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Numero do processo: 13409.000128/2006-26
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 9. 00 01 28 /2 00 6- 26 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13409.000128/200626 Acórdão n.º 2801003.989 S2TE01 Fl. 59 2 da Silva e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 2ª Turma da DRJ/REC (Fls. 31), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO (fls.04/06 dos autos, inclusive demonstrativos), mediante o qual foi alterado o "imposto a restituir declarado" de R$ 2.654,08 para R$ 304,68. Cabe registrar que a DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL (fls.05) e o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO (fls.06) fazem parte integrante da NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO como se nela transcritos estivessem. 2. De acordo com a DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, onde também se encontra a capitulação legal (fls.05), foi detectada omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Instituto Nacional do Seguro Social — INSS no valor de R$ 22.945,76, sobre os quais incidiu o Imposto de Renda Retido na Fonte — 1RRF de R$ 3.960,68, compensado na apuração do imposto devido, por ocasião do lançamento. 3. Regularmente cientificado do lançamento em 26/07/2006 (fls.09), o contribuinte autuado apresentou, em 11/08/2006, impugnação (fls.01/03), acompanhada tãosomente de cópias da NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO e de documentos seus de identificação (fls.04/08). Por meio dessa peça de defesa, alega o que a seguir se relata. 3.1. Não praticou qualquer omissão, uma vez que todos os seus rendimentos mensais são tributados na fonte. 3.2. As diferenças salariais pagas com atraso pela União e sobre as quais incidiu o "confisco" não são tributáveis, consoante entendido pelos tribunais regionais federais. Do contrário, restaria caracterizada "bitributação". Conseqüentemente, "(...) a mencionada retenção de R$ 3.960,68 é absolutamente abusiva e deve ser restituída ao contestante." Aduz, ainda : "A compensação de Imposto retido na fonte, processada pela RF, no valor de R$ 3.960,68 — data vênia — é infundada; ilegal e arbitrária (...)." 3.3. Pugna pela interpretação em seu favor do art. 46 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, no sentido de que "(...) só se Fl. 60DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13409.000128/200626 Acórdão n.º 2801003.989 S2TE01 Fl. 60 3 justifica a retenção, na fonte, de rendimentos salariais (alimentar) pagos em cumprimento à decisão judicial, quando, isoladamente, tais valores ensejarem o desconto do correspondente imposto. (...) O princípio da legalidade não admite tal ação administrativa definida como autentico (sic) confisco!" Entende que a Receita Federal decide, ao arrepio da lei, que o valor alimentar recebido 3.4. "CONTESTA (ou impugna) item por item relativos às alterações processadas em sua declaração de rendimentos pela Auditoria da Receita Federal (a título de Revisão) e registradas na Notificação de Lançamento n° 2005/604450007984015 (...)." 3.5. Requer seja recebida a sua defesa e desconstituído o lançamento, autorizandose a devolução do valor indevidamente retido (R$ 3.960,68) e do imposto a restituir apurado em sua declaração (R$ 2.654,08). 4. Foram por esta Julgadora anexados aos autos os seguintes documentos : 4.1. Extratos do sistema IRPF/CONS — ATENDE PLENO, relativos à DIRPF 2005 (original) e à declaração retificada de oficio (fls.11/19); 4.2. DIRPF 2005 (original), acompanhada da Ficha de controle e dos Dados de Controle (fls.20125); 4.3. Extrato do sistema GUIA — VISÃO INTEGRADA DO CONTRIBUINTE, em que constam os pagamentos totais efetuados no anocalendário 2004 por duas fontes pagadoras, quais sejam, COORDENAÇÃOGERAL DE RECURSOS HUMANOS — AGU e INSS — GERÊNCIA EXECUTIVA DO INSS EM GARANHUNS (fis.26); 4.4. DECLARAÇÕES DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE — Dirf / RESUMO DO BENEFICIÁRIO, apresentadas pelas duas fontes pagadoras acima referidas (fls.27/28), cabendo ressaltar que na Dirf do INSS constam pagamentos em favor do contribuinte autuado nos meses de janeiro e novembro de 2004, totalizando, no anocalendário 2004, R$ 22.945,76 (fls.28). Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/REC entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. IRPF SUPLEMENTAR. Devem ser oferecidos à tributação todos os rendimentos tributáveis auferidos. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO. Tratandose de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos – inclusive juros e atualização Fl. 61DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13409.000128/200626 Acórdão n.º 2801003.989 S2TE01 Fl. 61 4 monetária, a teor do art. 56 do RIR/99 , os quais se sujeitam, ainda, ao ajuste na declaração. IRPF. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. O principio do nãoconfisco, constitucionalmente expresso, dirige se ao legislador e não à Administração Tributária. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, mesmo que proferidas por tribunais superiores, só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. Cientificado em 10/06/2009 (Fls. 43), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 23/06/2009 (fls. 44 a 47), argumentando em síntese: (...) A compensação ( confiscatória ) imposta pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ora recorrida, não foi feita com amparo em nenhuma legislação constitucional em vigor ; motivo pelo qual deve a recorrida restituir – ao recorrente ( com a devida correção ) , o respectivo valor confiscado; principalmente porque não houve respeito ao principio constitucional do devido processo legal e muito menos ao principio da legalidade e do contraditório ! Ademais, a Notificação de Lançamento promovida pela Receita Federal ora recorrida , em desfavor do recorrente , não contem os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e muito menos no artigo 11 do Decreto 70.235/72 , devendo em conseqüência , ser , no todo, anulado; ex vi da Instrução Normativa n° 54/97 ainda em vigor ! III O rendimento recebido pelo recorrente, ao longo do ano de 2005, ( que sobre o qual houve o lançamento do debito e• a conseqüente compensação também feita pela Receita Federal recorrida ) não tem caráter salarial / remuneratório e sim . indenizatório . É fruto de ação ordinária perante a justiça federal e não de alguma gratificação ou complemento salarial entregue pela União Federal ! Em nenhum momento se caracteriza como acréscimo patrimonial em favor do mesmo recorrente . Tal verba indenizatória ( e sobre a qual recaiu o confisco / compensação ), assemelhase às hipóteses do Plano de Demissão voluntaria ; ao abono de férias e ainda sobre a conversão em pecúnia dos seguintes direitos não gozados férias , folgas , licençapremio, etc... (...) IV Os argumentos da ilustre 2' Turma da DRJ/REC , ( recorrida ), carecem de fundamento legal especifico ; baseiam se apenas em teses próprias ( alegando que decisões judiciais não vinculam a autoridade administrativa ); em interpretações superadas e conflitantes e em doutrinas arcaicas sem aplicações ao caso ora questionado ; principalmente porque se omitem no questionamento mais importante , que é o confisco sem o devido processo legal de valor pertencente ao patrimônio do ora recorrente ! Argumentos esses ( da recorrida ) vazios, infundados e violadores dos princípios da legalidade e do Fl. 62DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13409.000128/200626 Acórdão n.º 2801003.989 S2TE01 Fl. 62 5 contraditório e da razoabilidade ; motivos pelos quais deve , o acórdão ora atacado, ser , no todo, desconstituído ! A declaração anual firmada , em momento próprio pelo recorrente, ( ano base 2006 ), é a prova maior de que todos os rendimentos do recorrente ( de caráter remuneratórios ) foram tributados com o amparo na legislação em vigor . Tal hipótese não poderia ter sido aplicada ( como foi ), pela Receita Federal do Brasil, no caso especifico do rendimento único de caráter indenizatório , do qual resultou a efetivação do lançamento errôneo e a conseqüente compensação / confisco . Errou a recorrida e com tal erro causou prejuízos materiais ao ora recorrente , que teve seu patrimônio confiscado ilegalmente ! (...) É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme se verifica nos autos, o litígio se refere apenas ao lançamento relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente, em razão de ação intentada contra o Instituto Nacional de Previdência Social INSS, no valor de R$ 22.945,78 sobre os quais incidiu o Imposto de Rende Retido na Fonte — IRRF de R$ 3.960,68,. Também observo que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, firmou o entendimento de que, no caso de recebimento acumulado de valores, decorrente de ações trabalhistas, revisionais, e etc., o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF não deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência; obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês). Processo: REsp 1118429 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00557226 Relator: Ministro Herman Benjamin (1132) ÓRGÃO JULGADOR: S1 – PRIMEIRA SEÇÃO Data do julgamento: 24/03/2010 Data da Publicação/Fonte: DJe 14/05/2010 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13409.000128/200626 Acórdão n.º 2801003.989 S2TE01 Fl. 63 6 Ementa TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça: "A Seção, por unanimidade, negou provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator." Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Hamilton Carvalhido, Eliana Calmon, Luiz Fux, Castro Meira e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, a Sra. Ministra Denise Arruda. Notas: Julgado conforme procedimento previsto para os Recursos Repetitivos no âmbito do STJ. Tal entendimento é de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por oportuno, esclareço que o Superior Tribunal de Justiça, em inúmeras recentes decisões, tem entendido que o recurso repetitivo se aplica, inclusive quando o rendimento acumulado é oriundo de ação trabalhista; conforme se verifica neste julgado: Data da Publicação12/02/2014 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13409.000128/200626 Acórdão n.º 2801003.989 S2TE01 Fl. 64 7 AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 465.580 SE (2014/00135374) RELATOR : MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA AGRAVANTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL AGRAVADO : MARCOS ANTONIO MOURA SALES ADVOGADOS : WILLIAM DE OLIVEIRA CRUZ ANTÔNIO JOSÉ LIMA JÚNIOR DECISÃO Tratase de agravo interposto de decisão que não admitiu recurso especial manifestado pela FAZENDA NACIONAL, com base no art. 105, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região assim ementado (fl. 117e): TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. VERBA TRABALHISTA RECEBIDA JUDICIALMENTE DE FORMA ACUMULADA. INCIDÊNCIA EM CADA COMPETÊNCIA. O STJ pacificou o entendimento segundo o qual "(...) quando o pagamento dos benefícios previdenciários é feito de forma acumulada e com atraso, a incidência do Imposto de Renda deve ter como parâmetro o valor mensal do benefício, e não o montante integral creditado extemporaneamente, além de observar as tabelas e as alíquotas vigentes à época em que deveriam ter sido pagos. Precedente do STJ, em sede de recursos repetitivos (STJ. 1ª Seção. Rel. Min. Herman Benjamin. Resp 1118429. DJ, 14/05/10). "Não se pode prejudicar o contribuinte que, em virtude do atraso do empregador, recebeu um valor acumulado, quando deveria ter percebido mensalmente os valores devidos. Destarte, as alíquotas a incidirem no tributo devem levar em conta as parcelas mensais que deveriam ser pagas, e não o valor cumulado." (TRF 5ª Região. 2ª Turma. APELREEX 15694. DJ, 31/03/11). Remessa oficial e apelação da Fazenda Nacional improvidas. Opostos embargos de declaração (fls. 121/122e), foram rejeitados (fls. 124/129e). Nas razões do especial, sustenta a agravante, em resumo, que "A aplicação da alíquota oriunda da tabela do imposto de renda na fonte sobre rendimentos recebidos cumulativamente em um mesmo mês não significa alteração de alíquota, muito menos por Fl. 65DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13409.000128/200626 Acórdão n.º 2801003.989 S2TE01 Fl. 65 8 meio de artifício, mas da tributação pura e simples dos rendimentos efetivamente recebidos em determinado mês, aplicandose o princípio constitucional da progressividade para o imposto sobre a renda" (fl. 136e). Pugna pela reforma do julgado. Sem contra razões e inadmitido o recurso especial na origem (fls. 146/147e), fora interposto o presente agravo. Decido. Inicialmente, verifico que a parte recorrente não indicou, nas razões de seu recurso especial, qual dispositivo de lei teria sido violado pelo acórdão recorrido. Assim, nos termos da jurisprudência pacífica deste Tribunal, a indicação de violação genérica a lei federal, sem particularização precisa dos dispositivos violados, implica deficiência de fundamentação do recurso especial, atraindo a incidência da Súmula 284/STF. Neste sentido: AgRg no AG 586.236/RJ, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Sexta Turma, DJ 1º/7/05. Ainda que assim não fosse, quanto ao mérito, o recurso não merece acolhimento, uma vez que a pretensão recursal está em desconformidade com a jurisprudência desta Corte, formalizada, inclusive, sob a sistemática do julgamento dos recursos repetitivos. Sobre o tema. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008 (Resp 1.118.429/SP, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, Primeira Seção DJe 14/5/10) TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA – BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO PAGO EM ATRASO REGIME DE COMPETÊNCIA – RESP 1.118.429/SP JULGADO SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC – REPERCUSSÃO GERAL SOBRESTAMENTO DO FEITO IMPOSSIBILIDADE RESERVA DE PLENÁRIO INAPLICABILIDADE. 1. Nos termos da jurisprudência da Primeira Seção desta Corte, a incidência do imposto de renda sobre o pagamento de Fl. 66DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13409.000128/200626 Acórdão n.º 2801003.989 S2TE01 Fl. 66 9 benefício previdenciário pago a destempo e acumuladamente, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, considerandose a renda auferida mês a mês pelo segurado. (REsp 1.118.429/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 14/5/2010). 2. O reconhecimento de repercussão geral em recurso extraordinário não implica direito ao sobrestamento de recursos no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Precedentes. 3. "Decidida a questão jurídica sob o enfoque da legislação federal, sem qualquer juízo de incompatibilidade vertical com a Constituição Federal, é inaplicável a regra da reserva de plenário prevista no art. 97 da Carta Magna." (AgRg no REsp 1.313.077/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, DJe 13/06/2013) 4. Agravo regimental a que se nega provimento (AgRg no AREsp 269.125/RS, Rel. Min. SÉRGIO KUKINA, Primeira Turma, DJe 19/8/13) Incide, pois, o verbete sumular 83/STJ, aplicável, também, aos recursos interpostos pela alínea a do permissivo constitucional. Ante o exposto, conheço do agravo para negarlhe provimento. Intimemse. Brasília (DF), 10 de fevereiro de 2014. MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA Relator Ainda, no Resp 783.724/RS Recurso Especial 2005/01589590, Relator Ministro Castro Meira, data do julgamento em 15/08/2006, o Relator bem demonstra que a aplicação da interpretação que deve ser dada ao artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, em relação à forma de apurar o valor do tributo incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, não se distingue em relação ao motivo da demora no recebimento, sejam benefícios previdenciários, onde a fonte pagadora seria o INSS, ou verbas trabalhistas, com fonte pagadora privada, citando, indiscriminadamente, como fundamento para decidir, uma e outra situação. Transcrevo do Voto: (...) O artigo 12 da Lei 7.713/88 dispõe que o imposto de renda é devido na competência em que ocorre o acréscimo patrimonial (art. 43 do CTN), ou seja, quando o respectivo valor se tornar disponível para o contribuinte. Prevê o citado dispositivo: "Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização." O dispositivo citado não fixa a forma de cálculo, mas apenas o elemento temporal da incidência. Assim, no caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, como Fl. 67DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13409.000128/200626 Acórdão n.º 2801003.989 S2TE01 Fl. 67 10 dispõe o art. 12 da Lei 7.713/88, mas o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referirem os rendimentos. Nesse sentido, há inúmeros precedentes de ambas as Turmas de Direito Público, como se observa das seguintes ementas(...) (sublinhei) Considerando que a jurisprudência do Tribunal Superior, a quem compete promover a interpretação última da lei federal, já se posicionou pela forma como deve ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988, esclarecendo que não se trata de negarlhe aplicação ou muito menos de conferirlhe inconstitucionalidade, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da legislação, destoante de interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial. Assim, tendo o lançamento sido fundamentado regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, é dever julgálo improcedente. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 68DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001546/2005-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2001
Ementa:
IRPJ - DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a decadência é contada de acordo com os ditames do artigo 150, § 40 do CTN, operando-se cinco anos após a ocorrência do fato gerador. IRPJ - LUCRO REAL - OPÇÃO PELO REGIME DE APURAÇÃO ANUAL - ENCERRAMENTO DO ANO BASE - OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR - Tendo o contribuinte optado pelo regime de apuração anual do IRPJ a ocorrência do fato gerador só se dá no encerramento do ano calendário. OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - NÃO COMPROVAÇÃO - Os valores creditados em conta corrente que não tenha a origem comprovada por documentação hábil e idônea, caracteriza omissão de receitas, nos termos do art. 287 do RIR199.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9101-001.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, recurso negado provimento. Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias, sendo substituída pelo Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado).
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonsêca de Menezes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO. VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, (Suplente Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, MARCOS VINICIUS BASTOS OTTONI (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado) e OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, a Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS.
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001 Ementa: IRPJ DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a decadência é contada de acordo com os ditames do artigo 150, § 40 do CTN, operandose cinco anos após a ocorrência do fato gerador. IRPJ LUCRO REAL OPÇÃO PELO REGIME DE APURAÇÃO ANUAL ENCERRAMENTO DO ANO BASE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Tendo o contribuinte optado pelo regime de apuração anual do IRPJ a ocorrência do fato gerador só se dá no encerramento do ano calendário. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVAÇÃO Os valores creditados em conta corrente que não tenha a origem comprovada por documentação hábil e idônea, caracteriza omissão de receitas, nos termos do art. 287 do RIR199. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, recurso negado provimento. Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias, sendo substituída pelo Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado). (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 46 /2 00 5- 10 Fl. 590DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO. VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, (Suplente Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, MARCOS VINICIUS BASTOS OTTONI (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado) e OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, a Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS. Relatório Tratase de recurso interposto pela Fazenda Nacional, admitido, que versa unicamente sobre o instituto da decadência, em relação à aplicação ou não do artigo 150 do Código Tributário Nacional, na hipótese em que não há comprovação do recolhimento antecipado do tributo. A decisão recorrida assim: “IRPJ DECADENCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos: tributos sujeitos a lançamento por homologação, a decadência é contada'dei acordo com os ditames do artigo 150, § 4" do CTN, operandose cinco arios após a ocorrência do fato gerador. | j IRPJ LUCRO REAL OPÇÃO PELO REGIME DE APURAÇÃO ANUAL ENCERRAMENTO DO ANO BASE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Tendo o contribuinte optado pelo regime de apuração anual do IRPJ a ocorrência do fato gerador só se dá no encerramento dokno calendário. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS – NÃO COMPROVAÇÃO Os valores creditados em conta corrente que não tenha a origem comprovada por documentação hábil e idônea, caracteriza omissão de receitas, nos termos do art. 287 do RIR/99.” A douta Procuradoria, em seu recurso, alega divergência, aponta os paradigmas e pleiteia que “seja o presente recurso conhecido e provido, para que seja reformado o acórdão proferido pela e. Câmara a quo, afastandose a preliminar de decadência no caso em exame, uma vez que efetuado o lançamento dentro do prazo legalmente fixado (art. 173, I, do CTN). Alega que: “Com base nesse dispositivo, poderseia chegar, de modo precipitado, à conclusão de que a decadência teria alcançado os fatos geradores ocorridos entre maio e julho de 2000, pois decorridos 05 anos do fato gerador, nos termos do art. 150, §4° do CTN, considerando que o contribuinte foi notificado em 17.10.2005. Contudo, adotandose o cuidado necessário ao perfeito entendimento da legislação tributária, tornase imprescindível atentar para o que dispõe o art. 149, V, CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) Fl. 591DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 3 V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; (Grifos nossos) No caso em tela, está claro que o art. 150 do CTN foi contrariado, já que não houve recolhimento do tributo devido. Portanto, cabível é a aplicação do art. 149, V do CTN, motivo pelo qual foi efetuado o lançamento de ofício pela autoridade administrativa. Ora, se inexato o pagamento antecipado, negase a homologação e operase o lançamento de ofício (CTN 149, V); se omisso na antecipação do pagamento, nada há passível de homologação e a exigência se formalizará por ato de ofício da administração (CTN 149, V). (...)” O recurso foi admitido, conforme despacho às fls. 302. O contribuinte, em contrarazões, afirma haver pagamento antecipado. “(...) 12. No presente caso, ainda que a Recorrida discorde do entendimento manifestado no recurso especial interposto pela PGFN, por considerar correto o posicionamento defendido na decisão recorrida acerca da aplicabilidade do prazo decadencial aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não explorará esse aspecto, por não se fazer necessário. 13. Isto porque a Recorrida efetuou pagamentos antecipados de PIS e de COFINS nos meses de maio e julho de 2000, conforme se comprova pelos documentos de arrecadação DARF's anexos (doc. 01). 14. Esses débitos foram, inclusive, devidamente informados em suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais ("DCTF') (doc. 02) (...)” Os documentos correspondentes foram juntados às contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Relator Adoto, como raões de decidir, por conveniente e oportuno, o voto do brilhante Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, relator do recurso especial no processo de no, 10932.000569/200792, o qual a seguir transcrevo: “(...) Fl. 592DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, obtendo seguimento através do Despacho nº 140000.333, às fls. 246 e seguintes, merecendo ser conhecido. A questão se situa em torno do lançamento de ofício das Contribuições PIS e COFINS relativo a fatos geradores ocorridos nos meses de julho e agosto de 2002, cientificado ao contribuinte em 26/07/2007, que, de acordo com a decisão recorrida, teria sido alcançado pela decadência qüinqüenal prevista no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional – CTN (fls. 225/226): Consta do voto condutor da decisão recorrida que: Embora a contribuinte não tenha alegado, constato que ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Nacional lançar a contribuição para o PIS e a COFINS dos períodos de apuração de 07/2002 e 08/2002, uma vez que a ciência do auto de infração se deu em 26.09.2007, ocasião em que já havia decorrido mais de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, a seguir transcrito. Por ser matéria de ordem pública, pode ser suscitada de ofício. (destaques acrescidos) Da leitura do trecho do voto acima transcrito vêse que naquela assentada não se cogitou de ter ou não havido pagamento antecipado das referidas Contribuições, o qual considero indispensável para ao caso ser aplicado o prazo decadencial do aludido art. 150, § 4º, do CTN. Esse, pois, é o ponto divergente a ser solucionado, porquanto, para a recorrente, amparada nas decisões paradigmáticas trazidas à colação, em não havendo pagamento não há falarse em homologação tácita. Com efeito, compulsando os autos não consegui identificar a existência do sobredito pagamento antecipado, necessário para possibilitar a aplicação do prazo decadencial de que trata o art. 150, § 4º, do CTN, levantada de ofício pelo Colegiado a quo. Sendo assim, entendo que não seria o caso de se acatar a decadência em causa, levantada de ofício, repitase, sem que haja absoluta certeza de que estaria embasada em documentação constante dos autos. Importante ressaltar que o voto condutor do acórdão recorrido fez por bem destacar que a decadência não fora alegada pela contribuinte e que, por ser matéria de ordem pública, poderia ser suscitada de ofício. Estaria correto esse entendimento se de fato a decadência estivesse perfeitamente demonstrada, não sendo essa a realidade que se extrai dos autos. Dessa forma, entendo que, na ausência de pagamento antecipado de tributo, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do CTN. No presente caso, tendo os fatos geradores ocorrido nos meses de julho e agosto de 2002, a contagem do prazo decadencial teve início, na conformidade do mencionado dispositivo do CTN, no primeiro dia do exercício seguinte à sua ocorrência, ou seja, no primeiro dia do ano de 2003, porquanto, se no mês seguinte a cada apuração já se poderia proceder ao lançamento de ofício, o primeiro ano seguinte é o de 2003. Sendo assim, o lançamento poderia ser efetuado até o dia 31/12/2007, tendo o auto de infração sido cientificado ao contribuinte em 26/07/2007, portanto em data em que ainda não estava alcançado pela questionada caducidade. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 5 Para explicitar esse meu posicionamento, adoto e transcrevo os fundamentos do voto que proferi no Acórdão nº 910100.901, na sessão desta 1ª Turma da CSRF (processo administrativo nº 10805.000649/200451) realizada no dia 28/03/2011, conforme segue: “(...). Com referência à contagem do prazo decadencial, duas são as regras estabelecidas mediante a participação do sujeito passivo, a saber: a primeira trata dos tributos lançados por homologação, onde o dies a quo é a data da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido o pagamento, ainda que parcial, ou mesmo que o pagamento não tenha ocorrido, sob o entendimento de que se estaria homologando a atividade exercida pelo obrigado (CTN, art. 150, § 4º). A segunda regra corresponde à regra geral para os tributos por declaração, onde o dies a quo é contado do primeiro dia do exercício seguinte ao qual o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). A propósito, nos julgamentos que tenho participado neste Colegiado vinha me posicionando, acerca da contagem do prazo decadencial, nos casos dos tributos lançados por homologação, pela aplicação da regra nos moldes do artigo art. 150, § 4º, do CTN, mesmo que não houvesse recolhimento de tributo, mas desde que o sujeito passivo tivesse apurado e registrado a inexistência de valor a pagar, como, por exemplo, no caso de apuração de resultados negativos para o cálculo do IRPJ e da CSLL. Entretanto, pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, foram introduzidas alterações no Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, sobrevindo o art. 62A, que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, em cumprimento ao citado dispositivo regimental, minha posição passou a ser a da aplicação do art. 173, I, do CTN, em todos os casos em que não tenha havido pagamento antecipado, haja vista essa matéria ter sido objeto de decisão do STJ, na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, no procedimento previsto para os recursos repetitivos. Sendo assim, esta 1ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9101000.811, sessão de 21/02/2011, da qual também participei, por unanimidade de votos adotou a decisão proferida pelo STJ no julgamento do Resp. STJ nº 973.733/SC, em 12/08/2009, representativo de controvérsia relativa à Contribuição Previdenciária, de cuja decisão transcrevo excerto da sua ementa, reproduzido no seu voto condutor, a seguir: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à Fl. 594DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ... (destaques acrescidos) Pois bem. A acima referida decisão deste Colegiado, na sessão de 21/02/2011, tomou como base a definição de que “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde “ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”, definição essa que suscitara a oposição de embargos declaratórios da Fazenda Nacional junto ao STJ, os quais foram julgados e acolhidos pela sua Segunda Turma, na sessão realizada em 09/02/2010, com a finalidade “... de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. (parte final do voto condutor da decisão dos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782), transcrito mais adiante). Salientese que esse entendimento externado em sede de embargos declaratórios está sendo corretamente reiterado pelas duas Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, que julgam matéria tributária, de cujas decisões merecem destaque a que foi proferida quando o próprio Ministro Luiz Fux, atualmente Ministro do STF, ainda fazia parte daquela Turma do STJ, assim ementada: Autoridade: Superior Tribunal de Justiça. 1ª Turma Título: AgRg no REsp 1050278 / RS Data: 22/06/2010 Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. INOVAÇÃO DE FUNDAMENTOS. INCABIMENTO. DECADÊNCIA. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Em sede de agravo regimental, não se conhece de alegações estranhas às razões do recurso especial, por vedada a inovação de fundamento. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme em que, no caso de imposto lançado por homologação, quando há prova de fraude, dolo ou simulação, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional). 3. Agravo regimental improvido. Da 2ª Turma da 1ª Seção do STJ trago ementa de decisão mais recente, proferida em 07/04/2011, que consagra esse reiterado entendimento, a seguir: Autoridade: Superior Tribunal de Justiça. 2ª Turma Título: AgRg no REsp 1219461 / PR Data: 07/04/2011 Fl. 595DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 7 Ementa: TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. ATRASO NO PAGAMENTO DAS PARCELAS. RESCISÃO ADMINISTRATIVA. 1. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário, nos casos de lançamento de ofício, contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ele poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inciso I). Tal entendimento foi solidificado no STJ quando do julgamento do REsp 973.733/SC, julgado em 12.8.2009, relatado pelo Min. Luiz Fux e submetido ao rito reservado aos recursos repetitivos (CPC, art. 543C). 2. Parcelado o débito sob a égide da MP 38/2002, o atraso de mais de duas parcelas implica em imediata rescisão da avença administrativa, nos termos do art. 13, parágrafo único, da Lei n. 10.522/02, vigente à época da ocorrência dos fatos. Agravo regimental improvido. (destaques acrescidos) Sendo assim, mantenho a posição anteriormente assumida na decisão desta 1ª Turma da CSRF, no supracitado Acórdão nº 9101000.811, sessão de 21/02/2011, porém com o entendimento externado pelas duas Turmas que compõem a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça – STJ, representado no julgamento dos Embargos de Declaração “EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782)”, julgado em 09/02/2010, cujo aresto transcrevo a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART.173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. (destaques acrescidos) 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. VOTO Fl. 596DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 O SENHOR MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES (Relator): Do acurado reexame dos autos, verifico que razão assiste à embargante. Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Confirase a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, Fl. 597DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 9 sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (destaques acrescidos) 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Retomando os termos em que os declaratórios foram apreciados: Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. (destaques acrescidos) Com efeito, é cediço que, excepcionalmente, emprestamse efeitos infringentes aos embargos de declaração para correção de premissa equivocada sobre a qual se funda o julgado impugnado, quando tal efeito for relevante para o deslinde da controvérsia. A propósito: TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS COM EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE. PREMISSA EQUIVOCADA. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 1. "É admitido o uso de embargos de declaração com efeitos infringentes, em caráter excepcional, para a correção de premissa equivocada, com base em erro de fato, sobre a qual tenha se fundado o acórdão embargado, quando tal for decisivo para o resultado do julgamento" (EDcl no REsp n. 599.653, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJ de 22.8.2005). 2. Tratando os autos de mandado de segurança, são incabíveis embargos infringentes, ainda que o acórdão do Tribunal a quo tenha sido divergente na reforma do mérito da sentença, de acordo com o entendimento firmado pela Súmula nº 597/STF e nº 169/STJ. 3. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos. (EDcl no Resp 727.838/RN, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJ 25.8.2006). PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO MODIFICATIVO. POSSIBILIDADE. 1. Excepcionalmente, podese emprestar efeito modificativo aos embargos declaratórios. 2. No caso em espécie, tendo em vista o descabido recurso especial interposto em inadmissível processo instaurado contra a coisa julgada, impõese o acolhimento dos declaratórios para, dandolhes efeito modificativo, não conhecer do recurso especial. (EDcl nos EDcl no REsp 543.688/RJ, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 26.10.2006). Na seqüência do seu voto condutor, o i. Ministro Relator sentencia que: Portanto, impõese o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria. Isso posto, ACOLHO os embargos de declaração, com efeitos modificativos, para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso especial, tãosomente, para afastar a decadência dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. ... É como voto.” (destaques acrescidos) Conforme já asseverado, no presente caso, houve antecipação de pagamentos e apresentação de DCTFs. Nessa ordem de juízos, nego provimento ao recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN. E como voto. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Fl. 599DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 11 Fl. 600DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10882.001777/2007-41
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
NULIDADES DECORRENTES DO MPF. NÃO CABIMENTO.
Todos os procedimentos adotados pela autoridade fiscal foram compatíveis com objetivo estipulado no Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, portanto inexiste nulidade. Além disso, o MPF constitui-se em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo.
PROVA OBTIDA COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL. REMESSA AO FISCO. AUSÊNCIA DE ILICITUDE.
Em se tratando de prova colhida sob crivo do Poder Judiciário, eventual mácula da colheita da prova não pode ser deferida no processo administrativo fiscal, sob pena de a autoridade administrativa se sobrepor à ordem da autoridade judicial, a qual, constitucionalmente, tem o monopólio da condução do processo criminal e entendeu que a prova colhida no processo crime poderia ser utilizada pelo fisco. Acatar a pretensão do recorrente seria fazer tabula rasa da decisão judicial que determinou que o fisco cumprisse seu mister constitucional (art. 37, XVIII e XXII e art. 145, §1°, da Constituição Federal) de apurar o crédito tributário no caso vertente.
PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE LAUDO PERICIAL CONFECCIONADO PELA POLÍCIA FEDERAL. DOCUMENTAÇÃO TRAZIDA DO EXTERIOR COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PELO FISCO. DOCUMENTOS INCIDENTAIS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. DESNECESSIDADE DE TRADUÇÃO PARA O VERNÁCULO E DE REGISTRO CARTORÁRIO.
Peças incidentais em língua estrangeira, periciadas pelo Instituto de Criminalística da Polícia Federal, traduzidas para vernáculo nos ofícios e laudos da Policia Federal e obtidas com autorização judicial e amparo em tratado de internacional de cooperação dispensam a tradução e registro em cartório, notadamente quando não constituem cerceamento do direito de defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA. ÔNUS DA PROVA.
