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Numero do processo: 10935.904542/2012-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/02/2004
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 45 42 /2 01 2- 16 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904542/201216 Acórdão n.º 3801002.344 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904542/201216 Acórdão n.º 3801002.344 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904542/201216 Acórdão n.º 3801002.344 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904542/201216 Acórdão n.º 3801002.344 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10768.001921/2007-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA PREVISTA NO ART. 138 DO CTN. RECURSO PROVIDO Os recolhimentos de tributos efetuados por contribuintes intempestivamente, mas dentro do prazo para a entrega da DCTF, ou mesmo depois, mas antes desta, e sem qualquer participação ou procedimento da fiscalização, não estão sujeitos à multa, por força do art. 138 do CTN, que prevê a figura da denúncia espontânea.
Numero da decisão: 2102-002.713
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA PREVISTA NO ART. 138 DO CTN. RECURSO PROVIDO Os recolhimentos de tributos efetuados por contribuintes intempestivamente, mas dentro do prazo para a entrega da DCTF, ou mesmo depois, mas antes desta, e sem qualquer participação ou procedimento da fiscalização, não estão sujeitos à multa, por força do art. 138 do CTN, que prevê a figura da denúncia espontânea.
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RECURSO PROVIDO Os recolhimentos de tributos efetuados por contribuintes intempestivamente, mas dentro do prazo para a entrega da DCTF, ou mesmo depois, mas antes desta, e sem qualquer participação ou procedimento da fiscalização, não estão sujeitos à multa, por força do art. 138 do CTN, que prevê a figura da denúncia espontânea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Nubia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.001921/200756 Acórdão n.º 2102002.713 S2C1T2 Fl. 81 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 5a Turma da DRJ/RJOI, de 26 de outubro de 2.007 (fls. 49/52), que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação apresentada pelo ora Recorrente, mantendo integralmente a exigência fiscal do auto de infração 1002249 lavrado em 07/03/2007 (fl. 29), no valor total de R$ 28.702,64, pertinente a multa paga a menor, código 6380, sub item 4.2.1, no valor de R$ 28.675,72 e 4.2.2, código 6583, no valor de R$ 26,92, sendo este, referente aos juros, foi reconhecida a procedência do lançamento e recolhido pela Recorrente. A decisão recorrida manteve a exigência da multa por atraso no recolhimento, fundamentando a sua decisão no art. 61 da lei n.o 9.430/96, afastando com isto, os argumentos apresentados na impugnação, de que houve ofensa a princípios constitucionais, o que não é atribuição da administração pública apreciar. Em grau de Recurso Voluntário a este colegiado, resumidamente, repete as razões apresentadas na impugnação, aduzindo às fls. 56 e seguintes, que compete ao colegiado administrativo apreciar a questão da denuncia espontânea para afastar a pretensão fiscal, com fundamento no art. 138 do CTN, conforme vários precedente do STJ e doutrina citados. É o relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Os demonstrativos de fls. 31/38 informam que os supostos débitos questionados referemse a obrigações apuradas nos trimestres de 2002, sendo: fl. 31, vencido em 17/04/2002, recolhido em 15/05/2002, DCTF entregue em 30/11/2005; fl. 32, vencido em 04/09/2002, recolhido em 11/09/2002, DCTF entregue em 06/01/2006; fl. 33, vencido em 03/04/2002, recolhido em 08/05/2002, DCTF entregue em 30/07/2004; fl. 34, vencido em 11/07/2002, recolhido em 30/08/2002, DCTF entregue em 06/01/2006; fl. 35, vencido em 11/07/2002, recolhido em 30/08/2002, DCTF entregue em 06/01/2006; Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.001921/200756 Acórdão n.º 2102002.713 S2C1T2 Fl. 82 3 fl. 36, vencido em 11/07/2002, recolhido em 30/08/2002, DCTF entregue em 06/01/2006; fl. 37, vencido em 11/07/2002, recolhido em 30/08/2002, DCTF entregue em 06/01/2006, e fl. 38, vencido em 11/07/2002, recolhido em 30/08/2002, DCTF entregue em 06/01/2006. Conforme facilmente se constata, os pagamentos foram efetuados antes das entregas das DCTFs, originais ou mesmo retificadoras, cujas datas foram obtidas através do demonstrativo de fl. 39, e evidenciam que precedem à data do lançamento fiscal, que ocorreu em 07/03/2007 (fl. 29), portanto, sem que a fiscalização iniciasse qualquer procedimento para compelir a Recorrente ao pagamento dos débitos, que sequer estavam confessados. Assim, tipificado o instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, assim redigido: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. No tocante ao juros, a decisão recorrida já informou que a Recorrente, na peça de impugnação, a eles não fez referência, portanto, admitindo a sua procedência. A mesma postura foi adotada na peça recursal, razão pela qual, nada resta a ser considerado quanto a exigência desta natureza. Não obstante as colocações acima, oportuno transcrever observações feitas pelo Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, no processo 11610.003529/200706, Acórdão 2101 002.052, sessão de 19/02/2013, em caso semelhante, nos seguintes termos: Neste diapasão decidiu o Egrégio STJ nos autos do REsp nº 1.149.022/SP, processado como Recurso Repetitivo e, portanto, de observância obrigatória por este Colegiado, nos termos do artigo 62A do RICARF. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.001921/200756 Acórdão n.º 2102002.713 S2C1T2 Fl. 83 4 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (Resp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.001921/200756 Acórdão n.º 2102002.713 S2C1T2 Fl. 84 5 punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (STJ, Primeira Seção, REsp n° 1.149.022/SP, Relator Ministro Luiz Fux, DJE de 24/06/2010) A jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais é unânime neste sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1999 IRRF TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA MORATÓRIA INDEVIDA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros, tal qual se verifica neste feito, nos termos constatados pelo acórdão recorrido, que considerou parcialmente procedente a pretensão do contribuinte. Por força do artigo 62A do RICARF, aplicase ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP. Ademais, salvo melhor juízo, a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional reconheceu a procedência desta tese através do Ato Declaratório n° 04/2011 (DOU de 21/12/2011, p. 36). Recurso Especial Negado (CSRF, Segunda Turma, Processo n° 16327.001493/200311, Acórdão n° 920202.151, Relator Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, julgado em 10/05/2012) Nos termos da decisão do STJ nos autos do REsp nº 1.149.022/SP, processado como Recurso Repetitivo e, portanto, de observância obrigatória pelo CARF, o direito ao indébito dos juros de mora pela denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do CTN, somente se configura quando não há declaração prévia, caracterizando o pagamento em atraso uma verdadeira confissão de dívida. No mesmo diapasão se manifestou expressamente o Acórdão n° 10.254, de 17 de agosto de 2005, exarado pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas: “18. Lembrese, outrossim, que denúncia espontânea não equivale a recolhimento ou pagamento espontâneo, que, na verdade, é apenas voluntário. Este se configura com o pagamento anterior a qualquer medida executiva no sentido de constranger o devedor a cumprir a obrigação, ou retirarlhe parte do patrimônio para tanto. Aquela, a denúncia espontânea, pressupõe a "denúncia" de uma infração. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.001921/200756 Acórdão n.º 2102002.713 S2C1T2 Fl. 85 6 Denúncia, por sua vez, consiste em levar ao conhecimento do Fisco infração por ele desconhecida, o que não ocorre nos casos de mero inadimplemento, máxime de valores já anteriormente confessados. [...]21. Analisando essa questão, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do RESP 180.918/SP, já teve oportunidade de frisar que: TRIBUTÁRIO AUTO LANÇAMENTO TRIBUTO SERODIAMENTE RECOLHIDO MULTA DISPENSA DE MULTA (CTN/ART.138). IMPOSSIBILIDADE. Contribuinte em mora com tributo por ele mesmo declarado não pode invocar o Art. 138 do CTN, para se livrar da multa relativa ao atraso. 22. Por outro lado, recentes decisões do próprio Superior Tribunal de Justiça vêm colocando a questão relativa à denúncia espontânea nos seus devidos termos. 23. De fato, coerente com o seu entendimento de que a mera inadimplência não configura infração à lei, para efeito de afastar a responsabilização dos sócios pelos débitos da empresa, aquele egrégio Tribunal já deixou explicitado que a denúncia espontânea não é um estímulo à inadimplência, mas, sim, um incentivo para aqueles contribuintes que estavam à margem da legalidade regularizem sua situação. Beneficiase o denunciante, que não será apenado por sua comunicação da infração, e também o Fisco, que irá receber um valor cujo fato gerador lhe era desconhecido, e iria necessitar de dispendiosas diligências para sua apuração. 24. Nesse sentido, e espancando qualquer dúvida a respeito, trago à colação os seguintes excertos de ementas da Primeira Turma do STJ: RESP 496996/PR, Sessão de 13/05/2003, Relator: Ministro José Delgado. 1. O instituto da denúncia espontânea exige que nenhum lançamento tenha sido feito, isto é, que a infração não tenha sido identificada pelo fisco nem se encontre registrada nos livros fiscais e/ou contábeis do contribuinte. 2. A denúncia espontânea não foi prevista para que favoreça o atraso do pagamento do tributo. Ela existe como incentivo ao contribuinte para denunciar situações de ocorrência de fatos geradores que foram omitidas, como é o caso de aquisição de mercadorias sem nota fiscal, de venda com preço registrado aquém do real, etc. RESP 450128/SP, Sessão de 1/10/2002, Relator: Ministro José Delgado. 2. Os autos revelam que a empresa, após lançamentos efetuados em sua escrita fiscal, apurou, por si mesma, débito de ICMS, Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.001921/200756 Acórdão n.º 2102002.713 S2C1T2 Fl. 86 7 após o encontro dos saldos devedores e credores, a favor do Estado de São Paulo, nos valores discriminados nos autos, sem, contudo, têlos pago na época dos respectivos vencimentos. 3.. A denúncia espontânea não beneficia o contribuinte que, após lançamento de qualquer espécie, já constituído, não efetua o pagamento do imposto devido no vencimento fixado pela lei. Tal benefício só se caracteriza quando o contribuinte leva ao conhecimento do Fisco a existência de fato gerador que ocorreu, porém, sem terem sido apurados os seus elementos quantitativos (base de cálculo, alíquota e total do tributo devido) por qualquer tipo de lançamento, ou seja, o beneplácito há de favorecer a quem leva ao Fisco ciência de situação que, caso permanecesse desconhecida, provocaria o não pagamento do tributo devido. 4. Na espécie, o imposto já foi apurado pelo contribuinte. O fato gerador, a base de cálculo, a alíquota aplicada e o valor devido estão registrados na escrita fiscal da empresa, por auto lançamento. Há, portanto, a caracterização material de uma obrigação já reconhecida pela própria parte devedora, porém, não cumprida no vencimento. 5. Impõese, portanto, que, ao pretender liquidála, pela via do parcelamento ou não, fique sujeita às cominações legais. A denúncia espontânea não favorece a quem está em atraso com as obrigações tributárias já reconhecidas. A infração cuidada pelo art. 138, do CTN, é a que se caracteriza pela fuga total do contribuinte em esconder do fisco a ocorrência do fato gerador e, conseqüentemente, a sua obrigação tributária. (grifos não do original) 25. Recente decisão do Ministro José Delgado, negando provimento a agravo regimental no RESP 727181/RJ, em 14/06/2005, reafirma o entendimento que vem sendo adotado pelo Superior Tribunal de Justiça: 6. O pagamento da multa, conforme decidiu a P Seção desta Corte, é independente da ocorrência do parcelamento. O que se vem entendendo é que incide a multa pelo simples pagamento atrasado, quer à vista ou quer tenha ocorrido o parcelamento. 7. Agravo regimental nãoprovido.(destaques acrescidos) Com efeito, a denúncia espontânea resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, quando há o recolhimento do tributo devido em momento anterior ou concomitante à declaração da dívida. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.001921/200756 Acórdão n.º 2102002.713 S2C1T2 Fl. 87 8 Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10530.720102/2006-12
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
SALDO NEGATIVO DO IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
A compensação tributária de débito somente poderá ser autorizada com crédito líquido e certo do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional. O crédito, de natureza tributária, é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido o seu exato valor, requisitos esses que devem estar preenchidos ou atendidos, necessariamente, na data da transmissão da declaração de compensação.
