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Numero do processo: 13873.000485/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 14 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 09 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
REGRA MATRIZ DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. PREVISÃO EXCLUSIVA POR MEIO DE LEI.
A regra matriz de incidência tributária, que contem a hipótese tributária e a base de cálculo, somente pode ser prevista por lei, de modo que não cabe à IN/SRF nº 03/05 restringir a abrangência da hipótese tributária prevista no art. 22-A da Lei nº 8212/91 por via transversa, por meio da meio da criação do conceito de atividade econômica autônoma, pelo que os dispositivos da instrução normativa que restringem a abrangência da hipótese tributária não podem ser aplicados por infração ao princípio da estrita legalidade.
Numero da decisão: 2402-010.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Francisco Ibiapino Luz, Ricardo Chiavegatto de Lima e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco Ibiapino Luz, Gregorio Rechmann Junior, Marcio Augusto Sekeff Sallem, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Ricardo Chiavegatto de Lima (suplente convocado (a)), Ana Claudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira (Presidente).
Nome do relator: Renata Toratti Cassini
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 REGRA MATRIZ DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. PREVISÃO EXCLUSIVA POR MEIO DE LEI. A regra matriz de incidência tributária, que contem a hipótese tributária e a base de cálculo, somente pode ser prevista por lei, de modo que não cabe à IN/SRF nº 03/05 restringir a abrangência da hipótese tributária prevista no art. 22-A da Lei nº 8212/91 por via transversa, por meio da meio da criação do conceito de atividade econômica autônoma, pelo que os dispositivos da instrução normativa que restringem a abrangência da hipótese tributária não podem ser aplicados por infração ao princípio da estrita legalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Francisco Ibiapino Luz, Ricardo Chiavegatto de Lima e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco Ibiapino Luz, Gregorio Rechmann Junior, Marcio Augusto Sekeff Sallem, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Ricardo Chiavegatto de Lima (suplente convocado (a)), Ana Claudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos até o julgamento em primeira instância, adoto o relatório da decisão recorrida, abaixo transcrito: Trata o presente de Auto-de-Infração de Obrigação Principal — AIOP, DEBCAD 37.184.233-6, que constitui o crédito tributário de contribuições sociais devidas à seguridade social relativas a parte da empresa e à destinada ao financiamento dos AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 00 04 85 /2 00 9- 51 Fl. 524DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-010.146 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13873.000485/2009-51 benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e parte da empresa incidente sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais, tudo de acordo com o Relatório Fiscal do AIOP — RF e todos os anexos integrantes do AIOP em tela, no montante de R$ 252.493,20 (duzentos e cinquenta e dois mil, quatrocentos e noventa e três reais e vinte centavos), consolidado em 20/08/2009. O presente AIOP é resultado de auditoria básica em documentos da empresa, tais como Contrato Social e alterações, notas fiscais, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social — GFIP, Guias da Previdência Social —GPS, Fichas de Registro de Empregados, Fichas de Salário Família, Livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, Razão e Diário, tendo sido apurado débito no período de 01/2005 a 12/2005 (inclusive o 13.° salário). Conforme o RF, em visita in loco, o auditor autuante constatou que as atividades desenvolvidas pelo contribuinte são a seleção, coleta, preparo, industrialização e armazenamento de sêmen para terceiros. O sujeito passivo entregou, antes do inicio da ação fiscal, GFIP com salários e pro labore pagos, nas quais usou o código FPAS 604, o qual prevê apenas a incidência de 2,7% sobre os valores pagos aos segurados empregados referentes a Terceiros (Salário Educação e INCRA). No entanto, ainda de acordo com o RF, pelo exercício de atividade de industrialização de sêmen, que caracteriza atividade econômica autônoma, quer seja comercial, industrial ou de serviço, nos termos do artigo 240, inciso XXII, combinado com o artigo 250, parágrafo 2º da Instrução Normativa MPS/SRP n.° 03, de 14/04/2005 e alterações posteriores, o enquadramento correto é o FPAS 787, que prevê as alíquotas de 20% referentes à parte patronal, incidente sobre os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais, 3% referentes ao RAT e 5,2% referentes a Terceiros (Salário Educação, INCRA e SENAR), incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados. As contribuições previdenciárias descontadas dos segurados empregados foram recolhidas tempestivamente antes do inicio da ação fiscal e os recolhimentos da parte patronal e Terceiros, também anteriormente efetuados foram deduzidos dos valores apurados, conforme o "RADA — Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados", integrante do presente AI. Tempestivamente o sujeito passivo contestou o lançamento através do instrumento de fls. 153/177, no qual, apresentando jurisprudência traz, em síntese, as seguintes alegações: - A empresa, conforme seu contrato social, tem por objeto a "importacão, exportação, industrialização e comercialização de sêmen e embrides, inclusive a prestação de serviços", encontrando-se devidamente registrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento nos exatos termos de sua Portaria n.° 25, de 05/09/1993, enquadrando-se, portanto na categoria de agroindústria, com total submissão ao disposto no artigo 22-A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, que prevê a substituição da folha de salários como base de calculo para as contribuições previdenciárias (parcela do empregador) pela receita bruta proveniente da comercialização de sua produção; - Os relatórios elaborados pela fiscalização não refletem a verdade, uma vez que sugerem que a impugnante realizaria apenas a comercialização de produtos de natureza rural, sendo importante observar que ela realiza a comercialização de produtos que fabrica, tal como se observa na minuta de contrato de industrialização que serviu de base para a investigação, maneira que, de fato e de direito, trata-se de atividade agroindustrial; Fl. 525DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-010.146 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13873.000485/2009-51 - A fiscalização entendeu por bem considerar o artigo 35-A da Lei 8.212/91 e o artigo 44 da Lei 9.430/96 como embasamento para a aplicação da multa, o que é incorreto, por terem sido tais dispositivos introduzidos pela Lei 11.941/09, que é posterior ao período fiscalizado, não podendo, pois, serem aplicados, por tratar-se de penalização mais gravosa ao contribuinte. Se porventura alguma sanção devesse ser aplicada, seria aquela prevista na legislação vigente à época dos fatos, uma vez que a retroatividade prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional — MN sé tem cabimento nos casos em que a nova sanção se mostrar menos gravosa que a revogada; - Também não concorda a impugnante com a incidência dos juros moratórios calculados com base na Taxa SELIC, o que contraria o disposto no artigo 161 do CTN, que determina que o crédito tributário não pago no vencimento será acrescido de juros de mora de 1% ao mês, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis; - Da forma como está aplicada no AI ora impugnado, a Taxa Selic assume caráter manifestadamente confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal — CF; - Destaca a manifesta e inaceitável medida da autoridade fiscalizadora de encaminhar representação fiscal para fins penais — RFFP A. Procuradoria da República por entender presentes indícios de crime conta a ordem tributária, pois, em nenhum momento do auditor ao menos sugeriu a existência de conduta ilícita de natureza penal, tanto que, na lavratura do presente AI não lhe foi imputada a multa qualificada prevista no artigo 44, inciso I, parágrafo 1. 0 da Lei 9.430/96. 0 que se tem é apenas uma divergência de natureza interpretativa da norma jurídica, jamais tendo acontecido qualquer intenção por parte dos administradores da impugnante de praticar algum crime; - Independentemente do acolhimento da improcedência da imputação de juros moratórios calculados com base na Taxa Selic, protesta, adicionalmente, pela suspensão de sua incidência e exigibilidade no até a data em que se proferir decisão final do feito na esfera administrativa, nos termos do artigo 151, inciso III da Lei 5.172/66; Ao final, anexando documentos de fls. 178/204, requer: - O acolhimento das razões acima, a fim de reconhecer a regularidade dos recolhimentos efetuados pela impugnante e, ao mesmo tempo, declarar a insubsistência do AI, que deverá ser anulado, posto indevido; - Caso o lançamento for mantido, ao menos a multa e os juros deverão ser anulados, posto que em descompasso com as respectivas legislações de regência; - A anulação da RFFP, eis que não há, nos autos, qualquer prova da existência de crime contra a ordem tributária; - Protesta, com base no disposto na Lei 9.784/99, pela produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias. Em 07/10/2009 foi protocolado requerimento solicitando o recebimento de consulta formulada à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, bem como sua resposta, para remessa a essa DRJ. Em sua consulta, a impugnante descreve detalhadamente todos os procedimentos que são realizados desde a coleta do sêmen até a inseminação Fl. 526DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-010.146 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13873.000485/2009-51 artificial, o congelamento de embriões ou a fertilização e cultivo in vitro até o estágio de embriões a serem transferidos a vacas receptoras, no sentido de demonstrar que a atividade que exerce é industrialização por conta de terceiros, nos moldes da legislação do fisco estadual paulista. Em sua resposta, a Consultoria Tributária — CT da Coordenadoria da Administração Tributária — CAT, órgão da Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda do Estado de São Paulo afirma estar correto o entendimento da Consulente, podendo as operações internas (remetentes e destinatários paulistas) ser efetuadas como Industrialização por Conta de Terceiros. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente pela DRJ/RPO em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AGROINDÚSTRIA. SUBSTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. INOCORRÊNCIA. Para a agroindústria a execução de atividade econômica autônoma exclui a aplicação da substituição das contribuições previdenciárias sobre a folha de pagamento pela calculada sobre a comercialização da produção rural. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. As contribuições sociais, lido recolhidas nas épocas próprias, estão sujeitas multa e aos juros equivalentes à taxa SELIC. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS RFFP. COMPETÊNCIA. DRJ. A DRJ carece de competência para a análise do inconformismo do sujeito passivo em relação à Representação Fiscal para Fins Penais - RFFP lavrada pela fiscalização. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito, nos termos do artigo 151 do CTN, não impede o Fisco de proceder ao lançamento eis que esta é atividade vinculada e obrigatória e visa impedir a ocorrência da decadência. DILAÇÃO PROBATÓRIA. A dilação probatória fica condicionada à sua necessidade à formação da convicção da autoridade julgadora e ao atendimento, por parte de seu requerente, dos requisitos previstos na legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificado dessa decisão aos 25/02/10 (fls. 439), dela o contribuinte interpôs recurso aos 24/03/10 (fls. 443 ss.), no qual alega, em síntese, a) que reitera os termos de sua impugnação apresentada em primeira instância, b) que é pessoa jurídica que se enquadra na categoria de agroindústria, conforme consta de seu objeto social, o que foi constatado pela autoridade fiscal atuante em auditoria realizada em seu estabelecimento, fato que comprova que sua atividade se submete ao art. 22-A da lei 8212/91, com redação dada pela Lei nº 10256/10 e art. 201-A do Decreto 3048/99, c) que não há como acolher as razões expostas pela decisão recorrida para sustentar a base de cálculo da contribuição previdenciária ora exigida (folha de salários ao invés da receita bruta) sob o fundamento que a atividade desenvolvida pelo recorrente se trata de atividade econômica autônoma, definida no art. 240, XXII da IN/SRP nº 03/2005, à qual se Fl. 527DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-010.146 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13873.000485/2009-51 aplica o art. 250, § 2º, III, “b”, dessa mesma Instrução Normativa, porque viola o art. 146 do CTN, o princípio da estrita legalidade tributária, além do princípio da anterioridade nonagesimal, previsto no art. 195, § 6º da CF/88, d) em momento nenhum a autoridade fiscal sequer sugeriu a existência de conduta ilícita de natureza penal. Ao contrário, pelos apontamentos feitos, constata-se que há, no caso, apenas uma divergência de natureza interpretativa da norma jurídica e não nenhuma conduta do recorrente, por meio de seus administradores, de praticar crime contra a ordem tributária a justificar a Representação Fiscal para Fins Penais, e) que é inconcebível que ao tributo lançado seja acrescida taxa de juros exorbitantes, calculados com base na taxa SELIC, posto que o art. 161 do CTN estipula que o crédito tributário não pago não vencimento será acrescido de juros de mora de 1% ao mês, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis, f) que deve ser suspensa a incidência dos juros Selic durante o período de tramitação do processo administrativo porque o sujeito passivo da obrigação tributária não deve arcar com os juros moratórios incidentes a partir da data da protocolização de sua impugnação até a decisão final do processo administrativo fiscal se a mora no deslinde do feito é da própria Administração Tributária; e g) que o conteúdo da Resposta à Consulta formulada à Secretaria da Fazenda dos Estado de São Paulo contém elementos suficientes para reforçar a tese de inaplicabilidade do conceito de “atividade econômica autônoma” ao recorrente, como procederam a autoridade fiscal autuante e o julgador e primeira instância, pelo que é de rigor que seja levada em consideração para o fim de reformar a decisão de primeira instância. Por fim, requer a reforma da decisão recorrida para que seja declarada a insubsistência do auto de infração. Subsidiariamente, que seja afastada a cobrança dos juros moratórios com base na SELIC; a não incidência de juros moratórios durante o trâmite do processo administrativo fiscal, desde o protocolo da impugnação até a decisão final a ser proferida no processo; e seja afastada a possibilidade de representação fiscal para fins penais. Não houve contrarrazões. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Renata Toratti Cassini, Relatora. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos formais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Trata-se de recurso voluntário interposto de acórdão que julgou improcedente impugnação apresentada contra auto de infração lavrado para a constituição de crédito tributário de contribuições à seguridade social relativas à parte empresa e à destinada ao financiamentos dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GIILRAT) incidentes sobre as remunerações Fl. 528DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-010.146 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13873.000485/2009-51 pagas a segurados empregados contribuintes individuais no período de 01/2005 a 12/2002 (inclusive 13º salário) no valor total de R$ 252.493,20, consolidado aos 20/08/09. Relata a autoridade fiscal autuante que o contribuinte, antes do início da ação fiscal, houvera entregado GFIP com salários e pró-labore pagos, nas quais utilizou o código FPAS 604, que prevê apenas a incidência de contribuições a Terceiros (Salário-Educação e Incra) à alíquota de 2,7 % sobre os valores pagos aos segurados empregados, quando o correto, no seu entendimento, seria ter-se utilizado do código FPAS 787, que prevê as alíquotas de 20% referentes à parte patronal, incidente sobre os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais, 3% referentes ao RAT e 5,2% referentes a Terceiros (Salário Educação, INCRA e SENAR), incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados. Isso porque durante a ação fiscal, em visita in loco nas dependências do contribuinte, a autoridade fiscal autuante constatou que as atividades desenvolvidas pelo contribuinte são a seleção, coleta, preparo, industrialização e armazenamento de sêmen para terceiros e, dessa forma, tratar-se-ia de “atividade econômica autônoma”, definida pelo art. 240 da IN/SRF SRF nº 03/2005, razão pela qual, nos termos do art. 250, § 2º dessa mesma norma, a ele não se aplica o art. 22-A da Lei nº 8212/91. O julgador de primeira instância ratificou esse entendimento sob o argumento de que a autoridade fiscal autuante afirma ter constatado que a atividade do recorrente caracteriza-se como atividade econômica autônoma, conforme definição contida na IN/SRF nº 03/05, e “a execução de atividade econômica autônoma exclui a aplicação da substituição das contribuições previdenciárias sobre a folha de pagamento pela calculada sobre a comercialização da produção rural, conforme também previsto na Instrução Normativa • MPS/SRP n.° 03, de 14/04/2005, em seu artigo 250, parágrafo 2.°, inciso III, alínea "b"”. Em seu recurso voluntário, o recorrente alega que se trata na categoria de agroindústria, conforme consta de seu contrato social, e que esse fato foi constatado pela própria autoridade fiscal em visita realizada em suas dependências no curso da ação fiscal, o que comprova que sua atividade se enquadra no art. 22-A da Lei nº 8212/91, com redação dada pela Lei nº 10256/10, e no art. 201-A do Decreto nº 3048/99. Pois bem. Da base de cálculo da contribuição cobrada – da atividade do contribuinte Conforme consta do Relatório Fiscal do Auto de Infração de fls. 72 ss., (...) 2.- A "ANGUS BELA VISTA PECUÁRIA LTDA.", seus escritórios e estabelecimentos, conceituam-se como empresa (artigo 15 inciso I da Lei 8 212 de 24/07/1991 e alterações posteriores), dedicam-se às atividades de "importação, exportação, industrialização e comercialização de sêmen e embrião, inclusive prestação de serviços, nos termos da Portaria n°. 25 de 05 de setembro de 1996, da Secretaria de Desenvolvimento Rural - Ministério da Agricultura e do Abastecimento", organizada sob a forma de Sociedade Empresária, consoante as disposições da Lei 10.406 de 10 de janeiro de 2002, conforme Contrato Social - NIRE 35 211 210 098, sendo a última Alteração Social, datada de 08 de dezembro de 2008, registrada sob n° 394 317/08-7, em 16 de dezembro de 2008. 2.1.- Foi apresentado o Certificado de Registro de Estabelecimento no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, expedido em 18/02/2009, para a área de MATERIAL DE MULTIPLICAÇÃO ANIMAL, nas atividades de Produtor, Importador, Exportador e Prestador de Serviços, classificado como "SÊMEN BOVINO" e "EMBRIÕES BOVINOS", desde 25/03/1999. Fl. 529DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-010.146 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13873.000485/2009-51 (...) 4.- Em visita "in loco" na Fazenda Boa Vista, no dia 26 de junho de 2009, por volta de 8 h 30 min, fomos recebidos pelos Srs. Nilson Torelli - contador e Mauricio Hilário Nabuco - Gerente Administrativo e Financeiro e visitamos as instalações da Fazenda: Escritórios, Baias de Animais para Descanso e Exames Veterinários, Central de Coleta, Análise, Classificação, Controle, Preparação, Industrialização de Sêmen e Armazenamento, tendo constatado que a única atividade do contribuinte é a seleção, coleta, preparo, industrialização e armazenamento de sêmen para terceiros, que transportam seus animais para a Fazenda por conta e risco, na ida e volta, em veículos próprios, arcando com todos os gastos com alimentação, permanência dos animais e armazenamento do sêmen em nitrogênio líquido. (Destaquei e grifei) 5.- Os fatos geradores das contribuições previdenciários ocorreram com os pagamentos de salários aos segurados empregados da empresa, em Folhas de Pagamentos, cujas contribuições estão capituladas nos artigos 22 incisos I, ll alínea "c", III, 28 inciso I, 30 inciso I alíneas "a" e "b", 37, por disposição do § 2° do artigo 22-A, todos da Lei 8 212 de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores, conforme Relatório de Lançamentos, Demonstrativos Analítico e Sintético do Débito, anexos, onde foram utilizados, respectivamente, os códigos: 5.1.- FP — FOLHA DE PAGAMENTO — período 01/2005 a 12/2005; (...) 9.- O contribuinte apresentou tempestivamente, antes do início da Ação Fiscal, as GFIP's, com salários e Pro Labore, usou os códigos FPAS 604 Terceiros 0003 alíquota 2,7% (SALÁRIO EDUCAÇÃO 2,5%, INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRARIA - INCRA 0,2%) alíquota RAT 0,0%, que calcula e processa somente as contribuições retidas (descontadas) dos segurados e contribuinte individual e as dos terceiros (fundos), pela alíquota de 2,7%. 9.1.- No entanto, o enquadramento correto é FPAS 787-0 alíquota (INSS 20,0%) Terceiros 0515 alíquota 5,2% (SALÁRIO EDUCAÇÃO 2,5%, INCRA 0,2%, SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM RURAL — SENAR 2,5%) e RAT 003.990-0 alíquota 3,0%, pois não se aplica ao contribuinte, a substituição de contribuições previdenciárias que estabelece o recolhimento sobre a comercialização de produção rural própria ou própria e adquirida de terceiros. 9.2.- As contribuições previdenciárias do contribuinte, são com base na Folha de Pagamento, pelo exercício de atividade de industrialização de sêmen, caracterizando-se como atividade econômica autônoma, quer seja comercial, industrial ou de serviço, consoante definição do artigo 240 inciso XXII combinado com o artigo 250 § 2°, inciso III alínea "b" da Instrução Normativa MPS/SRP n°. 03 de 14 de julho de 2005 e alterações posteriores, emitida com supedâneo nos artigos 22-A § 2°. e 33 da Lei 8 212 de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores. (...). O art. 22-A da Lei 8212/91 dispõe o seguinte: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de:(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). I - dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). II - zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n o 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de Fl. 530DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-010.146 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13873.000485/2009-51 incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade.(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) Os arts. 240, XXII e 250, § 2º, III, “b” da IN/SRF 03/2005, por sua vez, dispõem: Art. 240. Considera-se: (...) XXII - atividade econômica autônoma, quer seja comercial, industrial ou de serviços, aquela exercida mediante estrutura operacional definida, em estabelecimento específico ou não, com a utilização de mão-de-obra distinta daquela utilizada na atividade de produção rural ou agroindustrial, independentemente da atividade preponderante do produtor rural ou da agroindústria. (...). Art. 250. As contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, industrializada ou não, substituem as contribuições sociais incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados empregados e trabalhadores avulsos, previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, sendo devidas por: (...) § 2º Não se aplica a substituição prevista no caput, hipótese em que são devidas as contribuições previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991: (...) III - quando o produtor rural pessoa jurídica, além da atividade rural: (...) b) exercer outra atividade econômica autônoma, definida no inciso XXII do art. 240, seja comercial, industrial ou de serviços, em relação à remuneração de todos os empregados e trabalhadores avulsos; (...). (Destaquei) Segundo consta do item 9 do Relatório Fiscal, “As contribuições previdenciárias do contribuinte, são com base na Folha de Pagamento, pelo exercício de atividade de industrialização de sêmen, caracterizando-se como atividade econômica autônoma, quer seja comercial, industrial ou de serviço, consoante definição do artigo 240 inciso XXII combinado com o artigo 250 § 2°, inciso III, “b alínea "b" da Instrução Normativa MPS/SRP n°. 