A tributação de omissão de rendimentos pressupõe que se comprove o beneficio auferido pelo contribuinte, ou seja, que houve a disponibilidade econômica ou jurídica dos rendimentos. Cabe à autoridade fiscal comprovar o momento da ocorrência do fato gerador e existência de relação pessoal e direta do contribuinte a tal fato. Cancela-se o lançamento no qual esse ônus não foi exaurido.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ALEGAÇÃO DE RECEBIMENTO DE LUCROS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
O contribuinte tem o ônus de comprovar a alegação de recebimento de lucros. A apresentação das declarações de rendas das empresas e de ajuste anual do contribuinte não é suficiente, quando não é atendida a intimação para fazer outras provas que comprovem suas alegações, mormente porque o valor informado como recebido representa quase a integralidade da receita bruta das empresas.
SUJEIÇÃO PASSIVA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SOCIEDADE CONJUGAL. REGIME DE COMUNHÃO PARCIAL DE BENS.
Na constância da sociedade conjugal, sob regime de comunhão parcial de bens, o demonstrativo de evolução patrimonial deve computar os recursos e os dispêndios de ambos os cônjuges. Apurado acréscimo patrimonial a descoberto o crédito tributário decorrente de tal infração é de responsabilidade de ambos os participantes da sociedade conjugal, mesmo que tenham apresentado Declarações de Ajuste Anual em separado. Legítimo o lançamento que imputou a dívida integralmente a um dos cônjuges e a responsabilidade solidário ao outro.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar as preliminares e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir do Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto o valor de R$373.287,00 (trezentos e setenta e três mil reais e duzentos e oitenta e sete reais), no mês de maio de 2002, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 12/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 NULIDADES DECORRENTES DO MPF. NÃO CABIMENTO. Todos os procedimentos adotados pela autoridade fiscal foram compatíveis com objetivo estipulado no Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, portanto inexiste nulidade. Além disso, o MPF constitui-se em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo. PROVA OBTIDA COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL. REMESSA AO FISCO. AUSÊNCIA DE ILICITUDE. Em se tratando de prova colhida sob crivo do Poder Judiciário, eventual mácula da colheita da prova não pode ser deferida no processo administrativo fiscal, sob pena de a autoridade administrativa se sobrepor à ordem da autoridade judicial, a qual, constitucionalmente, tem o monopólio da condução do processo criminal e entendeu que a prova colhida no processo crime poderia ser utilizada pelo fisco. Acatar a pretensão do recorrente seria fazer tabula rasa da decisão judicial que determinou que o fisco cumprisse seu mister constitucional (art. 37, XVIII e XXII e art. 145, §1°, da Constituição Federal) de apurar o crédito tributário no caso vertente. PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE LAUDO PERICIAL CONFECCIONADO PELA POLÍCIA FEDERAL. DOCUMENTAÇÃO TRAZIDA DO EXTERIOR COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PELO FISCO. DOCUMENTOS INCIDENTAIS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. DESNECESSIDADE DE TRADUÇÃO PARA O VERNÁCULO E DE REGISTRO CARTORÁRIO. Peças incidentais em língua estrangeira, periciadas pelo Instituto de Criminalística da Polícia Federal, traduzidas para vernáculo nos ofícios e laudos da Policia Federal e obtidas com autorização judicial e amparo em tratado de internacional de cooperação dispensam a tradução e registro em cartório, notadamente quando não constituem cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA. ÔNUS DA PROVA. A tributação de omissão de rendimentos pressupõe que se comprove o beneficio auferido pelo contribuinte, ou seja, que houve a disponibilidade econômica ou jurídica dos rendimentos. Cabe à autoridade fiscal comprovar o momento da ocorrência do fato gerador e existência de relação pessoal e direta do contribuinte a tal fato. Cancela-se o lançamento no qual esse ônus não foi exaurido. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ALEGAÇÃO DE RECEBIMENTO DE LUCROS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. O contribuinte tem o ônus de comprovar a alegação de recebimento de lucros. A apresentação das declarações de rendas das empresas e de ajuste anual do contribuinte não é suficiente, quando não é atendida a intimação para fazer outras provas que comprovem suas alegações, mormente porque o valor informado como recebido representa quase a integralidade da receita bruta das empresas. SUJEIÇÃO PASSIVA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SOCIEDADE CONJUGAL. REGIME DE COMUNHÃO PARCIAL DE BENS. Na constância da sociedade conjugal, sob regime de comunhão parcial de bens, o demonstrativo de evolução patrimonial deve computar os recursos e os dispêndios de ambos os cônjuges. Apurado acréscimo patrimonial a descoberto o crédito tributário decorrente de tal infração é de responsabilidade de ambos os participantes da sociedade conjugal, mesmo que tenham apresentado Declarações de Ajuste Anual em separado. Legítimo o lançamento que imputou a dívida integralmente a um dos cônjuges e a responsabilidade solidário ao outro. Recurso provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar as preliminares e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir do Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto o valor de R$373.287,00 (trezentos e setenta e três mil reais e duzentos e oitenta e sete reais), no mês de maio de 2002, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 12/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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NÃO CABIMENTO. Todos os procedimentos adotados pela autoridade fiscal foram compatíveis com objetivo estipulado no Mandado de Procedimento Fiscal MPF, portanto inexiste nulidade. Além disso, o MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo. PROVA OBTIDA COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL. REMESSA AO FISCO. AUSÊNCIA DE ILICITUDE. Em se tratando de prova colhida sob crivo do Poder Judiciário, eventual mácula da colheita da prova não pode ser deferida no processo administrativo fiscal, sob pena de a autoridade administrativa se sobrepor à ordem da autoridade judicial, a qual, constitucionalmente, tem o monopólio da condução do processo criminal e entendeu que a prova colhida no processo crime poderia ser utilizada pelo fisco. Acatar a pretensão do recorrente seria fazer tabula rasa da decisão judicial que determinou que o fisco cumprisse seu mister constitucional (art. 37, XVIII e XXII e art. 145, §1°, da Constituição Federal) de apurar o crédito tributário no caso vertente. PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE LAUDO PERICIAL CONFECCIONADO PELA POLÍCIA FEDERAL. DOCUMENTAÇÃO TRAZIDA DO EXTERIOR COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PELO FISCO. DOCUMENTOS INCIDENTAIS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. DESNECESSIDADE DE TRADUÇÃO PARA O VERNÁCULO E DE REGISTRO CARTORÁRIO. Peças incidentais em língua estrangeira, periciadas pelo Instituto de Criminalística da Polícia Federal, traduzidas para vernáculo nos ofícios e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 17 77 /2 00 7- 41 Fl. 497DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 laudos da Policia Federal e obtidas com autorização judicial e amparo em tratado de internacional de cooperação dispensam a tradução e registro em cartório, notadamente quando não constituem cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA. ÔNUS DA PROVA. A tributação de omissão de rendimentos pressupõe que se comprove o beneficio auferido pelo contribuinte, ou seja, que houve a disponibilidade econômica ou jurídica dos rendimentos. Cabe à autoridade fiscal comprovar o momento da ocorrência do fato gerador e existência de relação pessoal e direta do contribuinte a tal fato. Cancelase o lançamento no qual esse ônus não foi exaurido. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ALEGAÇÃO DE RECEBIMENTO DE LUCROS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. O contribuinte tem o ônus de comprovar a alegação de recebimento de lucros. A apresentação das declarações de rendas das empresas e de ajuste anual do contribuinte não é suficiente, quando não é atendida a intimação para fazer outras provas que comprovem suas alegações, mormente porque o valor informado como recebido representa quase a integralidade da receita bruta das empresas. SUJEIÇÃO PASSIVA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SOCIEDADE CONJUGAL. REGIME DE COMUNHÃO PARCIAL DE BENS. Na constância da sociedade conjugal, sob regime de comunhão parcial de bens, o demonstrativo de evolução patrimonial deve computar os recursos e os dispêndios de ambos os cônjuges. Apurado acréscimo patrimonial a descoberto o crédito tributário decorrente de tal infração é de responsabilidade de ambos os participantes da sociedade conjugal, mesmo que tenham apresentado Declarações de Ajuste Anual em separado. Legítimo o lançamento que imputou a dívida integralmente a um dos cônjuges e a responsabilidade solidário ao outro. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar as preliminares e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir do Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto o valor de R$373.287,00 (trezentos e setenta e três mil reais e duzentos e oitenta e sete reais), no mês de maio de 2002, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 12/03/2015 Fl. 498DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10882.001777/200741 Acórdão n.º 2802003.321 S2TE02 Fl. 498 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2004, anocalendário 2003, em virtude de apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, conforme demonstrativo de fls. 106, Termo de Verificação Fiscal de fls. 199/206 e auto de infração de fls. 209/2011, contra o recorrente e com atribuição de responsabilidade solidária à cônjuge Patrícia Alessandra Ferraz Venturini (fls. 217). O procedimento de fiscalização foi motivado pelas investigações relativas a Merchants Bank e Beacon Hill Services Corporation, do que decorreu o compartilhamento do material do MTBCBXHudson Bank e Lespan com a Receita Federal, com amparo em decisão Judicial no processo 2004.7000082670, em 29/04/2004, no que se tem denominado de Operação Beacon Hill. Os tópicos do Acréscimo Patrimonial a Descoberto que interessam diretamente ao julgamento do recurso voluntário são três: 1) remessa pelo recorrente de US$150,000.00 para exterior, sendo US$120,000.00 em 31/05/2002, a favor do próprio recorrente, com crédito no Bank of America, Miami; e US$30,000.00, em 03/05/2002, para o beneficiário Pietro Scamparini, com base na documentação de fls. 06/07; 2) atribuição de 100% do Acréscimo Patrimonial a Descoberto ao recorrente, que se casou em regime de comunhão de bens e cuja cônjuge apresentou declaração em separado; e 3) origem de recursos: lucros recebidos das empresas Patain Informática Ltda e Patana Informática Ltda. Na impugnação, o contribuinte sustentou: a) ter havido decadência; b) inobservância à determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF que resultou em nulidade das intimações; c) inexistência de remessas ao exterior; d) erro de eleição do sujeito passivo; Fl. 499DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 e) inexistência de prova de que seja a pessoa indicada nos documentos arrolados como prova das remessas ao exterior; não juntada aos autos do Laudo de ExameEconômicoFinanceiro nº 1258, de 2004; f) ilegalidade e improcedência da prova emprestada; g) utilização de prova por meio ilícito uma vez que não observados requisitos previstos no Acordo de Assistência Judiciária em matéria penal promulgado pelo Decreto nº 3.810, de 2001; h) falta de tradução juramentada e registro notarial e consularização de documentos escritos em língua estrangeira; i) há depoimento do Dr. Roberto Morgenthau, promotor responsável pela condução da quebra de sigilo bancário em Nova York que fragiliza os documentos de fls. 6/7 como prova; j) ausência de menção pela fiscalização do nome de Carolina Nolasco, cujo nome consta nos documentos de fls. 6/7, e que poderia manobrar as contas de todas as formas; k) ausência de diligências em face de Antônio Pires de Almeida, titular da empresa Gatex Corporation que consta nos documentos de fls. 6/7; l) contestação dos itens do Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto que deram causa à autuação. Houve diligência para esclarecer como foi feita a vinculação do nome constante nos documentos de fls. 6/7 (Alain Venturini) ao nome do impugnante (Alain Marcello Venturini), para juntada de cópia do Laudo Pericial que efetivamente embasou a ação fiscal e intimação do impugnante para manifestarse sobre os extratos de DIRF de fls. 289/291. O contribuinte alegou, como mais uma razão para nulidade do lançamento, a atribuição de 100% do Acréscimo Patrimonial a Descoberto contra si em contrariedade à SCI nº 39/2008, que estipula a proporção de 50% para cada cônjuge. A impugnação foi indeferida. Em síntese, a fundamentação do acórdão recorrido é a seguinte: a) não houve decadência, pois não se aplica o §4º do art. 150 do CTN ao lançamento de ofício e sim o inciso I do art. 173 do referido Código; b) o MPF determinava instauração de procedimento fiscal acerca do IRPF e os procedimentos adotados pela autoridade fiscal são correlatos à tributação de omissão de rendimentos caracterizada por Acréscimo Patrimonial a Descoberto, amparados pelo art. 806 do RIR1999; c) na qualidade de sócio da empresa o intimado poderia apresentar informações a ela concernentes, pois a ele cabia a produção das provas, além disso, nos termos dos art. 927 e 928 do RIR1999, todos estão obrigados a prestar informações ao Fisco, independente de serem sujeito passivo de obrigação tributária principal; Fl. 500DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10882.001777/200741 Acórdão n.º 2802003.321 S2TE02 Fl. 499 5 d) não existe vedação na legislação reguladora do processo administrativo à utilização de provas colhidas em outro processo ou por outra autoridade administrativa, fiscal ou judicial, desde que sejam legais e moralmente legítimas, conforme preceitua o Código de Processo Civil no seu artigo 332 e é reconhecido em precedentes do CARF (fls. 355); e) os documentos de fls. 06/07, que embasaram o lançamento, foram extraídos de Laudo Pericial produzido com base em minuciosas investigações levadas a efeito pelas autoridades dos órgãos envolvidos na investigação e possuem força probante suficiente para sustentar a ocorrência dos fatos nele apontados; f) o conjunto de indícios adiante resumido faz prova de que Alain Venturini indicado nos documentos de fls. 6/7 é o Sr. Alain Marcello Venturini, ora recorrente: f.1)consulta ao sistema CPF (fls. 336/337) evidencia que, pela conjugação dos dois nomes (Alain Venturini), o único nome encontrado na base CPF é Alain Marcello Venturini, ora recorrente; f.2) em consulta ao site da empresa Telefônica, com o nome Alain Venturini há três números de telefone, todos em nome de Alain Marcello Venturini, dois em seu endereço e o terceiro no endereço de sua sócia na empresa Patain (fls. 32/33); f.3) no site Google há diversos resultados para o nome Alain Venturini, sendo que no Brasil, todos se referem ao ora recorrente, bem como constatase que o mesmo se utiliza comercialmente do nome Alain Venturini (fls. 340); f.4) o recorrente assina documentos sempre como Alain Venturini (ex.: fls. 18, 70 e 111) f.5) o recorrente é procurador da empresa Sestela trading Corp, constituída no Panamá, que é sócia da GPA Participações com 899.998 das quotas, cabendo ao impugnante e sua esposa uma quota a cada um, não obstante, investido do cargo de Administradores possuem poderes para comprar, vender, hipotecar, independentemente de autorização da sócia majoritária, em valor de até R$450.000,00, o que equivale a metade do capital social; f.6) a vinculação do nome a um brasileiro foi feita previamente, na fase das investigações conduzidas pelo Departamento de Polícia Federal; e Carolina Nolasco, ao depor, informou que administrava contas de brasileiros, depoimento que é de conhecimento do impugnante, uma vez que, em tópico à parte, reclama da falta de menção deste depoimento; g) nas investigações evidenciouse que uma das formas utilizadas pelas pessoas envolvidas para dificultar o rastreamento das operações no exterior era a movimentação de recursos em contas mantidas no exterior, sem trânsito no Brasil, de forma a refutar a utilidade da argumentação de a sigla “ABA”, existente nos documentos de fls. 6/7, indicam que as transações ocorreram dentro dos EUA; h) os documentos obtidos por via judicial pelas autoridades americanas examinados pelo Instituto de Criminalística, que elaborou o Laudo de Exame Econômico Financeiro nº 1258/04INC, trabalhada de forma fartamente descrita nos autos, constituem prova das remessas, não deixando margem à dúvida que o impugnante suscitou; Fl. 501DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 i) quanto às alegações de impossibilidade de utilização de provas obtidas com amparo no Acordo de Assistência Judiciária em Matéria Penal, promulgado pelo Decreto nº 3.810, de 2 de maio de 2001, salvo em casos especificados, registrouse que os documentos foram utilizados com autorização da Justiça Federal do Paraná e da Justiça dos EUA, e no âmbito do Acordo de Assistência Judiciária (Mutual Legal Assitance Treaty – MLAT), alegações de ilegalidades nestes procedimentos devem ser apresentadas ao Poder Judiciário; o art. VII do Decreto 3.810/2001, prevê que o Estado requerido “pode solicitar” ao Estado Requerente condições de uso das provas, mas não determina que condições sejam sempre estabelecidas; ademais, a utilização dos dados é prevista no art. 7.3 do Acordo de Assistência Judiciária (fls. 365); j) a Lei 9.784/1999 não restringe a juntada de documentos em língua estrangeira, apenas exige que os atos do processo sejam produzidos no vernáculo; requisito obedecido por todos os atos deste processo administrativo (termos, relatório, auto de infração, mandados de procedimento fiscal, etc); os documentos de fls. 06/07, embora redigidos em língua inglesa, são de fácil compreensão, notadamente para um procurador de empresa sediada no exterior; não havendo prejuízo ao contribuinte, é prescindível a tradução a que se refere o art. 157 do CPC (RESP 616.103), entendimento que não difere do contido na Solução de Consulta Interna nº 33 da Cosit; l) a exigência de registro do Cartório de Títulos e documentos, prevista no art. 129 da Lei 6.015/1973 referese a eficácia de documentos perante terceiros; os documentos produzidos por órgãos oficiais e anexados aos autos pela própria repartição não se sujeitam a essa formalidade; m) a validade dos documentos, nos termos do art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, torna prescindível a diligência requerida; n) As alegações relativas aos depoimentos do Dr. Roberto Morgenthau, de Carolina Nolasco e de Gatex Corporation foram rejeitadas com emprego dos mesmos argumentos que sustentaram a validade dos documentos utilizados pela Fiscalização como prova; o) não houve comprovação no valor de R$11.872,00, relativamente ao alegado recebimento de rendimentos tributados exclusivamente na fonte (fls. 368/369); p) não podem ser considerados como origem de recursos os valores de R$86.612,40 e R$108.523,69, que o contribuinte alega serem lucros distribuídos pelas empresas PATAIN INFORMÁTICA LTDA e PATANA INOFRMÁTICA LTDA, pois faltou a comprovação dos respectivos lançamentos contábeis e da transferência do numerário da empresa para o beneficiário, com comprovação da data e do valor da operação, o que foi exigido nos Termos de Intimação, porém não atendido; q) quanto à falta de comprovação da origem dos recursos enviados ao exterior no valor de R$373.287,00, não houve erro na data da ocorrência do fato gerador, nem na data de conversão, nem na base de cálculo tributável, pois a conversão se deu com base no art. 1º da In SRF nº 41, de 1999 (cotação de venda correspondente ao segundo dia útil imediatamente anterior ao da contratação da respectiva operação de câmbio ou, se maior, da operação de câmbio em si; e o art. 2º dispõe que a taxa de câmbio é obtida mediante acesso ao SISBACEN, transação “PTAX800, opção 05 – Cotações para contabilidade”; Fl. 502DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10882.001777/200741 Acórdão n.º 2802003.321 S2TE02 Fl. 500 7 r) a Solução de Consulta interna, que considerou que a divisão do Acréscimo Patrimonial a Descoberto entre cônjuges se dá na razão de 50% não vincula as autoridades julgadoras na formação de convicção; a atribuição de 50% da omissão para cada cônjuge dependerá de cada situação analisada, não se trata de presunção prevista em lei, é uma forma de arbitramento e, como tal, devese mostrar o mais adequado a cada caso; o caso mais relevante para a apuração do Acréscimo Patrimonial a Descoberto, nestes autos, foi a remessa de valores para o exterior atribuída ao impugnante, os quais foram tratados como aplicações de recursos, sendo casado no regime de comunhão parcial de bens, o impugnante foi o declarante dos bens comuns do casal, razão pela qual o lançamento foi realizado em seu nome; a autoridade lançadora tomou o cuidado de intimar a esposa do contribuinte para comprovar os rendimentos isentos correspondentes à distribuição de lucros (fls. 99/101) , bem como manifestarse sobre o Acréscimo Patrimonial a Descoberto; ambos os cônjuges tem relação pessoal e direta com o Acréscimo Patrimonial a Descoberto, fundamentalmente porque esse acréscimo patrimonial é constituído por bens adquiridos/remessas de valores ao exterior na constância da sociedade conjugal (fls. 115) e metade do patrimônio adquirido com os rendimentos omitidos pertence ao impugnante e a outra metade seu cônjuge, o que torna cada um deles relacionado diretamente ao fato gerador (inciso I do art. 121 do CTN) e com interesse comum que ambos têm pelos bens constituídos na constância do casamento, os quais deram causa à variação patrimonial a descoberto; dessa forma, o cônjuge é solidariamente obrigado, nos termos do inciso I do art. 124 do CTN; a forma como foi efetuado o lançamento e a atribuição de solidariedade não prejudicou o casal, pois ambos os cônjuges não apresentavam base de cálculo para apuração de imposto devido na Declaração de Ajuste Anual e o valor dos rendimentos incluídos estaria sujeito à alíquota de 27,5%, ainda que fosse dividido entre eles. A ciência do acórdão deuse em 11/12/2009; a interposição do Recurso Voluntário, em 08/01/2010. A peça recursal de fls. 376/453 (que na numeração digital referese às fl. 385/461) constituise, em resumo, das seguintes alegações: 1. decadência, em virtude da incidência mensal do imposto, da previsão do §4º do art. 150 do CTN e de ter sido notificado do lançamento somente em 27/08/2007, passados mais de cinco anos dos fatos geradores relativos a janeiro, maio e junho de 2002; 2. nulidade do lançamento por infringência às prescrições do Mandado de Procedimento Fiscal e do Registro de Procedimento Fiscal – RPF; pois a operação fiscal teve por escopo verificar o fluxo de caixa, não estava prevista a verificação dos depósitos bancários do contribuinte, tanto que o AuditorFiscal, no Termo de Intimação datado de 04/07/2007, declarou sem efeito o item “a” do Termo de Intimação de 02/04/200, onde se requereu a comprovação da origem dos recursos depositados na conta 19.6686 da agência 0866 do Banco Itau, por fugir do escopo da operação 40.711 – IRPF Variação Patrimonial; 3. na mesma intimação de 02/04/2007, o AuditorFiscal intimou fiscalizado, nos itens “b” e “c” a apresentar cópia de cheque e extrato da conta corrente do fiscalizado e da empresa da qual é sócio, livro diário ou caixa das empresas Patain Informática e Patana Informática; 4. o recorrente não é sócio da empresa Patana Informática e quem recebeu os lucros dessa empresa foi a senhora Patrícia Alessandra Ferraz Venturini, que faz declaração em separado; Fl. 503DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 5. em virtude da distinção entre a personalidade das pessoas jurídicas e dos seus sócios, as exigências feitas ao recorrente para apresentar documentos das empresas são ilegais; o acórdão recorrido baseiase na assertiva de que , na qualidade de sócio da empresa, o contribuinte poderia ter apresentado as informações a ela pertinentes, porém poder apresentar não significa estar obrigado a fazêlo; e o AuditorFiscal não dispunha de MPFD ou MPFEx sobre esse assunto; cometeu erro na identificação do sujeito passivo ao exigir do recorrente as informações das empresas, notadamente em relação à Patana Informática da qual nem sequer é sócio; 6. após discorrer sobre doutrina nacional e estrangeira acerca da prova, alega que é dever do Fisco provar a ocorrência do fato gerador; como foi esclarecido na resposta datada de 02/03/2007, o contribuinte não tinha conhecimento do que a Fiscalização lhe solicitara, pois “não há recordação de remessa de qualquer valor ao exterior”; a Fiscalização apresentou duas folhas em língua inglesa com várias informações desconhecidas do recorrente; a autoridade fiscal usou os termos “temos informação” de que o contribuinte “teria remetido”, mas em momento algum fez diligências para comprovar os indícios, baseouse unicamente nos documentos (fls. 6/7) escritos em língua inglesa; não há prova nos autos de que o nome Alain Venturini constante nos documentos de fls. 6/7 é o Alain Marcelo Venturini, ora recorrente; 7. os documentos de fls. 6/7 contêm informação relevante no “ABA TRANSIT NUMBER”, posto que, nas transações internacionais, é utilizado o sistema Swift (fls. 420), o número “ABA” somente é utilizado nas operações realizadas entre bancos americanos; a consulta pelo número (roteador) “ABA” (fls. 6/7) feita em http://routingtool.com/ comprova que os bancos remetente e recebedores estão realizados dentro dos Estados Unidos da América, logo não se pode imputar ao recorrente a conduta de ter remetido recursos ao exterior (do Brasil para os USA); a movimentação de dinheiro noticiada naqueles documentos se deu dentro dos EUA (outgpoing domestic money transfer form and funds transfer agreement – formulário de transferência de saída de valores em dinheiro nacional e ordem de transferência de fundos; 8. a autoridade fiscal menciona o Laudo de Exame EconômicoFinanceiro nº 1258, de 18/05/2004, que demonstra a consolidação da movimentação financeira de todas as contas e subcontas administradas pela empresa Beacon Hill (Laudo Global), o qual não fora acostado aos autos; somente, em 08/04/2009, foi solicitada a cópia desse laudo (fls. 293/294); o laudo às fls. 130/160 é o de número 1412/04INC, de 28/05/2004, que teve por objetivo identificar o(s) titular(es), procurador(es) ou representante(s) da subconta SINKEL FINANCIAL SA, nº 311197, assim como ratificar os relacionamentos existentes e consolidar a movimentação financeira”; ao passo que a conta constante nos documentos de fls. 6/7 é da empresa GATEX CORPO, nº 9008295 Merchants Bank; o laudo não tem valor probante em relação a pessoas ou transações não mencionadas expressamente na perícia; do contrário estar seia exigindo de terceiro a comprovação de que não perpetraram irregularidades, representando a condenada prova diabólica; 9. foi determinada diligência pela DRJ para esclarecer a forma como foi feita a vinculação do nome constante nos documentos de fls. 6/7 com o do impugnante; para juntar cópia assinada do Laudo Pericial que efetivamente embasou a ação fiscal e juntada dos valores dos rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte; conforme relacionado nos 7 itens, às fls. 416 (numeração digital 424), os documentos juntados e enviados para ciência do contribuinte como sendo os que representam a motivação da exigência fiscal não fazem prova contra o recorrente, por razões a seguir discriminadas; Fl. 504DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10882.001777/200741 Acórdão n.º 2802003.321 S2TE02 Fl. 501 9 10. o laudo pericial juntado não mencionou o nome do recorrente e nem contém prova de que este tenha movimentado qualquer quantia para o exterior e que haja vinculação entre o nome “Alain Venturini” e “Alain Marcello Venturini”, este o recorrente; 11. o memorando SRRF08/DIFIS/EQPAF nº 476/2006 não contém prova de que o recorrente remeteu numerário ao exterior e a representação e o dossiê mencionados nesse memorando que se encontra em CD (fls. 303) não foram apresentados ao recorrente; 12. no memorando EEF/Port. 463/04 nº 33/2006 (fls. 311) é mencionado que foram enviados dossiês dos contribuintes relacionados no anexo, sem assinatura ou qualquer documento que vincule o nome “Alain Venturini” a “Alain Marcello Venturini”; 13. a autoridade fiscal autuante esclareceu, em diligência, que a vinculação do nome aposto no documentos de fls.06/07 com o CPF do fiscalizado foi feita pelo Setor de Programação da Delegacia de jurisdição do contribuinte, que não participou nessa fase dos trabalhos; e que por se tratar de documentos obtidos de instituições financeiras sediadas no exterior, não teve condições de complementar e/ou vincular com outros elementos colhidos no curso da ação fiscal; isto demonstra que o AuditorFiscal que procedeu ao lançamento desconhece qual a vinculação existente entre os nomes “Alain Venturini” a “Alain Marcello Venturini”; 14. como o recorrente afirma que não é a pessoa citada nos documentos de fls. 6/7, é absurda a relevância que o acórdão recorrido deu ao fato de o impugnante não ter tomado, oportunamente, qualquer providência alusiva a denunciar às autoridades competentes o uso indevido de seus dados; 15. discorre sobre a teoria da análise combinatória, sobre a distinção entre assinatura e firma e sobre doutrina relativa à teoria das provas com intuito de refutar as conclusões contidas no acórdão recorrido sobre a vinculação entre o nome registrado nos documentos de fls. 6 e o do recorrente, pois (a) não se pode presumir que todos os brasileiros estão cadastrados no CPF nem que a combinação de duas partes de seu nome sejam suficientes para identificálo como a pessoa citada nos documentos de fls. 6/7; nem se pode afirmar que não existe, no mundo, outro Alain Venturini; (b) nem todas as pessoas no Brasil possuem telefone e as que possuem podem estar cadastradas em outras companhias telefônicas, porém a pesquisa da relatora limitouse à empresa Telefônica; (c) a relatora confundiu os conceitos de assinatura e firma; o fato de haver documentos em que o recorrente assina Alain Venturini não permite concluir que seja a pessoa indicada no documentos de fls. 6/7; e (d) a conclusão da relatora, baseada na pesquisa no site Google, de que, no Brasil, todos os resultados encontrados se referem ao recorrente e que comercialmente este utiliza o nome “Alain Venturini” não é prova, pois a pesquisa ao Google apresenta dezenas de Alain Venturini. 