Numero da decisão: 1802-001.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. A compensação tributária de débito somente poderá ser autorizada com crédito líquido e certo do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional. O crédito, de natureza tributária, é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido o seu exato valor, requisitos esses que devem estar preenchidos ou atendidos, necessariamente, na data da transmissão da declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 01 02 /2 00 6- 12 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por NELSO KICHEL 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário de fls.263/269 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Brasília (fls. 252/254) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta dos autos: que, no período entre 24/02/2006 a 02/02/2011, a contribuinte transmitiu, via internet, várias DCOMP eletrônicas, por meio de programa gerador PER/DCOMP, compensando débitos do IRPJ – Estimativa Menal, código de receita 5993, dos anoscalendário 2006 e 2007, com pretenso direito creditório – saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2005, de R$ 586.049,55 (valor original), conforme demonstrativo resumo a seguir: DCOMP CONDIÇÃO DATA DE TRANSMISSÃO FOLHA (fl.) CRÉDITO UTILIZADO SALDO NEGATIVO DO IRPJ AC 2005 – Valor Original DÉBITOS INFORMADOS NA DCOMP 12562.70080.240206.1.3.021220 Original 24/02/2006 02/12 54.455,45 IRPJ – Estimativa PA Janeiro/2006 22372.66471.300606.1.7.022914 Retificadora 30/06/2006 13/23 Idem Idem 05977.14014.020211.1.7.023330 Retificadora 02/02/2011 141/155 Idem Idem 24493.86808.310306.1.3.020721 Orignal 31/03/2006 24/27 28.184,04 IRPJEstimativa PA Fev/2006 08751.41870.300606.1.7.026346 Retificadora 30/06/2006 28/31 Idem Idem 00555.85421.280406.1.3.028294 Orignal 28/04/2006 32/35 54.793,86 IRPJEstimativa PA Março/2006 14980.59878.300606.1.7.022595 Retificadora 30/06/2006 36/39 Idem Idem 01610.96255.310506.1.3.020725 Original 31/05/2006 40/43 40.420,45 IRPJ – Estimativa PA Abril/2006 28089.28633.300606.1.7.027466 Retificadora 30/06/2006 44/47 Idem Idem 42192.57737.300606.1.3.029129 Original 30/06/2006 48/51 47.078,26 IRPJ – Estimativa PA Maio/2006 03562.73187.290706.1.3.022150 Orignal 29/07/2006 52/55 45.560,64 IRPJ – Estimativa PA Junho/2006 03796.77423.280806.1.3.023008 Original 28/08/2006 56/59 48.660,88 IRPJ – Estimativa PA Julho/2006 14320.60172.290906.1.3.027741 Original 29/09/2006 60/63 40.031,04 IRPJ – Estimativa PA Agosto/2006 28985.03253.311006.1.3.021907 Original 31/10/2006 64/67 40.171,79 IRPJ – Estimativa PA Set/ 2006 08014.31355.291106.1.3.023500 Original 29/11/2006 68/71 46.020,23 IRPJ – Estimativa PA Out/2006 14393.85115.281206.1.3.024707 Original 28/12/2006 72/75 47.901,69 IRPJ – Estimativa PA Nov/2006 13207.31014.310107.1.3.025558 Original 31/01/2007 76/79 41.820,58 IRPJ – Estimativa PA Dez/2006 26391.36193.280207.1.3.025397 Original 28/02/2007 80/83 28.680,95 IRPJ – Estimativa PA Janeiro/2007 Obs: (1) Origem do direito creditório: pretenso saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2005 (valor original), no montante de R$ 586.049,55. Entretanto, conforme cópia da DIPJ 2006, transmitida pela internet em 29/06/2006, o saldo negativo do IRPJ desse anocalendário seria de, apenas, R$ 567.510,27 (fls. 84/95). Fl. 281DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.720102/200612 Acórdão n.º 1802001.585 S1TE02 Fl. 281 3 (2) Total do crédito utilizado nas DCOMP citadas acima R$ 563.779,86 (valor original), relativo ao suposto saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2005. Em 26/01/2011, a contribuinte tomou ciência de intimação fiscal da DRF/Brasília, para esclarecer, justificar, comprovar, a origem do pretenso saldo negativo do IRPJ de R$ 586.049,55 do anocalendário 2005, informado na DCOMP nº 12562.70080.240206.1.3.021220 (original), e retificada pela DCOMP nº 22372.66471.300606.1.7.022914 para R$ 567.510,67 (este valor é concidente com a respectiva DIPJ). Vide Termo de Intimação nº 108/2011 (fls. 126/128). A contribuinte prestou alguns esclarecimentos, juntando, inclusive, outra DCOMP retificadora nº 05977.14014.020211.1.7.023330, transmitida via internet, em 02/02/2011 (essa data é posterior ao dia de ciência da referida intimação fiscal), voltando a informar saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2005 de R$ 586.049,55 – valor original (fls. 135/155). Na sequência, em 17/02/2011, a DRF/Brasília, por Despacho Decisório, deferiu parcialmente o direito creditório pleiteado, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido no valor original de R$ 549.214,45 (fls.220/227), in verbis: (...) DESPACHO DECISÓRIO/DRF/BSB/Diort. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O saldo negativo de IRPJ poderá ser objeto de restituição, na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente. O sujeito passivo que apurar crédito, relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA PARCIALMENTE. (...) DECISÃO (...) 13. IRPJ MENSAL POR ESTIMATIVA: A Tabela 04 abaixo relaciona as parcelas de IRPJ mensal por estimativa apuradas pela contribuinte no anocalendário de 2005 e a forma como foram quitadas pela contribuinte (fls. 91 a 94; 99 a 111, 141 a 147, 172 a 178 e 202 a 211). (...) 14. A DCOMP n° 40374.45588.300305.1.3.034068 foi homologada parcialmente, devido à insuficiência de crédito (fl. 179). Tal decisão foi tratada no despacho decisório do processo de n° 10530.720397/200457 (fls. 181 a 186). Analisando o Demonstrativo de Compensação elaborado pelo Sistema de Fl. 282DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por NELSO KICHEL 4 Apoio Operacional SAPO na ocasião (fls. 187 a 192), verifica se que a parcela compensada de estimativa mensal de IRPJ da competência de Julho de 2005, no valor de R$ 18.000,00, não foi homologada. Salientase que a contribuinte apresentou, em fevereiro de 2010, desistência total de impugnação ou recurso interposto constante do processo administrativo n° 10530.720397/200457 e renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam a referida impugnação ou recurso (fl. 193). (...) 17. Portanto, concluise que, à exceção da parcela compensada no valor de R$ 18.000,00 referente à competência de Julho de 2005, as parcelas de IRPJ apuradas por estimativa no ano calendário de 2005 foram devidamente quitadas. (...). CONCLUSÃO: Como resultado da análise da composição do saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2005, validase o montante de R$ 549.214,45, conforme cálculo abaixo: (...) 22. Quanto à compensação dos débitos elencados na Tabela 01, procederseá conforme Demonstrativo de Compensação elaborado pelo Sistema de Apoio Operacional SAPO (fls. 197 a 201), cujo resultado encontrase na Tabela 06 a seguir. RESULTADO DAS COMPENSAÇÕES DCOMP ORIGINAL DCOMP RETIFICADORA RESULTADO 12562.70080.240206.1.3.021220 22372.66471.300606.1.7.022914 Homologada 05977.14014.020211.1.7.023330 24493.86808.310306.1.3.020721 08751.41870.300606.1.7.026346 Homologada 00555.85421.280406.1.3.028294 14980.59878.300606.1.7.022595 Homologada 01610.96255.310506.1.3.020725 28089.28633.300606.1.7.027466 Homologada 42192.57737.300606.1.3.029129 Homologada 03562.73187.290706.1.3.022150 Homologada 03796.77423.280806.1.3.023008 Homologada 14320.60172.290906.1.3.027741 Homologada 28985.03253.311006.1.3.021907 Homologada 08014.31355.291106.1.3.023500 Homologada 14393.85115.281206.1.3.024707 Homologada 13207.31014.310107.1.3.025558 Homologada 26391.36193.280207.1.3.025397 Homologada Parcialmente (...) A contribuinte tomou ciência desse despacho decisório em 03/03/2011 (fl. 229), apresentando Manifestação de Inconformidade em 31/03/2011 (fls. 230/234) quanto à matéria que restou vencida, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que o despacho decisório reconheceu o direito creditório no valor de R$ 549.214,45 a título de saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2005, quando deveria ser de R$ 567.214,45; Fl. 283DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.720102/200612 Acórdão n.º 1802001.585 S1TE02 Fl. 282 5 que a Administração Tributária não computou, no saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2005, a estimativa do imposto do PA de julho de 2005, objeto de compensação por DCOMP, no valor de R$ 18.000,00 (DCOMP nº 40374.45588.300305.1.3.034068, processo nº 10530.720397/200457); que esse débito restou não compensado (compensação não homologada), por falta de crédito, consoante despacho decisório, de 03/03/2009, proferido nos autos do processo n° 10530.720397/200457 (fls. 187 a 194); que, após receber Carta de Cobrança, optou pelo parcelamento desse débito do IRPJ e de débitos da CSLL (Lei n° 11.941/2009) – demonstrativos dos débitos (fl. 194), desistindo daquele processo em 25/02/2010 – petição (fls. 199 e 249); que esse débito do IRPJ está sendo pago, conforme estabelecido no parcelamento aprovado. Assim, o valor do IRPJEstimativa do PA julho/2005 tem, necessariamente, que ser incluído na composição do saldo negativo; que não há justificativa para que apenas parte das compensações tenham sido aproveitadas, razão pela qual é de rigor a reforma do despacho decisório para que sejam aproveitadas como crédito todas as compensações equivocadamente não reconhecidas; que não há sentido em recolher uma parcela de IRPJEstimativa se ela não pode compor o saldo negativo do imposto na declaração de ajuste anual; Por fim, com base nessas razões, a contribuinte pediu a reforma do despacho decisório na parte que restou vencido, para que seja deferido o direito creditório remanescente de R$ 18.000,00, diferença entre o saldo negativo do anocalendário 2005 de R$ 567.214,45 e o valor já deferido R$ 549.214,45 pela decisão objurgada. A DRJ/Brasília (4ª Turma), enfrentando o mérito do litígio, julgou improcedente a manifestação de inconformidade pelo Acordão de fls. 252/254, cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 Compensação Saldo negativo IRPJ. A compensação de crédito tributário somente poderá ser autorizada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, contra a Fazenda Nacional. O crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido o seu exato valor. Parcelamento O parcelamento é apenas uma forma de suspensão da exigibilidade do crédito tributário não constituindo crédito líquido e certo do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Irresignada com esse decisum do qual tomou ciência em 03/05/2012 (fls. 261/262), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 17/05/2012 (fls. 263/269), Fl. 284DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por NELSO KICHEL 6 juntando ainda os documentos de fls. 270/277, reiterando as razões já exposadas na instância a quo (já resumidas neste relatório), aduzindo, ademais, o seguinte: que, no caso, não há respaldo legal para o fisco excluir o valor parcela do IRPJ Estimativa da composição do saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2005; que não há respaldo legal que autorize o fisco condicionar à quitação final do parcelamento o cômputo da parcela que compõe o saldo total do IRPJEstimativa. Quanto muito, se assim entende o fisco, deveria então suspender a apreciação do presente processo para o reconhecimento do crédito apenas ao final do pagamento; que, por fim, houve agravamento do débito pela Carta de Cobrança e necessidade de cancelamento da cobrança em relação às compensações já homologadas; que ao tomar ciência do v. Acórdão, também recebeu Carta Cobrança exigindo não apenas o valor cuja DCOMP não foi homologada, mas de todos os débitos compensados, inclusive das compensações que já foram integralmente homologadas pelo despacho decisório; que, com exceção da DCOMP 26391.36193.280207.1.3.025397, todas as outras DCOMP objeto dos autos foram integralmente homologadas pelo despacho decisório de fls. 220/227, extinguindo o crédito tributário; que, é imperioso, portanto, reconhecer o equívoco que cometeu a Autoridade Fiscal responsável pelo cumprimento da decisão, incorrendo assim em agravamento ilegal, ao pretender a exigência de valor indevido; que, por fim, ante essas razões, pediu provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.720102/200612 Acórdão n.º 1802001.585 S1TE02 Fl. 283 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Nesta instância recursal, a contribuinte, nas razões do recurso, rebelase contra a decisão recorrida que manteve o despacho decisório que homologara parcialmente a DCOMP especificada abaixo: DCOMP CONDIÇÃO DATA DE TRANSMISSÃO FOLHA (fl.) CRÉDITO UTILIZADO, REFERENTE SALDO NEGATIVO DO IRPJ AC 2005 DÉBITOS INFORMADOS NA DCOMP 26391.36193.280207.1.3.02 5397 Original 28/02/2007 80/83 28.680,95 (valor original) R$ 32.920,00 IRPJ – Estimativa PA Janeiro/2007 DCOMP ORIGINAL RESULTADO 26391.36193.280207.1.3.025397 Homologada Parcialmente Obs: O crédito de R$ 28.680,95 (valor original), utilizado na DCOMP citada acima, restou insuficiente para quitação do débito do IRPJ informado quanto ao PA janeiro/2007, pois a contribuinte computara no saldo negativo do IRPJ 2005 parcela de IRPJ estimativa mensal de R$ 18.000,00 do PA julho 2005 não adimplida. Na instância a quo, quando da apresentação da manifestação de inconformidade, a contribuinte já havia pedido a reforma do despacho decisório na parte que restara vencida, para que fosse deferido o direito creditório de R$ 18.000,00, diferença entre o saldo negativo do anocalendário 2005 de R$ 567.214,45 e o valor já deferido R$ 549.214,45; porém, como já dito, a decisão ora objurgada, também, manteve o entendimento do despacho decisório, não deferindo a aludida diferença de direito creditório. Vale dizer, essa diferença de R$ 18.000,00, atinente ao saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2005, restou não reconhecida como direito creditório pelas decisões anteriores, pois corresponde à parcela do IRPJ – Estimativa Mensal do PA julho/2005 que não foi quitada; logo, foi subtraída, indevidamente, pela recorrente do imposto apurado na declaração de ajuste, inflando o saldo negativo do anocalendário 2005. Na verdade, a referida parcela do débito do IRPJ – Estimativa de julho/2005 restou não adimplida, pois o crédito objeto da DCOMP n° 40374.45588.300305.1.3.034068 Fl. 286DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por NELSO KICHEL 8 cópia (fl. 210) (Processo nº 10530.720397/200457) foi insuficiente, ou seja, não restou crédito para quitação desse débito informado na DCOMP 03922.39350.200905.1.7.03.7100 (fls. 215, 223 e 243), conforme débitos remanescentes demonstrativo (fl. 194). Logo, o referido débito restou não quitado, débito em aberto, conforme cópia do despacho decisório extraída do processo n° 10530.720397/200457 (fls. 187 a 194). Ainda, da cópia do Demonstrativo de Compensação elaborado pelo Sistema de Apoio Operacional SAPO na ocasião (fls. 194/209), verificase que a parcela de estimativa mensal de IRPJ da competência de Julho de 2005, no valor de R$ 18.000,00, realmente não foi homologada, naquele processo. E mais que isso: consta dos presentes autos que a contribuinte desistitu da lide naquele processo em 25/02/2010, quanto a esse débito do PA julho 2005 e outros (fl. 199), para efeito de adesão ao parcelamento dos débitos (Lei nº 11.941/2009). Nas razões do recurso, a recorrente alegou ainda que, em face da desistência da lide, efetuou o parcelamento do débito do IRPJ e dos débitos da CSLL objeto daquela cobrança; que, por isso, não se justifica o indeferimento do direito creditório ora reclamado, pois o débito do IRPJ Estimativa PA julho/2005 foi confessado no Parcelamento e está sendo pago, conforme estabelecido pelo Termo de Adesão. A irresignação da recorrente não merece prosperar. A DCOMP nº 26391.36193.280207.1.3.025397, objeto dos presentes autos e do recurso, foi transmitida em 28/02/2007 (fls.80/83). Nessa data, o débito do IRPJ – Estimativa do PA julho/2005, como já demonstrado, não estava quitado; logo, o valor respectivo não poderia compor o saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2005 e não poderia compor o direito creditório da DCOMP transmitida em 28/02/2007, pela falta de certeza e liquidez, requisitos estatuídos no art. 170 do Código Tributário Nacional e no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Ainda, a recorrente alegou apenas que parcelou o débito do imposto do citado período de apuração, pois não trouxe, de concreto, prova cabal quanto à adesão a parcelamento e eventual pagamento de prestações. Ademais, eventual pagamento, via parcelamento do imposto do PA julho 2005, por ser posterior à transmissão da DCOMP, como já dito, não convalida, não sana, a inexistência do crédito na data da transmissão da DCOMP. Esse crédito decorrente de eventual pagamento do débito do imposto do PA julho 2005 via parcelamento, deverá ser objeto de PER/DCOMP específica, na forma da legislação de regência. Quanto às compensações objeto deste processo (já parcialmente homologadas pelo Despacho Decisório), a recorrente informou nas razões do recurso que o Fisco, pela Carta de Cobrança, emissão 11/04/2012 (fls. 260 e 277), estaria exigindo o pagamento dessas exações fiscais novamente, já extintas pela homologação parcial da compensação, como se não houvesse compensação homologada; que estaria ocorrendo equívoco na execução do Despacho Decisório de fls. 20/27. Nessa parte, por se tratar de ato de implementação ou alimentação dos sistemas internos em função do decidido no referido Despacho Decisório, cabe à unidade de origem da RFB (DRF/Brasília) verificar se procede, ou não, a alegação da recorrente quanto à Carta de Cobrança (fls. 260 e 277), no sentido de evitarse exigência em duplicidade. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.720102/200612 Acórdão n.º 1802001.585 S1TE02 Fl. 284 9 Por tudo que foi exposto, voto para negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 288DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 12897.000159/2010-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DEMANDA JUDICIAL E PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. COINCIDÊNCIA DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA. Conforme entendimento sumulado por esse E. Conselho de Contribuintes, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006).