03 de 14 de julho de 2005 e alterações posteriores, emitida com supedâneo nos artigos 22-A § 2°. e 33 da Lei 8 212 de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores” (destaquei). Esse o fundamento da autuação. Ocorre que, de acordo com o que consta do próprio relatório fiscal, tais dispositivos não se aplicam ao contribuinte, ora recorrente. Com efeito, conforme afirma a autoridade fiscal autuante no item 4 do Relatório Fiscal, já acima reproduzido, mas que transcrevo novamente, 4.- Em visita "in loco" na Fazenda Boa Vista, no dia 26 de junho de 2009, por volta de 8 h 30 min, fomos recebidos pelos Srs. Nilson Torelli - contador e Mauricio Hilário Nabuco - Gerente Administrativo e Financeiro e visitamos as instalações da Fazenda: Escritórios, Baias de Animais para Descanso e Exames Veterinários, Central de Coleta, Análise, Classificação, Controle, Preparação, Industrialização de Sêmen e Armazenamento, tendo constatado que a única atividade do contribuinte é a seleção, coleta, preparo, industrialização e armazenamento de sêmen para terceiros, que transportam seus animais para a Fazenda por conta e risco, na ida e volta, Fl. 531DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-010.146 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13873.000485/2009-51 em veículos próprios, arcando com todos os gastos com alimentação, permanência dos animais e armazenamento do sêmen em nitrogênio líquido. (Destaquei e grifei) O art. 250, § 2º, III, “b” da IN/SRF Nº 03/2005, igualmente acima reproduzido, dispõe expressamente que “Não se aplica a substituição prevista no “caput”, hipótese em que são devidas as contribuições previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, quando o produtor rural pessoa jurídica, além da atividade rural, exercer outra atividade econômica autônoma, definida no inciso XXII do art. 240, seja comercial, industrial ou de serviços, em relação à remuneração de todos os empregados e trabalhadores avulsos”. Ora, a própria autoridade fiscal autuante afirma que a única atividade do contribuinte é a é a seleção, coleta, preparo, industrialização e armazenamento de sêmen para terceiros. Portanto, essa atividade não se trata de outra atividade econômica autônoma, uma vez que, como constatado pelo próprio auditor fiscal, ele exerce ESSA E SOMENTE ESSA. Assim, como demonstrado, nem o auto de infração, nem a r. decisão recorrida, têm fundamento válido. Ademais, a regra matriz de incidência tributária, que contem a hipótese tributária e a base de cálculo, somente pode ser prevista por lei, o que, no caso, é feito pela Lei nº 8212/91, mais precisamente pelo seu art. 22-A, de modo que não cabe à IN/SRF nº 03/05 restringir a abrangência da hipótese tributária prevista no art. 22-A da Lei nº 8212/91 por via transversa, por meio da meio da criação do conceito de atividade econômica autônoma, pelo que entendo que também por isso, os dispositivos em questão não podem ser aplicados, por infração ao princípio da estrita legalidade. Acresça-se que a Instrução Normativa em questão entrou em vigor aos 15/07/2005 e o auto de infração objeto do presente processo administrativo tem por objeto contribuições à seguridade social do período de 01/2005 a 12/2005. Ou seja, essa norma jamais poderia ser aplicada aos fatos anteriores à sua vigência. E, acrescento, ainda, que embora não se trate de lei, mas de instrução normativa, entendo que a ela também deve se aplicar o art. 195, § 6º da CF no que diz respeito aos dispositivos que, como os ora tratados, impliquem em aumento do ônus tributário ou tratamento mais gravoso ao contribuinte, pois onde existe a mesma razão fundamental, prevalece a mesma regra de Direito (Ubi eadem ratio, ibi eadem legis dispositivo). Desse modo, o auto de infração deve ser cancelado. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração. (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 532DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10983.901225/2008-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3401-000.313
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Odassi Guerzoni Filho
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ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Júlio César Alves Ramos. Fl. 167DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/201 1 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983901225200888 Resolução n.º 340100.313 S3C4T1 Fl. 78 2 Relatório O presente processo retorna a este Colegiado após manifestação do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em FlorianópolisSC conclusiva no sentido de que, contrariamente ao que constara de nossa Resolução nº 3401 00.178, de 27/10/2000, não caberia qualquer revisão de oficio no Despacho Decisório que não reconhecera o crédito e não homologara a compensação, indicados na Dcomp. Além disso, aproveitou o ensejo da providência por nós determinada [revisão do Despacho Decisório em face de informações não disponíveis à época em que elaborado o “batimento eletrônico” de informações], para apontar equívoco no encaminhamento do Recurso Voluntário ao Carf, porquanto o mesmo não estaria acompanhado de instrumento de mandato autorizado pela interessada, já que firmado por pessoa sem poderes para a representação. Por conta disso, argumentou que o Recurso Voluntário sequer poderia ter sido conhecido e que deverseia prosseguir na cobrança do débito constante do presente processo. No essencial, é o Relatório. Fl. 168DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/201 1 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983901225200888 Resolução n.º 340100.313 S3C4T1 Fl. 79 3 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Relator Prejudicial de conhecimento do Recurso Voluntário A Autoridade Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em FlorianópolisSC tem razão ao apontar, ainda que a destempo, falha na representação processual relacionada ao encaminhamento do Recurso Voluntário ao Carf, o que, em princípio, daria azo ao não conhecimento do mesmo, na linha, inclusive, acrescento eu, de decisões do então denominado Conselho de Contribuintes1. Ocorreu que, de fato, não obstante na procuração outorgada pela empresa aos advogados Vicente Greco Filho e Fabrício Fávero, estivesse expressamente vedado o substabelecimento total ou parcial a qualquer outro advogado/procurador, a pessoa que assinou o Recurso Voluntário foi o advogado Maurício Alvarez Mateos, fato este que passou despercebido, tanto pela Autoridade preparadora que remeteu pela primeira vez o presente processo ao Carf para julgamento, quanto por este relator, que, equivocadamente, atestou o cumprimento de todos os seus requisitos de admissibilidade. Todavia, na Sessão de 31/08/2011, quando da apreciação de idêntica argumentação posta pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis relacionada ao processo nº 10983.901454/200631, em nome da ora interessada Centrais Elétricas de Santa Catarina S/A, deliberáramos, à unanimidade, por meio da Resolução nº 340100.303, que seria dada oportunidade à empresa para que a representação processual fosse regularizada. Não obstante naquela ocasião não o tivesse feito, invoco agora, para o presente caso, a regra constante do Código de Processo Civil, artigo 13, inciso II, que dispõe: “Art. 13. Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para sanar o defeito. Não cumprindo o despacho dentro do prazo, se a providência couber: (...) II – ao réu, reputarseá revel.” Ora, em nenhum momento deste processo cuidou a Autoridade preparadora de cobrar da interessada regularização da representação processual relacionada ao Recurso Voluntário, de sorte que não me parece razoável a caracterização da revelia, pura e simplesmente. Em face do exposto, deverá a interessada ser cientificada da falha, para que, no prazo de trinta dias, sane o defeito. Contribuição retida na fonte – não aproveitamento – direito a crédito Numa apertadíssima síntese da matéria de mérito que versa o presente processo, esclareço aos meus pares que a interessada, uma concessionária de serviço público de energia elétrica, verificou, em maio de 2004, que no ano de 2002, não obstante tivesse sofrido a 1 Acórdão nº 10194.528, de 18/03/2004 e Acórdão nº 20215.779, de 18/12/2004, por exemplo. Fl. 169DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/201 1 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983901225200888 Resolução n.º 340100.313 S3C4T1 Fl. 80 4 retenção na fonte do PIS/Pasep e da Cofins, em face do recebimento pela venda de energia elétrica à Universidade Federal de Santa Catarina [art. 64 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 19962] deixara de se valer da regra que autorizava a utilização do valor retido como “compensação com a contribuição da mesma espécie” [na forma do art. 5º da IN 306, de 12/03/2003], ou a utilização do valor retido como “dedução do valor da contribuição da mesma espécie” [na forma do art. 7º da IN 480, de 15/12/2004, que revogou a referida IN 306/2003], em ambos os casos, compensação/dedução essas relacionadas a fatos geradores ocorridos a partir do mês de retenção. E, em não tendo se valido de tal permissão legal, nem à época própria, nem posteriormente, ao menos até a data da entrega da Dcomp, concluiu que o valor então retido configuraria, na verdade, um “pagamento a maior” da contribuição, o que, por sua vez, ensejaria o direito ao reconhecimento de um crédito junto à Fazenda Nacional, passível de ser utilizado em procedimento de compensação, tal qual estabelece o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não teve, porém, reconhecido o alegado crédito, primeiro, pela DRF, que, por meio de despacho eletrônico, apontou como causa para tanto a não localização junto aos sistemas da Receita Federal do Darf indicado na Dcomp como originário de qualquer pagamento indevido ou a maior, e, segundo, pela DRJ, que alegou a inobservância de forma para tanto, visto que, a seu ver, a Dcomp deveria ter sido precedida de uma recomposição formal nos registros e declarações do período de apuração. Na formulação dos termos da Resolução acima mencionada que aprováramos quando tivemos contato com a matéria, eu já admitira,de um lado, a tal inobservância da forma propalada pela instância de julgamento, e, de outro, a invasão de competência perpetrada pela DRJ ao ir além de sua competência para negar o direito da interessada. Além disso, eu já ressalvara as limitações impostas aos contribuintes para esmiuçar as razões de suas postulações nas Dcomp, mormente em casos especialíssimos como o do presente processo. Assim, forma por forma, ambas as partes – contribuinte e Fisco não as teriam obedecido completamente. Pois bem. Este Colegiado, com outra composição, entendeu que “em princípio”, incorrera mesmo a interessada num pagamento indevido ou a maior, o qual, contudo, por não haver sido corretamente demonstrado na Dcomp e nem nas demais manifestações que se seguiram – Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário , mereceria uma nova análise por parte da DRF, desta feita, levando em conta as nossas observações. Daí os termos em que elaborada a Resolução acima referida. Todavia, a DRF, diante dos termos da Resolução, entendeu que, da forma com que estão postas as informações prestadas pela interessada, quer na Dcomp, quer na sua DIPJ e DCTF, os sistemas da Receita Federal do Brasil não são capazes de identificar a existência de qualquer pagamento efetuado a maior ou indevidamente. Ressalta que o Darf de retenção sob o código “6147”, na verdade, não existe, sendo que o documento juntado aos autos a esse título 2 Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoa jurídica, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição para a seguridade social Cofins e da contribuição para o Pis/Pasep. Fl. 170DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/201 1 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983901225200888 Resolução n.º 340100.313 S3C4T1 Fl. 81 5 reporta apenas uma tela do sistema, de modo que o recolhimento efetuado pela fonte retentora da contribuição se deu juntamente com prováveis tantos outros valores retidos de outrem, o que impossibilita a checagem por parte da Receita Federal da existência ou não de determinado valor específico. Argumenta ainda a DRF que: “[...] Se o contribuinte houvesse usado a retenção na fonte da forma correta, ou seja, para abater dos tributos/contribuições apurados no mês ao qual se refere a retenção, seria possível a RFB fazer a conferência e verificar a procedência da retenção. Isso seria feito comparando o valor mensal de retenção informado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) pelo contribuinte com o valor mensal retido informado pela fonte pagadora na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF)”. Não foi demonstrada a existência de pagamento a maior ou indevido, e ainda que houvesse sido, há ainda o problema de que não se pode apresentar Dcomp para esse tipo de crédito. Entendemos que um pedido pode sim ser indeferido devido a não observância da forma apropriada. Pela grande variedade e quantidade de declarações recebidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a mesma utilizase de sistemas eletrônicos de processamento de dados para análise das declarações. Para que os sistemas tenham êxito no processamento das informações elas devem observar padrões, que são previstos em instruções normativas expedidas pelo Órgão. Se cada contribuinte pudesse transmitir suas declarações conforme melhor lhe aprouvesse seria o completo caos na Administração Tributária. Conforme muito bem lembrado na Resolução do CARF é dever da Administração Pública zelar pela eficiência. E essa eficiência só é possível de ser atingida exigindose dos contribuintes a observância as normas. Além disso, é também na padronização de tratamento dos contribuintes que se manifesta outro principio da Administração Pública, a impessoalidade. O contribuinte não é uma vitima de limitações do programa PER/Dcomp, a não homologação da compensação decorre da inobservância das normas sobre retenções na fonte e sobre apresentação da Dcomp, e não da falta de oportunidade de explicar as verdadeiras razões de seu pedido. Se não há na Dcomp campo para informação desse tipo de crédito é justamente porque não é possível realizar compensação com esse tipo de crédito. Se, por exemplo, o programa PER/Dcomp não admite a transmissão de Dcomp compensando débitos de tributos do Simples Nacional, é porque a legislação não admite esse tipo de compensação. Para facilitar as coisas para o contribuinte o sistema barra a transmissão de Dcomp com conteúdo que contraria as normas. Então se o contribuinte "inventa" um DARF para "enganar" o sistema e conseguir transmitir sua Dcomp, o único resultado possível da análise desse documento é a não homologação. A situação retratada neste processo repetese em outros 21 (vinte e um) processos, há 22 (vinte e duas) Dcomp que foram não homologadas pela mesma razão da Dcomp aqui em análise, ou seja, inexistência do DARF indicado na Dcomp. As alegadas retenções na fonte que o contribuinte utiliza como pagamentos indevidos/a maior teriam ocorrido nos anoscalendário 2000, 2001 e 2002. Se foi descoberto somente em 2004 que nos anoscalendário anteriores não foram aproveitadas retenções, o procedimento correto a ser adotado é apurar novamente os tributos e contribuições Fl. 171DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/201 1 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983901225200888 Resolução n.º 340100.313 S3C4T1 Fl. 82 6 (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins), retificar as DCTF dos anoscalendário 2000, 2001 e 2002, retificar as DIPJ dos anoscalendário 2000, 2001 e 2002. Essas modificações poderiam inclusive ocasionar reflexos nos anoscalendário posteriores, que necessitariam também de ajustes. Verificouse, entretanto, que o contribuinte não efetuou qualquer retificação de DCTF, DIPJ ou ajuste em sua contabilidade, apenas transmitiu, no mesmo dia (14/05/2004), 22 (vinte e duas) Dcomp. Tratase de empresa de grande porte, sujeita inclusive a acompanhamento diferenciado por ser um dos maiores contribuintes da jurisdição, e que obviamente não desconhece as normas sobre aproveitamento das retenções na fonte. Entretanto, o contribuinte não refez livros, ou efetuou qualquer retificação de declaração, tão somente transmitiu um monte de Dcomp, visando assim resolver, de uma tacada, em um dia, o que foi feito incorretamente durante três anos. Volto a lembrar, a atividade administrativa desenvolvida pela RFB é plenamente vinculada, não se pode admitir que os contribuintes adotem a solução mais fácil, deve ser exigido que seja feito o que é correto. Não se vislumbra qualquer motivo para revisão de oficio do Despacho Decisório de não homologação da Dcomp, pelo contrario verificouse uma série de razões pelas quais o crédito não pode ser reconhecido da maneira como foi pleiteado. E, conforme anteriormente mencionado, acreditamos inclusive que deveria ser procedida a cobrança imediata do débito indevidamente compensado, uma vez que decorreu in albis o prazo após a ciência do acórdão da DRJ sem manifestação válida do contribuinte. Assim, proponho o encaminhamento do processo ao CARF, a fim de que antes de prosseguir com o julgamento do mérito, avalie a preliminar de legitimidade.” Não obstante estejam claramente apontadas as razões pelas quais a DRF ou os sistemas da Receita Federal do Brasil não conseguem identificar a existência de pagamento a maior ou indevido na situação especialíssima com a qual nos deparamos, data máxima venia, divirjo da parte da argumentação da DRF quando afirma que, verbis, “Se não há na Dcomp campo para informação desse tipo de crédito é justamente porque não é possível realizar compensação com esse tipo de crédito.” Ora, o fato do Sistema de Compensação de Créditos elaborados pela Receita Federal do Brasil não prever tratamento para tal situação não significa que haja vedação expressa nas normas que regulam os procedimentos de reconhecimento de crédito e homologação de compensações de débitos; ao contrário. Estamos, sim, diante de uma situação especialíssima, para a qual, aparentemente, não foi criada uma solução pelos sistemas de controle engendrados pela Administração Tributária. Não consigo deixar de vislumbrar no presente caso a existência do direito reclamado pela interessada; ressalvando, é claro, as premissas de que tenha havido mesmo a alegada retenção na fonte e que a base de cálculo da contribuição e o respectivo recolhimento tenham sido corretamente apurados e efetuados. Suponhamos, então, que no período de apuração de fevereiro de 2002 a interessada tenha sofrido a retenção na fonte da contribuição, digamos, de R$ 100; que a contribuição devida, antes de se considerar essa retenção, fosse de R$ 1.000; e que tivesse efetuado o recolhimento a título dessa contribuição desses R$ 1.000. Fl. 172DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/201 1 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983901225200888 Resolução n.º 340100.313 S3C4T1 Fl. 83 7 Ora, por óbvio que, não usufruindo a faculdade prevista na legislação de deduzir, do valor a pagar, o valor que lhe fora retido na forma de antecipação, terá efetuado um pagamento a maior ou indevido de R$ 100, correspondente, justamente, ao valor da retenção [antecipação] não aproveitada. Então, se a DRF afirma que o Sistema de Compensação de Créditos não consegue visualizar isso eletronicamente, é o caso de que tal situação seja visualizada por meio de análise criteriosa de servidor [pessoa humana, e não a máquina] de todos os elementos necessários para tal, ainda que, para isso, seja necessário o envolvimento indispensável da interessada, voltado para a recomposição das bases de cálculos já se considerando as retenções na fonte, seguidas de retificações nas declarações correspondentes [DCTF, DIPJ etc], seguida de disponibilização da documentação fiscal e contábil. O Fisco, por sua vez, de posse dessas informações [e de outras que julgar necessárias] fornecidas pela interessada, já terá elementos para efetuar a confrontação com a DIRF entregue pelo responsável pela retenção e identificar, ou não, a existência do alegado pagamento a maior. A constatação, feita pela Autoridade fiscal, inclusive, de que o sistema PER/Dcomp não permite o reconhecimento de crédito “dessa natureza”, implica em dizer que referido sistema não consegue desincumbirse da tarefa que lhe é posta e que não está vedada pelas normas legais que regulam os procedimentos de compensação, situação essa, contudo, que não pode infligir prejuízos financeiros aos contribuintes em detrimento de um aparente enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Nacional. Não se nega que a forma com que o contribuinte postulou seu crédito está errada, mas, será que esse erro não comporta retificação? Estaria, então, o contribuinte fadado a se conformar com o seu erro e irremediavelmente arcar com tal prejuízo? Ou, dito de outra forma, será que se o contribuinte demonstrar que fez a antecipação do pagamento da contribuição [retenção na fonte] e que não a deduziu do valor a pagar, não exsurgirá um pagamento a maior? Não se trata aqui de adoção da solução “mais fácil” em detrimento da “mais correta”, mas, sim, de, diante de uma situação especialíssima, buscar a observância aos princípios da eficiência administrativa e o da economia processual, o que pode ser conseguido, não se referendando o voto da DRJ [que implicará na exigência dos débitos cuja compensação não foi homologada] e exigindo do contribuinte uma nova formulação de seu pedido; mas, sim, aproveitando a fase em que se encontra o presente processo e a partir de todas as informações nele contidas e de outras a serem obtidas do contribuinte, fazerse uma análise sobre a existência ou não do alegado “pagamento a maior ou indevido”. Em face de todo o exposto, voto pela conversão do presente julgamento em nova diligência, desta vez, determinando à Unidade de origem que, mediante intimação à interessada e consulta aos sistemas de informação da Receita Federal do Brasil, reúna todos os elementos necessários para a elaboração de nova manifestação dando conta a este Colegiado acerca das pretensões formuladas pela interessada no PER/Dcomp objeto deste processo, ou seja, se, primeiro, existe o crédito indicado, e, segundo, se o mesmo é capaz de suportar a compensação a ele atrelada. Conclusão Fl. 173DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/201 1 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983901225200888 Resolução n.º 340100.313 S3C4T1 Fl. 84 8 Em face de todo o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para que, primeiro, a Unidade de origem intime o contribuinte a, no prazo de trinta dias, sanar a falha na representação de seu Recurso Voluntário; e, segundo, e caso sanada a falha na representação processual, que informe a este Colegiado se, considerada a dedução do valor devido da contribuição em face da retenção na fonte indicada neste processo, há crédito suficiente para suportar a compensação declarada. A Recorrente deverá ser cientificada dos termos do resultado da informação a ser prestada a este Colegiado para que, em desejando, se manifeste no prazo de trinta dias. É como voto. Odassi Guerzoni Filho Fl. 174DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 15/10/201 1 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 13974.000153/2007-76
Data da sessão: Mon Apr 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 30/11/2004 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. GFIP. TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS/DIRETORES. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD.
A contrafação de trabalhadores autônomos e diretores, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado.
INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra,- a arguição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Principio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito desta Corte Administrativa afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior.
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. LEI 9.784/1999
APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA.
A Lei n.° 9.784/1999 não revogou nem alterou nenhuma lei especifica disciplinadora de processos administrativos no ambito tributário. Serão aplicadas as normas especificas do Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172/1966), do Decreto n.° 70.235/1972 e outras normas do gênero JUROS/SELIC CORREÇÃO MONETÁRIA. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
PERÍCIA. NÃO APLICAÇÃO.
