagamentos efetuados pela sistemática do Simples. Sem contrarrazões por parte da Fazenda, vieram os autos a este Conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11516.722421/201162 Acórdão n.º 2803004.037 S2TE03 Fl. 259 5 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo, contudo necessita de melhor análise para aferir sua admissibilidade. Em que pese as profícuas razões recursais apresentadas pelo patrono da contribuinte, observase, hialinamente, que as matérias na peça recursal não foram objeto de impugnação pela recorrente no momento oportuno, tanto que, ao analisar a peça impugnatória a DRJ deixou assentado que “devese considerar não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, consolidandose administrativamente o crédito tributário correspondente ao valor apurado como principal, uma vez que não há controvérsia quanto a sua exigência.” (fl. 179) Ora, os únicos objetos trazidos na impugnação pela recorrente foram a nulidade quanto a sua não inclusão no Simples e, subsidiariamente, a compensação dos valores eventualmente recolhidos nesta sistemática. Destarte, qualquer manifestação deste Conselho sobre matérias não impugnadas e não apreciadas pela instância a quo, transformarseia em verdadeira supressão de instância, uma vez que não houve qualquer sucumbência da recorrente em relação a elas. Como é cediço, os pressupostos recursais são necessários para se avaliar a admissibilidade dos recursos. Os pressupostos recursais são, deste modo, os chamados requisitos de admissibilidade. Os requisitos de admissibilidade, conforme José Carlos Barbosa Moreira, se dividem em dois grupos, quais sejam: a) requisitos intrínsecos (concernentes à própria existência do poder de recorrer): cabimento, legitimação, interesse e inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer; b) requisitos extrínsecos (relativos ao modo de exercício do direito de recorrer): preparo, tempestividade e regularidade formal. Destarte, observase que o interesse recursal é um dos requisitos essenciais para o conhecimento de qualquer recurso. O professor Fredie Didier Jr. Afirma que a definição do interesse processual segue a metodologia do exame do interesse de agir. Ou seja, deve ser analisado a utilidade e necessidade do recurso. Ocorre que, no caso ora em apreço, não se vislumbra o interesse parcial do presente recurso voluntário, visto que alguns objetivos buscados pela recorrente não podem ser obtidos através do manuseio desta peça processual, razão pela qual conheço parcialmente do recurso voluntário, somente no tocante às controvérsias de não inclusão no Simples e das compensações solicitadas. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Da não Inclusão no Simples O relatório fiscal (fls. 153) afima que não foi deferida as três solicitações de inclusão da recorrente no Simples Nacional, sendo que a recorrente recoheu todas as contribuições como se beneficiária fosse desse sistema de tributação. Ademais, a alegação da empresa limitase a afirmar que não tomou conhecimento de nenhum dos três indeferimentos, o que obsta qualquer autuação sob este fundamento. Ora, a contribuinte teve sua solicitação ao Simples Nacional indeferida, contudo quedouse inerte em apresentar defesa em relação à exclusão. Assim, em esfera administrativa, operouse a preclusão, de forma que os motivos da exclusão não podem ser objeto de análise neste feito, mormente por tratarse de débitos junto a municipalidade e não à Fazenda Nacional. Diante do quadro fático que se apresenta, entendo que o lançamento tributário é medida que se impõe. A autoridade fazendária representa a administração pública, que deve pautarse pelo princípio da legalidade, insculpido no art. 37 da Constituição Federal. Assim sendo, patente a realização do fato gerador, incide o tributo, devendo o Fisco proceder o lançamento, uma vez que se encontra subordinado, de forma completa, à lei. Destarte, como preleciona o art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento possui natureza vinculada, o que significa que não cabe a autoridade Fazendária a escolha, sendo ele definido em lei. A legislação é clara no sentido que com a não inclusão no Simples, a contribuinte se sujeita às normas tributárias aplicáveis às demais pessoas. Observo ainda que, em momento algum o recorrente impugnou a constituição do lançamento, limitandose a rechaçar, intempestivamente, a sua não inclusão no Simples Nacional. Diante no exposto, neste ponto, nego provimento ao recurso voluntário. Da Compensação De ofício faço a aplicação da Súmula 76 do CARF, para que os valores eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte. Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, darlhe parcial provimento, para que os valores eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte. É como voto Fl. 262DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11516.722421/201162 Acórdão n.º 2803004.037 S2TE03 Fl. 260 7 (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 263DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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Numero do processo: 10830.009085/2002-42
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1999 a 01/08/2002
COFINS. IMUNIDADE DE INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. INEXISTÊNCIA
Não se aplica às instituições de educação a imunidade relativa à COFINS deferida pelo art. 195, § 7º da Constituição Federal, pois não se confundem Educação e Assistência Social.
INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. ISENÇÃO. O art. 14, inciso X da Medida Provisória nº 1.858/99 apenas exigiu que as instituições de educação sejam sem fins lucrativos e prestem os serviços para que foram constituídas à população em geral. Suas receitas próprias, sobre as quais se aplica a isenção, são as decorrentes do serviço prestado.
Numero da decisão: 9303-003.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
Henrique Pinheiro Torres - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ivan Allegreti (substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/1999 a 01/08/2002 COFINS. IMUNIDADE DE INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. INEXISTÊNCIA Não se aplica às instituições de educação a imunidade relativa à COFINS deferida pelo art. 195, § 7º da Constituição Federal, pois não se confundem Educação e Assistência Social. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. ISENÇÃO. O art. 14, inciso X da Medida Provisória nº 1.858/99 apenas exigiu que as instituições de educação sejam sem fins lucrativos e prestem os serviços para que foram constituídas à população em geral. Suas receitas próprias, sobre as quais se aplica a isenção, são as decorrentes do serviço prestado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. Henrique Pinheiro Torres - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ivan Allegreti (substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo
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ISENÇÃO Recorrente C.C.C. CENTRO DE CIÊNCIA E CULTURA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1999 a 01/08/2002 COFINS. IMUNIDADE DE INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. INEXISTÊNCIA Não se aplica às instituições de educação a imunidade relativa à COFINS deferida pelo art. 195, § 7º da Constituição Federal, pois não se confundem Educação e Assistência Social. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. ISENÇÃO. O art. 14, inciso X da Medida Provisória nº 1.858/99 apenas exigiu que as instituições de educação sejam sem fins lucrativos e prestem os serviços para que foram constituídas à população em geral. Suas receitas próprias, sobre as quais se aplica a isenção, são as decorrentes do serviço prestado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. Henrique Pinheiro Torres Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ivan Allegreti (substituto convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 90 85 /2 00 2- 42 Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo Relatório Cuidase de recurso especial interposto contra decisão que entendeu não serem alcançadas pela isenção da COFINS instituída pelo art. 14 da Medida Provisória 2.158 35/2001 as receitas que tenham caráter contraprestacional, in casu as obtidas por instituição de educação constituída sob a forma de associação civil sem fins lucrativos relativas às mensalidades pagas pelos seus alunos. O recurso especial socorrese em três paradigmas que, examinando situações análogas, concluíram que não deixam de ser "próprias" no sentido que a MP pretendeu fixar para efeito de isenção as receitas que tenham aquele caráter contraprestacional, tanto no caso de instituições de educação em geral, como no de associações civis sem fins lucrativos. Em contrarrazões, defende a Fazenda Nacional o acerto da decisão combatida. É o Relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade na medida em que tempestivo e bem comprovada a divergência alegada. A matéria encontrase, hoje, pacificada no âmbito deste colegiado no exato sentido pretendido no recurso. Com efeito, em mais de uma ocasião assentou esta Turma a irrelevância do caráter contraprestacional como elemento impeditivo da fruição da isenção aqui discutida. Contrariamente à posição fazendária, firmouse o entendimento de que as receitas alcançadas pela isenção são aquelas que decorrem da atividade exercida por qualquer das entidades listadas no dispositivo isentivo. Adoto, no particular, as conclusões a que chegou o Conselheiro Júlio César Alves Ramos por ocasião de julgamento realizado em sessão de fevereiro de 2008 da Quarta Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, da qual participei. Transcrevo: Sendo tempestivo o recurso, dele se há de tomar conhecimento. E de lhe dar integral provimento. Como está assentado no relatório, a autuação não decorreu do descumprimento de condições para usufruto da imunidade. Aliás, na descrição dos fatos elaborada pela autoridade fiscal não há uma só linha tratando dela. Tudo o que ali se consigna é Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10830.009085/200242 Acórdão n.º 9303003.181 CSRFT3 Fl. 1.361 3 que não cabe isenção, seja pelas disposições do Parecer Normativo já mencionado seja pelas da IN SRF 247/2002. Apesar disso, é necessário, antes de examinar o cabimento da isenção, aprofundar a aplicabilidade da norma constitucional. Sobre o ponto, partilho todas as conclusões do voto da decisão recorrida que repelem a aplicação da imunidade, tanto a prevista no art. 150, quanto aquela versada no 195, § 7º. Para tanto, basta confrontar os dois comandos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: ... VI instituir impostos sobre: ... c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; Portanto, há imunidade de impostos sobre patrimônio, renda ou serviços das instituições de educação, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos de Lei. Notese que neste artigo não se exigiu, seja das instituições de educação, seja das de assistência social, que fossem “beneficentes” ou “filantrópicas”. Basta que sejam sem fins lucrativos e atendam aos requisitos de lei. E que essa Lei era, à época da promulgação da Carta Magna, a de nº 5.172/66, também parece estreme de dúvida. Permanece em aberto a questão de se tal lei, recepcionada como lei complementar quanto às matérias a que a Constituição a exija, poderia ser alterada por lei ordinária como é a Lei nº 8.212/91. Despicienda aqui essa discussão dado que não é de imunidade a impostos que se cuida. Com efeito, a que se pode legitimamente aventar é a contida no § 7º do art. 195. Transcrevamolo: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: .... § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Quanto à expressão “isentas” aí contida, já é pacífico o entendimento doutrinário e jurisprudencial de que deve ser lido como “imunes”, certo não caber à Lei maior a fixação de isenções. No entanto, algumas diferenças em relação ao comando do art. 150 são aqui patentes. Primeiro, não há aqui menção alguma às “instituições de ensino ou de educação”; segundo, as entidades de assistência aqui mencionadas são apenas as “beneficentes”. Por isso mesmo, partilho da interpretação do n. relator do acórdão atacado de que não há, strictu sensu, imunidade das contribuições sociais para as instituições de educação. A imunidade de que elas gozam é tãosomente a do art. 150 restrita aos impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços e sujeita a exigências menores do que as fixadas aqui para as instituições de assistência social. A razão, já apontada na decisão de que se recorre, é que as atividades que configuram assistência social têm definição precisa no texto constitucional, em seção e capítulo distintos do da educação. De fato, enquanto a primeira integra o trio constituinte da Seguridade Social, ao lado da Saúde e da Previdência Social, conformando a seção III do Capítulo II do Título VIII (“Da Ordem Social”) da Carta Política, a Educação aparece destacadamente em Capítulo externo ao da Seguridade Social – capítulo III do mesmo Título. Diferentemente do que vem entendendo a doutrina predominante, não vejo como os objetivos da assistência social, descritos no art. 203 do Texto maior, possam englobar as atividades de educação strictu sensu, notadamente as de ensino superior. Confirase: Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: I a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; II o amparo às crianças e adolescentes carentes; III a promoção da integração ao mercado de trabalho; IV a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; V a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de têla provida por sua família, conforme dispuser a lei. Ainda que, eventualmente, se pudesse cogitar do enquadramento como “proteção à infância ou à adolescência” a atividade de educação de nível básico ou intermediário, não vemos como estendêla à que é prestada a adultos. Do mesmo modo com respeito aos demais incisos do artigo citado. Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10830.009085/200242 Acórdão n.º 9303003.181 CSRFT3 Fl. 1.362 5 É por isso que, também no que concerne a essa imunidade, não considero necessário estender a análise quanto ao “cumprimento de requisitos”. Antes de se examinar se a instituição é beneficente há de se admitir que seja de assistência social. As instituições de educação superior não são. Resta, por isso, examinar o cumprimento das condições para o benefício da isenção. E aqui a análise se complica. É que a Lei que instituiu a contribuição já conferira isenção a algumas entidades. Tratase, como se sabe, do art. 6º da Lei Complementar nº 70/91, que, em sua redação original, dispunha: Art. 6° São isentas da contribuição: I as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades; II as sociedades civis de que trata o art. 1° do DecretoLei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987; III as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Não incluía, portanto, nada sobre instituições de educação. Apenas com a edição da Lei nº 9.532/97 é que começa a aparecer alguma disciplina relativa a elas, e que tem gerado bastante polêmica em virtude da remissão que a ela fizeram atos posteriores. Tratase dos arts. 12 a 15 a seguir transcritos: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público. h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superavit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado. Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anos calendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considerase, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. Art. 14. À suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no art. 32 da Lei nº 9.430/96. Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 2º Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10830.009085/200242 Acórdão n.º 9303003.181 CSRFT3 Fl. 1.363 7 § 4º O disposto na alínea "g" do § 2º do art. 12 se aplica, também, às instituições a que se refere este artigo. Como se vê, sua leitura (porque nem precisa de interpretação) deveria ser fácil: o artigo 12 traz requisitos para fruição da imunidade do art. 150; os art. 13 e 14 estabelecem requisitos para suspensão ou cassação da imunidade (do IR) e o art. 15 cria isenção de IR e CSLL, nos termos que ali define. Não se fala aqui, portanto, de PIS nem de COFINS. Mas essa leitura, aparentemente simples, assim não tem sido. E tudo por causa da edição, em 1999, da Medida Provisória nº 1.858, cujos artigos 13 a 15 assim dispuseram: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado; e IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais. Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992. Art. 15. Aplicamse às entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social, para efeito de pagamento da contribuição para o PIS/PASEP na forma do art. 13 e de gozo da isenção da COFINS, o disposto no art. 55 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. Aqui, pois, e somente aqui, se estabeleceram isenções (válidas a partir de fevereiro de 1999) de COFINS para instituições de educação, que se aplicam apenas às receitas “relativas às atividades próprias”. Como se nota, também aqui, separaramse claramente as instituições de educação das de assistência social. Para essas últimas, e apenas para elas, o art. 15 expressamente exigiu o cumprimento das disposições do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Para as de educação, não. Todavia, dada a infeliz técnica legislativa adotada, fazse necessário conjugar o inciso X do art. 14, com o inciso III do art. 13, ambos da MP, e eles com o art. 12 da Lei nº 9.532. Para mim, dessa extensa conjugação, apenas resulta que: Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10830.009085/200242 Acórdão n.º 9303003.181 CSRFT3 Fl. 1.364 9 São isentas da Cofins as receitas das atividades próprias de instituição de educação que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, desde que não apresente superavit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado. Assim penso porque ali não se fala de obrigação de gratuidade, nem se exige que ela seja “filantrópica” ou “beneficente”. Entendo que não se aplicam a ela, pois, nem os requisitos previstos na Lei nº 8.212/91 nem os previstos no § 2º do mesmo art. 12 da Lei nº 9.532, este porque expressamente se refere apenas à imunidade lá tratada. De qualquer modo, ainda que se entenda que este último é aplicável, no caso em tela não há qualquer prova de que não tenha sido atendido. Tudo o que resta esclarecer, assim, é o sentido da expressão receitas próprias de suas atividades. A SRF tem dado o entendimento, expresso hoje inclusive em Instrução Normativa (nº 247/2002), de que seriam aquelas que não consubstanciassem contraprestação pelo serviço prestado. Analogamente ao que ocorreria com as associações, entende que, também para as instituições de educação, elas se restringiriam às “decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”. Essa redação da IN simplesmente copiou as conclusões do Parecer Normativo CST nº 05/92. Mas este parecer faz expressa e exclusiva menção às associações, sindicatos, federações e confederações, organizações reguladoras de atividades profissionais e outras entidades classistas. Daí porque se refere apenas às mensalidades instituídas por lei, assembléia ou estatuto. Ali se quis excluir de qualquer benefício a receita eventualmente obtida por aquelas associações e entidades em decorrência da venda de bens ou prestação de serviços. Ora, sabese que as associações, espécie do gênero sociedades, se distinguem exatamente pela ausência do recurso ao mercado. Isto é, elas nascem para “prestar serviços” aos seus próprios associados. Em troca, e para viabilizála economicamente, rateiam eles entre si os custos inerentes aos serviços prestados. A relação com o mercado, então, restringese à aquisição dos “insumos” necessários àquele serviço. Para tomar o exemplo de uma associação recreativa ou esportiva: ela nasce para que seus membros possam praticar, em comum, atividades recreativas ou esportivas. Para tanto, precisa comprar e manter determinados equipamentos apropriados às atividades desenvolvidas. Essas despesas é que Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 são cobertas pelos associados mediante contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por assembléia ou estatuto. No caso das demais entidades tratadas no Parecer Normativo – entidades sindicais e representativas de categorias profissionais, tais contribuições são, normalmente, fixadas por lei. Totalmente diverso é o caso de uma sociedade constituída para prestar serviços de natureza civil. Estas vão ao mercado não só para adquirir os “insumos” mas também para ofertar os seus serviços. Analogamente ao exemplo da associação recreativa, agora constituise uma sociedade para, por exemplo, ministrar aulas de uma determinada modalidade esportiva. Nesse caso, sua receita provém da “venda” do serviço prestado. Ora, o texto da lei não restringiu a isenção ao primeiro caso, o das associações. Ao contrário, não fez qualquer exigência de que as instituições de educação fossem constituídas como tal. Aliás, se essa fosse a intenção, não precisaria incluir um item próprio, na medida em que já estariam abrangidas pela expressão “associações a que se refere o art. 15 da Lei nº 9.532 (inciso IV do mesmo art. 13 da MP). Assim, entendo que a “analogia” in casu poderia, quando muito, determinar a exclusão do benefício sobre receitas outras, não oriundas da prestação do serviço educacional, a exemplo de estacionamento, aluguel de ginásio de esportes e de “cantina” e que tais. Nunca sobre a própria receita obtida para financiar a atividade principal da instituição – as mensalidades pagas pelos alunos sob pena de esvaziar a própria isenção concedida. A aplicação da IN implica exigir a COFINS sobre as mensalidades cobradas, restringindo a isenção à parcela repassada pelos mantenedores a título de mensalidades e semelhantes. Não sendo a instituição constituída como associação, pareceme que esta última é que não é a receita das “atividades próprias” da instituição, que não visa prestar educação aos seus mantenedores. Assim, mesmo que entenda incabível a aplicação da imunidade, considero que a entidade cumpre todos os requisitos para fruição da isenção deferida às instituições de educação pelo inciso X do art. 14 da MP 1.858/99. Pelo menos não há nos autos algo que a infirme. De outra banda, para os que entendem possível a aplicação da imunidade, equiparando a educação à assistência social, é mister reconhecer que a jurisprudência oriunda do STF é uníssona no sentido de que o caráter “beneficente” não se confunde com a gratuidade integral. Basta que a instituição também coloque o serviço que presta à disposição de quem precisa e por ele não pode pagar portanto, gratuitamente para estes ainda que para isso cobre de quem pode. Textualmente, em seu voto no julgamento da ADIN 20285, assim se pronunciou o Ministro Moreira Alves: “...Cuidase de entidades beneficentes de assistência social não estando restrito, portanto, às instituições filantrópicas. Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10830.009085/200242 Acórdão n.º 9303003.181 CSRFT3 Fl. 1.365 11 Indispensável, é certo, que se tenha o desenvolvimento da atividade voltada aos hipossuficientes, àqueles que, sem prejuízo do próprio sustento e o da família, não possam dirigirse aos particulares que atuam no ramo buscando lucro, dificultada que está, pela insuficiência de estrutura, a prestação do serviço pelo Estado”. “Não se contém a impossibilidade de reconhecimento do benefício quando a prestadora de serviço atua de forma gratuita em relação aos necessitados, procedendo à cobrança junto àqueles que possuam recursos suficientes”. No caso em tela, como já dito, a autoridade fiscal autuante sequer questionou a existência de gratuidade parcial. De fato, dos esclarecimentos prestados pela entidade (fls. 28/29) teve aquela autoridade acesso à informação quanto à existência de bolsas de estudo e nada questionou. Na decisão recorrida, também se fez referência a atendimentos gratuitos em hospital mantido pela autuada, desqualificandoos, porém, por considerar que eram “remunerados” pelo SUS. No recurso, a empresa demonstrou que tem até mesmo o certificado de entidade “beneficente” de assistência social expedido pelo CNAS. Com essas considerações, entendo inteiramente descabida a tributação intentada e voto por dar integral provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 12 de fevereiro de 2008.26 de novembro de 2014 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS No caso de que nos ocupamos, duas diferenças são importantes. Primeiramente, tratase, como já dito no relatório, ao mesmo tempo, de uma associação civil e de uma instituição de educação. Entendo que esse aspecto distintivo é de menor importância na medida em que ambos as entidades são contempladas na norma isentiva. Ademais, a fiscalização não buscou desconfigurar a natureza formal da entidade;com efeito, para o fisco basta o fato de a receita decorrer da prestação de um serviço, ou mais precisamente, constituir a remuneração pela sua prática para que deva ser tributada. Em segundo lugar, a entidade reconheceu expressamente em resposta à fiscalização não se considerar de assistência social. Por isso mesmo, sequer postulou o certificado a que alude a parte final do voto do conselheiro Júlio. Esse aspecto, também, a meu sentir, só é relevante para os que entendam imprescindível o cumprimento dos requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91 para o usufruto da isenção prevista na MP. Partilho, entretanto, a conclusão oposta a que chegou o n. relator do acórdão que transcrevi. Diante do exposto e considerando que se mantêm as conclusões alcançadas naquele acórdão, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10670.722001/2011-31
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008
IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. LITÍGIO NÃO INSTAURADO.