Recurso voluntário não conhecido
Numero da decisão: 1102-000.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thomé, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, José Evande Carvalho Araújo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório e João de Figueiredo Neto
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 DEMANDA JUDICIAL E PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. COINCIDÊNCIA DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA. Conforme entendimento sumulado por esse E. Conselho de Contribuintes, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006). Recurso voluntário não conhecido
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COINCIDÊNCIA DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA. Conforme entendimento sumulado por esse E. Conselho de Contribuintes, “importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. (DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006). Recurso voluntário não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente. assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thomé, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, José Evande Carvalho Araújo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório e João de Figueiredo Neto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 01 59 /2 01 0- 46 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 12897.000159/201046 Acórdão n.º 1102000.919 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Segunda Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro (DRJ/RJ1) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura, por qualquer que seja a modalidade processual, de ação judicial contra a Fazenda Nacional, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa, por parte da contribuinte, em renúncia tácita às instâncias administrativas e desistência de eventual recurso interposto, operandose, por conseguinte, o efeito de constituição definitiva do crédito tributário na esfera administrativa. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Trata o processo dos autos de infração lavrados pela Defis (RJ), referentes ao anocalendário de 2007, por meio dos quais são exigidos do interessado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica – IRPJ, no valor de R$ 1.963.374,38 (fls. 57/61 e termo de verificação às fls. 52/56), e a contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, no valor de R$ 695.922,04 (fls. 62/66), acrescidos dos juros. 2 A autuação decorre do ganho de capital auferido com a desapropriação de bem do ativo imobilizado não oferecida à tributação. O lançamento foi realizado com a exigibilidade suspensa, por força do mandado de segurança preventivo proposto na Justiça Federal do Rio de Janeiro (processo nº 2008.51.01.0204930), com depósito judicial e objetivando a não incidência do IRPJ e da CSLL sobre a indenização. A sentença da primeira instância foi favorável ao interessado (fls. 112/123). 3 Cientificado das exigências em 13/4/2010, o interessado apresentou a impugnação em 13/5/2010 (fls. 214/233). 4 É o relatório.” O acórdão recorrido não conheceu da impugnação em função do mérito do lançamento ser objeto do mandado de segurança distribuído sob o nº 2008.51.01.0204930 perante a 11a Vara Federal da Subseção Judiciária do Rio de Janeiro RJ. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 12897.000159/201046 Acórdão n.º 1102000.919 S1C1T2 Fl. 4 3 Em sede de recurso voluntário, o Contribuinte informa que a segurança pleiteada na referida ação foi concedida pelo juiz da 11ª Vara da Justiça Federal da Subseção Judiciária do Rio de Janeiro e confirmada pelo TRF da 2ª Região, tendo a decisão final transitada em julgado em 25.10.2012, conforme extrato juntado às fls. 442. Em função do trânsito em julgado da ação, requer que o presente recurso voluntário seja provido para cancelar o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho Relator O recurso voluntário foi interposto tempestivamente e por parte legítima, pelo que dele se toma conhecimento. Conforme salientado no relatório supra, versa o caso sobre lançamento lavrado para prevenir decadência de IRPJ e CSLL sobre ganho capital registrado na desapropriação de imóvel, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96. A exigibilidade de referidos créditos tributários encontravase suspensa em virtude depósito judicial do montante integral respectivo nos autos do mandado de segurança distribuído sob o n. 2008.51.01.0204930 perante a 11ª. Vara da Justiça Federal da Subseção Judiciário do Rio de Janeiro. Conforme decisão anexada pelo Contribuinte ao Recurso Voluntário, em 27.03.2012, a 3ª Turma do TRF da 2ª Região negou provimento ao recurso de ofício e à apelação da Fazenda Nacional, confirmando a decisão de primeira instância que concedeu a segurança ao Contribuinte, tendo essa decisão transitada em julgado em 25.10.2012, conforme extrato juntado ao processo (fls. 442). Verbis: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO DE RENDA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. DESAPROPRIAÇÃO. INDENIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. NÃO INCIDÊNCIA. 1 A importância paga pelo Estado em razão de desapropriação de imóvel por utilidade pública possui natureza indenizatória, eis que representa reposição do valor do bem expropriado, por isso não sofrem a incidência do Imposto de Renda, que pressupõe acréscimo patrimonial, conforme previsão contida no art. 43 do Código Tributário Nacional. Também não se classificada como lucro, o que torna ilegítima a cobrança da Contribuição Sobre o Lucro Líquido CSLL. 2 A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 1.116.460/SP, sob a sistemática de recursos repetitivos de que trata o art. 543C do Código de Processo Civil, consolidou seu entendimento acerca da não incidência do Imposto de Renda sobre as verbas indenizatórias decorrentes de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou Fl. 446DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 12897.000159/201046 Acórdão n.º 1102000.919 S1C1T2 Fl. 5 4 por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial. 3 A importância indenizatória recebida não se enquadra no conceito de lucro ou acréscimo patrimonial. Impõese o levantamento dos valores depositados em favor da Impetrante após o trânsito em julgado. Remessa necessária e recurso conhecidos e improvidos. Sentença confirmada.” Pois bem. Este Relator tem entendimento firme no sentido de que ausente o trâmite concomitante entre os processos no momento do julgamento do recurso administrativo – ante a notícia de trânsito em julgado da ação em 22.10.2012 (fls. 442) não há que se falar (a) em concomitância entre processo judicial e administrativo ou (b) em risco de decisões contraditórias entre as instâncias (que justifica, em última análise, a extinção do processo administrativo). Tal entendimento coadunase perfeitamente ao entendimento proferido pelo E. Superior Tribunal de Justiça a respeito do tema no Resp. n. 840.556/AM, de Relatoria do Exmo. Ministro Luiz Fux, segundo o qual, a par de reconhecer que a propositura de ação judicial de idêntico objeto implica renúncia à instância administrativa, assevera que “nada impede o reingresso da contribuinte na via administrativa, caso a demanda judicial seja extinta sem julgamento de mérito (CPC, art. 267), pelo que não restará solucionado a relação de direito material”. A adequada interpretação do art. 38, parágrafo único da Lei n. 6.830/80 segundo seus fins e em conformidade com a jurisprudência firmada pela E. Corte Especial, pois, impõe reconhecer que a concomitância deve ser verificada/reconhecida apenas na data do julgamento do processo administrativo. Existentes trâmites simultâneos entre processos administrativo e judicial de objeto semelhante, a extinção do processo administrativo deve ser decretada. Contudo, ausentes estes (trâmites simultâneos), (a) ou bem o julgador administrativo terá liberdade para conhecer das razões de defesa do contribuinte, ante a extinção do processo sem julgamento de mérito e a ausência de solução na esfera judicial, (b) ou bem o julgador administrativo deverá aplicar ao caso a norma individual e concreta estabelecida pela sentença de mérito transitada em julgado, em respeito aos efeitos do comando judicial e à coisa julgada. Entendimento em sentido contrário, com a devida vênia, importa risco significativo de cerceamento de direito de defesa do contribuinte, que pode não ter examinada sua pretensão ante eventual extinção de ambos os processos (administrativo e judicial) sem exame do mérito respectivo. Desta forma, particularmente, entendo ser o caso de aplicação nesse processo administrativo do quanto decidido nos autos do referido Mandado de Segurança, determinando o cancelamento da autuação e, por conseguinte, a extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, inciso X do Código Tributário Nacional, in verbis: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) X – a decisão passada em julgado;” Fl. 447DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 12897.000159/201046 Acórdão n.º 1102000.919 S1C1T2 Fl. 6 5 Contudo, em que pese meu entendimento pessoal, esse Colegiado possui interpretação mais restritiva da disposição sumular da Corte nessa matéria, no sentido de reconhecer a renúncia ao direito de recorrer administrativamente pela mera propositura de ação judicial, independentemente do resultado respectivo e do fato de inexistir trâmite concomitante de procedimentos no momento do julgamento do recurso administrativo. Curvandome ao entendimento supra, oriento voto no sentido de não conhecer das razões de recurso voluntário ante a ocorrência de concomitância. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 448DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10945.720679/2011-10
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009
Ementa:
CIÊNCIA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VIA POSTAL. VALIDADE DO RECEBIMENTO POR TERCEIROS. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 9.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF nº 9).
IMPUGNAÇÃO.PROVA DOCUMENTAL.
A impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir a impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os elementos e provas que possuir.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Uma vez não instaurado o litígio fiscal em razão de impugnação intempestiva, não há que se falar em tributação abusiva e tampouco em cerceamento do direito de defesa.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2802-002.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Melo e Jimir Doniak Junior.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009 Ementa: CIÊNCIA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VIA POSTAL. VALIDADE DO RECEBIMENTO POR TERCEIROS. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF nº 9). IMPUGNAÇÃO.PROVA DOCUMENTAL. A impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir a impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os elementos e provas que possuir. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Uma vez não instaurado o litígio fiscal em razão de impugnação intempestiva, não há que se falar em tributação abusiva e tampouco em cerceamento do direito de defesa. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Melo e Jimir Doniak Junior.
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VIA POSTAL. VALIDADE DO RECEBIMENTO POR TERCEIROS. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF nº 9). IMPUGNAÇÃO.PROVA DOCUMENTAL. A impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir a impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os elementos e provas que possuir. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Uma vez não instaurado o litígio fiscal em razão de impugnação intempestiva, não há que se falar em tributação abusiva e tampouco em cerceamento do direito de defesa. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 06 79 /2 01 1- 10 Fl. 711DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Melo e Jimir Doniak Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0636.129, 7ª Turma da DRJ/CTA, fls. 688 a 692, que não conheceu a impugnação apresentada pelo contribuinte, por considerála intempestiva. Cientificado em 04/04/2012, fls. 693, o contribuinte ingressou recurso voluntário em 04/05/2012, fls. 695 a 704, alegando, em resumo,que: não se conforma com a alegação da intempestividade da impugnação, uma vez que afirmara expressamente na impugnação haver tomado ciência do auto de infração em 30/09/2011 e, portanto, dentro do prazo legal de 30 (trinta) dias haver proposto a impugnação, ou seja, tempestivamente; a intimação da Contribuinte ocorreu de forma totalmente ilegal, ensejando inclusive a sua declaração de nulidade, uma vez que em momento algum foi pessoalmente intimada, pois que a correspondência foi entregue à terceira pessoa, não autorizada ao recebimento de correspondências em nome da Contribuinte, conforme se extrai da assinatura aposta no comprovante de entrega; reside no interior, zona rural, onde nem sequer existe uma agência dos Correios, mas tão e unicamente um posto de atendimento localizado na sede do Distrito de Margarida, vinculado à agência do Município de Marechal Cândido Rondon PR, o que certamente ocasionou a divergência quanto a data da entrega postal, por equívoco da pessoa responsável pela entrega; há que se questionar da legalidade do preenchimento da data da entrega, uma vez que esta deveria ter sido preenchida de próprio punho da Contribuinte, o que não ocorreu. Ora, se tivesse sido preenchida de próprio punho de quem recebeu a correspondência, estaria então a contribuinte ciente e desprovida de qualquer questionamento, mas isso não ocorreu, pois que conforme foi lhe relatado pela pessoa que recebeu a correspondência, a funcionária dos Correios simplesmente solicitou que esta assinasse o comprovante, vindo então a preencher a data posteriormente sem acompanhamento de parte do interessado; procurou se informar sobre a data do recebimento, pois que esta não lembrava o dia exato em que recebeu, primeiramente junto à própria Receita Federal, agência de Marechal Cândido Rondon PR, onde restou infrutífera a sua iniciativa, uma vez que após consulta ao sistema informatizado, não souberam lhe informar a data da ciência, possivelmente em virtude de movimento grevista da classe trabalhadora dos Correios, à época; na sequência procurou o seu procurador, que conseguiu através da página eletrônica (internet) dos Correios, rastrear o objeto, percebendo então este haver sido entregue em data de 30/09/2011 (fls. 617/618); logo, tratandose de prazo de 30 (trinta) dias para impugnação, venceria então tal interesse somente em data de 30 de outubro de 2011, portanto, tempestiva a defesa em data de 27/10/2011. ainda que fosse eventualmente terem se passado alguns poucos dias da data da efetiva intimação, entende a contribuinte encontrarse então diante de tributação abusiva, Fl. 712DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10945.720679/201110 Acórdão n.º 2802002.670 S2TE02 Fl. 711 3 vindo a caracterizar o chamado confisco tributário, o que é legalmente vedado pelas normas tributárias vigentes; requer que seja declarada nula a intimação feita à contribuinte, eis que esta encontrase em total afronta ao que determina o Decreto 70.235/72 e/ou que seja considerada intimada a contribuinte em data de 30/09/2011, declarandose tempestiva a impugnação proposta, para determinar o julgamento em seu mérito. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Pretende o recorrente que seja considerada nula a ciência do lançamento realizada mediante Aviso de Recebimento – AR, fls. 589. O Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal no âmbito federal, disciplina em seu art. 15 que o prazo para apresentação de impugnação é de trinta dias contados da data em que for feita a intimação da exigência. Dispõe o art. 23, do mesmo decreto regulamentar que, a intimação feita via postal, caso dos presentes autos, se dá com a prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo e considerase feita a intimação na data de seu recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação (§ 2º, II, art. 23). Conforme observou a decisão recorrida, a correspondência contendo o Auto de Infração e o Termo de Verificação Fiscal foi encaminhada para o endereço “Av. Principal S/N / Bairro: Vila Margarida – Zona Rural / Cidade: Marechal Candido Rondon – PR”, que é o domicílio tributário informado nas Declarações de Ajuste Anual de IRPF apresentadas pela contribuinte. O Aviso de Recepção – AR de fls. 589, no qual consta a assinatura do cônjuge da contribuinte (Sr. Aldair José Rachow), comprova que a referida correspondência foi entregue no endereço da destinatária no dia 12/9/2011. Acerca da validade da ciência, via postal, confirmada com assinatura de recebedor da correspondência, importa ressaltar que ainda que não seja representante legal do contribuinte, encontrase pacificada no âmbito do julgamento administrativo, a teor da Súmula CARF nº 09, editada nos seguintes termos: “Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Outra alegação da recorrente referese ao fato de que só teria tomado ciência do auto de infração no dia 30/09/2011, conforme relatório impresso em razão de consulta feita no sitio dos Correios (fls. 617/618). Vale observar, primeiramente, que esse relatório descreve o rastreamento do objeto postado nos Correios e indicando a data, o horário, o local e a situação que figuram no respectivo Aviso de Recebimento – AR. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Do exame desse relatório juntado pelo contribuinte aos autos, observase que dele não constou a data de 12/09/2011 que se encontra estampada pelo carimbo da unidade dos Correios de destino no Aviso de Recebimento às fls. 589. Tal fato, sem dúvida, leva ao convencimento de que a decisão recorrida se pronunciou acertadamente ao observar que a data de 30/09/2011, na verdade, “não corresponde ao momento em que a entrega do objeto foi efetuada, mas tãosomente ao momento em que o fato foi registrado no sistema dos Correios”. Observese que a data de 12/09/2011 se encontra manuscrita no referido AR, tendo sido preenchida ao lado da assinatura do recebedor da correspondência. Sem levar em consideração a semelhança caligráfica existentes entre ambas, o fato é que não há como acatar a alegação da recorrente no sentido de que essa data teria sido preenchida pela agente dos correios sem o conhecimento do recebedor da correspondência, por falta de provas. Ademais, mesmo que se considerasse a hipótese alegada pela recorrente, não se pode conceber que a agente dos correios tenha manuscrito imotivadamente no dia 30/09/2011, a data de 12/09/2011. Ainda sob esse aspecto, importa ressaltar que nos termos do art. 15, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação mencionará “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir a impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os elementos e provas que possuir”. Portanto, uma vez que as alegações da recorrente estão desacompanhada das respectivas provas documentais, não há como declarar a pretendida nulidade da intimação da exigência revelada pelo AR de fls. 589. Portanto, nos termos do Decreto 70.235, de 1972, fica comprovado nos autos que a contribuinte foi intimada da exigência no dia 12/09/2011, sendo esse o termo inicial de contagem do prazo para apresentação de impugnação. Como o prazo em questão é de trinta dias, é certo concluir que o mesmo se encerrou no dia 13/10/2011, sendo evidentemente intempestiva a impugnação apresentada no dia 27/10/2011. Quanto às alegações acerca de encontrarse diante de tributação abusiva, embora retrate questão de mérito incompatível à análise devido à situação de intempestividade observada nos presentes autos, ressaltese que somente com a apresentação tempestiva da impugnação é que se instaura o contencioso administrativo fiscal. Nesse contexto, como ficou demonstrada a validade da intimação da exigência fiscal, bem como a intempestividade da peça impugnatória, não já que se falar em cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa. Voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 714DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 16832.000115/2010-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, salvo se a discussão na via extrajudicial ater-se a tão somente à matéria diferenciada.