A autoridade julgadora deve indeferir o pedido de perícia quando considerá-la prescindível e meramente protelatória.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2402-000.770
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. GFIP. TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS/DIRETORES. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os tu mos da NFLD. A contrafação de trabalhadores autônomos e diretores, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciarias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra,- a arguição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Principio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito desta Corte Administrativa afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. LEI 9.784/1999 APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA. A Lei n.° 9.784/1999 não revogou nem alterou nenhuma lei especifica disciplinadora de processos administrativos no ambito tributário. Serão aplicadas as normas especificas do Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172/1966), do Decreto n.° 70.235/1972 e outras normas do gênero JUROS/SELIC CORREÇÃO MONETÁRIA. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. PERÍCIA. NÃO APLICAÇÃO. A autoridade julgadora deve indeferir o pedido de perícia quando considerá- la prescindível e meramente protelatoria. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • ACORDAM os membros da 4a Câmara / r Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. .22./ ..• ELWOLIVEIRA - Presidente h / RON LDO DE LIMA MACEDO — Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Ronaldo de Lima Macedo e Maria da Glória Faria (Suplente). Ausente o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. 2 Processo n° 13974.000153/2007-76 S2-C4T2 Acórdão n." 2402-00.770 Fl. 95 Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) lançada pelo Fisco contra empresa Móveis Pretty S.A. — Indústria e Comércio, referentes às contribuições devidas à Seguridade Social, nas rubricas da empresa, do SAT/RAT (financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho) e de outras entidades/Terceiros (Salário-Educação, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE), incidentes sobre os valores pagos, creditados ou devidos a segurados pessoas físicas contratados para prestação de serviços remunerados pela empresa ora notificada, bem como remunerações de diretores, no período de 11/2004 a 13/2006. O Relatório Fiscal da notificação (fl. 26) informa que o fato gerador foi apurado com base nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), folhas de pagamento e RAIS. A autuada apresentou impugnação (fls. 33 a 60), alegando em síntese que: (i) a ilegalidade da taxa de juros aplicada; (ii) correção monetária destoante da orientação jurisprudencial; (iii) a ilegalidade das multas e o seu caráter confiscatório; (iv) produção de provas documental, testemunhal, perícia contábil, expedição de certidões, documentos e todos que se fizerem necessários no decorrer da instrução. A DRP em Blumenau-SC — por meio da Decisão-Notificação (DN) n° 20.421.4/0215/2007 — considerou o lançamento fiscal procedente (fls. 63 a 68). Tempestivamente, a notificada apresentou recurso (fls. 79 a 88), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento das contribuições e no mais efetua repetição das alegações de defesa. A DRF CIE Joinville-SC informa que o recurso interposto é tempestivo (fl. 92). É o relatório. A? ki‘j\ 3 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso ora analisado foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 91. Superados os pressupostos de admissibilidade, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Iniciahnente destacamos que o procedimento administrativo de lançamento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo omissão na aplicação das normas da Lei n.° 9.784/1999 — diploma que estabelece a disciplina geral do processo administrativo no âmbito da administração pública federal —, já que os seus os preceitos só deverão ser aplicados em caráter subsidiário. Neste sentido, asseveramos que a aplicação da Lei n.° 9.784/1999 aos processos administrativos tributários federais tem caráter supletivo ou subsidiário, uma vez que essa Lei não revogou nem alterou nenhuma lei especifica disciplinadora de processos administrativos determinados. Isso está em consonância ao estabelecido expressamente no art. 69 da Lei n.° 9.784/1999, pois este artigo dispõe que os processos administrativos que sejam regulados em leis especificas permanecem regidos por essas leis, sendo apenas subsidiariamente aplicáveis a eles os preceitos estabelecidos na Lei n.° 9.784/1999. Assim, significa dizer que as normas da Lei n.° 9.784/1999 aplicam-se apenas aos casos em que não haja lei específica regulando o respectivo processo administrativo ou, quando haja, é aplicável para complementar as regras especiais. Com isso, para apreciação e análise do caso em tela, serão aplicadas as normas estabelecidas de forma especifica para o processo tributário federal, previstas pelo Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172/1966), pelo Decreto n.° 70.235/1972 (diploma que r\\ \.1 tem status de lei ordinária e disciplina o processo administrativo fiscal), e outras normas do gênero. Ainda em sede de preliminar, no que pertine a verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Cumpre esclarecer que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos Membros de Turmas de julgamento afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula n° 2, publicadas no DOU de 22/12/2009, ANEXO III - CONSOLIDAÇÃO DAS SÚMULAS DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF, pág. 71, transcrito a seguir: Súmula CARF n° 2: O GARE não é competente para se pronunciar sobre a ineonvtitueionalidade de lei tributária. 4 • Processo n°13974.000153/2007-76 S74C4T2 Acórdão e? 2402-00.770 Fl. 96 Súmulas 2 do 1° e 2° Conselhos do antigo Conselho de Contribuintes. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito DO MÉRITO No recurso voluntário em questão, o contribuinte resumiu-se a atacar: (i) a inconstitucionalidadefilegalidade da taxa de juros aplicada; ("Ii) a ilegalidade das multas e o seu caráter confiscatório; (iii) o cerceamento de defesa pelo indeferimento do pedido de perícia e do depoimento testemunhal. Percebe-se então que o recorrente não refutou qualquer dos valores pagos aos contribuintes individuais enquanto fatos geradores da contribuição previdenciária. Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto da presente notificação, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão-Notificação (DN), verifica-se a concordância da recorrente com a DN exarada sobre número 20.421.4/0215/2007. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a Decisão-Notificação. No que tange a arguição de inconstitucionalidade, ou ilegalidade, de legislação previdenciária que dispõe sobre a aplicação da taxa de juros aplicada (taxa SELIC), frise-se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusar-se a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei n° 8.212/1991. Toda lei presume-se constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitá-la. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há marãfestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei Mio pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difitso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. • Em aplicação ao art. 144 do CTN — estabelece que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e rege-se pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada — e com relação à cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC), esta estava prevista em lei especifica da 5 previdência social, art. 34 da Lei ri ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia-SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevávet (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórias relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições correspondera a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial ri ° 475904, publicado no DJ em 1210512003, cujo relator foi o MM. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA TÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SEL1C estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1°, do CTIV. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Cone, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1 0/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou o enunciado da Súmula n° 3, em 18 de setembro de 2007, nos seguintes teimes: SÚMULA N°3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poder-se-ia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando - os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária ‘49)eis que que o art. 34 da Lei n° 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas é% à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. • Processo n" 13974.000153/2007-76 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.770 Fl. 97 Ainda, conforme estabelece os arts. 34 e 35, ambos da Lei n° 8212/1991, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições prevideneiárias. Além disso, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. I°, da Lei n° 9.876/99) I - para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. I°, da Lei n°9.876/99). ) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. I '', da Lei n°9876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei e 9.876/99). - para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação,- (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei n°9.876/99). Iii \ -para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1', da Lei n°9.876/99). 7 d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n` 9.876/99). § 1' Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP n° 1.571197, reeditada até a conversão na Lei n° 9.528/97) § 2° Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP n° 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n° 9.528/97) § 3° O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § I° deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP n° 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n°9.528/97) § C Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei n°9.876/99) A recorrente alega também que a cobrança da multa estaria sendo aplicada exclusivamente com fundamentos nas prescrições do Decreto n° 3.048/1999. Tal premissa não prospera, pois consta de forma clara no anexo "Fundamentos Legais do Débito" o dispositivo contido no art. 35, da Lei n° 8.212/1991 (fl. 23), que trata da incidência da multa de mora sobre as contribuições em atraso, do qual o art. 239 do Decreto n°3.048/1999 é apenas corolário. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa, estando os valores descritos na NIELD, bem como os seus fundamentos legais (fls. 21 a 23), em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Quanto ao argumento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, indo de encontro ao princípio constitucional implícito da razoabilidade ou da proporcionalidade, e, em função disso, deve ser relevada, razão não confiro ao recorrente, já que a multa foi aplicada em conformidade à legislação tributária-previdenciária descrita acima. Ademais, conforme registramos anteriormente, a verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Logo, essa verificação de que a multa aplicada vai de encontro ao principio constitucional da razoabilidade, ora pretendida pela recorrente, exacerba a competência originária dessa Corte administrativa que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela ke Constituição Federal. a Processo ne 13974.000153/2007-76 — S2-C4T2 AcOrdão n.° 2402-00.770 Fl. 98 Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter conliscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV da Constituição Federal de 1988: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV- utilizar tributo com efeito de confisco; Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, já que se trata de uma multa pecuniária. Não recolhendo na época própria o sujeito passivo tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. A recorrente insiste na realização da perícia contábil c na produção de prova testemunhal, conforme lhe faculta o art. 38 da Lei n° 9.784/1999, já que isso estaria cerceando o seu direito de defesa. Essa tese também não prospera, eis que os preceitos estabelecidos pela Lei n° 9.784/1999 são normas gerais e não devem ser aplicadas no caso em tela, pois há normas específicas estabelecidas nos arts. 16, 18, 20, 28, todos do Decreto n.° 70.235/1972 (diploma que disciplina o processo administrativo fiscal no âmbito federal), para a matéria suscitada pela recorrente. Ademais, verifica-se que, para a apreciação e a prolataçâo da decisão de procedência, ou não, do lançamento fiscal ora analisado não existem dúvidas a serem sanadas, já que, na NFLD com seus anexos, consta de forma clara os elementos necessários para a configuração do ato administrativo fiscal. Logo, não há que se falar em cerceamento de defesa pois está estabelecido de forma transparente nos autos (fls. 01 a 32), para o procedimento de lançamento fiscal analisado, todos os seus requisitos legais, conforme preconiza o art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, tais como, local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. A produção de prova testemunhal não é necessária para a resolução da r\ controvérsia instalada neste processo, pois todas as questões trazidas pela recorrente são 1\ matérias de direito, ou comprováveis por provas documentais, não havendo assim qualque situação fática que possa ser solucionada mediante testemunhas. Trata-se de solicitações não necessárias para a deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, o art. 18, da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235/1972), estabelece: Art.18 - A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou pendas, quando entendê-las Ni67necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. 9 Assim, indeferem-se o pedido de perícia contábil e de produção de prova testemunhal, por considerá-los prescindíveis e meramente protelatórios. Diante do exposto, o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos na legislação de regência, devendo ser mantido nos termos da Decisão-Notificação, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantendo o lançamento efetuado. Sala das Sessões, em 26/04/2010 7)1C). RONALDO D LIMA MACEDO - Relator .\\\ 10
score : 1.0
Numero do processo: 10516.000021/2010-59
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 16 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3003-001.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Lara Moura Franco Eduardo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges, Ariene D'Arc Diniz e Amaral, Lara Moura Franco Eduardo e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: Lara Moura Franco Eduardo
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EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. IMPEDIMENTO. CONFIGURAÇÃO. Restando bem demonstrado nos autos que a conduta realizada pelo sujeito passivo acarretou no impedimento da ação de fiscalização aduaneira, cabível a imposição da multa prevista no art. 107, IV, c, do Decreto-lei nº 37/1966. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Lara Moura Franco Eduardo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges, Ariene D'Arc Diniz e Amaral, Lara Moura Franco Eduardo e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Por bem narrar os fatos ocorridos, adoto o relatório contido na decisão proferida pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Florianópolis-DRJ/FNS: Trata-se de auto de infração (fls. 02/11) lavrado para exigência de crédito tributário constituído no montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a título de multa regulamentar aplicada pelo embaraço e/ou impedimento à fiscalização aduaneira. O lançamento foi efetuado em razão de que o contribuinte, intimado em três oportunidades (Termos de Intimação nº 099/2010, 100/2010 e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 6. 00 00 21 /2 01 0- 59 Fl. 105DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-001.965 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10516.000021/2010-59 114/2010) a apresentar um veiculo importado irregularmente, embora tenha apresentado resposta às referidas intimações, deixou de atender às exigências formuladas pela fiscalização por entender que a impetração do Mandado de Segurança Preventivo n° 5015041-61.2010.404.7100 lhe garantia o direito de se manifestar apenas depois do trânsito em julgado daquela ação. Em razão disso, informa a fiscalização, a falta de apresentação do veículo importado e/ou de qualquer medida judicial válida que o desobrigasse de cumprir aquela obrigação teria impedido o prosseguimento e a execução de atos de ofício (apreensão e perdimento do veículo) tendentes à conclusão da ação fiscal, restando caracterizado o embaraço à fiscalização, razão porque foi lavrado o auto de infração para lançamento da multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decreto-Lei n° 37/66, c/com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/2003. O sujeito passivo foi cientificado do auto de infração em 01/10/2010 e apresentou defesa em 03/11/2010, tempestivamente. Em sua impugnação (fls. 37/39), alega, basicamente, o que segue adiante. Informa que a importação do veículo objeto da peleja foi efetuada pela empresa Convector Distribuição, Importação e Exportação Ltda, subcontratada pelo intermediador Lúcio Magnabosco Lima, não tendo tomado conhecimento da transação e seus trâmites cujo veículo lhe fora entregue conforme encomendado. Acresce que foi surpreendido por convocação da Receita a apresentar documentos e prestar esclarecimentos sobre a operação de importação. Diz que seus procuradores compareceram na Receita e foram informados de que a operação era fraudulenta (subfaturamento) e o veículo seria objeto de apreensão e perdimento, tendo sido intimado três vezes para vistoria e apreensão do veículo. Registra que a multa é descabida porque impetrou Mandado de Segurança Preventivo n° 5015041-61.2010.404.7100 e informou isso em resposta à intimação. Informa que o mandado de segurança ainda pende de trânsito em julgado, razão porque não pode sofrer a sanção desta multa. Sustenta não ter praticado fraude por ser mero consumidor que contratou terceiros especializados para realização da operação de importação. Requer, ao final, desconsideração da multa aplicada e sua nomeação como fiel depositário até que seja proferida decisão final com trânsito em julgado no processo judicial referido. Ao analisar a impugnação apresentada contra o lançamento de ofício, o órgão de primeira instância administrativa julgou procedente em parte o recurso mencionado, sob os fundamentos de que: O impugnante não possuía qualquer decisão judicial válida em seu favor que o desobrigasse de cumprir as exigências formuladas pela fiscalização; 1. Em consulta processual levada a efeito na instância a quo, verificou-se que o processo relativo ao Mandado de Segurança Preventivo nº 5015041.61.2010.404.7100 fora extinto sem resolução do mérito, face a pedido de desistência por parte da impetrante; 2. A Ação Cautelar nº 3.091-MC/RS, proposta pela empresa Convector Distribuição, Importação e Exportação Ltda relativamente à Fl. 106DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-001.965 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10516.000021/2010-59 importação aludida, teve seu seguimento negado pelo Ministro Celso de Mello, sendo ainda autorizado o prosseguimento do trâmite do processo administrativo sobre o assunto; 3. O impugnante, na condição de contribuinte, sabia (ou devia saber) que a contratação de terceiros para a realização dos serviços de importação jamais poderia afastar a sua responsabilidade objetiva para efeitos fiscais; 4. Na ocasião em que fora intimado para apresentar o veículo cuja importação estava sob fiscalização, o contribuinte não o teria feito, bem como não teria apresentado qualquer decisão judicial válida que o desobrigasse de cumprir aquela obrigação; 5. Embora tenha respondido as 3 (três) intimações feitas pela Fiscalização Aduaneira para apresentar o veículo importado, não atendeu às exigências feitas por esta por entender que a impetração do Mandado de Segurança nº 5015041.61.2010.404.7100 lhe garantiria o direito de se manifestar após o trânsito em julgado. O impugnante foi intimado acerca do Acórdão proferido pela DRJ/FNS em 02/10/2018, conforme Aviso de Recebimento - AR anexado ao presente processo. Na sequência, em 31/10/2018, interpôs Recurso Voluntário, reproduzindo as razões de defesa expendidas na impugnação, de que a importação fora realizada por terceira pessoa, Convector Distribuição, Importação e Exportação Ltda, de que o tema controvertido se encontrava sub judice; que o Recorrente, agindo de boa fá, desde o início do procedimento fiscal apresentou documentos e esclarecimentos solicitados pela Fiscalização; e que o veículo fora retirado do local onde estava, quando da chegada do Fisco, para ser abastecido. São esses os fatos a relatar. Voto Conselheira Lara Moura Franco Eduardo, Relatora. Encontrando-se, portanto, satisfeitos os requisitos da tempestividade e, sob o aspecto material, da competência deste Colegiado para a apreciação do Recurso Voluntário, dele conheço. Não foram apresentadas questões preliminares no Recurso Voluntário, portanto, dirijo-me ao mérito. Fl. 107DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-001.965 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10516.000021/2010-59 Conforme já colocado, trata-se de Auto de Infração por meio do qual foi lançada multa por embaraço à fiscalização, prevista no art. 107, IV, c, do Decreto nº 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. O fundamento fornecido para o lançamento foi a falta de apresentação do veículo para o qual se decretara a pena de perdimento, não obstante a emissão de 3 (três) intimações para tanto. O procedimento fiscalizatório que na oportunidade se concluía consta do processo nº 10516.000006/2010-19. Cabe uma observação primeira, para melhor elucidar os fatos: o Recorrente tem contra si lavrado 2 (dois) Autos de Infração nos quais é aplicada a mesma infração de embaraço à fiscalização, promovida para apuração de importação do veículo INFINITI EX 35 AWD, ano e modelo 2008, Chassi n° JNRASO8W98X200143, DI n° 08/0388468-5, que teria se realizada irregularmente. Assim, no processo nº 10516.000024/2010-92, lança-se a mesma multa em menção, em face da retirada ardilosa do veículo do local em que seria feita a sua apreensão, impedindo a ação de fiscalização. Nos presentes autos, nº 10516.000021/2010-56, aplica-se a multa pela dificuldade e/ou impedimento gerados pelo sujeito passivo para que se levasse a efeito a ação de apreensão do bem, em resultado ao Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 10154.0000011/10, nos autos do processo administrativo n° 10516.000006/2010-19. Basicamente, na pela recursal alega-se que a questão estava sob julgamento, que o bem foram impostado por terceiros e ele nada sabia acerca de irregularidades no procedimento de importação, como também que foram respondidas todas as intimações emitidas pelas autoridades fiscalizadoras. Considero, contudo, não assistir razão ao Recorrente. A uma, porque em 22/07/2010, 26/07/2010 e 286/08/2010, data em que ocorreu a ciência das 3 (três) intimações expedidas, não constava decisão judicial vigente − ainda que temporária − que suspendesse a fiscalização que se procedia na Declaração de Importação do bem, estando as autoridades aduaneiras em exercício pleno das suas prerrogativas de vistoria, inspeção, apreensão de mercadorias, lançamento de ofício e outras. Ressalte-se que o simples protocolo de exordial, em Mandado de Segurança Preventivo ou demais ações, não subtrai as Declarações de Importação do exame das autoridades aduaneiras, notadamente quando há indício de prática de ilícito à legislação de regência da matéria. Fl. 108DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-001.965 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10516.000021/2010-59 Quando o mais, tendo as decisões judiciais proferidas no curso do processo judicial sido desfavoráveis às pretensões do Impetrante/Recorrente, especialmente aquela que antecedeu a apreensão do dito veículo: Demais disso, a dois: em que pese o bem ter sido importado através de serviços especializados de terceiros, o Recorrente se encontrava na condição de importador e na posse e guarda do veículo em debate, portanto, possuía legitimidade para figura no polo passivo das intimações e da autuação. Por fim, a três: a infração imputada não diz respeito à ausência de resposta à intimação. Inclusive, tanto no AI quanto na decisão recorrida é narrado o fato de que houve resposta às intimações, muito embora não houvesse o cumprimento da apresentação do automóvel, conforme requerido, para prosseguimento do procedimento definido no processo n° 10516.000006/2010-19. Note-se que, em face da descrição apresentada, da recusa reiterada de apresentação do bem para apreensão e guarda até o encerramento do processo administrativo que lhe correspondia, a conduta tipificada no art. 107, inciso IV do Decreto nº 37/1966, mostra-se bem delineada. Assim, vejamos: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV- de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) Fl. 109DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-001.965 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10516.000021/2010-59 c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Primeiramente, a infração embaraço aduaneiro é gênero a comportar 4 (quatro) tipos de condutas, omissivas ou comissivas, do agente: (1) embaraçar; (2) dificultar; (3) impedir; (4) não apresentar resposta no prazo estipulado a intimação em procedimento fiscal. Quem imputa a infração, deve especificar qual a ação, dentre as citadas, foi procedida pelo agente, a bem de deixar evidenciado o comportamento contrário à norma, para conferência da tipicidade. No caso, as autoridades fiscalizadoras entenderam que a conduta do sujeito passivo se enquadrava na modalidade impedir (e não deixar de responder às intimações), de acordo com a Descrição dos Fatos: Na espécie, tem-se como ação da fiscalização aduaneira, citada no dispositivo, o procedimento realizado pelos autuantes que se encerrava com a apreensão e que, pelos relatos contidos nos autos, foi comprometido pelo comportamento do sujeito passivo. Destaque-se que a apreensão era o derradeiro ato administrativo a ser praticado no procedimento de fiscalização, que foi frustrado e evitado em razão da negativa de apresentação do bem para a apreensão decretada. Sob a ótica desta conselheira relatora, a infração restou configurada, tendo a Fiscalização demonstrado a contento em que medida os fatos descritos implicaram no tipo Fl. 110DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-001.965 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10516.000021/2010-59 embaraço à fiscalização, ou seja, em que medida o comportamento do agente gerou impedimento no procedimento. Inclusive, a criação de obstáculos à fiscalização, em relação à apreensão do automóvel, foi fato até mesmo reconhecido pelo próprio Recorrente, entre as razões trazidas no Recurso Voluntário, em que pese ali reputados como legítimos: Não obstante o bis in idem não tenha sido objeto de menção direta na peça recursal, perquire-se a possibilidade de imposição de idêntica multa de embaraço, em um único procedimento de fiscalização, ao mesmo sujeito passivo, porquanto constitui tema referido superficialmente na decisão recorrida. A meu sentir, a legislação aduaneira fornece resposta positiva a tal questionamento, quando no art. 99 do Decreto-lei nº 37/1966, dispõe: Art.99 - Apurando-se, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam-se cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. § 1º - Quando se tratar de infração continuada em relação à qual tenham sido lavrados diversos autos ou representações, serão eles reunidos em um só processo, para imposição da pena. § 2º - Não se considera infração continuada a repetição de falta já arrolada em processo fiscal de cuja instauração o infrator tenha sido intimado. Da intelecção do dispositivo tem-se, no caput, que, se e 1. as penas forem idênticas e 2. apuradas em um mesmo processo, não deve haver cumulação de multas. Porém, trata-se aqui de penalidades idênticas (multa por embaraço à fiscalização), porém tratadas em processos diversos (nºs 10516.000024/2010-92 e 10516.000021/2010-59), portanto, cabível a cumulação. Poder-se-ia aventar a ocorrência de infração continuada, prevista no § 1º do art. 99, acima citado. Porém, a hipótese de infração continuada é afastada, na situação que se apresenta, ex vi o § 2º do mesmo art. 99, também reproduzido, quando dispõe que não se considera infração continuada a repetição de falta em processo fiscal de cuja instauração o infrator já tenha sido intimado. Na espécie, quando o Recorrente fora intimado da lavratura do Auto de Infração aqui tratado, em 28/09/2010, não havia sido ainda instaurado o processo nº 10516.000024/2010- 92, onde restou lavrado, Auto de Infração correspondente à multa por embaraço à fiscalização, Fl. 111DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3003-001.965 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10516.000021/2010-59 devido à retirada do veículo do local em que se encontrava de forma ardilosa, durante o próprio procedimento de vistoria. Portanto, considero que foram imputadas infrações autônomas, embora da mesma natureza. Nos presentes autos, a infração decorre da conduta de impedir a fiscalização pela não apresentação do veículo para vistoria. No processo nº 10516.000024/2010-92, a conduta típica seria remoção do veículo do local em que se encontrava, com o fito de, também, impedir a prática de ato de fiscalização . Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Lara Moura Franco Eduardo Fl. 112DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10437.722006/2017-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2012
PROCEDIMENTO FISCAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELEITO. DESIGNAÇÃO DA FISCALIZAÇÃO POR DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL SITUADA EM OUTRA LOCALIDADE. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VÍCIO DE COMPETÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
De acordo com os atos normativos vigentes à época dos fatos, o delegado da Receita Federal do Brasil estava autorizado a designar procedimento fiscal em jurisdição de outra unidade, subordinada à mesma Região Fiscal, onde se localizava o domicílio tributário do autuado.