Deixa-se de conhecer do recurso voluntário quando considerada intempestiva a impugnação, pelo julgamento a quo, sem que tal circunstância tenha sido enfrentada diretamente em sede recursal.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-003.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Flavio Araujo Rodrigues Torres e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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INTEMPESTIVIDADE. LITÍGIO NÃO INSTAURADO. Deixase de conhecer do recurso voluntário quando considerada intempestiva a impugnação, pelo julgamento a quo, sem que tal circunstância tenha sido enfrentada diretamente em sede recursal. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Flavio Araujo Rodrigues Torres e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração, relativo ao imposto sobre a renda da pessoa física, dos anos calendário de 2006 e 2007, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 20 01 /2 01 1- 31 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10670.722001/201131 Acórdão n.º 2801003.957 S2TE01 Fl. 327 2 exercícios, respectivamente, de 2007 e 2008, importando em R$ 203.938,50 a título de imposto, acrescido de multa proporcional de 150% e mais juros de mora, calculados pela taxa Selic, conforme valores discriminados na folha 03. Narra a Autoridade Fiscal autuante, no seu “Relatório Fiscal”, que constatou a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários cuja origem o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Houve qualificação da multa de ofício e lavratura de representação fiscal para fins penais. Na folha 259 observo o Aviso de Recebimento, que acompanhou o Auto de Infração, com data de 20 de dezembro de 2011. Inconformado com a exigência fiscal, o contribuinte apresentou Impugnação em 24/01/2012, data que consta do carimbo aposto no envelope de envio da correspondência. Alegou, basicamente, a tempestividade da impugnação, a quebra de sigilo bancário irregular pelo Fisco, a movimentação da conta por terceira pessoa (seu irmão), o comércio de carvão como origem dos depósitos, a existência de ação judicial versando sobre suspensão do crédito tributário, apuração incorreta do tributo, em face da natureza da atividade (rural), e aplicação de multa com efeito de confisco. A manifestação foi assim tratada pelo Órgão Julgador de 1ª instância, em resumo: Considerase intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, a contar da data em que foi feita a intimação da exigência, não tendo a faculdade, portanto, de instaurar a fase litigiosa do procedimento fiscal. Conforme consta no AR de folha 259, o auto de infração foi entregue no domicílio do interessado em 20/12/2011 (terça feira). Dessa forma, o termo inicial para a contagem do prazo teve início em 21/12/2011 (quarta feira), e final do prazo de trinta dias em 19/01/2012 (quinta feira). Ocorre que a impugnação foi apresentada apenas no dia 24/01/2012 (folha 271), quando, portanto, já havia expirado o prazo para fazêlo. Notou que o próprio contribuinte confirma que o prazo final para apresentação da defesa ocorreu em 19/01/2012. O selo postal apresentado pelo requerente (folha 08 da impugnação) confirma a data da postagem da defesa na Agência dos Correios em Taiobeiras/MG no dia 24/01/2012. O Acórdão da Turma Julgadora foi então resumido no sentido de: “por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de tempestividade arguida e no mérito NÃO CONHECER da impugnação por ser intempestiva.” Cientificado dessa decisão em 18/05/2012, conforme AR na folha 293, apresentou recurso voluntário em 14/06/2012 (envelope, fl. 318) onde, em síntese, traz as mesmas alegações da impugnação, ou seja: nulidade da autuação por quebra irregular do sigilo fiscal do contribuinte; movimentação da conta bancária por terceira pessoa; origem dos depósitos na atividade rural de produção e comercio de carvão vegetal; suspensão da exigibilidade do crédito tributário, em decisão judicial, no processo envolvendo seu irmão Mark Rogério Freitas Santos, que seria o verdadeiro responsável pela movimentação bancária; apuração equivocada do crédito tributário, sem levar em consideração a atividade rural e suas particularidades. Anexa decisão da DRJ em Juiz de Fora/MG, proferida em 09 de fevereiro de 2012, que “revisa o Acórdão nº Fl. 327DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10670.722001/201131 Acórdão n.º 2801003.957 S2TE01 Fl. 328 3 34.350, de 07 de abril de 2011”, explicando que através de Mandado de Segurança, determinouse a revisão do lançamento feito sobre seu irmão Mark Rogério. Por fim, requer que seja recebido e processado seu recurso, para observarse o “cálculo absurdo praticado” e “anular, considerar regular ou diminuir o crédito tributário lançado.” É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. PRELIMINAR. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). O recurso voluntário é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Infelizmente, sequer adentraremos no mérito da controvérsia. Cumpre esclarecer ao Recorrente que o processo administrativo fiscal está estruturado em fases. A impugnação apresentada tempestivamente, ou seja, dentro do prazo de trinta dias a contar da ciência da Notificação de Lançamento, instaura a fase litigiosa. Tais regras estão bem claras no Decreto nº 70.235/1972 (PAF), art. 14. A DRJ, órgão julgador de 1ª instância, não tomou conhecimento das razões materiais do impugnante, não analisando o mérito da questão, pois declarou que a impugnação fora apresentada fora do tempo. O magistério de HUMBERTO THEODORO JUNIOR traz que todos os atos processuais são preclusivos. Portanto, decorrido o prazo, extinguese o direito de praticar o ato. Opera, para o que se manteve inerte, aquele fenômeno que se denomina preclusão processual, que, nesse caso, vem a ser a perda da faculdade ou direito processual, que se extingue pelo não exercício em tempo útil . A preclusão existe no processo moderno erigida à classe de um princípio básico ou fundamental do procedimento. Com esse método, evitase o desenvolvimento arbitrário do processo. O Código de Processo Civil até permite que após a extinção do prazo, em caráter excepcional, possa a parte provar que o ato não foi praticado em tempo útil por “justa causa” (art. 183). Entretanto, para o Código, “reputase justa causa o evento imprevisível, alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário” (art. 183, § 1º). (THEODORO JUNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed. Rio de Janeiro, Forense : 2004, p. 229/230) Fl. 328DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10670.722001/201131 Acórdão n.º 2801003.957 S2TE01 Fl. 329 4 Pelo que consta do processo e não é refutado pelo contribuinte em seu recurso, o Auto de Infração, bem como todos os outros documentos e Termos destes autos, foi encaminhado para o endereço informado por ele à Receita Federal, qual seja Rua Santos Dumont, nº 54, Centro, Taiobeiras/MG, tendo sido recebido em 20/12/2011, conforme Aviso de Recebimento cuja cópia está na folha 259. Vale, então, transcrever a Súmula CARF Nº 9 – “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” A impugnação, que deve ser apresentada no prazo de trinta dias a contar da data da ciência da Notificação, não foi conhecida pela DRJ, sob alegação de intempestividade. O art. 5º do Decreto 70.235/1972 disciplina como deve ser feita a contagem dos prazos. “Art. 5o. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato”. Conforme explicado, o processo desenvolvese em fases. A impugnação tempestiva instaura a fase litigiosa, que se compõe de duas instâncias administrativas. Pelas colocações do Julgador de 1ª instância, aqui relatadas e que reputo corretas, o prazo para a apresentação da impugnação expirou em 19/01/2012, sendo que a mesma só foi encaminhada em 24/01/2012, conforme cópia do envelope que consta da folha 270, confirmada pela pesquisa no sitio eletrônico dos Correios, na folha 272, tendo a Unidade preparadora inclusiva lavrado “Termo de Revelia”. Transcrevo do Acórdão recorrido: Conforme consta no AR de folha 259, o auto de infração foi entregue no domicílio do interessado em 20/12/2011 (terça feira). Dessa forma, o termo inicial para a contagem do prazo teve início em 21/12/2011 (quarta feira), e final do prazo de trinta dias em 19/01/2012 (quinta feira). Ocorre que a impugnação foi apresentada apenas no dia 24/01/2012 (folha 271), quando, portanto, já havia expirado o prazo para fazêlo. Notou que o próprio contribuinte confirma que o prazo final para apresentação da defesa ocorreu em 19/01/2012. O selo postal apresentado pelo requerente (folha 08 da impugnação) confirma a data da postagem da defesa na Agência dos Correios em Taiobeiras/MG no dia 24/01/2012. Conforme Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta as normas do processo administrativo fiscal (PAF): Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). Fl. 329DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10670.722001/201131 Acórdão n.º 2801003.957 S2TE01 Fl. 330 5 § 1o Apresentada a impugnação em unidade diversa, esta a remeterá à unidade indicada no caput. § 2o Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. § 3o No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. § 4o Na hipótese do § 3o, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que cada um deles tiver sido cientificado do lançamento. § 5o Na hipótese de remessa da impugnação por via postal, será considerada como data de sua apresentação a da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, o qual deverá trazer a indicação do destinatário da remessa e o número do protocolo do processo correspondente. § 6o Na impossibilidade de se obter cópia do aviso de recebimento, será considerada como data da apresentação da impugnação a constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope que contiver a remessa, quando da postagem da correspondência. (grifei) Entendo que a decisão da Justiça Federal, em sede de Mandado de Segurança cuja cópia não se encontra nestes autos, proferida em relação a outro contribuinte, não se aplica a este processo. Em sede recursal, recorrese da decisão de 1ª instância (art. 33, do PAF). Se não houve decisão sobre o mérito, não há o que se apreciar aqui, a menos que, não é o caso, o recurso tratasse expresamente da tempestividade da impugnação, questionando sobre o prazo de interposição da mesma e/ou as razões de decidir da DRJ, sobre esse aspecto. Destaco que o lançamento pode ser revisto de ofício, nos termos e condições do art. 149 do CTN, mas essa revisão compete ao órgão da administração responsável pelo mesmo, no caso, a Unidade (Delegacia da Receita Federal do Brasil DRFB) competente para efetuálo, não a esta instância recursal. Pelo exposto, considerando a impugnação apresentada intempestivamente, que não instaura a fase litigiosa do procedimento, e não tendo a (in)tempestividade sido questionada (art. 17 do PAF), VOTO por não conhecer do Recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 330DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10670.722001/201131 Acórdão n.º 2801003.957 S2TE01 Fl. 331 6 Fl. 331DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 15504.727813/2012-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTITUIÇÃO DO FATO GERADOR POR UMA SÓ EMPRESA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI 10.101/2000.
Sempre que uma ou mais empresas, tendo embora, cada uma delas, personalidade jurídica, própria estiverem sob a direção, controle ou administração de outra haverá a constituição de um grupo econômico.
O fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art.124 do CTN.
Somente existirá a responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico quando todas agirem em conjunto para a configuração do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução da referida situação.
Considerando-se o que estabelece o art. 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91, os requisitos trazidos pela Lei nº 10.101/2000 são de observância obrigatória para que o empregador possa se beneficiar da regra de isenção para os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados - PLR.
A participação nos lucros ou resultados da sociedade empresária, quando paga ou creditada em desacordo com a Lei específica, integra o salário de contribuição para fins de incidência previdenciária.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da Participação dos Lucros e Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento ao recurso, nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, na questão do grupo econômico, pela ausência de demonstração pela fiscalização de que 2 (duas) ou mais empresas estavam sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Natanael Vieira dos Santos - que dava provimento ao recurso, por outros fundamentos, conforme voto ¿ e Daniel Melo Mendes Bezerra e Cleberson Alex Friess, que negavam provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Adriano Gonzáles Silvério.
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira Dos Santos - Relator.
(Assinado digitalmente)
Adriano Gonzáles Silvério Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira Dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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CARACTERIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTITUIÇÃO DO FATO GERADOR POR UMA SÓ EMPRESA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI 10.101/2000. Sempre que uma ou mais empresas, tendo embora, cada uma delas, personalidade jurídica, própria estiverem sob a direção, controle ou administração de outra haverá a constituição de um grupo econômico. O fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art.124 do CTN. Somente existirá a responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico quando todas agirem em conjunto para a configuração do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução da referida situação. Considerandose o que estabelece o art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, os requisitos trazidos pela Lei nº 10.101/2000 são de observância obrigatória para que o empregador possa se beneficiar da regra de isenção para os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR. A participação nos lucros ou resultados da sociedade empresária, quando paga ou creditada em desacordo com a Lei específica, integra o salário de contribuição para fins de incidência previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 78 13 /2 01 2- 99 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 2301004.163 S2C3T1 Fl. 355 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da Participação dos Lucros e Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento ao recurso, nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, na questão do grupo econômico, pela ausência de demonstração pela fiscalização de que 2 (duas) ou mais empresas estavam sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Natanael Vieira dos Santos que dava provimento ao recurso, por outros fundamentos, conforme voto ¿ e Daniel Melo Mendes Bezerra e Cleberson Alex Friess, que negavam provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Adriano Gonzáles Silvério. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira Dos Santos Relator. (Assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira Dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 2301004.163 S2C3T1 Fl. 356 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa FIDENS ENGENHARIA S/A em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente e manteve o crédito tributário referente ao período compreendido entre janeiro de 2009 a dezembro de 2009. 2. Segundo o relatório fiscal (fls. 13 a 25), o crédito tributário constituise das contribuições sociais patronais destinadas à Seguridade Social, referentes à remunerações pagas aos segurados empregados, não declaradas em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, e não recolhidas, encontradas nos seguintes fatos geradores identificados: a) pagamento de verba a título de Participação nos Lucros – competências 05/2009 a 12/2009: segundo o fisco, o critério para pagamento da PLR não obedece a um plano de metas a ser cumprido e independe do esforço pessoal do empregado, vez que a Convenção Coletiva de Trabalho estabelece tal pagamento como resultado “do menor índice de absenteísmo nas empresas a ser alcançado em todo o período, assim como redução dos índices de acidente de trabalho”, configurandose verdadeira gratificação ou premiação; b) glosa de compensações indevidas – competências 01/2009 a 10/2009: segundo a fiscalização, decorreram da inexistência do crédito compensado, em virtude de erro do contribuinte na atualização dos saldos de retenção a compensar. 3. Ademais, a fiscalização apontou a existência de solidariedade passiva, por fazerem parte do mesmo grupo econômico as seguintes empresas: FIDENS EQUIPAMENTOS LTDA, VISEN ENGENHARIA LTDA e MINAS EÓLICA LTDA, lavrando os respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária – TSPS. 4. Foi aplicada a multa em lançamento de ofício na alíquota de 75%, estabelecida pelo art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, para os créditos incluídos no auto de infração. 5. Inconformadas com o lançamento fiscal, as empresas apresentaram impugnação parcial (fls. 158 a 204), na qual insurgemse apenas contra a autuação referente à cobrança de contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela empresa principal a seus empregados a título de PLR e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Isso porque afirmou que a glosa de compensação indevida foi objeto de pagamento com as reduções legais, conforme comprovante juntado à fl. 285. O colegiado de primeira instância julgou improcedente a impugnação, restando o acórdão recorrido (fls. 295 a 304) assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 2301004.163 S2C3T1 Fl. 357 4 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DESCARACTERIZAÇÃO. Pagamentos a segurados empregados, a título de premiação/gratificação por assiduidade, tempo de serviço na empresa e não envolvimento em infortúnios trabalhistas, não configuram participação nos lucros/resultados, constituindose em ganhos sobre o qual incidem contribuições sociais. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LEGALIDADE. A existência de um grupo econômico implica, por expressa disposição legal, o reconhecimento da responsabilidade solidária de seus integrantes pelo crédito tributário constituído. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” 6. Após terem sido cientificadas do referido acórdão (conforme fls. 310/311), as empresas apresentaram recurso voluntário tempestivamente (fls. 312 a 347), sustentando, em apertada síntese: a) deve ser afastada a solidariedade passiva, visto que, apesar de integrarem o mesmo grupo econômico, não houve a comprovação de que as recorrentes tenham de alguma forma participado do fato gerador da respectiva pretensão fiscal, visto que o fato gerador referese tão somente ao pagamento de PLR aos empregados próprios da recorrente principal, sem qualquer interesse das recorrentes solidárias; b) o auto de infração e o acórdão recorrido consideraram que a PLR foi paga exclusivamente com base na convenção coletiva de trabalho da categoria, não levando em conta que a dita PLR foi regida pelo acordo coletivo de trabalho celebrado entre a recorrente principal e o respectivo sindicato da categoria; c) o processo administrativo fiscal é regido pelo princípio da verdade real, sendo certo que a intenção da recorrente principal era a de efetivamente promover a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, em cumprimento ao art. 7º, XI, da CF/88; d) a PLR é desvinculada da remuneração, sendo indevida qualquer disposição infraconstitucional em contrário, que poderá apenas determinar o modo de sua criação e implementação; 7. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram enviados para apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 2301004.163 S2C3T1 Fl. 358 5 Voto Vencido Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA CARACTERIZAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO E DO INSTITUTO DA SOLIDARIEDADE 2. Sobre a matéria ora analisada, cumpre ressaltar que a legislação que traz o melhor conceito de grupo econômico é a trabalhista. Conforme se encontra disposto no art. 2º, § 2º, da Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT, grupo econômico é o composto de duas ou mais empresas, que estejam sob direção única, onde uma, a principal, controla as demais, verbis: Art. 2º. Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. 3. Assim, verificase que para que haja a caracterização de um grupo econômico, tornase necessária a presença de dois requisitos: a) uma ou mais empresas com personalidade jurídica própria; b) exercício da atividade econômica sob direção, controle ou administração única. 4. As empresas, em sede de recurso voluntário, reconheceram a existência de grupo econômico entre elas, porém afirmaram que as recorrentes solidárias não participaram do fato gerador da pretensão fiscal, “mesmo porque impraticável a coparticipação destas, posto que o fato gerador em discussão referese tãosomente ao pagamento da PLR aos empregados próprios da Recorrente Principal, Fidens Engenharia S/A, sem qualquer ligação ou interesse das Recorrentes Solidárias.” (fl. 319). 5. Assim, não restam dúvidas acerca da existência de grupo econômico pelas empresas apontadas pela auditoria fiscal. Porém, no que se refere à aplicação da Fl. 360DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 2301004.163 S2C3T1 Fl. 359 6 responsabilidade solidária, entendo que deve ser observado o que dispõe o art. 124, do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 124. São solidariamente obrigados: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; 6. Assim, verificase que, no âmbito fiscal, é o interesse comum que serve de fundamento para essa forma de responsabilidade fiscal. E esse interesse deve ser considerado como decorrente do fato de que dois ou mais contribuintes sejam conjuntamente sujeitos da situação fáticojurídica que deu ensejo ao surgimento da relação tributária, tendo em vista que a solidariedade não se presume, conforme dispõe o art. 265 do Código Civil – CC. 7. Seguindo essa linha de raciocínio, cito o entendimento do Ministro Luiz Fux no julgamento do REsp nº 884.845SC: A solidariedade passiva é um instituto de direito civil aplicável a todos os ramos do direito, segundo o qual, em havendo pluralidade de sujeitos no pólo passivo de uma relação jurídica, cada um deles é obrigado à dívida toda, podendo o credor exigir de um ou alguns, parcial ou totalmente, a dívida em comum. Com efeito, em matéria tributária, a presunção de solidariedade opera inversamente àquela do direito civil, no sentido de que sempre que, numa mesma relação jurídica, houver duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuinte, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida, perfazendose o instituto da solidariedade passiva. (...) Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica tributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. 8. Dessa forma, notase que, diferente do que ocorre no âmbito civil, para a caracterização da responsabilidade solidária que trata o art. 124, I, do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico para que seja comprovada a solidariedade no pagamento do tributo devido por uma das empresas. Para que isso ocorra é indispensável a configuração do interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal. 9. E segundo o ensinamento de Carlo Jorge Sampaio Costa (Solidariedade passiva e o interesse comum no fato gerador): “(...) a solidariedade dos membros de um mesmo grupo econômico está condicionada a que fique devidamente comprovado: a) o interesse imediato e comum de seus membros nos resultados decorrentes do fato gerador; e/ou b) fraude ou conluio entre os componentes do grupo”; o que não restou demonstrado no caso ora em análise. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 2301004.163 S2C3T1 Fl. 360 7 10. Nesse mesmo sentido, o Superior Tribunal de Justiça – STJ vem firmando sua jurisprudência: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ entende que existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. 2. A pretensão da recorrente em ver reconhecido o interesse comum entre o Banco Bradesco S/A e a empresa de leasing na ocorrência do fato gerador do crédito tributário encontra óbice na Súmula 7 desta Corte. Agravo Regimental improvido (AgRg no AREsp 21073/RS; Ministro Relator Humberto Martins; data do julgamento: 18/10/2011; DJe 26/10/2011) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. PESSOAS JURÍDICAS QUE PERTENCEM AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. CIRCUNSTÂNCIA QUE, POR SI SÓ, NÃO ENSEJA SOLIDARIEDADE PASSIVA. 