DEPÓSITO DO MONTANTE INGRAL. JUROS. MULTA. CONVERSÃO EM RENDA.
Embora o crédito tributário tenha sido depositado em juízo, não há vedação legal à sua constituição por meio de lançamento de ofício, com o objetivo de afastar a decadência. A realização do depósito do montante integral descaracteriza a ocorrência de mora, portanto, indevida a cobrança da multa e dos acréscimos moratórios em relação aos débitos apurados em algumas competências autuadas. Havendo a conversão em renda dos valores adimplidos, há a extinção do crédito tributário, nos termos do Art. 156, VI do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir juros e multa e reconhecer a extinção da presente autuação ante a conversão do depósito em renda, nos termos do art. 156, VI do CTN. Vencidos os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marcelo Freitas de Souza que negaram provimento
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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DISCUSSÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, salvo se a discussão na via extrajudicial aterse a tão somente à matéria diferenciada. DEPÓSITO DO MONTANTE INGRAL. JUROS. MULTA. CONVERSÃO EM RENDA. Embora o crédito tributário tenha sido depositado em juízo, não há vedação legal à sua constituição por meio de lançamento de ofício, com o objetivo de afastar a decadência. A realização do depósito do montante integral descaracteriza a ocorrência de mora, portanto, indevida a cobrança da multa e dos acréscimos moratórios em relação aos débitos apurados em algumas competências autuadas. Havendo a conversão em renda dos valores adimplidos, há a extinção do crédito tributário, nos termos do Art. 156, VI do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 01 15 /2 01 0- 21 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir juros e multa e reconhecer a extinção da presente autuação ante a conversão do depósito em renda, nos termos do art. 156, VI do CTN. Vencidos os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marcelo Freitas de Souza que negaram provimento Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16832.000115/201021 Acórdão n.º 2403002.496 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, fls. 267/273, interposto em face do Acórdão proferido pela DRJ do Rio de Janeiro/RJ, fls. 253/259, a qual julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada para manter o crédito previdenciário referente ao valor principal, consubstanciado no DEBCAD nº. 37.269.4853, cujo montante equivale a R$ 36.136,74 (trinta e seis mil cento e trinta e seis reais e setenta e quatro centavos), excluindo da autuação apenas os valores lançados à título de juros e multa. O crédito em cobrança referese ao período de janeiro a dezembro de 2005, incluindose as contribuições devidas a terceiros, INCRA. A base de cálculo está contabilizada na conta de ativo número 417011, cujo montante integral o contribuinte depositou em juízo após ter ingressado com ação judicial de número 2004.51.10.0070489. No relatório fiscal, fls. 54/58, a autoridade lançadora informou todos os fatos e destacou que o lançamento restaria suspenso até decisão final proferida pelo judiciário. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento efetuado, a empresa contestou a autuação fiscal por meio do instrumento de fls. 108/123. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 12ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, DRJ/RJ1, prolatou o Acórdão n° 12 41.868, fls. 253/259, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. O direito de o Fisco efetuar o lançamento decai no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, quando o lançamento é por homologação e houve a antecipação do pagamento. LANÇAMENTO. DEPÓSITO JUDICIAL. MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INEXIGIBILIDADE. O lançamento de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por meio de depósitos judiciais destinase a prevenir a decadência do direito de a Fazenda Pública constituílo. O depósito judicial no montante integral do crédito tributário, realizado tempestivamente, nas respectivas datas de vencimento Fl. 350DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 das obrigações, e previamente ao lançamento de ofício, afasta a exigência dos acréscimos legais (juros e multa de mora). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte DO RECURSO Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 267/273 requerendo extinção do auto de infração uma vez que já teria ocorrido a conversão em renda do depósito realizado em favor da União. É o relatório. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16832.000115/201021 Acórdão n.º 2403002.496 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 345, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO PROCESSO JUDICIAL – DO DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL Conforme consignado no Relatório Fiscal, a empresa apesar de não ter a seu favor a concessão de medida liminar para suspensão da exigibilidade do crédito, esta realizou o depósito do montante integral, o que suspende a exigibilidade do crédito tributário. Desde já, destaquese que ao ingressar com a referida medida judicial, a Recorrente abdicou do seu direito de discutir administrativamente, nos termos da Súmula n. 1 do CARF, verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (grifo nosso) Destarte, não será objeto de análise o mérito da exigibilidade ou não da contribuição sob exigência, mas apenas com relação à aplicação de multa e juros. DA APLICAÇÃO DOS JUROS DE MORA E DE MULTA É certo que, estando o crédito tributário com a sua exigibilidade suspensa por força do depósito do montante integral, art. 151, II do Código Tributário Nacional, entendese que o contribuinte não pode ser qualificado como inadimplente.. O depósito do montante integral impede a propositura de execução fiscal, a fluência dos juros e a imposição de multa. Já a conversão do depósito em renda é causa extintiva do crédito tributário, razão pela qual deve o auto de infração ser extinto. É nessa linha de entendimento, que o Superior Tribunal de Justiça, realizou o julgamento do AgRg no Ag 799.539/SP, assim ementado: Fl. 352DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. LEVANTAMENTO DO DEPÓSITO JUDICIAL. ART. 151, II, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. GARANTIA DO JUÍZO. FINALIDADE DÚPLICE. OPOSIÇÃO. FAZENDA NACIONAL. EXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. 1. A garantia prevista no art. 151, II, do CTN tem natureza dúplice, porquanto ao tempo em que impede a propositura da execução fiscal, a fluência dos juros e a imposição de multa, também acautela os interesses do Fisco em receber o crédito tributário com maior brevidade, porquanto a conversão em renda do depósito judicial equivale ao pagamento previsto no art. 156, do CTN encerrando modalidade de extinção do crédito tributário. 2. Permitir o levantamento do depósito judicial sem a anuência do Fisco significa esvaziar o conteúdo da garantia prestada pelo contribuinte em detrimento da Fazenda Pública. 3. Precedentes no sentido de que "sem precedência anuência da parte ré, o levantamento autorizado na Segunda Instância, na verdade, significou antecipada desconstituição da composição judicial sujeita ao reexame pedido na apelação. Ajustado, pois, que os valores depositados suspendiam a exigibilidade do crédito litigioso (art.151, II, CTN), o levantamento por provocação unilateral de uma das partes, com a modificação do statu quo, via oblíqua, equivaleu à antecipada desconstituição do título sentencial." 4. In casu, verificase a total impropriedade do pedido formulado. Isso porque, não bastasse a inadequação da via eleita (pedido formulado nos autos de agravo de instrumento), a verificação acerca ocorrência do recolhimento aos cofres públicos, dos valores depositados em juízo, ensejaria inegável exame de matéria fáticoprobatória, procedimento vedado a esta Corte, nos termos da Súmula 7/STJ. 5. Não cabe ao STJ a expedição de "Carta Precatória" com cópia integral dos autos ao juízo de 1º grau a fim de que seja analisada a possibilidade de levantamento dos depósitos. 6. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 799539/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/05/2007, DJ 31/05/2007, p. 355) O contribuinte apesar de ter ajuizado ação judicial e ter procedido com o depósito do montante integral, desistiu da ação em curso, a qual foi devidamente homologada, conforme os documentos que foram acostados no Recurso Voluntário, tendo sido determinado a conversão do depósito em renda em favor da União, fl. 342. Portanto, resta configurada a causa extintiva do crédito tributário do art. 156, VI, do Código Tributário Nacional, ensejando a consequente extinção da presente autuação. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16832.000115/201021 Acórdão n.º 2403002.496 S2C4T3 Fl. 5 7 CONCLUSÃO Ante todo o exposto, conheço do recurso para, no mérito, dar provimento a fim de excluir juros e multa e reconhecer a extinção da presente autuação ante a conversão do depósito em renda, nos termos do art. 156, VI do CTN. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 19515.721290/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO E DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE OU SONEGAÇÃO. REDUÇÃO AO PERCENTUAL NORMAL. POSSIBILIDADE.
1. A aplicação da multa de ofício qualificada no percentual de 150% somente se justifica nas situações em que haja comprovação da ação ou omissão dolosa, com evidente o intuito de sonegação ou fraude do autuado.
2. Na ausência de comprovação dessas circunstância agravantes, o percentual da multa de ofício qualificada deve ser reduzido ao percentual normal de 75%.
PESSOA JURÍDICA OBRIGADA A ESCRITURAÇÃO FISCAL DIGITAL. OMISSÃO DE DADOS NOS ARQUIVOS DIGITAIS. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. POSSIBILIDADE.
A pessoa jurídica obrigada a escrituração fiscal digital que omitir informações em arquivos digitais fica sujeita a multa de 5% sobre o valor da operação correspondente, limitada a 1% da receita bruta auferida no período.
JUROS MORATÓRIOS. COBRANÇA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGITIMIDADE.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-002.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, deu-se parcial provimento ao recurso voluntário, para: a) excluir a responsabilidade tributária da recorrente pelo valor do IPI calculado sobre as vendas dos produtos (perfumes e outros produtos de toucador e higiene) adquiridos da empresa industrial interdependente; b) reduzir a multa agravada de 150% para 75%. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Andréa Medrado Darzé que também afastavam a incidência de imposto sobre vendas canceladas.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. EMPRESA COMERCIAL VAREJISTA. PRODUTOS DE PERFUMARIA E DE TOUCADOR ADQUIRIDOS DE EMPRESA INDUSTRIAL INTERDEPENDENTE. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não se equipara a estabelecimento industrial a empresa comercial varejista que adquirir de empresa industrial interdependente perfumes e outros produtos de toucador e higiene. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. EMPRESA COMERCIAL VAREJISTA. PRODUTOS IMPORTADOS POR SUA CONTA E ORDEM. CABIMENTO. Equiparase a estabelecimento industrial as empresas comerciais varejistas que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO E DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE OU SONEGAÇÃO. REDUÇÃO AO PERCENTUAL NORMAL. POSSIBILIDADE. 1. A aplicação da multa de ofício qualificada no percentual de 150% somente se justifica nas situações em que haja comprovação da ação ou omissão dolosa, com evidente o intuito de sonegação ou fraude do autuado. 2. Na ausência de comprovação dessas circunstância agravantes, o percentual da multa de ofício qualificada deve ser reduzido ao percentual normal de 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 12 90 /2 01 1- 18 Fl. 5059DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 PESSOA JURÍDICA OBRIGADA A ESCRITURAÇÃO FISCAL DIGITAL. OMISSÃO DE DADOS NOS ARQUIVOS DIGITAIS. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica obrigada a escrituração fiscal digital que omitir informações em arquivos digitais fica sujeita a multa de 5% sobre o valor da operação correspondente, limitada a 1% da receita bruta auferida no período. JUROS MORATÓRIOS. COBRANÇA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, deuse parcial provimento ao recurso voluntário, para: a) excluir a responsabilidade tributária da recorrente pelo valor do IPI calculado sobre as vendas dos produtos (perfumes e outros produtos de toucador e higiene) adquiridos da empresa industrial interdependente; b) reduzir a multa agravada de 150% para 75%. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Andréa Medrado Darzé que também afastavam a incidência de imposto sobre vendas canceladas. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 374/387), em que formalizada a exigência de crédito tributário no valor total de R$ 2.485.731,03, sendo R$ 859.105,51 de IPI, R$ 1.288.658,23 de multa de ofício agravada, R$ 269.710,38 de juros moratórios e R$ 68.256,91 de multa regulamentar, por omissão de dados em arquivos magnéticos. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal colacionado aos autos (fls. 327/373), a autuada foi equiparada a estabelecimento industrial por duas condições: a) era adquirente de produtos de procedência estrangeira, importados por conta ordem; e b) era revendedora exclusiva dos produtos de perfumaria e outros produtos de toucador e higiene, Fl. 5060DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 19515.721290/201118 Acórdão n.º 3102002.091 S3C1T2 Fl. 101 3 fabricados pela pessoa jurídica interdependente VITI Indústria e Comércio de Cosméticos, Perfumes e Presentes Ltda., doravante denominada de VITI. As autoridades fiscais ainda asseveraram que “a existência das duas empresas, VITI e TB Perfumes, traduzem, em tese, um esquema para que se obtenha a produção e venda de artigos de perfumaria sem o devido recolhimento dos tributos e contribuições: IPI, PIS, COFINS.” Em sede de impugnação, em apertada síntese, a autuada alegou, em preliminar: a) fixação de base tributável por presunção; b) indevido enquadramento legal; c) falta de menção de regra legal que impusesse o pagamento do IPI à autuada; d) ilegalidade da autuação; e) ausência de fato gerador do qual decorresse à equiparação a estabelecimento industrial; e f) ilegitimidade passiva. No mérito, a recorrente alegou que: a) não era contribuinte do IPI, porque desenvolvia atividade exclusivamente varejista e não era equipada a estabelecimento industrial nem a empresa encomendante; b) a pessoa jurídica VITI tinha idoneidade fiscal e capacidade operacional e fora constituída regularmente; c) o planejamento tributário realizado dentro dos limites da lei, ainda que com o único objetivo de reduzir a carga tributária, não afrontava o disposto no parágrafo único do art. 116 do CTN; d) não houve simulação nas operações por ela realizadas; e) no mercado brasileiro da indústria de higiene pessoal e perfumaria o planejamento fiscal já consagrado e aceito; f) a Medida Provisória que objetiva tributar a distribuidora interdependente não foi convalidada, logo não havia legislação que regulasse tal cobrança; g) as notas fiscais canceladas não foram excluídas da base de cálculo do IPI; h) houve mera presunção de que todas as operações de revenda eram de produtos monofásicos, sujeitos à alíquota de incidência única de 22%; i) não foi comprovado do evidente intuito de fraude que justificasse o agravamento da multa; j) inaplicabilidade da taxa Selic no cálculo do juros moratórios; l) a multa aplicada era confiscatória; e m) era indevida a multa por erro na entrega de documento, pois não era empresa industrial. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, foi julgada improcedente a impugnação e mantido o crédito tributário exigido. As preliminares suscitada na peça impugnatória foram rejeitas, com base nos seguintes argumentos de que: a) pesava em desfavor da autuada o fato de a sua sócia majoritária, em Juízo, haver confessado a existência de fraude e prática de ilícitos tributários apurados na denominada operação “Porto Europa”; b) afiguravase correta a equiparação a estabelecimento industrial da autuada; c) intimada a apresentar a escrituração fiscal por meio eletrônico, a autuada apresentou um banco de dados incompleto, o que autorizara a autoridade fiscal, com respaldo no art. 448 do RIPI/2002, a proceder o lançamento utilizando os valores do livro Registro de Saídas da Impugnante. Enquanto que o não acatamento das razões de mérito foi baseado nos seguintes argumentos: a) a atipicidade, no presente caso, era absoluta, pois não se estava a exigir IPI em operações de revenda, como alegara a autuada, mas sim, exigindose IPI sobre as saídas de empresa equiparada a industrial, por ter efetuado importações próprias e por terceiras pessoas interpostas, cujas operações a interessada não apresentou qualquer prova que se tratava de operações de revenda; b) por força da vinculação a que estava adstrita a autoridade julgadora primeiro grau, os juros de mora sobre tributos não pagos nos prazos previstos na legislação devem ser calculados com base na taxa Selic, conforme determina a legislação Fl. 5061DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 vigente; e c) não tinha competência para analisar a alegada inconstitucionalidade do efeito confiscatório da multa aplicada. Em 31/8/2012, a interessada foi cientificada da decisão de primeira instância (fl. 4.848). Em 24/9/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 4.862/5.016, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, em relação às preliminares, alegou que a decisão de primeira instância não havia adentrado nas particularidades do caso, ou mesmo das provas suscitadas, o que havia ferido de morte o princípio constitucional da motivação do ato administrativo, bem como o direito de ampla defesa. No que tange ao mérito, em síntese, a recorrente alegou que: a) a decisão administrativa não seguiu o seu mister legal de rever o trabalho fiscal e buscar a verdade material dos fatos, visto que negligenciou quanto a apreciação de todos os pontos da defesa, focandose apenas em uma ou outra situação, inclusive com conclusões complessivas e sem o mínimo de fundamentação; b) o acórdão era bastante confuso quanto a identificação da operação da recorrente, que se tratava de aquisição de produtos fabricados por terceiros e sua posterior revenda no varejo; c) a Turma de Julgamento de primeiro grau alegou que a recorrente estava incluída em esquema fiscal fraudulento, entretanto, não existia nos autos qualquer tipo de prova, documento, informação ou ao menos indício que demonstrasse que a recorrente participara de qualquer ilícito, tendo se respaldado apenas em notícias jornalísticas de que sócia majoritária fora condenada em ação criminal, na qual supostamente confessara a prática de crime, isso diante da adesão à chamada delação premiada, mas que essa alegação cairia por terra ante a decisão exarada pelo STJ, no Habeas Corpus nº 142.045, que declarou ilícitas todas as provas colhidas no curso das operações policiais "Porto Europa" e "Dilúvio", o que gerou a extinção do respectivo processo criminal, consequentemente, não poderia ser atribuído qualquer prática de crime a referida sócia; d) a recorrente não era importadora direta, como alegado no acórdão recorrido, mas simples revendedora de produtos importados ou fabricados por terceiros; e) o acórdão era totalmente omisso na indicação da base legal, ou ao menos o fato, que pudesse justificar a equiparação da recorrente a estabelecimento industrial; f) apesar da absurda e não provada alegação da Turma de Julgamento de que pairava “indício de fragilidade operacional” da operação da empresa VITI, era certo que não pesava sobre tal empresa qualquer declaração de sua inidoneidade, pelo contrário, o que se verificava dos autos era que a empresa gozava do "status" de idoneidade fiscal, por ser cumpridora de suas obrigações e com total autorização para exercer seu mister, portanto, impossível a desconsideração das atividades e negócios praticados pela citada empresa. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Fl. 5062DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 19515.721290/201118 Acórdão n.º 3102002.091 S3C1T2 Fl. 102 5 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Inicialmente, é pertinente esclarecer que os fatos objeto da presente autuação não foram apurados no âmbito das denominadas operações “Dilúvio” e “Porto Europa”. Ademais, o fato de ter sido imputada a autuada e as importadoras por sua conta e ordem fraudes em operações de comércio exterior detectadas no âmbito das referidas operações, a meu ver, não tem qualquer implicação sobre o objeto da autuação em apreço. Da mesma forma, o fato de a sócia majoritária da autuada ter confessado ou sido condenada pela prática de crime contra a ordem tributária, relacionados com às citadas operações, também não em nada contribui para o deslinde da presente contenda, que cingese a matéria de natureza meramente tributária. Aliás, no item 7 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 330/331), que integra o auto de infração, foi noticiado que a Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal, durante as referida operações havia descoberto operações de ocultação dos reais intervenientes nas operações de aquisição e comercialização do denominado Grupo Tânia Bulhões que, em tese, montara uma estrutura de interposição fraudulenta para obter a redução dolosa dos tributos incidentes sobre as operações de comércio exterior (II, IPI, PIS e Cofins). Entretanto, no item 8 do mesmo Termo, consta a informação de que a autuada havia realizado apenas importações por conta e ordem das tradings Socinter Sul Comércio e Vila Porto Internacional. Também não corresponde aos fatos noticiados nos autos, as afirmações do ilustre Relator do voto condutor do julgado recorrido no sentido de que (i) a equiparação da autuada a estabelecimento industrial decorrera da quebra da “cadeia do IPI”, implementar por meio de uma arquitetura tributária fraudulenta, escondendo o real importador e provocando uma redução indevida de diversos tributos, inclusive o IPI; e que (ii) a recorrente fez importações diretas no período fiscalizado, o que reforçaria ainda mais a sua equiparação a estabelecimento industrial sujeito ao pagamento do IPI na saída dos produtos importados. Com esses esclarecimentos, resta demonstrado que os fatos fraudulentos comprovados no âmbito das referidas operações ou até mesmo os imputados à autuada e sua sócia majoritária, induvidosamente, são matérias estranha aos autos. Com efeito, segundo o disposto no MPF n° 0819000.2011.024312 (fl. 3), a autuação em questão decorreu do trabalho de fiscalização realizado na autuada com objetivo de verificar o correto cumprimento das obrigações tributárias relativas ao IPI, PIS e Cofins ocorridas no período de janeiro a dezembro de 2008. Além disso, compulsando o Termo de Verificação Fiscal acostado aos autos (fls. 327/340), verificase que foram atribuídas à recorrente duas irregularidades. Uma delas, que dera saída a produto do seu estabelecimento sem o lançamento na respectiva nota fiscal do valor do IPI devido na operação. A outra que omitira dados nos arquivos magnéticos de notas fiscais de saída e de registro de inventário. Em decorrência da segunda irregularidade, segundo auto de infração em tela (fls. 374/387), à autuada foi imputada a multa regulamentar do art. 504, II, combinado com o disposto no art. 318, ambos do Decreto n° 4.544, de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2002) , na época dos fatos vigente. Fl. 5063DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 Pelo cometimento da primeira irregularidade, de acordo com citado auto de infração, foi cobrado da recorrente o valor IPI não lançado nas respectivas notas fiscais de saída, acrescido de multa de ofício agravada de 150% sobre o valor do IPI e juros moratórios calculados com base na variação da taxa Selic. Todas essas matérias foram contestadas pela recorrente na peça impugnatória, as quais foram reafirmadas no recurso voluntário em apreço, constituindo, portanto, as questões objeto do litígio posto nos presentes autos. Em sua defesa, a recorrente suscita questões preliminares e de mérito, a seguir analisadas. I DAS PRELIMINARES Em preliminar, a recorrente alegou a nulidade do Auto de Infração, porque fora baseada em meros indícios, presunções e conclusões arbitrárias e injustificadas, contendo diversos erros, vícios e imperfeições, dentre os quais: a) fixação de base tributável por presunção; b) indevido enquadramento legal; c) falta de menção de regra legal que impusesse o pagamento do IPI à autuada; d) ilegalidade da autuação; e) ausência do fato gerador do qual decorrera à equiparação a estabelecimento industrial; e f) ilegitimidade passiva. Da ilegitimidade passiva: ausência de equiparação a estabelecimento industrial. No que concerne a preliminar de ilegitimidade passiva, o ponto fulcral da controvérsia cingese a questão da equiparação da recorrente a estabelecimento industrial. Segundo o Termo de Verificação Fiscal colacionado aos autos (fls. 327/335), a autuada foi equiparada a estabelecimento industrial por se enquadrar em duas condições: a) era adquirente de produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta ordem; e b) era revendedora exclusiva dos produtos de perfumaria fabricados pela empresa industrial interdependente VITI. Ambas as situações foram enquadras no art. 9º, I a X, do RIPI/2002. Em relação a primeira equiparação, o procedimento fiscal não merece reparo, pois noticiam os autos que, no período da autuação, a recorrente realizou as importações por conta e ordem, por intermédio das empresas importadoras Socinter Sul e Vila Porto, conforme discriminado pela fiscalização na Tabela de fl. 331, equiparandolhe a estabelecimento industrial, nos termos do inciso IX do citado art. 9º, a seguir transcrito: Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: [...] IX os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, observado o disposto no § 2º ( Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 79); e [...] (grifos não originais) No que tange à segunda condição de equiparação a estabelecimento industrial, a recorrente alegou que a legislação que disciplinava a operação de compra e venda entre empresas interdependentes impunha, exclusivamente, a observância do preço mínimo tributável, a ser seguido pelo vendedor da mercadoria, no caso a empresa industrial VITI, excluindo o comprador, no caso a recorrente, de qualquer obrigação. Assim, como não existia previsão legal que equiparasse a recorrente a estabelecimento industrial, impossível lhe atribuir a obrigação do pagamento do IPI sobre as operações de revenda dos produtos que adquire com Fl. 5064DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 19515.721290/201118 Acórdão n.º 3102002.091 S3C1T2 Fl. 103 7 exclusividade da empresa interdependente VITI, logo, era parte ilegítima para compor o polo passivo da autuação. Neste ponto, assiste razão a recorrente. De fato, compulsando o inteiro teor do art. 9º do RIPI/2002 verificase que nenhum dos incisos descreve a aquisição, com exclusividade, de produto industrializado por empresa industrial interdependente, definida no art. 520 do RIPI/2002, como uma situação de equiparação a estabelecimento a industrial. A única hipótese de previsão legal de equiparação da empresa interdependente encontrase prevista no art. 10 do RIPI/2002, que tem a seguinte redação, in verbis: Art. 10. São equiparados a estabelecimento industrial os estabelecimentos atacadistas que adquirirem os produtos relacionados no Anexo III da Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, de estabelecimentos industriais ou dos estabelecimentos equiparados a industriais de que tratam os incisos I a V do art. 9º (Lei nº 7.798, de 1989, arts. 7º e 8º). § 1º O disposto neste artigo aplicase nas hipóteses em que o adquirente e o remetente dos produtos sejam empresas controladoras, controladas ou coligadas (Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1.976, art. 243, §1º e §2º), interligadas (Decretolei nº 1.950, de 14 de julho de 1982, art. 10, § 2º) ou interdependentes. § 2º Na relação de que trata o caput deste artigo poderão, mediante decreto, ser excluídos produtos ou grupo de produtos cuja permanência se torne irrelevante para arrecadação do imposto, ou incluídos outros cuja alíquota seja igual ou superior a quinze por cento. (grifos não originais) Da leitura do referido preceito normativo, extraise que a equiparação a estabelecimento industrial do adquirente pela prática de operações de compra e venda entre empresas interdependentes somente ocorre se atendidas, simultaneamente, duas condições: a) o estabelecimento adquirente seja atacadista; e b) os produtos adquiridos estejam relacionados no Anexo III da Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989. Em nenhuma dessas condições, certamente, não se inclui a recorrente, haja vista que se trata de empresa comercial varejista, conforme informação da própria fiscalização consignada no citado Termo de Verificação Fiscal (fl. 327), e os produtos adquiridos pela recorrente da empresa industrial interdependente VITI (perfumes e outros produtos de toucador e higiene), discriminados pela fiscalização na Tabela de fls. 329/330, foram expressamente excluídos do citado Anexo III, por meio do Decreto nº 1.217, de 11 de agosto de 1994. Com base nessas considerações, resta demonstrado que, em relação aos produtos adquiridos da empresa interdependente VITI, induvidosamente, a recorrente não se equipara a estabelecimento industrial. Da fixação da base tributável e da alíquota única por presunção. Alegou a recorrente que a fiscalização presumira (i) a base tributável da autuação, dizendo que nela se incluíam todas as receitas da recorrente, e (ii) a alíquota única de Fl. 5065DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 22%, reservada a um pequeno grupo de produtos de higiene pessoal e perfumaria revendidos pela recorrente. Não procede a alegação da recorrente, seja com relação a alegada presunção da base de tributável, seja com relação a alíquota única de 22% aplicada. No primeiro caso, porque os valores das vendas utilizados como base de cálculo foram extraídos dos documentos fiscais (cupom fiscal e nota fiscal) emitidos pela própria recorrente, conforme discriminado nos Anexo A e B (fls. 341/371), que integram o auto de infração em apreço. No que tange alíquota unificada de 22%, porque ela foi utilizada apenas em relação as vendas por cupom fiscal que a recorrente, embora regularmente intimada, não informou quais os produtos e respectivas classificação fiscal na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Esse foi o real motivo apresentado pela fiscalização para a utilização da alíquota majorada e unificada de 22%. Logo, fica afastada a tentativa da recorrente de, através de jogo de palavras, querer atribuir um outro motivo para a utilização da referida alíquota, tal como, o de que a fiscalização teria se baseado na premissa de que os produtos não enquadrados na tributação monofásica eram “vendidos sempre acompanhados ao da posição 33”, em kits ou conjuntos. Também a apresentação de livros e documentos fiscais, evidentemente, não era suficiente para separação dos produtos por respectiva classificação fiscal. Portanto, ao contrário do alegou a recorrente, a utilização da alíquota mais elevada do IPI para os produtos não discriminados por NCM foi feita em consonância com o disposto no § 1º do art. 448 do RIPI/2002, a seguir transcrito: Art. 448. Constituem elementos subsidiários, para o cálculo da produção, e correspondente pagamento do imposto, dos estabelecimentos industriais, o valor e quantidade das matérias primas, produtos intermediários e embalagens adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mãodeobra empregada e o dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matérias primas, produtos intermediários e embalagens (Lei nº 4.502, de 1964, art. 108). §1º Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo dos elementos constantes desse artigo com a registrada pelo estabelecimento, exigirseá o imposto correspondente, o qual, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento.(Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) [...] (grifos não originais) No caso em tela, em face da precariedade dos documentos fiscais apresentados pela recorrente e da ausência dos livros fiscais obrigatórios exigidos determinados na legislação do IPI, obviamente, era impossível a fiscalização fazer a separação da grande quantidade de produtos vendidos e aplicar a alíquota fixada na TIPI para cada um deles. Fl. 5066DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 19515.721290/201118 Acórdão n.