PROCEDIMENTO FISCAL. EXECUÇÃO POR EQUIPE DE OUTRA JURISDIÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade sem prova do prejuízo à parte. Mesmo que conduzido o procedimento fiscal à distância pela equipe responsável, permaneceu inalterado o domicílio tributário do contribuinte, a quem foi dado oportunidade de apresentar à fiscalização todos os documentos, informações e esclarecimentos para elidir o lançamento de ofício sem a necessidade de deslocar-se para localidade diversa.
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE IMPOSTO DE RENDA. AUTO DE INFRAÇÃO.
O auto de infração é instrumento adequado para fins de constituição do crédito tributário mediante lançamento de ofício do imposto de renda, acrescido de multa e juros de mora.
NULIDADE. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
É fora de contexto a pretensão de nulidade do acórdão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, quando a decisão de piso confronta as questões principais deduzidas pelo contribuinte e indica com transparência as razões que formaram o convencimento do julgador, cuja fundamentação, em linguagem direta, é capaz de justificar racionalmente a deliberação pela improcedência da impugnação.
GANHO DE CAPITAL. LUCROS INEXISTENTES. MAJORAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. IMPOSSIBILIDADE.
O aumento do capital social com origem em integralização de lucros inexistentes é ineficaz para justificar a majoração do custo de aquisição de participações societárias alienadas.
GANHO DE CAPITAL. CAPITALIZAÇÃO DE DÍVIDAS. CONTRATO DE MÚTUO. MAJORAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. INVIABILIDADE.
O incremento do capital social a partir da capitalização de dívidas sem comprovação da sua materialidade, com suporte em mútuo fictício, é imprestável para documentar a majoração do custo de aquisição das participações societárias alienadas.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MÚTUO ENTRE PESSOA JURÍDICA E SÓCIOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO.
A alegação de que as transferências de recursos financeiros da pessoa jurídica para o sócio são decorrentes de contrato de mútuo deve estar respaldada em documentação hábil e idônea para comprovar a efetividade do negócio jurídico entre as partes. No caso concreto, o conjunto probatório dos autos leva à conclusão que o instrumento apresentado à fiscalização não representa a intenção real das partes, tendo sido engendrado, unicamente, para dissimular a natureza dos rendimentos pagos à pessoa física, como se oriundos de operação de empréstimo ao sócio.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. CABIMENTO.
Mantém-se a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150% sobre o imposto lançado, quando caracterizado o intuito doloso de modificar as características do fato gerador da obrigação tributária, de modo a reduzir a incidência do imposto de renda na apuração de resultado positivo do ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias, através das seguintes condutas: (i) aumento de capital com integralização de lucros inexistentes; e (i) capitalização de dívidas sem comprovação da sua materialidade, fundada em contrato de mútuo que não expressa a intenção real das partes.
MULTA DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. CABIMENTO.
Cabe manter a qualificação da multa de ofício, no importe de 150% sobre o imposto lançado, quando caracterizado o intuito doloso de retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária por parte da autoridade fazendária, mediante o recebimento de valores expressivos da pessoa jurídica da qual é sócio com utilização do artifício de simular a existência de mútuo entre as partes.
LEI TRIBUTÁRIA. MULTA. VEDAÇÃO AO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei que fixa o percentual para a multa quando do lançamento de ofício.
(Súmula CARF nº 2)
JUROS DE MORA. FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO NA DATA DE VENCIMENTO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. INADIMPLÊNCIA.
Independente do motivo determinante da falta, os juros de mora são devidos sobre o crédito tributário não pago na data do vencimento, salvo quando existir depósito no montante integral.
Numero da decisão: 2401-009.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Julgamento iniciado na reunião de março de 2020, quando o relator Dr. Cleberson Alex Friess proferiu seu voto para negar provimento ao recurso voluntário. Na ocasião, acompanharam o voto do relator os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Neste ponto houve o pedido de vista pelo conselheiro Rodrigo Lopes Araújo. Julgamento realizado nesta reunião, sem a presença do relator, pois não é mais conselheiro do CARF. Participou do julgamento deste processo o conselheiro Wilderson Botto. Designado como redator ad hoc o conselheiro Rodrigo Lopes Araújo.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Lopes Araújo Redator ad hoc
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo e Wilderson Botto.
Nome do relator: Cleberson Alex Friess
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DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELEITO. DESIGNAÇÃO DA FISCALIZAÇÃO POR DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL SITUADA EM OUTRA LOCALIDADE. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VÍCIO DE COMPETÊNCIA. INOCORRÊNCIA. De acordo com os atos normativos vigentes à época dos fatos, o delegado da Receita Federal do Brasil estava autorizado a designar procedimento fiscal em jurisdição de outra unidade, subordinada à mesma Região Fiscal, onde se localizava o domicílio tributário do autuado. PROCEDIMENTO FISCAL. EXECUÇÃO POR EQUIPE DE OUTRA JURISDIÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade sem prova do prejuízo à parte. Mesmo que conduzido o procedimento fiscal à distância pela equipe responsável, permaneceu inalterado o domicílio tributário do contribuinte, a quem foi dado oportunidade de apresentar à fiscalização todos os documentos, informações e esclarecimentos para elidir o lançamento de ofício sem a necessidade de deslocar-se para localidade diversa. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE IMPOSTO DE RENDA. AUTO DE INFRAÇÃO. O auto de infração é instrumento adequado para fins de constituição do crédito tributário mediante lançamento de ofício do imposto de renda, acrescido de multa e juros de mora. NULIDADE. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. É fora de contexto a pretensão de nulidade do acórdão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, quando a decisão de piso confronta as questões principais deduzidas pelo contribuinte e indica com transparência as razões que formaram o convencimento do julgador, cuja fundamentação, em linguagem direta, é capaz de justificar racionalmente a deliberação pela improcedência da impugnação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 7. 72 20 06 /2 01 7- 11 Fl. 6948DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 GANHO DE CAPITAL. LUCROS INEXISTENTES. MAJORAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. IMPOSSIBILIDADE. O aumento do capital social com origem em integralização de lucros inexistentes é ineficaz para justificar a majoração do custo de aquisição de participações societárias alienadas. GANHO DE CAPITAL. CAPITALIZAÇÃO DE DÍVIDAS. CONTRATO DE MÚTUO. MAJORAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. INVIABILIDADE. O incremento do capital social a partir da capitalização de dívidas sem comprovação da sua materialidade, com suporte em mútuo fictício, é imprestável para documentar a majoração do custo de aquisição das participações societárias alienadas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MÚTUO ENTRE PESSOA JURÍDICA E SÓCIOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO. A alegação de que as transferências de recursos financeiros da pessoa jurídica para o sócio são decorrentes de contrato de mútuo deve estar respaldada em documentação hábil e idônea para comprovar a efetividade do negócio jurídico entre as partes. No caso concreto, o conjunto probatório dos autos leva à conclusão que o instrumento apresentado à fiscalização não representa a intenção real das partes, tendo sido engendrado, unicamente, para dissimular a natureza dos rendimentos pagos à pessoa física, como se oriundos de operação de empréstimo ao sócio. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. CABIMENTO. Mantém-se a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150% sobre o imposto lançado, quando caracterizado o intuito doloso de modificar as características do fato gerador da obrigação tributária, de modo a reduzir a incidência do imposto de renda na apuração de resultado positivo do ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias, através das seguintes condutas: (i) aumento de capital com integralização de lucros inexistentes; e (i) capitalização de dívidas sem comprovação da sua materialidade, fundada em contrato de mútuo que não expressa a intenção real das partes. MULTA DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. CABIMENTO. Cabe manter a qualificação da multa de ofício, no importe de 150% sobre o imposto lançado, quando caracterizado o intuito doloso de retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária por parte da autoridade fazendária, mediante o recebimento de valores expressivos da pessoa jurídica da qual é sócio com utilização do artifício de simular a existência de mútuo entre as partes. Fl. 6949DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 LEI TRIBUTÁRIA. MULTA. VEDAÇÃO AO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei que fixa o percentual para a multa quando do lançamento de ofício. (Súmula CARF nº 2) JUROS DE MORA. FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO NA DATA DE VENCIMENTO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. INADIMPLÊNCIA. Independente do motivo determinante da falta, os juros de mora são devidos sobre o crédito tributário não pago na data do vencimento, salvo quando existir depósito no montante integral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Julgamento iniciado na reunião de março de 2020, quando o relator Dr. Cleberson Alex Friess proferiu seu voto para negar provimento ao recurso voluntário. Na ocasião, acompanharam o voto do relator os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Neste ponto houve o pedido de vista pelo conselheiro Rodrigo Lopes Araújo. Julgamento realizado nesta reunião, sem a presença do relator, pois não é mais conselheiro do CARF. Participou do julgamento deste processo o conselheiro Wilderson Botto. Designado como redator ad hoc o conselheiro Rodrigo Lopes Araújo. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lopes Araújo – Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo e Wilderson Botto. Relatório Com fundamento no art. 58, § 13 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, fui designado para redigir o presente Acórdão, em face da extinção do mandato do I. Conselheiro Relator Cleberson Alex Friess, ocorrida após o início do julgamento na reunião do mês de Março/2020, sem a conclusão do mesmo em razão de pedido de vista. Fl. 6950DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 Em março de 2020, quando teve início o julgamento do presente processo, o Conselheiro Relator fez a leitura do relatório e apresentou seu voto para negar provimento ao recurso voluntário. Dessa forma, adoto o relatório e voto elaborados e lidos pelo I. Conselheiro Relator na primeira sessão em que o recurso foi colocado em votação. Passo, assim, à transcrição do relatório do Conselheiro Cleberson Alex Friess: “Cuida-se de recurso voluntário interposto em face da decisão da 19ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO), por meio do Acórdão nº 12- 104.144, de 11/12/2008, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação, mantendo a exigência do crédito tributário (fls. 6.849/6.866): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADES. As nulidades, no âmbito do processo administrativo fiscal, restringem-se às hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, a saber: atos e termos lavrados por pessoa incompetente; e despachos e decisões lavrados por pessoas incompetentes, ou com preterição do direito de defesa. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. A competência da titular da DRPF SP para determinar a realização de procedimentos fiscais em contribuintes jurisdicionados por delegacias de outras unidades integrantes da 8ª Região Fiscal da Receita Federal do Brasil, em conformidade com o § 4º do ART. 7º da Portaria RFB nº 1687, de 17 de setembro de 2014, tem escudo na Portaria SRRF 8ª RF Nº 3, de14 de janeiro de 2016. LANÇAMENTO. INSTRUMENTO. O auto de infração é o instrumento adequado para fins de constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício. ALTERAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL. REGISTRO. O registro do instrumento de alteração contratual na Junta Comercial não confere fé pública ao seu conteúdo. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS. A capitalização de lucros acumulados inexistentes, não obstante tenha constato de instrumento de alteração contratual, não tem aptidão para autorizar a majoração do custo de aquisição da participação societária. Fl. 6951DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CONTRATO DE MÚTUO. O aumento do capital da participação societária alienada, fundado em contrato de mútuo fictício, não é apto a autorizar incremento inexistente no custo de aquisição. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Justifica-se a infração de omissão de rendimentos fundada em conjunto de indícios que permitem aferir, estreme de dúvidas, o repasse de recursos financeiros da pessoa jurídica à pessoa física, com aparência de contrato de mútuo, destinado, exclusivamente, a dissimular os rendimentos pagos ao sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Evidenciado o dolo do sujeito passivo em omitir o fato gerador da obrigação tributária, impõe-se a exigência da multa de ofício qualificada, não cabendo às instâncias administrativas de julgamento negar a aplicação da legislação tributária plenamente válida, sob argüição de vício de constitucionalidade. JUROS DE MORA. TERMO DE INÍCIO. O termo para início da incidência dos juros moratórios, e demais acréscimos, nasce com o inadimplemento da obrigação tributária, nos termos do art. 161 do CTN, e não se suspende com a interposição de impugnação ao lançamento. Impugnação Improcedente Extrai-se do Relatório Fiscal que foi lavrado auto de infração referente ao Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), acrescido de juros e multa de ofício qualificada, relativamente ao ano- calendário de 2012, decorrente da constatação pela fiscalização tributária das seguintes infrações (fls. 6.588/6.622 e 6.623/6.631): (i) ganho de capital na alienação de participações societárias; e (ii) omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas. Para melhor compreensão dos fatos, a autoridade fiscal resumiu as infrações tributárias nos seguintes termos (fls. 6.600): (...) Da análise da documentação disponibilizada à fiscalização, chegamos as conclusões abaixo, as quais passaremos a justificar em seguida: a) O fiscalizado procedeu ao aumento de capital da empresa LCF Participações S/A de forma fictícia e fraudulenta, de R$ 37.008.531,00 para R$ 157.137.000,00, às vésperas da sua alienação ocorrida em Fl. 6952DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 05/10/2012, com vistas a eximir-se do pagamento integral do imposto incidente sobre ganho de capital conforme Demonstrativo de Apuração dos Ganhos de Capital da Declaração do IRPF exercício 2013. b) O fiscalizado foi beneficiário de rendimentos tributáveis procedentes da empresa LCF Participações S/A no montante de R$ 32.754.853,59, por meio de transferências bancárias, às quais pretendeu por meio de documento assinado (Contrato de Mútuo) forjar a aparência de transferências a título de mútuos, mas que de fato eram rendimentos tributáveis. (...) Cientificado da autuação em 15/12/2007, o contribuinte impugnou a exigência fiscal no prazo legal (fls. 6.632/6.644, 6.652/6.706 e 6.714/6.771). Antes do julgamento em primeira instância o feito foi convertido em diligência para a fiscalização confirmar a existência de lucros passíveis de capitalização pela pessoa jurídica LCF Participações S/A, no importe de R$ 21.621.285,85, que integrou o custo de aquisição das participações societárias na alienação para a G5 Star Fundo de Investimento em Participações, no dia 05/10/2012 (fls. 6.782/6.783). A diligência foi cumprida, tendo concluído a autoridade fiscal que não havia lucros disponíveis passíveis de capitalização, mas sim ocorreu um aumento de capital por intermédio do artifício de contabilização de prejuízo equivalente a R$ 21.621.285,85 (fls. 6.824/6.838). Foi dada ciência do resultado da diligência fiscal, com oportunidade de contraditório, porém não consta a manifestação do contribuinte (fls. 6.841/6.848). Intimado por via postal em 18/12/2018 da decisão do colegiado de primeira instância, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 16/01/2019, conforme termo de solicitação de juntada, no qual repisa os argumentos de fato e de direito da sua impugnação, a seguir resumidos (fls. 6.867/6.869 e 6.872/6.982): (i) o procedimento fiscal é nulo, uma vez que realizado por equipe fiscal de localidade distinta do domicílio fiscal do contribuinte, o que significou, na prática, a alteração do seu domicílio tributário da cidade de Ribeirão Preto (SP) para a capital do estado do São Paulo, causando-lhe prejuízo à sua defesa; (ii) a delegada da Receita Federal na cidade de São Paulo jamais poderia designar equipe de auditoria para realizar procedimento de fiscalização no contribuinte, domiciliado na cidade de Ribeirão Preto (SP); Fl. 6953DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 (iii) a fiscalização utilizou de instrumento inadequado para a constituição do crédito tributário, que deve ser feito por intermédio de notificação de lançamento, e não mediante auto de infração; (iv) a decisão de primeira instância não restou suficientemente motivada, faltando-lhe requisito indispensável à validade do ato administrativo; (v) o aumento do capital social da pessoa jurídica LCF Participações S/A tem origem em capitalização de dívidas e lucros acumulados para o montante de R$ 130.639.743,12, que foi resultado de planejamento tributário lícito, com regular transformação societária; (vi) os contratos de mútuos firmados entre o recorrente, as empresas Leão e Leão Rental Participações Ltda e LCF Participações Ltda são válidos e comprovados nos autos, inclusive com supedâneo nos registros da escrituração contábil das pessoas jurídicas; (vii) os valores recebidos da empresa LCF Participações S/A, no importe de R$ 32.754.853,59, são oriundos do pagamento parcelado do contrato de mútuo firmado entre o recorrente e a pessoa jurídica; (viii) não há prova do dolo, fraude ou simulação na conduta do recorrente, apta a justificar a aplicação da multa qualificada no importe de 150%; (ix) na hipótese de manutenção do lançamento, o percentual da multa deverá ser reduzido a 20%, em atenção à firme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF); e (x) a cobrança de juros moratórios pressupõe a exigibilidade do crédito tributário, que ocorre somente a partir do trigésimo dia contado da decisão definitiva desfavorável ao contribuinte. É o relatório.” Voto Fl. 6954DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 Conselheiro Rodrigo Lopes Araújo, Redator ad hoc. O Conselheiro Relator Cleberson Alex Friess proferiu seu voto na sessão de março de 2020, o qual transcrevo na íntegra, em sua redação original: “Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Nulidades Desde a impugnação, o contribuinte se insurge contra o procedimento fiscal e o auto de infração, postulando a nulidade do lançamento. Em síntese, o recorrente argui como questões preliminares, (i) vício de competência, na designação da equipe responsável pela execução do procedimento fiscal; (ii) invalidade do lançamento, pois conduzido e formalizado em localidade distinta do domicílio tributário do contribuinte; e (iii) vício formal, na constituição do crédito tributário através de auto de infração, e não notificação fiscal. Pois bem. O acórdão de primeira instância refutou todas as nulidades, não tendo o recorrente apresentado novas razões de defesa. A instauração do procedimento fiscal e suas alterações tem origem em determinação do titular da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas em São Paulo, unidade subordinada ao Superintendente da Receita Federal do Brasil da 8ª Região Fiscal (fls. 02). Possui esta última autoridade atribuições regimentais sobre todo o estado de São Paulo, o que incluiu, naturalmente, a cidade de Ribeirão Preto (art. 6º, da Portaria MF nº 512, de 2 de outubro de 2013). O § 4º do art. 7º da Portaria RFB nº 1.687, de 17 de setembro de 2014, vigente à época dos fatos, estabeleceu regra para a hipótese de procedimento fiscal a ser realizado em jurisdição de outra unidade, porém subordinada à mesma região fiscal: Art. 7º O TDPF será expedido, respeitadas as respectivas atribuições regimentais, pelo: Fl. 6955DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 (...) § 4º Os procedimentos de fiscalização a serem realizados na jurisdição de outra unidade descentralizada, subordinada à mesma região fiscal, serão emitidos pela própria unidade solicitante, após manifestação do respectivo Superintendente, ou pelo próprio Superintendente. (...) Para fins de operacionalização do § 4º do art. 7º da Portaria RFB nº 1.687, de 2014, a Superintendência da 8ª Região Fiscal editou a Portaria nº 3, de 14 de janeiro de 2016, publicada no Diário Oficial da União de 20 de janeiro de 2016, na qual autorizou a emissão de Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização (TDPF-F) pela própria unidade responsável pela coordenação da auditoria fiscal, desde que em contribuintes de outra unidade subordinada à 8ª Região Fiscal: O SUPERINTENDENTE SUBSTITUTO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL NA 8ª REGIÃO FISCAL, no uso das atribuições que lhe conferem os artigos 300, 301 e 314, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, publicada no DOU de 17 de maio de 2012, combinado com o parágrafo 4º do artigo 7º da Portaria RFB nº 1.687, de 17 de setembro de 2014 alterada pela Portaria RFB nº 1.718, de 08 de dezembro de 2015, resolve: Art. 1º Autorizar as emissões de Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização (TDPF-F) de tributos internos pelas próprias unidades solicitantes, em contribuintes de outra unidade descentralizada subordinada à 8ª Região Fiscal conforme previsto no parágrafo 4º do artigo 7º da Portaria RFB nº 1.687, de 17 de setembro de 2014, alterada pela Portaria RFB nº 1.718, de 08 de dezembro de 2015, e observando o que dispõe a Portaria RFB/Sufis nº 1.787, de 21 de dezembro de 2015 que rege a fiscalização de tributos internos nos casos de jurisdição concorrente. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. (...) Como se observa da legislação infralegal, não há que se falar em vício de competência na designação da fiscalização pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas em São Paulo. Do mesmo modo, a execução por equipe de localidade distinta do domicílio tributário do contribuinte não implica a nulidade do auto de infração. O próprio Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta o processo administrativo fiscal, considera válida a formalização da exigência do crédito tributário por auditor-fiscal com Fl. 6956DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 exercício em jurisdição diversa do domicílio tributário do sujeito passivo (art. 38, §§ 3º e 4º). A execução de auditoria à distância pela equipe lotada na capital não alterou o domicílio fiscal do contribuinte, na medida em que a fiscalização tributária encaminhou todas as intimações, assim como o auto de infração e o termo de encerramento, ao endereço situado em Ribeirão Preto (SP). Tampouco a legislação tributária impõe a prática de todo e qualquer ato no domicílio tributário do sujeito passivo. Pelo contrário, os atos serão lavrados no local da verificação da infração, inclusive na repartição fazendária ou em outro lugar, conforme as circunstâncias específicas (art. 6º, do Decreto nº 7.574, de 2011). Afirma o recorrente que a execução do procedimento fiscal à distância tornou mais difícil a defesa do contribuinte, obrigando-o a se locomover para repartições fiscais distantes do seu domicílio. Não é verdade, pois a fiscalização tributária facilitou a apresentação das informações e dos documentos pelo contribuinte para fins de elidir o lançamento de ofício. Um canal de comunicação foi aberto com o procurador designado pelo contribuinte, inclusive por meio do correio eletrônico, o que lhe permitiu solicitar a prorrogação de prazos, tirar dúvidas, enviar documentos e prestar todos os esclarecimentos, utilizando-se tão somente das ferramentas tecnológicas do cotidiano (fls. 23/36 e 596/606, entre outros). Reclama o recorrente a falta de atendimento pessoal, todavia não revela, efetivamente, o dano sofrido que lhe obstou o pleno exercício do direito de apresentar documentos e/ou prestar esclarecimentos sobre os fatos. Não há decretação de nulidade do lançamento sem prejuízo à parte. No caso em apreço a produção de prova do cumprimento das obrigações tributárias é predominante documental, nada mais. Com a finalidade de reforçar as suas palavras acerca de irregularidade no procedimento fiscal, o recurso voluntário contém uma notícia da Internet do ano de 2017 sobre decisão proferida por este Tribunal Administrativo, aliás em processo que atuei como relator, a respeito da nulidade do lançamento quando exigida a apresentação de documentos fiscais e contábeis em município diverso do eleito pelo sujeito passivo. No entanto, trata-se de situação absolutamente distinta, dotada de especificidades determinantes para se reconhecer a existência do vício material no lançamento fiscal. Fl. 6957DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 Quanto à constituição do crédito tributário mediante auto de infração, e não pela emissão de notificação de lançamento, o Decreto nº 7.574, de 2011, contradiz o raciocínio do recorrente: Art. 38. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade ( Decreto nº 70.235, de 1972, art. 9º , com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, art. 25). (...) Tanto o auto de infração quanto a notificação de lançamento são instrumento legais para a constituição de crédito tributário relativo a impostos ou contribuições federais, acrescidos ou não de penalidade. A interpretação no sentido de que o auto de infração está reservado apenas para imposição de sanção pecuniária é desprovida de amparo na legislação tributária. A legislação tributária especifica os requisitos essenciais do auto de infração, dentre eles que conterá a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, hipótese que se amolda perfeitamente ao lançamento do imposto, acrescido de juros e multa de ofício (art. 39, inciso IV, do Decreto nº 7.574, de 2011). A utilização de um e outro instrumento formal é critério exclusivo da administração tributária. Geralmente, a escolha da notificação de lançamento é feita para procedimentos mais simples, que dispensam o aprofundamento de investigação, quando a Fazenda Pública, por exemplo, já dispõe de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, decorrente da constatação de infração à legislação tributária exclusivamente por meio de informações constantes das bases de dados. Em uma última questão preliminar, afirma o recorrente a carência de motivação da decisão de primeira instância, motivo pelo qual pleiteia a decretação de sua nulidade, diante da violação dos princípios da legalidade, da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. A toda a evidência, incorre em equívoco o recorrente. A simples leitura do acórdão recorrido é suficiente para concluir que a decisão enfrentou todas as questões principais deduzidas pelo contribuinte na sua peça impugnatória, indicando com transparência as razões que formaram o convencimento do julgador, cuja fundamentação, em linguagem direta, é capaz de justificar racionalmente a deliberação pela manutenção do lançamento tributário. A discordância sobre a avaliação das provas e a divergência na interpretação de norma jurídica não têm o condão de atrair a nulidade da decisão de piso, nem implica o cerceamento do direito de defesa. É legítima a pretensão de reforma do acórdão de primeira Fl. 6958DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 instância, a partir da rediscussão do conjunto probatório, porém constitui matéria de mérito, que será avaliada na sequência. Em suma, impõe-se a rejeição de todas as questões de nulidade suscitadas no recurso voluntário. Mérito (a) Ganho de Capital Segundo a autoridade lançadora, na condição de acionista majoritário, o recorrente promoveu o aumento fictício do capital social da LCF Participações S/A, por meio de integralização de lucros acumulados de R$ 21.621.285,73 e de capitalização de dívidas no valor de R$ 72.009.925,07. Os respectivos valores estão lançados a crédito na conta 2.4.1.1.01 – Capital Social, ambos em 31/08/2012. Esse aumento de capital ocasionou a elevação do custo de aquisição ao patamar artificial de R$ 130.639.743,12 e reduziu o ganho de capital quando da alienação, no dia 05/10/2012, das participações societárias para a adquirente G5 Star Fundo de Investimento em Participações (fls. 6.660/6.609). Em contrapartida, protesta o recorrente contra a autoridade fiscal, eis que desprezou todo o planejamento tributário concebido de maneira lícita para a alienação das participações societárias da companhia LCF Participações S/A, desde a transformação para sociedade por ações até a capacidade material e financeira de operacionalização da integralização do capital social antes da aquisição pelo fundo de investimento. Pois bem. Na origem, sob a denominação de LCF Participações Ltda, o recorrente possuía 37.008.531 quotas do capital social, o qual era composto de 37.008.532 quotas de valor nominal de R$ 1,00. No dia 18/09/2012, os dois sócios deliberam pela transformação da sociedade empresária limitada em sociedade por ações de capital fechado, passando a existir a LCF Participações S/A (fls. 658/666). Em 31/08/2012, os acionistas aprovaram o aumento de capital social de R$ 37.008.532,00 para R$ 130.639.743,00, mediante lucros acumulados, no valor de R$ 21.621.285,85, e capitalização de dívidas, no montante de R$ 72.009.925,07, conforme ata arquivada na Junta Comercial do Estado de São Paulo (fls. 676/683). A fiscalização contestou a data da reunião dos acionistas, realizada antes mesmo da existência da companhia, constituída somente em 18/09/2012. Para a autoridade fiscal, a retificação da data da reunião de acionistas do dia 31/08/2012 para o dia 01/10/2012, com base na ata Fl. 6959DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 extraordinária de 18/04/2013, levada a registro na Junta Comercial, não encobria a falsidade do aumento do capital social, até porque os lançamentos contábeis indicavam o dia 31/08/2012. Num primeiro momento, o julgador de primeira instância avaliou que a inconsistência apontada, quanto à data da assembleia anterior à transformação para sociedade por ações, não seria motivo para a invalidade do aumento de capital social, desde que comprovada a materialidade dos lucros. Porém, diante da manifestação da autoridade fiscal pela inexistência de lucros disponíveis passíveis de capitalização no período, manteve a glosa do custo de aquisição das participações societárias no montante de R$ 21.621.285,85. Assentado no conjunto probatório, entendo que decidiu bem o acórdão recorrido. Deveras, o resultado da diligência fiscal determinada pela autoridade julgadora de primeira instância não deixa margem a dúvidas sobre a manobra na escrituração da empresa LCF Participações S/A com o intuito de forjar o aumento de capital de R$ 21.621.285,85, mediante a estratégia de contabilização de prejuízos, em vez de efetiva existência de lucros passíveis de incorporação ao capital social quando da deliberação da assembleia de acionistas. Cabe ressaltar que o recurso voluntário não contém uma única linha acerca das conclusões da diligência fiscal, determinada pelo órgão de primeira instância em prol da verdade material. Para fins de melhor avaliação dos fatos, reproduzo parte do relatório da diligência fiscal (fls. 6.824/6.838): 1 (...) 3 — CONSULTA À ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL DA EMPRESA LCF PARTICIPAÇÕES S/A A PARTIR DO SISTEMA PÚBLICO DE ESCRITURAÇÃO DIGITAL - SPED Para verificar a existência ou não de Lucros passíveis de capitalização no montante de R$ 21.621.285,85, analisamos a Escrituração Contábil Digital — [CD entregue pela empresa LCF PARTICIPAÇÕES Ltda a seguir identificada: 1. Escrituração Contábil Digital : Período 01/01/2012 a 30/09/2012 — número de autenticação 0874E33765581ABD463F6818C82E130826296763, recepcionada no Sistema Público de Escrituração Contábil — SPED em 21/01/2014; 2. Escrituração Contábil Digital : Período 01/10/2012 a 31/12/2012 — número de autenticação 7471D03019D2C784DF09F162D45C1D0FC6E7B0B2, recepcionada no Sistema Público de Escrituração Contábil — SPED em 21/01/2014; (...) 1 Destaques do original. Fl. 6960DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 4.1 — A INEXISTÊNCIA DE LUCRO APURADO EM 30/08/2012 A conta 2.4.3.1.01 - LUCRO/ (PREJUÍZO) ACUMULADO tem saldo inicial devedor, indicando um prejuízo existente em 30/8/2012 no valor de R$ 12.772.663,92. A conta 2.4.3.1.02 - LUCRO/ (PREJUÍZO) PERÍODO por sua vez tem em 30/08/2012 saldo zero, indicando nenhuma apuração de lucro até esta data. Subitamente, em 31/8/2012, a conta 2.4.3.1.01 - LUCRO/ (PREJUÍZO) ACUMULADO recebe um crédito procedente da conta 2.4.3.1.02 - LUCRO/ (PREJUÍZO) PERÍODO no montante de R$ 34.248.169,01, tornando-a credora na ordem de R$ 21.621.285,85, após mais um crédito de R$145.780,7 a título de ajuste de exercícios anteriores. Por sua vez, a conta 2.4.3.1.02 - LUCRO/ (PREJUÍZO) PERÍODO fica devedora temporariamente, e assume um prejuízo em valor igual ao crédito repassado à conta LUCRO/ (PREJUÍZO) ACUMULADO, ou seja, R$ 34.248.169,01. Em 30/09/2012 este prejuízo é transferido para a conta LUCRO/ (PREJUÍZO) ACUMULADO, que termina o ano civil com saldo devedor no montante de R$ 34.248.169,01. 4.2 — DA CAPITALIZAÇÃO DE LUCRO INEXISTENTE Consta na conta 2.4.3.1.01 - LUCRO/ (PREJUÍZO) ACUMULADO lançamento de débito que transfere para a conta CAPITAL SOCIAL SUBSCRITO o montante de R$ 21.621.285,85 em 31/08/2012, porém tal aumento de capital não passa de mera manobra contábil, sem nenhum reflexo comprovado na realidade econômica da empresa. Ao creditar a conta CAPITAL SOCIAL SUBSCRITO, a empresa se vê obrigada a justificar o suposto aumento de capital com a contabilização de Prejuízos na mesma ordem, e não em efetiva apuração de lucros, a qual a empresa não pode comprovar. 5— DA CONCLUSÃO DA DILIGÊNCIA Concluímos que a empresa forjou aumento o capital de R$ 21.621.285,85 com a contabilização de PREJUÍZO equivalente. Desta forma, a conta 2.4.3.1.01 - LUCRO/ (PREJUÍZO) ACUMULADO termina o ano de 2012 com saldo devedor de R$ 34.248.169,01 Para deixar mais claro a manobra contábil que simulou aumento de capital, transcrevemos abaixo o Balancete de 01 A 12/2012 (DOCUMENTO 3), onde se verifica a conta sintética 2.4.3.1 - LUCROS/ (PREJUÍZOS) com saldo final devedor de R$ 47.026.724,78: (...) Integra também o aumento de capital da LCF Participações S/A uma parcela resultante da capitalização de dívidas no montante de R$ 72.009.925,27, da mesma forma desconsiderado pela autoridade fiscal. Fl. 6961DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 O apelo recursal repete os argumentos da impugnação, no sentido de que a operação está devidamente respaldada no arcabouço documental carreado aos autos, notadamente pela existência do mútuo firmado entre o recorrente e a empresa Leão & Leão Rental Participações Ltda (fls. 706/709). Frisa que a pessoa física declarou o empréstimo no ano-calendário, como dívida contraída da pessoa jurídica, e o mutante escriturou a operação de empréstimo nos seus livros contábeis (fls. 13 e 710). O mútuo deve estar lastreado por elementos que atestem a efetividade do negócio jurídico entre as partes. O contrato particular não é suficiente, por si só, para fins da comprovação da origem em empréstimos, posto que imprescindível a apresentação de um conjunto probatório consistente que possa acarretar certeza sobre a natureza dos valores recebidos. A autoridade fiscal assegurou que o contrato de mútuo apresentado pelo contribuinte não se reveste de formalidades mínimas para fazer prova da veracidade da operação perante a administração tributária. Vejamos. Em primeiro lugar, o negócio não foi pactuado entre partes independentes, na medida em que o recorrente, Luís Cláudio Ferreira Leão, subscreve o contrato como representante, único quotista, da pessoa jurídica Leão & Leão Rental Participações Ltda, na condição de mutuante, e, ao mesmo tempo, assina o documento na qualidade de mutuário, beneficiário dos recursos financeiros (fls. 706/709). O instrumento de mútuo está datado de 31/08/2012. Não contém as firmas reconhecidas em cartório, o que poderia auxiliar na crença da sua existência na data nele consignada, não acompanha assinaturas de testemunhas e tampouco foi levado a registro público, para fins de operar efeitos em relação a terceiros. Em que pese a pessoa física assumir um expressivo valor de dívida em seu nome, no total de R$ 72.009.925,27, é patente o desprezo na confecção do contrato e a indiferença com as obrigações do mutuário. Mesmo destinado a fins econômicos, o contrato de mútuo não estipulou taxa de juros, nem exigiu garantias pessoais ou reais para assegurar o seu cumprimento. Como se percebe da narrativa, há aparência de declaração de vontade de uma só pessoa, e não um acordo entre partes. Por outro lado, o recurso voluntário afirma que a Fazenda Pública, na condição de órgão fiscalizador, não é integrante da relação jurídica contratual, nem é terceira pessoa com interesse direto no mútuo. Fl. 6962DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 É verdade. Porém, o negócio entre particulares não excluiu a atribuição legal de investigar o cumprimento das obrigações tributárias, sendo autorizado ao órgão federal intimar o contribuinte para confirmar a veracidade dos fatos declarados em documento particular, competindo- lhe, assim, o ônus de prová-los. No presente caso, a formalização precária do negócio jurídico apenas reforça a indispensabilidade de congruência do acervo probatório como um todo, para efeito de validação da operação de mútuo. Assevera o recorrente, em outro ponto do recurso voluntário, que a escrita contábil regular da empresa Leão & Leão Rental Participações Ltda faz prova da existência do mútuo (fls. 710). 2 Por certo a escrituração contábil mantida com observância das disposições legais faz prova dos fatos nela registrados, mas desde que comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza (art. 26, do Decreto nº 7.574, de 2011). Em outros dizeres, a contabilidade é dotada de força probante plena quando tenha respaldo em documentação hábil e idônea que lhe suporte a veracidade. Não é a hipótese dos autos. O agente fazendário explicou que o contrato fazia previsão do chamado “mútuo financeiro”, com entrega de recursos na quantia de R$ 72.009.925,27, através de transferências eletrônicas (TED). Contudo, levando-se em consideração o exame da contabilidade da Leão & Leão Rental Participações Ltda, os lançamentos correspondem a meras transferências contábeis de dívidas, sem envolvimento de movimentação financeira. Ademais disso, a autoridade fiscal intimou, e reintimou, o recorrente e a pessoa jurídica Leão & Leão Rental Participações Ltda para fazerem prova da existência material das dívidas, mediante elementos financeiros e escriturais, porém não houve apresentação de documentação hábil e idônea. Portanto, segundo a instrução do processo administrativo, toda a operação de capitalização das dívidas, no montante de R$ 72.009.925,27, sustenta-se apenas em registros contábeis, desacompanhados do respectivo suporte documental. Reproduzo excertos do Termo de Verificação Fiscal que explicam com mais detalhes os fatos (fls. 6.604/6.609): 3 2 A Leão & Leão Participaçôes Ltda foi transformada em sociedade anônima fechada, denominada Leão & Leão Rental Participações S/A. 3 Destaques do original. Fl. 6963DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 (...) 7.1.8 — CAPITALIZAÇÃO DE DÍVIDA - LCF Segundo a Ata da Reunião de Acionistas de 31/08/2012 (DOC. 2) de LCF Participações S/A, o valor de R$ 72.009.925,27 teria sido integralizado ao capital social de LCF por meio de Capitalização de Dívida, conforme se lê: (...) A referida capitalização de dívida foi registrada na contabilidade da LCF conforme abaixo: Livro Diário — Extrato da Conta 2.1.1.8.05 — Luiz Cláudio Ferreira leão (Grupo Passivo) — (DOC. 6) (...) Pela leitura dos lançamentos acima, constata-se que a favor do Sr. Luiz Cláudio teriam sido transferidos das empresas credoras de LCF, a saber, LEÃO & LEÃO RENTAL PARTICIPAÇÕES LTDA, SERTRAN SERTÃOZINHO TRANSP. LTDA, (-) FINANCIAMENTOS, SUMA SERVIÇOS URBANOS E MEIO AMBIENTE SA, ARCBB PARTICIPAÇÕES LTDA, HOLDING FELÍCIO E LEÃO PART1CIP LTDA e LEÃO & LEÃO RENTAL PARTICIPAÇÕES LTDA, créditos no montante de R$ 72.009.925,27, os quais posteriormente teriam sido integralmente creditados à conta CAPITAL SOCIAL, tornando-o detentor de quotas de capital social em igual proporção. Ocorre que a materialidade destes créditos, bem como suas formalizações e a que títulos teriam sido os mesmos transferidos ao Sr. Luiz Cláudio, beneficiando-o com igual quantidade de quotas do capital social em LCF e posteriormente como dito acima, de expressiva redução do ganho de capital e consequente redução do Imposto devido, por ocasião da alienação da mesma, esses elementos nunca foram comprovados pelo fiscalizado, apesar de reiteradas vezes intimado para fazê-lo, conforme se relata no item 5 e subitens. (...) 7.1.9 — ANÁLISE DOS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS — (DOC. 6) A alteração patrimonial lançada na contabilidade pode ser assim explicada: o Sr. LUIZ CLAUDIO teria um crédito a receber da LCF e o integralizou no capital social da sociedade anônima que não existia como tal em 31/08/2012,. Ó crédito do fiscalizado em relação à LCF teria origem em operações lançadas na escrituração também no dia 31/08/2012. A seguir passamos a interpretar os registros contábeis, sendo certo que foram debitadas sete contas e a soma desses valores representou o mesmo montante utilizado para a suposta elevação do capital social de LCF Participações S/A: (...) A exceção da conta do item 1, todos as demais contrapartidas do lançamento, que resultou no suposto aumento do capital social, tm as mesmas contas sintéticas da conta "LUIZ CLAUDIO FERREIRA LEÃO" e a hipotética operação registrada foi: as pessoas jurídicas que fazem parte de um grupo de empresas que pertencem ao Sr. LUIZ CLAUDIO teriam Fl. 6964DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 um crédito a receber da LCF e, mediante registros contábeis, transferem esse crédito ao dono do grupo, Sr. LUIZ CLAUDIO. O lançamento do item 1, por sua vez, registra o seguinte fato com repercussão patrimonial: a LCF passa a ser credora da LEÃO & LEÃO e devedora do seu dono do mesmo valor; não há entrada ou saída de numerário no fato registrado, mas ele daria respaldo para a elevação do capital social. Considerando os fatos registrados na contabilidade acima descritos, o fiscalizado teria recebido créditos de cinco pessoas jurídicas, nas quais ele tem relação direta, que totalizaram R$ 72.009.925,27. Os registros contábeis confirmam que o custo utilizado pelo fiscalizado na apuração do ganho de capital por ocasião da alienação da empresa LCF foi inflado por lançamentos contábeis que não representaram qualquer disponibilização financeira ou material. Foram apenas transferências entre contas (itens 2 a 6) e o registro de uma operação sem qualquer efeito patrimonial (item 1). (...) 7.1.10 — DÍVIDA DECLARADA A FAVOR DE LEÃO E LEÃO PARTICIPAÇÕES S/A Paralelamente consta na Declaração de Ajuste Anual do IRPF exercício 2013 a informação de dívida contraída pelo fiscalizado de Leão e Leão Rental Participações S/A no montante de R$ 72.009.925,27, valor idêntico ao montante levado a crédito na conta de no 2.4.1.1.01 – Capital Social na contabilidade de LCF Participação S/A, conforme relatado anteriormente. No entanto, a efetividade da existência da referida dívida não logrou ser comprovada pela Sr. Luiz Cláudio. O fiscalizado, bem como a empresa Leão e Leão, foram mais de uma vez intimados a comprovar mediante elementos financeiros, contábeis e escriturais a efetiva existência material da dívida informada na Declaração de Ajuste exercício 2013 (vide item 4 e subitens deste relatório), conforme passamos a argumentar nos subitens abaixo: (...) 7.1.12 — ANÁLISE DOS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS DA ESCRITURAÇÃO DA DÍVIDA No dia 31/08/2012, a escrituração da LEÃO & LEÃO registra um lançamento a débito na conta 1.1.2.2.22 — LUIZ CLAUDIO LEAO (DOC 8) e a crédito em sete contas contábeis, no valor de R$ 72.009.925,27. Com esse lançamento a empresa passa a ter um crédito com a pessoa que detém todos os direitos sobre ela e débitos em face de outras pessoas jurídicas que são as mesmas que teriam direitos a receber da LCF. As contas que receberam o crédito foram: (...) As quantias lançada acima são exatamente as mesmas que constavam da escrituração da LCF. Os itens de 2 a 7 registram montantes de obrigações que ela tinha com empresas e que foram transferidas à LEÃO & LEÃO. Merece destaque que o lançamento do item 7 é sul generis, pois registra uma obrigação dessa última empresa com ela mesma. O lançamento 1 Fl. 6965DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 registra a obrigação da LEÃO & LEÃO com a LCF que, conforme relatado, não implicou em qualquer dispêndio financeiro. Assim, o hipotético empréstimo informado na Declaração de Ajuste do fiscalizado em relação a LEÃO & LEÃO, assim como o aumento do capital social, é fictício, nunca existiu. O fato desse hipotético empréstimo nunca ter sido quitado é mais um elemento que corrobora e comprova tal situação. (...) Outro aspecto relevante é a inexistência de devolução dos valores expressivos captados pelo mutuário, nos prazos estipulados no contrato. De fato, o mútuo pressupõe a restituição das importâncias emprestadas pelo mutuante, sob pena de configurar-se outro negócio jurídico. No final do ano de 2017, a fiscalização constatou a falta de comprovação da liquidação do mútuo, no exame da escrituração contábil, tampouco houve a restituição parcelada em até 48 vezes, a contar da data de 01/06/2014, com saldo quitado até o dia 30/12/2018, por intermédio de depósitos nas contas correntes do mutante, conforme definido nas cláusulas contratuais. Para o recorrente, a falta de devolução dos valores ao mutuante nem de longe interfere na validade do negócio jurídico entre as partes, seja porque a dívida poderia ser objeto de novação, ou pela circunstância da previsão no contrato de uma data limite para a quitação em 30/12/2008. É frágil o argumento, estritamente teórico e baseado em hipotéticas situações, que não explicam o descumprimento das cláusulas contratuais. Na verdade, o instrumento de mútuo tão somente denota uma estipulação formal de prazo para a devolução de valores e não representa a real intenção das partes. A inexistência de pagamento de juros, amortizações ou quitação, aliada a todos os demais aspectos por mim ressaltados que compõem o conjunto probatório descrito pela autoridade fiscal, não geram convicção sobre a existência real do mútuo a que se refere o contrato. Logo, o incremento do custo de aquisição não merece prosperar para fins de apuração do ganho de capital na alienação de participações societárias. (b) Omissão de Rendimentos Tributáveis A fiscalização procedeu à reclassificação da importância de R$ 34.345.447,29, recebida da empresa LCF Participações Ltda, para Fl. 6966DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 rendimentos tributáveis do trabalho não assalariado, tendo em vista a recusa do instrumento de mútuo firmado entre o recorrente e a pessoa jurídica da qual é sócio (fls. 724/727 e 6.609/6.611). De acordo com o apelo recursal, as razões lançadas pela autoridade fiscal para invalidar o contrato de mútuo são ilegítimas. A validade do instrumento não depende de assinatura de testemunhas, os juros são presumidos, mesmo que não expressamente estipulados, a transferência de valores a favor do mutuário efetivou-se de forma parcelada durante o ano de 2012, e, finalmente, no que diz respeito à quitação do mútuo, conforme convencionado no contrato, o adimplemento poderia acontecer até o dia 30/12/2008. Pois bem. Neste caso, as razões de decidir são semelhantes àquelas do outro contrato de mútuo, esmiuçado no tópico anterior. Abordo o tema novamente, com o perdão das expressões repetidas. O negócio não foi pactuado entre partes independentes, uma vez que o contrato está assinado unicamente pelo recorrente, Luís Cláudio Ferreira Leão, na condição de representante da pessoa jurídica LCF Participações Ltda, e como beneficiário dos recursos financeiros disponibilizados, ou seja, subscreve o instrumento pelos contratantes, mutuante e mutuário (fls. 724/727). Como está documentado nos autos, o recorrente exercia o controle pleno da empresa LCF Participações Ltda. De fato, o outro quotista da sociedade, José Henrique do Nascimento Barreira, possuía apenas uma quota, enquanto o autuado era detentor de 37.008.531 quotas do capital social (fls. 658/666). O instrumento de mútuo está datado de 01/01/2012. Não contém as firmas reconhecidas em cartório, o que poderia auxiliar na crença da sua existência na data nele consignada, não acompanha assinaturas de testemunhas e nem foi depositado no registro público de títulos e documentos, para fins de operar efeitos em relação a terceiros. Equivale o mútuo ao montante total de R$ 34.345.447,29, destinado ao mutuário para fazer frente às suas despesas correntes, liberado em parcelas durante os meses do ano de 2012 (fls. 6.616/6.622). Apesar da dívida substancial, não se percebe atenção na elaboração do contrato, nem preocupação com as obrigações do mutuário. Por exemplo, não se estipulou taxa de juros, nem foram especificadas as garantias pessoais ou reais para assegurar o cumprimento do contrato. Conforme bem destacou a autoridade tributária, afloram- se sérias dúvidas a respeito da razoabilidade financeira e econômica no empréstimo da pessoa jurídica ao seu sócio, considerando algum Fl. 6967DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 propósito válido que não acarrete prejuízo à sociedade empresarial. Copio um trecho do Termo de Verificação Fiscal (fls. 6.611): (...) e) Desvio de finalidade econômica: Segundo o Balanço Contábil de 2012 (DOC 12), cerca de 35,5% do Ativo da empresa LCF em 2012 são representados por supostos créditos cedidos ao seu sócio Sr. Luiz Cláudio, ativo este paralisado no patrimônio da pessoa física, sem garantia real, sem cobrança de juros e sem perspectiva de serem devolvidos, haja vista permanecerem até a presente data no patrimônio do suposto mutuário. Conclui-se pelo exposto que não há razoabilidade econômica no fato da empresa LCF emprestar, sem qualquer garantia ou vantagem financeira ou econômica, grande volume de seu ativo para um de seus sócios. Tais repasses são na verdade retiradas financeiras cuja natureza é atribuída a empréstimos, aparentemente com único intuito de fugir à tributação do Imposto de Renda Pessoa Física. (...) Não configura uma questão menor a ausência de devolução dos valores expressivos captados pelo mutuário, nos termos previstos no contrato, posto que o mútuo pressupõe a restituição das importâncias emprestadas pelo mutuante, sob pena de configurar-se outro negócio jurídico. Ao final do ano de 2017, a fiscalização constatou, a partir do exame da contabilidade, a falta de comprovação da liquidação do mútuo, tampouco houve a restituição parcelada em até 36 vezes, a contar da data de 03/01/2015, com saldo quitado até o dia 30/12/2018, por intermédio de depósitos nas contas correntes do mutante, segundo definido