1. Tratase de agravo de instrumento contra decisão que inadmitiu recurso especial interposto em face de acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul que decidiu pela incidência do ISS no arrendamento mercantil e pela ilegitimidade do Banco Mercantil do Brasil S/A para figurar no pólo passivo da demanda. 2. A Primeira Seção/STJ pacificou entendimento no sentido de que o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do CTN. Precedentes: EREsp 859616/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/02/2011, DJe 18/02/2011; EREsp 834044/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/09/2010, DJe 29/09/2010). 3. O que a recorrente pretende com a tese de ofensa ao art. 124 do CTN – legitimidade do Banco para integrar a lide , é, na verdade, rever a premissa fixada pelo Tribunal de origem, soberano na avaliação do conjunto fático probatório constante dos autos, o que é vedado ao Superior Tribunal de Justiça por sua Súmula 7/STJ. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1392703/RS; Ministro Relator Mauro Campbell Marques; data do julgamento: 07/06/2011; DJe 14/06/2011). Fl. 362DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 2301004.163 S2C3T1 Fl. 361 8 11. Assim, entendo que, embora o artigo 30, IX, da Lei 8.212/91 disponha que “as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei”, este dispositivo deve ser aplicado em conjunto com o que determina o artigo 124, do CTN. 12. A fiscalização considerou que o pagamento de PLR feito em desacordo com a legislação específica pela recorrente principal deve ser imputado solidariamente às demais empresas que compõem o grupo econômico, embora estas não tenham participado, de nenhuma forma, da convenção coletiva que previu a instituição do pagamento de PLR aos empregados. Cumpre ressaltar que esta convenção foi celebrada entre o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada de Minas Gerais e o Sindicato da Indústria da Construção Pesada do referido Estado e o Acordo Coletivo resultante desta convenção foi celebrado diretamente entre a empresa principal e o Sindicato dos Trabalhadores. 13. Dessa forma, entendo que as empresas recorrentes não podem responder de forma solidária com a empresa principal, visto que não participaram conjuntamente da materialidade do fato gerador. DO PAGAMENTO DE PLR 14. A respeito do pagamento da PLR aos trabalhadores, a Constituição Federal de 1988, no inciso XI, do art. 7º, incluiu entre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais a participação nos lucros ou resultados da empresa, enfatizando a sua desvinculação da remuneração. Eis o teor do dispositivo constitucional: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. 15. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal, o exercício do direito assegurado pelo referido artigo começaria “com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração” (RE 398284, Rel. Min. Menezes Direito, julgado em 23/09/2008). A seu turno, a regulamentação do dispositivo “somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94”, posteriormente convertida na Lei nº 10.101/00 (RE 393764 AgRg, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 23/11/2008). 16. A Lei nº 10.101/00 determina os termos essenciais para que o pagamento da PLR não sofra a incidência de contribuição previdenciária, devendo eles serem observados sob pena de descaracterização dos pagamentos feitos a esse título.. 17. Nesse sentido, a Lei de Custeio da Seguridade Social, em seu art. 28, § 9º, “j”, condicionou a não incidência de contribuição previdenciária ao atendimento dos critérios fixados em lei específica: Fl. 363DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 2301004.163 S2C3T1 Fl. 362 9 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; 18. É dizer: a não incidência da contribuição social previdenciária está adstrita aos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, pressupondo a observância da legislação especial, in casu, a Lei nº 10.101/2000. E, uma vez descaracterizado o benefício, as quantias em comento pagas pelo empregador a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passível, pois, de serem tributadas. 19. Do dispositivo exonerativo anteriormente colacionado, verificase que tal previsão legislativa alcança ou se aplica a PLR paga de acordo com os contornos estabelecidos pela lei que regule a participação, e, no caso, a Lei nº 10.101/2000. Isto significa que uma PLR paga, a qual de uma forma ou outra não atenda os requisitos da referida Lei, entrará no cômputo do salário de contribuição do segurado empregado. 20. Para que uma empresa, portanto, possa efetuar pagamentos aos seus empregados do referido benefício, sem que o mesmo integre o saláriodecontribuição do segurado, são necessários que se preencham alguns requisitos mínimos, em especial os de natureza material, conforme o disposto no art. 2º, da Lei nº 10.101/2000: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (grifei) 21. Observese que, ao se falar de requisitos materiais, estes se relacionam ao direito substantivo do trabalhador, bastando a ausência ou inobservância de um deles para que Fl. 364DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 2301004.163 S2C3T1 Fl. 363 10 a PLR deixe de ostentar essa natureza, passando a integrar o saláriodecontribuição do beneficiário. Por outro lado, não terá natureza remuneratória e não será tributada pela contribuição previdenciária a PLR para a qual exista instrumento de negociação, elaborado com a participação obrigatória do sindicato, com regras claras e objetivas, com mecanismo de aferição dos resultados, assim entendido, por exemplo, o mecanismo que comprove como e se foi o objetivo atingido, periodicidade do pagamento, etc., tudo como determina a Lei nº 10.101/2000. 22. Posta a norma, passo a analisar o procedimento adotado pela empresa na concessão do benefício. 23. No presente caso, reiterese que o ponto principal da controvérsia instaurado entre o fisco e a contribuinte concentrase na desconsideração da isenção do pagamento da PLR da empresa. 24. O principal fundamento do fisco para a lavratura do auto de infração é o fato de que a autuada efetuou pagamentos a título de PLR com inobservância de requisitos legais, portanto, em desacordo com a legislação de regência, a respeito do que trago a colação o constatado pela autoridade fiscal: 3.2.5 – Como pode ser constatado, os pagamentos referentes a PLR acima mencionados foram baseados na Cláusula 43ª – PLR da Convenção Coletiva de Trabalho firmada entre o SITICOP e o SICEPOT 2007/2008. 3.2.6 – Da análise do conteúdo deste Instrumento, fica claro que os pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados foram efetuados de acordo com o parágrafo primeiro da referida cláusula, onde fica estabelecido tal pagamento como resultado “do menor índice de absenteísmo nas empresas a ser alcançado em todo o período, assim como redução dos índices de acidente de trabalho”; já no parágrafo terceiro são estabelecidos os valores a serem pagos, em função do porte das empresas. 3.2.7 – Tais condições, acima reproduzidas, não podem ser definidas como metas e tampouco as condições listadas no parágrafo seguinte da mesma cláusula. Não se vislumbra ali qualquer plano de metas e resultados estabelecido, bem como fica patente a ausência de definição de objetivos a serem atingidos. 3.2.8 – Desta forma, restou claro que o critério para pagamento da PLR não obedece a um plano de metas a ser cumprido e independe do esforço pessoal do empregado. (grifei) 25. Em sua defesa, a recorrente alega que houve equívoco na fiscalização, “ao considerar que a PLR em questão foi paga exclusivamente com base da Convenção Coletiva de Trabalho da categoria de 2007/2008 e na Cláusula Quadragésima Terceira, transcrita em parte no item 3.2.4 do RELATÓRIO DO AUTO DE INFRAÇÃO, sendo certo que dita PLR foi regida pelo ACORDO COLETIVO DE TRABALHO celebrado entre a Recorrente Principal, FIDENS ENGENHARIA S/A, e o SINDICATO DOS Fl. 365DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 2301004.163 S2C3T1 Fl. 364 11 TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DA CONSTRUÇÃO PESADA NO ESTADO DE MINAS GERAIS – SITICOP – MG.” 26. Contudo, analisando o dito Acordo Coletivo de Trabalho (fls. 279/283), verificase que a sua finalidade é “regular a implantação da PLR – Participação nos Lucros e Resultados prevista na Lei 10.101 de 20/12/2000, constante da Cláusula 43ª da Convenção Coletiva 2007/2008, datada de 06 de dezembro de 2007” sendo este acordo complementar denominado de PRR – Programa de Remuneração por Resultados 2008. 27. Em sua cláusula 2ª, o Acordo dispõe que os “agraciados” receberão o PRR de forma complementar à PLR estipulada pela convenção coletiva 2007/2008, deduzidos os valores recebidos originários deste acordo. 28. Dessa forma, o Acordo Coletivo celebrado entre a empresa e o sindicato dos trabalhadores não tem o condão de afastar a PLR estabelecida na Convenção Coletiva da categoria, criando, em verdade, uma nova gratificação aos empregados, a ser paga de forma complementar àquela já estabelecida. Assim, os argumentos da recorrente no sentido de que os requisitos exigidos por lei para o pagamento da PLR constam do acordo coletivo não merecem prosperar, haja vista que, no acordo coletivo, há a instituição de outro pagamento, feito de forma complementar à PLR, tendo, inclusive, outra denominação (PRR). 29. Considerando que a autuação fiscal decorreu da ausência dos requisitos legais para instituição da PLR na Convenção Coletiva de Trabalho e, uma vez afastada a aplicação do Acordo Coletivo no presente caso, passo a analisar a Cláusula 43ª da Convenção Coletiva, que trata da PLR. 30. Os critérios para o recebimento desta verba estabelecidos na Convenção são os seguintes: a) como resultado, elegem o menor índice de absenteísmo nas empresas a ser alcançado em todo o período, assim como redução dos índices de acidentes de trabalho; b) que o empregado tenha trabalhado na empresa por, no mínimo, 8 meses completos no ano de 2008; c) que o empregado tenha comparecido com frequência integral, em todos os meses trabalhados em 2008; d) que o empregado não tenha se ausentado do trabalho por qualquer período, por qualquer licença, salvo no caso de acidente de trabalho ou licença maternidade, em 2008; e) que o empregado não tenha sido vítima de acidente de trabalho em 2008 a que tenha dado causa ou contribuído para sua ocorrência; f) que o empregado não tenha sofrido advertência pelo não uso do EPI ou punição por falta disciplinar em 2008. 31. Desta análise, resta evidente que não há a definição de um plano de metas ou resultados a ser cumprido para o pagamento da PLR, tendo a Convenção Coletiva apenas Fl. 366DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 2301004.163 S2C3T1 Fl. 365 12 previsto um aumento na remuneração dos empregados que mais trabalharam ao longo do ano de 2008, por não terem faltas ou não terem sofrido qualquer acidente de trabalho. 32. Neste contexto, é importante esclarecer que a fixação de regras objetivas e claras constituemse em elemento essencial para conceder validade ao instrumento da PLR. Dessa forma, reiterese que, descumprido esse requisito, inviabilizada estará a aferibilidade do quantum se constitui o benefício e com isto o pagamento da verba perde a sua isenção e consequentemente é incluída na base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. 33. Feitos esses esclarecimentos, é necessário apontar que a legislação previdenciária, que delimita a base de cálculo das contribuições sociais, qual seja a Lei nº 8.212/91, prevê que somente estarão excluídas as verbas expressamente discriminadas no § 9º do art. 28 da referida norma. 34. No tocante ao pagamento de PLR aos trabalhadores, o texto legal é claro: somente quando paga ou creditada de acordo com a lei específica a PLR deixará de compor o saláriodecontribuição. 35. Por todo o exposto, afasto o defendido pela recorrente, no sentido de que efetivamente tenha ela pago PLR nos moldes preconizados na Lei nº 10.101/00, isto porque requisitos de natureza material e formal deixaram de ser observados, como já apontado anteriormente, de sorte que deve ser mantido o lançamento. CONCLUSÃO 36. Desse modo, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe parcial provimento, para afastar a responsabilidade solidária das recorrentes, nos termos acima expostos, e rejeitar as alegações no tocante ao pagamento da PLR, por ter sido feito em desacordo com as normas legais. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Voto Vencedor Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério, Redator Designado. Peço vênia para discordar do Ilustre Conselheiro Relator no que diz respeito à caracterização da responsabilidade solidária entre as empresas Fidens, Visen e Minas Eólica. Isto, porque o relatório fiscal apenas afirma que as empresas acima compõem grupo econômico, porém sem demonstrar a relação societária entre as empresas, a qual é exigida pela legislação de regência, Lei 8.212/91 e Instrução Normativa nº 971/09, respectivamente: Lei 8.212/91 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.727813/201299 Acórdão n.º 2301004.163 S2C3T1 Fl. 366 13 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; IN 971/09 Art. 494.Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Nesse compasso, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, a fim de afastar a responsabilidade solidária entre as empresas Fidens, Visen e Minas Eólica. Adriano Gonzáles Silvério Fl. 368DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 11/02/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001350/2010-00
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2007
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA.
O conhecimento do recurso especial de divergência pressupõe que o entendimento consagrado no acórdão paradigma seja suficiente para, se adotado na situação dos autos, resultar em reforma do acórdão recorrido.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 08/03//2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 08/03//2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
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AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. O conhecimento do recurso especial de divergência pressupõe que o entendimento consagrado no acórdão paradigma seja suficiente para, se adotado na situação dos autos, resultar em reforma do acórdão recorrido. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 50 /2 01 0- 00 Fl. 938DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 EDITADO EM: 08/03//2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório Em face de Instituto Presbiteriano Mackenzie, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02/35, para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas a Seguridade Social correspondentes à parte da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – RAT, no período de 12/2006 a 12/2007. A Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 2401002.502, que se encontra às fls.828/838 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2007 OMISSÃO NO RELATÓRIO FISCAL. SANEAMENTO MEDIANTE RELATÓRIO COMPLEMENTAR. CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. VALIDADE. Havendo omissões/erros no relatório fiscal, é válido, antes da decisão de primeira instância, o saneamento, mediante a emissão de relatório complementar, desde que deste seja dada ciência ao contribuinte, com reabertura do prazo de defesa. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. VIGÊNCIA DO ART. 55 DA LEI N.º 8.212/1991. NECESSIDADE DE REQUERIMENTO À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PARA RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO. Respeitado o direito adquirido, na vigência do art. 55 da Lei n. 8.212/1991, as entidades beneficentes de assistência social deveriam, além de comprovar o cumprimento de todos os requisitos da referida norma, requerer a Administração Tributária o reconhecimento da isenção. Recurso Voluntário Negado.” A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria de votos, negou provimento ao recurso. Intimado do acórdão em 02/08/2012 (fls. 842), o contribuinte interpôs recurso especial (fls. 843/850), sustentando divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão Fl. 939DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.001350/201000 Acórdão n.º 9202003.601 CSRFT2 Fl. 7 3 n° 230200.308, no tocante à possibilidade de convalidação do lançamento por meio de relatório fiscal complementar em caso de falha na descrição dos fatos geradores. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 058/2013, de 15/01/2013 (fls. 912/915). Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pelo contribuinte, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões (917/924). É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso a admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. O recurso foi interposto em razão da divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão nº 230200.308 no tocante à possibilidade de convalidação do lançamento por meio de relatório fiscal complementar. O acórdão paradigma possui a seguinte ementa: “(...) CARACTERIZAÇÃO EMPREGADO. VÍCIO NO RELATÓRIO FISCAL, INCOMPLETO. Não se pode confundir o órgão fiscalizador com o julgador Cabe à Receita Federal fiscalizar e lançar os tributos, e cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF a tarefa de verificar a regularidade da decisão de primeira instância, e não efetuar ou complementar o lançamento. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vicio formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto n 70,235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo. Auto de infração anulado. Crédito Tributário Exonerado.” A meu ver o acórdão recorrido e o acórdão paradigma adotaram a mesma interpretação não havendo, assim, divergência de teses a permitir o conhecimento do recurso especial de divergência. Explico. Ao analisar a preliminar de nulidade do lançamento o acórdão recorrido considerou que o lançamento original de fato continha lacunas e omissões. Entendeu, no Fl. 940DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 entanto, que tais vícios foram devidamente sanados por meio do Relatório Fiscal Complementar, proferido em atendimento à solicitação de diligência efetuada antes da decisão de primeira instância, nos termos do que determina o artigo 18, parágrafo 3º do Decreto 70.235/1972. Assim o acórdão recorrido rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento O acórdão paradigma, por sua vez, foi expresso em afirmar que não cabe ao CARF (órgão julgador de segunda instância) complementar o lançamento em caso de existência de vícios, na medida em que tal providência, nos termos do artigo 18, parágrafo 3º do Decreto 70.235/1972, compete à autoridade de primeira instância. De fato, no acórdão paradigma, o voto condutor entendeu que diante dos vícios ali presentes, a complementação do lançamento determinada pelo julgador de primeira instância deveria exatamente ter sido a providência a ser adotada. Ausente tal providência determinouse o cancelamento do lançamento. Isto consta expressamente em longo trecho do paradigma: “Diante da irregularidade constatada, há que ser aplicado o Decreto n.° 70.235/1972 devendo ser efetuado novo lançamento, conforme previsto no 18, §3º, nestas palavras: “Art. 18 §3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada (Redação dada pelo art.1º da Lei n.º 8.748/93)” Tal complementação tem que ser comandada pelo órgão de primeira instância, mesmo que de oficio, pois o caput do art. 18 é determinante para a autoridade julgadora de primeira instância. É como é sabido os parágrafos e incisos devem ser interpretados em conformidade com o caput do dispositivo, que determina a regra geral. É possível a complementação do relatório fiscal por decisão de primeira instância, entretanto não cabe tal complementação pela segunda instância, pois enquanto a primeira instância aprecia a impugnação quanto ao lançamento, a segunda aprecia o recurso quanto à decisão a quo.” Para que não restem dúvidas confronto a seguir trechos dos votos do acórdão recorrido e acórdão paradigma que apontam para a adoção por ambos da mesma tese, in verbis: Acórdão recorrido (2401002.502) Acórdão paradigma (230200.308) De fato, não se pode deixar de reconhecer que o Relatório Fiscal apresentouse omisso e lacunoso quando tratou de descrever as Entendo que o lançamento possui um vício na formalização. Não restou caracterizado o enquadramento dos segurados como Fl. 941DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.001350/201000 Acórdão n.º 9202003.601 CSRFT2 Fl. 8 5 circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, mormente quanto à condição de isenta da entidade autuada. empregados. O relatório fiscal está incompleto, uma vez que não houve detalhamento acerca da subordinação, para a maioria dos casos o Auditor sequer indicou qual seria a atividade prestada pelo segurado, fl. 37. Tal situação revelase muito claramente quando o órgão de primeira instância, ao requerer a diligência lança vários questionamentos sobre fatos narrados no relato da Auditoria e pugna pela emissão de relatório complementar necessário ao saneamento das lacunas presentes na descrição inicial. Com o novo pronunciamento fiscal, todavia, verifico que foram apresentados todos os elementos necessários a boa compreensão dos motivos que deram ensejo ao lançamento. Diante da irregularidade constatada, há que ser aplicado o Decreto nº 70.235/1972 devendo ser efetuado novo lançamento, conforme previsto no 18, § 3º, nestas palavras: (...) Tal complementação tem que ser comandada pelo órgão de primeira instância, mesmo que de ofício, pois o caput do art. 18 é determinante para a autoridade julgadora de primeira instância. E como é sabido os parágrafos e incisos devem ser interpretados em conformidade com o caput do dispositivo, que determina a regra geral. Entendo ser perfeitamente cabível a emissão de relatório complementar quando o órgão julgador, percebendo algum ponto controverso na elaboração da peça inaugural do processo administrativo tributário, baixa o processo em diligência com os questionamentos que entende necessários a boa compreensão do lançamento. É de se ressaltar que, após a emissão do relatório adicional, o sujeito passivo teve a oportunidade de novamente apresentar o seu inconformismo, não se configurando qualquer prejuízo ao direito de defesa ou ao contraditório, posto que todas as vezes em que o Fisco se pronunciou foi facultada a parte adversa possibilidade de contraatacar. É possível a complementação do relatório fiscal por decisão de primeira instância, entretanto não cabe tal complementação pela segunda instância, pois enquanto a primeira instância aprecia a impugnação quanto ao lançamento, a segunda aprecia o recurso quanto à decisão a quo. O trecho constante do paradigma no sentido de distinguir entre erros/vicios que podem ou não ser complementados como resultado de diligência acabou caracterizando, em seu contexto, obter dictum e não razão de decidir, já que naquele caso concreto o voto condutor demonstrou que aceitaria a complementação em diligência determinada a partir da decisão de primeira instância, fato que aconteceu no acórdão recorrido mas não no paradigma. Destarte, tanto o acórdão recorrido quanto o acórdão colacionado como paradigma entendem que nas respectivas hipóteses seria possível a efetivação de lançamento por meio de relatório complementar a partir de diligência determinada em primeira instância. A Fl. 942DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 diferença é que no caso do acórdão recorrido tal providencia se deu enquanto no paradigma ela não aconteceu, disto decorrendo resultado diverso nos respectivos julgamentos. Em outras palavras, não é possível dizer que a adoção da tese do acórdão paradigma aos fatos do acórdão recorrido seria capaz de reverter seu resultado. Este, a meu ver o “teste” para se caracterizar a divergência, não presente na espécie. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 943DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 10183.721818/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00.
A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-O, §1º, da Lei n.º 6.938/81.
A partir do exercício de 2.002, regra geral, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal.
A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto.
A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência.
Hipótese em que o Recorrente não apresentou o ADA, mas averbou na matrícula do imóvel parte da área de reserva legal.
ITR. VALOR DA TERRA NUA - VTN. ARBITRAMENTO.
Nos termos do artigo 14, §1o., da Lei 9.393/96, combinado com o artigo 12 da Lei n. 8.629/93, o arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve observar, dentre outros critérios, o VTN médio por aptidão agrícola.