º 3102002.091 S3C1T2 Fl. 104 9 Dessa forma, fica demonstrado que a base de cálculo, assim como a alíquota única e majorada, que foram utilizadas pela fiscalização na determinação do valor IPI lançado foi baseada em valores reais, fornecidos pela própria recorrente, e alíquota determinada em conformidade com o disposto na legislação vigente. II DO MÉRITO No mérito, a recorrente alegou que: a) não era contribuinte do IPI, porque desenvolvia atividade exclusivamente varejista e não era equipada a estabelecimento industrial nem a empresa encomendante; b) a pessoa jurídica VITI tinha idoneidade fiscal e capacidade operacional e fora constituída regularmente; c) o planejamento tributário realizado dentro dos limites da lei, ainda que com o único objetivo de reduzir a carga tributária, não afrontava o disposto no parágrafo único do art. 116 do CTN; d) não houve simulação nas operações por ela realizadas; e) no mercado brasileiro da indústria de higiene pessoal e perfumaria o planejamento fiscal já consagrado e aceito; f) a Medida Provisória que objetiva tributar a distribuidora interdependente não foi convalidada, logo não havia legislação que regulasse tal cobrança; g) as notas fiscais canceladas não foram excluídas da base de cálculo do IPI; h) houve mera presunção de que todas as operações de revenda eram de produtos monofásicos, sujeitos à alíquota de incidência única de 22%; i) não foi comprova do evidente intuito de fraude que justificasse o agravamento da multa; j) inaplicabilidade da taxa Selic no cálculo do juros moratórios; l) a multa aplicada era confiscatória; e m) era indevida a multa por erro na entrega de documento, pois não era empresa industrial. Da falta de equiparação a estabelecimento industrial. A recorrente alegou que não havia incidência do IPI nas operações de venda realizadas no período da autuação, porque não era equiparada a estabelecimento industrial, uma vez que só revendia produto fabricado ou importado por terceiros. A alegação da recorrente procede em relação à revenda dos produtos nacionais fabricados por terceiros, no caso, pela empresa interdependente VITI. Essa questão já foi analisada no tópico anterior atinente às preliminares e ficou demonstrado que, neste caso, não existe previsão legal que ampare a equiparação da recorrente a estabelecimento industrial. Por outro lado, em relação à revenda dos produtos importados, há provas cabais nos autos que demonstram que a recorrente realizou importações por conta e ordem, por intermédio das importadoras Socinter Sul e Vila Porto, o que lhe equipara a estabelecimento industrial, nos termos do inciso IX do art. 9º do RIPI/2002. Das alegações sobre matérias estranhas aos autos. Deixase de apreciar as alegações da recorrente sobre a não realização de industrialização por encomenda, planejamento tributário, simulação, não convalidação da Medida Provisória que objetiva tributar a distribuidora interdependente e falta de capacidade operacional e de inidoneidade da pessoa jurídica VITI, por se tratar matérias estranhas ao objeto da autuação em questão. Das notas fiscais canceladas. Fl. 5067DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 10 Alegou a recorrente que a fiscalização deixou de excluir as notas fiscais canceladas, apesar da expressa menção na lei fiscal de que tais valores deveriam reduzir a base de cálculo do IPI. Não previsão na legislação do IPI, que autorize o contribuinte a excluir o valor das notas fiscais canceladas da base de cálculo do imposto. De fato, no caso de cancelamento da nota fiscal, o que há é previsão para o contribuinte creditarse do valor do imposto já escriturado, porém tal procedimento (i) deverá ser adotado antes da saída da mercadoria do estabelecimento e (ii) o contribuinte ainda deverá, ao registrar o crédito, anotar o motivo na coluna "Observações" do livro Registro de Apuração do IPI, conforme determina o art. 178 do RIPI/2002, a seguir transcrito: Art. 178. É ainda admitido ao contribuinte creditarse: I do valor do imposto, já escriturado, no caso de cancelamento da respectiva nota fiscal, antes da saída da mercadoria; e II do valor da diferença do imposto em virtude de redução de alíquota, nos casos em que tenha havido lançamento antecipado previsto no art. 128. Parágrafo único. Nas hipóteses previstas neste artigo, o contribuinte deverá, ao registrar o crédito, anotar o motivo do mesmo na coluna "Observações" do livro Registro de Apuração do IPI. (grifos não originais) No caso em tela, como a recorrente não comprovou que cumprira tais requisitos, consequentemente, não há qualquer reparo a ser feito no procedimento da fiscalização em apreço. Da multa agravada. Alegou a recorrente que era inaplicável o agravamento da multa pela fiscalização, haja vista que não ficou comprovado o dolo e o evidente intuito de sonegação, fraude ou conluio. Por sua vez, a fiscalização asseverou “a existência das duas empresas, VITI e TB Perfumes, traduzem, em tese, um esquema para que se obtenha a produção e venda de artigos de perfumaria sem o devido recolhimento dos tributos e contribuições: IPI, PIS, COFINS”, o que justificava a aplicação da multa agravada de 150%, fixada no art. 80, caput e § 6º, II, da Lei nº 4.502, de 1964, a seguir transcrito: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 6o O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007)(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) [...] Fl. 5068DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 19515.721290/201118 Acórdão n.º 3102002.091 S3C1T2 Fl. 105 11 II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei.(Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) [...]. (grifos não originais) O fato relatado pela fiscalização, a meu ver, não se enquadra nas circunstâncias agravantes previstas nos referidos arts. 71, 72 e 731, que tratam, respectivamente, de sonegação, fraude e conluio. De fato, a existência de empresa interdependente, por si só, não é suficiente para configurar esquema de sonegação fiscal ou fraude alegado pela fiscalização, uma vez que a criação de empresa interdependente tem respaldo na legislação. Inclusive, para evitar redução indevida de tributo, a operação de remessa de produtos fica sujeita ao regime de valor tributável mínimo, mediante a fixação de limite mínimo do preço de venda no mercado atacadista da praça do remetente, nos termos do art. 136, I, do RIPI/2002, a seguir transcrito: Art. 136. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso I, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 5ª); [...]. (grifos não originais) A aplicação da multa de ofício qualificada no percentual de 150% somente se justifica nas situações em que haja descrição e inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, com evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio do autuado. No presente caso, o que restou descrito e comprovado nos autos foi a falta de destaque do IPI nos documentos fiscais de venda, nas operações de revenda dos produtos importados por conta e ordem da recorrente, fato que se amolda a hipótese da infração descrita no caput do citado art. 80, o que impõe a redução da multa agravada aplicada ao percentual normal de 75%. Da inaplicabilidade da taxa Selic. No que tange a alegação de inaplicabilidade da taxa Selic, como índice de correção dos créditos tributários federais, a matéria já foi analisada exaustivamente no âmbito deste Conselho e do Poder Judiciário, tendo se firmado entendimento de que era legal e 1 "Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." Fl. 5069DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 12 constitucional a cobrança de tal gravame com base na variação da taxa Selic. Tratase de matéria superada há bastante tempo na jurisprudência deste Conselho. Entretanto, não é demais repetir que a cobrança dos juros moratórios, com base na variação da taxa Selic, está em perfeita consonância com o disposto no § 1º do art. 161 do CTN, que estabelece o seguinte, in verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. [...]. (grifos não originais) Assim, em conformidade com o transcrito preceito legal, o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, estabeleceu o seguinte regramento, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em relação ao assunto, cabe esclarecer que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se pronunciou a respeito, reconhecendo a constitucionalidade da cobrança do referido gravame, conforme exposto no enunciado da ementa do Acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 803.707/PR (Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 14.08.2006), a seguir reproduzida: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MULTA DE MORA. ART. 61 DA LEI N. 9.430/1996. BASE DE CÁLCULO. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. ART. 161, § 1º, DO CTN. 1. Constitui a base de cálculo da multa de mora prevista no art. 61 da Lei n. 9.430/1996 o valor principal da dívida atualizado pela taxa Selic. 2. É lícita, por força do comando contido na Lei n. 9.065/1995, a aplicação da taxa Selic nos casos em que há parcelamento do débito tributário ou em que há quitação total, mas com atraso. Precedentes. 3. Nas ações que tenham por fim a repetição de pagamentos indevidos efetuados antes de 1º.1.96 e cujo trânsito em julgado ainda não tenha ocorrido, incide, na atualização do indébito, a Fl. 5070DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 19515.721290/201118 Acórdão n.º 3102002.091 S3C1T2 Fl. 106 13 partir dessa data, exclusivamente, a taxa Selic. Desde aquela data, não tem mais aplicação o mandamento inscrito no art. 167, parágrafo único, do CTN, o qual, diante da incompatibilidade com o disposto no art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95, restou derrogado. 4. Recurso especial improvido. No mesmo sentido, firmouse a jurisprudência deste Conselho, nos termos do enunciado da Súmula Carf nº 4, a seguir transcrito: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Logo, resta demonstrado que o cálculo dos juros moratórios, com base na variação da taxa Selic, tem amparo legal e constitucional. Ademais, por se tratar de matéria sumulada por este Conselho, tal entendimento é de obrigatório observância por seus conselheiros, sob pena da sanção prevista no inciso VI do art. 452 Regimento Interno deste Conselho. Do efeito confiscatório da multa aplicada. A recorrente alegou que a multa de ofício agravada cobrada ultrapassava o valor do tributo devido, o que caracterizava verdadeiro confisco, com afronta a regra constitucional que veda a utilização de tributo com efeito confiscatório, bem os princípios da razoabilidade, proporcionalidade, isonomia e da capacidade contributiva. A análise dessa alegação, necessariamente, implica adentrar no âmbito de questão sobre a constitucionalidade do art. 80, caput e § 6º, II, da Lei nº 4.502, de 1964, norma legal que se encontra plenamente vigente e eficaz. Porém, como de sabença, à instância administrativa de julgamento é vedada apreciar a legalidade e/ou constitucionalidade de norma legal vigente, conforme expressamente determinado no art. 26A3 do Decreto nº 70.235, 06 de março de 1972 (PAF), com a redação da Lei nº 11.941, de 2008. Tal atribuição é reservada, com exclusividade, ao Poder Judiciário. 2 "Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: [...] VI deixar de observar, reiteradamente, enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF expedidas, respectivamente na forma dos arts. 73 e 77 72 e 76, bem como o disposto no art. 62; [...]" 3 "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 5071DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 14 No âmbito deste Conselho, tal vedação encontrase determinada no art. 624 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e consolidada na sua jurisprudência, conforme disposto no enunciado da Súmula CARF nº 2, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Por essas razões, por falta de competência, deixase de apreciar o alegada inconstitucionalidade por efeito confiscatório da multa aplicada. Da multa por omissão de dados em arquivos magnéticos. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal colacionado aos autos (fls. 335/337), a autuada apresentou os (i) arquivos magnéticos 4.3.1 (arquivo mestre de mercadorias/serviços notas fiscais de saída ou de entradas emitidas pela pessoa jurídica) e 4.3.2 (arquivo de itens de mercadorias/serviços notas fiscais de saídas ou de entradas emitidas pela pessoa jurídica) sem as informações das vendas realizadas por cupom fiscal (EFC) e (ii) o arquivo magnético 4.5.2 (arquivo de registro de inventário AC de 2007 e 2008) sem dados ou em branco e apresentou a justificativa de que o seu banco de dados sofrera um problema técnico que resultou na perda parcial das informações relativas à EFC e ao registro de inventário. Em face dessa irregularidade, entendeu a fiscalização que a recorrente havia cometido a infração tipificada no art. 504, inciso II, combinado com o disposto no art. 318 do RIPI/2002, a seguir transcritos: Art. 318. As pessoas jurídicas que utilizam sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da SRF, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária (Lei nº 8.218, de 1991, art. 11, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 72). § 1º A SRF poderá estabelecer prazo inferior ao previsto, no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica (Lei nº 8.218, de 1991, art. 11, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 72, § 1º). a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)" 4 "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993". Fl. 5072DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 19515.721290/201118 Acórdão n.º 3102002.091 S3C1T2 Fl. 107 15 § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 (Lei nº 8.218, de 1991, art. 11, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 72, § 2º). § 3º A SRF expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados (Lei nº 8.218, de 1991, art. 11, §2º, Lei nº 8.383, de 1991, art.62, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 72, § 3º). § 4 º Os atos a que se refere o § 3º poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal (Lei nº 8.218, de 1991, art. 11, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 72, § 4º). [...] Art. 504. A inobservância do disposto no art. 318 acarretará a imposição das seguintes penalidades (Lei nº 8.218, de 1991, art. 12, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 72): [...] II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período (Lei nº 8.218, de 1991, art. 12, inciso II, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 72) ; e [...] (grifos não originais) Por sua vez, a recorrente alegou que essa multa era inválida e indevida, visto que recorrente, por ser empresa varejista, não estava sujeita a entrega dos arquivos e informações eletrônicas estabelecidos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 2001 e no Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15, de 2001, haja vista que tais informações eletrônicas só eram devidas por empresa industrial. Em conformidade com disposto nos preceitos normativos anteriormente transcritos, fica evidenciada a improcedência dessa alegação. A uma, porque a obrigação acessória em tela foi imposta a todas as “pessoas jurídicas que utilizam sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal”, situação que enquadrava a autuada, e não apenas as empresas industriais ou equiparadas a estabelecimento industrial, como alegado pela recorrente. A duas, porque apenas as empresas optantes pelo SIMPLES estão dispensadas do cumprimento da referida obrigação, situação que não se enquadrava a recorrente, que, inclusive apresentou os demais arquivos magnéticos, a que estava obrigada, sem qualquer problema técnico. Fl. 5073DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 16 Além disso, contraditoriamente, em 26/8/2011, em resposta à intimação da fiscalização, a recorrente informou que os citados arquivos existiam, mas que não possuíam as informações requeridas, porque o sistema operacional havia apresentado um problema técnico que resultara, coincidentemente, apenas na perda parcial das informações contidas no banco de dados que armazenava os registros dos cupons fiscais (ECF) e do inventário. Por essas razões, rejeitase a alegação em tela. III DA CONCLUSÃO Com base no exposto, votase pelo PARCIAL PROVIMENTO do recurso, para: a) excluir a responsabilidade tributária da recorrente pelo valor do IPI calculado sobre as vendas dos produtos (perfumes e outros produtos de toucador e higiene) adquiridos da empresa industrial interdependente VITI Indústria e Comércio de Cosméticos, Perfumes e Presentes Ltda., em face da ausência de equiparação a estabelecimento industrial, por falta de previsão legal; b) reduzir a multa agravada de 150% para 75%, por falta de comprovação nos autos de ação ou omissão dolosa da autuada, com evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 5074DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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Numero do processo: 10280.901655/2008-17
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA.