nas cláusulas contratuais. Na prática, o instrumento de mútuo faz alusão a uma estipulação formal de prazo para a devolução de valores, não representando a real intenção das partes. A avaliação do acervo probatório como um todo não conduz à validação da operação mútuo. Não apenas a falta de pagamento de juros, de amortizações ou quitação, mas também os demais aspectos que ressaltei do Termo de Verificação Fiscal não geram convicção sobre a existência real do mútuo a que se refere o contrato. (c) Multa de Ofício Expõe o recurso voluntário que a fiscalização tributária não trouxe aos autos prova cabal da conduta dolosa do contribuinte, e sim imputou a multa qualificada de 150% com fundamento em meras suposições, desacompanhada de comprovação da prática de fraude, simulação ou intenção de omitir informações para lesar a Fazenda Fl. 6968DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 Pública. Além do mais é vedada a fixação de multa em valor excessivo, com efeito confiscatório, em afronta ao sistema constitucional tributário. Nesse cenário, o recorrente alega que a falta de demonstração do dolo do contribuinte no auto de infração conduz à conclusão de que a multa aplicada tem natureza moratória, o que, por si só, implica no seu conteúdo confiscatório. O percentual máximo da multa moratória é de 20%, consoante pacificado no Recurso Extraordinário nº 582.461/SP, julgado na sistemática da repercussão geral. Pois bem. A multa de mora tem a finalidade de sanção pelo atraso no adimplemento da obrigação tributária, limitada a 20% sobre o tributo, nos termos do art. 61, “caput”, e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Antes de iniciado o procedimento de fiscalização, o contribuinte recolhe a destempo o tributo que declarou com imposição de penalidade mais branda. Diferentemente, a sanção aplicada pela fiscalização no presente caso é dotada de nítido caráter punitivo, no percentual de 150% incidente sobre o imposto de renda apurado, tendo em vista a falta de recolhimento e de declaração do tributo, cujo fundamento é o art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996. A partir da ciência do início do procedimento fiscal, há perda da espontaneidade do sujeito passivo, acarretando a aplicação de multas punitivas no lançamento de ofício, mais rigorosas que a multa moratória. O caráter punitivo da multa foi claramente descrito pela autoridade fiscal na parte do Termo de Verificação Fiscal que contém o resumo dos fundamentos para a qualificação da penalidade (fls. 6.613): 9) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA De acordo com as conclusões expostas no subitem 7.1.9 o fiscalizado arquivou documentos falsos na Junta de Comércio do Estado de São Paulo, a ATA DA ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA REALIZADA EM 31/08/2012, com intuito de aumentar fraudulentamente os custo de alienação da empresa da qual era administrador exclusivo, a LCF Participações S/A, a fim de escapar do pagamento cabal do Imposto de Renda incidente sobre Ganho de Capital. Ademais inseriu informação falsa em sua Declaração de Ajuste Anual do IRPF exercício 2013, Ficha Demonstrativo de Ganho de Capital, ao informar o custo de aquisição da empresa alienada ao valor de R$ 130.369.743,12 quando na realidade seria R$ 37.008.531,00. Ainda de acordo com as conclusões do subitem 7.2 deste relatório, o fiscalizado fez constar da contabilidade de sua empresa lançamentos de valores de rendimentos tributáveis a ele transferido em conta contábil de mútuo, e para reforçar a fraude, apresentou à fiscalização um falso contrato de mútuo, com a única finalidade de omitir estes rendimentos à Receita Federal. Em decorrência, deixo oferecer à tributação o montante Fl. 6969DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 23 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 de R$ 32.754.853,59 ao omitir estes valores em sua Declaração d Ajuste Anual do IRPF exercício 2013. Em decorrências das práticas acima expostas, o presente lançamento do crédito tributário será efetuado com multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), conforme disposto no inciso I, artigo 44 e seu parágrafo 10, da Lei no 9.430 de 27/12/96, com a redação dada pela Lei no 11.488 de 15/06/2007, a saber: (...) É de 75% o patamar básico da multa de ofício, portanto inferior ao montante do imposto de renda original lançado. O agente fazendário avaliou a existência de conduta fraudulenta e simulada do contribuinte, razão pela qual duplicou o percentual da multa, conforme autorizado pelo legislador ordinário. Aos órgãos administrativos falece competência para reconhecer o caráter confiscatório da multa de ofício, na medida em que demanda o exame da lei em face de preceitos da Carta Política. Argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa, não só pelo estabelecido no "caput" do art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, como também no enunciado da Súmula nº 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A definição dos limites para a multa tributária assentada na existência de sonegação, fraude ou conluio, conforme chama a atenção o recurso voluntário, é matéria de índole constitucional, devidamente reconhecida a repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos autos do Recurso Extraordinário nº 736.090/SC, de relatoria do Ministro Luiz Fux. Senão vejamos o Tema 863/STF: Tema 863/STF: Limites da multa fiscal qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio, tendo em vista a vedação constitucional ao efeito confiscatório. Quanto ao mérito da penalidade, discordo do recorrente quando declara que a aplicação do percentual exacerbado pela fiscalização se deu com fundamento em indícios ou presunções de fatos. Na mesma linha de compreensão do acórdão de primeira instância, o intuito de fraude e a simulação, que permeou ambas as omissões que compõem o auto de infração, estão demonstrados nas fls. do processo administrativo. Na hipótese do ganho de capital, a autoridade fiscal identificou a manipulação dos registros contábeis da LCF Participações Fl. 6970DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 24 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 S/A para justificar a incremento do custo de aquisição da alienação das participações societárias, decorrente de incorporação de lucros acumulados imaginários na quantia de R$ 21.621.285,85, ausente o substrato econômico, diante da contabilização pela pessoa jurídica de prejuízos no período. Por sua vez, também em relação ao ganho de capital, mas quanto à capitalização de dívidas no total de R$ 72.009.925,27, utilizadas para aumento do capital social da empresa LCF Participações S/A, com origem em créditos de empresas pertencentes a grupo sob controle direto do recorrente, jamais foram apresentados elementos financeiros e escriturais para a comprovação material das obrigações pecuniárias. Toda a operação está escorada apenas em registros contábeis, desacompanhados do respectivo suporte documental. Para explicar a transferência ao recorrente dos créditos registrados na contabilidade da Leão & Leão Rental Participações S/A, foi apresentado um contrato de mútuo, no mesmo valor de R$ 72.009.925,27, com data de 31/08/2012. Trata-se de um instrumento precário, assinado somente pelo recorrente, alternando-se na condição de mutuário e mutuante, nesta última situação, como representante da pessoa jurídica. A partir de fontes externas, fora do campo de domínio do autuado, nenhum sinal há da existência do contrato na data nele consignada. A despeito de uma dívida substancial, no importe de R$ 72.009.925,27, não se comprovou qualquer tipo de amortização ao longo do tempo, tampouco o credor definiu, contratualmente, exigência de bem ou direito para garantir o pagamento do compromisso, num verdadeiro ato de vontade de uma pessoa só em benefício próprio. Por mera formalidade, nada mais que isso, o instrumento de mútuo faz alusão à estipulação de prazo para a devolução dos valores emprestados, de forma parcelada, porém não representa a real intenção das partes. Idêntica situação constatou a auditoria fiscal no que tange à omissão de rendimentos tributáveis, em que o recorrente apresentou um contrato de mútuo de R$ 34.345.447,29, com data de 01/01/2012, formalizado entre ele e a pessoa jurídica LCF Participações S/A, conforme detalhado neste voto. Ainda que forma isolada os fatos apurados pela fiscalização possam carecer de força axiológica suficiente para imposição de multa qualificada às duas infrações tributárias, os elementos probatórios, quando avaliados em conjunto, são dotados de seriedade e convergência para desvelar o evidente intuito de fraude. Fl. 6971DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 25 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 De forma livre agiu o contribuinte para favorecimento próprio, mediante ação dolosa, intencional e consciente do aumento artificial do custo de aquisição das participações societárias pela incorporação de lucros inexistentes e, com respaldo em falsa operação de mútuo, capitalização de dívidas contábeis, tendo como único propósito modificar as características do fato gerador da obrigação tributária, diminuir o ganho de capital na alienação e, ao final, reduzir o montante devido do imposto de renda. Em outra conduta no mesmo ano-calendário, a pessoa física recebeu valores com habitualidade a ela transferidos por meio de conta contábil disfarçada de mútuo e, para reforçar a simulação, fundamentou a origem dos créditos na celebração de contrato de mútuo com a empresa LCF Participações S/A, da qual é sócio majoritário, cujo instrumento não expressa a realidade dos fatos. Não tenho dúvida da culpabilidade, a partir de uma ação dolosa destinada a retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária. Em ambas os casos, não se cogita de erro ou prática de atos de forma involuntária pelo contribuinte. Logo, é perfeitamente adequada a incidência da multa qualificada de 150%, considerando a gravidade da conduta do recorrente. (d) Juros de Mora Caso se entenda pela manutenção do lançamento fiscal, pleiteia o recorrente a incidência de juros somente trinta dias após o passivo se tornar definitivamente exigível, com apoio no “caput” e §§ do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. No entanto, trata-se de mais uma leitura que distorce os dispositivos da lei tributária. Por elucidativo, reproduzo o trecho da decisão de piso que examinou a alegação do contribuinte (fls. 6.866): (...) 33. Ocorre que o termo para início da incidência dos juros moratórios, e demais acréscimos, nasce com o inadimplemento da obrigação tributária, nos termos do art. 161 do CTN. Em se tratando da infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, cujo fato gerador é anual, e ocorreu em 31 de dezembro de 2012, o vencimento da obrigação tributária deu-se em 30/04/2013. Quanto à infração de omissão de Ganho de Capital na Alienação de Bens e Direitos, o fato gerador ocorreu em 10/2012, com vencimento do respectivo crédito tributário em 30/11/2012. Assim, os juros contam-se dos respectivos vencimentos das obrigações tributárias, conforme especificado no demonstrativo de fls. 6630, verbis: (...) Fl. 6972DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 26 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 34. Por oportuno, registro, ainda, que a impugnação do lançamento não tem aptidão para suspender a cobrança dos juros moratórios, face a inexistência de previsão legal nesse sentido. (...) Com efeito, os juros de mora não possuem caráter de penalidade. Os efeitos da mora sobre o crédito tributário são automáticos, bastando a falta de pagamento do imposto de renda no vencimento da obrigação tributária. Nesse sentido, confira-se o art. 161 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (...) A inadimplência no cumprimento da obrigação tributária se verifica com base no fato gerador e respectiva data de vencimento da exação. Os juros de mora são calculados a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo de pagamento (art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996). O lançamento é decorrente do inadimplemento da obrigação tributária. Com a apresentação tempestiva de defesa administrativa, opera-se a suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado, mas não obsta a fluência dos juros de mora, exceto na hipótese de depósito no montante integral. Eis o verbete nº 5 deste Tribunal: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO todas as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGO-LHE PROVIMENTO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess” Fl. 6973DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 27 do Acórdão n.º 2401-009.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10437.722006/2017-11 (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lopes Araújo – Redator ad hoc Fl. 6974DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10283.721216/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 13 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003, 2004
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONFISSÃO PRÉVIA. TERMO INICIAL.
Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorre o pagamento antecipado da exação e inexiste declaração prévia do débito. Por outro lado, nos casos em que não foi constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, e que há pagamento antecipado ou declaração prévia do débito, o prazo decadencial é contado da data de ocorrência do fato gerador.
NULIDADE. VICIO MATERIAL. ERRO QUANTO AO ASPECTO TEMPORAL DO LANÇAMENTO.
O lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL com base em períodos de apuração anual, quando a contribuinte era optante pelo lucro real trimestral, caracteriza desrespeito ao regime de tributação a que estava submetida a pessoa jurídica e erro na determinação do aspecto temporal do fato gerador do tributo, maculando a autuação de vício insanável a impor a declaração de sua nulidade.
Numero da decisão: 1302-005.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: Paulo Henrique Silva Figueiredo
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TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONFISSÃO PRÉVIA. TERMO INICIAL. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorre o pagamento antecipado da exação e inexiste declaração prévia do débito. Por outro lado, nos casos em que não foi constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, e que há pagamento antecipado ou declaração prévia do débito, o prazo decadencial é contado da data de ocorrência do fato gerador. NULIDADE. VICIO MATERIAL. ERRO QUANTO AO ASPECTO TEMPORAL DO LANÇAMENTO. O lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL com base em períodos de apuração anual, quando a contribuinte era optante pelo lucro real trimestral, caracteriza desrespeito ao regime de tributação a que estava submetida a pessoa jurídica e erro na determinação do aspecto temporal do fato gerador do tributo, maculando a autuação de vício insanável a impor a declaração de sua nulidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 12 16 /2 00 8- 01 Fl. 628DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-005.710 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10283.721216/2008-01 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso de Ofício em relação ao Acórdão nº 01-23.303, de 21 de outubro de 2010, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA, que julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo principal acima identificado (fls. 345/357). O presente processo se originou de Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/Pasep), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), referentes aos períodos de apuração contidos nos anos- calendários de 2003 e 2004, por omissão de receitas, apuradas com base em depósitos bancários de origem não comprovada e remessas de recursos ao exterior, sem a comprovação da respectiva origem (fls. 4/49). Conforme descrição contida nos próprios Autos de Infração, o sujeito passivo, apesar de intimado, não apresentou qualquer documento destinado a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, de modo que incorreu na presunção legal de omissão de receitas de que tratam os arts. 25 e 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em relação ao montante de R$ 4.809.359,86, em 2003, e R$ 3.040.690,36, em 2004. A par disso, a despeito de haver sido intimado a comprovar a origem de R$ 507.982,44 remetidos ao exterior, ao longo dos referidos anos-calendários, igualmente, quedou-se inerte, de modo que os referidos recursos foram considerados como receitas omitidas, com base no art. 281, inciso II, do RIR/99. Cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou a Impugnação de fls. 263/274, por meio da qual: (i) discorre acerca de diversos princípios constitucionais; (ii) sustenta a decadência do direito de a autoridade fiscal realizar o lançamento; (iii) alega que jamais enviou qualquer recurso para o exterior e que não teve nenhuma receita tributável além da que foi declarada; (iv) argumenta que o fato de o seu nome constar de ordens de pagamento não seria prova da efetiva remessa de recursos para o exterior; (v) defende que não seria possível se admitir a autuação baseada em mera movimentação bancária. A decisão recorrida acolheu a alegação de decadência em relação aos lançamentos referentes ao IRPJ e à CSLL, quanto aos três primeiros trimestres do ano-calendário de 2003; e, Fl. 629DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-005.710 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10283.721216/2008-01 em relação à Cofins e à Contribuição ao PIS/Pasep, quanto aos períodos de apuração e janeiro a novembro de 2003. Com relação ao mérito do lançamento, considerou comprovada a hipótese de omissão de receitas baseada em depósitos bancários cuja origem o sujeito passivo não conseguiu apontar. Por outro lado, reputou insuficientes as provas de que a autuada tenha sido a efetiva ordenadora dos pagamentos remetidos ao exterior. Além disso, considerando-se a opção do sujeito passivo pela apuração do lucro real com base em períodos trimestrais, entendeu equivocado todo o lançamento relativo ao IRPJ e à CSLL, na medida em que adotou a forma de apuração anual dos citados tributos. Por fim, julgou inexistir provas de violação ao contraditório, à ampla defesa ou a qualquer outro princípio constitucional invocado. Por conta da exoneração parcial do lançamento, recorreu-se de ofício ao CARF. A decisão recebeu, então, a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos lançamento cuja exação se faz por homologação, havendo pagamento antecipado do imposto, ou da contribuição, e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realiza-se a contagem do prazo decadencial pelo disposto no §4° do art. 150 do CTN, de outra forma, aplica-se a regra ordinária da decadência estampada no art. 173, inciso I, do CTN. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO REAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO IMPOSTO DE RENDA ANUAL. CONTRIBUINTE OPTANTE PELO REGIME DE APURAÇÃO TRIMESTRAL DO LUCRO. NULIDADE. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O lançamento de ofício do imposto de renda em base de apuração anual relativo a receitas omitidas, quando a contribuinte era optante pelo lucro real trimestral, caracteriza desrespeito ao regime de tributação a que estava submetida a pessoa jurídica e erro na determinação do fato gerador do tributo, maculando a autuação de vício insanável a impor a declaração de sua nulidade. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Não há de se cogitar da materialização de hipótese de ofensa a princípios constitucionais quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. Fl. 630DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-005.710 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10283.721216/2008-01 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa. CSLL, PIS E COFINS. DECORRÊNCIA. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das Contribuições Sociais, aplica-se no que couber o que foi decidido em relação àquele. Cientificado da referida decisão, o sujeito passivo não apresentou Recurso Voluntário, de modo que os créditos tributários remanescentes foram transferidos para cobrança por meio do processo administrativo nº 10283.721227/2012-69. Em 09 de maio de 2013, por meio da Resolução nº 1202-000.189, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF resolveu sobrestar o julgamento do Recurso de Ofício, para aguardar, com base no, então vigente, art. 62-A do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), o desfecho do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG (fls. 617/622). Após a revogação do dispositivo regimental mencionado, o processo retornou para julgamento, sendo distribuído, por sorteio, a este Conselheiro, ante a renúncia ao mandato do relator original e a extinção da Turma Julgadora que proferiu a referida Resolução. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, Relator. 1 DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Como relatado, em face da exoneração de crédito pelo acórdão recorrido, foi interposto recurso de ofício pelo colegiado a quo, conforme previsão do art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I - exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Nos termos da Súmula CARF nº 103, “para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância”, no caso, R$ 2.500.000,00, conforme estabelecido por meio da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017. O valor exonerado supera, em muito, o referido limite de alçada, e a matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Fl. 631DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-005.710 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10283.721216/2008-01 Arts. 2º, incisos I, II e IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, de modo que conheço do Recurso de Ofício. 2 DA DECADÊNCIA Parte da exoneração realizada pela decisão de primeira instância teve por fundamento a decadência do direito de se constituir os créditos tributários anteriores a cinco anos da data de ciência do lançamento. Os tributos constituídos no lançamento estão sujeitos à sistemática do denominado “lançamento por homologação”, de modo que a análise deve-se dar à luz do consagrado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), por meio de julgamento do Resp n° 973.733/SC (Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009), julgado sob a sistemática do artigo 543-C, do antigo CPC (e de observância obrigatória pelos órgãos do CARF, por força do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015), cuja ementa se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 632DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-005.710 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10283.721216/2008-01 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 (Destacou-se) No caso sob análise, o sujeito passivo realizou pagamentos antecipados em relação a todos os tributos constituídos, conforme extratos de fls. 325/344, de modo que a contagem do prazo decadencial deve-se dar na forma do art. 150, §4º, do CTN, ou seja, “cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador”. In verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tendo a ciência do lançamento ocorrido em 10/12/2008, acertada a decisão de primeira instância, ao considerar decaído o direito à constituição dos créditos tributários referentes ao IRPJ e à CSLL, quanto aos três primeiros trimestres do ano-calendário de 2003; e, em relação à Cofins e à Contribuição ao PIS/Pasep, quanto aos períodos de apuração de janeiro a novembro de 2003. 3 DO ERRO QUANTO AO PERÍODO DE APURAÇÃO Uma segunda parcela do crédito tributário constituído foi exonerada, devido ao fato de que o sujeito passivo teria realizado a apuração do IRPJ e da CSLL com base no lucro real apurado em períodos trimestrais, e o lançamento teria sido realizado considerando-se a apuração anual de tais tributos. Fl. 633DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-005.710 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10283.721216/2008-01 Mais uma vez, com razão os julgadores a quo. As Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) de fls. 178/246 e 247/254, juntadas pela própria autoridade autuante, revelam a apuração do IRPJ e da CSLL com base em períodos trimestrais. Além disso, os códigos de receitas utilizados nos pagamentos realizados a título de IRPJ e CSLL, 0220 e 6012, respectivamente, também correspondem à apuração com base no Lucro Real, por períodos trimestrais. Por outro lado, o lançamento fiscal foi realizado com base em períodos anuais, como revelam os excertos a seguir: Com bem apontado pela decisão recorrida, a autoridade fiscal deveria haver respeitado, no lançamento o regime de apuração adotado pelo sujeito passivo, como, inclusive, dispõe o art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. O erro quanto à determinação do critério temporal da matéria tributável macula irremediavelmente o lançamento, pois constitui vício relativo ao próprio conteúdo da atividade de lançamento prevista no art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria Fl. 634DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-005.710 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10283.721216/2008-01 tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Assim, correta a decisão que cancelou, por tal motivo, todo o lançamento referente ao IRPJ e à CSLL. 4 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 635DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13839.900195/2011-40
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 14 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2005
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2005
SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES NA FONTE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação do saldo de IRPJ a ser compensado ou restituído, a pessoa jurídica não poderá deduzir do imposto devido o valor da imposto para o qual não ficar comprovado, mediante documentação hábil e idônea, o pagamento ou retenção na fonte no período correspondente ou cujas receitas correspondentes não tenham sido computadas na determinação do lucro real.