VTN. VALOR INCONTROVERSO. O Valor da Terra Nua admitido pelo contribuinte, para a propriedade, está expresso no laudo técnico que juntou aos autos e que é superior ao declarado na DIAT.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-002.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para: (a) restabelecer a área de Reserva Legal de 605 ha e (b) reconhecer como valor da terra nua o montante admitido no laudo de avaliação apresentado pelo contribuinte, de (3.630 ha - 605 ha) * R$ 420,00 = R$ 1.270.500,00.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
(assinado digitalmente)
MARIA CLECI COTI MARTINS
Redatora designada
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. A partir do exercício de 2.002, regra geral, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observandose a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal. A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência. Hipótese em que o Recorrente não apresentou o ADA, mas averbou na matrícula do imóvel parte da área de reserva legal. ITR. VALOR DA TERRA NUA VTN. ARBITRAMENTO. Nos termos do artigo 14, §1o., da Lei 9.393/96, combinado com o artigo 12 da Lei n. 8.629/93, o arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve observar, dentre outros critérios, o VTN médio por aptidão agrícola. VTN. VALOR INCONTROVERSO. O Valor da Terra Nua admitido pelo contribuinte, para a propriedade, está expresso no laudo técnico que juntou aos autos e que é superior ao declarado na DIAT. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 18 18 /2 00 9- 69 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 389 2 Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para: (a) restabelecer a área de Reserva Legal de 605 ha e (b) reconhecer como valor da terra nua o montante admitido no laudo de avaliação apresentado pelo contribuinte, de (3.630 ha 605 ha) * R$ 420,00 = R$ 1.270.500,00. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator (assinado digitalmente) MARIA CLECI COTI MARTINS Redatora designada Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 366/380) interposto em 06 de setembro de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) (efls. 324/346), do qual o Recorrente teve ciência em 10 de agosto de 2011 (efl. 354), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a notificação de lançamento de efls. 02/14, lavrada em 30 de novembro de 2009, em virtude da falta de recolhimento do ITR (não comprovação da área de reserva legal e do valor da terra nua), verificada no exercício de 2006. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 390 3 O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 NIRF: 5.118.3706 Fazenda Boa Sorte VALIDADE DO LANÇAMENTO. Não há nulidade do lançamento quando não se configura óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. MULTA E JUROS. INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. DILAÇÃO PROBATÓRIA. Em regra, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, com exceção apenas das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto n.° 70.235/1972. ÁREA DE RESERVA LEGAL E ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A exclusão da área tributável do imóvel rural, da área de reserva legal e da área de preservação permanente, para efeito de apuração do ITR, está condicionada à protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA perante o IBAMA ou órgão conveniado. VALOR DA TERRA NUA. PROVA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração quando o contribuinte não apresenta elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. É do sujeito passivo o ônus da prova do valor da terra nua do imóvel quando sua omissão tiver dado ensejo ao lançamento pela técnica do arbitramento, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96. ÁREA UTILIZADA. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. PLANO DE MANEJO FLORESTAL SUSTENTADO. A prova da exploração extrativa objeto de Plano de Manejo Florestal Sustentado (PMFS) se faz mediante comprovação de autorização pelo IBAMA e do cumprimento do respectivo cronograma de execução. ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS E ÁREA EM DESCANSO. As áreas de produtos vegetais e áreas em descanso declaradas são consideradas áreas utilizadas pela atividade rural e não foram alteradas no lançamento. Impugnação Improcedente Fl. 390DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 391 4 Crédito Tributário Mantido” (efl. 324/326). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 366/380), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Verificase que a fiscalização ao analisar a DITR do Recorrente houve por bem glosar a área de reserva legal declarada de 2.904 ha., além de corrigir o Valor da Terra Nua – VTN/ha. declarado de R$ 36.000,00 para R$ 5.562.757,20, de acordo com o “Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido” (efl. 12). Tendo em vista que a matéria no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) é recorrente, cumpre tecer alguns breves esclarecimentos antes de adentrar na questão especificamente debatida nestes autos. De fato, como é cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.” À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal n.º 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1º, como hipótese de incidência do tributo, a “propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município”. Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação do conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos citados, ao incluírem como fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini), tema que não releva na análise do presente recurso, verificase que não há qualquer discussão a respeito da incidência do tributo no que toca às áreas de preservação permanente ou de reserva florestal legal. Com efeito, muito embora em tais áreas a utilização da propriedade deva observar a regulamentação ambiental específica, disso não decorre a consideração de que referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isso porque, como se sabe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 5º da CF, possui limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5º, XIII, da CF). Fl. 391DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 392 5 Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. al.), possui o legislador uma relativa liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar, contudo, “o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, fundamentalmente, pelo poder de disposição. A vinculação social da propriedade, que legitima a imposição de restrições, não pode ir ao ponto de colocála, única e exclusivamente, a serviço do Estado ou da comunidade.” (MENDES, Gilmar Ferreira (et. al.). Curso de direito constitucional. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483). No que atine à regulação ambiental, deste modo, verificase que a legislação, muito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, na forma como estabelecido pela Constituição da República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela legislação cível. Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.º 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989” (grifei). Havendo referido dispositivo legal feito expressa referência a conceitos desenvolvidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca à seara ambiental, oportuno se faz recorrer ao arcabouço legislativo desenvolvido neste campo específico, na forma indicada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se entende por áreas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas como hipótese de isenção do ITR (redução do correspondente aspecto quantitativo). A respeito especificamente da chamada “área de preservação permanente” (APP), dispõe o Código Florestal, Lei n.º 4.771/65, atualmente regulada, também, pelas Resoluções CONAMA n. 302 e 303 de 2002, o seguinte: “Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; Fl. 392DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 393 6 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarse á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for Fl. 393DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 394 7 necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei.” Verificase, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação considera como área de preservação permanente, trazendo à baila a lição de Edis Milaré, as “florestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas, tendo em vista a sua localização e a sua função ecológica” (MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário. 5ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 691). Vale notar, nesse sentido, que nas áreas de preservação permanente, consoante esclarece o disposto pelo §1º do art. 3º, citado supra, não há qualquer possibilidade de supressão das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Não se confunde com a área de preservação permanente, no entanto, a chamada área de reserva legal, ou reserva florestal legal, cujos contornos são estabelecidos igualmente pelo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, que, na redação vigente, isto é, com a redação que lhe foi dada pela MP 2.16667/2001, assim dispõe: “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 395 8 § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da Fl. 395DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 396 9 reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (...) Art. 44. O proprietário ou possuidor de imóvel rural com área de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5o e 6o, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: I recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da área total necessária à sua complementação, com espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente; II conduzir a regeneração natural da reserva legal; e III compensar a reserva legal por outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento. § 1o Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão ambiental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar. § 2o A recomposição de que trata o inciso I pode ser realizada mediante o plantio temporário de espécies exóticas como pioneiras, visando a restauração do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais estabelecidos pelo CONAMA. § 3o A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando sua viabilidade for comprovada por laudo técnico, podendo ser exigido o isolamento da área. § 4o Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma microbacia hidrográfica, deve o órgão ambiental estadual competente aplicar o critério de maior proximidade possível entre a propriedade desprovida de reserva legal e a área escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso III. § 5o A compensação de que trata o inciso III deste artigo, deverá ser submetida à aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, e pode ser implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44B. (...)” O Código Florestal estabelece, em sua essência, como lembra MILARÉ, a idéia de disciplinar a supressão tanto das florestas e demais formas de vegetação nativa, excetuadas as áreas de preservação permanente, vistas anteriormente, como, igualmente, das Fl. 396DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 397 10 florestas não sujeitas ao regime de utilização limitada, ou já objeto de legislação específica (MILARÉ, Edis. op. cit. p. 702). Nesse sentido, lembra o referido ambientalista que “ao permitir tal supressão [de florestas] determina que se mantenha obrigatoriamente uma parte da propriedade rural com cobertura florestal ou com outra forma de vegetação nativa”, delimitando, assim, “a porção a ser constituída como Reserva da Floresta Legal” (Op. cit. p. 702). A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, “uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da forma pela qual tenha adquirido a propriedade”, estando, assim, “umbilicalmente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem” (ANTUNES, Paulo de Bessa. Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça. In: Revista de Direito Ambiental n.º 21. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 120). À luz do exposto, verificase que as restrições ambientais, tanto nos casos de áreas de preservação permanente, como naqueles em que há reserva legal, decorrem, explicitamente, da ocorrência ou verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não há a exigência, para o cumprimento das normas relativas às áreas de preservação permanente ou de reserva legal, de qualquer ato público que as constitua, mas, apenas e tãosomente, da ocorrência das hipóteses legais previstas pelo Código Florestal, bem como pelos demais atos normativos primários que disponham sobre o tema. Portanto, a averbação à margem da matrícula do imóvel da área de reserva florestal legal, com a devida vênia daqueles que entendem de forma diversa, não tem natureza constitutiva, mas simplesmente declaratória, tendo em vista que, excetuadas as hipóteses especificamente mencionadas na legislação, a observância do percentual de 20% previsto em lei independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua localização por órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65. Nesse sentido, oportuno afirmar que, muito embora a legislação preveja a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispõe o §8º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65, a sanção decorrente da falta de averbação da área de reserva legal, prevista pelo art. 55 do Decreto n.º 6.514/2008, encontrase atualmente prorrogada para 2011, de acordo com o que estatui o Decreto Federal n.º 7.029/2009, razão pela qual se infere que a legislação concedeu um período de adaptação aos proprietários, a fim de que possam cumprir referida determinação legal, deixando de cominarlhes qualquer penalidade em decorrência da falta de averbação de referida área. Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos percentuais fixados em lei para exploração de área rural decorre de normas de ordem pública, que não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este à competente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente declaratório, sendo Fl. 397DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 398 11 necessária para conferir publicidade ao gravame fixado que, como já se verberou oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental. Além da desnecessidade de averbação, para o fim específico de constituir as áreas de reserva florestal legal, igualmente não havia, até o exercício de 2000, qualquer fundamento legal para a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o fim de reduzir a base de cálculo do ITR. Nesse sentido, aliás, dispunha o art. 17O, da Lei Federal n.º 6.938/81, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n. 9.960/2000, o seguinte: "Art. 17O. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a título de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria." (AC) "§ 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é opcional." Por esta razão, portanto, isto é, por inexistir qualquer fundamento legal para a entrega tempestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela legislação atinente ao ITR, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou a seguinte súmula, extraída do texto da Portaria n.º 106/2009: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/2000 alterouse a redação do §1º do art. 17O da Lei n.º 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: “Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” Assim, a partir do exercício de 2001, a exigência do ADA passou a ter previsão legal com a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81, para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.º 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveu Fl. 398DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 399 12 se a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi facilitar a fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma “razoável efetividade da norma tributária” (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.º 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57), no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato sensu, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a previsão de entrega do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/00 a exigir, de forma a inverter o ônus da prova, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.º 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3º, I, do Decreto n.º 4.382/2002, que data de setembro de 2002. Querse com isso dizer, portanto, que, muito embora a legislação tratasse a respeito da entrega do Ato Declaratório Ambiental, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não havia disposição alguma a respeito do prazo para sua apresentação, e, menos ainda, que possibilitasse à Receita Federal desconsiderar a existência de áreas de preservação permanente ou de reserva legal no caso de apresentação intempestiva do ADA. Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são Fl. 399DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 400 13 matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. O prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por instrução normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.º 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.º 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.º 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.º 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel de imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo da norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato, passando o ônus da prova a ser do contribuinte. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico “ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio”, isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.º 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: Fl. 400DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 401 14 “Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa.” De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, para o fim de inverter o ônus da prova, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. Após o início da fiscalização, o contribuinte deve comprovar os dados constantes da DITR, por outros documentos que provem efetivamente as áreas de preservação permanente e de reserva legal, à luz do que se extrai do próprio “Manual de Perguntas e Respostas” do Ato Declaratório Ambiental (ADA) editado pelo IBAMA em 2010. De fato, de acordo com a pergunta e resposta n. 10, não seria possível a apresentação retroativa do ADA, o qual, a partir do exercício de 2007, tornouse anual. Assim, a pergunta e resposta n. 11 orienta o administrado a adotar o seguinte procedimento, em virtude da impossibilidade de apresentação retroativa do ADA: “Em virtude da impossibilidade de procederse à apresentação de ADA, de um ou mais Exercícios anteriores – por não haver retroatividade –, recomendase que seja efetuado o preenchimento do formulário referente ao Exercício em vigor, mesmo porque a apresentação, a partir do ADA – Exercício 2007 tornouse ANUAL. É necessário, também, munirse de mapa(s) georreferenciado(s) da propriedade e respectivos laudos técnicos, se disponíveis. Sua apresentação, em um primeiro momento, não é necessária ao Ibama, porém, caso haja notificação pela Receita Federal do Brasil ao proprietário rural – pela não apresentação do ADA no Exercício devido –, à ela deverão ser apresentados.” Mais adiante, em resposta à pergunta n. 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), o IBAMA relaciona os seguintes documentos: “● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; Fl. 401DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 402 15 ● Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; ● Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; ● Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).” Podese concluir, portanto, que a própria Administração Pública, que não pode venire contra factum proprium, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva legal têm efeito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatórios das áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que remete a solução da controvérsia, nas hipóteses em que ausentes a apresentação do referido ADA ou a averbação da reserva legal, à análise de cada caso concreto. No presente caso, verificase que o contribuinte não apresentou o ADA em relação ao imóvel em questão. Dessa forma, o ônus passou a ser seu acerca da comprovação da efetiva existência da área de reserva legal Nesse sentido, conforme reconheceu a própria DRJ, foi averbada a área de reserva legal de 605 ha., em 22 de junho de 1981 (efl. 302), motivo pelo qual, quanto a este aspecto, o recurso deve ser provido em parte. A legislação que rege a atividade de avaliação de imóveis, no que diz respeito ao Valor da Terra Nua – VTN, condiciona a utilização do Sistema de Preços de Terras SIPT à observância do art. 14, caput e §1º, da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que autoriza o arbitramento do VTN nos casos de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas: “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1º. As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, §1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de Fl. 402DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 403 16 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” Referido dispositivo faz expressa menção aos critérios do art. 12, §1º, inciso II, da Lei nº 8.629/93, que eram originariamente os seguintes: “Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. §2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado.” A partir de 2001, com a edição da Medida Provisória n° 2.18356, de 24 de agosto de 2001, referido art. 12 da Lei n.º 8.629/93 passou a ter a seguinte redação: "Art. 12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel; II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. § 1º Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, proceder seá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. § 2º Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. § 3º O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações." Fl. 403DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 404 17 Extraise dos mencionados dispositivos que o arbitramento do valor da terra nua, nos termos do art. 148 do CTN, deve observar os parâmetros fixados pelo artigo 12 de Lei n. 8.629/93, inclusive capacidade potencial da terra ou aptidão agrícola. Nesse sentido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão 9202003.144, relatado pelo Conselheiro Gustavo Lian Haddad, que teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 ... ITR VALOR DA TERRA NUA ARBITRAMENTO. Para aplicação do Sistema Integrado de Preços de Terras – SIPT é imprescindível que o contribuinte tenha acesso aos critérios e parâmetros utilizados para arbitramento do VTN de modo a permitir verificar o atendimento aos requisitos da legislação aplicável (art. 14 da Lei n. 9.393/1996 c/c art. 12, §1º, inciso II, da Lei no 8.629/1993). Recurso especial provido em parte” (Processo 13116.001484/200318, j. 27 de março de 2014). No presente caso, o VTN foi calculado sem aptidão agrícola (efl. 16). Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para restabelecer a área de reserva legal de 605 ha. e o VTN declarado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Voto Vencedor Conselheira Maria Cleci Coti Martins, Redatora designada Com a devida vênia ao voto do Conselheiro Relator, divirjo no que tange ao valor da terra nua aceito pelo contribuinte no ano em questão. Na contestação do lançamento, o recorrente apresentou laudo técnico aonde informa um Valor da Terra Nua, para a propriedade, superior ao declarado na DIAT. Conforme art. 334 da lei 5869/72, a informação contida no laudo foi admitida como correta pelo contribuinte, tornandose então incontroversa. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 405 18 Art. 334. Não dependem de prova os fatos: ... II afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária; III admitidos, no processo, como incontroversos; Desta forma entendo que, dadas as condições do imóvel antes relatadas, o VTN informado no laudo técnico, apresentado pelo contribuinte e juntado aos autos, deve ser utilizado para fins da tributação da propriedade rural. Conselheira Maria Cleci Coti Martins Redatora designada Fl. 405DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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Numero do processo: 10516.720008/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 25/06/2007 a 06/11/2009
INOVAÇÃO DO LANÇAMENTO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
À autoridade julgadora não é permitido ajustar o lançamento para complementar a sua fundamentação legal, eis que, além de faltar-lhe competência para tanto, implicaria cerceamento do direito de defesa à recorrente.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3402-002.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), Alexandre Kern, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 25/06/2007 a 06/11/2009 INOVAÇÃO DO LANÇAMENTO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. À autoridade julgadora não é permitido ajustar o lançamento para complementar a sua fundamentação legal, eis que, além de faltar-lhe competência para tanto, implicaria cerceamento do direito de defesa à recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), Alexandre Kern, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1909; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 553 1 552 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10516.720008/201281 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.628 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2015 Matéria Imposto sobre a Importaçao Recorrente GIGA IMPORTADORA E DISTRIBUIDORA DE ADITIVOS ALIMENTARES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 25/06/2007 a 06/11/2009 INOVAÇÃO DO LANÇAMENTO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. À autoridade julgadora não é permitido ajustar o lançamento para complementar a sua fundamentação legal, eis que, além de faltarlhe competência para tanto, implicaria cerceamento do direito de defesa à recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), Alexandre Kern, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 6. 72 00 08 /2 01 2- 81 Fl. 553DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I que julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário. Por retratar os fatos que sucederam no processo até a apresentação da impugnação, adotase aqui o relatório da decisão recorrida, que abaixo se transcreve: (...) Cuidase de processo administrativo fiscal, no qual as Autoridades Aduaneiras, por meio de Auto de Infração (fls. 02 a 24; e anexos; e Relatório de Fiscalização às fls. 306 a 359 do e processo, e documentos acostados), constituíram crédito tributário em face da empresa GIGA IMPORTADORA E DISTRIBUIDORA DE ADITIVOS ALIMENTARES LTDA., doravante por vezes designada simplesmente GIGA, e como responsável solidário, a empresa LUCHEBRAS LABORATÓRIO DE PROCESSOS INDUSTRIAIS LTDA., doravante por vezes designada simplesmente LUCHEBRAS. O valor total do crédito tributário lançado em face da GIGA perfaz a soma de R$ 1.358.059,93 (um milhão, trezentos e ciquenta e oito mil, cinquenta e nove reais e noventa e três centavos), consoante se observa por exemplo do Resumo do Crédito Tributário Apurado à fl. 359 do eprocesso. E, conforme se verifica do mesmo documento, o valor total do crédito tributário lançado em face da LUCHEBRAS perfaz a soma de R$ 422.194,33 (quatrocentos e vinte e dois mil, cento e noventa e quatro reais e trinta e três centavos). Oportuno salientar, no entanto, que nos presentes autos (PAF 10516.720.008/201281), o valor total é de R$ 1.358.059,93. O referido valor de R$ 422.194,33 restou constituído nos autos do PAF 10516.720.007/201237). O contribuinte Giga Importadora e Distribuidora de Aditivos Alimentares Ltda teve ciência editalícia do Auto de Infração em 30/07/2012 (fl. 474). Não impugnou o ato fiscal e consequentemente foi lavrado o Termo de Revelia de fl. 467. O contribuinte Luchebras Laboratório de Processos Industriais Ltda EPP, responsável solidário, teve ciência da autuação em 31/07/2012 (fls. 459 e 460). Interpôs a impugnação de fls. 382 a 412 (380 a 410 do eprocesso) em 31/07/2012, juntamente com os documentos de fls. 413 a 457. Os Autos de Infração Nos termos da autuação fiscal e dos documentos que instruem o processo, asseveram as Autoridades Aduaneiras que a subscreveram haverem constatado, em apertada síntese, que: No ano de 2009, o Departamento de Polícia Federal (DPF) realizou a operação “HÉRCULES”. O Relatório sobre a operação identificou condutas criminosas contra o sistema financeiro nacional praticadas de forma contumaz pelos responsáveis das casas de câmbio CASA BRANCA CÂMBIO E TURISMO LTDA e VASQUES TURISMO, bem como por muitos de seus clientes. Por meio desse Relatório, foram identificados pela Receita Federal do Brasil (RFB) integrantes de Fl. 554DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10516.720008/201281 Acórdão n.º 3402002.628 S3C4T2 Fl. 554 3 várias sociedades empresárias importadoras, principalmente do Rio Grande do Sul, mas também de algumas sociedades paulistas e catarinenses, que cometeram ilícitos contra o sistema financeiro nacional, ordenando o envio de divisas ao exterior à margem do sistema oficial de câmbio brasileiro. A fim de apurar a participação de tais integrantes e de suas sociedades importadoras em fraudes no comércio exterior brasileiro, foi deflagrada, em novembro de 2011, operação conjunta do DPF e da RFB, chamada “HERÁCLIDAS”. Este Relatório trata da fiscalização das sociedades importadoras LUCHEBRÁS LAB. DE PROCESSOS INDUSTRIAIS LTDA.EPP., CNPJ 06.910.888/000186, e GIGA IMPORTADORA E DISTRIBUIDORA DE ADITIVOS ALIMENTARES LTDA., CNPJ 02.286.065/000170, identificadas na operação “HÉRCULES” e que foram alvos da operação “HERÁCLIDAS”, obedecendo ao Mandado de Busca e Apreensão (MBA) n° 7284110, fls. 025 e 026, o qual foi cumprido apenas na sede da sociedade LUCHEBRÁS. O referido MBA também mandava que se realizasse busca e apreensão na sede da sociedade GIGA, mas a mesma encontravase fechada no dia do cumprimento do MBA, permanecendo fechada até a data da última visita ao seu endereço, dia 02/07/2012. Que após a apreensão, o DPF copiou os documentos e arquivos magnéticos apreendidos e disponibilizou essas cópias para a equipe de fiscalização aduaneira da RFB, para avaliação de seus conteúdos, a fim de se verificar se esses documentos e arquivos magnéticos continham provas de fraudes praticadas por LUCHEBRÁS e GIGA em suas operações de importação. Realizadas as análises, a equipe de AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil responsável por esta fiscalização verificou a existência de provas de: a) gerenciamento fraudulento nas sociedades LUCHEBRÁS e GIGA, pois quem efetivamente comandava estas sociedades eram: GIOVANNA PINTO LUCHESE, CPF 000.588.14043, um dos sócios da sociedade LUCHEBRÁS; seu pai, CLÓVIS BENEDITO LUCHESE, CPF 263.866.66020, sócio até 26/11/1999 da GIGA; e MODESTO CARRO LOUREIRO, CPF 430.708.17068, sócio de 08/01/2007 a 11/06/2007 da LUCHEBRÁS. NAIR TORNUS LUCHESE, CPF 492.401.45087, sócia majoritária da LUCHEBRÁS é mãe de CLÓVIS; b) subvaloração fraudulenta, que é quando o importador declara em suas declarações de importação (Dl), de forma intencional, valor aduaneiro inferior ao valor aduaneiro real; e c) evasão de divisas, na forma de pagamentos efetuados ao exterior à margem do sistema regular de câmbio. Que GIGA e LUCHEBRÁS não eram duas sociedades empresárias independentes, pois na verdade eram uma sociedade composta, chamada aqui por esta fiscalização de grupo GIGALUCHEBRÁS, utilizando definição empregada por GIOVANNA ao se referir a atuação das duas sociedades... Este grupo vai ganhar mais tarde a companhia da sociedade PH LÍQUIDO DO BRASIL. Que a administração desse grupo cabia a três pessoas: CLÓVIS e MODESTO, duas pessoas estranhas aos quadros sociais das duas sociedades; e GIOVANNA, sócia administradora da LUCHEBFRÁS. Que “Identificamos dois graves problemas nas operações de importação realizadas pelo grupo GIGALUCHEBRÁS. O primeiro problema foi quanto ao valor aduaneiro dessas importações. Os valores aduaneiros declarados pelo grupo em suas declarações de importação (Dl), base de cálculo dos tributos incidentes nessas operações, eram bem mais baixos do que os valores efetivamente negociados com o exterior. O segundo problema identificado é um Fl. 555DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA 4 efeito necessário (criminosamente necessário) do primeiro. Falamos dos pagamentos remetidos ao exterior, à margem do sistema oficial brasileiro de câmbio, das diferenças entre os valores realmente negociados e os valores declarados pelo grupo GIGALUCHEBRÁS”. Com base nos fatos narrados, e documentos carreados ao processo, foram lavrados os Autos de Infração ora em exame, do qual os autuados, conforme mencionado linhas atrás, tomaram ciência, mas tãosomente impugna as autuações a empresa LUCHEBRAS. A Impugnação Conforme salientado, o contribuinte Giga Importadora e Distribuidora de Aditivos Alimentares Ltda. teve ciência do Auto de Infração em 30/07/2012 (fl. 377). Não impugnou o ato fiscal e consequentemente foi lavrado o Termo de Revelia de fl. 467. O contribuinte Luchebras Laboratório de Processos Industriais Ltda. EPP, responsável solidário, teve ciência da autuação em 31/07/2012 (fls. 459 e 460). Interpôs a impugnação de fls. 382 a 412 em 31/07/2012, juntamente com os documentos de fls 413 a 457. Em sua impugnação, a LUCHEBRAS alega, em apertado resumo: Que demonstrará, “ao longo da inconformidade ora apresentada as seguintes questões: (a) quanto à sujeição passiva da Impugnante relativamente às operações realizadas pela Giga: (a.1) a ausência de formação de grupo econômico entre as empresas; e (a.2) a falta de suporte fático para enquadrar a Impugnante como contribuinte solidário; (b) quanto aos créditos tributários exigidos: (b.1) a improcedência dos autos de infração lavrados no presente processo administrativo; e (b.2) subsidiariamente, a inaplicabilidade da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria na hipótese em exame” (fl. 382). Que restará provado inequivocamente que a relação havida entre as empresas (LUCHEBRAS e GIGA) sempre foi estritamente comercial, afastandose, por conseguinte, a existência do indigitado grupo econômico GigaLuchebras e, consequentemente, a responsabilidade da Impugnante pelo suposto crédito tributário exigido nos autos; Que a relação havida entre as empresas era meramente comercial, decorrente, em especial, de contrato de industrialização por encomenda firmado entre as partes em 03.01.2005, acrescido do adendo 1, de 03.01.2006, e do adendo 2, de 10.06.2008 (doc. 01 – juntado à impugnação); que, conforme se extrai do referido contrato, a Impugnante foi contratada para proceder à industrialização dos produtos encomendados pela Giga; nos termos da cláusula “b),2” do instrumento particular em comento, a Giga fornecia as matérias primas e insumos necessários à industrialização. Que justamente essa era a relação existente entre as empresa. Ou seja, a Giga adquiria os insumos no mercado internacional e, após o devido ingresso dos produtos no país, remetiaos à Impugnante, que, por sua vez, realizava o processo de industrialização para, em seguida, devolver os produtos àquela; que a Giga era, portanto, simples cliente da Impugnante; Com vistas a provar o acima alegado, Impugnante junta notas fiscais emitidas pela Giga entre 04.05.2007 e 29.07.2007, a fim de mostrar a efetiva remessa dos produtos por ela importados para a Impugnante para fins de industrialização (doc. 02). Outrossim, acosta aos autos as notas fiscais emitidas pela Impugnante que atestam o retorno das Fl. 556DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10516.720008/201281 Acórdão n.