A teor do contido no Recurso Extraordinário STF 566.621/RS, proferido no rito do Art. 543-B do Código de Processo Civil, as disposições da Lei Complementar 118/2005, somente se aplicam aos pedidos ingressados na via administrativa ou judicial após 08 de junho de 2005.
Numero da decisão: 1803-001.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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DECADÊNCIA. A teor do contido no Recurso Extraordinário STF 566.621/RS, proferido no rito do Art. 543B do Código de Processo Civil, as disposições da Lei Complementar 118/2005, somente se aplicam aos pedidos ingressados na via administrativa ou judicial após 08 de junho de 2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 16 55 /2 00 8- 17 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/02/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10280.901655/200817 Acórdão n.º 1803001.980 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman Relatório Tratase, o presente feito, de PER/DCOMP nº 07833.60528.210704.1.7.027249, (fls.11/21), a qual retificou PER/DCOMP nº 12023.42030.210704.1.3.028681, (fls.2/10) em que a empresa recorrente indica crédito de saldo negativo de IRPJ, ano calendário 1998 no valor de R$ 16.180,87 para compensar com débitos próprios. O crédito teria sido originado por estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores e o mesmo crédito também foi utilizado nos PER/DCOMP`s 13883.73189.110804.1.3.029790 (fls.22/25) e 35944.16781.231204.1.3.020040 (fls.26/30). O direito creditório não foi reconhecido, por intermédio do Despacho Decisório de 23/10/2008, nº 796756359 e anexos (fls.34/36), e as compensações não foram homologadas. Como fundamento para o não reconhecimento do direito creditório, a unidade de origem afirma que: “...na data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão do PER/DCOMP e a data de apuração do saldo negativo. Data de apuração do saldo negativo: 31/12/1998. Data de transmissão do PER/DCOMP original com demonstrativo do crédito: 21/07/2004.” Devidamente cientificada do Despacho Decisório, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de manifestação de inconformidade alegando, em breve sínteses, que o saldo negativo de IRPJ foi constituído através da DIPJ/1999, ano calendário 1998 e que esse saldo negativo, no montante de R$ 16.180,87 foi compensado nos exercícios subsequentes, dentro da sua validade, ou seja, 1999, 200, 2001, 2002 e 2003. Tudo conforme disciplina o art. 156 do CTN e 73 da Lei 9.430/96. Afere ainda que o PER/DCOMP é um documento informativo, no qual se discrimina o tributo e os valores compensados, já que o crédito do contribuinte encontrase registrado nessa Secretaria e poderia ser abatido de qualquer tributo que apresentasse insuficiência, independentemente do PER/DCOMP. Atenta para o fato de que se o direito ao crédito encontrase extinto, também estará extinto o direito de cobrança dos tributos compensados e requer o cancelamento da cobrança dos débitos e arquivamento do processo. A decisão de primeira instância entendeu no caso do saldo negativo IRPJ apuração anual, o fato gerador do tributo somente se aperfeiçoa em 31/12, razão pela qual se Fl. 68DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/02/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10280.901655/200817 Acórdão n.º 1803001.980 S1TE03 Fl. 113 3 entende que o prazo de 05 (cinco anos) para pleitear a restituição começa a fluir em 31 de dezembro do ano calendário, sendo essa a data em que resta caracterizado o saldo negativo em questão, ou seja, que as antecipações efetuadas ultrapassam o tributo devido ao término do período de apuração, isto é, no ajuste anual. Cita doutrina Explica que a prescrição ocorre quando a empresa, já tendo apurado na DIPJ corresponde o saldo negativo na data de encerramento do período de apuração, deixa de pleitear a sua restituição ou de utilizálo em compensação dentro do prazo de cinco anos estabelecido pelo art.168, I do CTN. Assim, considerando que a recorrente protocolizou a restituição/compensação do saldo negativo IRPJ ano calendário 1998 via PER/DCOMP em 21/07/2004 (fl.2) e que o saldo negativo foi apurado em 31/12/1998, o pleito está fulminado pela prescrição. Quanto à alegação de que o saldo negativo IRPJ foi utilizado nos anos calendário 1999 a 2003, o julgador de primeira instância refere que a empresa recorrente não trouxe provas dessa utilização. Afere que no período 01/01/1999 a 30/09/2002 a recorrente poderia se utilizar do crédito de saldo negativo IRPJ para compensar débitos da mesma natureza, independentemente de requerimento. Ocorre que não consta dos autos que tal procedimento tenha sido efetuado. Além disso, se essa utilização ocorreu, o crédito pleiteado via PER/DCOMP 07833.60528.210704.1.7.027249 não existia mais, o que resultaria em não homologação da compensação. Quanto à afirmação de que os débitos compensados também estariam prescritos, o que impediria a sua cobrança, observa o julgador a quo que a prescrição do direito do Fisco efetuar a cobrança dos débitos declarados e não pagos ocorre após a sua constituição, seja via DCTF ou DIPJ Simplificada. No caso em tela, tomando como exemplo a PER/DCOMP 07833.60528.210704.1.7.027249, a empresa compensou débitos compreendendo os períodos de apuração maio/1999 a abril/2000. Com relação ao débito de estimativa IRPJ, 5993, mai/1999, o mesmo foi confessado na DCTF do 2º trim/1999, apresentada em 13/08/1999 (fl.46). Considerando o prazo de cinco anos e admitindose que o contribuinte não tenha feito nenhuma vinculação ao débito declarado, o prazo prescricional teria ocorrido em 13/08/2004. Atenta para o fato de que antes dessa data foi apresentada a PER/DCOMP 07833.60528.210704.1.7.027249. No caso de débito declarado via DCOMP, entende que este, tanto pode já ter sido constituído anteriormente (por exemplo, via DCTF ou lançamento de ofício), casos em que a prescrição já teve seu curso iniciado, como pode sêlo com o ato de entrega da PER/DCOMP. Frisa que é entendimento da RFB que a entrega da declaração de compensação, além de, em alguns casos, constituir o crédito tributário, produz mais dois efeitos: interromper o prazo prescricional (nos casos em que este já estava em curso) e extinguir o crédito sob condição resolutória. Com relação à prescrição, esta, a despeito de interrompida, não volta a correr imediatamente, já que o crédito restou extinto sob condição resolutória. Portanto, durante o período de que a Administração dispõe para homologar ou não a compensação efetuada, não há que se falar em prescrição, afinal, enquanto não expressar sua discordância com o encontro de contas realizado pelo sujeito passivo, resta impossível o exercício do direito de ação, pois não há crédito a ser cobrado. Portanto, aduz que os débitos compensados via PER/DCOMP`s analisadas nesses autos estão com a prescrição interrompida (se já foram constituídos via Fl. 69DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/02/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10280.901655/200817 Acórdão n.º 1803001.980 S1TE03 Fl. 114 4 DCTF ou outro meio) ou sequer tiveram a prescrição iniciada. Destarte, pelo acima exposto, não procede a alegação de prescrição dos débitos. Finaliza o julgador por não reconhecer o direito creditório referente ao saldo negativo IRPJ ano calendário 1998, vez que ocorreu a prescrição do direito de pleitear a restituição e declara não homologada as compensações. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário de forma tempestiva, alegando, em apertada síntese, o já disposto em impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de PER/DCOMP na qual a empresa recorrente indica crédito de saldo negativo de IRPJ, ano calendário 1998 no valor de R$ 16.180,87 para compensar com débitos próprios. O crédito teria sido originado por estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores e o mesmo crédito também foi utilizado nos PER/DCOMP`s 13883.73189.110804.1.3.029790 (fls.22/25) e 35944.16781.231204.1.3.020040 (fls.26/30). A empresa encaminhou o pedido de compensação dos referidos créditos, através do PER/DCOMP citado, na data de 24.07.2004, ou seja, há mais de cinco anos entre a data da apuração do saldo negativo das estimativas, fato este que fez com que o julgador a quo não reconhecesse o direito creditório e não homologasse as compensações requeridas. Ocorre que assiste razão à recorrente, tomando em conta o já disposto no julgado pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 566.621, proferido no rito do art. 543B do Código de Processo Civil e que vincula este colegiado julgador administrativo por força do contido no art. 62A do RICARF. Segue a decisão RE 566.621citada: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE Fl. 70DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/02/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10280.901655/200817 Acórdão n.º 1803001.980 S1TE03 Fl. 115 5 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Considerando, no entanto, a ausência de maior comprovação para se aferir a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, deve ser o mesmo apreciado pela unidade de origem, afastandose a argüição de prescrição/decadência do direito creditório Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para afastar a prescrição/decadência e no mérito determinar que retorne a DRF de origem para que seja apreciado o direito creditório ora pleiteado. É o voto. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/02/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10280.901655/200817 Acórdão n.º 1803001.980 S1TE03 Fl. 116 6 (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 72DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/02/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10980.723138/2010-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2009
FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa.
13º SALÁRIO. SESC/SENAC. INCIDÊNCIA
As contribuições devidas aos terceiros incidem exatamente sobre a mesma base de cálculo sobre a qual incidem as contribuições previdenciárias que, por sua, expressamente incidem sobre o 13º salário conforme previsão do artigo 28, §7º, da Lei nº 8.212/91.
SALÁRIO EDUCAÇÃO
Conforme decisão sumulada do Egrégio Supremo tribunal Federal, é legítima a exigência do Salário educação sob a égide da Constituição Federal de 1988.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2009 FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. 13º SALÁRIO. SESC/SENAC. INCIDÊNCIA As contribuições devidas aos terceiros incidem exatamente sobre a mesma base de cálculo sobre a qual incidem as contribuições previdenciárias que, por sua, expressamente incidem sobre o 13º salário conforme previsão do artigo 28, §7º, da Lei nº 8.212/91. SALÁRIO EDUCAÇÃO Conforme decisão sumulada do Egrégio Supremo tribunal Federal, é legítima a exigência do Salário educação sob a égide da Constituição Federal de 1988. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado
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INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. 13º SALÁRIO. SESC/SENAC. INCIDÊNCIA As contribuições devidas aos terceiros incidem exatamente sobre a mesma base de cálculo sobre a qual incidem as contribuições previdenciárias que, por sua, expressamente incidem sobre o 13º salário conforme previsão do artigo 28, §7º, da Lei nº 8.212/91. SALÁRIO EDUCAÇÃO Conforme decisão sumulada do Egrégio Supremo tribunal Federal, é legítima a exigência do Salário educação sob a égide da Constituição Federal de 1988. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 31 38 /2 01 0- 28 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.723138/201028 Acórdão n.º 2402003.966 S2C4T2 Fl. 192 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 09/09/2010 com base nos valores contabilizados e extraídos das folhas de pagamentos. Foi apurado crédito tributário sobre o décimoterceiro salário. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2009 AIOP nº 37.278.3570 NULIDADE. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. RELAÇÃO DE EMPREGADOS A falta de uma relação nominativa com todos os empregados sobre cujas remunerações a Fiscalização fez incidir as contribuições lançadas não gera cerceamento de defesa e tampouco ofensa ao contraditório uma vez que toda a apuração da base de cálculo foi feita com base em informações prestadas pela empresa por meio de folhas de pagamentos. NULIDADE AUTORIDADE INCOMPETENTE O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade competente para lavratura de Auto de Infração que, no caso, é instrumento adequado para constituição do crédito tributário no lançamento decorrente de ação de fiscalização. 13º SALÁRIO. SESC / SENAC. INCIDÊNCIA As contribuições devidas aos terceiros incidem exatamente sobre a mesma base de cálculo sobre a qual incidem as contribuições previdenciárias que, por sua, expressamente incidem sobre o 13º salário conforme previsão do artigo 28, §7º, da Lei nº 8.212/91. SALÁRIO EDUCAÇÃO Conforme decisão sumulada do Egrégio Supremo tribunal Federal, é legítima a exigência do Salário educação sob a égide da Constituição Federal de 1988. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO Não sendo acatadas as alegações da defesa quanto às preliminares ou ao mérito, resta sem objeto a argumentação de que o lançamento seria incerto e ilíquido. ... Conforme o Relatório Fiscal do Auto de Infração, o lançamento: ... tem por finalidade apurar e constituir o crédito relativo às seguintes contribuições sociais arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Contribuição devida pela empresa sobre os valores pagos aos segurados empregados que prestaramlhe serviços, relativa aos Terceiros SESC, SENAC, SEBRAE, INCRA e Sal Educação, recolhidas a menor, nos pagamentos de Décimo Terceiro Salário. ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: PRELIMINARMENTE, haveria ofensa aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório uma vez que o Auto de Infração “... apenas mencionou o embasamento legal a amparar sua pretensão, deixando contudo de relacionar os empregados mencionados de cujas contribuições teria a empresa deixado de recolher, ferindo os Princípio Constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório.”; seria nulo o lançamento uma vez que, no caso, o auditor fiscal não teria competência para assinar o lançamento conforme previsão do artigo 11 do Decreto nº 70.235/72, uma vez que estaríamos diante de Notificação de Lançamento e não de Auto de Infração; NO MÉRITO, quanto à exigência de contribuições previdenciárias sobre o décimo terceiro salário, alega que “... a exigência da contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos a título de gratificação natalina, a par de ferir o Princípio da Diversidade das Fontes de Custeio, não poderia ter sido instituído por Legislação Ordinária, exigindose na espécie, Lei Complementar, consoante o disposto no Texto Constitucional.”; o 13º salário não estaria incluído no conceito de remuneração mensal do trabalhador e, por isso, não serviria como base para exigência do salárioeducação e das contribuições ao SESC e ao SENAC; conforme jurisprudência do STJ, seria indevida a contribuição ao INCRA após a edição da Lei nº 8.212/91; seria inconstitucional a exigência do Salário Educação; por todas estas considerações feitas relativamente ao lançamento, restaria claro que o mesmo não se reveste da necessária liquidez e certeza de que deve se revestir o lançamento tributário para que se possa dizêlo exigível do sujeito passivo. É o Relatório. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.723138/201028 Acórdão n.º 2402003.966 S2C4T2 Fl. 193 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 195DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. As informações alegadas como omitidas do lançamento em prejuízo à defesa estão nos anexos do relatório fiscal, como advertido pela decisão recorrida, e todas as demais podem ser verificadas nos próprios documentos que compõem a escrituração do recorrente através das indicações também no relatório fiscal e seus anexos. Assim, rejeito as preliminares argüidas. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.723138/201028 Acórdão n.º 2402003.966 S2C4T2 Fl. 194 7 No mérito A escrituração contábil e as folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio onde incluiu as remuneração dos segurados, dentre as quais os pagamentos de gratificações natalinas. Insiste a recorrente quanto à inconstitucionalidade da gratificação natalina e das contribuições ao FNDE e INCRA. Acontece que a regra no artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A vedação foi reconhecida por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ... Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Passamos, assim, a apresentação dos dispositivos legais vigentes: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ... § 7º O décimoterceiro salário (gratificação natalina) integra o saláriodecontribuição, exceto para o cálculo de benefício, na forma estabelecida em regulamento. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Quanto ao INCRA, a jurisprudência do STJ é no sentido da validade da cobrança para empresas rurais ou urbanas: Processo AgRg no REsp 999837 / PIAGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL2007/02496956 Relator(a)Ministra ELIANA CALMON (1114) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 12/05/2009 Data da Publicação/Fonte Die 29/05/2009 Ementa PROCESSUAL CIVIL — RECURSO ESPECIAL — CONTRIBUIÇÃO PARA 0 INCRA E FUNRURAL — LEGALIDADE DA EXAÇÃO — QUESTÃO DE MÉRITO JÁ DECIDIDA COM BASE NA SISTEMÁTICA DO ART 543C DO CPC — DECISÃO PROFERIDA ANTERIORMENTE AO JULGAMENTO DO CASO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. I. A contribuição destinada ao INCRA e ao FUNRURAL pelas empresas urbanas, não foram extintas pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como decidido no REsp 977058/RS, Die 10/11/2008, pela sistemática do art. 543C do CPC. 2. Decisão proferida anteriormente ao julgamento do caso representativo de controvérsia. 3. Agravo Regimental não provido. Quanto a contribuição ao FNDE, a constitucionalidade foi sumulado pelo STF: Súmula nº 732 STF Decisão: 26/11/2003 Publicação: 09/12/2003 “É constitucional a cobrança da Contribuição do Salário Educação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/96” Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 198DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.723138/201028 Acórdão n.º 2402003.966 S2C4T2 Fl. 195 9 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 16024.000865/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2005
CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS.