Numero da decisão: 1001-002.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros.
Nome do relator: Sérgio Abelson
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Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2005 SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES NA FONTE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação do saldo de IRPJ a ser compensado ou restituído, a pessoa jurídica não poderá deduzir do imposto devido o valor da imposto para o qual não ficar comprovado, mediante documentação hábil e idônea, o pagamento ou retenção na fonte no período correspondente ou cujas receitas correspondentes não tenham sido computadas na determinação do lucro real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 01 95 /2 01 1- 40 Fl. 199DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.584 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.900195/2011-40 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 152/161) que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 10, que homologou parcialmente a compensação declarada na DCOMP 39579.87995.080606.1.3.02-4622 e não homologou a compensação declarada na DCOMP 42916.16931.290606.1.3.02-0579, de crédito correspondente a saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2005 informado no montante de R$ 31.566,33 e reconhecido no valor de R$ 11.767,48, tendo em vista a não confirmação de retenções na fonte de IRPJ inclusas no código de receita 6147 - Produtos - Retenção em Pagamentos por Órgão Público, no valor total de R$ 19.798,85, conforme relatório de “Análise de Crédito” do despacho decisório, às folhas 08/09. Em sua manifestação de inconformidade (folhas 12/22), a contribuinte apresentou as alegações assim sintetizadas no relatório do acórdão recorrido: Sustenta que a fundamentação contida no Despacho Decisório citado não procede, pois não é verdadeira a afirmativa de que o crédito é insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP entregue. Nesse sentido, expõe que realizou análise detalhada da composição dos créditos, e evidenciou que não há nenhuma carência de antecipações. No ponto, alega que os valores de imposto retidos em 2005 tiveram origem nas vendas que a Empresa realizou para Órgãos Públicos, especificamente para o Ministério da Aeronáutica e Ministério da Defesa do Exército Brasileiro, sobre as quais incidiram retenções de tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) a uma alíquota de 5,85% sobre os pagamentos efetuados. Afirma que as retenções na fonte que deram origem ao crédito de Imposto de Renda utilizado são procedentes e estão devidamente suportadas por documentos e relatórios hábeis, conforme detalha em tabela inserida em sua peça de defesa. Em seguida, aduz que a diferença apurada nas retenções na fonte, no montante de R$ 19.798,85, estaria ocorrendo porque a Receita Federal do Brasil não confirmou todas as retenções realizadas pelo Ministério da Defesa do Exército Brasileiro. Destaca que informou corretamente a totalidade das retenções no PER/DCOMP, no qual se encontra detalhada a totalidade dos créditos, assim como na DIPJ relativa ao ano-calendário 2005, logo não havendo divergência em suas declarações entregues. Além disso, informa que está apresentando todos os documentos de que dispõe, com a finalidade de comprovar que sofreu as retenções informadas, pois recebeu os valores líquidos, ou seja, os valores já descontados dos tributos calculados ao percentual de 5,85%, conforme dispõe a legislação. Por fim, cogita a hipótese de a não confirmação dos créditos pela Receita Federal do Brasil ter ocorrido em virtude de alguma divergência em informações na DIRF desses Órgãos Públicos, já que há um procedimento interno do Ministério do Exército determinando que uma unidade centralizadora efetue os pagamentos para outras unidades adquirentes. Por isso, o comprovante de rendimentos e retenção dos tributos que recebeu está em nome da fonte pagadora de CNPJ-00.394.452/0250-09 Fl. 200DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.584 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.900195/2011-40 (Departamento Logístico), que foi o responsável pelo pagamento das duplicatas. Para fins de comprovação, diz que anexou o referido documento à impugnação. No acórdão a quo foram confirmadas retenções na fonte no valor adicional de R$ 14.338,64, resultando no reconhecimento de crédito de saldo negativo no montante total de R$ 26.106,12. Ciência do acórdão DRJ em 19/07/2019 (folha 168). Recurso voluntário apresentado em 12/08/2019 (folha 169). A recorrente, às folhas 171/181, alega que ocorreu prescrição intercorrente e reitera suas alegações anteriores. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e admissível segundo os requisitos do Decreto nº 70.235/72. Portanto, dele conheço. Preliminarmente, no que se refere à alegação de prescrição intercorrente, cabe observar o entendimento exarado na Súmula CARF nº 11, de efeito vinculante em relação à administração tributária federal conforme Portaria MF nº 277, de 7 de junho de 2018: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. No mérito, restando controverso crédito alegado no montante de R$ 5.460,21, observa-se que no acórdão recorrido a rejeição dos documentos comprobatórios apresentados junto à manifestação de inconformidade, com exceção do comprovante de rendimentos à folha 42, foi meticulosamente explanada pela autoridade julgadora, conforme se reproduz a seguir: A contribuinte, além do comprovante de rendimentos já comentado, carreou aos autos: 1) Demonstrativo de Cálculos - Contribuição Social e Imposto de Renda - Dezembro/2005 (fl. 24); 2) Demonstrativo de Retenções a Compensar – Ministério do Exército (fl. 25); 3) Retenções – Órgãos Públicos – 2005 (fl. 26-28); 4) DIPJ de 2005 (fls. 29-33); 5) Dcomp apresentada (fl. 34-40); 6) Demonstrativo de composição dos créditos (fl.41); 7) Extratos do SIAFI relacionando e detalhando os DARFs quitados (fls. 43- 53); Fl. 201DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-002.584 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.900195/2011-40 8) Listas de Documentos Recebidos por Data (fls. 54-90); 9) Duplicatas sacadas pela contribuinte (fls. 91-125); 10) Folhas do Livro Razão da Sociedade (fls. 126-132). Quanto aos documentos relacionados nos itens 1, 2, 3 e 6, verifico que se tratam de planilhas elaboradas pela própria contribuinte tendentes a demonstrar a origem e composição das parcelas formadoras do saldo negativo da CSLL, de modo que não se prestam, por si sós, a comprovar as supostas retenções sofridas pela impugnante. Tampouco difere dessa análise os elementos indicados nos itens 4, 5 e 8, já que também se constituem em documentos cujos dados emanam tão somente da contribuinte interessada, sem, ao menos, neles conter qualquer informação advinda da fonte pagadora. Logo, descarto tais documentos como elementos de prova aptos a demonstrar as supostas retenções reclamadas. Em se tratando dos documentos apontados no item 7 (telas do SIAFI), ao examiná-los, constatei que, de fato, contemplam DARFs de retenções de valores auferidos da contribuinte. Porém, há que se assinalar que tais importâncias já foram consideradas no Despacho Decisório como parcela formadora do saldo negativo do IRPJ de 2005. Melhor sorte também não assiste à contribuinte no que toca às duplicatas acostadas aos autos (item 9). É que a duplicata, por si mesma, não demonstra que a contribuinte recebeu o valor líquido da venda ou da prestação de serviço, ou seja, descontado dos valores dos tributos destacados. Aliás, sequer comprova que houve o pagamento. Ademais, nas duplicatas acostadas, ainda que possua indicação manuscrita de um suposto valor a ser retido (sem a identificação de sua natureza), a importância a pagar consignada, em algarismo e por extenso, é o valor bruto a ser quitado, e não o seu valor líquido, conforme abaixo demonstrado. [...] Além disso, existe outro motivo para sua não aceitação como prova de retenção. É que as duplicatas trazidas carecem de aceite do sacado e da assinatura do sacador, que se traduzem em requisito de validade do título. Por fim, no que diz respeito às folhas do Livro Razão da Sociedade carreados, valioso transcrever o art. 923, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Como se observa do dispositivo reproduzido, a escrituração contábil mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis. Dito de outra forma, a escrituração contábil desacompanhada dos documentos que lhe deram suporte não se presta como elemento de prova a favor do contribuinte. Fl. 202DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-002.584 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13839.900195/2011-40 No caso em questão, a contribuinte somente trouxe aos autos folhas do Livro Razão sem a respectiva documentação comprobatória do fato escriturado, tal como as notas fiscais emitidas e comprovantes de recebimento dos valores líquidos, já descontados os tributos incidentes. Ante isso, resolvo não recepcionar o Livro Razão como elemento de prova das retenções sofridas pela contribuinte. Desta forma, fica claro que restava à recorrente carrear aos autos documentação comprobatória dos fatos escriturados no Livro Razão que apresentou, “tal como as notas fiscais emitidas e comprovantes de recebimento dos valores líquidos, já descontados os tributos incidentes”. A contribuinte nada trouxe de novo aos autos, limitando-se a defender o poder comprobatório dos documentos já acostados, já rechaçado no acórdão recorrido pelas razões transcritas, as quais aprovo e adoto como minhas razões de decidir. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 203DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 12045.000155/2007-93
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 206-00.110
Decisão: RESOLVEM os Membros da SEXTA Âo SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos em converter o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: DANIEL AYRES KALUME REIS
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Processo nO Recurso nO MF • SEGUNDO CONSElHO DE CONTRIBUINTES . CONfEf'e COM C ORIGINAL tV llrasma. 9-ib I ~C) I O () 6IIM Ol;\'Cir-, MINISTÉRIO DA FAZE *" lIm82 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA 12045.00015512007-93 143.311 CCOllC06 Fls. 367 Assunto Solicitação de Diligência Resolução n° 206.00.110 Data 10 de abril de 2008 Recorrente XAVIER COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por XAVIER COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA. RESOLVEM os Membros da SEXTA CÁMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unánimidade de votos em converter o julgamento do recurso em diligência. Sala das Sessões, em 10 de abril de 2008. Presidente DANIEL AYRES KALUME REIS Relator Participaram, ainda, da presente resolução, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira" Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Ana Maria Bandeira, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. CC02/C06 Fls. 368 Processo n.' 12045.000155/2007-93 Resolução n.' 206.00.110 MF- SEGUNDO COIISELflO DE r.C!-iiRiSUlt,TES CONFERE CO~\~O.... .r.!i'~:-J... er3 . 8<.~I~,2-:~"N,i:,-/--- Mal.; S;apo 877 fAl2 Adoto o Relatório do Conselheiro Antônio Correa Júnior, constante do acórdão 0000312, de fls. 223/225, dos presentes autos, in verbis: "Em 23 de abril de 2002, o contribuinte solicitou a restituição de contribuições recolhidas indevidamente nas competências OUTI89 a OUTI94, sob o fundamento de se encontrar amparado por decisão judicial que declarou sua inconstitucionalidade. Em dúvida a respeito da referida decisão, a Seção de Fiscalização solicitou parecer à Procuradoria Especializada do INSS (fls. 122). A Procuradoria Especializada do INSS solicitou, então, ação fiscal no contribuinte com o objetivo de verificar se possuía direito à pleiteada restituição ((ls. 123). Em resultado da diligência, foi proferida Informação Fiscal, a qual registra que o requerente ostenta crédito em seufavor (fls. 126). A par da Infonnação Fiscal, a Procuradoria Especializada do INSS solicitou ao requerente esclarecimento a respeito do responsável pelos direitos remanescentes da empresa (fls. 145). o requerente prestou esclarecimentos às fls. 1501167. Ato contínuo, a Procuradoria Especializada do INSS se pronunciou, em apertada síntese, pela restituição do crédito, caso a compensação seja inviável ((ls. 1701176). Foram, então, realizadas diligências pela SRP. A par delas, a Procuradoria Especializada do INSS se pronunciou, afirmando que não restou provado que não há atividades passíveis de tributação e, por conseguinte, não é possível deferir a restituição (fls. 2041207). Em face da referida Nota Técnica, foi indeferido o pedido do requerente. Irresignado com a r. decisão (fls. 213), o requerente interpôs recurso, afirmando que a empresa se encontra em liquidação judicial e, portanto, suas atividades estão interrompidas, não havendo possibilidade de ocorrência de novos fatos geradores. Afirma também que, de acordo com o art. 1.103 do novo Côdigo Civil, é seu dever realizar o ativo e, enquanto não proceder a realização, não poderá ser baixada, d~finitivamente.(...)" A 2" Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, .por meio do acórdão n. 0000312, processo de relatoria do Conselheiro Antônio Correa Júnior, entendeu por converter os autos em diligência, para que a Secretaria da Receita Previdenciária desse aplicação ao artigo 89, ~ 8°, da Lei n. 8212/91, isto é, verificar a existência de débito em nome do sujeito passivo, para que o valor da restituição seja utilizado para extingui-lo, total ou parcialmente (fls. 223/225). Às fls. 231/363 houve manifestação da SRP, confonne determinado CRPS, infonnando que não foi possivel constituir nenhum crédito previdenciário. pelo 2 CC02/C06 Fls. 369 Processo n." 12045.00015512007.93 Resolução n." 206.00.110 MF.llEGUNOOCONSEU;. :'~. '.,,,'.,,,; . CON~~CO:.~~"G:;';': ()1 Br.ISIIiI. 2- I ~ .•••_ .•. __ . SlillliJ, 3~a. o: .",,:.'~ lo\llI,: Siapo 1lT7662 Não houve manifestação do contribuinte, em razão de não ter sido intimado do resultado da diligência. É O Relatório. Conselheiro DANIEL AYRES KALUME REIS, Relator No presente caso concreto, verifica-se que não foi dado ciência ao contribuinte dos documentos e teor da diligência de fls. 231/363. o artigo 50, inciso LV da Constituição Federal de 1988 prevê que, in verbis: "LV - aos litigantes. em processo judicial ou administrativo. e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ele inerentes. " . Alexandre de Moraes, in Constituição do Brasil Interpretada e Legislação Constitucional, sa edição, São Paulo, Editora Atlas, 2005, pg. 366, assim se manifesta a respeito da questão, in verbis: "(..). o devido processo legal tem como corolários a ampla defesa e o contraditário, que deverão ser assegurados aos litigantes, em processo judicial criminal e civil ou em procedimento administrativo, inclusive nos militares, e aos acusados em geral, conforme o texto constitucional expresso, Assim, embora no campo administrativo não exista necessidade de tipificação estrita que subsuma rigorosamente a conduta à norma, a capitulação do ilicito administrativo não pode ser tão aberta a ponto de impossibilitar o direito de defesa, pois nenhuma penalidade poderá ser imposta, tanto no campo judicial quanto nos campos administrativos ou disciplinares. sem a necessária amplitude de defesa. Os princípios do devido processo legal, ampla defesa e contraditório, conio já ressaltado, são garantias constitucionais destinadas a todos os litigantes. inclusive nos procedimentos administrativos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente, Por ampla defesa entende-se o asseguramento que é dado ao réu de condições que lhe possibilitem trazer para o processo todos os elementos tendentes a esclarecer a verdade ou mesmo de calar-se. se entender necessário. enquanto o contraditório é a própria exteriorização da ampla defesa, impondo a condução dialética do. processo (par condi tio), pois a todo ato produzido caberá igual direito da outra parte de opor-se-lhe ou de dar-lhe a versão que lhe convenha, ou, ainda, de fornecer uma interpretação juridica diversa daquela feita pelo autor. " 3 Processo n.' 12045.00015512007-93 Resolução n.' 206.00.110 .. .- MF - SEGIJNOO CONSELHO DE (;01,il RISUill;TESl CONFERE COM O ORIG::.,f,L <J :~r Os . CC02lC06 Bnlsflia,$l-. I I Fls. 370 Gama C:e OI;¥cl!' .•~ ~ alTllIl2 Alberto Xavier, in Princípios do Processo Administrativo e Judicial Tributário, 1n edição, Rio de Janeiro, Editora Forense, 2005, pgs. 5/10, se manifesta no seguinte sentido: 'J ;OAMPLA DEFESA Devidoprocesso legal (..). Direito de defesa e contraditório são, por seu turno, manifestações do princípio mais amplo do 'devido processo legal' (due process of law) consagrado no XlV aditamento à Constituição dos Estados Unidos da América, c1da seção l~ 2" frase assegura que ninguém pode ser 'privado de sua vida, liberdade ou propriedade sem umprocesso justo e disciplinado por lei '. Como diz Pedro Machete ' o significado imediato deste direito constitucionalmente reconhecido (e, portanto, vinculativo para todos os Estados) é a exigéncia de que o exercício do poder jurídico-público se faça nos termos de um procedimento justo (fairprocedure). Tal implica para oparticular afetado, emprincípio, o direito de conhecer os fatos e o direito invocado pela autoridade, o direito de ser ouvido pessoalmente e de apresentarprovas e, ainda, de confriontar as posições dos adversários (confrontation and cross- examinition). Direito de Audiência o direito de ampla defesa reveste hoje a natureza de um direito de audiência (Audi alteram partem), nos termos do qual nenhum ato administrativo suscetível deproduzir conseqüências desfavoráveis para o administrado poderá ser praticado de modo definitivo, sem que a este tenha sido dada a oportunidade de apresentar as razões (fatos e provas) que achar convenientes à defesa dos seus interesses. (. ..). o direito de defesa ou direito de audiência é um direito departicipação procedimental, que pressupõe a atribuição ao particular do estatuto jurídico 'parte' no procedimento administrativo, com vista à defesa de interesses próprios. Todavia, nem todo o direito de participação procedimental visa a finalidade garantística de defesa, podendo também, desempenhar a função de colaboração democrática dos cidadãos, individualmente ou associados, na própria formação das decisões administrativas,' segundo um modelo de 'administração participada ': a primeira ê umaparticipação defensiva ou garantística; a segunda, umaparticipação informativa ou democrática. ' ~ 3° CONTRADITÓRiO O princípio do contraditório encontra-se relacionado com o princípio da ampla defesa por um vínculo instrumental: enquanto oprincípio da ampla d~resa afirma a existência de um direito de audiência do particular, o principio do contraditório reporta-se ao modo do seu exercício. Esse modo de exercício, por sua vez, caracteriza-se por dois traços distintos: a paridade das posições jurídicas das partes no procedimento ou no processo, de tal modo que ambas tenham a possibilidade de influir, por igual, na decisão ('princípio da igualdade 4 Processo n." 12045.00015512007-93 Resolução no" 206.00..,10 ... . MF. SEGUNDO CONSelHO DE COl' m:SUIN1'Es"] CONF;:fiE COM O O~lIGI;~:;t. ~ I Bm.IlIa. fl.2-- -' _p_,.:L_\. _Al~O!"il1l. amG2' de armas '); e o caráter dial . e tomadade decisão. de tal modo que a cada uma das partes seja dada a oportunidade de contradizer os fatos alegados e as provas apresentadas pela outra.•. CC02/C06 Fls. 371 Diante disso, ante a violação dos princípios constitucionais do devido processo . legal, da ampla' defesa e do contraditório, o que caracteriza total cerceamento de defesa do contribuinte, artigo 5°, inciso LV da Carta Magna, entendo que os autos sejam baixados em diligência para que o contribuinte, caso entenda necessário, apresente manifestação quanto aos documentos e o teor da diligência de fls. 231/363, no prazo de 30 (trinta) dias. Por tais razões CONHEÇO DO RECURSO, PARA CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. Sala das Sessões, em 10 de abril de 2008 DANIEL AYRES KALUME REIS 5 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
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Numero do processo: 10983.905039/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3401-000.130