º 3402002.628 S3C4T2 Fl. 555 5 referidas mercadorias para a Giga após o processo de industrialização (doc. 03). Com amparo nesses elementos probatórios, resta claro – conforme alega – que o registro no fluxo de caixa da Impugnante de movimentações relacionadas às notas fiscais mencionadas, antes de militar em favor da existência de grupo econômico, prova a real relação única e exclusivamente comercial existente entre as empresas. Em adição, cumpre fazer referência a email enviado por funcionário da Impugnante, em 07.08.2009, no qual há uma planilha de controle das pendências do cliente Giga. Depreendese de tal documento a existência de cobranças bancárias e, inclusive, de protestos, por parte de Impugnante, de duplicatas emitidas pela Giga em seu favor (doc. 04). Nesse contexto, assevera a impugnante que: “Ora, soa, no mínimo, extremamente inverossímil que determinada empresa proteste em cartório título de crédito emitido por outra integrante do mesmo grupo econômico. Tal elemento, com efeito, constitui indicio forte e contundente acerca da inexistência do grupo GigaLuchebras, fantasiado pelo Fisco”. Nessa linha, afirma que “fulminada a pretensa existência de fato do suposto grupo GigaLuchebras, é manifesta a ilegitimidade da Impugnante para figurar no pólo passivo das obrigações tributárias veiculadas nos autos, uma vez que sua responsabilização partiu da referida premissa, agora desconstituída por prova clara e convincente”. Também contesta a capitulação legal utilizada pelas Autoridades Aduaneiras em relação à sujeição passiva tributária. Alega que: “mesmo que se aceitassem as falsas inferências sobre a formação de um suposto grupo econômico, a atribuição de sujeição passiva à Impugnante encontra óbice diante do equivocado enquadramento da Impugnante como contribuinte no lançamento fiscal. Consoante se depreende do Relatório de Fiscalização, a Impugnante foi enquadrada na condição de contribuinte solidário, com base nos arts. 121. I, c/c 124, I, ambos do CTN, relativamente aos tributos e penalidades exigidos em razão das operações realizadas pela Giga. De acordo com as razões expostas pelo Fisco, a Impugnante, ao formar um suposto grupo econômico com a Giga, teria interesse comum nos fatos geradores que ensejaram as autuações (art. 124, I, CTN). Assim, no entendimento da Autoridade Aduaneira, a Impugnante, por tais fundamentos, teria relação pessoal e direta com a entrada no Brasil dos produtos importados pela Giga, resultando daí sua condição de contribuinte (art. 121, I, CTN). Entretanto, é incontroverso que os fatos descritos no Relatório de Fiscalização, ainda que se mostrassem verossímeis, jamais poderiam ensejam a autuação da impugnante como contribuinte (art. 121, I, CTN) das obrigações tributárias da Giga. A situação descrita pelo Fisco poderia autorizar, no máximo, a verificação de alguma hipótese de responsabilidade tributária (art. 121, II, CTN) apta a justificar, em um plano abstrato, a sujeição passiva da Impugnante. Isso porque, não existem dúvidas a respeito da condição de terceiro quanto aos supostos fatos geradores em análise” (fl. 388 e 389). Alega ainda a não ocorrência de subvaloração fraudulenta e de remessa ilegal de divisas para o exterior nas importações, ao asseverar que: “Mesmo que se pudesse admitir a sujeição passiva da Impugnante no presente caso o que se afirma apenas a hipoteticamente e a título argumentativo é certo que as ditas infrações que serviram de base para o lançamento fiscal não estão suficiente e Fl. 557DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA 6 satisfatoriamente provadas, motivo pela qual os autos de infração estão eivados de manifesta nulidade”. E que “nesse sentido, são basicamente duas as acusações que o Relatório de Fiscalização atribui à Importadora e que fundamentam as exigências fiscais veiculadas no presente processo administrativo: (a) subvaloração fraudulenta na importação de mercadorias pela não declaração dos royalties supostamente pagos ao exportador; e (b) remessa ilegal de divisas para o exterior a fim de realizar o pagamento dos alegados royalties que não teriam sido incluídos no valor aduaneiro {base de cálculo dos tributos incidentes nas operações). Acontece que, ao contrário do sustenta o Fisco, não se encontra nos autos a comprovação de que houve o efetivo pagamento de royalties para o fornecedor estrangeiro PH Liquid Belgium em função das aquisições de PH Liquid...” (grifos ora acrescidos). Que em relação aos fatos referentes à alegada evasão de divisas, afirma que “o primeiro indício que aparenta sustentar a presunção elaborada pelo Fisco sobre o ponto em questão consiste no relatório da Polícia Federal sobre a Operação Hércules. Contudo, tal documento sequer menciona a Importadora, tampouco faz qualquer referência à empresa. Em suma, o indigitado relatório policial não aponta a realização de qualquer operação financeira irregular pela Importadora por meio da casa de câmbio investigada (fl. 349). Ademais, conforme se depreende do próprio relatório lavrado pela Autoridade Policial, parcialmente transcrito nos autos, o proprietário da aludida casa de câmbio forneceu a relação dos 63 (sessenta e três) clientes que utilizavam sua empresa como instrumento para a realização de operações financeiras irregulares e nessa lista não figurava a Importadora tampouco a Impugnante (fl. 349). Desse modo, como então aceitar a presunção do Fisco no sentido de que nas operações de importação da Importadora houve remessa ilegal de divisas se a própria prova indiciária (relatório da Polícia Federal) não aponta para a ocorrência de qualquer operação financeira ilegal?”. Por derradeiro, defende a inaplicabilidade da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria aos casos de subfaturamento. Nessa linha, afirma que “supondose ... a ocorrência do alegado subfaturamento, a penalidade aplicável ao caso seria a multa administrativa de 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação, mas, em hipótese alguma, a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias” visto que há previsão dessa penalidade específica para os casos de subfaturamento, contida no art. 88, parágrafo único, da MP 2.15835/2001, e nos arts. 108, parágrafo único, e 169, II, do DecretoLei 37/66 (v. fls. 403 a 406). Pelo esposado, a impugnante requer seja acolhida a impugnação para cancelar, ao menos em relação à impugnante, o lançamento tributário em sua integralidade ou, subsidiariamente, para afastar a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. Esta, a síntese das alegações da impugnante, acima qualificada. É o breve relato do essencial. (...) Fl. 558DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10516.720008/201281 Acórdão n.º 3402002.628 S3C4T2 Fl. 556 7 Mediante o Acórdão nº 1652.252, de 31/10/2013, a 11ª Turma da DRJ/São Paulo I, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela Luchebras Laboratório de Processos Industriais Ltda. EPP, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 25/09/2007 a 06/11/2009 SUBFATURAMENTO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. SOLIDARIEDADE. Segundo a legislação do Comércio Exterior, a pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. Exegese do art. 95 do Decretolei 37/1966. MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE. ENTREGA A CONSUMO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR DA MERCADORIA. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. As empresas Giga e Luchebrás foram regularmente cientificadas, por via postal, da decisão de primeira instância em 17/12/2013. Em 14/01/2014, a empresa LUCHEBRAS LABORATÓRIO DE PROCESSOS INDUSTRIAIS LTDA. apresentou recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) com alegações semelhantes àquelas da Impugnação (vide Relatório da decisão recorrida), acrescentando também algumas insurgências em face da decisão recorrida. O referido recurso, abaixo sintetizado, foi subdividido nos seguintes tópicos: 1. Dos fatos: A recorrente apresentou impugnação, mediante a qual sustentou e provou: (a) quanto à sujeição passiva da Impugnante relativamente às operações realizadas pela Giga: (a.1) erro crasso no seu enquadramento como contribuinte solidário e (a.2) ausência de formação de grupo econômico entre as empresas; (b) quanto aos créditos tributários exigidos: (b.1) a improcedência dos autos de infração e (b.2) a inaplicabilidade da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. Sobreveio o Acórdão nº 1652.252, no qual os julgadores praticamente repisaram os argumentos da autoridade autuante, com exceção da questão atinente à sujeição passiva, em relação à qual houve manifesta alteração dos fundamentos jurídicos do lançamento. O referido acórdão não deu o tratamento adequado ao caso, pois: 1°) é evidente a alteração do fundamento legal para a sujeição passiva; 2º) inexiste grupo econômico entre a recorrente e a Giga; 3º) não se vislumbra a ocorrência de subfaturamento nas importações; e 4º) é inaplicável a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. 2. Das razões para reforma do Acórdão: Fl. 559DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA 8 2.1. Da ilegitimidade passiva da recorrente: 2.1.1. Do erro na atribuição de sujeição passiva à recorrente na qualidade de contribuinte solidário: No lançamento fiscal, a recorrente foi considerada contribuinte solidário com base nos arts. 121, I c/c 124, I do CTN, relativamente aos tributos e penalidades exigidos em razão das operações de importação realizadas pela Giga. Segundo o Fisco, o interesse comum nos fatos geradores seria em face da recorrente formar um suposto grupo econômico com a Giga (art. 124, I do CTN), de forma que teria relação pessoal e direta com a entrada no Brasil dos produtos importados pela Giga, resultando daí sua condição de contribuinte (art. 121, I do CTN). No entanto, os fatos descritos no processo jamais poderiam ensejar a autuação da recorrente como contribuinte (art. 121, I do CTN), mas, no máximo, a verificação de alguma hipótese de responsabilidade tributária (art. 121, II do CTN). Com relação ao imposto sobre importação e ao PIS/Pasepimportação e à Cofinsimportação, somente poderia ser enquadrado como contribuinte o importador, assim considerado aquele que promove a entrada de mercadorias estrangeiras no território nacional (art. 31, I do Decretolei nº 37/66), que, no caso concreto, é, indiscutivelmente, a Giga. Ademais, não é correto imputar a condição de contribuinte à recorrente com base no art. 124, I do CTN em razão de um suposto interesse comum, pela alegada formação de grupo econômico. Isto porque, a solidariedade a que se refere a norma é entre as pessoas que corealizam o fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na situação, conforme precedentes colacionados. Desse modo, afastada sua condição de contribuinte solidário em relação às importações realizadas pela Giga, inferese que somente poderia ser conferida, em tese, a condição de responsável tributário à recorrente, no que o Fisco não logrou êxito. Evidenciado o erro na identificação do sujeito passivo, que se apresenta como vício material do lançamento (art. 142 do CTN), o qual não permite a contagem especial do prazo de decadência previsto no art. 173, II do CTN. Por último, é de se enfatizar a invalidade da pretensão do acórdão recorrido de alterar o fundamento legal da sujeição passiva da recorrente de contribuinte (art. 121, I c/c art. 124, I do CTN) no auto de infração para responsável solidário (art. 95, I do Decretolei nº 37/66), o que não é lícito. As delegacias de julgamento não têm competência para celebrar o lançamento, nem para agraválo ou para aperfeiçoálo. Razão pela qual o acórdão guerreado é nulo na parte em que alterou a espécie de sujeição passiva atribuída à recorrente no lançamento de ofício. 2.1.2. Da inexistência do alegado grupo GigaLuchebras: A relação havida entre as empresas era meramente comercial, decorrente, em especial, de contrato de industrialização por encomenda firmado entre as partes, conforme comprovam os documentos acostados na impugnação: contrato de industrialização e notas fiscais de remessas e de retorno de mercadorias. A recorrente foi contratada para proceder à industrialização dos produtos encomendados pela Giga, que fornecia as matérias primas e insumos necessários à industrialização. A Giga adquiria os insumos no mercado internacional e, após o devido ingresso dos produtos no país, remetiaos à Impugnante, que, por sua vez, realizava o processo de industrialização para, em seguida, devolver os produtos àquela. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10516.720008/201281 Acórdão n.º 3402002.628 S3C4T2 Fl. 557 9 Com amparo nesses elementos probatórios, resta claro que o registro no fluxo de caixa da recorrente de movimentações relacionadas às notas fiscais apresentadas, antes de militar em favor da existência de grupo econômico, prova a real relação única e exclusivamente comercial existente entre as empresas. Em adição, cumpre fazer referência ao email enviado por funcionário da recorrente, em 07.08.2009, no qual há uma planilha de controle das pendências do cliente Giga. Depreendese de tal documento a existência de cobranças bancárias e, inclusive, de protestos, por parte da recorrente, de duplicatas emitidas pela Giga em seu favor. Nesse contexto, assevera que: “Ora, soa, no mínimo, extremamente inverossímil que determinada empresa proteste em cartório título de crédito emitido por outra integrante do mesmo grupo econômico. Tal elemento, com efeito, constitui indício forte e contundente acerca da inexistência do grupo GigaLuchebras, fantasiado pelo Fisco (...)”. Conclui a questão com a afirmação que “fulminada a pretensa existência de fato do suposto grupo GigaLuchebras, é manifesta a ilegitimidade da Impugnante para figurar no pólo passivo das obrigações tributárias veiculadas nos autos, uma vez que sua responsabilização partiu da referida premissa, agora desconstituída por prova clara e convincente”. 2.2. Da não ocorrência de subvaloração nas importações: A decisão atacada não levou em consideração os argumentos apresentados na impugnação da recorrente, deixando de analisar os fatos e provas relacionados às quatro importações realizadas pela Giga, que são objeto do presente feito, limitandose a transcrever os termos do Relatório de Fiscalização acerca de uma das operações, referente ao processo administrativo nº 10516.720007/201237. Pelo que é clara, no caso, a preterição do seu direito de defesa. São basicamente duas as acusações que o Relatório de Fiscalização atribui à Importadora e que fundamentam as exigências fiscais veiculadas no presente processo administrativo: subvaloração fraudulenta na importação de mercadorias pela não declaração dos royalties supostamente pagos ao exportador; e remessa ilegal de divisas para o exterior a fim de realizar o pagamento dos alegados royalties que não teriam sido incluídos no valor aduaneiro. Acontece que, ao contrário do sustenta o Fisco, não se encontra nos autos a comprovação de que houve o efetivo pagamento de royalties para o fornecedor estrangeiro PH Liquid Belgium em função das aquisições de PH Liquid. Os supostos fatos indiciários trazidos a lume pelo Fisco resumemse a meras trocas de mensagem eletrônicas, nas quais o fornecedor estrangeiro exige o pagamento de valores a esse título, e simples planilhas apócrifas e sem identificação com dados das operações, que, aparentemente, evidenciariam a cobrança de royalties. Não há, nos autos, a prova direta da prática de irregularidades pela Giga nas operações de importação, sendo que tampouco os supostos indícios são capazes de justificar a lavratura dos autos de infração. Em relação à alegada evasão de divisas, é incontroverso que não se pode concluir pela sua ocorrência tão somente com amparo nos fatos delineados pela autoridade lançadora. Salienta a recorrente que “o primeiro indício que aparenta sustentar a presunção elaborada pelo Fisco sobre o ponto em questão consiste no relatório da Polícia Federal sobre a Operação Hércules. Contudo, tal documento sequer menciona a Importadora, tampouco faz qualquer referência à empresa. Em suma, o indigitado relatório policial não aponta a realização Fl. 561DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA 10 de qualquer operação financeira irregular pela Importadora por meio da casa de câmbio investigada (fl. 349). Ademais, conforme se depreende do próprio relatório lavrado pela Autoridade Policial, parcialmente transcrito nos autos, o proprietário da aludida casa de câmbio forneceu a relação dos 63 (sessenta e três) clientes que utilizavam sua empresa como instrumento para a realização de operações financeiras irregulares e nessa lista não figurava a Importadora (Giga), nem a Recorrente (fl. 349). Desse modo, como então aceitar a presunção do Fisco no sentido de que nas operações de importação da Importadora houve remessa ilegal de divisas se a própria prova indiciária (relatório da Polícia Federal) não aponta para a ocorrência de qualquer operação financeira ilegal?”. Sem a prova cabal da remessa de recurso ao exterior, descabe falar em evasão de divisas, que se caracterizaria pelo envio de dinheiro a outrem no exterior à margem do sistema de câmbio oficial brasileiro. Também inexiste no processo a referência a Declarações de Importação de outros importadores que pudessem servir de parâmetro para evidenciar a subvaloração fraudulente que se pretende atribuir à importadora e à recorrente. Conforme pesquisa efetuada pela recorrente no sistema Aliceweb o produto de NCM 29181100 tem o preço médio de 2,04 euros/kg, semelhantes aos declarados nas DI´s ora sob questionamento. 2.3. Da inaplicabilidade da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadorias aos casos de subfaturamento: Mostrase evidente a inaplicabilidade da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, com base no art. 23, IV e §3º do Decretolei nº 1.455/76 c/c o art. 105, VI e XI do Decretolei nº 37/11, pela apresentação de faturas comerciais ideologicamente falsas em relação ao valor aduaneiro, abaixo daquele efetivamente pago ao exportador. À luz do critério da especialidade, quando se estiver diante de subfaturamento em razão de falsa declaração de valor, a consequência deve ser a aplicação da multa no valor de 100% da diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação, conforme previsto no art. 88, parágrafo único, da MP 2.15835/2001, e nos arts. 108, parágrafo único, e 169, II, do DecretoLei 37/66. Requereu a responsável solidária, ao final, o conhecimento e o provimento do recurso voluntário para cancelar, ao menos em relação a si, o lançamento tributário em sua integralidade, ou, subsidiariamente, para afastar a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA O recurso atende aos requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Passo a analisar a preliminar de ilegitimidade passiva da recorrente. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10516.720008/201281 Acórdão n.º 3402002.628 S3C4T2 Fl. 558 11 Conforme consta no Relatório de Fiscalização (fl. 349) e no Termo de Ciência de Sujeição Passiva Solidária (fls. 459/460), cujos trechos foram transcritos abaixo, no presente processo, em que as importações foram efetuadas pela empresa Giga, esta seria a contribuinte principal, nos termos do art. 121, I do CTN, sendo a recorrente Luchebrás "contribuinte solidário", por interesse comum na situação que constitui o fato gerador, nos termos do art. 124, I do CTN: [Relatório de Fiscalização] (...) 110. Formalmente, existe o limite entre LUCHEBRÁS E GIGA, mas materialmente este limite nunca existiu, havendo uma confusão entre as duas sociedades. Tal relação jurídica indica o caminho a ser seguido na responsabilização das sociedades integrantes do esquema fraudulento de importações do grupo GIGALUCHEBRÁS: LUCHEBRÁS como contribuinte principal quanto às suas operações de importação e GIGA, como contribuinte solidário nestas operações, invertendose a relação nas operações de importação registradas em nome da GIGA. A condição de solidariedade entre LUCHEBRÁS e GIGA vem do Código Tributário Nacional (grifo nosso): Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) [Termo de Ciência de Sujeição Passiva] (...) Face ao exposto (...), ficou perfeitamente caracterizada a responsabilidade solidária de que trata o inciso I do artigo 124 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), abaixo in verbis: (...) Fica, portanto, a sociedade LUCHEBRÁS LABORATÓRIO DE PROCESSOS INDUSTRIAIS LTDA. EPP, CNPJ 06.910.888/000186, na condição de RESPONSÁVEL SOLIDÁRIACONTRIBUINTE, (...) Ao que se depreende da leitura da autuação, a recorrente não foi incluída no processo como o "responsável" a que se refere o art. 121, II do CTN, mas como Fl. 563DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA 12 "solidariamente obrigada" com a contribuinte Giga, nos termos do art. 124, I do CTN, em face da constatação, nos autos, de uma sociedade de fato, denominada "Grupo GigaLuchebrás". Neste ponto, cabe citar a doutrina de Leandro Paulsen (Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2008, p. 909), acerca da interpretação do art. 124 do CTN: Não é forma de inclusão de terceiro, mas grau de responsabilidade dos coobrigados, sejam contribuintes, ou contribuinte e responsável tributário. "4. A solidariedade não é forma de eleição de responsável tributário. A solidariedade não é espécie de sujeição passiva por responsabilidade indireta, como querem alguns. O Código Tributário Nacional, corretamente, disciplina a matéria em seção própria, estranha ao Capítulo V, referente à responsabilidade. (...)"(Derzi, Misabel Abreu, Atualização da obra de Aliomar Baleeiro, Direito Tributário Brasileiro. 11ª ed. Rio de Janeiro: Forense, p. 729). Sustenta a recorrente a invalidade do acórdão recorrido por ter alterado o fundamento legal da sujeição passiva da recorrente de contribuinte (art. 121, I c/c art. 124, I do CTN) no auto de infração para responsável solidário (art. 95, I do Decretolei nº 37/66). Neste ponto, verificase que, realmente, a decisão de primeira instância inseriu o art. 95, I do Decretolei nº 37/66 para a responsabilização da recorrente no presente processo, em caráter complementar aos arts. 121, I e 124, I do CTN, que já constava na autuação, conforme trechos abaixo transcritos da ementa e do voto do Relator: Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 25/09/2007 a 06/11/2009 SUBFATURAMENTO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. SOLIDARIEDADE. Segundo a legislação do Comércio Exterior, a pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. Exegese do art. 95 do Decretolei 37/1966. (...) Voto DA SOLIDARIEDADE PASSIVA. Questão tangente ao mérito e abordada com profundidade na peça impugnatória referese à solidariedade passiva tributária. Sobre a sujeição passiva tributária, dispõe o Código Tributário Nacional (CTN) que: “Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10516.720008/201281 Acórdão n.º 3402002.628 S3C4T2 Fl. 559 13 Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.” “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” Ou seja, a pessoa obrigada ao pagamento de penalidade pecuniária é considerada sujeito passivo de obrigação principal. Chamase “contribuinte” aquele que possua “relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador”. A leitura do artigo 121 implica a conclusão de que para o CTN o “infrator” é também “contribuinte”, se possuir “relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador”. Além disso, sendo diversos os coautores da infração sujeita a pena pecuniária, são todos responsáveis solidários, por possuírem interesse jurídico comum no ilícito que dá azo à penalidade pecuniária (obrigação principal), nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN. Em complemento às disposições do Código Tributário Nacional, o DecretoLei nº 37/1966 definiu especificamente a responsabilidade pelas infrações aduaneiras. É o que se observa da letra de seus artigos 94 e 95, in verbis: (...) Nos termos do Decretolei 37/1966, comete infração toda a pessoa física ou jurídica que, por ação ou omissão, voluntária ou involuntária, não observe norma estabelecida no Decretolei, em seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. Consoante se verifica da legislação acima referenciada, o enquadramento legal da sujeição tributária passiva, na seara do Direito Aduaneiro, embora obviamente tenha sustentáculo no CTN (norma geral de Direito Tributário), deve obedecer aos ditames da norma legal específica, qual seja, o Decretolei nº 37, de 1966. Isto posto, passase a analisar a sujeição tributária no caso concreto. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA 14 Estaria correta em parte a sustentação da impugnante – no sentido de que a situação descrita pelo Fisco poderia autorizar, no máximo, a verificação de alguma hipótese de responsabilidade tributária (art. 121, II, CTN) – se não houvesse ficado devidamente demonstrado e provado, nestes autos, como será pormenorizado linhas adiante, a existência de uma sociedade de fato, formada pelas empresas GIGA, LUCHEBRAS e, ainda, por seus DIRIGENTES, sociedade de fato denominada, na autuação, de “Grupo GIGALUCHEBRÁS”. Dessa forma, pela aplicação do inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, entende este relator que a responsabilidade tributária é, neste processo, conjunta, entre as empresas GIGA, LUCHEBRÁS e seus dirigentes de fato. (...) Em obediência aos princípios da ampla defesa, do contraditório e da segurança jurídica, prescritos no art. 2º da Lei nº 9.784/99, não pode a autoridade julgadora alterar ou complementar a motivação ou capitulação legal do lançamento fornecida pela autoridade autuante. Assim não fosse, estaria havendo claro cerceamento do direito de defesa dos interessados, os quais não poderiam presumir, na apresentação da impugnação ou do recurso, qual seria a futura fundamentação legal do órgão julgador para eventualmente manter o lançamento. Nesse sentido, sustentando a impossibilidade de inovação do lançamento pela autoridade julgadora, há precedentes do então Primeiro Conselho de Contribuintes, cujas ementas abaixo se transcreve: Acórdão nº 10322.569 do Primeiro Conselho de Contribuintes/3ª Câmara, de 27/07/2006: (...) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – INOVAÇÃO IMPOSSIBILIDADE O deverpoder de decidir conferido ao Delegado da Receita Federal de Julgamento está adstrito aos termos do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, não lhe sendo permitido aperfeiçoálo ou transformálo de qualquer forma, sob pena de transposição de sua competência legal. Recurso Voluntário a que se dá provimento. Publicado no D.O.U. nº de 30/08/06. Acórdão nº 10809.256 do Primeiro Conselho de Contribuintes/8ª Câmara, de 28/03/2007: (...) ERRO NA MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPOSSIBILIDADE DE AJUSTE PELA AUTORIDADE JULGADORA – À autoridade julgadora (DRJ ou Conselho de Contribuintes) não é permitido ajustar o lançamento, ainda que na motivação constante da descrição dos fatos, por faltarlhe competência para tanto e também por implicar cerceamento do direito de defesa. Embargos acolhidos. Acórdão nº 10516.834 do Primeiro Conselho de Contribuintes/5ª Câmara, de 22/01/2008: Fl. 566DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10516.720008/201281 Acórdão n.º 3402002.628 S3C4T2 Fl. 560 15 (...) LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO INOVAÇÃO IMPOSSIBILIDADE É insubsistente a parcela de crédito tributário, tida como “mantida” pela autoridade administrativa julgadora, quando se constata que ela está fundada em elementos não considerados no lançamento original. Nos termos do art. 59, II do Decreto nº 70.235/72, são nulos "os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa", sendo que está nulidade deve ser declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade, em conformidade com o art. 61 desse mesmo Decreto. No caso presente, a inovação do lançamento pela autoridade julgadora deuse com a complementação da fundamentação legal da responsabilidade solidária disposta no lançamento. No entanto, a fundamentação original (art. 121, I c/c art. 124, I do CTN) poderia, em tese, ser suficiente para arrolar a recorrente como "solidariamente obrigada" com a contribuinte, desde que comprovado, nos autos, o seu "interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal". Assim, a eventual análise da preliminar de exclusão de responsabilidade da recorrente por este Conselho Administrativo, em conformidade com a autuação fiscal, com saneamento da irregularidade/nulidade da decisão de primeira instância, poderia acarretar à recorrente a supressão de uma instância de julgamento no que concerne a essa matéria. Pelo que meu voto é no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja declarada a nulidade do Acórdão de primeira instância, devendo o processo retornar à Delegacia de Julgamento para que seja proferida nova decisão com saneamento da irregularidade ora apontada. É como voto. Sala das Sessões, em 29 de janeiro de 2015. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relator Fl. 567DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA
score : 1.0
Numero do processo: 15504.018522/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. EMPRESA NÃO INSCRITA NO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório n° 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário
Nereu Miguel Ribeiro Domingues Presidente em Exercício
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente os Conselheiros Julio César Vieira Gomes e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. EMPRESA NÃO INSCRITA NO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório n° 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário Nereu Miguel Ribeiro Domingues Presidente em Exercício Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente os Conselheiros Julio César Vieira Gomes e Lourenço Ferreira do Prado.