16. houve erro total na eleição do sujeito passivo por falta de prova; o Fisco tem o dever de provar cabalmente a responsabilidade do sujeito passivo e vigora a presunção de inocência do contribuinte; no campo tributário, a utilização de presunções deve ser feita com parcimônia para não violar os princípios da segurança jurídica e da estrita legalidade; os indícios não passam de começo de prova e no rol dos indícios consta a prova emprestada; o direito positivo não aceita a idoneidade da prova emprestada; precedente do STF e do CARF (fls. 431/433); suscita o art. 112 do CTN, o princípio do in dúbio pro reo e o art. 386 do Código de Processo Penal – CPP, especialmente, para demonstrar que não há elementos de prova de que a grafia de Alain Venturini é Alain Marcello Venturini; Fl. 505DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 17. o uso de informações obtidas com amparo no Acordo BrasilEUA em matéria penal, incorporado ao direito brasileiro com o Decreto nº 3.810, de 2001, está sujeito a restrições: a) solicitação em contrário e b) pedido de confidencialidade ou de utilização restrita de informações. Assim, as informações e provas não podem ser utilizadas para investigar – muito menos indiciar ou condenar – terceiros que não estão expressamente mencionados na “solicitação de assistência”, sendo invocáveis: a parêmia “exceptio este strictissimae interpretationis”; a inadmissibilidade, no processo, de provas obtidas por meios ilícitos; e a teoria dos frutos da árvore envenenada; 18. a produção de efeitos de documentos redigidos em língua inglesa tem como requisito a tradução para o português (art. 224 do Código Civil) e o respectivo registro no Cartório de Títulos e Documentos (art. 129 da Lei 6.015, de 1973), além disso, a SCI nº 33, de 21/10/2004, nos incisos 14 e 15, requer do acusador a tradução juramentada dos documentos de fls. 6/7 e a reabertura de prazo para o impugnante tomar ciência e exercitar seu direito; 19. discorre sobre as nulidades no processo administrativofiscal e sobre a distinção entre vício formal e material, transcreve os art. 59 e 60 do Decreto n° 70.235/1972 e sustenta que há outras causas de nulidades esparsas na legislação e que não podem ser afastadas; 20. Relativamente ao mérito do Acréscimo Patrimonial a Descoberto, o recorrente alega que: 20.1. os lucros de R$86.612,40 e R$108.523,69 recebidos pelo recorrente e sua esposa das empresas Patain Informática e Patana Informática devem ser admitidos como origens de recursos, uma vez que a distribuição destes foi comprovada com as declarações das empresas (fls. 27/39) e dos sócios (fls. 121/126) e são nulas as intimações feitas aos sócios; não sendo acatada essa nulidade, requerse diligência ou perícia para comprovar, na escrituração contábil das empresas, a efetiva distribuição dos lucros; junta recibos firmados pelos sócios, atestando recebimento dos lucros; 20.2. contraiu matrimônio com a Senhora Patrícia Alessandra Ferraz, em 29/3/1995, sob regime de comunhão parcial de bens, e esta apresentou Declaração de Ajuste Anual em separado, em 29/04/2003, portanto, o lançamento do Acréscimo Patrimonial a Descoberto está incorreto, uma vez que atribuiu integralmente ao recorrente a omissão de rendimentos, contrariamente ao que prevê os art. 6º e 8º c/c art. 798 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR1999 e a SCI nº 390 de 2008, esta última orienta e vincula os trabalhos fiscais, consoante art. 100 do Código Tributário Nacional – CTN, art. 48 a 50 da Lei 9.430, de 1996 e art. 12 da IN SRF nº 740, de 2007, além de ter sido emitida pela CoordenaçãoGeral de Tributação – Cosit em resposta à consulta formulada pela CoordenaçãoGeral de Fiscalização – Cofis, esta na qualidade de órgão da administração pública a que alude o art. 46 do Decreto n° 70.235/1972, legitimada ao processo de consulta. Às fls. 494, o recorrente informa seu novo endereço. Consta despacho de apensação do processo 10882.001778/200796 (fls. 495). O processo foi distribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de agosto de 2014. É o Relatório. Voto Fl. 506DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10882.001777/200741 Acórdão n.º 2802003.321 S2TE02 Fl. 502 11 Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Da decadência O lançamento consiste de omissão de rendimentos no anocalendário 2002, representada pelo Acréscimo Patrimonial a Descoberto, apurado mensalmente, porém com fato gerador consumado em 31/12/2002. Não há uma decadência mensal como defende o recorrente. Dessa forma, o lançamento notificado ao recorrente no ano de 2007, respeitou o prazo decadencial, quer se conte pelo art. 150, §4º ou pelo art. 173, inciso I do CTN. Da nulidade do lançamento por descumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Inexiste a alegada nulidade do lançamento por descumprimento a prescrições do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, o qual juntado às fls. 01 (numeração digital 03) demonstra que o seu objeto era a fiscalização do IRPF do anocalendário 2002 e todos os procedimentos adotados pela autoridade fiscal foram compatíveis com esse objetivo, tais como exigência de extratos e de documentos de empresas que supostamente lhe teriam distribuído lucros. Ademais, o MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo. Demais nulidades O conjunto de documentos obtidos pela Força Tarefa com amparo em decisões judiciais e no Acordo Brasil – EUA somente poderia ser desconstituídos em ação judicial e não no processo administrativo. Incabível, nessa instância, alegar que tais procedimentos contrariaram a legislação pertinente, porque o órgão administrativo não poderia sobrepor seu entendimento à decisão da autoridade judiciária. As normas que estabelecem o requisito da tradução para constituição de provas e do registro cartorário, como normas instrumentais, devem ser interpretadas sistematicamente, levando em conta, inclusive, os princípios que regem as nulidades, notadamente o de que nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para acusação ou para a defesa. Não havendo cerceamento do direito de defesa não se pode dizer que a falta de tradução contaminou o lançamento. Não houve cerceamento do direito de defesa, nem violação ao devido processo legal. Inegável a licitude de utilização dos Laudos Periciais como prova, nos exatos limites das informações neles constantes. Preliminares de nulidade rejeitadas. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 Do mérito Analisase o Acréscimo Patrimonial a Descoberto sob três vertentes: a) remessa pelo recorrente de US$150,000.00 para exterior, sendo US$120,000.00 em 31/05/2002, a favor do próprio recorrente, com crédito no Bank of America, Miami; e US$30,000.00, em 03/05/2002, para o beneficiário Pietro Scamparini, com base na documentação de fls. 06/07; b) origem de recursos representada por lucros recebidos das empresas Patain Informática Ltda e Patana Informática Ltda; e c) atribuição de 100% do Acréscimo Patrimonial a Descoberto ao recorrente, que se casou em regime de comunhão de bens e cuja cônjuge apresentou declaração em separado. Das remessas ao exterior A maior parte das razões recursais centrase na alegação de que o Fisco tem o dever de provar que o contribuinte foi a pessoa citada nos documentos de fls. 6/7 e que sem essa prova não se pode imputar ao recorrente o fato retratado nesses documentos, logo esse dispêndio não poderia constar do demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Na primeira instância de julgamento, houve uma resolução para realização de diligência a fim de a Receita Federal esclarecer como foi feito o relacionamento do nome do contribuinte ao nome citado nos aludidos documentos e juntar o laudo que embasou o procedimento fiscal (fls. 294; numeração digital fl. 300). Foi juntado o laudo pericial nº 1.258/04 (fls. 296; numeração digital fl. 302) e os esclarecimentos de fls. 306 (numeração digital fl. 312) e 313 (fl. digital 319) e documentos de fls. 309/312 (fl. digital 315/318). Esses documentos foram encaminhados pelos memorandos de fls. 310 e 311 e correspondem aos documentos de fls. 06/07, do Valley National Bank, antigo Merchant Bank. O procedimento fiscal teve início para que se fiscalizasse o contribuinte em face do recebimento, por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil, de documentos alusivos à transferência de recursos por meios dos Bancos Merchants Bank, Lespan e Safra Bank. No caso do recorrente, o Merchants Bank. As operações representadas nos documentos de fls. 06/07 são duas transferências de recursos em dólares; uma ocorrida em 05/03/2002 a crédito de Pietro Scamparini no Moody Bank, Austin Texas, outra, em 31/03/2002, a crédito de Alain Venturini no Bank of Amercia Miami, ambas debitadas da conta nº 900 82 95 em nome de GATEX CORP, tendo como referência o nome Alain Venturini. O laudo pericial nº 1258/04 somente foi acostado aos autos somente durante o contencioso administrativo. Esse laudo foi apresentado em razão da diligência que requereu a juntada do laudo que “efetivamente embasou a ação fiscal”, posto que o laudo até então juntado aos laudos não cumpria com essa finalidade. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10882.001777/200741 Acórdão n.º 2802003.321 S2TE02 Fl. 503 13 O recorrente tem razão quando contesta esse laudo como prova por não fazer menção a sua pessoa. O Laudo nº 1258/04 não faz qualquer menção ao nome do recorrente, nem ao Merchants Bank, nem ao Valley National Bank, nem à Gatex Corp, nem à conta nº 9008295. Este laudo consta às fls. 296/302 (numeração digital fl. 302/308) Nesse laudo foi consignado que o material examinado consistiu de mídias computacionais (CDR), contendo um arquivo de nome “Beacon.zip” e trinta outros no formato MS Excel, relativos às contas e subcontas que a Beacon Hill administrava junto ao banco JP Morgan Chase Bank em Nova Iorque, restrito às mídias de movimentação financeira, em meio computacional. A autoridade lançadora informou que não participou da tarefa de vincular o nome Alain Venturini ao recorrente, informa que já recebeu a vinculação elaborada pelo Setor de Programação da DRF e que, por se tratar de documentos obtidos de instituições financeiras sediadas no exterior, não teve condições de complementar e/ou vincular com outros elementos colhidos no curso da ação fiscal (fls. 306). Por sua vez, o Setor de Programação informou que a vinculação dos nomes constou da relação de dossiês anexa ao memorando nº 33/2006 (fls. 312/313), o que implica reconhecer que essa vinculação foi feita em momento anterior ao recebimento dos documentos pela DRF. Nesse contexto, os documentos de fls. 6 e 7 são um relevante início de prova, mas carentes de maiores investigações por parte do Fisco. Ausente qualquer registro de investigação do Fisco nesse sentido, implica reconhecerse que o Fisco não se desincumbiu do dever de provar que o recorrente foi o remetente dos recursos ao exterior. A argumentação do acórdão recorrido é relevante quanto a demonstrar que, se há um brasileiro que se denomina Alain Venturini, este é o recorrente, mas parte de um ponto inicial que tem por comprovado o que se precisa comprovar: Alain Venturini ordenou as remessas? Alain Venturini citado nos documentos é brasileiro? Ressaltese que, na denominada operação Beacon Hill, em suas diversas fases, há casos de operações das mais diversas, não raro com utilização de interpostas pessoas, denominadas de laranjas, o que é mencionado em diversas passagens destes autos (fls. 13, fls. 134, fls. 136, fls. 296) ou ‘smurfs’, no vocabulário empregado no Ofício nº 001/03 PF/FT/SR/DPF/PR, de 296/08/20003 (fls. 139). Esta hipótese não pode ser ignorada, à medida que o contribuinte não reconhece ser a pessoa mencionada nos documentos de fls. 6/7 e demonstra por meio de consulta à rede mundial de computadores que não é a única pessoa cujo nome completo possui o nome de Alain Venturini (fls. 246). O recorrente indicou o seguinte endereço na rede mundial de computadores: https://www.google.com.br/search?q=+%22ALAIN+VENTURINI%22&hl=pt BR&lr=&as_qdr=all%20&start=10&sa=N Fl. 509DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 O acórdão recorrido referese ao laudo nº 1258/04 como "prova emprestada" e descreve um histórico da sua origem (fls. 356) para justificar sua força probante. Admitese que laudos periciais tenham a força probante descrita no acórdão recorrido, todavia, o laudo nº 1258/04, indicado como o que “efetivamente embasou a ação fiscal”, neste caso concreto, não tem essa força, pois: (a) não faz qualquer menção aos nomes indicados nos documentos de fls. 6 e 7; (b) não há qualquer explicação da autoridade lançadora de como relacionar o recorrente ou a operação ao laudo; e (c) o documento que serviria de prova das transferências a cargo do recorrente não era uma mídia computacional, o laudo 1258/04 examinou, exclusivamente, mídias computacionais. Transparece que, a partir da menção do nome Alain Venturini, nos documentos de fls. 6/7, chegouse à identificação do recorrente, Sr. Alain Marcelo Venturini, pois era a única opção existente no Cadastro de Pessoas Físicas CPF. O procedimento fiscal implica um risco, que não pode ser ignorado, de por falta de maiores investigações, tributarse quem não foi ordenante da remessa de recursos ao exterior. Portanto, devese privilegiar o devido processo legal e considerar que faltaram provas nos autos que permitam ao Fisco computar como dispêndios no Acréscimo Patrimonial a Descoberto as remessas ao exterior no mês de abril de 2002 (fls. 106). Assim, é dispensável analisar demais alegações do recorrente que objetivavam excluir esses valores do lançamento. Do recebimento de lucros das empresas Patain e Patana Analisase, primeiramente, as alegações referentes à empresa Patain. Não há nulidade na intimação efetuada ao sócio majoritário e com poderes para representar a sociedade Patain Informática (fls. 34), ainda que a Fiscalização seja dirigida à pessoa física. A distinção entre as personalidades jurídicas, neste ponto, tem caráter meramente formal quanto ao endereçamento da intimação sem causar qualquer o prejuízo ao recorrente. Bastaria ter apresentado os documentos exigidos e se desincumbiria do ônus probatório. O recorrente amparase, exclusivamente, nas declarações de rendas dessas empresas e nas declarações de ajuste anual. Como se trata de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, que deve ser apurado mensalmente, as declarações de rendas apresentadas, ainda que tempestivas, não comprovam o mês de recebimento dos lucros, além disso, outras constatações fragilizam as declarações de rendas como prova do recebimentos de lucros nos valores informados, o que impossibilita computálos no demonstrativo de apuração do Acréscimo Patrimonial a Descoberto. O valor informado como lucros atribuídos aos sócios é de R$114.235,46, quase a totalidade da receita bruta declarada no anocalendário (R$118.375,00) (fls. 29 e 30). Quanto à empresa Patana, o recorrente alega que não é sócio, que sua mulher é sócia e que foi ela quem recebeu os lucros. Ocorre que sua esposa foi intimada a comprovar o recebimento dos lucros (fls. 99) mas não trouxe outros elementos de prova. Juntese o fato de que essa empresa declarou, exclusivamente, receita bruta no mês de dezembro (R$89.700,00) e Fl. 510DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10882.001777/200741 Acórdão n.º 2802003.321 S2TE02 Fl. 504 15 uma atribuição de lucro a sócios que representa quase toda a receita (R$88.380,00) (fls. 37 e 38). As intimações fiscais objetivaram permitir ao contribuinte esclarecer esses fatos e comprovar o recebimento de lucros, porém não foram atendidas. Outrossim, nem mesmo no curso do contencioso administrativo o recorrente faz essa prova. Dessa maneira, não se admite no Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto a inclusão de origens com base nessas alegações. Do rateio da omissão de rendimentos O recorrente sustenta que não é correto atribuirlhe 100% da omissão de rendimentos, dadas as normas que estabelecem o rateio à razão de 50% em relação a cada cônjuge. O recorrente cita a Solução de Consulta Interna nº 39/2008 e sustenta que o entendimento nela expresso é vinculante para a administração tributária. As razões recursais confundem a Solução de Consulta Interna com a Solução de Consulta, somente esta última corresponde ao processo de consulta previsto no art. 48 e seguintes do Decreto n° 70.235/1972 e nos art. 48 e seguintes da Lei 9.430, de 1996. As Soluções de Consulta Interna representam a interpretação dada pela Receita Federal para o caso específico que foi consultado por órgãos da própria instituição. Ainda que tenha sido provocada por um Órgão Central da estrutura da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não possui força vinculante no âmbito destes autos. De todo modo, o CARF não está vinculado aos entendimentos manifestados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Está correto o acórdão recorrido ao reputar que na constância da sociedade conjugal em regime de comunhão parcial de bens, mesmo quando as Declarações de Ajuste Anual são apresentadas em separado, há o interesse comum no acréscimo patrimonial, que, não acobertado pelos rendimentos, caracteriza o fato gerador do imposto, na modalidade de omissão de rendimentos representada pelo Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Há, portanto, a solidariedade de ambos os cônjuges pela dívida como um todo, consoante prescrição do inciso I do art. 124 do CTN, e não há ilegalidade no ato administrativo de lançamento que imputou integralmente ao marido com responsabilidade solidária à esposa, computando na apuração os rendimentos e bens de ambos. Nesse sentido são os precedentes abaixo: (...) SUJEIÇÃO PASSIVA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SOCIEDADE CONJUGAL. Tratandose de contribuinte que faz parte de sociedade conjugal, excetuandose aqui apenas os casos de casamentos regidos pelo Fl. 511DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 16 regime de separação total de bens, não há como elaborar demonstrativo de evolução patrimonial sem que os recursos e os dispêndios de ambos os cônjuges sejam levados em consideração, sob pena de o demonstrativo não espelhar a realidade fática. Assim, apurado acréscimo patrimonial a descoberto, levandose em consideração os recursos e os dispêndios do casal, o crédito tributário decorrente de tal infração é de responsabilidade de ambos os participantes da sociedade conjugal, salvo se o fato determinante do acréscimo patrimonial a descoberto recair sob bens gravados com cláusula de incomunicabilidade. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. (excerto da ementa do acórdão 2102002.335, de 17/10/2012). (...) INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. PATRIMÔNIO COMUM DO CASAL. OBRIGAÇÃO SOLIDÁRIA QUE NÃO COMPORTA BENEFÍCIO DE ORDEM. CTN ART. 124. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. O casal, nestes autos, enquadrase nessa situação, ambos interessados na aquisição de bem comum e no patrimônio, e sua variação, auferido na constância da sociedade conjugal. Na obrigação solidária, dessumese a unicidade da relação tributária em seu pólo passivo, autorizando a autoridade administrativa a direcionarse contra qualquer dos coobrigados. Nestes casos, qualquer um dos sujeitos passivos elencados na norma respondem pela dívida integral. (...) (excerto da ementa do acórdão 2801003.682, de 09/09/2014). Diante do exposto, devese rejeitar as preliminares e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir do Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto o valor de R$373.287,00, no mês de maio de 2002. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 512DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10882.001777/200741 Acórdão n.º 2802003.321 S2TE02 Fl. 505 17 Fl. 513DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13005.720743/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Luis Eduardo Garrossino Barbieri.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA TRINDADE TORRES OLIVEIRA- Presidente
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) .
Relatório
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Luis Eduardo Garrossino Barbieri. Assinado digitalmente IRENE SOUZA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) . Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por DOUX FRANGOSUL S/A AGRO AVÍCOLA INDUSTRIAL contra Acórdão nº 1049.794, proferido pela 2ª Turma da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 05 .7 20 74 3/ 20 10 -8 1 Fl. 867DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 868 2 DRJ/POA, que, por unanimidade, julgou improcedentes as manifestações de inconformidade apresentadas. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de análise e acompanhamento de PER/DCOMP transmitido pela contribuinte em 19/10/2010, através do qual pretendeu ressarcimento de valores credores de PIS nãocumulativo vinculados à receita do mercado externo relativos ao 2º trimestre de 2010. A repartição fiscalizadora efetuou auditoria e produziu Relatório de Ação Fiscal (parte integrante do processo nº 13005.721311/201179 – lançamento de multa isolada de PIS/COFINS) onde dissecou, pormenorizadamente, os problemas encontrados, tendo apontado o valor passível de ressarcimento (Planilha PERD/COMP – fl. 4291 – anexa ao Relatório). Foi emitido Parecer em 24/06/2011 com propositura de reconhecimento parcial do direito creditório da contribuinte, sendo proferido, também, o Despacho Decisório de fl. 22, por meio do qual reconheceuse parcialmente o direito creditório relativo ao PIS nãocumulativo vinculado à receita do mercado externo (2º trimestre de 2010). Desse Despacho Decisório a contribuinte tomou ciência em 01/08/2011 (Termo de Intimação de fl. 34) e, não se conformando, apresentou, através de procurador, longa manifestação de inconformidade onde, de início, referiu aos fatos, para, a seguir, argumentar (de forma resumida): 1) Conceito de insumos: as INs SRF n°s 247/2002 e 404/2004 de produtos destinados à venda, incluindo a prestação de serviços, são insumos, visto que inerentes à materialidade do tributo, isto é, à obtenção de receita. 1.1) Transporte de funcionários: para o transporte dos seus funcionários, responsáveis pela mãodeobra aplicada no processo produtivo, a empresa contrata serviços de transporte de empresas de transporte privadas (fretamento) para o fim de proporcionar o transporte de seus funcionários, de suas residências às instalações da empresa e viceversa. Os serviços tomados das empresas de transporte de passageiros têm como finalidade viabilizar o acesso dos funcionários às instalações da empresa, sem os quais não seria possível a atividade produtiva. Assim, os serviços de transporte municipal e intermunicipal dos funcionários são serviços tomados com o objetivo de viabilizar a mãodeobra necessária ao processo produtivo. Por tal razão, tratase de serviço que se enquadra no conceito de insumo previsto no art. 3º, inciso II, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Requer a reforma do DD para o fim de reconhecer o creditamento dos custos/despesas de transporte de funcionários, visto serem serviços de transporte tomados com o objetivo de viabilizar o acesso e o retorno dos funcionários ao setor produtivo da empresa, subsumindose, portanto, ao conceito de insumo de PIS/COFINS. 1.2) Locação de uniformes (indumentária): a empresa aluga uniformes próprios para o manuseio das carnes de aves e suínos, ou seja, indumentárias especiais. Tais indumentárias consistem em vestimentas, calçados, luvas, capacetes e outros itens necessários para que os funcionários possam manusear as carnes de aves e suínos, em condições sanitárias exigidas pela ANVISA. Considerando que a empresa, para estar apta a exercer a sua atividade econômica, necessita utilizar uniformes especiais para o manuseio das carnes de aves e suínos, atendendo assim os requisitos sanitários da ANVISA, concluise que as despesas de locação desses equipamentos são custos vinculados a sua atividade produtiva. O reconhecimento da legitimidade do creditamento dos custos com locação de indumentárias Fl. 868DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 869 3 (PIS/COFINS), conforme a inteligência dos arts. 3°, incisos II, § 3º, incisos II das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 c/c os arts. 290 e 299 do RIR/99 deve ser feito. 1.3) Limpeza e higiene: a limpeza e a higiene são requisitos básicos de qualquer empresa que tenha como atividade econômica o fornecimento de produtos alimentícios. Para que seja garantida a boa qualidade dos produtos, bem como eliminado o risco de qualquer tipo de contaminação às carnes de frangos, a empresa periodicamente toma serviços de empresas especializadas em limpezas de imóveis para a limpeza e higienização de seus frigoríficos. A contratação periódica de empresas especializadas em serviços de higienização e limpeza é indispensável ao processo produtivo. A tomada desses serviços são custos indispensáveis ao processo produtivo e como tal se subsume ao conceito de insumo para o PIS/COFINS, devendo ser reconhecida a legitimidade do seu creditamento. Mesmo que se entenda que a tomada de serviços de higienização e a limpeza não consistiriam em custos, mas sim em despesas, ainda assim o creditamento de tais serviços estaria albergado pelo art. 299 do RIR/99. Verificase que os dispêndios com os serviços de higiene e limpeza, que preparam os frigoríficos para a atividade produtiva da empresa, se subsumem ao conceito de insumo, com base nos arts. 3º, incisos II das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como nos arts. 290 e 299 do RIR/99. Requer o afastamento da referida glosa. 1.4) Construção civil: no exercício da atividade produtiva, a empresa precisa, periodicamente, contratar empresas tercerizadas para a prestação de serviços de construção civil, seja para a ampliação de dependências de suas instalações frigoríficas, seja para realizar benfeitorias em suas instalações. Face a isso, a empresa creditouse dessas despesas para efeitos de PIS/COFINS. Todavia, o Fisco glosou essas despesas, por entender que não se subsumem ao conceito de insumo e, por conseguinte, efetuou a glosa do direito creditório pleiteado em relação a essa despesa. Ocorre que o creditamento das despesas de edificação e benfeitorias, como é o caso dos serviços contratados, é expressamente permitido pelas Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, como se percebe na dicção dos arts. 3º, incisos VII. É medida de rigor que seja reconhecida a legimitidade do creditamento das despesas de construção civil creditadas pela empresa, visto tal possibilidade estar expressamente prevista na legislação de regência do PIS/COFINS regime nãocumulativo. 1.5) Tratamento de resíduos industriais: em todas as etapas do processo produtivo da empresa, seja o produto final que industrializa, há o descarte de resíduos industriais, em decorrência da transformação da matériaprima. Como os resíduos são orgânicos, por uma questão de saneamento e de procedimento sanitário, procedese a locação de células apropriadas para os resíduos sólidos, o que revela que tais dispêndios no tratamento dos resíduos industriais consistem em despesas, as quais devem ser creditadas para efeito de PIS/COFINS, por força do art. 299 do RIR/99. 2) Despesas de energia elétrica: para a carga de frio a empresa contrata prestação de serviços de energia elétrica de empresas especializadas, que, dentro do próprio porto, procedem ao resfriamento dos containeres. Face a necessidade de cargas de frio nos containeres que acondicionam as carnes de aves e produtos derivados que estão aguardando o seu embarque nos portos, para que cheguem ao seu destino final com qualidade e aptas para o consumo, é medida de rigor reconhecer a legitimidade do creditamento dessas despesas para efeitos do PIS/COFINS. Por esta razão, o creditamento da tomada desse serviço (fornecimento de energia elétrica) deve ser reconhecido com fulcro nos arts. 3º, II, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, c/c o art. 299 do RIR/99. 3) Despesas com fretes: a) fretes de produtos em elaboração: nos casos em que o produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade, Fl. 869DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 870 4 estáse diante de um processo produtivo único, apenas com etapas contínuas de industrialização em unidades diferentes da mesma empresa. Para a remessa dos produtos em elaboração, a empresa necessita contratar prestadoras de serviços de transporte para essa locomoção, o que revela que os fretes são serviços de transporte tomados com a finalidade propiciar a continuidade do processo produtivo, que, por razão de especialização e de racionalização do processo industrial, é concluído em outra unidade. Dessa forma, o frete de produtos em elaboração se subsume ao conceito de insumo previsto nos arts. 3º, incisos II, das Lei n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, visto que são serviços contratados para proporcionar a continuidade do processo produtivo; b) fretes de produtos acabados: as carnes de aves, inteiras ou em cortes, são remetidas do frigorífico para outra unidade responsável pelo acondicionamento dos produtos nos containeres, assim como outras unidades responsáveis pela elaboração dos empanados, dos embutidos e de pratos prontos. Essa remessa de produtos acabados, é procedida de vendas aos compradores estrangeiros, de modo que os produtos acabados são transportados após concretizada a operação de venda e com a finalidade de serem exportados. Já com a saída do produto da unidade de origem, destinamse para entrega aos clientes, que por serem estrangeiros se sujeitam ao trâmite da exportação em containeres. Dessa forma, essas operações de fretes de produtos acabados se enquadram no permissivo legal da Lei n° 10.833/2003, que garante o creditamento de COFINS/PIS. As despesas de fretes de produtos acabados entre filiais são despendidas com o propósito de viabilizar a atividade econômica de exportação dos produtos. Como tal, são despesas que se consubstanciam no conceito de insumo do PIS/COFINS, de modo que seu creditamento também pode ser reconhecido com base nos arts. 3º, II, § 3º, incisos II, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como nos arts. 290 e 299 do RIR/99. Seja como frete na operação de venda, seja como despesa necessária à atividade econômica de exportação, o creditamento do frete de produtos acabados deve ser reconhecido, para que seja observada a não cumulatividade do PIS/COFINS. 4) Créditos extemporâneos/preclusos: nos períodos de apuração de janeiro, novembro e dezembro de 2010, a empresa adjudicou créditos de PIS/COFINS sobre itens do ativo imobilizado que não haviam sido aproveitados em meses anteriores. Tais créditos foram tratados pela fiscalização como extemporâneos. A empresa adjudicouse de forma extemporânea tão somente de créditos originários de cinco anos anteriores ao creditamento, observando os termos estabelecidos no artigo 1º do Decreto n° 20.910, de 1932. É ilegal a decisão do Fisco de vedar o aproveitamento de créditos extemporâneos que seriam passíveis de adjudicação – de cinco anos anteriores. A ilegalidade materializase no fato de tal decisão conflitar com a interpretação integrada do art. 1º do Decreto 20.910/1932 com os dispositivos legais e normativos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 e INs SRF nºs 287/2002 e 404/20), que autorizam que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. Nesse sentido, a empresa requer que o DD seja reformado, lhe sendo restituído o valor que lhe é de direito nos termos da legislação. 5) Crédito presumido: a) aquisições da Conab: sobre as aquisições de milho realizadas pela empresa, apurouse crédito presumido à alíquota de 4,56%, para fim de creditamento do referido insumo adquirido da CONAB. O DD glosou o creditamento dessa aquisição, entendendo que, como a CONAB era intermediária da União, não haveria direito a crédito de PIS/COFINS (não teria havido débito das contribuições na etapa anterior). Fundamentou seu entendimento com base no Comunicado CONAB/DIGES/SUOPE/GECOM n° 158, de 10/05/2006. Essa glosa não merece persistir, visto que o direito ao crédito de PIS/COFINS estão garantidos Fl. 870DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 871 5 pelos arts. 3º, incisos II, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, não havendo limitação infralegal, quanto mais de um Comunicado que sequer foi objeto de publicação no DOU (art. 100 do CTN). O fato da CONAB ser uma intermediária da União, não quer dizer que o adquirente não faz jus ao creditamento na aquisição do milho. O fato da União Federal ser imune a incidência de PIS/COFINS, não quer dizer que não há incidência das contribuições na etapa anterior à aquisição do milho, mas tãosomente que a receita da União, assim como dos demais Entes da Federação, não será tributada. Não significa dizer que a empresa não pode usufruir da nãocumulatividade do PIS/COFINS e se creditar da aquisição do insumo, pois não se está diante de uma limitação de um benefício fiscal ao contribuinte, mas apenas de uma imunidade do Ente Federado. Requer o afastamento dessa glosa, assim como das demais, devendo ser reconhecida a legitimidade da aquisição do milho, visto a regularidade do cálculo do crédito presumido realizado; b) regularidade do valor da base de cálculo do crédito presumido: a empresa adquire animais para sua produção e os envia para os centros de criação. Até que os animais estejam prontos para o abate, a empresa procede à manutenção dos mesmos, enviando aos criadores, ração e outros insumos empregados na criação dos frangos. Portanto, empresa a firma com os produtores Parceria Rural nos termos do Decreto nº 59.566/1966. A empresa entrega todos os pintos ao produtor integrado, bem como adquire 100% dos insumos utilizados na produção da ração, fornecendo integralmente ao integrados para a alimentação e o desenvolvimento de 100% dos animais, que posteriormente são utilizados em sua totalidade na produção da própria empresa. O produtor integrado não participa com nenhum dos insumos necessários para a criação dos frangos. Toda a ração, medicamentos e todos os demais insumos empregados na criação dos frangos são custeados pela empresa. O produtor integrado contribui exclusivamente com a mãodeobra. O percentual de 9%, mencionado no DD, representa a remuneração da mãodeobra do produtor integrado, para garantir o desenvolvimento dos animais até o momento do abate. A empresa não realiza compra de parte de produção do produtor integrado, mas sim remunera a mãodeobra despendida pelo produtor durante o desenvolvimento dos animais. O fato de remunerar o produtor com valor em torno de 9% do que valem os frangos devolvidos, não significa que tais frangos não sejam da empresa, tampouco que tais frangos pudessem ser vendidos a terceiros. Tratamse de frangos e de insumos da empresa, sendo que o emprego de tais insumos na criação destes frangos em nada retira o direito ao crédito da empresa. A empresa remunera seus integrados pela mãode obra (cuidados e criação dos frangos), mas a totalidade dos insumos deve lhe ser reconhecida, pois 100% dos frangos são de sua propriedade. A Doux Frangosul paga pelo serviço em valor que importa em quantia em torno de 9% do valor dos frangos, mas isso não retira o caráter de propriedade dos mesmos; c) alíquota utilizada para calcular o crédito presumido: o cálculo levado a efeito pela empresa encontra guarida na legislação federal e merece ser mantido, face à estrita observância das normas de regência (art. 3º, § 10 da Lei nº 10.637/2002; Lei nº 10.833/2003; art. 8º da Lei nº 10.925/2004). Desses dispositivos depreendese que a utilização das alíquotas previstas nos incisos I, II e III (art. 8º da Lei nº 10.925/2004) tem como critério o produto fabricado pela empresa beneficiária. Considerando que a empresa fabrica produtos classificados nos Capítulos 2 a 4, e nos códigos 15.01 a 15.06 da NCM, concluise que esta se encontra credenciada ao desconto de crédito presumido com a utilização da alíquota de 60% sobre os insumos adquiridos; d) procedência dos créditos objetos do pedido de ressarcimento: disse o Fisco que o total do valor do crédito presumido não é ressarcível, podendo apenas ser deduzido do PIS/COFINS. Mas é expressamente permitido o ressarcimento do Fl. 871DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 872 6 crédito quando a pessoa jurídica, ao final de cada trimestre, não conseguir deduzir seus créditos com débitos próprios ou compensar com débitos próprios (art. 5º da Lei nº 10.637/2002; art. 6º, da Lei nº 10.833/2003). Além disso, a IN SRF n° 660/2006 alterou por completo a Lei n° 10.925/2004, usurpando competência de normas complementares (art. 8º); e) modificações ao texto da Lei nº 10.925/2004 pela IN SRF nº 660/2006: em momento algum o legislador ordinário determinou como condição para cálculo do crédito presumido a aquisição de insumos elaborados ou semielaborados. A IN SRF nº 660/2006 modificou indevidamente o texto da Lei nº 10.925/2004 ao estabelecer que o crédito presumido de PIS/COFINS fosse calculado com base nos insumos adquiridos pela PJ. Não merece amparo a glosa levada a efeito pelo Fisco, eis que ela se deu com base em ato de natureza complementar, que de forma indevida modificou a legislação de regência. Podese concluir que não merece amparo a fundamentação para a glosa da alíquota de 60% sobre 1,65% e 7,6% para o cálculo do crédito presumido de PIS/COFINS, visto que o critério determinado para cálculo do benefício não são os insumos e sim o produto que a empresa produz. Requer a reforma do DD, para ser reconhecido o direito creditório pleiteado na sua integralidade. 