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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(assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Gerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Antonio Mário de Abreu Pinto (Suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão que manteve despacho decisório eletrônico não homologando compensação constante de PER/Dcomp entregue em 14/05/2004, cujo crédito alegado em é referente à Cofins. O débito indicado para compensação é da Cofins, período de apuração de abril de 2004. Conforme o despacho decisório eletrônico denegatório, o DARF discriminado no PER/Dcomp não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Em manifestação de inconformidade a contribuinte argumentou que, na condição de pessoa jurídica concessionária de serviço público de energia elétrica e o prestando a órgãos públicos, está sujeita à incidência, na fonte do IRPJ, da CSLL, do PIS/Pasep e da Cofins, tudo nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Informou ainda Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 25/02/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 04/03/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10983.905039/200818 Resolução n.º 340100.130 S3C4T1 Fl. 71 2 que somente em maio de 2004 apercebeuse que a Universidade Federal de Santa Catarina, quando do pagamento da fatura de energia elétrica, efetuava a retenção do IRPJ, da CSLL, da Cofins e do PIS/PASEP, e que visando a compensação a interessada requereu e obteve daquela instituição a cópia da tela Siafi representativa do documento de arrecadação (Condarf). De posse de tal documento, informou ter segregado o valor total retido de forma a obter a quantia correspondente a cada tributo, sendo que em relação à Contribuição origem do presente indébito identificou o valor de R$ 5.723,90, ao qual acresceu juros Selic até a data da compensação, não utilizado na redução do saldo a pagar da mesma Contribuição e, por isto, compensada como permitido pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96, por meio do PER/Dcomp em questão. A 4ª Turma da DRJ manteve o indeferimento. Apesar de não questionar a afirmação de que teria havido a retenção na fonte, o Colegiado de primeira instância entendeu que a contribuinte não pode aproveitar os valores retidos sem antes recompor formalmente os registros e declarações nos quais apurou e declarou os valores devidos e a pagar relativos às Contribuições objeto das retenções e aos períodosbase a que pertencem, de modo que o saldo credor porventura resultante é que poderia ser usado para a compensação posterior. No Recurso Voluntário, tempestivo, a interessada afirmou nunca ter utilizado o valor da retenção para fins de redução do saldo a pagar da Contribuição devida e ponderou que a retenção na fonte possui natureza jurídica de um pagamento, uma vez que é um depósito nas contas públicas provenientes de recursos da própria contribuinte. Citou manifestação da Superintendência Regional da Receita Federal da 10ª Região Fiscal (Processo de Consulta nº 196/2006), arguindo que em caso de reforma da decisão recorrida nenhum prejuízo será causado ao erário. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Todavia, não se encontra em condições de ser julgado por demandar diligência, conforme já decidiu esta Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara noutros processos da mesma Recorrente, em tudo igual ao presente. Refirome, dentre outros, ao Recurso nº 515051, processo nº 10983.905037/200829, relatado pelo ilustre Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, cujo voto adoto, pelo que o transcrevo: (...) constatase pelo Despacho Decisório expedido eletronicamente pela DRF/FlorianópolisSC, que o motivo do não reconhecimento do crédito foi a não localização junto aos sistemas da Receita Federal do referido Darf indicado pela interessada como originário do pagamento indevido ou a maior. Assim, somente com as informações trazidas pela interessada na Manifestação de Inconformidade veio à tona a completa identificação do alegado crédito, ou seja, conforme dito acima, que o mesmo seria decorrente de retenção na fonte sofrida em face da regra do art. 64 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e não Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 25/02/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 04/03/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10983.905039/200818 Resolução n.º 340100.130 S3C4T1 Fl. 72 3 aproveitada para reduzir o valor do saldo a pagar da contribuição. E a DRJ, por seu turno, atribuiu à inobservância da forma o motivo da não homologação da compensação, ou seja, mesmo admitindo, ou não ter questionado, a retenção na fonte, considerou que a Dcomp haveria de ter sido precedida de uma recomposição formal nos registros e declarações nos quais a interessada apurara e declarara os valores devidos e a pagar relativos às contribuições objeto das retenções e aos períodosbase a que pertencem. Sobre o referido art. 64 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é bom que se esclareça o seu teor, ou seja, a partir de 1º de janeiro de 1997, todos os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal, passaram a sujeitarse à incidência, na fonte, do IRPJ, da CSLL, da Cofins e do PIS/Pasep, sendo que o “valor retido”: a) é levado a crédito da respectiva conta de receita da União (§ 2º); b) é considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições (§ 3º); e c) somente pode ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição (§ 4º). Alem disso, a segregação do valor retido, de acordo com o imposto ou a contribuição, ficou estabelecida da seguinte forma: o IRPJ, mediante a aplicação de 15% sobre o resultado da aplicação do percentual de que trata a Lei nº 9.249/95; a CSLL, de 1% sobre o valor do montante pago, e o PIS/Pasep e a Cofins, dos percentuais correspondentes às respectivas alíquotas (§§ 5º ao 8º). O primeiro ato infralegal dispondo especificamente sobre essa modalidade de retenção na fonte foi a Instrução Normativa SRF/STN/SFC nº 04, de 18 de agosto de 1997, a qual estabeleceu regras para a retenção e trouxe uma tabela de retenção, segundo a qual, para os serviços prestados sob o título de “energia elétrica”, o percentual aplicado seria de 4,85%, correspondente à soma dos percentuais de 1,2% (IRPJ), 1,0% (CSLL), 2,0% (Cofins) e 0,65% (PIS/Pasep), bem como que o código de recolhimento seria “6147”. Referido ato prevaleceu, com algumas modificações posteriores até a edição da IN SRF nº 294, de 04/02/2003, que o revogou, tendo sido editada, para tratar da matéria, a IN SRF nº 306, de 12/03/2003, fixando, no que interessa ao processo, as mesmas regras listadas acima. Esta última Instrução Normativa foi revogada pela IN SRF nº 480, de 15/12/2004, a qual manteve, no que interessa ao processo, as mesmas disposições listadas acima, com alguma ou outra mudança não significativa para este julgamento. Com base nessas informações, já podemos concluir que o Darf indicado pela interessada como origem para o crédito postulado, cujo código de recolhimento utilizado fora o “6147”, referese, de fato, à retenção efetuada pela Universidade Federal de Santa Catarina em face de pagamento à interessada pela venda de energia elétrica. Podemos concluir, também, que o seu valor é composto por outros tributos além do PIS/Pasep, e que, nos termos dos parágrafos 3º e 4º do referido artigo 64, a interessada poderia ter diminuído do valor do PIS/Pasep devido o valor que lhe fora retido na fonte a esse título. Assim, diante das afirmações taxativas da interessada, de que bastaria a confrontação de sua DCTF, na qual está indicado o valor devido, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 25/02/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 04/03/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10983.905039/200818 Resolução n.º 340100.130 S3C4T1 Fl. 73 4 com o Darf recolhido a esse título, para verificar que não se valeu da permissão legal de utilizar o valor retido na fonte, podese dizer que, de fato, e, em princípio, incorreu ela, por seu erro, num pagamento indevido ou a maior. A ressalva que fiz no parágrafo anterior devese ao fato de que, apesar de fortes indícios, o direito ao crédito não foi demonstrado corretamente pela interessada, daí a DRJ não ter admitido a compensação. A DRJ tem razão quanto à inobservância da forma adequada, haja vista que a interessada deveria ter indicado na PER/Dcomp como origem de seu crédito o “pagamento indevido ou a maior” relacionado, não ao recolhimento efetuado pela Universidade de Santa Catarina e que correspondeu ao valor por esta retido na fonte a título de IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins, mas, sim, o recolhimento efetuado por ela própria, a interessada, relacionado ao débito do PIS/Pasep do mesmo período de apuração correspondente ao que gerou a referida retenção na fonte. Pois, como visto e revisto acima, não houve erro e tampouco pagamento indevido ou a maior quando a Universidade de Santa Catarina recolheu o valor da retenção na fonte, mas, sim, quando a interessada deixou de diminuir do valor a pagar da contribuição o valor da retenção sofrida na fonte, o que provocou o pagamento indevido ou a maior ora em discussão. Observo, contudo, que, ainda que a interessada tivesse assim procedido, seu pleito também não seria admitido de plano, ainda mais se considerarmos que o “batimento” das informações foi eletrônico, haja vista que os sistemas da Receita Federal fariam o confronto entre o valor do débito indicado na DCTF e o valor do recolhimento da contribuição e, obviamente, não se encontraria o crédito apontado no PER/Dcomp, que referese ao valor da retenção na fonte. É que, dadas as limitações dos campos disponibilizados para preenchimento nas PER/Dcomp, somente por ocasião da Manifestação de Inconformidade, ou por meio de petição suplementar, é que a interessada, então, teria a oportunidade de explicar as verdadeiras razões de seu pedido de reconhecimento de crédito. Além disso, não estivessem ainda sido retificados os registros e as declarações nas quais apurou e declarou os valores devidos e a pagar, por óbvio, não se constataria erro algum no pagamento efetuado. Estou perfeitamente de acordo com a fundamentação utilizada pela instância de piso, especialmente quando ela diz: “É preciso ressaltar que as retenções na fonte previstas no artigo 64 da Lei n.° 9.430/1996, acabaram merecendo disciplina complementar em alguns atos administrativos,como tais a Instrução Normativa SRF n.° 306, de 12/03/2003, e a Instrução Normativa SRF n.°480, de 15/12/2004. Em tais atos, está expresso que "os valores retidos na forma deste ato poderão ser compensados, pelo contribuinte, com o imposto e contribuições de mesma espécie, devidos relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção" (artigo 5.° da IN SRF n.° 306/2003) e que” os valores retidos na forma desta Instrução Normativa poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, do valor do imposto e contribuições de mesma espécie Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 25/02/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 04/03/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10983.905039/200818 Resolução n.º 340100.130 S3C4T1 Fl. 74 5 devidos,relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção" (art. 7.° da IN SRF n.°480/2004). Como se vê, tais atos administrativos expressamente permitem que os valores retidos sejam utilizados para compensar débitos relativos a períodosbase posteriores, mas certo é que tais disposições devem ser devidamente cruzadas com a natureza própria das retenções da fonte, expressa no parágrafo 3.° da Lei n.° 9.430/1996, ou seja, o direito à compensação com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que as retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo períodobase de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodosbase posteriores.” Porém, com a devida vênia, dela divirjo nas conclusões, ou seja, o pleito da interessada não pode ser considerado improcedente pela mera inobservância de forma, já que “forma por forma”, também não poderia a DRJ ter deixado de observar que a atribuição de verificação quanto à procedência ou não da compensação é da DRF, e não dela, e, como visto, a fundamentação constante do Despacho Decisório para não homologar a compensação nada teve a ver com o motivo alegado pela DRJ. Vejase, por exemplo, os dispositivos da IN SRF nº 210, de 2002, que tratam da competência para o reconhecimento do direito creditório e para a homologação da compensação declarada: “Art. 31. A decisão sobre o pedido de restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF caberá ao titular da Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do sujeito passivo. (Redação dada pela IN SRF 323, de 24/04/2003) § 1o A restituição ou a compensação de ofício do crédito do sujeito passivo com seus débitos para com a Fazenda Nacional caberá ao titular da unidade da SRF de que trata o caput que, à data da restituição ou da compensação, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do sujeito passivo. (...) § 5º A homologação de Declaração de Compensação apresentada pelo sujeito passivo à SRF será promovida pelo titular da DRF, Derat ou Deinf que, à data do despacho de homologação, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do sujeito passivo, observado, quanto ao reconhecimento do direito creditório, o disposto no § 6º. (Incluído pela IN SRF 323, de 24/04/2003)” (...) Alem disso, como afirmado acima, não há na PER/Dcomp campo próprio para que os detalhes que cercam esse tipo de pleito possam ser melhor esclarecidos pelos contribuintes, o que somente é possível, ou por meio de petição adicional, ou quando da apresentação de reclamação contra um despacho decisório desfavorável. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 25/02/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 04/03/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10983.905039/200818 Resolução n.º 340100.130 S3C4T1 Fl. 75 6 Deixo aqui consignada a minha convicção, obtida dos elementos e argumentos trazidos pela Recorrente aos autos, de que existe o direito ao crédito por conta de não têlo utilizado consoante a lei lhe facultava, porém, o seu reconhecimento efetivo para fins de aproveitamento em compensação não pode ser obtido neste julgamento em face de depender de providências que já poderiam ter sido tomadas nas fases processuais anteriores, haja vista que as informações e documentos carreados ao processo pela interessada foram suficientes para que se aprofundasse nas investigações agora reclamadas. Neste ponto, invoco os princípios de direito administrativo aplicáveis ao Processo Administrativo Fiscal Federal, notadamente os da legalidade, moralidade, da eficiência e o da finalidade, bem como os princípios da verdade material, para proferir o meu voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Unidade de origem, agora sabendo do que trata o pedido da interessada, sobre ele se manifeste, facultando à mesma a oportunidade para também manifestarse, no prazo de trinta dias. O presente processo somente deverá voltar a este Colegiado se, da nova análise a ser efetuada quanto ao crédito, ainda assim não restar homologada a compensação declarada e contra tal decisão a interessada se insurgir. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem se pronuncie sobre a DCTF retificadora, informando, de modo conclusivo, sobre o seu acatamento e substituição da original ou não, e sobre a existência de pagamento a maior ou não. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindoselhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. (assinado digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 6DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 25/02/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 04/03/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 18404.720111/2019-77
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2019
SIMPLES. INDEFERIMENTO DO TERMO DE OPÇÃO. FALTA DE INDICAÇÃO PRECISA DOS DÉBITOS QUE MOTIVARAM A REJEIÇÃO. NULIDADE.
Comprovada no Termo de Indeferimento da opção pelo Simples a ocorrência de erro na descrição e no montante dos débitos que constituíram o motivo da rejeição da opção, é imperioso declarar a nulidade do referido Termo, por deficiência de motivação e cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo.
Aplicação analógica da Súmula CARF nº 22.
Numero da decisão: 1002-002.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Lucas Issa Halah.
Nome do relator: Ailton Neves da Silva
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INDEFERIMENTO DO TERMO DE OPÇÃO. FALTA DE INDICAÇÃO PRECISA DOS DÉBITOS QUE MOTIVARAM A REJEIÇÃO. NULIDADE. Comprovada no Termo de Indeferimento da opção pelo Simples a ocorrência de erro na descrição e no montante dos débitos que constituíram o motivo da rejeição da opção, é imperioso declarar a nulidade do referido Termo, por deficiência de motivação e cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo. Aplicação analógica da Súmula CARF nº 22. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Lucas Issa Halah. Relatório Em atenção aos princípios da economia e celeridade processual, transcrevo e adoto parcialmente o relatório produzido pela DRJ/FNS. Trata-se de Manifestação de Inconformidade, interposta pela contribuinte em 11/03/2019, contra Termo de Indeferimento de Solicitação de Opção pelo Simples Nacional para o ano de 2019, em face do(s) débito(s) listado(s) às f. 03: (...) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 40 4. 72 01 11 /2 01 9- 77 Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-002.202 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18404.720111/2019-77 2. Na manifestação de inconformidade, a empresa requer a improcedência do termo de indeferimento, alegando que a cobrança realizada através do Debcad n° 138474788 é indevida haja vista ter pago as contribuições previdenciárias através das guias individualizadas por competência. Informa que solicitou revisão de ofício da dívida inscrita em 22/01/2019. 3. A autoridade administrativa se manifestou no sentido manter o Termo de Indeferimento, pois o Debcad n° 138474788 não foi integralmente amortizado após as apropriações dos recolhimentos. Informa que a informação consta do despacho de f. 51 do processo administrativo-fiscal n° 18404.720083/2019-98. (...) O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento do Termo de opção do Simples, a qual foi indeferida pela DRJ/FNS, conforme acórdão n. 07- 046.838, de 27 de maio de 2020 (e-fl. 75). Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário de e-fls. 83, defendendo a reforma do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, mediante os argumentos a seguir sintetizados. Diz que ingressou com um primeiro pedido de revisão dos débitos na ARF/Praia Grande em 22/01/2019, o qual teria sido extraviado, obrigando o contribuinte a ingressar com nova solicitação em 19/02/2019. Aduz que o pedido de revisão só foi analisado em 12/04/2019 pela ARF/Praia Grande, causando-lhe prejuízo, em razão da morosidade na conclusão do processo. Sustenta que, em 12/04/2019, foi comunicado, pelo Domicilio Eletrônico e pelos Correios, da existência de débitos remanescentes do DEBCAD 138474788, no montante de R$ 1.086,00, valor este que se pago até o vencimento - 30/04/2019 -, extinguiria todos os débitos da empresa e a manteria no Simples Nacional para o Exercício de 2019. Afirma que a situação dos débitos não foi apresentada em seu total quando do indeferimento da opção e que não pôde regularizar em tempo hábil os débitos remanescentes da empresa em razão da demora da Unidade Administrativa em informá-los. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017. Fl. 115DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-002.202 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18404.720111/2019-77 Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito O contribuinte teve indeferida sua solicitação de opção pelo Simples Nacional devido à existência de débitos previdenciários com a Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, cuja exigibilidade não estava suspensa, conforme indicado no Termo de Indeferimento - TI de e-fls. 3 (destaque deste relator): Como se observa do destaque, os débitos que justificaram a exclusão do contribuinte do Simples constavam do Debcad nº 138474788 e totalizavam R$ 33.531,11. Compulsando os autos, constato que o contribuinte solicitou revisão de tais débitos em 22 e 29 de janeiro de 2019, conforme indicam os documentos de e-fls. 18 e 106. Como resultado dessa análise, em 04/2019 o contribuinte foi notificado da existência de débito residual no valor de R$ 1.086,26 (e-fls. 72/73), o qual foi recolhido em 29/04/2019. Em suas razões de defesa, o Recorrente argui, em suma, que a situação dos débitos não foi apresentada em seu total quando do indeferimento da opção e que não pôde regularizar em tempo hábil os débitos remanescentes da empresa em razão da demora da Unidade Administrativa em informá-los. Assiste razão ao Recorrente, conforme será explicado em sequência. Fl. 116DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-002.202 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18404.720111/2019-77 Em primeiro lugar, os requerimentos de revisão dos débitos motivadores da rejeição da opção pelo Simples Nacional foram protocolados antes de 31/01/2019, prazo fatal estabelecido pela legislação tributária para que a solicitação de opção fosse apresentada. Em segundo lugar, constata-se que não foi consignada no TI a descrição precisa da natureza e do valor dos débitos que motivaram a rejeição da adesão ao Simples, constantes do Debcad nº 138474788, tanto assim que a autoridade tributária, depois de saneá-lo, notificou o contribuinte do débito remanescente. Tal fato, a meu juízo, implicou em prejuízo ao direito de defesa do Recorrente, face a deficiência de motivação do ato administrativo. A correta motivação dos atos administrativos, sobretudo quando neguem ou deixem de analisar pleitos dos administrados, constitui-se em direito reconhecido pela doutrina e princípio basilar consagrado na Constituição Federal e na Lei nº 9.784/99. Nessa esteira, a falta de indicação precisa das características do débito motivador do indeferimento configurou vício insanável do ato administrativo, tornando-o nulo. A opinião balizadora do saudoso administrativista Hely Lopes Meirelles, reproduzida no trecho seguinte, vai ao encontro da nossa concepção sobre a o tema (grifos nossos): Pela motivação o administrador público justifica sua ação administrativa, indicando os fatos (pressupostos de fato) que ensejam o ato e os preceitos jurídicos (pressupostos de direito) que autorizam sua prática. Claro está que em certos atos administrativos oriundos do poder discricionário a justificação será dispensável, bastando apenas evidenciar a competência para o exercício desse poder e a conformação do ato com o interesse público, que é pressuposto de toda atividade administrativa. Em outros atos administrativos, porém, que afetam o interesse individual do administrado a motivação é obrigatória, para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. A motivação é ainda obrigatória para assegurar a garantia da ampla defesa e do contraditório prevista no art. 5º, LV, da CF/88. Assim, sempre que for indispensável para o exercício da ampla defesa e do contraditório, a motivação será constitucionalmente obrigatória. A motivação, portanto, deve apontar a causa e os elementos determinantes da prática do ato administrativo, bem como o dispositivo legal em que se funda. Esses motivos afetam de tal maneira a eficácia do ato que sobre eles se edificou a denominada teoria dos motivos determinantes, delineada pelas decisões do Conselho de Estado da França e sistematizada por Jeze (v. cap. IV, item 5). Em conclusão, com a Constituição/88 consagrando o princípio da moralidade, ampliando o do acesso ao Judiciário e exigindo explicitamente que as decisões administrativas dos tribunais sejam motivadas ( cf. inc. X do art. 93, aplicável ao Ministério Público em face do§ 4º do art. 129, na redação da EC 45), a regra geral é a obrigatoriedade da motivação, para que a atuação ética do administrador fique demonstrada pela exposição dos motivos do ato e para garantir o próprio acesso ao Judiciário. Em suma, a motivação deve ser eficiente, de modo a ensejar seu controle a posteriori. Leis infraconstitucionais têm proclamado a observância do princípio da motivação. Fl. 117DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-002.202 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18404.720111/2019-77 Assim, na esfera federal, a referida Lei 9.784, de 29.1.99, diz que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da motivação (art. 2º). No processo e nos atos administrativos a motivação é atendida com a 'indicação dos pressupostos de fato e de direito' que determinarem a decisão ou o ato (parágrafo único do art. 2º e art. 50). A motivação 'deve ser explícita, clara e congruente'(§ 1º do art. 50). Assim, se não permitir o seu devido entendimento, a motivação não atenderá ·aos seus fins, podendo acarretar a nulidade do ato. (...) Diz, ainda, que a motivação é obrigatória quando os atos "neguem, limitem ou afetem direitos e interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou de seleção pública; dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; decidam recursos administrativos; decorram de reexame de oficio; deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo' (art. 50, I a VIII). Quando se tratar de 'decisões de órgãos colegiados ou de decisões orais' a motivação 'constará da respectiva ata ou de termo escrito' (§ 3º do art. 50). Assim, para que o direito ao contraditório e ampla defesa do contribuinte fosse preservado, resta claro que deveria ter sido consignado no TI o valor de R$ 1.086,26 no Debcad nº 138474788, e não R$ 33.531,11, como, de fato, constou. Se, por hipótese, fosse devolvido o prazo ao contribuinte para regularização do débito remanescente, poder-se-ia cogitar da validade do TI, entretanto, isso efetivamente não ocorreu no presente caso. Essa intelecção, extraída do § 3º do artigo 18 do decreto nº 70.235/72, seria a única, a meu ver, capaz de sanear o Termo de Indeferimento sem malferir o direito de defesa do contribuinte, vez que ser-lhe-ia impossível o saneamento tempestivo de débito residual cujo conhecimento só lhe foi franqueado em data posterior à de emissão do próprio ato administrativo de indeferimento. Este entendimento está consolidado em vários julgados por desta 2ª TE, dentre os quais cito os de nºs 1002-001.142, 1002-001.210, 1002-001.218, 1002-001.223, 1002-001.361 e 1002-001.372, todos de autoria deste relator. Nesse quadro, reconhecer a nulidade do Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional é medida que se impõe ao colegiado, por aplicação analógica da súmula CARF nº 22: Súmula CARF nº 22: É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, declarando a nulidade do Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional. Fl. 118DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-002.202 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18404.720111/2019-77 É como voto. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 119DF CARF MF Documento nato-digital
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