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ALIMENTAÇÃO IN NATURA. EMPRESA NÃO INSCRITA NO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório n° 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 85 22 /2 00 9- 19 Fl. 677DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por NEREU MIGUE L RIBEIRO DOMINGUES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário Nereu Miguel Ribeiro Domingues – Presidente em Exercício Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente os Conselheiros Julio César Vieira Gomes e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por NEREU MIGUE L RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 15504.018522/200919 Acórdão n.º 2402004.547 S2C4T2 Fl. 678 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 0228.723 da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte (MG), fl. 200202 (doc. incompleto), com ciência ao sujeito passivo em 25/02/2011, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado sob o Debcad no 37.234.5409, do qual o sujeito passivo foi cientificado pessoalmente em 03/12/2009, fl. 2. De acordo com o relatório fiscal, fl. 2026, o lançamento trata de exigência de contribuições patronais, destinadas à Seguridade Social, inclusive a destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre a parcela in natura referente à alimentação fornecida aos empregados (café, lanches, refeições e cestas básicas), sem a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), no período de 01/2005 a 12/2005. A autuada apresentou impugnação, fl. 154184, solicitando o cancelamento do crédito tributário, alegando, em síntese, não incidência de contribuições previdenciárias sobre alimentação in natura concedida aos seus empregados, conforme decisões judiciais, inconstitucionalidade da taxa Selic e ausência de razões para emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP). A decisão de primeira instância julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário lançado. Em 29/03/2011, a autuada interpôs recurso voluntário, fl. 206220, solicitando seu provimento, alegando, em síntese, não incidência de contribuições previdenciárias sobre alimentação in natura concedida aos seus empregados, conforme decisões judiciais colacionadas, e efeito confiscatório das multas e dos juros aplicados. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por NEREU MIGUE L RIBEIRO DOMINGUES 4 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Recurso Voluntário Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Alimentação in natura fornecida pela empresa aos empregados. Não incidência A interpretação literal do art. 28, § 9o, alínea "c", da Lei 8.212/1991 combinado com a Lei 6.321/1976, leva ao entendimento de que só ocorre isenção da parcela in natura quando concedida nos termos do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), pois, do contrário, a verba paga a título de alimentação in natura é considerada salário indireto e, por consectário lógico, integra a remuneração do trabalhador: Lei 8.212/91 § 9o Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei no 9.528, de 10.12.97) ... c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça passou a interpretar esse dispositivo legal à luz dos arts. 195, I, alínea "a", e 201, § 11, da Constituição Federal, pacificando o entendimento de que este pagamento se trata de verba indenizatória não sujeita à incidência de contribuição social previdenciária, sendo irrelevante o fato de a empresa estar ou não inscrita no PAT. O entendimento de que o pagamento in natura não configura hipótese de incidência de contribuição previdenciária por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT, foi adotado pelo Ato Declaratório n° 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), publicado no D.O.U. de 22/12/2011, que dispõe o seguinte: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5° do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/N° 2117/2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: Fl. 680DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por NEREU MIGUE L RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 15504.018522/200919 Acórdão n.º 2402004.547 S2C4T2 Fl. 679 5 "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". JURISPRUDÊNCIA: Resp n° 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp n° 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp n° 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp n° 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp n° 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp n° 977.238/RS (dJ 29/11/2007). Conforme previsão do art. 62, parágrafo único, II, “a”, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº256, de 22 de junho de 2009, é permitido aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de lei com base em ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Assim, a parcela do pagamento in natura de que trata este processo não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), uma vez que o pagamento não possui natureza salarial. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por NEREU MIGUE L RIBEIRO DOMINGUES
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Numero do processo: 19515.000985/2007-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004
CONEXÃO. DISTRIBUIÇÃO POR DEPENDÊNCIA. FALTA DE REQUISITOS. INDEFERIMENTO.
Não há como acolher a preliminar de dependência de julgamento, quando não estão presentes os requisitos legais, mormente se as partes envolvidas são diversas e integram relações jurídicas distintas.
PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA.
Evidenciado que o contribuinte figura como titular de fato de conta bancária na qual foram movimentados recursos, não há como prosperar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo.
PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide.
SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Sigilo bancário não pode ser oposto quando há decisão judicial que autorizou a quebra.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser regularmente intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - FLUXO FINANCEIRO - INCLUSÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS E REPASSES BANCÁRIOS
A inclusão, no fluxo financeiro para apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, de depósitos bancários (como origens) e repasses bancários (como dispêndios) descaracteriza a metodologia de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto (presunção de omissão de rendimentos), tendo em vista, que para os casos da existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos, existe a imposição de tributação especifica (art. 42 da Lei n° 9.430/96), e que deve prevalecer nestes casos.
Numero da decisão: 2202-003.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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DISTRIBUIÇÃO POR DEPENDÊNCIA. FALTA DE REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Não há como acolher a preliminar de dependência de julgamento, quando não estão presentes os requisitos legais, mormente se as partes envolvidas são diversas e integram relações jurídicas distintas. PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Evidenciado que o contribuinte figura como titular de fato de conta bancária na qual foram movimentados recursos, não há como prosperar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Sigilo bancário não pode ser oposto quando há decisão judicial que autorizou a quebra. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser regularmente intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO FLUXO FINANCEIRO INCLUSÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS E REPASSES BANCÁRIOS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 85 /2 00 7- 86 Fl. 839DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 A inclusão, no fluxo financeiro para apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, de depósitos bancários (como origens) e repasses bancários (como dispêndios) descaracteriza a metodologia de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto (presunção de omissão de rendimentos), tendo em vista, que para os casos da existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos, existe a imposição de tributação especifica (art. 42 da Lei n° 9.430/96), e que deve prevalecer nestes casos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO. Relatório Por bem sintetizar os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório do acórdão de impugnação formalizado pela Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II (DRJ/SP2). Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o auto de infração de fls. 410 a 417, referente aos anoscalendário de 2001 a 2003, para a constituição do crédito tributário no montante de R$ 19.937.957,21, sendo R$ 7.739.004,13 a título de imposto, R$ 6.394.699,99, de multa de ofício, e R$ 5.804.253,09, de juros de mora, calculados até 30/04/2007. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 415 a 417) que foram apuradas as seguintes infrações: omissão de rendimentos caracterizada por variação patrimonial a descoberto, por ter sido verificado excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados. Enquadramento legal: arts. Io , 2o e 3 o e §§, da Lei n° 7.713/88; arts. I o e 2o , da Lei n° 8.134/90; arts. 55, inciso XIII e parágrafo único, 806 e 807 do Decreto n° 3.000/1999 RIR/99; art. I o da Medida Provisória n° Fl. 840DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000985/200786 Acórdão n.º 2202003.030 S2C2T2 Fl. 840 3 22/2002, convertida na Lei n° 10.451/2002; art. 173, inciso I, da Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN); omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Enquadramento legal: art. 849 do RIR/1999, art. 42 da Lei n° 9.430/1996; art. 4 o da Lei n° 9.481/1997; art. I o da Lei n° 9.887/1999; art. I o da Medida Provisória n° 22/2002, convertida na Lei n° 10.451/2002; art. 173, inciso I, do CTN. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 486 a 489, que integra o auto de infração, consignouse o que segue, em síntese: conforme Representação Fiscal n° 15/05/MTBCBCHUDSON BANK "Doleiro", de 14 de setembro de 2005, encaminhada pela Equipe Especial de Fiscalização constituída pela Portaria SRF n° 463/04, foram identificadas operações financeiras no exterior, realizadas por meio da conta n° 30172829, denominada Raintree Ltd., mantida no MTBCBCHUDSON BANK, que tinha como titular, dentre outros, o Sr. Enrique Javier Rivas Blanco; Em 16 de dezembro de 2003, o Juízo da Suprema Corte do Estado de Nova Iorque, Estados Unidos da América, expediu "Order to Disclose" e permitiu a liberação para as autoridades brasileiras de informações acerca de investigações sobre lavagem de dinheiro naquele país; em 29 de abril de 2004, em decisão no Processo n° 2004.70000082670, o Juízo da 2a Vara Criminal Federal de Curitiba/PR decretou a quebra do sigilo bancário e autorizou o Ministério Público Federal a utilizar documentos e mídias eletrônicas recebidas da "CPMI do Banestado", relativos a contas mantidas nas instituições financeiras: MTBCBCHUDSON BANK, Safra Bank e Lespan; no item "26" da citada decisão judicial, o Juízo autoriza o compartilhamento de todos os dados com a Receita Federal, o Banco Central e o COAF, para instruir as atividades específicas desses órgãos; os documentos foram objeto de análise técnica pelo Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal, que emitiu diversos laudos técnicos, dentre os quais o Laudo de Exame EconômicoFinanceiro N° 703/2000 INC (fl. 73); conforme o citado laudo, os exames realizados com base nos dados da conta n° 30172829, denominada "Raintree Ltda.", restringiramse às transferências eletrônicas (wire transfers), tendo sido analisadas as ordens de pagamento recebidas (I e C) ou remetidas (O e D); os principais campos existentes nessas ordens de pagamento (planilhas eletrônicas) estão descritos no item 10 do Laudo de Exame EconômicoFinanceiro (fl. 75); foram anexadas ao presente procedimento planilhas impressas, com a movimentação financeira da conta citada (fls. 195 a 307); segundo o Relatório de Identificação de Conta Mantida no MTBCBCHUDSON BANK, contido na Representação Fiscal 15/05/MTBCBCHUDSON BANK "Doleiro", de 14 de setembro de 2005 (fl. 70), foram identificados como titulares da conta já citada os contribuintes Elvira Sanchez Pluchino, CPF n° 022.824.42857, e Enrique Javier Rivas Blanco, CPF 033.320.17870, ambos com domicílio em São Paulo, pelos motivos a seguir: Fl. 841DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 no documento HUB 0059019, intitulado "CERTIFICATION OF BENEFICIAL OWNERSHIP" (fl. 85), os dois diretores são indicados como proprietários da Raintree Ltd.; são eles os diretores, sócios, etc, conforme documento HUB 0057511 (fl.103); o documento HUB 0057515 (fl. 107) é cópia do Cartão de Assinaturas dos dois titulares; o documento HUB 0057518 (fl. 110), continuação do documento denominado "ACOUNT AGREEMENT", contém nomes e assinaturas de ambos os titulares da conta"; diante das evidências da existência de movimentação financeira no exterior, o contribuinte Enrique Javier Rivas Blanco foi intimado, por via postal, a comprovar com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, a origem dos recursos movimentados no exterior, no MTBCBCHUDSON BANKHUB, a crédito na conta n° 030172829, cujos valores estão descritos nos Anexos ao Termo de Intimação (fls. 353/373), e, ainda, a apresentar cópia dos documentos constitutivos e esclarecimentos relativos à empresa Raintree Ltd.; em resposta à intimação, o fiscalizado alegou que era apenas funcionário do Sr. Francisco Fernandez Bernardez, o qual era o responsável pela administração, que jamais teve acesso a documentos bancários da conta mencionada e que não integrou o quadro social da empresa, e requereu o fornecimento de cópias de todos os documentos em que conste sua assinatura ou que façam menção ao seu nome; com vistas a propiciar ao contribuinte a mais ampla possibilidade de esclarecimento dos fatos, foramlhe encaminhados, em anexo ao Termo de Intimação datado de 19/03/2007, os documentos solicitados (fls. 380/389), tendo sido o fiscalizado reintimado a comprovar, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, a origem dos recursos movimentados no exterior, no MTBCBCHUDSON BANKHUB, a crédito na conta Raintree Ltd, n° 030172829, cujos valores constam dos "Anexos ao Termo de Início de Fiscalização", lavrado em 15/12/2006; os esclarecimentos prestados pelo fiscalizado (transcrição de fl. 06 do Termo de Verificação Fiscal, fl. 402) contradizem os fatos descritos nos documentos que lhe foram disponibilizados pela Fiscalização (enumerados à 07 do mesmo Termo, fl. 403); com base nos documentos analisados, concluise que o fiscalizado Enrique Javier Rivas Blanco, CPF n° 033.320.17870, era de fato um dos titulares da conta n° 030172829, denominada Raintree Ltd., mantida no MTBCBCHUDSON BANK de Nova Iorque, Estados Unidos da América; ante a falta de comprovação da origem dos recursos movimentados na referida conta, foi apurada a omissão de rendimentos, nos termos do art. 42, § 4 o e § 6o , da Lei n° 9.430/1996; na cópia do Cartão de Assinaturas n° HUB 0057526 (fl. 118), da conta n° 030172829, constam os nomes de três titulares: Elvira Sanchez Pluchino, Enrique Javier Ribas Blanco e Francisco Fernandez Bernardez, fato que demonstra tratarse de conta mantida em conjunto; uma vez que os titulares da conta apresentaram declaração de rendimentos em separado nos anos de 2001, 2002 e 2003, o valor dos rendimentos omitidos provenientes dos créditos de origem não comprovada foi imputado a cada titular Fl. 842DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000985/200786 Acórdão n.º 2202003.030 S2C2T2 Fl. 841 5 mediante a divisão do total de rendimentos omitidos pela quantidade de titulares (demonstrativos de fls. 09 e 10 do Termo de Verificação Fiscal, fls. 405 e 406); foi efetuada também a análise da variação patrimonial do contribuinte, considerando as ordens de pagamento a crédito da conta (I ou C) como origens de recursos e as ordens de pagamento a débito (O ou D) como aplicações de recursos; no Demonstrativo de Variação Patrimonial Fluxo Financeiro Mensal (fls. 392 a 394), foram considerados apenas os recursos movimentados no exterior, uma vez que não houve comprovação de que os rendimentos em reais oferecidos à tributação foram utilizados para suprir as ordens de pagamento a crédito ou a débito da conta mantida no MTBCBC HUDSON UNITED BANKHUB; foi apurada omissão de rendimentos proveniente de acréscimo patrimonial a descoberto para os anoscalendário de 2002 e 2003. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 01 de junho de 2007, por via postal, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 419). Em 27 de junho de 2007, apresentou a impugnação de fls. 421 a 452, na qual alega o que segue, em síntese: DAS PRELIMINARES: Não há tributação sobre valores movimentados fora do território nacional Nos Autos de Infração e Termos que os integram, ficou demonstrado que os valores em moeda estrangeira não foram movimentados em território nacional, mas sim no exterior. Não há quaisquer indícios ou provas de que os valores saíram ou entraram no Brasil, não havendo, portanto, remessas de valores para fora do País. Segundo alega o Fisco, toda movimentação de valores no exterior foi feita por uma firma denominada Raintree Ltd., cuja existência legal não foi comprovada neste procedimento fiscal. Aliás, o fiscal autuante exigiu que fossem apresentados os documentos que provassem a existência jurídica da referida firma. Mas isso não foi feito pelos impugnantes, que eram apenas empregado e esposa, respectivamente, do Sr. Francisco F. Bernardez, que morreu. Pelas razões acima, vislumbrase uma aberração jurídica incontornável, visto que o fisco pretendeu, mas não conseguiu, autuar a Raintree Ltd., pessoa jurídica responsável acusada de ter movimentado dinheiro fora do Brasil. Uma vez que a legislação pátria não prevê a tributação de valores que não entraram no Brasil e não saíram do território nacional e que se movimentaram por empresa juridicamente inexistente, os Autos de Infração, inclusive o lavrado contra a impugnante, não podem prosperar, seja por falta de objeto e, principalmente, porque não ocorreram os fatos geradores previstos na legislação do imposto de renda, na medida em que há apenas notícia, indício (não prova) de movimentação de dinheiro estrangeiro fora do território nacional e cuja titularidade não foi comprovada. Cerceamento do direito de defesa O impugnante era apenas empregado de confiança do falecido Sr. Francisco Bernardez, mas sem qualquer poder de gerência e sem conhecimento da língua inglesa, razões pelas quais ficou impossibilitado de responder adequadamente ao Fisco. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 A impossibilidade fática e jurídica de a impugnante se defender e exercer plenamente o direito de defesa garantido pelo art. 5o , XXXIV da Constituição, caracteriza o cerceamento de defesa, gerando nulidade do Auto de Infração, nos termos do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Ilegitimidade de parte a) responsabilidade pessoal do sóciogerente infrator O sujeito passivo da relação jurídica tributária é a pessoa jurídica Raintree e não o mero procurador da empresa autuada. Todavia, o fisco transferiu a responsabilidade tributária da empresa Raintree ao procurador, Sr. Francisco, porque considerou erroneamente que tal pessoa praticou atos com infração de lei, quando movimentou dinheiro em outro país, sem anuência do Fisco nacional. Agora, no presente Auto de Infração, transfere tal responsabilidade a outro procurador, o impugnante, que nem mesmo exercia a gerência ou administração dos negócios da Raintree. Houve aplicação indevida do art. 135 do CTN, tendo sido considerada a responsabilidade do procurador Francisco F. Bernardez, de forma tácita. Embora não haja prova cabal, alega o Fisco no primeiro AI que, ao movimentar dólares no exterior ao arrepio da lei, o Sr. Francisco Bernardez cometeu infração à lei. Concluise, pois, que a responsabilidade é pessoal, excluindose a responsabilidade da pessoa jurídica da qual era o procurador, bem como a responsabilidade dos demais procuradores, inclusive do ora impugnante, que era na verdade simples empregado. Nosso ordenamento jurídico determina que o Fisco tem o dever de descrever minuciosamente as infrações cometidas pela pessoa física, determinando com clareza a autoria, efetuando a capitulação legal, sem deixar de mencionar o fator tempoespaço (dia, hora, local). A lei tributária exige, para caracterizar a responsabilidade pessoal, nos termos do art. 135 do CTN, que o procurador deve agir com excesso de poder ou com infração de lei. Tais irregularidades, se existirem, só podem ser imputadas, exclusivamente, à empresa Raintree Ltd. e/ou seus verdadeiros sócios constituídos no Contrato Social, mas não ao impugnante ou à esposa dr Sr. Francisco, d. Elvira, nem mesmo ao próprio Sr. Francisco Bernardez (já falecido). (Cita entendimento doutrinário acerca da responsabilidade de que cuida o art. 135 do CTN). Requer seja considerado parte ilegítima na presente relação jurídicoprocessual, visto que não era administrador ou gerente da empresa Raintree, cuja existência não foi comprovada pelo Fisco e porque, para o Fisco, somente o falecido Francisco poderia, se vivo fosse, responder por possíveis infrações a ele imputadas. b) Aplicação do Princípio da Intranscendência e a extinção da punibilidade Se o Fisco optou pela autuação da pessoa física do Espólio de Francisco F. Bernardez é porque reconheceu que a Raintree Ltd. e demais sócios constituídos no Contrato Social não têm qualquer responsabilidade tributária. Ficou claro que o impugnante não praticou quaisquer atos ilícitos, mesmo porque nunca exerceu atividade de gerente da empresa, era simples empregado. Não se comprovou nos autos que o dinheiro movimentado pertencia ao impugnante. A Constituição Federal garante que a pena não ultrapassa a pessoa do infrator e o nosso código de processo penal e o código penal reconhecem a "extinção da punibilidade" com a morte do infrator. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000985/200786 Acórdão n.