6) Pedidos: a empresa requer que sua manifestação de inconformidade seja recebida e acolhida, reformandose o DD combatido, deferindose totalmente os crédito pleiteados, visto a comprovação da legitimidade daqueles. Requer a possibilidade, durante o trâmite do processo administrativo, de juntada de outros documentos que possam comprovar a legitimidade dos créditos pretendidos e, caso seja entendido necessário, a determinação de diligência fiscal para comprovação dos fatos descritos. Remetido o processo a esta DRJ, foram os autos analisados. Em 14/03/2012 emitiuse pedido de diligência para, em especial, verificações quanto ao redutor aplicado nas glosas de insumos remetidos para os produtores integrados, devendo ser esclarecido se foi esta a parcela do total produzido pelos produtores parceiros que efetivamente coube a estes produtores (se pagos em dinheiro ou em frangos). Em atendimento, o Órgão preparador anexou documentos e produziu Relatório de Diligência Fiscal. Neste assentou (excertos): (...) Em consulta aos arquivos digitais contendo os documentos fiscais do ano de 2010, apresentados pelo contribuinte, verificouse entradas de produtos advindos dos integrados nos estabelecimentos do contribuinte, tendo sido registradas com CFOP 1451 (Retorno de animal do estabelecimento produtor) e CFOP 1101 (Compra para industrialização ou produção rural), de acordo com os valores constantes da tabela demonstrativa abaixo: Verificase que do total das operações de entradas de produtos advindos dos integrados (CFOP 1451 + CFOP 1101), aproximadamente 9% referiramse a aquisições destes produtos (CFOP 1101). Desta forma, concluise que a parcela de, aproximadamente, 9% do total produzido pelos produtores parceiros do contribuinte no ano de 2010 coube a estes produtores parceiros, que receberam esta parcela da produção em Fl. 872DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 873 7 mercadorias/produtos como pagamento pela prestação de seus serviços, tendo vendido sua parte da produção ao contribuinte fiscalizado, conforme operações de aquisições registradas com CFOP 1101, relacionados na tabela acima. (...) Cientificada do Relatório a contribuinte apresentou nova manifestação em 03/08/2012. Nela registrou (de forma sintética): 1) Valor da base de cálculo do crédito presumido atribuído pela empresa: o intuito do pedido de diligência era de verificar o entendimento do Fisco: como a ração e outros insumos adquiridos e fornecidos pela empresa são entregues aos produtores integrados, tais insumos não se destinariam integralmente à produção própria, vez que parte do resultado desta produção supostamente cabe ao produtor integrado, que realiza algumas etapas de seu processo produtivo. No entendimento do Fisco, uma parcela dos insumos entregues ao produtor integrado não constituiria produção da PJ, não se destinando à venda desta e, portanto, não se enquadrando no dispositivo legal que autoriza a geração de crédito presumido. Conseqüentemente, o valor relativo a esta parte (9%), deveria ser excluído da base de cálculo dos créditos. A empresa entrega todos os pintos ao produtor integrado, bem como adquire 100% dos insumos utilizados na produção da ração, fornecendo os aos integrados, para uso na alimentação e desenvolvimento de 100% dos animais. Esses são, posteriormente, utilizados em sua totalidade na produção da própria empresa. O produtor integrado não participa com nenhum dos insumos necessários para a criação dos frangos. Toda ração, medicamentos e demais insumos empregados na criação dos frangos são custeados pela empresa. O produtor integrado, por sua vez, contribui exclusivamente com a mãodeobra. A empresa fornece 100% dos insumos, suportando o custo do produtor integrado em sua totalidade. Também utiliza 100% dos animais em sua produção. O percentual de 9% mencionado no DD representa remuneração da mãodeobra do produtor integrado, para garantir o desenvolvimento dos animais até o momento do abate. A empresa não realiza a compra de parte de produção do produtor integrado, e sim remunera a mãodeobra despendida pelo produtor durante o desenvolvimento dos animais. O fato de remunerar o produtor com valor em torno de 9% do que valem os frangos devolvidos, não significa que tais frangos não sejam da empresa, tampouco que tais frangos pudessem ser vendidos a terceiros. Tratase de frangos e insumos da empresa, sendo que o emprego de tais insumos na criação destes frangos em nada lhe retira o direito ao crédito. Protesta pela posterior juntada de outros documentos que possam comprovar a aquisição de insumos em 2010. 2) Tabela demonstrativa: no Relatório de Diligência Fiscal não há qualquer referência que possa fornecer elementos que possibilitem à empresa, ao menos, deduzir os valores que seriam correspondentes a cada glosa, o que demonstra a nulidade do referido Relatório, bem como do DD, por ausência de fundamentação. O Relatório não descreveu a fundamentação de sua decisão, ou seja, os motivos e dispositivos legais que dariam guarida a tal decisão. O DD sequer individualizou os valores das glosas realizadas pelo Fisco. Faltaram os elementos de convicção da decisão, os elementos fáticos ocorridos e o motivo pelo qual a glosa realizada pelo Fisco foi superior ao valor pleiteado. Retirouse, por consequência, a segurança jurídica e a possibilidade de defesa, visto que não há qualquer explicação, tanto no DD quanto no Relatório, para que o valor das glosas, somado ao valor deferido, seja superior ao valor pleiteado. Dessa forma, além de tornarse inócua, prejudica a defesa recursal da empresa por cercear a sua defesa, vez que não foram respeitados os princípios da ampla defesa e do contraditório. Deve ser considerado nulo o ato administrativo pela falta de elemento essencial à sua formação. 3) Pedidos: Fl. 873DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 874 8 a) requer seja recebida e acolhida sua manifestação complementar, reconhecendose a nulidade parcial do DD e a nulidade integral do Relatório de Diligência Fiscal, eis que não apresentaram as razões que justificassem as glosas combatidas, bem como o fato da soma das glosas realizadas, com o valor inicialmente deferido pelo Fisco, ser superior ao valor pleiteado pela empresa no período em análise; b) requer seja determinado que a autoridade fiscal de origem realize nova análise dos valores glosados, bem como reaprecie as referidas glosas, considerando os documentos juntados em anexo que demonstram a legitimidade do crédito pleiteado; c) requer, caso não seja acolhido o pedido anterior, o provimento integral de sua Manifestação de Inconformidade, com a consequente reforma do DD, para o fim de deferimento do total dos créditos pleiteados, vista a comprovação da legitimidade daqueles; d) requer a possibilidade de juntar outros documentos que possam comprovar a legitimidade dos créditos pleiteados, bem como, caso se entenda necessário, seja determinada diligência fiscal para comprovar os fatos antes descritos ou para contraditar as alegações que eventualmente sejam feitas. Posteriormente, em 18/10/2012, a contribuinte solicitou juntada de mídia eletrônica (CD). O processo retornou a esta DRJ.” A DRJ, por unanimidade, julgou improcedentes as manifestações de inconformidade apresentadas, em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento ao direito de defesa quando a contribuinte é regularmente cientificada do despacho decisório, sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade, na qual revela conhecer as razões da homologação parcial da compensação declarada. PROTESTO PELA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Fl. 874DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 875 9 No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não tem competência para, em sede de julgamento, negar validade às normas vigentes. ENTENDIMENTOS ADMINISTRATIVOS E JUDICIAIS. MANIFESTAÇÕES DOUTRINÁRIAS. EFEITOS. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos de segunda instância administrativa ou judicial, bem como a manifestações da doutrina especializada, não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Entendese por insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado e sejam utilizadas na fabricação ou produção de bens destinados à venda e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na sua produção ou fabricação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL EPI. Somente os bens ou serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação é que geram direito ao crédito, sendo certo que os gastos com equipamento de proteção individual e uniformes estão fora deste universo, pois, embora sejam relevantes e até possam ser necessários, não são Fl. 875DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 876 10 empregados diretamente na produção, já que se tratam de materiais auxiliares, complementares ao processo produtivo e, por isso, estão fora da literalidade do dispositivo legal, ou seja, estão fora do alcance do conceito de insumo. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA INDUSTRIAL. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição apurada de forma nãocumulativa os gastos com serviços de manutenção e limpeza industrial, que não sejam comprovadamente empregados em máquinas e equipamentos utilizados na produção, por não se classificarem como insumos. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. SERVIÇOS RELACIONADOS À MANUTENÇÃO CIVIL. Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma nãocumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. Somente dão origem a crédito na apuração nãocumulativa da contribuição as despesas referentes à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS PRESUMIDOS. ALÍQUOTAS. O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) apenas quando as aquisições se tratarem de produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO. ALÍQUOTA CONFORME NATUREZA DO INSUMO. Na apuração do crédito presumido, o percentual a ser observado tem relação com a natureza do insumo adquirido, e não do bem/mercadoria Fl. 876DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 877 11 produzida. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. O crédito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da contribuição apurada no regime de incidência não cumulativa. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete, somente dará direito à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. BENS ADQUIRIDOS DA COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). GLOSA. Os valores referentes a insumos adquiridos da CONAB não geram créditos para o adquirente no regime não cumulativo. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. GLOSA. AUSÊNCIA DE APROPRIAÇÃO NA ÉPOCA PRÓPRIA. DACON. DCTF. É cabível a glosa de créditos extemporâneos, quando, dentro do prazo decadencial de cinco anos, a autuada não retifica as declarações (DACON, DIPJ e DCTF) para demonstrar que efetivamente apurou e não descontou os créditos a que diz fazer jus. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS REFERENTES À PARTE DA PRODUÇÃO PERTENCENTE AO PARCEIRO (INTEGRADO). A legislação somente autoriza a apuração de créditos em relação a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos próprios destinados à venda, não podendo ser estendida à parcela das aves que cabe ao produtor integrado ou parceiro. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Fl. 877DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 878 12 Cientificado do referido acórdão em 20 de maio de 2014, a Doux Frangosul S/A Agro Avícola Industrial apresentou recurso voluntário em 4 de junho de 2014, pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a DOUX FRANGOSUL S/A AGRO AVÍCOLA INDUSTRIAL teve ciência da decisão de primeira instância em 20 de maio de 2014, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentandoo em 4 de junho de 2014. Depreendendose da análise do recurso voluntário, vêse que a lide envolve valores relativos aos créditos do PIS não cumulativo, vinculados às receitas de exportação, referentes ao 2º trimestre de 2010. Para melhor elucidar as questões trazidas no recurso voluntário, importante trazer os fatos descritos pela recorrente, quais sejam, entre outros, que: · A recorrente, com base no art. 5º, § 1º e § 2º, da Lei nº 10.637/02, transmitiu pedido eletrônico de ressarcimento (PER) de créditos de COFINS não cumulativo, vinculados às receitas de exportação, referentes ao 2º trimestre de 2010, o valor de R$ 1.785.841,67; · No entanto, a Receita Federal de Santa Cruz do Sul procedeu à fiscalização na sede da empresa, através da qual decidiu em reconhecer parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 1.319.547,49; Fl. 878DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 879 13 · O despacho decisório não reconheceu parte dos créditos pleiteados, sob a alegação de supostas irregularidades fiscais, conforme breve resumo da Informação Fiscal anexada ao Auto de Infração do processo nº 13005.721311/201179; · O que, por conseguinte, fez com que a recorrente apresentasse Manifestação de Inconformidade visando o deferimento integral do seu crédito; · Sobreveio Acórdão da 2ª Turma da DRJ que julgou improcedente a Manifestação mantendo as glosas sobre os mesmos argumentos despendidos no despacho decisório. Descritos os fatos, passo a discorrer sobre as argumentações trazidas pela recorrente sobre cada questão contemplada no recurso voluntário. Quanto ao conceito de insumo para o PIS e a Cofins não cumulativos, em síntese, a recorrente diz que: · As IN´s SRF 247/2002 e 404/2004 interpretaram o termo “insumos” em sentido estrito, amoldandoo à forma prevista no Regulamento do IPI; · Os referidos atos normativos não oferecem a melhor interpretação ao art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois tal conceito de insumo não se coaduna com a base econômica de PIS e COFINS, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários para a obtenção de receita, vinculada à atividade fim da empresa; · Cumpre trazer a baila o recente entendimento do CARF, ao julgar o recurso voluntário interposto no âmbito do processo nº 11020.001952/200622, tendo em vista que nesse julgamento, a turma ampliou o conceito de insumo que gera o direito aos créditos de PIS e COFINS na modalidade não cumulativa; · De acordo com o r. entendimento, o conceito de insumos seria mais amplo, devendose levar em conta o que é insumo segundo o Regulamento do Imposto de Renda, nos seus arts. 290 2 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas Fl. 879DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 880 14 nºs 247/02 e 404/04, as quais foram editadas com fundamento exclusivo na legislação do IPI; · Para que seja realizada a não cumulatividade das contribuições, na forma desejada pela Constituição, o conceito de insumo para o PIS e a COFINS também deve contemplar os custos e despesas despendidas com a obtenção de receita; · Portanto, para interpretar o conceito de insumo para o PIS e a COFINS devese adotar não só a previsão de insumo prevista nas IN´s, como também albergar os custos e despesas que se fizerem necessárias na atividade econômica, conformando os arts. 290 e 299 do RIR/99; · Tal entendimento foi chancelado na esfera judicial, por meio do acórdão prolatado no julgamento da Apelação Cível nº 0029040 – 40.2008.404.7100/RS do Tribunal Regional Federal da 4ª Região – que, descreve, entre outros, que os critérios adotados pelo legislador para pautar o creditamento nos casos de IPI não são aplicáveis ao PIS e à COFINS; · No caso dos autos, além dos insumos glosados estarem plenamente de acordo com as INs SRF 247/02 e 404/04, gerando o direito aos créditos de PIS e COFINS na modalidade não cumulativa, tal situação fica ainda mais evidenciada, levando em consideração o conceito de insumo proposta pelo CARF e reconhecido pelo TRF da 4ª Região, visto que também existem custos e despesas estritamente vinculados à atividade produtiva e econômica da recorrente, cujo creditamento deve ser reconhecido com base nos arts. 290 e 299 do RIR/99, e conforme o conceito de essencialidade ao processo produtivo. Ademais, após transparecer seu entendimento quanto ao conceito de “insumo” para fins de creditamento das r. contribuições, discorre sobre cada questão envolvendo os eventos que, por sua vez, não foram acatados pela autoridade fazendária como passíveis de instituição do r. crédito. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 881 15 Relativamente ao transporte de funcionários, aduz a recorrente que: · É responsável pela absorção de diversos trabalhadores residentes na Cidade de Montenegro e interior, bem como de municípios arredores; · Para o transporte dos seus funcionários, responsáveis pela mão de obra aplicada no processo produtivo, a recorrente contrata os serviços de transporte privadas, chamada fretamento, para o fim de proporcionar o transporte de seus funcionários, das suas residências às instalações da empresa e viceversa; · Os serviços tomados das empresas de transporte de passageiros, tem como finalidade viabilizar o acesso dos funcionários às suas instalações, sem o quais não seria possível a atividade produtiva da empresa; · Ainda que se entenda que os serviços de transporte de funcionários não ser custo, mas uma despesa, ainda assim, estaria o fretamento consubstanciado no conceito de insumo, razão pela qual seria permitido o seus creditamento, com base no art. 299 do RIR/99; · Tratase de atividade essencial para o processo produtivo, fato que sem ele não seria possível manter a produção da empresa. Quanto à locação de uniformes, traz a recorrente que: · O seu processo produtivo possui diversas etapas, entre as quais, a de abate, corte, resfriamento ou congelamento, para a comercialização dos produtos inteiros ou em cortes de aves e suínos, bem côo de produtos como empanados, pratos cozidos, embutidos, etc; · Deve cumprir as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, alugando uniformes próprios para o manuseio das carnes de aves e suínos; · Tais indumentárias consistem em vestimentas, calçados, luvas, capacetes e outros itens necessários para que os funcionários possam manusear as carnes de aves e suínos; · Em outras oportunidades, a recorrente já teve os créditos decorrentes dessas indumentárias reconhecido pelo CARF – Acórdão 20181.724; · Considerando que a empresa, para estar apta a exercer a sua atividade econômica, necessita utilizar uniformes especiais para o manuseio das Fl. 881DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 882 16 carnes de aves e suínos, atendendo assim os requisitos sanitários da ANVISA, Quanto à limpeza e higiene, traz a recorrente que para que seja garantida a boa qualidade dos seus produtos, bem como eliminado o risco de qualquer tipo de contaminação às carnes de frangos, periodicamente toma serviços de empresas especializadas em limpezas de imóveis para a limpeza e higienização de seus frigoríficos. O que, portanto, traz que são custos indispensáveis ao seu processo produtivo e essencial e como tal se subsume ao conceito de insumo para o PIS e a COFINS, devendo ser reconhecida a legitimidade de seu creditamento. Quanto à construção civil, argumenta a recorrente que necessita contratar empresas terceirizadas para a prestação de serviços de construção civil, seja para a ampliação de dependências de suas instalações frigoríficas, seja para realizar benfeitorias nas suas instalações, como, por exemplo, reforma de uma caldeira. Além disso, discorre que o creditamento das despesas de edificações e benfeitorias é expressamente permitido pelas leis 10.833/03 e 10.637/01, conforme art. 3º, inciso VII, in verbis: “Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]VII – edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; Relativamente ao tratamento de resíduos industriais, descreve a recorrente que: · O tratamento de resíduos industriais consiste no descarte apropriados dos materiais orgânicos, separado da matéria prima em decorrência da transformação do produto industrializado; · Como os resíduos são orgânicos, a recorrente procede a locação de células apropriadas para os resíduos sólidos, o que revela que tais dispêndios no tratamento dos resíduos industriais consistem em Fl. 882DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 883 17 despesas, as quais devem ser creditadas para efeito de PIS e COFINS, por força do art. 299 do RIR/99 e, também pela sua essencialidade ao processo a produtivo. Especificamente às despesas de energia elétrica, aduz que: · Exporta grande parte da sua produção, de modo que as carnes de aves, em parte ou inteiras, assim como os produtos derivados como empanados, embutidos ou pratos prontos, são acomodados em containeres dotados de grande capacidade de resfriamento e/ou congelamento, para o fim de que os produtos condições próprias para consumo; · Os produtos de origem animal devem ser armazenados em condições especiais para manter a sua qualidade e, principalmente, a sua aptidão para o consumo humano – o que inclui a manutenção da baixa temperatura nas câmaras frias; · Nas suas exportações faz monitoramento da temperatura dos seus containeres que acondicionam os seus produtos e quando percebe a necessidade de resfriamento procede a chamada “carga de frio” nas acomodações dos próprios portos; · Para a “carga de frio”, a recorrente contrata a prestação de serviços de energia elétrica de empresas especializadas que, dentro do próprio porto, procedem ao resfriamento dos containeres; · Face a necessidade das “cargas de frio” nos containeres que acondicionam as carnes de aves e produtos derivados, que estão aguardando o seu embarque nos portos, para que cheguem ao seu destino final com qualidade e aptas para o consumo, é medida de rigor reconhecer a legitimidade do creditamento dessas despesas para efeitos do PIS e da COFINS. Ademais, entende a recorrente que para que haja a devida exportação do produto, vêse ser indispensável que a “carga de frio” seja realizada no próprio porto, para que os produtos acondicionados nos containeres não percam a sua aptidão ao consumo humano. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 884 18 Quanto as despesas de frete de transferência de produtos acabados e em elaboração, a recorrente traz que especificamente aos: · Fretes de produtos em elaboração, quando o produto começa a ser elaborado em uma unidade da recorrente e tem o seu processamento final em outra unidade, estáse diante de um processo produtivo único, apenas com etapas contínuas da industrialização em unidades diferentes da mesma empresa. Para a remessa dos produtos em elaboração, necessita contratar prestadoras de serviços de transporte para essa locomoção; · Fretes de produtos acabados, cada unidade produtiva remete os seus produtos para a unidade responsável pela “montagem” da carga exportada no container – o que, dessa forma, as carnes de aves é remetida do frigorífico a outra unidade responsável pelo acondicionamento dos produtos nos containeres, assim como outras unidades responsáveis pela elaboração dos empanados, dos embutidos e de pratos prontos; Observa ainda que a remessa dos produtos acabados é procedida de vendas aos compradores estrangeiros, de modo que os produtos acabados são transportados após concretizada a operação de venda e com a finalidade de serem exportados. Já com a saída do produto da unidade de origem, os produtos já se destinam a serem entregues para os clientes, que por serem estrangeiros se sujeitam ao trâmite da exportação em containeres. Em relação à discussão dos créditos extemporâneos/preclusos, traz que nos períodos de apuração de janeiro, novembro e dezembro de 2010, a recorrente adjudicou créditos do PIS e da COFINS sobre itens do ativo imobilizado que não haviam sido aproveitados em meses anteriores. No entanto, a autoridade fazendária considerou tais créditos como “extemporâneos”. Importante elucidar que a contribuinte adjudicouse de forma extemporânea somente os créditos originários dos 5 anos anteriores a creditamento. O que, segundo ela, seria ilegal a decisão da fiscalização vedar o aproveitamento dos créditos extemporâneos que seriam Fl. 884DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 885 19 passíveis de adjudicação dos 5 anos anteriores. E que tal ilegalidade materializase no fato de tal decisão conflitar com a interpretação integrada do art. 1º do Decreto 20.910/32 com os dispositivos legais e normativos que autorizam que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Quanto às aquisições da Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB de milho, a recorrente apurou crédito presumido à alíquota de 4,56% para COFINS e 0,99% para PIS para o fim de creditamento do referido insumo adquirido da CONAB. No entanto, a autoridade fazendária glosou o creditamento da referida aquisição, por entender que, como a CONAB seria intermediária da União, não haveria direito ao crédito de PIS e COFINS, por não ter havido débito das contribuições na etapa anterior. Sendo assim, traz que o fato da CONAB ser uma intermediária da União, não quer dizer que o adquirente não faz jus ao creditamento da aquisição do milho pois o fato da União Federal ser imune a incidência do PIS e da COFINS, não quer dizer que não há incidência do PIS e da COFINS na etapa anterior à aquisição do milho, ou seja, que o produtor não tenha adquirido e aplicado insumos tributados, mas tão somente que a receita da União Federal, assim como os demais Entes da Federação, não terá a sua receita tributada. No sistema de integração com os produtores, a recorrente adquire os animais para sua produção e envia os mesmos para os centros de criação e até que o animal esteja pronto para o abate, a empresa procede à manutenção do mesmo enviando, aos criadores, ração e outros insumos empregados na criação dos frangos. A recorrente subsidia a alimentação dos animais, através do fornecimento da alimentação necessária para o desenvolvimento dos mesmos para a posterior utilização em sua produção. De acordo com o entendimento da fiscalização, tendo em vista que a ora recorrente produz na sistemática de parceria, também conhecida por integração, onde a ração e outros insumos adquiridos e fornecidos pela empresa são entregues aos integrados, no entender do fisco, tais não se destinariam integralmente à sua própria produção, uma vez que parte do Fl. 885DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 886 20 resultado desta produção cabe ao produtor integrado, que realiza algumas etapas de seu processo produtivo. Traz também que a recorrente fornece 100% dos insumos, suportando o custo do produtor integrado em sua totalidade e, utiliza 100% dos animais em sua produção. Entende a contribuinte que a fundamentação encontra suporte em ato de cunho eminentemente regulamentóro, que extrapola os limites da lei 10.925/04, instituidora do benefício do crédito presumido. Como se verá, o cálculo levado a efeito pela recorrente encontra guarida na legislação federal e merece ser mantido, face à estrita observância das normas de regência. Quanto à discussão da alíquota utilizada para calcular o crédito presumido, traz a recorrente que, no que tange ao ponto acima, sustenta a Autoridade Fazendária, em síntese, que a recorrente calculou equivocadamente créditos presumidos das contribuições ao PIS/COFINS, tendo utilizado o percentual de 60%, para todos os insumos adquiridos, enquanto, que deveria ter utilizado as alíquotas 60%, 50% e 35%, dependendo da natureza do insumo adquirido. No entanto, esclarece a recorrente que fabrica produtos classificados nos Capítulos 2 a 4, e nos códigos 15.01 a 15.06 da NCM, concluise que esta se encontra credenciada ao desconto de crédito presumido com a utilização da alíquota de 60% sobre os insumos adquiridos. Por fim, quanto à discussão da Selic, argumenta que, tendo em vista a Súmula 411 do STJ, o disposto no art. 62A do RICARF que vincula as decisões no STJ às decisões do CARF, a decisão do RESP 993.164 em sede de recurso repetitivo e, ainda considerando que houve vedação do Fisco ao ressarcimento tempestivo da parte do saldo credor do PIS/COFINS não cumulativa, apurado para o 4º trimestre de 2010, sobre o valor suplementar reconhecido incidirão juros compensatórios, a taxa Selic, a partir da data de protocolo/transmissão do pedido de ressarcimento (PER) em discussão até a data do seu efetivo ressarcimento. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 887 21 Em vista de todo o exposto, e depreendendose da análise dos documentos acostados, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, bem como para fins de clarear o anoitecer do processo produtivo, serviços e produto que aqui transitam, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: · Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição, ou perito credenciado junto a Receita Federal do Brasil, que descreva detalhadamente o seu processo produtivo, apontando a utilização dos insumos, despesas, custos ora glosados na produção do referido bem destinado à exportação, ou vinculados ao processo produtivo e/ou ao seu objeto social; Considerando também que tal laudo deverá, entre outros: o Demonstrar a função de cada bem e/ou evento que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável e essencial ao processo produtivo e/ou para fins de cumprimento do objeto social da empresa; o Esclarecer o teor de cada um dos eventos observados pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social; o Quanto à construção civil, esclarecer se as benfeitorias foram realizadas nas suas instalações, bem como se foram úteis e necessárias para a atividade da empresa; o Quanto ao frete de produtos em elaboração, demonstrar as etapas contínuas da industrialização nas unidades diferentes da r. empresa. · Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 13005.720743/201081 Resolução nº 3202000.367 S3C2T2 Fl. 888 22 Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 888DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10280.904359/2012-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.
Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Numero da decisão: 3402-002.655
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
Participaram ainda do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
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CONHECIMENTO. A parte, ao recorrer, deve claramente identificar o objeto e os motivos de sua irresignação. Não se conhece do recurso genérico e desprovido de fundamentação. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de formular quesitos. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social nãocumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 43 59 /2 01 2- 54 Fl. 489DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram ainda do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Alunorte –alumina do Norte do Brasil S/A transmitiu o Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER nº 24030.76975.161111.1.5.097472, visando ao ressarcimento do saldo credor da PIS acumulado no 3° trimestre de 2011, no valor de R$ 32761626,84. A DRF/BEL deferiu o ressarcimento de R$ 15341819,960000001. De acordo com o Parecer SEORT/DRF/BEL Nº 1022 (fls. 15 a 34), que amparou o Despacho Decisório, a glosa de R$ 17419806,879999999, deveuse aos seguintes ajustes: (i) no coeficiente de rateio dos créditos, previsto no inciso II do § 8º do art. 3º da Lei de Regência, pelo recálculo das receitas de vendas para o mercado interno, com acréscimos das receitas omitidas contribuinte; (ii) exclusão dos créditos sobre bens que não são empregados na produção de bens destinados à venda, ou descritos de forma imprecisa que não possibilita enquadramento para fins de aproveitamento do crédito; (iii) exclusão dos créditos tomados sobre ferramentas e equipamentos de segurança e proteção individual; (iv) exclusão dos créditos tomados sobre itens não enquadrados como partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, que não atende aos requisitos para crédito, porque não são partes e peças de reposição que possam comprovadamente ser enquadradas como insumos diretos; (v) exclusão dos créditos tomados sobre itens empregados indiretamente na produção: a aquisição de bens e Fl. 490DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904359/201254 Acórdão n.º 3402002.655 S3C4T2 Fl. 490 3 serviços não enquadrados como insumos diretos, porque não sofrem alterações em decorrência da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; (vi) exclusão dos créditos tomados sobre combustíveis e lubrificantes, não aplicados em máquinas e equipamentos diretamente envolvidos na produção dos bens destinados à venda; (vii) exclusão dos créditos tomados sobre serviços que não guardam relação direta com as atividades produtivas; (viii) exclusão dos créditos tomados sobre serviços de manutenção de bens componentes do Ativo Imobilizado; (ix) exclusão dos créditos sobre serviços de hotelaria e sobre serviços prestados por pessoas físicas; (x) exclusão dos créditos tomados sobre o valor das despesas com fretes contratados para o transporte de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos industriais e destes para os estabelecimentos comerciais da mesma pessoa jurídica; (xi) exclusão dos créditos tomados sobre serviços não especificados adequadamente em relação ao processo produtivo: (xii) exclusão dos créditos tomados sobre as despesas de depreciação de bens destinados ao Ativo Imobilizado, mas que, pela sua descrição, não se destinam ao AI (serviços de hotelaria, sedex, locação de veículos, serviços de apoio administrativo, aluguel de imóvel residencial, serviços de intérprete e tradução francês português, limpeza de fossa, fornecimento de combustíveis, serviços de paisagismo, serviços de transporte, desenvolvimento e implantação de site da internet); (xiii) exclusão dos créditos tomados sobre as despesas de depreciação de bens destinados ao Ativo Imobilizado, não utilizados na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços: (compra de cadeiras para o restaurante, armários, condicionador de ar, válvulas); (xiv) exclusão dos créditos tomados sobre as despesas de depreciação de bens destinados ao Ativo Imobilizado, sem prova de que efetivamente destinemse ao AI: aquisição de materiais diversos, fornecimento de materiais; Fl. 491DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 4 (xv) recomposição dos créditos tomados sobre edificações, procedida pelo contribuinte à taxa de 1/12, quando o correto é 1/24., e; (xvi) exclusão dos créditos tomados em aquisições de bens com suspensão das contribuições sociais. Todos esses ajustes foram detalhados, item por item, consolidados em planilha específica. Sobreveio Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/BEL. O Acórdão nº 01030.245, de 10/7/2014 (fls. 289 a 315), teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 PAF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972, também se fazendo incabível sua realização quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS. DESCRIÇÃO E IDENTIFICAÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE. Em sede de ressarcimento, deve restar demonstrada de forma induvidosa a existência dos créditos alegados. A descrição precisa de bens e serviços, bem como a perfeita identificação de sua concreta aplicação ou consumo na produção ou fabricação do produto, é imprescindível ao reconhecimento da pretensão creditória. PIS NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo do PIS NãoCumulativo somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a Fl. 492DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904359/201254 Acórdão n.º 3402002.655 S3C4T2 Fl. 491 5 insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. PIS NÃOCUMULATIVO. FRETE. CRÉDITOS. A pessoa jurídica somente poderá descontar créditos calculados em relação a frete na operação de venda e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor. PIS NÃOCUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na nãocumulatividade do PIS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/BEL. O arrazoado de fls. 320 a 366, após síntese dos fatos relacionados com a lide, repetindo integralmente os termos da Manifestação de Inconformidade, está estruturado em três capítulos. O primeiro, intitulado “DA BREVE SÍNTESE DO PROCESSO PRODUTIVO DA ALUMINA DA APLICAÇÃO DIRETA DE ALGUNS DOS INSUMOS INEXPLICAVELMENTE GLOSADOS DO INCABIMENTO DAS GLOSAS RELATIVAS AO ÁCIDO SULFÚRICO, CALCÁRIO CALDEIRA. INIBIDOR DE CORROSÃO E SERVIÇOS EMPREGADOS COMO INSUMOS DESCRIÇÃO E JUSTIFICATIVA DE SUA INCLUSÃO NO COMPUTO DO CUSTO DE PRODUÇÃO DA ALUMINA EXPORTADA DA JURISPRUDÊNCIA DO CARF QUE VEM REFORMANDO TAIS GLOSAS ESPECIFICAS”, descreve o processo produtivo da alumina, controverte as glosas dos créditos tomados sobre as compras de ácido sulfúrico, calcário e inibidores de corrosão, explicando seu emprego no processo. Irresignase também contra as glosas dos créditos sobre os serviços de remoção de rejeitos industriais. O segundo capítulo – DO INCABIMENTO DAS GLOSAS DOS CRÉDITOS RELATIVOS AO ATIVO IMOBILIZADO/EDIFICAÇÕES SEGUNDO O REGIME PREVISTO NAS LEIS 10833/2003 E 10637/2002 ART. 31. INCISO II. DA LE111.196/2005 E §14, DO ART. 3° DA LEI 10833/2003 E INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N° 457/2004 – pugna pelo direito de tomada de créditos sobre a depreciação acelerada, aplicável para as aquisições de bens de capital realizadas por pessoas jurídicas estabelecidas na área de atuação da SUDAM, com fundamento na Lei nº 11.196, de 2005, que instituiu o Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras (RECAP), ou com fundamento na Lei nº 11.488, de 2007, que instituiu o Regime Especial de Investimentos para o Desenvolvimento da InfraEstrututra (REIDI). Fl. 493DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 6 O último capítulo – DOS CONTORNOS LEGAIS. ENTENDIMENTO DOUTRINÁRIO E JURISPRUDENCIAL RELATIVO AO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE APLICADO A COFINS E CONTRIBUIÇÃO AO PISPASEP – digressiona sobre a não cumulatividade das contribuições sociais. Em conclusão, pede a reversão das glosas e reitera o pedido de realização de perícia, indicando e qualificando o perito. A numeração das folhas referese à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 320 a 366 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJBEL3ª Turma nº 01030.245, de 10/7/2014. MATÉRIAS CONTROVERTIDAS Dentre os diversos ajustes procedidos pela Fiscalização, o recorrente atevese às glosas dos créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico, de calcário e de inibidores de corrosão e sobre a contratação de serviços de transporte de resíduos industriais. PEDIDO DE PERÍCIA Transcrevo o pedido de perícia formulado na conclusão do recurso para maior clareza: Reiterase, outrossim, o pedido e realização de perícia suplementar em que pese o material probatório que ilustra claramente, não somente a aplicação efetiva dos bens glosados como insumos que integram o custo de produção do produto final destinado à venda como ainda que não houve classificação e apropriação de créditos sobre "edificações" ao Ativo Imobilizado da companhia recorrente, senão de máquinas e equipamentos que, portanto, deveriam ter sido considerados como cabíveis para esse fim, levando em consideração não ter sido realizada qualquer inspeção física presencial na industrial da Refinaria da Recorrente. Na condição de assistente técnico, reitera a nomeação do Sr. Sebastião José Rosa inscrito no CRC/RJ, sob o n.° 039332/04, residente e domiciliada na cidade de Barcarena PA, sito na Tv. Lino José Gomes, 223, CEP 68447 000. A propósito, o § 1° do art. 16 do Processo Administrativo Fiscal Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF determina que se considere não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do mesmo artigo. Embora Fl. 494DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904359/201254 Acórdão n.º 3402002.655 S3C4T2 Fl. 492 7 tenha indicado e qualificado o perito, o recurso deixou de formular quesitos, de sorte que tenho como não formulado o pedido. MÉRITO Conceito de insumo adotado neste voto Com a edição da Emenda Constitucional nº 42, de 31 de dezembro de 2003, o princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais alcançou o plano constitucional através da inserção do § 12 ao art. 195 da Constituição da República Federativa do Brasil – CF/88. É verdade, da norma constitucional em referência não se extrai a possibilidade de dedução de créditos a todo e qualquer bem ou serviço adquirido para consecução da atividade empresarial, restando expresso que a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade aplicável às Contribuições Sociais ficaria afeta ao legislador ordinário. Foi o art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , inc. II, com a redação da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, no que pertine ao PIS, que regulamentou o direito de crédito da Contribuição sobre bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI. Interpretando o conteúdo da legislação fiscal em comento, a Autoridade Tributária veiculou, pela Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002 (redação alterada pela Instrução Normativa SRF nº 358, de 9 de setembro de 2003), e Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, orientação necessária à sua execução, estabelecendo, para fins de aproveitamento de créditos, o alcance do termo "insumo", ao dispor: INSRF nº 247, de 2002 PIS/Pasep Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...] Fl. 495DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 8 § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) INSRF nº 404, de 2004 Cofins Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 496DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904359/201254 Acórdão n.º 3402002.655 S3C4T2 Fl. 493 9 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...] O que se deduz da leitura das referidas regras infralegais é que a apuração do creditamento da Contribuição ao PIS e da Cofins foi restrita aos bens que compõem diretamente os produtos da empresa (a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado) ou prestação de serviços aplicados ou consumidos na fabricação do produto. A definição de "insumos" adotada pelo Fisco foi, nitidamente, contrabandeada da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ditada, atualmente pelo art. 226 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 – RIPI/2010. Comparese: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] Todavia, penso não ser possível que a sistemática das Contribuições Sociais nãocumulativas colha o conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI, porque o legislador ordinário simplesmente não fez essa importação. Cabe enfatizar: nas leis que tratam do PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, não há remissão a qualquer arcabouço normativo em vigor para se colher o conceito de "insumos". A nãocumulatividade das Contribuições Sociais apresenta perfil totalmente diverso daquela atinente ao IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Como se verifica, na técnica de arrecadação dessas contribuições, não há propriamente um mecanismo nãocumulativo, decorrente do creditamento de valores das entradas de bens que sofrerão nova incidência em etapa posterior da cadeia produtiva, nos moldes do que existe para o IPI, tributo geneticamente informado pelo princípio. As próprias Leis Instituidoras elasteceram a definição de "insumos", ao admitir que prestação de serviços seja considerada como tal, verdadeira heresia no regime do IPI. Ressalta se, ainda, que a nãocumulatividade do PIS e da Cofins não tem por objetivo eliminar o ônus Fl. 497DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 10 destas contribuições apenas no processo fabril, visto que a incidência destas exações não se limita às pessoas jurídicas industriais, mas a todas as pessoas jurídicas que aufiram receitas, inclusive prestadoras de serviços (excetuandose as pessoas jurídicas que permanecem vinculadas ao regime cumulativo elencadas nos artigos 8º da Lei nº 10.637, de 2002, e 10 da Lei nº 10.833, de 2003), o que dá maior extensão ao contexto normativo desta contribuição do que aquele atribuído ao IPI. A utilização da legislação do IR, como pretende parcela da doutrina e a jurisprudência marginal do CARF, também encontra o óbice do excessivo alargamento do conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a produção de uma empresa, perdendo a conceituação uma desejável proximidade ao processo produtivo e à atividadefim, que é o que se intenta desonerar, passandose a desonerar o produtor como um todo e não especificamente o processo produtivo. Com efeito, o conceito de “insumos” não é próprio da legislação do Imposto de Renda que faz uso de termos jurídicocontábeis, a exemplo dos termos “Custos de mercadorias ou serviços” e “Despesa Operacional”. Sob o signo “Despesas Operacionais” se encontra uma miríade de despesas que sequer se aproximam de um conceito formulado pelo senso comum de “insumos”. Inclinome pelo conceito de insumo deduzido no voto condutor do REsp nº 1.246.317 MG (2011/00668193). Nele, o Ministro Mauro Campbell Marques interpreta que, da dicção do inc. II do art. 3º tanto da Lei nº 10.637, de 2002, quanto da Lei nº 10.833, de 2003, extraise que nem todos os bens ou serviços, utilizados na produção ou fabricação de bens geram o direito ao creditamento pretendido. É necessário que essa utilização se dê na qualidade de "insumo" ("utilizados como insumo"). Isto significa que a qualidade de "insumo" é algo a mais que a mera utilização na produção ou fabricação, o que também afasta a utilização dos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" inerentes ao IR. Não basta, portanto, que o bem ou serviço seja necessário ao processo produtivo, é preciso algo a mais, algo mais específico e íntimo ao processo produtivo. As leis, exemplificativamente, mencionam que se inserem no conceito de “insumos” para efeitos de creditamento: a) serviços utilizados na prestação de serviços; b) serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c) bens utilizados na prestação de serviços; d) bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e) combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f) combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O Min. Campbell Marques extrai o que há de nuclear da definição de “insumos” para efeito de creditamento e conclui: a) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos pertinência ao processo produtivo; Fl. 498DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904359/201254 Acórdão n.º 3402002.655 S3C4T2 Fl. 494 11 b) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição essencialidade ao processo produtivo; e c) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Explica ainda que, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. O Carf, ao menos majoritariamente, vem sufragando o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Ilustro: Acórdão nº 3403002.783, de 25 de fevereiro de 2014, Cons. Rosaldo Trevisan ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS .NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art.62 A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO.CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. Por outro lado, não constituem insumos os combustíveis utilizados em veículos da empresa que transportam funcionários. Acórdão nº 3403002.656, de 28 de novembro de 2013, Cons. Rosaldo Trevisan: Fl. 499DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 12 ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Particularmente, entendo ainda mais apropriado a especificidade do conceito deduzido pelo Min. Mauro Campbell Marques, plasmado no REsp 1.246.317MG, segundo o qual (sublinhado no original): Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Portanto, não é todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Há de se perquirir a pertinência e a essencialidade do gasto relativamente ao processo fabril ou de prestação de serviço para que se lhe possa atribuir a natureza de insumo. Com as disposições das Leis de Regência em vista e à luz do conceito acima deduzido, passase à analise do caso concreto. A Alunorte dedicase à extração da alumina (Al2O3) da bauxita por meio do processo Bayer. De 4 a 7 toneladas métricas de bauxita extraemse 2 toneladas métricas de alumina, que permitirão produzir 1 tonelada métrica de alumínio.As principais etapas desse Fl. 500DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904359/201254 Acórdão n.º 3402002.655 S3C4T2 Fl. 495 13 processo são: moagem, digestão (extração com soda cáustica), separação e filtração de resíduos sólidos, precipitação e calcinação, obtendose então a alumina calcinada1. Fluxograma do Processo Bayer 2 Em apertadíssima síntese, a alumina é separada da bauxita por meio de uma solução aquecida de soda cáustica (hidróxido de sódio) e de cal (óxido de cálcio). A mistura é bombeada para o interior de recipientes de alta pressão e aquecida. A soda cáustica dissolve a alumina, que se precipita da solução saturada. A alumina é, então, lavada e aquecida para a remoção da água. O material precipitado é filtrado e lavado, para remover e recuperar a solução cáustica. Todo o restante é eliminado por filtragem e a alumina é seca até atingir a forma de pó branco. Mérito: glosa de créditos a título de insumos No contexto do Processo Bayer, a recorrente explica que o ácido sulfúrico é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água 1 Fonte: http://slideplayer.com.br/slide/78211/, visitado em 04/02/2015. 2 Publicado em http://www.hydro.com/pt/AHydronoBrasil/Sobreoaluminio/Ciclodevidado aluminio/Refinodaalumina/, visitado em 04/02/2015. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 14 para as caldeiras. O calcário (produto AL 200 – Carbomil) é empregado durante o processo de combustão nas caldeiras a carvão para absorção do enxofre, que é formado durante o processo de queima do carvão mineral. O inibidor de corrosão, por sua vez, é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. Entendo que o recorrente demonstrou de maneira satisfatória, por meio de sua explicação, a relação de pertinência e essencialidade do ácido sulfúrico e do produto denominado AL200Carbomil para com o processo produtivo da Alumina, nos termos do conceito de insumo que se adota neste voto, devendose reverter as respectivas glosas. Quanto ao inibidor de corrosão, compulsando o Parecer nº 1.022, fls. 26, contatei que não houve glosa de créditos tomados sobre este item. No que pertine à glosa dos créditos sobre serviços, a insurgência recursal resumiuse ao excerto abaixo transcrito: Especificamente quanto aos serviços utilizados com insumos. a D. autoridade fazendária, glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de Transporte de Rejeitos Industriais, Serviço de Limpeza Industrial. Ácido Sulfúrico e Serviços Portuários. Naturalmente, que não poderia furtarse a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerentes ao processo fabril da alumina produzida e exportada por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. Não obstante a variada gama de rejeitos produzidos – alguns relacionados com a atividade produtiva, outros não, o fato é que o recurso foi genérico, sem especificar a que resíduo industrial se referia, nem indicar como se dá a prestação do serviço de transporte, de modo que se pudesse aferir sua pertinência com o processo produtivo e certificar a satisfação dos demais requisitos para a tomada de créditos a título de insumo (e.g., ser prestado por pessoa jurídica). Incidentalmente, convém também frisar que o Parecer nº 1022 não reporta qualquer glosa com a designação genérica “Transporte de Rejeitos Industriais”. A teor do art. 17 do Processo Administrativo Fiscal Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, é dever do contribuinte indicar as matérias contra as quais se insurge, bem como deduzir as razões de alegação, sendolhe vedado fazer contestações genéricas. Nesse sentido, não conheço dessa insurgência recursal. Mérito – glosa dos créditos sobre as despesas de depreciação Da planilha de créditos tomados sobre despesas de depreciação, além daqueles tomados sobre bens que não compõem o AI (e.g. serviços de hotelaria, sedex, locação de veículos, serviços de apoio administrativo, aluguel de imóvel residencial, serviços de intérprete e tradução francês/português, limpeza de fossa, fornecimento de combustíveis, serviços de paisagismo, serviços de transporte, desenvolvimento e implantação de sítio da internet etc.) e que não são utilizados para utilização na produção de bens (e.g. cadeiras para o restaurante, armários, condicionador de ar, válvulas etc.), a Fiscalização glosou o creditamento em excesso, decorrente, ou do emprego do valor de aquisição do bem como base de cálculo do crédito, ou do emprego de taxa de depreciação acelerada (1/12), sobre bens relacionados a Fl. 502DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904359/201254 Acórdão n.º 3402002.655 S3C4T2 Fl. 496 15 edificações, entendendo que, neste caso, deve ser aplicada taxa de depreciação em função da vida útil da edificação, ou seja, 25 anos ou 1/24 avos na hipótese de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (art. 6º da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). A Recorrente, por sua vez, não contesta a classificação das operações, tal como realizada pela Fiscalização. O argumento recursal fundamental é o de que, em relação a DRS Depósito de Rejeitos Sólidos; motobombas de diversas capacidades; válvulas angulares de diversos tamanhos; tanques de diversos tamanhos; empilhadeiras de bauxita e carvão; recuperadoras de bauxita e carvão; filtros hiperbáricos para polpa de bauxita; moinhos; Agitadores; aquecedores de polpa de bauxita; digestores pequenos e grandes; aquecedores de licor pobre; flash tanques; hidrociclones para remoção de areia; decantadores de licor rico; lavadores de lama vermelha; filtros de lama vermelha; válvulasfacas nos filtros de lama vermelha; filtros de pressão e licor rico; trocadores de calor de tubos; trocadores de calor de placas; precipitadores de hidrato; hidrociclones de hidrato; classificadores gravimétricos de hidrato; espessadores de hidrato; filtros de hidrato; calcinadores de hidrato/alumina; correias transportadoras de hidrato e alumina, e; silos de hidrato e alumina, os gastos com a aquisição e montagem de tais equipamentos são evidentes passíveis de incorporação ao ativo imobilizado, e os créditos gerados sobre os valores de compra, naturalmente apropriáveis no período apuratório considerado pelos regimes especiais constantes do art. 31, inciso II, da Lei 11.196/2005 e §3°, do art. 14 da Lei 10.833/2003 e Instrução Normativa SRF n° 457/2004 Alega, a Recorrente, que a Lei de Regência teria assegurado o direito de crédito também para estas hipóteses, conforme previsto categoricamente no art. 3°, incisos VI e VII. Ocorre que, nada obstante se esteja tratando de situação prevista pela Lei como hipótese de creditamento, tratase de hipótese em que a Lei não permite o creditamento pelo valor da aquisição, mas na proporção de sua depreciação. O que fez a Fiscalização, portanto, foi glosar o crédito que o contribuinte apropriou pelo valor integral da aquisição, visto que, ao classificarse a operação na hipótese do inciso VI, não poderia haver o creditamento tomando como base de cálculo o valor total pelo qual foi adquirido o bem. Não procede, pois, a alegação do Recorrente, devendo ser mantida a glosa. O Recorrente também sustenta que a Lei nº 11.196, de 2005, concede aos beneficiários do RECAP a possibilidade de optar pela amortização de em periodicidade diferenciada de 1/12 para os equipamentos referidos pela Lei. A Lei nº 11.196, de 2005, foi regulamentada pelo Decreto nº 5.988, de 2006, que assim dispôs: Art. 1º Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, para bens adquiridos de 1° de janeiro de 2006 a 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação, enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional, em microrregiões menos desenvolvidas localizadas nas áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM, terão direito: Fl. 503DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 16 I à depreciação acelerada incentivada, para efeito de cálculo do imposto sobre a renda; e II ao desconto, no prazo de doze meses contado da aquisição, dos créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS de que tratam o inciso III do § 1° do art. 3° da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o inciso III do § 1° do art. 3° da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o § 4° do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, na hipótese de aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, destinados à incorporação ao ativo imobilizado. O Recorrente, no entanto, não demonstrou o preenchimento dos requisitos para a fruição deste benefício de amortização acelerada, não tendo impugnado pontualmente os fundamentos específicos das glosas, nem detalhado as características de cada um dos bens glosados. A arguição já foi apreciada pelo Conselheiro Ivan Allegretti por ocasião do julgamento do recurso voluntário interposto pela própria Alunorte, no processo nº 10280.722278/200932, idêntico ao que ora se analisa, resultando no Acórdão nº 3403 002.764, de 25 de fevereiro de 2014. Confirase as ementas pertinentes, que corroboram a presente decisão: MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E OUTROS BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E EDIFICAÇÕES. ART. 3°, VI e VII, e § 1º, III, DA LEI 10.833/2003. Nada obstante se esteja tratando de situações previstas pela Lei como hipóteses de creditamento, tratase de hipóteses em que a Lei não permite o creditamento pelo valor da aquisição, mas na proporção dos encargos de depreciação e amortização. ATIVO IMOBILIZADO. FALTA DE IMPUGNAÇÃO CONCRETA DOS BENS ENVOLVIDOS. DEPRECIAÇÃO ACELERADA PREVISTA NA LEI 11.196/2005. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Para a fruição da depreciação acelerada prevista na Lei n° 11.196/2005 é necessário demonstrar o atendimento de seus requisitos. Conclusão Com essas considerações, voto em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas dos créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil. Sala de sessões, em 24 de fevereiro de 2015 Fl. 504DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.904359/201254 Acórdão n.º 3402002.655 S3C4T2 Fl. 497 17 Fl. 505DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720676/2012-10
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO.
A falta de apresentação pelo contribuinte de livros e documentos fiscais e contábeis autoriza o lançamento por arbitramento das contribuições previdenciárias apuradas mediante aferição indireta.
DIFERENÇA DE RAT.
A correta avaliação do grau de risco da atividade do contribuinte, estabelecida pela Classificação Nacional de Atividades Econômicas-Fiscal, CNAE-Fiscal, não pode ser obstada no âmbito do procedimento de fiscalização.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCIDÊNCIA.
É devida a multa de ofício sobre as contribuições arrecadadas em atraso, no percentual estabelecido pela legislação de regência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-004.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. A falta de apresentação pelo contribuinte de livros e documentos fiscais e contábeis autoriza o lançamento por arbitramento das contribuições previdenciárias apuradas mediante aferição indireta. DIFERENÇA DE RAT. A correta avaliação do grau de risco da atividade do contribuinte, estabelecida pela Classificação Nacional de Atividades Econômicas-Fiscal, CNAE-Fiscal, não pode ser obstada no âmbito do procedimento de fiscalização. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCIDÊNCIA. É devida a multa de ofício sobre as contribuições arrecadadas em atraso, no percentual estabelecido pela legislação de regência. Recurso Voluntário Negado.
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A falta de apresentação pelo contribuinte de livros e documentos fiscais e contábeis autoriza o lançamento por arbitramento das contribuições previdenciárias apuradas mediante aferição indireta. DIFERENÇA DE RAT. A correta avaliação do grau de risco da atividade do contribuinte, estabelecida pela Classificação Nacional de Atividades EconômicasFiscal, CNAEFiscal, não pode ser obstada no âmbito do procedimento de fiscalização. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCIDÊNCIA. É devida a multa de ofício sobre as contribuições arrecadadas em atraso, no percentual estabelecido pela legislação de regência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 06 76 /2 01 2- 10 Fl. 823DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720676/201210 Acórdão n.º 2803004.017 S2TE03 Fl. 824 2 Fl. 824DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720676/201210 Acórdão n.º 2803004.017 S2TE03 Fl. 825 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de crédito tributário lançado contra o contribuinte acima identificado, período de 01/2008 a 12/2008 (incluindo 13° salário), compreendendo as contribuições da empresa destinadas a Seguridade Social (AI DEBCAD Nº 37.354.0094), diferença de alíquota da contribuição para o SAT/RAT (AI DEBCAD Nº 37.354.0108) e apresentação de GFIP com incorreções (AI DEBCAD Nº 37.354.0086). Constituem fatos geradores das contribuições lançadas, a prestação de serviço remunerado, realizada por segurados empregados à Prefeitura Municipal de Barra do Choça, cujas bases de cálculos foram apuradas através do cotejo entre as remunerações disponibilizada pelo Tribunal de Contas do Município TCM à Receita Federal do Brasil, e as remunerações dos segurados empregados declaradas nas GFIP, consoante planilha às fls. 58 dos autos. O ente público não atendeu às intimações fiscais para apresentação dos resumos gerais das folhas de pagamento, apesar de reiteradamente solicitado, através dos Termos de Intimação – TIF nº 02 e 03, sendo apresentado apenas as folhas de pagamento totalizadas por secretarias/departamentos, o que inviabilizou a utilização das mesmas. A aferição indireta foi realizada através das remunerações informadas pela Prefeitura ao Tribunal de Contas do Município, cujos totais mensais foram somados ano a ano, sendo o valor da soma de cada exercício dividido por 13 (competências de 01 a 13) e, desta média obtida, foram deduzidos os valores declarados nas GFIP exportadas, antes do início da ação fiscal, conforme consta no sistema GFIPWEB, obtendose desta forma as bases de cálculo do débito levantado. Os valores recolhidos e parcelados foram considerado na apuração dos lançamentos fiscais. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado das autuações e apresentou impugnação. O órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal deu provimento parcial com a improcedência do crédito tributário exigido através do DEBCAD 37.354.0086 e mantendo os créditos tributários exigidos através dos DEBCAD 37.354.0094 e 37.354.0108. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão, inconformado interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: a nulidade do lançamento efetuado após escoado o prazo do MPF; Fl. 825DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720676/201210 Acórdão n.º 2803004.017 S2TE03 Fl. 826 4 a ausência de fundamentação nos fundamentos legais do débito – FLD. Não foi indicado no lançamento fiscal a fundamentação legal da aferição. Não foi respeitado o contraditório e ampla defesa; arbitramento com base nas informações do Tribunal de Contas do Município – TCMBA. Os dados extraídos violam o princípio da verdade material, sendo necessário o exame acurado. Estão incluídos servidores estatutários que exercem cargo comissionados. Não se pode utilizar como parâmetro o total da remuneração, pois a base de cálculo está limitada ao teto máximo do salário de contribuição. O ônus da prova é da autoridade lançadora; a alíquota aplicada referente a diferença de Sat/Rat (auto de infração nº 37.354.0108) não estão em harmonia com as normas legais. A alíquota deves ser de 1%; acumulação de correção, juros e multa além do patamar permitido. A taxa Selic não pode ser acumulada com outros encargos legais; por fim, requer a nulidade dos lançamentos fiscais. É o relatório. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720676/201210 Acórdão n.º 2803004.017 S2TE03 Fl. 827 5 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização, sem previsão em lei ordinária, não afastando a competência legal do Auditor Fiscal para efetuar os devidos lançamentos, sendo tema já exaustivamente examinado por este Conselho e tal entendimento se aplica às contribuições previdenciárias. Nesse sentido: Acórdão 10808.693 em 25.01.2006, 8ª Câmara/1º CC, Processo 37280.001313/200347, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Processo 13819.001388/200182/ Acórdão 910100.428, 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Quanto ao argumento da recorrente de que o lançamento não está coberto por MPF; não lhe assiste razão. O Enunciado nº 25 do CRPS, afirma que a notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não acarreta nulidade do lançamento. Enunciado Nº 25 A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não acarreta nulidade do lançamento. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO DÉBITO O lançamento fiscal está devidamente fundamentado, com discriminativo do débito – DD, relatório de apropriação de documentos – RADA, relatório de fundamentos legais do débito – FLD, inclusive contendo os dispositivos legais que dão suporte à aferição indireta aplicada pela fiscalização (fl. 22), também constantes do relatório fiscal, e relatório de instrução para o contribuinte – IPC, fls. 3/24, fls. 25/35 e fls. 36/180. Destarte, não há que se falar em ausência de fundamentação legal do débito. Tampouco, em ausência da indicação da fundamentação legal da aferição. Todos os prazos foram respeitados pela fiscalização. O contribuinte foi cientificado de todos os atos da fiscalização e teve oportunidade de contestação. Não houve desrespeito ao contraditório e a ampla defesa. O ente público apenas apresentou as folhas de pagamento totalizadas por secretarias/departamentos, o que inviabilizou a utilização das mesmas pela fiscalização. Daí a necessidade de se utilizar as informações constantes do Tribunal de Contas do Município – TCMBA e das GFIPs declaradas pelo contribuinte. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720676/201210 Acórdão n.º 2803004.017 S2TE03 Fl. 828 6 O contribuinte assevera que o arbitramento viola o princípio da verdade material, que estão incluídos servidores estatutários que exercem cargo comissionados, não podendo ser utilizado como parâmetro o total da remuneração em razão do limite do teto máximo do salário de contribuição, sendo necessário o exame acurado, considerando o ônus da prova da fiscalização. Todavia, o contribuinte não disponibilizou a documentação necessária para a correta verificação fiscal, nem provou o alegado. Em face da ausência da documentação houve o arbitramento por aferição indireta com base nas informações e documentos que dispunha a fiscalização, fundamentada no art. 33, parágrafos 3o e 6o da Lei 8.212/91 e art. 148 do CTN, sendo o ônus da prova do contribuinte. ALÍQUOTA SAT/RAT Do mesmo modo, sem poder examinar a documentação do contribuinte em razão da apresentação deficiente ou não apresentação, a fiscalização adotou o enquadramento do SAT/RAT para órgão público de 2%, com base no art. 22, II, da Lei n. 8.212/91; e art. 12, I, parágrafo único, art. 202, II e parágrafos 1o ao 6o, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. Correta o enquadramento do SAT/RAT do ente público pela fiscalização, na forma da lei, em razão da falta de apresentação de documentos pelo contribuinte. A correção monetária, juros e multa foram aplicados na forma da lei. Não há previsão legal para redução. A aplicação dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil é devida e legal, bem como, a aplicação da taxa SELIC, enunciada nas súmulas 4o e 5o do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório Fiscal, Discriminativo do Débito, Instruções para o Contribuinte – IPC, Fundamentos Legais do Débito – FLD, e demais informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Fl. 828DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10540.720676/201210 Acórdão n.º 2803004.017 S2TE03 Fl. 829 7 Helton Carlos Praia de Lima Fl. 829DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 16327.908338/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2201-000.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD declarou-se impedido. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Choi Jong Min, OAB 287.957.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH Relator
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH.
Relatório
Trata o presente processo de Declaração de Compensação de fls. 40/44 (PER/DCOMP nº03171. 47307.180804.1.3.04-6145), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF (cód. receita 0561) relativo ao período de apuração encerrado em 20/12/2003.
De acordo com o Despacho Decisório, fls. 39, foi homologada parcialmente a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 159.185,86). Entendeu a autoridade fiscal que A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.
Inconformado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, fls. 02/04, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis:
... que o seu crédito de IRRF, no valor de R$145.199,63, foi apurado por ocasião do reprocessamento da folha de pagamentos, conforme relatórios às fls. 14/31. Além disso, por ter havido erro no preenchimento da DCTF do 4º trimestre de 2003 (3ª semana de dezembro), apresentou a DCTF retificadora em 24/07/2009 com a finalidade de confirmar a existência do crédito (fls. 36/38).
A 8ª Turma da DRJ em São Paulo/SPO1 julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme se observa da leitura da ementa abaixo transcrita:
COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO INDEVIDA OU A MAIOR.
Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Além disso, é necessário que a fonte pagadora comprove que assumiu o referido encargo, ou seja, que devolveu ao beneficiário do rendimento a quantia retida indevidamente ou a maior.
Manifestação de Inconformidade Improcedente
Intimado da decisão de primeira instância em 27/04/2012 (fl. 53), o Banco Itaú S/A apresenta Recurso Voluntário em 29/05/2012 (fls. 55/60), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, verbis:
II. DO MÉRITO
Em 19/12/2003 o Recorrente efetuou o pagamento da folha de salários aos seus funcionários e recolheu o IRRF correspondente por meio de DARF, no valor de R$ 21.817.487,39 (doc. 05 da manifestação de inconformidade).
Todavia, por conta de um equívoco em seu sistema, houve processamento dos registros de funcionários licenciados na folha de pagamentos, o que gerou recolhimentos indevidos de imposto de renda.
Tal equívoco acarretou na necessidade de reprocessamento da folha para acertos dos eventuais erros e, conseqüentemente, na alteração dos valores do IRRF efetivamente devidos.
Assim, conforme demonstrado na manifestação de inconformidade (doc. 02 e 03), o crédito ora pleiteado, no valor original de R$ 145.199,63, é decorrente da diferença entre os valores recolhidos a título de IRRF, no montante de R$ 149.935,24, e os valores efetivamente devidos, no montante de R$ 4.735,61.
(...)
Nesse ponto, cabe esclarecer que em razão de problemas técnicos nos sistemas de controle de processamento da folha de pagamentos do Recorrente, foram geradas informações erradas para recolhimento de imposto de renda que não era devido. Os recolhimentos foram efetuados, mas os funcionários não sofreram a retenção desse tributo.
Tal fato é facilmente constatado pela cópia da folha de pagamentos e da DIRF de alguns funcionários (doc. 03), que demonstram o pagamento de auxílio-doença ou acidente aos funcionários e a ausência de retenção do imposto de referidos funcionários.
É o relatório.
Voto
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD declarouse impedido. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Choi Jong Min, OAB 287.957. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de fls. 40/44 (PER/DCOMP nº03171. 47307.180804.1.3.046145), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF (cód. receita 0561) relativo ao período de apuração encerrado em 20/12/2003. De acordo com o Despacho Decisório, fls. 39, foi homologada parcialmente a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 08 33 8/ 20 09 -1 3 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16327.908338/200913 Resolução nº 2201000.197 S2C2T1 Fl. 3 2 compensado (principal: R$ 159.185,86). Entendeu a autoridade fiscal que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Inconformado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, fls. 02/04, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: ... que o seu crédito de IRRF, no valor de R$145.199,63, foi apurado por ocasião do reprocessamento da folha de pagamentos, conforme relatórios às fls. 14/31. Além disso, por ter havido erro no preenchimento da DCTF do 4º trimestre de 2003 (3ª semana de dezembro), apresentou a DCTF retificadora em 24/07/2009 com a finalidade de confirmar a existência do crédito (fls. 36/38). A 8ª Turma da DRJ em São Paulo/SPO1 julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme se observa da leitura da ementa abaixo transcrita: COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO INDEVIDA OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Além disso, é necessário que a fonte pagadora comprove que assumiu o referido encargo, ou seja, que devolveu ao beneficiário do rendimento a quantia retida indevidamente ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Intimado da decisão de primeira instância em 27/04/2012 (fl. 53), o Banco Itaú S/A apresenta Recurso Voluntário em 29/05/2012 (fls. 55/60), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, verbis: II. DO MÉRITO Em 19/12/2003 o Recorrente efetuou o pagamento da folha de salários aos seus funcionários e recolheu o IRRF correspondente por meio de DARF, no valor de R$ 21.817.487,39 (doc. 05 da manifestação de inconformidade). Todavia, por conta de um equívoco em seu sistema, houve processamento dos registros de funcionários licenciados na folha de pagamentos, o que gerou recolhimentos indevidos de imposto de renda. Tal equívoco acarretou na necessidade de reprocessamento da folha para acertos dos eventuais erros e, conseqüentemente, na alteração dos valores do IRRF efetivamente devidos. Assim, conforme demonstrado na manifestação de inconformidade (doc. 02 e 03), o crédito ora pleiteado, no valor original de R$ 145.199,63, é decorrente da diferença entre os valores recolhidos a título de IRRF, no montante de R$ 149.935,24, e os valores efetivamente devidos, no montante de R$ 4.735,61. (...) Fl. 96DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16327.908338/200913 Resolução nº 2201000.197 S2C2T1 Fl. 4 3 Nesse ponto, cabe esclarecer que em razão de problemas técnicos nos sistemas de controle de processamento da folha de pagamentos do Recorrente, foram geradas informações erradas para recolhimento de imposto de renda que não era devido. Os recolhimentos foram efetuados, mas os funcionários não sofreram a retenção desse tributo. Tal fato é facilmente constatado pela cópia da folha de pagamentos e da DIRF de alguns funcionários (doc. 03), que demonstram o pagamento de auxíliodoença ou acidente aos funcionários e a ausência de retenção do imposto de referidos funcionários. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Alega o contribuinte que ao reprocessar a sua folha de pagamentos constatou o pagamento a maior no valor de R$ 145.199,63, código 0561. Assevera ainda que o crédito está devidamente caracterizado em sua DCTF retificadora. Por fim, requer a homologação da compensação, em razão das provas constantes dos autos, bem como em homenagem ao princípio da verdade material. Por sua vez, entendeu a autoridade recorrida que a documentação coligida não se mostrou suficiente para conferir o direito creditório ao contribuinte. Assevera ainda que “... Os documentos apresentados não demonstram, para cada funcionário relacionado, a respectiva base de cálculo, a alíquota aplicada, o valor devido, etc., de sorte a demonstrar que o recolhimento de IRRF foi efetuado em valor maior que o devido”. Pois bem, analisando detidamente os inúmeros documentos carreados, especialmente a amostra de fls. 74/82, penso que há um forte indício de que o direito pleiteado de fato existe; entretanto não é possível identificar, com certeza absoluta, a integralidade do direito creditório. Com efeito, é necessário que se identifique, para cada funcionário, a respectiva base de cálculo, a alíquota aplicada e o valor de imposto de renda devido. Assim, entendo que o julgamento deve ser convertido em diligência para que autoridade administrativa: 1 – verifique, à luz do art. 166 do CTN, se o contribuinte é parte legítima para pleitear a restituição; 2 verifique a liquidez e certeza de todo o crédito tributário pleiteado, inclusive solicitando a documentação adicional pertinente; 3 – promova relatório acerca da existência do crédito de IRRF. Concluída a diligência, deverá ser dada ciência ao interessado para se manifestar, se assim desejar. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16327.908338/200913 Resolução nº 2201000.197 S2C2T1 Fl. 5 4 Ante a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 98DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 16045.000233/2005-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999
SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE NÃO CONFIGURADA. A despeito de conter declarações fáticas de conteúdo grave, o documento colacionado é apenas uma cópia simples, sem qualquer comprovante de envio, que traz apenas uma assinatura sem autenticação em cartório ou comprovante de recebimento por parte de qualquer autoridade policial. Desse modo, à míngua de quaisquer elementos confirmadores da tese da Recorrente, parece não ser possível dar azo a tal documento ou às ilações por ela formuladas.