Aplica-se aos lançamentos tidos como reflexos, o resultado do julgamento proferido em relação à exigência que lhe deu origem, respeitada a forma e apuração de cada tributo.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados.
Numero da decisão: 1402-001.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que o IRPJ e a CSLL sejam apurados pela aplicação do coeficiente de arbitramento (38,40%) sobre a base tributável informada na Tabela 1 do voto condutor; e para que o Pis e a Cofins sejam apurados a partir da base tributável informada na Tabela 2 daquele voto. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Cortez que votou por manter o lançamento do IRPJ e da CSLL na forma da autuação.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2005 CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplica-se aos lançamentos tidos como reflexos, o resultado do julgamento proferido em relação à exigência que lhe deu origem, respeitada a forma e apuração de cada tributo. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que o IRPJ e a CSLL sejam apurados pela aplicação do coeficiente de arbitramento (38,40%) sobre a base tributável informada na Tabela 1 do voto condutor; e para que o Pis e a Cofins sejam apurados a partir da base tributável informada na Tabela 2 daquele voto. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Cortez que votou por manter o lançamento do IRPJ e da CSLL na forma da autuação. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA A omissão de registro contábil de vultosa movimentação bancária revela escrituração imprestável para respaldar a apuração do IRPJ e da CSLL com base no lucro real. Tal condição enseja a tributação pelo regime do lucro arbitrado. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplicase aos lançamentos tidos como reflexos, o resultado do julgamento proferido em relação à exigência que lhe deu origem, respeitada a forma e apuração de cada tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que o IRPJ e a CSLL sejam apurados pela aplicação do coeficiente de arbitramento (38,40%) sobre a base tributável informada na Tabela 1 do voto condutor; e para que o Pis e a Cofins sejam apurados a partir da base tributável informada na Tabela 2 daquele AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 08 65 /2 00 8- 01 Fl. 2512DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/03 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 voto. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Cortez que votou por manter o lançamento do IRPJ e da CSLL na forma da autuação. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto Fl. 2513DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/03 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16024.000865/200801 Acórdão n.º 1402001.602 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: No âmbito do procedimento de fiscalização instituído pelo Mandado de Procedimento Fiscal n. 08.1.10.002008004224, contra a empresa acima identificada foram lavrados autos de infração que lhe exigiram Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor e R$ 4.218.007,41, Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) de R$ 279.972,45, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) de R$ 1.527.122,65 e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) de R$ 1.289.570,20 (fls.433/464), no regime de apuração pela sistemática de Lucro Real, acrescidos de juros de mora e multa de oficio, cuja capitulação legal achase descrita nos termos de apuração respectivos. Segundo consta do Relatório Fiscal (fls. 384/385), o procedimento decorreu da incompatibilidade entre a movimentação financeira e a receita declarada da contribuinte, relativa ao anocalendário de 2005, com a intimação para apresentar cópias dos extratos de contascorrentes bancárias e dos livros e documentos que embasaram os lançamentos contábeis. Em face do atraso na entrega dos extratos bancários emitiramse Requisições de Movimentação Financeira (RMF) para os bancos nos quais figurava como correntista. Após cotejar as informações prestadas pela contribuinte e pelos bancos, com a dedução de importâncias relativas a estornos, transferências, financiamentos, elaborou a autoridade fiscal, relação dos créditos cuja origem não fora justificada, ao mesmo tempo em que, novamente, intimou a contribuinte a apresentar sua contabilidade. Em vista de que os documentos apresentados não se prestaram a justificar a origem dos recursos lançados a crédito nas contas de depósitos, a autoridade fiscal considerou o total dos valores lançados na planilha que relacionaram os depósitos e créditos como não justificados, que serviram de base de cálculo para a imposição tributária por omissão de receita. Relatório que detalha os créditos antes referidos achase acostado sob fls.386/432. Intimada da imposição tributária, ingressou a contribuinte com a impugnação de fls. 468/491 com alegação preliminar de que: é improcedente o relato da autoridade fiscal, segundo o qual a impugnante não teria atendido as intimações; a base de cálculo do lançamento tributário baseouse em presunção que não considerou créditos justificados, ao mesmo tempo em que consignou crédito relativo a cobertura de sinistro com aeronave, no valor de R$ 733.779,00, que no relatório consta como não justificado; Fl. 2514DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/03 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 nas presunções o ônus de comprovar o fatobase compete a quem as alega; o lançamento é nulo por não ter sido endereçado à contribuinte termo de constatação antes da lavratura da peça impositiva, circunstância que impediu pleno exercício do direito de defesa; o termo de intimação que lhe fora endereçado, instandoa a apresentar imediatamente relação de bens não esclareceu a finalidade da exigência, tampouco marcou prazo para cumprimento, em conformidade com a legislação. No mérito, arguiu que: a imposição tributária, que é 24 vezes superior ao seu patrimônio liquido, extrapola sua capacidade contributiva; é improcedente o lançamento tributário com base em arbitramento, que somente pode ocorrer em situações excepcionais, legalmente previstas; descabe constituição de crédito tributário com base em depósitos bancários, em consonância com a jurisprudência dos Tribunais Superiores, que suscitou a edição do enunciado da Súmula n. 182, do Tribunal Federal de Recursos. Propugnou pela realização de perícia, em conformidade corn as regras do Decreto n° 70.235, de 1972, que instituiu o Processo Administrativo Fiscal (PAF), com justificação dos motivos, formulação de quesitos e indicação de perito. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP, prolatou o Acórdão 1422.675 considerando o lançamento parcialmente procedente. Excluiu da base de cálculo tributada o valor de R$ 733.779,00; correspondente à indenização por seguro creditada no Banco Itaú e manteve a exigência sobre o restante. Devidamente cientificada, a interessada recorreu a este Colegiado ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. Posteriormente, trouxe razões aditivas à peça recursal afirmando que a apuração do tributo deveria ter sido formalizada por arbitramento ou que, ao menos, fossem computadas as despesas. Acrescenta que foram computados indevidamente como omissão valores que não representariam receitas, e apresenta o que seria um demonstrativo dessas inconsistências. Em primeira apreciação esta turma julgadora converteu o julgamento em diligência a fim de que fossem examinados os registros elaborados pelo sujeito passivo e trazidos aos autos junto com razões aditivas ao recurso voluntário. Feita a diligência, foi apresentada Informação Fiscal acompanhada de planilha demonstrativa pela qual foram indicados os depósitos que autoridade responsável pela diligência entendeu como comprovados. Retornado o processo ao Colegiado, o julgamento foi sobrestado nos termos do § 1º, do art. 62A, da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno desta Corte, tendo em vista que o caráter de repercussão geral no STF para a argüição de inconstitucionalidade das normas que autorizam as instituições financeiras a fornecerem à RFB extratos bancários de seus correntistas. Agora, revogado o dispositivo regimental em comento, não mais se justifica o sobrestamento e o processo está em condições de ser apreciado. Fl. 2515DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/03 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16024.000865/200801 Acórdão n.º 1402001.602 S1C4T2 Fl. 4 5 É o Relatório. Fl. 2516DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/03 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O recurso é tempestivo, foi interposto por signatário devidamente legitimado e preenche as condições de admissibilidade , motivo pelo qual dele conheço. Em preliminar, a interessada reitera a argüição de cerceamento do direito de defesa suscitada na impugnação e, a meu ver, enfrentada corretamente pela decisão recorrida. A discussão sobre a entrega ou não de documentos contábeis e referentes a bens da pessoa jurídica mostrase irrelevante no presente caso. O sujeito passivo não foi autuado por deixar de trazer este ou aquele documento ao Fisco, mas sim por não apresentar justificativa comprovada para diversos depósitos feitos em conta corrente de sua titularidade. Também não há existe qualquer norma que estabeleça a lavratura de Termo de Constatação como formalidade essencial. O alcance do exame a que a reclamante faz menção na peça recursal é perfeitamente delimitado de forma mais geral no MPF e em detalhes no Termo de Início de Fiscalização. O teor do procedimento fiscalizatório ficou ainda mais claro com o Termo de Intimação pelo qual foram solicitados os documentos comprobatórios da origem dos créditos e depósitos em conta corrente. Nesse termo a Fiscalização transcreveu os dispositivos legais que obrigariam ao atendimento da solicitação e, mais ainda, que descreviam as implicações tributárias do não atendimento. Salientese ainda que houve uma preocupação deste órgão julgador em garantir o pleno direito de defesa através da aceitação de aditamento ao recurso acompanhado de documentos apresentados fora do prazo legal e que foram submetidos à diligência gerando revisão parcial pela autoridade responsável. Preliminar rejeitada. No mérito, a alegação de violação ao princípio da capacidade contributiva envolve matéria de natureza constitucional cuja apreciação é privativa do Poder Judiciário. Em argumentos um tanto confusos a recorrente sustenta a impossibilidade de arbitramento do lucro para depois, no aditamento, pleitear justamente a apuração da exigência por arbitramento. Afirma que o art. 42, da Lei nº 9.430/96 não teria sido mencionado no enquadramento legal, o que implicaria em novação por parte da decisão recorrida, faz uma distinção entre crédito e depósito, e depois contraditoriamente alega que o enquadramento não deveria mesmo ser este. Pois bem. O art. 42, da Lei nº 9.430/96, está correta e claramente mencionado no enquadramento legal da autuação. A tributação envolveu valores creditados em conta de depósito sem comprovação da origem dos recursos utilizados, exatamente nos termos mencionados no dispositivo em questão. Simples assim. A jurisprudência apresentada pela defesa não lhe socorre, pois trata de situações anteriores ao advento da norma em comento. Fl. 2517DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/03 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16024.000865/200801 Acórdão n.º 1402001.602 S1C4T2 Fl. 5 7 Recurso improcedente nesse ponto. Com relação às alegações trazidas no aditamento ao recurso, os documentos apresentados naquele momento foram apreciados em procedimento de diligência que implicou na proposta de aceitação parcial de alguns depósitos, o que será acatado neste voto. Quanto à necessidade de apuração do resultado por arbitramento, pareceme que assiste razão à recorrente. A DIPJ da autuada foi entregue sem nenhuma indicação de receitas auferidas ou despesas incorridas. Considerando a significância da movimentação bancária, é questionável a idoneidade da escrituração da pessoa jurídica para apuração do lucro real, quando desconsideradas receitas dessa magnitude. Tal entendimento mostrase de acordo com a jurisprudência deste Colegiado. Como exemplo ( Acórdão 10322502, 1º CC, 3ª Câmara, sessão de 21/06/2006): LUCRO ARBITRADO OMISSÃO DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA A omissão de registro contábil de vultosa movimentação bancária revela escrituração imprestável para respaldar a apuração do IRPJ e da CSLL com base no lucro real. Tal condição enseja a tributação pelo regime do lucro arbitrado Lembrando ainda que a tributação teve origem em omissão de receitas decorrente de uma presunção legal, aplicar a alíquota do imposto sobre valor dos depósitos, implicou em onerosidade excessiva que seria mitigada pelo arbitramento do lucro. Tal sistemática, em casos como o presente, constituise em instrumento de adequação da exigência fiscal à proporcionalidade dos fatos pois, na impossibilidade de verificar a contabilização do custo correspondente, a aplicação do percentual evita a tributação da receita como se lucro fosse. Por outro lado, o entendimento desta turma julgadora está consolidado no sentido de que o cancelamento total da autuação não é a melhor solução para o caso, pois implicaria em aceitar a infração cometida sem o estabelecimento de qualquer tipo de sanção. Nessa linha, e considerando o tipo de atividade exercida pela interessada, meu voto é no sentido de dar provimento parcial ao recurso para recalcular o IRPJ e a CSLL com aplicação do percentual de arbitramento de 38,4% sobre a base de cálculo apurada pela Fiscalização, ajustada pela decisão de primeira instância e pelo relatório de diligência, nos seguintes valores (TABELA 1): Período Valor trib. Fisco Valor Trib. DRJ Valor Trib. CARF 1º trimestre 3.600.316,72 2.826.537,72 2.343.837,72 2º trimestre 5.167.783,36 5.167.783,36 4.206.033,38 3º trimestre 3.612.891,20 3.612.891,20 3.002.191,20 Fl. 2518DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/03 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 4º trimestre 4.587.038,44 4.587.038,44 3.434.638,44 Em relação ao PIS e à Cofins, a aceitação do relatório de diligência implica em alterar a base tributável conforme tabela abaixo, ressaltando que nesse caso já foi levada em consideração a alteração decorrente da decisão de primeira instância (TABELA 2): PERÍODO VALOR TRIB. DRJ VALOR EXC.DILIG. VALOR TRIB. CARF JANEIRO 947.872,07 71.100,00 876.772,07 FEVEREIRO 750.183,11 99.800,00 650.383,11 MARÇO 1.128.482,54 311.800,00 816.682,54 ABRIL 2.130.765,60 518.206,32 1.612.559,28 MAIO 1.378.571,67 229.361,66 1.149.210,01 JUNHO 1.658.446,09 214.182,00 1.444.264,09 JULHO 1.299.982,22 148.500,00 1.151.482,22 AGOSTO 1.343.306,35 255.500,00 1.087.806,35 SETEMBRO 969.602,63 206.700,00 762.902,63 OUTUBRO 1.202.431,17 252.500,00 949.931,17 NOVEMBRO 1.503.142,79 406.200,00 1.096.942,79 DEZEMBRO 1.881.464,48 493.700,00 1.387.764,48 Em resumo do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para que o IRPJ e a CSLL sejam apurados pela aplicação do coeficiente de arbitramento (38,40%) sobre a base tributável informada na Tabela 1; e para que o Pis e a Cofins sejam apurados a partir da base tributável informada na Tabela 2. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 2519DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/03 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16024.000865/200801 Acórdão n.º 1402001.602 S1C4T2 Fl. 6 9 Fl. 2520DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/03 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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