º 2202003.030 S2C2T2 Fl. 842 7 Se o patrão do impugnante é parte ilegítima, o empregado tem a mesma sorte, porquanto não pode responder por infração de natureza meramente administrativa cometida por outrem. Para o fisco afirmar que o dinheiro movimentado pertencia ao impugnante, ao patrão Francisco, a lei exige mais do que meros indícios, exige prova cabal e definitiva, que não existe nos autos. Se não há prova alguma contra o falecido Francisco, com muito mais razão inexiste prova ou indícios contra o empregado ou contra a viúva. Requer o reconhecimento da intranscendência da punibilidade e da ilegitimidade da parte, com a consequente extinção do processo. Lançamento fundamentado em documentos inidôneos O Fiscal conclui, sem juntar quaisquer documentos de existência efetiva da empresa, que os documentos em língua inglesa anexados aos autos comprovam ser o impugnante proprietário da firma Raintree Ltd. e titular de conta bancária no exterior. Todavia, de forma conflitante, exige nos termos de intimação que o contribuinte apresente documentos idôneos que comprovem a existência da firma Raintree Ltda. e a existência de depósitos bancários. Ficou demonstrado nos Termos lavrados que os documentos em língua inglesa nada provam, pois, se provassem as propriedades da empresa e dos depósitos, o fisco não pediria que o próprio autuado apresentasse tais "provas". A autoridade fiscal lavrou o presente Auto de Infração porque o impugnante não teve condições de explicar as operações consideradas irregulares pelo Fisco, que acusa seu falecido patrão de têlas efetuado, apresentando como prova documentos em língua estrangeira. Tais documentos não atendem aos requisitos de validade da tradução juramentada e da autenticação pela autoridade brasileira. Não há também descrição detalhada dos fatos ocorridos e sim meros demonstrativos baseados em cópias de documentos alienígenas e não traduzidos, impedindo a contestação ou impugnação. Não se afirme que há presunção de legitimidade nos atos praticados pelos agentes públicos, uma vez que sempre devem ser praticados dentro dos ditames legais, sob pena do "excesso de exação", tipo penal presente em nosso ordenamento jurídico para o caso da ocorrência de lançamento com valores exagerados ou ilegítimos. Os laudos somente terão validade se acompanhados dos documentos originais. O perito da Administração Pública, seja servidor do Fisco ou da Polícia, não tem competência para traduzir documento feito em língua estrangeira. Não se vê nos autos nenhum documento original que comprove que o impugnante, que dona Elvira, ou mesmo seu falecido esposo Francisco F. Bernardez, tenham efetuado movimentação de dinheiro fora do país. Os meros indícios trazidos aos autos pelos documentos estrangeiros apenas fazem referência à empresa Raintree Ltd., que o impugnante nem se lembra mais quando o seu patrão pediu sua assinatura para o que quer que seja relacionado a tal empresa. O impugnante nunca teve contato com quaisquer empresas ou bancos estrangeiros citadas nas "xerocópias" que acompanham o auto de infração. Não entende porque seu patrão é acusado de movimentar dinheiro fora do Brasil, pois sempre o Fl. 845DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 considerou pessoa responsável e idônea. Se tal fato ocorreu, com certeza o dinheiro era dos verdadeiros titulares da Raintree Ltda. Levandose em conta a legislação pátria, a autoridade estrangeira invadiu a privacidade dos impugnantes sem autorização judicial e sem prévia existência de processo administrativo ou procedimento fiscal em curso. Aplicase, por isso, o art. 59 do Decreto 70.235/1972, que trata das regras da nulidade (Cita decisões dos tributais pátrios, que teriam fundamento no art. 13 da Constituição Federal., no art. 224 do Código Civil e nos arts. 156 e 157 do Código de Processo Civil, e, ainda, o art. 129, item 6o , da Lei n° 6.015/1973, bem como o Provimento n° 58/89, capítulo XIX, item 5, "f, expedido pela Justiça Paulista. Traz, ainda, à colação entendimentos doutrinários acerca do tema em foco). Inexistindo prova (documentos enviados pelas autoridades norteamericanas), o processo não pode prosseguir e deve, por isso, ser arquivado, pois os demonstrativos feitos pelo próprio Fisco e as cópias dos documentos estrangeiros não traduzidos são impertinentes e imprestáveis. Requer seja o presente processo declarado nulo, por estar embasado em demonstrativos elaborados pelos próprios fiscais e documentos sem valor probatório. DO MÉRITO: Autuação com base em mera presunção Não há nos autos prova alguma da existência de "depósito bancário" em nome do impugnante ou de seu falecido patrão Francisco. Há referência (e não prova) de "movimentações" de dinheiro pela empresa Raintree Ltd. Mas o real depósito, a efetiva existência de dinheiro e da quantia exata, a prova da titularidade e a qualificação do correntista não existem, apenas mera presunção. A descrição dos fatos é bastante vaga e fundamentada exclusivamente em demonstrativos feitos pelo próprio fiscal e documentos estrangeiros de conteúdo indecifrável. A capitulação legal da autuação também é vaga e inadequada. A descrição dos fatos constante no Auto de Infração não se enquadra, de forma perfeita, nos dispositivos legais citados pelo autuante. A autuação partiu da falsa presunção de que o dinheiro movimentado no exterior são depósitos em conta bancária do infrator, sem mencionar a titularidade dos depósitos e os valores exatos. Tratase, portanto, de autuação fiscal por mera presunção, procedimento execrado pela Justiça, pelos julgadores administrativos e pela doutrina, que entendem prevalecer o princípio da verdade real ou material. A Administração não pode aplicar o princípio da verdade presumida ou ficta. A doutrina atual insiste em aplicar o princípio da verdade material no processo administrativo (cita lições de Hely Lopes Meirelles e Celso Antonio Bandeira de Mello). No caso em espécie, não ocorreu o fato gerador da obrigação tributária. O fisco não provou que o contribuinte Francisco, quando vivo, tenha auferido renda ou obtido vantagem econômica, ou seja, não há prova de omissão de receita e, sobretudo, da operação de movimentação de dinheiro próprio fora do país. Se não há prova contra o patrão Francisco, muito menos há contra o impugnante. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000985/200786 Acórdão n.º 2202003.030 S2C2T2 Fl. 843 9 Não houve o fenômeno da subsunção do fato à norma, mesmo porque não ocorreu, no mundo fenomênico, o fato (omissão de receita e depósito/crédito de dólares) mencionado nos autos, pois o dinheiro movimentado não pertencia ao contribuinte falecido, muito menos a seu exempregado, ora impugnante. Houve, no caso, flagrante desrespeito ao princípio da legalidade. Ter o nome numa relação emitida em documento estrangeiro (não traduzido), que nem ao menos foi juntado aos autos, não é fato jurídico tributário, tipificado na lei tributária. Mesmo se o fisco provasse a existência concreta dos depósitos, estes, por si só, não têm o condão de fundamentar o lançamento tributário, na medida em que a jurisprudência judicial e administrativa entende que os depósitos bancários não representam aquisição de disponibilidade econômica (transcreve ementas de julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls. 441 a 443). Transferência do ônus da prova ao autuado Cabe ao contribuinte comprovar a origem dos depósitos bancários somente quando o fisco lhe apresenta os extratos bancários obtidos de forma legal. Nestes autos, não ficou provada a movimentação irregular ou depósito ilegal, através de documento idôneo. Nem há documento comprovando que o impugnante depositou ou recebeu dólares em banco estrangeiro ou que movimentou dinheiro fora do Brasil irregularmente. Na autuação em exame, o fisco não pediu ao contribuinte que provasse a origem dos depósitos, mas que provasse o próprio depósito ou movimentação de dinheiro. Pediu, ainda, que o autuado provasse a existência da empresa Raintree Ltd. e que é realmente titular da pessoa jurídica. Absurdamente, a Administração Fiscal exigiu nos Termos de Início de Fiscalização e Intimação Fiscal, que o impugnante confessasse eventual depósito feito no exterior, a movimentação de dólares, ser "titular" de empresa e confessasse em qual estabelecimento fez o eventual depósito e qual quantia foi depositada, Tal pretensão é inconstitucional, consoante art. 5o , LVII e LXIII, da Carta Magna. Se os documentos juntados pelo fisco fossem provas contundentes, seria totalmente desnecessária a lavratura do Termo de Início de Fiscalização e do Termo de Intimação. Cabe ao Fisco provar, através de documento idôneo, a existência de depósito bancário e da efetiva movimentação de dólares no exterior, pertencentes ao autuado. Requer, por esse motivo, que declare nulo o presente processo por absoluta falta de provas hábeis e idôneas. Não ocorrência do fato gerador Não ficou provado nos autos que o impugnante, o seu patrão Sr. Francisco e muito menos a sua viúva Elvira tenham movimentado dólares de suas propriedades ou que tenham feito depósito em banco no exterior em suas contas. Não se provou o depósito, muito menos a titularidade. Cabe à Administração Fiscal efetuar diligências a fim de apurar a verdade material, sendo lhe defeso exigir do contribuinte qualquer tipo de confissão ou de auto acusação. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 O Fisco simplesmente relacionou os valores em demonstrativos com base em documentos inidôneos, calculando o imposto de renda sobre tal "base de cálculo", por arbitramento, procedimento esse não mais admitido pela jurisprudência administrativa (transcreve decisões do Primeiro Conselho de Contribuintes e menciona os seguintes dizeres de Hugo de Brito Machado: "Não há renda, nem provento, sem que haja acréscimo patrimonial"). Decadência O ocorreu a decadência do direito de o Fisco proceder ao lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 31 de janeiro de 2001 a 30 de abril de 2002, à luz do disposto no art. 150, § 4o , do CTN, bem como da doutrina e da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (transcrições às fls. 449 a 460). REQUERIMENTO: Requer seja julgada procedente a impugnação, seja em relação às preliminares arguidas, seja quanto ao mérito, determinandose a anulação do Auto de Infração e o cancelamento do crédito tributário nele consubstanciado. Pelo despacho de fls. 470 a 473, desta Terceira Turma de Julgamento, foi o feito baixado em diligência para que se providenciasse a tradução de alguns dos documentos constantes dos autos, o que foi feito, conforme se verifica às fls. 484 a 565. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência (fls. 574 a 654) e apresentou a manifestação de fl. 655, na qual alega que restariam corroboradas as alegações de que seria mero procurador da empresa. A DRJ/SP2 julgou improcedente a impugnação, por unanimidade de votos, em decisão consubstanciada no acórdão nº 1748.548, da 3ª Turma, que foi assim ementado: Assunto : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003 PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Evidenciado que o contribuinte figura como titular de fato de conta bancária na qual foram movimentados recursos, não há como prosperar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Uma vez que o auto de infração foi lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento, não há que se cogitar de nulidade ou ocorrência de cerceamento do direito de defesa. PRELIMINAR. NULIDADE. INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS. Não constitui irregularidade a juntada aos autos de documentos em língua estrangeira, seja por terem sido disponibilizados nos moldes de Acordo de Assistência Judiciária em Matéria Penal, seja por haver referências expressas a eles em português, no Termo de Verificação Fiscal, ou porque os principais documentos que comprovam a titularidade da conta bancária no exterior examinada têm o nome/assinatura do impugnante. Ademais, providenciada a tradução juramentada dos documentos e dela cientificado o contribuinte, este nada acrescentou à defesa. Já os demonstrativos elaborados pela Fiscalização baseiamse em planilha resultante do exame, realizado pelo Instituto de Criminalística do Departamento de Polícia Federal, em mídia digital disponibilizada por autoridades estrangeiras, após quebra de sigilo bancário autorizada judicialmente. Portanto, não se vislumbra a existência de vícios na instrução do feito. Fl. 848DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000985/200786 Acórdão n.º 2202003.030 S2C2T2 Fl. 844 11 LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. Nas hipóteses em que estiver presente o evidente intuito de fraude, a contagem do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento é disciplinada pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. A existência de obstáculo judicial, que impeça a ação da autoridade fiscal para a formalização da exigência tributária, suspende o curso do prazo previsto para a prática do ato administrativo de lançamento. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Configura omissão de rendimentos a variação patrimonial a descoberto, apurada no cotejo das movimentações a crédito e a débito da conta bancária no exterior da qual o contribuinte é titular, não cabendo considerar como origem os rendimentos em reais oferecidos à tributação, sem a comprovação de que estes foram utilizados para suprir as ordens de pagamento a crédito ou a débito da referida conta. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão em 26 de abril de 2011 (fl. 690), o contribuinte, por meio de procurador legalmente habilitado, interpôs recurso voluntário em 25 de maio de 2011 (fls. 697 a 731), com as seguintes alegações, em resumo: Conexão entre os processos dos sócios da empresa: Foram efetuados três lançamentos, um em face do recorrente, outro em face de Elvira Sanchez Pluchino, e o terceiro em face de Francisco Fernandez Bernardez (espólio), intitulados como beneficiários da conta mantida pela empresa Raintree Ltd, perante o MTC CBCHudson Bank, em Nova Iorque (EUA); o lançamento efetuado contra o espólio de Francisco Fernandez Bernardez já teve seu recurso apreciado pelo CARF, com provimento para cancelar o crédito tributário, conforme Acórdão nº 220200.385, Relator Nelson Mallmann; tornase imperativo que o presente recurso seja distribuído por dependência ao Conselheiro Nelson Mallmann, considerando a conexão entre os processos, sob pena de ensejar decisões conflitantes baseadas nos mesmos eventos; a decisão proferida no Acórdão nº 220200.385 deve ser considerada com efeito vinculante, para propiciar um desfecho uníssono, sob pena de ferir o princípio da segurança jurídica. Ilegitimidade passiva Fl. 849DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 o Fisco ignorou o fato de que a empresa Raintree Ltd se fazia representar por pessoas físicas, dentre elas o recorrente, que figurava como um dos procuradores, e baseado em suposições não comprovadas nos autos entendeu por autuar os procuradores da empresa em seu lugar, afrontando o artigo 135 do CTN; os documentos de constituição da empresa encontramse no processo e mostram que o senhor Luiz Alberto Lerena Lopez, único conselheiro e acionista majoritário, outorgou procuração a Francisco Fernandez Bernardez, Elvira Sanchez Pluchino e Enrique Javier Rivas Blanco; a própria decisão recorrida ressalta que a única razão pela qual o documento Certification of Beneficial Ownership foi preenchido e enviado pelos procuradores da empresa ao banco era cumprir as exigências da legislação local, ou seja, a legislação americana exige a identificação dos beneficiários das contas privadas; em cumprimento ao USA Patriot Act, os representantes da conta mantida pela empresa Raintree Ltd foram obrigados a assinar o Certification of Beneficial Ownership, para fins de identificar os representantes da empresa perante aquela conta corrente mantida no MTCCBCHudson Bank e assim o fizeram com base estrita na procuração outorgada pelo Conselheiro da Raintree em seu nome; observandose a movimentação bancária da conta em questão, verificase com facilidade a quantidade de entradas e saídas sempre de terceiras pessoas, o que denota o exercício das atividades da empresa no ramo de turismo e câmbio, de acordo com seu contrato social; não há qualquer indício de beneficiamento das pessoas físicas autuadas, não ocorrendo o fato gerador do imposto, pois os autuados assinaram o Certification of Beneficial Ownership como procuradores (p.o.a. power of attorney); a empresa também teve de providenciar informações vindas de advogados confirmando a regularidade da pessoa juídica nas Ilhas Virgens Britânicas (BVI), conforme carta enviada pelo banco à empresa em 31/10/2002 (HUB 0059021); a existência legal da empresa é indiscutível e não há qualquer indício de beneficiamento dos seus representantes ou de utilização da pessoa jurídica para benefício da pessoa física; as possíveis irregularidades deveriam ser apuradas junto ao sócio gerente da empresa, sendo que a empresa e seu diretor são estrangeiros, sem domicílio fiscal no Brasil; conforme se verifica pela documentação acostada aos autos, a empresa sempre atuou de forma regular; em 16/12/1986, através da deliberação do único sócio Conselheiro, sr. Luiz Alberto Lerena Lopez, foram constituídos procuradores da empresa o sr. Francisco Fernandez Bernardez, sua esposa Elvira Sanchez Pluchino e o sr. Enrique Javier Rivas Blanco, bem como emitidos 4 Certificados de Ações ao Portador, sendo: "Certificado nº 1 1 ação ao Portador Certificado nº 2 1 ação ao Portador Certificado nº 3 1 ação ao Portador Fl. 850DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000985/200786 Acórdão n.º 2202003.030 S2C2T2 Fl. 845 13 Certificado nº 4 49.997 ações ao Portador." fica claro o caráter fiduciário das ações emitidas em favor dos três procuradores da empresa, que se tornaram sócios para fins de representação da mesma na ausência do sócio Conselheiro; a ilegitimidade passiva do recorrente é indiscutível, pois ainda que tivessem sido observados os requisitos do artigo 135 do CTN, esta responsabilidade não seria solidária ou subsidiária, mas sim pessoal. Elenca duas decisões do CARF. Omissão de rendimentos Não pode a autoridade fiscal basear uma autuação apenas em depósitos bancários, pois o fato gerador é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, ou seja, acréscimo patrimonial, e esse acréscimo deve ser provado pelo ente administrativo; Não há nos autos demonstração pelo Fisco de sinais aparentes de riqueza a motivar o lançamento; a acusação é baseada unicamente em depósitos e transações bancárias entre terceiros no exterior em conta corrente de empresa estrangeira; não existe nos autos nada que demonstre que qualquer dos três autuados tenha se beneficiado com tais transações; falta motivação do ato administrativo, uma vez que houve acusação de omissão de receita sem demonstração de fato a configurar a exigibilidade do crédito tributário; não há evidência da ocorrência do fato gerador e o Fisco desprezou a própria prova que produziu, pois não se aprofundou nas informações que dispunha através do laudo do INC, que transcreve todas as entradas e saídas da conta corrente; os princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade, publicidade e eficiência, insculpidos no artigo 37 da Constituição Federal impedem que o Fisco lavre auto de infração com base em informações elaboradas pela própria autoridade autuante; cita trecho do voto vencedor do acórdão referente ao processo do espólio de Francisco Fernandez Bernardez, em que é afastada a infração relativa a acréscimo patrimonial a descoberto, pois se entendeu que a autoridade fiscal desvirtuou o objetivo do fluxo financeiro ao misturar depósitos bancários na sua apuração; a aplicação distorcida do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 pela autoridade autuante beira a máfé e afronta os mais basilares princípios da administração pública; cita doutrina. Acréscimo patrimonial a descoberto Transcreve trecho do voto vencedor do acórdão referente ao processo do espólio de Francisco Fernandez Bernardez que excluiu da tributação o acréscimo patrimonial a descoberto, uma vez que foi apurado de forma incorreta, não tendo o autuante comparado as situações patrimoniais do contribuinte ao final e início do período; Fl. 851DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 afirma que o lançamento não cumpriu os requisitos necessários, seja no aspecto formal ou material. Inobservância da Lei Complementar 105/2001 e seu decreto regulamentador Uma das exigências instituídas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou a Lei Complementar 105/2001, é que a requisição de dados bancários seja formalizada mediante o documento Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), que deve ser elaborado com base em relatório circunstanciado pelo Auditor Fiscal encarregado da execução do MPF, demonstrando que se trata de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade, nos termos do artigo 3º do referido decreto; o processo não foi instruído com o competente RMF, pois o que consta dos autos são laudos do instituto de criminalística apontando as movimentações financeiras realizadas pela empresa Raintree Ltd, cujos relatórios foram anexados na língua inglesa, sem a respectiva tradução; os documentos foram juntados aos autos sem observância às formalidades legais, afrontando o devido processo legal (art. 5º, LIV, CF); o presente auto de infração não pode subsistir, posto que não observou os dispositivos da LC 105/2001 e o decreto que a regulamenta; tratase de uma prova emprestada, uma vez que a Receita Federal se serviu dos elementos colhidos pela CPMI do Banestado para lavrar o auto de infração, em especial os decorrentes de quebra de sigilo fiscal; para lavrar o auto de infração com base em prova emprestada, seria necessário submeter os elementos colhidos ao contraditório,ou seja, deveria ter sido determinada a realização de perícia técnica, para indicação das movimentações financeiras sem lastro, a origem do acréscimo patrimonial a descoberto e os depósitos que no entender da Receita caracterizaram a omissão de rendimentos, dandose oportunidade ao recorrente de nomear assistente técnico, em observância ao princípio do contraditório e ampla defesa. Cita julgados de tribunais e doutrina; não foram respeitados os requisitos para uso de prova emprestada, como coincidência das partes e observância do contraditório, pois o recorrente não foi parte na investigação que determinou a quebra do sigilo bancário e, assim, jamais pode se defender sobre os dados apresentados. Ausência de jurisdição do Fisco para lavrar o auto de infração O recorrente nunca foi titular da conta bancária em referência, mas tão somente a empresa Raintree Ltd; a empresa está sediada em BVI British Virgin Islands e os respectivos fatos geradores que supostamente apuraram imposto a pagar foram todos praticados no exterior; a Fazenda Pública brasileira não possui jurisdição para lavrar auto de infração sobre fatos geradores realizados no exterior por pessoa jurídica que sequer tem domicílio fiscal aqui; Fl. 852DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000985/200786 Acórdão n.