INTERPOSTA PESSOA. OMISSÃO DE RECEITA. RECEITA NÃO CONTABILIADA. EXCESSO DE RECEITA NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. EXCLUSÃO. A Fiscalização realizada bem demonstra - por meio de provas juntadas nos autos - que houve o uso de conta corrente de titularidade de interposta pessoa (Rosemary Nazario da Silva) para promover movimentação de recursos derivados de operações comerciais das empresas Speed (Speed Passa Quatro e Speed Cruzeiro) levadas a cabo pelo sujeito passivo e que não foram registradas em escrita contábil-fiscal, tendo por objetivo a irregular supressão de tributos. Somado a isto, houve a decorrente superação do limite de receita admissível na sistemática do Simples. Por isso, seguiu-se a correta exclusão do contribuinte do SIMPLES e, consequentemente, a lavratura de auto de infração que trará a exigência dos tributos compreendidos nesse modo simplificado de arrecadação tributária e que não tenham sido recolhidos em função do necessário realinhamento das correspondentes alíquotas (à conta da omissão de receita), mais a exigência daquelas mesmas espécies tributárias incidentes sobre a omissão de receita identificada (excedente à declarada), isso tudo para o ano-calendário em que se dá a exclusão (ano-calendário 1999).
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08. PRAZO QUINQUENAL DOS ARTIGOS 173, INCISO I, E 150, §4°, DO CTN. Aplica-se o prazo do artigo 173, I, do CTN na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Desse modo, tendo em vista que as espécies tributárias em debate foram formalizadas em bases mensais, deve-se aplicar às demais a mesma regra que prevaleceu em relação ao IRPJ na instância a qua, de modo que as exigências dos demais tributos nas competências de Janeiro/1999 até Novembro/1999 estão decaídas.
Numero da decisão: 1101-001.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento em: 1) por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade em razão da obtenção de extratos bancários por meio de RMF, divergindo o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento por vício na ciência; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência das contribuições exigidas de Janeiro/99 a Novembro/99.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
(documento assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (relator), Maria Elisa Bruzzi Boechat (suplente), Paulo Mateus Ciccone, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Reynaldo Becari. Declarou-se impedida a Conselheira Edeli Pereira Bessa, substituída no Colegiado pela Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999 SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE NÃO CONFIGURADA. A despeito de conter declarações fáticas de conteúdo grave, o documento colacionado é apenas uma cópia simples, sem qualquer comprovante de envio, que traz apenas uma assinatura sem autenticação em cartório ou comprovante de recebimento por parte de qualquer autoridade policial. Desse modo, à míngua de quaisquer elementos confirmadores da tese da Recorrente, parece não ser possível dar azo a tal documento ou às ilações por ela formuladas. INTERPOSTA PESSOA. OMISSÃO DE RECEITA. RECEITA NÃO CONTABILIADA. EXCESSO DE RECEITA NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. EXCLUSÃO. A Fiscalização realizada bem demonstra por meio de provas juntadas nos autos que houve o uso de conta corrente de titularidade de interposta pessoa (Rosemary Nazario da Silva) para promover movimentação de recursos derivados de operações comerciais das empresas Speed (Speed Passa Quatro e Speed Cruzeiro) levadas a cabo pelo sujeito passivo e que não foram registradas em escrita contábilfiscal, tendo por objetivo a irregular supressão de tributos. Somado a isto, houve a decorrente superação do limite de receita admissível na sistemática do Simples. Por isso, seguiuse a correta exclusão do contribuinte do SIMPLES e, consequentemente, a lavratura de auto de infração que trará a exigência dos tributos compreendidos nesse modo simplificado de arrecadação tributária e que não tenham sido recolhidos em função do necessário realinhamento das correspondentes alíquotas (à conta da omissão de receita), mais a exigência AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 02 33 /2 00 5- 49 Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 daquelas mesmas espécies tributárias incidentes sobre a omissão de receita identificada (excedente à declarada), isso tudo para o anocalendário em que se dá a exclusão (anocalendário 1999). DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08. PRAZO QUINQUENAL DOS ARTIGOS 173, INCISO I, E 150, §4°, DO CTN. Aplicase o prazo do artigo 173, I, do CTN na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Desse modo, tendo em vista que as espécies tributárias em debate foram formalizadas em bases mensais, devese aplicar às demais a mesma regra que prevaleceu em relação ao IRPJ na instância a qua, de modo que as exigências dos demais tributos nas competências de Janeiro/1999 até Novembro/1999 estão decaídas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento em: 1) por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade em razão da obtenção de extratos bancários por meio de RMF, divergindo o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento por vício na ciência; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência das contribuições exigidas de Janeiro/99 a Novembro/99. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (relator), Maria Elisa Bruzzi Boechat (suplente), Paulo Mateus Ciccone, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Reynaldo Becari. Declarouse impedida a Conselheira Edeli Pereira Bessa, substituída no Colegiado pela Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat. Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000233/200549 Acórdão n.º 1101001.270 S1C1T1 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de auto de infração que “trata apenas das infrações referentes ao ano de 1999, apuradas segundo as normas aplicáveis às empresas optantes pelo SIMPLES, e decorre dos fatos apresentados no Relatório de Fiscalização protocolizado sob n° 16045.000196/200579” (fl. 54) autos que estão em apenso e discutem a exclusão do SIMPLES. Por essencial, transcrevese parcialmente o referido relatório fiscal (fls. 54/70), in verbis: “I Introdução Em trabalho de fiscalização junto ao contribuinte em epígrafe (FM n° 199900.1969) empresa fabricante de aros para bicicletas, localizada na cidade de Cruzeiro/SP , verificamos diferenças significativas entre o valor de venda de produtos de sua fabricação, indicado nas Notas Fiscais de vendas emitidas, e o constante em tabelas de preços obtidas junto à fiscalizada e junto a alguns de seus clientes. Vide documentos de fls. 12 a 21 (fls. 88 a 97). Através de diligências realizadas, pudemos constatar que a empresa fiscalizada, doravante Speed Cruzeiro, realizou vendas subfaturadas de seus produtos, de acordo com informações e documentos obtidos junto a seus clientes, conforme se verá a seguir. Essa prática também foi verificada nas vendas realizadas pela empresa Speed Ind. e Com. Ltda, CNPJ 02.256.189/000103, sediada em Passa Quatro/MG, doravante Speed Passa Quatro, em cujo quadro societário aparecem um irmão e a esposa dos sócios da Speed Cruzeiro. Ver diagrama e relação de parentesco e participação societária abaixo. (...) RELAÇÃO DE PARENTESCO E PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA (...) II Diligências realizadas junto a clientes Por meio de diligências realizadas junto a clientes da empresa Speed Cruzeiro, apuramos diversas irregularidades praticadas tanto pela Speed Cruzeiro quanto pela Speed Passa Quatro, conforme mostram os documentos de fls. 22 a 34 (fls. 98 a 110). Não se trata de coincidência, pois essas empresas apresentam diversos clientes em comum. Eis a principais irregularidades apuradas: 1 Em relação à Speed Passa Quatro, apuramos o seguinte: 1.1 Venda de produtos ao contribuinte José Carlos de Souza Taubaté ME (CNPJ 66.033.572/000185) através da Nota Fiscal n° 1335, emitida em 08/06/99, no valor de R$336,00, tendo sido essa venda paga por meio de dois boletos bancários: o primeiro, em nome da empresa vendedora, em valor idêntico ao da Nota Fiscal emitida, R$336,00, e o segundo, em nome da Sra. Rosemary Nazário da Silva, doravante Sra. Rosemary, no valor de R$340,00, importância essa depositada na contacorrente n° 341/258/312909, ficando caracterizado o subfaturamento; 1.2 Venda de produtos ao contribuinte Valdinei dos Santos ME (CNPJ 73.150.740/000188) através da Nota Fiscal n° 662, emitida Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 em 15/10/98, no valor de R$160,00, tendo sido essa venda paga por meio de dois boletos bancários: o primeiro, em nome da empresa vendedora, em valor idêntico ao da Nota Fiscal emitida, R$160,00, e o segundo, em nome da Sra. Rosemary, no valor de R$192,50, importância essa depositada na contacorrente n° 341/258/312909, ficando caracterizado o subfaturamento; (...) 2 Em relação à Speed Cruzeiro, verificamos que a mesma realizou venda de produtos ao contribuinte Benedito Lucio Ribeiro ME, CNPJ 00.865.392/000151, através da Nota Fiscal n° 2515, emitida em 04/12/98, no valor de R$26,88, tendo sido pago pelos produtos adquiridos o montante de R$101,88, em dinheiro, ficando caracterizado o subfaturamento; III Ação fiscal junto à Sra. Rosemary Nazário Em procedimento de fiscalização junto à Sra. Rosemary, amparado pelo MPF (Mandado de procedimento Fiscal) n° 08108002003 002365, fls. 35 e 36 (fls. 111 e 112), solicitamos dessa contribuinte, em 02/12/03 (data da ciência do Termo de Início de Fiscalização lavrado em 24/11/2003) apresentação dos extratos bancários referentes à movimentação financeira realizada no período de 1999 a 2001, nos bancos Itaú, Bradesco e Caixa Econômica Federal, conforme consta no documento de fls. 37 e 38 (fls. 113 e 114), bem como intimamos essa contribuinte a apresentar documentação hábil idônea que comprovasse a origem dos recursos depositados em suas contas correntes. Em resposta à intimação, a contribuinte apresentou, no período de 06/02/2004 a 23/03/2004, os extratos bancários anexados às fls. 47 a 171 (fls. 123 a 249), referentes às contas bancárias (banco/agência e conta) n° 237/0390/28445, 237/0390/28445 (poupança), 341/258/312909, além daqueles não anexados a esse processo, referentes às contas 341/00258/334374, 341/00258/334374 (poupança) e CEF/0300/00178801 (fls. 197 a 217). Contudo, a fiscalizada não apresentou qualquer justificativa para a origem de qualquer valor depositado em suas contas bancárias. IV Apuração dos créditos a comprovar De posse dos extratos das contas apresentados pela fiscalizada, procedemos à conciliação bancária com objetivo de excluirmos dos valores a investigar as transferências realizadas entre contas correntes da Sra. Rosemary. Após, selecionamos os créditos de valor superior a R$300,00 (trezentos reais) e intimamos a Sra. Rosemary a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos créditos selecionados, conforme consta na intimação lavrada em 01/09/2004, fls. 172 a 196 (fls. 250 a 274). Em resposta, datada de 25/10/2004, a fiscalizada apresenta Demonstrativo de Conciliação Interbancária, fls. 200 a 211 (fls. 278 a 289), a fim de justificar parte dos valores creditados em suas contas bancárias. Em complemento, a Sra. Rosemary apresentou os documentos de fls. 213 a 248 (fls. 291 a 326) e 251 a 286 (fls. 329 a 364), contendo relação de vendas realizadas pelas empresas Speed Cruzeiro e Speed Passa Quatro, no período de 1999 a 2001, bem como os valores recebidos em razão dessas operações. Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000233/200549 Acórdão n.º 1101001.270 S1C1T1 Fl. 4 5 Em 01/07/2005, a Sra. Rosemary foi intimada a justificar a origem dos valores creditados em suas contas bancárias, sob os históricos ‘MOVIMENT TITULO’ ou ‘MOV TIT COBRANCA’, intimação de fl. 287 (fl. 365), mas até a presente data, não apresentou qualquer resposta que justificasse tal movimentação financeira, objeto de indagações em intimações anteriores, cabendo esclarecer que tais créditos se referem a recebimentos através de boletos bancários, tais como aqueles de fls. 24, 28 e 29 (fls. 100, 104 e 105), e que tais documentos não podem ser fornecidos pelo Banco Itaú, de acordo com informações prestadas por essa instituição financeira, fls. 767 e 768 (851 e 852). Em 11/10/05 e em 21/11/05, a Sra. Rosemary foi novamente reintimada a justificar a origem dos créditos lançados em suas contas bancárias, conforme consta nos documentos de fls. 290 a 301 (fls. 368 a 379) e 304 a 309 (382 a 387), mas até a presente data não apresentou qualquer comprovante para justificar tais valores. V Obtenção de documentos bancários junto a instituições financeiras Ante a inércia da Sra. Rosemary em comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas bancárias, tendo em vista que desde 02/12/03 essa contribuinte não havia apresentado sequer um documento que justificasse tais créditos, intimamos os bancos Itaú e Bradesco a apresentar cópia de documentos bancários referentes à origem e destino dos valores que transitaram pelas contas da fiscalizada, conforme consta nas intimações de fls. 314 a 321 (fls. 392 a 399) e 324 a 332 (fls. 404 a 412). Em resposta, essas instituições apresentaram cópia de diversos documentos bancários referentes a operações de depósito e pagamento, dentre os quais selecionamos aqueles juntados às fls. 334 a 358 (fls. 414 a 438) e 759 a 763 (fls. 843 a 847) (comprovantes de depósito) e 359 e 465 (fls. 439 a 545) (comprovantes de pagamento). VI Análise dos documentos bancários Pela análise dos comprovantes de depósito fornecidos pelas instituições financeiras, levantamos os dados cadastrais dos depositantes no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), fls. 470 a 473 (fls. 550 a 553), a partir dos nomes que aparecem nos documentos bancários (comprovantes de depósito). Essa mesma sistemática foi adotada para identificar os destinatários dos valores debitados nas contascorrentes sob investigação, tendo sido identificados os contribuintes relacionados às fls. 474 a 477 (fls. 554 a 557), cabendo esclarecer que, embora alguns nomes não aparecessem legíveis nalgumas cópias de cheque, outras informações permitiram a completa identificação do destinatário do valor pago, tais como o número da contacorrente ou o CNPJ, que também apareciam noutros documentos legíveis. De posse dessas informações, elaboramos as Planilhas 1 e 2, fls. 466 a 469 (fls. 546 a 549), contendo a identificação dos depositantes ou destinatários de valores que circularam pelas contascorrentes mantidas em nome da Sra. Rosemary, cuja análise nos mostra que: (...) Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 6 VII Intimação a Fornecedores da Speed Cruzeiro e da Speed Passa Quatro A fim de comprovarmos as informações apresentadas na Planilha 1, intimamos alguns dos fornecedores relacionados nessa planilha a informar a que título haviam recebido valores provenientes das contas bancárias em nome da Sra. Rosemary, conforme consta nas intimações de fls. 480 a 540 (fls. 560 a 622). Em resposta, essas empresas informaram que tais valores se referem a pagamentos de compras de insumos realizadas pelas empresas Speed Cruzeiro ou Speed Passa Quatro, de acordo com documentos apresentados por (...), ou se referem à venda de sucata (material utilizado pela Speed Cruzeiro e pela Speed Passa Quatro), segundo informou a Nobre Metais Ltda (67.256.784/000194), conforme comprovam os documentos de fls. 483 a 561 (fls. 563 a 643). A empresa Embark de Embalagens Ltda, CNPJ 53.479.184/000180, regularmente intimada, fls. 562 (fls. 644), confirmou ser fornecedora da empresa Speed Cruzeiro, conforme mostram os documentos de fls. 565 a 567 (fls. 647 a 649). VIII Análise da conciliação bancária proposta pela Sra. Rosemary Para analisar a conciliação bancária proposta pela fiscalizada, fls. 201 a 211 (fls. 279 a 289), elaboramos a Planilha 5, fls. 568 a 587 (fls. 650 a 669), na qual apresentamos comentário sobre cada conciliação proposta. Nas colunas (A) a (G) apresentamos as informações sobre os lançamentos a crédito a comprovar; nas colunas (H) a (K), mostramos a conciliação proposta pela fiscalizada, e na coluna (L), apresentamos comentário sobre a conciliação proposta. A conciliação apresentada pela fiscalizada, em síntese, propõe que os valores creditados nas contas correntes investigadas se referem, a transferências de outras contas correntes mantidas em nome da Sra. Rosemary. A conciliação proposta pela fiscalizada, todavia, não pode prosperar pelos seguintes motivos: (...) Os fatos expostos acima permitem concluir que as conciliações propostas pela Sra. Rosemary não podem ser acatadas, com exceção daquelas referentes a estorno de depósito. IX Intimações das empresas Speed Cruzeiro e Speed Passa Quatro Os fatos apresentados acima mostram que as contascorrentes (Banco/Agência/Conta) n° 237/0390/28445 e n° 341/258/312909, e a contapoupança n° 237/0390/28445, movimentaram recursos das empresas Speed Cruzeiro e Speed Passa Quatro, ficando caracterizado que: 1 valores debitados nessas contas bancárias foram utilizados para pagamento de fornecedores dessas empresas; 2 valores creditados na contapoupança n° 237/0390/28445 foram transferidos para a contacorrente n° 237/0390/28445, e, como conseqüência, utilizados para pagamento de obrigações dessas empresas. 3 valores creditados nessas contas bancárias referemse a recebimentos de valor pagos por clientes dessas empresas; Diante de tais evidências, intimamos as empresas Speed Cruzeiro e Speed Passa Quatro a segregarem os valores correspondentes a Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000233/200549 Acórdão n.º 1101001.270 S1C1T1 Fl. 5 7 operação de cada empresa, conforme consta no Termo de Constatação e Intimação lavrado em 16/11/2005, fls. 639 a 671 e 674 a 706 (fls. 721 a 753 e 756 a 788). Até a presente data, não obtivemos qualquer documento contendo informações sobre a segregação de valores depositados nessas contas bancárias. X Confronto dos depósitos com valores recebidos pela Speed Cruzeiro e Speed Passa Quatro Confrontandose as informações sobre os depósitos sob análise, mostrados na Planilha 6, fls. 709 a 738 (fls. 791 a 822), com as informações sobre valores recebidos pelas empresas Speed Cruzeiro e Speed Passa Quatro, listagem de fls. 213 a 286 (fls. 291 a 364), verificase que não há qualquer coincidência entre tais relações, o que implica dizer que os créditos (depósitos) sob investigação não se referem a valores recebidos a título de venda acobertada por Nota Fiscal emitida por aquelas empresas. XI Imputação dos depósitos às empresas Speed Cruzeiro e Speed Passa Quatro Transcorrido o prazo concedido para apresentação da resposta, e tendo sido enviados pelos intimados apenas os documentos de fls. 764 a 766 (fls. 848 a 850), que não comprovam a origem dos créditos investigados, consideramos que as contas bancárias analisadas movimentaram recursos das empresas Speed Cruzeiro e Speed Passa Quatro, de acordo os fatos elementos de prova colhidos. Com efeito, a constatação de que recursos movimentados nessas contasbancárias foram utilizados para pagamento de fornecedores e recebimento de valores pagos por clientes, é o suficiente para atribuir às empresas supra a titularidade de fato dessas contas correntes. Nesse sentido dispõe o Acórdão n° 10194196 do 1° Conselho de Contribuintes, cuja ementa reproduzimos baixo (verbis): IRPJ. LANÇAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. A conta corrente em instituição financeira, em nome de esposa do sócio e posteriormente sócia da mesma pessoa jurídica, utilizada para pagamento de compras de mercadorias e depósitos de receitas desviadas da escrituração contábil, pode ser utilizadas para arbitramento das receitas omitidas, quando regularmente intimado, o sujeito passivo não comprova a origem dos recursos depositados, mediante documentação hábil e idônea, face ao estabelecido no artigo 42 da Le n° 9.430/96. XII Rateio dos créditos sem comprovação Na planilha 6 relacionamos os créditos de origem não comprovada, e totalizamos mensalmente os depósitos por contabancária. Os totais mensais foram transferidos para as colunas (A) a (C), da Planilha 7, fl. 748 (fl. 832), cabendo esclarecer, em relação a essa planilha, o que segue: 1 Consideramos somente os créditos depositados nas contas de interesse (28445, 28445 (poupança) e 312909), colunas ((A) a (C)), Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 8 não tendo sido computado os créditos depositados nas contas 334374, 334374 (poupança) e 00178801; 2 Procedemos à exclusão das conciliações referentes a estorno de depósitos propostas pela fiscalizada (coluna (E)); 3 Excluímos, também, os rendimentos declarados pela fiscalizada em DIRPF (declarações de imposto de renda), fls. 739 a 747 (fls. 823 a 831), cabendo esclarecer que, pelo fato da Sra. Rosemary não ter prestado esclarecimento sobre os valores percebidos mensalmente a título de rendimentos, conforme consta na Intimação lavrada em 21/11/05, fls. 304 a 306 (fls. 382 a 384), rateamos o total dos rendimentos anuais auferidos igualmente entre todos os meses dos anos de 1999 a 2001, conforme mostra a coluna (F); 4 Os depósitos não comprovados, coluna (G), resultam da diferença entre o total dos depósitos, coluna (D), e os valores mostrados nas colunas (E) e (F); 5 Devido à falta de esclarecimentos por parte das empresas Speed Cruzeiro e Speed Passa Quatro, procedemos ao rateio dos valores mostrados na coluna (G) na proporção de 50% para cada empresa, nos termos do art. 845 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3.000/99, (verbis): (...) XIII Comentários sobre o critério de rateio Em relação a esse critério de rateio, cabe comentar que o mesmo é amplamente aceito nos casos em que uma mesma conta corrente apresenta mais de um titular. (...) XIV Vínculo existente entre os sócios das empresas No caso presente, vale sempre lembrar o vínculo existente entre a Sra. Rosemary e os sócios da empresas Speed Cruzeiro e Speed Passa Quatro, conforme mostra a tabela apresentada à fl. 01 (fl. 77) desse Relatório. Mas coincidências não param por aí, pois no mesmo endereço onde funciona a empresa Speed Cruzeiro, também funciona a administração da Speed Passa Quatro, local onde também trabalha a Sra. Rosemary. Esses fatos mostram que a investigação realizada pelo Fisco já era do conhecimento de ambas empresas desde o ano de 2003, e mesmo assim, nenhuma delas se prontificou a prestar qualquer esclarecimento sobre os recursos movimentados nas contas da Sra. Rosemary. XV Apuração da Receita Bruta Auferida A partir dos valores mostrados na coluna (G) da Planilha 7, e da receita bruta declarada nas Declarações Simplificadas apresentadas pela Speed Cruzeiro, fls. 749 a 758 (fls. 833 a 842), calculamos a receita total auferida por essa empresa nos anos de 1999 a 2001, conforme mostra a tabela abaixo: (...) XVI Proposta para exclusão da empresa Speed Cruzeiro do SIMPLES Os fatos apresentados acima apontam para prática reiterada de infração à legislação tributária conhecida como omissão de receitas, nos termos dos arts. 288 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99), tendo em vista que regularmente intimada a empresa não Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000233/200549 Acórdão n.º 1101001.270 S1C1T1 Fl. 6 9 comprovou a origem dos depósitos efetuados em contasbancárias mantidas em nome da esposa de seu sócio, sendo certo que tais conta comprovadamente movimentaram recursos dessa empresa. Considerandose como receita os depósitos cuja origem não foi comprovada, apuramos que a receita bruta total efetivamente auferida pela empresa nos anos de 1999 e 2000 superou o limite de faturamento de R$1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais), previsto para empresas de pequeno porte, nos termos do art. 9, inc. II, da Lei n° 9.317/96. Por essas razões, podemos afirmar que a fiscalizada descumpriu as prescrições estabelecidas na legislação do SIMPLES, ficando sujeita à exclusão de ofício desse sistema, relativamente aos anos de 2000 e 2001, em razão de: 1 ter auferido excesso de receita bruta nos anos de 1999 e 2000, nos termos do art. 23, inc. I da IN (SRF) n° 355/2003, e artigos 9, inc. II, 13, inc. II, alínea ‘a’ e 14, inc. I, da Lei n° 9.317/96; 2 ter praticado de forma reiterada infração à legislação tributária, nos termos do art. 23, inc. V, da IN (SRF) n° 355/2003, e artigo 14, inc. V, do mesmo diploma legal. Como consequência, propomos ao Senhor Delegado da Receita Federal em Taubaté exclusão de ofício da empresa Speed Indústria e Comércio Ltda ME, CNPJ 00.454.887/000198, do SIMPLES, relativamente aos anos de 2000 e 2001, nos termos da legislação citada e do art. 24, incisos IV e V, da IN (SRF) n° 355/2003, e do art. 15, incisos IV e V da Lei n° 9.317/96 e alterações posteriores. (...) B Omissão de Receitas Prosseguindo na descrição dos fatos, de acordo com o que consta no Relatório supra, verificamos que a fiscalizada omitiu rendimentos nos anos de 1999 a 2001, tendo em vista que regularmente intimada não comprovou a origem dos depósitos efetuados em contas bancárias que comprovadamente movimentaram recursos de sua titularidade. Em relação aos anos de 2000 e 2001, será adotada forma de tributação distinta daquela escolhida pela empresa, haja vista exclusão desse contribuinte do SIMPLES, por meio do Ato Declaratório Executivo n° 21/2005, publicado em 08 de dezembro de 2005, segundo o que consta no processo supra (fls. 853 a 855). C Tributação das Receitas Omitidas Em relação ao ano de 1999, as receitas omitidas serão tributadas segundo às normas aplicáveis às empresas optantes pelo SIMPLES, nos termos do art. 18 da Lei n° 9.317/96 e do art. 199 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99 RIR/99). D Apuração das Receitas Omitidas Na planilha 7, fls. 68, apuramos a receita omitida pela fiscalizada no ano de 1999 (coluna (H)), a partir dos depósitos cuja origem não foi comprovada, conforme consta no Relatório supra. A partir dos valores de receita declarados pela fiscalizada (‘Receita Bruta mensal (Decl.)’) e das receitas omitidas (‘Difer. Apuradas’), obtêmse a receita bruta acumulada (‘Receita Bruta Acumulada’) em cada mês, conforme mostra o demonstrativo de fl. 04. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 10 A omissão de receita apurada traz como consequência as seguintes infrações: a Insuficiência de recolhimento dos tributos e contribuições federais; b Omissão de receitas propriamente dita. 1 Insuficiência de recolhimento dos tributos e contribuições federais A primeira infração decorre das alíquotas superiores dos tributos e contribuições que passaram a incidir em razão do aumento da receita bruta acumulada, conforme consta nos demonstrativos de fl. 04 a 12. (...) A diferença entre o ‘Valor Calculado’ e o ‘Valor Pago’ resulta no ‘Valor Devido’ pela fiscalizada. (...) Pelo fato de a decadência já ter alcançado os fatos geradores do IPI ocorridos no ano de 1999, deixamos de constituir o crédito tributário referente a esse tributo, e excluímos a parcela desse imposto para fins de rateio do valor declarado (que inclui o IPI), conforme consta na Planilha 9. Sobre essas diferenças apuradas, houve incidência de multa não qualificada equivalente a 75%. 2 Omissão de receitas Para apuração dos tributos e contribuições incidentes sobre a receita omitida, fls. 13 a 16, basta multiplicar o valor das diferenças apuradas (‘Base de Cálculo’) pelas alíquotas dos tributos e contribuições vigentes para a receita bruta acumulada, mostrada à fl. 04. A utilização de contas bancárias em nome da esposa do sócio da Speed Cruzeiro para receber depósitos de clientes e efetuar pagamentos a fornecedores dessa empresa, caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 c/c art. 19 da Lei n° 9.317/96. (...) Em razão da presença de fraude, houve incidência de multa qualificada equivalente a 150% sobre os valores apurados (‘Valor Calculado’), conforme consta às fls. 13 a 16. E Movimentação Bancária da Speed Cruzeiro Já antevendo possíveis alegações de que os valores depositados nas contas correntes sob análise eram provenientes de vendas acobertadas por Nota Fiscal emitida pela Speed Cruzeiro ou Speed Passa Quatro, cabe esclarecer que não há correspondência entre as datas e valores referentes aos depósitos sob análise e a relação de valores recebidos pela Speed Cruzeiro ou Speed Passa Quatro, referentes às Notas Fiscais de sua emissão, conforme consta no processo supra (fls. 291 a 364). Além do mais, a própria Speed Cruzeiro apresentou movimentação financeira expressiva no ano de 1999, e, assim sendo, como justificar que os valores recebidos a título de vendas realizadas pela fiscalizada teriam sido depositados em contas bancárias da esposa do sócio dessa empresa e não em suas próprias contas (da fiscalizada)? F Resumo dos Fatos Apurados Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000233/200549 Acórdão n.º 1101001.270 S1C1T1 Fl. 7 11 Os fatos apresentados acima permitem concluir que a empresa Speed Cruzeiro utilizou contas bancárias em nome da esposa de seu sócio para receber pagamentos efetuados por seus clientes, bem como para efetuar pagamentos a seus fornecedores, cabendo destacar o que segue: 1 Nas cópias de diversos comprovantes de depósito efetuados nas contas bancárias sob análise consta a expressão ‘Speed’; 2 Nas cópias de diversos comprovantes de depósitos efetuados nas contas bancárias sob análise consta o nome fantasia ou empresarial de diversos clientes da empresa Speed Cruzeiro ou Speed Passa Quatro; 3 Diversas cópias de cheques e comprovantes de pagamentos obtidos indicavam que valores debitados nas contas bancárias sob análise foram destinados a fornecedores das empresas Speed Cruzeiro ou Speed Passa Quatro. Ver cópia de folhas do Livro Registro de Entradas da fiscalizada, fls. 70 a 75; 4 Recebimento de valores através de boletos bancários indica que tal movimentação financeira se refere à cobrança de créditos, característica de atividade empresarial; 5 Alguns dos fornecedores que receberam valores provenientes dessas contas bancárias, informaram que os recursos recebidos se referiam a vendas da empresa Speed Cruzeiro ou Speed Passa Quatro; 6 Pelo fato de as contas bancárias sob análise terem movimentado recursos das empresas Speed Cruzeiro ou Speed Passa Quatro, essas empresas foram intimadas a identificar os valores que cabiam a cada uma delas e a justificar a origem das importâncias reconhecidas; 7 Pela falta de identificação dos depósitos, pela não comprovação da origem dos créditos efetuados nas contas bancárias sob análise, e tendo em vista que essas contas comprovadamente movimentaram recursos da Speed Cruzeiro ou Speed Passa Quatro, atribuímos a essas empresas os depósitos não comprovados. Por fim, cumpre informar que será formalizada representação fiscal para fins penais, nos termos da Portaria (SRF) n° 326/2005. ” (fls. 54/70) Em 06/01/2006, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade contra a exclusão do SIMPLES (P.A. n. 16045.000196/200579), afirmando tão somente que: (i) não é infratora contumaz; (ii) sempre recolheu os tributos de forma regular; (iii) não há se “falar de desenquadramento por ocorrência de excesso de receita bruta, como sugere a fiscalização”, porquanto “nos anos calendário em 1uestão 2000 e 2001 o faturamento bruto sujeito ao SIMPLES situouse na faixa de até R$1.200.000,00, mais precisamente R$1.134.536,33 e 637.141,02, respectivamente, conforme Declaração Anual Simplificada PJ , transmitida à Receita Federal nos aludidos anos e corroborada pelas notas fiscais de vendas”. Ao final, “roga, portanto, que a douta banca de julgadores dessa Superior Instância decida pela anulação do referido ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO No. 21, por não se revestir de elementos básicos que o sustente” (fls. 885/887). Outrossim, em 23/01/2006, o sujeito passivo apresentou, às fls. 910/920, impugnação contra a autuação relativa ao anocalendário 1999 (P.A. n. 16045.000233/200549). Em sessão de julgamento realizada em 24/04/2006, a 1ª Turma da DRJ/CPS julgou ambos os casos, conforme Acórdão n. 0513.030 assim ementado, litteris: Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 12 “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 Ementa: INTERPOSTA PESSOA. OMISSÃO DE RECEITA. RECEITA NÃO CONTABILIZADA. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXCESSO DE RECEITA NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. EXCLUSÃO. Caracterizada a prática reiterada de infração à legislação tributária, via manutenção de receita à margem da tributação e controlada em contacorrente de interposta pessoa, somado a isto a conseqüente superação do limite de receita admissível na sistemática do Simples, seguese a exclusão do contribuinte de dita forma de tributação favorecida e, também de conseqüência, a lavratura de auto de infração que trará a exigência dos tributos compreendidos no Simples e não recolhidos, em função do necessário realinhamento das correspondentes alíquotas (à conta da omissão de receita), mais a exigência daquelas mesmas espécies tributárias incidentes sobre a omissão de receita identificada (excedente à declarada), isso tudo para o anocalendário em que se dá a exclusão. DECADÊNCIA. A exigência de IRPJ pertinente aos meses de janeiro/1999 até novembro/1999, considerado o art. 173, inciso I, do CTN, está decaída se o contribuinte foi cientificado da autuação em dezembro/2005. No caso das Contribuições (Contribuição ao PIS, Cofins, CSLL, INSS), vale o disposto no art. 45, inciso I, da lei n° 8.212/91. Lançamento Procedente em Parte” (fl. 928) Na ocasião, acordaram os d. Julgadores o seguinte, litteris: “256ª Sessão da 1ª Turma de Julgamento. Em 24 de abril de 2006. Vstos, relatados e discutidos os autos do processo n° 16045.000233/2005 49, nestes anexados, por força da Portaria SRF n° 6.129, 02 de dezembro de 2005, os autos sob n° 16045.000196/200579, ACORDAM os julgadores da 1ª Turma da DRJ em Campinas, por unanimidade de votos: a) INDEFERIR A SOLICITAÇÃO veiculada na manifestação de inconformidade processada nos autos sob n° 16045.000196/200579 (exclusão do Simples); b) JULGAR PROCEDENTE EM PARTE O LANÇAMENTO trazido nos autos sob n° 16045.000233/200549. ” (fl. 929) Ressaltese que a então Julgadora da 1ª Turma da DRJ/CPS, atual Conselheira desta d. 1ª Turma, Edeli Pereira Bessa participou desse julgamento de piso. Após ciência do r. decisum em 18/05/2006 (fl. 976), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 16/06/2006 (fls. 981/991), reiterando, em síntese, seus argumentos apresentados na instância de piso, no sentido de que: · Preliminarmente, “mantém sua tese inicial de nulidade processual devido ao ato ilegal praticado pela auditoria fiscal, por ocasião da ciência do lançamento, independentemente do julgamento do mérito da questão” (fl. 984); · “as informações financeiras da contribuinte foram extraídas das informações prestadas à Secretaria da Receita Federal pelas instituições financeiras, de acordo com o art. 11, §2°. Da lei 9.311, de 24 de outubro de 1996 (Lei da CPMF), em uma autêntica invasão de privacidade. ” (fl. 986); Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000233/200549 Acórdão n.º 1101001.270 S1C1T1 Fl. 8 13 · “Reconhecida a decadência do principal, automaticamente não haverá base para o cálculo de multa e outros acréscimos legais porventura existentes. Assim, a recorrente pede que seja reformada a parte da decisão de Primeira Instância que manteve a multa sobre o IRPJ” (fl. 989); · “Descarta ter ocorrido a decadência para as contribuições que considera como fontes de custeio da Seguridade Social, regidas pela Lei 8.212/91, artigo 45, como tal, sujeitas ao prazo decadencial decenal. / Contudo, essa parte final da decisão não merece prosperar (...) / Portanto, esse venerável entendimento da Superior Instância pulveriza não só a exigência fiscal, bem como sua manutenção, de parte da DRJ/CPS, no tocante a CSLL. / Quanto às demais contribuições PIS Programa de Integração Social, COFINS Contribuição para Financiamento da Seguridade e a Contribuição para o INSS, por guardarem a mesma natureza da CSLL, a elas deve ser adotado procedimento idêntico, ou seja, também estão sujeitas à decadência quinquenal, nos termos do referido artigo 150, parágrafo 4° do CTN” (fl. 989 e 990). A propósito, o contribuinte resume suas ponderações nos seguintes tópicos, verbis: “Reitera, para finalizar, que o auto de infração deve ser arquivado, como se pede, PORQUÊ! 1) Houve quebra de sigilo bancário não autorizado pela justiça; 2) A coação fiscal tornao nulo de pleno direito. 3) Houve cerceamento de defesa por abuso de poder 4) Os supostos fatos geradores ocorridos no ano de 1999, já estavam alcançados pela decadência quinquenal, conforme todo o exposto. ” (fl. 991) É o relatório. Voto O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade ciência do r. decisum em 18/05/2006 (fl. 976) e interposição de recurso voluntário em 16/06/2006 (fls. 981/991) , razão pela qual dele conheço. Inicialmente, esclareçase que, na instância de piso, houve o julgamento conjunto dos Processos Administrativos n. 16045.000233/200549 (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, INSS) e n. 16045.000196/200579 (Exclusão do SIMPLES), sendo certo que o contribuinte, inconformado, problematizou as questões discutidas em ambos os casos no Recurso Voluntário apresentado às fls. 981/991 (ainda que, em relação à exclusão do SIMPLES, haja brevíssima passagem na conclusão do recurso). Desse modo, tendo em vista que os autos em que se discute a exclusão do SIMPLES (16045.000196/200579) encontramse em apenso ao presente (16045.000233/2005 49), pareceme o caso de julgar ambas as demandas na mesma assentada e em conjunto, tal como promovido na instância inferior. Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 14 Firmada essa delimitação do litígio, passemos ao julgamento. Da possibilidade de manutenção de lançamentos escorados em dados de movimentação bancária obtidos por meio de emissão de RMFs Entendimento pacificado nesta Col. Turma Como visto, parte dos lançamentos feitos pelo Fisco escoramse em informações bancárias obtidas mediante emissão de RMFs e a partir da verificação de valores de depósitos/créditos bancários injustificados e não embasados documentalmente (nem declarados) pelo contribuinte, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. Assim, é absolutamente estreme de dúvidas que o caso em vergaste envolve lançamentos de ofício lastreado em presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários (art. 42 da Lei n. 9.430/96), tendo esses dados sido obtidos pelo Fisco sem amparo em qualquer decisão judicial, sendo inequívoca a expedição de bastantes Requisições de Movimentação Financeira – RMFs. Nos termos de meu posicionamento já externado noutras ocasiões neste colegiado, entendo que, para obter dados por meio de RMFs, deve o Fisco ter fundamento em ordem judicial, sob pena de quebra de sigilo bancário, conforme preconiza o art. 1º, caput e §1º, da LC n. 105/2001. Esse entendimento, a propósito, já foi externado pelo Plenário do Eg. Supremo Tribunal Federal por ocasião do julgamento do RE 389.808/PR, em acórdão assim ementado: “SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal parte na relação jurídico tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte.” (RE 389808/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, Julgado em 15/12/2010, Publicado em 10/05/2011) A par disso, sempre me posicionei no sentido de, em casos como tais, afastar a aplicação da sistemática estruturada pela conjugação da LC n. 105/2001, da Lei n. 10.174/2001 e pelo Decreto n. 3.724/2001 com base no art. 26A, § 6º, inc. I, do Decreto nº 70.235/72 e art. 62A, par. único, inc. I, do RICARF, os quais preveem, respectivamente, o seguinte, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (...)” Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000233/200549 Acórdão n.º 1101001.270 S1C1T1 Fl. 9 15 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ” Inobstante isso, em reiteradas ocasiões, essa d. 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento chancelou entendimento contrário, conforme se vê dos precedentes exemplificativos citados abaixo, verbis: “SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. ” (CARF 1ªT/1ªC/1ªS P.A. n. 15586.721277/201255 Acórdão n. 1101001.164 Sessão de 26/08/2014 Rel. Cons. Edeli Pereira Bessa) “SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. ” (CARF 1ªT/1ªC/1ªS P.A. n. 10882.722133/201258 Acórdão 1101001.117 Sessão de 03/06/2014 Rel. Cons. Benedicto Celso Benício Júnior Red. p/ acórdão Cons. Edeli Pereira Bessa) Assim sendo e curvandome ao entendimento que restou pacificado nesta d. Turma Julgadora , REJEITO essa preliminar e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário no ponto. Da inexistência de nulidade na ciência do lançamento No ponto, o contribuinte assevera que “mantém sua tese inicial de nulidade processual devido ao ato ilegal praticado pela auditoria fiscal, por ocasião da ciência do lançamento, independentemente do julgamento do mérito da questão” (fl. 984), acostando aos autos, para embasar sua argumentação, notificação pretensamente encaminhada pela sócia cotista Alice Vilela de Barros para Delegado da Polícia Federal (fls. 925/026), na qual informa que teria havido abuso de poder, na medida em que, após ter sido localizada em seu local de trabalho (Agência da Previdência Social), teria sido coagida a tomar ciência do Auto de Infração, a despeito de ter dado conhecimento aos agentes da Receita Federal do Brasil de que “não tinha conhecimento dos fatos narrados no auto de infração, por não participar da administração da empresa, e por isso não poderia receber o documento” (fl. 984/985). Penso não ter razão o contribuinte sobre o tema. Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 16 Com efeito, a despeito de conter declarações fáticas de conteúdo grave, o documento colacionado é apenas uma cópia simples, sem qualquer comprovante de envio, que traz apenas uma assinatura sem qualquer autenticação em cartório ou comprovante de recebimento por parte de qualquer autoridade policial. Outrossim, o sujeito passivo não mencionou a necessidade de produção de provas testemunhais sendo certo que poderia, exemplificativamente, obtêla em juízo por meio do expediente nominado de ‘Justificação’ no Código de Processo Civil (arts. 861 a 866) ou sequer apresentou declaração de testemunha. Ora, por óbvio, um evento como aquele narrado pela Recorrente certamente foi testemunhado por outros cidadãos que poderiam confirmar a narrativa, mas não foi o que se passou. A bem da verdade, o Recorrente apenas passa longas páginas externando irresignação com eventual coação e abuso de poder, mas não se preocupou em provar tais acontecimentos. Desse modo, à míngua de quaisquer elementos confirmadores da tese da Recorrente, pareceme não ser possível dar azo a tal documento ou às ilações por ela formuladas, razão pela qual igualmente REJEITO essa preliminar e NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário no ponto. Do mérito Ao tratar do mérito em exíguas quatro páginas (às fls. 987/990), o Recorrente apenas afirma o seguinte, verbis: “A recorrente reitera que ofereceu todos os meios de provas capazes de desfazer o diagnóstico fiscal de omissão de receitas. (...) Se mais não fez, como perseveram os autores (?), devese ao esgotamento dos meios probantes, até mesmo devido ao alcance do lapso decadencial, como se verá adiante, tornandoos irrelevantes. ” (fl. 987/988) “Reconhecida a decadência do principal, automaticamente não haverá base para o cálculo de multa e outros acréscimos legais porventura existentes. Assim, a recorrente pede que seja reformada a parte da decisão de Primeira Instância que manteve a multa sobre o IRPJ. ” (fl. 989) “Adiante, descarta ter ocorrido a decadência para as contribuições que considera como fontes de custeio da Seguridade Social, regidas pela Lei 8.212/91, artigo 45, como tal, sujeitas ao prazo decadencial decenal. (...) Portanto, esse venerável entendimento da Superior Instância pulveriza não só a exigência fiscal, bem como a sua manutenção, de parte da DRJ/CPS, no tocante a CSLL Quanto às demais contribuições PIS Programa de Integração Social, COFINS Contribuição para Financiamento da Seguridade e a Contribuição para o INSS, por guardarem a mesma natureza da CSLL, a elas deve ser adotado procedimento idêntico, ou seja, também estão sujeitas à decadência quinquenal, nos termos do referido artigo 150, parágrafo 4°, do CTN. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000233/200549 Acórdão n.º 1101001.270 S1C1T1 Fl. 10 17 III A CONCLUSÃO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso composto de 11 (onze) folhas, numeradas manualmente de 01 a 11, para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, e por extensão mantendo SUA vinculação ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições (SIMPLES). ” (fl. 989/990) A meu ver, apenas um dos argumentos apresentados pelo contribuinte é capaz de lhe conceder provimento parcial à irresignação. Com efeito, esclareçase, inicialmente, que a Fiscalização realizada bem demonstra por meio de provas juntadas nos autos que houve o uso de conta corrente de titularidade de interposta pessoa (Rosemary Nazario da Silva) para promover movimentação de recursos derivados de operações comerciais das empresas Speed (Speed Passa Quatro e Speed Cruzeiro) levadas a cabo pelo sujeito passivo e que não foram registradas em escrita contábil fiscal, tendo por objetivo a irregular supressão de tributos, o que não pode ser chancelado por este E. Conselho. Nesse sentido, leiase breve excerto exemplificativo sobre o tema extraído do Termo de Verificação Fiscal, litteris: “II Diligências realizadas junto a clientes Por meio de diligências realizadas junto a clientes da empresa Speed Cruzeiro, apuramos diversas irregularidades praticadas tanto pela Speed Cruzeiro quanto pela Speed Passa Quatro, conforme mostram os documentos de fls. 22 a 34 (fls. 98 a 110). Não se trata de coincidência, pois essas empresas apresentam diversos clientes em comum. Eis a principais irregularidades apuradas: 1 Em relação à Speed Passa Quatro, apuramos o seguinte: 1.1 Venda de produtos ao contribuinte José Carlos de Souza Taubaté ME (CNPJ 66.033.572/000185) através da Nota Fiscal n° 1335, emitida em 08/06/99, no valor de R$336,00, tendo sido essa venda paga por meio de dois boletos bancários: o primeiro, em nome da empresa vendedora, em valor idêntico ao da Nota Fiscal emitida, R$336,00, e o segundo, em nome da Sra. Rosemary Nazário da Silva, doravante Sra. Rosemary, no valor de R$340,00, importância essa depositada na contacorrente n° 341/258/312909, ficando caracterizado o subfaturamento; 1.2 Venda de produtos ao contribuinte Valdinei dos Santos ME (CNPJ 73.150.740/000188) através da Nota Fiscal n° 662, emitida em 15/10/98, no valor de R$160,00, tendo sido essa venda paga por meio de dois boletos bancários: o primeiro, em nome da empresa vendedora, em valor idêntico ao da Nota Fiscal emitida, R$160,00, e o segundo, em nome da Sra. Rosemary, no valor de R$192,50, importância essa depositada na contacorrente n° 341/258/312909, ficando caracterizado o subfaturamento; (...) 2 Em relação à Speed Cruzeiro, verificamos que a mesma realizou venda de produtos ao contribuinte Benedito Lucio Ribeiro ME, CNPJ 00.865.392/000151, através da Nota Fiscal n° 2515, emitida em 04/12/98, no valor de R$26,88, tendo sido pago pelos produtos Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 18 adquiridos o montante de R$101,88, em dinheiro, ficando caracterizado o subfaturamento; ” (fls. 55/56) Nesse quadro, a meu sentir, está provada a omissão de receitas, devendo ser chancelado o posicionamento externado na instância de piso, verbis: “9. Quanto à insurgência do contribuinte frente ao Ato Declaratório Executivo n° 21, de 6 de dezembro de 2005, que o excluiu do Simples, não merece ser acatada. 9.1 De fato, há provas suficientes nos autos a indicar, sim, a prática reiterada de infração à legislação tributária, haja vista o uso de contacorrente de titularidade de interposta pessoa para ali movimentar recursos derivados de operações mercancia levadas a cabo por este contribuinte e que, ao mesmo tempo, não encontram par com coincidência de data e valor na escrituração contábil fiscal desse mesmo contribuinte. Tudo a indicar a existência de movimentação financeira ainda que sob a titularidade de interposta pessoa à margem da escrita contábilfiscal, prova direta de omissão de receita. Por outra linha, nem sua ‘Declaração Anual Simplificada PJ’, nem as ‘notas fiscais de vendas’ são meios hábeis a lhe socorrer, certo que, ainda que haja compatibilidade entre tais elementos, muito fortemente demonstra a fiscalização que nem toda receita auferida pelo contribuinte deriva das operações estampadas em notas fiscais de venda, senão também de aporte paralelo e sem registro contábilfiscal. 9.2 Nesse sentido, correta a exclusão deste contribuinte da sistemática do Simples, tudo como anotado no procedimento fiscal encartado nos autos sob n° 16045.000196/200579, posteriormente anexado aos autos sob n° 16045.000233/200549, como já adiantado no Relatório.” (fls. 948/949) Superada essa questão, resta analisar a apontada decadência de outros períodos para além daqueles já reconhecidos na instância de piso. A propósito, leiase, inicialmente, breve excerto explicativo presente na ementa do julgamento de piso, litteris: “DECADÊNCIA. A exigência de IRPJ pertinente aos meses de janeiro/1999 até novembro/1999, considerado o art. 173, inciso I, do CTN, está decaída se o contribuinte foi cientificado da autuação em dezembro/2005. No caso das Contribuições (Contribuição ao PIS, Cofins, CSLL, INSS), vale o disposto no art. 45, inciso I, da Lei n° 8.212/91. ” (fls. 928) Lembrese, no ponto, que o caso é de fraude, o que atrai o cômputo do prazo decadencial para o art. 173, inc. I, do Código tributário Nacional sendo certo que essa questão não foi problematizada. Nesse quadro, tem parcial razão o contribuinte. Isso porque, como se sabe, de acordo com a Súmula Vinculante n. 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange a decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional, verbis: Súmula vinculante n. 8: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. ” Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 16045.000233/200549 Acórdão n.º 1101001.270 S1C1T1 Fl. 11 19 Esclareçase que a despeito de o art. 62 do RICARF vedar o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade , determina o inciso I do § único do art. 62 do RICARF que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Pretório Excelso. Assim, em razão da declaração de inconstitucionalidade acima mencionada, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial previsto no artigo 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (aplicável ao caso em razão da existência de fraude). Eis o pacífico posicionamento adotado por este Col. CARF, e.g.: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1999 a 31/03/2003 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08. PRAZO QUINQUENAL DOS ARTIGOS 173, INCISO I E 150, §4°, DO CTN. Aplicase o prazo do artigo 173, I, do CTN na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” (P.A. n. 17460.000393/200711 Acórdão n. 2301004.064 Sessão de 16/07/2014 Cons. Rel. Adriano Gonzales Silvério, grifos acrescidos) Portanto, tendo em vista que as espécies tributárias em debate foram formalizadas em bases mensais, devese aplicar às demais a mesma regra que prevaleceu em relação ao IRPJ na instância a qua, de modo que as exigências dos demais tributos nas competências de JANEIRO/1999 até NOVEMBRO/1999 poderiam ser lançadas até 31/12/2004 (art. 173, inc. I, do CTN). Como a ciência do auto de infração se deu em 22/12/2005, os créditos lançados sobre aquele período estão decaídos. Conclusão Por tais razões e sendo certo que nenhuma outra questão foi devolvida a este C. CARF por meio do Recurso Voluntário apresentado pela ora Recorrente , encaminho meu voto no sentido de REJEITAR as preliminares e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário nos termos da argumentação supra, de modo a excluir as exigências de CSLL, de PIS, de COFINS e de Contribuição para o INSS relativas ao período de Janeiro/1999 a Novembro/1999, chancelando as demais conclusões apresentadas por ocasião do julgamento da 1ª Turma da d. DRJ/CPS. Outrossim, em razão da incompletude do v. acórdão recorrido nos presentes autos, determino seja feita reprografia das fls. 1094/1125 do P.A. n. 16045.000138/200626 e seja colacionado ao presente processo administrativo, sendo certo que, em razão da análise conjunto dos processos, não há se falar em qualquer prejuízo para que os I. Julgadores promovam o julgamento. Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 20 Por fim, na medida em que a exclusão do SIMPLES foi julgada de forma conjunta com o presente processo, determino que uma cópia deste acórdão seja feita e colacionada naqueles autos (P.A. n. 16045.000196/200579), que se encontram em apenso. É como voto. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10980.009266/2007-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. DISPOSITIVO DE ACÓRDÃO QUE NÃO CORRESPONDE À DECISÃO DO COLEGIADO. RECURSO ACOLHIDO SEM EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada a incompatibilidade entre o teor do acórdão embargado - que unicamente afastava as multas isoladas - e o respectivo dispositivo - que atesta que apenas os principais de IRPJ e CSLL, além de acréscimos moratórios -, de rigor o acolhimento dos aclaratórios, sem efeitos infringentes, para que seja afastada a obscuridade e para esclarecer que foram mantidas, para além dos principais e dos juros à taxa SELIC, as exigências atinentes às multas de ofício no percentual de 75%.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGADA OMISSÃO QUANTO À PRECLUSÃO DA QUESTÃO CONSISTENTE NA HIGIDEZ DAS MULTAS ISOLADAS. ALEGAÇÃO IMPROCEDENTE.
Tendo a contribuinte contestado as exigências de multa isolada, não há que se falar em preclusão da matéria pelo simples fato de o sujeito passivo não ter deduzido o argumento ao final acolhido no acórdão embargado. Inteligência dos arts. 128 e 473 do CPC e do art. 17 do Decreto n. 70.235/72.
Numero da decisão: 1101-001.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, 1) relativamente à arguição de obscuridade, por unanimidade de votos, ACOLHER e PROVER os embargos, sem efeitos infringentes; e 2) relativamente à arguição de omissão, por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Mendonça Marques e Marcelo De Assis Guerra.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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OBSCURIDADE. DISPOSITIVO DE ACÓRDÃO QUE NÃO CORRESPONDE À DECISÃO DO COLEGIADO. RECURSO ACOLHIDO SEM EFEITOS INFRINGENTES. Constatada a incompatibilidade entre o teor do acórdão embargado que unicamente afastava as multas isoladas e o respectivo dispositivo que atesta que apenas os principais de IRPJ e CSLL, além de acréscimos moratórios , de rigor o acolhimento dos aclaratórios, sem efeitos infringentes, para que seja afastada a obscuridade e para esclarecer que foram mantidas, para além dos principais e dos juros à taxa SELIC, as exigências atinentes às multas de ofício no percentual de 75%. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGADA OMISSÃO QUANTO À PRECLUSÃO DA QUESTÃO CONSISTENTE NA HIGIDEZ DAS MULTAS ISOLADAS. ALEGAÇÃO IMPROCEDENTE. Tendo a contribuinte contestado as exigências de multa isolada, não há que se falar em preclusão da matéria pelo simples fato de o sujeito passivo não ter deduzido o argumento ao final acolhido no acórdão embargado. Inteligência dos arts. 128 e 473 do CPC e do art. 17 do Decreto n. 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, 1) relativamente à arguição de obscuridade, por unanimidade de votos, ACOLHER e PROVER os embargos, sem efeitos infringentes; e 2) relativamente à arguição de omissão, por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 92 66 /2 00 7- 60 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Mendonça Marques e Marcelo De Assis Guerra. Relatório Cuidase, na origem, de Auto de Infração com exigências de IRPJ e de CSLL lavrado em desfavor de ALL AMERICA LATINA LOGÍSTICA INTERMODAL S/A, ora Embargada, decorrente de “insuficiência de recolhimento ou de declaração do imposto de renda devido, apurado com base no lucro real anual, em virtude da falta de pagamento da estimativa mensal” (fl. 10), o que culminou, ainda, na exigência de multas isoladas pela falta de recolhimento sobre base de cálculo estimada, tudo relativo ao anocalendário de 2005. Inconformada com a lavratura dos autos de infração, o sujeito passivo apresentou impugnações, que foram julgadas improcedentes em sessão de julgamento de 13 de dezembro de 2007, conforme acórdão n. 0616.269 (fls. 365/370) assim ementado, in verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. LANÇAMENTO APÓS O TÉRMINO DO ANOCALENDÁRIO. Verificada a falta de pagamento do imposto ou contribuição social por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento deve abranger o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, e a multa de ofício isolada sobre a diferença das estimativas devidas e não recolhidas. Lançamento Procedente” Novamente irresignada com o r. decisum, interpôs recurso voluntário, que foi parcialmente provido por esta d. Turma Julgadora (Cons. Rel. José Ricardo da Silva) em sessão de julgamento realizada em 18 de junho de 2009, nos termos do acórdão n. 1101000.136 (fls. 405/414), assim ementado, litteris: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Fl. 441DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.009266/200760 Acórdão n.º 1101001.196 S1C1T1 Fl. 3 3 Anocalendário: 2005 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. LANÇAMENTO APÓS O TÉRMINO DO ANOCALENDÁRIO Verificada a falta de pagamento do imposto ou contribuição social por estimativa, após o término do anocalendário, correto o lançamento de ofício que abrange tão somente o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, quando não recolhido. PENALIDADE. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO (ISOLADA). FALTA DE RECOLHIMENTO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA – Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido, apurado na ação fiscal com base no lucro real. Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento de tributo por estimativa, sob pena de dupla incidência de multa de ofício sobre uma mesma infração. ” Cientificada a Fazenda Nacional do r. decisum em 07 de maio de 2013 (cf. fl. 415), foi oposto tempestivo recurso de embargos de declaração em 08 de maio de 2013 (fls. 417/426), no qual asseverou, em síntese, que: (i) “Assim, observase que, conquanto tenha o voto proferido pelo Relator decidido pelo provimento parcial do recurso voluntário e apenas para excluir da exigência a multa de ofício isolada, o acórdão embargado foi redigido de maneira a sinalizar o provimento parcial do recurso voluntário com o seguinte adendo ‘mantendo tão somente a exigência do principal (IRPJ e CSLL) com acréscimos moratórios’. Pela redação do acórdão não fica claro que foi mantido o lançamento da multa de ofício, tendo em vista que faz alusão ao termo ‘acréscimos moratórios’, o que pode ensejar dúvida quanto ao entendimento do Colegiado para fins de execução do julgado e interposição de recurso, se cabível. Daí o vício da obscuridade. Também pode ser apontado, em relação à mesma situação, o vício da contradição, uma vez que a redação do acórdão não acompanha em seus exatos termos a conclusão do Relator, que foi clara no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, tãosomente para excluir a exigência da multa isolada. Ao inverter essa lógica, trazendo o complemento do que restou mantido e não excluído do lançamento, em virtude do provimento parcial do recurso do contribuinte, o acórdão foi obscuro e contraditório com os termos do voto que o acompanha, ao afirmar a incidência de acréscimos moratórios. Essa expressão não deixa evidente que foi mantido o lançamento da multa de ofício” (fl. 420); e (ii) “Além disso, quanto à multa isolada, observase outro vício no acórdão embargado. Com efeito, analisandose a peça de insurgência inaugural de fls. 148/160 (AIIRPJ) e 314/326 (AI CSLL), verificase que o autuado não impugnou especificamente Fl. 442DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 a multa agravada, tampouco formulou pedido expresso nesse sentido. / (...) Em consequência, não se instaurou litígio em relação à matéria, em razão do quê não foi objeto de consideração, análise e decisão pela autoridade julgadora de primeira instância, no relatório de sua decisão. (...) A decisão embargada também elaborou relatório no mesmo sentido, no qual se constata que não houve qualquer argumento relativo à concomitância das multas aplicadas ou mesmo insurgência específica quanto ao lançamento da multa isolada. Apenas em sede de recurso voluntário, ou seja, inovando no objeto litigioso, muito embora continue sem trazer insurgência específica quanto à matéria, o contribuinte alega, nos termos do relatório da decisão ora recorrida: ‘g) que a recorrente apurou, conforme expressamente reconhecido nos autos, balancetes de suspensão, tendo declarado e confessado os supostos débitos correspondentes à estimativa, não cabendo, portanto, nem sequer imputação por multa isolada nesse sentido; (...) i) que nem sequer poderseia aplicar a multa isolada correspondente à alegada falta de pagamento dos tributos apurados por estimativa, pois, além de a recorrente ter apurado balancetes de suspensão, os mesmos foram devidamente declarados e confessados em DCTF. ’ Entretanto, nada obstante as considerações acima tecidas de que a impugnação do sujeito passivo não ventila impugnação específica e pedido expresso referente à multa isolada, consistindo a inserção dessa matéria no recurso voluntário, ainda que unicamente sob a forma sem argumentar sobre a existência de concomitância, em incabível inovação do objeto litigioso, observase que o acórdão embargado, bem como o teor do voto sagrado vencedor que dele faz parte integrante, em contrapartida, deu procedência ao recurso do interessado justamente em relação a essa matéria. / (...) Como se observa, operouse, no caso, a preclusão administrativa, na forma dos arts. 14, 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72, fato este sobre o qual foi omissa a decisão deste Colegiado, pois a matéria relativa à multa isolada não foi objeto de insurgência específica na impugnação” (fl. 420/423). É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Fl. 443DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.009266/200760 Acórdão n.º 1101001.196 S1C1T1 Fl. 4 5 Os embargos de declaração preenchem os requisitos de admissibilidade, razão pela qual deles conheço. Conforme se depreende do relatório acima, a Fazenda Nacional aponta (i) obscuridade e contradição em relação ao acórdão formalizado e o teor do voto vencedor, na medida em que, a seu sentir, não teria ficado claro que o provimento parcial do recurso voluntário se deu para afastar tão somente as multas isoladas; e (ii) omissão sobre a preclusão da questão atinente às multas cobradas isoladamente, eis que a matéria não teria sido ventilada em sede de impugnação, de modo que inexistiria litígio quanto ao ponto. Pois bem. Em relação à primeira questão vergastada, penso que tenha razão a Fazenda Nacional. No ponto, o teor do voto condutor do aresto inequivocamente afasta apenas as multas isoladas lançadas, decorrente da falta de recolhimento do imposto e da contribuição em causa por estimativa. Contudo, esse entendimento não se mostra em consonância com o dispositivo do aresto, verbis: “ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do [sic] PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, mantendo tão somente a exigência do principal (IRPJ e CSLL) com os acréscimos moratórios. ” (fl. 405) Nesse sentido, leiase breve excerto do voto condutor, litteris: “Admitir a aplicação da multa de ofício cumulativamente com a multa isolada, pela falta de recolhimento da estimativa sobre os valores apurados em procedimento fiscal, significaria admitir que, sobre imposto apurado de ofício, se aplicassem duas punições, atingindo valores idênticos ou superiores aos das penalidades cominadas para faltas qualificadas. Tal penalidade seria desproporcional ao proveito obtido com a falta. (...) No caso, tem razão a recorrente quando diz que a fiscalização pretende cobrar a multa de lançamento de ofício incidente sobre tributo lançado, também de ofício, concomitantemente com a multa de lançamento de ofício, isolada, sobre a insuficiência/falta calculada em decorrência da mesma infração. Desta forma, sou pelo provimento do recurso voluntário relativamente a multa isolada, lançada de ofício. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da exigência a multa de ofício isolada. ” (fls. 412/414) Por assim ser, no ponto, ACOLHO os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, unicamente para retificar referido trecho do dispositivo, de modo a, adequandoo à realidade da decisão proferida e embargada, fazer constar que o provimento parcial do recurso voluntário foi para afastar tão somente as multas isoladas de IRPJ e CSLL, de modo que mantidas as multas de ofício de 75% e os acréscimos moratórios na esteira da lei. Por outro lado, em relação à suposta omissão sobre a possibilidade de conhecimento da questão atinente à multa isolada – porquanto, no entendimento da Fazenda Fl. 444DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 6 Nacional, a questão não teria sido ventilada em sede de impugnação, o que atrairia o instituto da preclusão , penso que não tenha razão a ora Embargante. Com efeito, o que se depreende dos embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional é que seu cerne consiste no argumento de que o simples fato de a questão – impossibilidade de aplicação da multa isolada no caso – ter sido atacada por argumento diverso daquele que foi o preponderante no julgamento implicaria em preclusão da matéria, o que não se pode admitir. É ainda curioso e digno de nota que o recurso de Embargos de Declaração aqui controvertido busca delinear o conteúdo das Impugnações a partir exclusivamente dos relatórios da decisão da DRJ e do v. acórdão embargado, sem qualquer abordagem e exame diretos das peças impugnatórias. Ao contrário do que sustenta a Em diversos momentos das impugnações, o sujeito passivo demonstrou sua irresignação com relação à aplicação da multa isolada, controvertendo sua aplicação e instaurando, assim, o litígio sobre a matéria. A propósito, leiamos alguns trechos, a título exemplificativo, que bem demonstram o quanto afirmando acima, litteris: “Mas não é só, para caracterizar ainda mais o absurdo excesso de exação, o qual a Processada só pode creditar ao desumano assoberbamento de trabalho impingido aos auditores fiscais da Receita Federal do Brasil, com base no mesmo conjunto fático que motivou o auto de infração ora vergastado foi lavrado auto de infração de multa isolada, correspondente ao processo n° 10980.002231/200619. E o que causa mais espécie é o fato de todos os atos administrativos suso narrados terem sido lavrados pelos mesmos auditores fiscais que são responsáveis pelo auto de infração ora impugnado, sem que fosse prestado nenhum esclarecimento sobre o por quê de tão grave e odioso bis in idem fiscal. ” (fl. 317) “Esta lição assume especial importância quanto à parte do lançamento que trata da Imposição de penalidades, pois com base nas mesmas informações foi lavrado o auto de infração n° 10980.002231/200619, sendo certo que em relação ao mesmo sequer houve qualquer menção no presente auto de infração. Assim, como já houve imposição de penalidades à Processada, através de lançamento de ofício que sequer o presente auto de infração esclarece se foi ou não cancelado, ou mesmo por quê motivos estaria procedendo à sua revisão, está absolutamente precluso o momento para que a autoridade lançadora possa [lançar] (...) Ora, o presente auto é absolutamente teratológico, pois trata de constituir crédito tributário de novo e imputar novamente multa à Processada por algo em relação ao qual a mesma já fora penalizada e teve o crédito tributário inclusive inscrito em dívida ativa. ” (fl. 323) “E para suprir a conveniente falta de informações do malfadado auto de infração, pontuese que o lançamento de multa pelo mesmo fato que agora motiva nova imposição de penalidade, sem nenhum fundamento que pudesse autorizar revisão do Fl. 445DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.009266/200760 Acórdão n.