º 2202003.030 S2C2T2 Fl. 846 15 É de se aplicar o princípio da territorialidade, que significa que o Estado da fonte não pode estender o âmbito espacial das suas leis a rendimentos obtidos no exterior por pessoas que não residam em seu território; o auto de infração deve ser declarado nulo de pleno direito pois se fundamenta em fatos geradores que não produzem efeito no Brasil; cita doutrina. Erro de enquadramento legal Uma vez comprovada a existência legal da empresa, bem como a utilização por ela da conta corrente em questão para o estrito exercício de suas atividades de câmbio e turismo, e não havendo entrada ou saída de numerário em nome do recorrente, o ilícito que poderia ter sido apurado pelo Fisco não seria omissão de rendimentos ou acréscimo patrimonial a descoberto, mas sim omissão na declaração de bens e direitos, isto é, o recorrente teria deixado de declarar apenas e tão somente a titularidade das ações que possuiria na referida sociedade; como não há qualquer indício de rendimentos pagos para qualquer conta corrente de sua titularidade, não estaria caracterizado o fato gerador do tributo, ou seja, a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de rendas ou proventos de qualquer natureza, ainda que o documento que embasa a autuação (Certification of Beneficial Ownership) esteja qualificandoo como beneficiário final da conta corrente; a conta pertencia a uma pessoa jurídica , da qual o recorrente detinha apenas e tão somente uma quota de participação, em caráter fiduciário, em um universo de 50.000 quotas representativas do capital social do titular da conta. Dessa forma, sua responsabilidade deveria limitarse à sua participação no capital social da empresa. Ao final, requer o cancelamento do crédito tributário e, alternativamente, a conversão em diligência para realização de perícia técnica, para indicação das movimentações financeiras sem lastro, a origem do acréscimo patrimonial a descoberto e os depósitos que no entender da Receita caracterizaram a omissão de rendimentos, dandose oportunidade ao recorrente de nomear assistente técnico. Se assim não entender o Conselho, que seja cancelado o auto de infração e lavrado outro que apure apenas e tão somente os créditos tributários decorrentes de sua participação no capital social da empresa. Reitera, ainda, o pedido para intimação dos seus patronos para sustentação oral por ocasião do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 PRELIMINARES Inicialmente cabe analisar o pedido do recorrente para intimação dos patronos para sustentação oral na sessão de julgamento. Não há previsão legal para tal, porém o parágrafo único do art. 55 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF) dispõe que a pauta de julgamento deve ser publicada no Diário Oficial da União com dez dias de antecedência, bem como no sítio da internet do CARF, sendo perfeitamente possível ao patrono do autuado acompanhar tais publicações para, caso lhe aprouver, formular sustentação oral na sessão de julgamento. Conexão entre os processos dos sócios da empresa Raintree Ltd: O recorrente requer que este recurso seja distribuído por dependência ao Conselheiro Nelson Mallmann, considerando a conexão entre os processos, sob pena de ensejar decisões conflitantes baseadas nos mesmos eventos, referentes aos outros dois sócios da empresa Raintree Ltd, intitulados como beneficiários da conta mantida pela mesma, perante o MTCCBCHudson Bank. Solicita também que seja dado efeito vinculante à decisão proferida no Acórdão nº 220200.385, cujo autuado é o espólio de Francisco Fernandez Bernardez, sob pena de se ferir o princípio da segurança jurídica. Incabível a pretensão do recorrente, posto que não existem razões para a conexão entre os processos referidos. A alegada possibilidade de decisões conflitantes é consequência natural do modo como está estruturado o sistema processual brasileiro, tanto o judicial como o administrativo. A concentração de todas as ações sobre um mesmo tema para julgamento por um único julgador não é a solução adotada pelo sistema, existindo outras formas para uniformização dos entendimentos, como, por exemplo, o recurso especial de divergência no caso do processo administrativo fiscal. No caso concreto, mesmo que sejam idênticos os fundamentos expostos e os pedidos efetuados, as partes envolvidas são diversas e integram relações jurídicas distintas. Notese que no caso de Francisco Fernandez Bernardez, o recurso voluntário já foi julgado. Ademais, o lançamento foi efetuado no espólio, que possui características bem peculiares em relação à pessoa física. Tanto é que o lançamento relativo à omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não justificada foi cancelado levando em conta justamente a condição de espólio. Naquele caso, a turma entendeu que a obrigação de justificar a origem dos depósitos era personalíssima e não poderia ser transferida ao espólio. Assim, não há que se falar em conexão nem em distribuição por dependência, devendo ser obedecido o procedimento previsto no Regimento Interno do CARF (RICARF), que prevê a distribuição por sorteio. Também não existe previsão legal para que seja dado efeito vinculante à decisão proferida no Acórdão nº 220200.385, cujo sujeito passivo é o espólio de Francisco Fernandez Bernardez. O sistema normativo prevê a possibilidade de interposição de recursos, com o intuito de promover a uniformização de entendimentos e evitar decisões conflitantes sobre a mesma matéria, conforme já exposto acima. Portanto, não há como acolher essa pretensão do recorrente. Ilegitimidade passiva Fl. 854DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000985/200786 Acórdão n.º 2202003.030 S2C2T2 Fl. 847 17 Alega o contribuinte que os documentos de constituição da empresa demonstram que o senhor Luiz Alberto Lerena Lopez, único conselheiro e acionista majoritário, outorgou procuração a Francisco Fernandez Bernardez, Elvira Sanchez Pluchino e Enrique Javier Rivas Blanco, sendo esses apenas procuradores, não podendo ser autuados pela movimentação bancária da empresa. Argumenta que não há qualquer indício de beneficiamento das pessoas físicas autuadas e que, observandose a movimentação bancária da conta em questão, verificase com facilidade a quantidade de entradas e saídas sempre de terceiras pessoas, o que denota o exercício das atividades da empresa no ramo de turismo e câmbio, de acordo com seu contrato social. Pela análise da documentação que consta dos autos, concluise que a empresa Raintree Ltd foi constituída por meio de ações ao portador, em um paraíso fiscal, as Ilhas Virgens Britânicas (BVI). Empresas dessa espécie normalmente são operadas por seus procuradores, assim como ocorreu no presente caso, onde figuram como procuradores da empresa os srs. Francisco Fernandez Bernardez, Elvira Sanchez Pluchino e Enrique Javier Rivas Blanco. Pelo fato de as ações ao portador não identificarem nominalmente os reais proprietários da empresa constituída, a legislação norteamericana exige que se informe às instituições financeiras onde ela mantém conta bancária os nomes dos beneficiários finais da conta. Foi exatamente o que aconteceu no caso em análise, no qual a empresa Raintree Ltd informou ao MTBCBCHudson United Bank, mediante o documento Certification of Beneficial Ownership, que os reais beneficiários finais da conta corrente nº 030172829 eram os srs. Francisco Fernandez Bernardez, Elvira Sanchez Pluchino e Enrique Javier Rivas Blanco, ora recorrente. O documento Certification of Beneficial Ownership encontrase às fls. 83, 85, 382 e 383, com tradução à fl. 503. Além desse documento, observase pelos documentos abaixo que o recorrente é de fato um dos titulares e um dos reais beneficiários da conta em referência. HUB 0057509 e HUB 0057511: Application/Business Accounts (fls. 101 a 103); HUB 0057515 e HUB 0057526: Signature Card (fls. 107 e 118); HUB 0057516 a 0057518: Account Agreement (fls. 108 a 110). Regularmente intimado a apresentar os documentos e informações relativos à empresa e a sua relação com a mesma, o contribuinte limitouse a alegar que era apenas empregado do sr. Francisco Fernandez Bernardez e que não tinha acesso a qualquer documento de constituição, contábil ou financeiro da empresa. Pelo conjunto probatório apresentado, não resta dúvidas de que o recorrente, Enrique Javier Rivas Blanco, era de fato um dos beneficiários finais da conta corrente nº 030172829, do MTBCBCHudson United Bank, sendo que a empresa Raintree Ltd era utilizada apenas para ocultar os reais beneficiários dos recursos financeiros movimentados. Assim, não há ilegitimidade passiva do recorrente. Sigilo bancário Lei Complementar nº 105/2001 Fl. 855DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 O recorrente aduz que não foram observados os requisitos da Lei Complementar nº 105/2001 e do decreto que a regulamenta, Decreto nº 3.724/2001, por não ter sido emitida a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) pela autoridade fiscal. Afirma, ainda, que por se tratar de prova emprestada, deveria ter sido oportunizado a ele o contraditório, com a realização de perícia técnica, para indicação das movimentações financeiras sem lastro, a origem do acréscimo patrimonial a descoberto e os depósitos que no entender da Receita caracterizaram a omissão de rendimentos. Entretanto, não procedem as alegações do recorrente, uma vez que toda a documentação referente à conta bancária em exame e à empresa Raintree Ltd foi obtida mediante autorização judicial, tanto da Justiça Federal do Paraná como da Justiça dos Estados Unidos da América (EUA), por meio de acordo de assistência judiciária firmado entre os dois países. Às fls. 54 a 58 consta a decisão proferida pelo Juiz federal da 2ª Vara Criminal de Curitiba/PR que determinou a quebra de sigilo bancário das contas do MTBCBC Hudson United Bank e autorizou a utilização do material encaminhado pelas autoridades públicas dos EUA. A autorização para o compartilhamento desse material com a Receita Federal do Brasil (RFB), para instrução de suas atividades específicas, foi informado à RFB por meio do Ofício nº 146/2004GJ, de 06/05/2004 (fl. 23). Se a quebra do sigilo bancário foi determinada pela autoridade judicial, não houve necessidade de emissão de RMF, pois esse documento somente é essencial nos casos em que não há autorização judicial, nos quais a análise da imprescindibilidade das informações bancárias para utilização no procedimento fiscal é feita pelo AuditorFiscal e submetida ao Delegado da RFB, nos termos do Decreto nº 3.724/2001. Quanto à alegação de que se utilizou prova emprestada sem obediência ao princípio do contraditório, não há como acolher essa afirmativa, visto que lhe foram dadas várias oportunidades de manifestação acerca de toda a documentação, tanto durante a ação fiscal, como por ocasião da impugnação e do recurso voluntário. Sobre a necessidade de realização de perícia, também não lhe assiste razão, pois a autoridade julgadora poderá indeferir o pedido de perícia, quando considerála prescindível ou impraticável. Ou seja, é possível que a perícia seja considerada desnecessária quando os elementos presentes nos autos são suficientes para a formação da convicção do julgador. Assim, somente se falará na conveniência da prova pericial em caso de dúvida na matéria de fato e na convicção do julgador, o que não ocorreu no presente caso. O artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pelo art. 10 da Lei nº 8.748/93, dispõe: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante a realização de perícias ou diligencias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no artigo 28, in fine.” Dessa forma, não tem razão o recorrente em sua afirmação de que não foram obedecidos os requisitos legais nesse ponto. Ausência de jurisdição do Fisco para lavrar o auto de infração Fl. 856DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000985/200786 Acórdão n.º 2202003.030 S2C2T2 Fl. 848 19 Alega o recorrente que a Fazenda Pública brasileira não possui jurisdição para lavrar auto de infração sobre fatos geradores realizados no exterior por pessoa jurídica que não possui domicílio fiscal aqui no país, em virtude do princípio da territorialidade. Entretanto, diversamente do alegado, a tributação em comento foi efetuada no contribuinte Enrique Javier Rivas Blanco, ora recorrente, e não na empresa Raintree Ltd, essa sim domiciliada no exterior, em paraíso fiscal. Sendo o contribuinte Enrique Javier Rivas Blanco domiciliado no Brasil, deve ele submeterse às normas de tributação deste país, que dispõe que o imposto de renda é um imposto que incide sobre a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, alcançando inclusive os obtidos no exterior. Assim, não procedem as argumentações do recorrente sobre a nulidade do lançamento. Falta de intimação dos cotitulares das contas bancárias conjuntas O contribuinte alega que somente o falecido, Sr. Francisco Fernandez Bernardez, poderia, se vivo fosse, responder por possíveis infrações imputadas à conta corrente mantida pela empresa Raintree Ltd. Verificase que os reais beneficiários finais da conta corrente nº 030172829 e, em conseqüência, cotitulares da conta bancária em comento, eram os srs. Francisco Fernandez Bernardez, Elvira Sanchez Pluchino e Enrique Javier Rivas Blanco. Em relação ao contribuinte Francisco Fernandez Bernardez, o lançamento foi efetuado no espólio (Processo nº 19515.000984/200731), tendo sido cancelado em virtude do entendimento já pacificado neste Conselho, sobre a impossibilidade da aplicação da presunção legal do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 pela intimação ao espólio acerca de depósitos anteriores ao falecimento do contribuinte. Ou seja, um dos cotitulares da conta conjunta, o sr. Francisco Fernandez Bernardez, não foi regularmente intimado. Assim dispõe o caput do artigo 42, da Lei nº 9.430/96: Art. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (grifei) Como, no presente caso, um dos cotitulares da conta bancária (um dos reais beneficiários) não foi regularmente intimado a comprovar a origem dos recursos nela creditados, é de se aplicar a Súmula nº 29 do CARF: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Portanto, entendo que o lançamento relativo à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada deve ser cancelado. MÉRITO Fl. 857DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 Acréscimo patrimonial a descoberto Nesse ponto, o contribuinte defende que o lançamento não cumpriu os requisitos necessários, seja no aspecto formal ou material, assim como cita trecho do voto vencedor do acórdão referente ao processo do espólio de Francisco Fernandez Bernardez, no qual foi afastada a infração relativa a acréscimo patrimonial a descoberto. Compulsando os autos, constatase que a autoridade fiscal cometeu um equívoco na apuração da variação patrimonial do autuado. A verificação baseouse em levantamentos mensais de origens e aplicações de recursos (fluxo financeiro de caixa), contudo lançou como origens os depósitos bancários efetuados na conta mantida no exterior e como dispêndios as ordens de pagamento a débito dessa conta, conforme se observa pelo Demonstrativo da Variação Patrimonial elaborado pelo AuditorFiscal (fls. 392 a 394) e pela descrição contida no Termo de Verificação Fiscal (fls. 395 a 409). Peço vênia para transcrever trecho do voto condutor do Acórdão nº 2202 00.385, desta turma (Processo nº 19515.000984/200731), da lavra do ilustre Conselheiro Relator Nelson Mallmann. Tratase do processo relativo ao espólio e Francisco Fernandez Bernardez, um dos sócios da empresa Raintree Ltd., no qual a tributação ocorreu da mesma forma do caso em análise. No presente caso, a tributação levada a efeito baseouse em levantamentos mensais de origem e aplicações de recursos (fluxo financeiro ou de caixa), onde, a principio, constatase que houve a disponibilidade econômica de renda maior do que a declarada pelo suplicante, caracterizando omissão de rendimentos passíveis de tributação. Por outro lado, é entendimento pacifico, nesta Câmara, que quando a fiscalização promove o fluxo financeiro ("fluxo de caixa") do contribuinte, através de demonstrativos de origens e aplicações de recursos devem ser considerados todos os ingressos (entradas) e todos os dispêndios (saídas), ou seja, devem ser considerados todos os rendimentos, retornos de investimentos e empréstimos, (já tributados, tributados de oficio, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte) declarados ou não, bem como todos os dispêndios/aplicações/investimentos/aquisições possíveis de se apurar, a exemplo de: despesas bancárias, aplicações financeiras, água, luz, telefone, empregada doméstica, cartões de crédito, juros pagos, pagamentos diversos, aquisições de bens e direitos (móveis e imóveis), etc., apurados mensalmente. Porém, no presente lançamento, não é isso que se constata. A autoridade lançadora simplesmente se baseou nas entradas e saídas registradas em conta bancária. A mistura de depósitos bancários na apuração de acréscimo patrimonial desvirtua totalmente o objetivo do "fluxo financeiro", que é para verificar se o contribuinte está aplicando ou consumindo mais do que tem de origem em recursos já tributados, não tributáveis ou isentos. Ora, notase, no levantamento de acréscimo patrimonial a descoberto, que a autoridade lançadora considerou, tão somente, como origens os depósitos bancários e como dispêndios os repasses bancários. Este procedimento é incorreto, já que para os depósitos bancários existe uma legislação especifica demonstrando a sua forma de tributar (art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996), não é razoável misturar depósitos bancários como sendo origem (entradas) no demonstrativo de acréscimo patrimonial e como dispêndios (saídas) os repasses bancários. [...] Fl. 858DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000985/200786 Acórdão n.º 2202003.030 S2C2T2 Fl. 849 21 Ademais, a inclusão, no fluxo financeiro para apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, tão somente, de depósitos bancários (como origens) e repasses bancários (como dispêndios) descaracteriza a metodologia de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto (presunção de omissão de rendimentos), tendo em vista, que para os casos da existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos, existe a imposição de tributação especifica (art. 42 da Lei no 9.430/96), e que deve prevalecer nestes casos. Neste linha de pensamento, concluo que o lançamento, neste item, não foi realizado dentro dos parâmetros legais, portanto, da mesma forma, deve ser excluído da exigência tributária. Compartilho do entendimento acima exposto. Dessa forma, deve ser excluída do lançamento a infração de omissão de rendimentos caracterizada por variação patrimonial a descoberto. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Fl. 859DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 15374.001899/2004-49
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. VEDAÇÃO LEGAL.
Não pode permanecer no Simples Federal a empresa que possuir em seu quadro societário sócio com 10% de cotas de outra empresa, cujas receitas ultrapassem o limite legal permitido para optar e pemanecer no regime de tributação diferenciado, favorecido e simplificado regido pela Lei nº 9.713/96.
Numero da decisão: 1801-002.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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VEDAÇÃO LEGAL. Não pode permanecer no Simples Federal a empresa que possuir em seu quadro societário sócio com 10% de cotas de outra empresa, cujas receitas ultrapassem o limite legal permitido para optar e pemanecer no regime de tributação diferenciado, favorecido e simplificado regido pela Lei nº 9.713/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Trata de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 0320.654/07, proferido pela Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Brasília/DF, efls. 102 e 103, mantendo o Ato Declaratório Executivo (ADE) de Exclusão do Simples Federal, efls. 11, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 18 99 /2 00 4- 49 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 emitido em razão do sócio da empresa, Luciano Fraga Pinheiro da Silva, CPF 503.799.25672, ser sócio de outra empresa, com mais de 10% de cotas e a receita das duas empresas ultrapassarem o limite legal para esta permanecer no regime de tributação simplificado, diferenciado e favorecido do Simples Federal (inciso IX do art. 9o da Lei nº 9.317/96). O ADE constata a situação excludente desde o anocalendário de 2000, mas estabelece os efeitos da exclusão a partir de 01/01/2002. A empresa limita sua defesa em solicitar que os efeitos do ADE de Exclusão não retroajam a 2002 e 2003 e explica que em novembro de 2004 a situação excludente deixou de existir, com o registro da 4ª Alteração Contratual. A Turma de Julgamento de Primeira Instância assim fundamentou o voto condutor e ementou o aresto: Opção pelo Simples Condição Vedada Impossibilidade. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre em uma ou mais das vedações à opção estabelecidas em lei. "[...] O argumento trazido à baila pela empresa não a socorre para o fim de mantê la na sistemática do Simples, visto que se encontrava em condição não permitida para permanecer no Sistema, nos termos do inciso IX do art. 9o da Lei 9.317/1996 (sócio principal com mais de 10% do capital de outra empresa e a receita bruta global ultrapassa o limite estabelecido). No que tange aos efeitos da exclusão, registrese que, no caso, a exclusão do Simples surte efeito a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nos termos da Medida Provisória n° 2.15834, de 27/07/2001, art. 73. A situação excludente só deixou de existir em novembro/2004. Portanto, em 2002, 2003 e 2004 não poderia estar no Simples. Ex positis, voto no sentido de indeferir a manifestação de inconformidade para manter o Ato Declaratório Executivo, dc exclusão." A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 118, reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 23/08/07, efls. 115; Recurso – 24/09/07, efls. 131 (envelope) Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. A recorrente não apresentou nenhuma defesa hábil para afastar a causa impeditiva para permanecer no Simples Federal. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15374.001899/200449 Acórdão n.º 1801002.285 S1TE01 Fl. 3 3 Os fatos demonstram que o sócio da empresa possui 10% de cotas de outra empresa, sendo que a receita de ambas supera o limite legal para permanecer no regime, desde o ano de 2000, sendo que a situação excludente durou até novembro de 2004. Portanto, a recorrente não pode optar e permanecer no Simples para os anos calendários de 2002, 2003 e 2004, nos termos da legislação tributária vigente. Voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 146DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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