º 1101001.196 S1C1T1 Fl. 5 7 lançamento anterior, foi cancelado pelo Conselho de Contribuintes, sob o fundamento de que não há autorização legal para imposição de penalidade in casu, no acórdão ementado como se segue: ‘Processo n°: 10980.002231/200619 Recurso n° 154132 Ex Officio Matéria: CSLL Ex: 2006 Recorrente: 1ª Turma/DRJ Curitiba/PR Interessada: All América Latina Logística Intermodal S/A Sessão de: 28 de fevereiro de 2007 Acórdão n°: 10708.896 RECURSO DE OFÍCIO CSLL DCTF CONFISSÃO MULTA ISOLADA LEI 10.833, ART. 18 CRÉDITO PRÊMIO PERDECOMP INEXISTÊNCIA IMPROCEDÊNCIA A aplicação da multa isolada de que trata o art. 18 da lei 10.833, pela descrição do tipo punível, pressupõe compensação não declarada, realizada em face das regras do art. 74 da lei 9.430/96, isto é, pela via do PERDECOMP, não, porém, à suspensão de exigibilidade simplesmente declarada em DCTF, cuja descaracterização impõe, tão somente, a cobrança do crédito tributário confessado com os acréscimos legais cabíveis.” (fl. 324) “Outrossim, como medida a corroborar que deve ser integralmente cancelado o presente auto de infração, no que se refere à imposição de penalidades a presente situação assume uma feição especialmente grave, pois, ainda que abstraíssemos todos os vícios formais e materiais do presente auto de infração, se nem a autoridade lançadora está certa quanto à infração cometida pela Processada, na medida em que sai lavrando de forma indiscriminada e inconsequente tantos autos de infração quanto sua irresponsabilidade e desconsideração com a Lei e com os contribuintes permitirem, é óbvio que estamos diante de uma hipótese de aplicação do art. 112 do Código Tributário Nacional, em face das dúvidas objetivas que cercam o presente lançamento.” (fl. 325) “Assim, não há o mínimo fundamento para o presente auto de infração, seja porque (...), ou porque imputam à Processada penalidade pela segunda vez, sem sequer esclarecer se o lançamento anterior (10980.002231/200619), lavrado com base na mesma situação fática, fora cancelado ou não, e os motivos, na forma do art. 149 do CTN, que levariam à sua revisão, caso esta fosse possível, o que não o é em face de inequívoca preclusão” (fl. 327) Os trechos acima reproduzidos foram extraídos da Impugnação dirigida ao Auto de Infração de CSLL, mas excerto absolutamente análogo pode ser localizado na Impugnação em face da autuação de IRPJ, consoante se depreende da leitura dos fólios 158 e seguintes. O próprio acórdão da d. DRJ assenta que a questão da multa isolada foi controvertida (a partir de outros argumentos), conforme se nota no trecho abaixo, litteris: Fl. 446DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 8 “Voto Contesta, a interessada, o presente lançamento ao argumento de que os créditos tributários respectivos já foram inscritos em Dívida Ativa da União, conforme processos administrativos n° 10980.002045200680 IRPJ e 10980.002048/200613 CSLL, além do que também foram lavrados autos de infração para a cobrança da multa isolada, correspondente aos processos n° 10980.002230/200674 IRPJ e 10980.002231/200619 CSLL, e que em tese fica sujeita a pagar o mesmo tributo duas vezes sobre o mesmo fato.” (fl. 368) “Assim, após ter sido encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União de valores de estimativas declarados em DCTF, as quais não representam créditos tributários, mas sim antecipações sujeitas a um ajuste futuro para apuração do valor efetivamente devido, a autoridade administrativa reviu seu ato, solicitando o seu cancelamento, bem como, somente após a decisão definitiva da cobrança da multa isolada lançada, a qual foi cancelada por esta DRJ, por falta de previsão legal, já que a penalidade aplicada estaria vinculada à nãohomologação de compensação declarada mediante PER/DCOMP ou à compensação considerada não declarada por meio de PER/DCOMP, decisão esta ratificada pela 7ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes ao negar provimento aos recursos de ofício, é que foi efetuado o presente lançamento com a adoção dos procedimentos estabelecidos na legislação tributária, anteriormente transcrita, não havendo bis in idem ou cobrança em duplicidade do mesmo crédito tributário..” (fl. 370) Outrossim, em sede de recurso voluntário, a empresa fez consignar expressamente sua irresignação com relação à multa isolada, o que devolveu a este Col. CARF a matéria em referência, conforme trechos a seguir expostos, litteris: “E vejam V. Sas. que a Recorrente apurou, conforme expressamente reconhecido nos autos, balancetes de suspensão, tendo declarado e confessado os supostos débitos correspondentes à estimativa, não cabendo, portanto, nem sequer imputação por multa isolada nesse sentido, pois também neste caso há, como alegado na impugnação e ignorado pelo Acórdão recorrido, a incidência do art. 112 do CTN. ” (fl. 401) “Nem sequer poderseia aplicar a multa isolada correspondente à alegada falta de pagamento dos tributos apurados por estimativa, pois além de a Recorrente ter apurado balancetes de suspensão, os mesmos foram devidamente declarados e confessados em DCTF. ” (fl. 402) A par disso, temse que, de fato, a quaestio iuris em testilha foi devidamente suscitada pelo contribuinte em suas primeiras postulações escritas apreciado – oportunidade em que o ora Embargado pleiteou o cancelamento das exações a partir de argumento diverso daquele que determinou a fulminação das cobranças no seio deste C. CARF –, de modo que não há se falar em preclusão. Com efeito, a preclusão de que aqui se cogita – que, digase de passagem, consiste na Preclusão Consumativa – não alcança argumentos, e sim questões processuais – Fl. 447DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.009266/200760 Acórdão n.º 1101001.196 S1C1T1 Fl. 6 9 para além de faculdades processuais –, o que pode ser constatado a partir da leitura do art. 473 do Código de Processo Civil, que reza, verbis: Art. 473. É defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão. (sem grifos no original) O art. 17 do Decreto n. 70.235/72 – que assevera que matérias não expressamente contestadas serão tidas como não impugnadas – cuida justamente da verificação dos limites objetivos da peculiar lide administrativa. É manifesto que as matérias a que alude o citado art. 17 não se confundem com argumentos, sendo certo que a mais concreta norma que emerge do Art. 128 do Código de Processo Civil ratifica inafastavelmente a exegese atribuída ao vocábulo constante do texto de lei, sendo a seguinte a redação desse dispositivo, litteris: Art. 128. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendolhe defeso conhecer de questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte. Ora, é indiscutível que a contribuinte pleiteou o cancelamento das exigências de multa isolada em suas impugnações – lançando mão das causas petendi próximas, é dizer, dos fundamentos jurídicos que entendeu apropriados. Apresentada regularmente a irresignação quanto às penalidades em causa, é certo que a matéria em apreço, que a questão em testilha compõe o objeto do litígio administrativo, de modo que não apenas pode, mas deve o competente órgão julgador acerca dela (leiase, da questão) se pronunciar. Obviamente, em sua livre convicção podem os órgãos julgadores entender aplicáveis ao substrato fático respectivo preceitos normativos diversos, fundamentos jurídicos diversos, ainda que não suscitados pelas partes, o que revela o descabimento da alegação de que a matéria fora acometida pela preclusão ante a não dedução de determinado argumento. Esse é o cerne da postulação da Fazenda Nacional neste ponto, de modo que devem ser rejeitados os Embargos de Declaração. Com efeito, o r. Colegiado embargado não se pronunciou expressamente sobre a preclusão do tema em apreço pelo fato de que não há que se falar na operação da preclusão. Tendo esta Colenda Turma acolhido a postulação da contribuinte quanto à inaplicabilidade das multas isoladas, é indiscutível e intuitivo que o Colegiado entendeu que a matéria compunha o objeto do litígio devolvido à instância superior – corretamente, conforme se demonstrou acima. Por fim, assevero ainda que a postulação deduzida pela Embargante sofre nitidamente o influxo da Teoria da Substanciação, tão cara a certos processualistas e cuja influência na processualística civil pátria pode ser vislumbrada a partir da leitura do inciso III do art. 282 do Código de Processo Civil, que preceitua que a petição inicial indicará os fatos e os fundamentos jurídicos do pedido. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 10 Sequer ingressarei na discussão da mitigação desse preceito no seio do Processo Civil; limitome, tendo em vista os lindes da questão submetida à apreciação do Colegiado, a asseverar que, ao contrário do Processo Civil, o Processo Administrativo Fiscal é inexoravelmente norteado pelo Princípio da Verdade Material, e essa norma se coaduna muito mais com o antigo brocardo Da mihi factum, dabo tibi ius. Por assim ser, encaminho meu voto no sentido de CONHECER os Embargos de Declaração para darlhes PARCIAL ACOLHIDA, sem efeitos infringentes, para afastar a obscuridade e esclarecer que o provimento parcial do recurso voluntário levado a efeito pelo Acórdão n. 1101000,136 foi para afastar tão somente a multa isolada, de modo que mantidas as exigências de IRPJ, CSLL e as correlatas multas de ofício de 75%, além de juros à taxa SELIC. É como voto. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Fl. 449DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10580.732604/2012-31
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE
O pedido de realização de perícia poderá ser indeferido pela autoridade julgadora se esta entender pela sua desnecessidade ao deslinde da questão, na linha do que previsto no art. 18 do decreto 70.235/72.
JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A cobrança de juros está prevista na legislação tributária federal, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização previdenciária.
MULTA POR ENTREGA DE GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU COM OMISSÃO. LEI 13.097/2015. APLICAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso contrato, cominando a anistia ali prevista como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-004.156
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I- por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que o valor da multa aplicada até a competência 11/2008 seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada. II- por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti, para aplicar ao caso concreto o disposto no artigo 49 da Lei n. 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória em questão (DEBCAD 37.378.221-7), nos termos do art. 156, IV, do CTN. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
assinado digitalmente
Ricardo Magaldi Messetti Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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PRESCINDIBILIDADE O pedido de realização de perícia poderá ser indeferido pela autoridade julgadora se esta entender pela sua desnecessidade ao deslinde da questão, na linha do que previsto no art. 18 do decreto 70.235/72. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista na legislação tributária federal, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização previdenciária. MULTA POR ENTREGA DE GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU COM OMISSÃO. LEI 13.097/2015. APLICAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso contrato, cominando a anistia ali prevista como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que o valor da multa aplicada até a competência 11/2008 seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada. II por maioria de votos, em dar provimento parcial ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 26 04 /2 01 2- 31 Fl. 843DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 3 2 recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti, para aplicar ao caso concreto o disposto no artigo 49 da Lei n. 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória em questão (DEBCAD 37.378.2217), nos termos do art. 156, IV, do CTN. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. assinado digitalmente Ricardo Magaldi Messetti – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado. Reproduzo excerto do relatório da r. decisão, que bem esclarece a situação posta. Tratase de crédito tributário constituído pela fiscalização e materializado por meio dos Autos de Infração (AI) contra o sujeito passivo acima identificado AI nº 37.378.2187 (contribuições da empresa, incluído SAT/RAT), no valor de R$ 308.580,98, AI nº 37.378.2195 (contribuição de segurados), no valor de R$ 66.690,84, AI nº 37.378.2209 (contribuição destinada a outras entidades e fundos), no valor de R$ 26.110,72, referentes a contribuições não declaradas em GFIP e juros e multas associados, e AI nº 37.378.2217 referente a multa pela declaração incompleta em GFIP, no valor de R$ 34.331,40, consolidados em 10/01/2013, verificados no estabelecimento de CNPJ nº 03.154.807/000177 desse contribuinte, lançados em 10/01/2013 e com a ciência pessoal ao contribuinte em 11/01/2013. Constituíram fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações a empregados e contribuintes individuais não declaradas em GFIP, no período de 01/2008 a 12/2008. O r. acórdão – fls 804 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Impossibilidade de agravamento da multa de ofício · Multa de mora de 24% retroatividade benigna · A autoridade fiscal ao lavrar o auto de infração combatido, acabou por atualizar monetariamente o valor pela SELIC, além de aplicar juros de mora e multa moratória, tudo isto com suposto espeque nos arts. 34 e 35 , I, II e III da Lei n° 8.212/91. · Da inaplicabilidade da multa de oficio · Impossibilidade de cumulação de multa de ofício com multas isoladas · Imprescindibilidade da perícia Fl. 845DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 5 4 · Requer seja determinada a realização da perícia contábil, e, ainda, que seja dado provimento ao presente recurso, a fim de que seja reformada a decisão de primeira instância administrativa, para ser reconhecida a improcedência ou parcialmente procedente a autuação.. É o relatório. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Do que impugnado, temos o seguinte: DO PEDIDO DE PERÍCIA O princípio da livre convicção do julgador é aplicável em relação às provas carreadas aos autos. O pedido de diligência foi indeferido uma vez que foi considerado prescindível pela autoridade julgadora para que a mesma formasse sua convicção. Segundo Pontes de Miranda, "A perícia serve à prova de fato que dependa de conhecimento especial, ou que simplesmente precise de ser fixado(...)." (Comentários ao Código de Processo Civil, Tomo IV,pg. 625, Forense, 2º edição, 1979) Vejamos a legislação pertinente art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93) Não obstante, o decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, em seu art. 16 menciona os requisitos da impugnação. O inciso III determina que a peça já deve trazer os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. O inciso IV regula os pedidos de diligência ou perícia e, por fim os §§1º e 4º consideram não formulados os pedidos que não atendam aos requisitos elencados e determinam que toda prova seja apresentada quando da impugnação. Transcrevemos. Art. 16. A impugnação mencionará: ... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação Fl. 847DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 7 6 profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) ... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) O impugnante – fls 837 formulou pedido de produção de provas e de perícia, sem apresentar os necessários quesitos, em total desacordo com a norma citada. Uma vez que o requerente não seguiu o previsto no prefalado art. 16, aplica se a regra do § 1º, correta a decisão da autoridade julgadora, também por este motivo. DA MULTA AGRAVADA Lei 8212/91: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Por seu turno, o art. 44 da lei 9430/96 determina: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Acréscimo de 50% não atendimento de intimação Lei 9430/96 art. 44, parágrafo 2º: § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos Fl. 848DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 8 7 casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991 III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei; O relatório fiscal informa: “A empresa autuada foi intimada na TIPF a apresentar as folhas de pagamento (2008 e 2009) e contabilidade (2008) em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais, atual ou em vigor à época da ocorrência dos fatos geradores. Estes arquivos não foram entregues à fiscalização. (…) Em função do exposto a multa de ofício foi agravada de 50%” A recorrente apenas faz genérica alegação informando que “sempre colaborou com a fiscalização, atendeu aos prazos de forma tempestiva, apresentou os documentos requisitados e jamais se esquivou do seu dever de colaboração para a busca da verdade dos fatos, e apuração do verdadeiro valor devido”, sem no entanto apresentar provas do alegado. A conduta apontada justifica o agravamento da multa, que deve ser mantido. Ressaltese que a legislação citada deixa claro que a penalidade independe de avaliação quanto ao elemento subjetivo, determinando sua aplicação independentemente de dolo ou culpa. DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA – Obrigação Principal A multa aplicada tem seu valor determinado pela legislação em vigor. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para sua aplicação. A presente multa encontra fundamento nos dispositivos legais trazidos no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD. No entanto, o art. 106, inciso II,”c” do CTN determina a aplicação de legislação superveniente apenas quando esta seja mais benéfica ao contribuinte. Os valores da multas referentes a descumprimento de obrigação principal foram alterados pela MP 449/08, de 03.12.2008, convertida na lei n º 11.941/09. Assim sendo, como os fatos geradores se referem ao ano de 2008, o valor da multa aplicada até a competência 11/2008 deve ser calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. DA TAXA SELIC Fl. 849DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 9 8 A cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito. Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Quanto à inconstitucionalidade, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade julgadora a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional – ex vi art. 62 do regimento interno do CARF, aprovado pela portaria GMF no 256, de 22 de junho de 2009. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Este Conselho Administrativo já tem a matéria sumulada, de seguimento obrigatório por seus membros: Fl. 850DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 10 9 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Pondo fim a essa discussão, o STF, em sede de repercussão geral, no julgamento do RE 582461/SP, rel. Min. Gilmar Mendes, em 18.5.2011, decidiu ser legítima a incidência da Selic como índice de atualização dos débitos tributários pagos em atraso. Dessa feita, foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE O art. 106, inciso II,”c” do CTN determina a aplicação de legislação superveniente, caso esta seja mais benéfica ao contribuinte. As multas em GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, o que pode beneficiar o recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, senão vejamos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 851DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 11 10 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Dessarte, o valor do Auto de Infração deve ser calculado segundo a nova norma legal art. 32A,I, da lei 8.212/91, somente, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. No cálculo da multa devem se observados os valores mínimos, por competência, elencados no parágrafo 3º do mesmo artigo 32A. Ressaltese que tal comparação não abarcará a competência 12/2008, cuja entrega de GFIP deuse após a edição na MP 449/08. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para que o valor da multa aplicada até a competência 11/2008 seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. Em relação ao DEBCAD 37.378.2217(auto obrigação acessória FL68), que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, sendo a multa mínima a ser aplicada, por competência, no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais), consoante o inciso II do parágrafo 3º do mesmo artigo legal, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. Tal comparação darseá somente com as competências anteriores à 11/2008, inclusive. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 12 11 Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Pedi vista do presente processo tão somente para averiguar a aplicabilidade da Lei nº 13.097/2015 ao caso concreto, e não por duvidar das razões de decidir do Nobre Conselheiro Relator, a quem rendo aqui as mais sinceras homenagens. Da Anistia Instituída pela Lei n. 13.097/2015 A Lei n. 13.097, publicada em 19 de janeiro de 2015, inovou o ordemanento jurídico, sendo que a multa prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/1991, pela falta de entrega da GFIP, deixou de produzir efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 27/05/2009 a 31/12/2013, no caso de entrega de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária – GFIP sem Movimento. Ficaram, ainda, anistiadas as multas pela entrega da GFIP fora do prazo ou apresentada com incorreções ou omissões, desde que a declaração (GFIP) tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega, in verbis: (...) Seção XIV Da Apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP Art. 48. O disposto no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, deixa de produzir efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 27 de maio de 2009 a 31 de dezembro de 2013, no caso de entrega de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Art. 50. O disposto nos arts. 48 e 49 não implica restituição ou compensação de quantias pagas. Todavia, antes de adentrar na anistia específica trazida pela Lei 12.093/2015, faço um apertado escorço sobre o instituto da anistia em matéria tributária. Ora, a anistia é classificada como o perdão legal da infração, o que obsta a constituição do crédito tributário referente às correspondentes penalidades. É causa de exclusão do crédito tributário, o que significa dizer que impede a constituição do crédito através do Fl. 853DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 13 12 lançamento, consoante a norma do art. 175 do CTN, e, como todo benefício fiscal, somente pode ser concedida por Lei tributária específica. Insta salientar, outrossim, que a a anistia não se confunde com a remissão. Esta é causa de extinção do crédito tributário, ou seja, operase após o lançamento e consequente constituição do crédito. Além disso, consoante o art. 172 do CTN, a remissão exige justificativa para sua concessão (casos de admissibilidade), ao passo que a anistia pode ser absoluta e concedida incondicionalmente, desde que referente às penalidades ocorridas até a vigência da lei concessiva. Além disso, a anistia abrange apenas as infrações. A remissão, por sua vez, pode ser apenas referente às infrações ou ao crédito tributário como um todo. O catedrático da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Professor Paulo de Barros Carvalho, discorrendo sobre a conceituação da Anistia e da Remissão, em sua renomada obra Curso de Direito Tributário, ensina: "Anistia fiscal é o perdão de falta cometida pelo infrator de deveres tributários e também quer dizer o perdão da penalidade a ele imposta por ter infringido mandamento legal. Tem, como se vê, duas acepções: a de perdão pelo ilícito e a de perdão da multa. As duas proporções semânticas do vocabulário anistia oferecem matéria de relevo para o Direito Penal, razão porque os penalistas designam anistia o perdão do delito e o indulto o perdão da pena cominada para o crime. Voltandose para apagar o ilícito tributário ou a penalidade infligida ao autor da ilicitude, o instituto da anistia traz em si indiscutível caráter retroativo, pois alcança fatos que se compuseram antes do termo inicial da lei que a introduz no ordenamento. Apresenta grande similitude com a remissão, mas com ela não se confunde. Ao remir, o legislador tributário perdoa o débito tributário, abrindo mão do seu direito subjetivo de percebêlo; ao anistiar, todavia, a desculpa recai sobre o ato da infração ou sobre a penalidade que lhe foi aplicada. Ambas retroagem, operando em relação jurídica já constituídas, porém de índole diversa: a remissão, em vínculo obrigacional de natureza estritamente tributária; a anistia, igualmente em liames de obrigação, mas de cunho sancionatório." Diferente não é o entendimento do saudoso mestre Aliomar Baleeiro, no seu consagrado Direito Tributário Brasileiro: "A anistia não se confunde com a remissão. Esta pode dispensar o tributo, ao passo que a anistia fiscal é limitada à exclusão das infracões cometidas anteriormente à vigência da lei. que a decreta." Assim, utilizandose das lapidares lições do mestre Aliomar Baleeiro, temse que o CTN, para a anistia, tomou de empréstimo o milenar instituto político de clemência, esquecimento e concórdia, com este, porém, não se confundindo, apesar da mesma natureza perdão, esquecimento , de um lado, por restringilo, posto que a anistia fiscal exclui os atos qualificados como crime ou contravenção ou atos que, sem este qualificativo, envolvem dolo, fraude, simulação ou conluio, de outro, por ampliálo, posto que se estende, para além do legislador federal, aos legisladores estaduais e municipais. Quanto à remissão esclarece que o CTN se refere ao mesmo instituto de Direito Privado de que trata o Código Civil, arts. 1.053 a 1.055. que tem, como a anistia política, o mesmo cerne significativo na ideia de perdão (remitir ou perdoar a dívida). Fl. 854DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 14 13 Embeberando os sempre maestrais ensinamentos de Tarcio Sampaio Ferraz Jr, em artigo reproduzido na Revista Dialética de Direito Tributário n. 92, a distinção entre os dois institutos, no âmbito tributário (sistematicidade orgânica da matéria), é importante porque produzem efeitos diferentes a remissão é modalidade de extinção do crédito (CTN. art. 156), a anistia exclui o crédito (CTN. art. 175). Mas reduzir a distinção entre ambos a perdão de infração e penalidades correspondentes (a anistia) e a perdão do crédito (a remissão) é, data venia, uma fórmula muito pobre, já pela origem diferente que manifestam. O exame da sistematicidade orgânica exige, para além da estrutura do contexto normativo, a consideração da gênese dos conceitos. O transporte para o Direito Tributário não apaga as origens e ignorálas pode conduzir a perigosas simplificações. Afinal o direito é um fenômeno da vida humana e não um texto sem contexto. Assim, a remissão, dentre as modalidades de extinção, é um dos casos em que o CTN se serve "de institutos e conceitos de Direito Privado, no mesmo sentido em que este os criou e estruturou (CTN, arts. 109 e 110)", lembrando, por sua vez. que a anistia fiscal, "como a anistia política", pode ser absoluta ou condicional, geral ou restrita. O fato de a anistia fiscal, como a anistia política, poder ser absoluta é já um primeiro dado a ser considerado. Ao contrário da remissão, que o CTN vincula à racionalidade de uma relação meio/fim casos de admissibilidade, conforme o art. 172 do CTN , a anistia, que pode ser absoluta, poderá ser então concedida incondicionalmente ("irrestritamente pela lei sem quaisquer condições", nas palavras de Aliomar Baleeiro, op. cit., p. 533), alheia ao cálculo limitador da racionalidade. Isto a aproxima de suas origens mais remotas, quando era concedida em alusão a eventos que não guardavam nenhuma relação com os efeitos do ato soberano. Por isso, no direito moderno, a anistia não é vista, basicamente, como um favorecimento individual, posto que seu destinatário imediato é a pessoa humana e a sociedade. Nesse sentido, não pede nenhuma justificação condicional ao ato da autoridade que a concede, ainda que, secundariamente, possa atingir certas finalidades (como por exemplo, a paz social ou um benefício econômico). Ou seja, ela não é concedida por que nem para que um conjunto de beneficiários por meio dela ela se beneficie, mas no interesse soberano da própria sociedade. Além disso, sendo oblívio, esquecimento, juridicamente ela "provoca a criação de uma ficção legal", ela não "apaga" propriamente a infração, mas "o direito de punir", razão pela qual aparece depois de ter surgido o fato violador, não se confundindo com uma novação legislativa. Entendese, assim, porque a anistia fiscal é capitulada como exclusão do crédito (gerado pela infração) e não como extinção (caso da remissão), pois se trata de créditos que aparecem depois do fato violador, abrangendo a fortiori apenas infrações cometidas anteriormente à vigência da lei que a concede. E, como na anistia política, da qual segue o cancelamento das penalidades ou a revisão das penas correspondentemente à infração anistiada, também a anistia fiscal será seguida de cancelamento de multas, eventualmente sob condição de pagamento do tributo, cujo crédito então não se extingue. Ou seja, o crédito gerado pela infração se exclui porque a infração se anistia. isto é, desaparece o direito de punir. Desaparecido esse, desaparecem as penalidades, embora, obviamente, a recíproca não seja verdadeira, isto é, as penalidades podem ser extintas (por exemplo, pelo pagamento) sem que desapareça infração e, em consequência, sem que o crédito tenha sido excluído. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 15 14 O CTN, no art. 180, fala, assim, em anistia de infrações e não de anistia de penalidade. Afinal, como esclarece o inúmeras vezes clamado Aliomar Baleeiro, "o Fisco, se há infração legal por parte do sujeito passivo, pode cumular o crédito fiscal e a penalidade. exigindo esta e aquele". Esta autonomia da exigência da penalidade que, como crédito, nasce da infração. explica que a anistia desta exclua a exigência daquela que, em consequência, se cancela. Mas a mesma autonomia tem de admitir a hipótese de mera redução de multas e penalidades, isto é, do crédito correspondente, sem que haja. obviamente, perdão da infração ou de que o crédito gerado pela infração possa ser extinto (e não excluído) por qualquer das modalidades de extinção de crédito. Afinal, não se pode anistiar um "pedaço" de uma infração, embora se possa perdoar parte de um crédito. Já a remissão é. justamente, uma dessas modalidades, cuja estrutura, como diz Aliomar Baleeiro, vem do Direito Privado. A remissão de dívida é negócio jurídico unilateral, que pode ser abstrato ou causal. Se causal, faz depender de solução de outra obrigação a sua eficácia. A eventual bilateralidade da remissão depende do que o credor quer. Ou seja, a bilateralidade não lhe é essencial. Entendese, desse modo. que a remissão tributária seja ato fundamentado e que a lei concedente preencha os requisitos estabelecidos pela lei complementar. Na verdade, a remissão privada pode ser da dívida ou da pena. Ou seja, se a anistia só se refere à infração, isto não exclui a possibilidade de a remissão referirse também e mesmo apenas ao crédito resultante da pena pecuniária imposta, e até somente a uma parte deste crédito. Ora, a possibilidade da remissão da pena tem uma consequência que não pode ser menosprezada. Afinal, no campo tributário, há de se reconhecer que haverá casos em que a lei anistia a infração, donde se segue a extinção da pena. mas outros há em que ela cancela a penalidade sem ter anistiado a infração. Neste último caso, qual o instituto que estará sendo aplicado; o de origem política (penal) ou o de origem privada? Ora. tenhase em conta que. quando se trata de perdão de pena criminal, não se fala em anistia, mas em indulto. "Ao contrário da anistia, o indulto não extingue o crime, impede tãosó a execução da pena a que tenham sido condenados os que dele se beneficiam" (Aníbal Bruno. Direito Penal, tomo 3°. Rio de Janeiro/São Paulo. 1966. p. 204). Mas de indulto não fala a lei tributária. E quando fala em concessão de anistia, limitadamente (CTN. art. 182 11), não prevê nenhuma hipótese de limitação referente a uma (parcial!) redução de penalidades pecuniárias. Mesmo porque, nesse caso, não haveria anistia, mas indulto. Não obstante, a doutrina tributária fala em anistia de penalidades, argumentando que. em tal caso. sendo a sanção a negação da negação do direito provocada pela infração, ela é a afirmação daquele direito (a dupla negação é uma afirmação). Donde se segue que a supressão da pena equivaleria à supressão do direito que ela confirma, isto é, a anistia da pena equivaleria à anistia da infração correspondente. Daí, apesar de o CTN falar apenas em anistia de infração, poderse admitir também a anistia (imprópria?) de penalidade (cf. Zelmo Denari; Comentários ao Código Tributário Nacional, vol. 4, São Paulo, 1978, pp. 181 e ss.). Esse argumento, que admite a anistia da infração por força da anistia da pena, valeria quando ocorresse o cancelamento total da pena, mas é impróprio quando o caso é de mera redução, pois seria então de se perguntar se estaria ocorrendo a anistia (em parte?!) da Fl. 856DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.732604/201231 Acórdão n.º 2803004.156 S2TE03 Fl. 16 15 infração, em relação à qual, como se sabe, a pena pecuniária não tem função compensatória de crédito. Podese anistiar uma infração e não outra, a infração referente a um tributo e não a outro, as infrações punidas com multa até certo montante, mas não um "pedaço" de infração nem penas até certo montante de tal modo que a infração ou o direito de punir ficassem "meio" anistiados. A possibilidade legal de perdão de parte de penalidades, com a utilização da fórmula "cancelamento ou redução de multas e penalidades", merece, pois, uma outra explicação. Segue, pois, que é irrecusável a hipótese de mero perdão de penalidade, isto é, de perdão do crédito correspondente, independente do oblívio da infração. Ou seja, quando o legislador tributário disciplina o perdão de penalidades ou vê na sua anistia uma correlação com a anistia da infração (por inteiro) ou, querendo referirse apenas à penalidade (ao crédito correspondente) mantendose a infração e não recorrendo impropriamente ao instituto da anistia, só pode estar a falar em remissão. Assim, a remissão tributária sendo modalidade de extinção do crédito tributário tal como ele é constituído pelo lançamento e, no caso de penalidades, o crédito se constituindo por lançamento de ofício, quando a lei prevê o cancelamento ou redução de penalidades nada impede que estejamos diante de remissão e não de anistia. Desta feita, observase que a “anistia” trazida pela Lei 13.097/2015 atinge as infrações de não entrega de GFIP no prazo correto, desde que entregue no mês subsequente e a entrega de GFIP com incorreções ou omissões, não necessitando, neste segundo caso, qualquer entrega posterior, pois não há na lei em questão a exigência para a entrega com correções. Assim, entendo que a anistia trazida pelo artigo 49 da Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso concreto como remissão, extinguindo o crédito tributário referente à obrigação acessória em comento. Destaco, outrossim, que a norma tributária não há de trazer palavras inúteis, deste feito entendo que à remissão da multa por entrega de GFIP apresentada com incorreções ou omissões não há qualquer condição, devento ser de imediato aplicado os termos propostos, com a corolária extinção do crédito tributário lançado. Conclusão Por todo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para no mérito darlhe parcial provimento, aplicando ao caso concreto o disposto no artigo 49 da Lei n. 13.097/2015, entendendo a palavra anistia ali constante como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória em questão (DEBCAD 37.378.2217), nos termos do art. 156, IV, do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti – Redator designado Fl. 857DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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